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Numero do processo: 18184.003167/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES. PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas.
REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado.
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co-Responsáveis
CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade
solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação
PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à co-responsabilidade
para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de Co-Responsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade
solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida.
Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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REMUNERAÇÃO CARTÃO DE PREMIAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Recorrente JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES. PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à coresponsabilidade para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de CoResponsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida. Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 504 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lançada pelo Fisco em face da sociedade empresária JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO Ltda, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, correspondentes à contribuição dos segurados e da empresa (patronal), bem como a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), compreendendo as competências 11/2003 a 12/2006. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 18 a 20 – Volume I) informa que o fato gerador das contribuições lançadas decorre dos valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio de cartões de premiação, fornecidos pelas empresas ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA (antiga SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA), CNPJ 04.182.848/000130, e SALLES, ADAN & ASSOCIADOS – MARICETING PROMOCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE e PROPAGANDA LTDA, CNPJ 66.844.754/000136 ou 66.844.754/000217, com as denominações “SPIRITCARD E PERFORMANCE CLASS”. Os valores de prêmios repassados aos segurados são nominais e têm natureza remuneratória, pois foram utilizados como estímulo ao incremento de produtividade, ou seja, são valores pagos visando melhoria na qualidade e produção do trabalho. Isto posto, devem integrar a base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária, conforme determina a Lei no 8.212/1991, em seu art. 28, incisos I e III, por tratarse de remuneração pelo trabalho. O valor tributável foi aferido com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela empresas “SPIRITCARD e PERFORMANCE CLASS”, fornecidos pelas empresas ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA e SALLES, ADAN & ASSOCIADOS – MARKETING PROMCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE e PROPAGANDA LTDA, no período de 11/2003 a 12/2006. Esses valores nominais estão registrados na contabilidade como descontados da comissão/honorários e cartões de plástico dos segurados, cobrados por estes fornecedores, constantes da relação fornecida pelo setor de Contas a Pagar do Contribuinte e não discriminados quanto aos beneficiários, visto que o sujeito passivo devidamente intimado, não apresentou a documentação necessária ao procedimento fiscal. Assim, o valor tributável foi apurado conforme planilha: “JJ NOTAS FISCAIS SALLES, ADAN E SPIRIT DIFERENÇAS NÃO IDENTIFICADAS”. Esse Relatório informa ainda que forma aplicadas as seguintes alíquotas: (i) contribuição devida à Previdência Social patronal de 20%; (ii) para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) de 2%; e (iii) as destinadas aos Terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) de 3,30%. O contribuinte possuía convênio com o FNDE/SalárioEducação à época do período deste lançamento fiscal. Foi efetuada Representação Administrativa ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 As contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados foram aferidas pela alíquota mínima, visto que o sujeito passivo, devidamente intimado através do TIAF de 03/09/07, não informou os dados solicitados a saber: produto; nome do segurado premiado; CPF; valor do prêmio; valor da retenção segurados; data de crédito e quando as notas fiscais não fossem referentes à distribuição de prêmios, deveria ser informada a razão do faturamento. Foi emitido o auto de infração (AI) DEBCAD n° 37.058.2195. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/12/2007 (fl. 01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 31 a 67 – Volume I) – acompanhada de anexos de fls. 68 a 140 –, alegando, em síntese, que: I DAS PRELIMINARES: 1. falta de Discriminação dos Fatos Geradores da NFLD. A autoridade não discriminou na NFLD os fatos geradores a que se refeririam os lançamentos efetuados, ofendendo assim o artigo 142, parágrafo único do CTN, e o artigo 37 da Lei 8.212/1991, que prevê que a NFLD deve discriminar clara e precisamente os fatos geradores das contribuições nela exigidas, diante disso requer seja anulada a presente NFLD, ante a frustração do devido processo legal pela inobservância das regras formais previstas, geral e individualmente no CTN e na Lei n. 8.212/91; 2. ilegitimidade passiva. Cessão de Mão de Obra e Responsabilidade Tributária Acessória. A empresa Impugnante maximizando a eficiência de seu negócio, terceirizou atividades laborais meio, contratando através de cessão de mãodeobra, promotores de venda. Tais colaboradores legalmente terceirizados eram cedidos e remunerados por empresas contratadas pela Impugnante. Cumprida a meta laboral, a Empresa de Marketing de Incentivo contemplava, através de cartões magnéticos os colaboradores cedidos com prêmios. Assim, sustenta que há apenas uma relação jurídica acessória entre a empresa cedente de mãodeobra e tomadora dos serviços haja vista a obrigação da contribuinte de reter 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal ou fatura, elencada no artigo 31 da Lei 8.212/91, pois que não cria regra de substituição tributária, há somente relação instrumental, com presunção relativa de cumprimento. Necessária, portanto à legalidade formal da NFLD a constituição do litisconsórcio passivo, notificandose simultaneamente a Impugnante e as empresas cedentes de mãodeobra beneficiada pelos cartões de premiação, diante desse vício insanável na presente fase, anula a NFLD impedindo sua materialização; 3. da falta de amparo legal para a lavratura da NFLD. A autoridade ignorou a existência de contrato de prestação de serviços celebrado entre Impugnante e as empresas de Marketing de Incentivo, cujo objeto é a promoção de campanha com a finalidade de premiar a título de incentivo à performance e produtividade, assim a legítima relação de prestação de serviços, cujos meios de execução, assim como os objetivos traçados estão em perfeita harmonia com as normas vigentes e autorizada pela legislação civil; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 505 5 4. a impossibilidade da responsabilização das pessoas arroladas. Entende que somente poderão ser responsabilizados os diretores, sócios gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado quando a obrigação tributária advir de um ato por eles praticado com excesso de poderes ou infração a Lei ou contrato social, o que não ocorreu e não restou comprovado em nenhum momento. Assim, a mera inadimplência não configura a prática de um ato com excesso de poderes ou com infração à Lei ou contrato social, e nem é possível cogitar da aplicação do artigo 124, inciso II, do CTN, o qual trata da responsabilidade solidária. II DO MÉRITO: 1. dos planos de incentivos adotados. O Auditor Fiscal não explicitou na presente Autuação quais as origens dos pagamentos realizados através das empresas de marketing de incentivo. Assim os programas reportavamse a três distintas abordagens: (a)funcionários com mais de vinte e cinco anos de serviços prestados para a empresa; (b) promotores de venda que cumprissem determinada quota; e (c) funcionários que contribuíssem com ideias adotadas pela empresa. Quanto aos promotores de vendas, a modalidade de premiação implantada pela empresa davase em relação aos promotores de venda que atuavam através de contratos de cessão de mão de obra, desta feita caso estes atingissem certa meta, seriam contemplados, alem dos salários que lhes era pago pela empresa cedente de mão de obra, com o valor do prêmio ofertado pela Impugnante, por intermédio de empresa de marketing de incentivo. Cita par tanto a definição de mão de obra dada pela Lei 8212/91, artigo 31, § 3o, e do Decreto 3.048/99, artigo 143, §§ 1°, 2° e 3°. Alega que não existe a possibilidade de se reter os valores para se eximir da responsabilidade solidária, conforme hipótese prevista no artigo 30, VI, presumindose a arrecadação dos valores nos termos do artigo 33, §5°. Contata ainda, que houve vício na autuação que nem logrou identificar a natureza e a origem dos valores recebidos pelos promotores de venda, nem como não buscou dados referentes a contribuições sociais eventualmente recolhidas pela empresa cedente de mão de obra; 2. hipótese de incidência tributária. Discorre pormenorizadamente acerca da hipótese de incidência das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, para concluir que o ato de pagar ou creditar valores somente gera a incidência, se o fato social ou jurídico que justificou o pagamento ou crédito gerou a filiação obrigatória ao RGPS do sujeito perceptor do valor pago ou creditado. Assim, os pagamentos ou créditos de valores cuja origem não configura contraprestação do trabalho, seja qual for a respectiva natureza ou rubrica, não desencadeiam a incidência e, por conseguinte não constituem a relação jurídica de custeio. Desta forma, a verba remuneratória compreendida pelo fato gerador é aquela que retribui o trabalho, verbas, não obstante deferidas no âmbito do pacto laboral cujo escopo não consiste na remuneração do trabalho, não integram o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 fato imponível, não podendo, como se verá, dimensionar a base de cálculo da hipótese de incidência. Discorre acerca dos conceitos de remuneração dados pelos artigos 457 e 458 da CLT, e conclui a partir daí que prestações in natura eventuais, não são compreendidas pela definição de remuneração. Contudo o artigo 22 do inciso I da Lei 8.212/91 diversamente do prescrito nos incisos II e III não limita o fato imponível da contribuição social sobre a folha ao ato de pagar ou creditar remuneração, inclui os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Conclui por final que o pagamento dos valores desvinculados da remuneração dada pelos artigos 457 e 458 da CLT só enseja a contribuição previdenciária se habitual; 3. diferença entre isenção e não incidência – valores que não integram a base de cálculo. Após discorrer entre as diferenças doutrinárias entre a não incidência e isenção, conclui que a verba recebida na relação laboral, necessariamente não constitui base de cálculo da contribuição sobre a folha mesmo diante da inexistência de hipótese de isenção que a contemple (§9° artigo 28 da Lei n. 8.212/91), pois a importância ante a não satisfação do fato gerador (contraprestação ao trabalho), pode não gerar incidência. Assim, as verbas pagas pela impugnante aos seus colaboradores e a terceiros não são isentas, porque sequer geraram a incidência, posto, não terem origem na prestação laboral, nem foram percebidas de forma habitual; 4. da natureza dos prêmios. O requisito da premiação, genérico e impessoal é unicamente o cumprimento das condições de exigibilidade estipuladas na oferta que se fez pública. Sempre considerado, é claro o escopo do melhor resultado alcançado por quem participou da promoção desse modo engendrada; 5. requisitos da Campanha. Para que fique bem configurada a campanha de incentivo é imprescindível que resulte preestabelecido um especial procedimento, cujo desenvolvimento seguirá o regulamento prescrito para tanto. Para tanto são oferecidos estímulos extraordinários aos trabalhadores que colaboram com a empresa, estes por sua vez são livres para decidir ou não ao plano engendrado pela entidade promotora do programa.A adesão dependerá, única e exclusivamente do juízo de valor daquele que resolve aderir, baseado tal juízo no nexo entre a vantagem que está sendo oferecida e o esforço que certamente, exigirá para ser conquistada; 6. compreensão casuística. Não incidência. Improcedência da NFLD. Pede pela improcedência da NFLD em virtude da ausência de natureza remuneratória, da inexistência habitualidade no deferimento, o que não se pode admitir como caracterização dos valores lançados como contribuições à Seguridade Social. III – DO PEDIDO: 1. a NFLD é nula, pois ausente de pressuposto formal, isto é, descrição pormenorizada do fato gerador da contribuição e de sua base de incidência. A ausência de notificação das empresas cedentes de mão deobra beneficiada pelos cartões de premiação nulifica formalmente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 506 7 o lançamento. Os valores pagos pela empresa impugnante a colaboradores diretos e indiretos através de cartões de premiação não constituem base de cálculo da contribuição sobre a folha, já que não integram o conceito de remuneração, bem como não foram deferidos de forma habitual. O recebimento individual dos valores não enseja a filiação do colaborador ao RGPS, não repercutindo quando da aposentação no valor de sua renda mensal inicial (RMI). Assim, diante do exposto requer pelo imediato saneamento da NFLD, sob pena de ser inevitável seu pleno cancelamento. Espera, pois pelo acolhimento da defesa com o cancelamento da NFLD, bem como dos Autos de Infração conexos, para reconhecer a improcedência das autuações e lançamentos; 2. por fim, requer que seja determinada o cancelamento da NFLD, haja vista o exposto, devendo ser o mesmo arquivado, evitandose assim futuros prejuízos a empresa, bem como dos Autos de Infração conexos, para reconhecer a improcedência das autuações e lançamentos. Pretendese provar o alegado com todos os meios de provas admitidos no direito, bem como aqueles que o contraditório vier a exigir. Protestase, desde já, pela julgada de novos documentos interessantes ao contraditório. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo ISP – por meio do Acórdão n° 1617.184 da 11a Turma da DRJ/SPOI (fls. 143 a 156 – Volume I) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que a notificação encontrase revestida das formalidades legais, foi lavrada de acordo com as disposições expressas da legislação e a Impugnante não apresentou argumentos e/ou elementos de prova capazes de elidir e/ou modificar o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A Notificada apresentou recurso (fls. 161 a 179 – Volume I) – acompanhado de anexos de fls. 180 a 498 (Volumes I, II e III) –, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento das contribuições e no mais efetua repetição das alegações apresentadas na peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São PauloSP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fls. 499 e 500 – Volume III). É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 500). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: Inicialmente na análise das preliminares, a Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei nº 6.830/1980, que dispõe: “Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.);” Assim, a responsabilidade tributária também será discutida na eventual execução do débito, sendo obrigação da fiscalização, indicar os eventuais representantes da empresa. Se houve violação a lei ou estatuto, não importa neste momento. O que importa é a legalidade do lançamento e a existência do fato gerador. Na possível cobrança efetuada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, irá ser apurado a eventual responsabilidade em caso de omissão do devedor principal, no caso a Recorrente. A finalidade do simples arrolamento, no processo administrativo, dos representantes legais do sujeito passivo, na condição de corresponsáveis, é que os mesmos sejam previamente identificados e não significa que essas pessoas serão convocadas para pagamento do débito que é imputado à empresa. E tanto é assim, que nem ao menos foram notificados com vistas ao exercício dos seus respectivos direitos de defesa e nem conferiram mandato aos patronos da impugnante para propor defesas em seus nomes. Dessa forma, essa discussão, sobre a intimação dos sócios corresponsáveis, não pode prosperar em esfera administrativa. Seria cabível, possivelmente, se o débito Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 507 9 estivesse inscrito em dívida ativa, e, na via da execução judicial, caso os dirigentes tivessem sido convocados para o pagamento do crédito. A Recorrente alega que haveria uma ilegitimidade passiva na constituição do crédito tributário, pois a sua relação jurídica com os promotores de vendas (contribuintes individuais) deveria ser caracterizada como um contrato de cessão de mão de obra. E afirma, com isso, que os valores concedidos aos promotores de vendas não integrariam o salário de contribuição dos beneficiários dos cartões de premiação. A Recorrente, por intermédio de sua peça recursal de fls. 158 a 177, registra que o programa se reportava a três distintas abordagens, aos promotores de venda que cumprissem determinada quota, aos funcionários com mais de 25 anos de empresa, aos funcionários que contribuíssem com ideias adotadas pela empresa. Essa peça recursal registra ainda que os promotores de vendas eram contratados por meio de empresa fornecedora de mão de obra, para alocálos em pontos estratégicos a fim de estimular a venda de determinados produtos, assim seriam contemplados caso atingissem a meta com o prêmio e ainda o salário da empresa cedente de mão de obra. Cita para tanto o artigo 31, § 3o, da Lei no 8.212/1991, para definir o conceito de cessão de mão de obra, bem como os §§ 1° e 2° do Decreto no 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), e afastar assim a relação de trabalho entre tais segurados e a mesma. Cita ainda, por equívoco o artigo 30, inciso VI, da Lei no 8.212/1991, para justificar que não existia a possibilidades de se reter os valores para se eximir da responsabilidade solidária, regra esta aplicada unicamente a construção civil. Diante disso, essa alegação da Recorrente não será acatada, eis que ela, além de se fundamentar em regras não aplicáveis para o caso ora analisado, não comprova materialmente tal assertiva mediante juntada de provas documentais, tais como: os contratos de cessão de mão de obra, as Notas Fiscais ou faturas destes serviços, a relação destes funcionários cedidos, dentre outros elementos probatórios permitidos pela legislação vigente. Assim, cabia a Recorrente o ônus da prova de suas alegações, e quedouse inerte, seja na sua peça de impugnação de fls. 31 a 67 (acompanhada de anexos de fls. 68 a 140), seja na sua peça recursal de fls. 161 a 179 (acompanhada de anexos de fls. 180 a 498 – Volumes I, II e III). É importante esclarecer novamente que o presente lançamento foi apurado com base nos valores nominais dos prêmios creditados aos contribuintes individuais informados através de planilha elaborada e fornecida pela própria empresa. Com isso, rejeito a preliminar supramencionada e passo ao exame da preliminar de nulidade do lançamento fiscal ora analisado e constituído por meio da NFLD n° 37.058.2152. Ainda em preliminar, a Recorrente alega nulidade da NFLD sob o argumento de que a auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil e a unidade julgadora de primeira instância não fundamentaram ou explicitaram os motivos pelos quais entenderam que os valores pagos a título de prêmios para incentivo à produtividade fariam parte da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Alega que os valores lançados na presente notificação não foram devidamente provados e nem os fatos alegados foram claramente demonstrados, não tendo a fiscalização demonstrado os requisitos necessários para considerar os pagamentos efetuados aos segurados como se fossem decorrentes de remuneração. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 Tal alegação não será acatada, pois os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja: contribuições previdenciárias devidas pela empresa decorrentes dos valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, por meio de cartões de premiação, e apuradas mediante o levantamento “NFD” – Notas Fiscais. Portanto, os valores apurados no lançamento fiscal são as contribuições sociais decorrentes do fato gerador incidente sobre as verbas pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio de cartões de premiação, denominados “SPIRITCARD e PERFORMANCE CLASS”, para as competências 11/2003 a 12/2006. Percebese que, consoante o Relatório Fiscal de fls. 18 a 20, o valor tributável foi aferido com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas emitidas pelas fornecedoras dos prêmios, descontados das comissões, dos honorários e cartões de plásticos, e não discriminados quanto aos beneficiários. O valor tributável foi apurado conforme planilha “JJ NOTAS FISCAIS SALLES, ADAN E SPIRIT DIFERENÇAS NÃO IDENTIFICADAS”. Esclarecemos que existem outras duas Notificações em face do sujeito passivo, quais sejam: (i) NFLD no 37.058.2160 (processo no 18184.003168/200714), refere se ao levantamento “SID – SEGURADOS EMPREGADOS”, em que a base de cálculo das contribuições sociais foi apurada somente com base nos valores nominais dos prêmios creditados pela empresa a estes segurados, conforme planilha fornecida pela Recorrente; e (ii) NFLD no 37.058.2144 (processo no 18184.003166/200717), referese ao levantamento “CIN – Contribuintes Individuais”, em que a base de cálculo das contribuições sociais foi apurada somente com base nos valores nominais dos prêmios creditados pela empresa a estes segurados, conforme planilha fornecida pela Recorrente. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, já que, na NFLD com seus anexos, consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em vícios na NFLD, pois estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 20) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, dispõem o art. 142 do CTN e o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 508 11 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 18 a 20) e anexos da notificação são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais RFL (fls. 04 a 07). Anexo à notificação, foi enviado à empresa, por meio de arquivos digitais – conforme Recibo de arquivos entregues ao contribuinte de fls. 16 e 17 –, o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); a planilha “JJ NOTAS FISCAIS SALLES, ADAN E SPIRIT DIFERENÇAS NÃO IDENTIFICADAS”. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito. Além disso, no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 12 e 13) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 14 e 15), assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 18 a 20. Toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte, conforme se verifica no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação (FLD, DAD, DSD, RL e planilhas), os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade da NFLD são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade no lançamento fiscal ora analisado, e não serão acatadas. A constituição da NFLD foi detalhadamente descrita, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 12 conforme documentos às fls. 01 a 20, fornecendo todos os fatos necessários para sua compreensão e análise. Por tudo isso, não há que se falar em vícios e nulidade da notificação. Diante disso, não acato a preliminar ora examinada de nulidade e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: No aspecto meritório, a Recorrente não nega que concedeu aos segurados empregados e contribuintes individuais os valores decorrentes das parcelas pagas a título de programa de incentivo, por meio de cartão de premiação. Ela apenas entende que tais valores não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária por não possuírem natureza remuneratória. Tal alegação não deve prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência judicial e deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 18 a 20, a auditoria fiscal teve acesso as notas fiscais, tabela de incidência da folha de pagamento mediante listagem com valores descontados dos segurados contribuintes individuais e bases de cálculo referentes a segurados premiados, sendo que com base em tais documentos, verificouse que tais cartões eram destinados a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionados ao alcance de metas de desempenho, conforme relatado pela própria Recorrente em sua peça de impugnação de fls. 31 a 67. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente à eventual superação das metas ou expectativas de desempenho prédeterminadas pela mesma. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 509 13 O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199). Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603). Com isso, entendo que há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartão de premiação. Nesse sentido, registramos que há vários precedentes desta natureza prolatados por esta Corte Administrativa, então denominada 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes: Ac. 20600236, Ac. 20600286, Ac. 20600333, Ac. 20600949. Assim, peço vênia à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira para transcrever trecho de seu voto, condutor do Ac. 20601657, que enfrenta a questão ora posta em julgamento: Conforme discutido nos autos o ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: “Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 14 O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.” Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: “(...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta indicidual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...)” Claro é o posicionamento do STF, acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula n° 209, nestes termos: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 510 15 “Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade.” Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos.” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: “Art. 28 (...) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 16 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 16DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 511 17 h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos Fl. 17DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 18 de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Além disso, o texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: “No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado”.” Ademais, o art. 458 da CLT, §2º descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial. Senão vejamos: “Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Súmula nº 258 do TST.) Fl. 18DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 512 19 § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII – VETADO.” Logo, entendo que são devidas as contribuições sociais lançadas no presente processo, eis que os valores pagos pela Recorrente, por meio de cartão de premiação, aos seus segurados empregados e contribuintes individuais são utilizados como estímulo ao incremento de produtividade, possuindo assim natureza remuneratória. Ou seja, são valores pagos em função da melhor qualidade e produção do trabalho e devem integrar a base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária, conforme determina a Lei no 8.212/91, em seu artigo 28, incisos I e III. A Recorrente insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova testemunhal e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito, tais como a prova testemunhal, quando não se referir a matéria fática documental, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova testemunhal que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 20 Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, na notificação com seus anexos (fls. 01 a 18), consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova testemunhal. Estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 20) – para o procedimento de lançamento fiscal analisado – todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Dessa forma, a realização de prova testemunhal, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. Com efeito, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicoprevidenciário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003167/200761 Acórdão n.º 240201.502 S2C4T2 Fl. 513 21 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Embora na essência não exista dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, entendo que a decisão do colegiado passou a ser no sentido do acolhimento parcial dessa preliminar argüida. Isto porque após a revogação acima a denominada “Relação de CoResponsáveis – CORESP” não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma coresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 21DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 22 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, embora não se atenda ao requerido para exclusão de sócios e diretores da “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, devese acolher parcialmente a preliminar para que se reconheça que a finalidade do documento é apenas indicar os representantes legais da empresa, “Representantes Legais – REPLEG”, como subsídio para a PFN. Voto pelo acolhimento parcial da preliminar de coresponsabilidade. Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 19515.002653/2003-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
FALTA DE RECOLHIMENTO. ERRO MATERIAL.
