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Numero do processo: 10783.900854/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO, PRECLUSÃO, ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar.
PER/DCOMP. ORIGEM DO CRÉDITO.
A homologação da compensação depende da prova da existência do crédito, que não restou demonstrada pelo recorrente. Nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, não é possível inaugurar pedido de perícia em sede de recurso voluntário.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octavio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO, PRECLUSÃO, ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. PER/DCOMP. ORIGEM DO CRÉDITO. A homologação da compensação depende da prova da existência do crédito, que não restou demonstrada pelo recorrente. Nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, não é possível inaugurar pedido de perícia em sede de recurso voluntário. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO, PRECLUSÃO, ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. PER/DCOMP. ORIGEM DO CRÉDITO. A homologação da compensação depende da prova da existência do crédito, que não restou demonstrada pelo recorrente. Nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, não é possível inaugurar pedido de perícia em sede de recurso voluntário. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 08 54 /2 00 8- 47 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octavio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, transmitida em 13/02/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 13/06/2003, a título de PIS, atinente ao período de apuração 05/2003, com débito da COFINS, período de apuração 01/2004, no valor de R$ 877.634,46. Por meio do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, o Delegado da DRF/Vitória/ES, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada ingressou com manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ (fls. 35 e ss.) De acordo com o acórdão recorrido, a contribuinte não provou a existência dos créditos, apresentando apenas planilha, o que torna improcedente o PER/DCOMP. Confira se: A simples alegação de que possui o crédito utilizado na Declaração de Compensação e a juntada de planilha demonstrando o saldo a ser utilizado no período, por si só, não demonstra de forma cabal a origem do crédito alegado na PerdComp. E, tampouco, lhe socorre a menção de que o crédito aqui tratado é analisado em outro procedimento administrativo. O dever de comprovar o pagamento a maior ou indevido decorre não apenas do fato de que é a contribuinte que inicia o procedimento de compensação, alegando direito creditório, também porque, no caso específico em exame, as declarações contraditórias exigem prova contábilfiscal mais robusta para suportar sua alegação. De fato, a contribuinte, ora inconformada, não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez de seu crédito, a inconformada, obrigatoriamente, deveria ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu direito, conforme o disposto nos Art. 15 e 16 do Decreto n º 70.235, de 1972, a seguir transcritos: [...] Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.900854/200847 Acórdão n.º 3202000.754 S3C2T2 Fl. 68 3 Contudo, do ônus que lhe cabia, conforme legislação citada, a inconformada não se desincumbiu, deixando sem amparo factual sua alegação de direito de crédito contra a Fazenda Nacional. Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido de julgar improcedente a manifestação de Inconformidade. Não resignada com o acórdão acima transcrito, a recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma da decisão, de modo a homologar a PER/DCOMP. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e merece ser apreciado. Em seu recurso voluntário, a empresa alega que efetuou revisão da apuração do PIS nãocumulativo, que resultou num saldo devedor menor do que o já declarado e pago em DCTF e, por consequência, faria jus ao PER/DCOMP. Afirma, ainda, que, por lapso, não retificou a DCTF e, por essa razão, foi proferido o Despacho Decisório de fl. 27, indeferindo o pedido, por não ter encontrado o alegado pagamento a maior. Esse despacho foi referendado pela DRJ. Nesse contexto, a recorrente pede que o CARF promova diligência, com o objetivo de verificar a procedência do seu crédito, de modo a dar provimento ao recurso voluntário, homologando as compensações efetuadas. Entendo que não merece provimento o recurso voluntário. Embora a recorrente alegue o equívoco da DCTF, em seu recurso voluntário, esse fato não foi ventilado em sua manifestação de inconformidade (fl. 02/03). Na sua manifestação de inconformidade, a empresa asseverou, apenas, que havia feito revisões na apuração do PIS nãocumulativo, que resultariam em crédito a seu favor, juntando uma planilha nesse sentido, onde é indicado os recálculoss feitos, que geraram os correspondentes PER/DCOMPs, tendo a DRJ julgado improcedente a impugnação da empresa, por considerar insuficiente tais provas e argumentos para homologar a compensação. Assim, a recorrente não defendeu perante a DRJ o citado equívoco na DCTF nem pediu que fosse anulado o despacho decisório. Nesse contexto, não é possível, em recurso voluntário, inovar nas alegações, trazendo matéria não examinada pela DRJ, ao teor do art. 17 d Decreto nº 70.235/72 e da jurisprudência do CARF. Observese: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 CARF 3a. Seção / 3a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 3403 00.385 em 25/05/2010 PIS AUTO DE INFRAÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO, PRECLUSÃO, ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. Ademais, nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.325/72, o pedido de perícia deve estar contido na primeira impugnação do contribuinte, não sendo possível inaugurálo em sede de recurso voluntário. Por outro lado, concordo com a DRJ, na parte em que assentou que a planilha juntada na manifestação de inconformidade não é prova suficente para infirmar o despacho decisório e homologar a compensação. A prova da existência do crédito é ônus da empresa, no âmbito do PER/DCOMP. Cabe à recorrente, se for o caso, diligenciar para elaborar novo PER/DCOMP, devidamente instruído, sendo certo que a prescrição dos eventuais créditos do período foi suspensa, no intervalo da presente discussão administrativa, nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 20.910/32: Art. 4ºNão corre a prescrição durante a demora que, no estudo, no reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiver as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.900854/200847 Acórdão n.º 3202000.754 S3C2T2 Fl. 69 5 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.918671/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 18 67 1/ 20 09 -5 6 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918671/200956 Resolução nº 3803000.286 S3TE03 Fl. 6 2 Relatório A contribuinte alegou que no exercício de 2003 apurou e recolheu valores atinentes a contribuições sociais de PIS e Cofins sobre outras receitas, que não o faturamento, com base na Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do seu artigo 3º foi declarado inconstitucional pelo STF, quando do julgamento do RE 346.084/PR, em 09/11/95. Em face desse fato deduziu pelos recolhimentos de valores de PIS e Cofins efetuados a maior/indevidamente, buscando então a sua compensação perante a repartição fiscal de sua circunscrição. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 848671418, de 07/10/09 (fls. 50), emitido pelo Sistema de Controle de Crédito da RFB, a autoridade administrativa que analisou o limite do crédito original informado em PER/DComp nº 14173.73147.160707.1.3.044161, transmitida em 16/07/07, constatou que o referido crédito foi utilizado integralmente para a quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados na DComp, pois de acordo com o detalhamento da compensação, os valores devedores e emissão de DARF assinala que o valor declarado na DComp é o mesmo que o saldo devedor apurado para compensação de R$ 42.765,31. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade deduzindo sucintamente acerca da legitimidade do seu direito de realização da compensação informada, cujo crédito originouse a partir da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que propiciou o alargamento da base de cálculo do PIS e Cofins, defendendo inclusive pela atualização dos valores indevidamente recolhidos, nos moldes previstos no artigo 39, § 4o, da Lei nº 9.250/95, ou seja, mediante incidência da taxa Selic para requerer pela insubsistência do despacho guerreado e o seu posterior arquivamento. Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 8ª Turma da DRJ/CPS, quando em sessão realizada em 08/02/12, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 05 36.829, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Compensação. Créditos. Comprovação. É requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do credito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão em questão partiu do pressuposto de que a DComp tem a finalidade de formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, cabendo àquela a responsabilidade pelas informações acerca dos créditos e os débitos, e à autoridade administrativa a necessária verificação e validação/homologação, se for o caso, Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918671/200956 Resolução nº 3803000.286 S3TE03 Fl. 7 3 confirmando a extinção do crédito, ou invalidando as informações prestadas. Ou seja, o reconhecimento do direito creditório oponível à Fazenda Nacional depende de prova, a ser produzida pelo interessado. Assinalou o referido acórdão que a contribuinte, a título de elemento probante do alegado, fez colação aos autos da DComp, da DCTF e de DARF, bem assim que o exame realizado acerca dos débitos e créditos por ela informados à Administração, revelou como causa da não homologação, a utilização integral do crédito original para a extinção anterior de outros débitos, ou seja, não existia o crédito utilizado para a compensação não existia. A decisão de primeira instância reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, a partir do julgamento dos RE nos 390.840, 346.084 e 358.273, bem assim do RE 585.2351, quando decidiu o STF reconhecer a repercussão geral da questão constitucional em tela, em acórdão proferido em sessão de 10/09/2008, publicado no DJE no 227 de 28/11/2008, e transitado em julgado em 12/12/2008. Isto tudo com base no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, c/c o art. 26 A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o procedimento administrativo fiscal no âmbito da RFB, na alteração promovida pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como de acordo com a edição pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, do Parecer PGFN/CRJ/N° 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN n° 294, de 2010, que veio a prever a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, em determinados casos dentre os quais se incluiu o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3°, §1° da Lei n. 9.718/98. Concluiu que o reconhecimento da não incidência não implica, necessariamente, o reconhecimento de direito creditório, pois tal fato exige do pleiteante que demonstre a existência e a magnitude de parcelas indevidas nos recolhimentos que fez. Nenhum elemento nesse sentido existe nos autos e a contribuinte não logrou comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado, condição para a homologação da compensação declarada. A ciência eletrônica por decurso de prazo/disponibilização do teor da decisão de primeira instância na caixa postal da contribuinte ocorreu em 16/04/12, com previsão para o vencimento dessa ciência em 01/05/12. Ocorre que a data de emissão do despacho de encaminhamento pela repartição preparadora dos autos do processo em sede de recurso voluntário para o CARF ocorreu em 22/05/12. A recorrente reafirmou minudentemente os argumentos expendidos na exordial para requerer: (i) a reforma da decisão hostilizada; (ii) o reconhecimento da legitimidade do crédito pleiteado e a incidência da taxa Selic até a data da efetiva homologação; (iii) a anuência para a juntada dos documentos em anexo (DCTF, DIPJ/2004, Razão analítico – de 01 a 31/12/02, Planilha de Cálculo do PIS/Pasep e Cofins, conforme decisão do STF de 09/11/05, DARF – Cód. receita 2172 e PA 01/03), em respeito ao princípio da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918671/200956 Resolução nº 3803000.286 S3TE03 Fl. 8 4 Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração do 1º trimestre/2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico (fls. 50), bem assim na listagem de créditos e saldos remanescentes e no Demonstrativo Analítico de Compensação, ambos de lavra da Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal do Brasil – CODAC, que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão também reconheceu a origem do crédito apresentado pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia instituído o conceito que culminou alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Ademais disso há o pleito para o acolhimento de documentos acostados aos autos inoportunamente. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo quando assinalou que cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. Em relação ao pleito formulado pela contribuinte para o acolhimento de documentos colacionados aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário, a título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, temse a observar. A dinamicidade do Direito possibilitou a aplicação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do processo administrativo tributário, como subsídio na busca e Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918671/200956 Resolução nº 3803000.286 S3TE03 Fl. 9 5 para a formação da convicção do juízo do julgador por ocasião de seu pronunciamento, tendo em vista o deslinde da querela. Consubstanciado no conjunto de provas que lhe são apresentadas, inclusive aquelas entregues a extemporaneamente, este princípio também permite ao julgador ir para além da formalidade processual, pontuada por alguns limites temporais ou materiais, para lhe propiciar a busca pela verossimilhança, por uma ordem de maior aproximação da verdade, em tempo razoável. A complexidade das matérias e o dever de decidir nos processos administrativos vinculado à força probante, tornou possível a interação entre a verdade formal e a material, bem assim a prevalência desta sobre aquela, suplantando a dicotomia de prevalência da forma sobre o conteúdo, eis que a verdade absoluta ainda reside na utopia, no ideal. Com isso, na busca de seu convencimento a autoridade julgadora pode e deve se utilizar de ferramentas que confiram segurança jurídica naquilo que lhe é ambíguo, inclusive do instituto da diligência. Inobstante a legitimidade do lançamento e das provas acostadas aos autos sob exame, oportunamente, a juntada de novas provas ainda que extemporâneas, não compromete o devido processo legal, impossibilitará a alegação de cerceamento de defesa, não trará prejuízo às litigantes, e dará mais elementos com vistas ao fortalecimento da convicção do julgador. Com estas observações acolho o pleito da recorrente para anuir afirmativamente à juntada da documentação trazida aos autos juntamente com o recurso voluntário e, para que não se venha porventura a alegar a supressão de instância, proponho pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa competente se certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10972.720122/2011-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007
NÃO RETIFICAÇÃO DE GFIP - INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO - INAPLICABILIDADE.
