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Numero do processo: 11080.723219/2012-04
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei.
SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiadopor unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores referentes a CPP CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiadopor unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores referentes a CPP CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 32 19 /2 01 2- 04 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.723219/201204 Acórdão n.º 2803003.907 S2TE03 Fl. 599 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Restaurante Boccado Ltda, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) que julgou procedente a impugnação apresentada e manteve em parte o crédito Tributário. Contra a contribuinte foram lavrados os seguintes Autos de Infração: a) Debcad nº 51.019.6810 referente contribuições da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais e às contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; b) Debcad nº 51.019.6829 referente a contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (terceiros). Segue descrição do fatos apresentada pela fiscalização: Após devidamente intimando do lançamento em 09.04.2012, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls.96.103. No entanto a delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AI Debcad nº 51.019.6810 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AI Debcad nº 51.019.6829 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. SIMPLES NACIONAL. PERÍODO DE EXCLUSÃO. A pessoa jurídica fica obrigada a recolher as contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à quota patronal e às destinadas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) de acordo com a legislação aplicada às empresas em geral, no período em que não está amparada pelo regime de tributação do Simples Nacional. A autoridade administrativa tem o dever de constituir o crédito tributário ao verificar a ocorrência do fato gerador da Fl. 600DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 obrigação e a falta de pagamento do tributo correspondente. O lançamento, com todos os acréscimos legais, é ato vinculado e obrigatório. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Constatado equívoco no lançamento, cabe a sua retificação. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Irresignado o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls fls.431/433, aduzindo, em apertado escorço que aderiu ao parcelamento do Simples Nacional em 2007 e também ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, incluindo em ambos a totalidade dos débitos. Sustenta que desde 2007 a empresa se encontra com o recolhimento das prestações, tributos e obrigações acessórias rigorosamente em dia, tendo transmitido anualmente a opção pelo regime simplificado através da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN) e, conforme documentos anexos, todos os débitos encontramse devidamente parcelados e com a exigibilidade suspensa (art. 151, VI do CTN), inexistindo hipótese para a cobrança das contribuições previdenciárias e de outras entidades e fundos segundo regime tributário diverso, conforme lançado no Auto de Infração em questão, nem para a cobrança de juros e multas. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.723219/201204 Acórdão n.º 2803003.907 S2TE03 Fl. 600 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Exclusão do Simples A empresa foi excluída do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/POA no. 331873, de 22.08.2008, com efeito a partir de 01.01.2009 por “possuir débitos deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar no. 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3o., combinada com o inciso I do art. 5o., ambos da Resolução CGSN no. 15, de 23 de julho de 2007. A recorrente, por sua vez, alega que nem a legislação do Simples Federal (Lei nº. 9.317/96) nem a do Simples Nacional (Lei Complementar nº. 123/2006) tratam dessa possibilidade de maneira explícita e refuta a sua exclusão do programa, bem como que teria o direito adquirido de permanecer sob a égide daquele sistema. A contribuinte foi excluída no Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo, sendo que não se vislumbra a necessidade de apreciação do presente feito com o Processo 10665.720.345/201346, sem, contudo, trazer aos autos qualquer demonstração da necessidade de conexão. Ora, a conexão somente se deve operar quando há a necessidade de decisão uniforme, evitando, por consectário, julgamentos conflitantes. Com efeito, diante do quadro fático que se apresenta, entendo que o lançamento tributário é medida que se impõe. A autoridade fazendária representa a administração pública, que deve pautarse pelo princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Assim sendo, patente a realização do fato gerador, incide o tributo, devendo o Fisco proceder o lançamento, uma vez que se encontra subordinado, de forma completa, à lei. Destarte, como preleciona o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento possui natureza vinculada, o que significa que não cabe a autoridade Fazendária a escolha, sendo ele definido em lei. A legislação é clara no sentido que com a exclusão do Simples, a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas. Observo ainda que, em momento algum o recorrente impugnou a constituição do lançamento, limitandose a rechaçar a sua exclusão do Simples. Diante no exposto, neste ponto, não acolho a tese trazida pela recorrente Da Compensação Fl. 602DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 De ofício faço a aplicação da Súmula 76 do CARF, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, para que os valores referentes a CPP CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 603DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000305/2008-47
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. SÚMULA CARF Nº. 26.
Presumem-se, por força de lei, advindos de transações realizadas à margem da contabilidade, os depósitos em conta corrente cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA NO REGIMENTO INTERNO E EM SÚMULA DO CARF.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno e do enunciado consignado na Súmula nº. 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária), não cabe ao julgador desta Corte Administrativa, pronunciar-se quanto a alegações de inconstitucionalidade da lei tributária.
Numero da decisão: 1801-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. SÚMULA CARF Nº. 26. Presumem-se, por força de lei, advindos de transações realizadas à margem da contabilidade, os depósitos em conta corrente cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA NO REGIMENTO INTERNO E EM SÚMULA DO CARF. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno e do enunciado consignado na Súmula nº. 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária), não cabe ao julgador desta Corte Administrativa, pronunciar-se quanto a alegações de inconstitucionalidade da lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques - Relator. Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 377 1 376 S1TE01 PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000305/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.347 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2015 Matéria IRPJ Recorrente C. BRUSQUE COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. SÚMULA CARF Nº. 26. Presumemse, por força de lei, advindos de transações realizadas à margem da contabilidade, os depósitos em conta corrente cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA NO REGIMENTO INTERNO E EM SÚMULA DO CARF. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno e do enunciado consignado na Súmula nº. 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária), não cabe ao julgador desta Corte Administrativa, pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade da lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 05 /2 00 8- 47 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES 2 Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de lançamento de IRPJ e reflexos, sob a sistemática do SIMPLES, com imposição de multa de ofício em 75%, e os respectivos juros de mora, em decorrência das seguintes infrações: omissão de receitas da atividade, relativas a depósitos bancários não escriturados e cuja origem não foi esclarecida. insuficiência de recolhimento, resultante da alteração nas alíquotas de recolhimento do Simples, em razão das omissões e que aumentaram o valor das receitas. O tributos exigidos são: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ — Simples, fls. 203/206, no valor de R$ 2.406,56, devido a: b) contribuição ao Programa de Integração Social — PIS — Simples, fls. 207/211, no valor de R$ 2.406,56: c) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Simples, fls. 211/214, no valor de R$ 4.344,06: d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Simples, fls. 215/218, no valor de R$ 8.688,10: e) Contribuição para a Seguridade Social INSSSimples, fls. 219/222, no valor de R$ 13.263,51. Eis o sumário da consignado pela DRJ: 5. As fls. 184/191, no Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação; que, em 21/05/2006, no cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão n° 15/2006, policiais federais estiveram na empresa e os documentos apreendidos foram encaminhados à DRF em Londrina por meio do oficio n° 1.997 de 10/05/2006; em 21/03/2007 foi iniciado o procedimento fiscal; esclarecese que o sócio da empresa Celso Brusque da Costa e seu pai e procurador da empresa Jair Delfim da Costa CPF 014.052.33915 foram considerados sócios solidários das empresas Lucena & Cia Ltda CNPJ 02.001.914/000107 e Technology Componentes Eletrônicos Ltda CNPJ 04.218.043/000107, do mesmo ramo e também autuadas por Fl. 417DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 11634.000305/200847 Acórdão n.º 1801002.347 S1TE01 Fl. 378 3 omissão de receitas e onde constatouse que os sócios de direito eram interpostas pessoas. 6. Cientificada em 23/05/2008, a interessada apresentou a impugnação tempestiva em 24/06/2008, fls. 230/246, por meio de sua representante legal, fl. 8. 