Constatada a inexistência de erro material no preenchimento dos DARF mantém-se a exigência das contribuições com os consectários do lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
É cabível a exigência de juros de mora com base na taxa Selic nos lançamentos tributários efetuados pela Receita Federal. Súmula CARF nº 4.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.541
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Esteve presente ao julgamento o Dr. André Torres, OAB/DF nº 35.161.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 FALTA DE RECOLHIMENTO. ERRO MATERIAL. Constatada a inexistência de erro material no preenchimento dos DARF mantém-se a exigência das contribuições com os consectários do lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC É cabível a exigência de juros de mora com base na taxa Selic nos lançamentos tributários efetuados pela Receita Federal. Súmula CARF nº 4. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte.
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ERRO MATERIAL. Constatada a inexistência de erro material no preenchimento dos DARF mantémse a exigência das contribuições com os consectários do lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC É cabível a exigência de juros de mora com base na taxa Selic nos lançamentos tributários efetuados pela Receita Federal. Súmula CARF nº 4. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Esteve presente ao julgamento o Dr. André Torres, OAB/DF nº 35.161. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 11/07/2003 para exigir o crédito tributário relativo ao PIS e COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento das contribuições detectada por meio de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados e pagos. Impugnando os autos de infração, o contribuinte acatou as autuações e efetuou o recolhimento dos valores lançados, exceto quanto às contribuições do mês de abril de 2000. Quanto aos valores relativos a esta competência, disse que a partir de 01/04/2000 incorporou a empresa CRL Comércio Importação e Exportação S/A e passou a responder por seus deveres e direitos. Ao recolher o PIS e a Cofins referente a esse período de apuração, deveria ter recolhido com sua própria razão social e CNPJ mas, por engano, as contribuições foram recolhidas sob a razão social da empresa CRL. Informou que iria formalizar processo de REDARF para regularizar o pagamento. Impugnou os juros de mora calculados pela a taxa SELIC e a multa de ofício por ter caráter de confisco e não corresponder à realidade dos fatos. A 9ª Turma da DRJ em São Paulo I, por meio do Acórdão nº 169.962, de 8 de agosto de 2006, manteve o lançamento em julgado cuja ementa segue parcialmente transcrita: “(...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PAGAMENTO ANTERIOR À AÇÃO FISCAL NÃO COMPROVADO – DARF PREENCHIDO INCORRETAMENTE. RETIFICAÇÃO DO DARF REDARF E APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. Restando incomprovado nos autos que houve, em parte, lançamento indevido do imposto, pela não consideração de RECOLHIMENTO efetuado em DARF antes da ação fiscal, é de se manter o lançamento. (...)” Regularmente notificado daquele Acórdão em 03/04/2007, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 333/364, em 03/05/2007. Alegou que a decisão recorrida manteve o lançamento nos mesmos termos da autuação sem apresentar qualquer fundamento efetivo que sustentasse sua decisão. Reprisou as alegações de primeira instância no tocante ao pagamento parcial do crédito tributário, ao erro cometido no preenchimento do DARF relativo ao mês de abril e quanto às exigências dos consectários do lançamento de ofício, acrescentando ser incabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Requereu o cancelamento dos autos de infração. Por meio da Resolução nº 340300.037 o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: “(...) Conquanto o contribuinte não tenha feito a solicitação de REDARF conforme disse que faria na impugnação, verifico que sua argumentação está Fl. 509DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.002653/200311 Acórdão n.º 3403001.541 S3C4T3 Fl. 2 3 amparada em documentos que sugerem que deve ter havido erro de fato nos pagamentos do mês de abril de 2000. Na fl. 36 se pode verificar que a fiscalização apurou R$ 109.689,24 a título de diferença de PIS em relação ao fato gerador de abril de 2000. Na fl. 135 existe a cópia de um DARF no valor de R$ 76.010,30 preenchido com o CNPJ 00.640.509/000107 e na fl. 136 a cópia de um comprovante emitido pela Receita Federal relativo ao mesmo CNPJ referente ao PIS no valor de R$ 33.678,93. A soma desses dois valores coincide com o que a fiscalização apurou no lançamento de ofício. Quanto à Cofins, para o mesmo mês de abril, consta na fl. 187 que a fiscalização apurou uma diferença de R$ 506.257,98. Na fl. 288 existe a cópia de um DARF no valor de R$ R$ 350.816,77 preenchido com o CNPJ 00.640.509/000107 e na fl. 289 a cópia de um comprovante emitido pela Receita Federal relativo ao mesmo CNPJ referente à Cofins no valor de R$ 155.441,21. A soma desses dois valores também coincide com o valor apurado pela fiscalização para o mês de abril. O CNPJ 00.640.509/000107 se refere ao contribuinte CRL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, cuja assembléia que decidiu pela sua extinção por incorporação ocorreu no dia 01/04/2000, conforme os documentos de fls. 254/258 e 281/282. Tendo em vista que os DARF em questão se referem ao mesmo mês de competência em que se decidiu pela incorporação, se não houver DCTF entregue pela empresa extinta consignando os mesmos débitos, é bem provável que os pagamentos tenham sido feitos em nome do contribuinte errado. Tudo depende da data em que a incorporada foi extinta. Entretanto, essa verificação mais aprofundada não pode ser feita em sede de julgamento de recurso voluntário. O procedimento correto da recorrente no caso de erro de fato cometido nos pagamentos, seria formular pedido de retificação de DARF, previsto à época dos fatos na IN SRF nº 403, de 11 de março de 2004, posteriormente revogada pela IN SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006. A competência para tal procedimento está prevista no art. 6º da IN SRF nº 403, de 2004 e no art. 8º da IN SRF 672, de 2006. Portanto, não vejo como este colegiado possa aceitar os DARF do mês de abril de 2000, com base no alegado erro de fato, sem que antes os pagamentos sejam retificados e realocados ao débito da recorrente pela autoridade competente para tanto. Estando exaurido o prazo de cinco anos a que se refere o art. 13 da IN SRF nº 672, de 2006, o contribuinte perdeu o direito de requerer ele próprio a retificação. Contudo, a documentação anexa aos autos revela uma grande probabilidade de que o erro alegado tenha realmente ocorrido. Assim sendo, considero plenamente aplicável ao caso concreto o parágrafo único do art. 13 da IN SRF nº 672, de 2006, que autoriza a retificação de ofício dos pagamentos. O fundamento desse parágrafo único encontrase no fato de que a Administração Pública deve nortearse pelos princípios da legalidade, da moralidade e da razoabilidade. Se o pagamento foi feito com erro e se esse erro estiver Fl. 510DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 comprovado, nada mais justo que a própria administração o corrija de modo a não prejudicar quem já quitou suas obrigações tributárias. Desse modo, valhome do art. 13, parágrafo único, da IN SRF nº 672, de 2006, para votar no sentido de converter este julgamento em diligência e solicitar à autoridade competente que jurisdiciona o contribuinte, que inicie o procedimento de ofício de retificação dos pagamentos relativos ao PIS e Cofins do mês de abril de 2000. Para tanto, a autoridade competente não está adstrita aos documentos anexados a este processo, podendo recorrer aos sistemas de controle da Receita Federal e também intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que forem considerados necessários para que a autoridade forme sua convicção sobre o eventual erro cometido. Observo que este pedido de diligência não está determinando que a autoridade retifique os pagamentos, mas apenas e tãosomente que inicie e conclua o procedimento. A formação da convicção sobre a existência do erro cometido e o juízo sobre a decisão de retificar ou não os pagamentos é da autoridade administrativa, conforme preceitua a IN SRF nº 672, de 2006. Uma vez concluído o procedimento acima solicitado, os autos do procedimento de retificação, com a solução favorável ou não à retificação e realocação do pagamento em favor da autuada, deverão ser enviados a este Colegiado junto com este processo, a fim de que o Colegiado prossiga no julgamento do recurso voluntário.” Os autos retornaram com os documentos de fls. 421 a 458 onde foram juntadas as DCTF apresentadas pela empresa CRL e a informação da autoridade administrativa dando conta que de que não é possível efetuar o procedimento de retificação de DARF, pois a CRL apresentou DCTF e os DARF a serem retificados estão alocados para quitação dos débitos informados naquelas DCTF. Por meio da Resolução nº 3403000.236 o julgamento foi convertido em diligência apenas para que o contribuinte tomasse ciência das razões pelas quais o procedimento de retificação dos DARF não podia ser efetuado. Regularmente notificado às fls. 461/461v, o contribuinte manifestouse às fls. 462/463, alegando que diante do resultado da diligência os pagamentos foram devidamente realizados e validados pela fiscalização, não havendo débitos pendentes ou passíveis de cobrança no presente processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe rechaçar a alegação de ausência de fundamentação da decisão de primeira instância e que a turma de julgamento utilizou a mesma fundamentação da fiscalização. A fiscalização autuou a recorrente sob a alegação de falta de recolhimento. Já a DRJ considerou que os autos de infração deveriam ser mantidos porque o contribuinte Fl. 511DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.002653/200311 Acórdão n.º 3403001.541 S3C4T3 Fl. 3 5 concordou com parte do lançamento ao efetuar os pagamentos e também porque não houve a retificação dos DARF do mês de abril de 2000. Portanto, sem razão a recorrente. O julgamento foi convertido em diligência porque o contribuinte alegou que houve erro de fato no preenchimento dos DARF do mês de abril e os documentos apresentados sugeriam que tal erro poderia realmente ter ocorrido, caso a empresa incorporada não tivesse apresentado DCTF. Entretanto, com a diligência efetuada verificouse que não existiu o alegado erro de preenchimento nos DARF, pois existem DCTF apresentadas pela CRL declarando débitos no mês de abril e os DARF citados comprovam a extinção dos referidos débitos em nome daquela empresa. Portanto, a conclusão a que se chega é exatamente a oposta daquela a que chegou a recorrente na manifestação apresentada às fls. 462/463, ou seja, os débitos de PIS e Cofins, existentes em nome da autuada em abril de 2000, estão em aberto, fato que justifica a manutenção dos lançamentos de ofício com seus consectários. Relativamente à multa de ofício, verificase pelos demonstrativos de fls. 32 (PIS) e de fls. 183 (Cofins) que foram lançadas as diferenças não declaradas e não recolhidas, hipótese que se enquadra perfeitamente no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, vigente à época dos fatos. No tocante à violação de princípios constitucionais, é pacífico entendimento no sentido de que os órgãos administrativos de julgamento não possuem competência para afastar a aplicação da lei por inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanto à aplicação a taxa Selic nos lançamentos de ofício, a matéria é objeto do enunciado nº 4 da Súmula de Jurisprudência do CARF, verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –SELIC para títulos federais.” A recorrente insurgese também contra a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. No demonstrativo anexo à intimação que foi enviada à recorrente com a decisão de primeira instância (fls. 328/329), verificase que foram discriminados os valores das contribuições remanescentes após a decisão de primeira instância e o valor das multas, com a redução de 30%, caso não houvesse recurso voluntário. Na nota 1 do referido demonstrativo consta que “Os valores acima correspondem a valores originais. O pagamento deverá ser efetuado com os acréscimos legais cabíveis”. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Tendo em vista que a nota 1 se refere de forma genérica aos valores discriminados no demonstrativo, é possível interpretar que os acréscimos legais incidirão sobre a totalidade dos “valores acima”, nos quais estariam incluídos a multa de ofício. Considerando que este fato surgiu neste processo quando foi efetuada a intimação da recorrente da decisão de primeira instância, considero que o recurso voluntário é o momento oportuno para contestálo, uma vez que este recurso representa a primeira oportunidade que a recorrente teve para se manifestar nos autos após a decisão de primeira instância. Esta questão não é nova no CARF. A antiga Segunda Câmara do Segundo Conselho já teve a oportunidade de enfrentar a matéria no julgamento que culminou no Acórdão nº 20216.397, de 14 de junho de 2005, da relatoria do Conselheiro Antonio Zomer, cujo voto adoto como fundamento da presente decisão, verbis: “(...) Por fim, insurgese o recorrente sobre a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada, alegando absoluta falta de previsão legal, citando o Acórdão nº 10419.184, no qual ficou assentado o seguinte: “[...] a incidência dos juros de mora se faz sobre o tributo devido. Não, sobre a penalidade de ofício.” Acrescenta que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode embasar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício, porque ao se utilizar do termo “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, só poderia estar se referindo a débitos ainda não lançados, posto que está a regular a aplicação sobre estes da multa de mora. Segundo o recorrente: “[...] o procedimento adotado pelo Fisco somente teria sentido se a multa correspondesse ao valor principal do débito fiscal, ou seja, na hipótese prevista no artigo 43 da Lei 9.430/96, em que a exigência do crédito tributário corresponde exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Nesta hipótese, como a multa e/ou os juros corresponderiam ao valor principal do débito, sobre estes valores poderiam ser aplicados os juros.” A questão da cobrança de juros sobre a multa proporcional, lançada conjuntamente com o tributo ou contribuição foi objeto de estudo por parte da Secretaria da Receita Federal, que exarou o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, em que se concluiu o seguinte: “3. (...) Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95”. A conclusão acima foi extraída da interpretação dada ao art. 61 e § 3º da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória nº 1.62131, de Fl. 513DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.002653/200311 Acórdão n.º 3403001.541 S3C4T3 Fl. 4 7 13/01/98, que deu origem à Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Esses dispositivos têm a seguinte redação: Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. .........................................” (g.n.) Lei nº 10.522/2002 (MP nº 162131/98): “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (g.n.) Não me parece que a palavra “débitos” utilizada pelo caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96 está a contemplar o principal e a multa de ofício. Com efeito, se assim fosse, esse dispositivo estaria a amparar a cobrança da multa de mora sobre a multa Fl. 514DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 de ofício, pois que, taxativamente, prega que “Os débitos para com a União, [...] serão acrescidos de multa de mora. Assim, não vejo como o § 3º do referido artigo possa embasar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, porque não é dado à autoridade administrativa aplicar um dispositivo legal apenas em parte. A se entender que o termo “débitos” encampa o principal e a multa de ofício, não se pode fazer incidir a multa de mora, disposta no caput, sobre o principal e os juros de mora, tratados no § 3º sobre o principal e a multa de ofício. Como ensina o mestre Gilberto Ulhôa Canto, em trecho já transcrito neste voto, um erro grave que se comete com lastimável freqüência no trato das questões tributárias é buscar na Lei uma amplitude de aplicação que do seu teor não se infere. Esta é a situação do Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, que buscou dar ao caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96 uma abrangência que ele não tem. Por outro lado, o art. 29 da MP nº 162131/98, embora utilize a expressão “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições”, que abarca o principal e a multa de ofício, restringe a sua aplicação ao acrescentar: “constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994”. De fato, esta restrição à aplicabilidade desse dispositivo é extraída do próprio Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, conforme consta do seu item 3, b, quanto assevera: “Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, [...] desde que estejam associadas a [...] fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94.” Como se vê, o caput do art. 29 da MP nº 1.62131/98 não prescreveu a incidência dos juros de mora, pela Taxa Selic, sobre as multas de ofício decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997. Esta abrangência tampouco pode ser encontrada no parágrafo 1º do referido dispositivo legal, que apenas regula a constituição dos créditos tributários tratados no caput a partir de 01/01/1997, ou seja, trata do lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/1994. Reforça este entendimento a expressão “constituídos ou não” inserida no caput do art. 29, quando determina a conversão de UFIR para Real. De igual forma, os demais parágrafos do art. 29 não trataram dos fatos geradores posteriores a 01/01/1997, até porque, como esclarece o Manual de Redação da Presidência da República (2ª edição, revista e atualizada. Brasília, 2002): “Os parágrafos constituem, na técnica legislativa, a imediata divisão de um artigo, ou, como anotado por Arthur Marinho, “(...) parágrafo sempre foi, numa lei, disposição secundária de um artigo em que se explica ou modifica a disposição principal”.1 Assim, o art. 30 da Lei nº 10.522/2002 (originada da MP nº 1.621), ao determinar a incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic sobre os débitos de qualquer natureza tratados no art. 29 da mesma lei, não pode alcançar as multas 1 MARINHO, Arthur de Sousa. Sentença de 29 de setembro de 1944, in Revista de direito administrativo, vol. I, p. 227 (229). Cf. também PINHEIRO, Hesio Fernandes. Técnica legislativa, 1962. p. 100. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.002653/200311 Acórdão n.º 3403001.541 S3C4T3 Fl. 5 9 de ofício proporcionais a tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01/01/1997. O entendimento de que os artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002 prescrevem a cobrança de juros de mora, calculados com base na Taxa Selic, sobre as multas de ofício decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram até 31/12/1994 pode ser conferido no Acórdão nº 10194.931, de 14/04/2005, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, sintetizado na seguinte ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – Compete aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância. CSLL – ANISTIA – EFEITOS DE PAGAMENTO A MENOR – O pagamento insuficiente, na hipótese de opção pelo pagamento integral, implicará na exigibilidade da parcela não paga com os acréscimos legais incidentes na sua totalidade. CSLL ANISTIA. MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA NORMAS TRIBUTÁRIAS. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela legislação então vigente sujeitandose à incidência de juros de mora o recolhimento, fora do prazo legal, de multa por lançamento de ofício referente a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994. Nos termos do artigo 106, inciso II, “c”, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, sendo devidos os juros de mora previstos pela legislação de regência em razão de sua natureza remuneratória.” (grifei) Cabe aqui investigar, então, qual o fundamento legal do Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, para concluir, no seu item 3, a, que: “[...] desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, [...] desde que estejam associadas a [...] fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97.” Da leitura dos dispositivos legais que disciplinaram a cobrança dos juros de mora de forma diferente do estatuído no art. 161 do CTN, depreendese claramente que os legisladores definiram, como base de incidência desse encargo, primeiramente, os “tributos e contribuições”, conforme se pode conferir nas Leis nºs 8.383/1991, art. 59 e 8.981/1995, art. 84. Posteriormente, a Lei nº 9.430, de 1996, utilizou a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” e a MP nº 1.62131, de 13/01/1998, ampliou a expressão para “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União”. Da análise mais acurada do citado parecer, constatase que ele decorre do pedido de homologação do Parecer nº 01, de 16/02/98, elaborado pela DISIT/SRRF/10ª RF que, a par da expressão utilizada pela Lei nº 9.430/96, assim se manifestou em seu item 4: Fl. 516DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 “4. Vale acrescentar, ainda, que a Lei n° 9.430, de 27/12/96, ao tratar de multas e juros, prescreve em seu art. 61: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 4.1 Entendendose “débitos decorrentes de tributos e contribuições” como “débitos vinculados a tributos e contribuições”, as multas de ofício estariam sendo consideradas, e não somente os “débitos correspondentes a tributos e contribuições”. Tal entendimento é reforçado pelo art. 43 da mesma Lei, que permite a formalização da exigência de crédito tributário referente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente, e autoriza, em seu parágrafo único, a incidência de juros de mora – calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, SELIC, para títulos federais – sobre o crédito, assim constituído, e não pago no respectivo vencimento, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Vejase que o parecerista da DISIT/SRRF/10ª RF não afirmou, taxativamente, que os juros de mora incidem sobre as multas de ofício lançadas sobre fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, apenas levantada a hipótese de que elas “estariam sendo consideradas” no termo “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, se se entendesse esta expressão como “débitos vinculados a tributos e contribuições”. Tanto é assim, que a ementa desse parecer prescreve a incidência dos juros somente sobre as multas decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, estando redigida nos seguintes termos: “A partir de 01/01/1997, incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, sobre tributos, contribuições e multas de ofício, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/94, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31/08/95 (art. 29 da atual Medida Provisória n° 1.62131, de 13/01/98).” O Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98, ao homologar o Parecer da DISIT/SRRF/10ª RF, afirma, em seu item 2: “2. O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n° 1.62131, de 13.01.98, no art. 84 da Lei n° 8.981/95 e no art. 13 da Lei n° 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 31.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.08.95, estão sujeitas à incidência de juros de Fl. 517DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.002653/200311 Acórdão n.º 3403001.541 S3C4T3 Fl. 6 11 mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3°, da Lei n° 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições – inclusive, pois, os relativos às multas de ofício não pagos nos respectivos vencimentos.” Com a devida vênia, não encontro no Parecer nº 01, de 16/02/98, exarado pela DISIT/SRRF/10ª RF, a conclusão homologada pelo Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de que os juros de mora, calculados com base na Taxa SELIC, incidem sobre as multas de ofício associadas a fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997. Não há dúvida, porém, que aquele Parecer reconhece que esses juros são aplicáveis nos casos de constituição de crédito tributário relativo à multa de ofício ou de mora, ou a juros de mora, de forma isolada ou conjuntamente, nos termos da expressa previsão legal disposta no art. 43 da Lei nº 9.430/96 da seguinte forma: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Entretanto, esta previsão não pode justificar a interpretação ampliada dos demais dispositivos, com o fim de incluir na previsão legal aquilo que a lei não regulou. Assim, após acurada análise dos dispositivos legais que trataram da incidência de juros de mora sobre os débitos para com a União de maneira diferente do disposto no art. 161 do CTN, concluo pela improcedência da cobrança deste encargo, com base na Taxa Selic, sobre as multas de ofício lançadas sobre tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01/01/1997. Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício não pagas no vencimento, dos juros previstos no art. 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? Fl. 518DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. (...)” Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso apenas para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Antonio Carlos Atulim Fl. 519DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11634.720175/2017-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do Art. 33, do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão. Constatando-se, nos autos, a intempestividade do Recurso Voluntário, não se deve conhecer das razões de mérito.
INTIMAÇÃO. CIÊNCIA ELETRÔNICA POR DECURSO DE PRAZO.
Considera-se ciente o contribuinte em seu domicílio tributário eletrônico (DTE), por decurso de prazo, após transcorridos 15 dias da data da disponibilização do Acórdão na Caixa Postal, caso o sujeito passivo não tenha efetuado consulta antes deste prazo.
Numero da decisão: 1401-006.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por sua intempestividade.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: André Severo Chaves
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do Art. 33, do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão. Constatando-se, nos autos, a intempestividade do Recurso Voluntário, não se deve conhecer das razões de mérito. INTIMAÇÃO. CIÊNCIA ELETRÔNICA POR DECURSO DE PRAZO. Considera-se ciente o contribuinte em seu domicílio tributário eletrônico (DTE), por decurso de prazo, após transcorridos 15 dias da data da disponibilização do Acórdão na Caixa Postal, caso o sujeito passivo não tenha efetuado consulta antes deste prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 75 /2 01 7- 53 Fl. 5004DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 07-41.571, da 6ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Transcreve-se, portanto, o relatório da supracitada DRJ, que resume o presente litígio: “Por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 18, de 19/05/2017 (fl. 4.903), expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR, foi a requerente excluída de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, com efeitos a partir de 23/10/2012 (data de início de atividade), devido ao fato de a contribuinte ter incorrido na hipótese prevista no art. 3º, inciso II, §§ 2º e 4º, inciso V, § 10 e art. 29, inciso I, todos da Lei Complementar n.º 123, de 2006, em virtude da constatação de grupo econômico cujo faturamento ultrapassa o montante permitido no Simples Nacional, além de ter sido constatado também que o titular da empresa requerente exerce a função de administrador do grupo econômico. Segundo consta dos autos, referido grupo econômico é composto pela empresa requerente em conjunto com as empresas DINÂMICA DISTRIBUIDORA DE CARTÕES TELEFÔNICOS LTDA (CNPJ n.º 12.465.590/0001-07) e EXEMPLO PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA (CNPJ n.º 11.746.562/0001-03), sendo que, de acordo com pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portal e-Processo), a empresa DINÂMICA também foi excluída do Simples Nacional, por meio do ADE n.º 19, de 19/05/2017 (PAF n.º 11634.720176/2017-06), ao passo que contra a empresa EXEMPLO foram lavrados Autos de Infração (PAF n.º 11634.720165/2017-18) onde foram formalizados créditos tributários referentes a contribuição previdenciária patronal, contribuição previdenciária de segurados e contribuição para terceiros, exigências fiscais estas cuja responsabilidade solidária foi atribuída aos administradores do grupo, à empresa DINÂMICA e também à requerente. Inconformada com a autuação de que trata o PAF n.º 11634.720165/2017- 18, a requerente apresentou impugnação que a autoridade preparadora colacionou às fls. 4.910 a 4.933 do presente processo, a título de manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples Nacional, e por meio da qual a requerente, em síntese: Alega que inexiste qualquer elemento hábil que caracterize a ocorrência de grupo econômico entre as empresas autuadas, havendo o Fisco se baseado apenas em pressuposições que, por si só, não caracterizam a formação de grupo econômico e tampouco autorizam a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica e a desconstituição das empresas enquadradas como responsáveis solidárias do Simples Nacional; Discorre sobre os elementos caracterizadores do grupo econômico de direito, segundo o disposto nos artigos 265 e 271 da Lei n.º 6.404, de 1976, para destacar que são imprescindíveis à aludida caracterização (i) o controle de uma sociedade sobre todas as demais; e que este controle esteja fundado na (ii) titularidade de ações ou de cotas ou, ainda, mediante acordo entre os sócios; Na sequência, discorre sobre os elementos caracterizadores do grupo econômico de fato, aduzindo que tal caracterização ocorre quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria e que, sob este prisma, o grupo econômico de fato é aquele existente entre sociedades que estão relacionadas em decorrência da participação que uma possui na outra; Fl. 5005DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 Neste rumo, reproduz excertos de julgados coligidos no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná e no Superior Tribunal de Justiça que veiculam o entendimento segundo o qual a caracterização de grupo econômico impõe a demonstração de que a empresa devedora pertence a grupo de sociedades sob o mesmo controle e com estrutura meramente formal, o que ocorre quando diversas pessoas jurídicas do grupo exercem suas atividades sob unidade gerencial, laboral e patrimonial, e, ainda, quando se visualizar a confusão de patrimônio, fraudes, abuso de direito e má- fé com prejuízo a credores; Dado este quadro, sustenta a inexistência de qualquer relação jurídica ou de fato entre a requerente e as demais empresas citadas que ensejem a caracterização de grupo econômico, ao argumento de ser imprescindível a esta caracterização a participação da requerente nas demais empresas que compõem o referido grupo, além de ser necessária a demonstração de que as empresas supostamente relacionadas tenham entre si o mesmo controle, estrutura meramente formal e o exercício de suas atividades sob unicidade gerencial, laboral e patrimonial, sem prejuízo da necessária visualização de confusão patrimonial e abuso de direito com o intuito de prejudicar terceiros; Reclama que o Fisco baseou suas conclusões em meros indícios, não conclusivos acerca do fato, e, para corroborar a inexistência de matéria probatória, alega que a fiscalização citou a utilização da mesma estrutura administrativa, contábil e jurídica, como se isto, por si só, demonstrasse a existência de relação empresarial entre as pessoas jurídicas citadas, além do que, conforme consta do Relatório Fiscal, as empresas em questão sequer estão sediadas no mesmo endereço; Argumenta, no ponto, que, mesmo que tais empresas tivessem o mesmo endereço profissional, a simples coincidência entre os endereços de pessoas jurídicas distintas não é suficiente para demonstrar a ocorrência de fraude ou infração à lei que dê azo à caracterização de grupo econômico; Alega não haver entre a requerente e as empresas citadas qualquer relação de subordinação entre si, nem relação de coordenação entre as mesmas, além do que também não se vislumbra a ocorrência e fraude, abuso de direito e má-fé com prejuízo de credores; Repisa que, para a caracterização de grupo econômico, além dos demais requisitos, é imprescindível que se esteja diante de sociedades controladas e de outra controladora, o que alega não ocorrer na espécie; Em razão disso, alega que a requerente deve permanecer enquadrada no Simples Nacional e, por decorrência lógica, os lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias e de terceiros, além de multas e encargos legais devem ser desconstituídos, ante a impositiva não incidência dessas exações perante o regime de tributação simplificado; Finalmente, contesta a aplicação da multa de ofício qualificada acessória às contribuições exigidas por meio dos Autos de Infração que constituem o objeto do PAF n.º 11634.720165/2017-18.” A seguir a transcrição da ementa do órgão julgado de 1ª instância: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2012 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. UNICIDADE DE DIREÇÃO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na legislação que disciplina o Simples Nacional, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, quando a receita bruta global, obtida no ano-calendário, ultrapassa o limite legal estabelecido. Fl. 5006DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio No acórdão proferido pela DRJ, esta destacou as seguintes razões: “Encaminhado o processo pela autoridade preparadora, nos termos do regimento interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), procede-se ao julgamento. No que concerne à matéria que constitui o objeto do presente processo, qual seja, a exclusão da requerente do Simples Nacional, a inconformidade da interessada cinge-se à alegação de que não estaria presente nos autos, a prova conducente à caracterização de um grupo econômico formado pela requerente e as empresas DINÂMICA DISTRIBUIDORA DE CARTÕES TELEFÔNICOS LTDA (CNPJ n.º 12.465.590/0001-07) e EXEMPLO PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA (CNPJ n.