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Numero do processo: 19515.003050/2003-28
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.099
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.003499/2004-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PREJUÍZOS COMPENSADOS. SALDO SUFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO ANTERIOR QUE REDUZIU SALDO A COMPENSAR.
A inexistência do saldo de prejuízo a compensar no ano-calendário de 1999, que ocasionou a glosa da compensação efetuada, decorreu de lançamento de ofício relativo aos anos 1993 a 1995. Tendo em vista que este lançamento fiscal foi julgado improcedente em definitivo na esfera administrativa, é devida a reversão dos prejuízos fiscais anteriormente absorvidos, situação que tem como desdobramento a apuração de saldo suficiente ao final do ano-calendário de 1998 para a compensação efetuada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1103-001.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade.
Assinado Digitalmente
Eduardo Martins Neiva Monteiro No Exercício da Presidência
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PREJUÍZOS COMPENSADOS. SALDO SUFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO ANTERIOR QUE REDUZIU SALDO A COMPENSAR. A inexistência do saldo de prejuízo a compensar no ano-calendário de 1999, que ocasionou a glosa da compensação efetuada, decorreu de lançamento de ofício relativo aos anos 1993 a 1995. Tendo em vista que este lançamento fiscal foi julgado improcedente em definitivo na esfera administrativa, é devida a reversão dos prejuízos fiscais anteriormente absorvidos, situação que tem como desdobramento a apuração de saldo suficiente ao final do ano-calendário de 1998 para a compensação efetuada pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade. Assinado Digitalmente Eduardo Martins Neiva Monteiro No Exercício da Presidência Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
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SALDO SUFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO ANTERIOR QUE REDUZIU SALDO A COMPENSAR. A inexistência do saldo de prejuízo a compensar no anocalendário de 1999, que ocasionou a glosa da compensação efetuada, decorreu de lançamento de ofício relativo aos anos 1993 a 1995. Tendo em vista que este lançamento fiscal foi julgado improcedente em definitivo na esfera administrativa, é devida a reversão dos prejuízos fiscais anteriormente absorvidos, situação que tem como desdobramento a apuração de saldo suficiente ao final do ano calendário de 1998 para a compensação efetuada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade. Assinado Digitalmente Eduardo Martins Neiva Monteiro – No Exercício da Presidência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 99 /2 00 4- 77 Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.026 2 Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face da decisão da 2ª Turma da DRJ/Brasília (fls. 994/1000), que apresentou a seguinte ementa: PREJUÍZOS COMPENSADOS. SALDO SUFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO ANTERIOR QUE REDUZIU SALDO A COMPENSAR. A inexistência do saldo de prejuízo a compensar em 1999, que ocasionou a glosa da compensação efetuada, decorreu de lançamento relativo aos anos 1993 a 1995. Tendo em vista que este lançamento foi julgado improcedente em definitivo na esfera administrativa, é devida a reversão dos prejuízos fiscais anteriormente absorvidos, havendo, por conseguinte, saldo suficiente ano final de 1998 para a compensação efetuada pelo contribuinte. De acordo com o Termo de Verificação de Infrações de fls. 187/190, o lançamento de ofício em análise decorreu de glosa integral da compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores por insuficiência de saldo a compensar. Por sua vez, a ausência do saldo foi resultado de reversão de prejuízos em razão de lançamento de ofício de infrações constatadas nos períodosbase de 1993, 1994 e 1995, materializado pelo auto de infração lavrado em 1996 e formalizado nos autos do processo 10880.030038/9617. Nesse sentido, em razão da reversão dos prejuízos fiscais referentes aos períodos base de 1993, 1994 e 1995, o saldo de prejuízos fiscais relativo ao anocalendário de 1999 foi glosado, resultando na lavratura do auto de infração de IRPJ de fls. 191/195, cuja ciência pessoal deuse em 27/12/2004. Foi apresentada impugnação de fls. 200/224 em 21/01/2005, no qual discorre o sujeito passivo sobre os pontos relacionados a seguir. Preliminares. Conforme documento anexo, em 20/05/91 ajuizou Medida Cautelar Preparatória de Depósito visando ao reconhecimento do direito de pagar as quotas vincendas do 1RPJ e da CSLL com base na variação do IPC, desconsiderando, pois, a aplicação do BTNF e da TRD; Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.027 3 Em 29/05/91 foi deferida a medida liminar pleiteada, mediante realização de depósito judicial dos valores em discussão, correspondentes à diferença entre o IPC e o BTNF, sem aplicação da TR; Em 28/06/91, ajuizou Ação Declaratória cumulada com Condenatória pelo procedimento ordinário, visando ao reconhecimento do seu direito de proceder a dedução da parcela da correção monetária correspondente à diferença IPC/BTNF a partir do anobase de 1990 na apuração do CSLL e IRPJ, assim como a condenação da Fazenda Nacional à aceitação de tal procedimento; Em 24/02/93 foi proferida sentença julgando procedente o pedido nos autos da Medida Cautelar de Depósito, determinando que fossem mantidos os depósitos judiciais efetuados até o trânsito em julgado da ação principal. Em 20/04/94 foi proferida sentença julgando parcialmente procedente o pedido formulado nos autos da ação principal; Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso de Apelação Cível ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região da medida cautelar e da ação principal, sendo que a requerente interpôs recurso de Apelação Cível somente dos autos da ação principal; Em 05/08/98, o TRF deu integral provimento à apelação da requerente nos autos principais, negou provimento à remessa oficial e à apelação da Fazenda Nacional na principal e deu por prejudicado o reexame necessário e o apelo da Fazenda na cautelar; A Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF), o qual foi não foi admitido. Esta interpôs, então ,recurso de Agravo de Instrumento, o qual foi rejeitado pelo STF; Nesse ínterim, em 09/08/96, foi lavrado o auto de infração que originou o processo administrativo 10880.030038/9617; Do exame desse processo, fica evidente que a fiscalização federal optou por constituir o crédito tributário do IRPJ relativo aos anos 1993 a 1995 em decorrência do receio de que a requerente viesse a aproveitar em duplicidade de um mesmo beneficio já discutido nos autos da Medida Cautelar e da Ação Declaratória, e posteriormente autorizado pela Lei 8.200/91 (com a limitação temporal); Contra essa exigência apresentou impugnação, sendo proferida decisão de primeira instância, que julgou parcialmente procedente o lançamento. Visando à reforma dessa decisão, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes sob o nº 10880.002058/200334; Este processo, após determinação de baixa para a realização de diligências, encontra~se pendente de julgamento em virtude dos esclarecimentos prestados pela requerente, no sentido de que (1) não executou e nem possui interesse na execução do valor da condenação; (2) não se opõe à conversão dos valores depositados nos autos da medida cautelar em renda da União, e o faz independentemente de sua previa oitiva, tão logo se torne irrecorrível a decisão que julgar improcedente e cancelar o auto de infração que originou o processo 10880.030038/9617; (3) isto porque, tendo em vista o trânsito em julgado da decisão proferida na ação declaratória, a requerente apresentou petição em 23/01/2003 nos autos da medida cautelar manifestando sua concordância com a conversão dos valores depositados em renda. No mesmo sentido, manifestações semelhantes foram apresentadas nos autos da medida Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.028 4 cautelar em 17/03/2003, 05/03/2004 e 15/09/2004; (4) isto porque o benefício em discussão foi aproveitado pela requerente quando da edição da Lei 8.200/91, observando a limitação temporal imposta, sem trazer qualquer prejuízo ao Fisco. Tal procedimento certamente seria mais conservador em comparação àquele reconhecido nos autos da medida judicial, que autorizava as exclusões da diferença IPC/BTNF a partir de 1991; Atualmente, tanto os autos da medida cautelar como os da ação declaratória encontramse na secretaria da vara da seção judiciária aguardando o desfecho do processo administrativo 10880.030038/9617 (recurso voluntário 10880.002058/200334) perante o Conselho de Contribuintes, conforme os extratos de andamento e Certidão de Objeto e Pé em anexo; O auto de infração é nulo por ofensa à coisa julgada, o que é vedado pelo art. 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal de 1988 (CF/88); O auto de infração foi lavrado por autoridade fiscal incompetente, sendo nulo nos termos do art. 59, l do Decreto 70.235/72 (PAF) – o auto não poderia ter sido lavrado pela Divisão de Fiscalização II Comércio da Defic/SP, mas sim pela Divisão de Fiscalização I Indústria da Defic/SP, vez que sua atividade é eminentemente industrial, consoante Anexo Único da Portaria SRF 325/2003; O auto de infração é nulo por descrição imprecisa dos fatos e das supostas infrações cometidas, descumprindo requisitos do PAF. Mérito. Da impossibilidade de glosa da diferença de IPC/BTNF do anobase 1990 e a viabilidade de seu aproveitamento em l999 além de seu procedimento não ter trazido qualquer prejuízo ao fisco, já que superado o apontado risco de gozo de um mesmo beneficio em duplicidade, ainda veio a observar a constitucional limitação temporal imposta pela Lei 8200/91 (assim declarada pelo STF), para o fim das realizadas deduções decorrentes da diferença IPC/BTNF do anobase 1990. Não procede a afirmação de que a requerente não mais possuía saldo decorrente da diferença IPC/BTNF. Não apenas possuía saldo para promover a compensação na forma de prejuízos fiscais, decorrente do saldo negativo de diferença IPC/BTNF, conforme controlado no Lalur, como compensou no ano 1999 tais prejuízos fiscais dentro do limite legal de 30%. A ausência do saldo no Sapli decorre do lançamento e da posterior decisão de primeira instância nos autos do processo 10800.030038/9617,.ainda pendente de julgamento do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. A documentação presente nos autos e perfeitamente suficiente para que se demonstre que os valores em questão decorrem de inquestionável saldo devedor de correção monetária IPC/ BTNF; Multa de oficio confiscatória; Inaplicabilidade da taxa Selic, Requer o sobrestamento do presente processo enquanto pendente de julgamento o processo administrativo 10880.030038/9617 (recurso voluntário 10880.002058/200334); Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.029 5 Pugna, se necessário, pela conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a veracidade dos fatos alegados na impugnação, mediante esclarecimentos e juntada de documentos complementares. Consta nos autos requerimento de fls. 961/963, protocolado em 12/09/2005, no qual o contribuinte junta o Acórdão 10194973 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferido nos autos do processo 10880.00205834 (referente a recurso voluntário em face de Acórdão da DRJ/BA nº 2906/2003, proferido nos autos do processo 10880.030038/9617), que, por unanimidade, deu provimento ao recurso voluntário. Por sua vez, a 2ª Turma da DRJ/Brasília decidiu, por meio do Acórdão nº 03 22.281, na sessão de 10 de setembro de 2007, julgar o lançamento improcedente. Tendo em vista que a exclusão de crédito tributário ocorreu em valor superior ao disposto na legislação vigente, o Presidente da Turma recorreu de ofício ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Tratase de recurso de ofício, interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ/Brasília, que julgou o lançamento de ofício improcedente. A matéria referese à glosa promovida pela Fiscalização na compensação de prejuízos fiscais no valor de R$8.058.424,56 efetuada pela contribuinte, referente ao ano calendário de 1999. De acordo com a autoridade autuante, no SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL, da Receita Federal, constava saldo zero de prejuízos fiscais. Ocorre que o prejuízo fiscal teve origem nos anoscalendário de 1993, 1994 e 1995. Na ocasião, obteve a contribuinte decisão judicial favorável no sentido de corrigir as demonstrações financeiras pelo índice do IPC/IBGE (em detrimento do BTNFiscal), e apurar os tributos sem a utilização da TRD. Contudo, com a edição da Lei nº 8.200, de 1991, passou a ser autorizada a correção monetária das demonstrações financeiras com base no IPC/IBGE. Nesse contexto, foi lavrado auto de infração, nos autos do processo administrativo nº 10880.030038/9617, visando evitar a utilização pela contribuinte, em duplicidade, da diferença apurada entre os índices IPC e BTNFiscal. Isso porque, de um lado, apurouse que sujeito passivo promoveu a dedução nos termos da Lei nº 8.200/1991 e, de outro, em razão da sentença favorável, poderia executar a sentença transitada em julgado. O auto de infração foi contestado pela contribuinte, tendo a DRJ/BA julgado parcialmente procedente o lançamento de ofício (Acórdão nº 02.906, de 23/01/2003). Da decisão foram interpostos recurso de ofício (processo nº 10880.030038/9617) e voluntário (processo nº 10880.002058/200334). O recurso de ofício teve provimento negado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, ou seja, foi mantida a exoneração de parte do lançamento Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.030 6 fiscal decidida pela decisão de primeira instância (Acórdão nº 10194.389). Por sua vez, foi dado provimento ao recurso voluntário, no Acórdão nº 10194.973, conforme ementa a seguir. DIFERENÇA IPC/BTNF SALDO DEVEDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO Tendo a pessoa jurídica obtido sentença favorável à sua pretensão, tendo inclusive ocorrido trânsito em julgado e, posteriormente, manifestado a desistência na execução da sentença, é de se cancelar o auto de infração lavrado para prevenir eventual utilização em duplicidade (da decisão judicial e, posteriormente, da dedução prevista pela Lei n° 8.200/91). Ocorre que, mesmo diante do trânsito em julgado administrativo, do processo que tratou dos anoscalendário de 1993, 1994 e 1995, a DeratSão Paulo não ajustou, no SAPLI, o saldo de prejuízos fiscais referente aos períodos, razão pela qual a Fiscalização, ao analisar o anocalendário de 1999, nos presentes autos, deparouse com o valor “zero”, e por isso glosou a utilização da contribuinte no valor de R$8.058.424,56. Mostrouse, portanto, acertada a decisão proferida pela DRJ/Brasília, que inclusive, teve a prudência de efetuar uma simulação no próprio sistema, como se pode observar na tela de fl. 990. Concluiu o relator do acórdão de primeira instância: 14. Uma vez que a Derat/SP não providenciou o acerto no Sapli como determina norma de execução da RFB, efetuei uma simulação no referido sistema, cujo demonstrativo está anexado à fl. 983, que indica claramente que o contribuinte possuía um saldo de prejuízo fiscal a compensar em 1999 de R$ 14.716.234,03. 15. Como a compensação realizada pelo contribuinte foi de R$ 8.058.424,56, resta considerar que o saldo existente era suficiente para tanto, sendo improcedente a glosa efetuada e, por conseqüência, o lançamento ora contestado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19515.003499/200477 Acórdão n.º 1103001.071 S1C1T3 Fl. 1.031 7 Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 15374.002881/99-27
