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Numero do processo: 14041.001339/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. COMPROVAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO.
É insubsistente o auto de infração quando comprovados, com documentação hábil e idônea, os recursos ingressados na movimentação bancária do sujeito passivo.
CSLL. PIS. COFINS.
Aos lançamentos reflexos aplica-se o decidido em relação à exigência principal.
Numero da decisão: 1402-001.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. COMPROVAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. É insubsistente o auto de infração quando comprovados, com documentação hábil e idônea, os recursos ingressados na movimentação bancária do sujeito passivo. CSLL. PIS. COFINS. Aos lançamentos reflexos aplicase o decidido em relação à exigência principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 6575DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.001339/200736 Acórdão n.º 140201.057 S1C4T2 Fl. 6.741 2 Relatório A Fazenda Nacional recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração As fls. 06/30, formalizando lançamentos de oficio do crédito tributário abaixo discriminado, relativo aos anoscalendário de 2004/2005, incluindo juros de mora calculados até 30/11/2007 e multa proporcional: de 75%, totalizando R$ 17.482.225,50: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ 9.579.463,11 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL 3.485.445,06 Contribuição para o PIS/Pasep 786.645,43 Contribuição o Financiamento da Seguridade Social Cofins 3.630.671,90 De acordo com a descrição dos fatos da exigência principal (fl. 07), o lançamento de IRPJ se fundamenta nos arts. 25 e 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, c/c o art. 528 do RIR/99, tendo como causa motivadora omissão de receitas, apurada a partir de valores referentes a depósitos e investimentos realizados em instituições financeiras, que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil, a origem dos recursos utilizados naquelas operações. Por repercussão, sobre as receitas omitidas, foram formalizados os lançamentos das contribuições sociais (CSLL, PIS e Cofins). Os valores das transações bancárias apontadas como não comprovadas, que constituem os valores tributáveis da autuação, estão demonstrados sinteticamente na planilha A fl. 178 e detalhados nas planilhas acostadas As fls. 179 e seguintes. Cientificada da exigência por via postal em 13/12/2007 (AR colado A fl. 860), a autuada apresentou em 15/01/2008 a petição impugnativa acostada As fls. 863/913, contestando o feito com os argumentos a seguir sumariados. Inicialmente, a impugnante apresenta uma síntese cronológica dos fatos que deram origem à autuação, destacando esta foi concretizada, fundamentalmente, em razão de a fiscalização haver denegado as dilações de prazo que requisitou para apresentar os documentos necessários à comprovação da movimentação bancária, que são milhares. Contudo, espera que com a análise dos documentos que logrou obter somente após a lavratura dos autos, os quais instruem a impugnação tempestivamente apresentada, seja reconhecida a insubsistência da autuação. Em prosseguimento, argúi nulidade do procedimento, alegando, inicialmente, cerceamento de defesa e inobservância dos princípios da verdade material, da legalidade e da moralidade administrativa, sob a argumentação de que, durante a investigação fiscal, foi privada de produzir as provas necessárias para sua defesa, por um radicalismo que lhe impediu de coligir todas as informações necessárias para Fl. 6576DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.001339/200736 Acórdão n.º 140201.057 S1C4T2 Fl. 6.742 3 demonstrar a licitude das transações bancárias, as quais demandariam bastante tempo, por se tratar de uma vasta gama de documentos a serem obtidas das instituições financeiras e dos terceiros com quem desenvolve suas atividades operacionais; Outro aspecto que implicaria nulidade, segundo a impugnante, é capitulação legal indevida, porque o art. 528 do RIR/99, mencionado no enquadramento legal, não autoriza a utilização de depósitos bancários de origem supostamente não comprovada, além do que, no caso concreto, a origem foi comprovada, mesmo que em parte, como reconhece o relatório da própria fiscalização. Acrescenta que a Camara Superior de Recursos Fiscais, em acórdão cuja ementa reproduz, rejeitou a possibilidade de utilização de depósitos bancários, por si sós, para caracterizar omissão de receita, e, ainda que assim não fosse, padece o auto de outro vicio, ao considerar recursos de terceiros, que a empresa administra em razão de seu ramo de negócio, como receita própria, geradora de lucro, o que é incoerente, porque tais ingressos não representam acréscimo patrimonial. Adentrando no mérito, a impugnante primeiramente destaca que, conforme seu instrumento constitutivo, foi criada unicamente para administrar os recursos que lhes são transferidos por empresas parceiras (Brasília Comunicação, SAENCO Ltda., Data Construções e Projetos Ltda., Grupo OK Construções e Incorporações S/A, Grupo OK Construções e Empreendimentos Ltda., Brasiliense Futebol Clube S/C Ltda. e Veja Comunicação e Informática Ltda.), nos termos dos contratos firmados com tais empresas, sendo que sua única receita própria é proveniente da remuneração acordada com as empresas parceiras para as quais presta esses serviços, aspectos que foram examinados pela fiscalização, como restou consignado no relatório de fiscalização elaborado pelo autor do procedimento. Os depósitos bancários apontados pela fiscalização como incomprovados se originam dessa atividade, e, inclusive, boa parte deles teve sua origem demonstrada ao autor do feito, como se deduz pela própria planilha demonstrativa elaborada pelo autuante, que se pautou pela documentação então trazida A baila pela impugnante. Afirma que o que ocorreu foi, ate o encerramento do trabalho de fiscalização, ter podido apresentar a totalidade da documentação, conforme anteriormente exposto, principalmente porque lhe foi denegado o prazo solicitado para completar essa providência, dado o tempo que seria necessário para reunir todos os elementos. Não contando com a dilação de prazo requerida, somente após a autuação conseguiu completar a documentação que comprova a legalidade de sua movimentação bancária, tendo em vista tratarse de uma vasta gama de documentos. Neste sentido, está instruindo a impugnação com a referida documentação, a qual se apresenta colecionada por cada mês de competência da autuação, trazendo cópias do livro Caixa , por sinal examinado quando da fiscalização, dos extratos bancários e dos boletos e outros comprovantes que demonstram a origem dos valores ingressados em sua conta, que se referem a transferidos pelas empresas com as quais mantém contratos de prestação de serviço, para administração e custódia, não constituindo, portanto, receita própria da impugnante. Debate o conceito de receita, frisando que este não compreende recursos recebidos de terceiros que não resultem em acréscimo patrimonial, aponta um erro material no levantamento fiscal, lembra que a autuação reflexa deve seguir a mesma sorte da exigência principal, o mesmo acontecendo com a penalidade pecuniária, protesta contra a aplicação da taxa Selic, e, por fim, requer a realização de perícia, no caso da medida ser necessária para deslinde do litígio.” Fl. 6577DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.001339/200736 Acórdão n.º 140201.057 S1C4T2 Fl. 6.743 4 A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 03 25.246 (fls.6.733 ) de 13/06/2008, por unanimidade de votos, julgou improcedente o lançamento impugnado, exonerando na totalidade o crédito tributário em litígio. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. COMPROVAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Tendo o impugnante trazido aos autos prova documental dos recursos ingressados em sua movimentação bancária, cancelase o auto de infração formalizado em razão da falta dessa comprovação quando do trabalho de fiscalização. CSLL. PIS. COFINS. Aos lançamentos reflexos aplicase o decidido em relação à exigência principal.” Nos termos da legislação em vigor, aquele Colegiado recorreu de oficio a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso de ofício é assente em lei (Decreto nº 70.235/72, art. 34, c/c a Lei n° 8.748, de 09/12/93, arts. 1° e 3°, inciso I), dele tomo conhecimento. Tratase de recurso de ofício interposto pela 2ª Turma da DRJ Brasília/DF que exonerou, na totalidade, o crédito tributário constituído pelos autos de infração constantes do presente processo. Assim se pronunciou aquele Colegiado: “Após apreciar os argumentos da impugnação, e, fundamentalmente, compulsar o acervo documental com o qual a petição foi instruída para contraditar a infração, cuja matéria nuclear consiste na falta de comprovação da origem de recursos ingressados na movimentação bancária do sujeito passivo, concluise que as exigências devem ser canceladas. A partir dos próprios demonstrativos elaborados pelo autor do feito, entranhados às fls. 178 e seguintes dos autos, verificase que, naquela oportunidade, parte da comprovação requerida foi satisfeita, restando pendente a parte incomprovada que deu azo à autuação, fato que, segundo a impugnante, decorreu da exigüidade de tempo para reunir as provas documentais pertinentes, procedimento que pôde ser concretizado somente após a formalização das exigências ora contestadas, o que se reconhece ser compreensível, pela numerosa quantidade de transações realizadas, cuja comprovação documental terminou fazendo com que as peças processuais fossem colecionadas em 34 volumes. Fl. 6578DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14041.001339/200736 Acórdão n.º 140201.057 S1C4T2 Fl. 6.744 5 A respeito dos elementos probatórios trazidos na fase do contraditório, o exame das peças colacionadas desde a fl. 1.184 dos autos, cujos documentos foram conferidos por amostragem das operações mais significativas, permite inferir que os valores ingressados a crédito das contas bancárias da impugnante tiveram origem em transferências de outrem, que, no caso concreto, são as empresas do grupo às quais a autuada presta serviços de administração financeira, não se constituindo, por conseguinte, em receita própria sujeita a tributação. A respeito dos argumentos preliminares, argüindo pretensa nulidade do procedimento, a Lei n°. 8.748, de 1993, acrescentou à redação primitiva do art. 59, do Dec. Nº 70.235, de 1972, o § 3°, cuja dicção, a exemplo do mandamento existente no art. 248, § 2°, do Código de Processo Civil, dispensa a apreciação de questões periféricas que poderiam importar em nulidade, quando o mérito puder ser decidido em favor do sujeito passivo.” Com efeito, entendo que a decisão recorrida está devidamente motivada e os seus fundamentos de fato e de direito, que peço vênia ao autor para adotálos no presente julgado, não merecem reparos, pelo que encaminho o meu Voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio interposto. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 6579DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.010819/98-30
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 02/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF. Recurso extraordinário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior - Relator EDITADO EM: 02/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar provimento. Declarouse impedido o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 08 19 /9 8- 30 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 02/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário (fls. 418/ss) interposto pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 910100.151 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido em 15/06/2009, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial. Tratase de exigência fiscal relativa ao anocalendário de 1992, em decorrência das faltas apuradas em 30/04/98, tendo sido lavrados autos de infração sobre as seguintes matérias: a) Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 27/29): Total do crédito tributário, R$ 132.419,68, incluídos o imposto, a multa de ofício, os juros de mora e a multa por atraso na entrega da DLRPJ, no valor de R$ 623,55. Fundamento legal: artigos 154; 157, § I o ; 191 e parágrafos; 192; 197; 254, I I e parágrafo único; 387, I e 388, I, todos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto n.° 85.450/80, art. 3 o , I, da Lei n° 8.200/91 e art.11 da Lei n° 8.682/93. b) Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Repique (fls. 33/34): Total do crédito tributário, R$ 5.136,88, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 3o , § 2o , da Lei Complementar n.° 07/1970 e título 5, capítulo 1, seção 6, itens I e I I do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela PortariaMF n° 142/82. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.010819/9830 Acórdão n.º 9900000.362 CSRFPL Fl. 9 3 c) Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido ILL (fis. 38/40): Total do crédito tributário, R$ 14.689,43, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: artigo 35 da Lei n° 7.713/88; d) Contribuição Social CSLL (fls. 43 e 45): Total do crédito tributário, R$ 22.357,83, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal: art. 2 o e parágrafos da Lei n° 7.689/1988. Inconformada com as exigências fiscais, a contribuinte após ser cientificada em 30.04.1998, apresentou defesa, fls. 49/66, alegando, dentre outros, decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Em maio de 2003, a Sétima Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo/SP considerou procedente em parte o lançamento, conforme o teor do Acórdão nº 03.320: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1992 Ementa: Exclusão do lucro líquido O saldo de correção monetária devedor, referente à diferença IPC/BTNf, não poderia ser deduzido do imposto no anocalendário de 1992. Glosa de despesas A dedutibilidade das despesas com prestação de serviços fica condicionada à demonstração da necessidade e da efetiva prestação do serviço. DecadênciaA contagem do qüinqüênio decadencial se inicia com a entrega da declaração de rendimentos. Multa por atraso na entrega da DIRPJ Provado nos autos que a entrega da DIRPJ ocorreu tempestivamente, deve ser cancelada a penalidade aplicada. PIS/Repique, IRFON e CSLL O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes. Lançamento Procedente em Parte Interposto Recurso Voluntário, a contribuinte reiterou as alegações apresentadas na primeira instância. Em fevereiro de 2005, ao analisar o recurso interposto pelo contribuinte a 8ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente (Acórdão nº 10808.204): IRPJ CSLL PIS IRRF Em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, de acordo com o disposto no artigo 150, § 4o do Código Tributário Nacional. Preliminar acolhida. De acordo com as informações trazidas na decisão, a natureza de tributo sujeito ao lançamento por homologação só incorporou ao IRPJ a partir de janeiro de 1992, após a introdução do sistema de bases correntes, concretizada pelo artigo 38 da Lei n° 8.383/1991, o Fl. 499DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 qual desvinculou o fato gerador da obrigação tributária à entrega da declaração de rendimentos ao final de cada exercíciofiscal. Desde então, segundo o julgado, a obrigação do contribuinte de apurar mensalmente a base do imposto devido, na medida em que os lucros fossem auferidos, revestiu o IRPJ de todas as características previstas no artigo 150 do Código Tributário Nacional, alterando, evidentemente, a forma de contagem do prazo decadencial, cujo início é atualmente marcado pela ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nesse sentindo, de acordo com o voto condutor, sendo o IRPJ tributo sujeito ao lançamento por homologação cuja contagem do prazo decadencial iniciase com a ocorrência do fato gerador e encerrase após o lapso temporal de cinco anos por óbvio que os valores relativos a eventos ocorridos no primeiro e segundo semestre de 1992, jamais poderiam ter sido objeto de lançamento pela fiscalização em abril de 1998, uma vez perecido este direito fazendário em dezembro de 1997. Inconformada, a PGFN interpôs Recurso Especial, em setembro de 2005, com o fundamento no o art. 32, I do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Sustenta a recorrente, em resumo, a plena aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212/91, e que entendimento em contrário implica na decretação de inconstitucionalidade e lei, o que é defeso ao Conselho de Contribuintes, sobretudo em face de dispositivo do seu Regimento Interno. Alegou a recorrente a constitucionalidade e legalidade do referido dispositivo. Em junho de 2009, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, resolveu, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial, mantendo o acórdão da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes inalterado: Acórdão 910100.151 CSLL DECADENCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4 o do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4o , da Constituição Federal tem natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi consignada na Súmula Vinculante n° 8, da Suprema Corte.. De acordo com o acórdão, os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, continua, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4 o do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4o , da Constituição Federal, tem Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.010819/9830 Acórdão n.