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Numero do processo: 13839.912967/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 18/01/2006 a 18/01/2006
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF).
APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL.
Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração.
ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO.
A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasep-importação e Cofins-importação.
À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasep-importação e Cofins-importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiam-se nas vendas líquidas de produtos licenciados, referem-se, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.411
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Incidência sobre remessas ao exterior para pagamento de royalties. Recorrente CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 18/01/2006 a 18/01/2006 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 29 67 /2 00 9- 71 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 3 2 À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. Recurso Voluntário Provido. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório CONTINENTAL DO BRASIL PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF Jundiaí emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que é coligada de empresa localizada da Alemanha, com a qual possui contrato de licença de uso de marca e fornecimento de tecnologia, efetuando remessas ao exterior a título de royalties. Todavia, a contribuinte afirmou que, equivocadamente, incluiu na base de cálculo da Cofins Importação e do PISImportação os valores pagos ao exterior a título de royalties. Procurando demonstrar a existência do direito creditório juntou ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 05038.923. A DRJ afastou a preliminar de nulidade do despacho Decisório e, no mérito, não reconheceu o direito ao crédito alegado, por considerar que o contribuinte não juntara aos autos provas suficientes para concluir que teria ocorrido tributação indevida sobre remessas a título de royalties. Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário repisando os argumentos anteriormente apresentados. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 4 3 Submetido à julgamento na 1º Turma Especial da 3ª Seção, em preliminar, o relator entendeu não configurada a suscitada nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa. No mérito, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução n° 3801000.728, nos seguintes termos: Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. Retornou o processo da unidade de origem com Relatório de Diligência Fiscal elaborado pela SAORT/DRF Camaçari/BA, cujas conclusões foram: 12. Como podese verificar, o royalty tem presença no contrato, que mostram a existência de uma licença para uso da propriedade industrial e intelectual. 13. No entanto, também estão presentes no contrato outros elementos, que configuram serviços. Por exemplo, o contrato prevê o fornecimento de informações técnicas. Conforme item 1.4, nessas informações técnicas está incluída o fornecimento de “desenhos, especificações incluindo especificações de teste e qualidade, outros dados de knowhow e outra assistência técnica”. Ou seja, a assistência técnica, que configura claramente uma obrigação de fazer, está incluída no contrato. 14. No item 4.2.2 está prevista outra clara obrigação de fazer para a licenciadora: “fornecer informações, na medida em que estiverem à disposição da LICENCIADORA, em resposta a consultas técnicas razoáveis recebidas”. 15. Estando presente características de royalties e de serviços, resta verificar se o contrato estabelece a sua remuneração de cada um de forma individualizada. O item 5 do contrato Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 5 4 (Remuneração), não estabelece essa individualização. Ele prevê uma forma única de remuneração (4% sobre o valor das vendas, posteriormente alterado por aditivo para 3%), sem distinguir royalties e serviços. 16. Portanto, pela aplicação da Solução de Divergência Cosit nº 11, de 2011, que preconiza a necessidade dessa individualização, não deve ser reconhecido o direito creditório sobre os recolhimentos em questão. A interessada foi cientificada do Relatório de Diligência e apresentou argumentos e contrapontos ao entendimento exarado pela autoridade fiscal, assim sintetizados: a) o Auditor aponta cláusula contratual ("1.4 Informações Técnicas") com previsão de prestação de serviços, contudo, sem discriminálos; b) aduz que "informações técnicas" compreendem o fornecimento de dados atinentes aos produtos licenciados e, portanto, tem por natureza uma obrigação de "dar", não de "fazer", como asseverou a autoridade; c) explicita que "informações técnicas" são orientações de uso disponibilizadas à licenciada, sem intervenção física ou deslocamento com finalidade de prestação de serviço; d) consigna que as atividades de fornecimentos/disponibilizações de manuais e outras informações não se encontram listados no Anexo da Lei Complementar nº 116/03 para configurem a materialidade a que incide o ISS; e) argumenta que a "Assistência Técnica", presente no Anexo da IN 116/03, impõe a prestação de serviço por um profissional, o que não se verifica no caso; f) o contrato celebrado tem por objeto licença para uso de marca e não compreende qualquer prestação de serviço. A licenciadora apenas fornece as instruções para a fabricação dos produtos licenciados em estabelecimento da licenciada; g) conclui afirmando que os documentos acostados apontam para um contrato de transferência de uso de marca e tecnologia no qual se obriga com o pagamento de royalties. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.395, de 28/09/2016, proferido no julgamento do processo 13839.912959/200925, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.395): Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 6 5 "O recurso voluntário fora recebido como tempestivo, razão pela qual o Colegiado que o apreciou em julgamento anterior dele tomou conhecimento. Quanto a preliminar de nulidade, pactuo com os argumentos e conclusões do Relator, assentadas na sessão de 24/04/2014, por inexistirem razões para sua decretação, as quais reproduzo: Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos de PIS, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PISImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 7 6 Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Passemos à análise do mérito. A 1ª Turma Especial enfrentou preliminarmente questão relativa à preclusão consumativa do direito à apresentação da DCTF retificadora após a transmissão do PER/DCOMP e antes da prolação do Despacho Decisório, documento este informativo do direito creditório decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Compartilho do entendimento exarado pelo Relator original, o qual transcrevo como parte deste voto: Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 8 7 Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório Considero, também, suplantada a questão da não incidência das Contribuições de que trata a Lei nº 10.865/2004 em relação aos royalties, uma vez que estes são remunerações da propriedade industrial ou intelectual em razão de sua cessão, direito de uso ou transferência de tecnologia uma obrigação de dar, não caracterizada como prestação de serviço. A questão de mérito apresentase em concluir se o pagamento do PIS Importação (código 54341), no valor de R$ 70.896,74, referente ao 2º trimestre/2004, é indevido em decorrência dos valores pagos a título de royalties compreender tão somente parcela devida pela cessão, direito de uso e transferência de tecnologia à licenciada na fabricação de produtos, ou se tal parcela comporta igualmente remuneração advinda de outra modalidade de prestação de serviço conexa ou acessória ao contrato de licença. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 9 8 Esta foi a dúvida suscitada da qual decorreu a conversão do julgamento, de 24 de abril de 2014, em Diligência à unidade de origem. Salientase que a Solução de Divergência nº 11/2011, da Coordenação Geral de Tributação (Cosit) SD Cosit nº 11/2011, pacificou o entendimento de que não há incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, vinculados à importação, sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar destes os valores relativos aos pagamentos dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. No ponto em que se encontra os autos e realizada a Diligência determinada por Colegiado deste CARF, mister se faz apreciar os documentos e manifestações da contribuinte em face do relatório de diligência elaborado pela SAORT/DRF Camaçari/BA, bem como o teor deste (relatório). Em que pese a constatação de que os documentos coligidos pela Unidade de Origem apresentaramse "SEM ATESTE", entendo superada a insuficiência de autenticidade pois que no retorno da Diligência para juntada de documentos da contribuinte e apuração da legitimidade do crédito pleiteado, com base nos documentos acostados, a autoridade fiscal atestou a correlação entre invoices, contratos de câmbio, pagamentos e certificado de averbação, assim consignado (fl. 620): 04. Com relação aos documentos, os invoices e contratos de câmbios apresentados na manifestação de inconformidade demonstram que os pagamentos se referem ao contrato com certificado de averbação INPI NR. 991197/03. Repisando, a Diligência teve por escopo (1) obter do contribuinte licenciado cópias do contrato celebrado com a licenciadora, das faturas comerciais e dos registros no Livro Razão, relacionados com o pagamento de royalties que ensejaram o direito creditório pleiteado, e (2) a apuração pela Delegacia de origem da legitimidade do crédito pleiteado em face dos documentos coligidos. De um lado a outro, os argumentos cingiramse em afirmar (Auditor Fiscal) ou infirmar (contribuinte) a previsão de prestação de serviços pela licenciadora em razão da presença, nas cláusulas do contrato de Licença, dos termos "informações técnicas" e "assistência técnica". Assim, defendeu o AuditorFiscal a impossibilidade de afastar a incidência do PIS/PasepImportação sobre os pagamentos de royalties em razão dos valores comportarem também pagamentos decorrentes da prestação de serviços pela licenciadora. Em contrapartida, a contribuinte sustenta a não incidência da Contribuição pois as remessas de valores tem fundamento exclusivo no pagamento pela cessão, direito de uso e transferência de tecnologia, sem abarcar quaisquer serviços prestados. Analiso os argumentos suscitados para então decidir o litígio, iniciandose com a manifestação da autoridade fiscal em seu Relatório de Diligência (fls. 620/624). A autoridade fiscal preocupase em trazer a definição de royalties e seu conteúdo semântico para demonstrar a exclusão de "serviço técnico" e "assistência Fl. 566DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 10 9 técnica" da abrangência de seu conceito. Para isso, utilizouse das definições contidas na IN SRF nº 252/2002, que trata de royalties para fins da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte. Aduz que no contrato de licenciamento constam, além da licença para uso da propriedade industrial e intelectual, "outros elementos, que configuram serviços". Fundamenta seus argumentos apontando para três cláusulas contratuais: a. O subitem "1.4" cujo título é "Informações Técnicas" no qual se insere cláusula de fornecimento de materiais técnicos (desenhos, especificações e outros dados) e de assistência técnica, concluindo, quanto a esta (assistência técnica), tratarse de uma obrigação de fazer, que vislumbra característica de prestação de serviço; b. O subitem "4.2" que prescreve "Tarefa do Correspondente Técnico da Licenciadora" dispõe sobre fornecimento de informações à licenciada com relação "dispositivos licenciados e informações técnicas", concluindo também tratarse de obrigação de fazer prestação de serviço na medida em que tais informações são disponibilizadas à licenciada; c. No subitem "5. Remuneração" que estabelece a forma de cálculo da remuneração e seu percentual a título de royalties não se verifica individualização quanto à parcelas relativas à prestação de serviços. Ao final de seu relatório, arremata pelo não reconhecimento do direito creditório à luz da Solução de Divergência Cosit nº 11/2011 que exige a individualização da remuneração licença de uso e prestação de serviços para efeitos de pagamento de royalties e cálculo das contribuições. Entendo não assistir razão à autoridade fiscal. A conceituação de royalties na IN SRF nº 252/2002 está prevista no inciso I, do § 1º do art. 17, in verbis: Art. 17. As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior a título de royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sujeitamse à incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento. § 1º Para fins do disposto no caput: I classificamse como royalties os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando recebidos pelo autor ou criador do bem ou obra; Fl. 567DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 11 10 Os termos "serviço técnicos" e "assistência técnica" estão definidos no inciso II, do mesmo artigo: II considerase: a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; b) assistência técnica a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao País e outros serviços semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido. Pois bem, fato é que o dispositivo do IRRF distingue royalties de serviço técnicos e assistência técnica para efeito de incidência de pagamentos e remunerações nessas rubricas. Quanto ao serviço técnico, a prestação é realizada por "profissionais liberais ou de artes e ofícios", portanto, é trabalho realizado por pessoa física, desenvolvendo atividade atinente a suas habilidades técnicas/artísticas em caráter pessoal. Não se prevê o trabalho realizado em nome de uma pessoa jurídica e no meu entender não se amolda às cláusulas contratuais em análise. "Assistência técnica a assessoria permanente" diz respeito àquela prestada por quem cede licença de processo ou fórmula secreta cujo trabalho (assistência) fazse necessário de modo permanente a possibilitar a efetiva utilização do processo ou fórmula cedida. Não é a situação que envolve licenciadalicenciadora, pois o objeto é transferência de tecnologia para fabricação de peças automotivas, que não se confunde com um "processo" ou fórmula secreta" ou "outros serviços" que possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedida. A utilização dos conceitos inseridos na IN SRF nº 252/2002 para estabelecer diferenças entre pagamentos de royalties e de serviço técnico/assistência técnica implica o ônus de se observar o conteúdo e aplicação desses termos na análise do Contrato de licenciamento e o objeto da atividade da recorrente. Dito de outra forma, a autoridade fiscal emprestou os as definições da IN tão somente para segregar pagamentos ao exterior relativos à royalties, serviços técnicos e em assistência técnica; contudo, não utilizou seus significados na interpretação das atividades previstas no contrato, que por certo, não se tratam de licenças relativas a processos industriais ou à fórmula secreta, como conceituado na IN. A conclusão, ainda que até aqui preliminar, é no sentido de que o contrato de licenciamento não contempla "serviço técnico" e assistência técnica" tal como conceituados na IN SRF nº 252/2002 para fins de segregação e apuração dos valores de royalties remetidos ao exterior aos quais não incidirão as Contribuições nos termos da SD Cosit nº 11/2011. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 12 11 Serão, também, analisadas as cláusulas contratuais e a forma de apuração da remuneração dos royalties, que contêm expressões relativas a "informações técnicas", "assistências técnicas" e outros termos abordados no relatório para demonstrar a inexistência de prestação de serviços no contrato de licenciamento da contribuinte. Antes, passo à análise da manifestação da contribuinte (fls. 629/636) que contrapõe os argumentos da autoridade fiscal no Relatório de Diligência. Confronta a contribuinte os fundamentos do relatório da diligencia sob o argumento de que não houve a indicação dos serviços contemplados no contrato de licenciamento que foram efetivamente prestados pela licenciadora. Alega que as "informações técnicas" não se caracterizam prestações de serviços, mas orientações disponibilizadas pela licenciadora por meio de manuais, guias de orientação, sem intervenção de pessoa física. Destaca que o objeto do contrato é uma licença para uso de marca estrangeira para fabricar produtos e realizar vendas na modalidade "OEM", "OES" E "AM" e tal licença inclui a utilização das informações técnicas acerca dos produtos. Argúi que a licenciadora fornece as instruções necessárias à execução das atividades (fabricação de produtos automotivos) no País. Entendo assistir razão à recorrente. As cláusulas contratuais são claras suficientes para apontar não somente a inexistência de prestação de serviços como um de seus objetos, ainda que secundário ou acessório, impõe também concluir que o cálculo da remuneração dos royalties contempla exclusivamente receitas de vendas dos produtos licenciados, o que exclui o pagamento pela prestação de serviços conexos ao licenciamento. Primeiro, passo à análise do "Contrato de Licença" e do seu "Aditivo ao Contrato de Licença", celebrado entre a recorrente e a empresa estrangeira Continental Teves AG & CO. OHG, a qual será realizada mediante a investigação e interpretação dos vocábulos e expressões utilizadas que permitem extrair o seu objeto e, em especial, a previsão de (in)existência de serviços conexos à licença. a. "Dispositivos Licenciados" referemse aos produtos automotivos (peças) listados na "Tabela A" (fls. 447/450) licenciados à fabricação. Referida tabela compõe de peças veiculares de fabricação nacional. Portanto, não contemplam serviços. b. "Patentes Licenciadas", relacionadas na "Tabela B" (fl. 451), referemse a patentes possuídas pela licenciadora que se relacionam ou se aplicam aos "dispositivos licenciados". Portanto, não se tratam de serviços. c. "Informações Técnicas" referemse à disponibilização de informações orais ou por escrito relativas aos "dispositivos licenciados". As "informações" estão discriminadas na "Tabela C" (fls. 452/456) e compõem exatamente da mesma relação de dispositivos da "Tabela A". Portanto, não se tratam de outro serviço conexo, são mera prestações de informações, por intermédio de desenhos, especificações e outros dados. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 13 12 d. Os termos "OEM", "OES" e "AM" referemse à fornecimento de peças e sobressalentes aos fabricantes de carros. e. "Atividades de B&C" referemse à produção e venda de sistemas de freios e seus acessórios. f. A cláusula "2.1 Licença Concedida" trata do objeto do contrato, que se resume à licença para fabricar as peças automotivas relacionadas nas tabelas e vender os dispositivos como "OEM", "OES E "AM", incluindose a licença para usar informações técnicas e as patentes licenciadas. Tais cláusulas são precisas para delas depreender a inexistência de prestações de serviços no âmbito do contrato celebrado. g. O tópico "4. Informações técnicas" trata do fornecimento de informações, o qual dispõe no item "4.1.1", "A LICENCIADA receberá da LICENDIADORA as Informações técnicas abaixo descritas"; h. Da leitura da cláusula "4.2" inferese que "dar informação" corresponde a colocar à disposição da licenciada cópias da documentação descrita na "Tabela C" e demais dados técnicos relativos e necessários à fabricação dos dispositivos licenciados, o que inclui respostas a consultas técnicas formuladas e recebidas, em relação aos dispositivos licenciados. Atentese que a atividade objeto do contrato de licenciamento é o fornecimento de licença de uso ou cessão para a transferência de tecnologia para a fabricação e venda de peças automotivas. Não há previsão de quaisquer prestações de serviços conexos ao licenciamento, isto é, inexiste qualquer obrigação de fazer; restringese o contrato a uma obrigação de dar. A definição de prestação de serviço, construída pela doutrina jurídica, é estabelecida nos termos em que há um esforço humano dirigido a terceiro, com conteúdo econômico, em caráter negocial e profissional, realizada sob regime de direito privado, cujo objeto é a realização de atividade da qual resulte um bem material ou imaterial. Assim dispõe a doutrina de Paulo de Barros de Carvalho1 em seu escólio acerca da prestação de serviço sujeita ao ISS: A mais desse fator, é forçoso que a atividade realizada pelo prestador apresentese sob a forma de "obrigação de fazer". Eis aí outro elemento caracterizador da prestação de serviços. Só será possível a incidência do ISS se houver negócio jurídico mediante o qual uma das partes se obrigue a praticar certa atividade, de natureza física ou intelectual, recebendo, em troca, remuneração. Por outro ângulo, a incidência do ISS pressupõe atuação decorrente do dever de fazer algo até então inexistente, não sendo exigível quando se tratar de obrigação que imponha a mera entrega, permanente ou temporária, de algo que já existe. 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário linguagem e método, 3. ed.. São Paulo: Noeses, 2009, p. 768 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 14 13 Destarte, a previsão contratual de disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuição para o PIS/Pasepimportação e à Cofins importação. A segunda análise recai sobre a forma de cálculo e a modalidade do pagamento dos royalties remetidos ao exterior em cumprimento às cláusulas estipuladas no contrato de licença. A remuneração do contrato de licença está previsto em sua cláusula "5.1 Royalty reincidente" (fl. 439) a qual estipula a taxa de 4% (quatro por cento) sobre "todos os Preços de Fábrica de vendas de Dispositivos Licenciados e quaisquer outras peças de veículos automotivos fabricados em conformidade com as Informações Técnicas e/ou pela utilização das Patentes Licenciadas." Referida taxa sofreu alteração por meio do "Aditivo ao Contrato de Licença", de 28/10/2004, que em suas folhas 2/4 e 3/4 (efls. 459/460) dispôs que "A LICENCIADA pagará à LICENCIANTE um Royalty Reincidente não restituível que remontará a 3% (três por cento) de todas as Vendas Líquidas." Resta claro qual deve ser a composição dos valores sobre os quais incidirão os royalties: preços de venda (na fábrica) ou vendas líquidas, em determinado período. Desses valores estão excluídos quaisquer parcelas relativas a pagamentos por serviços conexos à licença tomados pela contribuintelicenciada. Isto porque há previsão expressão na cláusula "5.2 Pagamento de royalty e Relatório de Royalty" de que o pagamento dos royalties será acompanhado de relatório a ser prestado pela contribuinte à licencidadora contendo (i) relação dos artigos e números dos dispositivos licenciados vendidos ou utilizados; (ii) o montante de "Preços de Fábrica recebidos por Dispositivos licenciados e suas peças" e (iii) a discriminação (origem / "derivação") das quantias pagas à licenciadora, conforme as informações prestadas. Completada a análise quanto aos valores que compõem o cálculo do pagamento dos royalties devidos à licenciadora, cumpre verificar a correspondência desse com os demais documentos coligidos e a sua regularidade conforme exigências da legislação. Os documentos em apreço são: invoice (fatura comercial), contrato de câmbio e correspondente registro na escrituração contábil. A invoice nº nº 90343232 (fl. 591/594) emitida pela licenciadora informa pagamento relativo a "Taxas de Royalties referentes à Taxa de Licença Contrato de 12 de novembro de 1999 (...)", com valor total de USD 1.300.811,16. De fato, o valor consignado não é o efetivamente remetido pois, conforme cláusula contratual, o pagamento deve ser líquido de impostos e taxas no país do licenciado. Assim, efetuada a retenção legal de 15% relativo ao IRRF (conforme informado no campo "outras especificações" do contrato de câmbio de fl. 204 e Fl. 571DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 15 14 lançamento no livro Razão à fl. 600), o valor a ser remetido é de USD 1.105.689,49 (R$ 3.454.395,10), exatamente como consignado na "Planilha de Cálculo" (fl. 201) e Contrato de Câmbio nº 04/03489, de 23/06/200 (fls. 203/205), corroborado com extrato emitido pelo UNIBANCO, que comprova sua liquidação. Passo seguinte é verificar a regularidade da remessa cambial a título de royalties. A disciplina acerca das remessas de valores para o exterior a título de royalties ou qualquer outro título (inclusive "assistência técnica") foi estabelecida pela Lei nº 4.131, de 03/09/1962, com o controle pela Superintendência da Moeda e do Crédito SUMOC. Atualmente regulamentada pelo Banco Central do Brasil pela Circular nº 3.689/2013, que dispõe sobre o capital estrangeiro no País e sobre o capital brasileiro no exterior. De fato, em ambos diplomas não se verifica qualquer distinção quanto ao pagamento a título de royalties ou de outros serviços para o exterior. Não obstante, a Circular nº 3.689/2013, na Subseção I, que trata de "Royalties, serviços técnicos e assemelhados", do capítulo "Operações financeiras", dispõe sobre os registros das operações contratadas e discrimina sus espécies, como transcrito: Subseção I Royalties, serviços técnicos e assemelhados Art. 101. Esta subseção dispõe sobre o registro, no módulo ROF do RDE, das operações contratadas entre pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no País, e pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, relativas a: I licença de uso ou cessão de marca; II licença de exploração ou cessão de patente; III fornecimento de tecnologia; IV serviços de assistência técnica; V demais modalidades que vierem a ser averbadas pelo INPI; e VI serviços técnicos complementares e as despesas vinculadas às operações enunciadas nos incisos I a V deste artigo não sujeitos a averbação pelo INPI. Resta evidente que o regulamento estabeleceu diferenças entre royalties e serviços nos incisos "I" a "III" (royalties), "IV" (serviços de assistência técnica) e "V" (serviços técnicos complementares). Desde a edição da CartaCircular nº 2803/98, vigente em 01/07/1998, que contempla as operações da recorrente no ano de 2003/2004, as diferenças entre remessas por pagamento de royalties e de outros serviços estão especificadas segundo Tabela com os códigos atribuídos à natureza da operação, quando da prestação dessas informações no preenchimento do contrato de câmbio. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 16 15 Conforme a transcrição de Tabela, resta caracterizada a natureza do pagamento ao exterior com a verificação do código informado no contrato de câmbio: XIV SERVIÇOS DIVERSOS NATUREZA DA OPERAÇÃO Nº CÓDIGO 1 EXPORTAÇÃO/IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS 1/ PATENTES 2/ licença de exploração/cessão 45625 MARCAS 2/ licença de uso/cessão 45618 FORNECIMENTO DE 2/ tecnologia 45632 serviços de assistência técnica 45649 serviços e despesas complementares 45584 FRANQUIAS 2/ 45591 IMPLANTAÇÃO OU INSTALAÇÃO DE PROJETO técnicoeconômico 45656 industrial 45663 de engenharia 45670 SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS 3/ projetos, desenhos e modelos industriais 45687 projetos, desenhos e modelos de engenharia 45694 montagem de equipamentos 45704 outros serviços técnicosprofissionais 45711 In casu, verificando a natureza da operação informada pela recorrente no Contrato de Câmbio nº 04/03489 (fl. 203) constatase tratarse do código de prefixo "45632", que conforme inciso III, do art. 101 da Circular do BCB nº 3.689/2013, corresponde ao pagamento ao exterior em decorrência do fornecimento de tecnologia, que evidencia pagamento de roylaties. Na hipótese do pagamento corresponder à prestação de serviço de assistência técnica ou de serviços complementares, os códigos seriam, respectivamente, 45634 e 45584, o que não se verifica nos autos. Assim, os documentos coligidos nos autos, relativos à apuração e ao pagamento dos valores devidos e remetidos ao licenciador estrangeiro, com a utilização de código cambial vinculado a pagamentos de royalties, comprovam tratarse de remessa a título de royalties previsto em contrato para a transferência de tecnologia para fabricação de produtos licenciados. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 17 16 Finalizando, concluo que, à luz do contrato de licenciamento e os efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incide as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse exclusivamente à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties, inexistindo parcelas relativas à serviços conexos à licença a serem individualizados no contrato. Evidenciase assim, pagamento indevido o recolhimento efetuado pela recorrente, para o qual se pleiteia restituição do valor recolhido, por meio do DARF, código 5434 (fl. 202). Diante do exposto, voto no sentido de reconhecer o direito creditório da recorrente e dar provimento ao recurso voluntário." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que todos os documentos analisados no julgamento do paradigma encontram correspondência com os documentos juntados ao presente, a saber: a) "Contrato de Licença" e seu "Aditivo ao Contrato de Licença", celebrado entre a Continental do Brasil e a empresa estrangeira Continental Teves AG & CO. OHG (fls. 425 a 452 mesmo contrato que o analisado no julgamento do paradigma); b) invoice nº 90501761 (fls. 500) emitida pela licenciadora informando pagamento relativo a "Taxas de Royalties referentes à Taxa de Licença Contrato de 12 de novembro de 1999 (...)", no valor total de USD 1.490.842,00; c) contrato de cambio nº 06/001266, no valor de USD 1.267.215,70 (fls. 206 a 208), que comprova a remessa ao exterior de USD 1.267.215,70 (R$ 2.900.023,13), corroborado com extrato emitido pelo UNIBANCO que comprova sua liquidação; d) o valor da remessa, conforme cláusula contratual, corresponde ao valor total da invoice menos o desconto do IRRF de 15%, conforme lançamentos no razão fl. 510) e planilha de cálculo de fl. 204; e) a natureza da operação no Contrato de Câmbio nº 06/001266 foi especificada com o código de prefixo "45632", que, conforme inciso III do art. 101 da Circular do BCB nº 3.689/2013, corresponde ao pagamento ao exterior em decorrência do fornecimento de tecnologia, o que evidencia pagamento de royalties; f) DARF de fl. 205. Portanto, constatase que neste processo o contribuinte juntou os mesmos documentos que foram considerados hábeis à comprovação do direito creditório no caso do paradigma, variando apenas o número dos documentos e os valores envolvidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório em litígio. Winderley Morais Pereira Fl. 574DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.912967/200971 Acórdão n.º 3201002.411 S3C2T1 Fl. 18 17 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13897.720149/2015-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, nos termos do voto da Redatora designada, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que a rejeitou. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Cecília Dutra Pillar - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, nos termos do voto da Redatora designada, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto (Relator), que a rejeitou. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Cecília Dutra Pillar Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 97 .7 20 14 9/ 20 15 -0 6 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Resolução nº 2202000.723 S2C2T2 Fl. 68 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13897.720149/201506, em face do acórdão nº 0266.305, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2012/316840692791270, expedida em 02/02/2015, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2012, anocalendário 2011, código 2904, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$10.459,79 e seus consectários legais, totalizando R$20.848,45, com juros de mora calculados até 30/01/2015, fls. 10 a 14. O lançamento decorreu da apuração das seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$5.001,16, proveniente da fonte pagadora Banco do Brasil S/A, sendo que na apuração do imposto devido foi compensado o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$150,03. b) Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$33.580,00, com a seguinte manifestação da autoridade lançadora: Contribuinte devidamente intimado não comprovou o efetivo pagamento de despesas médicas. Cumpre informar que declarações apresentadas pelos profissionais não substituem a comprovação do efetivo pagamento. Cientificado da notificação em 20/02/2015 (sextafeira), fls. 22, o contribuinte apresentou impugnação em 23/03/2015, fls. 2 a 8, acompanhada dos documentos de fls. 16 a 20, contestando parcialmente o lançamento. Alega que a omissão de rendimentos se trata de uma causa trabalhista, referente aos planos Bresser e Collor, quando de sua atuação junto ao Inamps, que ocorreu até o ano de 1997, quando pediu demissão. Argumenta que elaborou sua declaração de ajuste anual com os informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras para as quais labora e acreditou que neles estavam incluídos todos os valores recebidos no ano 2011. Sustenta que os recibos e as declarações apresentados são suficientes para a comprovação do direito à dedução de despesas médicas. Pondera que tentou identificar os cheques ou extratos bancários que demonstrassem o efetivo pagamento, mas não logrou êxito em tal busca. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Resolução nº 2202000.723 S2C2T2 Fl. 69 3 Assinala que fez pagamentos com cheques de terceiros ou da esposa, além de moeda em espécie. Inconformado com a improcedência de sua impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 40/41, onde são reiterados, em parte, os argumentos já lançados na impugnação, apresentando, em anexo ao recurso, documentos às fls. 42/64, no intuito de comprovar seu direito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Necessário, também, delimitar a presente lide. Quanto a omissão de rendimentos, a DRJ considerou matéria não impugnada. O contribuinte, em recurso voluntário, apresenta recurso tão somente quanto a glosa de despesas médicas, as quais foram glosadas no valor de R$ 33.580,00. As despesas médicas glosadas questionadas pelo contribuinte são as seguintes, conforme fl. 4 dos autos: Entendeu a DRJ de origem que para afastar a glosa seria necessário a apresentação de comprovação por documentação hábil, qual seja: A dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Resolução nº 2202000.723 S2C2T2 Fl. 70 4 ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, não se aplicando às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro Ainda, foi exigido do contribuinte que apresentasse comprovação da efetividade dos pagamentos. No entanto, a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, inciso II, “a”, e § 2º , incisos I a V, cujos dispositivos seguem abaixo transcritos, estabelece que: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...]II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ....... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifouse) Entendo desnecessária a conversão em diligência, pois há nos autos provas suficientes para analisar as deduções de despesas médicas, conforme documentos abaixo: · Despesa com o dentista Hélio Ferrari (R$ 2.450,00), conforme declaração/recibo do dentista (fl. 16), ratificada pelos recibos de fls. 42/43; Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Resolução nº 2202000.723 S2C2T2 Fl. 71 5 · Despesa com a médica Nicole Daher Coser (R$ 3.750,00), de clínica de especialidade cirurgia plástica, conforme declaração/recibo da médica (fl. 17), ratificada pelos recibos de fl. 44/46; · Despesa com o médico Helcio Valerio Passos (R$ 9.000,00), de clínica de especialidade cardiologia, conforme declaração/recibo do médico (fl. 18), ratificada pelos recibos de fls. 51/59; · Despesa com a dentista Cristine Mary Yoshinaga Pereira Leite (R$ 8.280,00), conforme declaração/recibo da dentista (fl. 19), ratificada pelos recibos de fl. 49/50; · Despesa com o dentista Mauricio Pereira Leite (R$ 10.100,00), conforme declaração/recibo do dentista (fl. 20), ratificada pelos recibos de fl. 47/48; Deste modo, compreendo por desnecessária a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade preparadora, responsável pelo feito fiscal, anexe aos autos o "dossiê de fiscalização", em especial o termo de intimação do contribuinte para apresentar a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, acompanhado do comprovante de sua ciência, pois há nos autos elementos, no meu entender, suficientes para o julgamento do processo, na estado em que se encontra. Ante o exposto, voto pela não conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Voto Vencedor Conselheira Cecília Dutra Pillar Redatora designada. Peço vênia para divergir do voto do ilustre Relator quanto ao mérito deste processo por considerar necessário aprimorar a instrução processual, a fim de que se tenha o julgamento adequado da lide. A controvérsia se resume à efetiva comprovação dos pagamentos das despesas médicas deduzidas pelo contribuinte em sua DIRPF do exercício de 2012, anocalendário 2011. Embora a Notificação de Lançamento afirme que o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas, tal intimação não foi acostada aos autos. Sendo assim, VOTO pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA para que a Unidade preparadora, responsável pelo feito fiscal, tome as seguintes providências: a) anexe aos autos o "dossiê de fiscalização", em especial o termo de intimação do contribuinte para apresentar a comprovação do efetivo pagamento, acompanhado do Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13897.720149/201506 Resolução nº 2202000.723 S2C2T2 Fl. 72 6 comprovante de sua ciência; b) dê ciência ao recorrente do resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. Após vencido o prazo, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cecília Dutra Pillar Redatora designada. Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915940/2008-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 40 /2 00 8- 56 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 9303003.974 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.857, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 9303003.974 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 9303003.974 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 9303003.974 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 9303003.974 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 9303003.974 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915940/200856 Acórdão n.º 9303003.974 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.725976/2009-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 76 /2 00 9- 13 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725976/200913 Acórdão n.º 9202004.165 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725976/200913 Acórdão n.º 9202004.165 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725976/200913 Acórdão n.º 9202004.165 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725976/200913 Acórdão n.º 9202004.165 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 14120.000328/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 28 /2 00 9- 11 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 260DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 262DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 14120.000328/200911 Acórdão n.º 9202004.726 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724696/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE.
Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete.
PRELIMINARES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Formalidades que ensejam a nulidade do lançamento fiscal são aquelas que acarretem em preterição ao direito de defesa dos contribuintes ou decorrentes de atos realizados por pessoas ou autoridades que não detinham competência para tal, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, as quais não são verificadas no presente caso.
NULIDADE. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Ainda que alegado pelo contribuinte que haja erro na apuração da base de cálculo, porém estes não são indubitavelmente demonstrados, não há que ser reconhecida a nulidade do auto de infração.
TERCEIROS. ALÍQUOTAS. CONVÊNIO. RECOLHIMENTO DIRETO.
Mantém-se o lançamento fiscal quando não comprovada a existência de convênio para recolhimento, diretamente à entidade ou fundo, da contribuição destinada a terceiros prevista em lei.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO.
O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias.
A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeita-se à incidência das contribuições previdenciárias.
O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revela-se similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração.
DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA.
A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados.
A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática dos recursos repetitivos, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário. Quanto às preliminares: (i) Por maioria, rejeitar o pedido de perícia, vencido o Relator; (ii) Por unanimidade, rejeitar as demais preliminares. Quanto às prejudiciais de mérito: (i) Por maioria, negar provimento quanto à existência de erro na alíquota das contribuições devidas a terceiros, vencido o Relator; (ii) Por unanimidade, negar provimento às demais questões. Quanto ao mérito: (i) Por unanimidade, dar provimento para excluir do lançamento o levantamento "CO", relativo a valores pagos a cooperativas de trabalho; (ii) Por maioria, negar provimento quanto aos levantamentos relacionados aos pagamentos de PLR a segurados empregados e diretores não empregados (contribuintes individuais), vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (Relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto. No tocante aos pagamentos de PLR a diretores não empregados, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa votou pelas conclusões do voto vencedor. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. PRELIMINARES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Formalidades que ensejam a nulidade do lançamento fiscal são aquelas que acarretem em preterição ao direito de defesa dos contribuintes ou decorrentes de atos realizados por pessoas ou autoridades que não detinham competência para tal, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, as quais não são verificadas no presente caso. NULIDADE. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Ainda que alegado pelo contribuinte que haja erro na apuração da base de cálculo, porém estes não são indubitavelmente demonstrados, não há que ser reconhecida a nulidade do auto de infração. TERCEIROS. ALÍQUOTAS. CONVÊNIO. RECOLHIMENTO DIRETO. Mantém-se o lançamento fiscal quando não comprovada a existência de convênio para recolhimento, diretamente à entidade ou fundo, da contribuição destinada a terceiros prevista em lei. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeita-se à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revela-se similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática dos recursos repetitivos, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. PRELIMINARES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Formalidades que ensejam a nulidade do lançamento fiscal são aquelas que acarretem em preterição ao direito de defesa dos contribuintes ou decorrentes de atos realizados por pessoas ou autoridades que não detinham competência para tal, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, as quais não são verificadas no presente caso. NULIDADE. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Ainda que alegado pelo contribuinte que haja erro na apuração da base de cálculo, porém estes não são indubitavelmente demonstrados, não há que ser reconhecida a nulidade do auto de infração. TERCEIROS. ALÍQUOTAS. CONVÊNIO. RECOLHIMENTO DIRETO. Mantémse o lançamento fiscal quando não comprovada a existência de convênio para recolhimento, diretamente à entidade ou fundo, da contribuição destinada a terceiros prevista em lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 46 96 /2 01 4- 73 Fl. 3007DF CARF MF 2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeitase à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revelase similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática dos recursos repetitivos, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.008 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário. Quanto às preliminares: (i) Por maioria, rejeitar o pedido de perícia, vencido o Relator; (ii) Por unanimidade, rejeitar as demais preliminares. Quanto às prejudiciais de mérito: (i) Por maioria, negar provimento quanto à existência de erro na alíquota das contribuições devidas a terceiros, vencido o Relator; (ii) Por unanimidade, negar provimento às demais questões. Quanto ao mérito: (i) Por unanimidade, dar provimento para excluir do lançamento o levantamento "CO", relativo a valores pagos a cooperativas de trabalho; (ii) Por maioria, negar provimento quanto aos levantamentos relacionados aos pagamentos de PLR a segurados empregados e diretores não empregados (contribuintes individuais), vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (Relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto. No tocante aos pagamentos de PLR a diretores não empregados, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa votou pelas conclusões do voto vencedor. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 3009DF CARF MF 4 Relatório O presente processo administrativo é constituído dos seguintes autos de infração: · Auto de Infração DEBCAD n° 51.053.9580, referese a parte patronal, incidentes sobre as verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados paga aos segurados empregados; Participação nos Lucros e Resultados paga aos diretores (contribuintes individuais) e Pagamento a cooperativas de trabalho, no montante de R$ 29.015.983,89 (vinte e nove milhões, quinze mil, novecentos e oitenta e três reais e oitenta e nove centavos), incluídos juros e multa e abrangendo as competências 01/2009 a 12/2010, consolidado em 10/07/2014; e · Auto de Infração DEBCAD n° 51.053.9599, referente às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos (Salário Educação, SEBRAE, SENAI, SESI e INCRA, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, no montante de R$ 6.777.633,69 (seis milhões, setecentos e setenta e sete mil, seiscentos e trinta e três reais e sessenta e nove centavos), incluídos juros e multa e abrangendo as competências 01/2009 a 12/2010, consolidado em 10/07/2014 Nos termos do relatório fiscal (fls. 37/74), eis as razões que ensejaram a lavratura dos referidos autos de infração: a) Pagamentos de Lucros e Resultados aos Empregados Por meio das folhas de pagamento apresentadas em arquivos digitais, meio digital (MANAD), rubricas de proventos "0886 PAGAMENTO PME"; "0887 PLR META POR EQUIPE"; "0894 PARTICIP LUCROS RESULT"; "0895 PLR META GERAL"; e "1578 PLR GEDP", foram constatados pagamentos a empregados e diretores de Participação nos Lucros ou Resultados, nos anos calendários de 2009 e 2010, sem que tais verbas fossem consideradas nas bases de cálculos dos recolhimentos mensais à previdência social e outras entidades e fundos denominadas de "Terceiros". Pelo Termo de Intimação Fiscal TIF, 02, de 15.10.2013, item "1", a empresa foi intimada a apresentar os instrumentos de negociação específicos para o pagamento de PLR. Em atendimento ao solicitado a fiscalizada apresentou os seguintes documentos: Convenções Coletivas de Trabalho, vigência 11/2009 a 10/2010 e 11/2010 a 10/2011, o Regulamento do PME Programa de Meta por Equipes, bem como 4 (quatro) amostras de adesão dos empregados ao PME de 2009 e 4 (quatro) adesões de 2010. Após análise dos documentos recebidos, a Fiscalização entendeu que os documentos apresentados eram insuficientes para uma análise completa do programa de pagamento de lucros e resultados da APERAM e resolveu solicitar novos documentos e informações, tendo emitido o Termo de Intimação Fiscal TIF 008, de 09/06/2014, oportunidade em que a empresa foi intimada a fornecer toda a documentação relacionada ao pagamento de PLR. Após a análise pela Fiscalização da documentação que foi entregue pela empresa, a Fiscalização concluiu pela inexistência de regras claras e objetivas quanto à fixação Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.009 5 dos direitos substantivos da participação dos empregados e quanto à fixação de regras adjetivas, onde nelas deveriam constar os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos, conforme determina a Lei 10.101/00. b) RUBRICA DA FOLHA DE PAGAMENTO: "0886 PAGAMENTO PME" E "0894 PARTICIPAÇÃO LUCROS RESULTADOS" ( LEVANTAMENTOS: PL PARTICIPAÇÃO LUCROS E A2 PARTICIPAÇÃO LUCROS FILIAL CNPJ 33.390.170/001312 Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho firmados a nível regional (Sindicato com base territorial na cidade de TimóteoMG), tendo como signatários O SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS SIDERÚRGICAS, METALÚRGICAS, MECÂNICAS, DE MATERIAL ELÉTRICO, MATERIAL ELETRÔNICOS, DESENHOS/PROJETOS E DE INFORMÁTICA DE TIMÓTEO E CORONEL FABRICIANO METASITA, representativo da categoria de trabalhadores, e a APERAM INOX AMÉRICA DO SUL S/A. Os termos dos Acordos Coletivos de Trabalho ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, limitaramse a declarar, para todos os exercícios, de forma repetitiva as mesmas cláusulas, conforme se verifica na planilha resumo, elaborada com base nos textos dos Acordos Coletivos de Trabalho de 2008/2009, vigência 01/11/2008 a 31/10/2009, assinado em 05/12/2008; de 2009/2010, vigência 01/11/2009 a 31/10/2010, assinado em 05/01/2010 e de 2010/2011, vigência 01/11/2010 a 31/10/2011, assinado em 26/01/2011. Os Acordos Coletivos firmados em texto único para todos os empregados, com vigência regional, para as cidades de TimóteoMG e Coronel FabricianoMG), prevêem o pagamento de PLR em valor mínimo, independente do cumprimento de metas ou a obtenção de resultados (lucros) pela APERAM, conforme registrado nas cláusulas dos acordos coletivos de trabalho, representam uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação semestral ajustada, não caracterizando por esta razão "participação nos lucros ou resultados", desvirtuando completamente das disposições constantes dos art. 2º e 3º (caput) da Lei 10.101/00. Os Acordos Coletivos (firmados em texto único para todos os empregados, com vigência regional, cidades de TimóteoMG e Coronel FabricianoMG) foram aplicados para toda a empresa, independentemente de sua localização e atuação, como é o caso dos empregados da matriz, localizada em Belo HorizonteMG (CNPJ: 33.390.179/000189), e filiais localizadas nos Estados de São Paulo Capital (CNPJ: 33.390.170/000502), no Rio Grande do Sul RS, na cidade de Caxias do Sul (CNPJ: 33.390.170/001070), no Rio de Janeiro RJ, na Capital (CNPJ: 33.390.170/001150), e no Espírito Santo ES, na Capital (CNPJ: 33.390.170/131445), que não foram representados nas negociações ocorridas para pagamento de lucros ou resultados. A Fiscalização concluiu que não existiam metas a serem cumpridas pelos empregados, para o período fiscalizado, uma vez que os pagamentos ocorreram com base nos acordos coletivos de trabalho, que são instrumentos de negociação genéricos que não Fl. 3011DF CARF MF 6 estabelecem critérios e condições claras e regras adjetivas para distribuição de lucros aos empregados, descumprindo a Lei 10.101/00. Constatou, ainda, a Fiscalização que todos os acordos coletivos assinados aprovaram o pagamento de lucros e resultados de período já encerrado (acordo assinado em 05/12/2008, aprovou pagamento de PLR do ano calendário 2008; acordo assinado em 05/01/2010, aprovou pagamento de PLR do ano calendário de 2009 e acordo assinado em 26/01/2011, aprovou o pagamento de PLR de 2010). c) PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS RUBRICA FOLHA DE PAGAMENTO LEVANTAMENTO: LR LUCROS RESULTADOS PME E A2 LUCROS RESULTADOS PME FILIAL CNPJ 33.390.170/001312 Quanto a este tópico relata a Fiscalização que as metas de algumas equipes foram baseados em resultados de outras equipes, e não do esforço próprio de cada um. As aprovações das metas pelas equipes ocorreram sempre após o início de cada semestre, conforme amostra dos documentos planos de metas por equipe. A empresa, também, não comprovou o registro/arquivamento do regulamento do programa no sindicato representativo dos empregados, descumprindo o disposto no parágrafo segundo do art. 2º da Lei 10.101/00. Inexiste registro/arquivamento do regulamento do programa no sindicato representativo dos empregados. Por fim, concluiu a Fiscalização que os instrumentos avaliados são falhos quanto as regras adjetivas para recebimento das verbas do PME, o que afronta o disposto no parágrafo primeiro do art. 2º da lei 10.101/00. d) PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS RUBRICA DA FOLHA DE PAGAMENTO 1578 PLR GEDP LEVANTAMENTO PR PLR GEDP EMPREGADOS E A3 PLR GEDP EMPREGADOS FILIAL CNPJ 33.390.170/0013 12 Neste pagamento de PLR, informou a empresa à Fiscalização que as metas estabelecidas para cada beneficiário do programa eram acordados entre o empregado e seu líder imediato no início de cada ano calendário e lançados no sistema eletrônico da empresa, denominado de GPS. Entretanto, esclarece a Fiscalização que a empresa não comprova o que informa, pois não existem documentos emitidos com as assinaturas dos contratos (metas) dos diversos participantes/beneficiários. Salienta a Fiscalização que embora tenha havido o estabelecimento de metas a serem cumpridas pelos empregados, para justificar o pagamento de lucros e resultados da folha de pagamento (1578 PLR GEDP), não é possível a comprovação da aprovação das metas pelos empregados beneficiários, nem mesmo de que essas metas tenham sido discutidas entre as partes interessadas. As metas eram registradas no sistema denominado de GPS e atualizadas pelos próprios beneficiários, existindo ainda avaliações individuais realizadas pelos superiores imediatos, o que torna subjetiva tais avaliações. A empresa adotava um sistema de incentivos salariais, a exemplo do utilizado pelas grandes corporações, para remunerar seus principais executivos (remuneração estratégica), que tinha por objetivos alinhar interesses da companhia e de seus acionistas à atuação dos profissionais da organização. Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.010 7 Conclui a Fiscalização que a remuneração estratégica nada mais era que uma combinação equilibrada de diferentes formas de remuneração, tais como: remuneração funcional (planos de cargos e salários); salário indireto (aluguel da moradia, clube e automóvel custeados pela empresa); remuneração por habilidades; remuneração por competências; planos privados de aposentadorias; remuneração variável e participação acionária. e) CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A DIRETORES (SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS) Levantamento LU PLR GEDP DIRETORES. Auditadas as folhas de pagamento dos anos calendários de 2009 e 2010, disponibilizadas em meio digital, formato MANAD, constatou a Fiscalização pagamentos de lucros ou resultados aos diretores (não empregados) na rubrica "1578 PLR GEDP", nas competências 05/2009; 06/2009; 11/2009; 05/2010 e 12/2010, cujos valores não foram incluídos nas bases de cálculo da contribuição previdenciária. f) PAGAMENTO A COOPERATIVA DE TRABALHO Levantamento: CO Cooperativa Trabalho A empresa apresentou planilha preenchida com os valores das bases de cálculo da contribuição previdenciária devida em cada competência, por dependência, visando comprovar os recolhimentos parciais efetuados, independentemente da prestação da informação nas GFIP, cujos valores de INSS devidos teriam sido objeto de GPS. A Fiscalização emitiu Termo de Intimação Fiscal TIF 007, recebido pela empresa em 24/06/2014. Em seguida a empresa apresentou apenas uma planilha em"CD" com informações já disponibilizadas anteriormente e que não atendia ao solicitado na intimação. Assim, em razão da falta de comprovação dos valores efetivamente recolhidos e que não foram informados em GFIP, a Fiscalização decidiu efetuar a autuação das diferenças positivas verificadas, mensalmente na comparação das bases encontradas em pesquisas efetuadas na contabilidade da empresa, em comparação com os valores informados nas GFIP. Para efeito de apuração das bases de cálculo sujeita a tributação foram identificadas as cooperativas pelo tipo de serviço prestado, saúde (plano de saúde), transporte e geral, aplicadas as reduções previstas na legislação, quais sejam: para cooperativa de saúde redução de 70% da base de cálculo (15% sobre 30% do total da nota fiscal/fatura), para cooperativa de transporte 80% de redução da base de cálculo (15% sobre 20%) e geral (prestadores de serviços) sem redução, sendo aplicada a alíquota de 15% sobre o total da nota fiscal/fatura, conforme demonstrado no ANEXO V do relatório. Os serviços prestados por cooperativas de trabalho de "assistência médica, foram tributados com redução da base de cálculo de 70%, ou seja, 15% sobre a base de 30%; conforme Inciso I do art. 219 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009. Os serviços prestados por cooperativas de trabalho de "transportes" foram tributados com base no art. 218, Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009. Fl. 3013DF CARF MF 8 Os demais serviços prestados por cooperativas de trabalho foram tributados sem redução da base de cálculo, à alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal, conforme previsto no art. 22, da Lei n° 8.212/91. Ainda, os valores lançados foram acompanhados de multa de ofício correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) incidentes sobre as contribuições devidas, partes patronais, com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/96, nos termos do artigo 35A da Lei nº. 8.212/91. Foi formalizado processo de "Representação Fiscal para Fins Penais" (15504.724697/201418), por ter sido constatado, pela Fiscalização, fatos que "em tese" configuram crimes contra a Seguridade Social, definidos na Lei nº. 9.983/00, que acrescentou o art. 337A, inciso III, ao Decreto Lei nº. 2.848/40. A empresa apresentou tempestivamente impugnações (fls. 1111/1155 e 1746/1801) que foram julgadas pela DRJ/SPO, sendo proferido o Acórdão nº. 1666.016 (fls. 2778/2820) que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. O anexo do Auto de Infração intitulado "Relatório de Vínculos” apenas lista as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo no julgamento administrativo a apreciação do conteúdo desta peça, à qual será enviada às autoridades competentes em momento oportuno. CONVENÇÃO COLETIVA / ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções Coletivas / Acordos Coletivos de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE A alteração do crédito tributário deve ser baseado em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PERÍCIA A apresentação de documentos, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, com observância das determinações previstas nos Decreto nº 70.235/72 e nº 7.574/2011. Para a realização de perícia devem ser levado em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.011 9 feita no corpo dos autos. Caso contrário, deve ser indeferido, conforme o disposto no art.18 do Decreto nº 70.235/72 c/c o art.35 do Decreto nº7.574/11. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Entendese por saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento, a segurado empregado, de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃOEMPREGADO. SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título no decorrer do mês. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada a administradores não empregados. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA É legítima a cobrança de contribuições destinadas à Seguridade Social, com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Fl. 3015DF CARF MF 10 O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição, incidindo contribuição destinada aos Terceiros. A recorrente foi intimada eletronicamente do mencionado acórdão, conforme termo de fls. 2837, considerandose como data de ciência por decurso de prazo 09/04/2015 e apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 2838/2892, em 07/05/2015, onde alega: a) PRELIMINARMENTE: a.1) A exclusão dos corresponsáveis, por nulidade, ante o fato do "relatório de vínculos" não ter sido entregue pela Fiscalização à empresa quando da lavratura dos autos de infração, sendo que o mesma só fora entregue após despacho saneador nestes autos (fls. 2690/2692). Alega, ainda, que a questão já teria sido reconhecida pela própria decisão recorrida, pois aponta a inexistência de fundamentos da autuação que justifiquem a atribuição de responsabilidade pessoal das pessoas lá arroladas. Também menciona e requer a aplicação da Súmula nº. 88 do CARF; a.2) Nulidade da representação fiscal para fins penais: contesta a ausência de apreciação da matéria por parte da DRJ/SPO, pugnando pela apreciação das razões apresentadas para o fim de que este órgão administrativo se pronuncie quanto aos seguintes quesitos: (a) se as parcelas cobradas são devidas e o lançamento está correto e (b) ainda que correto o lançamento, se teria havido algum tipo de domo, máfé, burla à fiscalização, fraude ou algo que caracterizasse a instauração de procedimento criminal por alguma dessas condutas da ora recorrente; a.3) A necessidade de realização de prova pericial, que fora rejeitada pela DRJ/SPO, por entender esta se tratar imprescindível, já que a própria DRJ demonstrara a existência de dúvidas objetivas quanto a questão fáticas discutas e que, se analisadas pro porfissional especializado, demonstrariam a total subsistência da autuação. B) NO MÉRITO: b.1) Nulidade do auto de infração por erro na base de cálculo, por divergência demonstrada pelo contribuinte por meio de Laudo Contábil elaborado pelo profissional Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira (fls. 1247/1264), sendo constatadas divergências nas competências: maio/2009, junho/2009 e novembro/2009; b.2) Equívoco fiscal na consideração da alíquota das contribuições de terceiros, pois a recorrente possui convênios de cooperação com algumas entidades a que se destinam as contribuições que lhe garantem a redução da alíquota aplicável; b.3) Do cumprimento dos ditames constitucionais e legais da participação nos lucros e resultados: b.3.1) Os valores distribuídos a título de PLR possuem imunidade, portanto a disposição constitucional deve ser interpretada de maneira ampla, impedindose restrições na sua aplicação pelos regramentos impostos pela Lei nº. 10.101/00; b.3.2) os artigos 2º e 3º da Lei nº. 10.101/00 exigem somente regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação dos valores negociados, para que não haja a incidência tributária, sendo que as exigências feitas pela Fiscalização no presente caso (tais como necessidade de estabelecimento de indicadores, índices de Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.012 11 produtividade, metas, resultados, prazos etc) são meramente facultativos e não podem ser suscitados para fins de ensejar a incidência tributária sobre a PLR; b.3.3) A estrutura do programa espontâneo, e posteriormente convalidado pela negociação coletiva, resta inabalável e cumpre os requisitos legais e, de fato, remunera os empregados pelo plus além das obrigações contratuais, visando a melhoria dos resultados e /ou lucros da empresa. O referido programa possui indubitavelmente a natureza jurídica de PLR, pois (i) funciona como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; (ii) serve de incentivo à produtividade e está vinculado á existência de resultados positivos; (iii) são fixadas regras claras e objetivas, com ampla divulgação aos funcionários atingidos e (iv) existem claros mecanismos de aferição de resultados. Especificamente quanto às características do PLR, apresenta as razões acerca de cada um dos seus aspectos: · Especificamente para o pagamento da PLR, este sistema de avaliação é desdobrado em dois modelos denominados "PME" e "GEDP". Os programas possuem o mesmo "DNA", ou seja, nascem de diretrizes estratégias e operacionais (metas) estabelecidas no GPS, o qual busca anualmente acertar os rumos da empresa frente a um mercado cada vez mais competitivo. Tais programas espontâneos se desdobram em dois (PME e GEDP) por razões também de gestão. O primeiro é aplicável aos empregados operacionais, onde não vale uma meta individual, mas a atuação da empresa como um todo (metas gerais) e a atuação da equipe de trabalho (metas por equipe); já o segundo avalia a performance individual, mas sem abrir mão das metas gerais, pois como dito a origem de ambos os programas se alinha com a direção que a empresa pretende ter no mercado; · Para além de tais planos espontâneos, como bem alerta o próprio relatório fiscal, os valores de PLR são negociados anualmente entre a empresa e o Sindicato, levando em consideração os resultados financeiros da Companhia e a rentabilidade do negócio; · Os planos espontâneos acabam sendo ratificados pela negociação coletiva que estabelece, ainda, um plus em decorrência dos resultados acima mencionados. Faz menção às cláusulas dos Acordos Coletivos firmados com o Sindicato para os anos de 2009 e 2010; · Conforme previsto nos próprios acordos coletivos, o pagamento da participação nos lucros e resultados foi feito observandose um valor mínimo, proporcional ao salário dos empregados, complementado com os valores percebidos em razão do alcance das metas estipuladas nos Programas Espontâneos. Inclusive, para maior didática ao empregado, o pagamento é segregado em rubricas, mas em momento algum ferem a periodicidade ainda que segregadas são pagas na mesma data, conforme admitido pela própria fiscalização; · Os planos buscam adequarse à realidade de cada uma das áreas e unidades da empresa: para os empregados lotados nas unidades operacionais, o Plano de Metas por Equipe revelase mais adequado às necessidades de estímulo da produtividade e lucratividade da empresa, Fl. 3017DF CARF MF 12 considerada a abrangência do processo produtivo ali desenvolvido; nas unidades administrativas e para algumas funções específicas desempenhadas nas unidades operacionais, o Plano de Metas por Equipe não seria tão eficaz, haja vista a maior especificidade e pessoalidade das tarefas; · O documentopiloto que embasou o PME no período autuado dispunha a forma de pagamento da PLR tendo por base a necessidade de alavancar o desempenho das equipes através da remuneração variável, focada no estabelecimento de resultados operacionais (metas) e organização por equipe (cada um tendo seu próprio conjunto de metas); · Esta plano espontâneo (PME) vem sendo aplicado na empres ahá muito anos, assim, a forma de operacionalização já é do conhecimento de todos os empregados, o que dispensa a empresa de fornecer aos novos funcionários cartilhas explicativas sobre a forma de apuração da PLR com base no PME; · Há um "Comitê do PME" formado pelos gerentes das equipes e/ou superior imediato que tem como objetivos principais, assegurar o nivelamento das metas das várias equipes e verificar a ligação das metas de cada equipe com seus clientes e fornecedores internos; · Caso as metas sejam aprovadas pelo Comitê do PME, elas são apresentadas paras as equipes, quando são efetivamente aprovadas pelos empregados envolvidos no programa, havendo a assinatura do contrato das metas; · As metas são estabelecidas por, no máximo, 06 meses (período válido de cada ciclo do PME), sendo desdobradas mês a mês; · Os resultados obtidos mensalmente pelas metas são transformados em pontos que em seguida são somados para verificação e indicação do desempenho da equipe. Os pontos transformados darão o resultado em percentual do salário a ser recebido pela equipe, conforme tabela apresentada; · O PME não é "apenas" um programa de participação nos resultados, mas o envolvimento efetivo do empregado com a melhoria contínua da empresa frente aos desafios do mercado, bem como uma forma de valorizar o bem que a recorrente considera seu maior patrimônio: o empregado; · Com relação ao GEDP, tratase de Programa de Remunração da PLR para empregados das categorias técnico de nível universitário especializado (TNUE), analista consultor (TNUA), consultor (TNUC), Gerente, Gerente Executivo, Diretor e Diretor Presidente; · O GDEP se baseia em metas gerais (empresariais) e em metas individuais dos empregados, todas previamente ajustadas entre as partes, as quais são definidas conforme a peculiaridade de cada função; Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.013 13 · O GDEP dispõe os critérios de cálculo da participação, os resultados esperados e a forma de pagamento, consideradas as regras de cálculo baseadas no desempenho da empresa e no desempenho individual; · As metas eram contratadas com os empregados e lançadas no sistema de forma particularizada por empregado, considerado o seu perfil de competências, a função desenvolvida e ainda as observações sobre as especificidades do trabalho desenvolvido ao longo do ano, cursos de aprimoramento e recursos disponíveis; · O valor do pagamento da PLR a receber é resultado da multipicação dos fatores bônus target (% por nível funcional regra ArcelorMittal) x Salary Multipliers (resultado empresarial) x Resultado individual x salário recebido pelo empregado no ano; · Os programas (PME e GDEP) e os valores pagos a título de PLR buscam a efetiva integração do empregado com o capital e as diretrizes da empresa, o aumento da produtividade, assim como possibilitam que os empregados, mediante negociação com participação do sindicato, tenham ciência, previamente ao esforço e seu consequente resultado, do quanto será destinado ao pagamento de PLR, qual seu ganho individual (direitos substantivos) e as regras, objetivos, formas, meios para se atingir esse ganho. b.4) As estipulações do PLR constantes dos acordos coletivos b.4.1) Alega o equívoco da fiscalização em se prender a data da assinatura do acordo, dando a este fato que não haveria negociação prévia, mas deixa de se atentar à existência do PME e do GDEP, vigentes desde o início do exercício; b.4.2) Cita que a jurisprudência do CARF reconhece a possibilidade da pactuação do ACT ser posterior ao exercício a que se refira, desde que seja realizada prévia à data do pagamento; b.4.3) Em que pese não constar nos ACT´s, de forma exaustiva, a definição das metas de resultados e as formas de avaliação do atendimento das metas, pois estas se davam através dos programas existentes; b.5) PLR paga conforme o plano PME Cumprimento dos requisitos da Lei nº. 10.101/00 b.5.1) Para melhor gestão dos resultados da empresa e dos empregados, adota um modelo de participação baseada na apuração de metas de seus empregados, com explicita aprovação do sindicato nos acordos coletivos firmados; b.5.2) A ausência de enumeração exaustiva de tais metas no acordo se dá por uma impossibilidade operacional, pois seria um absurdo exigirse que as metas de todas as equipes constassem em um único documento e de difícil formalização, tal como os acordos coletivos. Neste sentido, a forma de estruturação do PME ganha força e relevância, pois permite a flexibilidade da empresa e dos empregados na negociação e apuração das metas; Fl. 3019DF CARF MF 14 b.5.3) A Lei nº. 10.101/00 não impõe qualquer critério temporal para avaliação e pagamento da participação nos lucros e resultados. A lei apenas exige regras claras e objetivas, o que o de certo constou dos acordos e dos Programas adotados pela empresa no período; b.5.4) Na contratação das metas com as equipes, a empresa se vale da existência de um comitê formado por alguns empregados, que contratam e avaliam as metas projetadas semestralmente. E, ainda, que não houvesse a assinatura de todos os empregados nos instrumentos por eventual ausência, férias, ou qualquer outro motivo as metas são divulgadas para as respectivas áreas e ficam afixadas em cartazes espalhados nas referidas áreas da empresa, conforme comprova a documentação fora juntada as autos; b.5.6) Visando comprovar a completa transparência do Programa, a Recorrente providenciou junto a alguns empregados das diferentes áreas da empresa declarações em que estes atestam a forma de gestão do PME, no período autuado, bem como a seriedade do Programa e a efetiva participação coletiva, tendo referidas declarações sido juntadas aos autos em sede de impugnação; b.6) PLR paga conforme o plano GEDP Cumprimento dos requisitos da Lei nº. 10.101/00 b.6.1) O GDEP é um programa mantido pela empresa de forma espontânea, que assim como PME, faz parte de um projeto maior da empresa para gestão dos resultados (GPS), tendo por respaldo o art. 3º, § 3º da Lei nº. 10.101/00, que permite expressamente a existência de planos espontâneos para pagamento da PLR; b.6.2) A comprovação da forma de contratação de metas e resultados para cada empregado resta evidente pelas próprias telas do Sistema de Gestão do Desempenho juntadas à impugnação, comprovando que as metas contratadas são lançadas no sistema ao início de cada exercício, sendo avaliadas e apuradas pelos gestores de forma perene; b.6.3) O acesso ao Sistema e a alocação das metas individuais são feitas pelos próprios empregados, sendo gerada, ao final de cada exercício de apuração, uma avaliação global dos critérios de desempenho considerados; b.6.4) O Recorrente entende que os documentos anexados à Impugnação demonstram e comprovam a efetiva existência de um sistema de gestão do desempenho, que leva em consideração os inúmeros critérios estabelecidos, o desempenho da empresa como um todo e do empregado, consideradas as atribuições e peculiaridades inerentes ao cargo; b.6.5) A Lei nº. 10.101/00 não cria qualquer espécie de vedação à avaliação dos participantes estar alocada nas mãos do superior hierárquico. No que tange as funções desempenhadas pelos empregados inclusos no GEDP, com maior especialidade técnica e nível de formação, não se pode imaginar outra forma de avaliação que não a dos superiores imediatos, os quais poderão mensurar o efetivo desempenho com base nas atribuições inerentes ao cargo e em virtude das metas de desempenho já contratadas; b.6.6.) A Recorrente investe em sistemas atuais e aprofundados de gestão do desempenho, trabalha com as equipes e de forma individual, busca um sistema de avaliação que privilegie a integração e a efetiva produtividade; b.7) Da exclusão da base de cálculo da participação nos lucros e resultados paga a diretores não empregados Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.014 15 b.7.1) A Fiscalização equivocase quando entende que os pagamentos feitos a diretores a título de PLR devem compor o salário de contribuição para todos os fins, pois deixa de motivar adequadamente o lançamento, olvidandose da obrigação de demonstrar as características do pagamento (periodicidade, habitualidade, forma de estipulação, dentre outros) que ensejariam a confirmação da natureza salarial da parcela; b.7.2) No momento dos fatos geradores, a empresa possuía Diretores não empregados, ou seja, apenas estatutários, os quais são denominados contribuintes individuais e recebiam a PLR como todos os demais funcionários da empresa, na forma do Plano GEDP; b.7.3) O CARF já entendeu inúmeras vezes que a isenção das contribuições também alcançam à PLR para a diretores estatutários; b.7.4) Por conta da dicotomia existente no ordenamento jurídico pátrio acerca do pagamento da PLR aos administradores e, ainda, a insegurança jurídica, a Recorrente: (i) calcula a Participação nos Lucros na mesma metologia do Plano de seus empregados gerentes; (ii) constatado o valor a pagar, verifica se a Lei nº. 6.404/76 permite o pagamento e, em caso positivo, assim o faz, com a autorização de seus acionistas e provisão prévia em sua contabilidade. Portanto, para os Diretores, a empresa toma como parâmetro seu programa de gestão (Lei nº. 10.101/00) e coo limitador e autorizador a Lei nº. 6.404/76; b.7.5) As Leis 8.212/91 e 10.101/00 não teriam restringido o pagamento da PLR, nos moldes ali estabelecidos, à existência de vínculo empregatício entre empregador e trabalhador tal como afirma o relatório fiscal e repisa a decisão da DRJ razão pela qual seria possível o pagamento da PLR a trabalhadores sem vínculo empregatício; b.7.6) O artigo 152, § 1º e § 3º, e 162, § 3º, regulam a isenção da participação nos lucros paga aos diretores e conselheiros com as empresas de sociedade anônima, portanto, há autorização específica para o pagamento, sejam eles empregados ou não, desde que respeitados os critérios: a) fixação pelo estatuto da companhia do dividendo obrigatório seja de 25% ou mais do lucro líquido; b) que no exercício social a empresa tenha obtido lucro (a ensejar a distribuição da verba); e c) que a participação distribuída não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem um décimo dos lucros, respeitado o menor limite. b.7.6.1.) A recorrente comprovou ter cumprido com todas as exigências: (i) os contribuintes individuais elencados na autuação eram diretores eleitos pela Companhia à época da deliberação e recepção das verbas, conforme comprovaram as Atas da Reunião do Conselho de Administração Juntadas à Impugnação (doc. 16 Impugnação); (ii) através da leitura do Estatuto Social da Companhia, vigente à época, verificase a estipulação de um dividendo obrigatório mínimo de 25% do lucro líquido do exercício, tal como determina o § 1º do art. 152 da Lei nº. 6.404/76 (doc. 17 da impugnação); b.7.7) Ainda, deve ser julgado procedente o recurso voluntário nesse ponto, tendo em vista que a autuação é inepta, pois não declina os motivos pelos quais considerou a parcela integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias e as parcelas em questão estavam ligadas à participação nos lucros dos administradores, tendo a empresa seguido fielmente o que determinava a lei específica, qual seja, a Lei 6.404/76, bem como a Lei 10.101/00.; b.8) Dos valores pagos a cooperativas de trabalho Fl. 3021DF CARF MF 16 b.8.1) Os valores pleiteados pela fiscalização foram devidamente recolhidos pela Recorrente, conforme as guias de recolhimento juntadas no doc. 20 da impugnação administrativa; b.8.2) Ainda que por equívoco da empresa alguns dos referidos recolhimentos deixaram de ser declarados em GFIP, os valores lançados foram recolhidos, razão pela qual a cobrança empreendida nestes autos gera uma cobrança em duplicidade das contribuições. Requer diligência para a comprovação desta alegação; b.8.3) Com base na declaração de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre os serviços prestados por cooperativas, proferida no bojo do RE 595.838. em 23/04/2014, requer seja anulada o lançamento realizado com fulcro no dispositivo declarado inconstitucional (inciso IV do art. 22 da Lei nº. 8.212/91) É o relatório. Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.015 17 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. a) Preliminarmente a.1) Da nulidade por ausência do relatório de vínculos indicado no Relatório Fiscal A Recorrente pleiteia a nulidade da autuação fiscal ante o fato de, quando da ciência dos autos de infração, não constarem em seus anexos o "Relatório de Vínculos" que deveria lhe ter sido entregue. Esta ausência foi sanada, via despacho proferido nos autos às fls. 2692, determinando a juntada do referido relatório ao presente processo. Após a juntada dos documentos, foi a recorrente novamente intimada e reaberto prazo para apresentação de novas alegações que entendesse necessárias. Entendo que não assiste razão à recorrente, ao requerer a nulidade do lançamento pela ausência do referido relatório. Destaco, ainda, que o referido relatório foi posteriormente juntado, sendo a contribuinte cientificada acerca do mesmo. Não vejo como a ausência do Relatório de Vínculos seja uma nulidade apta a macular todo o processo, nos termos que dispõe o art. 59 do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não houve preterição do direito de defesa da contribuinte, de modo que nego provimento ao seu pedido de nulidade do auto de infração. Subsidiariamente, requer seja mantido o entendimento exarado da decisão recorrida, qual seja, que o referido relatório de vínculos tem finalidade meramente informativa e, no presente caso, não tem o condão de atribuir responsabilidade pelo crédito tributário aos diretores e empregados da recorrente mencionados no Relatório de Vínculos. Especificamente quanto a este pedido, ainda que desnecessária a sua apresentação em sede de recurso voluntário, correta está a decisão da DRJ de origem. De fato, nos presentes autos, não há qualquer menção à responsabilidade pelo crédito tributário, nos Fl. 3023DF CARF MF 18 termos do art. 135 do CTN (ou quaisquer outros) de seus representantes legais, administradores ou empregados. Este é, inclusive, o entendimento da Súmula 88 do CARF: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Assim, não há que se falar em nulidade do auto de infração por ausência do relatório de vínculos, tampouco de responsabilidade tributária atribuída a terceiros. a.2) Da Nulidade da Representação Fiscal para Fins Penais A Recorrente pleiteia que este colegiado se manifeste acerca da verificação ou não da existência de dolo, fraude, máfé, burla à fiscalização ou qualquer conduta que ensejasse a instauração de qualquer procedimento criminal. O acórdão recorrido assim se manifestou: 26.6. Nesse panorama, resta evidente que esta instância julgadora não é o fórum apropriado para decidir sobre o andamento/suspensão de Representações Fiscais para Fins Penais. No âmbito deste E. Conselho, ainda, destaquese o enunciado da Súmula CARF nº. 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, este relator e os demais conselheiros estão vedados a adentrar em eventuais discussões e/ou controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Todavia, não estamos impedidos de adentrar nas discussões acerca dos fatos e alegações presentes nos autos de infração, em especial, no Relatório Fiscal de fls. 37/74. E, no referido relatório, é possível afirmar que não há a imputação, tampouco a menção, de qualquer conduta criminosa ou fraudulenta da recorrente, bem como de quaisquer dos seus responsáveis. Como bem colocado pela decisão de 1ª instância, tem o ARFB responsável pelo lançamento, o dever funcional, plenamente vinculado, de proceder a formalização sempre que indicar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social. O crime mencionado pelo AFRFB (art. 337A, inciso III, do DecretoLei nº. 2.848/40 Código Penal) seria "omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias". Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.016 19 De fato, as razões intrínsecas à Representação Fiscal para Fins Penais serão discutidas em âmbito próprio e, por força do entendimento deste Conselho, não podem aqui ser discutidas. Porém, necessário se faz destacar que nos Autos de Infração objetos do presente recurso voluntário, em especial no Relatório Fiscal de fls. 37/74, não estão especificadas condutas de agentes da empresa recorrente que, minimamente, denotem a prática de delitos penais que não sejam, única e exclusivamente, a ausência de recolhimento de tributos por divergência de interpretação da lei tributária entre o AFRFB e a própria recorrente, especialmente quanto ao pagamento de valores relativos à Participação nos Lucros e Resultados da recorrente. a.3 Do pedido de perícia Conforme relatado, a peça recursal reitera o pedido de perícia realizado em sede de impugnação, nos seguintes termos: a.1) Favor informar se a empresa possuía, no período autuado, Acordo Coletivo de Trabalho prevendo o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados. Favor informar, ainda, os valores acordados e quais os empregados que são atingidos pelo pagamento; a.2) Informar se consta do programa PME/GEDP regras claras e objetivas quanto a fixação do direito à Participação dos empregados nos Lucros e Resultados a serem obtidos e ali especificados; a.3) Quanto ao programa PME/GEDP, informar como ele é desenvolvido, incluindo, mas não se esgotando: quais os objetivos dos Programas (se ligados aos resultados empresariais e individuais), qual a fórmula de cálculo da PLR constante de tais programas, quais as metas gerais e quais as metas individuais, acaso existentes, e como estas são aferidas; a.4) Informar se há um acompanhamento e a devida publicidade das metas estipuladas nos referidos planos no decorrer do período de apuração; a.5) Informar, se a própria Lei 10.101/00 prevê a possibilidade da empresa manter os seus planos próprios de participação nos lucros e resultados. Ainda, para o fim de atender a todos os requisitos do inciso V do art. 16 do Decreto 70.235/72, indica assistentetécnica pericial. Pois bem. Conforme verificado no relatório acima, a controvérsia instaurase em torno dos pagamentos realizados pela Recorrente a título de PLR e, mais especificamente, na existência ou não dos planos, bem como, da eventual existência de metas, modo de aferição e publicidade destas, para os planos existentes. Para exemplificar em parte a controvérsia, apresento os seguintes trechos: Item 2.4.23 do Relatório Fiscal (fls. 46/47): Fl. 3025DF CARF MF 20 Recurso voluntário, fl. 2863: Itens 2.4.32.2 e 2.4.32.6 do Relatório Fiscal (fls. 55 e 57), referentes ao Programa PME: Recurso Voluntário, fl. 2872, no tocante ao Programa PME: Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.017 21 Estas são algumas situações que exemplificam a controvérsia instaurada e que fazem este relator concluir pela necessidade da realização da perícia requerida pela impugnante, ora recorrente. Nos termos do art. 16, IV, e 18 do Decreto 70.235/72, a perícia deveria ser determinada pela autoridade julgadora de primeira instância que, no caso em tela, a entendeu desnecessária. Por questão de economia e celeridade processual, a fim de evitar a decretação de nulidade da decisão de 1ª instância para nova apreciação e determinação da realização de perícia, decido por transformar o presente julgamento em diligência, a fim de que sejam devidamente analisados e respondidos os seguintes pontos, sendo intimada a empresa recorrente para prestar esclarecimentos e/ou juntar documentos que se façam pertinentes para as respostas dos quesitos a seguir: 1) Apresentar todos os acordos coletivos que a empresa recorrida possuía no período autuado (anoscalendário 2009 e 2010) e informar se nestes acordos havia previsão de pagamento de Participação nos Lucros e Resultados, bem como quais os valores acordados e quais os seus beneficiários atingidos; 2) Verificar e informar se nos Programas PME e GEDP do período autuado haviam regras claras e objetivas quanto a fixação do direito à Participação dos empregados nos Lucros e Resultados a serem obtidos e ali especificados, e se estas regras eram de fato exteriorizadas aos participantes e como se dava essa publicidade; 3) Quanto aos programas PME e GEDP, informar, de forma clara e precisa, como estes são desenvolvidos, especialmente quanto aos seus objetivos (se ligados aos resultados empresariais e individuais), sua fórmula de cálculo para pagamento da PLR, quais as metas gerais e quais as metas individuais pactuadas, acaso existentes, e como estas são aferidas; 3.1) Quanto às metas questionadas no item 3), verificar e informar se há um acompanhamento e a devida publicidade daquelas nos referidos planos no decorrer do período de apuração; 4) A empresa Recorrente possui convênios com as entidades denominadas "Terceiros" que lhe confiram o benefício de Fl. 3027DF CARF MF 22 redução das alíquotas das contribuições destinadas a estas entidades? Se possuir, apresentar quais as alíquotas existentes e atualmente vigentes em cada um dos convênios existentes atualmente em vigor. Sendo assim, tão logo sejam prestados os esclarecimentos, devem os autos retornarem a este colegiado, devendo apenas observar a cientificação do recorrente para em desejando, manifestarse. b) Prejudiciais de Mérito b.1) Da alegação de nulidade por quantificação equivocada do crédito tributário O recorrente alega que trouxe ao presente processo administrativo fiscal laudo pericial (doc. 03 da impugnação – fls. 1884 e ss.) que demonstraria divergências na base de cálculo das contribuições previdenciárias e as contribuições de terceiros levantadas pela autoridade fiscal. Alega, ainda, que a decisão da DRJ não enfrentou devidamente as suas alegações e sequer trouxe os cálculos de verificação que corroborassem a alegação do referido acórdão de que não existem as divergências apresentadas pela recorrente. Primeiramente, mediante a análise do Laudo Contábil de fls. 1884 e ss., não vislumbro as incorreções apontadas pelo mesmo. Em que pese a demonstração de divergências em 3 (três) competências (maio/2009; junho/2009; novembro/2009), não verifico a comprovação inequívoca dos erros tidos por cometidos pela autoridade fiscal. Falta, ao referido laudo, melhor demonstração documental acerca das constatações, bem como que se utilizou dos mesmos documentos apresentados pela recorrente ao AFRFB. Assim, ainda que apontadas divergências nas bases de cálculo nas 3 (três) competências já mencionadas, não se faz necessária a realização de nova diligência, como requerido pela recorrente. Isto posto, afasto a referida prejudicial de mérito acerca de eventual nulidade do crédito tributário lançado e necessidade de nova diligência. b.2) Equívoco fiscal na consideração da alíquota das contribuições de terceiros Alega a recorrente que a autoridade fiscal aplicou alíquota indevida com relação aos Terceiros (5,8%), pois possui convênios de cooperação com algumas das entidades a que se destinam às contribuições e que lhe garantem a redução da alíquota aplicável. Afirma que referidos termos encontramse às fls. 1232 e ss. Analisandoos, quanto ao Convênio de Cooperação nº. 32100018/2001 e suas respectivas alterações, firmado com o SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL (SENAI), há autorização à ACESITA S/A (CNPJ nº. 33.390.170/001312) realizar a retenção de 10% (dez por cento) do valor da contribuição geral a que está legalmente obrigada, conforme fl. 1233: Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.018 23 Posteriores termos de retificação e ratificação do referido Convênio de Cooperação nº. 32100018/2001 não fazem qualquer alteração da referida condição, sendo que, neste caso, a recorrente faz prova da existência de condição para aplicação das alíquotas reduzidas, no tocante às contribuições destinadas ao SENAI. Quanto ao Convênio nº. 22/92, firmado com o SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA – SESI, a recorrente traz, somente, o “TERCEIRO TERMO DE ADITAMENTO” (fls. 1244 e ss.), o qual não faz menção à redução de alíquotas da contribuição, e não apresenta o convênio originário. A conclusão do AFRFB foi a seguinte, na lavratura do Auto do Infração (fl. 39): Ocorre que, analisando o DD Discriminativo do Débito (fls. 25/34) o AFRFB se utiliza das seguintes alíquotas para o cálculo da contribuição previdenciária devida aos terceiros: ESTABELECIMENTO (CNPJ) ALÍQUOTA 33.390.170/000189 3,3% 33.390.170/000502 3,3% 33.390.170/001070 3,3% 33.390.170/001150 3,3% 33.390.170/001312 5,8% 33.390.170/131445 3,3% Fl. 3029DF CARF MF 24 Como se vê, sem maiores explicações temos a aplicação da alíquota – aparentemente – reduzida para 5 (cinco) estabelecimentos e a alíquota maior para o estabelecimento de CNPJ nº. 33.390.170/001312. Ante o exposto, entendo que o recurso voluntário, no ponto específico, merece parcial provimento para o fim de que a alíquota da contribuição destinada a terceiros referente ao CNPJ nº. 33.390.170/001312, aplicada no montante de 5,8% pela autoridade fiscal, seja recalculada considerandose a existência de convênio perante o SENAI reduzindo se a 3,3%, como aplicada aos demais estabelecimentos da recorrente. Mérito c) Das contribuições previdenciárias incidentes sobre a PLR e os requisitos da Lei nº. 10.101/2000 A discussão central do mérito do presente processo administrativo é o pagamento pela empresa recorrente de participação nos lucros a seus empregados e diretores. Enquanto a contribuinte alega que realizou tais pagamentos dentro dos ditames legais, respeitando as regras e requisitos constitucionais e infralegais, no entender da autoridade fiscal tais regras não foram respeitadas e, por isso, referidos pagamentos deveriam se sujeitar à incidência das contribuições previdenciárias. O pagamento de PLR e suas repercussões tributárias estão previstos na Constituição Federal, art. 7º, inciso XI, Lei nº. 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea “j” e Lei nº. 10.101/00: Constituição Federal: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Lei nº. 8.212/91: Art. 28. (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Lei nº. 10.101/00: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.019 25 entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Fl. 3031DF CARF MF 26 Primeiramente, entendo que deve ser afastada a alegação da recorrente de que a previsão constitucional do art. 7º, XI, por si só, configura imunidade à participação nos lucros e resultados percebidos pelos trabalhadores e, consequentemente, seria ilegal as estipulações impostos para fins de evitar a incidência tributária (entendase Lei nº. 10.101/00). Como se vê do próprio texto constitucional, este atribuiu à legislação infraconstitucional a regulação sobre a definição do pagamento sobre lucros ou resultados. Esta é, inclusive, a própria conclusão de acórdão mencionado pela recorrente em sede de recurso voluntário (Acórdão nº. 2401003.112): A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trab alho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, mormente por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na Lei nº 10.101/2000. (grifo nosso) Assim, entendo que a interpretação a ser empregada deve conjugar os dispositivos acima elencados, entendendose o comando constitucional que, é, sim, imunidade, como pacificamente reconhecido pela doutrina, o que todavia não significa deixar de reconhecer e atender aos requisitos da legislação infraconstitucional, que o regulam, interpretandoos em conjunto com a disposição e a intenção do constituinte. Pois bem. Assim, passamos a analisar os pagamentos realizados pela recorrente a título de PLR que, de acordo com a fiscalização, deixaram de cumprir determinados requisitos legais e, assim, sofreram a incidência das contribuições previdenciárias. Utilizaremos a mesma didática apresentada no Relatório Fiscal de fls. 37/74. c.1) RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO: “0886 – PAGAMENTO PME” e “0894 – PARTICP LUCROS RESULT” (Período 01/2009 a 12/2010) Para as específicas rubricas, concentrase o lançamento nos seguintes pontos: a) Os Acordos Coletivos firmados em texto único para todos os empregados preveem o pagamento de PLR em valor mínimo, independente do cumprimento de metas ou a obtenção de resultados (lucros) pela APERAM, conforme as cláusulas dos acordos coletivos reproduzidas, configurandose verdadeira gratificação semestral ajustada, desvirtuando completamente as disposições constantes dos artigos 2º e 3º da Lei 10.101/00; b) Não houve o estabelecimento de metas a serem cumpridas pelo empregados, de maneira a justificar a não incidência da contribuição previdenciária para o período fiscalizado, uma vez que os pagamentos ocorreram com base nos acordos coletivos de trabalho que são instrumentos de negociação genéricos que não estabelecem critérios e condições claras e regras adjetivas para distribuir lucros aos empregados; Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.020 27 c) Todos os acordos coletivos assinados aprovaram o pagamento de lucros e resultados de períodos já encerrados, quais sejam, acordo assinado em 05/12/2008, aprovou o pagamento de lucros ou resultados do ano calendário de 2008 (primeiro e segundo semestre), o acordo assinado em 05/01/2010, aprovou o pagamento de lucros ou resultados do ano calendário 2009 (primeiro e segundo semestre) e o acordo assinado em 26/01/2011, aprovou o pagamento de lucros e resultados de 2010 (primeiro e segundo semestre). Assim, necessário se faz analisar as razões que ensejaram o lançamento acerca das rubricas em comento. c.1.a) Previsão de pagamento de PLR independente do cumprimento de metas, conforme estipulação do Acordo Coletivo de Trabalho Como o período em análise alberga os lançamentos do período de 01/2009 a 12/2010, os Acordos Coletivos atinentes são os que afetam os seguintes períodos: 11/2008 a 10/2009; 11/2009 a 10/2010; e 11/2010 a 10/2011. Eis as cláusulas reproduzidas pelo AFRFB: Como se vê, todas as cláusulas fazem menção ao PME – Plano de Metas por Equipe. E vejamos o que dispõe a Lei nº. 10.101/00 que, segundo o AFRFB, teria sido violada: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 3033DF CARF MF 28 I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria: II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifos nossos) Não há dúvidas que, no corpo dos instrumentos de Acordo de Convenção Coletiva não constam todas as regras de medição, aferição e pagamento de PLR. Mas a primeira pergunta que deve ser respondida é a seguinte: a lei exige que tais regras constem, expressa e detalhadamente, no Acordo Coletivo? A resposta que nos parece óbvia é a de que não. Vejase que a redação do parágrafo primeiro é bastante clara, inclusive: “dos instrumentos decorrentes da negociação...” e, como percebido pelo próprio AFRFB, as cláusulas acima mencionadas fazem expressa menção ao “PME – PLANO DE METAS POR EQUIPES”. A necessidade (ou não) de estipulação no próprio acordo ou convenção coletiva de todas as regras e cláusulas para aferição e pagamento de PLR não é matéria nova neste e. Conselho e, é a mesma ora oferecida. Vejamos conclusão exarada pela então Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Acórdão nº. 2401003.487): As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitosno próprio documento, ou em documento apartado, mas des de que cumprase o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. Pois bem. Destacamos o mencionado pelo AFRFB na fl. 44: Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.021 29 Ora, resta inconteste que os programas de metas (PME e PLRGDP) foram disponibilizados pela recorrente à fiscalização. Assim, no tocante as rubricas ora em análise, o argumento de ausência de estipulação de metas nos Acordos Coletivos deve ser afastado, ante as razões acima expostas. c.1.b) Ausência do estabelecimento das metas a serem cumpridas pelos empregados nos Acordos Coletivos de Trabalho O seguinte ponto da acusação fiscal embasase na ausência da estipulação das metas e condições a serem cumpridas pelos empregados no corpo do Acordo Coletivo de Trabalho. Reproduzo o relatório fiscal (fls. 46/47): Fl. 3035DF CARF MF 30 No mesmo sentido, foi o fundamento da decisão recorrida, corroborando os argumentos da acusação fiscal: Todavia, não nos parece crível, tampouco razoável exigir que as metas dos planos de metas da recorrente, e de qualquer outro contribuinte, constem expressa e detalhadamente no Acordo Coletivo de Trabalho. Ora, no presente caso, tratase de pessoa jurídica com centenas (ou milhares) de funcionários, com dezenas (ou centenas) de setores operacionais e administrativos, sendo absolutamente ilógico se exigir que tais metas estejam expressas no acordo do Acordo Coletivo de Trabalho. Ademais, destacase, este também não é o comando da Lei nº. 10.101/00, que exige que as metas sejam de conhecimento prévio dos trabalhadores e posteriormente divulgadas a estes, que incentivem a sua produtividade e existam mecanismos de aferição de resultados. Ora, para que tais objetivos sejam atingidos, tem que estar expressamente contidos no ACT? O fato de constarem em programas próprio, mantidos pela empresa e que sejam exteriorizados aos funcionários, posto que com eles discutidos e a eles divulgados, desnatura a verba paga a título de PLR? Dar aos dispositivos da Lei nº. 10.101/00 a interpretação absolutamente restritiva, bem como descolada da realidade dos fatos e do mercado de trabalho, é simplesmente querer criar mecanismos de inviabilizar o pagamento de participação nos lucros para o fim de se exigir a contribuição previdenciária incidente sobre tais, como se salários fossem. Porém, não foi esta a intenção do constituinte e do legislador infraconstitucional. Este E. Conselho em outras oportunidades já enfrentou a questão e assim decidiu, em casos julgados e decididos por voto da maioria, e não de qualidade, de onde deve ser extraída a essência da jurisprudência desta casa, qual seja, pelas razões de decidir e não pelos seus simples resultados: Mais a mais, a maioria dos Acordos e/ou Convenções Coletivas são elaboradas por Sindicados das respectivas categorias de maneira ampla, o que não impede as empresas participantes de melhor aclarar o regramento geral prestabelecido levando em consideração suas especificidades, conquanto que não contrarie os termos do Acordo. Em outras palavras, a partir de um Acordo e/ou COnvenção Coletiva contemplando o Programa de PLR de modo geral para Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.022 31 determinada categoria, poderão as empresas interessadas se aprofundar nas condições a serem cumpridas por seus funcionários para o recebimento de tal verba, admitindo com mais especificidades as peculiaridades de cada uma, conquanto que tais diretrizes, igualmente, sejam de conhecimento de todos os funcionários, com o fito de lhes conferir a devida segurança de que receberão sua participação nas hipóteses de atingimento das metas/objetivos estabelecidos. (CARF, Acórdão nº. 9202 003.105 2ª Turma CSRF, 25/03/2014) No mesmo sentido, quanto à interpretação da Lei nº. 10.101/00, em acórdão unânime: A desdúvida, temos que a participação nos lucros é um direito do trabalhador, e com esse viés constitucional a norma deve ser interpretada, pois não se pode dar sentido à norma protetora de modo a lhe conferir caráter penalizador, pois esta não é a previsão Constitucional, pelo contrário. Caso assim fosse, perderia seu sentido. (CARF, Acórdão nº. 2803002.552, 3ª Turma Especial da 2ª Seção, 18/07/2013) A questão que precisa ser respondida é: O FATO DAS REGRAS NÃO CONSTAREM EXPRESSA E DETALHADAMENTE NO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO IMPLICA EM DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DA LEI Nº. 10.101/00? No caso presente, haja vista a existência de programas de aferição de metas e resultados (como reconhecido pelo AFRFB), a resposta é NÃO, devendo este fundamento (ausência de menção expressa das regras no ACT) ser afastado para o fim de descaracterização do pagamento a título de PLR nas rubricas ora em análise. c.1.c) Os Acordos Coletivos de Trabalho firmados aprovam pagamento de períodos já encerrados No referido ponto, segundo o AFRFB, os Acordos Coletivos de Trabalho firmados aprovaram o pagamento de períodos já encerrados, o que feriria a anterioridade da pactuação, nos termos da Lei nº. 10.101/00. Nos termos do Relatório Fiscal: Como se vê, o fundamento para desconsideração dos pagamentos a título de PLR se deu (somado aos demais) pelo fato de os acordos coletivos assinados se referirem ao pagamento de lucros ou resultados a períodos anteriores a assinatura. Fl. 3037DF CARF MF 32 Todavia, em complementação a fundamentação apresentada no tópico "c.1.b", entendo que tal fato não deve implicar, por si só, a descaracterização do pagamento dos lucros ou resultados. Explico. Se as metas, regras, mecanismos de aferição e demais características dos planos para pagamento da PLR não necessitam estar expressamente contidos no Acordo Coletivo de Trabalho, por qual razão exigir que o referido acordo seja pactuado previamente? Importante destacar que, o que deve ser buscado é se, e somente se, as pessoas sujeitas aos pagamentos de PLR tinham o conhecimento das regras dos referidos programas. Eis o que dispõe a própria Lei nº. 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifamos) Ora, a própria lei estabelece que os programas de metas, resultados e seus prazos podem ser "pactuados previamente". Mais uma vez, precisase interpretar os fatos buscandose a sua realidade e a real intenção do legislador, constitucional e infraconstitucional. Portanto, o que deve ser analisado nos pagamentos das referidas rubricas é o seguinte: OS PAGAMENTOS REALIZADOS FORAM FEITOS À MARGEM DO CONHECIMENTO DOS SEUS BENEFICIÁRIOS ACERCA DA EXISTÊNCIA DE MECANISMOS E/OU AFERIÇÃO DE METAS, SEM A EXISTÊNCIAS DE REGRAS E A SUA DIVULGAÇÃO? Ao que nos parece, não. Tampouco o AFRFB aprofundouse nessa verificação. Como se viu dos fatos acima, o fato para a desconsideração foi a análise objetiva da data dos pagamentos e a data da assinatura dos acordos coletivos. Assim já decidiu a 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho, por maioria de votos (4x2) acerca deste ponto específico: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). Uma vez comprovado que os segurados tinham prévio conhecimento das metas e demais requisitos para o benefício, Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.023 33 ainda que a assinatura do acordo seja posterior ao exercício de apuração, entendese cumprida e superada a exigência legal. Assim, sendo o fundamento do auto de infração a assinatura dos acordos coletivos em períodos posteriores aos a que se refiriam os pagamentos, o fato de toda a documentação costada ao processo administrativo fiscal (fls. 1309 e seguintes) demonstrarem, inequivocamente, que desde o início do ano de 2009 estavam firmados os planos de metas, métodos de avaliação, divulgação de resultados etc, atestam que este requisito (conhecimento e negociação pelos empregados) estava atendido para este período. Portanto, afastado o referido fundamento (data da assinatura do Acordo Coletivo) para os lançamentos referentes às competências dos anoscalendários 2009 e 2010, que são os que tiveram provas apresentadas no presente processo (fls. 1309 e ss.). c.2) PAGAMENTOS DE LUCROS E RESULTADOS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO: "0887 PLR META POR EQUIPE" E "0895 PLR META GERAL" No referido tópico, a fiscalização aponta como fundamentos para a realização do lançamento: Como se vê, o AFRFB reconhece que houve o estabelecimento de metas a serem cumpridas pelos empregados. Porém, entende que no regulamento dos planos não constaram as referidas metas. Aqui se faz importante a seguinte observação: dentro do contexto analisado pelo AFRFB, pelas próprias conclusões por ele obtidas, significa que a empresa não estabelecia as metas, estas não eram informadas a seus empregados (nem negociadas com estes) e nem existiam meios de aferição das mesmas? Fl. 3039DF CARF MF 34 A título de destaque, vejamos os períodos em que eram aprovados os planos e o "prazo" que fez o AFRFB invalidálos (a título exemplificativo, dois dos semestre indicados no Relatório Fiscal): Cabe a reflexão: a meta do primeiro semestre de 2010 ser aprovada em janeiro daquele ano, implica em inviabilizar o programa? Vejase que para o referido semestre, a aprovação mais tarde se deu na primeira quinzena de março, ou seja, na primeira metade do terceiro mês do semestre. Em que pese a conclusão do AFRFB, corroborada pelo acórdão a quo, tais dados não impedem que essas metas sejam consideradas. Mais uma vez, vemos as regras do sistema serem interpretadas de modo absolutamente restritivo, esquecendose, novamente, do intuito do constituinte e do legislador infraconstitucional, qual seja, não fazer incidir a contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados. Às fls. 1964 e ss. está o quadro de acompanhamento do Plano de Metas por Equipe PME. A mesma interpretação deve ser dada as seguintes constatações: · O regulamento do plano não foi arquivado/registrado nos Sindicatos dos empregados; · Não houve a aprovação de alguns empregados; · Algumas equipes tiveram metas baseadas em resultados de outras equipes. Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.024 35 Quanto ao registro/arquivamento no sindicato, destacamos, mais uma vez, que não há esta exigência na Lei nº. 10.101/00. O que deve ser arquivado é o Acordo Coletivo (§ 2§ do art. 2º da Lei nº. 10.101/00), o qual foi. Alguns empregados não terem aprovado, inviabiliza o plano? Ou inviabilizaria o recebimento destes empregados? Não nos parece crível, razoável e lógico, desconsiderarse um plano de metas porque um ou outro funcionário não teria aprovado. Com relação às metas de determinadas equipes servirem para a apuração de resultados de outras, embora mencionado, tal fato não foi comprovado. Que equipes se enquadraram nesta situação, também não foi indicado, fato que, neste contexto, não permite desconsiderar os planos e todas as suas regras existentes. Portanto, como já mencionado nos tópicos anteriores, os planos devem ser analisados dentro de um contexto, dentro da realidade em que estão inseridos. Não há como se desconsiderar planos como os apresentados pela empresa recorrente, com diversas regras, nuances, detalhes para diversas equipes, a ponto de se atentar a pequenos detalhes buscando formas de desconsiderálos. Mais uma vez, destacase, como devem ser observados e analisados os planos e os pagamentos de participação nos lucros e resultados: dentro do contexto em que inseridos na legislação pátria, nos termos da imunidade prevista no texto constitucional, sem que a legislação ordinária seja interpretada restritivamente a ponto de que tais pagamentos sejam desconsiderados por detalhes que, se inexistentes, não tem o condão de afastar a natureza do pagamento. Neste sentido, importante destacar a jurisprudência desta colenda 1ª Turma da 4ª Câmara, em composição anterior: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. AUSÊNCIA E/OU IMPOSSIBILIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA DO SINDICATO ESPECÍFICO. CCT DE SINDICATO CONGÊNERE. VALIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, mormente por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na Lei nº 10.101/2000. Na hipótese de inexistência de Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato específico de parte dos trabalhadores da contribuinte, sobretudo em razão de impossibilidade técnica de fazêlo, a adoção de CCT de Sindicato congênere não fere os pressupostos legais de tal verba, mormente quando adotado para todo o grupo econômico da empresa, em observância ao princípio da razoabilidade, bem como à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve Fl. 3041DF CARF MF 36 ser interpretada de maneira ampla e não restritiva. (CARF, Acórdão 2401003.112 17 de julho de 2013) Assim, com base nas razões acima expostas, entendo que deve ser afastado o lançamento sobre as rubricas tratadas no presente subtópico. c.3) PAGAMENTOS DE LUCROS E RESULTADOS RUBRICA DA FOLHA DE PAGAMENTO: "1578 PLR GEDP" No lançamento sobre a referente rubrica, o AFRFB apresenta a seguinte conclusão: · Não foram apresentados documentos que comprovem a aprovação das metas no programa GEDP pelos empregados, nem que estas tenham sido discutidas pelas partes interessadas; · Pelos resultados disponibilizados à fiscalização referentes ao programa GEDP, não foi possível comprovar a transparência do mesmo, posto que registradas no sistema denominado GPS e atualizadas pelos próprios beneficiários, existindo avaliações individuais realizadas por superiores imediatos, o que as torna subjetivas; Às fls. 2256 e ss. a recorrente traz os documentos atinente ao plano GEDP. Neles se encontram o regulamento do programa GEDP dos anos de 2009 e 2010, com todas suas regras, métodos de aferição de desempenho etc., e na sequência são trazidos demonstrativos de avaliação de alguns dos empregados. Referido programa tais especificadamente os critérios de avaliação, a quais profissionais se destina, critérios de cálculo, resultados etc., tudo devidamente detalhado e explicitado, com exacerbado rigor. Como mencionado e comprovado, mediante os documentos de avaliação trazidos, muitas destas informações são alimentadas pelos próprios profissionais, que posteriormente passam por uma avaliação de seus superiores. Tais fatos, no meu entender, comprovam a existência da participação dos empregados no programa, bem como a sua aprovação das referidas metas, posto que se não participassem destas, ou não as aprovassem, bastaria não alimentar o sistema ou prestar as informações exigidas. No tocante a análise específica destas metas e formas de avaliação, entendo ser absolutamente descabido o enfrentamento deste mérito, ao contrário do que entendeu o AFRFB. A Lei nº. 10.101/00 estabelece que as metas devem ser definidas, bem como os mecanismos de aferição das informações, periodicidade da distribuição, períodos de vigência e prazos para revisão do acordo (art. 2º, § 1º), porém, não define como deve ser feito, tampouco estabelece regras para tal. Assim, o trabalho do AFRFB e, consequentemente, destes julgadores, deve ser simplesmente verificar se atendido tal requisito pelos contribuintes, sendo descabida a análise meritória destas regras, as quais fogem a competência destes profissionais, seja por estarem alheios da realidade fática e da atividade operacional dos contribuintes, seja pela Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.025 37 inexistência de critérios objetivos previstos na legislação a fim de permitir desqualificar os programas apresentados. Portanto, constatada a existência de critérios e metas, que correspondem às realidades intrínsecas das atividades desenvolvidas pela empresa, descabido ao agente fiscalizador, bem como ao julgador administrativo, estabelecer juízo de valores a subjetividades destas metas e critérios estabelecidos, razão pela qual deve ser afastado o lançamento sobre a rubrica em análise no presente subtópico. c.3.1) CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A DIRETORES (SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS) RUBRICA "1578 PLR GEDP" Ainda dentro da rubrica "1578 PLR GEDP" também foi realizado o lançamento em virtude de parte destes valores terem sido pagos como PLR a diretores não empregados da empresa recorrente. Entendeu a fiscalização que sobre tais valores deve incidir a contribuição previdenciária, posto que estes profissionais, por não revestirem a natureza de empregados, mas sim de contribuintes individuais, não fazerem jus ao pagamento de PLR e da consequente imunidade sobre tal, caso esta se verificasse no entender da fiscalização. Segundo o AFRFB, a lei nº. 10.101/00 cuida da participação nos lucros ou resultados somente de empregados e não de contribuintes individuais, o que estaria claro no seu artigo 2º: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Utilizase, ainda, do artigo 111 do CTN, ao fundamentar que isenções se interpretam literalmente. A recorrente defende que inúmeras decisões administrativas corroboram com a possibilidade de pagamento da PLR aos diretores não empregados na forma da Lei nº. 10.101/00, assim, apurava os valores pelo Plano de Gestão e detinha como limitador e autorizados para pagamento os limites da Lei nº. 6.404/76, sempre com anuência dos seus acionistas. Tratase de matéria deveras já apreciada no presente Conselho, com jurisprudência em ambos os sentidos. Nesse caso, tendo em vista o rigor técnico e a clareza da fundamentação utilizada pela Conselheira Ana Paula Fernandes, em declaração de voto proferida no acórdão nº. 9202004.261, de 23 de junho de 2016, na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo entendimento restou vencido por voto de qualidade, reproduzo e utilizo como razões de decidir: "A base normativa das contribuições previdenciárias, além do art. 195, I, “a” da Constituição, é a Lei nº 8212/91. Esta, até pela delimitação expressa da Lei Maior, limita a tributação Fl. 3043DF CARF MF 38 previdenciária a rendimentos do trabalho, somente1. Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho. A dicotomia entre rendimentos do trabalho e capital, de forma alguma, é tema inédito. Desde Adam Smith, é consensual que o salário decorre do trabalho, enquanto o lucro retrata o rendimento do capital investido pelo empresário. Mesmo na atualidade os economistas contemporâneos, ainda que eventualmente críticos às premissas e conseqüências do sistema capitalista, não argúem qualquer contrariedade a esta clássica concepção3. É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada. Por fim, a distinção encontra espaço, também, no direito positivo brasileiro, por meio do art. 43 do Código Tributário Nacional, o qual dispõe: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Como se nota do art. 43, I do CTN, renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Ou seja, se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.026 39 retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável. A base de incidência do imposto de renda é mais ampla que os rendimentos do trabalho. Incluemse proventos de capital e trabalho. Ambos configuram renda. A dicção legal é clara e não deixa qualquer dúvida sobre a separação necessária entre os conceitos. Igualmente transparente que a Constituição de 1988, mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, para fins previdenciários, somente os rendimentos do trabalho. Aqui, enfim, são extraíveis duas conclusões importantes. Primeiro, existe uma distinção relevante, reconhecida ontológica e normativamente, entre rendimentos do trabalho e do capital. Segundo, tal distinção, ainda que irrelevante para o imposto de renda, tendo em vista seu foco na majoração do patrimônio do contribuinte (renda líquida), é fundamental para a contribuição previdenciária patronal, restrita, por mandamento constitucional e legal expresso, a rendimentos do trabalho, somente. Ignorar tal previsão traz como conseqüência o grave equivoco da tributação previdenciária sobre lucros e resultados a administradores não empregados. Ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional. III. A IMPOSSIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA E A LEI Nº 6.404/76 Após o advento da Emenda Constitucional nº 20/98, ao ampliar as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, a correspondente adequação legal veio com a Lei nº 9.876/99, ao dar nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos Fl. 3045DF CARF MF 40 da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Como se nota – e não poderia ser diferente – o legislador ordinário, em perfeita adequação ao novo mandamento constitucional, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, como era desejado desde a Lei nº 7.787/89, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Dito de outra forma, ampliase a base de incidência da cota patronal não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores não empregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212⁄ 91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, no art. 201, § 5º, expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.027 41 I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Apesar de tratarse, em regulamento, de tema específico da tributação de sócios administradores de sociedades civis, os quais, não raramente, camuflam suas remunerações por meio de lucros arbitrados e desprovidos de suporte contábil, há importante reconhecimento, ainda que implícito, da ausência de tributação dos rendimentos derivados do capital. Também incabível arguir que o tratamento dado a sócios administradores de sociedades prestadoras de serviço não possam, como exposto no art. 201, § 5º do RPS, aplicarse a administradores não empregados de sociedades anônimas. Esta distinção não existe na legislação previdenciária4. Desde o advento da Lei nº 9.876/99, ao criar o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, notase a rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. Este aspecto consta, expressamente, da exposição de motivos do Projeto de Lei nº 1.527/99, que resultou na Lei nº 9.876/995. A previsão é, em certa medida, desnecessária, tendo em vista a falta de suporte constitucional para sua tributação. De toda forma, sua inclusão em regulamento, externando a interpretação da própria Administração, reflete relevante fundamento para o adequado tratamento previdenciário aos valores de lucros e resultados pagos a administradores. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. Em resumo, estamos diante de uma não incidência. 4 Também importa notar o art. 152 da Lei nº 6.404/76, ao estabelecer que eventual distribuição de valores derivados do trabalho ou capital é atribuição da Assembléia Geral, nas regras internamente estabelecidas. A inaplicabilidade da Lei nº 10.101/00 ao caso, tendo em vista também a existência regramento mais específico, não implica a admissão, na base previdenciária, de valores completamente desvinculados do rendimento do trabalho. Como se disse, adota o fisco federal uma premissa correta para alcançar uma conclusão errada. Os rendimentos pagos a administradores não empregados, nos termos da Lei nº 6.404/76, em posição oposta aos valores pagos a empregados, não possuem correlação necessária com o trabalho, não possuindo, portanto a mesma natureza Fl. 3047DF CARF MF 42 contraprestacional que o salário. Em razão disto, para empregados, seria necessária a lei qualificando e delimitando os valores desprovidos de natureza salarial, dentro de um quadro normativo rigoroso. Para administradores, como a regra é diversa, a necessidade de legislação especifica perde o sentido. Neste sentido, merece referência a Instrução CVM nº 480, de 7 de dezembro de 2009. A mesma, ao dispor sobre a retribuição pecuniária a administradores, expressamente prevê, em extensa regulamentação, a necessária apresentação de indicadores de desempenho, composição com eventos societários diversos, como alienação de controle acionário, apólices de seguros, e até mesmo o pagamento em ações (item 13). Enfim, o art. 152 da Lei nº 6.404/76, ao pretender acabar com a tradição até então existente de pagamentos meramente simbólicos a administradores, em momento algum pretendeu convertêlos em verbas salariais. A própria suspensão do contrato de emprego, nas hipóteses de promoção de empregado à diretoria, já denota a natureza diversa da relação jurídica estabelecida e, por conseqüência, dos valores recebidos. Pouco referido, mas igualmente importante, como forma de evidenciar a ausência de natureza salarial de valores pagos a administradores não empregados, é a regulamentação da matéria na Lei de Falências (Lei nº 11.101/05). A citada lei, no art. 83, prevê a prioridade dos créditos trabalhistas no processo de falência, limitados a 150 salários mínimos (inciso I). Já os créditos devidos de sócios e administradores, no extremo oposto da lista, são qualificados como créditos subordinados (inciso VIII). Ora, se os valores devidos a administradores são dotados de natureza salarial, como deseja a fiscalização federal, como poderiam não possuir o mesmo privilégio que os valores devidos a empregados, nos limites previstos na Lei nº 11.101/05? Não poderia a lei prever uma igualdade de natureza jurídica para fins tributários e outra para fins trabalhistas e falimentares. Sob qualquer perspectiva, a premissa fiscal não se sustenta. Nesse sentido, inclusive o professor Fábio Zambitte se manifestou recentemente em artigo publicado no Portal Jurídico Migalhas: "Não obstante o cenário negativo nas jurisprudências judicial e administrativa, tenho convicção que a cobrança da cota patronal previdenciária sobre os valores pagos a diretores não empregados não encontra suporte tanto na Constituição como na legislação vigente, externando incongruências irreconciliáveis com a própria regulamentação administrativa da matéria. O tema ainda sofre com as compreensões equivocadas sobre base tributável previdenciária, não raramente tentando igualar as dinâmicas impositivas do imposto de renda e da cota patronal previdenciária. Tal premissa, além de contrária a todos os preceitos normativos vigentes, ainda ignora o papel do sistema protetivo como substituidor de rendimentos habituais, responsáveis pela manutenção do segurado e sua família. A Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.028 43 tentativa de alargamento forçado da base previdenciária, mais do que uma preocupação abstrata com a correta aplicação das regras legais e constitucionais de competência tributária, traduz uma arbitrariedade fiscal com foco exclusivo no aumento de receitas para um sistema atuarialmente desequilibrado. Sem embargo, insisto que, como reconhece a própria regulamentação administrativa, se um contribuinte individual, sócio administrador de sociedade limitada, pode receber valores derivados do capital – lucro – sem a consequente tributação e independente da submissão aos ditames da Lei nº 10.101/00, o mesmo valerá para qualquer contribuinte individual, o que inclui diretores não empregados de sociedades anônimas". Por todo o exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte para fins de reformar o acórdão recorrido, devendo ser cancelados os autos de infração, pois não há juridicamente como se falar em contribuição previdenciária dos valores pagos pela recorrente a título de PLR aos diretores estatutários, nos termos do artigo 152, § 1 da Lei 6404/76, tendo em vista expressa norma de isenção instituída pela alinea "j", §9, do artigo 28 da Lei 8212/91." Assim, com base nas razões acima reproduzidas, por entender cabível a incidência da contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento de PLR a diretores não empregados, afasto o lançamento sobre a rubrica objeto de análise no presente subtópico. c.4) PAGAMENTOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO Ainda, o AFRFB também realizou o lançamento decorrente da contratação de serviços de cooperativas de trabalho contratados pela recorrente, nas modalidades de transporte, saúde e geral, nos termos do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91. Todavia, como de conhecimento público, inclusive da própria DRJ no acórdão recorrido, o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº. 595.838, julgado em 23/04/2014, julgou inconstitucional a cobrança da referida contribuição, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na Fl. 3049DF CARF MF 44 relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei nº. 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Isto posto, aplico o entendimento do acórdão acima mencionado e, via de consequência, deve ser afastado o lançamento com base na contratação de serviços de cooperativas nos termos do art. 22, IV da Lei nº. 8.212/91. É como voto. Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.029 45 Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 3051DF CARF MF 46 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença ao nobre Relator para discordar do voto proferido, exclusivamente nas matérias a seguir expostas. a) Pedido de perícia Na fase recursal a recorrente reiterou o pedido de perícia, o qual havia sido indeferido em primeira instância. O Relator conclui pela necessidade da realização da perícia requerida pela autuada, a fim de que fossem analisados e respondidos os quesitos formulados a seguir transcritos: 1) Apresentar todos os acordos coletivos que a empresa recorrida possuía no período autuado (anoscalendário 2009 e 2010) e informar se nestes acordos havia previsão de pagamento de Participação nos Lucros e Resultados, bem como quais os valores acordados e quais os seus beneficiários atingidos; 2) Verificar e informar se nos Programas PME e GEDP do período autuado haviam regras claras e objetivas quanto a fixação do direito à Participação dos empregados nos Lucros e Resultados a serem obtidos e ali especificados, e se estas regras eram de fato exteriorizadas aos participantes e como se dava essa publicidade; 3) Quanto aos programas PME e GEDP, informar, de forma clara e precisa, como estes são desenvolvidos, especialmente quanto aos seus objetivos (se ligados aos resultados empresariais e individuais), sua fórmula de cálculo para pagamento da PLR, quais as metas gerais e quais as metas individuais pactuadas, acaso existentes, e como estas são aferidas; 3.1) Quanto às metas questionadas no item 3), verificar e informar se há um acompanhamento e a devida publicidade daquelas nos referidos planos no decorrer do período de apuração; 4) A empresa Recorrente possui convênios com as entidades denominadas "Terceiros" que lhe confiram o benefício de redução das alíquotas das contribuições destinadas a estas entidades? Se possuir, apresentar quais as alíquotas existentes e atualmente vigentes em cada um dos convênios existentes atualmente em vigor. Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.030 47 O exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia não é motivo suficiente para declaração de nulidade da decisão, tampouco para caracterizar o cerceamento do direito de defesa. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide. Pois bem. Todos os esclarecimentos solicitados pela recorrente, acima reproduzidos, prescindem de análise pericial. Isso porque a demonstração da inocorrência de fatos alegados pela autoridade lançadora se dá por meio de provas documentais, mediante juntada pela interessada dos acordos coletivos, programas de participação nos lucros ou resultados, planos de metas e mecanismos de aferição, das planilhas de avaliação e controle de desempenho dos trabalhadores, atas de participação formal do sindicato da categoria ou da comissão paritária nas negociações, entre outras. Quanto às contribuições devidas a terceiros, é o bastante trazer aos autos cópia fiel do convênio celebrado para recolhimento do tributo diretamente à respectiva entidade ou fundo. À primeira vista, o julgador administrativo está habilitado a apreciar a documentação relacionada às matérias controvertidas que deve ser juntada aos autos pela parte interessada, ficando dispensado o pronunciamento alheio para a apreensão de fatos, bem como para o convencimento do julgador a respeito do conjunto probatório como um todo carreado ao processo administrativo. Dessa feita, não enxergo o motivo pelo qual a comprovação das alegações da recorrente não possa ser realizada no corpo dos autos, necessitando da colaboração de um perito para elucidar as questões propostas. Como cediço, a perícia não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. Logo, deve ser mantido o indeferimento do pedido de perícia, conforme decisão de piso, prosseguindose no exame das demais matérias de defesa contidas na peça recursal. b) Alíquota das contribuições devidas a terceiros O item 2.2.1.3 do Relatório Fiscal, copiado no voto do Relator, é bem claro no sentido de que a autoridade fiscal no curso do processo investigatório (fls. 39) Fl. 3053DF CARF MF 48 "não considerou os documentos [apresentados pela empresa] como prova da existência dos Convênios para recolhimento direto das contribuições destinadas ao SESI e ao SENAI, razão pela que considerou a alíquota de 5,8% para cálculo das contribuições destinadas às outras entidades e fundos (...)" Nada obstante, o fiscal autuante utilizou no levantamento do crédito tributário o somatório de alíquotas reduzidas equivalente a 3,3% para todos os estabelecimentos, exceto para a filial de CNPJ 33.390.170/001312, que aplicou o percentual integral com relação aos terceiros (5,8%). Tendo em conta o conteúdo da acusação fiscal, a utilização do percentual de 3,3% é indicadora da ocorrência de um provável equívoco na operacionalização do lançamento fiscal na parte relacionada à incidência de alíquotas sobre a base de cálculo de remuneração dos trabalhadores, o que resultou, ao final, em constituição de crédito tributário de contribuições devidas a terceiros a menor. Contudo, o agravamento da exigência inicial somente é possível por meio de lançamento complementar, atividade que não compete ao julgador administrativo. Por outro lado, é inviável reduzir o percentual destinado a terceiros regularmente lançado, referente ao CNPJ 33.390.170/001312, quando ausentes provas hábeis e suficientes da existência de convênios para recolhimento direto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ao Serviço Social da Indústria (Sesi) das contribuições devidas por lei. Embora um meio de prova de fácil produção pelo interessado, inexplicavelmente a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório, pois não identifiquei, ao folhear os autos digitais, a presença das cópias dos alegados convênios. Os documentos de fls. 1.232/1.245 não equivalem aos ajustes formais entre as partes com o fim específico de viabilizar a arrecadação direta das contribuições devidas às entidades mencionadas, sem a intermediação da Administração Tributária. Em consequência, mantenho a alíquota da contribuição destinada a terceiros, referente ao CNPJ nº. 33.390.170/001312, aplicada no montante total de 5,8% pela autoridade fiscal. c) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) Como bem pontuado pelo I. Relator, a discussão central de mérito no processo administrativo envolve o pagamento pela empresa de participação nos lucros ou resultados a seus segurados empregados e contribuintes individuais (diretores não empregados). Segundo a fiscalização, ao deixar de respeitar as regras e os requisitos legais estabelecidos na legislação tributária, a empresa atraiu a incidência sobre tais pagamentos das contribuições previdenciárias, assim como das contribuições reflexas devidas a terceiros. Com contraposição, a recorrente defende que a política de pagamento de remuneração variável operacionalizada pela empresa atende aos ditames constitucionais e legais e, portanto, escapa à tributação. Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.031 49 Os documentos que instruem os autos bem demonstram a estrutura dos programas de participação nos lucros ou resultados implementados pelo sujeito passivo ao longo do período fiscalizado. De uma forma transparente, o recurso voluntário reforça os modelos adotados pela empresa e defende a desvinculação dos pagamentos com relação à parcela salarial devida aos trabalhadores (fls. 2.853/2.887). No que tange aos segurados empregados, o pagamento da participação nos lucros ou resultados é composto de dois modelos denominados "PME" e "GEDP": (i) O Plano de Metas por Equipe (PME) é aplicável aos empregados chamados "operacionais", a partir da fixação e avaliação do cumprimento de metas por equipe e metas gerais (fls. 772/779). (ii) Já o Programa de Gestão de Desempenho (GEDP) está baseado em metas individuais dos empregados e metas corporativas, com aplicação aos gerentes, consultores, analistas e técnicos de nível superior especializado (fls. 985/1.012). (iii) Além disso, a negociação coletiva estabelece um "plus" fixo, de forma adicional aos resultados acima mencionados. Quando aos diretores não empregados, a participação nos lucros ou resultados é paga na forma de remuneração variável aferida considerando o atingimento de metas individuais e corporativas, utilizandose da mesma sistemática do Programa GEDP, a eles também voltado (fls. 985/1.012). No curso do procedimento fiscal, a autoridade lançadora identificou que os pagamentos realizados pela empresa em função dos programas de participação nos lucros ou resultados estavam segregados por rubricas, discriminadas nas folhas de pagamento e escrituração contábil. Por uma questão metodológica, a fiscalização optou em expor a situação concreta existente quanto às participações pagas aos segurados empregados e diretores estatutários igualmente tomando como referência as rubricas utilizadas pela empresa na sua documentação. Não significa, porém, compreender que as razões da autoridade fiscal para a constituição do crédito tributário devem ser analisadas isoladamente, deixando de lado, para fins de confronto com a disciplina da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, o exame integrado dos programas de participação nos lucros ou resultados. Ao detalhar a legislação tributável aplicável aos fatos jurídicos, o agente fiscal destacou que a participação nos lucros ou resultados tem por finalidade a integração entre o capital e trabalho, como incentivo à produtividade, devendo atender a vários requisitos para ficar de fora do alcance da tributação, em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, em especial (item 2.4.13 do Relatório Fiscal, às fls. 43): 2.4.13.1 Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria e/ou por convenção ou acordo coletivo; Fl. 3055DF CARF MF 50 2.4.13.2 Dessa negociação deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; (GRIFOS E DESTAQUES DO ORIGINAL) Passase, na sequência, à análise dos pagamentos realizados pela recorrente a título de participação nos lucros ou resultados. c.1) PLR aos segurados empregados De acordo com o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, a participação nos lucros ou resultados deverá decorrer de negociação coletiva entre o empregador e os seus empregados, nesses termos: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Independentemente da via de negociação adotada, é obrigatória a participação do sindicato representativo da categoria. Há uma expressa, literal e inequívoca determinação do legislador ordinário nesse sentido. Mesmo a comissão paritária escolhida pela empresa e trabalhadores para tratar do programa de pagamento adicional como incentivo à produtividade, deverá contar com a participação de um representante do sindicato. A previsão de intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade assegurar os interesses dos trabalhadores e contribuir para um melhor equilíbrio de forças com vistas à elaboração do documento que conterá os direitos substantivos e regras adjetivas da participação. Com o arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical, além de comprovar os termos celebrados, possibilita exigir da empresa o cumprimento das regras estipuladas. A empresa se refere à existência de programas espontâneos, posteriormente convalidados pela negociação coletiva anual entre empregador e sindicato, por intermédio da assinatura de acordos coletivos. A fiscalização trouxe aos autos os correspondentes Acordos Coletivos de Trabalho (fls. 733/771). No Relatório Fiscal, há um quadro resumo com as cláusulas associadas à participação dos empregados nos lucros ou resultados (item 2.4.21, às fls. 45/46). Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.032 51 Para melhor análise do conteúdo daa cláusulas, reproduzo as disposições contidas nos acordos coletivos de trabalho. Acordo Coletivo de Trabalho de 2008/2009 (fls. 733/744) Vigência: 1º/11/2008 a 31/10/2009 Assinatura: 5/12/2008 CLÁUSULA 13ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2008: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.600,00 (três mil e seiscentos reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) a serem pagos até a segunda semana de janeiro. Deste total será deduzido o valor de R$ 1.400,00 (mil e quatrocentos reais) adiantados em julho de 2008. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2008, pagos no mês de julho de 2008 e os valores do segundo semestre de 2008, a serem pagos no mês de janeiro de 2009. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Acordo Coletivo de Trabalho de 2009/2010 (fls. 746/758) Vigência: 1º/11/2009 a 31/10/2010 Assinatura: 5/1/2010 CLÁUSULA DÉCIMA SÉTIMA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2009: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.200,00 (três mil e duzentos reais), mais o valor correspondente a 70% (setenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.200,00 (quatro mil e duzentos reais) a serem pagos até o dia 13/01/2010. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2009, pagos no mês de julho de 2009 e os valores do segundo semestre de 2009, a serem pagos no mês de janeiro de 2010. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. Fl. 3057DF CARF MF 52 § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Acordo Coletivo de Trabalho de 2010/2011 (fls. 759/771) Vigência: 1º/11/2010 a 31/10/2011 Assinatura: 26/1/2011 CLÁUSULA DÉCIMA SÉTIMA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2010: Conforme acordo PLR 2010, assinado em 24/06/2010, as partes estabelecem como valor da parcela fixa o pagamento de R$ 3.400,00 (três mil e quatrocentos reais), mais o valor correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais). Deste total será deduzido o valor da parcela fixa antecipado em julho de 2010. Ficam mantidas as demais condições estabelecidas no acordo PLR 2010, incluindo PME, assinado em 24/06/2010. Observase que a participação nos lucros ou resultados, segundo os documentos pactuados, consiste em uma parcela fixa e outra variável. A parcela variável é resultado da apuração do PME, de cada equipe, ao passo que a parcela fixa garante um pagamento mínimo a título de participação, proporcional ao salário dos empregados, quando o somatório das partes variável e fixa resultar em montante inferior ao valor de referência estabelecido. De início, antes de examinar o que está ostensivo nos acordos coletivos, cabe destacar a inexistência de qualquer menção ao Programa GEDP, o que lhe retira, de imediato, o respaldo na negociação coletiva. Argumenta a empresa que, tal como o PME, o GEDP é um programa de gestão de resultados mantido de forma espontânea, encontrando apoio no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, que permite expressamente a existência de planos espontâneos para pagamento da participação nos lucros ou resultados. Reproduzo o preceptivo legal mencionado da Lei nº 10.101, de 2000: Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Ocorre que, como visto, os incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, autorizam apenas duas hipóteses de procedimento para elaboração de planos de participação nos lucros ou resultados. Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.033 53 Ao reportar a programas mantidos espontaneamente pela empresa, é de se convir que a lei pretendeu fazer alusão à participação oriunda da comissão paritária escolhida pela empresa e empregados, integrada, também por um representante indicado pelo sindicato da categoria (inciso I), em contraposição às obrigações surgidas dos acordos ou convenções coletivas de trabalho firmados pelas partes (inciso II). Tal interpretação sistemática possibilita a coexistência, para o mesmo período de aferição, de dois distintos planos de participação nos lucros ou resultados livres de tributação, desde que no âmbito do regramento da Lei nº 10.101, de 2000. Evidentemente, não há óbice para que a empresa implemente facultativamente uma participação dos empregados nos lucros, mediante uma iniciativa unilateral, como previsto, por exemplo, no art. 58 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 58 Podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica: I atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; ...) Porém, nessa última hipótese, será um participação alheia aos benefícios da Lei nº 10.101, de 2000. Em relação ao GEDP, portanto, estão ausentes elementos de convicção que possam atestar com segurança que a fixação dos critérios e das condições do plano ocorreu mediante negociação entre a empresa e os empregados, na forma prevista na Lei nº 10.101, de 2000. A falta de negociação com participação do sindicato da respectiva categoria implica considerar a parcela GEDP como integrante da remuneração e do saláriode contribuição do trabalhador. Na sequência, aprofundo a análise dos termos expressos nos Acordos Coletivos de Trabalho. No que toca aos pagamentos vinculados à parcela fixa, a sua estipulação, na forma realizada nos acordos coletivos, desvirtua a essência do instituto da participação nos lucros ou resultados previsto em lei, visto que desconsidera qualquer esforço individual, da equipe ou mesmo do grupo de empregados para o alcance de índices de produtividade, metas ou resultados, os quais deveriam ser aferidos para fins de cumprimento do pactuado previamente entre as partes. Nesse sentido, dispõem os arts. 1º e 2º da Lei nº 10.101, de 2000, a seguir reproduzidos: Fl. 3059DF CARF MF 54 Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Cuidase, assim, de uma parcela com evidente natureza de complemento salarial, inclusive estando atrelada parcialmente ao salário nominal de cada empregado. Para fazer jus ao benefício descrito no acordo coletivo é suficiente apenas o empregado trabalhar na empresa, como realçou a fiscalização (item 2.4.23 do Relatório Fiscal, às fls. 47). Por derradeiro, aprecio o que dispõe os acordos coletivos a respeito da parcela variável correspondente ao PME. Consoante os textos reproduzidos, o único aspecto que vem especificado nos acordos coletivos é a previsão de seu pagamento aos trabalhadores no anocalendário. Nada mais. Se de um lado é impraticável, em princípio, o acordo coletivo conter o detalhamento integral de metas, critérios e condições acordados entre as partes, de outro é inaceitável a inexistência de qualquer disciplinamento no instrumento decorrente da negociação quanto à explicitação da regras a que estarão submetidos a empresa e os seus empregados para fins da participação nos lucros ou resultados. A Lei nº 10.101, de 2000, é clara quando afirma que do resultado da negociação, que deve ser formalizado mediante documento, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, com previsão de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado (art. 2º, § 1º). Nos acordos coletivos nem mesmo houve preocupação em se estabelecer as condições e os critérios genéricos do PME, em que se faz a opção de transferir a descrição pormenorizada das regras para atos internos que são elaborados em separado, sem prejuízo do aval do sindicato. A recorrente sustenta que os planos de participação nos lucros ou resultados, tal como o PME, são objeto de prévias discussões e que o acordo coletivo tão somente homologa e ratifica os termos negociados antecipadamente entre as partes. Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.034 55 Vale dizer, há participação direta dos sindicatos dos trabalhadores na negociação muito antes do fechamento do acordo. A empresa colaciona, como exemplo, o Acordo Coletivo de Trabalho de 2010/2011. o qual faz expressa referência à reunião realizada em 24/6/2010. Pois bem. Segundo verifico da Ata do dia 24/6/2010, acostada às fls. 1.292/1.294, as discussões com a participação do sindicato se deram exclusivamente quanto aos critérios atinentes ao pagamento da parcela fixa do plano de 2010/2011. No que se refere à parcela variável, o sindicato simplesmente declarou que o montante corresponderia ao resultado do PME de cada semestre, com base no modelo atual, apurado conforme metas e indicadores negociados junto aos empregados de cada equipe (fls. 1.294). Ainda que se admita, em regime de exceção, e não como regra, a possibilidade de o sindicato delegar ou consentir, explícita ou implicitamente, que alguns critérios e condições do PME possam ser acordados entre empresa e empregados sem a sua participação, não há como validar a elaboração integral do plano de participação nos lucros ou resultados, como aparenta ser, restrita apenas às tratativas diretas entre patrão e empregados, sem a intermediação do sindicato. Há, no caso, uma visível e indesejável afronta explícita ao previsto na Lei nº 10.101, de 2000, em desprezo à finalidade das suas normas de garantia, cuja manifestação posterior do sindicato, com o agravante do seu caráter superficial, não tem o condão de legitimar a assinatura do acordo. Acresço ainda mais um motivo para a não aceitação dos acordos coletivos em face do regramento previsto na Lei nº 10.101, de 2000. Segundo a fiscalização, todos os acordos coletivos assinados aprovaram o pagamento de participação nos lucros ou resultados de períodos já encerrados (item 2.4.24 do Relatório Fiscal, às fls. 47). De fato, o acordo assinado em 5/1/2010 aprovou o pagamento de participação no PME do anocalendário 2009 (1º e 2º semestres), enquanto o acordo firmado em 26/1/2011 confirmou o pagamento no anocalendário 2010 (1º e 2º semestres). A rigor, o acordo assinado em 5/12/2008 validou o pagamento de participação nos lucros ou resultados do PME ainda em curso, relativamente ao anocalendário 2008 (1º e 2º semestres). Todavia, os efeitos práticos acabam sendo idênticos a uma aprovação em janeiro de 2009, como adiante explico. A assinatura do termo de ajuste antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados é a situação ideal para a garantia dos direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, possui reduzida aplicação no mundo real, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo da sua formalização por escrito. Por outro lado, no extremo oposto, não me alinho àqueles que defendem como suficiente tão somente a formalização do acordo não suceder ao pagamento da parcela final da participação nos lucros ou resultados. Apenas quando da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos. Fl. 3061DF CARF MF 56 Em que pese o silêncio da lei em relação ao momento da assinatura do instrumento de negociação, a interpretação sistemática do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988 c/c Lei nº 10.101, de 2000, revela a obrigatoriedade de prévia pactuação dos termos do acordo para autorizar a fruição do benefício fiscal, com antecedência razoável aos fatos que pretende regular, para que se possa incentivar a produtividade do empregado e este adotar medidas para atingir as metas ou os resultados préestabelecidos. Via de regra, portanto, é possível aceitar que a assinatura do acordo possa ser efetivada durante o exercício de avaliação, desde que o instrumento esteja assinado antes do término do período de apuração. Entretanto, penso que não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração dos resultados, pois tal situação revelase similar à assinatura posterior ao término do período de apuração. O lapso de tempo é insuficiente para que o empregado possa direcionar seus esforços para alcançar o que foi juridicamente pactuado. Exposta a questão nesses termos, entendo que a autoridade fiscal procedeu de modo correto ao considerar os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados como submetidos à tributação, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei nº 10.101, de 2000: (i) Parcela fixa: por desvinculada de qualquer meta ou resultado previamente acordado, revelador de nítida natureza salarial; (ii) Parcela variável (Programa GEDP): não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos estabelecidos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com participação do sindicato; e (iii) Parcela variável (Plano PME): não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com participação do sindicato. Além disso, os acordos coletivos foram assinados em data posterior ao período de aferição (anos 2009 e 2010) ou no último mês de aferição (ano 2008), cujo efeito prático, nesta última hipótese, mostrase similar à assinatura após o término do período de apuração. Deixo de efetuar análise adicional a respeito de outros argumentos de defesa contra a pretensão fiscal, por desnecessário e/ou irrelevante para o deslinde desta parte do julgamento. Os fundamentos acima delineados são mais que suficientes para explicitar as minhas razões pelas quais deve ser mantido, na íntegra, o crédito tributário exigido relativamente aos planos de participação nos lucros ou resultados destinados aos segurados empregados. Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.035 57 c.2) PLR aos diretores não empregados (contribuintes individuais) A empresa pagou participação nos lucros ou resultados a seus diretores não empregados, na condição de segurados contribuintes individuais, na forma estabelecida no Plano GEDP. Pois bem. Ao excluir da incidência tributária a participação nos lucros ou resultados da empresa paga ou creditada de acordo com lei específica, a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, referese à Lei nº 10.101, de 2000, destinada tão somente aos segurados empregados. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Ao explicitar a norma de não incidência, o inciso X do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, toma o cuidado de acrescentar a expressão "empregado": Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFOUSE) Isso porque a Lei nº 10.101, de 2000, não trata de pagamentos a trabalhadores não empregados, constando expressamente em seu corpo o regramento destinado à negociação entre empresa e seus empregados: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GRIFOUSE) II convenção ou acordo coletivo. (...) Fl. 3063DF CARF MF 58 Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a disciplina jurídica relativa à participação nos lucros ou resultados prevista no inciso XI do art. 7º da Carta Política de 1988. Concluiu a Corte Suprema que sendo o preceito constitucional de eficácia limitada, a regulamentação somente se operou com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada inúmeras vezes até a conversão na Lei nº 10.101, de 2000, incidindo contribuição previdenciária relativamente aos fatos geradores concretizados antes da vigência daquele ato normativo. Eis a ementa do Recurso Extraordinário (RE) nº 569.441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, Relator Ministro Dias Toffoli e Redator do Acórdão Ministro Teori Zavascki, julgado na sessão de 30/10/2014: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. De modo que não há como acolher o entendimento de que a expressão "lei específica" contida na alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, referese a mais de uma lei ordinária, além da Lei nº 10.101, de 2000, abarcando a distribuição de valores também com base na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a qual disciplina as sociedades anônimas. Adiciona a recorrente que as parcelas não podem compor o saláriode contribuição do trabalhador em razão do cumprimento de todos os requisitos para a distribuição da participação nos lucros aos administradores elencados no art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976. Para melhor compreensão da previsão contida na Lei das sociedades anônimas, transcrevo o art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976: Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 15504.724696/201473 Acórdão n.º 2401004.508 S2C4T1 Fl. 3.036 59 Remuneração Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Os pagamentos realizados a título de "atribuição estatutária", também conhecidos como "participação estatutária", como ora se cuida, não se equiparam a valores decorrentes da remuneração de capital. A remuneração do administrador pode ser composta por duas parcelas, uma fixa, conhecida como prólabore (art. 150, "caput") e outra variável, consistente na participação nos lucros da companhia por ações, conforme definido pelos acionistas (art. 150, § 1º). Em um e outro caso, não há como liberar a empresa da tributação, porquanto as verbas possuem natureza remuneratória. É verdade que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos aos acionistas, são contabilizadas em contas de patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não mediante débito em contas de resultado do exercício social. Porém, tal característica contábil comum é insuficiente para agregar a natureza de remuneração do capital à participação estatutária. O dividendo pago a acionista decorre da participação acionária na sociedade, ao passo que a participação estatutária ao diretor não empregado é paga em razão da prestação do trabalho. De mais a mais, para fins da incidência da tributação previdenciária, a exigência de habitualidade das parcelas recebidas pelo segurado restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". A legislação tributária não faz menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. Fl. 3065DF CARF MF 60 Mantenho assim, divergindo do I. Relator, o crédito tributário exigido pela fiscalização relativamente ao plano de participação nos lucros ou resultados destinado aos diretores não empregados (contribuintes individuais). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e prejudiciais de mérito e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento fiscal apenas o levantamento "CO", relativo a valores pagos a cooperativas de trabalho, nos termos consignados no voto do Relator. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 3066DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.005985/2002-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
Ocorrendo inexatidões materiais devidas a lapso manifesto deve-se proceder ao saneamento mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
O ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica-se a ressarcimento, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo constante e indevido, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9303-004.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos do Contribuinte, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Ocorrendo inexatidões materiais devidas a lapso manifesto deve-se proceder ao saneamento mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. O ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica-se a ressarcimento, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo constante e indevido, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade. Embargos acolhidos.
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MACEDO ALIMENTOS NORDESTE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Ocorrendo inexatidões materiais devidas a lapso manifesto devese proceder ao saneamento mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. O ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplicase a ressarcimento, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo constante e indevido, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos do Contribuinte, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 59 85 /2 00 2- 66 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.005985/200266 Acórdão n.º 9303004.207 CSRFT3 Fl. 438 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de petição do sujeito passivo em face do Acórdão nº 930301.885, proferido em 7 de março de 2012, pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que deu provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS, E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito, desde haja resistência da fazenda Pública. Recurso Especial do Procurador Provido. A embargante alegou a existência de lapso manifesto na referida decisão, em razão de o voto proferido dispor sobre pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI de que trata a Lei nº 9.363/1996, ao passo que o pedido referiuse, na realidade, a créditos básicos de IPI de que trata a Lei nº 9.779/1999. Os embargos foram admitidos como embargos inominados pelo Presidente da CSRF, conforme despacho de fls. 435/436. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O artigo 66 do Anexo II à Portaria MF nº 343, de 2015, que aprovou o RICARF, estabelece que os erros verificados na decisão ensejam a oposição de Embargos Inominados, para correção mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.005985/200266 Acórdão n.º 9303004.207 CSRFT3 Fl. 439 3 Conforme relatado, a embargante alegou a existência de lapso manifesto na referida decisão, em razão de o voto proferido dispor sobre pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI de que trata a Lei nº 9.363/1996, ao passo que o pedido referiuse, na realidade, a créditos básicos de IPI de que trata a Lei nº 9.779/1999. Verifico que, de fato, o voto proferido no acórdão recorrido mencionou, tanto na ementa quanto nas razões de decidir, tratar o processo de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI a que se refere a Lei nº 9.363/1996, enquanto o processo trata efetivamente de créditos básicos do artigo 11 da Lei nº 9.779/99, conforme pedido de efl. 4 e relatório do Acórdão nº 340200.717, efl. 176. Constato, destarte, o lapso cometido no acórdão recorrido, razão pela qual entendo pelo recebimento do despacho como embargos inominados e pelo seu acolhimento, nos termos do artigo 66 do Anexo II do RICARF. A teor do relatado, a matéria trazida a debate cingese à questão da atualização monetária dos créditos escriturais de IPI ressarcidos ao sujeito passivo. Preliminarmente, merece ser aqui enfatizado que o ressarcimento do crédito objeto destes autos não estava sujeito a qualquer oposição legislativa ou administrativa por parte da Fazenda Pública. Na verdade, como dito linhas acima, tratase de crédito básico (escritural de IPI) que o art. 11 da Lei 9.779/1999 veio a permitir o seu ressarcimento (em espécie ou por meio de compensação com débitos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal). Desta feita, ao caso não se aplica a jurisprudência do STJ, que determina a incidência de atualização monetária sobre o valor a ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI de que trata a Lei 9.363/1996. No mérito, tratase de matéria similar à submetida à apreciação da 3ª Turma da CSRF, que decidiu, no processo nº 13054.000041/200110, julgado em 23 de janeiro de 2014, acórdão nº 9303002.838, da relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos seguintes termos: "A teor do relatado, a matéria trazida a debate cingese à questão da atualização monetária dos créditos escriturais de IPI ressarcidos ao sujeito passivo. Preliminarmente, merece ser aqui enfatizado que o ressarcimento do crédito objeto destes autos não estava sujeito a qualquer oposição legislativa ou administrativa por parte da Fazenda Pública. Na verdade, como dito linhas acima, tratase de crédito básico (escritural de IPI) que o art. 11 da Lei 9.779/1999 veio a permitir o seu ressarcimento (em espécie ou por meio de compensação com débitos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal). Desta feita, ao caso não se aplica a jurisprudência do STJ, que determina a incidência de atualização monetária sobre o valor a ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996. Ainda merece ser esclarecido que, no caso presente, não houve demora no ressarcimento desmedida no ressarcimento, apenas a necessária para as verificações protocolares, visto que o pedido foi Fl. 439DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.005985/200266 Acórdão n.º 9303004.207 CSRFT3 Fl. 440 4 protocolado em 23/01/2001 e a ordem bancária do crédito (nº 2001OB500192) foi enviada ao banco em 25/04/2001, no valor total pleiteado. Feito esses esclarecimentos, passemos, de imediato, à questão da incidência de atualização Selic sobre o ressarcimento de créditos escriturais de IPI. O tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. O RIPI/98, que reproduz a legislação do IPI não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF nº 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de IPI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Confirmase, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do crédito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido. Também a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3º dessa Lei, ao contrário do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) Fl. 440DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.005985/200266 Acórdão n.º 9303004.207 CSRFT3 Fl. 441 5 § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Decorre dos princípios da hermenêutica que na interpretação das normas jurídicas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve ser integrada, sistêmica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 441DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.005985/200266 Acórdão n.º 9303004.207 CSRFT3 Fl. 442 6 qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Ressaltese que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento a sistemática da não cumulatividade do imposto, baseada em créditos escriturais, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Donde concluise que o ressarcimento desse crédito não se confunde com a devolução de pagamento indevido. Dessa forma, não é lícito valerse da analogia para estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, é evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetária também para o ressarcimento em questão, têloia incluído nos diplomas legais citados ou no que instituiu o incentivo fiscal. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional." Merecem destaque as seguintes conclusões presentes no voto condutor do Acórdão nº 9303002.838 acima transcrito, aplicáveis ao presente caso: a) o ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica, em regra, a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito; b) a utilização do direito ao crédito não estava sujeito à oposição legislativa ou administrativa por parte da Fazenda Pública, pois se trata de crédito básico (escritural de IPI), não se lhe aplicando a jurisprudência do STJ, que determina a incidência de atualização Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.005985/200266 Acórdão n.º 9303004.207 CSRFT3 Fl. 443 7 monetária sobre o valor a ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/1996; c) inexistência de previsão legal que autorize a atualização do crédito a ser ressarcido; d) a lei restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais, hipóteses essas que se referem à repetição do indébito, em nada se assemelhando ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; e) o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito básico de IPI. Destaquese que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que autoriza a atualização monetária do ressarcimento (decisão submetida à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por parte deste Colegiado) se refere aos casos em que houver oposição constante e indevida, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade. Eis a ementa da referida decisão do STJ: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977?RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953?PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.005985/200266 Acórdão n.º 9303004.207 CSRFT3 Fl. 444 8 Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De acordo com a decisão supra, para que se aplique a correção monetária ao ressarcimento de créditos escriturais de IPI, exigemse os seguintes pressupostos: a) oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade; b) vedação ao aproveitamento dos créditos, com o consequente ingresso no Poder Judiciário, que posterga o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. No presente caso, têmse créditos básicos de IPI devidamente escriturados pelo contribuinte, cujo pleito de ressarcimento relativos a aquisições efetuadas pela recorrente no primeiro trimestre do ano de 2002 de insumos aplicados em produtos que são considerados nãotributados (NT na TIPI) para efeito de IPI. O pedido englobava também créditos decorrentes de insumos aplicados em produtos de alíquota zero, parcela que foi deferida pela repartição de origem. Rejeitouse, porém, a aplicação de qualquer índice de "correção" ou "atualização" monetária, especialmente por utilização da taxa selic. A turma julgadora do Recurso Voluntário no CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer a incidência da taxa selic a partir do protocolo do pedido. Notese que não se tem por configurado, neste caso, a oposição constante da Administração tributária ao reconhecimento do crédito, pois o mesmo foi reconhecido pela repartição de origem, o qual não precisou se valer do Poder Judiciário, conforme exige a jurisprudência do STJ, para obter o reconhecimento do direito. Dessa forma, por não se subsumir à hipótese de que trata a decisão do STJ, submetida à sistemática dos recursos repetitivos, o entendimento ali adotado não se aplica ao presente caso. Nesse contexto, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado a fim de sanar a inexatidão material corrigindo o acórdão quando cita a Lei nº 9.363/1996, quando, na realidade, tratase de créditos básicos de IPI de que trata a Lei nº 9.779/1999, mantendo o provimento ao recurso especial da PGFN, no sentido de reconhecer que a taxa Selic não incide sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de crédito escritural de IPI. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723752/2014-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DIRIGIDA AO PATRONO DO CONTRIBUINTE CONSTITUÍDO NOS AUTOS E COM PODERES PARA RECEBÊ-LA.
