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Numero do processo: 16327.001272/2008-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
IN SRF Nº 213/2002. VARIAÇÃO CAMBIAL DE INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO.
A variação cambial negativa decorrente de investimento em controlada ou coligada no exterior não pode ser compensada com variação cambial positiva de mesma natureza, obtida em períodos de apuração subsequentes, por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 9101-003.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar de competência, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Julgamento iniciado na reunião de 11/2018 e concluído em 04/12/2018.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente e Redatora designada.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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VARIAÇÃO CAMBIAL DE INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. A variação cambial negativa decorrente de investimento em controlada ou coligada no exterior não pode ser compensada com variação cambial positiva de mesma natureza, obtida em períodos de apuração subsequentes, por falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar de competência, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Julgamento iniciado na reunião de 11/2018 e concluído em 04/12/2018. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Redatora designada. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 72 /2 00 8- 40 Fl. 836DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 837 2 Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela União (Fazenda Nacional), ao amparo do artigo 67 do Regimento Interno do CARF, Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (RICARF), contra o Acórdão nº 1401002.026, da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, por meio do qual, o colegiado, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao apelo. A decisão recorrida tem a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. A autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (art. 6º da Lei n°10.593/2002). A distribuição espacial dos auditores pelo território nacional, nas diversas unidades administrativas Receita Federal, fixa os limites dentro dos quais será exercida a competência para efetuar o lançamento. Nos termos da Portaria RFB n°10.166/2007, a competência territorial da Deinf e da Deain é a mesma: Estado de São Paulo. A diferença entre tais unidades é que a competência da Deinf baseiase no critério da qualidade do contribuinte, enquanto a da Deain tem por base a matéria: tributação em bases universais. Todavia, no caso de um lançamento relativo à tributação em bases universais em que o sujeito passivo é uma instituição financeira, a competência das unidades é concorrente. LANÇAMENTO PARA EVITAR A DECADÊNCIA. Quando existe questionamento judicial com suspensão de exigibilidade do crédito tributário, o Fisco realiza o lançamento para evitar a decadência partindo do pressuposto de que o questionamento postulado pelo contribuinte perante o Poder Judiciário será julgado improcedente. Assim, o lançamento para evitar a decadência fixa a norma individual e concreta, levando em conta todos os aspectos de fato e de direito necessários à perfeita formalização da obrigação tributária. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há falarse em concomitância quando o contribuinte questiona aspectos da relação tributária formalizada por meio do lançamento para evitar a decadência que não se referem às questões levadas a julgamento perante o Poder Judiciário, mas que influem diretamente na quantificação da obrigação tributária que, ao final do processo judicial, poderá consagrarse como exigível. TRIBUTAÇÃO DA VARIAÇÃO CAMBIAL. Considerando que o resultado positivo de equivalência patrimonial compôs a base de cálculo dos tributos lançados (matéria em tese que não é analisada por estar sob discussão judicial), o valor das as variações cambiais negativas também deve compor o conceito de “prejuízos e perdas auferidos no exterior” e igualmente influir na determinação desta base de cálculo, no limite dos resultados positivos assim apurados." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, o termo "resultados negativos" constante do artigo 7° da IN SRF nº 213/2002 conceitua a variação cambial negativa apurada em determinado ano como prejuízo apurado pelo contribuinte. Por seu turno, Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 838 3 o artigo 4º da citada IN SRF nº 213/2002 prescreve que os prejuízos apurados em dado exercício são passíveis de compensação com os lucros futuros apurados pelo contribuinte. Dito de outra forma, a variação cambial negativa apurada a partir de 01/01/2002 é passível de compensação com esses resultados. O processo foi encaminhado à PGFN em 25/08/2017 (Despacho de Encaminhamento de efl. 748). Em 04/09/2017, tempestivamente, a PGFN interpôs o Recurso Especial de efls. 749 a 772 (Despacho de Encaminhamento de efl. 773). Nessa oportunidade, alegouse o seguinte: 1) segundo o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte excluiu do lucro líquido referente aos anoscalendário de 2003 a 2005, para fins de determinação do IRPJ e da CSLL, a totalidade dos resultados positivos auferidos no exterior dos investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Tanto no cômputo da base de cálculo do IRPJ como na cômputo da base de cálculo da CSLL, o contribuinte adicionou, somente, a parcela correspondente aos lucros disponibilizados; 2) a Fiscalização efetuou o lançamento tributário com suspensão da exigibilidade, tendo em conta que o contribuinte impetrara o Mandado de Segurança n° 2003.6100.0038066, com pedido de liminar, "a fim de suspender a exigibilidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL resultantes da não adição nas bases de cálculo desses tributos dos resultados positivos de equivalência patrimonial de seus investimentos em sociedades coligadas e/ou controladas no exterior, afastandose a aplicação da IN SRF 213/2002"; 3) em sede de Recurso Voluntário, reconheceuse ao contribuinte o direito de compensar a variação cambial negativa com as receitas de variação cambial positiva; 4) dessa forma, o acórdão recorrido, supostamente amparado no artigo 7º da IN SRF nº 213/2002, conferiu ao contribuinte o direito de deduzir da base de cálculo do lançamento ora discutido as variações cambiais negativas decorrentes de participações societárias detidas no exterior, divergindo dos acórdãos nº 9101002.294 e 101.97070, ofertados como paradigmas; 5) importante registrar que, não obstante o acórdão nº 10197.070 ter sido “substituído” pelo acórdão nº 9101002.589, de 14/03/2017, a matéria que importa, para a presente divergência, variação cambial de investimentos no exterior, não foi alterada pelo acórdão da CSRF; 6) no mérito, vale recordar que o artigo 25 da Lei nº 9.249/1995 estabeleceu que o momento da disponibilidade dos lucros, para o efeito de tributação, corresponde ao levantamento do balanço de 31 de dezembro de cada ano. Portanto, o artigo 25 da Lei nº 9.249/95 elegeu a apuração do lucro da coligada ou controlada no exterior como fato gerador do IRPJ da controladora ou coligada no Brasil, e 31 de dezembro do ano da apuração como o momento da respectiva tributação; 7) já o § 6º do artigo 25 da Lei nº 9.249/1995 explicitou que os resultados positivos da equivalência patrimonial que afetam o lucro contábil, quando decorrentes de investimento no exterior, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, o que significa dizer que continuarão a ser excluídos para fins de apuração do lucro real, "sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2° e 3º", ou seja, sem prejuízo da tributação no momento em que forem disponibilizados; Fl. 838DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 839 4 8) a Instrução Normativa SRF nº 38/1996, ao interpretar o § 6º do artigo 25 da Lei nº 9.249/1995, dispôs, em seu artigo 11, que “a contrapartida do ajuste de investimento no exterior, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, não será computada na determinação do lucro real”. Assim, inferese que o objetivo da lei foi tributar somente o lucro auferido no exterior, mantendose em vigor a legislação que disciplinava o tratamento tributário da equivalência patrimonial. Referida legislação não foi revogada, cabendo ressalvar que os ajustes dos investimentos permanentes no exterior continuaram a receber o mesmo tratamento tributário, como dispõe o § 2º do artigo 389 do RIR/1999; 9) nesse cenário, surgiram dúvidas quanto à constitucionalidade do artigo 25 da Lei nº 9.249/1995, sob o argumento de que as entidades — investidor e investido – possuem personalidades jurídicas distintas, e o lucro pertence à pessoa jurídica que o gerou. Nessas circunstâncias, sua mera apuração pela coligada/controlada no exterior não representaria disponibilidade econômica ou jurídica para o investidor no Brasil. Este teria apenas a expectativa de direito, pois enquanto a sociedade que gerou os lucros não deliberasse sobre sua destinação, o investidor, do ponto de vista societário, não seria proprietário dessas vantagens; 10) para evitar os transtornos que adviriam de questionamentos judiciais, editouse a IN SRF n° 38/1996, que apresentou situações condizentes com o conceito de disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Citada Instrução Normativa deu à lei uma interpretação conforme o CTN e a Constituição da República de 1988. Todavia, emergiram também discussões quanto a vício de forma da IN SRF nº 38/1996. Nesse seguir, sobreveio a Lei n° 9.532/97, que listou as mesmas situações catalogadas na IN SRF n° 38/1996 como momento da tributação; 11) reparese, pois, que a Lei 9.532/9197, no artigo 1º, § 1º, prescreveu que, para fins de incidência do imposto de renda, o lucro auferido por intermédio de coligadas e controladas no exterior seria considerado disponibilizado para a empresa no Brasil na data do pagamento ou crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior; 12) ou seja, na vigência das Leis nº 9.249/1995 e 9.53219/97, em relação aos lucros auferidos por meio de coligadas e controladas no exterior, o fato gerador ocorria com o pagamento ou crédito, segundo o disciplinado pelos parágrafos 1º e 2º do art. 2° da IN SRF n° 38/1996 e conforme o disposto no artigo 1º, § 1º, da Lei nº 9.532/1997; 13) em outras palavras, o que se tributava não eram os lucros auferidos pela pessoa jurídica no exterior (lucros apurados no balanço), mas sim a parte desses lucros disponibilizada para o investidor brasileiro, sendo a data de ocorrência do fato gerador o dia 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao período em que os lucros se consideram creditados ou pagos pela investida; 14) modificando o panorama da tributação universal, em conformidade com o § 2º do artigo 43 do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104 de 10/01/2001, o Executivo editou a MP nº 2.15835/2001, que manteve a tributação dos lucros, dispondo que os lucros auferidos, a partir de 2002, seriam considerados disponibilizados na data do balanço levantado pela controlada (caput do artigo 74). Isto é, a partir da MP nº 2.15835/2002, a tributação passou a incidir não sobre dividendos, mas sobre os lucros brutos apurados no balanço; 15) a IN SRF nº 213/2002 revogou a IN SRF nº 38/1996 e estabeleceu, no §1º do artigo 7º, que os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não Fl. 839DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 840 5 tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; 16) o fundamento de validade do artigo 7º da IN SRF nº 213/2002 é o artigo 74 da MP nº 2.15835/2001, bem como a norma contábil prevista no artigo 248, incisos I e II da Lei 6.404/1976; 17) nesses termos, os resultados positivos da avaliação dos investimentos pelo método de equivalência patrimonial, segundo a legislação do Imposto de Renda, não se enquadram na categoria de lucros auferidos pela controladora sujeitos à incidência do tributo. Entretanto, com o comando fixado pelo artigo 74 da MP nº 2.15835/2001, o resultado positivo dessa equivalência, decorrente de investimentos no exterior, integra a base de cálculo do lucro real e da CSLL; 18) por essa perspectiva, o § 1º do artigo 7º da IN SRF nº 213/2002 deve ser interpretado nos estritos limites das normas legais que dispõem sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nesse sentido, o tratamento dado ao resultado positivo da equivalência patrimonial se refere apenas aos resultantes de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, não atingindo valores diversos; 19) sendo a variação cambial efeito das mudanças da taxa de câmbio no Brasil, ela não provoca alteração no patrimônio da investida no exterior nem mesmo no percentual de participação no capital da investida. Com efeito, os demais valores que compõem a equivalência patrimonial, dentre eles a variação cambial do investimento, seja positiva ou negativa, não são atingidos pela tributação; 20) por ocasião do veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão n° 30, de 2003, o apreciar o artigo 46 da Medida Provisória n° 135/2003 e da não conversão em lei do artigo 9° da Medida Provisória 232/2004, não se permitiu que a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial fosse considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL no período de apuração; 21) conforme o Termo de Verificação Fiscal, nas apurações do lucro real e da bases de cálculo da CSLL, referentes aos anoscalendário de 2003 a 2005, o contribuinte excluiu do lucro líquido a totalidade dos resultados positivos auferidos nos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial, adicionando, somente, a parcela correspondente aos lucros disponibilizados; 22) tendo em vista a falta de previsão legal para admissão do procedimento acima descrito, as exclusões ao lucro líquido foram glosadas, realizandose o lançamento com a exigibilidade suspensa, com o fim de prevenir a decadência, enquanto pendente a discussão travada no MS 2003.61.00.0038066; 23) não se está afastando a IN SRF nº 213/2002, ou deixando de aplicála, pois realmente o julgador administrativo está vinculado a tal norma, mas, sim, interpretandoa em conjunto com o restante da legislação tributária. