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Numero do processo: 13116.002351/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
TRIBUTOS COM EXIGILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE EXTENSÍVEL AOS JUROS.
0 disposto no art. 41, §1 °, da Lei n° 8.981/95, aplica-se tanto ao imposto quanto aos juros que lhe são acessórios.
ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LAVOURA CANAVIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de oficio calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. BASE DE CALCULO
DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE.
O disposto no art. 41, §1°, da Lei n° 8.981/95, aplica-se à. apuração da base de cálculo da CSLL, haja vista o disposto no art. 2°, §1°, alínea "c-, item 3, da Lei n° 7.689/88, e art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
As demais matérias tributáveis baseadas nos mesmos elementos de prova aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 1202-000.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário quanto á. matéria Falta de Adição na Apuração da Base de Cálculo do Tributo de Provisão Não Dedutivel, vencidos os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta. Em relação a matéria Exclusão Indevida de Depreciação Incentivada, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. Quanto à imposição da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, pelo voto
de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto e Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTOS COM EXIGILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE EXTENSÍVEL AOS JUROS. 0 disposto no art. 41, §1 °, da Lei n° 8.981/95, aplica-se tanto ao imposto quanto aos juros que lhe são acessórios. ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LAVOURA CANAVIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de oficio calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. BASE DE CALCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. O disposto no art. 41, §1°, da Lei n° 8.981/95, aplica-se à. apuração da base de cálculo da CSLL, haja vista o disposto no art. 2°, §1°, alínea "c-, item 3, da Lei n° 7.689/88, e art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As demais matérias tributáveis baseadas nos mesmos elementos de prova aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
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I, ~ 't, il, ',. !', l', i "'; , ,- DF CARF;J\lF Recurso n° Acórdão nO Sessão de Matéria Recorrente Recorrida FL 1443 SI-C2T2 FI. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA T CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 13116.002351/2009-46 Voluntário 1202-000.794 - r Câmara 1r Turma Ordinária 12 de junho de 2012 Dedução tributos suspensos. Depreciação acelerada incentivada. Multa isolada. USINA GOIANESIA SIA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTOS COM EXIGILlDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE EXTENSÍVEL AOS JUROS. O disposto no art. 41, Si 0, da Lei n° 8.981/95, aplica-se tanto ao imposto quanto aos juros que lhe são acessórios. ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LAVOURA CANA VIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A incidência de muIta isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de oficio calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual. I ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003,2004,2005,2006,2007 TRIBUTOS' COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. o disposto no art. 41, SI°, qa Lei nO8.981/95, aplica-se à apuração da base de cálculo da CSLL, haja vista o disposto no art. 2°,91°, alínea "c", item 3, da Lei nO7.689/88, e art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95. T'RIBUTAÇAO REFLEXA. Documento assinado digitalmente conforme MP nO 2,200~2 de 24í08!200í Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por POLlANNf>. DA SILVA RI8EIRO Impresso em 16/05/20'14 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES DF CARFMF FI. 1444 ; ! , ' Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 Às demais matérias tributáveis baseadas nos mesmos elementos aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes 'autos. SI-C2T2 FI. 3 ~ !I' I '<' r ' "f , I Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à matéria Falta de Adição na Apuração da Base de Cálculo do Tributo de Provisão Não Dedutível, vencidos os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta. Em relação à matéria Exclusão Indevida de Depreciação Incentivada, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. Quanto à imposição da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto e Nereida de Miranda Finamore Horta. EDITADO EM: 06/1,2;/óZ()j3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Documento assinado digitalmente conTorme ,vi? n" 2.200-2 de 24í08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por POLlANNA Dí\ SiLVA RIBEIRO Impresso em 16í05í2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES 2 DF CARFMF Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 1445 SI-C2T2 FI. 4 ~ Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de multas isoladas sobre a falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL apurados sobre base estimada, referentes a fatos geradores ocorridos nos anos-calendário (AC) 2004 a 2007, com crédito tributário total de R$ 23.168.645,11 (fls. 623/761). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 629 e ss), infere-se que o contribuinte apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/ Declaração de Compensação - PER/DCOMP nO02276.55249.300108.1.3.02-2000 (fls. 35 a 40), pleiteando a compensação de saldo negativo do IRPJ, no valor de R$ 88.669,56, referente ao ano-calendário de 2007, com débito de CSLL. . A presente autuação decorreu de apuração de saldo de imposto a pagar, em função da redução indevida do lucro real efetuada mediante a exclusão de depreciações aceleradas incentivadas das contas "Formação Lavoura" (cana-de-açúcar), após a negativa de homologação de compensação realizada pelo contribuinte com suposto saldo negativo de IRPJ, através do Despacho Decisório n° 112 - DRF/ANA (fls. 129/143), exarado no processo nO 13116.000341/2008-95. Em razão da cisão parcial ocorrida em setembro de 2007, foram lavrados dois autos de infração para cada tributo. A fiscalização apurou as seguintes infrações, consoante se extrai do relatório da decisão recorrida: • Exclusão indevida de depreciação incentivada - AC 2004, 2005, 2006 e 2007, efetuada pelo contribuinte com base no art. 314 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) e no art. 104 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 390, de 2004, referentes aos custos incorridos na formação das lavouras de cana-de-açúcar registrados nas contas de ativo permanente. Embora adicionada ao lucro .líquido dos anos-calendário seguintes as reversões das depreciações integrais efetuadas em conformidade com o disposto no S 3°, do art. 313 do RIR/99, a infração praticada não se enquadra como postergação do tributo, haja vista que nestes anos o resultado da atividade rural apurado foi negativo, não havendo, consequentemente, o efetivo pagamento de tributo. Contudo, dos valores apurados das exclusões indevidas foram deduzidas tais adições ao lucro líquido das reversões, exceção feita aos à reversão dos valores de depreciação integral excluídos no ano-calendário de 2003, os quais não foram objeto de glosa no presente lançamento. No cálculo do imposto a pagar, o saldo negativo de IRPJ e de CSLL foram abatidos do montante do tributo apurado pela fiscalização em cada ano calendário, exceto quando verificada sua restituição ou compensação homologada; Documento assinado digitaimente conforme MP nO2.200-2 de 24í08!2001 Autenticado digitalmente em 06[12í2013 por POLlANNA DA SiLVA RI8EIRO Irnp!'2sso 211116í05!2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES • Falta de adição na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de provisão não dedutivel- AC 2007 (outubro a dezembro) , DF CARFMF FI. 1446 I. , . I. i. I ! I, I I' I' Processo nO 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão n,o 1202-000.794 FI. 5 No IRPJ - ausência de adição ao lucro liquido das p~: correspondentes aos juros incidentes sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e na CSLL - ausência de adição ao lucro líquido de provisões correspondentes ao débito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e à multa de ofício e aos juros de mora, objeto o auto de infração constante do processo nO 13116.001277/2006-06, cuja exigibilidade encontra-se suspensa nos termos do inciso IlI, do art. 151 CTN; • Compensação indevida de preJulZos fiscais e bases de cálculo negativas de períodos anteriores: AC 2005 - Com tal medida, o saldo a compensar em 31/12/2004 foi reduzido, restando R$ 1.032.341,18. A consequência foi que no AC 2005 a compensação efetuada pelo contribuinte (R$ 2.111.126,50) excedeu o saldo em R$ 1.078.785,32. Tal montante foi glosado; AC 2007 - a fiscalização apurou saldo de imposto a pagar em 30/09/2007 no valor de R$ 1.851.278,85, ao invés de prejuízo fiscal na atividade rural no valor de R$ 49.756,83 (conforme escrituração do contribuinte). Em função de cisão ocorrida em 30/09/2007, o contribuinte transportou apenas parte do saldo de prejuízo a compensar a partir de outubro de 2007, no montante de R$ 40.113,96, valor este que foi totalmente utilizado em compensação. Como a fiscalização apurou inexistência de prejuízo, houve compensação indevida no valor de R$ 40.113,96, ocorrendo a glosa; • Falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre as bases estimadas: verificada após ajuste dos balancetes mensais de suspensão pela fiscalização em decorrência das infrações apuradas, ensejando a cobrança de multa isolada. Ainda de acordo com o relato da decisão recorrida, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em que contestou a autuação apresentando os seguintes argumentos, em suma: o Está claro que o ordenamento jurídico vigente previu duas espécies de incentivos de depreciação acelerada; a) uma concedida para as atividades NÃO rurais - art. 57 da Lei nO 4.506/64, atualmente no art. 313 do RlR/99; b) outra, a todo o setor rural, criada pela MP nO167/90 e atualmente disciplinada pela MP nO2.159-70/200 I e art. 314 do RIR/99; o No caso concreto, apenas a depreciação acelerada incentivada destinada às atividades NÃO rurais se sujeita à limitação prescrita no art. 57, ~~ 10 e 13 da Li nO4.506/64 e pelo art. 307, ~ único, IV do RIR/99: o incentivo não se aplica a bens sujeitos a quota de exaustão. Isto porque no caso de atividade rurais o beneficio foi concedido a todo o setor rural, não tendo a legislação específica estabelecido exceções ou distinções quanto às espécies cultivadas, ou fixado os conceitos contábeis Documento assin"Jdo dígitalrne:lte ,:onforme MP,nD 2200.2.de24~?8!200'j, ~v1~ AutenticadO dlg:talmente ctn Ob!12!2013 por POLIANNA D/\ SIL VP" RIBEIRO ff '[ Inlpresso ern 16/05!2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES ' DF CARFMF Processo nO 13116,002351/2009-46 Acórdão n,o 1202-000.794 de exaustão, amortização e depreciação como fruição do benefício; FI. 1447 SI-C2T2 f!. 6 critér~w::. o A fiscalização desconsiderou a legislação específica do incentivo fiscal concedido à atividade rural, aplicando, por analogia e em prejuízo da impugnante, as disposições da Lei nO 4.506/64 e do art. 307 do RIR/99, referentes, como visto, apenas às atividades NÃO rurais. A fiscalização tentou introduzir novos conceitos contábeis (exaustão) estranhos à legislação específica concessiva do incentivo às atividades rurais, no intuito de isolar determinados cultivos, como o canavieiro, de um benefício fiscal que visou atingir todo o setor rural; o Como bem salientou a Solução de Consulta SRRFIO nO 28/2001, "não importa a denominação contábil dada a essa apropriação das despesas efetuadas com os investimentos incentivados - depreciação, amortização ou exaustão - mas sim a efetiva realização do investimento destinado a atividade que se desejafomentar."; o Ainda que se considerasse a atividade canavieira como uma espécie de cultivo florestal, ainda assim ela estaria contemplada pela depreciação acelerada incentivada, haja vista o teor do art. 59 da Lei nO9.460/96; o Convém esclarecer que o entendimento sugerido no PN nO 18/79, citado pela fiscalização, não é atualmente aplicável às atividades rurais porque o referido ato, além de ser norma inferior, é anterior à edição da legislação específica que concebeu e regulou o incentivo para todo o setor rural; o O entendimento da fiscalização contraria precedentes do Conselho de Contribuintes. Há decisão recente, de 14/08/2008, da 1a Câmara do Primeiro Conselho, cuja relatora foi Sandra Maria Faroni, que é posterior à Solução de Divergência (SD) nO 12, de 07108/2003 mencionada pela fiscalização como fundamento do lançamento; • Glosa de compensações e falta de recolhimento do tributo sobre base estimada (multa isolada) - em decorrência do acerto do seu procedimento quanto à depreciação incentivada. são também improcedentes as infrações relativas à glosa de compensações de prejuízos fiscais/base negativa de CSLL e às faltas de recolhimento dos tributos sobre a base de cálculo estimada (que acarretaram a exigência da multa isolada) , vez que resultaram diretamente daquela infração; Documento assinado digitalmente confDrme MP nO 2.200.2 de 24í08i2001 Âutenticado digitalmente em 06í12í2013 por POLlANNA DA SiL.VA RIBEIRO Impresso em 16/05/2014 por ANGE.LlCA DOS SANTOS GOME.S • Falta de adição na apuração da base de cálculo do tributo de provísão não dedutível - a legislação (art. 41, ~ 10 da Lei na 8.981/95) proíbe apenas a dedução do tributo impugnado, mas não veda a dedução das multas e dos juros de mora. A ausência de vedação significa verdadeiraf (//' DF CARFM~F FI. 1448 Processo nO 13116.002351/2009-46 S I-C2T2 Acórdão n.o ,1202-000.794 FI. 7JZ<25 permissão para a dedução. por força do princIpIO da legalidadi/o mencionado dispositivo revogou o art. 8° da Lei nO 8.541/92 que vedava expressamente a dedução tanto das despesas relativas ao tributo com exigibilidade suspensa quanto das despesas com a multa e os juros incidentes sobre este tributo. • Multas de oficio proporcional e isolada - natureza confiscatória, vez que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que as multas superiores a 30% do valor do tributo não recolhido têm natureza confiscatória, violando o art. 150, IV da Constituição Federal (CF) de 1988. As multas (proporcional e isolada) devem ser reduzidas para que a sua somatória não ultrapasse este limite de 30%. Os julgadores de primeira instância decidiram pela manutenção integral do lançamento a partir dos fundamentos constantes do voto condutor, a seguir sintetizados por infração: A) Falta de adição na apuração da base de cálculo do tributo de provisão não dedutível - os tributos com exigibilidade suspensa são considerados provisões e não são dedutíveis, nos termos do ~1° do art. 41 da Lei n ° 8.981/95 e do art. 13 da Lei n° 9.249/95, incluindo a CSLL e os juros, que devem seguir a regra do principal; - as provisões não dedutíveis para fins de apuração do lucro real também não são dedutíveis na determinação da CSLL conforme o disposto no art. 2°, ~1°, alínea "c", item 3 da Lei nO7.689/88; B) Exclusão indevida de depreciação incentivada - de acordo com o disposto no ~2° do art. 12 da Lei n° 8.023/90, resultante da conversão da MP nO 167/90, posteriormente revogado pelo inciso III do art. 36 da Lei nO 9.249/95, mas que voltou a viger com a edição da MP nO1.459/96, especificamente em seu art. 7°, e atualmente contando com a mesma redação no art. 6° da MP nO2.159-70/2001, e, ainda. considerando o tex~o da Exposição de Motivos n° 57/90, que acompanhou a primeira medida provisória, conclui-se que o legislador autorizou exclusivamente o benefício da depreciação acelerada incentivada para as pessoas jurídicas que explorem atividade rural, não sendo possível considerar os bens imobilizados sujeitos à amortização e exaustão; - especificamente sobre a lavoura de cana-de-açúcar trata o Parecer Normativo CST nO18/79, de onde se extrai que os custos de formação de culturas de espécies vegetais de menor porte que não se extinguem com o primeiro corte devem ser submetidos à exaustão e não à depreciação. Nesse sentido, a solução de consulta emitida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 4a Região Fiscal (Se SRRF04 nO OS/2004), bem como o item 019 do capítulo 12 do "Perguntas e Respostas" relativo à DIPJ2010, cuja referência normativa é o PN CST n° .18/79; -a orientação da Receita Federal não é de que a cultura de cana-de-açúcar é um cultivo florestal, mas sim que, por não se extinguir com o primeiro corte, voltando a produzir novos troncos e permitindo um ou mais novos cortes, deve ser objeto de quotas de DocumentoaSSin:(:~~;:::e:t:::~r::~~:n~:,:f:::::::::!::~orestas; j01V'r d--P ÇY , Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por POLlANNA DA SiLVA RIBEIRO - I Impresso em 1(i'05!2014 por ANGE,LICA DOS SANTOS GOMES DF CARFMF FI. 1449 i, : Processo nO 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 8 - O julgador administrativo está vinculado às normas expedidas pelo ó~ referido parecer não restou prejudicado pelas alterações legislativas posteriores, vez que estas em momento algum alteraram as definições e atributos dos institutos contábeis da depreciação, amortização e exaustão, nos quais o ato normativo se alicerçou; C) Glosa de compensação de prejuízo fiscaVbase negativa de CSLL - mantida a infração relativa à exclusão indevida da depreciação integral incentivada, restou prejudicada a glosa de compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, haja vista que esta infração decorreu daquela; D) Multa isolada - falta de recolhimento de IRPJ e CSLL calculados sobre bases estimadas - sendo ambas decorrentes da infração relativa à exclusão indevida da depreciação integral incentivada, como não foi apresentada qualquer contestação específica, devem ser igualmente mantidas; E) Caráter confiscatório das multa aplicadas - o art. 26-A do PAF, incluído pela Lei n ° 11.941/2009, resultante da conversão da MP nO 449/2008, dispõe que o julgador administrativo não pode afastar a aplicação de lei sob o fundamento de violação da constituição. No mesmo sentido a súmula nO 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes. A decisão recorrida contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2003 TRIBUTOS COM EXIGILlDADE SUSPENSA. INDEDUTÍBILIDADE EXTENSíVEL AOS JUROS. O disposto no art. 41, N" ,da Lei no. 8.981/95, aplica-se tanto ao imposto quanto aos juros que lhe são acessórios. ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LA VOURA CANA VIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA. IMPOSSIBILIDADE. Por serem passíveis de exaustão, os custos de aquisição e formação da lavoura de cana-de-açúcar não fazem jus ao benefício da depreciação integral incentivada. LANÇAMENTOS DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO ESTIMADO E DE GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO ESPECÍFICA. MANUTENÇÃO. Devida a manutenção dos lançamentos vez que decorrentes das outras duas infrações objetos dos autos de infração, cujos lançamentos foram mantidos. Ausência de contestação específica. MULTAS DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR MATÉRIA. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida cf constitucionalmente. D.ocu~~ento ass:nado dígítalment~~ Gonfonne íviPn" 2:200-2 ,j~.24!