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Numero do processo: 14120.000041/2008-18
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa: MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996 pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude.
Numero da decisão: 1103-000.517
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000041/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110300.517 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 3 de agosto de 2011 Matéria IRPJ e reflexos Recorrente Buriti Comércio de Carnes Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996 pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%, vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Ricardo da Silva, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000041/200818 Acórdão n.º 110300.517 S1C1T3 Fl. 2 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0414.289/2008 (fls. 191), da 2ª Turma da DRJ/Campo GrandeMS, relativo a autos de infração de IRPJ do ano calendário 2005 e tributos reflexos, com imposição da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996. O contexto de fato do lançamento foi assim pormenorizado no relatório da decisão contestada: “Buriti Comércio de Carnes Ltda., acima qualificada, teve contra si lavrado o Auto de Infração (AI e demonstrativos às fls. 141 a 149), relativamente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) do anocalendário 2005, com base no Lucro Arbitrado, tendo em vista que a contribuinte foi notificada a apresentar os livros obrigatórios Diário e Razão, pois optou pelo Lucro Real, e informou que não os possuía. O lançamento de ofício referiuse a omissão de receita da atividade, escriturada e não declarada na Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, o que levou ao não pagamento do imposto. O lançamento resultou em R$ 2.369.782,96, sendo R$ 845.593,48 de imposto, R$ 1.268.390,21 de multa proporcional de ofício e R$ 255.799,27 de juros de mora calculados até 28 de dezembro de 2007. Foram também lavrados os Autos de Infração reflexos (contribuição para o PIS e Cofins e CSLL – fls. 150 a 172), totalizando o valor de R$ 7.190.356,86 (incluídos as multas e os juros moratórios). A discriminação desses valores consta à fl. 02. A descrição e os enquadramento legais das infrações, multa e juros constam nos respectivos AIs (fls. 143 a 145, 149, 153, 157, 161, 165, 169 e 172). A ciência quanto aos lançamentos ocorreu em 26 de fevereiro de 2008, conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 175.” Na impugnação (fls. 184), a autuada refutou a multa qualificada e a multa isolada e apresentou contestações específicas contra as exigências de PIS e Cofins. A turma de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Preliminar. Inconstitucionalidade e Ilegalidade. É defeso em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade ou legalidade, cabendo o fiel cumprimento da legislação em vigor. Multa. Efeito Confiscatório. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva estabelecida em lei. O princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. Multa Qualificada. Intuito de Fraude. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000041/200818 Acórdão n.º 110300.517 S1C1T3 Fl. 3 3 Demonstrado o evidente intuito de fraude, correta a aplicação do percentual de 150% da multa punitiva. Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores declarados nas DCTF e os valores escriturados nos livros fiscais, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. Autuações Reflexas: CSLL, Contribuição para o PIS e Cofins. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal.” Cientificada da decisão em 11/08/2008 (fls. 218), a contribuinte interpôs o recurso no dia 9 do mês seguinte (fls. 219). Tratando do IRPJ, informou que “não nega de fato, que esse imposto mereça subsistir, tanto que está aqui para conciliar esta situação, perante o fisco”. Alegou supostas inconstitucionalidades relativas às exações de CSLL, PIS e Cofins e rejeitou a inclusão de receitas financeiras nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. Requereu a redução da multa de 150% para 75% em razão da inexistência de fraude e máfé. Também se insurgiu contra suposta aplicação de multa isolada, definindoa como “absurdamente inapropriada para o presente caso”, tendo em vista que teria a mesma base de cálculo da multa exigida em conjunto com o tributo. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, Relator O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Este Conselho, na condição de órgão integrante da estrutura administrativa da União, não detém competência para enfrentar argüições de inconstitucionalidade de atos legais, segundo entendimento contido na Súmula Carf nº 2, com o seguinte enunciado: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000041/200818 Acórdão n.º 110300.517 S1C1T3 Fl. 4 4 Do exame das peças processuais, vêse que as bases de cálculo consideradas no lançamento tributário (fls. 146) são compostas unicamente de receitas de vendas, sem qualquer inclusão das receitas financeiras alegadas pela recorrente. De igual modo, a reclamada multa isolada também não integra o conjunto de exigências deste processo, conforme demonstrativos de multas que compõem os autos de infração de IRPJ (fls. 149) e de CSLL (fls. 172). A multa qualificada (150%) foi aplicada tendo em vista a intenção de sonegar mediante a “ação dolosa” de entregar DIPJ e DCTF “zeradas”, o que caracterizaria tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, segundo consta da descrição dos fatos registrada no auto de infração. A DRJ manteve a imposição da multa. Penso de forma diferente. No mesmo auto de infração, a autoridade descreve a composição da base de cálculo do lançamento como resultado das receitas de vendas registradas nos livros fiscais da própria contribuinte, como se vê adiante: “Como o contribuinte não apresentou os Livros Diário e Razão, o lucro foi arbitrado com base na receita informada nos livros de Saídas e estão demonstradas em um anexo, denominado Demonstrativo da Base de Cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.” O referido anexo se encontra na fl. 146. Como a receita considerada pela fiscalização foi identificada nos próprios registros da contribuinte, que estiveram à disposição para verificação, considero que os elementos constantes dos autos são insuficientes para comprovação da intenção de fraude. Nestes casos, a pacífica jurisprudência administrativa rejeita a aplicação da multa qualificada de 150%, admitindo como cabível a imposição da penalidade no seu percentual ordinário de 75%, conforme art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Conclusão Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%. Aloysio José Percínio da Silva Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000041/200818 Acórdão n.º 110300.517 S1C1T3 Fl. 5 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005905/89-34
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL FATURAMENTO - Tratando-se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo matriz
se projeta no julgamento do processo decorrente
recomendando o mesmo tratamento, dada a intima relação
de causa e efeito.
Numero da decisão: 102-30.046
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RIFER'S ROUPAS E MODAS LTDA ACORDAM os Membros da Se gunda Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a inte grar o pre- sente julgado, Saia das j6 de julho de 1995 EMANUFLOW çANTOS PAIVA - FRRS7DENTE MARTA CT ,R 1r. TA DE ANDRADE FIGUEIREDO RELATORA VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR riA FA SRSSAO 7ENDA NACIONAL, Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Waldevan Alves de Olivera, josê Clóvis Alves, Ursula Hansen, Jú- lio César Gomes da Silva e JOSê Carlos Passuello. 2. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Na. 10830/005,905/89-34 RECURSO- 84,732 ACORDA() Níl.: 102-30,046 RECORRENTE : RIFER'S ROUPAS E MODAS LTDA REL. &ZÇIRIO BIFER"S ROUPAS E MODAS LTDA, jurisdicionada pela Dele- gacia da Receita Federal em Campinas - SF, recorre a este Conselho do atu do titular da DRF naquela cidade, que, indeferindo a sua impugna- ção, manteve o lançamento - ex officio - eM sua deciaração de rendimen- Los upresencaa para o exercício de 1986, ensejando a cobrança ao Fin- social no valor correspondente a 179,58 BTNE, acrescido de multa e demais encargos jegars, O procedimento teve início em decorrência de ação cal levada a efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, culmi- nando com a iavratura do Auto de infração de fls. 01 do seguinte teor: "DESOFIçA0 DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL - Con- tribuição do Fundo de Investimento Social FINSO- CIAI, devida sobre a receita bruta, tal como defi- nido no artigo 179 do RIR/80, aprovado pelo Decre- to NQ 85.450/80, recolhida com insuficiência no período fiscalizado. ANEXOS: Demonstrativos de cálculo do FINSOCIAL e dos acréscimos le gais res- pectivos, que são partes Integrantes deste Auto de Infração". Notificada do lançamento, a empresa apreseni,ou Impugna- ção tempestiva às fls. 09, representada por cópia da defesa oferecida nu processo principal, A decisão da autoridaade monocrática foi proferida às fls, 24, índeferindo a impu gnação apresentada pela contr 4 buinte, cujos /15 3. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Na. 10830/005,905/89-34 ACORDA() Na 102-30.046 "FINSOCIAL - DECORRENCIA - TRIBUTAÇA0 REFLEXA - Translada-se para o processo decorrente a decisão de mérito proferida no processo principal." Não se conformando com a decisão retro, a interessada interpõe recurso voluntrio a este colegiada cujas razões são liaas na integra em sessão ;;" E o relatório, 1 4. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NQ. 10830/005,905/89-34 ACORDA0 N51 102-30.046 I 2 'TI O Conselheira Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Relatora: A matéria submetida ao julgamento desta Câmara decorre de lançamento "ex-officio - levado a efeito contra a pessoa jurídica no processo matriz No. 10830/005,906/89-05, relativamente a imposto de renda, resultando daí o lançamento decorrente nos termos do auto de infração, Trata-se, portanto, de lançamento reflexivo, do conhe- cimento da. recorrente, revelado tanto na peça impugnatória como no presente recurso, onde insiste na vinculação deste processo ao julwa- mento flU processo principal, Ocorre, todavia, que o recurso interposto pela pessoa jurídica, a propósito do imposto de renda foi objeto de julgamento por esta Câmara, em sessão realizada em 06/10/1992, que, por unanimidade de votos, negou-lhe provimento, conforme faz certo o Acórdão No. 102-27,288, Destarte, em se tratando de lançamento decorrente, a decisão proferida nos autos do processo principal se projeta neste processo reflexivo, recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima re- lação de causa e efeito. Em face do exposto, nego provimento ao recurso, Brasília, 06 de julho , de 1995. dir ---" Maria Clélia de Andrade Figueiredo - Relatora. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 16045.000336/2007-71
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 36 /2 00 7- 71 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000336/200771 Acórdão n.º 2803002.208 S2TE03 Fl. 242 2 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que manteve o crédito tributário oriundo de lançamento pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, referente a contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, no período de 08/1998 à 12/1998, compreendendo a parte dos segurados empregados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT, as destinadas às outras entidades: SalárioEducação, Incra, Sesi, Senai e Sebrae, conforme Relatório Fiscal de fls. 29/36 e anexos de fls. 37/40. A ciência do auto de infração inaugural foi em 21.09.2006 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: os créditos estão extintos por decadência quinquenal, ilegalidade da inclusão dos sócios como responsáveis, nulidade do lançamento por ausência de fundamento para o arbitramento, ilegalidade do cálculo dos juros aplicados (taxa Selic), requerendo no final o cancelamento e improcedência do lançamento. Os autos vieram a esta Turma Especial para julgamento. Esse é o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000336/200771 Acórdão n.º 2803002.208 S2TE03 Fl. 243 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observese a NFLD é referente às fatos geradores que deram base ao lan;amento são dos períodos de 08/1998 à 12/1998, mediante aferição indireta. Neste caso, apesar da natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação (art. 150, do CTN), há competências em que o lançamento dos créditos é realmente um lançamento de ofício (art. 149, do CTN). Assim, deverseá aplicar a regra decadencial disposta no art. 173, I, do CTN, em que direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contadosdo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda, em razão do segundo caso de decadência (art. 173, I, do CTN), tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000336/200771 Acórdão n.º 2803002.208 S2TE03 Fl. 244 4 processual (recurso repetitivo) e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retro citada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente a todos os fatos geradores ocorridos anteriormente ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Dessa forma, considerando que a data de ciência e perfectibilização do lançamento deuse em 21.09.2006, resta por decretar a extinção dos créditos tributários (art. 156, do CTN), por ocorrência do lapso decadencial, que tiveram como base fatos geradores ocorridos nas datas anteriores a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN. Ou seja, todos os créditos lançados. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, decretando a extinção dos créditos lançados em razão do lapso do prazo decadencial. É como voto. (Assinatura Digital) Gustavo Vettorato Relator Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 12466.722315/2013-46
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 18/03/2009 a 12/09/2012
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO.
Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para
sua prática ou dela se beneficie bem como o adquirente de mercadoria de
procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e
ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Recursos Voluntários Negados.
