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Numero do processo: 11444.000284/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Considera-se intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido.
Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal.
Numero da decisão: 1402-003.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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C. ALVIM EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. Considerase intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não havendo razões do contribuinte contrárias à constatação de intempestividade, é certa a preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 02 84 /2 00 7- 16 Fl. 1229DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 11444.000284/200716 Acórdão n.º 1402003.278 S1C4T2 Fl. 1.230 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.339 a 373) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls. 303 a 322) que acatou parcialmente as razões da Impugnação apresentada (fls. 237 a 270), cancelando parcela das Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 121 a 222). A Contribuinte era optante do SIMPLES Federal, exigindose no presente créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes aos anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, constatadas por meio da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, aplicando multa qualificada na monta de 150% em relação as infrações em que se entendeu ter origem em postura dolosa e multa de ofício de 75% em relação às demais infrações. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, apurouse que, nos anos de 2003, 2004 e 2005, sua receita bruta foi superior àquela admitida para os optantes pelo SIMPLES. Apurouse, ainda, que, no período de 01/11/2002 a 31/03/2004, o contribuinte exerceu atividade de representante comercial, atividade esta que impede a opção pelo SIMPLES. Em razão destes fatos, foi editado o Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 39/2007, excluindo o contribuinte do SIMPLES, com efeitos para o período de 01/01/2003 a 31/12/2006. No curso da ação fiscal, constatouse que o contribuinte omitiu receitas da prestação de serviços de transporte de cargas e da atividade de representação comercial. Apurouse, ademais, omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Como conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 109119), PIS (fls. 136146), COFINS (fls. 161171) e CSLL (fls. 186198). Conforme descrito nos autos de infração lavrados, o contribuinte afirmou que estava impossibilitado de apresentar sua escrituração comercial e fiscal, pois houve o extravio dos documentos necessários aos lançamentos e à apuração de resultados. Assim, tendo em vista a exclusão do contribuinte do SIMPLES, não restou à autoridade administrativa outra alternativa senão o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida. Constatou a autoridade autuante que houve omissão de receitas da prestação de serviços de transporte de cargas, no período de Fl. 1231DF CARF MF 4 maio de 2003 a dezembro de 2005. Este fato está demonstrado por meio dos conhecimentos de transportes rodoviários, emitidos à J. MACEDO S/A (CNPJ 72.027.014/000100), e também pela relação de duplicadas a pagar fornecida por esta e por alguns comprovantes de pagamentos das operações. O contribuinte alegou que as divergências entre as receitas declaradas e os pagamentos efetuados à J. MACEDO S/A decorrem de fretes originados de operações de subcontratação, em que a maior parte do valor cobrado era repassada ao terceiro que efetivamente efetuou o transporte. Não apresentou, contudo, prova de suas afirmações. Apurou a autoridade autuante que o contribuinte omitiu receitas provenientes de comissões de vendas, no período de janeiro de 2003 a abril de 2004, conforme se atesta mediante notas fiscais de serviço emitidas pela J. MACEDO S/A. O contribuinte alegou que os recursos relativos às comissões de vendas não ingressaram na empresa, pois foram repassados diretamente aos autônomos ou empresas transportadoras que lograram promover e concretizar, por conta da J MACEDO S/A, as operações. Ocorre que a autoridade autuante constatou que os pagamentos foram efetivamente realizados ao contribuinte, conforme atestam TEDs em sua conta bancária. Intimado a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, o contribuinte afirmou que, em razão da situação econômica desfavorável, “muitas obrigações deixaram de ser cumpridas e avolumaramse operações de troca de cheque com pessoas do círculo de amizades do titular da empresa”, afirmando, ademais, que devido ao extravio de documentos e do livro caixa, estava impossibilitado de identificar a origem de cada um dos valores creditados em suas contas bancárias. Finalmente, afirmou que os valores movimentados em suas contas não correspondem ao ingresso de receitas produzidas pelas operações da empresa. Tendo em vista que não foram apresentadas provas dos fatos alegados, os depósitos bancários de origem não comprovada foram reputados receitas omitidas, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, excluindose as demais receitas comprovadas por outros meios. Na apuração da receita bruta conhecida, para fins de lançamento do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, foram computadas as receitas omitidas decorrentes de prestação de serviços de transporte de carga e provenientes da atividade de representação comercial, as receitas omitidas constatadas por meio de depósitos bancários de origem não comprovada, e, finalmente, as receitas escrituradas e declaradas mediante as declarações do SIMPLES. Sobre os créditos tributários apurados com base nas receitas omitidas decorrentes de prestação de serviços de transporte de carga e provenientes da atividade de representação comercial foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista a demonstração do evidente intuito de fraude. Por outro lado, sobre os créditos tributários apurados com base nas receitas declaradas e nas receitas omitidas apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicada multa de oficio de 75%. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 11444.000284/200716 Acórdão n.º 1402003.278 S1C4T2 Fl. 1.231 5 Inconformado com sua exclusão do SIMPLES e com os autos de infração lavrados, o contribuinte apresentou, em 05/ll/2007, a manifestação de inconformidade de fls.6771 contra o Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 39/2007 e a impugnação de fls.224257 contra os autos de infração. Na manifestação de inconformidade apresentada contra sua exclusão do SIMPLES, o contribuinte alega que, para 0 cálculo da receita bruta mensal, não podem ser computados os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais valores não configuram receitas auferidas, mas apenas presunção de receitas. As receitas presumidas não se ajustam ao conceito de receita bruta previsto no art. 2°, § 2°, da Lei n° 9.317/96. Ademais, diante do disposto no art. 18 desta mesma Lei, somente é possível a exclusão do SIMPLES, motivada por receita presumida excedente ao limite, quando esta receita for apurada com base nos livros e documentos a que estiverem sujeitas as empresas optantes. É vedada a utilização de elementos comprobatórios obtidos junto a terceiros, inclusive extratos da movimentação bancária. Além disso, o art. 47 da IN SRF n° 608/2006 permitiu a pem1anência no SIMPLES, no ano de 2006, das empresas que no anocalendário de 2005 tiveram faturamento de até R$ 2.400.000,00. Quanto à prática de atividades vedadas, não há cópia de nota fiscal emitida no ano de 2005, inclusive porque houve rescisão contratual, datada de 16/04/2004, ano em que os valores são irrisórios, situandose em R$ 12.715,90. Portanto, as operações vedadas, além de esporádicas e de pequeno valor, resultaram da atividade de transporte de cargas, sendo a ela equiparadas. Enquanto o ato de exclusão estiver pendente de recurso administrativo, a Secretaria da Receita Federal está impedida de efetuar lançamento de ofício para exigência de eventuais diferenças entre os valores recolhidos no SIMPLES e aqueles pretensamente devidos. Por fim, pede o contribuinte que seja cancelado o ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Na impugnação apresentada contra os autos de infração lavrados, o contribuinte deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Reitera o contribuinte que a Receita Federal está impedida de efetuar lançamento de ofício para exigência de eventuais diferenças entre os valores recolhidos no SIMPLES e aqueles pretensamente devidos, enquanto o ato de exclusão estiver pendente de recurso administrativo. Reafirma, ademais, a alegação de que as receitas omitidas, nos termos do art. 18 da Lei n° 9.317/96, devem ser apuradas com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas as pessoas jurídicas, norma esta que permaneceu vigente até a entrada em vigor da Lei Complementar n° 123/2006. A obtenção de informações de terceiros, bem como a tributação de depósitos bancários, maculam de vício insanável o lançamento. Fl. 1233DF CARF MF 6 Os valores declarados e pagos no SIMPLES devem ser compensados quando promovido o arbitramento de lucros sobre as receitas, auferidas e presumidas, inclusive a declarada, em obediência aos princípios da legalidade, da moralidade administrativa e da proibição de locupletamento ilícito. O arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, tal como previsto no art. 532 do RIR/1999, deve ser realizado de acordo com o conceito de receita bruta esculpido no art. 279 deste mesmo diploma normativo. Neste sentido, apenas as receitas efetivamente auferidas podem ser consideradas, sendo descabida a inclusão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, porquanto neste caso não há prova do ingresso de recursos no patrimônio da empresa. As receitas omitidas apenas podem ser incluídas quando demonstradas por meio de prova direta, assim compreendida aquela que corresponde à materialidade da situação descrita na norma jurídica tributária como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação. Não há nos autos qualquer esclarecimento acerca do regime tributário de reconhecimento de receitas adotado para o lançamento dos créditos tributários. Não restou consignado se as receitas omitidas foram reconhecidas consoante o regime de competência ou de caixa. Tais vícios são insanáveis, acarretando a nulidade dos autos de infração. Ademais, a autoridade autuante rejeitou, sem qualquer prova de falsidade ou de inexatidão, os esclarecimentos prestados no curso da ação fiscal, no sentido de que houve freqüentes repasses de fretes, ou seja, houve subcontratação de outras pessoas jurídicas, ou mesmo motoristas autônomos, para a realização dos transportes assumidos, de modo que na contabilização das faturas emitidas, os valores foram deduzidos das importâncias repassadas aos terceiros. Nos termos dos arts. 186 e 279 do RIR/99, considerase receita bruta aquela obtida mediante o exercício de atividade que constitua o objeto social da pessoa jurídica, a partir dos objetivos expressamente mencionados em seus estatutos. As receitas provenientes de atividades estranhas ao objetivos sociais, no caso da apuração do lucro presumido ou do arbitrado, são acrescidas ao lucro apurado, por meio da aplicação de coeficientes específicos. No caso do SIMPLES, estas receitas devem ser tributadas em separado. Desde a alteração promovida em 08/11/2001, a empresa tem por atividade econômica o “Transporte Rodoviário de Cargas em Geral, Interrnunicipal, Interestadual e Intemacional, Comércio Atacadista de Farinha de Trigo, Comércio Varejista de Farinha de Trigo”. Jamais o objeto social da empresa, desde sua constituição em 18/07/1990, foi a intermediação de negócios, representação comercial ou qualquer outra prestação de serviços que desse causa ao recebimento de comissões. Assim, estas receitas não podem ser qualificadas como operacionais, sujeitas à aplicação do percentual de 38,4% na detenninação do lucro arbitrado. Por não estarem contempladas no objeto social, estas receitas devem ser adicionadas ao lucro arbitrado na apuração do IRPJ e da CSLL, Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 11444.000284/200716 Acórdão n.º 1402003.278 S1C4T2 Fl. 1.232 7 conforme determina o art. 27 da Lei 9.430/96, reproduzido no art. 536 do RIR/99. Assim, é descabida a aplicação do art. 537, parágrafo único, do RIR/99. Diante da necessidade de dar às receitas de comissões o tratamento tributário previsto no art. 27 da Lei 9.430/96, não subsiste a pretensão fiscal de aplicar aos pretensos depósitos bancários de origem não comprovada o coeficiente de 38,4% para a obtenção do lucro arbitrado. Ademais, mesmo se fosse possível convalidar tamanha ilegalidade, a receita dessa natureza no anocalendário de 2004 ficou restrita a R$ 36.875,20, o que seria suficiente para determinar a redução daquele percentual para 19,2%, transmutando, também, o percentual adotado na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, para a exigência concernente aos tais depósitos de origem não comprovada. Os tributos e contribuições lançados para os fatos geradores de janeiro a abril de 2003 estão decaídos, tendo em vista que os autos de infração só foram cientificados ao contribuinte em 26/05/2008, vale dizer, depois de cinco anos da data de ocorrência dos fatos geradores. O alongamento do prazo decadencial em razão da aplicação de multa de 150% não pode prosperar, já que não restou comprovado o evidente intuito de fraude. A simples omissão de receitas e a declaração inexata não caracterizam a intenção de fraudar. Nos termos do princípio da tipicidade, tal como regulado no art. 97, III e IV, do CTN, a instituição e a majoração do imposto devem ser precedidas da definição, em lei, de seus elementos essenciais. Com base no art. 146, III, “a”, da Constituição Federal, concluise que a tributação do valor dos depósitos bancários como omissão de receitas está viciada, já que a tributação destes valores somente seria cabível por meio de lei complementar. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. O simples depósito em conta corrente não é pressuposto suficiente para caracterizar a ocorrência deste fato. É necessário demonstrar que a movimentação bancária deu origem a uma disponibilidade econômica ou jurídica de renda, a um enriquecimento do contribuinte, traduzido em aumento do seu patrimônio, em riqueza nova ou em efetiva disponibilidade financeira, sob pena de desvirtuamento do conceito de renda insculpido no art. 153, III, da Lei Maior e no art. 43 do CTN, violado o disposto no art. 110 deste diploma normativo. A tributação de tais valores viola, ademais, os princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, previstos, respectivamente nos arts. 145, § 1°, e 150, IV, da Constituição Federal. Afastar a presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada é praticamente impossivel, pois a própria legislação, ao regular o SIMPLES, não obriga a vinculação de cada cheque recebido ou emitido com a operação que lhe deu causa. Nos termos do art. 18 da Lei 9.317/96, ainda que fundamentadas em elementos comprobatórios obtidos junto a terceiros, as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições, somente Fl. 1235DF CARF MF 8 podem ser aplicadas se apuradas com base nos livros e documentos a quês estiverem obrigadas as pessoas jurídicas submetidas ao SIMPLES. O dolo específico não se presume, devendo ser comprovado pela autoridade administrativa com base em elementos incontroversos da existência material da infração, conforme reconhece a jurisprudência administrativa. A simples omissão de receitas não basta para caracterizar o evidente intuito de fraude. Por fim, pede o contribuinte que seja reconhecida a nulidade dos autos de infração lavrados. Processada a Defesa, foi proferido pela 1ª Turma da DRJ/RPO o v. Acórdão, ora recorrido, dando provimento parcial às razões apresentadas, apenas para reduzir das exações valores já recolhidos pela Contribuinte período por meio de DARFSIMPLES mantendo os demais elementos do lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES INCONSTITUCIONALIDADE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITAS REGIME DE COMPETÊNCIA RECEITA BRUTA MULTA QUALIFICADA. Nos casos em que há dolo, a contagem do prazo decadencial é regulada pelo art. 173, I, do CTN. Os valores recolhidos por meio do SIMPLES devem ser deduzidos na apuração dos créditos tributários a serem lançados para os mesmos fatos geradores consoante outra sistemática de apuração. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. A presunção de omissão de receitas decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada tem amparo no art. 42 da Lei 9.430/96. O conceito de receita bruta alcança quaisquer receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da previsão no contrato social da atividade exercida. Na apuração do lucro arbitrado é adotado o regime de competência no reconhecimento das receitas. A omissão de receitas de maneira reiterada e em montante relevante basta para caracterizar o evidente intuito de fraude. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 11444.000284/200716 Acórdão n.º 1402003.278 S1C4T2 Fl. 1.233 9 EXCLUSÃO DO SIMPLES DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRÁTICA ESPORÁDICA E COM PEQUENOS VALORES DE ATIVIDADE VEDADA EFEITOS DA EXCLUSÃO DIREITO DE DEFESA Para a apuração do excesso de receitas é admitida a inclusão das receitas omitidas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A prática de atividade vedada, ainda que de modo esporádico e auferido receitas de pequeno vulto, é causa suficiente para a exclusão do SIMPLES. Após a exclusão do simples por meio do competente ato declaratório, é cabível o lançamento das diferenças «de créditos tributários apurados por meio de outra sistemática de apuração, independentemente de eventual recurso apresentado contra o ato declaratório. O direito de defesa é assegurado na via administrativa tanto para a exclusão do SIMPLES, quanto para os autos de infração lavrados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES INCONSTITUCIONALIDADE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITAS REGIME DE COMPETÊNCIA RECEITA BRUTA MULTA QUALIFICADA. Nos casos em que há dolo, a contagem do prazo decadencial é regulada pelo art. 173, I, do CTN. Os valores recolhidos por meio do SIMPLES devem ser deduzidos na apuração dos créditos tributários a serem lançados para os mesmos fatos geradores consoante outra sistemática de apuração. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. A presunção de omissão de receitas decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada tem amparo no art. 42 da Lei 9.430/96. O conceito de receita bruta alcança quaisquer receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da previsão no contrato social da atividade exercida. Na apuração do lucro arbitrado é adotado o regime de competência no reconhecimento das receitas. A omissão de receitas de maneira reiterada e em montante relevante basta para caracterizar o evidente intuito de fraude. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, Fl. 1237DF CARF MF 10 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/O9/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES INCONSTITUCIONALIDADE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITAS REGIME DE COMPETÊNCIA RECEITA BRUTA MULTA QUALIFICADA Nos casos em que há dolo, a contagem do prazo decadencial é regulada pelo art. 173, I, do CTN. Os valores recolhidos por meio do SIMPLES devem ser deduzidos na apuração dos créditos tributários a serem lançados para os mesmos fatos geradores consoante outra sistemática de apuração. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. A presunção de omissão de receitas decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada tem amparo no art. 42 da Lei 9.430/96. O conceito de receita bruta alcança quaisquer receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da previsão no contrato social da atividade exercida. Na apuração do lucro arbitrado é adotado o regime de competência no reconhecimento das receitas. A omissão de receitas de maneira reiterada e em montante relevante basta para caracterizar o evidente intuito de fraude. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/1 1/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DECADÊNCIA VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES INCONSTITUCIONALIDADE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITAS REGIME DE COMPETÊNCIA RECEITA BRUTA MULTA QUALIFICADA. Nos casos em que há dolo, a contagem do prazo decadencial é regulada pelo art. 173, I, do CTN. Os valores recolhidos por meio do SIMPLES devem ser deduzidos na apuração dos créditos tributários a serem lançados para os mesmos fatos geradores consoante outra sistemática de apuração. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. A presunção de omissão de receitas decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada tem amparo no art. 42 da Lei 9.430/96. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 11444.000284/200716 Acórdão n.º 1402003.278 S1C4T2 Fl. 1.234 11 O conceito de receita bruta alcança quaisquer receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, independentemente da previsão no contrato social da atividade exercida. Na apuração do lucro arbitrado é adotado o regime de competência no reconhecimento das receitas. A omissão de receitas de maneira reiterada e em montante relevante basta para caracterizar o evidente intuito de fraude. Lançamento Procedente em Parte Diante de tal revés parcial, foi oposto o Recurso Voluntário, reiterando as alegações remanescentes de Impugnação, então não acatadas, requerendo a reforma do v. Acórdão. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1239DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, constatase que tal apelo é intempestivo. Como se observa às fls. 338, a Contribuinte foi intimado em seu domicílio fiscal, por via postal, dia 26/12/2008. Tendo em vista que 26/12/2008 foi uma sextafeira, o prazo iniciouse 29/12/2008, segundafeira, findando os 30 dias da janela processual para a interposição de recurso em 27/01/2009, uma terçafeira. Por sua vez, o Recurso Voluntário foi apenas protocolado dia 28/01/2009, como comprova carimbo oficial da repartição da RFB de Ourinhos/SP, na primeira folha das suas razões (fls. 339). Assim, constatase que o prazo recursal não foi devidamente observado, operando a preclusão temporal. A mesma conclusão acima demonstrada, também foi alcançada pela Unidade Local (ARFB Ourinhos/SP) e registrada nos autos, como atestase às fls.375: Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 11444.000284/200716 Acórdão n.º 1402003.278 S1C4T2 Fl. 1.235 13 A Autoridade Fiscal inclusive esclarece que o dies a quo, termo inicial da contagem do prazo recursal, foi dia útil, com expediente na repartição do domicílio da Contribuinte o mesmo em que fora, efetivamente, apresentado o recurso em questão. É clara a intempestividade do Recurso Voluntário. Esse é o entendimento deste E. CARF sobre o tema, como aqui bem ilustra o Acórdão nº 2202003.282, de relatoria da I. Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, publicado em 29/04/2016, que inclusive invoca em sua fundamentação a Súmula CARF nº 9: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 1241DF CARF MF 14 Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Não Conhecido As regras de preclusão são pilares da ordem e do bom andamento dos feitos processuais, visando, primeiramente, à higidez e à eficiência na prestação jurisdicional, assim como, ulteriormente, promovem a garantia da boafé e da isonomia entre as partes (dentre muitos outros efeitos desejados com a presença de tal instituto). Frisese também que, no presente caso, não há tópico, nem qualquer comentário ou alegação sobre a sua tempestividade. Desse modo, não resta dúvida sobre a preclusão do direito de recorrer da Contribuinte, inclusive diante da ausência de argumentos em sentido contrário, que poderiam, eventualmente, elidir tal constatação, não merecendo conhecimento o presente Apelo. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, mantendo integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 11444.000284/200716 Acórdão n.º 1402003.278 S1C4T2 Fl. 1.236 15 Fl. 1243DF CARF MF
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Numero do processo: 10872.000364/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2006
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE APURAÇÃO.
Deve ser mantida a autuação do ajuste apurado pelo método PIC, se o contribuinte não informou na DIPJ qual método utilizou; intimado, apresentou apuração pelo método PIC e consta dos autos sua declaração assinada de que os insumos importados do item 50 da Ficha 32 da DIPJ foram apurados por este método, sendo que somente na impugnação veio a apresentar cálculos pelo método PRL 60% e afirmar que foi engano ter informado o método PIC.
MÉTODO MAIS BENÉFICO.
A Lei nº 9.430, de 1996 e a IN nº 243, de 2002, autorizam o contribuinte a adotar o valor mais benéfico de preço de transferência, se a empresa efetuar as apurações por vários métodos; se a empresa havia apurado pelo método PIC sem apurar pelos demais, não há previsão para que o órgão fiscalizador levante dados e efetue também cálculos pelos outros métodos.
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO OU NÃO.
