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Numero do processo: 18108.000342/2007-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - FUNDAMENTAÇÃO E CONCLUSÃO
Demonstrada a existência de contradição no Acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos a fim de correção da contradição.
Em que pese a fundamentação do Acórdão ter reconhecido a decadência de todo o crédito com fundamento na regra contida no art. 150, § 4º, CTN, houve uma incorreção de digitação pois, na conclusão do acórdão, houve o acolhimento da decadência total por qualquer dos critérios previstos no CTN,
EMBARGOS ACOLHIDOS.
Numero da decisão: 2403-000.205
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer dos Embargos de Declaração, te-ratificar o Acórdão n" 2403-00.043 para determinar que na conclusão passe a constar: "Voto pelo conhecimento do recurso para, nas preliminares, em acolher a decadência total no termos do artigo 150 § 4º do CTN
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - FUNDAMENTAÇÃO E CONCLUSÃO Demonstrada a existência de contradição no Acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos a fim de correção da contradição. Em que pese a fundamentação do Acórdão ter reconhecido a decadência de todo o crédito com fundamento na regra contida no art. 150, § 4º, CTN, houve uma incorreção de digitação pois, na conclusão do acórdão, houve o acolhimento da decadência total por qualquer dos critérios previstos no CTN, EMBARGOS ACOLHIDOS.
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Em que pese a fundamentação do Acórdão ter reconhecido a decadência de todo o crédito com fundamento na regra contida no art. 150, § 4', CTN, houve uma incorreção de digitação pois, na conclusão do acórdão, houve o acolhimento da decadência total por qualquer dos critérios previstos no CTN, EMBARGOS ACOLHIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, te-ratificar o Acórdão n" 2403-00.043 para determinar que na conclusão passe a constar: "Voto pelo conhecimento do recurso para, nas preliminares, em acolher a decadência total no termos do artigo 150 § 4" do CTN (/ /zii MEES STRINGARI - Presidente d.2 CARLOS ALBE PAULO MAUR110,̀IOY PINHEIRO MONTEIRO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato, 3 É o relatório, Processo n" 18108 000342/2007-71 S2-C4T3 Acórdão o" 2403-00.205 H 86 Relatório Com fulcro no art. 64, I do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF ri° 256 de 22 de junho de 2009, o Procurador da Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração, às fls 78 a 82, contra o Acórdão n° 240.3-00,043 de 29 de abril de 2010 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. No acórdão embargado decidiu-se, por unanimidade, em acolher a preliminar de decadência total no período de 01/1999 a 12/2000, nos termos do artigo 150, § 4", CTN. No entanto, em que pese a fundamentação do acórdão ter reconhecido a decadência de todo o crédito com fundamento na regra contida no art. 150, § 4 P, CTN, houve uma incorreção de digitação pois, na conclusão do acórdão, houve o acolhimento da decadência total por qualquer dos critérios previstos no CTN. É nesse ponto que a embargante vislumbra a ocorrência de contradição entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. Por um lado, o texto incorreto da conclusão assim está disposto: "Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, acolher a decadência total por qualquer critério previsto no CTN " Por outro lado, o texto correto da conclusão, em consonância com toda a fundamentação exposta, seria: "Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, acolher a decadência total nos termos do artigo 150, § 4", CTN" Outrossim, a embargante alega que a presente hipótese não sofre a incidência do art. 150, § 4', crN pois a análise reveste um crédito tributário sujeito exclusivamente ao lançamento de oficio, e por isso, regido, em relação à decadência, pelo art. 173, 1, CTN. Deste modo, a aplicação do art. 173, I, CTN afastaria parcialmente a decadência, pois a ciência do Auto de Infração ocorreu em 28.11.2006, enquanto que o Auto de Infração abrangeu as competências 01/1999 a 12/2000. Cabe razão à PGFN, vez que na decisão embargada, demonstrou-se a contradição entre a fundamentação e a conclusão do acórdão, o que ensejaria, caso se adotasse o critério de decadência exposto no art. 173, I, CTN, o afastamento parcial da decadência. Nesse sentido, procedem os Embargos de Declaração apostos pelo douto representante da Fazenda Nacional, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludida incorreção seja devidamente saneada. Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relatou De acordo com o informado no Relatório, no Acórdão embargado decidiu-se, por unanimidade, em acolher a preliminar de decadência total no período de 01/1999 a 12/2000, nos termos do artigo 150, § 4', CTN. No entanto, em ue 'ese a fundamenta ão do acórdão ter reconhecido a decadência de todo o crédito com fundamento na re . ra contida no art. 150 • 4° CTN, houve uma incorreção de digitação pois, na conclusão do acórdão, houve o acolhimento da decadência total por qualquer dos critérios previstos no CTN. É nesse ponto que a embargante vislumbra a ocorrência de contradição entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. Por um lado, o texto incorreto da conclusão assim está disposto: "Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, acolher a decadência total por qualquer critério previsto no CTN Por outro lado, o texto correto da conclusão, em consonância com toda a fundamentação exposta, seria: "Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, acolher a decadência total nos termos do artigo 150, § 4", CTN" A Embargante argumenta que a presente hipótese não sofre a incidência do art. 150, § 4°, CTN pois a análise reveste um crédito tributário sujeito exclusivamente ao lançamento de oficio, e por isso, regido, em relação à decadência, pelo art. 173, I, CTN, Deste modo, a aplicação do art. 173, I, CTN afastaria parcialmente a decadência, pois a ciência do Auto de Infração ocorreu em 28,11,2006, enquanto que o Auto de Infração abrangeu as competências 01/1999 a 12/2000. Observando-se a ementa do Acórdão n° 2403-00,043 de 29 de abril de 2010, em relação à questão da decadência, tem-se que "na presente hipótese de não inclusão de valores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social - GFIP, constata-se que já se operara a decadência do direito de lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória no período de 01/1999 a 12/2000 1 nos termos do artigo 150, 4", CTN." Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - BOLSA DE ESTUDOS - SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - VALORES NÃO INCLUÍDOS EM GF IP - PERÍODO Processo n° 18108.00034212007-71 S2-C4T3 Acórdão n " 240-00,205 Fl 87 ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N" 8, O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Nos termos do art 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No presente caso, Verifica-se que em 10/10/2006 foi dada ciência à recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos - TIAD, enquanto que a cientificação do Auto de Infração pela recorrente se deu em 28/11/2006 e o Auto de Infração, código de fundamentação legal 68, entre as competências 01/1999 a 12/2000. Dessa forma, na presente hipótese de não inclusão de valores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social - GFIP, constata-se que já se operara a decadência do direito de lançar a multa por descurnprimento de obrigação acessória no período de 01/1999 a 12/2000, nos termos do artigo 150, § CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Desta forma, não acolho esta argumentação da Embargante de aplicação do art. 173, I, CTN, porque a decisão desta Colenda Turma no Acórdão foi, por unanimidade de votos, aplicar o art. 150, § 4", CTN. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER dos Embargos de Declaração, re-ratificar o Acórdão if 2403-00.043 para determinar que na CONCLUSÃO passe a constar: "Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, acolher a decadência total nos termos do artigo 150, § 4°, CIN." É como voto. Sala das Sessões e n 24 de setembro de 2010 PAULO MÁ1jkit110 PINHEIRO MONTEIRO - Relator Bra Ilia, 25 e outubro de 2010 L. AL MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .V4-- fr QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n': 18108.000342/2007-71 Recurso n°: 155,048 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00205 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ I Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Proctnador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 11065.003963/2002-05
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3805-000.001
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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Recorrida l' TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS RESOLVEM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em dili:. ^ • da, nos termos do voto do Relator. ¡I I --wre" eti, , MA 8 e S PESSOA MONTEIRO Pr; -idenfte SIDNEY\ R RRÕS1 Relator , ‘, FORMALIZADO EM: 2 8 MAI 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho e Sandro Machado dos Reis. 1 Processo n° 11065.003963/2002-05 S3-C3T1 Resolução n.° 38054001-5 Turma Especial Fl. 154 Relatório Com a finalidade de descrever os fatos sob foco neste processo, até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 123 a 126 da instância a quo, in verbis: "Contra o contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 01/02, exigindo-lhe o crédito tributário total de R$ 32.878,31, em razão de pagamento de débitos declarados em DCTF não localizados, pagamento de débitos declarados em DCTF após o vencimento com insuficiência da multa de mora e pagamento de débitos declarados em DCTF após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora. Inconformado com a autuação, o contribuinte impugnou o lançamento alegando que efetuou o pagamento dos débitos nos vencimentos. Em razão de que a Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n° 32, de 19 de fevereiro de 2002, determinava a análise da documentação apresentada pelo contribuinte nas impugnações dos lançamentos decorrentes da auditoria eletrônica nas DCTFs do ano-calendário de 1997, foram os autos remetidos à DRF em Novo Hamburgo para cumprimento daquela norma. A DRF em Novo Hamburgo intimou o contribuinte para que apresentasse cópia dos documentos que entendesse adequados para comprovar que os débitos objeto do lançamento foram pagos nos vencimentos, citando como exemplo de documentos hábeis a propiciar a identificação da semana correta da ocorrência dos fatos geradores o Livro Diário, o Livro Razão, recibos e folhas de pagamentos. O contribuinte apresentou os documentos de fls. 97/117. A DRF em Novo Hamburgo efetuou a revisão de oficio do lançamento, tendo cancelado a exigência do imposto, no valor de R$ 5.306,25, mais a multa e juros de mora correspondentes, referente aos débitos n's 4196970, 4196981 e 4196985 conforme decisão à fls. 121." A decisão recorrida manteve parcialmente o lançamento, na parte que restou após a revisão de oficio, afastando a multa isolada por falta de pagamento da multa de mora, escorando-se no Parecer PGFN/CDA/CAT n° 2.237/2006. Manteve, tão somente, as exigências correspondente ao imposto no valor de R$ - 2,5WA4 e de multa paga a menor no valor de R$ 10,84, ambos por falta de comprovação do pagamento. Às fls. 130/131 se vê o recurso voluntário, por meio do qual a interessada assim se manifesta, em síntese: Que discorda da afirmação de que não comprovou os pagamentos, mas apenas páginas de seu livro Diário que demonstram os débitos, visto que foram anexadas cópias de todos os DARFs por ocasião da impugnação; Que a relação entre os DARFs entregues em 24.10.2002 e as cópias das páginas dos livros Diário apresentadas em 25.10.2006 deve ser efetuada conforme quadro • que estampa à fls. 130; 2 ... ,,1 Processo n° 11065.003963/2002-05 S3-C3T1 Resolução n.° 3805-0001-5' Turma Especial Fl. 155 iii. Que está anexando cópias das páginas dos Diários, das DCTFs e dos DARFs respectivos (fls. 132/146). É o Relatório. Voto Conselheiro SIDNEY FERRO BARROS, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A decisão recorrida estava certa ao afinnar que não foram anexadas cópias dos DARFs por ocasião da impugnação. Os DARFs de fls. 71/88, que se vêem nos autos, não contêm os valores que a ora Recorrente pretende afastar. Mas, o fato é que ela agora trouxe DARFs que parecem ser a prova do pagamento dos valores reclamados. Mas, digo que "parecem" porque neles verifico algumas incongruências em termos de período de apuração e data de vencimento que me considero impossibilitado de . confirmar que tais guias contêm, todas, de fato, os pagamentos que o Fisco reclama. Cito, para ilustrar, o segundo DARF de fls. 141 que mostra período de apuração 01 a 15.10.97, quando o que o Fisco está a exigir é o recolhimento do período de apuração 02- 10/97, conforme Relatório de fls. 06. Também não é possível confirmar a compensação efetuada quanto ao débito de R$ 12,24. Assim, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que sejam verificadas, pela repartição de origem, as devidas alocações dos DARFs ora apresentados, bem como, é óbvio, a efetividade dos recolhimentos. E, também, que seja confirmada a validade da compensação que se vê na cópia de página de DCTF de fls. 145. É o meu voto. Í\ Sala das S ssões - F, em 19 de março de 2009 ItiÇSIDNEY FOB OS - 3 Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1
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Numero do processo: 11073.000010/2005-21
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.225
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Numero do processo: 10711.731574/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2009
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA ADMINISTRATIVA. APLICABILIDADE
É aplicável a multa, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DL n° 37/ 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003 pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela IN RFB nº 800/2007.
ILEGITIMIDADE PASSIVA AGÊNCIA MARÍTIMA
Com o advento do Decreto-Lei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao citado artigo 32 do Decreto-Lei nº 37/1966, posteriormente alterada pela Medida Provisória nº 2.158-35/2001, o representante do transportador estrangeiro no Pais foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do Imposto de Importação, o que já foi alvo de pronunciamento pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.129.430/SP - Relator Min. Luiz Fux, ao considerar que o Decreto-Lei nº 2.472/1988 instituiu hipótese legal de responsabilidade tributária solidária para o representante no País do transportador estrangeiro
DENÚNCIA ESPONTÂNEA
Aplica-se a Súmula nº 126 do CARF: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações á administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE
Diante da Súmula CARF nº 2, com efeitos vinculantes, os julgadores do CARF não têm competência para apreciar a constitucionalidade de leis tributárias.
