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Numero do processo: 10880.945013/2013-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO.
Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL.
Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO. Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendose ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total. INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado. Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 50 13 /2 01 3- 28 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES transmitiu Pedido de Ressarcimento da contribuição não cumulativa (Cofins/PIS), vinculado a Declarações de Compensação. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Ressarcimento e considerando não declaradas as compensações a ele vinculadas sob o fundamento de que o valor a ressarcir se encontrava sujeito a desdobramentos de ação judicial intentada pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Recurso Administrativo, contestando a decisão de se considerarem não declaradas as compensações, e Manifestação de Inconformidade, esta para protestar contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, tendo sido ambos os recursos recebidos como Manifestação de Inconformidade por força de liminar em mandado de segurança. Em sua defesa, o contribuinte alegou que somente apurava créditos no mercado interno vinculados a receitas não tributadas, por se tratar a sua atividade de venda de livros sujeita à alíquota zero, e que o objeto da ação judicial por ele impetrada se referia à base de cálculo do débito e não à origem do crédito. Arguiu o contribuinte que a autoridade tributária violara frontalmente o princípio da legalidade ao considerar não declaradas as compensações, em franco desacordo com o art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/1996 e o art. 97 do CTN, uma vez que o crédito pleiteado não decorria de decisão de judicial, mas de artigo expresso de lei. Argumentou, ainda, que, ao considerar não declaradas as compensações, a autoridade administrativa excluíra a possibilidade de defesa por manifestação de inconformidade, levando à cobrança dos débitos compensados antes de finda a discussão administrativa acerca do pedido de ressarcimento, o que implicava cerceamento do direito de defesa, uma vez que, de acordo com o art. 151, II, do CTN, o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Aludiu, ainda, que não se sustentava a justificativa da autoridade administrativa fundada no art. 32, §§ 3° e 4°, da IN RFB n° 1.300/2012, pois instrução Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 4 3 normativa não podia inovar, prevendo hipótese de compensação não declarada inexistente no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, em flagrante violação ao princípio da legalidade. Nos termos do Acórdão nº 16065.676, foram julgados improcedentes a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Administrativo apresentados, tendo sido afastada a preliminar de nulidade do despacho decisório e confirmado o teor do despacho decisório, em razão da vedação ao ressarcimento de crédito passível de alteração por decisão judicial. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a impossibilidade do resultado da ação judicial influenciar o valor do crédito decorrente das vendas internas sujeitas à alíquota zero, uma vez que estas não entram na apuração da base de cálculo da Contribuição. Informa o Recorrente que a Ação Declaratória havia transitado em julgado, confirmando que seu resultado não implicava qualquer influência no pedido de compensação ou descumprimento ao disposto no art. 170A do CTN, configurandose, portanto, indevidas as decisões administrativas precedentes. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.041, de 26/07/2017, proferido no julgamento do processo nº 10880.945004/201337, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.041): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de prosseguir urge ressaltar os eventos nas esferas administrativa e judicial que interessam à lide: a. A Unidade de origem (Derat/SP) não analisou o mérito do pedido de ressarcimento e da compensação declarada, sob o fundamento da existência de ação judicial em curso cujo resultado influenciaria a base de cálculo do crédito pleiteado. A DRJ manteve integralmente o despacho decisório. b. Nos autos não constam elementos que permitam aferir a higidez do crédito pleiteado quanto à sua origem, qualidade e grandeza. c. As Ações Declaratórias transitaram em julgado, em 25/04/2014 (para o Cofins) e 24/06/2014 (para o PIS), no âmbito do STJ, em decorrência do pedido de desistência de Recurso Especial interposto Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 5 4 pela empresa, em data anterior à da sessão de julgamento na DRJ (12/03/2015). As situações enumeradas exigem o enfrentamento das seguintes questões: 1. Há concomitância entre os processos administrativo e judicial? 2. Na hipótese de se afastar a concomitância, resta passível a alteração dos valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial? 3. O trânsito em julgado da ação judicial faz restabelecer a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação? Não se suscitou nos autos a concomitância pela autoridade fiscal, tampouco em sede de julgamento na DRJ. A recorrente nada menciona em suas peças, embora defende argumentos quanto à inexistência de qualquer influência de resultado da ação judicial sobre os créditos pleiteados administrativamente. Compulsando os autos as partes não juntaram as peças processuais, em especial petição inicial, sentença e acórdãos. Há tão somente extrato de consulta processual no TRF/3ª Região e Certidão do STJ. Pesquisa realizada na página da internet do TRF/3ª Região extraise do relatório e ementa da Apelação Cível nº 1182842 ACSP, na Ação Declaratória nº 2004.61.00.0067824 o que segue: RELATÓRIO Tratase de apelação em ação declaratória em que busca assegurar o direito para não se submeter à majoração da base de cálculo da COFINS sobre a totalidade de receitas, prevista na MP 135/03, convertida na Lei 10833/03, pois violou norma constitucional expressa no art. 195, I “b” da CF e violação ao art. 110 do CTN e na forma do art. 151, II do CTN, pretende efetuar depósitos judiciais. A ação foi ajuizada em 11/03/04. O valor da causa é de R$ 30.000,00. O MM. Juiz “a quo” julgou improcedente, considerando que não houve ofensa à Constituição a alteração da base de cálculo da COFINS, sendo que pode ser utilizada medida provisória e que o texto constitucional também não exigia Lei Complementar e que não há ofensa ao art. 246 da Constituição Federal e portanto, não há nenhum vício formal na Lei 10833/03. Determinou que após o trânsito em julgado da sentença, convertam se em renda da União Federal os depósitos efetuados durante a tramitação do processo. EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. LEGITIMIDADE DA TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÕES. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO VIOLADOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL POR DESCUMPRIMENTO DO ARTIGO 246 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 6 5 I A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 31 de dezembro de 1991, com fundamento na Constituição Federal, em seu artigo 195, inciso I e tem como objetivo o custeio das atividades da área de saúde, previdência e assistência social, conforme dispunham seus artigos 1º e 2º. II Com o advento da lei 10.833, de 29 de Dezembro de 2003, e atualmente pela Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, a contribuição à COFINS passou a ser nãocumulativa. Esse princípio, em relação às contribuições, foi reforçado pela Emenda Constitucional n° 42/03. III A Constituição Federal, após as Emendas Constitucionais n°s 20, 33 e 42, consignou claramente o campo de incidência das contribuições, inclusive com a possibilidade de serem instituídas alíquotas e/ou bases de cálculos distintas, para determinados segmentos. Portanto, autorizou tratamentos não isonômicos, diante de um discrímen a ser ditado por lei, consagrando em benefício, nesta última emenda, a nãocumulatividade para as contribuições. IV A nãocumulatividade é mera técnica de tributação que não se confunde com a sistemática de cálculo do tributo, porquanto, depois de efetuadas as compensações devidas (débito/crédito) pelo contribuinte terseá a base de cálculo, para a apuração do quantum devido. Consignese, por fim, que, para as hipóteses de IPI e ICMS, o legislador constituinte deixou traçados, fixando os limites objetivos de sua ocorrência, os critérios para que se implementasse a não cumulatividade, dadas as características desses tributos, enquanto para a COFINS a lei é que deve se incumbir dessa tarefa. V Não se configurou a afronta ao disposto no artigo 246 da Constituição Federal, pois não houve regulamentação de artigo, nem inovação, criandose nova figura tributária, haja vista que a previsão expressa da contribuição à COFINS no corpo do Texto Constitucional, por si só autoriza eventuais alterações nos critérios de suas exigências, feitas por lei ordinária, não havendo óbices que suas iniciativas se dêem por meio de Medida Provisória, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal. VI– Apelação da autora improvida. Quanto ao PIS, Apelação Cível nº 000253690.2003.4.03.6100/SP ACSP, na Ação Declaratória nº 2003.61.00.0025369/SP, relatório e ementa se assemelham à ação que versa sobre a Cofins: RELATÓRIO Tratase de ação de procedimento ordinário em que Saraiva S/A Livreiros Editores pretende: a) a declaração de inexistência de relação jurídica no tocante ao recolhimento da contribuição ao PIS, sobre a totalidade de receitas, nos termos da Lei nº 10.637/02; b) assegurar o direito de recolher a referida contribuição sobre o faturamento (receita bruta de venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou prestação de serviços). A sentença julgou improcedente o pedido, condenando a autora ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais). Em apelação, a autora reiterou o pedido formulado na petição inicial. Com contrarrazões, os autos foram remetidos a este e. Tribunal. EMENTA Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO PIS LEI Nº 10.637/02 CONSTITUCIONALIDADE. 1. As contribuições sociais encontramse regidas pelos princípios da solidariedade e universalidade, previstos nos arts. 194, I, II, V, e 195 da Constituição Federal e impõe o reconhecimento de que o seu financiamento deve darse por todas as empresas. 2. As contribuições de seguridade social, previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 195 da Constituição Federal, não necessitam, para instituição ou modificação, de lei complementar, bastando para tanto ato normativo com força de lei ordinária. 3. Viabilidade da utilização de medida provisória para instituir tributos e contribuições sociais, bem assim a possibilidade de reedição para prorrogar os efeitos da anterior ou anteriores. 4. A lei pode autorizar exclusões de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, e, da mesma forma, vedar deduções para a mesma finalidade, levando em conta o momento político e a política fiscal adotada. 5. A alteração do conceito de faturamento, bem como a majoração da alíquota do PIS prevista na MP 66/02, não implicou na regulamentação do disposto no art. 195, inciso I, da CF, com redação dada pela EC 20/98, razão pela qual não constituíram violação à regra do artigo 246 da CF. 6. Não há falarse em violação ao princípio da anterioridade nonagesimal, porquanto expressamente previsto na MP nº 66/02 o prazo de noventa dias para a produção de seus efeitos. 7. Apelação improvida. Os excertos transcritos permitem constatar que os objetos das ações que versaram sobre o PIS e a Cofins foram delimitados pela "majoração da base de cálculo da Contribuição sobre a totalidade das receitas". Cumpre também apontar que a recorrente não logrou êxito na ação declaratória na decisão de primeiro grau e na apelação, em sede de Tribunal Federal. No processo administrativo a recorrente pleiteou ressarcimento do saldo credor remanescente do desconto de débitos da Contribuição ao final do trimestre. Suscita que o crédito referese exclusivamente às vendas de livros no mercado interno, que por força do inciso II do art. 28, da Lei nº 10.865/2004, tem incidência à alíquota é zero. Evidenciase, portanto, que as ações judicial e administrativa têm objeto distintos, o que afasta a concomitância. Ademais, o entendimento doutrinário é no sentido de que se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir, o que não se tem presente no caso dos autos, bastando para a conclusão a existência de pedidos distintos. Destarte, entendo inexistente a concomitância. Pois bem; afastada a concomitância, mister verificar se de algum modo é passível de alteração os valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 8 7 As partes divergem quanto ao entendimento, o que demanda analisar seus argumentos. O despacho decisório está assentado no fundamento de que o saldo credor passível de ressarcimento é resultado direto do tipo de receita a que estiver vinculado, no caso à receita não tributada no mercado interno. Vejase alguns excertos da decisão: 10. Ademais, referida instrução normativa e as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõem que os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins passíveis de ressarcimento e/ou compensação, são aqueles remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração. 11. Assim, o crédito passível de ressarcimento depende das receitas auferidas que servirão de base de cálculo para realização do referido cotejamento entre créditos e débitos, mais ainda, as receitas auferidas são necessárias para definir a proporção de créditos vinculados a Receita Tributada no Mercado Interno, Receita Não Tributada no Mercado interno e/ou Receita de Exportação. 12. Não é demais lembrar que somente o saldo de crédito vinculado a Receita Não Tributada no Mercado interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16, inciso II da Lei nº 11.116/2005) ou Receita de Exportação (art. 5º, §§2º e 3º da Lei nº 10.637/2002; art 6º, §§2º e 3º da Lei nº 10.833/2003) são passíveis de ressarcimento. 13. Logo, a apuração dos créditos e, em especial, sua parcela ressarcível é resultado não apenas da composição de várias despesas/custos, mas, também, da receita a que estiverem vinculadas. 14. Diante do exposto, existindo discussão judicial sobre assuntos que poderão alterar o valor a ser ressarcido, deve ser indeferido o Pedido de Ressarcimento eletrônico (...) O julgamento na DRJ trilhou no mesmo entendimento, decidindo ao final pela improcedência da manifestação de inconformidade. Alguns excertos: 30. Assinalese inicialmente que, de acordo com o art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, em vigor à época da transmissão do pedido de ressarcimento, os créditos não utilizados acumulados ao final de cada trimestre poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento, cabendo ao sujeito passivo efetuálo “pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação”. O grifo é meu. 31. No caso em estudo, verificase que o valor pleiteado no pedido de ressarcimento está em perfeita conformidade com essa regra (...) 32. Como se pode observar, o valor solicitado (...) corresponde ao saldo remanescente dos créditos apurados nos meses de (...), já descontada parte dos débitos de Cofins relativos a esse período. 33. Donde se conclui, sem contestação possível, que o valor do débito afeta o do crédito. Isso porque o crédito suscetível de ressarcimento é apenas o saldo remanescente do desconto de parte dos débitos apurados no trimestre. É por isso que a IN RFB n° 900/2008, no trecho já citado, se refere expressamente ao saldo credor remanescente “líquido das utilizações por desconto ou compensação”. 34. Tratase, portanto, da própria lógica do regime não cumulativo da Cofins, convindo deixar claro que em nada a afeta a circunstância de a Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 9 8 empresa apurar ou não apenas créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno. 35. Assim, dada a natureza da matéria discutida na ação declaratória citada, então ainda em andamento, é evidente que sua decisão final poderia alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. A recorrente, de sua parte, sustenta que os créditos objeto do pedido de ressarcimento são resultantes da venda de livros no mercado interno, operação sobre a qual a Contribuição incide à alíquota zero, e, portanto, não integram sua base de cálculo, de modo que não guardam nenhuma relação com a discussão judicial. Excertos de suas peças: Inicialmente necessário destacar que a Requerente somente apura seus créditos com base na receita não tributada no mercado interno (Alíquota Zero Cofins), motivo pelo qual patente o equívoco da autoridade fiscal no tocante à classificação do crédito requerido pela contribuinte com suposta proporção na apuração das receitas x créditos. (...) Assim sendo, a manutenção integral do crédito relacionado à receita da venda de livros, a qual é tributada no mercado interno a alíquota zero do PiS e da Cofins é um direito da empresa ora manifestante amparado totalmente na legislação vigente. Diante deste quadro, é patente o equivoco levado a cabo pela autoridade fiscal no tocante a classificação do tipo de crédito utilizado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento e por consequência em sua declaração de compensação considerada indevidamente como não declarada. Entendo que o crédito pleiteado é passível de alteração pela base de cálculo do PIS e Cofins, ou em outras palavras, a dimensão da receita pode afetar o valor do crédito. O valor do saldo credor da Contribuição para o PIS ou Cofins nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei nº 11.116/200 e art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, atual inciso II, art. 27, da IN RFB 1.300/2012, somente pode ser ressarcido ou compensado, no encerramento do trimestrecalendário, após a dedução do débito da própria contribuição. Os dispositivos legais: Lei 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 10 9 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. IN RFB nº 900/2008 Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. IN RFB nº 1.300/2012: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1557, de 31 de março de 2015) Da interpretação dos dispositivos resulta que o procedimento passa primeiro pela etapa de deduzir o saldo credor do débito apurado da Contribuição no período, o que implica afirmar que se o valor do débito estiver sob discussão judicial, em especial em relação à dimensão/extensão de sua base de cálculo, é lógico deduzir que o valor saldo credor apurado estará passível de alteração em razão do resultado da ação judicial. Relevante destacar que a alegação da recorrente de que a totalidade de seu crédito é decorrente de vendas de livros, cuja alíquota do PIS e da Cofins é zero, o que significa tratarse, exclusivamente, de receita não tributada no mercado interno, o que a faz concluir pela total desvinculação entre as bases de cálculo deste crédito e do débito que se discutia judicialmente, não se encontra comprovado nos autos. Inexistem documentos (notas fiscais e registro contábeis) que apontam a natureza do crédito a ponto de atestar a veracidade da Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 11 10 alegação. Importa anotar também que a autoridade fiscal encarregada do despacho decisório não analisou seu mérito. Assim, encontro razões para afirmar a alterabilidade dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial, ainda que afastada anteriormente a concomitância. Por fim, a análise do trânsito em julgado da ação judicial. É inconteste o resultado da Ação Declaratória em que se buscava provimento para afastar o alargamento da base de cálculo da Contribuição, qual seja, não houve êxito por parte do contribuinte. O trânsito em julgado ocorreu em 25/04/2014, portanto, antes do julgamento da manifestação de inconformidade e do recurso administrativo na Delegacia de Julgamento que, contudo, manteve a decisão no despacho da Derat/SP sob o argumento que à época do pedido de ressarcimento e declaração de compensação a Ação não gozava de tal efeito. Cabe então enfrentar a seguinte matéria: acaso afastados os fundamentos da Derat e DRJ para negar o pedido de ressarcimento e considerar não declarada a DCOMP, sustentamse os argumentos da recorrente? Repisase que não houve enfrentamento do mérito do PER/DCOMP; também, não constam dos autos conjunto probatório da certeza dos créditos alegados. O direito ao ressarcimento e à compensação encontramse disciplinados nas legislações a seguir: CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (grifei) 41. Ora, no caso vertente, como ficou visto, havia uma ação declaratória em andamento cuja decisão final poderia, indiscutivelmente, vir a alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. Tal saldo, portanto, precisamente pela falta de trânsito em julgado, carecia dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 do CTN. 42. Assim, não há dúvida de que se trata de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, expressão genérica que abrange qualquer crédito cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial. 43. De modo que, ao considerar não declaradas as compensações vinculadas ao direito creditório objeto do pedido de ressarcimento, a Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 12 11 autoridade tributária apenas se ateve à letra da lei, mais precisamente ao disposto no art. 74, § 12, da lei n° 9.430/96, acima transcrito. Entendo que a vedação ao pedido de ressarcimento de que trata os §§ 3º e 4º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012, cuja vigência é posterior à data do protocolo do PER/DCOMP, fundamento legal do despacho decisório já não se sustentava no julgamento da manifestação de inconformidade à vista da decisão transitado em julgado da ação declaratória. Essa vedação ao ressarcimento deve ser interpretada à luz da mesma vedação à compensação, que se encontra em disposição de Lei art. 170A do CTN que ao meu sentir diz tãosó que enquanto houver pendência de ação judicial discutindo tributo, não se concederá ou se analisará a compensação acerca de aproveitamento de crédito desse mesmo tributo. Mutatis mutandis, ocorrido o trânsito em julgado da ação que se discuti o tributo, para o qual se pleiteia o aproveitamento de crédito, permitida estará a compensação. O mesmo se aplica ao ressarcimento. A autoridade julgadora a quo fundamentou a manutenção do despacho decisório para considerar não declarada a compensação na alínea "d", inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Inconteste que o fundamento para tal decisão encontravase superado por ocasião do acórdão da DRJ. Outra deveria ser a decisão recorrida. De outra banda, a recorrente não colacionou documentos que apontam para a natureza dos créditos que alega tratarse de venda de livros no mercado interno, à alíquota zero do PIS e da COFINS. Assim, conquanto o trânsito em julgado implica a análise do mérito o encontro de contas entre débitos e, no caso, o saldo credor apurado nos termos da legislação processo não se encontra maduro para decisão por este Conselho. Por derradeiro, a recorrente pede que "visando a facilitar o controle das intimações dos atos processuais, doravante, requer que as intimações sejam publicadas EXCLUSIVAMENTE em nome de Júlio Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 13 12 César Goulart Lanes, inscrito na OAB/SP n.° 285.224, devidamente constituído nos autos, sob pena de nulidade." Impende registrar que o disposto no art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo de determinação e exigência de crédito tributário estabelece: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4º do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. De ressaltar que a intimação realizada nos termos acima é legítima e encontrase pacificada com a Súmula CARF nº 9, cujo enunciado dispõe ser "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Conclusão O atual estágio do processo indica a possibilidade de existência de um direito creditório não analisado pela unidade de origem da DRF, fundada tãosó na alterabilidade do valor do crédito pleiteado em razão de ação judicial, não concomitante ao presente processo, que se encontra definitivamente julgada. Destarte, por não restar nenhum óbice à análise do direito creditório pleiteado, não efetuado no âmbito do despacho decisório, entendo por determinar o retorno do presente processo à unidade de jurisdição administrativa da recorrente para que se proceda análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação, mediante a apresentação pelo contribuinte dos documentos pertinentes. Após seja dado ciência para que o interessado exerça, se assim o quiser, o contraditório. Portanto, VOTO para DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.945013/201328 Acórdão n.º 3201003.049 S3C2T1 Fl. 14 13 unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade da recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO, com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade do Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726963/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO CONFORME ESTABELECIDO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelos atos normativos vigentes.
ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis.
Numero da decisão: 2401-005.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO CONFORME ESTABELECIDO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelos atos normativos vigentes. ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 63 /2 01 0- 97 Fl. 195DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.726963/201097 Acórdão n.º 2401005.079 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1449.850/2014, às efls. 108/103, que julgou procedente o lançamento fiscal, por ter sido constatado que a autuada deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, deixando de incluir os valores pagos a diversos segurados contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2007 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal, às efls. 28/31, consubstanciado no seguinte Auto de Infração: DEBCAD n° 37.058.22586 Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo orgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei, Código de Fundamentação Legal CFL 30. Foi aplicada a multa correspondente a R$ 1.431,79 ( Um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos ), fundamentada nos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/91, na alínea “a” do inciso I do art. 283 e art. 373 do RPS, valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29/06/2010, conforme disposto no mesmo RF. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 117/123, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugnando inicialmente pelo enviou das notificações e/ou intimações ao endereço dos patronos, sob pena de nulidade. Insurgese quanto a exigência de depósito prévio de 30% do valor discutido em débito para conhecimento do recurso, visto que tal exigência já foi devidamente considerada inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Quanto ao mérito, aduz que visa impedir a cobrança da multa por suposto descumprimento de obrigações acessórias dispondo sobre o art. 442 da CLT que autoriza a relação contratual com cooperativas. Faz um histórico da legislação que trata de cooperativas desde a Lei Complementar nº 84/96 até sua revogação pela Lei nº 9.876/99 que modificou a Lei nº 8.212/91, aduzindo que é inconstitucional a contribuição em discussão, já que há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, a lei ordinária em comento usurpou competência prevista no art. 146, inciso III, alínea “c”, da CF, eis que, em se tratando de matéria envolvendo atividade cooperativa, o instrumento normativo é lei complementar, e, a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode criada mediante Lei Complementar. Afirma ter o STF no julgamento do RE 595838 declarada inconstitucional a contribuição sobre serviços de cooperativas de trabalho, anexando tal decisão. Fl. 197DF CARF MF 4 Explicita não haver qualquer renúncia ou desistência ao litígio na esfera administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10580.726963/201097 Acórdão n.º 2401005.079 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Quanto ao dispositivo legal infringido, temse que preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos é obrigação da empresa, determinada por dispositivo legal art. 32, inc. I, da Lei nº 8.212/91, c/c art. 225, inc. I, § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e ao deixar de proceder em consonância com o estabelecido, cometeu a autuada infração à legislação. O foco das alegações da recorrente, em suma, consiste no que se sintetizou no Relatório que precede a este Voto, ou seja, asseverando que a Lei nº 9.876/99 revogou a Lei Complementar nº 84/96, aduz que é inconstitucional a contribuição disposta no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, já que i) há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, e, ii) a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, c/c 154, I, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode ser criada mediante Lei Complementar. Observese que, apesar de não estarmos neste AIOA diante de cobrança de contribuição previdenciária não recolhida, diante de obrigação tributária principal, e sim de obrigação acessória decorrente de descumprimento de legislação previdenciária, conforme disposto anteriormente, e, de a defesa apresentada apenas contraporse a constitucionalidade da contribuição incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais a serviço da impugnante, é possível conjecturarse que o objetivo da impugnante era de que, sendo inconstitucional a contribuição previdenciária em debate, não haveria razão para se lavrar o presente AIOA por falta de inclusão dos contribuintes individuais nas suas folhas de pagamento, mesmo não havendo nenhuma consideração direta nesse sentido na impugnação apresentada. Ou seja, especificamente quanto à infração cometida não se defende a autuada. Neste contexto, necessário trazer à pauta os limites deste julgamento administrativo. Há que se destacar que um dos princípios basilares da administração pública é o da legalidade, princípio que obsta a aplicação da discricionariedade pelo gestor público, ou seja, existe a obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Assim, a lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, surtirá efeito enquanto vigente e será obrigatoriamente cumprida pela administração por força do ato administrativo vinculado. Não é possível, em sede administrativa, afastar a aplicação de legislação em vigor, conforme estabelece o art. 18 da Portaria RFB nº 10.875, de 16/08/2007 (DOU de 24/08/2007) e art. 26A do Decreto n° 70.235/1972, acrescentado pela MP 449, de 03/12/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, este transcrito abaixo: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 199DF CARF MF 6 Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da legislação aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por fim, a interessada requer que sejam notificados/intimados os advogados constituídos da impugnante, no endereço destes. Observase que, na presente fase do processo administrativo fiscal, no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB), aplicamse as seguintes determinações constantes no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 10 do Decreto n° 7.574/2011, este abaixo: Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67); II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113); ou IV por edital, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 25): a) no endereço da administração tributária na Internet; b) em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação;ou c) uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. §1° A utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113). §2° Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10580.726963/201097 Acórdão n.º 2401005.079 S2C4T1 Fl. 5 7 passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e II o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, inciso II, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113). § 3° O endereço eletrônico de que trata o inciso II do § 2° somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 5º, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113) Conforme parágrafo 1º do art. 10 do Decreto n° 7.574/2011, entre as formas de cientificação do sujeito passivo constantes nos incisos I a III não há ordem de preferência e a RFB utilizase, nesta fase do julgamento administrativo, a via postal ou via eletrônica. Neste contexto, verificase que o local legalmente determinado para o recebimento de intimações, é aquele eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio tributário (endereço, postal fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado). Portanto, indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome e no endereço do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal ou eletrônica, endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, II e III, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97 e pelos dispositivos elencados acima. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.009516/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/09/2004, 03/11/2004
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. CABIMENTO.
Enquadra-se como ocultação do real adquirente e, por via oblíqua, a caracterização de dano ao erário e aplicação da pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro, o registro de declaração de importação, na modalidade direta, quando as mercadorias importadas destinam-se de antemão a distribuidor oficial em território nacional, cujo contrato prevê a exclusividade de comercialização dessas mercadorias, ainda que o instrumento preveja a possibilidade de terceirização da operação de desembaraço aduaneiro.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator Robson José Bayerl
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C. GAMES & ARCADES COM. IMP. EXP. E LOC. FITA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/09/2004, 03/11/2004 IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. CABIMENTO. Enquadrase como ocultação do real adquirente e, por via oblíqua, a caracterização de dano ao erário e aplicação da pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro, o registro de declaração de importação, na modalidade direta, quando as mercadorias importadas destinamse de antemão a distribuidor oficial em território nacional, cujo contrato prevê a exclusividade de comercialização dessas mercadorias, ainda que o instrumento preveja a possibilidade de terceirização da operação de desembaraço aduaneiro. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 95 16 /2 00 9- 86Fl. 209DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase, na espécie, de auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, prevista no art. 23, V, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76, em razão de ocultação do real adquirente, relativamente às Declarações de Importação nºs 04/09231678 e 04/11097592. Narra o relatório fiscal que o autuado possui contrato de exclusividade de distribuição, em território nacional, dos produtos importados (“cards” e jogos de cartas); que a operação foi realizada na modalidade de importação direta com a empresa TECNOWORLD COML. IMP EXPORTADORA LTDA; que a maior parte dos documentos era proveniente do PA 10314.011607/200558; que o sócio administrador da importadora (TECNOWORLD) informou ser a importação realizada a pedido da pessoa jurídica autuada (N. C. GAMES), sem, contudo, que esta informação tenha constado das respectivas declarações de importação; que as operações de importação foram realizadas com recursos próprios da TECNOWORLD; que o autuado detinha habilitação simplificada para operar no comércio exterior; que, ao longo de 2004, até 27/08/2004, a autuada realizou, na condição de importadora, diversas operações de importação, todavia, a partir de início de procedimento especial de fiscalização (30/08/2004), nos termos da IN SRF 228/02, cessaram as operações e, coincidentemente, foram detectadas as duas importações, sem a indicação de sua participação, realizadas em 15/092004 e 03/11/2004; que a ocultação do real adquirente não se caracteriza apenas pela antecipação de numerário para realização da importação, mas também pelas circunstâncias que envolvem estas operações, como no caso em questão. Em impugnação o contribuinte sustentou a legalidade da operação de importação; que no contrato de exclusividade firmado com a fornecedora estrangeira havia autorização expressa à subcontratação da TECNOWORLD para realização das importações; que não efetuou qualquer adiantamento financeira para efetivação das importações e tampouco as realizou; que a operação não se subsume à figura da importação por conta e ordem, quando muito, importação a encomendante predeterminado, que, no entanto, só veio a figurar no ordenamento jurídico posteriormente aos fatos imponíveis; que não houve simulação alguma; que a ausência de contrato escrito entre o autuado e a importadora (TECNOWORLD) não desqualifica o ajuste de vontades; que a operação não estaria sujeita à incidência do IPI Vinculado; e, que a pena de perdimento, ante o caso concreto, seria inaplicável, por ausência de provas, litispendência administrativa e inexistência de dano ao erário. A DRJ São Paulo II/SP manteve o lançamento em decisão assim ementada: “Conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Fraude. Intuito de enganar o Fisco com uso de interposta pessoa para continuar importando enquanto o real adquirente estaria submetido aos procedimentos especiais da IN SRF n° 228/02. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10314.009516/200986 Acórdão n.º 3401003.970 S3C4T1 Fl. 11 3 O Decreto 70.235/72, que regulamentava o trâmite do Processo Administração fiscal vigente à época, não prevê a figura da litispendência administrativa.” O recurso voluntário, com alguma variação, repetiu a argumentação da impugnação. O processo, por equívoco, foi distribuído a 3ª Turma Especial/1ª SEJUL/CARF/MF, que, em 02/10/2012, através do Acórdão 1803001.509, declinou a competência a esta 3ª Seção de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Preambularmente, cumpre destacar que a tempestividade da peça foi aferida com base nas disposições do art. 23, III, § 2º, III do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.196/2005, cujo excerto reproduzo: “§ 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Medida Provisória nº 232, de 2004) a) quinze dias após a data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 232, de 2004) b) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluído pela Medida Provisória nº 232, de 2004) III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 211DF CARF MF 4 (...)” Esta redação foi modificada pela Medida Provisória nº 449/2008, para prever que a ciência seria considerada realizada na data em que o sujeito passivo efetuasse a consulta dos documentos no endereço eletrônico, como no caso corrente. Porém, o texto original não foi mantido na conversão pela Lei nº 11.941/09, sendo implementada apenas com a edição da Medida Provisória nº 610/2013, convertida na Lei nº 12.844/13, que é posterior aos fatos em epígrafe. Sob esta ótica, confirmase que o recurso é tempestivo. Na seqüência, relativamente à definição de competência, inegável que pertence à 3ª Seção de Julgamento, deste Conselho Administrativo, a atribuição de julgar a matéria veiculada neste processo, ex vi do art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015. Antes de adentrar o debate meritório, oportuno relacionar os fatos incontroversos nesses autos, no desiderato de facilitar a formação de convicção sobre as matérias de direito. Nesta senda: i) O contribuinte, ora recorrente, possui exclusividade de comprar e distribuir, em território brasileiro, jogos de cartas comerciais de todas as marcas registradas de propriedade da “UPPER DECK”, que foram os produtos nacionalizados através das declarações de importação autuadas; ii) que o contrato de distribuição firmado, entre “UPPER DECK” e a “N C GAMES & ÁRCADES”, autoriza o recorrente a subcontratar TECNOWORLD COML. IMP. EXPORTADORA LTDA. para realizar as obrigações estabelecidas na cláusula “licenças e autorizações”, especialmente com relação ao desembaraço alfandegário dos produtos no território nacional; iii) que a pessoa jurídica TECNOWORLD, nas importações lançadas, utilizou recursos próprios para realização das operações; iv) a afirmação da autoridade autuante que o sócio administrador da TECNOWORLD, Sr. Dante Casale, esclareceu que a importação fora realizada a pedido da recorrente (N C GAMES & ÁRCADES), sem que essa informação constasse do campo próprio da declaração de importação; v) e, que, em 30/08/2004, o recorrente foi submetido a procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF 228/02, cujo encerramento ocorreu em 08/11/2004, com proposta inicial de inaptidão da inscrição no CNPJ, por falta de apresentação dos documentos requisitados, providência não levada a efeito pela posterior apresentação do acervo documental e, pelo seu exame, não constatação de qualquer irregularidade prevista naquele ato normativo. Feito o intróito factual, inferese que a discussão orbita a qualificação das operações lançadas como importação por conta e ordem e, conseqüentemente, a ocorrência da ocultação do real adquirente da mercadoria, com a imputação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria correspondente, ou se se trataria de importação direta sem qualquer participação ou intervenção do autuado. Consoante art. 1º, § 1º da IN SRF 225/02, entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. O recorrente sustenta, em seu favor, que não foi o adquirente das mercadorias importadas, ao passo que a pessoa jurídica TECNOWORLD realizou as operações com recursos próprios, como atestou a própria fiscalização. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10314.009516/200986 Acórdão n.