É procedente o lançamento para glosa das despesas quando não comprovadas por documentação hábil e idônea e improcedente, quando comprovada.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2006
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
Numero da decisão: 1201-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário, e, os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Bárbara Santos Guedes, que davam parcial provimento ao recurso apenas para manter a glosa da despesa de aluguel.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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MÉTODO DE APURAÇÃO. Deve ser mantida a autuação do ajuste apurado pelo método PIC, se o contribuinte não informou na DIPJ qual método utilizou; intimado, apresentou apuração pelo método PIC e consta dos autos sua declaração assinada de que os insumos importados do item 50 da Ficha 32 da DIPJ foram apurados por este método, sendo que somente na impugnação veio a apresentar cálculos pelo método PRL 60% e afirmar que foi engano ter informado o método PIC. MÉTODO MAIS BENÉFICO. A Lei nº 9.430, de 1996 e a IN nº 243, de 2002, autorizam o contribuinte a adotar o valor mais benéfico de preço de transferência, se a empresa efetuar as apurações por vários métodos; se a empresa havia apurado pelo método PIC sem apurar pelos demais, não há previsão para que o órgão fiscalizador levante dados e efetue também cálculos pelos outros métodos. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO OU NÃO. É procedente o lançamento para glosa das despesas quando não comprovadas por documentação hábil e idônea e improcedente, quando comprovada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 03 64 /2 01 0- 64 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário, e, os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Bárbara Santos Guedes, que davam parcial provimento ao recurso apenas para manter a glosa da despesa de aluguel. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$283.581,40, devido às infrações; 001 CUSTOS /DESPESAS NÃO COMPROVADOS, fato gerador em 31/12/2006; 002 NÃO ADIÇÃO DE PARCELA DE CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA, fato gerador em 31/12/2006, multa de 75%; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$110.729,30, relativa às mesmas infrações, multa de 75%, págs. 392/430; a descrição dos fatos e da autuação consta do Termo de Verificação de Infração de págs. 165/171. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, págs. 434/444, sintetizada a seguir: (i) todos os bens importados de pessoa vinculada no exterior durante o anocalendário de 2006 foram submetidos às regras de preço de transferência, tendo sido apurados os "preços parâmetros" pelo método do Preço de Revenda Menos Margem de Lucro de Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 4 3 60% ("PRL60"), como comprovado por relatório elaborado pela Deloitte Touche Tohmatsu; (ii) ainda que a declaração do fiscal autuante no sentido de que a RECORRENTE "não seguiu a metodologia (...) da IN SRF n° 243/02" fosse verdadeira, a referida norma impõe uma metodologia de apuração distinta daquela prevista na Lei n° 9.430/96, sendo, portanto, ilegal; (iii) em relação às despesas glosadas: (iii.a) quanto ao aluguel de equipamentos feito pela RECORRENTE (conta n° 5 2.01.07.01.012), foi demonstrado que, durante o período autuado, o equipamento AJAX (objeto da locação) havia sido sublocado à PETRORECONCAVO S/A, o que pressuporia, necessariamente, a locação inicial pela RECORRENTE; (iii.b) quanto à glosa das despesas registradas na conta n° 7.1.01.01.01.011 ("indenizações"), foi demonstrado que o valor de R$ 719.700, 00 já havia sido adicionado ao lucro real, por meio do expurgo de dois lançamentos de ajuste por reclassificação; e (iii.c) quanto aos lançamentos a débito na conta n° 7.1.01.05.01.009 ("ir s/transferência de tecnologia CIDE"), foram apresentados os comprovantes de pagamento parcial das despesas no valor de R$ 13.042,89. 3. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJ1 emitiu o Acórdão nº 1262.853, de 28/01/2014, págs. 514/523, que considerou a impugnação procedente em parte e identificou parcela não impugnada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEFINITIVIDADE. Considerase definitivamente constituído o crédito tributário decorrente de matéria não contestada, cujos pagamentos foram efetuados no prazo para apresentação da impugnação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ERRO NA METODOLOGIA.LANÇAMENTO. CABIMENTO. É procedente o lançamento para determinar o ajuste no lucro real quando são verificados erros na apuração do preço de transferência por parte do contribuinte. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ALTERAÇÃO DO MÉTODO DE APURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não tem cabimento a alteração do método para determinação do preço de transferência após o lançamento, mormente quando a autoridade fiscal determinou o ajuste no lucro real utilizando o método apontado pelo contribuinte durante a ação fiscal. MÉTODO PRL 60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA.COMPETÊNCIA DO JUDICIÁRIO. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. GLOSA DE DESPESA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 5 4 para glosa das despesas quando não comprovadas por documentação hábil e idônea. GLOSA DE DESPESA. PROVISÃO PARA INDENIZAÇÃO TRABALHISTA. INDEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDENTE. É improcedente o lançamento de glosa de despesas quando o contribuinte comprova que as despesas com provisões foram adicionadas ao lucro líquido, observando o disposto no artigo 13 da Lei nº 9.249/1995. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2006 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4. Cientificado em 17/02/2014, pág. 532, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 538/552, em 18/03/2014, tempestivo, resumido a seguir. 5. Descreve o Auto de Infração e os argumentos que apresentou na impugnação e a decisão da DRJ/RJ1, asseverando que demonstrará a improcedência da parcela da decisão que lhe foi desfavorável. 6. Diz que as cobranças referentes à apuração do "preço de transferência" referemse a duas situações distintas, conforme o autuante: "i) para os produtos agregados no item 50 da ficha 32 da DIPJ, a RECORRENTE teria optado pela "apuração do preço de transferência pelo método PIC, o que resultou na diferença a ser adicionada ao lucro liquido de R$ 101.472,52"; e ii) para os itens 1 a 49 da Ficha 32 da DIPJ, a metodologia prevista na IN SRF n° 243/02 para determinação do preço de transferência com base no PRL60 não foi observada, o que resultou na diferença a ser adicionada ao lucro líquido no valor de R$ 593.120,83". a. Em relação ao item i), esclarece que, conforme demonstrado por relatório elaborado pela Deloitte Touche Tohmatsu (DOC. 01), todos os bens objeto do AUTO foram submetidos ao controle de "preço de transferência", apurando os respectivos "preços parâmetros" pelo método do Preço de Revenda Menos Margem de Lucro de 60% (PRL 60); o fato de que a RECORRENTE teria mencionado no decorrer da ação fiscal que o método de "Preços Independentes Comparados PIC" teria sido utilizado em relação ao mencionado item 50 é uma clara hipótese de mero erro formal do contribuinte, absolutamente irrelevante para o presente caso, pois tanto a Lei n° 9.430/96 quanto a IN SRF n° 243/02 são claras ao estabelecer que, "Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente."; "a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos independentemente de prévia comunicação à Receita Federal." e "Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado", por isso, está autorizada a utilizar o método que lhe é mais benéfico; cita autores. b. Em relação ao suposto não atendimento à metodologia prevista na IN SRF n° 243/02, item ii), esclarece que, conforme demonstrado pelo relatório da Deloitte Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 6 5 Touche Tohmatsu, a apuração dos "preços parâmetros" está perfeitamente adequada aos critérios da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e as discrepâncias entre a metodologia imposta pela Lei e a prevista na IN n° 243/2002, em especial, em relação à base de cálculo sobre a qual deverá ser aplicada a margem de lucro de 60%, implica em que deve prevalecer o critério da Lei, sob pena de violar o princípio da legalidade; cita autores e precedentes do CARF. 7. Reclama que a DRJ não examinou a questão da ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, alegando que não cabe à autoridade administrativa a análise de arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade; afirma que apenas espera que seja reconhecida a ilicitude da mesma e que deixe de ser aplicada ao caso concreto; que não aceita que somente ao Judiciário caiba pronunciarse sobre a validade de atos legais e infralegais; excluir do âmbito administrativo a apreciação do questionamento da validade de qualquer norma jurídica é restringir o direito de ampla defesa, do art. 56º, IV da CRF de 1988. 8. Reclama de indevida glosa de despesas: a. conta n° 5.2.01.07.01.012, reafirma que os respectivos valores referemse à despesa de aluguel do equipamento AJAX, contratado com a sua coligada, Exterran Energy Solutions Limited Partnership (nova denominação social de Hanover Compression Limited Partnership), com sede em Houston, Texas; que o referido bem foi importado para ser utilizado na prestação de serviços de compressão de gás à Petrorecôncavo S.A., como demonstram os seguintes trechos do aditivo 01 e do aditivo 05 ao contrato n° 1.88.9.193.577, celebrado entre tal empresa e a RECORRENTE (docs. 02 e 03), que transcreve (págs. 550/551; afirma que as circunstâncias acima são comprovadas, ainda, por despachos decisórios e pareceres emitidos pela própria Receita Federal do Brasil, nos autos do processo n° 12689.000860/200120 (Doe. 04 e 05), que transcreve, págs. 551; b. conta n° 7.1.01.05.01.009 ("ir s/transferência de tecnologia CIDE"), deve ser cancelada a exigência fiscal de R$ 13.042,89 tendo em vista a apresentação dos correspondentes documentos de arrecadação (Doc. 06) pela RECORRENTE. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Delimitação da lide. 9. Extraise do Acórdão DRJ/RJ1, que restam em litígio as infrações a seguir: Infração Impugnada Infração mantida pela DRJ/RJ1, objeto de recurso voluntário Não adição de parcela de custos de bens adquiridos no exterior de pessoa vinculada R$ 694.593,35 R$ 694.593,35 Não comprovação de custos ou despesas Conta 5.2.01.07.01.012 Aluguel de Equipamentos Intracompany Ajax R$ 169.356,79 R$ 169.356,79 Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 7 6 Não comprovação de custos ou despesas Conta 7.1.01.01.01.011 (indenizações) R$ 719.700,00 0,00 Não comprovação de custos ou despesas Conta 7.1.01.05.01.009 IR s/transferência de tecnologia R$ 13.042,89 R$ 13.042,89 BASE DE CÁLCULO CONTESTADA RS 1.596.693,03 R$876.993,03 2 Não adição de parcela de custos de bens adquiridos no exterior de pessoa vinculada Preço de Transferência. 2.1 MÉTODO(S) ADOTADO(S) PELA RECORRENTE. 10. A Recorrente alega que os produtos (i) do item 50 da ficha 32 da DIPJ, não foram calculados pela "apuração do preço de transferência pelo método PIC, mas pelo PRL 60%; e os produtos ii), itens 1 a 49 da Ficha 32 da DIPJ, também com base no PRL 60 %. 11. A Recorrente foi intimada, itens 8 e 9 do Termo de Início, fls. 92/95 (págs. 94/97 do e processo), entre outros, a informar relação dos bens importados de pessoas vinculadas ou de paraísos fiscais, indicar o método utilizado e apresentar memórias de cálculo dos preços parâmetro e ajustes, dos bens elencados na Ficha 32, e o termo de intimação detalha quais informações devem ser fornecidas, se o método for o PLR 60%; solicitou dilação de prazo; reintimada, págs. 116/117; reintimada, págs. 118/119, respondeu à pág. 120 (Fls. 117), que entrega 2 (dois) CDs referentes aos itens 1 a 49 e explicita que apurou com a Margem de 60%, conforme a Lei. 12. Na DIPJ, págs. 4/80, a Recorrente informou: Ficha 29A Operações com exterior, linha 15. Importações de Bens de pessoas Vinculadas R$1.929.370,73; na Ficha 32 Operações com o Exterior Importações (Saídas de Divisas), itens 1 a 49, Método: PRL 60% Produção Preço de Revenda menos Lucro e Valor do Ajuste: 0,00; e não informou, em relação ao item 50, qual o método adotado, apenas especificou: "Valor do Ajuste: 0,00". 13. O Autuante, no Termo de Verificação de Infração, pág. 167, relata: Preliminarmente, cumpre informar que, no anocalendário sob fiscalização, a empresa submeteu ao controle dos preços de transferência um conjunto de 49 (quarenta e nove) itens importados (Cf. !tens 1 a 49 da Ficha 32 da DIPJ, Fls. 2 a 69), os quais foram diferentemente consumidos nos diversos projetos realizados. Para este controle, a empresa preferiu apurar o preço parâmetro segundo o método PRL 60, introduzido no artigo 18 da Lei n° 9.430/96 (com a redação dada pela Lei n° 9.959/00). 14. Às fls. 169/269 (págs. 172/273), consta Termo de Certificação de Demonstrativos, datado de 25/08/2010, data da ciência dos autos de infração conforme transcrito a seguir e demonstrativos apresentados pelo contribuinte, com ajuste zero, referentes aos itens 01 a 49, método PRL 60%: No exercício das funções de Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil, procedemos à CERTIFICAÇÃO dos demonstrativos anexos, de apuração do controle dos preços de transferência, segundo o PRL 60, correspondentes a 49 itens importados, impressos, cada um, em duas folhas, perfazendo um total de 98 folhas, os quais foram apresentados em arquivo magnético gravado em mídia digital, em 22/01/2010, pelo sujeito passivo, como resposta á intimação contida no Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 8 7 Termo de Intimação Fiscal lavrado em 08/01/2010, no curso da ação fiscal acima identificada. 15. Às fls. 270/273 (págs. 274/277), consta demonstrativo do Autuante: "Controle dos Preços de Transferência segundo o método PRL 60", dos itens 1 a 49, apontando Total do Ajuste R$593.120,83. 2.1.1 Apuração Método PIC, Item 50 da Ficha 32 da DIPJ. 16. À págs. 278 (fls. 274), consta o Termo de Certificação de Demonstrativos, também em 25/08/2010, de teor transcrito a seguir, acompanhado de demonstrativo de págs. 279/378 (fls. 275/375: No exercício das funções de Auditor(es)Fiscal(ís) da Receita Federal do Brasil, procedemos à CERTIFICAÇÃO do demonstrativo anexo, de apuração do controle dos preços de transferência, segundo o método PIC, correspondente a diversos itens importados, impresso em 100 folhas, o qual foi apresentado em arquivo magnético gravado em mídia digital, em 21/08/2009, pelo sujeito passivo, como resposta à intimação contida no Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado no curso da ação fiscal acima identificada. 17. Às págs. 279/378 (fls. 275/374), planilhas de apuração, método PIC, relativa aos insumos importados do item 50 da Ficha 32. Contém os seguintes dados: timbre Hanover (nome anterior da autuada); descrição; projeto; código do produto (P/N); fabricante; fornecedor; país; vínculo (pessoa ligada); NCM; Número DI; Data importação; Quantidade de produto; Nota Fiscal de entrada; Data da emissão; CFOP; data de vencimento; unidade; Valor Importação Total em US$; Tx câmbio; Valor Imp R$; cond de venda; alíquota II; alíq IPI; alíq ICMS; II em R$; IPI em R$; ICMS 0,00; Descontos em R$ (Frete+Seguro); Preço Praticado unitário R$; Preço independente de cada produto em US$; Taxa de Câmbio DI; Preço Parâmetro R$; Ajuste ao Lucro real/base de cálc CSLL por unidade; Ajuste total ao lucro real/base de cálculo CSLL; Valor do frete na DI US$; Valor do seguro na DI US$; Valor total da mercadoria US$; Peso líqu DI; Peso líqu da adição NCM kg; Qtd mercadoria %NCM; Peso líqu por produto kg; frete por produto R$; Seguro por produto R$; e Totalização do Ajuste R$101.472,52. 18. Consta do Termo de Verificação de Infração, em relação ao demonstrativo supra descrito que: Ademais, a empresa realizou a importação de uma série de outros itens, os quais foram indistintamente agregados no Item 50 da Ficha 32 da DIPJ (Fls. 70), sem qualquer indicação preliminar do método de apuração do controle dos preços de transferência. Nada obstante, no demonstrativo apresentado em atendimento aos itens 8 e 9 da intimação do Termo de Inicio (excluindo os itens que haviam sido informados nos Itens 1 a 49 da Ficha 32, Cf Fls. 21 a 69). a empresa divulgou a apuração do controle dos preços de transferência destes itens importados segundo o método PIC. Contudo, diferentemente do informado na DIPJ, a apuração resultou em um ajuste totalizado no valor de R$ 101.472,52 (Fls. 374). 19. O item 50 da Ficha 32 da DIPJ, pág. 72 consiste em: a. Importações: Não Especificadas; Total da Operação 1.033.462,36; Ajuste: 0,00. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 9 8 b. Quanto aos mesmos, apontou a DRJ/RJ1 que a planilha de págs. 279/378 (fls. 275/374), de apuração método PIC relativa aos insumos importados do item 50 da Ficha 32, foi Certificada pelo Autuante, pág. 278, com ciência do Representante do Sujeito Passivo, conforme relatado; c. A Recorrente cita um doc. 04, anexado com a impugnação, de apuração dos preços de transferência de todos os insumos pelo método PRL 60, elaborado por consultoria Deloitte Touche Tohmatsu verificase que, apesar de não estar identificado como doc. 04, nem constar qualquer indicação de que tenha sido elaborado pela Deloitte Touche Tohmatsu, deve ser o demonstrativo "Ajustes Totais de Importação" de págs. 459/477, (repetido com o recurso voluntário às págs. 557/575) no qual o valor do ajuste para todos os itens é 0,00 tomandose o três primeiros itens da listagem às págs. 279/378, referente a itens 50, apurados pelo método PIC, constatase que os mesmos itens constam do "doc.04", apresentado pelo contribuinte na impugnação: i. Mangote de bomba, 51/2", cód. WAUK209933A ii. Jg de gaxetas, cód DRESKEHK0625 iii. Gaxetas, cód DRESX1498T29F. 20. As planilhas de apuração fornecidas pelo contribuinte no método PIC, relativa aos insumos importados do item 50 da Ficha 32 de págs. 279/378 (fls. 275/374), com os dados sobre preço de importação e apuração do Preço praticado, Preço Independente que convertido pela taxa de câmbio resultou no Preço Parâmetro e Ajuste, para cada insumo e totalizou: R$101.472,52, para o ano, serviram de base para a autuação. 21. Exemplo, págs. 279/280: i. Mangote de bomba, 51/2", cód. WAUK209933A: Preço Praticado R$80,12; Preço Parâmetro R$73,81; Ajuste por unidade R$6,32 ii. Jg de gaxetas, cód DRESKEHK0625: Preço Praticado R$226,10; Preço Parâmetro R$222,27; Ajuste por unidade R$3,83; iii. Gaxetas, cód DRESX1498T29F: Preço Praticado R$26,96; Preço Parâmetro R$24,12; Ajuste por unidade R$2,84. 22. A litigante não contestou os cálculos, mas alegou que não havia se utilizado do método PIC, mas sim do PRL 60%. 23. No entanto, somente na impugnação apresentou o "doc. 04" de apuração por este método, para os insumos do item 50, da Ficha 32 da DIPJ. 24. Em síntese, o contribuinte não informou na DIPJ qual método utilizou para os insumos importados constantes do item 50, da Ficha 32 da DIPJ; na Certificação pelo Autuante da planilha que o contribuinte entregou, o representante do contribuinte atestou como verdadeira a afirmação, de que os insumos do item 50 da Ficha 32 da DIPJ foram apurados pelo método PIC, como de fato o foram, conforme demonstra a própria planilha; somente na impugnação e recurso, o contribuinte apresentou cálculos pelo método PRL 60% e afirma que foi engano aceitar a Certificação. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 10 9 25. Concluise que descabe aceitar a alegação, uma vez que o contribuinte apresentou demonstrativos no método PIC e certificou que a apuração do item 50 foi pelo PIC, vindo somente na impugnação a apresentar cálculos pelo PRL 60%, sob a alegação de que foi este o método que utilizou para declarar reajuste R$0,00 na DIPJ. 26. Cabe ainda destacar que a apuração do contribuinte pelo método PRL 60% dos itens 01 a 49 da Ficha 32 da DIPJ, foi revisada pelo Autuante, que apurou o reajuste para aqueles itens no montante de R$593.120,83, enquanto a recorrente havia apurado e declarado reajuste R$0,00; ou seja, analogamente para o item 50, da Ficha 32 certamente o cálculo (revisado) apontará necessidade de reajuste se apurado pelo PRL 60%, assim como apontou ajuste o método PIC. 2.1.2 Método PRL 60%. 27. Quanto aos itens das linha 01 a 49 da Ficha 32, não há controvérsia a respeito de que o método foi utilizado foi o PRL 60%; a apuração do contribuinte, no método PRL 60%, está às págs. 274/277 (Fls. 270/273), sendo que não constam dele os insumos importados do item 50 da Ficha 32 da DIPJ (verificado pela amostragem citada). 2.1.3 Método mais benéfico ao contribuinte. 28. A IN SRF nº 243, de 2002, especifica que a empresa submetida à fiscalização deverá fornecer a indicação do método por ela adotado e fornecer a documentação utilizada como suporte para a apuração; no caso, o Autuante informou que o método praticado pela empresa em relação aos insumos constantes do item 50 da Ficha 32 da DIPJ foi o PIC; a fiscalização utilizou os dados fornecidos pelo contribuinte, que apurou ajuste de R$101.472,52, porém não o consignou na DIPJ. 29. A empresa não informou que tivesse efetuado cálculos segundo os outros métodos, em relação aos insumos da linha 50, além do citado; apenas na alegou ter sido um engano e anexou o "doc 4", de apuração pelo método PRL 60%. 30. A Lei nº 9.430, de 1996 e a IN nº 243, de 2002, autorizam o contribuinte a adotar o valor mais benéfico de preço de transferência, se a empresa efetuar as apurações por vários métodos; se a empresa havia optado pelo método PIC sem apurar pelos demais, não há previsão para que o órgão fiscalizador levante dados e efetue também cálculos pelos outros métodos, que o contribuinte não havia adotado, nem calculado para fins de comparação. 2.2 APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO E AJUSTES. MÉTODO PRL 60%. ITENS 01 A 49 DA FICHA 32 DA DIPJ. 31. Antes de adentrar a questão da legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, cabe analisar as diferenças entre a apuração fiscal e a explicitada pela Autuada. 2.2.1 Apuração Fiscal. 32. A apuração fiscal está às págs. 274/277 (Fls. 270/273), obedeceu às determinações da IN SRF nº 243, de 2002: Fiscalização, págs. 274/276 itens 01 a 49 da Ficha 32 da DIPJ Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 11 10 It em im po rt ad o D es cr iç ão D es cr p ro du to Q td M P P re ço L íq u V en da P ro du to a V al or P re se nt e P re ço M éd io d e A q u is iç ão d o in su m o im po rt ad o C us to to ta l P er ce nt ua l ( P re ço m éd io d e a qu is /C us to to ta l) P ar ti ci pa çã o no P re ço L íq ui do d e V en da ( P er ce nt x P re ço L íq u V en da ) M ar ge m d e L uc ro ( 60 % x P ar ti ci pa çã o no P r L íq ui V en da ) p er ce n tu al n o P re ço d e P re ço P ar âm et ro : V en d a L íq u id o M ar ge m d e L u cr o) A ju st e( ( P re ço M éd io d e A qu is iç ão ( ) P re ço P ar âm et ro )) *Q td M P 1 WAUKG962458L7044 Lagoa Parda 1 1.233.081,43 80.566,60 2.661.183,59 0,030275 37.331,20 22.398,72 14.932,48 65.634,12 5 WAUKG9381017 Riacho da Forquilha 24 1.416.131,58 1.469,68 1.898.023,12 0,000774 1.096,54 657,92 438,62 24.745,53 25 COORA648CRT PeroaGolfinho 4 1.499.447,95 3.562,20 1.833.433,17 0,001943 2.913,30 1.747,98 1.165,32 9.587,53 As pequenas diferenças em relação ao demonstrativo do Autuante se devem ao fato que na tabela supra os resultados dos cálculos não foram arredondados. 2.2.2 Apuração do contribuinte. 33. Os demonstrativos do contribuinte estão às págs. 172/273 ( Fls. 169/269); o contribuinte não apurou ajuste, pois todos Preços Parâmetro que calculou resultaram menores que o Preço Praticado: Contribuinte, págs.173 /273 It em im po rt ad o, p ág D es cr iç ão Pr od A ca b D es cr p ro du to P re ço M é A q ui s R el aç ão p ro du çã o PM A _T ot al _M PS Q td V al or B ru to d as V en da s D ed uç õe s V lr P re se nt e (V al or B r V en da s de du çõ es ) C us to T ot al 1, pág. 173 WAUK G962458L7044 8 Lagoa Parda 80.566,60 1,00 194.914,63 1,00 1.405.221,01 172.139,58 1.233.081,43 2.661.183,59 5, pág. 182 WAUKG9381017 11 Riacho da Forquilha 1.469,66 24,00 400.861,35 1,00 1.651.465,40 235.333,82 1.416.131,58 1.898.023,12 25, pág. 224 COORA648CRT 2 PeroaGolfinho 3.582,20 4,00 471.980,85 1,00 1.728.470,26 229.022,31 1.499.447,95 1.833.433,13 Contribuinte, págs.173 /273 (continuação) It em im po rt ad o, p ág D es cr iç ão Q td M P PM A _T ot al M P (P M A x Q td M P) C us to _T ot al M Ps _P A (P M A _T ot al M P/ C us to _T ot al _M Ps _P A ) V al or A gr eg ad o (C us to T ot al ( ) C us to _T ot al _M P s_ PA ) B as e de C ál cu lo M ar ge m ( 60 % d a B as e de C ál c) Pr eç oP ar âm et ro T ot al ( = V al or P re se nt e) ) M P ( Pr eç o P ar âm et ro T ot al x P ar tic ip aç ão )) P re ço P ar âm et ro un it ár io (P re ço _P ar âm et ro M P /Q td M P ) 1, pág. 173 WAUK G962458L7044 1,00 80.566,60 194.914,63 0,413343 2.466.268,96 0,00 0,00 1.233.081,43 509.685,59 509.685,59 5, pág. 182 WAUKG9381017 24,00 35.271,84 400.861,35 0,08799 1.497.161,77 0,00 0,00 1.416.131,58 124.605,59 5.191,90 25, pág. 224 COORA648CRT 4,00 14.328,80 471.980,85 0,030359 1.361.452,28 137.995,64 82.797,38 1.416.650,57 43.007,89 10.751,97 O Autuante explicou a apuração do contribuinte, págs. 167/169. 2.3 IN SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. 34. Acusa a IN SRF nº 243, de 2002, de violação do princípio da legalidade; esclarece que, conforme demonstrado pelo relatório da Deloitte Touche Tohmatsu, a apuração dos "preços parâmetros" está perfeitamente adequada aos critérios da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 9.959, de 2000 e as discrepâncias entre a metodologia imposta pela Lei e a prevista na IN n° 243, de 2002, em especial, em relação à base de cálculo sobre a qual deverá ser aplicada a margem de lucro de 60%, implica em que deve prevalecer o critério da Lei, sob pena de violar o princípio da legalidade; cita autores e precedentes do CARF. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 12 11 35. É de todo pertinente que se adote o racional explicitado no irretocável voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101.002.835 da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de 12/05/2017, que se transcreve a seguir. 2.3.1 Acórdão nº 9101.002.835 da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de 12/05/2017. Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator Designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para divergir no mérito. Sobre a legalidade de IN SRF n° 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparai' as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase. assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm's length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries (United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016.) No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país. mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 13 12 Independentes Comparados). PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em tomo dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato. em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100. inciso I do CTN (Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...)), extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, peço vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri (SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759) 3.11 Em certos circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei n° 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 14 13 aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei n° 9.430/9617. Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei n° 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei n° 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro principio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do principio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no principio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não falta., (grifei) 17 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF n° 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF n° 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo ait. 18 da Lei n° 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). (GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 15 14 avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195.) No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em eixo gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF n° 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parámetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir' a realidade da situação em análise. Por outro lado. admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF n° 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse. indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF n° 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que. por consequência, irá compor o custo total (Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.). Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11. do art 12, da IN SRF n° 243, de 2002: Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 16 15 § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no Pais e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro: PL: preço líquido de venda. PPart: percentual de participação dos bens. serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido. D: descontos incondicionais concedidos. I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez. o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = ______ CTBP ou, ainda, por: CII PPart = __________________ CII + valor agregado Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 17 16 onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que. muna situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CIIm resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se data de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II alínea "d", item 2 da Lei n° 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CII CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12. da IN SRF n° 243, de 2002. é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL). a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 18 17 Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF n° 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF n° 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art 18 da Lei n° 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tomado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei. o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei n° 9.430, de 1996. ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados "Preços de Transferência", de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico, (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referencia clara ao principio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 19 18 A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de Janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF n° 243, de 2002, tendo o Acórdão n° 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF n° 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no Pais, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial como. por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3a Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF n° 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo n° 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI N° 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.° 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n. ° 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. IS da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, em 18/2/2011. A Terceira Tunna rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN n° 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo n° 2003.61.00.006125 8/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS N°S. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMA TIVAS/SRF N°S 32/2001 E 243/2002 PREÇO Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 20 19 PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÉNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF n° 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF n ° 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF n° 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF n° 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF n° 243/2002, sem romper os contornos da regra matriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto á margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF n° 32/2001 considerava o preço liquido de venda do bem produzido, a IN/SRF n° 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. A parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 21 20 consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF n° 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF n° 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário n° 153.600 processo n° 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5a Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clóvis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação eivei n° 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF n° 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas enfie a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3aRegião, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF n° 243/2002. cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. 36. Adicionalmente, citese mais jurisprudência da CSRF, assim como judicial de que não há ilegalidade na IN: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 19/01/2016 Nº Acórdão 9101002.175 Decisão (...) por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Luís Flávio Neto que apresentará declaração de Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 22 21 voto. Declarouse impedido de participar do julgamento, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum. Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 07/11/2017 Nº Acórdão 9101003.206 Decisão , (...); quanto (ii) à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento e quanto (iii) aos seguros e fretes, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. menta(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos integralmente como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste último estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação.PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 23 22 PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei.O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. 37. E acórdãos judiciais: "APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO – PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro – PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AMS 0017381 30.2003.4.03.6100, Rel. JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, julgado em 10/02/2011, eDJF3 Judicial 1 DATA:18/02/2011 PÁGINA: 596) " "TRIBUTÁRIO – TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS – MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 – APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL – EXERCÍCIO DE 2002 – LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 – PREÇO PARÂMETRO – MARGEM DE LUCRO – VALOR AGREGADO – LEGALIDADE – INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS – DEPÓSITOS JUDICIAIS. (...) 10. Para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei 9.430/1996 alterada pela Lei 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 24 23 explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação ao princípio da legalidade. 11. Precedentes. (TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, AMS 000612590.2003.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL MAIRAN MAIA, julgado em 25/08/2011, eDJF3 Judicial 1 DATA:01/09/2011 PÁGINA: 2182)" 3 Despesas glosadas. 3.1 CONTA N° 5.2.01.07.01.012 ALUGUEL DE EQUIPAMENTO INTERCOMPANY AJAX, R$169.356,79 38. Reafirma que os respectivos valores referemse à despesa de aluguel do equipamento AJAX, contratado com a sua coligada, Exterran Energy Solutions Limited Partnership (nova denominação social de Hanover Compression Limited Partnership), com sede em Houston, Texas; que o referido bem foi importado para ser utilizado na prestação de serviços de compressão de gás à Petrorecôncavo S.A., como demonstram os seguintes trechos do aditivo 01 e do aditivo 05 ao contrato n° 1.88.9.193.577, celebrado entre tal empresa e a RECORRENTE (docs. 02 e 03), que transcreve, págs. 550/551; afirma que as circunstâncias acima são comprovadas, ainda, por despachos decisórios e pareceres emitidos pela própria Receita Federal do Brasil, nos autos do processo n° 12689.000860/200120 (Doc. 04 e 05), que transcreve, págs. 551. 39. A recorrente foi intimada, págs. 152/153: 2. Relativamente à conta 5.2.01.07.01.012 (aluguel de equipamentos intracompany ajax), foram apresentadas cópias de três contratos de locação de equipamentos referentes aos projetos Suruaca, Canoas e Ajax. Entretanto, nestes contratos há apenas menção aos valores dos aluguéis mensais devidos pela empresa fiscalizada em dólares americanos. Não foram apresentados quaisquer demonstrativos dos equivalentes mensais devidos em moeda nacional. Além disso, os contratos dos projetos Suruaca e Canoas foram celebrados com a empresa HANOVER COMPRESSION LIMITED PARTNERSHIP, sediada nos Estados Unidos, representada pela pessoa física do Sr. Paulo Lopes da Cunha baseado no Rio de JaneiroRJ". Não há nenhuma comprovação desta representação legal. Ademais, o contrato do projeto Ajax foi celebrado em Io de agosto de 2001, com validade de um ano e previsão de renovação automática pelo prazo adicionai de apenas mais um ano. Portanto, não vigia no anocalendário sob fiscalização. Os lançamentos a débito nesta conta, os quais foram transferidos para o resultado do exercício em 31/12/2006, totalizaram o valor de R$ 1.747.013,08. Diante disso, solicitase a apresentação de demonstrativos dos valores mensais devidos em moeda nacional, com as respectivas taxas de câmbio utilizadas, correlacionados com os valores lançados na mencionada conta contábil. Solicitase. também, apresentar a comprovação da representação legal da empresa contratante sediada nos Estados Unidos, bem como o contrato do projeto Ajax vigente no anocalendário sob fiscalização. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 25 24 40. A comprovação do representante legal foi efetuada. 41. A interessada apresenta Aditivo 1, págs. 576/603 ao contrato firmado com Petrorecôncavo, em 01/08/2000, de prestação de serviços de compressão de gás natural, onde consta que a cliente Petrorecôncavo quer manter a sublocação do motocompressor Ajax 28902, e que a Recorrente é legítima locatária do equipamento citado; o Aditivo 01 foi firmado em 11/05/2004, para o prazo de 3 anos, a partir de 04/01/2004, portanto, vigia em 2006, ano da autuação fiscal; e ainda o Aditivo 05, págs. 604/607, de mesmo teor, firmado em 25/06/2010; e pareceres favoráveis da Seção de Despacho Aduaneiro (SADA), da Alfândega da RFB do Porto de Salvador, relativos à prorrogação da admissão temporária do compressor Ajax 8414.80.39, desembaraçado em 05/09/2001, DI nº 01/07461972, fls. 608/612. 42. Às págs. 136/138, consta tradução juramentada de Contrato de Locação de Equipamento de Compressão de Gás, entre a coligada Hanover Compression Limited Partnership, locadora, e a autuada (então denominada Hanover Brasil Ltda), locatária, firmado em 01/08/2001, pelo prazo de 1 ano, renovado automaticamente por mais 1 ano; aluguel mensal US$6.440, pagável no final do contrato na conta: Hanover Compression Limited Partnership Wells Fargo Bank, N.A. São Francisco, CA ABA 121000248 Conta: 4944269596. 43. Contudo, apesar de intimada a apresentar demonstrativos dos valores mensais pagos, em moeda nacional, com as respectivas taxas de câmbio utilizadas, correlacionados com os valores lançados na mencionada conta contábil; tais documentos não constam do processo. 44. Cabe manter a glosa. 3.2 CONTA N° 7.1.01.05.01.009 IR S/TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA, PARCELA CONTESTADA R$13.042,89 45. Afirma que deve ser cancelada a exigência fiscal de R$ 3.042,89 tendo em vista a apresentação dos correspondentes documentos de arrecadação (Doc. 06) pela Recorrente. 46. À pág. 126, conta a resposta da interessada, à intimação: 7.1.01.05.01.009 IR s/ transferência de tecnologia — CIDE não localizei o contrato base e suas respectivas memórias de cálculo. 47. A Recorrente anexou Comprovantes de Arrecadação de 8741 CIDE REMESSAS AO EXTERIOR L 10332/01, no total glosado; portanto, esta glosa deve ser cancelada: PA venctº data arrecadação Valor multa juros Total 01/07/2006 13/07/2006 13/07/2006 773,77 773,77 25/07/2006 27/07/2006 27/07/2006 771,25 771,25 30/09/2006 13/10/2006 16/10/2006 779,05 2,57 781,62 30/09/2006 13/10/2006 16/10/2006 740,44 2,44 742,88 31/08/2006 15/09/2006 16/10/2006 743,63 71,16 7,43 822,22 31/08/2006 15/09/2006 16/10/2006 834,72 79,88 8,34 922,94 31/07/2006 15/08/2006 31/10/2006 771,25 154,25 15,88 941,38 31/07/2006 15/08/2006 31/10/2006 1.605,54 321,10 33,07 1.959,71 31/10/2006 14/11/2006 31/10/2006 770,48 770,48 31/10/2006 14/11/2006 14/11/2006 751,77 751,77 Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 26 25 31/10/2006 14/11/2006 14/11/2006 744,48 744,48 30/11/2006 14/12/2006 14/12/2006 773,96 773,96 30/11/2006 14/12/2006 14/12/2006 760,20 760,20 31/12/2006 15/01/2007 15/01/2007 761,85 761,85 31/12/2006 15/01/2007 15/01/2007 764,88 764,88 Total 12.347,27 13.043,39 4 Valores a exigir. AI BC Cancelado DRJ Cancelado CARF BC retificada Prejuízo do período compens Comp Preju 30% Valor tributável 4.696.953,03 719.700,00 13.043,39 3.964.209,64 2.939.344,70 307.459,48 717.405,46 IRPJ Valor tributável IRPJ 15% AIR 10% IRPJ devido 717.405,46 107.610,82 47.740,55 155.351,36 CSLL Valor tributável CSLL 9% 717.405,46 64.566,49 48. Considerando que parte do lançamento já foi recolhido, deve ser determinado o crédito tributário considerado procedente, a exigir: IRPJ CSLL Crédito trib ajustado 155.351,36 64.566,49 Crédito trib pago (não impugn) 16.975,35 10.185,21 Crédito trib a cobrar 138.376,01 54.381,28 5 Conclusão. Voto por DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, reduzindo as exigências impugnadas a exigir para R$138.376,01 de IRPJ e R$54.381,28 de CSLL. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10872.000364/201064 Acórdão n.º 1201002.268 S1C2T1 Fl. 27 26 Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35377.000643/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita informação verdadeira.
MULTA APLICADA. LEGALIDADE.
Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação tem respaldo legal.
Numero da decisão: 2301-005.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Maurício Vital; Wesley Rocha; Antônio Sávio Nastureles; Marcelo Freitas de Souza Costa; Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita informação verdadeira. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação tem respaldo legal.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita informação verdadeira. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação tem respaldo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Maurício Vital; Wesley Rocha; Antônio Sávio Nastureles; Marcelo Freitas de Souza Costa; Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 37 7. 00 06 43 /2 00 7- 44 Fl. 139DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.120 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO em 07/10/2009, Acórdão n. 1426.270, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte, cuja ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita informação verdadeira. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação tem respaldo legal. CORREÇÃO DA FALTA. CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE. A correção da fata até o prazo para impugnação se constitui em circunstancia atenuante. REINCIDÊNCIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO À ATENUAÇÃO. O registro de agravante – reincidência – impede a revelação da multa, não sendo impeditivo de sua atenuação. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM ATENUAÇÃO DA MULTA. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte A Autoridade Fiscal lançou por intermédio do DEBCAD de n. 37.084.5714, nos termos das fls. 2, em 25/04/2007, Multa à Contribuinte, por conta de ter cometido a Infração legal de deixar de exibir qualquer documento relacionado com as contribuições sociais previstas na Lei 8.212/1991, multa esta lançada no valor de R$71.707,26, havendo a gradação na multa em 3x pela reincidência específica e em 2x pela reincidência genérica. A Contribuinte foi intimada duas vezes para apresentação de documentos, sendo a primeira, nas fls. 11, termo de intimação de 29/03/2007; e a segunda na data de 17/04/2007, nos termos da intimação de fls. 12. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 35377.000643/200744 Acórdão n.º 2301005.346 S2C3T1 Fl. 140 3 Conforme consta na fl. 18, a Contribuinte deixou de apresentar à auditoria cópias das notas fiscais de entrada de mercadorias relativo as compras de produtos rurais efetuadas de produtores rurais de pessoas físicas e jurídicas relativos ao período de 02/2003 – 02/2007, tendo situação agravante (reincidência específica e genérica). Por esta razão, nos termos do art. 92 e 102 da Lei 8.212/91 c/c art. 283, II “j”, Art. 373 Art. 292, IV do RPS (decreto 3048/99), a Autoridade Fiscal autuou a Multa e lançou o crédito no valor de R$71.707,26 (setenta e um mil setecentos e sete reais e vinte e seis centavos). A Contribuinte, apresenta nas fls. 28 e ss., Impugnação alegando que, em síntese, por ter à seu favor, decisão de suspensão da exigibilidade do recolhimento do FUNRURAL, entende que está desobrigada de apresentar as notas fiscais de entrada de mercadorias; assim como alega que designou dia e hora que disponibilizaria os documentos à autoridade fiscal, sendo que o mesmo não compareceu ao compromisso; que jamais negou o acesso da Autoridade Fiscal aos documentos da empresa; que o valor da multa não está previsto em lei, sendo indevida a sua imposição. Entretanto, não junta com sua defesa qualquer comprovação do alegado, ou, sequer, a comprovação dos documentos exigidos pela Autoridade Fiscal quando da fiscalização. Nas fls. 73 e ss., a 6ª Turma da DRJ/RPO emitiu a Resolução n. 925 em 11/09/2007, na qual determinou a devolução dos autos à Autoridade Fiscal que lançou a multa para se manifestar sobre as alegações da Contribuinte, assim como verificar o possível equívoco na conta da agravante da multa, visto que seriam 9 vezes o valor da multa e não 6. Nas fls. 78 e ss., juntase a Informação Fiscal pela DRF na qual afirma que a documentação esteve à disposição da autoridade fiscal atuante da época, configurandose em circunstância atenuante, razão pela qual se faz necessária a redução em 50% da multa, exigindo a quantia de R$53.780,44 como multa. Nas Fls. 76 e ss., a Contribuinte junta manifestação alegando insubsistência do lançamento, visto que houve reconhecimento que a documentação foi disponibilizada ao agente fiscal. Nas fls. 99 e ss., sobreveio o Acórdão 1426.270 da DRJ, na qual justifica o lançamento diante do fato de não haver interesse, por parte da autoridade fiscal, em lavrar auto de infração pela não apresentação de documentos quando esses documentos foram supostamente disponibilizados pela empresa, sendo que, há a comprovação da exigência para apresentação das documentações, assim como, a Contribuinte era reincidente por duas vezes na mesma infração. Nas fls. 120 a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, na qual pretende o cancelamento do lançamento, visto que a Contribuinte atendeu rigorosamente aos prazos e à prestação das informações solicitadas, sendo indevida a aplicação de multa. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Verificase nas fls. 119 que a Contribuinte foi intimada em 09/12/2009, tendo apresentado o Recurso Voluntário em 21/12/2009, portanto tempestivo. Assim sendo, conheço do recurso e passo à análise do seu mérito. Mérito A multa deve ser aplicada. Isto, pois, conforme observa na legislação: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandose lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: II a partir de R$ 6.361,73 j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Tendo nos autos a comprovação de que a Autoridade Fiscal exigiu a apresentação de documentação à Contribuinte, sendo que, conforme observado nos autos, tratavase de ação reincidente da mesma, visto que, em outras duas oportunidades, adotou a mesma atitude (outros dois Autos de Infração mencionados na decisão da DRJ), não há que se falar em suspenção do lançamento da multa. Observase que há comprovação nos autos de que a Autoridade Fiscal requereu a apresentação da documentação por duas oportunidades: fls. 11, termo de intimação de 29/03/2007; e fls. 12. na data de 17/04/2007. Não há nos autos qualquer comprovação, pela Contribuinte de sua alegação: de que teria disponibilizado a documentação à autoridade e esta não compareceu na data agendada. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 35377.000643/200744 Acórdão n.º 2301005.346 S2C3T1 Fl. 141 5 A única comprovação de que há nos autos, feita pelo Contador da Contribuinte, é de que os documentos ficaram à disposição da Autoridade Fiscal, não sabendo precisar a data em que tais documentos foram disponibilizados, nos termos da fl. 78. Ademais, a Contribuinte poderia ter anexado, à sua impugnação, toda a documentação exigida pela Autoridade Fiscal nas duas intimações que justificaram o lançamento da multa, no intuito de comprovar inexistência da infração, entretanto não o fez. Por fim, observase na DRJ e no procedimento fiscal, que na época do período de apuração, a Contribuinte havia agido da mesma forma (não apresentar a documentação exigida pela Autoridade Fiscal) em outras duas oportunidades, embora devidamente intimada, sendo inclusive lançada a reincidência na apuração da multa, o que contribui, ainda mais, para a justificação da Multa lançada, ou seja, contribui para a comprovação da ocorrência da infração. Com relação ao valor da multa lançada, observase que não houve impugnação específica da Contribuinte sobre este tema em seu recurso voluntario, tornandose hígido o valor lançado na decisão da DRJ. Este Conselho já decidiu desta forma em casos similares: Assunto: Contribuições Sociais PrevidenciáriasPeríodo de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.Constituise infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.DECADÊNCIA. PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.Nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA.A elevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida. CARF. Acórdão Nº 2401005.359. SEGUNDASEÇÃODEJULGAMENTO. 4ªCâmara/1ªTurmaOrdinária. Julgamento: 8demarçode2018 Por esta razão, levandose em consideração as provas nos autos, consubstanciado na legislação, nos termos do art. 92 e 102 da Lei 8.212/91 c/c art. 283, II “j”, Art. 373 Art. 292, IV do RPS (decreto 3048/99), voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte, tornandose hígido o valor da multa lançada, ou seja, R$53.780,44 (cinqüenta e três mil setecentos e oitenta reais e quarenta e quatro centavos). CONCLUSÃO Fl. 143DF CARF MF 6 Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte, tornandose hígido o valor da multa lançada (R$53.780,44). É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relator Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904794/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904794/201289 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 1301003.188 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PER. REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 47 94 /2 01 2- 89 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10280.904794/201289 Acórdão n.º 1301003.188 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.904794/201289 Acórdão n.º 1301003.188 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.553 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.904794/201289 Acórdão n.º 1301003.188 S1C3T1 Fl. 5 4 Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10280.904794/201289 Acórdão n.º 1301003.188 S1C3T1 Fl. 6 5 Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10280.904794/201289 Acórdão n.º 1301003.188 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10280.904794/201289 Acórdão n.º 1301003.188 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720254/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
LANÇAMENTO PARA EVITAR A DECADÊNCIA.
Quando existe questionamento judicial com suspensão de exigibilidade do crédito tributário, o Fisco realiza o lançamento para evitar a decadência partindo do pressuposto de que o questionamento postulado pelo contribuinte perante o Poder Judiciário será julgado improcedente. Assim, o lançamento para evitar a decadência fixa a norma individual e concreta, levando em conta todos os aspectos de fato e de direito necessários à perfeita formalização da obrigação tributária.
CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não há falar-se em concomitância quando o contribuinte questiona aspectos da relação tributária formalizada por meio do lançamento para evitar a decadência que não se referem às questões levadas a julgamento perante o Poder Judiciário, mas que influem diretamente na quantificação da obrigação tributária que, ao final do processo judicial, poderá consagrar-se como exigível.
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.
APURAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL NÃO COMPROVADA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
O arbitramento do lucro é uma medida extrema, só aplicável quando não há possibilidade de apurar o imposto o por outro regime de tributação. Não procede o arbitramento do lucro quando as razões indicadas pela fiscalização não são determinantes para fundamentar e comprovar a imprestabilidade da escrituração contábil.
LANÇAMENTO PELO LUCRO ARBITRADO INSUBSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Sendo inaplicável a forma de apuração do lucro utilizada pela autoridade autuante, não é possível manter o lançamento por outro regime.
Numero da decisão: 1401-002.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicada a apreciação do recurso de ofício.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Quando existe questionamento judicial com suspensão de exigibilidade do crédito tributário, o Fisco realiza o lançamento para evitar a decadência partindo do pressuposto de que o questionamento postulado pelo contribuinte perante o Poder Judiciário será julgado improcedente. Assim, o lançamento para evitar a decadência fixa a norma individual e concreta, levando em conta todos os aspectos de fato e de direito necessários à perfeita formalização da obrigação tributária. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há falar-se em concomitância quando o contribuinte questiona aspectos da relação tributária formalizada por meio do lançamento para evitar a decadência que não se referem às questões levadas a julgamento perante o Poder Judiciário, mas que influem diretamente na quantificação da obrigação tributária que, ao final do processo judicial, poderá consagrar-se como exigível. VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. APURAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL NÃO COMPROVADA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. O arbitramento do lucro é uma medida extrema, só aplicável quando não há possibilidade de apurar o imposto o por outro regime de tributação. Não Fl. 42641DF CARF MF 2 procede o arbitramento do lucro quando as razões indicadas pela fiscalização não são determinantes para fundamentar e comprovar a imprestabilidade da escrituração contábil. LANÇAMENTO PELO LUCRO ARBITRADO INSUBSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Sendo inaplicável a forma de apuração do lucro utilizada pela autoridade autuante, não é possível manter o lançamento por outro regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicada a apreciação do recurso de ofício (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de autos de infração para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes aos anos-calendário de 2010 a 2013. O relatório da decisão recorrida assim descreve as razões da autuação e os argumentos da impugnação: RAZÕES DE AUTUAÇÃO 1. Antecedentes da ação fiscal A autuada é uma associação civil sem fins lucrativos, não isenta do imposto de renda. Tem com associados empresas geradoras, distribuidoras e grandes consumidoras de energia elétrica. Diz o autuante: Sua principal função é viabilizar e facilitar o comércio de energia elétrica entre seus associados, conforme regulamentação própria do setor, desempenhando, Fl. 42642DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.642 3 para tanto, atividades de leilão, administração de software de negociação, registro e controle das operações, treinamento, entre outros. A principal fonte de custeio seria a cobrança mensal dos associados de valores tidos pelo sujeito passivo como contribuição associativa, num montante que fica em torno de R$ 100 milhões anuais. Esses valores são considerados na apuração do IRPJ e CSLL, por meio do regime do lucro real anual, com recolhimento mensal aferido por balancete contábil. Também foram considerados para apuração do PIS e Cofins, no regime não cumulativo. Mas não são considerados para fins de IRRF e ISS, pois não seria, no entendimento do contribuinte, uma prestação de serviços de corretagem. Com respeito a isso, diz o autuante: No entanto, nada há que se apurar de ofício quanto a este fato, pois os valores foram considerados na apuração do sujeito passivo, e, quanto aos demais aspectos não são objeto desta fiscalização. A contribuinte desempenha, também, uma atividade secundária, que seria a comercialização da energia elétrica de reserva e seus encargos. Define o agente do fisco: Esta energia poderia ser definida como a energia efetivamente disponibilizada e utilizada ao longo de determinado período, em geral mensal, que já não esteja coberta por contrato bilateral prévio (contraponto da energia elétrica "normal", aquela coberta por contrato bilateral, registrado no sujeito passivo, firmado previamente entre a geradora e a distribuidora/consumidora). Já os encargos, poderiam ser definidos como acréscimos baseados em condições e circunstâncias previstas em regulamentos próprios, derivados da energia elétrica "de reserva". Aduz que os valores referentes à energia elétrica de reserva e encargos – ao contrário dos valores referentes à energia “normal” – foram arrecadados pelo sujeito passivo junto às empresas distribuidoras/consumidoras e pagos, também pelo sujeito passivo, para as empresas geradoras. Haveria uma diferença de entendimento entre o contribuinte e fisco. A contribuinte entende que os valores referentes à energia de reserva e encargos não são receitas próprias e a contabilização é feita em contas patrimoniais. O agente do fisco, por sua vez, entende que tais valores compõem as receitas e despesas do sujeito passivo e devem ser consideradas na apuração dos tributos. As razões são as que seguem: – os valores recebidos e pagos são diferentes; não haveria que se falar em repasse de algo que não foi repassado; – houve o trânsito dos recursos por contas bancárias de titularidade do sujeito passivo; – os valores recebidos foram mantidos na posse dos sujeito passivo, em alguns casos, por longos períodos, situação que demonstra não haver obrigação de repasse imediato; – os valores recebidos foram aplicados no mercado financeiro até serem pagos (ou repassados), juntamente com aqueles destinados à constituição do fundo de reserva, gerando receita financeira da ordem de R$ 20 milhões anuais, considerada na apuração dos tributos. O IRRF relativo a tais rendimentos foi utilizado para pagamento de IRPJ e compensação de PIS e COFINS. Fl. 42643DF CARF MF 4 Parte desse rendimento financeiro foi posteriormente paga aos associados e computada como despesa na apuração do lucro real. Em 05/05/2011 a contribuinte efetuou consulta à RFB indagando sobre a consideração, ou não, dos valores recebidos referentes à energia elétrica de reserva na apuração do lucro real. A solução da consulta ocorreu em 22/07/2013 (SRRF08/DISIT nº 264), concluindo que os valores deveriam ser submetidos à tributação. Insatisfeita com a resposta, a postulante ingressou com recurso, que não foi conhecido. Após, impetrou Mandado de Segurança para ver seu recurso apreciado e teve o pedido de liminar indeferido. Em 24/04/2014 foi instaurado procedimento fiscal de diligência, para coleta de informações sobre os tributos e as circunstâncias objetos da consulta administrativa e do mandado de segurança. A diligência fiscal foi encerrada em 15/10/2014, concluindo que a receita decorrente da venda de energia elétrica não estava sendo considerada na apuração dos tributos. A contribuinte ingressou com ação ordinária postulando que seja dclarada a inexistência de relação jurídica entre a Autora e União (Fazenda Nacional) que brigue a primeira a apurar e recolher os tributos federais incidentes sobre a renda e a receita percebidas pela Autora na qualidade de gestora dos valores relacionados ao Encargo de Energia de Reserva (EER), sob o fundamento de que tal encargo, criado por lei federal, não constituiria renda, nem receita própria da Autora. Requereu e obteve tutela antecipada para afastar a exigibilidade do PIS. Cofins, IRPJ e CSLL sobre a intermediação do recolhimento e repasse do Encargo de Energia de Reserva (EER). 2 - Da ação fiscal Em 23/01/2015 a contribuinte foi cientificada do termo de início de ação fiscal, com a solicitação de documentos. Diz o autuante que o procedimento destina-se a constituir o crédito tributário e evitar a decadência. Em 24/02/2015 o sujeito passivo foi intimado a apresentar novos documentos contábeis, extratos bancários e outros esclarecimentos. Os documentos contábeis teriam sido entregues, mas em relação a eles o autuante aponta diversas ressalvas. 2.1 - Dos alegados vícios na contabilidade Os Livros Diário teriam sido registrados somente após o início da ação fiscal. Não teriam sido apresentados Livros Diários Auxiliares registrados, norma constante do § 1º do art. 1.184 do Código Civil. Foram apresentados livros razão mensais, não registrados. Também foram apresentados balancetes anuais indicando saldos iniciais e finais e os valores totais debitados e creditados em cada conta contábil. 2.1.1 – Da não observância do método das partidas dobradas Diz o autuante que os livros diário apresentados não contêm as características de um lançamento contábil. Os elementos que deveriam constar são: data, descrição, valor, conta debitada (ou contas debitadas) e conta creditada (ou contas creditadas); cada lançamento deveria ser numerado e seguir ordem cronológica. Já os registros contidos nos livros diário seriam apenas um amontoado de informações que não formam lançamentos contábeis, por não apresentarem seus elementos Fl. 42644DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.643 5 básicos. Entende que se pode afirmar que não há livro diário, pois não há lançamentos contábeis. Sobre os vícios dos livros diário, diz o agente do fisco (fls. 40460): Os dados informados nos Livros Diários apresentados não contém os elementos básicos de um lançamento contábil, em absolutamente todo o seu conteúdo, desde janeiro de 2010 a dezembro de 2013. pois só apresentam uma única informação, ou somente a conta e o valor debitado, ou somente a conta e o valor creditado, não atendendo ao princípio conhecido como método das partidas dobradas, para cada débito um crédito de mesmo valor, e para cada crédito um débito de mesmo valor. Vejamos a primeira informação constante na contabilidade do periodo fiscalizado: Livro Diário n 63, página 2 dia 01/01/2010, lançamento de n. 227.614, conta debitada 1.1.3.0.0025 "assoc a receber -recup polienka". valor R$ 200,00, histórico "supr contab NF 36.490 (004523178000178 koury lopes advjar 14516". Simplesmente não há informação sobre a conta ou contas creditadas. 2.1.2 – Da não observância da ordem cronológica Os livros diários não obedeceriam a ordem cronológica no nível intradiário. Os registros mensais estão ordenados corretamente por dia, porém, dentro do dia estão por ordem de conta e não cronológica. O autuante exemplifica: Vejamos, os primeiros registros do período fiscalizado, são registros do dia 01/01/2010, ocupam as páginas de 2 a 5 do Livro Diário n. 63. O primeiro registro, como citado acima, identificado com o número 227.614, informa que a conta 1.1.3.01.0025 foi debitada em R$ 200,00. O segundo registro, n. 227.606. informa que a conta 1.1.3.01.0028 foi debitada em R$ 54.000,00. O terceiro registro, n. 227.608, informa que a mesma conta 1.1.3.01.0028 foi debitada em R$ 60,20, assim seguiu até o último registro deste dia, na página 5, de número 219.793, que informa que a conta 8.9502.04.04 foi debitada em R$ 499,50. Assim também são os demais dias e os demais Livros Diários. 2.1.3 – Da falta de clareza dos registros Os registros contábeis não permitiriam por si sós a identificação da natureza das operações, como explicado no relatório do trabalho fiscal (fls. 40461): A começar pela numeração adotada no plano de contas, as contas do ativo são divididas em segundo nível como: 1.1 ativo circulante, 1.2 realizável a longo prazo, 1.3 ativo permanente, até aqui tudo bem, mas continua, 1.4 ativo energia de reserva, o que seria? Pode-se deduzir que não é nem circulante, nem realizável a longo prazo, nem permanente, o que é não está claro. A primeira de suas contas é 1.4.1.03.0001 "bradesco S/A - coner", parece ser depósito bancário como o nome sugere, mas não está em ativo circulante, por quê? Há ainda o grupo 1.5 ativo compensação, pela lógica não é circulante, nem longo prazo, nem permanente, que sabemos o que significa, nem energia de reserva, que não sabemos o que significa. A primeira conta é a 1.5.1.02.0001 "banco bradesco s/a cta 77200-3", aparentemente depósito bancário, mas por qual motivo não está no ativo circulante? Registros indicando contas que não constam nos balancetes anuais. Como as contas iniciadas por 8. Os balancetes nos mostram que as contas iniciadas por 1 Fl. 42645DF CARF MF 6 são do ativo, as 2 do passivo e as 3 de resultado, mas há vários registros nos livros se referindo a contas iniciadas por 8, o que não faz sentido. Como exemplo temos vários lançamentos no dia 01/01/2010, que vão desde a página 4 até a página 5 do primeiro Diário analisado. Situação que se repete diariamente durante todo o periodo fiscalizado O histórico de grande parte dos registros não possibilitaria identificar a contraparte, tais como o cliente ou fornecedor. Exemplifica o agente do fisco: Como exemplo a conta 1.1.1.02.0005 “Bradesco s/a – cta 72000-3, os primeiros registros do dia 04/01/2010 na página 5 do Diário 63, todos tem como descrição no histórico “AP (número) vr ref mov banco”, como se trata de crédito numa conta de ativo, sugere que o sujeito passivo pagou alguém, mas não o identifica com nome ou CNPJ/CPF. 2.1.4 – Falta de identificação do documento que respalda o registro Grande parte dos históricos não identificaria o documento que respalda o registro, por exemplo, uma nota fiscal. Exemplifica: Vejamos o registro de 01/02/2010 da página 5 do Livro Diário 64, conta 1.4.1,05.0001 "contas a receber coner", débito de mais de R$ 7 milhões, no histórico informa "apropriação de encargo de EER a receber 02/2010”, mas não informa nem a contraparte nem o documento de respaldo”. 2.1.5 – Escrituração resumida do livro diário A contribuinte escrituraria o livro diário de forma resumida, com lançamentos por totalização e não apresentou livro auxiliar. Isso impediria que se verifique com a contraparte a operação registrada. 2.1.6 – Contabilização incorreta em contas patrimoniais O relatório fiscal traz exemplos da contabilização de receitas, custos, despesas e apuração de resultados em contas patrimoniais passivo; grupo 2.7.4 "entradas brutas com energia de reserva" passivo; grupo 2.7.5.01 "saídas com energia de reserva" passivo; grupo 2.7.5.02 "deduções sobre recursos de energia de reserva” passivo; grupo 2.7.5.03 "pessoal" passivo; grupo 2.7.5.06 "utilidades e serviços" passivo, grupo 2.7.5.07 "serviços contratados" passivo; grupo 2.7.5.08 "viagens" passivo; grupo 2.7.9.09 "apuração gestão coner" 2.1.7 – Manter contas de ativo com saldo credor e contas de passivo com saldo devedor O autuante refere exemplos em que contas de ativo tem saldo credor e contas de passivo com saldo credor. 2.1.8 – Vícios nos livros razão Os registros não se identificam pelo número de registro adotado no Livro Diário, o que impede sua localização cruzada entre os livros. Muitos registros não indicam a conta de contrapartida, impedindo uma possível composição dos lançamentos contábeis pelo Livro Razão. 2.1.9 – Não contabilizar em títulos próprios Os valores recebidos a título de energia elétrica de reserva eram contabilizados em duas contas, incompreensivelmente uma conta de ativo e uma conta de passivo. Haveria, então, operações de mesma natureza, recebimento, que foram registradas ora em conta de ativo, ora em conta de passivo. Alude o agente do Fl. 42646DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.644 7 fisco que as práticas adotadas tornaram de difícil compreensão a natureza dos valores nelas registrados, o reconhecimento da competência da receita e da despesa e, por conseguinte, a apuração do resultado. 2.1.10. Desconsideração da contabilidade Em razão dos vícios da contabilidade, entendeu o agente do fisco que ela não se presta para apuração do lucro real e deve ser desconsiderada. A apuração dos resultados foi feita com base na sistemática do lucro arbitrado, com base na receita bruta. 3. Constituição do crédito tributário Nesse título o relatório fiscal esclarece como obteve o montante de receitas a tributar e informa que dos tributos apurados foram descontados aqueles já apurados pelo sujeito passivo e constantes em DCTF. Às fls. 40464/40466 há tabelas com o demonstrativo de cálculo dos tributos. 4. Multa de ofício Foi aplicada multa de ofício de 75%. Esclarece o autuante que apesar do fato de que a receita bruta oriunda da revenda de energia elétrica ser objeto de ação judicial, com concessão de medida liminar para suspender a exigibilidade, cabe a multa de ofício pela exceção prevista no parágrafo primeiro do artigo 63 da Lei 9430/1996, pois já houve procedimento de ofício a ele relativo, o procedimento de diligência amparado pelo MPF n° 0819000.2014 00433-9. RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO 1 - Da Ação Declaratória nº 0070720-21.2014.4.01.3400 A contribuinte propôs ação declaratória em face da União sob nº 0070720- 21.2014.4.01.3400 postulando que fosse "declarada a inexistência de relação jurídica entre a Autora [ora IMPUGNANTE] e a Fazenda Nacional que obrigue a primeira a apurar e recolher os tributos federais pretensamente incidentes sobre a renda e a receita percebidas pela Autora na qualidade de gestora dos valores relacionados ao Encargo de Energia de Reserva (EER), eis que tal encargo, criado por lei federal, não constitui renda, nem receita própria da Autora, bem como dos demais valores depositados na CONER". Transcreve o pedido feito em juízo e pede que a discussão no que diz respeito à natureza dos valores recebidos a título de Encargo de Energia de Reserva - EER permaneça sobrestada até ulterior julgamento da ação declaratória. Entende que a discussão das demais razões de defesa podem ter prosseguimento, tais como em relação à forma (receita decorrente da venda de mercadoria ou da prestação de serviços) em que tais valores deveriam ter sido tributados, a impossibilidade de arbitramento e a inaplicabilidade da multa de mora. Entende que a forma de tributação do Encargo de Energia de Reserva - EER, caso venha a ser considerado tributável quando do julgamento da ação declaratória, constitui matéria mais abrangente do que aquela levada à discussão no âmbito do Poder Judiciário, razão pela qual pode e deve ser conhecida na seara administrativa. 2 - Da Natureza Jurídica da Impugnante Fl. 42647DF CARF MF 8 A Impugnante exerce atividade sob função delegada da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em ambiente demarcado e regulado pelo Poder Executivo Federal. É uma associação civil sem fins lucrativos, que tem por atividade a viabilização da comercialização de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional - SIN, realizada no Ambiente de Contratação Regulada - ACR, no Ambiente de Contratação Livre - ACL e no Mercado de Curto Prazo. Diz 19. - Da análise do rol de atividades desenvolvidas pela IMPUGNANTE, quer pelo seu estatuto, quer pela Lei n° 10.848/2004 e Decreto n° 5.177/2004, depreende-se que a própria existência do mercado brasileiro de energia elétrica, com garantia de fornecimento universal e modicidade tarifária e de preços, não seria possível sem a participação da impugnante. Por previsão da Lei nº 10.848/2004 a principal fonte de custeio da impugnante é a contribuição de seus associados. Transcreve a legislação. Resolução da ANEEL obriga a contratação anual de auditoria independente para auditar e certificar suas atividades, bem como submeter o Relatório Anual de Auditoria à aprovação e divulgação. Por tais razões a contribuinte sempre diligenciou no sentido de bem cumprir suas obrigações perante o Poder Público, sobretudo as de natureza tributária. 3 - Da Energia de Reserva e o papel delegado da Impugnante A contribuinte é também encarregada de viabilizar a arrecadação do chamado Encargo de Energia de Reserva ("EER") perante os consumidores finais de energia, encargo este destinado à Conta de Energia de Reserva (CONER). A Energia de Reserva foi criada por meio da Lei n° 10.848/2004, que, em seu artigo 3º , parágrafo 3º, determinou que "com vistas em garantir a continuidade do fornecimento de energia elétrica, o Poder Concedente poderá definir reserva de capacidade de geração a ser contratada". Segundo a impugnante, esta previsão tinha por objetivo aumentar a segurança do fornecimento de energia elétrica aos usuários do Sistema Interligado Nacional, mitigando, assim, os riscos de desabastecimento de energia, comumente chamados de "apagões", que tanto prejudicam os consumidores, industriais e residenciais no início da década passada. O Decreto nº 6.353/2008 regulamentou dispositivo da Lei nº 10.848/2004, estabelecendo que os custos decorrentes da contratação da Energia de Reserva, incluindo os custos administrativos, financeiros e tributários, serão rateados entre os usuários finais de energia elétrica do SIN, o que significa que à CCEE, como mera representante dos usuários de Energia de Reserva (artigo 2o), caberá celebrar os contratos com os respectivos produtores, devendo ser por estes ressarcida. O § 1º, do art. 5º, do referido Decreto, estabelece que parcela do saldo da CONER será destinada à constituição de fundo de garantia para o pagamento devido aos agentes vendedores, no caso de inadimplência dos agentes de consumo, conforme definição da ANEEL. Enfatiza que seu papel é de intermediária financeira e administrativa, diz-se viabilizadora, de modo a possibilitar o pagamento da Energia de Reserva a seus produtores. A impugnante não obteria qualquer vantagem financeira com a operação, tanto que escritura em separado os valores referentes à energia de reserva em seus livros fiscais. 4 - Da Solução de Consulta nº 164/2013 A entidade consultou a Receita Federal do Brasil, por meio do processo 11610.002498/2011-44, acerca da tributação dos valores relativos ao Encargo de Energia de Reserva recebidos e repassados aos agentes do SIN. Fl. 42648DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.645 9 O entendimento do fisco foi de que caberia a tributação. A consulente apresentou Recurso Especial à Cosit e interpôs mandado de segurança visando atribuir efeito suspensivo ao recurso. O Recurso Especial não foi conhecido. Para obter as informações a serem prestadas no Mandado de Segurança, em 24/04/2014, a impugnante recebeu Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência nº 0819000.214.00433-9. Destaca que o objetivo era a coleta de informações referente aos tributos tratados no mandado de segurança, mas não uma fiscalização tendente à constituição de crédito tributário. Atendidas todas intimações, em 10.10.2014, foi expedido o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal - Diligência. Não teria havido, pelo agente do fisco, menção a qualquer irregularidade na escrita, bem como não houve dificuldade em apurar os valores recebidos e repassados pela impugnante. A contribuinte ofereceu contrarrazões ao termo de encerramento de diligência fiscal, reafirmando seu entendimento sobre a tributação do EER. 5 - Da Ação Declaratória nº 0070720-21.2014.4.01.3400 Em 09/10/2014 a contribuinte propôs a Ação Declaratória nº 0070720- 21.2014.4.01.3400, já referida neste relatório. Foi deferida a antecipação de tutela para suspender a exigibilidade do PIS, Cofins, IRPJ e CSLL sobre os valores recebidos pela parte autora relativos ao encargo de Energia de Reserva (EER). 