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 12/01/1995 a 28/12/1995
ARTIGO 526, IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO
Fere o princípio da reserva legal e da tipicidade a generalidade que se encerra no referido dispositivo. A infração descrita no artigo 526, IX, do Regulamento Aduaneiro é de indefinido conteúdo, o que torna inaplicável para fins tributários.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3401-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Robson Bayerl e Júlio Ramos votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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A infração descrita no artigo 526, IX, do Regulamento Aduaneiro é de indefinido conteúdo, o que torna inaplicável para fins tributários. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Robson Bayerl e Júlio Ramos votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte, Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 28 81 /9 9- 27 Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 03/01/2008, que julgou procedente a impugnação apresentada pela contribuinte, extinguindo o crédito tributário constituído. A matéria em discussão referese a auto de infração aduaneiro, no qual a contribuinte foi autuada por descumprir requisitos administrativos de contrato de importação, fazendo constar nas declarações de importação relativas ao ano de 1995 que o importador não seria vinculado ao exportador, valendose do Primeiro Método de Valoração Aduaneira. Segundo a fiscalização, a utilização deste método, entre empresas vinculadas, somente é admitido quando o importador demonstra que a vinculação não influenciou o preço, tendo esta conduta induzido o fisco a erro para a avaliação aduaneira dos bens importados. Em razão disso, foi aplicada em desfavor da autuada a multa prevista no art. 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro. Em sede de impugnação (fls. 51 a 59), a contribuinte alega que o preço de transação é o valor aduaneiro correto para as importações efetivadas, sem que haja qualquer necessidade de adequação a outro método de valoração em razão da vinculação. Sustenta, ainda, que a vinculação efetuada não trouxe qualquer benefício ou vantagem econômica à impugnante ou prejuízo à arrecadação do fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) deu provimento ao pleito da contribuinte, julgando o lançamento improcedente. O acórdão restou assim ementado (fls. 68 a 74): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 12/01/1995 a 28/12/1995 CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Não cabe a aplicação da penalidade prescrita no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05 de março de 1985, por não haver correlação entre a infração apontada no auto de infração e o dispositivo considerado como infringido. Lançamento Improcedente Por ser o valor do crédito tributário exonerado superior a R$ 1.000.000,00, os autos foram remetidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise de recurso de ofício da Fazenda Nacional, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532/1997 e pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 03/01/2008. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.002881/9927 Acórdão n.º 3401002.569 S3C4T1 Fl. 1.516 3 A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes manteve o entendimento esposado na primeira instância ao negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 101 a 103), com pedido de reratificação do julgado, sob a alegação de que a decisão de primeira instância foi proferida por pessoa incompetente, que atuou por delegação de competência (Portaria DRJ/RJ nº 7/99), e que, depois da edição da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 13, inciso II, passou a ser descabida a delegação dessa atribuição a outra pessoa que não o titular da DRJ. Em razão disso, os autos foram novamente remetidos a este Conselho, que proferiu acórdão acolhendo os embargos interpostos para anular o processo desde a decisão de primeira instância. Em novo julgamento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente a impugnação ofertada pela contribuinte, pelo que os autos foram novamente remetidos a este Conselho para apreciação de recurso de ofício, nos termos da legislação aplicável ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício foi respaldado pelo primeiro órgão julgador no art. 34 do Decreto 70.235/1971, no art. 366 do Regulamento da Previdência Social, combinados com o art. 1º, I, da Portaria MPS 158/2007, abaixo colacionados: DECRETO 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. “ Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade.” Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 DECRETO 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999 – REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. “ Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). I declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). II relevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 1o No caso de decisão de autoridade delegada, o recurso de ofício será dirigido, por intermédio do delegante, à autoridade competente. (Renumerado com nova pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 2o O Ministro de Estado da Previdência Social poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.032, de 2007) § 2o O recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). § 3o O Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.224, de 2007).” Portaria 158, de 11042007 “Art. 1o Deverá ser interposto recurso de ofício dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), observado o disposto no art. 2o ,das Decisões e DespachosDecisórios que: I declararem indevida, em valor total (principal, multa e juros) superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização;” A interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) sofreu modificação, conforme o artigo. 1º da Portaria MF 03/2008: Portaria MF 3, de 3 de janeiro de 2008 DOU de 7.1.2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.002881/9927 Acórdão n.º 3401002.569 S3C4T1 Fl. 1.517 5 Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, artigo 6º; a lei nova (latu sensu) é aplicada aos processos ainda em curso, observandose o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada: DECRETOLEI 4.657, DE 4 DE SETEMBRO DE 1942. Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição préestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957) Verifico que o valor apurado inicialmente pelo fisco foi de R$2.655.591,16 (dois milhões, seiscentos e cinquenta e cinco mil, quinhentos e noventa e um reais e dezesseis centavos). Dessa forma, constato que o débito deixou de ser exigido em sua totalidade, portanto, dentro do escopo da legislação que regia o recurso de ofício. Assim, conheço do recurso de ofício, tendo em vista que o débito tributário exonerado à época que deu o seu ensejo foi superior ao limite determinado na Portaria MF 158/2007. DA MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Como mencionado no relatório, o processo ora em apreço já foi apreciado pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, de acórdão da lavra da Conselheira Márcia Regina Machado Melaré, de quem adoto as razões de decidir, mormente em respeito a composições anteriores que tão bem serviram esse tribunal administrativo. Ora, não há como reformar a decisão a quo, uma vez que o lançamento não poderia persistir em razão de o artigo 326, IX, do Regulamento Aduaneiro contar um “previsão abstrata”, mais comumente conhecida como “norma penal em branco”. A aplicação da penalidade pressupõe a especificação, por parte da norma geral, de modelo de conduta passível de punição. Sem que haja esta especificação, a regra tornarseá genérica, a ser aplicada discricionariamente, o que fere o princípio da reserva legal. De fato, não há como se capitular a infração descrita no Auto de Infração de fls. na disposição constante do artigo 526, IX, do RA. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 O citado dispositivo não é capaz de tipificar, como exige a lei tributária, a suposta infração, pois contém hipótese de conduta passível de interpretação maleável, a critério fiscal. E, os tipos tributários nos seus contornos essenciais não pode ser criados pelo costume ou por regulamentos, mas apenas por lei. Para que a norma sancionatória tributária seja passível de aplicação necessário é que ela traga, em seu bojo, os elementos essenciais do tipo, pois é vedado ao aplicador do direito eleger, de forma unilateral e arbitrária, fatos tributáveis. Nesse diapasão, especial destaque merece o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, proferido no Ag n. 1.160.816, de lavra do Ministro Mauro Campbell Marques. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. GUIA DE IMPORTAÇÃO. DESCRIÇÃO EQUIVOCADA DO PAÍS DE ORIGEM. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. DECISÃO Em exame agravo de instrumento interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que inadmitiu recurso especial intentado contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional da 3ª Região, assim ementado: ADMINISTRATIVO. IMPORTAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DO PAÍS DE ORIGEM. MULTA. ART. 526, IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO. INCABÍVEL. MERA IRREGULARIDADE Discutese o direito à exoneração da multa, imposta com base no artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, tendo como fundamento a irregularidade na indicação do país de origem dos produtos importados. Ao tempo da importação (09/11/1990) ainda não havia sido expedida a Portaria DECEX nº 8, de 13 de maio de 1991, que autoriza seja a Declaração de Importação retificada, antes de promovido o desembaraço aduaneiro. A norma em questão veio consolidar os inúmeros julgados relativos à matéria. O inciso IX do artigo 526 quando descreve a conduta de “descumprir outros requisitos de controle de importação, constantes ou não da Guia de Importação ou de documentos equivalente, não compreendidos nos incisos IV a VIII ...”, não tipifica a conduta ou o fato que autorizaria a imposição da multa, deixando ao administrador uma margem de subjetividade que não se compatibiliza com o princípio da legalidade. Nesse sentido já vem se posicionando o Conselho de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais tendo decidido que “não cabe a aplicação da multa prevista no item IX, do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, por falta de tipicidade da mesma” e, ainda. “.... a divergência entre a origem e fabricação, entre o verificado na conferência física e o constante da LI, não constitui infração ao controle das importações prevista no artigo 526, inciso IX do RA . Nada obsta que a (in Nota 5 e 6 ao item IX do artigo 526, do Regulamento Aduaneiro Anotado com textos legais transcritos, Paulo César Alves Rocha, Aduaneiras, 5ª Edição) Administração, quando detectado o erro, determine seja feita a sua retificação, oportunidade em que poderá aferir a regularidade dos demais atos, inclusive em relação ao pagamento de impostos e, aí também, informar ao CACEX, para que esse órgão possa retificar os seus dados Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.002881/9927 Acórdão n.º 3401002.569 S3C4T1 Fl. 1.518 7 estatísticos, preservando o controle das atividades de comércio exterior. Mesmo tendo sido apurada a irregularidade na indicação incorreta do país de origem das mercadorias importadas a impetrada não demonstrou que esse fato teria alterado outros dados da importação, no sentido de fraudar a tributação, não incorrendo, como conseqüência, qualquer tipo de lesão ao erário. No apelo nobre, interposto com fundamento no art. 105, III, alínea a, do permissivo constitucional, apontase ofensa ao art. 167, inciso III, da Lei nº 37/66 e art. 526, inciso IX, do Decreto nº 91.030/85. Requer, em síntese, que o erro na indicação do país de origem na declaração de importação enseje a aplicação de multa. É o relatório. Passo a decidir. Agravo de instrumento conhecido, pois presente os requisitos para tanto. Entretanto, o mesmo destino não pode ser dado ao especial. A pretensão recursal não merece prosperar. O TRF da 3ª Região consignou expressamente que: Assim, nada obsta que a Administração, quando detectado o erro, determine seja feita a sua retificação, oportunidade em que poderá aferir a regularidade dos demais atos, inclusive em relação ao pagamento de impostos e, aí também, informar ao CACEX, para que esse órgão possa retificar nos seus dados estatísticos, preservando o controle das atividades de comércio exterior. Consignese, ainda que, mesmo tendo sido apurada a irregularidade na indicação incorreta do país de origem das mercadorias importadas, a União Federal não demonstrou que esse fato teria alterado outros dados da importação, no sentido de fraudar a tributação, não incorrendo, como conseqüência, qualquer tipo de lesão ao erário. Como se infere, a Corte de origem entendeu que a recorrente não demonstrou que a irregularidade teria ocasionado qualquer lesão ao erário. Conforme orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte, "mero erro de preenchimento na guia de importação constitui simples irregularidade, sendo inaplicável ao caso a multa do art. 169, III, do Decretolei 37/66, alterado pela Lei 6.562/78" . No mesmo sentido, destacamse: "ADUANEIRO IMPORTAÇÃO DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO ERRO NA INDICAÇÃO DO PAÍS DE ORIGEM RETIFICAÇÃO ADI (AgRg no REsp 279.102/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 18.3.2002) TIVO MULTA NÃOINCIDÊNCIA DL N. 37/69, ART. 169. Se o importador retifica espontaneamente a guia de importação, para corrigir a indicação do país de origem, não é lícito aplicarlhe multa, nem apreenderlhe a mercadoria. Alcance do Preceito contido no Art. 169 do DL 37/66." Referida decisão da a noção da questão e sobreleva a imperiosa necessidade de observância das garantias asseguradas ao contribuinte, consagradas nos princípios tributários da tipicidade e da legalidade. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso de ofício para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002605/2002-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
CONFISSÃO DE DÍVIDA. TRIBUTO DECLARADO A TÍTULO DE EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ART. 5º DO DECRETO-LEI N° 2.124/84.
