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Numero do processo: 10380.007754/2003-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ.
Ano-calendário: 1998.
COMPENSAÇÃO NA DCTF. CRÉDITO APURADO EM DECISÃO PRECÁRIA DO PODER JUDICIÁRIO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
Procede o auto de infração que exige o crédito tributário compensado em DCTF quando ausente o trânsito em julgado da decisão judicial que confere direito creditório ao contribuinte, não estão presentes os requisitos de certeza e liquidez, ainda que a compensação tenha se pautado em decisão liminar.
Numero da decisão: 1301-000.635
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter a decisão de primeira instância.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 1998. COMPENSAÇÃO NA DCTF. CRÉDITO APURADO EM DECISÃO PRECÁRIA DO PODER JUDICIÁRIO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Procede o auto de infração que exige o crédito tributário compensado em DCTF quando ausente o trânsito em julgado da decisão judicial que confere direito creditório ao contribuinte, não estão presentes os requisitos de certeza e liquidez, ainda que a compensação tenha se pautado em decisão liminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida 4ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE. Contra a recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas IRPJ (fls. 44 51) para formalização e exigência de crédito tributário relativo ao ano calendário 1998. Segundo se observa dos autos, a exigência originouse em Auditoria Interna das Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, relativas ao 3° e 4° trimestres de 1998, constatandose a não comprovação de crédito decorrente do processo judicial n° 97.00219135, consoante minudenciado no Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados (fl. 46 47). Devidamente cientificada da autuação (fl. 52), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 01 04), argumentando em síntese que o Decreto 70.237/75, em seu artigo 11 determina que o contribuinte antes de ser autuado, deve ser previamente notificado, para que possa defenderse e que tal norma também estaria prevista no 5º, inciso LV, da Constituição Federal, de sorte que tendo a infração sida averiguada mediante revisão da declaração no âmbito da repartição lançadora, o lançamento deve ser feito mediante notificação conforme o artigo 11 do Decreto 70.235/72. Argumentou ainda, no que toca à multa aplicada isoladamente, que a Constituição Federal em seu artigo 150, IV, faz referência apenas ao tributo quando proíbe sua cobrança com efeito confiscatório, no entanto, a jurisprudência e a doutrina entenderiam perfeitamente aplicável às multas a mesma limitação. Seguiu arrazoando que a Lei nº 9.430/96 ao viabilizar uma multa isolada com efeito confiscatório, que o fisco exige cumulativamente com outra, nega vigência aos primeiros cinco artigos da Constituição e não pode ser utilizada como vem sendo. No mais, assentou que o processo n° 97.00219135, de autoria da recorrente teria transitado em julgado e somente após é que procedeu às compensações glosadas neste processo. A 4ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, nos termos do acórdão e voto de folhas 55 a 62, julgou o lançamento parcialmente procedente, afastando a multa de ofício em vista da retroatividade benigna da lei e mantendo a exigência quanto ao mérito, fundamentando que a opção pela via judicial importa renuncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A decisão prolatada em última instância pelo poder judiciário determinará o quantum do crédito tributário a ser extinto por compensação no caso de litígio envolvendo tal matéria. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10380.007754/200378 Acórdão n.º 1301000.635 S1C3T1 Fl. 2 3 Devidamente notificada da decisão parcialmente desfavorável (fl. 70), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 75 – 76) afirmando que não se poderia cogitar de “processo judicial não comprovado” uma vez que a própria autuação mencionou o número do processo judicial ao qual estaria atrelado o direito titularizado pela recorrente na compensação realizada na DCTF 98. No mais, argumentou que o processo de fato não transitou em julgado, pendendo de decisão do Tribunal Regional da 5ª Região, pugnando pelo provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como verificado acima, a matéria tratada nos autos se relaciona à autuação lavrada contra a recorrente por se verificar que no ano calendário 1998, a contribuinte compensou valores em sua DCTF valendose de crédito apurado em processo judicial cuja definitividade (trânsito em julgado) não fora comprovada, glosandose as tais compensações e lavrandose o auto de infração. Nessa ordem dos fatos, convém registrar que a imputação do Fisco foi de ausência de confirmação do crédito utilizado pela Recorrente, porquanto ausente o posicionamento final do Poder Judiciário, uma vez que o crédito estaria atrelado a processo judicial. Observando os argumentos sustentados pela contribuinte em sede de Recurso Voluntário, vêse que suas razoes não se distanciam das constatações do Fisco, com efeito, afirmou a recorrente que de fato o crédito utilizado fora reconhecido em decisão precária do Poder Judiciário, pendendo recurso no competente Tribunal Regional Federal, observese o oportuno trecho colhido da sua peça recursal (fl. 75), litteris: (...) O crédito tributário em questão foi alvo de compensação autorizada por meio do processo judicial n o 97.0021913 5, em trâmite na 5ª Vara Federal do Ceará e que hoje se encontra no Tribunal Regional Federal da 5ª Região pendente de recurso, em função de uma decisão do STJ, o que pode ser visualizado no site www.trf5.jus.br. No entanto, resta esclarecer que todas as decisões até o presente momento forma no sentido de garantir a autora o direito de compensar o seu crédito advindo do pagamento a maior e indevido feito do PIS(Decretos nos 2445/88 e 2449/88). (...) Ausente a certeza do crédito, que sabidamente advirá após o esgotamento da instância judicial, dada a concomitância do tema tratado no presente recurso e na medida judicial impõemse desprover o recurso voluntário e manterse intacta a autuação, mormente ao observarse que a parcela referente à multa isolada já foi extinta pela decisão recorrida. Razão pela qual, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, 03 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10380.007754/200378 Acórdão n.º 1301000.635 S1C3T1 Fl. 3 5 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001926/98-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Programa de Integração Social _PIS
Fatos geradores: junho de 1992 a março de 1994
Ementa:
PIS/FATURAMENTO - Até o advento da Medida Provisória n° 1.212/95,
convertida na Lei n° 9.715/98, a base de cálculo do P1S/FATURAMENTO é o valor do faturamento de seis meses anterior ao mês da incidência. Matéria pacificada definitivamente com a Súmula CARF nº 15.
Numero da decisão: 9101-001.260
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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score : 1.0
Numero do processo: 37317.003446/2005-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.288
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Numero do processo: 37318.000835/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2005
FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL PARA ARBITRAMENTO DE TRIBUTO. DESCRIÇÃO CLARA E SUFICIENTE DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de indicação do dispositivo legal para arbitramento de tributo não resulta, por si só, a nulidade do lançamento quando a descrição dos fatos é detalhadamente suficiente para assegurar o exercício do direito de defesa.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à instância "a quo" para análise do mérito. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2005 FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL PARA ARBITRAMENTO DE TRIBUTO. DESCRIÇÃO CLARA E SUFICIENTE DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A falta de indicação do dispositivo legal para arbitramento de tributo não resulta, por si só, a nulidade do lançamento quando a descrição dos fatos é detalhadamente suficiente para assegurar o exercício do direito de defesa. Recurso especial provido.