º 3401003.970 S3C4T1 Fl. 12 5 Isso é um fato. Não houve antecipação de numerário específica para a realização da importação. Contudo, não se pode olvidar que o recorrente possui contrato de exclusividade para compra e distribuição dos produtos importados no território nacional, atuando a TECNOWORLD como simples subcontratada sua para realização das operações de importação, exportação e desembaraço alfandegário. Ou seja, na qualidade de subcontratada, sob meu ponto de vista, não poderia a TECNOWORLD, que não detém a exclusividade de comercialização dos produtos no Brasil, agir por sua conta e risco próprios, como foi indicado nas respectivas declarações de importação, e efetuar as importações sem qualquer anuência do recorrente, justamente por força de expressa vedação contratual. Logo, não se tratou de uma importação direta nos moldes tradicionais. A meu sentir, a antecipação de recursos ou mesmo a realização da operação com recursos próprios não é da essência da importação por conta e ordem, mas sim os contornos negociais da operação, onde o real adquirente tem participação efetiva nas tratativas comerciais, limitandose o importador ostensivo a prestar o serviço de registrar a importação e promover o seu desembaraço. No caso vertente, à luz do contrato de distribuição anexado (efls. 54/65), concertado entre o recorrente e a empresa norteamericana “THE UPPER DECK COMPANY, LLC.”, fabricante e detentora de todos os direitos dos produtos importados através das DIs 04/09231678 e 04/11097592, é irretorquível que a empresa TECNOWORLD não poderia, sem violação contratual, efetuar estas importações sem qualquer autorização ou pedido do recorrente. Consta do relatório fiscal a informação do sócioadministrador da importadora (TECNOWORLD), que as operações foram efetuadas a pedido do recorrente. Outrossim, consta dos autos, efls. 50/52, correspondência datada de 13/10/2004 e endereçada ao Coordenador Geral de Administração Aduaneira – COANA, subscrita por procuradores da empresa THE UPPER DECK COMPANY, asseverando que esta companhia havia contratado o recorrente (N C GAMES & ARCADES) como seu distribuidor oficial no país, sendo responsável pela importação dos produtos comercializados por aquela, tendo o recorrente autorizado a empresa TECNOWORLD apenas a tomar as providências atinentes ao desembaraço aduaneiro. Portanto, pelos elementos colacionados ao processo, não vejo possibilidade de tomar as operações realizadas como importações comuns realizadas pela TECNOWORLD, pelo simples fato de haver utilização de recursos próprios, justamente porque admitir tal hipótese afrontaria a lógica contratual em que calcadas estas operações e conflitaria com os elementos coligidos ao processo. A existência de contratos de exclusividade, a meu ver, afasta a modalidade de importação direta, quando o distribuidor oficial não figura como importador, mas como terceiro adquirente. Nessas situações, as únicas alternativas que se abrem são a caracterização do distribuidor oficial como real adquirente da mercadoria ou, a partir de 2006, encomendante predeterminado. Fl. 213DF CARF MF 6 Como não bastasse, pesa, ainda, em desfavor do recorrente, o fato de, no interregno de 30/08/2004 a 08/11/2004 – coincidentemente o mesmo período em que realizadas as importações, 15/09/2004 e 03/11/2004 –, encontrarse o recorrente sob regime especial de fiscalização previsto na IN SRF 228/02, extensível inclusive às operações “por conta e ordem”, onde a principal conseqüência seria a necessidade de prestação de garantia equivalente ao preço da mercadoria importada, como condição para o desembaraço ou entrega das mercadorias. Como asseverou a fiscalização, coincidência ou não, a verdade é que o recorrente, em tese, tinha motivação para ocultar seu nome nas operações de importação, ainda que na condição de real adquirente das mercadorias. Enfim, após examinar os elementos dos autos e cotejálos com a legislação de regência, concluo que as importações realizadas por intermédio das DIs 04/09231678 e 04/11097592 qualificamse como “por conta e ordem” do recorrente, cujos dados deveriam constar das respectivas declarações, como exigia a IN SRF 225/02. Respeitante às alegações recursais tecidas, entendo que houve, sim, infração à legislação tributária, consistente na ausência de indicação da condição de real adquirente das mercadorias do recorrente, nas declarações de importação em comento, satisfazendo esta conduta a previsão do art. 23, V do DL 1.455/76, porquanto houve ocultação do responsável pela operação, emoldurandose à simulação o procedimento de registrar como importação direta o que deveria ser uma importação “por conta e ordem”, rendendo ensejo à aplicação da pena de perdimento ou, acaso não localizada mercadoria, a conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro. Vale registrar que o contribuinte declarou não mais possuir aludidas mercadorias, eis que já comercializadas (efl. 90). Como dito linhas atrás, o fato de inexistir antecipação de recursos não é suficiente à descaracterização da importação “por conta e ordem”. De outra banda, a exclusividade de distribuição, incluindo a importação, em contrato firmado com o detentor dos direitos do produto, lança por terra a tese de inocorrência de importação “por conta e ordem”, mormente quando o destinatário final das mercadorias é justamente o distribuidor oficial. Em razão da situação estampada, temse que a aplicação da pena de perdimento, uma vez não localizadas as mercadorias importadas, como informado por representante da recorrente, é inerente à ocultação do real adquirente, a teor do art. 23, V, §§ 1º e 3º do DL 1.455/76. Concernente à “litispendência administrativa”, onde o recorrente defende a inaplicabilidade da multa ora exigida, em face da imposição, ao importador ostensivo, da penalidade estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não lhe assiste razão, porque as condutas apenadas são diversas. O importador ostensivo (TECNOWORLD) foi autuado por ceder o nome para realização de operações de importação com acobertamento do real adquirente da mercadoria, enquanto ao recorrente foi imputada a conduta de ocultarse como real adquirente da mercadoria. Assim, não se está a apenar o mesmo fato com duas multas distintas, mas sim atribuir a cada interveniente a pena que lhe é cabível, não havendo que se falar em bis in idem. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10314.009516/200986 Acórdão n.º 3401003.970 S3C4T1 Fl. 13 7 Nessa vertente de raciocínio, inclusive, não procede a linha de defesa consistente em atribuir a infração exclusivamente ao importador ostensivo, por não indicar nas declarações de importação tratarse de uma operação por conta e ordem, haja vista que as importações, pelo que se extrai dos documentos que instruem os autos, não foram realizadas sem a anuência do autuado, até porque era o destinatário dos produtos. Tocante à inexistência de dano ao erário, distintamente do que prega o contribuinte, indigitado “dano” não necessita ser provado, haja vista se tratar de presunção absoluta. Assim, demonstrada quaisquer das figuras do art. 23 do DL 1.455/76, inarredável a presunção de dano. A redação do dispositivo diz que são consideradas dano ao erário as infrações relativas às mercadorias na situação que discrimina em seus incisos, reservando aos seus parágrafos a catalogação das suas conseqüências. Desse modo, as autoridades administrativas não têm a obrigação de provar o dano ao erário, que é presumido, mas sim, a ocorrência dos fatos tipificados nos incisos do preceptivo, assim qualificados, o que sem sombra de dúvida ocorreu nestes autos. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.906830/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.913
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 83 0/ 20 11 -6 6 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10183.906830/201166 Resolução nº 3201000.913 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10183.906830/201166 Resolução nº 3201000.913 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10183.906830/201166 Resolução nº 3201000.913 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10183.906830/201166 Resolução nº 3201000.913 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900272/2008-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de Apuração: 31/10/2000 Ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.228
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de Apuração: 31/10/2000 Ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900272/200827 Acórdão n.º 1802001.228 S1TE02 Fl. 120 3 Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.94) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (Cofins) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fls. 06/09, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.10/11, na qual alega, em síntese, que o despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão das declarações (DIPJ e DCTF) originais apresentadas, utilizarem integralmente o valor recolhido para quitação de débitos. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo as respectivas declarações retificadoras e os pagamentos de impostos indevidos ou maiores, que resultou no crédito utilizado nas compensações. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade e a improcedência da cobrança dos valores compensados. Ou seja, na manifestação de inconformidade a interessada argúi que, a não homologação da compensação pela DRF — Bauru, foi motivada pela falta de conhecimento da nova base de cálculo do IRPJ, apurada conforme documentos retificadores anexados: 1. DIPJ — Declarações Informações Econôniiéà Fiscais Pessoa Jurídica (fls.12/25) 2. DCTFs — Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no venerando Acórdão nº 1422.293, de 19 de fevereiro de 2009 (fls.93/96), cientificado ao interessado em 20/04/2009. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.93): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Data do fato gerador: 31/10/2000 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/05/2009, fls. 101/106, alegando, em síntese, o seguinte: PRELIMINARMENTE em decorrência da alteração da base de cálculo do Imposto de Renda, de 32% para 8% e das compensações efetuadas, " a empresa foi submetida à fiscalização conforme comprovam os anexos, Termo de Inicio de Ação Fiscal, datado de 06/08/2007 e Auto de Infração, datado de 18/03/2008; do procedimento resultou lavratura de Auto de Infração com lançamento tributário nos anos calendários de 2003, 2004 e 2005, tendo por matéria tributável o valor resultante da alteração da base de cálculo com a aplicação do percentual de 8% na presunção do lucro, mesmo fato gerador da exigência no presente processo, ou seja, o valor compensado com créditos originados do diferencial dos percentuais de apuração da base de cálculo de 32% para 8%; o Auto de Infração foi impugnado e encontrase pendente de julgamento na DRJ em Ribeirão Preto (SP), a mesma que produziu esse Acórdão combatido; embora neste processo o julgamento seja pela Procedência ou Improcedência da Manifestação de Inconformidade, o fato é que a contribuinte está intimada a recolher aos cofres da Fazenda Nacional os débitos discriminados, inclusive com a juntada dos Darfs correspondentes; por se tratar do mesmo débito já cobrado no Auto de Infração impugnado, ou seja, por se constituir em lançamento em duplicidade, requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de ser decidido pela improcedência da decisão de primeira instância e cancelamento do débito fiscal reclamado. Contestando a decisão recorrida alega que: as declarações retificadoras apresentadas alterando para menos o quantum da dívida originariamente declarada, foi para demonstrar o crédito pretendido apurado em razão da nova base de cálculo, pela aplicação do percentual de 8% ao invés de 32% na presunção do lucro; que, as retificações das declarações DIPJ e DCTF efetuadas em 24/04/2008 e 26/03/2008 respectivamente, devese ao fato de nessa data, haver demonstrado a autoridade fiscal, não ter conhecimento do quantum devido em razão da alteração do percentual de presunção do lucro; que, a empresa fora submetida à fiscalização, com motivação nas compensações pleiteadas, tendo por matéria tributável os mesmos valores daqueles solicitados nos PER/DCOMP, donde conclui que o assunto compensação, estivesse totalmente direcionado ao Auto de Infração, lavrado antes do Despacho Decisório; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900272/200827 Acórdão n.º 1802001.228 S1TE02 Fl. 121 5 que, as compensações foram requeridas através do PER/DCOMP eletrônico, e com a fiscalização dentro da empresa, motivada pela referida compensação, toda documentação inerente foi colocada nas mãos dos senhores fiscais; que, os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, anexado ao presente, onde destaca, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços, Notas Fiscais de Prestação de Serviços, Informes de Rendimentos das fontes pagadoras, etc.. Conclui que, todos outros processos (cinco), serão resolvidos com o julgamento do Auto de Infração, cuja impugnação se encontra na DRJ/RPO, e que exige todos os valores compensados no período. Finalmente, requer seja dado provimento a este Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 05579.22424.150704.1.3.044715 (fls.01/05), transmitido em 15/07/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito de R$ 2.024,69, relativo à COFINS de junho de 2004, com a utilização de crédito no valor original de R$ 11.020,82, decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ de 30/09/2000 (DARF: código – 2089; Período de Apuração: setembro/2000; Vencimento: 31/10/2000, Valor: R$ 11.020,82). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fls. 06/09, emitido em 24/04/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A manifestação de inconformidade deuse em 23/05/2008 (fls.10/11) na qual a interessada alega, em síntese, que o despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão das declarações (DIPJ e DCTF) originais apresentadas, utilizarem integralmente o valor recolhido para quitação de débitos. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo as respectivas declarações retificadoras e os pagamentos de impostos ditos indevidos ou maiores, que resultou no crédito utilizado nas compensações. Ao final, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e a improcedência da cobrança dos valores compensados. Na fase recursal, a Recorrente inicialmente alega que em decorrência da alteração da base de cálculo do Imposto de Renda, de 32% para 8% e das compensações efetuadas, " a empresa foi submetida à fiscalização que resultou na lavratura de Auto de Infração com lançamento tributário nos anos calendários de 2003, 2004 e 2005, tendo por matéria tributável o valor resultante da alteração da base de cálculo com a aplicação do percentual de 8% na presunção do lucro, mesmo fato gerador da exigência no presente processo, ou seja, o valor compensado com créditos originados do diferencial dos percentuais de apuração da base de cálculo de 32% para 8%, conforme comprovam os anexos, Termo de Inicio de Ação Fiscal, datado de 06/08/2007 e Auto de Infração, datado de 18/03/2008. Tal defesa não pode prosperar, pois, nos presentes autos se discute a compensação de débito de R$ 2.024,69, relativo à COFINS de junho de 2004, com a utilização de suposto crédito no valor original de R$ 11.020,82, decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ de 30/09/2000 (DARF: código – 2089; Período de Apuração: setembro/2000; Vencimento: 31/10/2000, Valor: R$ 11.020,82). A recorrente alega que, por se tratar do mesmo débito já cobrado no Auto de Infração impugnado, ou seja, por se constituir em lançamento em duplicidade, requer acolhido o presente recurso para o fim de ser decidido pela improcedência da decisão de primeira instância e cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900272/200827 Acórdão n.º 1802001.228 S1TE02 Fl. 122 7 Os autos de infração ditos pela recorrente, referemse a fatos geradores do IRPJ e CSLL dos anos calendário de 2003 a 2005. Com efeito, nos presentes autos, para compensação do débito (Cofins – junho/2004), o crédito alegado pela interessada referese ao IRPJ lucro presumido do terceiro trimestre do ano calendário de 2000 que, em nada se comunica ou prejudica o diferencial dos percentuais de apuração da base de cálculo a ser tratado nos Autos de Infração, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos calendários de 2003 a 2005. Ademais, não há qualquer prova nos autos que demonstre a conexão pretendida pela Recorrente. Desse modo, cai por terra qualquer argumento da recorrente no sentido de vincular o crédito de setembro/2000 declarado no PER/DCOMP em comento, com Autos de Infração relativos a fatos geradores de anos calendário (2003, 2004 e 2005) discutidos em outros processos administrativos. Consta da decisão recorrida o seguinte, que também adoto como razão de decidir: Com efeito, no que diz respeito ao IRPJ, atinente ao terceiro trimestre do ano calendário de 2000, a contribuinte retificou a DIPJ/2001, para alterar, para menos, o imposto de renda a pagar, de sorte a delinear o crédito pretendido. Tenhase presente, ainda, que referido ato ocorreu somente em 24/04/2008. Nesse passo, relativamente à DCTF do 3º trimestre de 2000, a contribuinte retificou, em 26/03/2008, o débito apurado de IRPJ (código: 2089) originariamente declarado. A contribuinte, portanto, pretende que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DIPJ/2001 e na DCTF do 3° trimestre de 2000, que foram retificadas quase sete/oito anos após a DIPJ e DCTF originais. Não obstante isso, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. (...) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). (...) Contestando tal assertiva, a Recorrente alega que, as declarações retificadoras apresentadas alterando para menos o quantum da dívida originariamente declarada, foi para demonstrar o crédito pretendido apurado em razão da nova base de cálculo, pela aplicação do percentual de 8% ao invés de 32% na presunção do lucro. E que, os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, anexado ao presente, onde destaca, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços, Notas Fiscais de Prestação de Serviços, Informes de Rendimentos das fontes pagadoras, etc.. O Termo de Inicio de Ação Fiscal aludido, juntado pela Recorrente, fl.107, tem o seguinte teor: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, com base nos arts. 835, 844, 904, 907, 911, 927 e 928 do Decreto n2 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99) e demais legislação de regência, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal acima, damos início à ação fiscal, relativa ao IRPJ/Lucro Presumido e à Contribuição Social/CSLL, dos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, ficando o contribuinte acima identificado INTIMADO, no prazo de 20. (vinte) dias, a apresentar: : 1. Atos Constitutivos, Alterações posteriores; 2. Apresentar os demonstrativos de apuração de resultados DRE discriminativos trimestrais, relativos aos anos calendários de 2003, 2004 e 2005 3. Em consonância com as Leis n.° 7.689/88 c/c n.° 9.249/95 c/c n.° 9.430/96 e n.° 10.684/2003 ., e IN/SRF 390/2004 e demais legislação em vigor, apurouse as divergências em relação á base de cálculo do Imposto de Renda Lucro PresumidoIRPJ e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, para o período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, conforme explicitado nas planilhas anexas ao presente Termo. Fica o , contribuinte intimado a apresentar o embasamento fático e legal para os valores divergentes Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900272/200827 Acórdão n.º 1802001.228 S1TE02 Fl. 123 9 constantes das declarações e demais informações que se fizerem necessárias. 4. No caso de ações judiciais, apresentar respectivas decisões, certidões judiciais, certidões de objeto e pé, e demais documentos que embasaram as divergências apuradas. n 5. Apresentar relação dos bens móveis, veículos automotores, com respectivos registros públicos, dos bens e direitos constante do patrimônio da empresa. , I Os documentos deverão ser entregues no setor de fiscalização da Delegacia da Receita Federal, situada à Rua 13 de Maio n°720 Centro Bauru/SP. Os demais documentos que serviram de base para a escrituração nos períodos acima, deverão ficar à disposição desta auditoria fiscal. Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. Como se vê, a Recorrente não comprova o crédito alegado, pois, a documentação que diz encaminhados a Receita Federal do Brasil NÃO se refere ao ano calendário de 2000. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 2.024,69, adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao terceiro trimestre do ano calendário de 2000. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe, verbis: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 15/07/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/04/2008, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/05/2008. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 05 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10283.901010/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/01/2005, 08/03/2005
COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.