º 9900000.362 CSRFPL Fl. 10 5 natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.7339SAO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. Sendo assim, cientificada a contribuinte em 30/04/1998, entendeu a Câmara Superior que o lançamento foi efetuado quando já transcorrido o lustro decadencial referente aos fatos geradores em questão, estando, portanto, decadente o lançamento, nos termos do § 4 o do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Por fim, reitera o julgado a já existente Sumula Vinculante nº 08 do STF que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91. Irresignada, a Fazenda Nacional intepôs Recurso Extraordinário (fls. 418/ss), com fundamento no art. 9º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De acordo com a recorrente, o acórdão em alusão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, § 4º e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. Afirma a recorrente não haver prova nos autos de pagamento do tributo devido no período em que se reconheceu a decadência. No sentido de fundamentar suas razões, a Procuradoria da Fazenda apresentou o Acórdão CSRF/0202.288 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Ficais como paradigma: Acórdão CSRF/0202.288 PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,I, do CTN Recurso especial negado. A recorrente defende que, de forma diversa da que ocorreu no presente caso, no paradigma se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de ofício, aplicandose a regra do artigo 173, I do CTN. Cumpre destacar que a Procuradoria da Fazenda colacionou precedente do Superior Tribunal de Justiça, que, segundo ela, perante a sistemática dos Recursos Repetitivos, ratificou a tese acima delineada, restando pacificado o entendimento acerca da controvérsia. Por fim, requereu o provimento do Recurso Extraordinário para reformar o acórdão recorrido, sendo afastada a decadência lançamento apontada pelo e. Primeiro Conselho de Contribuintes e mantida pela e. Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez que o mesmo foi efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Em Despacho de fls. 430 e ss, o Presidente Substituto do Carf deu seguimento ao RE, tendo em vista haver divergência entre os arestos confrontados, uma vez que a decisão vergastada embasase no artigo 150, caput e § 4.°, mesmo na ausência de pagamento antecipado, e o paradigma oferecido preconiza que a contagem do prazo Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 decadencial deve observar a regra prevista no artigo 173,1, do CTN, na hipótese de ausência de pagamento antecipado. É o que tenho a relatar Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Extraordinário ora em análise, passo a apreciar as questões de mérito. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 502DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10880.010819/9830 Acórdão n.º 9900000.362 CSRFPL Fl. 11 7 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62ª do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente assiste razão quanto ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN. Senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No entanto, conforme se o observa no precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, deverseá aplicar o disposto no art.173, I do CTN quando do cálculo do prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. Fato imprescindível para a seleção de tal dispositivo é antecipação de pagamento, por parte do contribuinte, do tributo devido e recolhido a menor. Ao consultar os autos, verifico que constam DARFs [fls. 214/240], ou seja, houve antecipação de pagamento, logo, correto o decisum recorrido. Por todo o exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 504DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10620.000665/2002-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Não merecem acolhida os declaratórios quando inexistente a omissão apontada pela embargante.
Numero da decisão: 1201-000.679
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos para, no mérito, REJEITÁ-LOS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Não merecem acolhida os declaratórios quando inexistente a omissão apontada pela embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos para, no mérito, REJEITÁLOS, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela Fazenda nacional, contra acórdão desta 1ª Turma, que deu provimento ao recurso voluntário. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10620.000665/200240 Acórdão n.º 120100.679 S1C2T1 Fl. 722 2 Alega a Fazenda Nacional ter havido omissão no acórdão embargado quanto às razões que levaram a Turma a concluir que a regra do § 5°, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 aplicase ao PERC, mesmo não tendo natureza jurídica de pedido de compensação e inexistindo no ordenamento jurídico pátrio autorização para tanto. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso Os embargos foram opostos tempestivamente e por Procurador da Fazenda Nacional, logo, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegada Omissão Sobre os embargos de declaração o art. 65 do Regimento Interno do CARF assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) Pois bem, no caso, a Turma, por maioria de votos, decidiu acolher pedido expresso da recorrente para que fosse aplicado, por analogia, o disposto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. O acórdão embargado contém o seguinte, acerca dessa questão: Como estamos diante de uma homologação tácita, nos termos do artigo 156, inciso VII, do CTN, cumpre aplicar ao presente caso o disposto na Lei nº 10.833/03, que introduziu na Lei nº 9.430/96 o § 5º do art. 74, qual seja prazo homologatório de 5 anos. Reconheço, assim, a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita da compensação informada pelo contribuinte. (...) Em assim sendo, apesar de ter tratado a matéria de maneira sucinta, não houve, a meu juízo, omissão no citado acórdão. Por outro lado, como é cediço, os embargos declaratórios não se prestam à reforma de questão cujo mérito haja sido decido no acórdão embargado. Tal revisão, quando admitida pelo Regimento Interno do CARF, deve ser manejada por intermédio de recurso especial. 3) Conclusão Fl. 718DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10620.000665/200240 Acórdão n.º 120100.679 S1C2T1 Fl. 723 3 Tendo em vista todo o exposto, voto por conhecer dos embargos opostos para, no mérito, rejeitálos. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 719DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014830/2008-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 PRECLUSÃO. Em processo fiscal a inicial - que in casu corresponde aos autos de infração - e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestá-la no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A multa de ofício nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1801-000.994
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRECLUSÃO. Em processo fiscal a inicial que in casu corresponde aos autos de infração e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para tributos federais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A multa de ofício nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Carmen Ferreira Saraiva Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições Federais – Simples Federal, que exigem da empresa acima qualificada, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJSimples, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLLSimples, Contribuição para o Programa de Integração Social – PISSimples, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINSSimples, e Contribuição para a Seguridade Social – INSSSimples, que constituíram o crédito tributário no montante total de R$ 442.684,72, aí incluídos os tributos, a multa de ofício e multa regulamentar do Simples, além dos juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2004 (fls. 01/60). De acordo com o relato constante da folha de “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do Auto de Infração de IRPJSimples teria sido apurada, em procedimento de auditoria fiscal, insuficiência de valores declarados pelo Simples na PJSI do exercício 2005, anocalendário 2004, em comparação com as receitas efetivamente auferidas. Em resposta a termo de intimação fiscal o contribuinte teria informado a adoção do critério de competência para determinação da receita bruta auferida e apresentou relação de notas fiscais emitidas durante o anocalendário de 2004. Do cotejo entre os valores mensais das receitas auferidas e os valores declarados, apuraramse diferenças, e a empresa teria sido intimada a prestar esclarecimentos. Em resposta, informou que também teria constatado tais divergências, mas não saberia informar o motivo. A auditoria efetuou, então, a recomposição das bases de cálculo do SIMPLES utilizando a receita efetivamente auferida, ou seja, a receita de vendas apurada com base nas notas fiscais emitidas, excluídas as devoluções de vendas, conforme planilha anexada ao Termo de Intimação Fiscal do dia 09/10/2008. Sobre as diferenças encontradas foram lavrados os autos de infração para exigência dos tributos devidos, demonstrados no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO/CONTRIBUIÇÃO SOBRE DIFERENÇAS APURADAS, anexo aos autos de infração. A recomposição dos montantes das receitas efetivamente auferidas pela contribuinte teria gerado, como conseqüência, mudança dos percentuais progressivos Fl. 334DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.014830/200821 Acórdão n.º 180100.994 S1TE01 Fl. 334 3 aplicáveis sobre a receita bruta mensal, que é base de cálculo do SIMPLES, de forma que os percentuais aplicados pela empresa sobre as receitas declaradas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, do anocalendário 2004 (PJSI 2005 SIMPLES), ficaram menores que os devidos, caracterizando insuficiência de valor recolhido, conforme DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE VALORES NÃO RECOLHIDOS, anexo aos autos de infração. As demais exigências de CSLLSimples, PISSimples, COFINSSimples e INSSSimples foram lavradas como decorrência da exigência matriz do IRPJSimples. Ainda de acordo com o relato da autoridade fiscal diante da inobservância da obrigatoriedade de comunicação da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, em função da inobservância do limite de receita bruta anual de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) estabelecidos pela legislação para as micro e pequenas empresas, por ter comprovadamente auferido receita no total de R$ 2.401.465,65 (dois milhões, quatrocentos e um mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e sessenta e cinco centavos), conforme notas fiscais emitidas, foi aplicada multa regulamentar calculada em 10% sobre o total dos impostos e contribuições devidos em conformidade com o SIMPLES no mês de dezembro de 2004, mês que antecede o inicio dos efeitos da exclusão. Cientificada das exigências em 17/11/2008, na pessoa de seu gerente, apresentou impugnações tempestivas, uma para cada tributo (fls. 198/257), mas que contém idênticas razões de defesa que sinteticamente se resumem a contestar a desproporcionalidade da multa aplicada com efeito confiscatório e a legalidade dos juros calculados com base na taxa Selic. A 4a. Turma da DRJ em Belo Horizonte, pelo acórdão n º 0228.017, de 05/08/2010, manteve integralmente as exigências (fls. 270/273). Notificada da decisão, em 29/09/2011, apresentou a interessada, em 25/10/2011, recurso voluntário no qual reproduz as razões de defesa deduzidas nas impugnações apresentadas, relativas a desproporcionalidade da multa aplicada, que teria efeito confiscatório, e a legalidade dos juros calculados com base na taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 Preliminarmente PRECLUSÃO A recorrente não se defende dos fatos, nem contesta os valores de receita bruta efetivamente auferidos e omitidos da PJSI, apurados em regular procedimento de auditoria fiscal e fartamente comprovados nos autos. Nos termos do Decreto no. 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, lavrado o auto de infração e regularmente cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária, este dispõe do prazo de 30 dias para apresentar impugnação contra a exigência. Decreto no. 70.235, de 1972. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência Ainda, de acordo com o mesmo diploma legal, o contribuinte deve apontar expressamente e com clareza seus pontos de discordância ao lançamento. Do contrário, a matéria que não seja expressamente impugnada será preclusa. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Em processo fiscal a inicial que neste caso corresponde aos autos de infração e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Portanto, se o contribuinte não questiona todos os itens da exigência fiscal, de forma direta e objetiva na impugnação, no recurso voluntário tais itens se submetem à preclusão pois a matéria devolvida à instância julgadora é apenas aquela expressamente contraditada na peça impugnatória, ou seja, aquela em que está evidenciada, de maneira inequívoca, a reação do contribuinte ao lançamento. In casu, a recorrente não contestou os fatos nem os valores de receita bruta apurados pela auditoria fiscal, ou ainda, a aplicação da multa regulamentar, razão pela qual deles não poderá mais se defender na via administrativa. Fato não contestado é fato consumado. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.014830/200821 Acórdão n.º 180100.994 S1TE01 Fl. 335 5 Mérito. No mérito a defesa se limitou a tecer considerações acerca da ilegalidade da cobrança da multa e dos juros de mora. Com relação à penalidade aplicada sobre os tributos exigidos nos presentes autos é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício se encontra em perfeita consonância com a legislação em vigor. A propósito, em relação aos argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico, cumpre transcrever o posicionamento consentâneo deste órgão, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF no. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que respeita à inconformidade da recorrente em relação à incidência de juros calculados com base na taxa SELIC, este órgão de julgamento já consolidou seu entendimento,, como se verifica do enunciado de súmula abaixo reproduzido: Súmula CARF n º 4. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16832.000500/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2006
Ementa:
A operacionalização da cobrança dos valores da COFINS declarados e não pagos prescinde de lançamento de ofício, sendo a sua declaração em DCTF bastante para a inscrição em Dívida Ativa da União.