O fato de o entre público não retificar a GFIP, excluindo os agentes políticos não pode constituir óbice a compensação ou restituição, quando constatado o direito creditório do recorrente, uma vez que existe Auto de Infração de obrigação acessória próprio para informações incorretas no documento GFIP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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O fato de o entre público não retificar a GFIP, excluindo os agentes políticos não pode constituir óbice a compensação ou restituição, quando constatado o direito creditório do recorrente, uma vez que existe Auto de Infração de obrigação acessória próprio para informações incorretas no documento GFIP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 01 22 /2 01 1- 43 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720122/201143 Acórdão n.º 2403002.107 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão n. 0940.157, que manteve em todos os seus termos o crédito tributário sob análise, cujo Auto de Infração foi consolidado em 14/02/2012 e cientificado ao contribuinte apenas em 22/02/2012, consubstanciado no AI DEBCAD n. 37.319.1685. Lavrado no importe de R$ 130.856,70 (cento e trinta mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e setenta centavos), a autuação é oriunda da glosa de compensações indevidas de contribuições previdenciárias, conforme narrado no Relatório Fiscal, fls. 10/16, cujos trechos são transcritos: “1.1 – DA COMPENSAÇÃOO INDEVIDA E DAS GLOSAS: O direito à compensação teve origem na declaração de inconstitucionalidade da alínea ‘h’ do inciso I, do artigo 12 da Lei 8.212/91, conforme decisão do STF no RE 351.7171PR, com efeitos erga omnes atribuídos pela Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21/06/2005. Com a referida decisão, os Agentes Políticos deixaram de ser considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, sendo indevidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ao Prefeito e VicePrefeito, no período de 01/02/1998 a 18/09/2004. 1.2 – DA IMPROCEDÊNCIA DA COMPENSÃO INDEVIDA E DAS GLOSAS: A compensação efetuada foi considerada improcedente pelo motivo relacionado no ANEXO II – ANÁLISE DA ORIGEM E REGULARIDADE DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS NAS COMPETÊNCIAS 01/2007 A 04/2007 – PREFEITO E VICE PREFEITO, a seguir relatado. O contribuinte deixou de atender ao disposto no inciso I, e §§ 4º e 5º, do artigo 6º da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12/09/2006, a seguir reproduzidos: Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I – a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 § 4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. § 5º O descumprimento do disposto no § 4º sujeitará o infrator à multa prevista no § 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III, do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 97/103. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, em 03 de maio de 2012, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), prolatou o Acórdão 0940.157, de fls. 110/113, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007. COMPENSAÇÃO. TERMOS E CONDIÇÕES. A restituição e compensação de pagamentos indevidos de contribuição social previdenciária sujeitase aos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. DO RECURSO Irresignado, o Município interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls. 220/244, requerendo a reforma do Acórdão, alegando, em suma, que a exigência prévia de retificação da GFIP não pode ser impedimento do direito principal, a compensação, por se tratar de obrigação acessória sanável, possível de retificação a qualquer tempo, como foi verificado no caso, uma vez que tal providência já foi realizada pela Municipalidade, conforme pode se constatar na Receita Federal; É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720122/201143 Acórdão n.º 2403002.107 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 245, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O fiscal alega que o contribuinte deixou de atender ao disposto no inciso I, e parágrafos 4º e 5º, do art. 6º da instrução Normativa MPS/SRP n. 15, de 12/09/2006. A DRJ afirma que está correto o entendimento da fiscalização, uma vez que a compensação, conforme o art. 89 da Lei 8.212/91 está adstrita aos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fl.112. Percebo desde já que este fora o único motivo para o indeferimento. Apesar de o recorrente trazer em sua peça de fls. 117/123, os argumentos acerca da inexistência de prescrição, sob a tese dos cinco mais cinco, percebese que essa matéria está afeta ao processo apenso de número 10970.720342/201198, apenas, uma vez que o período dos créditos compensados destes autos é de 04/2002 a 08/2004 e a compensação foi realizada entre 01/2007 a 04/2007, tempestivas. Com relação à necessidade de retificação da GFIP, entendo que houve um equívoco tanto por parte da fiscalização, quanto da Delegacia Regional de Julgamento ao enquadrar o fato ocorrido com a legislação com redação dada pela Lei 11.941/09, conforme se percebe também dos Fundamentos Legais de Débito do Auto de Infração, na fl.06. A Legislação que deve reger é aquela do momento da realização da compensação, que se deu em 2007, e o art. 89 da Lei 8.212/91 tinha a seguinte redação: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada ao caput e parágrafos pela Lei nº 9.129, de 20.11.95). Portanto, percebese do texto, que não havia remissão à produção normativa por parte do executivo para reger o pleito de compensação. Ademais, mesmo que a legislação da época o fizesse, a falta de retificação de GFIP não pode constituir óbice a um pleito compensatório. A falta da retificação da GFIP constitui descumprimento de obrigação acessória, punida nos termos do art. 32A da Lei 8.212/91, não se confundindo com a materialidade do crédito pleiteado. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Esse é o melhor entendimento, consubstanciado em julgado desta Segunda Seção, 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, no julgamento do Processo n. 10665.721544/201118, que resultou no Acórdão 2401002.403, de relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva, na sessão de 19 de abril de 2012, conforme se percebe da ementa abaixo: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO COMPENSAÇÃO GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRESCRIÇÃO QUINQUENAL LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n. 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos pagamento ou recolhimento indevidos. A repetição do indébito nos tributos sujeitos a lançamento por homologação prescreve em cinco anos, a contar do pagamento antecipado (art. 3, Lei Complementar n. 118/05). Segundo jurisprudência do STF para quem ajuizou ações, pleiteou restituição, ou efetivou compensação a partir de 09/06/200, o direito retroagem apenas 5 anos da data do pagamento indevido. NÃO RETIFICAÇÃO DE GFIP INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO INAPLICABILIDADE. O fato do ente público não retificar a GFIP, excluindo os agentes políticos não pode constituir óbice a compensação ou restituição, quando contatado o direito creditório do recorrente, vez que existe Auto de infração de obrigação acessória próprio para informações incorretas no documentos GFIP. Recurso Voluntário Provido em Parte Destaco ainda trecho do voto condutor do acórdão acima, do qual me filio, por entender ser o melhor caminho a percorrer, in verbis: Por fim, quanto ao segundo argumento trazido pelo auditor que não procedeu o município a retificação das GFIP, entendo que também não é suficiente para indeferir o direito a compensação, uma vez que o próprio auditor destaca a existência de contribuições indevidas. Entendo que o descumprimento da Instrução Normativa, quanto a retificação das GFIPs constitui falta, ou seja sujeita a penalidades da legislação. Ao proceder a compensação das contribuições recolhidas indevidamente à título de agente político, indicou o contribuinte que a dita verba não constitui mais fato gerador de contribuição previdenciária, ou seja, deveria proceder a retificação das GFIP. Em não o fazendo incorre em falta sujeita a Auto de Infração de Obrigação Acessória, vez que faz constar em GFIP informação incorreta. Dessa forma, entendo que a aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10972.720122/201143 Acórdão n.º 2403002.107 S2C4T3 Fl. 5 7 sim possível, evitando que a GFIP permaneça incorreta, mas não ser determinante para indeferir restituição, ou mesmo declarar indevida compensação. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 14135.000519/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/02/2004
AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Sendo nula a decisão de primeira instância em relação as NFLD, igual tratamento deve ser dado aos AIOA.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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(Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/02/2004 AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Sendo nula a decisão de primeira instância em relação as NFLD, igual tratamento deve ser dado aos AIOA. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 13 5. 00 05 19 /2 00 8- 32 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14135.000519/200832 Acórdão n.º 2401003.039 S2C4T1 Fl. 170 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob n. 35.465.7518, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, a empresa deixou de informar em GFIP dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências abaixo discriminadas, o que caracteriza infração ao art. 32, inc. IV, § 5 o , da Lei n o 8.212/91 ESTABELECIMENTO: CNID3 N. 04.197.146/000237; COMPETENCIAS: 04/02 a 12/03. Informou parcialmente o campo: Remuneração, bem como deixou de informar o campo Comercialização de Produção Rural. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/01/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/02/2004. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 65 a 74. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência da autuação, conforme fls. 89 a 101. DEIXAR DE INFORMAR NA GFIP TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INFRAÇÃO. Constitui infração apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto no inciso IV, § 5 0, do art. 32, da Lei n.° 8.212/91. CADASTRO DE CORESPONSÁVEIS. Se em auditoria fiscal anterior foi constatado a formação de um grupo econômico de fato envolvendo a notificada e as empresas: LOVITHA TRANSPORTES LTDA, TRANSCAPUCI LTDA, CAPUCI TRANSPORTES LTDA e FRIGONOSTRO IND. COM . DE CARNES LTDA e, considerando que o lançamento pela solidariedade do grupo, foi mantida em decisão proferida em processo administrativo regular e, não apresentado nenhum elemento que descaracterize o respectivo vínculo, devem referidas empresas e seus sócios permanecerem cadastrados como coresponsáveis. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 108 a 116. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Ressaltese, que, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de n° 35.465.7518, além da cobrança do débito previdenciário; também sem fundamentação legal, por um procedimento arbitrário dos auditores fiscais da previdência, envolve como coresponsáveis às obrigações previdenciárias da RECORRENTE, pessoas estranhas ao seu quadro societário. 2. Mesmo diante das idôneas alegações, dispostas na peça defensiva, o r. julgador a quo, indeferiu a impugnação da RECORRENTE alegando que: "As pessoas vinculadas como coresponsáveis, já tinha sido relacionadas em procedimento fiscal anterior, e que, as ilegalidades apontadas condizentes com o débito cobrado, e, também ás pessoas vinculadas, deveriam ser discutidas em nível judicial". 3. O julgador a quo não levou em consideração, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade, verdade real, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14135.000519/200832 Acórdão n.º 2401003.039 S2C4T1 Fl. 171 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DO MÉRITO Toda e argumentação do recorrente está em demonstrar a impossibilidade de exigir multa, contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de informar a sub rogação do produtor rural, tendo o processo sido baixado em diligência, para identificar o andamento das NFLD correlatas, tendo a autoridade da DRFB assim se manifestado: Em atendimento à Resolução 240100.172 da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vimos informar: 1. DEBCAD nº 35.465.7445 – NFLD lavrada para exigir a contribuição previdenciária sobre folha de pagamento (segurados, empresa, RAT e Terceiros) relativa às competências do período de 04/2002 a 13/2003: nesta data, os autos relativos ao processo administrativo 14135.000524/200845 encontramse em julgamento no CARF (folha 216). 2. DEBCAD nº 35.465.7453 – NFLD lavrada para exigir a contribuição previdenciária, não declarada em GFIP, calculada sobre folha de pagamento (empresa, RAT, FNDE e INCRA) relativa às competências de 06/2002, 08/2002, 12/2002, 01/2003, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 04/2003 e 07/2003: nesta data, os autos relativos ao processo administrativo 14135.000526/200834 encontramse na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Presidente Prudente em fase de cobrança executiva. Durante o processo administrativo fiscal, a impugnação foi julgada improcedente e o recurso voluntário interposto pela contribuinte não foi à julgamento por falta de depósito prévio (folha 222/227). O julgamento final do Poder Judiciário no Mandado de Segurança impetrado pela não admissibilidade do recurso administrativo confirmou a legalidade do depósito prévio como requisito de admissibilidade do recurso administrativo, sendo formada a coisa julgada material (folha 162). 3. DEBCAD nº 35.465.7461 – NFLD lavrada para exigir a contribuição previdenciária, não declarada em GFIP, calculada sobre a comercialização da produção rural (contribuição rural, RAT e SENAR) relativa às competências do período de 04/2002 a 07/2003: nesta data, os autos relativos ao processo administrativo 14135.000522/200856 encontramse em julgamento no CARF (folha 216). 4. DEBCAD nº 35.465.7470 – NFLD lavrada para exigir a contribuição previdenciária calculada sobre a comercialização da produção rural (contribuição rural, RAT e SENAR) relativa às competências do período de 05/2002 a 10/2002: a autuação relativa ao lançamento não foi cadastrada no COMPROT. O crédito previdenciário apurado foi inscrito em Dívida Ativa da Procuradoria Federal (INSS) onde foi liquidado por guia (folhas 220/221). 5. DEBCAD nº 35.465.7488 – NFLD lavrada para exigir contribuição previdenciária, não declarada em GFIP, calculada sobre remuneração de administrador/autônomo e contribuinte individual relativa às competências do período de 04/2002 a 12/2003: nesta data, os autos relativos ao processo administrativo 14135.000527/200889 encontramse na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Presidente Prudente em fase de cobrança executiva. Durante o processo administrativo fiscal, a impugnação foi julgada improcedente e o recurso voluntário interposto pela contribuinte não foi à julgamento por falta de depósito prévio (folhas 234/239). O julgamento final do Poder Judiciário no Mandado de Segurança impetrado pela não admissibilidade do recurso administrativo confirmou a legalidade do depósito prévio como requisito de admissibilidade do recurso administrativo, sendo formada a coisa julgada material (folha 162). 6. DEBCADB nº 35.465.7496 DEBCAD nº 35.465.7496 – NFLD lavrada para exigir contribuição previdenciária, não declarada em GFIP, calculada sobre remuneração paga a contribuinte individual referente a serviço de frete (segurado, empresa e SEST/SENAT) relativa às competências do período de 04/2002 a 07/2003: nesta data, os autos relativos ao processo administrativo 14135.000529/200878 encontramse na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Presidente Prudente em fase de cobrança executiva. Durante o processo administrativo fiscal, a impugnação foi julgada improcedente e o Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14135.000519/200832 Acórdão n.º 2401003.039 S2C4T1 Fl. 172 7 recurso voluntário interposto pela contribuinte não foi à julgamento por falta de depósito prévio (folhas 228/233). O julgamento final do Poder Judiciário no Mandado de Segurança impetrado pela não admissibilidade do recurso administrativo confirmou a legalidade do depósito prévio como requisito de admissibilidade do recurso administrativo, sendo formada a coisa julgada material (folha 162). Assim, justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da NFLD correlata, quais sejam: DEBCAD 35.465.7445 (PROCESSO 14.135.000524/2008 45) e DEBCAD 35.465.7461 (PROCESSO 14.135.000522/200856. No caso, importante identificar o resultado das NFLD lavradas, foram objeto de julgamento pela Conselheira Bernadete, razão pela qual transcrevo a ementa dos acordáos. Processo 14135.000522/200856 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/07/2003 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS INOCORRÊNCIA Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Processo 14135.000524/200845 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2003 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS INOCORRÊNCIA Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento Recurso Voluntário Provido em Parte Conforme dito na diligência, a procedência da apresente autuação, só pode ser averiguada após a análise do mérito da NFLD correlata, o que em princípio pensávamos ser possível, ao trazer determinar o sobrestamento do processo até o julgamento da NFLD correlata. Contudo, ao apreciarmos aqueles autos, observase que a ilustre conselheira, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 entendeu existir um vício na decisão de primeira instância, razão porque encaminhou por nulá la. Assim, entendo que o mesmo destino deva ser dado ao AI de obrigação acessória, considerando a correlação das matérias. Observase, apenas, para o melhor andamento dos mesmos, evitando novas diligência, passem os mesmos a caminhar juntos. CONCLUSÃO Voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, determinado o andamento conjunto com as NFLD correlatas DEBCAD 35.465.7445 (PROCESSO 14.135.000524/200845) e DEBCAD 35.465.7461 (PROCESSO 14.135.000522/200856.. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 15504.015266/2009-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO.SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PACTO NA FORMA DA LEI ESPECÍFICA.