7. Pleiteia preliminarmente a nulidade da autuação, porque os impugnantes foram cerceados no seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório, porque lhes foi negado o acesso e a prcrrogação do exíguo prazo consignado pelos auditores, para justificarem créditos/depósitos nas contas bancárias da empresa; que se lavrou prematuramente o auto de infração, apenas "para atender ao interesse de "desencargo" do Auditor" quando ainda havia fundadas razões para dar continuidade à elucidação dos fatos; afirma que "A lei não admite que o sujeito passivo integre a instância quando a fuse oficiosa não tenha seguido as determinações legais, afim de não causar dano a pessoa lesada com o pretenso ato fiscal. 0 legislador quis evitar que o sujeito passivo tivesse o incômodo de percorrer a Instancia Administrativa, para demonstrar fato negativo, quando a ação fiscal não tivesse condição de prosperar." E sugerem que a Administração deveria anular ou revogar esse ato, de oficio, dado que está eivado de vícios que o tornam ilegal, pois a atividade administrativa é vinculada ã lei, mas que, se assim rido agir preventivamente, cabe ao sujeito passivo, indevidamente importunado, alegar tais vícios, para que a lei seja cumprida. 8. Aduz que foi violado o principio da segurança jurídica, dado que "não há determinação segura da infração, a autuação foi com base no subjetivismo de que a empresa omitiu receitas, a partir do que foi levantado nos extratos bancários". 9. Assevera que nem tudo que se apura em conta corrente pode ser havido como fato gerador tributável e ressalta que cabe à União o dever de provar cabalmente que os depósitos/créditos nas contas bancárias da empresa são receitas tributáveis; que a presunção sem provas, conforme acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda CCMF que transcreve, não pode prosperar, nem prevalecer pretensão fiscal cujo fundamento é o arbítrio do agente que a instalou; transcreve acórdão do CCMF que aceita como justificados pelas receitas de comércio de empresas de que o contribuinte é sócio, depósitos bancários recebidos nas contas bancários da pessoa física desse sócio; também afirma que a autuação se baseou em lançamentos em contas correntes da empresa; entende que depósitos bancários são meros indícios que permitem à fiscalização iniciar o processo de identificação dos acréscimos patrimoniais não oferecidos à tributação no exercício do dever de prova que cabe ao Fisco; que são meros indícios de renda e não há legitimidade em transformálos, nem pela lei tributária, em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação e reafirmam que o fisco falhou ao não intimar o contador responsável pela escrita contábil da empresa a apresentar justificativas, como requereram os impugnantes. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES 4 10. Garante que obteria êxito na demonstração de que não omitiu receitas se tivesse sido permitida uma perícia técnica e contábil 11. Pleiteia o principio da interpretação mais favorável ao contribuinte e a nulidade da autuação. 12. Taxa de exorbitante e confiscat6ria a multa de oficio aplicada, que contraria o art. 150, IV da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988; cita Ministro do Supremo Tribunal Federal — STF, no sentido de que as multas são acessórias e não podem, como tal, ultrapassar o valor do principal; requer a nulidade da multa. A d. DRJ recorrida julgou procedente o lançamento, em julgado ementado nos termos abaixo: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ACESSO A EXTRATOS BANCÁRIOS. PRAZO PARA DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se a empresa não exerceu o direito de vistas ou solicitação de cópias de documentos e dispôs de mais de seis meses para a defesa, além de lhe ser facultada a apresentação de documentos a posteriori, caso haja motivo justificado, bem como recurso a segunda instancia de julgamento. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de oficio no lançamento dc cr&lito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete a autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 11634.000305/200847 Acórdão n.º 1801002.347 S1TE01 Fl. 379 5 LANÇAMENTO COM BA SE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS e INSS Simples. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. NOVAS PROVAS. As provas devem ser apresentadas junto com a impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO Considerase não formulado pedido de perícia genérico, sem formulação de quesitos específicos nem indicação de perito. OITIVA DE TESTEMUNHAS. Indeferese o pedido para oitiva de testemunhas, no âmbito da primeira instância do contencioso administrativo fiscal, por falta de previsão legal. Em recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteia a reforma do aresto de 1º grau, com base nas mesmas razões veiculadas na impugnação, Inexistência de decisão com trânsito em julgado quanto à solidariedade passiva de Celso Brusque da Costa nos autos de infração lavrado em face de Lucena & Cia Ltda — EPP e Tecnology Componentes Eletrônicos Ltda. Nulidade do Auto de Infração. Lesão ao contraditório e ampla defesa. Necessidade de prova técnica Necessidade de provar que os depósitos teriam configurado renda Multa. Desproporção entre o desrespeito à norma e sua conseqüência jurídica. Caráter Confiscatório. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES 6 Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator. A tempestividade do recurso foi assentada pela repartição e pelo Judiciário. É que os débitos chegaram a ser encaminhados para a Dívida Ativa, com a propositura de execução fiscal, a qual foi extinta diante da comprovação de que tinha sido interposto recurso voluntário dentro do prazo, considerado o AR de fl. 263. Assim, o recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. As alegações veiculadas no recurso não merecem acolhida, por faltarlhes substrato jurídico e por vezes em razão da total desconexão com a lide dos autos. É o que se passa com a arguição relativa à suposta ausência de “trânsito em julgado” da discussão quanto à solidariedade passiva em outros dois processos envolvendo lançamentos contra outras empresas do grupo, com sócios em comum. Em primeiro lugar, nestes autos não houve a inclusão dos sócios ou de gestores como devedores solidários. Ademais, os dois processos citados já passaram pelo CARF, tendo seguido para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Além de não relacionados ao presente caso, não se revela a indefinição aventada pela recorrente. Alegase nulidade por cerceamento de defesa, sendo precisos os fundamentos adotados pela d. DRJ para rejeitar a preliminar, as quais reitero: 28. Reclama de cerceamento do direito de defesa ao argumento de que não foi permitido a defesa o acesso (aos extratos bancários), nem perícia técnica contábil mediante a qual a interessada comprovaria que não omitiu receitas, nem prorrogação de prazo para apresentar justificativa das origens dos depósitos bancários, objeto da autuação. 29. No que tange ao alegado pedido de acesso, perícia e prorrogação de prazo, o que se tem é que, intimada a fornecer os extratos bancários, primeiramente alegou que se encontravam apreendidos pela Receita Federal do Brasil RFB, fls. 5; re intimada em 20/06/2007, não deu resposta, fls. 18/19; cientificada do Termo de Constatação de fls. 20/23, de que os extratos não se encontravam entre os documentos apreendidos, respondeu que havia requerido os extratos28. Reclama de cerceamento do direito de defesa ao argumento de que não foi permitido a defesa o acesso (aos extratos bancários), nem perícia técnica contábil mediante a qual a interessada comprovaria que não omitiu receitas, nem prorrogação de prazo para apresentar justificativa das origens dos depósitos bancários, objeto da autuação. 29. No que tange ao alegado pedido de acesso, perícia e prorrogação de prazo, o que se tem é que, intimada a fornecer os extratos bancários, primeiramente alegou que se encontravam apreendidos pela Receita Federal do Brasil RFB, fls. 5; re intimada em 20/06/2007, não deu resposta, fls. 18/19; cientificada do Termo de Constatação de fls. 20/23, de que os extratos não se encontravam entre os documentos apreendidos, respondeu que havia requerido os extratos. Reclama de cerceamento do direito de defesa ao argumento de que não foi permitido a defesa o acesso (aos extratos bancários), nem perícia técnica contábil mediante a qual a Fl. 421DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 11634.000305/200847 Acórdão n.º 1801002.347 S1TE01 Fl. 380 7 interessada comprovaria que não omitiu receitas, nem prorrogação de prazo para apresentar justificativa das origens dos depósitos bancários, objeto da autuação. 29. No que tange ao alegado pedido de acesso, perícia e prorrogação de prazo, o que se tem é que, intimada a fornecer os extratos bancários, primeiramente alegou que se encontravam apreendidos pela Receita Federal do Brasil RFB, fls. 5; re intimada em 20/06/2007, não deu resposta, fls. 18/19; cientificada do Termo de Constatação de fls. 20/23, de que os extratos não se encontravam entre os documentos apreendidos, respondeu que havia requerido os extratos junto aos bancos, fls. 24/26 e, em seguida, informa que, dado o elevado custo de obtêlos, não fornecerá os extratos — e requer a abertura de prazo para eventual manifestação — na hipótese de o fisco requisitálos diretamente ás instituições bancárias, fl. 27. 30. Posteriormente, depois que a fiscalização obteve os extratos diretamente das instituições financeiras, a interessada foi intimada a justificar os depósitos/créditos listados, em 02/10/2007, tendo sido reintimada em 26/10/2007 e 28/11/2007, fls. 137/160; em 24/10/2007, protocolizou pedido de prorrogação de prazo, bem como de restituição de todos os livros contábeis apresentados à RFB, a fim de poder justificar os depósitos questionados na intimação, sendo que, somente em 18/12/2007 foi buscálos, fls. 9 e 161/163 e foi reintimada em 01/02/2008, fls. 164/165. 31. O total dos depósitos/créditos no anocalendário 2003, que foi intimada a justificar, foi no montante de R$ 1.380.320,42, fls. 146/153, no entanto, a autuação do presente processo atingiu as omissões a partir de 05/2003, dada a decadência do direito de lançar em relação aos períodos precedentes. 32. Em seguida foram lavrados os autos e a empresa foi cientificada em 23/05/2008. 