Numero da decisão: 3302-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 18/03/2009 a 12/09/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recursos Voluntários Negados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 18/03/2009 a 12/09/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recursos Voluntários Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Ricardo Paulo Rosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 23 15 /2 01 3- 46 Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase o presente feito de exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em substituição a pena de perdimento. Acusação imputada se refere à interposição fraudulenta configurada pela falsidade ideológica pela infração da apresentação de documento falso para a nacionalização das mercadorias. Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar a realidade dos autos: “Relatório Trata o presente processo de impugnações contra a exigência da multa prevista no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelas Leis nos 10.637/2002 e 12.350/2010, no valor de R$ 319.531,46, objeto do Auto de Infração de fls. 03 54. O procedimento fiscal em questão foi iniciado em 14/08/2012, com diligência no estabelecimento da empresa AST Comércio Internacional Ltda. (CNPJ 32.393.589/0001 21), doravante identificada apenas por AST, quando foram retidos diversos documentos e a empresa intimada para apresentar outros elementos e prestar esclarecimentos, o que foi atendido apenas parcialmente (fls. 6996). Em decorrência da verificação dos documentos retidos e apresentados, a empresa foi incluída em procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa (IN) SRF nº 228/2002 (fls. 9799). A intimação constante do Termo de Início de Ação Fiscal passou por diversas prorrogações e não chegou a ser atendida de forma completa. Da análise dos documentos apresentados restaram indícios de incapacidade financeira da 3 empresa e, assim, o exame foi estendido a todas as importações registradas pela AST, no período compreendido entre 01/01/2009 a 30/09/2012. Segundo a autoridade fiscal, a empresa promoveu a importação de diversas mercadorias, simulando ser por conta e risco próprios, visto que a importação foi por conta e ordem de terceiros, tendo a adquirente adiantado todos os valores para que a AST fizesse frente aos pagamentos dos impostos, câmbio e demais despesas, além de ter havido o envolvimento de outra empresa conforme adiante relatado. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 29 3 De acordo com a fiscalização, a empresa adquirente, ROLAPEL ROLAMENTOS LTDA. EPP (CNPJ 01.086.472/000171), doravante identificada como ROLAPEL, comprou, por sua conta e ordem, as mercadorias diretamente da exportadora NTN SUDAMERICANA, sediada no Panamá, através da sua representante NTN DO BRASIL LTDA. (CNPJ 02.158.686/000179), neste ato identificada como NTN BRASIL, que recebeu 5% de comissão sobre as vendas. Os pedidos de compra da ROLAPEL sempre foram feitos para a NTN BRASIL, que repassou para a NTN SUDAMERICANA. Perante essa exportadora, a ROLAPEL sempre foi a devedora, a responsável pelos pagamentos das mercadorias. A NTN DO BRASIL apresentou pedido de compra formulado pela ROLAPEL, comprovando que esta é a adquirente das mercadorias e suporta todos os custos, não existindo participação da AST (fls. 383495). Essa prática de simulação na operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora (que não constou na DI nem em qualquer outro documento apresentado no despacho), é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além de ter ocorrido a utilização de documentos com falsidade ideológica. Conforme o relato, as mercadorias foram declaradas como exportadas pela NTN SUDAMERICANA, internadas como sendo mercadorias compradas pela AST, que nacionalizou os bens e encaminhou à adquirente em território nacional. Na tabela de fls. 0809, estão relacionadas as Declarações de Importação. A fiscalização chama a atenção para as datas de desembaraço, das notas fiscais de entrada e das notas fiscais de saída, que são praticamente iguais, indícios de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega e que nunca foram compradas ou vendidas pela AST. Os agentes fiscais asseveram que a atuação dessa empresa foi de prestação de serviços na internação, nacionalização e encaminhamento das mercadorias à verdadeira compradora (real importadora), que, através da NTN BRASIL, comprou os bens da NTN SUDAMERICANA, adiantando todos os valores aplicados nestas importações para que a AST pudesse fazer frente aos gastos com o desembaraço das mercadorias. Na tabela de fl. 10, a fiscalização ressalta as datas de registro das DIs, das notas fiscais das saídas, e dos contratos de câmbio, que quando comparadas com as datas dos pagamentos, deixa evidente que os depósitos feitos pela ROLAPEL sempre acontecem em datas anteriores ao Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 registro das DIs e aos pagamentos das contratações de câmbios para quitação das obrigações com o exterior. Na sequência, os autuantes fazem menção a diversas comprovações de adiantamentos feitos pela ROLAPEL para a AST, com base nos registros contábeis desta empresa obtidos através do SPED (SERVIÇO PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL), sendo possível vincular os valores adiantados, registrados na contabilidade da AST, às Notas Fiscais de saída para ROLAPEL, referentes a cada importação. Para demonstrar os CE FORTALEZA DRJ Fl. 1577 4 adiantamentos feitos pela ROLAPEL, estão anexadas a cada DI cópias de folhas de extrato do Razão Contábil com Contrapartida da conta “BANCOS CONTA MOVIMENTO”, onde constam os adiantamentos e demais pagamentos feitos. As diferenças existentes entre os valores adiantados pela ROLAPEL e os valores das notas fiscais de vendas emitidas pela AST, a fiscalização atribui a diversos motivos, dentre eles, as diferenças de câmbio, benefícios por pagamentos antecipados, multas pagas no despacho aduaneiro e outras despesas acima das inicialmente previstas. Verificando as demais importações da AST, envolvendo outros exportadores e adquirentes, da mesma forma, a fiscalização afirma haver identificado diversos indícios que demonstraram a prática de interposição fraudulenta e uso de documentos material e ideologicamente falsos, o que revela que a empresa atua de forma irregular, no comércio internacional, de maneira continuada, adotando a mesma sistemática na forma descrita. De acordo com a fiscalização, a falta de condição financeira da AST para atuar no comércio internacional é evidente, já que ela necessita de adiantamentos dos adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra como sendo por conta e risco próprios. Essa incapacidade financeira é revelada pelo procedimento adotado no aumento do Capital Social, feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00, que justificou como sendo com aquisição de imóvel rural, feito para demonstrar capacidade de pagamento (fls. 119). Acrescenta que o mencionado aumento de capital não altera a condição financeira da empresa, pois o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 109112). O pagamento desse valor naturalmente diminuiu o saldo das disponibilidades e, em seguida, o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 113115), emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e utilizado para Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 30 5 aumentar o capital da empresa. Diante disso, a fiscalização sustenta que o aumento do capital, formalizado na 21ª Alteração do Contrato Social, foi feito de forma “gráfica” e simulada, sem afetar a situação financeira da empresa (fls. 120122). Ainda acerca da situação financeira da AST, a auditoria fiscal apresenta a evolução patrimonial anotada com base nas principais rubricas contábeis. Os valores apresentados são aqueles que constaram nas DIPJs apresentadas e balancete de 01 a 07/2012, e quando comparados o saldo final de 2009 e o inicial de 2010, surgem as primeiras incongruências, visto que, em diversas linhas, os valores estão divergentes. Em conformidade com o relato fiscal, esse quadro é agravado quando se verifica que alguns saldos dos valores registrados em realizável em curto prazo (conta de clientes), que deveriam dar sustentabilidade às obrigações mais imediatas, registram valores expressivos a receber de empresas ligadas, demonstrando que efetivamente não estão servindo de lastro de direitos capazes de sustentar o passivo circulante (vide tabela de fls. 1214). A fiscalização realça também o valor registrado no Ativo Circulante, como sendo “ADIANTAMENTOS À NTN”, de R$ 3.856.269,65, valor que foi adiantado pelos adquirentes de rolamentos, os quais pagam antecipadamente as mercadorias, e segue compensado com adiantamentos de clientes, registrados no Passivo Circulante. Outro ponto importante, segundo os AuditoresFiscais, é o valor registrado em “Impostos a Recuperar”, com grande crescimento em 2012, que trata de valores referentes ao 5 IPI na Importação, cujo valor não vai ser recuperado (pode ser utilizado unicamente como redutor na apuração do IPI a ser recolhido mensalmente), o que vai influenciar de forma significativa os resultados de 2012. No caso das obrigações tributárias, aparecem em início de 2012 com saldo de R$ 1.166.291,25, demonstrando que a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira. Na ótica da fiscalização, todas essas evidências demonstram que a AST não tem condição financeira para atuar no comércio internacional, necessitando dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas em todos os procedimentos, passando, assim, a simular as operações Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 que precisava registrar como sendo por conta e risco próprios e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. Os autuantes asseveram que, em todas as importações a AST necessitou do adiantamento da ROLAPEL para dar continuidade aos procedimentos de nacionalização e pagamento aos fornecedores no exterior, e mesmo nos casos em que registrou importação por encomenda, conforme constatado em outros procedimentos, a AST precisou de adiantamentos da encomendante para poder fazer frente aos seus compromissos com o desembaraço aduaneiro. Nessa forma de agir, acrescentam, os intervenientes falsificaram as faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias e declararam operações de comércio exterior de forma simulada. Esses documentos e declarações não representam as operações comerciais, pois o importador e comprador dos produtos, nelas indicado, não o é de fato, eis que a AST foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco (reais importadores e compradores das mercadorias), permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização. O autuantes afirmam que os atos praticados pelo importador declarado tiveram como objetivo ocultar a verdadeira interessada nas mercadorias estrangeiras e as demais empresas envolvidas, nas operações de importação em questão, que permaneceram ocultas. Segundo a fiscalização, a declaração inexata é fruto de ações praticadas com dolo, pelos importadores e demais envolvidos, que intencionalmente promoveram modificações nas características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador, estando presentes, nos atos praticados, a sonegação, conluio, simulação e a fraude, conforme disposto nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964. Afirmam ainda tratarse de falsidade dos documentos que instruíram os despachos aduaneiros de importação, quais sejam as faturas comerciais e documentos do transporte internacional, pois quem comprou as mercadorias no exterior não foi declarado e a sua identificação e qualidade de real importador obrigatoriamente deveriam estar registradas em todos esses documentos. Nesse sentido, de acordo com os AuditoresFiscais, a AST não é a compradora das mercadorias, como quis fazer crer, utilizando documentos ao menos ideologicamente falsos e fazendo declarações inverídicas na Declaração de Importação e quando da comercialização em território nacional. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 31 7 Com base no parágrafo único do art. 1º da IN SRF nº 225/2002, a fiscalização destaca que a importação por conta e ordem de terceiros pode variar na sua complexidade, em função da negociação entre as partes, mas tem por essência o interesse do adquirente em 6 receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que, a motivação do importador para promover a nacionalização das mercadorias, não existiria. Em decorrência, assevera que, caso a importação deixe de ser efetivamente negociada entre importador e exportador, havendo um terceiro responsável, vinculado à aquisição das mercadorias do exterior, sem que seja consignada sua identificação na DI e nos documentos de instrução, limitandose, a função do importador, a constar apenas nominalmente nos documentos necessários ao despacho aduaneiro, resta evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta. Aduz que, na importação por conta e ordem de terceiros, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho, intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam os recursos financeiros. Em seguida, as autoridades fiscais passam a discorrer sobre as modalidades de importação, com base na legislação de regência, mencionando a importação por conta e risco próprios (importação direta), a importação por conta e ordem de terceiros (art. 80, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e Instrução Normativa SRF nº 225, de 18/10/2002) e, por fim, a importação para revenda a encomendante predeterminado (art. 11 da Lei nº 11.281, de 20/02/2006 e IN SRF nº 634 de 24/03/2006). No tocante à habilitação para atuar no comércio exterior, por meio do Siscomex, esclarecem que, além do importador, o adquirente e o encomendante predeterminado que atuam por intermédio de pessoa jurídica importadora também devem se submeter ao procedimento de habilitação, conforme legislação citada, devendo estar vinculados ao importador no Siscomex, mediante a apresentação dos correspondentes contratos. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 Acerca das empresas envolvidas no procedimento fiscal, a fiscalização aponta a AST, cujas importações, nos seis meses que antecederam o procedimento chegaram a US$ 3.505.310,00 por conta e risco próprios e US$ 3.216.910,00 no que se refere a importações por conta e ordem e por encomenda, valor que extrapolou em muito o seu limite estabelecido, de US$ 55.636,00. AST foi credenciada como interveniente no comércio exterior na modalidade ordinária e sempre se aproveitou dos benefícios financeiros do FUNDAP (Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias), criado pelo estado do Espírito Santo, benefício fiscal concedido às empresas de comércio exterior que estabelecem seu domicílio fiscal no referido estado. A empresa ROLAPEL, credenciada como interveniente no comércio exterior em 2007 e atualmente com a habilitação suspensa, foi intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos, porém não ofereceu resposta. A empresa NTN BRASIL tem como um dos sócios, a mesma empresa declarada como exportadora, NTN SUDAMERICANA S.A., e possui credenciamento para atuar como interveniente no comércio internacional, na modalidade “simplificada – pequena monta”, estando suspensa por inatividade no comércio exterior. 