Entende-se por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada sem o pacto exigido pela Lei n° 10.101,de 19 de dezembro de 2000, integra o salário de contribuição.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
MULTA DE OFÍCIO
Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PACTO NA FORMA DA LEI ESPECÍFICA. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada sem o pacto exigido pela Lei n° 10.101,de 19 de dezembro de 2000, integra o salário de contribuição. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 52 66 /2 00 9- 08 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 MULTA DE OFÍCIO Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 2403001.589 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi , na íntegra, com grifos de minha autoria: “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 9.880,79, no período de 01/05 a 07/05, consolidado em 03/09/2009, que, conforme informado no Relatório Fiscal de fls. 15/18, foi apurado com base em folhas de pagamento e Livro Diário , referindose a contribuições dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados a titulo de participação nos lucros e resultados PLR, em desacordo com a lei especifica — Lei 10.101/2000, e ao contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy. Referidas contribuições não foram descontadas dos empregados por ocasião do pagamento da verba que constitui o fato gerador da obrigação tributária. A ação fiscal foi precedida de Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF, fls. 21/22. A interessada foi cientificada da presente autuação em 09/09/2009, conforme documento de fl. 1, e apresentou impugnação, As fls. 30/39, com os seguintes argumentos: alega que o pagamento da participação nos lucros e resultados durante o período fiscalizado foi realizado dentro do previsto na Convenção Coletiva firmada entre os sindicatos representantes das categorias, em 26/12/2004, vigorando no período de 01/10/2004 a 30/09/2005; que a mencionada convenção, cópia anexa à defesa, atende todas as determinações impostas pela Lei 10.101//00, uma vez que é fruto de negociação entre a impugnante e seus empregados e nela constam regras claras e objetivas sobre a forma, periodicidade e vigência da distribuição de lucros pactuada, conforme disposição contida em seus parágrafos segundo e septuagésimo oitavo; que o § 1°, I e II, do art. 2° da Lei 10.101/00, ao dispor sobre "programas de meta, resultados e prazos, previamente pactuados", em nenhum momento trata da obrigatoriedade da utilização de tais programas, mas, sim, faculta, permite sua utilização pela empresa, sendo que o que é permitido não é obrigatório; reforça seu entendimento de que as regras da PLR adotas na convenção coletiva são claras, objetivas e simples, já que sua aferição se baseava em valores fixos, não havendo necessidade de descer a detalhes e estabelecer formular complexas, de difícil compreensão; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 diz, ainda, que o auto de infração se baseia no RPS, art. 214, § 9 0, X, e § 10, cujas normas regulamentares restringem o alcance da Lei n.10.101 e os direitos dela decorrentes; que o citado regulamento, que não é lei, mas simples decreto, diz o que a lei não diz, sendo que as restrições regulamentares usadas pela União ofendem o principio da legalidade CF, art. 5°, II, 37 e 1501; pede redução da multa aplicada, em atenção à retroatividade benigna da norma punitiva, aplicandose ao caso o CTN, art. 106, II, "c"; quanto aos juros, alega que os mesmos devem incidir apenas sobre valor de tributo e não sobre multa, como ocorreu no presente lançamento, conforme determina o art. 161 do CTN e art. 61 da Lei 9.430/96. Sobre a matéria cita, ainda, Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que trata da inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a multa de oficio. Ao final, pede o cancelamento do auto de infração atacado, com extinção da exigência por ele lançada ou a redução dos montantes lançados. Requer, ainda, que as intimações dos atos processuais sejam remetidas aos signatários da impugnação, procuradores devidamente constituídos pela autuada. Considerando os argumentos da impugnante em relação ao contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy, no Auto de Infração n. 37.245.6340, conexo a este, o processo retornou ao Auditor notificante, que emitiu a Informação Fiscal de fls. 65, sendo a empresa dela cientificada em 24/08/2010, conforme ciência de seu representante legal as mesmas fls. 65. Concedido prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da Informação 7, Fiscal acima mencionada, a empresa não apresentou nova manifestação. É o Relatório. ” Cumpre ressaltar que muito embora não tenha sido considerado no Relatório supra, o Auditor Fiscal notificante considerou procedente a impugnação sobre o contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy e na forma do item 3 do Relatório Complementar de fls. 65, registrou que : “no Auto 37.245.6340 procedeuse à exclusão de Base de calculo no levantamento, CI”. Aduz que às fls. 180, o Auditor assim se manifestou : “ Empresa: Minasfer S/A CNPJ: 16.518.649/000139 Assunto: Impugnação DEBCAD: 372456340 Atendendo a solicitação da DRJBHE temos a dizer o seguinte: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 2403001.589 S2C4T3 Fl. 4 5 1 Impugnação procede. A empresa apresentou fatos novos, referentes ao contribuinte individual Jose Wilson Fonseca Cambuy. 2 Com os novos fatos apresentados, procedeuse exclusão de valores nos Autos: 37.245.6340, 37.240.3921 e 37.240.3875. 3 Foi entregue a empresa a segunda via do relatório fiscal complementar para dar ciência e conhecimento. 4 Segue abaixo quadro de exclusão do Auto: 37.245.6340 5 A consideração do supervisor. ” ( grifos de minha autoria) DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 69, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 10 de fevereiro de 2011, exarou o Acórdão n° 0230.825 , mantendo parcialmente procedente o lançamento em razão da retificação do crédito no Auto de Infração n° 37.240.3921, para exclusão da contribuição previdenciária lançada relativamente ao segurado contribuintes individual José Wilson Fonseca Cambuy , conforme Discriminativo DO RECURSO Não obstante o êxito parcial, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 84, onde combatendo o decisium reiterou em parte as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 105, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO De plano , convém trazer à lume o registro dos itens 02 e 03 do Relatório Fiscal de fls. 15 onde a Autoridade Fiscal assim se pronuncia: “ 2Contribuições devidas à Seguridade Social, calculadas sobre os salários de contribuição, dos segurados empregados e contribuinte individual, quadro em anexo, levantados com base nas folhas de pagamento analíticas e seus respectivos resumos gerais, cujas verbas foram comandadas sob as rubricas Participações nos Lucros e Resultados, e Livro diário que comprova pagamento efetuado para autônomo. 3Visando à identificação de forma clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciário, consta, em anexo, identificado o nome de cada segurado e competência, além das diversas bases de calculo com demonstração do cálculo da contribuição dos segurados.” No Capítulo X da Lei n 8.212/91, o artigo 30 se encontra abrigo para sustentar o procedimento fiscal: “ CAPÍTULO X DA ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ( Redação dada pela Lei n 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 2403001.589 S2C4T3 Fl. 5 7 mês subsequente ao da competência;( Redação dada pela Lei n 11.933, de 2009) c) recolher as contribuições de que tratam os incisos I e II do art. 23, na forma e prazos definidos pela legislação tributária federal vigente; ” Às fls 114, consta colacionada pela Recorrente o que seria a CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO que sustentaria a prática dos pagamentos de PLR. A cláusula segunda do documento supra registra quais as empresas estariam pactuando a PLR com os sindicatos das categorias. É de se destacar que na sobredita cláusula não se observa o recorrente como pactuante do acordo. DA IMPUGNAÇÃO E DO RECURSO Na peça de impugnação, reiterado na íntegra em grau de recurso, a empresa afirma que agiu com correção na medida em que naquela oportunidade denominavase Minaço S/A então parte integrante do acordo. Cumpre ressaltar que não juntou prova alguma a respeito do que afirmara: “ Tal participação se baseia na convenção coletiva de trabalho firmada entre o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas Minasfer S/A e de Material Elétrico de Várzea da Palma, Corinto e Lassance (representante da à época, denominada Minaço S/A) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Várzea da Palma vejase a clausula segunda, caput e parágrafos, da convenção. A mencionada convenção (texto anexado a esta peça de defesa), firmada em 26/12/2004, vigorou no período de 12/10/2004 a 30/9/2005.” Em contraponto à genérica afirmação da empresa, a Autoridade Fiscal é pontual e efetiva ao apontar a origem dos fatos geradores : “ 2Contribuições devidas à Seguridade Social, calculadas sobre os salários de contribuição, dos segurados empregados e contribuinte individual, quadro em anexo, levantados com base nas folhas de pagamento analíticas e seus respectivos resumos gerais, cujas verbas foram comandadas sob as rubricas Participações nos Lucros e Resultados e Livro Diário que comprova pagamento a contribuinte individual.”( grifos de minha autoria) Assim, os documentos que instruíram o presente lançamento registram pagamentos efetuados pela MINASFER S/A. É oportuno ressaltar que o lançamento reportase ao período 01/01/2005 a 31/07/2005 e em 31 de janeiro de 2005 e no Relatório de Representantes Legais REPLEG, que registra o cadastro da empresa, recebido e não contestado pela Recorrente, à exceção de apenas um , todos os representantes são contemporâneos ao lançamento atuando desde período bastante anterior . Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 De relevo,também, destaquese que conforme fls. 42 a empresa com a mesma denominação MINASFER S/A , em 31 de janeiro de 2005 , realizara assembléia geral sem alteração da denominação, na forma do extrato parcial abaixo: “ MINASFER S.A . CNPJ/MF 16.518.649/000139 NIRE/JUCEMG N° 31300044025 ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA NO DIA 31 DE JANEIRO DE 2005.” Por derradeiro, consulta ao sítio da Fazenda Nacional desqualifica a alegação posto o registro da data de abertura da empresa MINASFER S/A é datado de 24/04/1971: REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 16.518.649/000139 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 24/09/1971 NOME EMPRESARIAL MINASFER S/A TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) MINASFER S/A CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 24.51200 Fundição de ferro e aço CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2046 SOCIEDADE ANONIMA ABERTA LOGRADOURO AV AMAZONAS NÚMERO 7700 COMPLEMENTO CEP 30.510000 BAIRRO/DISTRITO GAMELEIRA MUNICÍPIO BELO HORIZONTE UF MG SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 03/11/2005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 2403001.589 S2C4T3 Fl. 6 9 O artigo 2° da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000 determina que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados : "Art 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo.” Tudo isto posto, muito embora a instância “ ad quod ” não tenha percebido, a empresa MINASFER S/A não tem um pacto convencionado de pagamento de PLR conforme o exigido na forma da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Desta forma, o lançamento é procedente. DOS JUROS Os juros aplicados estão de acordo com a normas contidas nos dispositivos legais constantes do Relatório dos Fundamentos Legais do DébitoFLD, fls. 10, e, ao contrário do argumento da empresa, foram calculados sobre o valor originário, conforme explicitado no referido Relatório. DA MULTA. É compulsório observar que o artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Na hipótese de novos critérios de apuração ou de novos processos de apuração é que se aplica a previsão do § 1º deste artigo: “ § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios ” O presente lançamento não está submetido à novos critérios de apuração. Na forma do registro de fls.12, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n° 8.212/91. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Entretanto o artigo supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, estabelecendo não novos critérios de apuração mas determinando que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” No item 14 do Relatório Fiscal de fls. 15, na forma do texto abaixo transcrito, o Auditor registra que procedera a apuração da multa mais benéfica : “14Esta sendo aplicado a multa de oficio, nas competências 01, 02, 03 e 04 de 2005 que é a mais benéfica para Autuada, e a anterior a medida provisória 449 nas competências 05, 06 e 07 de 2005 que é a mais benéfica para a Autuada, após comparação feita entre as multas, conforme quadro, em anexo.” O quadro anexo a que se refere o Auditor autuante consta de fls. 19. No quadro em questão não se vislumbra coluna que estabelece o cálculo considerando a aplicação da multa em 0,33% ao dia, limitada a 20% . A planilha supra não permite concluir que fora construída na forma dos preceitos atuais posto que e não fica claro se teria considerado o artigo 35 da Lei 8.212/91, Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 2403001.589 S2C4T3 Fl. 7 11 que sustenta a penalidade, no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( grifos de minha autoria) MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 Conforme registra o Relatório Fiscal, tratase de crédito lançado em razão de fatos geradores ocorridos no período de 01/05 a 07/05, consolidado em 03/09/2009. Exortando os mesmos artigos para aplicação da multa de mora, se nota que a penalidade de impingir multa de ofício às contribuições previdenciárias só se observa a partir da ocorrência de fatos geradores contemplados a partir da vigência da edição da Medida provisória MP 449 ocorrida em, 03/12/2008, consolidadas pela redação dada pela Lei 11.941/2009. Ocorre que às mesmas fls. 12, no mesmo Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, desconsiderando que os fatos geradores ocorreram antes da emissão da aludida MP 449, de 2008 em que se sustenta a penalidade, imputaramse, também, os efeitos desta com aplicação de multa de ofício : “ 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 01/2005 a 04/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 “ Assim, muito embora o crédito tenha sido constituído e lançado de ofício , pós emissão da sobredita MP 449/2008, entendo que esta não alcança lançamentos pretéritos como os em comento que se reportam ao período 01/05 a 07/05 posto que sem previsão à época dos fatos geradores. O legislador ao revogar o anterior artigo art. 35 e seus incisos I, II, III da Lei 8.212/91, sabedor da existência de um estoque de autos lavrados e outros ainda por lavrar sob a égide daquele preceituado, foi explícito ao determinar que a nova redação dirigiase aos débitos NÃO PAGOS. Assim. devese ter presente que o artigo 35 da Lei 8.212/91 sob o comando da nova redação é aplicado e sopesado nos termos do benefício da retroatividade benigna nos casos em que se verifiquem inadimplidas obrigações principais, verbis: “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). ” A novidade está em que nos casos de lançamento de ofício por óbvio nas ocorrências de fatos geradores inadimplidos pós emissão da MP 449/2008 se deva , DE FORMA NÃO CUMULADA com a multa de mora, observar a multa de ofício figura nova na legislação previdenciária disposta no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduzida pela Lei 11.448, de 2007 na forma do disposto no comando do artigo 35 – A introduzido pela Lei 11.941/2009, verbis: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 2403001.589 S2C4T3 Fl. 8 13 “ Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.( Incuído pela Lei n 11.941/2009).” Abaixo, com grifos de minha autoria, vasta jurisprudência deste Conselho, corrobora meu entendimento sobre a questão: “ 05/12/2000 Acórdão nº 20306981 do Processo 108300017319551PIS MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício exclui a multa de mora. Recurso negado.” “ 06/03/2008 Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10196598 do Processo 11030001309200680 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA A utilização de crédito de natureza não tributária justifica o lançamento de ofício para imposição de multa isolada. MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de ofício, mas sim, que a multa de ofício é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO A multa de ofício, absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação.” “ 26/01/2007 Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20217713 do Processo 10980009260200105 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/1997 a 30/11/1997 Ementa: MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. De acordo com a Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a MP nº 351, inexiste previsão legal para lançamento de multa de ofício pelo recolhimento a destempo da multa de mora. Recurso provido” “ 14/05/2003 Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20176943 do Processo 108450008609932 MULTA DE OFÍCIO. O procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A conseqüência prática da perda da espontaneidade é que o contribuinte fica sujeito à multa de ofício ao invés da multa de mora em relação aos valores que venham a ser levantados pela fiscalização. O termo de início de fiscalização vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Se o Fisco não formaliza qualquer ato escrito indicando o prosseguimento, ou o encerramento, dos trabalhos, a partir do 61º. dia, o contribuinte readquire a espontaneidade. O resultado concreto desse fato é que o contribuinte pode efetuar o recolhimento dos valores devidos acrescidos de multa de mora ao invés da multa de ofício. Se o contribuinte já havia recolhido os tributos, acrescidos de multa de mora, antes de readquirir a espontaneidade e por inércia do Fisco a recupera, fica dispensado da multa de ofício e sujeito, apenas, à multa de mora. Recurso provido” “ 08/10/2008 Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10249304 do Processo 10768000216200227 CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de ofício isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. ERRO DE FATO. Tratandose de mero erro de fato no preenchimento da DCTF pelo contribuinte, mas estando mencionado o período correto nas guias DARF`s não há que se aplicar qualquer sanção ao contribuinte. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido.” “ 26/06/2008 Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10423323 do Processo 10825002460200111 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 1998 RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO DE TRIBUTO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Lei nº 11.488, de 2007, e art. 106 do CTN). CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de ofício isolada, exigida por meio de Auto Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 2403001.589 S2C4T3 Fl. 9 15 de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso provido.” “ 19/03/2004 Turma Ordinária da 8ª Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou em Acórdão nº 10807758 do Processo 108350015859966 : “ CSL COOPERATIVAS RESULTADO TRIBUTÁVEL ATOS NÃO COOPERATIVOS Constatado que a entidade também praticou atos não abrangidos pelo conceito do cooperativismo, correta é a exigência da contribuição sobre o resultado líquido destas operações. PERÍCIA DESNECESSIDADE Rejeitase o pedido de realização de perícia, quando os autos estão corretamente instruídos permitindo ao julgador formar a sua convicção em relação à matéria discutida. NORMAS PROCESSUAIS ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO CONHECIMENTO A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal. No julgamento de recurso voluntário fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de lei em vigor. (Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 55/1998, art. 22A, acrescentado pelo art. 5º da Portaria MF nº 103/2002). MULTA DE OFÍCIO FALTA DE PAGAMENTO DECLARAÇÃO INEXATA APLICABILIDADE No caso de falta de pagamento cumulada com declaração inexata a multa de ofício está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 6.430/96, em consonância com os incisos IV e V do artigo 149 do CTN. Já a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 6.430/96 é aplicável apenas aos procedimentos espontâneos ou de cobrança de valores já declarados. JUROS DE MORA TAXA SELIC Para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. (Lei 9.065/95, art. 13). Por sua vez, o CTN prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º). Recurso negado.” ARTIGO 44 DA LEI NO 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996 “ Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 declaração inexata; ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). (...) ” Portanto, no caso em comento, não há que falar em multa de ofício ainda que seja para beneficiar o infrator uma vez que a multa de ofício atualmente aplicada exclui a multa de mora. Como visto alhures, no item 14 do Relatório Fiscal de fls. 16, na forma do texto abaixo transcrito, o Auditor registra que procedera a apuração da multa mais benéfica tendo como paradigma a MP 449/2008: “14Esta sendo aplicado a multa de oficio, nas competências 01, 02, 03 e 04 de 2005 que é a mais benéfica para Autuada, e a anterior a medida provisória 449 nas competências 05, 06 e 07 de 2005 que é a mais benéfica para a Autuada, após comparação feita entre as multas, conforme quadro, em anexo.” Desse modo, em razão de tudo que foi exposto, entendo que é pertinente o recálculo da multa cujo valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015266/200908 Acórdão n.º 2403001.589 S2C4T3 Fl. 10 17 CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO,DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15979.000197/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2005
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA – NÃO INCIDÊNCIA DE
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de
alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato
Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – PGFN
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-002.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em dar provimento parcial ao recurso. Redatora:
Bernadete de Oliveira Barros.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em dar provimento parcial ao recurso. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redatora Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15979.000197/200781 Acórdão n.º 230102.751 S2C3T1 Fl. 131 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.073.0526 , lavrada em 31/05/2007, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações sob a forma de salário utilidade recebido na forma de auxílio alimentação in natura sem a devida inscrição no PAT, no período de 01/10/2003 a 31/12/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 136.927,64 , fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 04/06/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 50/65, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/São Paulo II, no Acórdão de fls. 98/104, julgou o lançamento procedente , tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 27/02/2008, fls. 106. O recurso voluntário, apresentado em 29/03/2008, fls. 108/125, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta que é entidade de utilidade pública que desfruta de imunidade/isenção. Argumenta que a alimentação in natura desfruta de isenção, independente de inscrição no PAT, conforme tem decidido o Superior Tribunal de Justiça (STJ). É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A recorrente suscita ser beneficiária de imunidade/isenção por ser entidade de utilidade pública, mas não traz provas do alegado. Não há provas nos autos de que preenche os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 ou aqueles do art. 14 do CTN, ou de que teve a isenção/imunidade reconhecida em decisão anterior, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio, ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. Passamos a analisar o mérito do lançamento. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15979.000197/200781 Acórdão n.º 230102.751 S2C3T1 Fl. 132 5 Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15979.000197/200781 Acórdão n.º 230102.751 S2C3T1 Fl. 133 7 A propósito, não desconhecemos o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. No entanto, aquele parecer não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o parecer não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que, fora de dúvida, diz respeito ao direito processual tributário. Pelas razões acima aventadas, continuamos com o resultado da interpretação da legislação, no campo do direito material tributário, que conclui pela necessidade da inscrição no PAT para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15979.000197/200781 Acórdão n.º 230102.751 S2C3T1 Fl. 134 9 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15979.000197/200781 Acórdão n.º 230102.751 S2C3T1 Fl. 135 11 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 12 Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Redatora Designada: Permitome divergir do entendimento manifestado pelo Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por manter a contribuição sobre a verba paga pela notificada a título de auxílioalimentação em pecúnia Alega que não desconhece o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, mas entende que ele não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. De fato, a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Assim, diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. Nesse sentido, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03 /07/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 12585.000022/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CSLL. ESTIMATIVAS. RECOLHIMENTO INSUFICIENTE. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Consolidado o entendimento deste Colegiado no sentido de que incabível o lançamento de estimativas após o término do exercício. Precedentes reiterados.
Numero da decisão: 1102-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes, que mantinha o lançamento por entender que o lançamento trata do ajuste anual.