É válida a notificação fiscal de lançamento dirigida ao patrono do contribuinte quando consta no procedimento fiscal procuração válida, não revogada e que contempla poder para receber tal notificação. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que fique demonstrada a existência de conduta fraudulenta, o termo inicial para a contagem do marco decadencial inicia-se no primeiro dia seguinte daquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Inexistência, pois, de decadência no caso em tela.
NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. RECEBIMENTO, REGISTRO E UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Inflige-se a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, recebida, registrada e utilizada pela adquirente, com ou sem imposto destacado.
MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AO PRINCÍPIO QUE VEDA O CONFISCO. SÚMULA N. 02 DO CARF
É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, INCISO III DO CTN. PROVA DE MÁ-FÉ. CONDUTA DOLOSA PASSÍVEL DE REPREENSÃO EM PREJUÍZO DO ADMINISTRADOR DA EMPRESA.
Provada a má-fé da pessoa jurídica, aqui retratada pela tomada de créditos básicos de IPI com base em notas fiscais sabidamente inidôneas, é possível responsabilizar o administrador da empresa, exatamente como prevê o art. 135, inciso III do CTN.
Numero da decisão: 3402-003.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para excluir a multa do art. 490, II, RIPI/2002 com base no princípio da consunção. Designado o Conselheiro Jorge Freire.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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INEXISTÊNCIA. VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DIRIGIDA AO PATRONO DO CONTRIBUINTE CONSTITUÍDO NOS AUTOS E COM PODERES PARA RECEBÊLA. É válida a notificação fiscal de lançamento dirigida ao patrono do contribuinte quando consta no procedimento fiscal procuração válida, não revogada e que contempla poder para receber tal notificação. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que fique demonstrada a existência de conduta fraudulenta, o termo inicial para a contagem do marco decadencial iniciase no primeiro dia seguinte daquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Inexistência, pois, de decadência no caso em tela. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. RECEBIMENTO, REGISTRO E UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Infligese a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, recebida, registrada e utilizada pela adquirente, com ou sem imposto destacado. MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AO PRINCÍPIO QUE VEDA O CONFISCO. SÚMULA N. 02 DO CARF É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, INCISO III DO CTN. PROVA DE MÁFÉ. CONDUTA DOLOSA PASSÍVEL DE REPREENSÃO EM PREJUÍZO DO ADMINISTRADOR DA EMPRESA. Provada a máfé da pessoa jurídica, aqui retratada pela tomada de créditos básicos de IPI com base em notas fiscais sabidamente inidôneas, é possível AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 37 52 /2 01 4- 60 Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 2 responsabilizar o administrador da empresa, exatamente como prevê o art. 135, inciso III do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento parcial para excluir a multa do art. 490, II, RIPI/2002 com base no princípio da consunção. Designado o Conselheiro Jorge Freire. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa Master Móveis Ltda. decorrente da glosa de créditos escriturais de IPI lançados com base em notas fiscais tidas como inidôneas. Referida autuação também foi lavrada contra o sócio administrador da Recorrente, o Sr. Abrahão Zacarias Monfrinato, com fundamento no art. 124, inciso I, c.c. o art. 135, inciso III, ambos do Código Tributário Nacional. A exigência fiscal foi acrescida de multa qualificada, bem como também ensejou a incidência da multa regulamentar capitulada no art. 490, inciso II do RIPI/20021, o que redundou em uma exigência fiscal no montante de R$ 44.543.779,47. 2. Devidamente intimados, os Recorrentes apresentaram suas Impugnações (fls. 1.820/1.853) alegando, em suma, que: (i) os créditos lançados foram alcançados pela decadência; (ii) a pessoa jurídica prestou regularmente ao fisco as informações fiscais requeridas na medida do que possível, já que o estabelecimento da empresa foi alcançando por um incêndio (laudo de fls. 216/219) que consumiu parte significativa dos seus documentos fiscais; 1 "Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente: (...). II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento; (...)." Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 13888.723752/201460 Acórdão n.º 3402003.282 S3C4T2 Fl. 1.931 3 (iii) as operações realizadas pela interessada são idôneas e as mercadorias adquiridas que redundaram no creditamento foram pagas em dinheiro; (iv) é descabida a cumulação da multa de ofício pela glosa e a aplicação da multa regulamentar, caracterizando dupla penalidade; e, por fim, (v) a multa de 150% de ofício é confiscatória. 3. Devidamente processadas, as citadas Impugnações foram julgadas improcedentes pela DRJ Ribeirão Preto (acórdão n. 1458.958), nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. RECEBIMENTO, REGISTRO E UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Infligese a MULTA correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, recebida, registrada e utilizada pela adquirente, com ou sem imposto destacado. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 4 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. RECEBIMENTO, REGISTRO E UTILIZAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Infligese a MULTA correspondente ao valor atribuído à mercadoria na nota fiscal inidônea, recebida, registrada e utilizada pela adquirente, com ou sem imposto destacado. DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. TERCEIRO INTERESSADO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 4. Diante deste quadro, os Recorrentes interpuseram um único Recurso Voluntário (fls. 1.883/1918) assinado conjuntamente, oportunidade em que repisaram os fundamentos já aduzidos em sede de Impugnação. 5. É o relatório. Voto Vencido Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O único Recurso Voluntário protocolizado em nome de ambos os Recorrentes preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento em favor dos dois signatários. I. Da decadência 7. Como já relatado, tratase de auto de infração que implicou a glosa de créditos de IPI referente ao período compreendido entre 01/01/2009 e 30/11/2009. A notificação fiscal, por sua vez, se deu em 31/12/2014 em relação ao Sr. Abrahão Zacarias Monfrinato (fls. 1.812) e em 22/12/2014 em relação à pessoa jurídica (fls. 1.808/1.809). 8. Registrese que ante a recusa do sócio da pessoa jurídica em receber a notificação no domicílio fiscal da empresa, a notificação do presente auto de infração ocorreu na pessoa do seu patrono então constituído nos autos (procuração de fls. 11), conforme atesta termo de recusa de fls. 1.727/1.728 e termo de intimação de fls. 1.808/1.809. 9. Também convém destacar que o patrono da pessoa jurídica possuía poderes para, inclusive, "tomar ciência de auto de infração", conforme atesta a procuração já citada. Assim, refutase a assertiva da Recorrente de que o causídico não teria poderes para receber o presente auto de infração em nome da empresa, já que (i) referida procuração lhe atribuía este poder, (ii) porque referido instrumento não apresentava prazo de validade e (iii) inexiste nos autos prova da sua revogação. 10. No mais, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o STJ já decidiu em sede de recurso especial julgado sob o rito de recurso Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 13888.723752/201460 Acórdão n.º 3402003.282 S3C4T2 Fl. 1.932 5 repetitivo (REsp n. 1.120.295/SP) que, na hipótese de existir prova de pagamento parcial do tributo, a regra de contagem será regida pelo art. 150, § 4º do CTN, enquanto que, inexistindo tal prova, aplicarseia o disposto no art. 173, inciso I do mesmo Codex. 11. No presente caso não há prova de pagamento e, ainda que tal prova fosse existente, seria o caso de aplicar a exceção prevista na parte final do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista que, conforme será melhor desenvolvido no tópico imediatamente subsequente, estamos diante de comprovada fraude tributária. 12. Assim, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial no presente caso ocorreu no primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, i.e., 1o. de janeiro de 2010, sendo o termo final o dia 1o. de janeiro de 2015. No presente caso, a pessoa jurídica e o responsável foram respectivamente notificados a respeito do auto de infração em 22 (vinte e dois) e 31 (trinta e um) de dezembro de 2014, razão pela qual não há que se falar em decadência do crédito em cobro. II. Da inidoneidade dos créditos tomados pela Recorrente 13. Como é sabido, a discussão a respeito do aproveitamento de créditos decorrentes de notas fiscais inidôneas não é algo novo no ordenamento jurídico nacional. Pelo contrário, referida questão é de longa data debatida pela nossa doutrina e jurisprudência, em especial no âmbito estadual, mais precisamente no caso de glosas de créditos afetos ao ICMS. 14. Nesse esteio, referida questão chegou ao conhecimento do Superior Tribunal de Justiça que, em sede de recurso especial julgado pelo rito dos recurso repetitivos, assim decidiu: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 6 Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 1.148.444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) (grifos nosso). 15. Referido precedente redundou na seguinte súmula do citado Tribunal Superior: Súmula n. 509 do STJ É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. 16. Em princípio, referido precedente poderia ser perfeitamente convocado para resolver o caso decidendo, já que os fatos tratados aqui são análogos àqueles tratados no caso tido como precedente. Desta feita, caberia comparar os fatos que circundaram o Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 13888.723752/201460 Acórdão n.º 3402003.282 S3C4T2 Fl. 1.933 7 precedente com os fatos tratados no presente caso, de modo a convocar a sua ratio decidendi ou promover o distinguinshing. 17. Objetivando realizar essa empreita, convém detalhar as particularidades fáticas do caso julgado pelo STJ para comparálas com o caso decidendo. Neste esteio, insta desde já registrar que no precedente pretoriano restou apurado que (i) a inidoneidade de determinada empresa foi assim declarada com efeito retroativo, exatamente como ocorre no caso sub judice. 18. O efeito retroativo desta inidoneidade, por sua vez, (ii) redundou na glosa de créditos do imposto (no caso do precedente era circunstancialmente o ICMS) tomado pelo adquirente, da mesma forma que acontece no presente caso, com a ressalva, sem maior relevância na presente questão, de que aqui o imposto em questão é o IPI. 19. Por fim, o ponto fulcral para a resolução do precedente foi apurar, em concreto, se o contribuinte que se creditou do imposto era ou não dotado de boafé, ou seja, se à época das operações comerciais e, portanto, antes da declaração de inidoneidade, ele (adquirente) tomou todos os cuidados necessários para provar que a citada operação foi de fato realizada, donde se presumiria a sua boafé2. Seguindo adiante, o STJ entendeu que boafé seria demonstrada com as seguintes provas: (iii.a) demonstração de que, à época dos fatos, o contribuinte promoveu as pesquisas necessárias para apurar se a empresa vendedora estava ou não habilitada no SINTEGRA; (iii.b) regularidade formal das notas fiscais que resultaram no creditamento, bem como o correlato registro nos livros contábeis pertinentes do adquirente de boafé; e, por fim (iii.c) comprovação do pagamento das mercadorias adquiridas e que resultaram no creditamento. 20. Assim, segundo o STJ, este conjunto fáticoprobatório seria suficiente para demonstrar em concreto a boafé e, por conseguinte afastar os efeitos da inidoneidade e a correlata glosa fiscal. Acontece que, para a ótica deste relator, é exatamente aí que o presente caso se distingue do precedente do STJ, já que a recorrente não fez prova do pagamento das mercadorias creditadas, nem justificou de forma hábil a sua ausência e, em contrapartida, a fiscalização provou, analiticamente, a improbabilidade quanto à ocorrência das supostas operações em questão. Vejamos. 21. Em relação à prova quanto ao pagamento das mercadorias adquiridas e que resultaram em seu creditamento, os recorrentes alegam que estariam impossibilitados de atestar tal fato, na medida em que a sede do estabelecimento da pessoa jurídica teria sido 2 Corroborando esta conclusão, segue abaixo trecho do voto do Relator, o Ministro Luiz Fux: "...a jurisprudência das Turmas de Direito Público é no sentido de que o comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito de ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no art. 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório de inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação. (...)." Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 8 afetada por um incêndio, o qual teria consumido parte dos livros e documentos contábeis da empresa, conforme atesta laudo técnico de fls. 216/219. 22. É fato incontroverso a ocorrência do aludido incêndio. Em princípio, a celeuma gravita em torno da qualificação jurídica atribuída a tal fato, já que a recorrente entende que a prova pericial vinculada no eprocesso (laudo técnico) seria suficiente para afastar a exigência de comprovações contábeis quanto à ocorrência do pagamento das mercadorias adquiridas e que redundaram nas glosas. A fiscalização, por seu turno, defende que a simples apresentação do laudo pericial não seria suficiente para esta finalidade. 23. Pois bem. É lição comezinha de direito que um determinado fato ocorrido no mundo natural só tem relevância para o direito depois de inserido no universo jurídico em compasso com uma forma previamente estabelecida em lei. Em outros termos, um fato social só ganha relevância para o direito depois de juridicizado. 24. Mais do que isso, é possível que a inserção de um mesmo fato social no universo jurídico demande variadas formas e/ou redundem em diferentes efeitos jurídicos, tudo a depender dos diversos nichos do direito que este fato natural vai tocar3. E, em um primeiro momento, é exatamente isso que ocorre no presente caso. Diferentemente do que alegam os recorrentes, a existência de um laudo técnico a provar a ocorrência do citado incêndio é, eventualmente, suficiente para despertar uma relação de natureza privada, entre um dos recorrentes (pessoa jurídica) e sua seguradora ou, ainda, com o responsável por ter causado o incêndio, caso este tenha sido intencional. Tal documento, entretanto, não é suficiente para opor efeitos perante o Fisco, haja vista o disposto no art. 457 do RIPI2002 (vigente à época), in verbis: Art. 447. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição, não intencionais, de livros, Notas Fiscais ou outros documentos da escrita fiscal ou geral do contribuinte, este comunicará o fato, por escrito e minudentemente, à unidade da SRF que tiver jurisdição sobre o estabelecimento, dentro das quarenta e oito horas seguintes à ocorrência. 25. Percebese, pois, que para fins fiscais, um evento natural como o aqui tratado só ganha relevância para o universo tributário e, mais precisamente, no âmbito do IPI, se juridicizado nos termos em que previsto pelo dispositivo legal alhures. Não há nos autos, entretanto, qualquer prova de que aludida comunicação foi realizada pelo contribuinte. Não há sequer alegação neste sentido. O contribuinte insiste em argumentar a respeito do incêndio como se a sua repetição, quase que mântrica, pudesse atribuir a tal fato o efeito jurídico tributário por ele (contribuinte) pretendido. 26. Mas não é só. A ausência de boafé dos recorrentes não se resume a esta questão de forma, mas também toca uma questão de fundo (substância), já que a fiscalização foi bem sucedida em provar a máfé de ambos os autuados. 27. Neste sentido, convém destacar, desde já, que o aludido incêndio não seria suficiente para impedir que os Recorrentes demonstrassem a efetiva compra das mercadorias que resultaram na glosa, já que tal prova poderia ser feita pela comprovação de transferências bancárias, de pagamento de duplicatas ou mesmo microfilmagem de cheques emitidos, documentos esses que poderiam ser obtidos junto a instituição financeira com a qual a pessoa jurídica se relaciona ou com os próprios vendedores de tais mercadorias. 3 Aliás, o art. 123 do CTN é um bom exemplo para demonstrar que um mesmo negócio juridicamente estabelcido e formalizado pode ter diferentes efeitos jurídicos, a depender do ambiente em que convocado. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 13888.723752/201460 Acórdão n.º 3402003.282 S3C4T2 Fl. 1.934 9 28. Acontece que a Recorrente alega, de forma completamente inverossímil, que todos os pagamentos em questão foram realizados em dinheiro. Por outro giro verbal, a Recorrente alega que no ano de 2009 (objeto da fiscalização) sacou aproximadamente R$ 36.000.000,00 (trinta e seis milhões de reais), registrando tal importe em uma contacaixa e o utilizando para o pagamento em dinheiro dos fornecedores declarados inidôneos, conforme bem explicitado as fls. 1.746/1.747 do Relatório Fiscal. 29. De forma cuidadosa, a fiscalização apurou que a Recorrente sacava o suposto dinheiro mediante a emissão de cheques que, ato contínuo, eram registrados na conta caixa da empresa. Assim, a fiscalização solicitou a emissão de microfilmagens de tais cheques perante as instituições financeiras correlatas, oportunidade em que apurou que as beneficiárias de tais cheques não eram as emitentes das notas fiscais inidôneas mas, em algumas situações, a própria pessoa jurídica Recorrente e, em outras oportunidades, empresas diversas ou pessoas físicas que recebiam tais valores à margem da contabilidade da Recorrente (vide, v.g., fls. 1.759/1.779) 30. Não obstante, a fiscalização ainda teve a diligência de, com base na Escrituração Fiscal Digital EFD da contribuinte referente ao ano de 2011, promover uma interessante simulação que só reforça a máfé dos Recorrentes. Nesse sentido, a fiscalização demonstrou que os bens adquiridos e glosados foram plástico e papelão para embalagem, bem como grampos, materiais esses empregados na fabricação de sofás que, por sua vez, são preponderantemente revendidos pela Recorrente para a empresa Casas Bahia. Com base em tais informações, a fiscalização apurou que o custo com a aquisição dos citados bens no ano de 2011 representou algo em torno de 4,68% e 6,62% em relação ao faturamento da Recorrente. 31. Por sua vez, levando em consideração a aquisição de papelão, plásticos e grampos no período fiscalizado, o Fisco demonstrou que o montante gasto com tais insumos foi de aproximadamente R$ 40.000.000,00, sendo R$ 4.000.000,00 lastreados em notas idôneas e R$ 36.000.000,00 fundados nas notas declaradas inidôneas. Levando em consideração o faturamento de R$ 104.814.204,09 no ano de 2009, o custo com os produtos acima especificados em relação ao faturamento da empresa foi equivalente a 38,40%, ou seja, quase sete vezes maior do que no ano de 2011. Não há, todavia, qualquer justifica plausível para este descompasso, até porque, se existente, não foi objeto de uma única linha sequer por parte dos Recorrentes em suas manifestações de defesa4. 32. Este conjunto fáticoprobatório é suficiente para atestar a notória máfé da recorrente, que de fato tomou créditos básicos de IPI ciente de que assim fazia com base em notas fiscais inidôneas, o que serve de fundamento não só para a manutenção da glosa perpetrada, mas também para a incidência da multa qualificada. III. Da exclusão ou redução das multas aplicadas em razão da ofensa ao princípio da que veda o confisco 33. Subsidiariamente, não há que se falar em afastamento das multas aplicadas por ofensa ao disposto no art. 150, inciso IV da Constituição Federal, que impede o caráter confiscatório de exigências fiscais. 4 De forma diligente, a fiscalização recompôs o estoque da Recorrente a apurou que tais bens não foram adquiridos para a formação de estoque. Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 10 34. Ressalvado meu entendimento pessoal, no sentido de que também é possível o exercício do controle difuso de constitucionalidade na instância administrativa de caráter judicativo56 – exatamente como se afigura aqui no CARF – não posso deixar de reconhecer o disposto no art. 62 do Regimento Interno deste Tribunal7 que, como regra, veda a possibilidade do sobredito controle. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 02 deste E. Tribunal Administrativo, a qual tem caráter vinculante para este julgador, nos termos do art. 42, inciso VI do RICARF8. 35. Neste diapasão, por expressa vedação regimental, nego provimento ao recurso voluntário interposto também neste particular. IV. Da impossibilidade de concomitância da multa agravada (150% do crédito tributário) com a multa capitulada no art. 490, inciso II do RIPI/2002: a incidência do princípio da consunção 36. Ainda de forma subsidiária, uma das teses desenvolvidas pelos Recorrentes é a impossibilidade cumular a sanção disposta no art. 44, §1o. da lei n. 9.430/96 (com a redação vigente à época9) e a multa prescrita no art. 490, inciso II do RIPI/2002, o qual previa multa em valor equivalente ao da mercadoria retratada em nota fiscal viciada e indevidamente registrada em proveito próprio ou alheio. Tratase de convocação do consagrado princípio penal da consunção ou da absorção. 37. Primeiramente, insta registrar que a convocação de um princípio afeto ao direito penal para a resolução de uma questão tributária é perfeitamente possível, o que se deve não só pela secular ideia de unidade do direito10 mas, no presente caso, pela especial aproximação analógicoproblemática11 existente entre o caso decidendo (infração tributária) e a intencionalidade problemática decorrente do aludido princípio. Não é demais repisar: no presente caso os Recorrentes são acusados de realizar práticas infracionais, tal como ocorre, por excelência, no âmbito problemático do direito penal12. 5 Ainda que o faça de forma atípica, o que é perfeitamente válido, haja vista a possibilidade dos diferentes Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) desempenharem outras funções além daquelas que lhe foram tipicamente atribuídas pelo texto constitucional. 6 Não me parece lógico muito menos válido juridicamente, que um órgão administrativo de caráter judicativo possa reconhecer o descompasso de um ato jurídico em face de uma lei, instrução normativa ou portaria, mas não possa fazêlo em relação à Constituição Federal, que, sob uma estrita perspectiva legal, é o fundamento de validade de todas as demais peças legislativas do ordenamento jurídico nacional. 7 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." 8 "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." 9 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...). § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." 10 O Direito é um todo único, harmônico e divisível apenas para fins didáticos. 11 A analogia aqui referida tem por objetivo ‘trazeràcorrespondência’ o mérito problemático de um concreto caso decidendo e a intencionalidade também problemática de um constituído ou constituendo(...)apoio de um critério e/ou de um fundamento jurídico, repetimos, circunstancialmente pertinente para a almejada decisão judicativa. (BRONZE, Fernando P. 'Lições de introdução ao direito'. p. 952). 12 Ressaltese, inclusive, que a convocação do princípio da consunção para a resolução de lides tributárias vem sendo feita por este próprio Tribunal Administrativo, conforme retrata a súmula abaixo transcrita: "Súmula CARF nº 105 Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 13888.723752/201460 Acórdão n.º 3402003.282 S3C4T2 Fl. 1.935 11 38. Fixada tal premissa, é possível seguir adiante a afirmar que o princípio da consunção é tratado pela doutrina e pela jurisprudência como uma norma jurídica de forte carga valorativa que tem por escopo, em última análise, evitar o bis in idem infracional. Em outros termos e de forma até simplória, o que referido princípio visa evitar é que um único fato social (devidamente juridicizado) atentatório contra único bem jurídico da vida seja sancionado negativamente repetidas vezes. 39. Percebese, portanto, que são requisitos para a configuração da consunção: (i) a existência de um único fato albergado no antecedente normativo de plúrimas normas infracionais; (ii) unidade quanto ao bem jurídico da vida tutelado pelas diferentes normas jurídicas; e, ainda, que (iii) um dos fatos tidos como delituosos seja meio obrigatório (condição necessária) para se alcançar o outro fato infracional. 40. Dissecados os requisitos necessários para a conformação do princípio da consunção, convém agora novamente voltarse ao caso em concreto para verificar se sobreditos requisitos estão lá presentes. 41. Como visto ao longo do voto a acusação imputada aos Recorrentes é de ter registrado crédito básico de IPI com base em notas fiscais inidôneas que, por seu turno, redundaram na glosa dos créditos tomados e no lançamento do IPI devido para o período fiscalizado. 42. Ao analisar o caso em questão é possível perceber que estamos diante de fatos aparentemente distintos. O primeiro deles seria o registro de notas fiscais em descompasso (formal ou material) com o que dispõe o ordenamento jurídico. O segundo fato, por sua vez, seria o não pagamento de tributo. A simples análise de tais assertivas poderia redundar no afastamento, precipitado, do princípio da consunção, uma vez que os fatos em apreço, apesar de próximos, são distintos. Acontece que, ao se analisar o disposto no art. 44, §1o. da lei n. 9.430/96, é possível perceber que o tributo inadimplido e que é objeto de lançamento de ofício é qualificado com uma sanção mais gravosa (multa de 150%) exatamente em razão da existência do fato capitulado no art. 490, inciso II do RIPI/2002, i.e., exatamente no caso de comprovação de fraude. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Buscando os precedentes que redundaram na aludida súmula, exatamente como determina o art. 489, §1o. do novo CPC,é possível constatar que as mesmas questões aqui ponderadas para fins de emprego da consunção foram desenvolvidas nos votos que lhe deram origem. Nesse esteio, transcrevemos abaixo trecho do voto proferido no acórdão n. 9101001.261, da lavra do Conselheiro Valmir Sandri, em que cita o Conselheiro Marcus Vinicius Neder: "(...). Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. (...)." Percebese, pois, que o caso lá julgado assim o foi levando em consideração o mesmo problema aqui enfrentando, i.e., como agir diante de um mesmo fato capitulado infracionalmente por diferentes normas quando um desses fatos for passagem para a consecução de outro. Logo, a "ratio decidendi" lá alcançada é plenamente convocável para a resolução do caso decidendo. Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 12 43. Neste sentido, convém destacar que o art. 44, §1o. da lei n. 9.430/96 remete ao disposto nos artigos 71, 72 e 73 da lei n. 4.502/64, que assim estabelecem: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (...) (g.n.). 44. Fica claro, portanto, que a fraude promovida pela Recorrente (creditamento de IPI com base em notas fiscais sabidamente inidôneas) é capitulada como qualificadora da sanção imposta pelo art. 44, §1o. da lei n. 9.430/96, o que implica a absorção do tipo de caráter formal (registro de notas inidôneas) pela multa qualificada em razão da inadimplência fiscal. 45. Os demais requisitos para a convocação do princípio da consunção também estão devidamente preenchidos. Vejamos. 46. O segundo requisito para a existência da consunção é que as diferentes normas incidentes sobre o mesmo fato tutelem um mesmíssimo bem jurídico da vida. No presente caso o bem jurídico da vida tutelado pelas normas aqui mencionadas é a moralidade (aqui entendida em um sentido estritamente jurídico), já que visa punir com rigor aquele que age de forma a fraudar o erário público 47. Por fim, o último requisito para a incidência do princípio da absorção é de que um dos fatos tidos como delituosos seja meio obrigatório (condição necessária) para se alcançar o outro fato infracional, por haver uma relação lógica de continência13. Dessa feita, a pergunta a ser respondida no presente caso é uma só: seria possível imputar à Recorrente a multa agravada sem que ficasse demonstrado a tomada de créditos básicos de IPI com base em notas fiscais inidôneas, ou seja, com base em conduta fraudulenta? A única resposta que vislumbro para tal questionamento é não. O agravamento da multa pelo lançamento de ofício 13 Neste esteio, Cezar Roberto Bitencourt professa que: "Pelo princípio da consunção, ou absorção, a norma definidora de um crime constitui meio necessário ou fase normal de preparação ou execução de outro crime. Em termos bem esquemáticos, há 'consunção' quando o fato previsto em determinada norma é compreendido em outra, mais abrangente, aplicandose somente esta. Na relação consuntiva, os fatos não se apresentam em relação de gênero e espécie, mas de 'minus' e 'plus', de continente e conteúdo, de todo e parte, de inteiro e fração." ('in' "Tratado de direito penal vol I. 10a. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 250.). Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 13888.723752/201460 Acórdão n.º 3402003.282 S3C4T2 Fl. 1.936 13 só foi possível porque a Recorrente necessariamente se valeu de notas fiscais sabidamente inidôneas, praticando, pois, conduta fraudulenta, nos termos do já citado art. 72 da lei n. 4.502/64. 48. Assim, a sanção do art. 490, inciso II do RIPI/2002 fica absorvida em razão de ser o motivo que qualifica a multa disposta no art. 44, §1o. da lei n. 9.430/96, o que, digase de passagem, está em compasso com inúmeros precedentes veiculados em casos análogos ao aqui tratado. Nesse sentido, convém destacar interessante julgado do STF, in verbis: Ementa 1. Habeas corpus. 2. Código de Trânsito Brasileiro. 2. Direção sem habilitação, art. 309; e, lesão corporal, art. 303. 3. Incidência do princípio da consunção. O crime de dirigir sem habilitação é absorvido pelo delito de lesão corporal. 4. Precedentes de ambas as turmas. 5. Falta de representação da vítima 6. Ordem concedida para restabelecer a decisão de primeiro grau, que rejeitou a denúncia. (STF; HC 128.921, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 25/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe180 DIVULG 10092015 PUBLIC 1109 2015) (g.n.). 49. No aludido precedente, um mesmo sujeito foi denunciado por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, tipificada no art. 303 do CTB, bem como por dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida permissão ou habilitação (art. 309 do CTB). Segundo o STF, por qualificar o crime de lesão corporal, a direção em via pública sem habilitação fica absorvida pelo disposto no art. 303 do CTB. No voto proferido pelo Relator do caso, o Ministro Gilmar Mendes, assim restou assentado: (...). Com efeito, é consenso que o crime de dirigir sem habilitação, previsto no art. 309 do CTB, é absorvido pelo delito de lesão corporal culposa, tipificado no art. 303 do mesmo diploma legal, em direta aplicação do princípio da consunção. Isso porque, nos termos da lei de trânsito, já é causa de aumento de pena para o crime de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, o fato de o agente não possuir permissão para dirigir ou carteira de habilitação. Assim, levando em conta a vedação de 'bis in idem', não se pode admitir que o mesmo fato seja atribuído ao paciente como crime autônomo e, ao mesmo tempo, como causa especial de aumento de pena. (...). 50. Nem se alegue a inaplicabilidade do referido precedente, por tratar de questão afeta a crime de trânsito, ou seja, por inexistir identidade (simetria matemática) entre o caso lá tratado com o aqui submetido a julgamento. E isso porque, em uma cultura que leva a sério os precedentes, quando se convoca um caso pretérito para resolver um caso presente o Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 14 método a ser empregado não é o silogismo lógicosubsuntivo, típico das leis, mas sim uma racionalidade analógicoproblemática, ou seja, que promova uma comparação entre as intencionalidades problematizantes dos casos em comparação (precedente e decidendo) para, havendo mais pontos de encontros do que de desencontros, convocar a ratio decidendi do caso precedente para resolver o caso decidendo. 51. Em suma, em um modelo sério de precedentes, o método jurídico por excelência é o analógicoproblemático, o que invariavelmente vai ocorrer no âmbito do heterogêneo e não do homogêneo ou, por outro giro verbal, oriunda de uma ponderação sempre atenta à identidadediversidade própria do analógico e que, como tal, só pode considerarse em concreto14. 52. Preenchidos, portanto, todos os requisitos necessários para a incidência do princípio consunção no caso em concreto, reconheço a absorção do tipo previsto no art. 490, inciso II do RIPI/2002 pelo prescrito no art. 44, §1o. da lei n. 9.430/96. V. Da responsabilidade tributária do Recorrente Abrahão Zacarias Monfrinato 53. Embora esta matéria não tenha sido aventada em sede de Impugnação, resolvo conhecêla por tratarse de questão de ordem pública, nos termos do art 485, §3o, do novo Código de Processo Civil 15, aplicado, de forma subsidiária, no âmbito do processo administrativo federal. 54. Pois bem. É de plena sabença que uma pessoa jurídica é uma ficção estabelecida pelo ordenamento no sentido de congregar diferentes pessoas físicas dotadas de sinergia para um mesmo propósito negocial. Referida ficção, portanto, tem por escopo facilitar essa junção, implicando, por conseguinte, a autonomia e a distinção de responsabilidades entre a pessoa jurídica e as pessoas físicas que a compõem. Tal autonomia, entretanto, não é ilimitada, já que inexistem direitos absolutos no ordenamento jurídico nacional16. Acreditar no absolutismo de direitos subjetivos seria, em última análise, coadunar com a existência pretensamente válida de abusos de direitos. 55. Nesta toada, sempre que a pessoa jurídica estiver sendo indevidamente utilizada pelos sócios, o ordenamento jurídico não só pode como deve impor sanções para coibir tais práticas. Este é o motivo de existência de disposições legais como o art. 50 do Código Civil, bem como os arts. 124 e s.s. do Código Tributário Nacional. 56. No presente caso me parece cristalina a incidência do disposto no art. 135, inciso III do Código Tributário Nacional. Isso porque, como visto ao longo dos autos e do presente voto (em especial conforme explicitado nos parágrafos 22/32 do presente documento), ficou devidamente comprovada a conduta fraudulenta promovida pela pessoa jurídica no sentido de se creditar de IPI com base em notas fiscais sabidamente inidôneas. Tratase, 14 NEVES, A. Castanheira. "Instituto dos assentos". Coimbra: Coimbra Editora 1983. p. 74. 15 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). VI verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; (...). § 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." 16 Nem mesmo direito a vida é um direito absoluto, haja vista a possibilidade de restrições a tal bem jurídico na hipótese de guerra externa (art. 5., inciso XLVII, alínea "a" da CF), bem como na hipótese de atitudes em legítima defesa e estado de necessidade no âmbito penal. Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 13888.723752/201460 Acórdão n.º 3402003.282 S3C4T2 Fl. 1.937 15 portanto, de ato dolosamente praticado com "infração de lei", cujo escopo era a criação de créditos fictícios de IPI a resultar no pagamento minorado deste imposto. 57. Por sua vez, a cláusula quinta do contrato social da empresa (fl. 33) demonstra que a sua administração era exclusivamente feita pelo Sr. Abrahão, a quem competia gerir os negócios que estavam sob o alcance do seu objeto social. Logo, resta claro que a decisão da pessoa jurídica em tomar créditos indevidos de IPI foi do Sr. Abrahão, na qualidade de seu administrador. 58. Assim, sem mais delongas, mantenho a responsabilidade imputada ao Recorrente Abrahão Zacarias Monfrinato, o que faço com fundamento no disposto no art. 135, inciso III do CTN. Dispositivo 59. Ex positis, dou parcial provimento aos Recursos Voluntários interpostos pelos Recorrentes no sentido de afastar a multa do art. 490, inciso II do RIPI/2002, mantendo se as demais exigências tais como lançadas. 60. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Voto Vencedor Jorge Olmiro Lock Freire redator designado Fui designado pelo sr. presidente para o voto vencedor que entendeu por correto a aplicação, simultânea, das multas de ofício qualificada (150%) e a multa regulamentar a que alude o art. 490, II, do RIPI/2002. Como bem pontuado pelo i. relator, a "a fiscalização foi bem sucedida em provar a máfé de ambos os autuados", concluindo o mesmo que o "conjunto fáticoprobatório é suficiente para atestar a notória máfé da recorrente, que de fato tomou créditos básicos de IPI ciente de que assim fazia com base em notas fiscais inidôneas, o que serve de fundamento não só para a manutenção da glosa perpetrada, mas também para a incidência da multa qualificada." Sem embargo, dissensão não há quanto a má fé dos recorrentes e dos fatos narrados no relato fiscal, de extrema gravidade, pois claramente baseada em conduta criminosa com extremo dano ao Erário. Contudo, entende o nobre relator que não pode haver a concomitância da multa agravada (150% do crédito tributário) com a multa capitulada no art. 490, inciso II do RIPI/2002, ante à incidência do princípio da consunção, donde seu entendimento para afastar esta última penalidade. Daí nossa divergência, pois entendo que ambas podem e devem ser aplicadas sem que qualquer direito do contribuinte seja maculado, pois ambas tem pressuposto fático distinto. A multa afastada pelo douto relator tinha a seguinte dicção: Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 16 Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): ... II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). ... Essa norma regulamentar apenas transcreve o que está disposto no art. 83 da Lei 4.502/64: Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: ... II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento.(Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) Portanto, com a devida vênia, em que pesem os bons fundamentos esposados no voto do Dr. Diego, como de costume, o fato é que ele está afastando a incidência de norma jurídica válida, vigente e eficaz, o que, fora das hipóteses regimentais, entendo que falece competência a este colegiado para fazêlo. As hipóteses de incidência das multas são distintas. A multa de ofício tem por escopo penalizar aquele contribuinte que tem crédito tributário cobrado pelo Fisco em procedimento de ofício, quando o sujeito passivo não se utiliza do instituto da denúncia espontânea, com espeque no Art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96. A qualificadora da multa a que alude o inciso I referido, que consta do § 1º, será aplicada "nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502..., independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". E divergência não há que foram fraudados documentos, e disso resultou sonegação fiscal. E, gizese, essa norma aclara que sua aplicação não afasta a aplicação de outras penalidades, quer administrativas, quer de índole criminal. Por outra lado, sendo inegável a inidoneidade dos documentos fiscais, incide a norma do art. 490, II, do RIPI/2002. Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 13888.723752/201460 Acórdão n.º 3402003.282 S3C4T2 Fl. 1.938 17 Portanto, entendo que sob o manto principiológico afastar norma vigente é ir de encontro a competência de órgãos julgadores administrativos, que estão jungidos à lei. Não podemos confundir direito penal tributário com direito tributário penal. Dessarte, entendo escorreita a aplicação simultânea das penalidade impostas ao contribuinte, uma vez que as mesmas têm pressupostos fáticos distintos, sobre os quais não se controverte. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, As sinado digitalmente em 05/10/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Numero do processo: 10880.955944/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2000
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.471
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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EFEITOS. Recorrente MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2000 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 44 /2 00 8- 77 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.955944/200877 Acórdão n.º 3402003.471 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação formulada para a compensação de crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito de COFINS. Em razão da aparente inexistência do crédito, vez que o DARF não foi localizado no sistema, foi transmitido Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação declarada, do qual a empresa foi cientificada em 02/12/2008. Em 07/10/2009 a empresa apresentou sua Manifestação de Inconformidade cumulado com pedido de revisão do lançamento, apresentando cópia de DARF que corresponderia ao pagamento indevido ou a maior. Cientificada de Comunicado do qual foi informada da intempestividade de sua defesa, a empresa apresentou novo Recurso Administrativo requerendo a revisão do lançamento em razão da existência do DARF. Em resposta a estas petições foi emitido Despacho Decisório atestando a intempestividade e o correspondente não andamento do processo. Cientificada desse despacho, a empresa apresentou nova Petição de Revisão de Lançamento, recebida com exigibilidade suspensa por ordem judicial. Esta última petição foi analisada em novo Despacho Decisório de Revisão de Ofício que manteve a conclusão do Despacho Decisório Eletrônico, vez que respaldado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo na Declaração de Compensação. Fundamentando a não realização da revisão de ofício, foi ainda indicado que o crédito estaria decaído no momento do Pedido de Compensação. Em face deste último despacho, foi apresentada nova Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo informa que o crédito objeto da compensação declarada nesse processo já teria sido objeto de pedido anterior formulado em outro processo, que ainda estaria pendente de análise. Esta defesa, apresentada dentro de trinta dias do recebimento do Despacho Decisório de Revisão de Ofício, não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento vez que maculada pela intempestividade da primeira Manifestação de Inconformidade. Transcrevese abaixo a ementa da referida decisão, no que interessa a presente análise: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido." Cientificada desta decisão e inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.955944/200877 Acórdão n.º 3402003.471 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.438, de 22 de novembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10880.955937/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.438): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas negolhe provimento, pelas razões a seguir expostas. Pela análise do presente processo, trazida no relatório acima, depreendese que o contencioso no presente processo não foi regularmente instaurado, vez que intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa em 07/10/2009, muitos meses após sua regular intimação do Despacho Decisório Eletrônico emitido nos presentes autos. O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.955944/200877 Acórdão n.º 3402003.471 S3C4T2 Fl. 5 4 No presente caso, a intempestividade é patente, vez que o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade quase um ano após sua regular intimação do Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada. Com isso, evidente que as petições e manifestações apresentadas pelo sujeito passivo após o Comunicado reconhecendo a intempestividade da Manifestação de Inconformidade não instauraram a fase litigiosa do procedimento, em conformidade com o Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." (grifei) Essa questão já foi analisada em distintas oportunidades por este CARF1, inclusive em processos semelhantes do mesmo sujeito passivo, nos Acórdãos 3202003.041, 3202003.042, 3202003.043, 3202 003.044 3802003.046, 3802003.047 e 3802003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os Recursos Voluntários apresentados pela empresa não foram providos pelo Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira em razão da mesma mácula no procedimento (intempestividade da Manifestação de Inconformidade originária): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." (grifei) Importante mencionar que o último Despacho Decisório de Revisão de Ofício apresentado foi apenas uma resposta a uma das diversas petições apresentadas pela empresa, trazendo considerações específicas para manter o Despacho Decisório eletrônico emitido e, portanto, não alterar as suas razões. 1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/200919 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes de Alencar Acórdão n.º 1402001.974 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.955944/200877 Acórdão n.º 3402003.471 S3C4T2 Fl. 6 5 Neste ponto, coaduno com as considerações trazidas na decisão de primeira instância, que assim se manifestou: "12. Posteriormente ao expressado acima, a Autoridade Administrativa proferiu despacho, fls. 74/5, intitulado de “despacho decisório – revisão de ofício”, a partir do qual ratificou a propalada NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação requerida, agora com fundamento em questão de direito material (decadência), reabrindo prazo para manifestação da Requerente. 12.1. Entretanto, é de ser observado que, de fato, o denominado “despacho decisório – revisão de ofício” tem como substância mera resposta à petição do Sujeito Passivo que requer em sua resistência, alternativamente, a revisão do lançamento fiscal na forma do art. 149 do CTN. 12.1.1. Vaticina o § 6º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 12.1.2. Nesse diapasão, tal Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, dentro dos prazos que lhe são garantidos pelo ordenamento, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte. 12.2. Em adição, cumpre ressaltar que referido ato administrativo não efetuou nenhuma alteração no conteúdo ou efeitos do DD que reconheceu a preclusão temporal, e que, portanto, continua a sobejar de definitividade no âmbito administrativo. 12.2.1. Desta sorte, o propalado “despacho decisório – revisão de ofício” apenas demonstra que, fosse superada a questão processual da preclusão temporal do DD original, o que tal ato não admite nem mesmo como hipótese, o pleito do Contribuinte, em virtude da demonstrada e fundamentada decadência constatada no caso vertente, haveria de ser considerado carecedor de fundamento de direito substantivo, o que acarretaria como resultado, sob qualquer ângulo de análise, a não homologação da compensação demandada. 13. Em adição a tudo quanto articulado, insta esclarecer, neste ponto, que o indigitado despacho não revogou nem anulou, expressa ou tacitamente, o Despacho Decisório original, não tendo, assim, o condão de infirmálo ou sobrepôlo. Traduziuse em mera resposta à petição de resistência do Contribuinte. 13.1. Cumpre observar que o DD original transmudouse, a partir da já divulgada preclusão temporal, em ato jurídico perfeito e, portanto, albergado sob o manto da imutabilidade, ao menos enquanto não revisto pela própria Administração ou infirmado em juízo. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.955944/200877 Acórdão n.º 3402003.471 S3C4T2 Fl. 7 6 13.2. Ademais, consoante preconizado no art. 53 da Lei nº 9.784/99, a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade. 13.3. No “despacho decisório – revisão de ofício”, não consta qualquer alegação de ilegalidade verificada no DD original de fls. 4, bem como não há descrição de motivação que esclareça eventual conveniência ou oportunidade da Administração presente no caso a justificar a revogação do indigitado ato de nãohomologação da pretendida compensação por decurso de prazo. 13.4. Em adição, deve ser pontuado que ao analisar a comprovação de pagamento trazida ao processo, defendido como indevido pela Impugnante, donde a Autoridade Administrativa pode concluir pelo equívoco do Sujeito Passivo quando informando a data de arrecadação no PER/DCOMP sob apreciação e, ainda, a ocorrência da decadência expressada no “despacho decisório – revisão de ofício”, restou amplamente observado e respeitado o princípio da verdade material, basilar do processo administrativo fiscal. 13.5. Cumpre esclarecer, ainda, que tal princípio encerra a idéia de possibilidade de comprovação inconteste do direito alegado pelo Contribuinte, emergindo do referido ato administrativo que, no caso sub examine, tal direito era inexistente vez que fulminado pela decadência. 14. Do quanto exposto, exsurge que o “despacho decisório – revisão de ofício” não expressa verdadeiro conteúdo de despacho decisório de não homologação da compensação a ser desafiado por manifestação de inconformidade, em consonância com a previsão do § 9º, art. 74, da Lei nº 9.430/96, especialmente por que, não tendo sido infirmado por este, o DD original continua válido e apto a produzir seus naturais efeitos, sendo factível extrairse do contido no processo, até o momento do presente Voto, a ocorrência da preclusão consumativa para a Administração, desnudandose como inócuo pronunciamento que intenta repisar posicionamento acerca de questão definitivamente resolvida, ainda mais intentando a reabertura de processo administrativo fiscal encerrado. 15. Por corolário do raciocínio expendido, não se tratando de efetivo despacho decisório de não homologação de compensação, não há de se cogitar haver espaço para manifestação de inconformidade nem, tampouco, instauração do contencioso administrativo." (grifei) Ora, todas as questões passíveis de análise nesta seara administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da primeira Manifestação de Inconformidade. Não tendo sido conhecida esta defesa por patente intempestividade, evidente a preclusão do direito processual da Recorrente, cujas razões trazidas no Recurso Voluntário não merecem análise e provimento. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.955944/200877 Acórdão n.º 3402003.471 S3C4T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, por tempestivo, mas por negarlhe provimento em razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do primeiro Despacho Decisório emitido (Despacho Decisório Eletrônico)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004759/2004-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
Área de Preservação Permanente
Antes do início da vigência do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002, descabe a glosa das áreas de preservação permanente fundamentada exclusivamente em atraso na formalização de pedido de Ato Declaratório Ambiental.
Área de Reserva Legal. Momento da Constituição
Antes da demarcação e correspondente averbação à margem da matrícula do imóvel, não há que se falar em Área de Reserva Legal. Precedentes do STF
Áreas de Pastagem
As áreas declaradas como destinadas a pastagem somente podem ser consideradas como aproveitadas se demonstrado o seu aproveitamento por rebanho, observado o índice de lotação definido em ato da Receita Federal do Brasil. Demonstram-se inidôneos para tal mister a simples menção a tais áreas em laudo técnico, bem assim ficha de vacinação referente a imunização realizada em período posterior ao objeto de apuração.
Valor da Terra Nua
Havendo significativa disparidade entre o VTN declarado e o constante do SIPT, faz-se necessário demonstrar, por meio de laudo técnico, expedido nos termos da NBR 14.653-3, os elementos que dão respaldo aos valores declarados
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 303-35.417
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação permanente. Pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Relator, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. Designado para redigir o voto o conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. Por unanimidade de votos, negar provimento quanto ás áreas de pastagem e quanto ao VTN.
Nome do relator: Heroldes Bahr Neto
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