7 A referida empresa foi diligenciada e intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos. No entendimento da fiscalização, esses esclarecimentos revelam que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente para a NTN BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA (fls. 358361). Esse procedimento foi descrito em correspondência aos seus representantes e demonstra que as empresas adquirentes foram levadas a agir dessa forma, para que pudessem adquirir as mercadorias que comercializam (fls. 369373). Somente a partir do embarque e emissão da fatura internacional são iniciados os procedimentos a cargo da AST. No tópico intitulado “Sujeição Passiva”, o relatório faz alusão aos artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional (CTN), ressaltando que contribuintes e/ou responsáveis podem ser coobrigados. Expõe que, na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, ocorre simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que da aplicação do critério subjetivo que permitiria levar a bom termo a sujeição passiva, surja outro que não aquele que deveria ser obrigado ou surja apenas um dos obrigados, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 32 9 Procurase demonstrar que a empresa AST, que se declarou como importadora, não foi quem comprou as mercadorias no exterior, não pagou pelos impostos e câmbio, pois recebeu adiantamentos da empresa adquirente, para fazer frente aos pagamentos necessários ao desembaraço das mercadorias. Ainda nessa linha, sustenta que não houve qualquer negociação entre as empresas AST e NTN SUDAMERICANA, sendo que esta última recebeu os pedidos feitos pela adquirente diretamente da NTN BRASIL e, no ato da preparação dos documentos, incluiu a importadora AST a mando dos reais compradores e a AST deu continuidade aos procedimentos, na forma de interposta pessoa, em favor de todos os envolvidos. Em face desses elementos, a fiscalização atesta haver solidariedade entre as empresas. A AST, na qualidade de importadora, assumiu a responsabilidade pela declaração registrada no Siscomex. A ROLAPEL, interessada nas mercadorias que comercializa, colocou pedidos de compra na NTN BRASIL. Esta, por sua vez, tratou de todos os procedimentos junto a NTN SUDAMERICANA que providenciou o embarque emitindo todos os documentos necessários à internação em território nacional, em nome da interposta pessoa AST, que aceitou essa situação e providenciou o desembaraço das mercadorias para que o real interessado permanecesse oculto aos olhos da fiscalização. Ao tratar da responsabilidade e solidariedade, fazse alusão ao art. 95 do Decretolei nº 37/1966, que preceitua a responsabilidade conjunta tanto daqueles que de alguma forma concorrem para a prática da infração ou dela se beneficiam quanto, especialmente, do importador e do adquirente de mercadoria estrangeira importada por sua conta e ordem (art. 603, incisos I e V, do Regulamento Aduaneiro). Sob essa ótica, os agentes fiscais defendem que houve coordenação entre as empresas reais adquirentes das mercadorias estrangeiras e o importador, que embora tenha declarado operação própria, foi identificado como prestador de serviço em operação por conta e ordem de terceiro, o que implica que respondam conjuntamente pelas infrações praticadas. Os autuantes explicam que a AST é uma empresa “fundapeana” e tem como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro oferecido pelo Estado do Espírito Santo, prestando serviços para empresas interessadas em nacionalizar mercadorias importadas. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 A ROLAPEL, empresa compradora das mercadorias no exterior, foi quem colocou pedidos de compra junto a NTN BRASIL. Esta, por sua vez, interessada em cumprir o seu papel de representante da NTN SUDAMERICANA, abonou todos esses procedimentos irregulares e recebeu 5 % comissão sobre essas vendas. As provas em que se baseia a autuação estão representadas pelos documentos entregues no registro das DIs, aqueles que foram apresentados em atendimentos às intimações, documentos registrados no Sistema Público de Escrituração Digital, sites livres da internet e os obtidos dos sistemas administrados pela RFB, os quais, segundo a fiscalização, permitiram a formação de robusto quadro indiciário e probatório, demonstrando de forma cabal as infrações praticadas e a inexistência da necessária boa fé nas ações dos envolvidos. As constatações são no sentido de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como de que os impostos e demais despesas foram suportados pela ROLAPEL, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento à NTN SUDAMERICANA. O relatório aponta outras constatações: a) as mercadorias, que tem itens muito específicos, necessitam de boa estrutura comercial e de distribuição, para a comercialização, incoerente com a atividade da empresa importadora, agindo por conta e risco próprio, pois em sua estrutura não tem departamento de compra e/ou venda, e por esse motivo não tem estrutura suficiente para atuar na forma simulada, indício de que a AST atua por conta e ordem de terceiros, o que foi comprovado com a identificação de quem comprou e quem arcou com os custos das importações em análise; b) considerando as especialidades das mercadorias envolvidas, tornase evidente que a compra no exterior não foi feita pela AST, que atua basicamente na prestação de serviços de nacionalização de mercadorias, não demonstrando estrutura suficiente para administrar essa negociação; c) as importações em questão foram registradas pela AST na sistemática de por conta e risco próprios e as notas fiscais de venda registraram como adquirente a empresa ROLAPEL; d) as datas de registro, desembaraço, entrada das mercadorias na AST e de venda desta para a ROLAPEL são muito próximas, o que demonstra que as mercadorias Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 33 11 simplesmente passaram pela importadora e imediatamente foram repassadas para a compradora; e) os pedidos de compra foram feitos pela ROLAPEL para a NTN BRASIL, que atuou junto à NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias; f) nos registros contábeis da empresa AST, constam os adiantamentos feitos pela empresa ROLAPEL (extratos das folhas de livro razão com contrapartidas, obtidas através do SPED, conforme quadro de fls. 3738); g) destacase a participação das empresas AST e NTN, as principais beneficiadas e idealizadoras do procedimento irregular, a primeira, sem condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio, optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP, e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos; 9 Assim, a fiscalização entende estar demonstrada a prática de interposição fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações de importação em questão, infração considerada dano ao Erário, cabendo a proposição da pena de perdimento das mercadorias, com base no art. 689, inciso XXII, do Decreto n° 6.759/2009. Aduz que, tendo os bens sido remetidos a consumo, foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Em decorrência, conforme o entendimento fiscal, ficou também caracterizada a falsidade ideológica nos documentos apresentados para nacionalização das mercadorias, que não representam as verdadeiras operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato, assim como a AST não atua na comercialização dessas mercadorias, mas simplesmente presta serviços de nacionalização dos bens. A irregularidade foi constatada nos documentos apresentados, acobertando as mercadorias em questão (BL, Packing List e fatura comercial), indicando como importadora a AST, os quais omitem a real compradora das mercadorias (real importadora) e demonstram operações por conta e risco próprios, quando na realidade foi operação por conta e ordem de terceiros. Nesse caso, a penalidade cabível é igualmente o perdimento ou a multa Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 equivalente ao valor aduaneiro, quando não localizada a mercadoria, consoante art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966 (689, inciso VI, do Decreto n° 6.759/2009). A empresa AST foi cientificada do Auto de Infração em 20/09/2013, por meio eletrônico, mediante envio ao domicílio tributário do sujeito passivo, conforme fls. 1368, tendo apresentado a impugnação de fls. 13791386, juntamente com os documentos de fls. 1387 1394, em 15/10/2013, conforme fl. 1374. De acordo com o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1369, a empresa NTN DO BRASIL Ltda. teve ciência do Auto de Infração em 19/09/2013, apresentando, em 18/10/2013, impugnação de fls. 14191435 e documentos de fls. 14361563. A ROLAPEL, por sua vez, foi cientificada igualmente por via postal, em 19/09/2013, conforme AR de fl. 1370, tendo apresentado a impugnação, em 21/10/2013, às fls. 1398 1406, acompanhada dos documentos de fls. 14071416. A impugnação da empresa AST contém as seguintes razões de defesa: 1) para caracterizar as supostas ocorrências os Auditores Fiscais fizeram uso ostensivo de presunções diversas, no intuito de vincular informações desconexas relativas às operações aduaneiras e fiscais, com os tributos pagos conforme normatização, cuja documentação fora entregue voluntariamente pela empresa, para ao final, em equívoco, atingir conclusão desarrazoada; 2) a fiscalização presume incapacidade financeira da empresa sem qualquer fundamento concreto, além de desconsiderar a aquisição legítima de bens por ela realizada para o aumento de seu capital; 3) inverte arbitrariamente o ônus da prova, ignorando a presunção notória de boafé, afirmando que uma das empresas supostamente envolvidas deveria ter comparecido ao procedimento fiscalizatório para elidir a máfé; 4) presume que diferenças de valores por ele calculadas, por não se vincularem diretamente, teriam justificativa em uma fantasiosa comissão devida entre as empresas; 5) afirma que empresas terceiras fariam caucionamento financeiro antecipado para subsidiar as importações da impugnante, para, ao depois, contradizerse ao afirmar que tais valores caucionados não seriam suficientes para garantir as operações, novamente reafirmando a suposta incapacidade financeira; Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 34 13 6) presume atraso intencional no pagamento de tributos, que teriam por objetivo desviar os supostos valores para o ativo circulante da empresa, novamente, para municiar a tese de ausência de capacidade financeira; 7) os agentes fiscais laboraram em equívoco, ao presumir situações inexistentes, objetivando dar sustentabilidade à conclusão de que teria havido a infração de interposição fraudulenta; 8) a empresa sempre possuiu capacidade financeira para realização das operações aduaneiras, o que de plano fulmina a hipótese de interposição fraudulenta, e a situação analisada não se amolda a uma empresa de fachada, tal como sugerido no relatório combatido, e sim de uma empresa familiar, de longo histórico no mercado, e que jamais teve qualquer intenção de prejudicar o Erário, o que de fato não ocorreu; 9) acerca da capacidade financeira da empresa autuada, muito embora tenha havido grande esforço da fiscalização para tentar comprovar a alegada incapacidade financeira da empresa, o conjunto probatório demonstra exatamente o oposto; 10) pela documentação já juntada às fls. 6468 e 114116, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 desde 25/10/2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 114116 e a 21a Alteração Contratual, sendo certo que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10/08/2007, conforme documento de fls. 119122; 11) observandose o histórico de importações apresentado no relatório, verificase que a empresa possuía baixa movimentação anual de importação, em média inferior a dois eventos por mês, constatandose que nenhuma dessas importações, realizadas no período determinado pela fiscalização, sequer chegou a aproximarse da capacidade financeira da empresa, especialmente dos valores integralizados no capital social, revelando sua capacidade financeira para solver suas importações; 12) não há nos documentos constantes dos autos qualquer indício que desabone a capacidade financeira da empresa autuada, senão a simples presunção de que o imóvel utilizado para aumento do capital social não teria o valor declarado e, por isso, em seu entender, seria imprestável; 13) milita ainda em favor da efetiva capacidade econômica da empresa, outro laudo pericial judicial produzido nos autos do processo de n° 024.990.157.497, que tramitou na 3a Vara Cível da Comarca de Vitória, cujo valor atribuído Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 ao citado imóvel integralizado, em abril de 2009 seria de R$ 504.000,00 (quinhentos e quatro mil reais); 14) em nova presunção, a fiscalização afirma que "a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira " sendo flagrante o engendramento realizado pelos Auditores para atingir a conclusão equivocada, no sentido de que empresa não teria capacidade financeira; 15 a fiscalização descreve seu raciocínio utilizando o verbo "optar", que traz a idéia do elemento volitivo da escolha e, também por isso, há flagrante irregularidade na motivação do auto de infração, já que a fiscalização palpita aleatoriamente sobre escolhas que motivaram a vida financeira da empresa; 16) sem a força probante necessária, os Auditores finalizam seu raciocínio afirmando que a suposta opção de atraso no tributo, seria indício de incapacidade financeira, ou seja, nada de concreto afirma, nada prova, e, portanto, nada de proveitoso conclui; 17) ainda no que se refere aos cálculos realizados entre os valores de importação, notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, especialmente as planilhas colacionadas no relatório, constatase que os valores não se conjugam como afirmado pelos autuantes e, diante da falta de correlação ou semelhança entre os valores, os Auditores presumem, mais uma vez, que os valores somente se diferem em razão de existir uma suposta comissão na diferença apurada; 18) é evidente a utilização de presunções diversas objetivando atingir fim específico, qual seja, o de construir uma ficção, num esforço para criar e "costurar" uma argumentação que vincularia os dados documentais e as presunções realizadas, para embasar o intuito de configurar uma suposta incapacidade financeira que, por corolário lógico, embasaria sua tese de interposição fraudulenta; 19) as razões do auto de infração não subsistem, já que não há documentos ou provas concretas que revelem a incapacidade financeira, sendo evidente a sua capacidade econômica desde antes do período fiscalizado, conforme a alteração contratual e dados contábeis anexados; 20) a conclusão atingida pelos AuditoresFiscais na tipificação relativa à adulteração ou falsificação de documentos para o desembaraço aduaneiro, igualmente não se subsiste em sua própria conceituação do elemento do tipo, pois inexistiu falsificação de documentos, Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 35 15 tampouco adulteração, não havendo nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado; 21) exsurge a violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que sem apontar especificadamente qual documentação foi alterada ou falsificada, impedese que a requerida promova sua defesa de forma ampla, sendo certo, de todo modo, que não há conduta típica; 22) todas as operações de importação realizadas seguiram o trâmite legal, passaram pelo crivo da RFB, tiveram o recolhimento dos tributos e encargos de forma escorreita e antecipada, inexistindo qualquer irregularidade tendente a configurar a tipificação de falsificação ou adulteração apontada pela fiscalização; 23) não existiu dolo nas operações, sendo importante ponderarse o histórico profissional escorreito da empresa ao longo de sua vida, tratandose que de empresa sólida, cumpridora de suas obrigações, que sempre atuou no mercado nacional de forma a desenvolver sua função social e contribuir com as exações que lhe foram impostas, possuindo, desde sempre, capacidade econômica comprovada para as atividades realizadas, tanto é assim que todos os impostos foram pagos e não há ações de cobrança em seu desfavor, nem mesmo de terceiros; 24) não há razão para ignorar toda conduta meritória, abonada pela seriedade evidente e pela manutenção, por anos, no acirrado mercado de importação, para subitamente tratála como empresa aventureira, ou mesmo inexistente (ilegal), conforme o rigor imposto pela fiscalização no esforço de gerar sua criminalização; 25) considerando que as presunções adotadas pela fiscalização não foram hábeis a demonstrar a ocorrência das infrações requerse a revisão do posicionamento adotado, para anular o auto de infração, requerendo a atribuição de efeito suspensivo à impugnação até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa, para darlhe total provimento no sentido de anular o auto de infração, em razão de que este se encontra baseado em presunções inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações apontadas, com a consequente extinção do processo administrativo; 26) por fim, requer juntada dos documentos anexos, que comprovam o quanto alegado. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 A empresa NTN insurgiuse contra a exigência, com base nos seguintes argumentos: 1) são equivocadas, as conclusões do auto de infração; 2) A NTN DO BRASIL é uma empresa brasileira que tem por objeto social, dentre outras atividades, o exercício de representação comercial, que consiste na mediação na realização de negócios mercantis para a NTN CO, do Japão, e NTN SUDAMERICANA, com sede no Panamá, realizando o agenciamento de propostas e a realização de pedidos, sendo por esse serviço remunerada pelas representadas com valor correspondente a 5% sobre os agenciamentos realizados; 3) o serviço de representação comercial realizado pela NTN DO BRASIL para a NTN Japão e NTN SUDAMERICANA se restringe a receber os pedidos de seus distribuidores no Brasil e encaminhálos a uma das representadas, sem qualquer intervenção sobre o processo de internalização dos equipamentos no Brasil, ou seja, não adquire, direta ou indiretamente, qualquer um dos produtos de suas representadas para venda do Brasil; 4) A NTN BRASIL recebe do distribuidor dos produtos NTN Internacional email com a solicitação para que essa faça uma programação de compra junto a NTN SUDAMERICANA, encaminhando a esta o pedido para que verifique a disponibilidade de produtos, bem como as datas em que poderão ser enviados ao distribuidor; 5) uma vez informada da disponibilidade de equipamentos e da data de entrega, a NTN BRASIL repassa as informações recebidas ao distribuidor, fornecendo as instruções de preenchimento do pedido com os dados necessários para que NTN Internacional realize o faturamento, retransmitindo, em seguida, as informações recebidas do Distribuidor à NTN SUDAMERICANA; 6) é o distribuidor, a seu exclusivo critério e sem qualquer intervenção da NTN, quem fornece os dados para a finalização do pedido a ser encaminhado à NTN internacional, sendo ele quem discrimina a quem será vendido ou consignado o produto, a quantidade de peças a serem embarcadas, forma de pagamento, dados do agente na origem e no destino e o Porto de destino; o distribuidor é quem responde pela veracidade das informações, vez que partiram dele, não cabendo à NTN DO BRASIL o dever de fiscalização e controle da operação do distribuidor, eis que se trata de relação jurídica à qual não está vinculada; Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 36 17 8) após o encaminhamento do pedido, a atividade da NTN DO BRASIL frente ao distribuidor se limita ao suporte técnico dos produtos; 9) a NTN DO BRASIL não é responsável pela nacionalização dos equipamentos adquiridos pelo distribuidor, não se compromete ou dá qualquer suporte no processo de internalização dos equipamentos e/ou nem mesmo indica a importadora que faça esse tipo de serviço, ficando a exclusivo critério do distribuidor a forma de internalização dos equipamentos. 10) a NTN DO BRASIL jamais indica ou indicou qualquer intermediador do processo de importação, assim como nunca prestou qualquer orientação em relação a tal procedimento; 11) sob esse prisma devem ser analisados os fundamentos jurídicos que afastam sua suposta sujeição passiva solidária pelos procedimentos de importação e infrações apuradas; 12) jamais a NTN DO BRASIL agiu com qualquer espécie de dolo ou de forma coordenada para fraudar importações dos adquirentes das mercadorias de seus representados; 13) o auto de infração não está fundado em provas materiais ou indícios que sustentem as afirmações de que a NTN DO BRASIL teria atuado em conluio, coordenação, fraude e abono de procedimentos ilegais para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos; 14) o auto de infração não apurou a realidade das atividades e da atuação da NTN DO BRASIL, caindo no campo de conclusões e afirmações meramente opinativas, sem a mínima preocupação com a verdade material, inclusive cometendo equívocos conceituais sobre a atuação da NTN DO BRASIL e das empresas adquirentes dos produtos representados; 15) é precária a prova produzida para a conclusão da sujeição passiva da NTN DO BRASIL, pois o que está no auto de infração e nos documentos colacionados não tem conteúdo que permita, minimamente, a afirmação da existência do indigitado conluio para fraude; 16) o auto de infração está em flagrante desrespeito ao princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo; Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 17) a NTN DO BRASIL não comercializa equipamentos NTN, mas apenas representa as empresas estrangeiras, exercendo a forma clássica da representação comercial prevista na Lei Federal nº 4.886/1965, que regulamenta a atividade do Representante Comercial, limitandose aos atos de fechamento dos negócios, sem qualquer ingerência nos aspectos da contratação de transporte e tratamento aduaneiro das operações realizadas pelos compradores e prepostos por eles nomeados para tais trâmites; 18) não existe qualquer obrigação legal ou contratual do representante comercial acompanhar ou participar dos trâmites aduaneiros adotados pelo comprador, não havendo razão para invadir a esfera de atuação e responsabilidade dos compradores diretamente ou por meio JOSE FERNANDO COSTA DALMEIDA Processo 12466.722315/201346 Acórdão n.º 0830.873 DRJ/FOR Fls. 1.588 14 de prepostos nomeados para a realização da importação, não cabendo controlar ou checar o procedimento adotado entre adquirentes e as empresas por eles escolhidas para a importação; 19) A NTN DO BRASIL não tem domínio sobre as tratativas e decisões havidas entre os compradores dos produtos que representa e seus assessores ou prepostos nomeados para os trâmites de comércio internacional; 20) como demonstram os documentos anexos à impugnação, há pedido expresso de confirmação dos moldes e termos em que seriam realizados os embarques, ou seja, ela solicitou às empresas adquirentes que informassem os elementos da operação de importação que permitiam os trâmites de embarque, tendo atendido às orientações dos adquirentes inclusive para cumprimento das exigências do art. 557 do Regulamento Aduaneiro, que determina a emissão de fatura comercial com identificação do exportador e do importador e, se for o caso, do adquirente ou encomendante prédeterminado, mas, de forma alguma, impôs ou induziu qualquer espécie de operação previamente engendrada; 21) essa circunstância, de modo algum, significa fraude, simulação ou movimento coordenado, mas apenas e tão somente o conhecimento prévio, por parte do representante comercial, das informações necessárias para que o exportador adote as providências que lhe cabem para expedição das mercadorias; 22) concluído o negócio de compra e venda entre exportadores e importadores, se as instruções do adquirente foram no sentido de gerar a fatura comercial em nome da AST não é da esfera de competência e nem de responsabilidade da NTN DO BRASIL, na qualidade de representante comercial da empresa exportadora, questionar ou analisar a legalidade da operação de Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 37 19 importação entre a empresa adquirente e seu preposto para os tramites aduaneiros e internalização da carga, pois sua atuação está adstrita ao fechamento de acordo de vontades entre compradores nacionais e as empresas estrangeiras, apenas como representante comercial, e não como agente de comércio internacional; 23) jamais houve qualquer ato da NTN DO BRASIL no sentido de fraudar uma operação de importação, seja por meio de interposição de terceiros, seja por declarações ou documentos falsos, de tal sorte que é impossível lhe atribuir participação na ocorrência das duas infrações lançadas no auto impugnado; 24) na forma do artigo 542 do Decreto nº 6.759/2009 cabe ao importador o procedimento de despacho aduaneiro de importação e também os comandos da Instrução Normativa 225/2002 da Receita Federal do Brasil são taxativos no sentido de atribuir ao importador todas as providências relativas ao despacho aduaneiro; 25) a NTN DO BRASIL nunca atuou nos procedimentos aduaneiros dos adquirentes, bem como jamais desenvolveu ou abonou qualquer espécie de procedimento ilegal, não existindo elementos materiais ou mesmo indiciários que permitam a conclusão no sentido de que teria havido conduta intencional da NTN DO BRASIL para a idealização do suposto esquema citado ou a alegada conduta dolosa no sentido de fraudar uma operação de importação; 26) o princípio da legalidade exige que, para caracterização da infração e aplicação da sanção, seja individualizada a conduta do agente que supostamente violou o comando legal, ainda que em regime de solidariedade, havendo para o sujeito passivo o direito de saber qual a conduta antijurídica que lhe está sendo imputada, de nada valendo, ainda que sob a premissa da fé pública do agente, a atribuição genérica de solidariedade para com o tipo administrativo descrito como fato gerador da sanção; 27) a par da inexistência de qualquer nexo fáticojurídico, lógico e legal que possa sustentar os argumentos acerca da indigitada solidariedade da NTN DO BRASIL, simplesmente não se constatou qual teria sido, de fato, a conduta antijurídica ou ilícita da NTN DO BRASIL, qual teria sido, de direito, o tipo administrativo violado pela NTN DO BRASIL e qual a vantagem ou benefício, direto ou indireto, que a NTN DO BRASIL teria auferido com a alegada interposição fraudulenta de terceiros; Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 20 28) essa falta de motivação lógicoracional, não obstante o prejuízo à própria defesa, demonstra, além da falta de tipificação da conduta, fragilidade do argumento da solidariedade passiva, conferindo total improcedência da ação fiscal, pois nos limites dos próprios mandamentos legais e de acordo com os princípios basilares da administração pública, ao agente público não há espaço de discrição e interpretação para a definição do tipo administrativo lesado, devendo ser contundente na descrição, caracterização e prova da alegada conduta antijurídica da NTN DO BRASIL; 29) a NTN DO BRASIL, além de não ter concorrido para a prática das infrações alegadas, delas não se beneficiou, pois seu negócio, única e exclusivamente, sempre esteve adstrito à formação do contrato de compra e venda internacional, ou seja, a importação por uma modalidade ou outra não geraria benefícios diferentes ou qualquer alteração no resultado de seus ganhos; 30) por uma ou outra de qualquer das vias legais de responsabilidade conjunta mencionadas no auto de infração, não há nexo de causa entre o fato real e a atuação da NTN DO BRASIL que justifique sua sujeição passiva solidária; 31) não obstante a ausência de conduta dolosa ou mesmo culposa, fato é que a NTN DO BRASIL, não se enquadra em qualquer uma das formas de responsabilidade por infrações, não havendo previsão legal para sujeição passiva solidária do representante comercial em decorrência de infração praticada por importadores e seus prepostos nos trâmites aduaneiros de importação, concluindose pela ilegalidade do auto de infração e da imputação de responsabilidade solidária, razão pela qual o auto de infração deve ser anulado, com os efeitos reflexos na Representação Fiscal para Fins Penais, eis que ausentes quaisquer condutas que impliquem nas tipificações penais nelas aludidas; 32) por fim, requer seja acolhida a impugnação com os documentos que a instruem para o fim de ser cancelada a sujeição passiva solidária e, consequentemente, o respectivo débito fiscal. A empresa ROLAPEL impugnou a exigência com base nas razões a seguir resumidas: 1) a Impugnante não foi a importadora das mercadorias, mas adquiriu tais produtos da empresa NTN do Brasil, seguindo as orientações desta quanto ao pagamento e recebimento das mercadorias; Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 38 21 2) a NTN do Brasil é a responsável pela venda no Brasil dos produtos fabricados pela NTN Corporation, ou seja, qualquer distribuidor ou revendedor dos produtos da NTN tem que comprálos da NTN do Brasil que é a responsável por todo o procedimento até a entrega do produto ao comprador; 3) ao receber um pedido, a NTN do Brasil confirma o valor, estoque, disponibilidade e o prazo de entrega, contactando a NTN Sudamericana, com sede no Panamá, para que os produtos sejam enviados ao Brasil; 4) a Impugnante não tem contato com a NTN Sudamericana, bem como não participa de qualquer etapa do envio da mercadoria do Panamá para o Brasil, ou seja, não participa do processo de importação; 5) todas as compras foram realizadas entre a Impugnante e a NTN do Brasil e os pagamentos são feitos nos valores e da forma determinada por esta, o que pode ser observado nos documentos de fls. 369/373, onde consta email enviado pela NTN do Brasil aos seus clientes, inclusive a Impugnante, sobre o processo de importação; 6) a NTN do Brasil é a responsável pela importação e pela contratação da empresa importadora (AST) e pela entrega das mercadorias, sendo que a Impugnante compra as mercadorias da NTN do Brasil independente de onde esteja localizado o produto; 7) se a Impugnante fosse a importadora ela poderia ter contratado qualquer outra empresa de importação para nacionalizar as mercadorias, o que não ocorreu, uma vez que os documentos juntados aos autos provam que os clientes da NTN do Brasil recebem as mercarias da AST; 8) pela análise das DIs, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saída, contratos de câmbio, observase que a Impugnante não teve qualquer lucro ou benefício com esse procedimento, efetuando todos os pagamentos devidos, de modo que não há falar em prejuízo ou lesão ao Fisco ou aos cofres públicos; 9) se a Impugnante tivesse interesse em omitir quem era a real importadora teria, no mínimo, o direito de escolher a empresa importadora o que não aconteceu no caso em tela; 10) se a Impugnante tivesse interesse em fraudar, teria pago o valor descrito nas notas fiscais de entrada e, nunca, o valor das notas fiscais de saída, como ocorreu e, tampouco, teria suportado toda carga tributária; Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 22 11) não tinha conhecimento da irregularidade pelo simples fato de que o valor pago pela Impugnante está de acordo com a legislação tributária e não trouxe benefício, pelo contrário, a Impugnante suportou sozinha todas as despesas e a carga tributária, que foi integralmente paga sem haver prejuízo ao Fisco; 12) está provado a ausência de dolo da Impugnante, que nunca objetivou omitir quem era de fato o importador das mercadorias, seja de forma autônoma, seja em conluio com as empresas AST e NTN, observandose pela documentação juntada aos autos que a Impugnante agiu de boafé, mesmo porque, nunca teve gerência ou responsabilidade pela importação das mercadorias; 13) para caracterizar a fraude, a sonegação, a simulação e o conluio deve haver a vontade, o dolo do agente, destacandose ainda, que os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 não caracterizam a ocorrência de fraude, conluio, simulação ou sonegação pelo fato de ser omitido o importador, mas sim, em relação ao fato gerador e as condições pessoais do contribuinte, o que não é o caso dos autos; 14) não há que falar em fraude, sonegação, simulação ou conluio, pois, não houve dolo da Impugnante, em ocultar o importador, mesmo porque, ela não é a importadora, e porque não há previsão legal para caracterização de tais atos e, ainda, não há que se falar em dano ao Erário uma vez que a impugnante não é a importadora das mercadorias; 15) está provado que a Impugnante não é nem contribuinte nem responsável, uma vez que comprou as mercadorias da empresa NTN do Brasil e, portanto, não foi a importadora das mercadorias; 16) a conclusão da autoridade fiscal acerca da solidariedade passiva não tem embasamento legal com fulcro no artigo 124 do CTN, não tendo havido também o preenchimento dos requisitos do artigo 603 do Regulamento Aduaneiro, uma vez que a Impugnante não é a importadora, bem como as mercadorias não foram importadas por sua conta e ordem; 17) ante a ausência de dolo da Impugnante não há que falar em falsificação da DI pelo fato de não constar o real importador; 18) se houve erro no preenchimento da DI, não foi causado pela Impugnante, mas sim, pela AST, que deveria ter informado que a importação era por ordem da NTN e, não, informar que a importação era por conta e risco próprio; Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 39 23 19) a Impugnante não tem e não tinha qualquer contato com a AST e, portanto, não participou do acordo entre ela e a NTN sobre a importação das mercadorias; 20) Quanto à responsabilidade objetiva expressa no artigo 136 do CTN, esta deve ser analisada a luz dos Princípios Constitucionais da Razoabilidade e Proporcionalidade; 21) a Impugnante nunca teve o dolo de omitir quem era o real importador e sempre agiu de boafé, mesmo porque não participava do processo de importação das mercadorias que era feito, exclusivamente, pela NTN do Brasil, comprando as mercadorias desta empresa e efetuando os pagamentos da forma que ela determinava, ou seja, a Impugnante sempre agiu atendendo as determinações de seu fornecedor, mas nunca, com objetivo de lesar o Fisco ou de ser beneficiada; 22) não é razoável e proporcional imputar à Impugnante a responsabilidade por infração tributária de que não participou e da qual