Numero da decisão: 3301-011.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.536, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.723020/2013-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada), Marcelo Costa Marques D'Oliveira (Suplente Convocado) e Ari Vendramini.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA ADMINISTRATIVA. APLICABILIDADE É aplicável a multa, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DL n° 37/ 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003 pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela IN RFB nº 800/2007. ILEGITIMIDADE PASSIVA AGÊNCIA MARÍTIMA Com o advento do Decreto-Lei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao citado artigo 32 do Decreto-Lei nº 37/1966, posteriormente alterada pela Medida Provisória nº 2.158-35/2001, o representante do transportador estrangeiro no Pais foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do Imposto de Importação, o que já foi alvo de pronunciamento pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.129.430/SP - Relator Min. Luiz Fux, ao considerar que o Decreto-Lei nº 2.472/1988 instituiu hipótese legal de responsabilidade tributária solidária para o representante no País do transportador estrangeiro DENÚNCIA ESPONTÂNEA Aplica-se a Súmula nº 126 do CARF: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações á administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE Diante da Súmula CARF nº 2, com efeitos vinculantes, os julgadores do CARF não têm competência para apreciar a constitucionalidade de leis tributárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 73 15 74 /2 01 3- 93 Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.536, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10711.723020/2013-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada), Marcelo Costa Marques D'Oliveira (Suplente Convocado) e Ari Vendramini. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de auto de infração pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada no prazo determinado pela legislação aduaneira, ensejando a aplicação de penalidade consubstanciada na multa regulamentar prevista no artigo 107, IV “e” do Decreto-Lei n° 37/66 com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03, por descumprimento do prazo estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Intimada da lavratura do Auto de Infração, a ora Recorrente apresentou impugnação, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio de acórdão, considerou improcedente e manteve o crédito tributário constituído. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário perante este CARF, em síntese, alegando : a) em preliminar – a necessidade de concessão de efeito suspensivo ao recurso; b) no mérito : b.1) ausência de responsabilidade em função do mandato – ilegitimidade passiva; b.2) denúncia espontânea; b.3) aplicação do Princípio da Proporcionalidade e da Razoabilidade. É o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, portanto dele tomo conhecimento. - PRELIMINAR - NECESSIDADE DE CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO AO PRESENTE RECURSO. Alega a Recorrente a necessidade de concessão de efeito suspensivo ao recurso. Tal efeito é garantido á Recorrente por disposição legal, a teor da determinação contida no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal, in verbis : Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, rejeito a preliminar suscitada MÉRITO - AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE EM FUNÇÃO DO MANDATO -ILEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE . Alega a recorrente, a sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da autuação, ao argumento de que exerce a atividade de agente marítimo, agindo como mandatário e em nome do armador do navio. . Não se sustentam tais argumentos de defesa, pois, a recorrente não nega que, na condição de agente marítimo, representa o transportador estrangeiro, inclusive emitindo conhecimentos de embarque e, fazendo-lhe as vezes, informando no SISCOMEX os dados relativos á mercadoria importada. . O transporte internacional de cargas é atividade complexa, que envolve vários intervenientes em suas diversas etapas, cada um deles respondendo pelas operações e informações correspondentes a suas fases de atuação. . Diante das peculiaridades desta atividade e objetivando proporcionar maior segurança e agilidade ao comércio internacional, foi criada no território nacional toda uma sistemática de acompanhamento e Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 controle das cargas que estivessem em trânsito para o território nacional, que estivessem sendo movimentadas em território nacional e mesmo as que estivessem saindo do território nacional, por um sistema informatizado, administrado pela Aduana Brasileira. . Assim, os transportadores marítimos, diretamente ou por meio de seus representantes, as agências marítimas, deviam prestar ás autoridades aduaneiras informações detalhadas sobre as cargas ( e as unidades que as contem, os “containers”), a serem embarcadas , desembarcadas e de passagem pelo território nacional, bem como informações sobre as embarcações que operariam em portos brasileiros (sua descrição, carga transportada, portos em que atracariam e datas correspondentes. O objetivo de tal controle seria permitir ás autoridades aduaneiras um controle preciso sobre a movimentação de cargas e embarcações que as transportam pelos portos brasileiros. . Tal controle se exerceria por cruzamento de informações fornecidas pelos exportadores, importadores e transportadores e pelas autoridades portuárias, possibilitando uma rede de informações que se completaria no sistema eletrônico de controle. . Com fundamento no artigo 37 do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, foram definidas as informações que deveriam ser fornecidas por cada interveniente na rede de transporte internacional de mercadorias/cargas, delegando á Secretaria da Receita Federal, como autoridade aduaneira, a definição da forma e os prazos para apresentação de tais informações. . A Secretaria da Receita Federal, cumprindo a determinação legal, editou a Instrução Normativa RFB nº 800/2007, que disciplinava o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados. . Assim surgiu o módulo de controle de carga no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SICOMEX, denominado SISCOMEX CARGA. . O Decreto-Lei nº 37/1966, que dispunha sobre o imposto de importação, assim dispunha : Art. 31 – É contribuinte do imposto : I – o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; II – o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente; III – o adquirente de mercadoria entrepostada Art. 32 – É responsável pelo imposto : I – o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 II – o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro Parágrafo único – É responsável solidário : I – o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II- o representante, no País, do transportador estrangeiro; (redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) III – o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (…) Art. 94 – Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. § 1 º – O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º – Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 – Respondem pela infração : I – conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) ( grifos deste relator) . Regulamentava as disposições contidas no supracitado Decreto-lei nº 37/1966, o denominado Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.453/2002 (mais tarde revogado pelo Decreto nº 6.759/2009), que assim estava redigido : Art. 30 – O transportador prestará á Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º – Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio; § 2º – O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas; § 3º – Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente. Art. 31 – Após a prestação das informações de que trata o art. 30, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. (grifos deste relator) . Portanto, diante da atribuição, de modo expresso, da responsabilidade pelo crédito tributário, no caso em exame, ao transportador, por determinação contida no transcrito artigo 32, parágrafo único, inciso II do Decreto-lei nº 37/1966, cumpre-se o comando contido no artigo 128 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966), assim redigido : Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 Art. 128 – Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação. Excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Quanto á infração praticada e sua vinculação á recorrente, como representante do transportador, assim determina o artigo 135 do CTN : Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos : I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos deste relator) . Como visto, o artigo 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante que infrinjam comando legal. . Desta forma, o transcrito caput do artigo 94 do Decreto-lei nº 37/1966 determina que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “ importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los.”. . Pelo exposto, na condição de representante do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar as devidas informações ás autoridades aduaneiras, via Sistema Eletrônico, denominado SISCOMEX, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal e, ao descumprir este dever, cometeria infração capitulada em lei, sendo que responderia pessoalmente por tal infração, com fulcro no determinado no artigo 95, inciso I do Decreto-lei nº 37/1966. . Destarte, não bastasse o fato de o preceito legal veiculado pelo inciso I do art. 95 do mencionado DL não emprestar relevo á forma pela qual o agente infrator concorre para a prática da infração, tampouco o fato de ser mandatário do transportador estrangeiro socorre o impugnante, eis que o agente marítimo tem o dever de lealdade para com o seu representado, o que significa abster-se de praticar quantos atos, comissivos ou omissivos, possam prejudicá-los. . Nesse contexto, os atos praticados no exercício regular do mandato, á toda evidência, não incluem aqueles praticados com infração á lei, caso em que, a responsabilidade é até pessoal ao agente infrator, por força do disposto no inciso II do art. 135 do Código Tributário Nacional. . Ademais, com o advento do Decreto-Lei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao citado artigo 32 do Decreto-Lei nº 37/1966, posteriormente Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 alterada pela Medida Provisória nº 2.158-35/2001, o representante do transportador estrangeiro no Pais foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do Imposto de Importação, o que já foi alvo de pronunciamento pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.129.430/SP – Relator Min. Luiz Fux, ao considerar que o Decreto-Lei nº 2.472/1988 instituiu hipótese legal de responsabilidade tributária solidária para o representante no País do transportador estrangeiro : REsp nº 1.129.430/SP : No que concerne ao período posterior á vigência do Decreto- Lei nº 2.472/88 sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem, á luz inclusive do parágrafo único do artigo 124 do CTN) do “representante, no país, do transportador estrangeiro”. (STJ, Relator Ministro Luiz Fux, data do julgamento 24/11/2010) Ademais, nos termos do art. 4º, da IN/SRF nº 800/2007, as agências marítimas são as representantes da empresa de navegação estrangeira no país. Art. 4º- A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. §1º- Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. §2º- A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. §3º- Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º- As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga . Diante destes argumentos expostos, patente a legitimidade passiva da recorrente no caso em exame. - DENÚNCIA ESPONTÂNEA . Alega a recorrente que ocorreu o instituto da denúncia espontânea em virtude No caso em exame, inexiste qualquer procedimento ou medida de fiscalização iniciada anteriormente à prestação espontânea das informações pelo responsável no Siscomex - Carga. . Verifica-se, pois, que a recorrente requereu a aplicação da denúncia espontânea para fins de afastamento da(s) multa(s) que lhe foi(ram) imposta(s), com base na alteração do art. 102 do Decreto-lei nº 37/1966 trazida pela Lei nº 12.350/2010, que estendeu o alcance desse instituto às penalidades de natureza administrativa (antes só alcançava as tributárias). . Esse instituto, que é uma forma de exclusão da responsabilidade por infração no âmbito tributário, tem base legal no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), dispositivo que norteia as demais normas que tratam dessa matéria. Nele estão delineados os requisitos próprios da denúncia espontânea, os quais devem ser necessariamente atendidos para Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 sua correta aplicação, independentemente da natureza da infração denunciada. São eles: a) Eficácia. Para que seja excluída a responsabilidade pela infração, o dano a ela atribuído deve ser evitado ou revertido. Fazendo um paralelo com o direito penal, assemelha-se à figura dos arrependimentos eficaz e posterior. Assim, se a infração causou algum prejuízo, ele deve ser anulado, para que o infrator não seja responsabilizado. Nada mais justo. Nesse sentido é que o caput do art. 138 do CTN assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. b) Tempestividade. Essa condição está disposta expressamente no parágrafo único do citado dispositivo legal: Art. 138. […] Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. . Observa-se que o fato de a legislação aduaneira ter admitido a denúncia espontânea para as infrações de natureza administrativa não implica que esse instituto deva ser automaticamente aplicado nesses casos. Assim como nas irregularidades de natureza tributária, primeiro é preciso verificar se foram atendidos os requisitos próprios desse benefício. Uma coisa é declarar a existência de determinado direito em tese, genericamente, outra coisa é reconhecer que ele se configurou no caso concreto. . Portanto, para que a denúncia de uma transgressão de natureza tributária ou administrativa possa excluir a responsabilidade do infrator, ela deve ser tempestiva e eficaz. Esses são os “pressupostos de admissibilidade” da denúncia espontânea, necessários para que o direito a esse instituto seja legitimamente exercido. . Para que não nos alonguemos em discussões doutrinárias, este CARF já apreciou a matéria em várias oportunidades e, por serem esclarecedores, citamos os recentes Acórdãos de nº 3402-004.149, de 24/05/2017 e 9303-004.909, de 23/03/2017. . Apreciando a matéria ,este CARF editou a Súmula CARF nº 126, com efeitos vinculantes, ou seja, de adoção obrigatória aos julgadores deste CARF, assim redigida : SÚMULA CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações á administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 Decreto-lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). . Portanto, não dou provimento ao recurso neste quesito O DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE Quanto ao desrespeito aos Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade, a análise de tal argumento adentraria a apreciação da constitucionalidade do textro legal que instituiu a penalidade objeto dos presentes autos. A Súmula CARF nº 2, com efeitos vinculantes, veio estabelecer que o julgador deste tribunal administrativo não têm competência para apreciar constitucionalidade de texto legal, como segue : O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante desta regra, nego provimento ao recurso neste tópico - APLICAÇÃO DO INCISO II DO ARTIGO 729 DO DECRETO Nº 6.759/2009 – REGULAMENTO ADUANEIRO Solicita a Recorrente a aplicação ao caso do Inciso II do artigo 729 do Regulamento Aduaneiro. Não se sustenta a solicitação da Recorrente, pois existe legislação específica para a matéria, aplicada corretamente pela autoridade fiscal. Assim, nego provimento ao recurso neste tópico. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.539 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.731574/2013-93 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904955/2019-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3301-011.