~8i2001 . ~\ / Autof1tlGado digitalmente em 05['//2013 por POLlANNA DA «LV", RI8EIR.G () <r Impresso el11 1G/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES ~7 _________ ---.J DF CARFMF Processo n° 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 ASSUNTO: CONTRIBUiÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2003 TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. BASE DE qALCULO DA CSLL. INDED UTIBILIDA DE. O disposto no art. 41, 91",da Lei no. 8.981/95, aplica-se à apuração da base de cálculo da CSLL haja vista o disposto no art. 2"., 91"., alínea uc" ", item 3, da Lei no. 7.689/88, e art. 13, inciso I, da Lei no. 9.249/95. CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Quanto aos demais assuntos, aplica-se ao lançamento da CSLL o mesmo exposto para o IRPJ, haja vista decorrerem de mesmas matérias tributáveis e mesmos elementos de prova. FI. 1450 SI-C2T2 FI. 9 J2ij)- .1 I, Cientificado em 06/07/2010 (fls.1 IDO), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/08/2010 (fls. 11O1 e ss.), repisando as razões da impugnação e acrescentando, em suma, as seguintes. Quanto aos equívocos incorridos pela autoridade julgadora, contrapõe a aplicação analógica e indevida dos critérios normativos previstos aos incentivos concedidos às atividades não rurais (Lei n° 4.506/64 e art. 307 do RIR/99) aos incentivos deferidos ao setor agrícola, apontando violação aos princípios da legalidade e isonomia . Segundo ela, a Exposição de Motivos da MP n° 167 não deixa dúvidas quanto à aplicação do benefício inclusive às culturas permanentes, independentemente do início ou do prazo de exploração, conforme item '13, o qual não seria aplicável apenas ao agricultor, pessoa física, devendo ser interpretado em conjunto com os itens 1 e 9, nos quais resta evidenciado que o incentivo é concedido a todo setor rural, sem distinção de cultura. Alega que a autoridade julgadora equivocou-se quando pretendeu introduzir, novos conceitos contábeis (de quotas de exaustão) estranhos à legislação específica concessiva do incentivo às atividades rurais, no intuito de isolar determinados cultivos, como o canavieiro, de um beneficio fiscal que visou atingir todo o setor rural. Aduz que a Exposição de Motivos da MP nO 167 fulmina, ainda, o argumento adotado no Parecer Normativo nO 18/79, citado pela autoridade julgadora de que, como a lavoura canavieira não se extingue no primeiro corte, os custos incorridos para sua formação devem ser registrados como quotas de exaustão. Além disso, o conceito contábil de quotas de exaustão é efetivamente estranho à MP 2159-70, ou seja, apenas a depreciação acelerada prevista para as atividades não rurais se sujeita à limitação prescrita pelo art. 57, ~~ 10 e .13, da Lei n° 4.506/64, e pelo art. 307, ~ único, IV do RIR/99. Ao classificar a cana-de-açúcar como "projeto florestal" sujeito a quotas de exaustão, nos termos do art. 307, inc. lI, e parágrafo único; inc. IV, do RIR/99, a autoridade julgadora segregou determinados cultivos, como o de cana de açúcar, da depreciação acelerada incentivada, em função de critérios contábeis não previstos na legislação fiscal concessiva do beneficio a todo o setor rural. Documento assinado digitalmente co£1fonne'r\t'P £1"2..200.2 de 24í08!200.j Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por POUANNA DA SiLVA RI8EIRO Imp!'esso em 16/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES I: DF CARFMF Processo nO 13116.00235112009-46 Acórdão n.O 1202-000.794 FI. 145J SI-C2T2 fI. 10 J?iY3JI Documento assinado digitalmente conforme MP [1" 2..200.2 de 24í08!2Q01 I Autenticado digitalmente em 06!12i2013 por POLlANNA DA SILVA RIBEIRO Irnpresso em 16i05!2.014 por ANGF.L.lCA DOS SANTOS GOMES , ;i I' '.'j I !, ',' Alerta que a autoridade julgadora não apenas violou a legislação específica do incentivo fiscal, que o concedeu a todo o setor rural, mas também estabeleceu tratamento anti-isonômico absolutamente vedado pela Constituição Federal através do princípio constitucional da isonomia tributária, veiculado pelo art. 150, lI, da CF/88. Destaca o trecho da Solução de Consulta SRRF/lO n° 28, de 15 de março de 2001: "não importa a denominação contábil dada a essa apropriação das despesas efetuadas com os investimentos incentivados - depreciação, amortização ou exaustão - mas sim a efttiva realização do investimento destinado a atividade que se desejafomentar." Ainda que se considerasse, hipoteticamente, a atividade canavieira como uma espécie de cultivo florestal, ainda assim ela estaria contemplada pela depreciação acelerada incentivada, porque, a teor do art. 59 da Lei 9.460/96, "considera-se também, como atividade rural o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo Oli industrialização. " Esclarece que o entendimento sugerido pelo Parecer Normativo nO 18/79, citado pela autoridade fiscal, não é atualmente aplicável às atividades rurais, simplesmente porque o referido ato normativo, além de ser norma jurídica inferior, é anterior à edição da legislação específica que concebeu e regulou o incentivo para todo o setor rural. Cita jurisprudência do CARF posterior à Solução de Divergência (SD) n° 12, de 07/08/03, mencionada pela autoridade fiscal como fundamento da autuação, para sustentar que a depreciação acelerada incentivada concedida a todo o setor rural é concedida e disciplinada por legislação específica, distinta da disciplinadora do incentivo deferido às atividades' não rurais, e que "não pretendeu,; a lei, distinguir entre bens do ativo imobilizado sujeitos a amortização ou a exaustão. " Aduz, ao final, que, estando correto o aproveitamento da depreciação acelerada incentivada pela Recorrente, mostra-se acertada a apuração do saldo negativo de CSLL e do prejuízo fiscal do IRPJ no período de dezembro de 2004 a dezembro de 2007. Quanto à dedutibilidade do débito de IPI com exigibilidade suspensa e dos respectivos juros e multa da base de cálculo da CSLL, sustentfl a inexistência de vedação legal à sua dedução, bem como a sua natureza de despesa incorrida e dedutível, e não de provisão, já que os créditos tributários constituídos por meio de ato de lançamento são líquidos. Em razão disso, os tributos com exigibilidade suspensa e os respectivos juros e multa não se sujeitam à regra prescrita pelo art. 13 da Lei nO9.249/95, que prescreve a indedutibilidade das provisões contábeis, exceto daquelas constituídas para pagamento de férias de empregados e do décimo- terceiro salário. Esclarece, ainda, que é inaplicável à CSLL a norma jurídica veiculada pelo art. 41, ~o 1°, da Lei n° 8.981/95, que veda a dedução, apenas da base de cálculo do IRPJ, dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa. Quanto à dedutibilidade dos juros SELIC da base de cálculo do IRPJ, sustenta a inexistência de vedação legal à sua dedução, bem como a sua natureza de despesa incorrida e dedutível, e não de provisão. Refuta o argumento de que os juros seriam mesmo acessórios do tributo, pois a lei proíbe apenasa dedução do tributo impugnado, mas não veda a~o/ (2/, DF CARFMF FI. 1452 Processo nO 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 11 dedução das multas e dos juros de mora incidentes sobre esses tributos. Por força do p~o da legalidade, essa ausência de vedação, significa, na prática, verdadeira permissão para que os contribuintes os deduzam. Destaca que o art. 41, So', da Lei nO 8.981/95 revogou o art. 8° da Lei 8.541/92, lque vedava expressamente a dedução tanto das despesas relativas ao tributo com exigibilidade suspensa, quanto das despesa~ com a milita e os juros incidentes sobre esse tributo. Quanto à natureza confiscatória das multas aplicadas, cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que fixou entendimento no sentido de que multas superiores a 30% .do valor do tributo não recolhido têm natureza confiscatória, e violam o art. 150, IV, da CF/88, pedindo sua redução a esse patamar. No memorial entregue na primeira sessão de julgamento em que pautado o processo (janeiro de 2012), a recorrente, acrescenta sua inconformidade com a forma de apuração da base de cálculo, apontando: (i) ausência de recomposição de adições decorrentes de exercícios anteriores, pois a fiscalização reverteu apenas as exclusões e adições de cada período, (ii) erro no cálculo das adições correspondentes a cada ano calendário, pela desconsideração das despesas de exaustão cabíveis; (iii) inobservância do regime de competência e a necessidade de apuração individualizada de cada ano calendário. Ainda questiona especificamente a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de oficio, indicando a duplicidade de exigência e imposição de penalidades sobre um mesmo fato, assim como erro no enquadramento legal, haja vista que o art. 44, SI°, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nO 11.477/2007, somente pode ser aplicado em relação a fatos geradores posteriores à sua vigência. Posteriormente, junta ao processo os memoriais e pareceres apresentados como memoriais em sessão de julgamento, no sentido da tese defendida, sobre os quais não se manifestou a PGFN. É o relatório. Documento assinado digitalmente conforme MP n" 2.200-2 de 24í08!2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por POLlANNA DA SILVA RIBEIRO Impresso ern 16/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES ~ 10 , - " :,: DF CARFMF Processo n° 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora FI. 1453 SI-C2T2 FI. 12:sr , I 1:- r."\,1 , "I' I, Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. Da dedução de tributo com exigibilidade suspensa A recorrente sustenta a dedutibilidade do débito de IPI com exigibilidade suspensa e dos respectivos juros e multa da base de cálculo da CSLL, glosados no período de outubro a dezembro de 2007, todavia, quanto ao tema, os argumentos da defesa não procedem. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das Pessoas Jurídicas foi instituída pela Lei nO 7.689, de 15 de dezembro de 1988, destinada a financiar a seguridade social. A base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado por algumas exclusões e adições. Sobre a dedutibilidade de tributo com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, embora o art. 41, ~1°, da Lei nO8.981/95 trate da "determinação do lucro real", não se referindo à CSLL, tal dispositivo não pode ser interpretado isoladamente. O regime de competência a que se obrigam as sociedades anônimas exige que apenas sejam registradas despesas incorridas, cuja respectiva exigibilidade deve ser líquida e certa, ainda que não exigível. Ora, é certo que o tributo discutido judicialmente não goza de certeza e liquidez, vez que pode ser objeto de lançamento para prevenir a decadência, mas não pode ser exigido. Os montantes dos tributos com exigibilidade suspensa por ordem judicial enquadram-se no conceito de provisão, por representarem "valores a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos contábeis já ocorridos; isto é dizem respeito a { ..} prováveis valores a desembolsar originados de fatos já acontecidos (como { ..} probabilidade de ônus futuro em jUnção de problemas fiscais já ocorridos ...)" (Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 73 ed., p. 312/313). Assim, apenas quando do resultado final da decisão judicial, caso desfavorável, a pessoa jurídica poderá considerar dedutível o valor provisionado, não cabendo deduzir da base de cálculo da CSLL a despesa provisionada, como pretende a recorrente. Nesse caso, devçm ser consideradas indedutíveis da base de cálculo da CSLL, em face do que dispõe expressamente o art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95. A recorrente contesta também a adição ao lucro líquido na apuração do Lucro Real dos valores das provisões correspondentes aos juros de mora incidentes sobre o principal (Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, objeto de questionamento judicial), nos anos- calendário de 2006 e 2007, sustentando a inexistência de vedação legal à sua dedução, bem como a sua natureza de despesa incorrida e dedutível, e não de provisão, em que pese a suspensão da exigibilidade do débito principal. Documento assinado dígitaln1ente conforme MP n" 2.200-2 de 24/08/2001 Âutenticado digitalmente em 06112/2013 por POLlANNA DA SiLVA r~IBElf{O Impresso ern 16/05/2014 por ANGELiCA DOS SANTOS GOMES' DF CARFMF Fi. 1454 i: I' i Processo nO 13116.002351/2009-46 S I-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 ri. 13 Como se viu, o conceito contábil de despesa incorrida, dentro do re~ competência, alcança as despesas efetivamente dispendidas ou apropriadas no período. Nos casos em que o contribuinte leva à esfera judicial a discussão sobre se o tributo é devido ou não, a cobrança do débito e seus acréscimos é suspensa, na forma do art. 151 do CTN, justamente em razão de não estar definido o montante do tributo devido. Enquanto não houver decisão transitada em julgado, permanece o caráter provisório da apuração registrada na contabilidade do contribuinte, devendo ser tratada como mera provisão. Logo, a conclusão quanto à dedutibilidade dos juros e multa moratória deve ser a mesma do débito principal com exigibilidade suspensa, já que, por não serem autônomos e se constituírem meros acessórios, devem seguir a sorte do principal, submetendo-se às mesmas normas reguladoras da dedutibilidade impostas a ele. A sustentar ambas as conclusões, a jurisprudência no âmbito do CARF é farta, tendo sido confirmada por recentes decisões da la Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ,como se vê abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos fUturos favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica. os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. Assim. a dedutibilidade de tais rubricas semente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. (Acórdão n° 9101-00.592, ]O Turma da CSRF, Sessão de 18de maio de 2010) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ' Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos fUturos favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutiveis para efeito de determinação da base ele cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. O mesmo ocorre com àprovisão para juros sobre contingências fiscais os quais, por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, devem seguir a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão nO910101.2/4, la Turma da CSRF, Sessão de 18 deou/ubro de 2011) Assim, no presente caso, por se tratar de mera provisão contábil, correto o acréscimo da provisão não dedutível na base de cálculo da CSLL, nos termos do art. 2° da Lei n° 7.689/88, alterado pelo art. 2° da Lei nO8.034/90, bem como o acréscimo dos juros na base Oowm,",o'MiO:d: :::t:~~"t~:"::::o :,::o~~~~:.d' 24!D8i2001 j,/cf ~ Autenticado digitalmente em 06/1212013 por POL,IANNA DA SiLVA RIBEIRO (ff u:\ Impresso em 16105/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES DF CARFMF Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 Em razão disso, considero procedente o lançamento nessa parte. FI. 1455 SI-C2T2 FI. 14 ~ J! Documento assinado digitalmentE: conforme MP n" 2.200-2 de 24!O8!2001 Autentic8do digitalmente em 06112í2013 por POLJANNA DA SILVA RIBEIRO Impresso em 16i05!2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES :~ ~: I, I. I , I~ ,I I i I 'I 11: I'; i I I 0, I ! , 'I I I' i. Da depreciação acelerada incentivada Questiona o recurso a glosa da despesa de depreciação incentivada prevista no art. 6° da Medida Provisória nO2.159, de 2001 (art. 314 do RIR/99), abaixo transcrito, tendo sido considerado p~la fiscalização que a lavoura de cana~de-açúcar por se sujeitar à exaustão, e não à depreciação, .não pode aproveitar o benefício da medida provisória: Art. 6~ Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa, jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa' atividade. poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. (destaquei) o foco principal da discussão reside na natureza peculiar da lavoura canavieira para fins de enquadramento ou não na norma acima. A decisão recorrida considerou que, por se sujeitar à exaustão - e não à depreciação - não poderá usufruir do beneficio, em "razão do texto legal, confirmando o lançamento, enquanto a recorrente defende que, por ser considerada atividade rural, poderá se beneficiar da legislação, independentemente de estar sujeita à depreciação ou à exaustão, pois a legislação específica não fixou os conceitos contábeis de exaustão, amortização e depreciação como critério para fruição do beneficio. Posteriormente, através de memoriais, vem sustentar o enquadramento da redução do valor do I ativo formado pela lavoura canavieira como despesa de depreciação. Assim, duas questões são postas: o alcance amplo do beneficio fiscal e a sujeição da lavoura canavieira à depreciação o~ a exaustão. I Inicialmente, vale lembrar que, ressalvada a esfera judiciária, a competência para interpretar as normas tributárias e definir o seu alcance restringe-se aos órgãos administrativos de natureza tributária, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a instância máxima nesse mister. I A primeira questão a ser discutida é se o beneficio previsto no art. 314 do RIR/99 pode alcançar, indistintamente, ativo sujeito à depreciação ou à exaustão, pois caso se entenda que sim, restará inócua a discussão seguinte. A depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado trata-se de uma espécie de incentivo fiscal, destinado às empresas tributadas pelo "Lucro Real", visando à modernização, renovação ou implantação de equipamentos de produção nas diversas atividades econômicas. Consiste na antecipação da despesa de depreciação, a qual gera a postergação da tributação incidente sobre o lucro da atividade. A, depreciação acelerada incentivada para os bens do ativo imobilizado utilizados na atividade rural, previsto no art. 6° da MP n° 2.159-70, de 2001, é apenas uma das hipóteses previstas na legislação tributária. Em alguns casos, como o de máquinas e equipamentos industriais adquiridos no período de 14.06.95 a 31.12.97, concedido com base no art. 12 da Lei nO 9.449/97, consolidada no art., 318 do RIR/99, por exemplo, o beneficio fiscal fica condicionado ao cumprimento de determinados requisitos pela ,empresa beneficiária e traz expressa ressalva de rftcf b2< DF CARFMF FI. 1456 '" I i I 1.; I ",.'1 I , I I' i:'. Processo nO 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 15 que não poderá ser usufruído cumulativamente Com outros da mesma natureza. O Cui~ legislador justifica-se diante da renúncia tributária em questão. Assim, o intérprete tributário, na atividade de buscar o correto enquadramento da situação concreta na norma legal, deve observar todo o ordenamento jurídico. Na seara dos beneficios fiscais, no qual se encaixa a depreciação incentivada, como se viu, sua interpretação limita-se à literalidade da lei, consoante a regra do art. 111 do CTN. Art. J J J. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; I , II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Insisto que a invocação do referido dispositivo, o qual determina a utilização da interpretação literal 11as hipóteses, entre outras, de exclusão do crédito tributário - anistia e isenção, justifica-se plenamente, uma vez que a apropriação antecipada de despesas efetuadas com investimentos relacionados a determinada atividade representa um beneficio fiscal pela renúncia tributária no exercício em que se verifica, em razão da postergação do pagamento de tributo mediante antecipação de despesa. Na realidade, para fins de aproveitamento do beneficio fiscal, não se trata de mera investigação semântica, mas importa, sim, a definição legal e contábil dada à apropriação das despesas efetuadas com o desenvolvimento. de atividade rural, embora se pretenda fomentar essa atividade. I, Com essas premissas deve ser examinada a norma que dispõe sobre o beneficio objeto do presente recurso. É certo que o art. 6° da Medida Provisória n° 2.159-70, de 2001, ao permitir a apropriação imediata e integral, no próprio ano de sua aquisição, dos bens do ativo imobilizado aplicados na produção, buscou criar um incentivo à atividade rural mediante antecipação da apropriação dos encargos correspondentes à sua perda de valor, pretendendo incentivar investimentos aplicados na atividade rural. Para isso, desde a primeira previsão do beneficio, pelo ~2° do art. 12 da Lei nO8.023/90 (a qual resultou da conversão da Medida Provisória nO167), revogado pela Lei nO 9.249/95, posteriormente reinstituído pelo art. 7° da Medida Provisória nO1.459, de 21 de maio de 1996, que, após inúmeras reedições, deu origem à M~dida Provisória nO2.159-70, de 2001. ainda em tramitação, o legislador sempre se referiu expressamente à forma de "depreciação incenti vada". Cumpre esclarecer que a Administração Tributária reformou a Solução de Consulta SRRF /1ORF nO120, de 2001, referi<;lapela recorrente, que previa que "não importa a denominação contábil dada a essa apropriação das despesas efetuadas com os investimentos incentivados - depreciação, amortização ou exaustão - mas sim a efetiva realização do investimento destinado a atividade que se deseja fomentar". Documento assinado digitalmente conforme rv,p n" 2.200-2 eie 24í08!2001 Autenticado digitalmente em OSí12í2013 por POLlANNA DA S!LVA RIBEIRO Impresso em 1Gí05í2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES DF CARFMF FI. 1457 Processo n° 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 16 Com a edição da Solução de Divergência n' 12, de 2003, a coorden~;~ Sistema de Tributação- COSlT pôs fim a dissenso entre as Superintendências Regionais da Receita Federal da 93 e t03 RF, ficando definido que: "O beneficio consistente na deduçc70 integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, no próprio ano de aquisiçc"'io,.nc70inclui a amortização nem a exaustão de recursos florestais ", com fundamento na Medida Provisória n~ 2.159 ..70, de 2001, art. 62 ; Decreto n~ 3.000, de 1999, arts. 305, 328 e 334 - Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A conclusão passou pela análise da exposição de motivos da MP nO167, citada pela recorrente, que rezava: "4. Verifica-se, inicialmente, que o item 13 da exposição de motivos relaciona-se com o art. 4!! da Lei n2 8.023/1990, que conceitua o resultado da atividade rural daspessoasfísicas, nestes termos, verbis: "Art. 4!! - Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no ano-base. (. ..) 9 22 - Os investimentos são considerados despesa no mês do efetivo pagamento. (...) Art. 62 - Considera-se investimento da atividade rural, para os propósitos do art. 4!!, a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola. " (~ifamo~ . 5. Os parágrafos 12 e 13 da. Exposição de Motivos n2 57/1990 comentam o art. 4!!, nos seguintes termos, verbis: "12. O art. 42 conceitua o resultado da atividade rural adotando o regime de ,caixa na sua apuração. Adicionalmente disciplina o tratamento a ser dado à correção monetária dos empréstimos, aos investimentos e à alienação de bens, à vista dos propósitos de tributação e à expressão da base de cálculo em valores constantes. 13. Deve-se destacar que os valores investidos na atividade podem ser considerados despesas no ano do dispêndio, o que permitirá ao agricultor recuperar mais rapidamente o capital aplicado. Esta regra é válida mesmo quando a vida útil do bem de produção adquirido seja superior a um ano; em relação às culturas permanentes, aplica-se independentemente do inicio ou prazo de sua exploração. " Documento assinado digitaimei'ltB conforme MP nO2.200 ..2 de 24/08!2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por POUANN/\ DA SILVA RIBEIRO Impresso crn 16!05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES DF CARFMF Processo n° 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 6. Outro dispositivo, o art. 12 da Lei n2 8.023/1990, dirigido à atividade rural das pessoas jurídicas, assim dispunha, antes de sua revogação, verbis: "Art. 12 - Apessoa jurídica que explorar atividade rural pagará o imposto à alíquota de vinte e cinco I por cento sobre o lucro da exploração (art. 19 do Decreto-lei n2 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e alteraçõesposteriores), facultada a redução da base de cálculo nos term9s previstos no art. 92, não fazendo jus a qualquer outra redução do imposto a título de incentivofiscal. . FI. 1458 St-C2T2 FI. 17 JaAS JI (..) .~22 - Os bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados integralmente, no próprio' ano da aquisição. (...)" (grifamos) 7.Acerca do disposto acima, a exposição de motivos, nos parágrafos 23 e 24, justifica, verbis: "23. Altera-se - art. 12 - a alfquotapara o cálculo do imposto de renda a.ser pago pela pessoa jurídica sobre o lucro da exploração da atividade rural e evitar a constituição d.eempresas rurais com o fito exclusivo de evasãofi~cal. 24. Simultaneamente, estende-se àpessoa jurídica a redução da base de cálculo do imposto nos termos previstos no art. 92 e permite-se a depreciação integral dos investimentos no'ano de sua realização, comoforma de, a exemplo da pessoafisica, reforçar a disponibilidade de recursos dapessoa jurídica. Da mesma forma, admite-se que o pagamento do imposto devido seja efetuado nos mesmos prazos previstos para apessoafisica. " (grifamos) 8. Aqui, observe-se: oi ••• no ano de sua realização... " deve ser interpretado com base no que diz a lei: "... no próprio ano da aquisição. " Desse modo, não se pode perder de vista que a exposição de motivos não interpreta cabalmente a lei. Aliás, em muitos pontos, deve-se recorrer ao texto da lei para compreender a exposição de motivos. 9. Ora, sem muito esforço interpretativo, retira-se da literal disposiçllo do ~ 2i! do art. 42, com o auxílio da definição contida no art. 62, ambos da Lei n2 8.023/1990, que, na apuração do resultado da atividade rural, é permitido à pessoa física deduzir qualquer investimento, Documento 3.S.Si!.1<idO.dí 9 j13Irnenlf." co."ro,:C~:S:'V::::~:::~e!::imesn:oano do dispêndio. Drkaí, a1~6 Autenticado digitalmente em 06!12í2013 por POUANNA DA SILVA RIBEIRO Impresso ern 16í05i2014 por ANGEUCA DOS SANTOS GOMES DF CARFMF Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 justificação abrangente contida no parágrafo 13 da exposição de motivos. 