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DESCRIÇÃO CLARA E SUFICIENTE DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A falta de indicação do dispositivo legal para arbitramento de tributo não resulta, por si só, a nulidade do lançamento quando a descrição dos fatos é detalhadamente suficiente para assegurar o exercício do direito de defesa. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à instância "a quo" para análise do mérito. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 353DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (Conselheiro Convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Declarouse impedido o Conselheiro o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, Acórdão nº 20601.372, de 07/10/2008, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 01/11/2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, c/e artigo 11, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Fl. 354DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 37318.000835/200781 Acórdão n.º 920201.808 CSRFT2 Fl. 2 3 Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. Processo Anulado. O órgão fazendário recorre sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à legislação tributária, especificamente os artigos 10, 11, 59 e 60 do Decreto lei nº 70.235, de 1972, tendo em vista a declaração de nulidade no acórdão recorrido ter extrapolado as causas previstas na legislação regente. Também manifesta o órgão fazendário a existência de divergência com decisões proferidas por outros colegiados no tocante a nulidade declarada, inexistindo possibilidade de declarar tal nulidade com argumento de insuficiência na descrição do fato gerador. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 327/329, e encaminhado ao contribuinte para ciência do acórdão e apresentação de contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.327/329. Efetuado o exame de admissibilidade, entendo que o recurso especial preenche os requisitos formais e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida posta à apreciação deste colegiado diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência da ausência, no Relatório Fiscal, de demonstração pormenorizada dos critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento e ausência de indicação, no anexo relativo aos Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo que ampara o crédito tributário. A Fazenda Nacional afirma, conforme relatado alhures, que não houve cerceamento de defesa. Além disso, sustenta que o prejuízo deveria ter sido demonstrado pelo voto condutor do acórdão recorrido o que de fato não ocorreu. Faço coro aos que no passado, por diversas vezes, manifestaram o entendimento de que a nulidade dos lançamentos fiscais deveria ser declarada sempre que fosse identificada situação de erro no procedimento fiscal ou na atuação da autoridade e que não fosse possível o saneamento. Ora dúvidas não há que no momento em que o lançamento é efetuado está a autoridade fiscal fixando quais foram as razões que determinaram sua convicção de que o fato gerador da obrigação tributária efetivamente ocorreu. Todo o procedimento administrativo Fl. 355DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 fiscal nasce desta premissa: o fato gerador ocorreu ou não. A obrigação tributária existe e pode ser cobrada ou não. Dessa forma, a determinação da matéria tributável, entre outros elementos, é essencial para a própria existência do lançamento e, por conseguinte, o crédito tributário; além de ser essencial ao pleno exercício da defesa do contribuinte, razão pela qual sua omissão ou a insuficiência dos motivos que formaram a convicção da autoridade fiscal fragiliza o lançamento de tal forma que impede a sua continuidade no mundo jurídico, o que implica em sua nulidade por vício material. Contudo, no campo da teoria das nulidades, especificamente no âmbito processual, há muito a doutrina e a jurisprudência estão calcadas no binômio finalidade do ato e demonstração do prejuízo. Nesse sentido, dentre os diversos princípios que permeiam a teoria das nulidades há de ser destacado o da instrumentalidade das formas. Por tal princípio a existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes não se declara sua nulidade. Pois bem, em nenhum momento o contribuinte teve o seu entendimento obscurecido em relação aos fatos que lhe foram imputados. Em todos os atos que praticou sempre manifestou juízo de valor capaz de discernir o que estava acontecendo em relação à notificação. Chama a atenção, conforme detalhada e precisa descrição presente no Relatório Fiscal, fl. 24, o fato de o contribuinte ter fornecido os nomes dos beneficiários, os valores da premiação, o número da nota fiscal. Em suma, todos os elementos necessários para apuração do montante devido, tendo em vista a premissa de que os valores pagos na forma de prêmios se constituiriam em remuneração e, portanto, incidiria a contribuição previdenciária. Transcrevo trecho da impugnação, fls. 56, em que o sujeito passivo demonstra conhecimento da natureza da rubrica que está sendo lançada, questionando, discutindo, tão somente se os valores pagos poderiam ser considerados salário de contribuição, ou não. Em outras palavras, o contribuinte discute, precisamente, o mérito, tendo em vista o lançamento não ter prejudicado o exercício 24. Conforme já anteriormente informado, o presente lançamento se deu exclusivamente em decorrência da suposta falta de recolhimento das Contribuições Previdenciárias incidentes, na interpretação do Sr. Auditor Fiscal, sobre prêmios pagos aos empregados e colaboradores da Impugnante através dos cartões fornecidos pela Incentive House S.A, no período compreendido entre os anos 2002 e 2005. 25. Logo é possível perceber que para a Fiscalização, a simples análise dos documentos (notas fiscais de serviço) fora suficiente para concluir que tais pagamentos se deram em forma de prêmios e que estes integrariam o salário contribuição conforme determinado pelo artigo 22, I e III da Lei 8212/91, que diz: (...) Fl. 356DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 37318.000835/200781 Acórdão n.º 920201.808 CSRFT2 Fl. 3 5 31. Para que possamos chegar a correta definição de remuneração, é imprescindível,primeiramente, definir o conceito de gratificações, prêmios e de gratificações ajustadas. 32. As gratificações constituem recompensas incondicionadas concedidas pelo empregador, por mera liberalidade. É, nas palavras de Valentim Carrion, citando Gomes Gottschalk, a "manifestação livre do empregador por simples liberalidade ou júbilo, em face de certo acontecimento ligado ao empregador ou à empresa, sem promessa anterio(4 33. Tal gratificação, também denominada "verdadeira" ou "stricto sensu", não integra a remuneração do empregado em razão da inexistência de previsão legal nesse sentido. 34. Os prêmios, assim como as gratificações verdadeiras, também consistem em benefícios incondicionados e concedidos por liberalidade do empregador, e objetivam recompensar o empregado pela eficiência na prestação de determinado serviço, pela assiduidade ou por ter completado certo período de tempo na empresa. 35. Como se pode verificar, os benefícios acima definidos têm regime jurídico bastante semelhante, sendo que, na prática, a distinção entre tais benefícios consiste no fato de que as gratificações são conferidas, via de regra, de forma coletiva, a todos os empregados, enquanto que os prêmios são conferidos para recompensar atributos pessoais de determinados indivíduos, conforme a vontade do empregador, e segundo condições estabelecidas previamente. Em verdade, a análise acurada de todos os elementos que compõem os autos (relatórios fiscais, anexos e demais termos), permite a constatação de que todas as formalidades estabelecidas tanto pelo Decreto nº 70.235, de 1972, quanto pela Lei nº 8.212, de 1991, foram atendidas, razão pela qual a decisão recorrida merece ser reformada, tendo em vista não ter ocorrido em nenhum momento cerceamento de defesa e, portanto, prejuízo aos direitos constitucionais do contribuinte. Acrescento, como bem reporta vasta jurisprudência dos tribunais pátrios, que o processo administrativo fiscal não é um fim em si mesmo, mas um instrumento de controle da legalidade dos atos administrativos, submetendose à necessária verificação da verdade material quanto à existência do fato gerador, verdade esta que se sobrepõe ao formalismo que alguns defendem quando declaram nulidade em contextos perfeitamente sanáveis. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL para anular o Acórdão 20601.372, devendo os autos retornar à Câmara a quo para análise do mérito. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 357DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 Fl. 358DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 13971.002471/2002-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IPI. COMPENSAÇÃO. REALIZAÇÃO. FORMA.
A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e
contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil somente pode ser
realizada por meio da apresentação de declaração de compensação (forma
especial do ato jurídico), sendo irrelevante para efeito da compensação a
prévia vinculação de débitos em DCTF ou outra declaração informativa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS.
A apresentação da declaração de compensação representa a extinção
condicional de crédito tributário e não tem influência sobre o vencimento do
débito compensado. Sobre o débito compensado vencido incidem multa e
juros de mora.
