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Numero do processo: 11020.002195/2005-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES REALIZADAS DE PESSOAS FÍSICAS
As aquisições de pessoas físicas podem gerar direito a crédito presumido do IPI. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES NÃO DESTINADAS A INDUSTRIALIZAÇÃO.
Uma vez que a escrituração contábil da empresa demonstra que parte das aquisições foi destinada à comercialização e não à industrialização, o crédito decorrente destas operações deve ser glosado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-01.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES REALIZADAS DE PESSOAS FÍSICAS As aquisições de pessoas físicas podem gerar direito a crédito presumido do IPI. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES NÃO DESTINADAS A INDUSTRIALIZAÇÃO. Uma vez que a escrituração contábil da empresa demonstra que parte das aquisições foi destinada à comercialização e não à industrialização, o crédito decorrente destas operações deve ser glosado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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AQUISIÇÕES REALIZADAS DE PESSOAS FÍSICAS As aquisições de pessoas físicas podem gerar direito a crédito presumido do IPI. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES NÃO DESTINADAS A INDUSTRIALIZAÇÃO. Uma vez que a escrituração contábil da empresa demonstra que parte das aquisições foi destinada à comercialização e não à industrialização, o crédito decorrente destas operações deve ser glosado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A interessada transmitira em 11/11/2004 o Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao 3º trimestrecalendário de 2003, com créditos passíveis de ressarcimento de R$ 1.867.199,54 e a compensação de débitos no valor de R$ 23.917,31. Este processo foi protocolado em 22/07/2005. Posteriormente, foi cancelada a sobredita PER/DCOMP e elaborada nova, com transmissão em 31/08/2006 (fls. 71/146). Foram informados créditos passíveis de ressarcimento no valor de R$ 1.313.845,38 e débitos compensados de R$ 170.423,54. Em 12/01/2007, foi exarado o Despacho Decisório, de fl. 757, pela Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, com base no Parecer SAORT/DRF/ITJ nº 002/2007, de 11/01/2007, às fls. 745/756, segundo o qual o pleito tem por fundamento a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, que trata do regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI. Consoante o aludido Parecer, são passíveis de glosa valores indevidos, discriminados em demonstrativos nele transcritos e correspondentes a notas fiscais cujas cópias encontramse nos anexos I a IV, incluídos na apuração da base de cálculo do benefício fiscal referentes a: a) aquisições de insumos de pessoas físicas; b) aquisições de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, escrituradas sob os códigos de CFOP 1.501 e 2.501, ou seja, aquisições não destinadas a industrialização, mas a comercialização; c) compras para comercialização registradas sob o CFOP 2.102, sendo que o benefício somente alcança operações de exportação de produtos de fabricação do próprio estabelecimento industrial. Houve a redução do crédito presumido de R$ 1.313.845,38 para R$ 612.255,52, antes da dedução do saldo negativo referente ao ano anterior; portanto, no trimestre em questão, foi apurado, após a dedução do saldo negativo, o crédito presumido no valor de R$ 190.349,20. Cientificada da decisão em 25/01/2007, conforme AR nos autos, a manifestação de inconformidade, de fls. 798/811, foi apresentada em 07/02/2007 pela procuradora da pessoa jurídica, Sra. Daniela Fonseca, munida do instrumento legal de fl. 649, instruída com a documentação de fls. 838 em diante (de destaque, ementas de julgados do Conselho de Contribuintes e cópias de notas fiscais de aquisição), sendo os argumentos de contestação resumidos como segue: As entradas de matériasprimas adquiridas de pessoas físicas geram direito ao crédito presumido de IPI ainda que os fornecedores (produtores rurais) não sejam contribuintes da Cofins e do Pis, o que caracteriza um entendimento pacífico dos Tribunais e do Segundo Conselho de Contribuintes; em prol dos princípios da legalidade, celeridade e economia processual, observados também no “procedimento” administrativo fiscal, a autoridade fiscal deveria deixar de glosar as referidas aquisições, pois o respaldo para a glosa é dado por ato normativo inferior de manifesta e reconhecida ilegalidade; As notas fiscais discriminadas em demonstrativo constante da manifestação de inconformidade haviam sido registradas no sistema de processamento de dados da empresa de forma equivocada (por erro de funcionário responsável pela tarefa), com um CFOP não condizente com as entradas reais, com os documentos fiscais dos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.002195/200523 Acórdão n.º 310201.199 S3C1T2 Fl. 2 3 fornecedores e com a mercadoria descrita nos documentos; em atenção ao princípio da verdade material, simples erro material não abala o direito da requerente ao benefício fiscal, e, por isso, a decisão deve ser reformada em relação a esse ponto; A manifestante concorda expressamente com o restante da fundamentação vertida na decisão e com as demais glosas efetuadas pela autoridade fiscal; Por derradeiro, requer a reforma parcial da decisão proferida, com o acolhimentos das aquisições de matériasprimas de pessoas físicas e aquelas referentes ao erro de digitação no sistema de processamento de dados da empresa; como também a compensação de ofício dos débitos objeto da DCOMP. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS PARA REVENDA. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 ILEGALIDADE DE ATOS NORMATIVOS. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada ilegalidade de atos normativos regularmente editados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com a aceitação expressa da interessada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Principio a análise das questões objeto da lide pela possibilidade de aproveitamento de crédito na aquisição realizadas de pessoas físicas. Em julgamento recente, adotei entendimento de que a legislação que regula a matéria apenas considera passíveis de aproveitamento do crédito as aquisições de mercadorias sob as quais houvesse incidido as contribuições, premissa que ainda agora me parece razoável. Inobstante, observase que, a despeito da melhor interpretação que pode ser dada à questão, o fato é que, por força de decisão que estáse encaminhando no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais vem decidindo favoravelmente ao contribuinte neste particular. Ante tais circunstâncias, até mesmo em respeito ao princípio da economia processual e, tal como consta no voto a seguir reproduzido, principalmente por não haver disposição legal expressa em contrário, adoto o voto de um dos julgadores que integram este Colegiado, o i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, que passo a reproduzir. 1 Aquisições de Pessoas Físicas A admissibilidade dos créditos presumidos apurados a partir das aquisições de insumos a pessoas físicas longe está de representar uma novidade para este Colegiado. Com efeito, muito se discute acerca da exegese do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, assim redigido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Essencialmente, havia quem defendesse que a expressão “incidente sobre as respectivas aquisições” fixaria o comando no sentido de só se admitiria o crédito se a operação de venda das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem estivesse sujeita ao pagamento das contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. Em sentido diverso, há quem defenda que a tributação “em cascata”, própria dessas contribuições, estaria presente independentemente das mesmas incidirem neste último elo da cadeia. Ou seja, para os defensores da segunda corrente, na medida em que o produtor arcaria com as contribuições “embutidas” nos insumos necessários à produção das mercadorias comercializadas, restaria cumprida a condição legal, independentemente do fato deste último estar ou não sujeito ao pagamento das mesmas contribuições, quando da venda dos produtos. Confesso que até recentemente me filiava à primeira corrente, focado na literalidade inerente à interpretação das normas que disciplinam a concessão de benefício fiscal, mas sem perder de vista a razoabilidade da tese contrária. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.002195/200523 Acórdão n.º 310201.199 S3C1T2 Fl. 3 5 A meu ver, dúvida não há de que, efetivamente, as mercadorias eram oneradas pelas contribuições, mas entedia que o termo “incidência”, tomado em sua literalidade, não poderia ser equiparado ao “oneração”, mesmo tendo conhecimento que esta seria a exegese adotada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. Aliás, como é cediço, esta última corte, mais precisamente quando do julgamento do REsp nº 993.164 MG1, ratificou esse entendimento em sede de Recurso Repetitivo, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Notar que, diferentemente da discussão acerca da correção monetária, que será enfrentada adiante, dito acórdão, pelo menos segundo consulta ao sítio do STJ, ainda não transitou em julgado, de modo que a interpretação nele fixada ainda não está contemplada pelo comando do art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais2. Ocorre que, diante da força dos precedentes e, principalmente em razão da inexistência de dispositivo legal ou regulamentar em sentido contrário, passo a me filiar à segunda corrente e, consequentemente, a admitir o cômputo das aquisições de pessoas físicas, para efeito de cálculo do crédito presumido. Já no que concerne à glosa do crédito decorrente da aquisição de mercadorias destinadas à comercialização e não para industrialização como sabese necessário, a recorrente reitera ter ocorrido erro de escrituração. Assim argumenta em sede de recurso voluntário. A Recorrente elencou as notas fiscais, constantes no relatório do parecer aprovado, que foram escrituradas de forma equivocada pelo contribuinte, que informou ao lançálas em seu sistema, por erro do funcionário responsável pela tarefa, um CFOP que não condiz com as entradas reais, nem com os documentos fiscais emitidos pelos fornecedores, nem com a mercadoria descrita nesses documentos. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base em idêntico critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do seu direito precisa ser aplicado tendose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. 1 MINISTRO LUIZ FUX, julgado em 13/12/2010. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo os documentos firmados pelo segundo e mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar os documentos que a lei o obriga a produzir e manter em bom estado, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração contida em documentos previamente elaborados ou perante a própria fiscalização que a colhe a termo, ou, ainda, pela obtenção desses ou verificação da ocorrência de fatos no local de funcionamento da empresa. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os registros contábeis e fiscais e os apresente ao fisco quando exigido. Sem essa providência, salvo algumas poucas exceções, não haverá como comprovar a ocorrência ou inocorrência de um fato. As ditas formalidades contra as quais se insurge a recorrente, na verdade consubstanciamse em dispositivos essenciais ao controle do adimplemento das obrigações tributárias pelo administrado, sem os quais a comprovação de cada pequeno evento exigiria a realização de uma ampla auditoria com a mobilização de uma força de trabalho gigantesca. Uma premissa mais do que desarrazoada, inconcebível. É possível que as evidências e provas extraídas da contabilidade de uma empresa possam ser desconstituídas, mediante apresentação de documentos que ofereçam condições para revisão das conclusões às quais a fiscalização chegou em um primeiro momento, mas, para tanto, é certo que se exige muito mais do que uma simples informação dando conta de um suposto erro escrituração pela inclusão de um “CFOP que não condiz com as entradas reais, nem com os documentos fiscais emitidos pelos fornecedores, nem com a mercadoria descrita nesses documentos”. Pelo exposto VOTO POR DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário apresentado, pare reconhecer os créditos decorrentes das aquisições realizadas de pessoas físicas. Sala de Sessões, 01 de setembro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15374.723914/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO. IRRF. DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO IRPJ. SÚMULA CARF Nº. 80.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80).
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 1402-001.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO. IRRF. DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO IRPJ. SÚMULA CARF Nº. 80. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Recurso voluntário provido
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IRRF. DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO IRPJ. SÚMULA CARF Nº. 80. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 39 14 /2 00 8- 37 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 15374.723914/200837 Acórdão n.º 1402001.835 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de compensação declarada na DCOMP 01130.33363.031203.1.3.021792, enviada em 03/12/2003 (fls. 04/16), visando à compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 67.279.995,14, originado totalmente de IRRF, conforme fls.103. Em 28/10/2008, a DERAT/RJ proferiu Despacho Decisório (fls. 211/212) homologando parcialmente a compensação no valor de R$ 11.237.121,53, por ter sido este o valor reconhecido como direito creditório da Interessada para o ano base 2002. Consta no Parecer Conclusivo de fls. 205/210, que: (i) Houve divergência entre valores dos débitos declarados na DCTF e o valor dos débitos declarados na DCOMP; (ii) O valor total do crédito de saldo negativo, oriundo da dedução de IRRF (R$ 67.279.995,14), excederia em R$ 39.179.790,20 o montante anual das retenções declarados nas DIRF’s das fontes pagadoras, em que constam somente R$ 28.782.059,72; (iii) O valor total do crédito de saldo negativo (R$ 67.279.995,14) excederia também o total de retenções relacionadas na Ficha 43 da DIPJ/2003 em R$ 15.452,22; (iv) A Contribuinte não teria informado na Ficha 43 da DIPJ/2003 retenções de IRRF e rendimentos (de JCP e ganhos provenientes do mercado de renda variável) relativos a 32 (trinta e duas) DIRF’s, nos montantes respectivos de R$ 666.402,59 e R$ 4.501.637,52; (v) A Contribuinte não teria oferecido à tributação os valores auferidos a título de JCP e de ganhos no mercado de renda variável, tendo em vista que os montantes não teriam sido declarados na Demonstração do Resultado (Ficha 06A), linha 21 (ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto Daytrade) e linha 23 (receita de juros sobre capital próprio); A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fl. 220), afirmando, em resumo, que: a) As divergências entre a DCOMP e a DCTF derivaram de mero erro formal. Dentre eles, assinala que o débito de maio declarado na DCOMP, na realidade é de junho, conforme se comprova pela ficha 11, da DIPJ. Da mesma forma, as divergências decorreram do fato de a DCOMP que está em análise ser retificadora, sendo que não foi feita a retificação da correspondente DCTF; b) A autoridade administrativa identificou nas DIRF’s das fontes pagadoras apenas o valor de R$ 28.782.059,72, concluindo que somente este valor poderia ser utilizado e glosando a diferença (R$ 39.179.790,20). Contudo, a Contribuinte na qualidade de beneficiária dos rendimentos não tem qualquer responsabilidade quanto ao preenchimento das DIRF’s, que são de responsabilidade única das fontes pagadoras. Os Informes de Rendimentos (fls. 303/381) e o razonete contábil anexados (fls. 383/392), comprovam que houve a retenção na fonte no valor de R$ 67.279.995,14; Fl. 865DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 15374.723914/200837 Acórdão n.º 1402001.835 S1C4T2 Fl. 4 3 c) O valor total do crédito de saldo negativo (R$ 67.279.995,14) não excede o total de retenções relacionadas na Ficha 43 da DIPJ/2003. A diferença de R$ 15.452,22 decorre de equívoco na soma realizada pela autoridade julgadora. Para verificar isso basta refazer a soma das retenções; d) A retenção de R$ 666.402,59, referente ao rendimento de R$ 4.501.637,52, não constou da DIPJ e não integrou o IRRF, portanto, não compõe o saldo negativo pleiteado; e) A receita de JCP (código de retenção5706) foi declarada na linha "outras adições", conforme DIPJ (fl. 97), LALUR (fl. 399) e demonstrativo de fls.191. A inclusão desses valore na linha “outras adições” e não na linha referente às receitas de JCP – que gerou o entendimento equivocado da fiscalização – decorre de determinação expressa da CVM, consoante Deliberação CVM nº. 207, de 13/12/1996 (fls.233), que impõe que os juros recebidos pelas companhias abertas a título de remuneração do capital próprio devem ser contabilizados como crédito da conta de investimentos, no ativo permanente; f) A receita referente às operações de swap (código de retenção 5273) foi declarada na linha 24 da ficha 06, compondo o valor de “outras receitas financeiras”, conforme DIPJ e documentos às fls. 407/415; Por fim, a Contribuinte requereu perícia (fls.239/240), produzindo quesitos com indicação de perito às fls. 443/444. Em 11/03/2009, a 8ª Turma da DRJ/RJ1 converteu o julgamento em diligência, determinando que a Delegacia de Fiscalização verificasse, na contabilidade da Interessada: (i) se os valores referentes a rendimentos recebidos da Urucum Mineração, assinalados no quadro de fl. 443 e respectivo IRRF (código 1708), foram contabilizados e devidamente levados à tributação; (ii) se os valores constantes na planilha e razonete de fls. 407/415, referentes a rendimentos de swap (R$ 101.144.693,42), foram declarados em "outras receitas financeiras" da DIPJ (fl.94). Às fls. 568/579, consta relatório fiscal com as seguintes informações: (i) após solicitar, por duas vezes, prorrogação de prazo para apresentar os documentos que comprovassem o que foi solicitado pela DRJ (fls.456 e 470), a Interessada apresentou os documentos de fls.473/567; (ii) em relação aos rendimentos recebidos da Urucum Mineração, assinalados no quadro de fl. 443, a Interessada não apresentou qualquer documento que comprovasse que tais valores foram contabilizados e devidamente levados à tributação; (iii) em relação aos rendimentos de swap (R$101.144.693,42), a Interessada apresentou os documentos de fls. 475/567 (Anexos 1/7); (iv) tais documentos não obedecem ao disposta no artigo 269, do RIR/99, pois, em todos eles a Interessada utilizouse de diversos códigos escritos a lápis, fazendo referências a vários outros documentos apresentados nos mesmos itens sem nenhum relatório, documento ou informação em que estivessem assinaladas tais referências; (v) a documentação apresentada não comprova que os citados valores foram declarados em "outras receitas financeiras" da DIPJ (fls.94). Em 29/04/2010, após tomar ciência do relatório fiscal (fls.586), a Interessada apresentou manifestação (fls. 587/589), requerendo a juntada dos documentos de fls. 602/612 que comprovariam: (i) os rendimentos auferidos (cf. planilha fls. 602/605); e (ii) a sua tributação mediante adição ao Lucro Real, o que foi feito mês a mês (cf. razonetes contábeis das contas ativas e de resultado – fls. 607/612). Fl. 866DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 15374.723914/200837 Acórdão n.º 1402001.835 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse passo, esclareceu que as receitas referentes às operações no mercado de renda variável foram devidamente oferecidas à tributação, tendo sido as mesmas tributadas na fonte apenas no momento da liquidação do contrato, ou seja, quando da retirada dos valores aplicados. Afirma, contudo, em relação às movimentações de suas operações de Swap, que, sem caixa ao longo do anocalendário de 2002, sujeitou à tributação, mensalmente, os ganhos que foram sendo auferidos no decorrer de sua aplicação, mas somente resgatados quando da liquidação do contrato. Portanto, a fim de tributar o rendimento, a Contribuinte registra os fatos contábeis por regime de competência e efetua a retenção na fonte apenas quando do seu resgate definitivo, no momento da liquidação do contrato de Swap. Às fls.615/621, consta petição de razões aditivas de defesa, na qual a Contribuinte reitera que os as receitas de swap foram tributadas, conforme comprovam os documentos já acostados aos autos (Doc. 05 e 09 da manifestação de inconformidade), acrescentando que estando os valores devidamente declarados em DIPJ, não cumpre à autoridade administrativa, quando da análise da DCOMP, examinar e questionar tais valores, mas sim, teria que lavrar auto de infração dentro do prazo decadencial. Finalizou afirmando que o resultado da diligência é absolutamente inconclusivo e que deixou de considerar a documentação apresentada, fato este que leva à necessidade de perícia contábil, cujos quesitos transcreveu às fls. 620, indicando perito às fls. 621. Analisando o caso, a 8ª Turma da DRJ/RJ1, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada (fl. 760/765). A autoridade julgadora constatou, a partir da análise do LALUR (fls. 399), que a Contribuinte havia adicionado o total dos valores auferidos a título de JCP ao Lucro Real como "Outras Adições" (cf. linha 22 da Ficha 09 da DIPJ/2003) e que estes valores haviam sido regularmente oferecidos à tributação. Ademais, a autoridade administrativa entendeu que restou comprovada, a partir dos documentos de fls. 320/321, 336/339, 341, 343/349, 369/370, 374 e 383/392 (Informes de Rendimentos), a efetiva retenção dos valores de IRRF deduzidos do IR a Pagar para fins de composição do crédito de saldo negativo compensado. Diante disso, verificada a efetiva tributação dos rendimentos de JCP, os valores comprovadamente retidos na fonte puderam integrar o saldo negativo utilizado para a compensação dos tributos em cobrança, tendo sido reconhecido o direito creditório adicional de R$ 9.772.767,85. Porém, no que diz respeito às receitas resultantes das operações de swap, o colegiado administrativo teve entendimento diverso e, apesar de admitir que tais rendimentos foram contabilizados (fls. 475/567, 602/605 e 607/612), não se convenceu de que tais valores foram levados à tributação mediante sua adição ao Lucro Real como "Outras Receitas Financeiras", na linha 24 da Ficha 06A da DIPJ 2003. Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 772/784), acompanhado dos documentos de fls. 785/824, para demonstrar que as receitas que auferiu em decorrência de operações de swap foram levadas à tributação por meio de sua adição ao Lucro Real. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 15374.723914/200837 Acórdão n.º 1402001.835 S1C4T2 Fl. 6 5 Subsidiariamente, sustenta que, se o Fisco entende que houve omissão de receitas, deveria ter lavrado auto de infração para submeter as supostas receitas omitidas à tributação. Ou seja, o Fisco não pode se valer das compensações efetuadas pela Contribuinte para exigir, indiretamente, créditos que deveriam ter sido objeto de lançamento de oficio dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Assim, não pode a autoridade administrativa deixar de reconhecer o crédito pleiteado e rejeitar a compensação com base em suposta omissão de receitas não comprovada. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Inicialmente, deixo consignado que corroboro a assertiva da Recorrente no sentido de que, não pode o Fisco, a pretexto de verificar a existência de imposto a restituir/compensar, reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência do seu direito de constituir o crédito tributário. No presente caso, o que se verifica é que a autoridade fiscal, em 2008, retroagiu a períodos decaídos para negar o direito creditório da Requerente, sob o argumento de que não teriam sido comprovados os valores de IRRF aproveitados na apuração do ano calendário 2002. Ora, deixar de considerar valores de IRRF aproveitados em período passado e alcançado pela decadência, equiparase a lançar valores naquele período. Decadência é o instrumento jurídico que tem por fim garantir segurança jurídica mediante a limitação dos efeitos do Direito no tempo. É exatamente por isso que, na análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte por meio de PER/DCOMP, o Fisco não poderá recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos fulminados pela decadência. Na apuração dos valores a restituir/compensar, o Fisco deve restringirse a refazer o histórico dos valores declarados pelo contribuinte e os cálculos inerentes à apuração dos tributos a recolher, sem efetuar qualquer juízo de valor no tocante à formação da base de cálculo caso os períodos analisados estejam alcançados pela decadência. Isso porque, frisese, adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, majorando o imposto a pagar, ou mesmo provocando a diminuição do prejuízo fiscal e do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. No entanto, a douta maioria deste colegiado entende que a averiguação de fatos passados pode ser feita quando os reflexos tributários se verificam em períodos não alcançados pela decadência, a qualquer tempo. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 15374.723914/200837 Acórdão n.º 1402001.835 S1C4T2 Fl. 7 6 Assim, ressalvando meu entendimento quanto à matéria, entendo que a alegação não deve prosperar. Por outro lado, quanto ao mérito propriamente dito, entendo que tem razão a Recorrente. O despacho decisório de fls. 211/212, amparado pelo Parecer Conclusivo de fls. 205/210, homologou parcialmente o direito creditório da Recorrente (Saldo Negativo de IRPJ do ano base 2002), originado totalmente de IRRF, pois, em suma, (i) não conseguiu confirmar parte das retenções informadas pela Recorrente em DIPJ nas DIRF’s das fontes pagadoras; e (ii) não conseguiu confirmar se as receitas de JCP e das operações do mercado de renda variável foram submetidas à tributação. Os valores glosados e confirmados constam da tabela abaixo: Vale dizer que, muito embora a soma dos valores confirmados alcance R$ 11.239.121,27, o valor irreal homologado pelo despacho decisório foi de R$ 11.237.121,53. Posteriormente, analisando as provas dos autos, a DRJ confirmou que a Recorrente adicionou as receitas de JCP ao Lucro Real na linha “outras adições” (conforme linha 22 da Ficha 09 da DIPJ/2003) e que estes valores haviam sido regularmente oferecidos à tributação. Confirmou também, que os Informes de Rendimentos anexados pela Recorrente às fls. 303/381 e 383/392, comprovavam as retenções de Imposto de Renda na Fonte referentes aos rendimentos de JCP. Assim, homologou o direito creditório adicional de R$ 9.772.767,85. A decisão recorrida, contudo, não deixa claro se os Informes de Rendimentos anexados comprovam a retenção de Imposto de Renda na Fonte referentes aos rendimentos em operações do mercado de renda variável (código 5273) e demais rendimentos (códigos 1708, 3426 e 8045). E, apesar de afirmar que os documentos anexados aos autos pela Recorrente (fls. 475/567, 602/605 e 607/612) comprovam que os rendimentos de swap foram contabilizados, não se convenceu de que tais rendimentos tenham sido submetidos à tributação, afirmando que a Recorrente “não produziu nenhum documento, sequer demonstrativo ou planilha que forme convicção neste julgamento que os referidos valores efetivamente código IRRF DIPJ Ficha 43 IRRF Não declarado em DIRF Receita supostamente não tributada Valor do IRRF glosado Crédito de IRRF/SN homologado 1708 51.214,37 30.063,28 30.063,28 21.151,09 3426 36.703.077,66 26.708.117,27 26.708.117,27 9.994.960,39 5273 19.364.939,09 11.166.441,10 19.364.939,09 19.364.939,09 5706 9.772.767,85 1.110.182,43 9.772.767,85 9.772.767,85 6800 1.223.009,79 1.223.009,79 8045 164.986,38 164.986,38 164.986,38 67.279.995,14 39.179.790,46 29.137.706,94 56.040.873,87 11.239.121,27 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 15374.723914/200837 Acórdão n.º 1402001.835 S1C4T2 Fl. 8 7 compuseram o montante que constou da linha 24 da ficha 06, da DIPJ, referente a outras receitas financeiras”. Em vista disso, a Recorrente apresenta o seu recurso acompanhado de documento nos moldes indicados pela decisão recorrida, ou seja, planilha que compõe o valor informado na Ficha 06 da DIPJ/2003 no campo “outras receitas financeiras”, destacando os valores relativos às operações de swap (fls 709/710 papel – 824/825 digital). A partir da planilha, verificase que as receitas auferidas em decorrência das operações de swap, no total de R$ 116.263.048,42, integram o montante de R$ 1.298.497.173,00, relativo à “outras receitas financeiras”, declaradas na linha 24 da Ficha 06 da DIPJ/2003. Posto isso, considerando, como afirmou a decisão recorrida, que os demais documentos nos autos já comprovam que as receitas das operações de swap foram devidamente contabilizadas, entendo que o documento anexado é suficiente para comprovar que tais receitas foram oferecidas à tributação. Destarte, compulsando os autos às fls. 303/392, verifico que os Informes de Rendimentos anexados comprovam a retenção da totalidade do Imposto de Renda na Fonte declarado na DIPJ/2003. Portanto, todo o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 67.279.994,14, deve ser reconhecido, conforme tabela abaixo: Posto isso, voto por dar provimento ao recurso voluntário, homologando as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Carlos Pelá código IRRF DIPJ Ficha 43 IRRF Não declarado em DIRF Receita supostamente não tributada Valor do IRRF glosado Crédito de IRRF/SN homologado 1708 51.214,37 30.063,28 30.063,28 51.214,37 3426 36.703.077,66 26.708.117,27 26.708.117,27 36.703.077,66 5273 19.364.939,09 11.166.441,10 19.364.939,09 19.364.939,09 19.364.939,09 5706 9.772.767,85 1.110.182,43 9.772.767,85 9.772.767,85 9.772.767,85 6800 1.223.009,79 1.223.009,79 8045 164.986,38 164.986,38 164.986,38 164.986,38 67.279.995,14 39.179.790,46 29.137.706,94 56.040.873,87 67.279.995,14 Fl. 870DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 15374.723914/200837 Acórdão n.º 1402001.835 S1C4T2 Fl. 9 8 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 17883.000169/2007-59
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2003
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO.