Considera-se não declarada, a compensação transmitida utilizando crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, nos termos da alínea "d" do inciso II do §12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, não se lhe aplicando o prazo de homologação tácita previsto no §5º do referido artigo.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/01/2005, 08/03/2005 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considera-se não declarada, a compensação transmitida utilizando crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, nos termos da alínea "d" do inciso II do §12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, não se lhe aplicando o prazo de homologação tácita previsto no §5º do referido artigo. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada, a compensação transmitida utilizando crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, nos termos da alínea "d" do inciso II do §12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, não se lhe aplicando o prazo de homologação tácita previsto no §5º do referido artigo. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 10 /2 00 9- 35 Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 10283.901010/200935 Acórdão n.º 3302004.601 S3C3T2 Fl. 2.118 2 Tratase de análise de direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao terceiro trimestre de 2004, efetuado no PERDCOMP 33282.31108.131204.1.3.011744 e complementados com as DCOMP 31150.18666.130105.1.3.016051 e 07299.15406.080305.1.3.016167. Em 04/03/2010, o Despacho Decisório DRF/MNS/SEORT nº 108 indeferiu todo o direito creditório, por falta de comprovação de sua liquidez e certeza, não homologando a DCOMP 07299.15406.080305.1.3.016167, mas homologando as Declarações de Compensação nº 33282.31108.131204.1.3.011744 e 31150.18666.130105.1.3.016051, por terem sido transmitidas há mais de cinco anos do despacho decisório, conforme artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/1996. Após apresentação de manifestação de incoformidade, a DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade quanto à matéria ligada ao pedido de ressarcimento, por concomitância com a esfera judicial, manteve a homologação tácita do PERDCOMP nº 33282.31108.131204.1.3.011744, mas anulou o despacho quanto à decisão sobre as outras duas Declarações de Compensação, por considerar que ambas deveriam ter sido julgadas como compensações não declaradas. Apresentado recurso voluntário, o processo retornou à origem para saneamento. Por sua vez, a unidade emitiu novo despacho decisório de nº 555, cuja ciência ocorreu em 18/05/2012, considerando não declaradas as DCOMPs de nº 31150.18666.130105.1.3.016051 e 07299.15406.080305.1.3.016167 em razão do disposto no §12, inciso II, alínea "d" do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Em nova peça intitulada manifestação de inconformidade, a recorrente alegou direito à utilização do crédito escritural de IPI reconhecidos judicialmente, inclusive mediante ressarcimento e compensação, equívoco da aplicação do artigo 170A do CTN, o descumprimento de ordem judicial, a ocorrência de homologação tácita das duas DCOMPs nos termos do artigo 150º, §4º do CTN e artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/1996, e a necessidade de apreciação da manifestação sob pena de cerceamento de defesa. A recorrente obteve liminar determinando o recebimento da peça recursal como manifestação de inconformidade, com observância de todo regramento aplicáveis à espécie. Assim, em julgamento da referida manifestação, a Terceira Turma da DRJ em Belém proferiu o Acórdão nº 0126.369, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 10283.901010/200935 Acórdão n.º 3302004.601 S3C3T2 Fl. 2.119 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO. Não se faz cabível a compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência, líquida e certa, do crédito originalmente apontado como compensável. O art. 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar n° 104/2001, veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Trata o presente de declarações de compensação consideradas não declaradas pelo Despacho Decisório nº 555 (efls. 222 a 231), em vista do disposto nos artigos 170 e 170 A do CTN, artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, e nas diversas instruções normativas que regeram a compensação no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conforme disposto no Parecer DRF/MNS/SEORT nº 555, de 29/09/2011, que embasou o despacho decisório, as declarações de compensação entregues foram consideradas não declaradas, por aplicação do §12, inciso II, alínea "d" do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 10283.901010/200935 Acórdão n.º 3302004.601 S3C3T2 Fl. 2.120 4 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] O crédito em questão decorre da ação declaratória de nº 2004.34.00.020220 0, no qual obteve decisão judicial em primeiro grau para "aproveitar em sua escrita fiscal os créditos de IPI relativos à aquisição com isenção de 'matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, devendo o creditamento ser feito com base no IPI que incidira se não houvesse a isenção, restrito o aproveitamento, em relação a períodos pretéritos, às entradas no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial que tenham ocorrido a partir de 22 de junho de 1999." (efls. 149/150). A sentença foi mantida no segundo grau, conforme ementa e acórdão abaixos (efls. 151): E M E N T A TRIBUTÁRIO. IPI. AQUISIÇÃO DE ISUMOS SOB O REGIME DE ISENÇÃO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. ART. 153, § 3 o , II, DA CF/88. 1. Em se tratando de matériasprimas, insumos, produtos intermediários e material de embalagem isentos do IPI, é conferido ao contribuinte o direito ao creditamento do IPI que incidiria sobre tais produtos, com a alíquota prevista do referido tributo. 2. A nãoaceitação do direito de creditamento mitiga os objetivos perseguidos pelo Governo que, ao utilizarse de uma das figuras desonerativas, concede o benefício tributário para um dos elos da cadeia produtiva, para repercutir diretamente ao consumidor. 3. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial a que se nega provimento. A C Ó R D Ã O Decide a Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da I a Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do voto da Relatora. Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 10283.901010/200935 Acórdão n.º 3302004.601 S3C3T2 Fl. 2.121 5 Brasília, 11 de abril de 2008. A Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário, cujo julgamento encontrase sobrestado em razão do RE 592.891, submetido à repercussão geral (última movimentação em 17/05/2013). Assim, constatase que o crédito pleiteado pela recorrente decorre de ação judicial não transitada em julgado, atraindo de forma direta a aplicação da alínea "d" do inciso II do §12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, acima transcrito, a qual atribui às compensações transmitidas a condição de não declaradas. Por seu turno, a recorrente defende que aproveitou corretamente os créditos de acordo com sua decisão judicial e que o artigo 170A não é aplicável. Sem razão, a recorrente. A decisão judicial determinou o aproveitamento do crédito na escrita fiscal, sem se referir à possibilidade de compensação com outros tributos, o que levaria à discussão do artigo 170A1, já vigente. Ressaltase que a tese da recorrente não se coaduna com o disposto na alínea "d" do inciso II do §12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, dispositivo legal sobre o qual a recorrente nada menciona. Ora, tal dispositivo evidencia que o que se pretendeu impedir foi a extinção sob condição resolutória e todos os demais efeitos atribuíveis à compensação homologável, quando o crédito pleiteado decorresse de decisão judicial não transitada em julgado e não apenas quando a compensação decorresse de decisão judicial não transitada em julgado. No caso, restou caracterizada a utilização de créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado, configurando estes créditos incertos. Pelos motivos já expostos, não há que se falar em descumprimento de ordem judicial, já que em momento algum a recorrente peticiona o direito à compensação de tais créditos, aliás, como próprio afirma. Em outra vertente, a recorrente alega a decadência da cobrança dos valores controvertidos, conforme os artigos 156, V c/c 150, §4º, ambos do CTN, em razão de que o despacho decisório foi cientificado em 18/05/2012, há mais de sete anos dos documentos transmitidos, 13/01/2005 e 08/03/2005. Destacase, de início, que não se aplica às compensações não declaradas o prazo de homologação tácita previsto no §5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, em virtude da disposição expressa do § 13 do referido artigo: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] 1 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 10283.901010/200935 Acórdão n.º 3302004.601 S3C3T2 Fl. 2.122 6 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Já em relação ao artigo 150, §4º do CTN, frisese que se trata de prazo decadencial para constituição de crédito tributário pela Fazenda Nacional, o que não ocorre nestes autos, nos quais apenas se discute o direito creditório e não a cobrança dos débitos informados nas compensações informadas, os quais seriam objeto de lançamento de ofício, caso não estivessem confessados, ato, então, passível de se alegar a decadência da constituição do crédito tributário. Entretanto, não há qualquer constituição de crédito tributário neste processo administrativo em julgamento. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720001/2015-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA E DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL
A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada instrução da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido.
PENALIDADES. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA DE OFÍCIO.
O conhecimento de alegações referentes à violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o afastamento ou a redução de multas, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
APURAÇÃO DO LUCRO REAL. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. PROVISÕES. ADIÇÕES E EXCLUSÕES. POSSIBILIDADE.
Se cabalmente provado o estorno de lançamento de provisão indedutível efetuado contra conta do resultado ou constatada a sua devida adição ao Lucro Líquido, é certa a neutralidade de tal valor para fins de apuração do Lucro Real, não podendo ser objeto de lançamento de ofício.
O valor de crédito presumido adicional de Contribuições Sociais, efetivamente tomado pelo contribuinte, mas não reconhecido pelo Fisco, quando lançado a crédito de contra devedora do resultado, pode ser objeto de exclusão do Lucro Líquido, garantindo a sua neutralidade para fins de apuração do Lucro Real, não configurando infração fiscal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário quanto às matérias constitucionais e, na parte conhecida, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar-lhe provimento. Declarou-se impedido o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Correa Dias.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA E DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada instrução da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. PENALIDADES. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA DE OFÍCIO. O conhecimento de alegações referentes à violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o afastamento ou a redução de multas, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 APURAÇÃO DO LUCRO REAL. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. PROVISÕES. ADIÇÕES E EXCLUSÕES. POSSIBILIDADE. Se cabalmente provado o estorno de lançamento de provisão indedutível efetuado contra conta do resultado ou constatada a sua devida adição ao Lucro Líquido, é certa a neutralidade de tal valor para fins de apuração do Lucro Real, não podendo ser objeto de lançamento de ofício. O valor de crédito presumido adicional de Contribuições Sociais, efetivamente tomado pelo contribuinte, mas não reconhecido pelo Fisco, quando lançado a crédito de contra devedora do resultado, pode ser objeto de exclusão do Lucro Líquido, garantindo a sua neutralidade para fins de apuração do Lucro Real, não configurando infração fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário quanto às matérias constitucionais e, na parte conhecida, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar-lhe provimento. Declarou-se impedido o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Correa Dias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.982 1 2.981 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720001/201543 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402002.694 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO Recorrentes SEARA ALIMENTOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA E DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada instrução da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. PENALIDADES. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA DE OFÍCIO. O conhecimento de alegações referentes à violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o afastamento ou a redução de multas, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 APURAÇÃO DO LUCRO REAL. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. PROVISÕES. ADIÇÕES E EXCLUSÕES. POSSIBILIDADE. Se cabalmente provado o estorno de lançamento de provisão indedutível efetuado contra conta do resultado ou constatada a sua devida adição ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 01 /2 01 5- 43 Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.983 2 Lucro Líquido, é certa a neutralidade de tal valor para fins de apuração do Lucro Real, não podendo ser objeto de lançamento de ofício. O valor de crédito presumido adicional de Contribuições Sociais, efetivamente tomado pelo contribuinte, mas não reconhecido pelo Fisco, quando lançado a crédito de contra devedora do resultado, pode ser objeto de exclusão do Lucro Líquido, garantindo a sua neutralidade para fins de apuração do Lucro Real, não configurando infração fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário quanto às matérias constitucionais e, na parte conhecida, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negarlhe provimento. Declarouse impedido o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.984 3 Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Correa Dias. Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.985 4 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 2956 a 2981) interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC (fls. 2912 a 2945) que cancelou parcialmente as Autuações sofridas pelo Contribuinte (fls. 2767 a 2784), rejeitando parte dos termos da Impugnação apresentada (fls. 2809 a 2907). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2010, acompanhadas de multa de ofício, lançadas em face da empresa SEARA ALIMENTOS LTDA, a qual, como relatado preliminarmente no TVF (2747 a 2765), após ser adquirida do Grupo CARGILL pelo Grupo MARFRIG (JBS), procedeu à constituição de diversas provisões, na sua maioria, denominadas Provisões para Contingências Tributárias, em consonância com o CPC 15 que permite o reconhecimento de alguns ativos e passivos que não tenham sido anteriormente reconhecidos como tais nas demonstrações contábeis da adquirida. As acusações fiscais que sustentam as Autuações se resumem, de maneira geral, à constatação da constituição de tais provisões contra contas do Passivo (patrimônio líquido), sendo revertidas contra contas de Resultado. Da mesma forma, teria o Contribuinte procedido a outras exclusões indevidas no período, relacionadas a provisionamentos também efetuados contra conta de resultado. Tais manobras teriam elevado o valor de exclusões do Lucro Líquido e da base de Cálculo da CSLL do anocalendário de 2010, inseridas e declaradas na DIPJ 2011 como "outras exclusões". As infrações foram subdividas em 4 Itens e descritas da seguinte forma (trecho extraído do relatório da DRJ fls. 2915 a 2922): Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.986 5 (...) Item 001 do Auto de Infração (...) 17. Ao se analisar os valores que compuseram o total informado a título de outras exclusões na linha 78 da Ficha 09A da DIPJ 2011 e o total informado a título de Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis na linha 38 da ficha 17, foram observadas algumas inconsistências nesses valores, com repercussão na apuração do IRPJ e da CSLL. Estão descritas a seguir. (...) 19. Em regra geral, a contabilização de uma provisão deve ser feita a crédito da conta de passivo e a débito de uma despesa, enquanto que a sua reversão deveria ser contabilizada a débito da conta de passivo e a crédito de uma receita. Como esses lançamentos de despesa e de receita não representam um valor efetivo de perda (despesa) ou de ganho (receita), não devem influenciar a apuração dos tributos devidos. Para evitar essa influência na apuração do IRPJ e da CSLL, os valores das provisões lançadas em despesa devem ser adicionadas na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL e os valores das correspondentes reversões lançadas em contas de receita devem ser excluídas na apuração dessas bases de cálculo. 20. No caso presente, segundo a fiscalizada, as provisões não foram adicionadas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL por ocasião de sua constituição porque o lançamento da provisão foi a débito da conta 2.693 – Lucros/Prejuízos Acumulados, ou seja, foram lançadas diretamente contra o Patrimônio Líquido. Porém na reversão, o lançamento a crédito foi na conta 488 – CPV Perdas/Ajustes, em vez de ser na mesma Lucros/Prej Acumulados, passando, assim, pelo resultado. Com a passagem por resultado haveria a necessidade de excluir tais valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tal procedimento está evidenciado nos lançamentos contábeis efetuados e nos razões das contas envolvidas nesses lançamentos. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.987 6 22. Em vista dessa situação, foram analisadas as contas que receberam tais provisões e suas correspondentes reversões no anocalendário 2010, a partir dos razões das contas apresentados pelo sujeito passivo. (...) 35. As provisões Provisão Contingências PIS/Cofins, no valor de R$ 20.908.563,00, e Provisão Contingências Cíveis, no valor de R$ 19.692.867,00, não foram revertidas no período em análise. Vale lembrar que, como foram provisionadas contra resultado, o valor de ambas, no total de R$ 40.601.430,00, deveriam ter sido adicionadas ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. 36. Por fim, foi constatada a contabilização de uma outra provisão, ainda dentro da mesma conta 2261 – 2694 Provisões Tributárias – Aquisição, a título de Contingências Pis/Cofins/IR/CS, também no valor de R$ 40.601.430,22, contra resultado, que foi totalmente revertida contra patrimônio líquido. Neste caso, também deveria haver a adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL por ocasião da provisão. Como a reversão foi contra o PL, não há exclusão a fazer na apuração do IRPJ e da CSLL. Ressaltese que esta provisão não fez parte do demonstrativo apresentado pela fiscalizada. (...) 39. Os valores que devem ser adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL em razão de terem sido provisionados contra contas de resultado são os seguintes: 40. O valor de R$ 81.202.860,22 será lançado na apuração do IRPJ e da CSLL em vista de que a fiscalizada não o adicionou na sua apuração. 41. No caso das provisões Provisão Contingências PIS/Cofins, no valor de R$ 20.908.563,00, e Provisão Contingências Cíveis, no valor de R$ 19.692.867,00, foi observado que compuseram o valor das despesas não dedutíveis na DIPJ e foram adicionadas pela linha 05 da ficha 09A, de acordo com demonstrativos apresentados pela fiscalizada. Porém, essas provisões não foram adicionadas também no Lalur o que, em vista do cálculo de “outras exclusões” por diferença, teve como consequência o aumento da exclusão na linha 78 da ficha 09A. Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.988 7 Item 0002 do Auto de Infração Exclusão Indevida: R$ 103.474.279,38 42. Os valores das provisões que poderiam ser excluídos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em função de terem sido revertidos contra contas de resultado são os seguintes: [A tabela elaborada pela autoridade autuante soma R$ 367.935.234,00] 43. Em função dessas contas, o contribuinte excluiu no Lalur do ano de 2010 o valor de R$ 430.808.083,58 e na DIPJ 2011, anocalendário 2010, o valor de R$ 471.409.513,38, conforme as suas respostas durante esta fiscalização. Portanto, será glosada a exclusão em excesso na apuração do IRPJ e da CSLL do valor de R$ 103.474.279,38 (R$ 471.409.513,38 – R$ 367.935.234,00). [destaque do Relator] [A tabela elaborada pela autoridade autuante soma R$ 367.935.234,00] 43. Em função dessas contas, o contribuinte excluiu no Lalur do ano de 2010 o valor de R$ 430.808.083,58 e na DIPJ 2011, ano calendário 2010, o valor de R$ 471.409.513,38, conforme as suas respostas durante esta fiscalização. Portanto, será glosada a exclusão em excesso na apuração do IRPJ e da CSLL do valor de R$ 103.474.279,38 (R$ 471.409.513,38 – R$ 367.935.234,00). [destaque do Relator] 44. É de se notar que o valor de R$ 367.935.234,00 é o valor que consta da planilha apresentada pelo fiscalizado, “Sumário Executivo – Tributário – Data Base 31.12.2009”, como sendo o valor total revertido em 2010, não sendo compreensível, dessa forma, o fato de haver excluído um valor maior na sua apuração fiscal. 45. O valor excluído a maior na DIPJ, R$ 103.474.286,03, é o resultado da diferença entre o valor final provisionado e o valor que foi contabilizado inicialmente como provisão a título de “Glosa de créditos presumidos de IPI até 2004 – passivo” e “Glosa de créditos de PIS/Cofins 1999 – 2004 – passivo”. É resultado da diferença contabilizada a maior de R$ 110.735.092,39 (R$ 158.286.820,00 – R$ 47.551.727,61) na provisão de “Glosa de créditos presumidos de IPI até 2004 – passivo” e da diferença contabilizada a menor de R$ 7.260.812,00 (R$ 40.632.124,00 – R$ 47.892.936,00) na provisão de “Glosa de créditos de PIS/Cofins 1999 – 2004 – passivo”, como pode ser visto no Quadro Resumo dos Valores das Provisões e Reversões. 46. De acordo com o demonstrativo “Resumo Contabilizações Provisões Aquisições –2010”, o ajuste nos valores provisionados foi efetuado pelo estorno da provisão contabilizada inicialmente (R$ 483.204.940,00) à crédito da conta 29502693 – Lucro/Prej Acumulado –Aquisição e contrapartidas debitadas nas contas 29502958 – Lucro/Prej Acumulado Instalações, no valor provisionado efetivamente de R$ 379.730.659,37, e 488 – CPV Perdas/Ajustes, no valor da diferença de R$ 103.474.286,03. Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.989 8 Conforme o lançamento nessas contas, o ajuste foi efetuado apenas em 31/12/2010. 47. O contribuinte foi, inclusive, instado a justificar a diferença entre o valor máximo com risco, demonstrado na planilha apresentada em 20/09/2012 denominada “Sumário Executivo – Tributário – Data Base 31.12.2009”19 (R$ 379.730.653,97), e o valor das contingências tributárias informadas, ocasião em que confirmou que havia cometido um equívoco. 48. Apresentou demonstrativos para mostrar que o valor total das reversões de provisões constituídas na aquisição da Seara, nas contas de resultado em 2010, havia sido de R$327.333.797,92 e não de R$ 430.808.081,10. Confirmando, assim, que houve uma exclusão a maior em R$ 103.474.286,03 e que seria referente à conta contábil 22612694 – Provisões Tributárias Provisões Tributárias – Aquisição. Afirmou, também nessa ocasião, que esse montante é o valor da diferença de um ajuste efetuado na provisão, que passou de R$ 483.204.940,00 para R$ 379.730.653,97, o valor máximo com risco nos processos.[DESTAQUE DO RELATOR] Exclusão Indevida: R$ 40.601.429,65 2) PROVISÕES PIS/COFINS CRÉDITOS PRESUMIDOS ADICIONAIS – R$ 40.601.249,65 49. A conta contábil 16591283 – Provisão PIS/Cofins Créditos Presumidos Adicionais possuía o saldo de R$ 61.942.599,6823 em 2010, dos quais foram adicionados no Lalur apenas R$ 21.341.170,03. (...) 54. A diferença entre o valor adicionado no Lalur e na DIPJ, que acabou sendo excluído na linha 78 outras exclusões em função do cálculo por diferença adotado pela contribuinte, é justamente o valor do saldo em questão de R$ 40.601.429,65, que foi excluído indevidamente (R$ 49.307.354,26 – R$ 8.705.924,61). Esse valor de exclusão será glosado. (...) 56. Durante a fiscalização, o contribuinte foi questionado a respeito desse valor de R$ 40.601.429,65. Alegou ter cometido um equivoco na determinação do montante da conta 27991283 (sic) – Provisões PIS/Cofins Créditos Presumidos Adicionais, duplicando a exclusão de R$ 40.601.429,65 de forma indevida, como transcrito a seguir: “Houve um equívoco por parte da empresa da determinação do montante devido da Conta 27991283, denominada “Provisões PIS/COFINS Créditos Presumidos Adicionais”, sendo que a exclusão de R$ 40.601.429,65 foi duplicada de forma indevida. O Total da Linha 09A/78 (Outras Exclusões) a ser considerada no Ano Calendário de 2010 é na realidade de R$ Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.990 9 650.749.970,34. Este equívoco não altera a situação da empresa de Prejuízo Fiscal no referido AnoCalendário.” [DESTAQUE DO RELATOR] Exclusão Indevida: R$ 50.834.539,19 3) AJUSTES A VALOR DE MERCADO – ESTOQUES – R$ 50.834.539,19 (...) 63. Constatase, assim, que em vista do método empregado pela fiscalizada para apuração dos valores da DIPJ (por diferença entre DIPJ e Lalur), foi excluído esse valor de R$ 50.834.539,19 (R$ 79.119.756,84 R$ 28.285.217,65) indevidamente pela linha 78 – Outras Exclusões da ficha 09A em vista de não ter sido adicionado no Lalur. Esse valor terá a sua exclusão glosada na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 64. Sobre esta parcela de R$ 50.834.539,19, a título de Ajustes a Valor de Mercado –Estoques, o fiscalizado apresentou uma contabilização ao longo do período de 2011 para demonstrar que teria efetuado a reversão desse lançamento. Alegou, ainda, que apesar da reversão não excluiu esse valor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL32. Com essa alegação, a contribuinte parece indicar que estaria caracterizado apenas uma postergação de tributo, uma vez que o que deixou de tributar em 2010 (ao excluir indevidamente) estaria tributando em 2011 (ao deixar de excluir quando teria esse direito). 65. Entretanto, para haver postergação é necessário que tenha havido a postergação do pagamento do imposto para período posterior. No caso em análise, não houve pagamento de imposto nem no período do fato gerador nem no período posterior. Em ambos os períodos, o contribuinte apurou prejuízo fiscal. (...) 68. É de se ressaltar, ainda, que o próprio contribuinte admitiu o erro de ter excluído indevidamente na apuração do IRPJ e da CSLL estes dois valores tratados aqui, R$ 40.601.429,65 na conta 16591283 – Provisão PIS/Cofins Créditos Presumidos Adicionais e R$ 50.834.539,19 pela conta 3998524 – Ajuste Estoque Valor Mercado. (...) 70. E admitiu o erro, prestando a seguinte informação: “(...) Considerando o equivoco da empresa em não adicionar um total de R$91.435.968,84 (R$40.601.429,65 + R$50.834.539,19) em seu cálculo de IRPJ no anocalendário de 2010 e que, conforme informado anteriormente, a Linha de Outras Exclusões foi encontrada por diferença entre os valores já lançados nas Fichas 04 (custos), 05 (Despesas Operacionais), demais Linhas de Adições e Exclusões da Ficha 09A e o Total de Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.991 10 Adições e Exclusões considerada no LALUR, houve a Exclusão deste montante.”[DESTAQUE DO RELATOR] Exclusão Indevida: R$ 137.650.221,51 4) EXCLUSÃO DE CRÉDITOS ADICIONAIS DE PIS/COFINS SOBRE AQUISIÇÕES DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS – R$ 137.650.221,51 71. Com relação à parcela excluída a título de “Exclusão de Créditos Adicionais de PIS/Cofins sobre Aquisições de Insumos Agropecuários”, no valor de R$ 137.650.221,51, a fiscalizada alegou que essa reversão trata da Exclusão de Créditos Adicionais de Pis/Cofins feitos extemporaneamente pela empresa, com base nas aquisições de insumos agropecuários, e que foram submetidos à RFB através de Dacon. Continuou informando que não foram considerados no Lucro Real de períodos anteriores e que serão adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL oportunamente, com o deferimento dos créditos conforme análise da Receita Federal. 72. O valor da exclusão se refere à diferença de aproveitamento da alíquota entre 100% e 60% referente ao crédito de PIS/Cofins presumido da agroindústria (Lei nº 10.925/04). O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 permitiu a dedução de crédito presumido na apuração do PIS e da Cofins calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II, art. 3, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e cerealistas. A alíquota do crédito presumido foi fixada em 60% do valor dos bens pelo inciso I, art. 8º dessa lei. 73. No caso presente, o sujeito passivo calculou o crédito presumido de forma integral, ou seja, sobre 100% das aquisições de Produtos Agropecuários de pessoas físicas, cooperativas e cerealistas. De acordo com o demonstrativo apresentado, a base de cálculo do valor deduzido na apuração do IRPJ e da CSLL corresponde a 40% de alíquota de PIS e Cofins sobre as aquisições de produtos agropecuários oriundos de pessoa física, cooperativas e cerealistas. Os créditos de PIS adicionais sobre aquisição de produtos agropecuários somaram R$ 24.553.823,29 e os créditos de Cofins adicionais sobre aquisição de produtos agropecuários totalizaram R$ 113.096.398,21. 74. A constituição desses créditos começou em março de 2010, após a aquisição da fiscalizada pelo grupo Marfrig, e envolveu a constituição desse crédito de forma extemporânea desde 2005. 75. Os valores dos créditos adicionais de PIS e Cofins tomados sobre a integralidade do valor das aquisições de insumos agropecuários constam das contas contábeis 16591603 – PIS Crédito Presumido Adicional e 16591604 – Cofins Crédito Presumido Adicional. Conforme os razões contábeis, a conta 16591603 – PIS Crédito Presumido Adicional possuía o saldo de R$ 24.564.132,43 e a conta 16591604 – Cofins Crédito Presumido Adicional tinha um saldo de R$ 113.086.089,08. Os Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.992 11 valores são compatíveis com o demonstrativo apresentado, sendo que o total é o mesmo. 76. Os lançamentos nas contas de créditos presumidos adicionais de PIS/Cofins são realizados em contrapartida a crédito de contas de resultado, tais como 488 CPV Perdas/Ajustes, 081 – Compra de Leitões para Recria ou 119 – Terminação. Ao creditar em resultado, o fiscalizado já está se beneficiando do crédito presumido adicional, mas que pretende excluir de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. 77. É importante destacar que a inclusão no Dacon e a contabilização deste crédito presumido adicional não tem base legal. O que a Lei nº 10.925/2004 prevê no seu art. 8º, § 3º, é a constituição de um crédito presumido de PIS e de Cofins com a aplicação de uma alíquota de 60% da alíquota prevista dessas contribuições sobre as compras de insumos de origem animal. 78. A alegação apresentada pela fiscalizada para a constituição de tais créditos (complementando 100% da alíquota) está baseada apenas no que considera justo, como transcrito: “Cabe fundamentar que a limitação da apuração do crédito não cumulativo a 60% (Lei 10.925/2004) do valor das aquisições para as empresas que atuam no ramo agroindustrial de carnes mitiga de forma latente o direito ao regime de valor agregado outorgado pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando um desequilíbrio econômico para este setor. Entendemos existirem fortes argumentos para defender o reconhecimento do direito à constituição destes créditos de forma integral (100%) sem a limitação estabelecida pelo art. 8º, § 3º, II da Lei 10.925/2004. A sistemática nãocumulativa surgiu com a proposta de realizar uma readequação do perverso efeito cumulativo que literalmente prejudicava a competitividade das cadeias produtivas, emperrando, via de consequência, a expansão e o crescimento da economia nacional. (...) A concessão do crédito limitada ao percentual de 60% não tem o condão de superar a problemática criada pela não cumulatividade. Sendo assim, a única opção que pode ser admitida é a constituição integral do crédito já que para empresas do ramo de frigoríficos como a contribuinte, o principal insumo são as aves e suínos, não havendo como mitigar o direito à constituição do crédito dessas aquisições seja de pessoa física, seja de pessoa jurídica. Assim, diante do exposto, resta evidente que o legislador mitigou de forma abusiva o direito à constituição integral dos créditos nas aquisições de aves e suínos voltados a produção de carne e outros produtos destinados à alimentação humana, cuja receita de vendas sujeitase ao regime da nãocumulatividade, gerando Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.993 12 graves distorções de ordem econômica e operacional tanto para os frigoríficos quanto para os criadores de animais que também foram prejudicados com esta sistemática”. 79. Além da falta de previsão legal para a constituição de créditos presumidos de PIS e de Cofins acima do percentual de 60%, a legislação não autoriza excluir do lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor relativo aos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas pela sistemática não cumulativa, mesmo no caso de créditos previstos legalmente. 80. O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, não institui, ainda que implicitamente, nenhuma hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL, tendo o objetivo específico de evitar a nãocumulatividade relativamente à contribuição ao PIS e à COFINS, nada interferindo na apuração do IRPJ e da CSLL, uma vez que possuem fatos geradores e bases de cálculo distintas: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) §10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição.” 81. O procedimento de excluir créditos de PIS/Cofins da base de cálculo do IR e da CSLL foi, inclusive, objeto do ADI RFB nº 03/2007 que o veda explicitamente: “Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Parágrafo único. Os créditos de que trata o caput não poderão constituirse simultaneamente em direito de crédito e em custo de aquisição de insumos, mercadorias e ativos permanentes. Art. 2º O procedimento técnico contábil recomendável consiste no registro dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins como ativo fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de o contribuinte adotar procedimento diverso do previsto no caput, o resultado fiscal não poderá ser afetado, inclusive no que se refere à postergação Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.994 13 do recolhimento do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da CSLL. Art. 3º É vedado o registro dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em contrapartida à conta de receita.” 82. Assim, temos a situação em que além de serem constituídos créditos presumidos sem previsão legal, ou seja, inexistentes, o seu montante ainda é utilizado para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que é vedado até mesmo para créditos presumidos previstos legalmente. 83. Dessa forma, também a exclusão de Créditos Adicionais de Pis/Cofins sobre Aquisições de Insumos Agropecuários, no valor de R$ 137.650.221,51, será objeto de glosa nesta fiscalização. VALORES LANÇADOS E COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS 84. Os itens analisados nesta ação fiscal levaram ao lançamento de adições e glosa de exclusões na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Os valores estão demonstrados a seguir, a partir da forma de apuração empregada pela contribuinte na DIPJ e demonstrando o efeito de cada valor lançado na linha 78 – Outras Exclusões da ficha 09 A: (...) O total das infrações lançadas pela fiscalização, R$ 413.763.329,95, reverteu totalmente o prejuízo fiscal que havia sido apurado pela fiscalizada no período, de R$ 318.804.074,55, sendo que o lucro real apurado de R$ 94.959.255,40 foi compensado com parte dos prejuízos fiscais de anos anteriores, no valor compensado de R$ 28.487.776,62. Da mesma forma, as infrações lançadas pela fiscalização, R$ 413.763.329,95, reverteram integralmente a base de cálculo negativa apurada pela fiscalizada no período, R$ 319.512.569,37, e a base de cálculo positiva da CSLL apurada na fiscalização. R$ 94.250.760,58, foi compensada com parte das bases de cálculo negativas de CSLL de anos anteriores, no valor compensado de R$ 28.275.228,17. Intimado do lançamento de ofício, o Contribuinte ofertou Impugnação (fls. 10097 a 10117) alegando, em suma, que: a exigência de R$ 81.202.830,22, referente à reversão do provisionamento titulado Prov. Cont. PIS/COFINS/IR/CS e Cíveis, que compõe o Item 1, é improcedente, demonstrando que é composta por lançamentos distintos (R$ 40.601.429,65 Contingências PIS/COFINS/IR/CS e R$ 40.601.430,22 Provisão Contingências PIS/COFINS + Provisão Contingências Cíveis), tendo sido o primeiro estornado e o segundo adicionado ao lucro líquido; logo não houve a sua exclusão das bases tributáveis (fazendo prova com seu Livro Razão); Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.995 14 o valor de R$ 103.474.279,38, também referente a reversão de provisionamentos que compõe o Item 1, encontrado pela Fiscalização através da discrepância dos montantes declarados e registrados em conta referente a Provisões Aquisição, foi efetivamente ajustado no seus Livros (e reduzido nesse mesmo montante) e nas contas de resultado, não havendo arguição meritória expressamente contrária a tal exigência; o valor de R$ 40.601,429,65, referente a conta Provisão PIS/COFINS Creditos Adicionais, que compõe o Item 2, foi, realmente, excluído em duplicidade, não havendo arguição meritória expressamente contrária a tal exigência; o valor de R$ 50.834.539,19, referente a conta Ajuste a Valor de Mercado Estoque, que compõe o Item 3, foi revertido em sua contabilidade mas não excluído das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, e que, ao entender da Fiscalização, isso não caracterizaria "postergação do pagamento". Não há também arguições meritórias expressamente contrária a tal exigência, além do relato feito sobre a interpretação do Fisco; a exigência de R$ 137.650.221,51, referente a Exclusão de Créditos Adicionais de PIS/COFINS sobre Aquisição de Insumos Agropecuários, é indevida, pois (i) tal importância será adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando do deferimento dos créditos pela RFB, (ii) as Lei nºs 10.637/02 e 10.833/03 não limitam o crédito presumido adicional em 60%, tal como estabelecido, indevidamente, pela Lei nº 10.925/04 e (iii) não há vedação legal para excluir tal crédito para fins de apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL. Ainda, alega a Recorrente ser nulo o lançamento, por suposto cerceamento de defesa, pois não teria capitulado precisamente a exação e nem descrito corretamente a infração, por ter havido levantamento fiscal precário, ofendendo o art. 142 do CTN, confirmado pela própria exigência hipoteticamente indevida de parte do lançamento, bem como por ofensa à verdade material, pela mesma razão da suposta improcedência da exigência, ao passo que esta seria fruto da falta de maiores investigações e aprofundamento fiscalizatório. Requer a realização de Perícia e Diligência, elaborando requisitos a serem respondidos. Ao final alega ser a multa de 75% contrária aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e se insurge contra a exigência de juros sobre as penalidades aplicadas, afirmando que apenas deveriam ser incidentes sobre o principal. Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.996 15 Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS, que julgou parcialmente procedente o lançamento, excluindo as parcelas do crédito referentes a R$ 81.202.830,22 do item 1, por entender ter havido o alegado estorno e a ausência de exclusão alegadas, e ao item 4 (R$ 137.650.221,51), entendendo que, ainda que não poderia ter o Contribuinte excluído tal valor das bases tributáveis, houve a neutralização da manobra para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Confirase a ementa daquele julgado a quo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2010 Cerceamento do Direito de Defesa. Comprovada a inexistência de cerceamento do direito de defesa da impugnante, descabe falar em nulidade do lançamento. Protesto Genérico pela Produção Posterior de Provas. Inadmissibilidade. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoam das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica. Intimação à Advogado. Falta de previsão legal. indeferimento. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, há que ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do advogado. Primeira Instância Administrativa Federal. Sustentação Oral. Impossibilidade. Inexiste previsão para acompanhamento ou sustentação oral por representante do contribuinte na sessão de julgamento administrativo em primeira instância. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 Ajustes do Lucro Líquido. Adições. Exclusões. Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.997 16 Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração as provisões de valores indedutíveis, assim como as exclusões (ao lucro real) tidas como indevidas. Constatado que algumas provisões foram devidamente estornadas/neutralizadas, não gerando efeitos no resultado do período, de se proceder ao seu cancelamento. Créditos Adicionais de Pis/Cofins. Aquisição de Insumos Agropecuários. Exclusão Indevida. Lucro Real. “Além da falta de previsão legal para a constituição de créditos presumidos de PIS e de Cofins acima do percentual de 60%, a legislação não autoriza excluir do lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor relativo aos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas pela sistemática não cumulativa, mesmo no caso de créditos previstos legalmente.” Constatado que a exclusão (supra) a que se refere a fiscalização foi feita pela Contribuinte apenas para neutralizar uma contabilização indevida que reduziu seu custo contábil, não acarretando efeitos na base de cálculo do IRPJ e nem da CSLL, de se cancelar a sua tributação. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados Diante de tal revés parcial, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 2956 a 2981), basicamente, reiterando integramente as alegações da Impugnação (inclusive em relação aos Itens cancelados pela DRJ), com exceção das alegações preliminares sobre levantamento fiscal precário, ofensa à verdade material e contrariedade aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade com a aplicação de multa na monta de 75% (apenas requer a redução da penalidade). Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.998 17 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Todavia, os tópicos classificados pela própria Recorrente como de mérito combatem os mesmos Itens das Autuações sofridas, já cancelados pela DRJ a quo, que, por sua vez, compõem agora o conteúdo do Recurso de Ofício. Assim, por força do princípio processual da fungibilidade e do princípio da informalidade, incidente ao contencioso administrativo, recebo e conheço desta parte do Recurso Voluntário como Contrarrazões ao Recurso de Ofício. Consequentemente, fica delimitado e restringido o objeto do Recurso Voluntário às demais alegações, que não direta e exclusivamente se referem aos Itens cancelados pela Instância anterior. O Recurso de Ofício foi expressamente interposto no v. Acórdão recorrido, atendendo aos requisitos da Portaria MF nº 63/2017. Recurso Voluntário Como mencionado anteriormente, o Recurso Voluntário é conhecido apenas em relação às alegações rejeitadas pelo v. Acórdão recorrido. Desse modo, resumese a matéria a ser agora apreciada ao Cerceamento de Defesa e à Não Incidência de Juros de Mora sobre Multa de Ofício. Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 2.999 18 Em relação ao suposto cerceamento de defesa, que implicaria em nulidade do lançamento (alegação preliminar que preveniu ter ficado incontroverso a parte do crédito tributário mantido pela DRJ), entende a Recorrente que em razão da falta de fundamentação legal, capitulação da suposta infração e exposição dos motivos que levaram a Autoridade Fiscal a adicionar tais valores na DIPJ 2011 (anocalendário 2010), a Recorrente ficou completamente impossibilitada de se defender de tais adições indevidas (parte do Item 1, referente a Provisões Aquisição, no valor de R$ 103.474.279,38; Item 02 e Item 3). Explica que não haveria uma discriminação exata da suposta conduta infratora por parte da Recorrente. Primeiramente, analisando o relatório e o próprio TVF (2755 a 2760), fica muito claro que tal alegação é improcedente. A Autoridade Fiscal, claramente, demonstrou a constatação da conduta infracional da ora Recorrente, trazendo explicação e apontamentos sólidos das manobras contábeis perpetradas pelo Contribuinte que levaram à suposta redução de sua base tributável. E tanto assim é que a própria Recorrente não se opôs em relação à exigência dos Itens 2 e 3, reconhecendo que a discrepância positiva de valor declarado na DIPJ também tinha sido registrada em sua conta de resultado. Ora, como então falar de falta de compreensão? Em segundo lugar, não há demonstração específica da razão da impossibilidade de defesa, além da alegação de falta de discriminação da infração, que mostra se não só improcedente como extremamente genérica. Ainda, o resto da defesa apresentada denota a total possibilidade de exercício do contraditório, sendo até cancelados pela DRJ os itens efetivamente combatidos pelo Contribuinte. Diante disso, fica clara a inocorrência de cerceamento de defesa, afastando a arguição de nulidade do lançamento, mostrandose, desde já, procedentes as exigência fiscais do Item 1 (apenas parcialmente, no valor de R$ 103.474.279,38), Item 2 e Item 3 do lançamento de ofício, como mantidas pela DRJ a quo. Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.000 19 Superada tais preliminares, mantendose parte da exação, mesmo antes da apreciação do Recurso de Ofício, passase a apreciar a alegação de impossibilidade de incidência de juros sobre multas tributárias. Alega a Recorrente ser a apenas incidentes os juros sobre o valor do tributo, propriamente considerado, como se extrairia de interpretação do art. 161 do CTN. Nesse ponto, está C. Turma acompanha o atual entendimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que prega a devida a incidência de juros sobre as penalidades, bem como pela correta eleição da taxa SELIC. O Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra o posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.001 20 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Por fim, no que tange ao mero pedido de redução da multa de ofício, anteriormente fundamentado na violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, tal matéria é alheia à competência deste E. CARF, nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF nº 2. Diante disso e não entendendo este Conselheiro haver necessidade para a realização de Diligência para a resolução do litígio, como pontualmente requerido ao final do apelo, não conheço da matéria constitucional alegada e, no restante conhecido, negase integral provimento ao Recurso Voluntário. Recurso de Ofício Como relatado e mencionado, o v. Acórdão recorrido cancelou parte do Item 1 (reversão contra resultado da conta Prov. Cont. PIS/COFINS/IR/CS e Cíveis, referente ao valor de R$ 81.202.830,22) e o Item 4, integralmente, que tratavase de Exclusão de Créditos Adicionais de PIS/COFINS sobre Aquisição de Insumos Agropecuários, no valor de R$ 137.650.221,51. Em relação ao cancelamento parcial do Item 1, este subitem cancelado pode ser dividido na leitura do TVF em 2 eventos diferentes: R$ 40.601.429,65 Contingências Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.002 21 PIS/COFINS/IR/CS e R$ 40.601.430,22 (R$ 20.908.563,00 Provisão Contingências PIS/COFINS) + (R$ 19.692.867,00 Provisão Contingências Cíveis). Confirase: 39. Os valores que devem ser adicionados ao lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL em razão de terem sido provisionados contra contas de resultado são os seguintes: Entendeuse no v. Acórdão que, conforme alegado em Impugnação, há o registro dos lançamentos contábeis conforme alega a Interessada, e que a identidade entre os valores faz crer que, realmente, o valor considerado pela Fiscalização, de R$ 40.601.430,22, seria, de fato, a importância de R$ 40.601.429,65 (a diferença é de 0,57 centavos, inclusive foi contabilizada), conforme destaca a Impugnante. E que o valor da provisão “Contingências PIS/COFINS/IR/CS” de R$ 40.601.429,65 foi debitado contra resultado e creditado contra passivo, mas que teria feito um lançamento de estorno, de modo que não teria efeito no resultado do período. E se acrescentou que: Desta forma, os lançamentos contábeis efetivados não deixam dúvidas de que a provisão foi devidamente neutralizada, não havendo efeitos em conta de resultado. De se mostrar. Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.003 22 De se cancelar a adição promovida pela autoridade autuante relativamente a 31/12/2010, no valor de R$ 40.601.430,22. Com relação aos outros valores também adicionados de ofício, nas importâncias de R$ 20.908.563,00 e R$ 19.692.867,00, melhor sorte não aguarda os lançamentos, uma vez que os registros contábeis apontam que não houve o efeito no resultado, conforme apontado pela Fiscalização. De se mostrar. As referidas provisões foram consideradas como adições (despesas não dedutíveis) na DIPJ, fato reconhecido pela autoridade autuante no TVF (item 41), mas segundo a autoridade “Porém essas provisões não foram adicionadas também no LALUR o que, em vista do cálculo de ‘outras exclusões’ por diferença, teve como conseqüência o aumento da exclusão na linha 78 da ficha 09A”. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.004 23 O fato de não ter considerado no LALUR, não causaria efeito no resultado uma vez que as adições ocorreram efetivamente na DIPJ, mas o procedimento adotado pela Impugnante (operações aritméticas entre valores de adições e exclusões na DIPJ e no LALUR, cujas diferenças afetam o resultado tributável) induz (pode induzir) a erros de avaliação, como o presente caso, uma vez que o valor considerado na importância de R$ 40.601.430,00 é, na realidade, aquele valor de R$ 40.601.429,65, já objeto do lançamento de ofício, entretanto, como uma exclusão indevida no item 002 do Auto de Infração, de reconhecimento da Impugnante, de forma que manter esta adição representaria uma dupla tributação, razão pela qual não procede a sua adição de ofício (item 001), devendose também cancelála. A fundamentação do cancelamento de tal Item no voto vencedor é um tanto sucinta, porém, ao seu turno, em Declaração de Voto que também compõe o v. Acórdão recorrido, a constatação de improcedência dessa exação é melhor explicada: Infração 0001 No presente caso, a meu juízo, restou claro que num único dia, em 31/12/2010, para fins de reconhecimento de um mesmo risco com ordem de grandeza de R$ 40 milhões, a Contribuinte procedeu em sua Contabilidade ao registro da respectiva provisão de três diferentes formas, conforme passo a explicar com base no Doc. 03 anexo à Impugnação (fls. 2904 e 2905). Na primeira delas (slip 536), a Contribuinte constituiu provisão de R$ 40.601.429,65 a crédito da conta do passivo “2694 – Prov. Tributária Aquisição” em contrapartida a débito de uma conta de despesa “488 – CPV Perdas/Ajustes”, mas procedeu ao estornou no mesmo dia (slip 595). No segundo registro (slip 595, o mesmo utilizado no estorno do primeiro registro), constituiu provisão também de R$ 40.601.429,65 a crédito da mesma conta do passivo “2694 – Prov. Tributária Aquisição”, mas, desta vez, a contrapartida a débito foi lançada em conta de patrimônio líquido “2958 – Lucro/Prej. Acumulado 11.638”. Ocorre que, também em relação a esse registro, a Contribuinte promoveu o estornou no mesmo dia (slip 619). Aqui cabe um parênteses. Ao que parece, a Autoridade Fiscal não detectou esses dois registros. Conforme restou retratado no Termo de Verificação Fiscal, a Autoridade Autuante considerou que a provisão constituída contra despesa havia sido estornada contra patrimônio líquido. Mas, como visto acima, não é dessa forma que os registros contábeis foram efetuados. No terceiro registro (slip 619, o mesmo utilizado no estorno do segundo registro), a Contribuinte constituiu provisão R$ 0,35 Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.005 24 maior que nos dois registros anteriores, no valor de R$ 40.601.430,00. O lançamento a crédito foi efetuado na mesma conta do passivo “2694 – Prov. Tributária Aquisição”, enquanto que a contrapartida a débito, desta vez, foi desmembrada em duas contas de despesa: uma parcela de R$ 20.908.563,00 foi lançada a débito da conta de resultado “2799 – Provisões Tributárias”, e outra parcela da mesma provisão, no montante de R$ 19.692.867,00, foi lançada a débito da conta de resultado “2750 – Provisões Cíveis”, totalizando os R$ 40.601.430,00 constituídos a título de provisão no passivo. Para fins de auxiliar na compreensão dos registros acima descritos, apresento o seguinte quadroresumo: No caso do terceiro registro, considerando que ele não foi estornado e tratandose de despesas indedutíveis para fins de apuração do IRPJ, a Contribuinte deveria ter adicionado no Lalur os valores de R$ 20.908.563,00 e R$ 19.692.867,00, mas assim não o fez. No entanto, procedeu às respectivas adições na Linha 05 da Ficha 09A da DIPJ, conforme a própria Autoridade Fiscal atestou. Se os fatos tivessem permanecido desta forma, ainda que no Lalur a situação estivesse irregular (pela falta de adição das despesas lançadas no registro 3), não haveria nada a ser exigido a título de IRPJ em relação ao provisionamento desse risco, haja vista que os dois primeiros registros foram estornados no mesmo dia na Contabilidade e, quanto ao terceiro registro, a DIPJ estaria correta por conta das adições à Linha 05 da Ficha 09A. No entanto, com o objetivo de reproduzir na DIPJ a diferença (de R$ 480.606.739,12) verificada no Lalur entre exclusões e adições, a Contribuinte fez uma conta de chegada na Ficha 09A. Em outras palavras, para que também a Ficha 09A da DIPJ apresentasse um excesso de R$ 480.606.739,12 de exclusões em relação às adições, a Contribuinte acrescentou o valor necessário para alcançar aquela diferença como “Outras Exclusões” na Linha 78. Com isso, a Contribuinte contaminou a DIPJ, transferindo a impropriedade contida no Lalur (pela falta de adição das despesas indedutíveis). Dessa forma, como a Ficha 09A continha essas adições na Linha 05, a DIPJ ficou prejudicada por conta do excesso de exclusão provocado pela conta de chegada e o preenchimento incorreto da Linha 78. Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.006 25 Vale dizer, essa conta de chegada foi detectada pela Autoridade Fiscal, tendo, inclusive, mencionado tal fato em seu Termo de Verificação. Não por acaso esse excesso de exclusão registrado na Linha 78 é um dos objetos da Infração 0002, em relação ao qual o lançamento foi mantido por esta Turma de Julgamento por unanimidade de votos. Quanto à Infração 0001, apurada em razão de a Autoridade Fiscal ter entendido que a Contribuinte teria deixado de proceder às adições exigidas em lei, tratandose de matérias tributáveis referentes ao provisionamento do risco aqui analisado, esta Turma de Julgamento entendeu, também por unanimidade de votos, que o lançamento é improcedente, afinal, os dois primeiros registros de provisão (ambos no valor de R$ 40.601.429,65) foram estornados e, quanto ao terceiro registro (R$ 20.908.563,00 e R$ 19.692.867,00), as adições foram efetuadas na Linha 05 da Ficha 09A da DIPJ, conforme a própria Autoridade Fiscal atestou. Como se observa do resultado desse Julgamento, em resumo, teria demonstrado o Contribuinte que, em relação ao primeiro lançamento (R$ 40.601.429,65 Contingências PIS/COFINS/IR/CS), este foi provisionado a crédito de conta do passivo e, em contrapartida, a débito de uma conta de despesa (resultado), depois sendo estornado. E na mesma data, foi gerado feito outro lançamento no mesmo valor, também a crédito da mesma conta do passivo, porém em contrapartida a débito de Patrimônio Líquido (passivo). Este segundo lançamento também foi estornado na mesma data. Assim, tais estornos teriam neutralizado completamente este lançamento para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Não obstante, ainda no mesmo dia, houve um terceiro lançamento de R$ 40.601.430,00, a crédito da mesma conta do passivo, mas em contrapartida a débito, desmembrada em duas contas de despesa (resultado), quais sejam R$ 20.908.563,00 Provisão Contingências PIS/COFINS e R$ 19.692.867,00 Provisão Contingências Cíveis. Uma vez sendo sua contrapartida a débito de despesas (correspondente a contingência lançada no passivo), houve a indevida redução da base tributável. Contudo, o contribuinte adicionou tal valor na Linha 05 da Ficha 9 da sua DIPJ igualmente equilibrando as bases tributáveis e mostrando, da mesma forma, a improcedente tal exigência. Analisando os autos, especificamente o doc. 03 da Impugnação (vide fls. 2904), este Conselheiro confirma que cabalmente consta desse documento o lançamento Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.007 26 contábil no Livro Razão desses estornos, lá demonstrado de forma clara estas manobras de constituição de provisões e estornos, procedidos pelo Contribuinte. Ainda, aprofundando a investigação de procedência, analisando o próprio Livro Razão juntado aos autos antes da lavratura das Autuações, encontrase lá as mesmas operações expressas no documento trazido pelo Contribuinte, só que dispostas em ordem um pouco diferente. Com efeito, a informação se confirma com o encontro de valores, datas, número de contas e até dos slips utilizados nos lançamentos, também corroborando com aquilo descrito na Declaração de Voto que compõe o acórdão, acima citada. Observe (fls 682 e 683): Desse modo, uma vez havendo o encontro de informações, como entendido no V. Acórdão, e provado o estorno da contabilização de R$ 40.601.429,65 Contingências PIS/COFINS/IR/CS, ainda que inicialmente feito contra resultado, mostrase correta a exoneração dessa parte da exigência. E mais adiante, no Razão da Conta Contábil 2261 (e Conta 2964), o cenário de procedência das alegações apresentado também é reforçado, constando lá os estornos efetuados, bem como a classificação como indedutível dos valores referentes a Provisão Contingências Cíveis e provisão Contingências PIS/COFINS (R$ 40.601.430,22 = R$ Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.008 27 20.908.563,00 + 19.692.867,00), apontando para a sua adição na Ficha 05 da DIPJ muito provavelmente se referindo à Linha 5 da Ficha 9A (fl. 686): Como mencionado no v. Acórdão, o próprio TVF (fl. 2754), em seu item 41, confirma a adição desses valores na linha 05 da Ficha 9A da DIPJ 2011: No caso das provisões Provisão Contingências PIS/Cofins, no valor de R$ 20.908.563,00, e Provisão Contingências Cíveis, no valor de R$ 19.692.867,00, foi observado que compuseram o valor das despesas não dedutíveis na DIPJ e foram adicionadas pela linha 05 da ficha 09A, de acordo com demonstrativos apresentados pela fiscalizada. Porém, essas provisões não foram adicionadas também no Lalur o que, em vista do cálculo de “outras exclusões” por diferença, teve como consequência o aumento da exclusão na linha 78 da ficha 09A. Observese que a DRJ reconhece a adição de tal valor na DIPJ apresentada. Como defendido no v. Acórdão, ainda que no LALUR tal adição tenha sido olvidada, para fins de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL, tal valor foi também neutralizado. Ainda em relação ao suposto aumento da exclusão na linha 78 da ficha 09A que a falta de registro no LALUR teria gerado, tal excesso é precisamente a infração que compõe o Item 02, reconhecido pela Recorrente como lançamento em duplicidade, cuja exação correspondente foi considerada como devida. Confirase a descrição do Item 02 no TVF (fls. 2757): 54. A diferença entre o valor adicionado no Lalur e na DIPJ, que acabou sendo excluído na linha 78 outras Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.009 28 exclusões em função do cálculo por diferença adotado pela contribuinte, é justamente o valor do saldo em questão de R$ 40.601.429,65, que foi excluído indevidamente (R$ 49.307.354,26 – R$ 8.705.924,61). Esse valor de exclusão será glosado. E, por sua vez, as alegações da Impugnante: 3.17 Prosseguindo, o valor de R$ 40.601.429,65 ("Provisões PIS/COFINS Créditos Presumidos Adicionais"), correspondente ao item 02 do Termo de Verificação Fiscal, decorre da seguinte constatação da Fiscalização: Durante a fiscalização, o contribuinte foi questionado a respeito desse valor de RS 40.601.429.65. Alegou ter cometido equivoco na determinação do montante da conta 27991283 (sic) — Provisões PIS/Cofils Créditos Presumidos Adicionais, duplicando a exclusão de RS 40.601.429,65 de forma indevida, como transcrito a seguir: "Houve um equívoco por parte da empresa da determinação do montante devido da conta 279912S3, denominada "Provisões PIS/CO= Créditos Presumidos Adicionais", sendo que a exclusão de R$ 40.601.429,65 foi duplicada de forma indevida. O Total da Linha 09A/78 (Outras Exclusões) a ser considerada no Ano Calendário de 2010 é na realidade de RS 650.749.970,34. Este equívoco não altera a situação da empresa de Prejuízo Fiscal no referido AnoCalendário." 