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Numero do processo: 10120.007317/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Exercício: 2000, 2001
DECADÊNCIA IRPJ E CSLL OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ANUAL,
Optando o contribuinte pelo regime de apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador de ambas as exações somente ocorre quando do encerramento do exercício (31 de dezembro), momento em que se apuram as receitas e despesas obtidas e incorridas durante todo o ano que, uma vez cotejadas, permitem a definição do lucro - elemento material das respectivas hipóteses de incidência. Não se cogita de decadência em relação ao exercício de 2000 -encerrado em31/l2/2000 - quando do lançamento foi notificado o contribuinte em 09/12/2005
DECADÊNCIA. PIS. COFINS.
Afastada a aplicação da regra do art. 45 da Lei nº 8.212/91 pela Súmula Vinculante nº 08, rege-se a decadência das contribuições do PIS e da COFINS pelo art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 09 de dezembro de 2000.
DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. ART. 61 DA LEI N°. 8 981/95. DOLO E FRAUDE NÃO RECONHECIDAS. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART 150, § 4º. DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
Não comprovado dolo ou fraude do contribuinte e tratando-se de tributo sujeito ao regime de lançamento homologação o prazo decadencial inicia com a ocorrência do fato gerador Precedentes deste Conselho Reconhecida a decadência dos fatos geradores ocorridos em momento anterior a 09 de dezembro de 2000.
MULTA AGRAVADA RESISTÊNCIA AO CUMPRIMENTO DAS INTIMAÇÕES FISCAIS NÃO CONFIGURAÇÃO EXCLUSÃO DO AGRAVAMENTO.
A jurisprudência deste Conselho censura o agravamento da multa de oficio com esteio no art 44, § 2°, da Lei nº 9.430/96, quando o contribuinte atende, ainda que de forma insuficiente, às intimações fiscais, frisando que o agravamento da penalidade deve estar vinculado à falta de atendimento das intimações.
GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. NOTAS FISCAIS DECLARADAS INIDÔNEAS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. ILEGITIMIDADE DA GLOSA
A comprovação, através de perícia judicial, do efetivo ingresso das mercadorias e do pagamento dos valores expressos nas notas fiscais desautoriza a glosa de custos.
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PROVAS DE PAGAMENTO DO IRRF. DECLARAÇÃO NA DIRF.
Diante da indicação da natureza da operação, do histórico de pagamentos, da informação dos valores das comissões e dos recolhimentos do IRRF na Dirf do ano 2000, e, levando-se em conta da dedutibilidade da despesa (representação comercial), posto necessária à atividade do sujeito passivo, indevida a glosa efetuada e, consequentemente, injustificável o lançamento por omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO.
Havendo prova nos autos de que os suprimentos de caixa apontados pela autoridade lançadora foram realizados com recursos do próprio contribuinte, diante da identidade de valores entre os lançamentos contábeis e as saídas de numerário de contas corrente da sua titularidade, e, assim, comprovada a origem dos recursos, assim como tratar-se de mera transferência de conta bancaria para a conta caixa, a situação não se amolda à regra estampada no art 282 do RIR/99.
MENSAIS. PENALIDADE APLICADA CONCOMITANTEMENTE À MULTA DE OFÍCIO
“A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1o, do art, 44, da Lei nº 9 430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9 430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo" Precedentes deste Conselho.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
A análise do mérito dos lançamentos pertinentes à glosa de despesas e falta de comprovação de lançamentos contábeis atinentes à manutenção da Fundação Nestore Scodro, transferência de numerários e pagamentos de contratos de mútuo, fica prejudicada em face do reconhecimento da decadência do direito de lançar, visto que todos os fatos geradores apontados pela autoridade lançador a ocorreram antes de 09 de dezembro de 2000
IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. LANÇAMENTO DECORRENTE DA GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO
Existindo nos autos comprovação, através de perícia judicial, de que os pagamentos registrados no Livro Caixa se destinaram à quitação de obrigações decorrentes de aquisição de mercadorias, estando identificadas as operações e os destinatários dos recursos, inaplicável a regra do art. 61 da Lei n] 8-981/95
Recurso voluntário parcialmente provido. Recurso de ofício improvido.
Numero da decisão: 1103-000.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 08/12/2000. No mérito, dar provimento parcial para: a) Por maioria de votos, excluir a glosa de custos, vencidos os Conselheiros José Sérgio Gomes e Décio Lima Jardim; b) Por unanimidade de votos, excluir a glosa de despesas, os Conselheiros José Sérgio Gomes e Décio Lima Jardim acompanharam o relator pelas conclusões; c) Por unanimidade de votos, excluir o valor de R$ 1.446,000,00 da base de cálculo da receita omitida; d) Por unanimidade de votos, excluir a incidência do IRRF sobre às transferências para a Fundação Nestore Scodro e sobre os mútuos; e) Por unanimidade de votos reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário (75%); f) Por maioria de votos, excluir a multa isolada por falta de pagamento sobre base de cálculo mensal estimada, vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integrara o presente julgado.
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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PRODUTOS ALIMENTARES LIDA 2n TURMA DRI BRASÍLIA .ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. IRPI E CSLL OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO PET. O LUCRO ANUAL. Optando o coral ibuinte pelo regime de apuração anual do IRPJ e da CSLL, fato gerador de ambas as exações somente °cone quando do encerramento do exercício (31 de dezembro), momento em que se apuram as receitas e despesas obtidas e incorridas durante todo o ano que, uma vez cotejadas, permit= a definição do lucro elemento material das respectivas hipóteses de incidência. Não se cogita de decadência em relação ao eXCIcicio de 2000 - enceriado em 31/12/2000 - quando do lançamento foi notificado o contribu late em 09/12/2005. DECADÊNCIA, PIS. COF1NS Afastada a aplicação da regra do art. 45 da Lei IV, 8112/91 pela SUmula Vinculante n` ) . 08, rege-se a decadência das contribuições do PIS e da COFINS pelo art. 150, § 4 0 , do Código Tributário Nacional. Reconhecida decadência em relação aos fatos geradores OCONidOS anteriormente a 09 de dezembro de 2000, DECADÊNCIA, IRRIT, PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS, ART. 61 DA LEI NI', 8.981/95. DOLO E FRAUDE. NÃO RECONHECIDAS. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART, 150, § 4 0, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Não comprovado dolo ou fraude cio contribuinte e tratando-se de tributo sujeito ao regime de lançamento homologação o prazo decadencial inicia com a oconência do fato gerador Precedentes deste Conselho Reconhecida a decadência dos fatos geradoies ocorridos ern momento anterior a 09 de dezembro de 2000, META AGRAVADA RESISTENCIA AO CUMPRIMENTO DAS FISCAIS NA() CONFIGURAÇÃO EXCLUSÃO DO AGRAVAMENTO. A jut ispindencia deste Conselho censura o agravamento da multa de of -leio corn esteio no art 44, § 2 0, da Lei n".. 9.430/96, quando o contribuinte atende, ainda que de forma insuficiente, as intimações fiscais, fiisando que o agravamento da penalidade deve estar vinculado à falta de atendimento das intimacões. GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. NOTAS FISCAIS DECLARADAS INID6NEAS, COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERACÕES. ILEGITIMIDADE DA GLOSA. A comprovação, através de perícia judicial, do efetivo ingresso das mercadorias e do pagamento dos valores expressos nas notas fiscais desautoriza a glosa de custos. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL PROVAS DE PAGAMENTO DO IRRF, DECLARAÇÃO NA DIRF. Diante cia indicação da natureza da operação, do histórico de pagamentos, da informação dos valores das comissões e dos recolhimentos do IRRF na Dirt cio ano 2000, c, levando-se em conta da dedutibilidade da despesa (representação comercial), posto necessária a'atividade do sujeito passivo, indevida a glosa efètuada e, consequentemente, injustificável o lançamento por omissão de receitas OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Havendo prova nos autos de que os suprimentos de caixa apontados pela autoridade lançadora foram realizados com recursos do próprio contribuinte, diante da identidade de valores entre os lançamentos contábeis e as saídas de numerano de contas conente da sua titularidade, e, assim, comprovada origem dos recursos, assim como tratar-se de meta transfer encia de conta • bancária para a conta caixa, a situação não se amolda à regra estampada no art. 282 do RIR/99. MULTA ISOLADA, FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. PENALIDADE APLICADA CONCOMITANTEMENTE MULTA DE OFÍCIO "A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § I", do art 44, da Lei n" 9 430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art, 44, da Lei n 9 430, de 1996) não á legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo". Precedentes deste Conselho_ PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, A análise do mérito dos lançamentos pertinentes à glosa de despesas e falta de comprovação de lançamentos contábeis atinentes à manutenção da Fundação Nestore Soodro, transfeiência de numerários e pagamentos de contratos de mútuo, -flea prejudicada em face do reconhecimento da decadência do direito de lançar, vista que todos os fatos geradores apontados pela autoridade lançador a ocorreram antes de 09 dc dezembro de 2000 2 TERO Relator. HUG Processo n" I 0120 007317/2005-S7 Acórclilo n " _1 1103-0027 S -CD U Fl IRRE PAGAMENTO SEM CAUSA 1//OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. LANÇAMENTO DECORRENTE DA GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES.. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO Existindo nos autos comprovação, através de perícia . judicial, de que os pagamentos registrados no Livro Caixa se destinaram à quitação de obrigações decorrentes de aquisição de mercadorias, estando identificadas as operações e os destinatários dos recursos, inaplicável a -regra do art. 61 da Lei n". 8.981/95 Recurso voluntário parcialmente provido. Recurso de oficio improvido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negai provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, reconhecer decadência do du eito de constituir' o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 08/12/2000. No mérito, dar provimento parcial para: a) Por maioria de votos, excluir' glosa de custos, vencidos os Conselheiros Jose Sergio Gomes e Décio Lima Jardim; b) Por unanimidade de votos, excluir a glosa de despesas, os Conselheiros Jose Sergio Gomes e Décio Lima Jardim acompanharam o relator pelas conclusões; e) Por unanimidade de votos, excluir o valo, de R$ 1.446.000,00 da base de cálculo da receita omitida; d) Por unanimidade de votos, excluir a incidência do IRRF sobre As transfer ências para a Fundação Nestoie Scodro e sobre os mútuos; e) Por unanimidade de votos reduzir a multa de oficio ao seu percentual ordinário (75%); f) Por maioria de votos, excluir a multa isolada por falta de pagamento sobre base de cálculo mensal es,tlmada, vencido o Conselheiro Jose Sergio Gomes, nos termos do relatório e voto que integr;r o presente-julgado. / / — ALO1SFh PRClEO DA SILVA - Presidente EDITADO EM: 23/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Jose Sérgio -Comes (conselheiro substituto), Marcos Shigueo Takata ; Décio Lima Jardim (Suplente Convocado), Hugo Correia Sotero. Ausente, justificadamente, o conselheiro Eric Moines de Castro e Silva Relatório Cipa Industrial de Produtos Alimentares Ltda foi autuada por insuficiente recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CS LL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COP INS), tendo a autoridade lançadora, ainda, imputado o dever de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos sem causa, operações não comprovadas, ou a beneficiários não identificados, nos termos do que dispõe o art., 61 da Lei n" 8.981/95. Os fundamentos que ensejaram a formalização do lançamento de oficio foram assim enunciados: a) omissão de receitas — Latta de comprovação da origem (Von da efetividade da entrega do numerário, sendo consideradas como omissão de receitas os suprimentos de caixa car acterizados pelos respectivos lançamentos contábeis a débito da conta caixa; b) glosa de custos -- foram considerados não comprovados todos os custos relativos As aquisições de mercadorias das empresas JG Indústria, IPM Comercial e Flash Machine, apropriados aos custos dos produtos vendidos, por não ter o contribuinte comprovado os efetivos pagamentos das notas fiscais, bem corno esclarecido as causas, os reais beneficiários e as operações envolvidas nesses pagamentos e) glosa de despesas --- foram desconsideradas as despesas referentes a notas fiscais emitidas pelas empresas Ligeirinho Representações Ltda, Batista Rabelo Representações Ltda (Dinâmica) e Atenan Lopes dos Santos, por falta de comprovação dos pagamentos, prestações de ser viços e causas. d) falta de recolhimento do MN sobre a base de calculo estimada a glosa das despesas e as omissões de receita identificadas pela fiscalização redundaram em aumento das estimativas mensais a cujo recolhimento estava obrigado o contribuinte, sendo-lhe imputada multa isolada nos termos do art 957, IV, do RIR/99; e) IRRF não tendo sido atendidas as solicitações da fiscalização, foram consideradas todas as saídas de recursos, caracterizadas pelos respectivos lançamentos contábeis a credito nas contas bancárias como pagamento sem causa e/ou operação não comprovada e/ou pagamento a bene fi ciário não identificados; f) IRRF fbrain considerados não comprovados todos os pagamentos dos valores referentes As notas fiscais emitidas por JG Indústria, IMP Comercial, Flash Machine, Atenan, Batista Rabelo e Ligeitinho, por falta de comprovação das respectivas operações As multas de oficio foram agravadas nos termos do que dispõe o art. 44, § 2", da Lei n"„ 9 430/96 Notificado, apresentou o contribuinte impugnações as Us. 744/779 (IRPJ e reflexos) e 1.918/1 950 (IRRF), arguindo: nulidade do lançamento, vez que efetuado corn . base em documentos apreendidos pela Policia Federal, tendo o contribuinte obtido decisão judicial que determinava a suspensão do procedimento de fiscalização; b) decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores OCOrtidOS antes de novembro de 2000, nos termos do que dispõe o art. 150, § 4", do CTN; e) MO no enquadramento legal, posto que impossível se considerar omissão de receitas a mera transferência de nurnerário da conta banco para a da mesma empresa; d) a não apresentação dos documentos exigidos pela fiscalização decorreu do fato de estarem estes em poder da Policia Federal, apreendidos em operação de investigação anterior A instauração do procedimento de fiscalização; e) as empresas Batista Rabelo Representações Ltda e Ligeninho Representações Ltda existem de fato no Estado de Goias, não havendo justificativa para a glosas das despesas efetuada pela fiscalização; f) todas as operações comerciais realizadas em face das empresas Atenan, Flash, IMP, IC e Comerpa 4 Process() n" 10120 007317/2005-57 Acórclio n " 1103-00,127 S I-C113 Fl 3 foram devidamente informadas em sua DIRE, ressaltando que todas as notas fiscais emitidas por essas empresas possuiam autorização para impressao e foram emitidas no prazo de validade, sendo, além disso, verificadas nas barreiras fiscais do Estado de Goias e devidamente carimbadas; g) todos os pagamentos efetivados em relação as empresas Ligeirinho e Batista Rabelo (comissões pot vendas realizadas) têm origem em relação comercial e foram feitas mediante apresentação da respectiva nota fiscal, servindo como prova da regularidade dos pagamentos copia das notas fiscais, cópia da DIRE, cópia do DARE da retenção do imposto de renda retido na fonte, assim como a composição do valor das comissões assinadas pelos representantes legais das empresas; 11) impossibilidade de caracterização de omissão de receitas pelos lançamentos de suprimento de caixa, posto que as operações, devidamente escrituradas, referem-se a transferencia de recursos entre contas patrimoniais suas — mera transferência de ativos da própria empresa; i) quanto aos pagamentos a beneficiários não identificados, todos os lançamentos indicados pela autoridade lançadora referem-se a transferência de recursos para manutenção da Fundação Nestore Scodro, transferência de uma conta corrente sua para outra conta corrente da mesma empresa, e pagamento de contratos de mútuo celebrados em relação as empresas Cipa NE Industrial de Produtos Alimentares Ltda, Moinho de Trigo Mabel e outras do mesmo grupo econômico. O lançamento foi julgado procedente cm parte pela Delegacia da Receita Federal de .Julgamento de Brasilia (DF) poi decisão assim ementada: "Avsunto Impo.sto sabre a Renda de Pessoa Ito id/ca OMISSÀO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. O sujeito passivo não logrou comp ovai a oligem dos 1 ecums debitados na califa Caixa e a sua 'efetiva entrega. MULTA QUALIFICADA Não Jbl comprovado pela au/ai idade fiscal o intuito de fi - aude Qualificação indevida. MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLII1MEN7'0 IMPOSTO ESTIMADO &Latakia parciahnente a omissão de receitas. que get ou a difei cap de imposto estimado mensalmente, é devida a multa isolada sobre o imposto ti/lo tecolltido CST L/PIS/COFINS Seguem a sorte cio lançamento de por ,serem refleyos, ou decorrerem da mesma matéria tributável e mesmos elementos probakirios - GLOSA DE, DESPESAS CUSTOS O stueito passivo nao logiou compiovai a efitividade das despesas realizadas, beneficiando-se de 'toms ernitidds poi empresas com atividades encerradas e ;lotus fiscais . declaradas inidõneas MULTA QUALIFICADA.. Devida a qualificação, hap vista demonsn ado o intuito de fraude pela utilização de notas illidôneas DECADÊNCiA Eni havendo descumprimento do disposto no art 150, cabe o lançamento c/c oficio, .sendo que a contagem do prazo decadencial é cf, etuada consoante inciso I do al t 1 73 do mesmo c6digo. /IS cowl ibuicões, aplica-se o al t 4.5 da Lei a" 8 212/91 Auséncia de decadencia MULTA AGRAVADA ReStou comprovado que o sujeito passivo ado atendeu intencionahnente ãs intimações. Agravamento devido. INCONS'IlTUCIONALIDADES E o achninistiadoi um moo evecutor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitueionalidade do comando legal A analise de teses con/ma a constinicionalidade de leis é,-! privative: do Porte) Judicial lo Assam°. Imposto sob, e a Renda Relido lia Polite IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO O sujeito passivo logrou comprovat apenas parcialmente o beneliciário dos pagamentos efetuados e as °pc, açaes que del am causa aos lançanientos contábeis eft, entes a ti ansferénelas de MI epasses e pagamentos de ;mint° MULTA QUALIFICADA Não fol con y.» ovado pela autom idade fiscal o intuito de »elude Oualificação indevida PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICl/iRIO NA -0 IDENTIFICADO O sujeito passivo não logiou compram a operação que deu causa aos pagamentos iegisti atlas a !ludo de despesas e eustos cm sua contabilidade, beneficiando-se de notas fiscais emitidas empre sas com atividades encerradas e notas fiscais deelaiadds inidáneas MULTA OUALIFICADA Devida a qualificação, haja vista demonstrado o intuito de fraude pela utilização de notas in idôneas DECADÊNCIA Ein havendo o deseumprimento do disposto no al t 150, cabe o lançamento de oficio, .sendo que a contagem do pm azo deeadencial é elentada consoante o inciso I do art 173 do memo dad/go Ausência de decadência. MULTA AGRA FADA Restou comprovado que o _QOM° passivo não atendeu intencionalmente ?LS intimações Agravamento devido INCONSTITUCIONAIIDADES E o adminisnador 111)1 mero evecutoi de leis, não the cabendo questionar a legalidade ou cons titucamalidade do comando legal A análise de teses contra a conslitucimialidade de leis é pm ivativa do Poder Judiciát io " Tendo em vista ter a decisão da Delegacia de julgamento desconstituido par cela do credito tributario superior a R$ 5000O0,00, interpôs aquele órgão julgador recurso de oficio. Para além, manifestou o contribuinte inconforinismo com a decisão através da interposição do recurso voluntai ia de fls. 3241-3290, no qua l foram reproduzidas as razões de impugnação . Após a interposição do recurso voluntário postulou a Recorrente, através da petição de fl. 6192, a juntada de laudo pericial produzido nos autos do processo judicial a'', 2007.35.04.001451-3 (Ação Cautelar de Produção Antecipada de Novas) que tramita na Vara Federal de Aparecida de Goiânia, argumentando que o referido laudo "atesta cabalmente: I) a efetividade das nansferacias de numerário; II) o pagamento dos preços e o recebimento dos produtos. adquiridos das empresas COMERCIAL PETROSUL LTDA; FLASH MACHINE COMÉRCIO DE PLASTIC° LTDA, HOYT COMERCIAL LTDA, IMP COMERCIAL E 6 Process() n" I 0120 007317/2005-57 Acárdio n 0 1103-00.127 SI-C11 - 3 1:1 INTERMEDIKAO DE NECOCIOS LIDA E KORUNDEX COMERCIAL, LIDA; e, Ill) o pagamento dos preços e a tomada dos sei viços das =pi CMS de representação comercial BATISTA RABELO REPRESENTAÇÕES LIDA; COMER PA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA; LIGEIRINHO REPRESENT AÇÕES LIDA e ATENAN LOPES DOS SANTOS". Em face da juntada do aludido documento, fci intimada a Fazenda Nacional para se manifestar, tendo esta, na petição de fis. 6196-6200, requerido a desconsideiação do laudo pericial, posto que medusa a possibilidade de produção de provas pelo contribuinte, bem como poi falta de enquadramento nas hipóteses descritas no art. 16, § 40 , do Decreto 70.235/7 2 . o relatói io 165 Vo t o Conselheiro HUGO CORREIA SOTERO Recurso dc oficio (Inc preenche os requisitos legais Recurso voluntário tempestívo. Obser vados os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade Analiso, prefacialmente, a possibilidade de análise do laudo pericial produzido nos autos da Ação Cautelar n° 2007.35.04,001451-3, juntado pelo contribuinte após interposição do recurso voluntario. Assim dispõe o art 16, § 44 , do Decreto n". 