6 - Do MPF-Fiscalização nº 0819000-2015-00032-9 Somente dois meses após a concessão da antecipação de tutela a impugnante recebeu o MPF-Fiscalização nº 0819000-2015-00032-9 por meio do qual a Receita Federal intenta verificar o correto recolhimento dos tributos nos anos- calendário 2010 a 2013. O auditor fiscal designado foi o mesmo da diligência. A fiscalização findou com a lavratura de autos de infração milionários e maculados por vícios formais e materiais. Diz que a intenção do agente foi autuar por autuar, imputando à contribuinte infrações inexistentes, na medida em que: (i) não se aplica a exceção contida no artigo 63, parágrafo 1º, da Lei n° 9.430/96, segundo a qual poderá ser aplicada a multa de ofício na hipótese de a causa de suspensão da exigibilidade ter se dado após o início da fiscalização tendente à constituição do crédito tributário, devendo, pois, ser afastada a multa, uma vez que: i. o Mandado de Procedimento Fiscal-Diligência nº 0819000.2014.00433-9 não tinha por objetivo a constituição de ofício de crédito tributário; ii. ainda que tivesse tal objetivo, o MPF-Diligência em causa foi encerrado em 15.10.2013, sem que tenha sido promovida a constituição do crédito tributário, fato este que, inclusive, devolveria a espontaneidade ao contribuinte; iii. a decisão concedendo a suspensão da exigibilidade do crédito se deu quando não havia qualquer procedimento em curso contra a IMPUGNANTE; e Fl. 42649DF CARF MF 10 iv. ainda que assim não o fosse, o CARF tem o entendimento de que a multa de ofício somente é aplicável quando há a efetiva constituição do crédito antes da causa suspensiva da exigibilidade; (ii) não está presente causa capaz de justificar o arbitramento do lucro do IMPUGNANTE, notadamente se se considerar que: i. o agente fiscal autuante já havia, no âmbito do MPF-Diligência, identificado todas as supostas "receitas" e "despesas" decorrentes do Encargo de Energia de Reserva - EER; e ii. não se pode admitir o arbitramento do lucro sem que antes se esgote todas as medidas possíveis tendentes à apuração do efetivo lucro real da pessoa jurídica, o que não resta configurado quando o próprio agente fiscal autuante indica que a análise dos documentos foi feita por amostragem; (iii) é totalmente improcedente e despropositada a desclassificação contábil da IMPUGNANTE, que, além de ser auditada anualmente por empresa de auditoria independente e pelo próprio Poder Executivo Federal, por intermédio da ANEEL, segue à risca procedimento contábil específico determinado por lei para contabilizar os recursos relativos ao Encargo de Energia de Reserva - EER; (iv) a IMPUGNANTE não tem qualquer tipo de receita proveniente de serviços de corretagem, tal qual erroneamente indicado no Auto de Infração, mas sim receitas decorrentes do recebimento de contribuições associativas que lhe é paga pelos agentes que compõe o Sistema Interligado Nacional ("SIN"), conforme definido por Lei, Decreto e regulamento aprovado pela ANEEL; e (v) ainda que os valores do Encargo de Energia de Reserva - EER constituíssem receita própria da IMPUGNANTE (este ponto está sendo discutido na Ação Declaratória já mencionada), tratar-se-ia, em tese, de receita decorrente da prestação de serviços e não da venda de mercadoria. 7 - . PRELIMINARES 7.1 - Inaplicabilidade da multa de ofício O agente do fisco exigiu multa de ofício de 75% mesmo estando o crédito tributário suspenso por decisão judicial quando da lavratura dos autos de infração. Entendeu que já havia procedimento de ofício a ele relativo, no caso o procedimento de diligência amparado pelo MPF nº 0819000.2014 00433-9. A exceção estaria prevista no § 1º do art. 63 da Lei 9.430/1996. Alega a defesa que quando da concessão da tutela antecipada nos autos da Ação Declaratória não havia qualquer procedimento instaurado contra ela objetivando a constituição do crédito tributário objeto deste processo administrativo. Cita a cronologia dos acontecimentos: 15/10/2014 - Termo de encerramento de procedimento fiscal de diligência; 20/11/2014 - deferida antecipação de tutela no processo judicial; 23/01/2015 - ciência do termo de início de procedimento fiscal A defesa mostra visualmente tal cronologia (fls. 40625): Fl. 42650DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.646 11 O MPF-Diligência 0819000.2014.0043-9 não tinha por objeto constituir crédito tributário, mas a coleta de informações referentes aos tributos tratados no Mandado de Segurança nº 0018774-38.2013.403.6100 e foi encerrado em 15/10/2014. Quando o fisco foi cientificado da tutela antecipada, não existia qualquer procedimento fiscalizatório contra a impugnante. Assim, seria inaplicável a exceção prevista no § 1º do art. 63 da Lei nº 9.430/1996. A diligência realizada não teria o condão de sustentar a aplicação da multa de ofício porque: (1) o objeto do MPF não era a constituição de crédito tributário e (2) porque foi encerrado antes da concessão da tutela antecipada. Diferentes seriam as funções do MPFDiligência e MPF-Fiscalização. O primeiro visa somente coletar informações e o segundo verificar o cumprimento das obrigações tributárias, conforme previsto no art. 3º da Portaria RFB nº 1.687/2014 Por outro lado, o MPF-Diligência se encerrou em 31/10/2013 sem que qualquer crédito tenha sido constituído, fato suficiente para devolver à impugnante a espontaneidade. Além disso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais possui entendimento sedimentado de que somente a constituição do crédito propriamente dito, anteriormente à concessão da medida liminar ou tutela antecipada suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, teria o condão de possibilitar a exigência da multa de ofício. Transcreve jurisprudência. 7.2. Nulidade do Lançamento por Arbitramento O arbitramento do lucro seria nulo, porque não foram esgotadas as possibilidades de apuração do lucro real. O autuante teria entendido que as práticas contábeis tornaram de difícil compreensão a natureza dos valores nelas registrados. A base legal seria o art. 530, inciso II, do RIR/99, que possibilita o arbitramento quando a escrituração é imprestável para apuração do lucro real. Não teria sequer havido a alegação da imprestabilidade da escrituração por parte do agente do fisco. Diz que o arbitramento se deu por pura e insidiosa comodidade do agente fiscal, pois a fiscalização durou apenas dois meses e contou com apenas duas notificações ao contribuinte. A defesa elenca, por ordem cronológica, o desenrolar da ação fiscal: Em 21/01/2015 foi lavrado o Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF), solicitando, entre outros documentos, os livros diário e razão, balanços e balancetes. Os documentos teriam sido tempestivamente entregues. Em 20/02/2015 sobreveio o Termo de Intimação Fiscal (TIF1), onde o auditor fiscal indica ressalvas nos documentos recebidos. Também solicita outros Fl. 42651DF CARF MF 12 documentos, entre eles, diário e razão com as contrapartidas dos lançamentos e os livros diário auxiliares pois os lançamentos constam consolidados na contabilidade. Em 16/03/2015 a contribuinte teria cumprido integralmente o solicitado. Lista às fls. 40634, os documentos que teria entregue. Ressalta que um dos documentos entregues seria um roteiro que permitisse a identificação dos lançamentos contábeis constantes do Livro Razão. O autuante teria feito algumas ressalvas, entre elas: livros diário não seriam cópias fiés, não entrega de extratos bancários, diário auxiliar apresentaria apenas uma conta (mensalidade de associados) e livros razão sem contrapartida. Em razão desses apontamentos, já no dia seguinte - 17/03/2015 - a contribuinte entregou documentos. E em 24/03/2015 o agente fiscal teria recebido os livros diário autenticados. Isso demonstra que desde o início a fiscalizada colaborou com a fiscalização, sempre entregando os documentos solicitados e prestando esclarecimentos. Diz a defesa (fls. 40635): Não obstante, no mesmo dia em que recebeu os Livros Diários — sem ter tido, pois, tempo hábil para analisar referidos documentos —, o agente fiscal autuante lavrou quatro Autos de Infração desconsiderando por completo todos os documentos que lhe foram apresentados pela IMPUGNANTE, preferindo simplesmente, ao arrepio da lei, arbitrar o lucro para fins de IRPJ e CSLL. Repete que o arbitramento se deu por mera dificuldade, sem que se afirme haver impossibilidade de apuração do lucro real. Diz ainda que o pior é que agente fiscal confessa que sequer se dignou a analisar profundamente a documentação, na medida em que afirma [...] que a análise da documentação se deu 'por amostragem". Entende que nem poderia ser diferente, na medida em que o lançamento se deu no mesmo dia em que parte da documentação contábil foi entregue ao fisco. Reclama que não há indicação de como foi a amostragem, indagando se ela poderia ter sido feita em relação a um único dia. Repete o argumento da excepcionalidade do arbitramento do lucro, somente para casos extremos. Também evidenciaria a improcedência do arbitramento o fato de o mesmo auditor fiscal, quando da realização de diligência, ter sido capaz de apurar, na escrita contábil, o valor das receitas e das despesas incorridas com EER. Diz ser inconcebível a escrituração se prestar para apuração de receitas e despesas e, três meses após, não se prestar para a apuração dos resultados. O procedimento do agente do fisco violaria o disposto no art. 142 do CTN, que estabelece que o lançamento é plenamente vinculado. 7.3 Nulidade do lançamento de CSLL por ausência de MPF O lançamento de CSLL seria nulo porque o tributo não consta do MPF- Fiscalização. Em que pese exista previsão para lançamento de outros tributos com base nos mesmos elementos de prova, há necessidade de não apenas incluir tal modificação no MPF-F eletronicamente, como também cientificar a impugnante, o que não foi feito. A previsão é a do art. 5º, § 2º da Portaria RFB nº 1.687/2014. Fl. 42652DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.647 13 8 - MÉRITO 8.1 - Impossibilidade do arbitramento Ao apresentar a defesa de mérito a contribuinte repete algumas razões de impugnação que utilizou ao tratar das preliminares. São exemplos disso: a suposta análise da contabilidade por amostragem; a não comprovação da impossibilidade de apuração do lucro real e a incoerência na utilização da escrita contábil por ocasião da diligência e a desclassificação dela quando da ação fiscal. Para evitar estender desnecessariamente o relatório, quando não houver prejuízo ao entendimento, deixo de resumir esses e outros argumentos repetidos. A dificuldade de compreensão da contabilidade da Energia de Reserva teria decorrido do fato de não ter o agente fiscal autuante levado em consideração que a contabilização da autuada possui determinados procedimentos contábeis específicos, previstos na legislação que a rege. A defesa vai abordar uma a uma as práticas contábeis que trouxeram dificuldades ao fisco, demonstrando que elas decorrem do tratamento contábil estabelecido pela Lei nº 10.848/2004, pelo Decreto 6.353/2008 e pela Resolução Normativa ANEEL nº 109/2004. A contribuinte esclareceu ao agente do fisco que os valores constantes do livro razão, relativamente à Energia de Reserva, eram consolidados, razão pela qual teria apresentado também os Mapas Pós-Liquidação de Energia de Reserva (modelo criado pela ANEEL), no qual resta perfeitamente indicados todas as fontes pagadoras e recebedoras da operação. Às fls. 40643/40645 a impugnante transcreve os mapas de liquidação da Energia de Reserva, indicando as transferências por ela realizadas aos geradores de energia de reserva, o mapa de Pós-Liquidação, demonstrando os valores recolhidos junto aos consumidores e o resumo da operação mensal para a impugnante. Os dados são relativos a janeiro de 2010. Tais dados foram fornecidos ao auditor fiscal, que teria os ignorado. Diz (fls. 40645): 133. -As informações acima indicadas foram todas fornecidas à fiscalização, que simplesmente desconsiderou tais documentos — tidos por oficiais pela Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL —, em flagrante violação ao seu dever de fiscalizar. Não é demais lembrar, V. Sas., que os Mapas de Pós-Liquidação de Energia de Reserva (doc. 24) foram entregues à fiscalização, assim como as auditorias mensais realizadas por renomadas empresas de auditoria independente (doc. 25), porém totalmente ignorados pela fiscalização quando da lavratura dos Autos de Infração ora combatidos. A jurisprudência do Carf é consolidada no sentido de que a fiscalização pode e deve se valer de qualquer documentação disponível para apurar o lucro real. Transcreve ementas de acórdãos. Eventual dificuldade de compreensão das práticas contábeis deveriam ser objeto de questionamento à impugnante, e não ser simplesmente desconsideradas já no 1º Termo de Intimação Fiscal. Fl. 42653DF CARF MF 14 As demonstrações financeiras anuais da impugnante são auditadas por três renomadas firmas de auditores independentes e de grande porte, que aprovaram, sem ressalva, tais demonstrações. Anexa os relatórios. Também a gestão do Encargo de Energia de Reserva é auditada mensalmente por renomadas empresas. Junta os relatórios. Adiante a defesa procura demonstrar que inexistem os vícios contábeis indicados pelo agente fiscal. 8.1.1 - Dos Critérios Legais para a Contabilização da Energia de Reserva Afirma a impugnante que a contabilização dos valores relativos ao Encargo de Energia de Reserva - EER deve observar a disciplina da ANEEL. Transcreve dispositivos do Decreto nº 6.353/2008 e da Resolução Normativa ANEEL nº 109/2004, que disciplinam a conta CONER, o processo de contabilização no âmbito da CCEE e da auditoria do processo de contabilização e liquidação financeira. Nenhum dos dispositivos regulamentares teriam sido citados ou considerados pelo auditor fiscal, o que indica que ignorou de maneira contumaz inúmeros preceitos legais e normativos que poderiam dirimir eventuais dúvidas sobre os procedimentos contábeis. Previamente à aplicação da medida extrema, cumpria ao fiscal possibilitar ao contribuinte a regularização da sua escrita contábil, com advertência de que procederia ao arbitramento. Traz ementa de acórdão do Carf nesse sentido. 8.1.2 - Do suposto não respeito ao método das partidas dobradas A contribuinte aplica o método das partidas dobradas em todos os lançamentos contábeis. O que o agente fiscal não percebeu em sua rasa e superficial análise do Livro Diário de impugnante é que este documento identifica todos os seus lançamentos por dia e por sequência de conta contábil. As contas contábeis são representadas por códigos numéricos, conforme permitido pelo Código Civil, art. 1.183. Enfatiza, ainda, que se utiliza de um Enterprise Ressource Planing ("ERP"), base de controle de todo processo contábil, mais especificamente o ERP Logix, disponibilizado por empresa renomada mundialmente. Tal sistema, obviamente, obriga a impugnante a cumprir o disposto no item 2.1.2 da Norma Brasileira de Contabilidade ITG 2000. A impugnante toma um exemplo – usado pelo autuante para demonstrar a suposta deficiência de escrituração – e indica a contrapartida do lançamento. Transcrevo da impugnação: 164. -Pois bem, o agente fiscal autuante utiliza como exemplo para demonstrar o não cumprimento do método das partidas dobradas lançamento n° 227.614, constante do Livro Diário n° 63, em sua página 2, relativo ao dia 01/01/2010. Referido lançamento realizou débito na conta 1.1.3.01.0025 "Assoc. a Receber - Recup. Polienka", no valor de R$ 200,00, descrito com o seguinte histórico: "Supr. Contab. NF 36.490 (004523178000178 KOURY LOPES ADV)". Eis cópia do Livro Diário no qual consta tal lançamento, a qual pode ser consultada por V. Sas. às fls. 494 dos autos deste Processo Administrativo: Fl. 42654DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.648 15 165. -A contrapartida a este lançamento encontra-se no mesmo Livro Diário n° 63, à página 3, também relativa ao dia 01/10/2010. Trata-se do lançamento 227.615, conta creditada 2.1.3.01.0001 "Fornecedores Nacionais", no valor de R$ 200,00, descrito com o seguinte histórico: "Supr. Contab. NF 36.490 (004523178000178 KOURY LOPES A D V )". Eis cópia do Livro Diário no qual consta tal lançamento, reprodução parcial da fl. 495 dos autos deste processo administrativo: 166. -Vejam, V. Sas.: a contrapartida do lançamento 227.614 (débito na conta 1.1.3.01.0025), constante da página 2 do Livro Diário, é o lançamento 227.615 (crédito na conta 2.1.3.01.0001), constante da página 3 deste mesmo Livro Diário. Menciona outros três lançamentos em que ficaria demonstrada a observância do método das partidas dobradas: 167. -Ainda, V. Sas., a observância do método das partidas dobradas pode ser observada nos outros três lançamentos debitados da conta contábil 1.1.3.01.0028 - "Assoc. a Receber Agentes Diversos", nos valores de R$ 54.000,00 (lançamento 227606), R$ 60,20 (lançamento 227608) e R$200,00 (lançamento 227616). Estes foram creditados na conta contábil 2.1.3.01.0001 - "Fornecedores Nacionais", nos valores de R$ 54.000,00 (lançamento 227607), R$ 60,20 (lançamento 227609) e R$ 200,00 (lançamento 227617). Os lançamentos contábeis são diários e seguem a ordem por sequência das contas contábeis. Ressalta que os arquivos permitem a utilização da função "localizar", de modo que bastava ao agente fiscal autuante pressionar "Ctrl+L" e digitar o número da conta contábil desejada para encontrar as contrapartidas. Estaria, assim, demonstrado que a contribuinte cumpre o método das partidas dobradas. 8.1.3 - Do suposto não registro em ordem cronológica Fl. 42655DF CARF MF 16 Quanto à alegação do fisco de que não teria efetuado registros em ordem cronológica, diz que procedeu seus lançamentos contábeis de acordo com ordem cronológica (a cada dia), sendo certo que, a cada dia, a sequência se dá de acordo com o número da conta contábil. 8.1.4 - Da suposta falta de clareza A incompreensão do autuante quanto à contabilização reflete a incompreensão das atividades praticadas pela impugnante, em especial as relacionadas ao Encargo de Energia Elétrica - EER. Esclarece que o valor da Energia de Reserva não é creditado em conta de ativo circulante, realizável a longo prazo ou permanente simplesmente porque não se trata o Encargo de Energia de Reserva - EER receita própria da Impugnante (sic), conforme discussão ventilada no âmbito da Ação Declaratória". Transcreve legislação (Resolução Normativa ANEEL nº 337/2008) para demonstrar que a impugnante é agente da ANEEL, como responsável pela gestão de recursos financeiros da Conta de Energia de Reserva - CONER. A atividade do agente estaria descrita no Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis ("CPC") nº 30. Por ser mera agente, as operações relativas à gestão do EER não caracterizariam receita ou despesa e não podem ser consideradas nas contas de resultado. Por força dos parágrafos 42 a 44 do CPC nº 39, tais operações devem figurar em contas patrimoniais. Assim, em cumprimento às determinações da ANEEL e aos Pronunciamentos Técnicos CPC n° 30 e 39, a contabilização da Energia de Reserva se dá em contas patrimoniais de compensação, nos grupos 1.4 - Ativo Energia de Reserva e 2.7 -Passivo Energia de Reserva, de forma segregada dos ativos e passivos da IMPUGNANTE. Em relação às contas com ínicio 8, referidas pelo agente do fisco, diz: Já as contas com início 8 nada mais são que a abertura por centro de custo dos lançamentos realizados nas contas de resultado, inclusive os relativos aos custos administrativos, financeiros e tributários incorridos pela IMPUGNANTE no processo de contratação de energia de reserva, ou seja, uma maior abertura, detalhamento e capacidade de análise, dessas contas, conforme exemplificado [...]. 8.1.5 - Da suposta falta de caracterização do documento respectivo Entende que o autuante teria considerado viciada a escrituração uma vez que os lançamentos relativos à Energia de Reserva são efetuados de maneira consolidada. O Carf já teria se manifestado que a existência de lançamentos consolidados não é motivo de arbitramento se há embasamento em outros documentos que contem a sua composição. Transcreve acórdãos. Diz que a composição do valor consolidado pode ser inferida dos Mapas Pós- Liquidação de Energia de Reserva, já levados ao conhecimento do autuante em 16/3/2015, como consta às fls. 116/122. Lembra que os mapas são auditados por auditorias externas. Eles são documentos oficiais da ANEEL e utilizados por todos os associados. Reafirma que todos os documentos foram entregues durante a fiscalização, mas foram ignorados. 8.1.6 - Da suposta utilização de escrituração resumida do Livro Diário, com lançamentos por totalização Fl. 42656DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.649 17 A totalização (consolidação) poderia ser aberta por meio dos documetnos auxiliares que teriam sido disponibilizados à fiscalização. A impugnante diz que faz a escrituração considerando a natureza, relevância e materialidade das contas contábeis. Haveria ainda controle adicional, qual seja o Mapa de Liquidação Financeira da Energia de Reserva e seu respectivo relatório. Seria improcedente a alegação fiscal. 8.1.7 - Da suposta contabilização de receitas, custos, despesas e apurar resultados em contas patrimoniais Outra vez a incompreensão do autuante, principalmente no atinente ao EER, dificultou entender a escrituração da contribuinte. Repete que é apenas agente da ANEEL que gere a CONER, sem que os valores representem receita ou despesa e, assim, não devem influenciar os resultados. Por tal razão, os valores seriam registrados em contas patrimoniais de compensação, em cumprimento à legislação da ANEEL e pronunciamentos técnicos CPC 30 e 39. Arremata: 205. - Vê-se, pois, que o suposto vício na contabilidade da IMPUGNANTE decorreu, na verdade, do desconhecimento pelo agente fiscal autuante da atividade por ela exercida, bem como do desconhecimento também dos Pronunciamentos Técnicos CPC n° 30 e 39, motivo pelo qual inexiste vício nesse sentido. Mais uma vez resta evidente que a fiscalização se deu em ambiente de superficialidade e de desconhecimento por parte do fiscal autuante em relação à natureza das atividades da Impugnante, bem como pelos diplomas legais e normativos que regem a matéria de fundo examinada. 8.1.8 - Da suposta manutenção de contas de ativo com saldo credor e contas de passivo com saldo devedor Não teria havido erro na classificação entre ativo e passivo. As contas refletem a metodologia utilizada para realizar o controle das contas de gestão do Encargo de Energia de Reserva - EER. Assevera: 208. -Ressalte-se que a contabilidade é utilizada apenas como uma ferramenta de controle para as transações relacionadas à gestão do Encargo de Energia de Reserva - EER, uma vez as mesmas não impactam os saldos contábeis da IMPUGNANTE. Tal situação, diga- se, pode ser observada nas demonstrações financeiras auditadas (does. 10/13), por meio dos grupos "Fundo de energia de reserva" e "Redução do fundo de energia de reserva" apresentadas no grupo do Ativo, razão pela qual este suposto vício é, também, inexistente. 8.1.9 - Dos vícios dos Livros Razão O autuante teria cometido o mesmo equívoco de quando considerou desrespeitado o método das partidas dobradas. Repete que faz os lançamentos por período e segue a ordem das contas contábeis. Traz exemplo (fls. 40670) mostrando onde estão débito e crédito de determinado lançamento e lembra que os arquivos em causa permitem a utilização da função "localizar" de modo que bastava ao agente fiscal autuante pressionar "Ctrl+L" e digitar o número da conta contábil desejada para encontrar as contrapartidas. Fl. 42657DF CARF MF 18 8.1.10 - Da não contabilização em títulos próprios Outra vez repete que não compra nem vende Energia de Reserva, mas apenas gere o recebimento do EER e a CONER. Continua: 218. -Nesse sentido, a gestão do Encargo de Energia de Reserva - EER exige que a IMPUGNANTE mantenha contas a receber contabilizadas no ativo, que possui natureza devedora, e contas a pagar seja contabilizado no passivo, que por sua vez tem natureza credora. Não haveria o suposto vício. Arremata afirmando estarem afastadas todas as supostas irregularidades na contabilidade: 219. - Restam afastadas, pois, todas as supostas irregularidades apontadas pelo agente fiscal autuante acerca da contabilização do Encargo de Energia de Reserva - EER, sendo certo, ainda, que a sua não compreensão pelo agente fiscal autuante se deu, em parte, pelo exame deveras superficial na escrita contábil da IMPUGNANTE, bem como pela não compreensão da atividade praticada pela IMPUGNANTE. 