10. Por outro lado, a redação do ~ 2!!do art. 12 da Lei n!! 8.023/1990 não tinha tanta amplitude, de vez que, dirigido às pessoas jurídicas, permitia deduzir como dfspesa, no ano de aquisição, o valor dos bens sujeitos à depreciação. Ademais, a exposição de motivos utilizou no item 24, como se pode notar, a palavra "depreciação ", derivada do verbo em comento empregado no texto do 9' 2!! do artigo revogado. (destaquei) FI. 1459 SI-C2T2 FI. 18 ~ Embora a referida solução de divergência, assim como as soluções de consulta divergentes analisadas, tenhan1 tratado especificamente de florestas em formação, destinadas à exploração de madeira para comercialização, consumo ou industrialização, pode ser transposta para este caso a conclusão de que o beneficio fiscal limita-se apenas à depreciação, não alcançando a amortização e nem a exaustão. Observa-se, ademais, que em relação aos recursos minerais, existe a previsão legal de um incentivo específico, que não se estende aos recursos florestais. A disposição dos temas no RIR/99, por si só, confirma o tratam.ento distinto dado pelo legislador tributário entre os institutos "depreciação'~ e "exaustão", para fins de incentivo, conforme esquema abaixo: Subtítulo III - Lucro Real :(Capítulo V - Lucro Operacional Seção III - Custos, despesas op~racionais e Encargos , Subseção IH - Depreciaçã~ Acelerada Incentivada i . Atividade Rural Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurfdica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória n!!1. 749-37, de 1999, art. 5!!). Subseção IV - Amortização Subseção V - Exaustão de Recursos Minerais Exaustão Minera/Incentivada Art. 331. Para efeito de determinar o lucro real, as empresas de mineração, cujas jazidas tenham tido início de exploração a partir de 1!! de janeiro de 1980 até 21 de dezembro de 1987, poderão excluir do lucro líquido, em cada periodo de apuração, quota de exaustão de recursos minerais equivalente à diferença entre vinte por cento da receita bruta auferida nos dez primeiros anos de exploração de cada jazida e o valor computado nos termos do artigo anterior (Decreto-Lei n!!1.096, de 23 de março de 1970, art. J!!, Decreto-Lei n!!1.598, de 1977, I, I Documenta aSSinado dígitairne'lte conforme MP nO2..200-2 de 24/08!200.1 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ?OUANNA DA SiLVA RI8EIr{O Impresso em 16/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES DF CARFMP Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 art. 15, 92E, e Decreto-Lei n22.397, de 1987, art. 16. e 9 1E, alínea "b"). FI. 1460 SI-C2T2 FI. 19 JôJl JI Como se vê, quando quis incentivar a exaustão, o legislador assim o fez. A previsão de um incentivo específico em relação à exaustão comprova que os institutos têm tratamento distintü:também por parte do legislador tributário, ao contrário do que sustenta a recorrente. Diante do que se expôs, interpretar o art. 6° da Medida Provisória nO2.159- 70, de 2001, de modo a fazer alcançar a exaustão da lavoura canavieira. considerando simplesmente a motivação da lei de incentivar investimentos aplicados na atividade rural, data <venia, é interpretar extensivamente um dispositivo de natureza semelhante à isenção, o que . afronta o disposto no art. 111 do CTN. No mesmo sentido, cabe referir a decisão prolatada no acórdão nO 1101- 00.334, de 04/08/2010, da lavra da ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, com a seguinte ementa: ATIV1DADE RURAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. O beneficio fiscal da depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado aplicados na atividade rural não alcança os elementos integrantes deste grupo patrimonial que se sujeitam a exaustão ou amortização. Assim, entendo que o incentivo previsto no art. 314 do RIR/99 deve ser interpretado restritivamente para alcançar somente bens sujeitos à depreciação. Resta agora perquirir sobre a questão da sujeição da cultura canavieira à depreciação ou à exaustão. Depreciação e exaustão, ao lado da amortização, são conceitos distintos, não se confundindo, como se vê da legislação societária (Lei nO6.404/76) abaixo: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo ser:ãoavaliados segundo os seguintes critérios: {.J ' J 2" A diminuição do valor dos elementos dos ativos iniobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dadapela Lei n° 11.941, de 2009) a} depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercicio de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilizaçãopor prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (destaquei) Documento assinado digitalmente conforme f\ltP £1"2..200-2 de 24í08!2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por POL.lANNA DA SILVA RIBEIRO Irnpi'esso em 16105/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES a/ 18 DF CARFMF Processo n° 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 1461 SI-C2T2 FI. 20J:f I! Dentre as Normas Brasileiras de Contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, vale destacar o seguinte trecho da NBC T-10 - Atividades Agropecuárias, aprovada pela Resolução CFC 909, de 08.08.2001 (disponível em www.cfc.org.br): " 0.14.4 - Entidades Agrícolas: Aspectos Gerais 10.14.4.1 - As entidades agrícolas são aquelas que se destinam à produção de bens, mediante o plantio, manutenção ou tratos culturais, colheita e comercialização de produtos agrícolas. 10.14.4.2 - As culturas agrícolas dividem-se em: a) temporárias: a que se extinguem pela colheita, sendo seguidas de um novo plantio; e b) permanentes: aquela de duração superior a um ano ou que p~oporcionam mais de uma colheita, sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. 10.14.5 - Dos Registros Contábeis Das Entidades Agrícolas 10.14.5.1 - Os bens originários de culturas temporárias e permanentes devem ser avaliados pelo seu valor original, por todos os custos integrantes do ciclo operacional, na medida de sua formação, incluindo os custos imputáveis, direta ou indiretamente, ao produto, tais como sementes, irrigações, adubos, fungicidas, herbicidas, inseticidas, mão-de-obra e encargos sociais, combustíveis, energia elétrica, secagens, depreciações de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na produção, arrendamentos de máquinas, equipamentos e terras, seguros, serviços de terceiros,fretes e outros. 10.14.5.6 - A exaustão dos componentes do Ativo Imobilizado relativos às culturas permanentes, formado por todos os custos ocorridos até o período imediatamente anterior ao início da primeira colheita, tais como preparação' da terra, mudas ou sementes, mão-de-obra, etc., deve ser calculada com base na expectativa de colheitas, de sua produtividade ou de sua vida útil, apartir da primeira colheita. 10.14.5.10 - Os custos de produção agrícola devem ser classificados no Ativo da entidade, segundo a expectativa de realização: a) no Ativo Circulante, os custos com os estoques de produtos agrícolas e com tratos culturais ou de safra necessários para a colheita no exercício seguinte,.e . Documento assinado digitalmente conforme MP nO2.200-2 de 24!08i2Q01 Autontic.ado digitalmente em 06/12/2013 por POLlANNA DA SiLVA RIBEIR.D Impresso em 15/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES http://www.cfc.org.br: DF CARFMF Processo n° 13116.00235112009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 b/ no Ativo Permanente Imobilizado, os custos que beneficiarão mais de um exercício. (destaquei) FL ]462 Sl-C2T2 FUI Documento aSSitl;:ldo digitalmente conforme fv;P nO2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12í2013 por POLlANNA DA SiLVA RIBEIRO Impresso ern 16105í2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES , . Nota-se, assim, que a contabilidade agrícola segrega os lançamentos entre os tipos de cultura ex,istentes: temporária ou penpanente. Culturas temporárias são arrancadas do solo na colheita e depois feito novo plantio, como arroz, feijão e milho, e o custo da plantação é contabilizado no.'Ativo Circulante. Por outro lado, culturas permanentes duram mais de um ano e proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café e cana-de-açúcar. Nestes casos, os custos para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado e devem ser avaliados pelo montante que efetivamente representam dentro do patrimônio total da pessoa jurídica. Com apoio nos estudos de José Sérgio Della Giustina na dissertação de mestrado "Um sistema de contabilidade analítica para apoio a decisões do produtor rural", apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, em 1995 (Disponível em http://www.eps.ufsc.br/disserta/giustina/indice/index.htm#index ), podem ser referidos exemplos claros de cada um dos institutos na atividade rural: (i) por se tratar a depreciação da perda de eficiência ou capacidade produtiva de bens do Ativo Permanente que são úteis a mais de um ciclo de produção, estão sujeitos a ela a máquinas, tratores, animais reprodutores ou de trabalho, fruticultura, dentre outros; (ii) por outro lado, estarão sujeitos às quotas de amortização os direitos adquiridos sobre bens de terceiros, traduzidos em Ativos Intangíveis, como direito de extração de madeira em floresta de propriedade de terceiros ou de gastos que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício financeiro, incrementando o processo produtivo, registrados no Ativo Diferido, tais como: desmatamento, corretivos, etc.; (iii) finalmente, considerando que, enquanto as propriedades físicas se deterioram fisica ou economicamente, os recursos naturais eJ:Cauríveisse esgotam, na proporção em que são extraídos os recursos naturais, registra-se a exaustão deste recurso, uma vez que o esgotamento é a extinção dos recursos naturais e a exaustão é a extinção do custo ou do valor desses recursos naturais. Como esclarece o autor do estudo, in verbis: exemplos de culturas que têm seu custo de formação, apropriados ao resultado pelo critério da exaustão, são as florestas artificiais de eucaliptos, de pinos, a cana-de-açúcar, as pastagens artificiais etc. (destaquei) Sob esse aspecto, distinguem-se claramente a cultura da cana-de-açúcar da fruticultura, por exemplo, haja vista que, neste caso, o aproveitamento econômico do bem não compromete sua existência, por se limitar ,à extração dos frutos, enquanto na exploração canavieira, o resultado econômico apenas se verifica com o sacrifício da própria planta, a qual se esgota e se toma imprestável após três ou quatro ciclos produtivos. Nesse caso, assim como nas florestas ou jazidas minerais, ocorre o esgotamento do próprio recurso natural com o passar do tempo. A legislação tributária, por sua vez, deixa claro que o registro de quotas de exaustão impede a depreciação sobre o mesmo bem (art. 307 do RIR/99): Bens Depreciáveis Art. 307. Podem ser objeto de depreciação todos os bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal, inclusive: ~cf~ DF CARFMF FI. 1463 1- ediflcios e construções, observando-se que (Lei n24.506, de 1964, art. 57, S 9!!J: Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 SI-C2T2 FI. 22 Jô20 JI a) a quota de depreciação é dedutível a partir da época da conclusão e início da utiUzação; bjo valor das edificações deve estar d~stacado do valor do custo de aquisição do terreno, admitindo-se o destaque baseado em laudopericial; ll- projetos florestais destinados à exploração dos respectivos frutos (Decreto-Lei n2 1.483, de 6 de outubro de 1976, art. 62,parágrafo único). Parágrafo único. Não será admitida quota de depreciação referente a (Lei n24.506, de 1964, art. 57, SS 10e /3): { ..} IV - bens para os quais seja registrada quota de exaustão. (destaquei) Após tratar da exaustão de recursos minerais, o RIR/99 consol ida a legislação sobre a exaustão de recursos florestais da seguinte forma: Art. 334. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor de recursos florestais, resultante de sua exploração (Lei 112 4.506, de 1964, art. 59, e Decreto-Lei 112 1.483, de 1976, art. 42). S 12A quota de exaustão dos recursos florestais destinados a corte terá como base de cálculo o valor dasflorestas (Decreto- Lâ n2 1.483, de 1976, art. 42, S. 1!!J. S 22 Para o cálculo do valor da quota de exaustão será observado o seguinte critério (Decreto-Lei 112 1.483, de 1976, art. 42, S 22): 1,:;apurar-se-á, inicialmente, o percentual que o volume dos recursos florestais utilizados ou a quanlidade de árvores extraídas durante operíodo de apuração representa em relação ao volume ou à quantidade de árvores que no início doperíodo de apuração compunham afloresta; ll- o percenlualencontrado será aplicado sobre o valor c<:Jntábilda floresta, registrado nO ativo; e O resultado será considerado como custo dos recursosflorestais extraídos. ,9'32As disposições deste artigo aplicam-se também àsflorestas objeto de direitos contratuais de exploração por prazo indeterminado, devendo as quotas de exaustão ser contabilizadas pelo adquirente desses direitos, que tomará como valor da floresta o do contrato (Decreto-Lei n21.483, de /976, ar/. 42, ,9' 32). Interpretando os dispositivos legais respectivos, a Administração Tributária. através do Parecer Normativo n° 18/79, citado no relatório fiscal, já considerava outros tipos de vegetação, que não floresta, quando cuidou de definir o critério para calcular o valor a ser apropriado a cada período como custo ou encargo, pelas empresas que exploram florestas ou plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte. mas I Documento assln<do digitalmente conforme MP nO2..2.00-2 de 24í08!2001 Autenticado digitalmente em 013/12/2013 por POLlANNA DA SILVA RIBEIRO Impresso em 16/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES DF CARFMF FI. 1464 Processo nO 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 23 depoisde dois ou mais cortes,considerandoque devemser objetivode quotas de exa~lo longo do período total de vida útil do empreendimento. Do referido parecer se extrai que, enquanto na depreciação, a perda é I calculada em funçãO da vida útil esperada do bem, na exaustão, por sua vez, a perda decorre da comparaçãÇl do volume extraído em cada período com a produção total esperada. Nesse caso, inclui-se o custo de formação de florestas ou de plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, voltando a produzir novamente, como se dá com a cana- de-açúcar. : Cibe observar, ainda, que o parecer não conflita com a legislação referente ao beneficio da depreciação acelerada incentivada, criado posteriormente para as atividades rurais, por tratar de questão específica que não foi objeto da novel legislação. A doutrina especializada de José Carlos Marion (Contabilidade rural - contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária, IRPJ, 4a edição, São Paulo, Atlas, 1996, págs'. 39,41,64,65 e 71), corrobora o entendimento dado pelo Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação - CST n° 18/79, consoante trechos abaixo transcritos: Culturas permanentes são aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de uma colheita ou produção. Normalmente, atribui-se às culturas permanentes uma duração m{nima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas a cultura durar mais de um ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Exemplos: cana-de-açúcar ... cafeicultura etc. (pg. 39; destaquei). No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente - Imobilizado ... Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem,fungicidas, herbicidas, mão-de-obra, encargos sociais, manutenção, arrendamento de equipamentos e terras, seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes, mudas, irrigação, produtos químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc. .., Há casos em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação para cultura formada, pois, no momento de se considerar acabada, ela é ceifada. São, normalmente, a cana-de-açúcar, opalmito, o eucalipto, o pinho e outras' culturas extirpadas do solo ou cortadas para brotarem novamente. (ibidem, destaquei). Colheita ou produção (da cultura permanente): a partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo. A colheita caracteriza-se, portanto, como um Estoque em Andamento, umaprodução emformação, destinada a venda. Dai sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo defloração, formação e maturação do produto normalmente é longo, pode-se criar uma conta de 'colheita em andamento " sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido. Essa conta é cOmposta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mão-de-obra e respectivos encargos sociais (poda. capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação ...), produtos quimicos (para memutençãoda árvore, das flores, dos frutos ...), Documento assinado dígilalmei'ile conforme k,P nO2.200-2 de 24/08/200'1 Autenticado digitalmente em OG!12i2013 por POUANNA DA SILVA r~18EIF{O Impresso em 16i05!2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOfAES DF CARFMF Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 custo com irrigação (energia elétrica, tramporte de água, depreciação dos motores ...), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc. Adiciona-se ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da "cultura permanente formada", sendo C(msideradasas quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura. (op. cit.,pg. 41; destaquei). Alkíndar de Toledo Ramos, em sua tese de doutoramento (O Problema da Amortização dos Bens Depreciáveis e as Necessidades Administrativas. das Empresas), sugere que "a amortização, em sentido amplo, seria aplicada a quaisquer tipos de bens do ativo fixo, com vida útil limitada. Depreciação seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos bens tangíveis, como máquinas, equipamentos, môveis, utensílios, edifícios etc. Exaustão seria sinônimo da amortização em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos recursos naturais exauríveis, como reservas florestais, petroliftras etc. Amortização, em sentido restrito, se confundiria com o seu sentido amplo, mas somente quando aplicada aos bens intangíveis de duração limitada, como aspatentes, as benfeitorias empropriedades de terceiros etc ". Entendimento fiscal (na Agropecuária): Conforme disposições contidas no Parecer Normativo CST n. 18/79, o fisco dá sua interpretação no. caso específico da agricultura, em nada contradizendo os conceitos expostos. No que tange às culturas permanentes, às florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se podefalar em depreciações em caso de elflPreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantosforem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva etc. Quando se trata de floresta própria (ou vegetação em gera!), o custo de sua aquisição ouformação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à rnedida. que seus recursos forem ex'auridos (esgotados). Aqui, não se tem a extração de frutos, mbs a própria árvore é ceifada, cortada ou extraída do solo: reflorestamento, cana-de-açúcar, pastagem etc.) (pg. 64, op. cit.; destaquei). Conforme os conceitos apresentados, toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Por um lado, a árvore produtora não é extraída do solo; seu produto final é o fruto e não a própria árvore. Um cafeeiro produz grãos de café (frutos), mantendo-se a árvore intacta. Um canavial, por outro lado, tem sua parte externa extraída (cortada), mantendo-se a parte contida no solo para formar novas árvores. Segundo esse raciocínio, sobre o cafeeiro incidirá depreciação e sobre o canavial, exaustão. (pg. 65, op. cit.; destaquei). FI. 1465 SI-C2T2 FI. 24 j2QJtJI Mais adiante, o autor transcreve o item 5 do aludido Parecer Normativo, e continua: Documento assin;;1do digitalmente conforme k,P nO2..2.00.2 de 24/08/2001 Autonticado digitalmente em 06/12/2013 por POLlANNA DA SiLVA RIBEIRO Irnpresso em 16/05/2014 por ANGE.LICA DOS SANTOS GOMES DF CARFl\rlF Processo nO 13 I 16.