70,235/72, verbis: 4;t 16 A impugnação mencionaid § 4" A prom documental sera ap, escutada no impugnação, pi - cm:hand° o clii eito o impugnante °taro moment° pi .oces.sual, a menos que• a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apesentação opoi tuna, poi' motivo de força maiot , b) refira-.se a lilt° ore a (hied() supeiveniente, destine-se a amtiapot latos ou razbes posterioi mettle trazidos aos autos Como narrado, as circunstancias que envolveram a formalização do lançamento de oficio ern debate (apreensão de toda a documentação contábil -fiscal do contribuinte pela Policia Federal) autorizam a consideração do laudo pericial juntado, posto que não fai possível ao contribuinte a produção de prova adequada no prazo de impugnação, tendo ele, inclusive, sucessivamente pugnado pela juntada posterior de documentos, o que elide ar guição dc preclusAo manifestada pela Fazenda Nacional. Nesse sentidw "111UL14 REGUEAMENTAR ART 463, I , DO RIPI/98 A eu/ioga a consumo de produtos de procedência estiangeira sem prova sita regular importação ou aquisição no Mel cado line, 170, .S'Ilieira o estabelecimento d inllição de uma multo igual ao valor romeivial da meicadoria. PROCESSO ADAMVISTRATIVO FISCAL. PRECLUSA -0. A insh -tição processual e concentrada no momento da impugnação. Considera-se pi eclaso o eito de ¡maw documentos quando o staeil° passivo não leper em primeira instancia a Jumada posterior e nem apt e.çentai uma das fustificativos legais para lank) " 8 Process() n" I 0 I 20 00731 7/2005-S7 Ac(ir cli.io n." 1103-00.127 SI-Cl 13 1=1 5 (4((:), (Mo a" 201-77370, 2" Conselho, 1` Ccimara, rel Conselheiro Henrique o To, I es) Entendo que, produzido o laudo pericial em 19 de .junho de 2009, trata-se de documento novo,. ao qual não tinha acesso o contribuinte quando da produção de sua impugnação e de seu recurso, adequando-se a situação à regra do art, 16, § 41 0, 1, do Decreto n", 70. ) 35/72 Para além, como consignei em diversas opoitunidades, vinculo-me ao entendimento de que o pi ocesso administrativo fiscal tem como finalidade pi eciptia a obtenção da verdade real, do que decorre a necessái ia flexibilização de regras de preclusão, mormente no caso vertente, em que as situações de fato demonstram a releváncia da prova juntada posteriormente para o esclarecimento de situações essenciais à definição da legitimidade do lançamento.. Mais que isso, há que se observai que o documento novo (laudo pericial) foi produzido em processo .judicial em que restou observado o contraditório e a ampla defesa, participando a Fazenda Nacional da foimação de seu conteúdo, fOrmulando quesitos e indicando assistentes técnicos, o que atesta a validade do laudo como meio de formação do convencimento deste Conselho. Nessa linha, considero admissivel a juntada do laudo pericial que compõe o Anexo I deste processo, sendo válida sua consideração como meio probatório Passo a analisar os recursos de oficio e voluntário, nessa ordem Recurso de Oficio Por força de cancelamento parcial -do credito tributario, submete-se a decisão Pronunciada pela Delegacia de Julgamento à reexame obrigatóiio por este Conselho . O lançamento foi alterado pela Delegacia de Julgamento pata excluir parcela cio credit() tributário pertinente à omissão de receitas por suprimento de numerúrio sem origem identificada, assim como para cancelai a imputação de multa qualificada ao confribuinte em relação As infrações de omissão de receitas e de pagamento a beneficiatio não identificado, sem causa ou sem comprovação da operação, No que conceme à supiessão de parcela do crédito tributáriO relativo omissão 'de receitas — suprimento de numerário, assim se pronunciou a Delegacia de Julgamento: "Entretanto, conforme dito, o sujeito passivo anexote documentos (882/972), entre os quais extratas bancatios, juntamente com a impugnação ao auto de infração, toinando-se necessat io analisar os . fiz/os (Hanle do novo quadro que se fonnou Pai a tanto elaborei a planilha apresentada a seguir, baseada no Anexo I ao auto de infia0o, onde CO11.510111 Mfoimações dos documentos apresentados, das páginas em que se encontrant e da aceitação ou não da prova como strficiente para identificam» o suprimento de caixa Para os denials liens, revolt comprovado pelo sujeito passivo qtee 0 01igem do suprimento de caixa decorre do saque 110 BC11100 Bradesco, pois os eytratos al» esentam coincidéncias de datas e valores coin a CSCT /ill) a(do. Lançamento improcedente de 1RPJ, CAL, PIS e Co/ins nesta parte " 0 lançamento por suprimento de numerario sem origem comprovada, teve pot Iiindamento a omissão do contribuinte em apresentar a documentação exigida no momento .fiscalização. Na impugnação, procedeu o contribuinte a apresentação da documentação cornprobak'Hia das operações, de modo a classifica-las como simples transfeic'mcia de numerario entre as contas bailee) e caixa.. À vista de documentação comprobat6ria das operações de tran.s16'6ncia ele numereii lo (coincidentes em datas e valores com os lançamentos contábeis), a Delegacia de Julgamento considerou indevido o lançamento em relay -10 a tais operações, ndo havendo reparos a fazer na decisão. No que concerne à desqualificação da multa, esta a expressão da decisão: ''No meu entender não iestou caracterizado o dolo pm paite do iejeiio passivo, mas apenas o cometimento de inflação cl legislação fiscal, que justifica apenas a aplicação da multa de 75% prevista no art 44, I da Lei n" 9 430/96 (incidente sobi e este valo; o agravamento pelo não atencliinento das intimações, que aumenta a inulta para 112,5%) A motivação api escolada pela autoridade fiscal não é suficiente para caracterizat o intuito de . fiviede, poi esta) presente a clUvida quanto cl possibilidade do stiletto passim cometido um err o A meu um, as infiações lançadas omissão de receitas em decoliéneia de .supr intent() de numerái lo não comprovado e Mkt de retenção do imposto em virtude de pagamentos sem causa, efetuados a beneficiários não identificados .somente caracteriza/iam de IM ma darn o dolo do contribuinte caso elas tivessem ocorrido reitelaclamente por vários evercicios, conforme entendimento que tem mantido esta Turma, jcí que a possibilidade de erro continuado ado é aceitável, contudo, tal não ()col ten " O entendimento expendido pela Delegacia de julgamento se adequa A reiterada manifestação deste Conselho, no sentido de que a imputação de multa qualificada exige efetiva comprovação de fi nude. A definição do conceito legal de falsidade demanda o dissecat das previsões insertas nas Leis n"s. 4.502/64 (A qual faz o al t. 44, § 1 0, da Lei n" 9..430/96 remissão expressa) e 8,137/91 0 art 72 da Lei n" 4 502/64 define 'flan& como "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento" Na mesma linha, o art. 1 0, II , da Lei n". 8.137/91 define como crime contra a ordem tributária "fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer' natureza, em document() ou livro exigido pela lei fiscal". A análise dos referidos preceitos normativos indica que a caracterização de falsidade (requisito indispensável à imputação de multa qualificada) pressupõe a existência de subterfúgio para obtenção de finalidade ilícita , de engano dolosamente provocado, de Process° n'' I 0120 007317/2005-87 SI-CI T3 Acórdiio n " 1103-00..127 Fl 6 malicioso induzimento em MO, para fi m de injusta loc,upletação. Enfim, os atos praticados pelo contribuinte devem estai revestidos de malícia, de trapaça, de embuste. Inexistindo nos autos prova cio intento malicioso do COntlibuinte, servindo-se a autoridade lançadora, para fins de qualificação da penalidade pecuniihia, exclusivamente do argumento de que a omissão representaria mais de 15% da receita bruta do contribuinte, correta a decisão da Delegacia de Julgamento ao desqualificar a multa. Com estas considerações, conheço do recurso de oficio para negar-lhe provimento II --- Recurso 'Voluntário II I Preliminar de Decadência. Suscita o contribuinte, nas razões de recurs() voluntário, decadência parcial do direito da Administração Tributária de constituir o crédito tributário em lide, esclarecendo que, nos terms do que dispõe o art. 150, :§ 4", do Código Tributário Nacional, o prazo quinquenal de decadência iniciou seu curso na data em que ocorreram os fatos imponíveis considerados pela autoridade lançadora, de modo que, notificado o lançamento em 09/12/2005, teriam sido alcançados pela decadência todos os fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 01/01/2000 e 30/11/2000, Consta dos autos a indicação de ter o contribuinte optado, no exercício de 2000, pelo regime de tributação pelo lucro real antral. No que atine ao IRPJ e à CSLL„ a forma de tributação escolhida pelo contribuinte (ludo real anual) impede o reconhecimento da decadência, posto que, como cediço, o fato gerador de ambas as exações somente ocorre quando do encerramento do exercício (31/12), momento em que se apuram as receitas e despesas obtidas e incorridas durante todo o ano que, uma vez cotejadas, permitem a definição do lucro — elemento material das respectivas hipoteses de incidência, Se os fatos imponiveis pertinentes ao IRP.1 e 21 CSLL, ocorrem em 31 de dezembro, o dies a quo do prazo decadencial coincide coin o dia subseqüente (1" de janeiro), o que, no caso vertente, impede a declaração da decadência do direito de lançar pretendida pelo contribuinte. Corn efeito, tratando-se de lançamento de oficio que se reporta aos fatos gel -adores de IRPJ c CSLL, pertinentes ao exercício de 2000, a contagem do prazo previsto no art. 150, § 4', do CTN, iniciou-se no dia 1' de janeiro de 2001, encerrando-se em 31 de dezembro de 200.5, tendo a autoridade lançadora se desincumbido de formalizar o ato de constituição do crédito tributário em momento anterior (09/12/2005). Rejeito, nestes termos, a preliminar de decadência relativa ao IRP1 e à CSLL. Pm relação a arguição de decadência pertinente às contribuições do PIS e da COFINS, necessário afastar, de inicio, a afirmação, constante da decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, de SOY aplicável à hipótese a regra do art, 45 da Lei n", 8,212/91, cm face do enunciado da Stimula Vinc,ulante n° 08/STF, que declarou inconstitucional a aludida prescrição normativa e, como consequência, atribuiu exclusivamente as normas inscritas no Código Tributário Nacional a regulamentação dos institutos da decadência e da prescrição em relação às contribuições sociais. Em leg'. a, o prazo de decadência dos tributos submetidos à sistemática do lançamento pot homologação inicia-se quando da ocorsência do fato gerador, salvo se "comprovada a ocorrência de dolo, Cr .-au& ou simulação" (ai t. 150, § 4", do CTN), hipóteses em que se aplica o enunciado do art. 173, 1, do Código Tributário Nacional, que fixa o dies a quo do prazo no pi imeno dia do exercício subsequente No caso vertente, a exigência de PIS e COFINS foi reflexo a exigência de MN por "omissão de receitas suprimento de numerário", tendo a Delegacia da Receita Federal de julgamento, quanta ao tópico, considerado, expressamente, inexistir intuito de fraude, assim. "MULTA QUALIFICADA Não fbi comprovado pela autoridade fiscal a intuito (lode Oualificação indevida " Ora, inexistindo intuito de fraude, dolo ou simulação, corno consignado pela decisão atacada, a contagem do prazo decadencial deve seguir o que dispõe o art. 150, § 4", do Código Tributário Nacional, ou seja, iniciar-se na data de ocorrência do fato gerador, e não no primeiro dia do exercício subsequente, corno determinado pela decisão objurgada_ Corr oborando este entendimento a manifestação da Câmara Superior de Recursos iscais: "CS1,1_, P15 e COHATS DECADÊNCIA — As coniribui0e.s para a Cmui ibuição Social sobi.e o filer° Liquido (CSLL), para o PIS e a Contribuição para Financiamento da Segui Made Social (COFINS), em conformidade com os arts 149 e 195, § da Constituição Federal, têm maul eza ti ibutói ia, consoante decidido pelo Supremo Ti 'banal Fedei al, em Sessão Plenária, P01 unanimidade de votos, no RE N" 146 733-9 -SÃO PAULO, o que implica na observancia, dentre °taros, as leg-1 .as do art 146, da Constituição Fedei al de 1988 Desta forma, a contagem do pi azo decadencial dessas contribuições se faz de acordo com o Código Ti ibutario Nacional, mais pi ectsamente no art 150, § 4", des.ra lei nacional, ou, em havendo ocorrência de fi wide, dolo ou _simulação, como ocorieu na espécie, no ai tigo 173, inciso 1, dessa lei nacional Os curios de infração referentes CSLL, (10 PIS e à COF1NS /0 1(1111 cientilicados ao sujeito passivo em 03/06/2003, quando fa atingidos pela decadência os ,fatos geradores °col Lidos nos mesas dos anos-calendai Jo de 1995 e de 1996, objeto do lançamento Recurso especial negado " (Acó, dão CSRF/01-05 701, rel Conselheiro Cat los Alberto Gonçalves Nunes, j. 10/09/2007) Assim, considerando ter atastado a Delegacia de Julgamento, no que atine A imputação de omissão de receitas, a existência de fraude, dolo ou simulação, acato a preliininar em relação as contribuições do PIS e da COFINS, declarando terem sido atingidos pela decadência os fatos gel adores ocorridos ate 09 de dezembro de 2000. Retido na Fonte Por fim, analiso a arguição de decadência pertinente ao Imposto de Renda A constituição de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte derivou de dois fatos, a saber: a) pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado 12 Proc(Nso n" 10120 007317/2005-87 SI-CI I- 3 Acórd:lo n "110.3-00127 H 7 em relação a tiansferência de numerários, repasses e pagamentos de mútuo; e, b) pagamento sem causa ou a beneficidnos no identificados telativo a despesas e custos no comprovados, bene fi ciando-se o contribuinte de notas fiscais emitidas por empresas com atividades encenadas e notas fiscais declaradas inidõneas Analisando a primeira imputação, declarou a Delegacia de .Julgamento uo ter sido comprovado pela autoridade fiscal o intuito de fraude, o que motivou a redução da multa de oficio, assim: "MULTA QUALIFICADA Não comprovado pela autoridade fiscal o intuito de fialtde. Ottalilicação indevida " Diante da constatação de não ter atuado o contribuinte, em relação aos pagamentos sem causa ou a beneficiados não identificados no que atine a transferência de numerário, repasses e pagamentos de mútuo, com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadeneial deveria tel se processado nos termos da disposição inscrita no an. 150, § 4 0 , do Código Tributatio Nacional, segundo o entendimento da Colenda Camara Superioi de Recursos Fiscais: "IR/IF [ALTA DE PAGAMENTO — A Jaffa de pagamento do imposto rendo pela fonte pagadora, atam iza a constituição do c/cc/ito ti ibutat ia contra ela via lançamento de oficio. DECADÊNCIA Sendo o IRFonte especie de ti ibuto apurado sentpm evio exame cla autoridade administrativa, o lançamento por homologação (art 150, § 4 " do CTIV), contando-se o prazo decadenciatdo fato gerador Recurso especial negado." (Acórdão (J'SRE/04-00 650, rel Coll.selheila Leila Ma, ia Schell er Leitão, j 18/09/2007) "II?RE IMPOSTO DE RE - ND.1 RfilDO NA 1: GAYE DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeito ao regime de lançamento homologação o p1 (la) decadencial inicia com a ocorincia do lato gerador, salvo .se comprovada a ocorrCalcia de dolo, Amide ou Lançamento tealizado após a homologação lácita não ,subsiste (Lei ..5 172/66 art. 150 pat ágrafo 4") RECURSO IMPROVIDO " (Acórdão CSRF/01-04 907, ;el Conselheiro José Ca; lo,s Alves, 17/02/2004) Ern relação aos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados relativo a despesas não comprovadas, entendeu a Delegacia da Receita .Federal de Julgamento que as operações de pagamento de comissões as empresas "Ligeirinho", "Batista Rabelo" e "Atenan" não foram comprovadas pelo contribuinte (ausência de indicação da operação e da causa dos pagamentos escriturados pa contabilidade) e, para além, as notas fiscais representativas de tais operações foram declaradas inidõneas pom Ato Declaratório especifico, o que caracterizaria intuito manifesto de fraude, mormente pela utilização de notas inidôneas, Chama a atenção o lato de que o lançamento do IRRF na hipótese foi justificado pela "falta de comprovação das operações e causas dos pagamentos escriturados" nada obstante declare a dccisão impugnada, As fls 3199 e 3200, que: "No que se relere à cópia da nota fiscal emitida pela empresa Ligeirinho relativa à comissão recebida em maio c/a 2000, aneyada à /7 976, para comprovar a existência da operação o sujeito pass/co api esentou cópias de Darf da retenção do imposto na ferrite e da Dir I corn a indicação da refericia retenção, bem assim planilha (Relatório c/c Comissões) C0171 a composição vcrlor da comissão da Liga/unha e cópias dos recibos devidamente assinados pelo responscivel desta empresa" (11. 3.199) No que se refire e'r cópia da nota fiscal minder pela empresa Batista Rabele)relativa à comissão recebida em maio de 2000, a)iexada à 17 I 079, para comp, ovar a existência da operação o sujeito passivo (1presemou cópias de Dar/ da retenção clo imposto na fimie e da Dill coin a indicação ela refoidaretenção, bem assim planilha (Relatório de Comissões) coni a composição do valor c/a comissão, historicos de pagamentos e cópias dos recibos devidamente assinado.s pek)responsqvel desta empresa "(11 3200) Em resumo, anexou o contribuinte aos autos do processo administrativo em referência, copia de DARF 's que atestam o recolhimento do IRRF relativo As operações, comprovou ter informado as operações c o recolhimento do IR.R.F na DIRT, juntou relatório circunstanciado corn a composição dos valores pagos a titulo de comissão, o histórico dos pagamentos e copia de recibos assinados pelos titulares das empresas Mais que isso, pondero que a "deficiência" na comprovação das operações, isto 6, apresentação dos contratos de representação comercial ou comissionamento, e das efetivas remessas de numerário, deveu-se A apreensão de toda a documentação contábil-fiscal do contribuinte pela Policia Federal --- fato narrado e reconhecido pela decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. 