8.2 - Erros de interpretação na lavratura dos autos de infração 8.2.1 - Impossibilidade de considerar as contribuições associativas como receita O autuante teria considerado as contribuições associativas como receitas da venda de serviços de corretagem, cujo lucro arbitrado é de 38,4%. A impugnante acredita que o autuante desconhece o art. 142 do CTN. Repete exercer uma função delegada da ANEEL com finalidade de viabilizar a comercialização de energia elétrica, conforme definido em lei. Também é a lei que estabelece que a principal fonte de custeio deve ser [...] a contribuição de seus associados. O Decreto 5.711/2004 estabelece como será constituído o patrimônio da CCEE e pelo previsto fica patente que não constituiu patrimônio da IMPUGNANTE receita derivada da prestação de serviços, haja vista que esta não é uma atividade praticada pela IMPUGNANTE. A IMPUGNANTE não presta serviços de corretagem, diferentemente do que considerou equivocadamente o agente fiscal autuante. Diz ainda: 235. -Vejam, V. Sas.: tanto a Lei n° 10.848/2004, como o Decreto n° 5.177/2004, são expressos ao estabelecer que a IMPUGNANTE possui como receita as contribuições associativas dos seus integrantes, mas não receitas decorrentes de prestação de serviços, tal qual equivocadamente considerado pela fiscalização. A forma de cobrança da contribuição associativa está estabelecida na Resolução Normativa nº 109/2004 e prevê que os custos totais de funcionamento serão cobertos pelas contribuições associativas. Exemplifica que o valor das contribuições associativas recebidas ao longo de 2010, foi definido em 2009, mediante projeção de quais seriam os custos a serem suportados pela impugnante. Pergunta: 241. - Ora, V. Sas., como poderiam as contribuições associativas recebidas pela IMPUGNANTE serem decorrentes da prestação de serviços de corretagem, se a definição do seu valor independe de qualquer atividade nesse sentido?! 8.2.2 - Do não abatimento do IRRF decorrente das receita financeiras Fl. 42658DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.650 19 O autuante informou que a autuada auferiu receitas financeiras e as tributou. O Renda Retido na Fonte - IRRF - decorrente dessas aplicações financeiras teria sido, nas palavras do agente do fisco, utilizado para pagamento de IRPJ, e compensação de PIS e Cofins. A defesa alega que esse IRRF, embora tenha composto o saldo negativo do IRPJ da impugnante, não foi utilizado para compensar qualquer tributo. Diz: 246. - Com efeito, a IMPUGNANTE reconheceu tais saldos negativos, porém, ao proceder às respectivas compensações, utilizou-se apenas e tão somente do saldo negativo relativo às estimativas recolhidas ao longo dos respectivos anos-calendários. A contribuinte contabilizaria os valores referentes às aplicações financeiras porque é considerada titular destes valores e a Receita Federal é informada desses rendimentos. Diz (fls. 40679): 249. - Tais valores [receitas financeiras] são posteriormente devolvidos à Conta de Energia de Reserva -CONER, razão pela qual, para demonstrar tal operação em sua DIPJ, a IMPUGNANTE registra "despesa financeira" em valor próximo à "receita financeira" decorrente de tais aplicações. 250. - Tanto é assim que para cada valor declarado anualmente como "Outras Receitas Financeiras" contabilizada pela IMPUGNANTE referente aos rendimentos de aplicações financeiras de EER, há a correspondente "Outras Despesas Financeiras". Para comprovar o acima exposto, a IMPUGNANTE junta cópia da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") referente aos anos autuados - 2010 a 2013- (fls. 127/356 dos autos). [...]. Tabelas demonstram a proximidade entre outras receitas financeiras e outras despesas financeiras constantes das DIPJ dos anos-calendário 2011 a 2013. A pequena diferença não transferida à CONER seria a receita financeira própria e que seria tributada. Por tal razão entende que jamais utilizou os valores retidos a título de IRRF sobre os rendimentos das aplicações financeiras para pagamento do IRPJ e do PIS e Cofins como teria afirmado o autuante. Junta cópia de PER/Dcomp para comprovar que utilizou, unicamente, os saldos negativos apurados na DIPJ, não se utilizando da parcela do IRRF relativo às verbas repassadas à CONER. Aponta os valores de saldo negativo que teria deixado de utilizar nos anos calendário de 2010 a 2013 e conclui (fls. 40681): 260. -Diante do acima exposto, verifica-se que o Auto de Infração ora guerreado não merece prosperar uma vez que está eivado de erros e equívocos. Restou demonstrado no presente tópico que os rendimentos decorrentes de aplicações financeiras da parcela do EER apenas foram considerados como receita pela IMPUGNANTE pois referidos valores transitaram em sua contabilidade, bem como o IRRF incidente sobre os rendimentos das aplicações financeiras do EER não foram utilizados para pagamento do IRPJ ou para compensação de débitos da Contribuição ao PIS e da COFINS. O mais importante a ser fixado, para melhor compreensão de V.Sas., é que os valores decorrentes dos Fl. 42659DF CARF MF 20 rendimentos de aplicações financeiras são, em última análise, repassados à Conta de Energia de Reserva - CONER. 261. - No mais, na remota hipótese de serem mantidas as exigências veiculadas nos Autos de Infração, o valor do saldo negativo apurado em DIPJ não utilizado deverá ser abatido do valor apurado a título de IRPJ. 9 - Do Encargo de Energia Elétrica Haveria equívoco por o autuante ter considerado os valores que transitaram pelas contas da impugnante a título do EER corresponderiam à receita decorrente da compra e venda da Energia de Reserva. 9.1. Da ação declaratória nº 070720-21.2014.4.01.3400 A ação declaratória proposta discute se os valores correspondentes ao Encargo de Energia de Reserva – EER constituem, ou não, receita e renda da impugnante. Essa matéria não é possível discutir no âmbito do processo administrativo, pois a decisão caberá ao Judiciário. Entende, no entanto, ser possível a discussão da forma em que tais valores deveriam ser tributados no caso de restar vencida na ação judicial: se a receita decorre da venda de mercadoria ou da prestação de serviços. Essa matéria seria mais abrangente do que aquela submetida ao judiciário. Cita jurisprudência do Carf e o Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014. 9.2. Do Encargo de Energia de Reserva - EER A impugnante entende que os valores do EER não poderiam ser considerados como receita e rendimentos decorrentes da venda de energia, tal qual feito pelos autos de infração em causa. Para ela, a eventual receita seria receita de prestação de serviços. Repete a legislação que rege a atividade por ela desempenhada na atividade delegada da ANEEL e, entre outros, transcreve o art. 2º do Decreto nº 6.353/2008: "Art. 2° A contratação da energia de reserva será formalizada mediante a celebração de Contrato de Energia de Reserva - CER entre os agentes vendedores nos leilões previstos no art. 1º e a CCEE, como representante dos agentes de consumo, incluindo os consumidores livres aqueles referidos no § 5º do art. 26 da Lei no 9.427, de 26 de dezembro de 1996. e os autoprodutores. Diz que referido dispositivo, por si só, seria capaz de afastar os Autos de Infração, na medida em que demonstraria que a impugnante não vende energia - ela apenas e tão somente representa os agentes de consumo (ou seja. todas as pessoas físicas e jurídicas que consomem energia elétrica). Transcreve legislação (artigos 4º e 5º do Decreto 6.353/2008) para demonstrar as atividades desempenhadas. Diz: 286. - Mais uma vez, a IMPUGNANTE apenas e tão somente viabiliza as operações de venda e compra de energia, registrando os correspondentes contratos, bem como procedendo à coleta e repasse dos valores a ele relacionados. CONTUDO, A IMPUGNANTE NÃO PROMOVE (E NEM PODERIA. POIS SUA FUNÇÃO É VIABILIZAR O MERCADO E NÃO DELE PARTICIPAR) A COMPRA E VENDA DE ENERGIA ELÉTRICA. Fl. 42660DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.651 21 Acredita que eventual receita não diria respeito à venda de energia elétrica, se aproximando mais a uma possível remuneração de gestão de valores ou serviço de intermediação. 9.3. Do fluxo financeiro da contratação da Energia de Reserva A constatação de que a contribuinte não aufere receitas com a venda de energia elétrica decorre também do fluxo financeiro decorrente da energia de reserva. Repete que os custos da Energia de Reserva são suportados pelos usuários mediante cobrança do EER. Caso os recursos da CONER não forem suficientes para efetuar o pagamento aos vendedores da energia de reserva, bem como para cobrir os custos financeiros, administrativos e tributários, será recalculado o EER, o qual será rateado entre todos os usuários da energia de reserva. Os valores a serem cobrados são aprovados previamente pela ANEEL, considerando estimativas realizadas pela impugnante e fiscalizadas pela Agência. Diz que a atividade da contribuinte se assemelha àquela desempenhada por Bolsas de Valores, na medida em que ela é gestora das operações de compra e venda de energia realizadas entre os operadores de mercado e os consumidores finais. Restaria, assim, afastada a presunção de que os valores cobrados a título de EER seriam, todos, receita da impugnante em razão da venda da energia de reserva. 9.4 Da base de cálculo a ser considerada Caso se entenda que o Encargo de Energia de Reserva deve compor a receita da impugnante, isso não poderia se dar pelo total do EER. Deveria ser considerada receita o valor por ela recebido para fazer frente aos serviços que presta. A contribuinte seria remunerada por meio de contribuição associativa anual com o único escopo de cobrir seus gastos e custos financeiros, administrativos e eventuais recolhimentos tributários da contratação. Cita jurisprudência do Carf em que as agência de publicidade tiveram reconhecido direito de tributar apenas a comissão que recebem e os valores pré- ajustados destinados aos veículos de divulgação foram considerados como receita de terceiros. Também o STJ já decidiu que a receita decorrente dos serviços de intermediação é a comissão por tal atividade. Refere, ainda, decisão do Carf em que o entendimento foi de que o valor de roaming repassado a outra operadora deve se excluído da base de cálculo da Cofins. Concluiu-se que o roaming é a remuneração da operadora que prestou o serviço de telecomunicações, mas cuja cobrança é realizada pela operadora contratada pelo cliente. 10. Requerimentos A impugnante requer o sobrestamento do feito relativamente à discussão acerca da existência e conseqüente tributação ou não do EER e o prosseguimento em relação aos demais pontos impugnados. Pede a nulidade dos lançamentos: Fl. 42661DF CARF MF 22 (i) na parte relativa à aplicação de multa de ofício, porquanto a concessão de tutela antecipada na Ação Declaratória suspendeu a exigibilidade dos tributos ora cobrados, impedindo, pois, a veiculação da multa punitiva; (ii) dos Autos de Infração como um todo, na medida em que não estava presente hipótese capaz de autorizar o arbitramento dos lucros da IMPUGNANTE, porquanto não se esgotaram as possibilidades de apuração do lucro real; e (iii) seja declarada a nulidade do Auto de Infração relativo à CSLL, porquanto não se trata de tributo objeto da fiscalização, eis que não contemplada no respectivo MPF. No mérito, pede a improcedência dos autos de infração, porque não poderiam ter sido lavrados com base no lucro arbitrado. Se mantidas as exigências, pede que o saldo negativo de IRPJ dos anos calendários objeto de autuação e não utilizados sejam abatidos do valor apurado a título de IRPJ. Dada a complexidade da causa e o grande volume documental envolvido, mais de 40 mil folhas, pede prazo adicional de 30 dias para apresentação de novos documentos e para se pronunciar sobre documentos acostados ao processo. 11. Da emenda à impugnação A impugnante voltou ao processo em 27/05/2015 para apresentar novas informações acerca da não utilização do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. São repetidos muitos dos argumentos de defesa já apresentados na impugnação. A impugnante traz tabelas com o total de aplicações financeiras realizadas nos anos-calendário autuados e o respectivo IRRF. Diz: 5. - vejam, v. Sas., que os valores retidos a título de IRRF se confundem com aqueles valores não utilizados a título de Saldo Negativo pela IMPUGNANTE, justamente porque, como foi declinado na Impugnação, embora tenha reconhecido tais saldos negativos em suas DlPJs, ao proceder às respectivas compensações, a IMPUGNANTE utilizou-se apenas e tão somente do saldo negativo relativo às estimativas recolhidas ao longo dos respectivos anos-calendário e ao IRRF relativo a aplicações financeiras próprias, não relacionadas ao Encargo de Energia de Reserva - ERR. 6. - Justamente por isso, a IMPUGNANTE esclarece que jamais utilizou os valores retidos a título de IRRF sobre os rendimentos das aplicações financeiras da CONER para pagamento do IRPJ e da Contribuição ao PIS e da COFINS, tal qual equivocadamente indicado pelo agente fiscal autuante. na medida em que tais valores não constituem receita própria. 7. - Com efeito, conforme se demonstra dos PER/DCOMPs anexados à Impugnação, analisados em conjunto com as respectivas DIPJs, a IMPUGNANTE utiliza-se apenas de parte dos valores relativos aos saldos negativos apurados na DIPJ, não se utilizando da parcela do IRRF relativo às verbas repassadas à CONER (doc. 19/22). Depois esclarece quanto teria deixado de usar de saldo negativo, repetindo o que já havia constado da impugnação e ratifica os pedidos de nulidade e improcedência das exigências. DA CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Por meio da Resolução nº 822 (fls. 41854/41860) essa 5ª Turma converteu o julgamento em diligência. O entendimento foi de que “as antecipações de IRPJ e Fl. 42662DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.652 23 CSLL, sob a forma de pagamentos de estimativas ou de retenções na fonte, devem ser deduzidas do tributo apurado sob a sistemática do lucro arbitrado, respeitados os respectivos períodos de apuração”. As providência solicitadas estão reproduzidas adiante. 27. Em face do exposto, o processo deve ser baixado em diligência para que a unidade de origem informe e tome as seguintes providências: 27.1 Esclareça a afirmativa acerca do aproveitamento do IRRF sobre aplicações financeiras, constante do relatório fiscal (fls. 40458 do processo): ‘Quanto aos valores retidos de IRRF relativo a estes rendimentos [de aplicações financeiras], foram utilizados para pagamento dos tributos IRPJ, e compensação de PIS e COFINS.’ Há necessidade de que seja demonstrada essa utilização em cada período autuado, juntando documentação comprobatória, se for o caso. 27.2. Informe o total de direito creditório relativo a saldos negativos de IRPJ e CSLL, referente a cada um dos anos autuados, utilizado em compensações e/ou restituição por meio de PER/DCOMP e, por conseguinte, os montantes anuais de crédito (saldos negativos de IRPJ e CSLL) não utilizados em compensações/restituição. Juntar documentação comprobatória. O resultado da diligência consta do “Termo de Informação Fiscal” de fls. 42224/42228. O autuante, que também efetuou a diligência, inicialmente resume o trabalho fiscal e ratifica as razões de autuação. Ao se referir ao mérito da diligência, expressa seu entendimento acerca da aproveitamento dos pagamentos efetuados pelo contribuinte. Diz (fls. 42226): O entendimento desta fiscalização quanto ao aproveitamento de ofício é no sentido de que os recolhimentos efetuados a maior, ou seja, em valores superiores ao apurado pelo sujeito passivo, necessitam da manifestação do contribuinte para sua destinação, portanto, devem ser objeto de compensação ou restituição, por meio da declaração PER/DCOMP para o devido controle, ainda que tais recolhimentos tenham sido obrigatórios, como nos casos das estimativas mensais e das retenções na fonte. Após essas considerações, o agente do fisco traz tabelas (fls. 42227/42228) com os valores de (1) estimativas mensais declaradas em DIPJ, confessadas em DCTF e recolhidas por darf; (2) Imposto de Renda Retido na Fonte deduzido na DIPJ e constante da DIRF de terceiros; e (3) saldos negativos de IRPJ e CSLL dos anos autuados, utilizados em compensações. A contribuinte foi instada a se manifestar acerca do resultado da diligência e voltou a processo com a petição de fls. 42235/42239. A defesa não teceu considerações sobre o objeto da diligência, que era a quantificação dos valores recolhidos ou retidos. Ela, basicamente, ratificou os termos da impugnação apresentada. Aduziu, ainda, que já houve sentença no processo judicial nº Fl. 42663DF CARF MF 24 0070720-21.214.4.01.3400 e que a parte autora teve seu pedido integralmente reconhecido. Houve interposição de apelação pela União. Em 30 de junho de 2017 a DRJ em Porto Alegre - RS julgou a impugnação parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, importa em renúncia às instâncias administrativas, naquilo em que houver identidade de objetos e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa. NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE TDPF-F. INOCORRÊNCIA. O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal - TDPF - é instrumento de controle interno da administração tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Os tributos apurados com base nos mesmos elementos de prova que configuraram infração, em relação a tributo contido no TDPF, consideram-se albergados no mesmo procedimento fiscal, independentemente de menção expressa. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. CARACTERIZAÇÃO. A receita obtida com os pagamentos mensais efetivados por associados de associação civil, quando evidenciado o caráter contraprestacional desses pagamentos, caracteriza o recebimento de receita de prestação de serviços. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEFICIÊNCIAS E ERROS NA ESCRITURAÇÃO. CABIMENTO. Está sujeito ao arbitramento do lucro o contribuinte que apresentar a escrituração a que estiver obrigado com erros e deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR A DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE APÓS O INÍCIO DE PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. No lançamento para prevenir a decadência cabe a exigência de multa de ofício se a suspensão da exigibilidade do débito se deu após o início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. ARBITRAMENTO DO LUCRO - APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS EFETUADOS SOB OUTRA SISTEMÁTICA. POSSIBILIDADE. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício no arbitramento do lucro devem ser deduzidos eventuais pagamentos efetuados pelo lucro real e aproveitadas as retenções na fonte, respeitados os respectivos períodos de apuração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recorreu-se de ofício dos valores cancelados de R$ 19.402.382,81 de IRPJ e R$418.248,50 de CSLL, correspondente às deduções do IRRF e das estimativas de IRPJ e CSLL pagas. Cientificada em 19 de julho de 2017 (fl. 42.379), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18 de agosto de 2017 (fl. 42.380), reiterando os argumentos expostos na impugnação e contrapondo os argumentos do acórdão da DRJ, em resumo: Fl. 42664DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.653 25 (i) reitera a necessidade de sobrestamento até decisão definitiva nos autos da Ação Declaratória 0070720-21.2014.4.01.3400, alegando que "na remota hipótese de a EER vir a ser considerada tributável quando do julgamento derradeiro da Ação Declaratória em comento, a forma pela qual deverá ocorrer constitui matéria mais abrangente que aquela levada à discussão no âmbito do Poder Judiciário (tão somente se é tributável), razão pela qual tal discussão pode e deve ser conhecida na seara administrativa, sendo, porém, sobrestada, aguardando-se a decisão judicial, por sua natureza prejudicial às decisões a serem tomadas nesta esfera." (ii) nulidade da autuação referente à CSLL já que o MPF-F apenas mencionou o IRPJ, PIS e COFINS, sendo que, nos termos da Portaria 1687/2014, o agente fiscal até poderia lançar outros tributos com base nos mesmos elementos de prova, desde que aditasse o TDPF e cientificasse a Recorrente. (iii) no mérito, sustenta que a conclusão a que chegou o acórdão recorrido, de que a Recorrente presta serviços a seus associados, está completamente dissociada de suas premissas, em argumentação confusa. Apresenta parecer que explica as atividades realizadas pela Recorrente, como agente viabilizadora de operações, atuando como mera arrecadadora e repassadora de recursos de terceiros no âmbito da gestão do Encargo de Energia de Reserva - EER. Neste sentido, defende que a natureza de contribuição associativa quanto aos valores percebidos de seus associados não advém de interpretação sua mas de lei federal. (iv) sustenta a nulidade do lançamento do lucro arbitrado com base no art. 530, II, do RIR/99 (imprestabilidade da escrituração) por não ter havido esgotamento das possibilidades para a apuração do lucro real, sustentando, ainda, que suas demonstrações foram desconsideradas não por sua imprestabilidade mas por desconhecimento da autoridade fiscal quanto às regras contábeis específicas a ela aplicáveis, estabelecidas na Lei 10.848/2004, Decreto 6.353/2008 e Resolução Normativa ANEEL 109/2004. Alega, ademais, que a fiscalização durou apenas 2 meses e contou com apenas 2 notificações ao contribuinte para a apresentação de documentos que foram tempestivamente atendidas, inclusive tendo a ora Recorrente preparado um roteiro que permitisse a identificação dos lançamentos contábeis constantes do Razão. Alega, por fim, que os 4 autos de infração contendo cerca de 100 folhas foram lavrados no mesmo dia em que a Recorrente apresentou parte da documentação solicitada pelo fiscal, sem portanto que houvesse tempo hábil para a sua análise. Passa, então, a contrapor cada argumento utilizado pelo fiscal para o arbitramento do lucro, reiterando a impugnação. (v) subsidiariamente, defende a inaplicabilidade da multa de ofício pois quando da concessão da tutela antecipada nos autos da Ação Declaratória não havia procedimento instaurado em face da Recorrente para constituição de crédito tributário, eis que a diligência fiscal se encerrou em 15/10/2014, a antecipação de tutela foi deferida em 20/11/2014 e apenas em 23/01/2015 a Recorrente tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal que resultou nos presentes autos de infração. Em 4 de dezembro de 2017 a PFN apresentou petição manifestando ciência quanto ao recurso voluntário interposto e informando que apresentará os memoriais com as suas razões para a defesa e que realizará sustentação oral na ocasião do julgamento do presente feito. Recebi o processo em distribuição realizada em 13 de abril de 2018. Fl. 42665DF CARF MF 26 Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. CONTEXTUALIZAÇÃO Conforme relatado, a Recorrente é associação civil sem fins lucrativos criada para viabilizar a comercialização de energia elétrica no âmbito do Sistema Interligado Nacional - SIN, conforme expressa previsão da Lei n° 10.848/2004. Sucessora do Mercado Atacadista de Energia Elétrica - MAE, sua atividade é ainda regulamentada pelos Decretos 5.163/2004 e 5.177/2004, bem como pela Resolução Normativa ANEEL n° 109/2004. Os custeios administrativo e operacional da Recorrente, também por expressa previsão legal, decorrem de contribuições de seus membros e emolumentos cobrados sobre as operações realizadas (§ 4º, do art. 4º, da Lei 10.818/2004). Sobre tais valores, a Recorrente recolhe IRPJ e CSLL no regime de lucro real anual, tendo em vista que não preenche os requisitos para a isenção, sobretudo por remunerar seus diretores. Recolhe também PIS e COFINS no regime não cumulativo. Por entender não se tratar de serviços, não emite notas fiscais nem recolhe ISS ou vê retido IRRF sobre tais valores. Entre outras atribuições, a Recorrente opera no mercado de energia de reserva, a qual é destinada a aumentar a segurança no fornecimento de energia elétrica no SIN e é oriunda de usinas especialmente contratadas para esse fim. A contratação da energia de reserva é efetuada entre os agentes vendedores e a Recorrente, na qualidade de representante dos agentes de consumo (Art. 2º, do Decreto 6.353/2008). Os custos decorrentes da contratação da energia de reserva devem ser rateados entre todos os usuários finais de energia elétrica do SIN e são cobertos pelo Encargo de Energia de Reserva – EER. Nesse contexto, e conforme dispõe o artigo 5º do Decreto 6.353/2008, incumbe à Recorrente receber o EER e efetuar o pagamento aos agentes vendedores, utilizando a Conta de Energia de Reserva – CONER. No procedimento fiscal ora em análise a autoridade autuante efetuou o arbitramento do lucro com base no artigo 530, II, do RIR/99, por entender que a contabilidade da Recorrente seria imprestável para apuração do lucro real. Em tal