Numero da decisão: 3402-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Votaram pelas conclusões os conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Mário César Fracalossi Bais (Suplente) e Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente).
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente) e Mário César Fracalossi Bais (suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2006 Ementa: A operacionalização da cobrança dos valores da COFINS declarados e não pagos prescinde de lançamento de ofício, sendo a sua declaração em DCTF bastante para a inscrição em Dívida Ativa da União.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 204 1 203 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000500/200935 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.004 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente LOJAS AMERICANAS S/A Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II (RJ) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2006 Ementa: A operacionalização da cobrança dos valores da COFINS declarados e não pagos prescinde de lançamento de ofício, sendo a sua declaração em DCTF bastante para a inscrição em Dívida Ativa da União. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Votaram pelas conclusões os conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Mário César Fracalossi Bais (Suplente) e Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente). (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente) e Mário César Fracalossi Bais (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 05 00 /2 00 9- 35 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16832.000500/200935 Acórdão n.º 3402002.004 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 40/45 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins no período de 31/12/2006, exigindose contribuição de R$24.089.272,80, multa de oficio de R$18.066.954,60 e juros de mora de R$6.378.839,43, calculados até 29/05/2009, perfazendo o total de R$48.535.066,83. O enquadramento legal encontrase a(s) fl(s). 42. Transcrevo do Termo de Verificação Fiscal, folha 38, as constatações do Auditor Fiscal: "...o contribuinte informou na DACON, na linha 27 COFINS A PAGAR FATURAMENTO, o valor de R$ 24.089.272,80 ( regime nãocumulativo ), e na DCTF, para o mesmo período, o valor de R$ 22.573.289,97, provocando com isso uma diferença de R$ 1.515.982,84. em resposta à intimação efetuada, informou que a diferença de R$ 1.515.982,84, é originaria de valores constantes de Mandado de Segurança n° 2004.51010228266, que constavam nas DCTFs com suspensão nos meses de agosto/2006, setembro/2006, dezembro/2006 e janeiro/2007, e que foram excluídas as parcelas de R$ 744.899,76 e R$ 771.083,08 no mês de Dezembro de 2006, que somadas perfazem o total de R$ 1.515.982,84, tendo em vista que nos meses de outubro e novembro de 2006, foi apurado saldo credor de COF1NS, não podendo desta forma proceder a compensação das parcelas acima, acarretando o acúmulo no mês de dezembro. posteriormente, em agosto de 2007, houve julgamento desfavorável, acarretando no recolhimento em 31/08/2007 das diferenças declaradas como suspensão. em 13/03/2009, através da declaração retificadora 1002.006.2009.1890272466, procedeu a retificação do valor da COF1NS originalmente declarada de R$ 22.573.289,97 para R$ 24.089.272,80, entretanto o procedimento espontâneo não poderia ser adotado uma vez que a ação fiscal de revisão de declaração havia sido iniciada em 28/01/2009, com ciência na mesma data.. Desta forma, procedemos ao lançamento através de auto de infração da COFINS do mês de DEZEMBRO de 2006 em sua totalidade, desconsiderando os pagamentos efetuados e as DCTFs apresentadas." Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16832.000500/200935 Acórdão n.º 3402002.004 S3C4T2 Fl. 206 3 Cientificada em 26/06/2009, a interessada apresentou em 28/07/2009 a impugnação de fls. 47/55, na qual alegou: 1 Que apurou o montante de R$ 24.089.272,80 (vinte e quatro milhões, oitenta e nove mil, duzentos e setenta e dois reais e oitenta centavos) a titulo da Contribuição devida no período de apuração referente a dezembro/2006. Referido montante devido foi regularmente informado em 24.04.2007 pela Impugnante em sua DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, sendo que para o mesmo período de apuração, foi informado equivocadamente na DCTF, o valor de R$ 22.573.289,97 (vinte e dois milhões, quinhentos e setenta e três mil, duzentos e oitenta e nove reais e noventa e sete centavos), apresentada em 24.04.2007. Posteriormente apresentou DCTF retificadora em 13.03.2009, para corrigir o valor devido como sendo o que já havia sido informado pela DACON. 2 Segundo consta da DCTF retificadora, referido valor de R$ 24.089.272,80, foi recolhido da seguinte forma: Valor devido R$ 24.089.272,80 Pagamento com DARF R$ 117.842,18 Compensação com crédito de IRPJ R$ 74.258,85 Compensação com crédito de IRPJ R$ 27.579,77 Compensação com crédito de IRPJ R$ 21.300.000,00 Débito suspenso por força do MS n° 2004.51.01.0228266 R$ 2.569.592,00 Total: R$ 24.089.272,80 Em relação ao valor em suspenso, cabe esclarecer que, a ora Impugnante impetrou mandado de segurança de n.° 2004.51.01.0228266, para discutir direito a determinados créditos a que faria jus pela sistemática da nãocumulatividade da COFINS, decorrentes de despesas operacionais não previstas no art. 3º da Lei n.° 10.833/2003. Referida ação mandamental foi julgada improcedente, nos termos do acórdão acostado ao presente documento n.° 5, pela 4a Turma especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Diante da decisão contrária, a ora Impugnante, frisese, antes da ação fiscal que originou o Auto de Infração ora impugnado, procedeu ao recolhimento via DARF's do valor informado como suspenso, acrescido de juros e multa moratória (sic), portanto em arrimo com o que preceitua o art. 138 do CTN. Referidos recolhimentos, referente aos períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 2006, foram efetuados nos seguintes valores e nas referidas datas: (i) R$ 810.748,89 em Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16832.000500/200935 Acórdão n.º 3402002.004 S3C4T2 Fl. 207 4 14/11/2006; (ii) R$ 831.613,10, em 15/12/2006, e; (iii) R$ 1.124.938,50, em 15/01/2007 (Does. 6, 7 e 8). A soma dos DARF's perfaz o valor de R$ 2.767.300,49, valor este que por si só já quitaria o valor informado na DCTF como o saldo da COFINS devida em dezembro de 2006 e tido por suspenso. Ora, como pode a Fiscalização desconsiderar os recolhimentos efetuados? Conforme já exposto linhas acima o valor devido de COFINS e referente ao período de apuração de dezembro de 2006 foi todo quitado, sendo totalmente improcedente a pretensa exigência. 3 Conforme inferese do DACON dos meses de outubro e novembro de 2006, apurou em sua escrita fiscal saldos credores da Cofins nos valores de R$ 1.093.631,37 e 3.403.612,22 e mesmo assim recolheu os DARF, já mencionados, de R$ 810.748,89, relativo a outubro, e R$ 831.613,10, referente a novembro, quando não havia, claro, obrigação de recolher valor algum. Desta forma, aos saldos credores informados nas DACON's em outubro/2006 (R$ 1.093.631,37) e em novembro/2006 (R$ 3.403.612,22) deverão ser acrescidos (art. 3º, §4°, da Lei n.° 10.833/2003) os valores recolhidos por DARF's (R$ 810.748,89) em outubro/2006 e (R$ 831.613,10) em novembro/2006, fazendo com que na apuração da COFINS referente a dezembro/2006 pudesse ser apropriado mais o valor de R$ 1.642.361,99 como "saldo de crédito disponível de meses anteriores" além dos R$ 3.403.612,22, com que o valor da COFINS a recolher fosse de R$ 22.446.910,81 e não de R$ 24.089.272,80. Ainda assim, a Impugnante recolheu COFINS no valor de R$ 1.124.938,50 referente ao período de apuração de dezembro/2006, valor este absolutamente indevido mas que deve ser também computado a seu favor, na forma da lei. 4 No caso dos presentes autos, o débito foi declarado em DCTF pela interessada, não sendo cabível a imposição de multa de oficio, nos termos do artigo 1º, § 4º da IN. SRF n° 16/2000 e artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. 5 Por fim pede o afastamento, por ilegalidade, da incidência da taxa SELIC. A Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) considerou procedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1335117, de 27 de maio de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2006 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16832.000500/200935 Acórdão n.º 3402002.004 S3C4T2 Fl. 208 5 DCTF. DÉBITO CONFESSADO Exonerase do lançamento o valor que já havia sido informado em DCTF, antes do inicio da ação fiscal. MULTA DE OFICIO Cabível a manutenção da multa de oficio, sob a parcela do tributo mantida, não paga nem confessada por meio de DCTF. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Por força do art. 34 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008, a Delegacia de Julgamento remeteu os autos ao CARF para análise do recurso necessário. Ressaltando que a exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância dos requisitos de admissibilidade, de forma que passo a análise. A Autoridade Autuante lavrou o auto de infração de valores declarados em DCTF no campo de outras compensações. Quando instado a se pronunciar, o sujeito passivo revelou que havia compensado o valor da Cofins, referente ao período de apuração 12/2006, com créditos de IRPJ. Portanto, a discussão posta nestes autos diz respeito a possibilidade de feitura de auto de infração referentes a períodos de apuração declarados em DCTF. O Código Tributário Nacional, em seu livro segundo, trata do lançamento e suas modalidades. O art. 142 deste ditame legal estabelece que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento e define os requisitos. No art. 150, em uma linguagem não muito clara e que ao longo dos anos tem gerado inúmeras controvérsias, admite que a lei possa estabelecer a obrigatoriedade de recolhimento antecipado pelo sujeito passivo, independentemente de qualquer ação da Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16832.000500/200935 Acórdão n.º 3402002.004 S3C4T2 Fl. 209 6 autoridade administrativa, que só agirá homologar o procedimento e, respeitado o prazo decadencial, exigir eventuais diferenças mediante o lançamento de ofício. Para operacionalizar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, desse procedimento, inicialmente, em relação ao IPI, o Decretolei nº 1.680, de 28 de março de 1979, atribuiu ao Ministro da Fazenda a faculdade de disciplinar o cumprimento de obrigações acessórias. A Portaria MF nº 524/79 estabeleceu os requisitos da declaração e atribuiu ao SRF a competência para baixar as normas complementares, inclusive quanto ao conteúdo e modelo das declarações. Posteriormente, com a edição do Decretolei nº 2.124/84 foi o Ministro da Fazenda autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias, sendo que o § 1º e o § 2º do art. 5º deste Decretolei estabeleceram que o documento que comunicasse a existência de crédito tributário constituiria confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência de crédito tributário, que corrigido monetariamente e acrescido da multa de mora, podia ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observando o disposto no art. 7º, § 2º do Decretolei nº 2.065/1983. Em seguida, foi criada a DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, também com caráter de confissão de dívida e de título extrajudicial. A IN SRF nº 45/1998, ao disciplinar o tratamento dos dados informados em DCTF, estabeleceu que os créditos tributários apurados nos procedimentos de auditoria interna seriam exigidos por meio de lançamento de ofício, com acréscimo de juros moratórios e multa. Esses débitos eram tratados como declarados mas não confessados. A IN SRF nº 94/1997, ao da revisão das declarações apresentadas pelos contribuintes, estabeleceu que as diferenças não confessadas seriam objeto de lançamento de ofício mediante auto de infração. A IN SRF nº 126/1998 instituiu a DCTF e ratificou que todos os valores nela informados seriam objeto de auditoria interna, sendo exigidos, de ofício, com multa de ofício ou moratória, conforme o caso, observadas as IN SRF nº 94/1997 e IN SRF nº 77/1998. Somente a partir da publicação da IN SRF nº 16/2000 passou a vigorar a nova redação introduzida pelo art. 1º no § 2º do art. 7º da IN SRF nº 126/1998, sendo que a redação até então em vigor, que excepcionava o lançamento de ofício, tratava exclusivamente de saldo a pagar confessado em DIPJ e DCTF. Vejase que o art. 144 do CTN estabelece que o lançamento se reporta a data de ocorrência do fato gerador e se rege pela legislação vigente nessa data, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Além do mais, o art. 90 da Media Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determinou que a SRF promovesse o lançamento de ofício de todas as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administradas pelo Órgão. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16832.000500/200935 Acórdão n.º 3402002.004 S3C4T2 Fl. 210 7 Tal sistemática perdurou até a edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art. 18, reportando–se ao art. 90 da MP nº 2.15835/2001, estabeleceu que o lançamento de ofício limitarseia à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseia unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal. Assim, em relação aos débitos declarados, para os fatos geradores anteriores à edição da MP nº 135/2003, eram dois os tratamentos para o lançamento de ofício: a) débitos confessados – incabível o lançamento de ofício; b) débitos declarados mas não confessados – obrigatório o lançamento de ofício, sendo que a multa de ofício seria substituída pela de mora no caso de recolhimento no prazo de vinte dias do início do procedimento fiscal. Nesta linha de raciocínio entendo que, com a edição da MP nº 135/2003, resta desnecessário o lançamento de ofício, seja porque não havia mais lei obrigando efetuar o lançamento, seja porque o crédito tributário já estava constituído pela declaração em DCTF. Sobre esse assunto, percuciente são as linhas traçadas pela conselheira Silvia de Brito Oliveira, verbis: A constituição, em auto de infração, de crédito tributário confessado em DCTF costuma ser defendida com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), que imporia a inafastabilidade do lançamento, em face da vinculação legal ali insculpida. Contudo, entendo que essa disposição legal não pode servir para exigir o crédito tributário em duplicidade e, por isso, tendo sido o débito confessado, em conformidade com o Decretolei nº 2.124, de 1984, não mais que se falar em lançamento de ofício da parte do crédito tributário confessada, mormente em face das reiteradas instruções da Administração Tributária sobre o caráter de confissão de dívida das DCTF, com informação de que o não pagamento dos tributos no prazo determinado em lei implicaria a comunicação do débito à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) para inscrição em Dívida Ativa da União. Assim, a menos que se declare a inconstitucionalidade do art. 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124, de 1984, o que não cabe aos órgãos julgadores administrativos, suas disposições constituem óbice ao lançamento de ofício de crédito tributário espontaneamente confessado pelo sujeito passivo, visto que não é razoável admitir que a Fazenda Nacional constitua outro título executivo da mesma dívida tributária já confessada em instrumento hábil e suficiente para sua cobrança. Em suma, o crédito tributário em questão, se não extinto por uma das formas previstas no art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), é passível de cobrança por meio da DCTF em que ele foi confessado, mas não pode ser objeto de lançamento, pois, com o débito confessado em DCTF e a exigência tributária do mesmo débito Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16832.000500/200935 Acórdão n.º 3402002.004 S3C4T2 Fl. 211 8 formalizada em auto de infração, temse caracterizada a duplicidade dessa exigência. Pelos fundamentos expostos, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000404/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui
falta passível de multa, apresentar GFIP1GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições
previdenciárias. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ODONTOLÓGICO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES A Lei 8.212/91, em seu art. 22, IV, determina que a contratação de cooperativas de trabalho sujeita o contratante à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja recalculada, se mais benéfico ao contribuinte, a multa nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que aplicava o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, apresentar GFIP1GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ODONTOLÓGICO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES A Lei 8.212/91, em seu art. 22, IV, determina que a contratação de cooperativas de trabalho sujeita o contratante à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja recalculada, se mais benéfico ao contribuinte, a multa nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), que aplicava o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
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COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ODONTOLÓGICO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES A Lei 8.212/91, em seu art. 22, IV, determina que a contratação de cooperativas de trabalho sujeita o contratante à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja recalculada, se mais benéfico ao contribuinte, a multa nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada na NLFD correlata. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 que aplicava o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Kleber Ferreira de Araújo – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000404/200810 Acórdão n.º 2401002.286 S2C4T1 Fl. 192 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, por descumprimento de obrigação acessória por deixar de apresentar dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 09, a empresa foi autuada, pelo fato desta ter apresentado as GFIP's Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social sem informar os valores pagos pelos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho médico e odontológico no período de janeiro à dezembro de 2004, apurados através das Notas Fiscais emitidas pelas cooperativas. Inconformada com a decisão de primeira instância (fls. 118/123), a empresa apresentou recurso reiterando todos os argumentos da impugnação. Como o Relatório da Decisão de primeira instância muito bem resumiu a irresignação da recorrente, peço vênia para aqui transcrevêlo: 5.1. Não merece prosperar a multa aplicada à impugnante, eis que não há fixação da penalidade por lei, deixando o texto da lei 8.212/91 vaga a previsão de penalidade específica para o descumprimento da obrigação acessória. A mesma lei delega à norma infralegal a imputação de multa aos atos infracionais concretizados pela impugnante, o que é feito no Decreto 3.048/99. 5.2. Em momento algum a lei elenca hipóteses de gradação da multa, nem a possibilidade dela ser multiplicada. É absurdo deixar ao arbítrio da Fiscalização a identificação de condutas dolosas ou de máfé. 5.3. A aplicação da multa é inconstitucional, pois não foi estabelecida por lei. 5.4. Os dispositivos elencados para fundamentar a multa aplicada são atos autônomos, que inovam no ordenamento, impondo sanções que não estão expressamente previstas na lei. 5.5. O artigo 142 do CTN determina que o crédito tributário tenha descrição rigorosa de seus elementos constitutivos, sendo esta conditio sine qua non para a produção de efeitos, assim, se conclui pela impossibilidade de se instituir tributo por meio de analogia. O tipo da obrigação tributária é rigorosamente fechado, afastandose por completo as normas incompletas no campo do direito tributário. 5.6. Requer o cancelamento do Auto de Infração, por não ser devida a multa tributária, ou pela mesma não obedecer aos mandamentos constitucionais atinentes à matéria. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000404/200810 Acórdão n.º 2401002.286 S2C4T1 Fl. 193 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. No presente caso, temos que a empresa foi autuada por omitir, em GFIP, fatos geradores das contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao artigo 32, IV, §5° da Lei n° 8.212/91, in verbis: Lei n°8.212/91: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.! No presente caso a recorrente deixou de informar, em GFIP, o valor pago as cooperativas de trabalho, omitindo o cálculo da contribuição devida relativa a este fato gerador. Como se vê da impugnação, bem como do recurso aviado, estes não foram acompanhados com dos documentos imperiosos assaz de comprovar o recolhimento. A obrigação principal que ensejou a lavratura da presente autuação, foi objeto de análise quando do julgamento da NFLD correlata nesta mesma assentada, tendo o lançamento sido julgado procedente, razão pela qual a obrigação acessória deve seguir o mesmo destino. Observando o dispositivo legal acima transcrito, verificase que mais uma vez equivocase a recorrente, quando alega não existe Lei prevendo a multa aplicada à empresa. A multa está claramente prevista no § 5º, do inciso IV, do art. 32 da Lei 8212/91 e consta no relatório Fiscal da Aplicação da Multa. Não devem ser analisadas por este colegiado, as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de Leis, vez que, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. A Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é bem clara neste sentido, impossibilitando o Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Também é esse o entendimento contido na Súmula CARF nº 02, que assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanta as ditas aplicações ilegais dos juros, urge verificar que a sua utilização está disciplinada no artigo 34, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Em 18 de setembro de 2007 o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA Nº 3, com o seguinte teor, que põe uma pá de cal na argumentação defensiva, ‘ex vi’: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” DA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000404/200810 Acórdão n.º 2401002.286 S2C4T1 Fl. 194 7 Embora não tenham sido acolhidas as razões da recorrente em relação ao mérito, conforme acima fundamentado, importante observar que posteriormente à lavratura do Auto de Infração foi publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que trouxe nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A àquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Desta forma, em virtude da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, há que ser aplicado este novo cálculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Assim, necessário recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32, “A”, I da Lei nº 8212/91. VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32, “A” da Lei nº 8212/91. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Embora concordando com o Conselheiro Relator quanto à aplicação retroativa das disposições da Lei n.º 11.941/2009 que tratam da aplicação da multa por descumprimento de obrigações acessórias relativas à declaração na GFIP, ouso divergir no que diz respeito ao dispositivo a ser aplicado.. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000404/200810 Acórdão n.º 2401002.286 S2C4T1 Fl. 195 9 É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como ponderou o Conselheiro Relator em seu voto, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Devese, então, verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas a multa aplicada na(s) NFLD(s) correlata(s), resulta em valor mais benéfico ao contribuinte. Conclusão Voto então pelo provimento parcial do recurso para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, a qual ficará limitada ao valor calculado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na(s) NFLD (s) correlata (s). Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13654.001156/2008-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que seja solicitado à autoridade preparadora para intimar a contribuinte sobre as declarações de desistência do recurso voluntário, oportunizando a manifestação daquela, pelo prazo de 30 (trinta) dias, para reiterar o pedido de desistência ou não.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-04-24T13:30:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: RES_2803-000090; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 0.9.3; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: Administrador; dcterms:created: 2012-04-24T16:30:06Z; Last-Modified: 2012-04-24T13:30:06Z; dcterms:modified: 2012-04-24T13:30:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: RES_2803-000090; xmpMM:DocumentID: 40836b92-9086-11e1-0000-60d96be05751; Last-Save-Date: 2012-04-24T13:30:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 0.9.3; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-04-24T13:30:06Z; meta:save-date: 2012-04-24T13:30:06Z; pdf:encrypted: true; dc:title: RES_2803-000090; modified: 2012-04-24T13:30:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: Administrador; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: Administrador; meta:author: Administrador; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-04-24T16:30:06Z; created: 2012-04-24T16:30:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2012-04-24T16:30:06Z; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: Administrador; producer: GPL Ghostscript 8.54; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 8.54; pdf:docinfo:created: 2012-04-24T16:30:06Z | Conteúdo => S2-TE03 Fl. 121 1 120 S2-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13654.001156/2008-21 Recurso nº 13654.001156/2008-21 Resolução nº 2803-000.090 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 07.02.2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente FOCUS RECURSOS HUMANOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que seja solicitado à autoridade preparadora para intimar a contribuinte sobre as declarações de desistência do recurso voluntário, oportunizando a manifestação daquela, pelo prazo de 30 (trinta) dias, para reiterar o pedido de desistência ou não. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13654.001156/2008-21 Resolução n.º 2803-000.090 S2-TE03 Fl. 122 2 Relatório Trata-se Recurso Voluntário de acórdão da DRJ que manteve o Auto de infração para cobrança da obrigação principal, lavrada sob DEBCAD n°. 37.100.285-0 referentes as contribuições devidas à Seguridade Social, abrangendo o período de 01/12/2004 a 30/05/2006, onde foram cobradas diferenças de contribuições previdenciárias referente às contribuições devidas à Seguridade Social. Às fls. 116 (dos autos físicos), a recorrente apresentou pedido de desistência recursal, em razão de adesão a parcelamento fiscal, na forma da Lei n. 11941/2009. Contudo, a autoridade preparadora, alega que, nas bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, apenas consta o parcelamento de débitos junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (fls. 119, dos autos físicos), remetendo os autos para este Conselho. Assim, com base desses dados, é o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13654.001156/2008-21 Resolução n.º 2803-000.090 S2-TE03 Fl. 123 3 Voto Conforme relatório supra, deixa-se clara a necessidade de oportunizar o contribuinte a manifestação sobre o levantado nas declarações da autoridade preparadora, pois altera totalmente as bases do julgamento e inconformidade da recorrente. Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que seja solicitado à autoridade preparadora para intimar a contribuinte sobre as declarações de fls. 119, dos autos físicos, oportunizando a manifestação daquela, pelo prazo de 30 (trinta) dias, para se, em razão do retro indicado despacho, reitera o pedido de desistência. Sala de Sessões, 07 de fevereiro de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.002092/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2005
TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO (ÁGIO DE SI MESMO). CONCOMITANTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Desconsiderados os efeitos tributários da amortização do ágio do Grupo Empresarial, em face da artificialidade das operações e da falta de propósito negocial, não é cabível a concomitante tributação de ofício do ganho de capital apurado nessas operações.