'Fend() cm vista a apresentação, pelo contribuinte, de DART' de recolhimento do IRRF, de copia da DIRT' onde consta referencia expressa As operações, inclusive com indicação dos beneficiados, assim como relatório circunstanciado com a composição dos valores pagos a titulo de comissão, o histórico dos pagamentos e cópia de recibos assinados pelos titulares das empresas, não vislumbro, no caso, fraude ou dolo do contribuinte, de modo a atrair. a incidência da regr a do ad 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional. Quanto à imputação decoruente de "glosa de custos", ern relação à qual não logrou comprovar o contribuinte a efetividade das despesas realizadas, beneficiando-se de notas fiscais emitidas pot empresas com atividades encerradas e notas fiscais declaradas inidoneas, o so fato de terem sido declaradas inidâneas as notas fiscais indicadas pela autoridade lançadora impede a' aplicação do enunciado do art. 150, § 4 0, do CTN, regendo-se decadência, quanta ao tópico, pela regra do art. 173, I, do CTN. Assim, acato a preliminar em relação ao TR.R.F, declarando terem sido atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos ate 09 de dezembro de 2000, exceto aqueles que se referem à imputação decorrente da "glosa de custos" MÉRITO DA AUTUAÇÃO 14 l'i mess° n" 101 20 0073 17/2005 -57 SI-C11 - 3 Acórdiio " 1103-00.127 ri s II 2 — Multa agravada Ao contribuinte foi imputada multa de oficio agravada, nos termos do art 44, § 2', da Lei Federal n", 9 430/96, ancorando-se o agravamento no asserto de que "restou demonstrada a intenção clara do sujeito passivo no sentido de não cooperar corn a fiscalização, pois dentre as notas de entiada e livros apreendidos pela Polícia Federal não constavam os documentos necessários à comprovação das operações" Confira-se o enunciado do art 44, § 2 0, da Lei n". 9.430/96, -vel "Art 44 Nos caso) de lançamento de oficio, .sei do aplicaday as seguintes multas. 2" Os percentuais de 'India a que se i .eferem O inCiS0 I do mput e o 1" deste artigo .serdo (111111e1110dOS de metade, 110S caws- de 1100 atendimento pelo sujelto passivo, no prazo marcado, de intimaçdo pai a 1 ---- prestal esclarecimentos; II — apresentai os at quivos ou sistemas de que 1/ atom as arts 11 a 13 da Lei no 8 218, de 29 de agosto c/c 1991, I/I— apresentar a documentavio tc:?enica c/c que trata o ai 1 38 desla Lei ." Do Termo de Verificação Fiscal (fis, 354-331) consta que o contribuinte respondeu a todas as intimações e solicitações efetuadas pela autoridade lançadoi a, havendo no aludido Termo a indicação de que o contribuinte: a) disponibilizou a maioria da documentação nas dependências da empresa (11 69); b) apresentou os arquivos magnéticos solicitados pela fiscalização (fis, 76); c) solicitou dilação de prazo para entregai arquivos magnéticos suplementai es (ti 78); d) solicitou dilação de prazo pai a apresentai c,ompiovantes de operações comerciais, após a fiscalização havei consignado não tê-los localizado na empresa ou cube os documentos apreendidos pela Polícia Federal; e) cumpriu a determinação de entrega de arquivos magnéticos em formato texto (ff 101); t alegou que a intimações exigiam documentos apreendidos pela Policia Federal e requereu fossem paralisados os atos de fiscalização por força de decisão judicial; g) postulou dilação do prazo para atendimento das intimações do dia 14/10/2005, afirmando que havia solicitado à Policia Federal a disponibilização dos documentos apreendidos, sendo deferido o pleito; 11) diante do comparecimento da fiscalização, alegou que as instituições financenas não haviam disponibilizado os documentos exigidos; i) declarou que um vendaval havia destruido o arquivo documental (fiscal e societários) das empresas do Grupo Mabel (cm 09/01/2001), tendo se perdido a documentação relativa ao ano 2000. Do longo histórico inscrito no Ter mo de Verificação Fiscal se conclui que: (i) não houve silêncio ou recusa do contribuinte em atender as intimações fiscais (tendo entregue "a maior parte da documentação", nas palavras da autoridade lançadora, assim como respondido todas as intimações, seja requerendo dilação de prazo, seja apresentando justificativas, . aceitáveis ou não); e, (ii) grande parte dos documentos contábeis e fiscais do contribuinte foram .ax. reendidos jpeia Policia Federal em momento anterior ao inicio da fiscalização, tendo o contribuinte (e a própria autoridade lançadora) que buscar documentação ora na sede da Policia Federal, or a na empresa e ora na própria Delegacia da Receita Federal (que recebera parte dos documentos diretamente da Policia Federal — fls, 45/68). A jurisprudencia deste Conselho censura o agravamento da multa de oficio com esteio no art. 44, § 2", da Lei n' 9 430/96, quando o contribuinte atende, ainda que de .forma insuficiente, As intimações fiscais, frisando que o agravamento da penalidade deve estar vinculado à falta de atendimento das intimações . Nesse sentido: "MULTA DE 014C10 — AGRAVAMENTO Nfin evalece o agravamento da multa pela falta de atendimento a infintações quando o uleito passim responde ci memos A conduta cl ser coibida com o aoavamento da multa de oficio c".) a falta de espo.sta às intimações, não sendo cans(' pai a sua a aplicação a resposta insuliciente Reciuso Voluntário Provido em Pm te " (Acórdão n". 101-96565, 1" Ccimai a, in Conselheiro Caio Marcos Cándido, j 04/03/2008) "MULTA DE OFiCO — AGRA VAMENTO — 0 atendimento insatisfatót in ãs• intimações do fisco não autorizam a majoração da multa de lançamento de oficio prim 112,5% " (Acórdão IC 103-23046, 3" Crimara, rei Conselheiro Alexandre Barbosa .1aguaribe, j 25/05/2007) Mais que isso, o fato de ter se desenvolvido a fiscalização em momento no qual grande parte da documentação contábil-fiscal do contribuinte fora apreendida pela Policia Federal, agregado ao atendimento de todas as intimações (ainda que para afirmar que não dispunha dos documentos solicitados), descaracteriza suporte (ático suficiente ao agravamento da penalidade„ II 3 IRPJ e CSLL. Glosa de despesas . A decisão pronunciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasilia julgou procedente o lançamento no que concerne à glosa de despesas consideradas pelo contribuinte no procedimento de apuração do resultado do exercício, consignando o decisum que "o sujeito passivo não logrou comprovar a efetividade das despesas realizadas, beneficiando-se de notas fiscais emitidas por empresas com atividades encerradas. Em relação ao tópico, que se refere à desconsideração dos valores registrados e declarados pelo contribuinte a titulo de pagamento de comissões a representantes comerciais (Atenan Lopes, Batista Rabelo, Ligeirinho e Comerpa), também considero insustentável o lançamento, Reitere-se que, quanto as t etc' idas operações, apresentou o contribuinte cópia de DARE que atestam o recolhimento do IRRF relativo, as operações, comprovado ter informado as operações e o recolhimento do IRRE na DIRE, juntado relatório circunstanciado eons a composição dos valores pagos a titulo de comissão, o histórico dos pagamentos e cópia de recibos assinados pelos titulares das empresas . Disseque-se a decisão da Delegacia dc Julgamento: 16 PFOCCSSO n" 10120 007317/2005-57 Ac6rd5o o " 110340.127 SI -C1T3 Fl 9 "Analisando a plandha (11 1074) velifica-se que o valor da 5U/70 qa COMiSsiio sobre interinediacqo vendas devida .Ligeirinho seria de R$ 113 066,18, sendo o imposto devido na ,fonte de RS 1 695,99 Diferentemente, a nota fiscal foi emitida coin os seguintes valores RS 101 019,30 (valor bruto da comissão) e de RS 1 515,29 (IRRIF, coin valor idêntico ao C011Stanle do Dar/ e da Dirt) Percebe-se nao haver equivalência do montante supostamente pago a título de conitssdo e do impost.° relido na . fonte elute 05 documentos apresentados pelo próprio sujeito passivo Quanto aos Dart o histático de pagamentos 6/laborado pelo próprio sujeito passim) e os recibos, entendo que OS mesmos servem como fiarte indicio de que houve algum pagamento a empresa Batista Rabe/o, mas não como prova de que o pagamento decorreu de prestação de sei viças de intermediaio de vendas.." A glosa das despesas CiCCOITCU, então, ora de divergências entre os valores constantes de relatório apresentado a autoridade lançadora e aqueles inscritos nos Darf e Dirf, ora por ausência de comprovação da existência dc connato de intemediação de vendas em relação As aludidas pessoas jui Micas. Entendo injustificável a glosa. A análise os documentos carreados aos autos, permite identificar: i) Afl 975 — cópia da Dirf (ano-calendário 2000) indicando todos os pagamentos efetuados em beneficio de Ligeirinho Representações 'Ida; ii) 0 976 — copia de nota fiscal de serviço, indicando versa' sobre "comissão s/ vendas", emitida por Ligeirinho Representações Ltda; iii) à fl. 977 — DARE de recolhimento do IRRE em 13/05/2000; As Os. 981-1009 e 1012-1074 — elatário de comissões pagas a Ligeirinho Repiescntações Ltda, indicando os "clientes" atendidos pelo representante, o valor das respeetivas operações e o valor das comissões devidas por operação; iv) ti 0. 1078 - copia da Dirf (ano-calendário 20(10) indicando todos os pagamentos efetuados em beneficio de Batista Rabelo Representações Ltda; v) a 0. 1079 — copia de nota fiscal de serviço, indicando versar sobre "comissão s/ vendas", emitida poi Batista Rabelo Representações Ltda; vi) à 11. 1080 — cópia de DARE de recolhimento do IRRF; vii) As Os. 1081-1082 / 1084-1085 / 1 087-1088/1090-1091/1093-1094, entre outras — histórico dos pagamentos realizados em beneficio de Batista Rabelo Representações Ltda; viii) recibos de pagamento do valor das comissões (Os. 1083, 1086, 1089, 1092, entre outras); e, ix) as Os. 1161-1199 relatório de comissões pagas a Batista Rabelo Representações Ltda, indicando os "clientes" atendidos pelo representante, o valor das respectivas operações e o valor das comissões devidas por operação Os documentos apresentados pelo conuibuinte são um pouco mais do que "fortei:: indícios de que houve algum pagamento à empresa Batista Rabelo", revelando, em verdade, a natureza da relação comeicial havida (iepresentação comercial, diante da minuciosa descrição des 'clientes' atendidos pelos representantes), o vaiou das comissões pagas (conforme declaiação em Dirf e histólico de pagamentos), o valor do IRRF retido e recolhido.. Da questão também natou a perícia judicial, assim: "Confol me demmisnaao de lOrma individualizada, na Planilha P3, parte integrante deste trabalho, e per icia na documentação evaustivamente já descrita no coipo deste Laudo Pci icial, 01(1 juntada, lea-se que fol am eletuadas pagamentos as empiesas• Atenan Lopes das San/os, Batista Rabelo Representações Lida, Comeipa Comércio e Rel.» esentações Lida e Ligeirinho Rep es.eniaçõe_s Lida, icier elites as comissõe..s pai sei viças de intelmediação de vendas (i epi ese)itação comer clap ( Confinme (lest.) ito no item III 26 das Diligdncias Empi eendidas, a Processo Administrativo (PA) n" 10120.006929/2006-33, objeto em discussão, identificamos a evisteneia de vói 103 relatól ios de comissões emitidos pela CIPA, • individualizado pal iepresentante, or quais coincidem com os enu egues pma este ciimliai da Justiça descrito item III 4. Com bare, portanto, nos Reim?» ios de Comissiies disponibilriados ao perito, em que constam não apenas o nome, destas empi esas esentante.s', mas, também o seu c(Tidigo junto a C1PA,- nas Notas Pis- cols emitidas pelas mesmas em nome da .Requerente, e cuja soma dos valores e apio.A.- imain dos constantes. destes relatários, confbime desci it° na Planilha P3- A, e microfilmes 'fiente e verso' da.s cheques, onde amsta que os ille.511105 estão nominais a elm» eras constanie.s desks telatórios e emitentes das Notas Piscais, sendo, a documentação periciada, aponta que houve prestação de seivu,:‘-rs pc» pai te das refer i da empi esas 'repi-e.sen tan tes " Dessa 'forma, diante da indicação da natureza da operação, do histórico de pagamentos, da informação dos valores das comissões e dos recolhimentos do IRR..F na Dirf do ano 2000, e, levando-se em conta da dedutibilidade da despesa (representação comercial), pois necessária à atividade do sujeito passivo, considero indevida a glosa efetuada e, consequentemente, injustificável o lançamento pot omissão de receitas no que concerne As operações realizadas com Ligeirinho Representações Ltda e Batista Rabelo Representações Ltda. II 4 — IRPJ e CSLL Glosa dc custos. Como consignado acima, o lançamento 1 estou formalizado em virtude da incapacidade do contribuinte de provar a efetividade das operações comerciais havidas em relação As pessoas jurídicas indicadas, mormente porquanto, em decorrência de diligências realizadas, algumas declararam que não mantinham relações comerciais com o Recorrente, outras possuíam status de "inativa" ou ''encerrada" Como consequência das diligências efetuadas as notas fiscais emitidas pelos fornecedores foram declaradas inidõneas, procedendo a autoridade lançadora ir glosa dos respectivos custos, em face da falta de comprovação da efetividade das operações, mormente por inexistirem documentos representativos da entrega das mercadorias e do pagamento das aquisições descritas nas aludidas notas fiscais Defende o contribuinte, no recurso voluntário interposto, ter se desincumbido a contento do dever de comprovar a "efetividade" das operações de compra questionadas pela autoridade lançadora, servindo para tanto os registros de entrada, os assentamentos contábeis e as notas fiscais emitidas pelos fornecedores, apesar de não ter conseguindo "localizar, em 18 Process() n" 10120 007317/2005-87 SI-C1T3 Acórcliio n " 110300127 1 1 0 tempo hábil, outros documentos comprobatários que pudessem ser anexados a este Recurso Voluntário", como confessa à fl 3275. Do laudo pericial juntado pelo contribuinte (Anexo I), consta o seguinte: "2 1 WO, me o Si Perito, se foram detuados os pagamentov r.efet entes as °pet açõer.s realizadas com as erupt esas - COMERCIAI PRESTOSUL [TEA ( ), FLASH MACHINE COMÉRCIO DE EL II LEDA ( ),- HOYT COMERCIAL, LTDA ( ), IMP COMERCIAL E INTERMEDIAC,,f0 DE NEGÓCIOS LTDA ( ) e KORUNDEX COMERCIAL LIDA ( ..), bem as vim se houve o eletivo recebimento dos bens vendidos e/ou a tornado dos set ViÇO.S` prestados pelas referidas empresas, fazendo, se fin o caso, a cjicularização junto aos foi necedorc,, s dos produtos ou prestadot es (le serviços ( ) 'Houve o efetivo recebimento dos bens vendidos e ou tomada dos sei viços '? De conformichrde corn as eltreidaçõe‘s ofeitadas na iesposta anterior deste quesito identificamos nos Al quivos Alagm'nkos o tegisn o coritabil regular pela anti (Ida de todas as notas fiscais relacionadas no ./Ine -uo 2 anos .2001 e .2002, bem como a pesquisa calizada junto a SEFAZ-GO, as notas fiscais do Ancyo 2 estão registradas no SINTEGRA-GO, consequentemente escrituradas nos livros fiscais da erupt esa i equerente, indicando portanto que houve a efetiva entrega dos bens . Contudo salientamos que as registras dos SINTEGRAS dos meses de Junho/2001 e Agosto/200.2, não foi am detectados no Laudo da Secletaria da Fazenda do Estado de Goiás, mas evidenciamos. na Planilha P2 que as referidaS ?rotas estão devidamente escriun adas, pawls e contabilizadas " A perícia judicial afirma que as notas fiscais referidas na autuacao foi am "devidamente escrituradas, pagas e contabilizadas", o que atesta a exist6ncia das operações. Em outro tópico, respondendo a quesito formulado pela Fazenda Nacional, o Perito afirmou: "Conforme esclarecimentos descritas no item V-B.2 deste Laudo Pericial, as notas fiscais relativas ao Anew 2, foram liquidadas pela quitação das duplicatas,originórias das referidas notas, mediante ernis,são de cheque 110111illaiS CIS empresas beneficiárias, pocedimento adotado alé o més 10/2001. Noutro giro, as liquidações pelas quitação dessas duplicatas, a partir do más de outubro/2001, a empresa não utilizou emissão de cheque individual para quitação de cada duplicata, adotou na realidade procedimento de pagamento medianie documento intitulado 'Sumário de Cheques Emitidos', que representa a relação dos pagamentos a mein efetuados no dia Vale res- saltar, que a malaria dos- documentos (Iowa telKiio foram pagos afiavés de débno na conta corrente do Banco Bradesco S/A (Ag. 0140-6 C/C 50 182-4), onde 0 .somatór lo dos n1esmo.5 (70 i egistrados no Banco sob a inbrica Pagamento a Fornecedores' " Ha, dessa lona, !Nova, obtida judicialmente e, assim, sob o crivo cio contraditório, de que as operações representadas pelas notas fiscais desconsideradas pela autoridade lançadora existiram efetivamente (registradas nos sistemas da Secretaria da Fazenda dc Goias — SINTEGRA/GO), tendo sido realizados os pagamentos correspondentes através de cheques nominais ou de saques de conta bancária (Sumario de Cheques Emitidos — Pagamento a Fornecedores). Faço questão de destacar que o Laudo Per icial em comento é referente a ano calendário diverso da presente autuação, contudo envolve as mesmas partes e as mesmas operações constantes do lançamento ora impugnado, razão pela qual considero como prova robusta da legalidade dos fatos analisados nesse Recurso. Nessa linha, diante da prova produzida, não se justifica a manutenção da glosa de custos ou a imputação de penalidade à Recorrente, II 5 — IRPJ e CSLL. Omissão de receitas Suprimento de numerário. Em relação ao lançamento poi suprimento de numerário sem origem comprovada, consignou a Delegacia de Julgamento que a omissão do contribuinte em apresentar a documentação exigida no momento da fiscalização gerou a imputação de omissão de receitas Na impugnação, procedeu o contribuinte A apresentação da documentação comprobatória das operações (documentação parcialmente acatada pela autoridade lançadora), de modo a classifici-las como simples transferência de numerário entre as contas banco e caiya. Com esteio na documentação apresentada pelo contribuinte, erigiu a Delegacia de Julgamento a seguinte decisão: "87 Relativamente aos liens 34, 35, 39, 60, 62, 67 e 82 da tabela, escriturado como .supr imento.s- de caixa, vet)/Icon-se que o lançamento contábil fin ante; /or aos débitos dos cheques na mu° bulletin ia do pr Oprio sujeito passivo Em unia bansaçqo comer cial, onde um tercel; o recebe o cheque, seria aceitável o desconlo dias tipos a sua einissdo e egistro contábil. Por6n, trata-se de .supo.stos sup imentos, onde o beneficiário ..seria o prOpi io sujello passivo. - Rest(' ineAplicado como ele conseguiu sup ir o caixa corn moeda, sendo que o saque, via cheque, somente OCOPreu em data posterior This suprimentos, pois, ndo tiveram comp ovadas as or igens e a efetividade do..s recebimentos, sendo devida a ornissdo lançada 88 Para os liens I a 32, o .staeiai passivo apresentou apenas histár icos de pagamentos elabor ados por ele própr ia que, pot ábvio, nao ser vem corno pr ova alguma da operaçao Tais siqn imento.s ado tivetam comp) ovadas as origens e a efetividade dos recebiniemos, sendo devida a omissdo lançada -89 Par a as denials liens, re.slou com1siOveld0 pelo sujello passivo que a ot ig,em do SupriMento Caixa decorre de saque no Banco Br Masco, pois os evilaio_s- apresentam coincidência critic data.s e valores com a escrituraedo. Lançamento improeedente de IRPI, CSLL, PIS e Co/ins nesta palm." 20 Pfoccsso n' 10120 00731 7/2005-S7 S 1-C I F.1 Acôt &kit) IL" 1103400.127 El I Três situações for am analisadas, quanto ao tópico, pela Delegacia de Jultmento A primeira, refere-se a operações escrituradas como suprimento de caixa, ern »ac*ão As quais apresentou o contribuinte prova da saida do numerário de conta bancaria de sua titularidade, tendo a decisão impugnada desconsiderado a prova em face da não coincidência das datas do lançamento e do saque A segunda, atina a operações de suprimento de caixa em relação As quais limitou-se o contribuinte a apresentar "histórico de pagamentos".. A terceira, concerne a operações de suprimento de caixa satisfatoriamente comprovadas pelo contribuinte, sendo afastada a imputação de omissão de reccitas . Ao recurso voluntário 'fez acostar o contribuinte vasta documentação (fis. 45.36-5201), relacionando os lançamentos no livro razão (cuja cópia foi apresentada) e a compensação dos cheques emitidos para suprimento de caixa (através de extratos bancários). Dissecada a documentação apresentaria pelo contribuinte, passo a cotejar - a prova produzida com as conclusões inset tas na decisão impugnada. Ern relação aos itens 34, 35, 39, 60, 62, 67 e 82, verifica-se que a cada lançamento no livro razão ("suprimento de caixa — outros fornecedores") corresponde um saque ("cheque compensado"), em valor idêntico, de conta corrente da titularidade do próprio contribuinte, havendo, exceto no que se retére ao item 39, divergência entre as datas do lançamento contábil e da saída do numerario da conta corrente do contribuinte, Tais divergências foram assim explicadas pelo contribuinte (fls .3278-3279): ' Como se pode verificar da tabela abaixo e dos documentos anexos, eyiste uma pequena diferenqa enfie o dia do lançamento contábil do suprimento de caiya e o saque do cheque junto ti financen a Esse Icip.so temporal decorreu do seguinte plocedimeuto adotado pela Recort elite. a evistência de !MI fieneionói io no setor contObil esponsável pelos registros pertinentes- a coma banco, de fbrma que, quando da emissao de um cheque pela Recorrente par(' sup, imento de seu caiya, esse finicioncif io eft:qua, no dia da erras são do