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Numero do processo: 13161.001382/2007-72
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.725637/2011-31
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
IMUNIDADE. AUTARQUIA PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. EXPLORAÇÃO DE PORTO MARÍTIMO. ENTENDIMENTO PACÍFICO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Gozam de imunidade recíproca as autarquias prestadoras de serviço público, consoante entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 1302-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÁRCIO RODRIGO FRIZZO, Relator.
EDITADO EM: 26/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 IMUNIDADE. AUTARQUIA PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. EXPLORAÇÃO DE PORTO MARÍTIMO. ENTENDIMENTO PACÍFICO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Gozam de imunidade recíproca as autarquias prestadoras de serviço público, consoante entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO, Relator. EDITADO EM: 26/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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AUTARQUIA PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. EXPLORAÇÃO DE PORTO MARÍTIMO. ENTENDIMENTO PACÍFICO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Gozam de imunidade recíproca as autarquias prestadoras de serviço público, consoante entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO, Relator. EDITADO EM: 26/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 56 37 /2 01 1- 31 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, doravante denominada APPA, insurgiuse inicialmente contra a autuação fiscal que afasta a sua imunidade tributária e exige os seguintes impostos: IRPJ PIS COFINS CSLL Principal R$ 175.595.425,92 R$ 6.701.016,75 R$ 30.927.770,81 R$ 60.189.941,89 Multa R$ 131.696.569,34 R$ 5.025.762,38 R$ 23.195.827,88 R$ 45.142.456,36 Juros R$ 52.730.619,30 R$ 2.089.151,17 R$ 9.642.237,66 R$ 18.054.072,83 Total R$ 360.022.614,56 R$ 13.815.930,30 R$ 63.765.836,35 R$123.386.471,08 A DRJ deu provimento parcial à impugnação da APPA, para excluir da base de cálculo do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL os valores relativos a repasses de convênios (transferências correntes e receita de capital), por não corresponderem à “receita”. Foi exonerado o crédito tributário de PIS, em razão de a APPA ter recolhido valor superior ao exigido no auto de infração. Apenas para adiantar o que adiante será visto (item 4), por ser a APPA uma autarquia, tem a obrigação de recolher o PIS/PASEP sobre receitas correntes e sobre a folha de salários. Aliás, incide PIS/PASEP sobre transferências correntes e de capital, mas o responsável tributário é o Tesouro Nacional. Pelo que consta nos autos, a APPA apenas recolheu o PIS/PASEP sobre a folha de salário. Esses valores foram os considerados pela DRJ. Em suma, a exigência fiscal passou a exigir IRPJ no valor de 131.799.072,78, Cofins no valor de R$ 30.714.580,01 e CSLL no valor de R$ 42.851.606,52, mais multa de 75% e acréscimos legais. Em face da decisão da DRJ, a APPA apresentou recurso voluntário, ao qual a Fazenda Nacional, ofereceu contrarrazões (fls. 846 a 861). Não houve apresentação de razões de recurso de ofício. A questão do presente processo administrativo fiscal gira em torno do reconhecimento ou não da imunidade recíproca da APPA, nos termos do art. 150, inc. IV, alínea “a” e §2º, da Constituição Federal de 1988, segundo o qual, sinteticamente, é vedado à União instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços dos Estados, imunidade esta que se estende às autarquias. Na origem, verificase a existência de auto de infração (fls. 692 a 699), o qual decorreu da fiscalização iniciada por força do MPFF 0910100.01029.2011. Em síntese, foram as seguintes conclusões apresentadas pelo AFRFB: (i) Quando intimada a entregar os livros fiscais e comerciais relativos ao período de 01/01/06 a 31/12/2010, a APPA entregou apenas as Fichas Demonstrativo da Execução da Receita – Receita Total, extraídas do sistema de contabilidade pública Siafi do Estado do Paraná. Tal fato era esperado pela fiscalização, uma vez que em diligências anteriores a Fl. 886DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 886 3 APPA declarou estar desobrigada de manter os livros fiscais e comerciais; (ii) A APPA apresentou documentos, quando intimada, para demonstrar que está constituída formalmente sob a forma de autarquia estatal, pessoa jurídica de direito público. Segundo declara, exerce atividade de interesse público, não sendo exploradora de atividades econômicas de natureza mercantil ou serviços. Suas receitas decorrem de tarifas portuárias públicas, delegadas pela União (Convênio de Delegação n. 37/2001) (fls. 692/693); (iii) Todavia, segundo o AFRFB, a APPA é materialmente uma empresa pública. Isto porque o Regulamento da APPA (Dec. Estadual 7.447/90), em seu art. 2º, declara que seu objeto é “a exploração comercial e industrial dos Portos de Paranaguá e Antonina”. Ainda nesse diploma, temse o art. 5º, inc. I, segundo o qual a APPA terá por receita “o produto da arrecadação das taxas portuárias e das importâncias devidas por serviços convencionais e outros prestados pela APPA”; (iv) Argumenta que diversos portos em território nacional estão constituídos sob a forma de sociedade anônima (CDP, Codesa, Codamar, Codern, CDRJ, DocasPB, Comap e Codeba) ou empresa pública (Codesp, SOPH, Suape, Emap); (v) Defende que a atividade da APPA está regida por normas aplicáveis a empreendimentos privados, uma vez que o Dec. Federal 6.620/08, em seu art. 7º, inc. IX, estatui que é diretriz geral aplicável ao setor portuário marítimo o “desenvolvimento do setor portuário, estimulando a participação do setor privado nas concessões, nos arrendamentos portuários e nos terminais de uso privativo”; (vi) Ainda que se considere apenas a natureza autárquica da APPA, verificase que a imunidade do art. 150, inc. IV, alínea “a”, CRF/88, somente se aplica a impostos, e não ao PIS, COFINS. CSLL e contribuições sociais; (vii) De qualquer forma, a imunidade da APPA, mesmo se considerada como autarquia, é afastada por força do art. 150, §3º, da CRF/88, segundo o qual a imunidade não se aplica “(...) ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com a exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário (...)”; (viii) Destaca o art. 173, §1º, inc. II, da CF/88, o qual, de modo resumido, dispõe que cabe à lei estabelecer o estatuto jurídico de empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica ou prestação de serviços, dispondo sobre a “sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários”; Fl. 887DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 4 (ix) Chama a atenção ainda para o §2º, também do art. 173, CRF/88, segundo o qual “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”; (x) Menciona que os trabalhadores da APPA são regidos pela CLT; (xi) Aduz que recentemente foi afastada a imunidade da APPA quanto ao ISS, o que a elevou ao posto de maior contribuinte deste tributo municipal em Paranaguá/PR.; (xii) Conclui que a APPA é “uma autarquia atípica, possuindo personalidade jurídica de direito privado, estando obrigada às obrigações tributárias principais e acessórias em relação aos tributos e contribuições federais, por prestar serviços de conteúdo econômico e com o recebimento de tarifas” (fl. 695); (xiii) Apresenta doutrina para concluir que “à atividade portuária amoldam se as características das entidades paraestatais [e não das autarquias], uma vez que, não sendo atividade pública típica, está inserida dentre aquelas de utilidade pública e de interesse coletivo” (fl. 696); (xiv) Transcreve decisões administrativas e judiciais trabalhistas em que a APPA teve afastada a imunidade; (xv) Dessa forma, o AFRFB arbitrou o lucro da APPA com base em seu faturamento, em razão da ausência de contabilidade exigida nos moldes das empresas obrigadas ao lucro real. O lançamento do PIS, Cofins, CSLL foi realizado com base no faturamento, pois a APPA não recolhe nenhum desses tributos (fls. 692). Inconformada com o tratamento dado pelo AFRFB, a APPA apresentou impugnação, onde apresenta os argumentos que adiante seguem sinteticamente apresentados (fls. 703 a 713): (i) “As exceções ao princípio da imunidade recíproca, contidas nos §§3º e 4º do art. 150 da Constituição Federal, no caso das autarquias, ocorrem quando o patrimônio, a renda ou os serviços estejam relacionados com a exploração de atividades econômicas regidas pelas normas de direito privado ou quando houver a contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelos usuários e, ainda, só alcançam o patrimônio, por exemplo, quando não relacionados com as suas atividades essenciais.”. (fls. 705). Nenhuma destas exceções ocorrem no caso; (ii) O art. 21, inc. XII, alínea “c” e “f” da Constituição Federal dispõe que “compete à União explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão a infraestrutura aeroportuária e os portos Fl. 888DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 887 5 marítimos” (fls. 705). Por isso, a natureza do serviço prestado pela APPA é de “serviço público”; (iii) Apresenta doutrina sobre a imunidade recíproca para defender que “o direito real que tem o prestador do serviço público, seja ele o próprio titular ou a iniciativa privada a quem foi concedida a prestação, sobre os espaços da municipalidade não pode sofrer incidência tributária. Esse direito, como vimos, terá sempre como titular uma pessoa jurídica de direito público (...); situação em que se verifica a aplicação da imunidade recíproca, a qual abrange a imposição sobre o patrimônio” (fls. 706); (iv) Transcreve jurisprudência do STF, STJ e TJPR para afirmar que “inexiste fundamento constitucional para a cobrança em apreço, pois, no caso, incide sobre serviços públicos inerentes à União e ao Estado, cedidos ao ente autárquico para consecução de seus fins” (fls. 706); (v) Defende que a APPA, por ser autarquia com natureza de pessoa jurídica de direito público interno, não está sujeita à COFINS (art. 2º, inc. III, art. 7º, art. 15, todos da Lei n. 9.715/98), e nem ao PIS/Pasep; (vi) Anexa documentos, dentre os quais está o Acórdão CSRF 9101 000.909 (sessão em 28/03/2011 – fls. 733 a 741), o qual faz menção ao Acórdão DRJ 10194.474 (sessão em 28/01/2004), ambos tratando de similar problemática e nos quais a APPA sagrouse vencedora. (vii) Subsidiariamente, requer sejam exonerados os créditos tributários de PIS/Pasep já pagos. Junta comprovantes de pagamento. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal de Curitiba/PR, tomando conhecimento do impasse, deu parcial provimento ao recurso da APPA, consoante se percebe da ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AUTARQUIA. IMUNIDADE. VEDAÇÕES. Descabe cogitar na imunidade relativa a impostos quando o patrimônio, a renda e os serviços das autarquias estiverem relacionados com a exploração de atividades econômicas regidas por normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. AUTARQUIA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE ECONÔMICA. CONCORRÊNCIA EM CONDIÇÕES DESIGUAIS COM PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO. Sujeitase ao regime tributário das empresas privadas a pessoa jurídica que, embora constituída formalmente como autarquia, Fl. 889DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 6 explora atividade econômica e pratica concorrência em condições desiguais com pessoas jurídicas de direito privado. LUCRO ARBITRADO. DETERMINAÇÃO. O lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: a) o valor resultante da aplicação dos percentuais de determinação do lucro presumido, acrescido de 20%; b) os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas no item anterior e demais valores determinados pela Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL e à Cofins; cancelase a exigência de PIS em face da existência de recolhimentos em valor superior efetuados a título de PASEP. AUTARQUIA. IMUNIDADE. VEDAÇÃO NÃO APLICÁVEL ÀS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A imunidade prevista no art. 150, IV, “a” e § 2º da Constituição Federal se limita a impostos e não alcança as contribuições sociais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra a decisão da DRJ, a RECORRENTE apresentou recurso voluntário no qual praticamente reafirma as argumentações da impugnação, acrescentando apenas o seguinte: (i) “(...) ao se reconhecer, tratase a recorrente de autarquia instituída e mantida pelo Poder Público, que não explora atividade econômica, impõese, igualmente, enquadrála no artigo 150, VI, “a” e §2º da Constituição Federal, uma vez que as atividades por ela desempenhadas somente podem ser exploradas pelo Estado, dada a importância e relevância do serviço” (fls. 812). Cientificada do recurso voluntário da APPA, foram apresentadas contrarrazões pela FAZENDA, que resumiu o andamento do feito, as argumentações das partes e, por fim, repisou o que o AFRFB já havia sustentado. Acrescentou, apenas, o que segue adiante resumido: (i) A imunidade do art. 150, VI, “a”, CF, não alcança as contribuições, ficando restrita aos impostos; Fl. 890DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 888 7 (ii) A fiscalização apontou que, “no tocante às receitas e atividades desempenhadas, a autuada aufere receitas estranhas à atividade portuária, decorrentes de exploração de atividade econômica, que não estão albergadas pela imunidade tributária” (fl. 853). É o caso das “‘receitas de valores mobiliários’, ‘remuneração de depósitos bancários’, e ‘ rendimentos de aplicações financeiras’”. (fls. 854); (iii) A APPA não se desincumbiu do ônus de provas que a totalidade de suas receitas advém da atividade portuária (art. 333, II, CPC) (fls. 860). É o relatório. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 8 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. 1. DAS AUTARQUIAS E EMPRESAS PÚBLICAS A autuação em testilha tem início na divergência sobre o correto enquadramento jurídico da APPA. Segundo o AFRFB, a APPA não preenche os requisitos para ser considerada como uma autarquia, muito embora seja esta sua constituição formal. Por isso, a APPA deveria ser tratada como empresa pública, nos termos descritos no relatório deste voto. Ainda segundo o AFRFB, deve ser negada a imunidade prevista no art. 150, inc. VI, alínea “a” e §2º da CF/88, e aplicado o regime do art. 173, §1º, inc. II, §2º, da CF/88. Os artigos têm a seguinte redação: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (...) Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (...) (grifo não original) Fl. 892DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 889 9 Isto posto, destaco que esta não é a primeira divergência entre as partes. Existem alguns precedentes administrativos e judiciais. De modo geral: a) Justiça do Trabalho tem negado a qualidade de autarquia à APPA; b) na esfera administrativa federal, a APPA têm obtido decisões desfavoráveis na DRJ de Curitiba/PR e favoráveis no CARF (desde a época do antigo Conselho de Contribuintes) e na CSRF. Inclusive, existe um acórdão paradigma decidido a favor da APPA pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, da lavra do Respeitável Conselheiro Paulo Roberto Cortez, que apresenta consistente exposição doutrinária e jurisprudencial (Processo 10907.002081/200201 acórdão 10194.474). Feitas estas considerações, passo ao objeto deste tópico e, de início, importante ter em mente que a doutrina utiliza os termos Administração Pública Direita e Indireta para diferenciar o desempenho centralizado das atividades administratias do descentralizado, como destaca Carvalho Filho: Administração direta é o conjunto de órgãos que integram as pessoas federativas, aos quais foi atribuída a competência para o exercício, de forma centralizada, das atividades administrativas do Estado. Em outras palavras, significa que “a Administração Pública é, ao mesmo tempo, a titular e a executora do serviço público”. (...) Administração indireta do Estado é o conjunto de pessoas administrativas que, vinculadas à respectiva Administração Direta, têm o objetivo de desempenhar as atividades administrativas de forma descentralizada. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo, 22 ed., rev., ampl. e atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. p. 430 e 435) (grifo não original). Para os fins do presente voto, interessa observar que a presente divergência se instala no âmbito da Administração Pública Indireta, que é composta pelas (i) autarquias, (ii) empresas públicas, (iii) sociedades de economia mista e (iv) fundações públicas. Como dito, discutese se a APPA seria uma autarquia (como foi constituída formalmente) ou uma empresa pública. Relevante, portanto, verificar o que se entende por autarquia e empresa pública. Segundo Di Pietro, autarquia é a pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle administrativo exercido nos limites da lei1. Para José Cretella Júnior, citado pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortes no Acórdão 10194.474, autarquia pode ser assim definida: “Autarquia” é o mesmo que 'serviço público descentralizado'. Autarquia é 'pessoa jurídica pública de índole administrativa, criada pela União, pelo Estado ou pelo Município'. Ou: 'é personalização de determinado tipo de serviço público'. A União é a 'entidade maior', a entidade matriz criadora. A 'entidade menor' herda as prerrogativas e privilégios da 'entidade maior'. A autarquia federal, como a estadual e a municipal, ao serem 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 13 ed. São Paulo: Atlas, 2001. p. 429. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 10 criadas, não se desvinculam totalmente da pessoa jurídica pública matriz, porque continua a ela vinculada pelo cordão umbilical da tutela administrativa. Logo, pessoa política criadora e pessoa autárquica criada, em cada esfera, formam um todo, identificandose, integrandose, pelo que, ao descentralizarse, a autarquia transporta consigo, congenitamente, 'por herança', a imunidade tributária, privilégio da entidade criadora. Tributar a autarquia é o mesmo que tributar o ente político. (...) Todos os meios materiais pertencentes à autarquia e que lhe constituem o patrimônio são imunes a impostos. Do mesmo modo, as rendas, isto é, as quantias em dinheiro que entram para os cofres da autarquia, em decorrência de serviços prestados, ou de qualquer outra proveniência, são imunes a tributos.” (1º Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Acórdão 101.94.474. Rel. Paulo Roberto Cortez. Sessão 28/01/2004). (grifo não original) De outro lado, as empresas públicas têm a seguinte conceituação, nas palavras de Carvalho Filho: Empresas Públicas são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal, sob qualquer forma jurídica adequada a sua natureza, para que o Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou, em certas situações, execute a prestação de serviços públicos. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo, 22 ed., rev., ampl. e atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. p. 471) (grifo não original). Diversas doutrinas buscam conceituar as autarquias e empresas públicas. No entanto, as duas acima são pertinentes por demonstrar que tanto as autarquias quanto às empresas públicas podem prestar serviço público. No mesmo sentido se posicionam, por exemplo, Celso Antônio Bandeira de Mello2 e Maria Sylvia Zanella Di Pietro3. Não pode causar estranheza a afirmação de as autarquias e as empresas públicas podem prestar serviço público, uma vez que a prestação de serviço público é função própria do Estado. De outro lado, a exploração da atividade econômina é mister inerente à esfera de atuação do particular na economia, nos termos em que se depreende da interpretação conjugada do art. 170 e do art. 173, §§1º e 2º, da Constituição Federal. Excepcionalmente, os papeis podem se inverter. Ou seja, o Estado explorará atividade econômica por razões de imperativo da segurança nacional ou relevante interesse coletivo (art. 173, caput, CF/88) e, também excepcionalmente, será possível delegar o 2 “Outrossim, erram uma vez mais os decretos leis sub examine [Dec.lei 200/67 e Dec.lei 900/69] ao configurarem as empresas públicas como constituídas para a ‘exploração de atividade econômica’. Não é exato. (...) Deveras, algumas empresas públicas efetivamente são concebidas como instrumento de atuação estatal no referido setor. Outras, entretanto, foram criadas e existem para prestação de serviços públicos, serviços qualificados, inclusive pela Constituição em vigor, como privativos de entidade estatal ou da própria União, ou para realizar obras públicas ou, ainda, para desenvolver atividades de outra tipologia, isto é, misteres eminentemente públicos.” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. . 29 ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2011. P. 194) (grifo não original) 3 “Na verdade, o direito brasileiro tem os dois tipos de empresas estatais: as que prestam serviços públicos (comerciais e industriais do estado) e as que exercem atividade econômica de natureza privada”. (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 22 ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 418). Fl. 894DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 890 11 exercício de serviço público ao particular por meio de concessão, permissão ou autorização (art. 175, CF/88). Aliás, o próprio art. 175 da Constituição Federal auxilia nessa conclusão, pois deixa claro que o Poder Público (Estado) pode explorar diretamente os serviços públicos ou transferilos a terceiros, seja por concessão, permissão ou autorização, como dispõe o art. 175, caput, CF/88: Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. (...) (grifo não original) Aplicando essas considerações ao tema da exploração de portos marítimos, temse expressa autorização na Constituição Federal para que a União explore tal atividade diretamente ou por meio de concessão, permissão ou autorização, observese: Art. 21. Compete à União: XII explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: (...) f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; (...). Importante alertar que o termo “diretamente”, constante no art. 21 e no art. 175, ambos da CF/88, não pode ser entendido como uma ordem para que a União explore os portos marítimos por meio da administração direta. Na verdade, essa exploração também ocorre quando o serviço é prestado pela administração pública indireta, como já teve a oportunidade de destacar o Min. Ayres Britto, do STF4. É possível concluir, portanto, que a APPA é um meio pelo qual o próprio Estado explora diretamente os portos marítimos, pois se trata de administração pública indireta. Todavia, também seria o caso de exploração direta pelo Estado em se tratando de empresa pública (administração pública indireta), pois ainda sim seria o Poder Público desempenhando tal função. Assim, a presente hipótese não se refere à exploração de serviço público por meio de autorização, concessão ou permissão, tendo em vista que estes pressupõem a 4 “Esse ‘diretamente’ [do art. 21, inc. XI, CF/88] não significa a União por um dos seus órgãos despersonalizados, mas, por qualquer dos seus entes juridicamente personalizados. Vale dizer, quando a Constituição diz ‘Compete à Uni”ao (...) explorar, diretamente’, quer dizer, explorar o serviço públic por meio do setor público, de uma entidade integrante do setor público. Ainda que essa entidade seja de administração indireta – porém, aí, se dá, semanticamente, isso que eu estou a dizer; é uma coisa interessante, a União, diretamente, ou seja, por qualquer dos seus órgãos ou entidades, explora a atividade, no caso, o serviço público. Não há confundir, portanto, ‘explorar diretamente’ com ‘explorar por meio da Administração Direta’. Mesmo que a exploração de dê (sic) por entidade da Administração Indireta, ainda assim ela será direta; ou seja, pelo setor público, em oposição ao setor privado. É uma particularidade interessante.” (STF. RE 253.472. Rel. MIn. Marco Aurélio. Rel. par ao acórdão Min. Joaquim Barbosa. Pleno. Excerto da manifestação do Min. Aures Britto durante os debates. Publ. 0102 2011) Fl. 895DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 12 ocorrência de licitação, nos termos do art. 175, caput, da Constituição Federal5, e do art. 2º, inc. II e IV, da Lei n. 8.987/956. Foi exatamente a verificação de que o Estado pode prestar serviço público diretamente por meio de autarquia ou empresa pública que levou o Supremo Tribunal Federal a entender que apenas quando o Estado explora a atividade econômica é que haverá de sumbeter se ao regime de Direito Privado, independentemente da forma como isso acontece (por autarquia ou empresa pública). Do contrário, é o regime de Direito Público que haverá de ser aplicado. Por exemplo, aquela Corte já decidiu que são imunes a impostos a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que é empresa pública e presta serviço público (RE 407099), e a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD), que é sociedade de economia mista prestadora de serviço público (Ação Cautelar 1.5502). O mesmo fenômeno ocorre com a INFRAERO, que é empresa pública prestadora de serviço público e goza de imunidade recíproca, consoante entendimento firmado em repercussão geral (ARE 638.315/BA) e em diversos outros precedentes7. Logo, é equivocado afirmar que as sociedades de economia mista e as empresas públicas deverão sempre ser submetidas ao regime jurídico de direito privado, como concluiu o AFRFB, pois estas podem ter sido constituídas para prestar unicamente serviço público. Adotando essa linha de raciocínio apresentada pelo STF, temse que a análise da imunidade tributária da APPA não pode ficar restrita à verificação desta ser formalmente uma autarquia ou, como pretende o AFRFB, materialmente uma empresa pública. É preciso ir além dessa constatação, sob pena de prejudicar intenção subjacente ao instituto das imunidades tributárias, o que prejudicaria o próprio interesse coletivo. É o que se fará adiante. 2. DA EXPLORAÇÃO DOS PORTOS COMO SERVIÇO PÚBLICO Como visto, é relevante definir então se a APPA é prestadora de serviço público ou se explora atividade econômica. Para tanto, é preciso definir o que pode ser serviço público. Para tanto, transcrevo algumas definições apresentadas por administrativistas de escola: Serviço público é todo aquele prestado pela Administração ou por seus delegatários, sob normas e controles estatais, para 5 Constituição Federal. Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. (...) (grifo não original) 6 Lei n. 8.987/95. Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado; (...) IV permissão de serviço público: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. (...) (grifo não original) 7 “(...) Esta Corte possui jurisprudência firmada no sentido de que a INFRAERO faz jus à imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal. Confiramse o RE 407099 / RS, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 6.8.2004, RE 598322 / RJ, Rel. Min. Celso de Mello, DJe de 22.5.2009, RE 607535 / PE, Min. Rel. Ricardo Lewandowski, DJe de 16;3;2010, RE 577511 / PE, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 22.2.2010, RE 501639 / BA, Rel. Min. Eros Grau, DJe de 1.8.2008. (...)” (STF. Repercussão Geral no RE com Agravo 638315 / BA. Voto do Rel. Min. Cezar Peluso. DJe de 30.08.2011). Fl. 896DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 891 13 satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da coletividade, ou simples conveniências do Estado. (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993. P. 289). Daí a nossa definição de serviço público como toda atividade material que a lei atribui ao Estado para que a exerça diretamente ou por meio de seus delegados, com o objetivo de satisfazer concretamente às necessidades coletivas, sob regime jurídico total ou parcialmente público. (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 22ª ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 102). Serviço público é toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral, mas fruível singularmente pelos administrados, que o estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem lhe faça as vezes, sob regime de Direito Público – portanto, consagrador de prerrogativas de supremacias e de restrições especiais, instituído em favor dos interesses definidos como públicos no sistema normativo. (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 29 ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2011. p. 687) Mais uma vez se comprova que os serviços públicos podem ser prestados diretamente pelo Estado ou por seus delegatários, daí a posição assumida pelo STF. Novamente, destaco que no caso da APPA tratase de pessoa jurídica integrante da administração pública indireta. Cabe averiguar, então, se a APPA presta serviço público. Adianto que o Poder Judiciário tem declarado como serviço público a atividade de exploração de portos marítimos. Inclusive, há precedentes especificamente em favor da APPA, observese: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). Natureza de autarquia. Execução. Regime de precatório. Precedentes. 1. É pacífico o entendimento desta Corte de que não se aplica o art. 173, § 1º, da Constituição Federal à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), uma vez que se trata de autarquia prestadora de serviço público e que recebe recursos estatais, atraindo, portanto, o regime de precatórios contido no art. 100 da Constituição Federal. 2. Agravo regimental não provido. (STF. AI 390212 AgR. Rel. min. Dias Toffoli. 1ª Turma. Public. 10102011) (grifo não original) Aliás, o precedente acima teve origem a partir de um julgado do Tribunal Superior do Trabalho, que pretendia aplicar o regime do art. 173, §1º, CF/88 à APPA, o que foi impedido pelo Pretório Excelso. Portanto, as várias decisões emanadas da Justiça do Trabalho trazidas pelo AFRFB estariam descompasso com o entendimento do pacífico STF. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 14 O teor do acórdão supratranscrito (AI 390212) é claro ao afirmar que “a atividade portuária caracterizase como serviço público”. Afirma também que a APPA é “autarquia prestadora de serviço público e que recebe recursos estatais”. Por isso não se sustenta a alegação da Fazenda de que tal entendimento teria aplicação exclusiva para o regime dos precatórios, até porque a intenção do Supremo é claramente afastar a aplicação do art. 173, §1º, CF/88, e não apenas definir o regime de execução e pagamento de dívidas da autarquia. Há ainda outros precedentes direcionados em face da APPA, aos quais faço menção a título de conhecimento, mas cuja apreciação é indispensável para que se tenha a certeza de que é efetivamente a APPA uma prestadora de serviço público (RE 356.711)8. Em outras ocasiões, o mesmo entendimento foi defendido em face de outros recorrentes (RE 1728169, RE 25339410). No mesmo sentido do Supremo Tribunal Federal estão o constitucionalista José Afonso da Silva11 e Celso Antônio Bandeira de Mello12, que também considerão a exploração de portos marítimos como serviço público. Vale mais uma vez recordar que a Constituição Federal incluiu tal atividade no rol das competências exclusivas da União (art. 21). Perguntase: poderia ser diferente? Poderia a exploração portuária não ser um serviço público? Sim, poderia. No entanto, esta não foi a opção do constituinte de 1988. Aliás, esta é uma questão de opção, como conclui Dinorá Grotti, citada por Celso Antônio Bandeira de Mello, observese: Dinorá Grotti, em sua notável monografica sobre serviço público – obra de indispensável consulta – averba, com incensurável exatidão: “Cada povo diz o que é serviço público em seu sistema jurídico. A qualificação de uma dada atividade como serviço público remete ao plano da concepção do Estado sobre seu papel. É o plano da escolha política , que pode estar fixada na Constituição do país, na lei, na jurisprudência e nos 8 Na apreciação do RE 356711, o Min. Gilmar Mendes transcreve diversas jurisprudências para esclarecer que o Estado somente se submete ao regime de direito privado quando atuar como “agente empresarial, explorando diretamente, atividade econômica em concorrência com a iniciativa privada”. O julgado restou assim ementado: EMENTA: Recurso Extraordinário. 2. APPA. Natureza Autárquica. 3. Execução por precatório. 4. Art. 173. Inaplicabilidade. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF. RE 356711. Rel. Min. Gilmar Mendes. DJ 07042006). 9 (...) 4. Competindo a União, e só a ela, explorar diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os portos marítimos, fluviais e lacustres, art. 21, XII, f, da CF, está caracterizada a natureza pública do serviço de docas. (...) (STF. RE 172.816. Rel. Min. Paulo Brossard. Pleno. DJ 13051994). (grifo não original) 10 EMENTA: TRIBUTÁRIO. IPTU. IMÓVEIS QUE COMPÕEM O ACERVO PATRIMONIAL DO PORTO DE SANTOS, INTEGRANTES DO DOMÍNIO DA UNIÃO. Impossibilidade de tributação pela Municipalidade, independentemente de encontraremse tais bens ocupados pela empresa delegatária dos serviços portuários, em face da imunidade prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal. Dispositivo, todavia, restrito aos impostos, não se estendendo às taxas. Recurso parcialmente provido. (RE 253394. Rel. Min. Ilmar Galvão. DJ 11042003) (grifo não original) 11 “Além da exploração e execução de serviços públicos decorrentes de sua natureza de entidade estatal, a Constituição conferiu à União, em caráter exclusivo, a competência para explorar determinados serviços que reputou públicos, tais como: (...) (c)explorar, igualmente mediante autorização, concessão ou permissãi: (...) (c.6)os portos marítimos, fluviais e lacustres; (...)”.Silva, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 17ª ed. ver. E atual. São Paulo: Malheiros, 2000. p. 497198.) 12 “A carta Magna do país já indica, expressamente, alguns serviços antecipadamente propostos como da alçada do Poder Público federal. Serão, pois, obrigatoriamente serviços públicos (obviamente quando volvidos à satisfação da coletividade em geral) os arrolados como de competência das entidades públicas. No que concerne à esfera federal, é o que se passa com (...) [a] exploração de portos marítimos, fluviais e lacustres (art. 21, XII, letras “a” a “f”) (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 29 ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2011. p. 702703) Fl. 898DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 892 15 costumes vigentes em um dado tempo histórico”. (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 29 ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2011. p. 687) (grifo não original) Justamente isto que aconteceu. O poder constituinte, autônomo e ilimitado que é, entendeu adequado tratar a exploração dos portos marítimos como serviço público. O fato de o serviço ser delegável, inclusive para particulares, não altera essa opção. Com certeza existe subjacente à opção constitucional diversas razões para que a exploração dos portos marítimos fosse tratada como serviço público e continuasse incluída sobre a tutela exclusiva da União, de modo que ao Estado (Poder Público) coubesse o mais completo controle. Qualquer nação que pretende ser soberana em seu território precisa ter o controle das vias de entrada e saída de seu território, o que inclui os portos marítimos. Além disso, esta via é também uma importante rota de mercadorias e fonte de divisas. Não só por isso, logicamente, mas é um forte indício da relevância de tal atividade. De todo modo, não cabe aqui questionar as opções do poder constituinte. Dito isto, não se pode negar que a exploração de portos marítimos é realmente um serviço público. Equivocase o AFRFB ao afirmar que o termo “exploração comercial e industrial” constante no art. 2º do Regulamento da APPA (Dec. Estadual 7.447/90) indicaria que a APPA explorasse atividade econômica. A própria CF/88 utiliza a expressão “explorar (...) os portos marítimos” no art. 21, inc. XII. É igualmente irrelevante a determinação do Dec. n. 6.620/08, que em seu art. 7º, inc. IX, estabelece que é diretriz do setor portuário a estímulo à participação da iniciativa privada. Tal determinação não possui o condão de alterar a natureza jurídica da APPA, que representa o próprio Estado explorando os portos de Antonina e Paranaguá. Ademais, em diversas passagens do mesmo Dec. n. 6.620/08 existem menções que contrapõem o argumento da Fazenda. O art. 1º menciona que a exploração portuária pode ser direta ou indiretamente realizada pela União. O art. 7º, inc. I, diz que a atividade deve atender ao interesse público. Portanto, o argumento do AFRFB é demasiado singelo para surtir efeitos na seara das imunidades. A averiguação da letra da lei (lato senso) não induz a qualquer esclarecimento da realidade da APPA. É preciso que o jurista se debruce sobre os fatos e, a partir destes, construa a norma jurídica concreta e individual que regerá a relação entre o Estado e o contribuinte. Retomando a linha de raciocínio, temse que a exploração portuária é, portanto, serviço público, seja o Estado o agente explorador, seja a iniciativa privada13. Nesse 13 “(...) A CODESP, que é sociedade de economia mista, executa, como atividadefim, em regime de monopólio, serviços de administração de porto marítimo constitucionalmente outorgados à União Federal, qualificandose, em razão de sua específica destinação institucional, como entidade delegatária dos serviços públicos a que se refere o art. 21, inciso XII, alínea “f”, da Lei Fundamental, o que exclui essa empresa governamental, em matéria de impostos, por efeito da imunidade tributária recíproca (CF, art. 150, VI, “a”), do poder de tributar dos entes políticos em geral, inclusive o dos Municípios.” (...) (STF. RE 265749 EDED. Rel. Min. Celso de Mello. 2ª Turma. Public. 22082011). (grifo não original). Fl. 899DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 16 porém, concordo com Carvalho Filho quando este afirma que ainda que o serviço público seja delegado, o que se transfere é apenas a execução, e não a titularidade, que permanece sempre sob a batuta estatal observese: (...) Resulta, por conseguinte, que o álveo da descentralização é tãosomente a transferência da execução do serviço (delegação), e nunca a de sua titularidade. O que muda é apenas o instrumento em que se dá a delegação: numa hipótese, o instrumento é a lei (que, além de delegar o serviço, cria a entidade que vai executálo), enquanto na outra é um contrato (concessões ou permissões de serviços públicos para pessoas já existente). Mas em ambos os casos o fato administrativo é, sem dúvida, a delegação. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo, 22 ed., rev., ampl. e atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. p. 329330). Por evidente que o simples fato de um serviço público ter sido delegado não altera sua natureza jurídica de serviço público. Mais uma vez, reafirmo que no presente caso é o Estado quem explora tal atividade diretamente, razão pela qual perde força mais uma vez as argumentações do AFRFB. Pelo que se nota da doutrina reproduzida no auto de infração, buscase demonstrar uma incompatibilidade das atividades comerciais e industriais com a prestação de serviços públicos. No entanto, considero essa posição ultrapassada. A doutrina administrativa moderna reconhece que os serviços públicos podem ter por objeto serviços administrativos, comercial ou industrial e também social, como esclarece Di Pietro, no que é acompanhada por Celso Antônio Bandeira de Melo14: Serviço público comercial ou industrial é aquele que a Administração Pública executa, direta ou indiretamente, para atender às necessidades coletivas de ordem econômica. Ao contrário do que diz Hely Lopes Meirelles (2003:321), entendemos que esses serviços não se confunde com aqueles a que faz referência o artigo 173 da Constituição, ou seja, não se confundem com a atividade econômica que só pode ser prestada pelo Estado em caráter suplementar da iniciativa privada. O Estado pode executar três tipos de atividade econômica: (...) c) e uma terceira que é assumida pelo Estado como serviço público e que passa a ser incumbência do Poder Público; a este não se aplica o artigo 173, mas o artigo 175 da Constituição, que determina a sua execução direta pelo Estado ou indireta, por meio de concessão ou permissão; é o caso dos serviços previstos nos artigos 21, XI e XII, e 25, §2º, da Constituição, alterados, respectivamente, pelas Emendas Constitucionais 8 e 5, de 1995; E ainda: “(...) 1. No julgamento do RE n. 253.472, Redator para o acórdão o Ministro Joaquim Barbosa, DJe de 01.02.11, o Plenário do STF reconheceu, por efeito da imunidade tributária recíproca (art. 150, VI, “a”, da CF), a inexigibilidade, por parte do Município tributante, do IPTU referente às atividades executadas pela CODESP – entidade delegatária de serviços públicos a que se refere o art. 21, XII, “f”, da CF , na prestação dos serviços públicos de administração de porto marítimo e daquelas necessárias à realização dessa atividadefim. (Precedentes: RE n. 253.394, Relator o Ministro Ilmar Galvão, 1ª Turma, DJ de 11.4.03; AI n. 458.856, Relator o Ministro Eros Grau, 1ª Turma, DJ de 20.4.07; RE n. 265.749EdEd, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 22.08.11; AI n. 738.332AgR, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, 1ª Turma, DJe de 26.11.10, entre outros)”. (...) (STF. RE 462704 AgR. Rel. Min. Luiz Fux. 1ª Turma. Public. 01022013) (grifo não original). 14 Vide BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 29 ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2011. p. 702 e ss. Parte IV – As Atividades Administrativas. Capítulo XI Serviço Público e Obra Pública. Item IV. Serviços públicos por determinação constitucional. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 893 17 esta categoria corresponde aos serviços públicos comerciais e industriais pelo Estado. (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 22 ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 110) (grifo não original). Portanto, já se apresentam robusto conjunto argumentativo confirmando a atividade portuária como serviço público. Esta constatação milita a favor da APPA e em desfavor do Fisco. Ao contrário do que consta nas contrarrazões do recurso voluntário, não é a APPA quem deve provar sua natureza de autarquia, mas sim o Fisco quem deve afastar essa qualificação. Não podemos inverter o ônus da prova. A conclusão deve ser que, em princípio, que a APPA não é exploradora de atividade econômica. A regra excludente da imunidade constante do art. 150, §3º, e do art. 173, §2º, ambos da CF/88, não há de ser aplicada da forma como pretende o AFRFB, por meio de simples análise de leis, decretos ou jurisprudências alheias à realidade da APPA. No entanto, outras questões precisam ser analisadas. O que será feito adiante, para melhor desenvolvimento do raciocínio. 3. DA CONSTITUIÇÃO DA APPA E DE SUAS PARTICULARIDADES Tendo ficado claro que tanto as empresas públicas quanto as autarquias podem prestar serviço público, bem como que a atividade de exploração de portos é um serviço público e não uma atividade econômica, cumpre passar à análise das particularidades da APPA. Pelo que se tem notícias, a União teria delegado ao Estado do Paraná a administração do Porto de Paranaguá e do Porto de Antonina por volta do ano 1917. Várias foram as legislações que regeram cada um dos portos até que a Lei Estadual n. 6.249/71 integrou a administração de cada porto na figura da APPA. Ou seja, criouse uma única entidade autárquica (fl. 201). A Lei Estadual n. 8.485/87, que tratou da reorganização da estrutura básica do Poder Executivo no Sistema de Adminsitração Pública do Estado do Paraná, em seu art. 112, inc. XII, alínea “a”, confirma que a APPA, é “entidade da administração indireta” vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes (fls. 198). Tem suas despesas reguladas pela Lei n. 4.320/64, estando inclusive incluída na Lei Orçamentária Anual de para 2013 (Lei Estadual 17.398/2012). Logo, submetese ao controle do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (art. 74 e art. 75, inc. II, da Constituição do Estado do Paraná15). 15 Constituição do Estado do Paraná. Art. 74. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Estado e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pela Assembléia Legislativa, mediante controle externo e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física, jurídica, ou entidade pública que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou pelos quais o Estado responda, ou que, em nome deste, assuma obrigações de natureza pecuniária. Art. 75. O controle externo, a cargo da Assembléia Legislativa, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado, ao qual compete: (...) II ‐ julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e Fl. 901DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 18 O Decreto Estadual n. 7.447/90 aprovou o Regulamento da APPA, cujos artigos pertinentes para o presente processo seguem adiante transcritos (fls. 203 e ss.): Art. 1º. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, com sede e foro na cidade de Paranaguá/PR, é uma autarquia estadual vinculada à Secretaria do Estado dos Transportes, sujeita à política nacional de portos do Ministério da Infra estrutura, através do Departamento Nacional de Transportes AquaviáriosDNTA, dotada de personalidade jurídica de direito público, com autonomia administrativa, técnica e financeira, conforme o que preceitua a Lei n. 8.249, de 10 de novembro de 1971. (...) Art. 2º. A APPA tem por objeto a exploração comercial e industrial dos Portos de Paranaguá e Antonina. Vale recordar o que foi dito anteriormente, no sentido de que o termo “exploração comercial e industrial” utilizado pelo art. 2º supramencionado se adequa à CF/88, que também utiliza a expressão “explorar”. No mesmo sentido está o entendimento da doutrina administrativa moderna, que classifica os serviços públicos também em comerciais e industriais. O mesmo Decreto Estadual n. 7.447/90 (Regulamento da APPA) ainda determina que a APPA deve submeterse à licitação (art. 29, inv. V). Ratificando a delegação de exploração dos Portos de Paranaguá e Antonina, foi celebrado o Convênio de Delegação n. 037/2001 entre a União (Ministério dos Transportes) e o Estado do Paraná (fls. 233), cujo objeto está descrito na cláusula primeira, observese: Cláusula Primeira Do Objeto O presente instrumento tem por objeto a delegação, da UNIÃO, por intermédio do MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, para o ESTADO DO PARANÁ, da administração e exploração dos portos de Paranaguá e Antonina, nos termos da Lei n. 9.277, de 10 de maio de 1.996, regulamentada pelo Decreto n. 2.184, de 24 de março de 1.997, com as alterações constantes do Decreto n. 2.247, de 06 de junho de 1.997, observadas as disposições da Lei n. 8.630, de 25 de fevereiro de 1.993, e demais legislação aplicável à espécie. (sic). O Convênio de Delegação n. 037/2001 ainda dispõe sobre alguns assuntos de interesse das partes contratanes: CLÁUSULA TERCEIRA (...) Parágrafo único – será receita portuária, a ser administrada pela APPA, toda remuneração proveniente do uso da infra estrutura aquavirária e terrestre, arrendamento de áreas e instalações, armazenagem, contratos operacionais, aluguéis e projetos associados, a qual deverá ser aplicada exclusivamente para o custeio das atividades delegadas, manutenção das instalações e investimento nos Portos. mantidas pelo Poder Público estadual, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; (...). Fl. 902DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 894 19 CLÁUSULA QUARTA (...) 3. Constituiem obrigações da APPA, na qualidade de Interveniente Executora do DELEGATÁRIO, sem prejuízo das demais condições e termos ajustados neste instrumento: (...) VII – receber, conservar e zelar pela integridade dos bens patrimoniais dos portos de Paranaguá e Antonina, pertencentes à União Federal, incluindo a sua infraestrutura de proteção e acesso, mantendoos em perfeita condição de conservação e fiuncionamento até a sua devolução ao DELEGANTE; (...). XXVI – apresentar relatório anual ao DELEGANTE, contendo Balanço Patrimonial e Demonstrações Financeiras, que servirão de base para as Tomadas de Contas Especiais.(...) CLÁUSULA SÉTIMA PRESTAÇÃO DE CONTAS A APPA fará sua prestação de contas anual diretamente ao Tribunal de Contas do Estado, consoante as normas jurídicas vigentes, encaminhando cópia da referida prestação de contas ao DELEGANTE. (...) CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA DAS DISPOSIÇÕES GERAIS (...) II – A Autoridade Portuária exercida pela APPA permanecerá sendo função pública não passível de privatização. Vêse então que a receita da APPA tem aplicação exclusiva nas atividades portuárias, sem qualquer finalidade de aumentar o patrimônio do Estado do Paraná. No que toca à Cláusula Terceira, que determina que a APPA deveria ter deixado de exercer diretamente os serviços de carga e descarga e movimentação de mercadorias em 6 (seis) meses da vigência do Convênio, entendo que esta situação deve implicar consequências entre o Delegante e o Delegado, e não na seara tributária. Repito, o serviço de exploração de portos marítimos não deixa de ser público por conta do descumprimento de uma regra decorrente das condições estabelecidas entre as partes do convênio de delegação. No que toca à Cláusula Quarta, item 3, inciso XII, que menciona que a APPA deve recolher aos cofres todos os tributos incidentes, tal determinação não pode ser lida como uma autorização para tributar as atividades da APPA. Na verdade, a leitura adequada é que “se vier a incidir algum tributo” a responsabilidade será da APPA, e não da União. No entanto, a imunidade da APPA impede a incidência de impostos. No que diz respeito ao regime de contratação de seus funcionários por meio da CLT, entendo que esta constatação não prejudica a imunidade tributária. Em tempo, é “servidor público estatutário” aquele cujo vínculo de trabalho com o Estado é regido por “estatuto”. De outro lado, será “servidor público celetista” aquele que estiver submetido ao regime da CLT. Evidentemente, submeterse ao regime trabalhista previsto na CLT é mais oneroso para o empregador. Basta observar que a própria Constituição Federal não confere aos Fl. 903DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 20 servidores estatutários todos os direitos previstos para as relações de trabalho regidas pela CLT (Art. 39, §2º, CF/88). Novamente, para guardar coerência com a premissa admitida anteriormente, no sentido de que a forma de constituição da pessoa jurídica (autarquia ou empresa pública) não é bastante para prejudicar a imunidade tributária em questão, é preciso concluir que também o regime de contratação de servidores não produz tal efeito. O que se tem na Constituição Federal é a determinação para que o Estado contrate sempre por meio da CLT quando explorador atividade econômica (art. 173, §1º, inc. II, CF/88). Fosse diferente, haveria induvidosa quebra do princípio da livreconcorrência. Todavia, quando se tratar de exploração de serviço público pelo Estado, esta consequência não terá lugar. Na presente situação, o art. 48 e 50 do regulamento aprovado pelo Dec. Estadual n. 7.447/90 dispõe o seguinte: Art. 48. São servidores portuários para os efeitos deste Decreto, todos os que mantém elação de emprego com a APPA, quer sob o regime estatutário estadual, quer sob a Consolidação das leis do Trabalho – CLT. (sic) (...) Art. 50. O Quadro de Pessoal compreenderão: I – o Quadro de Pessoa Permanente, inclusive Marítimo, de acordo com as normas do Plano único de Cargos e Salários – PUCS, do Sistema Portuário Nacional, sob regime da CLT, conforme planos anexos; II – Quadro de Pessoa Suplementar, sob regime do Estatuto dos Funcionários Civis do Estado (...) Portanto, tratase de uma afirmação inconsistente que a APPA contrata seus colaboradores unicamente pelo regime celetista, uma vez que o regulamento interno comprova que existe expressa previsão autorizando a contratação pelo regime estatutário. E de fato existem pessoas regidas pelo regime estatutário, pois no site do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná se encontram decisões sobre relações dessa natureza (v. Acórdão 1532314). No que concerne à afirmação do AFRFB de a APPA ser uma das maiores contribuintes do ISS, imposto municipal, não há nos autos qualquer comprovação de tal alegação. Tomei o cuidado de buscar no site do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) eventuais execuções de tal tributo. No entanto, encontramse julgados em sentido absolutamente diverso, observese: APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA APPA. ENTIDADE AUTÁRQUICA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À COISA JULGADA E A ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PRETENSÃO DO MUNICÍPIO DE PARANAGUÁ DE COBRAR ISS SOBRE AS TARIFAS DENOMINADAS INFRAMAR, INFRAPORT E INFRACAIS. IMPOSSIBILIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. IMUNIDADE. VERBAS NÃO OPERACIONAIS E REVERTIDAS EM PROL DO APRIMORAMENTO E Fl. 904DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 895 21 MANUTENÇÃO DA ESTRUTURA PORTUÁRIA, ATIVIDADE PRECÍPUA DA AUTARQUIA QUE, IN CASU, PRESTA SERVIÇO PÚBLICO. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. SENTENÇA MANTIDA EM REEXAME NECESSÁRIO. Tratandose das tarifas denominadas INFRAMAR, INFRAPORT e INFRACAIS, que se prestam ao custeio do aprimoramento e manutenção da estrutura portuária, atividade precípua da autarquia e constituindose a exploração dos portos marítimos serviço público por determinação constitucional, não há como afastar a imunidade recíproca tratada pelo art. 150, VI, alínea 'a' e § 2º da Carta Magna, em relação a elas. Ditas tarifas não se incluem entre aquelas típicas da atividade privada. (TJPR 2ª C.Cível ACR 6403787 Paranaguá Rel.: Cunha Ribas Unânime J. 09.08.2011) (grifo não original) Também é possível encontrar no site do TJPR acórdãos extinguindo execuções fiscais de IPTU, tributo igualmente municipal, quando movidas em face da APPA, como é o caso do seguinte, transcrito em sua parte pertinente: (...) “a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina APPA, tem natureza jurídica de autarquia estadual e se encontra imune da tributação do IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano sobre os imóveis que ocupa” (TAPR Setima C.Cível (extinto TA) ACR 2189799 Paranaguá Rel.: Lauro Laertes de Oliveira Unânime J. 12.02.2003). No mesmo sentido estão os acórdãos n. 2082619 e n. 2038917, bem como as apelações cíveis n. 782.9974, n. 350.6809, o reexame necessário n. 379.1111, todos do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. No que se refere às aplicações financeiras, cumpre recordar que o Supremo Tribunal Federal afirma que a imunidade recíproca prevista no art. 150, inc. IV, alínea “a”, da CF/88, se estende sobre à renda advinda de operações financeiras, razão pela qual fica afastado o IOF. Nesse sentido, inúmeros julgados: EMENTA: Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Imunidade recíproca tributária. Município. Art. 150, VI, "a", da CF. IOF. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF. AI 436156 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 29/11/2005, DJ 03022006 PP00036 EMENT VOL0221909 PP01706) IMPOSTO IMUNIDADE RECIPROCA Imposto sobre Operações Financeiras. A norma da alínea "a" do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal obstaculiza a incidência recíproca de impostos, considerada a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Descabe introduzir no preceito, a mercê de interpretação, exceção não contemplada, distinguindo os ganhos resultantes de operações financeiras. (STF. AI 172890 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Fl. 905DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 22 SEGUNDA TURMA, julgado em 05/03/1996, DJ 19041996 PP12226 EMENT VOL0182406 PP01222) Nesse caminhar, se as aplicações financeiras são imunes ao IOF, é porque o simples fato de possuir aplicações financeiras não prejudica a imunidade tributária. Noutras palavras, se as aplicações financeiras tivessem o condão de afastar a imunidade tributária, como pretende a Fazenda Nacional, o STF certamente entenderia que seria o caso de incidência do IOF. Possui idêntica opinião o jurista Leandro Paulsen, para quem “já se consolidou o entendimento no sentido de que as aplicações financeiras não configuram desvio de finalidade”16. Cita o autor o AMS 200004010689187 do TRF4, o AMS 1999.04.01.104933 5/RS do TRF4 entre outros precedentes. Nesse passo, não prospera os apontamentos da Fazenda Nacional em suas contrarrazões. No que toca à remuneração da APPA por tarifa, o Decreto Estadual n. 7.447/90 aprovou o Regulamento da APPA, dispõe o seguinte sobre as receitas da autarquia: Art. 4º. Compete à APPA: I – realizar as obras a serviços com pessoal próprio e/ou contratado para a sua conservação, a sua ampliação e o seu reaparelhamento; II – arrecadar a Receita, de acordo com as tarifas vigentes; III Dimensionar e propor, qualitativa e quantitativamente o Quadro de Pessoa para os portos de Paranaguá e Antonina; IV Aplicar, no que couber, as leis portuárias aduaneiras e de polícia em vigor. Art. 5º. A receita da APPA será constituída de: I – o produto de arrecadação das taxas portuárias e das importâncias devidas por serviços convencionais e outros prestados pela APPA; II – as dotações que forem consignadas pela União ou pelo Estado do Paraná, através de créditos orçamentários; III – o produto das multas e juro a qualquer título; IV – reversão de quaisquer importância; V – receita patrimonial; VI – receitas eventuais; Portanto, existem tarifas e taxas exigíveis em razão da prestação do serviço público em questão. Aliás, o Dec. 6.620/08 permite que a União explore diretamente a atividade portuária ou indiretamente e, mesmo assim, afirma no art. 4º que a remuneração será 16 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado; ESMAFE, 2005, p. 284. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 896 23 por meio de tarifas17. Ou seja, se a própria União pode cobrar tarifas e ser beneficiária da imunidade, o mesmo haveria de ser transferido, por óbvio, à APPA. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal tem jurisprudência pacífica no sentido de que a retribuição do serviço público por tarifa não afasta a imunidade, observese: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE RECÍPROCA. ABRANGÊNCIA. AUTARQUIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO ESSENCIAL E EXCLUSIVO DO ESTADO. FORNECIMENTO DE ÁGUA. ATIVIDADE REMUNERADA POR TARIFA. POSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I – A imunidade do art. 150, VI, a, da CF alcança as autarquias e empresas públicas que prestem inequívoco serviço público. A cobrança de tarifas, isoladamente considerada, não descaracteriza a regra imunizante. Precedentes. II – Agravo regimental improvido. (STF. RE 482814 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 29/11/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe236 DIVULG 13 122011 PUBLIC 14122011) EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Imunidade recíproca. Autarquia municipal que presta serviços remunerados por tarifa. Inafastabilidade do beneplácito constitucional em virtude da contraprestação auferida. (...) 3. De acordo com a jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal, a cobrança de tarifas, isoladamente considerada, não descaracteriza a regra imunizante. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido. (STF. RE 598912 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 05/02/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe054 DIVULG 20032013 PUBLIC 21032013) Por fim, destaco que a atuação da APPA, com o gozo de imunidades, não coloca em risco o princípio da livreconcorrência. Não há em sua área de atuação qualquer perigo de quebra da isonomia entre exercentes da exploração de portos marítimos, até porque esta é um serviço público, e não uma atividade econômica, conforme afirmado e reafirmado pela jurisprudência do STJ e do TJPR. Outrossim, a APPA representa o próprio Poder Público, não havendo indicação de que a atividade da pessoa jurídica satisfaça primordialmente interesse de acúmulo patrimonial. No que tange à eventuais arrendamentos situados dentro dos domínios da APPA, devese recordar o teor da súmula 724 do STF, que dispões que “ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas 17 Art. 4o A exploração do porto organizado será remunerada por meio de tarifas portuárias, que devem ser isonômicas para todos os usuários de um mesmo segmento, bem como por receitas patrimoniais ou decorrentes de atividades acessórias ou complementares. Parágrafo único. As tarifas praticadas, inclusive dos serviços de natureza operacional e dos serviços denominados acessórios, deverão ser de conhecimento público e de fácil acesso. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 24 pelo art. 150, VI, "c", da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. Assim, nada nos autos demonstra que a APPA teria dado destinação diversa aos valores que recebe em razão dessas atividades. 4. DO PIS, DA COFINS E DA CSLL Como visto, a APPA submetese ao regime de Direito Público, prestando constas ao Estado do Paraná e ao respectivo Tribunal de Contas. Sua atividade é de serviço público (jurisprudência pacífica do STF e TJPR), não havendo nada que demonstre a intenção de acúmulo patrimonial em razão da exploração de portos marítimos. Assim, não há que se concluir que a APPA obtém lucro que possa ser tributado pela Contribuição Sobre o Lucro Líquido, pois isto é incompatível com a sua natureza jurídica. No que cinge ao PIS e à COFINS, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já teve a oportunidade de decidir que estas contribuições não incidem sobre a APPA, nos termos do acórdão assim ementado: Processo n. 10907.000134/200755 Recurso n. 163.594 – Especial do Procurador Acórdão 9101000.909 – 1ª Turma Sessão de 28 de março de 2011 Matéria PIS e COFINS Recorrente – Fazenda Nacional Interessado – Administração dos Portos de Paranaguá e Antonia APPA AUTARQUIA ESTADUAL. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADES PORTUÁRIAS – SERVIÇO PÚBLICO ESSENCIAL. Autarquia que exerça, por delegação, exploração de serviços públicos de cunho econômico, sem finalidade lucrativa, não se equipara a empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, não sendo, portanto, sujeito passivo das contribuições sociais instituídas com base no art. 195, I, “b” ou “c” da Constituição Federal. O entendimento, data venia, merece ajustes. Isto porque, restando afastada a natureza material de empresa pública, fica reestabelecida a APPA como autarquia, pessoa jurídica de direito público. É preciso verificar, então se o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre autarquias como pessoas jurídicas de direito público. Quanto à COFINS, não é exigível o tributo, por não haver preenchimento do critério pessoal da respectiva regramatriz de incidência, uma vez eu o art. 2º da Lei 9.718/9818 apenas descreve como contribuinte as pessoas jurídicas de direito privado. 18 Lei n. 9.718/98. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 897 25 Ocorre que, especificamente quanto ao PIS, a Lei n. 9.715/98 dispõe que as pessoas jurídicas de direito público são sujeitos passivos do PIS/PASEP, no mesmo sentido em que dispõe o Dec. 4.524/02, art. 67, como se percebe dos seguintes dispositivos: Lei n. 9.715/98. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. § 2º Excluemse do disposto no inciso II deste artigo os valores correspondentes à folha de pagamento das instituições ali referidas, custeadas com recursos originários dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. § 3º Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: I zero vírgula sessenta e cinco por cento sobre o faturamento; II um por cento sobre a folha de salários; III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Art. 14. O disposto no inciso III do art. 8º aplicase às autarquias somente a partir de 1o de março de 1996. (grifo não original) Dec. n. 4.524/02. LIVRO II PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO Fl. 909DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 26 TÍTULO I CONTRIBUINTES E RESPONSÁVEIS CAPÍTULO I CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE RECEITAS E TRANSFERÊNCIAS Seção I Contribuintes Art. 67. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III). Parágrafo único. A contribuição é obrigatória e independe de ato de adesão ao Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio de Servidor Público. Seção II Responsáveis Art. 68. A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção do PIS/Pasep incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as pessoas jurídicas de direito público interno, excetuada a hipótese de transferências para as fundações públicas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, § 6º, com a redação dada pela Medida Provisória nº2.15835, de 2001, art. 19, e Lei Complementar nº 8, de 1970, art. 2º, parágrafo único). Parágrafo único. Não incidirá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. CAPÍTULO II CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS Art. 69. As fundações públicas contribuem para o PIS/Pasep com base na folha de salários (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, inciso VIII). TÍTULO II BASE DE CÁLCULO CAPÍTULO I CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE RECEITAS E TRANSFERÊNCIAS Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas Fl. 910DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10980.725637/201131 Acórdão n.º 1302001.111 S1C3T2 Fl. 898 27 arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. Art. 71. O Banco Central do Brasil deve apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base no total das receitas correntes arrecadadas e consideradas como fonte para atender às suas dotações constantes do Orçamento Fiscal da União (Lei nº 9.715, de 1998, art. 15). CAPÍTULO II CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS Art. 72. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, na forma do art. 69, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada (Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 41). TÍTULO III ALÍQUOTA Art. 73. A alíquota do PIS/Pasep é de 1% (um por cento), quando aplicável sobre a folha de salários e sobre as receitas arrecadadas e as transferências recebidas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.13 e Lei nº 9.715, de 1998, art. 8º, inciso III). (grifo não original) Neste sentido, já houve solução de consulta emanada pela Receita Federal do Brasil declarando a incidência de PIS/PASEP sobre pessoas jurídicas de direito público. Dessa forma, o PIS/PASEP incide sobre os seguintes valores relacionados à autarquia: (i) receitas correntes19; (ii) transferências correntes20 e de capital recebidas21; (iii) 19 Lei n. 4.320/64. Art. 11. (...) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) 20 Lei n. 4.320/64. Art. 12. (...) § 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. 21 Lei n. 4.320/64. Art. 12. (...). § 6º São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as dotações para amortização da dívida pública. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 28 folha de salários. A APPA seria contribuinte apenas da primeira e terceira situação, uma vez que na segunda hipótese é o Tesouro Nacional o responsável pela retenção e repasse do tributo (Dec. n. 4.524/02, art. 70). Tanto é a APPA contribuinte do PIS/PASEP, que esta tem recolhido a contribuição sobre a “folha de salários”, consoante comprovam os documentos juntados às fls. 743 e ss. Contudo, não houve comprovação de pagamento do PIS sobre receitas correntes, fato que tornaria o tributo devido. No entanto, o AFRFB apurou o PIS com base nas disposições pertinentes às pessoas jurídicas de direito privado, sobretudo porque considerou a APPA como uma empresa pública, e não como uma autarquia, que é pessoa jurídica de direito privado, observese (fls. 626). Dessa forma, entendo que o PIS/PASEP, ainda que devido pela APPA sobre as receitas correntes, acabou por ser constituído pelo AFRFB como se a APPA fosse uma pessoa jurídica de direito privado (lucro arbitrado). Ou seja, não houve a observância da legislação adequada, qual seja, a aplicável às pessoas jurídicas de direito público, razão pela qual entendo pela exoneração desses valores. 5. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário para exonerar integralmente o crédito tributário constituído pelo AFRFB, e, conseqüentemente, conhecer e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos da argumentação acima declinada. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO – Relator. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10875.004251/2004-60
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE REVISÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC -
Constatado que a contribuinte refez o revisou o cálculo da destinação da parcela do IRPJ a incentivos regionais, efetuando recolhimento do IRPJ faltante, deve-se cancelar Auto de Infração.
Numero da decisão: 1202-001.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto r Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE REVISÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC - Constatado que a contribuinte refez o revisou o cálculo da destinação da parcela do IRPJ a incentivos regionais, efetuando recolhimento do IRPJ faltante, deve-se cancelar Auto de Infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto r Orlando José Gonçalves Bueno
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto r Orlando José Gonçalves Bueno Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 42 51 /2 00 4- 60 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 2 Tratamse os Autos de exigência relativa a recolhimento indevido a título de incentivos fiscais, com opção para investimento em incentivos regionais FINOR, com a dedução do valor investido do IRPJ devido, no montante de R$ 5.864.632,02 (fl.26/27), tendo como fundamento legal o artigo 601, §7º, do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/99 RIR/99, consoante descrito no Termo de Verificação Fiscal (fl. 23). No lançamento foi acrescidos juros de mora (calculados até 30.11.04) com base em taxa SELIC e multa de ofício no patamar de 75%. A contribuinte foi cientificada pessoalmente em 23.12.04, apresentando sua Impugnação em 21.01.05. Aponta que, equivocadamente, o Auditor Fiscal considerou todo o valor destinado ao FINOR referente ao anocalendário de 1999 (R$ 2.270.561,01), quando deveria ter glosado apenas o valor excedente. Menciona a existência de PERC pendente de julgamento (nº 13894.002075/200220, fl. 63). Reconhece a contribuinte ter adotado base de cálculo equivocada para o cálculo do montante a ser destinado ao incentivo, pelo que acolhe a base apurada pela Secretaria da Receita Federal, no valor de R$ 12.195.027,35. Diz que sobre esta base, faz jus à destinação de incentivos fiscais no importe de 18%, correspondente a R$ 2.195.105,03. Assim, do aludido montante destinado ao FINOR (R$ 2.270.561,01) , caberia somente o lançamento de R$ 75.455,98 a título de IRPJ, referente à diferença entre este valor e o valor correto (R$ 2.270.561,01 e R$ 2.195.105,03). Traz comprovação do recolhimento do valor de R$ 75.455,98, com os acréscimos legais, na oportunidade em que apresenta a Impugnação (fl. 62). Prossegue, indicando que não teve ciência do despacho proferido no procedimento de Auditoria de Revisão de Declaração do IRPJ, deduz que referida medida deva ter se iniciado por ausência de recolhimento de FGTS (indicado como não atendido no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais), uma das condições para destinação de valores para incentivos fiscais. Indica que tal alegação não pode subsistir, assinalando que, por ocasião da apresentação de sua documentação, no protocolo do PERC já mencionado e pendente de julgamento, entregou também a Certidão de Regularidade do FGTS. A contribuinte ressalta que, após a ciência do Auto de Infração lavrado neste processo, procedeu à verificação do IRPJ recolhido no anocalendário de 1999, onde constatou que deixou de recolher a importância principal no valor de R$ 5.774,31, recolhendo, nesta ocasião, referido montante, de modo a regularizar sua situação perante à SRF. Aponta a juntada de toda a documentação referente ao período, com o correto recolhimento do IRPJ e confirmando fazer jus ao benefício pleiteado. Assim, reconhecendo parte da autuação e recolhendo o montante a ela correspondente, requer o cancelamento do Auto de Infração, pelo cumprimento da exigência neles exposta. Atendendo ao pedido de diligência (fl. 124/125), após pesquisa no sistema COMPROT (fl. 123) de que o processo do PERC encontravase no SEORT da DRF/Guarulhos. Considerando prejudicada a apreciação do litígio, visto que parte das razões de defesa estava deduzida em referido processo, o presente feito foi encaminhado àquela unidade para juntada de cópia da decisão produzida no bojo do PERC. Em 17.11.08, houve a devolução do feito, já com a juntada da cópia solicitada, onde se verificou que houve o deferimento parcial do PERC/2000, no valor de R$ Fl. 380DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10875.004251/200460 Acórdão n.º 1202001.144 S1C2T2 Fl. 3 3 2.195.105,01, tendo em vista a correção da base de cálculo do incentivo de R$ 12.626.695,61 para 12.195.027,85. Julgando o feito no Acórdão nº 0524.550 (fl. 130/131v) , a 2ª Turma da DRJ/CPS concluiu ser parcialmente procedente. Diz que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal elaborado pela contribuinte foi parcialmente deferido pela DRF/Guarulhos, considerando o valor de R$ 2.195.105,01 como destinação do IRPJ a título de benefício fiscal, pelo que reduz a exigência de R$ 2.270.561,01 para R$ 75.455,98. Aponta que a contribuinte considerou correto o valor remanescente, já efetuando o pagamento deste, como consta do DARF de fl. 62. Como houve a exoneração de crédito tributário no valor de R$ 3.841.433,77 (R$ 2.195.105,01, referente ao IRPJ e R$ 1.646.328.76, à multa de 75%), apresentase Recurso de Ofício a esse Colegiado com base no artigo 1º da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008 e, em conformidade com o artigos 34, inciso I, e 37 do Decreto n° 70.235/1972, c/c artigo 1º da Portaria do MF n° 3/2008. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso de Ofício atende ao disposto nos artigo 34, I, e 37 do Decreto nº 70.235/1972, bem como ao disposto na Portaria MF nº 3/2008, portanto, dele conhecemos. Tratase de lançamento de ofício por recolhimento a menor de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999. Conforme fls. 08/10, houve recolhimento, via DARF – Documento de Arrecadação de Receitas Federais com destinação ao FINOR Fundo de Investimentos do Nordeste de R$ 2.270.561,01. Ocorre que, a Delegacia da Receita Federal, às fls.10 e 21, reconheceu a destinação como recursos próprios aplicados no FINOR e, não, como destinação de tributos. Em conseqüência, o entendimento foi que a recorrente deixou de efetuar o recolhimento de IRPJ devido, por destinar valor incorreto e maior ao FINOR, tornandose devedora nesse montante destinado a maior. Todavia, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal foi parcialmente deferido pela DRF/Guarulhos, fls 126 e seguintes, portanto, ficou reconhecida a destinação de parcela do IRPJ, no valor de R$ 2.195.105,01. Ou seja, a exigência foi reduzida de R$ 2.270.561,01 para R$ 75.456,00. A própria recorrente reconheceu que a diferença de R$ 75.456,00 está incorreta tendo em vista que foi inserida equivocadamente parcela para o cálculo do FINOR, inclusive juntando DARF comprovando recolhimento desse montante – fls. 62. Ficou, assim, comprovado o recolhimento de R$2.195.105,01, portanto, indevida a cobrança desse montante e multa de ofício correspondente. O voto é no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 4 Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora. (assinado digitalmente) Fl. 382DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000060/2003-10
