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Numero do processo: 10510.003425/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código
Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta,
nas esferas federal, estadual e municipal. REMUNERAÇÕES
DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS..
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sobre as remunerações pagas,
creditadas ou devidas aos segurados contribuintes individuais incidem contribuições previdenciárias.
Recurso de Ofício e Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.372
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar
provimento ao recurso de ofício; e II) negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados contribuintes individuais incidem contribuições previdenciárias. Recurso de Ofício e Voluntário Negado.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados contribuintes individuais incidem contribuições previdenciárias. Recurso de Ofício e Voluntário Negado. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; e II) negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10510.003425/200759 Acórdão n.º 2401002.372 S2C4T1 Fl. 371 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal, em decorrência de pagamentos efetuados aos seus segurados empregados e contribuintes individuais. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 151 a 156, o lançamento foi efetuado com base nos valores pagos à contribuintes individuais, por segurados empregados e segurados empregados ocupantes de cargos em comissão, por segurados empregados contratados para frente produtiva emergencial, por contribuintes individuais condutor autônomo de veiculo rodoviário para distribuição de água e por segurados empregados agentes políticos.. O Relatório Fiscal consigna nos itens 3.1 e 3.3 (fl. 152) que o "processo representa valores obtidos por diferença das bases de cálculo, sempre confrontados por segurado" e "cada pagamento mensal é comparado, por segurado, competência e origem da remuneração, a partir de origens distintas". Foram lançados na presente notificação os seguintes levantamentos: AAG Pagamentos a contribuintes individuais autônomos no período anterior à GFIP; ADG Pagamentos a contribuintes individuais autônomos a partir da existência de GFIP; FRA Pagamentos a contribuintes individuais fretes no período anterior à GFIP; FRG Pagamentos a contribuintes individuais fretes a partir da existência de GFIP; FAG Pagamentos a segurados, como definido no art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91, no período anterior à GFIP; FDG Pagamentos a segurados, como definido no art. 12, inciso I e § 6º do mesmo artigo, da Lei 8.212/91, a partir da existência de GFIP; FPE Pagamentos a pessoal em frente produtiva emergencial, como definido no art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91, no período anterior à GFIP; FR1 Pagamentos a contribuintes individuais fretes no período anterior GFIP contratação de transportador autônomo para distribuição de água; FR2 Pagamentos a contribuintes individuais fretes a partir da existência de GFIP contratação de transportador autônomo para distribuição de água; e Fl. 385DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 APG Pagamentos a agentes políticos, como definido no art. 12, inciso I, alínea j, da Lei 8.212/91, a partir da existência de GFIP. O processo foi baixado em diligência para que o Auditor Fiscal esclarecesse o seguinte: I. a origem dos valores lançados (se captados da folha de pagamento ou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social — GFIP informada pelo contribuinte); 2. se há ou não individualização dos credores (dirimindo a aparente contradição acima apontada); 3. o motivo para caracterização do fato gerador, ou seja, esclarecendo como identificou nas contas contábeis (quando for este o caso) a razão pela qual considerou os pagamentos como de segurados empregados (inclusive como chegou A conclusão de pertinência A frente emergencial), contribuintes individuais e contribuintes individuais transportadores autônomos. Foi emitido um Relatório Fiscal Complementar às fls. 213/214 com ciência do contribuinte e apresentação de nova defesa. A decisão de primeira instância excluiu parte do levantamento acolhendo a decadência qüinqüenal aplicando o art. 173, I do CTN para os levantamentos onde não houve antecipação do pagamento e o art. 150, § 4º do mesmo diploma legal para os lançamentos onde verificouse a antecipação. Desta decisão a 5ª Turma da DRJ de Salvador recorre de ofício a este conselho. Inconformada com a decisão de fls. 307/313 que julgou procedente em parte o lançamento, a notificada apresentou recurso voluntário a este conselho alegando em síntese: a) Que o lançamento denominado FR2 Pagamentos a contribuintes individuais fora efetuado sem a devida individualização dos credores dos pagamentos apurados pelo Auditor Fiscal, que em seu RFC não esclareceu as dúvidas contidas na diligência. b) Afirma que o Relator do voto condutor do acórdão incorreu em evidente error in judicando, ao declinar fundamentação em torno da supressão do vicio inicial do lançamento, entendendo satisfatória a justificativa apresenta relativamente à ausência individualização dos credores dos pagamentos que consubstanciaram os supostos fatos geradores; c) Entende que a 5ª Turma de Delegacia Regional de Julgamento chancelou a ilegalidade praticada pelo Auditor responsável pelo ato de lançamento. d) Defende que não houve contabilização inadequada, à vista da qual o Auditor Fiscal teria ficado impossibilitado de apurar, em todos os seus aspectos, os supostos fatos geradores que apurou, não sem nulidade, mediante intolerável presunção. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10510.003425/200759 Acórdão n.º 2401002.372 S2C4T1 Fl. 372 5 e) Sustenta que cumpria ao Auditor analisar o próprio processo de empenho das despesas, no qual poderia buscar elementos mais seguros para a caracterização do fato gerador em seus diversos aspectos, sem o uso de presunções e ficções. f) Alega que o lançamento tributário se presta, justamente, à identificação e individualização dos elementos do fato gerador, nos explícitos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade do ato. Cita doutrina e o art. 37 da Lei 8212/91 para reforçar seu entendimento. g) Conclui que sem a identificação da pessoa contratada e do seu regime de contratação, não há como promover o lançamento, cuja função consiste, justamente, no descortino dos distintos aspectos do fato gerador. h) Por fim, argumenta que a conta contábil fiscalizada, embora possa ostentar a alcunha de "Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física 3.3.90.36", documenta fatos econômicos a partir de um ponto de vista voltado a objetivos, eminentemente, de controle interno, tendo o AF, com excessivo apego ao rótulo, glosado as despesas naquela conta específica.. Requer o provimento do recurso com a declaração da nulidade da NFLD É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Os recursos são tempestivos e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício vem para análise desta turma, em face da do Acórdão 15 17.368 da 5ª Turma da DRJ/SDR que excluiu do lançamento os valores atingidos pela decadência qüinqüenal. Sob este aspecto, entendo que a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. O referido Acórdão somente obedeceu preceito constitucional, uma vez que o STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando e obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Desta forma, correto o julgamento de primeira instância que excluiu da autuação os valores atingidos pela decadência. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Após serem excluídas as competências atingidas pela decadência, a irresignação do recorrente com o presente levantamento, fundamentase na ausência de individualização dos credores dos pagamentos levantados. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10510.003425/200759 Acórdão n.º 2401002.372 S2C4T1 Fl. 373 7 Da análise dos autos, verificase que o Relatório Complementar de fls. 213/214 a autoridade fiscalizadora justificou a origem do levantamento, que decorreu da análise da contabilidade da recorrente que, através do histórico do registro identifica que se refere a pagamento de fretes a condutores autônomos, trabalhadores empregados em frentes emergenciais de trabalho ou contribuintes individuais prestadores de serviços. O Relatório Complementar deixou claro quando ocorrem tais situações, logo, porque o lançamento não individualiza os beneficiários dos pagamentos. Caberia ao recorrente demonstrar que tais valores não se referem aos pagamentos lançados. As contribuições sociais das empresas incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, definidas em percentual sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, estão estabelecidas na Lei 8212/91. O Discriminativo Analítico de Débito — DAD traz os levantamentos por competências para as quais há crédito a constituir por falta de pagamento ou qualquer outra apropriação de extinção. Nos Anexos ao Relatório Fiscal Complementar a Autoridade Lançadora identificou a ocorrência de pagamentos a vários beneficiários consolidados por registro contábil sob as contas de despesas referentes a pessoas físicas. A decisão de primeira instância já exauriu todos os argumentos levantados pelo recorrente, não havendo o que se reformar nesta parte da decisão guerreada. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer dos Recursos e no mérito negarlhes provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 389DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001436/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.224
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1140; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 152 1 151 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001436/200815 Recurso nº 000.000 Resolução nº 2402000.224 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de abril de 2012 Assunto AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES Recorrente GRAFER EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.001436/200815 Resolução n.º 2402000.224 S2C4T2 Fl. 153 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 18/09/2008 para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/01/2004 a 31/12/2004. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 28/68) requerendo a total insubsistência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ, ao analisar o presente caso (fls. 73/79), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) as contribuições previdenciárias não informadas em GFIP não foram recolhidas na época oportuna; (ii) já foi reconhecida a procedência das contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP no processo nº 15586.001434/200826 (NFLD nº 37.182.9178), que discute a contribuição a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, e no processo nº 15586.001433/200881 (NFLD nº 37.182.9160), que discute a contribuição cota patronal; (iii) a multa aplicada não viola os princípios constitucionais do nãoconfisco, capacidade contributiva e o direito de propriedade; (iv) as matérias e valores objetos da presente autuação não estão sendo discutidos em sede administrativa nas NLFDs nºs 37.129.7281 e 37.092.728 1; (v) não foi aplicada a taxa SELIC pois se trata de um auto de infração lavrado em decorrência do descumprimento de uma obrigação acessória; (vi) não foi aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91; e (vii) a multa aplicada deverá, por ocasião do pagamento do crédito, ser comparada com as novas penalidades introduzidas pela MP nº 449/08, para constatação da retroatividade benigna, haja vista que tal comparação depende da fase processual dos processos envolvidos. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 94/138) argumentando que (i) a multa aplicada viola os princípios constitucionais do nãoconfisco, capacidade contributiva e o direito de propriedade; (ii) as matérias e valores objetos da presente autuação estão sendo discutidos em sede administrativa nas NFLDs nºs 37.129.7281 e 37.092.7281; (iii) se o balanço financeiro não contempla valores a título de retirada de prólabore, isso significa tão somente que não houve retirada sob essa rubrica; (iv) a taxa SELIC tem natureza remuneratória, não sendo cabível a sua aplicação em questões tributárias; e (v) há cerceamento de defesa no fato do art. 32 da Lei nº 8.212/91 impor multas progressivas, havendo violação aos arts. 151 do CTN e 5º, inciso LV, da CF. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.001436/200815 Resolução n.º 2402000.224 S2C4T2 Fl. 154 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Da análise das peças que compõem os autos, constatase que as contribuições incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP foram objeto de lançamento em notificações próprias, conforme esclarece o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (fl. 8), onde consta como correlatos ao presente auto de infração os AI’s nºs 37.182.9208, 37.182.9216, 37.182.9151, 37.182.9160, 37.182.9188, 37.182.9186 e 37.182.9194. Além disso, a DRJ mencionou em sua decisão que os lançamentos realizados nos Processos Administrativos Fiscais nº 15586.001434/200826 (NFLD nº 37.182.9178), que trata da contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, e nº 15586.001433/200881 (NFLD nº 37.182.9160), referente à contribuição cota patronal, foram julgados procedentes, justificando que deve ser mantida a presente autuação, decorrente do descumprimento da obrigação acessória pelo não preenchimento adequado da GFIP. Posto isso, entendo que se verifica uma conexão entre os Autos de Infração nº 37.182.9208, 37.182.9216, 37.182.9151, 37.182.9160, 37.182.9188, 37.182.9186 e 37.182.9194 e a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória lavrada no presente processo. Ao realizar a consulta desses processos administrativos no site deste Conselho, constato que apenas os Autos de Infração nº 37.182.9186 e 37.182.9160 estão tramitando nesta instância administrativa, não havendo qualquer informação sobre a fase processual dos demais autos de infração, tampouco sobre a natureza da exigência realizada em cada processo. Assim, uma vez que não há como se realizar o julgamento do presente auto de infração sem que se saiba qual foi o desfecho dos Autos de Infração nº 37.182.9208, 37.182.9216, 37.182.9151, 37.182.9188 e 37.182.9194, reconheço a prejudicialidade para o presente julgamento e determino o envio dos presentes autos à Delegacia de origem para que sejam prestados os seguintes esclarecimentos em relação aos autos de infração acima referidos: a) Se houve pagamento dos débitos lá discutidos, parcelamento ou confissão de dívida. b) Qual o objeto de cada um dos AI’s. c) Se há decisão irrecorrível proferida nos autos acima referidos. Se sim, qual o teor das decisões. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que as providências solicitadas acima sejam realizadas. Intimese a Recorrente para que se manifeste sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 18050.009796/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO
Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
1. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
2. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
3. Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN 1. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. 2. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. 3. Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação Recurso Voluntário Negado.
