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4687991 #
Numero do processo: 10935.000068/2003-52
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF EXERCÍCIO: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantém-se o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de oficio sobre diferenças da contribuição lançadas de oficio. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete aos Conselhos de Contribuintes, em grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração. Recurso negado.
Numero da decisão: 192-00.109
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso com relação a matéria não impugnada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO

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FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantém-se o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de oficio sobre diferenças da contribuição lançadas de oficio. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete aos Conselhos de Contribuintes, em grau de recurso, a apreciação de pedidos de retificação de declaração. , Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso com relação a matéria não impugnada e, no' ,, 'to, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. i i 1lipp, • 4.4,/~1 • • ror. PESSOA MONTEIRO PI-, idente /a7 i Processo e 10935.000068/2003-52 CCOIIT92 Acórdão n.°192-00.109 As. 121 trAlijr. ff RUBEN: AURICIO CAR 'ALHO Relato FORMALIZADO EM: 09 FEV 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sandro Machado dos Reis e Sidney Ferro Barros. 2 Processo n°10935.000068/2003-52 CCOI/T92 Acórdão n.°192-00.109 Fls. 122 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 62 a 64 da instância a quo, in verbis: "Por meio do auto de infração (Jis. 15/21), exige-se do contribuinte R$ 1.941,16 de Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, R$ 1.455,87 de multa de oficio de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n." 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e R$ 518,67 de encargos legais calculados até 11/2002, decorrente da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício 2001, ano-calendário 2000. A autuação foi fundamentada nos art. 1" ao 3" e 6", da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988; art. 1" ao 3" da Lei 8.134, de 14 de abril de 1990; art.]; 3", 5; 6", 11 e 32, da Lei n."9.250, de 26 de dezembro de 1995; art. 21 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Lei 9.887, de 07 de dezembro de 1999; art. 43 e 44, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 16 de março de 1999 - RIR11999, e alterou os rendimentos recebidos de pessoa jurídica de R$ 14.203,38 para R$ 30.697,99, e o IRRF de R$ 425,44 para R$ 1.239,58. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 09/01/2003, a impugnação de fls. 01/02, instruída com os documentos de fls. 03/14, onde alega que consignou em sua declaração de ajuste o montante de R$ 7.543,28, constante do informe de rendimentos à fl. 11. Aduc que não teve intuito de sonegar informações, assim, solicita que se considere o valor declarado, pois não acredita ser possível responsabilizá-lo por erros cometidos pela fonte pagadora. Consoante despacho à fl. 31, retornou-se o processo à unidade de origem para que intimasse a fonte pagadora a esclarecer as divergências existentes entre os valores consignados no comprovante de rendimentos à fl.11 e na DIRF de fls. 28 e 35, tendo resultado na juntada dos documentos defls. 36/61." Considerando esses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, pela falta de previsão legal, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. 3 Processo n°10935.000068/2003-52 CCO 1 /T92 Acórdão n.° 192-00.109 Fls. 123 Os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, com ou sem vínculo empregatício, não incluídos na declaração de ajuste anual de imposto de renda de pessoa física, servem de base para o lançamento de oficio. Em sua peça recursal, às fls. 83 a 94, a contribuinte suscita as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau, requerendo o cancelamento do imposto e da multa de oficio aplicada por não ser responsável pelo equivoco da omissão, solicitando ainda, que sejam consideradas subsidiariamente ao seu pedido o abatimento de despesas médicas-odontológicas e despesas de instrução. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o Primeiro Conselho de Contribuintes para julgamento. É o Relatório. 4 . • • Processo n° 10935.000068/2003-52 MI/792 Acórdão n." 192-00.109 Fls. 124 Voto Conselheiro RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Como exarado pelo acórdão de primeiro grau, a infração é do tipo objetiva, na forma do artigo 136 do C.T.N. (Lei 5.172, de 1966), isto é, "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do a2ente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". Verifica-se que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Concluo, assim, que não merece reparos a decisão recorrida. Em relação ao pedido para que sejam considerados abatimentos da base de cálculo não inseridas na declaração original, cumpre dizer que o órgão julgador não é o fórum adequado para que seja solicitada a revisão do lançamento, devendo ser apresentada ao órgão preparador, em procedimento administrativo próprio de retificação de declaração. Registre-se que se trata de matéria eivada de preclusão consumativa e não faz parte do litígio. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, deve ser mantida a exigência tributária. Pelo exposto, NEGO provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 18 de dezembro de 2008. ar RU t NS MAURÍCIO CARVALHO Page 1 _0052200.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1 _0052400.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1

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6903387 #
Numero do processo: 10930.007957/2002-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 30/04/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 30/09/1997 a 31/12/1997 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, quando o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindo-se o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. CIÊNCIA VIA POSTAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que não seja o representante legal do destinatário. (Súmula 1º CC nº 9, publicada no Diário Oficial da União, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) CERCEAMENTO DE DEFESA – Não há cerceamento do direito de defesa, quando constatado que o interessado demonstra conhecer os fatos que lhe são imputados e exercita o contraditório à exaustão. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI- O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1º CC nº 2) DECADÊNCIA - TERMO INICIAL De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, inicia-se do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. (Acórdão nº 9101-000.874 de 22/02/2011 - 1 a Turma/CSRF). JUROS DE MORA- SELIC – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4) LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS, COFINS e INSS-Simples Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ mensal, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, e, manter as exigências tal como lançadas em relação ao mês de novembro de 1997.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 30/04/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 30/09/1997 a 31/12/1997 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, quando o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindo-se o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. CIÊNCIA VIA POSTAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que não seja o representante legal do destinatário. (Súmula 1º CC nº 9, publicada no Diário Oficial da União, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) CERCEAMENTO DE DEFESA – Não há cerceamento do direito de defesa, quando constatado que o interessado demonstra conhecer os fatos que lhe são imputados e exercita o contraditório à exaustão. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI- O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1º CC nº 2) DECADÊNCIA - TERMO INICIAL De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, inicia-se do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. (Acórdão nº 9101-000.874 de 22/02/2011 - 1 a Turma/CSRF). JUROS DE MORA- SELIC – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4) LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS, COFINS e INSS-Simples Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ mensal, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2408; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 1          1             S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.007957/2002­18  Recurso nº  150.285   Voluntário  Acórdão nº  1802­001.200  –  2ª Turma Especial   Sessão de  08/05/2012  Matéria  SIMPLES  Recorrente  TRANSPORTADORA YOUSSEF LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições das  Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ Simples  Data  do  fato  gerador:  30/04/1997,  30/06/1997,  31/07/1997,  30/09/1997  a  31/12/1997  Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM.  COMPROVAÇÃO.  Caracterizam­se  como  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em conta de depósito ou de  investimento mantida  em  instituição  financeira, quando o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado,  não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos  utilizados nessas  operações.   MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  (MPF).  NULIDADE  DE  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  Constituindo­se  o  MPF  em  elemento  de  controle  da  administração  tributária,  disciplinado  por  ato  administrativo,  eventual  irregularidade  formal  nele  detectada  não  enseja  a  nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por  agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e  obrigatória nos termos da lei.  CIÊNCIA VIA POSTAL.   É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura  do  recebedor  da  correspondência,  ainda  que  não  seja  o  representante  legal  do  destinatário.  (Súmula 1º CC nº 9, publicada no Diário Oficial da União, Seção 1, dos  dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006)  CERCEAMENTO DE DEFESA – Não há cerceamento do direito de defesa,  quando constatado que o interessado demonstra conhecer os fatos que lhe são  imputados e exercita o contraditório à exaustão.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI­  O  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1º CC nº 2)     Fl. 443DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA   2 DECADÊNCIA ­ TERMO INICIAL  De  acordo  com  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  não  havendo  pagamento  do  tributo,  o  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  inicia­se  do  exercício/período  seguinte  aquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido iniciado, ex­vi do disposto no inciso I, art. 173,  do CTN. (Acórdão nº 9101­000.874 de 22/02/2011 ­ 1a Turma/CSRF).   JUROS  DE  MORA­  SELIC  –  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais (Súmula 1º CC nº 4)  LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS, COFINS e INSS­Simples   Decorrendo  as  exigências  da  mesma  imputação  que  fundamentou  o  lançamento  do  IRPJ  mensal,  deve  ser  adotada  a  mesma  decisão  proferida  para  o  imposto  de  renda,  na  medida  em  que  não  há  fatos  ou  argumentos  novos a ensejar conclusão diversa.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  em NEGAR provimento ao recurso voluntário, e,  manter as exigências tal como lançadas em relação ao mês de novembro de 1997.      (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa,  José  de  Oliveira  Ferraz  Corrêa,  Gilberto  Baptista,  Nelso  Kichel,  Gustavo  Junqueira  Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.007957/2002­18  Acórdão n.º 1802­001.200  S1­TE02  Fl. 2          3     Relatório  TRANSPORTADORA YOUSSEF LTDA, já qualificada nos autos recorre a  este  colegiado  da  decisão  de  primeira  instância,  1a.Turma/DRJ/Curitiba/PR,  que  julgou  procedentes os lançamentos relativos ao crédito tributário, consolidado às fls.03, constante dos  seguintes Autos de Infração:  ­  Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­  IRPJ ­ Simples (fls. 132/142 ), no valor de R$ 826,05,  acrescido de 75% de multa de ofício e juros de mora;  ­ Contribuição para o Programa de Integração Social ­ PIS – Simples (fls. 142/145) no valor de  R$ 826,05, acrescido 75% de multa de ofício e juros de mora;   ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL – Simples (fls. 146/149) no valor de R$  1.522,35, acrescido de 75% de multa de ofício e juros de mora;  ­ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins – Simples (fls. 150/153) no  valor de R$ 3.044,70, acrescido de 75% de multa de ofício e juros de mora;  ­  Contribuição  para  Seguridade  Social  ­  INSS  –  Simples  (fls.  154/157)  no  valor  de  R$  3.934,26, acrescido de 75% de multa de ofício e juros de mora.   A  exigência  relativa  ao  IRPJ,  nos  períodos  de  apuração  de,  30/06/1997,  31/07/1997,  30/09/1997 a 31/12/1997, conforme o Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação  Fiscal  de  fls.  126/131,  resultou  da  existência  de  depósitos  bancários  à  margem  da  contabilidade, caracterizando receita omitida e da apuração a menor do Simples nos períodos  de  apuração 30/04/97, 30/06/97, 31/10/97    a 31/12/1997,  com enquadramento  legal nos  arts.  226, 229, 889 e 890 do RIR/1994, 24 da Lei nº 9.249, de 1995, 2º, § 2º, 3º, § 1º,”a”, 5º, 7º, § 1º  e 18 da Lei nº 9.317, de 1996 e 42 da Lei nº 9.430, de 1996.   Em decorrência da  ação  fiscal  foi apurado o  IRPJ com base no Simples,  com reflexo  das  Contribuições  Sociais:  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS,  Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Líquido­  CSSL,  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade Social – Cofins e Contribuição para Seguridade Social – INSS.   A  empresa  foi  cientificada  da  decisão  proferida  mediante  o  Acórdão  nº  3.069,  de  13/02/2003, da 1ª Turma da DRJ/Curitiba/PR (fls.173/190), conforme Aviso de Recebimento  (AR),  fls.193,  em  07/03/2003,  e,  interpôs  Recurso  ao  Conselho  de  Contribuintes,  em  07/04/2003, fls.194/243.  Em seu apelo, a Recorrente reitera, no essencial, os mesmos argumentos apresentados  na impugnação de fls.165/168, que em síntese, são os seguintes:  ­ argúi a decadência, fls.224 a 228, uma vez que todos os lançamentos bancários são referentes  ao ano de 1997 e o lançamento foi notificado em 31/12/2002. Cita a seu favor o art. 150, § 4º  da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN;  Fl. 445DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA   4 ­  que  há  vícios  nos  atos  administrativos  de  lançamento,  seja  porque  se  trata  de  requisito  essencial que não foi observado, seja porque implica cerceamento ao direito de defesa;  ­  que  o  contribuinte  deve  estar  ciente  da  expedição  do Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF,  no  entanto,  observa­se  que  sequer  foi  enviada  a  cópia  do MPF  a  algum  dirigente  da  empresa  ou  a  qualquer  representante  legal,  o  que  desautoriza  sua  fiscalização  pelos  agentes  fiscais;  ­ no caso concreto, o MPF ainda que tivesse chegado ao conhecimento dos representantes da  empresa,  não  especificou  os  tributos  (PIS,  COFINS  e  CSLL),  autorizou  tão­somente  a  fiscalização do IRPJ;        ­ que o auto de infração e o lançamento são produtos de um procedimento de fiscalização, por  meio  do  qual  deve  ser  provada  a  verdade material  dos  fatos,  não  podendo  ser  baseado  em  meros  indícios  (extratos  bancários)  sob  o  fundamento  de  omissão  de  receitas,  o  que  teria  implicado diferenças nos valores a serem recolhidos a título IRPJ, PIS, COFINS e CSLL; sobre  a prova indiciária discorre das fls.228 às 236;  ­  que  a  base  de  cálculo  dos  tributos  abrangidos  pelo  SIMPLES  é  a  receita  bruta  mensal,  conforme o art.5º e o § 2º do artigo 2º, da Lei nº 9.317/96, não incluindo os ganhos líquidos  auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, nem os resultados não­operacionais relativos  aos ganhos de  capital  obtidos na  alienação de  ativos,  que  serão  tributados de acordo com as  normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas;  ­ que os valores “encontrados” pela Fiscalização em conta bancária não são passíveis de serem  considerados  receitas,  base  de  cálculo  para  a  incidência  de  tributos,  tendo  em  vista  que  configuraram valores que transitaram temporariamente no patrimônio da contribuinte, “meros  ingressos” ;      transcreve excertos jurisprudenciais às fls.211 a 213.  ­ que seus livros  fiscais comprovam que as receitas oriundas da prestação de serviços,  foram  devidamente escriturados e consideradas para o recolhimento dos tributos devidos;  ­ que são indevidos os juros com base na taxa Selic, por afrontar a CF de 1988 e o CTN.   Finalizando, requer seja provido o recurso.  A  antiga  TERCEIRA  TURMA  ESPECIAL  do  então  PRIMEIRO  CONSELHO  DE  CONTRIBUINTES, mediante  o Acórdão  nº  193­00.156  de  02/02/2009,  nos  termos  do  voto  vencedor,  fundamentado  no  artigo  150,  §  4º  do  CTN,  julgou  parcialmente  procedente  o  recurso, para acatar a preliminar de decadência, afastando os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS,  COFINS  e  INSS­Simples,  relativos  aos  meses  de  abril  até  novembro  de  1997,  e,  manter  a  exigência tal como lançada no que tange ao mês de dezembro de 1997.  O mencionado Acórdão possui a seguinte ementa:  Assunto:  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  –  Simples.  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica­  Simples e Outros   Período  de  apuração:  30/04/1997,  30/06/1997,  31/07/1997,  30/09/1997 a 31/12/1997   Ementa:  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizam­se como omissão de  Fl. 446DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.007957/2002­18  Acórdão n.º 1802­001.200  S1­TE02  Fl. 3          5 receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida em instituição financeira, quando o titular,  pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.   MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  (MPF).  NULIDADE  DE  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  Constituindo­se  o  MPF  em  elemento  de  controle  da  administração  tributária,  disciplinado  por  ato  administrativo,  eventual  irregularidade  formal  nele  detectada  não  enseja  a  nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais  lavrados  por  agente  fiscal  competente  para  proceder  ao  lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei.  CIÊNCIA VIA POSTAL.   É  válida  a  ciência  da  notificação  por  via  postal  realizada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura do recebedor da correspondência, ainda que não seja  o  representante  legal  do  destinatário.  (Súmula  1º  CC  nº  9,  publicada no Diário Oficial da União, Seção 1, dos dias 26, 27  e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006)  CERCEAMENTO DE DEFESA – Não há cerceamento do direito  de  defesa,  quando  constatado  que  o  interessado  demonstra  conhecer  os  fatos  que  lhe  são  imputados  e  exercita  o  contraditório à exaustão.  DECADÊNCIA  ­  Período  de  apuração:  01/04/1997  a  30/04/1997, 01/06/1997 a 30/06/1997, 01/07/1997 a 31/07/1997,  01/09/1997 a 31/12/1997 ­ Sendo o tributo sujeito ao lançamento  pela modalidade homologação, o início da contagem do prazo é  o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada  a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI­O Primeiro Conselho de  Contribuintes  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1º CC nº 2)  JUROS DE MORA­ SELIC – A partir de 1º de abril de 1995, os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais  (Súmula 1º CC nº 4)  LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL, PIS, COFINS e INSS­Simples  Decorrendo  as  exigências  da  mesma  imputação  que  fundamentou o lançamento do IRPJ mensal, deve ser adotada a  mesma  decisão  proferida  para  o  imposto  de  renda,  na medida  em que não há  fatos ou argumentos  novos a  ensejar conclusão  diversa.  Irresignada com a decisão proferida no acórdão acima, no tocante ao prazo decadencial,   a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos  Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA   6 Fiscais  (CSRF),  que,  mediante  o  Acórdão  nº  9101­000.874  ­  1a  Turma,  de  22/02/2011,  fundamentado  no  artigo  173,  inciso  I,  do  CTN,  deu  provimento  parcial  ao  recurso  de  divergência para, nos termos do voto condutor do mencionado acórdão, “afastar a decadência  do  direito  do  fisco  em  constituir  o  crédito  tributário  relativa  ao mês  de  novembro  de 1997,  devendo o processo retornar a uma das Câmaras da Primeira Sessão, para que se analise o  mérito da exigência do referido mês”.   O Acórdão nº 9101­000.874/CSRF, está assim ementado:  Ementa: DECADÊNCIA ­ TERMO INICIAL  De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça,  em  não  havendo  pagamento  do  tributo,  o  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  inicia­se  do  exercício/período  seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido  iniciado,  ex­vi do disposto no inciso I, art. 713, do CTN.  É o relatório.    Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.007957/2002­18  Acórdão n.º 1802­001.200  S1­TE02  Fl. 4          7 Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa  Conforme  relatado,  o Acórdão  nº  193­00.156  de  02/02/2009  proferido  pela  antiga  3ª  Turma Especial  do  1º  Conselho  de Contribuintes, móvel  para  o  Recurso  de Divergência  da  Procuradoria da Fazenda Nacional à CSRF, teve como fundamento o artigo 150, § 4º do CTN,  para  “acatar  a  preliminar  de  decadência,  afastando  os  lançamentos  do  IRPJ,  CSLL,  PIS,  COFINS  e  INSS­Simples,  relativos  aos  meses  de  abril  até  novembro  de  1997,  e,  manter  a  exigência tal como lançada no que tange ao mês de dezembro de 1997”.  