cheque, uni ((momenta a crédito na conta bancos como contrapar tida a débito na conta caixa Além disso, existe um oun o funcionário que cuida do calva da Recant ente, que, por ..sua vez, .somente .saca o cheque na medida que o respectivo recurs() financen o se mostra necessário para suprimento de calva da Recorrente Independentemente da justificativa do contribuinte, o fato é que há prova nos autos de que os suprimentos de caixa apontados pela autoridade lançadora foram realizados com recursos do próprio contribuinte, posto que ha identidade de valores entre os lançamentos contábeis e as saidas de numerário de contas corrente da sua titularidade. Comprovada a origem dos recursos, assim corno tratar-se de mer a transferência de conta bancária para a conta caixa, a situação não se amolda a regra estampada no art 282 d.o RIR/99, que tem a seguinte redação: "Art 282 Provada a omissao de receita, por indicios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributória poderá com base no valor dos teemsos de caiva :forneeldos ti emprew por adminisvadores, .sécios da sociedade irão anda/rua, titular do amp asa indiptdual, ou pelo acionista coati (dodo; da companhia, se a defividade da mil ega a a o, igem dos recursos não Anent cowpro»adameme demonsaadas (Dec, eta-Lei 11 2 1598, de. 1977, en t 12, e Deci eto-Lei n" 1 648, de 18 de dezeinly o de 1978, en t Inciso Ifl A car acterização de omissão de receitas corn base no art 282 do RIR/99 demanda comp ovação de que Os recursos foram aportados por terceiros (administradores, sócios, titulares ou acionistas controladores) e inexistência de registros que atestem a efetividade da entrega e a origem dos recursos,. caso, comprovada a origem dos recursos (conta bancária do próprio contribuinte) e havendo cortelação entre as remessas e os lançamentos contábeis, injustificável o lançamento. O mesmo raciocinio se aplica aos itens 1 a 32 da planilha constante da decisão pronunciada pela Delegacia cle Julgamento, posto que apresentou o contribuinte prova que a cada lançamento no livro razão ("suprimento de caixa outros fornecedores") corresponde um saque ("cheque compensado"), em valor idêntico, de conta corrente da titularidade do próprio contribuinte, exceto no que se refere aos itens 4, 5, 13, 14, 29 e 31, para os quais nib ° fez prova do saque dos recursos, Nessa linha, injustificável o lançamento poi omissão de receitas, salvo no que atine aos suprimentos de caixa relativos aos itens 4, 5, 13, 14, 29 e 31 da planilha de Ps.. 3202- 3205 11.6 Multa isolada pot falta de recolhimento das estimativas mensais.. Por força da omissão de receitas identificada pela autoridade lançadora, testou aplicada ao contribuinte multa isolada por insuficiente recolhimento das estimativas mensais atinentes ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o LUCTO Liquido (CSLL) Verifico que a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento de Brasilia colide corn a jurisprudência. deste Conselho, posto que sobre a mesma base (montante do IRPJ e da CSLL não recolhidos face a constatação de omissão de receitas) aplicou concomitantemente multa isolada e multa de oficio, Fiscais: Sobre o tema já se pronunciou a Colenda Camara Superior de Recursos "AIULTA 1SOLAD4 E MULTA DE 0.14C10 CONC011 ,IITÁNCIA AIESALI BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante ela multa isolada (inciso II do !,ç' 1", do t 44, da Lei n" 9430, de 1996) e da multa de oficio (incisos Ia II, do au t 44, da Lei a 9 430, de 1996) não quando incide solve unia mesina base de calculo " (Acói dão Mr/04-00 832, 1 . el 'vale laq tri as Pessoa j 04/03/2008) No mesmo seu/ido "MULTA ISOLADA — ANO-CALENDÁRIO 2001. — a audio isolada pelo deseamptimento do dew., de iecolhimentos antecipados deve ser aplicada solve o total que deixou de se, recolhido, ainda qua a apinação definitiva após o encerlamento do evercicio 'Mande em montante men°, Pelo principio da 22 ocesso n" I 0120 007317/2005-S7 S1-C113 6rao n " 1103-00_127 ri I 2 absorção ou consunção, commit), não deve ser aplicada penalidade pela violação do (lever de anlecipai, na mesma medida em tine !louver aplicação de sançao sobre o dever de recolher em definitivo.. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas base) ,ve identificarem, o que não ocoi 170 presente lançamento em relação a 2003 " (Acórdão n". 103-2.3.3.56, 3" Camara, lei Antonio Cai los Guidoni Filho, j 23/01/2008) Nessa linha , há de ser excluída a exigência de multa isolada, 11.7 — IRRF. Pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado O lançamento relativo ao IRRF esta ancorado em três situações descortinadas pela autoridade lançadora: i) glosa de custos, sendo desconsideradas pela autoridade lançadora notas fiscais de aquisição de mercadorias declaradas inidôneas; ii) glosa de despesas, sendo os pagamentos lançados na contabilidade do contribuinte classificados como "pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado"; e, iii) falta de comprovação de lançamentos contábeis atinentes à manutenção da Fundação Nestore Seodro, transferência de numerários e pagamentos de contratos de mútuo . A despeito de estai prejudicada a analise do mérito dos lançamentos descritos nos itens ii) e i ii) em face do reconhecimento da decadência do direito de lançar, visto que todos os fatos geradores apontados pela autoridade lançadora ocorreram antes de 09 de dezembro de 2000, de bom alvine tecer considerações acerca das imputações lançadas ao contribuinte. Quanto à glosa de despesas, já exaustivamente dissecada, reitero que os documentos apresentados pelo contribuinte revelaram a natureza da relação comercial havida (representação comercial, diante da minuciosa descrição dos clientes' atendidos pelos representantes), o valor das comissões pagas (conforme declaração em Dii f e histórico de pagamentos), o valor do IRRI retido e recolhido. Diante da comprovação da causa das operações e dos destinatários dos recursos, não ha corno subsistir do lançamento do IR.R.F, pot incompatibilidade coin a regra do art. 61 da Lei n", 8.981/95. Quanto á transfer encia de numerário sem comprovação, a questão também foi analisada em relação à imputação de omissão de receitas, havendo nos autos prova de que os suprinientos de caixa apontados pela autoridade lançadora foram realizados com recursos do próprio contribuinte, posto que há identidade de valores entre os lançamentos contábeis e as saídas de numerário de contas corrente da sua titularidade, Comprovada a origem dos recursos, assim como tratar-se de mera transferência de conta bancária para a conta caixa, a situação não se amolda à regra estampada no art, 61 da Lei n", 8.981/95. No que toca aos pagamentos vinculados a contratos de mútuo firmados em relação a empresas integrantes do mesmo grupo econômico (Grupo Mabel), procedeu o contribuinte à juntada de cópia de seu Livro Razão, constando lançamentos a credito na conta caixa dos respectivos montantes e lançamento a debito na conta mútuo no mesmo valor. Para alem, o contribuinte acostou ao recurso copia do Livro Razão das empresas mutuantes, da qual constam os lançamentos a crédito dos valores pagos pelo contt ibuinte e sua redução do 'contas a receber' (mútuo). Diante das provas, não poderia a Delegacia de julgamento considerar como pagamentos a terceiros não identificados os valores indicados simplesmente por inexistência de contrato escrito de mútuo, entendimento que, neste aspecto, colide corn a orientação deste Conselho: "DESPESAS DE AkfTLIO. DEDUTIB1L1DADE A dedução das despesas decorrente.s de antalização do valor do " mútuo pressup5e a comp ovação da al»'igação cant, aida, muito embai a seja prescindivel a e...1•istência de cailtrato escrita " (Acérdão n" 103-21737, 3" Camara, rei Conselheiro Aloysio JoS é Pam cinio da Silva) Remanesce, porquanto não atingida pela decadência, a constituição de crédito tributário relativo ao IRRF pela constatação de pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados decorrente da glosa de custos (aquisição de mercadorias) representados por notas fiscais declaradas nidôneas Como visto, o Laudo elaborado por perito judicial na Ação Cautelar de Produção Antecipada de Provas n", 2007.35 04,001451-3, apurou a existência das operações comerciais representadas pelas notas fiscais tidas pela fiscalização como inidemeas, afirmando o perito judicial o efetivo ingresso das mercadorias e do pagamento dos valores expressos em notas fiscais através de cheque nominais as empresas ou de saques de conta bancaria (Sumario de Cheques Emitidos — Pagamento a Fornecedores), o que descaracteriza a imputação de ter a Recorrente efetuado "pagamento a beneficiários não identificados": Confira-se a clicção do art, 61 da Lei n" 8.981/95, assim: "Art. 61 fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na "(File, à aliquota de ti iota e cinco poi cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas pri Micas a beneficiário não identificado, res.Nalvado o disposto em normas especiais 1" A ineld(3.17C1C1 »1 crista no capto aplica-se, tamNin, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sécios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não conq» - avada a ape; ação ou a .sua causa, hem como hipótese ele que ti ata o ,§ 2", do on' 74 da Lei n" 8 383, de 1991 § 2" Cons ide; a-se vencido o impo to de Renda na finite no dia do pagamento da u efei ida importancia § 3" 0 endimento de que ti ata este artigo sera considerado liquido, cabendo olegjustainento do iespectivorendimento bruto sobre o qual o imposto " O enunciado o § 1" do art: 61 não deixa dúvidas quanto à obrigatoriedade, para fins de legitimação do lançamento, de falta de comprovação da operação ou da sua causa, o que toma inaplicável o preceito ã situação dos autos, posto que ha prova, . obtida judicialmente e, assim, sob o crivo cio contraditório, de que as operações representadas pelas notas fiscais desconsideradas pela autoridade lançadora existiram efetivamente (registradas nos 24 P roccsso n" 10120 0073 I 7/2005-87 Ace)! (15o n " 1103-00,127 SI-C11-3 11 13 sistemas da Secretatia da Fazenda de Goiás SINTEGRAIGO), tendo sido realizados os pagamentos aos emitentes das notas fiscais. Nessa linha, existentes as operações e provados os pagamentos aos emitentes das notas fiscais, não se sustenta o lançamento dc oficio. 111 — Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário pal a dar-lhe parcial provimento, de modo a: i) afastar a decadência relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e A Contribuição Social sobre o Later° Liquido, face a opção do conti ibuinte pela tributação pelo lucro anual; ii) declarar a decadência relativa ao lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte no que toca aos fatos geradores ocoiridos ate 09/12/2000, exceto quanto a imputação decorrente da glosa de custos, poi força da regra do art. 173, I, do MTN; iii) &dual a decadência relativa as Connibuições do PIS e da COF1NS em relação aos fatos geradores ocon idos ate 09/12/2000; iv) afastai a aplicação de multa agravada; v) julgar improcedente o lançamento por omissão de receitas decorrente da glosa de despesas vi) julgar improcedente o lançamento relativo ao 1RPj e CSSL, por omissão de receitas pot suprimento de numerário, exceto no que concerne A aos suprimentos de caixa relativos aos itens 4, 5, 13, 14, 29 e 31 da planilha de fls. 3.202-3205; vii) excluir a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. e, viii) julgar impiocedente o lançamento atinente ao IRRF decorrente da glosa de despesas . Conheço do recurso de oficio, para negar-lhe provimento. — Hrz)g, -) C ric.-a-gbt
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720080/2014-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2011 a 31/01/2013
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PEREMPÇÃO.
Apresentada a impugnação após o prazo regrado pelos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72, deve ser reconhecida a sua intempestividade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso voluntário.
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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PEREMPÇÃO. Apresentada a impugnação após o prazo regrado pelos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72, deve ser reconhecida a sua intempestividade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 80 /2 01 4- 84 Fl. 4517DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO, que não conheceu, por intempestividade, de impugnação vertida contra lançamento de glosa de compensação de contribuições previdenciárias e respectiva multa isolada, de acordo respectivamente com os DEBCAD nºs 51.047.0327 e 51.047.0335 (fls. 9/106). A impugnação (fls. 1257/1262) não logrou êxito, sendo mantida a exigência face à intempestividade do recurso, conforme consubstanciado na ementa do acórdão de primeira instância (fls. 4060/40758): INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. A impugnação está submetida a regras e condições legais específicas, inclusive quanto ao prazo para a proposição. Intempestiva a Impugnação, esta não pode ser conhecida, exceto quanto à própria tempestividade, quando esta é suscitada. O recurso voluntário foi interposto em 8/7/2015 (fls. 4084/4129), suscitando como preliminar a tempestividade da impugnação. Na sequência, repisa o entendimento já apresentado na impugnação, segundo o qual, em síntese, os créditos compensados provém de recolhimentos efetuados indevidamente face ao reconhecimento de sua natureza indenizatória pelos tribunais superiores, tendo sido a compensação amparada em mandados de segurança que discrimina. Após estenderse em considerações sobre o enquadramento no RAT Rateio de Acidente de Trabalho e acerca da multa isolada, destaca estar juntando pastas ao recurso (fls. 4130/4512), as quais contém documentos que provam suas alegações. Ao final, demanda o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 4518DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15940.720080/201484 Acórdão n.º 2402005.374 S2C4T2 Fl. 205 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De plano, deve ser enfrentada a matéria referente à intempestividade da impugnação, questionada pelo sujeito passivo. Reza o art. 23 do Decreto nº 70.235/72:: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) (grifei) Fl. 4519DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Na espécie, é incontroverso que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 18/6/2014 (fls. 1253, 4072 e 4085), uma quartafeira. Também resta patente que a impugnação foi postada em 22/7/2014 (fls. 4056, 4072 e 4085). A divergência tem seu cerne na definição do momento de início da contagem do prazo de trinta dias para interposição da impugnação, conforme regramento dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. No anocalendário em questão, a quintafeira dia 19/6/2014 foi a data de "corpus christi", a qual, segundo Portaria nº 2 do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão publicada no Diário Oficial da União de 6/1/2014, tratase de dia de ponto facultativo e não de feriado nacional, como equivocadamente alude a peça recursal. Assim, o dia 20/6/2014 foi dia útil, sendo que também na esfera estadual, de consoante estabelecido no Decreto nº 54.877/14 do Estado de São Paulo, tampouco há menção a qualquer feriado ou ponto facultativo nessa data, o mesmo ocorrendo no âmbito municipal. Portanto, o termo a quo do prazo para impugnar o lançamento deuse em 20/6/2014, sextafeira, primeiro dia útil seguinte ao ponto facultativo ocorrido em 19/6/2014. E, como aquele prazo, de trinta dias, terminaria em 19/7/2014 (sábado), foi ele automaticamente prorrogado para 21/7/2014 (segundafeira). Como a impugnação foi postada somente no dia 22/7/2014 (terçafeira), é ela assim inequivocamente intempestiva, não podendo, por isso, ser conhecida, como bem destacado pela decisão guerreada. Vale registrar que não constam nos autos quaisquer evidências de que a repartição competente não tenha funcionada com expediente normal. Demonstrada, então, a intempestividade da impugnação do contribuinte, não cabe prosperar o exame das demais alegações recursais. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 4520DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000600/2005-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RECEITA
Correta a exigência fiscal apurada mediante levantamento de diferenças existentes entre a DIRI e os livros contábeis e fiscais previstos na legislação do ICMS.
Numero da decisão: 1802-000.384
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: JOÃO FRANCISCO BIANCO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 OMISSÃO DE RECEITA Correta a exigência fiscal apurada mediante levantamento de diferenças existentes entre a DIRI e os livros contábeis e fiscais previstos na legislação do ICMS.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, afastar a preliminar suscitada, e, no mérito, ne l: • é • e ento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o present gado. ES • MAR§ eEs L DE SOUS: • esidente JOA9 FRANCISC : IANCO - Relator EDITADO EM: re 8 ABA: 010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Sérgio Luiz Bezerra Presta(suplente convocado) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Processo n° 13401.000600/2005-10 S1-TE02 Acórdão 11.° 180240384 Fl. 2 Relatório Tratam os presentes autos de exigência dos tributos devidos no regime do SIMPLES relativos ao ano-calendário de 2001. Alega a fiscalização no auto de infração (fls. 05) que a DIPJ relativa ao exercício de 2002 foi entregue com valores zerados e não há registro de recolhimento de qualquer tributo no período. Mas a análise da documentação fornecida pela recorrente (livros diário, registro de saída e registro de apuração de_ICMS) indica.que a recorrente desenvolveu atividade comercial normal e apurou receitas de vendas de mercadorias. A exigência fiscal, portanto, foi calculada no regime do Simples, com base nos valores apurados pela fiscalização nos livros fiscais da recorrente. Intimada, a recorrente apresentou impugnação (fls. 113) aduzindo a nulidade do auto de infração, por entender que não teria sido lavrado no local apropriado, e insurgindo- se contra a incidência dos juros SELIC sobre o valor do crédito tributário e o caráter confiscatório da multa de lançamento de oficio, por serem ambas inconstitucionais. A DRJ manteve o trabalho fiscal (fls. 172). Em seu entendimento, o auto de infração deve ser lavrado no local da verificação da falta, o que não significa necessariamente no local do estabelecimento do contribuinte, nos termos do artigo 10 do Decreto n°. 70.235/72. No que diz respeito às questões de inconstitucionalidade, o julgador administrativo-declarou-se vinculado à letra da lei, de modo que não lhe seria lícito desviar o foco da análise do ato administrativo da legislação que lhe confere supedâneo. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 182) reiterando os termos de sua manifestação anterior. É o relatório. 2 Processo n° 13401.000600/2005-10 51-TE02 Acórdão n.° 1802-00.384 Fl. 3 V1310 Conselheiro Relator João Francisco Bianco, Relator O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo a apreciá-lo. Tratam os presentes autos da exigência dos tributos calculados e apurados pela sistemática do SIMPLES com base nos livros contábeis e fiscais escriturados pela própria recorrente. O mérito da autuação não foi objeto do recurso. Este limita-se a questionar apenas a aplicação da variação da taxa Selic sobre o valor do crédito tributário; a cobrança da multa de lançamento de oficio; e o local da lavratura do auto de infração. Todas as matérias alegadas encontram-se pacificarias no âmbito deste Conselho. Com efeito, a Súmula n°. 4 do 2° CC, publicada em 28.09.2006, estabelece que: "É legítima a lavratura de auto de infração no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte." Além disso, a inconstitucionalidade da variação da taxa Selic sobre o valor do crédito tributário e o caráter confiscatório da multa de lançamento de oficio são matérias estranhas a este tribunal achnistrativo, que não tem competência para apreciar questões dessa natureza. Pelo exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENJO ao recurso. — Reitor -r: ff( ,....., ,or João Francisco Bianco 3
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Numero do processo: 16561.720008/2011-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Frete, Seguro e Tributos Sobre Importação.
A norma aplicável à época do lançamento expressamente determinava que os valores relativos ao frete, seguro e tributos sobre importação compusessem o custo no cálculo do preço praticado, para fins de comparação com o preço-parâmetro.