º 11.746.562/0001-03). No ponto, porém, convém assinalar que o conceito de grupo econômico, em face da evolução nas relações empresariais no mundo globalizado, tem sido interpretado de maneira mais ampla, e já não é visto de forma rígida (somente se houver vínculo formal, com participação acionária entre as empresas), conforme demonstrado pela jurisprudência abaixo: EXECUÇÃO. GRUPO ECONÔMICO. ART. 2º, § 2º DA CLT. PRESSUPOSTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No contexto da vocação juslaborista, a configuração de grupo econômico refoge aos pressupostos da legislação comercial. Sob aquele enfoque, suficiente a ligação empresarial fundada na concentração da atividade empreendedora em idêntico empreendimento, seu controle e gestão atribuídos a um dos sócios comuns, ou seja, um elo de interligação e coordenação interempresarial, tendo em vista a consecução de finalidades comuns e correlatas, independentemente da personalidade jurídica atribuída. Inocorrendo demonstração inequívoca da figura elencada no art. 2º, § 2º consolidado, não há que se aventar de grupo econômico. (TRT da 12ª Região, AP 02705-2003-007-12-00-1, Sexta Câmara, Relatora Ligia Maria Teixeira Gouvêa, TRTSC/DOE de13/05/2011) GRUPO ECONÔMICO - CARACTERIZAÇÃO - Para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico, basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente do controle e fiscalização de uma empresa-líder. Basta uma relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2º, parágrafo 2º da CLT. (TRT 3ª R. - 4T - RO/8486/01 - Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). GRUPO ECONÔMICO - CARACTERIZAÇÃO. Tendo em vista que no Direito do Trabalho a fixação do grupo econômico não se reveste daquelas características e exigências comuns da legislação comercial, bastando que haja o elo empresarial, a integração entre as empresas, a concentração da atividade empresarial num mesmo empreendimento, independentemente de diversidade da personalidade jurídica e, ainda, se as empresas têm o seu controle e a sua administração dividido entre vários sócios, pessoas físicas, os quais respondem para com a sociedade e para com terceiros, solidária e ilimitadamente, pelo excesso de mandato e pelos atos que praticarem com violação da Lei e do estatuto, e também considerando que possuem sócios em comum, configurada está a existência de grupo econômico e, em conseqüência, aplicável, o disposto parágrafo 2º do art. 2º da CLT. Esta, a propósito, Fl. 5007DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 é uma hipótese em que a solidariedade resulta não só da lei, mas também da própria vontade dos contratantes. E além do mais, é suficiente para a caracterização de grupo econômico uma relação de coordenação entre as diversas empresas, sendo irrelevante a prova de dominação de uma sobre as outras, bastando que haja indícios da existência de uma coordenação interempresarial com objetivos comuns, valendo frisar, por fim, que a presunção também se constitui meio de prova para configuração do grupo econômico, tal como preceitua o art. 212, IV, do Código Civil c/c art. 335 do Código de Processo Civil. (TRT 3ª R. - 2T - RO/00637/04 - Rel. Juiz Rodrigo Ribeiro Bueno DJMG 04/11/2004 P.10). GRUPO ECONÔMICO. REQUISITOS PREENCHIDOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Para a caracterização de grupo econômico, exige-se a simples relação de coordenação entre as empresas, mediante a informalidade do Direito do Trabalho, sendo desnecessária a vinculação formal societária entre as empresas, já que se busca a garantia da solvabilidade dos créditos trabalhistas, dada a sua natureza alimentar, primando pela dignidade da pessoa humana e pelo valor social do trabalho, assegurados constitucionalmente. Do conjunto probatório existente nos autos, restou caracterizado, de forma evidente, que as rés foram beneficiárias da força de trabalho do reclamante, bem como a existência de laços de integração e coordenação nas atividades desenvolvidas pelas mesmas, atraindo o reconhecimento do grupo econômico para fins justrabalhistas, embora não configurado pelas regras do direito empresarial, impondo-se a responsabilização solidária de todas as reclamadas, com base no artigo 2º, § 2º, da CLT, assim como do artigo 942 do Código Civil Brasileiro de 2002. (TRT da 6ª Região, RO 0001156-12.2010.5.06.0121, Segunda Turma, Relatora Dione Nunes Furtado da Silva, Sessão de 01/06/2011) Os entendimentos doutrinários seguem no mesmo sentido das manifestações jurisprudenciais colacionadas, e contribuem para o esclarecimento do que deve ser entendido como grupo econômico. Nas palavras do professor Octavio Bueno Magano, “o grupo de empresas deve ser inicialmente caracterizado como fenômeno de concentração, incompatível com o individualismo, mas perfeitamente consentâneo com a sociedade pluralista a que corresponde o capitalismo moderno. Ao contrário da fusão e da incorporação que constituem a concentração na unidade, o grupo exterioriza a concentração na pluralidade. Particulariza-se, entre os demais de sua espécie, por ser composto de entidades autônomas, submetido o conjunto à unidade de direção”. (in Os Grupos de Empresas no Direito do Trabalho, São Paulo, ed. Revista dos Tribunais, 1979, p. 305). Como realidade do mundo econômico, o grupo se apresenta com as mais diversas feições, podendo ser realçadas as seguintes: “a do cartel, a do consórcio, a do truste, a da holding company, a da entende, a do pool, a da trade association, a do conglomerado, a da multinacional, a da joint venture, a do gran-perment d'intérêt économique, a do konzern”. Em continuação, o Prof. Magano define grupo de empresas, conforme segue: "Define-se o grupo como conjunto ou sociedades juridicamente independentes, submetidas à unidade de direção". Na lição de Délio Maranhão, “A solidariedade não se presume – diz o citado art. 896 do Código Civil – ‘resulta da lei ou da vontade das partes’. Mas a existência do grupo do qual, por força da lei, decorre a solidariedade, prova-se, inclusive, por indícios e circunstâncias. Tal existência é um fato, que pode ser provado por todos os meios que o direito admite” (in Instituições de Direito do Trabalho, vol. 1 – 15ª ed. – São Paulo: LTr, 1995, p. 297). O mencionado art. 896 corresponde aos artigos 264 e 265 do Código Civil vigente. Fl. 5008DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 Fábio Ulhoa Coelho, conceitua grupo de sociedades como “a associação de esforços empresariais entre sociedades, para a realização de atividades comuns” (in Manual de Direito Comercial. São Paulo. Ed. Saraiva, 1999, p. 303). José Antunes conceitua esta forma de concentração de empresas como “todo conjunto mais ou menos vasto de sociedades comerciais que, conservando embora as respectivas personalidades jurídicas próprias e distintas, se encontram subordinadas a uma direção econômica unitária e comum”. (in Direito dos Grupos de Sociedades. Jorge Lobo. Revista de Direito Mercantil, Brasil, v. 107, p. 102). No mesmo sentido, vale transcrever as palavras do professor e magistrado Sérgio Pinto Martins: Não é necessário que entre empresas haja controle acionário, nem que exista a empresa-mãe, a holding. O importante é que existam obrigações entre as empresas, determinadas por lei. É possível, também, a configuração do grupo de empresas quando o citado grupo seja dirigido por pessoas físicas com controle acionário majoritário de diversas empresas, havendo um controle comum, pois há unidade de comando, unidade de controle. A Lei nº 6.404/76 estabelece que o grupo deve ser necessariamente de sociedades, mas no Direito do Trabalho o grupo é mais amplo, pois é o grupo de empresas, dando margem à existência do grupo de fato ou do grupo formado por pessoas físicas. Assim, as pessoas físicas de uma mesma família que controlam e administram várias empresas formarão o grupo econômico, pois comandam e dirigem o empreendimento, não importando que tipo de pessoa detenha a titularidade do controle, se pessoa física ou jurídica. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 126) Extrai-se da doutrina supracitada que a caracterização de um grupo econômico de fato passa essencialmente pela unidade de gestão sobre uma pluralidade de sociedades formalmente independentes que atuam de forma integrada e coordenada. No presente caso, não há como negar que a requerente, em conjunto com as empresas DINÂMICA DISTRIBUIDORA DE CARTÕES TELEFÔNICOS LTDA e EXEMPLO PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA, compõe grupo econômico de fato, visto que além de desenvolverem atividades afins, tais empresas atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Dentre as provas coletadas e as constatações efetuadas pela autoridade fiscal, que demonstram que tais empresas compõem grupo econômico de fato, destacam-se as seguintes: a) A empresa requerente e, bem assim, as empresas EXEMPLO e DINÂMICA, são administradas pelos sócios MARCELO RAMIRES FERNANDES (CPF n.º 018.410.359-20) e CELSO HIROSHI MIYASAKI (CPF n.º 437.854.849-68), conforme contratos sociais e procuração colacionados às fls. 212 a 308 e 1.151 do processo; b) A sócia da empresa DINÂMICA, Sra. Jussamara da Silva Lessa (CPF n.º 022.068.759-50) consta como empregada da empresa EXEMPLO, conforme Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP) do período de 07/2010 a 05/2011; c) Foram identificados pagamentos extraídos da conta 5.7.03.007.4430 –Alugueis e Condomínios, pertencente ao grupo 5.7.03.- Despesas Administrativas, conforme consta do Razão extraído da contabilidade da empresa EXEMPLO, a funcionários registrados formalmente nas empresas DINÂMICA e DESTAQUE; d) Foram identificados pagamentos extraídos da conta 5.7.03.007.4430 –Alugueis e Condomínios, pertencente ao grupo 5.7.03.- Despesas Administrativas, conforme consta do Razão extraído da contabilidade da empresa EXEMPLO, aos administradores e sócios da empresa EXEMPLO, Marcelo Ramires Fernandes e Celso Hiroshi Miyasaki; Fl. 5009DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 e) Foi constatado que a empresa EXEMPLO pagou e contabilizou despesas de condomínio (taxa condominial e fundo reserva) relativas ao endereço da empresa DINÂMICA; f) Muito embora a empresa EXEMPLO tenha registrado formalmente apenas seis funcionários no período entre 2013 e 2015, foi constatada a existência de elevada compra de uniformes registrado na Conta 5.7.03.001.4352 – Uniformes, pertencente ao grupo 5.7.03.001 - Despesas com Pessoal; g) As notas fiscais apresentadas pela empresa EXEMPLO, em atendimento a intimação fiscal (TIF 02), apresentam elevado gasto com uniforme contabilizado na referida empresa, sendo que os funcionários do grupo econômico se encontram formalmente registrados nas empresas DINÂMICA e DESTAQUE; h) Referidas notas fiscais comprovam, por exemplo, a compra de mais de 150 (cento e cinquenta) uniformes para supervisor, ao passo que na empresa EXEMPLO havia apenas 1 (um) funcionário nesta atividade; além de compra de mais de 2.000 (duas mil) camisetas e compra de 350 (trezentos e cinquenta) camisetas “Eu Indico Tim”, usadas por vendedores; i) A maioria dos empregados do grupo econômico exercem a função de vendedor externo, sendo que, para custeio das despesas com pagamento de combustíveis e lubrificantes, constatou-se que os valores lançados eram exclusivamente na empresa EXEMPLO, em conformidade com o seguinte quadro demonstrativo (expresso em reais): j) A relação entre massa salarial, número de trabalhadores e faturamento obtido pelas empresas do grupo indica que os empregados que trabalham para tais empresas têm o vínculo empregatício apenas formalmente concentrado na empresa requerente (DESTAQUE) e na empresa DINÂMICA, cuja receita bruta declarada sequer é suficiente para o pagamento dos salários, ao passo que a empresa EXEMPLO, com número bem inferior de empregados formalmente contratados, é que apresenta faturamento mais do que suficiente para cobrir as despesas com salários dos empregados de todo o grupo, conforme evidenciado no seguinte demonstrativo (expresso em reais): k) Mediante análise dos extratos bancários relativos à conta 14940-3 da agência 3044, mantida pela empresa EXEMPLO, no Banco Bradesco, foram identificados pagamentos aos sócios e sócias da empresa do grupo econômico, conforme Demonstrativo dos Valores Pagos a Contribuintes Individuais na Condição de sócios ou administradores; e Fl. 5010DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 l) A própria empresa requerente figura em diversas ações trabalhistas onde reconhece a existência do indigitado grupo econômico, a exemplo do que se encontra consignado na petição inicial constante do processo trabalhista n.º 0000360-42.2016.5.09.0019 (fls. 2.922 a 3.406), e que apresenta o excerto contendo o seguinte teor: "Logo, requer seja reconhecido o grupo econômico entre as empresas DINÂMICA DISTRIBUIDORA DE CARTÕES TELEFÔNICOS LTDA, EXEMPLO PRESTADORA DE SERVIÇOES LTDA, DESTAQUE PRESTADORA DE SERVIÇOS - EIRELI, EQUILÍBRIO PRESTADORA DE SERVIÇOS DE COBRANÇAS - EIRELI -EPP, IDEAL PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA, bem como seja a presente contestação aceita por ambas empresas". Há, portanto, confusão patrimonial entre as citadas empresas que, além de serem dirigidas pelos mesmos administradores (unicidade de direção), também compartilham recursos financeiros e até mesmo empregados, o que caracteriza, desenganadamente, a existência do grupo econômico formado pela requerente e as empresas EXEMPLO PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA e DINÂMICA DISTRIBUIDORA DE CARTÕES TELEFÔNICOS LTDA. Nos termos do inciso II do art. 3º da Lei Complementar n.º 123, de 2006, o enquadramento da empresa de pequeno porte no Simples Nacional está condicionado à obtenção de receita bruta igual ou inferior ao limite de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) em cada ano-calendário, porém, de acordo com a Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples Nacional, colacionada às fls. 4.809 a 4.901, a receita bruta total declarada pelas empresas componentes do indigitado grupo econômico, relativamente ao ano-calendário em que a requerente foi constituída (2012), ultrapassou o referido limite, conforme consta evidenciado no seguinte quadro demonstrativo (expresso em reais): A rigor, dado que a requerente foi constituída em 23/10/2012, o limite de enquadramento seria ainda menor, eis que o § 2º do art. 3º da Lei Complementar n.º 123, de 2006, determina que este seja proporcional ao número de meses em que a empresa houver exercido atividade, inclusive as frações de meses. Ademais disso, tendo em vista que o sócio administrador da requerente, Sr. CELSO HIROSHI MIYASAKI, também administra as demais empresas componentes do indigitado grupo econômico, a exclusão do Simples Nacional é obrigatória, devendo a exclusão ser realizada de ofício, com efeitos retroativos à data de início das atividades da requerente, em face da falta de sua comunicação por parte da pessoa jurídica fiscalizada, nos termos do art. 3º, inciso II, §§ 2º e 4º, inciso V, § 10 e art. 29, inciso I, todos da Lei Complementar n.º 123, de 2006, que estabelece in litteris: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). Fl. 5011DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 (...) § 2º No caso de início de atividade no próprio ano-calendário, o limite a que se refere o caput deste artigo será proporcional ao número de meses em que a microempresa ou a empresa de pequeno porte houver exercido atividade, inclusive as frações de meses. (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V - cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (...) § 10. A empresa de pequeno porte que no decurso do ano-calendário de início de atividade ultrapassar o limite proporcional de receita bruta de que trata o § 2º estará excluída do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, com efeitos retroativos ao início de suas atividades. (...) Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darse- á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) Em face do exposto, VOTO PELA IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão da impugnante do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), realizada na forma do Ato Declaratório Executivo nº 18, de 19/05/2017, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR.” Cientificada da decisão de primeira instância em 02/05/2018 (Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo à e-Fl. 4.960), inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e-Fls. 51 a 57), em 26/07/2018. Em sede de recurso, a contribuinte, em síntese: i. Argui a tempestividade do Recurso Voluntário, tomando como base a data de 27.06.2018, que foi a data em que abriu o documento (Termo de Abertura do Documento à e-Fl. 4965); ii. Defende que embora conste nos autos o decurso do prazo em data anterior, tal ato não pode ser considerado como válido, com base na alínea “a”, inciso III, § 2º, do Art. 23, do Decreto nº 70.235/72; Fl. 5012DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 iii. Argumenta que durante todo o tramite processual a Recorrente foi intimada exclusivamente por correspondência postal, e que foi surpreendida com a alteração da forma de intimação sem qualquer aviso prévio; iv. No tópico preliminar, alega a nulidade do ADE por ser baseado em premissas, e conter ambiguidade da fundamentação legal utilizada; v. No mérito, reitera os argumentos da manifestação de inconformidade, arguindo primordialmente a inexistência de requisitos caracterizadores de grupo econômico, Após a apresentação do recurso, a unidade de origem proferiu o seguinte Despacho de Encaminhamento (e-Fl. 4.998): “Sr. Chefe,No presente caso, foi acionado a ciência eletrônica do Acórdão nº 07-41.571 da DRJ/FNS que julgou improcedente a Manifestação de inconformidade da Contribuinte no dia 17/04/2018 (fls. 4959), a ciência se deu por decurso de prazo no dia 02/05/2018 (fls. 4960).No dia 26/06/2018 a contribuinte acessou os documentos e no dia 26/07/2018 apresentou ¿Recurso Voluntário¿ no CAC da DRF/ Maringá (Dossiê 10010.043362/0718-07).Em seu recurso a contribuinte alega a tempestividade do documento. Assim exposto, mesmo que intempestivo, proponho o envio deste ao CARF/DF para prosseguimento. Cumpre esclarecer que não foi possível retornar a fase no Sief processos, por esse motivo encaminho na situação¿encerrado¿. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Do Exame de Admissibilidade Inicialmente, faz-se necessário analisar a tempestividade do presente Recurso Voluntário. Nos termos do Art. 33, do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão: Fl. 5013DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Ainda, quanto as formas possíveis de intimação, o Art. 23, do Decreto nº 70.235/72, prevê 03 (três) possibilidades: "Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1 o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:” Conforme depreende-se do dispositivo legal, todas as formas constantes nos incisos do Art. 23 são meios adequados para a realização da intimação, não havendo qualquer subsidiariedade. A única previsão de subsidiariedade prevista nesse artigo encontra-se no §1º, que se refere à intimação por edital, mas apenas qualquer restar improfícuo qualquer um dos meios previstos nos incisos I a III. Ademais, a possibilidade de intimação por meio do Termo de Ciência por Decurso de Prazo encontra-se prevista na alínea “a”, inciso III, §2º, do Art. 23, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 23 (...) § 2° Considera-se feita a intimação: Fl. 5014DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 (...) III - se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)” Dessa forma, não assiste razão a contribuinte quando alega que a RFB não poderia ter alterado a forma de intimação sem qualquer aviso prévio. Não existe qualquer vedação legal para tanto. No presente caso, verifica-se que a ciência se deu por decurso de prazo no dia 02.05.2018 (fls. 4960), entretanto, somente protocolizou o Recurso Voluntário em 26.07.2018 (e-Fl. 4.967). Tem-se portanto, que o recurso é manifestamente intempestivo, e não deve ser conhecido por este colegiado, tornando-se definitiva a decisão de 1ª Instância, conforme disciplina o Art. 42 , I, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto;” Pelo exposto, conclui-se que o presente Recurso Voluntário não cumpre um dos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, qual seja, a tempestividade, prevista no Art. 33, do Decreto 70.235/72, razão pela qual não deve ser conhecido. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 5015DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.720175/2017-53 Fl. 5016DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18184.003169/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES. PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas.
REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado.
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co-Responsáveis
CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação.
PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante, nos termos do art. 291, §1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.