3.18 A respeito desse valor, em tese houve a exclusão em duplicidade. Dessa forma, esse valor deveria ser adicionado na Dl PJ 2011 (anocalendário 2010). A Declaração de Voto de compõe o v. Acórdão recorrido melhor esclarece como a ausência de registro do LALUR gerou tal duplicidade: No caso do terceiro registro, considerando que ele não foi estornado e tratandose de despesas indedutíveis para fins de apuração do IRPJ, a Contribuinte deveria ter adicionado no Lalur os valores de R$ 20.908.563,00 e R$ 19.692.867,00, mas assim não o fez. No entanto, procedeu às respectivas adições na Linha 05 da Ficha 09A da DIPJ, conforme a própria Autoridade Fiscal atestou. Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.010 29 Se os fatos tivessem permanecido desta forma, ainda que no Lalur a situação estivesse irregular (pela falta de adição das despesas lançadas no registro 3), não haveria nada a ser exigido a título de IRPJ em relação ao provisionamento desse risco, haja vista que os dois primeiros registros foram estornados no mesmo dia na Contabilidade e, quanto ao terceiro registro, a DIPJ estaria correta por conta das adições à Linha 05 da Ficha 09A. No entanto, com o objetivo de reproduzir na DIPJ a diferença (de R$ 480.606.739,12) verificada no Lalur entre exclusões e adições, a Contribuinte fez uma conta de chegada na Ficha 09A. Em outras palavras, para que também a Ficha 09A da DIPJ apresentasse um excesso de R$ 480.606.739,12 de exclusões em relação às adições, a Contribuinte acrescentou o valor necessário para alcançar aquela diferença como “Outras Exclusões” na Linha 78. Com isso, a Contribuinte contaminou a DIPJ, transferindo a impropriedade contida no Lalur (pela falta de adição das despesas indedutíveis). Dessa forma, como a Ficha 09A continha essas adições na Linha 05, a DIPJ ficou prejudicada por conta do excesso de exclusão provocado pela conta de chegada e o preenchimento incorreto da Linha 78. Vale dizer, essa conta de chegada foi detectada pela Autoridade Fiscal, tendo, inclusive, mencionado tal fato em seu Termo de Verificação. Não por acaso esse excesso de exclusão registrado na Linha 78 é um dos objetos da Infração 0002, em relação ao qual o lançamento foi mantido por esta Turma de Julgamento por unanimidade de votos. Da mesma forma, fica claro que essa outra percentagem do Item 1 cancelado também não é exigível do Contribuinte, negandose provimento ao Recurso de Oficio nesse ponto. Em relação ao Item 4, no valor de R$ 137.650.221,51, referente à Exclusão de Créditos Adicionais de Pis/Cofins tomados sobre Aquisições de Insumos Agropecuários, este tem origem na diferença positiva (40%) entre a porcentagem de crédito presumido efetivamente tomado pelo Contribuinte (informado em DACON), dentro da sua própria interpretação do alcance dessa dinâmica de nãocumulatividade (100% do valor das aquisições), e a monta do crédito expressamente previsto na Lei nº 10.925/04 (60%)1. 1 Os créditos de PIS adicionais (40%) sobre aquisições de produtos agropecuários somaram R$ 24.553.823,29 e os créditos de COFINS adicionais sobre a mesma natureza de aquisições totalizaram R$ 113.096.398,21. Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.011 30 Nesse sentido, a Fiscalização glosou a exclusão do valor referente a estes 40% adicionais de crédito, informando que os lançamentos nas contas de créditos presumidos adicionais de PIS/Cofins são realizados em contrapartida a crédito de contas de resultado, tais como 488 CPV Perdas/Ajustes, 081 – Compra de Leitões para Recria ou 119 – Terminação. Ao creditar em resultado, o fiscalizado já está se beneficiando do crédito presumido adicional, mas que pretende excluir de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. E acrescenta que a inclusão no Dacon e a contabilização deste crédito presumido adicional não tem base legal. O que a Lei nº 10.925/2004 prevê no seu art. 8º, § 3º, é a constituição de um crédito presumido de PIS e de Cofins com a aplicação de uma alíquota de 60% da alíquota prevista dessas contribuições sobre as compras de insumos de origem animal (fls. 2761). Como relatado, tal item foi integralmente cancelado, entendendose assim no v. Acórdão: Por meio do Termo de Intimação Fiscal n.12 (fls.945 a 947), a fiscalizada foi intimada, dentre outras solicitações, para o seguinte: 2. A respeito do valor de R$ 137.650.221,51 excluído na apuração do Lucro Real no anocalendário 2010, a título de Exclusão de Créditos Adicionais de Pis/Cofins tomados sobre Aquisições de Insumos Agropecuários: 2.1. Demonstrar a apuração desse valor. Em atendimento, a Fiscalizada providenciou arquivos com a composição dos valores e esclarecendo o seguinte quanto ao item 2.3: Por tratarse de créditos adicionais sobre Aquisições de Produtos Agropecuérios, oriundos de Pessoas Físicas, Cooperativas e Cerealistas, a empresa lançou os referidos créditos em sua contabilidade e DACON’s, conforme relação apresentada no Item 2.2, sendo que os referidos valores estão sendo questionados pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual julgouse prudente aguardar o encerramento da fiscalização com o deferimento dos créditos para que o mesmo pudesse ser reconhecido na Base de Cálculo de IRPJ e CSLL. Permanece a Interessada procedendo em desacordo com a legislação citada e transcrita no Termo Fiscal, ou seja, apurando e contabilizando créditos adicionais de PIS e de COFINS (aqueles mencionados 40%), mas, entretanto, o seu procedimento contábil, apesar de inadequado, não trouxe efeitos negativos à base de cálculo do IRPJ e nem da CSLL. Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.012 31 Entendo que a Fiscalizada cometeu equívocos, sim, em sua contabilização e a autoridade autuante os interpretou de maneira que tivessem redundado em exclusões indevidas na apuração do Lucro Real, mas tal não aconteceu. De se mostrar. De se reproduzir inicialmente excertos do Termo Fiscal: (...) Em vista do exposto pela autoridade autuante e do que consta nos autos, devo concluir que os valores de créditos adicionais de PIS e COFINS (esqueçamos por um momento que nem deveriam ser registrados por força de sua ilegalidade) foram contabilizados a débito em uma conta patrimonial e a crédito em conta de resultado, conforme já destacado pela autoridade autuante. Pois bem, se assim for, a conta de resultado que recebeu o registro contábil, a 488 CPV Perdas/Ajustes, 081 – Compra de Leitões para Recria ou 119 – Terminação, é uma conta de natureza devedora e quando esta conta recebe um lançamento a crédito, na verdade está reduzindo seu saldo, no caso, está reduzindo o seu CPV, procedimento que contribui para aumentar seu resultado tributável pelo IRPJ (aqui não estamos tratando de eventuais efeitos nas contribuições sociais – Pis e Cofins). Então o que temos aqui é um procedimento contábil que não deveria existir, mas foi feito pela Impugnante e o efeito deste registro contábil foi diminuir seu custo (CPV), de maneira indevida e decorrente de uma interpretação equivocada da legislação. Daí a necessidade de se consertar (entenda neutralizar) esta trapalhada, ou seja, de impedir que R$ 137.650.221,51 gerasse qualquer tributação (indevida com certeza), ocasião em que a Impugnante procedeu à sua exclusão na apuração do Lucro Real, linha 39. Créditos Pis/Cofins Prod. Agropecuários (100%). Reiterese que a contabilização, apesar de indevida, foi feita e trazia reflexos fiscais negativos (redução indevida de custos) à Impugnante, que para neutralizálos procedeu à sua exclusão no LALUR, conforme consta na DIPJ ano calendário de 2010. O raciocínio contábil adotado no v. Acórdão está correto: sendo a conta de Custo do Produto Vendido de natureza devedora em relação ao Resultado, um lançamento a crédito acaba por reduzir o seu saldo. Posto isso, resgatando a afirmação do TVF que os lançamentos nas contas de créditos presumidos adicionais de PIS/Cofins são realizados em contrapartida a crédito de Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.013 32 contas de resultado, tais como 488 CPV, fica claro que, com esta contrapartida a crédito em conta de resultado (CPV), o Contribuinte, voluntariamente acabou por diminuir o custo utilizado na apuração do lucro líquido do período e elevar suas bases tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL. Sobre tal fato, não pairam dúvidas. É equivocado afirmar que ao creditar em resultado, o fiscalizado já está se beneficiando do crédito presumido adicional, como registrou a Autoridade Fiscal. É certo que é vedada a exclusão de quaisquer créditos de Contribuições Sociais nos ajustes ao lucro líquido por, claramente, não se relacionarem à apuração do tributos e contribuições, que o 344 do RIR/99 autoriza a dedução, mas sim à sua quitação. Porém, o que se verificou no presente caso não foi a exclusão de créditos de PIS e COFINS, ordinários, do cálculo do resultados tributáveis. O Contribuinte promoveu precisamente a exclusão daquilo que chama de parcela adicional de créditos presumidos, considerada ilegal e reiteradamente negada pela Administração Tributária, motivado exclusivamente pelo efeito redutor de custo que a sua própria opção de contabilização resultou. Frisese que a discussão sobre a legalidade ou não da tomada de 40% de crédito adiconal na aquisição de insumos agropecuários e sua inclusão em DACON, ainda que aparentemente contra legem, é matéria de Direito totalmente alheia ao presente processo, que versa sobre exigências de IRPJ e CSLL. Desse modo, fica claro que mesmo não havendo respaldo expresso para tanto visando garantir a neutralidade do lançamento a crédito em conta de resultado devedora, para fins de apuração IRPJ e CSLL, o Contribuinte procedeu à exclusão desse valor das bases tributáveis, obtendo o resultado tributário idêntico a se apenas estive se valendo de 60% do crédito nas suas aquisições, fidedigno ao seu resultado. Ao glosar tal exclusão, o lançamento de ofício inaugurou uma relação dissonante quanto à legitimidade desse crédito: inválido juridicamente para o gozo na quitação da Contribuição para o PIS e da COFINS e válido como receita tributável. Tal postura não pode prevalecer. Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201543 Acórdão n.º 1402002.694 S1C4T2 Fl. 3.014 33 Se, eventualmente, tal credito for reconhecido, a Empresa deverá adicionálo às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Caso contrário, apresentase tolerável a sua neutralização por meio da exclusão promovida, não representando supressão ou redução de obrigação tributária e nem motivação para lançamento de ofício. Desta feita, mostrase correto e acertado o v. Acórdão em cancelar o Item 4 das Autuações em tela. Posto isso, para todos os fins, adicionalmente adoto tudo aquilo mais decido pela DRJ, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, por concordância com seu teor. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 3015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.905484/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.996
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 05 48 4/ 20 11 -1 0 Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10530.905484/201110 Resolução nº 3201000.996 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10530.905484/201110 Resolução nº 3201000.996 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10530.905484/201110 Resolução nº 3201000.996 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10530.905484/201110 Resolução nº 3201000.996 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1433DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.009403/00-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA - E permitida a inclusão das pessoas
jurídicas comerciais varejistas e concomitantemente prestadoras de serviços de decoração e treinamento no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). A vedação imposta pelo inciso XIII artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como
atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado.
Numero da decisão: 9101-001.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso especial da fazenda nacional.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Jose Ricardo da Silva
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EXCLUSÃO INDEVIDA - E permitida a inclusão das pessoas jurídicas comerciais varejistas e coneotnitantemente prestadoras de serviços de decoração e treinamento no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). A vedação imposta pelo inciso XIII artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, é restrita aos casos de inexistancia de atividade economicamente organizada caracterizada peia prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial da fazenda nacional. 4e-••-• /?"-- HENRIQUE PINHEIRO TORRES — Presidente em exercício erator. Participaram da sessão de lgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes offmann, Karem Jureidini Dias, Joao Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (T' Relatório Cuida-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 110/115, v. 1), com espeque no art. 5°, II, do Regimento Interno deste Egrégio Conselho Superior de Recursos Fiscais, em face do acórdão n° 301-32.996, da antiga Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, de 23 de março de 2006 (fl. 100/107, v. 1), que deu provimento ao recurso de voluntário, para incluir o contribuinte no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Consta dos autos que o contribuinte solicitou, As fls. 04, v. 1, a retificação de sua Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica, apresentada em 21/01/1999, a fim de ser fosse inclusa no Simples. Justificando seu pleito, informou ter ocorrido erro em seu preenchimento. Apreciado seu pleito, decidiu a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, por intermédio de sua Divi "são de Tributação, indeferi-lo, por entender que, por constar em seu objeto social que ministra treinamentos, estaria vedada sua inclusão no Simples, em face do inciso XIII, do art. 9 0, da Lei 9.317/96. Inconformada, apresentou Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 45149), o qual, ao ser apreciado pela autoridade julgadora de primeira instância, teve sua solicitação indeferida (fls. 71/73, v. 1). Cientificada da decisão (fls. 75, v. 1), interpôs Recurso Voluntário (fls. 77/86, v. 1), o qual, ao ser apreciado pela Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, veio a ser provido, conforme se verifica de sua ementa: Simples. Inclusão no sistema. Comércio varejista e prestação de serviços de decoração e treinamento. Atividade permitida. E permitida a inclusão das pessoas jurídicas comerciais varejistas e concomitantemente prestadoras de serviços de decoração e treinamento no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). A vedação imposta pelo inciso X III artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades económicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela e restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. Simples. Inclusão no sistema. Inicio dos efeitos. Marco temporal. 0 tratamento tributário diferenciado das microempresas e empresas de pequeno porte produz efeitos na data da sua inscrição no CNP.1, a partir de 10 de janeiro de 1997, quando concomitantemente formalizada a opção ou quando seja possível. identificar essa vontade inequívoca desde então. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. i 2 Processo n° 13807.009403/00-18 Acórdão n.° 9101-001.317 CSRF-T1 F1.2 Cientificada a Fazenda Nacional da decisão proferida (fls. 108, v.1), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Especial de Divergência a esta Egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais (fls. 110/115, v. 1), com os seguintes argumentos: a) como paradigma, apresentou os acórdãos 202-12752 e 302-36554, que possuem a seguinte ementa: "SIMPLES - OPÇÃO — Conforme dispõe o inciso XIII do artigo 9°, da Lei n° 9.317/96, não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de consultoria, treinamento e auditoria. Recurso negado." "ATIVIDADE DE ENSINO. VEDAÇÃO. As pessoas jurídica cuja atividade seja de ensino médio ou treinamento estão vedadas de optar pelo Simples. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO POR UNANIMIDADE. b) é incontroverso que a contribuinte declara e confessa ter recebido receitas oriundas de atividades de treinamentos; c) a fiscalização entende que não hi como o contribuinte ser mantida na sistemática do Simples, em face da Lei 9.317196, que veda sua permanência, conforme inciso XII, do art. 9°; d) assim, é forçoso concluir estar correta a posição da fiscalização, que indeferiu o pleito da contribuinte, fundamentando que estão impedidas de optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestam ou vendam serviços que sei am assemelhados aos referidos no inciso XIII, do art. 9 0, da Lei 9.317/96; e) o termo "assemelhado" deve ser entendido como qualquer atividade de prestação de serviço que tem similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no referido dispositivo legal, como o 6, sem dúvida, a prestação de serviços de decoração e treinamento, constantes do contrato social; O caso ocorre a alteração do objeto social, somente terá valor para o ano- calendário subseqüente; Ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional (fls. 126/128, v. 1), o Presidente da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por intermédio do Despacho 297/2006, o admitiu, haja vista que a recorrente logrou comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade %flea e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas Intimada o contribuinte para contrarrazoar o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 133, v. 1), os apresentou (fls. 1341142), com os seguintes fundamentos: g) o recurso não atende aos pressupostos de seu cabimento, já que a Procuradoria da Fazenda Nacional se limitou a transcrever as supostas decisões divergentes, sem indicar, precisamente, a semelhança das situaçaes fáticas entre os acórdãos utilizados com o paradigma e o acórdão proferido nos autos; h) a presente espécie recursal exige a exposição analítica, devidamente fundamentada, das divergências entre a decisão recorrida e os paradigmas, não bastante a simples menção de jurisprudência contrária, conforme já pacificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando, como exemplo, a decisão proferida nos acórdãos 107-128906 e 301-122528; i) ao ser julgado o Recurso Voluntário, os conselheiros levaram em consideração características próprias da empresa, como, por exempla, sua condição de microempresa, tendo-se concluído que a aplicação da lei ao caso concreto não implicaria em sua exclusão do Simples. Ou seja, o julgamento observou qualidades pessoais da empresa que podem não ter sido consideradas nos acórdãos utilizados como paradigma para a interposição do Recurso Especial; suas atividades não podem ser caracterizadas como impeditivo para sua inclusão no Simples com base no art. 9°, XII, da Lei 9.317/96, pois a atividade de "treinamento", mencionada em seu objeto social, em nada se assemelha atividade de professor, sendo inconcebível considerar que palestras, oferecidas esporadicamente, possam ser igualadas a ensino, de tal modo como é a atividade de professor; k) não foi diligenciada junto ao estabelecimento da Recorrida para se verificar no que consistia "treinamento", e se poderia ser considerado como atividade de ensino; 1) sem prova do exercício de atividade impeditiva ao Simples, não se pode retirá-la de seu gozo; m) cita decisão proferida no Recurso 124.880, pela Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, onde se consignou se inviável proceder dessa maneira; n) o treinamento a que se refere a cláusula segunda de seu contrato social consiste na apresentação esporádica de palestras de curta duração, as quais não guardam relação com a prestação de serviços de professor; o) tais palestras visam a distensão dos ouvintes, objetivando seu bem-estar, aliviamento do estresse a que estão submetidos diuturnamente, com a oferta de melhor relacionamento social e valorização do ser humano, não havendo que se falar em atividade de ensino; mesmo que tais atividades fossem semelhantes, reitera-se a observça'ão contida na manifestação de inconformidade apresentada, no sentido de que a atividade de "treinamento" era responsável por menos de 10% das receitas auferidas pela contribuinte; promoveu a alteração de seu contrato social para retirar, da cláusula segunda — que trata de seu objeto social -, o item "treinamento"; r) desta forma, pleiteia o julgamento improcedente do recurso especial ora interposto. o relatório. 4 Processo n° 13807.009403/00-18 Acórdão n.° 9101-001.317 CSRF-T1 Fl. 3 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva 0 recurso da Fazenda Nacional é tempestivo, e por ter seu seguimento deferido, dele tomo conhecimento. Centra-se a discussão da lide em exame a respeito da possibilidade do Contribuinte permanecer no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, mesmo tendo recebido receitas oriundas de treinamentos, frente determinação contida no inciso XIII, do art. 9 0, da Lê 9.317, que veda sua opção As pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. 