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Numero do processo: 13660.000163/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nesse caso, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
Hipótese em que o recorrente não teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nesse caso, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Hipótese em que o recorrente não teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13660.000163/200745 Acórdão n.º 2101001.317 S2C1T1 Fl. 98 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 7, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para glosar dedução indevida de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$4.950,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, trazendo cópias dos recibos médicos e declaração da prestadora de serviços atestando o beneficiário do tratamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 66 a 68): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Não supridas na fase impugnatória as falhas apontadas nos recibos apresentados, é de se manter a glosa efetuada pela fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 101DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13660.000163/200745 Acórdão n.º 2101001.317 S2C1T1 Fl. 99 3 O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira (fl. 68): No presente caso, a glosa efetuada pelo fiscal autuante foi motivada pela ausência nos recibos de quem efetuou os pagamentos das despesas odontológicas pleiteadas e de quem foi o beneficiário do serviços. Os documentos anexados pelo contribuinte na fase impugnatória, com o objetivo de amparar o seu pedido, são os mesmos recibos trazidos anteriormente, preenchidos a posteriori com o nome completo do contribuinte (fls. 08 a 18 e 43 a 47). Nesse aspecto, é de se ressaltar que o correto seria a emissão de segunda via dos recibos ou declaração da odontóloga informando quem efetuou os pagamentos referentes às despesas com tratamento dentário glosadas. A declaração firmada por Claudia Luiza da Luz Papaleo apenas atesta que o beneficiário dos serviços de odontologia foi o ora defendente, sem citar o ano calendário a que se refere. Também isso não socorre o interessado, pois se trata de declaração incompleta da prestadora de serviços, que não supre as falhas apontadas nos recibos pela fiscalização. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 13/10/2009 (fl. 71), o contribuinte apresentou, em 12/11/2009, o recurso de fls. 76 a 87, onde: a) afirma que os documentos já apresentados atendem aos requisitos da legislação; b) assevera que não possui filhos ou dependentes, não havendo dúvidas de que ele foi o beneficiário do tratamento; c) acosta aos autos nova declaração, na qual consta que a profissional Cláudia Luiza Papaléo recebeu do contribuinte os valores apresentados e que lastrearam os descontos devidos por ocasião da declaração anual, informando valores, data e a quem se destinou o tratamento. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 95, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 96, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13660.000163/200745 Acórdão n.º 2101001.317 S2C1T1 Fl. 100 4 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte deduziu, em sua declaração de ajuste do exercício de 2003, despesas médicas de R$ 23.009,80, mas a autuação se deu apenas com relação ao pagamento de R$ 18.000,00, feito à Claudia Luiza da Luz Papaleo, CPF no 920.154.09734 (fls. 52 a 54). Isso porque, após intimado a comprovar suas despesas médicas (fl. 27), o fiscalizado apresentou os recibos de fls. 32 a 39, onde não se especificava o paciente e a data, e muitos não indicavam o tratamento realizado. Observese que a fiscalização teve o cuidado de intimar a profissional por duas vezes (fls. 42 a 49), onde solicitou cópias autenticadas dos prontuários, relatórios, fichas, controles, resultados de exames e outros, que discriminassem o(s) nome(s) do(s) paciente(s) a quem os serviços profissionais foram prestados, com seus respectivos valores separadamente, quais os tipos de serviços prestados, quais as formas de pagamentos efetuados (cheque ou dinheiro). Entretanto, as intimações não foram respondidas. Nesse sentido, o auto de infração fez constar que a glosa da dedução se deu por falta de identificação nos documentos de quem teria efetuado os pagamentos e do beneficiários dos serviços prestados. Na impugnação, foram apresentados os mesmos recibos, agora com o nome do contribuinte e a data do pagamento e informando se tratar de tratamento dentário (fls. 8 a 18), bem como declaração da profissional confirmando a prestação do serviço no recorrente. O julgador a quo não admitiu a comprovação, porque os documentos anexados eram os mesmos recibos trazidos anteriormente, preenchidos a posteriori com o nome completo do contribuinte, quando o correto seria a emissão de segunda via dos recibos ou declaração da odontóloga informando quem efetuou os pagamentos referentes às despesas com tratamento dentário glosadas, e porque a declaração firmada pela odontóloga apenas atestava que o beneficiário dos serviços era o defendente, sem citar o anocalendário a que se referia, tratandose, pois, de declaração incompleta da prestadora de serviços, que não supria as falhas apontadas nos recibos pela fiscalização. No voluntário, o recorrente traz nova declaração da profissional que afirma que recebeu R$18.000,00 do contribuinte, referentes a tratamento dentário nele efetuado, especificando o valor e data de cada pagamento (fls. 81). Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13660.000163/200745 Acórdão n.º 2101001.317 S2C1T1 Fl. 101 5 Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. O problema consiste em saber até que ponto são razoáveis as exigências da autoridade fiscal para comprovação das despesas médicas. Em muitos casos, a fiscalização termina por demandar a apresentação de pagamento diretamente correlacionado com débito, como cheque utilizado para liquidar a despesa, ou saque de valor exato na mesma data. Mas os Fl. 104DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13660.000163/200745 Acórdão n.º 2101001.317 S2C1T1 Fl. 102 6 contribuintes replicam que ninguém é obrigado a pagar suas despesas com cheques nem efetuar saques individuais para cada dispêndio. Penso que a dificuldade já surge quando da informação das despesas na declaração de ajuste. A cada ano, as indicações da Receita Federal são pela possibilidade de comprovação das despesas médicas mediante recibos. A título de exemplo, transcrevo orientações contidas no Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2005, pergunta 337: A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admitese que, na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. Assim, a própria Receita Federal orienta que a comprovação, se necessária, pode ser feita com a apresentação de recibo ou nota fiscal originais, podendo ser dar, caso o contribuinte não tenha esse documento, com a apresentação de cheque nominativo. Observese que a opção do cheque nominativo é dada a favor do contribuinte, nos casos em que o profissional se recuse a dar recibo. Verifiquei que essa orientação foi repetida em todos os Perguntas em Respostas dos exercícios seguintes. Apenas no documento do exercício de 2011 foi acrescentada a seguinte informação: Conforme previsto no art. 73 do RIR/1999, a juízo da autoridade fiscal, todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação da despesa médica. Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13660.000163/200745 Acórdão n.º 2101001.317 S2C1T1 Fl. 103 7 Mas penso que a fiscalização deve demonstrar criteriosamente porque não aceitou a comprovação mediante recibo que atenda às características da legislação. Somente com a análise das exigências fiscais, bem como das respostas do contribuinte, será possível se concluir pela procedência, ou não, das glosas efetuadas. No caso em tela, verifico que a autoridade fiscal glosou corretamente as despesas odontológicas, porque, além de serem de valor elevado, foram comprovadas com recibos que não atendiam aos requisitos da legislação, além da profissional não ter atendido às intimações para prestar esclarecimentos. No estado do processo, apesar dos documentos trazidos aos autos superarem formalmente os óbices levantados na autuação, pois agora especificam o pagador e beneficiário, penso que ainda remanescem dúvidas sobre a efetividade do serviço. Isso porque, apesar das intimações específicas, não foram sido trazidos aos autos comprovantes da efetiva realização do serviço odontológicos, como prontuários, exames, orçamentos, ou qualquer outro meio de prova que descrevessem melhor tratamento dentário de valor expressivo. Acrescentese que o valor glosado de R$18.000,00 é significativo em relação aos rendimentos tributáveis declarados de R$ 85.417,13 (fl. 52). Diante do exposto, considero que o recorrente não teve sucesso em comprovar seu direito à dedução, pelo que voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 106DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.922714/2009-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA
DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à
comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro
de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos
termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3403-001.181