33. A interessada não requereu vistas ou copias dos extratos ou de partes do processo ou mesmo de todo ele em momento algum, o que lhe é facultado pela legislação que rege o processo administrativofiscal, além de que possuía autoridade para obter cópias dos extratos junto aos bancos, se é que já não estavam em seu poder, portanto, não pode reclamar de falta de acesso, nem de não ter tido oportunidade de realizar perícia contábil. 34. No que tange à exigüidade do prazo para comprovar a origem dos depósitos, intimada desde 02/10/2007 e tendo lhe sido devolvidos em 18/12/2007, os livros que alegava necessitar para a comprovação e ainda reintimada e finalmente cientificada da autuação em 23/05/2008, o prazo para impugnação encerrouse em 24/06/2008, de onde se evidencia que a interessada dispôs de 168 (cento e sessenta e oito) dias, mais de seis meses, sem considerar que a legislação do processo administrativo fiscal, enquanto determina o prazo de impugnação para a apresentação de documentos, por outro lado, permite que estes sejam adicionados a posteriori, caso haja motivo justificado (art. 16, §§ 4° a 6° do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações); no presente caso, até o momento deste voto, em março/2009, um ano depois, nada foi acrescentado, de onde se evidencia que os pleitos não passam de manobras diversionistas. 35. A interessada teve e tem, seja nesta instância de julgamento, seja na segunda, junto ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda — CCMF, tempo e possibilidade de acesso aos documentos que para sua defesa, sendo que nada foi apresentado de concreto nesse sentido e sequer peticionaram por copias dos mesmos nos autos. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES 8 36. Não houve e não há cerceamento no direito de defesa. A insurgência recursal busca lastro no questionamento teórico da assunção dos depósitos bancários como signo de receitas omitidas. O debate quanto ao ônus de comprovar que os depósitos poderiam ser receitas, e mais ainda, receitas omitidas, chegou a encaminhar tal tarefa ao fisco. No entanto, com a edição do artigo 42 da Lei 9.430, em 1996, nosso ordenamento tributário implementou presunção legal, nos moldes abaixo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A partir de então, o fisco não precisa mais demonstrar “sinais exteriores de riqueza”, ou “aplicações dos rendimentos”, correlacionados aos depósitos bancários. Passou a ser do sujeito passivo o ônus de provar que aqueles valores já foram submetidos à tributação, ou que seriam isentos ou não tributáveis, sob pena de subsunção ao comando do artigo 42 supra. Portanto, os julgados antigos do extinto Conselho de Contribuintes e do Judiciário não fornecem subsídio à resolução da presente lide. Nestes autos, o i. Auditor adotou a providência prescrita na lei (intimação do contribuinte para esclarecer as origens dos depósitos), mas o sujeito passivo nada trouxe a seu favor. Ademais, as exclusões e ponderações dos depósitos que representavam meras transferências entre contas de mesma titularidade, e de receitas já declaradas, foram todas realizadas na edificação da base de cálculo. O presente caso ajustase ao enunciado da Súmula nº 26, desta E. Corte Administrativa: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. De modo que a argumentação vinda com o recurso voluntário não merece acolhida, eis que a matéria arguida em suas razões resta pacificada no CARF, em sentido contrário à pretensão do sujeito passivo. Quanto às diversas citações doutrinárias e impugnações à multa de ofício (sobre ser supostamente confiscatória), tudo a questionar os parâmetros postos em lei para a multa constituída nestes autos, nada há manifestar que caiba na competência deste E. Tribunal Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES Processo nº 11634.000305/200847 Acórdão n.º 1801002.347 S1TE01 Fl. 381 9 Administrativo, nos termos do Regimento e da Súmula CARF nº 2, que enuncia: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por LEONARDO MENDONC A MARQUES
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Numero do processo: 10886.001372/2009-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar realização de diligência, para que a Unidade da Receita Federal de origem intime a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para que informe se o total dos rendimentos brutos pagos ao recorrente, no ano-calendário 2007 (fls. 14; numeração digital fls. 16), é provento de aposentadoria e, caso haja rendimentos de outra natureza, discriminar os respectivos valores, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar realização de diligência, para que a Unidade da Receita Federal de origem intime a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para que informe se o total dos rendimentos brutos pagos ao recorrente, no ano-calendário 2007 (fls. 14; numeração digital fls. 16), é provento de aposentadoria e, caso haja rendimentos de outra natureza, discriminar os respectivos valores, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar realização de diligência, para que a Unidade da Receita Federal de origem intime a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para que informe se o total dos rendimentos brutos pagos ao recorrente, no anocalendário 2007 (fls. 14; numeração digital fls. 16), é provento de aposentadoria e, caso haja rendimentos de outra natureza, discriminar os respectivos valores, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, devido à apuração de omissão de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Ro de Janeiro (fls. 06, numeração digital). Na impugnação, o contribuinte alegou que os rendimentos são isentos em virtude de ser portador de cardiopatia grave, conforme laudo de fls. 09/10 e comprovante de aposentadoria de fls. 12/14. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 86 .0 01 37 2/ 20 09 -3 5 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10886.001372/200935 Resolução nº 2802000.227 S2TE02 Fl. 59 2 A impugnação foi indeferida sob fundamento de que não foi cumprido o requisito legal correspondente à comprovação de que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pois apesar de comprovado que o contribuinte aposentouse em 1995 (fls. 12/14), os contracheques relativos ao ano de 2009 e comprovante de rendimentos no ano calendário 2007 demonstram que, além dos proventos de aposentadoria, o contribuinte recebia rendimentos de outra natureza, tais como diversas modalidades de gratificações e sessão extraordinária, além de a fonte pagadora ter informado os demais rendimentos como tributáveis (fls. 16 e 30) e a análise dos proventos de aposentadoria recebidos em 2009 demonstrar que os proventos encontramse na faixa de isenção para contribuintes com mais de 65 anos (fls. 16). A ciência do acórdão ocorreu em 23/102012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 12/11/2012, assentado nas seguintes razões: 1. os rendimentos são proventos de aposentadoria, entre os quais estão incluídos direitos legais adquiridos que estão discriminados no documento emitido pela fonte pagadora; 2. os rendimentos foram informados pela fonte pagadora como tributáveis porque não tinha conhecimento da documentação que comprovaria a doença grave do contribuinte, porém, no momento em que tal fato aconteceu, imediatamente, cessaram os descontos na fonte; e 3. os contracheques estão corretos, a Resolução 189/1984 dispõe sobre o direito do aposentado de receber proventos alusivos à participação em sessões extraordinárias nos quatro anos imediatamente anteriores à aposentadoria; e 4. espera ver comprovada a natureza de proventos dos contracheques e, o estorno do lançamento e a devolução do que foi pago a título de IR e que não era devido. Foi requerida prioridade de tramitação em função do estatuto do idoso. É o Relatório. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Discutese o direito à isenção sobre rendimentos de aposentadoria de portador de doença grave, relativamente a saber se foi ou não comprovado que os rendimentos são proventos de aposentadoria de servidor da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro Alerj, posto que a isenção em análise somente é aplicável a proventos de aposentadoria. O acórdão recorrido indicou que os comprovantes de rendimentos e contracheques demonstram que o servidor aposentado recebe diversas rubricas, não somente proventos. De fato é o que ocorre nos contracheques (fls. 13; numeração digital fls. 15). O recorrente alega que todas as rubricas são proventos, decorrente do direito que é assegurado aos aposentados da Alerj com base na Resolução nº 189/1984, como exemplo, cita o art. 2º que se refere à extensão aos inativos de pagamentos alusivos a serviços prestados em sessões extraordinárias nos quatro anos imediatamente anteriores à sua aposentadoria. Todavia, não está suficientemente comprovado que os rendimentos sejam proventos. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10886.001372/200935 Resolução nº 2802000.227 S2TE02 Fl. 60 3 Tomandose o exemplo apresentado pelo recorrente, o dispositivo transcrito pelo recorrente referese ao direito a inclusão nos proventos de parcela correspondente ao valor médios de sessões, que tenha participado nos quatro anos imediatamente anteriores à aposentadoria, levando à revisão dos proventos. O que esse texto está indicando é que haveria inclusão nos proventos, logo tudo que vier a ser recebido, em razão dessa previsão, é proventos. Contudo, os contracheques não indicam somente proventos. Há também as seguintes rubricas: Grat. Ded. Serv. Legisl. PR; Sessão Extraordian. Pro; Grat. Repr. Gabinete. Pro; Grat. Adicional Prov; Resolução 722/95; e Parcela Fixa Prov. Somente a fonte pagadora pode informar seguramente se todos rendimentos pagos ao recorrente são proventos. Dessa forma, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, o julgamento deve ser convertido em diligência. Diante do exposto, devese realizar diligência a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem intime a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para que informe se o total dos rendimentos brutos pagos ao recorrente, no anocalendário 2007 (fls. 14; numeração digital fls. 16), é provento de aposentadoria e, caso haja rendimentos de outra natureza, discriminar os respectivos valores. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15586.001068/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins receitas financeiras, as quais não decorrem de seu faturamento. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ANTÔNIO LISBOA CARDOSO