Assinado digitalmente
JOÃO OTÃVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma à época), Antonio Carlos Guidoni Filho (vice-presidente), Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ESTIMATIVAS. RECOLHIMENTO INSUFICIENTE. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Consolidado o entendimento deste Colegiado no sentido de que incabível o lançamento de estimativas após o término do exercício. Precedentes reiterados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes, que mantinha o lançamento por entender que o lançamento trata do ajuste anual. Assinado digitalmente JOÃO OTÃVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente em exercício. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma à época), Antonio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 22 /2 01 0- 13 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME 2 Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Relatório Tratase de lançamento da CSLL de outubro e dezembro de 2007 (fls. 02/10), sob a acusação de insuficiência do recolhimento de estimativas que foram compensadas por meio dos PER/DCOMP’s n.º 01192.07928.280308.1.3.099105, n.º 14670.71315.301107.1.3.086497 e nº 00411.48077.301107.1.3.085300, e tidas como não declaradas nas decisões administrativas proferidas nos processos n.º 16349.000145200956, n.º 16349.000156200936 e n.º 16349.000157200981. De acordo com as decisões administrativas proferidas nos PER/DCOMP’s, necessária a lavratura de auto de infração para exigir os tributos que haviam sido alvo de pedidos de compensação, haja vista que não declarados em DCTF. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação aduzindo, em síntese, que: i) Deveria ser suspensa a exigibilidade dos tributos lançados até que este Conselho julgue os pedidos de ressarcimento indeferidos; ii) O motivo do indeferimento das compensações pelas autoridades administrativas seria a falta de documentos necessários à análise do direito creditório, contudo, teria sido demonstrado nos recursos voluntários a necessidade de acolhimento dos referidos créditos; iii) Nos processos administrativos nº 16349.000148/2007 28, nº 16349.000147/200783 e nº 16349.000146/2007 39, a Recorrente pleiteou o ressarcimento de PIS e de COFINS, em razão de vendas destinadas ao exterior, contudo, em razão da morosidade da Administração de apreciar o pleito, foi impetrado o mandado de segurança – processo n.º 2007.61.00.0052093 – com base no princípio da eficiência, a fim de que iniciada fiscalização para reconhecimento do seu direito creditório; iv) Após deferida medida liminar para determinar a apreciação do pleito administrativo no prazo de 30 dias, a autoridade administrativa intimou a recorrente para apresentar no prazo de 5 dias vários documentos, inclusive livros fiscais, o que ensejou pedido de prorrogação do prazo, haja vista o volume dos documentos solicitados; v) Apesar não apreciado o requerimento de dilação do prazo, a autoridade administrativa indeferiu os pedidos de compensação sob o entendimento de que não Fl. 338DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 12585.000022/201013 Acórdão n.º 1102000.844 S1C1T2 Fl. 338 3 apresentados os documentos solicitados e de que deveria obedecer ao prazo estipulado na ordem judicial de 30 dias; vi) Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade requerendo a anulação da decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento, assim como o retorno dos autos à fiscalização para que fosse possível a análise do mérito dos pedidos administrativos, entretanto, mantida a decisão, com desprezo ao princípio da verdade material que norteia a administração; vii) O prazo de 30 dias determinado pelo judiciário apenas deveria se iniciar a partir da devida instrução do processo administrativo, conforme disciplina do art. 49, da Lei n. 9784/99 utilizado como fundamento pelo juízo; viii) A decisão teria afrontado os princípios da legalidade, da razoabilidade, da boafé, proporcionalidade e segurança jurídica; ix) A intimação do contribuinte para apresentação de vasta documentação em 5 dias e a ausência de apreciação do pedido de prorrogação efetuado demonstrariam que a instrução do processo não teria sido concluída; x) Estaria sendo punida por ter invocado o Poder Judiciário, pois a própria decisão judicial permitia o julgamento em prazo superior àquele estipulado, mediante justificativa; xi) Toda documentação comprobatória do direito creditório foi juntada aos processos administrativos que versam sobre os pedidos de compensação; A DRJ julgou improcedente a Impugnação, sob os fundamentos que podem ser assim resumidos: i) Uma vez consideradas como não declaradas as compensações efetuadas pela Recorrente, em razão de terem sido alvo de anteriores processos administrativos de restituição que aguardam apreciação deste Conselho (16349.000146/200739, 16349.000147/200783 e 16349.000148/200728), tornouse necessário o lançamento referente àqueles tributos que não teriam sido declarados em DCTF, declaração com caráter de confissão de dívida; ii) A legislação veda expressamente o envio de PER/DCOMP com valores que já foram alvo de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela Receita Federal, ainda que pendente de decisão Fl. 339DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME 4 administrativa (art. 74, parágrafo 3, VI, c/c parágrafo 12, I e IN SRF 600/05, vigente à época; iii) O motivo do indeferimento não guarda relação com os valores pleiteados, mas com o momento do envio dessas DCOMP’s, que ocorreu após o não reconhecimento do direito ao ressarcimento pelos despachos decisórios; iv) Não foi interposto recurso contra as decisões que consideraram as compensações como não declaradas, o que reforçaria a impossibilidade de suspensão do processo; v) Ainda que reconhecido o direito creditório da Recorrente, não poderia ser afastado o fato de que as declarações foram tidas como não declaradas em razão de os créditos terem sido alvo de anteriores pedidos administrativos; Cientificada do acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as razões postas na peça impugnatória e acrescentando apenas que este Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, nos autos dos processos nº 16349.000146/200739, nº16349.000147/200783 e nº16349.000148/200728, para que apurado o valor de ressarcimento a que teria direito, o que reforçaria o pedido de suspensão do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Silvana Rescigno Guerra Barretto O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Versa o presente feito sobre lançamento de estimativas de CSLL de outubro e dezembro de 2007, não declaradas em DCTF e que haviam sido alvo das PERD/COMP’s n.º 01192.07928.280308.1.3.099105, n.º 14670.71315.301107.1.3.086497 e nº 00411.48077.301107.1.3.085300. Constato de plano que não pode persistir o lançamento ora apreciado, haja vista que as estimativas, por serem meras antecipações mensais dos tributos a serem apurados no dia 31 de dezembro, não podem ser exigidas após o término do exercício. Em se tratando de matéria amplamente debatida neste Colegiado, peço vênia para transcrever precedente desta Turma, verbis: “RECURSO DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Se a ação fiscal foi levada a efeito após o encerramento do ano calendário descabe a exigência de estimativas mensais não Fl. 340DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 12585.000022/201013 Acórdão n.º 1102000.844 S1C1T2 Fl. 339 5 recolhidas no curso do período, eis que consubstanciam meras antecipações do tributo devido em 31 de dezembro, cuja apuração e quantificação se operam à vista do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício. MULTA ISOLADA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativa só se justifica se a antecipação não foi adimplida no curso do ano calendário. A confissão do débito em Declaração de Compensação inibe a aplicação da pena pecuniária, já que este instrumento implica na extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória. Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002,2003 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, "c"). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício.” (CARF 1a. Seção / 2a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110200.333 em 11/11/2010, DOU 26.04.2011) Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto Assinado digitalmente Silvana Rescigno Guerra Barretto Relatora Fl. 341DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 31/05/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000950/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a
GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social
com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições
previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO
PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas por este Conselho as autuações
nas quais fora efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não
informadas em GFIP, o resultado do julgamento destas é fundamental para
que se possa concluir pela procedência ou não da autuação pela ausência de
informação dos fatos geradores correspondentes em GFIP. Prevalecendo o
principal mantêm-se
também o acessório.
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO –
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal
sejam julgadas em conjunto
MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL –
JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE
Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que
levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da
Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar,
executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à
fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições
sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento
oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte
CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO –
ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA
Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato
de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se
durante a
fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo
e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da
espécie
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório
Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a
origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA
DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE
Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da
empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva
lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se
formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode
se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com
comprovação de recebimento
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE
ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA
A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado
pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica
nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão
demonstrando as razões de sua convicção.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA
MAIS FAVORÁVEL –
APLICAÇÃO
A lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente
julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei
vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para excluir da multa aplicada a parte relativa aos fatos objeto de redução no julgamento da obrigação principal e, após, para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas por este Conselho as autuações nas quais fora efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, o resultado do julgamento destas é fundamental para que se possa concluir pela procedência ou não da autuação pela ausência de informação dos fatos geradores correspondentes em GFIP. Prevalecendo o principal mantêm-se também o acessório. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal sejam julgadas em conjunto MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas por este Conselho as autuações nas quais fora efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, o resultado do julgamento destas é fundamental para que se possa concluir pela procedência ou não da autuação pela ausência de informação dos fatos geradores correspondentes em GFIP. Prevalecendo o principal mantêmse também o acessório. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal sejam julgadas em conjunto MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestarse durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir da multa aplicada a parte relativa aos fatos objeto de redução no julgamento da obrigação principal e, após, para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000950/201010 Acórdão n.º 2402002.647 S2C4T2 Fl. 468 3 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.229.0264 lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 26/33), ao verificar as folhas de pagamento entregues pela autuada, constatouse que esta não informou em GFIP a totalidade dos valores pagos aos empregados, conforme relacionado no Anexo IIA Além disso, não teriam sido informados pagamentos extrafolha apurados em reclamatórias trabalhistas (Anexo IIC) e valores extrafolha arbitrados haja vista a comprovação de que a autuada efetuou pagamento extrafolha a seus empregados (Anexo II B). É informado que em obediência ao art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional que trata da retroatividade benigna na lei superveniente, no que tange ao cálculo da multa, foi feita comparação entre as multas aplicadas anteriormente à Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009 e às aplicadas após a edição deste diploma legal. Para o cálculo da multa, a auditoria fiscal efetuou a soma da multa de mora prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 8.212/1991 (24%) e da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de não informação dos fatos geradores em GFIP prevista no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Esse total foi então confrontado com a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 somada à multa por infração prevista no art. 32A, inciso II, da Lei nº 8.212/1991. Da análise efetuada, a auditoria fiscal concluir que a multa mais benéfica ao sujeito passivo seria aquela calculada de acordo com a legislação anterior, ou seja, a vigente à época dos fatos geradores. Assim, a multa do presente auto de infração foi calculada de acordo com o § 5º, art. 32 da Lei nº 8.212/1991. A auditoria fiscal elaborou relatório denominado “Apenso do Relatório Fiscal do AI 37.229.0264” (fls. 34/72), onde informa de forma detalhada quais as reclamatórias trabalhistas analisadas levaram a conclusão de que a autuada efetuava pagamentos por fora, bem como a conduta de desviar receitas da autuada para contas bancárias de outras empresas, conforme apurado nos autos de processo judicial. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A autuada teve ciência do lançamento em 01/03/2010 e apresentou defesa (fls. 373/391) onde solicita julgamento conjunto de diversos autos de infração, sob o argumento de que os relatórios que os acompanhariam trariam a descrição do mesmo fato gerador ou de fatos geradores semelhantes e interrelacionados. Tece considerações a respeito da conduta da empresa e informa que além da ação fiscal sofrida, ainda estaria enfrentando ação judicial com o objetivo de garantir a moralidade na administração da empresa em razão de práticas criminosas de um de seus sócios com poder de gerência. Questiona a abertura do procedimento fiscal, a qual teria coincidido com questões policiais e judiciais enfrentadas pela empresa o que teria levado a transparecer que a motivação para a ação fiscal seria estas questões. Apresenta suas suspeitas de que as causas para o levantamento se prendeu a denúncias contidas nas ações judiciais. No entanto, entende que tais motivos não poderiam ser considerados para tal mister. Argumenta que sempre atendeu a auditoria fiscal de forma célere e que após longa ação fiscal foi surpreendida com várias autuações sem que tivesse havido qualquer discussão prévia da matéria. Considera que a autoridade fiscal incorreu em vários equívocos. Apresenta considerações doutrinárias sobre o lançamento e invoca princípios dentre os quais o da audiência do interessado, a fim de se respeitar o direito ao contraditório. Alega que a identificação do fato gerador descrito no relatório fiscal não guarda coerência com as normativas do órgão. Manifesta seu inconformismo em ser autuada pela omissão de fatos geradores em GFIP quando esses pseudo débitos foram apurados por arbitramento. Entende que não existe materialidade nas apurações de débitos realizados e os pagamentos feitos em acordos trabalhistas, pois se trata de verbas indenizatórias. Aduz que se o débito foi arbitrado, não pode a autoridade lançadora demonstrar de forma precisa a omissão. Questiona a qual ou a quais trabalhadores seria relativo o valor omitido ou quando teria sido omitido. Considera que estas respostas não serão encontradas no relatório anexo. Além disso, a auditoria fiscal não teria relacionado as omissões ocorridas. Menciona outros princípios que entende aplicáveis à situação e considera que o lançamento seria nulo pela ausência de descrição clara e precisa dos fatos geradores. Irresignase pelo fato da atividade fiscal não ter sido exercida nas dependências da empresa, situação em que considera que a interpretação dada aos relatórios e informações, por parte da auditoria fiscal, seria completamente diferente. Solicita que lhe seja facultada a apresentação de documentos e informações complementares mesmo após o vencimento do prazo legal tendo em vista a não disponibilização de cópia de documentos integrantes da autuação solicitadas. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000950/201010 Acórdão n.º 2402002.647 S2C4T2 Fl. 469 5 Solicita ainda que os autos sejam encaminhados em diligência para saneamento dos erros apontados, bem como solicita a realização de perícia. Pelo Acórdão nº 0341.278 (fls. 423/432), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 437/455) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Quanto à solicitação da recorrente de julgamento em conjunto de diversas autuações, vale dizer que não existe previsão legal que obrigue a tal procedimento. No entanto, cabe esclarecer que o presente recurso é um dos derradeiros a serem julgados. Embora não seja obrigatório o julgamento conjunto, verificase que o julgamento do auto de infração que tem por objeto a aplicação de multa pela omissão de fatos geradores em GFIP apresenta uma correlação com as autuações relativas aos lançamentos da contribuição incidente sobre tais fatos geradores. Isto porque, prevalecendo o principal, devido o acessório e viceversa. Tal questão será tratada mais à frente quando forem argüidas as questões de mérito. A recorrente considera que o que motivou o início da ação fiscal teriam sido questões policiais e judiciais enfrentadas pela recorrente à época. Entende que tais questões não poderiam levar à instauração do procedimento fiscal. Cumpre dizer que não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à decisão de se instaurar um procedimento fiscal frente a este contribuinte. Valendose da competência legal prevista no art. 33 da Lei nº 8.212/1991, pode a Secretaria da Receita Federal do Brasil decidir o momento oportuno para iniciar uma ação fiscal, uma vez que tal dispositivo determina que compete ao citado órgão planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 da mesma lei das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. A recorrente manifesta seu inconformismo por ter sido autuada no final da ação fiscal sem que lhe tivesse sido oportunizado inteirarse como também manifestarse a respeito dos trabalhos da auditoria fiscal que resultou nos lançamentos. O procedimento da auditoria fiscal não se consubstancia em cerceamento de defesa. O trabalho da auditoria fiscal junto ao contribuinte para apurar eventuais contribuições não recolhidas ou descumprimento de obrigações acessórias se dá na chamada fase oficiosa do lançamento. A fase oficiosa se encerra com o efetivo lançamento e, a partir de então, iniciase a fase contenciosa, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestação. O cerceamento de defesa só é passível de ocorrer na fase contenciosa, quando já existe o lançamento. Não há que se conceder oportunidade para manifestação ao contribuinte Fl. 482DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000950/201010 Acórdão n.º 2402002.647 S2C4T2 Fl. 470 7 durante a fase oficiosa, porque nesse momento, não há do que se defender, haja vista a ausência de lançamento. A recorrente alega que a auditoria fiscal não teria relacionado as omissões ocorridas. Notase o caráter meramente protelatório da alegação. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, multa pelo descumprimento de obrigação acessória de não incluir em GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Asseverese que toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica na folha de rosto do presente auto de infração. Além disso, a auditoria fiscal elaborou planilha contendo os valores omitidos de cada empregado em todas as competências consideradas. Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa e nulidade da autuação. A recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato de os trabalhos de auditoria terem sido efetuados fora do estabelecimento da empresa, uma vez que considera que se assim não tivesse ocorrido as conclusões da auditoria fiscal poderiam ser diferentes. Tal alegação não merece melhor sorte. Não há qualquer obrigatoriedade em que os trabalhos de auditoria fiscal ocorram no estabelecimento do sujeito passivo. Asseverese que esta matéria é, inclusive, objeto de súmula emitida pelo CARF, especificamente, a Súmula nº 06, aprovada pela Portaria CARF nº 49/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 07/12/2010, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. A recorrente alega que a decisão recorrida foi homologatória onde reafirmou os procedimentos utilizados pelo auditor fiscal para o cálculo dos tributos lançados, sem, contudo, contraditar as diversas alegações e ilegalidades feitas na defesa. A decisão recorrida não merece reparo. O julgador de primeira instância, com base nas informações fornecidas pela auditoria fiscal e razões de defesa apresentadas pela recorrente decidiu pela procedência do lançamento pelos motivos que elenca. Cumpre ressaltar que o órgão julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: “RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido.” “REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.)” A recorrente questiona a ocorrência de descumprimento de obrigação principal, sobretudo no que tange aos fatos geradores apurados por aferição indireta. Cumpre dizer que as autuações relativas às obrigações principais foram todas mantidas em sua integralidade, à exceção do lançamento das contribuições incidentes sobre os valores pagos extrafolha, os quais foram apurados por aferição indireta onde o colegiado da 1ª Fl. 484DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000950/201010 Acórdão n.º 2402002.647 S2C4T2 Fl. 471 9 Turma Ordinária desta Câmara entendeu por dar parcial provimento ao recurso apresentado para excluir da base de cálculo os valores extrafolha apurados por meio das reclamatórias trabalhistas. Os processos e acórdãos são os seguintes: • 10120.000960/201047 – Acórdão 2401.02.049 – Negado Provimento • 10120.000968/201011 – Acórdão 2401.02.053 – Provimento parcial para abatimento das contribuições lançadas no AI 37.257.4130, processo 10120.000977/201022 • 10120.000970/201082 – Acórdão 2401.02.054 – Provimento parcial para abatimento das contribuições lançadas no AI 37.257.4114, processo 10120.000974/201061. • 10120.000973/201016 – Acórdão 2401.02.055 – Provimento parcial para abatimento das contribuições lançadas no AI 37.257.4122, processo 10120.000975/201013 • 10120.000974/201061 – Acórdão 2401.02.056 – Negado Provimento • 10120.000975/201013 – Acórdão 2401.02.057 – Negado Provimento • 10120.000977/201002 – Acórdão 2401.02.058 – Negado Provimento • 10120.000977/201002 – Acórdão 2401.02.058 – Negado Provimento • 10120.000964/201025 Acórdão 2402002.652 Negado Provimento Ressaltase que nos lançamentos em que ocorreu o provimento parcial, o acórdão apresenta o seguinte entendimento: No entanto, tenho que me quedar ao argumento de duplicidade de cobrança quando me deparo com o AI n.º 10120.000977/201002 (DEBCAD n.º 37.257.4130). Nesse crédito foram lançadas as contribuições dos segurados incidentes sobre as remunerações constantes nos recibos juntados às reclamatórias trabalhistas, ou seja, a base de cálculo ali foi extraída diretamente dos documentos de pagamento. Diante dessa constatação, vejo que não caberia incluir essas mesmas contribuições no presente lançamento, o qual decorre de aferição indireta do salário de contribuição. Não há nos autos nenhuma indicação de que as contribuições decorrentes dos valores constantes nos recibos tenham sido excluídas do presente lançamento. Por isso, entendo que devam ser expurgados desse AI as contribuições constantes do lançamento consubstanciado no AI n.º 10120.000977/201002. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Diante da decisão acima, cumpre dizer que a multa pelo descumprimento da obrigação acessória necessita ser adequada, no caso, com a retirada dos valores extrafolha que foram apurados com base em reclamatórias trabalhistas, uma vez que no julgamento da obrigação principal, o colegiado da 1º Turma Ordinária desta Câmara entendeu que tais valores já estariam contemplados nas bases de cálculo aferidas, conforme trecho do acórdão trazido à colação. Assim, a multa deverá ser retificada com a retirada dos valores constantes no Anexo IIC. A recorrente ainda solicita que os autos sejam baixados em diligência para saneamento dos vícios apontados, bem como a realização de perícia contábil. Não se verifica qualquer necessidade de saneamento. Os argumentos apresentados pela recorrente não demonstram a existência de vícios que ensejassem a necessidade de diligência para o seu saneamento. Quanto à perícia, sua necessidade para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável, o que não se verifica. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Embora não tenha sido argüido pelo contribuinte, entendo que a multa aplicada deve recalculada. Por fim, cumpre tratar da multa aplicada na presente autuação. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000950/201010 Acórdão n.º 2402002.647 S2C4T2 Fl. 472 11 Informa a auditoria fiscal que em razão das alterações introduzidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a qual estabeleceu a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 e considerando o inciso II, do art. 106 do Código Tributário Nacional que estabelece a possibilidade de retroatividade da lei no caso sistemática mais benéfica ao contribuinte, foi efetuado cálculo comparativo para definição da multa a ser aplicada. Para tanto, a auditoria fiscal considerou os valores correspondente à multa de mora mais a multa acessória calculadas de acordo com a Legislação vigente à época dos fatos geradores e comparouas com a multa de ofício prevista na legislação atual. Entendo que o procedimento utilizado pela auditoria fiscal ao considerar multas de naturezas diversas (de mora, por descumprimento de obrigação acessória e de ofício) não encontra respaldo no arcabouço jurídico existente. A meu ver, a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, implica no reconhecimento de que na situação em tela, aplicase o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 487DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam retirados da multa os valores correspondentes às contribuições incidentes sobre os valores pagos extrafolha apurados em reclamatórias trabalhistas e para que a multa resultante seja comparada com a multa calculada de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 488DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10920.000240/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA
Inexiste previsão legal determinando à autoridade administrativa preparadora e/ou à autoridade julgadora de primeira instância editar ato que autorize futura juntada de documentação comprobatória de alegações apresentadas na impugnação.
Se a contribuinte acredita que a emissão de parecer técnico emitido por entidade de fundação seria relevante para demonstrar as áreas que entende não tributadas, à recorrente caberia as providencias necessárias para tanto.
CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA
Como o ônus da apresentação de provas que a contribuinte entende relevante para fundamentar as alegações apresentadas é do próprio sujeito passivo, não se configurou nos autos a suposta violação ao direito de defesa.
ÁREAS DE FLORESTAS NATIVAS - BASE LEGAL DA ISENÇÃO
O lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos exercícios anteriores a àquele ano essas áreas estavam sujeitas à tributação.
Não cabe a dedução das áreas de matas nativas da base tributável em exercício anterior à edição da lei a implementou.
ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO
As áreas de interesse ecológico necessitam do ato emitido pelo órgão competente federal ou estadual, para serem consideradas como dedução da área tributável.
ISENÇÃO - HERMENÊUTICA
A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA Inexiste previsão legal determinando à autoridade administrativa preparadora e/ou à autoridade julgadora de primeira instância editar ato que autorize futura juntada de documentação comprobatória de alegações apresentadas na impugnação. Se a contribuinte acredita que a emissão de parecer técnico emitido por entidade de fundação seria relevante para demonstrar as áreas que entende não tributadas, à recorrente caberia as providencias necessárias para tanto. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Como o ônus da apresentação de provas que a contribuinte entende relevante para fundamentar as alegações apresentadas é do próprio sujeito passivo, não se configurou nos autos a suposta violação ao direito de defesa. ÁREAS DE FLORESTAS NATIVAS - BASE LEGAL DA ISENÇÃO O lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos exercícios anteriores a àquele ano essas áreas estavam sujeitas à tributação. Não cabe a dedução das áreas de matas nativas da base tributável em exercício anterior à edição da lei a implementou. ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO As áreas de interesse ecológico necessitam do ato emitido pelo órgão competente federal ou estadual, para serem consideradas como dedução da área tributável. ISENÇÃO - HERMENÊUTICA A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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Se a contribuinte acredita que a emissão de parecer técnico emitido por entidade de fundação seria relevante para demonstrar as áreas que entende não tributadas, à recorrente caberia as providencias necessárias para tanto. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Como o ônus da apresentação de provas que a contribuinte entende relevante para fundamentar as alegações apresentadas é do próprio sujeito passivo, não se configurou nos autos a suposta violação ao direito de defesa. ÁREAS DE FLORESTAS NATIVAS BASE LEGAL DA ISENÇÃO O lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos exercícios anteriores a àquele ano essas áreas estavam sujeitas à tributação. Não cabe a dedução das áreas de matas nativas da base tributável em exercício anterior à edição da lei a implementou. ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO As áreas de interesse ecológico necessitam do ato emitido pelo órgão competente federal ou estadual, para serem consideradas como dedução da área tributável. ISENÇÃO HERMENÊUTICA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 02 40 /2 00 9- 22 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração, fls. 92 a 103, formalizado para exigência do pagamento do crédito tributário relativo ao ITR, apurado mediante revisão da Declaração do ITR DITR/2005, referente ao imóvel rural com Número na Receita Federal NIRF 2.644.6359, com Área Total de 1.339,6 ha, denominado: Fazenda Encruzilhada I, localizado no município de Monte Castelo – SC. De acordo como o Termo de Verificação Fiscal fls. 94 e 97 a 102, após análise da documentação encaminhada pela contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação, a fiscalização constatou que as informações constantes do laudo técnico de avaliação se mostravam divergentes dos dados declarados na DITR em relação aos seguintes tópicos: Ária total do imóvel informada na DITR com 1.347,l ha, consta do laudo em montante de 1.339,62 ha; da distribuição das áreas verificouse que a Área de Preservação Permanente APP havia sido declarada a menor, a Área de Reserva Legal ARL na dimensão correta e a Ocupada com Benfeitoria declarada a maior; já a Área com Produtos Vegetais, de Reflorestamento e de Exploração Extrativa, atestadas no laudo, não haviam sido informadas na DITR; por sua vez, a Área Descanso não foi comprovada. o VTN constante do laudo foi de R$ 1.334,53 por hectare, correspondente ao total de R$ 1.787.763,08. Com base nessas informações apresentadas pela própria interessada, foram procedidos os respectivos ajustes da DITR, assim detalhado no Demonstrativo de Apuração do ITR, fls. 95: Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10920.000240/200922 Acórdão n.