Este Conselho não é competente para analisar alegações de inconstitucionalidade, conforme Súmula nº. 02 do CARF.
Numero da decisão: 1803-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam abatidos dos débitos de IRPJ e CSLL as estimativas comprovadamente recolhidas conforme DARF de fls. 150 e 151, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto Da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam abatidos dos débitos de IRPJ e CSLL as estimativas comprovadamente recolhidas conforme DARF de fls. 150 e 151, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto Da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
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APRECIAÇÃO. Este Conselho não é competente para analisar alegações de inconstitucionalidade, conforme Súmula nº. 02 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam abatidos dos débitos de IRPJ e CSLL as estimativas comprovadamente recolhidas conforme DARF de fls. 150 e 151, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 69 /2 00 7- 59 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 17883.000169/200759 Acórdão n.º 1803002.030 S1TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto Da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Foram lavrados quatro autos de infração para exigir da interessada: a) imposto sobre a renda (IRPJ) no valor de R$ 22.696,16; b) contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) no valor de R$ 342,61; c) contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) no valor de R$ 1.868,82; e d) contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS) no valor de R$ 622,94, todos os tributos acrescidos da multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora. A exigência do IRPJ (fls. 17/21) decorreu da acusação: a) de omissão de receitas (enquadramento legal: art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, e artigos 249, II, 251, 278, 279, 280, 283 e 288 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 RIR/1999); e b) de falta ou insuficiência do imposto de renda devido que teria sido verificada no confronto dos dados declarados com "os recolhimentos não efetuados" (enq. legal: art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/1999). Os autos de infração que exigem PIS (fls. 22/25), COFINS (fls. 26/29) e CSLL (fls. 30/33) refletem apenas a acusação de omissão de receitas, e 0110 cada um aponta, no seu bojo, a legislação que teria sido infringida. As exigências são relativas ao ano calendário de 2002, no qual a interessada optou pela tributação com base no lucro real. Cientificada dos lançamentos a interessada os impugnou argüindo preliminarmente a sua nulidade porque, como o seu pedido de devolução dos documentos apresentados ao autuante em cumprimento da intimação inicial não foi atendido, ficou prejudicado o seu direito de defesa. No mérito sustentou que não houve omissão de receita posto que apenas houve equívoco quanto a escrituração da Nota Fiscal que originou o lançamento. Sustenta ainda que também houve equívoco quanto a ausência do pagamento do imposto declarado, pois recolheu o imposto de renda com base no lucro presumido em todos os meses em que exerceu atividade, mas apresentou a DIPJ como se tivesse optado pela tributação com base no lucro real. Por fim, sustenta que a Taxa Selic é ilegal e inconstitucional. Em sede de cognição ampla, a DRJ afastou a preliminar de nulidade sob o fundamento que não houve retenção dos livros fiscais, bem como todos os livros foram entregues na data do encerramento da fiscalização. No tocante ao mérito a DRJ acolheu o argumento quanto a ausência da constatação de omissão de receita referente o equívoco na escrituração da Nota Fiscal. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 17883.000169/200759 Acórdão n.º 1803002.030 S1TE03 Fl. 4 3 Todavia, manteve o lançamento quanto a ausência de pagamento do imposto declarado pela falta de prova dos argumentos sustentados pela autuada. Por derradeiro refutou o argumento quanto a alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic sob o fundamento de que não compete a instância administrativa efetivar tal análise. Inconformada com a decisão, a autuada interpõe Recurso Voluntário sustentando no mérito que efetivou o pagamento do imposto com base na apuração pelo lucro presumido conforme comprovado através das guias de recolhimentos anexada nos autos. A empresa sustentou ainda que houve cerceamento de defesa pelo fato de que não foram entregues os livros fiscais precedendo a efetivação do lançamento. Ao final, reiterou quanto a ilegalidade e inconstitucionalidade da Taxa Selic. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos onze dias do mês de fevereiro do ano de dois mil e quatorze, às nove horas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, Andar 3º, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO RODRIGUES MENDES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 17883.000169/200759 Recorrente: GAMEX ASSESSORIA E PARTICIPACOES LTDA SC e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.030 Decisão: Por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam abatidos dos débitos de IRPJ e CSLL as estimativas comprovadamente recolhidas conforme DARF de fls. 150 e 151. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte É o Relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 17883.000169/200759 Acórdão n.º 1803002.030 S1TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Quanto a alegação de nulidade do lançamento em virtude do cerceamento de defesa, entendo que não assiste razão a Recorrente, uma vez que o direito a ampla defesa é efetivado exatamente na oportunidade da sua impugnação e não na fase preparatório ao ato da constituição do crédito tributário, razão pela qual, rejeito o inconformismo neste particular. No tocante a alegação da Recorrente de que recolheu o imposto de renda com base no lucro presumido em todos os meses em que exerceu atividade, mas apresentou a DIPJ como se tivesse optado pela tributação com base no lucro real. Entretanto, devem ser abatidos dos débitos de IRPJ e CSLL as estimativas comprovadamente recolhidas conforme DARF de fls. 150 e 151. Por fim, à luz da Súmula CARF 02 abaixo transcrita, deixo de efetivar o controle de legalidade e inconstitucionalidade da legislação federal que respalda a aplicação da Taxa Selic, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” E, sem prejuízo deste impeditivo, o enunciado da Súmula CARF 04 assim dispõe: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 17883.000169/200759 Acórdão n.º 1803002.030 S1TE03 Fl. 6 5 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte provimento ao recurso voluntário para que sejam abatidos dos débitos de IRPJ e CSLL as estimativas comprovadamente recolhidas conforme DARF de fls. 150 e 151. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 176DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903351/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.903351/200813 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.999 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria Compensação PIS/Cofins Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 51 /2 00 8- 13 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 5 4 Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 7 6 I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 2348 9, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 9 8 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 10 9 verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 11 10 judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03 04.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 12 11 Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.903351/200813 Acórdão n.º 3801004.999 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16408.000156/2007-22
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
CRÉDITOS DE FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIVERSAS. AÇÃO JUDICIAL. NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Correto o lançamento do Simples, quando o contribuinte informa compensações na declaração simplificada, com base em decisão judicial transitada em julgado, autorizando a compensação do excedente de Finsocial com a Cofins, sem apresentar declaração de compensação.
Numero da decisão: 1803-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIVERSAS. AÇÃO JUDICIAL. NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Correto o lançamento do Simples, quando o contribuinte informa compensações na declaração simplificada, com base em decisão judicial transitada em julgado, autorizando a compensação do excedente de Finsocial com a Cofins, sem apresentar declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 01 56 /2 00 7- 22 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16408.000156/200722 Acórdão n.º 1803001.664 S1TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Maria Elisa Bruzzi Boechat. Relatório Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Simples; Contribuição para o Programa dc Integração Social PIS Simples; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Simples; Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples, referentes ao ano calendário de 2003. Consta do lançamento a exigência de R$ 123,14 de imposto e R$ 92,29 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Insuficiência de Recolhimento: nos períodos de, 01/2003 a 12/2003. Enquadramento legal no art. 5° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996; art. 30 da Lei n. 9.732, de 1998; arts. 186 c 188 do RIR/1 999; art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterada pela Lei n' 10.637 de 30 de dezembro de 2002, regulamentada pela Instrução Normativa da SRF n°210, de 09 de setembro de 2002. Multa de 75%. Alega que ingressou com ação judicial, cm 11/02/2000, para reconhecer seu direito a compensar valores de tributos que foram pagos maior, obtendo judicialmente a garantia de seu direito. Frisa que tratouse de mandado de segurança coletivo, em nome da Câmera de Dirigentes Lojistas de Ponta Grossa, a qual a empresa contribuinte filiado desde julho de 1999, em que foi declarada a ilegalidade do ato atacado, qual seja, a restrição imposta pelo Delegado da DRF/Ponta Grossa cm não permitir a compensação dos débitos com tais créditos, declarando este direito do contribuinte. Afirma ser incontestável o direito à compensação posto que já reconhecidos judicialmente, sendo tal decisão irrecorrível, tendo transitado em julgado em 05/03/2001, dc forma que não há nenhuma possibilidade da autoridade de perquirir sobre a origem deste crédito, pois que tal já foi feito pelo Poder Judiciário, que já consagrou tal direito. A empresa recorrente ainda sustenta que o auto de infração foi lavrado pelo fato de o contribuinte não ter apresentado declaração de compensação, a qual supostamente era obrigada a apresentar. Contesta a explicação de que as alterações dadas pela Lei n° 10.637/02, regulamentada pela IN n° 21/2002, já estavam em presentes no art. 74 da Lei n° 9.430/96, e observa que a referida IN foi publicada tão somente em outubro de 2002, e não diz respeito as empresas enquadradas no Simples, pois estas possuem regulamentação especial, sempre que qualquer ordenamento seja direcionado a estas empresas, o que na ocorre com a IN. Em sede de cognição ampla, os argumentos da impugnante foram rechaçados, sendo mantido na íntegra o crédito tributário hostilizado. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16408.000156/200722 Acórdão n.º 1803001.664 S1TE03 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente Recurso Voluntário reiterando os argumentos defendidos na oportunidade da impugnação. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos dez dias do mês de abril do ano de dois mil e treze, às nove horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente em Exercício), MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, MARIA ELISA BRUZZI BOECHAT e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 16408.000156/200722 Recorrente: VIDRAÇARIA SANT ANA LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.664 Informações Adicionais: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido É o Relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos Fl. 177DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16408.000156/200722 Acórdão n.º 1803001.664 S1TE03 Fl. 5 4 adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Na sentença, prolatada em 29/05/2000, o juiz da 1ª Vara Federal de Ponta Grossa decidiu: a) declarar a inexistência de relação jurídica que obrigasse a parte autora a recolher contribuição social majorada para o Finsocial; 1) reconhecer o direito de compensação dos excedentes de valores recolhidos de Finsocial com a Cofins, observandose as devidas correções monetárias de acordo com índices citados. A decisão foi confirmada pelo TRF4, tendo o acórdão transitado em julgado em 05/03/2001, conforme certidão de fls. 87. Ocorre que a compensação realizada pela empresa, abrangendo todos os tributos do Simples, não pode ser aceita. Inicialmente, cabe ressaltar que a sentença transitada em julgado permitiu a compensação do excesso de Finsocial com "a contribuição social instituída pela Lei Complementar n° 70, de 1991, vindo a mesma ser confirmada pelo acórdão do TRF4, conforme o seguinte trecho de ementa: "Admitese a compensação das importâncias recolhidas indevidamente a titulo de Finsocial somente com parcelas vincendas do Cofins, consoante precedentes do STJ, visto que se tratam de contribuições sociais de mesma espécie”. A época do trânsito em julgado da decisão judicial (05.03.2001), estava em vigor a Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de maio de 1997, que dispunha sobre a restituição, o ressarcimento c a compensação de tributos e contribuições federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Apesar de esse instrumento legislativo prever o direito à compensação entre quaisquer tributos c contribuições administradas pela então SRF, temse que seu art. 12, §3º estabelecia que, para tanto, o contribuinte deveria formalizar a compensação mediante "Pedido de Compensação. que não foi apresentado pelo contribuinte. A regra em questão assim dispõe, verbis: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2° e 3°, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, cm procedimento de oficio ou a requerimento do interessado. § I A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2°A compensação de oficio será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16408.000156/200722 Acórdão n.º 1803001.664 S1TE03 Fl. 6 5 do recebimento, sendo o seu silêncio considerado coma aquiescência. § 3° A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF te 73/97, de 15/09/1997) Temse, portanto, que tanto à época do transito em julgado da decisão judicial momento a partir do qual o contribuinte poderia compensar seus créditos de Finsocial, nos termos do art. 170A do CTN como ao tempo do envio da declaração simplificada do ano calendário 2003, a legislação em vigor estipulava urna condição para o exercício do direito à compensação. Deveria o contribuinte ter interposto Pedido de Compensação, ate 30/12/2002, ou Declaração de Compensação, após esta data. A ausência dessa declaração inviabiliza qualquer outra forma de compensação pretendida pela Recorrente. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 18088.000633/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA.
É cabível a imposição de multa qualificada à hipótese de presunção legal de omissão de receita fundada em depósitos bancários cuja origem não tenha sido comprovada pelo sujeito passivo, desde que os elementos presentes nos autos sejam suficientes à comprovação da prática dolosa de um dos tipos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Inteligência da Súmula CARF nº 25.
Numero da decisão: 1201-001.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de perícia e a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiro Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Júnior, que lhe dava parcial provimento apenas para excluir a qualificação da multa de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Nos lançamentos fiscais fundados em presunção legal de omissão de receitas invertese o ônus da prova, daí porque caberá ao sujeito passivo, mediante a juntada de documentação hábil e idônea, desconstituir o raciocínio presuntivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. É cabível a imposição de multa qualificada à hipótese de presunção legal de omissão de receita fundada em depósitos bancários cuja origem não tenha sido comprovada pelo sujeito passivo, desde que os elementos presentes nos autos sejam suficientes à comprovação da prática dolosa de um dos tipos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Inteligência da Súmula CARF nº 25. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de perícia e a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiro Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Júnior, que lhe dava parcial provimento apenas para excluir a qualificação da multa de ofício. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 06 33 /2 00 8- 26 Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1422.671, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 1145 e ss.): Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração lhe exigindo o Imposto de RendaPessoa Jurídica (IRPJ) de R$ 245.289,12 (fl. 51), a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$ 79.432,26 (fl. 65), a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de R$ 366.611,34 (f. 80), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 131.980,09 (fl. 95), acrescidos de juros de mora e multa de oficio, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.943.113,64 (fl. 02). A fundamentação legal consta dos respectivos autos de infração. O procedimento fiscal iniciouse em 08/02/2008 com a ciência do Termo de Início de Fiscalização (fls. 110/111), por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar, entre outros documentos, os livros Diários, relação de todas as contas bancárias e os respectivos extratos, relativamente aos anos calendário de 2003 a 2005. Não atendida a intimação no prazo concedido, foi a contribuinte novamente intimada em 20/02/2008 (fl. 119), desta vez para apresentar o livro Caixa dos anoscalendário de 2003 a 2005. Na mesma data foi cientificada do Termo de Reratificação do Termo de Início de Fiscalização (fl. 121). Em resposta (fls. 123/124), a contribuinte informou em 17/03/2008 que deixava de apresentar os livros Caixa por não estarem escriturados e que já havia solicitado aos Bancos os extratos bancários. Dando continuidade à Ação Fiscal, por meio do Termo de fl. 125, lavrado em 07/04/2008, a contribuinte foi novamente intimada a apresentar os documentos solicitados nas intimações anteriores. Apesar de ter solicitado prorrogação por mais 60 (sessenta) dias, a contribuinte não atendeu a intimação no prazo pleiteado, o que levou a fiscalização a requisitar, em 16/05/2008, Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 4 3 a movimentação financeira da contribuinte junto às instituições financeiras (fls. 129/148) e, na mesma data, intimou a contribuinte a providenciar, no prazo de 20 (vinte) dias, o livro Caixa com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, Registro de Inventário e todos os documentos que serviram de base para a escrituração, esclarecendo que o não atendimento poderia implicar, entre outros, no agravamento de multa. Em 17/06/2008, a contribuinte solicitou o prazo adicional de 20 (vinte) dias para atendimento à intimação (fl. 155/156), o que foi concedido (fl. 167). Não atendida a intimação no prazo, a fiscalização novamente intimou a contribuinte (fls. 169/171), em 29/07/2008, a apresentar os documentos anteriormente solicitados, tendo a contribuinte permanecido inerte. Em 08/08/2008 foi lavrado o Termo de Intimação de fls. 172/174 para a contribuinte comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, conforme constam no Anexo 1 (fls. 175/207), abrangendo os anos calendário de 2003 a 2005, bem assim apresentar os documentos anteriormente solicitados nas intimações. Foi salientado que a não comprovação implicaria em considerar os valores dos depósitos como receita omitida, nos termos do art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Foram fornecidos à contribuinte, alem do Anexo 1 (relação individualizada dos depósitos bancários), também cópia dos extratos bancários para que pudesse subsidiar a análise e a verificação dos depósitos. Não atendida a intimação, foi a empresa novamente intimada em 05/09/2008 (fls.967/968) e, em 18/09/2008, apresentou pedido de prorrogação de prazo, o qual foi indeferido (fl. 969/970). Em 03/10/2008 a contribuinte foi cientificada (fls. 972/973) de sua exclusão do Simples a partir de 01/01/2004 por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/AQA 034, de 23 de setembro de 2008 (publicado no DOU em 24/09/2008). Na mesma data ela também foi cientificada do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 974/977, na qual a autoridade fiscal esclareceu a razão da exclusão do Simples, qual seja, ter auferido receita bruta superior ao limite de permanência no Simples em 2003 (R$ 1.200.000,00), uma vez que a receita declarada acrescida da receita omitida totalizou R$ 3.188.992,71. Esclareceu ainda que em razão da omissão de receita detectada no anocalendário de 2003, caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, a empresa foi lançada de oficio, por meio de auto de infração, conforme processo de n° 18088.000469/200857. No mesmo Termo a autoridade fiscal, após esclarecer a contribuinte que em razão de sua exclusão do Simples com efeitos a partir de 01/01/2004 ela teria ficado sujeito às regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, intimou que promovesse a escrituração fiscal e contábil, nos anoscalendário de 2004 e 2005, com base no lucro real trimestral, em conformidade com a legislação de regência. Ressaltou que o não atendimento implicaria em majoração da multa em 50%, bem assim no arbitramento e outras sanções. Foi ainda facultado à contribuinte a Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 5 4 apresentação de comprovantes da origem dos recursos depositados em contas bancárias, anteriormente solicitados. Não atendida a intimação, a contribuinte foi novamente intimada, em 05/11/2008, para o mesmo fim, conforme Termo de fls. 978/982. Em 13/11/2008 a empresa, por intermédio de seu procurador, Dr. Fábio Pallaretti Calcini, apresentou a petição de fls. 983/984 alegando com fulcro no art. 15, §3º, da Lei n° 9.317/96, que a exclusão do Simples produzirá efeitos somente após o término do processo administrativo (processo n° 18088.000471/200826), sendo que, se torna impossível, neste momento, a escrituração fiscal e contábil com base no regime de tributação pelo lucro real trimestral para os anoscalendário de 2004 e 2005. Juntou aos autos (fls. 985/1012) cópia da manifestação de inconformidade que teria apresentado contra a exclusão do Simples no processo 18088.000471/200826. Em razão da não comprovação da origem dos valores depositados em suas contascorrente, conforme relação constante no Anexo 1 (fls. 175/207), foram lavrados, 14/11/2008, autos de infração para exigir os impostos e contribuições relativamente aos anoscalendário de 2004 e 2005, decorrentes da tributação da receita omitida caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Dos valores dos depósitos/créditos relacionados no Anexo 1, transcritos no Termo de Descrição Complementar dos Fatos (fls. 10/42) com os totais mensais, a autoridade fiscal excluiu os valores relacionados às fls. 43/46, de forma que o montante dos depósitos/créditos considerados "receita omitida" foram aqueles relacionados às fls. 46/47 para os quais não houve justificativa/comprovação da origem dos recursos. Para fins de apuração do IRPJ e da CSLL foi arbitrado o lucro com fundamento no art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199), tendo em vista a não apresentação dos livros e documentos concernentes à escrituração, tomandose por base a receita conhecida, ou seja, a receita omitida caracterizada pelos depósitos/créditos em conta bancária de origem não comprovada, acrescida das receitas operacionais informadas nos formulários do SIMPLES e transcritas às fls. 47/48 do Termo de Descrição Complementar dos Fatos. Segundo consta no Termo de Descrição (fl. 47), não houve recolhimento ou declaração em DCTF de tributos incidentes sobre a receita declarada nos formulários do Simples. Sobre os impostos e contribuições apurados em decorrência da omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicada a multa de 225% por entender que a contribuinte, além de ter omitido receita com evidente intuito doloso por três (03) anos consecutivos, o que justificaria a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996, também deixou de atender as Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 6 5 intimações para apresentar livro Caixa, Registro de Inventário e demais livros obrigatórios pelo regime de tributação pelo lucro real, o que justificaria o agravamento da multa em 50%, passando, dessa forma, ao patamar de 225%. Sobre os tributos apurados em decorrência da tributação dos valores informados na Declaração Simplificada foi aplicada a multa de 75%, acrescida de 50%, passando para 112,50%. Inconformada, a contribuinte, por intermédio de seus procuradores legalmente constituídos, José Luiz Matthes e Fábio Pallaretti Calcini (fls. 1117/1118), apresentou a impugnação de fls. 1055/1116, aduzindo como razões de defesa o seguinte: Cerceamento de defesa. Alegou ter havido cerceamento do direito de defesa com violação ao devido processo legal, uma vez que foi encaminhada à contribuinte, juntamente com o auto de infração, uma planilha que demonstrasse todos os depósitos bancários um a um que foram tributados, em presunção, como omissão de receita. Presunção de omissão de receita. Com relação à omissão de receita alegou que não basta a simples presunção ad hominis levantada pela fiscalização de que houve omissão de receita para dar fundamento ao lançamento, pois é preciso que a fiscalização demonstre, com elementos seguros, a omissão de receita, o que não teria sido feito. Insurgiu contra a tributação com base em depósitos bancários alegando, em síntese, que os depósitos não representam aquisição efetiva de disponibilidade econômica ou jurídica, a que se reporta o art. 43 do Código tributário Nacional, não podendo dar margem para a manutenção do lançamento. Obtenção de prova ilícita. Segundo a impugnante, a obtenção dos extratos bancários, sem autorização judicial, constitui prova ilícita, o que tomaria nulo todo o procedimento administrativo. Omissão de receita/Depósitos bancários não contabilizados. Alegou que é preciso ter em mente que para apuração de renda, no sentido do art. 43 do CTN, pesam preponderantemente o confronto entre as entradas e despesas, ambas devidamente comprovadas, e, contudo, o Sr. Fiscal esqueceu das despesas, pois em momento algum fez menção a elas. Valores pagos pelo Simples. Alegou ainda que no lançamento feito por arbitramento a autoridade fiscal deixou de considerar os valores pagos pela impugnante na modalidade do SIMPLES, os quais devem ser excluídos do lançamento. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 7 6 Falta de previsão legal para tributar PIS/COFINS/CSLL como base em presunção de omissão de receita. Com relação às contribuições do PIS, CSSL e Cofins, alegou que o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, somente permite a presunção para efeitos de apuração de eventual omissão de renda e a conseqüente apuração do IRPJ, não pode esta previsão legal ser estendida para a tributação das referidas contribuições, sob pena de ilegalidade. Acrescentou que somente após a edição da MP 499, de 03 de dezembro de 2008, é que tomou possível a aplicação da presunção legal de omissão de receita para fins de apuração da CSLL, PIS e COFINS, em relação aos depósitos bancários. Aumento da base de cálculo da COFINS e do PIS. Relativamente ao PIS e a COFINS alegou que são insubsistentes as exigências por terem se pautado em base de cálculo alargada e alíquota aumentada por lei inconstitucional e ilegal (Lei n° 9.718/98), sendo indevidas as exigências sobre as receitas financeiras (variações cambiais). Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS E da COFINS. Alegou ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. Semestralidade do PIS. Ainda, relativamente ao PIS, alegou que permanece inalterada a regra de apuração do valor a recolher mediante a aplicação da alíquota de 0,75% do total do faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Taxa Selic. Protestou contra a incidência da taxa Selic ao argumento de que ela não encontra respaldo jurídico e qualquer exigência de juros em descompasso com o art. 161 do CTN seria totalmente improcedente. Multa de oficio aplicada. Protestou também contra a multa de 225% alegando que ela ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição ao confisco devendo ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20%, uma vez que não houve qualquer prática de conduta por meio de fraude, eis que se embasou em convicções jurídicas de ampla discussão, sem realizar qualquer fraude, e que o simples fato de interpretar uma legislação tributária de forma diferente não tem o condão de sustentar uma prática fraudulenta. Prova pericial. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 8 7 Requereu a realização de prova pericial com o fim de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem com a ocorrência dos fatos geradores. Pedido. Solicitou, por último, que seja julgado improcedente o lançamento, ou, ao menos, retificado mediante outro ato administrativo, e que seja reconhecida a inaplicabilidade da taxa Selic e o caráter confiscatório da multa, reduzindoa a 20% em conformidade com o art. 61, §2° da Lei n° 9.430, de 1996. Apreciadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou procedentes em parte os lançamentos para afastar o agravamento da multa. Não houve recurso de ofício. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário reproduzindo as razões e os pedidos contidos na impugnação ao lançamento. Em 18/06/2012 a 2ª Turma Ordinária desta Câmara, acompanhando voto da Conselheira Relatora, e tendo em vista o disposto na seguir transcrito art. 62A do Regimento Interno do CARF, resolveu sobrestar o julgamento da lide até que o RE 601.314 fosse apreciado pelo STF e, portanto, decidida definitivamente a questão acerca da (in)constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, que em seu art. 6º autorizou o Fisco a obter junto às instituições financeiras, sem autorização judicial, a movimentação bancárias dos contribuintes. Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (...) No dia 14/03/2014, não mais estando a Relatora original exercendo cargo de Conselheira no CARF, o processo foi sorteado a este Relator em razão do estabelecido na Portaria MF nº 545/2013, que expressamente revogou os §§ 1º e 2º do aludido art. 62A do Regimento Interno do CARF, daí porque todos os autos até então sobrestados em virtude daquele dispositivo retornaram para apreciação e julgamento pelas Turmas. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Pedido de Perícia Requer a interessada seja deferido pedido de perícia a fim de que sejam respondidos os seguintes quesitos: a) É possível aferir que o lançamento encontrase efetuado única e exclusivamente com base em extratos bancários? b) É possível afirmar, com exatidão, que todos os valores realmente podem ser considerados como omissão de rendimentos? c) Os documentos já juntados e os argumentos tecidos na impugnação retiram a presunção certeza do auto de infração? d) O ICMS está incluído na base de cálculo? e) Assim sendo, com base na argumentação do impugnante é possível afirmar que existe erros no procedimento fiscal? f) Havendo erros, os mesmos podem implicar na nulidade do auto? g) Com base nas respostas anteriores é possível afirmar que os valores cobrados estão totalmente corretos? Como se vê acima, os quesitos propostos pela defesa: (i) ou tratam de questões exclusivamente de direito (item f), para as quais é incabível a perícia, ou; (ii) tratam de questões de fato (demais itens) já elucidadas pelos documentos presentes nos autos, sendo portanto desnecessária a perícia. Isso posto, voto pelo indeferimento do pedido de perícia. 3) Da Preliminar de Cerceamento do Direito de Defesa Não assiste razão à recorrente quando alega (item II.a do recurso voluntário) que a autoridade não lhe apresentou o demonstrativo de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. De fato, pelo exame dos autos, a fiscalizada tomou ciência do referido demonstrativo conforme consta de intimações a ela dirigidas durante o procedimento fiscal, bem como do “termo de descrição complementar detalhada dos fatos” que é parte integrante dos autos de infração. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 10 9 Isso posto, voto por indeferir a preliminar de cerceamento do direito de defesa. 4) Das Alegações de Inconstitucionalidade de Lei Em diversas passagens de seu recurso a interessada requer seja declarada, direta ou indiretamente, a inconstitucionalidade de lei. São elas: a) quebra de sigilo bancário sem ordem judicial (item II.c do recurso voluntário); b) norma jurídica tributária veiculada por meio de lei ordinária ao invés de lei complementar, como nos casos da elevação da alíquota da Cofins (item II.j) e da semestralidade do PIS (item II.m); c) alargamento da base de cálculo da Cofins; d) inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins (item II.l); e) cálculo dos juros de mora com base na taxa selic (item II.n); f) multa confiscatória (item II.o). Considerase indireta a arguição de inconstitucionalidade quando o litígio referese à ilegalidade de lei ordinária frente a uma lei complementar. Nesse caso, será declarada a inconstitucionalidade da lei ordinária se, e somente se, a Constituição determinar que a matéria seja regulada por lei complementar. Este Colegiado, entretanto, não detém competência para apreciar arguição direta ou indireta de inconstitucionalidade, haja vista o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e na Súmula CARF nº 2. Especificamente em relação à inclusão do ICMS nas bases de cálculo do PIS/COFINS é de se dizer que, apesar de o STF já haver se pronunciado, por meio de julgamento em recurso extraordinário, sobre a inconstitucionalidade dessa incidência, o fato é que a Corte ainda não se pronunciou definitivamente sobre essa questão, haja vista que tramitam na casa uma ADC e um recurso extraordinário sob o rito da repercussão geral. 5) Da Presunção de Omissão de Receitas Argumenta a recorrente que o lançamento foi realizado com base em presunção simples, razão pela qual não pode prosperar (item II.b do recurso voluntário). Ao contrário do alegado, é perfeitamente válido o lançamento realizado com fulcro em presunção simples, desde que, é claro, haja evidente conexão racional entre os elementos indiciários e a conclusão. Seja como for, o presente lançamento teve como fundamento a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, e não em presunção hominis. 6) Da Alegada Desconsideração das Despesas Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 11 10 Afirma a defesa que o lançamento é nulo por haver desconsiderado as despesas incorridas pela contribuinte. Novamente aqui não lhe assiste razão uma vez que no arbitramento do lucro, forma de apuração da base de cálculo do IRPJ, as despesas e custos estão embutidos no coeficiente de apuração da base de cálculo do imposto, no caso, de 9,6%. 7) Da Exclusão de Valores Pagos a Título de Simples Requer a contribuinte sejam deduzidos dos valores lançados os pagamentos por ela realizados a título do Simples. Ocorre que, tal como afirmado pela fiscalização e pela DRJ de origem, e não contestado em momento algum pela defesa, a contribuinte não efetuou qualquer recolhimento pelo sistema simplificado nos períodos objeto do lançamento fiscal. 8) Da Tributação Reflexa Em relação à tributação reflexa a recorrente alega, em primeiro lugar, que o art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarada inconstitucional pelo STF, sendo incabível à tributação de receitas não operacionais. Não foram, todavia, lançadas quaisquer receitas não operacionais. Em segundo lugar argumenta a interessada que inexiste previsão legal para exigência de PIS, Cofins e CSLL com base em omissão de receita presumida. Completamente equivocado o raciocínio. A base de cálculo do PIS/Cofins é a receita bruta. Nesse sentido, a omissão de receita, seja ou não presumida, enseja a cobrança dessas contribuições mediante lançamento de ofício. No que concerne à CSLL, como o IRPJ foi lançado com base no lucro arbitrado, mesma forma de apuração deve ser adotada para a CSLL (art. 57 da Lei nº 8.981/95), ou seja, a partir da receita bruta. 9) Da Qualificação da Multa Argumenta a recorrente que a qualificação da multa de ofício deve ser afastada pois não restou comprovado o evidente intuito da empresa em fraudar o Fisco. Ocorre que, de acordo com os elementos presentes nos autos, comprovado está que a conduta da contribuinte não decorreu de mero erro ou negligência, mas sim de sua vontade livre e consciente (dolo) de cometer sonegação fiscal, a teor do disposto no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Realmente, restou provado que a empresa omitiu receitas em 2004 no montante de R$ 5.027.580,78, havendo informado em sua declaração simplificada apenas R$ 872.488,33. No ano de 2005 a situação se agrava, com omissão de R$ 5.524.472,53 e faturamento declarado de apenas R$ 795.845,17. A reiteração da conduta omissiva em todos os meses dos anos de 2004 e 2005, bem como a relevância dos valores omitidos quando comparado com as receitas declaradas, comprovam que a conduta da contribuinte, como dito, não é fruto de erro ou negligência, mas sim de dolo. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18088.000633/200826 Acórdão n.º 1201001.162 S1C2T1 Fl. 12 11 Em outras palavras, não se trata aqui de “simples” omissão de receitas, tal como descrito na primeira parte da Súmula CARf nº 25, mas de omissão de receita cuja reiteração e relevância dos valores envolvidos afastam a hipótese de a conduta do sujeito passivo tenha decorrido de mero erro ou culpa. 10) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir o pedido de perícia e a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16327.721356/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
Tratando-se as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaída a competência de abril de 2007.
STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO.
No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição.
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. PREJUCIDIALIDADE. JULGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
Aplicando-se a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do CTN, está decaída a competência de abril de 2007. Em relação às competências remanescentes, excluo a multa aplicada diante da improcedência da autuação referente à obrigação principal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2007, face a aplicação da decadência quinquenal. II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso, por entender que não restou comprovado o caráter remuneratório dos valores pagos aos beneficiários no presente caso, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu ter sido demonstrado o caráter remuneratório. Fará declaração de voto de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratando-se as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaída a competência de abril de 2007. STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO. No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. PREJUCIDIALIDADE. JULGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Aplicando-se a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do CTN, está decaída a competência de abril de 2007. Em relação às competências remanescentes, excluo a multa aplicada diante da improcedência da autuação referente à obrigação principal. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721356/201280 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.888 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente ITAU UNIBANCO HOLDING S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150 §4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento. Decaída a competência de abril de 2007. STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO. No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. PREJUCIDIALIDADE. JULGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Aplicandose a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do CTN, está decaída a competência de abril de 2007. Em relação às competências remanescentes, excluo a multa aplicada diante da improcedência da autuação referente à obrigação principal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 56 /2 01 2- 80 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 ACORDAM os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2007, face a aplicação da decadência quinquenal. II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso, por entender que não restou comprovado o caráter remuneratório dos valores pagos aos beneficiários no presente caso, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu ter sido demonstrado o caráter remuneratório. Fará declaração de voto de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O processo administrativo em análise decorre de fiscalização na qual foi lavrado contra o Recorrente o DEBCAD nº 37.346.3081, através do qual são exigidas as contribuições previdenciárias a cargo da empresa, nas competências de abril de 2007, dezembro de 2007, janeiro a maio de 2008 e dezembro de 2008, incidentes sobre as remunerações pagas a determinados diretores (contribuintes individuais) por meio da outorga de opções de compra de ações (Stock Options) do Recorrente. Na mesma oportunidade, foi lavrado contra o Recorrente o DEBCAD nº 37.346.3090, por meio do qual foi cobrada multa por descumprimento de obrigação acessória diante da ausência de declaração dos fatos geradores acima mencionados em GFIP. O contribuinte tomou ciência das autuações em 05/12/2012 (fls. 173 e 180). DA AUTUAÇÃO Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 6178), o Auditor Fiscal autuante adotou o entendimento de que os planos de opções de compra de ações outorgados pelo Recorrente a seus diretores configuram remuneração e, como tal, sujeitamse à incidência da contribuição previdenciária patronal. Com o objetivo de sustentar tal posicionamento, o Auditor Fiscal, inicialmente, transcreveu trechos de documentos apresentados pela Companhia no curso da fiscalização ou obtidos através do seu sítio eletrônico, tais como notas explicativas de demonstrações financeiras e trechos do formulário 20F apresentado à SEC – US Securities and Exchange Comission, que fazem alusão aos planos de opções de compra de ações ofertados pelo Recorrente como remuneração dos beneficiários (diretores ou empregados de alto escalão). Vejamos: Visa integrar executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazos, através da outorga de opções de ações pessoais e intransferíveis, que concedem o direito de subscrição de uma ação do capital autorizado, ou, a critério da administração, de compra de uma ação em tesouraria adquirida para relocação. (Trecho da Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n.º 15 (quinze) – Patrimônio Líquido, em seu item “e” – Plano para Outorga de Opções de Ações) Em 1995, instituímos nosso plano de opção de compra de ações (“Plano”). O Plano tem por objetivo reter os serviços de nossos diretores e obter funcionários altamente capacitados. Cada opção dá direito a seu detentor a uma ação preferencial. Quando as opções são exercidas, emitimos novas ações ou transferimos ações em tesouraria para o detentor da opção. [...] (Trecho extraído do item 6E. Propriedade de Ações) Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Em seguida, o fiscal autuante efetua uma análise das principais disposições do Plano para Outorga de Opções de Ações aprovado pela Assembleia Geral de 01/11/2002 e alterado pelas Assembleias Gerais de 28/04/2004, 27/04/2005 e 26/04/2006, na forma abaixo transcrita: · Objetivo: integrar os executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazo, facultando participarem das valorizações que seu trabalho e dedicação trouxerem para as ações representativas do capital da instituição; · Beneficiários: O Comitê de Nomeação e Remuneração tem a competência para designar os diretores aos quais serão outorgadas as opções, nas quantidades que especificar. As opções serão pessoais e intransferíveis; · Quantificação: O Comitê poderá segmentar em séries o lote total de opções a serem outorgadas, estabelecendo as características e condicionamento de cada série, especialmente o preço de exercício, o prazo de vigência e o período de carência das correspondentes opções; · Rateio: O Comitê selecionará os executivos aos quais serão outorgadas e fixará as quantidades de opções de cada série que caberão a cada executivo selecionado. Efetuará as designações e rateios ponderando, a seu exclusivo critério, a performance dos elegíveis no exercíciobase, as remunerações já auferidas nesse exercício e avaliações outras que entender aplicáveis; · Preço do Exercício: É o valor que deverá ser pago ao Banco pela subscrição de cada ação, em decorrência do exercício de opção que haja sido outorgada. Para a fixação do preço é considerada a média dos preços verificados para as ações do Banco nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, no período de no mínimo um e no máximo três meses anteriores à data de emissão das opções, a critério do Comitê, facultado ainda um ajuste de 20% (vinte por cento), para mais ou para menos; · Prazo de Vigência: As opções terão vigência pelo prazo que o Comitê fixar ao outorgálas, ficando automaticamente extintas no término desse prazo. O prazo de vigência de cada série de opções terá início na data em que essa série houver sido emitida e o respectivo término recairá no final de um período que poderá variar entre o mínimo de AE+5 anos e o máximo de AE+10 anos, entendendose por AE (Ano de Emissão) o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Terão sua vigência extinta antecipadamente as opções cujos titulares se desligarem ou forem desligados do Banco e deixarem de ter atribuições executivas. As opções de diretores se extinguirão na data em que deixarem o exercício do cargo, seja por renúncia, seja por iniciativa do órgão que se elegeu. Em se tratando de funcionário, a extinção Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 4 5 ocorrerá na data em que se rescindir o contrato de trabalho. · Exercício das Opções: Os titulares das opções outorgadas poderão exercêlas subscrevendo as ações a que tiverem direito. As opções só poderão ser exercidas após o decurso de um “período de carência” e fora dos “períodos de suspensão” estabelecidos pelo Comitê; · Período de Carência: O período de carência de cada série de opções será fixado pelo Comitê ao emitilas, podendo a respectiva duração variar entre os prazos de AE+1 e AE+5 anos, sendo AE o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Esse período se extinguirá antecipadamente se ocorrer a aposentadoria do titular da opção, caso em que ele poderá exercêla quando desejar, ou se ocorrer o falecimento do titular, caso em que os herdeiros poderão exercêla quando desejar; · Período de Suspensão: Serão determinados pelo Comitê quando se justificarem, seja para ordenar os trabalhos de subscrição, seja para impedir subscrições nos períodos em que a CVM veda aos diretores negociarem ações da empresa que dirigirem; · Disponibilidade das Ações: o titular da opção poderá dispor livremente da metade das ações que houver adquirido através de cada ato de exercício dessa opção. A outra metade das ações que houver adquirido através de cada ato de exercício dessa opção. A outra metade ficará indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contados a partir da data do exercício da opção. 1. Natureza Salarial Feitas as considerações iniciais acima indicadas, o auditor fiscal passa a defender a natureza salarial das opções de compra de ações ofertadas pelo Recorrente: 6. DA NATUREZA SALARIAL DOS FATOS NARRADOS A outorga aos administradores de opções de compra de ações da companhia é uma forma de remuneração a médio e longo prazo, possuindo, portanto, natureza inegavelmente salarial conforme se demonstrará a seguir. A autoridade fiscal autuante, então, apresenta distinções entre as opções de compra de ações comuns e as opções de compra de ações para trabalhadores, com objetivo de fortalecer a alegada natureza salarial dos pagamentos decorrentes do plano de opção de compra de ações destinados aos trabalhadores, ressaltando, para tanto, as seguintes características: · O trabalhador não desembolsa valores na aquisição do direito de comprar ações da empresa. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 · Não há risco na aquisição da opção, na medida em que o trabalhador tem o direito de não exercer essa opção, ou seja, se a ação estiver com o valor baixo, ele não é obrigado a adquirila. · O trabalhador só corre o risco de ganhar, não corre o risco de perder já que não há desembolso pelo direito de opção e o exercício só ocorre se o valor da opção for inferior ao de mercado, · As opções outorgadas são pessoais e intransferíveis, de modo que não é possível negociar as opções recebidas. · O período de vigência é geralmente bastante superior em relação aos planos de ações comuns. · Em regra, não permite que o direito seja exercido no momento da concessão, com o objetivo de fortalecer a relação entre a empresa e o trabalhador, de modo a vincular o capital humano, além de ser oferecido como recompensa pelo trabalho prestado, como um “prêmio” ao empregado, como remuneração pelo seu trabalho. Acrescenta o fiscal autuante que o que une o trabalhador ao empregador é a prestação de serviço, diante do que todo o fluxo entre os dois se deve à relação de trabalho. E que, como as instituições financeiras não têm por seu objeto a negociação de suas próprias ações, a outorga de opções de compras de ações não se trata de uma operação mercantil. Alega que as instituições financeiras, ao ofertarem opções de compra de ações a seus trabalhadores, buscam motiválos, reter profissionais, vincular a sua remuneração à performance da empresa, alinhar os interesses dos trabalhadores aos dos acionistas, dentre outros fatores, que acabam levando o beneficiário a trabalhar mais e provocam um efeito “algemas de ouro”. Pontua que os planos de opções de ações são oferecidos como recompensa pelo trabalho, sendo, assim, um componente integrante da remuneração. E assim o é, pois, conforme demonstrado anteriormente, tratase de uma operação sem riscos para o trabalhador, ou seja, ele nunca perde patrimônio em função da outorga de opções que a companhia faz, uma vez que não há nem custos diretos (prêmios), pois o empregado não terá que pagar por esses planos. E assim conclui: Portanto, as opções de ações concedidas aos administradores devem integrar o salário de contribuição, pois: · De acordo com o artigo 6º do Estatuto Social reproduzido anteriormente, compete ao Comitê de Nomeação e Remuneração definir a política de remuneração dos Diretores, compreendendo, entre outros, a outorga de opções de compra de ações, tendo em conta as responsabilidades, o tempo dedicado às funções, a competência e reputação profissional e o valor dos serviços no mercado. · A Nota Explicativa nº 15 às Demonstrações Contábeis referentes ao exercício de 2006 – Patrimônio Líquido, Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 5 7 em seu item “e” – Plano para Outorga de Opções de Ações, reproduzida anteriormente, afirma que a companhia visa integrar seus executivos no processo de desenvolvimento da instituição a médio e longo prazos, através da outorga de opções de ações, pessoais e intransferíveis. · No Formulário 20F, item 6B, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo categoriza a outorga de opções de compra de ações como honorários do Conselho de Administração e da Diretoria. · No Formulário 20F, item 6C, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo nos diz que o atual Comitê de Nomeação e Remuneração teve origem no antigo Comitê de Opção de Compra de Ações, que depois passou a ser chamado de Comitê de remuneração. · No Formulário 20F, item 6E, reproduzido anteriormente, o sujeito passivo afirma que o Plano de Opção de Compra de Ações tem por objetivo reter os serviços dos diretores e obter funcionários altamente capacitados para a companhia. · No item 6B do Formulário 20F, reproduzido anteriormente, ao tratar dos honorários do Conselho de Administração e da Diretoria, o contribuinte utiliza a expressão “despesas de remuneração”, como segue: “As despesas de remuneração referentes aos planos de opção de compra de ações totalizam R$...” · Em resposta ao Termo de Intimação o contribuinte afirma que o Plano para Outorga de Opções de Ações é um instrumento para atração, estímulo e principalmente a retenção de grandes profissionais que são violentamente disputados pelas grandes empresas. · O Plano para Outorga de Opções de Ações, aprovado pela Assembleia Geral de 01.11.2002 e alterado pelas Assembleias Gerais de 28.04.2004, 27.04.2005 e 26.04.2006, com trechos reproduzidos anteriormente, estabelece que o Comitê selecionará os executivos aos quais serão outorgadas e fixará as quantidades de opções de cada série que caberão a cada executivo selecionado e efetuará as designações e rateios ponderando, a seu exclusivo critério, a performance dos elegíveis no exercíciobase, as remunerações já auferidas nesse exercício e avaliações outras que entender aplicáveis. Com relação ao período de carência de cada série de opções, ele será fixado pelo Comitê ao emitilas, podendo a respectiva duração variar entre prazos de AE+1 e AE+5 anos, sendo AE o ano civil do calendário durante o qual a emissão houver ocorrido. Com relação ao preço de exercício da opção, é Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 facultado um abatimento de 20% sobre o valor calculado com base na métrica definida. 2. Momento da ocorrência do fato gerador Em seguida, o Auditor Fiscal analisou o momento da ocorrência do fato gerador nos casos envolvendo os planos de opção de compras de ações e concluiu que o fato gerador resta caracterizado com o vencimento do prazo de carência, tendo em vista que, naquele momento, há o implemento da condição suspensiva contratual, sendo irrelevante para a configuração do fato gerador se o trabalhador exerceu ou não a opção de adquirir as ações. Vejamos os exatos termos do raciocínio desenvolvido pelo Auditor. 7. DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A outorga das opções de compra de ações para trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga apenas há uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este condicionado a uma situação temporal (cumprimento do prazo de carência) e a uma situação laborativa (manutenção da prestação de serviço do trabalhador). Ou seja, como regra geral, só poderão ser exercidas as opções cujos detentores, ao final do prazo de carência, ainda estejam prestando serviços à companhia. Como resultado do exercício da opção de compra, o trabalhador adquire ações da companhia, que são bens economicamente apreciáveis e que se integram ao seu patrimônio. Tratase, portanto, de um contrato pendente de condição suspensiva, que é aquele que somente se aperfeiçoa com o implemento dessas condições. [...] Diante do que foi exposto, as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que ocorre o vencimento do prazo de carência, que é o momento do implemento da condição suspensiva contratual. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções que detinha. À luz do Código Civil (art. 125, reproduzido anteriormente), o direito do trabalhador está constituído nesta data (vencimento da carência) e, de acordo com o CTN (art. 117, inciso I), aí ocorreu o fato gerador sobre esse direito. Portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. 3. Apuração da base de cálculo Com o objetivo de apurar a base de cálculo devida para incidência das contribuições previdenciárias, o Auditor, em observância ao critério adotado quanto ao momento em que resta caracterizada a ocorrência do fato gerador, utilizando os dados extraídos da planilha apresentada pelo contribuinte, entendeu que o montante corresponderia à multiplicação da quantidade de opções de compra outorgadas ao trabalhador (passíveis de exercício) pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço do exercício da opção no Fl. 496DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 6 9 momento do vencimento da carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. Assim, a base de cálculo das contribuições previdenciárias é calculada multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referentes à data de vencimento do prazo de carência. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções, isso ficou a seu critério. [...] As informações utilizadas para quantificar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, de acordo com os critérios descritos acima, foram extraídas de planilha intitulada “Opções de Ações – Vencimento do Prazo de Carência”, segundo aponta o relatório fiscal. 4. Multa aplicada Após a análise da penalidade mais benéfica ao contribuinte, em observância ao exposto no art. 106, inciso III, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o Auditor Fiscal confrontou a multa por descumprimento de obrigação acessória (ausência de declaração do fato gerador em GFIP) somada à multa de mora (24%) com a multa de ofício, estabelecida pela Lei nº 11.941/2009 (75%), e concluiu que a aplicação da legislação anterior seria mais benéfica ao contribuinte. Foi lavrado, assim, o Debcad de n. 37.346.3090 (AI 68), pelo descumprimento da obrigação prevista no art. 32, IV, da Lei 8.212/1991. DA IMPUGNAÇÃO O ora Recorrente apresentou tempestivamente impugnação aos Autos de Infração em 03/01/2013, alegando, em síntese: 1. Decadência Em relação à decadência, o ora Recorrente considerou que, de acordo com a regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN, os valores referentes à competência de abril de 2007 já estariam decaídos quando da ocorrência do lançamento, que ocorreu apenas em 05/12/2012. 2. Mérito O Recorrente iniciou sua impugnação trazendo elementos característicos dos planos de outorga de opções de compra de ações, com o objetivo de atestar a natureza societária desses planos, demonstrando, para tanto, a base legal (art. 168, §3º da Lei n.º 6.404/76) e ressaltando a regulamentação da CVM, que, por meio das Instruções n.º 290/98, 291/98 e 390/09, estabelece requisitos para instituição do plano, como, por exemplo, a necessidade de disciplina em estatuto e aprovação do plano por meio de assembleia geral de acionistas, o que reafirmaria o caráter societário dos planos de stock options. Ressaltou que a outorga da opção gera apenas expectativa de direito, que, uma vez exercida, e a depender das perspectivas do mercado de ações, pode acarretar ganho ou perda de capital ao trabalhador ou, até mesmo, pode nem vir a ser exercida após findo o prazo de carência do plano. Tais circunstâncias seriam aptas a demonstrar a ausência de caráter Fl. 497DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 remuneratório que a fiscalização tenta imputar aos pagamentos decorrentes do plano de opções de compra de ações. Alegou, em seguida, que o entendimento manifesto na acusação fiscal quanto ao momento da ocorrência do fato gerador é equivocado, devendo ser considerado configurado o fato gerador apenas com o exercício do direito, ou seja, quando a ação objeto da outorga é adquirida. Com o objetivo de demonstrar as distorções ocasionadas pelo equivocado entendimento da acusação fiscal quanto ao momento da ocorrência do fato gerador, o Recorrente ressaltou que algumas opções foram consideradas como exercidas quando findo o prazo de carência, embora os respectivos funcionários jamais tenham exercido a referida opção, pois se desligaram da companhia antes de findo o prazo de carência, ou seja, antes mesmo de o direito de compra das ações poder ser exercido. Aduziu, ainda, que a jurisprudência do TST manifestase no sentido de que a opção pela compra de ações não proporciona ao trabalhador vantagem de natureza salarial. Em relação à multa, o Recorrente alegou que, considerando que as verbas oriundas do exercício da opção de compra de ações não possuem natureza salarial e, portanto, não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não seria cabível a cobrança referente à obrigação acessória. Por fim, pleiteou a não incidência de juros sobre multa ofício, tendo em vista que, nos termos do art. 61, caput, apenas os débitos de tributos e contribuições se sujeitam aos juros de mora, além de não ser cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício. ACÓRDÃO DA DRJ Após relatados os fatos e argumentos trazidos no processo, a DRJ chegou as seguintes conclusões. Decadência A DRJ entendeu que não restou configurada a decadência, diante da manutenção da aplicação da regra prevista no art. 173, I, do CTN, já que as remunerações pagas por meio do plano de outorga de opções de compra de ações (stock options), objeto do presente lançamento de ofício, não foram declaradas em GFIP, inexistindo pagamento antecipado sobre tais valores. Desse modo, considerando que os créditos, referentes às obrigações principal e acessória, foram lançados nos períodos de abril de 2007, dezembro de 2007, janeiro a maio de 2008 e dezembro de 2008 e que a ciência pessoal do contribuinte ocorreu em 05/12/2012, nenhuma competência estaria decaída, já que o lançamento poderia ocorrer até 31/12/2012, considerando a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, segundo a qual o prazo é de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte. 1. Mérito A DRJ ressaltou que o próprio Recorrente admitiu a natureza remuneratória das parcelas, tanto no formulário 20F quanto nas reuniões do Comitê de Opções do Itaú Unibanco, por meio das quais foi aprovada a outorga de opções de compras de ações, através de assembleia geral. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 7 11 Logo, o plano de stock options teria sido oferecido como vantagem adicional à remuneração básica, como um atrativo para que o executivo continuasse trabalhando, tanto que tinha como um de seus requisitos a prestação de serviço durante determinado período para que o trabalhador pudesse se beneficiar do exercício da opção, além de ter caráter personalíssimo, só admitindo que a opção fosse transferida a herdeiros, no caso de herança. Reiterou os argumentos trazidos na autuação quanto à ausência de risco, tendo em vista que, na data da outorga, nenhum pagamento foi realizado, diferente do que ocorre com os contratos mercantis. Ressaltou, ainda, ser adequado o critério adotado na autuação para a definição da configuração o fato gerador, segundo o qual o fato gerador resta configurado na data de vencimento do prazo de carência, momento em que restaria caracterizada a implementação da condição suspensiva contratual. Notase que o entendimento sustentado pela DRJ quanto ao momento da ocorrência do fato gerador está em total consonância com aquele sustentado na autuação: 4.45. Pouco importa se o beneficiário exerceu, ou não, este direito, o fato é que, no termo do período de carência, com o implemento da condição suspensiva acima citada, o beneficiado adquiriu um bem, correspondente a um direito, que tem valor econômico e que gera acréscimo patrimonial. Tal valor econômico corresponde à diferença entre o valor de mercado da ação, na data do termino de carência (quando as ações poderiam ser adquiridas), e o valor de subscrição, pré estabelecido no contrato de outorga. Se aquele for superior a este, obviamente o beneficiado tem um acréscimo patrimonial, correspondente à remuneração em virtude do trabalho prestado anteriormente (durante o período de carência) e, consequentemente, também houve a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária previdenciária. Caso contrário, obviamente não houve acréscimo patrimonial e tampouco remuneração, não havendo que se falar em fato gerador de obrigação tributária previdenciária. Chamou atenção quanto à inadequação de o Recorrente ter trazido, como argumento de defesa, o posicionamento sustentado pelo TST, tendo em vista que o conceito de salário adotado pela legislação trabalhista é distinto daquele adotado no caso em questão. Quanto à multa, a DRJ entendeu que, diante da correção do lançamento principal, não haveria que se falar na inadequação da aplicação da multa por ausência do pressuposto fático necessário à sua incidência. Também considerou que as multas foram aplicadas corretamente em observância à penalidade menos severa ao Impugnante, conforme cálculo constante no termo de verificação fiscal. Ressaltou, por fim, o cabimento da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do art. 161 do CTN e do art. 61 da Lei n.º 9.430/96, bem como que o conceito de crédito tributário abrange a multa, de modo que, se o pagamento não foi efetuado dentro prazo legal, configurase a existência de débito em face da União, incidindo juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 DO RECURSO Devidamente intimada em 18/07/2013, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 15/08/2013, rebatendo a decisão proferida pela DRJ e reiterando os argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. Além de reiterar os argumentos trazidos na impugnação, o Recorrente colacionou julgados do CARF, por meio dos quais restou aplicada a regra de contagem do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN, considerando como pagamento antecipado a comprovação de recolhimento de quaisquer das rubricas que compõem a base de cálculo do tributo. Aduziu, ainda, que três diretores, cujos pagamentos decorrentes do plano de opção de compra de ação foram incluídos na base de cálculo, tinham sido desligados da empresa antes mesmo de findo o prazo de carência, como demonstram atas de assembleia apresentadas, de modo que tais diretores sequer poderiam ter exercido a opção de compra das ações que lhes foi outorgada. Tal exemplo apenas ratificaria o equívoco da acusação em considerar configurada a ocorrência do fato gerador quando findo o prazo de carência para o exercício da opção. O Recorrente trouxe, ainda, como exemplo, situação em que, durante todo o prazo de carência do plano, a opção do exercício não seria vantajosa, considerando os valores de mercado das ações da Companhia naquele período, de modo que o direito poderia sequer vir a ser exercido. CONTRARRAZÕES A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional afirmou que os próprios documentos apresentados pelo Recorrente demonstram que os pagamentos decorrentes do plano de stock options possuíam caráter remuneratório, ressaltando o fato de que competiria ao Comitê de Nomeação e Remuneração designar periodicamente os diretores aos quais seriam outorgadas as opções. De acordo com a Procuradoria, a designação dos diretores que teriam direito ao exercício demonstra que o plano não era estendido a todos os trabalhadores indistintamente, bem como que a performance do executivo seria relevante para que fosse concedida a opção de compra de ação, o que reforçaria a sua natureza remuneratória. Tais fatos demonstrariam que a concessão das opções de ação possui caráter discricionário e retributivo, vinculado ao desempenho do profissional na empresa. Destacou que as opções outorgadas aos diretores são pessoais e intransferíveis, não havendo a possibilidade de negociação das opções recebidas pelos executivos, ao contrário do que ocorre com os planos de stock options tipicamente mercantis, que são cotidianamente negociadas no mercado de ações. Para fundamentar tal alegação, ressaltou que, se qualquer titular da opção se desligar ou for desligado da Companhia, as opções terão sua vigência extinta, restando evidente que a circunstância de o indivíduo estar prestando serviços à empresa, e somente enquanto assim o estiver, é condição sine qua non para que ele possa se beneficiar da opção. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 8 13 Diante das considerações realizadas, concluiu pela existência de uma política de remuneração e de atuação voltada à eliminação de potenciais riscos quanto às variações do mercado de ações. Por fim, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustentou que deveria ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, tendo em vista a consolidação da jurisprudência judicial e administrativa nesse sentido. TERMO DE CONSTATAÇÃO Em 27/10/2014, o Recorrente solicitou a juntada de termo de constatação, elaborado pela empresa de auditoria KPMG Tax Advisors, com o objetivo de comprovar que, considerando as regras estabelecidas através do plano de stock options para a definição do preço de exercício de compra das ações, seria impossível saber, na data da outorga, se o exercício da opção de compra realmente ocorreria, sendo, para tanto, simulada situação, por meio da qual restou constatado que, durante o período de vigência do plano, a ação sempre esteve desvalorizada, de modo que seria provável que a opção sequer fosse exercida. Demonstrou, ainda, que a aplicação da regra prevista no plano de stock options quanto à possibilidade de exercício em relação à 50% das ações adquiridas, remanescendo a outra metade indisponível por mais dois anos, também levou, em alguns períodos de vigência do plano, a configuração de prejuízo e não de ganho aos trabalhadores, ratificando o risco suportado pelo trabalhador com o exercício da opção de compra das ações da Recorrente. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 1. Decadência As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos a lançamento por homologação, de modo que a regra decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, caso tenha havido a antecipação de pagamento (mesmo que parcial), ou no art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte ou caso seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ressaltese que, diferentemente da conclusão a que chegou a Delegacia de Julgamento, para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art.150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer contribuição previdenciária devida pelo contribuinte, não sendo necessário que o recolhimento parcial se refira à rubrica específica que foi objeto do lançamento. Essa questão, inclusive, já que se encontra pacificada, após a edição da Súmula n. 99 do CARF. No caso em apreço, o contribuinte foi cientificado da autuação em 05/12/2012, sendo nela exigidos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em abril de 2007. Desse modo, é necessário aferir se houve pagamento antecipado, ainda que parcial, de contribuição previdenciária nas competências cuja decadência pode vir a ser reconhecida, para que seja possível a aplicação do artigo 150, §4º do CTN, o que, no caso ora analisado, restou manifesto diante do comprovante anexado pelo contribuinte à sua impugnação (fls. 211), além do fato de a autuação se referir a diferenças de contribuições previdenciárias tidas como devidas e não recolhidas pelo Recorrente. Sendo assim, considerando que o Recorrente foi notificado em 05/12/2012, reconheço a decadência parcial da autuação, relativamente à competência de abril de 2007. 2. Mérito É sabido que o contrato decorrente do plano de stock options tratase de instrumento de título oneroso, fundado na lei societária, através do qual a sociedade emissora concede ao beneficiário (empregado, administrador, prestador de serviço) o direito de subscrever ou adquirir as suas ações por um preço prédefinido, sob determinadas condições e após determinado prazo. No direito brasileiro, a previsão legal quanto à possibilidade de criação do stock options está prevista no art. 168, §3º da Lei n.º 6.404/76, segundo o qual: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 9 15 § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembleiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Da leitura do referido dispositivo legal, é possível concluir que para a instituição do stock options é necessário que sejam atendidos cinco requisitos, quais sejam: (i) emissão por sociedade por ações, abertas ou fechadas; (ii) previsão expressa no estatuto; (iii) em observância aos montantes delimitados no capital autorizado, (iv) conforme plano de compra de ações aprovado pela assembleia geral e (iv) tendo como beneficiários os empregados, administradores e outras pessoas naturais que prestem serviços à sociedade por ações ou à sociedade sob o seu controle. Esta Turma já se debruçou sobre esse tema e já manifestou o seu entendimento de que a aquisição de ações através de planos de stock options tratase, em regra, de típico contrato mercantil, oneroso, em que o trabalhador, embora pretenda obter lucros, poderá amargar prejuízos inerentes ao risco de investir no mercado de ações – não configurando, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias (acórdãos n.s 2401 003.044 e 2401003.045). A onerosidade do contrato decorre do pagamento, pelo trabalhador, do preço de exercício estipulado. E essa onerosidade está diretamente atrelada ao elemento risco inerente a esse tipo de operação, já que, se não fosse oneroso, a entrega pelo empregador das ações ofertadas ao trabalhador poderia ser caracterizada como remuneração. De fato, sendo, via de regra, a opção de comprar ações facultativa e onerosa ao beneficiário, que, inclusive, poderá experimentar prejuízos na operação, caso o preço de venda seja inferior ao preço pago pelas ações adquiridas, não é possível caracterizar a aquisição das ações por meio dos contratos de opção de compra de ações como remuneração, já que esta decorre diretamente da prestação de serviço, não estando sujeita a risco, muito menos à opção do trabalhador e pagamento de preço– prestado o serviço, a remuneração deve ser paga pelo contratante. A concessão ao trabalhador de opção de compra de ações da Companhia em que trabalha tem por finalidade a retenção desses trabalhadores, funcionando como estímulo para que eles permaneçam na empresa e contribuam para o seu crescimento, estimulados pela possibilidade de participar dos lucros futuros e valorização das ações no mercado de capitais. Não há dúvidas, portanto, de que a oferta de ações aos trabalhadores por meio de planos de stock options tem relação direta com a qualidade e importância do serviço prestado pelo beneficiário à empresa – já que, por obvio, essas opções só são oferecidas àqueles que prestam serviços à Companhia emissora, com o objetivo de que essa prestação de serviços perdure e seja estimulada. Isso não implica, contudo, na automática caracterização de planos dessa natureza como remuneração. É certo que, não estando presentes as características essenciais de contratos dessa natureza, poderá a fiscalização provar que se trata de forma disfarçada de remuneração, sobre a qual incidiria a contribuição previdenciária patronal acrescida do adicional correspondente. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 Diante disso, o primeiro passo a ser dado para avaliação da procedência ou não da autuação é verificar se, no caso sob exame, o plano de compra de ações que o Recorrente oferece a seus trabalhadores reúne os elementos essenciais de um contrato de natureza mercantil, ou se, ao contrário, dele se afasta, caracterizandose como remuneração in natura. No caso sob exame, a fiscalização não aponta de forma específica nenhuma cláusula do Plano de Opção de Compras de Ações do Recorrente que retiraria o seu caráter mercantil da operação de compra, ou eliminaria o risco do beneficiário que é inerente às operações com o mercado de ações. A fiscalização posicionase no sentido de que as Opções de Compras de Ações oferecidas a trabalhadores, de um modo geral, possuem características especiais que a diferenciam das opções de compra de ações comuns e que essas características, por si só, retirariam a sua natureza mercantil e afirmariam a sua natureza remuneratória. As características imputadas pela autoridade fiscal aos planos de opções de ações oferecidos aos trabalhadores, que os diferenciariam das opções de ações em geral e retirariam o seu caráter mercantil, podem ser assim resumidas: · O trabalhador não desembolsa valores para aquisição do direito de comprar ações da empresa. · Não há risco na aquisição da opção, na medida em que o trabalhador tem o direito de não exercer essa opção, ou seja, se a ação estiver com o valor baixo, ele não é obrigado a adquirila. · As opções outorgadas são pessoais e intransferíveis, de modo que não é possível negociar as opções recebidas. · O período de vigência é geralmente bastante superior em relação aos planos de ações comuns. · Em regra, não permitem que o direito seja adquirido no momento da concessão, com o objetivo de fortalecer a relação entre a empresa e o trabalhador, demonstrando que o plano é uma forma de vincular o capital humano e são oferecidos como recompensa pelo trabalho prestado, como um “prêmio” ao empregado. Além disso, as autoridades fiscais se apegam a trechos de documentos que atrelam o termo remuneração aos planos de opções de ações: O fato de as regras serem fixadas por um Comitê de Remuneração, de o formulário 20F categorizar as outorgas de opções de ações como honorários do conselho de administração e diretoria e de ser utilizada a expressão “despesa de remuneração referente aos planos de opções de compra de ações”, dentre outros, serviram como fundamento para a incidência das contribuições previdenciárias, na visão da autoridade lançadora, convalidada pela DRJ. Fixadas, em linhas gerais, as bases da acusação fiscal, passemos à análise de cada um desses argumentos, em conjunto com as características específicas do plano de opção de ações objeto da autuação. Inicialmente, entendo que os atos societários, demonstrações financeiras e demais documentos mencionados na acusação fiscal, que estabelecem a suposta relação entre os pagamentos decorrentes do plano de stock options e a remuneração paga aos trabalhadores, Fl. 504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 10 17 bem como o fato de o Comitê de Remuneração ser responsável por definir os administradores que terão direito ao exercício da opção de compra da ação, não são fatos aptos a comprometer o caráter mercantil do plano de ações e caracterizálo como remuneração para fins previdenciários. Isto porque não é o nome que se dá a determinado instituto que lhe confere natureza jurídica, mas sim as suas características essenciais. O fato de as demonstrações financeiras do Recorrente utilizarem o termo “remuneração” nos itens que tratam dos planos de opções de compra de ações não torna essa verba tributável. É preciso analisar as características do plano para que se possa concluir se se trata de operação mercantil ou se houve desvirtuamento do instituto apto a caracterizar o ganho auferido pelo profissional como remuneração tributável. Passemos, então, à análise do plano de stock options, conjuntamente com os pontos apontados pela autoridade fiscal como caracterizadores da natureza remuneratória às opções de compra de ações oferecidas a trabalhadores. a) Onerosidade do plano A Autoridade Fiscal afirma que, diferentemente das opções de compra de ações oferecidas em geral no mercado, naquelas ofertadas a trabalhadores, estes não desembolsam valores para adquirir o direito de comprar ações da empresa no futuro, o que supostamente comprometeria a onerosidade e, por consequência, o risco envolvido com a sua adesão. Analisando o plano de opção de ações do Recorrente, constatase que, de fato, não se exige do beneficiário um pagamento inicial para que possa, após o prazo de carência, exercer o seu direito de compra das ações. A despeito disso, entendo que o fato de não ser exigido um valor para aquisição do direito futuro de exercício da opção de compra de ações, por si só, não retira deste o seu caráter oneroso, muito menos o risco atinente a esse tipo de contrato. Isto porque, embora não seja preciso fazer desembolso inicial para adquirir a opção, o exercício da opção de ações do Recorrente é inequivocamente oneroso, já que existe a obrigação de o beneficiário pagar o preço fixado para a aquisição das ações, sendo este preço, a teor da cláusula sexta do plano, determinado pela média dos preços das ações nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, no período de no mínimo um e no máximo três meses anteriores à data das opções, facultado ajuste de até 20%, para mais ou para menos. Esse preço do exercício das ações é devidamente reajustado até o mês anterior ao do exercício da opção pelo IGPM. Além do critério para definição do preço do exercício ser razoável, vez que considera a média de preços das ações na Bolsa de Valores de São Paulo, bem como ser devida a correção dos valores, considerando índice regularmente praticado (IGPM), as regras quanto ao prazo para pagamento são as mesmas aplicáveis à liquidação de operações na Bolsa de Valores de São Paulo. É o que se extrai da leitura da cláusula abaixo transcrita: PREÇO DO EXERCÍCIO [...] Fl. 505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 6.2. Exercendo a opção, o respectivo titular deverá pagar o preço do exercício em prazo igual ao vigente para liquidação de operações na Bolsa de Valores de São Paulo. (grifos nossos) Há, portanto, nítida onerosidade no Plano de Opção de Compra de ações ofertado pelo Recorrente, já que há uma efetiva aquisição de ações através do plano, e não uma outorga graciosa dos títulos, mesmo não sendo necessário fazer um desembolso inicial para obter o direito futuro de adquirir as ações. b) Impossibilidade de transferência para terceiros Considerando, ainda, o objetivo de instituição do plano, convém registrar que, diferente do que alega a autoridade fiscal, a possibilidade de transferência do exercício da opção para terceiros macularia a própria intenção de criação do plano, que, como já dito, tem em sua essência o objetivo de fortalecer a relação entre a empresa e o trabalhador. A pessoalidade e indisponibilidade estão plenamente de acordo com a natureza jurídica do plano em questão. Esses elementos, portanto, não o descaracterizam, nem retiram a sua natureza mercantil, esta evidenciada pelo risco e onerosidade presentes na aquisição de ações por meio do planto de stock options. c) Livre exercício do direito de compra das ações Aduz a fiscalização que o trabalhador tem o direito de não exercer a opção de aquisição de ações caso o preço de mercado esteja inferior ao da oferta, o que por si só já retiraria o risco que é inerente a esse tipo de negócio. Não é, contudo, a possibilidade de não exercício que retira da operação o risco que lhe é inerente. O risco se caracteriza essencialmente pelo pagamento do preço pelo beneficiário e pela possibilidade de perder o valor pago no mercado de ações, conforme será visto no tópico seguinte. Ademais, se realmente a oferta de ações estivesse vinculada à remuneração, representando contraprestação pelo serviço realizado, seria obrigatório o exercício do direito de opção pelo trabalhador, o que, como visto, não se verifica no caso analisado. d) Do risco inerente ao exercício do direito de aquisição das ações No caso ora analisado, apenas é possível exercer o direito de compra de ações, com o respectivo pagamento do preço do exercício, após o prazo de no mínimo 01 (um) ano e no máximo 05 (cinco) anos, contados do ano em que houver a emissão das opções aos beneficiários do stock options. Após o exercício da opção, por sua vez, o trabalhador só pode alienar, de imediato, a metade das ações adquiridas com exercício das opções, de modo que a outra metade das ações fica indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contados a partir do exercício da opção, conforme demonstram as cláusulas abaixo transcritas. 10. DISPONIBILIDADE DAS AÇÕES 10.1. O titular da opção poderá dispor livremente de metade das ações que houver adquirido através de cada ato de exercício dessa opção. 10.2. A outra metade focará indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contado a partir da data do exercício de opção, Fl. 506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 11 19 averbandose essa indisponibilidade na forma e para fins previstos no art. 40 da Lei n.º 6.404 de 15.12.76, ressalvadas as exceções a seguir estabelecidas. [...] Ora, a indisponibilidade das ações adquiridas por dois anos é um elemento essencial para caracterização do risco a que se sujeita o trabalhador, no momento em que exerce a opção de ações que lhe foi ofertada. Dois anos é um prazo razoavelmente longo e nele podem ocorrer situações que levem o preço das ações a valores bastante inferiores aos de exercício. Fatores externos ou internos, como uma crise econômica em nível nacional ou internacional, uma crise política, a desvalorização da moeda nacional, a má condução dos negócios, dentre outros, podem influenciar significativamente no valor de mercado das ações ofertadas. O beneficiário tem, portanto, manifesto risco de arcar com prejuízos oriundos de eventual queda no preço das ações. Apenas a título exemplo, verificase, do Termo de Constatação elaborado pela KPMG, que, durante período inferior há um ano, as ações do Itaú tiverem grande alternância em seus valores, conforme demonstram as informações extraídas do site da BM&F Bovespa, por meio das quais se verifica que em 19/07/2007 o preço das ações era de R$ 94,30 e, em 24/10/2008, a cotação despencou para R$ 17,50. No caso ora analisado, tais informações tornam manifesto o risco dos trabalhadores ao adquirirem as ações da Companhia. Logo, a existência de cláusula prevendo a proibição de alienação de metade das ações por dois anos contados da data do exercício, sendo que, dois anos após, não é possível prever se as ações originalmente ofertadas por determinado valor terão preço superior ou inferior no mercado, torna inequívoca a existência de risco. No mesmo sentido, o argumento trazido na acusação fiscal de que os planos possuem prazo de vigência alargado tampouco é apto a desnaturar o caráter mercantil do plano, já que durante esse tempo é possível que os preços das ações caiam e se recuperem a tempo de o trabalhador não suportar prejuízos, assim como é possível que eles apenas declinem e a perda de capital seja cada vez maior ao longo do tempo. Uma cláusula dessa natureza poderia ser contestada no contexto de planos que permitem imediatamente após a opção a venda de todas as ações, ações estas que são ofertadas por valor vil, na data da concessão (não do exercício). Nesses casos, pode ficar demonstrado que o plano tinha por objetivo propiciar um ganho certo e imediato ao beneficiário, que se caracterizaria como remuneração. Não é, ao que me parece, o caso dos autos. Tal risco foi ratificado a partir da análise realizada pela KPMG, que simulou algumas situações que, embora o trabalhador auferisse ganho no primeiro exercício da opção de compra de ações, passados dois anos, quando poderia exercer o direito em relação à metade das ações adquiridas anteriormente, acabaria realizando prejuízo superior ao ganho inicialmente obtido, considerando a flutuação do valor da ação no mercado no decorrer do período analisado. Também foi realizada simulação, por meio da qual se constatou a constante verificação de prejuízos com o exercício da opção de aquisição do direito de ação durante todo Fl. 507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 20 o prazo de vigência do plano, de modo que provavelmente tal direito sequer chegaria a ser exercido pelos trabalhadores. Conclusão quanto ao caráter mercantil do plano de stock options ora analisado Constatase da análise das características essenciais do programa de ações em tela que o beneficiário não tem nenhuma garantia de ganho na venda da totalidade das ações adquiridas, muito menos recebe as ações por gratuidade. É preciso pagar para a sua compra e aguardar mais de dois anos para vender a metade das ações adquiridas, o que sujeita o beneficiário inevitavelmente às oscilações de preço que são inerentes ao mercado de ações. Assim, diante da nítida onerosidade e da ausência de cláusulas hábeis a afastar o elemento risco inerente aos contratos mercantis e caracterizar o plano de oferta de ações como política de remuneração do Recorrente, entendo que a autuação não merece prosperar. O Programa instituído pelo Recorrente não pode ser caracterizado como remuneração, por ser optativo e oneroso no que tange à aquisição das ações, haver prazo para venda de metade das ações inicialmente adquiridas e não existir cláusula que evite perdas que podem advir com a futura desvalorização das ações. Por oportuno, peço vênia para discordar da interpretação dada pela douta PGFN à cláusula 9 do Plano, que trata dos ajustes quantitativos das Opções. Tal cláusula diz respeito à necessidade de ajuste na quantidade ou preço das ações ofertadas em situações como desdobramento, grupamento de ações, fusão, incorporação, cisão, dentre outros, que, por sua natureza, afetam essas variáveis e demandam ajustes para que se mantenham as condições inicialmente pactuadas. Se, por exemplo, ocorreu um desdobramento de ações em mil, é preciso que as ações ofertadas sejam multiplicadas por mil, para manutenção das condições originais do plano. Isso não desvirtua o plano, nem foi utilizado pela fiscalização como argumento para descaracterização da sua natureza mercantil. Não se trata, assim, de remuneração pelo serviço prestado, já que esta é certa, não depende de evento futuro, nem de adesão do trabalhador, muito menos de pagamento por parte deste. Não houve, no caso, qualquer desembolso por parte do Recorrente para os beneficiários adquirissem as ações ofertadas, que pudesse ser caracterizado como remuneração. Diante de tais conclusões, considerando que tais parcelas não integram o salário contribuição diante da manifesta ausência de caráter remuneratório, não há que se falar na incidência do adicional de 2,5% e tampouco na configuração de obrigação acessória, decorrente da ausência de declaração de fato gerador em GFIP. 2.1. Do momento da ocorrência do fato gerador e dos seus reflexos na apuração da base de cálculo Como visto acima, no entender desta relatora, o plano de stock options do Recorrente não possui desvirtuamentos que levem à sua caracterização como remuneração. Não havendo que se falar em remuneração, não restou configurada a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, diante do que acabou ficando prejudicada a avaliação quanto à correição ou não do momento da ocorrência do fato gerador fixado pelas autoridades fiscais. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 12 21 Conclusão Diante de todo o exposto, acolho a decadência aventada em relação à competência de abril de 2007 e, no mérito, dou total provimento ao recurso voluntário. Carolina Wanderley Landim. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 22 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Primeiramente discordo de trecho trazido pela relatora de que essa turma já se debruçou e firmou convicção nos acordãos acórdãos n.s 2401003.044 e 2401003.045), de que se trataria de típico contrato mercantil. Vejamos trecho do seu voto: Esta Turma já se debruçou sobre esse tema e já manifestou o seu entendimento de que a aquisição de ações através de planos de stock options tratase, em regra, de típico contrato mercantil, oneroso, em que o trabalhador, embora pretenda obter lucros, poderá amargar prejuízos inerentes ao risco de investir no mercado de ações – não configurando, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias (acórdãos n.s 2401003.044 e 2401003.045). A onerosidade do contrato decorre do pagamento, pelo trabalhador, do preço de exercício estipulado. E essa onerosidade está diretamente atrelada ao elemento risco inerente a esse tipo de operação, já que, se não fosse oneroso, a entrega pelo empregador das ações ofertadas ao trabalhador poderia ser caracterizada como remuneração. De fato, sendo, via de regra, a opção de comprar ações facultativa e onerosa ao beneficiário, que, inclusive, poderá experimentar prejuízos na operação, caso o preço de venda seja inferior ao preço pago pelas ações adquiridas, não é possível caracterizar a aquisição das ações por meio dos contratos de opção de compra de ações como remuneração, já que esta decorre diretamente da prestação de serviço, não estando sujeita a risco, muito menos à opção do trabalhador e pagamento de preço– prestado o serviço, a remuneração deve ser paga pelo contratante. Na verdade nos citados acordãos, por maioria, entendeuse que os planos ali ofertados constituiriam sim, salário de contribuição, contudo, enquanto relatora iniciei meu voto, fazendo uma abordagem téorica sobre o tema, indicando que em sua concepção originária os stock options constituiriam contrato mercantil, mas, destaquei, que, é claro, que não é a mera nomenclatura elemento suficiente para excluir uma verba do conceito de remuneração, restando naquele caso, demonstrado pela autoridade fiscal, que o plano de stock options posuia sim natureza salarial. Apenas, para melhor esclarecer, trago meu entendimento a repsito da questão, fazendo a seguir o cotejamento com o plano ora sob análise. DA DEFINIÇÃO DO STOCK OPTIONS Doutrinariamente, Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinador trabalhadores da possibilidade de aquisição de ações da empresa. Esses trabalhadores podem encontrase na situação de empregados, autônomos, administradores (contribuintes individuais para a Fl. 510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 13 23 previdência social). A opção por ações proporciona ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor prédeterminado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa) e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro ao final desse prazo. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76, verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Para elucidar a definição do Plano de Opção de Compra de Ações, podemos citar o texto da lavra de “CALVO, Adriana Carrera. A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, Brasília DF: 25 ago. 2007”, que assim aborda a matéria: 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa; “a outorga a um individuo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 24 O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não pode dispor imediatamente do valor dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganhaganha” no ambiente de trabalho. 2. O plano de opção de compra de ações O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. Segundo o dicionário 'Barrons Dictionary of Legal Terms', o termo stock option significa: “a outorga a um indivíduo do direito de comprar, em uma data a futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. Assim, as opções representam o direito de comprar ações a um preço fixo, definido na data em que as opções são concedidas (preço de exercício). Após um determinado período (prazo de carência, também chamado de 'vesting'), esse direito de opção de compras pode ou não ser exercido, já que não se trata de obrigação, como mencionado acima e envolve risco para o empregado, Ou seja, em termo conceituais, no entender desta relatora, conceitualmente, stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, Fl. 512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 14 25 concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo, em sua concepção original, caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso da prestação de serviços (seja no contrato de trabalho, seja em contrato autônomo) desde que respeitada a natureza do plano. Assim, não parto da premissa, de que qualquer plano de stock options teria natureza salarial, como também não há como se afirmar que ao atribuir a nomenclatura de "stock options", estará a empresa desobriga de incluir tal verba na base de alculo de contribuições previdenciárias. No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ª ed., São Paulo: LTR, 2010, p. 783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n. 420, de 2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. É no mesmo sentido, que entendo que o simples fato de uma empresa ofertar aos seus trabalhadores, um plano de outorga de opção pela compra de ações de forma onerosa, não pode ser fundamentação isolada para a configuração de fato gerador de contribuições previdenciárias, partindo da premissa de que toda a forma de STOCK OPTIONS, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Embora, o contrato de concessão da opção por ações possa ter decorrido da prestação de serviços, tratase, em sua origem conceitual, em regra, de típico contrato mercantil, desde que envolva riscos desde a sua concepção, submetendo o trabalhador, a volatilidade do mercado e a risco que estariam totalmente fora do controle da empresa e do próprio trabalhador. Também expressa a ilustre professora Vólia Bomfim Cassar, sua visão acerca dos Stock Options ((in Direito do Trabalho, 5.