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DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins receitas financeiras, as quais não decorrem de seu faturamento. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 23/04/2012 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Alan Gandra, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJRJ(II) que julgou procedente o lançamento relativo à COFINS do período de apuração de 01/03/2003 a 30/06/2003, ASSENTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2003 CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da COFINS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Lançamento Procedente No Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 591 a 608), a autoridade lançadora registra, em resumo, que: a) A ação fiscal teve como origem o Despacho Decisório DRF/VIT/ES proferido no processo n° 11543.001207/200412, amparado no Parecer SEORT Nº767/2007 que tratou da análise de Declarações de Compensação relativas ao aproveitamento de créditos do PIS nãocumulativo de que trata o §, l° do art. 5° da Lei 10.637/2002; b) As informações constantes dos sistemas da RFB e aquelas colhidas em diligência no estabelecimento da pessoa jurídica dão conta que a Cia Nipo Brasileira de Pelotização Nibrasco atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro. Sua produção é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce — CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, como no mercado externo; c) O Parecer SEORT de fls. 213/236 relatou as infrações constatadas que compreenderam ausência de tributação sobre as receitas de vendas em operação no mercado interno, receitas financeiras (variação monetária) e outras receitas (transferência de créditos de ICMS); d) Todas as verificações fiscais patrocinadas pelo SEORT, em especial as atinentes às isenções das supostas vendas com o fim específico de exportação, Fl. 619DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15586.001068/200724 Acórdão n.º 330101.382 S3C3T1 Fl. 948 3 receitas financeiras e cessão de créditos de ICMS, também dizem respeito à órbita da base de cálculo da COFINS; e) A Nibrasco impetrou o Mandado de Segurança n°99.00020359 para não ser compelida ao recolhimento da COFINS e do PIS com base na Lei 9.718/98. O juízo da 6ª Vara Federal/ES deferiu a liminar assegurando o direito de recolher a COFINS com base na sistemática anterior (LC 70/91). A sentença de 1° grau ratificou a liminar. O TRF da 2° Região cassou parte da decisão de 1° grau no que se refere à alíquota da COFINS. Foram opostos Embargos de declaração pela autora; Cientificado em 17/09/2008 (fl. 881), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 882 e seguintes, em 16/10/2008, em síntese, reiterando as alegações constantes de sua impugnação, sustentando ser indevida inclusão dos valores referentes ao crédito de ICMS como receita na apuração da COFINS. Sobre o conceito de "receita". Dessa forma, com base no próprio Regulamento do Imposto de Renda, o crédito de ICMS, do ponto de vista econômicofinanceiro e contábil, não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador de custo anteriormente suportado na aquisição de insumos, razão pela qual o entendimento esposado pela digna AUTORIDADE FISCAL não possui respaldo na legislação pátria. Cita doutrina de JOSÉ ANTÔNIO MINATEL,decisões dos Conselhos de Contribuintes, STJ e STF, destacando o seguinte acórdão: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01109/1998 a 31/12/2002 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. PRECLUSAO. As matérias não suscitadas em sede de impugnação não são passiveis de apreciação em sede de recurso voluntário, a teor do art. 17 de Decreto n° 70.235/72. Os argumentos relativos à nãocumulatividade da base de cálculo da contribuição e à inconstitucionalidade da multa de oficio não foram apresentados na fase impugnatória. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3º DA LEI N° 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita Fl. 620DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Recurso provido. (Número do Recurso: 139098 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 13973.000401/200365 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: PIS Recorrente: KOHLBACH MOTORES LTDA. Recorrida/Interessado: DRJ FLORIANÓPOLIS/SC Data da Sessão:18/10/2007 Relator: Maria Cristina Roza da Costa Decisão: ACORDA Nº 202 18396 Resultado: DPU – DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE D.O.U. de 07/03/2008,Seção 1, pág. 29) É o relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, a recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 99.00020359 onde discute as alterações promovidas pela Lei 9.718/98 com relação à base de calculo e à majoração de alíquota da COFINS. Considerando a decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região garantindo à empresa autora o direito de recolher a COFINS sobre a base de cálculo prevista na legislação anterior à Lei 9 718/98, tendo a fiscalização lavrado o presente auto de infração com suspensão da exigibilidade e sem imposição de multa de ofício, constituindo de ofício o crédito tributário relativo à COFINS apurada sobre as receitas decorrentes da alienação de créditos de ICMS. Em auto de infração distinto, formalizou a exigência da contribuição devida apenas sobre as receitas de vendas de mercadorias no mercado interno, não alcançadas pela decisão judicial. Considerando que a exigência de COFINS sobre as receitas decorrentes de venda no mercado interno, foi formalizada através de auto de infração distinto, resta analisar no presente recurso, apenas a exigência sobre as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS, os quais, igualmente devem ser analisados sob a ótica do alrgamento da base de cálculo, visto que as receitas decorrente da cessão de crédito de ICMS, equivale à receita financeira, e, em decorrência da decisão do E. STF, que reputou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1996, não devem integrar a base de cálculo da Cofins, vez que na referida sistemática, por definição legal, os créditos nela previstos não constituem receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15586.001068/200724 Acórdão n.º 330101.382 S3C3T1 Fl. 949 5 De fato, em julgamento realizado em 09/11/2005, pelo Pleno do STF nos RE n°s 357.950 e 358.273, o § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, foi objeto de acórdão cuja publicação ocorreu em 15/08/2006 e o trânsito em julgado em 05/09/2006. O acórdão e a ementa registram o seguinte teor: Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. André Martins de Andrade e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão:O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. (grifei) CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. (grifei) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta Fl. 622DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (grifei) Tendo em vista o STF já haver se pronunciado definitivamente através de seu Pleno acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, com fulcro no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/09, há que se reconhecer o direito de a contribuinte ter excluído do presente lançamento a exigência decorrente de receitas estranhas ao faturamento, no caso, sobre as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS. Ademais, nesse sentido vem decidindo este órgão julgador, conforme demonstram as ementas que, parcialmente, se traz à colação: INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre outras receitas, inclusive o recebimento de crédito presumido de IPI. .” (Acórdão 201 80964; Recurso 139359; Relator Walber José da Silva; Data da Sessão 12/03/08). COFINS. LEI Nº 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. LANÇAMENTO. SUBTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES INCONSTITUCIONAIS. Declarada a inconstitucionalidade de lei pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o lançamento efetuado com base na lei inconstitucional deve ser ajustado à legislação vigente. (Acórdão 20181027; Recurso 140171; Relator José Antonio Francisco; Data da Sessão 14/03/08). INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre receitas financeiras.Recurso provido. (Acórdão 20180474; Recurso 137543; Relator Walber José da Silva; Data da Sessão 14/08/07). Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 623DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15586.001068/200724 Acórdão n.º 330101.382 S3C3T1 Fl. 950 7 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 16327.001275/2010-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Não integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-002.666
Decisão:
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para determinar o recálculo da multa, disciplinado no art. 32-A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 75 /2 01 0- 06 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para determinar o recálculo da multa, disciplinado no art. 32 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1629.860 da 11ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A lei superveniente não se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade mais severa que a prevista na lei vigente à época. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.271.7241, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, por infração ao artigo 32, inciso IV, e parágrafo 5 o da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9528/97, c/c o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4 o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo' Decreto n° 3048/99. De acordo com o Termo de Verificação da Infração, às fls. 06 a 09: • O débito teve como origem os valores das remunerações a título de Programa de Participação nos Lucros e/ou Resultados pagos e/ou creditados aos empregados, apurados em Folhas de Pagamento e informações prestadas pelo próprio Sujeito Passivo; Durante a ação fiscal, verificouse que a empresa não incluiu nas GFIP's (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) os valores correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes à Participação nos Lucros dos empregados, nas competências 01/2005, 10/2005, 01/2006, 10/2006, 01/2007, e 10/2007; A Tabela Anexa de fl 11 demonstra os valores que a empresa deixou de informar, e que foram apurados na ação fiscal a partir dos dados fornecidos pelo próprio Contribuinte; • A citada tabela também apresenta o demonstrativo da multa conforme o artigo 284 do Decreto n° 3048/99, e o comparativo com o artigo 35A da Lei n° 11941/2009; | • O número de segurados da empresa permaneceu, para fins de aplicação da multa: na faixa de 16 a 50 segurados, correspondendo a 2 vezes o valor mínimo, nas competências 01/2005, 10/2005 e 01/2006; na faixa de 51 a 100 segurados, correspondendo a 5 vezes o valor mínimo, nas competências 10/2006 a 01/2007; e nas faixa de 101 a 500 segurados, correspondendo a 10 vezes o valor mínimo, na competência 10/2007; j • O valor mínimo está previsto no artigo 92 da Lei n° 8212/91, atualizado nos termos do artigo 8o da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/2009, e corresponde a R$ 1.410,79; • Não ocorreram circunstâncias agravantes O Termo de Verificação de Aplicação da Multa, fls. 09 a 10, informa que a multa foi aplicada em observância ao artigo 106, inciso II, alínea " c " do CTN, e a Tabela anexa de fl. 11 demonstra que foi feita a comparação da situação anterior com a nova sistemática (imposta pela Lei 11.941/2009), para fins de constatar qual a norma mais benéfica ao Contribuinte, e, conseqüentemente, de eventual retroação. j A legislação anterior foi mais benéfica em todas as competências, e foi aplicada multa no valor de R$ 36.680,54 (trinta e seis mil e seiscentos e oitenta reais e cinquenta e quatro centavos). Fl. 93DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 4 5 Foram anexados pela Fiscalização: IPC Instruções| para o Contribuinte, de fls. 02 a 03; Relatório de Vínculos, de fls. 04 a 05; Resposta da empresa a Termo de Intimação Fiscal, fls. 12 a 13; Ata de Assembléia e Estatuto Social, fls. 14 a 24; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal T E P F , fl. 25. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificada do Auto de Infração em'29/09/2010, fl. 01, a Autuada impugnou o lançamento tempestivamente, conforme despacho de fl. 56, através do instrumento de fls. 27/36, com juntada dos seguintes documentos (Doe. 01), por cópias simples ou autenticadas: Procuração, Ata de Assembléia e Estatuto Social, e documentos dos procuradores, fls. 37/54. Apresenta um breve relato sobre a ação fiscal e o Auto de Infração em tela, e alega, em síntese, que: Da Inexistência de Omissão de Informações nas GFIP's dos Períodos de Janeiro e Outubro de 2005; Janeiro e Outubro de 2006; e Janeiro e Outubro de 2007 Como visto, os créditos principais foram constituídos por intermédio dos Autos de Infração n° 37.271.7250 e n° 37.271.7268, com o lançamento das contribuições incidentes sobre os fatos geradores supostamente omitidos nas GFIP's, acrescidas de multa e juros moratórios. Contra os referidos Autos de Infração foram apresentadas impugnações demonstrando a total improcedência, sob os seguintes fundamentos: (a) Em 29/09/2010 a Fiscalização decaiu do direito de exigir contribuições relativas ao período de janeiro de 2005; (b) Todos os pagamentos de PLR foram efetuados em conformidade com a Lei n° 10.101/00, e com os Acordos de PLR celebrados nos termos do art. 2o , I, da referida lei; (c) Os Autos exigem contribuições sobre ganhos eventuais; (d) A multa de mora deve ser excluída do valor do crédito tributário exigido nos Autos. Assim, não estando a PLR paga aos empregados da Impugnante sujeita à incidência das Contribuições é descabida a multa exigida no AI em tela,' vez que não havia razão para declarar o respectivo pagamento em suas GFIP's. Desta forma, e em virtude da conexão do processo em epígrafe com aqueles decorrentes dos Autos de Infração n° 37.271.7250 e n° 37.721.7268, requer que todos sejam julgados conjuntamente, para evitar a prolação de decisões divergentes. Do Descabimento da Multa em Exame em Face do Princípio da Consunção Fl. 94DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Entende que, ainda que os pagamentos efetuados pela Impugnante a título de PLR configurassem fatos geradores das contribuições, a exigência da multa lançada no AI seria indevida. A Fiscalização imputa à Impugnante a prática das seguintes infrações: de um lado, a falta de recolhimento de contribuições (obrigação principal) e, de outro, a falta de declaração dos respectivos fatos geradores (obrigação acessória). Ademais, os créditos tributários decorrentes das obrigações principais já estão acrescidos de multas, razão pela qual entende que a multa decorrente da obrigação acessória deveria ser absorvida por aquela, mais gravosa, vez que um' fato é incindível do outro, não sendo razoável, pois, dupla penalização. Tratase da aplicação do princípio da consunção ou absorção. Colaciona jurisprudência administrativa. Portanto, ainda que as contribuições fossem devidas, a multa exigida no presente Auto seria descabida, já que nos AI's n° 37.271.7250 e 37.271.7268 já está sendo cobrada a multa na forma prevista na redação original do artigo 35 da Lei n° 8212/91. Da Aplicação Retroativa da Lei n° 11.941, de 27.05.2009 Ademais, ainda que a multa exigida pelo AI em tela fosse devida, seu valbr deveria ser retificado, vez que, em virtude da superveniencia da Lei n° 11.491/09, foi revogado o parágrafo 5o do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, tendo sido incluído o artigo 32 A na citada lei, que prevê penalidade mais branda à infração em tela (transcreve os dispositivos legais). Por força da previsão constante no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, deverá ser aplicada a previsão conforme a redação atual. Transcreve entendimento sobre a nova sistemática das multas. Do Pedido Pelo exposto, a Impugnante pede e espera que o AI 'seja integralmente cancelado ou, senão, que a multa lançada seja reduzida para o valor de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações supostamente omitidas, observado o limite mínimo de R$ 500,00. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Inexistência de omissão de fatos geradores nas GFIPs. · Descabimento da multa face do princípio da consunção. · Aplicação retroativa da Lei 11+941/2009. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Por essa característica e pelo fato de a recorrente ter anexado cópia da guia de recolhimento da competência 01/2005, entendo que deve acompanhar o procedimento adotado para a obrigação principal e que devese aplicar o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. O período do lançamento é: 01 e 10/2005, 01 e 10/2006 e 01 e 10/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 29/09/2010. Entendo decadentes a competência 01/2005. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR Fl. 97DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 6 9 A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 7 11 a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 8 13 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. A recorrente questiona a tributação da PLR e afirma que cumpriu todas determinações da Lei 10.101/2000. VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10/101/00 Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006). Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2006, folhas 48 a 56, assinado em 22/12/2006, sendo o adiantamento pago em 10/2006 e a PLR em 01/2007. Entendo que não cumpriu integralmente com os requisitos da Lei 10.101/00. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 9 15 trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) Entendo que por o acordo ter sido assinado no final de dezembro, a incerteza do atingimento das metas ficou totalmente afastada. Entendo que os valores pagos não estão em harmonia com a Lei 10.101/00, especificamente com o artigo 2º, § 1º, II, que impõe a condição de o pacto ser estabelecido previamente e que, por essa razão, devem ser tributados. Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2007/2008, folhas 65 a 73, assinado em 27/12/2007 (este processo contém exclusivamente o adiantamento pago em 10/2007). Conforme o parágrafo quinto da cláusula terceira do Acordo de PLR 2007/2008, verificase que a Antecipação de PLR, paga em 29/10/2007 não seria descontada. CLÁUSULA TERCEIRA DA PERIODICIDADE E DO PAGAMENTO A periodicidade do pagamento da participação em lucros ou resultados será anual, nas mesmas datas da Convenção Coletiva de Trabalho 2007/2008 e 2008/2009, considerandose as antecipações previstas. ... PARÁGRAFO QUINTO Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 A antecipação de participação nos lucros e resultados creditada em 29 de Outubro de 2007 não será descontada na participação nos lucros e resultados do ano de 2008; as antecipações de participação nos lucros e resultados creditadas em 2008, não serão compensadas na participação nos lucros e resultados do ano 2009. Temos aqui 2 situações excludentes: a data do acordo (final de dezembro) e a situação de um adiantamento que não é compensado. Para a data, são válidas as considerações acima. O adiantamento não compensado, entendo que equivale a um abono pago por liberalidade da empresa, sujeito portanto à tributação. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 10 17 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 CONCLUSÃO À vista do exposto, nas preliminares, voto pelo reconhecimento da decadência da competência 01/2005, com base no artigo 150, § 4º do CTN. No mérito voto pelo provimento parcial, afastando a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006 e pelo recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência da mais benéfica para a recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Por maioria de votos esta Colenda Turma resolveu afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator. Eis , pois, a questão de fundo. Ao conduzir seu voto, no enfrentamento pontual da questão, o i. Conselheiro, manifestou seu entendimento tal qual o registro abaixo reproduzido na íntegra: "VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 10/101/00" Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006). Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2006, folhas 48 a 56, assinado em 22/12/2006, sendo o adiantamento pago em 10/2006 e a PLR em 01/2007. Entendo que não cumpriu integralmente com os requisitos da Lei 10.101/00. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Entendo que por o acordo ter sido assinado no final de dezembro, a incerteza do atingimento das metas ficou totalmente afastada. Entendo que os valores pagos não estão em harmonia com a Lei 10.101/00, especificamente com o artigo 2º, § 1º, II, que impõe a condição de o pacto ser estabelecido previamente e que, por essa razão, devem ser tributados. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 11 19 Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2007/2008, folhas 65 a 73, assinado em 27/12/2007 (este processo contém exclusivamente o adiantamento pago em 10/2007). Conforme o parágrafo quinto da cláusula terceira do Acordo de PLR 2007/2008, verificase que a Antecipação de PLR, paga em 29/10/2007 não seria descontada. Temos aqui 2 situações excludentes: a data do acordo (final de dezembro) e a situação de um adiantamento que não é compensado. Para a data, são válidas as considerações acima. O adiantamento não compensado, entendo que equivale a um abono pago por liberalidade da empresa, sujeito portanto à tributação. Com destaque para o fato de o pacto ter sido assinado em 22/12/2006, o i. Conselheiro entendeu que os adiantamento ocorrido em 10/2006 e a PLR em 01/2007, não tinha respaldo: "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2006, folhas 48 a 56, assinado em 22/12/2006, sendo o adiantamento pago em 10/2006 e a PLR em 01/2007. Entendo que não cumpriu integralmente com os requisitos da Lei 10.101/00. " Como se observa o fato do pacto ter sido assinado no final de dezembro, formou convicção de que as condições não foram estabelecidas previamente e que, então houvera sido quebrada regra básica não se cumprindo integralmente com os requisitos da Lei 10.101/00. Na forma do abaixo transcrito, o i. Relator assevera que a incerteza do atingimento das metas fora afastada; "Entendo que por o acordo ter sido assinado no final de dezembro, a incerteza do atingimento das metas ficou totalmente afastada. " O sobredito, a "contrário sensu " , faz lícito concluir que houvera certeza no atingimento das metas. Visto assim,descontextualizado, não haveria mais o que se discutir e dar provimento ao Recurso neste quesito. Ocorre que verificando o todo e tendo como certo de que seguramente não foi isso que o Relator quis declarar, vindo à calhar, tal qual as evidências do caso em comento, não me permito utilizar do equívoco e, por um prisma único, sustentar a divergência. Apenas o menciono para ilidir hipótese de argumento para eventual embargo. Na seqüência, exortouse o preceituado artigo 2º, § 1º, II da Lei n 10.101/00 : "Entendo que os valores pagos não estão em harmonia com a Lei 10.101/00, especificamente com o artigo 2º, § 1º, II, que impõe a Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 20 condição de o pacto ser estabelecido previamente e que, por essa razão, devem ser tributados." artigo 2º, § 1º, II da Lei n 10.101/00 "Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1o (...) II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. " Extraído da condução do voto, o texto abaixo reproduzido aduz que o i. Relator verificou cumpridas as exigências para o período imediatamente anterior ao em comento: "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006)." Não se pode deixar de notar que na forma do encimado a empresa, costumeiramente , vinha de conceder o benefício combinado com seus empregados. Dessa forma não causa constrangimento inferir que o acordo em comento sempre esteve pactuado, entretanto, no período em comento, aperfeiçoado de maneira retardada. Relevante ressaltar que acordos, ainda que informais, também são de ser respeitado na legislação pátria. Por óbvio que no caso presente qualquer que tenha sido o pactuado, o acordo somente se aperfeiçoa mediante a assinatura das partes. Entretanto a lei requer que tenha havido o pacto prévio mas, embora as assinaturas sejam decorrente por coerência, não determina que sejam contemporâneas. Afirmar que não houve o pacto requer provas cabais que não se materializam pelo fato de as assinaturas terem sido apostas extemporâneamente. Relevante notar que foram firmadas em 22/12/2006 no mesmo ano em que ocorreram os lucros distribuídos na PLR em 01/2007. Penso que se tivesse havido intenção de burla, as partes teriam combinado de colocar outra data qualquer, anterior , e tal ato passaria ao largo e sequer estaria sendo questionado devido a impossibilidade de fazêlo. Noutro giro, tendo presente que o contrato o pacto é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, embora a Lei específica estabeleça as condições de pactuar no caso em tela, isto não afasta observar a aplicação subsidiária do art. 112 do Código Civil, quando revela que o contrato deve ser interpretado com prevalência da intenção dos contraentes à literalidade das cláusulas, neste sentido o melhor meio de interpretar o contrato é a conduta das partes, ou seja, a forma como vinham executando o contrato nos anos anteriores e antes da aposição das assinaturas. "Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem" Por óbvio, para pagar o benefício a empresa se valeu de documentos expressos em relatórios de produção, formulários e outros instrumentos de controle cuja Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2403002.666 S2C4T3 Fl. 12 21 existência encerra a materialização de pacto prévio. Ademais, por incidência do princípio da primazia da realidade sobre a forma, segundo o qual a realidade fática sobrepõese aos aspectos meramente formais do contrato, em matéria trabalhista o que importa é o que ocorre na prática. Por derradeiro, exortando o brocardo “Exceptio non adimplenti contractus” da exceção de contrato não cumprido o legislador reservou o art. 476 do Código Civil preceituando que nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Assim, se os empregados não tivessem conhecimento prévio das metas não poderiam cumprir seus compromissos e exigir da empresa a reciprocidade implícita e a empresa estaria livre para inadimplir e não proceder aos pagamentos realizados. "Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro." Assim, em razão de tudo que foi exposto, sou de concluir que se dava afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007. Ivacir Júlio de Souza Relator designado Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003559/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
Compensação "não declarada". Rito processual aplicável.
Pedido de compensação que tenha como fundamento crédito que não se refira a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), dentre os quais se inclui o Empréstimo Compulsório em favor da Eletrobrás, apresentado na vigência da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, não se sujeitam ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972. Incidência da Súmula 3°CC n° 6.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.114
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Numero do processo: 10875.004719/2003-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
EXCLUSÃO DO SIMPLES, ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. O fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si Só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1803-000.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), André Ricardo Lemos da Silva, Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Sergio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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CONTRATO SOCIAL. O fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si Só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), André Ricardo Lemos da Silva, Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Sergio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 47 19 /2 00 3- 35 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10875.004719/200335 Acórdão n.º 1803000.860 S1TE03 Fl. 272 2 Relatório Tratase de processo de exclusão do SIMPLES, mediante despacho decisório DRF/GUA/SECAT n° 279/2002, constante do Processo n° 13894.001100/200258, deferiu a solicitação de revisão de exclusão, com base na Nota SEVAC/DIVAT n°01/2002, de 24/04/2003, em razão do exercício de atividade econômica vedada, que originou o Ato Declaratório Executivo n° 29/10/ 2003, com efeitos a partir de 1°/01/2002, constante das fls. 38 dos autos, ato que teve como base legal o disposto no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 49 e segs), alegando que "durante os5 (cinco) últimos anos diversas atividades de prestação de serviços a empresas nas áreas de digitação, impressão, promoção, callcenter, organização de bases de dados" e juntou copia de contratos, faturas e orçamentos, além de alegar cerceamento de defesa. A decisão da 1a Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, decidiu por manter a exclusão, e a contribuinte, tempestivamente protocolou recurso voluntário e os Membros da 2a Câmara do antigo 3o Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência, constante das fls 485 e seguintes. Intimada da decisão da diligencia a contribuinte apresentou manifestação à diligencia fls. 488 e seguintes e o processo retornou agora a essa 3a Turma Especial da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10875.004719/200335 Acórdão n.º 1803000.860 S1TE03 Fl. 273 3 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, vejo que também estão preenchidos os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito em esclarecer se as atividades desenvolvidas pela Recorrente encontrase dentre aquelas vedadas pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de1996. Compulsando os autos verificase que a exclusão da Recorrente do Simples teve como fundamentação apenas no fato de constar em seu contrato social uma atividade vedada pela legislação de regência. Por seu turno, as atividades econômicas exploradas pela Recorrente e trazidas a tona pela diligencia comprovam que, durante o período analisado, não houve o exercício de atividade vedada pela legislação do Simples, além do mais, o fato de constar no contrato social da Recorrente atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de somente atividades permitidas. Assim, creio que a interpretação dada pelo acórdão recorrido merece ser reformada, isso porque, a análise da descrição dos serviços executados pela Recorrente não vedam a empresa no enquadramento no sistema SIMPLES nem tampouco constitui em motivo para exclusão. ISSO POSTO, dou provimento ao recurso para tornar sem efeito o ato declaratório que excluiu a Recorrente do SIMPLES. É como voto. (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10875.004719/200335 Acórdão n.