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Numero do processo: 10510.001705/2006-41
Data da sessão: Fri Aug 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calenddrio: 2002
IRPJ. LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO. ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL NÃO APRESENTADA.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária a escrituração fiscal e contábil e a documentação correspondente para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRAUDE DEMONSTRADA PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA.
Demonstrada pela fiscalização nos autos a fraude praticada, que concorreu para o não pagamento do tributo, é correta a aplicação de multa quali ficada.
Numero da decisão: 1302-000.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ern negar provimento ao recurso em relação ao tributo lançado, e por maioria de votos, em manter a multa qualificada, vencidos os Conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Guilherme Polastri Gomes da Silva que a reduziam para 75%
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO. ESCRITA CONTABIL E FISCAL NÃO APRESENTADA. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar h. autoridade tributária a escrituração fiscal e contábil e a documentação correspondente para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FRAUDE DEMONSTRADA PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. Demonstrada pela fiscalização nos autos a fraude praticada, que concorreu para o não pagamento do tributo, é correta a aplicação de multa quali ficada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ern negar provimento ao recurso em relação ao tributo lançado, e por maioria de votos, em manter a multa qualificada, vencidos os Conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Guilherme Polastri Gomes da Silva que a reduziam para 75%. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ/Salvadot. Os autos tratam da representação fiscal para a exclusão da empresa acima identificada do SIMPLES, fls, 01, que culminou com a emissão do ATO DECLARATORIO EXECUTIVO n° 18, de 07 de junho de 2006, fls. 13, o qual efetuou a exclusão da empresa do referido sistema em decorrência da obtenção de receita em montante superior ao limite previsto no art, 9, II da Lei 9,317/1996. De acordo com o referido ato, a exclusão surtirá efeitos a partir de 01/01/2002. Em seguida, foram lavrados os autos de infração de fls. 19 a 46, lavrados em 28/06/2006, para a cobrança do Imposto sobre a Renda da Pessoa Juridica — MPJ, no valor de RS 221.695,11 (duzentos e vinte e um mil seiscentos e noventa e cinco reais e onze centavos), da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, no valor de RS 66,542,38 (sessenta e seis mil quinhentos e quarenta e dois reais e trinta e oito centavos), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, no valor de RS 110,562,78 (cento e dez mil quinhentos e sessenta e dois reais e setenta e oito centavos) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COHNS, no valor de RS 307,118,88 (trezentos e sete mil cento e dezoito reais e oitenta e oito centavos), todos relativos ao ano-calendário 2002, além da multa proporcional e dos juros de mora calculados até 31/05/2006. De acordo com o auto de infração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, o lançamento foi efetuado sob as seguintes alegações: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Teimo de inicio de fiscalização em 23/06/2005, apresentou apenas os livros ,fiscais da matriz, com registros a partir de fevereiro de 2002, alegando extravio dos demais, conforme nota publicada no Diário Oficial do estado de Sergipe em 14/03/2002 Intimado pela segunda vez em 18/10/2005, para apresentar os Livros Caixa e os Livros Fiscais de todas as filiais, bem como cópias das Guias Informativas Mensais do ICMS (GIM) e cópias das Declarações de Informações do Contribuinte (DIC) de 2001 e 2002, respectivamente, o contribuinte se reporta a boletim de ocorrência do corpo de bombeiros no qual é relatada a ocorrência de incêndio em um veiculo Kombi placa HZG - 7585, que, segundo o contribuinte, estaria transportando os livros e documentos solicitados, motivo pelo qual não Ode atender h intimação. 2 Processo n° 10510001705/2006-41 S1-C3T2 Acórao n° 1302-00,352 Fl 304 O auditor registra que o contribuinte não cumpriu a determinação contida no art, 264 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999, pois não provou haver informado o extravio dos livros e documentos ao órgão competente do registro do comercio no prazo de quarenta e oito horas, remetendo cópia da comunicação à Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição . De acordo com as informações constantes das DIC e das GIM, ambas apresentadas pelo contribuinte A Secretaria da Fazenda do estado de Sergipe, bem como de acordo com os registros efetuados no Livro de Apuração de ICMS, período de fevereiro a dezembro de 2002, a empresa auferiu receitas de vendas de mercadorias nos meses de janeiro a dezembro de 2002 em valor bem maior do que o informado na Declaração Anual Simplificada -PJ 2003, relativa ao ano-calendário 2002, entregue A Receita Federal. Por entender caracterizado o evidente intuito de fraude, foi aplicada a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), prevista no inciso II do art 44 da Lei n° 9430/1996. Em decorrência dos mesmos fatos, foram lavrados os Autos de Infração relativos A Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social -COFINS, Por fim, o Termo de Verificação Fiscal informa que foi efetuado o arbitramento com base nos valores informados na Declaração Simplificada do ano 2005, DA IMPUGNAÇÃO A empresa autuada apresentou impugnação ao lançamento em 04/08/2006, juntada As fls. 151/160, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos. Alega que a afirmação do auditor - de que os valores declarados em GIM e em DIC são inferiores Aqueles inseridos na Declaração Anual Simplificada apresentada A Receita não foi comprovada. Argumenta que os valores constantes dos livros e documentos fiscais da Autora refletem exatamente os montantes pelos quais se realizaram as operações comerciais de compra e venda, tendo o IRPJ, o PIS, a CSLL e a COFINS sido apurados com base em tais valores. Não há razão para que se recolham estes tributos em valores superiores aos efetivamente devidos. Esta impossibilidade jurídica 6 corolário dos princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade, da capacidade contributiva e do devido processo legal, 0 arbitramento efetuado tomou por base valores decorrentes de pauta fiscal, o que é ilegal, Apresenta jurisprudência em apoio a sua tese . Requer a improcedência do Auto de Infração . A la Turma da DRJ/Salvador, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação, nos termos do voto do relator, mantendo a autuação procedida, e decidindo, em síntese, que: a) Restaram verificadas as divergências entre as guias apresentadas ao Fisco Estadual e as Declarações Simplificadas prestadas LReceita Federal. b) Os documentos juntados na defesa já tinham sido analisados pela autoridade fiscal, e em nada inovam. c) Os valores inseridos nas declarações prestadas ao Fisco Estadual se referem a receita bruta com a revenda de mercadorias d) Tratando-se de alegação do contribuinte, o ataque à origem documental dos lançamentos, a ele incumbia o ônus da prova de suas assertivas, o que não fez. e) Não foram apresentados os livros Diário e Razão ou Caixa, mesmo após reiteradas intimações da fiscalização. A não apresentação de tais livros autoriza a apuração pot arbitramento do lucro. f) As conclusões advindas da apreciação do Auto de Infração relativo ao lançamento do IRPI devem ser estendidas àqueles relativos aos lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFÍNS. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1) A autoridade fiscal não fundamentou o arbitramento em nenhuma das hipóteses do art. 148 do CTN, nem tampouco instaurou procedimento regular de arbitramento, com as garantias do contraditório, tendo sido realizado à margem do contribuinte; 2) Os documentos que embasaram o arbitramento foram fornecidos por terceiros e deles não foi previamente notificado o contribuinte, para os contraditar. Assim, caracterizou-se cerceamento à ampla defesa. 3) Houve cerceamento de defesa também na fase contenciosa. 4) Requer, ao final, a nulidade do auto de infração; alternativa e sucessivamente, a redução da multa qualificada para o percentual previsto para a multa simples. o r elatório. 4 Processo e 10510.001705/2006-41 S1-C3T2 Acórdão rt.' 1302-00.352 Fl 305 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. O recorrente teve sua base de cálculo recalculada de oficio pela fiscalização, pelo critério do lucro arbitrado (art, 530, RIR/99), posto que não entregou os livros Razão ou Caixa requisitados, Segundo informa a fiscalização, somente os livros da matriz foram fornecidos, com preenchimento a partir do Ines de fevereiro de 2002, tendo sido alegado pelo contribuinte que os livros da filial 0002 haviam sido extraviados por motivo de incêndio . Foi acostado documento fornecido pelo corpo de bombeiros do Estado de Sergipe que atesta solicitação para debelar incêndio na Kombi de propriedade de ROBERTO OLIVEIRA FRAGA, estacionada em via pública (Av, Canal). 0 relato data de 11/03/2002, e se reporta ao incêndio datado de 17/02/2002. 0 auto de infração 6 relativo ao ano-calendário de 2002. Tal informação basta para se concluir pela não prestação de informações relativa ao período de 18/02/2002 até 31/12/2002, as quais foram requisitadas pela fiscalização e não entregues. Não foi adotada a cautela de comunicar o fato em 48h, destinada aos casos de extravio (§1° do art. 264, RIR). Não há comprovação de que os livros tidos por extraviados se encontravam no veiculo incendiado, cuja propriedade não era do recorrente, segundo o relato do corpo de bombeiros, e que estava estacionado em via pública no momento de constatação do incêndio. A fonte para o conhecimento da receita bruta reside nas declarações prestadas pelo recorrente ao Fisco Estadual. De acordo com os fatos acima, verifico que a fiscalização pautou-se de acordo com as normas vigentes. 0 arbitramento realizado de acordo com o art, 530 do RIR é forma de apuração do lucro, no caso em que a documentação do sujeito passivo não exista, revele indícios de fraudes, ou contenha vícios, erros ou deficiências que a torne imprestável para determinar o lucro real. Também é possível o arbitramento se o contribuinte, sujeito à apuração com base no critério do lucro presumido, deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, ou opta indevidamente por esta forma de tributação. Trata-se da modalidade de lançamento de oficio, prescrita no art. 149 do CTN, ao lado das modalidades de lançamento por declaração (art. 147) e por homologação (art, 150), de natureza subsidiária, e sem caráter sancionlrio. 5 No caso presente, encontram-se as condições para sua aplicação, havendo ausência de entrega de livros comerciais, os quais deveriam ter sido escriturados, vez que o recorrente foi excluído do Simples a partir de 01/01/2002. A alegação de cerceamento A ampla defesa, por não ter sido aberto procedimento específico para tal ato, não procede . Em primeiro lugar, porque o recorrente teve diversas possibilidades de infirmar os dados coletados de terceiros, inclusive na impugnação, mediante a prestação da totalidade daqueles que deveria possuir, e nisso não obteve sucesso. Em segundo lugar, porque o fundamento de validade do art. 47 da Lei 8,981/95 não reside no art, 148 do CTN, como entende o recorrente, não cabendo invocar as disposições e os procedimentos deste dispositivo para o caso vertente. Vale lembrar que o art. 148 rege os casos nos quais a autoridade arbitra valor ou preço de bem, direito, serviço ou ato jurídico, sempre que sejam omissos ou que não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. No caso vertente, a autoridade lançadora não arbitrou valor ou pew, adotando aqueles informados pelo próprio recorrente em sua declaração prestada As autoridades fiscais estaduais. Neste sentido, já decidiu a antiga 5' Camara do 1 0 Conselho de Contribuintes, no julgamento do recurso 162.415, com voto condutor do Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, seguido à unanimidade, que abaixo parcialmente transcrevo. ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o arbitramento do prep de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, Com relação a adoção de dados prestados em declaração firmada pelo próprio contribuinte, e sua incompatibilidade com o conceito de arbitramento prescrito no art. 148 do CTN, destaco o voto condutor do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso n° 153.338, também julgado A unanimidade: VALOR DE BEM UTILIZADO EM DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO FLUXO DE" CAIXA - VALOR CONSTANTE EM DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DESNECESSIDADE DE ARBITRAMENTO - Quando o cálculo do tributo tome por consideração o valor de bens ou direitos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor; sempre que não mereçam . fé as declarações, os esclarecimentos prestados ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo. Entretanto, não há que se falar em arbitramento, na .forma do art,. 148 do Código Tributário Nacional, quando o valor do bem, objeto da aplicação do recurso em .fluxo de caixa, consta na declaração de bens e direitos do contribuinte. Assim, incabível ao caso a aplicação do art, 148, restam sem fundamento as alegaç4s de cerceamento a ampla defesa decorrentes, 6 Processo n° 10510.001705/2006-41 51 -C3T2 Acórdão n ° 1302-00352 Fl 306 Quanto a alegação de violação a ampla defesa no contencioso, seguem desacompanhadas de motivação, bem como dos fatos que a tenham propiciador Quanta a este ponto, cumpre ressaltar que a prova incumbe a quem alega, devendo ser rechaçada também tal postulação. A multa de 150% foi aplicada pela autoridade, que vislumbrou o evidente intuito de fraude na conduta de prestar a DIC (Declaração de Informações do Contribuinte) e GIM (Guia de Informação Mensal), ambas à Secretaria da Fazenda, e aos registros efetuados no Livro de Apuração do ICMS em valores bem superiores àqueles declarados na Declaração Simplificada (PI 2003 - SIMPLES), ano-calendário 2002. Tendo em vista que a declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo, entendo que falseá-la, reduzindo-lhe os valores de receita bruta, é conduta tendente a esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores . Provada a redução com base em declarações e informações prestadas à Fazenda Estadual, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o crédito tributário lançador , \\ .e...0%.0... ,...,,,\-- I EDUARDO E \ ANDRADE - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10707.001578/2006-83
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
PRELIMINARES DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA
INSTÂNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NEGATIVA DE PERÍCIA.
Estando a decisão de primeira instância devidamente fundamentada, inclusive
a negativa da perícia, rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão de
primeira instância.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTABILIDADE PARALELA COMO
PROVA.
A contabilidade paralela pode ser utilizada como prova por ter sido obtida de
forma lícita, por meio de laudo pericial da Polícia Federal, e pelo fato da
fiscalização ter aprofundado a investigação, trazendo aos autos, outros
indícios graves, precisos e convergentes, que em seu conjunto, permitem
concluir que o sujeito passivo mantinha contabilidade paralela.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE
DEFESA. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES PRESTADAS POR
TERCEIROS.
Durante o procedimento fiscal é permitilo à fiscalização obter informações
de terceiros; a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto
70.235/72 instaura a fase litigiosa do procedimento, assim, a oportunidade da
contribuinte se manifestar se dá com a apresentação da impugnação e
posteriormente com a apresentação do recurso voluntário; conseqüentemente
não ocorreu cerceamento do direito de defesa.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA.
No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do
CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a
contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e
simulação, situação em que se aplica o art. 173, I, do CTN, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após o
prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS.
Nos termos do inciso II do art. 281 do RIR199, a falta de escrituração de
pagamentos efetuados, caracteriza-se como omissão no registro de receitas,
ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA
A constatação de saldo credor na conta Caixa, caracteriza-se como omissão
no registro de receita, ressalvado ao sujeito passivo a prova da improcedência
da presunção, nos termos do inciso Ido art. 281 do RIR199.
GLOSA DE CUSTOS.
A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova
documental hábil e idônea das respectivas operações.
JUROS SELIC - SÚMULA N°4 DO 1° CC.
Conforme dispõe a Súmula n°4 do 1° CC, a partir de P' de abril de 1995, os
juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela
Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à
taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para
títulos federais.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N° 2 DO 1°
CC.
O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar
sobre a constitucionalidade de lei tributária, de acordo com o disposto na
súmula n° 2.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO.
Presentes os pressupostos legais para imposição das multas aplicadas. Não há
base legal que ampare a redução da multa qualificada e da multa de 75%,
para 20%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA Estende-se o decidido em relação ao lançamento
do tributo principal às exigências reflexas, em razão da estreita relação de
causa e efeito.
ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - I RR F
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA.
Conforme o disposto no art. 674 do RIR199, está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e também nas situações em que não é comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1401-000.002
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passaria a integrar o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINARES DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NEGATIVA DE PERÍCIA. Estando a decisão de primeira instância devidamente fundamentada, inclusive a negativa da perícia, rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTABILIDADE PARALELA COMO PROVA. A contabilidade paralela pode ser utilizada como prova por ter sido obtida de forma lícita, por meio de laudo pericial da Polícia Federal, e pelo fato da fiscalização ter aprofundado a investigação, trazendo aos autos, outros indícios graves, precisos e convergentes, que em seu conjunto, permitem concluir que o sujeito passivo mantinha contabilidade paralela. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES PRESTADAS POR TERCEIROS. Durante o procedimento fiscal é permitilo à fiscalização obter informações de terceiros; a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72 instaura a fase litigiosa do procedimento, assim, a oportunidade da contribuinte se manifestar se dá com a apresentação da impugnação e posteriormente com a apresentação do recurso voluntário; conseqüentemente não ocorreu cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, situação em que se aplica o art. 173, I, do CTN, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após o prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Nos termos do inciso II do art. 281 do RIR199, a falta de escrituração de pagamentos efetuados, caracteriza-se como omissão no registro de receitas, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA A constatação de saldo credor na conta Caixa, caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvado ao sujeito passivo a prova da improcedência da presunção, nos termos do inciso Ido art. 281 do RIR199. GLOSA DE CUSTOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações. JUROS SELIC - SÚMULA N°4 DO 1° CC. Conforme dispõe a Súmula n°4 do 1° CC, a partir de P' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N° 2 DO 1° CC. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária, de acordo com o disposto na súmula n° 2. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. Presentes os pressupostos legais para imposição das multas aplicadas. Não há base legal que ampare a redução da multa qualificada e da multa de 75%, para 20%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal às exigências reflexas, em razão da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - I RR F Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Conforme o disposto no art. 674 do RIR199, está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e também nas situações em que não é comprovada a operação ou a sua causa.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NEGATIVA DE PERÍCIA. Estando a decisão de primeira instância devidamente fundamentada, inclusive a negativa da perícia, rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTABILIDADE PARALELA COMO PROVA. A contabilidade paralela pode ser utilizada como prova por ter sido obtida de forma lícita, por meio de laudo pericial da Polícia Federal, e pelo fato da fiscalização ter aprofundado a investigação, trazendo aos autos, outros indícios graves, precisos e convergentes, que em seu conjunto, permitem concluir que o sujeito passivo mantinha contabilidade paralela. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES PRESTADAS POR TERCEIROS. Durante o procedimento fiscal é permitilo à fiscalização obter informações de terceiros; a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72 instaura a fase litigiosa do procedimento, assim, a oportunidade da contribuinte se manifestar se dá com a apresentação da impugnação e posteriormente com a apresentação do recurso voluntário; conseqüentemente não ocorreu cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, situação em que se aplica o art. 173, I, do CTN, que dispõe que o f? Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 A. 2.799 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após o prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Nos termos do inciso II do art. 281 do RIR199, a falta de escrituração de pagamentos efetuados, caracteriza-se como omissão no registro de receitas, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA A constatação de saldo credor na conta Caixa, caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvado ao sujeito passivo a prova da improcedência da presunção, nos termos do inciso Ido art. 281 do RIR199. GLOSA DE CUSTOS. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações. JUROS SELIC - SÚMULA N°4 DO 1° CC. Conforme dispõe a Súmula n°4 do 1° CC, a partir de P' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N° 2 DO 1° CC. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária, de acordo com o disposto na súmula n° 2. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. Presentes os pressupostos legais para imposição das multas aplicadas. Não há base legal que ampare a redução da multa qualificada e da multa de 75%, para 20%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal às exigências reflexas, em razão da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - I RR F Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Conforme o disposto no art. 674 do RIR199, está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não (Q 2 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 E. 2.800 identificado e também nas situações em que não é comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – • ' , por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de decai ' — no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que pasii• • egrar o presente julgado. /ft r • CO: n INICIUS NEDER DE LIMA : resi. ente ALBERTIN SI VA SANTOfi DE LIMA Relatora Formalizado em: 19 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Marcos Shigueo Takata, Silvana Rescigno Guerra Barreto (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Relatório I – DA AUTUAÇÃO Trata-se de lançamento do IRPJ, IRRF e contribuições (CSLL, PIS e COFINS), em razão das seguintes infrações: a) Omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa (tópicos 6.2 e 5.5 do Termo de Verificação Fiscal – TVF) para os anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 150%; b) Omissão de receitas caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (tópicos 6.1, 5.2 "contabilidade paralela"e 5.3 "auditoria da conta fornecedores" do TVF), para os anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 75% para a infração relativa a auditoria da conta fornecedores e de 150% para a infração de relacionada com a contabilidade paralela; 3 Processo n' 10707.001578/200643 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.801 c) Glosa de custo, para o ano-calendário de 2001, em virtude da contabilização dos documentos iniclôneos (tópicos 6.3 e 5.4 do TVF); foi lançada multa de oficio de 150%; d) Compensação indevida de prejuízo fiscal, para o ano-calendário de 2003, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 75%. O prejuízo fiscal foi apurado no 4° trimestre de 2003 no valor de R$ 23.710,49, tendo em vista as reversões dos prejuízos após os lançamentos das infrações constatadas nos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003. Houve o lançamento do PIS e COFINS para as infrações dos itens "a" e "h" e de CSLL para as infrações dos itens "a" a "c". Houve o lançamento do IRRF em face de pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, conforme itens 6.4, 5.1 (pagamentos efetuados à Ubigás) e 5.4 do TVF (compras de álcool hidratado). Foi aplicada multa de 150%. A justificativa pormenorizada para aplicação da multa qualificada consta no item 9 do TVF de fls. 625 a 631. A ciência dos lançamentos se deu em 22.12.2006. O valor total do crédito tributário lançado supera R$ 21 milhões. Foram incluídos como responsáveis solidários os acionistas/administradores, conforme art. 134, III, do CTN: o espólio do Sr. Antonio Carlos Chebabe, Maria Cristina Chebabe Elias e Osmar Silva Gonçalves. A fiscalização afirma que a ação fiscal foi iniciada com base nas investigações conduzidas pela Polícia Federal, a qual apontou uma organização criminosa instalada na cidade de Campos dos Goytacazes, voltada para o cometimento de crimes de sonegação fiscal. Essa organização denominada de "Rede Chebabe" era comandada por Antonio Carlos Chebabe e seu genro Djanir Soares de Azevedo, conforme relato em despacho proferido pelo Ministério Público Federal. No centro dessa organização encontrava-se a empresa Ubigás Petróleo, tendo como sócios os srs. Abel Benevides de Azevedo e Albenir Soares de Azevedo, ambos funcionando como laranjas da empresa, em troca de remuneração mensal, mas que, o sócio de fato da empresa era o sr. Antonio Carlos Chebabe. A fiscalização faz extensa explanação sobre as razões dessa conclusão. • 5.1 do TVF: pagamentos sem causa à Ubigás Petróleo A Polícia Federal apreendeu a contabilidade paralela da Ubigás Petróleo. As pessoas que pertencem ao grupo CHEBABE são identificadas nessa contabilidade por meio de códigos. Da análise da contabilidade paralela e dos demais documentos disponibilizados, a fiscalização concluiu que os códigos referem-se às seguintes pessoas: X1 - Chebabe Transportes S/A (atual AGE — Logística e Transportes S/A), X4 - Chebabe Cereais S/A, X9 - Chebabe Pneus Ltda, X11 - Chebabe Distribuidora de Petróleo (atual PUIG Distribuidora de Petróleo S/A), Km 10 - Campos Garoupa Ltda, "ACC, 133 e Fundo de Reserva" — Sr. Antonio Carlos Chebabe. Para cada código apontado, a fiscalização evidencia as razões que a levaram a essa conclusão. 4 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.