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA, que manteve o despacho decisório da DRF de origem o qual não reconheceu o direito de crédito pleiteado, e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada O Despacho Decisório nº. 842610251, fls. 5, indeferiu o pedido formulado no PER/DCOMP nº 06324.16599.260506.1.3.047535, em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório. Transcrevo a seguir trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 38: (...) A interessada defende a existência do indébito afirmando que estaria errado o valor inicialmente informado em DCTF, causando o indeferimento da compensação e o lançamento de ofício. Anexa DCTF retificadora entregue em data posterior à ciência do Despacho Decisório, a qual corrigiria o equívoco. Então, após solicitar a suspensão da exigibilidade tributária, requer o cancelamento do Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação e a validade da compensação, com a extinção da exigência de ofício. A 2ª Turma da DRJ/POA, no Acórdão nº 1027.233 de 2 de setembro de 2010, fls.38/39, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Cientificada da decisão em 01/03/2011, recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/03/2011, requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado e as respectivas compensações alegando que sendo pessoa jurídica de direito privado cujo objeto social consiste no comércio, por atacado e varejo, de peças e acessórios para veículos em geral, suas receitas restaram tributadas pela COFINS até a entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002. Com o advento da entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002, mais precisamente dos efeitos normativos contidos no artigo 3 o e seu §2°, as receitas auferidas pela Recorrente, decorrentes da venda no atacado e no varejo de peças e acessórios de veículos, restou sujeita à alíquota Fl. 73DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922714/200991 Acórdão n.º 3403001.181 S3C4T3 Fl. 73 3 zero. Referida redução passou a ocorrer da partir do mês de novembro de 2002. Contudo, por lapso deixou de excluir do cálculo dessa exação as receitas da vendas dessa atividade, o que resultou em pagamento a maior do PIS e de Cofins. Aduz que carecem de juridicidade a decisão recorrida. Assim, impera a reforma julgado de primeira instância posto que desconsiderou a prova através do único documento válido a ser anexado pela recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade,o qual consiste justamente na DCTF retificadora. Ao final pede que: seja recebido esse recurso voluntário; reforma da decisão recorrida, reconhecendo ao fim a compensação procedida; caso entenda essa Colenda Câmara Recursal necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadoras, e a considerar os documentos que a Recorrente protesta pela juntada em trinta dias, que se determine a baixa dos autos à instância originária para fins de diligências, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, para aferição dos créditos declarados/compensados nas PER/DCOMP; seja realizados o julgamento do presente recursos voluntário em conjunto outros processos, conforme especificados na peça recursal. Para fortalecer seus argumentos traz decisões do STJ e do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Ademais, a realização de diligência, conforme prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, não tem por objetivo suprir procedimento que é encargo das partes. No presente caso, o ônus de provar o fato constitutivo do direito creditório que alega ter é da recorrente. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Não cabe ao julgador substituir os interessados na produção de provas. A inércia da recorrente não pode ser suprida por diligência. Como em qualquer relação jurídica e na relação jurídica tributária não poderia ser diferente, quem alega um fato deve proválo. A Recorrente deveria ter trazido as provas junto com a manifestação de inconformidade. Por essas razões, não acolho o pedido de diligência. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Quanto às decisões administrativas e judiciais trazidas aos autos não podemos negar que os precedentes tem força persuasiva, contudo não tem força vinculantes. No tocante às decisões administrativas, mesmo que o Primeiro Conselho de Contribuintes (atual 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, não vinculam os demais julgadores desse Colegiado, estes podem ter entendimento diferente. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. No tocante às decisões judiciais, observese o disposto nos artigos 102, § 2°, e 103A da Constituição da República (CR/1988), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CR/1988 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e nas ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que as atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes e os julgados em sede de ADI e ADC deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Na espécie, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Data vênia ao entendimento dos Tribunais Superiores, este não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, salvo na hipótese dos artigos 102 (§2º) e 103A da CR/1988, o que não ocorreu na espécie. Conforme relatado, o litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente a suposto pagamento a maior de Cofins. O pedido foi indeferido sob a justificativa de que o referido pagamento encontrase “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Como se vê dos autos, às fls. 44/45, a Recorrente, após ciência do decisório do despacho que não homologou a compensação pretendida, alegando erro no valor declarado na DCTF de pronto providencia a sua retificação, entendendo que essa retificação corrigiria o Fl. 75DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922714/200991 Acórdão n.º 3403001.181 S3C4T3 Fl. 74 5 equívoco e exsurgiria o direito creditório alegado. Entretanto, não instrui sua manifestação de inconformidade com documentos que contábil e/ou fiscal que respaldasse sua alegação. A autoridade julgadora de primeira instância em seu voto condutor assim fundamentou as razões que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não merecendo retoque: Por sua vez, o art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/93) Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: " Art. 333 — O ônus da prova incumbe: I—ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar o indébito alegado. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Como se vê do voto condutor, a autoridade julgadora de primeira instância deixou claro o que deveria comprovar o indébito alegado. Entretanto, aqui também, quanto na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente não traz aos autos nenhum documento contábil e/ou fiscal para comprovar o valor do pagamento a maior. Solicita, caso essa Colenda Câmara Recursal entenda necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadora, pela juntada de prova no prazo de 30 (trinta) dias. De acordo com os autos, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/03/2011, passado esse período, não consta nos autos, ora examinado, tenha a Recorrente apresentado provas para comprovar o direito alegado, até o presente momento. Contrário ao entendimento da recorrente, a declaração retificadora não era um único documento válido a ser anexado a Manifestação de Inconformidade. Impende esclarecer que a DCTF retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações prestadas pela contribuinte existentes à época do despacho decisório. Assim, para comprovar a certeza e liquidez, deveria a Recorrente além de ter retificado a DCTF, ter instruído também a Manifestação de Inconformidade com documentos contábeis e /ou fiscais que comprovassem o quantum recolhido indevidamente É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que alega ter. O ônus da prova em nosso ordenamento jurídico é regulado pelo art. 333, I, do Código de Processo Civil. Em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é quando da interposição da manifestação de inconformidade, arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ou ainda, junto com o recurso voluntário com base na flexibilidade que o art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999 deu as regras da preclusão administrativa estabelecidas no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Trago à colação ensinamento do doutrinador Humberto Teodoro Júnior, apresentado em julgado anterior sobre a comprovação dos fatos alegados como condicionante de sua existência: Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Vejo que a compensação tributária na forma pretendida pela recorrente, não pode ser implementada porque continua faltando a liquidez e a certeza dos créditos apontados como pagamento indevido. Com essa considerações, não tendo a recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, apresentado os documentos hábeis à comprovação do valor recolhido indevidamente, não é possível aferir a certeza e da liquidez do indébito, que são requisitos legais indispensáveis à compensação tributária exigidos pelo art. 170 do CTN. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922714/200991 Acórdão n.º 3403001.181 S3C4T3 Fl. 75 7 Ante o exposto, voto no sentido de não acolher o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 78DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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Numero do processo: 10950.002305/2005-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela internet.