sequer tinha conhecimento; 23) se a importação houvesse sido por sua conta e ordem ela teria da mesma forma efetuado o pagamento de todos os tributos, portanto, não há que falar em prejuízo ao Fisco ou benefício à Impugnante; 24) se houve importação por conta e ordem, o importador foi a NTN do Brasil que recebeu pela venda efetuada à Impugnante, pois o simples fato da impugnante ter efetuado o pagamento de todas as despesas não demonstra que ela é a importadora, mesmo porque, segundo a NTN, o pagamento era feito à AST uma vez que era a importadora e a responsável pela distribuição das mercadorias; 25) ante a boafé da Impugnante, não há falar em intenção, seja por dolo ou culpa, para ocultar o real importador pelo fato de que não houve qualquer beneficio a esta; 26) a ocultação do importador não caracteriza fraude de qualquer documento, inclusive, da DI uma vez que a Impugnante não agiu com dolo ou culpa o que afasta a caracterização de fraude, sonegação, simulação ou conluio; 27) as condutas da Impugnante não configuram o crime contra a ordem tributária motivo pelo qual não há que falar em representação fiscal para fins penais; 28) a Impugnante comprava as mercadorias da NTN do Brasil que, contratualmente, era a responsável por trazer estas do Panamá para o Brasil e entregalas à Impugnante; Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 24 29) a Impugnante sempre agiu dentro da lei e nunca teve o objetivo de obter vantagem ou fraudar o Fisco, sonegar, simular ou agir em conluio com qualquer pessoa física ou jurídica; 30) por fim, requer que seja declarado que a Impugnante não é a importadora das mercadorias e que não é responsável solidária pela multa aplicada, não sendo devedora da multa imposta no presente feito, seja como contribuinte, seja como sujeito passivo responsável solidário, cancelandose o débito fiscal reclamado.Conclusos, os autos foram encaminhados a este órgão julgador." Sobreveio decisão afastando os argumentos das empresas, mantendo o lançamento intacto. Intimadas em 16/09/2014 do Acórdão, a empresa AST apresentou recurso em 07/10/2014, e a NTN em 17/10/2014. Em razões recursais, as recorrentes mantiveram os mesmos argumentos sustentados na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidamse de Recursos Voluntários interpostos pelas empresas AST e NTN, que atendem os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, serem conhecidos. As Recorrentes repeliram as acusações alegando que a motivação de “incapacidade financeira” tratavase de presunção por estar sem qualquer fundamento concreto por desconsiderar a aquisição legítima de bem imóvel utilizado no aumento do capital social. Tais afirmações corresponderiam inversão do ônus da prova; que a diferença apontada como sendo ajuste de comissão entre a AST e a empresa NTN também tratavase de ficção fiscal. Assim como, a fundamentação de caucionamento financeiro antecipado para subsidiar as importações, e, suposta presunção de que o atraso no pagamento de tributos teria por objeto desviar os supostos recursos financeiros para fortalecer o ativo circulante da empresa para suprir a incapacidade financeira. Compulsando os autos constatase juntada de extrato bancário das empresas envolvidas na trama, NTN, JNATIVA e MANAGUETTI & MARRA LTDA., e os razões contábeis da empresa AST, onde vislumbra pela leitura daqueles documentos que as transferências financeiras lançadas nos extratos bancários foram contabilizadas pela AST a título de antecipação, o que demonstração a incapacidade financeira, principalmente, caracterizado pelos registros de valores substanciais. Não merece prosperar os argumentos das Interessadas de que o conjunto de documentos aduaneiros e fiscais entregues voluntariamente à fiscalização são capaz de comprovar a regularidades dos atos negociais concretizados, e, de que não havou interposição fraudulenta. Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 40 25 A incapacidade financeira trazida pelas Autoridades Aduaneiras como uma das causas categóricas na existência de interposição fraudulenta, vejo com reserva, impondo exame criterioso dos demais elementos dos autos. No caso presente, verificase da documentação colecionada, que as tratativas negociais davam sempre por intermédio da empresa NTN DO BRASIL LTDA., essa certeza é extraída dos emails trocados entre os hipotéticos clientes da AST com a senhora NATÁLIA NAKAMURA, vinculada a empresa “NTN”, responsável pela tarefa de cobrar os pedidos e coordenar os embarques das mercadorias, informar o navio e a data da chegada no Brasil. Em alguns dos documentos a senhora Natália Nakamura, informa o tempo que os clientes dispunham para efetivar os pedidos em razão de “fechamento de carga por contêiner”, informando o país exportador, no caso em grande parte a origem das mercadorias vinham do Panamá, bem como, o nome do navio e a data prevista para chegar ao Porto de VitóriaES. As importações davam sempre pelo Panamá, tendo como exportador a empresa NTN SUDAMERICANA S/A, que no Brasil ao tempo dos fatos era representada pela empresa NTN DO BRASIL LTDA. A convicção de que a empresa NTN é o verdadeiro importador extraise das comunicações entre a “NTN” e os Interessados nos produtos importados, dando conhecimento a AST por meio de cópias dos acordos comerciais. O artifício adotado pela NTN DO BRASIL LTDA. em suas importações acontecia por intermédio da AST, procedimento doloso que restou confirmado em diligência fiscal realizada perante JNATIVA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ROLAMENTOS LTDA – EPP, nome de fantasia SAKAROL, quando foi ouvido o senhor JOÃO SAKAMOTO, sócio controlador, que afirmou: “2.1 As suas compras são feitas através da empresa NTN DO BRASIL LTDA., é para quem dirige os pedidos, e segundo o que sabe, esta consolida os pedidos dos revendedores e importa as mercadorias, em nome dos interessados, através da AST COM. INT. LTDA. de quem recebe as mercadorias já nacionalizadas. 2.1.1 – Todos os pagamentos foram feitos através de TED e/ou depósitos em cheque, diretamente em nome da AST; 2.1.2 Em alguns casos no inicio era cobrado também o frete que foram pagos junto com as notas fiscais de compra; 2.1.3 Nunca pagou qualquer valor para a NTN, seja a qualquer título. 2.2 – As mercadorias sempre foram garantidas pela NTN, quando existe falha a mercadoria é enviada para a NTN para que seja feito um laudo apurando as causas. Esse laudo depois de próton era encaminhado para o distribuidor das mercadorias. Desconhece a continuidade dos procedimentos, pois nunca ocorreu com a sua empresa.” Continua o depoente afirmando que: Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 26 “2.3 Pelo que sabe a empresa NTN DO BRASIL é remunerada com comissões recebidas da NTN PANAMERICANA e NTN DO JAPÃO; 2.4. – Para efetuar os pedidos se baseava em máster list, dos produtos fabricados pela NTN e comprava os itens que tinha maior giro no mercado, baseado em sua experiência; 2.4.1 – Esse pedido era encaminhado para a NTN por email a Natalia@ntn.com.br; Concluiu o depoimento: 2.5. – Os pagamentos poderiam ser feitos de duas formas a vista ou no prazo de 90 dias; 2.5.1 Para os pagamentos a vista, a NTN fazia os pedidos ao exterior e no embarque recebia cópia de diversos documentos e pelo que sabe encaminhava para a AST; 2.5.1.1 No embarque das mercadorias a AST recebia cópia do BL e da fatura internacional, com base nessas informações era cobrado pela AST e efetuava o pagamento do câmbio; 2.5.1.2 Na data do desembaraço, da mesma forma era cobrado e efetuava o pagamento dos impostos mais as despesas;” Dos documentos colecionados há email da NTN (fls.361/376) enviado pela senhora Natália Sakamura, esclarecendo o método de trabalho, veja: “Boa noite a todos, Visando esclarecer o método de trabalho e prazos adotados pela NTN do Brasil, quanto aos processos de importações, segue abaixo o cronograma com a definição de atividades e prazo as a serem cumpridos. Back order (Programação) – Resumo de todos os pedidos firmados com as respectivas datas prevista de disponibilidade no Panamá e preço FOB. Do envio da Back Order todos os distribuidores possuem 05 dias úteis para o envio da instrução de embarque completa. Após este período NÃO será aceito qualquer pedido de embarque para o mês corrente, visto que o Panamá necessita de tempo para dar continuidade ao processo (separação do Material, Embalagem, Contato com Agente, Reserva de Containeres/Navio, Agendamento de Retirada do Material do Armazém, Emissão dos Documentos (Proforma/Fatura/Packing list) para inicio da Exportação; ..." Tratase de um email extenso onde os procedimentos a serem seguidos pelos clientes devem ser cumpridos à risca. A própria remetente comenta tratarse de muitas informações a ser assimilada, razão pela qual deveria ser marcada reunião com todos, onde pudesse ser detalhado os procedimentos. As Recorrentes foram incapazes de contraditar essa documentação colecionada pela fiscalização, deixando transcorrer em silêncio os momentos oportunos de Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722315/201346 Acórdão n.º 3302002.996 S3C3T2 Fl. 41 27 impugnar ou mesmo debater sobre o conteúdo dos depoimentos colhidos, o que por si só revela ser verdadeiro de que trata sim de interposição fraudulenta. No que tange a irresignação quanto ao imóvel adquirido e utilizado para o aumento de capital social, tenho que esse aumento do patrimônio líquido, neste caso, não configura ingresso de numerário, mas sim ingresso no ativo permanente, incapaz de afastar macula imputada de insuficiência financeira para operar no comércio exterior exigido pela Aduana. Convencido de que a AST emprestou seu nome para a NTN do Brasil Ltda., efetivar importações contrariando todo arcabouço jurídico existente com intuito único de ludibriar as Autoridades Aduaneiras, se revela consistente acusação de ocultação do sujeito passivo, o real importador responsável pelas operações e distribuídos para vários parceiros comerciais, clientes, tudo isso corroborada pela prova concludente extraída das transferências de numerários verificadas nos extratos acostados e contabilizadas a título de antecipação de pagamento por futuras compras, o que leva concluir que a recorrente realmente não possuía capacidade financeira e se prestou a praticar infração lhe imputada caracterizando interposição fraudulenta. Não há como dissociar a empresa NTN DO BRASIL LTDA. da condição de ser o verdadeiro importador diante farta documentação colecionada nos autos, responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A fiscalização cuidadosamente demonstrou os recursos repassados em contra partida pela importação e pelos pagamentos dos tributos devidos. Está configurado nos autos a sujeição passiva, devendo ser mantida pelos contornos jurídicos dado ao assunto pela autoridade julgadora de piso. Em sendo assim, conheço dos recursos, nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 18471.001352/2002-71
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial; e II) na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, nos termos do voto do Relator.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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COFINS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial; e II) na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, nos termos do voto do Relator. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 52 /2 00 2- 71 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto por Shell Brasil Ltda., sucessora de SETP – Sistema Especializado de Transporte de Petróleo S/A (fls. 537 a 551)b contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 516 a 525) que, por maioria de votos, afastou a alegação de decadência e, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso quanto à possibilidade de se alegar compensação como matéria de defesa a auto de infração. O v. acórdão recorrido possui a seguinte ementa: COFINS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ESPECÍFICO. APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não compete ao Conselho de Contribuintes se pronunciar sobre pedido de compensação, exceto em sede de recurso voluntário interposto contra decisão da primeira instância que apreciou manifestação de inconformidade. Recurso negado. Irresignada, a recorrente interpôs o já referido recurso especial, asseverando (i) que o prazo decadencial da COFINS é de 5 anos, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN, em obediência ao inciso III do artigo 146 da Constituição Federal de 1988, e (ii) que é possível a análise de pedido de compensação como instrumento de defesa contra auto de infração. O recurso especial foi admitido em ambas matérias através do r. despacho de fls. 625 a 628, sendo que, quanto à matéria referente à compensação como matéria de defesa contra auto de infração, considerouse como servível para demonstração da divergência apenas um dos paradigmas colacionados (acórdão nº 20178.442), visto que no caso dos presentes autos e no do segundo paradigma a premissa seria de que não existiu prova do pagamento a maior. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 631 a 657. É o relatório. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 18471.001352/200271 Acórdão n.º 9303002.354 CSRFT3 Fl. 473 3 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, quanto à admissibilidade do recurso especial interposto pela contribuinte, mister anotar de pronto que ele merece seguimento apenas no tocante à decadência. Deveras, no que tange à possibilidade de opor compensação em sede de defesa contra auto de infração, fato é que nenhum dos paradigmas colacionados apresentam as mesmas premissas fáticas do presente caso. Conforme já salientado no r. despacho que admitiu o recurso especial, no caso dos presentes autos e no do segundo paradigma não existiria prova do pagamento a maior, e este paradigma foi expresso no sentido de que, quanto ao pedido de compensação, na forma de encontro de contas, é imprescindível (...) que o contribuinte faça prova nos autos do pagamento indevido, sob pena de impossibilidade material de se avaliar o pedido (acórdão 20212320, fls. 593). Por outro lado, depreendese do r. despacho de admissibilidade que o primeiro paradigma não traria tal óbice e, assim, serviria para a demonstração do dissenso. Todavia, não entendo dessa forma. O referido paradigma (acórdão 20178.442), na esteira do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Maurício Taveira e Silva, teve como premissa que houve demonstração da compensação e, por conseqüência, do pagamento indevido. Isso é o que se verifica na própria conclusão do voto, verbis: (...) Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela recorrente para que seja acolhida a compensação demonstrada às fls. 12, 13, 19 e 88. Como no presente caso não houve demonstração da compensação e muito menos do pagamento indevido, conforme atestado no v. acórdão recorrido e no próprio resultado da diligência que havia sido anteriormente requerida pela Colenda Câmara a quo (fls. 514), patente que as premissas do v. acórdão recorrido e de ambos paradigmas, quanto à possibilidade de se alegar compensação como matéria de defesa contra auto de infração, são diversas. Por conseguinte, nesse particular, entendo que o recurso especial não merece ser conhecido. Por outro lado, no tocante à decadência, o recurso merece seguimento. Com efeito, segundo já apontado no relatório, a matéria ora controvertida diz respeito ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de COFINS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. No presente caso, a exação diz respeito aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/1997 a 31/12/2000 (fls. 19 e 20), em que houve pagamento parcial. Como a ciência do auto de infração se deu no dia 19/06/2002 (fls. 22), verificase que os fatos geradores anteriores a 19/06/1997, nos termos do § 4º ao artigo 150 do CTN, estão fulminados pela decadência. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela empresa contribuinte para considerar a ocorrência da decadência quanto aos fatos geradores anteriores a 19/06/1997. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 706DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000071/2005-92
Data da sessão: Wed Aug 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF
BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA - LEI N° 8.981, DE 1995, ART. 61 - FATO GERADOR - BASE DE CÁLCULO
A prova do efetivo pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, sobre o qual será calculado o imposto, mediante o respectivo reajustamento da base de cálculo.