Tributação Reflexa. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-002.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amádio e Demétrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à Conselheira Nathália Correia Pompeu). Ausente, justificadamente, o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 FRETE, SEGURO E TRIBUTOS SOBRE IMPORTAÇÃO. A norma aplicável à época do lançamento expressamente determinava que os valores relativos ao frete, seguro e tributos sobre importação compusessem o custo no cálculo do preço praticado, para fins de comparação com o preço parâmetro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 08 /2 01 1- 31 Fl. 6705DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.705 2 Amádio e Demétrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à Conselheira Nathália Correia Pompeu). Ausente, justificadamente, o Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório MICHELIN ESPÍRITO SANTO COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO LTDA., recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 6.638/6.674), contra o acórdão de nº 1402001.403 (efls. 6.609/6.625) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício apresentado pela Turma Julgadora de 1ª Instância e, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário manejado pela pessoa jurídica. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. DESQUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não logrando a fiscalização comprovar que as transações utilizadas pela contribuinte na apuração dos preços de transferência segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados) foram realizadas entre pessoas vinculadas, descabe a desqualificação do referido método, devendo os correspondentes ajustes serem excluídos da tributação. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. CLÁUSULA CIF. Como decorrência de expressa disposição legal (§ 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, antes do advento da Lei nº 12.715, de 2012) e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, o valor do frete, seguro e tributos incidentes na importação devem compor o preço praticado, quer nas operações com cláusula CIF (valor constante dos documentos de importação), quer nas operações com cláusula FOB (ônus suportado pelo importador). CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial entre o Acórdão nº 1402 001.403 e o Acórdão nº 910101.166, relativamente ao entendimento de que é obrigatório adicionar os valores de frete, seguro e Imposto de Importação, ao preço praticado em suas operações de importação de empresas coligadas domiciliadas no exterior, para efeito de comparação com o preço parâmetro apurado de conformidade com o PRL, e por conseguinte, determinação dos ajustes fiscais de preços de transferência. A ementa do paradigma é a seguinte: Fl. 6706DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.706 3 Acórdão nº 910101.166 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. VINCULAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. A autoridade administrativa, ao efetuar o lançamento, está vinculada à Instrução Normativa, bem como ao direito por ela conferido ao contribuinte. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL INCLUSÃO DE CUSTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO — A IN SRF n° 38/97, em seu artigo 4°, § 4°, estabelece que a inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é uma faculdade do contribuinte importador. Pela vinculação da autoridade administrativa ao referido ato normativo, deve tal faculdade ser respeitada, sob pena de nulidade do lançamento. O contribuinte, em suas razões recursais, afirma que a fiscalização considerou como parcelas integrantes do preço praticado pela recorrente, para fins de cálculo do preço parâmetro através do método PRL 20, as despesas com frete, seguro e Imposto de Importação e que esse entendimento carece de amparo legal. Salienta que não haveria dúvidas de que "valor de aquisição constante dos respectivos documentos" a que se refere o § 5° do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, cuja dedutibilidade estará limitada ao preçoparâmetro calculado de acordo com um dos métodos, corresponde ao preço FOB praticado entre as partes, e não ao custo contábil total da importação (CIF, acrescido do Imposto de Importação) e que tal entendimento encontraria respaldo no próprio § 6° do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, que prescreve que na eventualidade de o importador suportar o valor do frete e do seguro, este será integralmente dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tal qual os tributos incidentes na importação e seria aplicável a todos os métodos ali previstos, inclusive o PRL 20. Dessa forma, afirma, os tributos incidentes na importação e o gasto com frete e seguro assumidos pelo importador não devem integrar o preço praticado, tampouco compor o cálculo do preçoparâmetro pelo método do PRL20. Que a Lei nº 12.715/2012, fruto da conversão da MP 563/12, promoveu alterações nas regras dos preços de transferência previstas na Lei nº 9.430/96, inclusive no que tange ao PRL, determinando, claramente, nos parágrafos 6º e 6ºA do art. 18, na nova redação, que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador (cláusula FOB), pagos a partes não vinculadas, bem como o montante dos tributos incidentes na importação e dos gastos no desembaraço não integram o preço praticado pelo contribuinte para efeito de comparação com o preço parâmetro encontrado através do PRL. Elucida que, muito embora a nova redação do art. 18 não estivesse em vigor à época dos fatos, não haveriam dúvidas quanto à impossibilidade de inclusão dos valores de frete, seguro e I.I., no preço praticado nas operações de importação, utilizado para comparação com o preço parâmetro apurado pelo PLR 20, como já decidiu a CSRF. Aponta que o conteúdo da IN SRF 243/02 é rechaçado por doutrina abalizada, por ter inovado e extrapolado a lei que pretendeu regulamentar, pugnando, ao final, pela reforma do acórdão recorrido. Fl. 6707DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.707 4 O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 6.678/6.685, e a PFN apresentou Contrarrazões às efls. 6.687/6.698, em que aduz: a) a regra inserida no § 6º não tem o objetivo de excluir do controle dos preços de transferência as parcelas relativas ao frete, ao seguro e ao imposto de importação, em face do pagamento a partes independentes e que o caput do art. 18, por si só, já seria suficiente para restringir o controle dos preços de transferência às operações praticadas com partes ligadas b) o § 6º não se traduz numa regra inócua, limitada a repetir mandamentos expressos no sistema jurídico. Na realidade, tratase de verdadeira exceção ao regime delimitado pelo caput do art. 18, no sentido de integrar ao custo da operação controlada os valores de frete, seguro e imposto de importação, ainda que decorrentes de transações com pessoas independentes c) a nãoinclusão do frete, do seguro e do imposto de importação no preço praticado implica a comparação entre um “preço praticado FOB” e um “preço parâmetro CIF”, tendo em vista que aquelas parcelas compõem o custo de aquisição do produto importado e, portanto, estão inseridas no parâmetro calculado a partir do preço de revenda desse produto d) as parcelas de frete, seguro e imposto de importação sempre integram o preço parâmetro apurado com base no método PRL, na medida em que compõem o custo de aquisição do produto e, por inerência, repercutem no seu preço de revenda e) para viabilizar a comparação com o preço parâmetro influenciado pelos valores do frete, seguro e imposto de importação, é imprescindível que esses valores também integrem os custos constantes no documento de importação, ou seja, tais parcelas devem ser incluídas no preço praticado pelas partes associadas, sob pena da comparabilidade restar prejudicada. f) a interpretação do art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 defendida pela Fazenda Nacional apenas neutraliza a majoração do preço parâmetro decorrente da influência de frete, seguro e imposto de importação no preço de revenda do bem importado, no intuito de viabilizar a comparação entre grandezas equivalentes. Por conseqüência, não há que se cogitar em “restrição de dedutibilidade” de despesas pagas a terceiros independentes, uma vez que tais despesas continuam sendo dedutíveis, sem qualquer prejuízo ao contribuinte. Por fim, pleiteou pela negativa de provimento do Recurso Especial. É o relatório. Fl. 6708DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.708 5 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e, por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A discussão que se apresenta para debate já é conhecida deste Colegiado e relacionase à inclusão dos valores referentes a frete, seguro e tributos ao preço ao preço praticado, para fins de comparação com o preço parâmetro, apurado pelo método PRL. Inicio por observar que de fato, como constou do paradigma apresentado, o método PRL é opcional e presuntivo. O método PRL presume um preço parâmetro a partir do preço de revenda menos uma margem fixa de lucro determinada em lei. Isto torna o método muito mais fácil de ser aplicado. Todavia, por outro lado, sendo presuntivo, não poderia ser obrigatório. Ele é facultativo, vez que o contribuinte sempre pode optar pelo PIC ou pelo CPL, Segundo o legislador, ao fixar as condições de opção por esse método facultativo e presuntivo, em um primeiro momento, expressamente determinou que os valores relativos ao frete, seguro e tributos de importação compusessem o custo, para efeito de dedutibilidade. Ora, em se tratando de um método facultativo e presuntivo, é natural que cabe ao contribuinte analisar quando é vantajosa a sua aplicação. Até 2012, vigoravam as seguintes disposições contidas no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...]. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Vêse, portanto, que toda a celeuma a respeito da matéria é desnecessária. A própria Lei nº 9.430, de 1996, na sua redação original, vigente por ocasião do lançamento, determinava, taxativamente, que integravam o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação. A lógica é simples: o contribuinte utiliza esses custos quando calcula o seu preço de revenda porque assim determina o art. 13 do Decretolei nº 1.598, de 1977: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. Fl. 6709DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.709 6 § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; [...] O método determina o cálculo do preçoparâmetro a partir do preço de revenda praticado. Por conseguinte, se neste preço de revenda já está estão incluídos esses custos, por óbvio que no preçoparâmetro esses custos também devem estar embutidos. Assim, se o contribuinte faz essa inserção no cômputo dos preços que pratica, para efeito de comparabilidade, também deve fazêlo no cálculo do preço parâmetro pois, do contrário, estaria comparando montantes com critérios de apuração distintos. Em voto sobre o assunto, o Conselheiro Marcelo Cuba Júnior muito bem explicou a importância da consideração de custos de frete, seguros e tributos incidentes na importação, na determinação do custo de importação, para efeitos de comparação. Por oportuno, colaciono os seguintes trechos do voto condutor do Acórdão nº 1201001.061: [...] A questão da comparabilidade entre o preço praticado entre pessoas vinculadas e aquele praticado em operações de mercado está no cerne do princípio do arm’s lenght. Tanto é assim que o OECD Transfer Pricing Guidelines dedica todo o seu capítulo III ao exame desta matéria. De fato, o objetivo da comparação do valor de uma transação realizada entre pessoas vinculadas com o valor de uma outra transação realizada entre pessoas não vinculadas é a identificação do quanto a questão da vinculação afetou o valor da transação sob exame. Tendo sido inspirado no princípio do arm’s lenght, o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser corretamente interpretado acaso não fosse dada a devida importância à questão da comparabilidade. Assim, devese ter em conta que no cálculo do preço parâmetro PRL20 estão incluídos os valores pagos pela contribuinte a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. De fato, ao excluirmos do preço de revenda do produto a margem lucro de 20%, restará o custo do produto revendido (vide outros ajustes no art. 18, II, da Lei nº 9.430/96). Esse custo, por óbvio, é composto não só pelo preço de aquisição produto, mas também pelos valores do frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, a comparação entre o preço praticado (FOB) e o preço parâmetro PRL20 (que inclui frete + seguro + tributos sobre a importação), como advoga a recorrente, seria de todo inútil ao fim a que se destina a lei de preços de transferência, qual seja, verificar, mediante comparação entre aqueles preços, se a contribuinte está, ou não, reduzindo artificialmente o lucro apurado no Brasil por meio de aquisições de produtos junto a sua vinculada no exterior a preços superiores aos de mercado. Fl. 6710DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.710 7 Assim, para corretamente comparar o preço praticado com o preço parâmetro PRL20, é necessário que ambos estejam em pé de igualdade, ou seja, ou bem se exclui do preço parâmetro os valores pagos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, ou bem se adiciona esses valores ao preço praticado. A lei adotou a segunda opção, mas se houvesse adotado a primeira o resultado seria idêntico. [...] Assim sendo, outra não pode ser a interpretação do § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, senão aquela que conclui pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos sobre importação no preço praticado. Ou seja, tratandose de aplicação de métodos de preços de transferência, devese ter o cuidado, na consideração ou não do frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do custo de importação, no que toca à possibilidade de se distorcer os termos da comparação que se pretende empreender. Em seu recurso especial, a recorrente aduz que não há nos autos qualquer dado que corrobore que ela incluiu no cálculo do preço praticado os valores a título de fretes, seguros e imposto de importação. Ora, com a devida vênia, à luz do art. 13 do DL nº 1.598, de 1977, essa é a regra. E mais: de acordo com o item 16 do Termo de Constatação Fiscal (efl. 520), a fiscalização expressamente esclarece: 16. Preço Praticado: foi calculado de acordo com os custos constantes dos documentos de importação dos insumos/produto. É a soma do custo de aquisição da mercadoria fob + valor dos fretes internacionais + valor dos seguros internacionais + o valor do imposto de importação. À efl. 521 é demonstrada, por meio de uma planilha exemplificativa para um produto, a composição do preço praticado considerado pela fiscalização para fins de comparação. Ela chega a afirmar que pratica preços de revenda abaixo do valor do custo. Mas não quantifica e nem prova isso. Assim, nos cálculo utilizados pela Fiscalização, considerouse no preço praticado esses valores e como, à luz da legislação contábil, estão embutidos no preço de revenda, também foram considerados. Portanto a comparação está correta. A recorrente invoca, ainda, a favor de sua tese, o que constou da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 563, de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012. Ora, empregandose o mesmo método interpretativo, chegase a conclusão inteiramente diversa daquela deduzida pela defesa, qual seja, a de que a legislação, à época da ocorrência dos fatos, não admitia a exclusão de valores referentes a frete, seguro e tributos incidentes na importação, no cálculo do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Vejamos, então, o que constou da referida exposição de motivos: EMI nº 00025/2012 MF/MDIC/MCTI/MEC/MC/SEP/MS/MPS [...]. Fl. 6711DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.711 8 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: [...]; c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; (sublinhouse). Diante da clareza do texto acima, caem por as alegações da recorrente. A exclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação e gastos com desembaraço aduaneiro, sobre as operações de importação, para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, somente veio a ser admitida posteriormente, a partir de janeiro de 2013, justamente com a alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. É verdade que com a alteração legislativa acima, permitiu, o legislador, que fossem excluídos, do valor do custo, o frete e o seguro, cujo ônus tivesse sido arcado pelo importador, em determinadas condições, assim como os tributos incidentes na importação e gastos no desembaraço aduaneiro. Todavia, não há como negar vigência ao dispositivo anterior até a entrada em vigor da novel legislação, o que somente ocorreu em janeiro de 2013. Por tal razão é que se aplica, ao caso, o que dispõe o art. 144, do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ou seja, a lei na época dos fatos não fazia distinção se o frete e o seguro internacional eram ou não contratados pelo contribuinte com terceiro não vinculado. É importante destacar que essa alteração legal, permitindo agora a exclusão se tais valores forem praticados com pessoas não vinculadas, não infirma o argumento de que antes era preciso para conferir comparabilidade, porque, como esclarecido pela atual instrução normativa (IN RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012), justamente para conferir comparabilidade, excluise também do cômputo dos dois preços, senão vejamos: Art. 9º Os valores dos bens, serviços ou direitos serão ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo. Fl. 6712DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.712 9 § 1º No caso de bens, serviços e direitos idênticos, somente será permitida a efetivação de ajustes relacionados com: I prazo para pagamento; II quantidades negociadas; III obrigação por garantia de funcionamento do bem ou da aplicabilidade do serviço ou direito; IV obrigação pela promoção, junto ao público, do bem, serviço ou direito, por meio de propaganda e publicidade; V obrigação pelos custos de fiscalização de qualidade, do padrão dos serviços e das condições de higiene; VI custos de intermediação, nas operações de compra e venda, praticadas pelas pessoas jurídicas não vinculadas, consideradas para efeito de comparação dos preços; VII acondicionamento; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1458, de 18 de março de 2014) VIII frete e seguro; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1458, de 18 de março de 2014) IX custos de desembarque no porto, de transporte interno, de armazenagem e de desembaraço aduaneiro incluídos os impostos e taxas de importação, todos no mercado de destino do bem. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1458, de 18 de março de 2014) ................................................................................................ § 9º Os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da pessoa jurídica importadora, os tributos não recuperáveis e os gastos com desembaraço aduaneiro poderão ser adicionados ao custo dos bens adquiridos no exterior desde que sejam, da mesma forma, considerados no preço praticado, para efeito de comparação. (Grifei) Assim, mantevese a mesma coerência para comparar ordens de grandezas equivalentes e resta inconteste que a adição da parcela deve ocorrer para os dois preços. Quanto aos questionamentos a respeito da IN SRF nº 243, de 2002, a jurisprudência administrativa vem se solidificando no sentido de que não há qualquer ilegalidade do referido ato, em face do disposto no art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996. Em sessão realizada em janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101 002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não Fl. 6713DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.713 10 é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Mais recentemente, em maio de 2016, foi proferido o Acórdão nº 9101 002.322, que adotou o mesmo entendimento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Referidos julgados fizeram referência a jurisprudência judicial, como, a da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Fl. 6714DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.714 11 Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia Fl. 6715DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.715 12 prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Fl. 6716DF CARF MF Processo nº 16561.720008/201131 Acórdão n.º 9101002.461 CSRFT1 Fl. 6.716 13 Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Aplicase à CSLL o quanto decidido no julgamento do tributo matriz, IRPJ, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Adriana Gomes Rêgo Fl. 6717DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007061/2007-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 70 61 /2 00 7- 63 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10830.007061/200763 Acórdão n.º 9202004.665 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000963/2009-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008
NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DETERMINA A BASE DE CÁLCULO A SER OBSERVADA. LANÇAMENTO. EFEITOS.
Dispondo o contribuinte, por ocasião do lançamento realizado, de decisão judicial que expressamente declara inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718 e estabelece que a base de cálculo do PIS deve ser a determinada pela Lei 9.715/98, a constituição de crédito tributário sobre receitas outras que não a de prestação de serviços é admitida apenas para prevenir o sujeito ativo contra os efeitos da decadência, estando a exigibilidade do crédito assim constituído suspensa na forma do art. 151, IV do CTN e sendo incabível a exigência de multa de ofício, a teor do art. 63 da Lei 9.430/96.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008
NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DETERMINA A BASE DE CÁLCULO A SER OBSERVADA. LANÇAMENTO. EFEITOS.