DÉBITOS PREVIAMENTE DECLARADOS EM DCTF. DENÚNCIA
ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Não configura denúncia espontânea a compensação de débito em aberto
previamente declarado em DCTF. Precedentes do STJ.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Somente é aplicável a atualização monetária de saldos de créditos de IPI na
hipótese de haver oposição ilegal do Fisco ao reconhecimento de crédito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.345
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela
recorrente, a Dra. Juliana Santos Bittencourt – OAB/SC 30610.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. COMPENSAÇÃO. REALIZAÇÃO. FORMA. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil somente pode ser realizada por meio da apresentação de declaração de compensação (forma especial do ato jurídico), sendo irrelevante para efeito da compensação a prévia vinculação de débitos em DCTF ou outra declaração informativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. A apresentação da declaração de compensação representa a extinção condicional de crédito tributário e não tem influência sobre o vencimento do débito compensado. Sobre o débito compensado vencido incidem multa e juros de mora. DÉBITOS PREVIAMENTE DECLARADOS EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não configura denúncia espontânea a compensação de débito em aberto previamente declarado em DCTF. Precedentes do STJ. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Somente é aplicável a atualização monetária de saldos de créditos de IPI na hipótese de haver oposição ilegal do Fisco ao reconhecimento de crédito. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Juliana Santos Bittencourt – OAB/SC 30610.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. COMPENSAÇÃO. REALIZAÇÃO. FORMA. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil somente pode ser realizada por meio da apresentação de declaração de compensação (forma especial do ato jurídico), sendo irrelevante para efeito da compensação a prévia vinculação de débitos em DCTF ou outra declaração informativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. A apresentação da declaração de compensação representa a extinção condicional de crédito tributário e não tem influência sobre o vencimento do débito compensado. Sobre o débito compensado vencido incidem multa e juros de mora. DÉBITOS PREVIAMENTE DECLARADOS EM DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não configura denúncia espontânea a compensação de débito em aberto previamente declarado em DCTF. Precedentes do STJ. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Somente é aplicável a atualização monetária de saldos de créditos de IPI na hipótese de haver oposição ilegal do Fisco ao reconhecimento de crédito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Fl. 246DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.002471/200297 Acórdão n.º 330201.345 S3C3T2 Fl. 231 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Juliana Santos Bittencourt – OAB/SC 30610. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 223 a 228) apresentado em 16 de junho de 2011 contra o Acórdão no 1433.552, de 03 de maio de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 215 a 220), cientificado em 17 de maio de 2011, que, relativamente a pedido de ressarcimento de IPI do 2º trimestre de 2002, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO. A compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.002471/200297 Acórdão n.º 330201.345 S3C3T2 Fl. 232 3 A multa de mora é aplicável nos casos em que, embora espontaneamente, o recolhimento do crédito tributário pelo contribuinte se dê após a data de vencimento. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não incide atualização monetária, calculada pela variação da taxa Selic, sobre ressarcimento de créditos de IPI, por ser hipótese distinta de restituição de imposto pago indevidamente ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido de ressarcimento foi apresentado em 23 de setembro de 2002 (fl. 1) e a declaração de compensação transmitida em 19 de novembro de 2004 (fl. 151). A declaração foi não homologada parcialmente pelo parecer de fls. 155 a 157, de 03 de novembro de 2009, com ciência da Interessada em 06 de novembro de 2009. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente de declaração de compensação cujo direito creditório, advindo de pedido de ressarcimento totalmente reconhecido, no montante de R$60.856,65, foi insuficiente para a total exclusão dos débitos, em razão de estarem vencidos, o que acarretou a incidência dos encargos moratórios (multa e juros). Regularmente cientificada da homologação parcial de sua compensação, a empresa manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que os valor do ressarcimento pleiteados foram devidamente informados em DCTF, na qual também foram realizadas as compensações de débitos, porém, à época não foi apresentada o devido pedido de compensação e que, constatada tal falha, a empresa, em 19/11/2004, encaminhou espontaneamente, as declarações de compensação pertinentes a cada débito e crédito. Acrescentou que, de acordo com o artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e do juros de mora e, no caso em concreto, as compensações realizadas são legalmente admissíveis e foram tempestivamente informadas nas DCTF referentes ao período de apuração, sendo a falta da entrega dos pedidos de compensação suprida de forma espontânea e regular em 19/11/2004. Protestou pela atualização do crédito solicitado pela taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento até seu efetivo aproveitamento, alegando que a partir do pedido o crédito deixa de ser simples crédito escritural de IPI, passando a constituir crédito oponível ao fisco para recebimento em moeda ou para compensação. Por fim, solicitou que sejam homologadas as compensações, como tais descritas nos PER/Dcomp, sem qualquer lançamento à Fl. 248DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.002471/200297 Acórdão n.º 330201.345 S3C3T2 Fl. 233 4 título de multa de mora ou de ofício, tendo em vista se tratarem de compensação legalmente efetuadas ao abrigo do artigo 138 do CTN. Segundo a DRJ, a compensação somente poderia ser efetuada por meio da declaração de compensação e teria efeitos apenas a partir do momento de sua apresentação. Como a Interessada apresentou a declaração de compensação após a apresentação da DCTF, ainda que com vinculações, e do pedido de ressarcimento, somente ocorreu a compensação em data posterior à do vencimento dos débitos compensados, incidindo mula e juros de mora. Além disso, inexistiria previsão legal para incidência de juros sobre o saldo credor objeto do ressarcimento. No recurso, a Interessada defendeu o direito à compensação com base nas Instruções Normativas SRF nos 21, de 1997, e 33, de 1999. Segundo a Interessada, as compensações foram efetuadas na DCTF e informadas nos formulários de “Pedido de Ressarcimento”, mas, “logo que percebeu tal deslize, encaminhou imediatamente a PER/DCOMP consignando novamente a mesma compensação informada anteriormente, segundo instruções recebidas da própria SRF”, sem incidência de máfé. A seguir, tratou da denúncia espontânea e da correção dos créditos pela taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O presente recurso versa sobre a incidência de juros Selic sobre o ressarcimento de IPI, sobre as consequências da apresentação da declaração de compensação posteriormente ao vencimento dos débitos e a configuração de denúncia espontânea. Como relatado, a Interessada, originalmente, não apresentou pedidos ou declarações de compensação, que foram apresentadas depois da vigência da Lei no 10.637, de 2002. Nesse aspecto, o recurso da Interessada não traz fato novo algum aos autos, cabendo total razão ao acórdão de primeira instância, uma vez que, como entendimento reiterado deste Conselho, após a vigência da Medida Provisória no 66, de 2002, que deu origem à lei anteriormente citada, o único modo de o sujeito passivo detentor de crédito contra o Fisco Federal realizar compensação é por meio da apresentação de declaração de compensação. A Interessada requer o reconhecimento de que sua vontade de efetuar a compensação foi efetuada anteriormente. Entretanto, tratase de situação semelhante à prevista no art. 212 do Código Civil (Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002): Fl. 249DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.002471/200297 Acórdão n.º 330201.345 S3C3T2 Fl. 234 5 Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: [...] Assim, embora esteja demonstrada nos autos a intenção de compensação anterior, como a compensação, após a vigência da lei citada, exigia forma especial (apresentação de declaração de compensação), não há que se falar sequer em prova do fato, pois o fato jurídico em questão (compensação) somente restou configurado com a apresentação da declaração de compensação. Em relação à denúncia espontânea, aplicase ao caso o entendimento do STJ, proferido no regime do art. 543C do CPC no REsp no 1.149.022, segundo o qual somente o pagamento de diferença de tributo devida anterior ou concomitantemente à retificação de DCTF representa denúncia espontânea. No caso dos autos, houve declaração em DCTF, sem extinção do crédito tributário (compensação), que somente ocorreu posteriormente com a apresentação da declaração de compensação. Decorre diretamente desse fato e do entendimento anteriormente exposto, de aplicação obrigatória no âmbito do Carf à vista do art. 62A do Regimento Interno (Portarias MF nos 256, de 2009, e 586, de 2010), a aplicação da Súmula STJ no 360 ao caso dos autos: SÚMULA Nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Portanto, não houve denúncia espontânea e incidiam multa e juros de mora à época da extinção do crédito tributário. Finalmente, resta a questão da incidência da Selic aos créditos. Aplicase ao caso também o entendimento do STJ proferido no REsp no 993.164, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado no regime do já citado art. 543C do CPC e consolidado na Súmula STJ no 411: SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. No caso dos autos, não houve oposição ilegítima do Fisco, decorrendo o maior prejuízo ao sujeito passivo a sua própria demora em transmitir a declaração de compensação. Vejase que, no caso, o prazo levado pela autoridade fiscal para proferir a decisão não tem efeito sobre os valores, uma vez que, conforme disposto no art. 36 da IN RFB no 900, de 2008, a compensação é efetuada na data da apresentação da DCOMP. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13971.002471/200297 Acórdão n.º 330201.345 S3C3T2 Fl. 235 6 À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 251DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 17253.000027/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 21/12/2004
Ementa:
DECADÊNCIA:
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma,
conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 AUTO DE INFRAÇÃO.
A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua
contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91.