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 não é difícil concluir que o custo deformação deflorestas ou de pllIntações de certas espécies vegetais que não se extinguem c~m o primeiro corte, mas voltam a produzir novos troncos ou rlimos e permitem um segundo ou até um terceiro corte, deve ser objeto de quotas de exaustão, ao longo do período total de vida útil do empreendimento, efetuando-se os cálculos em ft'(lção do volume extraído em cada período, em confronto com a I:produção total esperada que engloba os diversos cortes. Obviamente, as empresas que estiverem nas situações desse tipo devem apresentar laudos' de profissionais qualificados (i!J!genheiros florestais, agrônomos), que possam seguramente servir de base aos cálculos mencionados. (pg. 71;destaquei). FI. 1466 SI-C2T2 FI. 25 1M3 J-I Documento assinado digitalmente conforme 'MP n" 2.2.00-2 do 24í08!200"1 Autenticado digitalmente em 06í12í2013 por POLI ANNA DA SILVA RI8EIRO Impresso em 16í05/2.014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES Nessa definição enquadra-se perfeitamente a cultura da cana-de-açúcar. No âmbito da Administração Tributária, em relação à cultura canavieira, foram editadas especificamente a solução de consulta emitida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 4a Região Fiscal (SC SRRF04 n° OS/2004), bem como o item 019 do capítulo 12 do "Perguntas e Respostas" relativo à DIPJ/20 1O, todos se referindo à sujeição da cana-de-açúcar à exaustão, e superando o Parecer Cosit/Disir n° 1.383, de 31.10.95. OIPrimeiro Conselho de Contribuintes também já se manifestou no mesmo sentido, consoante a decisão abaixo, verbis: IMPOSTO DE RENDA-PESSOA JURÍDICA - FORMAÇÃO DE LAVOURA CANA VIEIRA - A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um s~gundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seUs custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. (Acórdão 103- 18.812, de 1997) O'mesmo entendimento expressou a ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni no Acórdão nO 101-96867, de 14/08/2008, muito embora a distinção entre depreciação e exaustão tenha sido relevada para fins de aproveitamento do beneficio naquele caso, como se vê: CANA-DE-AÇÚCAR - EXAUSTÃO - DEPRECIAÇÃO. OS recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, não obstante sujeitos à exaustão, e não à depreciação, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente à sua aquisição. Mais recentemente, a decisão prolatada no acórdão nO 1101-00.334, de 04/0812010, já referida, também contempl9u esse ent,endimento: . . LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR.' EXAUSTÃO. A diminuição de valor da lavoura canavieira, porque sujeita à exploração mediante corte, é registrada em quotas de exaustão, na proporção do volume eXplorado. Cabe referir que, ao analisar as decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes que reconheciam aos recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, rrr\Pf ~ DF CARFMF FI. 1467 Processo nO 13116.002351/2009-46 S I-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 26 integmdos ao ativo imobilizado, o direito de serem apropriados integralmente como e!cf do período correspondente à sua aquisição, restou consignado em HIGUCHI (2011, p.189): não se pode dizer que aquele entendimento é o correto porque a "lei permite depreciar integralmente os bens do ativo permanente imobilizado no próprio ano de aquisição. Os custos de formação da lavoura canavieira; não são bens do ativo permanente imobilização mas tratam-se de custos de produção agrícola, cuja contabilização, se no at(vo imobilizado ou no realizável a longo prazo, teve muita divergência de entendimento e processos fiscais 110 periodo em que vigorava a correção monetária do balanço. A lavoura canavieira terá que ser renovada porque após três ou quatro cortes torna-se antieconômica. A lavoura canavieira, por outro lado, não sofre depreciação maç exaustão a cada corte. O laranjal ou o cafezal produz frutos e por isso sofre depreciação (PN n° 18/79). O objetivo da leifoi o de dar depreciação acelerada integral no próprio ano de aquisição para os bens como máquinas agrícolas, construção etc. porque a lei diz bens para uso nessa atividade. Ora, o canavial ou a floresta em formação não são bens para uso na atividade rural mas são custos deformação da lavoura, Assim, sobre a sujeição do ativo permanente decorrente dos custos de constituição de lavoura de cana-de-açúcar;à exaustão, não deve restar dúvida. A conclusão acima não foi elidida pela leitura do "Parecer Técnico" da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras - FENUSP), apresentado às Usinas São Martinho SIA e controladas; Pedra Agroindustrial SIA; Batatais SIA Açúcar e Álcool, Ipiranda de Açúcar e Álcool SIA e controladas, "quanto à classificação dos custos realizados na cultura de cana: exaustão ou depreciação? ", elaborado, em fevereiro de 2012, pelo Pro£ Ariovaldo dos Santos.S ua conclusão pela depreciação foi baseada, principalmente, em dois relatórios' técnicos de engenharia e na necessidade de convergência das práticas contábeis aos padrões interna~ionais. Ocorre que a legislação é expressa no sentido que as nonnas que busquem refletir os padrões internacionais de contabilidade não terão efeitos tributários, não servindo de orientação no caso concreto. É o que prevê a Lei nO11.941/2009: Art. 16. As alterações introduzidas pela Lei n° 11.638. de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei que modifiquem o critério de ,reconhecimento:de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei n° 6.404. de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para filVf de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT,devendo ser considerados, para fins tributáríos, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo às normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo ~ 3° do art. 177 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem a alinhar a legislação específica com ospadrões internacionais de contabilidade. (destaquei) Documento assinado digitaimentn conforme rviP n" 2,.200-2 ,je 24;08/2001 Autenticado digitaimente em 06/12í2013 por POLlANN!\ DA SILVA RIBEIRO Impresso em 16/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES DF CARFM.F FI. 1468 Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 Além disso, como se viu, não seria a perenidade da cultura determinante da forma de reconhecimento do seu desgaste. SI-C2T2 FI. 27 O ':10 " As conclusões acima não são 'afastadas pelo "Parecer Técnico sobre Depreciação de Cí'ma-de-açúcar", elaborado pela' FUNDACE (Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento ~a Administração, Contabilidade e Economia), apresentado à empresa Pedra Agroindustrial S/A, elaborado em fevereiro de 2012 e assinado pelos professores doutores Maisa de Souza Ribeiro e Sílvio Hiroshi Nakao, em que a tese proposta, no sentido de que o ativo de uma cultura da cana-de~açúcar deve sofrer depreciação quando avaliado a custo histórico baseou-se~ em síntese, nas seguintes premissas: (i) Depreciação é um termo abrangente, que agrega depreciação, amortização e exaustão; (ii) O ativo referente à plana cana-de-açúcar não é um recurso que se esgota fisicamente ao longo de sua vida útil; (iii) O ativo referente à plana cana-de-açúcar possui somente características de um ativo depreciável. Como vimos, os termos depreciação, amortização e exaustão, para fins tributários, são absolutamente distintos. Ademais, a literatura. contábil nacional, embora escassa, sempre foi consistente em sustentar que a lavoura da cana-de-açúcar se sujeita à exaustão, considerando que se classifica como cultura permanente por permitir mais de um corte. N~sse caso, o cultivo é distinto do das culturas permanentes em geral, em que as árvores são mantidas, sendo extraídos apenas seus frutos. Ao contrário, na lavoura canavieira o que se extrai é o próprio caule, provocando a exaustão do recurso natural ao longo do tempo. De fato, a literatura especializada sustenta que a cana-de-açúcar é um caule (tronco), não podendo ser considerada fruto do rizoma por ser o próprio rizoma. Diferentemente das árvores frutíferas, em que se colhe o fruto que possui a semente, a colheita canavieira se faz dopróprio caule, que cresce novamente, após o corte, até sua exaustão. Assim, também resta inócua para fins da análise tributária a conclusão do parecer "Considerações Técnicas sobre a Cultura da Cana-de-açúcar", da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Estação Experimental de Cana-de-açúcar do Carpina, elaborado pelo engenheiro agrônomo Djalma Euzébio Simões Neto, considerando se tratar de cultura perene, já que, dentre as culturas permanentes podem ser distinguidas as sujeitas a depreciação ou a exaustão, como demonstrado anteriormente. I Diante do. exposto, conclui~se que, na realidade, a lavoura canaVlelra corresponde a um ativo permanente sujeito à exaustão, não sendo alcançada pelo beneficio fiscal previsto na MP nO2.159-70, de 2001, e reproduzido no art. 314 do RIR/99. Concluir em outro ,sentido significaria distorcer conceitos técnicos e superar limitações legais através de argumentos que, se verificam contraditórios quando se faz uma análise sistemática do ordenamento jurídico. Documento assinado digitaimente confonno MP nO2..200-2 cc 24í08!2001 Âutenticaco digitalmente em 06/12/2013 por POLlÂNNA DA SiLV RIBEIRO Impresso em í6i05/2014 por ANGELIC DOS SANTOS GOMES FI. 1469 Processo nO 13116.002351/2009-46 S I-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 2b Assim, considero procedentes as glosas da depreciação incentivada re~~a nos anos-calendário de 2004, 2005, 2006 e período de janeiro a setembro/2007, negando-se provimento ao recurso. As demais questões decorrentes da manutenção dessa glosa, todavia, deixam de ser apreciadas, em razão da posição defendida no presente voto ter sido vencida durante a sessão de julgamento, por dela discordar a maioria do colegiado. Da multa isolada / Conforme DIPJ 2005, 2006, 2007, 2007 (Especial Cisão Parcial) e 2008, "o contribuin(e procedeu a apuração da base de cálculo dos tributos anualmente, declarando que suspendeu as estimativas mensais com base em balanços ou balancetes de su!'pensão". Após ajustar os referidos balancetes mensais, a fiscalização lavrou a multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativa mensal. Conforme esclareceu a autoridade fiscal no seu relatório, foram lançadas multas isoladas: - do IRPJ: Em decorrência das infrações acima descritas nos itens Cl, C.2 e C3, os balancetes 'mensais e o lucro real apurado pelo fiscalizado foram ajustados pela fiscalização, conforme descrito nas planilhas "Demonstrativo de Apuração da Multa Iso/ada pelo Não-Recolhim~nto do IRPJ por Estimativa". - da CSLL: Em decorrência das infrações acima descritas nos itens Cl, C2 e C3, os balancetes mensais e a base de cálculo da CSLL apurada pelo fiscalizado foram ajustados pela fiscalização, conforme descrito nas planilhas "Demonstrativo de Apuração da Multa Iso/ada pelo Não-Recolhimento da CSLL por Estimativa". Em que pese a tese da impossibilidade de concomitância entre a multa de oficio e multa isolada por falta de recolhimento das estimativas ter sido apresentada somente nos memoriais entregues aos membros do colegiado e na sustentação oral, houve contestação da matéria à multa~isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas recalculadas, a matéria foi contestada na impugnação, afastando-se do disposto no art. 17 do Decreto nO70.235172. A tese da concomitância, logo, bis in idem, em relação aos lançamentos de multa isolada e multa de ofício referentes ao' mesmo ano-calendário, alegada pela recorrente, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, a meu ver, não merece ser reconhecida. Respeitando as opiniões em contrário, entendo que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nO9.430/96, em seu art. 2°, uma vez optante, ele estará sujeito às regras daquela sistemática. ! Assim, nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei n° 9.430/96, art. 4{ prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Lei nO11.488, de 15 de junho de 2007, aplica-se retroativamente por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: Documento assinado digitalrnenle conformeM? n" 2.200.2 de 24í08/2001 Autenticado digitalmente om 06/1212013 po~ POL.IANNA DA SP.VA RIBEIRO Impresso em 16/0512014 por ANGE.LICA Dés SANTOS GOMES DF CARFMF Processo n° 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas:[ ..) FI. 1470 St-C2T2 FI. 29 J2Jl 2f Documento assinado digitalmente conforme MP na 2.200.2 de 24í08/200i Autenticado digitalmente em 06í12í:2013 po~ POU.tlNNA DA SiLVA RIBEIRO Impresso em 16/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES ll- de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[.} i b) na forma do art. 2° desta: Lei, que deixar de ser efetuado, a;'nda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição' social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoajuridica. ( A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem .o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do ano-calendário em referência. o legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traria consequências, na medida em que a falta de recolhimento representaria um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. A regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido. Distingue-se a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de oficio incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. , São distintos tributo e multà pela sua própria natureza jurídica. Enquanto um decorre de ato lícito - fato gerador -, o outro decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Entendo que não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de oficio, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente ou anualmente, sendo sua base de cálculo a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de oficio, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição devidos ao final do período de apuração. A falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Reforçando essa distinção, tem-se a nova redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei n° 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada de 75% para 50%. Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, O que não estaria incluído na função de julgamento na esfera administrativa, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. rkí ~. DF CARFMF FI. 1471 Processo nO 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.794 FI. 30 25 da Lei n' 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo 11do Regimento :~ do Carf aprovado pela Portaria MF n° 256, de,22.06.2009. Acrescente-se que o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto constitucional, fazendo incidir, na hipótese, o teor da Súmula CARF nO2. Quanto à impossibilidade ,:de aplicação retroativa do art. 44 da Lei nO 1 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.477/2007, não assiste razão à, recorrente, pois, ainda que a autoridade fisc~l não tivesse se referido o dispositivo alterado, aO' julgador caberia reduzir a multa ao patamar ide 50%, em razão do disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. I; Tendo sido lavradas em decorrência das infrações precedentes, devem ser mantidas as multas isoladas recalculadas sobre as bases de cálculo de IRPJ e CSLL acrescidas daquelas adições. ' Dispositivo Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. ~' VivianeVi~ Documento assinado dígitalrnente conforme MP nO2.200-2 de 24í08!200'j Autenticsdo digitalmente em 06112í2013 por POUANNA DA SILVA RIBEIRO Impresso em 16105/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES 29 I I- DF CARFMF Processo na 131 16.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794- Voto Vencedor FI. 1472 SI-C2T2 FI. 31 ,~32~_ ;J Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, Redatora designada. "_ Peço vênia à relatora, para discordar do seu entendimento acerca da possibilidade de utilização do benefício da depreciação acelerada incentivada de que trata o artigo 314 do RIR/99 (transcrição do artigo 6° da Medida Provisória nO2.159-70/200 I) na determinaç~o do cálculo do IRPJ e da CSLL para os anos-calendários de 2003 a 2007. Concluiu a relatora, em sua brilhante exposição, que a lavoura canavieira, enquanto ativo permanente, está sujeita à exaustão e, não, depreciação, logo, não estaria alcançada pelo benefício fiscal da dedução integral da depreciação acelerada incentivadajá mencionado. A seguir, demonstraremos que são procedentes os argumentos trazidos pela recorrente em sua Impugnação e também em seu Recurso Voluntário uma vez que a lavoura canavieira se sujeita sim à depreciação. Foi essa a convicção formada pela maioria dessa Turma de julgamento. Outro questão que está relatada é que, inicialmente, a recorrente alegou o disposto no Acórdão 101-96.867, de 14 de agosto de 2008, cujo entendimento é que os recursos aplicados na formação de lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, apesar de sujeitos à exaustão, podem ser apropriados integralmente como encargos no período correspondente à sua aquisição. O entendimento exarado no referido Acórdão é que depreciação e exaustão se relacionam com a perda de valor dos bens do ativo imobilizado, e a norma introdutora do benefício fiscal não pretendeu fazer distinção entre os bens do ativo imobilizado, se sujeitos à exaustão: ou depreciação, mas simplesmente que seja destinado à atividade que se deseja fomentar para se ter esse benefício. Louvável a conclusão e poderia sim aplicar-se ao caso, todavia, a maioria dessa turma concluiu que se trata sim de depreciação, como veremos. Nos termos do artigo 179, IV, da Lei nO 6404/1976, com alterações introduzidas pela Lei nO 11.638/2007, a sociedade deve registrar no ativo imobilizado os direitos representados por bens destinados à manutenção de suas atividades: Art. J 79 - As contas serão classificadas do seguinte modo: IV - no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto os bens corpóreos destinados a manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os beneficios, riscos e controles desses bens. " Nésse mesmo sentido, o Pronunciamento VII do IBRACON afirma que: "Classificam-se no imobilizado os direitos representados por bens tangíveis ou intangíveis utilizados ou a serem utilizados na manutenção das atividades da entidade, cuja vida útil Documento assinado digitaime!lte COnfO~:::./;:n::c2a~o::ld:::~::::;nte todos os casos, seja iguaOfIou rr'\ l/ 30 Autenticado digitalmente em OGíí2í2013 por POLlANNA DA SilVA RI8EIRO vt Impresso em í6í05!2014 por ,t;NGElICA DOS SANTOS GOMES DF CARFMF .,°'1 Processo nO 13116.002351/2009-46 Acórdão n.o 1202-000.794, superior a um ano e que não estejam destinados a venda ou transformação em numerários" ("Princípios Contábeis ", IBRACON, 20 Edição, Editora Atlas, p.87). FI. 1473 SI-C2T2 ri. 32 ,l2dJ 1 I' I I Como já dito e repetido no voto vencido, onde não restou dúvidas, a lavoura de cana-de-açúcar se estende por duração superior a um ano, portanto, deve ser classificada no ativo permanente. Temos decisões nesse sentido neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: Acórdãos n° 103-18.812 (Pirocesso 1046900442892-98) e n° 104-19.13 8 (Processo 108650004159817). I ' Ao longo do tempo, há o decréscimo desse ativo permanente, fatos que serão representados contabilmente com base numa das alternativas de que trata o artigo 183, parágrafo 2°, letras "a" e "c", da Lei das SI A ou n° 6404/1976, como segue: "920 - A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: a)depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens fisicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; " , b)exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ouflorestais, ou bens aplicados nessa exploração. " Em resumo, temos que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão se dá quando, durante o processo, O próprio bem é extinto. Repetimos, a depreciação se aplica quando há desgaste de uso, enquanto que a exaustão se dá quando os próprios bens se esgotam no tempo e, portanto, o bem desaparece. O esgotamento ou desaparecimento físico do ativo é o elemento que distingue a exaustão da depreciação. Como bem ficou demonstrado nas sustentações orais e nos memonals, os cortes feitos na cana-de-açúcar não extinguem a planta, portanto, o bem não se esgota, logo não se aplica a exaustão. Todavia, o bem é desgastado pelo uso ou emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor a cada corte, através da depreciação. Como expôs a recorrente em sua Impugnação, Recurso Voluntário e Memoriais, com respaldo em doutrina e parecer, o plantio da cana-de-açúcar se dá através de mudas que se fixam na terra, quando passam a se denominar touceiras. Essas touceiras se desenvolvem e se tomam colmos, que serão os caules da cana-de-açúcar a serem cortados e enviados às usinas. Assim, os colmos é que são cortados, a cada safra, até que se tornem pobres em sacarose por conta dos sucessivos cortes e tome inviável economicamente a lavoura. Nesse momento, o produtor se vê obrigado a arrancar os 'pés de cana-de-açúcar' improdutivos para plantio de nova lavoura, consequentemente, nova exploração das atividades da lavoura canavieira. o caule é cortado acima de 5cm do solo, mantendo-se, assim, a cana-de- açúcar 'viva', que tratada adequadamente, voltará a sofrer novo corte. Ou seja, como se cortou Documento assinado digitalmente conforme MP n" 2.200-2 de 24í08/200'1 Autenticado digitalmente em Qôí12i2013 por POLlANNA Df\ SilVA RI8EIRO Impresso em 16!O5!2014 por ANGElICi\ DOS S/\NTOS GOMES Processo nO 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão n.o 1202-000.7941 FI. 33 .~3?1~ O caule, o colmo da~cana-de-açúcar. Em sede de memoriais, a recorrente equipara a la4ura canavieira ao cultivo da banana. DF CARFMr FI. 1474 i, A recorrente apresentou Estudo Técnico preparado pelo Centro de Pesquisas da cana-de-açúcar da Unversidade Federal Rural de Pernambuco - Estação Experimental de Cana-de-Aç,úcar do éarpina, bem como Parecer da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia -'FUNDACE, ambos concluíram que ao canavial se aplica0 conceito de depreciação e, não, exaustão. : I j Tainbém foi juntado o "Parecer Técnico" da FIPECAFI (Fundação Instituto I de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras - FEAlUSP), apresentado às Usinas São Martinho SIA e controladas; Pedra Agroindustrial SIA; Batatais SIA Açúcar e Álcool, Ipiranga ,de Açúcar e Álcool SIA e controladas, "quanto à classificação dos custos realizados na cultura de cana: exaustão ou depreciação?", elaborado, em fevereiro de 2012, pelo Prof. Ariovaldo dos Santos. Referido Parecer também conclui que a lavoura canavieira está sujeita à depreciação, com base em dois relatórios técnicos de engenharia e na necessidade de convergência das práticas contábeis aos padrões internacionais. Vimos, assim, que a lavoura de cana-de-açúcar propriamente dita nunca se esgota ou acaba, mas, então, se não se extingue por que o ativo permanente (lavoura de cana- de-acúcar) perde (diminui) o seu valor? Ora, porque após vários cortes, a cana-de-açúcar perde a produtividade. A cana-de-açúcar quando cortada brota novamente e, assim, sucessivamente, após vários cortes perde a produtividade. Para que seja extinta, deve ser arrancada do solo e nova cana-de-açúcarplantada novamente, ou seja, novo ciclo de desgaste ou depreciação se dá ,,I Com base nessa explanação, verifica-se que a lavoura canavieira é objeto de depreciaÇão, logo, sujeita ao artigo 307 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99. Nesse sentido, temos a Solução de Consulta n° 33, de 1987, segundo a qual o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a cana-de-açúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação. A sujeição à depreciação também foi confirmada pelo Parecer MF/SRF/Cosit/Ditir n° 1.383/1995, cuja ementa assim dispõe: "Os bens do ativo imobilizado (dispêndios aplicados na formação de canaviais), exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados, integralmente, no próprio período-base da aquisição". Ainda, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já decidiu dessa forma; consoante Acórdãos de n° 1402-00.914 de 2012; e, 104-19.138, de 2002. A autoridade autuante entendeu que houve redução indevida por estar sujeita à exaustão e, não, à depreciação, o que restou combatido nesse voto. Assim, conclui-se que a recorrente tem direito ao benefício fiscal de que trata o artigo 6° da Medida Provisória 2.159- 70/2001, transcrito no artigo 314 do RIR/99, in verbis: "Art. 6~ Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoajurídica que explore a atividade rur~l, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. " Documento assin3cJo digitalmente conforme tvtP nO2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 013(12í2013 por POLlANNA DA SiLVA RIBEIRO Impresso em 16í05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES 32 DF CARFMF FI. 1475 ,I i ! : . I' i'\ I, ; , Processo nO 13116.002351/2009-46 SI-C2T2 Acórdão TI.o 1202-000.794 FI. 34 '; \, ~ A depreciação integral no ano da aquisição é aplicável tanto ao IRPJ co~ à CSLL, pelos mesmos motivos acima exarados. Logo, o voto é no sentido de dar provimento ao recusovoluntárioe~ relaçãoa estamatéria... " ~ '~~~dai;ff~ro~gnada .1 Documento assinado cígitairnentE; conformE; f\!1P [1" 2.200-2 dE;24/08/2001 Ãuterticado digitalmente E;m06112í2013 por POLlANNA DA SiLVA RIBEIRO Impresso em 16í05!2.ü14 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES 33 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033
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Numero do processo: 16832.000113/2010-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, salvo se a discussão na via extrajudicial ater-se a tão somente à matéria diferenciada.