0 SIMPLES foi criado pela Lei n. 9.317/96, com o objetivo de regular, em conformidade com o art. 179 da Constituição, o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável As microempresas e As empresas de pequeno porte. Portanto, a natureza jurídica de unificação de impostos e contribuições encontra sua fundamentação na própria Constituição Federal. A opção pelo SIMPLES se efetivava mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro-Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda - CGC/MF, o que era feito mediante Termo de Opção ao SIMPLES e atualmente se realiza pela alteração de seu enquadramento no C1NPJ. A Lei n. 9.732/98 trouxe algumas novidades em relação ao sistema unificado, destacando-se, em particular, a alteração dos valores de faturamento para o enquadramento como microempresas ou empresas de pequeno porte. A Lei n. 9.841/99 instituiu o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispondo sobre o tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido previsto nos arts.170 e 179 da Constituição. No que concerne As vedações A opção pelo sistema unificado, impõe-se observar que a pessoa jurídica que estiver enquadrada nas hipóteses previstas nos incisos do art. 9° da Lei n. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, não poderá ser optante. Relevante, no presente caso, a hipótese contida no inc. XIII do art. 9° do citado diploma legal, que veda a opção ao SIMPLES A pessoa jurídica que presta serviços profissionais de professor. As disposições contidas no inc. XIII do art. 90 da Lei n. 9.317/96, quanto ao sentido e alcance, foram alvo de diversos questionamentos, tendo em vista a sua alegada inconstitucionalidade. De fato, ao impor no caput do art. 9°: Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (...), entendeu-se que estaria o legislador criando limitações gerais em relação ao assunto, criando, por via transversa, algo que o legislador constitucional não fez. Em função das divergências de interpretação quanto ao sentido e alcance do mencionado dispositivo, diversas ações foram propostas perante a Justiça e as disposições contidas no inc. XIII do art. 9° da Lei n. 9.317/96 foram alvo de diversos questionamentos, tendo em vista a sua alegada inconstitucionalidade. Ao analisar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n°. 1.643-1, em que foi requerente a Confederação Nacional das Profissões Liberais - C.N.P.L., o Relator, Ministro ' - fi Mauricio Corrêa, em seu voto abordou diversos pontos relevantes sobre a questão: (...) Quanto ao mérito, referindo-se expressamente ao art. 179 da Carta Magna, a Lei n. 9.317/96, ao incentivar essas modalidades de empresas, teve por objetivos o seguinte: evitar o abuso de poder econômico pelas empresas mais fortes; retirar as micro e pequenas empresas da clandestinidade ou da chamada economia informal; gerar empregos e possibilitar às pessoas que estavam sendo alijadas do mercado de trabalho por falta de captação cientifica, técnica ou profissional, manter o seu próprio negócio dentro de sua habilidade natural. Com essa visão social e econômica, o art. 9° da Lei n. 9.317/96 relacionou uma série de situações relativas cis pessoas jurídicas tidas pelo legislador como incompatíveis com o tratamento fiscal e administrativo preconizado naquele dispositivo constitucional, tais como: valor da receita bruta anual, qualificação dos seus integrantes, participação societária de seus integrantes em outras empresas, forma de sociedade, limite de venda de produtos importados, representação de empresa estrangeira, ramo de atividade etc. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA LIMINAR. "SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E COIVTRIBUIÇÔES DAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES": LEI N 9.317, DE 5 DE DEZEMBRO DE 1996. PESSOA JURÍDICA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CUJO EXERC1C10 DEPENDA DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL LEGALMENTE EXIGIDA: NÃO PODE OPTAR PELO "SISTEMA SIMPLES". (STF ADIN N°.1.643-1 - Requerente: Confederação Nacional das Profissões Liberais - C.N.P.L. - Requerido: Presidente da República - Requerido: Congresso Nacional.) Observa-se, de forma cristalina, que, dentro de sua visão social e econômica, ao dispor sobre as pessoas jurídicas tidas como incompatíveis com o tratamento fiscal e administrativo, o legislador desejou evitar o abuso de poder econômico pelas empresas mais fortes; retirar as micro e pequenas empresas da clandestinidade ou da chamada "economia informal"; e gerar empregos e possibilitar as pessoas que estavam sendo alijadas do mercado de trabalho por falta de capacitação cientifica, técnica ou profissional, a manutenção de seus próprios negócios, de acordo com sua habilidade natural. Desenvolve o Ministro Relator: (...) Corn efeito, especificamente quanta ao inc. XIII do citado art. 90, não resta dúvida de que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada não sofrem impacto do domínio de mercado das grandes empresas; ',do se encontram de modo substancial, inseridas no contexto de economia informal; em razão do preparo cientifico, técnico e profissional dos seus sócios estão condições de disputar o mercado de trabalho, sem assistência do Estado; não constituiriam, em satisfatória escala, fonte de geração de empregos se lhes fosse permitido optar pelo "Sistema SIMPLES". Com tal interpretação, entendeu o Supremo Tribunal Federal que não haveria de se falar em ofensa ao principio da isonomia tributária, admitindo que a lei tributária pode discriminar por motivo extrafiscal, entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas as pessoas da mesma classe ou categoria. Assim, o Tribunal, por votação unânime, indeferiu o pedido de medida cautelar. Dessa forma, a análise da Lei n. 9.317 /96 deve ser realizada levando-se em consideração a integra da decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIn n° 1.643-1. 6 Processo n° 13807.009403100-18 CSRF-T1 Acnrclao n.° 9101-001.317 Fl. 4 Faz-se mister, por tal razão, analisar a possibilidade de ser aplicável a empresa a hipótese de vedação contida no mencionado inciso XIII. 0 espirito da vedação é a proibição de ()Nab para o SIMPLES de sociedades profissionais liberais ou assemelhados, ou seja, de sociedades cuja constituição, no que tange aos sócios, não prescinda da existência de um profissional habilitado. Assim é que as sociedades civis de advogados não podem prescindir de advogados para a sua formação e devem ser registradas na Ordem dos Advogados do Brasil do local de sua sede; da mesma forma de outras sociedades civis, de contadores, administradores, engenheiros, arquitetos, fisioterapeutas etc., devem ser registradas nos respectivos Conselhos Estaduais que fiscalizam a profissão. No julgamento da ADIn n. 1.643-1, o Ministro Mauricio Corrêa também destacou a questão da qualificação dos sócios: (...) em razão do preparo cientifico, técnico e profissional dos seus sécios estão em condições de disputar o mercado de trabalho, sem assistência do Estado; (...) A lei tributária, particularmente aquela que tem por objetivo dar efetividade A garantia do art. 179 da Constituição Federal vigente, destinada A proteção das microempresas e das empresas de pequeno porte, deve guardar relação direta com os principias e fundamentos da ordem econômica, que, ao seu turno, devem guardar respeito aos fundamentos e aos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, insertos na Constituição Federal de 1988. Resta, pois, cristalino, que a vedação do art. 9° não se aplica A requerente por ausência de previsão legal Trata-se ai de dar correta e adequada interpretação A norma legal em referência, desvendando-se seu sentido e alcance. E forçoso reconhecer, entretanto, que a parte autora não pode ser submetida ao conteúdo da norma, submissão essa que não se coadunaria com o espirito da lei e, em especial, com o espirito da própria Constituição. A sociedade autora se organizou por quotas de responsabilidade limitada, tendo por objetivo principal a atividade de comercio varejista e concomitantemente prestadora de serviços de decoração e treinamento, devendo ser excluída do conceito de sociedade de profissionais liberais, podendo, portanto, usufruir do sistema integrado de pagamento de impostos e de contribuições - SIMPLES. Tanto pela sua estrutura, quanto por seus fins e atividades, tal EMPRESA não se limita a "prestar serviços profissionais de professor". A vedação imposta pelo inciso XIII artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. A própria Constituição da República, em seu art. 205, dá uma amplitude muito maior a esse conceito, colocando a educação coma atividade complexa, já que visa ao desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, objetivo que só pode ser alcançado por urna equipe multidisciplinar. Por tais motivos julgo improcedente o recurso especial, para o fim de declarar que a contribuinte na qualidade de estabelecimento comercial tem o direito de optar pelo SIMPLES, atendidas as demais condições previstas na Lei n. 9.317/96, assegurando, assim, a existência de relação jurídica formalizada por meio do Termo de Opção pelo SIMPLES, para • at ao instituto Nacional o eguro que produza os legais efettos junto 4 G1140 Federal, atravds da Secretaria da -Recerie fos6 -2.— v e 8
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Numero do processo: 11128.005077/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/07/2009
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-004.006
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do DecretoLei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 50 77 /2 00 9- 01 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 187 2 da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 37/47): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada deixou de atender ao prazo legal para prestar informações sobre carga transportada, sujeitandose assim à multa prescrita na legislação que disciplina a matéria. 2) Essas informações estão dispostas na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, que regulamentou o art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, estabelecendo as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali definidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. 5) A autuada protocolou pedido de desbloqueio de manifestos eletrônicos, pois houve a vinculação deles fora do prazo estabelecido, o que gerou o bloqueio automático no sistema. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 188 3 Consultandose o Siscomex Carga verificouse que consta como transportador responsável nesses manifestos a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. 6) A responsabilização da autuada tem amparo legal no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003; nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007; e no art. 136 do Código Tributário Nacional. Esses dispositivos se referem à definição de intervenientes aduaneiros, à atuação das agências de navegação no transporte internacional de cargas e à natureza objetiva da responsabilidade por infrações à legislação tributária, respectivamente. 7) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a prestação de informação sobre a carga transportada em desacordo com as exigências legais está sujeita à penalidade cominada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e quando for o caso, às prescritas no art. 76 desse mesmo Diploma Legal. No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 25/8/2009 e apresentou impugnação (fls. 1721) em 22/9/2010, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, pois não causou nenhum embaraço à fiscalização e tampouco o descumprimento do prazo estabelecido para prestar informações sobre carga transportada. Portanto, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Os manifestos que deram origem à autuação são referentes unicamente a contêineres vazios, que foram incluídos e vinculados fora do prazo em razão da necessidade de reposicionamento desses equipamentos para atender a necessidades operacionais. c) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. d) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 189 4 apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.793 7ª Turma da da DRJ/FOR, julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/07/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2009 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas transportadas configura atraso no cumprimento dessa obrigação, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cuja inobservância não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 54/63), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.282– 1ª Turma Especial (fls.94/102), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 190 5 fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 104/110 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100428– 1ª Câmara (fls 112/113), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 122/130). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.626– 3ª Turma (fls. 170/178) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 178) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 191 6 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 54/63) o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: I DA TEMPESTIVIDADE II. DO LANÇAMENTO III. DA DECISÃO RECORRIDA IV. DA ANÁLISE DOS FATOS V. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Sobre o item I, já houve manifestação admitindo e conhecimento o Recurso. No item II, o Recorrente faz referência à infração e à respectiva penalidade constantes do Auto de Infração. No item III, há menção à decisão recorrida e é transcrita a sua ementa. O item IV, apesar de também fazer referência à responsabilidade solidária, valendose da Súmula 192 do extinto TRF, concentrase nos argumentos no sentido de teria ocorrido denúncia espontânea. A CSRF já se manifestou sobre a denúncia espontânea, cabendo neste momento somente analisar as outras questões ainda pendentes. Por sua vez, no item V, o Recorrente apresenta seus argumentos relativos à ilegitimidade de sua autuação como responsável, transcrevemos: 22. De início, cabe esclarecer que, o e. relator do acórdão ora recorrido pretende impor ao agente marítimo responsabilidade tributária pela retificação de ofício de informações relativas ao Conhecimento Eletrônico já referido. 23. Para uma melhor análise da matéria e para evitar dispositivos legais que possam ser utilizados para tentar transferir a responsabilidade do transportador, do agente de carga e do operador portuário para o agente marítimo, convém transcrever a seguir dispositivos legais do Decretolei no 37/66, a fim de que se afastar qualquer possibilidade de assunção de responsabildiade com base nos artigos, 32, 37, § 1o, do referido diploma legal: "Art. 32 É responsável solidário pelo imposto:" 24. Com efeito, a responsabilidade tributária solidária está prevista expressamente em lei para o imposto de importação e não para multa isolada que a fiscalização pretende impor à Recorrente. Não há como a fiscalização pretender, por analogia, exigir da Recorrente a multa isolada ora em discussão. 25. O art. 37, § 1o, do DecretoLei no 37/66, dispõe: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 192 7 "Art. 37 O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas." 26. Como se observa em nenhum momento o dispositivo legal acima transcrito menciona a responsabilidade à agência marítima,deixando claro que essa responsabilidade é do transportador (caput), do agente de carga e do operador portuário. 27. O Código Tributário Nacional determina em seu artigo 121, II, que a responsabilidade tributária deve ser expressamente prevista em lei, já que o responsável tributário não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal. 28. Assim, sem previsão legal não pode a multa prevista na alínea "e", do Inciso IV, do art. 107 do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, ser aplicada à Recorrente. 29. Com efeito, representação também não se confunde com responsabilidade solidária para fins tributários, daí porque às agências marítimas, como no caso da Recorrente, não pode ser imputada a multa prevista no art. art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. 30. E, nesse sentido, decidiu pela ilegitimidade passiva das agências marítimas, no Recurso Voluntário no 506.150, processo no 10711.003636/200644, a 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, da 3a Seção, do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 31. A lei e a jurisprudência não dispõem responsabilidade à agência de navegação no que tange à assunção de ônus pertinente à multa estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei no 10.833/03, sendo esta única e exclusivamente de responsabilidade da empresa transportadora ou do agente de carga. 32. Consequentemente, qualquer equiparação de uma agência de navegação à uma empresa de transporte internacional para efeito de cominação da penalidade pretendida pela fiscalização, caracteriza, para todos os efeitos legais, extrapolação do poder de regulamentar da autoridade administrativa. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 193 8 33. Ademais, exige a legislação de regência a identificação do sujeito passivo, , art. 142 do CTN, no caso, a pessoa do transportador, o que não se acha devidamente esclarecido na peça fiscal. De se dizer que o auto de infração, por si só, não traz qualquer informação capas de ao menos, contribuir para a identificação do transportador. 34. Ainda há que se considerar, conforme se depreende da parte final do caput do art. 9o do Decreto no. 70.235/72, que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à compração do ilícito. 35. Portanto, as ações da fiscalização devem estar devidamente consubstanciadas por provas que sustentem o fato acusado, o que no caso do presente auto de fato não aconteceu. 36. Dessa forma, ao se pesquisar sobre a pessoa que atuou na condição de transportador para fins de aplicação da norma disposta, respectivamente nos art. 37 e 32, ambos do DecretoLei no 37/66, ficase diante dos autos que integram o presente processo, sem a devida resposta, uma vez que dito os autos nada informaram a respeito no que tange à agência marítima. 37. Apenas para esclarecer que as pessoas citadas no parágrafo 1o, do art. 37 do DecretoLei no 37/66, agente de carga e operador portuário também devem prestar informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, bem como o transportador mencionado no "caput" do referido comando legal. Contudo, essas pessoas mencionadas pelo texto legal não se confundem com a agência marítima que tem personalidade e atividades próprias, por isto é, de atender as necessidades do navio no porto de destino. 38. Assim, não procede o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condições. Inúmeras decisões nesse sentido há estão sendo proferidas pela 1a Turma de Julgamento da DRJ/FNS. Necessário se volver à análise da lei e da legislação concernente à responsabilidade da Recorrente pela infração. O DecretoLei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 194 9 (...) (grifouse) O art. 107 do DecretoLei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e No exercício da competência estabelecida pelo art. 107, IV, "e", do Decreto Lei nº 37/66, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que nos seus arts. 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37/66 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 195 10 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pela Recorrente, perfilhase a conclusão adotada no Acórdão no 0826.793 7ª Turma da DRJ/FOR (fl. 42), de que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, "há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do DecretoLei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação." Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei nº 10.833/2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex . Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcrevese Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso voluntário negado. Consignase, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401003.883; no 3401003.882 ; no 3401003.881; no 3401002.443; no 3401002.442; no 3401002.441, no 3401002.440; no 3102001.988; no 3401002.357; e no 3401002.379. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11128.005077/200901 Acórdão n.º 3301004.006 S3C3T1 Fl. 196 11 Dessa forma, demonstrada a infração e a legitimidade passiva da recorrente para responder pela multa capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 208DF CARF MF
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