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Numero do processo: 13118.000213/2006-60
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/10/2002
SIMPLES. COMPENSAÇÃO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL.
COMPETÊNCIA.
A competência para julgamento de processos relativos à tributação pela sistemática do SIMPLES é da Primeira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do Regimento Interno do Conselho, DECLINADA A COMPETÊNCIA,
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2401-001.398
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, declinando da competência para a Primeira Seção.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
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COMPENSAÇÃO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de processos relativos à tributação pela sistemática do SIMPLES é da Primeira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do Regimento Interno do Conselho, DECLINADA A COMPETÊNCIA, RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatAdos e discutidos os presentes autos. ACORDAM dis membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, decliinandoida competência para a Primeira Seção, ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente LAINB eR-ISTIONTE1R0 E SILVA VIEIRA - Relatara Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antônio Souza Corrêa, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Processo n° 13118 000213/2006-60 S2-C4T1 Acórdão n, 2401-01.398 Fl 124 Relatório Trata-se de recurso voluntário, fls. 89 a 99, apresentado pela empresa acima epigrafada contra o Acórdão n. 03-20,314 — 4a Turma da DRI/BSA, fls. 80 a 84, que, por unanimidade, desproveu a manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório exarado pela DRF Goiânia, fls. 29 a 32, o qual não homologou compensações efetuadas pela interessada. As compensações em questão foram efetuadas pelo contribuinte acima, relativas aos seus débitos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples, do período de 10/2001 a 11/2002. O recorrente alega que os créditos que detém são de natureza previdenciária e que foram reconhecidos judicialmente através do Mandado de Segurança número 1999.35.00.020919-9, que tramitou perante o Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região, com trânsito em julgado. Nesse sentido, afirma, não poderia a decisão atacada se fundamentar em legislação aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal, posto que os créditos em questão são administrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, Assevera que os créditos foram compensados em obediência ao que prevê a Lei n. 9317/1996, a qual expressamente indica o percentual da contribuição recolhida a ser destinada ao INSS. Por outro lado, sustenta, não há legislação prevendo o procedimento para compensação de créditos relativos a contribuições previdenciárias pelas empresas optantes pelo Simples, nesse sentido, deve-se aplicar o que dispõe da Lei 8.383/91, e não a Lei 9.430/96, vez que, como dito, não se trata de crédito administrado pela Receita Federal, Afirma que as empresas optantes pelo sistema SIMPLES recolhem suas contribuições previdenciárias única e exclusivamente por ocasião do pagamento do DARF mensal, inexistindo outra oportunidade de realizar a compensação judicialmente reconhecida. Assim, continua, impedir a compensação das contribuições previdenciárias por ocasião do recolhimento do SIMPLES é tornar letra morta a decisão judicial. Advoga ainda que os recolhimentos efetuados ao SIMPLES não alteram a administração dos tributos nele incluídos. Apenas se referem a uma técnica de arrecadação. É esse inclusive o entendimento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, conforme decisões já colacionadas. Observa que a IN SRF ri, 600/2005 não pode ser aplicada à espécie, posto que é específico para procedimento de restituição, além de não existir quando da efetivação das compensações em questão, 4 Ao final, pede que seja admitida a compensação das contribuições previdenciárias no sistema de arrecadação denominado SIMPLES, no limite do percentual destinado ao rNss, homologando-se, pois, o procedimento efetivado_ É o relatório. Acórdão n.° 2401-01398 Fl. 125 Processo n° 13118.000213/2006-60 S2-C4T1 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 118. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO O assunto tratado no recurso em questão já foi alvo de análise por parte desta Câmara na sessão do mês de agosto no julgamento do recurso 148.093, de relatoria do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, ao qual ensejou o acórdão 2401-01334, ao qual peço licença para transcrever: Verifico que na presente lide inexiste discussão acerca de matéria previdenciária, haja vista que o crédito que o contribuinte utilizou foi obtido mediante ação judicial. Assim, não há que se decidir sobre a procedência ou não dos valores compensados. O cerne da contenda reside na verificação da possibilidade de compensação desses créditos judiciais nos recolhimentos efetuados no Simples. Cabe, então, ao órgão de julgamento posicionar-se sobre a correção do procedimento compensatório no bojo do sistema simplificado de recolhimento de contribuições. Repetindo, não há o que se decidir aqui acerca da existência ou não dos créditos decorrentes de recolhimento indevido de contribuições previdenciárias, posto que essa matéria ,já objeto de decisão judicial. Essa vedação decorre da observância ao enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria GARP' n." 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): SÚMULA N°1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processoludiciaL Então, unia vez que o órgão administrativo não pode se pronunciar sobre a existência dos créditos, o que resta a ser decidido diz respeito à aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, que, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF n, 256, de 22/06/2009, é da competência da Primeira Seção desse Órgão, como se observa: Art. 22 À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ) V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime (mico de arrecadação (SIMPLES-Nacional); Malgrado o § 1.° do art, 7." do Regimento Interno prescreva que a competência para julgamento de recurso em processo de compensação é definida pelo crédito alegado, na situação sob enfoque, não há o que se discutir sobre o crédito utilizado, posto que já deferido pelo Poder Judiciário, Nessa toada, a competência para apreciação do presente recurso é da colenda Primeira Seção de Julgamento do CARF, posto que a matéria em discussão diz respeito à sistemática de arrecadação do sistema Simples, Procedendo-se, assim, respeita-se o critério que norteia a distribuição de competência dentro do Conselho, que é a especialização por rnatéria, Em assim sendo, voto por declinar da competência para este julgado em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Isto posto, entendo que o assunto tratado no voto transcrito é idêntico ao descrito no recurso ora em análise, razão porque adoto o voto acima. CONCLUSÃO: Voto por declinar da competência para julgamento do recurso em questão em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, É como voto. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2010 ELÇ:1 --IsTEURISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 6
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003969/2008-18
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/10/2008
PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner e demais partes e acessórios de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 09/10/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner e demais partes e acessórios de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/10/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner e demais partes e acessórios de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 39 69 /2 00 8- 18 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, mais especificamente na importação de “cartuchos de toner”, classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. Segundo entendeu a fiscalização, os citados cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 04/27) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de Importação – II (R$ 36.757,51); Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação (R$ 73.515,01); PIS/PASEP – Importação (R$ 273,40) e COFINS – Importação (R$ 1.259,31), acrescidos da multa de ofício; bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 6.126,25, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001. No curso do desembaraço aduaneiro da Declaração de Importação (DI) n° 08/16049089, registrada em 09/10/2008, foi constado que as mercadorias declaradas em alguns nos itens da adição 001, são cartuchos de toner para uso em impressoras a laser HP compatíveis com equipamentos multifuncionais, classificáveis na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 8443.99.39, da TEC, aprovada pela Res. Camex n° 43/2006, sendo que o importador os classificou nos códigos NCM 8443.99.29. Informa que as máquinas multifuncionais (NCM 8443.31.00) tem a seguinte definição: "Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (FAX), capazes de ser conectadas a uma máquina automática, para processamento de dados ou a uma rede". Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 3202001.434 S3C2T2 Fl. 283 3 Explica que, entretanto, os acessórios para as máquinas multifuncionais não tinham classificação específica até aquele momento. Diante deste fato, a solução foi adotar a regra 3C. Ademais, de acordo com a solução de consulta SRRF 9ª. RF/DIANA n° 126/07, o cartucho de toner utilizado em máquinas capazes de efetuar múltiplas funções, impressão, cópia, facsímile, etc., é classificado no item 8443.99.3 e, como não existe um subitem apropriado para sua inclusão, o código NCM/TEC a ser utilizado é o 8443.99.39 Tratase de importação por conta e ordem de terceiros, cujo adquirente é Hewlett Packard Brasil Ltda, CNPJ 61.797.924/000740, observando que foram feitos depósitos administrativos para liberação das mercadorias. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 82/90, na qual, em síntese: Alega que a Regra Geral nº 3 a) é suficiente para sustentar as classificações das mercadorias nas posições 8443.99.25 (partes e acessórios / de impressoras ou traçadores gráficos / outros), pois esta fala expressamente em "impressoras", enquanto a última se trata de uma posição de "outros" para "copiadoras". Ademais, em observância ao disposto na segunda parte da Regra 3a) combinado com a Regra 3b), a classificação fiscal correta é a eleita pelo contribuinte, pois o produto deve ser classificado pelo artigo que lhe confira a característica essencial e, neste caso, a característica essencial do equipamento multifuncional é de impressora, e não de copiadora. Vejase que a função de copiadora acaba necessariamente utilizando da função de impressão, enquanto que a função de impressora não necessita de nenhum elemento da função de cópia. Aduz que a Regra 3c é de aplicação em caráter subsidiário, não prevalecendo na hipótese de especificidade ou essencialidade do produto, quando então valem as regras 3a ou 3b. Pretende a produção de provas, notadamente pericial, formulando quesitos e indicando assistente técnico. Requer a improcedência do presente Auto de Infração e o levantamento dos depósitos efetivados. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação. Confirase a ementa do julgado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/10/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner e demais partes e acessórios compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas e, subsidiariamente, a exclusão da multa e dos juros de mora, em razão de seguir conduta reiteradamente adotada pelas autoridades administrativas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”. O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi exaustivamente discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b. As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 3202001.434 S3C2T2 Fl. 284 5 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 3202001.434 S3C2T2 Fl. 285 7 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma caneta relógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. No que diz respeito à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 3202001.434 S3C2T2 Fl. 286 9 Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. Por fim, quanto ao argumento de que deve ser excluída a multa e os juros de mora em razão das supostas práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do CTN), entendo que não assiste razão à Recorrente. A litigante alega que algumas soluções de consulta proferidas pela 7ª Região Fiscal, indicando o código indicado por ela, configurariam prática reiterada pela autoridade administrativa, nos termos do art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN, o qual dispõe: Art. 100 São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O equívoco, ao invocarse o art. 100 do CTN, reside em pretender imputar à solução de consultas, registrese de outros contribuintes, como prática reiterada da Administração, quando, em verdade, aquela não possui esse atributo. O instituto da consulta fiscal garante ao contribuinte consulente, e apenas a ele, o direito de obter manifestação formal da Administração Tributária, em caso de dúvida sobre a interpretação de dispositivo específico da legislação tributária ou à correta classificação fiscal de um produto específico, de modo que o consulente fica “protegido”, no que se refere à matéria objeto da consulta, contra sanção pelo não pagamento ou pelo pagamento a menor de tributos. Tratase de uma norma individual (vala apenas para a consulente) e concreta (acerca de determinada mercadoria importada ou em vias de o ser). Terceiros não aproveitam dos efeitos da consulta. Como muito bem destacou a decisão recorrida, “as Soluções de Consulta ou de Divergência apenas dizem respeito à situação fática trazida pelo respectivo consulente. Como atos interpretativos que são não têm o poder de instituir normas, limitandose a explicitar o sentido e o alcance das normas integrantes dos atos constitutivos que interpretam. Sua normatividade fundase no poder vinculante do entendimento neles expresso em relação aos órgãos da administração tributária e somente ao sujeito passivo alcançado pela orientação Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 que propiciam. Tratam de casos específicos, inseridos em determinado contexto causal ou temporal, pelos quais não se pode simplesmente aferir a perfeita similaridade com outras situações”. Assim, a premissa adotada pela Recorrente para aplicação do citado dispositivo legal afigurase incorreta, não restando configurada prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa. As práticas reiteradas são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, consagrando, assim, os usos e costumes como fonte do direito tributário e, por isso mesmo, a sua caracterização pressupõe: i) inexistência de norma escrita a respeito de determinada matéria, motivando assim a adoção de práticas, pela autoridade fiscal, com vista a suprir a lacuna legal ou regulamentar a sua execução; ii) a compatibilidade entre a prática tida por reiterada e a lei, já que consistem em normas complementares a esta, sob pena de se admitir a ilicitude da Administração como geradora de direitos. Com efeito, no ordenamento jurídico pátrio é princípio assente a primazia da lei, notadamente em atividade tributária, não cabendo invocar o costume em detrimento do direito escrito. No caso em concreto, o litígio deve ser resolvido com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C, não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001609/2004-26
Data da sessão: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Oferecido o apelo após o prazo de 30 (trinta) dias determinado pela legislação de regência, dele não se conhece.
Numero da decisão: 3803-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Ivan Allegretti, Hélcio Lafetá Reis e Daniel Maurício Fedato (Relator). Ausente justificadamente o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Oferecido o apelo após o prazo de 30 (trinta) dias determinado pela legislação de regência, dele não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Ivan Allegretti, Hélcio Lafetá Reis e Daniel Maurício Fedato (Relator). Ausente justificadamente o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Relatório Tratase de Declarações de Compensação amparadas em Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela Associação Comercial e Industrial de Santo André, no valor total de R$ 16.709,12, correspondentes a alegados recolhimentos a maior de Cofins por prestadora de serviços de profissões regulamentadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 16 09 /2 00 4- 26 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.001609/200426 Acórdão n.º 3803000.035 S3TE03 Fl. 334 2 A repartição de origem não tomou conhecimento das Declarações de Compensação por não ser o contribuinte parte legitima para postular o amparo da decisão judicial, uma vez que não integrou o rol de associados que foi juntado à petição inicial do Mandado de Segurança. Irresignado, o contribuinte manifestou sua inconformidade, alegando ser associada à Associação Comercial e beneficiária das decisões proferidas no Mandado de Segurança Coletivo. Após a análise do recurso por parte dos órgãos da Receita Federal jurisdicionantes, a DRJ Campinas/SP decidiu indeferir o pedido, tendo o acórdão sido ementado da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ABRANGÊNCIA. Somente estão abrangidos pela decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança Coletivo os filiados à associação impetrante que constem da relação que integra a inicial. Ausente desta relação, a contribuinte não pode reivindicar os efeitos da discussão ou da decisão judicial. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei 9.430/1996. A norma revogada embora inserida em lei formalmente complementar concedia isenção de tributo federal e, portanto, submetiase à disposição de lei federal ordinária, que outra lei ordinária da Unido, validamente, poderia revogar, como efetivamente revogou. PAGAMENTO INDEVIDO. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Revogada a norma que concedia isenção, não se configura o pagamento indevido e, conseqüentemente, não existe crédito passível de restituição/compensação. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10805.001609/200426 Acórdão n.º 3803000.035 S3TE03 Fl. 335 3 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Na condição de relator ad hoc, encaminho o presente voto de acordo com o resultado do julgamento registrado em ata: Tendo o contribuinte interposto Recurso Voluntário após o prazo de 30 dias contados da data da ciência da decisão da DRJ Campinas/SP, temse por configurada a sua intempestividade. Nesse sentido, votase pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16004.001058/2007-55
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA APLICÁVEL.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera.
Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional).
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA.
Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida a participação dos indicados como sujeitos passivos solidários nos fatos que resultaram em evasão fiscal, há que se manter tais pessoas no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. No
caso vertente, revela-se adequada a imputação de solidariedade tributária passiva nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, eis que os elementos trazidos ao processo pelas autoridades fiscais apontam para uma relação direta dos indicados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária com os
fatos geradores dos tributos e contribuições sonegados.
Numero da decisão: 1302-000.777
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, negar provimento ao recursos impetrados pelos responsáveis tributários.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA APLICÁVEL. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA. Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida a participação dos indicados como sujeitos passivos solidários nos fatos que resultaram em evasão fiscal, há que se manter tais pessoas no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. No caso vertente, revela-se adequada a imputação de solidariedade tributária passiva nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, eis que os elementos trazidos ao processo pelas autoridades fiscais apontam para uma relação direta dos indicados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária com os fatos geradores dos tributos e contribuições sonegados.
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DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA APLICÁVEL. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA. Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida a participação dos indicados como sujeitos passivos solidários nos fatos que resultaram em evasão fiscal, há que se manter tais pessoas no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. No caso vertente, revelase adequada a imputação de solidariedade tributária passiva nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, eis que os elementos trazidos ao processo pelas autoridades fiscais apontam para uma relação direta dos indicados nos Termos de Sujeição Passiva Solidária com os fatos geradores dos tributos e contribuições sonegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, negar provimento ao recursos impetrados pelos responsáveis tributários. “documento assinado digitalmente” Fl. 185DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.927 2 Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.928 3 Relatório JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FÉLIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO, indicados como sujeitos passivos solidários na ação fiscal levado efeito na pessoa jurídica INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS, inconformados com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2002 a 2006. Por bem descrever os fatos, as apurações empreendidas pela Fiscalização e a impugnações interpostas, transcrevo, a seguir, excertos do Relatório da decisão de primeira instância. TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS. DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. No termo de descrição dos fatos, anexo aos autos de infração, foi relatado que na visita fiscal para ciência do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização expedido pela DRF/Osasco, em 03/04/2006 (fl. 01), constatouse a inexistência da empresa no local indicado como sede da matriz no cadastro CNPJ. No local foi informado que ela não mais operava ali pois o contrato de locação extinguiuse em janeiro de 2006 e os proprietários teriam residências no município de Jales/SP (fls. 09/10), local, inclusive, onde foram postadas as comunicações realizadas à fiscalização (fls. 13, 16 e 17). No dia seguinte, em 04/04/2006, o representante legal da empresa, CLÁUDIO DE FREITAS, compareceu à DRF/OSASCO, ocasião em que foi dada ciência do início da fiscalização e intimado a apresentar "contrato social da empresa, os livros comerciais e fiscais, bem como os extratos bancários relativos ao período de 2001 a 2004, informar o local de atividade da empresa e efetuar a regularização do endereço da empresa no cadastro CNPJ" (fls. 01 e 08/10). Depois de sucessivas solicitações de adiamento, a fiscalização indeferiu o último pedido pela falta de apresentação de quaisquer dos documentos solicitados ou de justificativas para sua não apresentação (fls. 13/18). Diante do não atendimento das intimações para apresentação de documentos e livros fiscais e sem nenhum esclarecimento sobre as atividades da empresa, a fiscalização verificou as informações de receita bruta constantes na DIPJ/2002 (fls. 22/41) em relação às informações prestadas pela empresa ao Fisco Estadual (fls. 65/124) e constatou que o valor informado sobre vendas e compras, para a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, era muitas vezes superior ao informado à RFB (fls. 126/128), o qual serviu de base de lançamento para exigência de crédito tributário relativo ao anocalendário de 2001 (fls. 147 e 175), mediante Fl. 187DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.929 4 encerramento parcial da fiscalização, o qual veio a constituir os processos administrativos n° 10882.002416/200631 e 10882.002209/200687 (fls. 125/147 e 148/175). DA OPERAÇÃO GRANDES LAGOS. No termo de descrição dos fatos anexo aos autos de infração, relatouse que (fl.7.498): Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS vêm recebendo denúncias de um mega esquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, sobretudo nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias, o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos. A partir destas denúncias, a Receita Federal e o INSS iniciaram vários procedimentos fiscais contra várias empresas e pessoas físicas ligadas ao esquema. Finalizadas as fiscalizações, foram lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais. No entanto, invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava cobrar os tributos devidos, verificava que nem as empresas, nem seus sócios, possuíam qualquer patrimônio em seu nome para honrálas. No curso dos trabalhos de fiscalização, tanto a Receita Federal quanto o INSS se depararam com evidências de que