lançamento, considerou que as contribuições associativas recebidas pela Recorrente seriam receitas de prestação de serviços de corretagem, bem como que os pagamentos e recebimentos a título de EER seriam relativos a compra e venda de energia elétrica. Ademais, foi aplicada multa de ofício de 75% porque, não obstante se trate de lançamento para prevenir decadência, não mais estariam presentes os requisitos para a configuração da espontaneidade, em virtude do procedimento de diligência amparado pelo MPF 0819000.2014.00433-9. Fl. 42666DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.654 27 DELIMITAÇÃO DA CONTROVÉRSIA Preliminarmente, pleiteia a Recorrente o sobrestamento do presente processo administrativo até decisão definitiva nos autos da Ação Declaratória 0070720- 21.2014.4.01.3400. Sobre o assunto, vale lembrar o que dispõem os seguintes enunciados emitidos por este CARF (grifamos): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Por meio da ação judicial, a Recorrente pretende ver reconhecido o seu direito de não ser compelida ao recolhimento de tributos sobre o EER, tendo obtido liminar favorável nos seguintes termos: Por sua vez, no presente processo administrativo a Recorrente se insurge contra aspectos do lançamento que, embora não se refiram às questões levadas a julgamento perante o Poder Judiciário, influem diretamente na quantificação da obrigação tributária que, ao final do processo judicial, poderá (ou não) consagrar-se como exigível. Especificamente, no presente processo administrativo a Recorrente tece alegações contra a forma como o lançamento fora efetuado, alegando por exemplo que as contribuições de seus associados não têm a natureza de contraprestação por serviços, bem como que a autoridade fiscal teria, ao calcular os tributos devidos, utilizado regime de tributação não aplicável ao caso (lucro arbitrado), por não ter restado configurada a hipótese que permite o cálculo de tributos por tal sistemática. Considerando que a matéria relativa à obrigatoriedade de oferecimento à tributação do EER está sob análise do Poder Judiciário, e tendo em vista os enunciados das Súmulas CARF n. 1 e 48 acima transcritos, falece a esta esfera pronunciar-se em tese sobre esta questão. Todavia, isso não impede que esta Turma se pronuncie sobre o lançamento concretamente considerado -- obviamente partindo do pressuposto de que se deve, apenas, e se Fl. 42667DF CARF MF 28 for o caso, corrigir aspectos deste lançamento, sem abordar o tema de se em tese a tributação (no caso, do EER) é devida ou não. É neste sentido que a Receita Federal assim orienta no Parecer Normativo COSIT 7/2014: Assim, a matéria do presente recurso está delimitada a analisar se no caso estavam presentes os requisitos para o lançamento pelo regime do lucro arbitrado com base no art. 530, II, do RIR/99, bem como, em caso positivo, se as contribuições dos associados têm ou não a natureza de contraprestação por serviços para fins dessa tributação. Não é o caso, portanto, de se sobrestar o andamento do presente processo. PRELIMINAR DE NULIDADE - CSLL Ainda em sede preliminar, a Recorrente sustenta a nulidade da autuação referente à CSLL por não ter o MPF-F mencionado tal tributo. Entendo que nesse ponto não assiste razão à Recorrente. Eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN. Neste sentido, as normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal (MPF) dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. Vale lembrar que as hipóteses de nulidade estão previstas no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, sendo especificamente a emissão de atos e termos por pessoa incompetente e a emissão de despachos e decisões por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sobre esta última hipótese, ressalte-se que ela apenas se aplica a despachos e decisões e não ao procedimento de fiscalização ou a seu possível resultado (a lavratura de auto de infração), já que este é essencialmente inquisitório, de maneira que o contraditório somente se instaura com a apresentação de impugnação tempestiva por parte do contribuinte. Portanto, não há que se falar em nulidade da autuação com relação à CSLL mesmo em não tendo o MPF mencionado tal contribuição expressamente. Fl. 42668DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.655 29 ARBITRAMENTO DO LUCRO Passamos à análise do mérito. A Recorrente sustenta não ser caso de lançamento dos tributos na modalidade do lucro arbitrado com base na receita bruta, não tendo se operado a hipótese legal utilizada como base pela autoridade fiscal, qual seja, o art. 530, II, do RIR/99. Referido artigo prevê que o IRPJ será lançado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. A autoridade lançadora entendeu estarem presentes 9 vícios, os quais são pontualmente contestados pela Recorrente. Passamos a analisar cada um deles. 1. Não respeitar o método das partidas dobradas A autoridade autuante indica que os dados constantes dos Livros Diário apresentados não conteriam os elementos básicos de um lançamento contábil, pois somente apresentam uma informação: ou a conta debitada ou a creditada, não obedecendo ao método das partidas dobradas. Ao analisar a questão, a DRJ entendeu que "(...) há evidências de que a contribuinte faça partidas dobradas, em que pese haja dificuldade para identificá-las. Nesse ponto é de se concordar com a impugnante que poderia o autuante ter instado a auditada a esclarecer a sistemática adotada e, se fosse o caso, a refazer sua escrituração de forma a viabilizar a auditoria." Não obstante, a DRJ acaba por concordar com a autuação por ter identificado "outras dificuldades intransponíveis", como a falta de informação que permita identificar todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. Nesse ponto, todavia, a DRJ acaba por inovar o lançamento, operando em cerceamento do direito de defesa da contribuinte, já que a acusação foi especificamente a de não respeitar o método das partidas dobradas e, conforme atestou a própria DRJ, tal fato não restou comprovado pela autoridade fiscal. Ademais, tal dificuldade inexiste já que, conforme lembrou a Recorrente, os arquivos permitem a utilização da função "localizar", de maneira que basta pressionar "Ctrl+L" e digitar o número da conta contábil desejada para encontrar as contrapartidas. Ou seja, a autoridade autuante não comprova as acusações efetuadas, sendo que a defesa foi capaz de trazer provas capazes de infirmar as conclusões constantes do TVF, o que é suficiente para que os fatos acima não sirvam de argumento suficiente para manter o lançamento efetuado. 2. Não registrar em ordem cronológica Fl. 42669DF CARF MF 30 O autuante diz que os registros não obedecem uma seqüência cronológica, no nível intradiário. Os registros mensais estariam ordenados corretamente por dia, porém, dentro do dia estariam por ordem de conta e não cronológica. Tal acusação foi rebatida pela DRJ, que apurou que a Recorrente cumpriu os requisitos mínimos para a escrituração, que é seguir ordem cronológica de dia, mês e ano. Além disso, não obstante as normas contábeis determinem que o registro contábil deve conter o número de identificação do lançamento em ordem seqüencial relacionado ao respectivo documento de origem e que tal norma não esteja sendo seguida pela autuada, "não se pode considerar essa deficiência para fins de desconsideração da contabilidade, eis que o autuante não demonstra ou alude aos prejuízos que isso eventualmente traria para o trabalho fiscal." 3. Falta de clareza (art. 1.184 do Código Civil) O autuante diz que os registros contábeis não são claros e não permitiriam a identificação da natureza das operações. Tal acusação é rebatida pela DRJ, que nesse ponto concorda com as alegações da defesa de que o que houve foi na verdade incompreensão pela autoridade autuante das atividades desenvolvidas pela Recorrente e das normas específicas a ela aplicáveis. Destaco o seguinte trecho da decisão recorrida: O que "não estava claro" deveria ser motivo de aprofundamento durante a ação fiscal, de indagação à contribuinte se necessário, da análise das respostas e da demonstração inconteste de que a escrituração não se presta para a apuração do lucro real. A conclusão do trabalho fiscal não é o momento para a formulação dessas indagações, elas deveriam ter sido efetuadas e esclarecidas durante a ação fiscal. Outro ponto abordado de forma superficial no trabalho fiscal é o que refere as contas iniciadas por '8'. O autuante unicamente diz que há vários registros nos livros se referindo a contas iniciadas por 8, o que não faz sentido e que elas não constam nos balancetes anuais. Afirma que há lançamentos diários desse tipo durante todo o período fiscalizado. Ora, se existem lançamentos diários durante todo o período fiscalizado, caberia ao autuante, com o poder fiscalizatório que tem, indagar da contribuinte a razão dessa escrituração e, mais que isso, demonstrar como ela se dá, quais as contrapartidas, como se dá o encerramento dessas contas. A abordagem utilizada no trabalho fiscal deixa de instruir o processo com elementos probatórios importantes para a solução do caso. Não é crível que uma contribuinte desse porte e dessa importância na vida nacional efetue, por longos anos, lançamentos indecifráveis. A expertise fiscal deveria ter sido direcionada para esclarecer esses lançamentos. Não obstante, a DRJ concorda com a autuação por concluir que "Em que pese a deficiência do trabalho fiscal que limitou-se a dizer que tais contas não fazem sentido, deveria a impugnante ter demonstrado e esclarecido o funcionamento dessas contas. Não o tendo feito de forma esclarecedora, confirma a afirmativa fiscal de que não há clareza nos seus registros." Ocorre que referida conclusão da DRJ vai de encontro à máxima de que quem acusa deve provar. Fl. 42670DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.656 31 A contribuinte apresentou justificativa para todos os fatos apresentados pelo fiscal como sinais da "falta de clareza" da qual foi acusada. Se ainda assim restou algum esclarecimento a ser feito este deveria compor a acusação, já que pretender que a contribuinte se defenda plenamente de uma acusação vaga de que as contas "não fazem sentido" é, isso sim, cercear seu direito de defesa. Para que se exija defesa clara a acusação deve ser igualmente clara, pontual. Diante disso, não vejo como manter o arbitramento do lucro com base na suposta "falta de clareza" não comprovada pela autoridade autuante. 4. Falta de caracterização do documento respectivo (art. 1.184 do Código Civil) O autuante relata que grande parte dos registros não identifica o documento que os respalda. A defesa acerca de tal acusação está intimamente ligada com a acusação seguinte, referente aos lançamentos por totalização, razão porque, assim como o fez a DRJ, os itens serão tratados em conjunto, a seguir. 5. Utilizar-se de escrituração resumida do Livro Diário Além de os registros não identificarem o documento que os respalda, o autuante relata que a escrituração do Livro Diário se dá com lançamentos por totalização. Em sua defesa, a Recorrente sustenta que o fato de os lançamentos relativos à Energia de Reserva serem efetuados de forma consolidada não é motivo para arbitramento do lucro, em especial porque a composição do valor consolidado pode ser inferida dos Mapas Pós- Liquidação de Energia de Reserva, documentos auditados mensalmente, utilizados por todos os seus associados para a conferência das operações e que são considerados documentos oficiais pela ANEEL. Analisando a questão, a DRJ considerou que a escrituração resumida do Diário é permitida desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, como prevê o artigo 1.184 do Código Civil e o par. 2o do artigo 258 do RIR/99. Concluiu, porém, que seria o caso de arbitramento porque ausente tal autenticação, citando jurisprudência deste CARF, bem como que os documentos de suporte indicados com a impugnação "não se prestam para substituir os livros auxiliares, além de não estarem assinados ou datados". Ao assim proceder, o acórdão recorrido demonstra ter, tal como o fez a autoridade autuante, preferido ignorar que a Recorrente exerce atividade específica regulada por normas próprias, em especial Lei 10.848/2004, Decreto 6.353/2008 e Resolução Normativa ANEEL 109/2004, as quais determinam uma série de controles quanto aos procedimentos e registros por ela adotados, tanto no âmbito interno, por meio de sua assembléia geral e seu conselho de administração, quanto externo, por seus associados e pela ANEEL. Fl. 42671DF CARF MF 32 Não bastasse isso, ainda há o detalhe, não menos importante, de que as demonstrações financeiras da contribuinte foram auditadas por auditoria externa independente, de renome internacional, a qual igualmente não colocou ressalvas aos controles realizados. A jurisprudência deste CARF não admite que meros aspectos formais levem necessariamente à conclusão pela desconsideração da escrita da empresa. É por isso, por exemplo, quando o enunciado da Súmula CARF nº 93 estabelece que "A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa." Nesse contexto, não podem a escrituração resumida do Diário e a consequente falta de identificação do documento que respalda cada registro ser tomada como razão para o arbitramento do lucro quando a Recorrente prova, mediante a apresentação de documentos previstos na legislação a ela aplicável (i.e., os Mapas Pós-Liquidação de Energia de Reserva), que há consistência em seus procedimentos de escrituração. No caso, para que tais alegações pudessem ser encaradas como vícios na escrituração deveria a autoridade fiscal ter ou provado inconsistências específicas ou, pelo menos, basear sua conclusão pela inidoneidade dos documentos em questionamentos feitos quer pela ANEEL quer pelos associados da Recorrente, porém não há notícia de que tais questionamentos tenham sequer sido feitos. Diante disso, considero não haver provas de que a escrituração da Recorrente deva ser desconsiderada por tal fundamento. 6. Contabilizar receitas, custos, despesas e apurar resultados em contas patrimoniais Conforme apurou a DRJ, tal fato não é propriamente um vício da contabilidade mas uma divergência quanto à natureza dos valores. A Recorrente afirma que, por não considerar que a gestão do EER lhe gere receitas ou despesas, não considera os respectivos valores em contas de resultado, mas em contas patrimoniais de compensação, nos grupos 1.4 – Ativo Energia de Reserva e 2.7 – Passivo Energia de Reserva, de forma segregada dos seus ativos e passivos. Já a autuação considera que a contribuinte aufere receitas e despesas com compra e venda de energia elétrica e que, portanto, todas essas receitas e despesas deveriam transitar pelo resultado. Caberia à autoridade autuante não apenas expor os alegados equívocos na contabilização, mas demonstrar que esses equívocos o impedem de apurar o lucro real. Se há receitas ou despesas não consideradas no resultado mas elas são identificáveis e quantificáveis, isso, por si só, não leva ao arbitramento, dado que pode ser reconstituído o lucro pela sistemática adotada pelo contribuinte. 7. Manter contas de ativo com saldo credor e contas de passivo com saldo devedor Fl. 42672DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.657 33 O autuante refere a existência de contas de ativo com saldo credor, exemplificando com a conta 1.4.1.07.0002 "reembolso de despesas a re" saldo inicial em 2010 credor em R$ 477 mil, entendendo ser difícil deduzir qual a natureza dos valores ali contabilizados. Também se refere a contas de passivo com saldo devedor, como a conta 2.7.1.01.0003 "fornecedor gerador de ener" saldo inicial em 2010 de R$ 690 milhões, assim também as contas 2.7.2.01.0002 "adiantamento do repasse ge" saldo devedor inicial em 2010 de R$ 1 milhão, conta 2.7.2.01.0003 "adiantamento a gerador de" saldo inicial devedor em 2010 de R$23 milhões. A decisão recorrida concorda com a manutenção da autuação por este argumento afirmando que, embora a contribuinte tenha explicado que tal forma de contabilização reflete a metodologia utilizada para controle do EER (e que tais contas não impactam os saldos contábeis já que se trata de recursos que ela apenas gerencia, não tributáveis), ela não explica especificamente a natureza dos valores mencionados pelo autuante. Em sua peça recursal a Recorrente não contrapõe essa acusação feita no acórdão recorrido, ou seja, não tece considerações específicas sobre as contas mencionadas na autuação. Não obstante, suas explicações gerais acerca da metodologia contábil a ela aplicável são suficientes para, no mínimo, colocar dúvida sobre a conclusão do TVF de que tal forma de contabilizar torna a sua escrituração imprestável. De fato, tal forma de registro de ativos e passivos não é absurda se a contribuinte entende que apenas gerencia recursos de terceiros e não lida com recursos próprios. Se o tratamento tributário conferido aos valores está correto ou não isso é matéria que está afeta ao Poder Judiciário, conforme já vimos acima. Mas fato é que, se a contribuinte entende que não se trata de recursos próprios, a forma de contabilizar os valores está de acordo com tal entendimento, ou seja, ela se comportou de maneira adequada à tese que pretende defender. Neste cenário, inadequado seria pretender que ela, mesmo defendendo não se tratar de recursos próprios, devesse registrar os valores de forma diversa, pois aí sim haveria comportamento contraditório de sua parte, passível, aí sim, de colocar em dúvida a idoneidade de seus registros contábeis. Vale notar, ademais, que para contrapor a acusação fiscal a Recorrente apresentou parecer técnico analisando os procedimentos contábeis por ela adotados o qual, em termos gerais, sugere a manutenção da política contábil. Transcrevo abaixo as conclusões do citado parecer: Fl. 42673DF CARF MF 34 Neste contexto, percebe-se que os desacordos sobre a forma como devem ser realizados os registros contábeis se devem muito mais a divergências de entendimento do que a inconsistências que levem à conclusão de que os registros são imprestáveis ou contêm vícios ou fraudes. 8. Os Livros Razão também contêm vícios Com relação aos Livros Razão o autuante diz que os vícios seriam que (i) os registros não se identificam pelo número de registro adotado no Livro Diário, o que impede a localização cruzada entre livros e (ii) muitos registros não indicam a contrapartida. A DRJ conclui que a primeira dificuldade apontada pelo autuante inexiste, pelos mesmos motivos já apontados quanto aos Livros Diário no item 1 acima. Já quanto à ausência de contrapartida, concorda com a autuação, indicando que "As deficiências do razão são as mesmas do Diário, de forma que não se conhece as contrapartidas, mormente quando há mais de uma conta debitada ou creditada, como demonstrado no item anterior." Diferentemente do item 1, aqui a acusação é especificamente de não ser possível identificar a contrapartida do Razão. Diante de tal acusação, a Recorrente preparou um roteiro que, segundo ela, permitiria a identificação dos lançamentos contábeis no Razão. A autoridade autuante recebeu esse roteiro e, no mesmo dia, lavrou o auto de infração, em clara demonstração de que ignorou tal documentação. Ademais, conforme já se analisou no item 1 acima, a acusação de impossibilidade de localização da contrapartida merece ser refutada quando se percebe que os Fl. 42674DF CARF MF Processo nº 19515.720254/2015-61 Acórdão n.º 1401-002.652 S1-C4T1 Fl. 42.658 35 arquivos permitem a utilização da função "localizar", de maneira que basta pressionar "Ctrl+L" e digitar o número da conta contábil desejada para encontrar as contrapartidas. Neste sentido, não considero que haja provas nos autos de que os livros Razão da Recorrente tenham vícios. Pelo contrário, o que há são claros indícios de falta de voluntariedade da autoridade fiscal para compreender o nicho de negócio da Recorrente e as normas a ela aplicáveis. 9. Não contabilizar em títulos próprios O autuante aduz que operações de mesma natureza (energia elétrica de reserva), foram registradas ora em conta do ativo, ora em conta de passivo. A contribuinte reclama da incompreensão do autuante quanto às suas especificidades e diz que a gestão do EER exige que ela mantenha contas a receber contabilizadas no ativo, que possui natureza devedora, e contas a pagar seja contabilizado no passivo, que por usa vez tem natureza credora. A decisão recorrida incorre no mesmo erro da autoridade autuante quando afirma que "A impugnante não explica a utilização de contas de ativo e passivo para registrar operações de mesma natureza.", bem como quando conclui que: "tais práticas tornam a contabilidade viciada e impedem a apuração do resultado pela incerteza que geram quanto à natureza dos valores escriturados." Conforme já mencionado no item 7 acima, a Recorrente apresentou parecer técnico analisando os procedimentos contábeis por ela adotados o qual, em termos gerais, sugere a manutenção de sua política contábil, considerando as normas específicas que lhe são aplicáveis, as quais, vale notar, foram ignoradas pela autoridade fiscal ao proceder à autuação. Tivesse a autoridade fiscal compreendido o contexto normativo em que se insere a Recorrente e considerado o disposto na Lei 10.848/2004, no Decreto 6.353/2008 e na Resolução Normativa ANEEL 109/2004, ela até poderia discordar da forma como foram realizados os registros contábeis ou dos respectivos impactos fiscais, procedendo à autuação pelas diferenças apuradas, mas não nos parece que tal discordância possa ter o condão de levar à conclusão de que há vícios na escrituração que a tornem imprestável para apurar o lucro real. Conclusão Todos os pontos apontados pela autoridade autuante como indicativos de que a contabilidade da Recorrente é imprestável para se apurar o lucro real, se encarados sob um contexto mais amplo, considerando que a atividade da Recorrente é específica e regulada por normas próprias, revelam-se fruto de incompreensão da autoridade fiscal quanto ao regramento ao qual a Recorrente está vinculada, em clara demonstração de animosidade com o que é diferente. No caso, ao se deparar com uma situação peculiar, a fiscalização preferiu inferir de pronto a imprestabilidade da escrita, não tendo aprofundado a investigação para dizer Fl. 42675DF CARF MF 36 as razões pelas quais, mesmo em se adotando as premissas da Recorrente, seus registros contábeis não merecem ser considerados, ou seja, que os procedimentos por ela adotados trazem em si possibilidades de manipulação do resultado através da sua contabilidade. Não se vislumbram, nos presentes autos, vícios na escrituração capazes de levar à conclusão de que a contabilidade da Recorrente deve ser completamente ignorada levando, como consequência, à apuração de seus resultados pelo regime do lucro arbitrado. Neste sentido, revela-se equivocada a forma de tributação imposta pela autoridade autuante, o que joga por terra o lançamento efetuado. Registre-se que, sendo inaplicável a forma de apuração do lucro utilizada pela autoridade autuante, não vejo possibilidade de manter o lançamento sob nenhuma hipótese, daí porque restam prejudicadas a questão sobre a natureza das contribuições dos associados, assim como a referente à inaplicabilidade da multa de ofício. Recurso de Ofício O recurso de ofício discute a permissão conferida pelo acórdão recorrido para a dedução, do valor devido, do IRRF e das estimativas de IRPJ e CSLL pagas. Tendo em vista a conclusão acima pela insubsistência da autuação a análise do recurso de ofício resta prejudicada. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário, restando prejudicada a apreciação do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 42676DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905737/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 37 /2 00 8- 43 Fl. 444DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000439 (fls. 152/154), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10980.905737/200843 Acórdão n.º 3402005.357 S3C4T2 Fl. 445 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 446DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 140 a 145. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 2.980,40 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10980.905737/200843 Acórdão n.º 3402005.357 S3C4T2 Fl. 446 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 2.980,40, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.728486/2016-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DESPESAS MÉDICAS. INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA.