º 2802002.269 S2TE02 Fl. 235 3 01. Área Total do Imóvel 1.347,5 1.339,6 02 . Área de Preservação Permanente 11,0 139,9 03 . Área de Reserva Legal 269,4 269,5 04 . Área de Reserva Particular do Patr.Natural 0,0 0,0 05 . Área de Interesse Ecológico 0,0 .0,0 06 . Área de Servidão Florestal .0,0 0,0 07 . Área Tributável(01 02 03 04 05 06) 1.067,1 930,2 08 . Área Ocupada com Benfeitorias 55,0 35,8 09 . Área Aproveitável(07 08) 1.012,1 894,4 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 10 . Produtos Vegetais 0,0 7,8 11. Área de Descanso 854,9 0,0 12 . Área com Reflorestamento 0,0 597,3 13 . Pastagens 0,0 0,0 14 . Exploração Extrativa 0,0 1,5 15 . Atividade Granjeira/Aqüícola 0,0 0,0 16 . Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 17 . Área Utilizada(10 + 11 + 12 + 13 + 14 + 15 + 16) 854,9 606,6 18 . Grau de Utilização (17 / 09) * 100 84,5 67,9 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado( R$) 19 . Valor Total do Imóvel 1.158.500,00 2.924.963,08 20 . Valor das Benfeitorias 51.200,00 51.200,00 21. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 1.086.000,00 1.086 .000,00 22 . Valor da Terra Nua(19 20 21) 21.300,00 1.787.763,08 Portanto, a área total do imóvel e a ocupada com Benfeitorias foram reduzidas; a área de preservação permanente (APP) foi acrescida; a área de reserva legal (ARL) foi mantida inalterada; as ocupadas com Produtos Vegetais, Reflorestamento e Exploração Extrativa foram inseridas; a área de descanso foi glosada e; o valor da terra nua tributável (VTN) apurado no laudo foi aceito. O contribuinte apresentou impugnação, fls.109 a 116, alegando, em resumo, o seguinte: Primeiramente explanou a respeito da Área não Tributável pelo ITR e o Grau de Utilização GU, reproduzindo o dispositivo legal atinente à matéria (art. 10, § 1º, da Lei n° 9.393/1996). Após, tratou do laudo apresentado, do fracionamento do imóvel e afirmou que a área de preservação permanente e da área de reserva legal, a mata nativa, estradas, aceiros e reflorestamento, que somam 681,78 hectares, estariam inseridas no dispositivo que Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 trata das áreas passíveis de exclusão tributária, destacando, ainda, que as estradas e aceiros se enquadrariam como área sob regime de servidão florestal ou ambiental. Prosseguiu tratando do grau de utilização declarado para dizer que devem ser consideradas as áreas utilizadas descritas no laudo, a área reflorestada, área com lavoura e com corte raso. Aduz que, de acordo o laudo, tanto as áreas não tributáveis quanto as utilizadas são maiores que aquelas descritas pela autoridade fiscal, o que redundaria em diminuição significativa, respectivamente, da base de cálculo e da alíquota e, por conseqüência, o valor final do imposto. Na sequência, tratou das “Provas Técnicas” e suspensão do processo. Nesse sentido, explicou sobre o parecer do laudo apresentado e sobre a necessidade de ratificação pela Fundação do Meio Ambiente Fatma e que, para tanto, o trâmite do processo deve ser suspenso até a juntada desse parecer, bem como mencionou entendimento do antigo Conselho de Contribuintes. Sobre a questão da Mata Nativa, requer a aplicação retroativa da norma prevista na alínea “e” do inciso II do § 1º do artigo 10, da Lei n° 9.393/1996, afirmando essa possibilidade por ser tal lei interpretativa. Sob o título de “Outras Considerações” tratou da Área de Descanso consignada em sua DITR, dizendo que a informação foi equivocada, pois seria Área de Interesse Ecológico, portanto, não tributável. Disse que a autoridade fiscal se valeu do laudo apenas nos pontos que lhe beneficiava, sendo que o contribuinte teria direito a alguma redução na base de cálculo que foram desconsiderados. Finalizou requerendo o recebimento da impugnação, suspensão do processo até a juntada do parecer técnico da Fatma o recálculo do ITR com a exclusão das áreas não tributáveis e/ou diminuição da alíquota, de acordo com o grau de utilização (GU). Instruiu sua impugnação com a documentação de fls. 117 a 202, composta por, praticamente, os mesmos documentos já apresentados ao Fisco, além do referido parecer técnico firmado pelo elaborador do laudo de avaliação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), analisou a impugnação tendo assim decidido, conforme ementa proferida no Acórdão nº 0424.763 – 1ª Turma da DRJ/CGE: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Áreas de Florestas Nativas Base Legal da Isenção Por determinação legal em vigor a partir do exercício 2007, as áreas com florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passaram a ser excluídas da área tributável. Assim, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10920.000240/200922 Acórdão n.º 2802002.269 S2TE02 Fl. 236 5 posteriormente modificada ou revogada, nos exercícios anteriores a àquele ano essas áreas estavam sujeitas à tributação. Servidão Florestal A Servidão Florestal é a renúncia voluntária, em caráter permanente ou temporário, a direito de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizada fora da reserva legal e da área com vegetação de preservação permanente de um imóvel em favor de outro, que deve ser averbada na matrícula do imóvel. Não há vínculo algum com estradas e/ou aceiros que, entre outros proveitos do próprio imóvel, serve para facilitar o trânsito de máquinas e veículos e impedir a propagação de incêndio florestal, respectivamente. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” De acordo com o relator do voto condutor de acórdão de primeira instância, foi considerada não impugnada a alteração do valor da terra nua declarado na DITR. Quanto às áreas de florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração pleiteadas pelo impugnante, a decisão recorrida entendeu que estas somente são passíveis de isenção do ITR a partir do exercício de 2007. Decidiu também que as estradas e aceiros, requeridos como dedução pelo contribuinte, não detêm qualquer vínculo com a servidão florestal e que não houve a comprovação da existência de áreas de interesse ecológico, que se daria exclusivamente por Ato do Poder Público que assim a declarou. Com relação ao pedido de suspensão do processo, o relator do acórdão da DRJ argumentou que a contribuinte dispunha do prazo da impugnação para juntar documentos e que, passados mais de dois anos da apresentação da impugnação, ainda não aportou aos autos o pretendido parecer firmado pela fundação Fatma. Cientificado em 07/07/2011, fls. 217 (digital) o contribuinte ingressou recurso especial em 03/08/2011, fls. 219 a 230 (digital), alegando, em síntese, que: promoveu, nos termos do artigo 16, parágrafo 5º, do Decreto n. 70.235, de 1972, requerimento à autoridade julgadora para que fosse deferido o pedido de apresentação de parecer elaborado pela Fundação do Meio Ambiente – Fatma fora do prazo de impugnação, pois considera que ele é imprescindível para confirmar a natureza das áreas; por tal dispositivo legal é possível perceber que a juntada de documento fora do prazo de apresentação da impugnação depende de deferimento por parte da autoridade julgadora, não podendo a recorrente juntálo sem que haja a manifestação favorável ao procedimento; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 repisa que a emissão de parecer técnico é essencial para confirmar que as áreas tributadas pelo agente fiscal são de vegetação nativa, de interesse ecológico, de preservação permanente, de reserva legal e de servidões florestais ou ambientais, ou seja, são áreas não tributáveis; diz que a autoridade julgadora decidiu que não há necessidade de juntada do parecer elaborado pela Fundação do Meio Ambiente – Fatma, mas, em sentido inverso, julgou improcedente a impugnação ofertada por ausência de provas; na sistemática do processo administrativo fiscal, cabe a autoridade julgadora proceder à devida instrução do processo, determinando a realização de diligências e perícias que se mostrem úteis à comprovação de procedência do lançamento realizado; houve violação ao direito à ampla defesa da recorrente, razão pela qual requer, desde já, o deferimento do pedido de produção de parecer pela Fundação do Meio Ambiente – Fatma; reitera as alegações apresentadas na impugnação quanto às áreas tributáveis e ao grau de utilização; no que tange à isenção ao pagamento do ITR sobre florestas nativas, aduz que a decisão recorrida decidiu que a Lei nº 11.428, de 2006 – que acrescentou a alínea “e” às hipóteses de exclusão de determinadas áreas na base de cálculo do ITR – não é interpretativa; aplicou, ainda, a regra contida no artigo 144 do CTN; contudo, ratifica o seu entendimento de que o legislador, ao prever a isenção prevista na alínea "e" do inciso II do parágrafo primeiro do artigo 10 da Lei n. 9.393, de 1996, o fez apenas para interpretar o que já existia no direito positivo, conferindo significado a dispositivos que já estavam previstos na Constituição Federal de 1988 (art. 225, § 1º) e em leis ordinárias (Lei da Política Agrícola Nacional – nº 8.171, de 1991; art. 1º e 15 do Código Florestal e ainda o art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, que retirava da incidência de ITR as áreas de “interesse ecológico”, dando ênfase à proteção das florestas e demais formas de vegetação, dentre as quais as matas nativas); no que diz respeito ao tópico denominado pelo recorrente como “Das áreas de interesse ecológico”, ratifica a necessidade da produção do parecer pela Fundação do Meio Ambiente Fatma, com o qual seria capaz de demonstrar que as áreas equivocadamente inseridas no conceito de "áreas de descanso" são, na verdade, áreas de interesse ecológico e, portanto, estão isentas do recolhimento do tributo. De qualquer forma, é evidente que o laudo técnico produzido e que foi apresentado à autoridade fiscal demonstra a existência de áreas de interesse ecológico; quanto à necessidade da juntada do Ato do Poder Público que declarou a área como de interesse ecológico, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já decidiu, em diversas ocasiões, que a comprovação não depende, necessariamente, da juntada do ato normativo, podendo ser feita por outros meios, dentre os quais, ajuntada de laudo técnico requer o deferimento do pedido de produção de parecer pela Fundação do Meio Ambiente Fatma, suspendendo o processo até a sua juntada e, quando não, a realização de recalculo do ITR cobrado, com a exclusão das áreas não tributadas de sua base de cálculo e/ou a diminuição da alíquota do imposto de acordo com o Grau de Utilização. É o relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10920.000240/200922 Acórdão n.º 2802002.269 S2TE02 Fl. 237 7 Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Alega a recorrente que “promoveu, nos termos do artigo 16, parágrafo 5º , do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972, requerimento à autoridade julgadora para que fosse deferido o pedido de apresentação de parecer elaborado pela Fundação do Meio Ambiente FATMA fora do prazo de impugnação” Contudo, do exame da impugnação, em especial às fls. 116 (117, digital), ao contrário do ora alegado, a contribuinte tão somente requereu à autoridade julgadora de primeira instância “a suspensão do processo até a juntada do parecer técnico da FATMA”. Depreendese das alegações apresentas que a recorrente, na verdade, pretende que seja transferido ao Fisco a obrigação de produção as provas documentais que venham ao acolhimento de suas alegações. A esse respeito, convém ressaltar que o art. 16, inciso III e seu § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972 determina que a prova documental necessária à comprovação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a impugnação deverá ser apresentada, via de regra, na impugnação. Resta evidente também que, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Contudo, tal dispositivo legal não se aplica ao caso concreto, pelo simples fato de inexistência de requerimento por parte da contribuinte para realização de diligência ou perícia formulado na peça impugnatória. Nesse sentido, importa observar também que a autoridade julgadora de primeira instância manifestouse sobre desnecessidade da adoção de tais procedimentos, uma vez que entendeu que, em função da legislação que rege a matéria, os elementos que integram os presentes autos já seriam suficientes para formação da convicção daquele julgador acerca da matéria neles estruturada. Ademais, por inexistir requerimento de juntada de documentação por parte do contribuinte após o prazo para apresentação da impugnação, não há que se falar em aplicação das disposições expressas no § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, mesmo porque nenhum elemento documental foi trazido aos autos pelo interessado, quer após a impugnação, quer lastreando a peça recursal ora interposta. Observese, ainda, que inexiste previsão legal determinando à autoridade administrativa preparadora e/ou à autoridade julgadora de primeira instância editar ato que autorize futura juntada de documentação comprobatória de alegações apresentadas na impugnação. Observese também que, no presente caso, o elemento comprobatório que a contribuinte pretende ver juntado aos autos se refere a um parecer técnico que supostamente Fl. 240DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 teria sido pleiteado à Fundação do Meio Ambiente (haja vista que na impugnação se utilizou do verbo em sua forma impessoal: “pleiteouse”, fls. 113; 114, digital). Também chama atenção o fato de que tal parecer técnico apenas serviria para ratificar os dados informados em laudo de avaliação apresentado à autoridade fiscal e que não foram aceitos, não por eventual inexistência das áreas identificadas, mas por falta de previsão legal que permita a dedução das áreas à época da ocorrência do fato gerador do ITR. Se a contribuinte acreditava que a emissão de parecer técnico emitido por tal fundação se revelaria relevante para demonstrar as áreas que entende não tributadas, a ela caberia as providencias necessárias para tanto para, ai sim, de posse desse parecer técnico, requerer sua juntada aos presentes autos, a teor do disposto no § 5º, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972. Não se configurou, pois, nenhuma violação do direito de defesa da contribuinte, conforme mencionou a recorrente, mesmo porque o ônus da apresentação de eventual parecer técnico que entende relevante para comprovação de suas alegações é do próprio sujeito passivo, a teor do art. 36 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, não podendo transferir ao Fisco a tarefa de produzir provas. Diante do exposto, não há como acatar o pedido de juntada de provas requerido pela recorrente e, por via de consequência, negar o pedido de suspensão do processo. A interessada reitera as alegações apresentadas na impugnação quanto ao procedimento fiscal que resultou na recomposição das áreas tributáveis e do grau de utilização declarados na DITR/2005. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, todos os dados alterados na mencionada DITR tiveram por base o próprio laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte à autoridade fiscal. Com base no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO ITR, fls. 96, se percebe que o percentual incidente sobre o valor da terra nua tributável – calculado para fins de apuração da base de cálculo do ITR – foi reduzido de 79,19%, declarado pela contribuinte em sua DITR (1067,1 ha / 1347,5 ha), para 69,44%, conforme apurado pela fiscalização (930,2 ha / 1339,6 ha). Essa redução de percentual procedida de ofício pela fiscalização, sem dúvida, beneficia o contribuinte, uma vez que a alíquota do imposto incidirá sobre uma parcela menor do valor da terra nua tributável. Apesar de não se manifestar quanto à área da terra nua (VTN) identificada pelo laudo de avaliação que ela própria apresentou à fiscalização e que se apresenta em montante bem superior ao VTN declarado na DITR, a contribuinte pretende que sejam considerados os valores das seguintes áreas identificadas no mencionado laudo de avaliação: 1 Área de preservação permanente e da reserva legal: aliena “a”, do inciso II, do § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996: 408,42ha 2 – Área de mata nativa, aliena “e” do mesmo dispositivo legal: 25,49 ha 3 – Área de estradas e aceiros, alínea “d”: 35,88 ha 4 – Áreas de banhados, alínea “d”: 1,39 ha Total: 681,78 ha Fl. 241DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10920.000240/200922 Acórdão n.