as pessoas que constavam do quadro societário destas empresas eram apenas "laranjas", que se reportavam a um nível hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de sonegar tributos (grifo do original). Diante da dificuldade de comprovar o vínculo entre os verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas" para a prática de crimes contra a ordem tributária, e dadas as evidências da existência de uma verdadeira organização criminosa por trás destas empresas, no final do ano de 2005 a Receita Federal solicitou formalmente o apoio da Polícia Federal em Jales/SP, para que as investigações fossem aprofundadas, de modo a se identificar com precisão todo o esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado a julgamento pela Justiça. Em decorrência da "Operação Grandes Lagos", no curso da qual foram efetuadas mais de cem prisões de envolvidos e colhida farta documentação que atestariam a existência de um esquema de sonegação fiscal (fls. 7.497/7.499), a Juíza Titular da 1ª Vara Federal de Jales – 24ª Subseção Judiciária de São Paulo requisitou ao DRF/São José do Rio Preto para que procedesse à fiscalização das pessoas jurídicas e físicas envolvidas e disponibilizou à RFB as informações colhidas pela Justiça (fls. 7.486/7.489). Em razão do material disponibilizado à DRF/São José do Rio Preto, foi emitido MPF Complementar para extensão da fiscalização aos anoscalendário de 2005 e 2006 (fls.02/03), Após um longo período de investigação, prossegue o relato fiscal, foram identificados os grupos que se utilizaram do esquema de sonegação fiscal por meio Fl. 188DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.930 5 de "empresas paralelas, em nome de laranjas, com o propósito de fraudar a administração tributária", entre os quais o "Grupo ITARUMÃ, de propriedade dos empresários JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FELIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO. EMÍLIO CARLOS ALTOMARI, irmão dos dois primeiros, também faz parte do grupo, mas ocupa uma posição inferior." (fl. 7.498). A fiscalização relaciona as empresas que compunham o grupo e que por terem a titularidade aparentemente regular foram consideradas como "ostensivas" em oposição às pessoas jurídicas chamadas de "paralelas", por terem sido constituídas em nome de pessoas físicas, em sua maior parte funcionários do grupo empresarial ou pessoas contratadas para tal fim, chamadas de "laranjas", em nome das quais seriam constituídas dívidas tributárias que não seriam honradas e que também repassariam seus recursos, de forma fraudulenta para os titulares efetivos. Por ordem de importância, os empresários do Grupo ITARUMÃ e sua vinculação empresarial, seria: JOÃO CARLOS ALTOMARI é ligado a oito empresas: FRIGORÍFICO APARECIDA DO TABOADO LTDA, sócio com 1% de participação; ITARUMÃ S/A, administrador; J & T ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA, sócio administrador com 90% de participação; CAIÇARA DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA, sócioadministrador com 25% de participação; UNIDOS AGRO INDUSTRIAL S/A, administrador com 25% de participação; CANAÃ ALIMENTOS LTDA, sócioadministrador com 16,67% de participação; JAMW QUÍMICA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA, administrador; e UNASA QUÍMICA LTDA, sócio com 25% de participação. ARI FÉLIX ALTOMARI é ligado a oito empresas: FRIGORÍFICO APARECIDA DO TABOADO LTDA, sócio com 1% de participação; ITARUMÃ S/A, presidente; AFA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA, sócio administrador com 90% de participação; CAIÇARA DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA, sócioadministrador com 25% de participação; ALTOMARI & FERNANDES CIA. LTDA, sócioadministrador, com 50% de participação; UNIDOS AGRO INDUSTRIAL S/A, administrador; CANAÃ ALIMENTOS LTDA, sócioadministrador com 16,66% de participação; e UNASA QUÍMICA LTDA, sócioadministrador com 25% de participação. JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO é ligado a sete empresas: FRIGORÍFICO APARECIDA DO TABOADO LTDA, sócio com 1% de participação; ITARUMÃ S/A, administrador; J & T ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA, sócioadministrador com 10% de participação; CAIÇARA DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA, sócioadministrador com 25% de participação; UNIDOS AGRO INDUSTRIAL S/A, administrador; CANAÃ ALIMENTOS LTDA, sócioadministrador com 16,67% de participação; e UNASA QUÍMICA LTDA, sócioadministrador com 25% de participação. EMÍLIO CARLOS ALTOMARI é presidente e responsável pela empresa UNIDOS AGRO INDUSTRIAL S/A. A seguir, com objetivo de tornar clara a condição da autuada, o relatório fiscal tece considerações sobre as empresas chamadas empresas "paralelas" que seriam aquelas abertas em nome de "laranjas" mas que pertenceriam, "DE FATO", ao Grupo ITARUMÃ.(fls. 7.522/7.535): INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS LTDA, a autuada; Fl. 189DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.931 6 AGRO CARNES ALIMENTOS ATC LTDA, CNPJ 05.587.759/000136, constituída em nome das interpostas pessoas ROMILDO VIANA ALVES e MAURO JOSÉ RIBEIRO, pois conforme apurado pela fiscalização (item 8.4.5), obtiveram os recursos para integralização de capital a partir de depósitos em suas contas bancárias efetuados pelas empresas IND. COM GRANDES LAGOS e COFERFRIGO ATC LTDA. A empresa "desenvolveu suas atividades econômicas" nas instalações do Frigorífico ITARUMÃ utilizandose de "contrato de arrendamento simulado"; TRANSPORTADORA AGRO LTDA, que tem como sócios AGRO CARNES ALIMENTOS ATC LTDA e ROMILDO VIANA ALVES, utilizada para a "simulação de contratos de arrendamento de veículos de propriedade da empresa ITARUMÃ S/A", conforme demonstrado pelos contratos anexados (fls. 353/358), subterfúgio utilizado para o repasse de recursos para o grupo; MAFRICO MATADOURO E FRIGORÍFICO IRMÃOS COSTA LTDA., que tinha como interpostas pessoas os sócios ROMILDO VIANA ALVES e MAURO JOSÉ RIBEIRO, já citados; FRIGOJAL PRODUTOS FRIGORIFICADOS DE JALES LTDA, que tinha como interpostas pessoas os sócios CARLOS HENRIQUE RODRIGUES DA SILVA e CARLOS ANTONIO DO NASCIMENTO. A empresa teve endereço coincidente com outras empresas do grupo, estando atualmente sediada em prédio residencial, conjuntamente com outras empresas "paralelas" do grupo, incompatível com as atividades de um frigorífico. Também utilizado no esquema de "arrendamento simulado de instalações do Frigorífico ITARUMÃ"; FRIGORÍFICO ENTRELAGOS LTDA, tendo os mesmo sócios da anterior, também tem como endereço o mesmo prédio residencial, situado no Viaduto Dona Paulina, 34, 7º andar, sala 75, em São Paulo/SP; COMÉRCIO DE CARNES MONTE SINAI LTDA, tendo como sócios WAGNER ROCHA DE OLIVEIRA e ALVIM ROCHA DE OLIVEIRA, identificados como residentes na "Favela Heliópolis", fato não verificado por falta de apoio policial. O endereço da empresa foi alterado para o local já identificado no Viaduto Dona Paulina. Constatouse que a empresa pertence DE FATO ao Grupo ITARUMÃ em sociedade com EDUARDO FERNANDO DE ANDRADE, que atua como seu procurador (fls. 3.431/3.432 e 3.439/3.441). Desta empresa saiu o dinheiro para integralização de cotas de capital na empresa CANAÃ ALIMENTOS LTDA, que tem como sócios os proprietários do Grupo ITARUMÃ e o citado EDUARDO FERNANDO DE ANDRADE; COMERCIAL DE CARNES GROES BRANCRUPER LTDA, que tem como endereço imóvel rural de propriedade dos sócios do Grupo ITARUMÃ, local em que estiveram instaladas uma filial da IND COM GRANDE LAGOS, a empresa FRIGORÍFICO CASSILÂNDIA LTDA e filial da AGRO CARNES ALIMENTOS ATC LTDA. ADEMILSON GERALDO PEREIRA, "laranja" da empresa GRANDES LAGOS detinha procuração para movimentar as contas bancárias da GROES BRANCRUPER (fls. 3.375/3.385) e também constou como sócio da empresa FRIGORÍFICO CASSILÂNDIA LTDA. Constatouse que as compras efetuadas pela AGRO CARNES junto à GROES, cujos pagamentos não foram comprovados, eram "simulação para geração de créditos de PIS e COFINS não cumulativos mediante a escrituração de custos fictícios"; Fl. 190DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.932 7 CALDERONI COMÉRCIO DE FARINHAS LTDA, que teve como interposta pessoa o sócio ERIVELTON JOÃO BOSCO MENDONÇA DE OLIVEIRA CALDERONI, o qual, posteriormente, transferiu suas cotas para AGAMENON AURELIANO DOS SANTOS e ONELIS NEVES CARDOSO (fls. 7.079/7.082). Declarações colhidas pela fiscalização junto aos indicados, demonstram a arquitetura de abertura de empresas pelo grupo, de contas bancárias e assinatura de talonários de cheques em branco, que eram utilizados pelo Grupo ITARUMÃ, bem como a remuneração que obtiveram pela utilização de seus nomes para a formação das pessoas jurídicas "paralelas" (fls. 547/549 e 544/545). Também, esta empresa, teve o seu endereço alterado para o citado edifício residencial no Viaduto Dona Paulina. Declarações do síndico permitiram apurar que a pessoa envolvida na locação dos apartamentos era AILTON LUIS AMARO JÚNIOR, sócio de HUGO CANEDESE, que presta serviços ao Grupo ITARUMÃ. As empresas UNIDOS AGRO INDL S/A e AGRO CARNES ATC escrituraram notas fiscais que indicariam compras junto à CALDERONI, pagas mediante depósitos que foram imediatamente repassados para IND COM CARNES GRANDES LAGOS, que funcionava como o grande "caixa" do esquema. A simulação de compras tinha como objetivo a movimentação de recursos entre as empresas e a geração de créditos de tributos não cumulativos; WOOD JALES LTDA, que teve como interpostas pessoas os sócios BENEDITA MACHADO BARBOSA e LIDIA DE SOUZA, foi utilizada pelos Grupos ITARUMÃ e MOZAQUATRO para a prática de fraudes trabalhistas e previdenciárias, pois nela eram feitos os registros do quadro de pessoal utilizados pelas empresas dos grupos citados. Ademais, os funcionários aí registrados foram transferidos para a ATUAL CARNES LTDA, e no momento seguinte, foram registrados na AGRO CARNES ALIMENTOS ATC LTDA (fls.1.358/1.362); ATUAL CARNES LTDA, que teve como interpostas pessoas os sócios AMADOR VICENTE DA SILVA FILHO e RODRIGO FIOD DA SILVA, foi utilizada para registro de empregados do grupo em seqüência à anterior; os empregados foram demitidos em outubro de 2004 e imediatamente contratados pela AGRO CARNES ATC; SOFTWAY INDÚSTRIA QUÍMICA LTDA, inicialmente tinha como sócios a empresa RESINAC IND QUIMICAS LTDA, DOMINGOS TOLEDO BORRELY JÚNIOR e EDWIN FRANKLIN DE CASTRO NUNES. Dentre os documentos apreendidos pelo DPF consta um contrato particular de compra e venda de bens móveis e imóveis, datado de 16 de maio de 2005, pelo qual ARI FÉLIX ALTOMARI, JOÃO CARLOS ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO, sócios no Grupo ITARUMÃ, adquiriram setenta por cento do capital da empresa em questão (fls. 550/575). Atualmente constam como sócios desta empresa WALTER GIGLIO e ANTONIO SALVADOR DOS SANTOS; LAUQUÍMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ME, também, nesta empresa verificouse o mesmo esquema já descrito acima, figurando atualmente como sócios ostensivos WALTER GIGLIO e ROBERTO GOMES DA SILVA; COFERFRIGO ATC LTDA (fls. 7.095/7.104), que em resultado da parceira com o Grupo MOZAQUATRO foi administrada pelo Grupo ITARUMÃ. A detalhada descrição de suas operações, fruto do estudo da documentação apreendida pelo DPF e de declarações prestadas pelas pessoas envolvidas, permitiu identificar os procedimentos que tiveram como objetivo fraudar tributos e contribuições. Ademais, circularização junto a fornecedores resultaram na comprovação de que as Fl. 191DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.933 8 aquisições feitas em nome da empresa foram liquidadas por recursos oriundos da IND COM GRANDES LAGOS, configurando sua função de verdadeiro "caixa" do Grupo. A seguir o relatório historia as vinculações entre os "titulares de fato" e as atividades das empresas (fls. 7.535/7.536), particularmente a relação entre as empresas "paralelas" e o crescimento do patrimônio particular de cada um dos "titulares" (item 5.3). No item 5.4 são analisadas as informações colhidas sobre os "titulares de direito (laranjas)" e sua vinculação com o grupo, seja na condição de funcionário, seja na condição de contratado para utilização de seus dados na formação das empresas e os valores pagos em decorrência da participação nas fraudes (fls. 7.536/7.546). Nos itens 5.5 "dos procuradores" (fls. 7.546/7.553) e 5.6 "dos demais colaboradores" (fls. 7.553/7.557) é analisada a função de diversas pessoas detentoras de mandado para representar as empresas do grupo, "ostensivas" e "paralelas", em suas atividades, sejam compras, vendas, perante instituições bancárias, para realizar pagamentos e proceder aos recebimentos, decorrentes das atividades do grupo, e que demonstram a vinculação entre proprietários e funcionários das empresas "ostensivas" com as atividades desenvolvidas nas empresas "paralelas", onde uns e outros se cruzam, seja na condição de interpostas pessoas em atos contratuais, seja na condição de prepostos nas atividades comerciais do grupo, resultando de toda a atividade o acréscimo patrimonial dos sócios "DE FATO" do Grupo ITARUMÃ (fls. 7.546/7.553). Tais são as conclusões que se chega a partir do exame da documentação que foi objeto de apreensão, encontrada nos diversos endereços comerciais e residenciais, particularmente no local onde está instalada a empresa "ostensiva" UNIDOS AGRO INDUSTRIAL S/A, identificado como local onde verdadeiramente funcionava o comando financeiro de todo o grupo (fls. 7.557/7.638). A análise minudente da movimentação financeira demonstra como os recursos caminhavam entre as diversas empresas e pessoas vinculadas, sob o comando e em benefício dos sócios principais do Grupo ITARUMÃ, anteriormente identificados (fls. 7.638/7.724). DA FISCALIZADA. O presente procedimento trata da fiscalização realizada na empresa INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS LTDA pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob n° 03.187.490/000175, e seu vínculo com o grupo ITARUMÃ. DA MATRIZ A empresa foi constituída em 21/05/99, com sede em São Paulo, capital, na rua Monte Serrat, 1º andar, sala 04, bairro Tatuapé, tendo como objeto "Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo", conforme previsto no contrato social (fls. 237/251). Em 13/04/04, alterou o endereço para a cidade de Osasco/SP, na Avenida Lourenço Belloli, n° 700, galpão 4A Parque Industrial (fl. 7.500). No local do primeiro endereço também estavam domiciliadas as empresas INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS FRIGORÍFICOS DE JALES LTDA EPP, CNPJ 01.018.961/000196, no período de 25/08/1998 a 11/08/2004 (fl. 262) e FRIGORÍFICO ENTRELAGOS LTDA — EPP, CNPJ 02.285.998/000143, no período de 01/09/1998 a 11/08/2004 (fl. 255), que pertenceriam ao grupo ITARUMÃ (fl. 7.502). Fl. 192DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.934 9 DAS FILIAIS. "Inicialmente foram abertas duas filiais", posteriormente ampliadas para oito, nas quais foram identificadas novas coincidências de endereços "com outras empresas do grupo, bem como transações comerciais e financeiras relevantes praticadas pelas filiais" (fl. 7.500). A primeira filial foi aberta em 21/05/99, na cidade de Araçatuba/SP, e tinha como objeto "Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, Beneficiamento, Moagem e Preparação de Outros Produtos de Origem Vegetal, Comércio Varejista de Outros Produtos Não Especificados Anteriormente, Abate de Reses, Preparação de Produtos de Carne"; em 27/09/99, o endereço da filial foi transferido para Jales/SP, na Avenida Paulo Marcondes, n° 281, Distrito Industrial 1; em 22/02/02, nova alteração do endereço, para o número 422 da mesma rua; em 16/04/03, o objeto social foi alterado para "Frigorífico Abate de bovinos e preparação de carne e subprodutos"; em 09/11/04, ocorreu nova alteração de endereço com retomo para o número 281 da mesma rua; e, por fim, em 12/01/06, ocorreu alteração de endereço para a cidade de São Paulo, Rua Amazonas, n° 157, Bairro do Bom Retiro (fl. 7.500). Destacouse, no relatório, que os imóveis da Avenida Paulo Marcondes, pertenceriam aos titulares do grupo ITARUMÃ e seriam utilizados para instalação de diversas empresas do grupo, tanto as ostensivas como as paralelas, citando o caso de que tão logo ocorrido o retorno (em 09/11/2004) da presente filial para o n° 281, teria se instalado no número 422 a filial da empresa UNIDOS AGRO INDUSTRIAL S/A, CNPJ 07.002.627/000201, uma das empresas ostensivas do grupo ITARUMÃ, conforme informação à fl 283 dos autos (fl. 7.502). A segunda filial foi aberta também na data de constituição da empresa, em 21/05/1999, objeto social "Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, Beneficiamento, Moagem e Preparação de Outros Produtos de Origem Vegetal, Comércio Varejista de Outros Produtos Não Especificados Anteriormente, Abate de Reses, Preparação de Produtos de Carne", localizada na Rua Maria José de Lelis, nº 3.240, em Aparecida do Taboado/MS; em 17/02/2004, o endereço foi alterado para Rodovia MS 306, S/N, Km 12, Sala 1 A, Zona Rural, em Cassilândia/MS; em 31/03/2004, o endereço foi transferido para a cidade de Paranaíba/MS, na Rua Francisco Mariano de Farias, n° 615, Santo Antônio; em 10/08/2005, a filial foi encerrada (fl. 7.500). Destacouse no relatório que no endereço que a filial esteve instalada, no período de 17/02/2004 a 31/03/2004 (fl. 249), estiveram também ali domiciliadas as empresas: COMERCIAL DE CARNES GROES BANCRUPER LTDA, CNPJ 02.498.456/000159, nos períodos de 02/04/1998 a 16/03/2000 e de 28/08/2001 a 25/10/2004 (fls. 270/281); FRIGORÍFICO CASSILÂNDIA LTDA, CNPJ 06.114.785/000100, a partir de 16/02/2004 (fl. 282); e AGRO CARNES ALIMENTOS ATC LTDA, CNPJ 05.587.759/000560, no período de 26/10/2004 a 26/06/2007, (fl. 284). Coexistiram, no mesmo local, mais duas empresas, que pertenceriam, DE FATO, ao grupo ITARUMÃ. O imóvel rural localizado neste endereço, denominado Fazenda Gualheiro Estância Santo Reis, também pertence aos srs. JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FELIX ALTORAMI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO e foi adquirido em 20/10/2004 (fls. 7.502/7.503). A terceira filial foi aberta em 22/02/2000 (fls. 247/250), na cidade de Jales/SP, na Rua Equador n° 3.334, Santo Expedito; em 16/04/2003, alterou seu Fl. 193DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.935 10 objeto social para "Comércio Atacadista de Carne e Produtos de Carne"; em 10/08/2005, o endereço foi alterado para Avenida Francisco Jales, n° 3.282/8, Vila Maria, em Jales/SP. Neste local esteve instalada uma filial da empresa INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS FRIGORIFICADOS DE JALES LTDA — EPP, CNPJ 01.018.961/000358, no período de 17/12/1996 a 22/02/2000, e que o imóvel em questão é propriedade dos titulares do grupo ITARUMÃ. A sétima filial foi aberta em 21/10/2003, na cidade de Campina Verde/MG, na Rua 18, n° 985, Centro, tendo como objeto "Comércio Varejista de Carnes Açougues, Preparação de Carne, Banha e Produtos de Salsicharia não Associada ao Abate, Abate de Reses, Preparação de Produtos de Carne, Matadouro Abate de Reses e Preparação de Carne para Terceiros, Preparação de Subprodutos não Associados ao Abate". Em 17/02/2005, foi encerrada (fl. 7.501). Destaca o relatório que nesta mesma cidade esteve instalada uma filial da COFERFRIGO ATC LTDA, empresa paralela pertencente ao empresário ALFEU MOZAQUATRO, a qual foi administrada pelo grupo ITARUMÃ, no período de 2001 a 2004, numa "parceria" com o grupo MOZAQUATRO (fls. 7.501 e 7.503). DOS SÓCIOS. Inicialmente, constavam como sócios da empresa (25/05/1999) CLÁUDIO DE FREITAS, CPF 541.096.63549 e ADEMILSON GERALDO PEREIRA, CPF 050.418.02823, com participação no capital de 50% para cada um, o qual montava a R$ 40.000,00 (fl. 244). Em 27/09/99, ADEMILSON retirouse da sociedade, cedendo o lugar a WALMIR CORRÊA LISBOA, CPF 058.339.12814 (fl. 245). Em 05/05/2000, o capital foi alterado para R$ 140.000,00, com partes iguais para cada sócio (fl. 246). Em 04/06/2001, WALMIR retirouse da sociedade, permanecendo unicamente o sócio CLÁUDIO DE FREITAS com 90% das quotas e as demais depositadas em tesouraria (fl. 246). Em 25/09/2002, foi admitido como sócio MARCOS ANTONIO DE MESQUITA, CPF 557.749.70868, sendolhe atribuída uma participação correspondente aos 10% que estavam em tesouraria (fl. 248). "Entretanto, como veremos a seguir, nenhuma dessas pessoas era titular DE FATO da referida pessoa jurídica, mas sim INTERPOSTAS PESSOAS" prossegue o relatório fiscal (fls. 7.503/7.504). 1 CLÁUDIO DE FREITAS. Sobre o citado consta como sócioproprietário da autuada desde o início de suas operações, técnico em contabilidade e funcionário do Frigorífico ITARUMÃ desde o ano de 1990 (fls. 7.503/7.506). Foi preso pela Polícia Federal em 05/10/2006 em virtude da operação "Grandes Lagos" e em interrogatório esclareceu seus vínculos com o grupo ITARUMÃ, as relações com seus patrões, titulares do grupo, e sua função no Frigorífico ITARUMÃ como responsável pela escrita fiscal. Em relação à empresa da qual era sócio afirmou desconhecer sua movimentação financeira e que assinava os formulários de cheques em branco (fls.285/288). Em declarações prestadas na Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto (fls. 369/371), continua o relatório fiscal, confirmou as declarações prestadas à Polícia Federal e esclareceu outros fatos, conforme descrição no relatório, a seguir resumida: Fl. 194DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.936 11 que embora constasse como sócio da empresa os verdadeiros proprietários eram JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FÉLIX ALTOMARI E JOÃO DO CARMO LISBÔA FILHO; que foi contratado no ano de 1990 pelo Frigorífico ITARUMÃ, para exercer a função de escriturário, fazendo a escrita fiscal da empresa, a qual exerceu até 1999, e que percebia um salário mensal de R$ 1.000,00; que no ano de 1999 foi procurado, pelo seu patrão, JOÃO CARLOS ALTOMARI, para abrir uma empresa em nome do declarante e mais uma pessoa; que os valores correspondentes à integralização de capital inicial e posteriores aumentos foram depositados em dinheiro na sua conta bancária e do outro sócio à época dos fatos; que a empresa possuía cerca de 50 funcionários, entretanto não tinha qualquer ingerência na contração ou demissão de pessoal, nem na parte de compras e vendas de produtos da empresa; que a sua função na empresa era apenas de fazer a escrita fiscal e comprar material de escritório, pelo qual começou recebendo vinte salários mínimos, sendo 10 em função de seu trabalho e 10 pela utilização de seu nome como sócio da empresa, que no ano de 2006 o seu salário era de R$ 6.500,00 e que atualmente recebe R$ 7.500,00, sempre pagos em dinheiro; que recebia ordens dos srs. JOÃO CARLOS ALTOMARI e de WALMIR CORRÊA LISBOA e que providenciava as alterações contratuais a mando de JOÃO CARLOS ALTOMARI; que a empresa apurava lucro de forma presumida e, portanto, não eram escriturados o livro diário e razão, nem o livro caixa, mas somente os livros relativos ao ICMS, que desconhecia a movimentação financeira da empresa, pois os formulários de cheques da empresa Grandes Lagos eram encaminhados em branco para sua assinatura e devolvidos ao departamento financeiro do grupo ITARUMÃ, localizado na Av. Paulo Marcondes n. 422, na cidade de Jales/SP, local em que funcionava a empresa UNIDOS AGRO INDUSTRIAL LTDA, empresa denominada no relatório fiscal como "ostensiva"; Ao final, o relatório indica que o declarante não teria capacidade financeira para ser proprietário de uma empresa que teria movimentado mais de quinhentos milhões de reais em cinco anos. 2 ADEMILSON GERALDO PEREIRA. O outro sócio inicial da empresa GRANDES LAGOS, acima identificado, não foi encontrado pela fiscalização, entretanto, segundo informa o relatório, seria funcionário da empresa AGRO CARNES ATC LTDA, designada como "empresa paralela do grupo ITARUMÁ, na cidade de Cassilândia/MS" (fls. 7.506/7.508). Segundo levantamento fiscal, o sr ADEMILSON seria sócio de direito "(laranja)" das empresas INDUSTRIA E COMÉRCIO GRANDES LAGOS LTDA (fl. 244) e FRIGORÍFICO CASSILÂNDIA LTDA (fl. 803), na qual consta em alteração contratual registrada na Junta Comercial, mas não informada à RFB. Também, teria sido Procurador de outras empresas do grupo ITARUMÃ, entre elas a própria AGRO CARNES (fl. 394), onde estaria trabalhando no setor de compra de bois. Destaca a fiscalização, o fato de a procuração lhe conferir amplos poderes para representar a empresa perante as instituições financeiras, poderes que seriam Fl. 195DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.937 12 próprios de um diretor financeiro; da INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS FRIGORÍFICADOS DE JALES LTDA (fl. 467), também como prestador de serviços (fl. 1.506); e FRIGORÍFICO ENTRE LAGOS LTDA (fl. 395). Segundo informação do outro sócio da empresa GRANDES LAGOS, CLÁUDIO DE FREITAS, em 1999, quando foi constituída a empresa, ADEMILSON era funcionário do FRIGORÍFICO ITARUMÃ, na aérea de transportes. Conforme demonstrado no item sobre a movimentação financeira do GRUPO ITARUMÃ, no período entre 2002 e 2005, o Sr. ADEMILSON teria recebido recursos oriundos das empresas INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS LTDA e da AGRO CARNES ALIMENTOS ATC LTDA (fls. 3.776/3.795). No interrogatório perante a Policia Federal o acusado apenas admitiu ter sido sócio da empresa, da qual não lembrava endereço ou origem de recursos, que desconhecia sua existência posterior, e que não teria mais nenhum vinculo com os fatos argüidos (fls. 289/292). Ao final, o relatório esclarece que o sr ADEMILSON nunca teve capacidade econômica ou financeira para ser sócioproprietário da empresa INDUSTRIA E COMERCIO DE CARNES GRANDES LAGOS LTDA e que não informa qualquer patrimônio em suas declarações do imposto de renda. 