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Numero do processo: 16327.720667/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.811 1 1.810 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720667/201221 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.589 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de agosto de 2018 Assunto RESOLUÇÃO LINDB Recorrente BANCO ITAUCARD S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Cuidam os autos de novo julgamento de recurso voluntário anteriormente julgado pela 2ª Turma da 1ª Câmara dessa sessão (12/02/2014) em que, por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a glosa de amortização de ágio e cancelando as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 66 7/ 20 12 -2 1 Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.812 2 Trata o processo de Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, com acréscimo de multa isolada, multa de ofício e juros. A infração principal lançada foi a de falta de adição ao lucro real, e à base de cálculo da CSLL, de despesas indedutíveis relativas à amortização de ágio, sendo que os lançamentos de janeiro a julho de 2007 se referem à empresa Banco Itaú Cartões S/A, pelos quais responde a interessada como sucessora, e os de agosto de 2007 a dezembro de 2008 se referem à própria interessada. A Fiscalização analisou os efeitos tributários relativos à reorganização societária ocorrida quando da aquisição de mais uma parte da operação de cartões de crédito da empresa Credicard pelo Grupo Itaú, que era de titularidade dos Grupos Itaú, Citibank e Unibanco. A acusação concluiu pela diferença entre um primeiro ágio, apurado em 2004 (item 3.3 do Termo de Verificação Fiscal), e um segundo, calculado em 2006 (item 3.8), apesar de serem do mesmo valor. Provas disso seriam a apuração de ganho de capital quando da capitalização da Finaustria, a impossibilidade da transferência de ágio na aquisição de investimento por realização de capital e a contratação de nova avaliação em 2006. Concluiu, também, não ser possível se admitir que o fundamento do primeiro ágio seja a rentabilidade futura, pois o laudo de avaliação que assim o classificou foi elaborado somente em 2006. Isso contrariaria “o mandamento expresso no §3° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77, que determina a elaboração de uma demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração, o que não foi realizado, uma vez que esta demonstração do laudo só foi produzida 2 anos depois da operação societária analisada, deixando de ser análise de rentabilidade futura, para ser um atestado do que efetivamente ocorreu. Já o segundo ágio também não poderia ter sua dedutibilidade admitida, por ter se dado entre sociedades ligadas, todas sob o comando do Grupo ITAÚ, configurandose assim, um ágio interno. O relator do voto a quo entendeu, primeiramente, que poderiam ser aceitos novos documentos, ainda que apresentados somente por ocasião de sustentação oral em sessão de julgamento do Recurso Voluntário (efls. 1.339/1.394). Consignou que não haveria impedimentos legais de que o laudo fosse apresentado posteriormente, desde que houvesse demonstração da rentabilidade futura em demonstrações contemporâneas ao surgimento do primeiro ágio de 2004 e, com base nas provas carreadas aos autos, julgou comprovado que o ágio de 2004 estava fundamentado na rentabilidade futura, afastando a autuação relativamente a essa parte. Desfez, ainda, outro fundamento da autuação que alegava diferença entre os ágios de 2004 e 2006. Assinalou tratarse do mesmo valor transferido pela conferência de capital do investimento adquirido com ágio. Aceitou que o propósito dessas operações societárias foi o de manter segregada a base de cartões de crédito oriunda da Credicard por certo tempo, para maximizar a precisão da avaliação de sua performance, afastando o último fundamento da autuação, que afirmava que o ágio de 2006 tinha sido criado artificialmente entre empresas do mesmo grupo, tratando se de “ágio interno”. Contudo, ainda que admitindo a validade das operações que permitiram o aproveitamento do ágio pelo Itaú Cartões, não concordou com a dedução em sua integralidade, Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.813 3 pois entendeu não ser possível admitir que as operações societárias na parte em que “recriaram” o ágio de 2004 em sua integralidade, nele reincluindo a parcela já amortizada contabilmente pela Itaucard, lembrando que o ágio já amortizado contabilmente teve efeitos fiscais ao compor o custo de aquisição quando a Itaucard subscreveu o capital da Finaustria com o investimento da Tulipa evitando, assim, a ocorrência de ganho de capital tributável. Concluiu pela exclusão da parcela de R$ 132.148.674,46, chegandose a um ágio passível de amortização de R$ 564.635.245,01, em 60 parcelas mensais de R$ 9.410.587,42, reduzindo a glosa de amortização mensal de R$ 11.613.065,32 para R$ 2.202.477,90 (R$ 11.613.065,32 R$ 9.410.587,42), resultando na redução das infrações de IRPJ e CSLL. Em voto vencedor, o colegiado decidiu, ainda, pela exoneração das multas isoladas, por entender ser inaplicável a exigência concomitante de multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Em Embargos de Declaração tempestivamente apresentados, a PFN apontou omissão do Acórdão de nº 1102001.018, que teria deixado de se pronunciar sobre a supressão de instância (efls. 1.396/1.397), vez que a juntada do Projeto Triatlo, elaborado supostamente em 18/02/2004, teria contrariado o princípio do efeito devolutivo dos recursos, já que esse documento não teria sido objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, assim, também não poderia ser apreciado pela autoridade de segunda instância. Em despacho fundamentado (efls. 1.424/1.425), o Presidente da Turma rejeitou os aclaratórios, por considerar que a PFN teria apenas levantado, em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário, o argumento da preclusão, e não o da supressão de instância e, que, de forma indireta, ao fazer referência ao art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, a decisão não teria incorrido em omissão. Manejado Recurso Especial pela PFN apontando divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 130100.058, que entendeu que a reorganização societária ocorrida entre as empresas do mesmo grupo econômico teve como intenção apenas forjar a existência de um ágio para reduzir o lucro tributável. Aponta outra divergência jurisprudencial, agora em relação à possibilidade de juntada posterior de documentos, pois isso implicaria na supressão de sua análise pelo órgão de julgamento inferior e, em caso de ser admitida, o processo deve ser remetido à instância inferior para apreciação, de modo que seja preservada sua atribuição e autoridade. Como último tema, aponta divergência jurisprudencial em relação à aplicação concomitante de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, em concomitância com a exigência de multa de ofício, no mesmo anocalendário. E, ainda, na hipótese de não ser aceito o entendimento contido no item anterior, passa a demonstrou que o acórdão recorrido, ao cancelar a multa isolada, também divergiu da jurisprudência do Conselho, que admite a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, em relação a período posterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, considerando ser legítima, a partir do anocalendário 2007, a aplicação cumulativa de duas multas de ofício. Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.814 4 Pelo despacho de admissibilidade de efls. 1.520/1.529, o Recurso Especial da PFN foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em relação a todas as matérias divergentes suscitadas, com exceção da matéria multa isolada, cuja divergência restou caracterizada, apenas, em relação à aplicação da multa a partir do ano calendário 2007. O sujeito passivo apresentou contrarrazões (efls. 1.559/1.600) A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao apreciar o Recurso Especial da PFN, decidiu não conhecer do recurso no que respeita à matéria "ágio", por entender que as situações fáticas tratadas pelo acórdão do colegiado a quo e os paradigmas seriam distintas, o que impediria a caracterização da divergência jurisprudencial. Decidiu, ainda, declarar a nulidade da decisão do colegiado a quo, para que nova decisão fosse proferida, desconsiderando os documentos apresentados pelo sujeito passivo em sustentação oral. Cientificada dessa decisão e, contra ela, aviou Embargos de Declaração, imputando ao julgado o vício de omissão, pois não teria sido observado que os acórdãos, recorrido e paradigmas, tratam de situações que envolvem reorganização societária, grupo econômico, ausência de dispêndio econômico, operações realizadas sem propósito negocial. Foram rejeitados os embargos da Fazenda, retornando os autos a este colegiado para nova decisão considerando preclusa a prova apresentada por ocasião da sustentação oral. Colocado o processo em pauta nesta data, a Recorrente apresentou petição argumentando que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, tendo sido pautado na jurisprudência majoritária do CARF. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Em virtude da recente publicação da Lei 13.655, de 25 de abril de 2018, a Recorrente apresenta a este colegiado questão inédita, a qual deve ser admitida a discussão, tendo em vista ser relativa a fato ou direito superveniente. Referida lei incluiu o artigo 24 à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, de seguinte teor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.815 5 situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Aduz a Recorrente que a autuação decorre de análise de operação de aquisição de ativo com ágio e que, sobre a matéria, jurisprudência do CARF proferida nos anos de 2007 e 2012 era majoritariamente favorável ao contribuinte, citando ementas. Por se tratar de questão nova apresentada nesta data, entendo que é prudente baixar o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 1.805 a 1.810, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 1815DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.727954/2013-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.727954/201353 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2402006.364 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OSTEN FERRAGENS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 79 54 /2 01 3- 53 Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10980.727954/201353 Acórdão n.º 2402006.364 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10980.727954/201353 Acórdão n.º 2402006.364 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10980.727954/201353 Acórdão n.º 2402006.364 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 661DF CARF MF
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Numero do processo: 16641.000032/2010-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO.
A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à exceção parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação.
A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou.
A receita bruta apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário.
A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do componente auto de infração, para a constituição do crédito tributário.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
MULTA. AUSÊNCIA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA
As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. À administração tributária cabe aplicar a lei, efetuando o lançamento, de forma vinculada, com a ocorrência do fato gerador.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO
Tratando-se de lançamentos de ofício, decorrentes de infração aos dispositivos legais efetuado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadoras, é legítima a utilização da taxa Selic, cuja aplicação como juros de mora é decorrente de lei ordinária.
Cobra-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior.
PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE
Estando as infrações apuradas de acordo com a legislação e respaldadas em provas documentais e não havendo dúvidas quanto à tributação, não há que se falar em realização de perícia contábil.
Numero da decisão: 1302-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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SUBCONTRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à exceção parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou. A receita bruta apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do componente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 00 32 /2 01 0- 80 Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.004 2 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. MULTA. AUSÊNCIA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. À administração tributária cabe aplicar a lei, efetuando o lançamento, de forma vinculada, com a ocorrência do fato gerador. TAXA SELIC. APLICAÇÃO Tratandose de lançamentos de ofício, decorrentes de infração aos dispositivos legais efetuado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadoras, é legítima a utilização da taxa Selic, cuja aplicação como juros de mora é decorrente de lei ordinária. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE Estando as infrações apuradas de acordo com a legislação e respaldadas em provas documentais e não havendo dúvidas quanto à tributação, não há que se falar em realização de perícia contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.005 3 Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/POA, complementandoo ao final: Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.006 4 Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.007 5 Após análise da impugnação, a Turma Julgadora da DRJ, por unanimidade, julgoua improcedente, na conformidade da ementa do Acórdão n.º 10 33.692, a seguir reproduzida: Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.008 6 Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aduzindo em síntese: (i) preliminarmente, o cerceamento do direito de defesa, ante o indeferimento do pedido de perícia; no mérito, após discorrer sobre o conceito de “receita bruta, “faturamento” e “entrada”, afirma que a autuação deve ser extinta pois (ii) inclui em sua base de cálculo valores estranhos à receita bruta da empresa; (iii) sustenta a irregularidade da autuação pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (iv) sustenta a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo destas contribuições; (v) defende a inconstitucionalidade da multa aplicada, com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O contribuinte teve ciência acerca da decisão de 1ª instância no dia 19/09/2011, e protocolou, tempestivamente, o Recurso Voluntário em 10/10/2011, conforme Extrato do Processo (fl. 1995). Portanto, presentes os requisitos de admissibilidade recursal, conheço do presente recurso. Não merecem provimento as razões constantes no recurso. Vejamos. Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.009 7 Em sede preliminar, a recorrente pede a remessa dos autos de volta à 1ª instância para o atendimento ao pedido de perícia realizado pela Recorrente, eis que seu pedido poderia gerar a anulação de todo o processo administrativo. Na peça impugnatória, por sua vez, a perícia pleiteada perante a 1ª instância administrativa tinha como finalidade demonstrar, àquela Autoridade Julgadora, “que as bases de cálculo para apuração do débito não levaram em conta o real faturamento da empresa”. (fl. 218) Com efeito, o art. 18, do Decreto 70.235/72, prevê o seguinte: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifos) Detraise do dispositivo legal acima transcrito que a autoridade julgadora apenas determinará a realização de diligências quando entendêlas necessárias. Por outro lado, a Turma Julgadora a quo deixou bem claro a desnecessidade da realização da perícia requerida. O raciocínio expresso na decisão recorrida permitiu concluir que, mesmo se restasse comprovado que a base de cálculo da autuação não tivesse levado em conta o real faturamento da empresa, isto seria irrelevante para fins de tributação pelo regime do Simples, pois neste regime, a apuração do lucro é substituída pela aplicação percentual sobre a totalidade da receita bruta, sendo assim desprezadas todas as suas despesas, de acordo com o art. 5º da Lei nº 9.317/1996. (fl. 6, do Acórdão n.º 1033.692DRJ/POA) Sendo desnecessária a realização da perícia solicitada, portanto, é correta a decisão da Turma Julgadora. Na ausência de apresentação de novas razões capazes de infirmar o crédito discutido, adoto as razões de decidir da decisão a quo, conforme previsto no § 3º, do art. 57, do RICARF. As razões do Acórdão n.º 1033.692DRJ/POA passam a integrar o presente voto, e seguem reproduzidas abaixo: Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.010 8 Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.011 9 Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.012 10 Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.013 11 Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.014 12 Conclusão Em face ao exposto, rejeito a preliminar aventada, para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.015 13 Fl. 2015DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.721563/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/2010-12.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/201012. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 21 56 3/ 20 13 -2 0 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 202 2 Relatório Cuidase do Recurso Voluntário de 05/10/2015 (efls. 179/184) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre de efls. 170/173 que, ao julgar manifestação de inconformidade improcedente, não reconheceu a diferença de direito creditório que, anteriormente, também não fora reconhecida pela Unidade de origem da RFB, no caso DRF/Novo Hamburgo (efls. 116/120). Quanto aos fatos, consta: que, em 26/03/2012, a contribuinte apresentou, pela internet, Pedido de Restituição de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011, no valor de R$ 477.799,86, mediante PER eletrônico, utilizando o programa gerador PER/DCOMP nº 16284.83171.260312.1.2.034830 (efls.02/06). que o PER, inicialmente eletrônico, foi baixado para tratamento manual; que, em 29/04/2013, a DRF/Novo Hamburgo reconheceu, em parte, o crédito pleiteado, ou seja, deferiu R$ 259.470,05 (valor original), conforme conclusão do Despacho Decisório que transcrevo, in verbis: (...) Conclusão 25. Dessa maneira, concluise que o interessado faz jus de forma parcial ao direito creditório pleiteado, em razão de existência de parcela litigiosa, na qual não residem os atributos de liquidez e certeza, imprescindíveis ao crédito objeto de Pedido de Restituição, decorrente de Saldo Negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2011. 