Numero da decisão: 9101-000.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz que negava provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10950.002305/2005-93 Recurso n° Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00925 — ia Turma Sessão de 29 de março de 2011 Matéria DCTF. Multa por atraso. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LBC EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela internet. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz que negava provimento ao recurso. aio Marcos Cândido Presidente Viviane Vidal Wagner - Relatora 1 0 M At 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/05/2005 DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Tendo em vista o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4°. Trimestre de 2004, declarando válidas as declarações entregues até 18/02/2005, e, considerando que a publicidade do ato somente ocorreu no dia 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF no dia 24/02/2005. 0 Auto de Infração eletrônico foi lavrado para a cobrança de multa referente ao atraso na entrega de DCTF do quarto trimestre de 2004, lançada pelo seu valor minim. A câmara a quo deu provimento ao recurso voluntário por entender que a eficácia do ato do Poder Público depende de sua publicidade, reconhecendo a entrega tempestiva da mesma. Inconformada, a Fazenda Nacional, interpôs o presente recurso especial de divergência, apresentando paradigma que decidiu em sentido contrário, in verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTA RIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.POSSIBILIDADE. 0 atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. Em contrarrazões, o contribuinte defende o não conhecimento do recurso por falta de identidade fática com o paradigma apresentado e, no mérito, sustenta a manutenção do acórdão recorrido. E o relatório. Processo n° 10950.002305/2005-93 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00925 Fl. 2 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora Conheço do recurso por verificar a identidade atica entre o acórdão recorrido e o paradigma, visto que ambos referem-se h. entrega de DCTF algum tempo após o prazo prorrogado, sem demonstrar nos autos que tivesse havido obstrução à entrega. A discussão cinge-se à validade ou não do auto de infração de imposição de multa por atraso na entrega de DCTF entregue após a data da prorrogação definida no Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 8 de abril de 2005, que estabeleceu, ipsis litteris: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 40 trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. 0 voto condutor do acórdão recorrido sustenta que, em razão da publicidade do ato ter se dado apenas com a publicação no Diário Oficial da Unido em 12.04.2005, devem ser consideradas tempestivas as entregas de DCTF, relativas ao 4° trimestre de 2004, efetuadas até essa data. Esse argumento, no meu entender, não merece prosperar. Como já decidiu esta colenda Primeira Turma da CSRF na sessão de fevereiro de 2011, a prorrogação do prazo da entrega da DCTF do 4° trimestre de 2004 não teve força de torná-lo indefinido. Posso acrescentar: ainda que a publicação do ato tenha se dado quase dois meses após o ocorrido, não se subsume do ato o alargamento do prazo até a data da sua publicação. A Secretaria da Receita Federal é o órgão competente para estabelecer o prazo de entrega da DCTF, conforme dispõe a Lei n° 10.426, de 2002, que alterou a sistemática de apuração da multa devida pelo atraso na entrega de declarações, in verbis: Art. 7°O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirfi, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á ás seguintes multas: [...] (destaquei) 3 De acordo com o disposto no art. 3 0 da IN SRF no 395, de 5 de fevereiro de 2004, o Ultimo dia para entrega (tempestiva) da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004 seria 15.02.2005, verbis: "Art. 32 A DCTF deve ser apresentada, trimestralmente, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre-calendário de ocorrência dos fatos geradores." A regra geral no ordenamento jurídico brasileiro é que, na impossibilidade material de cumprimento do prazo na data fatal, prorroga-se o mesmo para o primeiro dia útil seguinte. No caso sob análise, o contribuinte ficou impossibilitado de entregar a DCTF do 40 trimestre de 2004 dentro do prazo previsto na legislação, assim como os demais que deixaram para cumprir a obrigação acessória no último dia do prazo, em razão de problemas técnicos no sistema eletrônico disponível para a transmissão de declarações. O próprio órgão competente reconheceu o problema e considerou entregues no prazo as declarações enviadas pela interne não apenas no dia seguinte h. data fatal, mas até o dia 18 de fevereiro de 2005, resguardando o direito daqueles contribuintes que insistiram na entrega logo após a pane. Sendo ônus do contribuinte, não restou demonstrado nos autos a impossibilidade de entrega nos dias subsequentes. Por dedução lógica, tal prova nem seria possível, visto que a maioria dos contribuintes em idêntica situação conseguiu apresentar a declaração naquele período e ficou exonerada da multa. No caso dos autos, apenas vários dias após o fim do prazo original, o contribuinte enviou sua declaração pela internet, extrapolando o prazo prorrogado pelo ADE SRF no 2412005. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Viviane Vidal Wagner 4
score : 1.0
Numero do processo: 36624.009125/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificando-se
o resultado levado a efeito por ocasião do julgamento.
Numero da decisão: 2401-001.995
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão nº 240101.441,
passando a: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se calcule a multa mais benéfica pela comparação do valor fixado no AI, com a aplicação conjunta dos artigos 32A
(omissão sem lançamento da obrigação principal) e 35A
(omissão com lançamento da obrigação principal), ambos da Lei n.º 8.212/1991.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificando-se o resultado levado a efeito por ocasião do julgamento.