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De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. 2. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. 3. Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 97 96 /2 00 8- 00 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.009796/200800 Acórdão n.º 2402003.482 S2C4T2 Fl. 219 3 Relatório Tratase de infração ao disposto na Lei nº 8.212/1991, art. 30, inciso I, alínea ‘a’, na Lei nº 10.666/2003, art. 4º, caput e no Decreto nº 3.048/1999, art. 216, inciso I, alínea ‘a’, que consiste em a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls 08/11), a autuada deixou de efetuar o desconto dos segurados sobre os seguintes valores pagos: · A remuneração dos contribuintes individuais, constantes da conta 3.3.02.000015 – Serviços de Terceiros – P. Física, que lhe prestaram serviços. · A remuneração do empregado Hilson de Brito Macedo Filho, apurada na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, documento que serviu de base pra a apuração das contribuições previdenciárias. · O valor das salários utilidade pagos aos empregados na forma de despesas com Assistência Médica, Alimentação e Transporte. · O pagamento a contribuintes individuais (prólabore) referente ao lançamento contábil, efetuado na competência de dezembro/2003, lançado na conta 1.3.05.000001 – Despesas préoperacionais a amortizar, considerado pela fiscalização como fato gerador de contribuição previdenciária, uma vez que o contribuinte não apresentou os documentos de suporte do referido lançamento. Foi caracterizado grupo econômico de fato entre a autuada e as empresas abaixo, as quais foram consideradas solidárias pelo crédito lançado. · Nordeste Segurança de Valores Ltda · Nordeste Transporte de Valores Ltda · Nordeste Segurança e Transporte de Valores Piauí Ltda · Nordeste Segurança e Transporte de Valores Sergipe Ltda · Nordeste Segurança de Valores Ceará Ltda · Nordeste Segurança de Valores Rio Grande do Norte Ltda. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Não foi constatada circunstância agravante e atenuante. As autuadas tiveram ciência do lançamento em 04/12/2008 e apresentaram defesa única, em nome de todas, argumentando, em síntese, o que se segue. Alegam a inexistência de grupo econômico de fato e, conseqüentemente, de responsabilidade solidária entre as empresas, inexistindo substrato jurídico para a lavratura do Termo de Responsabilidade Solidária entre a autuada e os sujeitos passivos solidários. Relativamente aos valores sobre os quais não foi efetuado o desconto da contribuições dos segurados, a autuada alega que nas impugnações administrativas apresentadas contra os Autos de Infração nº 32.205.137.5, 35.205.1383, 32.205.1391, 32.205.1421, 32.205.1430, 32.205.1448, 32.205.1456, 32.205.1464 e 32.205.1472, demonstrou o decurso do prazo decadencial quinquenal para constituição dos supostos créditos tributários, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN e da Súmula Vinculante STF nº 8. Entende que ainda que tais valores fossem devidos, a extinção do crédito tributário principal pela decadência, retiraria o substrato fático para a aplicação de penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória correspondente. Quanto às impugnações administrativas apresentadas contra os AIs nº 32.205.1400 e 32.205.1413, a autuada alega que demonstrou que os valores arbitrados pela fiscalização não correspondiam a remunerações pagas a contribuintes individuais e que, na verdade, resultaram de um ajuste contábil promovido por ocasião da efetivação do Plano de Reestruturação Societária da Nordeste Segurança de Valores, exclusivamente para fins sucessórios, com a migração gradativa dos contratos de prestação de serviços e de trabalho da empresamãe para a autuada, sem qualquer implicação no recolhimento de contribuições previdenciárias. Não obstante a improcedência das obrigações principais, a pretensão do fisco para constituir o crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória já estaria atingido pela prescrição, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 9.873/1999. Pelo Acórdão nº 1521.712 (fls. 182/188), a 7ª Turma da DRJ/Salvador considerou a autuação procedente, porém, retirou do pólo passivo todas as empresas consideradas solidárias pela auditoria fiscal, sob o argumento de que o responsável solidário é parte ilegítima para figurar no pólo passivo de crédito lavrado por descumprimento de obrigação previdenciária acessória consoante entendimento do art. 179 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 207/213), onde manifesta seu inconformismo em razão da decisão de primeira instância ter considerado a decadência pela aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, quando no julgamento da obrigação principal considerou a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Argumenta que por força do caráter acessório, a extinção da obrigação principal implica o desaparecimento da acessória, a ineficácia ou nulidade da principal reflete se na acessória; a prescrição ou a decadência da principal afeta a acessória. Assim, a autuada requer a reforma do acórdão ora recorrido, de modo que seja reconhecida a improcedência do Auto de Infração acessório, dado o julgamento de improcedência das autuações lhe são principais, seja pela decadência do direito de o Fisco Federal constituir créditos tributários com fatos geradores entre janeiro de novembro de 2003, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.009796/200800 Acórdão n.º 2402003.482 S2C4T2 Fl. 220 5 seja, ainda, pela irrazoabilidade do arbitramento realizado pela Fiscalização, na forma dos acórdãos anexados ao presente recurso. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Em sua peça recursal a recorrente questiona a decadência que não foi acolhida pela primeira instância. A recorrente entende que deveria ser aplicado o § 4º do art. 150 do CTN ao invés do art. 173, inciso I, do mesmo código. Salienta que no julgamento das obrigações principais, foi aplicado o art. 150, § 4º do CTN e extinto o crédito tributário, razão pela qual não poderia prevalecer o acessório se o principal já se encontraria decadente. Asseverese que o cômputo da decadência já foi efetuado considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.009796/200800 Acórdão n.º 2402003.482 S2C4T2 Fl. 221 7 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que a decisão recorrida não merece reparo, uma vez que o período da autuação compreende as competências de 01 a 12/2003 e o lançamento ocorreu em 04/12/2008, não tendo ocorrido a decadência. Cumpre observar que, de acordo com as cópias de acórdãos juntados pela recorrente, a primeira instância, de fato, efetuou a aplicação do § 4º, do art. 150, do CTN, no entanto, só o fez e relação àquelas competências em que se verificou a existência de antecipação de pagamento. Além disso, em nenhum dos julgamentos o crédito foi totalmente extinto pela decadência, uma vez que como a ciência do contribuinte ocorreu em 04/12/2008, a decadência nos termos do art. 150 § 4º do CTN ocorreria até a competência 11/2003. Assim, nos lançamentos das obrigações principais, restou procedente a competência 12/2003 e outras em que não se verificou antecipação de pagamento. Não ocorrendo a desconstituição total do lançamento da obrigação principal, não se pode acolher o argumento da recorrente de que o acessória não poderia prevalecer em face da extinção do principal pela decadência. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Verificase que a recorrente deixou de arrecadar a contribuição dos segurados durante o exercício de 2003. Ainda que fosse considerado o argumento da recorrente, a autuação em tela prevaleceria, uma vez que a multa para o tipo de infração em tela é única e independente do tempo da infração. Desse modo, ocorrendo a caracterização do descumprimento da obrigação acessória numa única competência não abrangida pela decadência a autuação já seria devida. Assim, não há que se falar em decadência no presente caso. Quanto à alegada irrazoabilidade do arbitramento realizado pela Fiscalização, tal argumento não é pertinente à presente autuação que trata da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10840.720376/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2102-000.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
CONVERTER o julgamento em diligência, na forma do voto do relator.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, na forma do voto do relator. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO Em face do contribuinte JOSE LUIZ MATTHES, CPF/MF nº 046.311.59880, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 04/08/2008, auto de infração, com ciência postal em 13/08/2008, decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2006. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 IMPOSTO R$ 8.525,38 MULTA DE OFÍCIO R$ 6.394,03 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos no importe total de R$ 56.964,83 (com IRRF de R$ 5.814,53), decorrente de informação de DIRF de duas fontes pagadoras (Caixa Econômica Federal e Procuradoria Geral do Estado). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando que os valores constantes do auto de infração referemse a importes em benefício de terceiros, decorrentes da atividade de advocacia desempenhada pelo impugnante, sendo certo que sequer houve a identificação dos valores mês a mês, pois a DIRF denota os valores anuais, impedindo a defesa do contribuinte. Ainda atacou a utilização dos juros de mora à taxa selic, bem como discorreu sobre o caráter confiscatório da multa de ofício lançada. A 8ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1751.866, 22 de junho de 2011. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 14/07/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 10/08/2011. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. houve cerceamento de seu direito de defesa, pois é advogado e patrocina diversas demandas, nos quais recebeu recursos de terceiro, sendo que a fiscalização teria obrigação de explicitar a origem dos recursos tidos como omitidos, fato aqui não ocorrido, o que inquina de nulidade o lançamento; II. o lançamento presumiu que os valores informados em DIRF são rendimentos tributáveis, sem haver qualquer intimação para as fontes explicitarem a origem deles, ou seja, não houve nestes autos a comprovação material da omissão de rendimentos, aqui lembrando que sequer o contribuinte recebia eventuais honorários em sua conta bancária particular, mas em conta da sociedade de advogados da qual faz parte, sendo em tal pessoa jurídica tributados. Ademais, caso se entenda de forma diversa, devese converter o julgamento em diligência, para que as fontes pagadoras especifiquem pormenorizadamente os recebimentos do exercício (datas, valores, processo judicial etc.); III. os juros de mora não podem exceder o percentual de 1% ao mês, como previsto no CTN; IV. a multa de ofício lançada no percentual de 75% é claramente confiscatória, como decidido pelo Supremo Tribunal Federal, que deve ser reduzida para o percentual de 20%, sendo que sobre tal multa não pode incidir juros de mora, por ausência de previsão legal. É o relatório. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10840.720376/200861 Resolução n.º 2102000.057 S2C1T2 Fl. 2 3 VOTO Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 14/07/2011, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 10/08/2011, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 15/08/2011, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Pessoalmente, vinha entendendo que as informações provenientes de DIRF eram suficientes para demonstrar eventuais omissões de rendimentos. Porém, os demais Conselheiros desta Turma entendem de forma diferente, exigindo que a autoridade fiscal intime as fontes pagadoras, quando o contribuinte contraditar as informações da DIRF. Não havendo tal intimação, o Colegiado tem convertido o julgamento em diligência, para intimação das fontes, como se viu no julgamento do recurso voluntário tombado no processo administrativo nº 10840.001127/200610, sessão de 12 de março de 2012, Resolução nº 2102 000.051, quando, funcionando como relator, restei vencido, com a Conselheira Núbia Matos Moura designada para redigir o voto vencedor. A situação destes autos se amolda ao caso acima relatado, pois o lançamento está estribado em informações de DIRFs, para as quais o contribuinte, desde a impugnação, renega o percebimento dos valores, alegando que sequer se trata de rendimentos próprios, mas de valores recebidos à ordem de terceiros, ou, eventualmente, de valores creditados em prol de sociedade de advogado da qual faz parte. Meditando sobre a posição deste Colegiado, em caso como o aqui em debate, pareceme que a conversão do julgamento em diligência é uma adequada solução, pois efetivamente pode aclarar de forma definitiva se os pretensos valores omitidos devem ou não ser tributados, sendo certo que os beneficiários dos rendimentos sempre têm dificuldades em obter maiores informações das fontes pagadoras, notadamente no caso de grandes bancos, como no caso vertente, quando os pagamentos decorrem de ordens judiciais. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que as fontes pagadoras sejam intimadas a especificar pormenorizadamente os rendimentos constantes destes autos (se provenientes de ações judiciais, especificar a data do pagamento, a conta bancária de crédito, os valores e o número do processo judicial). Concluída a diligência, a autoridade que a presidir deve confeccionar relatório circunstanciado, com ciência de tudo ao recorrente, para que, querendo, ofereça razões adicionais no prazo de 30 dias. Fluído tal prazo, com ou sem resposta do recorrente, devolver os autos para este Colegiado para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11060.003156/2010-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica que adota o lucro real fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Caracteriza pagamento sem causa no caso de a pessoa jurídica que efetuar um
pagamento não demonstrar o nexo de causalidade com uma contraprestação
ou que operação seja inerente à sua atividade econômica.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária
aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em
lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo
decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário
Nacional quando comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou
pela simulação.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de CSLL, de PIS, de Cofins e IRRF sendo decorrentes das
mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a
que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que
foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.018