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Divergiram os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), que votam por dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.246, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10166.904954/2019-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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REMUNERAÇÃO E ENCARGOS. BASE DE CÁLCULO. INDEDUTIBILIDADE. A remuneração e os encargos dos IHCD não têm natureza de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, portanto, são indedutíveis da base de cálculo da COFINS até o advento da Lei n° 12.973/2014 que incluiu o art. 38-B no Decreto-Lei n° 1.598/77, quando tais dispêndios foram a elas equiparados. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Divergiram os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), que votam por dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.246, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10166.904954/2019-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 49 55 /2 01 9- 17 Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.247 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904955/2019-17 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. A instituição financeira Caixa Econômica Federal, doravante denominada Caixa, transmitiu Declarações de Compensações pretendendo compensar débitos próprios de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) com crédito de pagamento a maior de COFINS - Entidades Financeiras e Equiparadas, código de receita 7987, apurado em novembro de 2012, no valor original de R$ 9.930.967,69. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, não foram homologadas as compensações declaradas sob a fundamentação de inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Informações complementares sobre a análise do crédito e relação de valores devedores compõem o despacho decisório. Nesse passo, faz parte dos documentos complementares o Relatório Fiscal no qual o auditor-fiscal relata que a Caixa foi intimada para prestar esclarecimentos sobre os aspectos de fato e de direito, acompanhado de documentos comprobatórios do suposto montante creditório pleiteado na declaração de compensação em análise. Em resposta, a Caixa disse que "os valores compensados decorrem de reprocessamento de base de cálculo da contribuição em reconhecimento da dedutibilidade dos encargos com Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (…) em consonância com a Lei nº 9.718/98, ao lado da definição expressa veiculada pela Lei nº 12.973/14". O auditor-fiscal aduz que o período de apuração do tributo, objeto de análise, é anterior a janeiro de 2015, data de entrada em vigor da inovação legislativa introduzida por meio da Lei nº 12.973/2014. Assim, conforme prescreve o artigo 105 do CTN, é vedada a aplicação da legislação tributária para o passado, não sendo aplicável a fatos geradores já consumados. Assim, restaram não homologadas as compensações declaradas. A ciência do Despacho Decisório deu-se por meio da Caixa Postal, considerada Domicílio Tributário Eletrônico perante a RFB. Irresignada, a Caixa apresentou, Manifestação de Inconformidade contra referida decisão, dizendo, em apertada síntese, que o reconhecimento de créditos a compensar se deu em consonância com a Lei n° 9.718/98, ao lado da definição expressa veiculada pela Lei n° 12.973/14, relativamente ao tratamento a ser dado nas bases de apuração da contribuição quanto à remuneração e aos encargos dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Defende que a partir da Lei nº 12.973/14, editada no contexto da adaptação da legislação tributária ao processo de convergência da contabilidade brasileira aos padrões internacionais de contabilidade (IFRS), o ordenamento passou a dispor expressamente que tais remunerações e encargos podem ser excluídos/deduzidos da base de cálculo da(o) COFINS Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.247 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904955/2019-17 como despesas de operações de intermediação financeira, ainda que tais instrumentos sejam contabilizados no patrimônio líquido por força da nova normatização contábil. Relata que as obrigações acessórias da CAIXA foram devidamente ajustadas em declarações retificadoras, de forma a espelhar os valores decorrentes do reprocessamento de origem do crédito compensado como totalmente disponíveis. Em preliminar, alega que o auditor-fiscal incluiu no Despacho Decisório a Dcomp 02661.79741.050717.1.3.04-8028 a qual não foi objeto dos procedimentos fiscalizatórios, o que importa em nulidade da decisão. Traz jurisprudência administrativa que diz se subsumir a sua linha argumentativa. Quanto ao mérito, defende a consistência do direito creditório em face do regular tratamento tributário promovido pela Caixa a respeito dos pagamentos promovidos a título de remuneração dos IHCD, regularmente constituídos e registrados em sua contabilidade. Aponta que segue os termos e disposições contidas no art. 38 do Decreto-Lei no 1.598/77, sobretudo a partir das disposições alteradas pela Lei 12.973/2014 (Conversão da MP n° 627/2013), relativamente ao tratamento contábil das despesas com emissão de ações. Externa a preocupação em relação à definição dos contornos próprios da natureza jurídica das "remunerações" pagas pela Caixa a partir de contratos firmados com a União Federal, sobretudo no que diz respeito a sua configuração juros (despesa financeira) ou dividendos (retorno patrimonial do investimento) em relação ao tratamento tributário correto. Argumenta que o tratamento contábil-tributário da "'remuneração" deve ser tratado como "custo referente a instrumento de capital ou de dívida subordinada", atraindo, assim, a consideração de que tais pagamentos possam configurar como juros pelo mútuo realizado, devendo ser, portanto, regularmente contabilizado no passivo da companhia, mesmo que os lançamentos sejam feitos em conta de Patrimônio Líquido. Aduz que a classificação está alinhada com as definições contidas nos documentos que respaldaram os contratos de mútuo firmados entre a Caixa e a União. Assim, resta verificar o impacto na questão tributária, sobretudo em relação à Cofins e ao PIS/Pasep. Nesse passo, defende que as disposições do artigo 3º da Lei 9.718/98 já considerava os referidos pagamentos como despesas, logo, a dedutibilidade já era possível, pela leitura do § 6º, inciso I, alínea "a", ou seja, seriam despesas incorridas nas operações de intermediação financeira (custos de captação). Então, as disposições apontadas na novel disposição legal vieram com o objetivo de solução definitiva da querela relativa à forma de contabilização dos referidos pagamentos. Assim, aclararam-se os procedimentos a serem observados pelos contribuintes na efetivação das respectivas retificações de registro ("estornos"), promovendo-se, então, todas as consequências daí verificadas. Ainda, aponta que a Lei nº 12.973/14 foi construída visando garantir a neutralidade tributária nas operações impactadas pelas novas formas de contabilização no contexto do processo de adaptação ao novo padrão contábil instituído pela Lei nº 11.638/2007. Nesse passo, resta claro que a mesma justificativa aplica-se ao artigo 38-B da Lei 12.793/2014 pois, em função das novas regras contábeis, o legislador buscou, em homenagem ao Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.247 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904955/2019-17 princípio da segurança jurídica, ratificar que, independentemente da forma de classificação contábil adotada dos encargos com IHCD, deve aplicar-se o mesmo tratamento tributário já adotado para tais despesas (exclusão na base do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins). Por consequência, não se trata de inovação legislativa que criou uma nova dedução na base de cálculo da COFINS, pois a efetiva natureza jurídica dos encargos com IHCD não se alterou, trata-se de despesa com mútuo (despesa de intermediação financeira), e portanto, passível de exclusão das bases de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. Assim, não prospera a alegação do auditor-fiscal de que a Caixa efetuou aplicação retroativa da referida legislação tributária, visto que a permissão para dedução de despesas de intermediação financeira da base das contribuições sociais citadas se encontra expressa na Lei 9.718/98. A não exclusão das referidas despesas no período ocorreu em função de equívoco na apuração da contribuição devida, portanto, não guarda qualquer relação com hipótese de aplicação retroativa de legislação tributária. Ainda, aduz que o ajuste resultou também em ajustes na apuração de débitos de IRPJ e CSLL, em face da sua dedução sobre o resultado. Ao final, requer seja reconhecida a total procedência da Manifestação de Inconformidade, declarando-se a total insubsistência do despacho decisório e o reconhecimento do direito creditório relativo a todas as declarações de compensação de crédito de COFINS. Requer o reconhecimento de nulidade absoluta por vício material do despacho decisório no que diz respeito a não homologação da Dcomp 02661.79741.050717.1.3.04-8028. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, inclusive, se necessário, mediante juntada de novos documentos e outras provas que se fizerem necessárias para o deslinde da demanda. A DRJ negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2012 a 30/11/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. A nulidade não pode ser declarada se preenchidos os requisitos previstos na legislação e quando há perfeita compreensão dos atos e termos administrativos demonstrada na peça de defesa. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a manifestante fazê-lo em outro momento processual, salvo as exceções constantes na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/11/2012 a 30/11/2012 Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.247 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904955/2019-17 INSTRUMENTO HÍBRIDO DE CAPITAL E DÍVIDA (IHCD). REMUNERAÇÃO E ENCARGOS. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração e os encargos dos IHCD não tem natureza de despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, portanto, são indedutíveis da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e Cofins até o advento da Lei 12.973/2014 que incluiu o art. 38-B no Decreto-Lei 1.598/77, quando tais dispêndios foram a elas equiparados. Em recurso voluntário, o Banco ratifica os argumentos de sua defesa anterior. Não junta novos documentos. Requer o provimento do recurso, com a consequente homologação das compensações. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Defende a nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e ausência de fiscalização prévia. Não há razão no argumento, eis que acompanha o despacho decisório, o parecer fiscal, que expõe as razões da não homologação das compensações. A ementa consigna: Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Cabe ao transmitente do Per/Dcomp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Falta de previsão legal à época do fato gerador para exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS referentes a encargos com Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Consta, inclusive, que houve intimação para esclarecimentos de fato e de direito: Tratando-se, portanto, de procedimento compensatório e da espécie tributária, o contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 64 (fls. 08/09), com ciência eletrônica em 21/03/2019 (fls. 11/12), para prestar esclarecimentos sobre os aspectos de fato e de direito, acompanhado de documentos comprobatórios do suposto montante creditório pleiteado na declaração de compensação em análise. Ademais, contra o ato do despacho decisório cabe a manifestação de inconformidade, que instaura o contencioso administrativo tributário, nos termos do art. 14 do Decreto n° Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.247 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904955/2019-17 70.235/72. Dessa forma, a verificação de nulidade por violação ao art. 59, do Decreto n° 70.235/72, dá-se apenas na fase contenciosa. No caso, não se vislumbra nenhuma nulidade no despacho decisório, tampouco no procedimento. Mérito A CEF apresentou pedido de compensação de COFINS, mas o despacho decisório apontou a insuficiência do crédito apontado para compensação do débito informado, pois fora afastado o direito ao crédito diante da indedutibilidade dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) da base de cálculo da COFINS. Assim, a origem do pagamento a maior é decorrente do tratamento a ser dado nas bases de apuração da contribuição quanto à remuneração e aos encargos dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD), em consonância com a Lei n° 9.718/98, ao lado da definição expressa veiculada pela Lei n° 12.973/14. Em primeiro lugar, cabe esclarecer que os Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) são formas de captação de recursos pela instituição financeira. A Resolução n° 3.444/2007, do Banco Central, no art. 8°, vigente à época, prescrevia os requisitos dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida: I - ser nominativos, quando emitidos no Brasil e, quando emitidos no exterior, sempre que a legislação local assim o permitir; II - ser integralizados em espécie; III - ter caráter de perpetuidade, não podendo prever prazo de vencimento ou cláusula de opção de recompra pelo emissor; IV - ter o seu pagamento subordinado ao pagamento dos demais passivos da instituição emissora, na hipótese de sua dissolução; V - estabelecer sua imediata utilização na compensação de prejuízos apurados pela instituição emissora quando esgotados os lucros acumulados, as reservas de lucros e as reservas de capital; VI - prever a obrigatoriedade de postergação do pagamento de encargos enquanto não distribuídos os dividendos relativos às ações ordinárias referentes ao mesmo exercício social; VII - prever a obrigatoriedade de postergação de qualquer pagamento de encargos, caso a instituição emissora esteja desenquadrada em relação aos limites operacionais ou o pagamento crie situação de DESENQUADRAMENTO; VIII - ter o resgate ou a recompra, ainda que realizado indiretamente, por intermédio de pessoa jurídica ligada ao emissor com a qual componha conglomerado financeiro ou consolidado econômico- financeiro, condicionado à autorização do Banco Central do Brasil; IX - não podem ser resgatados por iniciativa do credor; Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.247 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904955/2019-17 X - não podem ser objeto de qualquer modalidade de garantia; XI - não podem ser objeto de seguro, por meio de quaisquer instrumentos ou estrutura de seguros que obriguem ou permitam pagamentos ou transferência de recursos, direta ou indiretamente, da instituição emissora ou de pessoa jurídica a ela ligada com a qual componha conglomerado financeiro ou consolidado econômico-financeiro para o detentor do instrumento e que comprometam a condição de subordinação expressa neste artigo. O Banco defende que os pagamentos a título de remuneração dos IHCD regularmente constituídos e registrados em sua contabilidade, decorrentes de contratos firmados com a União, são considerados despesas de operações de intermediação financeira, nos termos do disposto no art. 3º, §6º, I, alínea "a" da Lei 9.718/98, verbis: Art. 3° O faturamento a que se refere o art. 2° compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (...) § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) I - no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158- 35, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Logo, os pagamentos a título de IHCD seriam dedutíveis da base de cálculo da COFINS. Aduz que tal dedutibilidade sempre foi possível, mesmo antes da edição do art. 38-B do Decreto-Lei n° 1.598/77 introduzido pela Lei n° 12.973/2014: Art. 38-B. A remuneração, os encargos, as despesas e demais custos, ainda que contabilizados no patrimônio líquido, referentes a instrumentos de capital ou de dívida subordinada, emitidos pela pessoa jurídica, exceto na forma de ações, poderão ser excluídos na determinação do lucro real e da base de cálculo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido quando incorridos. § 1° No caso das entidades de que trata o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a remuneração e os encargos mencionados no caput poderão, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ser excluídos ou deduzidos como despesas de operações de intermediação financeira. § 2° O disposto neste artigo não se aplica aos instrumentos previstos