Entretanto, o recurso voluntário retorna a este Colegiado, para o exame de mérito, em  face do Acórdão da 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, CARF/9101­000.874  de 22/02/2011, que fundamentado no artigo 173, inciso I, do CTN, deu provimento parcial ao  recurso de divergência para, nos termos do voto condutor do mencionado acórdão, “afastar a  decadência do direito do fisco em constituir o crédito tributário relativa ao mês de novembro  de 1997, devendo o processo retornar a uma das Câmaras da Primeira Sessão, para que se  analise o mérito da exigência do referido mês”.  A conclusão do Acórdão nº 193­00.156 de 02/02/2009, foi no sentido de que, sendo o  tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação, o início da contagem do prazo é o  da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação. Desse modo, considerando que os fatos geradores mensais ocorreram sob a égide da  Lei  nº  9.317/96,  portanto,  no  último  dia  dos  meses  do  ano  calendário  de  1997,  datas  de  apuração  dos  tributos  com  base  no  SIMPLES,  e  que,  o  contribuinte  tomou  ciência  do  lançamento somente em 31.12.2002, o prazo para a administração lançar eventuais diferenças,  referentes  aos  meses  de  abril  a  novembro,  venceu  em  30/11/2002,  havendo,  portanto,  transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, previsto no art.150, § 4º do CTN para o Fisco efetuar o  lançamento  do  tributo,  ou  seja,  constituir  o  crédito  tributário  relativo  aos  fatos  geradores  pertinentes aos mencionados meses de 1997.   Assim, acolheu­se a decadência, para afastar as exigências relativas aos fatos geradores  de abril a novembro de 1997.   A  decisão  da  1a.  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  alterou  o  referido  entendimento daquele Colegiado (antiga 3ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes),  nos seguintes termos:  (...)  O  dissídio  jurisprudencial  apontado  situa­se  na  definição  do  termo  inicial  para  a  contagem  de  decadência,  quanto  aos  tributos sujeitos, por sua legislação específica, a lançamento por  homologação.  Pretende a Fazenda Nacional que, nos casos em que não tenha  ocorrido pagamento, o termo inicial a ser considerado deva ser  o  do  inciso  I  do  art.  173  do  CTN,  ou  seja,  o  primeiro  dia  do  Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA   8 exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ser  efetuado.  Até  a  entrada  em  vigor  no  novo  regimento  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, que impõe seja os processos  julgados  de  acordo  com  o  entendimento  das Cortes  Superiores  de Justiça, vinha adotando a tese de que, nos termos do § 4° do  art. 150, a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos,  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador,  para  exercer  a  atividade  fiscalizatória,  verificar  a  correção  da  atividade  exercida  pelo  sujeito  passivo  e,  dela  discordando,  praticar  o  lançamento de ofício. Findo esse prazo, nada mais podia fazer,  pois ocorria a homologação tácita e estaria extinto o direito da  Fazenda para constituir o crédito, eis que no meu entendimento  o que se homologa é a atividade exercida pelo contribuinte e não  o pagamento em si.  Entretanto, de acordo com a interpretação do Superior Tribunal  de  Justiça,  em  não  havendo  pagamento  do  tributo,  impõe­se  a  regra disposta no inciso I, art. 173 do CTN, ou seja, do primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado.  Ocorre  que  no  caso  concreto,  o  lançamento  relativo  ao  IRPJ  com  base  no  Simples,  com  reflexo  nas  Contribuições  Sociais:  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS,  Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido­ CSSL, Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  —  Cofins  e  Contribuição  para  Seguridade  Social  —  INSS,  refere­se  aos  meses de abril a dezembro de 1997.  Assim, considerando que os fatos geradores mensais ocorreram  sob a égide da Lei n° 9.317/96, art. 5o, portanto, no último dia  dos  meses  do  ano  calendário  de  1997,  datas  de  apuração  dos  tributos  com  base  no  SIMPLES  ­  apuração mensal  ­,  e  que,  a  partir do mês seguinte a Fazenda Nacional  já poderia exigir os  tributos  devidos,  o  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  contar­se­á  a  partir  do  mês  seguinte  e  não  do  exercício seguinte conforme entendimento da D. Procuradoria.  Portanto, tendo o contribuinte tomado ciência do lançamento em  31.12.2002,  o  prazo  para  a  administração  lançar  eventuais  diferenças  referentes  aos  meses  de  abril  a  outubro,  ex  vi  do  disposto no art. 173 do CTN, venceu em 30/11/2002.  Entretanto,  o  acórdão  recorrido  ao  aplicar  no  presente  caso  o  disposto  no  $4°.  do  art.  150,  do  CTN,  deu  provimento  para  reconhecer  a  decadência  do  direito  do  fisco  em  constituir  o  crédito  tributário  até  o  mês  de  novembro  de  1997,  devendo,  portanto,  nessa  parte,  em  obediência  ao  novo  Regimento  do  CARF,  ser  restabelecida  a  exigência  relativa  ao  referido  mês  (novembro de 1997).  Dessa  forma,  DOU  provimento  PARCIAL  ao  recurso  da  D.  Procuradoria para afastar a decadência do direito do  fisco  em  constituir  o  crédito  tributário  relativa  ao mês  de  novembro  de  1997,  devendo  o  processo  retornar  a  uma  das  Câmaras  da  Primeira Sessão, para que  se analise o mérito da  exigência do  referido mês.  Fl. 450DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.007957/2002­18  Acórdão n.º 1802­001.200  S1­TE02  Fl. 5          9 Como  relatado  a  exigência  relativa  ao  IRPJ,  nos  períodos  de  apuração mensal  de  1997,  conforme  o  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  Parcial  da  Ação  Fiscal  de  fls.  126/131,  resultou da existência de depósitos bancários à margem da contabilidade, caracterizando receita  omitida  e  da  apuração  a  menor  do  Simples  nos  períodos  de  apuração  30/04/97,  30/06/97,  31/10/97  a 31/12/1997, com enquadramento legal nos arts. 226, 229, 889 e 890 do RIR/1994,  24 da Lei nº 9.249, de 1995, 2º, § 2º, 3º, § 1º,”a”, 5º, 7º, § 1º e 18 da Lei nº 9.317, de 1996 e 42  da Lei nº 9.430, de 1996.  Em decorrência da ação fiscal foi apurado o IRPJ com base no Simples, com reflexo das  Contribuições Sociais: Contribuição para o Programa de Integração Social ­ PIS, Contribuição  Social Sobre o Lucro Líquido­ CSSL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social –  Cofins e Contribuição para Seguridade Social – INSS.  Nesse  passo,  o  exame  do  recurso  voluntário  cinge­se  à  análise  do mérito  das  exigências  relativas  ao  mês  de  novembro  de  1997,  tal  como  decidido  no  Acórdão  –  1ª  Turma  –  CARF/9101­000.874 de 22/02/2011 retromencionado.   Assim, não sendo acolhida a decadência em relação ao mês de dezembro de 1997, restou  mantida a exigência tal como lançada, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 193­00.156  de 02/02/2009, do qual se extrai os mesmos fundamentos para manter as exigências relativas  ao mês de novembro de 1997, dada a íntima relação das matérias tratadas em relação aos fatos  geradores de novembro e dezembro de 1997.  Retornando ao ponto nodal da lide, relembra­se que a questão suscitada nos autos trata de  matéria de  fato a ser comprovada pela autuada para  infirmar a omissão de receita constatada  pelo Fisco.  Insurge­se  a  autuada  contra  a  tributação  da  receita  omitida  com  base  na  movimentação  financeira de origem não comprovada,  alegando que o procedimento  fiscal depende que seja  provada  a  verdade material  dos  fatos,  não  podendo  ser baseado  em meros  indícios  (extratos  bancários)  sob  o  fundamento  de  omissão  de  receitas;  que  os  valores  “encontrados”  pela  Fiscalização  em  conta  bancária  não  são  passíveis  de  serem  considerados  receitas,  base  de  cálculo para a incidência de tributos, tendo em vista que configuraram valores que transitaram  temporariamente  no  patrimônio  da  contribuinte,  “meros  ingressos”;  e,  que  a  base de  cálculo  dos  tributos  abrangidos  pelo  SIMPLES  é  a  receita  bruta  mensal,  não  incluindo  os  ganhos  líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, nem os resultados não­operacionais  relativos aos ganhos de capital obtidos na alienação de ativos, que serão tributados de acordo  com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas;  Sobre  a omissão de  receita  caracterizada pelos Depósitos Bancários não  contabilizados  e  Sem Comprovação da Origem dos Recursos, cabe analisar o seguinte:  1)  Que o acesso aos documentos bancários se deu por via de quebra de sigilo bancário, nos  termos  da  decisão  judicial  que  autorizou  a  busca  dos  documentos  diretamente  nas  instituições financeiras (fls.29/67);  2)  A  fiscalização  examinando  os  extratos  bancários,  mediante  o  termo  de  intimação  nº  004, fls.13/23 (AR fls.24),  intimou a empresa a comprovar com documentação hábil e  idônea,  a  origem  dos  recursos  constantes  dos  depósitos  bancários  bem  como  as  operações que deram origem a essas entradas de recursos na conta nº 0774516864­76  no Banco Noroeste, Ag.Londrina.  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA   10 3)  Não  havendo  manifestação  do  sujeito  passivo  acerca  do  que  lhe  foi  intimado,  a   fiscalização  procedeu  o  lançamento  de  acordo  com  o  demonstrativo  das  receitas  consideradas  omitidas  às  fl.  130  e  descrição  dos  fatos  (fls.  141),  concluindo­se  por  depósitos bancários de origem não comprovada, configurando assim omissão de receita  nos moldes do art.42 da Lei nº 9430/96.  Diante das verificações narradas pela fiscalização cai por terra a negação geral da empresa  sem  qualquer  substância  para  desqualificar  os  fatos  apresentados  pela  autoridade  fiscal.  As  singelas  alegações  de  que,  “o  procedimento  fiscal  depende  que  seja  provada  a  verdade  material  dos  fatos,  não  podendo  ser  baseado  em meros  indícios  (extratos  bancários)  sob  o  fundamento de omissão de receitas; que os valores “encontrados” pela Fiscalização em conta  bancária não são passíveis de serem considerados receitas, base de cálculo para a incidência  de  tributos,  tendo  em  vista  que  configuraram  valores  que  transitaram  temporariamente  no  patrimônio  da  contribuinte,  “meros  ingressos”;  e,  que  a  base  de  cálculo  dos  tributos  abrangidos  pelo  SIMPLES  é  a  receita  bruta  mensal,  não  incluindo  os  ganhos  líquidos  auferidos  em  aplicações  de  renda  fixa  ou  variável,  nem  os  resultados  não­operacionais  relativos aos ganhos de capital obtidos na alienação de ativos, que serão tributados de acordo  com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas”, são desprovidas de plausibilidade, tem  caráter meramente protelatório e sem qualquer fundamento sustentável.    A  contribuinte  rebate  genericamente  a  irregularidade,  porém  não  traz  nos  termos  do  Decreto  70.235,  de  1972,  art.  15,  documentos  capazes  de  infirmar  os  fundamentos  consubstanciados no Auto de Infração e no Relatório da Fiscalização.  A  busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção  das  provas.  A  apresentação  dos  documentos  juntamente  com  a  defesa  é  ônus  da  alçada  da  recorrente.  Na realidade, o  julgador  forma o seu convencimento pelo conjunto de elementos  trazidos  aos  autos  que  estabelecem  a  prova  indiciária  de  receita  omitida  configurada  pela  não  comprovação  de  documentos  hábeis  e  idôneos  suficientes  para  desconstituírem  a  autuação  efetuada com base em depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada  O Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto nº 3.000/99), em seu art.923 assim  dispõe:  A escrituração mantida com observância das disposições legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou  assim  definidos  em  preceitos  legais  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977, art.9º , § 1º).(Destaquei)  Acerca do ônus probatório no processo administrativo­tributário é importante observar  que ele incumbe a quem tem interesse em provar o seu direito.   Portanto,  salvo  nos  casos  de  presunções  legais,  ele  recai  inicialmente  à  autoridade  administrativa  lançadora,  no  sentido  de  provar  a  prática  das  irregularidades  imputadas  ao  sujeito  passivo.  Entretanto,  igualmente,  ao  sujeito  passivo  da  relação  jurídico­tributária,  no  exercício do seu amplo direito de defesa, incumbe apresentar provas irrefutáveis e inequívocas  suficientes a elidir a imputação.    Nos  presentes  autos  constata­se,  sem  quaisquer  dúvidas,  a  existência  de  todo  um  conjunto probatório construído pela autoridade fiscal que demonstra a ocorrência da infração,  sem que a Recorrente tenha logrado contrariar.  Fl. 452DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.007957/2002­18  Acórdão n.º 1802­001.200  S1­TE02  Fl. 6          11   Os elementos constantes no processo apontam, no sentido de que efetivamente ocorreu  a irregularidade objeto de autuação.    Tanto a autoridade lançadora, como o órgão de julgamento de primeiro grau, cuidaram  em  demonstrar, motivar  e  fundamentar,  de  forma  inequívoca,  a  tipicidade  da  infração  sob  a  égide de omissão de receita em conexão com as ocorrências da realidade factual.  É importante esclarecer que durante o período de 1997 houve movimentação financeira  que  denota  a  obtenção  de  receitas.  Sem  que  haja  comprovação  de  serem  as  mesmas  não  tributáveis  ou  já  tributadas.  Desse modo,  a  convicção  acerca  da  prática,  pela  recorrente,  da  infração objeto de autuação, foi formada por meio de elementos que foram considerados como  suficientes a provarem o ocorrido.  A  contribuinte  não  apresentou  livros  comerciais  e  fiscais  com  a  escrituração  da  movimentação  bancária  e  documentos  para  infirmar  a  autuação,  traz  em  sede  de  recurso  alegação genérica e incompatível com a realidade dos fatos.  O que  se  infere do Termo de Constatação Fiscal  é  a  não  comprovação  da  origem de  depósitos bancários, subsumindo o fato à hipótese legal prescrita no art.42 da Lei nº 9.430/96.  Feitas tais considerações deve­se examinar a aplicação do art.42 da Lei nº 9.430/96, a  seguir, para fins de determinação de omissão de receita na constituição do crédito tributário:  LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ­ DOU de 30.12.96   “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  A questão circunscreve­se nos limites do que se entende por presunção e sua natureza  no  campo  jurídico  da  prova  na  constituição  do  crédito  tributário.  Segundo  o  vocabulário  jurídico De Plácido  e Silva,  presunção  “exprime a  dedução,  a  conclusão  ou  a  conseqüência  que  se  tira  de  um  fato  conhecido,  para  se  admitir  como  certa,  verdadeira  e  provada  a  existência de um fato desconhecido ou duvidoso”.  A  depender  do  nível  de  correlação  entre  os  fatos  conhecidos  (indícios)  e  o  fato  presumido  como  verdadeiro,  têm­se  as  presunções  legais,  absolutas  ou  relativas.  Nas  presunções legais absolutas (juris et de juris) não se admite prova em contrário. Admite­se o  fato  desconhecido  ou  duvidoso  como  verdadeiro  e  provado.  De  outra  natureza,  tem­se  a  presunção relativa (juris tantum), a qual admite contestação por parte de quem tenha interesse  em desfazê­la. A presunção legal relativa prevalece até que o interessado demonstre o contrário  cabendo o ônus da prova àquele a quem aproveite desconstituí­la.    Da inteligência do art. 42 da Lei nº 9.430/96,  infere­se que o  legislador  instituiu uma  presunção de omissão de receita ou de rendimentos cuja eficácia requer apenas a constatação  de valores creditados em conta de depósitos junto a instituição financeira em relação aos quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Nesse  contexto o legislador  achou por razoável, que o ônus da prova recaísse sobre o titular, pessoa  Fl. 453DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA   12 física ou jurídica, elegendo os depósitos bancários sem origem comprovada como omissão de  receita.   Como se vê há uma presunção legal relativa que somente poderá ser elidida por prova  inequívoca  a  cargo  do  sujeito  passivo.  A  autoridade  lançadora  fica  dispensada  de  provar  a  omissão  de  receita  caracterizada  pelos  depósitos  bancários  verificados  como  não  contabilizados. Cabe ao contribuinte para afastar a presunção de omissão de receita provar que  o  fato  presumido  não  existe.    Como  se  disse,  por  se  tratar  de  uma  presunção  relativa  (juris  tantum), somente provas hábeis e idôneas apresentadas podem rebater a presunção legalmente   estabelecida. O contribuinte,  por  sua vez,  não  logrando êxito no  seu mister,  como ocorre no  caso  presente,  tem­se  a  autorização  legal  para  considerar  ocorrido  o  fato  gerador,  por  presunção  legal.  Ou  seja,  tem­se  como  verdadeiro  que  os  recursos  depositados  representam  receitas omitidas pelo contribuinte.   Verifica­se do conjunto de documentos constantes dos autos, que a recorrente, além do  Termo de Início de Fiscalização de Ação Fiscal, foi novamente intimada ( Intimação nº 004),  para  justificar  suas  operações,  comprovar  origens  e  valores  relativos  a  movimentação  financeira  junto  ao  Banco  Noroeste.  Ag.Londrina.  Todos  os  procedimentos  fiscais  foram  previamente  notificados  à  então  fiscalizada,  procedimentos  estes  que  deram  amplos  e  ilimitados  direitos  a  comprovar  as  operações  questionadas,  bem  como  idênticos  direitos  de  proceder à defesa, após a lavratura dos autos de infração.  A  descrição  dos  fatos  no  auto  de  infração  bem  como  o  Relatório  de  Fiscalização,  contém a descrição objetiva da infração e especifica todos os documentos e demonstrativos que  deram suporte à exigência  tributária, conforme bem entendido e ainda esclarecido nas  razões  da decisão de primeiro grau.  Em verdade, a argumentação da recorrente resvala da prescrição contida no art. 42 da  Lei nº 9.430/96 e embrenha­se em alegações vãs,  longe de qualquer comprovação através de  documentação  hábil  e  idônea,  coincidentes  em  datas  e  valores  que  permita  fazer  liame  dos  recursos  recebidos em conta bancária com operação que dê origem a  tais  recursos que possa  desconfigurar a omissão de receita presumida, objeto do auto de infração.    Como  se  vê  da  descrição  dos  fatos,  a  empresa  não  apresentou  documentação  que  comprovasse  a  origem  dos  recursos  daqueles  diversos  depósitos,  sequer  os  contabilizou. Ao  fisco  coube  provar  o  fato  constitutivo  do  seu  direito,  no  caso  em  questão,  a  existência  de  depósito bancário sem origem comprovada, o fazendo de forma contundente.   Evidenciada a legalidade da presunção de omissão de receita, pode­se concluir que, as  alegações  trazidas  pelo  contribuinte  mostram­se  ineficazes  para  desconstituir  os  Autos  de  Infração,  visto  que,  o  simples  fato  da  existência  de  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo  a prova em contrário que, conforme dito, não  as apresentou,  razão pela qual os  lançamentos  para o fato gerador de novembro e dezembro de 1997 devem ser mantidos.  No  que  se  refere  à  infração  –  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  –  não  há  qualquer  manifestação  sobre  a  matéria  que  demonstre  haver  o  pagamento  ou  confissão  de  dívida a obstar o lançamento, razão pela qual deve ser mantida a exigência relativa aos meses  de novembro e dezembro de 1997.  Sobre os juros de mora, conforme esclarecido na decisão de primeiro grau, trata­se de  autorização prevista no art.161 da Lei nº 5.172/66­ Código Tributário Nacional ­ CTN, e na Lei  nº  9.430,  de  1996,  art.  61,  §  3º,  incidindo  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  do  pagamento, seja qual for o motivo da falta de pagamento do tributo.  Fl. 454DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.007957/2002­18  Acórdão n.º 1802­001.200  S1­TE02  Fl. 7          13 Vale frisar que tal exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo a este  órgão do Poder Executivo deixar de aplicá­la, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nºs 2 e  4 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis:  Súmula 1ºCC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei  tributária.  (DOU,  Seção  1,  dos  dias  26,  27  e  28/06/2006,  vigorando a partir de 28/07/2006).  Súmula  1º CC nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais.  (DOU,  Seção  1,  dos  dias  26,  27  e  28/06/2006,  vigorando  a  partir  de  28/07/2006).  Quanto  ao  lançamento  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido­  CSLL,  PIS,  COFINS e INSS­Simples, decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o  lançamento do  IRPJ mensal,  deve  ser  adotada a mesma decisão proferida para o  imposto de  renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário,  quanto ao mérito, relativo ao mês de novembro de 1997.             (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa.                                Fl. 455DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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Numero do processo: 10930.006179/2003-12
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1998 Ementa: INSTITUIÇÃO DE ENSINO. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. EFEITOS SOBRE A EXGÊNCIA DO PIS. Julgado improcedente o Ato Declaratório Executivo que suspendera a imunidade de impostos, os lançamentos tributários assentados nesse ato administrativo suspensivo não podem prosperar.