Uma vez que o Grupo Empresarial reconheceu tacitamente a impropriedade, desistindo do recurso no que tange a glosa do ágio e respectiva multa de ofício, cancela se a tributação do ganho de capital, determinando se sejam escoimados todos os efeitos contábeis e fiscais dessas operações.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE
ESTIMATIVAS MENSAIS. INAPLICABILIDADE.
As multas isoladas por insuficiência de recolhimento das estimativas (IRPJ e CSLL) decorreram da tributação do ganho de capital. Uma vez cancelada a tributação do aludido ganho, devem se exonerar essas multas tendo em vista serem decorrentes da adição daquele valor à base de cálculo das estimativas.
DEMAIS MATÉRIAS. PERDA DE OBJETO. Deixa se de apreciar as demais matérias objeto do recurso por perda do objeto, em face do provimento do recurso voluntário quanto à tributação do ganho de
capital.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1402-001.103
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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(Responsável solidário: RICARDO JOSÉ PIRES DE AQUINO PEREIRA, CPF 108.076.65886). Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO (ÁGIO DE SI MESMO). CONCOMITANTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Desconsiderados os efeitos tributários da amortização do ágio do Grupo Empresarial, em face da artificialidade das operações e da falta de propósito negocial, não é cabível a concomitante tributação de ofício do ganho de capital apurado nessas operações. Uma vez que o Grupo Empresarial reconheceu tacitamente a impropriedade, desistindo do recurso no que tange a glosa do ágio e respectiva multa de ofício, cancelase a tributação do ganho de capital, determinandose sejam escoimados todos os efeitos contábeis e fiscais dessas operações. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. INAPLICABILIDADE. 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Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.504 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.505 3 Relatório EBC Participações e Investimentos Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 10ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Relatório 1. AUTUAÇÕES Trata o presente processo de três autos de infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativos ao anocalendário de 2005 (fls. 161 a 177). No Termo de Constatação Fiscal — IRPJ e Reflexos ("TCF", fls. 132/146), relata a fiscalização que a contribuinte adotou os procedimentos descritos a seguir, que resultaram na apuração dos créditos tributários lançados de oficio. Agentes envolvidos: EBC Participações e Investimentos Ltda., CNPJ 07.911.362/000183 ("EBC", autuada) Equipav SA Pavimentação, Engenharia e Comércio, CNPJ 46.083.754/0001 53 ("PAVIMENTAÇÃO") Prauxi Participações e Investimentos Ltda., CNPJ 07.738.376/0001 47 ("PRAUXI") Relata a autuante que a empresa EBC foi constituída em 04/11/2005, com capital social de R$10.409.283,00, correspondente a participações societárias nas empresas Cimento Davi S.A. (R$3.886.930,00) e RA Participações Ltda. (R$6.522.353,00), tendo como sócias duas empresas estrangeiras. Em 11/11/2005, foi constituída a empresa PRAUXI, com capital social subscrito, mas não integralizado, de R$1.000,00, tendo como sócias duas pessoas físicas. Em 14/11/2005, a EBC integralizou capital social no valor de R$10.409.283,00 na PRAUXI, mediante a conferência de quotas das empresas Cimento Davi S.A. e RA Participações Ltda. Além disso, houve cessão de quotas das sócias pessoas físicas para a EBC, no valor de R$990,00, totalizando um investimento de R$10.410.273,00 da EBC na PRAUXI. Em 17/11/2005, a EBC subscreveu e integralizou o capital de R$75.570.649,20 na fiscalizada (PAVIMENTAÇÃO), mediante a conferência da totalidade de suas quotas da PRAUXI (R$10.410.273,00), gerando um ágio de R$65.160.376,20. Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.506 4 Em 19/11/2005, a PAVIMENTAÇÃO incorporou a PRAUXI, passando a amortizar o ágio em 60 meses. Relata a fiscalização que a EBC considerou o valor do ágio na subscrição como ganho de capital diferido, excluindoo da apuração do lucro real do ano calendário 2005, passando a controlálo na Parte B do Lalur, para tributálo quando da realização, com fundamento na sua interpretação do §2° do art. 36 da Lei n° 10.637/2002. A fiscalização sustenta que a conferência da totalidade das quotas da PRAUXI ao capital da PAVIMENTAÇÃO pela EBC caracteriza baixa da participação/societária, impondose a tributação do ganho de capital nesse momento, nos termos do art. 36, §1°, I, da Lei n° 10.637/2002. A fiscalização também sustenta ser aplicável ao caso o entendimento manifestado na Solução de Consulta da SRRF/6aRF/Disit no 256/2006 (fls. 147/150), segundo o qual o ganho de capital seria tributável quando da incorporação da PRAUXI pela PAVIMENTAÇÃO, pois nesse momento estaria ocorrendo a baixa do investimento (art. 36, §1°, I, da Lei n° 10.637/2002). A fiscalização argumenta que PRAUXI apresenta todas as características de "empresa veiculo ou de passagem": foi constituída por duas pessoas físicas, com capital subscrito, mas não integralizado, de R$1.000,00; teve duração de apenas sete dias; foi usada como canal de passagem para criação e posterior amortização de ágio. A fiscalização também sustenta que não houve qualquer propósito negocial ou societário na incorporação da PRAUXI pela PAVIMENTAÇÃO. Acrescenta que havia apenas propósito fiscal, referente à amortização do ágio. Alega a fiscalização que não haveria interesse econômico na incorporação de uma "empresa de papel", sem patrimônio, sem marcas ou patentes, sem funcionários, sem atividade operacional, ou seja, sem qualquer valor econômico. Acrescenta que as empresas incorporadas através da PRAUXI foram baixadas do Ativo Diferido em maio/2006 (RA Participações Ltda, CNPJ 05.058.464/000172) e agosto/2006 (Cimento Davi S/A, CNPJ 03.693.299/000103), com a venda de suas ações pela autuada. Acrescenta a fiscalização que a reorganização societária, para ser legitima, deveria decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados na documentação ou na escrituração. Assim, conclui que os atos praticados caracterizamse, em tese, como atos simulados, o que autoriza a adição do ganho de capital às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como a aplicação da multa qualificada. Em relação a esse procedimento, foi apurado o montante de R$65.160.376,20 a ser adicionado as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no mês de novembro/2005. Sustenta a fiscalização que esse valor não foi considerado para fins de recolhimento das estimativas mensais, estando sujeito A exigência da multa isolada prevista no art. 44, II, `1)', da Lei n° 9430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Diante dos fatos acima expostos, foram lavrados três autos de infração para a exigência de IRPJ, CSLL, juros de mora, multa vinculada e multa isolada, conforme discriminado abaixo (fls. 161 a 177): Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Imposto sobre a Renda de Artigos 38, 219 e § único, 418 e § 1°, 426 e 427 do 16.266.094,05 Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.507 5 Pessoa Jurídica (IRPJ) RIR/99; art. 36, §1 0, I, da Lei n° 10.637/2002; artigos 43, 116 e 118 do CTN Juros de Mora (calculados até 29/05/2009) Art. 6°, § 2°, da Lei n° 9.430/96 6.548.729,46 Multa Proporcional Art. 44, II, da Lei n° 9.430/96 24.399.141,07 Multa Exigida Isoladamente Artigos 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, §1°, IV, da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007 c/c art. 106, II, 'c', da Lei no 5.172/66 8.134.047,03 TOTAL 55.348.011,61 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) Art. 2° e §§ da Lei 7.689/88; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei 9.430/96; art. 37 da Lei n° 10.637/2002 5.864.433,85 Juros de Mora (calculados até 29/05/2009) Art. 28 c/c art. 6°, §2°, da Lei n° 9.430/96 2.361.021,06 Multa Proporcional Art. 44, II, da Lei n° 9.430/96 8.796.650,77 TOTAL 17.022.105,68 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Multa Exigida Isoladamente Artigos 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, §1°, IV, da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007 c/c art. 106,11, 'c', da Lei n° 5.172/66 2.932.216,93 TOTAL 2.932.216,93 Em 19/06/2009, a fiscalização lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária e Responsabilidade fiscal em relação ao Sr. Ricardo José Pires de Aquino Pereira (fls. 179/180), administrador e representante da empresa autuada e de sua sócia Polders & Dykes C.V. Também foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais nos autos do processo administrativo n° 19515.002098/200912, que se encontra na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo — Derat/SPO, conforme previsto na Portaria RFB n° 665, de 24 de abril de 2008. A autuada foi cientificada dos autos de infração por via postal em 24/06/2009 (fls. 181) e o responsável solidário em 25/06/2009 (fls. 182). 2. IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE Em 24/07/2009, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 203 a 400, acompanhada dos documentos de fls. 403 a 1792 (does. 01 a 40), discriminados no Anexo deste voto. Sintetizamos, a seguir, os argumentos trazidos na impugnação. 2.1. Conexão entre processos administrativos Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.508 6 Preliminarmente, a contribuinte requer o julgamento conjunto deste processo administrativo com os processos formalizados contra outras empresas do mesmo grupo, a saber: Equipav S.A. Pavimentação, Engenharia e Comércio (19515.002090/200948), Equipav S/A Açúcar e Álcool (19515.002091/200992), Controlpav Participação e Administração Ltda (19515.002093/200981) e Empate Engenharia e Comércio Ltda (19515.002094/200926). Argumenta que os processos são conexos, pois se referem à mesma reestruturação societária, com características, fundamentos e objetivos semelhantes, devendo ser apreciados em conjunto por medida de economia e eficiência processual. 2.2. Aplicabilidade e interpretação do art. 36 da Lei n° 10.637/2002 Inicialmente, a contribuinte ressalta a aplicabilidade do art. 36 da Lei n° 10.637/2002 ao presente caso, visto que tal dispositivo foi revogado somente a partir de 01/01/2006 pelo art. 133, III, da Lei n° 11.196/2005, estando vigente na data em que foram realizadas as operações societárias em comento (novembro/2005). A impugnante alega ser equivocado o entendimento da fiscalização no sentido de que o ganho de capital deveria ter sido tributado por ocasião da conferência das, quotas da PRAUXI ao capital da PAVIMENTAÇÃO com base no art. 36, §1°, I, da Lei n° 10.637/2002. Sustenta que o caput do art. 36 da Lei n° 10.637/2002 permite o diferimento da tributação do ganho de capital até que ocorra uma das hipóteses previstas nos incisos I e II do seu §1°. No caso, admite que ocorreu a hipótese prevista no inciso II, mas que o §2° do mesmo artigo permite a manutenção do diferimento. 2.3. Legalidade das operações e ausência de simulação A impugnante alega que a autuação referente ao ganho de capital se fundamenta na divergência de interpretação do art. 36 da Lei n° 10.637/2002, não tendo relevância as questões atinentes à simulação levantadas pela fiscalização. Acrescenta que a fiscalização afirma que a caracterização dos atos como simulados "em tese" autoriza a adição do ganho de capital, mas não traz qualquer razão que justifique essa autorização. Em outras palavras, alega a impugnante que não há nexo de causalidade entre a alegada simulação e a adição do ganho de capital As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Além disso, se a fiscalização afirma que houve simulação "em tese", conclui se que a própria autuante não tem certeza da ocorrência da simulação, o que permitiria a aplicação do art. 112 do CTN. Todavia, para que a questão não fique sem resposta, a impugnante, As fls. 277 a 302, tece diversas considerações no sentido de demonstrar a legalidade e a legitimidade de cada uma das operações praticadas, descrevendoas detalhadamente. Sustenta que todas as operações realizadas observaram os ditames legais e foram efetuadas "As claras", não havendo que se cogitar a ocorrência de simulação. A impugnante alega que a reestruturação societária no Grupo Equipav não contemplou nenhum ato ilícito ou vedado em lei, tendo nítidos propósitos econômicos e negociais, além da mera economia tributária. Sustenta que as operações realizadas poderiam caracterizar, quando muito, negócio jurídico indireto, mas não simulação ou abuso de forma. Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.509 7 Acrescenta que ocorre negócio jurídico indireto quando formas diversas das usuais são adotadas para a obtenção de determinado fim, sendo que os meios utilizados não são incompatíveis com os fins visados. No caso, alega a impugnante que a finalidade almejada era a reestruturação interna do Grupo Equipav, a qual foi manifestada expressamente no ato que deliberou a incorporação da PRAUXI pela PAVIMENTAÇÃO. Acrescenta que os atos praticados são os adequados para esse tipo de transação e para a finalidade pretendida, não se verificando qualquer anomalia ou patologia nos atos societários praticados. Alega ainda que a reestruturação societária teve por objetivo melhorar a estrutura de capital e os indices patrimoniais das empresas do grupo (para que seus balanços registrassem valores justos de mercado e não os respectivos custos históricos), além de adquirir investimentos em duas empresas cimenteiras, tendo como contrapartida o ingresso da EBC no quadro de acionistas da PAVIMENTAÇÃO. Conclui assim, que as operações realizadas não tiveram como objetivo primordial a economia de tributos. A impugnante sustenta que informou os propósitos econômicos e negociais durante a fase de fiscalização, tendo sido seus argumentos ignorados pela fiscalização, que não analisou, no TCF, as razões negociais que motivaram a reestruturação do Grupo Equipav. Acrescenta que constitui ônus da fiscalização provar que o contribuinte agiu de modo simulado, de modo a permitir a desconsideração dos atos praticados para efeitos fiscais, o que não ocorreu no presente caso. Argumenta que a autuação resultou de meras conjecturas, todas refutadas na impugnação. Conclui, assim, que não houve simulação, violação de lei ou ato normativo que possam justificar a desconsideração do negócio jurídico que promoveu o diferimento do ganho de capital apurado pela impugnante, impondose o cancelamento da exigência fiscal. Ad argumentandum, caso se considere que houve simulação e que a simulação é relevante para a tributação do ganho de capital, alega a impugnante que deve haver a recomposição da verdade material a partir da "realidade" que a fiscalização entendeu correta. Argumenta que, se os atos foram simulados, não há ganho de capital a ser computado. Acrescenta que é ilógico e injustificável que a autoridade fazenddria entenda, no lançamento efetuado contra a PAVIMENTAÇÃO, que o ágio não é passível de amortização porque decorreria de uma operação simulada e, por outro lado, exigir da impugnante a tributação do ganho de capital por conta da aventada simulação. A impugnante sustenta que, pela alegada simulação, não teria havido a "real" conferência das quotas da PRAUXI ao capital da PAVIMENTAÇÃO e, assim, não teria havido o ganho de capital. De modo análogo, se for considerada simulada a incorporação da PRAUXI pela PAVIMENTAÇÃO, não haveria a realização da participação societária. Argumenta que, em qualquer caso, não subsistem as exigências tributárias. 2.4. Multa isolada Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.510 8 A impugnante se insurge contra a exigência da multa isolada, sob o argumento de que sua conduta já fora apenada com a aplicação da multa de oficio. Sustenta que a aplicação de duas penalidades sobre o mesmo fato (bis in idem) é vedada pelo ordenamento jurídico, impondose o cancelamento da exigência relativa à multa isolada. 2.5. Multa qualificada A impugnante se insurge contra a exigência da multa qualificada, alegando que o art. 44, II, da Lei n° 9.430/96 (redação original, vigente à época dos fatos) autorizava a aplicação da multa qualificada somente quando o contribuinte fosse acusado de prática de sonegação, fraude ou conluio, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Argumenta que a simulação se refere a mero ilícito civil (art 167 do Código Civil) e as condutas mencionadas no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96 se consubstanciam em ilícitos penais. Acrescenta que, nos termos do art. 167 do Código Civil, a eventual prática de atos simulados acarreta, tão somente, a nulidade do negócio simulado, com a devida preservação do ato que se pretendeu dissimular. A impugnante alega que a fiscalização não comprovou como, e em que medida, a conduta adotada poderia se consubstanciar em sonegação, fraude ou conluio. Acrescenta que a mera transcrição do art. 72 da Lei n° 4.502/64, como fez a fiscalização, não suficiente para a aplicação da multa qualificada. Seria necessário demonstrar, com precisão, a adequação dos fatos ao tipo previsto no referido dispositivo legal. Conclui, assim, que a multa qualificada não pode prevalecer, pois a suposta prática de atos simulados não enseja a aplicação da multa de 150% ante a inexistência de previsão legal nesse sentido. A impugnante alega também que, como demonstrado, não houve simulação nas operações realizadas, face à inexistência de divergência entre a vontade real e a declarada. Ressalta que a própria fiscalização afirma que teria ocorrido simulação "em tese", o que demonstra que não estaria suficientemente convencida ou segura quanto à ocorrência da simulação. Acrescenta que, se a simulação está configurada apenas em tese, é certo que não houve a comprovação do dolo, requisito essencial para a tipificação das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. Sustenta que não houve dolo em sua conduta, na medida em que atuou sem ocultação de qualquer elemento ou informação relevante e sem indução de terceiros a erro, salientando que todos os documentos foram produzidos de maneira legitima, com observância dos requisitos legais, e foram devidamente fornecidos h fiscalização quando solicitados. A impugnante também alega que as autuações decorreram de meras divergências quanto à qualificação jurídica das operações realizadas, e não de condutas ludibriosas tendentes a causar prejuízo ao Fisco. Assim, não seria aplicável a penalidade agravada em relação a fatos cuja própria qualificação jurídica comporta (de forma legitima e razoável) a existência de divergências. Assim, argumenta que deve ser afastada a qualificação da multa por força do art. 112 do CTN. A impugnante sustenta que a fiscalização não comprovou o evidente intuito de fraude, requisito essencial para a aplicação da multa qualificada. Fl. 2510DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.511 9 Conclui, assim, que deve ser afastada a qualificação da multa de oficio. 2.6. Não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio A impugnante também se insurge contra a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio lançada em conjunto com o tributo. Alega que não lid dispositivo legal que ampare tal cobrança, visto que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros moratórios somente sobre os valores decorrentes de obrigação tributária principal não pagos no vencimento, ou seja, tributos ou penalidades pecuniárias consubstanciadas em obrigação principal (ex: multa isolada). 2.7. Pedido Por todo o exposto, a impugnante requer: (a) o reconhecimento da conexão do presente processo administrativo com os processos 19515.002090/200948, 19515.002091/200992, 19515.002093/200981 e 19515.002094/200926, bem como da necessidade de realização de julgamento conjunto desses processos; (b) o julgamento da total improcedência dos lançamentos fiscais, com seu integral cancelamento. Protesta pela produção das provas em direito admitidas, notadamente: (i) a realização de diligência abrangendo, mas não se restringindo, à oitiva de profissionais das ciências econômicas acerca das considerações constantes do Parecer Econômico elaborado por LCA Consultores e de missivas apresentadas pela impugnante durante a fase de fiscalização, diligência essa que se justifica em face de negativa, por parte da fiscalização, quanto existência de propósitos econômicos e negociais além dos meramente tributários; (ii) apresentação de novos pareceres jurídicos, contábeis e/ou econômicos; (iii) juntada de novos documentos. Por fim, requer que todas as notificações sejam feitas em nome dos advogados que subscrevem a impugnação, no endereço indicado as fls. 400. 3. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Em 24/07/2009, o responsável solidário Ricardo José Pires de Aquino Pereira apresentou a impugnação de fls. 1795 a 1833, acompanhada de cópias autenticadas dos documentos de identidade dos procuradores que subscrevem a impugnação, da procuração e do substabelecimento, bem como cópia simples do Termo de Sujeição Passiva Solidária e Responsabilidade Fiscal (fls. 1834/1841). 3.1.1. Inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN Alega o impugnante que a aplicação do art. 124, I, do CTN é indevida, pois não está de acordo com a natureza do instituto da responsabilidade tributária e principalmente, com a situação verificada no caso concreto. Argumenta que o art. 121 do CTN estabelece uma clara distinção entre contribuinte e responsável, sendo contribuinte o sujeito passivo que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador e, responsável, o sujeito passivo que, sem revestir a condição de contribuinte, tenha obrigação tributária decorrente de expressa disposição legal, estando as hipóteses de responsabilidade previstas nos artigos 128 a 138 do CTN. Conclui, assim, que o art. 124, I, do CTN Fl. 2511DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.512 10 não se refere ao responsável, mas ao próprio contribuinte do tributo, não podendo ser atribuida a sujeição passiva direta dos tributos objeto do presente lançamento a pessoas físicas. O impugnante também alega que a fiscalização não demonstrou qual seria seu interesse comum na situação que ensejou o lançamento tributário, condição necessária para a aplicação do art. 124, I, do CTN. Argumenta que agiu como órgão da pessoa jurídica, exprimindo a vontade da pessoa jurídica. Acrescenta que a mera prática de atos na qualidade de administrador da pessoa jurídica não implica a existência de interesse da pessoa física que corporificou o órgão da pessoa jurídica. Sustenta o impugnante que somente o interesse comum qualificado pela identidade de propósitos em determinado negócio jurídico justifica a solidariedade com base no art. 124, I, do CTN, o que não se vislumbra na relação entre o administrador e a respectiva sociedade. Acrescenta que, do contrário, seriam inócuos os artigos 134, III, e 135, III, ambos do CTN. Conclui, assim, pela inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN ao caso. 3.1.2. Inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN O impugnante alega que há inconsistência lógica na aplicação concomitante dos artigos 124, I, e 135, III, do CTN. Argumenta que a responsabilidade solidária entre codevedores encontrase prevista apenas nos artigos 124 e 134 do CTN, tratando o art. 135 do CTN de responsabilidade por substituição. Sustenta que o Termo de Sujeição Passiva não indica qualquer conduta especifica como sendo ato ilegal ou abusivo cometido pelo impugnante. Acrescenta que esse Termo contém descrições amplas e lacônicas da participação do acusado, sem a apresentação de qualquer prova, sendo nula a responsabilização do impugnante, visto que o ônus da prova cabe a quem acusa. O impugnante alega que apenas subscreveu os atos necessários consecução das operações societárias, sendo tais atos lícitos e consonantes com os poderes conferidos pelo estatuto social. Quanto As infrações imputadas A pessoa jurídica referentes A não tributação do ganho de capital, alega o impugnante que tal conduta constitui mero inadimplemento de tributo, o que não constitui infração A lei ou violação do estatuto social, conforme opinião de vasta doutrina e jurisprudência. O impugnante também sustenta que a presença de dolo é condição indispensável para a caracterização da responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Argumenta que não ha dolo em sua conduta e que tal intenção sequer foi cogitada ou provada pela fiscalização, que se limitou a aduzir ter havido simulação "em tese". A reforçar sua defesa, o impugnante reportase aos argumentos trazidos pela autuada no item relativo inexistência de comprovação do elemento subjetivo a justificar a exigência de multa qualificada. 3.1.3. Mérito das autuações e pedido Quanto ao mérito, o impugnante ratifica todas as alegações constantes da impugnação apresentada pela pessoa jurídica autuada. Ante o exposto, o impugnante requer (i) seja reconhecida a ausência de responsabilidade tributária ou, (ii) caso seja mantida a responsabilidade tributária do Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.513 11 impugnante, requer o cancelamento dos autos de infração pelas razões de fato e de direito alegadas na impugnação da pessoa jurídica autuada. Por fim, protesta pela juntada de documentos que eventualmente não puderam ser obtidos até o protocolo da impugnação. 4. PETIÇÃO APRESENTADA EM 20/10/2009 Em 20/10/2009, a autuada apresentou a petição de fls. 1846 a 1853, acompanhada dos documentos de fls. 1854 a 1901, na qual requer que as considerações apresentadas, bem como o Parecer Jurídico juntado as fls. 1856 a 1901 sejam considerados como aditamentos a impugnação. E o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 24.341 (fls. 1.7411.781) de 19/02/2010, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da Interessada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 GANHO DE CAPITAL. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES. Na vigência do art. 36 da Lei n° 10.637/2002, não era computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a parcela correspondente A diferença entre o valor de integralização de capital, resultante de incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuasse a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. Todavia, o valor da diferença, controlada na parte "B" do Lalur, deveria ser adicionada ao lucro real e A base de cálculo da CSLL quando ocorresse a alienação, liquidação ou baixa da participação subscrita. LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato de os atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc não retira a possibilidade de que a operação em causa se enquadre como simulação, visto que faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada, entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.514 12 SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de oficio, nos termos da legislação de regência. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. A multa de oficio aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa que deixou de ser recolhido no curso do anocalendário é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao principio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. DILIGÊNCIA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante faze10 em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Em relação as diligências, devem ser expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, podendo a autoridade julgadora indeferir as diligências que julgar prescindíveis à solução da lide.” Contra a aludida decisão, da qual foram cientificados em 28/04/2010 a Interessada (A.R. de fl. 1.792) e o Responsável Solidário, Sr. Ricardo José Pires de Aquino Pereira, (A.R. de fl. 1.792), interpuseram recursos voluntários em 27/05/2010 (fls. 1.7972.209 – EBC; 2.2142.239 – Sr. Ricardo), onde repisam os argumentos trazidos na impugnação. Ato continuo, o processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. A douta PFN apresentou contrarrazões em 30/06/2011, fls. 2.4492.493. Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.515 13 Em seguida, face ao parcelamento Especial da Lei 11.941/09, o contribuinte apresentou desistência parcial do recurso interposto no processo administrativo nº 19515.002090/200948, nos termos a seguir transcritos: 16. Nessa medida, e a par de todos os argumentos já invocados pela Recorrente em sua defesa, especialmente a equivocada interpretação conferida pela fiscalização quanto aos termos do artigo 36 da Lei n° 10.6370/02 — a ausência de qualquer espécie de simulação no caso concreto e os nítidos propósitos negociais que impulsionaram a reorganização societária em análise —, com a confissão e a conseqüente inclusão dos débitos relativos à amortização do ágio gerado na operação no programa da Lei n° 11.941/09 acaba por surgir um outro fundamento, igualmente relevante, para o cancelamento da exigência fiscal ora combatida, e de que se trata. (Grifei.) Alega que tal fato interfere no julgamento do presente caso, na medida em que o ganho de capital objeto do lançamento no presente processo nada mais é do que a "outra ponta" do custo de aquisição do investimento pela "Pavimentação", cujos respectivos débitos decorrentes da amortização de parcela deste custo de aquisição (ágio) foram confessados e serão devidamente liquidados pela "Pavimentação". É o relatório. Fl. 2515DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.516 14 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Os recursos voluntários reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Deles, portanto, tomo conhecimento. Observase, de plano, que a Recorrente alega a ocorrência de fato novo superveniente –adesão do grupo empresarial a qual pertence ao parcelamento Especial da Lei nº 11.941/09, com desistência parcial de recurso voluntário. Vejase, nesse sentido, a parte da petição da Recorrente, transcrita das fls. 2.5002.502: 12. Neste cenário, cabe trazer ao conhecimento desta Turma Julgadora que a "Pavimentação", a despeito da convicção da legitimidade dos procedimentos adotados, decidiu desistir do litígio administrativo, com a conseqüente inclusão dos débitos gerados com a amortização do referido ágio, controlados pelo Processo Administrativo n° 19515.002090/200948, no programa de benefícios veiculado pela Lei n° 11.941/09 (vide petição de desistência do recurso interposto e respectivos documentos de consolidação de débitos no programa da Lei n° 11.941/09 — docs. anexos). 13. E este fato pode (e deve) interferir no julgamento do presente caso, na medida em que o ganho de capital que ora se pretende tributar nada mais é do que a "outra ponta" do custo de aquisição do investimento pela "Pavimentação", cujos respectivos débitos decorrentes da amortização de parcela deste custo de aquisição (ágio) foram confessados e serão devidamente liquidados pela "Pavimentação". 14. Com isso, em essência, também deixa de subsistir um dos principais fundamentos da acusação fiscal relativo ao suposto, e já contestado, aproveitamento de um "duplo beneficio fiscal". 15. A rigor, até sob o ponto de vista contábil e econômico, com a liquidação dos débitos decorrentes da amortização do ágio, acima referido, passa a ser plenamente questionável a própria existência material (fática) do ganho de capital. Se não existe o custo, certamente, também deixa de existir a respectiva receita. 16. Nessa medida, e a par de todos os argumentos já invocados pela Recorrente em sua defesa, especialmente a equivocada interpretação conferida pela fiscalização quanto aos termos do artigo 36 da Lei n° 10.6370/02 — a ausência de qualquer espécie de simulação no caso concreto e os nítidos propósitos negociais que impulsionaram a reorganização societária em análise —, com a confissão e a consequente inclusão dos débitos relativos à amortização do ágio gerado na operação no programa da Lei n° 11.941/09 acaba por surgir um outro fundamento, igualmente relevante, para o cancelamento da exigência fiscal ora combatida, e de que se trata. 17. Por todo o exposto, é a presente para, reiterando todos os termos do Recurso Voluntário interposto, requerer o recebimento e conhecimento desta petição, com a juntada dos anexos documentos e esclarecimentos, para o fim de que seja dado o devido provimento ao Recurso Voluntário, com o cancelamento das autuações fiscais. Fl. 2516DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.517 15 Ressaltese que a apreciação de fatos novos capazes de influenciar decisivamente no julgamento do processo encontra previsão na legislação do processo administrativo fiscal federal (Decreto n° 70.235/72, art. 16, §4°, b), sendo, ademais, decorrência do basilar principio da verdade material. Conheço, portanto, dos fatos novos apresentados pela Recorrente. Passo à apreciação. Consoante relatado, a Fiscalização da Receita Federal realizou auditoria nas empresas do Grupo Equipav com vistas a verificar a regularidade das amortizações de ágio e tributação do ganho de capital percebido em operações de reorganização societárias realizadas exclusivamente entre as empresas do Grupo. Em síntese, a Fiscalização concluiu que nessas operações foram gerados ágios artificialmente cujos valores foram amortizados pelas empresas do Grupo, todavia, em contrapartida, os respectivos ganhos de capital foram diferidos indevidamente. Foram formalizados os seguintes processos relativos às auditorias e autos de infração lavrados contra as empresas do Grupo: Processo Empresa Autuada 19515.002090/200948 EQUIPAV S/A PAVIMENTAÇÃO ENGENHARIA E COMERCIO 19515.002091/200992 EQUIPAV S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL (RENUKA DO BRASIL S/A. ) 19515.002092/200937 EBC PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA. 19515.002093/200981 CONTROLPAV PARTICIPAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO LTDA. 19515.002094/200926 EMPATE ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. No processo administrativo nº 19515.002090/200948 (EQUIPAV S/A PAVIMENTAÇÃO ENGENHARIA E COMÉRCIO) a Fiscalização promoveu a glosa da amortização do ágio, entendendo se tratar de ágio de si mesmo (gerado dentro do próprio grupo empresarial). Promoveu, também, a fiscalização a tributação do ganho de capital dessas mesmas operações considerando inaplicável ao caso o art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Todas as irregularidade foram tributadas com multa de 150%, tendo sido caracterizado o evidente intuito de fraude em razão do uso de empresas veículo para viabilizar a amortização do ágio. Também foi aplicada a multa por falta de recolhimento de estimativa, em razão das glosas e adições aos resultados mensais (base de cálculo da estimativa). Além disso, as pessoas físicas controladoras do Grupo foram responsabilizadas pessoal e solidariamente pelos tributos devidos. Em suma, o objeto da autuação discutida no presente processo consiste em: 1) tributação do Ganho de Capital em face da integralização das ações da PRAUXI na empresa EQUIPAV S/A PAVIMENTAÇÃO ENGENHARIA E COMÉRCIO, cujo diferimento com fulcro no art. 36 da Lei 10.637/2002, considerado irregular pela Fiscalização; 2) multas de oficio Fl. 2517DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.518 16 isoladas em razão da insuficiência de recolhimentos de estimativas (IRPJ e CSLL), afloradas com a adição do ganho de capital a que se refere o item (1); Em julgamento neste Colegiado (Acórdão nº 140201.078, de 14/06/2012, processo administrativo nº 19515.002090/200948) constatase a adesão da empresa Equipav S/A Pavimentação, Engenharia e Comércio ao parcelamento regido pela Lei nº 11.941/2009, conforme se depreende do excerto abaixo, transcrito do Voto condutor daquele Acórdão, da lavra do i. Conselheiro Antonio José Praga de Souza. Em face dos benefícios para parcelamento de débitos tributários estabelecidos na Lei 11.941/2009, as empresas cuja amortizações de ágios foram glosadas, apresentaram desistência parcial dos respectivos recursos, quanto as exigências relativas a essas glosas, restando em litigo, basicamente, a tributação do ganho de capital e a exigência da multa de oficio isolada por falta de recolhimento da estimativa, exigida em concomitância com a multa proporcional de oficio. No presente processo, a desistência foi protocolada em 22/07/2011, fls. 5048 e seguintes, tendo sido processada pela Unidade de Origem, conforme despacho de fl. 5062. Após a desistência parcial, restou em litígio neste processo as seguintes matérias tributáveis: 1) Multa de oficio isolada em razão da insuficiência de recolhimento de estimadas, aflorada com a glosa da amortização do ágio na incorporação da empresa PRAUXI (2o. procedimento); 2) Tributação do Ganho de Capital em face da integralização das ações da Equipav A&A (atual RENUKA) na empresa EUROCOM, cujo diferimento com fulcro no art. 36 da Lei 10.637/2002 foi considerado irregular pela Fiscalização. Relevante registrar para o julgamento desses litígios que a EQUIPAV desistiu do recurso quanto a amortização do ágio na incorporação da PRAUXI. Por sua vez, a Equipav A&A (RENUKA) desistiu do recurso quanto glosa da amortização do ágio da empresa EUROCOM, consoante expressamente grafado às fls. 2625 e 2666 do processo 19515.002091/200992. (Grifei). Do ganho de capital A análise, nesse tópico, segue aquela adotada no já referido Acórdão nº 1402 01.078, de 14/06/2012, processo administrativo nº 19515.002090/200948, pelo que peço vênia ao i. Conselheiro para adotar seus fundamentos na forma a seguir transcrita. A recorrente contesta a tributação desse ganho, haja vista ter sido glosada a amortização do correspondente ágio pela EQUIPAV S/A PAVIMENTAÇÃO ENGENHARIA E COMÉRCIO, sob o fundamento de artificialismo e conduta dolosa (ágio de si mesmo), objeto de auto de infração no processo 19515.002090/200948. Aduz que tendo sido considerado artificial e inexistente o ágio, não haveria ganho de capital a ser tributado. É certo que as aludidas desistências dos recursos no que tange a amortização do ágio, facilitou o presente julgamento, pois considero que, tacitamente, o Grupo Equipav reconheceu o artificialismo dessas operações. Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.519 17 Todavia, mesmo que não houvesse esse reconhecimento, formei convencimento de que a tributação do Ganho de Capital decorrente das integralizações internas das ações das próprias empresas do Grupo, com ágio, é incompatível com a glosa da amortização desse mesmo ágio pelas empresas do grupo nas concomitantes incorporações. Isso porque o ganho de capital advém do próprio ágio. Se há ganho de um lado, que em principio foi diferido, é porque existe o custo do outro lado, passível de amortização. À medida que a Fiscalização considerou as operações artificiais e simuladas, pelo que não poderia surtir efeitos tributários, mormente quanto à amortização do ágio, também não deveria tributar o pretenso ganho de capital, que na verdade não existiu. Logo, há que ser cancelada a tributação desse ganho de capital, pois atenta contra o mínimo de racionalidade que se espera do lançamento tributário. Admitirse a coexistência de uma exigência fiscal relativa ao ganho de capital, mas negarse a dedutibilidade da amortização do ágio que surgiu justamente como contrapartida desse ganho tratase, em realidade, de um grande equívoco. Isso se levando em conta que o Fisco desconsiderou a formação do ágio, por inexistente, tendo glosado sua amortização, inclusive aplicando multa de 150% por entender que os procedimentos do Grupo evidenciariam uma das espécies de fraude tributária de que trata o art. 71 da Lei 4.502/1964. Ao enfrentar essa matéria, a DRJ tangenciou, mantendo a dupla tributação e penalização sob os seguintes fundamentos: “Conforme se depreende da leitura dos Termos de Constatação Fiscal, a fiscalização considerou que as contribuintes deixaram de tributar o ganho de capital mediante a utilização de artifícios para aplicar indevidamente o disposto no §2º do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, mantendo assim diferida a tributação do ganho de capital. De acordo com os argumentos trazidos neste voto referentes ao 1º procedimento, correta a tributação do ganho de capital. Em relação às despesas com amortização de ágio, verificase que elas não são dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, visto que resultaram de atos desprovidos de propósitos negociais, sendo inoponíveis perante o Fisco. Logo, devem ser mantidas ambas as autuações.” Com a devida vênia, é patente a incoerência dos fundamentos da DRJ: de um lado confirmou a glosa da amortização do ágio, sob o entendimento que de foi gerado artificialmente, sem qualquer substrato econômico e que as operações entre empresas do Grupo Equipav, sobretudo com o uso de empresas veículos deveriam ser todas desconsideradas; de outro considerou correta a tributação do ganho de capital decorrente desse mesmo ágio. E mais, afirma que o Grupo Equipav também se utilizou de artifícios para diferir indevidamente a tributação desse ganho com fulcro no §2º do art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Em julgamentos anteriores, a exemplo do citado acórdão 140200802, de 21/10/2011, manifestei entendimento de que não há amparo legal, muito menos substrato econômico para a amortização do ágio gerado internamente, mediante artificialismo, o “ágio de si mesmo”, situação verificada no presente processo. Portanto, correto o procedimento fiscal em desconsiderar a operação e seus efeitos. Todavia, isso deve se dar à inteireza, não se pode glosar a amortização do ágio e, de outro lado tributar o ganho de capital dessa mesma operação. Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.520 18 É de clareza solar o fato que a EQUIPAV, que à época detinha quase a totalidade das ações da A&A (RENUKA), “adquiriu” sua própria empresa para gerar artificialmente esse ágio e, ato continuo amortizalo, para reduzir o IRPJ e CSLL devidos. Logo, correta a glosa e consequentemente a lavratura dos autos de infração nessa parte que, repito, foram objeto de desistencia e parcelamento pelo Grupo Equipav; mas tributar o ganho de capital oriundo desse ágio artificial que em verdade não foi pago, alem disso glosado, definitivamente não é cabível. Há que se reconhecer a inocorrência do fato gerador neste caso, não houve qualquer acréscimo patrimonial á EQUIPAV, Os mesmos fundamentos que ensejaram a glosa do ágio deveriam motivar o procedimento que, a meu ver, a Fiscalização deveria ter determinado à EQUIPAV, qual seja, o estorno dos lançamentos e ajustes na Parte B do Lalur para excluir todos os efeitos contábeis e fiscais dessas operações, inclusive quanto a majoração dos ativos. Tais procedimentos devem ser levados a efeito somente após esta decisão se tornar definitiva neste Conselho. Por oportuno, registro que, caso a EQUIPAV posteriormente tenha alienado sua participação na RENUKA para terceiros, com efetivo ganho/acréscimo patrimonial, aí sim, esta mais valia está ou estaria sujeita à tributação. Assim, tendo sido considerado artificial e inexistente o ágio, não há que se falar em ganho de capital a ser tributado. Concluo, pois, pelo cancelamento da exigência quanto a esse tópico. Da multa de oficio Isolada por falta/insuficiência de recolhimento da estimativa mensal As multas isoladas por insuficiência de recolhimento das estimativas (IRPJ e CSLL) decorreram da tributação do ganho de capital. Assim as descreveu a Fiscalização (Termo de Constatação Fiscal – IRPJ e Reflexos, fl. 144): Ao deixar de adicionar o ganho de capital na apuração de sua base de cálculo, tanto do IRPJ por estimativa, quanto da CSLL por estimativa, no período de 11/2005, o Contribuinte reduziu indevidamente os valores a recolher dessas estimativas, sujeitandose, dessa forma a multa isolada prevista no art. 44, inciso I e parágrafo único, inciso IV da Lei n. 9.430 de 1996, alterada pelo art. 14 da Lei n. 11.488/07: Uma vez que a tributação do aludido ganho está sendo cancelada nesta decisão, a multa isolada também deve ser exonerada, vez que decorrente da adição daquele valor à base de cálculo das estimativas de novembro/2005. Cancelase, pois, as exigências das multas de oficio isoladas. Demais questões recursais Uma vez afastada a tributação do ganho de capital e conseqüentemente das multas isoladas, as demais questões recursais perdem o objeto, pelo que deixo de apreciálas. Reiterese que, prevalecendo essa decisão na esfera administrativa (definitividade), o contribuinte deverá promover os ajustes nos livros contábeis e fiscais para Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002092/200937 Acórdão n.º 140201.103 S1C4T2 Fl. 2.521 19 escoimar os efeitos de suas contabilizações indevidas, em razão das operações aqui consideradas inexistentes para fins fiscais. Conclusão Diante do exposto, voto do sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a tributação do ganho de capital, bem como as exigências das multas de oficio isoladas por falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13971.721368/2011-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.
Não incide imposto de renda sobre indenização por danos morais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
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Não incide imposto de renda sobre indenização por danos morais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 11.072,60, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 13 68 /2 01 1- 31 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13971.721368/201131 Acórdão n.º 2801003.004 S2TE01 Fl. 36 2 O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2010, omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$ 31.028,44. Consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 9 deste processo digital) a seguinte informação: “Rendimento omitido da fonte pagadora SANTA CATARINA TRIBUNAL DE JUSTIÇA. A União não participou da relação jurídica tributária, não sofrendo os efeitos da sentença juntada pelo declarante. Os honorários advocatícios estão em nome de RBS – ZERO HORA EDITORA JORNALÍSTICA S.A”. O contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2 deste processo digital, alegando erro na informação prestada pela fonte pagadora à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, mas que referido erro fora corrigido, conforme atesta o comprovante de rendimentos de fl. 4. A impugnação apresentada foi julgada improcedente. Entenderam os julgadores da instância de piso que os valores recebidos pelo contribuinte são tributáveis, por se referirem à indenização por danos morais, não importando a classificação conferida pela fonte pagadora aos valores pagos. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/11/2011 (AR à fl. 29), o Interessado interpôs, em 08/11/2011, o recurso de fl. 30/31. Na peça recursal aduz, em síntese, que os valores recebidos por pessoa física, a título de danos morais, estão fora do campo de incidência do imposto de renda. Ao fim, requer o acolhimento do presente recurso e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A matéria objeto da presente controvérsia já foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ (Recurso Especial nº 1.152.764/RS), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo). A ementa do acórdão restou assim redigida: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER INDENIZATÓRIO DA VERBA RECEBIDA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual tornase infensa à incidência do imposto de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo Fl. 36DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13971.721368/201131 Acórdão n.º 2801003.004 S2TE01 Fl. 37 3 patrimonial. (Precedentes: REsp 686.920/MS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 19/10/2009; AgRg no Ag 1021368/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 25/06/2009; REsp 865.693/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 04/02/2009; AgRg no REsp 1017901/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2008, DJe 12/11/2008; REsp 963.387/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/10/2008, DJe 05/03/2009; REsp 402035 / RN, 2ª Turma, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 17/05/2004; REsp 410347 / SC, desta Relatoria, DJ 17/02/2003). 2. In casu, a verba percebida a título de dano moral adveio de indenização em reclamação trabalhista. 3. Deveras, se a reposição patrimonial goza dessa não incidência fiscal, a fortiori , a indenização com o escopo de reparação imaterial deve subsumirse ao mesmo regime, porquanto ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio. 4. "Não incide imposto de renda sobre o valor da indenização pago a terceiro. Essa ausência de incidência não depende da natureza do dano a ser reparado. Qualquer espécie de dano (material, moral puro ou impuro, por ato legal ou ilegal) indenizado, o valor concretizado como ressarcimento está livre da incidência de imposto de renda. A prática do dano em si não é fato gerador do imposto de renda por não ser renda. O pagamento da indenização também não é renda, não sendo, portanto, fato gerador desse imposto. (...) Configurado esse panorama, tenho que aplicar o princípio de que a base de cálculo do imposto de renda (ou de qualquer outro imposto) só pode ser fixada por via de lei oriunda do poder competente. É o comando do art. 127, IV, do CTN. Se a lei não insere a "indenização", qualquer que seja o seu tipo, como renda tributável, inocorrendo, portanto, fato gerador e base de cálculo, não pode o fisco exigir imposto sobre essa situação fática. (...) Atentese para a necessidade de, em homenagem ao princípio da legalidade, afastarse as pretensões do fisco em alargar o campo da incidência do imposto de renda sobre fatos estranhos à vontade do legislador." ("Regime Tributário das Indenizações", Coordenado por Hugo de Brito Machado, Ed. Dialética, pg. 174/176) 5. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13971.721368/201131 Acórdão n.º 2801003.004 S2TE01 Fl. 38 4 Desta forma, aplicase, à espécie, o disposto no caput do art. 62A do Regimento Interno do CARF – RICARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 19515.006235/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA -IRPJ Ano-calendário:2005, 2006 JUROS CONFISCATÓRIOS. TAXA SELIC. A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros obedece à previsão legal, sendo defeso à administração tributária negar vigência à norma com fundamento em sua inconstitucionalidade ou desconformidade com a lei complementar. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Numero da decisão: 1401-000.824
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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TAXA SELIC. A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros obedece à previsão legal, sendo defeso à administração tributária negar vigência à norma com fundamento em sua inconstitucionalidade ou desconformidade com a lei complementar. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.006235/200807 Acórdão n.º 1401000.824 S1C4T1 Fl. 80 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Sergio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente momentaneamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.006235/200807 Acórdão n.º 1401000.824 S1C4T1 Fl. 81 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1525.216, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de SalvadorBA. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de autos de infração relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (1RPJ), no valor de R$416.466,67 e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$248.074,52, todos relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006 e acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e juros legais. No Termo de Verificação Fiscal (fis. 4/5) o Auditor informa que em decorrência da revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) dos anoscalendário de 2005 e 2006, foi constatada insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL. Feita a comparação do declarado nas fichas 14A Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido e 18A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com o declarado em DCTF, bem como com pagamentos realizados, encontrouse a diferença constante das tabelas de folha 4, ensejando o lançamento do crédito tributário não confessado ou pago. A Sociedade impugnou o auto de infração, alegando, resumidamente: a tempestividade da Impugnação; o descabimento da multa punitiva no percentual de 75%, conforme entendimento do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (transcreve decisões). O percentual máximo desta multa deve ser 20%, sendo vedada a aplicação de multa com efeito de confisco (artigo 150, inciso IV CF/88); a aplicação da taxa Selic para efeito de juros contraria o artigo 161 do CTN. Além disso, não existe legislação que defina essa taxa e o CTN remete à lei ordinária dispor sobre a taxa de juros. O artigo 13 da Lei n° 9.065, de 1995, não atende ao previsto no artigo 161 do CTN, pois ele só determinou a adoção da taxa Selic. O que se questiona é a norma que discriminou sua forma de apuração e os critérios de fixação de seu percentual, que não existe; a taxa Selic é remuneratória de capital, não podendo servir para cálculo de juros de mora. Assim, os juros devem ser reduzidos a 1 (um) por cento ao mês, como prevê o CTN. Requer a nulidade do auto de infração, ou , caso mantido, requer a redução da multa punitiva e dos juros de mora. A DRJ ,por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos, nos termos da ementa que se transcreve: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005, 2006 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.006235/200807 Acórdão n.º 1401000.824 S1C4T1 Fl. 82 4 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. A atividade da administração tributária é plenamente vinculada, sendolhe proibido afastar a aplicação de norma legal vigente. Estando a multa aplicada prevista em Lei, não cabe a discussão quanto à sua constitucionalidade, tarefa reservada ao Poder Judiciário. JUROS CONFISCATÓRIOS. TAXA SELIC. A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros obedece à previsão legal, sendo defeso à administração tributária negar vigência à norma com fundamento em sua inconstitucionalidade ou desconformidade com a lei complementar. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.006235/200807 Acórdão n.º 1401000.824 S1C4T1 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de autos de infração do IRPJ e CSLL, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, foi constatada insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL, mediante a comparação entre o que foi Declarado na DIPJ com o declarado em DCTF e pago. Delimitação da lide A recorrente não contesta o lançamento das diferenças de tributos, mas tão somente a multa de ofício e os juros de mora, bem assim a nulidade do lançamento, constituindose, o principal, portanto, em matéria fora da lide e preclusa desde a fase impugnatória. Preliminar de nulidade Preliminarmente, a recorrente imputa o presente AI com o vício da nulidade por ter sido aplicado juros de mora e multa de ofício com caráter confiscatórios. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.006235/200807 Acórdão n.º 1401000.824 S1C4T1 Fl. 84 6 Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada MÉRITO Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada e sua redução para o patamar de 20% conforme jurisprudência judicial, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 4 e 2 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Por todo o exposto, REJEITO a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 84DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
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