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica que adota o lucro real fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Caracteriza pagamento sem causa no caso de a pessoa jurídica que efetuar um pagamento não demonstrar o nexo de causalidade com uma contraprestação ou que operação seja inerente à sua atividade econômica. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional quando comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de CSLL, de PIS, de Cofins e IRRF sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica que adota o lucro real fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 937 2 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Caracteriza pagamento sem causa no caso de a pessoa jurídica que efetuar um pagamento não demonstrar o nexo de causalidade com uma contraprestação ou que operação seja inerente à sua atividade econômica. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional quando comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de CSLL, de PIS, de Cofins e IRRF sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Fl. 993DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 938 3 I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 330355, com a exigência do crédito tributário no valor de R$354.955,68, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do anocalendário de 2005. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não demonstra a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores nas contas corrente nºs 15480332825 e 332825 da agência nº 1548 do Banco HSBC S/A, fls. 208210 e 212216 e na conta corrente 15592 da agência 3279 do Banco Bradesco S/A, fl. 211, cujos extratos foram fornecido pela Recorrente, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Depósitos bancários de origem não comprovada no anocalendário de 2005 Instituição Financeira (A) Data do Depósito (B) Valor do Depósito R$ (C) Banco HSBC S/A 05.05.2005 31.578,00 Banco HSBC S/A 05.05.2005 28.422,00 Banco Bradesco S/A 25.05.2005 60.000,00 Banco HSBC S/A 02.06.2005 50.000,00 Banco HSBC S/A 07.06.2005 4.999,99 Banco HSBC S/A 07.06.2005 12.000,00 Banco HSBC S/A 08.06.2005 53.000,00 Banco HSBC S/A 19.08.2005 50.000,00 Banco HSBC S/A 19.08.2005 35.000,00 Banco HSBC S/A 19.08.2005 25.000,00 Banco HSBC S/A 19.08.2005 20.000,00 Banco HSBC S/A 22.08.2005 50.000,00 Banco HSBC S/A 22.08.2005 50.000,00 Total 469.999,99 No Relatório Fiscal está registrado que a Recorrente escriturou no Livro Diário, fls. 276287, os valores a débito da conta Banco HSBC S/A e da conta Banco Bradesco S/A e a crédito da conta Fornecedores Diversos com o histórico de que se referiam a empréstimos obtidos na forma verbal junto às pessoas jurídicas Obatovi Ltda, CNPJ 05.592.295/000156, fls. 313317 e Interbrás Investimentos Ltda CNPJ 04.286.881/000100, fls. 318321. Estas pessoas jurídicas, após as respectivas alterações contratuais de 12.02.2004, tinham como sócios Amélio Jesus Casadei Rodriguez, CPF 560.663.84015 e Carmen Regina Flores Casadei, CPF 997.161.43087, fls. 321 e 322. Vale esclarecer que Amélio Jesus Casadei Rodriguez, além destas, ainda era representante legal da pessoa jurídica AJC Rodriguez Ltda, CNPJ 06.324.042/000164, e expressamente declarou às autoridades públicas ter atuado na qualidade de “interposta pessoa” de uma sociedade sediada no Uruguai, fls. 323329. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 939 4 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. inciso II do art. 249, parágrafo único do art. 251, art. 279, art. 282, art. 287 e art. 288 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 356361 a exigência do crédito tributário no valor de R$127.784,03 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III O Auto de Infração às fls. 362367 com a exigência do crédito tributário no valor de R$24.023,33 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º, art. 3º e art. 4º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 368373 com a exigência do crédito tributário no valor de R$110.653,07 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º, art. 3º e art. 5º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. V – O Auto de Infração às fls. 374379 com a exigência do crédito tributário no valor de R$510.233,50 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada originário de pagamentos sem causa, mediante Transferência Eletrônica Disponível (TED) das contas corrente nºs 15480332825 e 332825 da agência nº 1548 do Banco HSBC S/A, fls. 230234, de acordo com a Tabela 2. Tabela 2 – Pagamento a beneficiário não identificado e sem causa de operação não comprovada no anocalendário de 2005 Instituição Financeira (A) Data da Transferência (B) Valor da Transferência R$ (C) Banco HSBC S/A 09.05.2005 60.000,00 Banco HSBC S/A 05.07.2005 120.000,00 Banco HSBC S/A 05.07.2005 60.000,00 Banco HSBC S/A 31.08.2005 120.000,00 Banco HSBC S/A 01.09.2005 110.000,00 Total 470.000,00 Fl. 995DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 940 5 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 1º do art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999) e § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Cientificada em 26.10.2010, fls. 331, 357, 363, 369 e 375, a Recorrente apresentou as impugnações em 25.11.2010, fls. 384419, 472529, 559596, 646681 e 733 770, com as alegações abaixo sintetizadas. Diz que os lançamentos foram alcançados pela decadência, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Acrescenta que os Autos de infração são nulos, haja vista que houve ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, por inexistir nexo de causalidade entre suas operações e as condutas ilícitas imputadas às pessoas jurídicas cedentes, Obatovi Ltda e Interbrás Investimentos Ltda. Tece esclarecimentos sobre sua atividade econômica e sobre o contexto anterior ao procedimento fiscal. Informa que ajuizou Mandado de Segurança 2009.71.02.0034047 na Seção Judiciária Federal de Santa Maria/RS tendo como objeto o ressarcimento dos créditos de PIS e de Cofins. Explica que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) está eivado de irregularidades, já que foi emitido com a finalidade exclusiva de proceder a verificações sobre o ressarcimento dos créditos de PIS e de Cofins formalizados nos processos administrativos nºs 11060. 002812/200948 e 11060.002811/200901. Somente em momento posterior houve a prorrogação para os demais tributos, exceto com relação à CSLL. Em relação aos fatos posteriores ao lançamento, suscita que os depósitos bancários têm origens comprovadas nos contratos de mútuo verbais e os pagamentos têm causa no adimplemento das referidas obrigações contraídas junto às pessoas jurídica Obatovi Ltda e Interbrás Investimentos Ltda. Defende que as declarações de vontade em referência não exigem formas especiais e que comprova a operação de empréstimo mediante documentos hábeis e idôneos, de acordo com a escrituração regular. Alega que utilizou a conta Fornecedores para registrar as operações, porque no seu plano de contas não havia a conta específica de Empréstimos, de modo que ficam afastadas as supostas contradições. Procura demonstrar que a legislação pátria não obsta que o ajuste de mútuo seja gratuito, ou seja, sem a incidência de juros de mora. Argui que a origem dos depósitos em conta corrente são decorrentes de contratos de empréstimos com pessoas jurídicas sediadas no Brasil. Identifica analiticamente os valores e datas dos ajustes referentes aos contratos de mútuo e os respectivos adimplementos das obrigações em 2005, de acordo com a Tabela 3. Tabela 3 – Valores e datas dos ajustes referentes aos contratos de mútuo e os respectivos adimplementos das obrigações em 2005 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 941 6 Instituição Financeira (A) Data do Depósito Contrato de Mútuo (B) Valor do Depósito Contrato de Mútuo R$ (C) Data da Transferência Adimplemento da Obrigação (D) Valor da Transferência Adimplemento da Obrigação R$ (E) Banco HSBC S/A 05.05.2005 31.578,00 09.05.2005 60.000,00 Banco HSBC S/A 05.05.2005 28.422,00 Banco Bradesco S/A 25.05.2005 60.000,00 05.07.2005 60.000,00 Banco HSBC S/A 02.06.2005 50.000,00 05.07.2005 120.000,00 Banco HSBC S/A 07.06.2005 4.999,99 Banco HSBC S/A 07.06.2005 12.000,00 Banco HSBC S/A 08.06.2005 53.000,00 Banco HSBC S/A 19.08.2005 50.000,00 01.09.2005 110.000,00 Banco HSBC S/A 19.08.2005 35.000,00 Banco HSBC S/A 19.08.2005 25.000,00 Banco HSBC S/A 19.08.2005 20.000,00 31.08.2005 120.000,00 Banco HSBC S/A 22.08.2005 50.000,00 Banco HSBC S/A 22.08.2005 50.000,00 Revela que os registros contábeis são meios de prova hábeis e idôneos a comprovar as operações realizadas, uma vez que deve prevalecer a essência sobre a forma. Interpreta que a legislação para enfatizar que não houve omissão de receitas decorrente de depósitos bancários, haja vista que comprova a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. Cita que as autoridades fiscais não poderiam desconsiderar a sua escrituração sem indicar os fatos concretos que ampararam o suposto ilícito tributário do qual decorre a caracterização da também situação hipotética dolosa. Esclarece que não restou evidenciado o nexo de causalidade entre as operações por ela realizadas e a situação descrita nos Autos de Infração. Alega que não há que se falar em práticas ilícitas com a finalidade de descaracterizar seus registros contábeis e aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, demonstrada a insubsistência e total improcedência do Auto de Lançamento, nos termos da fundamentação supra, requerse, com o acolhimento da presente Impugnação: A) preliminarmente, a nulidade do Auto de Lançamento: A.l) seja diante das irregularidades insanáveis do MPF n°.10103000042709;e/ou, Fl. 997DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 942 7 A.2) diante da decadência do direito de efetuar o lançamento tributário, a contar do fato gerador, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN; B) Não sendo atendida a questão preliminar o que se admite apenas para argumentar seja julgada procedente a presente Impugnação: B.l) afastandose a presunção de omissão de receitas, a que se refere o artigo 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, em relação ao tributo em questão, bem como seus reflexos. B.2) afastandose a multa de ofício agravada, diante da ausência de conduta dolosa/fraudulenta por parte do Recorrente. Por fim, protesta pela juntada posterior de todos os documentos que se julguem necessários para o deslinde do que ora se postula. Termos em que P. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1031.885, de 26.05.2011, fls. 828836: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Demonstrado que os Autos de Infração foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos lançamentos formalizados por meio dos Autos de Infração. NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA A oportunidade para a que o sujeito passivo manifeste sua inconformidade em relação à exigência é na impugnação. Assim, tendo sido a interessada cientificada plenamente das infrações que lhe foram imputadas, sendolhe concedido prazo regulamentar para apresentação do contraditório, que ensejou a oportunidade de defesa, não merece acolhida a solicitação de nulidade dos autos de infração. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora, que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O Mandado de Procedimento Fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos lançamentos, a sua falta ou eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A legislação autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária, em relação aos quais a pessoa jurídica, Fl. 998DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 943 8 regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES PIS/PASEP, COFINS, CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. DECADÊNCIA. PIS/PASEP. COFINS Tipificada a conduta dolosa prevista no § 4 o do art. 150 do CTN, aplicase a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, inciso I, do CTN, quando os cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 09/05/2005, 05/07/2005, 31/08/2005, 01/09/2005 PAGAMENTOS A TERCEIROS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Ficam sujeitos à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou aos recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros ou a seus sócios, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. DECADÊNCIA. IRRF Tipificada a conduta dolosa prevista no § 4º do art. 150 do CTN, aplicase a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, inciso I, do CTN, quando os cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É devida a aplicação da multa agravada no percentual de 150%, quando há nos autos elementos de prova suficientes para o convencimento da ocorrência de ação dolosa do sujeito passivo. Notificada em 09.06.2011, fl. 912, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.07.2011, fls. 913930, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados nas peças impugnatórias. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 944 9 A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o ato de instauração do procedimento fiscal contém vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Esses procedimentos são instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por cento e vinte dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 sessenta dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício2. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Maria/RS expediu o MPF nº 10.1.03.002009004271, com código de acesso nº 15043907, válido até 14.12.20103. Também foram emitidos o Termo 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007. 3 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 945 10 de Início de Procedimento Fiscal e Intimação, fls. 8891, o Termo de Intimação Fiscal nº 22, fls. 104106, o Termo de Intimação Fiscal nº 91, fls. 196199, o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 140, fls. 235236, o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 176, fls. 243245, o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 213, fls. 257259 e o Termo de Prorrogação de Prazo, fls. 261262, com as solicitações sobre todos os tributos examinados nos presentes autos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 5. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas presumida com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. A pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da > . Acesso em 01 abr.2012. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 946 11 espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada6. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e o instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor 7. Para fins tributários fica descaracterizado o contrato verbal como hábil e idôneo ilidir a omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não demonstra a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, devendo a Recorrente tomar suas precauções e manter em boa guarda a documentação como exigida por lei, a fim de apresentar à fiscalização quando regularmente intimada. Por estas razões os contratos de mútuos ajustados pela forma verbal não podem ser aceitos como evidência irrefutável da origem dos recursos. 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995,art. 1º, art. 25, art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 7 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 947 12 Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente afirma que os pagamentos efetuados se referem ao adimplemento das obrigações constantes nos contratos de mútuos. O pressuposto é de que escrituração mantida com observância das disposições legais que somente faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade administrativa a prova da não veracidade dos fatos ali registrados. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento. Por esta razão, a pessoa jurídica que efetuar um pagamento, como também os entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, deve demonstrar o nexo de causalidade com uma contraprestação ou que a operação seja inerente à sua atividade econômica. Caso contrário, fica sujeita à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamentos efetuados, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, observando que o valor do pagamento deve ser considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o tributo 8. Em conformidade com as inferências antes explicitadas, como os contratos de mútuos ajustados pela forma verbal não podem ser aceitos como evidência irrefutável da origem dos recursos dos depósitos bancários, também os mencionados adimplementos destas respectivas operações, por conseqüência, são considerados pagamentos sem causa para os fins tributários. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A oposição indicada pela defendente, no entanto, não se mostra representativa da realidade. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. 8 Fundamentação legal: art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 2º da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, § 2º do art. 74 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 e art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 948 13 Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações. Tem cabimento ainda na ocorrência de reincidência específica, no caso de as infrações sejam da mesma natureza, assim entendidas as que tenham a mesma capitulação legal e tenham sido objeto de decisão passada em julgado9. No presente caso restaram comprovadas as condutas ilícitas de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados e de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não demonstra a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, durante o anocalendário de 2005, reiteradamente, o que configura a conduta dolosa. A ilação designada pela defendente, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC10, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. No presente caso, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação que se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, uma vez que se comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. A intimação das exigências do anocalendário de 2005 foi 9 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 11 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11060.003156/201034 Acórdão n.º 180101.018 S1TE01 Fl. 949 14 efetivada em 26.10.2010, fls. 331, 357, 363, 369 e 375, de modo que até a data do fato gerador ocorrido em 30.06.2001 não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade. Destarte, esta afirmação não é pertinente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo14. Os lançamentos de PIS, de Cofins, de CSLL e IRRF sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 14 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10183.003227/2004-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1999, 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. FISCALIZAÇÃO A DESTEMPO. DESPACHO ADMINISTRATIVO. A Administração Tributária tem cinco anos para exercer o poder-dever de auditar a contabilidade do contribuinte, não podendo mais fazê-lo após discorrido este prazo para efeito de indeferir Pedido de Restituição. Mero despacho emitido que veicula as alterações na contabilidade, ainda que ato administrativo, não possui o condão de gerar estes efeitos, adstritos ao Auto de Infração/Notificação de Lançamento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos os valores de IRRF que refletem na apuração do saldo negativo de IRPJ, há que se deferir a restituição dos referidos valores.