Improcede a pretensão do recorrente de trazer à discussão os efeitos da confissão de dívida de tributo declarado na condição de exigibilidade suspensa se o lançamento foi efetivado de ofício pela autoridade administrativa.
LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS. ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 82 DO CARF.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível o lançamento de ofício de CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1801-001.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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TRIBUTO DECLARADO A TÍTULO DE EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ART. 5º DO DECRETOLEI N° 2.124/84. Improcede a pretensão do recorrente de trazer à discussão os efeitos da confissão de dívida de tributo declarado na condição de exigibilidade suspensa se o lançamento foi efetivado de ofício pela autoridade administrativa. LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 82 DO CARF. Após o encerramento do anocalendário, é incabível o lançamento de ofício de CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 05 /2 00 2- 10 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ 2 Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Marcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez Relatório Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrado em 15/02/2002 (fl. 20), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 536.332,32, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não confirmação do processo judicial informado para fins de suspensão da exigibilidade do débito declarado sob código 2484 para o período de dezembro de 1997. Na referida peça, indicase, como embasamento legal, os Arts. 1ºe 4ª da Lei 7689/88; Art. 25 c/c Art. 57 da Lei 8981/95; Art. 1º e 19 da Lei 9249/95; Arts. 2º e 6º (c/c Art. 28) e Arts. 30, 55 e 60 da Lei 9430/96. Aplicouse multa com base no Art. 160 do CTN, Art. 1º da Lei 9249/95 e Art. 44 e inc. I e par. 1º da Lei 9430/96. Juros de mora foram exigidos com base no Art. 161, §1º; Art. 43, par. Único e par. 3º da Lei 9.430/96. À fl. 62, junta o contribuinte cópia de decisão de 27/01/1998 que liminarmente lhe assegura o direito de não se submeter à cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro e da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS, enquanto permanecer não mantendo empregados, ressalvando à autoridade competente o controle da situação ora questionada. Em 17/04/2002 foi publicada sentença concedendo parcialmente a segurança pleiteada (fls. 88 e 91), o que ensejou interposição de Recurso de Apelação pela Impetrante, além de recurso exofício. Em 07/07/2010 foi publicada decisão do TRF da 3a Região, homologando o pedido de renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação, e declarando extinto o processo com fundamento no artigo 269, inciso V do Código de Processo Civil. Apreciando os argumentos da impugnação apresentada, a DRJ julgou parcialmente procedente o pedido para cancelar a multa de ofício sobre os valores amparados por liminar em Mandado de Segurança à época do lançamento, inclusive sem aplicação de multa de mora, não cabível no momento do lançamento, dada a interrupção de sua incidência pelo prazo previsto no art. 63, § 2° da Lei 9.430/96, atentandose para as notícias, contidas na decisão judicial de fls. 91, de (i) opção pelo parcelamento da Lei 11.941, de 2009, bem como de (ii) pedido de conversão em renda de depósitos judiciais. Eis a ementa (fl. 125): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Incabível discutir aspectos que poderiam ensejar a sua nulidade se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ Processo nº 13896.002605/200210 Acórdão n.º 1801001.957 S1TE01 Fl. 3 3 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE CONFIRMADA. MULTA DE OFÍCIO. Confirmada a suspensão da exigibilidade por medida judicial favorável ao contribuinte no momento do procedimento fiscal e conseqüente lançamento, cancelase a multa de ofício aplicada. JUROS DE MORA. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. Nos termos da Súmula n° 5 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO POSTERIOR À APURAÇÃO ANUAL. AÇÃO JUDICIAL. Confirmada a validade do lançamento tão só para aferição da regularidade da vinculação apontada em DCTF, não há impedimento à formalização do principal devido para demarcação do momento em que a estimativa deveria ter sido recolhida, como parâmetro para cálculo dos acréscimos moratórios cabíveis em eventual recolhimento decorrente da reversão da decisão judicial que suspendeu sua exigibilidade. Notificado em 09/11/2011, dessa decisão (fl. 137), interpõe o contribuinte recurso voluntário em 09/12/2011 (fl. 138) pugnando para que o mesmo seja provido, reformandose a decisão recorrida na parte em que manteve o auto de infração, “cancelandose” integralmente a exigência fiscal. Para tanto sustenta: a) Os valores informados em DCTF como suspensos não constituem confissão de dívida (o artigo 5º do DecretoLei n° 2.124/84 e da Instrução Normativa n° 73/96 se aplica somente aos valores declarados na DCTF como devidos e não pagos). Não é possível a cobrança do crédito tributário sem o competente lançamento; b) Encerrado o período de apuração anual do imposto de renda e da Contribuição Social, e ultrapassada a data para entrega DIRPJ, a confissão de dívida de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece o efetivamente devido com base no lucro real. Cita em seu favor, o artigo 16 da IN n° 93/97. Por fim, ressalta que não altera tal conclusão o fato de a estimativa exigida não ter sido paga por força de decisão judicial; c) A exigência fiscal deve ser apurada com base no lucro líquido concernente ao encerramento do anobase, e não com base nas estimativas, alterando o termo inicial para a contagem dos juros de mora eventualmente devidos e não desde o momento em que as estimativas eram originalmente devidas; d) Que, na eventualidade de decisão plenária do E. Supremo Tribunal Federal favorável aos contribuintes nessa matéria, com base no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72, seja afastado o cálculo dos juros com base na taxa SELIC. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ 4 Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro Presentes os pressupostos recursais, conheço o presente recurso, passando ao mérito. Confissão de dívida e o alcance do artigo 5º do DecretoLei n° 2.124/84 À fl. 20, se verifica que o crédito tributário exigido nos presentes autos foi constituído por lançamento de ofício, sendo assegurado ao contribuinte o exercício ao contraditório e ampla defesa. Sendo assim, não cabe trazer à discussão os efeitos de confissão de dívida no presente caso, uma vez que o crédito tributário foi constituído por ato da autoridade administrativa (consoante disposto no Arts. 142 e 149 do CTN), com descrição dos fatos às fls. 21 e 22 e atendimento dos demais requisitos do Art. 10 do Decreto 70.235/72. Por fim, deve ser ressaltado que as causas previstas no Art. 151 do CTN – dentre elas a concessão de liminar em mandado de segurança (inc. IV) – não impedem a constituição do crédito tributário via lançamento pelo sujeito ativo da obrigação tributária que, aliás, permanecendose inerte, pode até perdêlo caso reste configurada a decadência. Lançamento de estimativas após o encerramento do anocalendário Neste aspecto, merece provimento a irresignação do contribuinte. A exigência reportase à estimativa de CSLL (código 2484) declarada para o período de dezembro de 1997. O regime de apuração por estimativa é especial e transitório, esgotandose até a apuração do lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Após tal evento, as estimativas, desde que pagas, ostentam natureza de mera “dedução” na apuração do saldo de tributo efetivamente a ser pago ou compensado. Confirase na legislação: Lei 9.430/96 Art. 2º. [...] § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art. 6º. [...] § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ Processo nº 13896.002605/200210 Acórdão n.º 1801001.957 S1TE01 Fl. 4 5 I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. (redação vigente à época dos fatos) Cumpre ainda ressaltar, ainda mais especificamente, o Art. 16 da IN nº SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Instrução Normativa nº SRF Nº 093 Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Pelo exposto, e com escopo na Súmula 82 do CARF1, merece ser julgada improcedente a pretensão fiscal materializada no auto de infração contido nos autos. Termo inicial dos juros e afastamento da Selic Acolhido o pleito de improcedência total do lançamento, afastase a necessidade de apreciação dos pedidos subsidiários. Por todo o exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro 1 Súmula CARF nº 82: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas". Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ 6 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 24/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ
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Numero do processo: 10920.911149/2012-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 49 /2 01 2- 30 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911149/201230 Acórdão n.º 3801003.346 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003383/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização.
Numero da decisão: 2403-002.533
Decisão:
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 33 83 /2 01 0- 61 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.003383/201061 Acórdão n.º 2403002.533 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0632,111 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. MULTA POR INFRAÇÃO. ENTREGA DE DOCUMENTOS. AUSÊNCIA Constitui infração a empresa deixar de apresentar os documentos devidamente solicitados pela fiscalização. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em decorrência de a empresa ter deixado de apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias. O débito totaliza a importância de R$ 14.107,77. O enquadramento legal da autuação encontrase fundamentado nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/1991 e art 283, II, " j" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/1999. Segundo o relatório fiscal a autuação foi lavrada porque a empresa, devidamente intimada, não apresentou as Notas Fiscais emitidas pela cooperativa de trabalho UNIMED e suas Convenções Coletivas de Trabalho. Intimada da Autuação, a empresa apresentou impugnação alegando em apertada síntese que: Os agentes fiscais levaram um longo tempo em seu "zeloso" trabalho fiscal com diversas exigências. Quando da intimação, a empresa apenas informou que naquele momento não dispunha das Notas Fiscais da Unimed e que seus Acordos Coletivos foram pactuados mediante Convenções Coletivas de Trabalho. Alega que outras exigências se seguiram sem que os agentes tenham requerido novamente as Notas Fiscais da Unimed. A empresa foi cumprindo as exigência dos agentes fiscais e não imaginou que seria multada pela falta da exibição de documentos. Argumenta que a obrigação dos fiscais era de lavrar de imediato a autuação e, não o fazendo e não retornando a exigir os Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 documentos, não poderiam autuar a empresa de forma extemporânea. Afirma que o Estatuto Nacional da Micro e da Empresa de Pequeno Porte definiu em seu art.26, §4°, que as empresas estariam sujeitas a outras obrigações acessórias estabelecidas pelo Comitê Gestor. Nesse sentido, o agente fiscal deixou de indicar a Norma do comitê gestor que a empresa infringiu. Por fim, pede a improcedência da Autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Fato superveniente à impugnação: A recorrente foi surpreendida com a lavratura de autuações de obrigações principais na Sperafigo Agroindustrial Ltda. · Relaciona as ações fiscais na Tolenorte e na Sperafigo Agroindustrial Ltda · Ação fiscal demorou mais de 1 ano. · Autuação deveria ser lavrada de imediato. · Autoridade fiscal não retornou a exigir os documentos. · Cita a Lei Complementar 123/2006. Micro e Pequena Empresa. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.003383/201061 Acórdão n.º 2403002.533 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes, necessárias e suficientes para o julgamento deste processo. A autuação foi motivada, segundo o documento constituidor do crédito, por a empresa ter deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O Relatório Fiscal da Infração apresenta que, apesar de intimado e reintimado, não foram apresentadas as convenções coletivas e as notas fiscais da UNIMED. Foi dado início em ação fiscal MPF N° 0910300.2009.005909, perante a empresa através do TIPF Termo de Início de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Procedimento Fiscal de 05/05/2009 (cópia anexa apenas na via da RFB, uma vez que a empresa já está de posse de sua via). No TIPF foi solicitado, entre outras coisas, os Acordos, convenções e dissídios coletivos (item B5). Em resposta ao TIPF (cópia anexa apenas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de sua via), foi informado que a empresa não teria tais documentos a apresentar. Através do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 2 (cópia anexa apenas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de sua via), de 16/11/2009, foi solicitado a apresentação de notas fiscais referente a UNIMED (cooperativa de trabalho), no item A2, e no item A5, a apresentação de cópias de convenções/acordos coletivos relativamente aos segurados empregados. Foi solicitada prorrogação de prazo para atendimento ao TIF 2, o que foi atendido. Em resposta ao TIF n° 2 (cópia anexa apenas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de sua via), em relação às notas fiscais de cooperativa de trabalho, foi informado em relação às notas fiscais da Unimed: Por a empresa ser tributada pela modalidade do simples/lucro presumido, não temos neste momento as referidas faturas ou notas fiscais. Em resposta a TIF n° 2 com relação as convenções/acordos coletivos: Não faziam Acordo Coletivo (Empresa Ind. X Sindicato), usávamos Convenções Coletivas (Conj. de Empresas X Sindicato). Ou seja, apesar de claramente solicitadas convenções ou acordos coletivos a empresa não apresentou. Na primeira informação disse não os ter e numa segunda informação informou que "não faziam acordo coletivo (empresa ind. X sindicato), usávamos convenções coletivas (conj. de empresas x sindicato)", entretanto, não apresentou as convenções conforme solicitado. Também foi solicitada a apresentação de notas fiscais de prestação de serviços no TIPF e, mais especificamente, no TIF n° 1 item A2, a apresentação de notas fiscais referente a UNIMED. Em resposta ao item A2 foi informado que: "Por a empresa ser tributada pela modalidade do simples/lucro presumido, não temos neste momento as referidas notas fiscais". No TIF n° 3, de 09/12/09 foi novamente solicitada a apresentação de notas fiscais referente à UNIMED. Foi solicitada prorrogação do prazo para atendimento, o que foi concedido. Em resposta ao TIF 3 a resposta acima referente ao TIF n° 1 foi repetida. Cópias anexas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de suas vias. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.003383/201061 Acórdão n.º 2403002.533 S2C4T3 Fl. 5 7 Posteriormente, em 05/02/10, através do TIF n° 4, foi reiterada a solicitação para apresentar notas fiscais referente à UNIMED. Foi solicitada prorrogação do prazo para atendimento, o que foi concedido. Em resposta ao TIF 4 a resposta acima referente ao TIF n° 1 foi repetida. Cópias anexas na vida da RFB, pois a empresa está de posse de suas vias. Em razão do não atendimento às Intimações para apresentação de documentos foi aplicado o presente Auto de Infração. Entendo caracterizada a infração e não percebo razão nas alegações da recorrente. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13708.000396/2003-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA VERIFICAR A APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL.