º 2802002.269 S2TE02 Fl. 238 9 Observado que a área do primeiro item foi considerada inclusive a maior pelo lançamento fiscal, passase a examinar a possibilidade de dedução das demais áreas pleiteadas. A DRJ não acatou a dedução pleiteada a título de matas nativas, ao argumento de que estas somente foram incluída no rol das áreas a serem subtraídas da tributação constante do inciso II, do § 1º, do artigo 10, da Lei n° 9.393, de 1996, após a edição da Lei n° 11.428, de 22 de dezembro de 2006. Reportandose ao art. 144 do Código Tributário Nacional (CTN), decidiu a autoridade julgadora de primeira instância que, no caso, se deve aplicar a lei vigente à época do fato gerador. A recorrente, por sua vez, contesta tal entendimento afirmando que referida Lei nº 11.428, de 2006, possui caráter interpretativo, uma vez que o legislador fez foi apenas interpretar o que já existia no direito positivo, em especial, na Constituição Federal de 1988 (art. 225, § 1º, III) e em leis ordinárias (Lei nº 8.171, de 1991, art. 15, da Lei nº 4.771, 1965 e a própria alínea “e”, do inciso II, do § 1º, do art. 10, da Lei nº 9.393, de 1996). Contudo, concorre em desfavor da recorrente a vedação legal expressa no inciso II, do art. 111 do CTN, no sentido de que deve ser interpretada literalmente a legislação tributária que outorga isenção. Uma vez que a nova redação dada ao art. 10 da Lei nº 9.9393, de 1996 somente entrou em vigor em 26/12/2006 (data de sua publicação da Lei nº 11.428, de 2006), somente a partir do exercício de 2007 é que a dedução das áreas cobertas por florestas nativas passou a surtir efeito. Como o lançamento em questão é relativo a exercício de 2005, não há possibilidade legal de atender ao pedido da interessada para aumentar a dimensão da área não tributável. Observese que a recorrente não se manifestou a respeito da decisão proferida pela DRJ em relação à pretensão da isenção das áreas de estradas e aceiros como se fossem áreas de servidão florestal. Nesse sentido abaixo se reproduz o trecho do relator da decisão recorrida a respeito do assunto, cujo entendimento também adoto no presente voto: “[...]. 27. Para análise da questão vejamos a definição legal de instituição de Servidão Florestal, Lei n° 4.771/1965, o Código Florestal, artigo 44A: Art. 44A. O proprietário rural poderá instituir servidão florestal, mediante a qual voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizada fora da reserva legal e da área com vegetação de preservação permanente. 28. Assim, as estradas e aceiros, que servem para facilitar o trânsito de maquinas e veículos no imóvel, bem como prevenir incêndios com a remoção de vegetação em determinados locais, não tem vínculo algum com a servidão florestal, a qual, se devidamente averbada na matrícula do imóvel e se cumpridos os demais requisitos legais, pode ser negociada com outros imóveis para regularizar ARL. 29. Desta forma, não há como considerar o pedido da impugnante neste aspecto.” Fl. 242DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Quanto à alegação de que a área de interesse ecológico teria sido indevidamente informada na DITR como se fosse área de descanso, a recorrente contesta a decisão de primeira instância de negou tal identificação por falta de apresentação do comprovante de sua existência, bem como por não trazer aos autos o ato do Poder Público que assim a declarou. Conforme alegou a própria recorrente, o laudo técnico apresentado à autoridade fiscal demonstra a existência de área de interesse ecológico. Porém, nos termos das alíneas “b” e “c”, do inciso II, do § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, essas áreas de interesse ecológico necessitam do ato emitido pelo órgão competente federal ou estadual, para serem consideradas como dedução da área tributável. Em sua defesa, a recorrente se reporta a ementas extraídas de duas decisões proferidas pelo antigo Conselho de Contribuintes. Da leitura dessas ementas, porém, fica evidenciado quem o assunto examinado naqueles autos não corresponde à dedução das áreas de interesse ecológico. Daí a razão pela qual não servem de parâmetro para o assunto examinado no presente processo. Vale observar, mais uma vez, que em se tratando de legislação que outorga isenção de tributo, sua interpretação deverá ser realizada de forma literal. Quanto ao grau de utilização da terra, constatase do demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal, fls. 96, que sua apuração é realizada em razão da divisão da área utilizada pela área aproveitada. O índice percentual obtido dessa divisão tem por finalidade a definição da alíquota do ITR, que varia de 0,03% a 20%, de acordo também com a área total do imóvel. No caso concreto, o contribuinte apurou em sua DITR um índice de 84,5%, o que lhe fez utilizar a alíquota de imposto de 0,30%. Com a alteração desse índice percentual pela fiscalização para 67,9%, a alíquota de imposto incidente passou a ser de 1,60%. Como permaneceram inalteradas, após as considerações acima, as áreas apuradas pela autoridade fiscal que influenciaram a alteração da alíquota declarada, deverá prevalecer a alíquota do ITR definida em 1,60% pelo lançamento. Voto por, em preliminar, indeferir os pedidos de produção de prova e de suspensão do processo, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003543/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007
SALÁRIOUTILIDADE.
VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA.
NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O
TRABALHO. CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA
CONTABILIDADE.
Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual,
quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário-utilidade,
compõem a remuneração e estão no campo da incidência da
contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos
empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes
individuais. Se a empresa já considera parte das despesas com veículos como
base de cálculo do Imposto de Renda Retido na fonte dos beneficiários,
temos a confissão de que parte das despesas são dispensáveis, o que autoriza
a inclusão dessa parte na base de cálculo da contribuição previdenciária.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista
com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº
9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.518
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar
provimento parcial ao recurso, para excluir as contribuições apuradas até a competência
11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos
termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e
Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela
aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da incidência ao Salário de Contribuição
dos valores pagos aos segurados e presentes no lançamento, nos termos do voto do Relator; b)
em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto
do(a) Relator(a); III) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o
Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento
parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº
9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o
Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada. Redator Designado:
Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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VEÍCULOS Recorrente MOORE BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007 SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Se a empresa já considera parte das despesas com veículos como base de cálculo do Imposto de Renda Retido na fonte dos beneficiários, temos a confissão de que parte das despesas são dispensáveis, o que autoriza a inclusão dessa parte na base de cálculo da contribuição previdenciária. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da incidência ao Salário de Contribuição dos valores pagos aos segurados e presentes no lançamento, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada. Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes – Redator designado. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 532 3 Relatório Tratase de Lançamento, lavrado em 19/12/2007, por ter o contribuinte acima identificado, segundo Relatório Fiscal, fls. 70/78, deixado de recolher a contribuição previdenciária do empregador, a contribuição em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho e as contribuições de terceiros (Salário Educação/INCRA/SEBRAE) incidentes sobre a remuneração sob a forma de salárioutilidade apurado com o fornecimento de veículos, no período 01/2002 a 08/2007, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 264.523,09. A fiscalização, conforme consta do item 3.10 do relatório de fls. 450/451, lançou o crédito tributário com base nas planilhas de Tributação de Benefícios Indiretos Imposto de Renda na Fonte, fornecida pela empresa, planilhas que incluem a rubrica DESPESAS COM VEÍCULOS como benefício indireto, para os dias não úteis, e com base nos lançamentos contábeis referentes à tributação destes valores considerados como benefícios indiretos pela própria empresa. Após tomar ciência pessoal da autuação em 19/12/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 353/370, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 476/482, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/08/2008, fls. 485. O recurso voluntário, protocolizado em 24/09/2008, fls. 487/506, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo este prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Com relação ao fornecimento de veículos, argumenta que a matéria está pacificada no TST por meio da Súmula 367. Segundo aquele Tribunal não é relevante o veículo servir também em atividades particulares, devendo ser discutida a dispensabilidade destes para o trabalho. Argumenta que os veículos fornecidos a seus funcionários não possuem natureza de remuneração, pois não pagos como contraprestação pelos serviços prestados por estes. Entende que o simples fato de os veículos serem fornecidos à alta administração já demonstra que o fornecimento se dava para o trabalho. Isso porque, os funcionários da dita "alta administração" mantêm uma rotina dinâmica de trabalho, reunindose com clientes e fornecedores e uma infinidade de tarefas as quais, sem o uso de automóvel, tornamse impossíveis de serem realizadas, prejudicando, sobremaneira, o desempenho das funções exercidas por tais profissionais. Não podem tais funcionários ficarem à mercê do Fl. 543DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 transporte público ou do serviço autônomo de táxi, já que, ante a responsabilidade do cargo, estão sempre em locais diferentes, tratando de negócios de forma exclusiva para a empresa. Sustenta que a tese de que somente as despesas com veículos de propriedade do próprio empregado não sofreria a incidência do tributo não pode prosperar, pois o transporte coletivo aos funcionários tem essa característica e está fora da incidência. Teria havido contradição na decisão a quo, tendo em vista que as despesas com vários veículos de propriedade da recorrente foram excluídos da base de cálculo, ao passo que os veículos da “alta administração” foram incluídos. É o relatório. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 533 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 534 7 Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 547DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em Fl. 548DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 535 9 outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 549DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir Fl. 550DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 536 11 que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do Fl. 551DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 12 primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Não há pagamentos antecipados em relação aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência. Logo, devemos aplicar a regra do dies a quo do art. 173, inciso I do CTN. O lançamento foi cientificado em 19/12/2007, assim, o fisco poderia efetuar o lançamento que incluísse até 12/2001. Todos os fatos geradores anteriores a tal Fl. 552DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 537 13 competência (até 11/2001) estão atingidos pelo prazo de caducidade. Porém, o caso dos autos referese somente a fatos geradores ocorridos após essa data. Incidência da contribuição previdenciária sobre salárioutilidade configurado com o fornecimento de veículos. Necessidade de o fisco demonstrar que os veículos eram dispensáveis para o trabalho ou para a prestação de serviço. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre o salárioutilidade configurado com o fornecimento de veículos analisando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos Fl. 553DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 14 casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: • No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; • No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 538 15 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de previdência complementar estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange ao fornecimento de veículos e sua caracterização como salário utilidade, o TST possui a Súmula 367 que esclarece em que situações os veículos fornecidos podem ser considerados como salárioutilidade. In verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 16 II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso, exige que o fornecimento de veículos seja dispensável para a realização do trabalho. Tal circunstância, salvo a caracterização de fato notório, precisa ser provada pelo fisco, pois é este que alega a desnecessidade. A autoridade fiscal precisa carrear aos autos um conjunto probatório que demonstre a desnecessidade dos veículos para a realização do trabalho. Caracterizada a dispensabilidade, estará preenchido o requisito para a consideração do uso do veículo como salárioutilidade e , portanto, como elemento que compõe a remuneração. É de ser notado que, estando dentro do conceito de remuneração, o salário utilidade está no campo de incidência tanto da contribuição da empresas sobre a remuneração dos empregados como da contribuição das empresas sobre a remuneração dos contribuintes individuais. No caso em análise, verificamos que a fiscalização carreou aos autos relatórios da própria recorrente por meio dos quais esta confessou que, em uma fração do mês, os veículos são dispensáveis para o trabalho, pois assim registrava em sua contabilidade fiscal, particularmente em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Em relação à confissão, Fabiana Del Padre Tomé (A Prova no Direito Tributário, 2. Ed., São Paulo, Noeses, 2008, p.110) assevera que “é evidente que, enquanto não contestada pelo contribuinte mediante a produção de provas que infirmem a assertiva enunciada por meio do ato de confissão, este permanece no ordenamento com força probatória relativamente aos fatos que reconhece como verdadeiros...”. Em outras palavras, o que foi confessado pela recorrente pode ser afastado, desde que esta traga provas quanto à nova configuração fática que deseja demonstrar. No caso presente, a recorrente contesta o que havia confessado, sem, no entanto, apresentar qualquer prova do que afirma, seja quanto a indispensabilidade do veículo em parte do período, ou quanto ao percentual de dias nos quais os veículos são dispensáveis. Assim sendo, a confissão externada em sua contabilidade e em relatórios por ela fornecidos não pode ser afastada. É certo que o imposto de renda da pessoa jurídica, o imposto de renda da pessoa física e a contribuição previdenciária são tributos submetidos a regimes jurídicos infraconstitucionais distintos, mas também é certo que há fatos jurídicos tributários que irradiam efeitos que interessam a mais de um tributo. O que estamos tomando aqui é a confissão de um fato. Estamos tomando a confissão da empresa, externada em relatórios e em seus livros fiscais, de que os veículos são dispensáveis em parte do período de modo tal que foram incluídos na remuneração dos beneficiários para efeito de base de cálculo do imposto de renda. A partir do fato confessado da dispensabilidade dos veículos, estabelecemos o efeito jurídico de acordo com a legislação do tributo que aqui cuidamos, a contribuição previdenciária. Se desde sempre assim devíamos agir, a partir da fusão da Secretaria da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal, com mais razão devemos estar atentos para não darmos tratamento distinto a situações idênticas em termos fáticos. Assim, o lançamento deve prevalecer sobre o que a própria empresa considerou como uso do veículo fora do trabalho a ponto de ter sido tomada como base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. Tendo sido esse o procedimento da fiscalização, conforme observamos em fls. 12/25 e 110/125, não há reparos a fazer no lançamento. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 539 17 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 18 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do Fl. 558DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 540 19 caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 20 Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 541 21 tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal Fl. 561DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 22 de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 542 23 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 24 Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10882.003543/200739 Acórdão n.º 230102.518 S2C3T1 Fl. 543 25 Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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