º 1803000.860 S1TE03 Fl. 274 4 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 35464.002326/2004-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência e declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari Fez sustentação oral a Drª Adriana Pastre Ramos- OAB/SP 131584.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência e declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari Fez sustentação oral a Drª Adriana Pastre Ramos OAB/SP 131584. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 23 26 /2 00 4- 31 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002326/200431 Acórdão n.º 2403002.978 S2C4T3 Fl. 506 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 436/446, interposto em face de Acórdão da 11ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, fls. 409/426, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a multa no valor de R$ 83.999,20, consubstanciada no DEBCAD 35.744.5783. A presente autuação almeja o recolhimento de multa por descumprimento de obrigação acessória uma vez que, supostamente, a empresa não informou ao Instituto Nacional do Seguro Social, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, especialmente no que concerne a Participação nos Lucros e Resultados, conforme se extrai de trecho do Relatório, fls. 03/04 abaixo colacionado: Durante a ação fiscal constatei a não informação em GFIP da totalidade dos Fatos Geradores de contribuição previdenciária. Não constam do campo 31 (Remuneração) os valores referentes a Participação nos Lucros paga em desacordo com a Lei. Estes valores geraram a Notificação Fiscal 35.6697975 nesta mesma ação fiscal, a qual transcorreu sem circunstâncias agravantes. O termo de antecedentes de Auto de Infração, anexo a este auto, comprova a não reincidência por parte da empresa. A não informação da totalidade dos Fatos Geradores no campo 31 da GFIP acarreta infração ao disposto no art. 32, inc. IV, parágrafo 5 da Lei 8.212/91. O valor da multa equivale a totalidade dos valores não informados, limitados por competência de acordo com o número total de segurados da empresa. O quadro de cálculo detalha o valor aplicado. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte contestou a autuação por meio de documento de fls. 43/45. DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO Nas fls. 88/93, consta DecisãoNotificação a qual da ciência ao contribuinte que decidiu pela procedência da autuação, conforme se percebe da ementa a seguir: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 9.528/97. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DO RECURSO APRESENTADO E DA DECISÃO NO CARF Em face da decisão acima ementada, o recorrente apresentou razões recursais de fls. 97/103 a qual tramitou até o julgamento perante a segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo como relatora do voto condutor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. No acórdão, foi declarada a nulidade da decisãonotificação haja vista a omissão nos autos acerca da diligência fiscal de fls. 81/82, conforme ementa que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/07/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP V[ICIO NA DECISÃO NOTIFICAÇÃO DA NFLD QUE CONSUBSTANCIA O AUTO DE INFRAÇÃO EM QUESTÃO NULIDADE DE DN Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999. Auto de infração de GFIP Cód. 68 está diretamente relacionado a sorte de notificação correlata. Nulidade na NFLD, prejudica na mesma proporção o AI correlato, face a possibilidade de revisão. Decisão Notificação deve contemplar a base dos argumentos trazido na impugnação, sob pena de cercear o direito de defesa do recorrente. Nula a decisão de 1 instância. DECISÃO RECORRIDA NULA DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 436/446, alegando em suma: O Auto de Infração – AI n. 35.669.7975 mantém ligação direta com o processo em tela, referente a obrigação principal, o qual foi julgado pela 11ª Turma da DRF/SP1, tendo a recorrente interposto Recurso Voluntário em face do acórdão pois não consegue comprovar o alegado pela fiscalização e é contrário aos elementos de prova juntados aos autos; A NFLD é nula, uma vez que o MPF que deu origem à fiscalização continha a informação de que o referido deveria ser executado até 30 de maio de 2004, porém, o contribuinte só tomou ciência em 07 de junho de 2004, fato este que tornariam os atos praticados inválidos; Decadência da competência de março de 1999, uma vez que o lançamento foi lavrado em 12 de julho de 2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002326/200431 Acórdão n.º 2403002.978 S2C4T3 Fl. 507 5 A fiscalização não comprovou que os valores pagos a título de PLR foram pagos em desacordo com a Lei 10.101/00; Deve haver o recálculo da multa em razão do art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91. DA CONEXÃO Conforme podese observar através do despacho de fls. 503/504, analisando se os autos, foi verificado que as contribuições incidentes sobre os fatos geradores relacionados com a presente autuação foram objeto de lançamento em notificação própria, DEBCAD NFLD 35.699. 7975, Processo 35464.002327/200485. Assim sendo, os presentes autos foram redistribuídos. É o Relatório. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 497, tenho que o Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos:“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional. De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002326/200431 Acórdão n.º 2403002.978 S2C4T3 Fl. 508 7 Conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fl. 13, foram examinadas GFIPs, bem como comprovantes de recolhimento por parte do sujeito passivo, e, uma vez que não há fraude, dolo ou conluio por parte do sujeito passivo, entendo estar extinto o crédito tributário da competência de março de 1999, haja vista o contribuinte ter tomado ciência em 12/07/2004. Não obstante se tratar de obrigação acessória, entendo que, pelo fato de estar totalmente vinculada à obrigação principal, deve ser utilizado o critério presente no art. 150, § 4º. DO MÉRITO O presente processo trata das obrigações acessórias decorrentes do crédito tributário constituído no processo de nº 35464.002327/200485, que está sendo julgado nessa mesma sessão, e, como há total vinculação destas obrigações acessórias, o resultado deve seguir a mesma sorte. Portanto, uma vez que foi dado total provimento ao processo das obrigações principais, entendo que deve ser extinto o crédito tributário deste processo. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço o Recurso Voluntário para, preliminarmente, declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999, e, no mérito, darlhe provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903959/2010-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
Compensação. Irrf. Aplicação Financeira. Receitas.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80).
Numero da decisão: 1801-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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IRRF. APLICAÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Este litígio foi objeto da Resolução nº 1801000.302, deliberada em 08 de outubro de 2013, efls. 205 a 210, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 39 59 /2 01 0- 21 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 "A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 04709.55834.120307.1.3.021611, fls. 2740 e nº 37933.75066.111105.1.3.024410, fls. 4146 em 12.03.2007 e 11.11.2005, respectivamente, utilizandose do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$16.662,62 do anocalendário de 2004 apurado pelo regime do lucro real anual. [...] Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$16.662,62 Valor na DIPJ: R$16.662,62 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$25.231,91 IRPJ devido: R$8.569,29 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) observado que quando este cálculo resultar negativo o valor será zero Valor do saldo negativo disponível: R$11.207,45 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 37933.75066.111105.1.3.024410. NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 04709.55834.120307.1.3.021611. [...] Cientificada em 14.06.2010, fl. 147, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 14.07.2010, fls. 0210, com os argumentos a seguir transcritos. [...] Suscita Conforme detalhamento do crédito anexo restou como "valor não confirmado" o montante de R$5.455,17 de 1RRF sobre notas fiscais de serviços emitidas pela TECTRAN no ano de 2004. (Anexo I) Em planilha anexa a TECTRAN demonstra, analiticamente, cliente por cliente, nota fiscal por nota fiscal, o seu valor bruto, as retenções indicadas e os valores líquidos recebidos. (Anexo II) Anexase também, cópia Xerox de todas as notas fiscais indicadas na planilha e razão da conta corrente de cada cliente relacionado demonstrando que o valor recebido teve o efetivo desconto do imposto de renda. (Anexo II) Conforme demonstrado na referida planilha, os clientes efetuaram a retenção do imposto de renda e era obrigação deles o recolhimento do valor retido, informandoo à SRF através de DIRF e declaração de retenção do imposto à ser entregue à TECTRAN. A TECTRAN não recebeu tal declaração que, apesar de obrigatória, usualmente só é enviada pelos bancos relativamente ao IRRF sobre receitas Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.903959/201021 Acórdão n.