Numero da decisão: 193-00.048
Decisão: ACORDAM os membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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I „. ; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA TURMA ESPECIAL Processo n° 10930.006179/2003-12 Recurso n° 160.354 Voluntário Matéria P IS/PAS EP Acórdão n° 193-00.048 Sessão de 16 de dezembro de 2008 Recorrente UNIÃO NORTE DO PARANÁ DE ENSINO S/C LTDA Recorrida 3' TURMA/DRECURITIBA/PR Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1998 Ementa: INSTITUIÇÃO DE ENSINO. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. EFEITOS SOBRE A EXGÊNCIA DO PIS. Julgado improcedente o Ato Declaratório Executivo que suspendera a imunidade de impostos, os lançamentos tributários assentados nesse ato administrativo suspensivo não podem prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos por UNIÃO NORTE DO PARANÁ DE ENSINO S/C LTDA. ACORDAM os membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e vot que passam a integrar o presente julgado. YK)-* (5CHERY ERNO Presidente em E. - o ST • st - *LIES INS D • elatora FORMALIZADO EM: 9 mAR ; t' Participaram, ai ia, do presente julgamento, os Conselheiros ANTONIO BEZERRA NETO e ROGERIO GARCIA PERES. Processo rr 10930.006179/2003-12 CC01/793 Acórdão s. 193-00.048 Fls. 2 Relatório UNIÃO NORTE DO PARANÁ DE ENSINO S/C LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, proferida pela 211 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba — PR, que julgou procedente em parte o lançamento relativo ao crédito tributário consolidado às fls.131, consubstanciado no seguinte auto de infração: • Contribuição Para o Programa de Integração Social - PIS, fls.127/133, no valor de R$ 110.235,64, acrescido de multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora. Conforme a descrição dos fatos e fundamentação legal: arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970; arts. 2°, I, 3 0, 8°, I, e 9° da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, a autuação ocorreu devido à falta de recolhimento da contribuição para o PIS dos períodos de apuração de 01/01/1998 a 31/12/1998, tendo em vista a expedição do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/LON N° 59. de 07 de novembro de 2003. publicado no DOU de n°220. de 12/11/2003, onde o Sr.Delegado da Receita Federal em Londrina, no uso de suas atribuições legais, declarou suspensa a imunidade tributária da Recorrente, nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 10930.002052/2003-24, referente aos anos calendário de 1998 a 2000, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, fls.123/126. Às fls. 250/251, foi proferido despacho da Turma de Julgamento, solicitando esclarecimentos a respeito da finalidade lucrativa ou não da pessoa jurídica em face do procedimento de suspensão de imunidade, bem como acerca da razão pela qual não foram considerados os recolhimentos efetuados a título de contribuição para o PIS com base na folha de salários. Em atendimento, foram prestados os esclarecimentos de fls. 383/388. A decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente o lançamento em Acórdão assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 30/11/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à contribuição para o PIS decai em dez anos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. ,1 2 Processo n° 10930.006179/2003-12 CC01/193 Acórdão n.° 193-00.048 Fls. 3 Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. INDJSTÊNCL1 A suspensão de imunidade tributária discutida em processo próprio, relativa a impostos, espécies tributárias diversas das contribuições sociais, não tem relação de causa e efeito com a exigência da contribuição para o PIS. CONTRIBUIÇÃO CALCULADA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUSÊNCIA. DE FINALIDADE LUCRATIVA. PRESSUPOSTO. Contribuem para o PIS com base na folha de salários as entidades sem fins lucrativos, característica que não se mostra presente em entidades que promovem a distribuição indevida de patrimônio, consistente em aplicação de recursos em despesas de terceiros. VALORES ESPONTANEAMENTE RECOLHIDOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. NÃO-CABIMENTO. Quando da exigência de oficio da contribuição para o PIS, devem ser considerados os recolhimentos espontaneamente efetuados para os mesmos períodos de apuração. BASE DE CÁLCULO. MENSALIDADE ESCOLAR. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O preço cobrado a título de mensalidade, como contraprestação por curso provido por instituição de educação, por configurar receita de prestação de serviço, constitui base de cálculo da Cotins. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. PERCENTUAIS. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se juros de mora e multa de oficio pelos percentuais legalmente determinados. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou conflito hierárquico de leis. Lançamento Procedente em Pane". O voto condutor da decisão recorrida acolheu os argumentos da recorrente no que se refere à existência de recolhimentos efetuados a título de PIS para o período autuado, valendo reproduzir no presente relatório as razões do acolhimento: c.-----------2"Recolhimentos de contribuição para o PIS sobre a folha de salários. -. AN L- mui • 7.......„,..9 ..low 3 Processo n° 10930.006179/2003-12 CCOI/T93 Acórdão n.° 193-00.048 Fls. 4 De outra parte, alega a interessada que, caso não compensados os recolhimentos de contribuição para o PIS calculados sobre a folha de salários, haverá cobrança em duplicidade, que torna o crédito pretendido ilíquido e incerto, pelo que deveria ser cancelado o auto de infração, em face de nulidade. Alternativamente, pugna pela compensação dos pagamentos efetuados, 'nas épocas próprias A questão não tem o alcance pretendido pela impugnante, de invalidar o lançamento, porquanto a incorreção, se admitida, não é de conteúdo qualitativo, mas meramente quantitativo. Trata-se, simplesmente, de se considerarem, no lançamento de oficio, os recolhimentos havidos, ainda que por outra metodologia de cálculo (sobre a folha de salários), de contribuição para o PIS. A fiscalização, indagada, às fls. 250/251, acerca da razão pela qual não computou os recolhimentos efetuados, aduz, às fls. 386/388, que a compensação no auto de infração não seria adequada, 'considerando a estrutura de controle da SRF', por se tratar de atribuição da Sacat (Seção de Controle e Acompanhamento Tributário), que se cercearia das precauções necessárias como o cancelamento do Drof entre outros procedimentos; diz que, não obstante a não-compensação no auto de infração, continua resguardado e intacto o direito do contribuinte de serem compensados os valores recolhidos ao PIS, incidentes sobre a folha de salários, que tais recolhimentos constituem direito liquido e certo e que deverão ser considerados pela autoridade administrativa competente, 'como exclusão do valor lançado, no Auto de Infração em análise'. Como se percebe, o obstáculo aventado pela fiscalização não diz respeito ao direito em si, mas à forma a ser empregada na sua implementação. Em verdade, por se tratarem de recolhimentos para o Programa de Integração Social dos próprios períodos autuados, pelo que os termos aproveitamento ou compensação são impróprios, haveriam de ser considerados na lavratura do auto de infração por se tratar de hipótese de extinclio de crédito, por pagamento prévio e espontâneo. A eventual necessidade de controle pela SRF dos registros correspondentes, por sua vez não é razão para que se procedesse à constituição de oficio." (grifos do original) O contribuinte foi cientificado da decisão proferida mediante o Acórdão n° 7.740, de 19/01/2005, da 2a.Turma da DRJ/Curitiba /PR, fls.389/416, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls.419, em 09/02/2005, e, interpôs Recurso ao Conselho de Contribuintes, em 08/03/2005, fls.420 /452. São as seguintes, em síntese, as razões de apelação da Recorrente: I) a decisão recorrida foi proferida com preterição do direito de defesa (art.59, inciso II, Decreto n° 70.23/72), por haver demonstrado em sede de impugnação que foi autuado em decorrência de suposto descumprimento dos requisitos da imunidade, antes mesmo de concluído o referido procedimento de suspensão do beneficio fiscal e sem qualquer procedimento de cancelamento da isenção de que trata o § 7° do art.195 da Constituição Federal, entretanto, a Delegacia de Julgamento limitou-se a não se manifestar quanto t - 4 NEW Processo n° 10930.006179/2003-12 CC01/793 Acórdão n.° 193-00.048 Fls. 5 inconstitucionalidade de normas e do próprio ato administrativo. Sobre este aspecto disserta às fls.438/443; 2) enquanto não definitiva a decisão do ato de suspensão da imunidade, indefinida seja a ocorrência ou não de infrações a legislação tributária, bem como o período de abrangência da suspensão; 3) todos os requisitos à fruição da imunidade foram observados, conforme devidamente provado nos autos de processo administrativo n° 10930.002052/2003-24, cujas razões ratificam-se por brevidade, como se aqui transcritas, renovando-se, in totum, seus pedidos; 4) não poderia o Ato Declaratório Executivo n°59/2003 retroagir, por contrariar o art.146 do CTN e como tal desconsiderar os critérios jurídicos anteriormente adotados, sem objeção fiscal, para, na lavratura do auto de infração, fixar novos critérios de arrecadação, porque já havia o entendimento de que a contribuinte se encontrava obrigada ao recolhimento do PIS, com base na folha de salário, conforme prescrito no § 4°, do art. 3°, da Lei Complementar n° 7/70 (DOU de 08.09.1970) c/c o inciso II, do art. 2° e inciso II, do art. 8°, da Medida Provisória n° 1.249/95, reedições e convalidações. Todas as DCTF apresentadas pela Recorrente constavam os recolhimentos com base na folha de salários com espeque na Decisão de Consulta n° 76, de 13/12/2000, publicada no DOU de 10.01.2001, ementa transcrita as fls.451; assim, não cabe validar lançamento que altera os critérios jurídicos para exigir recolhimento da contribuição ao PIS com base no seu `faturamento'; 5) em conformidade com os artigos 150, § 40 e 156 do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à Contribuição para o PIS em relação aos fatos geradores de 30.01.1998 a 30.11.1998 resta extinto pela ocorrência da decadência em razão de que tais fatos jurídicos supostamente tributáveis teriam ocorrido há mais de 05 (cinco) anos do lançamento fiscal. Sobre a decadência disserta às fls.462/474; 6) a multa de oficio é incabível, dada a anterior informação dos fatos tributários pelo contribuinte, mediante declaração em DCTF. Sobre o tema discorre das fls.474/496; 7) a exigência tributária é ilegal em razão do que a LC n° 7/70 fora indevidamente alterada pelos arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 9715/98 e pelas medidas provisórias elencadas às fls.498/499, haja vista a impossibilidade de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias alterarem disposição de Lei Complementar, para alterar a base de cálculo do PIS, em respeito ao princípio da hierarquia das leis; 8) a aplicação da taxa Selic como referencial de juros de mora, não pode exceder de 1% ao mês, nos termos do art.161 do CTN; 9) o Ato Declaratório Executivo n° 59/2003, fundado na alínea "c" do art.150, da Carta Magna, não pode afastar a "isenção" de contribuições sociais, prescrita no § 7° do art.195, da Constituição Federal de 1988; 10) é entendimento corrente da administração fazendária de que a alínea "c", do inciso VI do art.150, da Constituição Federal somente se refere à imunidade da espécie tributária: imposto, a exemplo do Acórdão 108-055 12 — Recurso n°012848, 8 *. Câmara, ementado às 521/522 . Portanto, não poderia a decisão recorrida embasar-se em ato suspensivo da imunidade de imposto para exigir crédito tributário relativo a outra espécie tributária, qual seja: contribuição; mana Processo n° 10930.006179/2003-12 CC01/793 Acórdão n.• 193-00.048 Fls. 6 Por fim requer a nulidade da decisão recorrida ou a improcedência do lançamento, por exigir contribuição sob o fundamento da suspensão da imunidade prescrita na alínea "c", do inciso VI do art.150, da Constituição Federal, ou seja da espécie tributária: imposto. O recurso foi distribuído à Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual declinou da competência para este Primeiro Conselho, conforme se extrai do Acórdão n° 129.341, fls.636/646. É o relatório. 401 6 Processo n°10930.00617912003-12 CCO I/T93 Acórdão n.° 193-00.048 Fls. 7 Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado devido à falta de recolhimento da contribuição para o PIS dos períodos de apuração de 01/01/1998 a 31/12/1998, tendo em vista a expedição do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/LON N° 59, de 07 de novembro de 2003, publicado no DOU de n° 220, de 12/11/2003, onde o Sr.Delegado da Receita Federal em Londrina, no uso de suas atribuições legais, declarou suspensa a imunidade tributária da Recorrente, nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 10930.002052/2003- 24, referente aos anos calendário de 1998 a 2000. Foram juntadas aos autos, fls.601 a 634, cópias dos Acórdãos da 3 a.Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, relativos aos seguintes Processos Administrativos: 19930.002052/2003-24 — IRPJ — Ex.1999; Recurso n° : 143.385; Acórdão n° 103-22.681; 19930.000848/2004-23 —COFINS— Ex.2000; Recurso n° : 148.497; Acórdão n° 103-22.698; 19930.006180/2003-47 —CLLS— Ex.I 999; Recurso n° : 143.316; Acórdão n° 103-22.692; O Acórdão n° 103-22.681 deu provimento ao recurso voluntário para manter a imunidade da recorrente entendendo que as normas condicionadoras da imunidade tributária, inclusive as veiculadas pelo artigo 12 da Lei n° 9.532/97, foram por ela atendidas. Nesse contexto foi julgado improcedente o Ato Declaratório Executivo n° 59/2003. Na esteira do mencionado Acórdão, foi dado provimento aos recursos voluntários 148.497 (COFINS) e 143.316 (CSLL). O cerne da questão reside em saber se a improcedência do Ato Declaratório Executivo em comento se estende aos lançamentos dele decorrentes. O voto condutor do Acórdão n° 129.341, fls.636/646, nos fundamentos aduzidos para declinar da competência do Segundo Conselho de Contribuintes, a julgar a presente lide, trilhou por razoável caminho de raciocínio e alinhavou interpretação integrada da legislação vigente, sendo de se reproduzir o seu conteúdo que adoto para as razões de decidir: "Mister apreciar, em preliminar, matéria aventada nos autos acerca da vincula ção ou não do auto de infração de exigência da contribuição para o PIS ao ato declaratório executivo que suspendeu a imunidade de impostos da recorrente. Os termos do referido ato declaratório encontram-se reproduzidos no referido voto e é aqui novamente transcrito: ai • 7 Processo n° 10930.006179/2003-12 CCOI/T93 Acórdão n.°193-00.048 Fls. 8 "O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL LONDRINA, no uso da atribuição que lhe confere o par. 3° do art. 32 da Lei n°9.430. de 2? de dezembro de 1996, e tendo em vista o disposto no inciso Vi alínea 'c', combinado com o § 4°. todos do art. 150 da Constituicão Federal; no art. 9°, § 1°, e art. 14 e seus incisos I e II e § 1°, todos da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional; nos §§ 2°, e suas alíneas 'a' e '6', e 3° do art. 12 e nos arts. 13 e 14, todos da Lei n° 9.532, de 1997, combinado com art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, e nos arts. 4°, 5°, 12, 13 e 14 da Instrução Normativa SRF n° 113, de 1998, bem como o que consta do processo administrativo 10930.002052/2003-24, declara: Artigo único. É suspensa a imunidade tributária da pessoa jurídica União Norte do Paraná de Ensino S/C Ltda., CNPJ n° 75.234.583/0001-14, nos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000". (Grifou-se) A Medida Provisória nE 2.158-35, de 24/08/2001, dispõe no art. 13: "Art. 13. A contribuição para o P1S/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: 1- templos de qualquer culto; II - partidos políticos; III- instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n2 9.532, de 10 de dezembro de 1997;" (Negrito acrescido) Por outro lado, dispõe o art. 12 da Lei ns 9.532/97: "Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1° Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; o 8 Processo n° 10930.006179/2003-12 CCOI/T93 Acórdão ri, 193-00.048 Fls. 9 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; j) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. 3° Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente superavit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. (Alterado pela Lei n°9.718. de 27.11.98)". Acrescente-se que no item 15 o voto condutor do acórdão afirma que: "O presente auto de infração foi lavrado, de fato, no contexto de uma ação fiscal em que se investigava o preenchimento, pela autuada, dos requisitos para o gozo de beneficio de imunidade tributária." Ora, se o ato declaratório considerou descumpridos os termos do art. 12 da Lei n2 9.532/97 e por esse motivo suspendeu a imunidade da recorrente, também pelo mesmo motivo considerou que o PIS deveria ser calculado sobre o faturamento e não sobre a folha de pagamento como determina o art. 13 da MP n2 2.158-35/2001 e recolhido pela recorrente. Por outro lado, se no processo que trata da suspensão da imunidade for a mesma reconhecida e o referido ato declaratório cancelado, a recorrente retorna à condição estabelecido no art. 13 da MP citada e a contribuição para o PIS será devida somente sobre a folha de salário como efetivamente recolheu. Portanto, entendo que, indubitavelmente, o presente auto de infração foi lavrado, sim, em decorrência da expedição do referido ato declaratório, na medida em que, ao afastar a aplicação do art. 12 da Lei n2 9.532/97, por decorrência, afastou a aplicação do art. 13 da Medida Provisória n22.158-35/2001. Entendo haver um silogismo na compreensão dos textos legais: se em ida decorrência do preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 12 Chis _ da Lei n2 9.532/97 a entidade educacional é considerada imune no que diz respeito ao pagamento de impostos, também terá a contribuição ----)// 9 . • Processo n° 10930.006179/2003-12 CCOI/T93 Acórdão n.°193-00.048 Fls. 10 para o PIS exigida sobre a folha de pagamento por força do disposto no art. 13 da MP rt2 2.158-35/2001. Se, ao revés, não preencher os requisitos do artigo da referida lei, também não poderá recolher a contribuição para o PIS nos termos do artigo da Medida Provisória. Expedido o ato declaratório suspendendo a imunidade dos impostos, o mesmo produzirá efeitos diretamente sobre a contribuição para o PIS, que não poderá ser recolhida sobre a folha de salários, como previsto no art. 13 da MP citada. Dessarte entendo, diversamente da decisão recorrida, que, estando a forma de apuração da contribuição para o PIS atrelada à manutenção ou não da imunidade, a solução da presente lide deve obedecer ao disposto no § 92 do art. 32 da Lei n2 9.532/97, o qual dispõe: "§ 9° Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributario.serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente." Com essas considerações, voto por declinar da competência para apreciar o recurso para o Primeiro Conselho de Contribuintes ao qual é atribuída a competência para decidir acerca do ato declaratório que suspendeu a imunidade." Como se vê, o auto de infração descreve textualmente que a exigência do PIS decorre da expedição do Ato Declaratório que declarou suspensa a imunidade tributária da Recorrente. Com efeito, o Ato Declaratório considerou descumpridos os termos do art. 12 da Lei n2 9.532/97 e por esse motivo suspendeu a imunidade da recorrente, também pelo mesmo motivo considerou que o PIS deveria ser calculado sobre o faturamento e não sobre a folha de salários como determina o art. 13 da MP n2 2.158-35/2001 e recolhido pela recorrente. O Acórdão n° 103-22.681, proferido em sede do recurso voluntário n° 143.385, nos autos do processo administrativo n° 19930.002052/2003-24, manteve a imunidade da recorrente entendendo que as normas condicionadoras da imunidade tributária, inclusive as veiculadas pelo artigo 12 da Lei n° 9.532/97, foram por ela atendidas, razão pela qual foi julgado improcedente o Ato Declaratório Executivo n° 59/2003. Assim, restou esvaziada, a premissa que serviu de base para o lançamento da contribuição para o PIS. Diante do exposto, tendo o auto de infração sido lavrado em decorrência da expedição de Ato Declaratório Executivo que suspendera a imunidade de impostos, o lançamento assentado nessa premissa para exigir o crédito tributário relativo ao PIS não pode prosperar, na medida em que foi considerado improcedente o ato administrativo suspensivo, razão pela qual voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 16 • - - bro de 2008 E R M •"` • UE P E C SA kjaH% 10 Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10380.001744/2004-18
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: Incentivo Fiscal - Aplicação do Imposto em Investimentos Regionais — PERC — A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Demonstrada a regularidade fiscal nos moldes do ato normativo administrativo é de ser deferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC.
Numero da decisão: 193-00.033
Decisão: ACORDAM os MEMBROS da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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I i“. .....t .11.141fr MINISTÉRIO DA FAZENDA "4 n "1.• .*: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ki-f'Nfi?-- -..- TERCEIRA TURMA ESPECIAL Processo e 10380.001744/2004-18 Recurso n° 150.393 Voluntário Matéria IRPJ Acórdão n• 193-00.033 Sessão de 16 de dezembro de 2008 Recorrente NACIONAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (SOC BUTANO LTDA) Recorrida 4' TURMA/DRJ-FORTALEZAJCE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: Incentivo Fiscal - Aplicação do Imposto em Investimentos Regionais — PERC — A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Demonstrada a regularidade fiscal nos moldes do ato normativo administrativo é de ser deferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos por NACIONAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇOES LTDA. ACORDAM os MEMBROS da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos t - os do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. el è I ' 4A rod , CHERYLé• ERNO Presidente em Ex .4 • t o 100-> T • ki: a e .,:. ir -. lin" 10. A ...," • elatora FORMALIZADO EM: 1 ia MA . 109 1 Processo n° 10380.00174412004-18 CCOVT93 Acórdão n? 193-00.033 F14. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ANTONIO BEZERRA NETO e ROGÉRIO GARCIA PERES. , asa,.' a ilsa .n myyjr 2 Processo n°10380.001744/2004-IS CCOI/T93 Acórdão n." 193-00.033 Fls. 3 Relatório Por economia processual e bem sintetizar a lide, adoto o Relatório da decisão recorrida da V.Turma/DRJ-Fortaleza/CE (fls.78/79) que abaixo transcrevo: "Nacional Investimentos e Participações Ltda., inscrito no CNP' sob o n° 07.205.735/0001-09, foi cientificado do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, IRPJ/97, ano-calendário 1996, fls. 03, alterando o valor declarado a título de incentivo fiscal, em face da seguinte ocorrência: 11 — Contribuinte com débito de tributos e contribuições federais (Lei n° 9.069/95, art. 60). Em 19/08/1999, o contribuinte ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, fls. 01, dirigido à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls. 48/50, sob o fundamento de que "constatou-se que a empresa possui pendências fiscais junto a este órgão referentes a débitos de tributos e contribuições federais, conforme relatório de fls. 43/47". Inconformado com a decisão, da qual tomou ciência em 10/09/2004, fls. 51, ingressou o contribuinte com a manifestação de inconformidade de fls. 52/56, em 08/10/2004, insurgindo-se contra o indeferimento do pedido, com base nos argumentos, a seguir, sintetizados: - verifica-se que de acordo com a Informação Fiscal prestada, o contribuinte estava com débitos exigíveis de tributos e contribuições federais perante a Receita Federal, no ato da consulta realizada; - contudo, as informações obtidas pelo fiscal a partir do sistema de consultas da Receita Federal não podem e em nenhuma hipótese devem ser tidas como de forma absoluta para motivar o indeferimento do incentivo fiscal para o contribuinte; - decorre que o sistema de consulta da situação fiscal do contribuinte junto à Receita Federal, não traduz a real situação fiscal do contribuinte, em razão da inconstância das informações e em muita das vezes as indicações de débitos constantes das pesquisas são frutos da alocação indevida de pagamentos realizados pelo contribuinte que são plenamente satisfeitas apenas com a apresentação do referido comprovante de pagamento; - ademais, é totalmente inviável para o contribuinte de grande porte, manter-se com a situação fiscal imaculada durante todo o período de tempo de validade da Certidão Negativa de Débitos. Tudo porque o sistema de consulta e demonstração de débito utilizado é extremamente aleatório no que diz respeito aos períodos de apuração e aos exercícios fiscais das supostas pendências; - acrescente-se, ainda, a atualização quase diária dos supostos débitos e a necessidade constante de liquidar as exigências junto àquele órgão. k• 41 a .a %PI 3 Processo n° 10380.001744/2004-18 CCOM93 Acórdão n.