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, rerratificandose o resultado levado a efeito por ocasião do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão n..º 240101.441, passando a: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que se calcule a multa mais benéfica pela comparação do valor fixado no AI, com a aplicação conjunta dos artigos 32A (omissão sem lançamento da obrigação principal) e 35A (omissão com lançamento da obrigação principal), ambos da Lei n.º 8.212/1991. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 719DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 720DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36624.009125/200617 Acórdão n.º 240101.995 S2C4T1 Fl. 720 3 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, fls. 712, apresentados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária, desafiando o Acórdão n.º 2401 01.441 de Lavra da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF. No decisum embargado, decidiuse: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata. Como se vê, tratase de Auto de Infração – AI decorrente de falta de declaração de fatos geradores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social –GFIP. Aponta o órgão responsável pelo cumprimento do acórdão que haveria omissão no mesmo em razão de ter sido citada como norma para cálculo da penalidade mais benéfica apenas o inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, deixandose de mencionar o art. 32 A da Lei n.º 8.212/1991. Entendeu aquela Delegacia da RFB que na espécie, por haver NFLD conexa, deverseia aplicar conjuntamente os dois dispositivos citados. Apresenta planilha contendo os cálculos da penalidade mais benéfica. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Verifico que merece análise a questão da possível omissão do voto condutor do acórdão embargado em tratar com inteireza das normas aplicáveis na fixação do valor da penalidade mais benéfica. Esse fato levame a reconhecer que os embargos são cabíveis, nos termos do art. 65: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. É cediço que a autorização para que os Delegados da Receita Federal interponham embargos de declaração dos acórdãos do CARF é dado pelo art. 65, § 1.º, inciso V, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009. Merecem, portanto, conhecimento os embargos, por estarem presentes os requisitos regimentais de admissibilidade. Mérito Para análise dos embargos é de se fazer uma retrospectiva dos dispositivos legais que tratam da questão. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n.º 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 722DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36624.009125/200617 Acórdão n.º 240101.995 S2C4T1 Fl. 721 5 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído para exigência da obrigação principal. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa do tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. No caso sob análise, verifico que a NFLD n.º 35.842.8580 foi declarada procedente, em sessão realizada nessa Turma de Julgamento no dia 20/10/2010. Por outro lado, é de se ressaltar que, de acordo com a PLANILHA CONTENDO OS FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP, fls. 08/35, há contribuições não declaradas em GFIP incluídas em NFLD e outras que não o foram. Foram objeto do AI os seguintes fatos geradores omitidos na GFIP: a) remunerações auferidas pelos empregados a título de direito de imagem (identificadas na planilha I como DI) – contribuições correspondentes não recolhidas; b) remunerações auferidas pelos empregados a título de previdência privada (identificadas na planilha I como PP) contribuições correspondentes não recolhidas; c) remunerações auferidas pelos empregados, constantes em folha de pagamento, mas ausentes na GFIP (identificadas na planilha I como EMP) contribuições correspondentes recolhidas; d) remunerações auferidas por contribuintes individuais ausentes na folha de pagamento e na GFIP (identificadas na planilha I como CI) contribuições correspondentes recolhidas. Isso levame a conclusão que, de fato, é necessário aplicação conjunta das duas normas para cálculo da multa mais benéfica. Lançandose mão do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991 para as contribuições não declaradas que não foram objeto de lançamento de ofício 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 723DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 e do art. 35A da mesma Lei para as contribuições não declaradas que foram lançadas na NFLD n.º 35.842.8580. Assim, a comparação da multa, competência a competência, deve ser efetuado pelo seguinte procedimento: aplicase o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991 aos fatos geradores dos itens “a” e “b” (75% da contribuição devida, com dedução das multa aplicada na NFLD correlata) adicionase a multa calculada pela norma do 32A da Lei n.º 8.212/1991 para os fatos geradores dos itens “c” e “d” e comparase com a multa aplicada originalmente (art. 32, § 5.º da Lei n.º 8.212/1991), devendo prevalecer o resultado menos gravoso. Conclusão Diante do exposto, voto pelo acolhimento dos embargos de declaração, re ratificando o Acórdão n.º 240101.441, de modo que se calcule a multa mais benéfica pela comparação do valor fixado no AI, com o novo cálculo efetuado pela aplicação conjunta dos artigos 32A (omissão sem lançamento da obrigação principal) e 35A (omissão com lançamento da obrigação principal), ambos da Lei n.º 8.212/1991. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 724DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900312/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior.
Numero da decisão: 1301-000.680
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE. Observase dos autos que orginalmente a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 01) contra Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (fls. 13) que assentando a falta de disponibilidade de crédito, não homologou a compensação declarada na DCOMP n° 10105.24738.151003.1.3.045679 (fls. 20 24). Depreendese ainda, pela descrição dos fatos, que o crédito original informado pelo contribuinte teve como origem pagamento indevido de tributo (SIMPLES) mediante o DARF discriminado na referida DCOMP, consignando a autoridade administrativa, que o aludido DARF, apesar de localizado, não pôde ser aproveitado, tendo em vista que já havia sido integralmente restituído ao contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP sob análise. Regularmente notificada do indeferimento, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em síntese, que foram apresentadas duas DCOMP's para fins de se compensar o mesmo débito e em virtude da duplicidade de declarações, requereu que as DCOMP's fossem reanalisadas considerando um único débito, ou seja, desconsiderando uma das declarações em virtude do equívoco cometido no envio de duas DCOMP's com o mesmo débito. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, nos termos do acórdão e voto de folhas 25 a 27, indeferiu a solicitação, fundamentando para tanto, que de início deveria ser demarcado o objeto do litígio, uma vez que não houve contestação por parte da recorrente em relação a não homologação de crédito originado por pagamento a maior de SIMPLES, informado na DCOMP n° 10105.24738.151003.1.3.045679, conforme Manifestação de Inconformidade à folha 01 do presente processo. Diante disso, assentou a decisão recorrida que se deveria considerar como matérias nãolitigiosas, nos termos dos artigo 16 e 17 do Decreto n°70.235/72, as matérias que não foram versadas pelo contribuinte, destacando que na situação analisada a peça impugnatória não atende às normas disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal, pois a defesa alega unicamente o fato de ter enviado DCOMP's em duplicidade e em momento algum contesta o fato do crédito informado não ter sido homologado, tampouco rechaça a informação de inexistência de saldo do crédito pleiteado (ver tela de consulta ao sistema SINCOR,TRATAPAGTO,CONSPAGTO anexada à fl. 26). Sendo assim, considerando que o crédito que deu origem a tal demanda já fora restituído/utilizado integralmente, e não tendo sido objeto de inconformidade por parte do interessado, entendeu a decisão recorrida que descaberia qualquer reforma no Despacho Decisório prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza. Devidamente notificada (fl. 31), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 32), aduzindo que em 10 de agosto de 2009, foi pedido a reanálise dos referidos PER/DCOMPS, para que fosse considerado apenas um débito, em virtude de constar em duplicidade. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10320.900312/200650 Acórdão n.º 130100.680 S1C3T1 Fl. 2 3 Afirmou ainda, que analisando os despachos decisórios dos referidos PER/DCOMP, constatou a cobrança em duplicidade, por isso é pediu a reanálise, pretendendo fosse considerado apenas um débito. Mencionandose que o despacho decisório informa que foram localizados os créditos, mas usados integralmente para quitar os débitos, e diante disso, requereu fosse informado para qual mês foi alocado esse débito, bem como fosse feito um confronto com todos os arquivos que constam na Receita Federal do Brasil, para que seja comprovado a duplicidade desse débito. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como se observa no relatório acima minudenciado, a ora recorrente apresentou declaração de compensação cujo direito creditório, reputou a autoridade administrativa, fora consumido em sua integralidade em momento anterior. Manifestando seu inconformismo contra o primitivo Despacho Decisório, a recorrente limitouse a aduzir que apresentara as compensações em duplicidade requerendo que as DCOMPs fossem analisadas conjuntamente. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, por seu turno, considerou que a recorrente não refutou as constatações da autoridade administrativa, consagradora de que o crédito indicado já havia sido utilizado, indeferindo, portanto, a solicitação da contribuinte. Observase que em sede de Recurso Voluntário, apresentado pela contribuinte à folha 32, voltouse a afirmar unicamente que as compensações foram apresentadas em duplicidade. Cuidando de deslindar o caso concreto, é oportuno revisitar o Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE, bem como a DCOMP apresentada pela recorrente, conferindose assim, se acham presentes os requisitos de certeza e liquidez do crédito indicado para compensação. Nesse mister, ao analisar o Despacho Decisório de folha 13, colhese do item “3” a seguinte fundamentação: (...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) (meus os destaques) Tem razão a decisão recorrida ao afirmar que a recorrente não refuta as constatações da autoridade administrativa. Com efeito, não reputouse que o crédito da recorrente não tenha existido em algum momento, contrário disso, verificouse que a integralidade do tributo recolhido a maior/indevidamente fora utilizado em sua integralidade. Diante dessas constatações e ausente qualquer demonstração por parte da recorrente que de que ainda dispõe de direito creditório, carece a declaração de compensação dos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez para homologação da compensação. Diante desses fatos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10320.900312/200650 Acórdão n.º 130100.680 S1C3T1 Fl. 3 5 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000048/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE
SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.976
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pelo ente público acima identificado contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza (CE), fls. 150/161, que declarou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.133.4977. No recurso, fls. 155/160, é requerido o reconhecimento do transcurso do prazo decadencial para todas o período do lançamento. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.000048/200870 Acórdão n.º 240101.976 S2C4T1 Fl. 165 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 03/01/2008 e o período do crédito é 01/1997 a 12/1997. Assim, por quaisquer das regras de contagem do prazo decadencial, estariam decadentes todas as contribuições lançadas Conclusão Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência para a totalidade das contribuições lançadas. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 187DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16098.000114/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MAIOR. DIREITO À COMPENSAÇÃO RECONHECIDO.