Numero da decisão: 1801-001.072
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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INDEFERIMENTO. FISCALIZAÇÃO A DESTEMPO. DESPACHO ADMINISTRATIVO. A Administração Tributária tem cinco anos para exercer o poderdever de auditar a contabilidade do contribuinte, não podendo mais fazêlo após discorrido este prazo para efeito de indeferir Pedido de Restituição. Mero despacho emitido que veicula as alterações na contabilidade, ainda que ato administrativo, não possui o condão de gerar estes efeitos, adstritos ao Auto de Infração/Notificação de Lançamento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos os valores de IRRF que refletem na apuração do saldo negativo de IRPJ, há que se deferir a restituição dos referidos valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório O presente processo foi anteriormente analisado por esta Conselheira Relatora e, naquela ocasião, foi submetido por despacho a completar a sua instrução. Aproveito o relatório redigido no referido despacho para historiar os fatos – fls. 1114 a 1119: “A empresa entregou Pedido de Restituição e Compensação nº 21103.01877.280504.1.3.024546, em 28/05/2004, visando compensar saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 com débitos já formalizados nos processos administrativos fiscais nºs 13151.000013/200358, 000012/200311, 000010/200314 e 000014/200301, relativos às estimativas mensais devidas pela contribuinte, nos meses de janeiro de 2003 – IRPJ, dezembro de 2002 – IRPJ, novembro de 2002 – IRPJ e janeiro de 2003 – CSLL, respectivamente (fls. 02 a 07). Os referidos processos que veiculavam os débitos acima discriminados eram relativos a pedidos de compensação feitos em formulários, papel, e foram consideradas não declaradas em vista da legislação tributária vigente, específica para as Declarações de Compensação – Dcomp, consoante cópias dos Pareceres e Despachos denegatórios pertinentes (fls. 22 a 33). Outro processo, também de Declaração de Compensação, retificada posteriormente – fls. 39 /40, 51 a 54, formalizado sob nº 13151.000015/200347, foi anexado ao presente, e também teve a mesma sorte dos demais – Despacho denegatório por considerado compensação não declarada fls. 57 a 59. Às fls. 79 e 80 consta outra Dcomp, nº 17289.85550.270504.1.03.029020, transmitida em 27/05/2004, pleiteando a compensação do mesmo crédito – Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999 – com as estimativas mensais de IRPJ e CSLL relativas a fevereiro de 2003. Ocorre que, às fls. 100 a 236, foram juntadas aos autos diversas Dcomp, originais e retificadoras, entregues pela contribuinte, em um total de 32, envolvendo os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendários de 1998 e 1999 com débitos de PIS, Cofins, IRPJ, CSLL e ITR. Após as Intimações, análises e diligências de praxe, foram colhidos e juntados ao processo, além das cópias das DIRPJ/DIPJ pertinentes, DCTF, diversos documentos e informações relativos aos anos calendários de 1998 e 1999, tais como informações sobre IRRF, informes de rendimentos, espelhos relativos a autuações sofridas pela empresa, demonstrativos do sistema de acompanhamento de prejuízo fiscal e lucro inflacionário – Sapli, resumo geral de DCTF, cópias de fls. do Livro Diário e do Livro Razão, cópias do Lalur não autenticadas e outros – fls. 252 a 472 e Anexo I. A autoridade competente discriminou todas as Dcomp entregues pela interessada, bem como créditos e débitos pleiteados, às fls. 473 a 475, e analisou todas conjuntamente nesse processo. Concluiu em seu Parecer que não cabe à interessada compensar os débitos com os supostos saldos negativos de IRPJ relativos aos anoscalendários de 1998 e 1999, pelas seguintes razões, em apertada síntese, dada a complexidade das matérias envolvidas que constaram do teor do Despacho Decisório de fls. 473 a 485: ANOCALENDÁRIO 1998 [...] Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.003227/200400 Acórdão n.º 180101.072 S1TE01 Fl. 1.149 3 16. Ao final do anocalendário 1998, a interessada apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$278.114,40 (fl. 321), originado com a dedução do imposto pago na fonte (R$ 261.036,29) e na forma de estimativas (R$ 33.420,03). 17. Com supedâneo no Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais, apurado pelo sistema de acompanhamento denominado SAPLI (fls. 376 a 391), constatouse que o saldo disponível relativo ao prejuízo da atividade rural, contabilizado nos períodosbase 1991 a 1998, não condiz com aquele utilizado para redução do lucro real no anocalendário em cerne, havendo excesso equivalente a R$ 803.235,64 (fl. 375). [...] 19. Impende salientar que os valores demonstrados pela contribuinte nas planilhas acostadas às folhas 235 a 238 do Anexo não estão em harmonia com àqueles consignados nas declarações de rendimentos espelhadas nos sistemas de informação da SRF (excetuandose o anocalendário 1994), não havendo provas nos autos, outrossim, da regularidade dos registros no LALUR, os quais pudessem arrimar as importâncias demonstradas. 20. Além disso, verificouse que a parcela mínima obrigatória do lucro inflacionário acumulado, apontada pelo SAPLI como correspondente à importância de R$ 20.707,89 (fl. 370), não foi realizada no anocalendário guerreado (fl. 314), a qual deverá ser computada para fins de apuração do saldo negativo pleiteado (artigo 4º a 9º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995). 21. No que tange à apuração do Imposto de Renda devido sobre o lucro real, destaco que o total a título de IRRF deduzido no anocalendário (R$ 294.456,41) não encontra guarida nas informações prestadas pelas fontes pagadoras através da Dirf [...] 22. À guisa do acima perfilado, procedeuse à apuração do lucro real e do Imposto de Renda devido, conforme abaixo evidenciado: [...] Do demonstrativo elaborado às fls. 480, a autoridade discriminou os valores “Declarado” e “Admitido” , alterando os seguintes itens: Lucro Inflacionário Realizado – de R$0,00 para R$20.707,89 Prejuízo Fiscal Acumulado – de R$ 880.928,60 para R$ 77.692,96 Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa – de R$ 33.420,03 para R$ 0,00. Como resultado, para o anocalendário de 1998, o saldo de Imposto de Renda, negativo, de R$ 278.114,40, foi alterado para, saldo negativo, de R$ 51.813,87, havendo, portanto, uma redução do crédito pleiteado da interessada em R$ 226.300,53. Para o anocalendário de 1999, consoante expôs às fls. 480 e 481, acusou diversas infrações novamente: no exame dos registros contábeis efetuados no Diário e Razão constatou diferenças entre os valores informados na DIPJ divergentes com aqueles; alerta que ao examinar as declarações anteriores (ac 1994, 1995, 1996 e 1997) constatou que não houve saldos negativos de IRPJ e que a empresa sofreu autuação exigindo IRPJ, em 1997, razão pela qual o saldo da conta contábil está indevidamente registrado; apontou diferenças de IRRF; computou o valor mínimo de realização do lucro inflacionário para o período. De todas as considerações, restou alterado, para o anocalendário de 1999, o saldo do Imposto de Renda, negativo, de R$ 505.769,13 para, saldo negativo, de R$ Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 264.008,30, havendo, portanto, de igual forma a 1998, um valor glosado de crédito pleiteado pela contribuinte no valor de R$ 241.760,83. Acrescentese, ainda, que, paralelamente às glosas dos créditos apontados pela contribuinte nos valores acima mencionados, que totalizam R$ 468.061,36, constata se, pois, que a autoridade da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, na verdade, indeferiu todas as Dcomp arroladas no item 1 do Despacho Decisório nº 480/06, as quais objetivam compensar débitos da ordem de R$ 567.785,83, de variados tributos. Para isso, teceu as retro mencionadas considerações a respeito de várias infrações cometidas pela interessada ao apurar os saldos de IRPJ. Pelo ora exposto, preliminarmente, e com fulcro no artigo 2º, inciso I, da Portaria Ministerial (MF) nº 92, de 13/05/08, c/c o artigo 6º do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ainda em vigor, declino a competência do julgamento desse processo. A despeito do acima ponderado, cumpre salientar, por oportuno, que alguns pontos do já mencionado Despacho Decisório e do Acórdão vergastado não estão bem claros. Às fls. 1045 a 1057, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ Campo Grande/MS exarou o Acórdão nº 0411.601/07, mantendo o indeferimento das compensações pleiteadas, extraindose alguns relevantes trechos, a meu ver: Lucro Inflacionário. Argumenta a contribuinte que já havia realizado integralmente o lucro inflacionário em 1991, conforme livro LALUR n. 01, não sendo procedente, portanto, o Auto de Infração (processo n. 10280.000190/0001, ainda em tramitação), relativo à integralização da parcela mínima de R$ 20.707,89. Ainda, que pendente de apreciação pelo Conselho de Contribuintes o recurso interposto, não há como se incluir o referido resultado aos lucros da interessada, de acordo com o disposto no art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. [...] Além disso, como pode ser visto no excerto supratranscrito, o Auto de Infração trata de lançamento decorrente da não realização do lucro inflacionário no ano calendário de 1995. No presente processo, as parcelas do lucro inflacionário foram acrescentadas nos anoscalendário 1998 e 1999. [...] O processo citado trata de autuação fiscal relativa ao ano de 1995. O presente, de Declarações de Compensação cujos créditos são oriundos de alegados saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 1998 e 1999. [...] Há que se ressaltar que o caso não trata de autuação fiscal, como acima explanado. Quanto aos acréscimos efetuados pela parecerista no caso destes autos, a alegação de decadência também não se aplica. [...] Prejuízos fiscais. Compensação. Aduz ainda a interessada que o prejuízo fiscal compensado está devidamente escriturado no LALUR, no total de R$ 880.928,60 (conforme tabela – f. 513), estando correta, portanto, a compensação, devendo ser revisto o despacho decisório também nesse ponto. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.003227/200400 Acórdão n.º 180101.072 S1TE01 Fl. 1.150 5 De fato, a tabela inserta à f. 513 demonstra as compensações efetuadas no total de R$ 880.928,60, com a indicação das correspondentes páginas do LALUR. Ocorre, entretanto, que a divergência não se encontra pura e simplesmente na compensação efetuada, mas diz respeito ao saldo disponível de prejuízo fiscal da atividade rural nos períodos de 1991 a 1998. Segundo a auditora, na compensação teria havido excesso de R$ 803.235,64, fato que a levou a considerar no demonstrativo apenas o valor de R$ 77.692,96 (f. 480). [...] Também, nenhum documento foi juntado no sentido de comprovar que as alterações no sistema SAPLI estão incorretas. As cópias do livro LALUR trazidas junto com a manifestação não são hábeis a tal comprovação, como bem explanado no item 19 do Despacho Decisório (transcrição supra). [...] Saldos Negativos. Inexistência de crédito. No item 35 do Despacho Decisório e nas tabelas correspondentes (nas quais constam as estimativas dos anoscalendário 1999 a 2002 compensadas), a parecerista bem elucida o porquê de os saldos negativos encontrados nos anoscalendário 1998 e 1999 não poderem ser utilizados como declarado nas DCOMPs. Abaixo, transcrevese o citado item: 35.Destarte, partindose do pressuposto de que a contribuinte vinha efetuando a autocompensação em conformidade com o artigo 66 da Lei n.º 9.383/91 (derrogado pelo artigo 74 da Lei n.º 9.430/96) através de lançamento contábil a crédito na conta “IRPJ a compensar”, e considerando na constituição da aludida conta os saldos negativos admitidos de acordo com o exposto neste parecer, concluise que não há crédito disponível relativo aos anoscalendário 1998 e 1999 passível de ser utilizado para compensar tributos e contribuições na forma preconizada pelo artigo 74 da Lei n.