Dispondo o contribuinte, por ocasião do lançamento realizado, de decisão judicial que expressamente declara inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718 e estabelece que a base de cálculo do PIS deve ser a determinada pela Lei Complementar 70/91, a constituição de crédito tributário sobre receitas outras que não a de prestação de serviços é admitida apenas para prevenir o sujeito ativo contra os efeitos da decadência, estando a exigibilidade do crédito assim constituído suspensa na forma do art. 151, IV do CTN e sendo incabível a exigência de multa de ofício, a teor do art. 63 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9303-003.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Demes Brito e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Demes Brito apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DETERMINA A BASE DE CÁLCULO A SER OBSERVADA. LANÇAMENTO. EFEITOS. Dispondo o contribuinte, por ocasião do lançamento realizado, de decisão judicial que expressamente declara inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718 e estabelece que a base de cálculo do PIS deve ser a determinada pela Lei 9.715/98, a constituição de crédito tributário sobre receitas outras que não a de prestação de serviços é admitida apenas para prevenir o sujeito ativo contra os efeitos da decadência, estando a exigibilidade do crédito assim constituído suspensa na forma do art. 151, IV do CTN e sendo incabível a exigência de multa de ofício, a teor do art. 63 da Lei 9.430/96. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DETERMINA A BASE DE CÁLCULO A SER OBSERVADA. LANÇAMENTO. EFEITOS. Dispondo o contribuinte, por ocasião do lançamento realizado, de decisão judicial que expressamente declara inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718 e estabelece que a base de cálculo do PIS deve ser a determinada pela Lei Complementar 70/91, a constituição de crédito tributário sobre receitas outras que não a de prestação de serviços é admitida apenas para prevenir o sujeito ativo contra os efeitos da decadência, estando a exigibilidade do crédito assim constituído suspensa na forma do art. 151, IV do CTN e sendo incabível a exigência de multa de ofício, a teor do art. 63 da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Demes Brito e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Demes Brito apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DETERMINA A BASE DE CÁLCULO A SER OBSERVADA. LANÇAMENTO. EFEITOS. Dispondo o contribuinte, por ocasião do lançamento realizado, de decisão judicial que expressamente declara inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718 e estabelece que a base de cálculo do PIS deve ser a determinada pela Lei 9.715/98, a constituição de crédito tributário sobre receitas outras que não a de prestação de serviços é admitida apenas para prevenir o sujeito ativo contra os efeitos da decadência, estando a exigibilidade do crédito assim constituído suspensa na forma do art. 151, IV do CTN e sendo incabível a exigência de multa de ofício, a teor do art. 63 da Lei 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DETERMINA A BASE DE CÁLCULO A SER OBSERVADA. LANÇAMENTO. EFEITOS. Dispondo o contribuinte, por ocasião do lançamento realizado, de decisão judicial que expressamente declara inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718 e estabelece que a base de cálculo do PIS deve ser a determinada pela Lei Complementar 70/91, a constituição de crédito tributário sobre receitas outras que não a de prestação de serviços é admitida apenas para prevenir o sujeito ativo contra os efeitos da decadência, estando a exigibilidade do crédito assim constituído suspensa na forma do art. 151, IV do CTN e sendo incabível a exigência de multa de ofício, a teor do art. 63 da Lei 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 63 /2 00 9- 15 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.263 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Demes Brito e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Demes Brito apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte supra identificado em face do Acórdão nº 3102002.130, de 28/01/2014, ementado, na parte de interesse desta análise, da seguinte forma: DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É necessário o lançamento de ofício da diferença dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep omitidos na DCTF, correspondentes à parcela das receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal registrada na escrituração contábil e declarada na DIPJ ou Dacon. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE DECLARAÇÃO DOS DÉBITOS NA DCTF. INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. CABIMENTO. Se não há discussão judicial sobre a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas operacionais ou decorrentes da atividade principal, é cabível a aplicação da multa de ofício, por falta de declaração, em relação aos débitos calculados sobre a parcela das referidas receitas declaradas na DIPJ ou Dacon, mas não confessados na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.264 3 Cientificado do acórdão, o contribuinte interpôs embargos de declaração, que foram, liminarmente, rejeitados, nos termos do despacho nº 32049 de 24 de julho de 2014 (fls. 1.091 a 1.095). A divergência suscitada pelo sujeito passivo foi em relação à incidência das contribuições PIS e Cofins sobre receitas financeiras, não decorrentes, segundo ele, de prestação de serviços, mas consideradas operacionais pela fiscalização. Em seu recurso especial, o contribuinte questiona a exigência da multa de ofício em razão do fato de se tratar de lançamento sobre parcelas questionadas judicialmente, pois, segundo ele, nos mandados de segurança se questionava a incidência das contribuições sobre outras receitas alheias ao faturamento, abarcando, portanto, as receitas financeiras, tendo como supedâneo legal o § 1° do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Requer, ainda, a suspensão da exigência do crédito tributário até o deslinde final do Recurso Extraordinário (RE) nº 609.096, submetido à sistemáticas da repercussão geral, em que se controverte acerca da exigibilidade das contribuições sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras. Em sede de contrarrazões, a Fazenda Nacional, amparada em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), precipuamente no voto do Ministro Cezar Peluso prolatado no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 401.3487, bem como na legislação aplicável, argumenta que a base de cálculo das contribuições devidas pelas instituições financeiras se compõe das receitas oriundas de sua atividade empresarial, dentre elas, as receitas financeiras, não se restringindo às receitas decorrentes da venda de mercadorias e/ou serviços. Destacou a Fazenda Nacional que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, não alterou a base de cálculo das contribuições devidas pelas instituições financeiras, pois as receitas provenientes de suas operações usuais típicas constituem o próprio faturamento, sendo tais receitas reconhecidas como operacionais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Nos termos do relatório supra, constatase que a controvérsia se restringe à incidência ou não das contribuições Cofins e para o PIS sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 271 a 276), do total das receitas auferidas no período pelo contribuinte, foram excluídas as receitas não operacionais, fazendo incidir as contribuições somente sobre as receitas operacionais informadas nas DCTFs. Em sua defesa, o contribuinte alega que o lançamento se dera sobre receitas financeiras e não sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços, conforme lhe asseguravam duas decisões judiciais em sede de mandados de segurança, cujos trâmites Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.265 4 encontravamse sobrestados por força da repercussão geral reconhecida pelo STF no julgamento do RE nº 609.096, em que se controverte acerca da exigibilidade das contribuições sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras. De pronto, destaco que esta 3ª Turma da CSRF, em 3 de junho de 2014, no Acórdão nº 9303002.994, decidiu acerca da incidência das contribuições devidas pelas instituições financeiras, no que tange às receitas financeiras, tendo este relator acompanhado o voto condutor do acórdão prolatado pelo conselheiro Ricardo Paulo Rosa, em razão do quê adotoo como razão de decidir neste processo, dada a similitude das situações controvertidas. Reproduzo, portanto, trechos do referido voto que fundamentam esta decisão: A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (...) O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.266 5 Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 1970, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro, sem nenhuma menção à receita. É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.267 6 artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.268 7 de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. (...) Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento. Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. (...) E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.269 8 de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. (...) Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. (...) Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.270 9 totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. (...) Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema Não Cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.271 10 incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Nesse sentido, considerando que o caput do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, foi reconhecido pelo STF como constitucional e que as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras compõem a sua receita operacional típica, voto por NEGAR provimento ao recurso especial manejado pelo contribuinte, mantendose a exigência da multa de ofício, bem como o trâmite deste processo até o seu deslinde final, por se tratar de situação distinta da levada ao Poder Judiciário pelo ora Recorrente, esta restrita à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. É como voto. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.272 11 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Designoume a Presidência para a redação do acórdão em vista de o colegiado ter divergido do voto, muito bem estruturado digase de logo, do i. relator, que mantinha a decisão recorrida. Devo começar registrando que também participei da votação do processo trazido pelo dr. Rodrigo como exemplo do posicionamento adotado por esta turma quanto às receitas financeiras das instituições financeiras. E ali também acompanhei o voto do dr. Ricardo, que manteve a autuação. Também registro que continuo tendo o posicionamento ali reiterado no sentido de que o conceito de faturamento das instituições financeiras, ao menos até que o STF diga diferente nos processos que lá aguardam julgamento com repercussão geral reconhecida, é o conjunto das atividades empresariais. No caso dos bancos, pois, incluemse aí as receitas provenientes dos empréstimos concedidos receitas financeiras sem sombras de dúvidas. Mas esse posicionamento particular meu ainda que represente entendimento consolidado no âmbito do STJ só pode sr aplicado quando o contribuinte não possua decisão judicial que diga diferente. E é nisso que os dois processos divergem. Realmente, no caso mencionado pelo dr. Rodrigo, a decisão judicial favorável do contribuinte continha uma ambiguidade conceitual tão flagrante que motivou voto contrário ao contribuinte mesmo de conselheira que normalmente não partilha aquele entendimento e dá provimento aos apelos dos bancos quanto à matéria1. A ambiguidade a que me refiro estava na afirmação de que a base de cálculo deveria ser entendida como "a receita da prestação de serviços, ou seja, a receita das atividades empresariais típicas". Já naquela oportunidade destaquei que não concordo com a equiparação aí indicada, mas, constando ela da própria decisão, nada restava senão reconhecer a incidência sobre as parcelas lá tributadas. E essa ambiguidade talvez tenha decorrido, naquele caso, de o pedido do contribuinte terse limitado à declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718, considerando então indevido o alargamento, mas sem especificar com clareza que, com isso, aquela base de cálculo deveria ficar restrita às receitas de prestação de serviços e não alcançar as financeiras. Mas aqui não há ambiguidade alguma. Primeiramente no pedido quanto ao PIS (MS nº 2006.61.00.014234O): (...) IV DO PEDIDO 66. Face às razões acima expostas, as Impetrantes requerem: 1 Refirome, no caso concreto, ao voto da Conselheira Fabíola Kermaidas. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.273 12 a) a concessão de medida liminar para suspender, a partir do períodobase de junho de 2.006, a exigibilidade da contribuição para o PIS sobre as demais receitas impostas pela Lei n° 9.718/98, que não as decorrentes da receita bruta da prestação de serviços; afastando em ambas as situações todo e qualquer ato da D. Autoridade Impetrada tendente à exigiIa nos moldes da Lei n° 9.718/98, notadamente os de inscrição na dívida ativa; inscrição no CADIN; e negativa de Certidão Positiva com efeitos de Negativa de Tributos Federais, até o julgamento definitivo deste writ; b) a notificação da D. Autoridade Impetrada para apresentar suas informações nos termos do art. 7° da Lei n° 1.533/51; e c) a concessão em definitivo da segurança para, relativamente ao períodobase de junho de 2.006 e subseqüentes, garantir o direito líquido e certo das Impetrantes de recolher a contribuição para o PIS somente com base nas receitas provenientes da prestação de serviços, bem como de procederem à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS desde junho de 2.001, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa de juros SELIC, conforme determinado pela Lei n° 9.250, de 27.12.95, sem impedimento da Autoridade Fiscaí de exercer a fiscalização sobre o procedimento efetuado. E nesses exatos termos foi a liminar deferida: (...) FUNDAMENTO E DECIDO. A Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998, dispôs em seu art. 2° que as contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS serão calculadas com base no faturamento. Posteriormente, em seu art. 3°, estatuiu que faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Ocorre que a Constituição Federal, na redação original do art. 195, I, previa a contribuição dos empregadores incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Portanto, verificase que, ao prever a Lei 9.718/98 que faturamento corresponde à receita bruta, ampliou a base de cálculo constitucionalmente delimitada, porquanto faturamento corresponde tão somente ao resultado da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica e o § 1° do art. 3° da lei referida determina a incidência sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) O Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005, no julgamento do Recurso Extraordinário 346.084, por maioria de Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.274 13 votos, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3 0, § 10, da Lei 9.718/98, cujo acórdão ainda não foi publicado. Confirase a notícia do julgamento inserta no Informativo n° 408, do Supremo Tribunal Federal: "Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFIAIS e do PIS, cujo art. 3°, § 1°, define o conceito de faturamento ("Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. 11) § 1°. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas., — v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° daa :Lei 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, É, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195, 1, , da CF, na redação dada pela EC 20/98, ser conciliável com o disposto no art. 3°, do § 1° da Lei 9.718/97, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20/98, em data anterior ao inicio de produção dos efeitos da Lei 9.718/97 — o qual se deu em 1°.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6°) —, poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20/98. Reputouse, ademais, afrontado o § 40 do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, 1, da CF ("Art. 154. A União poderá instituir: 1 mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;"). RE 357950/RS. rel. orla. Min. Marco Aurélio e RE (...) Diante do exposto, DEFIRO A LIMINAR para o fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário no que tange ao alargamento da base de cálculo do PIS pelo art. 3°, § 1°, da Lei 9.718/1988. Destarte, não me parece plausível tomar apenas esse último trecho da decisão para entender, convenientemente, que a ela não explicitou que as receitas financeiras estariam Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.275 14 de fora da base de cálculo. Esse era o pedido a justificar a liminar; de não ter sido atendido somente poderia resultar o seu indeferimento. Também importa reconhecer que a liminar não obstou a lavratura de auto de infração, o que, aliás, tampouco havia sido pedido pela empresa. Mas se alguma dúvida ainda se pudesse levantar enquanto apenas existente a liminar, ela se esvai diante da sentença proferida (cf cópia juntada às fls 221 e ss dos autos): Isto posto julgo PROCEDENTE o pedido formulado e CONCEDO a segurança para afastar a incidência do artigo 3º, § 1º, da Lei 9718/98, garantindo aos impetrantes BANCO FIBRA S/A e FIBRA ASSET MANAGEMENT DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA a observância da Lei Complementar 7/70 no que se refere à base de cálculo do PIS, mantidas quanto ao mais, as disposições da Lei 9718/98„ bem como para reconhecer às impetrantes o direito à compensação das quantias comprovadamente pagas "a maior" do PIS, a partir de junho de 2001, com tributos vincendos administrados pela Receita Federal, observadas as disposições da Lei 9.430/96 e demais atos normativos expedidos pela Receita Federal, incidindo os juros e correção monetária previstos na fundamentação, que ficam fazendo parte integrante deste dispositivo. Na fundamentação de sua sentença, aduzira, mais uma vez, o magistrado: (...) No mérito. A Constituição Federal recepcionou o arcabouço legislativo da contribuição para o PIS (Programa de Integração Social), dispondo em seu artigo 239 que "A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar n. 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela Lei Complementar n. 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do segurodesemprego e o abono de que trata o § 39 deste artigo". A Lei Complementar 7/70, por sua vez, elencava o • faturamento da empresa como base de cálculo da contribuição para o PIS (artigo 32, b). É certo que o conceito de faturamento não vem explicitado na Lei 7/70, mas a Lei Complementar 70/91, que veicula a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), cuja base de cálculo também é o faturamento, dispõe : "A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza" (grifei). Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.276 15 Portanto, o faturamento da empresa, na dicção legal, compreende : a) venda de mercadorias; b) venda de mercadorias e serviços; c) venda de serviços de qualquer natureza. Excluídas estão, pois, outras receitas da empresa, dentre as quais se incluem as financeiras, que a Lei 9718/98 procurou alcançar. O TRF manteve (cf. cópias às fls. 280 e ss dos autos), basicamente, esse entendimento, apenas "corrigindo" a sentença no que tange à observância da Lei 9.715 e não da LC 7/70, mas mantendo o reconhecimento da inconstitucionalidade postulada. E é essa decisão que aguarda pronunciamento do STF. No que tange à COFINS, a situação não é diferente. A empresa impetrou outro MS (nº 2006.61.00.0142351), em que, igualmente, postula a inconstitucionalidade da Lei 9.718 e a consequente obrigação de recolher a contribuição sobre a base determinada pela Lei Complementar 70/91 IV DO PEDIDO 77. Face às razões acima expostas, as Impetrantes requerem: a) a concessão de medida liminar para, relativamente ao período base de junho de 2.006 e subseqüentes, suspender a exigibilidade da contribuição sobre o faturamento COFINS, afastando todo e qualquer ato da D. Autoridade Impetrada tendente à exigila nos moldes da Lei n° 9.718/98, com as alterações promovidas pelo artigo 18 da Lei n° 10.684/2003, notadamente os de inscrição na dívida ativa; inscrição no CADIN; e negativa de Certidão Positiva com efeitos de Negativa de • Tributos Federais, até o julgamento definitivo deste writ; b) a notificação da D. Autoridade lmpetrada para apresentar suas informações nos termos do art. 7° da Lei n° 1.533/51; e c) a concessão em definitivo da segurança para, relativamente ao períodobase de junho de 2.006 e subseqüentes, garantir o direito líquido e certo das Impetrantes de não efetuarem o recolhimento da COFINS, conforme estipulado no artigo 3° da Lei n° 9.718/98, com as alterações promovidas pelo artigo 18 da Lei n° 10.684/2003, ou, ao menos, recolhêla sobre as receitas advindas da prestação de serviços, bem como de procederem à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de COFINS desde junho de 2.001, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, acrescidos da taxa de juros SELIC, conforme determinado pela Lei n° 9.250, de 27.12.95, o que não impede que a Autoridade Fiscal exerça a fiscalização sobre o procedimento efetuado. Também de forma semelhante ao outro processo, neste a sentença é ainda mais clara quanto à base de cálculo a ser observada: III Diante do exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA para o fim de reconhecer o direito líquido e certo da Impetrante de não ser compelida ao recolhimento da Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000963/200915 Acórdão n.º 9303003.859 CSRFT3 Fl. 1.277 16 contribuição para a COFINS, nos moldes do artigo 30, § 1°, da Lei 9718/98 em razão do inconstitucional alargamento da base de cálculo, a partir da competência de fevereiro de 1999, devendo, contudo, quando do recolhimento da exação em tela, observar a base de cálculo prevista na Lei Complementar 70/91, ficando mantidas quanto ao mais, as disposições da Lei 9718/98. Fica reconhecido à impetrante, o direito a compensação, dos valores indevidamente recolhidos, a partir de junho de 2001, conforme artigo 74 da Lei n° 9.430/96, acrescidos da taxa SELIC, após o trânsito em julgado da sentença (art. 170— A do CTN). Neste último, até a data em que oferecida impugnação parece não ter havido manifestação do TRF. Em suma, aqui, em ambas as decisões, não há "ou seja": elas não permitem incluir as receitas financeiras, as decisões não são omissas sobre isso, as decisões expressamente determinam sua exclusão das bases de cálculo e as limitam à receita da prestação de serviços, exatamente como postulara o sujeito passivo. Destarte, a autuação deveria dizer por que, no entender da autoridade responsável, todas as "receitas operacionais" da empresa compõem a base de cálculo nos termos das decisões proferidas (dado que o lançamento não foi feito para prevenir decadência). Nem o disse o lançamento, nem o disseram as decisões que o mantiveram. Mas isso, a meu ver, não o torna imprestável. Com efeito, tendo ambas as decisões liminares determinado a suspensão de exigibilidade do crédito decorrente da majoração introduzida pela Lei 9.718, e não sendo elas ainda definitivas, a autuação produz mesmo o efeito acima indicado: previne a decadência quanto ao crédito tributário que passará a ser devido se o contribuinte vier a ser derrotado em sua disputa judicial, isto é, se, em instância final, restar prevalente o entendimento do exministro Peluso e todas as receitas operacionais compuserem mesmo a base de cálculo das contribuições. As consequências obrigatórias são: a) o crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa, em observância ao art. 151, IV do CTN; b) descabe a multa lançada, por força do que dispõe o art. 63 da Lei 9.430/96. Sendo esse o pedido alternativo do contribuinte, a ele dei provimento, tendo a honra de ser acompanhado pela maioria do colegiado. E esse é o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado d igitalmente em 16/09/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19311.720410/2011-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009, 2010
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009, 2010 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 10 /2 01 1- 56 Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720410/201156 Acórdão n.º 9202004.397 CSRFT2 Fl. 1.041 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720410/201156 Acórdão n.º 9202004.397 CSRFT2 Fl. 1.042 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720410/201156 Acórdão n.º 9202004.397 CSRFT2 Fl. 1.043 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720410/201156 Acórdão n.º 9202004.397 CSRFT2 Fl. 1.044 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720410/201156 Acórdão n.º 9202004.397 CSRFT2 Fl. 1.045 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720410/201156 Acórdão n.º 9202004.397 CSRFT2 Fl. 1.046 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.720555/2010-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COFINS NÃO-CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não-cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS.