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO
Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace - OAB/SP 182632.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 14/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adotase integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP 182632. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 00 60 /2 00 3- 10 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 EDITADO EM: 14/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Tratase de processo administrativo de compensação para a qual o contribuinte utilizouse de crédito de IPI decorrente da entrada de insumos isentos. O direito ao crédito foi reconhecido por meio de ação judicial já transitada em julgado. O caso é complexo e envolve muitos processos administrativos e judiciais. Por razão de economia processual e lógica de julgamento, todos os processos administrativos referentes a este assunto, portanto conexos, que estavam em pauta na sessão de 27 de janeiro de 2015, foram julgado concomitantemente, tendo sido proferido uma única e completa decisão nos autos do processo administrativo principal, qual seja: 10735.000001/99 18. Em virtude deste fato, adoto, para os devidos fins de direito, o relatório proferido naqueles autos e lido em sessão. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, este processo foi julgado concomitantemente ao processo administrativo principal no 10735.000001/9918. Nesta oportunidade resumiuse o assunto em discussão da seguinte forma: “O debate em relação ao CRÉDITO abrange os efeitos da alteração da norma que obrigou (i) o trânsito em julgado da ação para fins de compensação (art. 170A do CTN) e os efeitos da Instrução Normativa nº 41/2000, que inseriu uma nova situação ao direito da contribuinte em contraposição à coisa julgada favorável à empresa Nitriflex, proferida nos autos do MS nº 98.00166580 (o qual concedia o direito de crédito no período de Jul/88 a Jul/98 e autorizava a compensação nos moldes da IN 21/97) (ii) a situação específica da Recorrente em face da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança no 2001.51.10.0010250 e, (iii) os efeitos da IN/SRF 517, que a partir de 2005 passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado (iv) quantificação dos créditos. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13746.000060/200310 Acórdão n.º 3302002.818 S3C3T2 Fl. 11 3 Em relação aos DÉBITOS é preciso analisar (i) a homologação tácita das compensações de terceiros e (ii) especificamente em relação aos processos administrativos no 11516.002703/200411, 11610.001259/200367 e 10930.003102/200391 a preliminar de nulidade da decisão proferida pela DRFFlorianópolis/SC, por suposta incompetência para tanto, nos termos da IN/SRF 21/97.” A decisão proferida foi única e completa, tendose analisado, nesta oportunidade, todas as matérias em julgamento. Ante o exposto, é o presente para ADOTAR e REITERAR a decisão proferida nos autos do processo 10735.000001/9918, concluindose pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso ora analisado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 878DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002987/89-36
Data da sessão: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS/FATURAMENTO- Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao julgamento do processo matriz é aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 102-30.136
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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ementa_s : PIS/FATURAMENTO- Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao julgamento do processo matriz é aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T14:56:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T14:56:22Z; Last-Modified: 2009-07-07T14:56:22Z; dcterms:modified: 2009-07-07T14:56:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T14:56:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T14:56:22Z; meta:save-date: 2009-07-07T14:56:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T14:56:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T14:56:22Z; created: 2009-07-07T14:56:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-07-07T14:56:22Z; pdf:charsPerPage: 290; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T14:56:22Z | Conteúdo => MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2, If-)80/04:-.)2,37/89-:36 MrA SeSSãO de 25 de agosto de 1995 AOORnA0 n".2.. 107.-30,138 RECURSO Na, - 1987 RECORRENTE : rE IINTAS KENNEDY MAUA LTDA FISSFATURAMFNTO - LOJA ng TINTAS KENNEDY NAUA LTT)A ACORDAM : Vt;J_UU 2.2 SET 1995 2 . S'I'EF-.10 DA. .FA E:1,11)A i t; Ci...)1',1:3ELI-j‘.3 DE: cab-fiTE 'Bui AC:0E1)AX) : • REC.;0E17,.:EN rf E 2 T TJT"-.,.)!:.,, • : , . . 3. MI:USTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIRUINTES PROCESSO 19aíj5/002,87/9 3C ACORDA@ N!...-2 4. MINISTRRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No, -1,005/002,97/8:..:,9 -36 ACORDA() No 102-30,1,56 VOTO Con.selheir. ,3.. Maria Clélía de Andrade Figueiredo, Relatara: de .1.r-n-.,-.-:ament,,a - ex -officio - la„ . ado a. efelta conta-. ,-.:.: Pes(-)i_s, j uridíc.a no .....,--,rnda.., re--::::-a.....-dt.a..f2.d.a dai a lançamenta decruente 1-u.-. Le.aiiiva de a:.,,a,.....,-...., da J.,. :")..ação de fis, 13, Trata -se, r .. - rtanto, de lal.u...,:a,,,rieLa:...-.„0 refier.,,,',-iva,, do ccnhc -1.».c...—ce reca....c, ande inni:ste na vine.ulç...... jeste Prc'ce&..:-..J a .,a ,...a.,..is-Ja- mnta da pn•:se...a.., principal, ..'.,.)2or're„ todavia, ..:J.,..ae a reGUi.") inteJa5,:- .asto pela '..pcad.-...--..,:. ju.ridlau, a pru-,',.»:idi....E.-.:,ite :,.f....a iz..,,pasc de renda -fdra nhj,'.. tc de julgamend,c ...).i..' dão N2. ir.)2-8,ü5,5, Detarte, ei,. 'í. se trat.indo de lançameto d.e....e.,..orrente, a. re- faãa de causa e efeit,... .....:e ../íneula um ao outro, tr .:L, ...sot ,.) na sentlda de negar pravimend ao la.,..,»-.::.-u.le:.:.....a,-)., Brasília, 25 de agosto de 1995, ., / , - . . • '..-1 4; .,.. • Maria Clélía de Andrade Figueiredo - Relatora, Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10510.900667/2008-73
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/06/2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Se, em observância ao princípio da verdade material, o colegiado apresenta resolução para que a Delegacia da Receita Federal realize diligência, com o objetivo de aferir a liquidez e certeza dos créditos do contribuinte, e este, mesmo sendo devidamente intimado para apresentar documentos imprescindíveis para a diligência, permanece inerte, não há como aferir a liquidez e certeza do crédito pleiteado.Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Favio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/06/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Se, em observância ao princípio da verdade material, o colegiado apresenta resolução para que a Delegacia da Receita Federal realize diligência, com o objetivo de aferir a liquidez e certeza dos créditos do contribuinte, e este, mesmo sendo devidamente intimado para apresentar documentos imprescindíveis para a diligência, permanece inerte, não há como aferir a liquidez e certeza do crédito pleiteado.Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Recurso Voluntário Negado
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COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Se, em observância ao princípio da verdade material, o colegiado apresenta resolução para que a Delegacia da Receita Federal realize diligência, com o objetivo de aferir a liquidez e certeza dos créditos do contribuinte, e este, mesmo sendo devidamente intimado para apresentar documentos imprescindíveis para a diligência, permanece inerte, não há como aferir a liquidez e certeza do crédito pleiteado.Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 06 67 /2 00 8- 73 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.900667/200873 Acórdão n.º 3801002.099 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Favio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório O Recorrente, Dall Brasil S/A, apresentou pedido de compensação, no qual indicou suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento indevido a maior, tendo em vista o cancelamento de notas fiscais de prestação de serviço, relativas ao mês de novembro de 2003. Ao ver indeferido o pedido de compensação formulado, sob o argumento de que “o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação por ausência de reconhecimento do crédito indicado”, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese, que houve o cancelamento de notas fiscais, bem como foi promovida a retificação das declarações para constituição do crédito. A DRJ/Salvador BA, contudo, não homologou a compensação pretendida, conforme ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP. Não concordando com a decisão de 1ª instância administrativa, o Recorrente, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, apresentou Recurso Voluntário direcionado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que fosse reconhecido o seu direito creditório e, em conseqüência, fosse homologado o pedido de compensação formulado. Em seção de julgamento ocorrida de 1º de Julho de 2011, este colegiado, ao analisar as argumentações do contribuinte e, em especial, os documentos por ele juntados para comprovar o direito creditório, determinou a realização de diligência pela fiscalização, para: 1. Apurar se os serviços prestados por meio das notas fiscais nºs 33 a 35 de novembro de 2003 são os mesmos registrados nas notas fiscais nºs 37 a 39 do mesmo mês, anexando aos autos cópia destas últimas; 2. Apurar a Cofins devida pelo contribuinte no mês de novembro de 2003, com base na receita de serviços prestados e Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.900667/200873 Acórdão n.º 3801002.099 S3TE01 Fl. 13 3 mercadorias vendidas, relacionando as notas fiscais de serviços consideradas; 3. Intimar o contribuinte a manifestarse acerca do resultado da diligência solicitada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar o processo a este Carf para julgamento. Com o retorno dos autos, a Delegacia da Receita Federal em Aracaju (SE) promoveu a intimação do contribuinte, para que este apresentasse documentos que seriam imprescindíveis para atendimento da decisão proferida pelo CARF. Contudo, mesmo devidamente intimado para apresentação dos documentos, o Recorrente quedouse inerte. Desta forma, os autos foram devolvidos para este Conselho analisar as razões do Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel A análise da tempestividade e do preenchimento dos requisitos para admissão do Recurso Voluntário, já havia sido referendada por este Conselho, quando do julgamento realizado no ano de 2011. Portanto, dele conheço. Como relatado acima, com o presente Recurso Voluntário, o contribuinte pretende a reforma da decisão de 1ª instância administrativa, que não reconheceu o seu direito creditório e, por isso, não homologou o pedido de compensação apresentado. Em suas razões de Recurso, o contribuinte alega que foram realizados cancelamentos de Notas Fiscais, o que, a princípio, geraria crédito de COFINS paga indevidamente ou a maior, que foi indicado no pedido de compensação. Para comprovar o alegado, juntou aos autos farta documentação, além de ter alegado que promoveu a retificação das suas declarações posteriormente ao protocolo do pedido de compensação, constituindo, desta forma, o crédito não reconhecido pela fiscalização. Em atendimento ao princípio da verdade material, que deve ser o Norte do julgador administrativo, após analisar os documentos apresentados pelo contribuinte, este colegiado entendeu por bem proferir resolução, para que a Delegacia da Receita Federal de domicílio do contribuinte realizasse diligência, com o objetivo de aferir se os créditos eram, de fato, existentes e se passíveis de compensação. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.900667/200873 Acórdão n.º 3801002.099 S3TE01 Fl. 14 4 Ocorre que, mesmo sendo devidamente intimado para apresentar documentos imprescindíveis para a análise da Delegacia fiscal, o contribuinte se quedou inerte, deixando, assim, de comprovar o alegado em seu Recurso Voluntário. Ademais, ressaltese que no bem assentado voto proferido pela anterior conselheira Relatora, restou demonstrado que os documentos já acostados aos autos não seriam suficientes para analisar as alegações do contribuinte. E mais, aquela conselheira constatou que “constam rasuras na documentação fiscal do contribuinte”. Ou seja, não se poderia ter certeza das alegações do contribuinte sem a realização da diligência. Desta forma, tendo em vista que com a inércia do Recorrente no atendimento à intimação da Delegacia Fiscal, não restou comprovado no presente processo administrativo fiscal o direito creditório, deve, portanto, ser mantida a decisão recorrida que não homologou o pedido de compensação apresentado. Nestes termos, voto pelo conhecimento e não provimento do Recurso Voluntário do Recorrente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.041058/89-36
Data da sessão: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 1992
Ementa: PIS/DEDUÇÃO DECORRÊNCIA - INOVAÇÕES NO FEITO - PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
- Corrigida a instância no processo principal, seus decorrentes devem se submeter ao mesmo destino.
Numero da decisão: 103-12.599
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de voos,em.DETERMINAR a remessa dos autos ã repartição de origem,para que nova decisão seja prolatada em consonância Com o que vier a ser decidido no processo matriz; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Dícler de Assunção
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Numero do processo: 10920.002578/2004-12
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SOCIAL SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA, PREVISÃO LEGAL.