• 1401-00.002 Fl. 2.802 A fiscalização afirma que o Sr.Antônio Carlos Chebabe de fato era o verdadeiro dono da empresa Ubigás Petróleo Ltda, e que os Srs. Abel Benevides de Azevedo e Abelnir Soares de Azevedo figuravam apenas como interpostas pessoas dessa empresa. A empresa Ubigás Petróleo exercia a atividade de transportador, revendedor retalhista de querosene, óleo diesel, óleo BPF, derivados de petróleo em geral, exceto gasolina, álcool carburante e gás liquefeito de petróleo (GLP) Na atividade comercial da Ubigás, seus clientes liquidavam suas obrigações com a empresa repassando os cheques recebidos em seus postos. Além desses recursos a empresa também recebia cheques emitidos por outras empresas do grupo, muitas vezes por mera liberalidade, não tendo essas empresas negócios comerciais ou financeiros com a Ubigás. Só a Chebabe Cereais no período de 2001 a 2003 repassou à Ubigás o montante de R$ 768.962,00. Os cheques recebidos por essa empresa eram utilizados para quitar suas obrigações. Todavia, a empresa não liquidava somente as obrigações contraídas por ela. Os recursos muitas vezes serviram para liquidar obrigações contraídas por outras empresas do grupo. Essas operações, tanto do recebimento de cheques, como da utilização de recursos para quitação de títulos de terceiros, em nenhum momento foram registradas nos livros oficiais da Ubigás, tampouco nos Livros das demais pessoas do grupo. Assim, os pagamentos da Chebabe Cereais à Ubigás mediante a entrega de cheques só eram registrados na contabilidade paralela da Ubigás (nos documentos identificados como "Boletim de Caixa do dia ..." ou nos documentos que identificam os cheques recebidos pela Ubigás — relatório "R11") contabilidade esta apreendida pela Polícia Federal. Na escrita contábil da Chebabe Cereais, a empresa debitava a conta caixa e creditava a conta Bancos, como se houvesse descontado os cheques na agência bancária para reforçar o caixa da empresa. Mas, esses cheques foram utilizados pela Ubigás para liquidar não só as suas obrigações como as de outras empresas do grupo. A fiscalização relaciona às fls. 521/532, uma amostra dos cheques emitidos pela Chebabe Pneus, AGE e PUIG, em favor da Ubigás, bem como uma amostra dos pagamentos efetuados pela Ubigás em favor da AGE — Logística e Transportes, da Chebabe Pneus, da PUIG e do sr. Antonio Carlos Chebabe. Ressalta que todas essas pessoas compõem o "GRUPO CHEBABE". Esclarece que com a quebra de sigilo bancário do GRUPO CHEBABE, autorizada pela Justiça Federal, o Banco Bradesco foi intimado a enviar à fiscalização cópia de cheques emitidos pela Chebabe Cereais e documentos que informassem a destinação dada aos referidos cheques (fl. 756/776). Em 22.03.2006, pelo TIF de fls. 313/317, a fiscalizada foi intimada a esclarecer o motivo de ter emitido os cheques especificados em favor da Ubigás, "cheques esses utilizados por esta empresa em suas operações comerciais". Também foram solicitados esclarecimentos em relação aos lançamentos contábeis, uma vez que somente havia a contabilização dos ingressos de recursos no caixa, por meio de lançamentos a débito da conta Caixa e a crédito da conta Banco, não havendo a contabilização das saídas dos recursos para pagamento à Ubigás. Na intimação foram relacionados 9 cheques que totalizaram R$ 843 mil. A fiscalizada respondeu que os cheques foram efetivamente utilizados para suprimento de caixa, porém em vez de sacados na "boca do caixa", foram trocados por dinheiro junto à Ubigás e como o cheque é ordem de pagamento à vista, o lançamento contábil (ïe, s Processo n° 10707.001578/2006-83 SI -C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.803 efetuado foi a débito da conta Caixa e a crédito da conta Banco. Declarou ainda que não havia o registro contábil do pagamento à Ubigás porque simplesmente não houve qualquer negócio jurídico entre as duas empresas. A fiscalização afirmou que a fiscalizada jamais registrou em sua contabilidade a troca de cheques por recursos provenientes da Ubigás. Destaca a fiscalização que há a necessidade de a fiscalizada descrever no histórico dos lançamentos contábeis as operações envolvendo a troca de cheques por moeda em espécie, fato este que não ocorreu, uma vez que, o histórico dos lançamentos apenas descreve a baixa de determinado cheque, como se este tivesse sido descontado na "boca do caixa" da instituição bancária, sendo que em nenhum momento, a Ubigás registrou as operações de troca de cheque em seus livros contábeis. Destaca também que em relação a suposto suprimento de caixa efetuado pela Ubigás, tratando-se de empresa ligada, haveria a necessidade de a fiscalizada comprovar o efetivo recebimento dos recursos provenientes daquela. Acrescenta que as operações feitas em moeda corrente têm exatamente como falha, a falta de documentação hábil e idônea conseqüente que comprove sua efetividade e, cabendo o ônus de tais comprovações à fiscalizada, deve ela arcar com as conseqüências da escolha de um método de transferência que não seja eficazmente comprovável. Tanto a fiscalizada como as outras empresas que compõem o GRUPO CHEBABE emitiram cheques em favor da Ubigás sem que houvesse entre elas qualquer transação comercial ou financeira. Os cheques recebidos por essa empresa eram registrados em seus boletins de caixa ou em seus relatórios "1111". Nos boletins constam os recebimentos e pagamentos efetuados pela Ubigás. Nos relatórios "R11" são identificados os cheques recebidos pela Ubigás que eram entregues ao Bradesco para depósitos, pagamentos de títulos etc. A fiscalização exemplifica com o histórico dos lançamentos contábeis. Conclui que os cheques emitidos pela fiscalizada cujo favorecido foi a UBIGÁS, não foram trocados por dinheiro nem se destinaram a nenhuma transação comercial ou financeira entre a fiscalizada e a Ubigás, sendo considerados como pagamentos sem causa ou motivo jurídico, estando sujeitos à incidência do IRRF, conforme § 1° do art. 674 e o o inciso IV, do art. 841, do RIR199. Tais cheques foram utilizados para financiar o GRUPO CHEBABE, onde a Ubigás por diversas vezes quitou obrigações suas e de empresas integrantes do grupo. Consta no TVF que os documentos comprobatórios da infração encontram-se às fls. 310 a 335, 336 a 703 do Mexo 1, e 777 a 1573 do processo. Tendo em vista que a maioria dos recursos provenientes dos cheques utilizados para pagamentos à Ubigás ingressou no caixa da fiscalizada, não havendo a correspondente saída dos mesmos quando do pagamento àquela empresa, fez-se necessário o ajuste da conta Caixa, conforme tópico 5.5 — saldo credor de caixa. Os cheques cujos pagamentos foram efetuados à UBIGAS estão relacionados às fls. 387 dos autos e totalizam a importância de RS 768.962,00 e os lançamentos contábeis na conta caixa se referem ao período de 30.07.2001 a 11.03.2003. • 5.2 do TVF: CONTABILIDADE PARALELA • 6 Processo n°10707.001578/2006-83 SI -C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.804 Como citado anteriormente, a investigação conduzida pela Policia Federal, apontou para a existência de uma organização criminosa, voltada para o cometimento de crimes de sonegação fiscal nas transações comerciais realizadas com produtos derivados de petróleo, tendo como centro das operações a empresa UBIGÁS. Nos monitoramentos realizados foi possível estabelecer uma divisão de tarefas entre aqueles que organizavam as atividades fraudulentas do GRUPO CHEBABE e os agentes públicos envolvidos. Para a comprovação do esquema foram determinadas pela Justiça Federal operações de busca e apreensão de documentos e computadores nos endereços das pessoas fisicas e jurídicas vinculadas ao GRUPO CHEBABE. Na oportunidade, a Polícia Federal apreendeu mídias eletrônicas nas dependências da Chebabe Cereais. O Núcleo de Criminalística — NUCRIM — do DPF enviou à fiscalização o Laudo n° 10.450/04-SR/RJ do exame em mídia de armazenamento computacional acompanhado de dois DVDs com conteúdo dos dados apurados (fls. 747/755). Por meio de análises efetuadas nessas mídias foi verificada a existência de arquivos contábeis e fiscais onde eram registradas operações efetuadas pela empresa, muitas delas não contabilizadas em seus livros Diário e Razão. Um dos arquivos relaciona as compras efetuadas pela fiscalizada e pagas por ela, no período de 08.03.95 a 27.08.2003. As compras registradas nos Livros de Registro de Entradas (livros oficiais) estão inseridas nessa relação. A relação de compras encontra-se às fls. 1 a 210 do Anexo 2. As compras cujo campo "série" é identificado como "CPF" não foram registradas em seus livros oficiais. Essas compras foram adquiridas e pagas pela empresa, porém, parte das notas fiscais foi emitida em nome de terceiros. Outro arquivo identifica os pagamentos efetuados pela fiscalizada a seus fornecedores. Diversos pagamentos relacionados nesse arquivo estão contabilizados pela empresa em seus livros Diário e Razão. A relação dos pagamentos encontra-se às fls. 211/870 do Anexo 2. Os pagamentos relacionados às compras cujo campo série do arquivo primeiro é identificado como "CPF" não foram contabilizados pela fiscalizada em seus livros oficiais. O terceiro arquivo identifica os lançamentos contábeis das operações efetuadas pela empresa. Da mesma forma que os demais arquivos, contempla os lançamentos registrados nos Livros Diário e Razão da empresa. Contém lançamentos a partir de 01.07.2002. A relação dos mesmos encontra-se às fls. 871 a 1614 do Mexo 2. Os arquivos estão armazenados na pasta EXPORT do DVD identificado como "LAUDO 10450/04-SR/RJ — CÓPIA 2/2, que se encontra na contracapa do processo. A partir da análise dos arquivos contidos na mídia apreendida pela Polícia Federal verificou-se que: a) Todas as compras cujo campo "SERIE" equivale ao código "CPF" não foram registradas nos livros Registro de Entrada apresentados pela empresa à fiscalização. Da mesma forma, os pagamentos relacionados a tais compras não foram contabilizados pela empresa; est( 7 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.805 b) Os pagamentos de determinadas compras cujos campos "SERIE" equivale ao código "Ml" foram registradas nos livros Diário e Razão por valores inferiores aos registrados nos arquivos contábeis ou, não foram contabilizados nos livros oficiais; c) Diversos pagamentos relacionados às compras referidas nas letras "a" e "b" se deram por meio de emissão de cheques da empresa; d) A partir de julho de 2002, houve a possibilidade de identificar os recursos que foram utilizados para quitar as obrigações contraídas pela empresa em nome próprio ou de terceiros, por meio dos lançamentos registrados no arquivo "lanclote[225].dbf". Com o objetivo de apurar os fatos, foi procedida a intimação tanto à fiscalizada quanto aos fornecedores da empresa e foi tomado a termo depoimentos de pessoas envolvidas nessas operações. A fiscalizada foi intimada a esclarecer as operações de compras efetuadas pela empresa, a apresentar as notas fiscais emitidas pelos diversos fornecedores e a apresentar os pedidos de compras identificados nos arquivos e foram enviadas planilhas relacionadas às operações. Na intimação foi feito breve relato da análise desenvolvida nos arquivos magnéticos contidos na mídia apreendida pela Polícia Federal na sede da empresa. A fiscalizada respondeu declarando não reconhecer as operações listadas nas planilhas, bem como não reconhecer como sendo seus os registros de dados de informática (fl. 359). Nas circularizações efetuadas junto aos fornecedores da fiscalizada, estes foram intimados a apresentar as cópias das notas fiscais emitidas contra a CHEBABE Cereais, os esclarecimentos quanto à forma de quitação das mercadorias vendidas à CHEBABE Cereais, os documentos de comprovação dos pagamentos, os nomes dos responsáveis pela negociação de compra e venda de mercadorias, tanto na empresa circularizada quanto na fiscalizada, e a forma de negociação das vendas junto à fiscalizada. As circularizações foram efetuadas junto à (i) Indústria Andrade Latorre S/A, (ii) Indústria de Fósforos Catarinenese Ltda, (iii) União Fabril Exportadora S/A UFE, (iv) CADM Consultoria e Administração Agroindustrial Ltda. Também foram tomados depoimentos do Sr. Luiz Fernando Ribeiro Parente, um dos fornecedores da fiscalizada (fls. 1972/1979) do anexo 2. Este senhor é produtor de cana-de-açúcar e comercializa a matéria prima junto às diversas Usinas de Campos de Goytacazes. Outras intimações e depoimentos ocorreram em relação às seguintes pessoas físicas e jurídicas: intimações para (i) Rodoviário Sol Nascente, (ii) Mário Orlando Júnior, sócio da Pinheiro Filho & Cia Ltda; depoimentos para (i) Geovane dos Santos Pinto, responsável pelo transporte de mercadorias adquiridas pela fiscalizada da União Fabril (fls. 2006/2014 do anexo 2); Alexandre Ribeiro de Souza, empregado da fiscalizada até 1999 e sócio da Cash Comércio e Distribuição de Cereais Ltda e casado com a neta do sr. Antonio Carlos Chebabe, (iii) Antonio Augusto de Souza Russo, sócio da empresa Rodoviário Sol Nascente Ltda (fls. 1985 a 1989 do anexo 2) fls. 1985/1989 do anexo 2, (iv) Marlon Ferreira Barbosa, vendedor da empresa União Fabril Exportadora S/A desde 1996 (fls. 2025/2042 do anexo 2), (v) Sandra Cristina Ribeiro Carvalho que trabalhou na fiscalizada desde 1994 (fls. 2043 a 2051 do anexo 2), (vi) Sr. Osmar Silva Gonçalves, diretor-comercial da fiscalizada (fls. 2052/2061 do anexo 2), (vii) Sr. José Breno Campos, contador da fiscalizada (fls. 2062/2070 do anexo 2). (1? s Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.806 Concluiu a fiscalização que: a) A fiscalizada adquiriu mercadorias em nome de terceiros que tinham como destino final as dependências da empresa. A negociação dessas mercadorias era executada pela funcionária da empresa Sra. Sandra cumprindo ordens de seus patrões, os srs. Antonio Carlos Chebabe e Maria Cristina Chebabe Elias; b) Nesse esquema de sonegação fiscal, houve a participação de no mínimo três empresas: Auto Serviço Vila Capixaba Ltda, Auto Posto Ultra Rápido Ltda e Cash Comércio e Distribuição de Cereais Ltda, todas com domicílio no Estado do Espírito Santo. Uma das empresas, a Cash Comércio, tinha como sócio o sr. Alexandre Ribeiro de Souza, genro da sra. Maria Cristina Chebabe Elias, que é filha do sr. Antonio Carlos Chebabe; c) Ao analisar as informações constantes dos Sistemas de Informação da SRF, constatou que a única empresa que teve receita no período de 2001 a 2003 foi a empresa Cash Comércio e Distribuição de Cereais Ltda, no montante de R$ 329,80, obtida no ano- calendário de 2002. Esta empresa vem apresentando suas declarações, como inativa desde o ano de 2004. Já as empresas Auto Serviço Vila Capixaba Ltda e Auto Posto Ultra Rápido Ltda apresentaram suas últimas declarações, a DIRPJ 1997, no ano de 1998. Ambas se encontram inaptas desde 22.02.2003 pelo motivo de "omissa não localizada" (fl. 2103 a 2113 do anexo 2); d) Em depoimentos tomados na DRF de Campos dos Goytacazes junto aos responsáveis pelo transporte das mercadorias, os Srs. Antonio Augusto de Souza Russo, sócio da empresa Rodoviário Sol Nascente, e Geovane dos Santos Pinto, declararam que as mercadorias adquiridas em nome de terceiros pela fiscalizada eram descarregadas nas dependências desta empresa; e) As mercadorias adquiridas em nome de terceiros pela fiscalizada foram pagas com recursos da empresa, uma parte utilizando recursos mantidos em conta corrente, em torno de R$ 3,1 milhões, mas, tanto as compras como os respectivos pagamentos não foram contabilizados em seus livros Diário e Razão e Registro de Entradas; O A fiscalizada contabilizou a aquisição de determinadas compras por valor inferior ao registrado em seus arquivos contábeis (contabilidade paralela — campo "SÉRIE" equivalente ao código "Ml"). O detalhe importante é que os cheques utilizados para pagamentos dessas compras tinham o valor idêntico ao valor do pagamento escriturado na contabilidade paralela — arquivo de pagamento "iop[179].dbf". Outra parte das compras — Série MI — nem contabilizada foi. Tratamento dado aos pagamentos: a) Pagamentos efetuados por meio da emissão de cheques de titularidade da Chebabe Cereais: Compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "CPF" — o caixa da empresa foi ajustado por meio do lançamento a crédito, tendo em vista que os recursos relativos aos cheques emitidos pela Chebabe Cereais ingressaram no caixa da empresa sem que houvesse a contabilização dos pagamentos. A relação de tais pagamentos consta da planilha "COMPRAS — CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE CPF — PAGAMENTOS EFETUADOS COM CHEQUES DA EMPRESA" — fls. 388 a 389); Compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "Ml". O caixa da empresa foi ajustado por meio do lançamento a crédito da diferença entre o valor pago e o escriturado pela empresa, tendo em vista que a Chebabe Cereais registrou somente uma parte do pagamento. A relação consta da planilha 9 Processo n° 10707.001578/2006-83 S1-C4T1 Acórdão n.°1401-00.002 Fl. 2.807 "CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE MI — PAGAMENTOS EFETUADOS COM CHEQUES DA EMPRESA" FLS. 390; b) Pagamentos efetuados por meio de outros recursos: Compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "CPF" — havia indícios de que esses pagamentos teriam sido feitos com recursos estranhos à contabilidade. A relação dos mesmos consta da planilha "CONTABILIDADE PARALELA — DEMAIS PAGAMENTOS — SÉRIE CPF" fls. 371 a 385; Compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "Ml" — Havia indícios de que parte desses pagamentos havia sido efetuada com recursos estranhos à contabilidade. Os pagamentos não quitados por meio da emissão de cheques estão relacionados na planilha "CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE M1 — DEMAIS PAGAMENTOS" fls. 386. Em relação aos pagamentos do item "b" — pagamentos não contabilizados — a empresa foi intimada (fls. 365/492), a esclarecer e comprovar a origem dos recursos utilizados para quitar as diversas obrigações da empresa, uma vez que deixou de contabilizar diversos pagamentos. A empresa respondeu que não reconhecida a contabilidade paralela, não reconhecia os pagamentos efetuados e as compras mencionadas. Não tendo a empresa, prestado os esclarecimentos sobre a origem dos recursos, o fisco, presumiu amparado no inciso II, art. 281, do RIR/99, que a origem de tais recursos encontra-se na omissão de receitas. • 5.3 do TVF: Auditoria da conta fornecedores A fiscalizada foi intimada a apresentar documentos hábeis que comprovassem os lançamentos na conta fornecedores. Esta respondeu que não localizou diversas duplicatas. Paralelamente foram emitidos MPFE às empresas com as quais o sujeito passivo manteve transação de compra de mercadorias nos anos-calendário de 2000 a 2003. As empresas foram intimadas a elaborar planilha com a relação das vendas de mercadorias/serviços efetuadas à empresa CHEBABE. Atendidas as intimações foi efetuado o confronto das informações constantes das planilhas apresentadas pelas empresas com os lançamentos registrados nos livros Razão e também com os lançamentos, cujos comprovantes não haviam sido entregues pela empresa. Constatou a fiscalização, que diversas duplicatas haviam sido baixadas em datas posteriores à da efetiva quitação e outras, nem sequer tiveram a sua baixa contabilizada. O sujeito passivo foi novamente intimado a esclarecer as divergências mencionadas que foram detalhadas. Para confrontar as informações que viessem a ser trazidas pela CHEBABE CEREAIS, alguns de seus fornecedores foram circularizados, sendo solicitados a eles as notas fiscais emitidas contra a fiscalizada e os comprovantes de quitação das compras adquiridas pela fiscalizada. Com base em toda a documentação apresentada pela fiscalizada e pelas diligenciadas, foram identificadas nos anos de 2001 a 2003, irregularidades na Contabilidade da CHEBABE a seguir mencionadas: (i) Pagamentos não contabilizados, (ii) pagamentos contabilizados em data posterior à da efetiva quitação das duplicatas, (iii) incorreções nos registros dos pagamentos, tendo em vista que a empresa registrava a baixa das duplicatas creditando a conta fornecedores e debitando a conta caixa. O segundo e o terceiro caso requereram a recomposição da conta caixa da empresa sendo abordados no item 5.5: "saldo credor de caixa". O primeiro caso foi considerado como indício de omissão de receitas (art. 281, II, do RIR/99). A empresa foi novamente intimada (fls. 365/492) a esclarecer e comprovar a origem dos recursos utilizados para quitar as diversas obrigações da empresa, uma vez que eço lo Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4TI • Acórdão n.' 1401-00.002 Fl. 2.808 deixou de contabilizar diversos pagamentos. Em síntese a autuada alegou erros no registro dos pagamentos, baixa em data posterior, e que a origem dos recursos foi o caixa da empresa. A fiscalização concluiu que se a contribuinte tivesse liquidado as suas obrigações com recursos do caixa, deveria contabilizar os pagamentos devidamente. A fiscalizada alegou ainda: que em relação às operações com a Rio de Janeiro Refrescos, não houve as compras efetuadas por meio das notas fiscais de que trata o item 1.1. da intimação, bem como não considerava como documentos comprobatórios dos pagamentos a relação de sacados fornecida pela instituição financeira e que não havia prova do recebimento das mercadorias. Em relação a esse fato, a fiscalização considerou que os documentos que a fiscalização dispõe são incontestes. A Rio de Janeiro Refrescos foi fornecedora de mercadorias do sujeito passivo no período de 2001 a 2003. Como prova das transações, há notas fiscais emitidas contra a fiscalizada e também, comprovantes de pagamentos relacionados a tais notas. Concluiu a fiscalização que a falta de contabilização de pagamentos de obrigações autoriza, de forma relativa, a presunção de que tais obrigações foram pagas com recursos à margem da escrituração. Exige-se para afastá-la, a prova de que os recursos não são originários de receitas omitidas. Inexistindo a prova, prevalece a presunção (art. 281, II, do RIR199). Os elementos de prova da fiscalização estão relacionados às fls. 576/578. • 5.4 e 6.3 Compras de álcool hidratado A empresa no ano-calendário de 2001 adquiriu para revenda álcool hidratado de três empresas domiciliadas na cidade de Campo de Goytacazes (Disnabe, Hart e Sanibrás) e foi intimada a comprovar os pagamentos. Concluiu a fiscalização, que os documentos apresentados (fls. 252 a 255 e 272 a 278) não foram hábeis para comprovar as compras efetuadas. Foram analisadas as declarações das três empresas mencionadas do ano-calendário de 2001 e verificou-se que estas não declararam receitas naquele ano, sendo que a Hart e a Disnabe apresentaram declarações como inativas e a Disnabe, optante do Simples, apresentou declaração com receita nula. Tais empresas foram intimadas a informar a data de quitação dos títulos relacionados às notas fiscais emitidas por elas contra a CHEBABE e a apresentar os respectivos comprovantes de quitação. Os sócios das três empresas negaram ter comercializado com a CHEBABE. A sócia da Sanibrás declarou que nunca efetuou venda à CHEBABE e/ou suas filiais, informando que sua sala foi arrombada e que documentos importantes foram furtados. Apresentou cópia de jornal datada de 01.12.2000, com o anúncio do extravio de seus talões de notas fiscais de n° 0001 a 1500. As notas apresentadas pela CHEBABE como de emissão da Sanibrás fazem parte dessa numeração. As informações trazidas pela autuada eram de que parte das compras de álcool havia sido quitada por meio de pagamentos efetuados com cheques da empresa e que os mesmos haviam sido devidamente contabilizados (pagamentos à Hart e Disnabe), e que a outra parte havia sido paga com recursos de caixa. Como a maior parte dos cheques emitidos pela empresa era de sua conta mantida junto ao Bradesco, solicitou-se a esse Banco, cópias frente e verso de tais cheques e destinação dada aos mesmos. Dos cheques recebidos constatou-se que nenhum dos cheques foi depositado em contas dos fornecedores de álcool. Encontravam-se entre os beneficiários dos recursos diversas pessoas, entre elas, a empresa Ubigás (de propriedade do Sr. Antonio Carlos Chebabe), a CADM e a Usina Cupim (ambas fornecedores de açúcar da CHEBABE). (ll Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.809 Diante desses fatos, a empresa foi intimada a justificar o motivo de os pagamentos das compras de álcool hidratado por meio de cheques terem sido feitos a diversas pessoas e não às empresas Hart e Disnabe. Deveria justificar a causa/finalidade dos pagamentos terem sido efetuados a essas pessoas e não aos fornecedores, com documentação idônea. Respondeu a autuada que as empresas Hart e Disnabe faltaram com a verdade ao afirmarem não ter realizado comércio com ela. No tocante aos cheques informou que os mesmos foram entregues ao portador e o fato de terem sido descontados em favor de pessoas diversas deveria ser explicado por essas empresas. Como havia indícios de que as operações envolvendo a compra de álcool não haviam ocorrido, tomou-se necessário circularizar as pessoas que possivelmente estariam envolvidas nas operações de compra e venda de álcool hidratado. De posse das notas fiscais de venda emitidas pela CHEBABE, recebidas pela fiscalização foram extraídos dados que identificaram as pessoas responsáveis pelo transporte do álcool, os veículos utilizados no transporte e os adquirentes do produto (fls. 268 do Anexo 4). Aos adquirentes de álcool foi solicitada a apresentação dos seguintes documentos: cópias autenticadas das notas fiscais emitidas pela CHEBABE no ano de 2001, cópias autenticadas dos comprovantes de quitação das obrigações da empresa junto à CHEBABE, cópias autenticadas das folhas do Diário onde as operações estaria registradas. Aos transportadores do produto, responsáveis pelos fretes, foram solicitados esclarecimentos e documentos. Além das circularizações efetuadas no decorrer da ação fiscal foram colhidos depoimentos de pessoas ligadas ao caso, como os sócios da Hart e da Disnabe, o contador da CHEBABE e seu diretor comercial. Desses depoimentos concluiu o autuante que as empresas Hart, Disnabe e Sanibrás pertencem à mesma pessoa, o Sr. Eduardo Brasileiro Pinto, o qual é sócio de direito da Hart. As duas últimas empresas são representadas por interpostas pessoas, a funcionária Andréa Monteiro Cordeiro e a Sra. Antonia Brasileiro Pinto, mãe do Sr. Eduardo. Essas empresas forneceram notas fiscais frias à CHEBABE. A Sra. Andréa, sócia da Disnabe foi uma das responsáveis pelo preenchimento de diversas notas emitidas pela Hart e pela Sanibrás. Essas informações foram prestadas pela Sra. Andréa em seu depoimento e vêm a ser corroboradas com o exame grafotécnico efetuado pela Polícia Federal de fls. 716 a 720. Segundo a Sra. Andréa, a ordem para o preenchimento das notas fiscais partia do Sr. Eduardo Brasileiro, que já havia trabalhado na empresa CHEBABE. Os blocos de notas fiscais n° 01 a 1500 que segundo a Sra. Antonia Brasileiro haviam sido furtados da empresa Sanibrás, foram utilizados no esquema. Em relação à Disnabe, foram apresentados à fiscalização dois talonários de notas fiscais de n° 1 a 50 e de 51 a 100, ambos sem preenchimento. Percebe-se que existiam talonários paralelos, com a mesma numeração, utilizados nas simulações das operações de venda de álcool hidratado para CHEBABE (fls. 414 a 444 e 497/526 do Anexo 4). Concluiu a fiscalização que: a) A empresa CHEBABE não adquiriu álcool hidratado das empresas Hart, Disnabe e Sanibrás; b) Os cheques utilizados para a "compra de álcool hidratado" foram usados para outros fins (fls. 562 a 611 do Anexo 4); (3/ 12 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.810 c) As vendas no período existiram, pois recursos ingressaram no caixa da empresa, porém não foram para as pessoas discriminadas nas notas fiscais, nem necessariamente a mercadoria ou produto vendido tenha sido álcool hidratado; d) Não houve fretes especificados nas notas fiscais. Tendo em vista que as empresas Sanibrás, Disnabe e Hart não receberam os recursos da CHEBABE e esta registrou pagamentos àquelas empresas, concluiu a fiscalização que esses pagamentos são considerados como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, estando sujeitos à incidência de IRRF, conforme art. 674 e inciso IV do art. 841 do RIR/99. Do total de pagamentos foram excluídos aqueles efetuados por meio de cheques onde se identificou o beneficiário e a causa da operação. As operações identificadas se referem às compras não contabilizadas pela empresa em que os pagamentos constam na contabilidade paralela identificada pelo arquivo lop[179].dbr. Tais pagamentos fazem parte da planilha "COMPRAS — CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE CPF — PAGAMENTOS EFETUADOS COM CHEQUES DA EMPRESA" às fls. 388 a 389. Não comprovadas as compras de álcool hidratado glosou-se o custo do produto vendido que foi levado para a conta de resultado. Adicionou-se o custo ao lucro líquido conforme art. 281, I, do RIR/99. Os custos indedutíveis compõem a base de cálculo do IRPJ e CSLL e foram adicionados ao lucro líquido, conforme art. 249, I, do RIR/99 (e art. 2° da Lei 7.689/88, para a CSLL). • 5.5 e 6.2 do TVF: Saldo credor de caixa O saldo credor de caixa teve sua origem na recomposição do caixa efetuada por meio de ajustes dos lançamentos relacionados às operações envolvendo: a) Cheques que foram utilizados para pagamentos à UBIGAS, conforme item 5.1 do TVF; b) Cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome de terceiros. Estas compras foram contabilizadas pela CHEBABE em sua contabilidade oficial e muitas delas foram adquiridas em nome de empresas situadas no Estado do Espírito Santo (Cash Comércio e Distribuição de Cereais Ltda, Auto Serviço Capixaba Ltda e Auto Posto Ultra Rápido Ltda). A relação das compras como de seus pagamentos consta nos arquivos contábeis presentes nas mídias apreendidas pela Policia Federal. São as compras identificadas no campo "SÉRIE" do arquivo "Entrada[109]dbf" e "iop[179].dbr pelo código "CPF". O sujeito passivo contabilizava a baixa dos cheques utilizados para pagar suas obrigações a débito da conta caixa e a crédito da conta Banco, como se os recursos bancários estivessem ingressando no caixa da empresa. Todavia não havia registro dos pagamentos efetuados. Dessa forma, o caixa ficava com saldo inflado, tornando-se irreal. Assim fez-se necessário o ajuste de caixa por meio do lançamento a crédito nessa conta. A relação dos cheques integra a planilha "COMPRAS — CONTABILIDADE PARALELA — SÉRIE CPF — PAGAMENTOS EFETUADOS COM CHEQUES DA EMPRESA", às fls. 388/389. Cópia dos cheques e dos extratos bancários às fls. 2137 a 2255 do Mexo 2. (tr 13 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 19. 