no art. 15 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.247 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904955/2019-17 § 3° Na hipótese de estorno por qualquer razão, em contrapartida de conta de patrimônio líquido, os valores mencionados no caput e anteriormente deduzidos deverão ser adicionados nas respectivas bases de cálculo. Em sentido contrário, concordo com os termos da decisão de piso, que consignou que tal dedução passou a ser possível apenas após a inserção do art. 38-B no Decreto-Lei 1.598/77 pela Lei 12.973/2014: As alterações no Decreto-Lei 1.598/77, no bojo da Lei 12.973/2014, decorrem da adaptação para fins tributários dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638/2007, que instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT), com o intuito de alinhar a legislação específica aos padrões internacionais de contabilidade, visando à neutralidade fiscal. Na prática, o RTT mirava a segregação da contabilidade fiscal da contabilidade societária. Nesse passo, calcada, em tese, na neutralidade tributária, a Lei nº 12.973/2014, no que se refere aos instrumentos financeiros híbridos, procurou neutralizar os efeitos tributários decorrentes da classificação contábil mediante previsão de ajustes fiscais específicos. Como dito alhures, a introdução do art. 38-B no Decreto-Lei 1.598/77 possibilitou que a remuneração e os encargos, ainda que contabilizados no patrimônio líquido, pudessem ser excluídos ou deduzidos como despesas de operações de intermediação financeira, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Assim, na hipótese de instrumentos financeiros híbridos contabilizados no patrimônio líquido, percebe-se que o legislador se afastou da neutralidade absoluta e não se fixou exclusivamente à natureza jurídica do instrumento, autorizando o contribuinte a optar pela natureza jurídica ou pela essência econômica do instrumento, ao afirmar que a remuneração e os encargos, para fins de tributação, poderão ser excluídos ou deduzidos como despesas de operações de intermediação financeira, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, quando incorridos. Esse entendimento é corroborado pelo § 3º do artigo 38-B do Decreto Lei 1.598/1977, ao estabelecer que na hipótese de estorno, por qualquer razão, do valor contabilizado em contrapartida ao patrimônio líquido, os valores já deduzidos deverão ser adicionados às respectivas bases de cálculo dos tributos. Dessarte, não é qualquer dispêndio que pode ser deduzido da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins como despesa de operações de intermediação financeira, sendo imperioso, como primeiro passo, observar a letra da lei. O artigo 111, inc. I, do Código Tributário Nacional8, dispõe que em se tratando de suspensão ou exclusão de crédito tributário, a legislação tributária deve ser interpretada de forma literal. Nesse passo, o disposto no art. 3º, §6º, inc. I, alínea "a", da Lei nº 9.718/98, não pode ser interpretado extensivamente para assegurar à Caixa a dedução pretendida, visto que as hipóteses de exclusão do crédito tributário devem ser interpretadas literalmente e restritivamente, não comportando exegese extensiva. Assim sendo, não é possível invocar a analogia a fim de alcançar eventual isenção de crédito tributário, pois a dedução da remuneração e dos encargos dos IHCD da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins dependeria de previsão explícita, o que aconteceu somente com a inclusão do art. 38-B no Decreto-Lei 1.598/77 introduzido pela Lei nº 12.973/2014. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.247 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.904955/2019-17 Dessa forma, a dedução das remunerações e dos encargos, referentes aos instrumentos de capital ou de dívida subordinada, poderão ser excluídos ou deduzidos como despesas de operações de intermediação financeira, para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, somente a partir da introdução do art. 38-B no Decreto-Lei n° 1.598/77 pela Lei nº 12.973/2014, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2015. E a alteração legislativa apenas equiparou os IHCD às despesas de operações de intermediação financeira. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11868.000268/2008-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2000 a .31/07/2004
Ementa:JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA
DE TRIBUTOS. É. cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais_
MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO
RETROATIVA - CTN, ART. 106. Tratando-se de crédito não
definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
SEBRAE. Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.169
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11,941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro no que refere se ao recalculo da multa.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a .31/07/2004 Ementa:JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É. cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais_ MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO RETROATIVA - CTN, ART. 106. Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. SEBRAE. Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:37:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:37:50Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:37:51Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:37:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:bd11b32c-e0c8-4305-bf1e-091fa3825f80; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:37:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:37:51Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:37:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:37:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:37:50Z; created: 2010-11-24T16:37:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-11-24T16:37:50Z; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:37:50Z | Conteúdo => S2-C4T3 H 147 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11868,000268/2008-23 Recurso n" 159.1.30 Voluntário Acórdão n" 2403-00.169 — 4" Câmara / 3" Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2010 Matéria NOTIFICAÇÃO FISCAL Recorrente RETIMOTOR RETIFICA DE MOTORES LIDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a .31/07/2004 Ementa:JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É. cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais_ MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO RETROATIVA - CTN, ART. 106. Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. SEBRAE. Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art. .35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11,941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro no que refere se ao recalculo da multa. 9 :e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. 2 Processo ir' 11868.000268/2008-23 S2-C4T3 Acórdão rL° 2403-00.169 FT 148 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Secretaria da Receita Previdericiária, Decisão Notificação DN 21.423.4/180/2005, folhas 72 a 82, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD 35.734.237-2, fl. 001. O lançamento está assim descrito na DN: O presente crédito previdenciário constituído através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD em epigrafe, correspondente ao período de 11/2000 a 07/2004, refere-se a contribuições de Contribuinte Individual incidentes sobre a remuneração dos segurados trabalhadores autônomos e de empresários (pró-labore), e contribuições de Empresa, de Seguro de Acidente do Trabalho e aquelas destinadas a outras Entidade e Fundos (Terceiros) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, conforme informa o Relatório Fiscal de fls. 42/44 e seus respectivos anexos, cujo montante, consolidado em 30/0912004, é de R$ 253.767,16 (duzentos e cinqüenta e três mil, setecentos e sessenta e sete reais e dezesseis centavos). A ciência do lançamento ocorreu em 04/10/2004. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fis. 85 a 104, onde questiona, em síntese, a tributação para o SEBRAE, a multa moratória e a aplicação da SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. SEBRAE A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4" Região: Tributário — Contribuição ao Sebrae — Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei n a 8,029/90, na redação dada pela Lei 17° 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei n" 2.318/86 Penai, Senac, Se,si e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas' empresas para que seja promovido o progresso nacional, Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo, 3. Precedente da 1" Seção desta Corte (EIAC n 2000.04,01,106990-9). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4' Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4' R — 2 U T — Ac. na 2001.70.07,002018-3 — Rd, Dirceu de Almeida Soares — 9.7.2003 — p, 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n O 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO — PRECEDENTES 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao 4 Processo o' 11868.000268/2008-23 S2-C4T3 Acórdão a° 2403-00.169 FL. 149 SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas.. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL, CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO„ CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8,029, de 12.4.1990, art. 8°, § 3° Lei 8.154, de 28.12,1990. Lei 10.668, de 14,5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4° - Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator Conversão dos embargos em agravo regimental. II. - As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar A contribuição social do art, 195, § 4°, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4° A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Venoso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 14,3/684. III. - A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8", § 3', redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às &igualas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1' do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC, Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. - Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3° do art. 8' da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V.- Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. SELIC Insurge-se a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registre-se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei no 8,212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as 5 contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n° 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9,065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelev 'Ova (Restabelecido com redação alterada pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n°8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art, 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 03, nos seguintes termos: SÚMULA N" 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei n° 8.212/91. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei rifi 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1 - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; 6 Processo n° 11868000268/2008-23 S2-C4T3 Acórdão n,° 2403-00.169 Fl. 150 b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, Conclusão À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mota, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 2010 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Relator ÁgP.D,% /MINISTÉRIO DA FAZENDA Weir -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 8',=0 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO —Processo n": 11868.000268/2008-23 ,-Recurso n": 159,130 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n°Xlã-00169 Brasífia. 25 dk outubro de 2010 ELIAS SAIVIPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ 'Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declamação Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 15892.000195/2007-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DE IPI. INEXISTÊNCIA. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3803-005.291
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por concomitância de processos judicial e administrativo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR DE IPI. INEXISTÊNCIA. MEDIDA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por concomitância de processos judicial e administrativo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente de retorno de diligência solicitada por meio da Resolução nº 3803000.159, de 25 de abril de 2012, desta 3ª Turma Especial. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 A declaração de compensação que constituiu o presente processo utiliza crédito, no valor de R$ 31.553,93, relativamente ao 2° trimestre de 2005, decorrente de saldo credor de IPI apurado em seu Livro Registro de Apuração. Por meio do Despacho Decisório de fls. 159/160 a Delegacia da Receita Federal de Bauru não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas. Segundo consta da Informação Fiscal, fls. 156/157, que respaldou o despacho decisório, a Contribuinte dera saída a produtos de sua fabricação sem apuração e lançamento do imposto, por entender que essa produção não se caracterizava como industrialização. Sendo distinto o entendimento do Fisco, da verificação fiscal resultou a reconstituição da escrita fiscal consignandose os débitos, contrapondose a estes os créditos existentes originalmente no LRAIPI até o seu exaurimento, resultando em inexistência de saldo credor a ser ressarcido, além de ter a Auditoria apurado imposto devido, lançado por meio do auto de infração que constituiu o processo n° 15889.000541/200741, cópia às fls. 93/155. Em sua manifestação de inconformidade, de fls. 166/174, a Interessada alegou que os créditos requeridos são relativos às aquisições de insumos aplicados na industrialização de etiquetas não personalizadas, sobre as quais incide o IPI à alíquota zero, e nas bobinas confeccionadas sob encomenda, sobre as quais não incide o IPI nas operações de saída, por se tratar de serviços gráficos personalizados, não se caracterizando como industrialização. Afirmou, assim, que inexistem os supostos débitos apurados pela Fiscalização em relação às saídas de bobinas confeccionadas sob encomenda. Em julgamento de lide, a DRJ/Ribeirão Preto consignou que o julgamento deste processo depende do julgamento do auto de infração; que o voto proferido no processo em referência foi aprovado por unanimidade e enfrentou as questões apresentadas no presente processo. Transcreveu o inteiro teor do voto. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRECALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestre calendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. A continência da matéria objeto deste processo à que está sub judice no processo 15889.000541/200741 que discute a incidência do IPI sobre as vendas do produto da Contribuinte , foi considerada no julgamento por esta Terceira Turma, que decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru informasse o resultado do processo constituído pelo auto de infração, a sua repercussão na apuração do saldo credor de IPI, relativamente ao segundo trimestre de 2004, e se havia Fl. 457DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15892.000195/200742 Acórdão n.º 3803005.291 S3TE03 Fl. 453 3 crédito em favor da Contribuinte nesse período e em que proporção foi suficiente para compensar os débitos neste processo. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Em resultado da diligência, a DRF/Bauru informou que “tendo em vista que parte do auto está sendo discutido judicialmente o referido Acórdão manteve a matéria não objeto de ação judicial, motivo pelo qual não há crédito passível de repercussão na apuração do saldo credor do IPI”. Também, anexou cópia do Acórdão nº 330201.606, de 22 de maio de 2012, prolatado no processo 15889.000541/200741. Do seu relatório consta, verbis: Às fls. 487 há um comunicado interno da Receita Federal – DRF de Bauru – através do qual foram juntadas aos autos cópias de documentos que constam do Processo Administrativo nº 15372.000056/200879, em que também é parte a Recorrente. Estas cópias (fls. 488/508) comprovam a existência de uma ação judicial ajuizada pela Recorrente, visando o reconhecimento da inexistência de relação jurídica entre ela e União, que a obrigue ao recolhimento do IPI sobre suas atividades gráficas. Na inicial do processo judicial a Recorrente menciona a existência dos 03 autos de infração, objeto deste processo administrativo, para cobrança justamente do IPI em discussão naqueles autos. Foram juntados a estes autos, também, por petição apresentada pela Recorrente (fls. 510/525), cópias de decisões judiciais e resposta à consulta exarada pela Receita Federal, que corroboram os argumentos apresentados em suas Impugnações. Nesta parte o recurso não foi conhecido, por unanimidade, em virtude da opção da interessada por discutir a matéria na via judicial. A parte conhecida, além de não ter pertinência com o que aqui se discute, pelo voto de qualidade, negouse provimento. Em vista do desfecho que teve o processo subordinante da matéria aqui em foco pela concomitância da discussão com a via judicial , e não havendo matéria distinta do processo judicial a ser apreciada, não há outro encaminhamento a ser dado ao presente senão decidir pelo não conhecimento do recurso, devendose aplicar ao caso a Súmula CARF nº 1. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 30 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 459DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10907.003126/2006-80