Deve ser mantida a exclusão do SIMPLES quando comprovada a situação prevista no inciso IX do art. 9º da Lei n.º 9.317/96, qual seja, sócio com participação social superior a 10% em outra empresa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, relator; Judith do Amaral Marcondes Armando e Beatriz Veríssimo de Sena. Designado o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes para redigir o voto vencedor.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SOCIAL SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA, PREVISÃO LEGAL. Deve ser mantida a exclusão do SIMPLES quando comprovada a situação prevista no inciso IX do art. 9º da Lei n.º 9.317/96, qual seja, sócio com participação social superior a 10% em outra empresa. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SOCIAL SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA, PREVISÃO LEGAL. Deve ser mantida a exclusão do SIMPLES quando comprovada a situação prevista no inciso IX do art. 9 0 da Lei n„' 9.317/96, qual seja, sócio com participação social superior a 10% em outra empresa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, relator; Judith do Amaral Marcondes Armando e Beatriz Veríssimo de Sena. Designado o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes para redigir o voto vencedor. g-L-------í-- ''C. 1Q-A1\91-Nn Ma Hei na TrajanU Damorim - Presidente () (Ç)r y1r/ :ÀÁ, Q,_ )0 ) ' . 1 eiv.i'• -1/ v''', Y'L' M celo Ribeiro Nogueifa - Relator (Alva-) Luciano Lopes de Alrnékla Moraes - Redator Designadolora EDITADO EM: 06/08/2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: A contribuinte acima qualificada, mediante o Ato Deelaratório Executivo DRF/J01 n" 554,735, de 2 de agosto de 2004 Cl 04), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, com efeitos a partir de 01/02/2002, por incorrer em vedação prevista no art 9", IX da Lei n° 9,317, de 1996, ou seja, em face de sócio participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 exceder o limite legal A exclusão do Simples foi fundamentada nos arts, 9", IX 12, 14, I, 15, II, e 16 da Lei n°9.317, de 1996, com a redação alterada pelo art 73 da Medida Provisória n°2 158-34, de 27 de julho de 2001, e arts. 20, IX, 21, 23, L 24, II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRE n" 355, de 29 de agosto de 2003. Regularmente intimada por via postal (AR recebido em 27/08/2004, à ,11 15), a interessada optou por não utilizar o .formulário Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS e apresentou, tempestivamente, em 27/09/2004, a manifestação de inconformidade de/is 01/03, na qual argúi que a autoridade fiscal deixou de observar as normas legais relativas à irretroatividade das leis, assim como o .fato de art. 15 da Lei n" 9.317, de 1996, ter sido alterado pelo art. 3" da Lei n" 9.532, de 1998; que a Medida Provisória n°2.158-34, de 2001, e a IN SRF n" 355, de 2003, ,foram editadas após a ocorrência, em 31/12/2000, do fato que deu ensejo à exclusão do Simples; que a exclusão deve ter efeito a partir do mês subseqüente em que incorrida a situação excludente, sob pena de afronta ao principio da irretroatividade das leis, que o sócio Eloi Tonel participa com 1% do capital social da interessada, razão pela qual não poderia ser somada a receita bruta da outra empresa da qual também participa,: cita julgados dos Poder Judiciário Nos termos da Portaria M.E n" 179, de 13 de fevereiro de 2007, o processo foi transferido a essa DRJ em Curitiba-.PR, para julgamento. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Mieroempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples 2 Processo o" 10920.002578/2004-12 S3-C1 T2 Acórdão n ° 3102-00.029 Fl 71 Ano-calendário 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10% NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA Está impedida de permanecer no regime do Simples a pessoa jurídica cujo sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de enquadramento no regime unificado e simplificado, devendo a exclusão surtir seus efeitos a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente. Solicitação Indefèrida.. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado corno relatar do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n°41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório, Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, assim deste tomo conhecimento. Observo que o Ato Declaratório de Exclusão do contribuinte, ora recorrente, é baseado na alegada participação de um de seus sócios em outra empresa e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal a permitir a opção pela sistemática do Simples Observo, ainda, que após esta informação consta do documento que retrata tal ADE, no mesmo item denominado "Descrição", um número de CPF e outro de CNN, que se presume pertencer', respectivamente, ao sócio e à outra sociedade deste. Apesar de pobre e pouco clara, esta menção parece ser suficiente para a defesa do contribuinte, dentro de um mínimo significante das informações constantes do referido documento, já que outra razão não haveria para que tais informações constem do mesmo e que o contribuinte já conhece o número do CPF de seu sócio, que consta do contrato social, ou seja, da página dos autos imediatamente seguinte à da cópia do referido ADE. Portanto, não me parece ser possível acolher a preliminar de nulidade argüida pelo contribuinte, pois o ADE, neste ponto, atende aos requisitos legais que possibilitariam a defesa do contribuinte. 3 O que me chama a atenção é que não consta dos autos qualquer documento que comprove a alegação da autoridade fiscal de que a soma das receitas das duas sociedades ultrapasse o limite legal, nem que a participação do referido sócio ultrapassa os alegados 10% do capital social da outra empresa e, por fim, nem se prova que a segunda sociedade é uma empresa (pois pode-se tratar de sociedade civil ou mesmo sem registro empresarial). A ausência destes elementos de prova, quando o ônus da prova, tratando-se de processo de exclusão, recai sobre a autoridade fiscal, é que justifica acolher a preliminar argüida de nulidade do ato administrativo de exclusão. Note-se que estas provas não podem ser exigidas do contribuinte, pois ternos aqui caso envolvendo pessoas (jurídicas e naturais) distintas e informação protegida por sigilo (receita bruta de terceiro), que somente deveria ter sido alcançada pela própria autoridade administrativa e fornecida ao contribuinte para que este pudesse ter se defendido de foinia ampla e irrestrita. Noto ainda, quanto às informações não sigilosas, quais sejam: a natureza empresária da sociedade na qual o sócio teria participação e o percentual desta participação; entendo que mesmo estas informações deveriam obrigatoriamente constar do processo de exclusão de forma que o contribuinte pudesse se defender de forma ampla, Também esta omissão causa a nulidade do administrativo de exclusão, Assim, VOTO por conhecer do recurso e dar-lhe provimento para declarar a nulidade do Ato Declaratório Executivo DRF/JOI if 554,735, de 2 de agosto de 2004, -/) ()JÁ,. • ). Marcelo Ribeiro Nogueira Voto Vencedor Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes - Redator Designado A lei assegurou expressamente às pequenas empresas o acesso a um regime tributário mais benéfico, denominado SIMPLES, instituído pela Lei n.' 9.317/96. Entretanto, também foram previstas possibilidades de exclusão/impedimento de ingresso naquele sistema, quando não obedecidos determinadas condições, corno vemos: Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica. IX - cujo titulai .' ou sócio participe com mais. de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso 11 (10 ad. 2"; (.„) Portanto, para efeito de enquadramento no Simples, quando o titular ou sócio da empresa possuir participação superior a 10% no capital social da outra empresa, deve ser considerada a soma das receitas brutas de ambas as empresas até o limite legal estabelecido na norma. No presente caso, restou comprovada a existência da situação impeditiva supra, como vemos na decisão da DRJ: 4 Processo n" 10920 002578/2004-12 S3-C1T2 Acórdão n." 3102-00.029 Fl. 72 Em pesquisa efetuada nos sistemas informatizados da RFB confirmado que durante o calendário de 2001 os sócios Eloi Tonet (CPF n" 217.543.819-87) e Dulcinéia Pereira Tonet (CPF 920.468.789-49) também eram quotistas da empresa Megaestamp Industrial Ltda. (CNPI N" 00.740.632/0001-91), de cujo capital social o primeiro sócio detinha 98% de participação, enquanto Dulcinéia Pereira Tonel detinha apenas .2% (fls. 23/26). Logo, considerando que no ano-calendário de 2001 a interessada auferiu receita bruta de R$ 511,847,14 (fls. 27/29), enquanto a empresa Megaestamp Industrial Ltda„ declarou receita bruta de R$ 2.097 53.5,90 (fls. 30/38), restou configurada a situação excludente prevista no inciso IK do art. 9" da Lei n" 9,317, de 1996, ou seja, em .face de o sócio Eloi Tonel participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 exceder o limite legal, sendo irrelevante que a participação desse sócio no capital social da interessada .fosse de apenas 1% no ano-calendário de 2001. Configurada a hipótese de exclusão no SIMPLES, não há como o pleito da recorrente. ser atendido Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso prejudicados os demais argumentps, Luciano LopeSM Almeida Moraes inteiposto, 5
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006361/00-51
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1991 a 31/08/1991, 01/10/1991 a 31/10/1991,
01/01/1992 a 30/11/1992, 01/09/1993 a31/12/1994, 01/02/1995 a28/02/1995
NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Aperfeiçoando o lançamento por homologação, o direito de a Fazenda
Pública lançar de ofício eventuais diferenças relativas as contribuições
sociais, extingue-se no prazo de cinco anos, contados do fato gerador.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
Extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do
lançamento nos termos do disposto no art. 150, §§ 1° e 40, do CTN.
NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidade das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.825
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Henrique Pinheiro Torres, Julio Cesar Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire e Antônio José Praga de Souza que deram provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILENO GURJÃO BARRETO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1991 a 31/08/1991, 01/10/1991 a 31/10/1991, 01/01/1992 a 30/11/1992, 01/09/1993 a31/12/1994, 01/02/1995 a28/02/1995 NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Aperfeiçoando o lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar de ofício eventuais diferenças relativas as contribuições sociais, extingue-se no prazo de cinco anos, contados do fato gerador. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150, §§ 1° e 40, do CTN. NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidade das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário. Recurso especial negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1991 a 31/08/1991, 01/10/1991 a 31/10/1991, 01/01/1992 a 30/11/1992, 01/09/1993 a31/12/1994, 01/02/1995 a28/02/1995 NORMAS PROCESSUAIS. PRAZO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Aperfeiçoando o lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar de oficio eventuais diferenças relativas as contribuições sociais, extingue-se no prazo de cinco anos, contados do fato gerador. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150, §§ 1° e 40, do CTN. NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao Conselho de Contribuintes o controle de constitucionalidade das leis, matéria afeta ao Poder Judiciário. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Henrique Pinheiro Torres, Julio Cesar Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire e Antônio José Praga de Souza que deram provimento ao recurso. ONIO PRA A Presidente da CSRF Processo n° 10830.006361/00-51 Acórdão n.° 02-02.825 CSRF/T02 Fls. 2 G • GILE 0 9 )1 AO B RRETO Relator v FORMALIZADO EM: 11 NOV 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Manoel Antonio Gadelha Dias (*Presidente à época do julgamento), Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjdo Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez López, Antonid Bezerra Neto, Dalton César Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siadel Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Por bem descrever os atos praticados no presente feito, adoto como relatório aquele constante da r. decisão recorrida, a seguir transcrito em sua inteireza: "Trata o presente processo de Auto de Infração (uls.03/40) lavrado contra o sujeito passivo ern epígrafe — ciência em 20/09/2000, constituindo crédito tributário no valor de R$ 23.852,70 — relativo à falta ou insuficiência de recolhimentos da Contribuição para o Programa de Integração Social -PIS, referente aos períodos de apuração de abril a agosto de 1991; outubro de 1991; janeiro a novembro de 1992; setembro de 1993 a dezembro de 1994 e fevereiro de 1995. 2. Na Descrição dos Fatos (fls.04/06), o autuante faz, resumidamente, as seguintes considerações: 2.1 — Em atividade de fiscalização no presente contribuinte e considerando a ação de repetição de indébito pelo procedimento ordinário — proc. it ° 93.060.0632-2 — 1 a VW ern Campinas/SP, que contesta os valores recolhidos ao PIS nos termos dos DL 's 2.445 e 2.449, ambos de 1988 e requer a restituição total dos valores pagos nos períodos de apuração de fevereiro de 1989 a novembro de 1992, constatamos que a referida ação já transitou cm julgado, tendo a sentença de 1 a instância julgado procedente a pretensão c o TRF — 3 a Região negado provimento à remessa oficial, mantendo a sentença de 1 a instãncia, estando a ação apenas aguardando a homologação dos cálculos apresentados pela autora; 2.2 — Entretanto, a sentença foi vazada nos seguintes termos: "Julgo procedente a ação ordinária para decretar ilegítima a cobrança da contribuição ao PIS na forma dos Decretos-leis n c's 2.445/88 e 2.449/88, e assegurar a(s) autora(s) o direito de recolher a exação na forma da Lei Complementar n ° 7/70..." o que nos obriga a refazer os cálculos da contribuição ao PIS na forma determinada pelo Judiciário; 2.3 — Apurou-se que, para o período abrangido pela ação judicial, o contribuinte, após as devidas imputações, teve débitos remanescentes dos períodos de apuração de 04/91 a 08/91; 10/91; 01/92 a 11/92; 09/93 a 12/94 c 02/95, objeto do presente auto de infração, sendo que as bases' de cálculo estão de acordo com as planilhas apresentadas pelo contribuinte, tendo sido descontados os valores recolhidos e os valores "sub judice" constantes cm 2 Processo n° 10830.006361/00-51 Acórdao n. ° 02-02.825 CSRF/1-02 Fls. 3 DcrF, relativos aos períodos de apuração de 03/94 a 02/95, conforme "Demonstrativo de Imputação de Pagamentos". 0 contribuinte efetuou compensação de valores pretensamente recolhidos a maior, com base na ação judicial descrita acima, procedimento irregular, visto que foram apurados, no período de fevereiro de 1989 a novembro dc 1992, débitos em aberto e não pagamentos indevidos. 3. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs impugnação cm 18/10/2000 (fls.96/136) onde alega, em síntese e fundamentalmente, que: 3.1 —possui sentença favorável em ação de repetição de indébito -proc. 93.060.0632-2, que trata de matéria idêntica à discutida no processo administrativo; 3.2 — a fiscalização não observou a regra contida no parágrafo único do art.6° da Lei Complementar n ° 7/70, ou seja, a base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior; 3.3 —a Instrução Normativa n ° 67, de 26 de maio de 1992, que restringiu as disposições contidas na Lei n ° 8.383/91, notadamente quanto à correção monetária, afrontou os princípios constitucionais basilares, dentre os quais o da legalidade e o da hierarquia das normas; 3.4 — ante o exposto, é de se concluir que existe o direito de compensar, além do fato que a exigência não acontece no momenta próprio, pois, se a questão esta sub judice, não cabe a lavratura de auto de infração." A 5 a Turma de Julgamento da DRJ em Campinas -SP julgou procedente o lançamento, mediante o Acórdão DRJ/CPS N 03.024 de 06/01/2003, assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep". Período de apuração: 01/04/1991 a 31/08/1991, 01/10/1991 a 31/10/1991, 01/01/1992 a 30/11/1992, 01/09/1993 a 31/12/1994, 01/02/1995 a 28/02/1995. Ementa: AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial. PIS.BASE DE CALCULO. FATO GERADOR. A base de cálculo vincula-se ao fato tributável para que surja a obrigação tributdria.Aquela há de retratar, cm valores, a real dimensão do fato gerador, pelo que o art.6° da Lei Complementar 07, de 1970, veicula norma sobre prazo de recolhimento e não regra especial sobre base de cálculo retroativa da referida contribuição ao PIS, conforme Parecer PGFINI/CAT/n ° 437/98, aprovado pelo Ministro da Fazenda. Lançamento Procedente ". Regularmente notificada daquela decisão cm 28/08/2003 (f1.173), a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls.174/192, cm 24/09/2003, instruido com o arrolamento de bens, conforme f1.223. Alegou em sua defesa a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento de tributo sujeito ao lançamento por homologação depois de decorridos cinco anos do fato gerador da obrigação. Prosseguindo, alegou que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior, conforme previsto no art.6 °, 3 Processo n° 10830.006361/00-51 Ac6rd5o n.