3 WALMIR CORRÊA LISBOA. A pessoa acima indicada sucedeu ao sócio ADEMILSON na empresa GRANDES LAGOS e ocuparia posição de destaque no grupo ITARUMÃ com intensa participação nos fatos apurados exercendo funções de "gerente financeiro do grupo" (fls. 7.508/7.510). Segundo os atos constitutivos e subseqüentes teria participado como sócio no período de 27/09/1999 a 04/06/2001 (fls. 245/246) e, mesmo após sua saída da empresa, continuou atuando na área financeira, já que emitiu vários cheques após a data de sua salda (fls. 3.776/3.778 e 3.782, entre outras). O sr. CLÁUDIO DE FREITAS afirmou que o sr. WALMIR era o gerente financeiro do grupo ITARUMÃ do qual recebia ordens. O local para o qual eram enviados os cheques em branco assinados é o mesmo onde funciona a empresa UNIDOS AGRO INDUSTRIAL S/A, uma das empresas "ostensivas" do grupo ITARUMÃ, desde 25/11/2004, e também o endereço onde trabalha o sr. WALMIR C. LISBOA, conforme informado pelo próprio à Policia Federal. Também o sr. HUGO RICARDO LINCON DE OLIVEIRA CENEDESE, sócio do escritório CENEDESE E ADVOGADOS ASSOCIADOS, que presta serviços à empresa e ao grupo ITARUMÃ informou à fiscalização que em todos os casos em que atuou para o grupo ITARUMÃ, sempre foi contratado e sempre recebia todos os pagamentos do sr. WALMIR C. LISBOA (fl. 478). O exercício da função de gerente financeiro do grupo ITARUMÃ fica ainda mais claro com as declarações prestadas por ERIVELTO JOÃO BOSCO (fls. 547/549), que foi "laranja" na empresa CALDERONI COMÉRCIO DE FARINHAS LTDA, segundo informa o relatório fiscal, seria uma empresa paralela utilizada pelo grupo ITARUMÃ para a geração de créditos de PIS/COFINS, bem como para geração de custo contábil. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.938 13 4 MARCOS ANTONIO DE MESQUITA. Segundo o relatório fiscal o indicado teria tido uma menor participação no esquema de fraudes figurando como sócio "laranja" a convite do Sr. CLÁUDIO DE FREITAS, pelo que recebia o valor mensal de R$ 1.200,00, e não exercia qualquer atividade na empresa. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO E DA BASE DE CÁLCULO. Tendo em vista que o contribuinte, conforme informado em sua DIPJ realizou a opção pelo Lucro Presumido e não apresentou escrituração do livro Caixa e de livros fiscais obrigatórios o imposto foi determinado com base no arbitramento do lucro sobre a receita bruta conhecida, nos termos do Decreto n° 3.000, de 1999, art. 530, III, c/c arts. 532 e 518 (RIR/99). Apurouse que os valores constantes de DIPJ entregues à SRF são sistematicamente inferiores àqueles declarados à Fazenda Estadual e considerados insuficientes a representar a receita bruta da interessada, o que foi caracterizado pela fiscalização como comportamento evidente no sentido de impedir o conhecimento das reais operações da empresa e, diante do não atendimento às intimações para apresentação de seus livros contábeis e fiscais escriturados, a receita conhecida foi apurada a partir das informações prestadas nas Guias de Informações e Apuração do ICMS entregues pela empresa e que guardam relação com os valores escriturados nos livros de entrada e saída de mercadorias (fls. 7.727/7.730). DA MULTA QUALIFICADA. Tendo em vista o contribuinte ter declarado à Receita Federal, ao longo dos anos, valores totalmente incompatíveis com a sua receita bruta, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, caracterizando as hipóteses descritas na Lei n° 4.502, de 1964, arts. 71, 72 e 73, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, § 1°, com as alterações da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, que modificou a redação do citado artigo (fls. 7.730/7.731). DA MAJORAÇÃO DA MULTA. Tendo em vista as seguidas faltas de atendimento às intimações para apresentação de livros e de escrituração contábil, de livros e documentos fiscais em meio magnéticos, para esclarecer a situação dos estabelecimentos da empresa e também acerca dos veículos utilizados pela empresa em suas atividades, ensejaram a majoração da multa de ofício nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § 2° e seus incisos, com as alterações da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Esclarece a fiscalização em seu termo que a multa qualificada majorada foi aplicada somente em relação à receita omitida e que para efeito do arbitramento do lucro a receita anteriormente informada foi lançada com multa de 75% (fls. 7.731/7.732). DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Neste tópico a fiscalização apurou que a IND. COM DE CARNES GRANDES LAGOS pertenceria, DE FATO, ao Grupo ITARUMÃ, de propriedade de JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FELIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO, não obstante o fato de ter sido aberta em nome de interpostas pessoas, conforme fartamente demonstrado, também foram eles os principais beneficiários das fraudes perpetradas pela fiscalizada, já que o produto da sonegação Fl. 197DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.939 14 de tributos foi utilizado por eles para a aquisição de patrimônio, bem como para pagamento de despesas pessoais. Conclui, o termo fiscal, por considerar que as citadas pessoas físicas tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigadas ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os arts. 121 e 124, I, do CTN. Os termos de sujeição passiva solidária foram lavrados e cientificados às pessoas citadas (fls. 7.490/7.495), juntamente com cópia do auto de infração e do termo fiscal, para ciência (fls. 7.732/7.733). DAS IMPUGNAÇÕES. JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO. Intimado do auto de infração, do anexo termo fiscal de descrição dos fatos e do termo de sujeição passiva, em 13/12/2007 (fl. 7.829), o Sr. JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO, por seu procurador, RICARDO OLIVEIRA GODOI, conforme instrumento de f1.7.856, apresentou impugnação ao feito fiscal, em 04/01/2008, data da chancela eletrônica do protocolo da DRF/OSASCO/SP, aposta na folha 7.841, alegando, em resumo (fls.7.841/7.855): o acusado não é e nunca foi sócio da empresa autuada, inexistindo qualquer vínculo, ou prova do vínculo com suas atividades e os supostos delitos imputados na autuação, ademais o depoimento do sócio da empresa foi retificado em juízo, refutando todas as insinuações, do qual requereu juntada aos autos; que a contaminação da acusação por ocorrências relacionadas a diversas outras empresas não tem qualquer relação com a empresa autuada; as acusações não têm base real e seriam fruto de ilações e presunções preconcebidas, que culminou em uma peça de ficção jurídica decorrente da perseguição surrealista das autoridades fiscais, devendo ser declarada a nulidade do termo de solidariedade pela inexistência de interesse comum entre a empresa autuada e o acusado na suposta fraude, para o possível enquadramento no art. 124 do CTN; decadência das exigências relativas às competências de janeiro de 2002 a outubro de 2002, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN e nos termos do art. 146 da CF/88, decadência e prescrição são matérias que devem ser veiculadas por Lei Complementar, portanto, não há que se falar em aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, ao lançamento da COFINS. Ao final requereu a sua exclusão da sujeição passiva solidária, por nulo o presente auto de infração, o reconhecimento da decadência em relação às competências de janeiro a outubro de 2002, a produção de novas provas e que as intimações e avisos sejam feitos no endereço dos procuradores: Rua Paraguai, 21, CEP 014080470, São Paulo/SP. JOÃO CARLOS ALTOMARI. Intimado do auto de infração, do termo fiscal de descrição dos fatos e do termo de sujeição passiva, em 05/12/2007 (fl. 7.827), o Sr. JOÃO CARLOS ALTOMARI, por seu procurador, RICARDO OLIVEIRA GODOI, conforme Fl. 198DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.940 15 instrumento de fl. 8.208, apresentou impugnação ao feito fiscal, em 04/01/2008, data da chancela eletrônica do protocolo da DRF/OSASCO/SP, aposta na folha 8.193, alegando, em resumo (fls. 8.193/8.207): o acusado não é e nunca foi sócio da empresa autuada, inexistindo qualquer vínculo, ou prova do vínculo, com suas atividades e os supostos delitos imputados na autuação, ademais o depoimento do sócio da empresa foi retificado em juízo, refutando todas as insinuações, do qual requereu juntada aos autos; que a contaminação da acusação por ocorrências relacionadas a diversas outras empresas não tem qualquer relação com a empresa autuada; as acusações não têm base real, baseandose em ilações e presunções preconcebidas, que culminou em uma peça de ficção jurídica decorrente da perseguição surrealista das autoridades fiscais, devendo ser declarada a nulidade do termo de solidariedade pela inexistência de interesse comum entre a empresa autuada e o acusado na suposta fraude, para o possível enquadramento no art. 124 do CTN; decadência das exigências relativas às competências de janeiro de 2002 a outubro de 2002, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN e nos termos do art. 146 da CF/88, decadência e prescrição são matérias que devem ser veiculadas por Lei Complementar, portanto, não há que se falar em aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, ao lançamento da COFINS. Ao final requereu a sua exclusão da sujeição passiva solidária, por nulo o presente auto de infração, o reconhecimento da decadência em relação às competências de janeiro a outubro de 2002, produção de novas provas e que as intimações e avisos sejam feitos no endereço dos procuradores: Rua Paraguai, 21, CEP 014080470, São Paulo/SP. ARI FELIX ALTOMARI. Intimado do auto de infração, do termo fiscal de descrição dos fatos e do termo de sujeição passiva, em 05/12/2007 (fl. 7.826), o Sr. ARI FELIX ALTOMARI, por seu procurador, RICARDO OLIVEIRA GODOI, conforme instrumento de fl. 8.557, apresentou impugnação ao feito fiscal, em 04/01/2008, data da chancela eletrônica do protocolo da DRF/OSASCO/SP, aposta na folha 8.542, alegando, em resumo (fls. 8.542/8.556): o acusado não é e nunca foi sócio da empresa autuada, inexistindo qualquer vínculo ou prova do vínculo com suas atividades e os supostos delitos imputados na autuação, ademais o depoimento do sócio da empresa foi retificado em juízo, refutando todas as insinuações, do qual requereu juntada aos autos; que a contaminação da acusação por ocorrências relacionadas a diversas outras empresas não tem qualquer relação com a empresa autuada; as acusações não têm base real, baseandose em ilações e presunções preconcebidas, que culminou em uma peça de ficção jurídica decorrente da perseguição surrealista das autoridades fiscais, devendo ser declarada a nulidade do termo de solidariedade pela inexistência de interesse comum entre a empresa autuada e o acusado na suposta fraude, para o possível enquadramento no art. 124 do CTN; decadência das exigências relativas às competências de janeiro de 2002 a outubro de 2002, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN e nos termos do art. 146 da Fl. 199DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.941 16 CF/88, decadência e prescrição são matérias que devem ser veiculadas por Lei Complementar, portanto, não há que se falar em aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, ao lançamento da COFINS. Ao final requereu a sua exclusão da sujeição passiva solidária, por nulo o presente auto de infração, o reconhecimento da decadência em relação às competências de janeiro a outubro de 2002, produção de novas provas e que as intimações e avisos sejam feitos no endereço dos procuradores: Rua Paraguai, 21, CEP 014080470, São Paulo/SP. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS LTDA. Intimada do auto de infração, em 05/12/2007 (fl. 7.828), a autuada, por seus procuradores, NICOLAU ABRAHÃO HADDAD NETO e outros, conforme instrumento de fl. 8.956, apresentou impugnação ao feito fiscal, enviada por remessa postal datada de 04/01/2008, conforme carimbo em envelope (fl. 8.893), e recepcionada em 07/01/2008 pela DRF/OSASCO/SP (fl. 8.894), alegando, em resumo (fls. 8.894/8.955): DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. preliminarmente, consoante disposição do CTN, art.108, I, o prescrito no CPC, art. 295, I do caput e II do parágrafo único, a anulação do auto de infração pela inépcia do "termo de descrição dos fatos", o qual não fundamentou adequadamente o arbitramento do lucro da acusada e não apresentou os motivos do ato perpetrado pela fiscalização, não cumprindo, assim, seu objetivo que é dar o suporte fático ao ato administrativo de lançamento; requereu à autoridade encarregada do lançamento pronta resposta à questão posta, com imediata ciência, dada a gravidade das assertivas, com figuras penais correlatas ao caso no CP, art, 316, § 1°, bem como pela aplicação do disposto na Lei n° 4.717/65, art. 2° e suas alíneas; ademais, a justificar a nulidade, a saraivada de acusações sem provas consistentes, baseadas em presunções questionáveis e subjetivas, demandando, desde já, explicação ao requerido, diante da previsão penal pela inserção de dados falsos em sistema de informações, contido no art. 313A; DA IRREGULARIDADE FORMAL NA SUJEIÇÃO PASSIVA. nulidade do feito pela irregularidade presente na pretensa extensão de responsabilidade a pessoas naturais que não ostentam relação pessoal e direta com o fato gerador, imprestável ao caso a aplicação do disposto no CTN, art. 124, I; DA DECADÊNCIA. conforme ao disposto no CTN, art. 150, §4°, o imposto de renda da pessoa jurídica tem fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa mês a mês, portanto, o lançamento de ofício sobre os fatos geradores ocorridos de janeiro de 2002 a novembro de 2002, estava já decaído quando da ciência ao contribuinte, a qual ocorreu em dezembro de 2007, requerendose desde já o reconhecimento de tal fato, por força do disposto no CTN, art. 156, V; DO SOFISMA CONSTRUÍDO ACERCA DAS INTIMAÇÕES. lamentou a omissão fiscal acerca das manifestações da contribuinte, por sua procuradora, em atendimento a termos de intimação; Fl. 200DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.942 17 a primeira assertiva de situação irregular da empresa não se sustenta diante do pronto atendimento do representante do contribuinte à solicitação fiscal a fiscalização compareceu ao galpão da interessada em 03/04/2006 e, já no dia seguinte, o diretor compareceu prontamente à repartição fiscal, entretanto, o erro mais grave do agente público foi em apenas mencionar a correspondência, datada de 13/07/2007, mantendose silente em relação às missivas apresentadas ao fiscal em 16/07/2007 (cópias anexas à impugnação, doc. 3) que procedia à resposta de dois termos de intimação, um de 02/04/2007 e o outro de 11/04/2007. Omitiu também a carta resposta que recebeu em 29/11/2007 (docs. 4), data anterior à intimação do AIJM, ocorrida em 05/12/2007; foi informado à fiscalização que os documentos e solicitações objeto das intimações foram objeto de apreensão pelo Fisco Estadual e que por dever de ofício ali deveriam ser buscadas as respostas às questões encaminhadas à fiscalizada (CTN art. 199), notadamente, conforme demonstra correspondência que o fiscal recebeu em 27/03/2007 (docs 5), o livro caixa e demais livros de escrituração da empresa, objeto de menção ao final da relação como "diversos livros da empresa", além da menção à apreensão de pastas "AZ" contendo documentos diversos dos anos de 1999 a 2005; a aludida menção diz respeito aos livros fiscais citados pelo auditor em seu relatório (item 9), quais sejam, o livro Diário, Razão e Caixa, não se justificando, assim, a realização do arbitramento do lucro, posto que não aperfeiçoado o tipo correspondente ao inciso III do artigo 530 do RIR/99; DO FATO GERADOR DO IRPJ. DO ERRO DA CONTRIBUINTE E SEU SEGUIMENTO. ao realizar o arbitramento do lucro da interessada o fiscal realizou um julgamento à revelia da interessada e contrário a todo o disposto sobre a apuração da renda tributável, incertas na CF, art. 153, III, no CTN e na extensa jurisprudência sobre o caso. Descuidouse o fiscal em utilizar como parâmetro as informações prestadas pela empresa em sua obrigação acessória estadual, sem perscrutar a verdade material, a verdadeira variação patrimonial da contribuinte expressa pela apuração do lucro real. Ademais, a opção pelo lucro presumido não poderia ser desclassificada em prol do lucro arbitrado mas sim pela apuração do lucro real. Tal o caminho da verdade material contemplado na previsão constitucional e complementar e consolidada pela farta doutrina; DO DESCABIMENTO DA PENALIDADE AGRAVADA. investe a contribuinte contra a penalidade sob o argumento de inexistência de dolo diante do fato de que as informações que serviram de base para o lançamento eram de conhecimento das autoridades fiscais, por força das declarações federais e estaduais; a fiscalização ignorou as três informações formalmente enviadas descaracterizando a negativa em prestação de esclarecimentos que serviu de base para o agravamento da multa, cabendo, se houver, a cobrança do tributo sem a multa; DA ILEGALIDADE DOS JUROS. argúi a inconstitucionalidade do § 4° do artigo 39 da Lei n° 9.250, de 1995, citando em seu apoio julgados do STJ, e também a exorbitância da taxa de aplicação para remuneração de títulos federais que não se confundem com tributos; Fl. 201DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.943 18 DO DESCABIMENTO DE APOIO POLICIAL E DA INVERSÃO PROBATÓRIA. argumenta a interessada que a inexistência de embaraço à fiscalização desqualifica as provas advindas da ação da polícia civil, pela sua produção unilateral e sem contraditório; ademais a autoridade competente legalmente para agir no caso são os auditores fiscais e a sua ausência invalida o resultado final da ação policial; sob a rubrica "DA DESCONEXÃO COM A REALIDADE", a defesa pugna pela falta de veracidade da afirmação fiscal de que a falta de impugnação a auto de infração de contribuintes caracterizariam o interesse na "utilização de empresas fantasmas para burlar o fisco", trazendo à lide informação sobre ação em mandado de segurança onde buscava liminar "para ver acolhida impugnação ao feito fiscal", rejeitada em primeira instância e com recurso ao Tribunal Superior; investe contra conclusão fiscal pela existência de organização criminosa voltada para a fraude fiscal e com apoio em julgados afirma pela sua impropriedade, visto não estar ainda configurado o conteúdo material pela discussão administrativa da exigência tributária, passo legal exigido para configurar a existência do crime contra a ordem tributária; assevera que as afirmações fiscais que levam a conclusão de existência de empresas laranjas são baseadas em falsos pressupostos sobre coincidência de endereços, operações financeiras relevantes não provadas, desvirtuamento do sentido de declarações firmadas por pessoas investigadas, como no caso da leitura das declarações de JOÃO PEREIRA FRAGA, da qual o relatório fiscal concluiu por considerar a empresa COFERFRIGO ATC LTDA como uma empresa laranja, quando o correto seria de que a empresa efetivamente existia e mantinha relações comerciais normais com o FRIGORÍFICO ITARUMÃ, que a locação de instalações de empresas frigoríficas é uma característica de mercado e o contrato firmado com a empresa AGRO CARNES nada tem de irregular, que o fato do exsócio WALMIR CORRÊA LISBOA continuar assinando cheques da empresa GRANDES LAGOS nada tem de anormal, por natural assunção de responsabilidades decorrentes do "affectio societatis" e se a tal fato não se opusesse o representante legal da empresa, as afirmações extraídas de declarações de CLAUDIO DE FEITAS não tem valia para o fim de constituição de crédito tributário, devendo ser abandonadas, as solicitações de prorrogação de prazo não podem caracterizar intenção de não atendimento da fiscalização, o fato de integrante da sociedade fiscalizada ter mandato público, lavrado em cartório, seguindo padrões usuais, não podem caracterizar o "ativismo" afirmado no termo fiscal, e, finalmente, o arrolamento de informações sobre terceiros em nada contribui na conformação do lançamento tributário em discussão; DO PEDIDO. Ao final requer a impugnante: a) a anulação integral do lançamento; b) sucessivamente, eliminação completa de penalidades; c) sucessivamente, redução de penalidades a níveis razoáveis e proporcionais pela aplicação do disposto no art. 112 do CTN; d) a realização de todas as diligências necessárias para apuração da verdade material; Fl. 202DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.944 19 e) produção formal de notificação à impugnante, notadamente a relativa à apresentação de documentos, bem como à manifestação fiscal acerca da inépcia de seu relatório, requerendose que sejam encaminhadas também e principalmente aos signatários da impugnação pela sua competência técnica; f) juntada de todos os elementos de fato e de direito necessários para a elucidação dos fatos. Às fls. 8.997/9.000, JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO, em 09/01/2008, por seu procurador, apresentou instrumento de procuração com firma reconhecida, com objetivo de ver sanada falha quando da apresentação da impugnação. Às fls. 9.001/9.004, ofícios comunicando resultado da fiscalização ao Titular da 1ª Vara Federal em Jales/SP e ao Procurador da República PRM de Jales/SP. Às fls. 9.014/9.015, Oficio n° 0027/2008epj, da 1ª Vara Federal de Jales/SP, comunicando que nos autos de processo que corre junto à vara, foi determinado o seqüestro de bens das pessoas jurídicas e fisicas que relaciona, entre as quais consta o nome da autuada e das pessoas físicas arroladas como solidárias no presente processo. A 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 14 19.829, de 25 de julho de 2008, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado foi assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. O valor da receita omitida apurada em procedimento de oficio compõe a base de cálculo do lucro arbitrado. ARBITRAMENTO DE LUCRO. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido. DECADÊNCIA. FRAUDE. Na presença de fraude, aplicase a regra contida no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que estabelece prazo de cinco anos a partir do primeiro dia em que o lançamento poderia ter sido efetuado para que a Fazenda Pública proceda a constituição do crédito tributário respectivo. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, ao ) PIS e à Cofins. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática reiterada de infrações tributárias visando sonegação fiscal. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.945 20 MULTA MAJORADA. A reiterada falta de atendimento às intimações e a omissão em atender às solicitações de esclarecimentos formuladas pela fiscalização configura situação suficiente a ensejar a majoração da multa de ofício. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional e na legislação do processo administrativo fiscal, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Como são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e restando comprovado que efetivamente detêm a administração plena da sociedade, correta é a atribuição da responsabilidade solidária pelos impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica. A contribuinte autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 05 de setembro de 2008, conforme edital de fls. 9.078. Diante da ausência de apresentação de recurso voluntário, o débito foi inscrito em dívida ativa. Contudo, constatado que a ciência da referida decisão tinha se limitado à contribuinte fiscalizada, isto é, os responsáveis solidários não tinham sido cientificados do julgado, a Delegacia da Receita Federal em Osasco, São Paulo, pronunciouse no sentido de que fossem adotadas providências visando a efetivação do procedimento (fls. 9.567). Nesse contexto, o Sr. JOÃO CARLOS ALTOMARI foi cientificado em 22.05.2009, conforme aviso de recebimento de fls. 9.590, mesma data em que foi dada ciência ao Sr. ARI FÉLIX ALTOMARI (aviso de recebimento às fls. 9.591). O Sr. JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO tomou conhecimento da decisão em referência em 05 de agosto de 2009, conforme aviso de recebimento de fls. 9.810. Às fls. 9.592/9.609, 9.674/9691 e 9.811/9.828, os indicados como responsáveis solidários apresentaram RECURSO VOLUNTÁRIO, de igual teor, por meio do qual sustentam: que o Termo de Descrição dos Fatos encontrase eivado de falhas que comprometem as responsabilidades imputadas; a nulidade da sujeição passiva solidária, eis que não restou comprovado o interesse comum da empresa autuada e dos indicados como responsáveis; a decadência do direito de lançar. Às fls. 9.918/9.919, identifico documento dirigido à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, em que representante da empresa autuada: a) comunica que foi dado início a levantamento fiscal e contábil em documentos apreendidos pela fiscalização estadual, documentos esses que não seriam do conhecimento da Administração federal; Fl. 204DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.946 21 b) noticia o encaminhamento de cópia de petição que teria sido protocolizada na Delegacia Regional Tributária de São José do Rio Preto, da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, comprovando o levantamento referenciado na letra “a” acima; c) requer o acatamento e a juntada dos documentos, fazendo a referência a outros que teriam sido apresentados em 10 de novembro de 2009; d) protesta pelo sobrestamento do processo até que se concluam os levantamentos fiscais. É o Relatório. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.947 22 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Destaco que a contribuinte fiscalizada não impetrou recurso voluntário, motivo pelo qual deixo de apreciar o documento de fls. 9.918/9.919, que noticia o início de levantamento fiscal e contábil. Passo, pois, a apreciar os argumentos trazidos por meio dos recursos voluntários interpostos pelos senhores JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FÉLIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO. DECADÊNCIA Alegam os Recorrentes que, como a intimação da notificação ocorreu em 05 de dezembro de 2007, parte dos supostos débitos já foi atingida pela decadência do direito de lançar da administração, a teor do art. 150, § 4º , do CTN. Afirmam que, ao contrário do entendimento do julgador de primeira instância, não se pode considerar que o prazo de decadência seria o descrito no art. 173, inciso I, do CTN, uma vez que não ficou comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação pelos ora Recorrentes. A análise acerca de eventual ocorrência de caducidade do direito de se efetuar os lançamentos tributários tratados no presente processo passa, necessariamente, pela apreciação quanto a ocorrência de dolo na prática das infrações imputadas pela Fiscalização, vez que, como é cediço, confirmada a intenção deliberada dos eleitos como sujeitos passivos da obrigação tributária constituída no sentido de adotar condutas com o intuito de não submeter à tributação devida as rendas auferidas, não cabe falar, para fins de decadência, em aplicação do prazo previsto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa linha, sirvome dos excertos a seguir transcritos, extraídos dos autos do processo judicial nº 2007.61.24.0002606 (cópia às fls. 7.435/7.444), em que o Excelentíssimo Juiz Federal Nino Oliveira Toldo, tomando por base os fatos descritos em REPRESENTAÇÃO FISCAL, decide afastar o sigilo bancário, entre outras pessoas, dos ora Recorrentes. ... Nos termos da representação fiscal as várias empresas utilizaramse das mais variadas formas de fraudar a administração tributária. Umas, utilizando se de empresas paralelas, sem qualquer patrimônio, abertas em nomes de "laranjas", obviamente sem qualquer capacidade econômica; outras, utilizandose de notas fiscais inidôneas, fornecidas por empresas especializadas em vender notas fiscais. Ambas, com o mesmo objetivo: eximirse de sua responsabilidade tributária, transferindoa a quem não tem capacidade econômica para assumila. Segundo a Receita Federal, numa análise preliminar, a fiscalização identificou um montante de receitas omitidas, nos últimos cinco anos, no valor de Fl. 206DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.948 23 aproximadamente R$ 4.500.000.000,00 (QUATRO BILHÕES E QUINHENTOS MILHÕES DE REAIS). Já foram detectados vários indícios de que há transferências bancárias entre as contas abertas em nome de "laranjas" (procuradores, taxistas, e/ou parentes dos mesmos) e as contas bancárias dos titulares de fato. ... Diante do conteúdo das investigações levadas a efeito pela autoridade policial até o presente momento, bem como da representação fiscal, fazse realmente necessária a quebra do sigilo bancário dos investigados e denunciados envolvidos na "Operação Grandes Lagos". Isso porque há fortes indícios do envolvimento dos membros da organização criminosa nos crimes de formação de quadrilha (CP, art. 288); sonegação fiscal (Lei 8.137/90, arts. 1", I a V, e 2 0, I); falsidade ideológica (CP, art. 299); corrupção ativa (CP, art. 333); corrupção passiva (CP, art. 317); falsidade ideológica previdenciária (CP, art. 297, § 3, II e III); frustração de direito assegurado por lei trabalhista (CP, art. 203) e estelionato em detrimento da Fazenda Pública (CP, art. 171). Tudo a demonstrar a necessidade da elucidação do caso em exame, diante da lesividade da conduta dos investigados, de modo que não se pode aceitar a consagração da impunidade em detrimento da sociedade. ... Verifico que a quebra do sigilo bancário é indispensável para apurar os fatos sob investigação, ante os fortes indícios acima referidos, em observância ao princípio da busca da verdade real, que norteia todo o direito processual penal, resguardandose, contudo, as informações, de modo a mantêlas apenas no conhecimento das partes que atuam no procedimento ou processo. (GRIFEI) Não bastasse tal síntese, que bem contextualiza os fatos apurados por meio da investigação fiscal e policial, os elementos adiante expostos, que servirão de fundamento para a manutenção da responsabilidade imputada aos Recorrentes, deixam fora de dúvida a participação dolosa dos investigados na prática dos ilícitos fiscais e penais apurados pelas autoridades fiscais, descabendo, assim, falarse em aplicação, para fins de caducidade do direito de se constituir o crédito tributário, das disposições estampadas no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Sustentam os Recorrentes que nunca foram sócios ou funcionários da empresa Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos Ltda. Argumentam que, como quaisquer pessoas físicas que optam pelo ramo empresarial, são sócios de diversas empresas, também indicadas no processo. Alegam que nenhuma dessas empresas possui qualquer sócio em comum com a empresa autuada. Dizem que em momento algum ficou comprovado no relatório fiscal a existência de interesse comum entre eles e a autuada, motivo pelo qual não há que se falar em solidariedade passiva prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.949 24 Os elementos a seguir indicados, descritos pelas autoridades fiscais no Termo de Descrição dos Fatos de fls. 7.495/7.734, a meu ver, são suficientes para que reste caracterizado, na particular situação retratada nos autos, o interesse comum dos senhores JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FÉLIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO nos fatos propulsores das obrigações tributárias inadimplidas. 1. a denominada operação GRANDES LAGOS, levada a efeito pela Receita Federal conjuntamente com o Departamento de Polícia Federal, evidenciou a existência de uma organização criminosa cuja estratégia era constituir empresas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) com o intuito de impedir que os verdadeiros titulares dos negócios respondessem pelos tributos devidos; 2. o trabalho fiscal propriamente dito foi precedido de ampla investigação do Departamento de Polícia Federal, que, por meio de interceptações telefônicas devidamente autorizadas e buscas e apreensões de documentos, identificou pessoas participantes da organização criminosa e efetuou mais de cem prisões; 3. entre as empresas fiscalizadas, a autuada (INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS LTDA.) não fugiu à regra, isto é, tratase de empresa “paralela”, constituída em nome de “laranjas”, restando constatado que nem os seus representantes legais nem as pessoas indicadas como sócias detêm patrimônio capaz de garantir os créditos tributários apurados; 4. um fato que concorre para demonstrar a intenção deliberada de interpor pessoas sem capacidade econômica no quadro societário da fiscalizada, está representado pela ausência de apresentação de contestação ao auto de infração relativo ao PIS e à COFINS (processo administrativo nº 10882.002209/200687), em que se constituiu crédito tributário no montante de R$ 9.114.117,66; 5. entre os grupos que utilizaram a estratégia antes descrita, foi identificado o denominado GRUPO ITARUMÃ, de propriedade dos senhores JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FÉLIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO; 6. transcrevo, abaixo, excerto de RELATÓRIO elaborado pela POLÍCIA FEDERAL acerca do GRUPO ITARUMÃ, reproduzido no Termo de Descrição dos Fatos; O Grupo Itarumã conta com várias empresas lícitas, abertas em nome dos verdadeiros sócios, que atuam no ramo agropecuário, servindo para justificar a renda e o padrão de vida dos seus sócios. No entanto, a maior parte do faturamento do grupo é movimentada através de empresas abertas em nome de "laranjas". Os tributos incidentes sobre as operações destas empresas são declarados ao fisco, mas nunca são pagos. Quando autuadas, nem as empresas nem os "laranjas" têm patrimônio para honrar os débitos. São "cabeças" do Grupo Itarumã João Carlos Aftomari, Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho, e Emílio Carlos Altomari, em ordem decrescente de hierarquia no grupo. Oficialmente, João Carlos Altomari é ligado a oito empresas: Frigorífico Aparecida do Taboado Ltda. (sócio com 1% de participação), Itarumã S.A. (administrador), J&T Administração e Participação Ltda. (sócioadministrador, com Fl. 208DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.950 25 90% de participação), Caiçara Distribuidora de Carnes Ltda. (sócioadministrador, com 25% de participação), Unidos Agro Industrial S.A. (administrador), Canaã Alimentos Ltda. (sócioadministrador, com 16,67% de participação), Jamw Química Administração e Participação Ltda. (administrador) e Unasa Química Ltda. (sócio, com 25% de participação). Ari Félix Altomari é ligado a oito empresas: Frigorífico Aparecida do Taboado Ltda. (sócio com 1% de participação), Itarumã S.A. (presidente), AFA Administração e Participação Ltda. (sócioadministrador, com 90% de participação), Caiçara Distribuidora de Carnes Ltda. (sócioadministrador, com 25% de participação), Altomari & Fernandes Cia. Ltda. (sócioadministrador, com 50% de participação), Unidos Agro Industrial S.A. (administrador), Canaã Alimentos Ltda. (sócioadministrador, com 16,66% de participação) e Unasa Química Ltda. (sócio administrador, com 25% de participação). João do Carmo Lisboa Filho é ligado a sete empresas: Frigorífico Aparecida do Taboado Ltda. (sócio com 1% de participação), Itarumã S.A. (administrador), J&T Administração e Participação Ltda. (sócioadministrador, com 10% de participação), Caiçara Distribuidora de Carnes Ltda. (sócioadministrador, com 25% de participação), Unidos Agro Industrial S.A. (administrador), Canaã Alimentos Ltda. (sócioadministrador, com 16,67% de participação), e Unasa Química Ltda. (sócio, com 25% de participação). Finalmente, oficialmente, Emílio Carlos Altomari é presidente e responsável pela empresa Unidos Agro Industrial S.A. Extraoficialmente, os quatro são proprietários de, no mínimo, duas empresas abertas em nome de "laranjas", pelas quais a maior parte do faturamento do Grupo Itarumã é movimentado sem o recolhimento dos tributos: a Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos Ltda., e Agro Carnes Alimentos ATC Ltda." (GRIFEI) 7. imóveis pertencentes aos senhores JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FÉLIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO foram utilizados para a instalação de empresas “paralelas”; 8. as pessoas que constaram no quadro societário da fiscalizada, senhores CLÁUDIO DE FREITAS, ADEMILSON GERALDO PEREIRA, WALMIR CORRÊA LISBOA e MARCOS ANTÔNIO DE MESQUITA, não detinham a titularidade de fato da sociedade, eis que: 8.1 – O Sr. CLÁUDIO DE FREITAS, técnico em contabilidade, era funcionário do GRUPO ITARUMÃ, foi preso pela POLÍCIA FEDERAL, ocasião em que declarou: que a fiscalizada efetivamente pertencia ao GRUPO ALTOMARI, mais precisamente aos irmãos ARI e JOÃO CARLOS; que em 1999 havia sido questionado pelos irmãos ALTOMARI acerca da abertura de uma empresa que, de propriedade deles, ficaria em seu nome, juntamente com ADEMILSON GERALDO PEREIRA, que acreditava pertencer também ao quadro de funcionários do GRUPO ITARUMÃ; que, em razão de impedimentos junto à Secretaria da Fazenda do Estado, o Sr. Edmilson foi substituído no contrato social pelo Sr. VALMIR CORRÊA LISBOA, que também era empregado do GRUPO ITARUMÃ; que, depois, o GRUPO ITARUMÃ indicou o Sr. MARCOS ANTÔNIO MESQUITA, seu vizinho, para “figurar” como sócio (“laranja”); que o Sr. MARCOS ANTÔNIO MESQUITA trabalhava Fl. 209DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.951 26 em uma imobiliária, não tendo qualquer participação nas atividades da sociedade, apenas recebendo um valor mensal em razão de ter emprestado o seu nome; que assinava cheques em branco; 8.2 – à RECEITA FEDERAL, o Sr. CLÁUDIO DE FREITAS declarou: que recebia salário de cerca de R$ 1.000,00; que foi procurado pelo Sr. JOÃO CARLOS ALTOMARI para abrir uma empresa (INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS); que a integralização de capital e os aumentos posteriores foram promovidos pelos ALTOMARI por meio de depósito em dinheiro em sua conta e na do outro sócio (“laranja”); que os cheques em branco que assinava eram encaminhados para o departamento financeiro do GRUPO; que recebia, “de tempos em tempos”, cerca de mil a mil e quinhentos cheques em branco para assinar; que, na ocasião, recebia R$ 7.500,00, em dinheiro; que recebia ordens dos senhores JOÃO CARLOS ALTOMARI e WALMIR CORRÊA LISBOA (gerente financeiro do GRUPO); 9. as informações prestadas pelo Sr. CLÁUDIO DE FREITAS foram corroboradas por provas colhidas pela Fiscalização; 10. as declarações prestadas pelo Sr. ADEMILSON GERALDO PEREIRA à POLÍCIA FEDERAL confirmam a interposição de pessoas no quadro societário da fiscalizada orquestrada pelos ALTOMARI; 11. relativamente ao Sr. JOÃO CARLOS ALTOMARI foi constatado: que ele representava um dos principais integrantes do GRUPO; que, de acordo com escutas telefônicas promovidas pela POLÍCIA FEDERAL, era o responsável pelas principais decisões relacionadas às empresas do GRUPO ITARUMÃ; foi preso em decorrência da operação deflagrada; a partir de provas colhidas em busca e apreensão efetuada pela POLÍCIA FEDERAL, de documentos apreendidos pelo Fisco estadual e do afastamento do sigilo bancário, que adquiriu grande parte do seu patrimônio por meio de fraudes perpetradas pelo GRUPO ITARUMÃ; que parcela significativa do seu patrimônio, conforme declaração feita por ele próprio à POLÍCIA FEDERAL, foi transferida para empresa HOLDING de sua propriedade (J&T ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA.); 12. relativamente ao Sr. JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO foi constatado: que ele representava também um dos principais integrantes do GRUPO (o segundo na hierarquia); que era um dos “arquitetos” das fraudes cometidas; foi preso em decorrência da operação deflagrada; que adquiriu grande parte do seu patrimônio por meio de fraudes perpetradas pelo GRUPO ITARUMÃ; que parcela significativa do seu patrimônio, conforme declaração feita por ele próprio à POLÍCIA FEDERAL, foi transferida para empresa HOLDING de sua propriedade (JL ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA.); 13. relativamente ao Sr. ARI FELIX ALTOMARI foi constatado: que ele representava o terceiro na hierarquia do GRUPO; foi preso em decorrência da operação deflagrada; que adquiriu grande parte do seu patrimônio por meio de fraudes perpetradas pelo GRUPO ITARUMÃ; que parcela significativa do seu patrimônio, conforme declaração feita por ele próprio à POLÍCIA FEDERAL, foi transferida para empresa HOLDING de sua propriedade (AFA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA.); 14. as constituições de HOLDINGS pelos Recorrentes para administração de seus patrimônios revelam, de forma clara, a intenção dos Recorrentes de adotar medidas com o Fl. 210DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.952 27 intuito de preservar os ganhos auferidos por meio das fraudes perpetradas, cabendo destacar que a providência foi adotada a partir de “orientação” do contador; 15. o CAIXA da fiscalizada supriu aquisições de imóveis feitas pelos senhores JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FÉLIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO, bem como parte do CAPITAL de outra empresa paralela; 16. documentos apreendidos pela Polícia Federal e pelo Fisco estadual comprovam o processo de expansão do GRUPO na criação de empresas paralelas, constituídas por meio de interposição de pessoas (“laranjas”) com a finalidade de servirem de “administradora” de recursos para, por decorrência, multiplicar o patrimônio dos Recorrentes; 17. entre os documentos apreendidos, constam documentos que comprovam que o imposto de renda (pessoa física) dos Recorrentes, relativo aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, bem como de familiares e de colaboradores (“laranjas”), foram quitados pelas empresas paralelas por eles constituídas (Ind. Com . Carnes Grandes Lagos Ltda e Agro Carnes Alimentos ATC Ltda) vide fls. 7.630/7.632 dos autos; 18. às fls. 7.632 do processo, os autores do feito fiscal descrevem o modus operandi do Grupo, conforme a seguir transcrito; ... Destarte, ficou demonstrado, novamente, o modus operandi dos responsáveis pelo Grupo Itarumã: a simulação de diversos contratos de arrendamentos firmados com empresas paralelas (constituídas em nome de interpostas pessoas), obtendo diversas vantagens com esta operação fraudulenta, tais como as abaixo listadas: • transferência do faturamento do Frigorífico Itarumã para as empresas paralelas, que não têm condições patrimoniais de honrar com os tributos devidos; • constituição destas empresas em nome de "laranjas" para proteção do patrimônio dos responsáveis pelo Grupo Itarumã, já que nunca seriam objeto de execuções fiscais; • proteção contra possíveis crimes contra a ordem tributária, já que as empresas paralelas não estavam legalmente constituídas em seus nomes; • obtenção de recursos por intermédio de arrendamentos, simulando a licitude desta operação; • pagamento, pelas empresas paralelas, do IRPF dos proprietários do grupo Itarumã, gerados a partir do recebimento dos citados arrendamentos. 19. Objetivando demonstrar a percepção das vantagens financeiras por parte dos Recorrentes a partir do “esquema” engendrado, as autoridades fiscais assinalam (fls. 7.638/7.639): Já demonstramos, nos tópicos anteriores, a estrutura e funcionamento do grupo Itarumã e o seu modus operandi para a perpetração de diversas fraudes contábeis e fiscais, objetivando eximirse do pagamento de tributos. Entretanto, Fl. 211DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.953 28 visando aprofundar a investigação, a fim de não deixar qualquer dúvida acerca das constatações acima, a fiscalização fez uma análise da movimentação financeira do grupo. Para tanto, solicitamos à Justiça Federal que autorizasse a Receita Federal a ter acesso às contas bancárias de todas as empresas do grupo Itarumã, bem como das pessoas físicas que o integram (titulares de fato, laranjas, etc.), tendo em vista a necessidade de rastrear as operações financeiras do grupo, para demonstrar, de forma cabal, a vinculação entre as empresas ostensivas, paralelas, titulares de fato e titulares de direito (laranjas). A experiência demonstra que é um fato comum nas organizações criminosas, compostas por diversas empresas (paralelas e ostensivas) e seus titulares (de fato e de direito "laranjas"), o socorro financeiro entre os integrantes da organização. Também é uma prática corrente os titulares ocultos da organização, ou seja, os titulares de fato, receberem, direta ou indiretamente, os "frutos" oriundos do esquema fraudulento utilizado. Aliás, não teria sentido a criação de uma estrutura voltada à prática de sonegação fiscal, utilizandose de empresas paralelas, abertas em nome de laranjas, sem que os titulares de fato dessas empresas pudessem beneficiarse desse esquema fraudulento. Quer dizer, se as empresas paralelas praticam atos de comércio em seu nome e não pagam os tributos devidos, estes valores acabam por integrar o patrimônio dos titulares de fato destas empresas, que recebem estes recursos, de forma direta ou indireta. E a transferência de valores, das empresas paralelas para os seus titulares de fato, normalmente transita pelas contas bancárias, conforme demonstraremos a seguir: O recebimento direto ocorre, principalmente, quando algum integrante do Grupo Itarumã (colaborador, "laranja" ou empresa paralela) remete os recursos diretamente para as contas bancárias dos responsáveis pelo Grupo Itarumã (srs. Ari Félix Altomari, João Carlos Altomari e João do Carmo Lisboa Filho). Já o recebimento indireto ocorre, principalmente, das seguintes formas: a) Por intermédio de aquisições de bens móveis (veículos, instalações, etc.) e imóveis (terrenos, propriedades rurais, etc.), cujos pagamentos são efetuados com recursos oriundos das empresas paralelas (Ind. Com . Carnes Grandes Lagos Ltda., Agro Carnes Alimentos ATC Ltda. e Comércio de Carnes Monte Sinai Ltda., etc.); b) por intermédio do pagamento de despesas pessoais dos responsáveis do Grupo Itarumã (IPVA, cartões de crédito, financiamento de veículos, cotas do IRPF, etc.), efetuados com recursos oriundos de empresas paralelas; c) Pela construção de benfeitorias, de vultosos valores, nos imóveis de propriedade dos titulares do Grupo Itarumã, arrendados a diversas empresas paralelas; d) Pela utilização de recursos oriundos de empresa paralela (Ind. Com . Carnes Grandes Lagos Ltda.) utilizados na integralização de capital de empresa ostensiva do grupo (Canaã Alimentos Ltda.). Restava, então, fazer a prova das transferências financeiras entre as pessoas (físicas e jurídicas) integrantes do denominado Grupo ltarumã, mormente, as que repercutiram diretamente nos titulares de fato do citado grupo. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.954 29 Para atingir este objetivo, representamos ao Juízo Federal de Jales, solicitando a decretação da quebra de sigilo bancário de todos os envolvidos no Grupo Itarumã fls. 1895/1905. O afastamento do sigilo bancário foi imprescindível para se conseguir identificar as referidas transferências interbancárias, bem como a obtenção de vantagens ilícitas pelos integrantes do referido grupo. Com o deferimento da quebra de sigilo bancário dos integrantes do Grupo Itarumã, pelo Juízo Federal de Jales, foram solicitados às Instituições Financeiras os extratos (arquivos magnéticos) das contas bancárias (contascorrentes e aplicações financeiras) e dos cartões de créditos, bem como as fichas cadastrais e os cartões de assinaturas de todos os contribuintes investigados fls. 1906/3610. Foram apresentados os documentos relativos às seguintes contas bancárias: ... Como resultado do cruzamento de dados, elaboramos a planilha denominada "Demonstrativo das Transferências de Recursos entre os Componentes do Grupo Itarumã" (fls. 3772/3775). Com os documentos apresentados pelas instituições financeiras e, após uma análise minuciosa dos mesmos, restou comprovada a vinculação entre os titulares de fato do grupo Itarumã com os demais componentes do grupo ("laranjas", colaboradores e empresas paralelas). Concluímos que TODAS as pessoas físicas integrantes do citado grupo ("laranjas", colaboradores e titulares de fato Srs. Ari F. Altomari, João C. Altomari e João C. L. Filho)) receberam recursos oriundos das empresas paralelas (Ind. Com. Carnes Grandes Lagos Ltda e Agro Carnes Alimentos ATC Ltda). (GRIFO DO ORIGINAL) Como assinalado no TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS (fls. 7.558), resta evidente “que os titulares de fato do Grupo Itarumã utilizaramse de diversas empresas paralelas, bem como de diversos laranjas, com o intuito de transferir o faturamento das empresas de sua titularidade a empresas sem patrimônio, fato este que frustraria futuras execuções fiscais, bem como blindaria o patrimônio dos titulares de fato, amealhado por intermédio deste esquema fraudulento”. O fato de a fiscalizada (INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES GRANDES LAGOS LTDA.) não ter sequer oferecido recurso à decisão prolatada em primeira instância, corrobora a sua natureza de “empresa paralela”, constituída pelos Recorrentes para, juntamente com outras, atuar como “administradora” de recursos mantidos à margem da tributação. No caso vertente, vejo como adequada a imputação solidariedade tributária passiva nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, eis que os elementos trazidos ao processo pelas autoridades fiscais apontam para uma relação direta dos senhores JOÃO CARLOS ALTOMARI, ARI FÉLIX ALTOMARI e JOÃO DO CARMO LISBOA FILHO com os fatos geradores dos tributos e contribuições sonegados, sendo relevante destacar a impossibilidade de, nos termos da legislação tributável aplicável à matéria, afastar o vínculo de igual natureza da pessoa jurídica constituída por meio da interposição de pessoas. Assim, em razão de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16004.001058/200755 Acórdão n.º 130200.777 S1C3T2 Fl. 9.955 30 Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 214DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.015777/2009-04
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA NÃO ALCANÇADO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo em vista que o contribuinte foi exonerado de crédito tributário em valor inferior a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) o recurso de ofício não merece conhecimento.
Recurso de Ofício não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Vieira e Silva, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique M. de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA NÃO ALCANÇADO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo em vista que o contribuinte foi exonerado de crédito tributário em valor inferior a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) o recurso de ofício não merece conhecimento. Recurso de Ofício não Conhecido.