Numero da decisão: 9303-004.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS NÃO-CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não-cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS NÃOCUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime nãocumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos ás despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 05 55 /2 01 0- 27 Fl. 708242DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.242 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3102002.513, proferido pela 4ª Câmara da 2º Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento, que decidiu dar provimento ao Recurso da Contribuinte, para reconhecer o direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo sobre despesas com frete a armazenagem nas vendas de produtos sujeitos à tributação concentrada ("monofásica") com fundamento no inciso IX do artigo 3º da lei n° 10.833/2003. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, inicialmente reconhece o direito ao creditamento de despesas de frete e armazenagem em operações de venda, entretanto em seguida, delimita o direito ao desconto do crédito aos casos estabelecidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, restringe o aproveitamento do crédito a determinadas operações, das quais são excluídas as revendas de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Fazenda Nacional, traz em seu Recurso, o acórdão paradigma n° 3403002.855, assim ementado: Fl. 708243DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.243 3 COSMÉTICOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. REVENDA. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. A revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à incidência monofásica da Contribuição na etapa industrial, sujeita a receita de revenda desses produtos à alíquota zero para as contribuições sociais e obsta o aproveitamento de créditos relativamente a esses bens. BENS INCORPORADOS AO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITO. ALCANCE. O direito à tomada de créditos em relação a bens incorporados ao ativo permanente alcança somente aqueles adquiridos ou fabricados para locação a terceiros , ou para a utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. COSMÉTICOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES. REVENDA. CRÉDITOS.VEDAÇÃO. O direito à tomada de créditos em relação às despesas de armazenagem e fretes pagos pelo vendedor é vedada no caso de revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à incidência monofásica da Contribuição na etapa industrial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 COSMÉTICOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. REVENDA. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. A revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à incidência monofásica da Contribuição na etapa industrial, sujeita a receita de revenda desses produtos à alíquota zero para as contribuições sociais e obsta o aproveitamento de créditos relativamente a esses bens. BENS INCORPORADOS AO ATIVO PERMANENTE. CRÉDITO. ALCANCE. O direito à tomada de créditos em relação a bens incorporados ao ativo permanente alcança somente aqueles adquiridos ou fabricados para locação a terceiros , ou para a utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. COSMÉTICOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES. REVENDA. CRÉDITOS.VEDAÇÃO. O direito à tomada de créditos em relação às despesas de armazenagem e fretes pagos pelo vendedor é vedada no caso de revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à incidência monofásica da Contribuição na etapa industrial. Fl. 708244DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.244 4 Recurso Voluntário Negado. Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância. Dele conheço. Versa o presente processo sobre pedido de Ressarcimento Eletrônico de n° 05809.32272.290708.1.113778, pelo qual a Contribuinte pretende reaver seu direito de crédito referente ao 2º trimestre de 2008 em relação à COFINS não cumulativa, tendo sido o crédito vinculado e utilizado em compensações declaradas nas DCOMP's n°s 27089.30503300708.1.3.117621 e 10962.59339.290808.1.3.114588. Com efeito, a decisão recorrida interpretou o inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, entendendo que o distribuidor atacadista de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, sujeitos ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição dos referidos produtos, mas, como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração dessas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor. Por outro lado, a Fazenda Nacional sustenta por meio do acórdão paradigma n° 3403002.855, interpretando a mesma legislação que o direito à tomada de créditos em relação às despesas de armazenagem e fretes pagos pelo vendedor é vedada no caso de revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à incidência monofásica das contribuições na etapa industrial. Portanto, a controvérsia posta a julgamento a esta E. Câmara Superior envolve a interpretação das leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, referente ao direito de crédito de PIS e da COFINS nãocumulativos em relação a despesas de frete e transporte de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ("monofásica"). Da Não Cumulatividade do PIS e da COFINS Direito a Crédito Sobre Despesas com Frete e Armazenagem nas Vendas de Produtos Sujeitos à Tributação Concentrada ("MONOFÁSICA") Para melhor compreensão dos fatos, verifico que a Contribuinte é pessoa jurídica dedicada ao comércio atacadista de produtos de perfumaria, de tocador e de higiene pessoal, apura o Imposto sobre a Renda com base no lucro Real, estando sujeita, portanto, ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. No exercício de suas atividades empresariais, a Contribuinte adquire produtos industrializados e os revende para comerciantes autônomos, denominados "Consultores", que Fl. 708245DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.245 5 por sua vez, distribui para consumidores finais para comercialização de seus produtos por meio de "venda direta" ou "portaaporta". Com este modelo de negócio, a Contribuinte contrata serviços de transporte (frete) o que é absolutamente imprescindível para comercialização de seus produtos, possibilitando, assim, a sua remessa para os revendedores autônomos e posterior distribuição aos consumidores finais. Neste sentido, todos os serviços de transporte contratados (frete) pela Contribuinte estão diretamente relacionados com as vendas dos produtos, pois viabilizam a sua remessa para os revendedores autônomos e posterior distribuição para os consumidores finais, sendo imprescindíveis para o desenvolvimento da atividade empresarial. Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), todavia, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Pois bem, penso que a Contribuinte tem o direito a manutenção de crédito de PIS e da COFINS nãocumulativos em relação a despesas de frete e transporte de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ("monofásica"), conforme dispõe os incisos III e seguintes do art. 3°, das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS. Explico: Fl. 708246DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.246 6 Com efeito, nos termos da lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, as receitas de comercialização dos produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ("monofásica") estavam expressamente excluídas do regime não cumulativo, de modo que, por modo lógico, a Indústria e a Distribuidora não podiam apurar créditos de PIS/COFINS. Contudo, no ano de 2004, foi publicada a lei nº 10.865/04, que alterou o texto das leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, inserindo as receitas de comercialização de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ("monofásica") no regime nãocumulativo e permitindo, assim, a apuração de créditos. Deste modo, a partir da vigência da lei nº 10.865/2004, as receitas da indústria permaneceram tributadas pelo PIS e pela COFINS, com aplicação das alíquotas de 2,2% e 10,3%, respectivamente, já as receitas das distribuidoras permaneceram tributadas à alíquota zero, existindo previsão legal para apuração de créditos relacionados a comercialização de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ( "monofásica"). Não obstante, a única vedação expressa contida no texto das leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, diz respeito a apuração de créditos pela distribuidora sobre o valor do próprio produto sujeito ao regime de tributação concentrada adquirido da indústria para revenda, o que não é objeto de discussão da decisão recorrida. Por outro lado, em 22/12/2004, foi publicada a lei nº 11.033/04, que, no seu artigo 17, dispõe que: " As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações". ("monofásica"). Portanto, da leitura do artigo 17 da lei n°11.033/2004, entendo ser passível a manutenção de créditos a serem descontados, de modo que, se for permitido a descontar os créditos, poderão eles ser mantidos, ainda que vinculados a operações de vendas de produtos sujeitos à suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das contribuições ao PIS/COFINS. De toda sorte, voltando a questão fulcral do caso, com o advento da lei n° 10.865/2004, a qual inseriu receitas de comercialização dos produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ( "monofásica") no regime nãocumulativo, o legislador ordinário vedou apenas apuração de créditos sobre o valor do próprio produto, ou seja, no caso em espécie, embora, a Contribuinte venda seus produtos sujeitos à alíquota zero, houve a contratação de serviços de transporte para entrega dos produtos, incidindo custos, encargos e despesas incorridas pela distribuidora, o que não integram o custo de aquisição dos produtos sujeitos à tributação concentrada, portanto, passiveis de manutenção do direito a crédito de PIS e COFINS nãocumultativos sobre o frete e armazenagem, conforme dispõe o inciso IX do artigo 3º da lei nº 10.833/2003, também aplicável ao PIS. Com efeito, a Fazenda Nacional em seu Recurso, sustenta que o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, inicialmente reconhece o direito ao creditamento de despesas de frete e armazenagem em operações de venda, entretanto em seguida, delimita o direito ao desconto do crédito aos casos estabelecidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, restringe o aproveitamento do crédito a determinadas operações, das quais são excluídas as revendas de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal. Fl. 708247DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.247 7 Com a devida vênia, discordo de tal interpretação, uma vez que além das despesas incorridas com frete nas operações de venda, entendo que tais operações não integram o custo de aquisição dos produtos sujeitos a tributação concentrada, considerando que nos dispositivos legais não constam vedação quanto ao creditamento. Para melhor esclarecer, transcrevo os dispositivos: Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) II no inciso I do art. 1o da Lei no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008)(Vide Lei nº 9.718, de 1998) Lei n° 10.833/2003 (aplicável ao PIS não cumulativo) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Sem embargo, as revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime nãocumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, penso ser permitido a manutenção dos créditos, conforme dispõe os incisos III e Fl. 708248DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.248 8 seguintes do art. 3°, das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS, acima transcritos, os incisos I e II, do mesmo dispositivo, tratam dos créditos sobre produtos para revenda, e dos bens e serviços utilizados como insumo (inciso II), os quais também concedem créditos nas hipóteses legais permitidas, de acordo com objeto fim de cada atividade empresária. Neste passo, o inciso IX, acima reproduzido, e o art. 3°, das leis 10.637/02 e 10.833/03, permitem o direito a manutenção dos créditos sobre "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". Portanto, da leitura do dispositivo, percebese que se trata de uma regra geral, ou seja, os custos com armazenagem e frete conferem o direito a manutenção do crédito na operação de venda de bens adquiridos para revenda quando suportados pelo vendedor. A regra demonstra quais caminhos devem ser observados quanto a sistemática utilizada, assim, os custos para obtenção de receita auferível incidem com base imponível, o que remete a exceção para os custos relacionados a insumos, aqueles do inciso I (aquisição de mercadorias de produtor sujeito ao regime concentrado) desde já, advirto que se faz necessário interpretar de modo restritivo. Entretanto, nada obstante, não se pode furtar de uma interpretação extensiva, considerando que o legislador determinou sua aplicação em determinados fatos, portanto, a lei, precisamente define as hipóteses de creditamento aquelas contidas nos incisos I e II, o que se inclui o frete e armazenagem. Neste sentido, a Secretária da Receita Federal do Brasil (RFB) por meio da Solução de Divergência n° 3 COSIT (maio de 2016) e Solução de Consulta n°64 COSIT (maio de 2016) dirimiu qualquer controvérsia quanto ao direito de crédito das pessoas jurídicas atacadistas e varejistas sobre gastos incorridos com frete na revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada ( "monofásica"). Vejamos: "CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS E DESPESAS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS A INCIDÊNCIA CONCENTRADA OU MONOFÁSICA. Para efeitos do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, desde que sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica da mencionada contribuição podem ser incluídas no cálculo da "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total", mesmo que tais operações estejam submetidas a alíquota zero. Entre 1º de maio de 2008 e 23 de junho de 2008 e entre 1º de abril de 2009 e 4 de junho de 2009, esteve vedada a possibilidade de apuração, por comerciantes atacadistas e varejistas, de créditos em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas decorrentes da revenda de mercadorias submetidas à incidência concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, §§ 7º e 8º; Lei 11.033, de 2004, art. 17. Fl. 708249DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.249 9 ASSUNTO: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EMENTA: CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS E DESPESAS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS A INCIDÊNCIA CONCENTRADA OU MONOFÁSICA. Para efeitos do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, desde que sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à incidência concentrada ou monofásica da mencionada contribuição podem ser incluídas no cálculo da "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total", mesmo que tais operações estejam submetidas a alíquota zero. Entre 1º de maio de 2008 e 23 de junho de 2008 e entre 1º de abril de 2009 e 4 de junho de 2009, esteve vedada a possibilidade de apuração, por comerciantes atacadistas e varejistas, de créditos em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas decorrentes da revenda de mercadorias submetidas à incidência concentrada ou monofásica da Cofins. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; Lei 11.033, de 2004, art. 17. Fica reformada a Solução de Consulta SRRF01/Disit nº 47, de 2009. Fica revogada a Solução de Consulta Interna nº 11 Cosit, de 22 de fevereiro de 2008". Solução de Consulta n°64 COSIT (maio de 2016): CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS .A SUJEIÇÃO AO REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA EM RELAÇÃO ÀS RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA É CONDICIONADA À APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS (IRPJ) COM BASE NO LUCRO REAL. A partir de 1º de maio de 2004, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à tributação concentrada, tais como a gasolina ou o diesel, incluemse no regime de apuração não cumulativa sempre que o contribuinte apurar o IRPJ pelo lucro real, salvo as exceções previstas no art.10 da Lei nº10.833, de 2003. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CUSTOS, ENCARGOS OU DESPESAS, EXCETO REFERENTES A PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA SUJEITOS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. POSSIBILIDADE. Desde 1º de maio de 2004, não há mais vedação ao desconto de créditos da Cofins, em relação a custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora de produtos sujeitos à tributação concentrada no Fl. 708250DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.250 10 regime não cumulativo, exceto aqueles decorrentes da aquisição de produtos para revenda sujeitos à tributação concentrada, atendido o disposto nos incisos II a XI e §§ do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A regra geral esculpida no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, autoriza que os créditos devidamente apurados porventura existentes sejam mantidos, mesmo após a venda com suspensão, isenção ou alíquota 0 (zero), não autorizando o aproveitamento de créditos cuja apuração seja vedada. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.718, de 1998, art. 4º; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, inciso I; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso I, alínea “b”, e art. 10, incisos II e III; Lei nº 10.865, de 2004, art. 21 c/c art. 53; Lei nº 11.033, de 2004, art. 17. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: A SUJEIÇÃO AO REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA EM RELAÇÃO ÀS RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA É CONDICIONADA À APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS (IRPJ) COM BASE NO LUCRO REAL. A partir de 1º de maio de 2004, as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à tributação concentrada, tais como a gasolina ou o diesel, incluemse no regime de apuração não cumulativa sempre que o contribuinte apurar o IRPJ pelo lucro real, salvo as exceções previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. RECEITAS AUFERIDAS PELA REVENDEDORA DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CUSTOS, ENCARGOS OU DESPESAS, EXCETO REFERENTES A PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA SUJEITOS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. POSSIBILIDADE. Desde 1º de maio de 2004, não há mais vedação ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, em relação a custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora de produtos sujeitos à tributação concentrada no regime não cumulativo, exceto aqueles decorrentes da aquisição de produtos para revenda sujeitos à tributação concentrada, atendido o disposto nos incisos II a XI e §§ do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A regra geral esculpida no art. 17 da Lei nº 11.033, de2004, autoriza que os créditos devidamente apurados porventura existentes sejam mantidos, mesmo após a venda com suspensão, isenção ou alíquota 0 (zero), não autorizando o aproveitamento de créditos cuja apuração seja vedada. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.718, de 1998, art. 4º; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, inciso I; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso I, alínea “b”, e art. 8º, incisos II e III; Lei nº 10.865, de 2004, art. 21 c/c art. 53; Lei nº 11.033, de 2004, art. 17. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: É ineficaz a consulta quando versar sobre dispositivo literal da legislação ou quando tiver por objetivo a prestação de assessoria jurídica ou contábilfiscal pela RFB. DISPOSITIVOS LEGAIS: incisos IX e XIV do art. 18 da Instrução Normativa RFB no 1.396, de 2013". Fl. 708251DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.251 11 Deste modo, a própria Receita Federal do Brasil reconhece o direito a crédito sobre gastos incorridos com frete na revenda de produtos sujeitos a tributação concentrada ("monofásica"), portanto, indiscutível, o direito da Contribuinte creditarse dos gastos de frete e armazenagem. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto é como penso. (assinado digitalmente) Demes Brito Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Comprometime, em sessão, a declarar as razões que me fizeram entender cabível o crédito na situação aqui tratada. Registro que concordei com todos os argumentos expendidos pelo n. relator, motivo pelo que sequer votei pelas conclusões. Julgo conveniente, porém, detalhar melhor minha posição. No que tange à interpretação, por parte da Fazenda Nacional, do inciso IX do art. 3º das leis instituidoras das contribuições nãocumulativas, recordo que o mesmo raciocínio já foi empregado em pelo menos duas outras situações. A primeira, acerca do alcance da isenção das sociedades civis de prestação de serviços de profissão regulamentada. O dispositivo legal isentivo (art. 6º da LC 70/91) dizia: Art. 6° São isentas da contribuição: (....) II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; E a Fazenda pretendeu que o "de que trata" implicava que a isenção estava condicionada a que a sociedade se enquadrasse completamente nas disposições do decretolei mencionado, inclusive, e principalmente, quanto à apuração do IR. Com isso, aquelas que o apurassem, por exemplo, pelo lucro real não fariam jus à isenção. Tal interpretação não foi acolhida pelo Judiciário, nem pelos antigos Conselhos de Contribuintes, que entenderam que a Fl. 708252DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.252 12 exigência se limitava à possibilidade de enquadramento naquele tipo de sociedade nada tendo a ver com a forma de apuração do IR. Nova oportunidade se apresentou com a edição da MP 2.15835, que criou a isenção de COFINS para instituições educacionais. Diziam os dispositivos: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Novamente a Fazenda pretendeu ler a expressão "a que se refere" de modo a restringir a isenção àquelas entidades que cumprissem todas as disposições do art. 12 da Lei 9.532, novamente com especial atenção à tributação pelo IR. E novamente este colegiado rejeitou tal interpretação, limitandoa a que a entidade seja sem fins lucrativos na forma lá definida. Como se sabe, já há, inclusive, súmula do CARF admitindo a isenção sobre as receitas decorrentes da prestação dos serviços educacionais. Ou seja, parece consolidado o entendimento de que, quando um dado artigo legal faz remissão a situação ou caso disciplinado em outro, apenas está alcançando a hipótese nele mencionada, não "encampando" restrições lá eventualmente presentes. Nesse sentido, quando o inciso IX ora em discussão remete ao inciso I, apenas quer evitar repetir que se trata da revenda, aí prevista, não avançando à exclusão dos setores lá consignada. Em suma, podem se creditar pelo frete e pela armazenagem todos aqueles que pratiquem revenda, mesmo que o crédito pela revenda em si esteja vedado. Pode parecer estranho, à primeira vista, que assim seja, uma vez que o distribuidor nada pagará a título das contribuições, reduzida que foi sua alíquota a zero. Mas um exame mais acurado revela que não. É o segundo argumento, da neutralidade, abaixo detalhado, que acresço ao voto do n. relator. Como sabemos todos, a sistemática da nãocumulatividade tem como motivação evitar a cumulação de incidências. O seu objetivo, pois, é tãosomente o de garantir que o valor efetivamente recolhido não supere o que resulta da multiplicação da alíquota ad valorem pelo preço final do bem ou serviço submetido à tributação. Nela, nada impede que todo o valor devido se concentre numa dada etapa da cadeia produtiva, final ou não. Ela estará garantida, nesse caso, desde que as demais etapas sejam desoneradas da tributação, por exemplo, por redução a zero de sua alíquota. Essa concentração numa etapa da cadeia produtiva é até mesmo desejável do ponto de vista da arrecadação e fiscalização do tributo sempre que nessa etapa se tenha um Fl. 708253DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.253 13 pequeno número de sujeitos passivos por meio dos quais se possa alcançar os demais integrantes da cadeia. O primeiro requisito pequeno número de sujeitos passivos está presente em todos os setores caracterizados seja pelo oligopólio, seja pela chamada concorrência monopolística. O segundo grupo é, porém, alvo privilegiado na medida em que reúne melhor a segunda condição. E isso porque, como sabemos, distinguese a segunda estrutura de mercado, basicamente, por haver diferenciação entre os produtos dos diversos produtores, diferenciação que tanto pode ser "real" ou apenas assim considerada pelos consumidores. O que importa é que isso traga algum poder de mercado para o produtor, que se expressa normalmente na possibilidade de fixar, mais ou menos independentemente, o preço a ser praticado no varejo pelo seu produto. A independência aqui se refere aos preços dos concorrentes, e é tanto maior quanto maior for a "diferenciação", isto é quanto mais seja o seu produto percebido pelos consumidores como "melhor" do que os concorrentes. Assim, tendo os produtores razoável controle sobre o preço final do produto, fica mais fácil determinar o acréscimo na tributação da etapa concentrada, que tanto pode ser feito sobre a alíquota como sobre a base de cálculo. Presentes tais condições, viável se torna a concentração, mas ela deve ser, tanto quanto possível, neutra, no sentido de deixar inalterada a efetiva tributação do setor, como se concentração não houvesse. No caso presente, a tributação procura antecipar a das etapas que se seguem à fabricação, e se aplica pela majoração da alíquota que incide nesta última, desonerando, com alíquota zero, as demais. É a própria lei, no entanto, que mantém na nãocumulatividade essas etapas posteriores. Por isso, entendo, quando o legislador fixou a nova alíquota, tinha em mira exatamente a margem de comercialização sobre a qual incidiria, na sistemática "normal", a contribuição, de modo a garantir a pretendida neutralidade. Essa neutralidade, entretanto, só se alcança se o distribuidor puder efetivamente descontar créditos sobre as despesas não previstas naquela majoração, exatamente como faria se concentração não houvesse. Para reforçar o argumento, talvez seja válido tentar um simples exemplo numérico. Admitamos, assim, que um dado produto tenha seu preço no varejo fixado pelo fabricante em R$1.000,00, saindo da fábrica por R$740,00 e do distribuidor, por R$900,00, dos quais R$100,00 correspondam ao frete pago, sobre o qual incidiram normalmente as contribuições de forma nãocumulativa. Na ausência de concentração, as contribuições devidas (espero não errar as contas) na saída do fabricante somariam R$68,45, do distribuidor, R$83,25 e do varejista, R$92,50. Do valor que deve, o distribuidor pode se creditar dos R$68,45 devidos até a etapa anterior mais R$9,25 do frete pago; recolhe, portanto, R$5,55. O varejista se creditaria dos R$83,25 e recolheria os restantes R$9,25. No total, R$ 92,50 teriam sido efetivamente recolhidos (68,45 + 5,55 + 9,25 + 9,25), valor que corresponde exatamente à alíquota de 9,25% aplicada sobre o preço final. Mantida a hipótese da neutralidade, esse mesmo valor deve ser recolhido após a concentração. Vejamos se é isso que ocorre se não se permitir o crédito e mantido tudo o mais: na saída do fabricante incidiriam as contribuições às novas alíquotas de 10,3% e 2,2%, Fl. 708254DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.254 14 somando 12,5%. Na saída do industrial, portanto, são devidos R$92,50. Distribuidor e varejista nada recolhem. No entanto, o distribuidor continua a "pagar", sobre o frete que contrata, outros R$ 9,25, que, supostamente, são recolhidos pelo prestador do serviço. Desse modo, não se permitindo o crédito dessa última parcela, o total efetivamente recolhido passa, só pela concentração, a R$ 92,50 + 9,25 = 101,75, exatos R$ 9,25 a mais do que ocorria na sua ausência. Não vejo, por isso, que o crédito postulado implique como se disse no paradigma "anulação" do tributo recolhido sobre aquele serviço: esse valor reaparece no preço do produto que é cobrado do varejista, com ou sem concentração; logo, se não se admite sua compensação, é o frete que deixa de ser nãocumulativo. Com esses argumentos adicionais, além de todos os outros que constam do voto do n. relator, votei pela possibilidade do creditamento. (assinado digitalmente) Conselheiro Júlio César Alves Ramos Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Tendo sido admito o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, no mérito delimitase a controvérsia à possibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS nãocumulativos sobre as despesas com frete nas operações de revenda de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada ("monofásica"), nos termos do art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003 (aplicável também ao PIS, por força do art. 15 da Lei nº 10.833/2003). Conforme argumentos expendidos pelo Ilustre Relator em seu voto, há de ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003 prevê a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos relativos aos custos de frete e armazenagem na revenda de produtos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] No caso dos produtos farmacêuticos e de higiene pessoal, previstos na Lei nº 10.147/2000, até a superveniência da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, estavam sujeitos ao Fl. 708255DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.255 15 regime de tributação cumulativa, sem direito a créditos. Posteriormente, passaram a sujeitarse à nãocumulatividade do PIS e da COFINS, com direito ao desconto de créditos das respectivas contribuições. As receitas provenientes da revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica do PIS e COFINS não cumulativos são tributadas à alíquota zero, pois em função do regime de tributação concentrado, aumentase a alíquota do fabricante ou importador, reduzindo a zero para os distribuidores atacadistas ou varejistas. Por conseguinte, os distribuidores e atacadistas têm direito ao desconto dos créditos permitidos pela legislação, inclusive dos custos decorrentes de frete, conforme art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, aplicável à COFINS e ao PIS/Pasep não cumulativos. Referido dispositivo trata das despesas comerciais, inerentes à venda das mercadorias, e não aos gastos relativos à sua aquisição. Observese que a vedação ao crédito contida no art. 3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, inserta pela Lei nº 11.727/2008, abarca os bens adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. Referese, assim, expressamente aos custos relacionados à aquisição de bens, envolvendo os dispêndios para trazer os produtos ao estoque de mercadorias para revenda, não alcançando os dispêndios para a efetiva venda dos bens. O pronunciamento técnicocontábil, CPC nº 16, aprovado pela CVM por meio da Deliberação nº 575/2009, define em seus itens 6, 9, 10 e 11, o conceito de estoque e os respectivos custos, não se confundindo com aqueles atinentes às operações de venda, in verbis: Definições 6. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados especificados: Estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios; (b) em processo de produção para venda; ou (c) na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. [...] Mensuração de estoque 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos do estoque 10. O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos de aquisição Fl. 708256DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.256 16 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Nova Redação dada pela Revisão CPC nº. 1, de 8/01/2010) Depreendese dos itens transcritos que as despesas para entrega das mercadorias revendidas não se integram ao "custo de aquisição" das mesmas, constituindose em verdadeiros dispêndios para a venda, sendo incabível considerálas na vedação contida no inciso I, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A referência constante do inciso IX aos incisos I e II dáse para deixar claro ser o direito ao desconto do crédito de PIS e COFINS não cumultaivos devido quando a armazenagem ou frete na operação de venda tenha como objeto mercadorias para revenda ou bens ou produtos fabricados a partir dos insumos ali especificados, sendo irrelevante o seu regime de tributação. Confirmando a possibilidade de manutenção dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos, o art. 17 da Lei nº 11.033/04 dispôs expressamente haver o direito aos referidos créditos que sejam vinculados à venda de produtos desonerados, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por meio de Soluções de Consulta, a Secretaria da Receita Federal reconhece a possibilidade de manutenção e aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos decorrentes das despesas com fretes na revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, como exemplificado pela Solução de Consulta nº 323/2012: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 323 de 19 de Dezembro de 2012 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITOS. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS AO REGIME DE APURAÇÃO MONOFÁSICA. A pessoa jurídica revendedora dos bens relacionados nos Anexos I e II da Lei no 10.485, de 2002, submetida ao regime de incidência não cumulativa de apuração da Cofins, pode descontar crédito calculado sobre os custos, despesas e encargos relacionados nos incisos III, IV, V, VII, VIII e IX, do art. 3º da Lei no 10.833, de 2003, para a Cofins, sendo vedado o desconto de créditos calculados sobre o custo aquisição daqueles produtos adquiridos para revenda, sobre o custo de aquisição de bens e serviços utilizados como “insumos” e sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Contudo, nos períodos de 1º de maio de 2008 a 23 de junho de 2008, e de 1º de abril de 2009 a 04 de junho de 2009, por força do art. 15 da Medida Provisória no 413, de 2008 e do art. 9º da Medida Provisória no 451, de 2008, os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos sujeitos ao regime de apuração monofásica estavam expressamente impedidos de descontar todos os créditos listados nos incisos do caput do art. 3º da Lei no 10.833, de 2003. Fl. 708257DF CARF MF Processo nº 10882.720555/201027 Acórdão n.º 9303004.310 CSRFT3 Fl. 708.257 17 (grifouse). Assim, também por esses fundamentos, há de ser reconhecido o direito da Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes das despesas com fretes na revenda de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrado ("monofásica"), nos termos do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (COFINS), também aplicável ao PIS por força do art. 15 do referido diploma legal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 708258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18184.000095/2010-04
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1997
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.. NÃO CONHECIMENTO.