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.192
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Carlos Mozart Barreto Vianna, Nereida de Miranda Finamore Horta, Gilberto Baptista e Orlando Jose Gonçalves Bueno. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 07 .0 03 12 6/ 20 06 -8 0 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário apresentado pelo contribuinte acima identificado em face de decisão referente a auto de infração de Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ (fls. 158181), na ordem de R$ 5.869.114,96, acrescido de multas de ofício de 150% e 225%, além dos encargos legais. De acordo com o “Termo de verificação de infração” (fls.236 e ss), a autuação se deu com base no lucro arbitrado por não ter o contribuinte mantido, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livros auxiliares ou fichas utilizados para detalhar e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados englobadamente no Livro Diário, com fundamento no art. 530, VI, do RIR/99. Foi apurada omissão de receita de prestação de serviços gerais caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada, correspondente à diferença entre os valores constantes do Demonstrativo de Receitas Presentes nas Contas Bancárias (fls. 245317) e a receita bruta escriturada na conta 4.1.01.01.00013 Receita Prestação de Serviço, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração (fls. 236244), com fundamento nos arts. 532 e 537 do RIR/99. Foi aplicada multa de ofício qualificada por entender a autoridade fiscal que a empresa fraudou sua contabilidade ao inserir elevada movimentação financeira fictícia através de aplicações financeiras, com o objetivo de evitar a tributação de suas receitas, além de a receita declarada ser ínfima em relação ao montante da receita omitida, fato que caracterizou a prática de sonegação. Em relação aos anoscalendário de 2000 e 2002 foi lançada multa de ofício agravada por deixar de apresentar os arquivos da contabilidade em meio magnético, nos termos do art. 44, § 21, da Lei n° 9.430, de 1996. Além disso, foram lançados, reflexamente, CSLL, PIS e Cofins devidos no mesmo período. Na impugnação, o contribuinte alegou, em síntese: a) que os autos de infração são nulos por ofensa ao artigo 10, VI, c/c o artigo 59, II, ambos do Decreto n° 70.235, de 1972, em virtude de terem sido lavrados com preterição do direito de defesa por falta de menção à disposição legal infringida, ou seja, o auto de infração de IRPJ não indica o enquadramento legal da suposta infração; b) que a infração da qual foi acusada encontrase enquadrada nos artigos 532 e 537 do RIR de 1999, os quais não retratam a conduta que lhe foi imputada, qual seja, a de ter praticado omissão de receia da prestação de serviços gerais; C) questiona qual seria o fato configurador da infração tributária cujo enquadramento legal encontrase citado nos autos; seria a omissão de receitas gerais, a falta de escrituração do livro razão ou a omissão de depósitos bancários; que o auto de infração elenca inúmeros fatos, mas Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 4 3 ignora a qual deles corresponderia o dispositivo legal da suposta norma violada; d) que só se pode cogitar da atribuição de responsabilidade ao sujeito passivo se a infração estiver corretamente configurada, pois a capitulação legal do fato é elemento essencial do auto de infração; e) que o Regimento Interno da Receita Federal expressamente incumbiu o Secretário da Receita Federal de proferir despachos anulatórios de exigência de créditos tributários em processos fiscais, quando for manifesta a ausência no lançamento da característica de vinculação legal prevista no parágrafo único do artigo 142 do CTN (Portaria MF W 259, de 2001— RISRF, artigo 230, XXV); f) que decaíram os tributos com fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2000 e nos três primeiros trimestres de 2001, conforme disposto no artigo 150, § 4º do CTN; que a ressalva contida na parte final do § 4º do artigo 150 do CTN faz referência a dolo, fraude ou simulação, ao passo que o procedimento fiscal, sem o menor rigor técnico, se refere, indistinta e genericamente, a evidente intuito de fraude, sonegação fiscal e fraude, condutas e conceitos que têm, cada qual, definição específica na Lei n° 4.502, de 1964; g) que o arbitramento automático que lhe foi imposto, com base. no artigo 530, VI, do RIR de 1999, deve ser rechaçado porquanto, na qualidade de optante pelo lucro presumido, não está obrigada à apresentação do Livro Razão, obrigação esta imposta por lei para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real; que as pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação baseado no lucro presumido deverão manter escrituração contábil na forma da legislação comercial, ou optar pelo livro Caixa, desde que nele seja lançada toda a movimentação financeira, inclusive bancária; h) que mantém escrituração contábil em conformidade com a legislação comercial, registrando suas operações em Livro Diário revestido das formalidades legais e no qual está registrada toda sua movimentação financeira; que seu Livro Diário está escriturado em lançamentos individuados na forma do artigo 258 do RIR de 1999, razão pela qual prescinde dos livros auxiliares mencionados no § 1º desse dispositivo legal; i) que não tem amparo legal o arbitramento de seu lucro ao argumento sustentado na página n° 8 do termo de verificação de infração, de que assim se procedeu porque o livro Razão não foi confeccionado corretamente, e de que a empresa, não obstante reiteradamente intimada, deixara de corrigir as falhas nele apontadas através de demonstrativos de composição de saldos; j) que a forma de. escrituração contábil é de livre escolha do contribuinte, nos termos do artigo 1179 do Código Civil, desde que em correspondência com a documentação respectiva; k) que é incabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido a pretexto de desatendimento de intimação para corrigir falhas no livro razão, sobretudo porque não Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 5 4 ficou demonstrado nos autos que essas falhas comprometeram a apuração do resultado do exercício; 1) que é inaplicável à espécie dos autos o artigo 530, VI do RIR de 1999, porquanto suas disposições se destinam às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real que deixarem de escriturar o livro razão na forma estipulada no artigo 259 do mesmo diploma legal; M) que todas as operações da empresa, sejam os adiantamentos de clientes, sejam as despesas de terceiros, quanto suas despesas internas, estas segregadas daquelas, estão registradas contabilmente, de forma permanente e uniforme, em livros revestidos das formalidades intrínsecas e extrínsecas, assim como corroboradas por documentação hábil e idônea; .; n) que a fiscalização não carreara aos autos uma prova, sequer que demonstre ter havido falha nos registros contábeis, seja de remessa de numerário para pagamento dos custos do desembaraço aduaneiro das mercadorias legalmente importadas, conforme se vê da relação de créditos denominada de "Demonstrativo de Receitas Presentes nas Contas Bancárias"; o) que, caso a contabilidade não refletisse adequadamente os registros nela efetuados, certamente a fiscalização não teria se valido da sua escrituração para arbitrar o lucro na forma do artigo 532 do RIR de 1999, ou seja, com base na receita bruta conhecida, p) que se o caso comportasse a hipótese de omissão de receita, incumbiria à fiscalização proceder na forma prescrita no artigo 288 do RIR de 1999, segundo o qual tributase o valor omitido de acordo com a forma de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica; q) que é incabível o lançamento de ofício a título de omissão de receita, mediante arbitramento do lucro, com base na receita bruta conhecida se esta é extraída da escrituração contábil, corroborada por documentação hábil e idônea, não rejeitada pela autoridade lançadora; r) que o auto de infração considerou como omissão de receita da prestação de serviços gerais o valor dos créditos bancários decorrentes das remessas de numerários que seus clientes lhe enviam para cobrir custos do desembaraço aduaneiro das mercadorias legalmente importadas, conforme se vê da relação de créditos denominada de "Demonstrativo de Receitas Presentes nas Contas Bancárias"; s) que o fato gerador da obrigação correspondente ao imposto de renda é a renda tal qual definida no artigo 43 do CTN, jamais a soma dos depósitos e remessas de numerários de clientes obtidas dos extratos bancários devidamente escriturados em sua contabilidade; t) que tais créditos constituem ativos financeiros, representados por numerário, disponibilidades, em nada se assemelhando a renda, a receita, para efeito de base de cálculo da renda auferida; u) que no caso, a autoridade lançadora explicitamente presumira, sem amparo legal, uma base de cálculo para a constituição do crédito Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 6 5 tributário, intitulandoa receita de prestação de serviços gerais presentes em contas bancárias; V) que, sendo tributada com base no lucro presumido, incumbiria ao Fisco limitarse à verificação da movimentação do Caixa, para ver se a receita declarada está de acordo com sua escrituração e respectivos comprovantes, sendo irrelevante a demonstração dos custos e despesas operacionais, assim como a regularidade das contas representativas do passivo circulante, porquanto desobrigada de levantar balanço patrimonial; W) quanto às características dos livros Diário e Razão, bem como sua forma de contabilização, afirma ser impossível e contrário à legislação que obriga manter sistema uniforme de escrituração, registrar o Diário por dia e o Razão como se fosse um centro de custos, agregando nele os valores por despacho aduaneiro; que fez essa tarefa mediante planilhas, extracontabilmente, nas quais são demonstradas as remessas de numerário e as despesas relativas a cada despacho por ela promovido, e por cliente; que foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil os demonstrativos relativos a cada despacho por ela promovido, pelas quais justifica cada valor remetido (planilha/composição de saldos); x) que não é verdade o que consta do Termo de Prorrogação de Prazo de 31/10/2006 (recusa da dilatação de prazo para atendimento ao termo de intimação n° 007, a pretexto de que a autuada tivera tempo suficiente para cumprilo), pois o cumprimento de tal exigência demandava a posse dos seus livros Diário e Razão, os quais encontravamse em poder da fiscalização; Y) que resta patente que toda a fiscalização foi centrada no livro Razão, que, como visto, a impugnante está desobrigada de escriturar por ser optante do lucro presumido; z) que, embora mantenha escrituração contábil completa, nenhum efeito têm os lançamentos efetuados tanto nas contas correntes clientes, quanto nas contas clientes diversos na sua forma de tributação, que é a receita bruta; aa) que está sujeita às normas do artigo 527 do RIR de 1999, e que a exatidão dos dados informados na DIPJ está sujeita à verificação mediante apresentação de escrita mercantil corroborada pela documentação respectiva; bb) que a suposta distribuição disfarçada de lucros é meramente contábil, sem qualquer influência no lucro presumido, porque este é apurado pelo regime de caixa; cc) que não apura custos, mas estes são presumidos em 32% da respectiva receita bruta, por enquadrarse na atividade prevista no artigo 519, III, "b" do referido RIR de 1999; dd) que na conta corrente 2.2.01.01.00017 Clientes Diversos, são escriturados, ao longo do período, enquanto não identificado o autor da remessa de numerário, em ordem cronológica, os adiantamentos destes; dada a dinâmica do comércio exterior, o mesmo cliente faz Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 7 6 diversas remessas, simultaneamente, abrangendo recursos para pagamento de despesas vinculadas a vários despachos, de diferentes exportadores, sendo difícil de escriturálos de imediato na conta específica, sendo ditas remessas creditadas na sobredita conta temporariamente; que é comum fazer pagamentos de despesas de algum cliente com recursos de outro cliente; que. depois de apurados os custos incorridos em cada processo de despacho aduaneiro, procede à conciliação bancária, mediante transferência contábil dos adiantamentos para a conta específica do cliente ou do terceiro de cujo recurso se valera; ee) que pode ter ocorrido equívoco em algum lançamento, mas que esses enganos não interferem no resultado do exercício porque é tributada pelo lucro presumido, com base na receita, e não no lucro líquido com as respectivas adições/exclusões; ff) que no caso dos autos houve erro de intitulação de conta no lançamento efetuado no anocalendário de 2002, a débito de aplicação financeira vinculada à conta 330448 do Banco Itaú, no valor de R$ 1.883.110,65, em contrapartida a conta corrente saudável; que como o lançamento foi a débito de uma conta representativa de disponibilidade, fato que não configura saída de numerário sem comprovante do Caixa, nenhuma repercussão acarretaria ao património da empresa, sem reflexo no lucro presumido apurado pela pessoa jurídica; que o mesmo equívoco ocorrera no anocalendário de 2003; gg) que relativamente aos créditos encontrados na conta 1.1.01.02.00024 Banco Itaú S/A — no 36112.0, de R$ 2.820.542,12, em 2004, é de se excluir qualquer possibilidade da ocorrência de distribuição de lucro, antecipação de distribuição de lucro e, conseqüentemente, de omissão de receita, apesar dos históricos que trazem os respectivos lançamentos, concluindo que são meramente permutativos de encerramento de contas, próprios dos registros por meio de Caixa, cujos saldos são zerados no final de cada período de apuração; hh) que impunha ao Fisco aprofundar sua pesquisa analisando os comprovantes de despesas, instrumentos hábeis reveladores da real situação da sua escrita; ii) que é incabível o arbitramento das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido a pretexto de falha no livro Razão, porque não são obrigadas a escriturálo, sobretudo se sua documentação corrobora a escrituração contábil, mantida na forma mercantil; no caso dos autos, a contabilidade está lastreada em documentação hábil e idônea, na forma da Resolução CFC 597/85, até porque não infirmada pela fiscalização; jj) que não tem o mínimo de razoabilidade presumir como hipótese de omissão de receita bruta da atividade da prestação de serviço de despacho aduaneiro a soma dos créditos efetuados nos seus extratos bancários, haja vista sua atividade ser remunerada pelo preço do serviço prestado, jamais pelo valor dos ingressos brutos em suas contas correntes bancárias; Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 8 7 kk) que do montante dos depósitos bancários, o Fisco teria que excluir os custos incorridos em cada despacho aduaneiro para os quais os depósitos bancários foram efetuados nas referidas contas correntes, obtendo o valor bruto da receita operacional, que, deduzidos dos custos internos inerentes à sua atividade profissional, redundaria na receita líquida sujeita à incidência tributária; 11) que a imposição da multa qualificada não foi bem esclarecida, não tipifica a conduta a que incorreu, coexistindo a tipificação estrita em que subsumiu rigorosamente sua conduta a norma, ferindo frontalmente o princípio do devido processo legal e seus corolários, o princípio do contraditório e da ampla defesa; mm)que o agravamento da multa por falta de apresentação dos arquivos magnéticos da contabilidade deve ser afastado, pois a apresentação dos arquivos magnéticos somente se tornou obrigatória a partir de 2002 e, quanto a esse ano, a empresa não conseguiu recuperar o "backup"; nn) que requer a realização de diligência e perícia, formulando os quesitos a ser respondido (sic), com a indicação do perito. Em razão da alegação de cerceamento do direito de defesa quanto à omissão de receitas, foi lavrado Auto de Infração Complementar de IRPJ e reflexos em CSLL, PIS e COFINS (fls.486/487), em que a autoridade fiscal esclarece que não houve alteração em relação ao crédito tributário lançado no auto de infração cuja ciência se deu em 12/12/2006, mas apenas descrita a infração apurada no item 001 do referido auto, com a demonstração mensal dos valores apurados, esclarecendo que não foram apresentados documentos comprobatórios hábeis, como cópias dos cheques depositados e identificação dos remetentes de TED e DOC, bem como seu enquadramento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, além de outros já referidos. Contra o auto de infração complementar o contribuinte se opôs alegando: a) preliminarmente, a nulidade das exigências fiscais abrangidas pela decadência; b) no mérito, a improcedência dos créditos tributários, por ser incabível o arbitramento do lucro das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido e com fundamento em falhas na escrituração do livro Razão, de cuja escrituração estão dispensadas; também alega improcedência da exigência em face de ter logrado justificar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias; C) que caso assim não se entenda, reclama, em homenagem aos princípios da ampla defesa, da verdade material e da informalidade do processo administrativo e, sobretudo, com fundamento no artigo 16, §§ 4º e 5º, do PAF (Decreto nº 70.235, de 1972), a juntada a posteriori dos comprovantes dos créditos efetuados nas contas correntes do Banco Itaú, os quais estão sob a guarda de terceiros; que, tratandose de grande quantidade de documentos, demandarão algum tempo da referida instituição financeira para consolidálos, fato que a impossibilita de apresentálos no presente momento. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 9 8 A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, acolhendo a preliminar de decadência para considerar decaídos os lançamentos de IRPJ e CSLL dos períodos de apuração 1º trimestre/2000 ao 3º trimestre/2001 e de PIS e Cofins dos meses de janeiro/2000 a novembro/2001, manter o agravamento da multa de ofício do anocalendário de 2002 e julgar procedente em parte o lançamento, mantendo R$ 3.362.233,20 de IRPJ, R$ 213.250,24 de PIS, R$ 984.232,49 de COFINS e R$ 694.769,91 de CSLL, além das respectivas multas de lançamento de ofício de 75% (anoscalendário de 2001, 2003 e 2004) e 112,5% (ano calendário de 2002) e dos acréscimos legais. Dois julgadores vencidos ainda excluíam o agravamento da multa de ofício do anocalendário de 2002. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário : 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTO DE INFRAÇÃO. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia em face de os documentos juntados aos autos satisfazerem por completo os requisitos do lançamento, inexistindo obscuridade que demande a produção de provas pela Fazenda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA DE TITULARIDADE DA PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária de titularidade da interessada, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais ela, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. Sujeitase ao arbitramento o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 10 9 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa sujeitamse à modalidade de lançamento por homologação, tendo o prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º do CTN. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. A falta de comprovação do dolo na conduta do sujeito passivo infirma a prática da fraude ou sonegação e desautoriza a aplicação da multa de ofício qualificada. MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÕES. NÃO ATENDIMENTO NO PRAZO MARCADO. Comprovado nos autos que o contribuinte não atendeu às intimações para apresentar os arquivos magnéticos (lançamentos contábeis), nos prazos estabelecidos, cabível a majoração em 50% da penalidade aplicável às infrações verificadas. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. Em razão do montante exonerado, houve recurso de ofício ao CARF. Cientificado dessa decisão em 19/10/2009 (cfe AR de fl.588), o contribuinte, irresignado, apresentou recurso voluntário em 16/11/2009 (fls.591 e ss), em que pleiteia, resumidamente: A) A anulação do acórdão recorrido pelos seguintes motivos: 1. Cerceamento do direito de defesa, por ter o mesmo deixado de analisar matéria levantada na impugnação, consistente na análise do artigo 288 do RIR/99, segundo o qual, na hipótese de omissão de receita, o lançamento de oficio deve ser efetuado de acordo com o regime de tributação escolhido pelo contribuinte. Não tem amparo legal sua alteração pelo Fisco, sobretudo pelo arbitramento; 2. Preterição do direito de defesa, visto que os depósitos discutidos nos autos foram efetuados por terceiros e, admitindo o acórdão recorrido não ter o fiscalizado consigo a documentação que justificaria o recebimento dos depósitos (item 54), há uma contradição, um paradoxo. De fato, se o recorrente não está em poder dos comprovantes, como poderia ele exibilos ao Fisco? Fazse necessário baixar o processo em diligencia para que sejam intimados os clientes do recorrente para confirmarlhe os repasses dos recursos. B) No mérito, pede a improcedência do auto de infração pelos seguintes motivos: Fl. 635DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 11 10 1. Porque fundado no artigo 530, VI, do RIR/99 (fls. 159), ou seja, por falta de escrituração do livro Razão, sendo que o recorrente é optante do lucro presumido, estando, pois, dispensado de sua escrituração; 2. Porque toda a movimentação bancária do recorrente está registrada no Livro Diário, na forma do artigo 527 do RIR/99, afastando, assim, a presunção de omissão de receita prevista no artigo 42, caput, da Lei n° 9.430/96, descrita no auto de infração complementar de fls.396/7; 3. Inaplicabilidade da multa majorada da exigência relativa ao ano calendário de 2002, porque a sua apuração foi efetuada com base nos extratos bancários, prescindindo de arquivo magnético. É o relatório. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 12 11 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, pelo que dele se conhece. A recorrente aponta a nulidade da decisão recorrida por preterição do seu direito de defesa, apontando uma contradição entre a conclusão de que a não comprovação dos depósitos por estarem documentos em poder de terceiros e pede diligência para intimação dos seus clientes. A situação fática descrita nos autos merece ser detalhada, principalmente em se considerando que a tese da defesa sustenta que a atividade da recorrente de justifica a não tributação da totalidade dos valores que circularam por suas contas bancárias, que, segundo ela, englobam adiantamentos de clientes realizados para fins de pagamento de despesas vinculadas a seus respectivos despachos aduaneiros. Conforme relatado, o lançamento fiscal decorreu da constatação de omissão de receitas pela diferença entre os créditos bancários de origem não comprovada (Demonstrativo de Receitas Presentes nas Contas Bancárias – fls.245317) e os valores da receita de prestação de serviços escriturados na conta nº 4.1.01.01.00013 – Receita Prestação de Serviços, com fulcro nos arts. 532 e 537 do RIR/99 e art. 42 da Lei nº 9.430/96 (este acrescentado no auto de infração complementar). De acordo com a autoridade fiscal, durante o procedimento fiscal, a recorrente foi intimada a comprovar a origem dos créditos em suas contas correntes, apresentou cópias de recibos por ela emitidos e planilhas por ela elaboradas, indicando que tais recursos eram remetidos por seus clientes para pagamentos de diversas despesas referentes ao comércio exterior, além de uma pequena comissão. Intimada a apresentar a composição dos saldos das contas de clientes, limitouse a responder que todo o movimento encontravase escriturado nos livros. A autoridade fiscal aponta que, embora a movimentação bancária da recorrente tenha sido contabilizada, os registros no livro Razão eram concisos, sem detalhamento suficiente para aferir qual operação teria dado ensejo aos alegados adiantamentos dos clientes. Como histórico da operação constava simplesmente a descrição “depósito nesta data” na conta Bancos, assim como na conta Clientes. A autoridade fiscal justificou o arbitramento do lucro trimestral apurado nos anos calendário de 2000 a 2004 alegando que “o contribuinte não manteve, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livros auxiliares ou fichas utilizados para detalhar e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Livro Diário”, com fundamento no art. 530, VI, do RIR/99 (fl.159). Para cada um dos anoscalendário objeto de autuação, sustentou que o livro Razão não fora confeccionado corretamente, contendo contas individuais para cada um dos clientes da contribuinte e que esta não logrou corrigir as falhas através de demonstrativos de composição dos saldos, mesmo após intimada (fls.236244). Fl. 637DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 13 12 Em sua defesa, alega a recorrente que tem por objetivo social a atividade de despacho aduaneiro de mercadorias importadas por terceiros e que recebe antecipadamente, via bancos, recursos financeiros remetidos por seus clientes, identificados nos extratos pelas siglas TED, TEC, DOC, etc., para fazer face às despesas necessárias ao processamento dos referidos despachos aduaneiros, tais como: (i) os impostos da União: II, IPI, PIS IMPORTAÇÃO e COFINS IMPORTAÇÃO; (ii) o imposto estadual ICMS; e (iii) as taxas e despesas (AFRM, armazenamento, frete, dentre outras), cujos comprovantes ficam em poder dos respectivos clientes. Esclarece, dentre outros, que: na conta corrente 2.2.01.01.00017 Clientes Diversos, são escriturados, ao longo do período, enquanto não identificado o autor da remessa de numerário, em ordem cronológica, os adiantamentos destes; dada a dinâmica do comércio exterior, o mesmo cliente faz diversas remessas, simultaneamente, abrangendo recursos para pagamento de despesas vinculadas a vários despachos, de diferentes exportadores, sendo difícil de escriturálos de imediato na conta específica, sendo ditas remessas creditadas na sobredita conta temporariamente; que é comum fazer pagamentos de despesas de algum cliente com recursos de outro cliente; que. depois de apurados os custos incorridos em cada processo de despacho aduaneiro, procede à conciliação bancária, mediante transferência contábil dos adiantamentos para a conta específica do cliente ou do terceiro de cujo recurso se valera; A autoridade fiscal, entendendo que, para auferir e tributar a receita da forma como pretendia a recorrente, seria necessário vincular expressamente cada um dos adiantamentos de numerários com as despesas realizadas em nome daqueles, intimou a interessada a apresentar as planilhas com os contascorrentes, conforme termo de intimação fiscal nº 7 (fls.140/141), mas esta alegou que tal tarefa demandaria muito tempo e apresentou meramente o quantitativo dos faturamentos relativos a cada cliente, conforme resposta à intimação (fl.150). Antes do julgamento de primeira instância, o relator da decisão recorrida providenciou o retorno dos autos à unidade de origem para que a autoridade fiscal se manifestasse sobre os documentos constantes dos autos, nos seguintes termos (fls.498/499): Às fls. 494/496 consta a petição para juntada de documentos e que conforme termo na fl. 497 foram agrupados no Anexo VI com 02 volumes, encontrando em sua composição listagens de Docs Recebidos em que consta o nome do favorecido e o do remetente, Movimento de Transações sem Formulário que corresponde a depósitos eletrônicos, Relação de Transferências Eletrônicas, entre outras. Analisando referidos papéis com o "Demonstrativo de Receitas Presentes nas Contas Bancárias", fls. 245/317, e com os documentos que compõem o Anexo III, pode ser verificado que são correspondente; como em alguns exemplos a seguir expostos. No demonstrativo de fl. 245 estão listados, entre outros, nos dias 07/01/2000, 12/01/2000 e 31/01/2000 os DOC nos valores de R$ 60.500,00, R$ 5.131,76, R$ 79.408,68 e R$ 23.187,06, e que estão informados na listagem de DOCs Recebidos, com identificação do remetente conforme fl. 02 do Anexo VI; fl. 269 do demonstrativo, nos dias 14/05/2001, R$ 148,64, 28/05/2001, R$ 7.602,49 e R$ 108.594,00, Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 14 13 listados à fl. 11 do Anexo VI. os recibos constantes das fls. 24/32 do Anexo III corresponde ao depósito de R$ 44.763,60 do demonstrativo de fl. 290 e listado à fl. 20 do Anexo VI; os recibos de fls. 205/207 do Anexo III, corresponde ao depósito de R$ 10.578,04 do demonstrativo de fl. 304 e 409 do Anexo VI; o recibo de fl. 129 do Anexo III corresponde ao depósito de R$ 15.600,75 do demonstrativo de fl.305 e da listagem de fl. 554 do Anexo VI. Em razão da documentação apresentada, proponho o retorno do presente à DRF em Curitiba PR, para o pronunciamento do autuante sobre a validade desses documentos, já que não são de emissão da interessada, bem como em função do contido nos Anexos III e IV ser uma amostragem, elaborando, se for o caso, demonstrativos das parcelas não comprovadas. Em resposta, o fiscal autuante fez constar, inicialmente, que não fora demonstrada a impossibilidade de apresentação da documentação durante o procedimento fiscal, já que o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação n° 006 no dia 31/08/06 e apresentou os documentos somente em 23/07/07, sem comprovar eventual solicitação à instituição financeira, não devendo sequer ser admitida tal documentação, por não atendimento dos requisitos dos §§ 4° e 5° do Decreto n° 70.235/72. Em seguida, manifestouse quanto aos seguintes pontos: (i) sobre os documentos constantes do Anexo VI, esclarece que em alguns deles (folha 02 a 34) há a indicação do nome do remetente dos DOC/TEDs creditados na conta da empresa no banco Itaú, o que corresponde a alguns históricos dos lançamentos em que há o início do nome do remetente (folhas 245 a 317), mas destaca que a maior parte dos documentos (da folha 37 à 521 e da folha 576 à 607) não contém a indicação dos remetentes dos recursos. (ii) no caso dos depósitos de R$ 60.500,00 (07/01/00), R$ 5.131,76 (07/01/00), R$ 79.408,68 (12/01/00) e R$ 23.187,06 (31/01/00), aduz que há a indicação dos remetentes, mas não a de que título foram feitos tais pagamentos. Idem para os depósitos de R$ 148,64 (14/05/01), R$ 7.602,49 (28/05/01) e R$ 108.594,00 (28/05/01); (iii) quanto ao depósito de R$ 44.763,60 (12/12/02) constante da folha 20 do Anexo VI, o remetente é a empresa COMERCIAL ALPHATEC LTDA., CNPJ 03.289.442/000198, porém, pelo indicado nas folhas 24 a 32 do Anexo III, foram emitidos recibos para MILLENIUM ADM. DE VENDAS COM. E REP. LTDA., o que demonstra a inidoneidade do documento; (iv) quanto ao depósito de R$ 10.578,04 (02/03/04) (folha 304), constante da folha 409 do Anexo VI, porém sem nenhuma indicação do remetente dos recursos, apenas a informação adicional de que era composto de três cheques (R$ 2.578,04, R$ 4.000,00 e R$ 4.000,00); (v) finalmente, sobre o depósito de R$ 15.600,75 (23/03/04) (folha 305), esclarece que consta da folha 554 do Anexo VI, onde há a indicação de que este pagamento foi feito por GEMINI INDUSTRIA E COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA, CNPJ 04.580.301/000192, a mesma informação que consta da folha 129 do Anexo III, com a descrição do pagamento como sendo “ADIANTAMENTO P/ PGTO. DE PARTE DOS SALDOS DAS NOTAS DE DESPESAS NRS. 072 A 075/04”. Conclui, contudo, que o recibo Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 15 14 somente faz sentido quando analisado conjuntamente com os registros da contacorrente dessa empresa junto à fiscalizada. Aduz que sem a apresentação da contacorrente de cada cliente, conforme solicitado durante a fiscalização, não é possível afirmar se a explicação para tal depósito está correta ou