º 1801002.349 S1TE01 Fl. 3 3 financeiras e, ao que tudo indica, ou informaram erroneamente os valores na DIRF ou não recolheram o valor retido à SRF. O que é fato é que a TECTRAN compensou apenas o valor do imposto de renda indicado nas notas fiscais e tributou, nos meses de janeiro a dezembro de 2004, com base no resultado mensal apurado em balanço ou balancete de suspensão e redução. Anexa cópia da DIPJ, folhas 1 a 11 e do recibo de entrega n° 14.03.46.09.4742 de 30/06/05. Considerando que a TECTRAN tributou seus resultados mensais com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, apurados com base no regime contábil de competência, e que a obrigatoriedade de retenção e recolhimento do imposto é do cliente da TECTRAN contra quem foram emitidas as notas fiscais, conforme legislação em vigor, é direito dela compensar o imposto retido no mesmo período em que a receita é submetida à tributação. Caberá à Secretaria da Receita Federal cobrar de cada contribuinte, o imposto retido e eventualmente não recolhido. Conclui Considerando os fatos relatados e os documentos anexados, e por ser de direito e de justiça, requer a revisão do despacho decisório em referência e que sejam consideradas integralmente quitadas as parcelas do IRPJ (R$ 860,08), CSLL (R$ 1.684,12), PIS (R$ 631,54) e COFINS (R$ 2.907,91) de competência outubro de 2005, constantes do Per/Dcomp 37933.75066.111105.1.3.024410 e a parcela da CSRF (R$ 743,51) da segunda quinzena de julho de 2006, constante do Per/Dcomp 04709.55834.120307.1.3.021611, e cancelada a cobrança mencionada no despacho decisório. Anexamse (112) cópias de documentos mencionados neste requerimento. [...] Voto Vencedor Divergiu a maioria do colegiado do votocondutor e resolveuse converter o julgamento do litígio na realização de diligências, por força do princípio da verdade material dos fatos. A recorrente faz, sem dúvida, início de prova de que sofreu as retenções de tributos alegada, em relação ao crédito indeferido que remanesceu. Todavia, a apresentação de Notas Fiscais e parte da contabilidade não faz prova suficiente para comprovar as efetivas retenções. Assim, decidiuse que os autos devem retornar à unidade de jurisdição da recorrente para que esta seja intimada a: a) apresentar prova mediante os extratos bancários que recebeu efetivamente os valores líquidos, relacionando com as Notas Fiscais apresentadas, em relação ao crédito não deferido porque as fontes pagadoras discriminadas a seguir não entregaram a DIRF correspondente; b) apresentar planilha decompondo o valor informado a título de receitas auferidas com a prestação de serviços na DIPJ/05 e os registros contábeis pertinentes, evidenciando os registros das referidas Notas Fiscais. Fontes Pagadoras Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 CNPJ (B) Código Receita (C) Valor do IRRF Não Confirmados na DIRF R$ (D) 01.928.075/002062 1708 215,10 02.632.185/000182 1708 117,00 02.653.273/000160 1708 216,00 02.756.435/000196 1708 1.678,82 03.549.012/000168 1708 2.105,72 17.262.213/000437 1708 118,52 17.262.213/001409 1708 187,50 24.315.012/000840 1708 120,00 24.444.127/000249 1708 30,00 24.444.127/001300 1708 30,00 24.444.127/002020 1708 15,00 24.444.127/003000 1708 30,00 24.444.127/003183 1708 30,00 24.444.127/003507 1708 30,00 24.444.127/006107 1708 30,00 25.909.094/000147 1708 108,92 47.508.411/009960 1708 195,00 A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá contrapor os documentos e informações prestadas à contabilidade da recorrente e elaborar Relatório Fiscal com as conclusões sobre as efetivas retenções de IR, se houveram ou não. [...]" Em resposta às diligências solicitadas, a autoridade fiscal designada ao feito acostou aos autos Intimações Fiscais, Respostas da Recorrente e os documentos contábeis e fiscais de efls. 213 a 298, inclusive extratos bancários, concluindo no Relatório Fiscal de efls. 299 a 301 que a Recorrente faz jus ao valor de IRRF decomposto analiticamente em tabela elaborada e constante do referido Relatório. Em manifestação sobre o resultado das diligências, a recorrente, devidamente intimada, esclareceu que um dos valores da planilha elaborada pela fiscalização estava com o valor incorreto, por equívoco seu, devendo ser reduzido o IRRF de R$ 225,00 para somente R$ 30,00 (fonte pagadora CNPJ 24.444.127/000249. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora O Recurso Voluntário já foi conhecido, por tempestivo, por ocasião da Resolução anteriormente deliberada. A recorrente, requer, em suma, o aproveitamento de todo o valor de IRRF, da ordem de R$ 25.231,91, informado em DIPJ/05 e nos Per/Dcomp objetos destes autos, que compôs o Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2004, porquanto a autoridade administrativa tributária a quo reconheceu a este título, IRRF, somente R$ 19.776,74. A diferença a ser discutida neste litígio é o valor de R$ 5.455,17, a título de IRRF, a ser computado no cálculo do Saldo Negativo de IRPJ, 2004. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.903959/201021 Acórdão n.º 1801002.349 S1TE01 Fl. 4 5 No resultado da diligência solicitada, com os esclarecimentos prestados pela própria recorrente, efls. 299 a 301 e 305, restou comprovado neste processo que, efetivamente, sofreu as retenções nos valores a seguir discriminados: CNPJ Fonte Pagadora Cód. Receita Valor 01.928.075/002062 1708 215,10 02.632.185/000182 1708 117,00 02.653.273/000160 1708 216,00 02.756.435/000196 1708 1.678,82 03.549.012/000168 1708 2.213,54 17.262.213/000437 1708 118,52 17.262.213/001409 1708 187,50 24.315.012/000840 1708 120,00 24.444.127/000249 1708 30,00 24.444.127/001300 1708 30,00 24.444.127/002020 1708 15,00 24.444.127/003000 1708 30,00 24.444.127/003183 1708 30,00 24.444.127/003507 1708 30,00 24.444.127/006107 1708 30,00 25.909.094/000147 1708 108,92 47.508.411/009960 1708 195,00 Total 5.365,40 Pelo exposto, ao valor de R$ 19.776,74 reconhecido no Despacho Decisório de efls 13, deve ser acrescido o valor de R$ 5.365,40, a título de IRRF sofrido pela recorrente, ao qual faz jus ser computado no Saldo Negativo de IRPJ, do anocalendário em questão, perfazendo o valor de R$ 25.142,14, mantendose a glosa fiscal de valor de IRRF não comprovado como efetivamente retido pela fonte pagadora sobre as receitas oferecidas à tributação pela recorrente do valor de R$ 89,77 (pleiteou no Per/Dcomp o valor de R$ 25.231,91). No que respeita às argumentações da Turma de Julgamento de Primeira Instância, não comungo com a análise superficial realizada em Notas Fiscais, por amostragem, quanto aos recebimentos efetivos das receitas, em outro anocalendário, bem como as retenções sofridas, que subtrairiam o direito da recorrente em aproveitar o IRRF dentro do mesmo exercício financeiro em que foram tributadas as referidas receitas, por força de observar o regime de competências. A Turma de Julgamento de Primeira Instância para se conduzir por esta seara deveria ter realizado uma análise perfunctória em cada Nota Fiscal e detalhar analiticamente a quais valores se reportava. Entendo que tal exame seria trabalhoso e de pouco proveito verificar cada Nota, seu recebimento e efetiva retenção e calcular mera postergação de pagamento, dados os pequenos valores de cada Nota e retenção sofrida, visto que, se na contabilidade a recorrente computou os IRRF no ano anterior do que poderia computar, mas ofereceu à tributação a receita correspondente, destaquei, este erro contábil não lhe subtrai o direito de compensar os IRRF efetivamente retidos, consistindo em mera postergação de imposto. Ademais, os extratos bancários juntados aos autos pela autoridade fiscal não demonstram os recebimentos, pelos valores líquidos, em anocalendário outro que não o de 2004. Por todo exposto, é de se admitir como parcela a ser considerada no Saldo Negativo do IRPJ, relativo ao anocalendário de 2004, a título de retenções de IR efetivamente sofridas pela recorrente, o valor de R$ 25.142,14. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 36630.006603/2006-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 3.244 1 3.243 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36630.006603/200640 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.502 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de março de 2015 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente BOMBARDIER TRANSPORTATION BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 30 .0 06 60 3/ 20 06 -4 0 Fl. 3250DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36630.006603/200640 Resolução nº 2402000.502 S2C4T2 Fl. 3.245 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade referente a requerimento de restituição dos excedentes retidos sobre notas fiscais de serviços para o período de 04/2004 a 02/2006, protocolado em 17/05/2006. Contra a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, em síntese: a) A existência de diferenças de contribuições não recolhidas não podem obstar o deferimento da restituição, mas tão somente a redução do crédito. Tal situação equivale a cobrar contribuição através de pedido de restituição; b) Quanto a suposta prescrição para o mês 03/2002, alega que as notas fiscais não continham o destaque da retenção e que essa informação somente foi contabilizada em 04/2004; c) Não procede a redução de seus créditos por compensações que decorrem de saldos acumulados relativos a créditos de meses anteriores, sem qualquer relação com os valores a serem restituídos pelo presente processo. Para demonstrar o alegado, junta planilha; d) Quanto aos valores considerados pela fiscalização como devidos, sustenta que: a) valetransporte, não há incidência de contribuição ainda que pago em dinheiro; b) salárioadicional, não procede impedir a restituição pelos motivos apontados; c) DIPJ/2004, tratase de erro de preenchimento; d) não existem diferenças a serem recolhidos na período de 03/2004 a 12/2004; e e) Por fim, requer diligência para que se constate que de fato as compensações se referem a créditos de outro período. É o Relatório. Fl. 3251DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36630.006603/200640 Resolução nº 2402000.502 S2C4T2 Fl. 3.246 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao seu exame. A recorrente reitera seu pedido para que sejam examinadas as planilhas de compensação meses 03/2003 a 09/2008, fls. 3099, a fim de que se constatado que os valores glosados no pedido de restituição são referentes a créditos distinto do que ora se discute. A decisão recorrida indeferiu o pedido de diligência por entendêlo prescindível já que supostamente há outros motivos que impedem a restituição. Acontece que não se trata de um fundamento somente relacionado à decisão de deferimento ou não do direito, mas a própria apuração do crédito a ser restituído. Nesse caso, ainda que eventualmente sejam adotados os outros fundamentos da decisão recorrida, é possível que o valor do crédito seja maior caso comprovado que as compensações realizadas não se refiram às mesmas notas fiscais de serviços. Por tudo, voto por converter o julgamento e que, após, seja oportunizada a manifestação da recorrente no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 3252DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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