A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 21/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 21/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 AUTODEINFRAÇÃO. A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17253.000027/200970 Acórdão n.º 230201.364 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em 01/08/2005, com ciência em 08/08/2005, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada as verbas que são base de incidência contributiva previdenciária. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e atualizada pela Portaria Ministerial n.º 822, de 11/05/2005 O relatório fiscal da infração às fls. 14/16, elenca todos os fatos que não foram registrados na contabilidade da recorrente, como a não contabilização dos pagamentos a contribuintes individuais, engenheiros e advogados; mão de obra nas obras de construção civil; pagamentos havidos em reclamatórias trabalhistas; receitas auferidas e notas fiscais contabilizadas com valores inferiores aos contidos nas mesmas, tudo no período de 01/1998 a 12/2004. Após impugnação, DecisãoNotificação de fls. 677/684, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, arguindo em síntese: a) que realizou o arrolamento de bens em lugar do depósito recursal; b) a decadência qüinqüenal; c) o cerceamento de defesa, porque tinha solicitado prazo para corrigir a sua contabilidade; d) que o arbitramento é castigomor e cerceia o direito de defesa e o contraditório; e) que a solicitação de prazo para recompor a contabilidade não foi respondida; f) que deve ser concedido prazo razoável para corrigir os erros contábeis; g) que não se conforma com o arbitramento porque em dez anos somente ocorreram alguns erros e equívocos contábeis, o que não serve para desconsiderar a contabilidade; h) que os honorários advocatícios não foram lançados porque o trabalho foi gratuito, que não tem empregados trabalhando sem carteira assinada e que as bases da NFLD são fictícias; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 i) a inconstitucionalidade da multa por ser confiscatória e a imprestabilidade da SELIC. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17253.000027/200970 Acórdão n.º 230201.364 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares Quanto ao depósito recursal, tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. O auto de infração foi lavrado em 01/08/2005, cientificado ao sujeito passivo em 08/08/2005 e contempla competências de 01/1998 a 12/2004. O contribuinte argúi a decadência qüinqüenal e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo, artigo 173, inciso I, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/1999, inclusive. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Do Mérito Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17253.000027/200970 Acórdão n.º 230201.364 S2C3T2 Fl. 4 7 O auto de infração foi lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória definida em lei, qual seja lançar em títulos próprios da contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias. É equivocada a argüição da recorrente de que houve cerceamento de defesa porque solicitou prazo para corrigir sua contabilidade antes de ser autuada, o que não foi concedido, porque a legislação é clara ao impor o dever do fisco de lavrar o auto de infração ao constatar o descumprimento da obrigação acessória. Art. 142, do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. No caso presente, ao não contabilizar diversos valores pagos a contribuintes individuais, a segurados empregados, ao não lançar todas as receitas e contabilizar valores inferiores aos contidos nas notas fiscais, a recorrente descumpriu a obrigação acessória de registrar forma discriminada os fatos geradores de contribuição previdenciária e sujeitouse a lavratura do auto de infração. O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, traz que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, eis que é disposição legal trazida na Lei 8212/91, conforme citado acima que a empresa discrimine em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da mesma possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Assim, quando a fiscalização se depara com uma escrita contábil eivada de erros e inconsistências, deixando de lançar fatos geradores de contribuição, é mister a lavratura do auto de infração, por descumprimento da obrigação acessória contida no artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91. Também foram cumpridos todos os requisitos constantes do artigo 10, do Decreto n.º 70235/72, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, não configurando o aludido cerceamento de defesa: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17253.000027/200970 Acórdão n.º 230201.364 S2C3T2 Fl. 5 9 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e atualizada pela Portaria Ministerial n.º 822, de 11/05/2005, na forma estabelecida pelo INSS, à época da autuação. Quanto às argüições acerca do percentual abusivo e desproporcional da multa, temos a considerar que o mesmo vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Ademais, deve agir com imparcialidade, voltado para sua função precípua de controle da legalidade do ato administrativo. Portanto, na esfera administrativa o princípio da proporcionalidade ou da vedação ao excesso deve ser analisado sob o prisma de ser necessária ou não a sanção imposta. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. No que se refere a taxa SELIC, deixo de me manifestar, porquanto não foi aplicada neste auto de infração de obrigação acessória, que contempla apenas a multa punitiva. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13899.000978/2001-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1991 a 31/10/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do
Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma
conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-001.193
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 16/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 21/11/2001 a empresa NASCHOLD ELEMENTOS DE FIXAÇÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada, ingressou com o pedido de restituição de contribuição para o PIS, relativo a pagamentos efetuados no período de apuração de outubro de 1991 a outubro de 1995, alegando inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e, para os períodos de apuração de novembro de 1995 a outubro de 1998, .alegando que o PIS não poderia ser exigido nesse período em face da inconstitucionalidade declarada, pelo STF, na ADIN no 14170. A DRF em Sorocaba SP indeferiu o pedido da recorrente e não homologou as compensações, sob a alegação de que está extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição; não se aplica a semestralidade da base de cálculo do PIS; e não houve recolhimentos indevidos porque o STF declarou a inconstitucionalidade tãosomente do termo in fine contido no art. 18 da Lei no 9.715/98, nos termos do Despacho Decisório de fls. 126/128. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade, cujas alegações estão resumidas no relatório do acórdão recorrido. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1416.750, de 20/08/2007 fls. 133/141. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/10/2007, conforme AR de fl. 143, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 08/01/2008, o recurso voluntário de fls. 144/152, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 o direito de pedir a restituição extinguese em cinco anos contados após a homologação do pagamento antecipado, data em que se considera extinto o crédito tributário. Cita jurisprudência judicial; 2 tem direito à restituição em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, quando passou a ser aplicado as disposições da Lei Complementar nº 7/70; 3 o cálculo do seu crédito deve ser efetuado considerandose a semestralidade da base de cálculo do PIS; 4 com a suspensão, pelo STF, da eficácia da parte final do art. 15 da MP nº 1.212/95, a vacatio legis se estendeu até 23/03/2001. Sem ordenamento legal sobre o fato gerador do PIS não há contribuição. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13899.000978/200145 Acórdão n.º 330201.193 S3C3T2 Fl. 191 3 Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário apresentado não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, por ter sido interposto intempestivamente. Assim, dele não conheço. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/10/2007 e somente no dia 08/01/2008, já transcorridos 90 (noventa) dias da ciência da decisão de primeira instância, foi interposto o Recurso Voluntário fls. 144/152. Determina o art. 33 do Decreto no 70.235/72 que é cabível recurso voluntário dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão”. Por sua vez, o art. 35, também do Decreto nº 70.235/72, determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que julgará a perempção: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção”. No caso sob exame não resta nenhuma dúvida de que o recurso foi interposto após o transcurso do prazo assinalado no art. 33 acima transcrito, posto que o termo final para apresentação do recurso voluntário ocorreu no dia 08/11/2007 e o recurso foi apresentado no dia 08/01/2008. A recorrente silenciou sobre a interposição do recurso após o decurso do prazo legal. Em face do exposto, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de, em sede de preliminar, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 260DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Fl. 261DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10746.000643/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/05/2003
DECADÊNCIA PARCIAL. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. REPASSE PARCIAL OU INEXISTENTE.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
Prevalece o lançamento fiscal quando devidamente fundamentado na
legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1993 a 31/05/2003 DECADÊNCIA PARCIAL. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. REPASSE PARCIAL OU INEXISTENTE. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Prevalece o lançamento fiscal quando devidamente fundamentado na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. REPASSE PARCIAL OU INEXISTENTE. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Prevalece o lançamento fiscal quando devidamente fundamentado na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10746.000643/200778 Acórdão n.º 2301002.424 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo ESTADO DE TOCANTINS contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal referente às contribuições devidas à Seguridade Social e não recolhidas pelo contribuinte, incidentes sobre a folha de pagamento dos empregados, bem como as referentes aos pagamento às pessoas físicas. 2. Narra o relatório fiscal (ff. 60/61) que o débito foi lançado com base nos levantamentos “R01 A R12 – RETENÇÃO. Referemse à retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais nas prestações de serviço de construção civil”. 3. A decisão de primeira instância, refutando os argumentos trazidos pela empresa, manteve o lançamento fiscal em sua integralidade, nos termos da ementa que transcrevo abaixo: “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços mediante cessão de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, procedendo ao recolhimento em nome da contratada de acordo com o art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98. A notificação fiscal sob análise não contempla contribuições lançadas com base na solidariedade existente entre a contratante e contratada, à luz do disposto no art. 31 da Lei 8.212/91, razão pela qual a defesa, no mérito não é conhecida, por não guardar qualquer relação com os fatos apresentados no relatório fiscal e anexos da NFLD. LANÇAMENTO PROCEDENTE”(f. 75) 4. Inconformado com a decisão proferida e, por conseguinte, buscando a reforma em parte da decisão de primeira instância o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese que: “(...) o valor devido é menor do que o que foi lançado, haja vista que a fiscalização deixou de considerar aspectos importantes na fiscalização, que exime em parte a Recorrente do pagamento total do valor autuado, senão vejamos: Em alguns processos foram considerados os recolhimentos efetuados através de GPS, identificados pelo CNPJ e ou CEI; A mesma situação em outros processos foram desconsideradas; Questões relacionadas às competências; Processos em que as Empresas apresentaram os documentos exigidos pelo INSS, não considerados; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Contribuições retidas e recolhidas pelo Estado, não foram considerados, dentre outros, os quais apresentamos a seguir: Apesar do Auditor, em alguns casos, não considerar os pagamentos efetuados nas GPS tendo como identificados o CNPJ da empresa, mas o pagamento foi efetuado. Das várias empresas analisas pelo Senhor Auditor do INSS, apesar da declaração do contados e cópias dos documentos exigidos, de que a empresa esta fazendo a escrituração contábil, não foi levado em consideração. Se nos autos contém a declaração do contados, reconhecida em cartório, atestando que os impostos estão sendo recolhidos e a escrituração feita e cópia do GPS, GFIP e folhas de pagamento anexadas nos autos, qual a responsabilidade do Estado perante o INSS?” (ff. 86 a 87) 5. Tendo em vista as alegações trazidas pelo contribuinte e a juntada de documentação, notadamente cópias de GPS, os autos foram baixados em diligência para que fossem sanadas as seguintes questões: “10. Diante de todo o exposto, fazse necessária a elucidação das questões elencadas nos itens 9 a 9.6, bem como a análise da documentação juntada pelo recorrente (fls. 92 a 152), principalmente das cópias do GPS apresentadas (fls. 94, 96, 102, 105, 107, 112, 115, 118, 119, 122, 128, 134, 136, 138, 142 e 149), com vistas a se concluir se as alegações aduzidas elidem, em parte, como pretende o recorrente, o lançamento fiscal perpetrado. Para tanto, solicitamos à Seção de Fiscalização que comande Diligência Fiscal.” (f. 157) 6. Em resposta à diligência solicitada, o agente fiscal firmou posição no sentido de retificar parte do débito lançado, conforme consta das seguintes considerações: “2. quanto aos itens 9.1, 9.2, 9.3, 9.4, com relação as bases de cálculo de 35% do valor bruto da nota fiscal, os serviços prestados referemse a construção ou reforma de prédios, não sendo comprovada a utilização dos pretensos meios mecânicos. O referido percentual é fruto de um erro do departamento de controle interno da Secretaria da Fazenda que permitia a aplicação desta alíquota a todo e qualquer contrato de construção civil, esse erro também foi encontrado nos mesmos períodos em fiscalizações realizadas em outras secretarias; 3. com relação ao instituto da solidariedade nos contratos com a construtora Encam, item 9.2 e construtora Porto, item 9.5 e 9.6, os argumentos da defesa devem ser atacados, os valores cobrados indevidamente deverão ser excluídos de acordo com a tabela disposta ao final deste despacho; 4. com relação a não consideração dos recolhimentos parciais relativos às notas da construtora Rio Tranqueira, item 9.3, foram lançados valores nas competências 11/2001, 12/2001 e 03/2002, a defesa apresentou as GPS relativas às competências 03/2002 a 03/2003, será corrigida apenas a competências 03/2002; 5. quanto à retenção da construtora Dourado, mencionada no item 9.4, o valor foi cobrado indevidamente, deverá ser acatado o argumento da defesa, a correção encontrase discriminada na tabela ao final; 6. a GPS mencionada no item 9.6 não foi considerada na fiscalização, a correção devida consta da tabela de correções; 7. a apresentação parcial dos processos de pagamento das obras de construção civil, além de um auto de infração contra o Sr. Secretário de Segurança, resultou na necessidade de a fiscalização ser realizada com base nos processos de prestação de contas, elevando sobremaneira o risco de auditoria. Assim, identificados os erros Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10746.000643/200778 Acórdão n.º 2301002.424 S2C3T1 Fl. 3 5 decorrentes, fazse necessário ajustar o valor cobrado originalmente conforme comentado nos itens anteriores e sistematizado na tabela de correção a seguir (...)” (ff. 158 a 159) 7. Sobre a resposta dada pelo fisco à diligência requerida, o contribuinte se manifestou dizendo que “a diligência deveria fiscalizar também as empresas contratadas pela Recorrente, para verificar a contabilidade e os recolhimentos efetivados pelas mesmas, a fim de se encontrar o valor realmente devido”. (ff. 163 a 164) 8. O processo foi encaminhado para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília – DF para novo julgamento. A decisão proferida restou ementada nos seguintes termos: “RETENÇÃO DE 11%. CESSÃO DE MÃODEOBRA. A empresa contratante de empreitada parcial é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada. Lançamento Procedente em Parte.” (f. 167) 9. Não satisfeito com a decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que a decadência parcial do débito lançado referente ao período compreendidos entre 04/1993 a 12/1997, com base no artigo 173, I do CTN. 10. O fisco, embora devidamente cientificado da apresentação do recurso administrativo, não apresentou suas contrarrazões. Os autos seguiram para a apreciação deste Conselho. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaída, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10746.000643/200778 Acórdão n.º 2301002.424 S2C3T1 Fl. 4 7 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 8. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, juntado às ff. 03 e 04, que foram analisadas folhas de pagamento, GFIPs – Guia de Recolhimento do FGTS e Informação da Previdência Social Além disso, consta do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, ff. 30 a 47, que Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10746.000643/200778 Acórdão n.º 2301002.424 S2C3T1 Fl. 5 9 houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. 9. Conforme disposto no item 2.5 do Relatório Fiscal de ff. 60 a 61 “o valor originário do débito corresponde a aplicação da alíquota de 11% sobre 50% do valor bruto da nota fiscal. Nos casos em que a base de cálculo apurada pelo Governo foi menor que os percentuais supra citados, mas houve o recolhimento do valor retido, cobrouse apenas a diferença não retida; nos casos em que houve a correta retenção na nota fiscal, mas não houve o recolhimento, cobrouse o valor integral do débito”. Assim, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 10. Dessa forma, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 04/12/2003, referente às contribuições do período de 01/02/1999 a 31/10/2002 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 01/1993 a 11/1998, restando mantidas as competências 12/1998 a 05/2003. 11. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO FISCAL 12. Narra o relatório fiscal que o lançamento do débito se deu com base nos “levantamentos R01 A R12 – RETENÇÃO” que “referemse à retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais nas prestações de serviço de construção civil” (f. 60). Ainda em consonância com a peça introdutória “nos casos em que a base de cálculo apurada pelo governo foi menor que os percentuais supra citados, mas houve o recolhimento do valor retido, cobrouse apenas a diferença não retida; nos casos em que houve a correta retenção na nota fiscal, mas não houve o recolhimento, cobrouse o valor integral do débito.” (f. 61) 13. Além disso, depreendese da decisão recorrida que o débito lançado “teve como fatos geradores, exclusivamente, os valores contidos em notas fiscais de serviços/faturas em serviços em cessão de mãode obra.” (ff. 169 a 170) 14. Assim, no presente caso, restou demonstrado que o contribuinte foi autuado tendo em vista que em algumas notas fiscais efetuou a retenção parcial do valor devido e os repassou à Previdência e em outras, apenas reteve o valor, mas não procedeu ao repasse como devido. 15. E conforme a legislação previdenciária, o débito está devidamente fundamentado, sendo que todos os fatos geradores e os dispositivos legais que motivaram e embasaram o lançamento encontramse perfeitamente discriminados (art. 33 da Lei 8.212/91 c/c 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99). Assim, como a base de cálculo encontrada pelo auditor fiscal não foi devidamente contestada pelo contribuinte, entendo que a decisão de primeira instância deve ser mantida nesse ponto. CONCLUSÃO 16. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, decotando do lançamento as competências alcançadas pela decadência quinquenal referentes aos período de 01/1993 a 11/1998. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator r Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10380.006687/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/04/2005
Ementa:
ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO.