Não se pode afirmar que os pagamentos não existiram por falta de comprovação material, dentre as quais a microfilmagem de cheques, e ao mesmo tempo exigir tributo que tem como fundamento a existência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Não subsiste o auto de infração lançado com base no artigo 674 do Decreto n° 3.000, de 1999, que considera o momento da ocorrência do fato gerador data diversa daquela em que ocorreram os pagamentos.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-00.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA - LEI N° 8.981, DE 1995, ART. 61 - FATO GERADOR - BASE DE CÁLCULO A prova do efetivo pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, sobre o qual será calculado o imposto, mediante o respectivo reajustamento da base de cálculo. Não se pode afirmar que os pagamentos não existiram por falta de comprovação material, dentre as quais a microfilmagem de cheques, e ao mesmo tempo exigir tributo que tem como fundamento a existência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Não subsiste o auto de infração lançado com base no artigo 674 do Decreto n° 3.000, de 1999, que considera o momento da ocorrência do fato gerador data diversa daquela em que ocorreram os pagamentos. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:23:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:23:21Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:23:21Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:23:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:23:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:23:21Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:23:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:23:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:23:21Z; created: 2009-09-30T11:23:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-09-30T11:23:21Z; pdf:charsPerPage: 1276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:23:21Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 1 -No.:* Xte* i'' inWO ! '".;;;;4 0 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS NZ v4414405' Processo n° 10980.000071/2005-92 Recurso n° 102-146.635 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.134 — 2 Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria IRRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SENTINELA VIGILÂNCIA S/C LTDA. Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA — LEI N° 8.981, , DE 1995, ART. 61- FATO GERADOR - BASE DE CÁLCULO A prova do efetivo pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, sobre o qual será calculado o imposto, mediante o respectivo reajustamento da base de cálculo. Não se pode afirmar que os pagamentos não existiram por falta de comprovação material, dentre as quais a microfilmagem de cheques, e ao mesmo tempo exigir tributo que tem como fundamento a existência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Não subsiste o auto de infração lançado com base no artigo 674 do Decreto n° 3.000, de 1999, que considera o momento da ocorrência do fato gerador data diversa daquela em que ocorreram os pagamentos. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • 1 Processo n° 10980.000071/2005-92 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.134 Fl. 2 Relatório Adoto o relatório do acórdão de fls. 74 e seguintes de lavra do ilustre conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, que muito bem sintetizou os fatos no presente processo, in verbis: Cuida-se de recurso voluntário de fls. 60/67, interposto por SENTINELA VIGILANCIA S/C LTDA contra decisão da 1 ,", Turma pla,DR-1 emCuritiba/PR, delis. 52/56, que julgou procedente o lançamentolss. 25/28J, lcivrádo em 29.12.2004. O lançamento resulta de falta de recolhimento de imposto de renda na fonte sobre pagamentos realizados, no período de 25/07/2001 a 10/12/2001, a beneficiários não identificados. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 26/28, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos contábeis que embasaram o lançamento na Conta 1.1.9.01.0004 — ADIANTAMENTO FORNECEDORES DIVERSOS do Livro Razão da Contribuinte, às fls. 07/14. Da análise de dita Conta do Livro Razão, a Fiscalização constatou que eram emitidos diversos cheques que, em tese, eram destinados ao pagamento dos fornecedores, e, por ocasião da emissão da nota fiscal, os valores eram baixados. Como o contribuinte não apresentou as notas fiscais ou cheques solicitados por meio do Termo de Intimação n. 03, a Autoridade Fiscal novamente intimou o Contribuinte, por meio do Termo de Intimação n. 05 (fls. 15/16), para apresentar os documentos anteriormente já solicitados, e outros, que comprovassem os lançamentos correspondentes às Notas Fiscais elencadas às fls. 26/27 (extraídas do próprio livro razão), que, como indicado no livro razão, serviram para justificar a baixa dos adiantamentos. Novamente, a Contribuinte não apresentou os documentos, ou qualquer esclarecimento, e, assim, entendeu, a Fiscalização, que os valores não foram destinados a pagamento de fornecedores, mas que tinha sido efetuada a retirada de numerários da empresa, sem o pagamento de qualquer tributo. , Como seriam, assim, desconhecidos os beneficiários dos pagamentos, já que não houve a comprovação de existência dos fornecedores indicados nos lançamentos contábeis, a Contribuinte sujeitar-se-ia à incidência do IRRF, por não identificar os reais beneficiários dos pagamentos. Na sua impugnação de fls. 39/44, o Contribuinte alega que todos os pagamentos mencionados no auto de infração encontram-se devidamente identificados em seus livros contábeis. Alega que beneficiários estariam identificados pela própria autoridade fiscalizadora no Termo de Intimação Fiscal, de fls. 15. Por fim, afirma ter a autoridade fiscalizadora desconsiderado as informações constantes nas escritas contábeis da empresa impugnante, numa atitude autoridade e desprovida de fundamentos jurídicos, infringindo direitos constitucionalmente protegidos. Conclui pugnando pela improcedência do auto de infração ou que, cas • 3 Processo n° 10980.000071/2005-92 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.134 Fl. 3 BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA — LEI N° 8.981, DE 1995, ART. 61 - FATO GERADOR - BASE DE CÁLCULO — O pagamento é o pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, sobre o qual será calculado o imposto, mediante o respectivo reajustamento da base de cálculo. Recurso provido. Desta decisão a Fazenda Nacional foi intimada em 03/07/2007 (fl. 80) e, com fundamento no artigo 70, I, do Regimento Interno da CSRF, em 03/07/2007, ingressou com o recurso especial de fls. 83 e seguintes, alegando, em síntese, que restou configurada a hipótese de pagamento a beneficiário não identificado no curso da ação fiscal, por ausência de apresentação de notas fiscais e de cheques pelo contribuinte. O Recurso Especial foi admitido, por meio do despacho de fls. 88/89. Cientificada da decisão do acórdão, a parte interessada não apresentou manifestação (fl. 92). É o relatório. (1 Processo n° 10980.000071/2005-92 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.134 Fl. 4 a retirada de numerários da empresa, sem o pagamento de qualquer tributo." Pois bem, ainda que procedente a tese de que os valores não se destinavam ao pagamento das empresas mencionadas no auto de infração, fato que a fiscalização deveria provar, ter-se-ia imprecisão intransponível, qual seja, a data do fato gerador que seria o momento dos citados adiantamentos e não a baixa destes nos registros contábeis. A propósito de pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa, o artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1995, dispõe: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à ali quota de 35 0/4 todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1°. A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do artigo 74 da Lei n° 8.383, de 1991. Do exposto na norma anterior tem-se dois tipos de infração, a saber: Pagamento a beneficiário não identificado; Pagamento em que não for comprovada a operação ou a causa. Em qualquer das hipóteses acima elencadas, é necessário prova do pagamento. Não se pode alegar que os pagamentos não existiram por falta do cheque e, ao mesmo tempo, exigir tributo que tem como fundamento a existência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. % Moisé . • • a i va Relator. 7
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Numero do processo: 10830.006792/2008-72
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/04/2003 a 31/12/2007
DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO.
O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento.
Numero da decisão: 3201-001.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/04/2003 a 31/12/2007 DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Os presentes autos tratam da exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor de R$ 92.325.434,27, incidente sobre os produtos saídos do estabelecimentos da Recorrente no período de 10/04/2003 a 31/12/2007, com erro de (i) alíquota (0% ao invés de 10%) e/ou de (ii) classificação fiscal (código TIPI 2309.90.10 ao invés do código TIPI 2309.10.00), conforme consignado no Auto de Infração de fls. 02/43. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 67 92 /2 00 8- 72 Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10830.006792/200872 Acórdão n.º 3201001.482 S3C2T1 Fl. 1.111 2 De acordo com a Descrição dos Fatos integrante do citado Auto de Infração, com respaldo no § 1º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, o lançamento em questão fora efetuado para prevenir a decadência do direito de constituir o crédito tributário, por força do teor da sentença proferida em favor da Autuada (fls. 99/106), no âmbito dos autos da Ação Ordinária nº 96.06034127, que tramitou no juízo da 3ª Vara Cível Federal de Campinas/SP, na qual pleiteara o enquadramento dos produtos objeto da presente ação fiscal na posição 2309.90.0200 da TIPI (atual 2309.90.10), a qual atribuída alíquota de 0% (zero por cento) do IPI. A recorrente impugnou o lançamento alegando, em síntese, a nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de direito de defesa, e a decadência do direito de constituir os créditos tributários do período de abril a julho de 2003. Em cumprimento ao despacho de fl. 379, os presentes autos foram enviados à DRJ em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO). Onde, na sessão de 10/09/2008, a 2ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão nº 1420.332 (fls. 381/387), em que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 10/04/2003 a 31/12/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa se os fatos estiverem claramente descritos e o relativo enquadramento legal da exação estiver perfeitamente indicado na denúncia Fiscal. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do IPI, não declarado e nem recolhido, é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. MATÉRIA “SUB JUDICE”. O lançamento deve ser efetuado mesmo na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário e ainda que o crédito tributário não possa ser exigido. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, da questão de mérito submetida ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10830.006792/200872 Acórdão n.º 3201001.482 S3C2T1 Fl. 1.112 3 Em 10/10/2008, a Interessada foi cientificada, por via postal (393), do referido Acórdão. Inconformada, em 17/11/2008, protocolou na DRF/Campinas (fl. 411), o Recurso Voluntário de fls. 413/425, em que reitera as alegações aduzidas na impugnação e requer o seu total provimento, para que seja totalmente reformada o Acórdão recorrido. Em cumprimento ao despacho de fls. 461, os autos foram enviados ao extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Por meio memorando de fl. 463, o titular da Unidade preparadora encaminhou a petição de fls. 465/468, acompanhada dos documentos de fls. 470/664, em que a Recorrente informou que pleito formulado na referida Ação Ordinária foram julgados inteiramente procedentes pelo juízo da 3ª Vara Federal Cível de Campinas (fls. 502/514), que foi confirmada pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fls. 516/532) e, mais recentemente, pela Primeira Turma do E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 953.519/SP1 (cópias de fls. 535/556), em que, por unanimidade, negou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, mantendo o teor da decisão proferida pelo Juízo de primeiro grau, de cuja ementa transcrevo os seguintes excertos relevantes, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ALEGADA NEGATIVA DE VIGÊNCIA A DECRETOS. CONHECIMENTO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. TABELA DE INCIDÊNCIA DO IPI TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RAÇÃO PARA ANIMAIS. ALÍQUOTA ZERO. PREPARAÇÕES ALIMENTARES COMPLETAS PARA CÃES E GATOS ACONDICIONADAS EM EMBALAGENS COM PESO SUPERIOR A 10 QUILOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. [...] 3. Ademais, a Tabela de Incidência do IPI TIPI, veiculada mediante decreto executivo, configura inovação no ordenamento jurídico, ex vi do disposto no artigo 153, § 1º, da Carta Magna, que autoriza a mitigação do princípio da legalidade estrita no que pertine à definição das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados, tributo com evidente carga extrafiscal. 4. A TIPI é ato normativo (de caráter geral e abstrato) oriundo do Poder Executivo que elenca e classifica os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação pelo IPI, correlacionando as alíquotas aplicáveis, de acordo com os critérios da essencialidade e especificidade, observandose as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos os produtos a que corresponde a notação "NT" (não tributado). 5. O acórdão recorrido ressaltou, em suas razões de decidir, que a empresa recorrida tem por objeto social, entre outros, a produção, manufatura, industrialização, compra, venda, importação e exportação de produtos destinados ao consumo de cães e gatos (rações). [...] Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10830.006792/200872 Acórdão n.º 3201001.482 S3C2T1 Fl. 1.113 4 7. Não obstante as sucessivas alterações legislativas, o Capítulo 23, da TIPI, sempre versou sobre a classificação dos Alimentos preparados para Animais (entre outros), restando esclarecido em Nota Introdutória o seguinte: "1 Incluemse na posição 23.09 os produtos dos tipos utilizados para alimentação de animais, não especificados nem compreendidos em outras posições, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, de tal forma que perderam as características essenciais da matéria de origem, excluídos os desperdícios vegetais, resíduos e subprodutos vegetais resultantes desse tratamento." 8. Deveras, no bojo dos decretos executivos que aprovaram a TIPI, estipularamse "Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado", entre as quais se sobrelevava a de que: "3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2.b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3.a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3.a) e 3.b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração." 9. Conseqüentemente, revelase imperiosa a observância da especificidade do produto industrializado para fins de enquadramento na classificação fiscal enumerada na TIPI. 10. O Decreto 76.986∕76, revogado pelo Decreto 6.296∕2007, que regulamentava a Lei 6.198∕74 (que dispõe sobre a inspeção e a fiscalização obrigatórias dos produtos destinados à alimentação animal), assim discorria sobre o conceito de "ração animal": Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10830.006792/200872 Acórdão n.º 3201001.482 S3C2T1 Fl. 1.114 5 "Art 4º Ficam sujeitos à inspeção e à fiscalização todos os produtos empregados ou suscetíveis observadas as seguintes definições: (...) III ração animal qualquer mistura de ingredientes capaz de suprir as necessidades nutritivas para manutenção, desenvolvimento e produtividade dos animais a que se destine; (...) § 1º Para efeito deste Regulamento, entendese como ração balanceada, a ração animal, o concentrado e o suplemento, definidos nos itens III, IV e V deste Artigo. (...)" 11. Destarte, a posição "Alimentos para cães e gatos, acondicionados para venda a retalho" (código 2309.10.9900, atual 2309.10.00) não prevalece, nem engloba o alimento denominado "ração animal", uma vez existente código mais específico, qual seja: 2309.10.0200 (atual 2309.90.10), que versa sobre "Preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada (alimentos compostos completos)", as quais são tributadas à alíquota zero. 12. Outrossim, não incide o IPI sobre "preparações alimentares completas para cães e gatos acondicionadas em embalagens com peso superior a 10 quilos". [...] Em sessão de 17/03/2010, a 2ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Sessão do CARF, por meio da Resolução nº 31020.105, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem certifique o transito em julgado do Acórdão proferido pela Primeira Turma do E. STJ no julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 953.519/SP (fls. 535/557). Neste procedimento anexouse ao presente processo informação prestada pela 3ª Vara Federal de Campinas que afirma o trânsito em julgado desta decisão em 15/06/2009. O relator, Conselheiro José Fernandes do Nascimento, então designado para a 2ª Turma Especial da 3ª Sessão, e tendo em vista que o valor excede o limite de alçada da Turma Especial, encaminhou o processo ao Presidente da 2ª Câmara da 3ª Sessão, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que determinou o retorno do processo à Secretaria da 2ª Câmara da 3ª Sessão para distribuição por sorteio. O presente processo foi então distribuído por sorteio para este julgador, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. É o relatório. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10830.006792/200872 Acórdão n.º 3201001.482 S3C2T1 Fl. 1.115 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme disposto no relatório a Recorrente ingressou com a Ação Ordinária nº 96.06034127, que tramitou no juízo da 3ª Vara Cível Federal de Campinas/SP, na qual pleiteara o enquadramento dos produtos objeto da presente ação fiscal na posição 2309.90.0200 da TIPI (atual 2309.90.10), a qual atribuída alíquota de 0% (zero por cento) do IPI. Constatase que a Recorrente obteve decisão judicial favorável a seu pleito, com trânsito em julgado em 15/06/2009, conforme documentos anexados aos autos. O auto de infração, efetuado para prevenir a decadência, tem por objeto exatamente a questão debatida na ação judicial. Assim, em virtude do trânsito em julgado da decisão judicial proferida nos autos Ação Ordinária nº 96.06034127, que entendeu pela não incidência do IPI sobre "preparações alimentares completas para cães e gatos acondicionadas em embalagens com peso superior a 10 quilos", e que os valores exigidos neste Auto de Infração referemse à matéria subjudice, o mesmo deve ser cancelado, reconhecendose a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, X, do Código Tributário Nacional. Por conseguinte, em face do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 22/11/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10880.013458/00-14
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992
Ementa:
FINSOCIAL – ALÍQUOTAS MAJORADAS – LEIS N°S
7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90 – INCONSTITUCIONALIDADE
DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL –
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS A
MAIOR – PRAZO – DECADÊNCIA – DIES A QUO e DIES
AD QUEM.