26. Ante o exposto, com base no artigo 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, publicada no DOU de 17 de maio de 2012, na Competência Delegada pela Portaria DRF/NHO nº 46, de 19 de julho de 2012, publicada no DOU de 23 de julho de 2012, nos termos dos artigos 165, 168 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), nos termos do § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996, nos termos dos artigos 2º, 3º, 4º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, e com base na Legislação do Imposto de Renda, RECONHECESE EM PARTE O DIREITO CREDITÓRIO pleiteado a título de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2011, por meio de PER/DCOMP nº 16284.83171.260312.1.2.034830, no valor original de R$ 259.470,05 (duzentos e cinquenta e nove mil quatrocentos e setenta reais e cinco centavos). (...) Consta da fundamentação do citado despacho decisório que a diferença de CSLL R$ 218.329,81 não foi deferida, pois os débitos de estimativas mensais da CSLL do Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 203 3 anocalendário 2011 (períodos de apuração março/2011 a agosto/2011) foram objeto de compensação tributária nos autos do processo nº 11065.000715/201012 e foram rejeitadas tanto pela unidade de origem, quanto pela DRJ (naquele processo); que, assim, os débitos desses PA estariam em aberto, não podendo gerar crédito na declaração de ajuste, ou seja, saldo negativo; que, ainda, referido processo subiu ao CARF em face de Recurso Voluntário. A seguir, transcrevo a fundamentação do despacho decisório deste processo (e fls. 116/120), in verbis: (...) 7. Foram realizadas consultas aos PER/DCOMP vinculados e efetivou se o seguinte levantamento da situação de cada débito compensado: 8. Com relação aos débitos relativos aos períodos de janeiro a agosto de 2011, o crédito relacionado foi objeto do Parecer Seort/DRF/NHO nº 16/2011, emitido pela Delegacia de origem, e do Acórdão nº 10 40.266/2012 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA , o qual confirmou a decisão de nãohomologação dos débitos de março a agosto de 2011, conforme demonstrado acima (fls. 73, 74, 82, 89, 90, 93). Atualmente, o processo de crédito controlado sob nº 11065.000715/2010 12 aguarda julgamento do Recurso Voluntário interposto pelo interessado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fl. 113). (...) Ciente desse despacho decisório em 06/06/2013 por via postal, Aviso de Recebimento AR (efls. 134/135), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade ainda no mesmo dia, ou seja, em 06/06/2013 (efls. 137/141) cujas razões, em síntese, foram assim consignadas no relatório da decisão da DRJ (efls. 170/173), in verbis: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 204 4 (...) A ciência da decisão administrativa ocorreu no dia 6 de junho de 2013 (fl. 135). O contribuinte, inconformado, apresentou manifestação de inconformidade no mesmo dia em que teve ciência da decisão administrativa (6 de junho de 2013 fl. 137). O interessado alegou descumprimento de ordem judicial por parte da autoridade administrativa, uma vez que o direito ao crédito presumido do IPI havia sido reconhecido pelo Poder Judiciário. Se o crédito foi reconhecido, as estimativas de CSLL foram quitadas, havendo direito à restituição integral do saldo negativo do CSLL apurado no ano calendário 2011. O recorrente alega que seus créditos fruto da quitação das estimativas de CSLL "são absolutamente "líquidos e certos", na medida em que decorrem de decisão judicial transitada em julgado" (fl. 140). Assim, se até a presente data a Receita Federal não realizou a baixa definitiva do processo administrativo n° 11065.000715/201012, isso não pode impor um prejuízo para o contribuinte. Requer, por fim, (1) o reconhecimento integral do seu crédito e (2) a baixa dos processos administrativos decorrentes da ação judicial n° 2005.71.08.0012695/RS. (...) Na sessão de 31/08/2015, a 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre manteve a decisão da Unidade de origem da RFB; julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo a diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011 de R$ 218.329,81. Nesse sentido, transcrevo a ementa, dispositivo e voto da decisão recorrida (efl. 170/173), in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 RESTITUIÇÃO DO TRIBUTO APURADO ANUALMENTE. ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. Estimativas não quitadas não incrementam o saldo negativo do CSLL, não ensejando qualquer restituição. A quitação das estimativas objeto de um processo não pode ser novamente apreciada em processo subseqüente que trata da restituição do saldo negativo do CSLL, uma vez que configurada a litispendência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo qualquer direito creditório em favor do contribuinte. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 205 5 (...) Voto O litígio proposto pelo contribuinte gira em torno do direito ao crédito presumido do IPI, reconhecido pelo Poder Judiciário. Essa questão é objeto do processo administrativo nº 11065.000715/201012. É inviável a nova apreciação em função da litispendência, nos termos do art. 301, V, § 3º, do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, é incabível a repetição do litígio. (...) Consoante se verifica, a ação judicial teve natureza estritamente declaratória, ou seja, limitouse a declarar a existência de uma relação jurídica (art. 4º, I, do CPC). Não houve, portanto, a liquidação do direito do interessado. Em outras palavras, não houve a valoração desse direito. O interessado efetuou a compensação que entendeu cabível, sujeitandose à atuação do Fisco. Essa valoração e utilização se deu no âmbito do processo administrativo nº 11065.000715/2010 12. Assim, as estimativas não quitadas, consoante decidido no processo administrativo nº 11065.000715/201012, não podem formar saldo negativo (...) para fins de restituição. (...) Em 23/09/2015, a contribuinte tomou ciência desse decisum (efls. 176/178), e apresentou Recurso Voluntário em 05/10/2015 (efls. 179/184), pedindo a reforma da decisão a quo, cujas razões em síntese são as seguintes: que solicitou em março de 2012 a restituição do valor de R$ 477.799,86 decorrente de saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2011; que a Delegacia da Receita Federal de origem analisou o pedido e deferiu parcialmente o crédito no valor original de R$ 259.470,05; que há uma diferença de crédito de R$ 218.329,81 (valor original) a ser reconhecida a título de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011; que, inconformada com o despacho decisório da unidade de origem, a ingressou com sua manifestação de inconformidade que, ao final, foi julgada improcedente pelos mesmos fundamentos da decisão anterior; que o acórdão recorrido, na mesma esteira do despacho decisório, entendeu que a diferença não restituída seria decorrente do fato dos débitos de estimativas da CSLL do ano de 2011 terem sido objeto de compensação com créditos não revestidos de "liquidez e certeza"; que, segundo a decisão recorrida, parte dos créditos judiciais, decorrente do trânsito em julgado do processo n° 2005.71.08.0012695 e utilizada nas compensações para quitar as estimativas, está sendo "discutida" em recurso administrativo pendente de julgamento perante o CARF, especificamente nos autos do processo administrativo 11065.000715/2010 12; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 206 6 que, assim, consta da fundamentação do acórdão recorrido: (...) Consoante se verifica, a ação judicial teve natureza estritamente declaratória, ou seja, limitouse a declarar a existência de uma relação jurídica (art. 4º, I, do CPC). Não houve, portanto, a liquidação do direito do interessado. Em outras palavras, não houve a valoração desse direito. O interessado efetuou a compensação que entendeu cabível, sujeitandose à atuação do Fisco. Essa valoração e utilização se deu no âmbito do processo administrativo nº 11065.000715/2010 12. Assim, as estimativas não quitadas, consoante decidido no processo administrativo nº 11065.000715/201012, não podem formar saldo negativo (...) para fins de restituição. (...) que, entretanto, no processo administrativo nº 11065.000715/201012 utilizado pelo acórdão ora recorrido como fundamento para negar provimento à manifestação de inconformidade da ora recorrente, ainda que não esteja definitivamente encerrado, já se reconheceu (liquidou) praticamente 99,50% do crédito pleiteado pela empresa; que do total de R$ 3.584.026,97 de créditos pleiteados (valor já corrigido), apenas uma pequena parcela de R$ 17.237,49 pende de homologação e que está ainda sob análise perante o CARF nos autos do processo n° 11065.000715/201012, o que representa menos de 0,50% do total do credito habilitado; que para evitar futuro efeito "cascata" decorrente da não restituição integral do saldo negativo, pela não homologação das compensações não seria mais lógico e sensato apenas cobrar administrativamente ou judicialmente (mediante execução fiscal) apenas o valor da diferença de débito ainda não homologada de R$ 17.237,49 decorrente do crédito presumido de IPI ainda não reconhecido? que o acórdão recorrido deixa claro que somente as estimativas não quitadas não poderiam formar o saldo negativo da CSLL consoante o decidido no processo administrativo n° 11065.000715/201012; que 99,50% dos débitos de imposto (estimativas mensais) do anocalendário 2011 deveriam estar extintos pelas DCOMP, compensações, que utilizam o crédito presumido de IPI decorrente da ação judicial no processo conexo 11065.000715/201012, pois já restou reconhecido 99,50% dos créditos, ou seja, R$ 3.566.789,48 do total pleiteado (habilitado) de R$ 3.584.026,97; que a diferença de R$ 17.237,49 (débito?) poderia ser objeto de cobrança ou, simplesmente, abatida do saldo de R$ 234.004,92 ainda remanescente em prol da recorrente; que, assim, não se justifica a não homologação de DCOMP no processo conexo, quanto aos débitos do IRPJ estimativa mensal dos PA março a agosto/2011; que não é lícito ao Fisco, neste processo, glosar ou reduzir o crédito com origem em saldo negativo de IRPJ/CSLL pelo simples fato do mesmo ser originário de compensações que estão sob judice ou aguardando decisão do CARF, ainda mais quando 99,50% do crédito pleiteado já encontrase homologado ! Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 207 7 que o Fisco, ao assim agir, acaba por gerar um efeito "cascata" interminável e injustificável, principalmente no caso em questão onde quase 100% do crédito original já encontrase homologado; que o procedimento do Fisco, no caso presente, gerará uma cobrança de um mesmo valor em duplicidade; que, sob qualquer ótica, o débito do imposto estimativa mensal objeto de compensação homologada e/ou não homologada deverá ser sempre considerado para fins de composição do saldo negativo do IRPJ/CSLL; que se a compensação não for homologada, o Fisco tem os mecanismos para cobrança judicial dos débitos; que, por fim, pediu o deferimento da diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011, ainda não reconhecido pelas decisões anteriores nestes autos. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 208 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou a diferença do direito creditório pleiteado de R$ 218.329,81 (valor original), a título de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011, ao manter o entendimento do despacho decisório da Unidade de origem da RFB que, também, não reconhecera referida diferença de crédito. Consta dos autos que essa diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011 não foi deferida pelas decisões anteriores nestes autos, pois no processo conexo nº 11065.000715/201012 os débitos de estimativa mensais da CSLL dos PA março a agosto/2011 persistem em aberto, não foram quitadas, as quais foram objeto de compensações que restaram não homologadas. Logo, estimativas mensais não pagas não podem ser abatidas da apuração da CSLL devida (ajuste anual), não podem gerar crédito, ou seja, não podem ser deduzidas ou utilizadas na formação do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011. CONEXÃO PROCESSUAL POR PREJUDICIALIDADE Nas razões do recurso, a contribuinte pediu a reforma da decisão recorrida para que seja deferido o saldo remanescente do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011 (ainda não reconhecido pelas decisões anteriores neste processo), porém a resolução da lide objeto deste processo depende da sorte do que restar decidido, ao final, nos autos do processo conexo nº 11065.000715/201012. Na razões do recurso nos presentes autos, a recorrente argumenta: que, em face da decisão judicial transitada em julgado contra a União (Fazenda Nacional) em 05/05/2009, processo judicial nº 200571080012695/RS, é titular de crédito presumido do IPI, no valor de R$ 3.584.026,87 (valor atualizado), período 2000 a 2005 relativo a aquisições de insumos feitas a pessoas físicas, cooperativas e outros fornecedores não contribuintes do PIS e da COFINS, cujos insumos foram incorporados aos produtos vendidos para o mercado externo (exportações); que o Pedido de Habilitação do crédito presumido do IPI, cujo direito foi reconhecido judicialmente, por decisão transitada em julgado, foi objeto do Processo nº 13055.000085/200989; que utilizou nas DCOMP processo conexo crédito presumido atinente ao IPI, no valor de R$ 3.584.026,97 e restou reconhecido o valor de R$ 3.566.789,48; que, como se infere, há apenas uma diferença de R$ 17.237,49 equivalente a 0,5% que ainda não foi deferido no processo 11065.000715/201012 (conexo), a título de crédito presumido do IPI, cuja lide está no CARF, e face de recurso voluntário apresentado (processo ainda pendente de julgamento do recurso voluntário); que juntou cópia de Planilha, transcrita a seguir, contendo relação dos PER/DCOMP transmitidos, objeto daquele processo conexo, utilizando R$ 3.584.026,87 do crédito presumido do IPI, habilitado administrativamente (efl. 191): Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 209 9 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 210 10 que os débitos, em aberto, de estimativa mensal da CSLL dos PA março/2011 a agosto/2011, são objeto dos PER/DCOMP da Planilha acima (constantes do processo conexo), especificamente os seguintes PER/DCOMP: a) 05775.63570.290411.1.3.577879 b) 28608.81528.310511.1.3.573177 c) 12143.89285.300611.1.3.574971 d) 25880.81441.290711.1.3.576055 e) 18313.84985.310811.1.3.576504 f) 18296.58375.300911.1.3.570910 que, nos presentes autos, a decisão recorrida, simplesmente, reportase ao processo conexo, onde os débitos de estimativas da CSLL dos PA março a agosto/2011 teriam restado não quitadas, DCOMP não homologadas por insuficiência do crédito presumido do IPI de origem judicial; que, entretanto, o crédito presumido do IPI já deferido naquele processo conexo seria suficiente, em sua maior parte, para extinguir os débitos de estimativa mensal da CSLL dos referidos PA março a agosto/2011, sendo insuficiente apenas em R$ 17.237,49 (crédito ainda não reconhecido, em torno de 0,5% do crédito presumido total do IPI, ou seja, 99,50% dos créditos já foram deferidos); que, assim, não se justificaria a denegação da diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011 no valor de R$ 218.329,81 (valor original), neste processo. que o processo conexo encontrase no CARF, é objeto de recurso voluntário, mas ainda não distribuído. Pois bem. Primeiro, apenas para argumentar, diversamente do alegado pela recorrente, se no processo conexo já foi deferido 99,50% do crédito presumido do IPI (em face de decisão judicial que reconhecera o direito ao crédito presumido do IPI), isto não quer dizer que, necessariamente, 99,50% do débitos confessados nas DCOMP serão extintos. Os débitos confessados, caso maiores que o crédito, não terão lastro para serem extintos por compensação (homologação), tanto é que naquele processo conexo os débitos da CSLL estimativa mensal dos PA março a agosto/2011 restaram não quitados (DCOMP não homologadas) justamente por insuficiência do crédito utilizado. Claro, o acórdão de primeira instância naquele processo foi objeto de recurso voluntário ainda não julgado, logo a lide pende de apreciação pelo CARF (processo conexo). Existe litispendência. Diversamente do alegado pela recorrente, não há como deferir, nestes autos, o crédito pleiteado (diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011), cujas Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 211 11 compensações de débitos de estimativas mensais do anocalendário 2011, são objeto daquele processo. Débitos de estimativa mensal da CSLL do anocalendário 2011 (março a agosto/2011), enquanto estiverem em aberto (compensações indeferidas por insuficiência de crédito), não geram crédito para dedução da CSLL devida anocalendário 2011 (ajuste anual), não podem ser utilizadas para formação de saldo negativo (não geram crédito). Como visto, há relação de conexão processual por prejudicialidade daquele processo em relação a este. Ou seja: a resolução da lide objeto do presente processo depende do que restar decidido nos autos do processo nº 11065.000715/201012. Assim, configurase a impossibilidade do presente processo ser julgado autonomamente. Além disso, como a contribuinte utilizou crédito de IPI nas compensações dos débitos de estimativa mensal da CSLL (débitos de março a agosto/2011), a competência para julgamento da referida lide, no processo conexo, é da 3ª (Terceira) Seção de Julgamento do CARF, nos termos do RICARF/2015, Portaria MF 343, de 2015, Anexo II, in verbis: (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I (...) II (...) III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...) Consultando o e processo, consta despacho nos autos do Processo (conexo) 11065.000715/201012 , 3ª Seção de Julgamento do CARF, in verbis: (...) Data de Emissão: 09/09/2018 19:02:49 Distribuir / Sortear CLEUZA TAKAFUJI Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 212 12 2ª TO4ªCÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF 4ª CÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF 3ª SEÇÃOCARFMFDF DF CARF MF (...) Como visto, o processo (conexo), cuja lide tem relação de prejudicialidade do litígio objeto do presente processo, está em fase de distribuição/sorteio na 3ª Seção de Julgamento do CARF. Há necessidade de sobrestamento do julgamento do recurso deste processo. Assim, propugno pelo retorno dos autos deste processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Novo Hamburgo, para aguardar decisão definitiva, irreformável na órbita administrativa, do processo nº 11065.000715/201012 (existência de relação de prejudicialidade daquele processo em relação ao à lide do presente processo). Diante do exposto, voto para sobrestar o julgamento do recurso do presente processo até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/201012. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.720503/2015-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.823