ª ed., Rio de Janeiro: Ed. Impetus, 2011, p. 888): “Alguns empregadores oferecem aos seus empregados o direito de adquirir ações da companhia por um custo abaixo do mercado (stock option). Uma vez adquiridas voluntariamente pelo trabalhador, será possível a venda quando da valorização de seu valor econômico. Esse exercício de opção de compra de ações da empresa empregadora envolve riscos, pois o empregado poderá ganhar ou perder com a operação. Por isso entendemos que “ganho” eventualmente obtido pelo trabalhador com a venda das ações de sua empregadora não tem natureza salarial, pois é espécie de operação financeira no mercado de ações. Ademais, pago em razão do negócio, e não da prestação de serviços.” Entendo que ao contrário dos prêmios, que são concedidos de forma gratuita, bastando o atingimento de metas, ou situação particular da prestação de serviços, no stock options (conceitualmente falando) o trabalhador pode ou não obter benefícios, e caso a opção Fl. 513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 26 lhe seja vantajosa, terá que pagar o preço de exercício estipulado, donde o seu caráter oneroso, afastaria a pretensão de reconhecimento da natureza de prêmio do plano de compra de ações. Contudo, a análise realizada acima, teve por escopo aspectos doutrinários do termo “STOCK OPTIONS”, sendo que a conclusão acerca da procedência do lançamento, ou seja, sobre a efetiva natureza salarial do plano de outorga ora apresentado, merece uma análise não apenas conceitual, mas especialmente, se o pagamento feito pela recorrente encontrase em perfeita consonância com a concepção original descrita acima, afastandose a natureza remuneratória, conforme argumentado pelo recorrente. DA APRECIAÇÃO DO PLANO DE COMPRA DE AÇÕES CONFIGURAÇÃO DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DO STOCK OPTIONS Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opção pela Compra de Ações – chamado de stock options, deuse na lei da S.A em seu art. 128, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. Mas, o objetivo desse lançamento e de toda a discussão acerca do tema, é se o fato de a previsão para outorga de ações ter se dado na lei das S.A, afastaria qualquer possibilidade de considerar o benefício como salário indireto, e por conseguinte, incluílo na base de cálculo de contribuições? Acredito que não! O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. Vimos, no decorrer dos últimos anos, nascer, disseminar, e morrer diversas formas de pagamentos indiretos, como é o caso das empresas de premiação, que surgiram como ideias legítimas de satisfação dos empregados, ou mesmo de diminuição dos custos das empresas. É certo que o planejamento estratégico, muito presente nos dias atuais tanto na contratação de trabalhadores, como organização das empresas, impulsiona os empresários a buscar formas de vencer no mercado, com a consequente diminuição de custos e aumento da eficiência. Não condeno essa prática, mas, não podemos entender que o simples uso de uma nomenclatura seja capaz de excluir determinado benefício do conceito de remuneração. Ademais, não é a simples nomenclatura atribuida pelo contribuinte que afasta a natureza remuneratória de uma verba, devendo a autoridade fiscal e órgão julgador verificar se na essência o pagamento cumpriu sua premissa básica, aquela na qual original encontravase consubstanciado. Assim, não interessa a nomenclatura atribuída a verba conferilhe carater indenizatório, se o pagamento da mesma consubstanciase em verba com cunho remuneratório. Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma, que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. Destaco, porém, que embora, não concorde com a frase dita de forma isolada, no contexto apresentado pelo auditor, entendo que a conclusão mostrase acertada. Os próprios comunicados e instrumentos Fl. 514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16327.721356/201280 Acórdão n.º 2401003.888 S2C4T1 Fl. 15 27 de gerenciamento descrevem a nítida intenção de remunuerar os trabalhadores por meio do stock options. E aqui, conforme descrito acima, não importa se estamos falando de empregado, ou mesmo prestador de serviços contribuinte individual. O termo “remuneração” deve ser tomado em sua acepção mais ampla, como qualquer pagamento tendente a remunerar o trabalho prestado ou o tempo a disposição do empregador. Partindo do posicionamento acima, exposto, o qual já adoto nos meus julgados a respeito do tema, discordo do entendimento da relatora de que a fiscalização não aponta as características do plano que demonstram a sua natureza salarial. Realmente a primeira indicação da auotridade fiscal, é que o plano em questão é na verdade remuneração, mas ao contrário do que tenta demonstrar a relatora foram apreciados pontualmente características que me fazem concordar com o caráter salarial do benefício fornecido. No caso sob exame, a fiscalização não aponta de forma específica nenhuma cláusula do Plano de Opção de Compras de Ações do Recorrente que retiraria o seu caráter mercantil da operação de compra, ou eliminaria o risco do beneficiário que é inerente às operações com o mercado de ações. A fiscalização posicionase no sentido de que as Opções de Compras de Ações oferecidas a trabalhadores, de um modo geral, possuem características especiais que a diferenciam das opções de compra de ações comuns e que essas características, por si só, retirariam a sua natureza mercantil e afirmariam a sua natureza remuneratória. Novamente discordo da ilustre relatora. Uma leitura do termo de verificação fiscal, deixa claro, ter a autoridade fiscal se debruçado sobre os planos e demais instrumentos e comunicados gerenciais da empresa de forma, a que entendeu possuir o referido plano a nítida intenção de conferir um ganho indireto ao trabalhador, razão pela qual restou caracterizada a sua natureza salarial. Apenas, para ilustrardetsaco, que no item 5, iniciou o auditor narrando os fatos acerca da estrutura organizacional e contábil da empresa, instituição do plano, intimações e respostas, procedendo no item 5.5 a análise do plano. Destaque, ainda, para o item 6 do mesmo relatório onde o mesmo descreve os elementos identificados para seu convencimento acerca da natureza salarial do benefício. Assim, pelos elementos ali constantes e pela própria forma, que a empresa adota a referida política, entendo estar acertada a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. O FATOR DETERMINANTE PARA QUE O STOCK OPTIONS SE AFASTE NA NATUREZA MERAMENTE REMUNERATÓRIA – O RISCO Acredito, conforme descrito anteriormente, que o argumento consistente para que a opção de compra de ações se afasta da natureza remuneratória é o fato do risco atribuído ao empregado ou contribuinte individual, quando lhe é feita a opção pela compra de ações. Todavia, entendo, ao contrário da interpretação adotada pela relatora que o risco no presente caso, elemento essencial, resta mitigada, na medida que a empresa, vai criando políticas que permitem o acesso ao plano sem o desembolso de qualquer valor no momento de assinatura do contrato de opção pela compra de ações. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 28 Quanto a este ponto, concluiu a ilustre Dr.a Carolina (relatora) que havia risco, vejamos trecho de seu voto: A Autoridade Fiscal afirma que, diferentemente das opções de compra de ações oferecidas em geral no mercado, naquelas ofertadas a trabalhadores, estes não desembolsam valores para adquirir o direito de comprar ações da empresa no futuro, o que supostamente comprometeria a onerosidade e, por consequência, o risco envolvido com a sua adesão. Analisando o plano de opção de ações do Recorrente, constata se que, de fato, não se exige do beneficiário um pagamento inicial para que possa, após o prazo de carência, exercer o seu direito de compra das ações. A despeito disso, entendo que o fato de não ser exigido um valor para aquisição do direito futuro de exercício da opção de compra de ações, por si só, não retira deste o seu caráter oneroso, muito menos o risco atinente a esse tipo de contrato. Conforme mencionado acima, não há pagamento no momento da possibilidade de opção. Ou seja, não estabeleceu a empresa um valor ou antecipação no momento da contratação da outorga, demonstrando que o recorrente simplesmente atribuiu a possibilidade de aquisição (digase que não é obrigatório), permitindo, ao benefíciário a escolha do melhor momento para aquisição das ações (dentro de uma prazo limite estipulado pela empresa). Esse fato mostrase relevante, quando em outras oportunidades (outros planos de stock options) identificouse um desembolso no momento da assinatura do contrato de opção, sem nesse momento exercer qualquer tipo de direito, mas tão somente para ter direito de futuramente exercêlas por um preço previamente estipulado. A atribuição de um valor no momento de assinatura do contrato, denotaria um risco, pois se o trabalhador futuramente não tiver interesse em exercer o direito de comprar, não terá direito ao reembolso do valor. Por fim, outro elemento, trazido pela relatora, que no meu entender também não enseja um risco acentuado, capaz de afastar a natureza salarial do plano da autuada é a impossibilidade de vender metade das ações por um determinado período (denominado lock up). Pelo contrário, entendo que a possibilidade de venda antecipada das ações (no caso de 50%), sem que se tenha cumprido todo o período de carência é que reforça a natureza salarial da verba, pois o beneficiário pode escolher momentos oportunos para realização da venda. CONCLUSÃO Assim, ao contrário do que interpretou a ilustre relatora, voto no sentido de que restou configurada a natureza salarial do plano de stock options da empresa autuada. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 11610.000769/2003-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 16/01/2003 a 31/01/2003
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL.
A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e da contribuinte, entretanto, nos termos da decisão do REsp nº 1.164.452/MG, proferido na sistemática do julgamento de recursos repetitivos (543-C do CPC) pelo Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam restrições às compensações que tenham sido impostas posteriormente à interposição das ações judiciais nas quais os créditos são pleiteados. Aplicabilidade do artigo 62-A do RICARF.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LEI 9.430/96, ART. 74, § 4º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito.
DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI 9.430/96, ART. 74, § 5º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto Couto Chagas e Rodrigo da Costa Pôssas. Designado para redigir a fundamentação do voto vencedor o Conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182632.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relator.
Luiz Augusto Couto Chagas - Redator
EDITADO EM: 09/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: RODRIGO DA COSTA PÔSSAS, FÁBIA REGINA FREITAS, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL LUIZ AUGUSTO COUTO CHAGAS SIDNEY EDUARDO STAHL e MONICA ELISA DE LIMA.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 16/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e da contribuinte, entretanto, nos termos da decisão do REsp nº 1.164.452/MG, proferido na sistemática do julgamento de recursos repetitivos (543-C do CPC) pelo Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam restrições às compensações que tenham sido impostas posteriormente à interposição das ações judiciais nas quais os créditos são pleiteados. Aplicabilidade do artigo 62-A do RICARF. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LEI 9.430/96, ART. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI 9.430/96, ART. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto Couto Chagas e Rodrigo da Costa Pôssas. Designado para redigir a fundamentação do voto vencedor o Conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182632. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relator. Luiz Augusto Couto Chagas - Redator EDITADO EM: 09/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: RODRIGO DA COSTA PÔSSAS, FÁBIA REGINA FREITAS, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL LUIZ AUGUSTO COUTO CHAGAS SIDNEY EDUARDO STAHL e MONICA ELISA DE LIMA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 16/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e da contribuinte, entretanto, nos termos da decisão do REsp nº 1.164.452/MG, proferido na sistemática do julgamento de recursos repetitivos (543C do CPC) pelo Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam restrições às compensações que tenham sido impostas posteriormente à interposição das ações judiciais nas quais os créditos são pleiteados. Aplicabilidade do artigo 62A do RICARF. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LEI 9.430/96, ART. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI 9.430/96, ART. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 07 69 /2 00 3- 17 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto Couto Chagas e Rodrigo da Costa Pôssas. Designado para redigir a fundamentação do voto vencedor o Conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182632. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relator. Luiz Augusto Couto Chagas Redator EDITADO EM: 09/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: RODRIGO DA COSTA PÔSSAS, FÁBIA REGINA FREITAS, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL LUIZ AUGUSTO COUTO CHAGAS SIDNEY EDUARDO STAHL e MONICA ELISA DE LIMA. Relatório Tratase, na origem, de pedido de compensação de débitos de PIS/ PASEP próprios com créditos de terceiros, protocolizado em 16/01/2003. Os mencionados créditos, segundo aponta o recorrente foram reconhecidos judicialmente e indicados pelo contribuinte nos autos do processo administrativo n° 13746.000533/200117. Os créditos ora pleiteados pertencem à empresa coligada da ora recorrente, denominada NITRIFLEX S/A Indústria e Comércio e o total do valor pleiteado nesses autos é de R$ 21.700,00, referente ao período de apuração de 30/12/2002. Por resumir de forma minuciosa os fatos descritos nesses autos, adoto o Relatório da DRJ de Juiz de Fora: A empresa, acima qualificada apresentou, em 16/01/2003, através de seu procurador, o formulário correspondente à Declaração de Compensação, com o objetivo de compensar o débito nele apontado, com créditos de terceiros constantes do processo administrativo n° 13746.000533/200117, indicado no formulário de fls. 02. A mesma empresa Brampac S A, conforme o mesmo formulário de fls. 02, informa também, deter créditos decorrentes da ação judicial n° 99.00.60542 0, que se encontram no processo administrativo no 13746.000533/200117. 0 Parecer Seort n° 162, de 2008, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, foi assim ementado: Ausência de Requisitos Essenciais do Crédito. 0 crédito oferecido pelo contribuinte que não preencha os requisitos estabelecidos na legislação tributária não se presta a ser utilizado em compensação tributária. Crédito Não Habilitado. O crédito proveniente de sentença judicial transitada em julgado somente pode ser utilizada para compensar débitos Fl. 924DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 3 3 tributários se o for previamente habilitado junto et Secretaria da Receita Federal. Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional. 0 entendimento jurídico da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre determinada matéria manifestado em parecer serve como orientação à Secretaria da Receita Federal em seus despachos decisórios. Impossibilidade de Compensação Débito de um Contribuinte com Crédito de Terceiro. Conforme entendimento jurídico veiculado em parecer PGSN/Nig, a partir dia 30.08/2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66, convertida na Lei n° 10.637/02, a vedação à compensação tributária de débito de um contribuinte com crédito de terceiro, antes somente prevista em norma infralegal, IN/SRF no 41/2000, foi positivada no Direito Tributário Brasileiro. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA NA 0 HOMOLOGADA. As razões de decidir contidas no Parecer n° 162, de 2008 e respectivo Despacho Decisório, são, em resumo, as seguintes: ..., cumpre saber, ..., se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela ... Nitriflex 5. A. Inchistria e Comércio, pois, numa época em que não havia lei, mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança (MS) n° 2001.51100010250, reconhecendo o seu direito de cedêlo a terceiro para utilização em compensação tributária. ..., antes que a declaração de compensação sob análise fosse entregue ..., o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 sofreu alteração que lhe foi introduzida pelo artigo 49 da MP n° 66, de 29.08/2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002, no sentido de que os créditos do sujeito passivo podem ser utilizados para compensar débitos tributários próprios. Provocada a se pronunciar sobre o assunto, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74, da Lei n° 9.430/66, após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002, convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão " sem, contudo, ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. Segundo o entendimento esposado no parecer da PSFN Nova Iguaçu RI, quando o Mandado de Segurança (MS) n° 2001.51100010250 foi ajuizado, inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ainda de acordo com o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 convertida na Lei n° 10.637/02 é que estão amparados pelo MS n° 2000.51100010250 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária NitrWex S/A. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A DRF/Nova Iguaçu/RJ continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, a respeito da questão em exame: A questão posta na presente consulta reside no fato de se investigar se a decisão judicial transitada em julgado continua surtir seus efeitos, não obstante o advento de novas regras jurídicas acerca da compensação que, como evidente, não foram objeto daquele mandamus. Com efeito, quando ajuizado o MS 2001.51100010250, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 10 vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF sendo certo que a Lei n° 9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n°66/02, convertida na Lei n°10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. ... hoje a situação fáticajurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvamse, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002. Registrese: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relacionase its compensações requeridas — fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes à coisa julgada. Os novos regramentos jurídicos, portanto, tem aplicação imediata, não alcançando as relações jurídicas que lhes são anteriores (pedidos de compensação), mas sim os pedidos apresentados a partir do inicio de sua vigência. Registrese que não há qualquer violação da Administração em relação ao direito de crédito do contribuinte. Este é válido tal qual reconhecido no MS n° 98.00166580, hoje objeto de ação rescisória, julgada parcialmente procedente. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 4 5 Assim, o parecerista houve por bem adotar o entendimento da Procuradoria por ser ela o órgão de consultoria e de assessoramento jurídico no âmbito do Ministério da Fazenda. Tal entendimento se deu no sentido de que as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e créditos de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos apresentados anteriormente ao dia 29/08/2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66, de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637, de 2002. E conclui em seu arrazoado "as declarações de compensação foram apresentadas após o advento do artigo 49 da Medida Provisória 66, de 29.08.2002, posteriormente, convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02, as compensações por meio dela declaradas não podem ser homologadas. Além disso, não se pode esquecer que o crédito não foi habilitado junto à Secretaria da Receita Federal, nem mesmo após a sociedade empresária Nitriflex S A Comércio e Indústria ter recorrido ao Poder Judiciário". O Despacho Decisório de fls. 22, aprovou integralmente o parecer, para não homologar a compensação pleiteada e determinou fosse dada ciência ao contribuinte e tomadas as demais providências cabíveis. Pelo requerimento de fls. 32/33 e arrazoado de fls. 35/65, a interessada manifestou sua inconformidade, alegando em síntese que: ... vem,inconformada com o r. Despacho Decisório..., do qual teve ciência em 14/04/08, apresentar MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE... A recorrente teve ciência do r. Despacho decisório recorrido em 14/04/2008, ou seja, após 5(cinco) anos do protocolo da declaração de compensação. Com o decurso de mais de 5 (cinco) anos entre o pedido de compensação e a manifestação formal da Fazenda Pública, com a ciência do contribuinte, ocorre a homologação tácita dos créditos tributários compensados, nos termos dos 04° e 5° do art. 74, da Lei n° 9.430/96 ... Desta forma, deve ser considerado homologado o pedido de compensação em questão, com a conseqüente extinção dos débitos compensados. A Nitriflex S A obteve o reconhecimento judicial, por decisão transitada em julgado, de crédito de IN, nos autos do MS 98.00166580, homologado administrativamente no PA 10735.000001/9918 e apenso (PA 10735.000202/9970 — aditamento para inclusão da filial Nitriflex localizada em Canoas — RS) e, ainda, conta com r. Decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS 2001.51.10.0010250, que afastou o óbice previsto na IN/SRF n° 41/2000, de forma a reconhecer e declarar o direito da Nitriflex de ceder parte do seu crédito a terceiros para utilização em compensações tributárias. Outrossim, adveio r. Decisão judicial proferida ... nos autos do MS n° 99.00605420, tambem transitada em julgado, determinando que, no cômputo do crédito de IPI apurado e homologado nos PA's 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, fossem aplicados juros moratórios de 1% e os expurgos inflacionários, dando origem ao PA 13746.000533/200117, o qual encontrase àquele apensado. ... os pedidos de homologação do crédito ... foram formalizados não só pela empresa Nitriflex e suas filiais, mas lambem por sua coligada Bampac S A, ora recorrente. Pois bem, no entender da Autoridade Fiscal, a recorrente não poderia utilizar o crédito para compensações após 28/09/02 ... Fl. 927DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Ademais, aduziu que somente com a habilitação do crédito é que se poderia efetuar a declaração de compensação. ... o equivoco não poderia ter sido maior, notadamente em razão das r. Decisões transitadas em julgado em favor da Nitriflex que permitem a recorrente utilizarse de seus créditos. Além disso, a recorrente não se trata de terceiro, mas sim de empresa coligada, que possui autorização administrativa para utilizar o crédito... O MS 98.00166580 (Nitrifllex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2ª. Região que, convalidando a medida liminar deferida e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação e não limitadora do direito a plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/9. ... a ora recorrente é empresa coligada e tambem é interessada nos pedidos de homologação do crédito .... Conforme relação de documentos n.° 01 a 03 a recorrente é parte interessada nos pedidos de homologação do crédito de IPI, formalizados através dos PA's 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, aos quais o PA 3746.000533/200117, encontrase vinculado. ... nos pedidos administrativos e nos despachos decisórios a recorrente, coligada da empresa Nitriflex, consta expressamente como interessada, podendo, assim, dele utilizarse. .Assim, a recorrente não é terceiro, mas sim empresa coligada e parte nos pedidos de homologação do crédito e consta expressamente nos despachos decisórios homologatórios, os quais autorizam as compensações. A coisa julgada reconheceu o direito ao crédito de IPI. Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito el propriedade do crédito. Definindo o conteúdo e alcance do direito à propriedade, o art. 1.228 do Código Civil ... Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110 do CTIV). Entende a interessada, também, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que admitir o contrário resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança n. 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF n 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI conquistado em juízo pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2a Regido, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.00166580. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 5 7 A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. Prossegue em seu documento asseverando que Restou demonstrado que, por força do principio constitucional da irretroatividade das leis, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros) só produz efeitos com relação a fatos geradores de créditos ocorridos posteriormente (.4 sua entrada em vigor (na pior das hipóteses em 29/08/2002, quando entrou em vigor a MP 66/02), pelo que não pode afetar o crédito de IPI compensado pela recorrente, eis que decorrente de fatos ocorridos entre 08/88 e 07/98. A reclamante transcreve ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. E segue : Noutro dizer, a E. Corte Superior, legitima interprete da legislação infraconstitucional, fixou o entendimento que o regime jurídico da compensação, em razão das sucessivas mudanças implementadas, fixase pela data do ajuizamento da ação. O MS 98.00166580 foi impetrado em 21/07/98, pelo que sujeitase o Crédito de IPI pleiteado ao regime jurídico de compensação vigente a época da impetração (seguindo o entendimento do E. STJ), qual seja aquele previsto no art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei no 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97, que permitia a cessão do crédito para terceiro. Por fim, deve ser rechaçado o entendimento de que a suposta inexistência de habilitação do crédito de IPI seria óbice as declarações de compensação. E sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitriflex sujeitouse à mencionada regra. ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos posterior à entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente à entrada em vigor da IN/SRF 517. Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua compensação. Ao final, pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. O óbice ao aproveitamento do mencionado crédito foi mantido pela r. decisão recorrida (fls. 367/, cuja ementa assim se encontra transcrita: Fl. 929DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 16/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE COLIGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TACITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2.Não há previsão legal na legislação tributária que atribua às pessoas jurídicas o direito de compensar créditos de coligada como próprios. 3.As compensações declaradas a partir de l de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos da requerente com crédito de terceiros, declaradas após l de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/01/2003 a 31/01/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. A recorrente, inconformada com o v. aresto recorrido, interpôs Recurso Voluntário de fls. 388/424, repisando, em essência, o que já referido em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira FÁBIA REGINA FREITAS O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Como se verifica de todo o relatado, o presente processo originouse de pedido de compensação com créditos de terceiro, de empresa coligada da pleiteante, reconhecido judicialmente. Os mencionados créditos, conforme relatado pela própria contribuinte originaram, no âmbito da Administração, os PAs 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, ao qual o PA 13746.000533/200117, encontrase vinculado. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 6 9 Segundo a Recorrente aponta, em todos os processos administrativos supracitados, mediante os quais se busca a homologação do crédito de IPI pugnado nesse procedimento administrativo, a ora Recorrente figura como parte interessada. Em consulta ao sítio desse Eg. CARF, verifico que os mencionados processos estão em tramitação perante a Eg. 2ª. Turma dessa Eg. Câmara, tendo sido distribuídos para a relatoria da Conselheira Fabíola Keramidas, que já os inseriu e julgou por ocasião da sessão de julgamento de janeiro do corrente ano. O crédito, por ocasião daquele julgamento, restou reconhecido por esse Eg. CARF. Isso porque, de um lado, há coisa julgada obtida nos autos do MS n° 98.00166580 no sentido de garantir a utilização dos créditos da empresa NITRIFLEX sem qualquer restrição, inclusive com compensação de débitos de terceiros, afastandose em relação a esses créditos as imposições da nova redação do art. 74, da Lei nº 10.637/2002, bem como da IN 41/2000 e IN 517 (liquidação prévia do crédito). Ou seja, a Eg. 2ª. Turma, analisando o crédito objeto desse pedido de compensação concluiu que tal direito advém de decisão legalmente transitada em julgado. De outra banda, verifico que no caso concreto o pedido de compensação ora examinado restou homologado tacitamente ao contrário do que concluiu o v. aresto recorrido. De fato, como relatado, a decisão recorrida indeferiu o pleito da Recorrente de homologação tácita das compensações realizadas com débito de terceiro em razão de entender que para estas não se aplica o decurso de prazo de 5 anos. Tal entendimento restou assentado no Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005 e nas seguintes considerações: “O entendimento manifestado no Parecer PGFN/CDA/CAD n° 1.499, de 2005, explicita com clareza a questão sobre a compensação com créditos de terceiros relativa aos Pedidos de Compensação entregues anteriormente a 1 0/10/2002 1 no entanto, conclui que o "novel regime de compensação" instituído pela Lei n° 10.637, de 2002, "não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa", lançando, assim, suas conclusões inclusive sobre os formulários "Declarações de Compensação" iguais aos deste processo, ou seja, entregues após 1°/10/2002 e antes de 29/12/2004. Na sequência, transcrevese abaixo partes do referido Parecer PGFN/CDA/CAD n° 1.499, de 2005, aplicáveis ao caso em exame (...) E mais, a corroborar o entendimento de que jamais foram DCOMP's, conforme salientado no item 50 acima, a Secretaria da Receita Federal do Brasil passou a considerar como não declaradas as compensações da espécie, apresentadas após o advento da Lei n° 11.051, de 2004, ou seja, a partir de então, surgiu a possibilidade jurídica, através da Lei n° 11.051, de 2004, de sequer considerar tais requerimentos como “Declarações de Compensação”, retirando inclusive sua sujeição ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972. Frisese que as conclusões do Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499, de 2005, são neste voto adotadas, tendo em vista que o requerimento de compensação em análise se utilizou de créditos apurados por terceiros para compensar débitos tributários próprios. E mais, a não homologação da compensação, pela autoridade a quo, se deu em estrita observância ao Parecer PGFN/CAT n 163, de 2007, onde se Fl. 931DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 exarou entendimento de que, a exclusão do rito processual do Proceswso Administrativo Fiscal, das compensações da espécie viriam a ser legalmente delineadas apenas após o surgimento da figura da compensação declarada prevista na Lei n. 11.051, de 2004, sendo, portanto, juridicamente mais seguro, dar a estes requerimentos, o rito processual do Decreto n. 70/235, de 1972 e, portanto, considerálos não homologados, sem que isto implicasse em atribuirlhes outras características inerentes apenas às Declarações de Compensação, assim entendidas aquelas que se revestem das condições previstas na legislação. Pelo exposto, concluise que o documento intitulado “Declaração de Compensação” deste processo não se caracteriza como tal por expressa vedação legal e, em assim sendo, a homologação tácita não alcança o presente caso.” A decisão recorrida, como se vê, faz referência aos §§ 12 e 13 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, que foram introduzidos na ordem jurídica pela Lei nº 11.051/2004, resultante da conversão da Medida Provisória nº 219/2004: “Art. 4º O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ‘Art. 74. ............................................................................ (…) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; (…) § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo.’” É de se destacar, por relevante, que esses parágrafos supra transcritos não constavam na Medida Provisória encaminhada pelo executivo e só passaram a existir na conversão final do projeto na Lei 11.051, em 30/12/2004. As compensações analisadas pela DRJ no caso concreto compreendem o período de 16 a 31 de janeiro de 2003, portanto, antes da entrada em vigor da referida legislação, de modo que na data do protocolo do pleito, o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 apresentava a seguinte redação: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). Fl. 932DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 7 11 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (…) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002).” Verificase do dispositivo supratranscrito que no momento do pedido de compensação (encontro de contas) não havia a exigência no sentido de que a compensação fosse considerada não declarada. A legislação atinente às compensações tributárias e que estava em vigor à época do pedido ora examinado, qual seja, a IN SRF nº 226/2002, revogada pela IN SRF nº 460/2004, limitavase a prever o indeferimento liminar do pedido de compensação para os casos em que o pleito tenha por base créditos de terceitos cujo pedido tenha sido apresentado após 10 de abril de 2000. É o que reza o mencionado dispositivo, verbis: “Art. 1º Será liminarmente indeferido: (…) II o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório alegado tenha por base: (…) c) crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000.” A despeito da expressa previsão normativa, a decisão a quo entendeu que as “Declarações de Compensação” dos processos em exame não se caracterizariam como tal por expressa vedação legal (nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430 dada pela Lei n° 11.051/04), e, em assim sendo, a homologação tácita não alcançaria o presente caso. Ao assim decidir, entretanto, a Delegacia a quo optou por aplicar legislação editada em momento posterior ao próprio pedido de compensação. Tal aplicação diverge integralmente da jurisprudência desse Conselho e do Superior Tribunal de Justiça, que entende que é a data do encontro de contas como o marco juridicamente relevante para fins de aplicação intertemporal das regras de compensação (1º CC. Recurso Voluntário 158.483. PAF nº 13851.000099/200593; 1º CC. 2ª C. Recurso Voluntário 136.257. PAF nº Fl. 933DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 10980.006685/200316; 1ª CC. Recurso Voluntário nº 158.533. PAF nº 16327.001377/2004 75). Nessa linha, cf. o seguinte julgado: “TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE NCONFORMIDADE”. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. PRECEDENTES. 1. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual “pedido de compensação” ou “declaração de compensação” com fundamento em legislação superveniente. Precedente: EREsp 488.992/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJU de 07.06.04. 2. Em conseqüência, o marco a ser considerado na definição das normas aplicáveis na regência do “recurso de inconformidade” é a data em que protocolizado o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, o que, na hipótese, deuse em 15 de fevereiro de 2001 e 14 de março de 2001. 3. A “manifestação de inconformidade” foi prevista, pela primeira vez, como meio impugnativo da decisão que não homologa a compensação, na Instrução Normativa SRF 210, de 30 de setembro de 2002, passando a ser normatizada legalmente a partir da Lei 10.833/03 conversão da MP 135/03 (cf. REsp 781.990/RJ, Rel. Min. Denise Arruda). 4. A Primeira Seção, ao julgar o EREsp 850.332/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, examinando a matéria à luz da redação original do art. 74 da Lei 9.430/96, portanto, sem as alterações estabelecidas pelas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04, concluiu que o pedido de compensação e o recurso interposto contra o seu indeferimento suspendem a exigibilidade do crédito tributário, já que a situação enquadrase na hipótese do art. 151, III, do CTN. Precedentes. 5. Ressaltese que, neste âmbito judicial, não há emissão de juízo de valor quanto à própria validade da compensação efetuada, mas, tão somente, no que tange à aplicação da jurisprudência do Tribunal em relação aos efeitos em que devem ser recebidas as impugnações apresentadas na esfera administrativa anteriormente à Lei 10.833/03 (conversão da MP 135/03). 6. Embargos de divergência providos.” (STJ. 1ª S. EREsp 977083/RJ. Rel. Min. CASTRO MEIRA. DJe 10/05/2010.) Como se verifica, o entendimento explanado pelo julgado a quo não encontra eco na jurispridência pátria, nem mesmo no próprio Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005, invocado como fundamento da decisão recorrida. Isso porque o mencionado estudo, em seus itens 88 e 90 e “c.4”, das conclusões, determina expressamente que a aplicação da Lei nº 11.051/2004 restringese às declarações protocolizadas após o início de sua vigência: “88. Em síntese, cumpre destacar, na linha do já disposto no item V, que o novel regime da compensação, instituído pela Medida Provisória nº 66/02 e pela Medida Provisória nº 135/03, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à Fl. 934DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 8 13 SRF (RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de pedidos de compensação com créditos de terceira pessoa. (...) 90. Outrossim, cumpre reiterar que a compensação em que o crédito esteja nas condições do item 88, desde que a declaração seja apresentada após a entrada em vigor da Lei nº 11.051/04, será considerada não declarada, a teor dos § 12, II, da Lei nº 9.430/96, acrescentando pela já citada Lei nº 11.051/04. (…) c.4) com a entrada em vigor do art. 4º da Lei nº 11.051/04, as compensações, pretendidas a partir desta data, em que os créditos sejam de terceiros (assim como aqueles que se encontrem nas situações elencadas no item anterior), serão consideradas não declaradas (vide, a respeito, os recém incluídos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96, que disciplinam a situação);” destaquei Como se pode observar da simples leitura dos trechos supratranscritos, o que o Parecer veio a elucidar, em realidade, foi o marco inicial dos efeitos da Lei nº 11.051/2004, que determinou fossem consideradas nãodeclaradas as compensações que tinham como lastro creditório as hipóteses discriminadas de forma exaustiva. Significa dizer que, apenas a partir da entrada em vigor da lei citada, as petições protocolizadas como Dcomp não seriam consideradas declarações de compensação caso o crédito oferecido estivesse vinculado aos eventos arrolados nos parágrafos 3º e 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o que traria a reboque a possibilidade de exigência imediata dos débitos nelas consignados. A DRJ, entretanto, não concluiu dessa forma, o que, a meu ver, contraria os ditames do parecer da PGFN, que, segundo demonstrado, foi expresso em afirmar que a qualificação “não declarada” – e os efeitos jurídicos correspondentes – somente tem lugar para os expedientes encaminhados após a entrada em vigor da Lei nº 11.051/2004, o que não é o caso dos autos. As compensações, assim, devem ser consideradas declaradas para todos os efeitos legais. No presente caso, se há despacho de nãohomologação, e se tal condição jurídica não lhe foi extirpada, o documento de extinção de débitos via compensação terá forçosamente de ser reconhecido como uma Dcomp, e isso para todos os processos de compensação que citem os processos administrativos de crédito n°s 10735.000001/9918, 10736.000202/9970 e 13746.000533/200117. Juridicamente outro caminho não se mostra legítimo. O que de fato ocorreu é que todo procedimento adotado nesses processos se deu pela égide e regulamentação da IN 21/97, conforme consta do despacho decisório de homologação dos créditos pleiteados nesse processo prolatado em 14/12/2000 (fls. 143/147, 159/162) nos autos do PA 10735.000001/9918, 10736.000202/9970 e 13746.000533/2001 17, depois da entrada em vigor da IN/SRF n° 41/2000, que ocorreu em abril do mesmo ano, e Fl. 935DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 autorizou as compensações tributárias com débitos de terceiros nos termos do artigo 15 da IN SRF 21/1997, tendo, desse modo, o “pedido de compensação”, convertido em “declaração de compensação” a despeito do tempo real do protocolo do mesmo. Aliás, o Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, da DRF/Nova Iguaçu/RJ, naquela ocasião, manifestouse acerca da compensação em questão, diante da vedação estabelecida pela IN SRF nº 41/00, e também pela superveniência da Lei n° 10.637/02, que alterou a redação do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, cujas incidências foram devidamente afastadas pela decisão no Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250. Complementarmente, tenho que os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei são direitos fundamentais do cidadão em face do Poder Público (Constituição Federal, artigo 5º, caput) e a ordem constitucional não veda a aplicação retroativa da lei, mas apenas a irretroatividade em prejuízo do direito adquirido, da coisa julgada e do ato jurídico perfeito (inciso, XXXVI). Não cabe a invocação dessa garantia constitucional por parte do Estado, porque este não é titular de direitos individuais, mas de competência para instituir normas jurídicas ou para expedir atos administrativos em consonância com as regras jurídicas vigentes. Se estas foram alteradas, não se afigura juridicamente viável o recurso ao princípio do direito adquirido por parte de agente administrativo inconformado com o teor das novas disposições normativas, notadamente quando editadas pelo mesmo ente federativo. Não parece acertado, destarte, o afastamento da aplicação das disposições da IN SRF nº 460/2004 ou de qualquer outra com base em ofensa ao primado da segurança jurídica e à irretroatividade das leis, quando a norma editada beneficia o particular. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem entendimento consolidado sobre a matéria: “A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art 5º, XXXVI, da CF, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado (Súmula 654). O princípio insculpido no inciso XXXVI do art. 5º da Constituição (garantia do direito adquirido) não impede a edição, pelo Estado, de norma retroativa (lei ou decreto) em benefício do particular. (RE 184.099, Rel. Min. Octavio Gallotti, julgamento em 10121996, Primeira Turma, DJ de 1841997.)” A rigor, segundo ensina o eminente Professor Paulo de Barros Carvalho, no parecer disponibilizado nos autos, a incompatibilidade com a ordem jurídica não está na aplicação do prazo de cinco anos, mas no entendimento que nega a existência de prazo para a homologação da compensação: “Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, a Fazenda Pública, no exercício de sua função fiscalizadora, deve acompanhar de perto o comportamento dos seus administrados, zelando pela observância das obrigações a que estão submetidos. Caso identifique prestações não recolhidas ou irregularidade que implique falta de pagamento de tributos, há de proceder à constituição ou modificação dos créditos a que tem direito dentro do prazo decadencial fixado pelo direito positivo, expresso no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Referido dispositivo estabelece o período de 5 anos, a contar da ocorrência do "fato gerador", para que se proceda à fiscalização e eventual constituição do crédito tributário. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se Fl. 936DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 9 15 tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o direito do Fisco. Esse mesmo prazo, como não poderia deixar de ser, aplicase a todas as hipóteses extintivas de débitos tributários. Encontra, portanto, inteiro cabimento nas situações de compensação tributária. Ora, a compensação entre débitos e créditos tributários exige a constituição desses dois vínculos relacionais e, ainda, de um terceiro em que se faz o encontro de contas. Tudo isso, é certo, sujeitase à fiscalização das autoridades competentes, de modo que a extinção do liame obrigacional (assim como do crédito do contribuinte) operase mediante anuência do Fisco. E essa anuência nada mais é que ato homologatório, disciplinado pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Quaisquer outras disposições sobre o assunto, veiculadas em lei ordinária (como é o caso do art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/96) encontram suporte nessa prescrição do CTN que, como se sabe, foi recepcionado com força de lei complementar e é o instrumento hábil para dispor sobre a extinção do vinculo obrigacional tributário. O art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional encontra, por conseguinte, perfeito enquadramento à situação da presente Consulta. Nem se alegue que o disposto nesse preceito só teria aplicabilidade para fins de constituição de débitos tributários, inexistindo disposição que estabeleça prazo para fiscalizar os créditos do contribuinte perante a Fazenda Pública. Sabemos que nenhum dispositivo legal pode ser analisado isoladamente, sem considerar a totalidade e unidade do ordenamento. Ademais, o sistema jurídico não convive com a insegurança e instabilidade das relações, o que torna inviável entendimento acerca da inexistência de prazo para alterar as normas individuais e concretas expedidas pelo contribuinte.” – destaquei. Ademais, vale lembrar que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que – ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) – é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. Foi realizada, dentro desse escopo de uniformização, um “corte” temporal, em função do qual todos os pedidos compensação apresentados à luz da legislação pretérita foram convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, ou seja, com efeito retroativo, na forma do § 4o, incluído pelo art. 49 da Lei no 10.637/2002: “Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 74. (...) Fl. 937DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 16 § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.’” – destaquei. Essa particularidade foi prevista no art. 73 da IN SRF no 460/2004, consoante entendimento exarado na Solicitação de Consulta Interna no 01/2006: “Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Solicitação de Consulta Interna no 01/2006 EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. Obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito.” Nesse sentido, cabe registrar o seguinte acórdão desta Turma de Julgamento 2a Turma Ordinária, 3a Câmara, da 3a Seção no julgamento do Recurso Voluntário no 10909.001589/0058, da lavra do eminente Conselheiro Alexandre Gomes, decidido por unanimidade: “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4o. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 10 17 DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5o. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo.” No contexto, se o legislador tributário determinou a aplicação do prazo de cinco anos de forma retroativa – a todos as compensações apresentadas na vigência da legislação pretérita, que foram convertidas em declaração de compensação –, não faz o menor sentido, dentro de uma interpretação sistemática e teleológica, afastar a aplicação do prazo de cinco anos apenas para as declarações protocolizadas entre 01/10/2002 e 30/10/2003. Sequer há previsão legal para essa interpretação, porque as instruções normativas que disciplinam o tema, inclusive a IN SRF no 460/2004, determinaram a aplicação do prazo de cinco anos a todas as declarações de compensação, irrestritamente e sem exceção: “Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (…) § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Ora, se a legislação não diferencia, não cabe ao intérprete fazêlo, sobretudo quando o resultado dessa exegese conduz a uma conclusão incompatível com o primado da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Inclusive, a compensação em exame já nasceu como declaração de compensação, não se tratando de pedido de compensação convertido em declaração de compensação e isso deve ser observado. Não bastasse o exposto, ressalto que a questão, inclusive, já foi solucionada há bastante tempo (há quase 10 anos) pelo Poder Judiciário no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250. Da certidão de objeto e pé do referido processo, acostada às fls. 1.011 e ss., consta decisão do juiz da causa proferida em resposta a petição da Recorrente onde alegou que a SRF não estava cumprindo a coisa julgada: “Desse modo, não há que se falar em descumprimento de decisão judicial, com violação da coisa julgada, se a própria Lei já possibilita ao Impetrante a segurança de que seus pedidos de compensação extinguem o crédito tributário sob condição resolutória. Logo, o Impetrado apenas está atuando em conformidade com o princípio da legalidade, que sempre deve pautar a atuação da Administração Pública. A impetrante não pode pretender que a análise de tais requerimentos de compensação seja de pronto realizada, se a sistemática da lei aplicável fixa o prazo de cinco anos para tanto. Portanto, inexiste fundamento legal para que a Autoridade Impetrada seja obrigada a atestar a quitação do débito tributário da Impetrante, pois tal extinção já existe é válida, tendo somente sua eficácia submetida à condição resolutória. Sendo que tal Fl. 939DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 18 sistemática se dá por força de lei em vigor e oponível a todos. Diante do exposto, indefiro a expedição de ofício à Autoridade Impetrada.” (fl. 1013). Ou seja, as compensações da Recorrente com débitos próprios e de terceiros estão sujeitas ao regime de homologação, produzindo desde seu protocolo efeito extintivo sob condição resolutória de ulterior homologação, com prazo de 5 (cinco) anos para ocorrer contados da data do protocolo. Não pode agora a SRF alegar inaplicabilidade da homologação tácita “in casu”. Ante o exposto, para as compensações que citem os processos administrativos de crédito n°s 10735.000001/9918, 10736.000202/9970 e 13746.000533/200117 para as quais transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre a data de protocolo do pedido de compensação e a data de cientificação do despacho decisório de não homologação, entendese que houve homologação tácita da declaração de compensação. Assim, com relação ao presente processo, considerando que o Pedido de Compensação foi protocolizado em 16 de janeiro de 2003 e que do Despacho decisório foi cientificada a Recorrente em 14/04/2008 (fl. 362), devese acolher a preliminar suscitada no recurso voluntário para considerar homologada por decurso de prazo a compensação objeto da declaração de compensação, ou seja, a ocorrência de homologação tácita. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto no sentido de prover o recurso voluntário para homologar tacitamente as compensações para as quais decorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre o seu protocolo e a cientificação da contribuinte constante nesses autos. Brasília, 19 de março de 2015. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora Declaração de Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas A controvérsia restante no processo está solucionada. O Poder Judiciário, no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250 cuja certidão de objeto e pé está acostada aos autos, às fls. 1.011 e seguintes., decidiu a questão. A decisão do juiz da causa sobreveio em resposta a petição da Recorrente que alegava que a SRF não estava cumprindo a coisa julgada. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.000769/200317 Acórdão n.º 3301002.647 S3C3T1 Fl. 11 19 Segue, abaixo, trecho da decisão citada: Desse modo, não há que se falar em descumprimento de decisão judicial, com violação da coisa julgada, se a própria Lei já possibilita ao Impetrante a segurança de que seus pedidos de compensação extinguem o crédito tributário sob condição resolutória. Logo, o Impetrado apenas está atuando em conformidade com o princípio da legalidade, que sempre deve pautar a atuação da Administração Pública. A impetrante não pode pretender que a análise de tais requerimentos de compensação seja de pronto realizada, se a sistemática da lei aplicável fixa o prazo de cinco anos para tanto. Portanto, inexiste fundamento legal para que a Autoridade Impetrada seja obrigada a atestar a quitação do débito tributário da Impetrante, pois tal extinção já existe e é válida, tendo somente sua eficácia submetida à condição resolutória. Sendo que tal sistemática se dá por força de lei em vigor e oponível a todos. Diante do exposto, indefiro a expedição de ofício à Autoridade Impetrada. (fl. 1013). Portanto, apesar da decisão judicial afirmar que a autoridade tributária não estava descumprindo a coisa julgada e nem deveria atestar a quitação do débito tributário da recorrente, ficou claro que, as compensações da Recorrente estão sujeitas ao regime de homologação, produzindo desde seu protocolo efeito extintivo sob condição resolutória de ulterior homologação, com prazo de 5 (cinco) anos para ocorrer, contados da data do protocolo. Conclusão: Considerando que o Pedido de Compensação do presente processo foi protocolizado em 16 de janeiro de 2003 e que a recorrente foi cientificada do Despacho decisório em 14/04/2008, devese considerar homologada por decurso de prazo a compensação objeto da declaração de compensaçã. Portanto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para homologar tacitamente as compensações para as quais decorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre o seu protocolo e a cientificação da contribuinte. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 941DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11444.001054/2008-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, converter o julgamento em DILIGÊNCIA.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
RELATÓRIO
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RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 14 44 .0 01 05 4/ 20 08 -5 5 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001054/200855 Resolução nº 2403000.222 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls.12, tratase de Autode Infração, lavrado em 02/10/2008, por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) sem as informações sobre o total dos pagamentos realizados aos seus segurados empregados e contribuintes individuais nas competências 01/2008 a 05/2008. Cumpre ressaltar que conforme despacho de fls. 16, o presente processo é apenso do processo n° 11444.001051/200811 AI n° 37.179.0972, de 10/10/2008. A instância “a quo” registrou as alegações interpostas pela então impugnante que compulsei com a peça de impugnação e corroborando o que fora relatado, abaixo o transcrevo : “IMPUGNAÇÃO 7. A entidade, cientificada do presente AI em 10/10/2008, conforme fls. 01, apresentou defesa em 11/11/2008, que passou a constituir as fls. 17 a 27, acompanhada dos anexos de fls.28/37, alegando, em síntese: 7.1 Pugnase pela declaração da prescrição quanto eventuais créditos apurados; 7.2 A multa aplicada representa confisco; 7.3 Da ilegalidade da imposição de multa. A requerente usufrui de imunidade tributária prevista na Constituição (art. 195 § 9° da CF), e dessa forma, não possui aparato contábil equivalente aos demais. 7.4 Foi impetrada ação judicial em trâmite pela 18 Vara Federal de Marília, sob o n° 2008.61.11.0008935 visando restabelecer a imunidade tributária que faz jus o hospital. 7.5 O Ato cancelatório é nulo pois se baseou em norma claramente inconstitucional. 7.6 Imperioso o sobrestamento de qualquer ato fiscalizatório atinente aos tributos ventilados eis que pendente de análise definitiva a demanda judicial retro, pois sua solução repercute neste Auto de Infração. 7.7 Cita os arts. 113 e 142 do Código Tributário Nacional e o princípio da legalidade expresso no art. 5% inciso Il, da Constituição Federal. 7.8 Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em função da impugnação apresentada. 7.9 Requer sejam acolhidas e providas as razões de defesa e que seja julgado improcedente o presente Auto de Infração.” Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001054/200855 Resolução nº 2403000.222 S2C4T3 Fl. 4 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.45, a 11 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro – RJ DRJ/RJ1 em,29 /09/2010, exarou o Acórdão n° 1233.485, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.57, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001054/200855 Resolução nº 2403000.222 S2C4T3 Fl. 5 4 VOTO. DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls.67, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Na forma do ressaltado alhures, o presente Auto de Infração, é apenso ao, AI n° 37.179.0972 . O referido auto originou o processo n.° 11444.001051/200811 que trata das obrigações principais da empresa. Isto posto, pelos mesmos motivos que ensejaram DILIGÊNCIA para consubstanciar minhas convicções naquele processo principal, o presente deverá ser retornado em DILIGÊNCIA para que sejam providenciadas as exigências requeridas. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto determino CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para informar se foram juntadas cópias da petição inicial da ação judiciária com trâmite na 1ª Vara Federal de Marília sob n.° 2008.61.11.0008935; e registro de interposição de eventual recurso voluntário sobre o cancelamento da isenção assim como, se for o caso, o número do processo. É como voto Ivacir Júlio de Souza Conselheiro. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15521.000170/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. ADMINISTRADOR.