O dies a quo para a contagem do prazo decadencial do direito de
pedir restituição de valores pagos a maior é a data em que o
contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração
tributária, no caso a da publicação da MP n° 1.110/95, que se deu
em 31/08/1995. Tal prazo, de cinco (05) anos, estendeu-se até
31/08/2000 (dies ad quem). Constatada a efetivação do pedido
dentro do referido prazo, há que considerá-lo hábil para os efeitos
pretendidos.
Recurso voluntário provido, para determinar o retorno do
processo à DRJ, para exame do mérito.
Numero da decisão: 303-35.709
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em afastar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (relator), Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto; por unanimidade de votos, em restituir os autos à DRJ competente, para analisar as demais questões de mérito. Designada para redigir o voto, a Conselheira Nanci Gama
Nome do relator: José Luiz Feistauer de Oliveira
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O dies a quo para a contagem do prazo decadencial do direito de pedir restituição de valores pagos a maior é a data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária, no caso a da publicação da MP n° 1.110/95, que se deu em 31/08/1995. Tal prazo, de cinco (05) anos, estendeu-se até 31/08/2000 (dies ad quem). Constatada a efetivação do pedido dentro do referido prazo, há que considerá-lo hábil para os efeitos pretendidos. Recurso voluntário provido, para determinar o retorno do processo à DRJ, para exame do mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em afastar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (relator), Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto; por unanimidade de votos, em restituir os autos à DRJ competente, para analisar as demais questões de mérito. Designada para redigir o voto, a Conselheira Nanci Gama. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10880.013458/00-14 Acórdão n.º 303-35.709 CC03/C03 Fls. 2 _________ 2 Joel Miyazaki – Presidente atual José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luís Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto e Tarásio Campelo Borges. Relatório Trata-se de recurso voluntário manejado contra acórdão da e. 9º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (DRJ SPO 1), que, em sede de manifestação de inconformidade, rejeitou pedido de restituição, cumulado com compensação de débitos tributários com valores advindos de recolhimento indevido de contribuições ao FINSOCIAL. O fundamento do pleito, em síntese, seria o recolhimento de tal contribuição em percentual superior a 0,5% no período de apuração compreendido entre 01/01/1990 e 31/03/1992 e a posterior declaração da inconstitucionalidade dessa cobrança. Segundo entenderam os julgadores a quo, quando da apresentação do requerimento (31/08/2000), já se passavam mais de 5 anos dos respectivos recolhimentos e que, portanto, operara-se a decadência do direito de pleitear restituição. Para chegar a tal conclusão, concluíram os i. julgadores a quo pela inaplicabilidade do raciocínio de que o prazo para pleitear a restituição da contribuição objeto do presente litígio se iniciaria com a publicação da Medida Provisória nº 1.621-36, de 10/06/1998. Inconformada comparece a recorrente mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, renovar os argumentos expendidos em sede de manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Por intermédio de despacho do Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, nos termos da disposição dos art. 17, III e 18, XVII, do RICARF, e do art. 1º, I, da Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, incumbiu-me o Senhor Presidente de formalizar o Acórdão nº. 303-35.709, em razão de o relator original deste processo, o ex- conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, bem como a redatora designada para redigir o voto vencedor, a ex-conselheira Nanci Gama, não mais integrarem nenhum dos Colegiados deste Conselho. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10880.013458/00-14 Acórdão n.º 303-35.709 CC03/C03 Fls. 3 _________ 3 Desta forma, tem-se que a elaboração deste voto vencido, assim como do voto vencedor, procura refletir a posição adotada pelo relator original e pela redatora designada para redigir o voto vencedor. Embora não mais integre os colegiados do CARF, o relator original apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, o qual será integralmente adotado na presente formalização. Transcreve-se, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: “O recurso trata de matéria afeta à competência deste Terceiro Conselho e é tempestivo. Dele se deve tomar conhecimento, portanto. A matéria é há muito conhecida deste Colegiado, sendo possível afirmar que consolidou-se um norte jurisprudencial no sentido de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Vislumbra-se, nessa medida, ao meu ver voltada para a organização da administração tributária, um ato de reconhecimento da ilegalidade da exação, ou, por via indireta, do próprio indébito, igualmente capaz de irromper nova fluência do prazo prescricional, por meio de renúncia tácita à prescrição. Nessa linha, no que se refere à restituição do Finsocial cobrado em alíquota superior a 0,5%, a posição majoritária é a que define como dies a quo do prazo decadencial a edição da medida provisória nº 1.110, de 30/08/1995, publicada no Diário Oficial da União de 31/08/1995, em cujo art. 17, III se lia: Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: ........ III - à contribuição ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, exigida das empresas comerciais e mistas, com fulcro no artigo 9º da Lei nº 7.689, de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis nºs 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990; Mesmo conhecendo a inquestionável qualificação dos meus pares, peço vênia para discordar dessa linha de raciocínio. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda1, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. 1 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10880.013458/00-14 Acórdão n.º 303-35.709 CC03/C03 Fls. 4 _________ 4 Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia 2 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo 3 . Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 18 4 . Note-se que essa é a linha igualmente adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, que, após a correspondente uniformização de jurisprudência, adotou o entendimento firmado no do voto vencedor do Recurso Especial no 747.0915 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é "incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazer-se por lei" (RE 80.153⁄SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posiciona-se em igual sentido: "O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público" (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345⁄35). "A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei" (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522⁄2002 simplesmente dispensou "a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como 2Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. 3Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 4§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 5 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10880.013458/00-14 Acórdão n.º 303-35.709 CC03/C03 Fls. 5 _________ 5 Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal" relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Com essas considerações, acosto meu voto ao do i. relator a quo, que adoto independentemente de transcrição e me posiciono pela improcedência do recurso voluntário.” José Luiz Feistauer de Oliveira - Redator ad hoc Voto Vencedor José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc A par da competência privativa do Senado Federal para “Suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal” (art. 52, X, da CF), verifica-se que a matéria foi objeto de tratamento específico no art. 77 da Lei n o 9.430/96, que, com objetivos de economia processual e de evitar custos desnecessários decorrentes de lançamentos e de ações e recursos judiciais, relativos a hipóteses cujo entendimento já tenha sido solidificado a favor do contribuinte pelo Supremo Tribunal Federal, dispôs, verbis: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I - abster-se de constituí-los; II - retificar o seu valor ou declará-los extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III - formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. Com base nessa autorização, o Poder Executivo editou o Decreto n o 2.346/97, que estabelece os procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em relação a decisões judiciais, e determina em seu art. 1 o , verbis: Art. 1 o As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10880.013458/00-14 Acórdão n.º 303-35.709 CC03/C03 Fls. 6 _________ 6 ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1 o Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2 o O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. § 3 o O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto. Dessa forma, subsumem-se nas normas disciplinadoras acima transcritas todas as hipóteses que, em tese, poderiam ser objeto de aplicação, referentes a processos fiscais cuja matéria verse sobre a extensão administrativa dos julgados judiciais, as quais passo a examinar. O Decreto n o 2.346/97 em seu art. 1 o , caput, estabelece que deverão ser observadas pela Administração Pública Federal as decisões do STF que fixem interpretação do texto constitucional de forma inequívoca e definitiva. Do exame da norma disciplinar retrotranscrita, verifica-se ser descabida a aplicação do § 1 o do art. 1 o , tendo em vista que essa norma refere-se a hipótese de decisão em ação direta de inconstitucionalidade, esta dotada de efeito erga omnes, o que não se coaduna com a hipótese que fundamentou o pedido contido neste processo, baseado em Recurso Extraordinário em que figuravam como partes a União (Recorrente) e Empresa Distribuidora Vivacqua de Bebidas Ltda. (Recorrida). Trata-se, portanto, na espécie, de decisão do Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso, cujos efeitos atingem tão-somente as partes litigantes. Da mesma forma, não se vislumbra, na hipótese, a aplicação do § 2 o do art. 1 o , visto que os dispositivos declarados inconstitucionais não tiveram a sua execução suspensa pelo Senado Federal. No entanto, é inequívoco que a hipótese prevista no § 3 o do art. 1 o , concernente à autorização do Presidente da República para a extensão dos efeitos jurídicos da decisão proferida em caso concreto, veio a ser efetivamente implementada a partir da edição da Medida Provisória n o 1.110, de 30/8/95, que em seu art. 17 dispôs, verbis: “Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10880.013458/00-14 Acórdão n.º 303-35.709 CC03/C03 Fls. 7 _________ 7 III - à contribuição ao Fundo de Investimento Social – Finsocial, exigida das empresas comerciais e mistas, com fulcro no art. 9 o da Lei n o 7.689, de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis n os 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990; (...) Por meio dessa norma (convertida no art. 18, III, da Lei n o 10.522, de 19/7/2002), o Poder Executivo manifestou-se no sentido de reconhecer como indevidos os sucessivos acréscimos de alíquotas do Finsocial estabelecidos nas Leis n o s. 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, e assegurou a dispensa da constituição de créditos tributários, a inscrição como Dívida Ativa e o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem como o cancelamento do lançamento e da inscrição da contribuição em valor superior ao originalmente estabelecido em lei. Com isso, a Administração Pública reconheceu que a contribuição para o Finsocial foi exigida com base em lei inconstitucional, fazendo nascer, nesse momento, para o contribuinte, o direito de, administrativamente, pleitear a restituição do que pagou sob a égide da lei tida por inconstitucional. Tem-se, ainda, que a matéria conta com interpretação pacífica da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que o prazo de cinco anos para requerer o indébito tributário deve ser contado a partir da data de publicação da Medida Provisória n o 1.110/95, de acordo com as reiteradas decisões proferidas pela Terceira Turma dessa Câmara Superior, que podem ser exemplificadas no Acórdão n o CSRF/03-05.051, de 6/11/2006, cuja ementa transcreve-se, verbis: FINSOCIAL – MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTAS – INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – PRAZO DECADENCIAL – É de 5 anos o prazo deferido ao contribuinte para pleitear a restituição das parcelas de tributos pagas a maior em virtude de lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta, através do pedido de restituição/compensação perante a autoridade administrativa. Por esta razão, o termo a quo tem início na data da publicação da MP n o 1.110, em 31/10/95 [o correto é 31/8/95] – p. 013397, eis que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: Acórdão. CSRF/03-04.227, 301-31.406, 301-31.404 E 301-31.321. No caso destes autos, entendeu o Colegiado que o marco inicial para a contagem do prazo decadencial, de 05 anos, para a formalização dos pedidos de restituição de Finsocial pago a maior, é a data da publicação da referida MP n° 1.110/95, ou seja, 31 de agosto de 1995 (dies a quo), estendendo-se o período legal deferido ao contribuinte até 31 de agosto de 2000, inclusive (dies ad quem), restando atingidos pela decadência apenas os pedidos formulados a partir de 1° de setembro de 2000. Vez que o contribuinte protocolizou seu pedido em 31/08/2000, entendeu o Colegiado não encontrar-se este atingido pela decadência. Tendo sido examinada no julgamento de primeira instância tão-somente a questão relativa à decadência do direito de pleitear a restituição/compensação, a fim de evitar a Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo nº 10880.013458/00-14 Acórdão n.º 303-35.709 CC03/C03 Fls. 8 _________ 8 supressão de instância, entendeu-se descaber a apreciação do restante do mérito pelo Colegiado. Por todo o exposto, DEU-SE PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar a prejudicial de decadência, e determinou-se o retorno do processo a DRJ, para apreciar as demais questões concernentes ao pedido de restituição/compensação. Essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência dos votos vencidos e vencedor. José Luiz Feistauer de Oliveira Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA
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Numero do processo: 10280.005015/2004-51
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/03/1998 a 31/07/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO EXISTENTES. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Devem ser saneadas a omissão e a contradição constatadas na apreciação dos Embargos de Declaração.