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud, que lhe negava provimento. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Relatório
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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E COM DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud, que lhe negava provimento. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulede Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança de R$ 54.345.830,13, relativa a exigência de impostos e contribuições incidentes sobre a importação de insumos (II; PIS/COFINSImportação), acrescida de juros de mora e multa de ofício e, Contribuição para AFRMM Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, pelo fato da Recorrente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .7 20 50 3/ 20 15 -3 2 Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.443 2 ter descumprido o regime de Drawback modalidade suspensão para os 07 (sete) Atos Concessórios de Drawback a seguir descritos: Atos Concessórios Número Registro Validade 20080013945 16/05/2008 16/05/2010 20080013970 15/05/2008 15/05/2010 20080026850 20/03/2009 22/03/2010 20080130585 18/03/2009 18/03/2010 20090002172 10/03/2009 10/03/2011 20090022823 26/05/2009 26/05/2011 20090073312 17/12/2009 19/12/2012 Conforme se verifica na conclusão do Termo de Verificação Fiscal (fls.1.293 1.317), as irregularidades constatadas pela fiscalização foram as seguintes: "84.CONCLUSÃO: Não é possível a verificação com exatidão da vinculação física entre o cacau importado e os produtos exportados, em cumprimento ao pactuado pelo Ato COncessório de Drawback, objetos desta fiscalização. Embora se saiba que a fiscalizada realiza mistura de cacau importado com nacional (com teor médio de mistura mensal superior a 80% de cacau nacional), e destine a maior parte dessa mistura ao mercado interno. E pela faltar de apresentação dos controles necessários, principalmente o controle alternativo, com escrituração de lançamento operação por operação, ou no mínimo diários, como já mencionado, não é possível verificar com exatidão a quantidade de insumo importado que foi destinado ao mercado interno, nem a quantidade que retornou para o exterior. Portanto, a fiscalizada inadimpliu o regime Drawback Suspensão, tanto por não lograr êxito em prova a vinculação física do produto importado contido no produto exportado, quanto por dar saída do insumo importado com benefício ao mercado interno sem o pagamento dos tributos na importação, e desta maneira não preenche as condições de usufruir de tal benefício. 85. A falta de apresentação dos controle e registros exigidos pela legislação fragiliza sobre maneira o controle aduaneiro sobre as mercadorias importadas nesse Regime especial, desvirtuando tal incentivo à exportação. Ademais, esses requisitos são essenciais para aplicação do benefício, que deverão observar os Princípios Constitucionais da Isonomia (art. 150, II), da Livre Concorrência (art.170, IV), além do efetivo Controle Aduaneiro (art. 237). 86.(...) Constatado o inadimplemento do Benefício Drawback Suspensão, conforme demonstrado, a fiscalizada perde o direito a usufruir do benefício em questão, e toda importação benefíciada pelo regime será enquadrada em regime de importação comum, com incidência de todos os tributos suspensos no momento da importação, com os devidos acréscimos legais. Intimada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação (fls.1.442 1.492), alegando, em síntese apartada: preliminarmente (i) os créditos lançados foram atingidos pela decadência; (ii) incompetência da RFB para analisar e criar requisitos de concessão do regime de Drawback: Súmula 100 do CARF; (iii) Incoerência interna do Auto de Infração pela impossibilidade de verificação dos produtos exportados versus afirmação de que não houve exportação da totalidade do produto importado; (iv) impossibilidade de lançamento com base em presunção simples; (v) a legislação possibilita que o fisco se utilize de arbitramento exatamente para evitar meras presunções; (vi) inversão do ônus da prova; meritoriamente, (vii) princípio da equivalência: possibilidade de utilização de cacau nacional Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.444 3 na fabricação dos derivados destinados à exportação sob o regime de Drawback; (viii) Fungibilidade das Amêndoas de Cacau; e (ix) impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Em 08 de abril de 2016, foi proferido o acórdão nº 16071.169 (fls.2.2682.305) julgando, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação para manter o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/03/2010 DRAWBACK. O Beneficiário desembaraçou mercadorias com suspensão de impostos. Findo o prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário nenhuma das providências para adimplir o regime, resolveuse a suspensão, exigindo os tributos devidos, nas importações. A Fiscalização e controle de regimes especiais, como é o caso do “Drawback”, é de competência da Receita Federal do Brasil por envolver renúncia fiscal. O Princípio da Vinculação Física deve ser estritamente observado pelo beneficiário do Regime. O adimplemento da obrigação do Regime Aduaneiro Especial de Drawback modalidade suspensão implica em um controle a respeito dos insumos importados efetivamente utilizados nos produtos exportados, e não apenas do produto exportado. Intimada de decisão de piso em 07.03.2016 (fls. 2.308), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 05.04.2016 (fls.2.3102.359), requerendo, inicialmente, a nulidade da decisão de primeira instância por ausência de apreciação de argumentos apresentados em sede de impugnação e, no mais, reproduz os demais argumentos já suscitados em sua defesa. Em 27 de abril de 2017, o processo foi convertido em diligência para saneamento do processo, no sentido da Recorrente regularizar sua representação processual. Em petição protocolada em 26.05.2017, a Recorrente, mesmo discordando da solicitação do Relator, regularizou sua representação processual através da procuração e atos constitutivos carreados às fls. 2.3762.401. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 07.03.2016 (fls. 2.308) e protocolou Recurso Voluntário em 05.04.2016 (fls.2.3102.359), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Conforme exposto anteriormente, o processo envolve questões preliminares e de mérito, que serão a seguir analisadas. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.445 4 II Preliminares Prejudicial de mérito II.1 Nulidade da decisão recorrida Ausência de apreciação de argumentos relevantes da impugnação Neste ponto, a Recorrente requer a decretação da nulidade da decisão de primeira instância, por entender que o relator "a quo" não analisou nenhuma das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte atinente ao cumprimento do Regime de Drawback. Contudo, entendo que o fato de inexistir menção expressa aos documentos e a todos os argumentos suscitadas pela Recorrente não é causa de nulidade, considerando que o julgador fundamentou sua decisão com base nos argumentos que ele entendeu necessário da solucionar a lide. Com efeito, o lançamento fiscal foi mantido basicamente com base nos seguintes argumentos: (i) pela ausência de comprovação da vinculação física; e (ii) que o insumo objeto de análise não pode ser substituído por outro, por entender que insumo importado é infungível. Especificamente em relação a ausência de manifestação quanto ao procedimento de arbitramento, entendo que essa matéria esta intrinsecamente relacionado com a questão envolvendo a utilização de presunções simples, devidamente abortada na decisão recorrida, a saber: A empresa fiscalizada teve inúmeras intimações e reintimações, e reabertura de novos prazos para que consertasse sua escrituração e apresentasse novos comprovantes e controles, e ainda assim, não logrou êxito em comprovar a vinculação física do insumo importado, nem apresentou documentos que se permitisse apurar, com segurança, a destinação do insumo importado via Drawback Suspensão. O impugnante alega nos itens 45 à 48 da impugnação: Como visto, a D. Autoridade Fiscal acusa a Impugnante de não manter controles suficientes para que se saiba ao certo o percentual de insumos importados utilizados nas mercadorias exportadas vinculadas ao regime de drawback. Ao mesmo tempo, a D. Autoridade Fiscal afirma categoricamente que isso ocorreu (descumprimento do regime de drawback), e efetua o lançamento contra a Impugnante de todos os tributos antes suspensos. Esses entendimentos contraditórios entre si são a evidência de que as acusações não encontram respaldo em quaisquer provas efetivas, sendo fruto de meras presunções simples (omnis) adotadas pela D. Autoridade Fiscal. Pior. A D. Autoridade expressamente utiliza de suposições para concluir que a Impugnante destinou parte dos produtos industrializados com insumo importado ao mercado interno (fl. 13 do doc. 3.2), ... Não há qualquer presunção ou contradição nos elementos da ação fiscal. O Regime Aduaneiro Especial Drawbak Suspensão é pautado no Princípio da Vinculação Física, conforme demonstrado, e o inadimplemento dessa obrigação acarreta a exigência dos tributos suspensos e demais acréscimos legais. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.446 5 Ou seja, para a DRJ a fiscalização apurou a base de cálculo considerando, com base na documentação constante nos autos, que o regime fora totalmente desrespeitado pela Recorrente, inexistindo, assim, presunção simples e necessidade de arbitramento. Portanto, entendo que a ausência de menção expressa quanto os argumentos e documentos trazidos Recorrente, não é causa de nulidade da decisão recorrida. Assim, deve ser afastado o pedido de nulidade pleiteado pela Recorrente. II.2 Incompetência da RFB para analisar e criar requisitos da concessão do regime drawback Nesse ponto, defende a autuada que a Receita Federal não teria competência para fiscalizar o regime aduaneiro de Drawback, pertencendo tal atribuição exclusivamente à Secex. Tal alegação não merece prosperar. Inicialmente, relembrese que a concessão do drawback, na modalidade suspensão, nos termos do art. 314 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, encontravase inserida no rol das competências da Comissão de Política Aduaneira. Posteriormente, com o advento da Lei nº 8.085, de 23 de outubro de 1990, as atribuições da extinta Comissão de Política Aduaneira foram transferidas para a Secretaria Nacional de Economia, do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, que, por meio da Portaria SNE nº. 427, de 25/08/92, disciplinou a concessão do regime, atribuindo ao antigo Departamento de Comércio Exterior Decex, competência para conceder o regime nas modalidades suspensão e isenção, bem como proceder ao acompanhamento e verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Nesse contexto, foi editada a portaria MEFP nº 594, de 25 de agosto de 1992, que disciplina: Art. 1º A concessão e a aplicação do regime aduaneiro especial de "drawback" nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, previstas nos incisos I e II, do art. 314, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 março de 1985, se regem pelo disposto nesta Portaria. Parágrafo único. O regime de "drawback" poderá ser concedido conforme previsto no art. 315, do Regulamento Aduaneiro. Art. 2º Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2º, da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Art. 3º Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.447 6 Com a publicação da Lei nº 8.490, de 19 de novembro de 1992, as atribuições da Secretaria Nacional de Economia foram transferidas para a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Departamento da Receita Federal, para a Secretaria da Receita Federal (SRF), posteriormente transformada na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Ora, se, até o presente momento, não consta revogação do ato administrativo em questão, é evidente que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, à época do lançamento Secretaria da Receita Federal, detinha competência para a realização das verificações realizadas. Com efeito, indiscutivelmente, não cabe à RFB invadir a competência da Secex, que se limita, nos termos do sobredito ato governamental, à formalizar a concessão do regime, acompanhálo e verificar o adimplemento do compromisso de exportar, mas isso não deixa o Fisco a reboque das conclusões daquele órgão de controle administrativo. Ou seja, como muito bem disse a Portaria suso transcrita, compete à RFB, a qualquer tempo, verificar o regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados e, se for o caso, concluir que a recorrente descumpriu tais condicionantes para o reconhecimento da exclusão do crédito tributário. Tal conclusão encontrase pacificada no âmbito da Administração Tributária, como demonstra a Súmula CARF nº 100, a seguir transcrita: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Ante o exposto, afastase a preliminar suscitada. II. 3 Decadência Os tributos incidentes nas importações estão inseridos na modalidade de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Neste caso, aplicase o prazo decadencial previsto no § 1º do referido artigo 150. Por outro lado, não havendo pagamento, não há o que se homologar e, nesse caso, aplicase à regra prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, reproduzido no artigo 138 do Decretolei nº 37, de 1966 anteriormente citado. No caso do drawback suspensão o prazo decadencial deverá ser estabelecido com base no artigo 173, I, do CTN, uma vez que, nesse caso, não ocorre o recolhimento prévio dos tributos, não havendo, pois, que se falar em homologação do lançamento prevista no § 4° do artigo 150 do CTN. A questão da decadência no regime aduaneiro especial de Drawback já foi pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adota o prazo decadencial em Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.448 7 conformidade com o artigo 173, inciso I, do CTN, conforme se verifica na ementa no acórdão 9303001.411: Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/10/1994, 17/11/1994, 18/11/1994, 16/12/1994 DRAWBACK. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para a contagem do prazo decadencial, na hipótese de descumprimento do Drawback, devese aplicar o artigo 173, inciso I, do CTN, tendo em vista que o lançamento somente pode ocorrer após o término do prazo previsto no Ato Concessório, contandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício, independentemente de pagamento. Esse entendimento, inclusive, já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), conforme exposto no enunciado da ementa que segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]7. Recurso especial desprovido. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.449 8 Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) – Grifos não originais. Desse modo, em cumprimento ao disposto no art. 62A2 do Regimento Interno deste Conselho, aplicase o entendimento explicitado no âmbito do referido julgado, no sentido de que, sem a realização do pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, e passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Vale lembrar que o entendimento explicitado por este Conselho e pelos Tribunais Superiores estão em total consonância com o disposto no art. 752 do RA/2009, a seguir transcrito: Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei no 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei no 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. [...]§ 3o No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e II isenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção. (grifos não originais) Ressaltase, por oportuno, que o termo de início deverá ser estabelecido a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido, no respectivo ato concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. Os 30 dias ulteriores ao encerramento do regime correspondem ao prazo que o beneficiário tem para, quanto ao produto importado eventualmente remanescente, reexportálo, destruílo sob controle aduaneiro, ou nacionalizálo, conforme previsto no inciso art. 390, I, do Regulamento Aduaneiro de 2009 (antiga redação do artigo 342, do Dec. 4.543/02), a seguir transcrito: Art. 390. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior; (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). 