° 193-00.033 Fls. 4 As diferenças entre pesquisas de situação fiscal do contribuinte realizada em dias distintos são consideráveis; - tais fatos inviabilizam o trabalho do contribuinte que não tem como permanecer diuturnamente em busca de pesquisas e demonstrando pagamentos perante a Secretaria de Receita Federal que, tampouco, disponibiliza uma estrutura capaz de atender diariamente todos os contribuintes do Estado; - desta feita, para o contribuinte manter-se em regularidade perante a Receita Federal, o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa de Débitos (seja nos termos do art. 205 ou 206 do Código Tributário Nacional), documento que basta para comprovar perante todos os órgãos a situação de regularidade fiscal do contribuinte durante o período em que esta é válida; - no caso do ora Impugnante a Certidão Negativa de Débitos na época do despacho decisório exarado em 05/08/2004, estava e está produzindo os efeitos jurídicos inerentes ao documento, ou seja, demonstrava a regularidade fiscal do contribuinte. Por este motivo, não há como conceber o indeferimento do PERC; - por outro lado, também é inconcebível o indeferimento do PERC inutilizando os incentivos fiscais, sem que seja dado ao contribuinte chance de regularizar sua situação fiscal, seja através de simples intimação para que comprove sua regularidade fiscal ou mediante a juntada de sua CND; - não há coerência nesse procedimento, uma vez que o contribuinte que detém sua CND e a renova constantemente, terá sempre o seu pedido indeferido por conta de supostas exigências que certamente no ato da renovação da CND serão documentalmente refinadas; - conforme ficou demonstrado, o impugnante na data do indeferimento tinha total condição de obter a liberação dos incentivos fiscais em questão, por estar com a sua CND válida." Finalmente a Impugnante pede a nulidade e a conseqüente improcedência do despacho decisório impugnado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) proferiu o venerando Acórdão n° 7.053, de 11.11.2005, negando provimento à impugnação em decisão (fls.76/82) pontificada no seguinte voto: "Desta forma, considerando que o sujeito passivo não comprovou sua regularidade fiscal até a análise da matéria pela DRF/Fortaleza, voto no sentido de que seja mantido o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, fls. 2." O contribuinte foi cientificado da decisão prolatada mediante o Acórdão acima, com postagem em 12/01/06, conforme extrato, fls.103, sem retomo do Aviso de Recebimento (AR) por parte dos Correios, consoante despacho fls.104, tendo a empresa interposto recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes em 14.02.2006 (fls.84/88). o , NO!'" 4medi I Processo n" 10380.001744/2004-18 CC01/793 Acórdão 193-00.033 Fls. 5 As razões de inconformidade na peça recursal são as mesmas apontadas em sua impugnação, (fis.52/56). Após o breve relato dos fatos apontados na mencionada impugnação, a Recorrente, ao final requer que se dê provimento ao recurso para reformar o Acórdão DRJ/FOR n° 7.053/2005 tornando improcedente o despacho decisório que indeferiu o PERC. É o Relatório. i) • Processo n° 10380.00174412004-18 CCOI/T93 Acórdão n.• 193-00.033 Fls. 6 Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatora O recurso é tempestivo, foi protocolizado em 14/02/2006, e preenche os requisitos de admissibilidade, nos termos do art.23, § 2°, inciso II do Decreto n° 70.235/72, dele conheço. Trata-se, como visto, de Recurso Voluntário interposto em face da decisão, que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Certificado de Investimento — PERC, sob o fundamento de que o sujeito passivo não comprovou sua regularidade fiscal quando da análise da matéria. A Informação Fiscal/Despacho Decisório da DRF — Fortaleza, emitido em 05/08/2004, fls. 48/50, para o indeferimento do pleito do interessado, teve por base pendências fiscais junto à Receita Federal, conforme relatório de fls. 43/47, expedido em 03/08/2004. O indeferimento do pedido teve por fundamento legal o disposto no art. 195, § 3° da atual Constituição Federal e art. 60 da Lei n° 9.069/95, que dá amparo ao § único do art.614 do RIR/99, a seguir transcritos: CF/88: "Art. 195. § 3°- A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber beneficios ou incentivos fiscais ou creditícios." Lei n°9.069/95: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." O texto constitucional claramente impõe restrição à pessoa jurídica em receber benefícios ou incentivos fiscais quando em débito com o sistema da seguridade social. Semelhante restrição também faz a Lei n° 9.069/95, para os casos de contribuinte com débito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Depreende-se que a mencionada lei exige como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal que a pessoa física ou jurídica não esteja débito exigível junto a Secretaria da Receita Federal. • 6 Processo n° 10380.00174412004-18 CC0I/T93 Acórdão n.° 193-00.033 Fls. 7 O contribuinte, alega, que o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), que, na época do despacho decisório estava em processo de regularização. Compulsando-se os autos, constata-se às fls.74, "Certidão Positiva de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, com Efeitos de Negativa", expedida em 16/04/2004, válida até 18/10/2004, período de validade que vai além da data do despacho decisório da DRF/FOR, de 24/08/2004. O elemento móvel trazido pela administração tributária para o indeferimento do pleito teve por base pendências fiscais junto à Receita Federal, em 24/08/2004. Na esfera administrativa tributária, dispõe a Instrução Normativa SEF n° 267, de 23/12/2002: Art.124. Nos casos em que for necessária concessão ou reconhecimento expressos pelos órgãos ou entidade da Administração Pública Federal dos incentivos ou beneficios fiscais de que trata esta Instrução Normativa, serão exigidas as Certidões Negativas de Débitos . relativamente aos tributos e contribuições federais. Assim, havendo o Recorrente trazido aos autos o documento que comprova a satisfação da exigência mediante a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), válida por ocasião do despacho decisório que analisou a matéria, entendo não subsistir a motivação para o indeferimento do pleito em sede de recurso administrativo. Diante do exposto, demonstrada a regularidade fiscal nos moldes do ato normativo administrativo, VOTO no sentido de que seja DEFERIDO o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, fls. 02, e por conseqüência a procedência do Recurso Voluntário em questão. Sala das Sessões, em e e dezembr de • : All f 1- L 'á SOU • 7 Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1

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4731858 #
Numero do processo: 35380.001189/2007-90
Turma: Sexta Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado, devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2806-000.141
Decisão: ACORDAM os membros da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO

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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35380.001189/2007-90 Recurso n° 145.578 Voluntário Acórdão n° 2806-00.141 — 6' Turma Especial Sessão de 2 de junho de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MANOEL FERREIRA DE SOUZA GASPAR Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCLÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado, devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORD a.. membros da 6' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimi a • de d' votos, em dar provimento ao recurso. ELIAS ." /110 • F • EIRE - Presidente \(ikkh. th, n KLEBER FERREIRA DE A . 1 . ÚJO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa e Rogério de Lellis Pinto. ApO\ Processo n°35380.001189/2007-90 S2-1E06 Acórdão 2806-00.141 Fl. 121 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra a pessoa fisica acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.° 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. É o relatório. .3)1\ 2 Processo n°35380.001189/2007-90 S2-TE06 Acórdão n.° 2806-00.141 Fl. 122 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido. Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos deve-se hodiemamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; (.) Vê-se que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, deve-se aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n° 8.212/1991, cancelando-se, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não posso deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n° 190/2009, de 02/02/2009, que dá o tom de qual entendimento é adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplica-se a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.°8.212/1991. 43444 Processo e 35380.001189/2007-90 82-TE06 Acórdão nt 280640.141 Fl. 123 Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 2 de junho de 2009 nkik‘ ctx. KLEBER FERREIRA DE A IITO - Relator 4 Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1

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4632710 #
Numero do processo: 10830.003048/2001-40
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1994 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. EXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL NO LAÇAMENTO ORIGINÁRIO. Sendo certo que o lançamento originário foi anulado por ocorrência de vício formal, deve-se iniciar novo prazo, da data em que a decisão que reconheceu o vício no lançamento se tornar definitiva, para contagem do prazo decadencial conferido à Fazenda Pública para efetuar o lançamento ex ofício. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. PARCIALMENTE COMPROVADAS. Conforme se pode apurar da análise do processo, o Recorrente não logrou êxito em comprovar o total das despesas médicas por ele suportadas no período. Nesse sentido, deve ser restabelecida a dedução tão-somente do que foi comprovado pelos documentos juntados ao processo. GLOSA DE DESPESAS LANÇADAS NO LIVRO CAIXA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Tendo em conta que as despesas lançadas no livro caixa pelo Recorrente e glosadas pela fiscalização não encontram previsão quanto à possibilidade de sua dedução em lei, deve ser mantida a sua glosa em prestígio ao princípio da legalidade que norteia as funções administrativas. JUROS MORATÓRIOS.TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Selic, decorre de expressa disposição legal. Preliminar rejeitada. Recurso negado
Numero da decisão: 192-00.087
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS

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Numero do processo: 18470.727281/2015-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2010 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. IRPF. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. Após cinco anos, contados do fato gerador, o procedimento adotado pelo contribuinte, de apuração e pagamento do imposto devido, está tacitamente homologado, não mais podendo a Fazenda Pública proceder a revisão dos dados declarados para fins de lançamento. LANÇAMENTO. ERRO DE CÁLCULO. NULIDADE. DESCABIMENTO. Nos termos dos artigos 59 e 60 do PAF - Decreto 70.235/72, o erro de cálculo não enseja nulidade e deve ser corrigido nas instâncias julgadoras. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. FATO GERADOR. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO BEM. COMPROVAÇÃO EM PROCEDIMENTO FISCAL. Sujeita-se ao pagamento do imposto sobre a renda a pessoa física que auferir ganho de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, inclusive na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, hipóteses em que os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador, cabendo, apenas a partir da ocorrência do fato gerador do ganho de capital em tela, a perquirição sobre o valor do custo de aquisição do bem ou direito informado na declaração de bens e direitos do de cujus ou do doador para fins de comparação com o valor de mercado na transferência efetuada a valor de mercado, sendo para tanto irrelevante que o lançamento do imposto do ano-calendário da declaração de rendimentos do de cujos em que se insere a última declaração de bens do de cujos tenha restado homologado e o respectivo crédito extinto, eis que este crédito extinto decorre de fato gerador diverso e que não se confunde com o posterior fato gerador do ganho de capital, não havendo que se falar em homologação do valor informado para o bem ou direito na declaração de bens e direitos, ainda que integre declaração de rendimentos homologada. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ÚLTIMA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. O art. 23 da Lei n° 9.532 de 1997, faculta que se adote para a apuração do ganho de capital quando da transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, o valor de mercado ou o valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador, mas não autoriza que o inventariante ao efetuar declaração de bens e direitos em nome do de cujos e posteriormente em nome do espólio passe a declarar as ações de companhias abertas por valores variáveis. O art. 23 da Lei n° 9.532, de 1997, refere-se ao custo de aquisição incorrido pelo de cujos e por ele declarado, não podendo o inventariante simplesmente informar valor a título de custo de aquisição das ações na declaração de bens e direitos do de cujos sem lastro em prova hábil e idônea, ainda mais sendo pessoa juridicamente interessada enquanto herdeiro. IRPF. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado. Súmula CARF n° 33. PERDA DA ESPONTANEIDADE. DECRETO N. 70.235/72, ART.7°, §1. O Decreto n. 70.235/72, em seu art. 7°, §1°, dispõe que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Ainda que o contribuinte não tenha sido sujeito passivo da ação fiscal, se envolvido, como é o caso, nas infrações verificadas, ocorre a perda da espontaneidade. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição. MULTADEOFÍCIO.PATAMARDE75%. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo certo que a multa delas decorrentes é de aplicação obrigatória pela autoridade lançadora. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade pelo imposto devido pela pessoa falecida, até a data do falecimento, é do espólio. Encerrada a partilha, a responsabilidade pelo imposto devido pela pessoa falecida, até aquela data, é do sucessor a qualquer título e do cônjuge meeiro, limitando-se ao montante dos bens e direitos a eles atribuídos. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. Comprovado, mediante provas documentais obtidas na ação fiscal, o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, mantém-se a obrigação tributária solidária imputada. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-011.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Ana Carolina da Silva Barbosa e Guilherme Paes de Barros Geraldi que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que fosse considerado como custo de aquisição das ações os valores informados na última declaração de ajuste anual do de cujos, ano-calendário 2008. Votou pelas conclusões o conselheiro Guilherme Paes de Barros Geraldi. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Julgamento realizado na vigência da Lei nº 14.689/2023, a qual deverá ser observada quando do cumprimento da decisão. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator (documento assinado digitalmente) Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Wilsom de Moraes Filho, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE

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INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. IRPF. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. Após cinco anos, contados do fato gerador, o procedimento adotado pelo contribuinte, de apuração e pagamento do imposto devido, está tacitamente homologado, não mais podendo a Fazenda Pública proceder a revisão dos dados declarados para fins de lançamento. LANÇAMENTO. ERRO DE CÁLCULO. NULIDADE. DESCABIMENTO. Nos termos dos artigos 59 e 60 do PAF - Decreto 70.235/72, o erro de cálculo não enseja nulidade e deve ser corrigido nas instâncias julgadoras. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. FATO GERADOR. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO BEM. COMPROVAÇÃO EM PROCEDIMENTO FISCAL. Sujeita-se ao pagamento do imposto sobre a renda a pessoa física que auferir ganho de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, inclusive na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, hipóteses em que os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador, cabendo, apenas a partir da ocorrência do fato gerador do ganho de capital em tela, a perquirição sobre o valor do custo de aquisição do bem ou direito informado na declaração de bens e direitos do de cujus ou do doador para fins de comparação com o valor de mercado na transferência efetuada a valor de mercado, sendo para tanto irrelevante que o lançamento do imposto do ano-calendário da declaração de rendimentos do de cujos em que se insere a última declaração de bens do de cujos tenha restado homologado e o respectivo crédito extinto, eis que este crédito extinto decorre de fato gerador diverso e que não se confunde com o posterior fato gerador do ganho de capital, não havendo que se falar em homologação do valor informado para o bem ou direito na declaração de bens e direitos, ainda que integre declaração de rendimentos homologada. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ÚLTIMA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. O art. 23 da Lei n° 9.532 de 1997, faculta que se adote para a apuração do ganho de capital quando da transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, o valor de mercado ou o valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador, mas não autoriza que o inventariante ao efetuar declaração de bens e direitos em nome do de cujos e posteriormente em nome do espólio passe a declarar as ações de companhias abertas por valores variáveis. O art. 23 da Lei n° 9.532, de 1997, refere-se ao custo de aquisição incorrido pelo de cujos e por ele declarado, não podendo o inventariante simplesmente informar valor a título de custo de aquisição das ações na declaração de bens e direitos do de cujos sem lastro em prova hábil e idônea, ainda mais sendo pessoa juridicamente interessada enquanto herdeiro. IRPF. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado. Súmula CARF n° 33. PERDA DA ESPONTANEIDADE. DECRETO N. 70.235/72, ART.7°, §1. O Decreto n. 70.235/72, em seu art. 7°, §1°, dispõe que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Ainda que o contribuinte não tenha sido sujeito passivo da ação fiscal, se envolvido, como é o caso, nas infrações verificadas, ocorre a perda da espontaneidade. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição. MULTADEOFÍCIO.PATAMARDE75%. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo certo que a multa delas decorrentes é de aplicação obrigatória pela autoridade lançadora. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade pelo imposto devido pela pessoa falecida, até a data do falecimento, é do espólio. Encerrada a partilha, a responsabilidade pelo imposto devido pela pessoa falecida, até aquela data, é do sucessor a qualquer título e do cônjuge meeiro, limitando-se ao montante dos bens e direitos a eles atribuídos. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. Comprovado, mediante provas documentais obtidas na ação fiscal, o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, mantém-se a obrigação tributária solidária imputada. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.

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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 72 81 /2 01 5- 65 Fl. 1640DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. IRPF. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. Após cinco anos, contados do fato gerador, o procedimento adotado pelo contribuinte, de apuração e pagamento do imposto devido, está tacitamente homologado, não mais podendo a Fazenda Pública proceder a revisão dos dados declarados para fins de lançamento. LANÇAMENTO. ERRO DE CÁLCULO. NULIDADE. DESCABIMENTO. Nos termos dos artigos 59 e 60 do PAF - Decreto 70.235/72, o erro de cálculo não enseja nulidade e deve ser corrigido nas instâncias julgadoras. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. FATO GERADOR. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO BEM. COMPROVAÇÃO EM PROCEDIMENTO FISCAL. Sujeita-se ao pagamento do imposto sobre a renda a pessoa física que auferir ganho de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, inclusive na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, hipóteses em que os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador, cabendo, apenas a partir da ocorrência do fato gerador do ganho de capital em tela, a perquirição sobre o valor do custo de aquisição do bem ou direito informado na declaração de bens e direitos do de cujus ou do doador para fins de comparação com o valor de mercado na transferência efetuada a valor de mercado, sendo para tanto irrelevante que o lançamento do imposto do ano-calendário da declaração de rendimentos do de cujos em que se insere a última declaração de bens do de cujos tenha restado homologado e o respectivo crédito extinto, eis que este crédito extinto decorre de fato gerador diverso e que não se confunde com o posterior fato gerador do ganho de capital, não havendo que se falar em homologação do valor informado para o bem ou direito na declaração de bens e direitos, ainda que integre declaração de rendimentos homologada. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ÚLTIMA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. O art. 23 da Lei n° 9.532 de 1997, faculta que se adote para a apuração do ganho de capital quando da transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, o valor de mercado ou o valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador, mas não autoriza que o inventariante ao efetuar declaração de bens e direitos em nome do de cujos e posteriormente em nome do espólio passe a declarar as ações de companhias abertas por valores variáveis. O art. 23 da Lei n° 9.532, de 1997, refere-se ao custo de aquisição incorrido pelo de cujos e por ele declarado, não podendo o inventariante simplesmente informar valor a título de custo de aquisição das ações na declaração de bens e direitos do de cujos sem lastro em prova hábil e idônea, ainda mais sendo pessoa juridicamente interessada enquanto herdeiro. Fl. 1641DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 IRPF. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado. Súmula CARF n° 33. PERDA DA ESPONTANEIDADE. DECRETO N. 70.235/72, ART.7°, §1. O Decreto n. 70.235/72, em seu art. 7°, §1°, dispõe que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Ainda que o contribuinte não tenha sido sujeito passivo da ação fiscal, se envolvido, como é o caso, nas infrações verificadas, ocorre a perda da espontaneidade. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição. MULTADEOFÍCIO.PATAMARDE75%. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo certo que a multa delas decorrentes é de aplicação obrigatória pela autoridade lançadora. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade pelo imposto devido pela pessoa falecida, até a data do falecimento, é do espólio. Encerrada a partilha, a responsabilidade pelo imposto devido pela pessoa falecida, até aquela data, é do sucessor a qualquer título e do cônjuge meeiro, limitando-se ao montante dos bens e direitos a eles atribuídos. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. Comprovado, mediante provas documentais obtidas na ação fiscal, o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, mantém-se a obrigação tributária solidária imputada. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1642DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Ana Carolina da Silva Barbosa e Guilherme Paes de Barros Geraldi que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que fosse considerado como custo de aquisição das ações os valores informados na última declaração de ajuste anual do de cujos, ano-calendário 2008. Votou pelas conclusões o conselheiro Guilherme Paes de Barros Geraldi. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Julgamento realizado na vigência da Lei nº 14.689/2023, a qual deverá ser observada quando do cumprimento da decisão. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator (documento assinado digitalmente) Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Wilsom de Moraes Filho, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Os sujeitos passivos Denise Cardoso Joppert e Maysa Joppert Coelho insurgem-se contra o lançamento de fls. 04 e seguintes, emitido em 13/08/2015, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, que verificou o seguinte: GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. INFRAÇÃO: OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA TRANSMISSÃO “MORTIS CAUSA” (A PARTIR DE 01/01/2008). Omissão de ganhos de capital na transferência “mortis causa” de bens efetuados por valor superior ao custo de aquisição, conforme detalhamento descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo. Os valores lançados correspondem ao ano-calendário de 2010 constituindo-se em crédito tributário no montante de R$ 36.833.593,88 dos quais R$ 16.768.457,56 corresponderam a imposto, R$ 12.576.343,17 a multa proporcional e R$ 7.488.793,15 a juros de mora. A ação fiscal originou-se do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 06.1.85.00-2014-00058-0, para verificação do cumprimento das obrigações tributárias no período. Da notificação de lançamento, destaca-se: Fl. 1643DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 (fl.07) “Maysa Joppert Coelho, também herdeira de Ynahy Marinho e Albuquerque, é responsável pessoal e solidariamente pelo crédito tributário apurado, nos termos do art.124, inciso I, e art.131, inciso II, todos da Lei nº 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN).” O presente lançamento de ofício decorreu da apuração, em procedimento fiscal, das infrações à legislação tributária, conforme discriminado pela autoridade lançadora às fls.13 e seguintes (Termo de Verificação Fiscal). Sem prejuízo da sua leitura integral, destaca-se: (CONTEXTO) “1. No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, procedemos ao exames de verificação do cumprimento, pelo espólio de Ynahy Marinho e Albuquerque, CPF: xxx (Ynahy), (...), relativamente ao ganho de capital incidente sobre a transferência por sucessão causa mortis, da propriedade de bens deixados à herdeiras.” (...) ( I – DOS FATOS) 4. Denise e a irmã Maysa receberam uma herança de sua tia-avó, Ynahy, falecida em março de 2009. No inventário (processo 0098801-31-2009.8.19.0001), que se baseou nas estipulações do testamento público da falecida, foi proferida sentença de homologação de partilha, em30/09/2010, a qual foi publicada em 05/10/2010. Conforme Certidão, em 17/12/2010 a sentença transitou em julgado. 