DEPÓSITO DO MONTANTE INGRAL. JUROS. MULTA. CONVERSÃO EM RENDA.
Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza que negaram provimento.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DISCUSSÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, salvo se a discussão na via extrajudicial aterse a tão somente à matéria diferenciada. DEPÓSITO DO MONTANTE INGRAL. JUROS. MULTA. CONVERSÃO EM RENDA. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 13 /2 01 0- 32 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza que negaram provimento. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000113/201032 Acórdão n.º 2403002.494 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 331/337, interposto em face do Acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro/RJ, fls314/320, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para manter o crédito previdenciário referente ao valor principal, consubstanciado no DEBCAD nº. 37.215.3496, cujo montante equivale a R$ 451.641,34 (quatrocentos e cinqüenta e um mil seiscentos e quarenta e um reais e trinta e quatro centavos), excluindo da autuação apenas os valores lançados à título de juros e multa. O crédito em cobrança referese ao período de janeiro a dezembro de 2005, incluindose as contribuições devidas a terceiros, SESI e SENAI. A base de cálculo está contabilizada na conta de ativo número 417011, cujo montante integral o contribuinte depositou em juízo após ter ingressado com ação judicial de número 2004.51.10.0070374. No relatório fiscal, fls. 55/60, a autoridade lançadora informou todos os fatos e destacou que o lançamento restaria suspenso até decisão final proferida pelo judiciário. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 139/152. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 12ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 12 41.866, fls. 314/320, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. O direito de o Fisco efetuar o lançamento decai no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, quando o lançamento é por homologação e houve a antecipação do pagamento. LANÇAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXIGIBILIDADE. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de depósitos judiciais destinase a prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituílo. O depósito judicial no montante integral do crédito tributário, realizado tempestivamente, nas respectivas datas de vencimento Fl. 505DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 das obrigações, e previamente ao lançamento de ofício, afasta a exigência dos acréscimos legais (juros e multa de mora). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo extinção do auto de infração uma vez que já teria ocorrido a conversão em renda do depósito realizado em favor da União. É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000113/201032 Acórdão n.º 2403002.494 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 500, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO PROCESSO JUDICIAL – DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL Conforme consignado no Relatório Fiscal, a empresa apesar de não ter a seu favor a concessão de medida liminar para suspensão da exigibilidade do crédito, esta realizou o depósito do montante integral, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário. Desde já, destaquese que ao ingressar com a referida medida judicial, a Recorrente abdicou do seu direito de discutir administrativamente, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifo nosso) Destarte, não será objeto de análise o mérito da exigibilidade ou não da contribuição sob exigência, mas apenas com relação à aplicação de multa e juros. DA APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA E DE MULTA É certo que, estando o crédito tributário com a sua exigibilidade suspensa por força do depósito do montante integral, art. 151, II do Código Tributário Nacional, entendese que o contribuinte não pode ser qualificado como inadimplente.. O depósito do montante integral impede a propositura de execução fiscal, a fluência dos juros e a imposição de multa. Já a conversão do depósito em renda é causa extintiva do crédito tributário, razão pela qual deve o auto de infração ser extinto. É nessa linha de entendimento, que o Superior Tribunal de Justiça, realizou o julgamento do AgRg no Ag 799.539/SP, assim ementado: Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. LEVANTAMENTO DO DEPÓSITO JUDICIAL. ART. 151, II, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. GARANTIA DO JUÍZO. FINALIDADE DÚPLICE. OPOSIÇÃO. FAZENDA NACIONAL. EXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. A garantia prevista no art. 151, II, do CTN tem natureza dúplice, porquanto ao tempo em que impede a propositura da execução fiscal, a fluência dos juros e a imposição de multa, também acautela os interesses do Fisco em receber o crédito tributário com maior brevidade, porquanto a conversão em renda do depósito judicial equivale ao pagamento previsto no art. 156, do CTN encerrando modalidade de extinção do crédito tributário. 2. Permitir o levantamento do depósito judicial sem a anuência do Fisco significa esvaziar o conteúdo da garantia prestada pelo contribuinte em detrimento da Fazenda Pública. 3. Precedentes no sentido de que "sem precedência anuência da parte ré, o levantamento autorizado na Segunda Instância, na verdade, significou antecipada desconstituição da composição judicial sujeita ao reexame pedido na apelação. Ajustado, pois, que os valores depositados suspendiam a exigibilidade do crédito litigioso (art.151, II, CTN), o levantamento por provocação unilateral de uma das partes, com a modificação do statu quo, via oblíqua, equivaleu à antecipada desconstituição do título sentencial." 4. In casu, verificase a total impropriedade do pedido formulado. Isso porque, não bastasse a inadequação da via eleita (pedido formulado nos autos de agravo de instrumento), a verificação acerca ocorrência do recolhimento aos cofres públicos, dos valores depositados em juízo, ensejaria inegável exame de matéria fáticoprobatória, procedimento vedado a esta Corte, nos termos da Súmula 7/STJ. 5. Não cabe ao STJ a expedição de "Carta Precatória" com cópia integral dos autos ao juízo de 1º grau a fim de que seja analisada a possibilidade de levantamento dos depósitos. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 799539/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2007, DJ 31/05/2007, p. 355) O contribuinte apesar de ter ajuizado ação judicial e ter procedido com o depósito do montante integral, desistiu da ação em curso, a qual foi devidamente homologada, fl. 399, conforme os documentos que foram acostados no Recurso Voluntário, tendo sido determinado a conversão do depósito em renda em favor da União, fl. 407. Portanto, resta configurada a causa extintiva do crédito tributário do art. 156, VI, do Código Tributário Nacional, ensejando a consequente extinção da presente autuação. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000113/201032 Acórdão n.º 2403002.494 S2C4T3 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento a fim de excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000128/2008-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2002
EMBARGOS. RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Diante da contradição existente entre a fundamentação do voto, assim como a ementa e o acórdão, são devidos os Embargos para fins de retificação do equívoco verificado quando da formalização do acórdão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição e retificação do Acórdão nº 2403-001-834, anteriormente proferido por esta Turma, para consignar o provimento ao recurso voluntário, assim como a exoneração do crédito tributário
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2002 EMBARGOS. RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Diante da contradição existente entre a fundamentação do voto, assim como a ementa e o acórdão, são devidos os Embargos para fins de retificação do equívoco verificado quando da formalização do acórdão. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição e retificação do Acórdão nº 2403-001-834, anteriormente proferido por esta Turma, para consignar o provimento ao recurso voluntário, assim como a exoneração do crédito tributário Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Diante da contradição existente entre a fundamentação do voto, assim como a ementa e o acórdão, são devidos os Embargos para fins de retificação do equívoco verificado quando da formalização do acórdão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição e retificação do Acórdão nº 2403 001834, anteriormente proferido por esta Turma, para consignar o provimento ao recurso voluntário, assim como a exoneração do crédito tributário Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 28 /2 00 8- 01 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Cuidase de Embargos do Conselheiro, fl. 148, opostos por mim em razão da Conselheira Relatora Carolina Wanderley Landim não mais integrar a presente Turma, em razão da contradição existente entre a fundamentação do voto, assim como a ementa, e o acórdão, equivocadamente formulado, quando da sua formalização. A prolação do Acórdão nº 2403001.834, fls. 141/147, se deu em razão do Recurso Voluntário, fls. 96/122. em face do Acórdão proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJOI, fls. 81/89, o qual julgou procedente o lançamento consubstanciado no AI DEBCAD nº 37.129.6188, através do qual foi aplicada multa por descumprimento de obrigações acessórias no valor de R$ 1.195,13, tendo sido notificada da autuação em 20/12/2007. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 15/21, as penalidades imputadas decorrem da (i) não apresentação de GFIP sem movimento em relação às competências de 02/1999 a 09/2000; e (ii) de ter a empresa deixado de informar compensações nas GPS, em relação às competências compreendidas no período de 01/1999 a 05/2002. DA IMPUGNAÇÃO A Recorrente contestou a autuação por meio do instrumento de fls. 30/52, alegando, em síntese, os seguintes argumentos: O prazo decadencial aplicável ao presente caso é o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, eis que, tratandose de obrigação acessória vinculada a tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para lançamento da multa deve ser o mesmo para constituição da obrigação principal, logo, cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador; Por possuírem natureza tributária, as contribuições estariam sujeitas ao prazo decadencial previsto no CTN, devendo, de plano, ser afastado o prazo prescricional de dez anos disposto na Lei n 8.212/91, conforme jurisprudência dos Tributais Superiores e o CARF. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 14ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJOI, prolatou o Acórdão n° 12 20.702, fls. 81/89, a qual julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Segue ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2002 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação constitui infração ao artigo 32, inciso IV e §§ 1º e 3º da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.528/97, Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19740.000128/200801 Acórdão n.º 2403002.503 S2C4T3 Fl. 3 3 combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto no artigo 173, I, do CTN. Lançamento Procedente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 96/122, reiterando os argumentos dispostos na Impugnação, no sentido de que a totalidade dos créditos previdenciários exigidos encontrase fulminada pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, assim como em relação ao prazo de guarda dos documento, o contribuinte somente estaria obrigado a conservar a documentação até que se opere a decadência do direito de a fazenda pública constituir os créditos tributários relativos aos respectivos exercícios. DO ACÓRDÃO E EMBARGOS DO CONSELHEIRO Na sessão de 23 de janeiro de 2013, foi prolatado o Acórdão nº 2403 001.184, na qual restou reconhecida a decadência total das obrigações acessórias, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, estabelecendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Em se tratando de descumprimento de obrigação acessória (declarar GFIP, e informar as compensações em GPS), o prazo decadencial acompanha a regra de contagem estabelecida para a obrigação principal. Comprovada a decadência da obrigação principal, há que ser afastada a penalidade aplicada no presente processo. Embora a fundamentação e a ementa constar o reconhecimento total da decadência, quando da formalização do acórdão, podese constatar a ocorrência de um erro formal, eis que foi consignado o provimento parcial do Recurso Voluntário. Considerando que a então Relatora, Conselheira Carolina Wanderley Landim, não mais integrar esta Turma, o processo foi redistribuído a mim para que fosse elaborado Embargos de Conselheiro, a fim de ser retificado o acórdão mencionado. Ante a peça embargatória, o presidente desta Turma determinou a reinclusão em pauta para que se proceda a correção pretendida. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO Nº 2403001.834 – DECADÊNCIA TOTAL Em razão da Conselheira, até então Relatora, Carolina Wanderley Landim, não mais integrar esta Turma, coube à mim a elaboração dos Embargos de Conselheiro e relatoria do processo em epígrafe. Para verificação do acerto das razões expendidas no voto do Acórdão anteriormente prolatado, nº 2403001.834, para em seguida restar demonstrada a contradição decorrente do erro constatado quando da formalização do acórdão, imperioso transcrever a fundamentação ali consignada. In verbis: “Depreendese, da análise dos autos, que o ponto central da lide diz respeito à interpretação do prazo decadencial aplicado à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento das obrigações acessórias relativas às contribuições previdenciárias. Foi verificado, durante a fiscalização, que a empresa deixou de apresentar GFIP sem movimento para determinado estabelecimento indicado no Relatório de Infração, bem como deixou de informar em GPS compensações efetuadas em diversos estabelecimentos. O Acórdão recorrido admitiu que, à vista da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, com efeitos erga omnes, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos prazos prescricionais e decadenciais previstos no Código Tributário Nacional, de modo que o lapso decadencial cabível na hipótese de descumprimento de obrigação acessória seria de cinco anos contados do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado pela autoridade fazendária, nos termos do art. 173, I, do CTN. Embora seja certo de que o prazo decadencial aplicável para lançamento das contribuições previdenciárias é qüinqüenal e regese pelo Código Tributário Nacional, entendo que o prazo decadencial aplicável aos casos de descumprimento de obrigação acessória regese pelo mesmo prazo aplicável ao descumprimento da obrigação principal a que está relacionada. A falta de apresentação de GFIP, sem movimento, bem como a falta de informação em GFIP das compensações efetuadas, são infrações diretamente relacionadas ao pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica e, como tal, sujeitamse ao mesmo prazo previsto para lançamento das contribuições que eventualmente tenham deixado de ser recolhidas no período em que cometidas as infrações. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19740.000128/200801 Acórdão n.º 2403002.503 S2C4T3 Fl. 4 5 De fato, não faria sentido que a contribuição previdenciária que a contribuição previdenciária que eventualmente tivesse deixado de ser recolhida estivessem fulminada pela decadência, enquanto a obrigação acessória a ela relacionada ainda pudesse dar ensejo à aplicação de penalidade ao contribuinte que a descumpriu. Sendo assim, é preciso verificar qual o prazo decadencial aplicável no caso ao descumprimento da obrigação principal – se o previsto no artigo 150, § 4º ou aquela prevista no 173, I, do CTN. Caso tenha havido pagamento antecipado das contribuições previdenciárias nos meses objeto da autuação, o prazo decadencial contase da data do fato gerador, a teor do artigo 150, § 4º, do CTN. Não tendo havido antecipação do pagamento, o prazo contase do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, tal como previsto no artigo 173, I, do CTN. Aplicandose os prazos acima ao caso concreto, concluise que, quanto à não apresentação de GFIP sem movimento, relativa às competências de 02/1999 a 09/2000, já operouse a decadência, vez que a notificação do lançamento ocorreu em 20/12/2007. Neste caso, seja contando o prazo com base no artigo 150, § 4º, seja pelo artigo 173, I, do CTN, o direito de o Fisco lançar já se encontrava decaído. Já quanto à infração relativa à falta de informação das compensações em GFIP, relativa ao período descontínuo entre 01/1999 a 05/2002, estão decaídos de acordo com a contagem prevista no artigo 173, I, apenas o períodos até dezembro de 2001. O período de janeiro a maio de 2002, portanto, não estaria decaído, caso fosse adotada a contagem prevista no referido artigo. Observase, contudo, que sendo a infração capitulada a falta de informação de compensação em GFIP, houve procedimento de compensação realizado pelo contribuinte que equivale ao pagamento antecipado, passível de homologação. Além disso, houve também o recolhimento via GPS, conforme se verifica do Termo de Encerramento, em que consta a entrega de GPS pelo contribuinte. Tendo havido a antecipação do recolhimento de compensação pela Recorrente, há de ser aplicado o artigo 150, § 4º, diante do que, tendo a notificação do lançamento ocorrido em 20/12/2007, o período de janeiro a maio de 2002 também se encontra atingido pela decadência. Estando decaída a obrigação tributária, não se pode exigir do contribuinte a guarda dos documentos exigidos por esta fiscalização. De fato, no que diz respeito ao prazo de guarda da documentação, também não assiste razão ao órgão julgador de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 primeira instância, quando entende pela aplicação do prazo decenal previsto no § 11 do artigo 32 da Lei n. 8.212/1991. Tendo sido reconhecida a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, com a conseqüente aplicabilidade dos prazos decadenciais veiculados no CTN, não há como subsistir o prazo decenal de guarda de documentos para apresentação à fiscalização. Tal prazo, por óbvio, estava diretamente relacionado ao prazo decadencial decenal antes previsto na legislação – prazo este cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo STF. Sendo assim, estando decaída a obrigação tributária, não se pod exigir do contribuinte a guarda dos documentos exigidos no curso da fiscalização, diante do que deve ser afastada a multa aplicada”. Diante da fundamentação acima transcrita, não há como proceder com a manutenção do acórdão dantes proferido, em razão da patente contradição da fundamentação, assim como a ementa, e o acórdão. O acórdão consignou pelo provimento parcial, quando em verdade seria de se reconhecer o provimento total, ante o reconhecimento da decadência referente às obrigações acessórias. Por tais razões, a autuação não merece prosperar, razão pela qual o acórdão nº 2403001.834, deve ser retificado para constar o provimento total do Recurso Voluntário em virtude do reconhecimento da decadência em relação a todo o crédito tributário, seguido da sua exoneração, conforme razões do voto e ementa ali consignadas. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração para sanar a contradição e retificação do Acórdão nº 2403001834, anteriormente proferido por esta Turma, para consignar o provimento ao recurso voluntário, assim como a exoneração do crédito tributário Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10840.907139/2009-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 2; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1741; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 8 1 7 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.907139/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.713 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SERVIÇOS MÉDICOS E ASSISTENCIAIS DE BARRINHA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, tornao líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 71 39 /2 00 9- 94 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação não homologado decorrente de direito de crédito tributário oriundo de pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, relativo ao período de apuração 01.03.2004 a 31.03.2004 no valor de R$ 656,70 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos). A Recorrente insurgiu contra a não homologação da Dcomp nº 04713.67529.150306.1.3.045656, por meio da qual pretendia compensar o PIS incidente em 02/2006 no valor de R$ 75,75 com créditos referentes ao PIS recolhido a maior em 15/04/2004 apurado no período 03/2004. O pleito restou indeferido. Ciente da decisão foi apresentado Manifestação de Inconformidade, anexado cópia da DIPJ e cópia do DARF. Sustenta que o pedido está consubstanciado nos dados registrados nos livros fiscais e contábeis e declarados por meio da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A decisão hostilizada afastou os argumentos da Recorrente escorado ao fato de que a DIPJ não se revelar documento hábil e capaz de provar a existência do crédito que se está pleiteando. Afirma também se existisse deveria ter sido apresentado DCTF retificadora. Na fase recursal a Recorrente cuidou de trazer à colação cópia dos livros contábeis, notas fiscais e planilhas de cálculos buscando demonstrar a real base de cálculo e o valor correto do débito apurado, que comparado com o DARF de pagamento restaria confirmado o recolhimento a maior do que o devido. Por meio da Resolução nº 3403.000.299 de 13 de fevereiro de 2012 essa Turma decidiu em transformar o julgamento em diligência para que fosse apurada a existência de saldo credor favorável ao contribuinte com base nos documentos fornecidos e outros procedimentos que entendesse necessário para apurar a verdade. Concluído a diligência esses autos retornam a esse Colegiado com o parecer da fiscalização informando a existência de saldo disponível para ser utilizado na DCOMP de R$ 656,70 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos), como se infere do próprio relatório aqui transcrito: “Processo 10840.907.139/200994 Contribuinte SERVIÇOS MÉDICOS E ASSISTENCIAIS DE BARRINHA S/S LTDA EPP CNPJ/CPF 03.330.439/000170 Sr. Chefe, O presente processo trata de manifestação de inconformidade através da qual o contribuinte se insurgiu contra a não homologação da Dcomp nº 04713.67529.150306.1.3.04 5656, por meio da qual pretendia compensar o PIS incidente em 02/2006 (R$ 75,75) com créditos referentes ao PIS recolhido a maior em 15/04/2004 (período 03/2004). O contribuinte transmitiu ao todo 25 Dcomp’s nas quais pretendia aproveitar o mesmo crédito, incluindo a analisada no presente processo: Nº PER/Dcomp Processo PER/Dcomp Valor pleiteado Situação 25463.75448.150405.1.3.040408 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907139/200994 Acórdão n.