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 841 6 Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que seja conhecido o presente Recurso, em face da observância aos requisitos de admissibilidade previstos no artigo 67 Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, provendo o, ao final, reformandose o acórdão recorrido. O contribuinte foi cientificado do Recurso Especial fazendário no dia 09/02/2018, à efl. 809. Contrarrazões apresentadas no dia 28/02/2018, à efl. 810. Nessa oportunidade, aduziuse o seguinte: 1) os argumentos apresentados pela União são contraditórios, pois o fundamento da decisão que expressamente afirma que a variação cambial positiva não deve ser tributada pelo IRPJ e pela CSLL afasta a própria exigência fiscal que está sendo questionada nos autos; 2) o que a União pretende é criar o cenário mais favorável aos seus interesses, com a afirmação de que a variação cambial passiva não pode ser deduzida como despesa, na apuração do lucro real, ao mesmo tempo em que pretende tributar a variação cambial positiva (objeto de discussão judicial); 3) o fato é que o recorrido busca o reconhecimento do direito a compensação das variações cambiais passivas, decorrentes de investimentos detidos no exterior, a partir de 01/01/2002, com as variações cambiais positivas desses mesmos investimentos, porquanto as autoridades fiscais lavraram autos de infração para a constituição de débitos de IRPJ e CSLL ao entendimento de que as variações cambiais positivas são tributáveis; 4) a tributação da variação cambial positiva não subsiste, motivo por que aqueles autos de infração devem ser cancelados. Mas, tendo em conta que as autoridades fiscais efetivamente tributaram a variação cambial positiva, como muito bem reconheceu o acórdão recorrido, inequivocamente devese computar, na base de cálculo tributável, a variação cambial passiva; 5) com o advento da IN SRF nº 213/2002, surgiu a dúvida se, a partir da sua vigência, o IRPJ e a CSLL permaneceriam incidindo somente sobre o lucro, ou se esses tributos passariam a recair também sobre os resultados de variação cambial, já que a referida instrução normativa fazia referência a “resultados positivos de equivalência patrimonial” e não apenas a lucros; 6) vale esclarecer que o método de equivalência patrimonial ilustra o aumento do valor, em Reais (variação cambial), que sofrem as contas integrantes do patrimônio líquido da filial, sucursal, controlada, coligada no exterior (capital, reservas de capital, reservas de lucros e lucros acumulados) no final do ano calendário anterior; 7) é indubitável que as instruções normativas são normas secundárias cuja função é a de regulamentar as leis. Nessa condição, o seu objetivo é dar aplicabilidade ao disposto na lei. Dessa forma, sempre que houver dúvida quanto à correta interpretação da instrução normativa, devese recorrer à lei da qual o ato infralegal se deriva e de onde tira seu fundamento de validade; 8) a interpretação da Instrução Normativa de forma sistemática, diante da lei da qual retira seu fundamento de validade, conduz à seguinte conclusão: (i) no artigo 7º da IN SRF 213/2002, o termo “resultados negativos” conceitua a variação cambial negativa, apurada Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 842 7 em determinado ano, como prejuízo apurado pelo contribuinte; por seu turno, (ii) o artigo 4º da IN SRF 213/2002 determina que os prejuízos apurados em dado exercício são passíveis de compensação com os lucros futuros apurados pelo contribuinte; 9) diante da interpretação sistemática dos dispositivos acima transcritos, resta evidente que, assim como a legislação tributária determina a tributação da variação positiva dos investimentos (previsão esta de legalidade e constitucionalidade duvidosa, sendo objeto de discussão por intermédio de ação judicial), a variação cambial negativa é também passível de compensação com as receitas de variação cambial apuradas em períodos subsequentes (in casu, nos anos de 2003 a 2005), na linha do que consignou o acórdão recorrido; 10) a compensação dos prejuízos fiscais é um direito do contribuinte previsto no artigo 509, §1º, do Regulamento de Imposto de Renda (“RIR/99”). O §1º do referido artigo permite expressamente que os prejuízos fiscais acumulados podem ser apurados em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte; 11) o argumento do recorrido, acolhido pelo acórdão combatido, fundase na interpretação sistemática dos dispositivos da IN nº 213/2002. Isto é, tendo o recorrido apurado prejuízos (decorrentes da variação cambial negativa), não há quaisquer razões para impedir que tais saldos sejam compensados com os lucros futuros (decorrentes da variação cambial positiva), considerando que a própria Receita Federal considerou que a tributação da variação cambial positiva é base de tributação; 12) tal interpretação independe de previsão legal expressa, cabendo ao julgador administrativo interpretar a IN SRF nº 213/2002 sistematicamente, buscando seu sentido nas leis preexistentes sobre a tributação de lucros no exterior, sem que isso implique reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Dessa forma, com fundamento nos argumentos de fato e de direito expostos nestas contrarrazões, o recorrido requer que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela União. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O Conselheiro Rafael arguiu a competência deste Relator, já que o próprio arguente foi o relator do acórdão nº 9101002.35, desta Turma, que anulou a decisão da Turma a quo, em sessão de 16/06/2016. Com efeito, a relatoria do julgamento deste litígio deve permanecer sob a incumbência do Conselheiro Rafael, com base no § 5º do artigo 49 do RICARF, in verbis: "Artigo 49. ...... § 5º O processo conexo, decorrente ou reflexo e o que retornar de diligência ou em razão de acórdão de recurso especial e de embargos de declaração será distribuído ao mesmo relator ou redator, independentemente de sorteio, ressalvados o retorno de processo com acórdão de recurso especial e os embargos de declaração Fl. 842DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 843 8 em que o relator ou redator não mais pertença à turma de origem, que serão apreciados por essa, mediante sorteio entre seus conselheiros. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018)" Uma vez vencido, prossigo. Na interposição do presente Recurso Especial foram reunidos os pressupostos de recorribilidade. Adotando as razões do Despacho de Admissibilidade, conheço do apelo da União (PGFN). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte excluiu do lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a totalidade dos resultados positivos auferidos nos seguintes investimentos no exterior, avaliados pelo método da equivalência patrimonial: a) anocalendário de 2003: Agência Grand Cayman R$ 154.487.276,26; b) anocalendário de 2004: Agência Grand Cayman R$ 35.189.752,99; c) anocalendário de 2005: Boavista Banking Ltd R$ 13.531.915,92. Todavia, o contribuinte adicionou ao lucro líquido os lucros disponibilizados pelos investimentos no exterior acima indicados, conforme o quadro abaixo: d) anocalendário de 2003: Agência Grand Cayman R$ 103.702.950,41; e) anocalendário de 2004: Agência Grand Cayman R$ 26.433.899,26; f) anocalendário de 2005: Boavista Banking Ltd R$ 1.126.613,17 Portanto, segundo a Fiscalização, o contribuinte deixou de adicionar ao lucro real e à base de cálculo da CSLL a diferença entre a totalidade dos resultados positivos auferidos em investimentos no exterior, avaliados pelo método da equivalência patrimonial (itens "a", "b" e "c", supra) e os valores adicionados relativos aos lucros que os mesmos investimentos disponibilizaram ao contribuinte, entre 2003 e 2005, (itens "c", "d" e "e", supra, como resume o quadro a seguir: A Fiscalização assinala que a matéria acima está sob a sindicância do Poder Judiciário, pois o contribuinte impetrou, em 30 de janeiro de 2004, o Mandado de Segurança nº Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 844 9 2003.61.00.0038066, a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário de IRPJ e CSLL resultantes da não adição, nas bases de cálculos destes tributos, dos resultados de equivalência patrimonial de seus investimentos em sociedades coligadas ou controladas no exterior, assim afastando a aplicação da IN SRF nº 213/2002. Todavia, a matéria objeto do presente Recurso Especial diz respeito exclusivamente ao debate em torno da existência do direito do contribuinte de compensar a variação cambial negativa, apurada a partir de 01/01/2002 pelas filiais e controladas da recorrida no exterior, com as receitas de variação cambial positiva apuradas nos anoscalendário de 2003 a 2005, em face do artigo 509, § 1º, do RIR/1999. Tais foram as razões que orientaram o voto condutor do acórdão recorrido: "De fato, no artigo 7° da IN SRF 213/2002 o termo "resultados negativos" conceitua a variação cambial negativa apurada em determinado ano como sendo prejuízo apurado pelo contribuinte. Por seu turno, o artigo 4º da IN SRF 213/2002 determina que os prejuízos apurados em dado exercício são passíveis de compensação com os lucros futuros apurados pelo contribuinte. Vejase: TRATAMENTO DO PREJUÍZO APURADO NO EXTERIOR Art. 4º É vedada a compensação de prejuízos de filiais,sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. § 2º Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. § 3º Na compensação dos prejuízos a que se refere o § 2º não se aplica a restrição de que trata o art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995. § 4º A pessoa jurídica brasileira que absorver patrimônio de filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, de outra pessoa jurídica brasileira, e continuar a exploração das atividades no exterior, poderá compensar os prejuízos acumulados pela referida filial, sucursal, controlada ou coligada, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996, observado o disposto neste artigo. § 5º Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, quando a matriz no Brasil indicar uma dessas filiais ou sucursais como entidade líder, os resultados poderão ser consolidados por país e os prejuízos de uma poderão ser compensados com os lucros de outra. (...) EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 845 10 § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 2º Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL, inclusive no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL. § 3º Observado o disposto no § 1º deste artigo, a pessoa jurídica: I que estiver no regime de apuração trimestral, poderá excluir o valor correspondente ao resultado positivo da equivalência patrimonial no 1º, 2º e 3º trimestres para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; II que optar pelo regime de tributação anual não deverá considerar o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL apurados sobre a base de cálculo estimada. III optante pelo regime de tributação anual que levantar balanço e/ou balancete de suspensão e/ou redução poderá excluir o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL. Dito de outra forma, considerandose tributável a variação positiva dos investimentos (matéria em tese que não é analisada neste voto por estar sob discussão judicial), a variação cambial negativa apurada a partir de 1.1.2002 é passível de compensação com esses resultados. Cumpre notar que a compensação de prejuízos é um direito do contribuinte que tem por base legal o artigo 64 do DecretoLei 1.598/77. Não havendo, seja na lei seja em normas infralegais, restrição específica quanto à compensação de resultados negativos apurados no exterior em períodos anteriores com os resultados positivos apurados também no exterior em períodos subsequentes, não há porque se criar tal limite via interpretação." Com todas as reverências à ilustre Relatora, vislumbro alguns equívocos no voto condutor do acórdão recorrido: 1) em primeiro lugar, de modo algum podese assegurar que "no artigo 7° da IN SRF 213/2002 o termo "resultados negativos" conceitua a variação cambial negativa apurada em determinado ano como sendo prejuízo apurado pelo contribuinte". Com efeito, os "resultados negativos" a que se refere o artigo 7º da IN SRF nº 213/2002 são resultados apurados mediante a aplicação do método da equivalência patrimonial, adotado para a determinação do valor do ajuste do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada. A tal respeito, Hiromi Higuchi1 expôs o equívoco dos que pretendem encontrar fundamento jurídico para deduzir a variação cambial negativa do resultado tributável pelo imposto de renda e pela CSLL: 1 HIGUCHI, Hiromi; Fábio Hiroshi e Celso Hiroyuki. Imposto de Renda das Empresas Teoria e Prática. São Paulo: IR Publicações, 36. ed., 2011, p. 146147. Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 846 11 "O § 6° do art. 25 da Lei n° 9.249/95 dispõe que os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método de equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1 °, 2° e 3°. Isso significa que a contrapartida do ajuste de investimento não será computada na apuração do lucro real. O imposto incidirá exclusivamente sobre o lucro da controlada ou coligada que for disponibilizado para a investidora no Brasil. A Receita Federal expediu a IN n° 98, de 210787, dispondo que não será computada na determinação do lucro real das pessoas jurídicas detentoras de investimento em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas, que não funcionem no Brasil a diferença, positiva ou negativa, entre a atualização monetária procedida com base na variação da OTN e a atualização cambial efetuada com base na moeda do país do investimento. A IN n° 79, de 010800, declara revogada a IN n° 98/87. A CVM expediu a Instrução n° 170, de 030192, dispondo no art. 2° que será considerado como resultado operacional de equivalência patrimonial o valor da diferença entre a variação cambial de investimento no exterior e a correção monetária contabilizada à conta de investimento, na investidora ou controladora. A Instrução CVM n° 247, de 270396, revogou aquele art. 2° e no art. 16 veio dispor: Art. 16. A diferença verificada, ao final de cada período, no valor do investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, deverá ser apropriada pela investidora como: I receita ou despesa operacional, quando corresponder: a) a aumento ou diminuição do patrimônio líquido da coligada e controlada em decorrência da apuração de lucro líquido ou prejuízo no período ou que corresponder a ganhos ou perdas efetivos em decorrência da existência de reservas de capital ou de ajustes de exercícios anteriores; e b) a variação cambial de investimento em coligada e controlada no exterior. II ........................... O parágrafo único do art. 16 da Instrução CVM n° 247, de 1996, recebeu nova redação com a Instrução CVM n° 469, de 2008, dispondo: Parágrafo único. Não obstante o disposto no art. 12, o resultado negativo de equivalência patrimonial terá como limite o valor contábil do investimento, que compreende o custo de aquisição mais a equivalência patrimonial, o ágio e o deságio não amortizados e a provisão para perdas. A controvérsia gira em torno da contabilização da contrapartida do ajuste cambial dos investimentos no exterior, isto é, se compõe o resultado da equivalência patrimonial ou tratase de variação monetária ativa ou passiva, apesar de não existir lei que determine, em cada período de apuração, o ajuste cambial de investimento em coligada ou controlada no exterior. Se a empresa investidora no Brasil não fizer o ajuste cambial não há infração fiscal. O ajuste obrigatório é somente de créditos e obrigações, não estando incluídas as participações societárias. No DOU de 080503 foram publicadas as Soluções de Consultas n°s 54 e 55 da 9ª RF definindo que a contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no País, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 847 12 O art. 46 da Lei n° 10.833, de 2003, que foi vetado, dispunha que a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Nas razões do veto está dito: "Não obstante tratarse de norma de interesse da administração tributária, a falta de disposição expressa para sua entrada em vigor certamente provocará diversas demandas judiciais, patrocinadas pelos contribuintes, para que seus efeitos alcancem o anocalendário de 2003, quando se registrou variação cambial negativa de, aproximadamente, quinze por cento, o que representaria despesa dedutível para as pessoas jurídicas com controladas ou coligadas no exterior, provocando, assim, perda de arrecadação, para o ano de 2004, de significativa monta, comprometendo o equilíbrio fiscal." O art. 9° da MP n° 232, de 2004, não convertida em lei, dispunha que a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL do período de apuração. O 1° C.C. decidiu pelos ac. n° 10195.302/2005 e 10195.304/2005 (DOU de 160306) que tendo em vista as razões contidas na mensagem de veto ao art. 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. Exclusão indevida na determinação do IRPJ e CSLL. As empresas de capital fechado não devem efetuar os ajustes de investimentos com base na variação cambial para não correr o risco de autuação. As empresas de capital aberto que contabilizarem, na conta de resultados, a contrapartida do ajuste de investimento com base na variação cambial e considerarem como despesa dedutível ou receita não tributável, correm o risco de autuação. Não há lei na legislação tributária que permite ou obrigue fazer o ajuste de investimento no exterior com base na variação cambial. Com isso, a despesa é indedutível e a receita que for lançada na conta de resultados é tributável por falta de lei que permita sua exclusão no LALUR. O art. 250 do RIR/99 dispõe sobre as exclusões do lucro líquido na determinação do lucro real. Se não tiver previsão em lei, autorizando a exclusão, a exclusão é ilegal como ocorre com a receita do ajuste de investimento com base na variação cambial. O art. 249 do RIR/99, por outro lado, dispõe que na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento de capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados. O aumento ou diminuição do valor de investimento, decorrente de ajuste com base na variação cambial, não é resultado da equivalência patrimonial porque não decorreu de aumento ou diminuição do valor de patrimônio líquido da controlada ou coligada. Se a contrapartida do ajuste não for tributável a empresa terá benefício indevido porque o aumento do valor do investimento resultará em menor ganho de capital na futura alienação do investimento. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 848 13 Retornese ao ponto em Higuchi recorda que o artigo 46 da Lei n° 10.833/2003 (na verdade, da Medida Provisória nº 135/2003) foi vetado, o qual dispunha no sentido de que a variação cambial dos investimentos no exterior, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, deveria ser considerada receita ou despesa financeira, assim compondo o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Também aduzse, outra vez, ao artigo 9° da MP n° 232/2004, não convertida em lei, por meio da qual objetivouse introduzir o conteúdo normativo que já havia sido objeto da tentativa anterior, no artigo 46 da MP nº 135/2003. Por outro lado, cabe acrescentar, no esteio do voto condutor do acórdão nº 9101002.294, da lavra do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que "interpretação diversa, que estendesse o alcance da disposição contida no art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002, também, à variação cambial de investimentos no exterior, resultaria em invalidade e nulidade, por razão de sua ilegalidade. Ad argumentandum tantum, notese que a Súmula CARF nº 94 determina que os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada sejam convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001, ou seja, a jurisprudência do CARF afasta o efeito das variações cambiais na tributação dos lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada." Em alinhamento ao pensamento da ilustre Edeli Pereira Bessa, no voto vencido proclamado no acórdão nº 1101000.944, aludese ao fato de que, "se a IN SRF nº 213/2002 dispõe sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País, como consta de sua ementa, e tem em conta as disposições da Lei nº 9.249/95 e 9.532/97, bem como da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, que tratam, tão só, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por intermédio de controladas e coligadas no exterior, é razoável concluir que o art. 7º da referida Instrução Normativa alcança apenas as parcelas do resultado da equivalência patrimonial que representem lucros, rendimentos ou ganhos de capital." Nesse rumo, a recorrente tem razão ao afirmar que, "sendo a variação cambial efeito das mudanças da taxa de câmbio no Brasil, ela não provoca alteração no patrimônio da investida no exterior e nem mesmo no percentual de participação no capital da investida. Com efeito, os demais valores que compõem a equivalência patrimonial, dentre eles a variação cambial do investimento, seja positiva ou negativa, não são atingidos pela tributação." 2) Em segundo lugar, não se deve confundir os resultados negativos decorrentes da equivalência patrimonial, contabilizados pela investidora residente no país e referidos no § 2º do artigo 7º da IN SRF nº 213/2002, com os prejuízos mencionados no artigo 4º da mesma IN. Estes últimos são os resultados da pessoa jurídica investida. Consoante o artigo 4º, § 2º, da IN SRF nº 213/2002, os prejuízos apurados por controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. 3) Assim, ao consignar que a variação cambial negativa apurada em determinado ano é prejuízo, nos termos do artigo 7º da IN SRF nº 213/2002, o voto condutor do acórdão recorrido interligou matéria referente à investidora (variação cambial passiva) com matéria referente à investida (prejuízo). Uma vez traçada a ponte entre assuntos relativos a pessoas distintas para a afirmação de uma premissa se "variação cambial negativa apurada em determinado ano é prejuízo apurado pelo contribuinte" logo em seguida estabeleceuse uma Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 849 14 conclusão a variação cambial negativa apurada a partir de 1.1.2002 é passível de compensação com variação cambial positiva de períodos seguintes. Data vênia, a premissa não se sustenta e a conclusão sequer decorre logicamente da premissa. 4) Somente o prejuízo fiscal pode ser compensado com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legalmente previstas, na forma do artigo 510 do RIR/99: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado 5) Consignese, por fim, que o regime de tributação dos lucros obtidos em investimento em controlada ou coligada no exterior, nos termos do artigo 25 da Lei nº 9.249/1995, artigo 1º da Lei nº 9.532/1997 e artigo 74 da MP nº 2.15835 não admite a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil, como bem expressa o artigo 4º da IN SRF nº 213/2002: "Art. 4º É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil." Em face do exposto, devese conhecer do apelo fazendário para, no mérito, darlhe provimento, reformandose o acórdão recorrido para manter a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Em que pesem os argumentos do eminente relator, este colegiado, por maioria de votos, divergiu de sua conclusão quanto à preliminar de competência de relatoria suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo. O cerne da discussão diz respeito a obrigatoriedade ou não de sorteio do processo administrativo fiscal no caso em que novo acórdão prolatado por Turma Ordinária, em razão de anulação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais de decisão anterior, for objeto de recurso especial. Para o relator, caso o conselheiro que relatou a decisão anulatória integre a Turma da CSRF, havendo a interposição de novo recurso o processo deverá ser distribuído para o mesmo conselheiro. Fundamenta seu entendimento no § 5º, do art. 49, do Anexo II, do Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 850 15 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e com a redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018: § 5º O processo conexo, decorrente ou reflexo e o que retornar de diligência ou em razão de acórdão de recurso especial e de embargos de declaração será distribuído ao mesmo relator ou redator, independentemente de sorteio, ressalvados o retorno de processo com acórdão de recurso especial e os embargos de declaração em que o relator ou redator não mais pertença à turma de origem, que serão apreciados por essa, mediante sorteio entre seus conselheiros. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) No presente processo, por meio do Acórdão nº 9101002.355, de 16 de junho de 2016, relatado pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, a 1ª Turma da CSRF acolheu preliminar de nulidade do acórdão de Turma Ordinária, suscitada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para novo julgamento. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, então, prolatou nova decisão (Acórdão nº 1401002.026, de 27 de julho de 2017), dando parcial provimento ao recurso voluntário. Em face dessa nova decisão, a Procuradoria interpôs novo recurso especial, o qual foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara. O PAF foi submetido a sorteio em 5 de julho de 2018, tendo sido distribuído para o conselheiro Flávio Franco Correa. Como se vê, o dispositivo regimental citado pelo relator não se aplica ao caso em análise, uma vez que diz respeito ao processo que retornar para turma a quo em razão de acórdão de recurso especial que tenha anulado ou reformado decisão prolatada por aquela turma, determinando o retorno do processo para novo julgamento. Nesse caso, se o relator da decisão anulada ou reformada ainda estiver na turma, o processo será distribuído para o mesmo relator. Esse conselheiro, por sua vez, não terá que analisar novo recurso ou nova decisão; analisará o mesmo recurso voluntário ou de ofício que tenha analisado anteriormente e a decisão impugnada terá sido a mesma decisão da DRJ, devendo proferir nova decisão à luz da nulidade reconhecida pela Turma da CSRF na decisão original ou diante da reforma dessa decisão. No caso em análise, verificase que é submetido a esta Turma da CSRF novo recurso especial e nova decisão de segunda instância, o que evidencia a distinção da situação prevista no citado art. 49, § 5º, do Anexo II, do Regimento. Além disso, na hipótese desse dispositivo o retorno do processo ocorrerá por força de acórdão de recurso especial, sendo obrigatório, enquanto no caso em tela o retorno do processo à CSRF ocorre por força de recurso especial admitido, de forma que quando não houver a interposição de recurso sequer haverá que se falar em “retorno”. As hipóteses previstas no dispositivo em referência correspondem a exceções instituídas pelo Regimento do CARF tendo em vista a eficiência e celeridade do julgamento. Como regra, todos os processos administrativos fiscais recebidos por este Conselho devem ser submetidos a sorteio eletrônico, conforme determina o art. 47, do Anexo II, do Regimento. As exceções, isto é, as hipóteses em que o processo será distribuído a relator de decisão anterior, devem estar previstas. Não há previsão para que o processo seja distribuído para o mesmo relator na hipótese em que retorne à CSRF após prolação de nova decisão por Turma Ordinária ou Extraordinária. Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16327.001272/200840 Acórdão n.º 9101003.916 CSRFT1 Fl. 851 16 Aliás, até mesmo por analogia, deve ser aplicada a regra de que trata o art. 11 da Portaria CARF nº 34, de 31 de agosto de 2015, que determina o sorteio quando o processo retorna ao CARF após anulação de decisão de primeira instância. Tratase, igualmente, de retorno de processo para instância superior, após a anulação de decisão de turma a quo. Nesse sentido, o referido artigo dispõe que “O processo que retorne em razão de anulação de decisão de primeira instância será sorteado pela área de gestão do acervo para qualquer Turma da Seção”. Pelo exposto, concluise que deve ser rejeitada a preliminar de competência de relatoria suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, sendo válido o novo sorteio realizado, que definiu como relator o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 851DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000491/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO.
Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO.
Considerando que foi trazida comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impõe-se a aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN.
DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO
Considerando que foi trazida comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impõe-se a aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-005.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, retificar o Acórdão nº 2301-005.189, de 06/03/2018, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO. Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO. Considerando que foi trazida comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impõe-se a aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN. DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO Considerando que foi trazida comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impõe-se a aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, retificar o Acórdão nº 2301-005.189, de 06/03/2018, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO. Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO. Considerando que foi trazida comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impõese a aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN. DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO Considerando que foi trazida comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impõese a aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, retificar o Acórdão nº 2301005.189, de 06/03/2018, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 91 /2 00 7- 70 Fl. 1636DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração (efls. 1614 a 1622) opostos pela Fazenda Nacional em face dos Acórdãos nº 2301004.738 (efls. 1557 a 1565) e nº 2301 005.189 (efls. 1601 a 1612), proferidos em sessões plenárias de 15/06/2016 e 06/03/2018, pela 1ª TO da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, assim ementados: Acórdão nº 2301004.738: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO EM CASO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU DÚVIDA. Havendo contradição entre a fundamentação e a parte do dispositiva do acórdão, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e acolhêlos, para esclarecer que no caso concreto aplicase o art. 150, § 4º, do CTN. Acórdão nº 2301005.189 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD sob nº 37.126.5037 Consolidado em 06/11/2007 SAMARCO Consolidado em 18/01/2012 Devedoras Solidárias EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301005.805 S2C3T1 Fl. 3 3 Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO. Prazo decadencial para a apuração e cobrança das contribuições previdenciárias, pelo CTN, regra geral, é o previsto no artigo 173, inciso I. Regra específica definida no artigo 150, § 4º do CTN. Lançamento por homologação desde que o sujeito passivo apure, declare e antecipe o pagamento, sem prévio exame do FISCO. Considerando que foi trazida comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impõese a aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN. DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO Considerando que foi trazida comprovação de recolhimento, ainda que parcial, impõese a aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, sanando o vício apontado no Acórdão 2301004.297, de 22 de janeiro de 2015, e em razão dos documentos apresentados em tribuna pela contribuinte, que comprovam o recolhimento de contribuições previdenciárias nos períodos lançados, rerratificar o acórdão embargado, retificando o acórdão na parte que aplicava ao caso o art. 173, I, do CTN e ratificando a aplicação, ao caso, do art. 150, § 4º, mantendo, com isso, a redação original do dispositivo do acórdão na parte embargada, ou seja: "ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: (...) ; b) com a decisão sobre a contagem do prazo decadencial, em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a)". A contribuinte foi orientada para protocolizar a juntada das guias de recolhimento referente aos períodos lançados apresentadas em tribuna aos autos. Alega a embargante a existência de omissão e contradição nos julgados. Segundo a embargante a omissão estaria caracterizada uma vez que foi aplicada a regra de contagem do prazo decadencial prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, e no enunciado n. 99 da Súmula do CARF (quando o acórdão embargado resolveu manter a conclusão do Acórdão n. 2301004.297, de 22 de janeiro de 2015), porém não teriam sido indicadas em quais provas se baseou o Colegiado para concluir pela existência de pagamentos parciais em todas as competências consideradas decaídas. Fl. 1638DF CARF MF 4 Com relação à contradição, a Fazenda Nacional aduz que "a decisão embargada aplica indistintamente o disposto no art. 150, § 4º, do CTN para todas as competências objeto do lançamento, sem haver nos autos comprovação de recolhimento em relação a cada uma dessas competências, ao passo que também se encontra fundamentada no enunciado n. 99 da Súmula CARF que não admite esse procedimento". É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado nos seus artigos. 65 e 66, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, bem como artigo 66 do RICARF dispõe que inexatidões materiais serão corrigidas mediante embargos. Com relação à omissão da falta de indicação das provas nas quais provas se baseou o Colegiado para concluir pela existência de pagamentos parciais em todas as competências consideradas decaídas, acolho os presentes embargos, sem efeitos infringentes, para indicar que os comprovantes foram anexados ao processo administrativo como “arquivo não paginável” em 14/03/2018, entre as efls. 1599 e 1600. No tocante à contradição, não acolhe os embargos, uma vez que entendo que não faz sentido a afirmação da Fazenda Nacional no sentido que "a decisão embargada aplica indistintamente o disposto no art. 150, § 4º, do CTN para todas as competências objeto do lançamento, sem haver nos autos comprovação de recolhimento em relação a cada uma dessas competências, ao passo que também se encontra fundamentada no enunciado n. 99 da Súmula CARF que não admite esse procedimento", uma vez que as demais competências objeto do presente processo administrativo já se encontrariam decaídas ainda que fosse aplicada a regra decadencial do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 15504.000491/200770 Acórdão n.º 2301005.805 S2C3T1 Fl. 4 5 Nesse sentido, durante o julgamento do Acórdão Embargado, somente foi solicitada a comprovação de pagamentos relativos ao período controverso no qual faria diferença a aplicação das regras decadenciais do artigo 150, §4º e 173, I, do CTN. Dessa forma, voto por acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada seja retificado trecho do voto no seguinte sentido: Voto Vencedor: (...) Todavia, cumpre ressaltar que o contribuinte apresentou comprovantes de recolhimento de contribuição previdenciária para os períodos do presente processo administrativo em que haveria controvérsia sobre a decadência em razão da aplicação ou não do artigo 150, §4º, do CTN. Tais documentos foram apresentados em tribuna, sendo posteriormente protocolados ao presente processo como “arquivo não paginável” em 14/03/2018, entre as efls. 1599 e 1600. (...) É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.911732/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 17 32 /2 01 2- 50 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10830.911732/201250 Acórdão n.º 3301005.651 S3C3T1 Fl. 95 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 37 a 46) interposto pelo Contribuinte, em 24 de junho de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0268.566 (fls. 25 a 28), de 24 de maio de 2016, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) – DRJ/BHE – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 2 e 3) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório no rastreamento 41008967 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP no 15693.36331.270111.1.3.040412. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 13/04/2006, no valor de R$51.418,65. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do Darf discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei no 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 18/01/2013, alegando que, conforme intimação recebida, foram apresentados os documentos comprobatórios (Darf) que garantem o crédito pleiteado. Informou que foi orientado a retificar o PER/DCOMP, porém o sistema atual não permite a inserção do número de referência constante do Darf, relatando ainda a impossibilidade de efetuar o agendamento eletrônico para regularizar a pendência. Solicitou que a alteração fosse feita de forma manual pelo setor responsável, não prejudicando os direitos do contribuinte. Fez ainda referência ao comprovante de arrecadação Darf datado de 31/03/2006. Por fim, pediu o acolhimento da manifestação. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10830.911732/201250 Acórdão n.º 3301005.651 S3C3T1 Fl. 96 3 Diante da decisão da DRJ o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário agora em análise para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0268.566 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O entendimento da autoridade administrativa fiscal, referendada pela decisão ora recorrida, pela homologação parcial do pedido de compensação, reside no fato de que o valor correspondente ao DARF indicado ter sido parcialmente utilizado para quitação de débito do Contribuinte restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Contribuinte alega quando da interposição do Recurso Voluntário que o processo administrativo deve seguir o due process of Law e o contraditório, bem como, o direito a ampla defesa. Cita neste sentido o art. 5º, LV, da Constituição Federal. Por fim, requer a homologação das compensações pleiteadas na sua integralidade, visto que entende que seu pedido tem liquidez e certeza lastreado em documentos hábeis. Não vislumbro em nenhum momento do processo algum procedimento contrário a lei e ou que impediu ao contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa. No que diz respeito ao crédito tributário é importante verificar trecho da decisão ora recorrida: O fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito postulado pelo contribuinte já foi utilizado para quitação de débito especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, consoante informação prestada em Declaração de Débitos e Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10830.911732/201250 Acórdão n.º 3301005.651 S3C3T1 Fl. 97 4 Créditos Tributários Federais (DCTF) ativa, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado no referido despacho. No caso, o manifestante não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Para melhor ilustrar os fatos acima relatados, as verificações efetuadas nos sistemas da RFB e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: Pagamento Data de arrecadação PA Vr Total (R$) Darf 13/04/2006 31/03/2006 51.418,65 DCTF – situação e número Data da entrega Débito vinculado Ativa 100200620112030373973 26/05/2011 10.283,73 Valor original disponível (já considerado no Despacho Decisório) 41.134,92 Saldo de crédito disponível 0,00 Cabe ao Contribuinte em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação o ônus da prova quanto a existência do seu direito ao aproveitamento do crédito, para que a autoridade administrativa possa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, de acordo com o disposto no art. 170 do CTN. O Contribuinte não faz prova da liquidez e certeza de seu crédito e não aponta a existência de algum erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório, inclusive não o faz em sede de Recurso Voluntário. Portanto, de acordo com os autos do processo e a legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902656/2016-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 25/08/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 56 /2 01 6- 65 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13851.902656/201665 Acórdão n.º 3402005.925 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.399. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13851.902656/201665 Acórdão n.º 3402005.925 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13851.902656/201665 Acórdão n.º 3402005.925 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.012851/2009-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO.