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FATOS GERADORES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUCENT TECNHOLOGIES DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA NÃO ALCANÇADO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo em vista que o contribuinte foi exonerado de crédito tributário em valor inferior a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) o recurso de ofício não merece conhecimento. Recurso de Ofício não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Vieira e Silva, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique M. de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 57 77 /2 00 9- 04 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão de fls., que anulou integralmente o Auto de Infração n. 37.1986729, lavrado para a cobrança de multa por ter a contribuinte deixado de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme apuração fiscal foram considerados como fatos geradores não informados aqueles descritos nos Autos de Infração de Obrigação Principal n. 37.198.6770, 37.212.7207 e 37.212.7223. a) Remuneração de contribuintes individuais, apurada mediante extração de informações constantes na folha de pagamentos em batimento com os valores contidos em GFIP b) Remuneração de Segurados Empregados constantes da Folha de Pagamento e não declarados em GFIP, pagas a título de: b.1) Participação nos resultados em desacordo com o disposto na Lei 10.101/00, tendo em vista que a fiscalização (i) apurou que os acordos de , metas não foram estipulados previamente, o que violou o art. 2o §1o, inciso II, bem como (ii) os acordos estipularam metas conjuntas para duas empresas, utilizandose de metas em siglas e língua estrangeira, além dos valores devidos terem sido fixados em moeda estrangeira; b.2) Vale Transporte pago em dinheiro; c) Valores pagos a cooperativas de trabalho; d) Pagamentos efetuados a segurados empregados tidos na conta despesa expatriados; e) Glosa de compensação efetuada em GFIP, tendo em vista que não foram carreados documentos comprobatórios do direito creditório; f) Remuneração creditada a contribuintes individuais por aferição indireta, em decorrência de contrariedade das informações contidas em folhas e demais declarações apresentadas pelo sujeito passivo. O Conforme consta do relatório fiscal, a empresa ALCATELLUCENT BRASIL S.A e ALCATEL EQUIPAMENTOS LTDA, em razão da caracterização de grupo econômico de fato, diante da cisão total da empresa LUCENT TECHNOLOGIES DO BRASIL (autuada). O período apurado compreende a competência de 11/2004 a 12/2006, tendo sido o último contribuinte cientificado em 30/11/2009 (fls. 01). Às fls.... foi determinada a realização de diligência para que o fiscal melhor esclarecesse os fatos geradores das contribuições lançadas no presente, bem como fizesse juntar aos autos uma série de relatórios indicados no Auto de Infração que sequer foram incluídos como seus anexos e cientificados ao contribuinte. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10830.015777/200904 Acórdão n.º 2401003.460 S2C4T1 Fl. 2.526 3 Em resposta à diligência solicitada, o fiscal justificou a impossibilidade de apresentar referidas planilhas, sob o argumento de que com as modificações havidas no art. 229 do Regimento Interno da Receita Federal, ocorridas após a solicitação da diligência, somente caberia a DRJ julgar os argumentos de defesa apontados pelo contribuinte em sua impugnação, de modo que, somente se resumiu a fazer considerações sobre a tese de defesa constante na impugnação, sem, contudo, atender aquilo o que lhe fora requerido pela DRJ. A empresa recorrida fora devidamente cientificada do resultado da diligência requerida. Diante de petição apresentada pela contribuinte, a DRF, em Campinas, acatando o pedido formulado pela parte, procedeu à exclusão das contribuições, desmembrando o lançamento para que uma parte prossiga no julgamento e outra se submeta ao parcelamento de que trata a Lei 11.941, de 2009. Às fls. 1112, por email, o fiscal que atendeu a solicitação de diligência formulada pela DRJ, requreu a juntada aos autos de informação fiscal complementar àquela que já havia apresentado em oportunidade anterior, da qual apenas reforçou alguns dos argumentos para a desconsideração da impugnação da recorrente, apresentando, agora o RL – Relatório de Lançamentos e comparativo da multa objeto de cobrança. A informação fiscal complementar foi devidamente cientificada a autuada e as demais empresas consideradas como solidárias ao lançamento, as quais, em suma, impugnaram o Auto original e informações complementar, sob os seguintes argumentos: a) Vícios de nulidade; b) Decadência parcial; e c)Não incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de Vale Transporte, Previdência Complementar Privada e Participação nos Lucros e Resultados. Da análise dos argumentos constantes nas impugnações, em contrapartida com o relatório fiscal e resultados de diligência formulados, a DRJ entendeu por anular integralmente o lançamento, o fazendo pelos seguintes motivos: 1. No que se refere ao lançamento da rubrica previdência privada, entendeu que o beneficio estava disponível a todos os empregados e dirigentes, motivo pelo qual foram excluídos do lançamento os levantamentos: PP2 – PREVID PRIVADA COMERCIO(competências: 11/2004, 12/2004, 01/2005, 05/2005, 07/2005; 12/2005; 12/2006; 02/2007 e 03/2007) e Z12 – TRANSF DO LEV PP – ATE 11/08 (competências: 08/2004, 02/2006, 10/2006; 11/2006 e 01/2007) 2. Quanto aos demais levantamentos, entendeu que a fiscalização, mesmo instada a corrigir o lançamento original, pecou em demonstrar a efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições lançadas e sanar as irregularidades apontadas quando solicitada a diligência através da resolução 3.101 de 10/12/2010. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 O julgamento restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007 LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O contribuinte e as demais empresas tidas como responsáveis solidárias foram intimadas do resultado do julgamento, sendo que nenhuma delas interpôs recurso voluntário ou contrarrazões ao recurso de ofício. É o relatório. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10830.015777/200904 Acórdão n.º 2401003.460 S2C4T1 Fl. 2.527 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tendo em vista que o contribuinte foi exonerado pelo julgamento da DRJ de crédito tributário no valor de R$ 149.167,58 (cento e quarenta e nove mil, cento e sessenta e sete reais e cinqüenta e oito), apesar de ter sido interposto recurso de ofício, entendo presentes os requisitos da portaria MF 03/2008 não foram cumpridos. Por tais motivos, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10247.000101/2006-45
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO
Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo.
FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS
Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa.
EXTRAÇÃO
Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas.
FRETES E COMBUSTÍVEIS
Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito.
PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL.
O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização.
SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL
Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo.
CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3102-01.141
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril.
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DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computálos como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporamse ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. Fl. 561DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000101/200645 Acórdão n.º 310201.141 S3C1T2 Fl. 525 3 PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Fl. 562DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 O presente processo trata sobre pedido de ressarcimento de Pis/Pasep no valor de R$ 780.057,39, conforme fls. 01/04, referente ao 2° trimestre de 2006. 2. Ao analisar tal pretensão, a Delegacia de origem, no uso de sua competência regulamentar, proferiu despacho decisório (fls. 183/197), no qual deferiu parcialmente o pleito do contribuinte. 3. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 226/240), com o seguinte conteúdo resumido: (a) A glosa parcial dos créditos é absolutamente dessarrazoada, não só em virtude de interpretação sistemática das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, como também pelo dispositivo contido no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, que elimina toda e qualquer dúvida sobre o princípio da não cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição em tela. (b) Apresentou síntese do processo produtivo. (c) Ressaltese que o contribuinte, ao contrário de outras do setor de celulose, em virtude de necessidades específicas e de estratégias de mercado, utiliza para sua produção matériasprimas produzidas por ela própria, eliminando assim uma etapa da cadeiá` básica do seu setor. (d) Ocorre que, por isso, incorre em despesas de elevada monta para a sua manutenção, que se consubstanciam inegavelmente em insumos imprescindíveis à sua atividade agroindustrial de fabricação de celulose. (e) Assim, entende que os custos advindos do emprego de bens e serviços na sua atividade florestal enquadramse claramente no conceito de insumos para a produção de celulose comercializada pelo contribuinte, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da contribuição social em comento. (f) Caso a madeira fosse adquirida de terceiros, pela posição adotada no despacho decisório, não teria havido questionamento e o "beneficio fiscal" seria admissivel. (g) Tal diferenciação não se encontra presente nas disposições contidas nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 e violam os princípios da igualdade e da nãocumulatividade. (h) O fato de ter uma cadeia de produção maior que a maioria das demais empresas não possibilita a oneração de sua produção, mediante a tributação majorada de seu faturamento. (i) A decisão ora impugnada desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito da contribuição calculado sobre serviços de transporte, tais como a contratação do frete relacionada à comercialização da produção da pasta de celulose, bem como a prestação de serviços contratados para a manutenção de seu parque fabril. Fl. 563DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000101/200645 Acórdão n.º 310201.141 S3C1T2 Fl. 526 5 (j) A DISIT da 2 Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal já se posicionou em favor do creditamento do frete na operação de venda, consoante Solução de Consulta n° 01, de 13/01/2004. (k) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril, fica claro que sem a realização de tal manutenção, as atividades relacionadas à produção de celulose ficam seriamene prejudicadas. (1) À medida que os serviços de manutenção são essenciais à atividade de produção realizada pela defendente, possuindo assim estrita relação com o processo produtivo da pasta de celulose, os créditos apurados da contribuição social sobre os respectivos custos incorridos devem também ser reconhecidos. (m) A nãoaplicação da taxa Selic sobre os créditos da defendente anula o princípio da isonomia previsto no caput do artigo 5° da Carta Magna. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. É vedada, em dado processo administrativo, a extensão dos efeitos de outras decisões, por não se constituírem em normas complementares do Direito Tributário. Isso porque, foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribua eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pela Lei n° 11.196/2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS DO VENDEDOR. Fl. 564DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Do valor apurado da contribuição para a Cofins ou o PIS/Pasep, poderá, a partir de 10 de fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica domiciliada no País. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO.Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Solicitação Indeferida Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1 Preliminarmente Demarcação do Litígio Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. Não há questão preliminar a ser enfrentada. No mérito, a discussão limitase à possibilidade de apuração de créditos quando das seguintes despesas: a) produtos e serviços empregados na pesquisa, plantio, manutenção e extração de florestas; b) fretes e movimentação de insumos; c) combustível empregado na frota; d) aquisições de partes e peças com vida útil inferior a um ano, empregadas em máquinas incorporadas à linha de produção; e) outros produtos e serviços empregados na manutenção do parque fabril. Pleiteiase, ainda a correção dos créditos mediante a aplicação da taxa Selic, a partir da apresentação de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 2 Mérito 2.1 Regime Probatório Antes de passar à análise do mérito, entendo que é importante registrar a opinião deste relator no sentido de que a nãocumulatividade, diferentemente do que se tem corriqueiramente alegado, não representa um benefício. Fl. 565DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000101/200645 Acórdão n.º 310201.141 S3C1T2 Fl. 527 7 Entretanto, independentemente da aplicabilidade dos comandos do CTN afetos à hermenêutica dos dispositivos legais, no caso o art. 1111 ou à repartição do ônus da prova, no caso o art. 1792, não se pode olvidar que a apuração de créditos é um redutor do imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente. Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim sendo, não vejo como atribuir exclusivamente ao fisco o dever de buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver, o dever de trazer ao processo os elementos que respaldem seu pleito. 2.2 Conceito de Insumo Outro ponto que merece ser demarcado preambularmente é a opinião deste relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 3 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 566DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente, entendo que esse conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico, no caso do PIS e da Cofins, o da pertinência (ou inerência, se tomado o conceito doutrinário fixado no parecer juntado aos autos). Com efeito, a tributação pelo IPI, tem como fato gerador, regra geral, a saída do produto industrializado. Nada mais coerente, portanto, do que avaliar a qualificação do dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto. Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos litigiosos5 e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetida pelo que lhe sucedeu: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, quanto do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Por outro lado, quando se trata das contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o universo dos dispêndios classificáveis como insumo, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) 5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 Fl. 567DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000101/200645 Acórdão n.º 310201.141 S3C1T2 Fl. 528 9 Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a relação do bem com o processo produtivo não seria medida exclusivamente em razão do produto, mas daquele processo. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica, nem muito menos estender, por analogia, os conceitos fixados pela legislação que rege a apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999. Com efeito, tal e qual se verifica com relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, tratase de fato gerador diverso (auferir lucro) e de base de cálculo formada sob uma sistemática igualmente diversa. Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo. Outro ponto sobre o qual não posso deixar de me manifestar é a interpretação fixada nos acórdãos trazidos ao processo. Mesmo reconhecendo a excelência do colegiado responsável, peço vênia para discordar da exegese assentada em tais acórdãos, pois entendo que o § 3º do art. 5º da Lei nº 10.833, de 20036 não autoriza a apuração de créditos a partir de todo e qualquer dispêndio vinculado à receita de exportação. Confirase, preambularmente, a redação do dispositivo: § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Em uma leitura isolada, poderseia concluir que o comando ampliou o rol de despesas passíveis de gerar direito a crédito: ao invés de limitálos aos bens e serviços empregados no processo produtivo, passara a admitir que toda e qualquer despesa vinculada à exportação conferisse tal direito. Ocorre que, a meu ver, esse parágrafo não pode interpretado sem a leitura demais parágrafos do mesmo art. 5º, em especial do 1º e do 2º, assim redigidos (original não destacado): 6 Igualmente aplicável ao cálculo do PIS/Pasep por força do comando inserido no art. 15 da mesma lei. Fl. 568DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Como é possível concluir, a apuração dos créditos aptos a usufruir do tratamento diferenciado conferido a empresas exportadoras, diferentemente do que se cogitou, deve ser realizada segundo os moldes do art. 3º da mesma Lei nº 10.833, de 2003, observando se, consequentemente, o critério fixado no já transcrito inciso II desse mesmo artigo. Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas. 2.3 Pesquisa, Plantio e Manutenção de Florestas Com a devida licença, penso que não há como reconhecer os gastos em questão como custo ou despesa, para efeito de cálculo do crédito do PIS e da Cofins não cumulativos. De fato, apesar de não concordar com a premissa de que os gastos na formação e manutenção de floresta estejam dissociados ao processo produtivo, não vejo como considerar esses gastos como despesa ou custo, na medida em que os mesmos se incorporam ao valor daquelas florestas, contabilmente classificadas no ativo imobilizado, nos termos do art. 183, V da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) Fl. 569DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000101/200645 Acórdão n.º 310201.141 S3C1T2 Fl. 529 11 V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; Por outro lado, o § 2º, “c”, do mesmo art. 183 deixa claro que os valores investidos em tal ativo devem ser alvo de exaustão, na medida em que o bem seja explorado (original não destacado): § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Ora, se representam um bem do ativo imobilizado, o valor da sua aquisição ou produção jamais será computado como despesa ou custo. Relembro o comando do no §1º, III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Ou seja, tratandose de floresta, o custo a ser considerado é o valor da exaustão, calculada sobre o valor contábil do bem. Destaco, ainda, que eventual resistência do Fisco em admitir que se apurem créditos de PIS e Cofins a partir de tais custos, matéria estranha ao presente litígio, esclareça se, a meu ver, não desvirtua a natureza desses gastos. Ou seja, dispêndios que agreguem valor a determinado bem do ativo imobilizado, salvo expressa disposição legal em contrário, não representam um custo, mais um investimento, independentemente do tratamento tributário que posteriormente vier a ser conferido ao desgaste do bem. 2.4 Serviços Atrelados à Extração de Florestas Com base no que já foi debatido anteriormente, não vejo como rejeitar os créditos relativos aos serviços de corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira. Com efeito, tratandose de serviços atrelados aos produtos que servirão de matériaprima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável. Satisfeita tal condição, consequentemente, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por outro lado, a norma não dá margem para desconsiderar os gastos incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma leitura isolada do dispositivo para concluir que se admitem créditos inerentes a insumos utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização. Ademais, no que se refere aos gastos com o transporte de insumos, a Solução de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O. U: de 07/07/2009 (original não destacado): Fl. 570DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Geram direito a créditos da Cofins apurada em regime não cumulativo os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços, os dispêndios com a energia elétrica consumida estabelecimentos da pessoa jurídica, os dispêndios com armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago na aquisição de insumos. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, também enseja apuração de créditos da Cofins. Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto, baldeio, taçamento mecanizado, transporte rodoviário, desdobramento, desgalhamento, manuseio, carga e descarga da madeira. 2.5 Combustível Empregado na Frota Própria. Na esteira do que exposto quando da análise do conceito de insumo, após compulsar os autos, em especial as planilhas onde são descritas as despesas com a aquisição de combustível, vêse que aquelas que se referem ao processo produtivo (óleo tipo BPF e para a Casa de Força), já foram aceitas pela Autoridade de Jurisdição. Restaria enfrentar, assim, a possibilidade de se apurar créditos quando da aquisição de combustíveis para a frota de veículos da recorrente. Como destacado anteriormente, os custos relativos à movimentação dos produtos em elaboração, que englobam, evidentemente, os combustíveis empregados na frota do contribuinte, em princípio, inseremse no rol dos insumos capazes de gerar crédito. Em sentido diverso, tal tratamento não se estende aos combustíveis empregados em atividade diversa, como, por exemplo, o transporte de empregados ou de produtos industrializados entre estabelecimentos. Justamente em razão desse tratamento diferenciado em razão do emprego é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o uso dado ao combustível. Assim, na medida em que não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor incorrido ou o quantitativo empregado como insumo e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade, não vejo como reconhecer os créditos atrelados à aquisição de combustíveis para a frota. 2.6 Partes e Peças Como é possível extrair do despacho decisório, mais especificamente no trecho à fl. 191, a autoridade de jurisdição acatou expressamente os créditos atrelados a bens que considerou possuir vida útil inferior a um ano. Confirase: Porém, foram consideradas, para cálculo de crédito, as partes de equipamento que têm contato direto com o produto, cujo tempo de vida seja inferior a um ano, com base no Parecer Normativo CST n° 02, de 15/02/84, e Art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000/99). Encaixa se nesta situação o feltro, o carimbo rotativo, a contra faca e a faca para o picador. Fl. 571DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000101/200645 Acórdão n.º 310201.141 S3C1T2 Fl. 530 13 Mais adiante, esclarece a autoridade de jurisdição que, em face dos argumentos já expendidos quando da análise dos gastos na manutenção de florestas, foram glosados os créditos decorrentes das aquisições de partes de máquinas que julgou possuir vida útil superior a um ano. Com efeito, conforme já mencionado, penso que, em se tratando de dispêndios classificáveis no ativo permanente, o valor do crédito deverá ser calculado proporcionalmente ao montante depreciado. Até certo ponto corroborando com essa linha de argumentação, postula o sujeito passivo o reconhecimento do direito ao crédito com base na alegação de que, diferentemente do que concluíra o Fisco, os bens alvo de glosa possuiriam vida útil inferior a um ano. No intuito de demonstrar tal fato, aduz que os gastos correspondentes não foram contabilizados no ativo permanente. Ocorre que, diferentemente do que se verificou em outros recursos do mesmo contribuinte, onde foi acostada ao processo declaração do fornecedor, não foi juntado ao presente processo qualquer elemento adicional capaz de demonstrar qual seria a vida útil dos bens. Conforme me manifestei em outras oportunidades, não vejo como considerar que, isoladamente, a classificação contábil dos gastos seja meio de prova das alegações da Recorrente. Para cumprir tal desiderato a contabilização deveria estar amparada em elementos capazes de demonstrar a sua higidez. Quanto a esse aspecto, relembrese o que dispõe o art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Ante ao exposto, mantenho as glosas. 2.7 Manutenção do Parque Fabril Com a devida vênia, não vejo como considerar que a manutenção do parque fabril, independentemente da sua relevância para o exercício da atividade econômica, possa se inserir no conceito de insumo, para efeito de cálculo da contribuição alvo de discussão. Mais uma vez, há que se relembrar a delimitação imposta pelo inciso II do art. 3º: o crédito se limita aos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos. Assim, na esteira do que já foi abordado anteriormente, não vejo como considerar as despesas com manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, Fl. 572DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo indireto. 2.8 Taxa Selic. Busca a contribuinte, finalmente, a correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido objeto do presente litígio, onde é pleiteado, relembrese, o ressarcimento do saldo credor remanescente àquele utilizado nos termos do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Com efeito, o § 2º do mesmo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, prevê expressamente tal possibilidade: § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ocorre que, em pese a alegada violação aos princípios constitucionais expostos com maestria no parecer acostado ao processo, não vejo como, em nome de tais princípios, reconhecer a correção pleiteada. Para tanto, seria necessário afastar a proibição expressa gizada no art. 13 da mesma Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê (original não destacado): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não vejo, outrossim, como aplicar no presente julgamento a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com efeito, como é cediço, por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais7, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de Fl. 573DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000101/200645 Acórdão n.º 310201.141 S3C1T2 Fl. 531 15 Entretanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.779, de 1999, diploma que, sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência. Assim sendo, tratandose de arcabouço jurídico diverso, não vejo como reproduzir as conclusões daquela egrégia corte. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração Sala das Sessões, em 9 de agosto de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 574DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10530.004137/2007-83
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial no 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543-C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno do referido Conselho.
MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES FALSAS. CONDUTA REITERADA DO SUJEITO PASSIVO..