º 3403002.713 S3C4T3 Fl. 9 3 10840.905887/200932 R$ 12,28 Recurso voluntário 40272.41692.130505.1.3.043878 10840.905.889/200921 R$ 44,65 Homologação total 26944.17107.130605.1.3.04 2689 10840.905891/200909 R$ 30,04 Recurso Voluntário 30234.53676.130705.1.3.046325 10840.905893/200990 R$ 37,03 Recurso Voluntário 35375.39706.110805.1.3.04 2669 10840.905895/200989 R$ 28,15 Homologação total 19954.29919.150905.1.3.042098 10840.905897/200978 R$ 17,16 Recurso Voluntário 26004.50337.141005.1.3.04 0197 10840.905898/200912 R$ 19,63 Manif. inconformidade 40884.09947.111105.1.3.043795 10840.905901/200906 R$ 33,69 Manif. inconformidade 27705.95364.151205.1.3.04 7034 10840.907134/200961 R$ 34,09 Res. Recurso voluntário improvido 08464.63606.150206.1.3.045540 10840.907137/200903 R$ 20,24 Res. Recurso voluntário improvido 04713.67529.150306.1.3.045656 10840.907139/200994 R$ 75,75 Recurso voluntário 16457.08486.150506.1.3.040308 10840.907142/200916 R$ 53,93 Res. Manif. inconformidade 35760.87220.140606.1.3.044008 10840.907143/200952 R$ 32,89 Homologação total 22908.03324.140706.1.3.040432 10840.907146/200996 R$ 34,75 Recurso voluntário 09240.09708.150906.1.3.04 8160 Cancelado 03129.96442.190906.1.7.040004 Não admitido 18055.23556.150409.1.7.048623 15,85 RDC – sem crédito 18266.24787.111006.1.3.046256 10840.907149/200920 18,98 Res. Recurso voluntário improvido 18982.07030.141106.1.3.049262 10840.907151/200907 37,54 Recurso voluntário 42876.43114.151206.1.3.042030 10840.907847/200925 52,11 Nº PER/Dcomp Processo PER/Dcomp Valor pleiteado Situação 05971.54075.120107.1.3.047006 10840.902639/201073 54,45 Manif. inconformidade 25917.79856.160207.1.3.048400 10840.902641/201042 55,50 Manif. inconformidade 20102.62108.200307.1.3.044300 10840.902643/201031 124,44 Manif. inconformidade 38173.06938.050407.1.3.047770 10840.902645/201021 0,76 Dispensa recolhimento 10271.70818.200407.1.3.040108 10840.902648/201064 34,86 Manif. inconformidade O despacho decisório não homologou a compensação, em virtude do pagamento de PIS já ter sido integralmente utilizado (f. 7), já que na DCTF, o valor devido do PIS coincidia com o valor total do pagamento (R$ 656,70). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (f. 11), alegando que a DIPJ é que conteria o valor correto do PIS devido em 03/2004, que seria zero. O processo foi encaminhado para a DRJ, que julgou a manifestação improcedente (fs. 126132). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O contribuinte apresentou recurso, encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que converteu o julgamento em diligência (fs. 166167): “Diante do exposto, voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para que os autos retornem a Autoridade de Piso para apurar com base nos elementos fornecidos e outros procedimentos que se fizerem necessários o valor correto do indébito. Deise vista a Interessada, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, após retorne os autos a esse Colegiado.” Os autos foram encaminhados a este Setor. Inicialmente, cabe observar que o ramo de atividade do contribuinte na época era clínica médica (CNAE nº 85.13 8/01). A partir de 12/2002, conforme a Lei nº 10.637/2002, a base de cálculo do PIS era composta por: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” Sendo o contribuinte optante da tributação pelo lucro real, em 03/2004, apurava o PIS pelo regime nãocumulativo. De acordo com as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, o Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, a DIPJ e a Dacon, o total da base de cálculo do PIS no período 03/2004 era R$ 68.299,01. De acordo com o artigo 2º da Lei nº 10.637/2002, a alíquota do PIS era de 1,65%. Assim, temse que: Período Base de Cálculo PIS Valor do PIS 03/2004 R$ 68.299,01 R$ 1.126,93 Do valor do PIS apurado, a Lei nº 10.637/2002 permitia que fossem descontados créditos calculados, entre outros itens, em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços (inciso II do artigo 3º). Conforme a DIPJ, a Dacon e as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, foram descontados os seguintes créditos relativos a serviços e mercadorias utilizados como insumos: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907139/200994 Acórdão n.º 3403002.713 S3C4T3 Fl. 10 5 Tipo de Insumo Notas Fiscais Valor total Serviços 5084, 5067, 61173, 31283, 4542 R$ 41.832,57 Mercadorias 71774, 71881, 71892, 72521, 19660 R$ 1.698,43 Apesar de algumas aquisições de mercadorias terem sido efetuadas em 02/2004, foi considerado que as mesmas gerariam crédito para o período 03/2004, em virtude do parágrafo 4º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002: “§ 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes.” Foi verificado nos trabalhos conduzidos nos processos que tratam dos créditos de PIS do período 02/2004, como o nº 10840.905.884/200907, que tais notas fiscais não integraram o total de créditos do mês 02/2004. O inciso IX do mesmo artigo previa ainda que poderiam ser descontados créditos referentes à energia elétrica. Conforme a nota fiscal de energia elétrica e o informado na DIPJ e Dacon, o gasto de energia elétrica em 03/2004 foi de R$ 1.313,28. Portanto, o contribuinte tem direito aos seguintes créditos de PIS: Bens utilizados como insumos R$ 1.698,43 Serviços utilizados como insumos R$ 41.832,57 Despesas de energia elétrica R$ 1.313,28 Total de créditos R$ 44.844,28 Créditos de PIS (alíquota 1,65%) 739,93 Conforme a Dacon e as notas fiscais de prestação de serviços apresentada pelo contribuinte, ele descontou ainda o PIS retido na fonte por outras pessoas jurídicas, conforme artigos 30 e 31 da Lei nº 10.833/2003: “Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (…) Art. 31 . O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente.” Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Observese que na DIPJ o contribuinte informou tal retenção como “outros créditos”, quando na realidade se tratava da retenção na fonte. Nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte Serviços Médicos e Assistenciais de Barrinha S/S Ltda. EPP, pela prestação de seus serviços, pôdese verificar que houve retenção do PIS à alíquota de 0,65%, conforme tabela a seguir: Nota Fiscal Valor Total do Serviço PIS retido 167 R$ 13.000,00 R$ 84,50 168 R$ 458,13 R$ 2,98 169 R$ 9.023,06 R$ 60,00 170 R$ 3.972,63 R$ 25,82 171 R$ 605,19 R$ 3,94 172 R$ 41.000,00 R$ 266,50 173 R$ 60,00 R$ 0,00 Total R$ 443,74 Portanto, o total do PIS retido com base no artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 no período 03/2004 foi de R$ 443,74. Concluindo, o PIS a pagar apurado em 03/2004 está demonstrado a seguir: Receita da Prestação de Serviços (BC PIS) R$ 68.299,01 PIS (1,65%) R$ 1.126,93 () Créditos descontados no mês R$ 683,19 (=) PIS após desconto dos créditos R$ 443,74 () PIS retido na fonte R$ 443,74 (=) PIS a pagar R$ 0,00 Pagamento efetuado em 15/04/2004 R$ 656,70 Total do pagamento que restou disponível para compensação, após amortizar o PIS incidente em 03/2004 R$ 656,70 Portanto, após análise, foi apurado que o valor do PIS em 03/2004 foi totalmente amortizado pelos créditos e pelas retenções na fonte, não havendo saldo a pagar. Assim, resta inteiramente disponível o pagamento realizado em 15/04/2004, de forma que o total de créditos de PIS disponíveis para compensação é de R$ 656,70. Observese que entre as Dcomp´s que aproveitaram o mesmo crédito, três (3) já foram homologadas, enquanto que quinze (15) permanecem em discussão administrativa. À consideração superior.(Assinado digitalmente) Denise Aparecida Aguiar Vilas Boas Fantinel AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula 1.220.539 Data: 09/04/2013 De acordo. Encaminhese o processo à Eqorc/Seort/DRF/RPO para que o contribuinte seja cientificado da Resolução de fs. 166167 e deste despacho, e apresente manifestação no prazo de 30 dias, se assim desejar. Após a ciência, retornar este processo ao CARF.(Assinado digitalmente). José Manoel Polacchini Chefe Seort Mat. 65.432 Data: 09/04/2013 Del. Competência – Port. DRF/RPO nº 46/2011 DOU 08/06/2011”. Instado a manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente quedouse. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.907139/200994 Acórdão n.º 3403002.713 S3C4T3 Fl. 11 7 É o Relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda neste caderno gira em torno da existência de saldo credor favorável a Recorrente, cujo pleito restou indeferido, assim como, restou mantido pela decisão ora recorrida. Pouco há de se discutir e acrescentar ao trabalho da diligência efetivada em razão da clareza, a qual possibilita o julgador a decidir alicerçado em dados concretos. A interessada foi intimada a se manifestar não se opôs ao resultado da diligência fiscal. Tomando os cálculos contidos na diligência como embasamento para decidir, conforme transcrito aqui: “Assim, resta inteiramente disponível o pagamento realizado em 15/04/2004, de forma que o total de créditos de PIS disponíveis para compensação é de R$ 656,70. Observese que entre as Dcomp´s que aproveitaram o mesmo crédito, três (3) já foram homologadas, enquanto que quinze (15) permanecem em discussão administrativa”. Em assim sendo, norteado no parecer fiscal de fls. 182/186 que aponta existência de crédito decorrente de pagamento a maior da COFINS disponível para compensação ou restituição no total de R$ 656,70 (seiscentos e cinquenta e seis reais e setenta centavos) impõe em reconhecer o direito buscado pelo contribuinte. Diante do exposto conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento parcial para assegurar o direito de compensar os débitos até o limite do valor reconhecido, desde que o pagamento esteja disponível. A decisão é parcial em razão de inexistir nos autos informação sobre ter ou não sido utilizado o pagamento para outras compensações. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 19290.000009/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/03/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS E INFORMAÇÕES. PROCEDÊNCIA.
Constitui infração à obrigação tributária acessória assentada no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, deixar à empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a Fiscalização, solicitados mediante termo próprio, sujeitando o Infrator à penalidade pecuniária prevista nos artigos 283, II, b e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Constatado o descumprimento objetivo de obrigação acessória, a Fiscalização Tributária lavrará, de ofício, o competente auto de infração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS E INFORMAÇÕES. PROCEDÊNCIA. Constitui infração à obrigação tributária acessória assentada no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, deixar à empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a Fiscalização, solicitados mediante termo próprio, sujeitando o Infrator à penalidade pecuniária prevista nos artigos 283, II, ‘b’ e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Constatado o descumprimento objetivo de obrigação acessória, a Fiscalização Tributária lavrará, de ofício, o competente auto de infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 29 0. 00 00 09 /2 01 0- 19 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19290.000009/201019 Acórdão n.º 2302003.096 S2C3T2 Fl. 165 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Data da lavratura do AIOP: 29/03/2010. Data da Ciência do AIOP: 05/04/2010 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 3ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento tributário aviado no Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº 37.251.3824, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso III do art. 32 da Lei n° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão da não apresentação, em meio digital, dos valores pagos ou creditados mensalmente a todos os seus servidores a título de verba indenizatória criada pela Lei Estadual n° 8.555, de 19/09/2006, conforme descrito no relatório fiscal a fl. 06. CFL 35 Deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, ‘b’ e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, no seu valor mínimo de R$ 14.107,77 valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial da União de 31/12/2009 , conforme destacado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 07. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 22/34. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0429.303 – 3ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 71/78, julgando procedente o Auto de Infração, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15/08/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 83. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 133/145, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que o conceito de empresa e de segurado do Regime Geral de Previdência Social não abrange o Tribunal de Contas e seus servidores efetivos, beneficiários da verba indenizatória prevista na Lei Estadual nº 8.555/2006; · Que a decisão recorrida se valeu de interpretação sistemática e extensiva para validar a imposição da sanção, em afronta ao princípio da tipicidade; · Que a verba paga tem natureza indenizatória, como forma compensatória ao não recebimento de diárias, passagens, ajuda de transporte aos servidores no exercício da atividade fim de controle externo; Alfim, requer a anulação do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19290.000009/201019 Acórdão n.º 2302003.096 S2C3T2 Fl. 166 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/08/2012, Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 10 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância e não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as alegações substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Pondera o Recorrente que o conceito de empresa e de segurado do Regime Geral de Previdência Social não abrange o Tribunal de Contas e seus servidores efetivos, beneficiários da verba indenizatória prevista na Lei Estadual nº 8.555/2006. Sem razão. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, a Lei nº 8.212/91 fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o Inciso III do art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o dever instrumental de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19290.000009/201019 Acórdão n.º 2302003.096 S2C3T2 Fl. 167 7 I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) Revelase alvissareiro salientar que o conceito de empresa, para os fins das obrigações instituídas pela Lei nº 8.212/91, abraça não somente a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, como também, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, aqui não se excluindo o Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso, a teor do art. 15 do aludido diploma legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Merece, igualmente, ser destacado que a Carta de 1988 não descarta a possibilidade de os órgãos públicos terem em seus quadros de servidores, além de servidores titulares de cargos efetivos, também os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração, os empregos e as funções públicas os quais devem ser ocupados, necessariamente, por força da própria Constituição Federal, por segurados obrigatórios do RGPS. Constituição Federal de 1988 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) I os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) II a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19/98) (...) Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41/2003) (...) §13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 2098) (...) Nessa prumada, no exercício da competência que lhe fora atribuída, a lei orgânica da Seguridade Social definiu em seus artigos 12 e 13 as categorias de trabalhadores abraçados, compulsoriamente, pelo Regime Geral de Previdência Social e, dessarte, sujeitos às normas emolduradas na Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19290.000009/201019 Acórdão n.º 2302003.096 S2C3T2 Fl. 168 9 (...) Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876/99). §2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Da análise dos dispositivos legais e constitucionais suso selecionados deflui que os servidores civis ocupantes de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, não amparados por regime próprio de previdência social, os servidores ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, são segurados obrigatórios do RGPS. Aditese, por relevante, que o art. 33 da Lei nº 8.212/91 outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais nela previstas, atribuindo aos seus Auditores Fiscais a prerrogativa de examinar a contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados e a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante Fl. 172DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. §7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §8o Aplicamse às contribuições sociais mencionadas neste artigo as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2o e 3o do art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Da leitura dos comandos constitucionais e legais acima selecionados, constatase que a legislação que disciplina a espécie discutida nos autos não impôs qualquer restrição quanto à prerrogativa dos Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil de exigir do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso, mediante termo próprio, a prestação de informações a respeito das verbas pagas a seus servidores em decorrência da Lei Estadual nº 8.555/2006. A uma, porque o Tribunal de Contas em questão encontrase contido no conjunto das instituições sujeitas aos comandos imperativos estabelecidos pela Lei nº 8.212/91, em específico, às obrigações estatuídas em seu art. 32. A duas, porque o órgão público em exame pode abrigar em seu quadro de servidores, além de segurados vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, também segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, sendo que a competência para a Fl. 173DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19290.000009/201019 Acórdão n.º 2302003.096 S2C3T2 Fl. 169 11 sindicância do enquadramento do trabalhador neste ou naquele regime é do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A três, porque a competência para a investigação da natureza remuneratória ou indenizatória das verbas pagas a segurados do RGPS é privativa do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A quatro, porque simples fato de as verbas ora em realce ostentarem, eventualmente, natureza indenizatória e haverem sido pagas, porventura, exclusivamente, a servidores vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, não exclui do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso a obrigação acessória de prestar ao Fisco Federal todos os esclarecimentos e informações solicitados e a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. A cinco, porque a obrigação de prestação de informações ao Fisco Federal não se circunscreve àquilo que o Intimado considera, ao seu próprio talante, como base de cálculo de contribuições previdenciárias ou como pagas a segurados obrigatórios do RGPS. A lei é clara ao dispor que tal obrigação acessória estendese a “todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização”. A competência para definir o que é ou o que não é do interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil é da própria RFB e não do órgão público fiscalizado. Com efeito, constituise prerrogativa dos Auditores Fiscais da RFB a perquisição da natureza jurídica das verbas pagas em decorrência da Lei Estadual nº 8.555/2006 e da qualificação do vínculo de segurado de cada um dos beneficiários de tais pagamentos, atividade essa que somente poderia ter sido levada a cabo mediante as informações requeridas pela Fiscalização, as quais, todavia, não se houveram por prestadas. No presente caso, foi o Autuado intimado mediante Termo de Intimação Fiscal nº 147, a fls. 08/09, a informar, no prazo de vinte dias, em meio digital, os valores pagos ou creditados mensalmente a todos os servidores a titulo de verba indenizatória criada pela Lei Estadual n° 8.555, de 19/09/2006. Ante a inércia do Intimado, a Fiscalização reiterou a intimação para apresentação em meio digital dos valores pagos ou creditados mensalmente a todos os servidores a titulo de Verba indenizatória criada pela Lei Estadual n° 8.555/2006, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 147 complementar, a fls. 16/17, requerimento esse que, uma vez mais, não se houve por atendido. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, III do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 92 do mesmo Pergaminho Legal em foco aviou norma sancionatória prevendo a punição do obrigado em caso de infração de qualquer dispositivo dessa Lei, sujeitando o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, Fl. 174DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 conforme disposição analítica assentada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Parágrafo único. O reajuste dos valores dos saláriosde contribuição em decorrência da alteração do salário mínimo será descontado quando da aplicação dos índices a que se refere o caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, a alínea ‘b’ do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada à empresa que deixar de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesse Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19290.000009/201019 Acórdão n.º 2302003.096 S2C3T2 Fl. 170 13 Cumprindo o mandamento inscrito no art. 102 da Lei nº 8.212/91, em 30 de junho de 2009 foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009, que fixou em R$ 14.107,77 o valor mínimo da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social, conforme destacado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 07. Não procede a alegação recursal de que a decisão recorrida se valeu de interpretação sistemática e extensiva para validar a imposição da sanção, em afronta ao princípio da tipicidade. A obrigação acessória violada encontrase expressamente prevista, com todos os seus elementos, no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a qual é de observância compulsória não somente pelas empresas em geral, como, também, pelos órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, aqui não se excluindo o Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso, a teor do art. 15 do aludido diploma legal. Por outro viés, a multa aplicada encontrase prevista no art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social, combinado com art. 283, II, ‘b’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo que o reajustamento do seu valor houvese por realizado de acordo com o previsto no art. 102 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 373 do RPS. De outro eito, mas vinho de outra pipa, a eventual circunstância de a verba paga ter natureza indenizatória, como forma compensatória ao não recebimento de diárias, passagens, ajuda de transporte aos servidores no exercício da atividade fim de controle externo, não irradia efeitos sobre o vertente lançamento, uma vez que o fato gerador da autuação em exame ocorreu objetivamente com a não prestação das informações requeridas, de forma reiterada pela Fiscalização, mediante termo próprio, contingência que independe da efetiva natureza jurídica da verba paga. Verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação acessória violada, a conduta omissiva que profanou o dever instrumental em apreço, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da penalidade pecuniária aplicada. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao autuado. Não vislumbramos, pois, qualquer vício na formalização do presente Auto de Infração a amparar o pedido formulado pelo Autuado. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11080.011034/2008-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
DECISÕES DEFINITIVAS. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RECURSOS REPETITIVOS. STJ. APLICAÇÃO PELO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (RE 566.621- RS, voto Min. Ellen Gracie).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
DECADÊNCIA. PRAZO PARA REPETIR INDÉBITO. CINCO ANOS MAIS CINCO.