MULTA. GRAU RETROATIVIDADE MÉDIA DA NORMA. PRINCÍPIO
DA RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à coresponsabilidade
para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de Co-Responsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida. Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por
unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 35A
da Lei n° 8.212/91, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES. PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante, nos termos do art. 291, §1o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. MULTA. GRAU RETROATIVIDADE MÉDIA DA NORMA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à coresponsabilidade para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de CoResponsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida. Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 566 3 Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 11/2003 a 12/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 14), a empresa apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências descritas nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD’s) nos 35.058.2143 (processo no 18184.003166/200717), 35.058.2152 (processo no 18184.003167/200761) e 35.058.2160 (processo no 18184.003168/200714). Registra que os fatos geradores não informados por intermédio das GFIP’s correspondem a remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio de cartões de premiação, emitidos pelas empresas ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA (antiga SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA) e SALLES, ADAN & ASSOCIADOS – MARKETING PROMOCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE e PROPAGANDA LTDA, no período de 11/2003 a 12/2006. Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF), datado de 03/09/2007, a empresa informa não ter transitado estes valores por folha de pagamento e consequentemente não foi gerada a GFIP correspondente. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 15) informa que foi aplicada a multa no valor de R$ 164.451,62 (cento e sessenta e quatro mil, quatrocentos e cinquenta e um reais e sessenta e dois centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o, da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528/1997, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Às folhas 16 a 21, seguem as planilhas “CONSOLIDADO NFLD’s PARA AI 68 e “CÁLCULO DA MULTA”, com o total da base de cálculo considerada por competência, bem como o valor das contribuições não declaradas e o valor da multa aplicada. O limite por competência está previsto no artigo 32, §4o, da Lei no 8.212/1991, seguindo a variação de 10 a 20 vezes o valor mínimo de R$ 1.195,13 (atualizado pela Portaria no 142 de 11 de abril de 2007), uma vez que o número de segurados da empresa enquadrase na faixa acima de 101 e abaixo de 1000 segurados no período. Consta do relatório que não ficaram configuradas circunstâncias agravantes ou atenuantes na ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/12/2007 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 30 a 67) – acompanhada de anexos de fls. 68 a 140 –, alegando, em síntese, que: I DAS PRELIMINARES: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 567 5 1. necessidade de sobrestamento do feito até o trânsito em julgado administrativo. Discorre a impugnante, aqui, a respeito dos vícios que, segundo ela, constam no presente auto de infração. Informa que não os valores pagos pela Impugnante através dos cartões de premiação não integravam a remuneração, sendo assim, não precisavam ser rubricados na GFIP nem inscritos na folha de pagamento, por ser fato estranho à situação informada nesses documentos. Ademais, tais importâncias não deixaram de ser contabilizadas pela impugnante, o registro foi próprio obedecendo regras gerais de contabilidade. Logo, pede pelo sobrestamento do julgamento do presente Auto de Infração, até que sejam julgadas as NFLD’s 37.058.2144, 37.058.2152, 37.058.2160, vez que podem ser consideradas improcedentes; 2. falta de Discriminação dos Fatos Geradores da NFLD. A autoridade não discriminou na NFLD os fatos geradores a que se refeririam os lançamentos efetuados, ofendendo assim o artigo 142, parágrafo único do CTN, e o artigo 37 da Lei 8.212/1991, que prevê que a NFLD deve discriminar clara e precisamente os fatos geradores das contribuições nela exigidas, diante disso requer seja anulada a presente NFLD, ante a frustração do devido processo legal pela inobservância das regras formais previstas, geral e individualmente no CTN e na Lei n. 8.212/91; 3. ilegitimidade passiva. Cessão de Mão de Obra e Responsabilidade Tributária Acessória. A empresa Impugnante maximizando a eficiência de seu negócio, terceirizou atividades laborais meio, contratando através de cessão de mãodeobra, promotores de venda. Tais colaboradores legalmente terceirizados eram cedidos e remunerados por empresas contratadas pela Impugnante. Cumprida a meta laboral, a Empresa de Marketing de Incentivo contemplava, através de cartões magnéticos os colaboradores cedidos com prêmios. Assim, sustenta que há apenas uma relação jurídica acessória entre a empresa cedente de mãodeobra e tomadora dos serviços haja vista a obrigação da contribuinte de reter 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal ou fatura, elencada no artigo 31 da Lei 8.212/91, pois que não cria regra de substituição tributária, há somente relação instrumental, com presunção relativa de cumprimento. Necessária, portanto à legalidade formal da NFLD a constituição do litisconsórcio passivo, notificandose simultaneamente a Impugnante e as empresas cedentes de mãodeobra beneficiada pelos cartões de premiação, diante desse vício insanável na presente fase, anula a NFLD impedindo sua materialização; 4. da falta de amparo legal para a lavratura da NFLD. A autoridade ignorou a existência de contrato de prestação de serviços celebrado entre Impugnante e as empresas de Marketing de Incentivo, cujo objeto é a promoção de campanha com a finalidade de premiar a título de incentivo à performance e produtividade, assim a legítima relação de prestação de serviços, cujos meios de execução, assim como os Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 objetivos traçados estão em perfeita harmonia com as normas vigentes e autorizada pela legislação civil; 5. a impossibilidade da responsabilização das pessoas arroladas. Entende que somente poderão ser responsabilizados os diretores, sócios gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado quando a obrigação tributária advir de um ato por eles praticado com excesso de poderes ou infração a Lei ou contrato social, o que não ocorreu e não restou comprovado em nenhum momento. Assim, a mera inadimplência não configura a prática de um ato com excesso de poderes ou com infração à Lei ou contrato social, e nem é possível cogitar da aplicação do artigo 124, inciso II, do CTN, o qual trata da responsabilidade solidária. II DO MÉRITO: 1. dos planos de incentivos adotados. O Auditor Fiscal não explicitou na presente Autuação quais as origens dos pagamentos realizados através das empresas de marketing de incentivo. Assim os programas reportavamse a três distintas abordagens: (a)funcionários com mais de vinte e cinco anos de serviços prestados para a empresa; (b) promotores de venda que cumprissem determinada quota; e (c) funcionários que contribuíssem com ideias adotadas pela empresa. Quanto aos promotores de vendas, a modalidade de premiação implantada pela empresa davase em relação aos promotores de venda que atuavam através de contratos de cessão de mão de obra, desta feita caso estes atingissem certa meta, seriam contemplados, alem dos salários que lhes era pago pela empresa cedente de mão de obra, com o valor do prêmio ofertado pela Impugnante, por intermédio de empresa de marketing de incentivo. Cita par tanto a definição de mão de obra dada pela Lei 8212/91, artigo 31, § 3o, e do Decreto 3.048/99, artigo 143, §§ 1°, 2° e 3°. Alega que não existe a possibilidade de se reter os valores para se eximir da responsabilidade solidária, conforme hipótese prevista no artigo 30, VI, presumindose a arrecadação dos valores nos termos do artigo 33, §5°. Contata ainda, que houve vício na autuação que nem logrou identificar a natureza e a origem dos valores recebidos pelos promotores de venda, nem como não buscou dados referentes a contribuições sociais eventualmente recolhidas pela empresa cedente de mão de obra; 2. hipótese de incidência tributária. Discorre pormenorizadamente acerca da hipótese de incidência das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, para concluir que o ato de pagar ou creditar valores somente gera a incidência, se o fato social ou jurídico que justificou o pagamento ou crédito gerou a filiação obrigatória ao RGPS do sujeito perceptor do valor pago ou creditado. Assim, os pagamentos ou créditos de valores cuja origem não configura contraprestação do trabalho, seja qual for a respectiva natureza ou rubrica, não desencadeiam a incidência e, por conseguinte não constituem a relação jurídica de custeio. Desta forma, a verba remuneratória compreendida pelo fato gerador é aquela que retribui o trabalho, verbas, não obstante deferidas no âmbito do pacto laboral cujo escopo não consiste na remuneração do trabalho, não integram o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 568 7 fato imponível, não podendo, como se verá, dimensionar a base de cálculo da hipótese de incidência. Discorre acerca dos conceitos de remuneração dados pelos artigos 457 e 458 da CLT, e conclui a partir daí que prestações in natura eventuais, não são compreendidas pela definição de remuneração. Contudo o artigo 22 do inciso I da Lei 8.212/91 diversamente do prescrito nos incisos II e III não limita o fato imponível da contribuição social sobre a folha ao ato de pagar ou creditar remuneração, inclui os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Conclui por final que o pagamento dos valores desvinculados da remuneração dada pelos artigos 457 e 458 da CLT só enseja a contribuição previdenciária se habitual; 3. diferença entre isenção e não incidência – valores que não integram a base de cálculo. Após discorrer entre as diferenças doutrinárias entre a não incidência e isenção, conclui que a verba recebida na relação laboral, necessariamente não constitui base de cálculo da contribuição sobre a folha mesmo diante da inexistência de hipótese de isenção que a contemple (§9° artigo 28 da Lei n. 8.212/91), pois a importância ante a não satisfação do fato gerador (contraprestação ao trabalho), pode não gerar incidência. Assim, as verbas pagas pela impugnante aos seus colaboradores e a terceiros não são isentas, porque sequer geraram a incidência, posto, não terem origem na prestação laboral, nem foram percebidas de forma habitual; 4. da natureza dos prêmios. O requisito da premiação, genérico e impessoal é unicamente o cumprimento das condições de exigibilidade estipuladas na oferta que se fez pública. Sempre considerado, é claro o escopo do melhor resultado alcançado por quem participou da promoção desse modo engendrada; 5. requisitos da Campanha. Para que fique bem configurada a campanha de incentivo é imprescindível que resulte preestabelecido um especial procedimento, cujo desenvolvimento seguirá o regulamento prescrito para tanto. Para tanto são oferecidos estímulos extraordinários aos trabalhadores que colaboram com a empresa, estes por sua vez são livres para decidir ou não ao plano engendrado pela entidade promotora do programa.A adesão dependerá, única e exclusivamente do juízo de valor daquele que resolve aderir, baseado tal juízo no nexo entre a vantagem que está sendo oferecida e o esforço que certamente, exigirá para ser conquistada; 6. compreensão casuística. Não incidência. Improcedência da NFLD. Pede pela improcedência da NFLD em virtude da ausência de natureza remuneratória, da inexistência habitualidade no deferimento, o que não se pode admitir como caracterização dos valores lançados como contribuições à Seguridade Social. III – DO PEDIDO: 1. a NFLD é nula, pois ausente de pressuposto formal, isto é, descrição pormenorizada do fato gerador da contribuição e de sua base de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 incidência. A ausência de notificação das empresas cedentes de mão deobra beneficiada pelos cartões de premiação nulifica formalmente o lançamento. Os valores pagos pela empresa impugnante a colaboradores diretos e indiretos através de cartões de premiação não constituem base de cálculo da contribuição sobre a folha, já que não integram o conceito de remuneração, bem como não foram deferidos de forma habitual. O recebimento individual dos valores não enseja a filiação do colaborador ao RGPS, não repercutindo quando da aposentação no valor de sua renda mensal inicial (RMI). Assim, diante do exposto requer pelo imediato saneamento da NFLD, sob pena de ser inevitável seu pleno cancelamento. Espera, pois pelo acolhimento da defesa com o cancelamento da NFLD, bem como dos Autos de Infração conexos, para reconhecer a improcedência das autuações e lançamentos; 2. por fim, requer que seja determinada o cancelamento da NFLD, haja vista o exposto, devendo ser o mesmo arquivado, evitandose assim futuros prejuízos a empresa, bem como dos Autos de Infração conexos, para reconhecer a improcedência das autuações e lançamentos. Pretendese provar o alegado com todos os meios de provas admitidos no direito, bem como aqueles que o contraditório vier a exigir. Protestase, desde já, pela julgada de novos documentos interessantes ao contraditório. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo ISP – por meio do Acórdão n° 1617.183 da 11a Turma da DRJ/SPOI (fls. 143 a 155 – Volume I) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que o auto de infração encontrase revestido das formalidades legais, foi lavrada de acordo com as disposições expressas da legislação e a Impugnante não apresentou argumentos e/ou elementos de prova capazes de elidir e/ou modificar o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A Notificada apresentou recurso (fls. 161 a 179 – Volume I) – acompanhado de anexos de fls. 180 a 562 (Volumes I, II e III) –, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações apresentadas na peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São PauloSP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fls. 563 e 564 – Volume III). É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 569 9 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 564). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: Inicialmente na análise das preliminares, a Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei nº 6.830/1980, que dispõe: “Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.);” Assim, a responsabilidade tributária também será discutida na eventual execução do débito, sendo obrigação da fiscalização, indicar os eventuais representantes da empresa. Se houve violação a lei ou estatuto, não importa neste momento. O que importa é a legalidade do lançamento e a existência do fato gerador. Na possível cobrança efetuada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, irá ser apurado a eventual responsabilidade em caso de omissão do devedor principal, no caso a Recorrente. A finalidade do simples arrolamento, no processo administrativo, dos representantes legais do sujeito passivo, na condição de corresponsáveis, é que os mesmos sejam previamente identificados e não significa que essas pessoas serão convocadas para pagamento do débito que é imputado à empresa. E tanto é assim, que nem ao menos foram notificados com vistas ao exercício dos seus respectivos direitos de defesa e nem conferiram mandato aos patronos da impugnante para propor defesas em seus nomes. Dessa forma, essa discussão, sobre a intimação dos sócios corresponsáveis, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 não pode prosperar em esfera administrativa. Seria cabível, possivelmente, se o débito estivesse inscrito em dívida ativa, e, na via da execução judicial, caso os dirigentes tivessem sido convocados para o pagamento do crédito. A Recorrente alega que deverá haver o sobrestamento do julgamento do presente feito até o julgamento das NFLD’s nos 37.058.2143, 37.058.2152 e 37.058.2160, que abordam o mérito da questão (incidência de contribuições sobre os prêmios pagos). Tal alegação tratase de fato irrelevante para o julgamento do presente processo, eis que, além do recolhimento das contribuições previdenciárias (obrigação tributária principal), a Recorrente está sujeita à satisfação de determinadas obrigações tributárias acessórias previstas na legislação previdenciária, dentre as quais, elaborar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, para as competências 11/2003 a 12/2006. Verificouse que, consoante o Relatório Fiscal da Infração de fls. 14, a Recorrente apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências descritas nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD’s) nos 35.058.2143 (processo no 18184.003166/200717), 35.058.2152 (processo no 18184.003167/200761) e 35.058.2160 (processo no 18184.003168/200714). Diante disso, não será acatada a alegação da Recorrente de que deverá haver sobrestamento do presente feito até o julgamento das NFLD’s concernentes ao lançamento da obrigação tributária principal, já que essa alegação deverá ser considerada como um fato irrelevante, pois todas as NFLD’s serão julgadas conjuntamente com o presente julgamento deste auto de infração. Isso está em consonância com os princípios da economia processual e da precaução do sistema processual em relação à existência de julgados contraditórios. A Recorrente alega que haveria uma ilegitimidade passiva na constituição do crédito tributário, pois a sua relação jurídica com os promotores de vendas (contribuintes individuais) deveria ser caracterizada como um contrato de cessão de mão de obra. E afirma, com isso, que os valores concedidos aos promotores de vendas não integrariam o salário de contribuição dos beneficiários dos cartões de premiação. A Recorrente, por intermédio de sua peça recursal de fls. 161 a 179, registra que o programa se reportava a três distintas abordagens, aos promotores de venda que cumprissem determinada quota, aos funcionários com mais de 25 anos de empresa, aos funcionários que contribuíssem com ideias adotadas pela empresa. Essa peça recursal registra ainda que os promotores de vendas eram contratados por meio de empresa fornecedora de mão de obra, para alocálos em pontos estratégicos a fim de estimular a venda de determinados produtos, assim seriam contemplados caso atingissem a meta com o prêmio e ainda o salário da empresa cedente de mão de obra. Cita para tanto o artigo 31, § 3o, da Lei no 8.212/1991, para definir o conceito de cessão de mão de obra, bem como os §§ 1° e 2° do Decreto no 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), e afastar assim a relação de trabalho entre tais segurados e a mesma. Cita ainda, por equívoco o artigo 30, inciso VI, da Lei no 8.212/1991, para justificar que não existia a possibilidades de se reter os valores para se eximir da responsabilidade solidária, regra esta aplicada unicamente a construção civil. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 570 11 Diante disso, essa alegação da Recorrente não será acatada, eis que ela, além de se fundamentar em regras não aplicáveis para o caso ora analisado, não comprova materialmente tal assertiva mediante juntada de provas documentais, tais como: os contratos de cessão de mão de obra, as Notas Fiscais ou faturas destes serviços, a relação destes funcionários cedidos, dentre outros elementos probatórios permitidos pela legislação vigente. Assim, cabia a Recorrente o ônus da prova de suas alegações, e quedouse inerte, seja na sua peça de impugnação de fls. 30 a 67 (acompanhada de anexos de fls. 68 a 140), seja na sua peça recursal de fls. 161 a 179 (acompanhada de anexos de fls. 180 a 562 – Volumes I, II e III). É importante esclarecer novamente que o presente lançamento foi apurado com base nos valores nominais dos prêmios creditados aos contribuintes individuais informados através de planilha elaborada e fornecida pela própria empresa. Com isso, rejeito a preliminar supramencionada e passo ao exame da preliminar de nulidade do lançamento fiscal ora alegada pela Recorrente. Ainda em preliminar, a Recorrente alega nulidade do auto de infração sob o argumento de que a auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil e a unidade julgadora de primeira instância não fundamentaram ou explicitaram os motivos pelos quais entenderam que os valores pagos a título de prêmios para incentivo à produtividade fariam parte da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Alega que os valores lançados no presente auto de infração não foram devidamente provados e nem os fatos alegados foram claramente demonstrados, não tendo a fiscalização demonstrado os requisitos necessários para considerar os pagamentos efetuados aos segurados como se fossem decorrentes de remuneração. Tal alegação não será acatada, pois os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja: descumprimento de obrigação tributária acessória pela Recorrente, eis que ela apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências descritas nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD’s) nos 35.058.2143 (processo no 18184.003166/200717), 35.058.2152 (processo no 18184.003167/200761) e 35.058.2160 (processo no 18184.003168/200714). Portanto, a Recorrente deixou de informar nas GFIP’s os fatos geradores incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio de cartões de premiação, emitidos pelas empresas ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA e SALLES, ADAN & ASSOCIADOS – MARKETING PROMOCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE e PROPAGANDA LTDA, para as competências 11/2003 a 12/2006. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, já que, no auto de infração com seus anexos, consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal ora analisado, pois estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 21) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária acessória (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada e devida; identificação do sujeito passivo; determinação da Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 12 exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, dispõem o art. 142 do CTN e o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 14) e o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 15), acompanhados de anexos de consolidação dos fatos geradores e do cálculo da multa (fls. 16 a 21), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da infração incorrida pela Recorrente. A fundamentação legal aplicada encontrase na folha 01 do auto de infração (AI). Anexo ao auto de infração, foi enviado à empresa, por meio de arquivos digitais – conforme Recibo de arquivos entregues ao contribuinte de fls. 12 e 13 –, as planilhas AI68PLAN1 e AI68PLAN2. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito. Além disso, no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 09) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 10 e 11), assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória lançada e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal da Infração fls. 14. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 571 13 Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o auto de infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória, fazendo constar, nos relatórios que compõem o lançamento fiscal, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do auto de infração (AI) são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade no lançamento fiscal ora analisado, e não serão acatadas. A constituição do auto de infração foi detalhadamente descrita, conforme documentos às fls. 01 a 21, fornecendo todos os fatos necessários para sua compreensão e análise. Por tudo isso, não há que se falar em vícios e nulidade do presente lançamento fiscal. Diante disso, não acato a preliminar ora examinada de nulidade e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: No aspecto meritório, a Recorrente não nega que concedeu aos segurados empregados e contribuintes individuais os valores decorrentes das parcelas pagas a título de programa de incentivo, por meio de cartão de premiação. Ela apenas entende que tais valores não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária por não possuírem natureza remuneratória. Tal alegação não deve prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência judicial e deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Conforme o Relatório Fiscal da Infração de fls. 14, a auditoria fiscal teve acesso as notas fiscais, tabela de incidência da folha de pagamento mediante listagem com valores descontados dos segurados contribuintes individuais e bases de cálculo referentes a segurados premiados, sendo que com base em tais documentos, verificouse que tais cartões eram destinados a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionados ao alcance de metas de desempenho, conforme relatado pela própria Recorrente em sua peça de impugnação de fls. 30 a 67. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente à eventual superação das metas ou expectativas de desempenho prédeterminadas pela mesma. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 14 A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199). Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603). Com isso, entendo que há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartão de premiação. Nesse sentido, registramos que há vários precedentes desta natureza prolatados por esta Corte Administrativa, então denominada 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes: Ac. 20600236, Ac. 20600286, Ac. 20600333, Ac. 20600949. Assim, peço vênia à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira para transcrever trecho de seu voto, condutor do Ac. 20601657, que enfrenta a questão ora posta em julgamento: Conforme discutido nos autos o ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: “Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 572 15 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.” Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 16 O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: “(...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta indicidual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...)” Claro é o posicionamento do STF, acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula n° 209, nestes termos: “Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade.” Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos.” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo Fl. 16DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 573 17 empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; Fl. 17DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 18 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos Fl. 18DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 574 19 empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Além disso, o texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: “No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na Fl. 19DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 20 própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado”.” Ademais, o art. 458 da CLT, §2º descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial. Senão vejamos: “Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Súmula nº 258 do TST.) § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII – VETADO.” Logo, entendo que são devidos os valores decorrentes da multa aplicada à empresa e lançados no presente processo, eis que os valores pagos pela Recorrente, por meio de cartão de premiação, aos seus segurados empregados e contribuintes individuais são utilizados como estímulo ao incremento de produtividade, possuindo assim natureza remuneratória. Ou seja, são valores pagos em função da melhor qualidade e produção do trabalho e devem integrar a base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária, conforme determina a Lei no 8.212/91, em seu artigo 28, incisos I e III. A Recorrente insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova testemunhal e outros meios de prova admitidos em direito só deverão Fl. 20DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 575 21 ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito, tais como a prova testemunhal, quando não se referir a matéria fática documental, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova testemunhal que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, no auto de infração com seus anexos (fls. 01 a 21), consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova testemunhal. Estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 21) – para o procedimento de lançamento fiscal analisado – todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária acessória descumprida (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada e devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Dessa forma, a realização de prova testemunhal, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 22 Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. Com efeito, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicoprevidenciário vigente à época da sua lavratura. Com relação ao pedido de relevação da penalidade, a autuada não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto no 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas, apesar de ser primária, com pedido no prazo da defesa e não ter incorrido em circunstância agravante (fls. 01 e 15). Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação da multa, eis que a ela estava obrigada a apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, transcritos abaixo: Lei no 8.212/1991 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto no 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: Fl. 22DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 576 23 (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. Ainda dentro do aspecto meritório e em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §5o, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, a Lei nº 11.941/2009 acrescentou o art. 35A, que dispõe o seguinte: Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Considerando o grau de retroatividade média da norma (princípio da retroatividade benigna tributária) previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas, já que se trata de ato não definitivamente julgado. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) Fl. 23DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 24 II. tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para a recorrente, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN. Devese, então, calcular a multa da presente autuação nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei no 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e utilizar esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se recalcule a multa aplicada – conforme os termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei 8.212/1991 –, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos das NFLD’s nos 35.058.2143 (processo no 18184.003166/200717), 35.058.2152 (processo no 18184.003167/200761) e 35.058.2160 (processo no 18184.003168/200714), e que se compare esse cálculo com a multa já aplicada, a fim de utilizar o valor que for mais benéfico à recorrente, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 577 25 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Embora na essência não exista dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, entendo que a decisão do colegiado passou a ser no sentido do acolhimento parcial dessa preliminar argüida. Isto porque após a revogação acima a denominada “Relação de CoResponsáveis – CORESP” não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma coresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 25DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 26 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, embora não se atenda ao requerido para exclusão de sócios e diretores da “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, devese acolher parcialmente a preliminar para que se reconheça que a finalidade do documento é apenas indicar os representantes legais da empresa, “Representantes Legais – REPLEG”, como subsídio para a PFN. Voto pelo acolhimento parcial da preliminar de coresponsabilidade. Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 13808.000844/2002-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Ano-calendário: 1996
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO.
Nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 54, a constatação de existência de passivo não comprovado autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de receitas somente a partir do ano-calendário de 1997.