A ocorrência da conduta reiterada do sujeito passivo, aliada à enorme discrepância entre os valores escriturados e os declarados, autorizam concluir que não se trata de mero erro material, e sim da vontade livre e consciente da contribuinte em fraudar o erário público, devendo ser aplicada a multa qualificada, estabelecida no art. 44, II, da Lei n° 9,430/96.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3801-001.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I- por maioria dos votos, em não sobrestar o processo. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator); II- Por maioria dos voto, no mérito, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, que excluíram a multa qualificada. Designou-se o Conselheiro Marcos Antônio Borges para elaborar o voto vencedor referente ao não sobrestamento do processo. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fez declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial no 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno do referido Conselho. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES FALSAS. CONDUTA REITERADA DO SUJEITO PASSIVO.. A ocorrência da conduta reiterada do sujeito passivo, aliada à enorme discrepância entre os valores escriturados e os declarados, autorizam concluir que não se trata de mero erro material, e sim da vontade livre e consciente da contribuinte em fraudar o erário público, devendo ser aplicada a multa qualificada, estabelecida no art. 44, II, da Lei n° 9,430/96. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 41 37 /2 00 7- 83 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 211 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I por maioria dos votos, em não sobrestar o processo. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator); II Por maioria dos voto, no mérito, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, que excluíram a multa qualificada. Designouse o Conselheiro Marcos Antônio Borges para elaborar o voto vencedor referente ao não sobrestamento do processo. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 212 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Salvador (BA), fls. 143146 que transcrevo a seguir: “Tratase de Auto de Infração (fls. 05/11) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, relativa aos períodos de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2005. Em face da edição da Portaria SRF n° 6.129, de 02 de dezembro de 2005, o presente processo também pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (Auto de Infração fls. 12/18), pertinente aos mesmos períodos de apuração de 2005. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 19/23), anexo aos Autos de Infração, o autuante descreve os passos do procedimento fiscal, expondo as diferenças que encontrou entre os valores escriturados pela empresa e declarados ao fisco estadual, contra os valores declarados ao fisco federal. 0 auditorfiscal explica ainda que qualificou a multa de oficio por entender que as diferenças, da forma como se deram, não poderiam ser interpretadas como um simples "erro escusável", e que estavam presentes pressupostos suficientes para o enquadramento da multa de oficio qualificada.” A Delegacia de Julgamento em Salvador (BA) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: Contribuição para o Financimento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FALTA DE RECOLHIMENTO . Constatado no procedimento fiscal que o contribuinte deixou de recolher, parcial ou integralmente, a Cofins, é de se efetuar, por ato próprio da Administração Fiscal, o lançamento das diferenças apuradas. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Verificada pelo agente fiscal que a contribuinte incorreu em uma omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 213 4 gerador da obrigação tributária principal, é obrigatória a aplicação da penalidade qualificada, nos termos da lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 148 165. Em suas razões: Inicialmente, alega inexistência de sonegação “posto que a Impugnante encontrase plenamente regular em toda a sua contabilidade e procedeu corretamente ao declarar o mencionado tributo, não manifestando em momento algum qualquer indicio de dolo ou culpa que pudesse dar margem à sua conduta ser enquadrada' enquanto sonegação”. Argumenta que “inexistindo a intenção ou sua efetiva comprovação, não se pode falar em sonegação e em multa de 150%, pois o elemento subjetivo (dolo) integra o tipo de conduta prevista na norma que impõe tal exigência”. Refere a “incidência do PIS e da COFINS sobre o valor bruto da fatura, e não sobre a diferença entre o valor da fatura emitida pelo contribuinte abatidas as parcelas que não compõem recursos próprios das empresas, infringe o principio constitucional da capacidade contributiva, segundo o qual a hipótese de incidência do tributo deve descrever fatos que façam presumir ' que quem os pratica, ou por eles é alcançado, possui capacidade econômica para contribuir, sob pena de se tratar de tributo com caráter confiscatório”. Alega que “atualização dos débitos mediante a Taxa Selic revelase violando frontalmente o principio da legalidade”. Requer “que haja a reforma da decisão de 1 a instancia, julgando totalmente procedente o presente recurso voluntário, anulando de pleno direito o Auto de Infração, tendo em vista as razões de fato e de direito acima suscitadas”. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 214 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminarmente entendo que a questão versa sobre matéria pendente de decisão no regime decorrente de repercussão geral sobre a possibilidade de exclusão do ICMS da base de calculo do PIS e da COFINS. Inicio a análise de mérito da questão, com força de mera declaração de voto, visto que entendo estar prejudicada a matéria em face de meu entendimento quanto a aplicação do regime de sobrestamento. Dos termos relatados, o contribuinte apresenta em seu recurso as seguintes questões: (i) inaplicabilidade da multa imposta; (ii) exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e (iii) ilegalidade da Taxa Selic. Inicialmente, cremos que não assiste razão ao contribuinte dado que os autos demonstram existir omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Desse modo, é obrigatória a aplicação da penalidade qualificada, nos termos da lei. Não basta ao caso a mera a manutenção de escrita fiscal por parte do contribuinte, se este exclui ao conhecimento da administração tributária a divergência entre as informações prestadas e a escrita fiscal. A determinação de multa qualificada é procedimento grave que exige a demonstração de prática reiterada e grave, o que se depreende da leitura dos autos. Assiste razão ao fisco que na presença de inconformidade do contribuinte, deve este recorrer aos mecanismos de questionamento administrativo: consulta, impugnação ou manifestações de inconformidade, bem como o recurso ao Poder Judiciário para se insurgir contra norma fiscal. Não cabe a este proceder o lançamento administrativo como se não existissem normas, orientações fiscais e mesmo judiciais sobre o assunto. Por último, tornase inviável a impossibilidade do questionamento administrativo da Selic encontrase pacificado no CARF, visto se tratar de matéria constitucional, cuja análise é vedada. No mesmo sentido: Número do Processo 10280.005558/200800 Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 215 6 acordo com precedentes já definidos pela Súmula no 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009. INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula n. 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. Entendo, por aplicar o sobrestamento ao presente processo nos termos da Portaria n. 001/2012, conforme seu art. 2°, §2°. É meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 216 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação ao sobrestamento do presente processo. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852 MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, não há que se falar em sobrestamento dos autos tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria. Isto posto, no mérito, entendo que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento, esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 217 8 importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. O julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Em relação à multa qualificada acompanho o entendimento do Relator pela sua manutenção. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 218 9 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, voto pelo não sobrestamento dos autos e, no mérito, por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 219 10 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Ouso discordar do ilustre relator quanto à aplicação de multa qualificada. A aplicação de multa qualificada necessita mais que mera presunção, sendo obrigatória para a qualificação a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Inclusive esse é o entendimento expresso na súmula n.º 14 desse Conselho, a saber: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A fraude é um artifício que, em direito tributário, busca afastar o débito. O artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, definiu a fraude, sob a ótica tributária, do seguinte modo: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O artigo 44 da Lei n.º 9.430/1996 referiuse diretamente aos artigos 72, 732 e 743 da Lei 4.502/1964, para fins de determinação da multa agravada, tanto na redação original4, quanto na sua alteração promovida pela Lei n.º 11.488/20075. 2 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 3 Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. § 2º Se a pena cominada fôr a de perda da mercadoria ou de multa proporcional ao valor do impôsto ou do produto a que se referirem as infrações, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. § 3º Quando se tratar de infração continuada, em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações, serão êles reunidos em um só processo, para imposição da pena. § 4º Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado. 4 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 220 11 Fraude no sentido da lei é ato que busca ocultar algo para que possa o contribuinte furtarse do cumprimento da obrigação tributária. Ao contrário do dolo que busca induzir terceiro a praticar algo, a fraude é ato próprio do contribuinte que serve para lograr o fisco. Apesar disso, o artigo 72, supra citado, utilizouse do conceito de dolo para a definição de fraude. Nesse sentido esclareceu que o “dolo” referido é o dolo penal, não o civil, porque o segundo ocorre sempre com a participação da parte prejudicada. Fraude é, portanto, uma conduta ilícita e intencional através do qual o agente, de máfé, afeta a ocorrência do fato imponível através de uma conduta que busca alterar o valor devido, ou simplesmente ocultálo. Para o Alberto Xavier6, a figura da fraude exige três requisitos. O um, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o dois, o caráter doloso da conduta com intenção de resultado contrário ao Direito; e, o três, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco. A redação original do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 expressava que a multa majorada seria aplicada nos casos de evidente intuito de fraude. Essa redação se modificou após tendo sido excluída a expressão. O entendimento do CARF, nesse sentido, é de que é imperioso encontrarse evidenciado nos autos o intuito de fraude. Nesse caso, devese ter como princípio o brocado de direito que prevê que “fraude não de presume”, “se prova”. Ou seja, há que se ter provas sobre o evidente intuito de fraude praticado pela empresa. Não é razoável se querer, simplesmente, presumir a ocorrência de fraude. Vejamos trecho do acórdão paradigma da Súmula 14 (10194.351), supra citada, sobre o assunto: Para que fosse provada a intenção de fraudar o fisco, seria necessário, antes de tudo, provar que os depósitos bancários são de fato, receitas omitidas. Pois, antes disso, a simples existência de depósitos bancários não escriturados tratamse de simples indício de omissão de receitas. A norma legal estabelece que, no caso da existência de indício de omissão de receitas pela falta de escrituração de depósitos bancários, presumese omissão de receitas, sendo possível o lançamento do tributo. Essa presunção tem respaldo na lei, porém, não se pode provar, por via indireta, o evidente intuito de fraude. Essa prova tem de ser direta, como se pode dar por exemplo, o caso da utilização de documentos inidôneos, ou notas fiscais frias, ou mesmo notas calçadas, ou ainda, contacorrente bancária em nome de II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 6 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva, Ed. Dialética, São Paulo, p. 78. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 221 12 interposta pessoa, entre tantos outros. Nessas situações, não existe a necessidade de outro prova da intenção de sonegar, pois a comprovação se dá pela ocorrência do fato irregular e pela utilização dos citados documentos, os quais já fazem a prova necessária da fraude. Ou ainda, como apontado no acórdão 10419.384, também paradigma da presente súmula: O fato de alguém pessoa jurídica não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado de plano com evidente intuito de fraudar ou sonegara imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um rendimento e simplesmente não declarálo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar? Claro que não. Ora, se nesta circunstância, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar. É evidente que o caso, em questão, é semelhante, já que a presunção legal que o recorrente recebeu um rendimento e deixou de declarálo. Sendo irrelevante, o caso de que somente o fez em virtude da presença da fiscalização. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos. Por que não se pode reconhecer na simples omissão, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples, tal como acontece no presente processo. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, já que nos documentos acostados aos autos inexistem as fraudes. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Enfim, não há no caso a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto, ainda que exista a prova da omissão de receita. Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancada, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de oficio normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relative ganho de capital, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado, etc. Já ficou decidido por este Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Continua o referido acórdão mais adiante: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 222 13 Quando a lei se reporta a evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir. No caso em julgamento a ação que levou a autoridade lançadora a entender ter o recorrente agido com fraude está apoiado, equivocadamente, no fato do contribuinte não ter justificado adequadamente os valores que transitaram em sua conta corrente, entendendo que houve declaração falsa, bem como omissão de informações. Ora, o evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Nesse sentido é importante esclarecer que todos os acórdãos paradigmas são de 2003 e 2004. A questão que subsiste é se após a alteração da Lei nº 9.430/1996 pela Lei nº 11.488/2007, quando a expressão evidente intuito de fraude foi retirada, se subsiste a necessidade de comprovação do intuito de fraudar. No nosso entender a resposta é sim, continua a obrigação de comprovar o intuito de fraude. Conforme apontado o dolo constante do artigo 74 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 é o dolo penal. Conforme o artigo 18 do Código Penal, crime doloso é ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, assim, o dispositivo legal está conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira, isto é, para que o crime se configure, o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Assim, a responsabilidade pessoal do agente deve ser demonstrada. É nesse sentido, ainda, a determinação do inciso VII do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Ele é assim expresso (os destaques são nossos): Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10530.004137/200783 Acórdão n.º 3801001.817 S3TE01 Fl. 223 14 VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; O § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional também se expressa nesse sentido, a saber (destacamos novamente): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, mesmo após a alteração da redação da norma subsiste a disposição sumulada. Por isso tenho que mesmo a reiterada conduta da contribuinte não permite a aplicação da multa qualificada e é nisso que divirjo para excluir a multa qualificada. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOS O DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente e m 05/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004854/2008-49
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2004
ENTIDADE BENEFICENTE. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPEDIMENTO PARA GOZO DA ISENÇÃO.
Não são impeditivos para gozo de isenção os débitos do sujeito passivo para com a Seguridade Social que estejam com a exigibilidade suspensa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2004 ENTIDADE BENEFICENTE. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPEDIMENTO PARA GOZO DA ISENÇÃO. Não são impeditivos para gozo de isenção os débitos do sujeito passivo para com a Seguridade Social que estejam com a exigibilidade suspensa. Recurso Voluntário Provido.
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EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPEDIMENTO PARA GOZO DA ISENÇÃO. Não são impeditivos para gozo de isenção os débitos do sujeito passivo para com a Seguridade Social que estejam com a exigibilidade suspensa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 48 54 /2 00 8- 49 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 09 23.931 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Juiz de Fora (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.168.1537. A lavratura foi efetuada para exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos (terceiros). De acordo com o relatório fiscal, fls. 11/14, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas a segurados empregados a título de ajuda de custo e não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, as quais foram discriminadas nas planilhas de fls. 14/84 do processo n.º 10640.004852/200849. Afirmase que a entidade, por estar em débito com a Seguridade Social, teve o seu pedido de reconhecimento de isenção da cota patronal, protocolizado sob o n.º 37005.002094/200453, em 15/06/2004, indeferido pelo INSS. A decisão de primeira instância, fls. 160/174, consignou que a entidade não teve o seu direito à isenção reconhecido pela administração tributária, em razão da existência de débitos para com a Seguridade Social, portanto, seria procedente o lançamento. Depois, o órgão recorrido afirmou que não há previsão de exclusão da base de cálculo da ajuda de custo prevista em convenção coletiva de trabalho. Inconformada, a entidade interpôs recurso (fls. 175/215), no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o recurso é tempestivo; b) o seu pedido de renovação de isenção foi automaticamente deferido por força do art. 39 da Medida Provisória — MP n. 446/2008, plenamente aplicável ao caso em tela; c) o seu recurso contra o indeferimento do pedido de isenção pela SRP possui efeito suspensivo e encontrase pendente de julgamento; d) os débitos consubstanciados pelas NFLDs n° 35.584.1843, 35.584.2335, 35.584.2327 e AI n° 35.584.2343, todos eles encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso V do Código Tributário Nacional, por força da antecipação de tutela deferida nos autos do processo n° 2005.38.010042256; e) a recorrente, sendo entidade beneficente de assistência social, é imune quanto ao recolhimento das contribuições exigidas, portanto, não poderia ter o seu direito tolhido por normas infraconstitucionais; f) a única norma vigente que estabelece limites A imunidade é o Código Tributário Nacional, eis que recepcionado pela Constituição de 1988 como Lei Complementar; Fl. 390DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10640.004854/200849 Acórdão n.º 2401003.092 S2C4T1 Fl. 256 3 g) a ajuda de custo prevista em Convenção Coletiva de Trabalho é insusceptível de incidência de contribuições, posto que é verba de cunho indenizatório; h) a multa aplicada possui caráter confiscatório; i) é inconstitucional a aplicação da taxa de juros SELIC para fins tributários; Ao final, pede o cancelamento do AI ou a exclusão dos acréscimos de juros e multa aplicados. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Pedido de Reconhecimento de Isenção A administração tributária, nos autos do processo administrativo n.º 37005.002094/200453, reconheceu que o único empecilho para reconhecimento da isenção da entidade recorrente era a existência de débitos para com a Seguridade Social e que estes teriam sido declarados inexigíveis por decisão judicial exarada pelo TRF – 1.ª Região, quando julgou a apelação do INSS no processo 2005.38.010042256. Assim é de se reconhecer a condição de isenta da autuada, a partir da data de apresentação do requerimento de isenção. Observese também que o único motivo que levou o fisco a autuar a entidade foi o indeferimento do pedido de isenção, formulado mediante o processo acima mencionado. Nos termos do “caput” do art. 44 do Decreto n.° 7.237/2010, os pedidos de reconhecimento de isenção devem ser reavaliados, analisandose o cumprimento dos requisitos da isenção conforme a legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores. É o que se vê do dispositivo transcrito: Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Todavia, o parágrafo único do mesmo artigo prevê que, se for constatado que a entidade cumpria os requisitos para isenção, esta deverá ser reconhecida somente a partir da data do protocolo do pedido. O dispositivo foi assim redigido Parágrafo único. Verificado o direito a isenção, certificar seá o direito a restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei n.º 12.101, de 2009. Constatandose que o motivo do indeferimento do pedido de isenção inexiste, posto que não há débitos exigíveis em nome da autuada, devese considerar a recorrente como isenta desde 15/06/2004 (data do protocolo do pedido de isenção), sendo improcedentes as contribuições para todo o período lançado (08 a 11/2004). Fl. 392DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10640.004854/200849 Acórdão n.º 2401003.092 S2C4T1 Fl. 257 5 Conclusão Voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 393DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000556/87-93
Data da sessão: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - CORREÇÃO MONETÁRIA - BAIXA DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO VALOR DE PATRIMONIO
LIQUIDO.
Os valores registrados em conta de investimento, baixados
no curso do exercício social, deverão ser corrigidos
monetariamente segundo a variação de uma ORTN,
ocorrida entre o mês do último balanço corrigido e o
mês em que a baixa for efetuada (art. 18 do Decreto-
-lei n9 2.065/83).
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - ALIENAÇÃO DE BEM
DO ATIVO POR VALOR NOTORIAMENTE ,INFERIOR AO DE MERCADO
A PESSOA LIGADA.
Caracteriza-se como distribuição disfarçada de lucros
a alienação de bem do ativo, a pessoa ligada, por valor
notoriamente inferior ao de mercado. Inclui-seres
te caso a alienação de participação societária, caraE
terizada como investimento relevante em sociedade coligada,
ao sócio majoritário que seja presidente de
ambas as empresas, guando o preço de venda for nobmia
mente inferior ao valor do patrimônio líquido da coli
gada, apresentado em balanço levantado na mesma data
da venda.
Numero da decisão: 103-08.470
Decisão: ACORDAM Os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio da Silva Cabral
1.0 = *:*
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ementa_s : IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - CORREÇÃO MONETÁRIA - BAIXA DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO VALOR DE PATRIMONIO LIQUIDO. Os valores registrados em conta de investimento, baixados no curso do exercício social, deverão ser corrigidos monetariamente segundo a variação de uma ORTN, ocorrida entre o mês do último balanço corrigido e o mês em que a baixa for efetuada (art. 18 do Decreto- -lei n9 2.065/83). DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - ALIENAÇÃO DE BEM DO ATIVO POR VALOR NOTORIAMENTE ,INFERIOR AO DE MERCADO A PESSOA LIGADA. Caracteriza-se como distribuição disfarçada de lucros a alienação de bem do ativo, a pessoa ligada, por valor notoriamente inferior ao de mercado. Inclui-seres te caso a alienação de participação societária, caraE terizada como investimento relevante em sociedade coligada, ao sócio majoritário que seja presidente de ambas as empresas, guando o preço de venda for nobmia mente inferior ao valor do patrimônio líquido da coli gada, apresentado em balanço levantado na mesma data da venda.