° 02-02.825 CSRF/T02 Fls. 4 parágrafo único, da LC n ° 7/70. As diferenças apuradas e lançadas pelo Fisco decorrem da inobservância da semestralidade da base de cálculo. Requereu o acolhimento de suas razões para o fim de cancelar-se a exigência." A 2 Câmara do 2° Conselho de Contribuintes julgou o recurso procedente, por unanimidade de votos, cm 29 de mat-go de 2006 (fls. 227/231), reconhecendó que ocorreu o lançamento por homologação, por ter havido pagamentos antecipados, ainda que parciais. Entendeu que, conforme disposto no § 4°, art. 150 CTN, o prazo para a Fazenda Pública rever o lançamento por homologação expira em 5 anos, e que, no caso concreto, o prázo expirou em 28/02/2000 c o contribuinte só foi notificado em 20/09/2000. Afasta a póssibilidade de aplicação do art. 45 da Lei no 8.212/90, uma vez que, para que fosse passível dc utilização, deveria inexistir o pagamento antecipado feito pelo contribuinte. Cita, ainda, o Prazo de 5 anos para a homologação da compensação, previsto no §5°, art.74 da Lei no 9.430/96. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial por Divergência (fls. 233/251) em 26/07/2006, após ciência ocorrida em 21/07/2006. Afinna que o recurso é cabível e deve ser conhecido, uma vez que, a matéria em questão foi pre-questionada, juntando aos autos, julgado da Terceira Camara deste conselho, demonstrando a divergência j uri sprudenci al . Alega quo foi exercido controle de constitucionalidade pelo Conselho de Contribuintes, ao ser afastada a incidência do art. 45 da Lei n° 8.212/91 no v. acórdão. Aduz, a recorrente, que o julgamento da Câmara do Conselho de Contribuintes, que declare a inconstitucionalidade de lei, contraria a disposição constitucional que reserva ao Supremo Tribunal Federal, o dever de julgar, em instância final, da qual não caiba recurso, a constitucionalidade de norma geral. Argumenta que a confirmação da decisão recorrida trará lesão grave c dc dificil reparação aos cofres públicos, uma vez que levará à irreversibilidade da decisão. Quanto ao mérito, salienta que há decisões judiciais sedimentadas no sentido de que a lei n'. 8.212/91 é aplicável no lugar do disposto no art. 150, §4° do CTN, juntando aos autos jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 1 5 Região c do Superior Tribunal de Justiça. Explana que, devido ao fato de a Lei n°. 8.212/91 disciplinar sobre a matéria cm discussão, está excluída a aplicação do prazo de 5 anos estabelecido no CTN. Conclui que o lançamento fiscal encontra-se dentro do prazo decadencial, vez que o auto de infração foi lavrado em data anterior à do termino do prazo de 16 anos disposto no art. 45 da lei n°. 8.212/91. Requer seja dado provimento ao recurso, restabelecendo a decisão da Primeira Instância Administrativa. Em 15/09/2006, o contribuinte foi cientificado do acórdão c Ida interposição do Recurso Especial da Fazenda Nacional (F1.267). Em 06/10/2006, apresentou contra-razões ao recurso especial da procuradoria (fls. 273/279). 0 contribuinte, cm face dos argumentos da recorrente, afirma i que a Segunda Camara do Conselho de Contribuinte, não aplicou o art. 45 da Lei 8.212/91, apenas em razão das peculiaridades contidas ‘na relação jurídico-tributária. Salienta que as Durisprudências transcritas pela contribuinte não mais persistem nos Tribunais Regionais Federais, juntando, aos autos, julgados mais recentes. Transcreve ementas da Segunda Turma do Conselho de Contribuintes, que julgam pela impossibilidade da aplicação art. 45 da Lei 8.212/91. 4 Processo n° 10830.006361/00-51 Acórdão II.' 02-02.825 CSRF/T02 Fls. 5 Requer seja negado provimento ao recurso da Unido, mantendo-se integralmente a decisão recorrida que reconheceu a ocorrência da decadência de cinco anos para o PIS, e a anulação do Auto de Infração e Imposição de Multa. o relatório. Vo to Conselheiro GILENO GURAO BARRETO, Relator O Recurso Especial interposto preenche os requisitos necessários ao seu conhecimento, conforme art. 32 e art. 33 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, constante do Anexo II da Portaria MF no 55, de 1998, sendo assim, dele tomo conhecimento. A situação em tela envolve urna divergência quanto ao prazo que a Receita Federal tem para rever lançamentos por homologação, uma vez que a contribuinte defende o prazo de cinco anos, corn base do art. 150, § 4 0 do CTN, e por sua vez, a União, recorrente neste caso, representada por seu Procurador da Fazenda Nacional, defende o prazo de 10 anos, corn base no art. 45 da Lei n° 8.212/91. Além disso, alega que houve Controle de Constitucionalidade por parte do acórdão atacado, por não considerar o art. 45 da Lei n° 8.212/91, como a regra válida para o caso. Passemos agora a discutir tais pontos: I — Prazo Decadencial para a Revisão dos Lançamentos: A contribuição social devida ao PIS foi recepcionada pela CF/88 pelo art. 239 do Ato das Disposições Gerais e não se encontra incluída na outorga de competência inserida no art. 195, I da CF/88, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal, or ocasião do julgamento do RE 150.164-1, cujo voto do relator, Ministro Ilmar Galvdo, está assim redigido: "Por outro lado, a existência de duas contribuições sobre o faturamcnto está prevista na própria Carta (art. 195, I c 239) [referindo-se aO Finsocial e ao PIS], motivo singelo, mas bastante, não apenas para que não s'e possa falar em inconstitucionalidade, mas também para infirmar a ilação de que a contribuição do artigo 239 satisfaz a previsão do art. 195, I, no que toca a contribuição calculada sobre o faturamento". A contribuição destinada ao PIS, que está sujeita a lançamento por homologação, de acordo com reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal, tem natureza tributária, aplicando-se, portanto, quanto h decadência, a regra inscrita no art. 150, § 4° do CTN, assim redigido: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sern prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". 5 Sala das Sessões, em 16 dc outubro de 2007. // GILENOUAO CARRETO Processo n° 10830.006361/00-51 AcórdAo n.° 02-02.825 CSRFfro2 Fls. 6 "§4° Sc a lei não fixar prazo à homologação, sad ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a fazenda pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento c definitivamente extinto o credito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Diante disso, uma vez que o prazo decadencial é de cinco anos, o prazo para a Fazenda Nacional rever o lançamento venceu em 28/02/2000, sendo que o lançamento de oficio só tbi notificado à contribuinte em 20/09/2000, o que caracteriza a perda do prazo para a revisão do auto -lançamento efetuado pela contribuinte, por isso, mantenho a decisão do acórdão atacado no tocante a esse terna. II — Controle de Constitucionalidadc: A Recorrente alega em sua peça que ocorreu controle difuso de constitucionalidade por parte do acórdão atacado, por este se utilizar da premissa de que o art. 45 da Lei n° 8.212/91 estaria regulando matéria reservada à lei complementar, afastando assim sua aplicação, considerando incidentalmcnte a inconstitucionalidade da norma. Porém, o fato é que o acórdão em nenhum momento recorre a tal premissa, e justifica o não acolhimento da norma judicial em questão pelo fato de que a mesma só seria cabível se não houvesse pagamentos antecipados, fato que não aperfeiçoaria o lançamento por homologação, acrescentando de forma clara e evidente que não afastou tal norma por inconstitucionalidade. Sendo assim, não há o que se falar em controle de constitucionalidade exercido por parte da Camara a qua, corno defende a Recorrente, uma vez que não cabe a este colegiado apreciar c nem realizar qualquer controle deste tipo, conforme jurisprudência pacifica deste colegiado. III — Conclusão: Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso, de forma a manter integralmente a decisão atacada pelo mesmo. como voto. 6
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Numero do processo: 10820.000222/2003-83
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos, incide multa e juros de mora sobre os débitos não recolhidos ou compensados nos prazos legalmente estabelecidos.
RESSARCIMENTO DE IPI. TAXA SELIC
Inaplicável a taxa SELIC no ressarcimento de IPI por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-000.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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LTDA. Recorrida DRJRIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. No regime de lançamento por homologação o procedimento administrativo é do contribuinte, sendo espontânea a denúncia que faz à Fazenda Pública sempre o contribuinte estiver a suprir o dever instrumental de declarar seus débitos, com concomitante pagamento, antes de qualquer procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos, incide multa e juros de mora sobre os débitos não recolhidos ou compensados nos prazos legalmente estabelecidos. RESSARCIMENTO DE IPI. TAXA SELIC Inaplicável a taxa SELIC no ressarcimento de IPI por falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 02 22 /2 00 3- 83 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000222/200383 Acórdão n.º 3803000.058 S3TE03 Fl. 135 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1418.965, de 12 de março de 2008, da DRJ/Ribeirão Preto/SP, fls. 105 a 113, que indeferiu a solicitação da recorrente, em face da manifestação de inconformidade, fls. 95 a 102. Cientificada da decisão em 22 de abril de 2008, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 116 a 126, em 20 de maio de 2008, por meio do qual reitera todos os seus argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Recompondo os fatos desde a origem, a contribuinte declara compensação do débito de COFINS, em 31 de março de 2003, no valor de R$ 12.631,01, do período de apuração outubro de 2002 e vencido em 14 de novembro de 2002, à qual vinculou crédito no mesmo valor, com origem no pedido de ressarcimento do quarto trimestre de 2002, fls. 01 e 02. Teve sua compensação homologada parcialmente em virtude dos acréscimos de multa e juros de mora incidentes sobre o débito, por têlo declarado fora do prazo de vencimento. O Despacho Decisório foi mantido pela decisão da DRJ/Ribeirão Preto. No recurso interposto, afirma a recorrente: a) com espeque na doutrina, ser a multa de mora penalidade pecuniária de natureza indenizatória, cujo fim compensar os prejuízos sofridos pela Fazenda com o atraso no pagamento de tributos. b) que não há razão para considerar tal pretenso prejuízo pelo fato de que seu direito a crédito formouse ao longo do quarto trimestre de 2002, e é maior que seu débito de COFINS do período de apuração outubro de 2002; c) que no momento do vencimento do seu débito teve parte do seu patrimônio subtraído e acrescido ao da Fazenda Nacional; d) o direito à elisão de sua responsabilidade, e, em conseqüência, à exclusão da incidência da multa de mora sobre o valor do seu débito, com declaração de compensação em formulário protocolada em 31 de março de 2003, constituindo este processo, pelo que vincula este seu ato ao instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138, do CTN; e) que a incidência de acréscimos legais sobre os débitos somente adveio com a IN SRF nº 323, 24 de abril de 2003, portanto posterior à sua declaração de compensação, sendo inaplicável a sua situação; f) seu direito à atualização do crédito a ser ressarcido, pela aplicação da taxa SELIC, tal como incidente sobre os débitos para com a Fazenda Nacional,em observância ao princípio da isonomia nas relações tributárias. Requer, ao fim, a reforma da decisão recorrida. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000222/200383 Acórdão n.º 3803000.058 S3TE03 Fl. 136 3 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Não prospera a defesa da recorrente pelos fundamentos a seguir. 1. Da formação do crédito O direito subjetivo do contribuinte ao ressarcimento do IPI encontra previsão no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que textualmente reza: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. [grifos acrescidos] Observese, primeiro, da leitura da norma legal acima, que o valor que “[...] poderá ser utilizado de conformidade com os arts. 73 e 74, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,[...]” vale dizer, “[...] na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão” é “o saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI acumulado em cada trimestrecalendário [...]”. Ambos os textos legais transcritos, art. 11 da lei nº 9.779/99 e art. 74, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/2002, mencionam que o crédito de ressarcimento de IPI a ser utilizado pelo contribuinte é o saldo credor acumulado em cada trimestrecalendário. Isto não tem outro significado senão que o crédito em cada mês é valor que apenas coopera para o referido saldo credor, não se configurando em crédito apto a ser compensado na forma do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Os critérios para esta compensação, são os prescritos pelas “normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda”, segundo expressamente atribuiu a própria norma concessora do benefício fiscal, em sua parte final, grifada. Ao tempo do protocolo do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação que constituíram este processo, tais normas vieram a ser veiculadas pelo texto do art. 14, da IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, verbis: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000222/200383 Acórdão n.º 3803000.058 S3TE03 Fl. 137 4 Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1o Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I – créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei no 10.276, de 10 de setembro de 2001; II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1o da Portaria MF no 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III – créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF no 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2o Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1o, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. Notese, uma vez mais, que o crédito do contribuinte apto a ser utilizado para a compensação com outros débitos administrados pela SRF, perfazse apenas ao final de um trimestrecalendário, como já preceituado pelas leis referidas. Dentro do trimestre os créditos são escriturais, devendo ser utilizados apenas na dedução, na escrita fiscal, de débitos de IPI. Deduzse daí que na data do vencimento do débito compensado neste processo o crédito indicado na declaração de compensação não estava disponível para que dele se servisse a contribuinte declarante. Referindose a formação do seu crédito ao quarto trimestre de 2002, sua disponibilidade somente ocorreu em 1º de janeiro de 2003. Ao declarar compensação em 31 de janeiro de 2003, encontravase, de fato, a contribuinte em mora com o débito em apreço perante a Administração Fazendária. Do que, não são sustentáveis os argumentos da recorrente de que dispunha de crédito no momento do vencimento. 2. Da exclusão da responsabilidade Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000222/200383 Acórdão n.º 3803000.058 S3TE03 Fl. 138 5 Nesta seara de argumentação também não há como ser exitosa a recorrente, eis porque se está a lidar com contribuição sujeita a lançamento por homologação. Neste regime de tributação é pertinente “ [...]ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa,” e “operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”, conforme regência do art. 150, caput, do CTN. Não me inclino a admitir que haja espontaneidade na denúncia de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois o contribuinte é quem dá início ao procedimento fiscal, substituindo a Fazenda Pública, sendo conhecedor da infração, da prática do ilícito tributário de não pagálo no vencimento, desde o momento da apuração da obrigação tributária. O procedimento administrativo é seu, propriamente. Logo, qualquer denúncia que faça à Administração Tributária, sempre se dará após o procedimento administrativo, que é seu por atribuição legal. E é esta dinâmica que retira o caráter de espontaneidade da denúncia. 3. Dos acréscimos legais sobre o débito Não procede a defesa da recorrente de que os acréscimos legais, multa e juros de mora, somente vieram a viger a partir da IN SRF nº 323, 24 de abril de 2003. O molde atual de incidência de multa de mora à taxa de 0,33% ao dia sobre os tributos e contribuições não pagos nos prazos previstos na legislação específica foi regulado pelo art. 61 da Lei nº 9.430/96,conforme se transcreve abaixo: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [grifos acrescidos] § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 4.Taxa SELIC sobre o ressarcimento Já bem defendido pela decisão recorrida a diferente natureza jurídica dos institutos do ressarcimento e da restituição, nada havendo a acrescentar e a modificar. Não havendo, pois, previsão legal para a concessão do que entendo ser um “plus”, para o contribuinte, não se pode servir da previsão do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 para aplicála a este caso concreto. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10820.000222/200383 Acórdão n.º 3803000.058 S3TE03 Fl. 139 6 Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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