2 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.450 9 c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; ou (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). d) entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas e ônus, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlas; (Incluído pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Encerrado o regime e transcorrido o período de 30 dias para a adoção de uma das providências contidas artigo 390, I, do Regulamento Aduaneiro, poderá a Fazenda Pública, no prazo de 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, examinar se os requisitos inerentes ao incentivo em tela foram ou não cumpridos, e, sendo o caso, constituir os créditos tributários relativos aos tributos incidentes na importação. Com base na regra de contagem anteriormente definida, verificase que não houve consumação do instituto da decadência ao presente caso, conforme se demonstra na planilha abaixo: Atos Concessórios Número Registro Validade Marco Inicial Prazo Decadencial Início Prazo Decadencial 173, I, CTN Data da Ciência do Auto de Infração 20080013945 16/05/2008 16/05/2010 16/06/2010 01/01/2011 01/01/2016 20080013970 15/05/2008 15/05/2010 15/06/2010 01/01/2011 01/01/2016 20080026850 20/03/2009 22/03/2010 22/04/2010 01/01/2011 01/01/2016 20080130585 18/03/2009 18/03/2010 18/04/2010 01/01/2011 01/01/2016 20090002172 10/03/2009 10/03/2011 10/04/2011 01/01/2012 01/01/2017 20090022823 26/05/2009 26/05/2011 26/06/2011 01/01/2012 01/01/2017 20090073312 17/12/2009 19/12/2012 19/01/2013 01/01/2014 01/01/2019 15/12/2015 Portanto, resta afastada o pedido realizado pela Recorrente. III Mérito No mérito, a controvérsia cingese, em síntese, às seguintes questões: (i) a vinculação física como requisito do regime drawback suspensão; (ii) a fungibilidade das amêndoas de cacau utilizadas como insumos de produção dos produtos industrializados e exportados pela Recorrente; e (iii) a existência de controle de estoque específico, para atender o requisito da vinculação física. III.1 Da vinculação física como requisito do drawback suspensão. Inicialmente é imperioso destacar que o Princípio da Vinculação Física é o princípio basilar que rege o funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Drawback – modalidade Suspensão. O decreto nº 3.904, de 31 de agosto de 2001, ao tratar do Princípio da Vinculação Física, no art. 3º , o fez de forma direta, deixandoo explícito nos seguintes termos: “Art. 3º As mercadorias submetidas a despacho aduaneiro ao amparo do regime de drawback deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas.“ Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.451 10 O Decreto nº 4.543 de 26 de dezembro de 2002, antigo Regulamento Aduaneiro, ao se referir ao Princípio da Vinculação Física por sua vez, manteve a mesma redação do art. 3º do decreto 3.904/01 no seu art. 341: “Art. 341 As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas.” Do Parecer Normativo/CST/nº. 12/79 podemos extrair a seguinte orientação: “...a vinculação no caso de Drawback, é sempre de natureza física ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou as matériasprimas e produtos intermediários importados devem ser totalmente utilizados na industrialização de bens a exportar...” Com base nos preceitos anteriormente citados e, por entender que a vinculação física entre produto importado/exportado é requisito indispensável para o contribuinte usufruir dos benefícios do regime Drawback Suspensão, afasto os argumentos explicitados pela Recorrente no sentido que o referido regime depende, unicamente, da exportação das mercadorias produzidas com a utilização dos insumos importados, sem a necessidade de observância do princípio da vinculação física. III.2 Da necessidade de diligência. Em que pese inexistir pedido de perícia/diligência por parte da Recorrente, este Relator entende primeiramente que, revelase de todo dispensável a realização de prova pericial, porque, sabidamente, a produção desse tipo de prova somente se revela necessária quando a especificidade ou a complexidade da matéria a ser examinada demanda a participação de pessoas especializadas no assunto. Dada essa peculiaridade, a realização desse tipo de prova somente se justifica se presente a necessidade de conhecimento técnicos ou científicos sobre o objeto a ser examinado, o que, obviamente, não se vislumbra no caso em tela, posto que se trata da análise de um mero sistema de controle de estoque, que a recorrente alegou possuir e que a autoridade fiscal confirmou a sua existência, segundo exposto nos excertos extraídos do Termo de Verificação Fiscal, que seguem transcritos: Diante dos fatos, CONSTATAMOS no curso da visita, os fatos abaixo relacionados: 1. A referida empresa mantém controles e registros em separado do estoque de amêndoas de cacau importada sob o regime aduaneiro de crawback, bem como de todas as amêndoas de cacau adquiridas no mercado interno, que ficam armazenadas por origem e por lotes, cujas amostras foram previamente analisadas e classificadas, segundo suas diferentes propriedades. 2. Quanto aos produtos acabados é possível afirmar com certeza que a empresa possui controles eficazes para identificar a alocação que foi feita, com exatidão, em cada produto produzido. 3. Todo produto produzido recebe um código de produto, e um código de lote de produção, que no depósito de produtos terminados ficam separados por códigos e lotes. Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.452 11 4. Que apesar da empresa manter segregação e controle das diferentes matérias primas e de seus produtos, existe a mistura de suas matérias primas (amêndoas de cacau), mediante receita previamente estabelecida, conforme diferentes tipos de amêndoas, para a produção de seus produtos (liquor, Torta, Mateiga e Pó). 5. O momento da mistura ocorre após os Silos de amêndoas de cacau, que segue para os tanques de massa. 6. As amêndoas de cacau são compradas e armazenadas separadamente nos armazéns, depois seguem para a fábrica, que entram nas esteiras, recebem tratamentos e seguem paras os Silos. Tanto as amêndoas de cacau Bahia como as importadas, são armazenadas separadamente nos Silos. E seguida, conforme o tipo, são requisitadas para os tanques de massa, conforme receita do Blend (mistura). Nesse momento ocorre a mistura das amêndoas, que no dia da visita tinha a proporção de 70% de cacau Bahia, 10% de cacau Pará e 20% de cacau importado de Ghana. Nos tanques de massa, já misturadas, seguem para a produção do Liquor, Manteiga, Torta e Pó. Todos os produtos produzidos a partir daqui possuem a composição especifica no Blend. 7. As amêndoas de cacau apresentam diferenças de qualidade, e a empresa às classificam, separandoas em Fino, Tipo I, Tipo II, Tipo III e desclassificado (TipoIV). Cabe ainda esclarecer que as constatações resumidas nos excertos transcritos foram obtidas pela autoridade fiscal durante visita ao estabelecimento fabril da recorrente, para fim de conhecer o seu processo produtivo, conforme se denota nas informações apresentadas no TVF. A autoridade fiscal ainda relatou que, durante a referida visita, constatou que a recorrente possuía um sistema de controle rígido de separação das matériasprimas por origem e por classificação de tipos (qualidade), inclusive quanto às características orgânicas (físicas) decorrentes de origem e de qualidade, o que provava que as amêndoas de cacau de diversas origens e classificação não eram equivalentes nem fungíveis, (item 67 e ss). De outra parte, embora intimada a apresentar os Livros Registro de Controle de Produção e Estoque do período fiscalizado, a recorrente limitouse a apresentar planilhas e relatórios, que, segundo a fiscalização, não atendia ao que fora por ela solicitado, principalmente, por não conter os lançamentos operação por operação, nem as totalizações diárias, e deste modo não refletia a realidade fabril da fiscalizada, o que o tornava imprestável para averiguar o cumprimento do requisito da vinculação física entre matériaprima importada e produto exportado. De outra parte, no recurso em apreço, a Recorrente alegou, em síntese que: (i) a quantidade e valor de insumos importados pelo qual se comprometeu foram cumpridos; (ii) o prazo para importação dos insumos foi cumprido; (iii) a quantidade e valor de cada um dos produtos exportados foram cumpridos; e (iv) o prazo para realização das exportações foi cumprido; (v) todos os atos concessórios foram baixados pela SECEX após verificação de seu total cumprimento; e (vi) todos os documentos fornecidos à fiscalização confirmam o procedimento adotado pela Recorrente. Embora a legislação não tenha especificado um sistema controle específico de vinculação física, para fim de comprovação do requisito da vinculação física, certamente, a recorrente deveria dispor de um sistema de controle de estoque que possibilitasse a fiscalização confirmar o cumprimento do referido requisito. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10508.720503/201532 Resolução nº 3302000.823 S3C3T2 Fl. 2.453 12 E no caso em tela, a própria fiscalização informou que a recorrente dispunha de um sistema de controle de estoque que permitia a “rastreabilidade das amêndoas de cacau por origem (nacionais ou importadas) e que, no curso do procedimento fiscal, os dados do referido sistema lhe foram fornecidos. Por todo o exposto, votase pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização da unidade da Receita Federal de origem, proceda a apuração da quantidade e do valor dos insumos importados que entraram na composição dos produtos exportados, intimando, para tanto, a Recorrente para apresentar, em meio magnético e de acordo com as especificações da fiscalização, os elementos necessários para a realização da referida apuração, que deverá ser atendido dentro do prazo estabelecido. Após, a fiscalização deverá elaborar relatório fiscal conclusivo e cientificar a recorrente de todo o trabalho realizado para, se desejar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias), manifestarse a respeito. Enfim, com ou sem manifestação da recorrente, os autos deverão retornar a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900420/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF - CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL
Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS.
Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratar-se de mercadoria NT.
Numero da decisão: 3302-005.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF - CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratar-se de mercadoria NT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratarse de mercadoria NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 04 20 /2 01 0- 86 Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Em razão da precisão com que retratou os fatos relevantes ao deslinde da presente questão, transcrevo e adoto o relatório proferido pela DRJ, verbis: "Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Trata o presente da análise de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, materializado pela apresentação do PER nº 37935.18706.150408.1.1.017126, relativamente ao 1º trimestre de 2008, no montante de R$ 264.201,96 (duzentos e sessenta e quatro mil, duzentos e um reais, noventa e seis centavos), apurado pelo estabelecimento de CNPJ 33.113.309/001895. O crédito pleiteado foi aproveitado em compensação declarada na DCOMP nº 37387.01872.150408.1.3.019945. Contudo, o direito creditório foi reconhecido em R$ 820,10 (oitocentos e vinte reais e dez centavos) e a compensação homologada no limite deste valor. De acordo com o despacho decisório (fls. 9/10), a redução do direito pleiteado decorreu, basicamente, da glosa de créditos indevidos efetivados em procedimento fiscal. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 115/116) esclarece que os créditos foram glosados em razão de que os correspondentes insumos foram empregados na produção de cartões magnéticos, a qual encontrase excluída do campo de incidência do IPI, nos termos em que decidiu o Poder Judiciário (fls. 23/26). A interessada foi cientificada do despacho decisório em 15/10/2010. Em 16/11/2010, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 28/43), defendendo a nulidade do Termo de Verificação Fiscal e, no mérito, o direito ao crédito em face do princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. Pugna, também, pela inaplicabilidade da multa de ofício e juros de mora. Em breve síntese, aduz: 1 Nulidade do Termo de Verificação Fiscal. Segundo a manifestante, não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório na elaboração do Termo de Verificação Fiscal. A Fiscalização solicitou pouquíssimos Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 4 3 documentos, incapazes de levarem a uma conclusão sólida a respeito da legalidade do creditamento. Não foi dada oportunidade à interessada de apresentar documentos referentes à operação. 2 Princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. A Constituição prevê, expressamente, o princípio da não cumulatividade do IPI, que consiste na autorização ao creditamento do valor pago nas operações anteriores. Diferentemente do ICMS, não há qualquer exceção para o IPI. Assim, o direito ao creditamento existe mesmo nos casos em que não há efetivo pagamento de IPI na saída posterior, como na isenção, alíquota zero e não incidência. São irrelevantes maiores discussões sobre a natureza das operações posteriores que sejam praticadas pelos contribuintes. 3 Multa e juros de mora. A multa e os juros devem ser afastados com fundamento no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. O Fisco sempre reconheceu o direito de crédito de IPI em operações idênticas à presente. Não pode, bruscamente, mudar seu entendimento sobre algum aspecto da questão, vedando a compensação sempre realizada pela interessada e aceita pelo mesmo. É o relatório do essencial." Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no bojo do qual suscitou os argumentos que integraram a Impugnação, que pode ser sintetizado como a possibilidade de manutenção dos créditos ante a tributação dos impressos gráficos à alíquota de 0% de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator 1. Da Tempestividade. Com o advento da Lei 12.844, de 19 de julho de 2013, o prazo para interposição de Recurso Administrativo ao CARF passou a ser contado a partir da data da consulta no endereço eletrônico a ele atribuído, caso isto ocorra antes do quinquídio posterior à data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, verbis: Art. 33. O art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 23. ........................................................................ Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o ............................................................................... III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; O prazo para a interposição do Recurso Voluntário, por sua vez, é de 30 dias computados de forma contínua, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, na precisa forma dos artigos 5º e 33 do Decreto 70.235/72 Decreto 70.235/72. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto é de se levar em consideração os seguintes eventos e prazos aferidos pela Receita Federal do Brasil. Consulta no Endereço Eletrônico: 12.11.2014 (quartafeira). Disponibilização na Caixa Postal eletrônica: 12.11.2014. Ciência por decurso de prazo: 27.11.2014. Fim do prazo recursal (30 dias): 12.12.2014. Protocolo do Recurso 17.12.1014. Por esta razão a Receita Federal do Brasil entendeu que o término do prazo para a interposição do Recurso Voluntário se deu 30 dias após a consulta da Recorrente no endereço eletrônico, qual seja em 12.12.2014, uma sextafeira. A Receita Federal do Brasil entendeu que como a interposição do Recurso Voluntário ocorreu tão somente em 16.12.2014, seria intempestivo. No entanto, é de se notar que a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que ocorreu a "disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica", o que pode ter gerado uma dúvida razoável acerca do termo inicial do prazo. Ademais, é de se notar que a Recorrente, ao consultar a Caixa Postal Eletrônica não obrigatoriamente acessou o teor da decisão, deixando para fazêlo ao fim do decurso do quinquídio que compreende a "ciência por decurso de prazo". Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 6 5 Por estes motivos, existindo fundada e razoável dúvida acerca do termo inicial do prazo recursal, entendese que deve prevalecer a interpretação favorável ao contribuinte que, por sua vez, é a que em maior intensidade prestigia o contraditório e o devido processo legal. 2. Do Mérito. A questão meritória submetida à análise por meio do presente recurso cinge se à possibilidade jurídica da Recorrente aproveitarse dos créditos de IPI oriundos da aquisição de matéria prima usada na fabricação de produtos, atividade esta que o Poder Judiciário já afirmou não ser sujeita à incidência do IPI, verbis: "Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, CONCLUISE QUE A ATIVIDADE NÃO É FATO GERADOR DO IPI." Destaques nossos. (Recurso Especial n. 437.324RS 2002/0054820 já baixado ao tribunal de origem desde 13.11.2003, conforme o Sitio do Superior Tribunal de Justiça) A vedação para que este colegiado se manifeste acerca desta matéria advém da letra expressa da Súmula CARF n. 01, que veda a este colegiado apreciar questão já submetida ao crivo do Poder Judiciário, verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Assim, a discussão é limitada à possibilidade jurídica da utilização de créditos tributários decorrentes da aquisição de matéria prima empregada em operações não sujeitas ao IPI. Diante da não incidência do IPI sobre a atividade em foco, por estar à margem do âmbito de incidência do referido tributo, é forçosa a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, especificamente o já citado parágrafo 3º do seu art. 2º, que determina o estorno dos créditos originários de aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagens destinados à fabricação de produtos não tributados, inteligência ilustrada pela Súmula CARF n. 20, verbis. "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." 3. Conclusões Conclusivamente, por tratarem os autos de pretensão de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas utilizadas em operação que o Poder Judiciário já reconheceu estar fora do âmbito de incidência do IPI, não tributáveis ou NT, em Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16682.900420/201086 Acórdão n.º 3302005.809 S3C3T2 Fl. 7 6 processo ajuizado pela própria Recorrente, não é juridicamente possível o aproveitamento dos créditos por ela pretendidos. Por esta razão voto no sentido de negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 652DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13738.000869/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2008
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE.