não, a depender da existência de saldos de notas de despesas para ser adiantado. Conclui a diligência fiscal aduzindo que não há como aceitar a comprovação de depósitos bancários sob a alegação de que os mesmos correspondiam a recursos utilizados para pagar despesas em nome de clientes, quando o contribuinte, embora intimado (Termo de Intimação n° 0007, fls.140/141) não apresentou as planilhas com os contascorrentes respectivos, os quais demonstrariam o controle das entradas e saídas de recursos das contas bancárias. Somente assim, segundo ele, seria possível acatar a tese do contribuinte. A DRJ manteve a autuação, porém, desqualificou a multa de ofício por considerar que os lançamentos insubsistentes a título de aplicações financeiras seriam meros reflexos da imprestabilidade dos registros contábeis, o que resultou no arbitramento dos lucros, mas não caracterizariam fraude contábil ou sonegação fiscal. Para exonerar a multa qualificada, a turma julgadora considerou que a documentação apresentada refletiria a incapacidade de demonstrar formalmente qual operação dava causa aos depósitos recebidos, mas demonstrariam um início de prova em favor do contribuinte. Diante disso, a plausibilidade da tese da recorrente quanto à mera intermediação dos valores considerados omitidos afastaria o dolo na conduta, atraindo a incidência da Súmula CARF nº 14. No recurso voluntário, a recorrente solicita diligência para que sejam intimados os clientes envolvidos, com quem, ela alega, estariam os comprovantes dos respectivos depósitos. Em memoriais, pede que sejam os autos baixados em diligência para que possa apresentar planilha correlacionando os depósitos bancários e sua destinação, a fim de comprovar que não estão sujeitos à tributação imposta pelo lançamento fiscal. No presente caso, incide a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. a qual pode ser elidida, por se tratar de presunção relativa (juris tantum), pela comprovação da origem dos referidos depósitos, pelo contribuinte, em função da inversão do ônus da prova: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vale lembrar que a legislação tributária tem regras específicas sobre o ônus dessa prova, abaixo transcritas: Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Ônus da Prova Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 16 15 Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º). A presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem é um dos clássicos casos de inversão do ônus da prova, Nos termos da legislação supra mencionada, compete ao contribuinte comprovar qual a origem dos depósitos questionados, sob pena de ser presumida a ocorrência de omissão de receitas dos valores respectivos. No caso concreto, muito embora os registros contábeis e extracontábeis não demonstrem suficientemente a que título se deram as transferências, de modo a atestar que se trataram de simples transferências para pagamento de despesas de terceiros, tampouco foram apresentados comprovantes dos pagamentos das respectivas despesas, verificase que os elementos constantes dos autos apontam para a plausibilidade da tese da defesa, como já concluiu a DRJ, pois, em alguns casos, no tocante aos "docs" recebidos, pode ser verificada a autoria dos remetentes, embora sem a comprovação da destinação dos recursos recebidos. Como foi alegado, a sistemática de operação da recorrente indica que seus controles, de alguma forma, permitem que sejam “apurados os custos incorridos em cada processo de despacho aduaneiro, procede à conciliação bancária, mediante transferência contábil dos adiantamentos para a conta específica do cliente ou do terceiro de cujo recurso se valera”. Para a formação da convicção do julgador, a prova constante dos autos é elemento essencial, ressaltandose que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Na análise do caso, diante da percepção de que falta um elemento formal demonstrando o elo de ligação entre os depósitos e suas respectivas destinações, tendo em vista que, segundo a recorrente, teriam sido efetuados pagamentos em nome de cada um dos clientes e posterior acerto de contas, cabe um aprofundamento do exame dos fatos com vistas à apuração da materialidade da infração tributária. Em razão do exposto, e, ainda, considerandose que os anexos não foram digitalizados e disponibilizados ao CARF, decidese converter o julgamento em diligência para que a autoridade autuante ou outra de mesma competência na unidade de origem: 1) intime o contribuinte a elaborar planilha em Excel correlacionando os depósitos bancários objeto de fiscalização e sua destinação, com identificação dos respectivos clientes e número e data do contrato de prestação de serviço, se houver, concedendolhe prazo mínimo de 30 (trinta) dias; Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10907.003126/200680 Resolução nº 1202000.192 S1C2T2 Fl. 17 16 2) após, verifique a documentação apresentada nos autos e efetue as demais pesquisas típicas do procedimento fiscal, a partir das alegações do contribuinte, para confirmar se os valores alegados estão comprovados; 3) elabore planilhas demonstrativas das verificações (com indicação da folha dos autos/anexos com a origem dos valores confirmados) e, se for o caso, novos demonstrativos de apuração do valor tributável, imposto e contribuições; 4) elabore relatório conclusivo; 5) providencie a digitalização dos anexos referidos; 6) dê ciência do relatório ao contribuinte para, querendo, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Após, devolvase o processo ao CARF para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13971.720012/2007-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.162
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 0 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720012/200701 Recurso nº 416.542 Resolução nº 38030.162 – 3ª Turma Especial Data 26 de abril de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente DF MADEIRAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de novo Recurso Voluntário interposto em face da nova decisão proferida pela DRJ Ribeirão Preto/SP, que decorreu da anulação da decisão anterior por esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380300.744, de 29 de setembro de 2010. Em 27 de outubro de 2003, o contribuinte havia transmitido à Receita Federal Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI, acompanhado de Declaração de Compensação (fls. 1 a 34), em relação aos quais se obteve, em 13 de dezembro de 2006, decisão parcialmente favorável em sede de mandado de segurança impetrado junto à Justiça Federal em Blumenau/SC, em que se determinou à Receita Federal a apreciação do pleito no prazo de 30 dias e a prolação de decisão em igual prazo após o esgotamento do anterior. Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Para fins de cumprimento do writ, a Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort) da DRF Blumenau/SC intimou o contribuinte a apresentar, em 20 dias, os elementos probatórios considerados necessários à apreciação do pedido de ressarcimento (fls. 35 a 46), tendo sido requerido pelo intimado a prorrogação do prazo de entrega dos documentos em mais 30 dias em razão de problemas operacionais internos à sociedade empresária (fl. 48). Considerando a exiguidade do prazo estipulado na decisão judicial para seu cumprimento e a negligência do requerente no atendimento da intimação no prazo estatuído, a autoridade administrativa negou a prorrogação requerida e indeferiu a solicitação com base na ausência de comprovação dos fatos alegados, salientandose que os arquivos digitais solicitados deveriam estar disponíveis à Receita Federal desde o início do trimestre sob análise, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 86/2001(fls. 49 a 58). Não se conformando com tal decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 63 a 168) e alegou que a solicitação de prorrogação de prazo para atendimento da intimação se devera à existência de inúmeros pedidos protocolizados concomitantemente que teriam demandado a contratação de assessoria especializada, inexistindo qualquer embaraço ao juízo quanto à dilação do prazo por conta da complexidade e do volume dos documentos requeridos. Alegando o direito de apresentação de provas em qualquer fase do processo administrativo, o contribuinte requereu a juntada dos documentos exigidos pela autoridade fiscal, a revisão da decisão a quo, bem como a reanálise do pedido pela repartição de origem. A DRJ Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação (fls. 171 a 174), considerando que a não apresentação, no prazo fixado, dos documentos necessários à apreciação do pedido formulado pelo próprio contribuinte, a quem cabe o ônus da prova, ensejaria o arquivamento do processo. Considerou a autoridade julgadora a quo que o exame do mérito se encontraria prejudicado, pois que a apreciação dos documentos trazidos ao processo somente após a instauração do contencioso administrativo acarretaria supressão de instância, tendo em vista que a concessão de direitos creditórios e a homologação de compensações seriam da competência da repartição de origem que primeiro apreciou o pleito formulado. Ressaltouse, também, que a falta de atendimento da intimação provocada judicialmente pelo próprio interessado já seria motivo suficiente para o indeferimento sumário da solicitação, não havendo amparo à inversão do interesse de ação no sentido de caber à Administração a busca pela dilatação do prazo definido pelo juiz. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 178 a 200) e requereu a declaração de nulidade do processo a partir do despacho decisório, alegando afronta ao princípio da verdade material, considerando que os documentos acostados juntamente com a manifestação de inconformidade, contendo todas as informações necessárias à análise requerida, ensejariam o deferimento do pleito. Para embasar sua defesa, apresentou excertos de decisões deste Conselho, em que se decidiu pela faculdade conferida aos administrados de apresentar os elementos probatórios na fase impugnatória, em consonância com os princípios da ampla defesa e da verdade material. Em 29 de setembro de 2010, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380300.744, considerando os elementos probatórios trazidos aos autos na fase de Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720012/200701 Resolução n.º 38030.162 S3TE03 Fl. 2 3 manifestação de inconformidade, decidiu, por unanimidade de votos, em por anular a decisão de primeira instância, para que outra fosse proferida após a análise dos documentos e das demais informações carreadas aos autos pelo então Impugnante, ainda que, para tanto, fosse necessária a realização de diligências junto à repartição de origem com vistas à elucidação dos fatos e ao bom deslinde da questão. Esta 3ª Turma considerou que não se vislumbrou negligência por parte do Recorrente na relação com a Administração tributária, pois que, tempestivamente, requereu a prorrogação do prazo de atendimento da intimação, dada a complexidade e o volume dos dados requeridos. Ponderou, ainda, que a alegação de que tal prorrogação inviabilizaria o estrito cumprimento do prazo estipulado na ordem judicial não se mostrava de todo convincente, uma vez que a dilação do período de análise do pleito viria a ocorrer por provocação do próprio interessado, situação essa que poderia ter sido cientificada ao Juízo competente para fins de desoneração e afastamento de qualquer responsabilização por eventual descumprimento de decisão judicial. Destacouse, também, que a realidade dos fatos exteriorizada pelos documentos e informações presentes nos autos não poderia ser prejudicada, dado que as regras do Processo Administrativo Fiscal (PAF) foram observadas pelo Recorrente. A DRJ Ribeirão Preto/SP baixou os autos em diligência à repartição de origem para que a Fiscalização se pronunciasse sobre os seguintes questionamentos: 1º) A documentação juntada pelo interessado, inclusive o arquivo magnético (CD) apresentado, atendeu às intimações feitas no decorrer do exame do pedido? 2º) A documentação juntada pelo interessado prova no todo ou em parte o direito creditório alegado? (Em caso afirmativo, em quanto montaria tal crédito contra a Fazenda nacional?). A Fiscalização, em atendimento ao requerido pela DRJ, informou que, embora parte da documentação tivesse sido juntada na Manifestação de Inconformidade, o interessado não apresentou a memória de cálculo do crédito presumido, prevista no art. 6º da IN SRF nº 23/97, em razão do que restou não comprovado o direito creditório alegado. Informou, ainda, a Fiscalização que, no que tange à “parcela de crédito básico, apurouse, com fulcro nos arquivos contendo os registros de entradas e os registros de saídas, e no pedido de ressarcimento, créditos passíveis de ressarcimento equivalentes a R$ 1.838,72 (um mil oitocentos e trinta e oito reais e setenta e dois centavos), tendo em vista que os créditos passíveis de ressarcimento em aquisições somaram R$ 1.838,72 (um mil oitocentos e trinta e oito reais e setenta e dois centavos) (...), e que não houve destaque de IPI nas saídas”. Ciente da Informação Fiscal, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade e alegou que, ao contrário do que afirmara a Fiscalização, a documentação apresentada seria mais do que suficiente para comprovar seu direito ao crédito presumido, que teria sido calculado de acordo com o disposto na Lei nº 9.393/1996, sendo que “nem mesmo o mencionado art. 6º da IN SRF nº 23/97, apresenta tal exigência, apenas recomenda que a empresa deva mantêla em boa guarda”. Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Segundo o contribuinte, o crédito presumido encontravase demonstrado na DCP, nos arquivos digitais anexos e na PER/DCOMP. Inobstante suas argumentações, o contribuinte trouxe aos autos o documento intitulado “Memória de Cálculo”, que, segundo ele, demonstraria as CFOPs utilizadas para compor os valores do crédito pleiteado. A DRJ Ribeirão Preto/SP proferiu nova decisão e julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, considerando o seguinte: a) os documentos que haviam sido solicitados são obrigatórios e estavam de posse da pessoa jurídica; b) o primeiro pedido de prorrogação de prazo feito pelo contribuinte se dera de forma irregular, sem prova de que quem assinava representava o contribuinte; c) na medida em que o próprio interessado buscara “a ordem judicial para que o procedimento fiscal de investigação e apuração da certeza e liquidez do crédito presumido para fins de compensação, conforme estatui o artigo 170 do CTN, se encerrasse em trinta dias, seria mínima cautela, para não falar em bom senso, já estar de posse para plena apresentação à Fazenda Pública dos documentos probantes de seu direito”; d) o julgador administrativo não poderia “avocar para si a competência do reexame e analisar a matéria de mérito que envolve os autos”, nem “poderia analisar o pedido como se tivesse sido efetuado na manifestação de inconformidade”; e) examinandose a documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que se tratava de “listagens e demonstrativos que totalizam o que foi escriturado nos livros fiscais, com exceção da listagem de insumos que não foi juntada”; f) “em homenagem ao princípio da verdade material levantado pela defesa, a prova do direito creditório alegado se faz pela apresentação da correta e idônea documentação que originaram os lançamentos contábeis, não só pelo disposto na legislação tributária como pelos princípios contábeis geralmente aceitos”; g) inexistiriam “dúvidas de que a falta de apresentação das memórias de cálculo, previstas na IN SRF nº 23/97 e posteriores, impediu a fiscalização a comprovação do crédito presumido alegado”; h) “ao contrário do que entende a defesa, a guarda e apresentação das memórias de cálculo, para fins de apuração do crédito presumido, é obrigatória sim e, vale lembrar que essa obrigação acessória, como qualquer outra, não é imposta apenas pela lei, mas, nos termos do CTN, pela legislação tributária, na qual se insere a citada Instrução Normativa”; i) “No caso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, provase sua certeza e liquidez, além dos itens apresentados, pelo que consta nas memórias de cálculo, notas fiscais de aquisição, comprovantes de exportação, etc, ou seja, para que a Administração Pública se pronuncie a respeito da demanda do particular, por meio de despacho decisório, é necessário que investigue se efetivamente os créditos escriturados são provenientes de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo referese a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados ou apurados de maneira a respeitar a legislação de regência, o que não consta no presente processo. Não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido”; Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720012/200701 Resolução n.