O art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80, assim como a Súmula n. 1 do Carf, impede o conhecimento de recurso voluntário de sujeito passivo que ajuíza ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2803-004.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da concomitância de instância
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da concomitância de instância (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL.. NÃO CONHECIMENTO. O art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80, assim como a Súmula n. 1 do Carf, impede o conhecimento de recurso voluntário de sujeito passivo que ajuíza ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da concomitância de instância (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 95 /2 01 0- 04 Fl. 209DF CARF MF 2 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 18184.000095/201004 Acórdão n.º 2803004.186 S2TE03 Fl. 211 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Administradora e Construtora Soma Ltda interposto em face de acórdão proferido pela Secretaria da Receita Previdenciária, que restou assim ementado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. DECADÊNCIA. PRÓ LABORE. SELIC AFERIÇÃO INDIRETA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, sem prejuízo da penalidade cabível, pode inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrario § 3°, artigo 33— Lei 8212/91. DA DECADÊNCIA — A decadência das contribuições previdenciárias são de 10 (dez) anos, conforme artigo 45 da Lei 8212/91. MULTA DE MORA Sobre as contribuições sociais em atraso, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos termos do artigo 35 da Lei 8212/91, na redação dada pela Lei 9876/99. TAXA SELIC As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic conforme Artigo 34 da Lei 8.212/91. PROLABORE — as contribuições devidas sobre as remunerações percebidas a titulo de prólabore, no período de 05/1996 a 12/1998 estão sob a égide da Lei Complementar 84/96, em consonância como artigo 195, §4°, c/c artigo 154, I da Constituição Federal. LANÇAMENTO PROCEDENTE O processo ora em apreço referese a lançamento de contribuições destinadas A Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração atribuída aos sócios da empresa Ari Leon Haratez e Sônia Haratez, a titulo de prólabore, no período de 05/1996 a 12/1998. Conforme relatório fiscal, o lançamento foi efetuado mediante aferição indireta, pois o contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização, através de diversos TIAD's , atribuindose mensalmente a cada sócio, a titulo de remuneração de prólabore, o valor de R$ 7.449,00 (sete mil, quatrocentos e quarenta e nove reais), valor este idêntico à remuneração de abril/1997 do segurado empregado Danilo José Quito, inscrito no PIS (Programa de Integração Social) sob n° 10617418362, que corresponde à maior remuneração paga a segurado empregado no período fiscalizado, cujo dado foi extraído do banco de dados do CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais, conforme Fl. 211DF CARF MF 4 procedimento previsto no artigo 58, ll e artigo 62, parágrafo único da Instrução Normativa 070, de 10/05/2002, com as alterações introduzidas pela IN/DC 080 de 27/08/2002. Devidamente intimada da autuação fiscal, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em apertado escorço, que: a) é totalmente incabível o arbitramento e nula a NFLD, pois a escrituração fiscal da contribuinte ficou à disposição da autoridade fiscal durante a fiscalização, além de não haver processo regular, na forma do artigo 148 do CTN; b) a ocorrência de decadência dos débitos cobrados pela autoridade fiscal, pois é qüinqüenal o prazo decadencial por força do artigo 146, Ill da CF e 150 do CTN; c) a NFLD consigna valores relativos a contribuições incidentes sobre a remuneração atribuída aos sócios da empresa impugnante a titulo de prólabore, que são claramente inexigíveis, sendo a Lei 84/96 flagrantamente inconstitucional. d) a multa é claramente inconstitucional e abusiva, havendo desvio de finalidade, e violação ao principio do não confisco; e) os juros correspondem a taxa Selic, que é inconstitucional e ilegal. Ao analisar os argumentos trazidos pela contribuinte em sua impugnação, a Secretária da Previdência Social entendeu por bem em não acolher as ponderações apresentadas, mantendo intacto o lançamento efetuado pela fiscalização. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, trazendo em suas razões as alegações já apresentadas em sede de impugnação, somente repisando os fundamentos apresentados. Posteriormente, com a edição da Súmula Vinculante n. 08 pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, a Secretaria da Receita Federal proferiu despacho decisório (fls. 202/204) acatando a decadência e retificando o débito para a exclusão definitiva da parte do período abrangido pelas competências 01/1993 a 11/1997, inquestionavelmente decadentes pela aplicação do prazo decadencial do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, devendo permanecer exclusivamente o valor correspondente competência 12/1997, permanecendo o valor de R$ 5.131,98 (cinco mil, cento e trinta e um reais e noventa e oito centavos). Observando que não houve a apreciação do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, os autos foram, sem contrarrazões, encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 18184.000095/201004 Acórdão n.º 2803004.186 S2TE03 Fl. 212 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Efetuando o juízo de prelibação, observo que o recurso voluntário apresentado pela contribuinte é tempestivo, mas necessita de maior análise para o seu conhecimento. Ora, conforme se observa dos autos, a recorrente discute judicialmente a incidência da contribuição previdenciária sobre algumas rúbricas, trazendo para a este processo administrativo fiscal a mesma discussão. Verificase, portanto, que o próprio recorrente suscita a concomitância de processos judiciais com o presente apelo administrativo. Tratase, portanto, da chamada dupla impugnação, vedada pelo art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80: Art. 38 [...] Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. 3. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 1 do Carf: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A concomitância de processos em esferas de impugnação distintas constitui ato incompatível com o exercício do direito de recorrer administrativamente, ante a prevalência da função judicante pelo Poder Judiciário (art. 2º da CF). O Conselho tem precedentes em uníssono: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXERCÍCIO: 2005. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.A PROPOSITURA PELA RECORRENTE, CONTRA A FAZENDA NACIONAL, DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO, IMPORTA A DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO POR APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01 (CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO), NOS TERMOS DO VOTO DA RELATORA.” Fl. 213DF CARF MF 6 (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Turma Especial. Acórdão nº 180100539. Processo 11610003705200700. Data 30/03/2011, Relatora Conselheira Carmen Ferreira Saraiva). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 26/06/1995 A 30/08/1996 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO, RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N° 1.IMPORTA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS A PROPOSITURA PELO SUJEITO PASSIVO DE AÇÃO JUDICIAL POR QUALQUER MODALIDADE PROCESSUAL, ANTES OU DEPOIS DO LANÇAMENTO DE OFICIO, COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR MAIORIA DE VOTOS, EM NÃO CONHECER DO RECURSO EM FACE DA CARACTERIZAÇÃO DA CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. VENCIDO O CONSELHEIRO DALTON CÉSAR. CORDEIRO DE MIRANDA QUE NÃO RECONHECERA A CONCOMITÂNCIA E, POR CONTA DISSO, APRESENTARÁ DECLARAÇÃO DE VOTO” (CARF 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 340100913 do Processo 10920003412200413 Data28/07/2010. Rel. Cons. Odassi Guerzoni Filho) Ademais, o entendimento deste Conselho já foi pacificado no sentido de que a discussão judicial da matéria enseja a desistência da discussão administrativa, nos termos da Súmula 01 do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, o recurso voluntário em questão não merece ser conhecido visto que a matéria é impugnada judicialmente. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em razão da existência de discussão judicial da mesma matéria objeto do presente feito. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 214DF CARF MF Processo nº 18184.000095/201004 Acórdão n.º 2803004.186 S2TE03 Fl. 213 7 Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.008025/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMODATO. RETORNO. IMPOSSIBILIDADE.
Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei, regulamento e normas complementares que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte.
No caso de comodato, a reentrada do produto no estabelecimento remetente não dará direito ao crédito do imposto, salvo se o produto tiver sido submetido a nova industrialização e ocorrer nova saída tributada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais de Laurentiis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMODATO. RETORNO. IMPOSSIBILIDADE. Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei, regulamento e normas complementares que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte. No caso de comodato, a reentrada do produto no estabelecimento remetente não dará direito ao crédito do imposto, salvo se o produto tiver sido submetido a nova industrialização e ocorrer nova saída tributada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais de Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 25 /2 00 8- 45 Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou o lançamento procedente. Trata o processo de auto de infração para a exigência de IPI, multa de ofício e juros de mora, no valor total de R$ 389.712,44. Em análise dos documentos fiscais apresentados pela contribuinte como comprobatórios dos créditos básicos de IPI apropriados durante o anocalendário 2005, constatou a fiscalização a apropriação indevida dos seguintes créditos de IPI: 1) créditos decorrentes de diversas devoluções de equipamentos anteriormente cedidos pelo contribuinte em comodato; 2) créditos extemporâneos, notadamente escriturados no mês de novembro de 2005, relativo a devoluções de empréstimo (comodato), com base em notas fiscais de entrada emitidas pelo próprio contribuinte relativas a devoluções feitas por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas não contribuintes do IPI, entre os anos de 2001 e 2005; 3) glosa de R$ 123,23 em abril de 2005, referente a compra de material para consumo, não dando direito à anutenção do IPI; 4) glosa de R$ 744,05 em julho de 2005, referente a devolução de mercadoria revendida, tendo sido o crédito glosado em face da não apresentação do correspondente documento fiscal e da ausência de prova anterior da saída do estabelecimento do contribuinte com destaque de IPI da mercadoria devolvida. Além das glosas acima, a fim de restaurar a regularidade da escrituração fiscal do contribuinte, procedeuse à glosa do crédito indevido registrado em "outros créditos" no Livro Registro de Apuração do IPI durante o mês de outubro de 2005, no montante correspondente a R$ 2.279.668,91. Contudo, tendo em vista a constatação do efetivo pagamento destes valores pelo contribuinte, foram imputados os pagamentos realizados aos débitos reconhecidos, resultando em insuficiência de recolhimento, relativo a estes valores, de somente R$0,67. Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: i) Não há amparo jurídico para a equiparação feita pela autoridade administrativa de operação de comodato e operação de aluguel. O parecer CST n° 519/71 não pode ser utilizado para embasar a autuação. ii) A jurisprudência das Delegacias de Julgamento e do Conselho de Contribuintes é no sentido de permitir o creditamento do IPI no caso de devolução de mercadorias. Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.008025/200845 Acórdão n.º 3402003.207 S3C4T2 Fl. 2.298 3 iii) O ordenamento jurídico conferiu ao contribuinte o direito ao crédito do IPI, independentemente da origem ou da destinação da mercadoria ou do serviço, a fim de contemplar a incidência do tributo apenas sobre o valor agregado, em cumprimento ao princípio da não cumulatividade; iv) A multa severa deve ser relevada, pois não condiz com as circunstâncias do caso. A DRJ/RPO, mediante o Acórdão 1423.498, de 29 de abril de 2009, julgou o lançamento procedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 NÃOCUMULATIVIDADE DO IPI. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da nãocumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei, independentemente do aspecto puramente financeiro. GLOSA DE CRÉDITOS. COMODATO. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. Glosase os créditos decorrentes da reentrada do produto no estabelecimento remetente no caso de saída por comodato. APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DE PRAZO. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformídade, é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. MULTA DE OFÍCIO. Verificada a falta ou insuficiência de lançamento do imposto nas saídas do produto do estabelecimento industrial, aplicase a penalidade pecuniária cominada. Lançamento Procedente Cientificada dessa decisão em 11/12/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/01/2010, alegando, em síntese: Os impostos incidentes sobre os produtos importados sob regime de admissão temporária ficam suspensos até a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 320 do Decreto 4.543 /02. Portanto, não ocorrendo qualquer das referidas hipóteses, incabível o pagamento do tributo suspenso, como ocorre no presente caso. Não obstante a não ocorrência do fato gerador, a contribuinte entendeu por bem oferecer a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional), antes de qualquer fiscalização, recolhendo integralmente o Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 tributo, para então se creditar na forma que determina o art. 167 do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI). Apesar de a lei exigir apenas a devolução ou o retorno total ou parcial do bem, independentemente da forma jurídica, a autoridade administrativa, ao identificar todas as devoluções praticadas pelo contribuinte, conforme documentação que lhe foi submetida em atendimento às notificações datadas de 14/08/08 e 10/09/08, considera indevido o creditamento do imposto, por entender que as devoluções teriam decorrido de operações de empréstimos ou comodato, o que seria ao seu ver incabível. Não há amparo jurídico para a equiparação feita pela autoridade administrativa de operação de comodato e operação de aluguel. Os dois institutos têm natureza diversa e por isso não podem ser equiparados. Enquanto a locação exige como elemento essencial a remuneração, no comodato o requisito essencial é a gratuidade do negócio, operação essa efetivamente realizada pela impugnante que emprestava equipamento para análise para promoção comercial, sem que houvesse qualquer contraprestação da empresa que recebia o equipamento enviado. Nos termos do art. 110, do Código Tributário Nacional, o Parecer CST nº 519/71, que trata especificamente da apropriação de créditos decorrentes de devoluções de mercadorias devolvidas a título de aluguel, não pode ser utilizado para embasar a autuação. O art. 168 do CTN [sic] também não pode fundamentar a autuação , uma vez que referido artigo trata especificamente de locação ou arrendamento, , que, como se disse, têm também natureza diversa das operações praticadas pela impugnante. Uma vez comprovada a entrada e a saída da mercadoria enviada a título de empréstimo (comodato) ou demonstração, ainda que as operações não se revestissem de todas as formalidades legais, é direito da contribuinte o respectivo crédito fiscal do IPI, em homenagem ao princípio da não cumulatividade e da verdade material. A jurisprudência das Delegacias de Julgamento e do Conselho de Contribuintes é pacífica no sentido de permitir o creditamento do IPI no caso de devolução de mercadorias. A glosa do crédito efetuada pelo Fisco não teve sua motivação devidamente demonstrada, pelo que se deve presumir como correto o aproveitamento daquele crédito, o qual é garantido inclusive pela CF/88, em seu art. 153, §3°, inciso II. Da mesma forma estabelece o §1°, do art. 163, do RIPI. O ordenamento jurídico conferiu ao contribuinte o direito ao crédito do IPI, independentemente da origem ou da destinação da mercadoria ou do serviço, a fim de contemplar a incidência do tributo apenas sobre o valor agregado, em cumprimento ao princípio da não cumulatividade. Assim, ainda que extemporâneos, o créditos são legítimos. Glosar tais créditos significa exigir tributo de fato gerador que não ocorreu, o que caracteriza a figura típica de confisco, que ora também se impugna. Por fim, a autoridade fiscal estipula multa severa, o que, data venia, não condiz com as circunstâncias deste caso, observada a boafé desta contribuinte no cumprimento das obrigações fiscais e a total falta de prejuízo ao Fisco. Eventuais irregularidades não representaram falta de pagamento ou qualquer propósito de fraude que justificasse a gravosa punição. Por isso a impugnante requer que seja relevada a penalidade, nos termos da lei. É o relatório. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.008025/200845 Acórdão n.º 3402003.207 S3C4T2 Fl. 2.299 5 Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Quanto à alegação da recorrente acerca do direito ao creditamento de IPI das importações no regime de admissão temporária, tratase de questão alheia ao presente processo, eis que o direito ao creditamento correspondente já lhe foi concedido pela autoridade fiscal. O que ora se discute é o direito ao creditamento do imposto em fase posterior, no retorno ao estabelecimento da recorrente dos equipamentos (antes importados) cedidos em comodato aos seus clientes. Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei, regulamento e normas complementares (art. 100 do CTN) que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte. Nesse sentido já foi decidido no Acórdão nº 3302 002.127 3ªCâmara/2ªTurma Ordinária, j. 22/05/2013, Rel. Gileno Gurjão Barreto. Nesse contexto, dispõe o art. 168 do RIPI/2002, vigente à época dos fatos, que é vedada a apropriação de créditos de IPI na devolução de produto objeto de locação ou arrendamento que não tiver sido submetido a nova industrialização: Art. 168. No caso de locação ou arrendamento, a reentrada do produto no estabelecimento remetente não dará direito ao crédito do imposto, salvo se o produto tiver sido submetido a nova industrialização e ocorrer nova saída tributada. Também está expresso no do art. 37, II, "a" do Regulamento do IPI/2002 que não constituem fato gerador do IPI as saídas de produtos subsequentes à primeira nos casos de locação ou arrendamento, salvo se o produto tiver sido submetido a nova industrialização. Assim, tributase a primeira saída do produto locado. No que concerne às saídas posteriores, só haverá tributação na hipótese de nova industrialização. O Parecer Normativo CST nº 519/71, que, nos termos do art. 100, I do CTN, que é um ato normativo expedido pela autoridade administrativa, auxiliando na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca do direito ao aproveitamento de créditos do IPI, dispôs que às operações de comodato deveria ser dado o mesmo tratamento dado pelo Regulamento às operações de aluguel. No caso concreto, a contribuinte empresta, a título gratuito, conforme alega, os equipamentos importados aos seus clientes, auferindo renda somente na prestação de serviços sobre eles. É verdade que as operações de comodato não se confundem com as de aluguel, como afirma a recorrente, mas não há qualquer irregularidade em lhes conferir o mesmo tratamento, pelo contrário, afigurase bastante razoável, eis que, para ambos institutos, há a obrigação de restituição do bem após um prazo determinado. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Ademais, não há disposição expressa na legislação tributária em sentido contrário, conferindo o direito ao creditamento nas operações de comodato, para as quais não há valor a ser retribuído pelo uso e gozo do bem. Assim, não há qualquer nulidade no presente processo relativamente à motivação das glosas dos créditos da contribuinte. No que concerne aos precedentes mencionados pela recorrente, além de, obviamente, não vincularem as decisões deste Colegiado, não trataram da questão específica do presente processo, de retorno de bens objeto de comodato, regulados pelo art. 168 do RIPI/2002 e Parecer Normativo CST nº 519/71, mas de devolução e retorno, cujo creditamento é assegurado pelo art. 167 do RIPI/2002 quando atendido ao disposto nos arts. 169 a 173 do RIPI/2002. Por fim, quanto à multa de ofício, à mingua de autorização legal, não se cogita da sua relevação por questões de ausência de fraude ou de prejuízo ao Erário, que são elementos que não integram o tipo infracional. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 29/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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