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Recorrida: SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL DA 3 REGIÃO FISCAL IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - CORREÇÃO MONETÁRIA - BAI XA DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO VALOR DE PATRIMONIO LIQUIDO. Os valores registrados em conta de investimento, bai- xados no curso do exercício social, deverão ser cor- rigidos monetariamente segundo a variação de uma ORTN, ocorrida entre o mês do último balanço corrigido e o mês em que a baixa for efetuada (art. 18 do Decreto- -lei n9 2.065/83). DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - ALIENAÇÃO DE BEM DO ATIVO POR VALOR NOTORIAMENTE ,INFERIOR AO DE MERCA- DO A PESSOA LIGADA. Caracteriza-se como distribuição disfarçada de lucros a alienação de bem do ativo, a pessoa ligada, por va- lor notoriamente inferior ao de mercado. Inclui-seres te caso a alienação de participação societária, caraE terizada como investimento relevante em sociedade co- ligada, ao sócio majoritário que seja presidente de ambas as empresas, guando o preço de venda for nobmia mente inferior ao valor do patrimônio líquido da coli gada, apresentado em balanço levantado na mesma data da venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IGESA - INDÚSTRIAS GERAIS ELISA S.A. ACORDAM Os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con selho de Contri uintes, por unanimidade de votos, em negar provimen- to ao recurso. v.v. • .. i ., Sa . das Sessões-DF, 04 de o de 1988. 17NIODASILVACABRAL - PRE E RELATOR AP' VISTO EM ,UIZ CW.2-PI‘A-4. - PROCURADOR DA FAZENDA NA- SESSÃO DE: O 7JUL1988 CIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS AUGUSTO DE VILHENA, AMAURY JOSE DE AQUINO CARVALHO, LOR- GIO RIBEIRO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES, RICHARD urina-IN= ZER e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. usente por motivo justificado, o Conselheiro DICLER DE ASSUNÇÃO. • 1'4 SERVIÇO POBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 . Recurso n9: 92.414. . Acórdão n9: 103-08.470 Recorrente: IGESA - INDÚSTRIAS GERAIS ELIBA S.A. RELATÓRIO IGESA - INDÚSTRIAS GERAIS ELIBA S/A, empresa sedia- da em Fortaleza, Estado do Ceará, inscrita no C.G.C. sob o número 07.258.858/0001-08, não se conformando com a decisão do Superinten_ _ dente da Receita Federal da 3. Região Fiscal (f is. 182/194), que deu provimento ao recurso de ofício do Delegado da Receita Fede- ral em Fortaleza, para restabelecer a autuação em sua integridade, recorre a este Conselho, para os efeitos do art. 33 do Decreto n9 70.235/72. Contra a empresa foi lavrado o auto de infração de fls. 01/03, nos seguintes termos: "Exercício 1986 - Período Base encerrado em 31.12.85 I - Omissão de Receita de Correção Monetária A empresa deixou de corrigir, no momento da baixa, bem do seu Ativo Permanente - Investimentos- - gerando uma redução indevida no resultado do exer_ cicio. Por se tratar de investimento relevante, con- forme demonstraremos a seguir, e em sociedade coli- gada sobre cuja administração tem influência (Presi ciência comum), a sua avaliação deveria ter sido fel ta pelo valor do Patrimônio Liquido da Investida, como abaixo demonstrado: PL Investida-Eliseu Batista Ro- lim S/A Ind. Com . em 31.12.84 Cr$ 8.832.031.493 % de Participação na data da aplicação 17,63 Valor do Investimento depois da avaliação Cr$ 1.557.087.152 Portanto, o saldo inicial para efeito do calou lo da Correção Monetária, até a data da alienação, passa a ser Cr$ 1.557.087.152, e não o valor de Cr$ 871.694.915 constante do Balanço levantado - em 31.12.84. \\P-- Demonstrativo de Cálculo da Correção Monetária 1 - Saldo Inicial Cr$ 1.557.087.152 .. • . . SERVIÇO PUBLICO FEDERAL . Processo n9 10380/000.556/87-93 2. Acórdão n9 103-08.470 . . 2- Coef. Correção (ORTN maio/85 ..t Dez/84) 1,7280• 3- Valor do Bem Corrigido Cr$2.690.646.598 4- Valor da Correção Monetária Apurada (3-1) Cr$1.133.559.446 5- Exclusão da CM da Reserva, referente ao Resultado do Ajuste pelo 'Método daEqui valência Patrimonial que deveria ser constituída em 31.12.84, cujo cálculo demonstramos abaixo: Cr$ 498.965:548 ( - Parcela do Ajuste (Cr$ 1.557.087.152-CrS-871.694.915)Cr$ 685.392.237 - Coef. Correção 1,7280 - Valor Corrigido Cr$1.184.357.785 - Valor Correção Monetária Cr$ 498.965.548 6- Valor da Corre cá° Monetária aTributar (4 - 5) Cr$ 534.593.898 Demonstrativo da Relevância do Investimento PL Investidora -IGESA - 31.12.84 Cr$1.473.956.161 Valor do Investimento - 31.12.84 Cr$ 871.694.915 %de Representatividade do Investimento no PL Cr$ 59,14 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 347, inc. I, "a" e art. 348 com binados com os arts. 387, inc. II, 676, inc. III e 6787 inc. III, todos do RIR/80 aprovado pelo Dec. 85.450/80. Art. 18 e § 19 do DL 2065/83. II- Distribuição Disfarçada de Lucros Em 20.06.85 a empresa vendeu, a pessoa ligada - Sr. Eliseu Batista Roli -, sua participação societária (inves timento de que trata a infração descrita no item I) na co ligada Eliseu Batista S.A. Ind. e Com., por valor notorii_ mente inferior ao de mercado. Valor da Venda Cr$ 158.200.806 Valor do Investimento (avaliado pelo méto- do da equivalencia Patrimonial e corrigido monetariamente, conforme já demonstrado). Cr$ 2.690.646.598 Diferença entre o valor da venda e o valor •do Investimento Cr$ 2.532.445.792 Caracteriza-se, portanto, uma distribuição disfarça- da de lucros nesse montante - Cr$2.532.445.792 -,tendo em vista a existência de circunstâncias que influenciam de modo relevante na determinação do valor do bem(investimen to avaliado pelo método da equivalência patrimonial), ciF cunstâncias essas, do conhecimento da fiscalizada, atra- vés dos Balanços Patrimoniais e Demonstrações Financeiras da Investida e Investidora, ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 258, inc. II e §§ 19 e 39, art. \& _ :... . SERVIÇO PÚBLICO FEDEM Processo n9 103801000.556/87-93 3. . Acórdão n9 103-08.470 367, inc. I; art. 368, inc. I e §39, combinados com os arts. 387 parágrafo único, "a", 676, inc. III e 678, inc. III. Todos do RIR/80 aprovado pelo Dec. 85.450/80. Art.20 do DL 2065/83. Reconstituição do Lucro Real I - Somatório dos Valores a Tributar Cr$3.167.039.690 II- Prejuízo constante na Declaração Cr$ 1.321.662.212 III-Lucro Real apurado pela Fiscalização Cr$ 1.845.377.478" Na longa impugnação, a empresa iniciou suas razões alegando a demora na fiscalização e a falta de clareza do auto, passando a mencionar o fato de, na ocasião da alienação da parti- cipação acionária em referência, estar passando por sérias difi- culdades. Apresenta-se como fazendo parte do grupo Eliseu Batis - ta, de Orós, cujo "carro-chefe" era a empresa Eliseu Batista S/A Ind. e Com, da qual participava com 17,63% do seu capital social, o que, pelo método de avaliação dos investimentos pela equivalên- cia patrimonial representava contabilmente a importância de Cr$.. 2.690.634.598. Paralelamente ã participação antes referida, a im- pugnante devia ã Eliseu Batista S/A um saldo de transações comer- ciais de Cr$ 158.200.806. Em junho de 1985, o grupo Eliseu Batista, como que vindo ã tona de um grande naufrágio, teve a imperiosa necessidade de se desfazer da ora impugnante. Nenhum comprador aceitou conti- nuar sendo sócio indireto, via IGESA, de Eliseu Batista S.A., o que representaria, se continuasse acionista, permanecer co-respon sável pela situação quase falimentar em que se encontrava a empre sa de Oreis. Foi condição gine qua non para que se viabilizasse a transferência da IGESA que se fizesse o expurgo, na contabilida- de, das ações de Eliseu Batista S.A., bem como da dívida de Cr$ 158.200.806. Na impossibilidade de qualquer outro negócio, as ações foram baixadas em permuta com a divida, ambas transferi- das para o acionista Eliseu Batista Rolim. Reconhece ter dado baixa em ações de uma coligada que se traduziam contabilmente por Cr$ 2.690.646.598, em troca de uma divida de apenas Cr$ 158.200.806, com uma diferença de Cr$ 2.532.445.792. Isto, porém, não leva ã conclusão de ter alie- )k/ , - • . . =viço Muco FEDERAL Processotn9 10380/000,556/87-93 4. Acórdão n9 103-08.470 nado participação societária por valor notoriamente inferior ao de mercado, provocando, como quis o Fisco, distribuição disfarçada de lucros. Há muitas contas que estão escrituradas e que, no entan _ to, nada valem no mercado, como, a titulo de exemplo, a13 obrigações da Eletrobrãs. A legislação não se reporta o valor contábil, mas a preço de mercado, que são coisas diversas. Conforme se acha no § 19 do art. 368 do RIR/80: "§ 19 - Valor de mercado é a importância em dinhei- ro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado." No caso, aplicar-se-ia o disposto no § 49, que pre- vê, na impossibilidade de se saber o valor de mercado e na hipóte- se de a Fazenda discordar do preço de alienação, que o Fisco com - prove o valor de mercado. Apesar de não ser tarefa da impugnante, diz que ten tará provar que o preço de mercado não era equivalente ao valorcon tábil. Inicia seu arrazoado lembrando que no Ceará todos conhecem o antigo grupo Eliseu Batista, de Ores, ao qual pertencia a impug- nante. A partir de 1980, no entanto, no arrastão da conjuntura na- cional o grupo passou a conviver com o estado falimentar. E pergun ta: quanto valem as ações de uma empresa falida? Regra geral valem . menos do que seu valor contábil. Por outro lado, trocar ações pelo débito para o acionista controlador não era vantagem; &D contrário, foi forçada a isto pois o grupo Brasil Oiticica exigia que, para a compra da IGESA, a participação na Eliseu fosse desfeita. Acrescenta que a carta de acionista, desistindo for malmente da compra do referido lote de ações, bem como a carta dos adquirentes da IGESA estipulando que não desejavam adquirir o investimento na Eliseu, e o laudo de avaliação, que junta ao pro- cesso, são provas do alegado. Às fls. 105/108 foi inserida a informação fiscalj manifestando-se a autuante pela manutenção integral da peça que constituiu o lançamento de oficio. . ,___ .. . . . seriçommialimmiut Processo n9 10380/000.556/87-93 5. Acórdão n9 103-08.470 Na decisão singular o Delegado da Receita Federal deu provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a ma _ teria relativa ã distribuição disfarçada de lucros, mantendo a parte referente à falta de correção monetária, que, de resto, nem fora impugnada propriamente. Após mencionar o índice de liquidez geral, o de liquidez corrente, o de liquidez imediata etc., entendeu que a em _ presa estava saindo de um período crítico e, embora tendo apresen tado lucro, continuava inadimplente, eis que: 1. para cada cruzado do passivo, dispunha apenasde 0,43 conforme indica o seu índice de liquidez geral; _ 2. a composição de seu individamento era das mais precárias possíveis, com 93% dos débitos vencendo-se a curto pra- zo; 3. o valor patrimonial da ação estava na faixa de 3,70 cruzados com um lucro líquido por ação de 0,84. A relação,en tretanto, representada por preço/lucro era de 4,35, o que signifi ca dizer que nenhum investidor estaria disposto a tal investimen- to, sendo nulo, portanto, o valor de mercado. Ressaltou, ainda, que o sócio Eliseu Batista Rolim não se locupletou com a transação, mas, ao contrário, obrigou-se a aumentar a sua participação na empresa Eliseu Batista. Quanto ao fato de o patrimônio líquido da investi- da ter aumentado muito, conforme observado na informação fiscal (fls. 106) se deveu, em parte, ã venda da IGESA S/A. Além do mais, os auditores independentes forneceram um laudo no qual avaliaram o preço de mercado das ações em questão por Cr$ 150.000.000. Ao apreciar o recurso de ofício, o Superintenden \Ç te da Receita Federal deu provimento a este para restabelecer a tributação constante do auto de infraçÃo, pelos motivos que passo __ , : SERVIÇOPÚBLICOFE" Processo n9 10380/000,556/87-93 6. Acórdão n9 103-08.470 a resumir: a) o fato de o grupo Eliseu Batista ter atravessado fase de dificuldades não tem repercussão no outro fato de que a IGESA deu baixa em ações de uma coligada por valor muito inferior ao valor contábil. O grupo Eliseu é formado por empresas fechadas e suas ações não são colocadas no mercado, o que, é claro, nãoper mite saber qual o valor que teriam no mercado caso fossem oferta das ao público. Logo, o método de avaliação só pode ser o da equi- valência patrimonial; b) as provas acostadas aos autos pela impugnante são insatisfatórias. O laudo de avaliação (f is. 83/84) referente às ações' negociadas, contém série de argumentos não quantificados nem quantificáveis e está assinado pelo mesmo autor da impugnação. O laudo de avaliação de fls. 121/123, feito por auditores indepen- dentes, ao contrário do laudo inferior, também não merece acolhida, pois simplesmente "acha razoável" avaliar o referido lote de ações por Cr$ 150.000.00, quando o valor de equivalência era de Cr$ .... 2.690.646.598 e a empresa possuía um patrimônio líquido de Cr$ ... 12.081.826.825, e não foi calcado em qualquer justificativa de or- dem técnica mas em meras impressões subjetivas. Acrescenta, ainda, outras criticas sobre esse laudo: - é estranho que, embora datado de 31.05.85, não te nha sido mencionado na impugnação de 01.04.87 e tenha sido anexado aos autos somente após a requisição da Delegacia; - o laudo está redigido em folhas com timbres de MARFE, com endereço como sendo Av. Pontes Vieira, 1091, Dionisio Torres e a data do laudo é 31.05.85, entretanto a empresa só mudou para esse endereço em 09.08.85 e o CEP aí constante (60130) só foi divulgado para o público em agosto de 1985; c) a carta de fls. 128, que se diz de um dos acio - nistas, está assinada por Maria de Fátima, que ocupava o cargo de Diretor Administrativo. Maria de Fátima ésprovalvemente, Maria de .'Y SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 7. Acórdão n9 103-08.470 Fátima Batista da Costa, que era e continuou sendo acionista da empresa Eliseu Batista S.A - Com. e Ind. Além do mais, essa carta não foi escrita e assinada em 13 de maio de 1985, conforme consta do documento acostado aos autos, eis que a moeda utilizada é cruza do (Cz$) e não cruzeiro (Cr$), como deveria ser, caso tivesse sido escrita, realmente, em 1985; d) a carta do acionista José Rodrigues Campos (fls. 127) desistindo da compra do dito lote de ações também merece repa ros. Esse Sr. José cadastrou-se no CPF em 1977 e, depois, não apre sentou declarações de rendimentos. É impossível acreditar como uma pessoa que nem sequer apresenta declaração de rendimentos possa ter recursos para adquirir participação acionária. Além do mais, o fato de o Sr. José não querer ou não poder comprar as ações não si nifica que nenhuma outra pessoa estivesse impossibilitada de efe- tuar a compra; e) em nenhum momento ficou comprovado que o negó- cio realizado foi levado a efeito nas mesmas condições em que se- ria contratado com terceiros (art. 367,.§ 29, do RIR/80); f) transcreveu ementa do Acórdão n9 105-1.728/86, bem como trecho do Parecer CST n9 1067/87 nos quais está dito que há distribuição disfarçada de lucros na venda de participação, ca-. racterizada como investimento relevante em sociedade coligada, ao sócio majoritário de ambas as empresas, quando o preço da vendapac tuado é inferior ao patrimônio líquido da coligada. A empresa juntou o recurso voluntário defls. 199/205, insistindo no fato de o negócio ter sido celebrado para fins de alienação da própria recorrente e a lei jamais fez referência ao valor contábil como valor capaz de ser igual ao preço de mercado, este, sim, sempre mencionado na lei. Reconheceu que a data do lau do é posterior, conforme diz a decisão, mas isto foi feito de pro- pósito, pois julgava desleal apresentar um laudo pré-datado. Salientou que o auto de infração esclareceu ser a • . . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000,556/87-93 8. Acórdão n9 103-08.470 participação da IGESA de apenas 17,64% do capital da ELISA. Enten deu o autuante que pelo fato de haver uma presidência comum por parte do Sr. Eliseu Batista, mesmo sem atingir o mínimo de 20% de participação, a IGESA estaria obrigada ao método da equivalência patrimonial, o que está em contradição com o art. 248 da lei das sociedades anónimas, que exige a participação mínima de 20%. Com isso, o Sr. Superintendente cometeu um equivoco, transformando a participação de 17,63% em 20%. Assim sendo,.a recorrente solicita o seguinte: "a) preliminarmente, se anule a obrigação de ava- liar pelo método da equivalência; b) que se considere dedutivel a perda de capital no negócio que se demonstrou atípico e de que não resultou nenhuma vantagem financeira para o acio- nista; c) que se descaracterize a suposta distribuição disfarçada de lucros; d) que o auto de infração seja, finalmente, julga do improcedente." E o relatório. VOTO Conselheiro ANTONIO DA SILVA CABRAL, Relator. O recurso é tempestivo, vez que a ciência da deci- são recorrida se deu em 14.03.88 (AR de fls. 197), enquanto a pro tocolização do presente ocorreu em 11.04.88 (Doc. de fls. 199). Passo ao mérito. I - CORREÇÃO MONETÁRIA DE INVESTIMENTO. A primeira questão em debate se relaciona com o fa to de a empresa, segundo a fiscalização, ter deixado de corrigir, • salmoimer4rmett Processo n9 10380/000.556/87-93 9. Acórdão n9 103-08.470 no momento da baixa, bem do seu ativo permanente classificado co- mo investimento, gerando redução indevida no resultado do exercí- cio. Entende a fiscalização que, no caso, tratava-se de investi - mento relevante em sociedade coligada sobre cuja administração teu influência por ter a presidência em comum, o que a obrigava a fa- zer a avaliação do investimento pelo valor do patrimônio liquido da investida. Durante todo o processo a empresa não se opas a es ta infração. Pelo contrário, aceitou este fato, na impugnação, che gando a dizer às fls. 47: "A reclamante, IGESA, participava da em presa Eliseu Batista S.A., com 17,63% do seu capital social, o que pelo método de avaliação dos investimentos pela equivalência patrimonial (obrigatória pela relevância e coligação), representa va contabilmente Cr$ 2.690.634.598." As fls. 48, por sua vez,acres centou: "Efetivamente, a IGESA deu baixa em ações de uma coligada que se traduziam contabilmente como Cr$ 2.690.646.598 em troca de unta divida de apenas Cz$ 158.200.806, - com uma diferença de Cr$ 2.532.445.792." Na fase recursal, no entanto, inovou o feito, de- fendendo a tese de que para ser relevante e provocar a avaliação pelo método da equivalência patrimonial o investimento precisa alcançar mais de 20%. Isto porque o Superintendente, ao formalizar o Relatório de sua decisão, escreveu: "Por se tratar de investi - mento relevante, ações representativas de mais de 20% do patrima nio liquido de empresa coligada, a avaliação deveria ter sido fel ta com base no valor do Patrimônio Liquido da investida". Em primeiro lugar, estando esta assertiva no rela- tório, não constitui sequer fundamento da decisão, pois está sim- plesmente relatando o que disse a fiscalização. Certamente quis o Superintendente reproduzir o que constara no auto de infração(fls. 02), onde se lê o seguinte: "Demonstrativo da Relevância do Investimento PL Investidora - IGESA - 31.12.84.,Cr$1.473.956.161 i. . • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000,556/87-93 10. Acórdão n9 103-08.470 Valor do Investimento - 31.12.84 Ck$ 871.694.915 % de Representatividade do Investi - '( mento no PL 59,14," Pelo contrário, o Superintendente, em sua fundamen- tação, disse o seguinte: "Na impugnação, às fls. 45, consta uma ligeira referência à primeira infração - omissão de receita de cor reção monetária - logo seguida de argumentos sobre uma hipotética infração. Não tendo sido acolhida a preliminar referente à impossi bilidade de uma ampla defesa, pode-se dizer que a autuada não se defendeu dessa infração. Sendo assim, a cobrança dessa parcela foi mantida, na primeira instãncia, e não está sendo objeto de análise, neste -julgamento, que trata do recurso de oficio" (grifei). Por conseguinte, a primeira infração não foi objeto da decisão do Supe rintendente e, por outro lado, não havendo a empresa contestado es _ ta parte, na impugnação, chegando, conforme acentuado acima, a con_ cordar com ela, já ocorreu a preclusão. Apesar disso, ainda que se quisesse analisara ques- tão, não se poderia dar acolhida às razões da impugnante. Determi- na o art. 258 do RIR/80: "Art. 258 - Serão avaliados pelo valor de patrimô- nio liquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei n9 6.404/76, art. 248, e Decreto-lei n9 1.598/77, art. 67, XI): I - em sociedades controladas; II- em sociedades coligadas sobre cuja administra- ção tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital so- cial." O texto legal é claro, ao estabelecer a ALTERNATIVA: quer a investidora tenha influência sobre a administração da coli- gada, quer participe com 20% ou mais do capital social. Por isso, o legislador empregou a conjunção "ou". Note-se que o autuante escreveu, no inicio do auto, às fls. 02: "Por se tratar de investimento relevante, conforme de 2 sono PÚBLICO FEDEM Processo n9 10380/000.556/87-93 11. Acórdão n9 103-08.470 monstraremos a seguir, e em sociedade coligada sobre cuja adminis- tração tem influêncialPresidência comum), a sua avaliação deveria ter sido feita pelo valor do Patrimônio Liquido da Investida, como abaixo demonstrado." Dois foram os motivos do auto: a relevãnciado investimento e a influência na administração da coligada. A recorrente vem, agora, apenas na fase recursal, atacar uma premissa que nem sequer fez parte do auto de infração. O que ficou claro, nos autos, é o seguinte: 19 - a recorrente e a investida são coligadas, con- forme a definição dada no § 19 do art. 258 do RIR/80: "§ 19 - São coligadas as sociedades quando uma par- ticipa com 10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra, sem controlá-la." A própria recorrente afirma que participava com 17,63% do capital da investida. Logo, não há dúvida de que havia coligação. 29 - O investimento feito pela recorrente poderia ser classificado como'investimento relevante, de acordo com a defi nição dada no § 39, alínea "a", do art. 258 do RIR/80: "§ 39 - Considera-se relevante o investimento: a) em cada sociedade coligada ou controlada, se o valor contábil é igual ou superior a 10% (dez por cento) do valor do patrimônio liquido da pessoa jurídica investidora." Ora, conforme demonstrado no auto de infração: "PL Investidora- IGESA - 31.12.84--.Ct$1.473.956.161 valor do investimento - 31.12.84 Cr$ 871.694.915 % de representatividade do inves, timento no PL 9,14•" ... so PUBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 12. Acórdão n9 103-08.470 Esta maneira de raciocinar está de acordo com o en- sinamento dos mestres brasileiros. Cito, a título de exemplo, o "Ma nual de Contabilidade das Sociedades por Ações" (FIPECAFI - USP, Ed. Atlas, lçt ed., 1979, pág. 180):" "A determinação da relevância dos investimentos é feita pela relação porcentual entre o valor contá- bil dos investimentos no ativo da investidora e o valor do patrimônio líquido da própria investidora, ambos na data do balanço de encerramento" (grifei). 39.- A recorrente tinha influencia na administração da coligada. Isto ficou provado pelo fato de a recorrente ter como seu presidente a mesma pessoa que é presidente da coligada, pelo fato de ambas (a investidora e a investida) pertencerem ao mesmo grupo e por estarem, na realidade, nas mãos de uma só família. Con _ forme escreveu BULHÕES PEDREIRA: "Os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em que se baseou a Lei n9 6.404/76 para a constru- ção das normas legais sobre o método do patrimônio líquido, adotam como requisito essencial para a aplicação desse método, no caso de sociedades coli gadas, a capacidade da investidora de exercer in- fluência sobre administração da coli gada. Essa ca- pacidade pode revelar-se de diversos modos, tais como a representação nos órgãos da administração,o direito de participar no processo de definição das políticas da sociedade o volume de operaçoes entre as duas sociedades, o intercâmbio de pessoal gerencial, ou a dependência tecnológica ou finan - ceira" (grifei). • Tenho adotado em meus votos o princípio de não ser nem pró fisco nem pró contribuinte, mas sempre pa lege. Por isso, assim como sempre me pronuncio pela anulação de uma decisão, quan do não analisa as razões do contribuinte ou quando acrescenta al- gum fundamento que não constou da autuação, tenho por certo não se dever acolher uma razão quando faltou o devido prequestionamento. Não teve o Fisco a oportunidade de provar que a recorrente exercia sua influência na investida, além do fato de a Presidência ser a mesma, e das outras razões esparsas, porque a empresa simplesme !.e . . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 13. Acórdão n9 103-08.470 concordou com a autuação neste particular e só na fase de recurso é que levantou uma razão.e, assim mesmo, de ordem meramente subje tiva. Quero transcrever, outrossim, o arrazoado feito pe lo autuante, às fls. 106: "Os motivos mencionados no item 4 - que le- varam a empresa a vender as ações, não alteram a• conclusão do fisco, pois as operações feitas causa ram prejuízo ã Fazenda Nacional, gerando, inclusi- ve, no ano em que foram realizadas, resultado nega tivo de expressivo valor, conforme pode-se obser- var através da Declaração de IRPJ da impugnante (fls. 20/32). O quadro 13 - Demonstração do Lucro Líquido do exercício - nos seus itens 20 e 21 de- monstra claramente o sucedido. No item 20, como Des pesas Não,Operacionais, o valor de Cr$ 722.958.951 referente ao prejuízo ocasionado pela venda das ações. No item 21 - Saldo Devedor de Correção Morte tãria - o monetante de Cr$ 1.697.927.076, gerada; pela baixa de Cr$ 871.694.915 - valor das ações constante no balanço levantado em 31.12.84 - refe- rente a mais de 50% do seu Ativo Permanente, sem a devida Correção no momento da baixa. É de fácil percepção, portanto, que o prejuí- zo, constante da citada Declaração, teve como cau- sa a alienação das ações por um valor ínfimo e a falta do registro da receita oriunda da Correçãolgo netãria." Esta informação fiscal está a demonstrar que a em- presa "construiu" um prejuízo irreal para o fim de não pagar im- posto e isto se traduz numa circunstância que vem agravar, ainda mais, a infração, pois não se trata de mera discussão académica e sim de maneira engenhosa de se provocar um resultado negativo •de modo artificioso. ••A matéria , de resto, encontra sua base legal no art. 18 do Decreto-lei n9 2.065/83, assim redigido: "Art. 18 - Os bens do ativo imobilizado e os valo- res registrados em conta de investimento,baixad s no curso do exercício social, serão corrigidos o netariamente segundo a variação da Obrigação R a- SERVIÇO PÚBLICO FEDEFtAL Processo n9 10380/000.556/87-93 14. Acórdão n9 103-08.470 justável do Tesouro Nacional (ORTN), ocorrida en- tre o mês do último balanço corrigido e o mês em que a baixa for efetuada. § 19- A contrapartida da correção referida no caput deste artigo será registrada em conta espe- cial, de que trata o artigo 39, item II, do Decre to-lei n9 1598 de 26 de dezembro de 1977. § 29 - O disposto neste artigo não se aplica , no caso de recebimento de lucros ou dividendos decor rentes de investimentos em coligada ou controlada" avaliado pelo valor de património líquido." Como se sabe, este artigo veio para corrigir dis- torção criada pelo Decreto-lei n9 1.598/77, que só previa corre - çâo monetária períodica, de tal sorte que os bens baixados duran- te o ano ficavam sem serem corrigidos. O Decreto-lei n9 2.065/83 teve por meta criar a correção monetária permanente. No caso em julgamento a autuação ficou à parte da questão a respeito da necessidade de se efetuar avaliação, de tal modo que procedesse ao ajuste pelo método da equivalência patri- monial, além de efetuar a correção monetária. O autuante simples- mente procedeu à correção monetária relativa ao período compreen- dido entre o último balanço e a data da alienação. Correto, por- tanto f seu procedimento, evitando efetuar o reajuste pela equiva- lência patrimonial na data da alienação. Atualmente, o art. 27 do Decreto-lei n9 2.341/87 foi ainda mais além, ao determinar que a baixa de investimentos relevantes e influentes em sociedade coligada ou controlada deve- rá ser precedida de correção monetária e avaliação pelo valor de património líquido, com base no balanço patrimonial ou balancete de verificação de coligada ou controlada, levantado na data da alienação ou liquidação ou até trinta dias, no máximo, antes des sa data. Agora, portanto, além da correção monetária se exige o ajuste do investimento pela equivalência patrimonial. II - DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS Quanto ã infração relacionada com a distribuição . . . „ . . . SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000,556/87-93 15. Acórdão n9 103-08.470 disfarçada de lucros, cumpre, inicialmente, invocar a base legal mencionada no auto de infração (art. 367, I, do RIR/80) a fim de se verificar se ocorreu a tipificação legal. Diz esse dispositivo: "Art. 367 - Presume-se distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: I - aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado bem do seu ativo a pessoa ligada." A definição de valor de mercado está na lei e o art. 368, §§ 19 a 39, do RIR/80, assim dispõe: "§ 19 - Valor de mercado é a importância em dinhei ro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (Decreto-lei n9 1.598/77, art. 60, § 49). § 29 - O valor do bem negociado frequentemente no mercado, ou em bolsa, é o preço das vendas efe- tuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em quantidade e em qualidade seme lhantes (Decreto-lei n9 1.598/77, art. 60, § 59)7 § 39 - O valor dos bens para os quais não hajaner cado ativo poderá ser determinado com base em ne- gociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhan- tes, entre pessoas não compelidas a comprarouven der e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço (Decreto-lei n9 1.598/77, art. 60, § 69). § 49 - Se o valor do bem não puder ser determina- do nos termos dos parágrafos 29 e 39 e o valor ne gociado pela pessoa jurídica basear-se em laudo , de avaliação de perito ou empresa especializada, caberá ã autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento ã distribuição dis- farçada e de lucros." No caso em julgamento, desde logo salta aos olhos o fato de um bem que estava contabilizado por Cr$ 871.694.915 e, portanto, abaixo do valor resultante do método da equivalência pa trimonial, que era de Cr$ 2.690.646.598, ser alienado por apenas Cr$ 158.200.806. lí A empresa não ofereceu o investimento ao mercado . 