2.811 c) Cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome próprio. Os pagamentos por essas compras foram contabilizados pela CHEBABE por valor inferior ao registrado na contabilidade paralela. Foi feito o ajuste do caixa por meio do lançamento a crédito nessa conta das diferenças apuradas entre o valor dos cheques e os respectivos pagamentos. Planilha às fls. 330 e cópia dos cheques e extratos às fls. 2137 a 2255 do Anexo II. d) Baixa de duplicata em data posterior à do efetivo pagamento. Houve o ajuste do caixa da empresa, regularizando os lançamentos para as datas da efetiva quitação dos títulos. Os lançamentos sujeitos a ajuste estão relacionados na planilha "POSTERGAÇÃO DO REGISTRO DE PAGAMENTOS", às fls. 412/417. A descrição dos fatos relacionados à inflação encontra-se no tópico 5.3 — AUDITORIA DA CONTA FORNECEDORES. e) Incorreções nos registros das baixas de duplicatas. A autuada registrou de forma incorreta a baixa de duplicatas por meio do lançamento a débito da conta Caixa e a crédito da conta fornecedores, quando deveria adotar o procedimento inverso. Em alguns casos, a empresa tentou ajustar o lançamento por meio de operação inversa, registrando tal operação em outra data. Devido a essas incorreções fez-se necessário o ajuste do caixa da empresa, regularizando os lançamentos por meio de operações inversas. Os lançamentos sujeitos a ajuste estão relacionados na planilha de fls. 418. A descrição dos fatos encontra-se no tópico 5.3 — AUDITORIA DA CONTA FORNECEDORES. Diante dos fatos apurados foi procedida a recomposição do caixa da empresa (fls. 419 a 491), regularizando os lançamentos para as datas da efetiva quitação dos títulos. Os saldos iniciais da conta caixa do mês de janeiro dos anos de 2001, 2002 e 2003 e os totais dos valores debitados e creditados diariamente nessa conta fazem parte das planilhas às fls. 392 a 411. Estes dados foram obtidos da conta caixa às fls. 1059 a 1117. Após os ajustes foram apurados saldo credor de caixa em diversos meses que correspondem aos maiores saldos credores verificados no mês. Em determinados períodos, mesmo sem a utilização de qualquer ajuste no caixa da empresa, este já apresentava saldo negativo. Após a recomposição do caixa, a autuada foi intimada a esclarecer a origem dos recursos utilizados para a quitação dos títulos e demais pagamentos, tendo em vista que havia sido verificado, saldo insuficiente para dar suporte às obrigações baixadas pela mesma. A empresa respondeu que em relação ao saldo credor de caixa, que não reconhecida as compras mencionadas e os pagamentos efetuados e, portanto, não teria motivo para justificar a origem dos recursos que não utilizou. • 6.4: Pagamentos sem causa e/ou a beneficiário não identificado Neste item, os autuantes tratam dos pagamentos sem causa à Ubigás Petróleo, cujos fatos estão descritos no item 5.1. Tratam também de pagamentos não comprovados que referem-se a recursos que saíram do caixa e a contas mantidas pela empresa junto às instituições financeiras que 14 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.812 supostamente teriam sido utilizados para quitar obrigações contraídas junto a fornecedores de álcool hidratado, mencionado no item 5.4, (compras de álcool hidratado). A ciência dois autos se deu em 22.12.2006. II — DA IMPUGNAÇÃO E DA DECISÃO DA TURMA JULGADORA Transcrevo da decisão de primeira instância os argumentos contidos na impugnação: "- o lançamento é nulo, por cerceamento do direito de defesa e por ausência de fundamentação (motivação do ato"; - com relação aos fatos geradores entre 05/01 e 11/01, ocorreu a decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; - compras e pagamentos não registrados: o lançamento não pode prosperar, em face da imprestabilidade dos documentos utilizados para a construção da convicção e pela metodologia irregular — diante de pagamentos não contabilizados, cabe o arbitramento do lucro, por não poder haver tributação sem a consideração de custos ou deve haver recomposição do caixa; não há prova irrefutável do pagamento; solicita diligência para provar que não realizou os negócios jurídicos em tela; - saldo credor de caixa: refeita a conta caixa, sem a exclusão dos cheques lançados a débito nesta conta, não há saldo credor de caixa; - exclusão de custos: trata-se das vendas realizadas às empresas Sanibrás, Disnabe e Hart; a fiscalização se baseou em depoimentos de funcionários das referidas empresas, com lesão ao devido processo legal; seguem as notas fiscais ditas inidôneas, que revelam a legitimidade das operações; - 1RRF do art. 674 do RIR/99: a fiscalização ignorou suas respostas, trata-se de recursos da conta banco para o caixa; sendo regulares as operações com as empresas Sanibrás, Disnabe e Hart, não se justifica o lançamento; - a multa de 150% viola o princípio do não confisco; - o STJ já decidiu que a taxa selic é inconstitucional, devendo ser aplicada a orientação do Poder Judiciário. Encerra solicitando o provimento das preliminares de nulidade e de decadência, a produção de prova pericial e diligências, a improcedência ou a revisão do lançamento — arbitramento e consideração dos custos, redução da multa para 20% e exclusão da taxa selic — com efeitos estendidos aos lançamentos reflexos. O lançamento foi considerado procedente. Transcrevo algumas das ementas: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — 1RPJ 15 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão rif 1401-00.002 Fl. 2.813 Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 [...1 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A constatação de saldo credor na conta Caixa, sem que o sujeito passivo comprove erros na escrituração e na conciliação da conta, autoriza a presunção de omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Não elididos os fatos apontados pela fiscalização, suficientes para jus «ficar a exação, deve ser mantido o lançamento. GLOSA DE CUSTO. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a titulo de custo requer a prova documental hábil e idónea das respectivas operações [...] Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Sujeitam-se à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à aliquota de 3596, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sécios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não foi comprovada a operação ou a sua causa. III — DO RECURSO VOLUNTÁRIO A ciência da decisão de primeira instância se deu em 14.05.2007 e o recurso foi apresentado em 12.06.2007. A recorrente apresenta argumentos de nulidade e de mérito. Nulidade da decisão por ausência de fundamentação (motivação do auto) e por negativa de perícia Afirma que a autoridade julgadora se limita a afirmar que a recorrente não provou suas alegações, sem se dar ao trabalho de expor porque o contribuinte não logrou éxito em sua defesa, nem sequer refutando os pontos questionados na peça de defesa; que a julgadora deixou de motivar o seu ato de julgamento, ou seja, de enunciar as circunstâncias de fato e os elementos de direito que provocaram o conteúdo de sua decisão, pois, limita-se a afirmar que o recorrente não provou o alegal e "ponto final". 16 Processo n° 10707.001578/2006-83 S 1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.814 Destaca que a exposição de motivos do ato administrativo (motivação do ato) é obrigatória, pois é exigência do devido processo legal, requisito para a ampla defesa do administrado e, portanto, imprescindível em um Estado que se diz Constitucional e de Direito; que em casos como o presente, ela é ainda mais imperiosa, pois o lançamento discutido se apóia em presunções e cria uma situação individual e concreta para o contribuinte que só pode ser mantida se devidamente justificada, sob pena de não haver segurança jurídica. Conclui que tendo em vista a administração não ter exposto todas as razões de ordem jurídica, fática e técnica que justifiquem o seu ato de julgamento, deve-se ter por absolutamente nula a decisão recorrida, sob pena de consagrar a própria negação à garantia fundamental do direito do cidadão a sofrer privações diante apenas de um ato administrativo motivado e justificado. Alega que também é nula a decisão por não ter permitido o acesso da recorrente à produção de prova pericial, sendo também, neste ponto, lesiva à ampla defesa protegida constitucionalmente. Afirma que em momento algum são expostas as razões suficientes para a negativa da realização da perícia, sendo denegada a produção de prova pericial apenas sob a argumentação do recorrente não ter juntado os documentos a serem periciados. Afirma que esse ato viciado consiste em típico erro que acarreta a nulidade do próprio julgamento e contamina todos os atos posteriores e que é nulo porque lesa garantia constitucional do administrado, e trata-se de nulidade absoluta, não havendo possibilidade de saneamento em face da relevância constitucional da proteção do direito de defesa. Da preliminar de decadência Argüi que como estão sujeitos os tributos lançados ao lançamento por homologação, não há que se falar na aplicação do art. 173, I, mas sim do art. 150, § 4° do CTN, porque o lançamento fora praticado há mais de cinco anos a contar do fato gerador. Cita jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes. Da presunção de omissão de receitas a) Em relação à existência de uma suposta contabilidade paralela e "compras e pagamentos não registrados": como relatado na impugnação, a partir de uma possível existência de uma contabilidade paralela, a autoridade fiscal detectou (i) compras não registradas, (ii) pagamentos não registrados, (iii) registro de notas fiscais e pagamentos por valor menor que o efetivamente devido; porém a presunção firmada, tal como concluída, não merece prosperar tendo em vista a imprestabilidade dos "documentos" utilizados para construção da convicção quanto à presunção; b) Com efeito, não pode prosperar o lançamento em face da inidoneidade dos documentos como provas da presunção fixada. Como consta dos relatos fiscais, os "documentos" utilizados para construção da presunção firmada correspondem a registros de informática cujos dados a recorrente não reconhece como verdadeiros; c) Sequer as planilhas indicadas representavam controle próprio da recorrente. Ressalta que não se pode admitir que um lançamento tributário por presunção seja realizado diante de "provas" que consistem em arquivos de computador que sequer estão inseridos em programas próprios de controle contábil; (Xe 17 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão o.° 1401-00.002 F1. 2.815 d) Diante da ausência de elementos de prova objetivos e racionais e, portanto do altíssimo grau de "subjetividade fiscal" presente no lançamento, resta evidente que o mesmo, no que concerne à consideração destes "pagamentos" como omissão de receita do recorrente, apresenta-se absolutamente improcedente; e) Ademais, na prática do lançamento em face da suposta contabilidade paralela, foi utilizada uma metodologia que não pode prosperar. Aborda que foram duas as ações que marcaram a metodologia da autoridade fiscal: (i) se correlacionados os pagamentos com cheques da recorrente, a autoridade fiscal efetuou o lançamento a crédito na conta Caixa, reajustando esta conta com a exclusão destes valores tendo em vista os mesmos terem destino diverso do reforço de caixa, (ii) se não localizados os supostos pagamentos com recursos da contabilidade firmou-se a presunção do total de pagamentos como receita omitida; 1) Porém na situação de se estar realmente diante de compras não registradas e portanto, pagamentos não registrados, deve ser considerada a situação particular do contribuinte, levando-se em conta a atividade econômica desempenhada e a forma de apuração do resultado tributável desta atividade, ou seja, não se pode tributar todos os valores pagos como receita omitida, mas sim deve ser realizado o arbitramento do lucro. Ressalta que na pior das hipóteses, o custo de aquisição das mercadorias não pode ser desprezado, sob pena de serem feridos os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. Aduz que quanto à auditoria da conta fornecedores, a fiscalização recompôs a conta caixa, indicando saldo credor e, portanto, omissão de receita. A auditoria indicou pagamentos contabilizados em data posterior à da efetiva quitação das duplicatas, erro material na baixa dos pagamentos (fornecedores C e Caixa D). Refina essas indicações da auditoria. Afirma que realizou negócios jurídicos com a Rio de Janeiro Refrescos, sendo esta empresa um de seus maiores fornecedores, entretanto, não realizou os negócios jurídicos de que tratam o auto de infração como pagamentos não contabilizados. Diz que relatórios fornecidos pelo banco com as duplicatas supostamente pagas pela recorrente nada provam, pois qualquer pessoa pode criar uma duplicata em nome de qualquer empresa e efetuar pagamento. Entende que faltaram provas da realização ou não dos negócios, tais como: provas da entrega de mercadorias, por meio da entrega dos rodapés das notas fiscais emitidas ou recibos no próprio corpo das notas. Afirma que não há qualquer prova irrefutável de pagamento efetuado pela recorrente, tal como cópia ou microfilmagem de cheque, doc, ou transferência bancária realizados pela recorrente ou ordem de pagamento. Aduz que há apenas relatório bancário onde consta que uma duplicata em nome da recorrente foi paga, o que não caracteriza a certeza de ter sido a recorrente que efetuou o pagamento, o que dizer quanto à realização do negócio jurídico. Pede diligência para que seja intimada a empresa Rio de Janeiro Refrescos para apresentação dos documentos que provem a entrega das mercadorias constantes das notas fiscais discutidas e pede perícia sobre estes documentos Em relação aos lançamentos ditos postergados afirma que se devem a erros contábeis. Afirma que nem sempre a existência, no passivo, de obrigação já paga representa omissão de receitas, pois se os pagamentos foram levados a efeito por meio de recursos internos, ou seja, com recursos de caixa do contribuinte, a prova não é externa e (tf 18 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.816 independe de elementos novos a serem inseridos na contabilidade; diz que a prova pré-existe à fiscalização, pois já consta na contabilidade da empresa, qual seja, a conta caixa; diz que essa é a situação da recorrente. Argumenta que a autoridade fiscal, com relação aos lançamentos registrados em trimestre posterior ao do efetivo pagamento, não utilizou o método da recomposição do caixa, mas sim, computou como receita omitida o total dos valores pagos. Afirma que o único meio adequado de se afirmar a existência de omissão de receita é por meio da recomposição da conta caixa, sendo inidôneo o método utilizado pela autoridade fiscal. Em primeiro lugar, para recomposição da conta caixa não podem ser excluídos os cheques que lançados a débito no conta caixa foram trocados por espécie com a empresa Ubigás; a autoridade fiscal os excluiu para refazimento da conta caixa, ainda tributando estes mesmos cheques pelo IRRF de que trata o art. 674 do RIR99. Mas, como esses recursos efetivamente foram trocados em espécie, não podem ser excluídos da conta caixa. Afirma que não pode haver tributação como omissão de receita de forma direta sobre o valor total dos pagamentos efetuados cujos lançamentos foram supostamente postergados; deve-se retirá-los da data em que o lançamento do pagamento fora indevidamente efetuado para que o lançamento seja refeito considerando a data do efetivo pagamento; refeito o lançamento para fins de verificação fiscal, apura-se o saldo de caixa do período, e caso ocorra saldo de caixa credor, a tributação deve recair sobre o maior saldo credor do perído; com efeito esta é a única forma de aproximar a presunção da realidade sem que se lese o princípio da segurança jurídica e também o da capacidade contributiva. Diz que esta verificação deve ser feita independente da diferença de trimestres de apuração entre o efetivamente pago e a data do lançamento tido como postergado. Alega que a prova pericial negada, enseja nulidade da decisão, por ensejar cerceamento do direito de defesa, uma vez que a impossibilita de usufruir do meio correto para provar as circunstâncias fáticas que cercam o incorreto lançamento do crédito tributário discutido. Ajuste do resultado com exclusão dos custos de mercadorias adquiridas com documentação inidônea (vendas realizadas às empresas Sanibrás, Disnabe e Hart) Argui que por meio da tomada de depoimentos, a autoridade fiscal, ouviu da funcionária destas empresas, que as notas fiscais eram emitidas realmente pelas mesmas e a mando do proprietário de fato das mesmas. Porém, o referido proprietário alega que nunca realizou as vendas. A partir única e exclusivamente desta afirmação, a autoridade fiscal julgou que a documentação de compra do álcool hidratado era inidônea e consequentemente reajustou o resultado da recorrente e efetuu lançamento de oficio do saldo devedor e de ITTF sobre as saídas de caixa para pagamento destas mesmas notas fiscais. Argumenta, que a utilização de informações prestadas por terceiros traduziu- se em ato lesivo ao devido processo legal e que sequer fora informado acerca da oitiva do terceiro e assim, em maior medida, sequer lhe fora dada a oportunidade de refutar as informações prestadas. Conclui que houve lesão ao devido processo legal, por em momento algum lhe foi dada a oportunidade de refutar as informações prestadas pelo Sr. Eduardo Brasileiro e também não fora dada a oportunidade de se afastar, por meio da produção da prova adequada estas informações. Argui que atos viciados consistem em típicos erros que acarretam a nulidade do próprio procedimento e contamina todos os atos posteriores, dentre estes, o ato de lançamento, porque lesa garantia constitucional do administrado, e tratando-se de nulidade 2I9 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401 -00.002 Fl. 2.817 absoluta, não há saneamento em face da relevância constitucinal da proteção do direito de defesa. Lançamento do IRRF (art. 674 do RIR/99) a) Argumenta que supostos pagamentos efetuados à empresa Ubigás sem motivo ou causa aparente: Afirma que os recursos dos cheques foram devidamente lançados a débito na conta caixa, tendo sido contabilmente demonstrado que esses recursos, oriundos diretamente do desconto dos cheques, teve o destino identificado. Entende que conforme comprova a relação de cheques da recorrente movimentados pela Ubigás e que consta no Anexo VI do processo 15521.000140/2006-70 (doc.6) em que a empresa Ubigás sofreu o lançamento de oficio de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, os cheques da recorrente foram compensados no mesmo dia em que lançados os recursos em sua conta caixa, restando evidente a contabilização da troca dos recursos da conta banco para o caixa. b) Da falsidade nas compras e pagamentos feitos junto às empresas Sanibrás. Disnabe e Hart — consideradas as saídas de caixa para pagamento a estes fornecedores como para beneficiários não identificados: Pelas mesmas razões expostas em relação ao ajuste do lucro liquido pela exclusão dos custos das mercadorias a que se referem estas operações com as empresas Sanibrás, Disnabe e Hart, não pode prevalecer o lançamento, tendo em vista a regularidade das operações junto às empresas mencionadas. Quanto à aplicação da multa de 150% afirma que deve ser afastada no âmbito do processo administrativo, pois representa manifesta ofensa ao princípio constitucional do não-confisco. Afirma que os julgadores esquivaram-se de enfrentar a questão por entender que não lhes compete julgar tais matérias, mas que o processo administrativo tributário consiste em garantia constitucional do contribuinte; que o desrespeito ao processo administrativo e aos princípios que o norteiam representa desrespeito à própria CF. Reitera o pedido para exclusão da taxa selic em vista de sua flagrante inconstitucionalidade, sendo aplicado apenas os juros previstos no CTN, ou seja, 1% ao mês. Pede ao final a nulidade da decisão recorrida, por ter sido proferida em claro cerceamento do direito de defesa devido à ausência de motivação adequada das razões de decidir. Ou que seja declarada a extinção do crédito tributário diante da ocorrência da decadência, ou que seja cancelado por ausência de respaldo legal; ou que seja alterado o lançamento reduzindo-se o percentual da multa, tendo em vista a ausência de constitucionalidade da mesma e a exclusão dos juros pela taxa selic, mantendo-se os juros de 1% ao mês. É o Relatório. Voto Conselheira — ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. (1 0 20 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.818 Trata-se de lançamento do IRPJ, IRRF e contribuições (CSLL, PIS e COFINS), em razão das seguintes infrações: a) Omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa (tópicos 6.2 e 5.5 do Termo de Verificação Fiscal — TVF) para os anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 150%; b) Omissão de receitas caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (tópicos 6.1, 5.2 "contabilidade paralela"e 5.3 "auditoria da conta fornecedores" do TVF), para os anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 75% para a infração relativa a auditoria da conta fornecedores e de 150% para a infração de relacionada com a contabilidade paralela; c) Glosa de custo, para o ano-calendário de 2001, em virtude da contabilização dos documentos inidôneos (tópicos 6.3 e 5.4 do TVF); foi lançada multa de oficio de 150%; d) Compensação indevida de prejuízo fiscal, para o ano-calendário de 2003, tendo em vista as reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos anos-calendário de 2001 a 2003; foi lançada multa de oficio de 75%. Houve o lançamento do PIS e COFINS para as infrações dos itens "a" e "h" e de CSLL para as infrações dos itens "a" a Houve o lançamento do IRRF em face de pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, conforme itens 6.4, 5.1 e 5.4 do TVF. O lançamento foi considerado procedente pela Turma Julgadora Preliminarmente, a interessada alega nulidade da decisão de primeira instância por: ausência de fundamentação (motivação do ato), negativa de perícia, uso como prova de contabilidade paralela não reconhecida pela interessada, utilização de informações prestadas por terceiros. Também discute a preliminar de decadência. Essas preliminares são apreciadas a seguir. • Nulidade da decisão por ausência de fundamentação (motivação do ato) A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento e fundamentou sua decisão. Também rejeitou a preliminar de decadência e fundamentou sua decisão, conforme segue: a) Em relação aos fiindamentos relativos à manutenção do saldo credor de caixa, a relatora faz referência ao item 5.5 do Termo de Verificação Fiscal, em que a fiscalização esclarece a recomposição do caixa efetuada por meio de ajustes dos lançamentos relacionados às operações Destaca a afirmação da fiscalização de que foi procedida a recomposição do caixa da empresa e observa que, em certos períodos, mesmo sem a utilização p 21 Processo n° 10707.00157812006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.819 de qualquer ajuste, o caixa já representava seu saldo negativo. Entendeu a relatora que diante dos fatos relacionados na decisão e minuciosamente descritos no TVF e comprovados por documentos juntados aos autos, a fiscalização agiu corretamente ao realizar a reconstituição da conta caixa. Concluiu que na impugnação, a interessada não apresentou elemento de prova capaz de elidir os fatos apontados pela fiscalização, nem o saldo negativo já existente antes da reconstituição do caixa; b) Quanto à infração de omissão de receitas por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade, entendeu a Turma Julgadora, que conforme art. 332 do CPC não há distinção de provas, sejam elas documentais, testemunhais ou periciais, não havendo prevalência entre elas, bastando, para provar a verdade dos fatos, que sejam legais e legitimas. Assim, a prova da infração fiscal pode se realizar por todos os meios admitidos em direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes. Conclui que os elementos apresentados pela fiscalização são suficientes para caracterizar a omissão de receita, embasando materialmente a autuação. Com base no art. 24 da Lei 9.249/95 entendeu não prosperar a alegação de ser devido o arbitramento do lucro, porque o valor a ser considerado na determinação da base de cálculo do imposto devido, lançado com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica, é a receita omitida. A dedução dos custos depende da prova efetiva de sua contabilização. Considerou que a falta de escrituração de pagamentos caracteriza omissão de receita (art. 281, II, do RIR199) não havendo amparo legal à pretensão da interessada de dever haver, a recomposição do caixa. Finalmente, concluiu que diante das provas juntadas aos autos pela fiscalização, uma vez que a contribuinte apresentou em sua defesa meras alegações desacompanhadas de elemento de prova capaz de elidir o lançamento, encontra-se caracterizada a omissão de receita. c) Glosa de custos em virtude de contabilização de documentos inidôneos (itens 6.3 e 5.4 do TVF). Conforme item 5.4 do TVF, a fiscalização informa que a interessada foi intimada a comprovar a quitação de obrigações registradas em sua contabilidade. Como não foram apresentados documentos comprobatórios de quitação de compras de álcool hidratado das empresas Hart, Disnabe e Sanibrás, foram efetuadas diligências. Todos os fornecedores de álcool negaram ter comercializado com a fiscalizada. Foi solicitado ao Banco cópia dos cheques emitidos pela fiscalizada, constatando-se que os cheques não foram depositados nas contas dos fornecedores. A interessada foi novamente intimada a prestar esclarecimentos. Foram solicitados documentos dos adquirentes de álcool e dos transportadores dos produtos; foram colhidos depoimentos de pessoas ligadas ao caso. d) A Turma Julgadora levou em conta as seguintes conclusões da fiscalização em relação à glosa de custos: (i) a autuada não adquiriu álcool hidratados das empresas Hart, Disnabe e Sanibrás, (ii) os cheques utilizados para a compra de álcool hidratado foram usados para outros fins, (iii) as vendas existiram, porém não foram para as pessoas discriminadas nas notas fiscais e (iv) não houve os fretes especificados nas notas fiscais. Concluiu que a argumentação da interessada não se sustenta, uma vez que, a dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações e que é ônus da interessada a prova nesse sentido. Destacou que a prova não se faz apenas com a apresentação das notas fiscais e que o procedimento da fiscalização de exigir a comprovação da quitação das obrigações não merece reparo. Assim, a apresentação de notas fiscais não ilide o lançamento. e) Quanto à multa de oficio de 150%, a Turma Julgadora considerou que a autoridade administrativa não dispõe de competência legal para examinar a 22 Processo n° 10707.001578/2006-83 5I-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.820 constitucionalidaddlegalidade de leis inseridas no ordenamento jurídico nacional, que é competência privativa do Poder Judiciário. Também manifestou-se no sentido de que os juros moratórios foram aplicados de acordo com a legislação vigente. O Quanto ao lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa (itens 6.4, 5.1 e 54 do TVF), de que trata o art. 61 da Lei 8.981/95, levou em conta que na impugnação, a interessada se limita a alegar que a fiscalização ignorou suas respostas; que se trata de troca de recursos da conta banco para o caixa, sendo regulares as operações com as empresas Sanibrás, Disnabe e Hart. Não juntou nenhum documento fundamentando sua defesa em simples alegações. Concluiu que os fatos apontados pela fiscalização são suficientes para justificar o lançamento, não sendo elididos pela interessada. Rejeita-se a preliminar de nulidade, uma vez que a decisão de primeira instância, conforme acima demonstrado está fundamentada. • Nulidade da decisão por negativa de perícia Sobre a negativa de perícia ou diligência, a Turma Julgadora proferiu a seguinte decisão: Quanto ao protesto pela produção de prova pericial e diligências, cabe observar que o inciso HL do artigo 16, do Decreto 70.235/1972, com redação do art. 1° , da Lei 8.748/1993, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". O artigo aduz, ainda, em seu § 4°, acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante faze-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. O contribuinte não pode se eximir do ônus da prova mediante solicitação de perícia ou diligência. Deste modo, indefiro a solicitação de perícia ou diligência. Concluo que a negativa está motivada, conforme trecho transcrito não havendo razão para nulidade da decisão de primeira instância. • Contabilidade paralela como prova A recorrente não reconhece os registros da contabilidade paralela como verdadeiros. Entretanto, os mesmos foram obtidos mediante a apreensão pela Polícia Federal de mídias eletrônicas, nas suas dependências, mediante determinação da Justiça Federal. O Núcleo de Criminalistica do DPF enviou à fiscalização Laudo do exame da mídia. A fiscalização detalha no item 5.2 do TVF as características dos arquivos eletrônicos e de seu conteúdo. O Núcleo de Criminalistica do Depto. de Polícia Federal enviou o Laudo 10.450/04-SR/RJ do exame em mídia de armazenamento computacional apreendida na sede da ()(f 23 Processo n° 10707.001578/2006-83 81-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.821 Chebabe Cereais, acompanhado de dois DVDs com conteúdo dos dados apurados (fls. 747 a 755). Foi verificada a existência de arquivos contábeis e fiscais onde eram registradas operações efetuadas pela empresa, muitas delas não contabilizadas em seus livros oficiais — Diário e Razão: a) Arquivo "Entrada[109].dbr — relaciona as compras efetuadas pela autuada e pagas por ela, no período de 08.03.95 a 27.08.2003. As compras