º 9.430/96, conforme simulado no cálculo abaixo: Como visto, não tendo restado qualquer saldo para as compensações pleiteadas pelas DCOMPs juntadas a estes autos, não foram homologadas estas. (grifos não pertencem ao original) A guisa de proposta, s.m.j., para o fim de melhor instruir o presente, sugiro, antes que o processo seja redistribuído, retorne ao SEORT/DRF Cuiabá para que esclareça, no que se refere aos anos calendários de 1998 e 1999: 1) se a empresa foi autuada no que se refere à glosa do prejuízo fiscal acumulado mantido nos registros do Lalur, em flagrante dissonância com o Sapli, explicitando qual a situação do processo administrativo fiscal pertinente; 2) se a empresa foi autuada no que se refere à não realização da parcela mínima do saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, nos dois anos calendários ora envolvidos, esclarecendo, de igual forma, qual a situação do(s) processo(s) administrativo(s) pertinente(s); 3) se a empresa nos novos pedidos de Dcomp que impetrou, em 2008, conforme demonstra a pesquisa a seguir, extraída do sistema Comprot, está a repetir os créditos e débitos ora discutidos nesse processo: 06/05/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.900985/200893 06/05/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.901192/200891 Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903693/200811 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903803/200836 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903844/200822 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903845/200877 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903846/200811 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903847/200866 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903848/200819 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903849/200855 20/11/2008 MAFRA S/A AGROPECUARIA 10183.903850/200880 [...]” Acatada a proposta acima, os autos retornaram à unidade de jurisdição para o cumprimento das diligências. Às fls. 1134 e ss a autoridade designada informou: “1) Se a empresa foi autuada no que se refere à glosa do prejuízo fiscal acumulado mantido nos registros do Lalur, em flagrante dissonância com o Sapli, explicitando qual a situação do processo administrativo fiscal pertinente. Em consulta ao sistema COMPROT foi verificado que inexiste processo administrativo concernente à glosa de prejuízo fiscal em nome do contribuinte. Também foram consultadas nos sistemas da RFB as declarações entregues pela empresa no período de 1991 a 1997. Constam nas mesmas alterações dos prejuízos apurados nos anoscalendário 1991 e 1995, conforme telas de folhas 1130 e 1131. Observo, contudo, que mencionadas alterações não influem no prejuízo fiscal atividade rural compensado a maior no anocalendário de 1998. Isto porque, de acordo com informações do sistema SAPLI (fls. 376 a 389), abaixo sintetizadas, os prejuízos fiscais que sofreram alterações por procedimentos de malha/revisão tem origem na atividade geral, e não na atividade rural: Período Base Moeda Prejuízo Fiscal Atividade Geral Atividade Rural 1988 Cz$Cruzado 0 130.981.477 1989 NCz$ Cruzado Novo 0 2.068.277 1990 Cr$ Cruzeiro 14.261.087 0 1991 Cr$ Cruzeiro 208.139.394 0 1° Semestre/92 Cr$ Cruzeiro 227.893.501 0 2o Semestre/92 Cr$ Cruzeiro 894.223.896 0 Jan/93 CR$ Cruzeiro Real 2.531.540 0 Fev/93 CR$ Cruzeiro Real 325.925 0 Mar/93 CR$ Cruzeiro Real 385.301 0 Abr/93 CR$ Cruzeiro Real 430.570 0 Mai/93 CR$ Cruzeiro Real 678.988 0 Jun/93 CR$ Cruzeiro Real 796.770 0 Ago/93 CR$ Cruzeiro Real 2.444.783 0 Set/93 CR$ Cruzeiro Real 15.345.295 0 Out/93 CR$ Cruzeiro Real 14.566.429 0 Nov/93 CR$ Cruzeiro Real 13.295.820 0 Dez/93 CR$ Cruzeiro Real 14.319.161 0 Jan/94 CR$ Cruzeiro Real 16.139.213 0 Fev/94 CR$ Cruzeiro Real 9.342.849 0 Mar/94 CR$ Cruzeiro Real 10.738.039 0 Jun/94 CR$ Cruzeiro Real 63.977.627 0 Ago/94 R$ Real 2.082 0 Set/94 R$ Real 3.645 0 Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.003227/200400 Acórdão n.º 180101.072 S1TE01 Fl. 1.151 7 Nov/94 R$ Real 10.743 0 1995 R$ Real 53.018,11 0 2) Se a empresa foi autuada no que se refere à não realização da parcela mínima do saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, nos dois anoscalendário ora envolvidos, esclarecendo, de igual forma, qual a situação do(s) processo(s) administrativo(s) pertinente(s): A empresa em questão não foi autuada nos anoscalendário 1998 e 1999 pela não realização da parcela mínima do saldo do lucro inflacionário. Foram localizados nos sistemas da RFB apenas os processos de auto de infração n° 10280.000190/0001 retificação de prejuízos fiscais devido a não realização do lucro inflacionário no ano calendário de 1995, e n° 10280.002299/200181 lançamento de IRPJ ocasionado pela realização de lucro inflacionário em valor inferior ao mínimo obrigatório no anocalendário 1996. 3) Se a empresa nos novos pedidos de Dcomp que impetrou, em 2008, conforme demonstra a pesquisa a seguir, extraída do sistema Comprot, está a repetir os créditos e débitos ora discutidos nesse processo: Em relatório extraído do sistema SIEFPER/DCOMP, no qual figuram todos os Per/Dcomps transmitidos pelo contribuinte com utilização de saldo negativo de IRPJ (fls.l 121 e 1122), verificouse que após Despacho Decisório DRF/CBA n° 480, de 23/05/2006 (fls. 473/485), foi apresentada nova declaração de compensação do crédito saldo negativo IRPJ anocalendário 1999 através do PER/DCOMP n° 18389.95281.110706.1.3.024853 (fls. 1123/1126). O mesmo foi baixado para análise no presente processo, e considerado não declarado no Despacho Decisório DRF/CBA n° 906/2009 (fls. 1127/1129). Também foram pesquisados todos os débitos declarados compensados em PER/DCOMPs transmitidos após maio/2006. No PER/DCOMP 39799.30132.290509.1.3.028021, transmitido em 29/05/2009, foi declarado compensado débito de IRPJ, código de receita 2362, PA 11/2002, valor originário compensado R$ 21.975,50 (fl. 1133). Débito de mesma espécie e período de apuração, porém com valor originário diverso, R$ 17.535,93, foi objeto do PER/DCOMP 21103.01877.280504.1.3.024546 (folha 474). Visto que os valores diferem, não é possível comprovar se ocorreu duplicidade de compensação. Os demais débitos declarados compensados não coincidem com aqueles discutidos no presente processo.” Antes dos autos serem baixados para a realização das diligências acima reportadas, a empresa, tempestivamente, apresentou o Recurso de fls. 1076 e ss argumentando, em suma: a) a recorrente impetrou as Per/Dcomp pleiteando a restituição de IRRF refletido nos saldo negativo de IRPJ, relativos aos anoscalendários de 1998 e 1999, e conseqüente compensação com débitos de tributos federais; b) a administração tributária indeferiu os pedidos realizando indevida e ilegal revisão nos lançamentos da recorrente em períodos caducos; c) na decisão proferida pela autoridade a quo restou reconhecido a existência de parcela dos créditos de IRRF da recorrente, pelo que já deveriam ter sido computados e deferidas as compensações até este limite; Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 d) foi violado o princípio da verdade material; e) os créditos da recorrente foram comprovados por exibição de planilhas; f) flagrante ofensa aos princípios da reserva legal e segurança jurídica ao ter revisado os lançamentos relativos a períodos decaídos com o mero intuito de negar o direito líquido e certo de ver restituídos os valores dos IRPJ retidos pelas fontes pagadoras relativos aos anos de 1998 e 1999; g) inadmissível a rediscussão de fatos geradores da obrigação tributária após o quinquênio previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, sem que a Fazenda Nacional houvesse em tempo hábil contestado os valores; h) é ilegítima a reconstrução da contabilidade da recorrente após o prazo decadencial; i) sem a lavratura dos competentes Autos de Infração para formalizar as revisões efetuadas de ofício, submetendo a processo administrativo próprio, ofendese os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; j) a autoridade a quo trouxe matéria sub judice formalizada no processo nº 10280.000190/0001, relativa a parcela de realização de lucro inflacionário do anocalendário de 1995, e redução dos prejuízos fiscais da recorrente, o que ofende o princípio do duplo grau de jurisdição, uma vez o referido processo não haver sido definitivamente julgado; a recorrente neste outro processo comprova, com a respectiva cópia das fls. do Lalur, que realizou integralmente o referido lucro em 1991; a administração tributária intenta repercutir os reflexos do ocorrido em 1991, na lavratura de indevido Auto de Infração lavrado em jan/2000; k) ainda que se pudesse presumir a derrota da recorrente no precitado processo, a correção efetuada naquele e o simultâneo indeferimento do valor neste, indicaria a duplicidade de cobrança do mesmo crédito; l) sobre a compensação supostamente indevida de prejuízos fiscais em 1998, afirma que o saldo disponível relativo ao prejuízo fiscal da atividade rural contabilizados nos anos de 1991 a 1998 não condiz com o utilizado no anocalendário em questão; comprova a existência destes valores pela exibição do Lalur; m) os créditos requeridos nas presentes Per/Dcomp são oriundos de IRRF sobre as aplicações financeiras, compensados ao final do período de apuração do imposto, consoante a legislação tributária determina; no presente caso, como não houve imposto a pagar no final dos períodos, a recorrente faz jus aos valores retidos pelas fontes, nas aplicações financeiras; n) a administração ao checar os valores de IRRF levou em consideração os valores informados pelas fontes pagadoras, conferindolhes ilegalmente fé pública, e desprezou os valores informados pela recorrente, como é o caso do Banco da Amazônia S/A; estas “provas” não foram submetidas à recorrente o que fere os princípios do contraditório e da ampla defesa; sequer houve diligência ao Banco da Amazônia, ou à recorrente, para que os valores fossem confrontados e confirmados; o) o princípio da verdade material se sobrepõe às informações constantes nos sistemas do fisco, sendo incabível se oporem às declarações e recolhimentos realizados pelos contribuintes; Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.003227/200400 Acórdão n.º 180101.072 S1TE01 Fl. 1.152 9 p) reconhecidos pois os créditos a que faz jus a recorrente, inadmissível a não homologação dos débitos correspondentes; q) requer, ao final, a procedência das Per/Dcomp e a realização da sustentação oral pelo que deve ser previamente intimada para este fim na pessoa de seus representantes legais. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, retifico a proposta do despacho de fls. 1.114 a 1.119 no que concerne à matéria objeto do presente litígio e o declínio de competência para o julgamento para as turmas ordinárias em razão do limite de alçada previsto nos artigos 1º, §2º, c/c 8º, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09). Tratase o processo de reconhecer os créditos de IRRF, repercutidos nos saldos negativos de IRPJ, relativos aos anoscalendários de 1998 e 1999, sendo que as compensações são pedidos secundários, cuja homologação decorre do deferimento, parcial ou total, ou indeferimento dos Pedidos de Restituição formalizados nas Per/Dcomp. Destarte, o valor discutido em litígio corresponde a R$ 468.061,36, pela redução dos saldos negativos informados pela recorrente e efetuados, de ofício, pela autoridade competente, a saber, em R$ 226.300,53 e R$ 241.760,83, relativos a 1998 e 1999, respectivamente. Por conseguinte, sendo o valor discutido inferior a R$1.000.000,00, esta Turma Especial é competente para apreciar e julgar o presente litígio. Superada esta questão, deve ser analisado o despacho decisório deste processo, o acórdão vergastado e as contestações da recorrente, e, ainda, os resultados das diligências solicitadas. I) Das alterações realizadas ex officio nos valores contabilizados pela recorrente Em primeiro momento, parto da premissa que, após o prazo decadencial, a administração tributária não pode mais auditar a contabilidade da contribuinte para alterar o imposto devido. No presente litígio constatase que a autoridade a quo ao analisar os pedidos de restituição e compensação protocolizados pela recorrente não se restringiu a verificar junto à sua contabilidade se as receitas financeiras que implicaram nas retenções de imposto de renda pelas fontes foram efetivamente oferecidas à tributação na DIPJ/00, nem com a efetiva contabilização dos impostos retidos (IRRF) que importaram, consoante alegado, no saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/00. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 A autoridade a quo foi muito além. Procedeu a verdadeira fiscalização à empresa, como se depreende do Despacho de fls. 473 a 485, glosando a compensação de prejuízo fiscal e revendo supostas parcelas de lucro inflacionário não realizado. Ocorre que, além de fugir ao escopo dos pedidos protocolizados, a fiscalização ofendeu o prazo decadencial para verificar a contabilidade da recorrente e modificar a apuração do IRPJ devido, relativos aos anoscalendários de 1998 e 1999. Apurou supostos ilícitos tributários nos anos dos créditos requeridos, 1998 e 1999 – compensação de prejuízo fiscal indevida e ausência de oferecimento à tributação de parcela de lucro inflacionário a realizar – em maio de 2006, quando a DIPJ original fora entregue em 14/10/1999 (fls. 308). Ainda que apliquese as regras do artigo 173, I, do CTN, o prazo qüinqüenal foi ultrapassado. Esta auditoria e seus efeitos estão fulminadas pela demora em o Estadofiscalização agir. Tal procedimento ofende o princípio da segurança jurídica protegido pelos artigos 150, §4º ou 173 do Código Tributário Nacional (CTN), que estabelecem o prazo de cinco anos para que a Administração Tributária altere a apuração do IRPJ devido pelos contribuintes (dependendo de qual termo de início para contar este prazo se enquadra aquele contribuinte diante da modalidade do lançamento). Ainda que haja impropriedades na contabilidade dos contribuintes, e mesmo que não ocorra a decadência, é necessário que haja um ato administrativo que modifique os resultados contabilizados pela empresa para que estas modificações possam surtir efeito no mundo jurídico. Na Administração Tributária, o Estado, na qualidade de agente fiscal, deve emitir este ato administrativo pelo lançamento fiscal, assim definido pelo artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifos não pertencem ao original) O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), cuida das formas de formalização do lançamento fiscal em seus artigos 9, 10 e 11, de acordo com o determinado no artigo 142 do CTN: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.003227/200400 Acórdão n.