A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução.
PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. PUBLICAÇÕES EM NOME DO PATRONO DA RECORRENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a realização de publicações relacionadas aos atos do PAF em nome do patrono do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 08 69 /2 00 8- 47 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 264 2 Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). REGULARIDADE FISCAL. A autorização para a redução de alíquota do imposto é concedida objetivamente ao produto que atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento e esteja devidamente registrado no órgão competente daquele Ministério, prescindindo da comprovação da regularidade fiscal de seu fabricante. IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Sem Crédito em Litígio. Na origem, a fabricante de bebidas apresentou, em 30.05.2008, requerimento de redução de alíquota de IPI, nos termos do art. 65, I, do RIPI (Dec. 4.544/2002), sustentando que o produto em questão foi submetido a registro na Coordenação de Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA e, com base no resultado das análises que revelam sua conformidade com os padrões exigidos, foi expedido certificado de registro, passando o produto a fazer jus à redução de 50% da alíquota do IPI desde a data do Registro no MAPA. Mediante solicitação do SEORT da DRF em Niterói/RJ, o MAPA confirmou que o produto enquadrase nos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo órgão ministerial. (fl. 56) No Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 60 a 62, foram constatadas: i) a existência de irregularidades fiscais no âmbito da RFB e PGFN; ii) a impossibilidade de comprovação eletrônica de regularidade do contribuinte perante o FGTS, por meio do sítio da CEF; iii) a existência de inscrição do contribuinte no Cadastro Informativo Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 265 3 de créditos não quitados do setor público federal (CADIN), tendo sido a recorrente intimada para, no prazo de 10 (dez) dias comprovar a regularização das pendências apontadas. Cientificada em 15.06.2009, a empresa apresentou, em 22.06.2009, o Certificado de Regularidade perante o FGTS, bem como informou estar providenciando os demais itens, solicitando prorrogação de prazo de 30 (trinta) dias. Até o início do mês de agosto, conforme parecer de fls. 143 a 145, permaneciam as pendências junto à RFB que impossibilitavam a concessão do benefício. Assim, foi emitido Despacho Decisório comunicando o indeferimento do requerimento de redução de alíquota do IPI. (fl. 147) Cientificada em 29.09.2009, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 29.10.2009, alegando em sua defesa: a) Que o art. 60 da Lei nº 9.069/2005, não se aplica ao caso de redução de alíquota do IPI, que é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que atenda aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA, estando assim registrado no órgão competente desse ministério, conforme dispõe a NC 221 da TIPI; b) Foi comprovado nos autos que a autoridade competente atestou a adequação do produto aos requisitos estabelecidos pela NC 221 da TIPI, fazendo, portanto, jus à redução da alíquota. Nesse sentido, cita precedente da 3ª Turma da DRJ/JFA; Em sessão de 19.03.2010, a 3ª Turma da DRJ/JFA julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito à redução de alíquota pleiteada a partir da data de protocolo do pedido perante a RFB (30.05.2008) e determinando à DRF/Niterói/RJ a expedição do Ato Declaratório competente para este fim. Cientificado em 24.09.2010 (sextafeira), o recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo em 25.10.2010, defendendo, em síntese, que a redução de alíquota deveria ser concedida a partir do registro que atesta o atendimento aos padrões de identidade e qualidade concedido em 28.04.2008 e não a partir do pedido de redução junto à RFB, realizado em 30.05.2008, vez que o Ato Declaratório da RFB é, como ensina o próprio nome, meramente declaratório, e não constitutivo do direito do contribuinte. Cita doutrina e precedentes do 2º Conselho de Contribuintes. Requer ao fim, a intimação do patrono, por correspondência, de todas as decisões proferidas no presente processo, bem como a realização de sustentação oral de suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 266 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a analisálo. Tendo a instância a quo reconhecido a existência do direito pleiteado pela recorrente, a pretensão recursal restringese ao termo inicial do benefício de redução da alíquota do IPI, incidente sobre os refrigerantes e refrescos que contenham suco de fruta ou extrato de semente de guaraná, classificados no código 2202.10.00 da TIPI, e que atendam aos padrões de identidade e qualidade do MAPA, estando registrados nesse Ministério, nos termos da NC (221) da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4542/2002. 1 Do marco inicial para a fruição do benefício previsto na NC (221) da TIPI. (Dec. 4542/02) Sustenta a recorrente que o Ato Declaratório da RFB não tem o condão de constituir o direito a redução, mas tão somente declarar o direito préexistente do contribuinte, que por sua vez constituise pelo registro do produto no órgão competente do MAPA, certificando o atendimento aos padrões de identidade e qualidade exigidos por esse Ministério. Assim, entende a recorrente que o marco inicial para a fruição do benefício pretendido é a data do registro do produto no MAPA. Já a decisão recorrida, defende que o início da vigência da redução de alíquotas é a data do protocolo do pedido de reconhecimento do direito perante a Receita Federal. Com o advento da IN RFB 11.185/2011 a redução de alíquota em comento ficou condicionada, a partir da edição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, à observância exclusiva do disposto nas Notas Complementares NC (211) e NC (221) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006. Isso porque o Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212/2010 deixou de exigir ato declaratório, para cada caso, pela Receita Federal, como condição para a fruição da redução de alíquota sobre os refrescos e refrigerantes. Vejamos. Assim dispunha o art. 65 do RIPI/2002: Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; (grifos nossos) Já o art. 200 do RIPI/2010, apregoa que: Art. 200. Os produtos dos Capítulos 17, 18, 21, 22 e 24 da TIPI relacionados nesta Seção sujeitamse, por unidade ou por determinada quantidade de produto, ao imposto, fixado em reais, conforme tabelas de Classes de valores ou valores Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 267 5 constantes das Notas Complementares NC (171), NC (181), NC (212), NC (223), NC (241) e NC (242) da TIPI e da Tabela do art. 209 (Lei no 7.798, de 1989, arts. 1o, caput e § 2º, alínea “b”, e 3º). Da comparação entre os dispositivos acima transcritos, percebese que enquanto o RIPI/2002 exigia expressamente a declaração da Receita Federal para a efetiva aplicação da redução de alíquotas constantes das notas complementares que menciona, o RIPI/2010 passou a prever que o imposto devido seria aquele fixado nas tabelas de classes de valores ou constante das Notas Complementares, deixando de mencionar qualquer tipo de ato declaratório condicionante à aplicação da redução prevista em tais notas. Assim, têmse que a partir do início da vigência do RIPI/2010, deixou de ser necessária, para o gozo da redução de alíquota do IPI sobre refrigerantes e refrescos, a emissão de ato declaratório pela Receita Federal, bastando a observância ao disposto nas Notas Complementares e, posteriormente, ao disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.185/2011. Ocorre que o caso em tela referese a período sob a égide do RIPI/2002, quando ainda vigente a exigência ato declaratório da Receita Federal para a fruição da redução de alíquota pretendida. Não havendo nada que justifique a aplicação retroativa do RIPI/2010. Nas lições de Mello (2014) 1, atos administrativos declaratórios são aqueles que afirmam a preexistência de uma situação de fato ou de direito. Exemplo: a conclusão de uma vistoria em edificação afirmando que está ou não em condições habitáveis; uma certidão de que alguém é matriculado em escola pública. Ainda segundo Mello (2014), os atos administrativos podem ser: a) perfeito, válido e eficaz quando, concluído o seu ciclo de formação, encontrase plenamente ajustado às exigências legais e está disponível para deflagração dos efeitos que lhe são típicos; b) perfeito, inválido e eficaz quando, concluído o seu ciclo de formação e apesar de não se achar conformado às exigências normativas, encontrase produzindo os efeitos que lhe seriam inerentes; c) perfeito, válido e ineficaz quando, concluído seu ciclo de formação e estando adequado aos requisitos de legitimidade, ainda não se encontra disponível para eclosão de seus efeitos típicos, por depender de um termo inicial ou de uma condição suspensiva, ou autorização, aprovação ou homologação, a serem manifestados por uma autoridade controladora; d) perfeito, inválido e ineficaz quando, esgotado seu ciclo de formação, sobre encontrarse em desconformidade com a ordem jurídica, seus efeitos ainda não podem fluir, por se encontrarem na dependência de algum acontecimento previsto como necessário para a produção dos efeitos (condição suspensiva ou termo inicial, ou aprovação ou homologação dependentes de outro órgão). 1 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, São Paulo: Malheiros, 2014. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 268 6 Têmse, portanto, que a exigência da declaração da SRF, prevista pelo art. 65, I, do RIPI/2002, materializase como condição de eficácia tributária ao ato de reconhecimento, pelo órgão competente, do atendimento às condições e padrões de qualidade e identidade exigidos pelo MAPA. Sem o atendimento a tal condição de eficácia, o reconhecimento, pelo órgão competente, do atendimento aos padrões de qualidade e identidade exigidos, pode até ser ato administrativo perfeito e válido, porém, é ineficaz, vez que depende de autorização/homologação da Secretaria da Receita Federal (autoridade controladora). Destarte, à luz da legislação vigente a época dos fatos, enquanto o registro no MAPA materializa o atendimento às situações de fato previstas na norma tributária existência de suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná e atendimento aos padrões de qualidade e identidade daquele ministério o ato declaratório da SRF lhe confere eficácia jurídico tributária para fins de redução da alíquota do IPI. Assim, razão não assiste à recorrente, pois na data dos fatos exigia a legislação vigente que a redução de alíquotas fosse declarada pela Receita Federal em cada caso, impedindo, por dedução lógica, que a fruição do benefício tivesse início a partir da concessão do registro do produto no MAPA. Isso porque ainda não satisfeita a condição de eficácia jurídico/tributária do ato administrativo que reconheceu o atendimento às situações fáticas inerentes ao produto. Nessa toada, não merece reparos a decisão recorrida, que reconheceu como marco inicial da eficácia jurídico/tributária da redução de alíquotas em comento a data do protocolo do pedido junto à autoridade fiscal. No mesmo sentido já decidiu a 1ª Turma da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento, em acórdão de nº3201001.516, de relatoria do conselheiro Daniel Mariz Gudiño. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NC (221). EFEITOS DO ADE. A declaração, pela Receita Federal, da redução de alíquota para refrigerantes que atendam às condições da NC (221) da TIPI e que, à data de apresentação do pleito nesse órgão, já se encontravam devidamente registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, produz efeitos a partir da data de protocolo do pedido de redução. Frisese que uma vez de posse do certificado de registro e adequação do produto junto ao MAPA, poderia o contribuinte ter realizado o protocolo do pedido de reconhecimento da redução de alíquotas no mesmo dia, ou, no mais tardar, no dia seguinte. Ou seja, o contribuinte tinha plenas condições e total interesse em formalizar tal pedido o quanto antes, não se afeiçoando justificável a pretensão de querer transferir o ônus de seus obstáculos operacionais ao erário. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13738.000869/200847 Acórdão n.º 3302005.767 S3C3T2 Fl. 269 7 2 Da intimação de atos e decisões em nome do patrono do recorrente e da sustentação oral. Por fim, esclareçase que não há previsão legal para sustentar o requerimento de que as intimações dos atos a serem produzidos no presente feito sejam realizadas em nome dos patronos da recorrente. Ademais, a realização de sustentação oral possui rito próprio para solicitação, devendo ser encaminhada ao presidente da turma de julgamento mediante preenchimento de formulário específico, não estando a apreciação de tal requerimento na esfera de competências dos conselheiros. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900421/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF - CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL
Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS.
Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratar-se de mercadoria NT.
Numero da decisão: 3302-005.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INÍCIO DO PRAZO DE RECURSO AO CARF - CONSULTA DO ENDEREÇO ELETRÔNICO NO MESMO DIA DA CAIXA POSTAL ELETRÔNICA. DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratar-se de mercadoria NT.