registradas nos Livros de Registros de Entrada (livros oficiais) estão inseridos nessa relação. A relação de compras encontra-se às fls. 1 a 210 do Anexo 2. As compras cujo campo "SÉRIE" é identificado como "CPF" não foram registradas em seus livros oficiais; b) Arquivo "iop[179].dbf" — identifica ao pagamentos efetuados pela Chebabe Cereais a seus fornecedores. Diversos pagamentos relacionados nesse arquivo estão contabilizados pela empresa em seus Livros Diário e Razão. A relação dos pagamentos encontra-se às fls. 211 a 870 do Anexo 2. Os pagamentos relacionados às compras cujo campo "SÉRIE" do arquivo "Entrada[109].dbf" é identificado como "CPF" não foram contabilizados pela Chebabe Cereais em seus livros oficiais; c) Arquivo lanclote[225]dbf" — identifica os lançamentos contábeis das operações efetuadas pela empresa. Da mesma forma que os demais arquivos, este contempla os lançamentos registrados nos Livros Diário e Razão da empresa. Contém lançamentos a partir de 01.07.2002. A relação dos lançamentos encontra-se às fls. 871 a 1614 do Anexo 2. Concluiu a fiscalização que todas as compras cujo campo "SÉRIE" equivale ao código "CPF" não foram registrados nos Livros de Registros de Entradas apresentados pela empresa à fiscalização. Da mesma forma, os pagamentos relacionados a tais compras não foram contabilizados pela empresa em seus livros Diário e Razão; os pagamentos de determinadas compras cujos campo "SÉRIE" equivale ao código "MI" foram registrados nos livros Razão e Diário por valores inferiores aos registrados nos arquivos contábeis ou simplesmente não foram contabilizados nos livros oficiais. Diversos pagamentos relacionados às compras mencionadas se deram por meio de emissão de cheques da empresa. A fiscalização aprofundou a investigação, e circularizou fornecedores e outras pessoas fisicas e jurídicas e concluiu que a fiscalizada adquiriu mercadorias em nome de terceiros que tinham como destino final as dependências da empresa; que a negociação dessas mercadorias era executada por funcionária da empresa cumprindo ordens de seus patrões; nesse esquema de sonegação houve a participação de outras empresas que segundo registros da SRF, nos anos de 2001 a 2003 não auferiram receita, sendo que apenas uma delas auferiu receita de R$ 329,80 em 2002; os responsáveis pelo transporte de mercadorias declararam que as mercadorias adquiridas em nome de terceiros pela fiscalizada eram descarregadas nas dependência da empresa; as mercadorias adquiridas em nome de terceiros foram pagas, em parte, com recursos da empresa mantidos em conta corrente, mas tanto as compras como os pagamentos não foram contabilizados nos Livros Razão ou Diário; a fiscalizada contabilizou a aquisição de determinadas das compras por valor inferior ao registrado em seus arquivos contábeis (contabilidade paralela, campo 'SÉRIE" equivalente ao código "Ml"), sendo que os cheques utilizados para pagamento dessas compras tinham o valor idêntico ao valor do pagamento escriturado na contabilidade paralela e outra parte das compras nem contabilizada foi. Assim, a fiscalização não se limitou a utilizar as informações contidas no Laudo. Ela aprofundou a investigação, e pelo conjunto das informações acima mencionadas, g024 Processo n° 10707.00157812006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.822 entre outras constantes nos autos se conclui que a contabilidade paralela serve como prova, uma vez que foram obtidas de forma lícita e que os os indícios colhidos pelos autuantes são graves, precisos e convergentes para permitir o uso da contabilidade paralela como prova. • Nulidade do lançamento por utilização de informações prestadas por terceiros A contribuinte alega nulidade por utilização de informações prestadas por terceiros e pelo fato de não ter sido informada acerca da oitiva do terceiro para que pudesse ter a oportunidade de refutar as informações, e ainda por que não teria sido dada a oportunidade de se afastar por meio da produção da prova adequada essas informações. Entretanto, durante o procedimento fiscal é permitido à fiscalização obter informações de terceiros. A impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72 instaura a fase litigiosa do procedimento. Assim, a oportunidade da contribuinte se manifestar se dá com a apresentação da impugnação e posteriormente com a apresentação do recurso voluntário. Conseqüentemente não ocorreu cerceamento do direito de defesa. Rejeita- se essa preliminar de nulidade. • Preliminar de decadência A contribuinte pede que seja aplicada a contagem de prazo prevista no art. 150, § 4" do CTN A ciência do lançamento se deu em 22.12.2006 e refere-se aos anos- calendário de 2001 a 2003 (saldo credor de caixa — multa de 150%, pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade — multa de 75% e de 150%, glosa de custos por comprovação inidônea — multa de 150%, IRRF multa de 150%, glosa de prejuízos compensados indevidamente por reversão dos prejuízos após as infrações constatadas — multa de 75%). O resultado foi apurado pelo regime do Lucro Real trimestral. Como se verá adiante a multa qualificada deve ser mantida. Assim, não houve decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN, uma vez que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se apôs o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, para os lançamentos, em que houve a aplicação da multa de 150%, ainda que todo o crédito tributário se referisse ao fato gerador do primeiro trimestre de 2001 (1PJ e CSLL) ou janeiro de 2001 (para o IRRF e demais contribuições), o primeiro dia do exercício seguinte é 01.01.2002, não ocorrendo a decadência do direito de se efetuar os lançamentos. Para o lançamento em que foi aplicada a multa de 75%, também não ocorreu a decadência, uma vez que a multa de 150% aplicada contamina o lançamento para os mesmos períodos. • Pagamentos não contabilizados: contabilidade paralela e auditoria da conta fornecedores. Quanto à infração de pagamentos não contabilizados relacionada com a contabilidade paralela, a Polícia Federal apreendeu diversas mídias eletrônicas nas ?(,( 25 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 " Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.823 dependências da Chebabe, que resultou no Laudo do Núcleo de Criminalistica. Na contabilidade paralela, as compras cujas séries equivalem ao código "CPF" não foram registradas nos Livros Registro de Entradas apresentados ao fisco e os respectivos pagamentos não foram contabilizados. Os pagamentos de determinadas compras cujo campo "SERIE" equivale ao código "M" foram registrados nos livros Diário e Razão por valores inferiores aos registrados nos arquivos contábeis, ou não foram contabilizados nos livros oficiais. Diversos pagamentos relacionados às compras se deram por meio de emissão de cheques da empresa. A fiscalizada foi intimada a esclarecer as operações de compras efetuadas e a apresentar os pedidos de compras identificados nos arquivos. Declarou não reconhecer como seus os registros de dados de informática e não reconhecer as operações listadas nas planilhas. Nas circularizações efetuadas junto aos fornecedores da Chebabe, estes foram intimados a apresentar as cópias das notas fiscais emitidas contra a contribuinte, e a esclarecer a forma de quitação das mercadorias vendidas à Chebabe, os documentos de comprovação dos pagamentos, os nomes dos responsáveis pela negociação de compra e venda de mercadorias etc. Concluiu a fiscalização que autuada adquiriu mercadorias em nome de terceiros que tinham como destino final as dependências da empresa. A negociação dessas mercadorias era executada pela funcionária sra. Sandra cumprindo ordens de seus patrões. Foram obtidos depoimentos de responsáveis pelo transporte das mercadorias e os mesmos declararam que eram descarregadas nas dependências da Chebabe. A fiscalização também concluiu que as mercadorias adquiridas em nome de terceiros foram pagas com recursos da empresa, uma parte utilizando recursos mantidos em conta-corrente, em tomo de R$ 3,1 milhões. Entretanto, tanto as compras como os respectivos pagamentos não foram contabilizados em seus livros contábeis e fiscais. O valor do pagamento das mercadorias adquiridas pela CHEBABE CEREAIS não pagas com cheques da mesma e que constam da contabilidade paralela foi considerado pela fiscalização como "pagamentos não contabilizados" e é este item do lançamento que está em discussão, uma vez que os pagamentos efetuados com cheque foram ajustados na conta caixa apurando-se saldo credor de caixa, juntamente com outras motivações e que será apreciado mais adiante. O conjunto dos indícios acima mencionados nos leva a concluir que efetivamente a autuada efetuou pagamentos para adquirir mercadorias, sendo que tais pagamentos não foram registrados em sua contabilidade, conforme consignou a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal. Afirma a recorrente que em face da suposta contabilidade paralela foi utilizada uma metodologia que não pode prosperar. Se correlacionados os pagamentos com cheques da recorrente, a autoridade fiscal efetuou o lançamento a crédito da conta caixa reajustando esta conta com a exclusão destes valores tendo em vista os mesmos terem destino diverso do reforço de caixa. Se não localizados os pagamentos com recursos da contabilidade firmou-se a presunção do total de pagamentos como receita omitida. Argumenta que deveria ser imposto o arbitramento do lucro porque estando- se diante de compras não registradas e portanto pagamentos não registrados, deve ser considerada a situação particular do contribuinte, levando-se em conta a atividade econômica 26 Processo n°10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.824 desempenhada e a forma de apuração do resultado tributável desta atividade, ou seja, não se poderia tributar todos os valores pagos como receita omitida, mas sim deveria ser realizado o arbitramento do lucro. Assim, na hipótese de restarem configurados pagamentos que são identificados como compra de mercadorias não registradas, o que não admite como verdadeiro, entende não poder haver a tributação sem levar em conta os custos da atividade da recorrente, entende que deve ser revisto o lançamento quanto à sua metodologia, impondo-se o arbitramento do lucro quanto às receitas à margem da fiscalização. O argumento de que deveria ser utilizado o arbitramento do lucro, pelo não registro de compras não pode prosperar, conforme o disposto no art. 24 da Lei 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. Ressalte-se que a infração é de pagamentos não contabilizados, e conforme o inciso II do art. 281 do RIFt199, a falta de escrituração de pagamentos efetuados, caracteriza-se como omissão no registro de receitas, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Assim, não se trata da acusação de infração de omissão de compras, razão pela qual os custos não podem ser levados em conta, mesmo porque, não há comprovação de que as receitas decorrentes das vendas dessas mercadorias tenham sido contabilizadas. Não há elementos suficientes para o arbitramento do lucro. Quanto à infração de pagamentos não contabilizados relacionada com a auditoria da conta fornecedores, houve circularizações realizadas no decorrer da ação fiscal junto aos fornecedores da empresa, conforme descrito no item 5.3 do TVF e relação de pagamentos de fls. 370. A empresa durante a ação fiscal procurou justificar todos os pagamentos não contabilizados. Com exceção das operações com a empresa Rio de Janeiro Refrescos, informou que as diferenças apuradas foram pagas com recursos de caixa. Em relação às operações com a empresa Rio de Janeiro Refrescos, a interessada no recurso, não nega que tenha realizado negócios jurídicos com a Rio de Janeiro Refrescos, alias, afirma que essa empresa é seu maior fornecedor, no entanto, nega que tenha efetuado as compras relativas às notas fiscais objeto dos autos. Argumenta a recorrente que não considera como documentos comprobatórios dos pagamentos a relação de sacados fornecida pela instituição financeira, pois qualquer pessoa poderia criar uma duplicata em nome de qualquer empresa e efetuar o pagamento, e assim, no relatório bancário constará o nome da empresa "sacada" e que, como meio de prova irrefutável da realização ou não dos negócios jurídicos. Pede diligências para que a empresa Rio de Janeiro Refrescos seja intimada a apresentar os documentos que provem a entrega das mercadorias e perícia sobre esses documentos. A fiscalização entendeu que os documentos são incontestes. Como prova das transações esse fornecedor, apresentou cópia das notas fiscais emitidas contra a fiscalizada e relatórios bancários do Bradesco de fls. 155 a 211 do Anexo 3. Concluiu que a fiscalizada não conseguiu comprovar a origem dos recursos. Concluo que as provas juntadas aos autos são suficientes para a conclusão de que os pagamentos não foram contabilizados e que neste caso especifico, considerando o conjunto probatório, não é necessário a prova do cheque, doe ou transferência bancária, como g(e 27 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.825 alega a recorrente e tampouco é necessária a perícia para comprovação da entrega das mercadorias. Em relação aos demais pagamentos a contribuinte não trouxe no recurso nenhum argumento específico, razão pela qual esse item do lançamento deve ser mantido. • Omissão de receitas — saldo credor de caixa - A recomposição de caixa foi efetuada levando-se em conta os ajustes de lançamentos relacionados às seguintes operações: a) Cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome de terceiros (a baixa dos cheques foi contabilizada a débito da conta caixa e a crédito da conta Banco, e houve a contabilização pelo valor total de alguns pagamentos e por valor parcial de outros). A fiscalização efetuou ajuste na conta caixa por meio de lançamentos dos cheques emitidos. A relação das compras e dos pagamentos consta nos arquivos contábeis presentes nas mídias apreendidas pela Polícia Federal, arquivos "Entrada[109].dbf" e "iop[19]dbf. São compras identificadas no campo "SÉRIE" do arquivo "Entrada[109].dbf". pelo código "CPF". (letra "h" do item 5.5 do TVF); b) Cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome próprio: Os pagamentos foram contabilizados por valor inferior ao registrado na contabilidade paralela; foram efetuados ajustes na conta caixa por meio de lançamento a crédito dessa conta das diferenças apuradas entre o valor dos cheques e os respectivos pagamentos; c) Cheques utilizados para pagamentos à Ubigás: baixa dos cheques contabilizada a débito da conta caixa e a crédito da conta Banco, mas, os pagamentos não foram contabilizados, ficando o caixa inflado. d) Baixa de duplicatas em data posterior à do efetivo pagamento: há vários elementos de provas na letra "d" do item 5.5 do TVF. e) Incorreções nos registros das baixas das duplicatas: Registro incorreto da baixa de duplicatas por meio do lançamento a débito da conta caixa e a crédito da conta fornecedores, quando deveria adotar procedimento inverso. Em alguns casos, a contribuinte tentou ajustar o lançamento por meio de operação inversa, registrando tal operação em outra data. Os lançamentos sujeitos a ajuste estão relacionados na planilha "AJUSTES DE LANÇAMENTO DO CAIXA, fl. 418 e a descrição dos fatos encontra-se no item 5.3 do TVF. Os elementos de prova constam na letra "e" do item 5.5 do TVF. Em relação aos ajustes na conta caixa em função dos cheques emitidos para pagamentos a diversas empresas pela compra de mercadorias adquiridas em nome de terceiros e em nome próprio (contabilização parcial), esses valores não foram contabilizados pela autuada em sua contabilidade oficial. A autuada contabilizava a baixa dos cheques utilizados para pagar suas obrigações a débito da conta caixa e a crédito da conta Banco, como se os recursos estivessem ingressando no caixa da empresa Todavia, não havia registro dos pagamentos efetuados. Dessa forma o caixa ficava com saldo inflado, tornando-se irreal, tendo sido efetuado os respectivos ajustes na conta caixa, os quais considero coretos. Q28 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.826 Em relação aos cheques utilizados para pagamento à UBIGÁS, argumenta a empresa que trocou os cheques por dinheiro junto à Ubigás e que não realizou nenhum negócio• jurídico. Entretanto, a fiscalizada jamais registrou em sua contabilidade a troca de cheques por recursos provenientes da Ubigás. A forma como o histórico da baixa dos cheques foi efetuada, indica que o cheque foi descontado na "boca do caixa" da instituição bancária, entretanto, tomando-se como exemplo, os cheques 5185 e 5186, ambos no valor de R$ 60 mil, a contabilidade paralela da Ubigás indica que os cheques emitidos pela Chebabe teriam sido repassados à Ubigás pelo sócio da empresa Sr. Antonio Carlos Chebabe. Para os cheques 5190 e 5191 (R$ 120 mil e R$ 83 mil), constam da relação de cheques recebidos pela Ubigás, em 14.08.2001, que foram entregues ao Bradesco "R11". No boletim de caixa dessa data, fls. 374 do Anexo I, a Ubigás registra a operação como recebimento para o Fundo de Reserva (Sr. Antonio Carlos Chebabe). Concluiu a fiscalização que os cheques foram utilizados para financiar empresas do grupo. Assim, está correto o procedimento fiscal de ajustar a conta caixa. Conseqüentemente, toma-se desnecessária qualquer perícia para a inclusão dos valores dos cheques na conta caixa, para comprovação de que não teria havido saldo credor que foi pleiteada pela interessada. Em relação à baixa de duplicatas efetuada em data posterior ao pagamento a fiscalização efetuou ajustes regularizando os lançamentos para as datas da efetiva quitação, tomando o saldo de caixa real. A empresa alega erros contábeis, entretanto, não foram comprovados. Também alega que deveria ser provado que na data do efetivo pagamento, a contribuinte possuía ou não receita já oferecida à tributação, em sua conta caixa, como suficiente para saldar as obrigações. Deve-se registrar que a acusação fiscal não é a de passivo fictício. Foram efetuados os ajustes na conta caixa e houve a recomposição da conta caixa, inclusive na forma como a recorrente entende que deveria ter sido feito. Após os ajustes mencionados foram apurados saldo credor de caixa em diversos meses de 2001 a 2003. Esses saldos correspondem aos maiores saldos credores verificados no mês. Observou a fiscalização que em determinados períodos, mesmo sem a utilização de qualquer ajuste no caixa da empresa, este já apresentava seu saldo negativo. Sobre saldo credor de caixa, transcrevo o art. 281, Ido RIR199: Art.281.Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 12, §22, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 40): 1-a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; 11-a falta de escrituração de pagamentos efetuados; 111-a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Portanto, trata-se uma presunção legal, em que o ônus da prova é do contribuinte. A empresa foi devidamente intimada para que que comprovasse o contrário, entretanto, não efetuou a respectiva comprovação. Entendo que as provas constantes dos autos justificam os ajustes efetuados na conta caixa pela fiscalização. ()(f 29 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.827 • Glosa de custo - Compra de álcool hidratado A contribuinte no ano-calendário de 2001 adquiriu para revenda álcool hidratado de três empresas domiciliadas na cidade de Campo de Goytacazes (Disnabe, Hart e Sanibrás) e foi intimada a comprovar os pagamentos. Concluiu a fiscalização, que os documentos apresentados (fls. 252 a 255 e 272 a 278) não foram hábeis para comprovar as compras efetuadas. Foram analisadas as declarações das três empresas mencionadas do ano- calendário de 2001 e verificou-se que estas não declararam receitas naquele ano, sendo que a Hart e a Disnabe apresentaram declarações como inativas e a Disnabe, optante do Simples, apresentou declaração com receita nula. Tais empresas foram intimadas a informar a data de quitação dos títulos relacionados às notas fiscais emitidas por elas contra a CHEBABE e a apresentar os respectivos comprovantes de quitação. Os sócios das três empresas negaram ter comercializado com a CHEBABE. A sócia da Sanibrás declarou que nunca efetuou venda à CHEBABE e/ou suas filiais, informando que sua sala foi arrombada e que documentos importantes foram furtados. Apresentou cópia de jornal datada de 01.12.2000, com o anúncio do extravio de seus talões de notas fiscais de n° 0001 a 1500. As notas apresentadas pela CHEBABE como de emissão da Sanibrás fazem parte dessa numeração. As informações trazidas pela autuada eram de que parte das compras de álcool havia sido quitada por meio de pagamentos efetuados com cheques da empresa e que os mesmos haviam sido devidamente contabilizados (pagamentos à Hart e Disnabe), e que a outra parte havia sido paga com recursos de caixa. Como a maior parte dos cheques emitidos pela empresa era de sua conta mantida junto ao Bradesco, solicitou-se a esse Banco, cópias frente e verso de tais cheques e destinação dada aos mesmos. Dos cheques recebidos constatou-se que nenhum dos cheques foi depositado em contas dos fornecedores de álcool. Encontravam-se entre os beneficiários dos recursos diversas pessoas, entre elas, a empresa Ubigás (de propriedade do Sr. Antonio Carlos Chebabe), a CADM e a Usina Cupim (ambas fornecedores de açúcar da CHEBABE). Diante desses fatos, a empresa foi intimada a justificar o motivo de os pagamentos das compras de álcool hidratado por meio de cheques terem sido feitos a diversas pessoas e não às empresas Hart e Disnabe. Deveria justificar a causa/finalidade dos pagamentos terem sido efetuados a essas pessoas e não aos fornecedores, com documentação idônea. Respondeu a autuada que as empresas Hart e Disnabe faltaram com a verdade ao afirmarem não ter realizado comércio com ela. No tocante aos cheques informou que os mesmos foram entregues ao portador e o fato de terem sido descontados em favor de pessoas diversas deveria ser explicado por essas empresas. Como havia indícios de que as operações envolvendo a compra de álcool não haviam ocorrido, tomou-se necessário circularizar as pessoas que possivelmente estariam envolvidas nas operações de compra e venda de álcool hidratado. De posse das notas fiscais de venda emitidas pela CHEBABE, recebidas pela fiscalização foram extraídos dados que identificaram as pessoas responsáveis pelo transporte do álcool, os veículos utilizados no transporte e os adquirentes do produto (fls. 268 do Anexo 4). Aos adquirentes de álcool foi solicitada a apresentação dos seguintes documentos: cópias autenticadas das notas fiscais emitidas pela CHEBABE no ano de 2001, cópias autenticadas dos comprovantes de quitação das obrigações da empresa junto à CHEBABE, cópias autenticadas das folhas do Diário onde as operações estariam registradas. Aos transportadores do produto, responsáveis pelos fretes, foram solicitados esclarecimentos e documentos. fie( 30 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 A. 2.828 Além das circularizações efetuadas no decorrer da ação fiscal foram colhidos depoimentos de pessoas ligadas ao caso, como os sócios da Hart e da Disnabe, o contador da CHEBABE e seu diretor comercial. Desses depoimentos concluiu o autuante que as empresas Hart, Disnabe e Sanibrás pertencem à mesma pessoa, o Sr. Eduardo Brasileiro Pinto, o qual é sócio de direito da Hart. As duas últimas empresas são representadas por interpostas pessoas, a funcionária Andréa Monteiro Cordeiro e a Sra. Antonia Brasileiro Pinto, mãe do Sr. Eduardo. Essas empresas forneceram notas fiscais frias à CHEBABE. A Sra. Andréa, sócia da Disnabe foi uma das responsáveis pelo preenchimento de diversas notas emitidas pela Hart e pela Sanibrás. Essas informações foram prestadas pela Sra. Andréa em seu depoimento e vêm a ser corroboradas com o exame grafotécnico efetuado pela Policia Federal de fls. 716 a 720. Segundo a Sra. Andréa, a ordem para o preenchimento das notas fiscais partia do Sr. Eduardo Brasileiro, que já havia trabalhado na empresa CHEBABE. Os blocos de notas fiscais n°01 a 1500 que segundo a Sra. Antonia Brasileiro haviam sido furtados da empresa Sanibrás, foram utilizados no esquema. Em relação à Disnabe, foram apresentados à fiscalização dois talonários de notas fiscais de n° 1 a 50 e de 51 a 100, ambos sem preenchimento. Percebe-se que existiam talonários paralelos, com a mesma numeração, utilizados nas simulações das operações de venda de álcool hidratado para CHEBABE (fls. 414 a 444 e 497/526 do Anexo 4). Concluiu a fiscalização que: a) A empresa CHEBABE não adquiriu álcool hidratado das empresas Hart, Disnabe e Sanibrás; b) Os cheques utilizados para a "compra de álcool hidratado" foram usados para outros fins (fls. 562 a 611 do Mexo 4); c) As vendas no período existiram, pois recursos ingressaram no caixa da empresa, porém não foram para as pessoas discriminadas nas notas fiscais, nem necessariamente a mercadoria ou produto vendido tenha sido álcool hidratado; d) Não houve fretes especificados nas notas fiscais. Não comprovadas as compras de álcool hidratado glosou-se o custo do produto vendido que foi levado para a conta de resultado. Adicionou-se o custo ao lucro líquido conforme art. 281, I, do R1R/99. Os custos indedutiveis compõem a base de cálculo do IRPJ e CSLL e foram adicionados ao lucro líquido, conforme art. 249, I, do RIR/99 (e art. 2° da Lei 7.689/88, para a aCSLL). A infração está descrita no item 5.4 do TVF. Os cheques constituem as fs. 562 a611 do Mexo 4. Em sua defesa, a contribuinte argumenta que a autoridade fiscal, ouviu da funcionária das empresas Sanibrás, Disnabe e Hart, que as notas fiscais eram emitidas realmente pelas mesmas e a mando do proprietário de fato das mesmas, e que esse proprietário alega que nunca realizou as referidas vendas, e ainda que a partir única e exclusivamente desta afirmação, a autoridade fiscal julgou que a documentação de compra do álcool hidratado era g((), 31 Processo n° 10707.001578/2006-83 S1-C4T1 " Acórdão n.° 1401-00.002 A. 2.829 inidônea. Entretanto, não procedem esses argumentos, uma vez que as provas trazidas aos autos não se baseiam apenas em depoimentos de uma funcionária e na negativa do proprietário, mas sim de diversos outros indícios já acima expostos. Quanto à utilização de depoimentos de terceiros como prova e lesão ao devido processo legal, já foi objeto de apreciação quando se tratou de argumentos de nulidade. Portanto, procede a glosa de custos, uma vez que não foi comprovada a compra da mercadorias e os cheques obtidos junto ao Banco evidenciam como beneficiários dos recursos diversas pessoas, entre elas, a empresa UBIGÁS do grupo da CHEBABE e outras empresas fornecedoras de açúcar, bem como, em razão dos demais elementos de prova anteriormente mencionados. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custo requer a prova documental hábil e idônea das respectivas operações. • Pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Sobre a infração de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, transcrevo art. 674 do RIR/99: Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n 2 8.981, de 1995, art. 61). §124 incidência prevista neste artigo aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n2 8.981, de 1995, art. 61, §12). §22Considera-se vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n2 8.981, de 1995, art. 61, §22). §320 rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n2 8.981, de 1995, art. 61, §39. Conforme o dispositivo legal transcrito, está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e também nas situações em que não é comprovada a operação ou a sua causa. A autuada efetuou pagamentos à empresa UBIGÁS sem ter comprovado sua causa. Sua alegação de que somente trocou os cheques por dinheiro em espécie com a empresa UBIGÁS conforme já abordado neste voto não prospera, uma vez que a suposta transação não foi registrada em sua contabilidade e nem na contabilidade da Ubigás. Sobre o lançamento de oficio formalizado em nome da UBIGÁS, por pagamentos a beneficiários não identificados, essa informação da recorrente, não interfere na infração em discussão, isto porque, no caso, a recorrente foi autuada por pagamentos sem causa. São infrações distintas. Nji 32 Processo n° 10707.001578/2006-83 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.830 Tratando-se de uma presunção legal, caberia à recorrente comprovar a causa dos pagamentos, entretanto, seus argumentos recursais não comprovaram a causa dos mesmos. Sobre os pagamentos não comprovados à Hart, Disnabe e Sanibrás, tendo em vista que essas empresas não receberam os recursos da CHEBABE e esta registrou pagamentos às mesmas, concluiu a fiscalização que esses pagamentos são considerados como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, estando sujeitos à incidência de IRRF, conforme art. 674 e inciso IV do art. 841 do RI12199. Referem-se a recursos que saíram tanto do caixa como das contas mantidas pela empresa junto às instituições financeiras que supostamente teriam sido utilizados para quitar obrigações contraídas junto a fornecedores de álcool hidratado. Conforme item 5.4 do TVF as compras não existiram, sendo a maior parte dos pagamentos feita a beneficiários não identificados e parte relacionada a emissão de cheques efetuados sem qualquer motivo jurídico aparente. Relação dos pagamentos às fls. 712/715. Conforme já apreciado anteriormente está evidenciado que a empresa não logrou comprovar a compra das mercadorias. Correto o procedimento fiscal de que os pagamentos devam ser considerados como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. • Compensação indevida do lucro real— R$ 23.719,49,4° tri de 2003. Consta no auto de infração que as reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas nos anos-calendário de 2001 a 2003, provocaram a glosa dos prejuízos relativos ao 4° trimestre de 2003, no valor de RS 23.719,40. Mantido o lançamento relativo às infrações, conforme exposto neste voto, deve ser mantida a referida glosa. • Aplicação da multa de 150% e aplicação da taxa selic como juros de mora. Afirma a recorrente que a multa de 150% deve ser afastada pois representa manifesta ofensa ao princípio constitucional do não-confisco. Em relação aos juros Selic aduz que é inconstitucional a sua aplicação, como juros de mora. Sobre esses argumentos, aplica-se as Súmula ifs 2 e 4 do 1° CC que a seguir transcrevo: Súmula 1°CC n°2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula V CC n° 4: A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Sobre a redução da multa para 20% não há base legal que ampare seu pedido, pois esta aplica-se quando do pagamentos de débitos declarados ou quando do pagamento de débitos que não tenham sido objeto de lançamento de oficio, o que não é o caso nestes autos. Presentes os pressupostos legais para imposição das multas aplicadas. 33 Processo n°10707.001578/2006-33 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.002 Fl. 2.831 • Exigências reflexas Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal às exigências reflexas, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do acima exposto, oriento meu voto para rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e no mérito negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 11 de março de 2009. É C.-- ALBERTINA S SANTOS/)E LIMA , 34 Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.001075/98-59