A retenção do imposto na fonte é passível de dedução somente no ano correspondente àquele em que o rendimento foi auferido. Art. 12, V da Lei 9.250/95.
Numero da decisão: 2001-000.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO. A retenção do imposto na fonte é passível de dedução somente no ano correspondente àquele em que o rendimento foi auferido. Art. 12, V da Lei 9.250/95.
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score : 1.0
Numero do processo: 11065.902184/2008-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE
Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DESPESAS. FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA/ TRANSPORTE. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, DEPÓSITO FECHADO, ARMAZÉM GERAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e/ ou para depósito fechado e armazém geral para venda posterior constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
Numero da decisão: 9303-007.719
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DESPESAS. FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA/ TRANSPORTE. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, DEPÓSITO FECHADO, ARMAZÉM GERAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e/ ou para depósito fechado e armazém geral para venda posterior constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
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NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DESPESAS. FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA/ TRANSPORTE. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, DEPÓSITO FECHADO, ARMAZÉM GERAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e/ ou para depósito fechado e armazém geral para venda posterior constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 21 84 /2 00 8- 71 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 377 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3801003.887, de 23 de julho de 2014 (fls. 247 a 261 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na declaração de compensação (DCOMP) transmitida pelo Contribuinte na qual informou crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS do período dezembro de 2003. Conforme despacho decisório foi apontado como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito disponível, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido integralmente utilizado para quitar débito do próprio contribuinte. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, no mérito, que teria ocorrido erro no preenchimento da DCTF relativa ao período dezembro de 2003. Devido a uma falha administrativa, o valor declarado para o mês de dezembro de 2003, de R$ 96.384,97, não teria sido objeto de retificação em DCTF. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 378 3 O Contribuinte junta DACON, enviado em 30/03/2004, em que informou que o valor devido da contribuição para o PIS no período de dezembro de 2003 era de R$ 43.540,74, bem como, cópia do comprovante de pagamento e da DCTF original. Por fim, requer a regularização e/ou arquivamento do despacho decisório. A 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, homologando a compensação declarada até o limite do direito creditório apurado (R$ 1.942,07). Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado pelo voto de qualidade, negou conforme acórdão assim ementado, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA. VIGÊNCIA A PARTIR DE 1º DE FEVEREIRO DE 2004. O direito de descontar créditos da contribuição PIS calculados em relação ao frete na operação de venda foi previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.883/2003, combinado com o art. 15 do mesmo diploma legal e produziu efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do art. 93 da referida Lei. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA. CONCEITO DE INSUMO. Não se subsume ao conceito de insumo os valores pagos a título de fretes nas operações de venda. Recurso Voluntário Negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 270 a 289) em face do acordão recorrido, a divergência suscitada pelo Contribuinte, diz respeito ao conceito de insumos para fins de incidência nãocumulativa do PIS e COFINS. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 379 4 Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 3302002.674 e 3401002.075. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor do acórdãos paradigmas, documentos de fls. 300 a 346. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 350 a 352, sob o argumento que pelo cotejamento das decisões constatouse a divergência jurisprudencial apontada. Enquanto o acórdão recorrido entendeu por aplicar de forma restritiva o direito ao crédito, com base no disposto pela IN SRF 247/2002, os acórdãos paradigmas aplicaram um conceito próprio de insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS. Com essas considerações, entendeuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 354 a 362, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Contibuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 350 a 352. Mérito Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 380 5 No mérito, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao conceito de insumo para fins de reconhecimento do direito a créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. Inicialmente, destaco que sempre tive o entendimento que é necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. E que diante disto, sempre entendi não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Essa discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa, até que sobreveio a decisão do STJ, no REsp 1.221.170, em sede de recurso repetitivo, que definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devendo observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Diante desta decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, traz que o conceito de insumo deve ser aferido à Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 381 6 luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Ademais, ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se entender que determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Para melhor elucidar, transcrevo trechos da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 382 7 Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis n.sº 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). No presente caso, recordo que a lide envolve valores referentes a fretes que teriam sido realizados para transportar os bens que adquiriu para revenda. Os Fretes aqui foram suportados pela vendedora. O que entendo que o custo de frete do transporte do bem adquirido para revenda do vendedor até o sujeito passivo, engloba o custo de aquisição e, por conseguinte, é passível de constituição de crédito das contribuições. Não obstante a esse entendimento, é de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 383 8 3º, inciso IX, das Lei n.sº 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. Sendo assim, independentemente de me direcionar ao critério da essencialidade e pertinência para a definição do conceito de insumos, quanto ao mérito, entendo que somente gerou direito ao crédito aquele frete em que restou comprovado que não se vinculava às hipóteses de vedação para a constituição de crédito das contribuições (art. 3º, inciso I, das Leis n.sº 10.833/03 e 10.637/02). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 384 9 A referência constante do inciso IX aos incisos I e II dáse para deixar claro ser o direito ao desconto do crédito de PIS e COFINS nãocumultaivos devido quando a armazenagem ou frete na operação de venda tenha como objeto mercadorias para revenda ou bens ou produtos fabricados a partir dos insumos ali especificados, sendo irrelevante o seu regime de tributação. Ou seja, o inciso II já previa a possibilidade do direito ao desconto do crédito de PIS e COFINS. O conteúdo do inciso II pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, referente ao frete. Assim, também por esses fundamentos, há de ser reconhecido o direito da Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS decorrentes das despesas com fretes e armazenagem na revenda de produtos , nos termos do inciso IX, do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 (COFINS). Nesse mesmo sentido, decidiu esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica das ementas dos Acordão abaixo transcritos, de relatoria dos Ilustres Conselheiros Demes Brito, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran, e, respectivamente, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA ("MONOFÁSICA"). DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a COFINS.” Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 385 10 “9303006.219 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003. 9303004.311 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11065.902184/200871 Acórdão n.º 9303007.719 CSRFT3 Fl. 386 11 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.” Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.004723/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO.
Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS.
Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
Numero da decisão: 3201-004.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 23 /2 01 0- 30 Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) amparado em crédito decorrente da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Interno, utilizado para a extinção de créditos tributários próprios por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação (DCOMPs). Reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância administrativa: Importante mencionar a existência do Mandado de Segurança de nº 500392024.2010.404.7201, impetrado pela manifestante tendo por fundamento o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para que o autoridade administrativa profira a decisão pertinente aos documentos por ela apresentados, prazo que teria transcorrido sem que a providência houvesse sido adotada, motivo com base no qual requereu a decretação, por parte do Poder Judiciário, da análise imediata da questão. Em decisão datada de 10/11/2010, (...), deuse a concessão parcial da segurança, sendo determinada a apreciação da questão no prazo de 60 (sessenta) dias. Os Pedidos de Ressarcimento a serem analisados e deliberados pela unidade jurisdicionante da pessoa jurídica, a DRF Joinvile/SC, referemse ao PIS/Pasep Mercado Interno e à Cofins Mercado Interno dos fatos geradores compreendidos entre o 3º Trimestre/2004 e o 4º Trimestre/2008, conforme a seguir detalhado: Processo Tributo PERDCOMP PA 10920.004711/201013 Cofins 17455.71035.310709.1.5.112060 3° Trimestre/2004 10920.004723/201030 PIS/Pasep 30642.26493.290709.1.5.107959 3° Trimestre/2004 10920.004710/201061 Cofins 28375.24544.310709.1.5.116324 4° Trimestre/2004 10920.004724/201084 PIS/Pasep 29897.60316.290709.1.5.104505 4° Trimestre/2004 10920.004709/201036 Cofins 15328.79211.310709.1.5.116830 1° Trimestre/2005 10920.004725/201029 PIS/Pasep 25689.76192.290709.1.5.102921 1° Trimestre/2005 10920.004708/201091 Cofins 30424.34979.310709.1.5.115072 2° Trimestre/2005 10920.004726/201073 PIS/Pasep 39774.00532.290709.1.5.100185 2° Trimestre/2005 10920.404707/201047 Cofins 23790.46725.310709.1.5.116148 3° Trimestre/2005 10920.004728/201062 PIS/Pasep 02417.08395.290709.1.5.100094 3° Trimestre/2005 10920.004706/201001 Cofins 37964.06050.310709.1.5.114270 4° Trimestre/2005 10920.004727/201018 PIS/Pasep 21861.29156.290709.1.5.106247 4° Trimestre/2005 10920.004705/201058 Cofins 06970.81145.310709.1.5.111410 1° Trimestre/2006 10920.004729/201015 PIS/Pasep 28541.03638.310709.1.5.104332 1° Trimestre/2006 10920.004716/201038 Cofins 07960.33360.310709.1.5.111850 2° Trimestre/2006 10920.004732/201021 PIS/Pasep 22249.79328.310709.1.5.107100 2° Trimestre/2006 10920.004717/201082 Cofins 19624.55898.310709.1.5.112757 3° Trimestre/2006 10920.004733/201075 PIS/Pasep 31301.78029.050308.1.1.101768 3° Trimestre/2006 10920.004718/201027 Cofins 36617.64721.060308.1.1.115747 4° Trimestre/2006 10920.004730/201031 PIS/Pasep 42697.96779.050308.1.1.108306 4° Trimestre/2006 10920.004712/201050 Cofins 15943.22182.060308.1.1.116378 1° Trimestre/2007 10920.004731/201086 PIS/Pasep 35701.48279.060308.1.1.107085 1° Trimestre/2007 10920.004715/201093 Cofins 28956.87473.060308.1.1.116300 2° Trimestre/2007 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 4 3 10920.004734/201010 PIS/Pasep 22709.19031.130308.1.1.109949 2° Trimestre/2007 10920.004714/201049 Cofins 41188.20386.060308.1.1.114335 3° Trimestre/2007 10920.004735/201064 PIS/Pasep 21497.17327.130308.1.1.102500 3° Trimestre/2007 10920.004713/201002 Cofins 19868.38705.060308.1.1.112304 4° Trimestre/2007 10920.004736/201017 PIS/Pasep 14116.48037.130308.1.1.106736 4° Trimestre/2007 10920.004719/201071 Cofins 32429.08130.130109.1.1.114306 1° Trimestre/2008 10920.004737/201053 PIS/Pasep 07150.17502.290709.1.5.102770 1° Trimestre/2008 10920.004720/201004 Cofins 39665.94856.310709.1.5.119731 2° Trimestre/2008 10920.004738/201066 PIS/Pasep 01050.62515.310709.1.1.109626 2° Trimestre/2008 10920.004721/201041 Cofins 03226.66128.310709.1.1.110966 3° Trimestre/2008 10920.0047391201042 PIS/Pasep 12003.75662.310709.1.1.100828 3° Trimestre/2008 10920.004722/201095 Cofins 39583.82165.310709.1.1.11 4456 4° Trimestre/2008 10920.004740/201077 PIS/Pasep 40010.52467.310709.1.1.100090 4° Trimestre/2008 Os créditos presentes nos Pedidos de Ressarcimento suprarrelacionados foram utilizados pela pessoa jurídica em numerosos procedimentos compensatórios, com base nos quais extinguiu créditos tributários de sua responsabilidade. Sentença datada de 14/12/2010 confirmou a liminar, na parte que determinou a apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação no prazo de 60 (sessenta) dias, e declarou o direito de a impetrante “ver aplicada correção monetária aos créditos de PIS/COFINS objeto dos referidos requerimentos, a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito na contacorrente da empresa, à variação da taxa selic”, (...). Objetivando dar cumprimento à determinação judicial, a autoridade administrativa responsável pelos trabalhos emitiu a Intimação Fiscal (...), tendo a pessoa jurídica sido instada a apresentar os balancetes mensais que contêm a demonstração das receitas e despesas declaradas nos DACONs dos períodos alcançados pela auditoria fiscal; a relação dos produtos revendidos pela sociedade cooperativa, com as respectivas classificações NCM; a relação dos clientes adquirentes dos produtos comercializados; a fundamentação legal utilizada para considerar que todas as receitas são isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; cópias de todas as faturas de energia elétrica informadas nos DACONs; cópias dos contratos e a comprovação dos pagamentos dos aluguéis de prédios locados pela pessoa jurídica, informados nos DACONs; e a cópia do contrato/estatuto social da SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS, além da documentação de identificação da pessoa natural responsável pela pessoa jurídica. (...) Concluído o procedimento fiscal, deuse a edição de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito postulado e homologou também de forma parcial as compensações manejadas pela pessoa jurídica, (...). O contribuinte considerou que todas as receitas auferidas, sejam decorrentes dos atos cooperativos, sejam da atividade com não Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 5 4 cooperados, ensejavam direito ao ressarcimento o que, segundo a autoridade fiscal, não tem cabimento. Nas palavras do AFRFB, “o contribuinte considera que tanto as exclusões da base de cálculo das contribuições como as receitas de vendas com alíquota zero configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor com outros débitos”. Ainda que o efeito sobre o valor apurado das contribuições sociais seja o mesmo, “legalmente são sujeições distintas e inconfundíveis, não se permitindo atribuir os efeitos de uma a outra, por analogia”. Discorreu, em seguida, sobre a Lei nº 5.764, de 1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas. Os atos cooperativos não são operações de compra e venda, mas atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus cooperados, voltados para seus interesses e suas necessidades como, por exemplo, a entrega da produção à cooperativa para que a comercialize em condições mais favoráveis, e o fornecimento ao cooperado de insumos adquiridos pela cooperativa em melhores condições que a compra individual. Pode, outrossim, a cooperativa atuar como uma empresa comercial qualquer, adquirindo bens de terceiros não associados e os revendendo a clientes não pertencentes ao seu quadro social. Também é possível que atue como prestadora de serviços de armazenagem e beneficiamento prestados a terceiros não associados. Tais operações devem ser contabilizadas em separado dos atos cooperativos e seu resultado deve ser oferecido à tributação. No caso fiscalizado, a pessoa jurídica exerce ambas as atividades. Pratica atos cooperativos além de comprar e vender bens e serviços a não cooperados. Em vista do disposto no art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, contabiliza separadamente as operações com terceiros, como observado nos balancetes apresentados. Assim, “às receitas decorrentes do ato cooperativo [...] aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplica se o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral)”, conforme disposto pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, medida que também é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que além da exclusão dos valores relativos aos atos cooperativos admite a exclusão adicional dos custos agregados ao produto agropecuário aos associados, quando da sua comercialização. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 6 5 A RFB editou a Instrução Normativa nº 635, de 2004, regulamentando o PIS/Pasep e a Cofins das sociedades cooperativas. O art. 11 da norma lista as exclusões e define “custos agregados ao produto agropecuário dos associados como os dispêndios pagos ou incorridos com [...] locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento [...] bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado (§ 8º). Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições”. Como verificado nos DACONs transmitidos e nas memórias de cálculo apresentadas à fiscalização, “as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da nãocumulatividade, em claro equívoco”. Ainda segundo informado nos DACONs, “não houve contribuição devida sobre receitas em nenhum mês, informação que diverge dos balancetes, onde constam PIS e COFINS devidos sobre receitas auferidas com não associados”. Decidiu então a autoridade fiscal “desconsiderar todas as informações prestadas nos DACONs e apurar os montantes de créditos passíveis de ressarcimento com base nos balancetes. Para tanto, e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperativo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados”. Sobre as despesas vinculadas aos atos com não associados calculou os créditos nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, procedendo ao rateio proporcional de acordo com a sua vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e às receitas sujeitas à alíquota zero, neste último caso passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, conforme disposto pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e 17 da Lei nº 11.033, de 2003. Apresentou, em seguida, planilhas em que segregou as receitas a partir de informações constantes dos balancetes apresentados pela cooperativa em Receitas de revenda de mercadorias (A), Receitas de vendas a não associados (B) e Receitas de serviços prestados a terceiros (C), chegando ao percentual de receita decorrente do ato cooperativo [A / (A + B +C)]) e ao percentual de receita auferida com não associados [(B + C) / (A + B + C)]. No que tange às receitas auferidas com não associados (B + C), promoveu a distinção entre receitas tributadas à alíquota normal (obtidas pela divisão dos valores de PIS/Pasep e de Cofins contabilizados pela pessoa jurídica, informados em seus balancetes, pelas alíquotas respectivas de cada uma desta Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuições = L) e as receitas sujeitas à alíquota zero [N = (B + C) – L]. Prosseguindo, aplicou sobre os valores de despesas informados nos DACONs (P) os percentuais de receita do ato cooperativo (H) e de receitas auferidas com não associados (J), obtendo o valor do Custo agregado ao produto agropecuário (Q) e a Parcela vinculada às demais receitas (R), sendo este último valor entendido como aquele passível apurar o desconto de crédito a que tem direito o contribuinte. Sobre a Parcela vinculada às demais receitas (R), tida como a base de cálculo para a apuração dos créditos, aplicou as alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep (S) e de 7,6% para a Cofins (V). Sobre estes dois últimos valores fez incidir o percentual de receita tributada à alíquota normal (M) e o percentual de receita tributada à alíquota zero (N), chegando aos valores de crédito vinculados à receita normal, não passíveis de desconto (T e X) e os valores de crédito vinculados à receita sujeita à alíquota zero, estes sim, passíveis de desconto (U e Y). Concluindo o procedimento, dos créditos considerados como passíveis de desconto deduziu os valores de PIS/Pasep e de Cofins apurados pelo contribuinte e constantes de seus balancetes chegando, finalmente, aos valores de crédito a serem reconhecidos pela autoridade fazendária competente. Registrou que a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos em cada mês não fez parte de seu trabalho, em que apenas considerou o valor constante dos balancetes de verificação disponibilizados pela interessada. Quanto ao Mandado de Segurança de nº 5003920 24.2010.404.7201, em cuja Sentença foi determinada a incidência de juros Selic a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo de um ano previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito em contacorrente da impetrante, registrou que na lista de documentos constantes da decisão além dos Pedidos de Ressarcimento existem também Declarações de Compensação (as chamadas DCOMPs) em relação às quais a decisão judicial não encontra aplicabilidade. Tendo o contribuinte optado por compensar a integralidade do crédito consignado nos Pedidos de Restituição, afirmou o representante fazendário que a requerente “já se aproveitou do crédito pleiteado muito antes do vencimento do prazo de 360 dias para apreciação do pedido”. (...) Em 01/02/2011, a sociedade cooperativa foi notificada do Despacho Decisório que reconheceu de modo parcial o crédito informado no Pedido de Ressarcimento e do Despacho da SAORT/DRF Joinvile/SC que relacionou os créditos tributários decorrentes das compensações não homologadas, (...). No dia 02/03/2011 a pessoa jurídica apresentou a sua manifestação de inconformidade, (...). Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 8 7 No entendimento da litigante, a decisão da autoridade fiscal mostrase “assaz confusa e obscura”, já que o procedimento por ela adotado, na apuração dos créditos em pauta, tem por sustentáculo o comando legal inserto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e até mesmo em ato infralegal constante do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, norma que expressamente admite a apuração de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da sociedade cooperativa e aos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da sociedade cooperativa, dentre outras possibilidades. Ao contrário do afirmado pelo Auditor Fiscal, pouco importa a discussão sobre a “exclusão ou não de crédito tributário”, já que existe norma permitindo a manutenção do crédito, como antes dito. No caso concreto, o desconto de crédito referente às despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciação e frete possui permissão legal expressa no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, como também na Lei nº 10.865, de 2004. O art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, assegura que uma vez apurado saldo credor em favor da insurgente, tal quantia poderá ser utilizada para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, procedimento por ela adotado, ou então requerido em ressarcimento. O entendimento da autoridade fiscal, atinente à desconsideração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins relacionados às despesas incorridas, na proporção dos atos cooperativos e não cooperativos, representa procedimento arbitrário pois praticado ao arrepio da lei, devendo ser corrigido pela autoridade julgadora de primeira instância. Importante observar que a decisão do Senhor AFRFB carece de fundamentação pois em nenhum momento apresentou o dispositivo legal que o levou a glosar parcialmente os créditos referentes às despesas incorridas. Sem disposição legal que impeça o desconto do crédito, este é admissível, tratandose de raciocínio decorrente do princípio de legalidade tributária (art. 150, inc. I da Constituição Federal). O ato administrativo atacado carece de motivação, o que também o fulmina de nulidade. Assegurou o agente fazendário ser de “fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica”. Todavia, deixou de esclarecer qual seria a tal da “legislação específica”. Não bastasse a ilegalidade apontada, a decisão ora contraditada atenta contra o princípio da isonomia na medida em que em situação absolutamente idêntica, tratada no processo nº 13984.001478/200919, a autoridade fazendária conferiu integralmente o crédito pleiteado pela Cooperativa Agrícola Frutas de Ouro, (...). Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 9 8 Até mesmo a DRF Joinvile, em situação absolutamente idêntica, reconheceu o direito pleiteado em decisão proferida no processo nº 10920.000414/201091, (...). Sendo a norma vinculada, deve atentar para a estrita legalidade, não sendo admitido que os agentes públicos a interpretem de forma discricionária, de modo a aplicála de modo diverso em relação a fatos absolutamente idênticos. O art. 150, inc. II da Constituição Federal representa um verdadeiro corolário do princípio constitucional da isonomia, o que veda o tratamento diferenciado para situações idênticas, como ocorre no caso presente. Demonstrado o flagrante equívoco promovido pelo AFRFB responsável pelo procedimento fiscal, pugna a requerente pela reforma da combatida decisão fiscal, determinandose a baixa dos autos em diligência a fim de que seja apurada a forma correta dos créditos referentes aos insumos adquiridos pela requerente. Também existe equívoco da autoridade fiscal, no que se reporta à determinação judicial de valoração do crédito pela taxa Selic a partir da extrapolação do prazo determinado pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2011, o que deve ser corrigido por essa instância julgadora. Em abono ao princípio da economia processual e para evitar o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, bem como para evitar julgamentos descompassados em relação a matérias pertinentes, requereu a reunião ao presente dos demais processos da requerente que dizem respeito a créditos de outros fatos geradores, assinalando a existência de provas documentais existentes no processo nº 10920.004716/201038 que devem ser consideradas em todos os demais processos. Finalizando, requereu que a presente manifestação de inconformidade seja declarada procedente, possibilitando ao contribuinte o ressarcimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins glosados, devidamente atualizados pela taxa Selic, o que redundará nas homologações das compensações vinculadas ao crédito em comento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 08036.345, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. Os créditos do PIS/Pasep apurados em relação a custos, despesas e encargos que não puderem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição social poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 10 9 ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, desde que vinculados à receita de exportação. Quanto ao saldo credor acumulado em virtude de vendas efetuadas no mercado interno, somente poderá ser utilizado em procedimento compensatório na hipótese de as vendas haverem sido efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição social em apreço, ex vi o determinado pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO DIRETA OU RATEIO PROPORCIONAL. REQUISITOS PARA ELEIÇÃO DA METODOLOGIA ADOTADA. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa do PIS/Pasep que aufira receitas no mercado interno vinculadas a operações tributadas e a operações não tributadas (sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência), no caso de existirem custos, encargos e despesas vinculados a ambas as espécies de receitas a apuração do valor do crédito passível de ressarcimento ou de compensação será determinada pelo método da apropriação direta se existir sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, adotandose o método do rateio proporcional, em caso contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a cooperativa reforça os argumentos de defesa. Circunscreve o litígio assim: “Cumpre lembrar que a presente discussão se circunscreve basicamente ao aproveitamento de créditos alusivos à energia elétrica, alugueis, armazenagem e fretes que, no entendimento da fiscalização, somente poderiam ter sido aproveitados de forma proporcional às vendas realizadas para terceiros à alíquota zero.” Deixa de argumentar quanto à atualização dos créditos. É o relatório. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.507, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 10920.004705/201058, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.507): "O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente é cooperativa de produção agrícola, tendo efetuado atividades com cooperados e não cooperados. Pede ressarcimento das contribuições que restaram com saldos credores ao final do trimestre. Remanescem no Recurso Voluntário duas matérias em litígio: 1 – Direito de crédito sobre os custos e despesas vinculados à parcela das receitas excluída da base de cálculo das cooperativas de produção, conforme art. 15 da MP 2.15835/2001 e artigo 17 da Lei 10.684/2003 O Fisco glosou os créditos incidentes sobre a parcela dos custos, despesas e outros dispêndios, proporcionais à parcela das receitas que foram excluídas da base de cálculo da cooperativa, excluídas por comando do artigo 15 da MP 2.15835/2001, e artigo 17 da Lei 10.684/2003. Transcrevo trechos do Despacho Decisório pertinentes ao exame em foco (fl. 135 e seguintes “...é de fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplicase o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral), nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001: (...) A Lei nº 10.684/2003 também traz hipótese de exclusão [art. 17]: (...) Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 12 11 Segundo as informações das fichas de apuração dos créditos dos DACONS e as memórias de cálculo entregues em meio digital, as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da não cumulatividade, em claro equívoco. (...) Para tanto [calcular os créditos passíveis de ressarcimento], e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperatibvo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados (§§7º e 8º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também rateados proporcionalmente de acrodo com a vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e a vinculação à receitas sujeitas à alíquota zero, este último passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, nos termos dos artigos 16 da Lei nº 11.116/2005 e 17 da Lei nº 11.033/2003:” A glosa é correta. Os dispêndios relatados, energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete, encontram previsão legal de direito de crédito, para as pessoas jurídicas em geral, nos termos do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso de regimes tributários diferenciados, convivendo dentro de uma mesma pessoa jurídica, os créditos somente podem ser apropriados quando vinculados ao regime não cumulativo, nos termos do §7º do mesmo artigo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 13 12 autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. O art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às receitas e despesas adstritas ao regime não cumulativo das contribuições, o que não é o caso das receitas e despesas vinculadas aos atos cooperativos. 2 – Direito de ressarcimento total dos créditos, sem limitação à proporcionalidade com as receitas exportadas, ou vendidas no mercado interno com isenção, alíquota zero ou não incidência. A recorrente pretende o ressarcimento integral, com compensação, dos créditos apurados. Regra geral, em operações normais, nunca haveria saldos credores de Pis e Cofins não cumulativos, pois cada operação comercial agrega valor aos produtos, e portanto, a saída tem valor maior que a entrada, resultaNdo em saldos devedores de tributos não cumulativos. Desse modo, a lógica básica dos tributos não cumulativos é que se compensem créditos, da entrada, e débitos, na saída, e recolhase a diferença, via de regra, maior. Todavia, há casos em que determinadas operações são tributariamente incentivadas, com isenções, alíquota zero, ou não incidência. Nesses casos, a operação resultará, eventualmente, em saldos credores de tributos, posto que aproveitam créditos na entrada e não incidem débitos na saída. Assim, os benefícios permaneceriam sem utilidade se não pudessem ser ressarcidos em dinheiro, porque não teriam débitos para compensar. O ressarcimento em dinheiro pode, ainda, ser compensado com outros tributos diferentes, tal como organiza toda a legislação pertinente, em especial o artigo 74 da Lei 9.430/96. Desse modo, o ressarcimento é exceção à regra geral, e deve ser expressamente previsto na legislação para que possa ser aplicado. A referência que a recorrente faz às MP´s 552/2012 e 556/2012 não têm pertinência ao caso, pois tratase de permissão de ressarcimento de créditos presumidos, desonerados à saída, por exportação, isenção, não tributação ou alíquota zero. Aqui, se nega o ressarcimento a créditos vinculados a saídas tributadas com alíquotas positivas. Portanto, os dispêndios vinculados aos atos não cooperativos geram crédito, porém as receitas tributadas a alíquotas positivas não se subsumem ao disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004, e os créditos vinculados a essas receitas tributadas com alíquotas positivas somente podem ser compensados com eventuais débitos da mesma contribuição, apurados pela cooperativa, no próprio mês ou em meses subsequentes, conforme artigo 3º, §4º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e não podem ser ressarcidos ou compensados com outros tributos. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10920.004723/201030 Acórdão n.º 3201004.525 S3C2T1 Fl. 14 13 Conclusão Pelo exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904487/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 23/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 23/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 87 /2 00 8- 14 Fl. 148DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado. Voto Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904487/200814 Acórdão n.º 2201004.880 S2C2T1 Fl. 127 3 Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Fl. 150DF CARF MF 4 Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.909634/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. DIPJ. REGIME DE APURAÇÃO DISTINTOS.
Verificado que a diferença de regimes de apuração de IRPJ e CSLL informados no PER/DCOMP e na DIPJ se deu por erro do contribuinte, sanado através da manifestação de inconformidade, deve a unidade de origem verificar a substância do crédito.