Provado nos autos o recolhimento do tributo pelo valor maior que o devido, considerando que o contribuinte no mês de dezembro realizou a apuração e recolhimento da estimativa utilizando-se
do valor demonstrado em balancete suspensão, o crédito apurado é passível de compensação.
O contribuinte apurou ainda base negativa da CSLL no ano de 2004, o que permite o creditamento do imposto, sob pena de impor ao contribuinte pena severa, visto que ao invés de devedor, este seria credor da Fazenda.
Ainda que considere o pagamento indevido de estimativas de CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo, a compensação é direito a ser reconhecido.
Recurso voluntário conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
CONHECER do recurso, em NEGAR o pedido de baixa em diligência e no mérito em DAR provimento ao recurso. O conselheiro Marcelo Cuba Neto acompanhou o Relator pelas conclusões. O conselheiro Diniz Raposo e Silva declarou impedido.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MAIOR. DIREITO À COMPENSAÇÃO RECONHECIDO. Provado nos autos o recolhimento do tributo pelo valor maior que o devido, considerando que o contribuinte no mês de dezembro realizou a apuração e recolhimento da estimativa utilizando-se do valor demonstrado em balancete suspensão, o crédito apurado é passível de compensação. O contribuinte apurou ainda base negativa da CSLL no ano de 2004, o que permite o creditamento do imposto, sob pena de impor ao contribuinte pena severa, visto que ao invés de devedor, este seria credor da Fazenda. Ainda que considere o pagamento indevido de estimativas de CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo, a compensação é direito a ser reconhecido. Recurso voluntário conhecido e provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16098.000114/200732 Recurso nº 877.439 Voluntário Acórdão nº 120100.591 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2011 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MAIOR. DIREITO À COMPENSAÇÃO RECONHECIDO. Provado nos autos o recolhimento do tributo pelo valor maior que o devido, considerando que o contribuinte no mês de dezembro realizou a apuração e recolhimento da estimativa utilizandose do valor demonstrado em balancete suspensão, o crédito apurado é passível de compensação. O contribuinte apurou ainda base negativa da CSLL no ano de 2004, o que permite o creditamento do imposto, sob pena de impor ao contribuinte pena severa, visto que ao invés de devedor, este seria credor da Fazenda. Ainda que considere o pagamento indevido de estimativas de CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo, a compensação é direito a ser reconhecido. Recurso voluntário conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do recurso, em NEGAR o pedido de baixa em diligência e no mérito em DAR provimento ao recurso. O conselheiro Marcelo Cuba Neto acompanhou o Relator pelas conclusões. O conselheiro Diniz Raposo e Silva declarou impedido. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 3 2 RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Diniz Raposo E Silva, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Marcelo Cuba Netto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratamse de pedidos de compensação de crédito de CSLL recolhido a maior relativo à estimativa devida em dezembro de 2004, com débitos de tributos federais, no valor histórico de R$ 891.764,24. O demonstrativo de saldo a pagar do débito de CSLL de dezembro de 2004 era de R$ 3.743.851,18, conforme informado em DCTF, sendo recolhido pelo contribuinte o valor de R$ 4.635.615,42, conforme comprovante de pagamento à fl. 24 e 96 dos autos. O contribuinte entendeu que a diferença daquilo que seria devido a título de estimativa e aquilo que fora pago relativo ao mês de dezembro de 2004 seria recolhimento a maior, utilizandose dessa diferença para pagar débitos federais em compensação no valor de R$ 891.764,24. Na DIPJ o contribuinte não informou o saldo negativo na ficha 17, sendo informado apenas o valor recolhido por estimativa de CSLL, bem como não foi informado na Ficha 16 da DIPJ o recolhimento no valor de R$ 4.635.615,42, sendo apenas mencionado em DCTF o valor correto devido em dezembro de 2004. A DRF de Guarulhos não homologou as compensações sob o fundamento de que deveria ter sido obedecido o disposto na IN n° 460/2004, artigo 10, sendo que o contribuinte deveria ter informado o saldo negativo de R$ 891.764,24 na Ficha 17 da DIPJ Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (grifamos) Outra informação importante que se traz nos autos é o contribuinte apurou prejuízo fiscal em 2004, conforme ficha 17 da DIPJ, sendo que em quase todos os meses do ano de 2004 a CSLL apresentou base na apuração do tributo, salvo fevereiro e dezembro de 2004 quando apurouse lucro. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 4 3 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, que não fora acolhida pela decisão da DRJ. Vejamos os fundamentos do órgão julgador de primeira instância: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Provas, Diligências e Perícias. O Contencioso Administrativo Fiscal foi especificamente disciplinado no Decreto n° 70.235, de 1972, diploma legal também aplicável aos processos de pedido de restituição/declaração de compensação. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não se logrou atender no presente caso. É incabível a realização de diligência e perícia em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Declaração de Compensação. Pagamento Indevido ou a Maior que o devido de estimativa de CSLL. Nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é da contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. Incabível se falar em presunção quando a análise do direito creditório se fundamenta no processamento das informações prestadas nas declarações apresentadas pela própria contribuinte. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações da contribuição devida ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição é o saldo negativo de CSLL apurado na Declaração de Ajuste Anual. A modificação da natureza do direito creditório apontado em Declaração de Compensação, de pagamento indevido ou a maior que o devido a título de CSLL, para saldo negativo de CSLL, configura inovação, sujeita ao rito processual cabível, segundo o qual a apreciação inicial se dá pela DRF de origem. Indeferido o direito creditório, não se homologam as compensações a ele vinculadas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 27.03.2010, apresentou Recurso Voluntário em 22.04.2010, alegando: A E. 4 a. Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Campinas/SP indeferiu o pedido de realização de diligência e perícia, baseandose na assertiva de que é incabível a realização de diligência e perícia em se tratando de matéria passível de prova documental. Entretanto, é necessário esclarecer que a Recorrente produziu prova documental (fls. 41 a 96) e requereu a conversão do julgamento em diligência como o intuito tão somente de ser constatado que o crédito identificado equivocadamente por ela como oriundo de pagamento indevido ou a maior era, na verdade, saldo negativo de CSLL. Aliás, a própria fiscalização reconheceu o equívoco cometido pela Recorrente ao dizer que pagamento indevido ou a maior realizado pelo contribuinte seria melhor identificado nos PER/DCOMP como saldo negativo. Não se pode admitir que a fiscalização realizou uma "análise superficial dos dados apresentados" já que foram analisados todos os documentos fiscais apresentados pela Recorrente (DARF, DCTF, DIPJ e PER/DCOMP). Além disso, a fiscalização tinha total conhecimento de que o crédito pretendido pela Recorrente era na verdade saldo negativo de CSLL, já que o pagamento mensal de CSLL por estimativa em valor superior ao devido seria transformado automaticamente ao final do exercício em saldo negativo passível de compensação