Numero da decisão: 3401-002.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos de declaração.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO EXISTENTES. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Devem ser saneadas a omissão e a contradição constatadas na apreciação dos Embargos de Declaração. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos de declaração. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 50 15 /2 00 4- 51 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.555/568), opostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3401001.757 (fls.209/216), pelo qual foi declarado nulo o auto de infração objeto deste processo, em decorrência da falta de intimação da pessoa jurídica e da incompetência da autoridade fiscal que efetuou o lançamento. Nos Embargos, é alegado o seguinte: O acórdão não conheceu o Recurso da pessoa jurídica, por ser intempestivo, e declarou a nulidade do acórdão por razões não alegadas nos Recursos interpostos pelos responsáveis, contudo, não fundamentou por que o declarou nulo por razões não ventiladas nos recursos conhecidos, o que configura a omissão; O acórdão é contraditório, pois considerou a intimação do Sr. Edson Souza Geraldes, o qual tinha condição de sócio na época do lançamento, para aferir a tempestividade, mas desconsiderou a intimação do lançamento da pessoa jurídica realizada na mesma pessoa; O acórdão foi omisso por não analisar “a declaração de fls. 279/280 de Edson Souza Geraldes no sentido de que teve seu nome usado na transferência de empresa”; O acórdão também foi obscuro por não apontar a prova na qual se embasou para concluir que a Empresa funcionava no endereço da Rua Dom Gerardo, 35, Sala 702, Centro, Rio de JaneiroRJ; O Acórdão é contraditório porque reconhece que, em nenhum momento, a empresa foi intimada no endereço da Rua Dom Gerardo, 35, sala 702, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Ao fim, a Embargante pediu o saneamento dos vícios apontados e prequestionamento das matérias que não foram objeto de análise expressa no acórdão embargado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Os Embargos são tempestivos e atendem os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Embargante alega diversas omissões e contradições no acórdão, as quais, segundo a Embargante, devem ser sanadas. Passase a analisar um a um. 1. Da omissão por falta de fundamento ao conhecer matéria não ventilada nos Recursos Conhecidos. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10280.005015/200451 Acórdão n.º 3401002.283 S3C4T1 Fl. 571 3 O auto de infração foi lavrado contra a empresa e com responsabilização dos exsócios. Na análise dos autos, ficou constatado que a empresa não foi intimada do auto de infração, mas somente do acórdão da DRJ, enquanto os exsócios foram intimados tanto do auto de infração, quanto da decisão da instância de piso. A empresa apresentou dois Recursos Voluntários, mas ambos estavam intempestivos, por isso não foram conhecidos. Os sócios Simon Bolívar da Silva Bueno, Edison Donizetti Benette e Emílio Maioli Bueno interpuseram Recursos tempestivamente. A Embargante alega que o acórdão foi omisso, haja vista ter declarado a nulidade do auto de infração por falta de intimação da pessoa jurídica, mas sem fundamentar por que analisou essa matéria sem ela ser levantada nos Recursos conhecidos. Nesse ponto, não houve omissão, mas sim contradição entre o fundamento do voto e o dispositivo. Isso fica evidente ao se ler os últimos dois parágrafos do voto: “A decisão do processo que trata do IRPJ reforça a conclusão na qual chegou este Conselheiro: a de que dolo não foi provado. Desse modo, a responsabilização dos sócios é incabível, e como a pessoa jurídica foi intimada somente após o julgamento da DRJ, em 14/08/2007 (fl.308), o lançamento já estava integralmente decaído. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para declarar nulo o auto de infração, em decorrência da falta de intimação da pessoa jurídica e da incompetência da autoridade fiscal que efetuou o lançamento”. Como é perceptível, o voto era no sentido de cancelar o auto de infração pela falta de prova de dolo dos sócios e decadência em relação à pessoa jurídica. Contudo, o dispositivo foi escrito equivocadamente no sentido de declarar nulo o auto de infração por falta de intimação da pessoa jurídica e incompetência da autoridade fiscal que efetuou o lançamento. Há de esclarecer que muito embora a decadência não tenha sido ventilada nos recursos conhecidos, ela é matéria ordem pública, de modo que pode ser reconhecida ex officio, como no presente caso. Portanto, apesar de não se tratar de omissão, acolho os embargos de declaração por contradição, rerratificando a parte dispositiva do voto para ficar da seguinte forma: “Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para cancelar o auto de infração, em decorrência da falta de prova de dolo e fraude dos sócios e exsócios, bem como pela decadência em relação à pessoa jurídica”. 2.Da contradição em relação à validade da intimação. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 A embargante alega ocorrência de contradição no acórdão, pois a intimação da pessoa jurídica na pessoa do sócio Edson Souza Geraldes foi considerada válida para contagem da tempestividade, mas foi desconsiderada para validade do auto de infração. Nesse ponto, não há contradição, pois, em nenhum momento, a intimação foi desconsiderada. Ficou bem claro no voto condutor que, da lavratura do auto de infração, somente os sócios, pessoas físicas, foram intimados. A pessoa jurídica somente recebeu a primeira intimação depois do acórdão da DRJ, em 14/08/2007, conforme fl. 321(digital). Isso fica evidente na leitura do trecho contido na fl. 215 dos autos, o qual é transcrito abaixo: “O simples indício não tem força para responsabilizar pessoalmente os sócios. Como os sócios devem ser pessoalmente responsabilizados somente em casos excepcionais, com provas inequívocas, o que não é o caso, afasto a responsabilidade pessoal dos sócios. Por outro lado, como a empresa não foi intimada da lavratura do auto de infração, recebendo a primeira intimação somente após o julgamento da DRJ, é o caso de nulidade do lançamento. Ainda que se considerasse por convalidar a intimação da pessoa jurídica após a decisão da DRJ, o lançamento não seria válido, pois alcançado pela decadência. Isso porque o prazo para a Fazenda constituir o crédito dos tributos sujeito ao lançamento por homologação é cinco anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, se houver a antecipação do recolhimento, nos termos art. 150, §4o; ou no prazo cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. O período lançado mais recente é de julho de 2000, e a pessoa jurídica foi intimada do acórdão da DRJ somente em 14/08/2007 (fl.308). Portanto, o lançamento está decaído, em qualquer contagem que seja levada em consideração”.(grifo não consta no original) Portanto, por não existir contradição, não acolho os embargos de declaração nessa parte. Da omissão por não analisar “a declaração de fls. 279/280 de Edson Souza Geraldes no sentido de que teve seu nome usado na transferência de empresa”. A Recorrente alega que o acórdão foi omisso, por não analisar a declaração de fls. 279/280, nos autos digitais fls. 297/298, na qual o Sr. Edson Souza Geraldes alega que não é proprietário da empresa, mas que teve seu nome usado. Realmente, o voto condutor não analisou essa declaração. Contudo, ela não tem força para alterar a decisão por dois motivos: primeiro, porque não pode ser tomada como prova testemunhal, haja vista que o Sr. Edson Souza Geraldes foi responsabilizado, sendo parte do processo, de modo que não tem o compromisso testemunhal de sempre falar a verdade. A responsabilização dos exsócios devese dar de modo inequívoco, com provas cabais, sem margens para erros. In casu, a declaração do Sr. Edson Geraldes, por si só, não tem força para tal, pois pode ter sido usada como estratégia de defesa para não ser responsabilizado. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10280.005015/200451 Acórdão n.º 3401002.283 S3C4T1 Fl. 572 5 Cabe destacar, também, que mesmo não sendo verídica essa declaração, não tem força de manter a responsabilização do Sr. Edson Geraldes, pois a fraude que leva à responsabilização da pessoa física não é a fraude no processo, mas sim a fraude no recolhimento do tributo. Portanto, a desconsideração da declaração do Sr. Edson Geraldes, que exime os demais sócios, não tem força de responsabilizálo. Em segundo lugar, porque a declaração foi assinada em janeiro de 2005, após a primeira ciência de exsócios, a qual se deu em 21/12/2004 (fl.94). Portanto, suposta prova seria posterior à lavratura do auto de infração, de modo que não tem força para sustentálo. Portanto, nesse ponto, acolho os embargos para sanar a omissão, sem aplicar os efeitos infringentes. Da obscuridade e contradição em relação ao endereço da empresa no endereço da Rua Dom Gerardo, 35, Sala 702, Centro, Rio de JaneiroRJ A Embargante alega que o acórdão foi obscuro, vez que não indicou em qual prova se apoiou para entender que a empresa realmente funcionava no endereço da Rua Dom Gerardo, 35, Sala 702, Centro, Rio de JaneiroRJ. A alegação da Embargante não merece acolhimento, pois no voto condutor restou bem claro que quem mencionou o novo endereço foi a própria fiscalização, na fl. 78. A única prova da fiscalização de que o endereço era ficto ocorreu porque a intimação foi entregue na sala do Tribunal de Arbitragem, contudo, na análise dos autos ficou comprovado, por declaração do Tribunal de Arbitragem e pelo Contrato de Aluguel que a intimação foi enviada para a sala errada, o que fez cair a única prova levantada pela autoridade fiscal. Essa conclusão é clara no seguinte trecho do voto: “há a descrição de que os exsócios Édison Donizatti Benette e Emílio Maiolli Bueno teriam transferido as suas participações, fraudulentamente, para Olávio Florentino e Edson Souza Geraldes e que a confirmação dessa fraude ‘deuse com a mudança de endereço, fictício, da empresa, em 28.07.2002: Rua Dom Geraldo, 35, Sala 702 – Centro’, sendo esse endereço ocupado pelo Tribunal de Justiça Arbitral das Comarcas Brasileiras. Ocorre que o aludido Tribunal Arbitral apresentou declaração informando que está sediado no mesmo endereço, mas na sala 701 e que há outras empresas no mesmo prédio (fl.214). Além disso, a Recorrente apresentou contrato de locação (fls.210/212) provando que seu endereço ficava no local, mas na sala 702. Outro fato que reforça a mudança de endereço sem fraude, do Estado do Pará para o Estado do Rio de Janeiro, é a intimação do acórdão da DRJ à empresa, em endereço localizado no centro da capital fluminense. Insta salientar que, apesar de não ser o mesmo endereço da Rua Dom Geraldo, nas fls.317 e 318 os Recorrentes apresentaram cópia da alteração contratual, pela qual fixa como novo endereço a Av. Treze de Maio, nº 33, sala 3013, Centro, Rio de Janeiro. Isso leva à conclusão de que, no decorrer deste processo administrativo, a empresa mudouse da rua Dom Geral para a Rua Treze de Maio, ambas na cidade do Rio de Janeiro. Logo, a empresa saiu, realmente, do Estado do Fl. 568DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 Pará para ser sediada no Estado do Rio de Janeiro, afastando se, assim, a fraude alegada pela Autoridade Fiscal. Contra as provas apresentadas pela Recorrente não tem nenhum outro documento que demonstre, de modo irrefutável, a existência da fraude”. (fls.214/215) Ainda quanto ao endereço, a Recorrente alega que o acórdão foi contraditório ao informar que a empresa nunca foi intimada no endereço da Rua Dom Gerardo. Ocorre que não há a contradição. A empresa não foi intimada no endereço da Rua Dom Gerardo, porque a intimação do auto de infração foi encaminhada para a sala errada. E depois do acórdão da DRJ foi intimada no endereço da Rua Treze de Maio “porque no decorrer deste processo administrativo a empresa mudouse”. Portanto, dúvida não resta de que o convencimento do julgador, neste ponto, foi bem fundamentado, não existindo nenhuma obscuridade ou contradição. Ex positis, acolho parcialmente os Embargos de Declaração: 1) para reconhecer a contradição do acórdão e rerratificar o dispositivo do voto condutor para cancelar o auto de infração, em decorrência da falta de prova de dolo e fraude dos sócios e dos ex sócios, bem como pela decadência, em relação à pessoa jurídica. 2) Acolho também para sanear a omissão em relação a análise da declaração de fls. 279/280 de Edson Souza Geraldes, no sentido de que teve seu nome usado na transferência de empresa. Quanto às demais alegações de omissão e de contradição, nego acolhimento. É como voto. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10875.003179/2003-72
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário.
A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3402-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por reconhecer a concomitância com processo judicial.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por reconhecer a concomitância com processo judicial. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 31 79 /2 00 3- 72 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 66 (verso) dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto da relatora Susan Mara Cordeiro Rovere Ribeiro nos seguintes termos: “Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o programa de Integração Social (PIS), lavrado em 17/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 11/07/2003 (fls. 25), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 4.702,90), em virtude de não localização dos pagamentos vinculados aos débitos declarados para os períodos de agosto e setembro de 1998. Em oposição ao presente lançamento, foi protocolizada em 13/08/2003, a impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/20, com alegação de que os débitos são indevidos, pois foi impetrado um mandado de segurança com pedido de liminar na 15ª Vara Federal de São Paulo, autuado sob n° 2000.03.99.0422195, o qual autorizava o contribuinte a proceder a compensação nos termos do art. 66 da Lei n° 8383/91, dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS nos moldes da sistemática dos DecretosLei n° 2.445 e 2.449 ambos de 1988, com outros tributos e contribuições federais. Acrescenta o interessado que a segurança foi concedida, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar seu crédito com o próprio PIS vincendo, de acordo com a certidão de objeto e pé que apresenta às fls. 11. Por meio do despacho de fls. 50 a autoridade preparadora, atestando ser tempestiva a impugnação, encaminhou o processo para julgamento. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0533.896 de fls. 66 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade antes do início do procedimento fiscal, incabível seria a aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de suspensão de exigibilidade não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10875.003179/200372 Acórdão n.º 3402002.924 S3C4T2 Fl. 3 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho de Recursos Fiscais através de procurador, onde alega não concordar com o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo mas dele NÃO tomo conhecimento por reconhecer em face do seu pedido, a concomitância da questão na esfera judicial e administrativa, no caso, adotando as razões da decisão recorrida, através do voto do relator de fls.66 a 68 (verso), que deixo de repetir aqui, mas será lido em sessão se necessário. Também, é sumula nesse Conselho o seguinte: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. ” Isto Posto, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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