Numero da decisão: 1302-005.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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PASSIVO NÃO COMPROVADO. Nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 54, a constatação de existência de “passivo não comprovado” autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de receitas somente a partir do ano-calendário de 1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 14-13.171 (e-fls. 202-216), proferido pela 2ª Turma da DRJ/POR Ribeirão Preto, que julgou procedente em parte o lançamento de IPI lavrado contra a ora recorrente, por meio do auto de infração (e-fls. 29-30) que apurou omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de passivo não comprovado, no ano de 1996, no montante de R$ 942.360,29, e que culminou na formalização do processo principal n° 13807008467/2001-53 (IRPJ e reflexos). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 08 44 /2 00 2- 87 Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.789 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13808.000844/2002-87 A contribuinte apresentou impugnação às e-fls. 36-46, onde abordou os seguintes e resumidos tópicos: A empresa tem por objeto social a industrialização e comercialização de artefatos de ferro e aço, material plástico, entre outros, e, portanto, está sujeita ao IPI; A farta documentação apresentada refere-se exatamente aos lançamentos na conta fornecedores no ano-base de 1996 para as empresas Alcoa Alumínio S.A. e Stahlwerke Bremen S.A., restando clara a procedência da impugnação, que enseja a declaração de nulidade do auto de infração, uma vez que não condiz com a verdade dos fatos alegados pelo agente fiscal; De acordo com o art. 228 do RIR/1994, a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada enseja a presunção relativa, juris tantum como descrita no auto de infração, de omissão de receitas, pois cabe ao contribuinte comprovar sua improcedência; Não é outro seu comportamento, demonstrando por meio da impugnação a improcedência da presunção com os documentos anteriormente exigidos e não entregues em tempo hábil, pela mudança de localização de seus arquivos; A multa exigida, de 75%, tem caráter confiscatório, sendo exacerbada em relação à falta cometida. No ponto relativo à omissão de receitas, o julgador de piso reproduz a decisão proferida no processo principal, Acórdão DRJ/RPO n° 14-13.145, proferido em 14 de julho de 2006 pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, SP, referente a IRPJ e outros tributos decorrentes, em que se deu parcial provimento à impugnação para cancelar as exigências relativas ao IRPJ e à CSLL, reduzindo o prejuízo fiscal do ano-calendário de 1996 para R$ 7.653.071,64 e a base de cálculo negativa para R$ 6.741.584,07, e manter a exigência da COFINS no valor de R$ 11.986,57 e do PIS no valor de R$ 3.895,63, com os devidos acréscimos legais. Assim, o acórdão ora recorrido assentou que: Portanto, do total da receita omitida indicada pelo exator, de R$ 942.360,29, restou mantida a tributação sobre o montante de R$ 599.328,45, concernente ao passivo não comprovado pelo sujeito passivo, nos exatos termos do julgado retro transcrito. O restante, R$343.031,84, foi reputado como comprovado pela contribuinte, à luz da argumentação da impugnação e da documentação trazidas aos autos principais. Sendo de 16% a alíquota aplicável, o imposto remanescente neste auto de infração é de RS 95.892,55, com a multa de oficio (75%) de R$ 71.919,41, além dos juros de mora correspondentes. Os valores a ser expungidos do feito, além dos juros de mora legais, são os que seguem: imposto - R$ 54.885,09; multa de ofício (75%) - R$ 41.163,81. Quanto à multa de ofício, mantida na decisão recorrida, o julgador afirmou, em suma, ser inexorável, eis que sua aplicação decorre de determinação legal para o caso de não pagamento do tributo. Transcreveu legislação incidente e, por fim, assentou a incompetência do julgador administrativo para examinar legalidade e constitucionalidade. Sobre a aplicação da SELIC aos juros de mora, afirma que nada há de ilegal, e que encontra previsão na Lei nº 9.065/95, a qual se encontra vinculada a atuação da administração pública. Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.789 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13808.000844/2002-87 Assim, julgou procedente em parte o lançamento, e determinou fossem exoneradas as parcelas de imposto de R$ 54.885,09 e de multa de oficio de R$ 41.163,81, além dos juros de mora correspondentes. No recurso voluntário (e-fls. 224-272), a recorrente inicia narrando os fatos, e esclarecendo que, intimada a prestar esclarecimentos sobre a rubrica “fornecedores” constante em documentos fiscais e DIPJ, apresentou documentação incompleta. Assim, foi entendido pelo agente fiscal que não houve comprovação de todos os lançamentos, e lavrou-se auto de infração em razão de omissão de receitas, com base no art. 228 do RIR/94. Quanto ao direito, argui preliminar em que informa que no processo principal (relativo ao auto de IRPJ e reflexos) apresentara recurso voluntário pendente de julgamento, uma vez que entende ter sido demonstrada, tanto naqueles quanto nestes autos, a origem do passivo referente a todas as demais notas fiscais questionadas pela Fiscalização e, portanto, que não seria correta a mera redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo do período em questão, pois não haveria, assim, qualquer débito de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI. Acrescenta, nesse sentido, que a decisão da DRJ ainda poderá ser alterada. Quanto ao mérito, defende a inexistência de passivo fictício no seu balanço, e passa a rebater pontualmente os argumentos da decisão recorrida utilizados para comprovação do passivo fictício, esclarecendo nota a nota a realização dos pagamentos. Insurge-se contra as alegações do julgador de piso no sentido de que as compras realizadas por certa empresa devem ser necessária e integralmente quitadas até o último dia de cada ano, sob pena disso representar a ocorrência de passivo fictício por parte da empresa- cliente. Transcreve diversos julgados que amparam seu entendimento, e entende ter logrado demonstrar a não ocorrência de passivo fictício diante da quitação das notas fiscais nº 13.156 e 13.227. A seguir, abre um tópico relativo à apreciação de inconstitucionalidades pela autoridade administrativa, onde alega que o julgador não se poderia esquivar do conhecimento das inconstitucionalidades perpetradas pela administração pública. Cita julgamentos do Tribunal de Impostos e taxas de SP do ano de 1995 e decisão do antigo Conselho de Contribuintes (que não afirma a possibilidade de se declarar inconstitucionalidades). Insurge-se, ainda, contra a “impropriedade da utilização da taxa SELIC”, valendo- se de transcrições doutrinárias e decisões judiciais. Argumenta o efeito confiscatório da multa de 75% e violação da razoabilidade e proporcionalidade. Cita decisões judiciais. Pede a baixa do feito em diligência, uma vez que os documentos apresentados foram considerados insuficientes à comprovação da total quitação das notas elencadas no auto de infração. Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.789 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13808.000844/2002-87 Menciona, por fim, que com o recurso voluntário está acostando cópias de novos documentos, parcialmente autenticados, e que apesar de seu esforço, não teria localizado algumas notas fiscais (13.753, 13.776, 14.017, 14.073, 14.095, 14.275 e 14.339) Afirma que para demonstrar sua boa-fé, requererá prazo para juntada posterior, pois todos os documentos foram também apresentados no Recurso Voluntário protocolado nos autos do processo principal, relativo ao auto de infração de IRPJ e reflexos. Reafirma que os documentos já apresentados ao menos demonstram "indícios", para não se dizer "prova robusta”, no sentido de que Recorrente efetivamente teria pago as notas fiscais consideradas não quitadas pela Fiscalização. Nos pedidos, requer a concessão de prazo para a extração e apresentação de cópias autenticadas das páginas do Livro Diário Auxiliar aqui apresentadas, bem como das Notas Fiscais n° 13.753, 13.776, 14.017, 14.073, 14.095, 14.275 e 14.339, acostadas com o Recurso Voluntário interposto nos autos do Processo n° 1380700846/ 2001-53, que ora tramita perante o 1° Conselho de Contribuintes; pois são as mesmas notas fiscais aqui juntadas em cópias simples. Requer a conversão do feito em diligência, o provimento integral do recurso, ou a redução da multa de 75%, bem como o afastamento da SELIC no cálculo dos juros de mora. Pede realização de sustentação oral e junta documentos relativos às Notas Fiscais de Entrada n°s 5.014, 5.111, 5.141, 5.179 e 5.173 (e-fls. 320-333); 12.421, 12.479, 12.781, 12.837, 12.917 e 12.978 (e-fls. 334-336); cópias de livro de registro de entradas (e-fls. 337-343); 12.648 e 12.714 (e-fls. 344-347). A seguir, apresenta petição de juntada de novos documentos, extraídos do processo principal (e-fls. 354-368) e nova petição de juntada de documentos às e-fls. 371-401, com a qual acostou: procuração, atas de assembleias geral ordinária e extraordinária e estatuto social. Distribuídos os autos para a 3ª Seção, esta declinou da competência, como se observa da Resolução às e-fls. 403-405, e os autos foram então redistribuídos para esta 1ª Seção. Por fim, foram apresentados memoriais, por meio dos quais se juntou o acórdão e se pediu a aplicação do entendimento firmado no processo principal, bem como os seguintes pedidos: a) que seja considerado, no julgamento deste Recurso Voluntário os Acórdãos nºs 101.96.901 e 9101-004.432 proferido no curso do Processo Administrativo n.º 13807.008467/2001-53 (docs. 1 e 2), parte integrante deste memorial, assim como a orientação da Súmula CARF nº 54; b) que, mediante a comprovação da emissão de documentos fiscais e “termo de responsabilidade” entre a Recorrente e sua fornecedora(ALCOA), que seja a transferência de créditos de ICMS, identificada pela NF 046.068 aceita como forma de quitação e comprovação de despesa, haja vista a legalidade da operação diante de todo o ordenamento; c) que seja concedida aos documentos fiscais n.º 12.421, 12.479, 12.781, 12.837, 12.917, 12.978, todos emitidos em conformidade com a legislação regente, a devida força probatória, restando inequívoca a comprovação de existência de despesa, cujo lançamento em contabilidade, originou a discussão posta; e, por fim Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.789 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13808.000844/2002-87 d) que seja concedido integral provimento ao presente Recurso Voluntário, tornando insubsistente o lançamento fiscal originário da constituição. É o relatório. Voto Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert, Relatora. Do conhecimento A recorrente teve ciência do acórdão em 14/03/2008 por meio de aviso de recebimento (e-fl. 222) e em 11/04/2008 (e-fl. 224) interpôs o Recurso Voluntário. Assim, o recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de modo que o conheço. Do pedido de sustentação oral Quanto ao pedido da recorrente para realizar sustentação oral, passo a descrever o procedimento para tanto: publicada a pauta de julgamentos, o direito à realização de sustentação oral poderá ser exercido por meio de solicitação no sítio do CARF, onde consta formulário específico para isso. Para os julgamentos virtuais, tais como o presente, o CARF divulgou orientações aos contribuintes acerca dos procedimentos a serem adotados para realização de sustentação oral, a exemplo do que consta em seu sítio: Sustentação oral No caso de sustentação oral, a ser realizada por meio de áudio/vídeo previamente gravado, o respectivo pedido deverá ser apresentado com antecedência de até 48 horas úteis do início da reunião, por meio de formulário próprio constante da Carta de Serviços disponível no sítio do CARF.1 Assim, descabe analisar o pedido formulado em sede de recurso voluntário. Do mérito Da impossibilidade de se presumir omissão de receitas com base em passivo não comprovado no ano de 1996 Inicialmente consigno que tem razão a recorrente ao afirmar que a decisão proferida nos autos do processo principal poderia ser modificada, como de fato, o foi. Em consulta ao andamento do processo principal de nº 13807.008467/2001-53, relativo ao IRPJ e reflexos, observo que por meio de recurso especial do contribuinte baseado em 1 http://carf.economia.gov.br/consultas/sessoes-virtuais Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.789 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13808.000844/2002-87 divergência determinou-se a reforma do acórdão diante do entendimento firmado pelo CARF quanto à matéria. Nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 54 “a constatação de existência de “passivo não comprovado” autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de receitas somente a partir do ano-calendário de 1997.” Tendo em vista que o quanto foi decidido naquele caso deve necessariamente se aplicar ao presente, porquanto decorrência daquela autuação, transcrevo o voto da relatora: Trata-se de divergência jurisprudencial verificada quanto à matéria “Omissão de receitas. Passivo Fictício”. Compulsando-se os autos, verifica-se que a autoridade fiscal apurou diferença a tributar a partir da conta “Fornecedores”, entre declarados e comprovados, após reiteradas intimações. O montante considerado como “passivo não comprovado” foi autuado a título de omissão de receitas, tendo sido apurados IRPJ e reflexos. O lançamento fiscal teve por enquadramento legal, no ponto, o disposto no Regulamento do Imposto de Renda - RIR/94: Art. 228 — O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto nº 1.598/77, art. 12, § 2º). Parágrafo único. Caracteriza-se, também, como omissão de receitas: (...) b) a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. O referido dispositivo, repetido no art. 281, I, do RIR/99, trata de omissão de receitas relativa, construída a partir de indícios, e que aceita prova em contrário. A inversão do ônus da prova decorre da presunção legal. Nesse caso, basta à autoridade fiscal apontar o indício e caberá ao contribuinte apresentar provas suficientemente hábeis e idôneas capazes de desconstituir essa presunção legal e afastar a infração constatada. Sobre o tema, a jurisprudência do CARF consolidou-se nos termos da Súmula CARF nº 54, aprovada na sessão do Pleno de 29/11/2010, que dispõe: A constatação de existência de “passivo não comprovado” autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de receitas somente a partir do ano-calendário de 1997. A aprovação da referida súmula sustentou-se nos seguintes Acórdãos Precedentes: Acórdão nº CSRF/01-05.654, de 27/3/2007, Acórdão nº CSRF/01-05.405, de 20/3/2006, Acórdão nº CSRF/01-05.383, de 6/12/2005, Acórdão nº 107-07.772, de 16/09/2004 e Acórdão nº 107-05.876, de 22/02/2000. Nota-se que alguns desses precedentes foram proferidos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em época contemporânea à do paradigma admitido e no mesmo sentido, qual seja, de que, antes do advento da Lei n° 9.430/96 a infração de baseada em passivo não comprovado, não podia ser adotada com base em presunção simples, sendo da fiscalização o ônus da prova direta da ocorrência de omissão de receitas com base no indicio presuntivo detectado. Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.789 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13808.000844/2002-87 Cito, como exemplo, as ementas abaixo transcritas: Acórdão nº CSRF/01-05.405, de 20/3/2006 IRPJ — PASSIVO NÃO COMPROVADO — FALTA DE PREVISÃO LEGAL — LIQUIDEZ E CERTEZA DO LANÇAMENTO — PRESUNÇÃO SIMPLES: Antes do advento da Lei n° 9.430/96 que erigiu presunção legal em tomo do passivo não comprovado, o grande espectro de situações fáticas que pode provocar passivo não comprovado, desaconselha a adoção da presunção simples, sendo de se manter a posição que dirige à fiscalização o ônus da prova direta da ocorrência de omissão de receitas a partir do indicio presuntivo detectado. A falta de previsão legal expressa no tipo fiscal próprio de passivo não comprovado, obtido por alargamento indevido do conceito trazido no artigo 12, § 2°, do Decreto-lei n° 1.598/77, apesar de ter povoado os regulamentos da época, deixa o lançamento carente da necessária liquidez e certeza que deve orientá-lo. Acórdão nº CSRF/01-05.383, de 6/12/2005 OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO NÃO COMPROVADO — ANO CALENDÁRIO DE 1995 — Até o ano-calendário de 1996, a existência de passivo "não comprovado" não comportava a aplicação direta de presunção legal de omissão de receitas, sem que o trabalho fiscal investigasse os reais efeitos do fato. O parágrafo único do art. 228 do RIR/94 não tinha sustentação legal. De acordo com a súmula acima transcrita, consolidou-se a jurisprudência do CARF no sentido de que somente a partir de 1º de janeiro de 1997, com a vigência do dispositivo legal previsto na Lei nº 9.430/96, abaixo, seria possível aplicar a presunção legal: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. De outro lado, a decisão recorrida consignou a tese oposta, ao negar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO – O passivo fictício (contabilização de obrigações inexistentes ou manutenção no passivo de obrigações já pagas) caracteriza presunção legal de omissão de receitas prevista no Decreto-lei nº 1.598/1977. Ao fisco basta provar o fato indício para que fique autorizado a presumir a omissão de receita. Em que pese constar da ementa a referência ao ano-calendário 1997, como visto, trata-se, na realidade, de lançamento referente ao ano-calendário 1996. Assim, a aplicação do enunciado da súmula mencionada soluciona o presente litígio de forma favorável ao contribuinte, devendo ser reformada a decisão recorrida na parte que havia sido a ele desfavorável. [Grifo nosso] Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Tendo a vista que a decisão recorrida adotou a mesma fundamentação adotada no processo principal, e que esta foi reformada, aqui também entendo que é o caso de reforma, especialmente porque a aplicação de enunciado de súmula é obrigatória para os integrantes de CARF. Assim, tenho que o recurso merece provimento. Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.789 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13808.000844/2002-87 Diante disso, restam prejudicados os demais pleitos da recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso voluntário, e, no mérito, DOU PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.918519/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 13/04/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. NULIDADE. NECESSIDADE DE NOVA DECISÃO.