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DÚVIDA FUNDADA E RAZOÁVEL Como a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que houve a disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica e recebeu mensagem de que o prazo teria início em momento posterior, há dúvida fundada a razoável acerca do momento inicial da contagem do prazo recursal, o que deve ser interpretado a favor da Recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DO IPI PAGO POR INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS. Não se reconhece o direito ao aproveitamento de crédito tributário decorrente do IPI pago por insumos utilizados na fabricação de produtos que o Poder Judiciário, em decisão definitiva, declarou tratarse de mercadoria NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 04 21 /2 01 0- 21 Fl. 630DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Raphael Madeira Abad. Relatório Em razão da precisão com que retratou os fatos relevantes ao deslinde da presente questão, transcrevo e adoto o relatório proferido pela DRJ, verbis: Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Trata o presente da análise de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, materializado pela apresentação do PER nº 20673.61012.180708.1.1.015077, relativamente ao 2º trimestre de 2008, no montante de R$ 376.084,77 (trezentos e setenta e seis mil, oitenta e quatro reais, setenta e sete centavos), apurado pelo estabelecimento de CNPJ 33.113.309/001895. O crédito pleiteado foi aproveitado em compensação declarada na DCOMP nº 25836.90526.180708.1.3.010247. Contudo, o direito creditório foi reconhecido em R$ 1.316,93 (um mil, trezentos e dezesseis reais, noventa e três centavos) e a compensação homologada no limite deste valor. De acordo com o despacho decisório (fls. 9/10), a redução do direito pleiteado decorreu, basicamente, da glosa de créditos indevidos efetivados em procedimento fiscal. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 27/28) esclarece que os créditos foram glosados em razão de que os correspondentes insumos foram empregados na produção de cartões magnéticos, a qual encontrase excluída do campo de incidência do IPI, nos termos em que decidiu o Poder Judiciário (fls. 23/26). A interessada foi cientificada do despacho decisório em 15/10/2010. Em 16/11/2010, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 32/47), defendendo a nulidade do Termo de Verificação Fiscal e, no mérito, o direito ao crédito em face do princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. Pugna, também, pela inaplicabilidade da multa de ofício e juros de mora. Em breve síntese, aduz: 1 Nulidade do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 4 3 Segundo a manifestante, não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório na elaboração do Termo de Verificação Fiscal. A Fiscalização solicitou pouquíssimos documentos, incapazes de levarem a uma conclusão sólida a respeito da legalidade do creditamento. Não foi dada oportunidade à interessada de apresentar documentos referentes à operação. 2 Princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. A Constituição prevê, expressamente, o princípio da não cumulatividade do IPI, que consiste na autorização ao creditamento do valor pago nas operações anteriores. Diferentemente do ICMS, não há qualquer exceção para o IPI. Assim, o direito ao creditamento existe mesmo nos casos em que não há efetivo pagamento de IPI na saída posterior, como na isenção, alíquota zero e não incidência. São irrelevantes maiores discussões sobre a natureza das operações posteriores que sejam praticadas pelos contribuintes. 3 Multa e juros de mora. A multa e os juros devem ser afastados com fundamento no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. O Fisco sempre reconheceu o direito de crédito de IPI em operações idênticas à presente. Não pode, bruscamente, mudar seu entendimento sobre algum aspecto da questão, vedando a compensação sempre realizada pela interessada e aceita pelo mesmo. É o relatório do essencial. Quando da apreciação da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgoua improcedente lavrando as seguintes ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. ANULAÇÃO DO CRÉDITO MEDIANTE ESTORNO. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados., respeitadas as ressalvas admitidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 5 4 DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Aos litigantes são assegurados o contraditório e a ampla defesa. No processo administrativofiscal, o litígio é instaurado no momento em que o sujeito passivo insurgese contra a decisão da autoridade fiscal, apresentando a sua contestação. Não há que se falar em cerceamento do direito ao contraditório e ampla defesa se, na intimação de ciência, abriuse a oportunidade para que o sujeito passivo pudesse apresentar a sua defesa, com os recursos e meios inerentes ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Incidem, também, juros de mora calculados com base na variação da taxa SELIC. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no bojo do qual suscitou os argumentos que integraram a Impugnação, que pode ser sintetizado como a possibilidade de manutenção dos créditos ante a tributação dos impressos gráficos à alíquota de 0% de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator 1. Da Tempestividade. Com o advento da Lei 12.844, de 19 de julho de 2013, o prazo para interposição de Recurso Administrativo ao CARF passou a ser contado a partir da data da Fl. 633DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 6 5 consulta no endereço eletrônico a ele atribuído, caso isto ocorra antes do quinquídio posterior à data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, verbis: Art. 33. O art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 23. ........................................................................ § 2o ............................................................................... III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; O prazo para a interposição do Recurso Voluntário, por sua vez, é de 30 dias computados de forma contínua, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, na precisa forma dos artigos 5º e 33 do Decreto 70.235/72 Decreto 70.235/72. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto é de se levar em consideração os seguintes eventos e prazos aferidos pela Receita Federal do Brasil. Consulta no Endereço Eletrônico: 12.11.2014 (quartafeira). Disponibilização na Caixa Postal eletrônica: 12.11.2014. Ciência por decurso de prazo: 27.11.2014. Fim do prazo recursal (30 dias): 12.12.2014. Protocolo do Recurso 17.12.1014. Por esta razão a Receita Federal do Brasil entendeu que o término do prazo para a interposição do Recurso Voluntário se deu 30 dias após a consulta da Recorrente no endereço eletrônico, qual seja em 12.12.2014, uma sextafeira. A Receita Federal do Brasil entendeu que como a interposição do Recurso Voluntário ocorreu tão somente em 16.12.2014, seria intempestivo. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 7 6 No entanto, é de se notar que a Recorrente consultou o "endereço eletrônico" no mesmo dia que ocorreu a "disponibilização da decisão na caixa postal eletrônica", o que pode ter gerado uma dúvida razoável acerca do termo inicial do prazo. Ademais, é de se notar que a Recorrente, ao consultar a Caixa Postal Eletrônica não obrigatoriamente acessou o teor da decisão, deixando para fazêlo ao fim do decurso do quinquídio que compreende a "ciência por decurso de prazo". Por estes motivos, existindo fundada e razoável dúvida acerca do termo inicial do prazo recursal, entendese que deve prevalecer a interpretação favorável ao contribuinte que, por sua vez, é a que em maior intensidade prestigia o contraditório e o devido processo legal. 2. Do Mérito. A questão meritória submetida à análise por meio do presente recurso cinge se à possibilidade jurídica da Recorrente aproveitarse dos créditos de IPI oriundos da aquisição de matéria prima usada na fabricação de produtos, atividade esta que o Poder Judiciário já afirmou não ser sujeita à incidência do IPI, verbis: "Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, CONCLUISE QUE A ATIVIDADE NÃO É FATO GERADOR DO IPI." Destaques nossos. (Recurso Especial n. 437.324RS 2002/0054820 já baixado ao tribunal de origem desde 13.11.2003, conforme o Sitio do Superior Tribunal de Justiça) A vedação para que este colegiado se manifeste acerca desta matéria advém da letra expressa da Súmula CARF n. 01, que veda a este colegiado apreciar questão já submetida ao crivo do Poder Judiciário, verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Assim, a discussão é limitada à possibilidade jurídica da utilização de créditos tributários decorrentes da aquisição de matéria prima empregada em operações não sujeitas ao IPI. Diante da não incidência do IPI sobre a atividade em foco, por estar à margem do âmbito de incidência do referido tributo, é forçosa a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, especificamente o já citado parágrafo 3º do seu art. 2º, que determina o estorno dos créditos originários de aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagens destinados à fabricação de produtos não tributados, inteligência ilustrada pela Súmula CARF n. 20, verbis. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16682.900421/201021 Acórdão n.º 3302005.806 S3C3T2 Fl. 8 7 "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." 3. Conclusões Conclusivamente, por tratarem os autos de pretensão de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas utilizadas em operação que o Poder Judiciário já reconheceu estar fora do âmbito de incidência do IPI, não tributáveis ou NT, em processo ajuizado pela própria Recorrente, não é juridicamente possível o aproveitamento dos créditos por ela pretendidos. Por esta razão voto no sentido de negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 636DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720104/2014-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003
DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES. SOLICITAÇÃO. RECUSA. SONEGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. ARBITRAMENTO. IMPORTÂNCIA DEVIDA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, ou sua apresentação deficiente, a autoridade tributária poderá apurar a base de cálculo das contribuições, mediante arbitramento, e lançar de ofício a importância devida.
LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em violação ao direito de defesa.
ALEGAÇÃO GENÉRICA DE RECOLHIMENTO. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL.
A alegação genérica, imprecisa e sem qualquer demonstração de que teriam sido recolhidos valores suficientes para quitar as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal.
LANÇAMENTO ANULADO. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. MERA CORREÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO ANULADO. NÃO SUJEIÇÃO. NOVO PRAZO.
Em havendo anulação de lançamento por vício formal, há reabertura do novo prazo de cinco anos para a realização de lançamento substitutivo, com vistas, meramente, à correção do vício formal, iniciando- se a contagem do prazo na data em que se tornou definitiva a decisão anulatória, não cabendo a aplicação do prazo decadencial a que estava sujeito o lançamento anulado.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4.
Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2402-006.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator) e Gregorio Rechmann Junior, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003 DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES. SOLICITAÇÃO. RECUSA. SONEGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. ARBITRAMENTO. IMPORTÂNCIA DEVIDA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, ou sua apresentação deficiente, a autoridade tributária poderá apurar a base de cálculo das contribuições, mediante arbitramento, e lançar de ofício a importância devida. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em violação ao direito de defesa. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE RECOLHIMENTO. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL. A alegação genérica, imprecisa e sem qualquer demonstração de que teriam sido recolhidos valores suficientes para quitar as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. LANÇAMENTO ANULADO. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. MERA CORREÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO ANULADO. NÃO SUJEIÇÃO. NOVO PRAZO. Em havendo anulação de lançamento por vício formal, há reabertura do novo prazo de cinco anos para a realização de lançamento substitutivo, com vistas, meramente, à correção do vício formal, iniciando- se a contagem do prazo na data em que se tornou definitiva a decisão anulatória, não cabendo a aplicação do prazo decadencial a que estava sujeito o lançamento anulado. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4. Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator) e Gregorio Rechmann Junior, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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SOLICITAÇÃO. RECUSA. SONEGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. ARBITRAMENTO. IMPORTÂNCIA DEVIDA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, ou sua apresentação deficiente, a autoridade tributária poderá apurar a base de cálculo das contribuições, mediante arbitramento, e lançar de ofício a importância devida. LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo o lançamento tributário sido realizado em estrita observância à legislação de regência, com a devida ciência ao contribuinte e abertura de prazo para defesa, não há que se falar em violação ao direito de defesa. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE RECOLHIMENTO. SEM DEMONSTRAÇÃO. INCAPAZ DE INFIRMAR. LANÇAMENTO FISCAL. A alegação genérica, imprecisa e sem qualquer demonstração de que teriam sido recolhidos valores suficientes para quitar as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. LANÇAMENTO ANULADO. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. MERA CORREÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO ANULADO. NÃO SUJEIÇÃO. NOVO PRAZO. Em havendo anulação de lançamento por vício formal, há reabertura do novo prazo de cinco anos para a realização de lançamento substitutivo, com vistas, meramente, à correção do vício formal, iniciando se a contagem do prazo na data em que se tornou definitiva a decisão anulatória, não cabendo a aplicação do prazo decadencial a que estava sujeito o lançamento anulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 04 /2 01 4- 76 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 3 2 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. SEGURIDADE SOCIAL. SÚMULA CARF Nº 4. Incidem juros moratórios, à Taxa Selic, sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre os quais se incluem as contribuições devidas à Seguridade Social e as contribuições devidas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, estando tal entendimento em acordo com a Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator) e Gregorio Rechmann Junior, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Inicialmente, adotase o relatório da Resolução de fls. 272 e seguintes, deste Conselho: Tratase de julgamento de recurso voluntário (fls. 207/264), interposto pelo sujeito passivo contra decisão de primeira instância (fls. 190/203), que declarou improcedente a sua impugnação apresentada contra os Autos de Infração AI integrantes do processo acima referenciado. Os lançamentos correspondem à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social (AI n.º 37.383.8131) e para outras entidades ou fundos (AI n.º 37.383.8140). Fl. 320DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 4 3 De acordo com o relatório fiscal de fls. 121/123, os lançamentos foram efetuados em substituição à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 35.580.4522, anulada por vício formal em julgamento administrativo de segunda instância. Vale frisar que a declaração de nulidade da NFLD foi determinada pelo Acórdão n.º 2401002.498, de 20/06/2012, tendo entendido o colegiado do CARF que o erro na indicação da existência ou não de declaração dos fatos geradores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP representa erro não passível de retificação, que acarreta na nulidade do lançamento por vício formal. Voltando ao relatório, ali se afirma que o fato da empresa não haver disponibilizado toda a documentação solicitada durante o procedimento de auditoria acarretou na lavratura de AI por descumprimento de obrigação acessória, além de apuração da base de cálculo por aferição indireta. Acerca da metodologia utilizada para apuração da matéria tributável, assim se pronunciou o fisco: A empresa foi cientificada da decisão a quo em 05/11/2014 (fl. 205) e apresentou recurso em 05/12/2014, trazendo as alegações que em síntese reproduzo. Discrepâncias e inovações em relação ao lançamento substituído decadência Apresentando os números da apuração fiscal para as competências 01/1999 e 02/1999, o sujeito passivo sustenta que as alterações promovidas pelo fisco no lançamento em relação ao original vão além da correção do vício que ensejou a sua declaração de nulidade. Acrescenta que a planilha colacionada ao lançamento substitutivo demonstra ter sido feito uma apuração mais aprofundada, além de que há divergência nos números apresentados. Conclui que tal inovação implica em considerar os AI sob enfoque como novos lançamentos, que devem respeitar os prazos decadenciais previstos no art. 150, § 4.º do CTN. Assim, os lançamentos teriam sido integralmente fulminados pela decadência, posto que se referem ao período de 01/1999 a 01/2003 e a cientificação dos mesmos somente ocorreu em 06/02/2014. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 5 4 Apresentação de documentos Para a recorrente, o acórdão da DRJ equivocouse ao chancelar a aferição indireta em razão da falta de apresentação de documentos solicitados pelo fisco, posto que há informações nos autos do lançamento originário dando conta de que teriam sido apresentados todos os documentos exigidos pela fiscalização. Nulidade por afronta aos princípios da legalidade, da tipicidade e da verdade material Para que surja o crédito tributário consubstanciado no lançamento é indispensável que a obrigação tributária, da qual resulta o crédito, seja consequência da realização de um fato imponível que se ajuste em todos os seus contornos a uma hipótese de incidência prevista em lei. Os fatos com que a autoridade fiscal pretende embasar os lançamentos, inexistem ou, no mínimo, não foram quantificados com exatidão. Nesse sentido, não pode a norma jurídica incidir sobre uma simples "suspeita" ou "suposição". A desconsideração de documentos apresentados viola o princípio da verdade material, cuja observância é obrigatória no processo administrativo tributário. Além de que a aferição indireta, da forma como praticada, compromete a higidez do crédito tributário que se encontra superdimensionado. Nulidade por ausência de vinculação e de suporte fático O fato gerador, conforme definido no CTN, deve ser um fato cujas características em tudo se identifiquem com a descrição constante na lei. No caso em apreço, não se configurou o fato gerador pretendido pela autoridade lançadora, o que gerou uma autuação por presunção. Além de que houve arbitramento por aferição indireta, com respaldo em instrução normativa, instrumento sem força para instituição de sanções e penalidades. Ônus da prova Não basta que o fisco alegue ter ocorrido o fato gerador, é imperioso que se comprove a sua real ocorrência, através de provas, evidências ou indícios, estes últimos nas hipóteses de presunção legal, o que não é o caso. Na espécie inexistem provas, evidências ou indícios. Insubsistência dos fundamentos ensejadores da nulidade do lançamento original Em que pese o entendimento do acórdão que cancelou o lançamento original ter ido no sentido de que ocorrera vício meramente formal, há que se considerar que a indicação errônea da fundamentação não constitui mera formalidade, afetando sim a essência do lançamento. O fisco ao apontar que o lançamento está fundamentado em informações "declaradas em GFIP" induz o sujeito passivo a se Fl. 322DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 6 5 defender desta circunstância, se esta indicação está incorreta, é evidente que se trata de vício substancial. Identificação de recolhimentos não computados e conexão entre processos O sujeito passivo apresenta a relação de todas as NFLD lavradas durante a ação fiscal, para concluir pela existência de conexão entre os débitos sob questão e a NFLD n.º 35.580.4530 (PAF n.º 18186.000179/200714). Alega que para a competência 12/1999 não há correspondência entre os valores apropriados para todos os débitos e as quantias que foram efetivamente recolhidas, apresenta cálculos. Conclui que as divergências apontadas, que se reproduzem em todas as outras competências, tornam os dois lançamentos nulos ou improcedentes. Inclusão de valores que não correspondem a remuneração Os lançamentos devem ser declarados improcedentes, uma vez que as contribuições incidiram sobre valores que são discriminados pela legislação como não integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Erro na base de cálculo A aferição indireta foi justificada para casos em que as remunerações constantes em folhas de pagamento estariam "muito aquém dos valores mínimos estabelecidos", todavia, o fisco não mencionou no relatório fiscal quais esses parâmetros e critérios que autorizariam a aferição indireta. No seu entender tal omissão representa causa de nulidade/improcedência do lançamento. Não cabimento da aferição indireta O saláriodecontribuição foi obtido por aferição indireta como sendo correspondente a 40% do valor constante nas notas fiscais de prestação de serviço. Ocorre que os pressupostos considerados para a adoção deste procedimento excepcional não correspondem à realidade. Aponta que o relatório da NFLD substituída afirma que foram examinadas, dentre outros documentos, folhas de pagamento, ao passo que o relato que acompanha os AI sob exame afirma que não teriam sido apresentadas algumas folhas. Todavia, em diligência realizada no processo relativo à NFLD substituída, o fisco afirmou que: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 7 6 O mesmo ocorreu em relação ao processo conexo, NFLD n.º 35.580.4530. Isso leva à conclusão que na diligência foram apresentados os documentos que permitiriam aferir diretamente as remunerações, o que derruba a justificativa para adoção do procedimento de aferição indireta no presente caso. Inexatidão das afirmações do fisco acerca do valor da remuneração Citando o exemplo da Nota Fiscal emitida para a tomadora de serviços CODERP, para o mês de maio de 1999, conforme planilha de fl. 37, procura demonstrar que o salário médio por trabalhador foi de R$ 3.250,80, o qual jamais pode ser considerado aquém daquele praticado no mercado de trabalho. Nesse sentido, conclui que o pressuposto utilizado pelo fisco para justificar o arbitramento não se sustenta. Divergência entre documentos produzidos pelo fisco Menciona a existência de divergência entre bases de cálculo apresentadas nas planilha de fls 36/45 com aquela juntada às fls. 123/138, o que levaria inexoravelmente à conclusão de que o lançamento é impreciso e de que não deve prevalecer sua presunção de veracidade. Outros erros apontados Acrescenta que o fisco incorreu em erro ao mencionar que as notas fiscais deveriam constar das folhas de pagamento, em absoluta contrariedade às normas contábeis, que obrigam apenas a sua escrituração nos livros. As planilhas apresentadas pelo fisco são insuficientes para fundamentar os lançamentos. A correta caracterização do fato gerador e mensuração das bases de cálculo não poderiam prescindir de indicação do total de segurados, além dos termos e valores dos contratos de prestação de serviços firmados com as tomadoras da recorrente, dentre outros elementos. Contribuições a terceiros Sendo demonstrada a improcedência da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tal fato também torna sem substância a apuração das contribuições para outras entidades e fundos. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 8 7 Multa Não comprovada a ocorrência de infração, incabível a aplicação da norma sancionadora, devendose, portanto, afastar a imposição da multa ou, alternativamente, a relevação da penalidade. Ao final, pediu a declaração de nulidade ou insubsistência dos lançamentos, a exclusão da multa e limitação dos juros a 1% am. O processo foi juntado por conexão ao de n.º 18186.000179/200714, conforme se vê do despacho de fl. 269. O julgamento do feito foi convertido em diligência, para julgamento em conjunto com o processo conexo, PAF 18186.000179/200714. Vejase: A pedido deste Julgador, o processo sob discussão foi juntado ao de n.º 18186.000179/200714, tendo em vista a clara conexão existente entre os feitos. Considerando que o processo considerado conexo foi convertido em diligência, conforme Resolução n.º 2402000.584, exarada nesta mesma sessão, devese também converter o presente julgamento em diligência, de modo que os feitos tenham tramitação conjunta e sejam julgados na mesma ocasião. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Esclarecimentos iniciais Exceto no tocante aos juros moratórios, a impugnação está centrada em afirmações que dizem respeito à nulidade do lançamento. Tais afirmações foram basicamente reprisadas em sede de recurso voluntário e serão analisadas e julgadas a seguir. 3 Da nulidade do lançamento Como afirmado, o sujeito passivo, desde a impugnação, vem defendendo que o lançamento seria nulo, pelas variadas razões expostas na defesa e reafirmadas em seu recurso voluntário. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 9 8 Realmente, e no entender deste relator, o fisco arbitrou a base de cálculo das contribuições de forma ilegal. Devese observar que o CARF, ao declarar a nulidade do lançamento originário, por vício formal, não chegou a enfrentar essa questão, de tal maneira que sobre ela não houve trânsito em julgado. Vale transcrever, nesse contexto, parte do voto condutor do acórdão proferido no PAF 18186.000182/200738, relativo ao lançamento anulado: Noto, todavia, que não há em nenhum dos discriminativos apresentados pelo fisco uma demonstração de como as guias de pagamento foram apropriadas. Ocorre que os dois relatórios que apresentam os recolhimentos efetuados e a apropriação dos valores recolhidos, o RDA – Relatório de Documentos Apresentados e o RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados, não foram acostados pelo fisco. Impossível, diante dessa omissão, se saber onde foram alocados todos os recolhimento efetuados, mormente nessa ação fiscal, em que foram lavradas quinze NFLD. Diante dessa constatação, ficamos diante de duas alternativas, quais sejam: baixar o processo em diligência pela quarta vez, para que o fisco possa acostar relatório demonstrativo da apropriação das guias de recolhimento ou declarar a nulidade do lançamento, em razão do vício de cerceamento do direito de defesa do administrado. A solução que adotamos em dois outros processos originados na mesma ação fiscal (18186.000133/200703 e 18186.000179/200714) foi remeter o processo à Auditoria para que se juntasse demonstrativo de apropriação das guias recolhidas em nome do sujeito passivo. Todavia no presente caso, vejo que há um erro que ficou evidente logo na primeira solicitação de diligência fiscal. É que o fisco adotou para o levantamento FG4 a codificação “Declarado em GFIP”, esse procedimento teve como repercussão a alteração no percentual de multa, ficando a mesma reduzida, nos termos do revogado § 4.º do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 35 (...) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Todavia, considerandose que a remuneração foi obtida por aferição indireta não haveria como tais fatos geradores terem sido declarados na GFIP, ficando evidente o erro cometido pelo fisco. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 10 9 Diante dessas constatações, acho que a melhor saída é declarar a nulidade do lançamento, neste caso, por vício formal, haja vista que o vício situouse em elemento que não tem vinculação com os fatos geradores ou com a base tributável, referindose a incorreção na classificação do lançamento, o que, sem dúvida, não representa erro substancial. O presente lançamento, de natureza substitutiva, é relativo às contribuições incidentes sobre as remunerações e foi efetuado ao argumento de que o sujeito passivo não teria apresentado as folhas de pagamento, ou então os valores das remunerações seriam muito aquém dos valores mínimos estabelecidos. Da narrativa dos fatos, constante do relatório fiscal de fls. 121 e seguintes, extraise o seguinte: Todavia, no PAF conexo sob o nº 18186.000179/200714, a autoridade fiscal expressamente asseverou, à fl. 210, que o sujeito passivo teria apresentado os contratos de prestação de serviços, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento respectivas, as GFIPs mês a mês e demais documentos solicitados, conforme TIAD em anexo. Vejase: A fiscalização não se limitou a afirmar que foram apresentadas as folhas de pagamento, tendo afirmado sim que foram apresentadas "todas as folhas de pagamento respectivas", donde se destaca a expressão todas a indicar a totalidade e a expressão respectivas a indicar que também seriam relativas às notas fiscais anteriormente mencionadas. O TIAD à que se referiu o agente fazendário está à fl. 208 do PAF conexo e nele se observa a extensão da documentação solicitada (vide abaixo), a qual teria sido apresentada pelo contribuinte, o que derrui a assertiva feita no relatório do lançamento substitutivo, segundo a qual a empresa não teria apresentado a documentação. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 11 10 De outro modo, o relatório fiscal é demasiadamente sucinto e a fiscalização não conseguiu demonstrar as razões fáticas e jurídicas que permitiriam concluir que os valores das remunerações estariam muito aquém dos valores mínimos estabelecidos. Chama a atenção, aliás, essa expressão "muito aquém dos valores mínimos estabelecidos". Ela é genérica e não indica quais seriam os valores mínimos e nem quem teria estabelecido tais montantes. À outra conclusão poderia se chegar se a administração tivesse demonstrado, de forma minimamente circunstanciada, que as remunerações declaradas pelo sujeito passivo não condiziriam com os valores reais pagos e que a precariedade da documentação seria insuficiente para quantificálas. O § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Esse dispositivo está inspirado no art. 148 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará a base de cálculo do tributo sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Neste caso, todavia, há uma informação expressa no PAF conexo segundo a qual a recorrente teria apresentado a documentação, conforme TIAD em anexo. Portanto, como o presente lançamento está calcado num arbitramento que se revela, aos olhos deste relator, ilegal, deve ser cancelado o crédito tributário nele constituído. Dos precedentes deste Conselho, depreendese que só é admissível o arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. Vejase com destaques: Fl. 328DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 12 11 [...] NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. [...] Recurso de Ofício Negado; Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo10166.723934/201315; Nº Acórdão2401 004.471, julgado em 16/08/2016) Se este Conselheiro for vencido neste ponto, cabe acrescentar que não procedem as demais alegações de nulidade por afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade, por ausência de vinculação e de suporte fático, etc. Abstraindose a questão relativa à ilegalidade do arbitramento, a autoridade lançadora identificou o fato gerador das contribuições e determinou a matéria tributável, tendo, ainda, identificado o sujeito passivo e proposto a aplicação da penalidade correspondente. Como bem destacado pela decisão de piso, "não se cogita de dúvidas quanto a ocorrência do fato gerador tributado, mas, tão somente, acerca da falta de elementos para precisar a expressão de seu elemento valorativo – expressão econômica do fato gerador referente à base de cálculo". Por outro lado, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada nos demais aspectos e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para Fl. 329DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 13 12 os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Dito de outra forma, e tirante a questão do arbitramento, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa da recorrente. Em desfecho deste tópico, e como bem decidido pela DRJ, a alegação genérica e imprecisa de que teriam sido recolhidos valores suficientes para quitar as obrigações tributárias não deve ser provida, pois a administração fazendária fez a devida apropriação dos valores previamente adimplidos pelo sujeito passivo, como consta textualmente no relatório fiscal. A título elucidativo, vejase o disposto no item 8 do relatório da autuação: 4 Da decadência Não procede a alegação de decadência. Ao contrário do que afirma e sugere a recorrente, o novo lançamento é meramente substitutivo do anterior lançamento anulado por vício formal e não houve introdução de novos critérios jurídicos, nem mesmo no elemento quantitativo. Tãosomente foram apropriados os valores que a fiscalização, quando do lançamento originário, não havia apropriado, o que representa mera correção de erro de fato, e não correção de erro de direito apta a ensejar a introdução de novos fundamentos no ato administrativo. Nesse ponto, deveser observar que a fiscalização apenas agiu de boafé; e ela obviamente não pretendia efetuar um lançamento maculado com os mesmos erros de cálculo do lançamento originário. E não cabe rediscutir se o vício identificado pelo CARF, na decisão que anulou o lançamento originário, seria formal ou material, pois já ficara decidido, sob o abrigo da coisa julgada, que o vício seria formal. Não houve, por nenhuma das partes, a interposição de recurso para alterar o que ficara decidido naquela primeira ocasião e a matéria obviamente fez coisa julgada. Em havendo anulação de lançamento anterior por vício formal, há reabertura do prazo para lançamento, com início de sua contagem na data em que se tornar definitiva a decisão que julgou pela anulação. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 14 13 Na doutrina, é uníssono o entendimento segundo o qual essa norma implica a reabertura do prazo extintivo, como demonstra o professor Leandro Paulsen, ao transcrever os excertos dos professores Paulo de Barros Carvalho, Luciano Amaro e Ives Gandra da Silva Martins1. Em verdade, a inexistência de qualquer celeuma doutrinária e mesmo jurisprudencial a esse respeito provavelmente se deva à clareza do dispositivo legal, como se vê abaixo: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Logo, negase provimento ao recurso voluntário neste ponto. 5 Dos juros moratórios A tese da recorrente relativa aos juros moratórios é rechaçada pela Súmula CARF nº 4. Desde 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, negase provimento ao recurso neste ponto. 6 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade do lançamento. Se vencido for na preliminar, voto, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à ilegalidade do arbitramento. Antes de considerações outras, esclarecemos que todos os números de página, citados no presente voto vencedor, dizem respeito ao processo 18186.000182/200738, que corresponde ao primeiro lançamento fiscal, o qual foi anulado por vício formal, pelo CARF, em 20/6/12, segundo o Acórdão nº 2401002.498, fls. 339 a 345. Pois bem, na falta de apresentação de documentos ou pela sua apresentação deficiente, a autoridade tributária pode lançar, de ofício, a importância devida. Essa é a inteligência que se extrai da Lei 8.212, de 24/7/91, art. 33, § 3º, tanto em sua redação vigente ao tempo do primeiro lançamento, quanto em sua redação vigente ao tempo do lançamento substitutivo, senão, vejamos: Primeiro lançamento Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). [...]