São devidas as contribuições previdenciárias patronais a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ATO CANCELATÓRIO. São devidas as contribuições previdenciárias patronais a partir da decisão definitiva quanto ao Ato Cancelatório de Isenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 15/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 23/12/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 28/12/2005, é substitutiva da NFLD n.º 35.568.1218, emitida em 10/11/2004, que foi anulada por vício formal devido à falta de ciência do sujeito passivo no Mandado de Procedimento Fiscal Complementar emitido durante a ação fiscal anterior. O levantamento relativo ao período de 03/1998 a 04/2005, referese a diferenças de acréscimos legais em guias recolhidas fora do prazo, à glosa de deduções de saláriofamília e saláriomaternidade efetuadas a maior, em confronto com as folhas de pagamento e às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O relatório fiscal de 446/450, informa que a entidade teve sua isenção cancelada através do Ato Cancelatório emitido em 01/01/2001. Assim, a entidade era isenta das contribuições patronais até a competência 12/2000. A partir de 01/01/2001, não gozava mais do benefício legal, motivo pelo qual as contribuições patronais estão sendo cobradas neste notificação. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para esclarecimentos fiscais acerca da documentação que sustentou o levantamento e informação de fls. 552/555, diz que foi utilizada a documentação examinada na fiscalização anterior, pois não foram apresentados novos documentos, conforme solicitados no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD de fl.512, fazendo também um histórico de toda a situação encontrada na entidade, quando da atual ação fiscal, esclarecendo porque os documentos foram enviados através de registro postal, já que por inúmeras vezes os representantes da entidade não se encontravam no local. Foi reaberto o prazo de defesa e após manifestação da entidade, Acórdão de fls. 594/623, julgou o lançamento procedente em parte para excluir as competências até 10/1999, frente à decadência qüinqüenal exposta no artigo 150,§4º do Código Tributário Nacional. Ainda inconformada, a entidade apresentou recurso onde alega que é filantrópica há mais de 40 anos e que em 07/11/2008, foi publicada a Medida Provisória n.º 446, deferindo o pedido de renovação do certificado de entidade beneficente , o que foi confirmado com a Resolução n.º 7, de 03/02/2009. Argúi que voltou a ter o status anterior, requerendo que os julgados sejam revistos diante da nova situação. É o relatório. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006687/200706 Acórdão n.º 230201.485 S2C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame O crédito referese às contribuições previdenciárias patronais, diferenças de acréscimos legais e glosas de deduções efetuadas a maior, tudo no período de 03/1998 a 04/2005, e a notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 28/12/2005. A questão da decadência qüinqüenal já foi apreciada na primeira instância e o crédito lançado retificado, restando nesta notificação as competências de 11/1999 a 04/2005. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. A recorrente não contesta as bases lançadas e as rubricas, se limitando a argüir a sua condição de entidade isenta da contribuição previdenciária, com base na Renovação de seu CEAS, através da Resolução do CNAS n.º 7 de 03/02/2009. Entretanto, por todos os elementos constantes dos autos, é de se notar que a entidade teve cassada a isenção patronal das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/2001, através do Ato Cancelatório emitido em 13/09/2002, sendo dada ciência à entidade pelo Ofício n.º 05401.410391/2002, documentos de fls.506 e 507. À época do lançamento e dos fatos geradores, a isenção patronal das contribuições previdenciárias era regida pelo artigo 55, da Lei n.º 8212/91 e artigo 206 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99. O citado artigo 55, impunha, no seu inciso II, como uma das condições para usufruir o benefício da isenção, a posse do Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Lei nº 11.457, de 2007) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24/8/2001) Fl. 808DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 No caso em tela, a entidade teve a isenção cancelada justamente por não possuir o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos válido, documento essencial para tanto. Ainda conforme expresso no artigo 206, §9º, do Regulamento da Previdência Social, vigente à época do lançamento, não cabia recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social de decisão que houvesse cancelado a isenção pela falta de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Desta forma, o Ato Cancelatório da isenção patronal, foi definitivo e produziu seus efeitos, não havendo que se perquirir, neste processo de lançamento do débito, quanto a sua pertinência ou validade. Ademais, no exame dos autos, podese constatar que a decisão recorrida já tinha bem informado à recorrente de que os seus pedidos de renovação do Certificado tinham sido todos indeferidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, conforme consta da Resolução n.º 125, de 19/07/2007: Resolução n° 125. O CONSELII0 NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CNAS, cm reunião realizada nos dias:‘17; 18 e 19 de julho de 2007, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 18 da Lei n° 8.742, de 7 de dezembro de 1993, RESOLVE: . • I — ACATAR a REPRESENTAÇÃO FISCAL oferecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, nos termos do disposto no art. 7o, § 2o, do Decreto n°2.536, de 1998, contra as seguintes entidades: (..) 3) Processo n.° 71010.000158/200521 ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE CEARENSE DE REABILITAÇÃO ABCR FortalezaCE CNPJ: 07.271.240/000170 Decisão: ACATAR a Representação Fiscal oferecida pelo INSS contra a entidade acima nominada procedendo ao INDEFERIMENTO do Pedido de Renovação do CEAS referente ao processo n.º 44006.000372/200141, por não atender os seguintes requisitos legais: Art. 3°, inciso VI do Decreto n° 2.536/98 (não aplicou o percentual mínimo de 20% em gratuidade nos exercícios de 1998, 1999 e 2000);Art. 3 0. inciso VII do Decreto n° 2.536/98 (distribuição de patrimônio nos exercícios de 1998, 1999 e 2000); Art. 3 0, inciso VIII do Decreto n° 2.536/98 (vantagens direta e indiretamente nos exercícios de 1998, 1999 e 2000); e ao INDEFERIMENTO do Pedido de Renovação do CEAS referente ao processo de n° 71010.000174/200433, por não atender os seguintes requisitos legais; Art. 3 0, inciso VI do Decreto n° 2.536/98 (não aplicou o percentual mínimo de 20% em gratuidade nos exercícios de 2001, 2002 e 2003); Art. 3°, inciso VII do Decreto nº 2.536/98 (distribuição de patrimônio nos exercícios de 2001, 2002 e 2003): Art. 3°. inciso VIII c/c) Decreto n° 2.536/98 (vantagens direta e indiretamente nos exercícios de 2001, 2002 e 2003); Art. 4°, inciso III, do Decreto 2.536/98 (não enviou Demonstração de Mutação do Patrimônio Liquido do exercício de 2003); Art. 4 0, inciso IV, do Decreto Fl. 809DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006687/200706 Acórdão n.º 230201.485 S2C3T2 Fl. 3 5 2.536/98 (não enviou Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos no . exercício de 2003); Art. 4°, inciso V, do Decreto 2.536/98 (não enviou notas explicativos referente aos exercícios de 2003); Art. 50, 2', do Decreto 2536'98 (não apresentou auditoria para os exercidos de 2001, 2002 e 2003). II Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Não consta dos autos recurso contra a decisão do CNAS, que se tornou definitiva e a entidade ao não possuir o certificado de entidade beneficente, não fazia jus à isenção patronal das contribuições previdenciárias, estando correto o lançamento do débito. Quanto à argüição recursal de que a MP 446/2009, teria concedido a certificação para a recorrente e por esse motivo o crédito lançado deveria ser revisto pois a entidade manteria o status quo anterior, tenho a dizer que a citada Medida Provisória foi rejeitada pelo Congresso Nacional (Câmara dos Deputados) em 10/02/2009, DOU de 12/02/2009 e atualmente a matéria isencional, no âmbito das contribuições previdenciárias, está regulada pela Lei n.º 12.101, de 27/11/2009, regulamentada pelo Decreto n.º 7.237, de 20/07/2010, alterado pelo Decreto n.º 7.300, de 14/09/2010. A recorrente não trouxe aos autos qualquer comprovação de que solicitou a sua certificação nos moldes da nova legislação, tampouco que teve renovada a certificação anterior. Portanto, de acordo com todos os elementos constantes dos autos o que se vislumbra é que a entidade teve indeferido o Certificado de Entidade Beneficente, o que motivou o cancelamento da isenção patronal das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/2001, conforme Ato Cancelatório acostado aos autos, fl.507, decisão que se tornou definitiva e permitiu o presente levantamento de débito referente à cota patronal das contribuições previdenciárias. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi – Relatora Fl. 810DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10120.004466/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Exercício: 2002
PAF – SIMPLES – VEDAÇÃO – Serviços gerais e de assessoria técnica em maciços florestais, é atividade incluída nas proibições de opção pelo Simples, conforme art.9º, XIII, da Lei nº. 9.317, de 1996.