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DCTF — ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art 138 do CTN Precedentes do STJ
Numero da decisão: CSRF/02-01.032
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (Relator) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva
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FAZENDA NACIONAL Recorrida 2° CÂMARA DO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de 21 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° CSRF/02-01 032 DCTF — ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art 138 do CTN Precedentes do STJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto por LOPES SUPERMERCADOS LTDA ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (Relator) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo ED.*N PER RAROD UES RESIDENTE OTACILIO DANTA CARTAXO RELATOR - DESIG ADO FORMALIZADO EM 24 OUT 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA e DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA Processo n°, 10820 001075/98-59 Acórdão n° : CSRF/02-01 032 Recurso n° RD/202-0,402 Recorrente LOPES SUPERMERCADOS LTDA RELATÓRIO Trata-se o presente processo de exigência de multa por atraso nas entregas de Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, onde a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, com base no entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte, cabendo a aplicação da penalidade pelo descumprimento prevista no Decreto — Lei n 2, 124/84. Às fls. 120/129 Recurso Especial, com razões estribadas no no art 138 do CTN, e no fato de que a entrega as destempo das DCTF's foi efetuada antes de qualquer ação fiscal, isto comprovado no próprio corpo do Auto de Infração. Além do que, afirma que os débitos tributários declarados nos documentos dos quais ora se cuida, já estavam devidamente recolhidos e reitera o trabalho expendido pelo Conselheiro Relator Luiz Roberto Domingo e conclui mais uma vez destacando que os tributos constantes das DCTF's entregues com atraso, foram recolhidos tempestivamente. Oferece a doutrina de Luciano Amaro e jurisprudência administrativa e judicial Contra — Razões, às fls. 147/148, alegando que a jurisprudência trazida aos autos não se aplica ao caso e transcreve ementa da 1 a Turma do E. STJ, decidindo que o institutN da denúncia espontânea não se aplica aos casos de descumprimento de obrigao formal, a exemplo da declaração de imposto de renda. É o relatóri Processo n° 10820.001075/98-59 Acórdão n° CSRF/02-01 032 VOTO VENCIDO Conselheiro — Relator Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Inicialmente, entendo o art.. 138 do CTN como abrangente das infrações de natureza formal quando trata da possibilidade de infração sem pagamento de tributo, posto que, contém no texto indicação clara de possibilidade alternativa — se for o caso Essa possibilidade alternativa, é claramente possibilitadora da inclusão das infrações de ordem formal no amplexo do princípio da espontaneidade, posto que, quando se refere ao não pagamento de tributo está comandando as obrigações acessórias, Por outro lado, jamais poderia ser a multa de que se trata, de natureza compensatória, posto que, não haveria o que compensar uma já que a DCTF é mero artefato de controle, que não atinge positiva ou negativamente o pagamento do tributo Quanto ao entendimento do E. STJ, transcrito nas Contra — Razões a este Recurso sobre a entrega com atraso da Declaração de Imposto de Renda, considerando que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art 138, não exergo nele, ligação ao caso presente, uma vez que, a Recorrente recolheu os tributos tempestivamente e, apenas informou-os a destempo Portanto, tratando-se efetivamente, a meu ver, de sanção punitiv., em )ii face do descumprimento de obrigação tributária formal, feita a destempo, por: . , is Processo n° 10820 001075/98-59 Acórdão n° CSRF/02-01 032 exatos limites preceituados pelo artigo 138 do CTN, voto no sentido de reformar a Decisão guerreada, dando provime 8 \ao Recurso Especial interposto Sala das Sessies, (8F) em 21 (-maio de 2 081 FRANCI" 8-1~_ ith Á : e Á :UQUERQUE SILVA Processo n°. 10820„001075/98-59 Acórdão n°. CSRF/02-01 032 VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO RELATOR — DESIGNADO - OTACÍLIO DANTAS CARTAXO O recurso especial cumpre todos os requisitos necessários para sua admissão, portanto dele conheço. O STJ em recentes julgados vem entendendo que o instituto da denúncia espontânea, albergado pelo art. 138 do CTN, não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Nesse sentido transcrevo as razões de voto do Exmo. Sr Ministro do STJ José Delgado, proferidas no Resp n° 190388/GO, que tratou da multa pelo atraso na entrega da declaração do imposto de renda, plenamente aplicável, pela similitude, também à entrega de DCTE "A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. Processo n°. 10820.001075/98-59 Acórdão n° CSRF/02-01 032 A multa a aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte " Reforçando esse entendimento, manifestou o mesmo Magistrado, no EARESP n° 2581411PR, cujo acórdão foi assim ementado* "PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF PRECEDENTES 1 (omissis) 2 (omissis) 3 (omissis) 4 A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições e Tributos Federais — DCTF. 5 As responsabilidades acessórias autônomas sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 6 (omissis) 7. Embargos declaratórios rejeitados." (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais também se pronunciou sobre o assunto; e, nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão CSRF n° 02-0.829, da lavra da Ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez lóper "DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art.. 138, do CTN Precedentes do STJ. Recurso a que se dá provimento." Isso posto, vejo que a multa legalmente prevista para a entrega a destempo das DCTF é plenamente exigível, pois trata-se de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo art. 138 do CTN. Processo n° . 10820 001075/98-59 Acórdão n°. : CSRF/02-01 032 Dessa forma, concluo que o acórdão recorrido não merece reforma e nego provimento ao recurso especial É assim como voto Sala das Sessões, em 21 de maio de 2001 letX\ t).1,1 OTACÍLIO DAN v- S C Á RTAXO Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 11050.000596/93-60
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ADUANEIRO. NACIONALIZAÇÃO DE MERCADORIA
Para o gozo da isenção outorgada por decisão da comissão Befiex
não há como exigir que a mercadoria já introduzida no país sob
suspensão de tributos ( Admissão Temporária) tenha que ter sido
transportada em navio de bandeira brasileira (DL 666/69) por se
tratar de condição impossível, no caso.
Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional
Numero da decisão: CSRF/03-03.203
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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ementa_s : ADUANEIRO. NACIONALIZAÇÃO DE MERCADORIA Para o gozo da isenção outorgada por decisão da comissão Befiex não há como exigir que a mercadoria já introduzida no país sob suspensão de tributos ( Admissão Temporária) tenha que ter sido transportada em navio de bandeira brasileira (DL 666/69) por se tratar de condição impossível, no caso. Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional
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NACIONALIZAÇÃO DE MERCADORIA Para o gozo da isenção outorgada por decisão da comissão Befiex não há como exigir que a mercadoria já introduzida no país sob suspensão de tributos ( Admissão Temporária) tenha que ter sido transportada em navio de bandeira brasileira (DL 666/69) por se tratar de condição impossível, no caso. Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. - E lk -19 PER I' À ODRIGUES -4" RESIDE NT JO O OLANDA COSTA " LATOR FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros :CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA 6Processo n°. : 11050.000596/93-60 Acórdão n°. : CSRF/03-03.203 MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO e ROBERTO CUCO ANTUNES. 2 6Processo n°. : 11050.000596193-60 Acórdão n°. : CSRF/03-03.203 Recurso n°. : RD1302-0.392 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Inconformada com o Acórdão 302-33.473, da 2 a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, recorre a Fazenda Nacional a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais procurando demonstrar existir divergência jurisprudencial e apresenta paradigmas. Trata-se de pedido de isenção ao amparo do certificado BEFIEX, concedida para uma mercadoria que já se encontrava no território nacional, ingressada sob o regime suspensivo de Admissão Temporária. Ocorreu de, em ato de revisão aduaneira, ser verificado que o transporte da mercadoria se fizera em navio que não era de bandeira nacional, o que, no entender da fiscalização da Receita Federal impedia o reconhecimento da isenção pleiteada. A exigência é imposição do Decreto-lei 666/69 e dos art. 217 e seguintes, do Regulamento Aduaneiro, baixado com o Decreto 91.030/85. Argumenta a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional nos seguintes termos: "O art. 308 do Regulamento Aduaneiro determina que a nacionalização dos bens e o seu despacho para consumo serão realizadas com observância das exigências legais e regulamentares, inclusive as relativas ao controle administrativo das importações. Prosseguindo na análise da legislação, verificamos que o art. 217, inciso III do RA, dispõe que é obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira, de mercadorias a serem beneficiadas com isenção ou redução do imposto .Note-se que não há ,em qualquer lugar da legislação em vigor, nenhum dispositivo excetuando os bens importados originalmente sob o regime de admissão temporária desta obrigatoriedade 3 6Processo n°. :11050.000596/93-60 Acórdão n°. : CSRF/03-03.203 Outrossim, nos termos do art. 111 do Código Tributário Nacional, a interpretação da legislação que disponha sobre isenção de impostos deve ser feita de forma literal. Assim sendo, não há como se admitir a isenção de tributos para as mercadorias em questão, mesmo tendo sido importadas sob o regime de admissão temporária e amparadas por certificado BEFlEX, em face da impossibilidade de cumprir a obrigatoriedade do transporte em navio de bandeira brasileira, condição "sitie qua non" para o deferimento do benefício" Transcorrido o prazo da intimação sem que o contribuinte se manifestasse em contra-razões, o processo veio a esta Câmara Superior para julgamento. É o relatório 4 6Processo n°. :11050.000596/93-60 Acórdão n°. : CSRF/03-03.203 VOTO CONSELHEIRO RELATOR — JOÃO HOLANDA COSTA Ouso discordar, "data venha", da argumentação desenvolvida pela Fazenda Nacional e nos Acórdãos paradigmáticos. Conquanto não haja a norma previsto exceção da exigência do transporte em navio de bandeira brasileira, para o gozo da isenção ou redução de imposto, no entanto, há que entender que a exigência não pode ser imposta para a mercadoria que já se encontre no território nacional. A propósito, não deve ficar esquecido o princípio de que a norma não pode impor ao súdito uma condição impossível de cumprir. Quando do ingresso dos bens submetidos ao regime especial de admissão temporária inexiste a obrigatoriedade do transporte em navio de bandeira brasileira. Não há fundamento para interpretar que a exigência de bandeira venha a ser recuperada se o contribuinte que optou pela nacionalização das referidas mercadorias pretender a isenção que acaso haja obtido mediante Certificado Befiex. A meu ver, em se tratando de mercadoria legitimamente já ingressada no território nacional, a exigência relativa a bandeira quer-me parecer imposição de cumprimento impossível. Pelo exposto mesmo que não haja formalmente uma exceção prevista em a norma de regência, sua não aplicação ao caso em foco decorre da própria lógica interpretativa da norma. Voto para negar provimento ao recurso de divergência da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2.001 JOÃ NDA COSTA 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10235.000563/2009-44
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há falar em nulidade da decisão recorrida que não confere ao
contribuinte o direto de apresentar provas em momento ulterior à
Impugnação quando o contribuinte sequer junta as tais provas na
interposição do Recurso Voluntário.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM A CONTRIBUINTE, INTIMADA A FEZÊ-LO, NÃO COMPROVA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovado pela Fiscalização que os depósitos bancários foram mantidos em conta de titularidade da recorrente, bem como que não compuseram a base de cálculo dos tributos devidos (SIMPLES, portanto, o faturamento), legítimo exigir que a recorrente apontasse a origem dos tais depósitos, não havendo falar em qualquer ofensa à legalidade ante a presunção legal de
omissão incidente na espécie.
Numero da decisão: 1301-000.592
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão recorrida que não confere ao contribuinte o direto de apresentar provas em momento ulterior à Impugnação quando o contribuinte sequer junta as tais provas na interposição do Recurso Voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM A CONTRIBUINTE, INTIMADA A FEZÊ-LO, NÃO COMPROVA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado pela Fiscalização que os depósitos bancários foram mantidos em conta de titularidade da recorrente, bem como que não compuseram a base de cálculo dos tributos devidos (SIMPLES, portanto, o faturamento), legítimo exigir que a recorrente apontasse a origem dos tais depósitos, não havendo falar em qualquer ofensa à legalidade ante a presunção legal de omissão incidente na espécie.
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Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão recorrida que não confere ao contribuinte o direto de apresentar provas em momento ulterior à Impugnação quando o contribuinte sequer junta as tais provas na interposição do Recurso Voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM A CONTRIBUINTE, INTIMADA A FEZÊLO, NÃO COMPROVA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado pela Fiscalização que os depósitos bancários foram mantidos em conta de titularidade da recorrente, bem como que não compuseram a base de cálculo dos tributos devidos (SIMPLES, portanto, o faturamento), legítimo exigir que a recorrente apontasse a origem dos tais depósitos, não havendo falar em qualquer ofensa à legalidade ante a presunção legal de omissão incidente na espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 991DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG. Verificase no presente processo que contra a recorrente foi lavrado auto de infração (fls. 686 788), depreendendose pela leitura da Descrição dos Fatos (fls. 688 700) ter havido omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Salienta a autoridade lançadora que o recorrente foi, reiteradas vezes, intimado a justificar os depósitos bancários em suas contas correntes e a despeito disso, não apresentou informações convincentes sobre as origens de todos os depósitos objetos da glosa e que devidamente intimado, na forma do § 2° do art. 4° do Decreto n° 3.724/2001, o recorrente apresentou os extratos bancários das contascorrentes, poupanças e de aplicações financeiras, o que autorizou o Fisco a requisitar diretamente às instituições financeiras os referidos extratos, cujo exame mostrouse indispensável (fls. 172 a 185, 278 a 281 e 341). Nesse contexto, consignouse no auto de infração que a recorrente movimentou R$ 3.255.147,27, e declarou uma receita de R$ 161.724,23, no ano calendário 2005. Ademais, registouse ter havido omissão de receitas da revenda de mercadorias e da prestação de serviços, porquanto a recorrente apresentou extratos possibilitando a comprovação da origem dos recursos utilizados em alguns depósitos feitos na conta corrente n° 472441, mantida por ela na agência n° 45446, do Banco do Brasil, bem como, por coincidência de datas e valores, na conta n° 00300000139/5, mantida pela fiscalizada na agência n° 0658 no ano calendário 2005 (fls. 489 – 588). Destacouse ainda, que a recorrente foi intimada a informar a que se referiam os pagamentos efetuados pelos órgãos do governo do estado do Amapá conforme extratos do SIAFEM2005/EXEFIN, CONSULTAS, LISOB, fornecidos no curso da fiscalização (fls. 590, 591 e 596) e que em resposta à intimação, a recorrente apresentou os blocos de notas fiscais de saída, sendo extraídas cópias das notas fiscais mencionadas nos extratos dos sistemas SIAFEM2005/EXEFI1V, CONSULTAS, LISPD — Sistema de Administração Financeira de Fl. 992DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 3 3 Estados e Municípios (Execução Financeira, Consulta Programação Desembolso), (fls. 606 a 662 e 665 a 671). Verificase ainda, que contra a recorrente foi aplicada multa de 75% no que concerne à infração “Insuficiência de Recolhimentos” e em relação às infrações descritas nos itens “Omissão de Receitas não Escrituradas”. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 801 810), alegando em síntese, ter havido quebra de sigilo bancário, situação que só poderia ser aperfeiçoada por decisão emanada do Poder Judiciário e que os depósitos bancários não podem ser base de cálculo para tributação. Sustentou ainda, que tem como objetivo principal a atividade de prestação de serviços e venda de equipamentos de informática, ocorrendo que de boafé, o titular da empresa recorrente outorgou procuração ao Sr. José Tadeu de Oliveira Bittencourt (CPF n° 149.977.70191), dando poderes para gerir a empresa, inclusive movimentar contas bancárias e que, aproveitandose desses poderes, o citado procurador, por conta própria e com seus próprios recursos, teria movimentado a conta n° 0615150, agência n° 0810 URB W3 SUL, do Banco HSBC em Brasília/DF, no ano calendário 2005 (fls. 264, 265 e 276), fato que teria sido constatado pela fiscalização e que a recorrente jamais teve domicílio em Brasília, e nem comercializava com fornecedores ali localizados, portanto, as receitas movimentadas nesta conta seriam de inteira responsabilidade do Sr. José Tadeu de Oliveira Bittencourt. Argumentou no mais, que em razão dos prejuízos morais e materiais causados pelo Sr. José Tadeu pela má utilização da procuração e do nome da empresa, o titular da recorrente foi obrigado a revogar judicialmente a citada procuração (fl. 79 Vol. 1) e que o sócio de outra empresa L.K EMPREENDIMENTOS Ltda. (CNPJ 05.315.655/000172), e sendo empresa individual, constantemente, misturava depósitos pessoais, inclusive transferências de valores da outra empresa da qual é sóciotitular, para saldar contas da empresa, empréstimo bancários, ou antecipar compras de cartões. Nesse contexto, afirmou que seria possível a ocorrência de transferências de numerários entre as contascorrentes das empresas, fato que poderia ser provado, mediante comparação entre os extratos bancários das duas pessoas jurídicas, afirmando que esses extratos seriam anexados posteriormente, tão logo pudesse obter todos os extratos bancários e identificar os depósitos realizados nas contas correntes. Teceu outros tantos outros comentários e requereu a improcedência da autuação. A 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, nos termos do acórdão e voto de folhas 822 a 830, manteve a autuação, fundamentando, sinteticamente, que caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida perante instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, assentando ser essa a hipótese do caso concreto. Devidamente cientificada (fl. 836), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 839 – 850), afirmando ser nula a decisão objetada, porquanto lhe teria cerceado direito de defesa na medida em que, solicitara, expressamente, que lhe fosse concedido prazo para apresentação de provas, considerando as dificuldades de agrupar todos os documentos e a Fl. 993DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 4 4 despeito disso, a decisão recorrida teria refutado seu pedido, cerceando assim, o seu direito de defesa. Sustentou ainda, que o lançamento foi aperfeiçoado com ofensa ao princípio da legalidade, porquanto a recorrente teria afirmado não ser a detentora dos recursos movimentados na conta bancária indicada, passando na sequência a aduzir que a movimentação bancária não era de sua titularidade, decorrendo da má fé do seu procurador, assentando que a movimentação bancária glosada pertencia às empresas do mesmo titular, representando assim, meras transferências e aduzindo que os depósitos de um mês não poderiam justificar os recursos do mês seguinte, expondo suas conclusões e pugnando por provimento do recurso e a consequente reforma da decisão da DRJ de Belo Horizonte. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos para formal admissibilidade, conheçoo. A autuação versada no presente processo está relacionada à omissão de receitas, verificada ante a existência de depósitos bancários, cuja origem, a recorrente não teria comprovado. Verificando as alegações da recorrente encontrase pleito pela decretação da nulidade da decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de belo Horizonte/MG, porquanto teria incorrido em cerceamento ao seu direito de defesa, alegando no mérito, substancialmente, que os depósitos bancários considerados para os fins de apuração da omissão de receitas não lhe pertenciam e foram controlados por seu antigo procurador. Com esse panorama dos fatos, passo à análise da preliminar sustentada, sede na qual afirmou a recorrente que não lhe fora oportunizado prazo, a despeito de requerimento expresso, para que produzisse novas provas após o protocolo da Impugnação e que os tais documentos seriam imprescindíveis à elucidação do caso concreto. Observese textualmente o que a contribuinte consignou na folha 841 do seu Recurso Voluntário, in verbis: (...) Portanto, faltou sensibilidade jurídica ao juízo "a quo" ao negar prazo para produção de provas, sem maior fundamentação, e sem percebeu que a recorrente foi vítima de seu procurador, que na época tinha em mãos uma procuração com amplos poderes e morava em Brasília. Por isso, para provar que vários depósitos foram realizados em conta corrente supostamente pertencente a recorrente, teria que solicitar cópias de documentos de terceiros (Banco HSBC). Evidentemente, para tanto, seria necessário demandar um certo Fl. 994DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 5 5 prazo para que o recorrente pudesse contactar com aquela instituição e, estas por sua vez, demandariam de outro tanto de tempo para encaminhar tais documentos (demora entre a postagem e a entrega ao destino). (...) Não se desconhece que a recorrente reputou imprescindíveis as “novas provas”, no entanto, ainda que se abstenha de perquirir o acerto da decisão recorrida, observa se que até o momento a recorrente não as juntou, limitandose a arguir a nulidade da decisão que não lhe oportunizou fazêlo. Tivesse a recorrente trazido em sede de Recurso Voluntário as coincidentes provas que pretendeu produzir e que supostamente lhe foi obstaculizado pela decisão recorrida, esse colegiado poderia aferir a pertinência das tais provas e diante disso, avaliar eventual ocorrência de preterição ao consagrado direito de defesa da contribuinte. Quer me parecer, portanto, que a mera alegação de que a decretação da preclusão acarretou cerceamento de defesa não é suficiente para impedir a marcha do processo e decretarse a nulidade da decisão objetada, razão pela qual, afasto qualquer pecha de nulidade alegada no presente processo. No que toca ao mérito da autuação e em cotejo dos argumentos expendidos pelo sujeito passivo, melhor sorte não lhe socorre que não o desprovimento do Recurso Voluntário. Com efeito, por mais verossímil que seja a alegação de que a empresa recorrente foi fraudada por seu antigo procurador, é de rigor evidenciarse que à época dos depósitos bancários considerados (por ausência de prova em sentido contrário, como omissão de receitas), vigia mandato que conferia poderes ao procurador para agir em nome da empresa recorrente. Sendo assim, presente a norma contida no artigo 118 do Código Tributário Nacional devese abstrair, ao menos no momento de verificar a pertinência da constituição do crédito tributário como o é a presente fase, eventual máfé do mandatário, de sorte que essas ponderações poderão ter eventual relevância na fase de cobrança do crédito tributário, jamais na sua constituição, de sorte que ficam prejudicadas as negativas da recorrente quanto à titularidade dos depósitos mantidos na conta n° 0615150, agência n° 0810 Banco HSBCDF. Comprovados pela Fiscalização que os depósitos bancários foram mantidos em conta de titularidade da recorrente, bem como que não compuseram a base de cálculo dos tributos devidos (SIMPLES, portanto, o faturamento), foi legítimo exigir que a recorrente apontasse a origem dos tais depósitos, não havendo falar em qualquer ofensa à legalidade. No mais, os argumentos da recorrente esbarram na presunção legal contida no artigo 42 da Lei n0 9.430/96, consagrador de que caracteriza omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 995DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10235.000563/200944 Acórdão n.º 130100.592 S1C3T1 Fl. 6 6 Com essas ponderações, encaminho meu voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a presunção legal de omissão de receitas. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 996DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 10380.009929/2004-62
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ.
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido. Nesse sentido é o precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o qual vincula este órgão julgador, nos termos do art. 927, inciso III do CPC, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO POR COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
A compensação, ainda que homologada, não pode ser equiparada ao pagamento, para fins de contagem do prazo decadencial. No caso, quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999 não restou comprovado o pagamento mediante DARF, ainda que parcial, do tributo exigido e, portanto, o fisco tem o direito de efetuar o lançamento de ofício a eles relativos, com a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 3402-006.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos para suprir a omissão ventilada e dar-lhe provimento, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência de parte do crédito tributário em relação aos meses em que foi comprovado pagamento mediante DARF, quais sejam, janeiro/1999 a abril/1999 e setembro/1999. Pelo voto de qualidade, por não reconhecer a decadência quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro (relator), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que reconheciam a decadência destas competências, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (suplente convocado). Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido. Nesse sentido é o precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o qual vincula este órgão julgador, nos termos do art. 927, inciso III do CPC, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. DECADÊNCIA. PAGAMENTO POR COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. A compensação, ainda que homologada, não pode ser equiparada ao pagamento, para fins de contagem do prazo decadencial. No caso, quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999 não restou comprovado o pagamento mediante DARF, ainda que parcial, do tributo exigido e, portanto, o fisco tem o direito de efetuar o lançamento de ofício a eles relativos, com a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN.