5. Na Declaração Final de Espólio entregue, foi informada a transmissão dos bens da de cujus às duas herdeiras. Destaque para as ações de companhias abertas brasileiras, que foram transferidas por valor superior ao custo de aquisição, fato que resultou na ocorrência de ganhos de capital, os quais foram omitidos. Na seqüência, trataremos dos custos de aquisição, dos valores de transferência e dos ganhos de capital relativos às transmissões da propriedade das ações. ( II – DOS CUSTOS DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES). (...) 7. Destaque-se, inicialmente, que nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPFs) apresentadas pela própria Ynahy, relativa aos exercícios 2007 e 2008, anos calendário de 2006 e 2007 (ND 07/12.784.426 e 07/14.157.793, entregues em 02/04/2007 e 29/04/2008, respectivamente), as ações que ela possuía eram todas declaradas por valor igual a zero. 8. A partir da DIRPF relativa ao exercício de 2009, ano calendário 2008, ND 07/14.153.975, entregue em 28/04/2009 (após o falecimento de Ynahy, ocorrido em março de 2009), as DIRPFs passaram a ser apresentadas pela inventariante e as ações começaram a ser declaradas por valores variáveis. Abaixo, a título de exemplo, como foram declaradas as ações da PETROBRÁS, AMBEV, SOUZA CRUZ e VALE DO RIO DOCE: (...) 9. Objetivando confirmar o real custo de aquisição das ações, lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal. (...) (...) Fl. 1644DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 11.De posse dos documentos e esclarecimentos apresentados por Denise, passamos à apuração do custo de aquisição das ações, considerando-se que: 11.1 para aquelas adquiridas até 31 de dezembro de 1991, aplicou-se o disposto no inciso II do art.127 do RIR/99, in verbis: (...) 11.1.1 como não houve apresentação do custo de aquisição (inciso I), considerou-se o valor de mercado (inciso II), o qual foi apurado, em UFIR, mediante adoção dos valores constantes da relação anexa ao Ato Declaratória do Diretor do Departamento da Receita Federal (DPRF) nº 17, de 13.02.1992. (nota relator: fl.309 destes autos) (...) 11.2 no caso das ações adquiridas posteriormente a 31 de dezembro de 1991, o custo de aquisição foi comprovado mediante apresentação das notas de corretagem. Aplica-se, no caso o disposto no art.130 do RIR/99, literalmente:”Art. 130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art.16, § 2º)”. 13. Então, com base na legislação de regência da matéria e nos esclarecimentos, demonstrativos e documentos apresentados por Denise, elaboramos, para cada ação, um “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO” (nota relator: fls.33 a 46 dos autos). (...) 14. (...) Destaque-se que Denise não manifestou quaisquer discordâncias em relação aos “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO”, os quais seguiram anexos ao Termo de Intimação nº 38/2014. (...) 16. O quadro a seguir, elaborado com base nos “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO” em referência, consolida o custo de aquisição das ações transferidas às herdeiras. (...) 17. Apurados os custos de aquisição, trataremos dos valores de transferência das ações e do ganho de capital. (III – DOS VALORES DE TRANSFERÊNCIA DAS AÇÕES E DO GANHO DE CAPITAL). (...) 18 Dispõe o art. 23 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997: "Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1° Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitar-se-á à incidência de renda à alíquota de quinze por cento. Fl. 1645DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 § 2° (...); § 3° O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do ano-calendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência. § 4º Para efeito de apuração de ganho de capital relativo aos bens e direitos de que trata este artigo, será considerado como custo de aquisição o valor pelo qual houverem sido transferidos. "(Destaques nossos) 19 A Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de Outubro de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, assim estabelece: "Art. 20 . Na transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortís, a herdeiros e legatários; por doação, inclusive em adiantamento da legítima, ao donatário; bem assim na atribuição de bens e direitos a cada ex-cônjuge ou ex-convivente, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou união estável, os bens e direitos são avaliados a valor de mercado ou considerados pelo valor constante na Declaração de Aluste Anual do de culus, doador, ex- cônjuge ou ex-convivente declarante, antes da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. § 2º O valor relativo ã opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo, que independe da avaliação adotada para efeito da partilha ou do pagamento do imposto de transmissão, deve ser informado na declaração: I - final de espólio e na declaração do herdeiro ou legatário, correspondente ao ano-calendário da transmissão; § 3º Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na Declaração de Ajuste Anual referida no caput, ou do custo de aquisição referido no § 1º, a diferença a maior constitui ganho de capital tributável. § 5° Na apuração de ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo, é considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o § 2º." (Destaques nossos) 20 Como se vê, a legislação que rege a matéria estabelece que, no caso de sucessão por herança, os bens e direitos podem ser transferidos pelo valor constante da Declaração de Ajuste Anual do de cujos - que deverá corresponder ao custo de aquisição - ou por valor superior. 21 Se as transferências se derem por valor de custo, os eventuais ganhos ficam diferidos para o momento de posterior alienação pelas herdeiras. Se a opção for por transferência por valor superior, a diferença a maior entre este e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus (valor de custo de aquisição) configura ganho de capital, sujeito à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. 22 O § 3° do art. 20 da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de Outubro de 2001, é taxativo: basta que a transferência seja efetuada por valor superior ao Fl. 1646DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 constante na Declaração de Ajuste Anual do de cujos (valor de custo de aquisição) para que a diferença a maior constitua ganho de capital tributável. 23 Eis, ainda, alguns dispositivos da Instrução Normativa SRF n° 81, de 11 de Outubro de 2001, que dispõe sobre as declarações de espólio. "Declaração de bens da declaração final Art. 9º Na declaração de bens e direitos correspondente à declaração final: I - deve ser demonstrada, discriminadamente por bem ou direito, a parcela que corresponder a cada beneficiário, identificados pelo nome e CPF; II - na coluna "Situação na Data da Partilha", os bens e direitos devem ser informados pelo valor constante na última declaração apresentada pelo de cujus ou pelo valor de aquisição, se esta houver sido efetuada pelo espólio, observada a legislação vigente; III - na coluna "Valor de Transferência" deve ser informado o valor pelo qual o bem ou direito, ou cada parte deste, deve ser incluído na declaração de bens do respectivo beneficiário, observado o disposto no art. 10. Art. 10 . A transferência dos bens e direitos aos herdeiros ou legatários pode ser efetuada pelo valor constante na última declaração de bens e direitos apresentada pelo de cujus ou pelo valor de mercado. (...); § 3° A opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação.” (...); § 6º Na Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício correspondente ao ano-calendário da decisão judicial transitada em julgado, os herdeiros e os legatários deverão incluir os bens e direitos recebidos pelo valor informado na coluna "Valor de Transferência" da declaração de bens e direitos correspondente à Declaração Final de Espólio. § 7° Na apuração do ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo, deve ser considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o § 6°. (Destaques nossos) 24 De acordo com os dispositivos acima, temos que: i) na Declaração Final de Espólio na coluna "Valor de Transferência" deve ser informado o valor pelo qual o bem ou direito deve ser incluído na declaração de bens do respectivo beneficiário(art.9°, inc. III); ii) a opção por qualquer dos critérios de avaliação deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação (art. 10, §3°); iii) os herdeiros deverão incluir os bens e direitos recebidos pelo valor informado na coluna "Valor de Transferência" da declaração de bens e direitos correspondente à Declaração Final de Espólio (art. 10, §6°). Fl. 1647DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 25 Em síntese, a opção pelo critério de transmissão dos bens ou direitos aos herdeiros é formalizada, de forma irretratável, quando da apresentação da Declaração Final de Espólio, devendo os herdeiros seguir, igualmente de forma definitiva, o critério adotado. Enfim, a opção adotada na Declaração Final de Espólio condiciona a ação dos herdeiros, não podendo haver divergências. 26 Imprescindível determinar, então, qual a opção adotada para transferência das ações deixadas por Ynahy. Na Declaração Final de Espólio, ND: 07/46.429.912, as ações' foram declaradas pelos seguintes valores de transferência: (...) 26.1 Na DIRPF apresentada por Denise, Exercício 2012, ano-calendário 2011, ND 07/21.866.294, entregue em 30/04/2012, temos a seguinte situação: (...) 26.2 Na DIRPF apresentada por Maysa, Exercício 2012, ano-calendário 2011, ND 07/32.277.450, entregue em 07/04/2012, as ações foram assim declaradas: (...) 27 Cotejando os valores informados na Declaração Final de Espólio com os declarados nas DIRPFs apresentadas pelas herdeiras temos a seguinte situação: (...) 28 Como se vê, as ações foram transferidas para as herdeiras por valor superior ao de custo de aquisição. As informações foram coincidentes, ou seja, os mesmos valores foram informados na Declaração Final de Espólio e nas DIRPFs apresentada pelas herdeiras. Cumpriu-se, assim, o disposto no art. 23 da Lei n° 9.532/97, no art. 20 da IN SRF n° 84/2001 e nos arts. 9° e 10 da IN SRF n° 81/2001. 29 Cabe aqui uma observação em relação a Maysa que, em 16/01/2014 e 26/06/2014, apresentou DIRPFs retificadoras (ND 07/37.422.204 e 07/37.427.259) objetivando alterar o valor das ações recebidas do espólio de Ynahy. A intenção foi a de adotar como critério de transferência o valor do custo de aquisição das ações pela de cujos. Tomando por exemplo as ações da PETROBRÁS (PETR3), vejamos como as ações foram declaradas na DIRPF original e na retificadora (ND 07/37.422.204, apresentada em 16/01/2014): 29.1 DIRPF Original: "1.360.000 ACOES ON PETROLEO BRASILEIRO EA – PETROBRAS (PETR3), CNPJ33000167/0001-01, RECEBIDAS POR FORCA DO FORMAL DE PARTILHA DO ESPOLIODE YNAUY MARINHO E ALBUQUERQUE, CPF xxx, EM 24/03/2011, PELO VALOR DE R$ 35,68 POR ACAO. R$ 1940992,0 PAGOS DE ITD, FINALIZANDO R$37,11 POR ACAO. APOS NEGOCIACOES TOTALIZA O ANO COM 140.000 ACOES A R$24,25 POR ACAO, 1.000.000 ACOES A R$ 37,11 POR ACAO E 151.000 ACOES A R$23,3 POR ACAO. TOTAL DE 1.291.000 ACOES." 29.2 DIRPF Retificadora: "1.360.000 ACOES ON PETROLEO BRASILEIRO SA – PETROBRAS (PETR3), CNPJ 33000167/0001-01, RECEBIDAS POR FORCA DO FORMAL DE PARTILHA DO ESPOLIO DE YNAHY MARINHO E ALBUQUERQUE, CPF xxx, EM 24/03/2011, PELO Fl. 1648DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 VALOR DE R$ 0,80 POR ACAO , SENDO ESTE O VALOR DO CUSTO DE AQUI S ICAO DA INVENTARIADA E NAO O ADOTADO NO PROCESSO DO INVENTARIO. APOS NEGOCIACOES TOTALIZA O ANO COM 140.000 ACOES A R$ 24,25 POR ACAO , 1.000.000 .ACOES A R$ 0,80 POR ACAO E 151.000 ACOES A R$ 23,3 POR ACAO . TOTAL DE 1.291.000 ACOES." 30 Ocorre que, como visto, a legislação não permite essa alteração, sendo que o critério adotado e manifestado quando da entrega da Declaração Final de Espólio é definitivo, não passível de retificação. Afinal, nos termos do § 30 do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 81/2001 "A opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação." Já o §3° do art. 23 da Lei n° 9.532/97 determina que "O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do ano-calendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência." Os herdeiros, então, são obrigados a incluir na DIRPF os bens e direitos recebidos pelo valor que constou da Declaração Final de Espólio, não cabendo quaisquer retificações. 31 Por todo o exposto, restou provado que deixou-se de apurar e recolher o imposto devido sobre o ganho de capital incidente na transferência, por sucessão causa mortis, da propriedade de bens deixados pelo espólio de Ynahy as suas herderias. Abaixo, demonstrativo consolidado com os ganhos de capital auferidos: (...) (IV – DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E DO LIMITE DA RESPONSABILIDADE). (...) (V – DAS PENALIDADES). (...) (VI- CONCLUSÃO). 46. Da ação fiscal foi lavrado do Auto de Infração de IRPF, com o lançamento de crédito tributário no valor de R$36.833.593,88 (...) Os sujeitos passivos do lançamento apresentaram suas impugnações às fls.483 e seguintes (Denise Cardoso Joppert), 561 e seguintes, e 781 e seguintes (Maysa Joppert Coelho). Alegam, em síntese, e pelas razões que expõem, que: 1) A sucessão foi aberta em 21 de março de 2009, quando a Sra. Ynahy veio a falecer, aos 87 anos de idade e que ocorreu erro no preenchimento da Declaração Final de Espólio, no que se refere aos valores das ações da Petrobrás, sendo lançado valor superior ao de mercado. Cabendo adotar, no que tange a estas ações, como custo de aquisição, o valor de mercado na data da entrega da Declaração Final de Espólio. Desenvolve o tema demonstrando as oscilações de mercado no valor das ações. 2) A desconsideração da Declaração de Ajuste Anual dos anos calendário de 2008 e 2009, por falta de fundamentação legal que amparasse tal ação, tipificou-se procedimento descabido e arbitrário. Reconhece que as DIRPF´s relativas aos anos- Fl. 1649DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 calendário de 2008 e 2009 foram entregues após o falecimento de Ynahy (fl.485, terceiro parágrafo e fl.564, segundo parágrafo), mas entende que este fato não as descaracteriza como declaração de espólio (art.3º da IN/SRF 81/2001). 3) A forma adotada para apurar o Ganho de Capital colide com os termos da Lei 9.532/97 e das Instruções Normativas SRF 81 e 84 de 11 de outubro de 2001. A contribuinte teria a opção de fazer a transferência pela valor constante da Declaração do ajuste anual do “de cujus” ou pelo valor de mercado. Razão pela qual teria errado ao optar pela opção que lhe prejudica (valor de mercado), quando poderia informar valor mais benéfico que nenhum recolhimento imediato geraria (valor constante da Declaração do ajuste anual do “de cujus”). Apresenta o histórico do processo de tributação de heranças no Brasil e alega em seu socorro os princípios da Legalidade, da Tipicidade Fechada e da Razoabilidade e na vedação ao confisco. 4) Somente se o de cujus não estivesse obrigado a apresentar Declaração de Ajuste Anual, a fiscalização poderia adotar a metodologia de apuração do custo de aquisição conforme consta da autuação. 5) Utilizando-se o custo de aquisição determinado pelos dispositivos legais e normativos citados ao longo da impugnação, a base de cálculo seria reduzida, de pleno, para R$30.399.987,10. Apresenta a fl.507 (e 585) o valor que entende correto como custo de aquisição (R$88.058.240,64) e tabela indicativa do valor que seria correto como base de cálculo; observado o fato de que entende nulo o lançamento; desautorizando qualquer reconhecimento acerca de matéria não impugnada. Trouxe aos autos planilha relativa a ação AMBV4 que demonstraria a incorreção do cálculo feito pela fiscalização para apurar o custo de aquisição. 6) O procedimento fiscal, ao adotar metodologia de apuração de base de cálculo não prevista na Lei que trata das matérias, fulmina a exigência do vício da nulidade, quer material quer formal. Não teria sido observada a previsão do art.142 do CTN, sobretudo no concernente a desconsideração da DIRPF do ano-calendário de 2008, pois feita sem prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. 7) O lançamento não individualizou nem proporcionalizou a participação de cada um dos sucessores nos fatos que ensejaram o lançamento. 8) A aplicação da multa punitiva ao sucessor não encontra acolhida na legislação de regência, na doutrina e nem na jurisprudência administrativa, pois a pena não pode passar da pessoa do infrator para o sucessor. 9) No Termo de Arrolamento de Bens, os autuantes incluíram, indevidamente, os Bens de Família dos impugnantes dentre aqueles sujeitos à restrição legal. A Devedora Solidária acrescenta: 10) Maysa Joppert Coelho não pode ser considerada sujeito passivo solidário da obrigação principal, em face da inobservância de todos os preceitos que pudessem caracterizar e tipificar a imputação de tal responsabilidade. Ademais, não teria sido intimada no curso do procedimento fiscal que gerou a notificação de lançamento. Caso tivesse sido intimada, teria prestado todos os esclarecimentos, não sendo obrigada, nesta oportunidade, a apresentar essa impugnação. Afirma que o termo de sujeição passiva solidária, para ser válido, teria que ter sido precedida de sua participação no curso do procedimento fiscal que levou ao lançamento. Fl. 1650DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 11) A responsabilidade tributária pela penalidade não pode ser cometida a impugnante em face do conceito de que a pena não pode passar da pessoa do infrator para o sucessor e, ainda que pudesse, a multa de ofício somente poderia ser transferida para a inventariante (Denise). Ademais, não teria sido observado o art.844 do RIR/99, reafirmado no art.71 da MP nº 2.158/2001. O procedimento da fiscalização estaria viciado pela arbitrariedade e ilegalidade, implicando a nulidade plena da responsabilidade a ela imputada. Entende que o Auto de Infração deveria ter sido formalizado de forma individualizada e proporcionalizada, em relação a cada uma das herdeiras. Afirma que seria imprescindível a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal e, sua ausência, implica em nulidade de pleno direito dos atos praticados em face de Maysa Joppert Coelho. 12) Afirma que o valor pelo qual as ações ingressaram em seu patrimônio resultaram em cálculos conservadores acerca do montante de imposto de renda a ser pago a título de imposto de renda sobre Ganho de Renda Variável em alienações feitas em anos seguintes ao ano de conclusão do inventário e que tais valores devem ser levados em consideração (compensados) na apuração do quantum tributável no caso de não ser aceita a nulidade plena da autuação. Solicitando diligência caso a documentação juntada não comprove plenamente o alegado. Sobre o tema, o contribuinte antecipa que “os Autuantes haveriam de dizer que não há previsão legal para tratar tais operações em confronto com o apurado no auto de infração.” (fl.592). 13) Citam doutrina e jurisprudência para fundamentar seus argumentos. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão de e-fls. 790 e ss, cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2010 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. GANHO DE CAPITAL. A apuração do ganho de capital havida na transmissão “mortis causa” obedece ao previsto no art.23, §1º da Lei nº 9.532/97 e no art.10, §5º da IN/SRF nº 81/01, entre outros. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. Comprovado, mediante provas documentais obtidas na ação fiscal, o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, mantém-se a obrigação tributária solidária imputada. DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIA. Estando o processo devidamente instruído para o julgamento administrativo, resta desnecessária a conversão do julgamento em diligência Fl. 1651DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 ARROLAMENTO DE BENS. O arrolamento de bens não constitui forma de constrição de bens, uma vez que tem como escopo o acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo. Refoge à competência desta Delegacia de Julgamento, em consonância com seu Regimento, a apreciação de matéria atinente a processo de arrolamento de bens. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte, Sra. Denise Cardoso Joppert, inconformada com a decisão prolatada, interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 824 e ss), repisando, em grande parte, os argumentos tecidos em sua impugnação, alegando, em síntese, o que segue: 1) A Decisão não abordou todos os itens da Impugnação; 2) A desconsideração da declaração de ajuste anual do ano calendário de 2008 do de cujus, por falta de fundamentação legal que amparasse tal procedimento, quer na autuação quer na Decisão, se trata de medida ilegal; 3) A declaração de ajuste anual do de cujus do ano calendário 2008, na data do lançamento, já se constituía em ato jurídico perfeito, acabado e, sob a ótica tributária, homologado e amparado pelo princípio da segurança jurídica; 4) A busca da verdade material, quando cabível, deve-se consubstanciar em ação que retrate a realidade dos fatos quer em relação ao Fisco quer em relação ao contribuinte, mas na Decisão apenas a versão do Fisco foi analisada; 5) A forma adotada para apurar o Ganho de Capital colide com os termos da Lei 9.532/1997 e das Instruções Normativas SRF 81 e 84 de 11 de outubro de 2001; 6) Somente se o de cujus não estivesse obrigada a apresentar Declaração de Ajuste Anual, a fiscalização poderia adotar a metodologia de apuração do custo de aquisição conforme consta da autuação, mas a Decisão, não enfrentou o tema e nem fundamentou a correção do método adotado pela fiscalização; 7) Utilizando o custo de aquisição determinado pelos dispositivos legais e normativos citados na Impugnação e não comentado e refutado na Decisão, a base de cálculo seria reduzida, de pleno, para R$ 30.399.987,10; 8) O erro na informação do valor de mercado para as ações ordinárias nominativas a Petrobrás, quando da apresentação da declaração final de espólio, não foi analisado em confronto com os documentos apresentados pela Recorrente na impugnação, que comprovavam ter sido lançado valor muito superior ao de mercado; 9) O lançamento não individualizou e nem proporcionalizou a participação de cada um dos sucessores nos fatos que ensejaram o lançamento e a Decisão não se manifestou sobre tal arguição. A responsável solidária, Sra. Maysa Joppert Coelho, por sua vez, após regular ciência determinada por meio da Resolução de e-fls. 874, também interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 279 e ss), repisando, em grande parte, os argumentos tecidos em sua impugnação, alegando, em síntese, o que segue: Fl. 1652DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 1) A Decisão não abordou todos os itens da Impugnação e não refutou a evidente não ocorrência do fato gerador da obrigação tributária em relação à Recorrente; 2) Na Decisão, não foi devidamente apreciada a inobservância do devido processo legal na imputação da responsabilidade tributária à Recorrente; 3) A Decisão tergiversou sobre a inexistência de procedimento fiscal em face da Recorrente, quer pela não emissão de ato escrito, dando início à ação fiscal, quer pela falta de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal, elemento condicionador da ação fiscal; 4) A Decisão não refutou, fundamentadamente, a arguição de inaplicabilidade da multa de ofício à Recorrente; 5) A Decisão não contradisse e nem fundamentou as alegações relativas à retificação das Declarações de Ajuste Anual da Recorrente, a quantidade de ações recebidas e alienadas quando - das retificações, bem como o montante do tributo recolhido resultante das citadas vendas e nem aprofundou a análise sobre a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária em face da Recorrente; 6) A autuação não comprovou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária exigida no lançamento em face da Recorrente, pois desconsiderou as retificações das declarações de ajuste anual de 2011a 2013; 7) A desconsideração da declaração de ajuste anual do ano calendário de 2008 do de cujus, por falta de fundamentação legal que amparasse tal procedimento, quer na autuação quer na Decisão, se trata de medida ilegal; 8) A declaração de ajuste anual do de cujus do ano calendário 2008, na data do lançamento, já se constituía em ato jurídico perfeito, acabado e, sob a ótica tributária, homologado e amparado pelo princípio da segurança jurídica; 9) A busca da verdade material, quando cabível, deve-se consubstanciar em ação que retrate a realidade dos fatos quer em relação ao Fisco quer em relação ao contribuinte, mas na Decisão apenas a versão do Fisco foi analisada; 10) A forma adotada para apurar o Ganho de Capital colide com os termos da Lei 9.532/1997 e das Instruções Normativas SRF 81 e 84 de 11 de outubro de 2001; 11) Somente se o de cujus não estivesse obrigada a apresentar Declaração de Ajuste Anual, a fiscalização poderia adotar a metodologia de apuração do custo de aquisição conforme consta da autuação, mas a Decisão, não enfrentou o tema e nem fundamentou a correção do método adotado pela fiscalização; 12) Utilizando o custo de aquisição determinado pelos dispositivos legais e normativos citados na Impugnação e não comentado e refutado na Decisão, a base de cálculo total do lançamento seria reduzida, de pleno, para R$ 30.399.987,10; 13) O erro na informação do valor de mercado para as ações ordinárias nominativas da Petrobrás, quando da apresentação da declaração final de espólio, não foi analisado em confronto com os documentos apresentados pela Recorrente na impugnação, que comprovavam ter sido lançado valor muito superior ao de mercado. Fl. 1653DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento dos Recursos Voluntários. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. Os Recursos Voluntários são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, deles tomo conhecimento. 2. Dos Recursos Voluntários apresentados pela Sras. Denise Cardoso Joppert e Maysa Joppert Coelho (devedora solidária). Em razão das semelhanças dos argumentos apresentados, a fim de facilitar a compreensão da matéria e evitar a desnecessária repetição dos fundamentos utilizados neste voto, os recursos voluntários serão apresentados em conjunto. Ao que se passa a analisar. 2.1. Preliminares. 2.1.1. Preliminar de nulidade da decisão recorrida. Preliminarmente, as recorrentes suscitam a nulidade da decisão recorrida, sob o fundamento de que a decisão teria deixado de analisar os argumentos no que se refere à desconsideração da Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 2008, bem como não teria refutado as alegações factuais e jurídicas demonstradas na impugnação. A começar, não vislumbro qualquer nulidade da decisão recorrida, por entender que a decisão foi fundamentada e se baseou na documentação comprobatória constante nos autos, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. A propósito, a decisão recorrida se manifestou expressamente sobre a impossibilidade de se utilizar a declaração retificadora, em razão da perda da espontaneidade, conforme previsto no art. 832, do Decreto nº 3.000/99 – RIR, vigente à época. E, ainda, realizou análise minuciosa do caso concreto, sobre a impossibilidade de se utilizar os valores mencionados pelas recorrentes. É de se ver: [...] Retificação da declaração após o início da ação fiscal. O CTN dispõe, no § 1º do artigo 147, que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante Fl. 1654DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, o que não é o caso dos autos. Cabe observar ainda o art.832 do Decreto nº 3.000/99 – RIR: “Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (Decreto-Lei nº 1.967, de 1982, art. 21, e Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto.” A título de ilustração, trago à colação decisões do então denominado Conselho de Contribuintes: “1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102-49.096 em 29.05.2008 IRPF - Ex(s): 2003 IRPF - DECLARAÇÃO RETIFICADORA – A declaração retificadora entregue após o início da ação fiscal é inválida. (...) 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102-48.997 em 23.04.2008 IRPF - Ex(s): 2002 a 2005 ESPONTANEIDADE – Declaração retificadora apresentada após o início da ação fiscal não tem o caráter de denúncia espontânea e não exime o contribuinte de sofrer autuação, compreendendo principal, multa de ofício e juros de mora. (...)” Sobre o termo inicial do processo de lançamento de ofício, dispõe o art. 7º do decreto 70.235/72: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; ... § 1º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” Portanto, uma vez que já houve a notificação do lançamento, não existe autorização legal para se retificar a declaração apresentada. (...) Do Lançamento do Ganho de Capital apurado em sede de inventário. Considerando-se que o óbito de Ynahy Marinho e Albuquerque se deu em 21 de março de 2009. Considerando-se que foram transferidas às herdeiras (sujeitos passivos deste lançamento) inúmeras ações de companhias abertas brasileiras por valor superior ao custo de aquisição. Considerando-se que nas DIRPF´s apresentadas por Ynahy Marinho e Albuquerque, enquanto era viva, as ações que ela possuía eram todas declaradas por valor igual a zero e que, para os anos-calendário anteriores a 2007, eram, até mesmo, pouco especificadas (“Diversas Ações”) (fls.388 a 441). Fl. 1655DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Considerando-se que, após o falecimento de Ynahy, as DIRPF´s foram retificadas pela inventariante, passando as ações a serem declaradas por valores variáveis; conforme demonstrou a fiscalização no item 8 do Termo de Verificação Fiscal. Considerando-se que a fiscalização, uma vez constatado o fato de serem inconsistentes os valores relativos aos custos de aquisição das ações apresentados nas DIRPF´s do “de cujus”, procedeu a apuração do efetivo custo de aquisição das ações submetidas ao inventário nos termos especificados nos itens 9 a 16 do Termo de Verificação Fiscal. Ação esta que resultou nas planilhas de fls.33 a 46, onde se demonstra a aplicação prática dos preceitos trazidos nos itens 9 a 16 do Termo de Verificação Fiscal de modo a indicar o efetivo custo de aquisição das ações. Considerando-se que as impugnações apresentadas pelos contribuintes no concernente a este aspecto se restringem a apresentação de uma única planilha relativa a uma única ação (AMBV PN) (fls.553 e 644); não conseguindo os impugnantes estruturarem a forma de cálculo que entendem correta de modo a se contrapor aqueles critérios adotados pela fiscalização (item 9 a 16 do Termo de Verificação Fiscal) Considerando-se a informação trazida pela inventariante no sentido de que as ações foram adquiridas ao longo de vários anos, parte delas por herança do ex-marido de Ynahy Marinho e Albuquerque e parte através dos desdobramentos, subscrições e bonificações das mesmas (fl.57). Considerando-se, ainda e a título de exemplo, que o valor adotado pela fiscalização como custo de aquisição para as ações da Petrobrás (R$2.171.882,57/2.720.000ações = R$0,7984 por ação) não difere substancialmente daquele apresentado pela própria inventariante no curso do processo de fiscalização (fl.223 e 224 indicou o valor de R$0,80 por ação). Considerando-se a disposição do art.23 da Lei nº 9.532/97, nestes termos: “Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento.” (grifou-se). Considerando-se a disposição dos §2º e 3º, do art.20 da IN/SRF nº 84/01, no seguinte sentido: “(art.20) § 2º O valor relativo à opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo, que independe da avaliação adotada para efeito da partilha ou do pagamento do imposto de transmissão, deve ser informado na declaração: I - final de espólio e na declaração do herdeiro ou legatário, correspondente ao ano-calendário da transmissão; II – (...) III – (...) § 3º Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na Declaração de Ajuste Anual referida no caput, ou do custo de aquisição referido no § 1º, a diferença a maior constitui ganho de capital tributável.” (grifou-se) Considerando-se o previsto no §3º do art. 10 da IN/SRF nº 81/01, nos seguintes termos: Fl. 1656DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 “(art.10) § 3° A opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação.” (grifou-se) Considerando-se que, pelo exposto acima, se o contribuinte optar de forma irretratável por realizar as transferências por valor de mercado (superior ao custo de aquisição), a diferença a maior entre este valor e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do “de cujus” (valor de custo de aquisição) fica sujeita a incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento. Considerando-se que a opção do contribuinte foi pela tributação por valor superior ao custo de aquisição, conforme descrito pela fiscalização nos itens 26 a 28 do Termo de Verificação Fiscal (fls.23 a 26). Considerando-se que, diversamente do alegado pelos contribuintes, não ficou caracterizado qualquer erro por parte dos sujeitos passivos no sentido da opção feita, conforme já descrito pela fiscalização nos itens 26 a 28. Observado o fato de que os contribuintes apresentaram apenas em sede de impugnação, de forma tardia aos atos e opções praticadas no curso do inventário, o desejo de optar por uma forma de tributação que, no seu entendimento e considerados em retrospectiva os novos valores assumidos pelas ações em Bolsa de Valores após o inventário, lhe seria mais vantajosa. Considerando-se a adequação da planilha do item 31 do Termo de Verificação Fiscal (fl.27) que demonstra a base de cálculo para apuração do ganho de capital (111.789.717,07) (fl.08 –Notificação de Lançamento) que surge como resultado da subtração dos valores que constaram na Declaração Final de Espólio (fls.442 a 445) pelos valores apurados pela fiscalização como custos de aquisição. Não há como decidir em sentido diverso daquele já expresso pela fiscalização. Para além do exposto, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Em outras palavras, o julgador não está obrigado a refutar, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais e suficientes ao julgamento, conforme jurisprudência consolidada também no âmbito do STJ (EDcl no AgRg no REsp nº 1.338.133/MG, REsp nº 1.264.897/PE, AgRg no Ag 1.299.462/AL, EDcl no REsp nº 811.416/SP). Nesse sentido, não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância, eis que proferida por autoridade competente, e está devidamente fundamentada, tendo examinado a prova dos autos, sendo que a insatisfação do contribuinte, sobre os pontos suscitados, não tem o condão de anular a decisão de primeira instância, sendo matéria atinente à interposição de recurso voluntário, a ser objeto de deliberação pelo colegiado de 2ª instância. E, ainda, o cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Fl. 1657DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 A propósito, entendo, pois, que o lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislação. Entendo, portanto, que não há nenhum vício que macula o presente lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente considerando que o contribuinte teve oportunidade de se manifestar durante todo o curso do processo administrativo. Ante o exposto, destaco que não vislumbro qualquer nulidade na hipótese dos autos, seja do lançamento tributário a que se combate ou mesmo da decisão proferida, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa. Assim, rejeito a preliminar levantada pelas recorrentes. 2.1.2. Preliminar de inobservância do devido processo legal. Ainda em sede de preliminar, a recorrente Sra. Maysa Joppert Coelho alega que não foi obedecido o devido processo legal, quer no que respeita à sua inclusão no procedimento fiscal com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização ou por meio de intimações para esclarecer os fatos sob investigação, quer no que tange à falta de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. A começar, o MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do procedimento fiscal a emissão e o trâmite desse instrumento, a eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. E, ainda que assim não o fosse, eventuais omissões ou incorreções afligindo os citados documentos não têm o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário, disciplinado pelo artigo 142 do CTN, que se constitui em ato obrigatório e vinculado, sob pena de responsabilidade funcional por parte do agente fiscal. Somente na hipótese de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que, eventualmente, tais vícios poderão acarretar na nulidade do crédito tributário. Ademais, já está sumulado, no âmbito deste Conselho, o entendimento segundo o qual o lançamento de ofício pode ser realizado, inclusive, sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF n° 46 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 1658DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Não há, pois, que se falar de contraditório na fase inquisitorial do procedimento prévio ao eventual lançamento de ofício. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Cabe destacar, ainda, que na fase oficiosa, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. Nesse sentido, vale ressaltar que a oportunidade de manifestação do contribuinte não se exaure na etapa anterior à efetivação do lançamento. Pelo contrário, na busca da preservação do direito de defesa do contribuinte, o processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72, estende-se por outra fase, a fase litigiosa, na qual o autuado, inconformado com o lançamento que lhe foi imputado, instaura o contencioso fiscal mediante apresentação de impugnação ao lançamento, quando as suas razões de discordância serão levadas à consideração dos órgãos julgadores administrativos, sendo-lhe facultado pleno acesso à toda documentação constante do presente processo. Para além do exposto, conforme bem demonstrado pela decisão recorrida, o art. 844, do RIR/99, não deixa dúvida de que suas previsões regem as hipóteses que não aquelas previstas no art.926 (“ressalvado o disposto no art.926”); portanto não há que se falar em desatendimento ao art.844 do RIR/99. E ainda que fosse o caso de se aplicar a previsão do art.844; nota-se que, somente “quando necessários (esclarecimentos)” será efetuado despacho mandando intimar o interessado para prestá-los. A meu ver, caberia ao recorrente refutar a acusação fiscal, notadamente os motivos exarados para o presente lançamento tributário, todos bem descritos no Auto de Infração e nos documentos anexos. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Dessa forma, afasto a preliminar levantada pelo recorrente. 2.1.3. Do pedido de conversão do julgamento em diligência. A recorrente Sra. Maysa Joppert Coelho também requer a conversão do julgamento em diligência para confirmar suas alegações, bem como homologar o ganho de renda variável, nos anos em tela, que alega ter apurado e recolhido. Em relação ao pedido de conversão do julgamento em diligência, também entendo que não assiste razão à recorrente. Isso porque, os elementos de prova a favor da recorrente, no caso em análise, poderiam ter sido por ele produzidos, apresentados à fiscalização no curso do procedimento Fl. 1659DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 fiscal, ou, então, na fase impugnatória, com a juntada de todos os documentos e o que mais quisesse para sustentar seus argumentos, não podendo o pedido de conversão do julgamento em diligência ou de produção de prova pericial ser utilizado como forma de postergar a produção probatória, dispensando-o de comprovar suas alegações. Nesse desiderato, destaco que a conversão do julgamento em diligência ou o pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensando-o de comprovar suas alegações. Dessa forma, entendo que o presente feito não demanda maiores investigações e está pronto para ser julgado, dispensando, ainda, a produção de prova pericial técnica, por não depender de maiores conhecimentos científicos, podendo a questão ser resolvida por meio da análise dos documentos colacionados nos autos, bem como pela dinâmica do ônus da prova. A propósito, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. Nesse sentido, o indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência não ocasiona o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, eis que o ônus da prova pertence ao próprio contribuinte, não podendo se valer do pedido com o objetivo de dispensar a comprovação de suas alegações. Ademais, o cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. Dessa forma, rejeito o pedido de produção de conversão do julgamento em diligência. 2.2. Mérito. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 13 e ss), a presente autuação diz respeito ao descumprimento das obrigações tributárias na área do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao ganho de capital incidente sobre a transferência, por sucessão causa mortis, da propriedade de bens deixados às herdeiras, Sras. Denise Cardoso Joppert e Maysa Joppert Coelho. Relata a fiscalização que, Denise e a irmã Maysa receberam uma herança de sua tia-avó, Ynahy, falecida em março de 2009. No inventário (processo 0098801- 31.2009.8.19.0001), que se baseou nas estipulações do testamento público da falecida, foi proferida sentença de homologação de partilha, em 30/09/2010, a qual foi publicada em 05/10/2010, transitada em julgado em 17/12/2010. Ainda segundo a fiscalização, na Declaração Final de Espólio entregue, foi informada a transmissão dos bens da de cujus às duas herdeiras, sendo que, para as ações de companhias abertas brasileiras, foram transferidas por valor superior ao custo de aquisição, fato que resultou na ocorrência de ganhos de capital, os quais foram omitidos. Fl. 1660DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 As autuadas foram arroladas como pessoalmente e solidariamente responsáveis pelos tributos devidos pelo espólio, nos termos do art. 121, § único, inciso II, art. 124, inciso I, e art. 131, inciso II, todos do Código Tributário Nacional (CTN). Em relação ao mérito, a recorrente, Sra. Denise Cardoso Joppert (inventariante), alega, em suma, que: (i) a autuação desconsiderou a Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 2008 do de cujus, onde constavam os valores dos bens a transmitir aos herdeiros, como custo de aquisição na apuração da base de cálculo do Ganho de Capital; (ii) em 31 de dezembro de 2013, o lançamento, referente àquela declaração do ano calendário de 2008, encontrava-se homologado e todos os elementos que o compunham, inclusive a declaração de bens, refletiam um ato jurídico perfeito e acabado e insuscetível de modificação, tanto pelo contribuinte quanto pela Autoridade Administrativa Tributária; (iii) a metodologia utilizada na apuração da base de cálculo do tributo, somente poderia ser adotada nos casos em que o de cujus não houvesse apresentado Declaração de Ajuste Anual, por não se enquadrar nas condições de obrigatoriedade estabelecidas pela legislação tributária, segundo texto de clareza cristalina do § 1° do artigo 20 da já citada Instrução Normativa 84/2001; (iv) o entendimento de que deva ser adotado como custo de aquisição aquele constante da última declaração de ajuste anual do de cujus, quando da apuração da base de cálculo do ganho de capital, na situações em que os bens são transferidos por valor de mercado, é pacífico na Jurisprudência Administrativa; (v) o valor que consta da Declaração Final de Espólio não se coaduna com o comando legal da Lei 9.532/1977, que prescreve poder a transferência ser efetivada pelo valor constante da Declaração de Ajuste Anual do de cujus ou pelo valor de mercado. Ao revés, é muito superior àquele dito de mercado, caracterizando que a Inventariante laborou em erro que não gerou qualquer ganho para a beneficiária, pois a desvalorização das ações já representou significativa perda e, ainda, a fiscalização não aprofundou a ação fiscal para constatar que, quando alienou as ações, a impugnante não auferiu ganho de renda variável. A recorrente, Sra. Maysa Joppert Coelho (devedora solidária), por sua vez, alega, em suma, que: (i) retificou suas declarações de Ajuste Anual dos anos calendário de 2011; 2012 e 2013 e utilizou como custo de aquisição das ações herdadas valores muito próximos daqueles apontados pelos Autuantes, que tinham conhecimento dessas retificações antes de efetivar o lançamento; (ii) a recorrente, quando das retificações, não estava sob ação fiscal e nem fora citada do lançamento ora contestado, e, portanto, poderia proceder às retificações; (iii) o ano-calendário de 2011 poderia ter sido retificado em face de ter ocorrido a reaquisição da espontaneidade, pois após a lavratura do Termo de Continuidade da Ação Fiscal em 30 de abril de 2015 e cientificado em 11 de maio de 2015 somente foi lavrado outro em 07 de julho de 2015 e cientificado à Inventariante em 14 de julho de 2015; (iv) a recorrente, após retificar suas declarações de ajuste anual, apurou Ganho de Renda Variável utilizando, como valor de custo de aquisição não aquele constante da Declaração Final de Espólio, mas o que entendeu correto; (v) se tivesse utilizado por ocasião da venda das ações, como afirmam os Autuantes, os valores que constavam da Declaração Final de Espólio, de cuja elaboração não participou, não teria apurado Ganho de Renda Variável e, portanto, não pagaria qualquer parcela de tributo; (vi) com as retificações não ocorreu a transferência das ações para a recorrente por valor de mercado, mas sim por valores que ela entendeu retratar o custo de aquisição das ações herdadas, não se configurando dessa forma qualquer aumento patrimonial, seja jurídico seja econômico, que pudesse implicar a exigência imputada; (vii) na apuração do crédito tributário exigido, deveriam os Ilustres Autuantes, no mínimo, ter excluído da tributação as ações alienadas pela Recorrente, ratificando que esta recolhera, espontaneamente, o tributo e a penalidade incidentes sobre o Fl. 1661DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 ganho de renda variável apurado; (viii) a autuação desconsiderou a Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 2008 do de cujus, onde constavam os valores dos bens a transmitir aos herdeiros, como custo de aquisição na apuração da base de cálculo do Ganho de Capital; (ix) em 31 de dezembro de 2013, o lançamento, referente àquela declaração do ano calendário de 2008, encontrava-se homologado e todos os elementos que o compunham, inclusive a declaração de bens, refletiam um ato jurídico perfeito e acabado e insuscetível de modificação, tanto pelo contribuinte quanto pela Autoridade Administrativa Tributária; (x) a metodologia utilizada na apuração da base de cálculo do tributo, somente poderia ser adotada nos casos em que o de cujus não houvesse apresentado Declaração de Ajuste Anual, por não se enquadrar nas condições de obrigatoriedade estabelecidas pela legislação tributária, segundo texto de clareza cristalina do § 1° do artigo 20 da já citada Instrução Normativa 84/2001; (xi) o entendimento de que deva ser adotado como custo de aquisição aquele constante da última declaração de ajuste anual do de cujus, quando da apuração da base de cálculo do ganho de capital, na situações em que os bens são transferidos por valor de mercado, é pacífico na Jurisprudência Administrativa; (xii) o valor que consta da Declaração Final de Espólio não se coaduna com o comando legal da Lei 9.532/1977, que prescreve poder a transferência ser efetivada pelo valor constante da Declaração de Ajuste Anual do de cujus ou pelo valor de mercado. Ao revés, é muito superior àquele dito de mercado, caracterizando que a Inventariante laborou em erro que não gerou qualquer ganho para a beneficiária, pois a desvalorização das ações já representou significativa perda e, ainda, a fiscalização não aprofundou a ação fiscal para constatar que, quando alienou as ações, a impugnante não auferiu ganho de renda variável; (xiii) inaplicabilidade da multa de ofício por ser responsabilidade exclusiva da Inventariante; (xiv) somente a inventariante poderia ser a responsável pelos tributos devidos pelo espólio, bem como pela penalidade imputada, por força do que dispõe o artigo 134, inciso IV do CTN, Lei 5.172/66. Ao que se passa a analisar. Inicialmente, cumpre pontuar que a Sra. Ynahy Marinho e Albuquerque faleceu em 21 de março de 2009 e, nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPFs) apresentadas pela própria Ynahy, relativas aos exercícios 2007 e 2008, anos-calendário de 2006 e 2007 (ND 07/12.784.426 e 07/14.157.793, entregues em 02/04/2007 e 29/04/2008, respectivamente), as ações que ela possuía eram todas declaradas por valor igual a zero. A partir da DIRPF relativa ao exercício de 2009, ano-calendário 2008, ND 07/14.153.975, entregue em 28/04/2009 (após o falecimento de Ynahy, ocorrido em março de 2009), as DIRPFs passam a ser apresentadas pela inventariante, Sra. Denise Cardoso Joppert, e as ações começam a ser declaradas por valores variáveis. Nesse caso (DIRPF 2009/2008), a fiscalização aplicou o disposto no § 1º, do art. 3º, da Instrução Normativa SRF N°81/2001, in verbis: Art. 3° Consideram-se declarações de espólio aquelas relativas aos anos-calendário a partir do falecimento do contribuinte. § 1º Ocorrendo o falecimento a partir de 1º de janeiro, mas antes da entrega da declaração correspondente ao ano-calendário anterior, esta não se caracteriza como declaração de espólio, devendo ser apresentada como se o contribuinte estivesse vivo e assinada pelo inventariante, cônjuge ou convivente, sucessor a qualquer título ou por representante do de cujus. Fl. 1662DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 A fiscalização, de posse dos documentos e esclarecimentos apresentados pela Sra. Denise Cardoso Joppert, apurou o custo de aquisição das ações, da seguinte forma: (i) Para aquelas adquiridas até 31 de dezembro de 1991, aplicou-se o disposto no inciso II do art. 127 do RIR/99, in verbis: Art. 127. Para as aplicações financeiras em títulos e valores mobiliários de renda variável, bem como em ouro ou certificados representativos de ouro, ativo financeiro, cotados em bolsa de valores e de mercadorias e negociados nos mercados de balcão, o custo de aquisição será o maior dentre