º 180101.072 S1TE01 Fl. 1.153 11 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Assim, sem a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento não há como modificar o resultado da contabilidade dos contribuintes por procedimento de fiscalização exercido a destempo. Sem dúvida, a apuração de infrações tributárias espelhadas em glosas fiscais ou adição de receitas omitidas devem ser veiculadas mediante os atos administrativos próprios do lançamento fiscal – Auto de Infração ou Notificação de Lançamento – para serem devida e regularmente formalizadas. E o Estado fiscalização tem cinco anos a contar do fato gerador, ou do primeiro dia do exercício seguinte (dependendo da situação de cada contribuinte), para exercer o seu poderdever de fiscalização, sob pena de irremediável ofensa aos princípios da segurança jurídica, e, indiretamente, do contraditório e da ampla defesa – os despachos não são regulados pelo PAF para o fim de o que devem observar para o contribuinte exercer estes direitos constitucionais. Se assim não se interpretasse a legislação tributária, de forma sistemática, ficariam os contribuintes ad eternum sob o risco de sofrer uma fiscalização e ter seus resultados modificados ex officio. A diligência realizada às fls. 1.134 a 1.136 verificou que não houve autuação nos anos dos créditos requeridos. Daí que as alterações promovidas pela autoridade a quo no que respeita ao IRPJ devido espelhado nas DIPJ relativas aos anoscalendários de 1998 e 1999 não podem prosperar. Observo que a ciência dada à recorrente após a realização da diligência – Intimação Seort/DRF/Cuiabá/MT nº 0762/09, fls. 1.138, com AR às fls. 1.139 – referiuse à ciência do Despacho Decisório nº 906, emitido anteriormente em 18/08/2009, e não da Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Informação Fiscal nº 0156/09, a despeito do comando do despacho deste órgão colegiado de fls. 1.114 a 1.119, in fine. No entanto, considero a nulidade que esta omissão poderia causar suprida pelo fato de o resultado das diligências cooperarem em favor ao pleito da recorrente, nos termos do artigo 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Das Nulidades Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos não pertencem ao original) Admito, por conseguinte, que excluídas as alterações realizadas ex offico por meio do despacho decisório de fls. 473 a 485, e as adições dos adicionais nos montantes apurados em auditoria de IRPJ, a recorrente apurou os seguintes valores de IRPJ e adicional: Anocalendário de 1998....................IRPJ devido R$ 16.341,92 Anocalendário de 1999....................IRPJ devido R$ 66.098,79 ................Adicional IRPJ R$ 20.065,86 Estes valores estão em conformidade com aqueles declarados pela recorrente – DIPJ/99 às fls. 321 e DIPJ/00 às fls. 333 – e foram confirmados no despacho decisório, antes das alterações. II) Da quitação dos IRPJ devidos Em segundo momento, há pois que se verificar a forma do pagamento dos IRPJ devidos e adicional, nos valores acima. A verificação dos pagamentos é crucial para o deferimento do Pedido de Restituição, pois não se pode restituir o que não foi recolhido aos cofres públicos. A quitação do imposto ocorre por duas formas, no presente caso: as antecipações pelas retenções efetuadas pelas fontes pagadoras (IRRF) e pelos pagamentos efetuados durante o anocalendário das estimativas do lucro mensal. II.a) Anocalendário de 1998 Para o anocalendário de 1998, consoante apurado pela recorrente: IRPJ................. R$ 16.341,92 IRRF................ R$261.036,29 Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.003227/200400 Acórdão n.º 180101.072 S1TE01 Fl. 1.154 13 Estimativas..... R$ 33.420,03 Saldo a restituir R$278.114,40 A autoridade competente chancelou no despacho decisório de fls. 473 e ss o valor informado a título de IRRF, na DIPJ/99, em R$ 261.036,29 (fls. 480), consoante DIRF pesquisadas nos sistemas da RFB e informação prestada por fonte pagadora (fls. 256 e 392 a 396), e glosou o valor informado a título de estimativas recolhidas durante o anocalendário em questão. Observo que, intimada a apresentar os informes de rendimentos referentes às retenções sofridas, a recorrente apresentou o informe de rendimentos de fls. 252, o qual perfaz o valor de R$ 151.685,66 (Banco da Amazônia S/A). Em razão de divergência com os valores informados em DIRF, a instituição financeira diligenciada informou o valor de R$ 238.914,32, igualmente menor do que aquele reconhecido no despacho da autoridade a quo. Portanto, a priori¸ a recorrente faz jus aos incontroversos R$ 244.694,37 (16.341,92 – 261.036,29), a título de saldo negativo de IRPJ para o ano de 1998. Repito, não há divergências entre o valor informado em DIPJ/99 a título de IRRF anual e aquele reconhecido pela autoridade competente. Analisando o que diz respeito às estimativas, aquela autoridade indeferiu o montante informado pela razão que na DIPJ em questão, 1999, a contribuinte assinalou como estimativa devida apenas para os meses de outubro e novembro de 1998, nos valores respectivos de R$ 17.527,02 e R$ 15.893,01 (=33.420,03), os quais foram compensados também com o IRRF no próprio mês. Desta forma, com a devida justiça, não pode a recorrente aproveitarse do mesmo valor de IRRF na forma mensal e no ajuste anual, não restando comprovado nos autos o valor do IRRF compensado mensalmente, além daquele valor pleiteado na compensação anual. Ademais, saliento, que na peça recursal a recorrente pleiteia exato e somente a restituição dos valores informados a título de IRRF, na DIPJ/99, cujo reflexo incidiu diretamente no saldo negativo de IRPJ, ou seja, R$ 261.036,29, que descontado do IRPJ devido, é da ordem de R$ 244.694,37. II.b) Anocalendário de 1999 Para este ano, a recorrente informou na DIPJ/00: IRPJ................. R$ 66.098,79 Adicional........ R$ 20.065,86 IRRF................ R$446.406,98 Estimativas..... R$145.526,00 Saldo a restituir R$505.769,13 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 A recorrente apresentou o informe de rendimentos fornecido pelo Banco da Amazônia S/A, em cópia autenticada, às fls. 253. Em vista da divergência de valores entre a DIRF apresentada pela instituição financeira e os valores consignados no informe, tal qual ocorreu com o anocalendário de 1998, foi intimada a reratificar os valores da DIRF. Comparo a resposta do Banco da Amazônia com o informe de rendimentos apresentado pela recorrente, no que concerne aos IRRF: INFORME DE RENDIMENTOS RESPOSTA Renda Fixa Swap Jan 0,00 17.544,57 17.544,57 Fev 1.376,82 57.257,17 41.544,99 Mar 64.146,65 114.584,82 114.584,82 Abr 216,45 664,82 664,82 Mai 0,00 1.162,26 1.162,26 Jun 0,00 1.574,43 1.574,43 Jul 664,00 1.945,04 1.945,04 Ago 49.194,55 23.442,33 23.442,33 Set 4.414,69 0,00 0,00 Out 17.018,68 39.852,86 54.440,42 Nov 31.779,93 0,00 30.077,25 Dez 19.567,11 0,00 13.129,69 Total 188.378,90 258.028,30 300.110,52 Como pode ser observado, a fonte pagadora, com divergência apenas em fevereiro, informou apenas os IRRF relativos às operações de swap de janeiro a setembro. Supõese que nos meses seguintes, outubro, novembro e dezembro, incluiu as retenções (e rendimentos) de renda fixa. A autoridade fiscal confirmou os valores com a DIRF originalmente entregue pela instituição financeira e, embora intimada a esclarecer as divergências entre os valores expressos no informe de rendimentos e aqueles informados em Dirf, o Banco da Amazônia S/A nada declarou. Dada a flagrância do erro cometido pela instituição financeira, é de se acatar os valores do IRRF informados no documento fornecido à recorrente, trazido em cópia autenticada aos autos. Ressalvo que nesta análise não se está a verificar se os rendimentos financeiros correlatos foram ou não oferecidos pela recorrente à tributação, pelo simples motivo que a autoridade fiscal não procedeu esta checagem. Proceder a esta verificação neste momento seria inovação no julgamento em fase recursal, in pejus à recorrente, o que é vedado aos órgãos julgadores. Destarte, acato como valor de IRRF a que faz jus a recorrente aquele expresso na DIPJ/00 e comprovado pelo informe de rendimentos de fls. 253, em detrimento aos valores informados em DIRF, cuja divergência não foi esclarecida pela fonte pagadora. O valor de IRRF para o anocalendário de 1999, saliento, é da ordem de R$ 446.407,20 (188.378,90 + 258.028,30). No que concerne às estimativas informadas na DIPJ/00, houve apuração de valores a pagar nos meses de janeiro a julho, e agosto em diante os valores já pagos foram Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.003227/200400 Acórdão n.º 180101.072 S1TE01 Fl. 1.155 15 compensando os valores devidos relativos a agosto a dezembro. Registrouse no despacho denegatório que não houve recolhimento das estimativas, nem tampouco confissão em DCTF. Da análise dos Livros Diário e Razão, os valores relativos a janeiro, fevereiro e maio, constam como “autocompensados” na contabilidade, com o saldo negativo do IRPJ apurado em 1998, grifei. O problema é que os valores escriturados não correspondem àqueles informados nas DIPJ da recorrente (nem com as originais, nem com as retificadoras). As estimativas relativas aos meses de março, abril, junho e julho foram debitadas na conta contábil “IRPJ Estimativa” e creditada na conta “IRPJ a Recuperar”, que registra os valores de IRfonte, grifei. Considerandose os valores informados a título de estimativas na DIPJ/00, os efeitos das informações acima, extraídas do despacho decisório, são: 1) do saldo negativo de IRPJ – anocalendário 1998, apurado consoante decidido acima, no valor de R$ 244.694,37, devese debitar as estimativas declaradas relativas a: janeiro/99................ R$ 26.396,78 fevereiro/99............ R$ 22.375,70 maio/99................... R$ 2.466,83 Esta conta resulta em um remanescente de saldo negativo de IRPJ, para o anocalendário de 1998, no valor de R$ 193.455,06. 2) do valor de IRRF – anocalendário 1999, admitido nesta decisão, no valor de R$ 446.406,98, devese debitar as estimativas declaradas relativas a: março/99............... R$ 31.756,35 abril/99................. R$ 24.110,00 junho/99................ R$ 30.340,92 julho/99................. R$ 8.080,23 Apurase, por conseguinte, um valor de IRRF anual, para compor o saldo negativo de IRPJ (1999), no montante de R$ 352.119,48. Até aqui, concluise, que o valor do saldo negativo de IRPJ para o ano calendário de 1998, consiste em R$ 193.455,06 (item II.b.1), e, com referência ao saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 1999, traduzse em R$ 413.481,63 (IRPJ+Adicional IRRF – Estimativas = 66.098,79 + 20.065,86 – 352.119,48 – 147.526,80) destaquei. Deste ponto em diante, o despacho decisório pressupõe que a recorrente continuou a compensar contabilmente os valores residuais com as estimativas apuradas nos anos seguintes, simulando os valores até o anocalendário de 2002 (setembro). Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 Esta simulação não se justifica, ainda que em razão da empresa ter informado valores divergentes de débitos e com quais saldos negativos (de qual ano teriam sido compensados na contabilidade), por exemplo os valores referentes ao período de apuração novembro e dezembro/2002. Há um valor no Anexo I que apresentou (fls. 62 e 91, Anexo I), outros nas DCTF e outros ainda na Per/Dcomp, todos indicando créditos diferentes para saldar os referidos débitos. Assim a autoridade a quo concluiu que sequer a empresa tem controle sobre os créditos aos quais teria direito a repetir. Por esta razão, esclareço melhor, pela confusão da recorrente no preenchimento das DCTF, nas Per/Dcomp e no Anexo I, quanto ao aproveitamento dos saldos negativos para a frente – a partir do anocalendário de 2000 – negou a restituição à recorrente, sob o fundamento de que os créditos não são líquidos e certos (art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN). Todavia, este procedimento pode até consistir com a verdades dos fatos, mas não pode a Administração Tributária indeferir os pedidos de restituição (Per/Dcomp) apresentados em base de ilações. As suposições devem ser descartadas da presente análise, bem como as considerações no referido despacho sobre débitos que foram declarados em DCTF e informados como compensados com saldo negativo de IRPJ relativo a 1996, alterado para saldo a pagar por autuação fiscal , matéria estranha a este processo. Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito proveniente dos saldos negativos de IRPJ, relativos aos anoscalendários de 1998 e 1999, nos valores integrais*1 de R$ 193.455,06 e R$ 413.481,63, respectivamente, bem como homologar as compensações pleiteadas até este limite. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora 1 *Os valores referemse ao saldos negativos de IRPJ propriamente ditos (DIPJ/09 e DIPJ/00) e não à parte litigiosa, em vista de uma parcela dos saldos negativos pleiteados haverem sido reconhecidas como crédito já pela autoridade competente. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13808.002579/2001-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador do tributo, sem que a autoridade lançadora se tenha manifestado, consuma-se o lançamento por homologação tácita e considera-se extinto o correspondente crédito tributário, decaindo o direito de a Fazenda Pública efetuar novo lançamento.