Incabível a verificação, por parte do Fisco, da atividade desenvolvida pelo contribuinte com o fito único de apurar o tributo devido ou saldo negativo no encerramento do ano-calendário, quando tiver sido correta e adequada sua informação na declaração pertinente, após o prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador. Aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica-se o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação.
Numero da decisão: 1202-001.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as prejudiciais de reconhecimento de plano do crédito de CSLL retratado na DIPJ e de insuficiência de fundamentação do despacho decisório, nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do saldo negativo do IRPJ e da CSLL do ano-calendário de 2002, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designada para redigir o voto vencedor neste último ponto, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Relatora
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA VERIFICAR A APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. Incabível a verificação, por parte do Fisco, da atividade desenvolvida pelo contribuinte com o fito único de apurar o tributo devido ou saldo negativo no encerramento do ano-calendário, quando tiver sido correta e adequada sua informação na declaração pertinente, após o prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador. Aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica-se o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13708.000396/200321 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.014 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de agosto de 2013 Matéria DCOMP Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA VERIFICAR A APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. Incabível a verificação, por parte do Fisco, da atividade desenvolvida pelo contribuinte com o fito único de apurar o tributo devido ou saldo negativo no encerramento do anocalendário, quando tiver sido correta e adequada sua informação na declaração pertinente, após o prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador. Aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as prejudiciais de reconhecimento de plano do crédito de CSLL retratado na DIPJ e de insuficiência de fundamentação do despacho decisório, nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do saldo negativo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2002, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designada para redigir o voto vencedor neste último ponto, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 03 96 /2 00 3- 21 Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) retificadora (fls. 54/55), em relação à de fls. 1/02, bem como outras relacionadas no quadro de fls. 103, em que foram empregados alegados créditos de saldos negativos de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), respectivamente, no valor de R$ 23.441.045,99 e R$ 19.237.056,16. Dos autos se extrai que, para fins de análise das referidas DCOMP, foi realizada diligência para apurar o efetivo valor dos saldos negativos declarados, que teria restado frustrada ante a falta de resposta da interessada, conforme despacho (fls. 92). Através do parecer conclusivo Diort/Derat/RJ n.° 58/08 (fls. 103/106), com fulcro no art. 74 da Lei n.° 9.430/96, os art. 2°, 4°, 5° e 26 da IN SRF n.° 600/05, o art. 170 da Lei n.° 5.172/66 (CTN) e o art. 36 da Lei n.° 9.784/99, bem como no não atendimento, pela interessada, à intimação, o direito creditório não foi reconhecido e, conseqüentemente, não homologadas as compensações analisadas. Despacho decisório do titular da Derat/RJ (fls. 107), que aprovou o referido parecer, determinou o apensamento ao presente do processo n.° 15374.720026/200862, cuja compensação também não foi homologada, por valerse do mesmo direito creditório não reconhecido (fls. 135/136). Nas manifestações de inconformidade de fls. 162/180 e 488/502, no interesse das compensações autuadas, respectivamente, nos processos n.° 13708.000396/200321 e 15374.720026/200862. foram apresentados os argumentos sintetizados no relatório da decisão recorrida, cujo trecho ora se reproduz: • que não tendo a fiscalização empreendido diligência capaz de desconstituir os valores declarados e nem havendo indícios de irregularidade, a “documentação de suporte" para a homologação da compensação é a DIPJ; • que, para deixar de reconhecer o crédito empregado nas compensações revisadas, caberia à autoridade fiscal demonstrar a "insuficiência da documentação apresentada" e apontar "inconsistências e irregularidades" nas informações declaradas; • que o próprio órgão fiscalizador reconheceu não haver indícios de irregularidades em sua documentação fiscal, tanto que o auditor encarregado da segunda diligência afirmou que "a empresa 'não foi selecionada para ser fiscalizada no ano calendário de 2002, o que indica não terem sido detectados, em análise parametrizada, indícios de irregularidades na apuração do IRPJ e CSLL devidos"; • que "o prazo de que a Receita dispõe para analisar a compensação requerida é o mesmo de que dispõe para homologar o pagamento antecipado feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qual seja, cinco anos (art. 150, § 40) a contar da apresentação do pedido de compensação, que no Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 5 4 caso dos autos, ocorreu em 13.03.2003" e que, portanto, o despacho decisório que denegou a compensação, do qual fora cientificada em 14.04.2008 "não tem o condão de produzir qualquer efeito jurídico válido"; • que o direito de a Fazenda refazer a apuração do IRPJ do ano calendário 2002 já havia decaído por ocasião da pretendida diligência, pois, se decorridos cinco anos do fato gerador "já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte"; • que "o único documento fiscal hábil a demonstrar a ocorrência de prejuízo fiscal é a DIPJ (...) no presente caso, foi apresentada pela Requerente retificadora, recepcionada pela RFB em 17.12.2004"; e • que, "como forma de fornecer subsídios contábeis para determinação do prejuízo fiscal utilizado", trouxe aos autos "cópia de seu balancete em 31.12.2002, que apura o mesmo resultado (doc. n° 10), bem como razão analítico da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados (doc. nº 11). A decisão de primeira instância negou provimento às manifestações de inconformidade e não homologou as respectivas compensações, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. DECADÊNCIA. Para a verificação da certeza e da liquidez de existência de crédito alegado por contribuintes, não há restrição temporal ao poder de investigação da Fazenda Pública, COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da última declaração retificadora que tenha tratado da mesma compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. PRECLUSÃO. Operase a preclusão e o conseqüente não reconhecimento do direito creditório do contribuinte quando este, intimado a apresentar documentos comprobatórios do seu direito, deixa de apresentálos ou de indicar motivos para a não apresentação. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 25/01/2010 (AR, fl. 851), apresentou recurso voluntário ao CARF em 24/02/2010 (fls.858 e ss.), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, pedindo, ao final, em síntese: Preliminarmente, pede o reconhecimento de plano do Crédito de CSLL devidamente retratado na DIPJ, em relação ao saldo negativo inalterado em todas as DIPJ's Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 6 5 retificadoras transmitidas pela empresa, assim como o reconhecimento parcial do saldo negativo de IRPJ, também não alterado nas DIPJ's retificadoras, considerando que: o crédito aproveitado pela Recorrente nas compensações tratadas no presente processo administrativo — saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002 (R$ 23.441.045,99 e R$ 19.237.056,19, respectivamente) encontramse devidamente registrados, na DIPJ apresentada pelo contribuinte. entretanto, apesar disto, a autoridade fiscal, ao examinar a compensação entendeu que, diante da existência de 04 DIPJs (01 original e 03 retificadoras) apresentadas para o anocalendário 2002, os créditos pleiteados (saldo negativo de IRPJ e CSLL) não estariam dotados da liquidez e da certeza necessárias para homologação das compensações. logo, se a lógica adotada pela autoridade fiscal foi a de que a existência de alterações nas informações prestadas na DIPJ trariam incerteza quanto à existência do crédito, esta lógica não poderá ser aplicada ao caso dos créditos de CSLL, pois, o saldo negativo da CSLL (R$ 19.237.056,19) apontado tanto na DIPJ original quanto nas DIPJ's retificadoras permaneceu inalterado em todas as declarações, não havendo, portanto, nenhum indício de tal valor esteja incorreto. quanto aos créditos de IRPJ, registrese que, a princípio, foi informado saldo negativo no valor de R$ 21.295.215,34. Já nas DIPJ's retificadoras, a alteração ocorrida referese ao aumento do valor do benefício fiscal de Isenção e Redução do Imposto (Lucro da Exploração), o que implicou na majoração do saldo negativo de IPRJ para R$ 27.876.299,63. logo, aplicandose ao IRPJ a própria lógica adotada pela autoridade fiscal como fundamento para indeferimento das compensações, deverseia, ao menos, reconhecer de plano o saldo negativo de IRPJ no limite de R$ 21.295.215,34, já que se trata de valor inalterado em todas as DIPJ's. Aponta a insuficiência de fundamentação do despacho decisório, por considerar ser ônus do Fisco apontar os equívocos na apuração do saldo negativo de IRPJ e CSLL e, que a Divisão de Fiscalização, destacando o prazo a iminência do vencimento do prazo para homologação tácita da compensação e, ainda, á impossibilidade fática e jurídica de tal reapuração, não realizou a diligência solicitada pela autoridade fiscal, bem como a própria DIFISI destacou que não havia nenhum indício de irregularidade nas declarações fiscais da empresa. Alega a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do IRPJ do anocalendário 2002, já que a diligência requerida pela autoridade fiscal não foi realizada, nem se apontou de forma concreta nenhuma irregularidade eventualmente cometida pela empresa em sua DIPJ. Entende que, “como não houve nenhum auto de infração para alterar a apuração informada pela empresa em sua DIPJ do anocalendário de 2002, temse que o saldo negativo de CSLL e IRPJ registrado na declaração fiscal da empresa não pode mais ser alterado”, pois, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 7 6 Sustenta a homologação tácita da compensação, tendo em vista que: No caso dos autos, o contribuinte protocolou sua declaração de compensação em março de 2003, ao passo que a intimação do despacho decisório de não homologação da compensação ocorreu apenas em 14.04.08. Logo, como será visto, configurada está a homologação tácita da compensação, pelo decurso ' de mais de cinco anos entre o protocolo da compensação e a intimação do despacho decisório. O procedimento administrativo federal de restituição/compensação sofreu importantes alterações no final dos anos de 2002 e 2003, com a publicação das Leis 10.637/02 (fruto da conversão da MP 66/02) e 10.833/03, que modificaram significativamente a redação do art. 74 da Lei n' 9.430/96. Contudo, o prazo de que a Receita dispõe para analisar a compensação requerida é o mesmo de que dispõe para homologar o pagamento antecipado feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qual seja, cinco anos (art. 150, §42) a contar da apresentação do pedido de compensação, que no caso dos autos, ocorreu em 13.03.2003. Sendo assim, se o Fisco deixa transcorrer este prazo sem notificar o contribuinte acerca da regularidade (ou não) do pedido de compensação, o pagamento efetuado tornase definitivo, via homologação tácita da compensação. Sendo assim, é evidente que a declaração de compensação transmitida pela Requerente em março de 2003 já estava tacitamente homologada no momento em que foi cientificada do despacho decisório em questão (ciência da empresa em 14.04.2008), razão pela qual ele não tem o condão de produzir qualquer efeito jurídico válido. No mérito, pretende demonstrar a existência do crédito, considerando que o único documento fiscal hábil a demonstrar a existência do saldo negativo é a DIPJ, tendo sido apresentada DIPJ retificadora, em 17.12.2004. Com base nisso, sustenta que: Na Ficha 06A, atinente à demonstração do resultado (p. 5) (doc.nº 09 da Manifestação de Inconformidade), foi apurado lucro líquido contábil no valor de R$ 687.259.665,80. O valor consignado nesta linha corresponderá ao efetivo lucro ou prejuízo líquido apurado contabilmente. Ainda como forma de fornecer subsídios contábeis para determinação do saldo negativo utilizado, a Recorrente traz aos autos cópia de seu balancete em 31.12.2002, que apura o mesmo resultado (Doc. nº 10 da Manifestação de Inconformidade), bem como razão analítico da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados (Doc. nº 11 da Manifestação de Inconformidade). Partindose do lucro líquido contábil, constante das apurações contábeis e da DIPJ (documento fiscal), e considerando as adições e exclusões, chegase a um lucro real de R$ Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 8 7 198.105.206,47, informado na linha 46, da ficha 09A da DIPJ de 2002 (p.7). Em contrarrazões, a PGFN sustenta, em síntese: a impossibilidade de reconhecimento de plano os créditos de CSLL constantes da DIPJ, bem como a parcela do saldo credor de IRPJ, no montante que não foi alterado nas DIPJ’s retificadoras, visto que, o motivo determinante da não homologação da compensação não reside na apresentação de DIPJ’s retificadoras relativas ao exercício de 2002, mas na ausência, nos autos, de documentos que permitissem ao julgador aferir a efetiva existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado; que o ônus da prova de fato constitutivo do direito incumbe a quem o alega e a declaração de compensação não havia sido suficientemente instruída com documentos que possibilitassem ao Fisco esclarecer a correção das parcelas que compunham o saldo credor do IRPJ e da CSLL; que o Fisco deve, necessariamente, analisar todos os elementos de quantificação do tributo, de modo a poder confrontar o valor