Numero da decisão: 1301-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar os óbices contidos no despacho decisório original e decisão de primeira instância em face da comprovação de erro no preenchimento do PER/DCOMP e a impossibilidade de transmiti-lo pelas vias usuais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. DIPJ. REGIME DE APURAÇÃO DISTINTOS. Verificado que a diferença de regimes de apuração de IRPJ e CSLL informados no PER/DCOMP e na DIPJ se deu por erro do contribuinte, sanado através da manifestação de inconformidade, deve a unidade de origem verificar a substância do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar os óbices contidos no despacho decisório original e decisão de primeira instância em face da comprovação de erro no preenchimento do PER/DCOMP e a impossibilidade de transmiti-lo pelas vias usuais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. DIPJ. REGIME DE APURAÇÃO DISTINTOS. Verificado que a diferença de regimes de apuração de IRPJ e CSLL informados no PER/DCOMP e na DIPJ se deu por erro do contribuinte, sanado através da manifestação de inconformidade, deve a unidade de origem verificar a substância do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar os óbices contidos no despacho decisório original e decisão de primeira instância em face da comprovação de erro no preenchimento do PER/DCOMP e a impossibilidade de transmitilo pelas vias usuais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 96 34 /2 00 8- 08 Fl. 266DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo originado de Despacho Decisório emitido em 12/08/2008, não homologando a compensação declarada pelo Contribuinte na DCOMP de fls. 01/05, por meio da qual se indicou: I) crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, no valor de R$ 18.414,28, da sucedida de CNPJ 00.413.450/000106, formado por retenções na fonte de código 1708 discriminadas as fls. 03, e II) débito da declarante de IRRF código 1708 do período de apuração maio/2007, vencimento 08/06/2007, no valor de R$ 25.094,98, conforme resumido na tabela abaixo: Entretanto, constatada a divergência entre a DIPJ e a DCOMP quanto a periodicidade de apuração do lucro real, foi emitido Despacho Decisório de não homologação da compensação nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração de saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que a forma de apuração do lucro real indicada no PER/DCOMP difere da informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. CNPJ do detentor do crédito: 00.413.450/000106 Forma de apuração no PER/DCOMP: ANUAL Forma de apuração na DIPJ: TRIMESTRAL Valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 18.414,28 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada PER/DCOMP acima identificado. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo que: "Reconhece o contribuinte que por um equivoco seu preencheu a Perd/Comp incorretamente o campo "período de apuração" como sendo Anual enquanto que o correto seria período de apuração "TRIMESTRAL. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13896.909634/200808 Acórdão n.º 1301003.690 S1C3T1 Fl. 3 3 Informa ainda que tentou enviar PERD/COMP retificadora, mas, que foi impossibilitado, pois, consta ainda como irregular a INCORPORAÇÃO efetuada em 01/08/2005 e registrada na JUCESP em: 30/08/2005, vide comprovante em anexo. Junta aos autos a DCOMP retificadora, não transmitida, em que é indicado como crédito o saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre/2004, requerendo que seja mantida a compensação efetuada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se acata a alegação de erro na indicação do . período do crédito, de anual para trimestral, se na composição do saldo negativo na DCOMP são indicadas retenções na fonte concernentes a todo o anocalendário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. CRÉDITO DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. INCORPORAÇÃO. Embora a ocorrência de incorporação implique a extinção da empresa incorporada e sua absorção por outra que lhe sucede em todos os direitos e obrigações, a ausência de baixa da pessoa jurídica incorporada no cadastro CNPJ, onde permanece ativa, e a prática de atos em seu próprio nome, posteriormente ao evento de incorporação, entre os quais consta, inclusive, a apresentação de DCOMP em nome próprio, além da apresentação de DIRF por fontes pagadoras por prestação de serviços após a incorporação, constituem prejudiciais para a admissibilidade da utilização, pela Manifestante, de crédito da sucedida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando não reconhecido como passível de utilização o crédito informado na respectiva declaração. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo: I) Que incorporou a sociedade Laboratório Pasteur Patologia Clínica Ltda em sessão de 17/08/2005 (Registro nº 238.442/056). Fl. 268DF CARF MF 4 II) Que a incorporada apurava IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Real Trimestral, de modo que ao final do anocalendário de 2004, apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 18.414,28. III) Em razão do não aproveitamento do crédito pela incorporada, a incorporadora passou a ser titular dele, razão pela qual apresentou PER/DCOMP informando tal valor para compensação, bem como de valores relativos a IRRF relativos a serviços tomados junto a pessoas jurídicas. IV) O fundamento do despacho decisório foi a discrepância entre a DIPJ, que apontava sistemática de apuração trimestral, e a DCOMP, que indicou o regime anual, os quais foram esclarecidos e retificados. V) Alega que a DRF não analisou a documentação disponível, incorrendo em ofensa à verdade material. VI) Informa que em 29/09/2005, a incorporada apresentou a DIPJ relativa ao período de 01/01/2005 a 01/08/2005, em razão da incorporação, atendendo ao art. 220, §1º do RIR. VII) Que a DRJ desconsiderou a incorporação apenas pelo fato de que algumas fontes pagadores continuaram declaração pagamentos e retenções vinculadas ao CNPJ da incorporada, após a data da incorporação, e explica que isso foi um erro cometido pelos tomadores de serviços. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Tecnicamente falando, o cerne da discussão consistia na incompatibilidade verificada entre o regime de apuração do tributo informado na DIPJ (trimestral) e no PER/DCOMP (anual), razão pela qual a compensação não foi homologada pelo despacho eletrônico atacado. O Recorrente, a meu ver, logrou comprovar de forma inequívoca que houve, efetivamente, um equívoco no preenchimento da PER/DCOMP o que não quer dizer, de forma alguma, que o contribuinte faz jus ao crédito que pleiteia. Explico: Da documentação acostada aos autos, verificase que a DCOMP retificadora indica que o regime de apuração é trimestral, compatibilizandose com o que consta na DIPJ e, assim, superando o óbice que foi verificado no despacho decisório. A não transmissão da DCOMP retificadora se deu em razão de não constar no cadastro da RFB informação da sucessão entre a incorporadora e a incorporada, conforme tela juntada aos autos: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13896.909634/200808 Acórdão n.º 1301003.690 S1C3T1 Fl. 4 5 A despeito disto, verifico que os procedimentos societários relativos à operação foram realizados, com o registro da ata de assembléia extraordinária que deliberou sobre isto, bem como se verifica que na data da incorporação foi feita a apuração do IRPJ e CSLL, pela incorporada, nos termos do art .220, §1º do RIR/99, como reconhecido pela própria DRJ: Pois bem, diante deste quadro probatório, entendo que a Recorrente faz jus à análise da substância do seu crédito, à luz dos esclarecimentos realizados, devendo o processo ser remetido à unidade de origem para tanto. A DRJ, em verdadeiro trabalho investigativo, em muito inovou quanto ao fundamento do despacho decisório, alegando que o CNPJ da incorporada permaneceria ativo, inexistindo registro de sua incorporação pela Recorrente (informação esta que parece ser contraditória em relação à DIPJ nº 1275951 e aos atos societários da Recorrente). Além disso, verificou que a incorporada teria protocolizado processo nº 37166.001055/200577, com base em pedido de restituição transmitido em 19/10/2005, e, por fim, que para os anoscalendários 20062010 foram registrados pagamentos e retenções na fonte para o CNPJ da incorporada, mesmo após a incorporação (fato este apontado pelo Recorrente como erro por parte dos tomadores de serviço). Por fim, a DRJ entra na própria apuração do crédito pleiteado pelo Recorrente, matéria que foge à sua competência, razão pela qual não nos manifestaremos sobre esse ponto. Como se verifica, a DRJ transbordou, e muito, da matéria que estava sendo controvertida, enquanto fundamento da não homologação da DCOMP, trazendo novos documentos e novos fundamentos contrários ao pleito do contribuinte os quais não podem ser considerados, por não estarem abrangidos pelo despacho contestado. Desse modo, comprovado pelo Recorrente o erro no preenchimento do PER/DCOMP, e a impossibilidade de transmitilo pelas vias usuais, voto por dar provimento Fl. 270DF CARF MF 6 parcial ao Recurso Voluntário, reformando o despacho decisório para que o crédito pleiteado seja verificado à luz do pedido retificado. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721309/2017-97
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 13 09 /2 01 7- 97 Fl. 57DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, onde foram constatadas as seguintes irregularidades, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação do efetivo pagamento no valor de R$12.819,16 dedução indevida com dependentes e dedução indevida com instrução. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação juntando diversos documentos para comprovar o pagamento das despesas médicas utilizadas como deduções na sua declaração do IR bem como dedução com dependentes. Demonstra concordar com a glosa das despesas com instrução e com a glosa da dependente Natiely Vitória Gonçalves dos Santos. Estas glosas, pois, restaram incontroversas. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: com relação a despesa com dependentes, a parte relativa à Evanusia dos Santos, o interessado logrou comprovar a relação de dependência, conforme certidão de casamento de fl. 16. No entanto, vale destacar que o valor de R$ 4.235,45, a título de pensão em favor de Myllena Conceição dos Santos, não foi glosado pela fiscalização. Todavia, não há como deduzir como dependente a pessoa beneficiária de pensão alimentícia judicial, devendo, então, ser mantida a glosa. Já com relação às despesas médicas, de acordo com o documento de fl. 15, restou provada a despesa com a Amil e Bradesco Saúde. Apenas resta a controvérsia, pois, com relação à despesa com a Unimed, no valor de R$ 3.183,94 Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação do pagamento, quando se apresenta documentação completos com todas as informações exigidas em lei. Junta documento/declaração emitido pela própria Unimed com o detalhamento da despesa utilizada por ele, referente a sua dependente Evanusia dos Santos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10510.721309/201797 Acórdão n.º 2001001.055 S2C0T1 Fl. 3 3 Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos completos, contendo todas as informações da prestação do serviço, além de ter juntado declarações emitidas e assinadas pelo profissionais e planos de saúde, confirmando a prestação do serviço médico e o valor total recebido. Ou seja, apresenta todos os meios de prova que lhe são possíveis para demonstrar a efetividade das despesas além da sua evidente boa fé. No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal ficou com dúvidas acerca da dedutibilidade de tal despesa pelo motivo exposto. No entanto o contribuinte, ora Recorrente, demonstrou boa fé e disponibilidade para esclarecer as duvidas e comprovar a existência das despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a Fl. 59DF CARF MF 4 administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental do Recorrente, bem como sua postura colaborativa e visivelmente de boa fé, entendo, que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para ser acatada a única despesa médica que ainda restou controversa, qual seja, a despesa com plano de saúde, junto a Unimed Sergipe, no valor de R$3.183,94. CONCLUSÃO: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10510.721309/201797 Acórdão n.º 2001001.055 S2C0T1 Fl. 4 5 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a despesa médica acima mencionada. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 61DF CARF MF
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