O prazo para pleitear a restituição de pagamentos indevidos extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos a contar do prazo de outros cinco anos conferidos à Fazenda para a homologação da atividade do contribuinte de apurar a pagar o tributo devido no regime de lançamento por homologação. Este o conteúdo e alcance do art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, do CTN, segundo disposição judicial em repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, e confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, para fatos geradores anteriores à LC nº 118/2005, vigendo a partir de 09 de junho de 2005.
Numero da decisão: 3803-005.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular os atos processuais a partir do despacho decisório, inclusive. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OAB/RS nº 90.645.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DECISÕES DEFINITIVAS. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RECURSOS REPETITIVOS. STJ. APLICAÇÃO PELO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (RE 566.621- RS, voto Min. Ellen Gracie). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DECADÊNCIA. PRAZO PARA REPETIR INDÉBITO. CINCO ANOS MAIS CINCO. O prazo para pleitear a restituição de pagamentos indevidos extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos a contar do prazo de outros cinco anos conferidos à Fazenda para a homologação da atividade do contribuinte de apurar a pagar o tributo devido no regime de lançamento por homologação. Este o conteúdo e alcance do art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, do CTN, segundo disposição judicial em repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, e confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, para fatos geradores anteriores à LC nº 118/2005, vigendo a partir de 09 de junho de 2005.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DECISÕES DEFINITIVAS. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RECURSOS REPETITIVOS. STJ. APLICAÇÃO PELO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (RE 566.621 RS, voto Min. Ellen Gracie). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DECADÊNCIA. PRAZO PARA REPETIR INDÉBITO. CINCO ANOS MAIS CINCO. O prazo para pleitear a restituição de pagamentos indevidos extinguese com o decurso do prazo de cinco anos a contar do prazo de outros cinco anos conferidos à Fazenda para a homologação da atividade do contribuinte de apurar a pagar o tributo devido no regime de lançamento por homologação. Este o conteúdo e alcance do art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, do CTN, segundo disposição judicial em repetitivos, pelo Superior Tribunal de Justiça, e confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, para fatos geradores anteriores à LC nº 118/2005, vigendo a partir de 09 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular os atos processuais a partir do despacho decisório, inclusive. Fez sustentação oral pela Recorrente o advogado Gustavo Rafael Fagundes Verch, OAB/RS nº 90.645. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte apresentou declaração de compensação em formulário em papel, servindose de pagamento a maior de PIS referente ao mês de fevereiro de 2003, no valor de R$ 419,93, pago em 14/03/2003, e compensando débitos de PIS e Cofins de agosto de 2008. Despacho Decisório da DRF/Porto Alegre, de 18 de agosto de 2008, não reconheceu o direito creditório por ter decaído o direito de repetir o alegado indébito e não homologou a Compensação. Em sua defesa a Interessada apresentou manifestação de inconformidade em que alegou, em síntese, não ter decaído o seu direito creditório. Junta jurisprudência do STJ no sentido de que os pagamentos anteriores a Lei Complementar nº 118/05 deveriam obedecer ao critério do regime previsto no sistema anterior (5 anos para o pedido do indébito da data da homologação tácita), restrito ao prazo máximo de 5 anos a contar da vigência da citada lei. Argumentou que pensar de outra forma seria violar a regra da irretroatividade. Como seu recolhimento a maior teria ocorrido em 2003, a “prescrição” só se daria em 2010, tendo em vista o critério intertemporal nos termos previstos na Lei Complementar nº 118/05. Em julgamento da lide, a DRJ/Porto Alegre considerou estar diante da questão preliminar de decadência que transcendia a questão do mérito da existência ou não do crédito alegado, eis que o contribuinte alegou um pagamento a maior sem a juntada a sua manifestação de inconformidade de documentos de sua escrita fiscal e contábil que dessem o devido suporte a tal direito. Manteve a decisão administrativa interpretando o art. 168, I, do CTN, amparandose, subsidiariamente, no Ato Declaratório nº 96, de 1999, e no caráter interpretativo segundo o esclarecimento do art. 4º do art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, aplicando a sua disposição a fatos pretéritos, abarcando, assim, o período do crédito pleiteado pelo contribuinte. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.011034/200869 Acórdão n.º 3803005.223 S3TE03 Fl. 141 3 O prazo para que o contribuinte possa pleitear a compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim entendida a da realização do pagamento na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art 150, § 1º do CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 28 de março de 2012, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 24 de abril de 2012, em que reitera o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade em torno do direito de pleitear a restituição após o prazo de cinco anos da extinção do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A declaração de compensação foi apresentada em formulário pela impossibilidade de sua transmissão eletrônica, em razão do decurso de cinco anos da extinção do crédito tributário de que se origina o pagamento alegado a maior. Era usual a intimação do contribuinte para apresentar documentos que amparassem a sua pretensão, quando a manifestação nos processos de ressarcimento, restituição e compensação se processava na forma mecânica. Essa providência não fazia sentido ao tempo em que proferido o despacho decisório pela DRF/Porto Alegre, tendo sido escorreito o critério jurídico então esposado em que se amparou a Autoridade Administrativa, na declaração de decadência do direito desta Contribuinte de repetir o indébito. Na mesma trilha do despacho decisório andou a decisão recorrida, que reproduziu os mesmos fundamentos do despacho decisório, tendo destacado que a jurisprudência do Superior Tribuna de Justiça que consagrou a regra do prazo de dez anos (5+5) para a repetição de indébito tributário, interpretando o art. 168, I, combinado com o art. 156, VII, ambos do CTN, não tem efeito vinculante para aplicação a terceiros que não são parte. Ao tecer este argumento, em decisão proferida em 8 de março de 2012, já podia ter evocado a decisão do Supremo Tribunal Federal na matéria, no julgamento do RE nº 566.621/RS, publicada em 11 de outubro de 2011, e proferida na sistemática do art. 543B, verbis: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.011034/200869 Acórdão n.º 3803005.223 S3TE03 Fl. 142 5 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. A aplicação da sistemática do art. 543B ao julgado implica haver na questão levada à Corte Maior interesse jurídico, econômico, social ou político, que extrapola o interesse das partes no processo, e, assim, produz o efeito da norma do art. 1º, § 2º, do Decreto nº 2.346/97, devendo ser observado nas decisões administrativas, verbis: Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. A data definida pelo Supremo Tribunal Federal como dies a quo da vigência da nova regra do art. 3º da LC nº 118/05[1] foi 9 de junho de 2009, prevalecendo para os pedidos manejados antes desta data a regra dos cinco anos do 168, I, do CTN, mais cinco anos para a homologação da atividade do contribuinte no regime do lançamento por homologação prevista no art. 156, VII, do CTN. No caso, a declaração de compensação foi protocolizada em 20 de maio de 2008, exsurgindo, com isso, o direito desta Contribuinte de utilizar o alegado crédito na compensação apresentada. Ocorre que opor a decadência à pretensão da Contribuinte, na origem, impediu que o mérito principal fosse examinado. Afastado o óbice, cabe a intimação ao Pleiteante para que comprove perante a Administração Tributária a veracidade do pagamento a maior informado na DComp sob análise, nos termos do que determina o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente ao tempo da apreciação da compensação, verbis: Art. 65 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do 1 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações. Anotese que as decisões não se fundamentaram em falta de provas para que elas pudessem ser coligidas no curso de uma ou outra defesas, o que acarretaria a preclusão do direito de fazêlo uma vez que nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário se fizeram acompanhar dos elementos probantes. Não permitir a instrução do pleito da Contribuinte com a comprovação do pagamento a maior obstrui a efetividade do exercício do seu direito subjetivo de aproveitamento do alegado crédito que apurara perante a RFB. Pelo exposto, com fundamento na decisão superveniente do Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621/RS, voto por afastar a decadência do direito de repetir o indébito e por anular o processo desde a origem, para que novo despacho decisório seja proferido. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11516.722629/2012-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. LIMITE PARA COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA 20% CABIMENTO.
O CARF não é competente para apreciar inconstitucionalidade de lei tributária.
No presente caso, as compensações deveriam ter sido feitas com base na Lei nº 9.129, de 20 de novembro de 1995, que estipula como limite compensável em cada período a porcentagem de 30%.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. LIMITE PARA COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA 20% CABIMENTO. O CARF não é competente para apreciar inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, as compensações deveriam ter sido feitas com base na Lei nº 9.129, de 20 de novembro de 1995, que estipula como limite compensável em cada período a porcentagem de 30%. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 26 29 /2 01 2- 62 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.722629/201262 Acórdão n.º 2803003.273 S2TE03 Fl. 144 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO BALNEÁRIO ARROIO DO SILVA/SC – PREFEITURA MUNICIPAL em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente e manteve o crédito tributário referente à glosa de compensações realizadas indevidamente em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 48 a 60), a recorrente obteve benefícios financeiros indevidamente, ao efetuar compensações de contribuições previdenciárias em GFIP relativas às contribuições de “Agentes Políticos” referentes aos subsídios recebidos por ocupantes de cargos eletivos, em vista da publicação da Resolução nº 26, do Senado Federal. Esta resolução suspendeu a cobrança de contribuições previdenciárias de agentes políticos e, utilizandose desta resolução, o município realizou compensações em desacordo com as normas legais. 3. Ademais, ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte, a fiscalização verificou que não foram cumpridos alguns requisitos legais para a pretendida compensação, como, por exemplo, o período decadente e a devida retificação em GFIP, conforme determina a IN MPS/SRF nº 15/2006, art. 6º, instituída para disciplinar as restituições e compensações relativas aos créditos adquiridos pelo ente nas contribuições realizadas sobre o fato gerador. A fiscalização, ainda, aplicou multa de mora de 20% pela utilização de créditos inexistentes e créditos prescritos nas compensações em GFIP. 4. A contribuinte, na tentativa de alcançar judicialmente o período decadente, ingressou com o Mandado de Segurança nº 2008.72.00.0052170/SC, porém não apresentou a fiscalização a ação inicial e a certidão de objeto e pé referente ao processo. Por esta razão, considerando que a análise dos autos era essencial para verificação dos valores arrolados, a fiscalização apurou o crédito através de glosa de compensação. 5. Ainda, segundo o relato fiscal, o ente municipal também deixou de observar outros requisitos para se processar legalmente as compensações, a limitação para compensação em até 30% do total dos recolhimentos e a prescrição/decadência. 6. Após ser devidamente intimada, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva, tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/03/2008 JULGADOR ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITAÇÃO. REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO À COMPENSAÇÃO. O julgador administrativo não recebeu autorização de nenhuma norma jurídica brasileira para decidir sobre a Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.722629/201262 Acórdão n.º 2803003.273 S2TE03 Fl. 145 3 constitucionalidade ou não de leis que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. Pelo contrário, a opção do sistema jurídico pátrio foi pela unicidade da jurisdição, portanto, é vedado ao julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo sob a alegação de inconstitucionalidade. Esta atribuição foi reservada ao poder judiciário. Neste contexto, a obediência aos requisitos para o exercício do direito à compensação, expressos em normas infralegais, presumidamente constitucionais, é conditio sine qua non para seu êxito, ainda mais quando se trata de contribuições previdenciárias, onde o descumprimento de uma obrigação acessória, como por exemplo, a retificação de GFIP, pode repercutir diretamente no campo dos benefícios previdenciários. Portanto, não é permitido ao interessado selecionar quais partes das normas devem ser observadas, ou seja, além da demonstração do direito é necessário o cumprimento dos requisitos normativos para o exercício deste direito. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 7. Após ter sido cientificada do referido acórdão (fl. 116/117), a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 119 a 140), sustentando, em apertada síntese que: a) a compensação postulada encontra amparo legal, visto que a Resolução nº 26 do Senado Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 12, inciso I, alínea h, da Lei nº 8.212/91 e determinou o direito líquido e certo dos contribuintes de reaver os valores pagos de forma indevida; b) os tribunais entendem que o direito de compensar surge com a declaração de inconstitucionalidade do tributo; c) a ilegalidade do art. 4º, inciso I, da Portaria MPS nº 133/2006; do art. 6º, inciso I, parágrafos 4º e 5º e art. 9º, inciso I, parágrafos 4º e 5º, ambos da Instrução Normativa nº 15/2006, vez que é desnecessária a retificação em GFIP; e) não deve ser aplicado ao caso o art. 170A do CTN, isso porque o dispositivo aplicável é o art. 66, da Lei nº 8.383/91, pois este possibilita que a compensação seja feita já no mês subsequente, independentemente de decisão transitada em julgado; f) com o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, não há que se alegar a utilização do limite de 30% para a compensação; e g) a multa por utilização indevida de créditos deve ser anulada, visto que as compensações foram legítimas. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.722629/201262 Acórdão n.º 2803003.273 S2TE03 Fl. 146 4 8. Por todo o discorrido no auto de infração, a fiscalização emitiu em desfavor da contribuinte a Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 11516.722630/201297. 9. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.722629/201262 Acórdão n.º 2803003.273 S2TE03 Fl. 147 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. DA PREVISÃO DE COMPENSAÇÃO DIANTE DA RESOLUÇÃO Nº 26 DO SENADO FEDERAL 2. Aduz o relatório fiscal que a recorrente realizou indevidamente compensação em GFIP relativa às contribuições de “Agentes Políticos”, correspondente aos subsídios recebidos por ocupantes de cargos eletivos. Em sua defesa, alega a recorrente que a compensação efetuada encontra amparo legal, visto que a Resolução nº 26 do Senado Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 12, inciso I, alínea h, da Lei nº 8.212/91 e determinou o direito dos contribuintes em reaver os valores pagos. 3. Ocorre que, a fiscalização não autuou a recorrente por ter efetuado a compensação, apenas por têla feito de maneira incorreta. 4. Para uma melhor análise do caso, mister se faz analisar a questão da declaração de inconstitucionalidade do art. 12, inciso I, alínea h, da Lei nº 8.212/91 por meio da Resolução nº 26 do Senado Federal. Vejamos o teor do referido artigo revogado e da Resolução que declarou sua inconstitucionalidade: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...). h) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social;” Resolução nº 26, de 21 de junho de 2005 – Senado Federal “Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.” Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.722629/201262 Acórdão n.º 2803003.273 S2TE03 Fl. 148 6 5. Diante da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal, foi editada pelo Ministério da Previdência Social, a Portaria MPS nº 133, de 02 de maio de 2006, que determinou que todos os débitos oriundos das contribuições com fundamento no dispositivo declarado inconstitucional pelo Senado Federal fossem cancelados ou retificados, observadas determinadas disposições, previstas no art. 4º, in verbis: “Art. 4º Eventual compensação ou pedido de restituição por parte do ente federativo observará as seguintes condições: I será precedido de retificação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social GFIP;” (...). 6. Foi editada, igualmente, a IN MPS/SRF nº 15/2006, de 12 de setembro de 2006, que trata da forma de devolução dos valores arrecadados com base no artigo declarado inconstitucional, conforme prevê o seu artigo 1º: “Art. 1º Dispor sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, bem como sobre procedimentos relativos aos créditos constituídos com base no referido dispositivo.” 7. Dentre outras matérias, a IN nº 15/2006 traz a possibilidade de compensação, pelo ente federativo, dos valores pagos, desde que observadas determinadas condições, in verbis: “Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social; III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação a débitos objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG e de Débito Confessado em GFIP DCG; Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.722629/201262 Acórdão n.º 2803003.273 S2TE03 Fl. 149 7 II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; ( Redação dada pela IN RFB nº 909, de 14 de janeiro de 2009 ) III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; ( Redação dada pela IN RFB nº 909, de 14 de janeiro de 2009 ) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; e VII ente federativo deverá estar em dia com as contribuições sociais declaradas em GFIP. ( Revogado pela IN RFB nº 909, de 14 de janeiro de 2009 ) § 1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. § 2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no § 1º, os valores compensados serão glosados. § 3º Os documentos referidos no § 1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.722629/201262 Acórdão n.º 2803003.273 S2TE03 Fl. 150 8 § 4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. § 5º O descumprimento do disposto no § 4º sujeitará o infrator à multa prevista no § 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro.” 8. Assim, percebese que a compensação referente ao cargo de “agentes políticos” encontra amparo legal, conforme dito em sede de recurso voluntário. Dessa forma, a controvérsia cingese no tocante ao cumprimento, pela recorrente, dos requisitos previstos acima para que a compensação fosse considerada válida. 9. Aduz a recorrente que cumpriu os requisitos, alegando que é desnecessária a retificação da GFIP para que a compensação seja efetuada, embora esta previsão esteja expressamente contida na legislação transcrita acima. Para respaldar sua tese, a recorrente alega ser inconstitucional e ilegal o art. 4º, inciso I, da Portaria MPS nº 133/20096, e os arts. 6º, I, §§ 4º e 5º, e 9º, I, §§ 4º e 5º, ambos da IN nº 15/2006. 10. Porém, esclareço que esses argumentos trazidos pela recorrente não são passíveis de análise na esfera administrativa, visto que o Decreto nº 70.235, de 1972, o qual regula o Processo Administrativo Fiscal, em seu art. 26A, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, veda expressamente esta análise: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” 11. Ademais, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – já se manifestou, por meio de súmula, neste sentido: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 12. Portanto, afasto todos os argumentos com tal conteúdo, negando provimento ao recurso voluntário nesta parte. LIMITE PARA A COMPENSAÇÃO E MULTA POR UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS 13. Sustenta o contribuinte que, com o advento da MP nª 449/2008, que entrou em vigor a partir de 04 de dezembro de 2008, tendo sido convertida na Lei nº 11.941, em 27 de maio de 2009, não há que se alegar a utilização do limite de 30% para a compensação. 14. Entretanto, consta do relatório fiscal que as compensações indevidas realizadas pela recorrente foram efetuadas no período de 01/08/2007 a 31/03/2008, portanto, em período anterior à entrada em vigor da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.722629/201262 Acórdão n.º 2803003.273 S2TE03 Fl. 151 9 15. Desse modo, as compensações deveriam ter sido feitas pela recorrente com base na Lei nº 9.129, de 20 de novembro de 1995, que estipula como limite compensável em cada período o percentual de 30% em relação ao montante apurado. 16. Portanto, a alegação da recorrente não merece prosperar. 17. No tocante à multa aplicada de 20% por utilização indevida de créditos, entendo que a fiscalização agiu corretamente, eis que houve o descumprimento, por parte da recorrente, dos requisitos contidos na legislação para o exercício do direito de compensação dos valores, conforme anteriormente exposto. 18. Diante da impossibilidade deste Conselho apreciar a inconstitucionalidade da norma, tal como requerido no recurso voluntário, não há que se falar em anulação do auto de infração, eis que foi lavrado em conformidade com as determinações legais, devendo haver a manutenção, por decorrência lógica, da multa aplicada. CONCLUSÃO 19. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a decisão de primeira instância, pelos razões acima delineadas. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 11080.924502/2009-48