recolhido pelo contribuinte com aquele efetivamente devido e que a eventual circunstância de o Fisco não dispor mais de prazo para constituir possível crédito tributário relativo ao período em que teria sido gerado o saldo negativo não afasta o fato de que o contribuinte deve demonstrar a liquidez e certeza de seu crédito; que não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas DCOMP apresentadas, já que o prazo para homologação (5 anos) deve ser aplicado tão somente aos pleitos formulados após o marco de 30 de outubro de 2003, data da edição da Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, visto que, antes disso, não havia qualquer limitação temporal para a respectiva apreciação pela administração fiscal. Ainda que se pretendesse aplicar o referido prazo de 5 anos para homologação aos pleitos anteriores, pendentes de apreciação à época da edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, então, referido lapso, em tais hipóteses, deveria ser contado a partir do mencionado marco, sendo qualquer outra exegese contrária ao princípio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva à legislação de regência; que, ainda que sejam superados os argumentos acima a tese da homologação tácita encontra óbice no fato de que a declaração sob análise foi retificada em 05.02.04 (fls. 5455), data que passou a ser o termo inicial para a análise da compensação pelo Fisco, nos termos de que dispunha a Instrução Normativa SRF nº 460/04. Intimada a recorrente em 14.04.08 do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório da contribuinte e não homologou sua declaração de compensação, restou plenamente atendido o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96; Quanto à alegação de existência do crédito, assevera,“a exemplo do que já decidiu a DRJ, que a recorrente, mesmo por ocasião da manifestação de inconformidade, não supriu a lacuna probatória que impediu a anuência do Fisco com a compensação efetivada, pois deixou de carrear aos autos “extrato da escrituração fiscal que demonstrasse o seu direito creditório, o que fez apenas na aparência, ao mencionar na impugnação a juntada dos documentos de fls. 626/713, que digase, em nada lhe socorrem, até mesmo pela ausência na peça de bloqueio de argumentação que permita inferir, a partir das informações estampadas naqueles documentos, a existência do direito creditório pretendido”. É o relatório. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Tratase de analisar o pedido de compensação apresentado, em 5 de fevereiro de 2004, via DCOMP retificadora (fl. 5455), com crédito no valor de R$ 42.678.102,18. A recorrente, preliminarmente, pede o reconhecimento de plano do “crédito de CSLL” retratado na DIPJ, já que foi mantido o saldo negativo inalterado em todas as DIPJ's retificadoras transmitidas pela empresa, assim como o reconhecimento parcial do saldo negativo de IRPJ, na parte em que não sofreu alteração nas DIPJ's retificadoras. O argumento, segundo a recorrente, lógico, de que se o valor permaneceu inalterado em todas as declarações retificadoras não haveria nenhum indício de que tal valor estaria incorreto, permitindo o reconhecimento do crédito de forma sumária não encontra respaldo no ordenamento jurídico. Dos autos se extrai que a autoridade fiscal, ao analisar a DCOMP em questão, constatou que a recorrente apresentara, relativamente ao anocalendário de 2002, quatro DIPJ’s, em que foram modificados os valores das parcelas formadoras do saldo credor de IRPJ (valor das deduções a título de isenção e redução do imposto devido, PAT, valor do próprio IRPJ devido e respectivo adicional). O fato de ter havido retificação de DIPJ sem alteração do saldo objeto de pedido de restituição/compensação em nada afeta a obrigatoriedade de comprovar o crédito pleiteado. Se não havia indícios de irregularidade na composição dos saldos negativos, a Administração Tributária, muito provavelmente, não determinaria sua verificação de ofício. Todavia, a partir do momento em que o contribuinte pretende se valer de um alegado direito, deve fazer prova dele, a menos que ocorra a homologação tácita. Nessa questão preliminar invocada, não se trata de ceder a indícios, mas de atender à regra de ônus da prova. A recorrente aponta a insuficiência de fundamentação do despacho decisório. Verificase que consta dos autos a proposta da DRJ de realização de diligência, “tendo em vista que não existem nos autos quaisquer documentos que levem à convicção quanto à existência do crédito alegado, e, especialmente, para que sejam atendidas as disposições contidas no artigo 170 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66” (fl. 89/90). Em razão do pedido de diligência, o contribuinte foi intimado (fl. 93) a apresentar, no prazo de dez dias úteis, os seguintes documentos: “PERÍODO: 01/01/2002 A 31/12/2002 1 – Livro Razão (IN 86/2001, regulamentada pelo ato declaratório executivo Cofis 15/2001). 2 – Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 10 9 3 – Documentação comprobatória, referente as deduções relacionadas na DIPJ/2003 (pág. 13)” Todavia, a interessada não atendeu a essa intimação, consoante descrito no despacho de fl. 92. A partir disso, então, a autoridade fiscal manifestouse no sentido da impossibilidade de atender ao pedido de diligência (fls.96/97). O Parecer Diort/EQPEJ nº 58/2008, editado em seguida, concluiu que, “em virtude de o interessado, regularmente intimado, não ter apresentado a documentação comprobatória do crédito aqui pleiteado, não se comprovou de forma inequívoca o indébito fiscal, tudo conforme o disposto no art. 36 da Lei 9.784, de 1999” (fl. 105), o que foi confirmado pelo despacho decisório (fls. 107) que não reconheceu o direito creditório pleiteado pela interessada e não homologou as respectivas compensações. Como se vê, o despacho decisório foi perfeitamente justificado e motivado em razão da falta de comprovação do direito creditório pleiteado pela recorrente. Quanto à alegação de decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do IRPJ do anocalendário 2002, tampouco tem razão a recorrente. No denominado lançamento por homologação, ocorre a chancela, pela Administração Tributária, dos procedimentos adotados pelo contribuinte na produção da norma individual e concreta de incidência tributária, quando a autoridade fiscal, após verificar a correta apuração do crédito tributário, convalidará os atos praticados, com a consequente extinção do crédito tributário apurado, dentro do prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência dos respectivos fatos geradores, nos termos do art. 150, §§1º e 4º combinado com o art. 156, ambos do CTN. Neste caso, estáse diante de verdadeiro prazo decadencial do direito da Administração Tributária de verificar a correção da apuração do crédito tributário, após o qual não poderá ser realizado lançamento de ofício em caráter suplementar previsto no art. 149, inciso V, do CTN. De outro lado, em relação ao pedido de compensação de saldo credor de IRPJ e CSLL, tal regra não se aplica, visto que se trata de verificar a apuração da composição do saldo resultante de recolhimentos efetuados a maior durante o período. Aquela chancela prevista no art. 150, §§1º e 4º do CTN atinge apenas o tributo efetivamente devido em face da legislação tributária aplicável, não se aplicando neste caso, em que a apuração do indébito tributário é efetuada pelo contribuinte. Assim, mesmo que já transcorridos mais de cinco anos desde a apresentação das DIPJ nas quais foram consignados saldos negativos de IRPJ e CSLL, inexiste previsão de confirmação tácita dos montantes creditórios apurados a tal título, ainda que silente a Administração Tributária. O fato de, em relação ao fato gerador do tributo ou contribuição, ter sido superado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário em nada prejudica o direito de se verificar a formação do saldo credor de IRPJ e de CSLL para fins de restituição/compensação, visto que, neste caso, não existe previsão de convalidação da apuração do indébito pelo contribuinte em face do decurso do prazo. Assim, equivocase a recorrente ao sustentar que “a Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 11 10 permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto)”. Aqui vale ressaltar que a verificação da liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte em sede de procedimento de compensação constitui não somente um poder, mas um dever conferido às autoridades fiscais, à luz do CTN, que dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Nesse sentido, cabe citar a lição de Paulo Cesar Conrado (in “Compensação Tributária e Processo (nos termos da Lei Complementar n. 104, de 10 de janeiro de 2001)”, Ed. Max Limonad, p. 155), in verbis: A compensação consubstancia um procedimento cometido ao contribuinte, tal como se passa no lançamento por homologação, em que há o asseguramento à Administração do direito (um dever em rigor) de verificar a regularidade do ato compensatório, o que quer significar que, ao lado do direito subjetivo do contribuinte de compensar, coexiste o dever da Administração de verificar se a compensação foi efetivada de acordo com os critérios e diretrizes a que está jungido o contribuinte, além, por óbvio do plano quantitativo. A recorrente ainda sustenta a homologação tácita da compensação, alegando que apresentou DCOMP em 13/03/2003 e que só tomou ciência do despacho denegatório da homologação em 14/04/2008. O prazo para a Administração Tributária homologar a compensação encontra se previsto no § 5° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96, in verbis: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Como relatado, contudo, a referida DCOMP foi retificada em 05/02/2004 (fls.54/55), data que passou a ser o termo inicial para a análise da compensação pela Receita Federal do Brasil. Em relação às outras DCOMP (relacionadas à fl. 103), verificase que foram transmitidas à base de dados da RFB em data posterior a 14/04/2003, o que foge ao alcance do instituto da homologação tácita. No mérito, a recorrente pretende demonstrar a existência do crédito, baseado nas informações da DIPJ. Equivocase a recorrente ao sustentar que o saldo negativo de IRPJ e de CSLL registrado na DIPJ é a prova que lhe caberia apresentar. A própria recorrente cita que “caberia ao Fisco, por exemplo, questionar: (i) o valor da base de cálculo do IRPJ e suas adições e exclusões, (ii) as deduções de incentivos fiscais (PAT, Operações de caráter cultural e Atividades de audiovisual), (iii) redução de IRPJ calculados sobre o lucro da exploração, Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 12 11 (iv) o valor das retenções realizadas por fontes pagadoras de órgãos públicos, (v) o efetivo pagamento de IRPJ/CSLLEstimatiavas.” O fato é que a recorrente foi intimada a apresentar o Livro Razão, o LALUR, bem como a documentação referente às deduções relacionadas na DIPJ/2003 (fl.96), nada apresentando. Na manifestação de inconformidade, afirmou (i) que seu crédito já fora declarado em DIPJ entregue tempestivamente e (ii) que o auditor responsável por empreender nova diligência afirmara que o fato da RFB não ter préquestionado os valores declarados depõe pela ausência de indícios de irregularidades. A fim de comprovar o crédito de saldo negativo, nos termos informados na DIPJ/2003, apresentou (a) balancete; (b) razão analítico da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados e (c) Parte A do LALUR (fls.626/838). Competindolhe o ônus de demonstrar o direito alegado, a mera juntada de documentos fiscais, de forma incompleta, pois, além de desacompanhado de demonstrativos de cálculos, sem o acompanhamento da documentação referente às deduções relacionadas na DIPJ/2003, quais sejam, “operações de caráter cultural e artístico, PAT, Atividade áudio visual, Isenção e redução do Imposto, IRRF, IRRF por órgão público e IRPJ e CSLL pagos por estimativa”, conforme solicitado no Termo de Intimação (fl.93), não permite que se acate o pleito da recorrente. Diante do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta – Redatora designada Em que pese às razões expostas pela ilustre relatora, peço licença para dela discordar em relação apenas ao reconhecimento da decadência do direito do Fisco refazer a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativos ao anocalendário 2002. Os artigos 2º, 6º e 28 da Lei nº 9430/96 estabelecem que as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do IRPJ com base no lucro real, devem seguir o mesmo regime para a apuração da CSLL. Uma vez optado pela apuração com base no lucro real, essas pessoas jurídicas estão também obrigadas à realização mensal de pagamentos desses tributos a título de antecipação, sob o regime de estimativa. Da mesma forma que estão obrigadas ao recolhimento mensal das estimativas, também estão obrigadas à incidência desses tributos (IRPJ e CSLL) na fonte, também devidos a título de antecipação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário ou períodobase, se não for coincidente. Vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Parágrafo 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. (...) Parágrafo 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os parágrafos 1º e 2º do artigo anterior. Parágrafo 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 14 13 Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir. Parágrafo 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, se positivo, observado o disposto no parágrafo 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Parágrafo 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o parágrafo 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Parágrafo 3º O prazo a que se refere o inciso I do parágrafo 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. Art. 28 Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1ºa 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 desta lei.” Assim, ao final do anocalendário (ou períodobase se não coincidir com o final do anocalendário), as pessoas jurídicas, que optarem pela apuração do IRPJ e CSLL com base no lucro real, deve confrontar o valor do IRPJ e da CSL devidos (apurados no final do anocalendário ou do períodobase) com as antecipações efetuadas no seu decorrer. Consideramse como antecipações tanto as apuradas com base nas