§ 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Lançamento substitutivo Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 16 15 Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Em seu voto, sustenta o Relator que o arbitramento realizado seria ilegal, uma vez que a justificativa para a sua realização, ou seja, a falta de apresentação de documentos, teria sido afastada (ou desacreditada) pela informação fiscal de fls. 188 a 189, que assim dispôs: Em diligência à empresa foi solicitada a apresentação dos documentos que deram origem às folhas de pagamento relativas ao período 01/99 a 01/2003, conforme TIAD em anexo, tendo sido apresentados: os contratos de prestação de serviços, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento respectivas, as GFIPS/SEFIPS mês a mês e demais documentos solicitados. Se levarmos em conta, unicamente, essa informação fiscal, de fato, o arbitramento parece não ter se justificado, porém, dado que estamos falando de cancelamento de crédito tributário, devemos empreender uma análise mais rigorosa dos autos, que é o que faremos a partir de agora. Para tal, convém trazermos à baila, inicialmente, a informação consignada no relatório fiscal, fls. 33 a 34, referente ao primeiro lançamento (consolidado em 27/6/03), e que ensejou a apuração das contribuições por aferição indireta: 3.1 A empresa embora notificada através do TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos), datado de 27/03/2003, deixou de apresentar a documentação pertinente aos fatos abaixo relacionados o que ensejou a lavratura do Auto de Infração n 35.510.6787, levando esta fiscalização a apurar o presente débito através da aferição indireta. 3.2 As diferenças de remunerações pagas aos segurados empregados, apuradas através do cálculo de 40% (quarenta por cento) sobre as Notas Fiscais/Faturas da empresa, quando não foram apresentadas as Folhas de Pagamentos correspondentes as referidas Notas Fiscais/Faturas discriminados na Planilha "Empresas com Valores Calculados em 40%" em negrito a coluna FOPAG, parte integrante do presente. 3.2.1 Os casos em que a coluna FOPAG não aparece em destaque, foi usado o mesmo critério (40%), tendo em vista que a Folha de Pagamento apresentada era muito aquém do valor mínimo legalmente estabelecido. Segundo se extrai dessa transcrição, não obstante ter sido intimada por meio de TIAD2, a empresa deixou de apresentar parte das folhas de pagamento e apresentou folhas de pagamento com valores "muito aquém do valor mínimo legalmente estabelecido", o que levou a fiscalização a apurar as contribuições por meio de aferição indireta, sendo considerado, como base de cálculo, o percentual de 40% do valor das notas fiscais/faturas emitidas. 2 Segundo a informação fiscal de fl. 46, do processo 18186.000182/200738, o TIAD (Termo de Intimação para Apresentação de Documentos), o TIAF (Termo e Início da Ação Fiscal), o MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) e os contratos da empresa seguem em anexo ao Debcad nº 35.580.3801. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 17 16 Cientificado do lançamento, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 47, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 48 a 67 (vinte páginas), em 21/7/03, na qual alega, exclusivamente, questões de direito, sem dizer, em uma linha sequer, que teria entregado os documentos à fiscalização e que, por isso, a aferição indireta seria indevida. Após o recebimento da defesa, o Contencioso Administrativo Previdenciário do INSS3 detectou uma inconsistência na classificação do levantamento FG4, uma vez que foi classificado, no Discriminativo Analítico do Débito (DAD), como “Fato gerador declarado em GFIP”, o que é incompatível com o procedimento de aferição indireta. Em face a isso, o processo retornou à fiscalização para que esclarecesse o ocorrido e tomasse as providências necessárias com vistas ao saneamento dessa inconsistência. A fiscalização emitiu, então, a informação de fls. 188 a 189, que serviu de base ao voto do Relator, e cujo conteúdo integral transcrevemos a seguir: Em diligência à empresa foi solicitada a apresentação dos documentos que deram origem às folhas de pagamento relativas ao período 01/99 a 01/2003, conforme TIAD em anexo, tendo sido apresentados: os contratos de prestação de serviços, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento respectivas, as GFIPS/SEFIPS mês a mês e demais documentos solicitados. Quanto ao fato de nas competências 13/99, 01/00, 02/00 e 13/00 terem sido as guias de recolhimento a Previdência Social, quitadas e lançadas na Administração Geral e não contendo a identificação dos tomadores, informamos que tal fato não invalida os recolhimentos, sendo apenas uma obrigação acessória, salientamos que nas competências de "13 salário" as informações eram prestadas juntamente com a competência "Dezembro" na GFIP/SEFIP e quanto às informações referentes aos tomadores foi solicitado à empresa para juntamente com os tomadores de serviços providenciasse os ajustes de guias de recolhimento no setor de arrecadação da Secretaria da Receita Previdenciária. Quanto ao item 6, fls. 180, afirmando que o lançamento foi classificado com "Fato Gerador Declarado em GFIP”, esclarecemos que foram declarados em GFIP os valores das Folhas de Pagamento da empresa mês a mês, porém não poderia ter sido lançado um valor "AFERIDO", por impossibilidade de se saber de antemão o seu conteúdo. Portanto estes valores lançados não constam de declaração em GFIP. Quanto ao item 8, fls. 180: Não foram lançadas as Contribuições a Título de "Financiamento dos benefícios decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho", embora os valores recolhidos em GPS/GRPS, pela empresa e retenções de 11% nas notas fiscais, englobem os mesmos. Quanto ao item 9, fls. 180: A empresa apresentou os documentos contábeis, bem como os respectivos Livros Diários, para o período de 01/99 a 01/2003. 3 Instituto Nacional do Seguro Social. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 18 17 Quanto aos itens 11 a 15, fls. 180/181: A empresa não foi informada que houve lançamento com base no procedimento de aferição indireta art 33, §3°, da Lei 8.212. Os Fatos Geradores lançados no presente processo não foram declarados em GFIP/SEFIP, em virtude de os mesmos terem sido aferidos indiretamente. Impossibilitada a elaboração de Relatório Fiscal Substitutivo, por ter a empresa apresentado os documentos que deram origem à aferição indireta. Portanto esta fiscalização fica impossibilitada de elaborar o Relatório Fiscal Substitutivo, por ter havido lançamento incorretamente classificado. Verificado que não foram considerados todos os valores de créditos da empresa nesta fiscalização, no batimento de Folhas de pagamento X Diários X Valores recolhidos, sendo necessária ação fiscal para apuração correta de valores de divergência. (Grifos no original) Conforme se observa na transcrição acima, além de confirmar a inconsistência na classificação do levantamento, esse relato traz informações imprecisas, contraditórias e obscuras. No primeiro parágrafo consta que teria sido realizada diligência na empresa e que esta teria apresentado, dentre outros documentos, as notas fiscais e todas as folhas de pagamento respectivas, porém, não é esclarecido se essas notas fiscais e folhas de pagamento seriam aquelas já examinadas pela fiscalização. Cabe destacar, inclusive, que nenhum desses documentos, supostamente apresentados, foram carreados aos autos, apesar da empresa ter sido intimada para apresentar cópia dos documentos (vide TIAD de fl. 187). Ademais, quando a informação fiscal diz que teriam sido apresentadas "as notas fiscais, todas as folhas de pagamento respectivas", entendemos, e não vemos como se entender de forma diferente, que foram apresentadas notas fiscais (não se sabe quantas e nem quais) e que também foram apresentadas todas as folhas de pagamento referentes a essas notas fiscais. Logo, esse parágrafo da informação fiscal se mostra deveras impreciso e inconclusivo. O terceiro parágrafo da transcrição, por sua vez, encontrase eivado de clara contradição e obscuridade, pois, ao mesmo tempo em que diz que os valores foram declarados em GFIP, também diz que não foram declarados em GFIP. E, sabese lá o que o AuditorFiscal quis dizer com a frase: "porém não poderia ter sido lançado um valor ‘AFERIDO’, por impossibilidade de se saber de antemão o seu conteúdo". Por fim, no último parágrafo, é dito apenas que não “foram considerados todos os valores de créditos da empresa nesta fiscalização” e que seria “necessária ação fiscal para a apuração correta de valores de divergência”, contudo, não é feita qualquer demonstração a esse respeito, em que pese tal demonstração ser primordial, sobretudo porque está sendo questionada a regularidade do procedimento fiscal realizado. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 19 18 Na sequência, tendo em vista as informações prestadas pela fiscalização e tratadas acima, a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), de São Paulo I (SP), por meio do despacho de fls. 192 a 195, converteu os autos em diligência, em 26/11/07, para que fossem verificados e justificados quais seriam “os reais valores a serem lançados, indicando detalhadamente os motivos das divergências verificadas”. Em 11/9/09, por meio do Termo de Início de Diligência de fls. 216 a 217, foi solicitada à empresa a apresentação dos seguintes documentos: Atos Constitutivos e Alterações. Folhas de Pagamento de Empregados de 07/1995 a 01/2003. Folhas de Pagamento e/ou recibos de Autônomos de 07/1995 a 01/2003. Folhas de Pagamento e/ou recibos de PróLabore de 07/1995 a 01/2003. Resumos das Folhas de Pagamento. Tabela de incidência do sistema da Folha de Pagamento. Documentação de SalárioFamília. Documentação de SalárioMaternidade. Fichas ou Livro de Registro de Empregados. Processos Trabalhistas e GPS respectivas de 10/1996 a 12/1998. Plano de Contas, Livros Diário e Livros Razão dos anos 1995 a 2003. GFIPs de 12/1998 a 01/2003. Guias de FGTS de 07/1995 a 11/1998. Guias de Recolhimento de 07/1995 a 01/2003. Documentação de fornecimento de ValeTransporte Comprovantes de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Contratos de seguros, seguros médicos e similares. Notas de Fiscais de Prestação de Serviços da empresa (faturamento). Procuração para preposto outorgando poderes para atender esta fiscalização, se for o caso. Tornar disponíveis outros documentos fiscais que suportam a escrituração dos livros comerciais e fiscais. Em resposta a essa solicitação, a empresa carreou aos autos apenas a manifestação de fls. 218 a 219, datada de 17/9/09, na qual alega que a apresentação desses documentos seria desnecessária, uma vez que os “créditos da Fazenda” estariam atingidos pela “decadência e/ou prescrição”. Oras, se os documentos realmente foram apresentados à fiscalização, na diligência anterior, a empresa poderia, ao menos, ter dito isso nessa manifestação, porém, limitouse a alegar questão de direito (decadência/prescrição), nada mais dizendo. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19515.720104/201476 Acórdão n.º 2402006.473 S2C4T2 Fl. 20 19 Inconformada com a resposta da empresa, a DRJ de São Paulo I (SP), por meio do despacho de fls. 226 a 233, de 16/11/09, solicitou nova diligência, esclarecendo que os créditos não estariam atingidos pela decadência ou prescrição. Porém, em resposta a essa terceira diligência, fls. 238 a 241, a empresa, mais uma vez, não apresentou os documentos solicitados, alegando apenas que “a documentação outrora juntada nesses autos [seria] suficiente para afastar toda e qualquer pretensão de cobrança”, reafirmando, ainda, a tese de que os créditos estariam prescritos ou decadentes. Portanto, diante desse quadro, abstraindose a inconclusiva informação fiscal de fls. 188 a 189, é possível se inferir que, à exceção dos documentos examinados inicialmente pela autoridade lançadora, nenhum outro documento foi apresentado pela empresa, até o encerramento da terceira diligência. Desse modo, a informação fiscal de fls. 188 a 189 se revela em total dissonância com o conjunto dos autos, não tendo, dessa forma, o condão de infirmar o lançamento efetuado, exceto quanto ao erro na classificação do levantamento, o qual já foi sanado no segundo lançamento fiscal. Sendo assim, não restou evidenciada qualquer ilegalidade no arbitramento efetuado, devendo, pois, ser mantido o lançamento substitutivo, na forma como realizado pela fiscalização. Conclusão Isso posto NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.904997/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IPI, no valor de R$ 4.112,95, relativo ao período de apuração dezembro/2004, com débitos também de IPI (fls. 2 a 6). Por meio de Despacho Decisório à fl. 21, a Delegacia da Receita Federal em Santo André decidiu pela não homologação da compensação porque o crédito relativo ao Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 04 99 7/ 20 09 -1 1 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10805.904997/200911 Resolução nº 3002000.025 S3C0T2 Fl. 66 2 Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 25 a 45), a recorrente esclareceu que recolheu o tributo em duplicidade e, ao elaborar o PER/Dcomp, informou erroneamente a data do primeiro Darf, 14/01/2005, que foi realmente utilizado para quitar débitos de IPI, ao invés de informar 31/01/2005, data de pagamento do segundo Darf de mesmo valor. Para comprovar sua alegação, anexou os 2 Darfs (fl. 27), acompanhados do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e de atos de constituição e de representação da empresa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1437.925 (fls. 52 a 54), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, sob a fundamentação de que cabia à Delegacia de Julgamento aferir a conformidade dos procedimentos fiscais em relação às normas vigentes e que, no caso em tela, havia previsão normativa para que o sujeito passivo retificasse o PER/Dcomp anteriormente ao Despacho Decisório. Uma vez proferida a decisão, a retificação não podia mais ser aceita. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 07/10/2005 PER/DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Na hipótese de inexatidão material verificada no preenchimento da PER/DCOMP, é admitida sua retificação, desde que se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Considerase pendente de decisão administrativa, a declaração de compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 06/03/2013, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 68 e protocolizou seu Recurso Voluntário em 20/03/2013, conforme carimbo aposto à sua página inicial fl. 58. Em seu Recurso Voluntário (fls. 58 e 59), a recorrente esclarece que, ao constatar o pagamento em duplicidade, esteve diversas vezes na Receita Federal para solicitar orientação sobre a correção do erro. Na época não existia o eCAC e, a partir das informações que conseguiu obter, efetuou 3 retificações da DCTF do 1º semestre/2005, em 20/06/2007, 31/10/2007 e 26/09/2008, mas não teria sido orientada a retificar a DCTF do 4º trimestre/2004. Apenas após a emissão do Despacho Decisório o contribuinte ficou ciente da falha na retificação. Reforça que o pagamento de 31/01/2005 consta como disponível sem alocação e solicita que a decisão seja revista, tendo em vista o erro escusável e a dificuldade financeira pela qual passa a empresa. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10805.904997/200911 Resolução nº 3002000.025 S3C0T2 Fl. 67 3 Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, esclareçase que, em atenção ao princípio da fungibilidade, recebese como recurso voluntário o “pedido de revisão da cobrança” formulado pelo contribuinte que, em tudo o mais, atende aos pressupostos de recurso dessa natureza. Neste processo, frente à aparente comprovação do pagamento em duplicidade efetuada pelo contribuinte, por meio da juntada dos Darfs originais, a Delegacia de Julgamento respondeu que a retificação da declaração de compensação deveria ter sido solicitada anteriormente à emissão do Despacho Decisório pela DRF/Santo André, em cumprimento ao que dispõe a IN RFB nº 900/2008, e que o entendimento da RFB, expresso por meio de atos normativos, vincula a DRJ, não sendo possível desconsiderar o marco temporal definido para a retificação. Entendo que cabe razão a ambas as partes: o contribuinte provou tempestivamente o pagamento em duplicidade, pelo o que teria direito à restituição, ao passo que o julgador tem de observar limites de competência e processuais – em relação ao Darf informado na Per/Dcomp realmente não há pagamento disponível. Entretanto, considero que o erro que se discute, que a DRJ acertadamente qualificou como inexatidão material, traz como consequência a possibilidade de sua correção, não estando este Colegiado adstrito aos prazos estabelecidos em instrução normativa da Receita Federal quando há elementos suficientes nos autos para se aperceber da sua natureza e da pertinência das alegações do sujeito passivo, com suporte no art. 32 do Decreto nº 70.235/ 1972: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. (grifado) O direito a ser restituído por um pagamento em duplicidade é evidente, tendo sido providenciada a juntada tempestiva das provas. Contam a favor do contribuinte suas tentativas de corrigir a situação junto à Receita Federal, ainda que infrutíferas. Notase, pelo teor dos recursos e pelos diversos erros cometidos, uma certa dificuldade em compreender os procedimentos administrativos, mas não se constata omissão. Dessa forma, entendo que pode ser superado o óbice alegado pela primeira instância, promovendose a correção de ofício da data do Darf informado no PER/Dcomp, em atenção ao princípio da verdade material. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que: i) confirme o pagamento em duplicidade; ii) em caso positivo, informe se o valor do Darf pago em 31/01/2005 está integralmente disponível para a compensação de que trata o presente processo; e iii) providencie a ciência ao interessado, abrindo o prazo de 30 dias Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10805.904997/200911 Resolução nº 3002000.025 S3C0T2 Fl. 68 4 para sua manifestação sobre a diligência, após o qual deve ser providenciado o retorno dos autos ao Carf. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 74DF CARF MF
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