º 38030.162 S3TE03 Fl. 3 5 j) “o contribuinte confessa que, ao arrepio da legislação aplicável, não possuía as memórias de cálculo, nem mesmo no momento de responder a Informação Fiscal, ou seja, o que se constata é a crença do manifestante de que o princípio da verdade material lhe garante apresentar a documentação que quer, no momento que quiser, em flagrante desrespeito aos prazos legais e aos determinados por ordem judicial e acórdão do CARF”; k) “o documento apresentado não apresenta as memórias de cálculo necessárias para a comprovação do direito creditório, nem demonstra as CFOP’s utilizadas, salta aos olhos que, embora o contribuinte tenha pedido o Crédito Presumido com base na Portaria nº 38/97, os cálculos que o interessado apresentou foram feitos com base na opção, não exercida, da Lei nº 10.276/2001, com a inclusão das compras de energia elétrica, aliás, destaquese que essa opção de cálculo nem existia no período de apuração em questão, o que demonstra a imprestabilidade do demonstrativo; l) “restou comprovado o direito ao ressarcimento de R$ 1.838,72, relativos ao saldo credor acumulado do IPI, o qual deve ser utilizado na compensação dos débitos confessados do contribuinte”. Inconformado, o contribuinte recorre novamente a este Conselho e reitera seu pedido, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) infundada alegação da não comprovação do crédito por intempestividade, pois este pode ser comprovado por meio das informações e dos documentos constantes dos autos; b) todas as notas fiscais de exportação direta e indireta encontramse relacionadas em documento anexo e em arquivo digital; c) todos os valores que compõem o crédito presumido podem ser comprovados por meio das notas fiscais e dos arquivos digitais entregues em atendimento à intimação fiscal; d) constam dos autos o Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) e a DCTF que contêm a demonstração da apuração do direito creditório; e) “para melhor comprovar o alegado, foi juntado aos autos, inclusive para melhor visualização, planilha com a composição dos valores que integram a DCP/DCTF, com menção das respectivas CFOP’s”, bem como “relação e cópia das notas fiscais, para comprovar o crédito reclamado”; f) foram anexados, também, os balancetes solicitados; g) além da memória de cálculo apresentada junto com a Manifestação de Inconformidade, já haviam sido apresentados anteriormente todos os documentos comprobatórios do crédito presumido de IPI, dispondo a Fiscalização de todas as informações necessárias a sua apuração; h) afronta ao princípio da verdade material, em decorrência do que o presente processo deve ser declarado nulo, para que a autoridade fiscal analise o pedido à luz dos documentos trazidos aos autos. Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Por fim, requer que todas as intimações sejam dirigidas aos seus advogados no endereço informado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de encaminhamento da correspondência ao endereço dos causídicos, esclareçase que inexiste autorização legal nesse sentido, havendo previsão no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), que as intimações enviadas por via postal devem ser recebidas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passsivo. A eleição do domicílio tributário se dá no momento do registro da pessoa jurídica no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), ou, posteriormente, por meio de sua atualização, formalmente requerida à Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, e naquelas de mesma diretiva por esta sucedidas. Conforme acima relatado, mesmo após a anulação da decisão administrativa de primeira instância, em razão da falta de apreciação das provas trazidas pelo sujeito passivo na fase de Manifestação de Inconformidade, a DRJ Ribeirão Preto/SP, na mesma linha adotada pela Fiscalização, manteve seu entendimento no novo acórdão de que, em razão da não apresentação da memória de cálculo do crédito presumido, a análise do pedido tornouse prejudicada, acarretando o seu não acatamento. Constatase que o fundamento central da negativa da DRJ foi o não atendimento pelo sujeito passivo de um dentre os treze itens solicitados pela Fiscalização. Baseouse o julgador de piso, para não apreciar as demais provas trazidas aos autos pelo contribuinte, no art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 23/1997, que estipula a necessidade de manutenção em boa guarda das memórias de cálculo dos créditos presumidos. No entanto, todos os demais documentos e informações solicitados foram apresentados pelo sujeito passivo, com exceção daquelas justificadamente não disponíveis. Foram apresentados o Livro de Registro de Apuração do IPI contendo a escrituração do período sob análise, arquivos digitais contendo os lançamentos efetuados no Livro Registro de Entradas e no Livro Registro de Saídas, referentes aos períodos a que se referem os pedidos de ressarcimento, relação das notas fiscais das exportações diretas ocorridas nos períodos, relação das notas fiscais de vendas a comerciais exportadoras, Demonstrativos dos produtos exportados, dos produtos oriundos da atividade rural adquiridos de cooperativa e dos produtos oriundos de não contribuintes do PIS e da Cofins, relação de todos os produtos industrializados ou comercializados pela empresa, relação de todos os insumos adquiridos e considerados como origem do crédito pleiteado, dentre outros. Além disso, no momento da apresentação da nova Manifestação de Inconformidade, que corresponde ao termo inicial de instauração do Processo Administrativo Fiscal (PAF), em que se assegura ao sujeito passivo o direito de trazer a prova documental aos autos, nos termos do § 4ª do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte apresentou a memória de cálculo requerida, que foi totalmente ignorada pelo julgador de piso, sob o Fl. 513DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720012/200701 Resolução n.º 38030.162 S3TE03 Fl. 4 7 argumento de que os cálculos apresentados teriam sido feitos com base na Lei nº 10.276/2001 e não na Portaria MF nº 38/1997, sendo que o contribuinte, em momento algum, fez qualquer referência à citada lei. O fato de o contribuinte ter considerado no cálculo do crédito presumido despesas que não se subsumem no conceito de insumos, como gastos com energia elétrica, não pode servir de supedâneo para o seu pronto descarte, independentemente de qualquer análise ou confronto com a escrituração e os documentos fiscais. Argumenta, ainda, o relator a quo, contrariando frontalmente os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como as regras do PAF, e, por conseguinte, cerceando o direito de defesa do contribuinte, que o julgador administrativo não pode avocar para si a competência para o reexame da matéria de mérito sob enfoque, nem para a análise do pedido como se este tivesse sido efetuado na Manifestação de Inconformidade. Ainda segundo o relator de piso, em homenagem ao princípio da verdade material, a prova do direito creditório se faria pela apresentação da correta e idônea documentação que originou os lançamentos contábeis, ignorando, por completo, que todos os itens solicitados pela Fiscalização foram apresentados pelo contribuinte até o momento da impugnação do despacho decisório, em conformidade com o disposto no já citado § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Verificase, portanto, que o mesmo fato que ensejara a anulação do primeiro acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP, qual seja, a não apreciação das provas trazidas aos autos pelo interessado no momento processual oportuno, garantido pelas normas administrativas processuais, ainda remanesce vívida, a reclamar por nova anulação. Contudo, os fatos presentes nos autos demonstram que essa medida não produziria efeito prático nenhum, dada a postura assaz reativa da autoridade julgadora de piso, que não se conformou com o pedido do contribuinte de prorrogação do prazo para atendimento do primeiro termo de intimação firmado pela repartição de origem, o que, no seu entender, contrariaria a sua precedente busca pelo Poder Judiciário para forçar a aceleração da apreciação dos pedidos de ressarcimento e das declarações de compensação. Nesse contexto, considerando que para se concluir acerca da extensão do direito creditório pleiteado há a necessidade de se confrontarem os dados presentes nos autos, muitos deles apresentados em arquivos magnéticos, com outros constantes dos sistemas internos da Receita Federal, bem como da escrituração contábilfiscal e da documentação da pessoa jurídica trazidas aos autos, surge como única alternativa à pacificação no processo a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a Fiscalização, com base em todas as informações já disponíveis nos autos, proceda ao exame do crédito presumido requerido pelo Recorrente. Concluise, portanto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que se apure, observandose as normas que regem a matéria, a extensão do crédito presumido de IPI a que tem direito o Recorrente, valendose de todas as informações e documentos presentes nos autos, bem como de outros que se mostrarem necessários ao bom cumprimento desta decisão. Fl. 514DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 O interessado deverá ser cientificado dos resultados da diligência, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 515DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720012/200701 Resolução n.º 38030.162 S3TE03 Fl. 5 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13971.720012/200701 Interessada: DF MADEIRAS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor da Resolução no 38030.162, de 26 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 516DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15066.0EEV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELCIO LAFETA REIS em 26/04/2012 16:21:30. Documento autenticado digitalmente por HELCIO LAFETA REIS em 26/04/2012. Documento assinado digitalmente por: ALEXANDRE KERN em 27/04/2012 e HELCIO LAFETA REIS em 26/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/12/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.1220.15066.0EEV Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 847CA7C987C756FA30E3349371272941E21F46BC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13971.720012/2007-01. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13982.000313/2007-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.210
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ern
conhecer do recurso para nas preliminares dar provimento total com base na decadência nos termos do Art. 150, § 4° do CTN Votaram pelas conclusões os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator S2-C4T3 Fl 181 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13982.000313/2007-88 Recurso n° 154.229 Voluntário Acórdão n° 2403-00.210 — 4' Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2010 Matéria NOTIFICAÇÃO FISCAL Recorrente REAL TRANSPORTE E TURISMO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ern conhecer do recurso para nas preliminares dar provimento total com base na decadência nos termos do Art. 150, § 4° do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cid Marconi Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Nubia Moreira Barros Mazza (Suplente), Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 07-0010633, da 50 Trirma, fls. 122 a 126, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal priricipal, fi. 001. A autuação foi assim resumida no acórdão: Trata-se da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 37.041.115-3, relativa as contribuições devidas Seguridade Social, pelo contribuinte acima identificado, correspondentes a cota empresarial incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa a segurados contribuintes individuais (autónomos e administradores), no período de 01/2001 a 12/2001, conforme Relatório Fiscal de fts. 45/47, 0 auditor inforrna que a apura cão do débito está demonstrada nos Anexos I e II, de fls, 17/44, e nos anexos Discriminativo Analítico do Débito (DAD) e Discriminativo Sintético do Débito DSD ejls_04/08, com base na legislação constante no anexo Fundamentos Legais do Débito (FLD), de/is. 09/10. O valor do crédito, consolidado ern 15/06/2007, resultou no montante de R$ 104.971,34 (cento e quatro mil, novecentos e setenta e um reais e trinta e quatro centavos). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 131 a 156, onde alega, em síntese, que ocorreu a decadência e que não deveria ter sido utilizada a taxa de juros amparada na SELIC. É o relatório. 2 Processo if 13982.000313/2007-88 AcOrd n.° 2403-00.210 S2-C413 Fl 182 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator 0 recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo análise das questões levantadas pela recorrente. PRELIMINAR Decadência: No lançamento, para fins de decadência foi aplicada a regra do artigo 45 da Lei 8.212/91. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"Siio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributhrio". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n 08 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art I03-A, 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sabre matéria constitucional, aprovar .stimula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indilvta, nas esferas ° federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei it ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extingue-se em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4', a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173 é a partir do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. CTN: Art. 150.. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributas cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de 3 antecipar o paganiento sem pévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expres.samente a homologa. § I" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos teimas deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento, § 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologage7o, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando a extinção total on parcial do crédito. § 3" Os atos a que se refete o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo poi ventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4"Se a lei não fixar pm azo à hontologagão, serif ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento," A regra do artigo 150, § 4 0, é para lançamentos por homologação e não se aplica em casos de dolo, fraude ou simulação.. Consta do Relatório Fiscal, folha 45, o texto abaixo, que nos informa que a empresa recolheu a menor as contribuições incidentes sobre a remuneração dos contribuintes 2 I AUT - AUTÔNOMOS Nos meses de competência janeiro/2001 a dezembro/200I, a empresa notificada recolheu a menor aos cofies da Seguridade Social as contribuigiies sociais incidentes sobte a remuneração de segurados contribuintes individuais (autônomos e administradores); Por haver recolhimentos e por não estar caracterizada atitude dolosa, entendo que deve prevalecer a regra do artigo 150, § 4 0, isto 6, a contagem é a partir da ocorrência do fato gdador, O lançamento refere-se ao período 01 a 12/2001. 4 Processo ri° 13982.000313/2007-88 S2-C4T3 Acôrctrio n.' 2403-00.210 Fl 183 A ciência do lançamento ocorreu em 19106/2007. Entendo todo o lançamento decadente. Conclusão: Voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2010 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI — Relator 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA • -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ' QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n': 13982.000313/2007-88 Recurso n°: 154.229 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto .6 Quarta Câmara da Segunda Seção, a tornar ciência do Acórdão n° 2403-00.210 Brasilia, 01 de Dezembro de 2010 Nifit l\C:À4Te — MAR A ivi . AL,ENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Câmara Ciente, corn a observação abaixo: I Apenas com Ciência } Com Recurso Especial ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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