os seguintes valores (Lei n° 8.383, de 1991, art. 96, § 6°): I - o de aquisição, acrescido da correção monetária e da variação da Taxa Referencial Diária - TRD até 31 de dezembro de 1991, nos termos admitidos em lei; II - o de mercado, assim entendido o preço médio ponderado das negociações do ativo, ocorridas na última quinzena do mês de dezembro de 1991, em bolsas do País, desde que reflitam condições regulares de oferta e procura. (Destaques nossos) Como não houve apresentação do custo de aquisição (inciso I), a fiscalização considerou o valor de mercado (inciso II), o qual foi apurado, em UFIR, mediante adoção dos valores constantes da relação anexa ao Ato Declaratório do Diretor do Departamento da Receita Federal (DPRF) n° 17, de 13.02.1992. O valor em UFIR foi convertido em Real (R$), nos termos do parágrafo 4° do art. 9° da Instrução Normativa n°43/1995. (ii) No caso das ações adquiridas posteriormente a 31 de dezembro de 1991, o custo de aquisição foi comprovado mediante apresentação das notas de corretagem, aplicando-se, ao caso, o disposto no art. 130 do RIR/99, in verbis: Art. 130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei n° 7.713, de 1988, art. 16, § 2°). O quadro a seguir, elaborado com base nos "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO" em referência, consolida o custo de aquisição das ações transferidas às herdeiras: Código da Ação Quant. Ações Transferidas Custo de Aquisição PETR3 2.720.000 R$ 2.171.882,57 AMBV4 72.515 R$ 852.085,03 CRUZ3 85.000 R$ 496.179,67 ALPA3 3000 R$ 42.798,55 ALPA4 1000 R$ 35.214,72 BBSA3 62.342 R$ 76.614,09 BBDC4 25.852 R$ 415.678,38 ELET5 200 R$ 0,00 ELET6 720 R$ 0,00 GGBR4 50.000 R$ 703.750,18 TBLE3 10.000 R$ 176.947,62 USIM5 22.500 R$ 869.416,62 VALE3 43.425 R$ 913.265,64 VALE5 10.856 R$ 34.154,40 Fl. 1663DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Apurados os custos de aquisição, a fiscalização efetuou o cálculo dos valores de transferência das ações e do ganho de capital, de acordo com os passos seguintes: Primeiramente, sobre a apuração dos valores na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, dispõe o art. 23 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o seguinte: Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1° Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitar-se- á à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. § 2° (...); § 3° O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do ano-calendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência. § 4º Para efeito de apuração de ganho de capital relativo aos bens e direitos de que trata este artigo, será considerado como custo de aquisição o valor pelo qual houverem sido transferidos. A Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, estabelece o seguinte: Art. 20. Na transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortis, a herdeiros e legatários; por doação, inclusive em adiantamento da legítima, ao donatário; bem assim na atribuição de bens e direitos a cada ex-cônjuge ou ex-convivente, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou união estável, os bens e direitos são avaliados a valor de mercado ou considerados pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual do de cujus, doador, ex-cônjuge ou ex-convivente declarante, antes da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. (...) § 2º O valor relativo à opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo, que independe da avaliação adotada para efeito da partilha ou do pagamento do imposto de transmissão, deve ser informado na declaração: I - final de espólio e na declaração do herdeiro ou legatário, correspondente ao ano- calendário da transmissão; (...); § 3º Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na Declaração de Ajuste Anual referida no caput, ou do custo de aquisição referido no § 1º, a diferença a maior constitui ganho de capital tributável. § 5° Na apuração de ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo, é considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o § 2º. Fl. 1664DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Como se vê, a legislação que rege a matéria estabelece que, no caso de sucessão por herança, os bens e direitos podem ser transferidos pelo (i) valor constante da Declaração de Ajuste Anual do de cujos - que deverá corresponder ao custo de aquisição - ou por (ii) valor superior. Se as transferências se derem por valor de custo, os eventuais ganhos ficam diferidos para o momento de posterior alienação pelas herdeiras. Se a opção for por transferência por valor superior, a diferença a maior entre este e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus (valor de custo de aquisição) configura ganho de capital, sujeito à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. O § 3° do art. 20 da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, é taxativo: basta que a transferência seja efetuada por valor superior ao constante na Declaração de Ajuste Anual do de cujos (valor de custo de aquisição) para que a diferença a maior constitua ganho de capital tributável. Eis, ainda, alguns dispositivos da Instrução Normativa SRF n° 81, de 11 de outubro de 2001, que dispõe sobre as declarações de espólio: Declaração de bens da declaração final Art. 9º Na declaração de bens e direitos correspondente à declaração final: I - deve ser demonstrada, discriminadamente por bem ou direito, a parcela que corresponder a cada beneficiário, identificados pelo nome e CPF; II - na coluna "Situação na Data da Partilha", os bens e direitos devem ser informados pelo valor constante na última declaração apresentada pelo de cujus ou pelo valor de aquisição, se esta houver sido efetuada pelo espólio, observada a legislação vigente; III - na coluna "Valor de Transferência" deve ser informado o valor pelo qual o bem ou direito, ou cada parte deste, deve ser incluído na declaração de bens do respectivo beneficiário, observado o disposto no art. 10. Art. 10. A transferência dos bens e direitos aos herdeiros ou legatários pode ser efetuada pelo valor constante na última declaração de bens e direitos apresentada pelo de cujus ou pelo valor de mercado. (...); § 3° A opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação. (...); § 6º Na Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício correspondente ao ano- calendário da decisão judicial transitada em julgado, os herdeiros e os legatários deverão incluir os bens e direitos recebidos pelo valor informado na coluna "Valor de Transferência" da declaração de bens e direitos correspondente à Declaração Final de Espólio. § 7° Na apuração do ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo, deve ser considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o § 6°. De acordo com os dispositivos acima, temos que: i) na Declaração Final de Espólio na coluna "Valor de Transferência" deve ser informado o valor pelo qual o bem ou direito deve ser incluído na declaração de bens do respectivo beneficiário (art. 9°, inc. III); ii) a Fl. 1665DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 opção por qualquer dos critérios de avaliação deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação (art. 10, §3°); iii) os herdeiros deverão incluir os bens e direitos recebidos pelo valor informado na coluna "Valor de Transferência" da declaração de bens e direitos correspondente à Declaração Final de Espólio (art. 10, § 6°). Em síntese, a opção pelo critério de transmissão dos bens ou direitos aos herdeiros é formalizada, de forma irretratável, quando da apresentação da Declaração Final de Espólio, devendo os herdeiros seguir, igualmente de forma definitiva, o critério adotado. E a opção adotada na Declaração Final de Espólio condiciona a ação dos herdeiros, não podendo haver divergências. Cotejando os valores informados na Declaração Final de Espólio (ND: 07/46.429.912), com os declarados nas DIRPFs apresentadas pelas herdeiras, Sras. Denise Cardoso Joppert (ND: 07.21.866.294, entregue em 30/04/2012) e Maysa Joppert Coelho, (ND: 07/32.277.450, entregue em 07/32.277.450), a fiscalização chegou à seguinte situação: Código da Ação Valor de Transferências das Ações Recebidas (DIRPFs das Herdeiras) Valor de Transferência das Ações (Declaração Final de Espólio) Denise Maysa Total Total (R$) Total Total (R$) PETR3 1.360.000 1.360.000 2.720.000 R$ 100.931.584,00 2.720.000 R$ 100.931.584,00 AMBV4 36.257 36.257 72.515 R$ 8.371.885,75 72.515 R$ 8.371.885,75 CRUZ3 42.500 42.500 85.000 R$ 3.954.132,00 85.000 R$ 3.954.132,00 ALPA3 1500 1500 3.000 R$ 154.471,20 3.000 R$ 154.471,20 ALPA4 500 500 1.000 R$ 52.644,80 1.000 R$ 52.644,80 BBSA3 31.171 31.171 62.342 R$ 1.108.690,12 62.342 R$ 1.108.690,12 BBDC4 12.926 12.926 25.852 R$ 621.068,44 25.852 R$ 621.068,44 ELET5 100 100 200 R$ 6.179,68 200 R$ 6.179,68 ELET6 360 360 720 R$ 18.734,97 720 R$ 18.734,97 GGBR4 25.000 25.000 50.000 R$ 669.240,00 50.000 R$ 669.240,00 TBLE3 5.000 5.000 10.000 R$ 178.256,00 10.000 R$ 178.256,00 USIM5 11.250 11.250 22.500 R$ 684.450,00 22.500 R$ 684.450,00 VALE3 21.713 21.713 43.425 R$ 1.402.731,72 43.425 R$ 1.402.731,72 VALE5 5.428 5.428 10.856 R$ 304.159,06 10.856 R$ 304.159,06 TOTAIS R$ 118.458.227,74 R$ 118.458.227,74 Constatou-se, pois, que as ações foram transferidas para as herdeiras por valor superior ao custo de aquisição, de modo que os mesmos valores foram informados na Declaração Final de Espólio e nas DIRPFs apresentadas pelas herdeiras, cumprindo-se o disposto no art. 23, da Lei nº 9.532/97, no art. 20, da IN SRF nº 84/2001 e nos arts. 9º e 10 da IN SRF nº 81/2001. Diante da situação narrada, a fiscalização apurou o imposto devido sobre o ganho de capital incidente na transferência, por sucessão causa mortis, da propriedade de bens deixados pelo espólio de Ynahy as suas herdeiras, consoante o seguinte demonstrativo: Código da Ação Quant. Ações Transferidas Valor de Transferência Custo de Aquisição Ganho de Capital PETR3 2.720.000 R$ 100.931.584,00 R$ 2.171.882,57 R$ 98.759.701,43 AMBV4 72.515 R$ 8.371.885,75 R$ 852.085,03 R$ 7.419.800,72 CRUZ3 85.000 R$ 3.954.132,00 R$ 496.179,67 R$ 3.457.952,33 ALPA3 3000 R$ 154.471,20 R$ 42.798,55 R$ 111.672,65 ALPA4 1000 R$ 52.644,80 R$ 35.214,72 R$ 17.430,08 BBSA3 62.342 R$ 1.108.690,12 R$ 76.614,09 R$ 1.032.076,03 BBDC4 25.852 R$ 621.068,44 R$ 415.678,38 R$ 205.390,06 Fl. 1666DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 ELET5 200 R$ 6.179,68 R$ 0,00 R$ 6.179,68 ELET6 720 R$ 18.734,97 R$ 0,00 R$ 18.734,97 GGBR4 50.000 R$ 669.240,00 R$ 703.750,18 R$ 0,00 TBLE3 10.000 R$ 178.256,00 R$ 176.947,62 R$ 1.308,38 USIM5 22.500 R$ 684.450,00 R$ 869.416,62 R$ 0,00 VALE3 43.425 R$ 1.402.731,72 R$ 913.265,64 R$ 489.466,08 VALE5 10.856 R$ 304.159,06 R$ 34.154,40 R$ 270.004,66 TOTAL R$ 111.789.717,07 Pois bem! Analisando o caso dos autos, entendo que assiste parcial razão às recorrentes. A começar, entendo que a fiscalização incorreu em erro, ao não considerar, como custo de aquisição, os valores constantes na DIRPF relativa ao exercício de 2009, ano-calendário 2008, ND 07/14.153.975, entregue em 28/04/2009 (após o falecimento de Ynahy, ocorrido em março de 2009), tendo efetuado o cálculo de acordo com os valores de mercado (até 31/12/1991) e mediante apresentação das notas de corretagem (após 31/12/1991). Isso porque, considerando que o presente auto de infração foi emitido em 13/08/2015, as informações declaradas ao Fisco, por meio da DIRPF relativa ao exercício de 2009, ano-calendário 2008, ND 07/14.153.975, entregue em 28/04/2009 (após o falecimento de Ynahy, ocorrido em março de 2009), estão homologadas tacitamente, eis que ultrapassado o decurso do prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4º, do CTN, não tendo sido demonstrado, a meu ver, qualquer hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a justificar a postergação do prazo decadencial, além de ter sido constatado a existência de efetivo pagamento. Dessa forma, entendo que o Auditor Fiscal não poderia ter desconsiderado essas informações para, após a homologação tácita da DIRPF relativa ao exercício de 2009, ano- calendário 2008, ND 07/14.153.975, entregue em 28/04/2009, calcular novo custo de aquisição para as ações que foram objeto de transferência causa mortis. Sendo assim, no presente caso, não mais poderia o Fisco proceder a revisão em relação ao ano-calendário de 2008, senão vejamos: em relação ao Fato Gerador encerrado em 31/12/2008 a revisão do procedimento efetuado pelo de cujus poderia ser feita até 31/12/2013; sendo que o presente auto de infração foi emitido em 13/08/2015; portanto, quando já ultrapassado o prazo referido no § 4° do art. 150 do CTN. A propósito, a Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano-calendário de 2008, correspondente ao exercício de 2009, não se caracteriza como declaração de espólio e sim do contribuinte, como se estivesse vivo, conforme disposto no § 1º, do art. 3º, da Instrução Normativa SRF N°81/2001, in verbis: Art. 3° Consideram-se declarações de espólio aquelas relativas aos anos-calendário a partir do falecimento do contribuinte. § 1º Ocorrendo o falecimento a partir de 1º de janeiro, mas antes da entrega da declaração correspondente ao ano-calendário anterior, esta não se caracteriza como declaração de espólio, devendo ser apresentada como se o contribuinte estivesse vivo e assinada pelo inventariante, cônjuge ou convivente, sucessor a qualquer título ou por representante do de cujus. Fl. 1667DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Cabe consignar, pois, que o artigo 23, da Lei nº 9532/1977, que serviu de fundamentação para a autuação, estabelece a opção do sujeito passivo em utilizar uma das formas de valorar a transferência dos bens, seja pelo valor da última Declaração de Ajuste Anual do de cujus, seja a valor de mercado. Não obstante, esse mesmo dispositivo legal, no parágrafo primeiro do artigo 23, estabelece a forma de apuração da base de cálculo, verbis: § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. (negrito nosso) A diferença a que se refere o parágrafo, no caso de avaliação dos bens a valor de mercado, somente pode ser apurada, segundo a determinação legal, tomando-se como elemento redutor aquele constante da última Declaração de Ajuste Anual do de cujus, no caso, a DIRPF relativa ao exercício de 2009, ano-calendário 2008, ND 07/14.153.975, entregue em 28/04/2009. Nesse sentido, entendo que deve ser reformada a decisão recorrida para considerar como custo dos bens passíveis de transferência às herdeiras aqueles constantes da declaração de ajuste anual do ano-calendário de 2008, pois a desconsideração da declaração não foi objeto de ato formal necessário a produzir efeitos jurídicos em relação a terceiros. Não há que se falar em nulidade do lançamento, eis que, nos termos dos artigos 59 e 60 do PAF - Decreto 70.235/72, o erro de cálculo não enseja nulidade e deve ser corrigido nas instâncias julgadoras. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Já em relação à alegação de erro nos valores atribuídos pela inventariante, na Declaração Final de Espólio, em relação às ações transferidas, entendo que não assiste razão à recorrente. No caso, não há como considerar que houve erro no preenchimento da Declaração Final de Espólio, não tendo sido demonstrado, tempestivamente, o desacerto nas informações prestadas, sobretudo considerando que os mesmos valores foram informados na Declaração Final de Espólio e nas DIRPFs apresentada pelas herdeiras, cumprindo-se, assim, o disposto no art. 23 da Lei n° 9.532/97, no art. 20 da IN SRF n° 84/2001 e nos arts. 9° e 10 da IN SRF n° 81/2001. E, conforme visto, a opção pelo critério de transmissão dos bens ou direitos aos herdeiros é formalizada, de forma irretratável, quando da apresentação da Declaração Final de Espólio, devendo os herdeiros seguir, igualmente de forma definitiva, o critério adotado. A fim de comprovar eventual erro, deveria a recorrente ter demonstrado, oportunamente, a retificação da (i) Declaração Final de Espólio, bem como (ii) de sua respectiva declaração, tempestivamente, antes do início da ação fiscal, com o ajuste no valor do custo de transferência, eis que, após o início da ação fiscal, findou-se o direito à espontaneidade da contribuinte, nos termos do art. 7°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72, in verbis: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 1668DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A propósito, o Decreto n. 70.235/72, em seu art. 7°, § 1°, dispõe que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. E ainda que a responsável solidária não tenha sido intimada anteriormente da ação fiscal, se envolvida, como é o caso, nas infrações verificadas, ocorre a perda da espontaneidade. Vale dizer, ainda, que o art. 138, do CTN, aduz que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse contexto, tem-se que o início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado (Súmula CARF n° 33). Ademais, ainda que se considere a reaquisição da espontaneidade em relação à recorrente, não basta, pois, demonstrar, a retificação apenas de sua declaração, vez que os herdeiros deverão incluir os bens e direitos recebidos pelo valor informado na coluna "Valor de Transferência" da declaração de bens e direitos correspondente à Declaração Final de Espólio e a opção por qualquer dos critérios de avaliação informada na Declaração Final de Espólio é irretratável. Ou seja, deveria demonstrar, ainda, a retificação da Declaração Final de Espólio, antes do início da ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Para além do exposto, em relação ao pedido de compensação efetuado pela responsável solidária, entendo totalmente descabido, eis que o fato gerador da Notificação de Lançamento não se confunde com o fato gerador (“venda de ações após a conclusão do espólio”) que a recorrente afirma ter gerado imposto a maior. A propósito, a compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição, não sendo aplicável ao caso dos autos. Cabe destacar que o pedido de compensação deve observar normas próprias e que, atualmente, estão previstas na Instrução Normativa RFB nº 2.055/2021, que estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Sobre a multa de ofício, conforme bem demonstrado pela decisão recorrida, descabe falar em sua inaplicabilidade ao caso dos autos, eis que, a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96 de 75% não está sendo aplicada sobre ação ou omissão praticada pelo “de cujus”, mas sim em decorrência dos atos praticados pelos herdeiros/espólio na qualidade de contribuintes responsáveis pela “falta de pagamento ou recolhimento do tributo” relativo ao ganho de capital. Fl. 1669DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 A propósito, foram os herdeiros/espólio que praticaram, após o óbito da Sra. Ynahy Marinho e Albuquerque, todos os atos relativos à informação das ações, sua valoração e estimativa de preço e inclusão nas DIRPF´s (o valor das ações constava zerado nas DIRPF´s do “de cujus” até a data do óbito/abertura da sucessão), não sendo possível aplicar os precedentes invocados pelos recorrentes ao caso dos autos. Não se caracteriza, portanto, a hipótese alegada de que teria havido transferência de responsabilidade do “de cujus” para os herdeiros, pois a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 não foi imposta em razão de ato praticado pelo “de cujus”. Em relação à responsabilidade atribuída aos recorrentes, também entendo que não há qualquer reparo a ser feito no lançamento, posto que devidamente observado o art. 124, inciso I, e art. 131, inciso II, todos da Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I - (...); II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado ou da meação; Ademais, nos termos do art. 23 do RIR/99: Art. 23. São pessoalmente responsáveis (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 50, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 131, incisos II e III): I- o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; Tem-se, portanto, que a responsabilidade pelo imposto devido pela pessoa falecida, até a data do falecimento, é do espólio. Encerrada a partilha, a responsabilidade pelo imposto devido pela pessoa falecida, até aquela data, é do sucessor a qualquer título e do cônjuge meeiro, limitando-se ao montante dos bens e direitos a eles atribuídos. Nesse sentido, os herdeiros foram chamados a responder pela totalidade do crédito tributário lançado até o limite do quinhão recebido na herança, não havendo qualquer reparo a ser feito no lançamento, neste particular. Sobre as demais arguições acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária, oportuno observar que já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1670DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Tem-se, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26- A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que no cálculo relativo ao ganho de capital, seja considerado como custo de aquisição os valores informados na última Declaração de Ajuste Anual do de cujus, no caso, a DIRPF relativa ao exercício de 2009, ano-calendário 2008, ND 07/14.153.975, entregue em 28/04/2009. É como voto. (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente no que se segue. De fato, após cinco anos, contados do fato gerador, o procedimento adotado pelo contribuinte, de apuração e pagamento do imposto devido, está tacitamente homologado, não mais podendo a Fazenda Pública proceder a revisão dos dados declarados para fins de lançamento. Devemos ponderar, contudo, que se sujeita ao pagamento do imposto sobre a renda a pessoa física que auferir ganho de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, inclusive na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, hipóteses em que os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador, cabendo, apenas a partir da ocorrência do fato gerador do ganho de capital em tela, a perquirição sobre o valor do custo de aquisição do bem ou direito informado na declaração de bens e direitos do de cujus ou do doador para fins de comparação com o valor de mercado na transferência efetuada a valor de mercado, sendo para tanto irrelevante que o lançamento do imposto do ano-calendário da declaração de rendimentos do de cujos em que se insere a última declaração de bens do de cujos tenha restado homologado e o respectivo crédito extinto, eis que este crédito extinto decorre de fato gerador diverso e que não se confunde com o posterior fato gerador do ganho de capital. Fl. 1671DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 2401-011.491 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.727281/2015-65 Em outras palavras, a declaração de bens e direitos a informar o valor do bem, apesar de integrar a declaração de rendimentos de determinado exercício (Lei nº 9.250, de 1995, art. 25), não se confunde com o lançamento de crédito tributário a ser tido por homologado (CTN, art. 150). Logo, não há que se falar em homologação do valor informado para o bem na declaração de bens e direitos, ainda que integre declaração de rendimentos homologada. Por conseguinte, o valor informado na declaração de bens e direitos da de cujos sujeita-se a comprovação por documentação hábil e idônea quando do procedimento de fiscalização atinente ao ganho de capital, de modo a se demonstrar que o valor em questão observa o valor de aquisição em reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 25, § 2º; Lei nº 9.532, de 1997, arts. 23 e 24; e Decreto n° 3.000, de 1999, art. 800). Diante disso, há respaldo para as intimações havidas durante o procedimento fiscal no sentido de se confirmar com documentação hábil e idônea os custos de aquisição das ações informados na declaração de bens e direitos da de cujos, não tendo o sujeito passivo obtido êxito na produção de tal prova. O entendimento em tela não destoa do adotado em face do ganho de capital advindo da alienação de imóvel em que há informação de benfeitorias em anteriores declarações de bens e direitos (Solução de Consulta DISIT/SRRF1 nº 17, de 2006, DOU - Seção 1, de 14/06/2006, p. 10; e Acórdãos de Recurso Voluntário n° 2401-005.158, de 06/12/2017, e n° 2401-007.011, de 08/10/2019). Por fim, assevere-se que o art. 23 da Lei n° 9.532 de 1997, faculta que se adote para a apuração do ganho de capital quando da transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, o valor de mercado ou o valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador, mas não autoriza que a inventariante ao efetuar declaração de bens e direitos em nome da de cujos (IN SRF n° 81, de 2001, art. 3º, §1º) e posteriormente em nome do espólio passe a declarar as ações de companhias abertas por valores variáveis. O art. 23 da Lei n° 9.532, de 1997, nos remete ao custo de aquisição incorrido pela de cujos e por ela declarado. Logo, a inventariante não pode simplesmente informar valor a título de custo de aquisição das ações na declaração de bens e direitos da de cujos sem lastro em prova hábil e idônea, ainda mais sendo pessoa juridicamente interessada enquanto herdeira. Isso posto, voto por REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 1672DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10380.011865/2003-89
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: Incentivo Fiscal - Aplicação do Imposto em Investimentos Regionais - PERC A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios (CF/88, art. 195, § 3°). A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei n° 9.069/95). A faculdade do contribuinte em optar pela aplicação de parcela do IRPJ em investimentos regionais, nos termos dos artigos 609, 611 e 613 do RIR/99, foi revogada a partir de 03/05/2001, não prevalecendo a indicação nesse sentido feita na DIPJ apresentada após aquela data.