estimativas mensais (receita bruta e acréscimos) como as retenções desses tributos feitas pela fonte pagadora. É de se ressaltar que o IRPJ e CSLL devidos ao final do períodobase ou anocalendário devem ser calculados nos estritos termos da legislação vigente, considerando todos os aspectos relativos a tal apuração. Como resultado dessa confrontação, teremos: i) apuração de saldo positivo desses tributos, portanto IRPJ e CSLL a pagar ou obrigação de liquidar o crédito tributário junto ao Fisco, tendo em vista que o valor das antecipações pagas com base em estimativas mensais ou por retenção da fonte pagadora foram inferiores aos tributos devidos ao final do períodobase; ii) apuração de saldo negativo desses tributos, portanto IRPJ e CSLL a restituir ou ressarcir, portanto o Fisco tem a obrigação de devolver (via restituição ou ressarcimento) determinado valor à contribuinte, tendo em vista que os valores pagos a título de antecipação, mediante estimativa mensal ou retenção pela fonte pagadora, foram maiores que os tributos devidos ao final do períodobase; ou, Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 15 14 iii) apuração de saldo nenhum ou a inexistência de saldo negativo ou positivo, quando os valores pagos a título de antecipação (estimativa mensal ou retenção na fonte) foram iguais aos devidos ao final do períodobase. Para o nosso caso em comento, o que ocorreu foi que a Recorrente efetuou recolhimentos de antecipações de IRPJ e CSLL durante o anocalendário de 2002 que superaram o valor do IRPJ e CSLL devidos no seu encerramento, logo, apurouse saldo negativo de IRPJ e de CSLL ao final do anocalendário de 2002, que é o valor que o Fisco deve restituir ou ressarcir à Recorrente. Isto é, a Recorrente efetuou pagamento a maior de IRPJ e de CSLL em virtude das antecipações efetuadas ao longo do anocalendário de 2002 (estimativas mensais e retenções suportadas na fonte) terem superado o valor do IRPJ e CSLL devidos no término do mesmo anocalendário de 2002. Em virtude de ter apurado saldo negativo de IRPJ e de CSLL, o qual restou adequadamente demonstrado em sua DIPJ/2003 – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica entregue em 2003 e retificada em 17 de dezembro de 2004. Como podemos ver, a existência e exatidão do saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurados ao final do anocalendário de 2002 pela Recorrente, implica, ao final, em “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, que é uma atividade do Fisco prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, ou seja, é a atividade de lançamento a ser realizada pelo Fisco. A autoridade fiscal, para verificação da existência e veracidade desse saldo negativo, deve analisar os elementos formadores das bases de cálculo do IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário de 2002, se as receitas, as despesas e os ajustes obrigatórios (adições) ou permitidos (exclusões) por lei foram corretamente observados, bem como se a alíquota e adicional competentes foram também corretamente aplicáveis, a fim de que se identifique se há valor que deveria ser recolhido ao Erário Público ou se há valor que deveria ser restituído/ressarcido à Recorrente. Ou seja, a verificação do saldo negativo do IRPJ e CSLL depende de procedimento de fiscalização para análise da sua exatidão e sua veracidade, consequentemente, sua liquidez e certeza, uma vez que essa verificação implica em análise dos aspectos vinculados à apuração do IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e, caso estejam incorretos, o prazo que a autoridade lançadora tem para sua verificação, correção e lançamento de ofício é o disposto no artigo 150, parágrafo 4º, ou o do artigo 173, I, ambos do CTN. O entendimento pacificado é que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e, consequentemente, submetemse à disciplina do artigo 150 do CTN, ou seja, nesse caso, o responsável pela realização desse ato é a contribuinte, a quem a legislação tributária confere a obrigação de determinar o “quantum” devido e efetuar o seu recolhimento, cabendo à autoridade fiscalizadora tão somente a homologação dessa atividade. É o que dispõe o referido dispositivo legal: “Art. 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 16 15 Em outras palavras, no âmbito administrativo, a homologação significa o ato pelo qual a autoridade administrativa competente confirma ou ratifica atos particulares, a fim de instituir validade jurídica aos mesmos. Assim, conforme o disposto no artigo 142 do CTN , os atos de apuração do crédito tributário, que compreendem: i) verificação da ocorrência do fato gerador; ii) a determinação da matéria tributável; e, iii) o cálculo do montante do tributo devido, são todos privativos da autoridade administrativa. Quando praticados pelo particular, reclamam a figura jurídica da homologação e, após ela, passam a ser tidos, todos eles, como atos administrativos, não praticados pela própria autoridade competente, mas como se assim fossem. Nessa mesma toada, temos o entendimento pacificado no STJ – Superior Tribunal de Justiça de que se o contribuinte declarar determinado montante como tributo devido e não efetuar algum pagamento, o Fisco pode cobrar diretamente, como se depreende da decisão no AgRg no AREsp 177137 / MGAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2012/00984376 DJe 09/04/2014. Vejamos a Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. SÚMULA 393/STJ. ISS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO PARA COBRANÇA DO TRIBUTO INADIMPLIDO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a declaração feita pelo contribuinte afasta a necessidade de homologação formal pelo fisco, sendo o tributo exigível independentemente de procedimento administrativo fiscal" (REsp 1.198.632/SP, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 6/10/10). 2. Dispõe a Súmula 393/STJ: "A exceção de préexecutividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória". 3. Agravo regimental não provido.” (grifos nossos) Então, uma vez o contribuinte informa o tributo devido e não cumpre com sua liquidação, o Fisco pode fazer a cobrança do tributo não pago diretamente, independentemente de lançamento de ofício. Na verdade, sua informação equivale a um lançamento. Mas, para o Fisco rever o lançamento por homologação, há limites temporais a serem observados. No caso do lançamento por homologação, que é o que ocorre com o IRPJ e CSLL, é firmado o entendimento dessa mesma Corte que o prazo é de 5 anos, consoante a decisão que se obteve no REsp 973.733/SC, conforme a Ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 17 16 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed. Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 18 17 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009)." Logo, o Fisco possui o prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, para verificar a exatidão e veracidade dos procedimentos realizados pela contribuinte. Se ficar inerte, o lançamento será considerado homologado e definitivamente extinto o crédito tributário, segundo o parágrafo 4º do mesmo artigo 150 retrotranscrito, a saber: “Parágrafo 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo fraude e simulação.” Para o nosso caso aqui em discussão, a ressalva feita na parte final do normativo não está sob discussão, não houve nenhuma acusação de dolo, fraude ou simulação pela autoridade fiscal. Dessa forma, nos termos do que determina o parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, o Fisco tem cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para verificar se o contribuinte cumpriu corretamente com sua obrigação tributária. Decorrido esse prazo, o lançamento considerase homologado e, conseqüentemente, extinto o crédito tributário. Isto é, consideramse homologadas as atividades desenvolvidas pelo sujeito passivo para a apuração das suas obrigações tributárias, não podendo mais serem alteradas após o prazo de 5 anos. Esse entendimento se confirma quando combinado com o disposto no inciso V e no parágrafo único do artigo 149 do CTN, o qual trata das hipóteses em que o lançamento deve ser feito e/ou revisto de ofício, in verbis: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V – quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 19 18 No caso do lançamento por homologação, o inciso V, acima, diz que é cabível a revisão de ofício desse lançamento quando restar comprovada a omissão e/ou inexatidão por parte da contribuinte. Todavia, a revisão do lançamento deve ser iniciada enquanto não tiver extinguido o direito do Fisco lançar. Isto é, o Fisco pode revisar o lançamento quando houver sido comprovada a omissão e/ou inexatidão antes do prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Como conclusão inicial, mediante a interpretação sistemática dos normativos do Código Tributário Nacional acima transcritos, o Fisco tem o dever de verificar e revisar o lançamento por homologação dentro do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, isto é, 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso em tela, o Fisco se manteve inerte nos cinco anos seguintes à data da ocorrência do fato gerador, 31 de dezembro de 2002, em consequência, a atividade exercida pelo sujeito passivo foi homologada, não podendo mais ser objeto de verificação, lançamento ou mesmo revisão, isto é, a atividade da contribuinte foi legitimada pela autoridade fiscal. Nesse contexto, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, após o transcurso do prazo de decadência do direito de o Fisco efetuar e/ou revisar de ofício o lançamento, tornarseá imutável a apuração dos resultados pelo sujeito passivo, que não mais poderão ser alterados pela fiscalização. É o que depreendemos da Ementa do Acórdão nº 130100.478, Processo nº 10.768.014987/200200, da sessão de 26 de janeiro de 2011: “REVISÃO DE SALDOS NEGATIVOS ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA POSSIBILIDADE.A redução do saldo negativo do IRPJ somente representa revisão do lançamento, submetida ao limite temporal de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, se decorrer de alteração da matéria tributável (base de cálculo após a compensação de prejuízos de períodos anteriores) e da apuração do imposto devido (resultante da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo apurada).” Esse colegiado tem exarado o mesmo posicionamento para o caso de alteração dos saldos dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL e, esclarecemos, o entendimento sobre a verificação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL comina por confirmar o entendimento exarado nesse voto de que decaiu o prazo para o Fisco verificar a adequação das atividades da contribuinte para apuração do cálculo do tributo devido, como veremos em algumas Ementas abaixo transcritas: a)Acórdão n. 10809621, de 28.5.2008: “DECADÊNCIA – ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO – GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.” b) Acórdão n. 10246305, de 17.3.2004: “IRPF – REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 20 19 prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente.” c) Acórdão n. 10806921, de 17.4.2002: “DECADÊNCIA – ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO – GLOSA NO APROVEITAMENTO – Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.” d) Acórdão n. 10706572, de 20.3.2002: “CSLL – BASE NEGATIVA – AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA – DECADÊNCIA – Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência.” Desse modo, a divergência que temos em relação ao entendimento da ilustre relatora está em que, em relação ao pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, o prazo de 5 anos também se aplica, tendo em vista que, como o Fisco não pode mais revisar as atividades do contribuinte executadas durante o anocalendário de 2002, então, o saldo negativo de IRPJ e de CSLL foram homologados ou mesmo legitimados pelo Fisco. O limite previsto no artigo 150, § 4º, do CTN atinge as atividades que a contribuinte executou para chegar à apuração do saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Essas atividades resultaram, ao final do anocalendário de 2002, em saldo negativo, após o confronto com os recolhimentos das antecipações (mediante estimativas ou pela fonte pagadora), sempre em face da legislação tributária aplicável. Ou seja, transcorridos mais de cinco anos desde a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, quando se apurou os saldos negativos de IRPJ e CSLL, legitimouse os montantes creditórios apurados por ter Fisco ficado silente durante esse prazo de 5 anos. A decadência para a constituição do crédito tributário coincide com o reconhecimento do saldo negativo do IRPJ e CSLL por decurso de prazo. Portanto, está correta a Recorrente ao afirmar que “a Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista a declaração fiscal do contribuinte (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto)”. A interpretação sistemática dos normativos do CTN acerca do lançamento e as regras de compensação dispostas no artigo 74 da Lei nº 9430/1996 convivem em harmonia dentro do seu campo de aplicação; e, consequentemente, os processos concernentes às Declarações de Compensação e também Pedido de Ressarcimento/Restituição deve ter sua veracidade e exatidão examinados dentro do prazo previsto pelo CTN, uma vez que o crédito/saldo negativo é resultado das atividades da contribuinte para a apuração do IRPJ e CSLL, tributos em comento. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 1202001.014 S1C2T2 Fl. 21 20 Diante de todo o exposto, o voto, portanto, é no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, redatora designada Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 10/08/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907389/2011-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 89 /2 01 1- 68 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 56 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 65), interpondo recurso tempestivo em 11/11/2013 (fls. 56). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907389/201168 Acórdão n.º 3802002.909 S3TE02 Fl. 68 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000964/2010-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MPF COMPLEMENTAR. VALIDADE.