O fato de a empresa deixar de funcionar no domicilio fiscal comunicado aos órgãos competentes caracteriza sua dissolução irregular, acarretando a responsabilidade tributária do sócio e do administrador.
ATO DE ADMINISTRAÇÃO. ASSINATURA DE CHEQUES.
Caracteriza ato de gestão praticado por procurados a aposição de assinatura em cheques, no exercício de poder concedido por meio de procuração.
DECADÊNCIA.
A ocorrência de dolo, fraude ou sonegação, bem como a inexistência de pagamento antecipado, são fatores que deslocam o termo inicial de contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
MULTA QUALIFICADA.
Aplica-se a multa qualificada de 150% quando restar evidenciado o intuito de fraudar por parte da contribuinte.
MULTA DE OFICIO. PRINCIPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO.
A autoridade administrativa não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A existência de depósitos de origem não comprovada caracteriza a omissão de receita prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. ARBITRAMENTO.
Diante da impossibilidade de se apurar o lucro real, impõe-se o arbitramento do lucro.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS, COFINS
Mantida a exigência fiscal do processo matriz do IRPJ, deve ser dado o mesmo tratamento ao lançamento decorrente, dada a relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1401-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram do julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. ADMINISTRADOR. O fato de a empresa deixar de funcionar no domicilio fiscal comunicado aos órgãos competentes caracteriza sua dissolução irregular, acarretando a responsabilidade tributária do sócio e do administrador. ATO DE ADMINISTRAÇÃO. ASSINATURA DE CHEQUES. Caracteriza ato de gestão praticado por procurados a aposição de assinatura em cheques, no exercício de poder concedido por meio de procuração. DECADÊNCIA. A ocorrência de dolo, fraude ou sonegação, bem como a inexistência de pagamento antecipado, são fatores que deslocam o termo inicial de contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA QUALIFICADA. Aplica-se a multa qualificada de 150% quando restar evidenciado o intuito de fraudar por parte da contribuinte. MULTA DE OFICIO. PRINCIPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. A autoridade administrativa não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada caracteriza a omissão de receita prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96. EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. ARBITRAMENTO. Diante da impossibilidade de se apurar o lucro real, impõe-se o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS, COFINS Mantida a exigência fiscal do processo matriz do IRPJ, deve ser dado o mesmo tratamento ao lançamento decorrente, dada a relação de causa e efeito que os une.
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(Responsáveis Solidários: Pedro Afonso Guariza de Rezende, Marco Antonio Mangaravite, Luiz Fernando Cardoso da Silva, José Antonio Figueiredo Poubel, Heber Lessa Tinoco e João José Neves da Silva) Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. ADMINISTRADOR. O fato de a empresa deixar de funcionar no domicilio fiscal comunicado aos órgãos competentes caracteriza sua dissolução irregular, acarretando a responsabilidade tributária do sócio e do administrador. ATO DE ADMINISTRAÇÃO. ASSINATURA DE CHEQUES. Caracteriza ato de gestão praticado por procurados a aposição de assinatura em cheques, no exercício de poder concedido por meio de procuração. DECADÊNCIA. A ocorrência de dolo, fraude ou sonegação, bem como a inexistência de pagamento antecipado, são fatores que deslocam o termo inicial de contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando restar evidenciado o intuito de fraudar por parte da contribuinte. MULTA DE OFICIO. PRINCIPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. A autoridade administrativa não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada caracteriza a omissão de receita prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 70 /2 01 0- 62 Fl. 14364DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 3 2 EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. ARBITRAMENTO. Diante da impossibilidade de se apurar o lucro real, impõese o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS, COFINS Mantida a exigência fiscal do processo matriz do IRPJ, deve ser dado o mesmo tratamento ao lançamento decorrente, dada a relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram do julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 14365DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 19561966: I – Do Crédito Tributário Lançado O presente processo trata de Autos de Infração lavrados pela DRF Campos dos Goitacazes, fls. 1275/1334 (v. VII), referentes a fatos geradores ocorridos entre 31/01/2005 e 31/12/2006. O crédito tributário do processo compreende: 2. Sobre o principal dos tributos, incidem ainda juros de mora. O total do crédito tributário no processo perfaz o montante de R$ 7.205.097,48 fls. 1/2 (v. 1). II Síntese da Autuação 3. Os cinco Autos de Infração basearamse em omissão de receita com a venda decorrente do abate de bovinos, que a fiscalização apurou por meio: 3.1) Das diferenças entre valores declarados e escriturados, bem como 3.2) Pelos créditos em conta corrente bancária, cuja origem a Interessada, regularmente intimada, não comprovou mediante documentação hábil e idônea. 4. Houve, ainda, o arbitramento do lucro porque, após a exclusão do Simples, a Interessada optou por esta forma de tributação, conforme DCTF entregues, fls. 1110/1113 (v. VI). III Do Termo de Verificação Fiscal 5. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 1335/1361 (v. VII), consta que: A) DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 5.1) O Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 28/03/2008, de fls. 3/4 (v. I), foi enviado, por via postal, ao endereço constante do CNPJ (Córrego do Ouro, Are, 2º Distrito Fl. 14366DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 5 4 de Itaperuna/RJ, CEP 28.300000), com aviso de recebimento. A correspondência, no entanto, foi devolvida (fl. 5 do v. I) e a Fiscalização agendou, na Agência de Itaperuna, com o sócio – JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES – o dia 28/05/2008 para a entrega do Termo (fls. 6/7 do v. I); 5.2.) No mesmo dia, a Fiscalização dirigiuse ao endereço constante do CNPJ para verificar se as informações passadas pelo sócio e pelo contador – AFFONSO CELSO MORAIS ABREU – de que a Interessada encontravase inativa desde dezembro de 2007 era verdadeira; 5.3) Chegando ao local, a Fiscalização constatou que havia atividade típica de abatedouro, conforme fotos acostadas às fls. 9/12 do v. I, e que foi informada de que ali funcionava a Interessada, sendolhe apresentado o sr. PEDRO JOSÉ DE ALMEIDA TEIXEIRA, que a encaminhou para uma sala onde havia duas pessoas que se identificaram como PEDRO AFFONSO e PEDRO, marchantes da Interessada (compravam e vendiam bois); 5.4) Esses senhores, por sua vez, esclareceram que a Interessada não mais operava naquele local, mas sim o FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA., QUE, CONFORME CONCLUIU A Fiscalização, foi constituído com o intuito de dar continuidade às atividades da Interessada; 5.5) No expediente de fls. 38/39 (v. I), a própria Interessada, por meio de suas procuradoras, confirma que se encontra realmente inativa, tendo sua sede deslocada para a Av. Prefeito Orlando Tavares, 200, Gov. Roberto Silveira, Itaperuna, RJ, CEP 28.300 000 e que, no endereço cadastrado, opera o FRIGORÍFICO VALE DO OURO LTDA, conforme comprovante de inscrição no CNPJ de fl. 58 (v. I) 5.6) Este imóvel (localizado na Av. Prefeito Orlando Tavares) foi locado de FRANCISCO PINTO DE ABREU, conforme contrato de locação de fl. 523 (v. III); 5.7) No endereço constante do CNPJ (Córrego do Ouro), os proprietários do imóvel eram os senhores MARCOS VINÍCIUS DAMASCENO GOMES, sua esposa LISANDRA CABRAL MAIA GOMES, MÁRCIO ALEXANDRE NUNES PEREIRA c sua esposa LIVAN1A CABRAL MAIA PEREIRA (fl. 689 do v. IV); 5.8) CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, embora não confirme ser dono da empresa, era. inicialmente, o proprietário do imóvel onde o abatedouro operava (depois passou para suas filhas) e seu gerente, tendo pleno conhecimento de suas dificuldades financeiras. Segundo sua própria informação, retirouse da sociedade no período em que se observou a inadimplência, mas permaneceu ainda por cerca de 30 dias passando as informações necessárias ao "dono" do abatedouro, Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES e. por outros três anos, tendo seu "INSS" pago; 5.9) A JUCERJA, depois de solicitada2, apresentou as cópias do Contrato Social e das 1a e 2ª alterações contratuais de fls. 22/32 (v. I), sendo que a 3a alteração contratual foi entregue pela Fl. 14367DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 6 5 própria Interessada e se encontra acostada às fls. 54/56 (v. 1). Destes atos. extraise, quanto ao quadro societário, o seguinte histórico: Sócio Data Entrada Data Saída Ato Fls. Lisandra Cabral Maia 09/12/1999 15/01/2002 Contrato Social 22 José Carlos Coelho Rodrigues 09/12/1999 Contrato Social 22 Luzia Amélia de Moraes Abreu 15/01/2002 1ª Alteração 26 5.10) JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES, embora sócio de direito da Interessada desde sua constituição e gerente a partir de 15/01/2002, não apresentou qualquer acréscimo patrimonial, indicando não ser realmente o dono ou administrador; 5.11) LUZIA AMÉLIA DE MORAES ABREU confessa ser interposta pessoa, assinando os documentos a pedido de JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES; 5.12) A Interessada apresentou, também, cópia do traslado de Procuração por Instrumento Público (fl. 57 do v. I), datada de 24/10/2003, outorgando aos procuradores MARCO ANTONIO MANGARAV1TE, HEBER LESSA TINOCO, JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA, LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA, JOSÉ ANTONIO FIGUEIREDO POUBEL e PEDRO AFONSO GUARIZA DE REZENDE: poderes especiais e amplos para representar a firma outorgante junto ao Unibanco S/A União de Bancos Brasileiros S/A, agência 0296, em ltaperunaRJ, e perante o Banco Bradesco S/A, agencia 9989, em Bom Jesus do Itabapoana. onde poderá abrir e movimentar contas correntes, efetuar depósitos e saques, emitir e endossar cheques, requisitar extratos de contas e talões de cheques, proceder empréstimos, assinando os respectivos contratos de financiamento; estipulando cláusulas c condições; praticando todos os demais atos que se fizer necessário ao cumprimento do presente mandato, ficando esclarecido que os atos a serem praticados pelos outorgados procuradores deverão ser assinados com o número mínimo de 03 (três) dos outorgados. 5.13) Esses procuradores, segundo concluiu a Fiscalização, assumiram e controlavam a Interessada por serem dela credores, na tentativa de reaver o dinheiro investido; 5.14) Embora a procuração não lhes tenha outorgado poderes de gerência, na prática, todos os atos de administração eram por eles praticados: a) determinação do preço do boi, b) apuração das vendas efetuadas e c) cálculo do lucro auferido; 5.15) Em 16/09/2005, foi lavrada outra procuração (ft. 86 do v. I), nomeando e constituindo seu bastante procurador o Sr. EC1L DUTRA MENDES: Com poderes especiais para representar a firma outorgante junto ao BANCO BRADESCO S/A, onde poderá movimentar c encerrar contas correntes, podendo requisitar c retirar talões de cheques, saldos e extratos de contas, emitir e endossar cheques, efetuar saques c depósitos, emitir, descontar, aceitar, endossar duplicatas c notas promissórias, autorizar débito em conta, Fl. 14368DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 7 6 proceder aplicações, requisitar e retirar cartões magnéticos, cadastrar senhas, podendo para tal fim, assinar requerimentos, folhas e papeis precisos, juntar e retirar documentos, acompanhar processos administrativos, receber e dar quitação, praticando todos os demais atos necessários ao bom e fiel cumprimento do presente mandato. 5.1) Conforme carta datada de 26/09/2005, somente o Sr. ECIL DUTRA MENDES passou a poder assinar pela Interessada (fis. 101/102 do v. I); 5.17) ECIL DUTRA MENDES mora numa das fazendas de MARCO ANTONIO MANGARAVITE de quem também é compadre e não tem capacidade econômica para possuir cotas da Interessada; 5.18) Os sócios constantes do contrato social são interpostas pessoas. Quem efetivamente controlava a sociedade eram os procuradores listados no parágrafo 5.12; 5.19) As contas correntes foram abertas, após a lavratura do mandato, para iniciar uma nova gestão, de que fazia parte a negociação do preço dos bois, o controle da pesagem, o cálculo do valor a ser pago pelos pecuaristas, bem como a apuração do lucro. Ou seja. os seis procuradores assumiram a administração da Interessada que, até então, não possuía qualquer indicio de irregularidade tributária; 5.20) O art. 135, III, do CTN pode ser aplicado para responsabilizar o administrador de fato se cometer qualquer ato ilícito; 5.21) Segundo o Parecer PGFN/CRJ/CAT/N0 55/2009, o administrador que comete ato ilícito no exercício de gerência responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, razão pela qual foram lavrados o Auto de Infração em nome da Interessada e os Termos de Sujeição Passiva em nome de cada um dos seis procuradores listados no parágrafo 5.12 (fls. 1268/1273 do v. VII); B)DA EXCLUSÃO Do SIMPLES 5.22) Pelos valores escriturados no Livro Registro de Saídas (fls. 896/923 do v. V), a Fiscalização constatou que foram ultrapassados os limites de receita bruta previstos para permanência no Simples, razão pela qual foi expedido o Ato Declaratório Executivo n° 43/2009 (fl. 648 do v. IV), excluindo a empresa do regime simplificado a partir de 01/01/2005; 5.23) A Interessada não impugnou o Ato de exclusão do Simples, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 031/2010 de 11.684 (v. IV); C)Do ARBITRAMENTO 5.24)Por meio do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 298/2009 (fl. 647 do v. IV) e do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 031/2010 (fl. 684 do v. IV), a Interessada foi intimada a optar pela tributação pelo Lucro Real Trimestral ou Arbitrado, bem como a apresentar as declarações e Fl. 14369DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 8 7 demonstrativos devidos e, caso, opte pelo Lucro Real Trimestral, a escrituração contábil, o LALUR e os Demonstrativos de apuração do PIS e da Cofins não cumulativa; 5.25) Conforme DCTF entregues (fls. 1.110/1.113 do v. VI), a Interessada optou pela tributação pelo lucro arbitrado; D) DOS VALORES ESCRITURADOS NOS LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS 5.26) Foram considerados "Omissão de Receita os valores escriturados no Livro de Saída" (fls. 896/924 do v. V) “e nos Livros Diário" (fls. 1.070/1.098 do v. VI) "e Razão" referentes "à venda de produtos decorrentes do abate de bovinos", compensandose os pagamentos efetuados por DARFSimples em marco e agosto de 2005 (f1. 1.108 do v. VI); E) DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 5.27) Por meio do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal t f 0004, de fl. 72 (v. I), a Interessada foi cientificada de que não foram considerados atendidos plenamente os demais Termos anteriormente lavrados; Considerando o não atendimento das intimações, no tocante aos extratos bancários e às fichas cadastrais, e ao forte indício de que os sócios de direito são interpostas pessoas, incidindo assim no art. 33, III, da Lei nº 9.430/96, a Fiscalização solicitou a emissão dc RMF para os Bancos Bradcsco (fls. 75/76 do v. 1) e Unibanco (fl. 110 do v. I); 529) Em atendimento à RMF, o Banco Bradcsco apresentou, por meio do expediente dc fls. 77/78, a documentação solicitada, acostada às fls. 79/109 (v. I); 5.30) O Unibanco, em resposta à RMF, apresentou, por intermédio do expediente de fls. 111/112 (v. I), ficha cadastral da pessoa jurídica (fls. 114/117 do v. I), bem como cartão de assinatura de fl. 118 (v. I), informando, ainda, a não localização de instrumento da procuração, outorgando poderes a terceiros para movimentar contacorrente; 5.31) Em 26/09/2008 (fls. 119/120 do v. I), a Interessada apresentou extratos do Bradesco de fls. 121/510 (v. I, II e III) e, em 06/10/2008 (fl. 151 do v. I), do Unibanco (fls. 512/516 do v. III); 5.32) Ao Bradesco, por intermédio da RMF de fl. 588 (v. III) e relações anexas de fls. 589/633 (v. III e IV), foi ainda requisitada a apresentação das cópias dos cheques, recibos de retirada e TED relacionados, os quais se encontram nos anexos: 5.32.1 – I, cheques nominais aos procuradores do ano de 2004, 5.32.2 II, cheques nominais aos procuradores do ano de 2005, 5.32.3 III , cheques nominais aos procuradores do ano de 2006, 5.32.4 IV, cheques a terceiros do ano de 2004, Fl. 14370DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 9 8 5.32.5 V, cheques a terceiros do ano de 2005, e 5.32.6 VI, cheques a terceiros do ano de 2006; 5.33) Por meio do Termo de Reintimação Fiscal n° 299/2009 (fl. 658 do v. IV), a Interessada foi intimada a comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, de valores iguais ou superiores a RS 5.000,00, creditados: 5.33.1 em conta corrente relacionados nas planilhas de fls. 659/676 (v. IV), e 5.33.2 em conta de investimento relacionados no próprio Termo; 5.34)Dos valores totais selecionados, cuja origem não foi comprovada, foram diminuídos os valores escriturados nos livros contábeis e fiscais; F) Da Multa Qualificada 5.35) A Interessada apresentou declarações simplificadas referentes aos anos 2004, 2005 e 2006 (fls. 1.150/1.176 do v. VI) com faturamento anual inferior a RS 120.000,00 ao passo que as receitas escrituradas e os recursos financeiros movimentados atingiram cifras superiores a RS 13.000.000,00; 5.36) Além disso, foram utilizadas interpostas pessoas na constituição da sociedade; e 5.37) Os fatos antes descritos se enquadram na hipótese prevista no art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, ensejando a aplicação da multa de 150%. IV Impugnações. A) ABATEDOURO 1TAPERUNENSE LTDA 6.A Interessada tomou ciência dos Autos de Infração em 23/09/2010 (fis. 1.276, 1.291, 1.303 e 1.315 do v. VII) e, em 25/10/2010, apresentou a Impugnação de fls. 1.388/1.406 (v. VIII), alegando, cm síntese: i. Do Arbitramento 6.1) Que foi surpreendida com o arbitramento do lucro, pois não havia conseguido apresentar sua DIPJ em virtude de que, para a RFB, estava ainda incluída no Simples, fato comunicado à Fiscalização (fl. 686 do v. IV); 6.2) Que apresentou os livros fiscais (fls. 896/1.008 dos v. V c VI), a partir dos quais a Fiscalização levantou as receitas conhecidas, bem como os livros contábeis (fls. 1.070/1.098 do v. VI); 6.3) Que as DCTF apresentadas (fls. 1.110/1.113 do v. VI) não significam opção pelo lucro arbitrado, pois também servem à apuração pelo lucro presumido; 6.4) Que a opção pelo lucro presumido, mesmo após iniciada a Fiscalização, está prevista no Parecer Normativo CST n° 40/81; 6.5) Que a escrituração revestida das formalidades legais e apoiada em documentação hábil e idônea produz prova a seu Fl. 14371DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 10 9 favor e comprova sua real margem de lucro, devendo prevalecer sobre o arbitramento que só seria cabível se comprovado vício que tornasse a contabilidade imprestável, sendo merecida sua desclassificação; 6.6) Que, no ano de 2005, a Fiscalização deveria apurar os valores devidos a partir da aplicação, sobre a receita bruta, dos percentuais do Simples, haja vista que o Fisco perdeu o direito de efetuar o lançamento referente ao anocalendário de 2004; ii. Da Cobrança em Duplicidade 6.7) Que os tributos, objeto do lançamento, já foram pagos dentro da sistemática de recolhimento unificado, conforme DARF de fl. 1.474 (v. VIII); 6.8) Que os pagamentos relacionados pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1.359 do v. VII) não são os únicos realizados e, ainda que se admita estar em andamento a cobrança, tem que ser compensados com os valores lançados sob pena de configurar duplicidade de cobrança; 6.9) Que, para garantir a aplicação da multa de 150%, a Fiscalização retirou do conta corrente os valores já declarados em DCTF, conforme Representação Fiscal de fl. 1.469 (v. VII); 6.10. Que também não foram considerados os pagamentos efetuados antes da ciência do Auto de Infração acostados às fls. 1.407/1.412 (v. VIII); iii. Do Erro da Base de Cálculo 6.11) Que os valores tributados incluem: 6.11.1. Depósitos de cheques posteriormente devolvidos, conforme relação de fls. 1.419/1.467 (v. VIII), 6.11.2. Transferências entre contas de mesma titularidade, dentre as quais destaca o lançamento ocorrido cm 25/05/2005, no valor de R$ 40.000,00', e 6.11.3. Redução de saldo devedor (fl. 1.468 do v. VIII); 6.12) Que, sobre o histórico "redução do saldo devedor", há um credito seguido de débito no mesmo valor; 6.13) Que o fato de ter apresentado todos os extratos bancários, bem como todos os livros fiscais e contábeis com a escrituração de toda sua movimentação financeira possibilita a identificação das operações bancárias em sua escrita c desautoriza a presunção de que tais recursos se originaram de receitas mantidas à margem da contabilidade; 6.14) Que a Fiscalização também deixou de considerar seu ramo de atividade e o fato de que um frigorífico trabalha sob uma pauta mínima estabelecida pelo Fisco Estadual, bem como opera voltado para uma remuneração correspondente ao serviço de abate de gado bovino de terceiros; iv. Da Multa de 150% 6.15) Que a Fiscalização aplicou a multa sobre tributos apurados de receita bruta escriturada, de insuficiência de Fl. 14372DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 11 10 recolhimento da Cofins ou baseada em presunção, sem que a Fiscalização tenha comprovado a fraude; 6.16) Que a Fiscalização retirou de cobrança valores já devidamente declarados e os penalizou com multa de 150%; 6.17) Que a falta de apresentação de declarações não tipifica ação dolosa; 6.18) Que o art. 44, da Lei nº 9.430/96 restringe a aplicação da multa qualificada aos casos de "evidente intuito de fraude" limitando o alcance dos art. 71 a 73, da Lei n° 4.502/64, mesmo que levado a efeito pela Fiscal o lançamento é nulo, pois contraria o CTN, a jurisprudência majoritária do Conselho de Contribuintes e não atende à realidade fática; 6.19) Que a multa de 150% é inconstitucional, já que confiscatória; v. Da Responsabilidade Tributária 6.20) Que a Fiscalização tentou desqualificar seus sócios na tentativa de lhe impor a prática de sonegação; 6.21) Que os produtores rurais incluídos como responsáveis eram procuradores com poderes limitados apenas para movimentar determinada conta bancária sem nenhum poder de gerência e no período de outubro de 2003 a setembro de 2005; 6.22) Que Interposta pessoa não se confunde com procurador; 6.23) Que a constituição da sociedade se deu em 1999 quando deve se reportar a investigação para identificar se o Sr. JOSÉ CARLOS COELHO RODRIGUES é ou não interposta pessoa. B) JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA 7. JOÃO JOSÉ NEVES DA SILVA tomou ciência dos Autos de Infração em 25/09/2010 (fl. 1.369 do v. VII) e, em 19/10/2010, apresentou a Impugnação de fls. 1.374/1.382 (v. VII), alegando, em síntese: 7.1) Que seu relacionamento comercial com o Abatedouro restringiase à atividade de marchante, caracterizada por intermediar a compra e a venda de bovinos para abate junto aos produtores rurais e o abatedouro; 7.2) Que, desta operação, cabe ao marchante comissão aproximada de 3% a 5% do valor, acrescido do desconto de um quilograma por arroba do animal realizado quando da compra junto ao produtor rural; 7.3) Que, em razão de o abatedouro não ter honrado os compromissos, assumiu a condição de seu credor e que, no intuito de dar continuidade aos negócios, passou, como procurador, a assinar os cheques da Interessada para pagamento dos animais adquiridos; 7.4) Que a procuração não lhe outorgou poderes de gerência, razão pela qual desconhece complementamente a origem dos recursos depositados em conta bancária da Interessada, já que a comercialização das carcaças não era de sua alçada; e Fl. 14373DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 12 11 7.5) Que, desconhecendo o mecanismo de compra e venda de gado, a Fiscalização o incluiu no pólo passivo desfalcado de prova material exigida pelo art. 924 do RIR/99. C) LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA 8.LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA tomou ciência dos Autos de Infração em 28/09/2010 (fl. 1.371 do v. VII) e, em 22/10/2010, apresentou a Impugnação de fls. 1.478/1.484 (v. VIII), alegando, em síntese: 8.1) Que em seu depoimento (fls. 763/764 do v. IV), ficou claro que é credor do Frigorífico Vale do Ouro e que não compõe o quadro societário do Abatedouro Itaperunense; 8.2) Que sempre forneceu bois para serem abatidos e sua venda era faturada mediante notas fiscais apresentadas à Interessada; 8.3) Que. no ano de 2003, o abatedouro passou por graves dificuldades financeiras, pois sua gestão estava desviando as verbas recebidas de seus fornecedores, com isso houve uma interrupção no fornecimento de matériaprima para abate; 8.4) Que, como solução, os fornecedores se uniram e criaram uma comissão para investigar os desvios financeiros ocorridos, com participação administrativa, a fim de coibilos e garantir que as receitas auferidas fossem depositadas na conta do abatedouro e só pudessem ser sacados com o aval das pessoas eleitas pela comissão; 8.5) Que a comissão administrativa não assumiu o abatedouro, apenas controlou sua renda para quitar as dívidas assumidas junto aos credores, e seria desfeita tão logo sanados os débitos; 8.6) Que, quando o abatedouro foi desconstituído para dar lugar ao frigorífico, não mais figurava na comissão; 8.7) Que, não obstante, continuou a vender bois já que o pagamento não mais atrasava; 8.8) Que a dívida passada não quitada levouo a se desfazer de suas propriedades e seu relacionamento com o abatedouro passou a ser de intermediar a venda de gado de outros produtores rurais; 8.9) Que se participasse efetivamente da administração da sociedade, não teria havido a necessidade de vender suas propriedades; e 8.10) Que a procuração não lhe concedia poderes de gerência, como reconheceu a própria Fiscalização. D) JOSÉ ANTÓNIO FIGUEIREDO POUBEL;, 9.JOSÉ ANTÔNIO FIGUEIREDO POUBEL tomou ciência dos Autos de Infração em 27/09/2010 (fl. 1.370 do v. VII) e, em 25/10/2010, apresentou a Impugnação de fls. 1.504/1.533 (v. VII), alegando, em síntese: 9.1) Que a Fiscalização concluiu que o impugnante era sócio de fato apenas "por suposições, associações, sem nenhuma prova material ou verdade formal contundentes, simplesmente utilizou Fl. 14374DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 13 12 se de hipóteses, apontando fatos irrelevantes como fundamentação"; 9.2) Que nunca fora responsável pela gerência da empresa fiscalizada, era apenas intermediário na compra e venda de gado, única negociação que lhe gerava lucros na empresa; 9.3) Que a procuração (fl. 57 do V. I) não lhe conferia poderes de administração, apenas a função de assinar cheques para pagamento de bois que adquiria no mercado junto a fornecedores e, esporadicamente, alguns de sua propriedade; 9.4) Que já decaiu o direito de a Fazenda constituir os