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DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido. Nesse sentido é o precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o qual vincula este órgão julgador, nos termos do art. 927, inciso III do CPC, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. DECADÊNCIA. PAGAMENTO POR COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. A compensação, ainda que homologada, não pode ser equiparada ao pagamento, para fins de contagem do prazo decadencial. No caso, quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999 não restou comprovado o pagamento mediante DARF, ainda que parcial, do tributo exigido e, portanto, o fisco tem o direito de efetuar o lançamento de ofício a eles relativos, com a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos para suprir a omissão ventilada e darlhe provimento, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência de parte do crédito tributário em relação aos meses em que foi comprovado pagamento mediante DARF, quais sejam, janeiro/1999 a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 99 29 /2 00 4- 62 Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 3 2 abril/1999 e setembro/1999. Pelo voto de qualidade, por não reconhecer a decadência quanto às competências de junho/1999 a agosto/1999. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro (relator), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz que reconheciam a decadência destas competências, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Marcos Antônio Borges (suplente convocado). Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório 1. Por bem retratar os fatos narrados nos autos, utilizo como meu o relatório desenvolvido pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, quando da lavratura do acórdão n. 3402002.415 (fls. 928/936), o que passo a fazer nos seguintes termos: O processo trata de auto de infração formalizado para constituir os créditos tributários referentes às diferenças apuradas entre o valor escriturado e o valor declarado/pago, o procedimento de verificações obrigatórias. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo manteve em parte o lançamento tributário nos termos do Acórdão nº 6.274, de 20 de maio de 2005. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 3402001.846, de 18 de julho de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 4 3 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, podese afastar a aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo do PIS e da Cofins, até a vigência das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A Fazenda Pública opôs embargos de declaração sob alegação de omissão da decisão acima mencionada quanto a inclusão na base de cálculo da Cofins do ICMS –Substituição Tributária, da subvenção para custeio e investimento e das variações cambiais ativas. Segundo a embargante, a decisão deu provimento ao recurso sem, contudo, atentar para a natureza específica e peculiaridades das receitas envolvidas, variações cambiais, subvenção de custeio e investimento e ICMS – Substituição Tributária. Defende a embargante que a subvenção para custeio deve fazer parte da base de cálculo da Cofins por ser considerada receita operacional. As receitas oriundas das variações cambiais ativas, por se caracterizarem acessórias das receitas de exportações devem fazer parte do conceito de faturamento e ser tributada pela Cofins. Por derradeiro, afirma a embargante que o ICMS – Substituição Tributária deve fazer parte da base de cálculo da exação, uma vez que a legislação interna do Estado do Ceará não estipulou o quantum foi pago na condição de contribuinte e o quantum foi pago na condição de substituto tributário. (...) (grifos nosso). 2. Uma vez processado, os embargos de declaração interpostos pela União foram julgados procedentes, nos termos abaixo indicados: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa. CONSULTA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É de observância obrigatória a solução de consulta provocada pelo sujeito passivo, tanto para o consulente como para administração, uma vez que está vinculada a observar a decisão dada à consulta apresentada pelo consulente, já que expressa a sua interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 5 4 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração e acolhêlos para sanar a omissão, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso apenas para afastar as receitas oriundas das variações cambiais e das subvenções para custeio e investimento da base de cálculo da Cofins, mantendo no cálculo da exação o valor do ICMS. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Souza Bispo que entendeu que as subvenções de custeio fazem parte do faturamento, logo, haveria omissão quanto a essa matéria. Declarouse impedido o conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. 3. Não obstante, uma vez intimado desta decisão, o contribuinte interpôs os embargos de declaração de fls. 1.620/1.656 alegando, em suma, os seguintes vícios: · Vícios de Omissão · Ausência de análise do prazo decadencial que fulminou grande parte do crédito tributário · Falta de análise do histórico fático, normativo e legislativo · Não apreciação da efetiva fundamentação contida no auto de infração e da correspondente ausência de fundamentação quanto a suposta infração relacionada ao ICMSST · Desconsideração da mudança de entendimento do Fisco sobre o fundamento da Solução de Consulta n° 46/98 e o provimento judicial favorável à Embargante · Vícios de Contradição · Fundamentação legal diversa à que baseia a autuação · Submissão do contribuinte e do CARF às Soluções de Consulta 4. Em despacho de admissibilidade (fls. 1.676/1.681), o então Presidente desta turma julgadora, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, admitiu o recurso do contribuinte apenas para sanar suposta omissão em relação à discussão quanto à decadência, o que fez nos seguintes termos: Compulsando o recurso voluntário, fls. 940 a 970, verifico que o ora embargante ofereceu preliminar de decadência pela regra do § 4° do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN. Quanto ao mérito, arguiu a inconstitucionalidade declarada pelo STF da ampliação da base de cálculo da Contribuição. Apoiandose em decisão do STJ no REsp 601.741, a exigência feita no Estado do Ceará quanto à não exclusão dos valores de ICMS Substituição Tributária das bases de cálculo da Cofins é ilegal e dupla. Da mesma forma, insurgiuse contra a incidência Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 6 5 da Cofins sobre receitas relativas aos programas de incentivo financeiro implementados pelos governos do Ceará e Rio Grande do Norte ("PROVIN", "PROADI" e "FDI"). Defendeu, de igual modo a exclusão da tributação das receitas de variação cambial. Finalmente, alegou que alguns valores de Cofins pagos pelo contribuinte não foram corretamente computados. Essa rápida revisão permite concluir que o embargante está correto ao inquinar o Acórdão nº 3402002.415 do vício de omissão, no que tange à arguição da preliminar de decadência. Tanto nesta decisão quanto na que ela integrou, a matéria não foi abordada. O vício merece saneamento e, desde já, admitese o apelo ao Colegiado Recursal para que ele seja saneado. A revisão também permite constatar que as demais omissões suscitadas resumemse, na verdade, em manifestações da insatisfação do embargante para com o que foi decidido pelo acórdão embargado. De omissões não se trata, posto que não foram arguidas no recurso voluntário, nem se trata de pontos sobre os quais o Colegiado deveria manifestarse de ofício. (...). A embargante ainda acusa a decisão recorrida de fundarse em legislação distinta da que embasou o lançamento e de vincular o contribuinte e o CARF a soluções de consulta que em nada se refere ao período de janeiro/99 a fevereiro/01, mas a período e norma muito diversos, ou seja, às normas do Protocolo ICMS 46/00 e ao período de março/2001 a dezembro/2003. Ab initio, cumpre gizar que a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, e não aquela que possa existir, por exemplo, com a prova dos autos” (STJ, REsp 322056), nem “a que porventura exista entre a decisão e o ordenamento jurídico; menos ainda a que se manifeste entre o acórdão e a opinião da parte vencida” (STF, Emb Decl RHC 79785). Assim, no caso, não vislumbro a contradição alegada pelo embargante, na medida em que, conforme consignado, o aludido vício de intelecção deve ser interno, aquilatável entre as proposições manifestadas pelo juízo naquele mesmo julgado, e não eventual divergência entre os fundamentos da decisão e demais provas e fatos do processo, isto é, externo ao julgado. (...). Com essas considerações, forte no § 3° e em face do que dispõe o § 7, todos do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, admito os embargos interpostos, no que tange à omissão pela falta de apreciação da arguição de decadência, formulada no recurso voluntário. Portanto, incluase o presente processo em Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 7 6 lote para sorteio a um dos conselheiros da 2ª TO/4ª C/3ª S/CARF. (grifos nosso). 5. Diante deste despacho decisório e, ainda, levando em consideração o potencial efeito infringente dos embargos interpostos, esta Turma julgadora veiculou a resolução n. 3402000.834 (fls. 1.688/1.692) determinado que a União fosse intimada para, querendo, manifestarse a respeito do recurso interposto. 6. Devidamente intimada, a União apresentou sua manifestação as fls. 1.694/1698, oportunidade em que, em suma, alegou inexistir prova do pagamento de tributo a implicar a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 150, § 4º do CTN, afastando, por conseguinte, o precedente do STJ formado sob o rito de recursos repetitivos e externado no REsp n. 973.733. 7. Não obstante, por entender que haveriam indícios de pagamento do tributo exigido (COFINS) para o período objeto de questionamento (janeiro a dezembro de 1999), essa Turma julgadora novamente baixou o caso em diligência (resolução n. 3402001.006 fls. 1.707/1.712), determinando o que segue: (...). 14. Diante deste quadro, em respeito ao princípio da verdade material e, ainda, para evitar a judicialização de uma exigência fiscal que pode ser indevida, o que, por conseguinte, é ofensivo as ideias de eficiência e moralidade pública, entendo por bem converter em julgamento em diligência para que a unidade preparadora apresente nos autos os extratos de eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de COFINS para o período compreendido entre janeiro e setembro de 1999. 15. Concluída a diligência, o Recorrente deverá ser intimado para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. (...). 8. Ato contínuo, a unidade preparadora manifestouse a fl. 1.720 nos seguintes termos: ...segue em anexo, para ciência, o resultado da diligência, representado pelas cópias das telas dos pagamentos efetuados a título de COFINS, código 2172, pelo contribuinte acima identificado, no período de 01/01/1999 a 30/09/1999, recuperadas do Sistema SIEF/Documentos de Arrecadação Pagos. 9. Tal informação veio devidamente instruída com consulta formulada pela RFB (fls. 1.715/1.719). 10. Intimado a respeito, o contribuinte manifestouse por meio da petição de fls. 1.726/1.731, oportunidade em que vindicou o reconhecimento da decadência para o período compreendido entre janeiro e maio de 1999, haja vista prova cabal do pagamento parcial, da exação aqui tratada. Não obstante, em relação ao período compreendido entre junho e setembro Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 8 7 de 1999, alegou que também fez pagamentos parciais, o que se deu mediante compensação. Para comprovar tais fatos juntou aos autos os documentos de fls. 1.735/1.757. 11. Tendo em vista os fatos inovadores apresentados pela recorrente, proferi despacho de fls. 1.786/.1.789, chancelado pelo Presidente desta Turma julgadora, oportunidade em abri vista para manifestação da Fazenda Nacional, a qual foi acostada aos autos as fls. 1.794/1.796. 12. Não obstante, diante dos novos documentos apresentados pelo contribuinte, este colegiado resolveu novamente baixar o caso em diligência por intermédio da resolução n. 3402001.358, que assim prescreveu: (...). 13. De forma muito objetiva, os novos fatos trazidos ao conhecimento desta Turma julgadora e retratados pelos documentos de fls. 1.734/1.757, acabam por suscitar em nova dúvida por parte do Relator deste caso. 14. A primeira delas é por qual razão a guia DARF de fl. 1.757, que comprova o pagamento (ainda que parcial) de COFINS referente a competência de setembro de 1999 e pago em outubro daquele ano e que não foi detectado pela unidade preparadora quando das informações prestadas as fls. 1.715/1.719. Assim, para dissipar qualquer dúvida acerca desta pagamento, resolvo novamente converter o julgamento em diligência para que: (i) a unidade preparadora certifique a validade do aludido pagamento, prestando as informações cabíveis no presente processo. 15. Não obstante, em relação ao período compreendido entre junho e agosto de 1999, a recorrente traz aos autos os documentos de fls. 1.735/1.756 (DCOMP's) que atestariam que também houve pagamento parcial de COFINS para tais meses, ainda que mediante compensação. Acontece que a assertividade de tal afirmação depende de verificar se tais compensações foram ou não homologadas pela autoridade competente, o que me motiva a também converter o presente julgamento em diligência para que: (ii) a unidade preparadora ateste a situação processual das compensações referidas nos documentos de fls. 1.735/1.756, bem como preste outros esclarecimentos que entender pertinentes acerca de tais compensações. 16. Concluída a diligência, o Recorrente deverá ser intimado para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. (...). Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 9 8 13. A respeito dessa nova diligência a unidade preparadora elaborou a objetiva manifestação de fls. 1.829 e 1.831, a respeito do qual o contribuinte se manifestou por intermedio da petição de fls. 1.838/1.842. 14. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 15. Os embargos de declaração de fls. 1.620/1.656 são tempestivos e, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 1.676/1.681, atacam omissão que será sanada nos termos a seguir propostos. Logo, tal recurso deve ser conhecido por esta Turma julgadora. I. Da decadência de parte do crédito debatido 16. Conforme já mencionado no relatório, o contribuinte questionou a decadência de parte do crédito tributário aqui debatido, mais precisamente a parcela compreendida entre janeiro e setembro de 1999, questão essa que, todavia, não foi objeto de tratamento pelo acórdão embargado e que, por conseguinte, configura a omissão a ser sanada pelo presente recurso. 17. Feitas tais considerações e também levando em consideração as diferentes respostas elaboradas pela unidade preparadora às variadas resoluções deste colegiado no presente caso, resta claro que parte do crédito aqui debatido está decaído. Tal questão não demanda maiores digressões, haja vista que, em se tratando de exigência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial será interferido de acordo com a existência ou não de pagamento parcial do tributo para o período autuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recurso repetitivo, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 10 9 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos nosso). 18. Por seu turno, referido precedente do STJ deve ser seguido por este Tribunal Administrativo, nos termos do que estabelecem o art. 927, inciso III do CPC, bem Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 11 10 como o art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. 19. Assim, diante de tal precedente vinculante, resta agora analisar as manifestações ofertadas pela unidade preparadora em resposta às resoluções deste colegiado. Primeiramente, em relação a resolução n. 3402001.006 (fls. 1.707/1.712), a unidade preparadora atestou (extrato de pagamentos de fls. 1.715/1.719) a existência de pagamentos, ainda que parciais, em relação a exação aqui tratada para o período compreendido entre janeiro e abril de 1999. Logo, deve ser convocada a ratio decidendi do sobredito precedente pretoriano, com o consequente reconhecimento da decadência para tais períodos. Não houve, todavia, comprovante de pagamento para o mês de maio de 1999, conforme atestam os citados documentos de fls. 1.715/1.719, o que faz incidir a regra do art. 173, inciso I do CTN. 20. Por sua vez, em relação a resolução n. 3402001.358 (fls. 1.804/1.809), assim se manifestou a unidade preparadora (fls. 1.829 e 1.831): Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 12 11 21. Em suma, em relação ao mês de setembro de 1999, a unidade preparadora reconhece que a guia DARF acostada aos autos a fl. 1.757 implicou o pagamento parcial de COFINS para o mês de setembro de 1999, o que mais uma vez nos remete à ratio decidendi do já mencionado precedente vinculante do STJ, ou seja, redunda em também reconhecer a decadência desta competência (setembro de 1999). 22. Por fim, em relação aos meses de junho, julho e agosto de 1999, a unidade preparadora atesta que o contribuinte efetuou pagamentos parciais para tais competências, o que fez por intermedio de compensações retratadas nos processos administrativos 10380.005116/9910, 10380.021064/9911 e 10380.021064/9911, compensações essas que, segundo vaticinado pela referida manifestação fazendária, foram integralmente homologadas. Logo, também resta configurado o pagamento parcial de COFINS para os meses de junho, julho e agosto de 1999, o que resulta no reconhecimento da decadência para as exações pertinentes a tais períodos, mais uma vez com fundamento no já citado precedente vinculante do STJ. 23 Assim, levando em consideração que o recorrente comprovou o pagamento parcial de COFINS para o período compreendido entre janeiro e abril de 1999 e junho e setembro de 1999, conforme atestou resultado de diligência (manifestações de fls. 1.715/1.719, 1.829 e 1.831), a contagem do prazo decadencial no presente caso deve se dar nos termos do art. 150, § 4º do CTN. 24. Logo, levando em consideração que a exigência aqui debatida abrange o período compreendido entre janeiro e setembro de 1999, deveria o presente lançamento, para tais competências e levando em consideração o mês mais recente (09/1999), ter sido realizado até setembro de 2004. Ocorre que a notificação da recorrente acerca do presente lançamento só seu deu em 29/10/2004 (fl. 04), ou seja, já quando decaído tais parcelas do crédito tributário, o que implica a sua extinção, nos termos do art. 156, inciso V do CTN. Dispositivo 25. Diante do exposto, conheço os embargos de declaração interpostos pelo recorrente para suprir a omissão lá ventilada para, ato contínuo, darlhe parcial provimento com efeitos infringentes, reconhecendo, pois, a decadência de parte do crédito tributário aqui Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 13 12 debatido, mais precisamente os valores referentes ao período compreendido entre janeiro e abril de 1999, bem como junho e setembro de 1999. 26. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10380.009929/200462 Acórdão n.º 3402006.330 S3C4T2 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar quanto ao reconhecimento da decadência dos valores referentes aos meses de junho, julho e agosto de 1999. Conforme relatado, no referido período constatouse que não houve pagamento antecipado, ainda que parcial, dos débitos lançados e sim compensação. Embora ambas sejam formas de extinção do crédito tributário, previstas no art. 156 do CTN, entendo que compensação e pagamento não se confundem. Portanto, inexistindo pagamento antecipado só resta a aplicação do critério decadencial geral, expresso pelo art. 173, inc. I, do mesmo Código. Para a aplicação do retrocitado REsp 973.733/SC deve ser considerado que se o STJ utilizou a expressão "pagamento antecipado" sem fazer nenhuma referência à "compensação", entendo que somente o efetivo pagamento em pecúnia foi considerado pela corte no momento da prolação do repetitivo, não sendo lícito estender a interpretação contida no referido julgado no caso de compensação. Reforça esse entendimento o fato de o art. 156, VII, do CTN referirse ao "pagamento antecipado" conjugado com a homologação do lançamento nos termos do art. 150, §§ 1º e 4º do CTN. Portanto, entendo que o "pagamento" referido no art. 150, § 1º do CTN é o pagamento no seu sentido estrito, mediante DARF, do crédito tributário e que foi esse "pagamento" o considerado pelo STJ na prolação do REsp 973.733/SC. Tal entendimento é corroborado ainda pelas decisões nos acórdãos da CSRF nº 9303002.384 e 9303007.696. Assim, por não haver antecipação de pagamento nos períodos de apuração de junho, julho e agosto de 1999, deve por isso ser utilizado o critério do art. 173, inc. I, do CTN, para verificação da decadência de o Fisco efetuar o lançamento. Como o primeiro dia do exercício seguinte a estes períodos foi 01/01/2000, na data da ciência do auto de infração, que se deu em 29/10/2004 (fl. 04), não havia decorrido o lustro decadencial. No período compreendido entre janeiro e abril de 1999 e setembro de 1999, conforme atestou resultado de diligência (manifestações de fls. 1.715/1.719 e 1.831), restou comprovado o pagamento antecipado mediante DARF, devendo a contagem do prazo decadencial se dar nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Nesse sentido voto por conhecer os embargos de declaração interpostos pelo recorrente, dandolhe parcial provimento com efeitos infringentes, reconhecendo, pois, a decadência quanto às competências de janeiro/1999 a abril/1999 e setembro/1999. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1858DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000523/2007-73
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo (Sumula 01 do Segundo Conselhos de Contribuintes)
Numero da decisão: 2102-000.200
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso, em razão
da opção pela via judicial.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS trl,i1r>j7 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10932.000523/2007-73 Recurso n° 158.260 Voluntário Acórdão n° 2102-00.200 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2009 Matéria IPI Recorrente INCOM INDUSTRIAL LTDA. Recorrida DRJ- RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo (Sumula 01 do Segundo Conselhos de Contribuintes) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC9 1 D AM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂM • ' • da . EGUN o -' .EÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISC - IS po unahim . i ade l e votos, em não se conhecer do recurso, em razão da opção pela via jdi al.I( , Á .4 i . i, t (I á` "` • C.S~ ' - ' , e g ; '' ' ' ' COE HO MARQUES, ../ NP GO ES1 R, lator P. iciparam, ainda, d4 presente julg ento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cass ,i no Keramidas, Mauricio Taveira Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Gileno Gurjão Barreto. 1 , , Processo n° 10932.000523/2007-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.200 Fl. 289 Relatório Trata-se de auto de infração no valor de R$6.035.273,76, lavrado contra o contribuinte em detrimento a falta de recolhimento do IPI, pois o mesmo teve glosado seu crédito na aquisição de insumos isentos, não-tributados ou tributados a aliquota zero. A ciência do auto de infração ocorreu em 26/09/2007. Alega a recorrente que seu direito de creditar-se destes insumos estaria garantido pela liminar concedida no mandado de segurança n. 2003.61.14.000672-4, sendo que, posteriormente, em grau de apelação, o Tribunal Regional Federal da 3 a região reformou a segurança anteriormente concedida em decisão publicada em 04/12/2006. Em sua impugnação administrativa, apresentada tempestivamente, a recorrente argumenta que: (i) a autoridade administrativa não poderia ter lavrado o presente auto de infração em virtude da matéria se encontrar "sub judice". (ii) o art. 151 do CTN dispõe que a medida liminar em mandado de segurança é uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. (iii) o acórdão proferido pelo TRF3 apenas deu provimento à apelação e a remessa oficial, omitindo-se quanto à cassação da medida liminar. (iv) a punição a qualquer acusado, mesmo em processo administrativo, só pode ser imposta depois do devido processo legal, ou seja, depois de esgotados todos os recursos que couberem na ação. (v) o IPI é imposto não cumulativo, razão pela qual devido ao principio da não cumulatividade, o contribuinte tem o direito de creditar-se do imposto pago na aquisição dos insumos utilizados no processo produtivo. Cita o art. 153, § 3 0, do CTN. (vi) Em razão de o débito encontrar-se "sub judice", requer o cancelamento do presente Auto de Infração. A DRJ de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, decidiu no seguinte sentido: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Período de apuração: 31/01/2003 a 09/01/2004 FALTA DE RECOLHIMENTO DE IPI. GLOSA DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IMPOSTO. CONCOMITÂNCIA. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute esfera administrativa a mesma matéria discutida no proces • judicial, mas, tão somente, os diferentes objetos, como é o cas• sle(k/ 2 Processo n° 10932.000523/2007-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.200 Fl. 290 do aspecto formal do despacho denegató rio e a aplicação e alcance do ADN COSIT n°03/96. Lançamento Procedente. Não satisfeita com o acórdão proferido, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alega a violação dos direitos básicos do contribuinte bem como salienta que o acórdão recorrido nega vigência a preceitos constitucionais basilares como o contraditório e a ampla defesa, além de alegar a inaplicabilidade do ADN COSIT 03/96 para o presente caso, trazendo jurisprudência pertinente ao tema. É o relatório. Voto Conselheiro, ALEXANDRE GOMES, Relator O presente recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente possui como base de argumentação de seu recurso a alegação de que a decisão recorrida viola princípios constitucionais basilares do ordenamento jurídico brasileiro como o contraditório, a ampla defesa, o devido processo legal, duplo de jurisdição e do direito de petição. Acontece que em momento algum a autoridade administrativa infringiu estes preceitos constitucionais, uma vez que lhe competia efetuar o lançamento dos valores apropriados na contabilidade a título de insumos isentos, não tributados ou tributados a alíquota zero, mesmo que decorrentes de liminar em ação judicial. Este lançamento teria o condão apenas de afastar a decadência do direito de a fazenda lançar seus créditos, caso a demanda judicial fosse julgada improcedente posteriormente. Alias, deve-se registrar que o lançamento ocorreu em 26/09/2007, sendo que de acordo com os documentos juntados a decisão que autorizava a escrituração dos créditos relativos aos insumos isentos, não tributados e os com alíquota zero, foi revertida em decisão do TRF da 3° Região que restou publicada em 04/12/2006. Ainda para constar registrado, em 23/01/2008, a demanda judicial transitou em julgado negando o direito do contribuinte em creditar-se do IPI relativo aos insumos não tributados, isentos ou tributados a alíquota zero, conforme decisão. exada às fls. 74 a 81 Assim, havendo identidade de objeto entre a di.c ssão judicial e o processo administrativo, é de ser reconhecida a concomitância, para que s, • garantidas a segurança jurídica e os princípios da inafastabilidade e unicidade jurisdicional. 3 - Processo n° 10932.000523/2007-73 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.200 Fl. 291 Neste sentido, o Segundo Conselho de Contribuintes editou a Súmula 01, que assim versa: "SÚMULA n°1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo". Não havendo mais matérias discutidas no Recurso Voluntário que se limitou a discutir a improcedência do • amento face à existência de processo judicial discutindo, deve a decisão pro s a p- a RJ 1 e Ribeirão Preto ser mantida, por seus próprios fundamentos somados ao s aq 1. ad s. Porto,. o ixpo.to, oto • sentido de não conhecer do Recurso Voluntario. .1. s Se .sõ -s, e 05 v, e junho de 2009 '• AI ND ' E GO ES .41M 4
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720004/2006-19
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2005
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento
a nulidade do ato administrativo.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM
NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO.
Tem cabimento o agravamento da multa de ofício proporcional no caso de não atendimento pela Recorrente, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. CSLL. COFINS. INSS.
Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.574
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO. Tem cabimento o agravamento da multa de ofício proporcional no caso de não atendimento pela Recorrente, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. CSLL. COFINS. INSS. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO. Tem cabimento o agravamento da multa de ofício proporcional no caso de não atendimento pela Recorrente, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. CSLL. COFINS. INSS. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 786DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 191 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 78/85, com a exigência do crédito tributário no valor de R$35.468,03, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação, referente ao anocalendário de 2004, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de Receitas – Depósitos Bancários Não Escriturados – Apuração efetivada a partir dos valores creditados na conta corrente nº 15.2454 da agência nº 1.3250 do Banco Bradesco S/A, fls 29/55, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea. Item 2 – Insuficiência de Recolhimento – Em decorrência da omissão de receitas houve aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do anocalendário de 2004. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: Fl. 787DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 192 3 II O Auto de Infração às fls. 102/109 com a exigência do crédito tributário no valor de R$35.468,03 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 86/93 com a exigência do crédito tributário no valor de R$60.948,72 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 94/101 com a exigência do crédito tributário no valor de R$121.897,67 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 110/117 com a exigência do crédito tributário no valor de R$227.272,04 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada por edital em 20/06/2006, fl. 122, a Recorrente apresentou a impugnação em 20/07/2006, fls. 127/134, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que está domiciliada na Av. Juscelino Kubischek, 676, sala A, centro, na cidade de Mundo NovoMS, em conformidade com os registros internos da RFB. Esclarece De outro lado, pelo que consta do próprio procedimento fiscal, a impugnante sofreu mandado de busca e apreensão em sua sede, tendo sido arrecadados por policiais federais, em cumprimento da ordem judicial do juízo federal de Maringá PR, toda a documentação contábil e bancária que havia nos arquivos da empresa. Diz o procedimento é nulo, uma vez que O requerimento feito pela impugnante para dilação de prazo, buscava apenas tempo hábil para que a instituição bancária fornecesse a i documentação exigida pela autoridade fiscal, não indicando qual prazo pretendido tendo, em vista não ter sido declarado pelo banco, qual tempo necessário para tanto. Pugnando pela concessão de tempo razoável para tais diligências. Fl. 788DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 193 4 Esperava a impugnante, em nome do principio da ampla defesa e do contraditório, que a autoridade fiscal lhe intimasse novamente para a apresentação da documentação requisitada, ou até mesmo, da decisão que negasse a concessão de novo prazo. Flagrante afronta aos princípios constitucionais. No mérito, explica Ademais, a impugnante não pode sofrer sanção dupla, primeiro a justiça determina a apreensão de toda a documentação arquivada na empresa, e depois a autoridade fiscal requisita a apresentação de tais documentos, que já estão de posse da justiça. E a impugnante sem ter com cumprir tais exigências, e comprovar a movimentação bancaria, sofre autuação, que pode impedir a própria existência da empresa. A simples movimentação bancária não pode ensejar que a • empresa tenha tido lucro, e não pode servir como receita para a aplicação de multa fiscal. Nem todos os valores creditados em sua conta corrente podem ser considerados como renda. Pois, em conta corrente são depositados valores utilizados para pagamento de todas as despesas da empresa, dentre outros valores, que as vezes somente por ali passam, por este, ou outro motivo, que por si só, não constituem ilícito tributário, esse é o maciço entendimento doutrinário e jurisprudencial [...] [...] Portanto, não havendo prova alguma que a movimentação bancária em conta corrente da impugnante, tenha natureza de renda, e apenas os extratos bancários não podem servir como base para a presente autuação, o presente auto de infração é de ser declarado nulo. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exaustivamente exposto, é que se requer: Seja a acatada as preliminares argüidas, declarando a nulidade dos referido autos, a partir da intimação da abertura do procedimento. No mérito, protestando provar o alegado por todos os meios pertinentes legais e admissíveis, somado aos docs. já acostados aos autos, é que demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer seja acolhida a presente impugnação, cancelando o auto de infração declarando a sua total improcedência. Por ser a mais inteira expressão de justiça! Nestes termos, pede e aguarda deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0417.724, de 28/05/2009, fls. 143/149: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Fl. 789DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 194 5 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS, E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Nos termos da legislação e da doutrina tributária, o procedimento de fiscalização é inquisitório, abrindose à contribuinte a faculdade de exercitar os princípios do contraditório e da ampla defesa quando é intimada para impugnar o lançamento. IRPJ SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. Configura omissão de receitas, sujeita ao imposto, a diferença entre os valores creditados em conta bancária e o declaração em DIPJ/Simples, cuja origem dos recursos não restou comprovada pela contribuinte após regularmente intimada. AUTUAÇÕES REFLEXAS Do SIMPLES: CSLL COFINS PIS CSLL/INSS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Notificada em 13/08/2009, fl. 159, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10/09/2009, fls. 175/187, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta No mérito, inicialmente cabe consignar que a recorrente a todo momento procurou auxiliar no procedimento fiscalizador, no entanto, esteve com as mãos atadas, tendo em vista que como já noticiado nos autos, todos os documentos, livros, comprovantes, agendas, anotações, etc.., foram apreendidos pela autoridade policial, quando da deflagração da odiosa OPERAÇÃO HIDRA, que a bem da verdade, com relação ao investigado RONY HACC.BOEIRA, cônjuge da sócia da recorrente. Desta forma, as tidas comprovações de origem dos valores movimentados em conta bancária, restou por demais prejudicadas, pois encontravamse, e atualmente, permanecem impedidos de ter acesso aos documentos apreendidos, cujos poderiam mudar a situação da recorrente frente ao fisco. De um lado, a autoridade fiscal arrecada todos os documentos possíveis encontrados na residência e empresa da recorrente, e não devolvem, impedindo de justificar qualquer movimentação financeira. De outro lado, a autoridade fiscal exige que se comprove ao fisco que os valores movimentados em conta bancária, no entanto, qualquer alegação, é repudiada pelos agentes fiscais, pois há poucos meios de provas em mãos da recorrente. Prejudicando a própria apuração da verdade real, tão buscada pela legislação tributária. Não há que se falar em cerceamento de defesa, mais sim, em verdadeira injustiça contra a pessoa da recorrente. [...] Fl. 790DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 195 6 Assim, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n" 9.430/96, não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica. [...] Concluise, portanto, que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Conclui Protestando provar o alegado por todos os meios pertinentes legais e admissíveis, demonstrada a insubsistência e improcedência total do auto de infração, requer seja acolhida as preliminares inicialmente argüidas, declarando a nulidade do presente auto de infração, e caso V.S. as entendam pelo . afastamento das preliminares, no mérito, que seja o presente recurso acolhido, determinando o arquivamento do AUTO DE INFRAÇÃO constante do processo fiscal de nº 13161.720004/200619. Por ser a mais inteira expressão de justiça! Nestes termos, pede e aguarda deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, porque contêm vícios insanáveis. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). Neste sentido, no exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração, fls. 78/117, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Os procedimentos foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente Fl. 791DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 196 7 para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, com a apresentação da peça de defesa regularmente se instaurou a fase litigiosa no procedimento e o conjunto de documentos que constituem o processo permaneceu na Repartição de origem à disposição da Recorrente para vistas facultativamente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Logo, não cabem reparos aos procedimentos fiscais, porque foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim, o seu pedido deve ser indeferido. A Recorrente afirma que não poderia sofrer sanção dupla, ou seja, pelo Poder Judiciário e pelo Poder Executivo. Diferente do seu entendimento, os Poderes da União são independentes e harmônicos entre si (art. 2º da Constituição da República Federativa do Brasil) e assim as ações poderiam ser realizadas concomitante no regular desempenho das funções institucionais. A Recorrente argúi que o crédito tributário foi constituído com base em indícios, uma vez que o depósito bancário não pode ser considerado aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. A Lei nº 9.430, de 1997, prevê: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 792DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 197 8 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, positiva que, por presunção relativa, constitui omissão de receita os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. É regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da escrituração contábil da Recorrente, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre estes valores. Constatada a disparidade não justificada a origem dos depósitos bancários pela Recorrente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=quebra+sigilo+banc%C3%A1rio+n%C3%A3 o+caracteriza+carf&f1tipoDocumento=, acesso em 15/04/2011): Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10248883 do Processo 10925001705200416 Data 23/01/2008 Ementa [...] PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumese a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. Recurso negado. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma OrdináriaTítulo Acórdão nº 10420234 do Processo 10166016945200284 Data 21/10/2004 Ementa [...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada. Recurso negado. [...] Fl. 793DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 198 9 Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10249163 do Processo 10425000875200597 Data 26/06/2008 Ementa [...] PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. [...] Preliminar afastada. Recurso parcialmente provido. No presente caso, a omissão de receita foi apurada efetivada a partir dos valores creditados na conta corrente nº 15.2454 da agência nº 1.3250 do Banco Bradesco S/A, fls 29/55, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. Estes depósitos foram considerados omissão de receita em decorrência desta presunção legal que inverte o ônus da prova, ou seja, a autoridade fiscal fica desobrigada de comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabendo à Recorrente desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida, o que não ocorreu nos autos. A referida presunção legal é resultado de uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal. As provas do ilícito tributário constante nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem qualquer incorreção nos Autos de Infração e nos Demonstrativos anexados, fls. 69/119. Logo, não cabem reparos aos procedimentos fiscais. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional agravada por falta de atendimento à intimação. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 794DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 199 10 I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Vale transcrever excertos da jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://www.lexml.gov.br/busca/search?keyword=multa+agravada+dep%C3%B3sito+carf+irpj +intima%C3%A7%C3%A3o&f1tipoDocumento=, acesso em 15/04/2011): Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10809632 do Processo 11041000567200458 Data 25/06/2008 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 1998 [...] .MULTA AGRAVADA DESATENDIMENTO À INTIMAÇÃO FISCAL Constatado que o contribuinte não atendeu à intimação para prestar os esclarecimentos constantes de termo fiscal afigurase como correta a aplicação da multa agravada em metade do percentual original, na forma da Lei nº 9.430/96, art. 44, §2º, "a", alínea esta introduzida pela Lei nº 9.532/97 e posteriormente renumerada para inciso I pela Lei nº 11.488/2007. [...] Autoridade Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10708627 do Processo 10247000032200327 Data 22/06/2006 Ementa [...] PENALIDADE MULTA AGRAVADA. Segundo o art. 44, inciso I, § 2º, letra "a", da Lei nº 9.430/96, as multas de ofício passarão a 112,5% no caso de não atendimento do sujeito passivo, no prazo marcado para a intimação, para prestar esclarecimentos. No presente caso, a Recorrente foi previamente notificada da ação mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, fls. 01/03, do Termo de Início de Fiscalização, fls. 56/60, do Termo de Intimação Fiscal, fls. 66/67 e finalizou em 20/06/2006 com a ciência válida dos Autos de Infração, fl. 122. Os extratos bancários foram obtidos mediante Ação Judicial nº 2005.70.03.0075865 que tramita na Seção Judiciária do estado do Paraná/Justiça Federal, fl. 26/27. Analisando estas notificações e os respectivos atendimentos verificase que, após intimada, a Recorrente não entregou os documentos solicitados. Cabe esclarecer que em 21/02/2006 a Recorrente foi cientificada do MPF e do Termo de Inicio de Fiscalização n° 004/2006, fls. 02 e 56/61, com a seguinte solicitação: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e na forma do disposto no art. 7° da Lei n°2.354/54 e no art. 7° do Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972, damos início à fiscalização do contribuinte acima identificado, INTIMANDO0 a apresentar os elementos abaixo especificados: Prazo: 20 (vinte) dias Fl. 795DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 200 11 Período de Apuração: AnosCalendário 2004 Exercícios 2005 1 Documentação comprobatória da origem dos recursos depositados/ transferidos em contas corrente e/ou poupança, mantidos em seu nome, conforme relação em anexo; 2 — Livros de escrituração contábil, indicando a contabilização dos eventos que ocasionaram os lançamentos bancários da relação anexa; 3 Demonstrações contábeis (Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício) do referido período; 4 — Cópia do Contrato social e alterações; 5 — Relação de todos os bens Imóveis e veículos e dos bens móveis com valor acima de R$ 3.000,00. A resposta à presente intimação deverão ser prestadas por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados e encaminhados aos Auditores Fiscais signatários na DRF Dourados/MS, situada à Av. Marcelino Pires, 1595 Centro, CEP 79800004 Dourados MS. A Recorrente protocolizou em 13/03/2006 correspondência, fls. 62 a 65, encaminhando as cópias do Contrato Social e da 1ª Alteração Contratual e com a solicitação de prorrogação de prazo para apresentação dos demais documentos. Deste modo, inferese que ela não permaneceu inerte à intimação para prestar esclarecimentos e de modo a não restar caracterizada a recusa ao atendimento de intimações fiscais. O que justifica a aplicação da multa agravada é a falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos e não o fato de as informações serem prestadas de forma insatisfatória com solicitação de dilação probatória. Por esta razão, não tem cabimento o agravamento da multa de ofício proporcional, uma vez que a Recorrente atendeu, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à CSLL, ao COFINS e ao INSS, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Fl. 796DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13161.720004/200619 Acórdão n.º 180100.574 S1TE01 Fl. 201 12 Em face do exposto voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar o agravamento da multa de ofício proporcional. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 797DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10670.720046/2007-94
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
Ementa:
ITR — INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO
Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados.
VTN — ARBITRAMENTO — TABELA SIPT
A fixação do VTN, por meio de informações sobre pregos de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita Federal, encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 1996.
VTN DECLARADO — SUBAVALIAÇA0
A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento
do VTN.
LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — MUDANÇA DO VTN
Laudo técnico, baseado unicamente no valor contábil do imóvel, não pode ser aceito como prova para a discussão da glosa do VTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.576
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 Ementa: ITR — INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. VTN — ARBITRAMENTO — TABELA SIPT A fixação do VTN, por meio de informações sobre pregos de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita Federal, encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 1996. VTN DECLARADO — SUBAVALIAÇA0 A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — MUDANÇA DO VTN Laudo técnico, baseado unicamente no valor contábil do imóvel, não pode ser aceito como prova para a discussão da glosa do VTN. Recurso Voluntário Negado.
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VTN — ARBITRAMENTO — TABELA SIPT A fixação do VTN, por meio de informações sobre pregos de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita Federal, encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 1996. VTN DECLARADO — SUBAVALIAÇA.0 A subavaliação materializa-se pela simples constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da area ern que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — MUDANÇA DO VTN Laudo técnico, baseado unicamente no valor contábil do imóvel, não pode ser aceito como prova para a discussão da glosa do VTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do vjj da Relatora. CATS MARCOS CAND DO - Presidente -A-11(kEita,I110' HO LARIA.— Relatora EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Jose Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Silva e Gonçalo Bonet Allage, Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento N° 06108/00007/2007, que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel rural Fazenda Alamo, localizado no município de Bocaiúva (MG), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 637,00, a titulo de imposto, acrescido da multa de o ficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, no exercício 2003, com supedâneo nos artigos 10, § 1° e inciso I, e 14 da Lei IV 9393, de 19/11/1996, com a alteração seguinte: i) Valor da Terra Nua (VIN) de R$ 462.200,00 para R$ 1.619.024,00. 2, Conforme Descrição do Fatos e Enquadramento Legal do lançamento, com relação à situação do imóvel sobre o qual recai a exação, após intimação, o sujeito passivo apresentou os seguintes documentos: i) cópia autenticada do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado aos 16/04/2001; ii) cópia autenticada de Laudo Técnico, assinado por engenheiro agrônomo e florestal, datado de 25/01/2001, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART); iii) cópia autenticada de Laudo de Vistoria, emitido pelo IBAMA, que confirma os dados constates do ADA; iv) cópia autenticada de certidão da matrícula n° 1,848, no cartório de Registro de Imóveis da cidade de Bocaiúva (MGt 2 Processo n" 10670 720046/2007-94 S2-C1T1 Acendlio n 2101-00.576 Fl 139 3. A autoridade fiscal efetuou o arbitramento do VTN corn base em informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), da Secretaria da Receita Federal. 4. Em contraposição ao lançamento, foi apresentada a impugnação de fls. 79 a 86. 5. Submetida a lide a julgamento, os membros da la Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasilia (DF) acordaram por dar o lançamento corno procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — BR Exercício: .2003 DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o TITN arbitrado pela fiscalização para o ITR/2003, por falta de documentação hábil para comprova,- o valor declarado e as características particulares desfavoráveis do inzóvel, que o justifica.ssem. DA TIPIFICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, 110 caso de informação inexata na declaração do ITR/2004, cabe exigi-lojuntamente com a multa aplicada aos demais tributos. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destina-se a fornecer subsídios para convicção do julgador, com o aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nay autos, não suprindo a obrigação legal prevista Lançamento Procedente 6. Intimado aos 14/02/2008, o sujeito passivo apresenta sua irresignação por meio de recurso voluntário tempestivo (fls. 129 a 134). 7. No apelo interposto, o autuado expõe, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: I — a equivocada manipulação dos dados referentes ao período de apuração para base do valor da terra nua, vez que deveriam ter sido observados os dados referentes a 2002, já que o imposto foi apurado a 1° de janeiro de 2003; II — a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG) deixou de enviar a tabela em que constam os preços das terras nuas, praticados no ano 2002, o que impossibilita saber com exatidão qual o VTN adotado, devendo ser aceito o valor declarado. 8. Ao final, defende que se acatem os termos da defesa para considerar o lançamento improcedente. 3 9. Vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MP n° 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3°, III. o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora 0 recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O objeto do auto de infração é a cobrança de valores auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel Fazenda Alamo, localizado no município de Bocaiúva (MG), no exercício 2003, em face da modificação do Valor da Terra Nua (VTN), apresentado na declaração do ITR, do Valor da Terra Nua (VTN) de R$ 462.200,00 para R$ 1.619.024,00. Em sua defesa, argumenta a recorrente estar plasmada a equivocada manipulação dos dados referentes ao período de apuração para a base do valor da terra nua, vez que deveriam ter sido observados os dados referentes a 2003, já que o imposto foi apurado a 1° de janeiro de 2003. Também, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG) deixou de enviar a tabela em que constam os preços das terras nuas, praticados no ano 2002, o que impossibilita saber com exatidão qual o VTN adotado, devendo ser aceito o valor declarado Segundo o § 2° do artigo 8' da Lei re 9.393, de de 19/11/1996, o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1' de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR, e será considerado auto-avaliação da terra nua a preço de mercado. Nesse sentido, o sujeito passivo apresentará o VTN, que sera submetido apreciação do órgão fiscal, e, em sendo verificada a subavaliação, corn an -imo nas informações veiculadas pela tabela do Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituída pela Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, para a fixação do VIN, por meio de informações sobre preços de terras, advindos de sistemas instituídos pela Secretaria da Receita Federal, o fisco procederá a correção do valor declarado. Tal procedimento encontra respaldo no mandamento do artigo 14 da Lei no 9.393, de 19/11/1996, nos seguintes termos: .Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bent como de subamliacão ou prestagao de Wormag -oes inexatas, incorretas ou .fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informacões sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de ittilizaçao do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalizactio,, 4 Processo ti0 10670.720046/2007-94 S2-C1T1 AcOrdilo tr.° 2101-00.576 Fl 140 § 1°. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Azricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (destaques da transcrição) Por seu turno, no artigo 12, § 1 0, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/02/1993, que determina os parâmetros para justa indenização em desapropriações para reforma agrária, indica os aspectos que devem ser considerados para a detenninação do valor da terra nua do imóvel, e que serão levados em conta pela Secretaria da Receita Federal para a fixação dos preços de terras, para fins de base de cálculo do 1TR, com a seguinte dicção: Artigo 12, Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social, 1" - A identificagão do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: - valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II - valor da terra nua, observados os seRuintes aspectos: a) localização do imóvel: pi capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. (destaques da transcrição) A Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, em seu artigo 3 0, indica as Secretarias de Agricultura dos Estados ou entidades correlatas como fontes das informações sobre os valores das terras que serão inseridos para a formação da tabela do SIPT, litteris: Art 3". A alimentação do SIFT COIn os valores de terras e demais dados recebidas das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e coin os valores de term nua da base de declarações do 1TR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Assim, a instituição da tabela do SIPT não se deu sob a égide da Lei n° 9.393, de 19/11/1996, o que se encontra em total confonnidade com as determinações do artigo 97 do Código Tributário Nacional, não havendo que se falar em equivocada manipulação dos dados referentes ao período de apuração para a base do valor da ten -a nua, vez que devem ser observados os dados para o VTN praticados em 1 0 de janeiro de 2003, data do fato gerador do tributo. Por tal, não se configura irregularidade, quando o o Oficio n° 036/2004 GAB. SEC, de 30/11/2004, if 98, encaminhado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG) à autuada, no qual constam os preços das terras nuas, pesquisadas pela Secretaria de Estado da Agricultura de Minas Gerais, relacionando os VTN de 2000 a 2004, onde se destaca que o valor adotado foi praticado durante o primeiro semestre de 200.3, já que a data do fato gerador do tributo está incluída em tal período. 4 5 Também, não vislumbramos prejuízo A defesa da recorrente pelo alegado de que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG) deixou de enviar a tabela em que constam os preços das terras nuas, praticados no ano 2002, já que o VTN adotado pela fiscalização fora aquele constante da tabela SIFT. O instrumento hábil para contraditar o VTN adotado pela fiscalização, deve ser o laudo técnico de avaliação, em que reste comprovado existir em sua propriedade características peculiares que a distingam das demais da regido, A vista do qual, poderá a autoridade administrativa rever o VTN que fora atribuído ao imóvel rural. Na espécie, o sujeito passivo aduz aos autos o Laudo Técnico de fls. 11 a 13, que não se presta como documento hábil a contraditar o VTN adotado pelo fisco, pois não demonstra a possível distorção. 0 laudo pericial 6 prova legal que tem o poder de infirmar os valores constantes de instrução normativa quando apresenta dados consistentes do real valor de mercado do imóvel. Corn efeito, o laudo de avaliação que preencha os requisitos legais é o meio hábil para que a autoridade administrativa possa rever o VTN questionado pelo contribuinte, e, por se configurar em prova de fundamental importância para o deslinde dos casos em que esteja presente tal questionamento, o laudo de técnico de avaliação deverá fornecer elementos suficientes ao embasamento da revisão do VTN, demonstrando que o imóvel possui peculiaridades especificas que o distingue dos demais da regido. In casu, não apresentou o recorrente elementos capazes de contraditar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Forte no exposto, e de tudo que dos autos consta, somos por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2010 Ana yie Olímpio Nolan ac r' 6
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001935/94-10
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 202-00.181
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência em favor do Terceiro Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: Oswaldo Tancredo de Oliveira