4 . • . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 16. Acórdão n9 103-08.470 exterior, de tal sorte que ficou privada de comprovar o valor exa- to de mercado de seu investimento. Pelo contrário, o critério uti- lizado para a alienação de seu controle acionário foi meramente subjetivo. Uma vez que o sócio era credor de uma importância de Cr$ 158.200.806, nada mais simples do que substituir esse crédito pelo investimento, ainda que por valor notoriamente inferior. Não usou a empresa, portanto, de seriedade, ao alienar suas ações. Is- to sem se considerar que o negócio era feito com o detentor do con trole do grupo e, que, portanto, seria necessário que se fizesse, pelo menos, avaliação do investimento antes de se efetivar o negó- cio. Diz a recorrente que não tinha possibilidade de sa- ber qual o valor exato do mercado das referidas ações, pois estas não são negociadas no mercado e ambas as empresas (a investidora e a investida) pertenciam ao mesmo grupo. O § 49 do art. do 368 do RIR/80 determina que se o valor do bem não puder ser determinado deverá a empresa basear-se em laudo de avaliação de perito ou em- presa especializada. Ora, ao invés de se fundamentar em laudo peri cial, a recorrente resolveu, sponte sua, negociar a dívida que ti- nha para com seu sócio entregando-lhe o investimento que possuía por um valor irrisório. O laudo apresentado pela interessada não merece ser levado em consideração, por não ser encomendado previamente. Em se gundo lugar, não foi um laudo elaborado por perito especializado nem por empresa capacitada para tal. A respeito, ainda, do laudo de avaliação juntado pela empresa posteriormente, transcrevo o que disse com muita propriedade o Superintendente da Receita Federal, em sua decisão de fls. 190: "O laudo de avaliação de fls. 83 e 84, referente às ações negociadas, contém uma série de argumentos não quantificados nem quantificáveis, às vezes es- tranhos, e está assinado pelo mesmo assinante da impugnação. 1dO laudo de avaliação de fls. 121 a 123, sobre me! I• SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 17. Acórdão n9 103-08.470 mo lote de ações em questão, apresentado atendendo pedido da DIVTRI/DRF e considerado como tendo sido feito por auditores independentes (em contraposi - ção ao de fls. 83 e 84, que foi assinado pelo pró- prio impugnante) atribui às ações negociadas o va- • lor de Cr$ 150.000.000. Um laudo que "acha razoá- vel" avaliar por Cr$ 150.000.000 um lote de ações cujo valor pelo método da equivalência é de Cr$... 2.690.646.598, referente a uma empresa com patrimõ nio liquido crescente e próximo de Cr$12.081.826.825, deve ser calcado, obrigatoriamente, em alguma jus tificativa de ordem técnica. Não pode ser conside- rado um laudo baseado somente em critérios subje- tivos, pois, conforme seus próprios termos "a em- presa não opera com ações em bolsa, por se tratar de companhia de capital fechado e, portanto, não existe um parâmetro de cotação de suas ações". Sobre esse mesmo laudo há mais algumas observaçóes. - Primeiro, é estranho que o referido laudo, embora datado de 31 de maio de 1985, não tenha sido men- cionado na impugnação de 19.04.87 (fls. 44 a 53) e tenha sido anexado ao processo somente após a soli citação da DRF em Fortaleza (f is. 118). Segundo, a laudo será redigido em folhas com o timbre da MAR PE; no timbre consta o endereço AV. PONTES VIEIRA, 1091 DIONISIO TORRES CEP 60130; a data do laudo é de 31 de maio de 1985, entretanto, a empresa mudou para esse endereço em 9.08.85 (fls. 180) e a subdi visão do CEP de Fortalezi-160.000) foi divulgado pa ra o público somente em agosto de 1985, segundo in_ formação fornecida pela ECT." Por conseguinte, esses pormenores levam ã observa- ção de que o laudo foi preparado, a posteriori, justamente para fa zer prova em processo. Isto sem contar o fato de não ter sido ela- borado por perito ou empresa especializada. De qualquer forma, a existência ou não do laudo pou co conta no processo, pois a recorrente confessou que o critério de avaliação do acervo acionário foi baseado em critério meramente subjetivo. Disse a empresa às fls. 47: "Foi condição u sine qua non" para que se viabilizas se a transferência da IGESA que se fizesse o expur go da contabilidade das ações de Eliseuaptisti f S.A. Da mesma , também se expurgasse a di ida de Cr$ 158.200.806. .. . . . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 18. Acórdão n9 103-08.470 Na impossibilidade de qualquer outro negócio, as ações foram'baixadas em permuta com a dívida, am- bas transferidas para o acionista Eliseu Batista/b um, o qual como diretor majoritário do grupo emdr ficuldades, não pode se furtar de aumentar, potenr cialmente, sua quota de sacrifício." E acrescentou: "Efetivamente, a IGESA deu baixa em ações de uma coligada que se traduziam contabilmente como Cr$... 2.690.646.598 em troca de uma dívida de apenas C4.. 158.200.806, com uma diferença de Cr$ 2.532.445.792." Quanto ao fato de que ninguém se habilitou na com- pra do investimento, nada há a prová-lo, a não ser duas cartas, a respeito das quais disse o Superintendente: "A carta de fls. 128, mencionada na impugnação (fls. 51) e trazida ao processo junto com o laudo de ava liação solicitado pela DIVTRI/DRF, que seria "doi aquirentes da IGESA, estipulando que não desejavam adquirir a IGESA, se a mesma continuasse acionista da ELISEU BAPTISTA S.A." (fls. 51), está assinada por MARIA DE FÁTIMA, Diretor Administrativo, e da- tada de Fortaleza, 13 de maio de 1985. MARIA DE FÁTIMA é, provavelmente, MARIA DE FÁTIMA BAPTISTA DA COSTA, CPF 234.321.093-20, que era e continuou sendo acionista da empresa ELISEU BATIS- TA S.A. - COMERCIO E INDÚSTRIA, tendo, inclusive, aumentado sua participação relativa na empresa(fls. 133, 155, 167 e 177). Além disso, essa carta não foi escrita e assinada em 13 de maio de 1985, oque se mostra evidente pela grafia da moeda utilizada, Cz$ ao invés de Cr$, que certamente foi mais uma tradição da memória do que um erro datilográfico. A carta do acionista JOSÉ RODRIGUES CAMPOS (fls. 127), desistindo da compra do dito lote de ações também merece algumas observações. José Rodrigues Campos, CPF 111.721.503-20, cadastrou-se no CPF em 1977 e, depois disso, não apresentou declaração do imposto de renda em nenhum outro exercício, E difí cil explicar como uma pessoa que nem declara o im- posto de renda poderia dispor de uma quantia para aplicar na compra de ações de qualquer empresa. E mais, o fato de JOSÉ não querer ou não poder com- prar as ações não significa que nenhuma outra pes- JL soa, acionista ou não acionista, também não qu ira ou não possa comprar." ~viço posuco FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 19. Acórdão n9 103-08.470 Isto sem se contar o fato de as duas cartas poderem ter sido fabricadas após a alienação, só para servir de prova em processo. De qualquer forma, elas não têm valor algum, sob o aspec- to jurídico, por não terem observado o disposto no art. 135 do Códi go Civil. O autuante se deparou, pois, com a alienação de in- vestimento pela empresa por valor notoriamente inferior ao valoram tãbil. Seria, também, notoriamente inferior ao valor de mercado? Não tendo como apurar o valor de mercado, o agente do Fisco lançou mão do valor que constava na contabilidade. A empresa se rebela com este fato, alegando que o va lor contábil não representava o valor de mercado. Acontece, no en- tanto, que ela mesma procedeu desta forma, ao escriturar como per- da, na alienação do investimento, a quantia de Cr$ 722.958.951, que foi lançado como prejuízo do exercício em sua declaração de rendi - mentos, no item 20 de sua declaração de rendimentos, conforme acen- tuado por ocasião da análise da primeira infração. Mas ainda, o sal do devedor de correção monetária (item 21 do quadro 13), o montante de Cr$ 1.697.927.076, gerado pela baixa de Cr$ 871.694.915 - valor das ações constantes no balanço levantado em 31.12.84 - referente a mais de 50% do seu Ativo Permanente, sem a devida correção no momen to da baixa, coopera para se ter como válida a posição do autuante no sentido de tomar como base para o valor de mercado o valor da equivalência patrimonial. Na inexistência de outro critério, entendo correto o que se baseia no valor de património liquido, eis que é o mais con- sentâneo com a natureza das coisas. Com efeito, de acordo com o art. 248, inciso I, da Lei n9 6.404/76, no balanço os investimentos rele vantes em sociedades coligadas sobre cuja administração se tenha in fluência serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido. Se bem observado, este valor foi criado justamente para se ter uma visão atualizada do valor do invest ento, isto é, do valor que mais se aproxima do valor de mercado. . . senveco p eneuco FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 20. Acórdão n9 103-08.470 Com razão o autuante citou o Acórdão n9 105-1728, de 08,04,86, cuja ementa está assim redigida: "DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - Constitui dis- tribuição disfarçada de lucros a venda de partici- pação, caracterizada como investimento relevante em sociedade coligada, ao sócio majoritário de am- bas as empresas, quando o preço da venda pactuado é inferior ao patrimônio líquido da coligada, apre sentado em balanço levantado na mesma data da ven- da." Muito bem lembrado, outrossim, o Acórdão de 22.08.83 5çt Turma do Tribunal Federal de Recursos, na Apelação n9 77.698 (Diário da Justiça de 15.09.83, p. 13.901), no qual se lê: "IMPOSTO DE RENDA - DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DEIDCROS (DL 1.598/77, art. 60) - VALOR DE MERCADO. Tratando-se de bem para o qual não existia mercado ativo (cotas de capital de sociedade limitada), a expressão de seu valor de mercado, para efeito de aplicação do art. 60, inciso I, fi 39, letra "a" do DL 1.598/77, pode ser aferida através do valor con tábil do patrimônio liquido, desde que a contabili dade, como base da relação tributária, permita, ã- partir de dados patrimoniais confiáveis, a elabora ção de um juizo técnico da realidade do PL, útil, dessa forma, a orientar a fixação das bases imposi tivas, como no caso." Há, ainda, a acrescentar a observação de fls. 108 feita pelo informante, no sentido de que a fiscalização só consi- derou o patrimônio líquido da investida em 31.12.84, quando,ra ver dade, a venda foi realizada em 20.06.85. Já no balanço encerrado em 31.07.85 o patrimônio liquido sofreu umaurtento deCr$8.832.031.493. A fiscalização seguiu, de resto, o disposto no art. 248, inciso II, da lei das sociedades por ações, o qual está as- sim redigido: "II O valor do investimento será determinado me- diante a aplicação, sobre o valor do patrimônio 1 quido referido no número anterior, da porcentage SERVIDO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 21. Acórdão n9 103-08.470 de participação no capital da coligada ou controla da." Em conclusão, sendo o comprador das ações o sócio que controlasse o grupo de empresas ao qual pertenciam as duas em- presas envolvidas (investidora e investida) sabia, certamente qual o valor do investimento, pelo menos já que deveria aprovar os ba- lanços de ambas as empresas e tinha conhecimento perfeito do valor das ações que haveria de adquirir. O que é mais grave, o negócio foi realizado por preço notoriamente inferior ao próprio valor con tábil do investimento, que, por sua vez, estava escriturado muito abaixo do seu valor real. Estou com o Relator do Acórdão n9 105-1.728/86,quan se reportou ao Acórdão n9 59.889, publicado no D.O.U. de 29.12.69, citado, posteriormente, por GILBERTO DE ULHOA CANTO em seu "Estudos e Pareceres de Direito Tributário" (Ed. Rev. dos Tribunais, 1975, p. 409): "Seja qual for a melhor doutrina o fato é que a von tade por si só não cria direito e, evidentemente, as operações realizadas pela recorrente quanto as alienações das ações do Banco Nacional de Pernambu co S.A. não refletem um ato perfeito frente ao ter ceiro prejudicado, o fisco. E este não pode ficai impassível, assistindo ao desenrolar de operações feitas, exclusivamente, com o objetivo de lhe cau- sar prejuízo, pois, para isso, o Estado, de onde promana o poder tributário, dá-lhes autoridade de órgão competente a fim de coibir práticas artifi - ciais que traduzem subtração de lucros sujeitos a tributos." Aliás, os fatos demonstram que a argumentação da re corrente, no sentido de que o grupo não estava em situação económi co-financeira favorável, é desmentida pela observação do autuante (fls. 106) no sentido de que o balanço e as demonstrações financei ras da investida, levantados em 31.12.84 e 31.12.85 apresentara= crescimento do patrimônio líquido de Cr$ 8.832.031.493 para Cr$... 31.757.631.354, com uma Reserva de Lucros no primeiro ano da ordem de Cr$ 1.308.876.923, e no segundo da ordem de Cr$ 3.551.655.578,o sinvico rimuco FEDERAL Processo n9 10380/000.556/87-93 22. Acórdão n9 103-08.470 que demonstra estar a investida, naquela ocasião, em franco progres so, ao contrario do que vem sustentando a recorrente, de maneira gratuita, ao longo do processo, com o fito de, mediante argumento baseado no sentimentalismo, provocar a compaixão do julgador. Por todo o exposto e por tudo o mais que do processo consta, voto no se ido de se negar provimento ao recurso. Bra ilia-DF, 04 de julho d 1988. NN AN NIO DA SILVA CABRAL RE • MPCT. Page 1 _0025600.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10166.007247/85-26
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL
A retificação dos valores
informados, por iniciativa do próprio
contribuinte, quando visa a reduzir ou a
excluir tributo, somente é admissivel
mediante comprovação do erro em que
se fundamenta, e antes de notificado o
lançamento
Numero da decisão: 102-29.900
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Ursula Hansen
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RECORRIDA DRF EM BRASILIA, DF FINSOCIAL A retificação dos valores informados, por iniciativa do próprio contribuinte, quando visa a reduzir ou a excluir tributo, somente é admissivel mediante comprovação do erro em que se fundamenta, e antes de notificado o lançamento Ví4to4, telatado4 e. dí4cutído4 ous pn..e4 ente4 auto4 de. /Le.e.UJL- .60 ín.te)i.po“o pot DUVALE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA. ACORDAM o4 Membito da. Segunda Camata do Ptímeíto de Co ntit.i buínte.4 , pot unanímídade de. vot04, nega/t ptovímento ao tecut 1104 tetmo4 do telatõtío e voto que. p a)s am a íntegtat o ptemnte gado. Sa'; d, Se.44 e.4 , 18 de ma_ío de. 1995 ro TOS PAI VA - PRESIDENTE u • u foi! - RELATORA VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FA SESSÃO DE: ZENDA NACIONAL . O 9 jiiN ..„ Peottícípaitam, anda, do pitu ente jcagamento, 04 4 eguínteis Con/selheíA.: UJa..e.devavi keve.4 de. 0-Uveíita, INsé." C5vLs Ave, Matía Clé....eía de Andxade Fígue,i_tedo, J17.1ío Ce..é.at Gome4 da Sílva. e. Jaó -e Cairio4 Pa64 7)=`% 2. ,.ILNIST-ERIO DA FAZENDA PP2víEIRO CC,N"1"T.:IELIV7T.S PROCESSO n.. 10166:00"7,2-47."S5-26 R.ECL7,50 s9.514 ACORDÃO r, . 102- 29.900 RECORRENIE DUVALE DISTRIB. DE PRODUTOS AGRICOLAS LTDA. RELATÓRIO DL-VALE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LIDA.. CGC n. 00.690.784/0001-27, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Brasília, DF:. conforme relatado, com muita propriedade na decisão ora recorrida (fis. 96/102), foi notificada para pagar a importància de CrS 21.320.994,00 (vinte e um milhões, trezentos e vinte mil novecentos e noventa e quatro cruzeiros), relativa às Contribuições para o FINSOCIAL sobre seus faturamentos brutos mensais, ano base 1983 (exceto fevereiro, abril e julho) e 1984 (exceto março) consoante Notificação de Lançamento n. 1/01.00832 emitida em 04-11-85. Inconformada com a exi gência_ a contribuinte, no prazo previsto para impugnação, veio apresentar um demonstrativo de receitas brutas mensais (fis.1/2) com os respectivos documentos de arrecadação (fls. 05/16) quitados já em 29 de novembro e 10 de dezembro de 1985, depois do recebimento da Notificação. Todavia estava arquidade nesta Delegacia da Receita Federal e foi anexada a este processo às tis 19, uma olailha demonstrativa dos faturamentos brutos mensais relativa a 1983 e 1984 datada de 26-09-85, firmada pelo Sócio-Gerente da empresa notificada, Sr.Drceiu Cortez, cujos valores constituirarn a base de cálculo da notificação impugnada. Entretanto, a simples apresentação de novo quadro demonstrativo de receita com valores bastante inferiores não suritiu, evidentemente, o efeito pretendido de substituir a informação anterior, a exigência fiscal foi manti4d(i 2 .._ ..., .. ,_. , p3 , 7? -..-'... ,1 „ 3 . .\ILNISTERIO DA FAZENDA PRIMEMO CONSELHO DE CONTRII3UNTES PROCESSO ri. i01.66;00-7.247;85-26 ACORDÃO a. 102-2 9.900 :, : consoante Decisão,DRF/DF n. 267/86 datada de 26-02-86, e, para exclusão de alguns valores pagos não considerados no lançamento, foi determinada a emissão de nova Notificação no valor de Ce$ 20.358.543,00. Da decisão houve recurso ao Segundo Conselho de Contribuintes,. (fls. 40/42), e consoante Acórdão de n. 202.01.012 de 3 1-07- 86 foi anulado o processo a partir da decisão recorrida com a determinação de reabertura de prazo para impugnação, tendo em vista o fato de ter sido reemitida a notificação, embora de menor valor. • Em face das grandes discrep4ncias entre os valores informados na referida planilha e no demonstrativo de fls. inicial, o processo foi baixado em diligência no dia 20-10-86, a fim de que se verificasse à vista de todos os documentos fiscais os valores reais das referidas receitas e somente retornou a Divisão de Tributação em 06-05-91 para nova decisão. Neste lapso de tempo frustou-se a realização da diligência solicitada em face da recusa por parte da empresa em apresentar os livros fiscis, consoante relatório de tls 44/45. Formalizando-se a reabertura do prazo impugnatório expediu-se em 24-05-90 a Notificação SECARR n. 0009190 com os novos valores em exigência, não obstante o fato de que deles o interessado já tivesse conhecimento através da Decisão recorrida, porém a correspondência foi devolvida. Outra Notificação foi expedida e endereçada à, residência do Sócio-Gerente da empresa (fis. 50151) com o valor originário de Cr$ 20.36 resultante da conversão do débito para a moeda em vigor. Sobre esta, o interessado se manifestou (ris 54) nos seguintes termo '.47 3 H UNIS TERIO DA FAZENDA PRL`vLE2.0 CONSELHO DE CONTRLDIT.:\TTES PROCESSO n. 10166/00 -7 .2 -17:S5-26 AC°R-D;"\-(-) n. 102 - 29.900 "Defesa ao auto de infração e Notificação ri. 055;90, recebido em 20-09-90. pelas razões e fundamentos que expõe: I) Os fatos: 1. a defendente foi urunfla e notificada por ter deixado de rcolher uma diferença de FINSOCIAL e PISITaturamento no valor de CrS 20,36 (vinte cruzeiros e trinta e seis centavos) apurados sobre a receita de 1983/1984. 2. a defendente prova através de guias de -pagamento do PISTFaturamento e Finsocial, referentes aos meses de fevereiro 1983 até janeiro 1985 (anexos) que foram pagas as importàncias devidas dentro dos meses de pagamento. conforme relação mensal das Notas Fiscais emitidas refentes as receitas lançadas no livro próprio, ou seja, no livro "Registro de Saidas de Mercadorias não havendo, pois_ nenhum débito para com Receita Federal, decorrente destes fatos citados acima. Finalmente apela-se para que V.Sas. em face das impropriedades comprovadamente exitentes, referentes a esse débito levantado se digne determinar o cancelamento da Notificação e arquivamento do Processo. ti JUNTADA: 01 - xerox das guias recolhidas 02 - xerox da notificação • 03 - xerox da relação das notas fiscais das receitas emitidas. A autoridade jul gadora rnonocrática, após apreciar os fatos constantes dos autos e os argumentos apresentados, e "Considerando que a base de cálculo da Contribuição para o FINSOCIAL de que trata a Notificação de Lançamento de fis. 03 é originária de informações fornecidas a esta Delegacia da Receita Federal pelo sócio-gerente da empresa notificada: Considerando que somente após a Notificação de Lançamento, o contribuinte veio apresentar, à guisa de retificação da Planilha de fis. 4 , - / , .,... , í fk.5 Pf-, . s ......._____- , 5 . :vÉEN-ISTERIO DA FAZENDA ,-, Ral_ErRo CONSELHO DE CONTRIBUD:TES PROCESSO n. 10166/007.2-r.'S.5-26 ACORDÃO n. 102- 2 9 . 900 um quadro demonstrativo das receitas brutas mensais com valores bastante inferiores e sobre os quais recolheu as contribuições; Considerando que o contribuinte não instruiu o pedido com nenhum documento idâneio cc.Improbatório de que houve erro nas informações constantes da referida planilha:. Considerando que o contribuinte se recusou a apresentar o Livro de Registro de Saídas de Mercadorias; Considerando que os valores constantes das Notas Fiscais citadas nos demonstrativos de Es. 5/58 representam parcelas ínfimas das receitas anteriormente declaradas; Considerando que as diferenças de valores entre as duas informações são vultosas não podendo ser atribuídas a erro material; Considerando todavia, a comprovação de que houve quatro _ recolhimentos em duplicata; Considerando que os débitos referentes aos meses de janeiro, • maio, junho,. azosto.novembro e dezembro de 1983, bem como os referentes a janeiro, abril, maio, junho e agosto de 1984 estão.. anistiados consoante artigo 29 do Decreto Lei ri. 2.303/86; conclui por julgar improcedente a impugnaçã.o, mantendo os débitos não alcançados pela anistia e já retificados com o abatimento dos valores recolhidos em duplicata. inconformada, a contribuinte interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes, trazendo como Razões, acostadas aos autos à Es. 114/116, aquelas constantes do recurso interposto no processo referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica, reiterando basicamente os argumentos anteriormente expendidos. É o relatéri .(iv . s .• •...` 6. \ ILNISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO n. 101661007.:47/85- ACORDÁO ii. 102- 29.900 VOTO Conselheira L.TRS1_,IA HANSEN - Relatora • Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele torno conhecimento. O ora Recorrente, entendendo tratar-se de "exação por decorrência", carreia aos autos cópia das Razões de recurso voluntário formuladas no processo relativo ao lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, em que, após relatar desentendimentos que teria tido com profissionais da área contábil, alega inexistir qualquer relação entre os valores tributados e aqueles correspondentes à sua. real produção e comercialização. Procura comprovar estas afirmações através da juntada (no processo relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica) de fotocópias de livro- de Registro de Saldas de Mercadorias e Diário - refeitos, talonários de Notas Fiscais e relações de faturamento. Considerando que os integrantes desta Segunda Câmara. ao apreciarem o recurso interposto no processo n. 10165/005.097/89-68, decidiram converter o julgamento em diligência, para que os documentos trazidos ;aos autos fossem analisados pela repartição de oriaem (Resolução n. 102-1.613 de IS de março de 1993); Considerando o pronunciamento do Auditor Fiscal de fis. demonstrando que os papéis juntados a título de prova, na fase recursal. em nada alteram o lançamento. por suas características: Considerando que, em sessão realizada em de abril de 1994, foi negado provimento ao mencionado recurso, conforme faz certo o Acórdão n. 102-29.803U( 6 ;--= 1)J- , - 7 . MINIS -FERIO DA FAZENDA PRD,LEMO CONSELHO DE CONTREDLTINTES PROCESSO n. 10166/00724755-25 ACORDÀO a. 102- 29. 9 00 Considerando que, da leitura dos presentes autos_ se vislumbra que a autoridade "a quo" proferiu sua bem fundamentada decisão após terem sido cotejados cuidadosamente todos os documentos, demonstrativos e planilhas, tendo o contribuinte sido intimado e reintimado para comprovar, através de documentos idôneos a possibilidade da ocorrência do alceado erro de fato, e, ainda, terem sido excluídos os valores considerados como recolhidos em duplicata bem como serem aplicados todos os beneficios fiscais; Considerando que a ora Recorrente não logrou carrear aos autos qualquer fato, prova ou razão nova passível de elidir o acerto da decisão recorrida, Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta, • Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. Brasi 'a, DF, 1 8 de mo de 7995. URSIJ 13. - Relatora 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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