Numero da decisão: 193-00.035
Decisão: ACORDAM os membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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I e_ e c4,, MINISTÉRIO DA FAZENDA 'NetrT4,1?: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA TURMA ESPECIAL Processo n° 10380.011865/2003-89 Recurso e 150.409 Voluntário Matéria IRPJ Acórdão e' 193-00.035 Sessão de 16 de dezembro de 2008 Recorrente NACIONAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida 4a.TURMA/DRJ-FORTALEZA/CE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: Incentivo Fiscal - Aplicação do Imposto em Investimentos Regionais - PERC A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber beneficios ou incentivos fiscais ou creditícios (CF/88, art. 195, § 3°). A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei n° 9.069/95). A faculdade do contribuinte em optar pela aplicação de parcela do IRPJ em investimentos regionais, nos termos dos artigos 609, 611 e 613 do RIR199, foi revogada a partir de 03/05/2001, não prevalecendo a indicação nesse sentido feita na DIPJ apresentada após aquela data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos por NACIONAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ACORDAM os membros da TERCEIRA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relato 'o e voto que passam a integrar o presente julgado. 4b I nai CH E RY E RNOÂ Presidente em Exercício 4 ‘7 fla . Processo e 10380.011865/2003-89 CCO 1 /T93 AcOrdào ra.• 193-00.035 Fls. 2 — - C: R MARQUES " II E SOUS • Relatora FORMALIZADO EM: 1 8 MAR 200' Participaram, ainda, ch presente julgamento, os Conselheiros ANTONIO BEZERRA NETO e ROGÉRIO GA • IA PERES. to A ‘W, 2 Processo n°10380.0)1865/2003-89 CCOI/T93 Acórdão n.• 193-00.035 Fls. 3 Relatório Por economia processual e bem sintetizar a lide, adoto o Relatório da decisão recorrida da Lla TumulDRJ-Fortaleza/CE (fls.90/93) que abaixo transcrevo: "Nacional Investimentos e Participação Ltda, inscrita no CNPJ sob o n° 07.205.735/0001-09, ingressou com manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório de fls. 64/67, expedido pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE, no qual foi indeferido o seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC relativo ao ano-calendário de 2000, apresentado em 26/11/2003 (fls. 01). O contribuinte foi cientificado do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, 1RPJ/2001, ano-calendário 2000, fls. 19, alterando o valor declarado a título de incentivo fiscal, em face das seguintes ocorrências: 11 — Contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais e/ou com irregularidades cadastrais (Lei n°9.069/95, art. 60); 16 — Sem efeito a opção em DIPJ entregue após 02/05/2001 para Fundo dijf de art. ?da Lei 8167/91. Em 26/11/2003, o contribuinte ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, fls. 01, dirigido à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 64/66, que fundamentou o ato administrativo ora guerreado, a motivação do indeferimento do PERC se deveu ao fato de o contribuinte se encontrar com pendências na SRFB, de acordo com as informações contidas no Relatório de fls. 56/58, e junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, conforme relatório CADIN do sistema SISBACEN EMFSR, juntado às fls. 61; conclui a autoridade fiscal que essas circunstâncias representam um óbice ao reconhecimento de beneficio fiscal aqui tratado, nos termos do parágrafo único, do artigo 614, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR199), que tem como matriz legal, o artigo 60, da Lei n°9.069, de 1995. Motivou, ainda, o indeferimento do pleito, a extinção, a partir de 03/05/2001, do incentivo fiscal que pretendeu gozar o Requerente, com a revogação da legislação que facultava às pessoas jurídicas, a aplicação do imposto em investimentos regionais, de acordo com o artigo 50, da Medida Provisória n° 2.145/01, publicada naquela data, ressalvadas as hipóteses previstas no dispositivo. O contribuinte foi intimado do Despacho Decisório, por via postal, em 11/03/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 68. 4 e. ‘i keit. 3 Processo n°10380.011865/2003-89 CCOI/T93 Acórdão n." 193-00.035 Fls. 4 Inconformado, apresentou, em 11/04/2005, a contestação de fls. 69/74, alegando, em síntese, que: - verifica-se que de acordo com a Informação Fiscal prestada, o contribuinte estava com débitos exigíveis de tributos e contribuições federais perante a Receita Federal e a PGFN, no ato da consulta realizada; - contudo, as informações obtidas pelo fiscal a partir do sistema de consultas da Receita Federal não podem e em nenhuma hipótese devem ser tidas como de forma absoluta para motivar o indeferimento do incentivo fiscal para o contribuinte; - decorre que o sistema de consulta da situação fiscal do contribuinte junto à Receita Federal e PGFN, não traduz a real situação fiscal do contribuinte, em razão da inconstância das informações e em muita das vezes as indicações de débitos constantes das pesquisas são frutos da alocação indevida de pagamentos realizados pelo contribuinte que são plenamente satisfeitas apenas com a apresentação do referido comprovante de pagamento; - ademais, é totalmente inviável para o contribuinte de grande porte, manter-se com a situação fiscal imaculada durante todo o período de tempo de validade da Certidão Negativa de Débitos. Tudo porque a grande quantidade de informações prestadas nas declarações acarreta uma série de equívocos que acabam por gerar a existência de falsos débitos que seguem imediatamente para a Receita Federal e Dívida Ativa da União sem possibilidade de defesa prévia; - acrescente-se, ainda, a atualização quase diária dos supostos débitos e a necessidade constante de liquidar as exigências junto àquele órgão. As diferenças entre pesquisas de situação fiscal do contribuinte realizada em dias distintos são consideráveis; - tais fatos inviabilizam o trabalho do contribuinte que não tem como permanecer diuturnamente em busca de pesquisas e demonstrando pagamentos perante a Secretaria de Receita Federal e PGFN que, tampouco, disponibiliza uma estrutura capaz de atender diariamente todos os contribuintes do Estado; - desta feita, para o contribuinte manter-se em regularidade perante a Receita Federal e a PGF1V, o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa de Débitos (seja nos termos do art. 205 ou 206 do Código Tributário Nacional), documento que basta para comprovar perante todos os órgãos a situação de regularidade fiscal do contribuinte durante o período em que esta é válida; - no caso do ora impugnante as Certidões Negativas de Débitos na época do despacho decisório exarado em 10/03/2005, estavam em processo de regularização das pendências apontadas pelo fisco, motivo pelo qual o contribuinte deveria ser intimado para comprovar em prazo razoável a sua regularidade fiscal através da juntada da respectiva certidão comprobatória; - desta forma, é inconcebível o indeferimento do PERC inutilizando os incentivos fiscais, sem que seja dado ao contribuinte chance de r . 4 Processo n° 10380.011865/2003-89 CC0I/T93 Acórdão n.° 193-00.035 Fls. 5 regularizar sua situação fiscal, seja através de simples intimação para que comprove sua regularidade fiscal ou mediante a juntada de sua CND; - não há coerência nesse procedimento, uma vez que o contribuinte que detém sua CND e a renova constantemente, terá sempre o seu pedido indeferido por conta de supostas exigências que certamente no ato da renovação da CND serão documentalmente refutadas; - quanto às alterações trazidos pelas Medidas Provisórias n° 2.145, de 02/05/2001, 2.156-5, de 24/08/2001 e 2.199, de 24/08/2001, que revogou de forma apressa a legislação que disciplina o gozo dos incentivos fiscais, verifica-se que tal revogação não alcança os beneficias aqui tratados; - com efeito, tem-se que os incentivos fiscais ora buscados, estão vinculados à regra descrita no art. 32, inciso XVIII da MP n° 2.1 56- 5/2001, que ressalvou o direito para as pessoas que atendessem os requisitos estabelecidos; - conforme ficou demonstrado, o impugnante na data do indeferimento tinha total condição de obter a liberação dos incentivos fiscais em questão, por estar com a sua CND válida." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) negou provimento à impugnação em decisão proferida no venerando Acórdão n° 7.055, de 11.11.2005, (fls.92/102). O contribuinte foi cientificado da decisão prolatada mediante o Acórdão acima, com postagem em 12/01/06, conforme extrato, fls.123, sem retomo do Aviso de Recebimento (AR) por parte dos Correios, consoante despacho fls.124, tendo a empresa interposto recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes em 14.02.2006 (fls.104/108). As razões de inconformidade na peça recursal são as mesmas apontadas em sua impugnação, (fls.69/74). Após o breve relato dos fatos apontados na mencionada impugnação, a Recorrente, ao final requer que se dê provimento ao recurso para reformar o Acórdão DRJ/FOR n° 7.055/2005 tomando improcedente o despacho decisório que indeferiu o PERC. É o relatório. 15— Wee 5 Processo n°10380.011865/2003-89 CC01/1"93 Acórdão n.° 193-00.035 Fls. 6 Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatora O recurso é tempestivo, foi protocolizado em 14/02/2006, e preenche os requisitos de admissibilidade, nos termos do art.23, § 2°, inciso II do Decreto n° 70.235/72, dele conheço. Trata-se, como visto, de Recurso Voluntário interposto em face da decisão, que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Certificado de Investimento — PERC, sob o fundamento de que o direito ao incentivo fiscal fora revogado em 02/05/2001, em função do fato de não ter exercido a opção ao beneficio fiscal em data anterior à edição da norma extintiva do direito, e, que o sujeito passivo não comprovou sua regularidade fiscal quando da análise da matéria. Registre-se que, o indeferimento do PERC se dá pelo descumprimento de duas condições excludentes e cumulativas o que implica dizer que o descumprimento de uma delas já seria suficiente para o indeferimento do pedido. A primeira questão cinge-se à interpretação da legislação que rege a matéria e seus efeitos sob o aspecto temporal, portanto relacionada à MP n° 2.145, de 02/05/2005 que revogou a norma autorizadora da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais. Em relação à primeira motivação para o indeferimento da solicitação, cumpre analisar o pleito relativo à apresentação de DIPJ em 29/06/2001, portanto, após 02/05/2001, a data limite para as pessoas jurídicas não enquadradas nas condições previstas no art. 9° da Lei n° 8.167/91, usufruírem do aludido beneficio fiscal que finalizou em 02.05.2001, enquanto sua DIPJ/2001 foi entregue somente em 29.06.2001 (fis.51). Isso porque não houve recolhimento do incentivo através de DARF, no ano-calendário, conforme se extrai dos documentos, fis.62/63. A possibilidade da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais tinha fundamento no art. 1° da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, a seguir transcrito: Art. I° A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao período-base de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I - no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) (Decreto-Lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11. alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo (Funres) (Decreto-Lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. I 1,10; (..) 5A referida norma foi revogada em 03/05/2001, pela Medida Provisória n°2.145. O inciso XVIII do art. 50 da mencionada Medida Provisória n.° 2.145, de 02 de maio de 2001, expressamente revogou o artigo 1°, inciso I, da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, Proreeso n° 10380.011865/2003-89 CC01/193 Acórdão n.• 193-00.035 Fls. 7 ressalvado, no inciso XX, apenas o direito previsto no art. 9° da Lei 8.167, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, e desde que estejam em situação de regularidade, cumprindo todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. O direito à aplicação em incentivos fiscais encontra-se disposto nos arts. 592 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, cujos dispositivos seguem: "Art. 592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (Decreto-Lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1°). (..) Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaracão de rendimentos ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. (Lei n°9.532, de 1997, art.49 ,f 1° A opção, no curso do ano-calendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) especifico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: 1- 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; - 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; - 6% para o F1NOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. (...)". (grifos acrescidos) Com fulcro no citado artigo, o art. 609 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, Decreto n.° 3.000, de 29 de março de 1999,de acordo com as leis específicas dispunha: Ar!. 609.A pessoa jurídica, mediante indicação em sua declaração de rendimentos, poderá optar pela aplicação de percentuais do imposto devido, na forma a seguir indicada, no FINOR, em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento econômico dessa região pela SUDENE, inclusive os relacionados com pesca, turismo, florestamento e reflorestamento localizados nessa área (Decreto-Lei n2 1.3 76, de 1974, art. 11, inciso I, Decreto-Lei n2 1.478, de 26 de agosto de 1976, art. 12, Decreto-Lei n2 2.397, de 1987, ar!. 12, inciso III, Lei n2 8.167, de 1991, arts. R, inciso I, e 23, e Lei n2 9.532, de 1997, art. 22): 1-trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II-vinte por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; te á 7 Processo n°10380.011865/2003-89 CCO 1/T93 Acórdão n.• 19340.035 Fls. 8 111-dez por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de Is de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. Parágrafo único.Fica extinto, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 12 de janeiro de 2014, o beneficio fiscal de que trata este artigo (Lei ns 9.532, de 1997, art. 22, §29. Nesse sentido, oportuno citar o art. 4° da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, matriz legal do art.601 do RIR199, que indicava as formas que dispunha a contribuinte para manifestar a opção pela aplicação em investimentos regionais, enquanto vigente o incentivo fiscal ora discutido, (negritos acrescidos): Art. 4° As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão mantfestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do ano- calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. § 1° A opção, no curso do ano-calendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) especifico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: 1- 18% para o FINOR e FINAM e 25% para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II - 12% para o FINOR e FINAM e 17% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; III - 6% para o FINOR e FINAM e 9% para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. § 20 No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado. (.) § 5° A opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. (.) O art.4° da Lei n° 9.532/97, foi revogada pelo art.18 da Medida Provisória n° 2.199-14, em 24/08/2001, na esteira da extinção do incentivo fiscal em comento através da MP n°2.145-01 que, por isso, passou a prescindir de disciplinamento quanto à forma de opção pelo seu gozo. Observa-se no dispositivo citado que a opção da contribuinte poderia ser manifestada no curso do ano-calendário, por intermédio do recolhimento de parcela do imposto devido efetuado em DARF especifico, no qual deveria constar o código do respectivo findo de investimento ou na declaração de rendimentos. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 64/67, ficou patenteado na decisão de primeiro grau, fls.100, que não houve qualquer recolhimento relativamente ao incentivo fiscal no curso do ano ano-calendário de 2000, conforme relatório do sistema SINAL03 que menciona (fls. 62/63), dado não contestado pela Recorrente. Assim, restou ao Contribuint IPA ', 8 Processo n° 10380.011865/2003-89 CCO I/T93 Acórdão n.° 193-00.035 F1s. 9 manifestar a sua opção na declaração de rendimentos a ser apresentada para o ano-calendário de 2000. Ocorre que, a possibilidade da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais que tinha fundamento no art. 1° da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, foi revogada em 03/05/2001, pela Medida Provisória n°2.145-14. O inciso XVIII do art. 50 da Medida Provisória n.° 2.145, de 02 de maio de 2001, expressamente revogou o artigo 1°, inciso I, da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, ressalvando, no inciso XX, apenas o direito previsto no art. 9° da Lei 8.167, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, e desde que estejam em situação de regularidade, cumprindo todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Em resumo, até 02/05/2001, a aplicação de parte do Imposto de Renda Pessoa Jurídica em investimentos regionais estava ao alcance de quaisquer pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. Contudo, a partir de 03/05/2001, a aplicação nos fundos de Investimentos Regionais passou a ser restrita às pessoas jurídicas de que trata o art. 9° da Lei n.° 8.167, de 1991, detentoras de pelo menos 51% do capital votante de sociedade titular de projetos com pleitos aprovados, no órgão competente, até 02/05/2001 e enquadrados em setores da economia considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional. A Recorrente entregou sua DIPJ/2001, referente ao ano-calendário 2000, em 29/06/2001 (fls.51). Apesar da tempestiva entrega da D1PJ/2001, a possibilidade da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais que tinha fundamento no art. 1° da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, já não existia no ordenamento jurídico, por força da revogação disposta na MP n°2.145, de 03/05/2001. Há quem sustente que tal revogação não poderia surtir efeito para restringir a opção em comento em razão do princípio da irretroatividade das leis tributárias ou ainda sob o fundamento do direito adquirido insculpido no art. 5° , inciso XXXVI da Constituição Federal de 1988 "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito - e a coisa julgada". No presente caso não há falar em direito adquirido, tendo em vista que antes da revogação da Lei, não havia o Contribuinte exercido a opção no curso do ano calendário. Teria o Contribuinte não um direito mas uma expectativa de direito a depender do exercício da opção que não fora consumada na vigência da lei. A manifestação do contribuinte (opção) após a revogação da lei restou fora de qualquer alcance legal. Também não seria o caso para se alegar o princípio da irretroatividade (CF/88, art.150, III,"a"), pois não se trata de instituir ou aumentar tributo, apenas a revogação de um beneficio fiscal. De acordo com o art.178 da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional (CTN), a lei que concede ou que autoriza a concessão de isenção é revogável a qualquer tempo, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições. A hipótese da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais prevista no art.1° da Lei n.° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, não se coloca na ressalva legal do art.178, logo não há qualquer óbice à sua revogação imediata pela MP n° 2.145/01. Diante de todo exposto, e considerando que a contribuinte não formalizou aii opção nos recolhimentos mensais efetuados no ano-calendário e entregou sua declaração após tes -, 9 Processo e 10380.011865/2003-89 CCOI/T93 Acórdão n.° 193-00.035 Eis. 10 02/05/2001, a Recorrente não detinha direito de destinar parcela do imposto devido para o FINDA e, por conseqüência, são improcedentes suas alegações. Alega ainda a Recorrente, fis.108, que os incentivos fiscais em comento, "estão vinculados à regra descrita no art. 32, inciso XVIII da Medida Provisória n° 2.156-5/2001, que ressalvou o direito para as pessoas que atendessem os requisitos estabelecidos" Vejamos o dispositivo da MP n° 2.156-5/2001, invocado pelo interessado, in verbis: "Art. 32. Ficam revogados: (.-.) XVIII o art. 18 da Lei n°4.239, de 27 de junho de 1963, ressalvado o direito previsto no art. 9° da Lei n° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, para as pessoas que já o tenham exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, desde que estejam em situação de regularidade, cumpridos todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados." (grifos nossos) Apesar do Recorrente escorar-se na ressalva contida inciso XVIII do art. 32 da MP n° 2.156-5/2001, não comprova nos autos que atende aos requisitos estabelecidos, conforme acima delineado. Em relação à segunda motivação para o indeferimento da solicitação, passa-se a analisar a questão sob o ângulo da não regularidade da situação fiscal quando da análise do PERC. Segundo a Informação Fiscal/Despacho Decisório da DRF — Fortaleza, emitido em 28/02/2005, fls. 64/66, outro motivo do indeferimento do pleito do interessado, teve por base pendências junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN, conforme relatório CADIN dos sistemas SISBACEN EMFSR, fis.61, emitido em 17/12/2002. O indeferimento do pedido, nesse aspecto, teve por fundamento legal o disposto no art. 195, § 3° da atual Constituição Federal e art. 60 da Lei n° 9.069/95, que dá amparo ao § único do art.614 do RIR/99, a seguir transcritos: CF/88: "Art. 195. § 3° - A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber beneficios ou incentivos fiscais ou creditícios." Lei n°9.069/95: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." O texto constitucional claramente impõe restrição à pessoa jurídica em receber beneficios ou incentivos fiscais quando em débito com o sistema da seguridade social. 411 a rio •Ali . 10 Processo n° 10380.011865/2003-89 CCOUT93 Acórdão n.° 193-00.035 Fls. 11 Semelhante restrição também faz a Lei n° 9.069/95, para os casos de contribuinte com débito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A mencionada lei exige como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal que a pessoa fisica ou jurídica não esteja em débito com a Secretaria da Receita Federal. A condição portanto, é que o contribuinte dê quitação a esses tributos e contribuições e por conseqüência obtenha o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. O segundo elemento móvel do indeferimento do PERC foi a pendência junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN, conforme relatório CADIN dos sistemas SISBACEN EMFSR, de 17/12/2002, fis.61. O contribuinte, alega, tanto na impugnação quanto no recurso que o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), que, na época do despacho decisório estava em processo de regularização. No entanto, mesmo após o despacho decisório da DRF/FOR, fls.64/66, cientificado ao interessado em 11/03/2005 até a data da interposição do recurso em 14/02/2006, não fora juntada ao processo qualquer documento que comprove a satisfação da exigência mediante a Certidão Negativa ou Positiva de Débitos (arts.205 e 206 do CTN), requisito indispensável que comprova a regularidade fiscal para a concessão do incentivo fiscal, conforme a expressa determinação legal acima descrita. Vale repisar que o indeferimento do PERC na presente análise se dá pelo descumprimento de duas condições excludentes e cumulativas o que implica dizer que o descumprimento de uma das condições já seria suficiente para o indeferimento do pedido. Diante do exposto voto por manter o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC de fls. 01, e, por conseqüência pela improcedência do Recurso Voluntário em questão. Sala das Sessões, - -1-6--Cc ---lezembro de 2008 S ritler is SOUSA e4 .44be . I I Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1 _0023800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10930.007957/2002-18
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PROCESSUAL – RECURSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – COMPETÊNCIA – REGIMENTO INTERNO DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. Muito embora o procedimento fiscal em questão tenha tido origem no SIMPLES, estão sendo exigidos da Contribuinte, por intermédio dos respectivos Autos de Infração emitidos, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); Contribuição Social para o Lucro Líquido (CSSL); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para a Seguridade Social (INSS). A competência para julgamento dos recursos administrativos versando sobre tais tributos e contribuições não é do Terceiro, mas sim do Primeiro e do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 55, de 1998, com suas futuras alterações. DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 302-37.245
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolher a preliminar para declinar da competência do julgamento do recurso em favor do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Luis Antonio Flora que não a acolhiam.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES

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Recorrida : DRJ/CURITIBA/PR PROCESSUAL — RECURSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — COMPETÊNCIA — REGIMENTO INTERNO DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. Muito embora o procedimento fiscal em questão tenha tido origem no SIMPLES, estão sendo exigidos da Contribuinte, por intermédio dos respectivos Autos de Infração emitidos, o Imposto de Renda Pessoa • Jurídica (IRPJ); contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); Contribuição Social para o Lucro Líquido (CSSL); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cotins) e Contribuição para a Seguridade Social (INSS). A competência para julgamento dos recursos administrativos versando sobre tais tributos e contribuições não é do Terceiro, mas sim do Primeiro e do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 55, de 1998, com suas futuras alterações. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolher a preliminar para declinar da competência do julgamento do recurso em favor do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Luis Antonio Flora que não a • acolhiam. JUDITH DO ARAL MARCONDES ARMANO Presidente Sée,"1111 PAULO ROB 'enrCUCCO ANTUNES Relator Formalizado em: 2 2 FEV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Davi Machado Evangelista (Suplente). Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. une • Processo n° : 10930.007957/2002-18 • Acórdão n° : 302-37.245 RELATÓRIO E VOTO Consta, do Relatório de fls. 177, integrante do Acórdão recorrido, DRJ/CTA n°3.069, de 13/02/2003, o seguinte, verbis: "Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, e tendo em vista o que consta do Termo de Vercação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal de fls. 126/131, parte integrante dos lançamentos em nome da interessada, com base no Simples foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, contribuição para o • Programa de Integração Social — PIS, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — CSSL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins e Contribuição para Seguridade Social — INSS, os quais se relatam a seguir." (destaques acrescidos pelo Relator). Como se pode observar, muito embora a fiscalização que originou as autuações em apreço tenho tido origem no SIMPLES, é certo que as exigências formuladas, em decorrências das infrações elencadas no processo, relacionam-se aos tributos citados, os quais não se encontram na área de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes, para julgamento do respectivo Recurso Administrativo. É o que se depreende da leitura, em conjunto, dos artigos 7 0, 8° e 9°, com seus incisos e parágrafos, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF n° 55, de 1998, com suas posteriores alterações. Fácil é de se verificar que as matérias em questão encontram-se na • competência de julgamento do E. Primeiro Conselho de Contribuintes. Em sendo assim, voto no sentido de DECLINAR DA COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO aqui em exame, em favor dos E. Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com as matérias indicadas nos Autos de Infração integrantes do processo. Sala das Sessões, em 24 d- janeiro de 2006 PAULO ROBE r /5. CUCCO ANTUNES - Relator 2 Page 1 _0015200.PDF Page 1

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4652288 #
Numero do processo: 10380.013124/2003-32
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF EXERCÍCIO: 2002 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO. ABONO AOS MAGISTRADOS FEDERAIS (LEIS WS 9.655/1998 E 10.474/2002). JUROS SELIC. TERMO INICIAL. Caracteriza-se como pagamento indevido o Imposto de Renda retido na fonte sobre o abono concedido a Magistrados Federais e Membros do Ministério Público da União (Leis IN 9.655/1998 e 10.474/2002), com caráter indenizatório, conforme declarado na Resolução STF n° 245/2002. Assim, a restituição deve ser acrescida de juros SELIC segundo as regras de restituição de valores pagos a maior ou indevidamente. Recurso provido.
Numero da decisão: 192-00.049
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, DAR provimento ao recurso (reconhecimento da SELIC a partir da data da retenção), nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS

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