Numero da decisão: 3102-001.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatóro e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador do tributo, sem que a autoridade lançadora se tenha manifestado, consuma-se o lançamento por homologação tácita e considera-se extinto o correspondente crédito tributário, decaindo o direito de a Fazenda Pública efetuar novo lançamento.
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DECADÊNCIA. Transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador do tributo, sem que a autoridade lançadora se tenha manifestado, consumase o lançamento por homologação tácita e considerase extinto o correspondente crédito tributário, decaindo o direito de a Fazenda Pública efetuar novo lançamento. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatóro e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 07/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro(presidente), Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Winderley Morais Pereira. Relatório Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 9.539 da DRJ/SPO, que julgou procedente o lançamento. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: 4. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 21/23), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 27/07/2001, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 62.944,94, incluindose tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até 29/06/2001 referente à COFINS dos meses de janeiro a dezembro de 1995, com enquadramento legal exposto às fls. 19, 20, e 22. 5. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 13/14) a autoridade fiscal autuante informa que das verificações procedidas nos documentos apresentados (doc. de fl. 4/6 e planilha de fl. 7), constatou que no período de janeiro a dezembro de 1995 a empresa recolheu a COFINS, a menor, sendo assim, a mesma será exigida de ofício no presente auto de infração. 6. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs impugnação em 27/08/2001 (fls. 26/28), onde alega, em síntese, o que se segue: 7. Na preliminar diz que como se percebe no presente processo, a infração apurada ocorreu em todo o ano de 1995 e a autuação foi efetivada em 27/07/2001, assim, a mesma está prescrita por força do artigo 174 do Código Tributário Nacional. 8. Quanto ao mérito alega que houve "um grave erro matemático, provocado pelo contador responsável pelo recolhimento, ou seja, em vez de multiplicar o valor da base de cálculo pelo percentual de 2%, multiplicou por 0,2%, ou qualquer outra forma matemática que levou ao erro material no recolhimento da devida contribuição". 9. Face ao exposto, requer que seja reconhecido insubsistente o auto de infração, declarando sua prescrição, bem como a não inserção dos valores apresentados nos autos na dívida ativa da União. Após analisar a manifestação de inconformidade em razão da não homologação da declaração de compensação e ser observada a informação fiscal, decidiu a DRJ/SPO, pelo provimento do lançamento nos termos da ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 Ementa: FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatada falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, "ex vi legis". DECADÊNCIA. DESCABIMENTO O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo ao COFINS decai após dez Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13808.002579/200191 Acórdão n.º 3102001.561 S3C1T0 Fl. 2 3 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) Em razão do COFINS ter natureza tributária, estaria sujeito ao regime jurídico tributário estabelecido na CF/88; b) a decadência em liça é de 5 (cinco) anos contados do fato jurídico tributável, consoante o § 4º do artigo 150 da CF/88, afirmando que referido instituto somente pode ser introduzido ou modificado por lei complementar; c) o art. 45 da Lei 8.212/91, que estabelece o prazo decadencial de 10 (dez) anos para lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social, já fora declarado inconstitucional e ilegal, razão pela qual não pode ser levado em conta; d) que se operou o instituto da decadência no caso em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Em que pese as respeitáveis teses a respeito do instituto da decadência levantadas no acórdão recorrido, passo às razões da decisão presente. Precipuamente, é fundamental explanar uma noção a respeito do instituto da decadência. Neste passo, é bastante a lição do ilustre autor Paulo de Barros Carvalho: “ A decadência ou caducidade é tida como fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu nãoexercício durante certo lapso de tempo. Para que as relações jurídicas não permaneçam indefinidamente, o sistema positivo estipula certo período a fim de que os titulares de direitos subjetivos realizemos atos necessários à sua preservação, e perante a inércia manifestada pelo interessado, deixando fluir o tempo, fulmina a existência do direito, decretandolhe a extinção. Só se observa o efeito extintivo da obrigação tributária, porém, quando o fato da Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 decadência for reconhecido posteriormente à instalação da obrigação tributária.” 1 Vista tal explanação, passase aos argumentos da Recorrente. “Ab initio”, a Recorrente é feliz ao inferir a inconstitucionalidade assim como a ilegalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, dispositivo o qual tratou de disciplinar o prazo decadencial para as contribuições sociais, majorando para o lapso de 10 (dez) anos. Ora, tendo por base que é pacífico que a natureza das contribuições é tributária, submetendose, logo, ao regime jurídicotributário previsto na Constituição Federal. É bastante, portanto, dizer a clarividente violação do diploma legal aferido para com o disposto no art. 146, III, “b”, da Constituição Federal: Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Visto o claro desrespeito à norma constitucional acima, tendo em vista que a matéria reservada à Lei Complementar fora indevidamente disciplinada por Lei Ordinária – nº 8.212/91, o Colendo Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento pela inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da referida lei ordinária, consoante razões constantes na ementa e decisão do acórdão seguinte: Processo: RE 556664 RS Relator(a): Min. GILMAR MENDES Julgamento: 12/06/2008 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação: REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO Parte(s):UNIÃO PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL NOVOQUIM INDÚSTRIA QUÍMICAS LTDA DANIEL LACASA MAYA E OUTRO(A/S) Ementa PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA TRIBUTÁRIAS. MATÉRIAS RESERVADAS A LEI COMPLEMENTAR. DISCIPLINA NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. NATUREZA TRIBUTÁRIA DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTS. 45 E 46 DA LEI 8.212/91 E DO PARÁGRAFO UNICODO ARTT . 5º DO DECRETOLEI 1.569/77. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. I. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA TRIBUTÁRIAS. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. As normas relativas à prescrição e à 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário 18. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13808.002579/200191 Acórdão n.º 3102001.561 S3C1T0 Fl. 3 5 decadência tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a lei complementar, tanto sob a Constituição pretérita (art. 18, § 1º, da CF de 1967/69) quanto sob a Constituição atual (art. 146, b, III, da CF de 1988). Interpretação que preserva a força normativa da Constituição, que prevê disciplina homogênea, em âmbito nacional, da prescrição, decadência, obrigação e crédito tributários. Permitir regulação distinta sobre esses temas, pelos diversos entes da federação, implicaria prejuízo à vedação de tratamento desigual entre contribuintes em situação equivalente e à segurança jurídica. II. DISCIPLINA PREVISTA NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966), promulgado como lei ordinária e recebido como lei complementar pelas Constituições de 1967/69 e 1988, disciplina a prescrição e a decadência tributárias. III. NATUREZA TRIBUTÁRIA DAS CONTRIBUIÇÕES. As contribuições, inclusive as previdenciárias, têm natureza tributária e se submetem ao regime jurídicotributário previsto na Constituição. Interpretação do art. 149 da CF de 1988. Precedentes. IV. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. Inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição de 1988, e do parágrafo ú nico do art. 5º do Decretolei 1.569/77, em face do § 1º do art. 18 da Constituição de 1967/69. V. MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. SEGURANÇA JURÍDICA. São legítimos os recolhimentos efetuados nos prazos previstos nos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 e não impugnados antes da data de conclusão deste julgamento. Decisão O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente), conheceu do recurso extraordinário e a ele negou provimento, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, e do parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977. Em seguida, o Tribunal adiou a deliberação quanto aos efeitos da modulação, vencido o Senhor Ministro Março Aurélio. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional e, pela recorrida, Dr. Daniel Lacasa Maya. Ausentes, justificadamente, neste julgamento, os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau e, na modulação, a Senhora Ministra Ellen Gracie e o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 11.06.2008.Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Março Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplicase tão somente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente). Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 12.06.2008. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 Assim sendo, não restam laivos de dúvidas a respeito da inconstitucionalidade do referido dispositivo. Não obstante, é importante atentar para os efeitos consubstanciados nessa decisão. Neste passo, é sabido que, em regra, as decisões de mérito nas ações declaratórias de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo produzem efeito erga omnes e ex tunc, ou seja, retroativos. Excepcionalmente, o STF pode modular os efeitos da decisão, concedendo a esta efeitos ex nunc, conforme artigo 27 da Lei 9868/99. De tal modo, denotase, da decisão elencada, que o Tribunal deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, isto é, não retroativo. Devese, pois, ter em mente o que o Regimento interno deste Conselho determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta feita, a Recorrente alega a decadência em liça com base no prazo previsto no § 4º do art. 150 da Constituição Federal, de maneira que tal prazo, de 5 (cinco) anos, somente poderia ser modificado mediante lei complementar. Não obstante, em face da decisão relatada acerca dos dispositivos, contidos em sede de Lei Ordinária, que modificaram o prazo para lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social, majorandoo para 10 (dez) anos, temse que foi aferida e decidida a inconstitucionalidade de tais artigos – arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91. Segue, pois, a redação do revogado artigo 45 da Lei 8.212/91: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Porém, é bom enfatizar, como já fora acima explanado, que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela modulação dos efeitos de tal decisão somente no que diz respeito a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nem sequer lançamentos de ofício. Ora, enfatizandose que o processo administrativo tributário presente não diz respeito a eventuais repetições de indébitos, ou ainda pelo fato de ter tido início no exercício de 2001, não há o que se questionar a respeito da não aplicação de modulação de efeitos para o caso em comento, o que faz com que a decisão do STF opere efeitos “ex tunc”. De tal forma, vêse que o instituto da decadência se perfaz para com a obrigação tributária do contribuinte. Afinal, o período apurado consiste no exercício de 1995, de maneira que decai o direito do Estado de receber a prestação tributária objeto do Auto de Infração caso ultrapassado o exercício de 2000 sem qualquer autuação do Fisco, isto é, decorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13808.002579/200191 Acórdão n.º 3102001.561 S3C1T0 Fl. 4 7 Ressaltese ainda que o posicionamento acima restou consolidado através da súmula vinculante nº 8, nos seguintes termos: SÚMULA VINCULANTE Nº 8 SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Assim sendo, verificada que a autuação somente ocorreu no exercício de 2001, não resta outra conclusão senão de aplicação da decadência para o caso em liça. Diante do exposto e da constatação de que o instituto da decadência se operou, denotase que assiste razão a recorrente ao pleitear a decadência já aludida. Em face da jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal assim como nos argumentos já expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para com o reconhecer a decadência do crédito tributário. Diante do exposto conheço do recurso para dar provimento e reconhecer a decadência do crédito tributário. Sala de sessões 18 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10480.911944/2009-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.911944/200959 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.177 – 2ª Turma Especial Data 06 de março de 2013 Assunto Diligência Recorrente PLASTICOR BRINDES IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 11 94 4/ 20 09 -5 9 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.911944/200959 Resolução nº 1802000.177 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife PE, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Consta do presente processo que a Recorrente no anobase de 2003, a época optante do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos através do DARFSimples (extrato de fl. 23), e transmitiu, via internet, a Declaração PJ Simplificada 2004 do anobase 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal. Em setembro de 2004 a Recorrente recebeu uma notificação de exclusão do Simples, retroativa a 01/01/2003, determinando que a mesma entregasse as DCTF's do ano base 2003 e a DIPJ do exercício 2004 para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto à Receita Federal do Brasil (“RFB”) e pudesse, assim, retornar ao Simples. Em 16/05/2005, foi recepcionadas as DCTF’s dos 1º, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003 (fls. 23 a 26v) e em 20/05/2005, foi recepcionada a DIPJ com alteração na forma de tributação para Lucro Presumido (fl. 27v a 37v). Vale