As despesas médicas dedutíveis restringem-se aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e planos de saúde, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, inexistindo previsão legal para dedução dos valores pagos a instrumentador cirúrgico.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada na decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2002-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para restabelecer despesas médicas no montante de R$7.846,16.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DESPESAS MÉDICAS. INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA. As despesas médicas dedutíveis restringem-se aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e planos de saúde, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, inexistindo previsão legal para dedução dos valores pagos a instrumentador cirúrgico. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada na decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para restabelecer despesas médicas no montante de R$7.846,16. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 68 1 67 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.728486/201649 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.214 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MARIA APARECIDA CAMPOS STRAUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 DESPESAS MÉDICAS. INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA. As despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo Contribuinte a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais e planos de saúde, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, inexistindo previsão legal para dedução dos valores pagos a instrumentador cirúrgico. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada na decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 84 86 /2 01 6- 49 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 18470.728486/201649 Acórdão n.º 2002000.214 S2C0T2 Fl. 69 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, para restabelecer despesas médicas no montante de R$7.846,16. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 18470.728486/201649 Acórdão n.º 2002000.214 S2C0T2 Fl. 70 3 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 5 a 10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2015. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.134,60 para saldo de imposto a pagar de R$5.816,91. A notificação aponta a dedução indevida de despesas médicas por falta de comprovação (Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado R$9.153,86) e por falta de previsão legal (Ivone Sant'anna R$600,00). Impugnação Cientificada à contribuinte em 7/11/2016, a NL foi objeto de impugnação, em 25/11/2016, à fl. 2 a 20 dos autos, na qual o representante da contribuinte alegou que a despesa efetuada com Ivone Sant'anna foi efetuada por ocasião de realização de cirurgia na Casa de Saúde São José e, por decorrência, deveria ser acatada. Requer também o restabelecimento do pagamento efetuado a APALERJ diante dos documentos que junta à impugnação. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgoua improcedente por falta de previsão legal para dedutibilidade de dedução declarada e por deficiência da comprovação apresentada em relação à outra (fls. 37 a 41) . Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 31/3/2017 (fl. 45), a contribuinte, por intermédio de representante legal, em 26/4/2017 (fl. 48), apresentou recurso voluntário, às fls. 48 a 65, no qual alega, em síntese, que: passou por cirurgia médica e o Relatório de Internação Cirúrgica consigna o nome da instrumentadora Ivone Sant'anna como tendo participado da cirurgia. argumenta que a escolha do local da cirurgia é feita pelo médico, não cabendo falar em conta hospitalar. a nota fiscal foi emitida pelo profissional, seu médico particular, constando do documento Antonio Carlos Jardim Serviços Médicos Ltda. no tocante à despesa efetuada com APALERJ, informa que seu cônjuge, Antônio Ricardo Venâncio Straus, usufrui do programa de assistência médica e hospitalar sem nenhuma contrapartida financeira, uma vez que está coberto pela contribuição única descontada da contribuinte, no percentual de 3,5% dos seus ganhos brutos. aponta a juntada da Declaração de Ajuste do cônjuge, de forma a demonstrar que ele não fez uso da dedução. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 18470.728486/201649 Acórdão n.º 2002000.214 S2C0T2 Fl. 71 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a dedução de despesas médicas. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Os documentos comprobatórios das despesas médicas devem trazer também a indicação do paciente beneficiário do serviço prestado, como decorrência lógica da necessidade de os contribuintes demonstrarem que tais despesas correspondem ao tratamento deles próprios ou de seus dependentes (art. 8º, § 2º, inc. II, da Lei 9.250, de 1995). No tocante à despesa informada com Ivone Sant'anna, a autuação aponta a falta de previsão legal para sua dedutibilidade (fl.8). Na apreciação da questão, a decisão de piso consigna: O recibo de fls.18, no valor de R$ 600,00, emitido em 18/12/2014 pela instrumentadora cirúrgica Ivone Maria de Almeida Sant’Anna, comprova o pagamento por ela recebido por sua participação na cirurgia realizada na impugnante, nesta mesma data, pelo Dr.Antônio Carlos Jardim, participação esta que está mencionada no Relatório de Internação Cirúrgica de fls.20 encaminhado pelo referido médico cirurgião ao Departamento Médico da IPALERJ, sem contudo informar o valor acima citado. Os serviços de instrumentação cirúrgica somente são considerados despesas médicas, para fins de dedução na Fl. 71DF CARF MF Processo nº 18470.728486/201649 Acórdão n.º 2002000.214 S2C0T2 Fl. 72 5 Declaração de Ajuste Anual, quando fizerem parte da conta hospitalar. Não há previsão legal para pleitear a dedução do valor pago diretamente à profissional acima citada visto que a faculdade de deduzir “despesas médicas” relativas à remuneração paga aos prestadores de serviços na área de saúde está restrita ao rol de profissionais elencados no artigo 80 do RIR/1999 vigente, supra transcrito. (destaques acrescidos) Entendo que não há reparos a se fazer à decisão de piso quanto a essa despesa. O art. 8º, inciso II, alínea a, da Lei nº 9.250, de 1995, restringe a dedutibilidade das despesas médicas aos pagamentos efetuados a profissionais pertencentes às seguintes categorias: médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, não podendo ser aceitos como despesas médicas para fins tributários os gastos efetuados a profissionais pertencentes a outras categorias não elencadas nesse rol. Em face das alegações da contribuinte, no tocante ao relatório emitido pelo médico responsável pelo procedimento, cumpre esclarecer que não está se questionando a atuação da profissional na cirurgia realizada, mas sim a falta de requisito formal para sua dedutibilidade. Assim como a autoridade a quo, entendo que essa despesa seria dedutível se integrasse a conta hospitalar, adotandose o mesmo tratamento dado pelo Fisco às despesas com enfermeiro e massagistas. Nesse sentido, segue orientação contida no Manual de Perguntas e Respostas IRPF 2015: ASSISTENTE SOCIAL, MASSAGISTA E ENFERMEIRO 361 — Podem ser deduzidos os pagamentos feitos a assistente social, massagista e enfermeiro? As despesas efetuadas com esses profissionais são dedutíveis desde que realizadas por motivo de internação do contribuinte ou de seus dependentes e integrem a fatura emitida pelo estabelecimento hospitalar. Tendo sido o pagamento efetuado diretamente à profissional, conforme atesta o recibo de fl.59, não pode ser acatado. Portanto, correta a decisão. No tocante ao pagamento informado à IPALERJ, por ocasião da impugnação, a contribuinte juntara declaração de fl.19 emitida pelo Instituto, dando notícia de que a contribuinte "teve descontado em seu contra cheque contribuições e despesas médico hospitalares no valor total de R$9.153,86...". Sobre esse documento, a decisão de piso consigna: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 18470.728486/201649 Acórdão n.º 2002000.214 S2C0T2 Fl. 73 6 Contudo, o documento em foco não se revela suficiente para a comprovação exigida pela autoridade revisora no Termo de Intimação Fiscal supracitado visto que não discrimina os nomes e respectivos valores do titular e de cada dependente no mencionado plano de saúde, ou seja, não esclarece se o valor em foco corresponde exclusivamente à participação da impugnante. (destaques acrescidos) Em seu recurso, a contribuinte junta nova declaração emitida pelo Ipalerj (fls. 61/63). Destaco os seguintes trechos desse documento: 1 Que a interessada é associada inscrita neste Instituto, desde 01/02/1999, mantendo como seu único beneficiário ANTONIO RICARDO VENÂNCIO STRAUS, na condição de marido, matricula n° 2363.020; 2 Que o beneficiário inscrito usufrui do programa de assistência médica e hospitalar sem nenhuma contrapartida financeira, uma vez que está coberto pela contribuição única descontada, mensalmente, no contracheque da citada associada, no percentual de 3,50%, sobre os seus ganhos brutos; 3 Que no exercício de 2015, ano base de 2014, a associada contribuiu para IPALERJ com a importância total de R$ 9.153,86 (nove mil, cento e cinqüenta e três reis e oitenta e seis centavos). 4 Que a presente declaração está de conformidade com a legislação, uma vez que a contribuição é indivisível, abrangendo o grupamento familiar como um todo esposo (a) e filhos até da idade de 21 anos, estando, portanto, a associada MARIA APARECIDA CAMPOS STRAUS nela enquadrada. 5 Que se a associada fosse a única beneficiária do programa de assistência médica e hospitalar, o valor da contribuição permaneceria o mesmo, não se alterando, todavia, com a inscrição de possíveis dependentes, conforme acima esclarecido. ... Transcrição da legislação citada: CONSTITUIÇÃO ESTADUAL "Art. 88 A assistência previdenciária e social aos servidores públicos estaduais será prestada, em suas diferentes modalidades e na forma da legislação ordinária, pelos atuais Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro IPERJ, Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro IPALERJ e Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro IASAERJ. "(grifamos) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 18470.728486/201649 Acórdão n.º 2002000.214 S2C0T2 Fl. 74 7 "Art. 362 É mantido o Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. LEI 2889, DE 07 DE JANEIRO DE 1998. INCISO VI, DO ART. 37. DA LEI 320. DE 10 DE JUNHO DE 1980, ACRESCIDO PELO ART. 16. DA LEI 2889/98 "VI Contribuição do associado obrigatório no valor de 3% (três por cento) sobre o total dos ganhos consignados, a qualquer titulo, mensalmente, em folha de pagamento, limitado à remuneração fixada para os membros do Poder Legislativo, a partir de 1 de fevereiro de 1999." LEI 3311. DE 30 DE NOVEMBRO DE 1999. "Art. 20 Ao Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro IPALERJ, cabe continuar assegurando aos seus associados e seus dependentes auxilio funeral, o pecúlio postmortem, o auxílio natalidade e os meios indispensáveis de assistência, em função do exercício do mandato ou do cargo, nas áreas médicas, hospitalar, odontológica, farmacêutica e financeira, custeada pelos seus associados, dependentes e demais beneficiários, bem como por contribuição da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a ser determinada por ato de sua Mesa Diretora. ATO DO CONSELHO DELIBERATIVO DO IPALERJ N° 320/2001 "Art. 1° Fica instituída, a partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição mensal de 0,5% sobre o total dos ganhos consignados a qualquer título, em folha de pagamento do associado do IPALERJ, limitada à remuneração fixada para os Membros do Poder Legislativo, para o custeio dos auxílios natalidade e funeral e do pecúlio "postmortem", conforme estabelecido no art. 20, da Lei n° 3311, de 30.11.99. (destaques acrescidos) Da leitura do documento, confirmase a alegação da recorrente de que a contribuição paga independe da existência ou não de dependentes, sendo determinado um percentual fixo dos rendimentos do beneficiário. Entretanto, a declaração do Instituto evidencia que o percentual de 0,5% do desconto efetuado destinase ao custeio dos auxílios natalidade e funeral e do pecúlio "post mortem", o que não se configura em despesa médica e, via de consequência, não pode ser deduzido. A declaração do instituto à fl. 19 menciona "...contribuições e despesas médicohospitalares no valor total de R$9.153,86...". Dessa feita, considerando o total pago de R$9.153,86 e ainda as contribuições de 3% e 0,5% noticiadas pelo Instituto, cabe acatar a dedução do montante de R$7.846,16, sendo de se manter a glosa de R$1.307,69 correspondente às contribuições de 0,5%. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 18470.728486/201649 Acórdão n.º 2002000.214 S2C0T2 Fl. 75 8 Por fim, observese que, embora a recorrente indique a juntada da Declaração de Ajuste do cônjuge, esta não consta dos autos. Entretanto, entendo que ela faz jus a dedução do valor indicado acima, independente dessa comprovação, uma vez que os documentos evidenciam que ela é a real beneficiária do plano e quem sofreu o ônus das contribuições. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, para restabelecer despesas médicas no montante de R$7.846,16. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904815/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 48 15 /2 01 2- 66 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10280.904815/201266 Acórdão n.º 1301003.201 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10280.904815/201266 Acórdão n.º 1301003.201 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.566 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10280.904815/201266 Acórdão n.º 1301003.201 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10280.904815/201266 Acórdão n.º 1301003.201 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10280.904815/201266 Acórdão n.º 1301003.201 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10280.904815/201266 Acórdão n.º 1301003.201 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 196DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.919561/2011-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
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CERTEZA E LIQUIDEZ. Recorrente OTSUKA INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUÍMICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 95 61 /2 01 1- 15 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11065.919561/201115 Acórdão n.º 3002000.221 S3C0T2 Fl. 117 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 53/54 dos autos: OTSUKA INDUSTRIA DE PRODUTOS QUIMICOS DO BRASIL LTDA contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Número do Processo Tributo 11065919563201104 COFINS 11065919562201151 COFINS 11065919561201115 COFINS Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 11065919561201115, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litigio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 3741 do “processo principal” transmitida em 9/10/2008 que se refere ao recolhimento da Cofins relativo ao período de apuração de setembro/2006. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 42 do “processo principal”, proferido em 2/2/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 2 e seguintes do processo principal alegando em preliminar que o despacho decisório é nulo, por falta de MPF e, no mérito, que apresentou DCTFs retificadoras demonstrando que o valor correto devido é menor, não tendo sido cumprido pela RFB o rito determinado na IN 900/2008, bem como deve prevalecer a verdade material. Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos. Ou seja, verificase que a insatisfação do contribuinte diz respeito à negativa de homologação da compensação que realizou através da DCOMP nº 21729.20141.091008.1.7.044383 (fls. 37/41). Em sua manifestação de inconformidade (fls. 02/19), o contribuinte pediu o reconhecimento da nulidade do despacho decisório, por ausência do MPF, a realização das Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11065.919561/201115 Acórdão n.º 3002000.221 S3C0T2 Fl. 118 3 diligências necessárias para restabelecer a verdade material, e o cancelamento dos efeitos do referido despacho face a sua insubsistência. Nesta oportunidade, anexou aos autos: (i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 20/30); (ii) despacho decisório (fls. 31); iii) DACON (fls. 32/33); iv) DCTF retificadora (fls. 34/35). Consta dos autos, após a manifestação de inconformidade, ainda, PER/DCOMP (fls. 37/41), despacho decisório (fls. 42/46), e os termos de apensação dos processos 11065.919563/201104 e 11065.919562/201151 (fls. 50/51) ao presente processo. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente as manifestações de inconformidade dos três processos e não reconhecer o direito creditório em litígio, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão da primeira instância (fls. 52/57) consignou, em seus fundamentos, relativamente à preliminar de nulidade, que inexiste previsão para emissão de MPF na apreciação de DCOMP, e que o presente procedimento não se trata de auditoria fiscal ou diligência. Quanto ao mérito, entendeu que descabe a aplicação do princípio da verdade material, em razão de o contribuinte ter retificado a DCTF após a apresentação da DCOMP, e não ter utilizado os meios de esclarecer a origem dos pretensos créditos. Afirmou não se tratar de simples erro passível de retificação, visto que insuperável, até mesmo em razão do decurso de prazo de cinco anos para pleitear restituição. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 26/06/2014 (vide Termo de Abertura de Documento à fl. 67 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 16/07/2014, Recurso Voluntário (fls. 69/83). Em seu recurso, o contribuinte não apresentou argumentos novos, apenas repisou os argumentos de sua manifestação de inconformidade. Levantou, portanto, a preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de MPF, e, no mérito, alegou a apresentação de declarações retificadoras e o dever de fazer prevalecer a verdade material. Ao final, pediu: i) a suspensão dos efeitos do despacho decisório; ii) declaração de nulidade do referido despacho por falta de MPF ; iii) se ultrapassada a preliminar, realização de diligência junto à empresa para restabelecer a verdade material; iv) se necessária, retificação de declarações que contenham incorreções formais prejudiciais ao reconhecimento do suposto crédito; v) reconhecimento do direito creditório alegado e Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11065.919561/201115 Acórdão n.º 3002000.221 S3C0T2 Fl. 119 4 homologação da compensação realizada; vi) declaração de insubsistência do despacho decisório e cancelamento dos seus efeitos. No intuito de comprovar o seu direito, anexou ao processo: (i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 84/95); (ii) acórdão de manifestação de inconformidade (fls. 96/101); iii) DACON (fls. 102/106); iv) DCTF retificadora (fls. 107/112). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: Considerando que o recurso interposto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passase, então, à análise dos fundamentos ali apresentados. 1. Da preliminar de nulidade Quanto à preliminar de nulidade apresentada pelo contribuinte no sentido de que o despacho decisório seria nulo, por falta de MPF, entendo que não lhe assiste razão. Isso porque, estáse diante, na hipótese dos autos, de pedido de compensação, iniciado pelo contribuinte, e não de auto de infração. Nesse contexto, não há que se falar em necessidade de MPF. Irretocável, portanto, a decisão da DRJ que rejeitou a preliminar apresentada, conforme passagem a seguir transcrita: Rejeito de plano tal alegação haja vista que não há inexiste previsão nos normativos para emitir MPF para apreciação de DCOMP, até porque não se trata de auditoria fiscal, tão pouco de diligência. 2. Do mérito Quanto ao mérito, consoante acima relatado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 69/83), por meio do qual repisou o fundamento constante da sua manifestação de inconformidade no sentido de que teria apresentado declarações retificadoras para fins de corrigir o erro identificada nas declarações anteriores, pugnando, portanto, pela aplicação do princípio da verdade material. No intuito de comprovar o seu direito, contudo, anexou aos autos (i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 84/95); (ii) acórdão de manifestação de inconformidade (fls. 96/101); iii) DACON (fls. 102/106); iv) DCTF (fls. 107/112). Ao analisar o caso concreto em testilha, entendo que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11065.919561/201115 Acórdão n.º 3002000.221 S3C0T2 Fl. 120 5 Isso porque, verificase que o contribuinte limitouse a alegar em seu Recurso Voluntário a existência de suposto equívoco na apuração da COFINS originalmente realizada. Acontece que não indicou, em nenhum momento, qual a origem deste equívoco, para que se pudesse verificar a consistência das suas alegações. Além disso, apesar de ter afirmado que o valor correto estaria demonstrado através das declarações retificadoras juntadas ao processo, constatase que o contribuinte restringiuse a apresentar tais declarações, sem a documentação contábil e fiscal apta a lastrear as informações prestadas. O que se denota, portanto, é que pretendia o contribuinte, com a juntada de tais documentos, que fosse realizada diligência para fins de se confirmar a correção da nova apuração do imposto realizada. Acontece que a providência de comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário é do contribuinte, e não da fiscalização. Sendo assim, entendo que faltou ao contribuinte diligência na demonstração do seu direito creditório. Como é cediço, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida há de ser mantida, visto que o Recorrente, in casu, não se desincumbiu do seu ônus probatório quanto à matéria fática (direito ao crédito). Sobre o argumento apresentado pelo contribuinte de que a DCTF fora retificada tão somente para fins de corrigir erro outrora incorrido, há de se destacar que não há qualquer impedimento na apresentação de DCTF retificadora. Conforme esclarece o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, esta poderá ser apresentada inclusive após o despacho decisório. Contudo, em tais casos, é cediço que a DCTF retificadora, por si só, não possui o condão de comprovar as informações ali inseridas, incumbindo ao contribuinte o ônus de trazer aos autos, através da correspondente documentação contábil e fiscal, a correspondente conciliação que demonstre o seu direito creditório. Por oportuno, transcrevo o conteúdo do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11065.919561/201115 Acórdão n.º 3002000.221 S3C0T2 Fl. 121 6 tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (grifos apostos). (...). 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação? Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. (Grifos apostos). (...). 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11065.919561/201115 Acórdão n.º 3002000.221 S3C0T2 Fl. 122 7 existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802¬002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302¬002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) 13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder dever de confirmálas. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB. Este tema, inclusive, encontrase pacificado neste Conselho Administrativo Fiscal, consoante demonstra a decisão a seguir colacionada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11065.919561/201115 Acórdão n.º 3002000.221 S3C0T2 Fl. 123 8 fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. (Acórdão nº 3803006.915, de 18/03/2015). (grifos apostos). Por fim, é válido destacar que, em razão da apensação determinada pela DRJ, a conclusão a que se chega no presente processo há de ser aplicada aos dois processos administrativos apensos (Processos nº 11065.919563/201104 e 11065.919562/201151). Até porque, da análise do conteúdo destes processos, verificase que os argumentos trazidos pelo contribuinte em suas manifestações de inconformidade são os mesmos, e a documentação acostada naqueles autos, da mesma forma, não comprova o direito creditório alegado. No caso dos três processos ora analisados, portanto, constatase que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório, pelo que deverá ser mantida a negativa de homologação das referidas compensações. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de afastar a preliminar apresentada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente processo, devendo a conclusão aqui apresentada ser estendida aos dois processos apensos (11065.919563/201104 e 11065.919562/201151). É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905731/2008-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 31 /2 00 8- 76 Fl. 396DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000434 (fls. 154/156), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10980.905731/200876 Acórdão n.º 3402005.351 S3C4T2 Fl. 397 3 formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal de fls. 372/378, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso voluntário é intempestivo, o que impede o seu conhecimento. 6. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 7. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 8. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado via postal da decisão guerreada, sendo o correspondente aviso de recebimento recebido em 20 (vinte) de abril de 2011 (quartafeira) (fl. 35). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal ocorreu em 21 (vinte e um) de abril de 2011 (quintafeira), vencendo, por sua vez, no dia 20 (vinte) de maio de 2011 (sexta feira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 24 (vinte e quatro) de abril de 2011 (fl. 36), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 9. Patente está, portanto, a intempestividade do Recurso Voluntário em análise. 10. O fato desta questão ter passada desapercebida por este Tribunal quando da elaboração das resoluções indicadas no relatório do presente voto não impede que este Colegiado, neste momento processual, reconheça tal mácula, uma vez que a intempestividade é vício insanável e que impede a própria admissibilidade recursal por se tratar de pressuposto de validade. Dispositivo 11. Diante do exposto, deixo de conhecer o Recurso Voluntário interposto haja vista a sua intempestividade. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 398DF CARF MF 4 12. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