PAF – ILEGALIDADE Súmula CARF Nº2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1102-000.645
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : Exercício: 2002 PAF – SIMPLES – VEDAÇÃO – Serviços gerais e de assessoria técnica em maciços florestais, é atividade incluída nas proibições de opção pelo Simples, conforme art.9º, XIII, da Lei nº. 9.317, de 1996. PAF – ILEGALIDADE Súmula CARF Nº2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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PAF – ILEGALIDADE Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO – Presidente e Relatora Editado em:22/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Leonardo de Andrade Couto, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente convocada) Gilberto Batista (Suplente Convocado) e Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) Relatório Fl. 530DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 2 Tratase de exclusão da sistemática do Simples Federal, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 112, de 20/08/2007 (fls. 17/19), com efeitos a partir de 01/09/2001. A ação fiscal aponta que a contribuinte desenvolve atividades de assessoria técnica em maciços florestais, vedada para opção pelo mencionado sistema de acordo com o art. 9o., XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. Instruem o procedimento anexos de fls. 01/16. Manifestação de inconformidade, às fls. 22/32, alega, em síntese, nos termos do relatório do acórdão recorrido, que: • Seu contrato social foi redigido de forma equivocada, pois jamais prestou serviços de assessoria técnica. Apenas presta serviços gerais, de menor complexidade, que não dependem de profissionais com formação superior ou legalmente habilitados. Junta descritivo de funcionários e cópias de notas fiscais para demonstrar o alegado; • A fiscalização não comprovou a situação descrita como excludente da sistemática, inexistindo nos autos prova de sua atividade; • A exclusão não pode ter efeitos retroativos, sob pena de ofensa aos princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei tributária, além de causarlhe a bancarrota. Acórdão 03.33285 da 4a. Turma da DRJ/BSB, fls. 281/286 julga improcedente a manifestação de inconformidade e está assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES II Ano calendário: 2001 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia são circunstâncias que impedem o ingresso ou a permanência no Simples Federal. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente em 26/01/2010, conforme fls.290, em 18/02/2010, interpõe o recurso voluntário de fls.291 à 302, onde repisa os argumentos oferecidos nas razões inaugurais. Aduz que o serviço prestado não requer a presença de qualquer profissional elencado no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9317/96. O equívoco decorre da clausula 3a. do seu contrato social,redigida de forma confusa. Ali reza que o objetivo da empresa é prestação de assessoria técnica quando na verdade jamais prestou tal assessoria, conforme provam as notas ficais anexadas aos autos. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10120.004466/200756 Acórdão n.º 110200.645 S1C1T2 Fl. 2 3 Durante a vigência do SIMPLES sob égide da Lei 9317/96, se encontrava enquadrada no permissivo da lei e não nas proibições do inciso XIII do artigo 9° do referido diploma.Com o advento do simples nacional, no qual sua atividade não se enquadra, modificou a forma de recolhimento de impostos, adequandose as normas legais. Comenta que os efeitos da exclusão, se legalmente amparada, só poderiam alcançar os fatos supervenientes ao entendimento manifestado pela Secretaria da Receita Federal, por força do sobreprincípio constitucional da segurança jurídica (consubstanciado na garantia individual da irretroatividade das normas e das disposições expressas do Código Tributário Nacional em seus artigos 103, I e 146). Provaria sua condição de compatibilidade ao sistema, o quadro de funcionários, sem qualquer qualificação profissional de maior envergadura. Porque não realiza medições especiais, análise físicoquímica, químicobiológica, projetos de engenharia e outras atividades cujo grau de complexidade demandaria a contratação de um físico, consultor, engenheiro ou químico. Sua atividade é de menor complexidade e perfeitamente cabível no permissivo lega. Aponta como suporte às suas alegações o decidido no acórdão 30132601. Quanto aos efeitos do ato declaratório, pede a aplicação da Lei 9.317/96,na redação inserida através da Lei 9.732, de 11/12/1998, que determinou os efeitos da exclusão a partir do mês subseqüente àquele em que se seu a exclusão, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9°., e não a partir do mês subseqüente a ocorrência da situação excludente, como era na redação original. Oferece julgados do Poder Judiciários que militam a seu favor, dos quais transcreve ementas :(AGRAVO DE INSTRUMENTO N. 2004.01.00.0472859/MG TRF1a REGIÃO/IMP.150204.TRF1a REGIÃO/IMP.150204 D:\Carga Monocráticas\GravaPDFs\PDFS\200401000472859 8 26 10 2004 10 10 00.doc 3 3. Apelo e remessa improvidos).(AMS 2001.38.00.0176316/MG, rel. Des.Fed. Hilton Queiroz, DJ de 07/08/2002.) Reclama do descumprimento de Princípios Constitucionais Tributários, atingidos pelo ato declaratório executivo n° 112, a exemplo, o princípio da irretroatividade da lei tributária. Por este é assegurado às pessoas segurança e certeza quanto aos atos pretéritos, em face da lei. Assim, toda vez que a lei pretender agravar, ou criar encargos, ônus, dever ou obrigação, só pode atingir situações futuras. Cita Hugo de Brito Machado, Roque Carrazza e José Eduardo Soares de Mello, para discorrer sobre a segurança jurídica, a irretroatividade de lei e atos administrativos. Conclui neste tópico que não é possível aplicar a exclusão de forma retroativa, pois um erro na feitura do seu contrato social, não pode lhe tirar o direito que tem pela natureza dos serviços gerais que presta.E pede: (...) Com isso, requer que os doutos julgadores, apliquem os princípios aqui exposados, para que a empresa não seja prejudicada, por um erro que ocorreu em seu contrato, e assim, não retroagir a cobrança de tributos sobre outro regime que não o SIMPLES., Fl. 532DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 4 Discorre sobre a inconstitucionalidade da exclusão do Simples Nacional. Diz que o ato expendido pela SRF afronta o artigo 179 da Constituição Federal, transcreve e comenta o dispositivo. Repisa a natureza das suas atividades e que elas requerem, no máximo, o acompanhamento de técnicos e nunca a presença de engenheiros ou consultores. Menciona a Resolução 218/73 do CREA que dispõe sobre as atividades profissionais de engenharia, sem contudo, cuidar da atividade privativa de engenheiros, podendo ser desenvolvida por técnicos de 2o.grau Comenta que a Resolução serve de alento para todas as empresas que se acham excluídas do SIMPLES por conta do Ato Declaratório Executivo da Secretaria de Receita Federal. Segue para dizer que os efeitos da retroatividade frente à exclusão aponta para outra ilegalidade, por violação expressa ao disposto no artigo 150, III, 'a’, da Constituição Federal. E ainda, o comando do artigo 15 da lei 9317/96 que trata dos efeitos da exclusão, quando no inciso II se refere ao mês subseqüente aquele de ocorrência da situação excludente, quer se referir à notificação do Ato Declaratório Executivo. É dever da SRF apurar e fiscalizar as opções de ingresso no SIMPLES. Não pode o contribuinte ser penalizado por essa omissão, pois além de tudo, é a parte hipossuficiente da relação. Dispõe o fisco de todo aparato tecnológico e humano para verificar tais situações, e afastase desde o início qualquer tentativa de utilização de máfé na adesão ao sistema, eis que esta tem que ser provada. Conclui que o Ato Declaratório Executivo emanado pela SRF possui duas ilegalidades que devem ser combatidas, a própria exclusão de atividade que não necessita de profissional legalmente habilitado; e que mesmo que se opere referida exclusão, esta deve se dar a partir da notificação e não retroagir para prejudicar. Resume o pedido nos seguintes termos: a) Seja julgado improcedente o Ato Declaratório Executivo n° 112, de 20 de agosto de 2007, sendo esse ato fundamentado no processo administrativo 10120.0044661200756, tornando nula a decisão que excluiu a empresa dá, SIMPLES, na vigência da lei 9.317/96, e com isso, não retroagindo o efeito à 01 \de setembro de 2001, para determinar que os efeitos da exclusão tenham início a partir do mês subseqüente ao Ato Declaratório n° 112, de 20 de agosto de 2007. b) Face ao princípio do contraditório e ampla defesa, caso Vossas Excelências ache necessário, requer a produção de prova pericial nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70235/72, para a comprovação do alegado. c) Seja a exclusão do SIMPLES que está regido pela Lei n° 9.317/96,somente a partir do termino da vigência da referida lei, que se deu no dia 30 de julho de 2007, tendo efeito somente após o dia 01 de julho de 2007, não como deseja o delegado da Receita Federal de Goiânia. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10120.004466/200756 Acórdão n.