salientar que essa entrega feita após o prazo limite estipulado na legislação gerou débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL, bem como multa por atraso na entrega das declarações. Para a extinção da obrigação tributária, a Recorrente transmitiu em 16/05/2005, ou seja, na data da entrega das DCTF’s, PER/DCOMP eletrônica (fls. 01/05) visando compensar DARFSIMPLES recolhido pela sistemática do Simples (Código de Receita 6106), relativo a período de apuração de novembro de 2003, no valor de R$ 19.363,54 (fl. 03). A este processo coube o valor de R$ 1.851,90 (fl. 02), na compensação com débito de sua responsabilidade no valor original de R$ 1.851,90, período de apuração 4º trimestre de 2003, correspondente a CSLL (fls. 04, 26v e 34v). A DRF/RecifePE emitiu Despacho Decisório eletrônico, com ciência em 02/06/2009 (fls. 06 a 10), HOMOLOGANDO PARCIALMENTE a compensação declarada, eis que constatou a procedência do crédito original informado, reconhecendose o valor do crédito pretendido, mas o considerou insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, restando um saldo devedor de: R$ 247,04 (principal), R$ 49,40 (multa) e R$ 183,10 (juros). Inconformada com a parte não homologada pela DRF, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 01/07/2009 (fls. 11 a 20), pelos motivos que vão abaixo informados: 01 A requerente sendo optante pelo regime de recolhimento do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos pelo DARF Simples no ano base de 2003, e entregando via intemet a Declaração PJ Simplificada 2004 Ano Base 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal, sendo surpreendida em Setembro/2004 com o recebimento de Notificação de Exclusão do Simples retroativo a 01/01/2003, obrigando a requerente a entregar as DCTF's e a DIPJ do Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.911944/200959 Resolução nº 1802000.177 S1TE02 Fl. 4 3 ano base 2003 exercício 2004 fora do prazo legal de entrega, para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto a RF e pudesse, assim, retornar ao regime do Simples, o que veio a gerar Multas p/Atraso na entrega, bem como débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL do ano base 2003, todos gerados após vencimentos, pela exclusão retroativa, e sendo orientada por técnicos da RF a proceder a transmissão de PER/DCOMP para poder fazer a compensação dos débitos gerados dos impostos , acima, pelos pagamentos.do Simples recolhidos em 2003, conforme procedeu, tendo em vista que os pagamentos do Simples eram de valor maior que os débitos gerados nas DCTF's e DIPJ que totalizavam em seu valor original R$ 70.524,64 e os pagamentos do Imposto Simples pagos indevidamente no ano base de 2003 representam o valor total de R$ 89.346,84, conforme poderá ser constatado nas cópias dos documentos em anexo. 02 "Conforme poderá constatar na cópia da PER/DCOMP e nas cópias das declarações que originaram todos os dados acima, os valores gerados pela exclusão do Simples, foram devidamente compensados em seu valor original e ainda houve um saldo remanescente em favor da requerente relativo aos pagamentos do Simples, o que liquida qualquer valor residual que possa vir a ocorrer nas referidas cobranças do Despacho Decisório, ficando a requerente desobrigada do recolhimento de tributos concernentes ao período do ano base de 2003, visto que ainda tem um crédito de recolhimentos a maior de tributos. Finalmente, requer a Recorrente: "Diante do exposto acima, vem mui respeitosamente ratificar sua manifestação de inconformidade com as cobranças geradas, pelo que requer a essa Delegacia de Julgamento que se digne em fazer e/ou mandar fazer uma melhor análise dos valores compensados na PER/DCOMP pelos pagamentos do Simples, bem como requer que, caso os valores cobrados no Despacho Decisório estejam corretos, o saldo residual dos pagamentos do Simples, existente em favor da requerente sejam apropriados nos valores cobrados através do despacho decisório, mesmo que tenham sido pagos no ano base de 2003, visto que, apesar da Per/Dcomp ter sido enviada em 16/05/2005, só em 20/04/2009 é que a mesma foi analisada, impossibilitando assim, que a requerente possa pedir restituição dos valores pagos a maior em 2003, e não é justo que seja penalizada com cobranças de tributos intempestivamente, quando tem um saldo residual em seu favor, por ter a RFB se pronunciado quanto a PER/DCOMP após o período de carência para o pedido de restituição. A DRJ de Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.911944/200959 Resolução nº 1802000.177 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE JUROS E DE MULTA DE MORA. Na compensação espontânea efetuada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais (multa de mora e juros), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. A compensação de tributo ou contribuição sell acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou pericias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Reconhecido” Ciente dessa decisão, em 11/01/2012, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/02/2012, o qual reitera as razões aduzidas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando ainda a questão da decadência do crédito em questão. É o Relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.911944/200959 Resolução nº 1802000.177 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE que manteve o despacho decisório eletrônico da DRF que não homologou integralmente a compensação pleiteada pela Recorrente, eis que entendeu que os créditos ofertados na PER/DCOMP não eram suficientes para a extinção dos débitos correspondentes. A Recorrente no anocalendário de 2003 procedeu regularmente com a sua apuração de tributos pela sistemática do Simples, tendo recolhido os DARF’sSIMPLES mês a mês e, posteriormente, procedido com a entrega tempestiva da Declaração PJ Simplificada 2004. Constatase que no momento em que tais fatos ocorreram não havia qualquer ato que determinasse a exlusão da empresa do regime de apuração, ato este que só ocorreu em setembro de 2004. Neste caso entendo que deve prosperar o princípio da verdade material. Neste sentido James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” Fl. 90DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.911944/200959 Resolução nº 1802000.177 S1TE02 Fl. 7 6 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Vale registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado pode se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos, apurados, de acordo com o regime do lucro presumido. A solução dessa lide depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela delegacia de origem. Assim, o exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Recife atenda ao acima solicitado. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 91DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.911944/200959 Resolução nº 1802000.177 S1TE02 Fl. 8 7 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10675.901492/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/10/2004
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 14/10/2004 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 14/10/2004 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 92 /2 00 8- 39 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação de créditos de pagamento a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Em auditoria eletrônica, o pedido de compensação não foi homologado, em razão dos créditos informados estarem integralmente alocados a débitos da Recorrente, conforme declarado em DCTF. Irresignada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que houve um equívoco no preenchimento da DCTF referente a fevereiro de 2004, onde consta um débito de R$ 4.273,59, quando o valor correto seria um débito de R$ 529,86. Para sanar o erro protocolou declaração retificadora de DCTF, alterando o valor devido da Cofins. A Delegacia de Julgamento entendeu que a apresentação de DCTF retificadora não é suficiente para comprovar o pagamento a maior da contribuição, sendo necessária a apresentação de documentação fiscal e contábil para comprovar o erro no preenchimento da DCTF original. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/10/2004 COMPENSAÇÃO Após a instituição da Declaração de Compensação, a compensação se dá na data de transmissão da DCOMP, sendo que o crédito deve estar disponível nessa data. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, reafirmando o direito ao crédito, apresentando planilha de cálculo da COFINS referente ao período em litígio (fl. 72). É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10675.901492/200839 Acórdão n.º 3102001.760 S3C1T2 Fl. 136 3 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente afirma o direito a restituição, sob o argumento que os créditos estariam comprovados por meio da retificação da DCTF. O argumento, aparentemente parece verdadeiro e coerente, entretanto, para que o direito ao crédito ocorresse, há de se verificar se os livros e documentos contábeis e fiscais foram corretamente escriturados e comprovam a existência dos pagamentos a maior da contribuição. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. Apreciando a matéria, podemos nos socorrer do entendimento de Luciano Amaro, que resolve a questão ao reafirmar a necessidade da prova para obtenção do indébito tributário. “O pagamento de certa quantia, a título de tributo, embora sem nenhuma ressalva, não implica, portanto, “confissão de dívida tributária”. Isso não significa que, em toda e qualquer situação, nunca se tenha de provar matéria de fato no âmbito da repetição de indébito tributário. Se alguém declara à Fazenda Federal a obtenção de rendimento tributável, não pode pleitear a devolução com a mera alegação de que não percebeu aquele rendimento; requerse a demonstração de que o rendimento efetivamente não foi percebido ou que, dada a sua natureza, não era tributável. Isso porque a declaração feita se presume verdadeira. Recordese que, como referimos ao tratar do lançamento por declaração, o art. 147 do Código admite a retificação da declaração, provado o erro em que se fundamente o pedido. Da mesma forma, na restituição de tributo cobrado sobre a venda de certo produto, podese éter dilação probatória sobre a natureza, composição química, destinação etc. do produto, com vistas a classificálo como não tributável ou sujeito a menor alíquota, para o fim de definir eventual indébito, total ou parcial.”. 1 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed., p. 448. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte apenas apresentou os pedidos de retificação de DCTF, sem provas documentais a sustentar as suas pretensões. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho decisório utilizou as informações constantes da DCTF. A sua alteração, pressupõe a existência de erro, e desta feita, o ônus da prova recai sobre quem contesta. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 2 A Recorrente apresenta planilha com cálculos da COFINS devida para o período em discussão, entretanto, não traz nenhum documento fiscal ou contábil para sustentar as suas informações. Ora, como dito alhures, a prova é ônus de quem contesta. A contestação sem prova não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a sua busca. Diante do exposto, por ausência de provas da existência do indébito tributário, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 2 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 18088.000779/2010-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.082
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Conexão com Processo de Exclusão do SIMPLES Recorrente EFICIENTE MÓVEIS E SOLUÇÕES PARA ESCRITÓRIO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 18088.000779/201096 Resolução n.º 2403000.082 S2C4T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração a Obrigação Acessória AIOA/DEBCAD n° 37.286.5372, lavrado em face da Recorrente pela infração ao artigo 32, inciso IV e § 5o da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97, por, supostamente, ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, durante período compreendido entre as competências janeiro de 2006 a dezembro de 2007. O Auto de Infração foi lavrado no valor de R$ 10.633,44 (dez mil, seiscentos e trinta e três reais e quarenta centavos). Segundo o Relatório Fiscal de fls. 66/74, a autuação decorreu do auto enquadramento da Recorrente como optante do SIMPLES no período autuado, uma vez tendo perdido essa condição através dos Atos Declaratório do Executivo n°s 40 e 41 emanados da autoridade competente da Delegacia jurisdicionante. Em face da exclusão do SIMPLES, foi instaurado o Processo Administrativo n. 18088.000658/201044, que reuniu todas as provas, cópias de documentos, bem como os motivos de fato e de direito, que culminaram com a Exclusão dos regimes tributários, do Simples Federal (Lei 9317/96) e do Simples Nacional (Lei Complementar n. 123, de 25 de outubro de 1966), bem como comprovaram a existência do citado “Grupo Econômico de Fato”, foi transcrito no relatório fiscal), emanados da autoridade competente da Delegacia jurisdicionante. A Recorrente, Impugnou o lançamento sustentando que o caso em tela não poderá ser julgado enquanto não for julgado o Proc. n. 18088.000658/201044, que discute se a exclusão do SIMPLES foi correta ou não. No dia 24/05/2011 a DRJ, tomando por base o julgamento no Proc. 18088.000658/201044, manteve o lançamento por meio do Acórdão de fls. 133/139. No dia 06/07/2011, a Recorrente protocolizou Recurso Voluntário requerendo apensamento ao Proc. n. 18088.000658/201044, vez que, o caso em tela dependerá do citado processo. A Recorrente protocolizou petição, datada de 10/05/2012, onde requer o sobrestamento do processo em tela até o julgamento definitivo do Proc. n. 18088.000658/2010 44. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 18088.000779/201096 Resolução n.º 2403000.082 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tendo a Recorrente, por meio da Impugnação, Recurso Voluntário e Petição feito menção ao Proc. n. 18088.000658/201044; assim como a DRJ se baseado no citado processo para manter o lançamento. Resta evidenciado que o resultado do Processo Administrativo interferirá no caso em tela, tendo em vista que se a exclusão SIMPLES for declarada irregular e a Recorrente voltar para esse regime especial, não incidirá o lançamento ora combatido. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto para baixar em diligência o processo, para que aguarde o trânsito em julgado do Processo Administrativo n. 18088.000658/201044. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
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