créditos tributários relativos ao período de janeiro de 2004 a agosto de 2005, incluída a multa de oficio (cuja exigência se revela, inclusive, imoral), já que o lançamento apenas foi notificado em setembro de 2010 e se refere a tributos sujeitos a lançamento por homologação; 9.5) Que, dessa forma, a exigência desses valores tem caráter confiscatório; 9.6) Que seu interesse na manutenção do abatedouro era claramente para possibilitar que fossem pagas as dívidas de que era credor; 9.7) Que o receio de não reaver os créditos que possuía junto ao abatedouro e, também, de não honrar compromissos futuros, aliado ao interesse de que se desse continuidade ao negócio, foi lavrada procuração outorgando poderes apenas de movimentação da conta bancária para pagamento do gado adquirido para abate, "sem que houvesse qualquer empecilho por parte da empresa"; 9.8) Que não conhecia a movimentação ou negociação ocorrida após a aquisição do gado, atividade exercida por funcionários do abatedouro com a supervisão e comando de seu proprietário; 9.9) Que a Lei n° 9.298/96, que estipula que a multa não pode exceder a 2% nos casos de descumprimento de obrigação, deve ser aplicada por ser mais benéfica ao contribuinte; 9.10) Que a multa de 75% "tem uma feição de confiscar do contribuinte quase a totalidade do valor que não é mais devido à Fazenda". E) HEBER LESSA TINOCO 10. HEBER LESSA TINOCO tomou ciência dos Autos de Infração em 25/09/2010 (fl. 1.368 do v. VII) e, em 25/10/2010, apresentou a Impugnação de fls. 1.537/1554 (v. Vlll), alegando, em síntese: 10.1) Que a Fiscalização deixou de considerar que o verdadeiro sócio do abatedouro é o Sr. CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, conclusão a que chegou a própria Auditora autuante (fl. 1.355, verso, do v. VII), com base no Termo de Declaração (fls. 809/810 do v. V) assinado pelo próprio CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA; Fl. 14375DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 14 13 10.2) Que CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, que permitiu que constituíssem em sua propriedade o abatedouro e que "colocassem" cotas em nome de sua filha, era quem gerenciava as vendas, sabia tudo sobre os fornecedores e clientes e passou as informações para os sócios; 10.3) Que LISANDRA CABRAL MAIA GOMES, sócia da Fiscalizada quando de sua constituição e Filha de CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA não foi localizada para prestar depoimento porque a Fiscalização assim não o quis, uma vez que seu endereço era conhecido; 10.4) Que, se conduta simulada existiu, se houve quadro societário fictício, tal fato remonta à época da constituição da sociedade, quando 50% do capital social pertenciam a LISANDRA CABRAL MAIA GOMES; 10.5) Que não há qualquer prova de que o Impugnante participou da constituição da sociedade em 1999, utilizandose de interpostas pessoas; 10.6) Que, portanto, houve erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária; 10.7) Que o Impugnante não possuía amplos poderes para gerir a empresa, que ficava a cargo de CARLOS ALBERTO CABRAL MAIA, segundo suas próprias declarações (fis. 809/810 do v. V);e 10.8) Que, ainda que se considerasse o Impugnante responsável, tal situação terminaria em 17/09/2005. F)MARCO ANTÔNIO MANGARAV1TE 11.MARCO ANTÔNIO MANGARAV1TE tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva em 28/09/2010 (fl. 1.373 do v. VII) e, em 25/10/2010, apresentou a Impugnação de fls. 1.559/1.576 (v. VIII), alegando as mesmas razões de fato e de direito aduzidas por HEBER LESSA TINOCO (ver item anterior). G)PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE 12.PEDRO AFONSO GUARIZA DE RESENDE tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva em 27/09/2010 (fl. 1372 do v. VII) e, em 25/10/2010,apresentou a Impugnação de fls. 1.583/1.600 (v. IX), alegando as mesmas razões de fato e de direito aduzidas por HEBER LESSA TINOCO e MARCO ANTÔNIO MANGARAVITE (ver item 10). A 9ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 19531954: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendario: 2005,2006 DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO E ADMINISTRADOR. Fl. 14376DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 15 14 Denota dissolução irregular a empresa deixar de funcionar no domicilio fiscal comunicado aos órgãos competentes, atraindo a responsabilidade tributária do administrador. APOSIÇÃO DA ASSINATURA NOS CHEQUES. ATO DE ADMINISTRAÇÃO. O exercício do poder concedido, por meio de procuração, para assinatura dos cheques de uma empresa evidencia ato de gestão praticado pelo procurador. DECADÊNCIA. O termo inicial de contagem do prazo decadencial deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele cm que se poderia efetuar o lançamento, mesmo quando se tratar da modalidade por homologação, quando se observa na espécie a ocorrência de dolo, fraude ou sonegação, bem como quando não houve o pagamento antecipado. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado o intuito de fraudar pelo conjunto fatia» caracterizador dessa pratica nos procedimentos adotados pela contribuinte, aplicase a multa qualificada de 150%. MULTA DE OFICIO. PRINCIPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de incompatibilidade de regras contidas na lei formal com princípios constitucionais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada caracteriza a omissão de receita prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96; excluemse, contudo, os valores creditados que tenham sido objeto de estorno ou se refiram a depósitos de cheques, devolvidos em seguida. EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. ARBITRAMENTO. A opção pela tributação com base no lucro presumido é sempre de iniciativa do contribuinte. Em ação fiscal, jamais pode o fisco apurar o imposto por esta sistemática sc o contribuinte por ela não optou tempestivamente. Sendo, impossível apurar o lucro real, não resta outra alternativa que não o arbitramento do lucro ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 LANÇAMENTOS DECORRENTES DO DE IRPJ: CSLL, PIS, COFINS Não havendo nenhuma evidência cm contrário, as exigências reflexas colhem a mesma sorte do lançamento matriz, dada a relação de causa e efeito. Impugnação Procedente em Parte Fl. 14377DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 16 15 Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 13/07/2011, conforme AR de fls. 2003 e apresentou recurso voluntário em 12/08/2011 (v. fls. 20222039. O sr. Heber Lessa Tinoco foi cientificado do Acórdão em 15/08/2011 (v. fls. 2012) e apresentou recurso voluntário em 12/09/2011 (v. fls. 20932104). O sr. João José Neves da Silva foi cientificado do Acórdão em 15/08/2011 (v. fls. 2013) e apresentou recurso voluntário em 13/09/2011 (v. fls. 20512057). O sr. José Antonio Figueiredo Poubel foi cientificado do Acórdão em 16/08/2011 (v. fls. 2014) e apresentou recurso voluntário em 02/09/11 (v. fls. 20432050). O sr. Luiz Fernando Cardoso da Silva foi cientificado do Acórdão em 24/08/2011 (v. fls. 2015) e não apresentou recurso voluntário. O sr. Pedro Afonso Guariza de Resende foi cientificado do Acórdão em 16/08/2011 (v. fls. 2017) e apresentou recurso voluntário em 12/09/2011 (v . fls. 20782090). O sr. Marco Antonio Mangaravite foi cientificado do Acórdão em 18/08/2011 (v. fls. 2018) e apresentou recurso voluntário em 12/09/2011 ( v. fls. 20632075). Em suas peças recursais, o contribuinte principal e os responsáveis solidários reiteraram os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 14378DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 17 16 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Os recursos apresentados atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Preliminar O responsável solidário sr. José Antonio Figueiredo Poubel, reiterando o que fez na fase impugnatória, argüiu a decadência dos valores lançados referentes aos meses de janeiro a agosto de 2005, considerando que os lançamentos somente foram efetuados constituídos em setembro de 2010. Não assiste razão ao recorrente. Conforme bem apontado pelo acórdão de piso, quando há dolo, fraude ou simulação, a decadência deve ser contada segundo a regra geral estabelecida pelo art. 173, I do CTN, e não segundo a regra especial do art. 150, § 4o, do CTN. No caso em apreço, tendo em vista a constatação de dolo, o termo inicial do prazo decadencial deslocouse para o dia 01/01/2006. Assim sendo, o direito de o Fisco constituir o crédito tributário somente se extinguiria em 01/01/2011. Importante destacar que, em relação aos créditos constituído em relação aos quais não houve qualificação da multa, também não ocorreu pagamento antecipado, essencial para a eventual aplicação da regra prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Os únicos recolhimentos efetuados pela pessoa jurídica referemse à CSLL e Cofins dos períodos de fevereiro e julho de 2005, períodos em relação aos quais todos os créditos tributários constituídos o foram com a incidência de multa qualificada. Diante do exposto, voto pela rejeição da presente preliminar. Mérito Responsabilidade tributária solidária A atribuição de responsabilidade solidária ao conjunto de pessoas físicas foi realizada com fundamento no art. 135, III, do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ( . . . ) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 14379DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 18 17 Segundo as autoridades fiscais, as referidas pessoas físicas receberam poderes para abrir e movimentar contas bancárias da pessoa jurídica autuada. As circunstâncias apuradas pelo Fisco indicam que, no momento em que aquelas procurações foram lavradas, teve início uma nova gestão na empresa. Conforme prevê o art. 135, II do CTN, retrotranscrito, a atribuição de responsabilidade tributária aos administradores depende de dois requisitos: a) exercício de atividade de administração ou gerência na pessoa jurídica; b) ocorrência de infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a dissolução irregular da sociedade. A análise dos autos demonstra, com clareza, que todos os procuradores incluídos no pólo passivo dos presentes lançamentos exerciam funções compatíveis com as de gerente ou administrador da pessoa jurídica. Sobre o tema, posicionouse com excepcional clareza o acórdão de piso, fls. 19671968: 20. É cediço, e esse fato não é contestado por nenhum dos eleitos responsáveis, que os cheques emitidos em nome do abatedouro seriam assinados por no mínimo três dos procuradores. A meu ver. não existe outra função que mais identifica o poder de administrar uma sociedade do que a de assinar cheques por ela, ressalvado o caso em que se demonstra tratarse o emitente do cheque de interposta pessoa. É inconteste que a possibilidade de liquidar os compromissos assumidos, o que, via de regra, é realizado mediante movimentação da conta bancária da empresa, é a melhor forma que o administrador possui de exercer seu controle gerencial. 21. Além disso, o responsável LUIZ FERNANDO CARDOSO DA SILVA é bastante contundente ao afirmar que o grupo de seis procuradores se uniu para formar uma comissão com participação administrativa ativa a fim de coibir os desfalques que aconteceram e que foram o motivo da inadimplência generalizada vivenciada na ocasião (fls. 1.478/1.484, do v. VIII). 22. O fato de a procuração não ter concedido, em tese, amplos poderes não afasta a conclusão de que, de fato, esses procuradores exerceram a gerência da sociedade. Alguns responsáveis solidários alegaram que o verdadeiro "proprietário" da pessoa jurídica seria o sr. Carlos Alberto Cabral Maia, que deveria ter sido nomeado como responsável. Em relação a tal argumento, cumpre destacar que a alegada não inclusão do sr. Carlos Alberto no rol dos responsáveis solidários não elide a caracterização das demais pessoa físicas como administradores e responsáveis. Os recorrentes também argumentaram que, a partir de 16/09/2005, o Sr. Ecil Dutra Mendes passou a ser o único procurador com poderes para movimentar a conta bancária. Esta alegação, contudo, foi devidamente refutada pelo colegiado julgador a quo, razão pela qual adoto e transcrevo suas razões de decidir: Fl. 14380DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 19 18 No entanto, resta caracterizado pela Fiscalização que este procurador não possuía qualquer ingerência administrativa, sendo em verdade interposta pessoa dos mesmos seis antigos procuradores. O sr. ECIL é compadre do Sr. MARCO ANTONIO MANGARAVITE, mora em uma de suas fazendas e, anteriormente, trabalhou como caseiro, porteiro e carregador de caminhão. Além disso, não possuía capacidade contributiva ou econômica para sc responsabilizar pela sociedade. Cabe também observar que o fato de, no contrato social, constarem os mesmos sócios desde antes de a comissão composta pelos seis procuradores iniciar sua gestão, não os desqualifica como verdadeiros sócios que passaram a ser em razão da dívida que a sociedade (Abatedouro ltaperunense) possuía com eles. Como fartamente demonstrado nos autos, as principais decisões administrativas eram por eles tomadas e o eventual lucro apurado teria, como destinatários, esses mesmos seis procuradores e credores do abatedouro. Uma vez comprovado o exercício de atividade de administração ou gerência por parte de todas as pessoas físicas apontadas como responsáveis solidários, resta analisar a ocorrência de ato ilícito ou com excesso de poderes, praticado pelos aludidos administradores. Os elementos constantes dos autos são amplamente suficientes para demonstrar que, na espécie, ocorreram atos ilícitos, caracterizados pela dissolução irregular da pessoa jurídica e pela utilização de interpostas pessoas. Sobre o tema, também se posicionou com muita clareza o acórdão recorrido: 27. Na hipótese, ficou bem claro que o abatedouro deixou dc operar no endereço informado ao CNPJ, dando lugar ao FRIGORÍFICO VALE DO OURO, sem comunicar tal fato à RFB. 28. O STJ já firmou posicionamento no sentido de que a empresa é considerada dissolvida irregularmente quando não participa à RFB a mudança no domicílio tributário e, nesta hipótese, verificase a ilicitude nos atos praticados pelos administradores. Vale conferir: Súmula nº 435 14/04/2010DJe 13/05/2010 Dissolução Irregular de Empresa Comunicação a Órgão Competente o Funcionamento de Domicilio Fiscal Redirecionamento da Execução Fiscal Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio /iscai, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. 29.No próprio enunciado da súmula, a Corte manifesta que a dissolução irregular é caso de direcionamento da responsabilidade tributária aos sóciosgerentes. Para reforçar o entendimento do STJ. cito, ainda, a decisão abaixo: STJRECURSO ESPECIAL: REsp 662594 PR 2004/00950097 Relator(a): Ministro CASTRO MEIRA Julgamento: 01/12/2004 Fl. 14381DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 20 19 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJ 14.02.2005 p. ¡86 TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE. ART. 135, IJl DO CTN. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. Esta Corte fixou o entendimento que o simples inadimplemento da obrigação tributária não caracteriza infração legal capaz de ensejar a responsabilidade prevista no art. 135, III, do Código.Tributário Nacional. Entretanto, os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias quando há dissolução irregular da sociedade ou se comprova a prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou de infração de lei, contrato social ou estatutos. Recurso especial provido Cabe observar que, neste processo, cuidase de situação em que os sócios, segundo os atos constitutivos, diferem dos verdadeiros sócios, o que identifica uma interposição fraudulenta de pessoas. Não obstante a troca de comando da sociedade, não houve o devido registro dessa alteração no contrato social. Ficou claro que a atuação por meio de procuração tinha o propósito de eximir os verdadeiros sóciosadministradores das obrigações tributárias advindas das operações que realizavam; c que a decisão de dissolver o Abatedouro ltaperunense Ltda e criar o FRIGORIFICO VALE DO OURO teve esse mesmo intuito. Nos autos, também se vislumbra prática tendente a esconder da RFB a real base para cálculo dos tributos devidos, o que pôde ser observado, de forma reiterada, nos anos de 2004, 2005 e 2006, quando os livros de saída revelavam receita bruta bem superior àquela que vinha sendo informada à RFB. Por fim, é importante chamar a atenção para a desnecessidade de se provar atitude intencional dos administradores no propósito de dissolver irregularmente a sociedade ou de sonegar tributos. Basta a prática culposa para que reste evidenciada a infração da lei ou o ato ilícito, o qual, segundo a teoria geral do Direito, decorre tanto do dolo quanto da culpa. Concluo que o art. 135, II do CTN é plenamente aplicável ao presente caso, uma vez comprovados, cumulativamente: i) o exercício de atividade de administração ou gerência por parte das pessoas físicas apontadas como responsáveis solidárias; ii) a ocorrência de infração à lei ou excesso de poderes, caracterizada pela dissolução irregular da sociedade. Nestes termos, considero que em relação ao presente tema, os recursos voluntários não merecem provimento. Exclusão do Simples Os recorrentes voltaram a alegar que, no anocalendário de 2005, os impostos e contribuições deveriam ter sido apurados segundo a sistemática do Simples. Fl. 14382DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 21 20 No que tange à exclusão da pessoa jurídica do Simples, cumpre destacar que não foi apresentada manifestação de inconformidade em face do ADE nº 43/2009 (fl. 648 do v. IV). Em outras palavras, o referido Ato de Exclusão do Simples encontrase em pleno vigor, razão pela qual a pessoa jurídica encontrase sujeita ao regime normal de apuração e arrecadação dos tributos federais, com efeitos a partir de 01/01/2005. Pelo exposto, concluo que também em relação a este tema, os recursos voluntários não merecem ser providos. Arbitramento do lucro Conforme relatado, as autoridades fiscais arbitraram o lucro para efeito de se apurar o imposto de renda, uma vez que o próprio interessado, quando da entrega de suasDCTF relativas aos anos de 2005 e 2006 (fls. 11101113, v. VI), fez a opção por este regime de tributação. Em sua defesa, a recorrente alega que as citadas DCTF não significam opção pelo lucro arbitrado, já que também serviriam para calcular o lucro presumido. Afirmou que apresentou os livros fiscais , e que a opção pelo lucro presumido poderia ser efetuada mesmo após o início do procedimento fiscal, nos termos do PN CST nº 40/81. Estas alegações foram corretamente enfrentadas pelo acórdão de piso. Por razões de economia processual, limitome a adotar e transcrever parcialmente as suas razões de decidir, fls. 1971: 42. Desde logo, vale observar que o Parecer Normativo citado referese à época em que a opção não era realizada quando do pagamento do imposto correspondente ao primeiro trimestre de apuração em que devido, tornando definitiva a partir daí. Foi a Lei 9.718 de 27/12/1998 que estabeleceu a inalterabilidade da opção. Antes dessa data, poderia se mudar a opção, desde que anterior à entrega da declaração e ao início de qualquer procedimento fiscal, conforme art. 26, § 4o, da Lei nº 9.430/96. 43. Disso resulta que se, quando do recolhimento do imposto de renda alusivo aos primeiros trimestres dos anos de 2005 e 2006, não houve a opção pelo lucro presumido, não cabe mais fazêlo a posteriori. E, tampouco a Fiscalização poderia adotar o lucro presumido como base de cálculo do imposto de renda se não houve, no seu tempo, a opção por esta modalidade. Nesse sentido, cito a seguinte decisão proferida pelo então Conselho de Contribuintes: A opção pela tribulação com base no lucro presumido é sempre de iniciativa do contribuinte. Em ação fiscal, jamais pode o fisco apurar o imposto por esta sistemática se o contribuinte por ela não optou tempestivamente. Sendo impossível apurar o lucro real, não resta outra alternativa que não o arbitramento do lucro (1º CC, 7ª Câmara. Acórdão nº 10708.045 em 14/04/2005, DOU 20/12/2005) Restaria, portanto, a apuração, se possível, do lucro real, Muito embora o interessado tenha alegado apresentar todos os livros Fl. 14383DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 22 21 fiscais (fls. 896/1.008 dos v. V e VI) e contábeis (fls. 1.070/1.098, do V. VI), não encontrei nos autos o Livro de Apuração do Lucro Real, o que impossibilitou que a Fiscalização calculasse o montante real sobre o qual recairia a tributação do imposto sobre a renda. Nessa hipótese, estipula a lei que se determine o imposto com base nos critérios do lucro arbitrado: [...] Diante do exposto, considero que em relação ao arbitramento do lucro, os recursos voluntários não merecem ser providos. Base de cálculo e apuração dos tributos Os recorrentes renovaram suas alegações, anteriormente apresentadas na fase impugnatória, questionando a base de cálculo e apuração dos tributos lançados. Conforme relatado, a receita operacional da pessoa jurídica foi apurada com base nas seguintes parcelas: a) valores escriturados pela contribuinte (Livros de Saída, Diário e Razão); b) diferença entre os depósitos bancários de origem não comprovada e a receita bruta escriturada pela contribuinte. Importante destacar que, após a apuração dos tributos devidos, foram integralmente deduzidos os pagamentos realizados antes do início do procedimento fiscal. No que tange aos tributos incidentes sobre as receitas escrituradas pela contribuinte, a recorrente alegou que recolheu os tributos correspondentes, sob a sistemática do Simples, conforme DARF de fl. 1.474 (v. VIII). Alegou, outrossim, que já existe a cobrança relativa a estes tributos, também na sistemática do Simples (fls. 1.415/1.417, v. VIII). Por fim, afirmou que realizou recolhimentos espontâneos, antes da formalização dos presentes lançamentos (fls. 1.4071.412, v. VIII). Alegação desprovidas de sentido, uma vez que: a) os DARF referidos pela recorrente são, justamente, aqueles que o Fisco já deduziu do montante objeto de cobrança, conforme se observa às fls. 1.359 (v. VII); b) com o fim de evitar a indesejada cobrança em duplicidade, a Fiscalização, corretamente, suspendeu os débitos relacionados no relatório de fls. 1.415/1.417 (v. VIII), conforme consta da Representação Fiscal de fl. 1.469 (v. VI1I). c) os pagamentos efetuados após o início da fiscalização, mas antes da lavratura do Auto de Infração não interferem no total do crédito tributário apurado, haja vista que não caracterizam denúncia espontânea, nos termos do art. 138, parágrafo único, do CTN. Conforme bem evidenciado pela decisão de piso (fls. 1973), tais pagamentos serão considerados para extinção parcial dos valores lançados, inclusive com o benefício das reduções das multas de oficio para os recolhimentos efetuados, nos termo da lei. No que se refere à existência de depósitos bancários de origem não comprovada, a decisão de piso acatou a alegação da recorrente e excluiu os cheques devolvidos do montante das receitas consideradas omitidas. Ainda insatisfeita com a decisão obtida, a recorrente reafirmou que a apresentação dos extratos bancários, em conjunto com a sua escrituração, permitiria a Fl. 14384DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 23 22 identificação das operações bancárias, desautorizando a presunção de omissão de receitas. Alegou, outrossim, que o Fisco deixou de considerar o ramo de atividade da contribuinte (frigorífico), que trabalha sob uma pauta mínima estabelecida pelo Fisco Estadual. Estas alegações foram corretamente enfrentadas pela decisão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo suas razões de decidir, fls. 1974: 60. Vale também observar que, muito embora a Interessada alegue que os livros fiscais e contábeis com a escrituração de toda sua movimentação financeira trazidos aos autos possibilitam a identificação das operações bancárias em sua escrita c desautoriza a presunção de que tais recursos se originaram de receitas mantidas à margem da contabilidade, não identificou, em nenhum momento, a que registros contábeis se reteriam os lançamentos bancários a crédito encontrados em seus extratos. 61. Por fim, incumbeme registrar que o art. 42, da Lei n° 9.430/96, estipula, como omissão de receita, a soma dos valores creditados em coma bancária, cuja origem não tenha sido comprovada pelo sujeito passivo; e não excepciona qualquer ramo de atividade desta presunção ou reduz, por esta razão, o montante da renda que seria considerada omitida. No que tange a outras eventuais alegações, implícitas na peça recursal e já refutadas pela decisão de piso, também adoto as razões de decidir constantes do voto condutor da decisão recorrida. Por razões de economia processual, contudo, abstenhome de transcrevê las. Sobre o tema, enfatizo que o STJ já firmou entendimento no sentido da desnecessidade de a decisão conter referência expressa a cada um dos argumentos relacionados pela interessada, desde que adotada fundamentação suficiente para decidir plenamente a controvérsia, como se evidencia por meio do seguinte julgado: Não viola os artigos 165, 458, II, e 535, II, do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. (Recurso Especial n° 687.417 RS, Recurso Especial 2005/00119829, Relator: Ministro Teori Albino Zavaski) Tal entendimento também encontra eco no STF, conforme demonstra o seguinte voto, da lavra da Exma. Ministra Eliana Calmon: O Tribunal não está obrigado a responder questionários formulados pelas partes, tendo por finalidade os declaratórios dirimir dúvidas, obscuridades, contradições ou omissões realmente existentes, pois existindo fundamentação suficiente para a composição do litígio, dispensase a análise de todas as razões adstritas ao mesmo fim, uma vez que o objetivo da jurisdição é compor a lide e não discutir as teses jurídicas nos moldes expostos pelas partes. (EDcl na Ação Rescisória n°770 DF 1998/00354239) Nestes termos, em relação a este tema, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. Fl. 14385DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15521.000170/201062 Acórdão n.º 1401001.220 S1C4T1 Fl. 24 23 Multa qualificada No meu entender, a qualificação da multa de ofício é amplamente justificada no presente caso, tendo em vista o evidente intuito de fraude perpetrado contra a Fazenda Nacional. O que deve ser verificado para aferir a procedência da imposição da multa qualificada é se houve uma ação deliberada da contribuinte com o objetivo de, no mínimo, retardar o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador de tributo. No caso sob exame, a contribuinte não registrava sua movimentação bancária na contabilidade. Além disso, no presente caso é flagrante a reiteração da conduta ilícita, bem como a utilização de pessoas interpostas. Em situações análogas a esta, este colegiado tem reconhecido o intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento das receitas correspondentes, cujo auferimento é fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Por esta razão, considero que a multa qualificada merece ser mantida. Lançamentos decorrentes Os lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e Cofins) devem receber o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal (IRPJ), tendo em vista a íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 14386DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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