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 45 02 /2 00 9- 48 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 3803005.947 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 28 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 26 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 3803005.947 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 3803005.947 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 3803005.947 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 3803005.947 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11050.001319/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 20/07/2007
CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial -por qualquer modalidade processual-, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto do lançamento, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 3201-001.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso, vencidos os conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão. O conselheiro Paulo Sergio Celani votou no sentido de conhecer e dar provimento parcial ao recurso, para reformar a decisão da DRJ. O conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) votou pela anulação da decisão da DRJ. Procedeu à sustentação oral o representante da parte, Dr. Renato Romeu Rench, OAB-RS 10206.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso, vencidos os conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão. O conselheiro Paulo Sergio Celani votou no sentido de conhecer e dar provimento parcial ao recurso, para reformar a decisão da DRJ. O conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) votou pela anulação da decisão da DRJ. Procedeu à sustentação oral o representante da parte, Dr. Renato Romeu Rench, OAB-RS 10206. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/07/2007 CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto do lançamento, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso, vencidos os conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão. O conselheiro Paulo Sergio Celani votou no sentido de conhecer e dar provimento parcial ao recurso, para reformar a decisão da DRJ. O conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) votou pela anulação da decisão da DRJ. Procedeu à sustentação oral o representante da parte, Dr. Renato Romeu Rench, OABRS 10206. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 13 19 /2 00 7- 68 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese do relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Versa o presente processo sobre auto de infração lavrado, às fls. 01 a 18, em virtude da reclassificação tarifária da mercadoria importada conforme a Dl nº 07/0957967 0, registrada em 20/07/2007, e, que foi descrita pelo importador como "GUINDASTE AUTOPROPULSOR DE CAPACIDADE MÁXIMA DE 65 TONELADAS. MOTOR MARCA STEYR 320HP/362HP. MODEL QY 65K 4 FIXOS. CAPACIDADE IÇAMENTO 65 TONS COMANDOS: DOIS COMANDOS TIPO JOYSTICK, CABINE DIANTEIRA INTEIRA COMPLETA LANÇA TELESCÓPICA DE 42,00 M DIMENSÕES: COMPRIMENTO: 13,50 M LARGURA: 2,80 M ALTURA: 3,45 M VIN/ CHASSIS N. LXGBJH4IX6A6613 ENGINE/MOTOR N." 06101094474. DESLOCAMENTO LATERAL DENTRO DE UM DIÂMETRO DE 24 METROS PODENDO GIRAR 360° DENTRO DESTE DIÂMETRO, COM CAPACIDADE DE CARGA DE 65T. Segundo consta do autos de infração, foi verificado em procedimento de conferência física que a mercadoria classificada pelo importador no código NCM 8426.41.10, destinado às cábreas, guindastes, incluídos os de cabo, pontes rolantes, pórticos de descarga ou de movimentação, pontes guidastes, carrospórticos e canosguindastes, com deslocamento em sentido longitudinal, transversal e diagonal (tipo caranguejo) com capacidade superior a 60 T, deveria, no entanto, ser classificada no código NCM 8705.10.90, destinado a abrigar outros caminhõesguindastes, que residem na posição 8705 entre os veículos automóveis para usos especiais (por exemplo: autosocorros, caminhõesguindastes, veículos de combate a incêndios, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos, exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias), tendo sido a mencionada reclassificação efetuada com base no laudo técnico de fl. 27 e no Memorando n.° 2/2007 de fls. 44 a 51, elaborado em 26 de janeiro de 2007, pela Divisão de Administração Aduaneira — DIANA da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da l0" Região Fiscal. Em conseqüência, foi lavrado o auto de infração em apreço por meio do qual está sendo exigido do contribuinte autuado o pagamento de Imposto de Importação (II), multa lançada de oficio e proporcional a 75% do imposto exigido, multas regulamentares em face da classificação incorreta da mercadoria e por prestar informação incompleta na descrição da mercadoria importada, fulcradas no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n°2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 2003, e, bem Fl. 317DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 11050.001319/200768 Acórdão n.º 3201001.244 S3C2T1 Fl. 317 3 assim, multa do controle administrativo por falta de licença de importação. Regularmente cientificado do auto de infração, em 01108/2007, o contribuinte, em 06/08/2007, ajuizou a Ação Ordinária 2007.71.01.0022301/RS, com pedido de antecipação de tutela, na Justiça Federal do Rio Grande do Sul (RS), conforme cópia da petição inicial colacionada às lis. 95 a 108 destes autos, tendo o Juízo da 1ª Vara Federal de Rio Grande deferido a antecipação de tutela requerida, para determinar que a União Federal procedesse ao desembaraço aduaneiro da mercadoria constante da mencionada Dl, independentemente de recolhimento das diferenças de tributos e multas cominadas. Posteriormente, o autuado apresentou, em 30/08/2007, os documentos de fls. 141 a 208 e 211/212, e a impugnação de fis. 113 a 140, onde, em síntese: Alega que a fiscalização contrariou a disposição contida no art. 30 do decreto n.° 70235, de 1972, em face da rejeição de prova coletada por via de perito da própria Receita Federal, eis que o laudo técnico identificou a mercadoria importada como um equipamento que possui quatro eixos de rodas, sendo que os dois eixos dianteiros são direcionáveis, e não existe caminhão com dois eixos dianteiros direcionáveis. Em razão disso, argumenta que tal conduta do Fisco implica violação de regra processual fundamental e em cerceamento do direito de defesa decorrente de uma rejeição implícita do laudo do perito oficial favorável ao contribuinte, sem ter enumerado, especificamente, as razões de tal conduta, pelo que pede a declaração de nulidade do feito. Em longo arrazoado, sustenta as razões pelas quais entende estar correta a classificação tarifária da mercadoria adotada na respectiva Dl, e não a adotada pela fiscalização, pelo que solicita o acolhimento da invalidade da classificação feita pela autoridade fiscal, visto ser frontalmente contrária às regras de classificação tarifária. Por último, requer ainda que sejam anuladas as penalidades aplicadas, em face da prescrição expressa do ADN COSIT n.° 10, de 1997, já que não foi verificado o pressuposto de qualquer das infrações capituladas no lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0716.251, de 29/05/2009: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/07/2007 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. LIDE JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente a. autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/07/2007 MULTAS REGULAMENTARES. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. LIDE JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente A autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO. ATO DECLARATORIO REVOGADO. APLICABILIDADE. Para declarações de importação registradas após 11109/2002, ê irrelevante a descrição da mercadoria para efeitos dc aplicabilidade da multa de oficio em face da falta de recolhimento. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, tempestivo, reiterando, ipsis litteris, os argumentos suscitados em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator Conforme já relatado, o processo administrativo versa sobre a classificação fiscal das mercadorias importadas por meio da Declaração de Importação nº 07/09579670, sendo certo que tal objeto é idêntico ao objeto da Ação Ordinária nº 2007.71.01.0022301, ajuizadas na Justiça Federal da 4ª Região – Seção Judiciária do Rio Grande do Sul. Nesse sentido, há concomitância que impede o conhecimento do recurso voluntário por força da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 319DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 11050.001319/200768 Acórdão n.º 3201001.244 S3C2T1 Fl. 318 5 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por outro lado, em respeito ao princípio da jurisdição una, é imperioso consignar que a ação judicial retro mencionada já foi julgada definitivamente, havendo coisa julgada em prol da Recorrente. Com efeito, o crédito tributário lançado por meio do auto de infração ora guerreado não pode ser exigido, uma vez que a decisão judicial confirmou a classificação fiscal das mercadorias na posição NCM 8426.41.10. Diante de todo o exposto, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 320DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 10245.000582/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de contradição e omissão, acolhem-se os embargos de declaração para supri-las.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVAS.
Havendo provas de que a conduta do contribuinte caracterizou evidente intuito de fraude, correta a aplicação da multa de ofício qualificada.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
Embargos de Declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2201-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar as omissões e contradições apontadas no Acórdão 2201-001.901, de 20/11/2012. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, retificar a decisão anterior quanto às penalidades, para restabelecer a qualificação das multas de ofício. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), que restabeleceu parcialmente a qualificação das penalidades. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator Original), Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado) e Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de contradição e omissão, acolhemse os embargos de declaração para suprilas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVAS. Havendo provas de que a conduta do contribuinte caracterizou evidente intuito de fraude, correta a aplicação da multa de ofício qualificada. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Embargos de Declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar as omissões e contradições apontadas no Acórdão 2201 001.901, de 20/11/2012. No mérito dos Embargos, por maioria de votos, retificar a decisão anterior quanto às penalidades, para restabelecer a qualificação das multas de ofício. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), que restabeleceu parcialmente a qualificação das penalidades. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 05 82 /2 00 9- 51 Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator Original), Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado) e Heitor de Souza Lima Junior (suplente convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Presidente da Turma, tendo em vista os seguintes fatos expostos por aquela autoridade naquela peça processual: “Na oportunidade, foi desqualificada a multa de ofício, nas operações em que houve a exasperação da penalidade, sob o pressuposto, asseverado pelo Relator, de que não teria havido qualquer circunstância que desse cabimento à qualificação (“nota fria”, interposta pessoa, simulação, etc). Com efeito, a ementa traduz esse entendimento, que o Colegiado somente adota quando ausentes condutas materiais de dolo específico. Entretanto, analisandose o voto condutor do acórdão, verifica se que, além de não terem sido debatidas, por ocasião do julgamento, as questões relativas às acusações de utilização de “notas frias”, interposta pessoa e simulação, o fundamento do Relator para desqualificar a penalidade nada tem a ver com o que foi discutido naquela oportunidade, eis que a seu ver o dispositivo legal aplicado ao caso não comportaria a qualificação da multa. Confirase: “MULTA APLICADA = 150% Contudo, no que tange a multa aplicada de forma agravada entendo que a mesma é incompatível com a aplicação da alíquota de 35% e o reajustamento da base de cálculo, uma vez que tal sistemática já possui caráter punitivo agravado, pois a própria infração denota intuito de fraude. A aplicação da multa agravada resultaria em uma dupla punição pelo mesmo fato, ou como os penalista gostam de dizer, um verdadeiro bis in idem. Assim, reduzo a multa aplicada para 75%.” Destarte, verificase que tal fundamento nada tem a ver com o posicionamento do Colegiado, que desqualificou a penalidade sob o pressuposto de que não teria havido conduta material específica, por parte do Contribuinte, e não porque considerasse a qualificação incompatível com o dispositivo legal aplicado. Verificase, assim, a necessidade de rediscussão, pelo Colegiado, dos fatos efetivamente ocorridos no caso concreto, e que não foram exauridos pelo Relator, obviamente porque, conforme seu entendimento, seria irrelevante a ocorrência do Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 2201002.262 S2C2T1 Fl. 1.099 3 dolo específico, já que, no seu entender, isso caracterizaria bis in idem. Diante do exposto, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, oponho os presentes Embargos de Declaração, determinando a reinclusão do processo em pauta de julgamento, para que a questão ora exposta seja reexaminada, sanandose a contradição apontada, bem como seja suprida a omissão verificada, no que tange ao relatório.” O Recurso retornou à pauta de julgamento. Entretanto, o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo Acórdão de Embargos, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc (despacho de fls. 1.097), conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Redator ad hoc Como o processo foi encaminhado à Embargante em 10/07/2013, para apreciar e assinar o acórdão de recurso voluntário, e nessa mesma data foram opostos os embargos (fls. 1.095 e 1.096), resta comprovada a sua tempestividade. Oportuno, inicialmente, reproduzir os fatos apurados pela fiscalização descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 224 a 240 – que ensejaram a aplicação da multa de ofício qualificada. 1 Da não comprovação das efetivas prestações dos serviços pela Empresa Seagri — Serviços Agrícolas (fls. 739) “ Um fato importante e não destacado na diligência descrita corresponde ao domicilio tributário da Seagri, à rua Sebastião Diniz, numero 361, nesta capital. Conforme fatura emitidas pela Boa Vista Energia, tal imóvel está cadastrado em nome de Scoobydoo do Brasil Agrosilvopastoril Ltda, outra empresa do grupo liderada pelo Sr. Walter Vogel. Há vinculo direto entre o suposto sócio da Seagri, Sr. Francisco das Chagas Silva Aires, 320,737.47272, com o Sr. Walter Vogel, excluído da fiscalizada em 10/2006, mas com gerência nesta por representar as empresas Ouro Verde Agrovilvopastoril e Malrimalrii Florestal Ltda (vide alterações no contrato Social). As diversas procurações outorgadas pelo Sr. Francisco ao Sr. Walter Vogel e as alterações no Contrato Social da fiscalizada corrobora o afirmado.” (destaquei) 2 – Da não comprovação das transferências de recursos e a efetiva prestações de serviços pela prestadoras de serviços de construção civil pela Construtora Ouro Prata. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 i Apesar de termos identificados outras NF na diligência efetuada na Ouro Prata, averiguamos que somente as NF 33, 34, 35 e 40 estão registradas contabilmente e supostamente liquidadas financeiramente conforme análise dos livros contábeis da Madereira Vale Verde (vide fls 3/4/5/7/16 e 33 do Livro Razão às folhas deste processo). Não ha qualquer menção ou registro contábil em relação às demais NF. ii. Em procedimento diligencial concluso na Ouro Prata no dia 23 de maio de 2008 (MPFD 02.6.01,00,2007.001621), verificamos que não houve a comprovação da efetiva prestação dos serviços transferências dos recursos da Madereira Vale Verde para a Ouro Prata. iii Alem das diversas evidências apuradas na diligência em relação as atividades da Construtora Ouro Prata, temos que, analisandose tão e somente as NF 33, 34 e 35 (fls .... do ANEXO) estas supostamente "pagas" pela Madereira Vale Verde à Ouro Prata o serviço foi realizado no Municipio de Caracaraí, em 2005. iv Ora, em resposta datada de 24 de abril/2008! a Vale Verde afirma que tais serviços referemse a edificação da sede da v Bem, o domicilio tributário e sede da Vale Verde é no município do Canta/RR desde a sua constituição (vide contrato social); foi criada uma filial, esta sim em Caracaraí, somente em 10 de jan/2007 (conforme 5 a alteração contratual), ou seja, somente 1 ano e meio após a suposta prestação dos serviços de edificação; vi Por fim, para não restar dúvidas quanto a simulação praticada pelo contribuinte, oficiamos o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura CREA/RR no dia 23 de maio/2008, ao qual recebemos a resposta mediante Oficio GEOP/035/08 ao qual nos esclarece que ‘não localizamos o registro da empresa Construtora Ouro Prata Ltda CNP.7 06.024.117/000191, nem tampouco qualquer registro de obras executadas por essa empresa entre os anos de 2004 e 2007’; vii, O próprio contribuinte, em resposta, afirma que os serviços foram contratados verbalmente, e não os comprova, bem como não ha qualquer documento que respalde os supostos pagamentos efetuados, exceto por recibos e/ou Notas Fiscais, alegando terem sido liquidados em espécie. viii. Concluise que as NF emitidas pela Construtora Ouro Prata são irreais, e serviram como base para trazer aspectos operacionais e legais para as saídas de recursos da Madereira Vale Verde, uma vez não comprovados a transferência dos recursos e a efetiva prestação dos serviços.”(destaque no original) 3 Pela saída de recursos da empresa sem a devida comprovação da operação Pagamento supostamente efetuado à empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda. i. A Vale Verde recebeu, em 16 de ago/2004, o valor de R$6.000.000,00 (seis milhões de reais) da Ouro Verde a titulo de mútuo; ii. Devidamente intimada a comprovar a liquidação financeira da operação, somente nos apresentou um recibo, datado de 28 de jun/2006 e mais nada; iii. O recibo, por si só, não comprova a efetiva transferência dos recursos, uma vez que a evidência de simulação é presente pela assinatura posta ao recibo, do Sr. Michael Patrick Vogel, 512.362.65220, pois: a. Michael Patrick Vogel é filho do Sr. Walter Vogel, 703.513.92904, sócio excluído do quadro da Vale Verde em 18 de out/2006 mediante transferência Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10245.000582/200951 Acórdão n.º 2201002.262 S2C2T1 Fl. 1.100 5 de suas quotas para o próprio Michael, que ingressava na sociedade naquela data; b. Se faz necessário lembrar que a Ouro Verde era sócia da Vale Verde até o dia 26 de jun/2006, apenas dois dias antes da suposta liquidação financeira do mútuo; c. Desde sua constituição em 28 de dez/2008 até 4 de out/2006 os Srs, Walter Vogel e Michael Patrick Vogel eram sócios da Ouro Verde, sendo que, nesta data a da Ma alteração contratual o sr Walter Vogel repassa todas suas quotas ao Michael Patrick Vogel naquela entidade. iv. Desta forma, procedemos a autuação do contribuinte pelo IRF Imposto de Renda na Fonte devido sobre a saída de recursos da empresa sem a devida comprovação da operação, conforme razão do AC 2006 folha 9 (destacado em verde), lembrando que, conforme já disposto anteriormente, no parág. 11 Seagri, o rendimento deverá ser reajustado. v. Em síntese, tributamos o valor de R$9.230.769,23 (nove milhões, duzentos e trinta mil e setecentos e sessenta e nove reais e vinte e três centavos) no dia 28 de jun/2006.” (destaquei) 4 – Da não comprovação das efetivas prestações de serviços pela prestadoras de serviços de construção civil pela empresa Arco Norte Construtora Ltda. “23. Por fim, analisaremos os aspectos inerentes a suposta relação comercial da Madereira Vale Verde Ltda com a Arco Norte Construtora Ltda, 03.786,500/0001 99, ao qual o contribuinte justifica, mediante a apresentação de NF se esquecendo de comprovar a efetividade do serviço prestado os pagamentos realizados nos dias 21 de dez/2005, no valor de R$200.000,00, e 17 de fev/2006, R$300,000,00, ambos mediante TED junto ao Banco Bradesco, tendo a discriminação dos serviços na NF sendo de "recuperação de vicinal na localidade Confiança HI, município do Cant". ii,Lavramos intimação no dia 8 de abril de 2009, ao qual retornou diante de aviso postado pelos correios como "número inexistente"; iii,Procedemos a tentativa de ciência pessoal no dia 4 de maio de 2009, sem sucesso, conforme termo de constatação; iv,Não possui bens automotores registrados em nome da empresa, conforme consulta ao sistema RENAVAM no dia 20 de maio de 2008; v.Conforme resposta do Ofício 081 de 2008 encaminhado ao CREA, a empresa não possui qualquer obra registrada no período compreendido entre os AC 2004 e 2007; v.As NF supostamente emitidas pela Arco Norte para justificar as saídas de caixa da Madereira Vale Verde possuem validade inferior h data de emissão; vii.Conforme consulta aos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o contribuinte não possui empregados registrados desde 08/2004.” (destaquei) Pelos trechos acima destacados, verificase que a autoridade lançadora carreou aos autos diversos elementos que comprovam o evidente intuito de fraude por parte da Contribuinte. Vale lembrar que, conforme disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Assim, resta claro que a qualificação da multa de ofício não ocorreu pela simples existência de pagamento sem causa, mas sim em virtude da constatação de que a Recorrente praticou diversos atos que justificam a exasperação da penalidade. Convém ressaltar que a qualificação da multa de ofício não está vinculada aos resultados apurados em investigações policiais, ou mesmo em ação penal envolvendo a mesma matéria. Havendo provas nos autos do processo administrativo fiscal da prática de evidente intuito de fraude, como ocorreu neste caso, cabível a aplicação da qualificadora. Diante do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para sanar as omissões e contradições apontadas no Acórdão 2201001.901, de 20/11/2012, e para retificar a decisão anterior quanto às penalidades, restabelecendo a qualificação das multas de ofício. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Redator ad hoc (despacho de fls. 1.097) Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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