O MPF consiste em mero elemento interno de controle da administração tributária, razão pela qual não deslegitima o lançamento tributário. Ademais, com a emissão do primeiro MPF o contribuinte tomou conhecimento das razões e demais características do procedimento fiscal, não se vislumbrando, pois, prejuízo à defesa.
ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT.
Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação, mesmo que não esteja inscrita no PAT.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento ALI - Alimentação e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MPF COMPLEMENTAR. VALIDADE. O MPF consiste em mero elemento interno de controle da administração tributária, razão pela qual não deslegitima o lançamento tributário. Ademais, com a emissão do primeiro MPF o contribuinte tomou conhecimento das razões e demais características do procedimento fiscal, não se vislumbrando, pois, prejuízo à defesa. ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação, mesmo que não esteja inscrita no PAT. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento ALI - Alimentação e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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VALIDADE. O MPF consiste em mero elemento interno de controle da administração tributária, razão pela qual não deslegitima o lançamento tributário. Ademais, com a emissão do primeiro MPF o contribuinte tomou conhecimento das razões e demais características do procedimento fiscal, não se vislumbrando, pois, prejuízo à defesa. ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação, mesmo que não esteja inscrita no PAT. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 09 64 /2 01 0- 64 Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento ALI Alimentação e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000964/201064 Acórdão n.º 2403002.571 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 09 35.680, fls. 1318/1334, que julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.256.0539 (PATRONAL+SAT+CONTRIBUINTE INDIVIDUAL+COOPERATIVA), na qual pretende o recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, incidente sobre os pagamentos efetuados aos segurados empregados e contribuintes individuais, correspondentes: a) à quota patronal; b) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT; c) contribuição sobre os pagamentos a pessoas físicas referente a serviços prestados, onde a base de cálculo corresponde à contribuição de 20% sobre o valor bruto do pagamento efetuado ao contribuinte individual (autônomo); d) contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O Auto de Infração abrange as competências 01/2006 a 12/2007, incluído o 13º salário, lavrado no importe de R$ 20.006,51 (vinte mil seis reais e cinquenta e um centavos), na qual foram criados os seguintes levantamentos, segundo Relatório Fiscal, fls. 437/443: FPN – FOLHA DE PAGAMENTO Demonstra as contribuições devidas sobre as remunerações pagas e/ou devidas ou creditadas aos servidores, nos termos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91. PAN – PAGAMENTO CONTR. INDIVIDUAL Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas referente a serviços prestados, onde a base de cálculo corresponde à contribuição de 20% sobre o valor bruto do pagamento efetuado ao contribuinte individual (autônomo), (Decreto 3048/99, art. 201, II). CTD – ASSESSORIA CONTÁBIL Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas referente a serviços prestados com assessoria contábil, onde a base de cálculo corresponde à contribuição de 11% sobre o valor bruto do pagamento efetuado, (Decreto 3048/99, art. 201, II). Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 ALI – ALIMENTAÇÃO Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de alimentação sem inscrição no PAT, (Decreto 3048/99, art. 214, § 9º e § 10). UNI – COOPERATIVA DE TRABALHO Serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho – UNIMED (Dec. 3048/99, art. 201, III) PRO – PRÓLABORE Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de prólabore, onde a base de cálculo corresponde à contribuição de 20% sobre o valor bruto do pagamento efetuado, (Decreto 3048/99, art 201, II). Foram analisadas Folhas de pagamento, Arquivos magnéticos, recibos e banco de dados da Receita Federal para apuração das contribuições acima, as quais não foram declaradas em GFIP. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 460/502. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, DRJ/JFA, prolatou o Acórdão n° 09 35.680, fls. 1318/1334, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Debcad: 37.256.0539 CUSTEIO. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. PAT. COOPERATIVA DE TRABALHO DIREITO A DEFESA E AO AMPLO CONTRADITÓRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. A empresa é obrigada a recolher a contribuição destinada à Seguridade Social para o FPAS (20%) e SAT (1%), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço, bem como, 20% sobre a remuneração paga ou devida aos segurados contribuintes individuais. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é válido pelo prazo de 60 dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com ciência ao contribuinte através do Termo de Continuidade da Ação Fiscal ou de qualquer ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000964/201064 Acórdão n.º 2403002.571 S2C4T3 Fl. 4 5 CERCEAMENTO DE DIREITO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. VERDADE MATERIAL. Não comportam as alegações de cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa os processos administrativos que expõem claramente os fatos geradores que originaram o lançamento fiscal, bem como os dispositivos legais infringidos, dando ao contribuinte a perfeita compreensão dos fatos ocorridos. Não cabe invocar os princípios da verdade material quando a autoridade lançadora age dentro dos critérios da legislação, com moderação e justiça, e ainda realiza busca incessante e carreia aos autos provas a respeito da matéria tratada. PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. Considerase não formulado o requerimento genérico de realização de perícia, sem o atendimento de requisitos legalmente previstos. A prova pericial destinase ao julgador que, quando considerála imprescindível, poderá determinála de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 1344/1367, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Nulidade do Auto de Infração por ausência de clareza na descrição dos fatos, culminando no cerceamento do direito de defesa; 2. Falta de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, de modo que todos os atos praticados pelo agente fiscal após o decurso do prazo do MPF são nulos de pleno direito; 3. Documentos não fiscais, inclusive supostos recibos de desconhecidos alheios à empresa recorrente, ou sem identificar o pagador, ou até mesmo sem indicar o pagamento jamais teriam o condão de autorizar, per si, a conclusão no sentido de que houve falta de recolhimento das contribuições previdenciárias; 4. Todos os pagamentos referentes aos funcionários estão devidamente lançados em GFIP; 5. Requer a realização de prova pericial a fim de apurar equívocos cometidos pelo auditor fiscal, tais como documentos não contábeis É o relatório. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 1370, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO CONHECIMENTO EX OFFICIO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Primeiramente, cabe discorrer acerca da possibilidade do reconhecimento de ofício a qualquer tempo, por parte do julgador, de questões afetas à ordem pública, independentemente de eventual suscitação por parte do Recorrente. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, como órgão máximo julgador dos processos administrativos fiscais na esfera federal, tem por fim precípuo o controle da legalidade dos atos administrativos praticados pelos agentes fiscalizadores e demais servidores públicos integrantes da Administração Tributária. Decorrência lógica é o dever da Administração de anular os atos por ela praticados quando verificados vícios de legalidade, conforme o comando emanado do art. 53 da Lei nº 9.784/99, o qual regula os processos administrativos federais, assim dispondo: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Vêse que não se trata de uma faculdade da Administração, mas sim imperativo categórico que prevalecerá sempre que a legalidade for afrontada, independentemente de alegação dos sujeitos envolvidos ou instância processual. Isso porque o que se pretende salvaguardar, no caso em lume, transcende os interesses de determinado contribuinte para alcançar o interesse do Estado e da sociedade. Cuidase, pois, de questões de ordem pública, nas quais se pretende proteger bem jurídico reconhecidamente valioso para o Estado Democrático de Direito. Por tal razão é que este Conselho deve apreciar todas as questões de ordem pública, a qualquer tempo, ainda que não suscitadas no processo, a fim de preservar sua finalidade precípua de controlar a legalidade dos atos administrativos. Tal comando é corroborado, inclusive, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme julgados, cujas ementas a seguir são transcritas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000964/201064 Acórdão n.º 2403002.571 S2C4T3 Fl. 5 7 NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. De conformidade com os artigos 2º e 53 da Lei nº 9.784/1999, a Administração deverá anular, corrigir ou revogar seus atos quando eivados de vícios de legalidade, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a multa de ofício aplicada no lançamento não encontra sustentáculo na legislação de regência. A atividade judicante impõe ao julgador a análise da legalidade/regularidade do lançamento em seu mérito e, bem assim, em suas formalidades legais. Tal fato, pautado no princípio da Legalidade, atribui a autoridade julgadora, em qualquer instância, o dever/poder de anular, corrigir ou modificar de ofício o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito, sobretudo quando se referir à matéria de ordem pública (ilegalidade/irregularidade do lançamento), hipótese que se amolda ao caso vertente. Recurso especial negado. (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma. Processo nº 10183.005264/200525. Acórdão nº 9202002.904. Sessão de 12 de setembro de 2013. Conselheiro Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1994, 1995, 1996 MULTA DE OFÍCIO – CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSO POR LIMINAR – MATÉRIA SUMULADA – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública, principalmente quando se trata de matéria sumulada. (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Processo nº 10880.003243/9746. Acórdão nº 9101001.497. Sessão de 25 de outubro de 2012. Conselheiro Relator João Carlos Lima Júnior) Com efeito, o entendimento da Câmara Superior deste Conselho também se alastra aos julgados proferidos pelas Seções de Julgamento que o integra, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. Por ser matéria de ordem pública, a decadência pode ser declarada a qualquer tempo, inclusive de ofício. Todavia, tratandose de tributos sujeitos ao pagamento por homologação, inexistindo pagamentos nos períodos lançados deve ser observado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária. Processo nº 18471.002199/200542 . Acórdão nº 1302001.014. Sessão de 08 de novembro de 2012. Conselheiro Relator Luiz Tadeu Matosinho Machado) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. A constituição do crédito tributário se deu por meio da lavratura do auto de infração e não respeito o prazo qüinqüenal legal. Como se trata de matéria de ordem pública, a decadência deve ser reconhecida de ofício. (...) (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. Processo nº 10530.723471/201116. Acórdão nº 2201002.130. Sessão de 15 de maio de 2013. Conselheiro Relator Eduardo Tadeu Farah) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA APLICADA EX OFFICIO. GARANTIA CONSTITUCIONAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A lei tributária posterior à ocorrência da infração, que for mais benéfica em relação à penalidade imputada ao contribuinte, deverá ser aplicada retroativamente sobre atos não definitivamente julgados e, por se tratar de garantia constitucional, pode ser suscitada ex officio pelo julgador, em razão de tratarse de matéria de ordem pública. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000964/201064 Acórdão n.º 2403002.571 S2C4T3 Fl. 6 9 (CARF. 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária. Processo nº 19515.000716/200558 . Acórdão nº 3402002.238. Sessão de 24 de outubro de 2013. Conselheiro Relator João Carlos Cassuli Junior) Portanto, a legalidade dos atos administrativos dos agentes fiscalizadores, precipuamente no que tange ao lançamento, devem ser apreciadas de ofício e a qualquer tempo pelo julgador, por tratar de matéria afeta a ordem pública. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E VALIDADE Um auto de infração, para que seja válido, é imprescindível que esteja em consonância com os requisitos previstos no art. 142 do CTN, dispositivo este que não contempla a necessidade de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Isso porque o MPF consiste tão somente em instrumento de controle interno da Receita Federal para organização das autuações e fiscalizações a que está incumbida. A ciência do MPF confere ao contribuinte o conhecimento do início de uma fiscalização, onde contém todas as informações acerca da fase inquisitória. Entretanto, eventual decurso de prazo sem a emissão de MPF Complementar não deslegitima o lançamento tributário, eis que o contribuinte já se encontra ciente de todos os trâmites do processo fiscalizatório. Não é outro o entendimento deste Conselho, tendo sido tal matéria já enfrentada e pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, in verbis: (...) NORMAS PROCESSUAIS. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeira Turma. Processo nº 13116.001419/200112. Acórdão nº 0106.100. Sessão de 02 de fevereiro de 2009. Conselheiro Presidente e Redator Designado Antônio José Praga de Souza) ____________________________________________________ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NORMAS PROCEDIMENTAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EMISSÃO COM FALHAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. São válidos os lançamentos precedidos de MPF ainda que a prorrogação não seja imediatamente após o vencimento do documento anterior, resultando lapso temporal não coberto por mandado. Com emissão do primeiro documento, o contribuinte tomou ciência do motivo e demais características do procedimento fiscal, não se vislumbrando prejuízo à defesa. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Portanto, não merece prosperar a alegação de nulidade relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ALIMENTAÇÃO SEM A COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT Um dos levantamentos da autuação em epígrafe referese à rubrica alimentação, sem a devida inscrição no PAT através de vale refeição, nos termos da Lei n. 6.321/76. Contudo, é pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento de alimentação, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000964/201064 Acórdão n.º 2403002.571 S2C4T3 Fl. 7 11 apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.’” Razão pela qual, não deve incidir contribuição previdenciária em relação à rubrica de alimentação. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS NÃO FISCAIS PARA EMBASAMENTO DA AUTUAÇÃO E SUPOSTO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES A Recorrente alega que foram utilizados documentos não fiscais e não pertencentes à ela para a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, é possível verificar, inclusive nas razões recursais elaboradas pela Recorrente, que os documentos mencionados foram entregues pela própria Recorrente, que os mantinham arquivados. Mesmo levando em consideração que tais documentos não foram contabilizados pela empresa, por outro lado constituem elemento apto a fazer prova das remunerações por prestações de serviços realizados por pessoas físicas à empresa, mesmo que tais pagamentos e contratação de mãodeobra não façam parte do seu quadro permanente de empregados. Quanto ao argumento de que todos os pagamentos referentes aos funcionários estão devidamente lançados em GFIP, cabe afirmar que a autuação toma por base outros elementos para verificação das irregularidades presentemente apontadas, usando outros documentos para formação da base de cálculo das contribuições previdenciárias. O auditor fiscal, conforme se vê, estava ciente das guias de recolhimento, cujos valores coincidem com as folhas de pagamento. Entretanto, os valores presentemente lançados não se encontram contabilizados nas folhas de pagamento. PEDIDO DE PERÍCIA Conforme amplamente demonstrado, não pairam dúvidas acerca da autuação realizada pela autoridade fiscal. Ademais, quanto aos documentos apresentados pelo Recorrente, em sede de impugnação, o Relator do processo na DRJ consignou em seu voto, fl.614, que todos os documentos. Dentre eles declaração do imposto de renda, folhas de pagamento, GFIP e comprovantes de pagamento do FGTS foram analisados e caracterizados como insuficientes para alterar ou anular o feito fiscal. Assim procedeu a autoridade julgadora, em consonância com o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que não verificou circunstâncias relevantes que permita a realização da prova pericial, muitas vezes utilizadas quando demande um juízo técnico acerca da interpretação dos fatos, o que não ocorreu no caso em tela, tendo em vista que se trata de provas de cunho documental. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 RECÁLCULO DA MULTA Inobstante a realização de recálculo da multa com elaboração de tabela comparativa em sede de decisão de primeira instância, imperioso tecer algumas considerações em face do equívoco da DRJ na realização do recálculo. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000964/201064 Acórdão n.º 2403002.571 S2C4T3 Fl. 8 13 Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir o levantamento ALI – Alimentação bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13971.720010/2008-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 10 /2 00 8- 95 Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 01/08/2007, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 22824.99471.010807.1.1.090341,, de créditos da apuração não cumulativa de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofinsexportação, no valor de R$ 253.416,87, referente ao primeiro trimestre de 2007. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório Saort/DRF/BLU nº 105/2009, fls. 976 a 994, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 197.437,83. A glosa no valor de R$ 55.979,04 deveuse às seguintes irregularidades constatadas na tomada de créditos: 1 "Bens utilizados como insumos aquisições no mercado interno": inclusão indevida, na base de cálculo dos créditos, do valor dos insumos devolvidos; 2"Serviços Utilizados como Insumos": Do transporte rodoviário de cargas CTRC’s emitidos irregularmente: Dentre as principais irregularidades, destacamse: i) muitas das notas fiscais informadas nos CTRC não estavam registradas no Livro Registro de Entrada, ou seja, não figuravam nos registros fiscais e/ou contábeis da requerente; ii) a emissão de CTRC foi em data posterior à de prestação do serviço de transporte, o que é expressamente vedado pelo art. 65 do RICMS/SC e a nota fiscal informada no CTRC é de valor inferior ao nele informado; Consta ainda que os problemas de preenchimento ocorreram exclusivamente com os transportadores locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente; que o registro de tais serviços muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada, e que as distancias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no mercado. Entendeu a fiscalização que, em razão das inconsistências encontradas, a aferição da idoneidade dos documentos restou prejudicada, razão pela qual efetuou a glosa da totalidade dos CTRC de CFOP 1.352. Das outras entradas de mercadoria ou prestação de serviço: houve discrepância entre o valor da base de cálculo para os créditos relativos aos "Serviços utilizados como insumos", adotada na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte, conforme o CFOP 1.949, e aquele apurado a partir do Livro Registro de Entradas (LRE), constatandose que a quase totalidade do valor solicitado não encontra respaldo na escrita fiscal; que os serviços indicados nos demais CFOP, a principio, não correspondem a serviços utilizados como insumos, o que gerou a glosa da totalidade desses valores. 3. Glosa de Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, visto que os contratos de locação apresentados tinham por objeto caminhões e carrocerias, veículos, que não podem se caracterizar como máquinas utilizadas no processo produtivo da empresa, pelo que houve a glosa dos valores informados na ficha respectiva do Dacon. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 1.024 a 1.029), o interessado controverte as seguintes glosas: Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720010/200895 Acórdão n.º 3403003.058 S3C4T3 Fl. 1.321 3 Dos Serviços Utilizados Como Insumos: quanto aos CTRCs glosados (CFOP 1.352), alega que os vícios formais referentes aos fretes nas aquisições não existem, quando muito se tratam de meras irregularidades; que a empresa contratava fretes de terceiros que faziam o transporte da madeira vinda das florestas até o seu estabelecimento; que o frete era efetuado por pessoas humildes que, por vezes, possuem apenas um caminhão, as quais emitiam uma nota fiscal conjunta onde mencionavam a totalidade dos serviços prestados em um determinado período; que a referida falha não prejudicou o Fisco, porquanto não houve omissão quanto aos valores dos fretes. No que tange à ausência de escrituração das notas fiscais, alega que, nos casos de importação, o transporte é feito com a Declaração de importação e para escriturála emitese nota fiscal da própria empresa; na compra de insumos de pessoas físicas, o transporte é feito com a nota de produtor rural, e, para escriturála, da mesma forma, é necessária a emissão da Nota Fiscal pela própria empresa. Das outras entradas de mercadoria ou prestação de serviço (CFOP 1.949): alega ter agido acertadamente ao lançar no CFOP 1.949 os valores despendidos com serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas. Esclarece que as notas foram lançadas apenas nos livros contábeis, que não podem ser lançadas nos livros fiscais pelo fato dos prestadores de serviço não possuírem apenas inscrição municipal e, assim, embora não estejam no LRE, foram devidamente contabilizadas. Sustenta que o fisco não poderia ter glosado sumariamente todos os valores e junta a relação dos serviços utilizados como insumos (CFOP 1.949) e as respectivas notas fiscais. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 07020.492, de 07020.492, fls. 1.233 a 1.240, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é anus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.247 a 1.273, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre o sistema de distribuição do ônus da prova no processo administrativo, articulandoo com o princípio da verdade material, para concluir que não se pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que este não logrou êxito na comprovação de seu direito. No mérito, rechaça a vinculação da tomada de crédito por fretes pagos no transporte de insumo com a natureza do bem transportado. Invoca a Lei de Regência. Explica que para a árvore chegar até a indústria, é necessário que haja um meio de transporte que a leve ao local e que esta condução normalmente é feita pela própria a empresa contratada para 0 corte da árvore. Refere soluções em processos de consulta. Aduz que o fato de os transportes se referirem, em parte, a produtos adquiridos de pessoas físicas, não tem o condão de limitar ou excluir a possibilidade da percepção de créditos. Insiste na regularidade dos conhecimentos que ampararam o creditamento. Alternativamente, pede que se retornem os autos à DRJ para análise do crédito. Quanto à glosa de serviços não especificados, registrados sob o CFOP 1949 e 2949, pugna pela adoção do conceito econômico de insumo e se admita a tomada de crédito sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e serviços de fumigação, haja vista que tais produtos são considerados como insumo, sendo, igualmente, integrado ou consumido no processo de produção de mercadorias industrializadas destinadas ao exterior. Destaca que seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. Da mesma forma, considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente eis que indispensáveis à obtenção do resultado final a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção das máquinas e veículos. Pede provimento. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720733/200975, 13971.720734/200910, 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/200940, 13971.720779/2009 94, 13971.720782/200916, 13971.720926/200764, 13971.903959/201124, 13971.903960/201159, 13971.904248/201177, 13975.000308/200501 e 13975.000309/200547, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720010/200895 Acórdão n.º 3403003.058 S3C4T3 Fl. 1.322 5 Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.247 a 1.273 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07020.492, de 9 de julho de 2010. Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito do ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do direito à tomada de crédito sobre as despesas de amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas, sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e fumigação de contêineres. Tenho notícia de que ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358476.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas seja por nota fiscal, seja por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000461/200368, 13975.000462/200311, 13975.000495/200352, 13975.000019/2004 12, 13975.000197/200524, 13975.000196/200580, 13975.000189/2005 88, 13975.000187/200599, 13975.000185/2005 08, 13975.000183/200519, 13971.720004/200838, 13971.720005/200882, 13971.720006/200827, 13971.720007/2008 71, 13971.720729/200915, 13971.720730/200931, 13971.903970/201194, 13971.903957/201135, 13971.903961/2011 01, 13971.903963/201192, 13971.911478/2011 92, 13971.911479/201137, 13971.002001/200657, 13975.000190/2005 11, 13975.000188/200533, 13975.000186/200544, 13975.000184/200555, 13971.002002/2006 00, 13971.720008/2008 16, 13971.720009/200861, 13971.720010/200895, 13971.720011/200830, 13971.720012/200884, 13971.720726/2009 73, 13971.720727/2009 18, 13971.720728/200962, 13971.903971/201139, 13971.903958/201180, 13971.903962/2011 48, 13971.903964/201137, 13971.911480/201161, 13971.911481/2011 14, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção das primeira matéria, as demais foram submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte. Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte Em que pese a dissertação da recorrente, comungo integralmente com as considerações sobre a distribuição do ônus probatório tecidas pela relatora da decisão recorrida, AFRFB Marisa Soares Mondadori. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720010/200895 Acórdão n.º 3403003.058 S3C4T3 Fl. 1.323 7 Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, por negar provimento. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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