futura, nos termos do artigo 10 da IN SRF n. 460/2004, abaixo transcrita: (...) Conforme informado em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ referente ao anocalendário de 2004, no mês de dezembro de 2004, a Recorrente apurou CSLL por estimativa no valor de R$ 3.743.851,18 (Três Milhões, Setecentos e Quarenta e Três Mil, Oitocentos e Cinquenta e Um Reais e Dezoito Centavos). Entretanto, conforme demonstram os DARFs anexos recolheu em janeiro de 2005 o valor de R$ 4.635.615,42 (Quatro Milhões, Seiscentos e Trinta e Cinco Mil, Seiscentos e Quinze Reais e Quarenta e Dois Centavos) gerando um pagamento a maior, portanto, indevido de R$ 891.764,24 (Oitocentos e Noventa e Um Mil, Setecentos e Sessenta e Quatro Reais e Vinte e Quatro Centavos) passível de compensação em exercícios futuros. Em fevereiro de 2005 a Recorrente efetuou a compensação do pagamento a maior de CSL referente ao mês de dezembro de 2004, no valor original de R$ 891.764,24 (Oitocentos e Noventa e Um Mil, Setecentos e Sessenta e Quatro Reais e Vinte e Quatro Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 6 5 Centavos) com a CSL apurada no mês de janeiro de 2005 no valor de R$ 320.430,15 (Trezentos e Vinte Mil, Quatrocentos e Trinta Reais e Quinze Centavos). Posteriormente, também compensou o saldo restante do crédito de CSL no valor de R$ 574.506,66 (Quinhentos e Setenta e Quatro Mil, Quinhentos e Seis Reais e Sessenta e Seis Centavos) com o débito da COFINS apurada em março de 2005 no valor de R$ 596.050,66 (Quinhentos e Noventa e Seis Mil e Cinquenta Reais e Sessenta e Seis Centavos) Entretanto, ao preencher os respectivos PER/DCOMP identificou a origem dos créditos como sendo de pagamento a maior ou indevido e não como base negativa de CSLL. Notese que a própria Delegacia de Julgamento reconheceu que Recorrente especificou nas PER/DCOMP analisadas que o crédito original apurado correspondia a pagamento indevido ou maior que o devido de CSLL, correspondente à estimativa de dezembro/2004, recolhida em janeiro/2005, em coerência com o preenchimento da DIPJ/2005, onde não aponta saldo negativo de CSLL. Ocorre que, de fato a Recorrente também se equivocou na prestação de informações na DIPJ2005, uma vez que não informou o saldo negativo de CSLL apurado em 2004, apenas os pagamentos mensais por estimativa. Porém, a Recorrente apenas tomou conhecimento de seu equívoco quando do indeferimento das compensações realizadas, ocasião em que somente lhe foi permitido apresentar manifestação de inconformidade. Aliás, como reconhece a Autoridade Fiscal Julgadora "não se pode admitir a retificação da declaração de compensação em sede de manifestação de inconformidade, na medida em que todos os pedidos dever ser apreciados em primeira vez, pela autoridade competente da DRF jurisdicionante da contribuinte. Sendo assim, verificada a existência de erro de fato no preenchimento de documentos fiscais, a autoridade fiscal deveria ter determinado a realização de diligência fiscal no estabelecimento do sujeito passivo a fim de verificar, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, nos termos da IN SRF 600/2005 e não simplesmente presumir que as declarações da Recorrente estavam corretas e indeferir pedido legítimo de compensação. Posteriormente, a própria Recorrente solicitou a realização de diligencia fiscal, que foi sumariamente indeferida, sob o argumento de que a matéria era passível de prova documental. Seja como for, o erro de fato no preenchimento da DIPJ e da PER/DCOMP não retira o direito da Recorrente à compensação do pagamento a maior de CSLL ocorrido em dezembro de 2004, que deu origem ao saldo negativo de CSLL do período. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 7 6 Desta forma, erros ou equívocos não tem, perante a legislação tributária, o condão de transformarse em fatos geradores de impostos. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Sendo assim, toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Desta forma, conjugandose as posições acima descritas, com os argumentos, fatos e provas do processo, não restam dúvidas, que no caso em pauta, se está na presença de uma falha, decorrente de erro humano, que não tem o condão de subverter a verdadeira natureza das coisas, ainda que, frente à letra fria da lei, se incorreu em falha pela não retificação do erro pelo processo legal. Não é justo que se tome, para fins de compensação, a natureza do crédito constante apenas das declarações apresentadas (DIPJ e PER/DCOMP) pela Recorrente, já que há evidência cristalina de que houve falha na apresentação destas declarações, falha esta comprovada através dos demais documentos analisados pela autoridade fiscal, razão pela qual não teria sentido se atribuir natureza diversa daquela sabiamente reconhecida. Como se pode observar a jurisprudência é unânime em admitir o reconhecimento de erro de fato, de modo a afastar qualquer exigência ilegal aos contribuintes. Em face de tais argumentos, a Recorrente requer o CONHECIMENTO e o INTEGRAL PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário, para que seja reconhecido seu direito creditório e homologadas as compensações efetuadas. O Recorrente apresentou memoriais com documentos por email, que os documentos apresentados já constam dos autos, apresentando planilha que reporto como útil para entender o erro de informação na DIPJ, bem como o destaque da base negativa da CSLL apurada no exercício. Este é relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à preliminar de diligência, entendo desnecessária, visto que todos os documentos e informações para o julgamento do Recurso encontramse nos autos. Observo que a matéria ora analisada é típica de constatação de erro de preenchimento de DIPJ quanto ao recolhimento do valor de estimativa de dezembro de 2004, nas fichas 16 e 17, tendo sido comprovado pelo contribuinte o recolhimento a maior, quando se analisa as provas trazidas às fls. 24 e 96 (comprovantes de recolhimento) dos autos. Com isso, entendo que a decisão da DRJ merece total reforma, pelas seguintes razões. Inicialmente, não vislumbro razoabilidade, proporcionalidade e coerência em exigir não se reconhecer o direito creditório, tão somente o contribuinte preencheu o DCOMP com a informação pagamento a maior, ao invés de saldo negativo de CSLL, considerando o fato de que o fisco recebera a maior valores, que quando do ajuste seria passível de ressarcimento como saldo negativo. Seria o mesmo que impor uma condição muito severa ao contribuinte o formalismo trazido pelo artigo 10 da IN ° 460/2004, visto que o devedor, na verdade, seria credor do fisco, pois apurou saldo negativo de tributos no fim do anocalendário. O fato de apurar base de cálculo negativa após o ajuste é o fundamento essencial que leva a esse julgador afirmar que o fisco federal não teve nenhum prejuízo, o que permite o reconhecimento do crédito. O excesso de formalismo exigido pela referida IN sobrepõese à sua função regulatória, destacando o fato de que o crédito, sob o ponto de vista das provas trazidas nos autos, é inquestionável, sendo direito do Recorrente o seu reconhecimento, ainda mais quando se está diante de uma regra (IN 460/2004), que foi inclusive revogada, sendo que a exigência da constituição do saldo credor na DIPJ para depois servir de crédito em compensações desapareceu do nosso ordenamento, não sendo restabelecida na IN que a substituiu. E mais, o contribuinte no mês de dezembro/2004 realizou a apuração do débito com base em balancete suspensão ou redução, o que convalida a natureza jurídica do recolhimento como pagamento a maior, sendo passível de compensação. Com isso, aquilo que fora recolhido a mais não poderia servir de saldo negativo para depois ser compensado, como pretendeu a Fazenda. Pelo contrário, nos termos do artigo 2° da Lei n° 9.430/96 deveria ser compensado diretamente, como bem fez o contribuinte, pois o valor real do tributo de dezembro o contribuinte declarou e recolheu, porém pelo valor maior, legitimando seu crédito. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 9 8 Sobre a matéria vejamos o entendimento da jurisprudência desse E. Tribunal: Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Estimativa.O pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo pode ser restituído/compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Recurso 511076, Processo n° 10768.909769/200671, Rel. Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, julgado em 26/05/2011) Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso para no mérito DARLHE provimento, de forma a reconhecer o direito creditória da Recorrente, homologandose as compensações efetuadas. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003049/2003-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF.