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DRJ em Florianópolis - SC / 10920.001935/94-10 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Sessão Recurso Recorrente :, Recorrida : .. n (I.' 'f-J, ~t ./lI swaldo Tancredo de Olive!ra Relator < RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do' Segundo Conselho de Contribuintes, por 'unanimidade de votos, declinar competência em favor do Terceiro Conselho de Contribuintes. Vistós, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por:. - SABROE TUPINIQUIM TERMO INDUSTRIAL LTDA. Participaram, ainda, do presente j amento, os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tâiásio Campelo Borges, José de Almeida C6elho, Maria Teresa Matínez López,Ricardo Leite Rodrigues e Helvio Escovedo Barcellos. Eaal/cf7gb .• 551/92. .1O REtATóRIO \ ~ I 99.7.46 SABROE TUPINIQUIM TERMOINDUSTRIAL LTDA.' 10920.001935/94-10 202-00.181' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Feito o presente esclarecimento, temos que, no presente caso, as apontadas irregularidades" das quais resultaram o denunciado ressarcimento indevido', são descritas no Termo de Verificação de fls. 83/88, conforme reproduzimosresumidamerite, a saber: 1 ~ irregularidade decorrente do uso indevido de alíquota .zero e Decreto rio Nos casos em que ditas irregularidades importaram em apuràção de débitos do imposto em valores maiores do que os registrados nos livros fiscais, houve ação. fiscal apartada, ó . chamado "processo matriz", que. se acha tramitando paralelamente ao presente,' ao qual efetivamente o presente se acha "i~timamente" ligado. 2.1 - é transcrito o artigo 17 e seu inciso I do Decreto-Lei nO2.433/88, alterado pelo Decreto-Lei n°, 2.451/88, que atribui isenção do citado imposto para "equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, importados ou de lfabricação nacional, bem como os acessórios, sobressalentes e ferramentas que acompanhem esses bens", .quando (inciso I): 2 - . irregularidades decorrentes do u~o indevido de redução e isenções do Imposto sobre' Produtos Industrializados, "por adquirente"; 2 Preliminarmente, esclareça:..se que o presente litígio envolve denúncia fiscal sobre irregularidades várias qué teriam resultado em ressarcimentos a título de incentivos, de forma indevida, pu em valores.maiores do que os devidos .. Recurso Recorrente : , Processo :.' Resolução :. A contribuinte fabrica telhas termoisolantes com o nome comercial de , Termotelhas UPK e Termozip, classificando-as incorretamente nas posições NBM 7308.90.9900 e 7610.90.9900, de alíquota ~ero.' Segundo o ParecerCST nO'836/92, as telhas termo-acústicas classificam-se nas posições NBM 7326.90.9900 e 7616.90:9900, ambas de alíquota de 15% . .Quanto ao Decreto n° 551/92, o mesmo nã0 abrange as telhas termo-acústicas; 3 - irregularidades decorrentes de classificação fiscal e alíquota incorretas; I 'I, \i • 3\ . \ b) Avipal S.A., avicultura; e a) Frigorífico Kaiowa S.A., '~bate e frigorificação de bovinos; I 10920.001935/94-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DAFAZENDÀ \ . Por fim, ainda quanto a esse item, diz que as saídas de mercadorias da posição 8418.69.0600 não são isentas, porque não inCluídas na relação anexa ao Decreto n° 151/91; 3.1 - Portas Frigoríficas e AGessórios, classificados pelo contribuinte na posição 7308.30.0000, alíquota zero, diz que a classificação corretá é na posição 8418.99.9900, de alíquota de 15%, a partir de 01.04.90, e 8% em data anterior. Em face dessa definição, passa a indicar as vendas da autuada realizadas para estabelecimentos que não se enquadram na figura de "estabelécimento industrial", a saber: c) Cooperativa Agrícola de Cotia, apenas parte das instalações são destinadas à industrializaçãode'produtos. \ Justifica declarando que' as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado enunciam na posiçao 7308 "excluem-se desta posição: ... c) os conjuntos metálicos que const~tuam, manifestamente, partes ou órgãos de máquinas (Seção XVI)". Constituindo partes ~ecâmaras frÍgoríficas, as portas frigoríficas classificam-se na posição 8418.99.9900; ~ . Por fim, .ainda quanto a esse item, é transcrito o art. 8° do RIPI, que define "estabelecimento industrial". . Em seguida, é transcrito o art. 50, inciso ( da Lei nO7.988/89, que modificou a referida isenção, no sentido de que, "a partir de l° de janeiro de, 1990", as isenções em causa foram "trat:'lsforrnadas em reduções de 50% do IPI": "adquiridos por empresas industriais para integrar o seu ativo imobilizado, destinados ao emprego no processo produtivo em estabelecimento industrial." Processo Resolução: 3.2 - Painéis e Acessórios Frigoloc ou Spyropainéis, classificados pela contribuir;te na posição 7308.90.9900,' classificam-se corretamente na posição 8418.99.9900, . alíquota de 15%. São painéis termoisolantes modulares, componentes de câmaras frigoríficas , . modulares, classificáveis na posição 8418.99.9900, conforme Parecer Simples CST n'?807 (DOU de 10.07.90); MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Resolução: 10920.001935J9~-10 202-00.181 ~=-- """"IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII~~~IIIIIIIIIII d Finaliza o referidó termo com a indicação de que o mesmo "é parte integrante do auto de infração". I' !tJJ , . / 4 o crédito tributário assim levantado tem a suaexigênci~ formalizada no Auto de Infração de fls. 91/92, instaurado em 04.11.94, com discriminação dos valores exigidos, a título de ressarcimento indevido, e mais juros de mora Calculados até 31.10.94, com intimação para cumprimento, ou impugnação, no prazo da lei. Em impugnação tempestiva, a autuada descreve os principais itens da denúncia fiscal a que acaQamos de nos referir para concluir que se u:ata de matéria idêntica ao processo- matriz (Termo de Verificação de Créditos Tributários), exposta à saciçdade pela impugnante naquele feito, razãop~la qual requer seja este apreciado em. conjunto com aquele e, ao 'final, . cancelado in tatum o presente auto .de infração e arqúivado o respectivo processo. . . Segue-se a relação dos processos de ressarCimento, com identificação do n° do processo, período a que se refere e valor ressarcido, bém como o valor ressarcido e o valor a que tinha direito, com exigência da diferença, esclarecendo-se que o primeiro ressarcimento, entre os relacionados, se verificou em 28.03.89, e os seguintes a partir de 10.01.94. . 3.4 _ no caso da posição 8418.69.9900, adotada pela contribuinte, ,a posição. correta é 8418.99.9900, alíquota de 15% em ambas. A contribuinte tem destacadocoÍn alíquota menor, de 10o/~,conforme notas fiscais relacionadas; , ' 3.5 _ instalações elétricas, partes de instalações frigoríficas, classificadas pela contribuinte na posição 7610.90.9900, classificam-se como partes, da' posição 8418.99.9900, .alíquota de 15%; A descrição genenca, assumida como "equipamento frigorífico", nas .notas .fiscais, conforme informação prestada pela contribuinte, são produtos para geração de frio em câmaras frigoríficas, o que classifica o equipamento ~à posição 8418.99.9900 (aliás, a posição àdotada pela contribuinte, em alguns casos); 3.6 _ no caso do uso da posição 9032.89.0203, para conjunto de equipamentos _ para atmosfera controlada, a Lei n° 8.643/93; arr. 10, parágrafo único e anexo I,excluiu da isenção do IPI a citada posição. A alíquota vigente é de 15%. 3.3 _ equipamentos frigoríficos, classificados pela contribuinte nas posições 841869.0500 e 8418.99.9900, classificam-se corrétamente na posição 8418.99.9900, alíquota de .15%. . São .anexos por cópia os principais elementos do chamado "processo matriz", inclusive a impugnação da autuada, de onde extraímos a contestação aos itens da denúncia referentes ao presente litígio. Assim, na parte que interessa ao presente litígio, diz a impugnante que a sua atividade é a fabricação de componentes destinados aediJicações pré-fabricádas, bem como à montagem das edificações no local da obra (Doc. 06 - contrato de prestação de serviços com terceiros): por edificações pré- fabricadas, invoca o conceito que se extrai dos léxicos, conforme transcreve às fls. 245. J "1!, Processo Resolução .: MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE' CONTRIBUINTES 10920.001935/94-10 202-00.181 Diz que fica certificado, portanto,'que as operações realizadas pela impugnante, in casu, são de industrialização e fornecimentos de produtos destinados às edificações pré- 'fabricadas. Por sua vez, os produtos utilizados pela impugnante no exerClClO de suas atividades. são as telhas termoisolantes, painéis frigoloc e spyropainéis, portas e estruturas de alumínio. o painel frigoloc é um sIstema modular que garante o perleito isolamento de paredes e tetos, sendo preso um ao outro por sistema fecholoc e às vigas de estrutura metálica ou de concreto. Pode chegar a 12 metros de' comprimento e é de fácil instalação e remodulação (doc. 07 - prospecto do produto frigoloc). . Por sua vez, o Styropainel é um sistema de painéis auto~portantes, constituídos de revestimento em chapas metálicas e núcleo isolante e fabricado em comprimento padronizado, , de 12 metros (doc. 08 - prospecto do Styropainel). . Como se vê, ambos produtos, como as portas e estruturas metálicas de alumínio . (docs. 09 e 10 - ,demonstrativos dos produtos), são destinados à indústria de pré-fabricação, construção de galpões, supermercados, etç., bem como câmaras frigoríficas de grande porte. Não 'restam dúvidas, pórtanto, quanto à COlTetaclassificação fiscal dispensada pela impugnante aos seus produtqs. . Nessa medida, há de se esclarecer que o benefício aplicável à matéria não é do art. 45, VII, do RIPV82, por ter sido o referido dispositivo revogado pelo art. 41, 9 l°, do ADCT, dispositivo que transcreve. Acrescenta que a lei a que se,refere o 9 l° em questão foi a Lei n° 8.402, de 08 de janeiro de 1992, que restabeleceu, com data retroativa a 05 de outubro de 1990, os benefíCios fiscais de que trata o dispositivo transitório. Não o fez, entretanto, no que diz respeito ao ramo de construções e edificações pré-fàbricadas. ' 5 , , I il , I I' I1 10920.001935194-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA frocesso Resolução: No que diz respeito à aplicação dos incentivos destinados, ao implemento do parque 'industrial, diz que a fiscalização entendeu que o disposto no art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88 não se aplicaria às operações de fornecimento de máquina~ realizadas pela impugnante, pois, em sua maioria, os adquirentes não preenchem os requisitos do art. 8° do RIPI/82, por produzirem produtos não tributados. L~nçou, dessa forma, o imposto qu.e seria incidente dos fornecimentos realizados para os clientes que relaciona,. a saber: Renar, Maçãs S/A (doc. 12), Perdigão Agroindustrial S/A (doc. 1,3),FrigoríficQ Kaiowa S/A (doc. 14), Brasfrigo SA (doc. 15), Randon Agro Silvo Pastoril Ltda. (doc. 16 e Avipal S/A (doc. 17). 6 A Portaria nO2~3/81, portanto, é inaplicável à matéria, pois, ao limitar o alcance da isenção, o fez em atendimento ao não mais vigente art. 45, VI!. Pouco interessa, portanto, que, anteriormente, as portas e telhas, fossem excluídas do benefício, à luz do referido ato ministerial, pois a norma aplicável ao caso é a do Decreto n° 551/92, como acima propugnado, prescrevendo- se para os produtos sob comento a alíquota zero. , I Não poderia, portanto, o Fiscal ter se apoiado em norma revogaoa para operar o lançamento do imposto, mormente quando não há dúvidas q~anto à correta classificação fiscal dispensada pela impugnante aos seus produtos. Impugna o valor adotado corno base de cálculo para a Nota Fiscal n021.152, de 23 de maio de 1992 (doc. n° 11), como sendo Cr$ 55.575.091,78, quando, na realidade, o ya10r correte~,sobre o qual seria aplicada a alíquota de 15%, como foi, éde Cr$5.575.091,78. Ademais, o Decreto n° 551/92 é expresso quando r~duz a zero os produtos arrolados em seu anexo I, dentre eles os produtos fabricados pela impugnante. Conclui, no particular, que, certificada a classificação correta 'dos produtos e , inaplicabilidade do 'art. 45, VII, do RIPI/82, ao caso, depreende-se a improcedência do auto de infração, também neste tópico; razão pela qual deve ser anulado o auto de infração. Depois de relacionar os estabelecimentos destinatários, transcreve o art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433í88 para afirmar que a isenção ali prevista se refere à aquisição realizada por estabelecimentos industriais, não condicionando a que estes operem saídas tributadas. A isenção ficou 'condicionada à destinação das máquinas, aparelhos e equipamentos, isto é, o , benefício só seria concedido nos c~sos em que tais produtos fossem ~estinados à instalação, à ampliação ou à modernização do estabelecimento industrial. O conceito de I estabelecimento industrial não deve ser interpretado restritivamente, sob pena ,de se perder a realidade que interessa à incidência da norma. Nesse passo, busca o que qualifica de ensinamento do Professor e'Juiz do Tribunal Regional Federal da sa Região, Hugo' Brito Machado, sob a evoluçãá da interpretação da" lei tributaria no tempo, çonforme transcreve. ~ / 10920~001935J94-10 '202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Processo . Resoluç&o : ( 'I. ~ i f ! ! . Também invoca, a propósito, o voto do ilustre então Conselheiro Ditimar Souza' Britto, sobre o processo produtivo e operação de industrialização, conceito aplicável" ao entendimento amplo que propu gana (fls. 339). , I . Invo,ca, também, a decadência em. relação às vendas para aqueles estabelecimentos, realizadas entre janeiro- de 1989 e março do mesmo. ano, conforme especifica, operações que se enquadram Íla decadência, nos termos do art. 173 do CTN e, concluindo; que deve ser anulado o auto de infração no que se refere àquelas operações. Também contesta os casos de revenda de materiais, no mesmo estado em que foram adquiridos, nas quais não se cáracteriza 'o fato gerador do impos~o. Trata-se de ~imples revendas feitas pela' impugnante a consumidor final, sç:mque tenha havido industrialização. Depois de contestar alguns casos específicos, onde teria havido erro na fundamentação legal, analisa a denúncia, no que respeita ao pedido d~ restituição e ressarcimento, propriamente ditos: " Diz que, em decorrência das alegadas irregularidades até aqui relacionadas, . . principalmente quanto às reclassifiCações adotádas pela fiscalização, conclui o Fisco pelo indevido ressarcimento .!ie IPi realizado pela Fazenda à impugnante, bem como ,crédito por ela utilizado. Diz que; provada à saciedade a corre,ção dos procedimentos dispensados pela impugnante no tocante aos materiais beneficiados pela isenção e alíquota zero, não ppde prosperar a pretensão da administração fazendária, devenoo igualmente ser reformado esse tópico, de modo a se excluir a exigência do crédito tributário. Conclui declarando que efetllará o recolhimento.do imposto, relativamente aos . casos e~pecíficos que enuncia. . \ I.Pede; afinal, a produção de prova pericial e realização de diligência"por se ( tratar de. matéria que, aos' olhos do. Fisco, pode. gerar controvérsia, em função <:lopróprio entendimento pela qual foi autuada, sob pena de total nuliqade da peça fisc,al, desde o início. Segue-se a decisão recorrida, nos termos que sintetizamos.' 7 ,8 No período de saldo devedor, .IPI a pagar, foi lavrad6 o ch~ado processo matriz a que antes nos referimos, já julgado em primeira instância (decisão por cópia anexa). 10920.001935/94-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA ., ,"0',', . Em decorrência das irregularidades assim relacionadas, houve ressarcimento indevido, referente aos processos ele'ncados às fls. 87/88, que deram origem ao auto de infração, de que estamos tratando. . . Quanto ao item I - uso indevido de alíquota zero do Decreto n° 551/92 - contesta as classificações adotadas pela impugnante para Termo-Telha e Termo-zipe ~espectivos acessórios, nos códigos 7308.90.9900 (revestidas de ferro e aço) e 7610.90.9900 (revestidas de aluTIÚnio).Entende. correta a classificação adota.da pela fiscalização, respectivamente, nos códigos 7326.90.9900 (ferro e aço) e 7616.90.9900 (alumínio) -,alíquota de 10%. Diz que, desde logo, tais produtos não se acham contemplados pela redução a zero das alíquotas, estabelecida no Decreto nO551/92 .. 3 ~ classificação fiscal e álíquotas incorreta~, referentes às mercadorias Portas Frigoríficas e Acessórios, Painéis Frigoloc, Spyropainéis' e Acessórios, Equipamento Frigorífico, Instalações Elétricas, partes de instalações frigoríficas, Equipamento de Atmosfera Controlada. No caso da posição 8418.69.9900, adotada pela .contribuinte, a posição adequada é a 8418.99.9900 e a alíquota vigente é de 159'0 em ambas. A contribuinte tem destacado com alíquota de imposto menor (10%), conforme notas fiscais relacionadas. •L - a contribuinte fabrica telhas termoisolantes, com o nome comercial de Termo-telha UPK e Termo-zip, classificando-as incorretamente nàs posições NBM 7308.90.9900 e 7610.90.9900~ com alíquota zero. O DecretonO 551/92 não contempla as telhas termoacústicas; 2 - ,utilização indevida da isenção prevista no Decreto-Lei n° 2.433, de 1988, art. 17-1, com as alterações do Decreto.:.Lei n° 2.451/88 e da Lei n~ 7.988, de 1989, art. 5°; e Esclarece, preliminarmente, que, para melhor instrução do presente, foi determinada a realização de diligência (fls. 180), da qual foram prestados esclarecimentos, n"o sentido de que o presente restringe-se ao período de saldo credor da apuração do IPI reescriturado a.parti,r das irregularidades constatadas, conforme item I do Term9 de Verificação de Créditos Tributários, Ressarcimento Indevido, fls ..83 dos autos. Processo Resolução: Depois desses esclarecimentos, passa a se referir aos itens da denúncia, . constante do Termo de Verificação (fls. 83.e seguintes), já mencionada no presente relatório, a saber: Leio, a seguir, a seqüência d~ interpretação que conduziu a esse entendimento, à luz das Regras' Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, conforme conduzida na citada decisão recorrida, às fls. 294 a 296. ' - . ~.'tl /r~ 9 10920.001935/94-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA .Acrescenta que do Auto de infração de fls. 91 e sua folha de contInuação - Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal - não constam quaisquer referências à revogação do art. 17, I, do Decreto-Lei n° 2.433/88, pelo art. 41, do ADCT, bem como nenhuma menção ,é feita ,. no Termo.de Verificação de Créditos Tributários (fls. 85/86). Assim, improcedentes as alegações da autuada nesse sentido. Sem nenhum amparo legal de - isenção ou redução de alíquota, "a empresa continuou, nos anos ae 1993 e 1994, ~ dar saída de mercadorias de sua industrialização, partes de câmaras frigoríficas, sem destaque do IPI, ,conforme se constata do Relatório Cla~sificação Fiscal I Quanto às vendas nos anos de 1988 e 1989; das mesmas mercadorias, para as empresas indicadas, são as mesmas razoes de tributar. O fato concreto é que essas mercadorias não fazem jus à nenhuma isenção, Daí, ser ou não ser estabelecimento industrial' é secundário, neste caso. Processo Resolução: Parte de câmara frigorífica classifica-se na posição 8418.90.9900, também fora da isenção do art. 17, I, do Decreto-Lei n° 2.433/88. Nesse passo, invoca o Parecer CST (DCM) 807, de 29.06.90, resultante de. ' ' . Recurso de Ofício, cuja ementa decl~a que "Câm~as Frigoríficas modulares, fabricaqa's com perfis de alumínio e chapa de fibra de vidro com isolamento térmico de poliuretano injetado: 8418.99.9900- apresentadas separadamente (câmara desprovida de, evaporador frigorífico e de qualquer outro dispositivo permutador de calor)". . \ , ., Em decorrência de recurso de ofício, a CST emItIU o Parecer nO 836, de 07.07.92; que ampara dita classificação (7326,90.9900), conforme ementa do citado parecer, que leio, às fls. 293, posição não contemplada nos anexos I e II do Decreto n° 551/92. , / No tocante ao uso indevido da isenção prevista no Decreto-Lei n° 2.433/88, art. 17, I, e da redução da Lei n° 7.988/89, art. 5°: I, vale-se a citada decisão da argumentação .desenvolvida na denúncia fiscal, a qual declara que a isenção prevista nos citados dispositivos legais, que são transcritos, refere-se a máquinas e aparelhos e respectivos acessórios. O que a autuada comercializou, sob o pretenso abrigo dos arts. 17, I, e 5°, da Lei n° 7:988/89, foram partes de çâmaras frigoríficas, cuja classificação fiscal adequada não se confunde com máquinas, aparelhos e instrumentos e seus acessórios, como pretende a autuada. Portanto, fora do alcànce da isenção. Com essas çonsiderações, diz que o auto de infração não merece reparos . I //ti. ,/ / 10 I / 10920.001935194-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA c) a Lei nO 8.402/92 não restabe'ÍecelÍ os incentivos previstos no art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88;. . Em cqnclusão, julga procedente o ~ançarriento. Recurso tempestivo a este Conselho, com as alegações que resumimos. .-Demais, redução de alíquota hão garante a utilização dos créditos do IPI, os quais devem ser estomados, muito menos o seu ressarcimento em dinheiro. Diz que persiste a decisao .recorrida em afirmar que os produtos fabricados pela recorrente (telhas, painéis e portas termo-isolantes, compostas de aço ou alumínio) não foram . ' elencadas no /Decreto nO 551/92, inão havendo isenção, nem sequer por aquele dispositivo. Afirma, ainda, que as regras de classificação fiscal impõem o enquadramentó dos produtos por ela fabricados na última posição da Seção, a exemplo do que já fora decidido ,nos autOs do processo matriz. , a) a Lei nO'8.191/91, pelo seu art. 7°, -revogou o art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88, com a redação dada pelo art. lO do Decreto-Lei n° 2.451/88. O'Decreto n° 551/91, que listou as classific~ções fiscais das mercadorias abrangidas pela isenção instituída pelo seu art. 10, não incluiu as classificações utilizadas pela empresa; b) a Lei n° 8.643/93, que prorrogou as isenç'Ões previstas no art. 1° da Lei n° 8.191/91, exclui da lista algumas classificações, entre elas as relativas a ''Equipamento~ de Atmosfera Controlada" - 9032.89.0203; d) as reduções de alíquota constantes dos anexos I e ndo Decreto nO141/92 não . / beneficiam aSpartes de câmaras frigoríficà~ e acessórios . e Alíquota Incorreta (fls. 38 a 55). As classificações' fiscais utilizadas são 7308.30.000 , 7308.90.990 _ 7308.90.0100 - 7610.90.9900 - 8418.69.9900 e 9032.89.0203., Algumas mercadorias, como no caso do Painel Frigoloc, Porta para Câmara Frigorífica, Spyropainel e , . Visor para Porta com Atmosfera Controlada, receberam até cinco classificações, o que é inadmissível dentro das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Para os ano~ de 1993 e 1994, as isenções e incentivos são os previstos na Lei n° 8.191, de 12.06.96; Lei n° 8.402, de{09.01.92; Lei n° 8.643, de 01.04.93; reduções de alíquotas previstas no Decreto hO551, de 01.06.92, sen90 que em nenhum dos djspositivos legais acima citados se enquadram as mercadorias comercializadas pela autuada. E esclarece:_ Processo Resolução: , Passando a contestar a referida decisão, (wmeça pela negativa da preliminar na qual solicitava perícia, cuja negativa o foi sem a mais TIÚrtimamotivação. . ReclassÍficaas câmaras frigoríficas de que se ocupa a recorrente, da posição 8418.69.9900, para a 8418.99.9900,çieixando de considerá-las equipamento, desqualificando o beneficio do D~creto-Lei n° 2.433/88. r._ íl!f' /. , 11 10920.001935194-10 . . 202-00.181 '. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . MINISTÉRIO DA FAZENDA f. . Nessa linha; concluiu a decisão de primeira instânoia ter sido realizada restitui'ção a maior de IPI, mantendo in-totum o auto impugnado. Mas não deve prosperar a decisão monocrática, pelas razões de sobejo que serão'exploradas e que levatãóà conclusão da necessÍdade de sua reforma, çom a conseqüente anulação do auto. Assim, entende que, nesse particular, a decisão recorrida peca por duas razões, o que, de per si, ensejaa sua anulação: a uma, pelo próprio fato de negar a reiilização da perícia que, como asseverado, demonstra':'se imprescindível à elucidação dos fatos,dé que tratam os presentes autos, retaliando o direito de defesa d~ contribuinte; e a dua's, por não fundamentar a negativa do pedido, o que se demonstra suficiente à caracterização, mais uma vez, do cerceamento do direito de d~fesa. Reitera que a complexidade da matéria está a exigir' uma perícia para perfeito esclarecimento da autori~ade julgadora e tece longas considerações em torno dessa necessidade. Invoca decisões administrativas, cujas ementas transcreve, as quais declararam a nulidade de decisões no mesmo sentido. .Na mesma esteira; os materiais destinados à Frigorífico Kaiowa S/A, Abate Frigorificação de Bovinos e à Avipa S/A Avicultura não es~ariam albergados pelo beneficio do art. 17 do Decreto-Lei n° 2.433/88, pelo motivo de que "ser ou não estàbel~cimento industrial é secundário, neste; caso. ", Processo Resolução: ..•...... '. .' Vem, de outro lado, afastar a pretensão da recorrente de utilizar-se da isenção 'do Decreto-Lei n° 2.433/88, art. 17, não sob 'o argumento de que teria sido revogado, que foi a razão da' autuação, mas sob premissa diversa da anteriormente assumÍda, de que formam Ilpartes de telhados e de câmaras frigoríflcas, tais como Termotelhas, Painéis, Portas, 'Equipamento frigorífico, cuja classificação fiscal ádequada' não se confund,e com máquinas, aparelhos e instrumentos e seus acessórios, como prete!1de a requerente. Portanto, fora do alcance das isenções concedidas pelos diplomas legais aqui mencionados, (...)" razão pela qual Ilnão fazem jus a nenhuma is~nç~o." '. \12 Quanto ao mérito. 10920.001935/94-10 202-00.181 • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIÇ) DA FAZENDA Processo Resolução Assim é que a recorrente pautou sua defesa no sentido de ser apropriada a classificação fiscal utilizada, tendo em vista as Regras Gerais de Interpretação da Nomenclatura , de Mercadorias Brasileira NBM, à vista do princípio constitucional da essencialidade, informador do IPI. " No que diz respeito à classificação fiscal, diz que ,se d~ve afastar a'pretensão do julgador singular em fundamentar sua decisão na inaplicabilidaqe do Decreto' n° 551/92, o que fez em consideração ~ impugnação originariamente apresentada, sobre a qual, como se expôs, deixou' de ap~eciar toda a arg~mentação, mormente aquela de nulidaqe do procedimento fi~cal, o que Já .justifica'a nulidade da decisão. I Por outro lado, inaplicável aO'caso o Parecer CST (DAM) nO836/92. Primeiro, . por não trazer as razões de ~er a classificação correta aquela por ele preconizada, fixando-as' ao arrepio das Normas de Interpretação da,NBM; segundo, por ser interpretativo, não lhe sendo dado retroagir para impor situação mais onerosa à contribuinte (CTN, art. 106). Além do mais, Por essa razão, pede a anulação da referida decisão, de forma a ser determinada a realização da perícia pleiteada (diligência), e novo julgamento pela autoridade de primeira' instância. Para tanto, a recorrente formula des<Íejá os quesitos constantes d~ Anexo A. . \ . ~essa linha é que vem sustentando tratar os produtos destinados à atividade de pré-fabricação os materiais de que se ocupa. E isso foi admi~ido pela decisão recorrida .na tentativa de afastar' o benefício do Decreto-Lei n°. 2.433/88, regularmente utilizado pela contribuinte. De fato, com vistas a desqualificar isenção desse diploma de 1988, expressou-se o julgador singular no sentido de que tais materiais "foram partes de telhados e de câmaras I frigoríficas" tais como Termotelhas, Painéis, Portas, Equipamento Frigorífico, cuja classificação fiscal adequada não se confunde com máquinas, aparelhos e instrumentos e seus acessórios, como pretende a requerente", questão que poderia ter sido sanada com a realização da diligência/perícia. I • I , Enfatiza, afinal, que os produtos de que se ocupa (telhas, painéis, etc.) são destinados exclusivamente à construção de pré-fabricados que se acoplam ao solo, podendo ser. . removidos ou não sem dano. Sua característica termo-isolante não tem o condão de gerar frio, apenas de manter a temperatura gerada por máquinas próprias (compressores, evaporadores ...). Agrega que isso foi ratificado pela recorrente, quando fez juntar aos autos do processo denominado matriz o Parecer do Instituto Paulista de Tecnologia - IPT e da Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e Capitalização (docs. 04 e 05 da impugnação ao processo matriz), que, aliás, foram simplesmente desc,onsiderados pela decisão recorrida. ~. . / 10920.001935194-10 202-00.181 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Processo Resolução: ,-; Instruem o recurso os qu~sitos para, a perícia/diligência, bem como os documentos nele invocados. I 13 É o relatório. ( . . Por tais razões" deve ser alterada a deCisão, quanto a esse tópico. verifica-se que o citado parecer aplica-se única e exclusiv~mente às câmaras' frigoríficas e partes de câmaras" destinadas à "geração de 'frio", que não é a ~ipótese dos autos., ' No que se refere à utilização da isenção do Decreto-Lei n° 2.433/88, em que' pese ter a decisão ~ecorrida aceito o fato de quesome~te com 'a Lei nO8. i91, de 1991, tivesse sido o benefício revogado, desqualificou o penefício da recorrente, sob a alegaçãO de não estarem alcançàdos os produtos por ela fàbricados, mas não pela qualidade dos' destinatários. Trata-se:, então, de fixar corretamente a 'premissa da exoneração fiscal em questão, se interessa ou não a qualidade dos destinatários dos produtos. Ainda 'que ~ste Conselho não entenda ser o caso de anulação, requer seja reformada a decisão, pelas razõesexp-ostas, e que seja julgado improcedente o auto de infração. Em concl~são, diz que, tendo em vista a preliminar levantada, deve ser anulada a decisão recorrida, por cerceamento do ,direito de defesa, por ter sido negada a períçla requerida, fundamental à elucidação da matéria.. ' \ , Pronunciaménto do Procurador da Fazenda Nacional, em contra-razõ~s, declarando que a fundamentação e~posta na informação fiscal, bem comQ no próprio ato decisório, esclarecem suficientemente a questão discutida no presente, esgotando ,a matéria. A deCisão recorridá deve ser mantida. I I, ' " , Também contesta a classifi~ação do' equipamento frigorífico completo na posição 8418. 99.9900. Aqui, não foi levado em consideração o Parecer nO807/90, segundo o qual "Câmaras frigoríficas modulares, fabricadas com perfis de alumínio e chapa de fibra de vidro com isolamento térmico de poliuretano injetado: 8418.69.0500 - incorporado em evaporador frigorífico e apresentada juntamente com um grupo frigorífico de compressão destinado a ser instalado remotamente à ,câma)?a". Não' é o caso, portanto, das câmaras frigoríficas modulares, fabricadas com perfis de álumínio e chapa de fibra de vidro com isolamento térmico de , \ poliuretano injetado, apresentadas separadamente (câmara desprovida de evaporador frigorífico' e de qualquer outro dispositivo permutador de calor) - posição 8418.99.9900, como quis a deCisão recorrida. VOTO DO CONSELHEIR-RELATOR OSWALDO TANCREDO DE OLIVEIRA I 10920:001935194-10 202-00.181 - J t4 Sála das Sessões, em 03 de junho de 1998 l " .,'L '~~_{')~(/' , '- {,L,a'./ LJ d ti . {j Cf' iCi/'-- OSWALDO TANCREDO DE OLIVEIRA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA A matéria do presente recurso tem por objeto litígio decorrente de lançamento ' de ofício sobre classificação de mercadorias na TIPI. Por força do Decreto n° 2.562, de 27 de abril próximo passado, a competência para julgar' sobre á matéria, em questão foi transferida deste para o Terceiro C,onselho de Contribuintes. ' A~sim senq6, e tendo em vista a vigência imediata, do referido diploma, alcançando inclusive os recursos em trl:!JIlitàção,proponho o encanpnhamento deste àquele Eg. Conselho. ' Processo . ,Resolução: 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014
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