Deve ser reconhecida a nulidade de despacho decisório que deixou de conhecer do conteúdo de DCTF retificadora transmitida anteriormente à sua prolação, determinando-se o retorno dos autos à unidade de origem, para que profira novo despacho decisório em que sejam levados em consideração o conteúdo desta declaração retificadora, bem como dos demais documentos comprobatórios carreados aos autos, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3402-009.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para que esta profira novo despacho decisório em que seja levado em consideração o conteúdo da DCTF reitficadora, bem como a documentação acostada ao recurso voluntário interposto, sem prejuízo de outras diligências que entender necessárias à apuração da certeza e liquidez do direito creditório em discussão.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: Pedro Sousa Bispo
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NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. NULIDADE. NECESSIDADE DE NOVA DECISÃO. Deve ser reconhecida a nulidade de despacho decisório que deixou de conhecer do conteúdo de DCTF retificadora transmitida anteriormente à sua prolação, determinando-se o retorno dos autos à unidade de origem, para que profira novo despacho decisório em que sejam levados em consideração o conteúdo desta declaração retificadora, bem como dos demais documentos comprobatórios carreados aos autos, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para que esta profira novo despacho decisório em que seja levado em consideração o conteúdo da DCTF reitficadora, bem como a documentação acostada ao recurso voluntário interposto, sem prejuízo de outras diligências que entender necessárias à apuração da certeza e liquidez do direito creditório em discussão. (documento assinado digitalmente) PEDRO SOUSA BISPO – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório Trata o processo de pedido de compensação formulado pelo Contribuinte, por meio de PER/DCOMP nº 12472.21296.310108.1.3.04-3130, que não foi homologado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 85 19 /2 00 9- 40 Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.171 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.918519/2009-40 Unidade de Origem porque teria constatado inexistir crédito disponível de PIS suficiente relativo ao DARF pago em 13/04/2006, no valor de R$ 340.129,14 (código de receita: 4574), conforme o constante do despacho decisório em anexo. Cientificada desse despacho decisório, a empresa apresentou sua manifestação de inconformidade, juntando aos autos os documentos de fls. 02 (documentos de identidade dos patronos, procuração, substabelecimento, extrato de ata de AGE, DACON Mensal Retificador, DCTF Mensal Retificadora, PER/DCOMPs e comprovante de arrecadação) e alegou, em síntese: 3.1. O direito da Manifestante ao crédito reclamado não pode se contestado sob argumentos de ordem formal, visto que se trata de direito plenamente amparado na Constituição Federal e na legislação aplicável. 3.2. Haja vista que a DCTF Retificadora foi apresentada, em 30/10/2009. a glosa em questão não pode subsistir, sendo necessária a correção de ofício do equívoco declarado no respectivo informe (mero erro formal), pois que, pela busca da verdade material, constatado erro de fato é dever-poder da Administração reformar a decisão atacada. Colaciona jurisprudência administrativa. 3.3. Transcreve o art. 165, I do CTN, cita legislação ordinária e posicionamentos doutrinários para sustentar a regularidade da compensação pleiteada. 3.4. Diante do que expõe, entendendo por demonstrada a impropriedade do ato administrativo guerreado, requer seja recebida e processada a presente manifestação de inconformidade, atribuindo-lhe efeito suspensivo, nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº9.430/91, e reformado o Despacho Decisório para, alfim, convalidar a compensação realizada e extinguir o débito até então exigido. Ato contínuo, a DRJ-SÃO PAULO I (SP) julgou a manifestação de inconformidade do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/04/2006 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. ÔNUS DA PROVA. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de sua prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. O erro de fato no preenchimento da DCTF deve ser comprovado pelo sujeito passivo por meio de documentos hábeis e idôneos. A ausência de prova de que o pagamento foi efetuado indevidamente ou em valor superior ao devido impõe o não reconhecimento do direito creditório e a consequente não homologação da compensação a ele vinculada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. O processo administrativo fiscal orienta-se pela busca da verdade real ou material. Assim, qualquer fato aduzido nos autos deverá sempre vir acompanhado de comprovação documental ou, no mínimo, com contundentes indícios de sua veracidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seguida, devidamente notificada, a empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.171 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.918519/2009-40 No recurso voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade quanto ao indeferimento do crédito pleiteado. Anexou ainda aos autos elementos adicionais de prova visando comprovar o seu direito creditório, quais sejam, DCTF retificadora, planilhas e demonstrativos de apuração da contribuição, Balancete Contábil e espelhos de operações realizadas na Bolsa de Mercadorias e Futuro. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A lide trata de direito creditório da Recorrente, decorrente de suposto pagamento indevido de Darf de PIS pago em 13/04/2006. Visando utilizar o suposto crédito, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação que foi indeferida pela Autoridade Tributária sob o argumento de que inexistia crédito disponível relativo ao referido DARF, o que impediu a homologação da compensação. Em seu recurso, a Empresa alega que cometeu erro ao preencher incorretamente a DCTF com valor maior ao efetivamente devido. A fim de comprovar o seu direito, juntou aos autos elementos probatórios entregues após a ciência do Despacho Decisório denegatório e Manifestação de Inconformidade, tais como: DCTF retificadora, planilhas e demonstrativos de apuração da contribuição, Balancete Contábil e espelhos de operações realizadas na Bolsa de Mercadorias e Futuro. De plano, constata-se nos autos que a DCTF retificadora foi apresentada em momento anterior à ciência do Despacho Decisório e não foi considerada na análise do direito creditório pleiteado. Enquanto a ciência do despacho decisório se deu em 27/11/2009 (e-fls.17), a DCTF retificadora se deu em 30/10/2009 (e-fls.22). Desde as alterações introduzidas pelo artigo 18 da Medida Provisória nº 2.189- 49/2001, a retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela Autoridade Administrativa. Nesses casos, as Turmas do CARF têm entendimento de que os autos devem retornar à Unidade de Origem para que se profira novo despacho decisório considerando-se o contido na DCTF retificadora e sem prejuízo de outras diligência que se fizerem necessárias. Nesse mesmo sentido, os seguintes acórdãos proferidos: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. RETIFICAÇÃO ANTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. DECLARAÇÃO ORIGINAL. NULIDADE DO DESPACHO QUE DESCONSIDEROU A DCTF. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.171 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.918519/2009-40 (Acórdão nº1002-001.909 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária, sessão de 14 de janeiro de 2021) DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. NULIDADE. NECESSIDADE DE NOVA DECISÃO. Deve ser reconhecida a nulidade de despacho decisório que deixou de conhecer do conteúdo de DCTF retificadora transmitida anteriormente à sua prolação, determinando- se o retorno dos autos à unidade de origem, para que profira novo despacho decisório em que sejam levados em consideração o conteúdo desta declaração retificadora, bem como dos demais documentos comprobatórios carreados aos autos, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. (Acórdão nº 3001-001.572, 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária, sessão de 15 de outubro de 2020). Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que esta profira novo despacho decisório em que seja levado em consideração o conteúdo da DCTF retificadora, bem como a documentação acostada ao Recurso Voluntário interposto, sem prejuízo de outras diligências que entender necessárias à apuração da certeza e liquidez do direito creditório em discussão. É como voto. (documento assinado digitalmente) PEDRO SOUSA BISPO Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100311/2002-20
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-0o0.022
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo (Suplente). Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Lauro de Oliveira Vianna. OAB nº 130.789/RJ.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10380.006851/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/12/2005
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Numero da decisão: 2402-001.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade. Declarou-se impedido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.937607/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS.
Na composição do saldo negativo de IRPJ/CSLL deve ser considerada a totalidade das estimativas mensais regularmente declarada em PER/DCOMP, ainda que as compensações não tenham sido homologadas ou as decisões não sejam definitivas. Súmula CARF nº 177.
Numero da decisão: 1302-005.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo credito adicional no valor de R$ 123.618,60, e homologando as compensações declaradas até o limite do crédito total reconhecido nos autos, nos termos do relatório e voto da relatora.
Assinado Digitalmente
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente
Assinado Digitalmente
Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Andréia Lúcia Machado Mourão, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausência momentânea do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, substituído pela Conselheira Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Andréia Lúcia Machado Mourão
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Na composição do saldo negativo de IRPJ/CSLL deve ser considerada a totalidade das estimativas mensais regularmente declarada em PER/DCOMP, ainda que as compensações não tenham sido homologadas ou as decisões não sejam definitivas. Súmula CARF nº 177.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo credito adicional no valor de R$ 123.618,60, e homologando as compensações declaradas até o limite do crédito total reconhecido nos autos, nos termos do relatório e voto da relatora. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Assinado Digitalmente Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Andréia Lúcia Machado Mourão, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausência momentânea do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, substituído pela Conselheira Carmen Ferreira Saraiva.
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COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Na composição do saldo negativo de IRPJ/CSLL deve ser considerada a totalidade das estimativas mensais regularmente declarada em PER/DCOMP, ainda que as compensações não tenham sido homologadas ou as decisões não sejam definitivas. Súmula CARF nº 177. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo credito adicional no valor de R$ 123.618,60, e homologando as compensações declaradas até o limite do crédito total reconhecido nos autos, nos termos do relatório e voto da relatora. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Assinado Digitalmente Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Andréia Lúcia Machado Mourão, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausência momentânea do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, substituído pela Conselheira Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 76 07 /2 01 2- 84 Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.921 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.937607/2012-84 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 11-047.858 - 3ª Turma da DRJ/REC, de 30 de setembro de 2014. A contribuinte transmitiu os PER/DCOMP nºs 11881.89397.190609.1.3.02- 7968, 20530.80146.260609.1.3.02-7084, 26077.70054.220709.1.3.02-3019, 31293.70136. 310709.1.3.02-2898, 10454.08586.250809.1.3.02-0806 e 37781.13604.200710.1.3.02-4230, com base em crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, que teria sido apurado no exercício 2009 (01/01/2008 a 31/12/2008). O Despacho Decisório reconheceu parcialmente o crédito declarado, tendo em vista que foi confirmada parcialmente a parcela de composição do saldo negativo decorrente de “demais estimativas compensadas”. Desse modo, foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP nºs 11881.89397.190609.1.3.02-7968, 20530.80146.260609.1.3.02-7084, 26077.70054.220709.1.3. 02-3019, 31293.70136.310709.1.3.02-2898, 10454.08586.250809.1.3.02-0806 e homologadas parcialmente as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 37781.13604.200710.1.3.02-4230. A DRJ analisou as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade e manteve a decisão do Despacho Decisório. Segue ementa do acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para sobrestamento de processo. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a Administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 16/07/2015. Em sua defesa, resumidamente, a contribuinte defende a utilização da estimativas mensal de julho de 2008, objeto de DCOMP pendente de decisão administrativa, na apuração do saldo negativo. Transcrevo trecho do recurso: Tal entendimento é improcedente e deve ser reformado, tendo em vista que o valor de R$ 123.618,60, relativo à estimativa de julho de 2008, foi quitado por compensação, através da DCOMP n o 049670289.280808.1.3.02-0475, com saldo negativo de IRPJ do ano de 2007. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.921 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.937607/2012-84 Referida compensação é discutida no processo administrativo n° 10880.997417/2011-35 que, no momento, aguarda decisão do CARF (doc. 05) acerca do reconhecimento do saldo negativo de 2007, utilizado para quitar a estimativa de julho/2008. Nesse sentido, ressalta-se que a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação desse procedimento, conforme disposto no artigo 74, § 2° da Lei n° 9.430/96 1 , combinado com o artigo 156, inciso 11 do CTN, bem como no artigo 34, § 2° da IN n° 900/08 (previsto, atualmente, no artigo 41, §2° da IN SRF n º 1.300/12). Ou seja, no caso em tela, a compensação extingue a antecipação de CSLL de julho de 2008 e, por consequência, deve ser reconhecido o saldo negativo ora pleiteado. Ao final, requer: Pelo exposto, requer a Recorrente o provimento do presente Recurso Voluntário, com a consequente homologação da compensação pretendida, bem como o cancelamento da cobrança efetivada por meio do PA n° 10880.939216/2012-02. Caso assim não se entenda, requer que o julgamento do presente processo seja convertido em diligência, ou, ainda, seja sobrestado, a fim de aguardar o despacho decisório do PERDCOMP n° 049670289.280808.1.3.02-0475 e o julgamento do PA n° 10880.997417/2011-35. É o relatório. Voto Conselheira Andréia Lúcia Machado Mourão, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e por preencher os requisitos de admissibilidade. Mérito. Tratam os autos de direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ. Conforme relatado, o Despacho Decisório reconheceu parcialmente o crédito declarado, tendo em vista que foi confirmada parcialmente a compensação do débito de estimativa mensal referente a julho de 2008, utilizada na composição do saldo negativo do período. Desse modo, o crédito reconhecido não foi suficiente para homologar integramente as compensações declaradas. A DRJ analisou as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade e manteve a decisão do Despacho Decisório. Encontra-se pacificado neste Conselho, o entendimento de que estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que as compensações não tenham sido homologadas ou as decisões não sejam definitivas. Confira-se: Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.921 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.937607/2012-84 Súmula CARF nº 177 Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. No caso dos autos, com a transmissão do PER/DCOMP nº 04696.70289. 280808.1.3.02-0475, a contribuinte pretendeu compensar os débitos de estimativas mensais de IRPJ apurados em julho/2008. Assim, também devem ser incluídas na apuração do saldo negativo de IRPJ as estimativas mensais que não foram confirmadas no Despacho Decisório, ou seja, o montante de R$ 123.618,60. Refazendo-se o cálculo do saldo negativo e considerando que foi apurado IRPJ a pagar no valor de R$ 3.633.273,02, conforme informação extraída do Despacho Decisório, temos: Quadro – Novo cálculo – Saldo Negativo de IRPJ IRPJ devido 3.633.273,02 (-) Retenções na fonte (Despacho Decisório) 3.811.134,09 (-) Pagamentos de estimativas mensais (Despacho Decisório) 1.986.661,31 (-) Estimativas compensadas (Despacho Decisório) 1.655.306,97 (-) Estimativas Compensadas (Acórdão DRJ) 0,00 (-) Estimativas Compensadas (Acórdão CARF) 123.618,60 (=) Saldo negativo de IRPJ (3.943.447,95) Portanto, o saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2009 (01/01/2008 a 31/12/2008) totaliza R$ 3.943.447,95, que coincide com o valor declarado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito. Como no Despacho Decisório já havia sido confirmado direito creditório no montante de R$ 3.819.829,35, o valor reconhecido nos presentes autos é de R$ 123.618,60 (=R$ 3.943.447,95 - R$ 3.819.829,35). Uma vez comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, deve ser reconsiderada a decisão recorrida. Conclusão. Diante do exposto, VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo credito adicional no valor de R$ 123.618,60, para que sejam homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito total reconhecido nos autos. Assinado Digitalmente ANDRÉIA LÚCIA MACHADO MOURÃO Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.900018/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
NULIDADE. CONTRADITÓRIO. PRAZO PARA DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por violação ao contraditório quando concedido prazo suficiente à apresentação de documentos, ainda mais no curso do período de guarda legal.
NULIDADE. CONTRADITÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não resta configurado o cerceamento ao direito de defesa quando é possível ao sujeito passivo identificar cada operação glosada, ainda que a Fiscalização não tenha discriminado individualmente a natureza de cada item.
FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE.
Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito.
FRETE. PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE.
Cabível o cálculo de créditos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
É dever do contribuinte impugnar especificamente os motivos da glosa, sob pena de não concessão do crédito.
SÚMULA CARF 159. ALTERAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE.
Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições.
Numero da decisão: 3401-009.209
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos, neste ponto, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, e, no mérito, dar parcial provimento, para reverter a glosa sobre as despesas de frete na aquisição de insumos e de frete de produtos em elaboração, por unanimidade; e, ainda, por maioria, para reverter a glosa sobre as despesas de frete de produtos acabados, vencidos, neste item, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto e Luís Felipe de Barros Reche. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.204, de 23 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.900013/2013-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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CONTRADITÓRIO. PRAZO PARA DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por violação ao contraditório quando concedido prazo suficiente à apresentação de documentos, ainda mais no curso do período de guarda legal. NULIDADE. CONTRADITÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta configurado o cerceamento ao direito de defesa quando é possível ao sujeito passivo identificar cada operação glosada, ainda que a Fiscalização não tenha discriminado individualmente a natureza de cada item. FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE. Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito. FRETE. PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. Cabível o cálculo de créditos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. É dever do contribuinte impugnar especificamente os motivos da glosa, sob pena de não concessão do crédito. SÚMULA CARF 159. ALTERAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 00 18 /2 01 3- 21 Fl. 377254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos, neste ponto, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, e, no mérito, dar parcial provimento, para reverter a glosa sobre as despesas de frete na aquisição de insumos e de frete de produtos em elaboração, por unanimidade; e, ainda, por maioria, para reverter a glosa sobre as despesas de frete de produtos acabados, vencidos, neste item, os conselheiros Oswaldo Goncalves de Castro Neto e Luís Felipe de Barros Reche. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.204, de 23 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.900013/2013-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a PIS e Cofins - Não-Cumulativo. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Fl. 377255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 No caso de receitas decorrentes de vendas no mercado interno, somente podem ser ressarcidos e/ou compensados os créditos apurados a partir de 09/08/2004 se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não- incidência da Contribuição. As despesas com serviços de frete geram crédito das contribuições quando vinculadas as operações de venda. No regime da não cumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam essenciais ou relevantes para a produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade e devidamente comprovados. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade por cerceamento de direito de defesa quando se vislumbra nos autos que a recorrente foi capaz apresentar seus argumentos de defesa, exercendo o direito assegurado pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. A realização de diligência ou perícia não se presta a suprir eventual inércia ou omissão do contribuinte, tampouco para reverter o ônus da prova imputado. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo o integral ressarcimento/homologação da compensação, aduzindo os seguintes argumentos, em síntese: - nulidade do despacho decisório por violação do direito de petição, vez que a fiscalização concedeu vinte dias entre o natal e o ano novo para a juntada de documentos que demonstrassem o crédito e, posteriormente, mais quatro dias; - o Despacho Decisório ora recorrido infringiu frontalmente o § 7°, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996, ao não efetuar a cobrança, sendo nulo de pleno Direito; - o pedido de ressarcimento e algumas declarações de compensação foram tacitamente homologados; - insumo é toda e qualquer despesa de empresa em sua atividade tal qual descrevem os artigos 290 a 299 do RIR; - despesas com transporte de insumos pré-produção e no curso da produção são passíveis de creditamento; - não há fundamento no despacho decisório para a glosa de créditos presumido nos primeiro trimestre de 2008 que, por sinal, sequer foram objeto do pedido de ressarcimento e objeto de fiscalização; Fl. 377256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 - parte dos fornecedores de insumos descritos no tipo B do despacho decisórios são agroindustriais, logo, as aquisições destas pessoas jurídicas geram créditos integrais das contribuições; - parte dos insumos descritos no tipo B do despacho decisórios não estão sujeitos à alíquota zero ou a qualquer outra hipótese de não pagamento das contribuições; - não é possível saber pela simples análise do Despacho Decisório, se um determinado crédito de insumo foi glosado sob a alegação de dar ensejo ao crédito presumido ou sob a alegação de estar sujeito à alíquota zero; - a não homologação de pedido de compensação sem que tenha sido concedido prazo adequado para o levantamento das informações e documentos necessários, bem como sem que a Autoridade Fiscal tenha analisado os documentos e informações apresentados pelo Contribuinte, representa um nítido desvio da finalidade da lei; - o despacho decisório macula o postulado da razoabilidade; - deve ser realizada perícia para análise dos créditos; - não há como negar a clara nulidade da glosa parcial procedida. Isso porque à recorrente não foi garantido pleno e efetivo conhecimento das razões da Fiscalização para a referida glosa, já que baseada exclusivamente em planilha de cálculo – e não na análise documental ou probatória – elaborada a partir de informações do próprio contribuinte, cuja veracidade/realidade não se preocupou a Fiscalização em confirmar; - de mais a mais, a análise do direito creditório deveria ter sido pautada pelos documentos contábeis e fiscais da recorrente; - a fiscalização não aplicou o conceito de insumos fixado pelo Tribunal da Cidadania; - o E. STF consignou entendimento em sede de repercussão geral segundo o qual é plenamente possível tomar créditos de IPI na aquisição direta de insumos com alíquota zero. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Quanto à preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e à glosa sobre as despesas de frete de produtos acabados, transcreve-se o entendimento majoritário da Turma expresso no voto vencedor. Em que pese toda a deferência que presto às considerações do Ilustre Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, ouso divergir de seu posicionamento quanto à Fl. 377257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 ocorrência de nulidade por cerceamento ao direito de defesa e quanto à possibilidade de apuração de créditos do Pis e da Cofins calculados em relação aos fretes incorridos nas transferências de produtos acabados, principalmente no caso dos autos, em que as mercadorias vendidas - os laticínios - possuem reduzido prazo de validade e são mais suscetíveis a agentes externos, sendo, no mínimo, essencial que estejam geograficamente próximas dos adquirentes. Do cerceamento ao direito de defesa No caso da nulidade, entendeu o ilustre relator que teria ocorrido cerceamento ao direito de defesa, uma vez que a planilha elaborada pela Fiscalização contendo as operações de frete glosadas não teria a discriminação da natureza de cada operação, inviabilizando inequivocamente o exercício de resistência por parte do sujeito passivo. A minha divergência recai exatamente sobre esse ponto. É que o auditor fiscal expressamente deixa claro no despacho decisório, em seu item DOS CRÉDITOS COM DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NAS VENDA, que adotou uma visão restritíssima acerca da definição de insumos e reconheceu tão- somente os créditos advindos das despesas de frete nas operações de venda, glosando todas as demais operações de frete, que foram dispostas na planilha “Documentos Diversos - Outros - Memória de Cálculo Frete Glosado” utilizando-se do mesmo leiaute disponibilizado pela ora Recorrente à Fiscalização. A falta de discriminação não advém de desídia na construção da decisão por parte do auditor fiscal e sim do seu entendimento de que aquelas operações não se encaixam no seu fechado conceito de frete na operação de venda, não tendo relevância, por esse prisma, a identificação da natureza de cada operação glosada- já que todas as demais indiscutivelmente não são frete na venda. Nesse sentido, tendo a Recorrente entendimento diverso, não só é perfeitamente possível opor-se a essa conclusão como caber-lhe-ia identificar a natureza de cada operação glosada – já que a referida relação de glosas foi extraída e produzida a partir das planilhas fornecidas pelo próprio sujeito passivo - e oferecer a sua defesa com o uso dos argumentos de fato e de direito que entendesse pertinentes para cada tipo de frete, pelo que não entendo como configurado prejuízo à sua defesa. Dos fretes incorridos nas transferências de produtos acabados Com a nova definição de insumo estabelecida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, ficou ainda mais claro, no meu entendimento, que o frete – desde que, à luz do processo produtivo no qual esteja inserido, atenda aos parâmetros da essencialidade ou da relevância – não se afigura tão somente como um mero componente acessório do custo de aquisição de um bem adquirido, assumindo, assim, posição autônoma para que, na condição de serviço utilizado como insumo, possa por si só gerar direito a crédito. Referido entendimento decorre de duas premissas. A primeira se exterioriza na ideia de que, para fins de tomada de créditos, a delimitação do processo produtivo deve ser concebida sob um prisma mais amplo, que contemple todos aqueles subprocessos afetos ao núcleo do propósito econômico da empresa e não sob a restrita ótica de uma “linha de montagem”, em que se pode objetivamente definir o seu começo e o seu fim. Até porque esse enfoque é incapaz de acomodar a complexidade das diferentes atividades econômicas atualmente desenvolvidas e - principalmente – não se mostra perfeitamente conciliável com os próprios critérios da essencialidade e relevância, que se utilizam do “teste da subtração” para definição do que é insumo. Fl. 377258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 O outro pressuposto é sobremaneira mais simples e decorre do inexorável fato de que o frete é, para todos os efeitos, um serviço como outro qualquer, comportando direito ao crédito sempre que se mostrar essencial ou relevante no contexto das atividades econômicas desenvolvidas pela empresa, não se mostrando acertado, assim, considerá- lo como serviço sui generis, recebendo distinto tratamento em relação aos demais serviços adquiridos. É claro que o novo “status” do frete não lhe retira da categoria de componente do custo de aquisição de um bem adquirido – mesmo porque tal condição decorre em verdade da ciência contábil - de modo que, no caso das pessoas jurídicas que produzem ou industrializam bens destinados a venda ou que prestam serviços, o frete poderá ensejar direito a crédito autonomamente (desde que essencial ou relevante) ou como componente do custo de aquisição. Feitas essas breves considerações, detenho-me ao ponto de divergência: o frete incorrido na transferência de produtos acabados. De acordo com as considerações do voto-vista da Min. Regina Helena Costa, no REsp nº 1.221.170/PR, no plano dogmático, havia três linhas de entendimento identificáveis no que concerne ao alcance do termo insumo: i) a orientação restrita, que adotava como parâmetro a tributação baseada nos créditos físicos do IPI, isto é, a aquisição de bens que entrem em contato físico com o produto; ii) a orientação intermediária, consistente em examinar, casuisticamente, se há emprego direto ou indireto no processo produtivo ("teste de subtração"), prestigiando a avaliação dos critérios da essencialidade e da pertinência; e, por fim, (iii) a orientação ampliada, cujas bases se aproveitam do amplíssimo conceito de insumo da legislação do IRPJ. Como consabido, prevaleceu no Superior Tribunal de Justiça a linha intermediária, que, se por um lado não tem alcance tão amplo como aquele que se exterioriza pela legislação do IRPJ, tampouco é limitada aos critérios físicos estabelecidos pela legislação do IPI, acarretando, a meu ver, não só a necessidade de uma nova leitura acerca do conceito de insumo como também de um novo entendimento a respeito do alcance do termo “produção”, para fins de tomada de crédito das contribuições. É que não parece razoável admitir que o STJ tenha abandonado a orientação restrita a respeito do conceito de insumo, aproveitada da legislação do IPI - que, a princípio, identificava como tal apenas os insumos diretos, as matérias-primas e os produtos intermediários – e, ainda assim, tenha continuado a acolher a ideia de que o termo “produção” continue intrinsecamente ligado àquela legislação. Nessa hipotética situação, não restariam compreendidas no conceito de insumo aquelas atividades que, a despeito de serem manifestamente essenciais ou relevantes e, assim, afetas à atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica, ocorrem fora dos rígidos limites do processo produtivo em sentido estrito, isto é, daquele demarcado de acordo com os parâmetros estabelecidos na legislação do IPI. Nesse contexto, penso que a leitura mais adequada para a questão passa pela possibilidade de tomada de créditos em relação a todos os bens e serviços que sejam essenciais ou relevantes - conforme definiu o STJ - e, ao mesmo tempo, incluam-se naquele eixo central de atividades que, em conjunto, revelem o próprio propósito econômico da pessoa jurídica, ainda que tais atividades ocorram antes ou depois do rigoroso processo produtivo delineado pela legislação do IPI. É evidente que isso não significa admitir créditos sobre todo e qualquer dispêndio, ainda que, sob a ótica da própria pessoa jurídica, se mostrem essenciais ou relevantes. Conquanto a expressão “atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, por sua generalidade, possa fazer parecer que haveria insumos geradores de crédito em qualquer atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, a verdade é que todas as discussões e conclusões lapidadas pelo STJ circunscreveram-se ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica. Fl. 377259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 Dessa forma, pode-se afirmar de plano que as despesas da pessoa jurídica com atividades acessórias ao seu propósito econômico, diversas da produção de bens e da prestação de serviços, não representam aquisição de insumos, como ocorre com as despesas havidas nos setores administrativo, contábil, jurídico etc. da pessoa jurídica - até porque do contrário estarse-ia a adotar o conceito da legislação do IRPJ, que, como vimos, fora igualmente rejeitado pelo STJ. Por outro lado, também não me parece correto assumir que o frete incorrido para transportar as mercadorias a serem vendidas pela empresa, ainda que já acabadas, para localizações mais próximas de seus clientes se revele como uma despesa operacional qualquer ou, ainda, que o fato de o processo produtivo em sentido estrito já ter se encerrado seja um obstáculo para que referido dispêndio se encontre inserido no “eixo de produção” da pessoa jurídica, a ponto de afastar a possibilidade de apuração de créditos. Tal conclusão se mostra ainda mais patente no caso desses autos, pois que, em função do exíguo prazo de validade e da maior suscetibilidade a agentes externos dos produtos vendidos – laticínios –, o transporte da mercadoria se revela um fator que pode reduzir sobremaneira a sua qualidade, o que, a meu ver, satisfaz o critério da essencialidade. Por todo o acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito calculado sobre o frete incorrido nas transferências de produtos acabados. Quanto às demais matérias, transcreve-se o entendimento majoritário da Turma, consignado no voto do relator do processo paradigma. A Recorrente aventa NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO pois a) o prazo concedido para apresentação de documentos comprobatórios de suas alegações no curso do procedimento fiscal foi exíguo e b) não houve lançamento dos valores indicados a débito nas declarações de compensação. Sobre o segundo tema, nada há no que corrigir no quanto descrito pela DRJ. Efetivamente, os valores descritos como débito em DCOMP são confessados e sua cobrança independe de qualquer lançamento (art. 74 § 6° da Lei 9.430/96). De todo modo, a Recorrente deixa de arguir a tese em voga em sede de voluntário, tornando preclusa a matéria. O primeiro tema comporta maiores digressões. Em 21 de dezembro de 2012 a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar uma série interminável (seis páginas, mais de quarenta itens) de informações e documentos no prazo de vinte dias. Tendo em vista a época do ano em que foram solicitados os documentos (20 de dezembro) e o curtíssimo prazo para atender a fiscalização, a Recorrente pleiteou dilação de prazo, e teve seu pedido atendido pela fiscalização, que fixou prazo de 30 dias, contados a partir de 17 de janeiro de 2013 para apresentar os documentos e, posteriormente, mais 10 dias contados a partir de 18 de fevereiro de 2013. Do antedescrito já se nota que 1) ao contrário do que alega a Recorrente não foram concedidos apenas 20 (vinte) dias para a apresentação de documentos, mas quase 70 (setenta) dias, 2) na data em que a Recorrente recebeu as intimações ainda não havia esgotado o período de guarda dos documentos contábeis e fiscais. Independentemente do acima, a fiscalização destaca que a Recorrente apresentou todos os documentos solicitados e, nos temas em que o direito ao crédito foi afastado por insuficiência probatória a Recorrente não apresenta qualquer arrazoado - ou ainda prova em sentido contrário no curso do processo administrativo. É claro que a Recorrente questiona em voluntário a veracidade dos documentos que ela mesma apresentou (o que é algo inédito) porém, é certo que a fiscalização considerou-os verdadeiros, vez que corroboram com o quanto descrito na escrituração fiscal apresentada. É dizer, caso a Recorrente de fato entendesse que por vontade livre e Fl. 377260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 consciente apresentou à fiscalização com o intuito de criar obrigação de compensar documentos que não correspondem a realidade (!!!) deveria ter apresentado durante o processo administrativo outros documentos. Com isto se quer dizer que, não obstante de a fixação de prazo exíguo para apresentação de documentos comprobatórios poder culminar com cerceamento do direito de defesa, por violação do direito ao contraditório, no caso não ocorreu porquanto a) o prazo concedido foi suficiente à apresentação dos documentos que (diga-se) a Recorrente deveria ter em mãos e b) a Recorrente apresentou todos os documentos à fiscalização. (...) Superada a nulidade em Sessão de Julgamento pela Turma, é dever prosseguir o julgamento e declarar PRECLUSA a matéria sobre homologação tácita quer do pedido de ressarcimento, quer das compensações, porquanto não repetida em sede de recurso a esta Casa, de todo modo, como bem destaca a DRJ, não há homologação tácita de pedido de ressarcimento e a primeira declaração de compensação foi protocolada em 09 de junho de 2008, sendo que a ciência do despacho decisório ocorreu em 04 de junho de 2013 – antes do quinquênio legal, portanto. No ensejo, também preclusos o pedido de diligência (que, a princípio seria para a produção de prova a cargo da Recorrente) e as matérias de ordem constitucional (que, de todo modo, não poderiam ser encaradas por este Conselho), eis que também não repetidas em sede de recurso a esta Casa. A Recorrente levanta-se contra a glosa sobre os FRETES por si adquiridos, vez que estes são DE VENDA (em que há permissão legal expressa de creditamento), DE TRANSPORTE DE INSUMOS (neste caso, essencial ao processo produtivo) e DE PRODUTOS ENTRE SEUS ESTABELECIMENTOS (por entender inerente a sua atividade). Em contraponto, a DRJ destaca a insuficiência probatória, pois, “os argumentos de defesa [vieram] desacompanhados de documentação suporte, tais como livros contábeis e respectivos conhecimentos de transporte e notas fiscais de entrada, que sustentem os lançamentos registrados na contabilidade”. No curso do procedimento fiscal, foi solicitado à Recorrente a apresentação de memória de cálculo detalhando os créditos de PIS/COFINS, Arquivo das Notas Fiscais, várias declarações nos termos do ADE COFIS 15/2001 (incluindo, registros contábeis, tabela de plano de contas, tabela de natureza da operação), além de planilha indicando nome dos prestadores de serviço de frete, números das notas fiscais e conhecimentos de transporte, valor total da nota e descrição dos serviços prestados. Nos termos do despacho decisório a Recorrente apresentou todos os documentos solicitados, salvo a planilha. Fl. 377261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 Desta forma, a prova dos autos não corrobora com a afirmação do Acórdão recorrido no sentido de “os argumentos de defesa [vieram] desacompanhados de documentação suporte”. Aliás, pelo contrário; a DERAT-SP superou a não apresentação das planilhas e fundamentou sua glosa nas notas fiscais (ainda que por amostragem) apresentadas pelo contribuinte: O excerto acima revela que a fiscalização de origem aparentemente segregou os fretes de venda de outros fretes, deferindo o direito ao crédito na aquisição dos primeiros e indeferindo nos demais casos. Quer parecer (visto que não resta claro o motivo do indeferimento) que apoiou-se a fiscalização em uma interpretação restritiva do quanto descrito no artigo 3º inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, i.e., ao elencar o frete de venda como passível de creditamento das contribuições, o legislador, por via reflexa, proscreveu todas as demais hipóteses de crédito na aquisição de fretes. Todavia, o espelho da fiscalização com o tempo mostrou-se algo côncavo – ampliando a incidência sobre âmbitos que o legislador não previu - , vez que como amplamente discutido por esta Casa e por esta Turma, ao lado da concessão de créditos ao frete de venda, é possível a concessão de créditos das contribuições ao frete se este for essencial ou relevante ao processo produtivo do contribuinte, se este frete revela natureza de insumo. In casu, a Recorrente pleiteia créditos de a) venda, b) de insumos e c) de transferência entre estabelecimentos. O crédito de venda já foi concedido pela fiscalização de solo. O crédito vinculado a aquisição de insumos e de transferência de insumos no curso do processo produtivo é, respectivamente, relevante (sem ele o processo produtivo não teria início) e essencial (sem ele não teria final) ao processo produtivo da Recorrente, portanto insumos cujo as aquisições são passíveis de creditamento. (...). Fl. 377262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 A fiscalização dividiu os créditos da Recorrente em dois grupos: 1) vinculados a receitas tributadas das contribuições e 2) vinculados a receitas não tributadas das contribuições. Nesta divisão, a fiscalização glosou integralmente os créditos vinculados a receitas não tributadas das contribuições, pois, em seu entender (não impugnado pela Recorrente) os créditos descritos no artigo 3° das Leis 10.833/03 e 10.637/02 somente podem ser deduzidos da escrita fiscal, não são passíveis de restituição ou compensação com outros tributos. Dentro dos créditos do segundo grupo (vinculados a receitas não tributadas) a fiscalização criou uma nova subdivisão entre CRÉDITOS passíveis de ressarcimento/compensação e aqueles que não são, quer porque estão SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO das contribuições, quer porque estão sujeitos à disciplina da Lei 10.925/04 (CRÉDITO PRESUMIDO do agronegócio). A partir desta divisão, a fiscalização trouxe aos autos a planilha do Anexo 2 em que destaca Data da Emissão da Nota, Número da Nota, Razão Social do Emitente, CNPJ, UF, CFOP, Descrição do Insumo, Classificação Fiscal, Base de Cálculo e motivo da glosa, com a seguinte legenda: A seu turno, a Recorrente destaca erros na planilha (e consequentemente, nos fundamentos) da fiscalização, citando exemplos de fornecedores que são agroindustriais (e por isto, o crédito a conceder não é o presumido) bem como de produtos que não são tributados à alíquota zero (e por isto, ultrapassam o obstáculo descrito no artigo 3° § 2° inciso II das Leis 10.637/02 e 10.833/03); e para ambos os casos teve seu crédito reconhecido, se bem que no primeiro foi negado por inexistência de vínculo com processo produtivo de saída não tributada. Apesar do deferimento dos exemplos citados em Manifestação de Inconformidade pela DRJ, a Recorrente repete exatamente os mesmos argumentos em sede de voluntário, não traz aos autos qualquer outro caso de equívoco na consolidação da planilha. Não obstante alguns saltos (do despacho para a planilha do Anexo II, da planilha do Anexo II, para a planilha relatório de insumos), os motivos da glosa são minimamente inteligíveis e, em sendo, caberia a Recorrente enfrenta-los um a um – por sinal, é isto que se considera impugnação específica. Como fez apenas para os itens já reconhecidos pela fiscalização, de rigor a manutenção da glosa para as demais aquisições. A fiscalização narra a impossibilidade de compensação ou ressarcimento de CRÉDITOS DE REVENDA de produtos, uma vez que as aquisições não estão vinculadas com receitas tributadas das contribuições. No entanto, o despacho decisório narra que a Recorrente deduziu os créditos de revenda na escrita fiscal e, por isto, não há impacto no pedido de ressarcimento. Fl. 377263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 A Recorrente trata de modo algo sucinto o tema dos créditos decorrentes de revenda de bens, dentro do tópico destinado aos insumos (tratados no item anterior) – como constata a DRJ. Já em Voluntário, a Recorrente abre tópico específico para tratar dos créditos decorrentes de revenda em que destaca que “o E. STF consignou entendimento em sede de repercussão geral segundo o qual é plenamente possível tomar créditos de IPI na aquisição direta de insumos com alíquota zero”. A bem da verdade, não há lide sobre o tema, a fiscalização de piso apenas descreve seu entendimento jurídico sobre o tema, para, ao final, notar que a Recorrente seguiu-o (ou seja, apenas deduziu na escrita fiscal os créditos de revenda de bens). Não fosse isto, o tema se encontraria precluso desde a Manifestação de Inconformidade por falta de impugnação específica. E não fosse isto, também seria o caso de não conhecimento neste momento, agora por quebra da dialeticidade, vez que o fundamento da glosa seria (se existisse) vinculação a receita tributada enquanto a defesa é de possibilidade de crédito vinculado a receita não tributada. Por fim, a Recorrente destaca a IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS porquanto estes 1) não foram objeto do pedido de ressarcimento e 2) não há no despacho decisório qualquer fundamento para a glosa. No curso do procedimento fiscal, a Recorrente apresentou Memória de Cálculo com créditos presumidos pela aquisição de leite integral. A fiscalização, então, comparou os valores descritos na Memória de Cálculo com os informados em DACON, notando (e glosando) os valores a maior na declaração fiscal. Em assim sendo, o fundamento da glosa é a memória de cálculo apresentada pela Recorrente. É claro que, com o reenquadramento dos créditos básicos em presumidos o valor dos últimos tenderia a aumentar. Contudo, a fiscalização optou por não majorar proporcionalmente a base de cálculo dos créditos presumidos pois “os valores validados dos créditos presumidos pela aquisição do leite integral, foram suficientes para amortizar os valores devidos do PIS/COFINS nos mesmos períodos” assim não alteraram “os valores dos Pedidos de Ressarcimento em análise”. Portanto, ainda que se tenha alguma reserva quanto a opções pessoais da fiscalização, em não demonstrado impacto do montante a ressarcir/compensar não há o que reparar no despacho da fiscalização. Acerca da possibilidade de alterar a escrita fiscal, independentemente de pedido do contribuinte, a Súmula CARF 159 dispõe que: Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, admito, porquanto tempestivo e conheço em parte do Recurso Voluntário, para, na parte conhecida dar parcial provimento afastando a glosa sobre os fretes de aquisição de insumos e no curso do processo produtivo. Fl. 377264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-009.209 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900018/2013-21 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar parcial provimento, para reverter a glosa sobre as despesas de frete na aquisição de insumos, de frete de produtos em elaboração e de frete de produtos acabados. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 377265DF CARF MF Documento nato-digital
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