º 110200.645 S1C1T2 Fl. 3 5 Sendo assim, requer finalmente o conhecimento e provimento do presente recurso, para reformar a decisão proferida pela Quarta Tuma Julgadora. Despacho de fls.303 encaminha o processo para o CARF. Por sorteio o recebo para relato. É o Relatório. Voto Fl. 534DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 6 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Trata o processo de pedido de inclusão na sistemática do Simples Federal e para tanto, o cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 112, de 20/08/2007 (fls. 17/19), com efeitos a partir de 01/09/2001. A exclusão se deu com base no art. 9o., XIII, da Lei n° 9.317 de 1996, porque a contribuinte desenvolve atividades de assessoria técnica em maciços florestais, vedada para opção pelo mencionado sistema. Determina o dispositivo: Art. 9o. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Conforme já explicitado pela Coordenação Geral de Tributação, tem relevo , que para fins de verificação da possibilidade de ingresso/permanência no Simples Federal, as atividades efetivamente exercidas pelos contribuintes, independentemente da descrição de seu objeto social. Havendo no contrato social cláusula que possibilite a realização de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, a permanência no sistema será conferida ante a comprovação, apenas, do exercício das atividades não vedadas. Esclarece a questão 148 da “Perguntas e Repostas Pessoa Jurídica 2004, que “ também estará impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social.” (Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica 2004, questão n° 148). Portanto, tratase de verificar a verdade dos fatos.Como bem instruído nos autos e verificado na decisão de primeiro grau, temse que: constam às fls. 02/16: (..) • Cópia de contrato datado de 20/08/2001 (fls.06/09): PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS E ASSESSORIA TÉCNICA EM MACIÇOS FLORESTAIS Cópia da primeira alteração contratual, datada de 07/04/2005 (fls.04/05): PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS E ASSESSORIA TÉCNICA EM MACIÇOS FLORESTAIS; • Cópias de notas fiscais de prestação de serviços, emitidas em abril/2003, nas quais se verificam as seguintes descrições: Fl. 535DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10120.004466/200756 Acórdão n.º 110200.645 S1C1T2 Fl. 4 7 replantio, campina manual leve/pesada, manutenção de viveiro, roçada mecânica, controle químico entre linha, repasse combate formiga, exploração de lenha de eucalipto (fls. 12/14). Constam ainda em anexo à manifestação de inconformidade, cópias de notas fiscais emitidas entre 29/20/2001 e 16/08/2007 (fls. 56 a 278). Exemplificamse algumas descrições de serviços registrados em algumas dessas notas: Elaboração de inventário florestal e/ou plano de corte (fl. 78; 83; 86); Prestação de serviços na exploração de lenha de eucalipto (fls. 87; 89; 93); Diárias na limpeza de área (fls. 85; 88; 92); Controle Químico (fls.88; 91; 186; 232); Replantio de espécies nativas (fl. 90); Serviço de trabalhador temporário (fl. 164). Também milita contra a pretensão da Recorrente, a Resolução n° 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, que discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, e dispõe : Art. I° Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Fl. 536DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 8 Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. [...] Art.5o. Compete ao ENGENHEIRO AGRÔNOMO:I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1o.desta Resolução, referentes a engenharia rural;construções para fins rurais e suas instalações complementares; irrigação e drenagem para fins agrícolas; fitotecnia e zootecnia; melhoramento animal e vegetal; recursos naturais renováveis; ecologia, agromete orologia; defesa sanitária; química agrícola; alimentos; tecnologia de transformação (açúcar, amidos, óleos, laticínios, vinhos e destilados); beneficiamento e conservação dos produtos animais e vegetais; zimotecnia; agropecuária; edafologia; fertilizantes e corretivos; processo de cultura e de utilização de solo; microbiologia agrícola;biometria; parques e jardins; mecanização na agricultura; implementos I agrícolas; nutrição animal; agrostologia; , bromatologia e rações; economia rural e crédito rural; seus serviços afins e correlatos. [...]Art. 10 Compete ao ENGENHEIRO FLORESTAL:I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo I° desta Resolução, referentes a engenharia rural;construções para fins florestais e suas instalações complementares, silvimetria e II inventário florestal; melhoramento florestal; recursos naturais renováveis;ecologia, climatologia, defesa sanitária florestal; produtos florestais, sua tecnologia e sua industrialização; edafologia; processos de utilização de solo e de floresta; ordenamento e manejo florestal; mecanização na floresta;implementos florestais; economia e crédito rural para fins florestais; seus • serviços afins e correlatos. Art. 23 Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO:I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1 0 desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais;II as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1° desta Resolução, desde que enquadradas no I desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Art. 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO:I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1° desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais;II as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1° desta Resolução, desde que Enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo.(destacouse) Ou seja o próprio órgão regulador da atividade determina que as atividades desempenhadas pela Recorrente requerem engenheiros ou assemelhados, se compaginando com a proibição expressa no artigo 9o., inciso XII da Lei 9317/96. Também as notas fiscais juntadas descrevem atividades que não comportam o benefício da tributação simplificada. Como bem notado na decisão recorrida: Fl. 537DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10120.004466/200756 Acórdão n.º 110200.645 S1C1T2 Fl. 5 9 (...) Importa ainda destacar que as atividades descritas naquelas notas fiscais também demonstram indícios de incidência em outra hipótese de vedação à opção pelo Simples Federal, qual seja, a prestação de serviço de vigilância, limpez'a c,onservação e locação de mãoideobra, vedados pelo art. 90, XII, alínea f da Lei n° 9.317, de 1996. Ao argumento expendido no sentido de que a exclusão deveria ser considerada em razão da data do Ato Declaratório Executivo e não em função do evento que lhe deu causa, nos termos dos julgados colacionados,cabe esclarecer que a legislação do SIMPLES deve ser observada em sua inteireza. Como se trata de tributação diferenciada, uma das formas de renúncia fiscal expressa, requer a observação do princípio da estrita legalidade, não comportando interpretações.de ordem doutrinária, que desviem seu fim. Além do mais, a jurisprudência oferecida faz lei entre as partes, não se aplicando aos particulares. No tocante aos efeitos da exclusão da sistemática do Simples Federal, o art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, determina que a exclusão se dê com efeitos retroativos à data da situação excludente (redação dada pela Lei n° 11.196, de 21/11/2005): Art. 15 A exclusão do Simples nas condições de que tratam os artigos 13 e 14 surtirá efeito: [..]II — a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos lua XIV, e XVIII a XIX do art. 9° desta Lei; A Instrução Normativa SRF n° 608, de 2006, em seu art. 24, definiu os efeitos desta lei. Por isto, constatada a incidência em hipótese de vedação ao ingresso opção/permanência no Simples Federal em razão de exercício de atividade impeditiva no anocalendário de 2001, correta a exclusão da sistemática já a partir desse anocalendário. Em suma, a Contribuinte reclama da falta de obediência aos Princípios de regência do PAF, mas, tal evento não se verificou. O Prof. Souto Maior Borges em seu Livro Lançamento Tributário, Malheiros Editores, SP. 2 8 ed.1999, p. 120/121 leciona, que o "procedimento administrativo de lançamento é o caminho juridicamente condicionado por meio do qual a manifestações jurídicas de plano superior a legislação produz manifestação jurídica de plano inferior o ato administrativo do lançamento. (...) E, porque o procedimento de lançamento é vinculado e obrigatório, o seu objeto não é relegado pela lei à livre disponibilidade das partes que nele intervêm. É indisponivel, em principio, a atividade de lançamento e, portanto insuscetivel de renúncia". O procedimento seguiu as regras prescritas em obediência aos comandos normativos que regem a a matéria. Em estudo sobre a segurança jurídica exigidos na atividade administrativa plenamente vinculada, afirma Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro.Saraiva1999, p.779): "No direito tributário, onde se fortalece ao extremo a segurança Jurídica, os princípios da legalidade e da especificidade legal são de sabida relevância. O agente da Administração Fl. 538DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 10 Fazendária, que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei —que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de discricionariedade.” Os argumentos expendidos que pedem a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de matérias submetidas as instâncias administrativas se opõe a súmula n.2 do CARF: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesta linha de juízo, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 539DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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