Exercício: 2002.
APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA SIMULTANEAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE “BIS IN IDEM”. IMPOSSIBILIDADE.
A aplicação de multa isolada e de multa de ofício, uma com base na falta de recolhimento antecipado pelo carnê-leão, e a outra pela omissão de rendimentos apurada no final do ano-calendário,
constitui-se em indevido bis in idem, por importar em dupla punição incidente sobre o mesmo substrato fático
Numero da decisão: 9202-001.319
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF. Exercício: 2002. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA SIMULTANEAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE “BIS IN IDEM”. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação de multa isolada e de multa de ofício, uma com base na falta de recolhimento antecipado pelo carnê-leão, e a outra pela omissão de rendimentos apurada no final do ano-calendário, constitui-se em indevido bis in idem, por importar em dupla punição incidente sobre o mesmo substrato fático
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Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANDRA LÚCIA DE FREITAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2002. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA SIMULTANEAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE “BIS IN IDEM”. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação de multa isolada e de multa de ofício, uma com base na falta de recolhimento antecipado pelo carnêleão, e a outra pela omissão de rendimentos apurada no final do anocalendário, constituise em indevido bis in idem, por importar em dupla punição incidente sobre o mesmo substrato fático. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Fl. 267DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de oliveira Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire, e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base na violação à legislação tributária. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, para a cobrança de IRPF, relativamente ao anocalendário de 2001, no valor de R$ 4.976,39, acrescido de multa de ofício de 75%, de multa isolada e de juros de mora. Constatouse a ocorrência de omissão de rendimentos recebidos de organismos internacionais, bem como falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 29/57 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 158/172) julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Anocalendário: 2001. Ementa: Isenção de Imposto de Renda Pessoa Física. A Isenção do Imposto de Renda sobre rendimentos pagos a pessoas contratadas no Brasil, pelo Banco Mundial, está condicionada à especificação dessas pessoas, pelas Agências Especializadas da ONU como funcionários aos quais se aplicará o gozo dessa isenção, por força do disposto no art. 6° da 18° Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, em face da inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados Fl. 268DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 3 3 não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente. A contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 180/204 dos autos. A antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 214/225, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa isolada do carnê leão. Eis a ementa; “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. Exercício: 2002. Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS ISENÇÃO ALCANCE A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD/ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviços da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO CARNÊLEÃO INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO IMPOSSIBILIDADE Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso voluntário parcialmente provido”. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial (fls. 230/239), com base em violação ao artigo 44, §1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96. Discorreu no sentido da possibilidade de aplicação simultânea de multa isolada e de multa de ofício. Defendeu que se trata, na hipótese, de duas infrações diferentes, ensejadoras, cada qual, da respectiva multa, ainda que se tenha por fundamento a mesma base de cálculo. Segundo a recorrente: “O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a Fl. 269DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 4 4 utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes”. Neste passo, aduziu que o não recolhimento antecipado do IRPF, pelo carnê leão, constituise em infração diversa da omissão de rendimentos apurada ao final do ano calendário. A contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 245/248 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou o dispositivo legal que reputa violado, qual seja o artigo 44, §1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96. A questão é: admitese a imposição simultânea de multa de ofício e de multa isolada, uma com base na omissão de rendimentos apurada no final do anocalendário e outra com fundamente na falta de recolhimento antecipado pelo carnêleão? Tal fato constitui bis in idem? O bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no sistema brasileiro, ainda que o fato afigurese enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. Diante disso, não há dúvida de que a hipótese dos autos, ao contrário do que postula a recorrente, configura a ocorrência de bis in idem. A base fática para a imposição de ambas as multas é a mesma. O não recolhimento antecipado do IRPF pelo carnêleão é infração que se consubstancia, em última análise, quando apurada a omissão de rendimentos, pela ocorrência dessa omissão. Se houve omissão de rendimentos, significa, conseguintemente, que não houve o respectivo recolhimento antecipado do IRPF. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumir se nas duas infrações. É nesse sentido que tem entendido esta Câmara Superior de Recurso Fiscais, quando enfrenta o tema: Fl. 270DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 5 5 “Câmara Superior de Recursos FiscaisCSRF/ Primeira Turma/ Acórdão CSRF/ 0105.503 em 18.09.2006. PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Recurso especial provido. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Henrique Longo, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa isolada para 50%. Manoel Antônio Gadelha DiasPresidente. Publicado no DOU em 07.08.2007. Relator José Clóvis Alves. Recorrente: COPENE PETROQUÍMICA DO NORDESTE S.A (nova denominação BRASKEM S.A.). Interessado: FAZENDA NACIONAL. Diante disso, em face da inequívoca configuração do bis in idem, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida em todos os seus termos. Sala das Sessões, em 08 de fevereiro de 2011 08 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 271DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 6 6 Fl. 272DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000165/2004-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias primas,
produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 EDITADO EM: 30/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Brespel Companhia Industrial Brasil Espanha (fls. 340 a 357) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF (fls. 327 a 332) que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Referindose a lei a contribuições , "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. Recurso Voluntário Negado. (grifos nossos) O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 377 a 380. Contrarrazões às fls. 383 a 394. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial merece ser conhecido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13501.000165/200414 Acórdão n.º 930301.463 CSRFT3 Fl. 396 3 Conforme se depreende dos autos, a questão a ser dirimida diz respeito à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas aos contribuintes do PIS/COFINS na base de cálculo do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96. Meu entendimento, no caso, coincide com o do seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. 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Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 13807.008462/00-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para pedidos de restituição protocolado em 30 de agosto
de 2000, aplica-se, portanto, a tese dos 5 + 5.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.756
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial, para declarar prescrito o direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram até 30 de agosto de 1990.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2060; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 206 1 205 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13807.008462/0041 Recurso nº 337.007 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.756 – 3ª Turma Sessão de 09 de novembro de 2011 Matéria Finsocial Restituição prescrição tese dos 5 + 5 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIMED INDÚSTRIA DE MEDICAMENTOS LTDA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para pedidos de restituição protocolado em 30 de agosto de 2000, aplicase, portanto, a tese dos 5 + 5. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para declarar prescrito o direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram até 30 de agosto de 1990. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. A contribuinte acima identificada requer, por meio do presente processo administrativo, a restituição/compensação de valores recolhidos a título de FINSOCIAL, para os períodos de apuração de julho de 1990 a março de 1992 (DARF às fls. 04 18), alegando que os recolhimentos foram efetuados com base nas inconstitucionais majorações de alíquotas, já que a exação era devida tãosomente à alíquota de 0,5%. 2. Mediante o Despacho Decisório datado de 22/06/2005 (fls. 58 a 64), a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em São Paulo indeferiu a restituição pretendida, concluindo, com base no disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 26/11/1999, que o prazo para pleitear a restituição é de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive para as hipóteses nas quais o pagamento foi efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional. Destarte, tendo em vista que o presente pedido foi protocolizado em 30/08/2000, e que o último recolhimento indevido foi efetuado em 20/04/1992 conforme planilha à fl. 02, o prazo para pleitear a restituição/compensação já se havia escoado. 3. Inconformada com o Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 08/07/2005 (fl. 65verso), a contribuinte protocolizou, em 25/07/2005, a manifestação de inconformidade de fls. 66 a 69, na qual deduz, em síntese, as alegações a seguir discriminadas: 3.1. A solução do problema deve ser buscada no CTN, porém, sem a distorção perpetrada pela nobre PGFN. Essa solução, aliás, já foi adotada pelo Egrégio Conselho de Contribuintes. Cita o Acórdão nº 10805.791, publicado no DOU de 17/10/1999, da lavra do culto José Antonio Minatel, da qual reproduz ementa. 3.2. No rigor dessa interpretação, o pagamento indevido, diante da inconstitucionalidade da lei que havia criado o tributo, em última análise, materializase na data da edição da MP 1.110, de 30/08/1995 onde, em seu art. 17 é reconhecida a impertinência tributária, com eficácia “erga omnes”. 3.3. A solução deve ser buscada nos Princípios do Direito Adquirido e da Irretroatividade das Leis, tendo em vista que os créditos compensáveis foram apurados anteriormente à Lei 10.833/2003, ou seja, na eficácia da legislação anterior (IN SRF 21/97). 3.4. O entendimento do STJ cujo julgamento explica aos Senhores Delegados da Receita Federal como deveria ser a Fl. 214DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.008462/0041 Acórdão n.º 930301.756 CSRFT3 Fl. 207 3 aplicação do § 2º do art. 49 de L. nº 9.430/96 e, mantida pelas Leis posteriores, Lei nº 10.637/2002 e pela Lei nº 10.833/2003. Reproduz o referido parágrafo. 3.5. Corroborando tal entendimento, juntamos o ofício Ilustríssima Delegada da Receita Federal, que em resposta a quesitos formulados pela Excelentíssima Senhora Doutora Juíza da 16ª Vara Cível Federal em São Paulo, confirmou tal entendimento (doc 3). 3.6. Apesar de não existir tal afirmação no AD SRF 096/99, este é o entendimento equivocado do Sr. Chefe da Diort de DRF de São Paulo. Reproduz a decisão da Diort. 4. Por fim, pede a reforma da decisão. A decisão de primeira instância foi assim ementada: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação indeferida. No seu recurso, o contribuinte repisa os argumentos trazidos com a impugnação. Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL – RESTITUIÇÃO – COMPENSAÇÃO – DECADÊNCIA. No caso de lançamento por homologação, sendo esta tácita, na forma da lei, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Irresignada, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com arrimo no inciso II do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época vigente, apresentou recurso especial de divergência pugnando pelo restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo inicial para repetição do indébito é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. O apelo fazendário foi admitido, conforme despacho de fls. 178/179. Regularmente intimado do despacho de admissibilidade do apelo fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 186 a 191 É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito ao termo inicial do prazo para repetição de indébito. De um lado, a câmara a quo aplicou a denominada tese dos 5 mais 5, então vigente no superior Tribunal de Justiça, de outro lado, a Fazenda Nacional defende os 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 216DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.008462/0041 Acórdão n.º 930301.756 CSRFT3 Fl. 208 5 REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. Doutro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. Com isso, no caso dos autos, devese reconhecer a prescrição do direito aos créditos relativos a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 1990, visto que o pedido de restituição fora protocolado em 30 de agosto de 2000, nessa data já havia transcorrido o prazo decenal para da prescrição. No tocante ao mês de agosto de 1990, como o fato gerador da contribuição era mensal, ocorria no último dia do mês de competência, in casu, 31 de agosto, portanto, antes de exaurido o prazo prescricional. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da fazenda nacional para reconhecer a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram no mês de julho de 1990. Henrique Pinheiro Torres Fl. 218DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.008462/0041 Acórdão n.º 930301.756 CSRFT3 Fl. 209 7 Fl. 219DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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