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Numero do processo: 36190.000271/2006-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, ALÍNEA “A”, LEI N° 8.212/91. NÃO CONFIGURAÇÃO. A ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais, não caracteriza infração ao disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quando ocorrer parcialmente, tão somente em relação aos valores arrecadados a menor, consoante precedentes deste Colegiado. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.989
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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Interessado  EMPRESA BAIANA DE ALIMENTOS S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2004  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  ARTIGO  30,  INCISO  I,  ALÍNEA  “A”,  LEI  N°  8.212/91.  NÃO  CONFIGURAÇÃO.  A  ausência  de  arrecadação  das  contribuições  previdenciárias,  mediante  desconto  nas  remunerações  dos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais,  não  caracteriza  infração  ao  disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quando ocorrer  parcialmente,  tão  somente  em  relação  aos  valores  arrecadados  a  menor,  consoante precedentes deste Colegiado.  Recurso especial negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo  Oliveira.     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL   2     (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator  EDITADO EM: 24/02/2012  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (Vice­Presidente em exercício), Luiz Eduardo de  Oliveira  Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado) Marcelo Oliveira, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Gustavo  Lian  Haddad,  Francisco  Assis  de  Oliveira  Junior,  Rycardo  Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  EMPRESA BAIANA DE ALIMENTOS S/A, contribuinte, pessoa jurídica de  direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra  si  lavrado Auto de Infração nº 35.690.913­1, nos termos do artigo 30,  inciso I, alínea “a”, da  Lei  nº  8.212/91,  c/c  artigo  216,  inciso  I,  alínea  “a”,  do  RPS,  por  ter  deixado  de  arrecadar,  mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço,  em relação ao período de 01/1995 a 06/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 04/05.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  a  empresa  deixou  de  arrecadar  a  contribuição dos segurados ali relacionados, sobre os respectivos valores recebidos a título de  Ajuda de Custo/Diária, que foram considerados como salário indireto.  Após regular processamento,  interposto recurso voluntário à Segunda Seção  de  Julgamento  do  CARF  contra  decisão  da  então  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  em  Salvador/BA, DN nº 04.401.4/0077/2005, às fls. 142/149, que julgou procedente o lançamento  fiscal em referência, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4a Câmara, em 08/07/2009, por maioria  de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DAR­LHE PROVIMENTO, o  fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401­00.526, com sua  ementa abaixo transcrita:  “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2004  PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NO  DESCONTO  DA  CONTRIBUIÇÃO  DO  SEGURADO.  ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO.  A  infração  consistente  em  deixar  de  arrecadar,  mediante  desconto das remunerações, as contribuições dos segurados não  se configura quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 36190.000271/2006­16  Acórdão n.º 9202­01.989  CSRF­T2  Fl. 247          3 as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem  passíveis de tributação.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.”  Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional  interpôs Recurso Especial,  às  fls.  204/209,  com  arrimo  no  artigo  67  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/2009,  procurando  demonstrar  a  insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo  fiscal,  insurge­se  contra  o Acórdão  atacado,  alegando  ter  contrariado  entendimento  levado  a  efeito pela então 5a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, consubstanciado no Acórdão nº  205­01.485,  a  respeito  da  mesma  matéria,  impondo  seja  conhecido  o  recurso  especial  da  recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida.  Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do  decisum guerreado, na medida em que admite como infração ao artigo 30, inciso I, alínea “a”,  da Lei nº 8.212/91, deixar a contribuinte de arrecadar parte das contribuições previdenciárias,  mais  precisamente  em  relação  aos  valores  concedidos  aos  empregados  a  título  de  prêmio,  caracterizados como salário indireto, ao contrário do defendido pela decisão recorrida.  Infere que da  leitura da  ementa do decisório paradigma não  se vislumbra  a  divergência  suscitada,  ou  seja,  quais  as  circunstâncias  que  ensejaram  a  manutenção  da  penalidade,  o  que  somente  ocorre  com  o  exame  do  inteiro  teor  do Acórdão,  confirmando  a  procedência  da  autuação  inscrita  no  dispositivo  legal  encimado  nos  casos  de  deixar  de  arrecadar  parte  das  contribuições  previdenciárias,  incidentes  sobre  valores  (prêmios)  caracterizados como salário indireto.  Contrapõe­se  ao  Acórdão  recorrido,  por  entender  que  norma  não  faz  exigência de que a omissão  seja  total,  tampouco  se mostra necessário,  na medida em que  é  evidente que a  lei  requer o pagamento  integral  do débito,  sob pena de descumprimento das  obrigações tributárias que lhe são imputadas.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo  a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados.  Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da  2ª  Seção  do  CARF,  entendeu  por  bem  admitir  o  Recurso  Especial  da  Procuradoria,  sob  o  argumento  de  que  a  recorrente  logrou  comprovar  que  o  Acórdão  recorrido  divergiu  do  entendimento  consubstanciado  no  paradigma  a  respeito  da  mesma  matéria,  consoante  se  positiva do Despacho nº 2400­155/2010, às fls. 217/218.  Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional,  a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 223/229, corroborando as razões de decidir  do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção.  É o relatório.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL   4   Voto             Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  sendo  tempestivo  e  acatada  pelo  ilustre  Presidente  da  4ª  Câmara  da  2a  Seção  de  Julgamento  do  CARF  a  divergência  suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais.  Conforme se depreende do exame do Recurso Especial, pretende a recorrente  a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas  contrariaram  entendimento  levado  a  efeito  pela  então  5ª  Câmara  do  2º  Conselho  de  Contribuintes, consubstanciado no Acórdão nº 205­01.485, a respeito da mesma matéria.  Em  defesa  de  seu  pleito,  argumenta  que  da  simples  leitura  da  ementa  do  decisório paradigma não se vislumbra a divergência suscitada, ou seja, quais as circunstâncias  que ensejaram a manutenção da penalidade, o que somente ocorre com a análise do inteiro teor  do Acórdão,  confirmando  a  procedência  da  autuação  inscrita  no  dispositivo  legal  encimado,  nos  casos  de  deixar  de  arrecadar  parte  das  contribuições  previdenciárias,  incidentes  sobre  valores (prêmios) caracterizados como salário indireto.  Arremata, sustentando que a norma não faz exigência de que a omissão seja  total,  tampouco  se  mostra  necessário,  na  medida  em  que  é  evidente  que  a  lei  requer  o  pagamento integral do débito, sob pena de descumprimento das obrigações tributárias que lhe  são imputadas.  Consoante  se  infere  dos  autos,  conclui­se  que  a  pretensão  da  Fazenda  Nacional não merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui­ se que o Acórdão recorrido apresenta­se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude,  como passaremos a demonstrar.  A  ilustre  autoridade  lançadora,  ao  promover  o  lançamento,  utilizou  como  fundamento  à  sua  empreitada  o  fato  de  a  contribuinte  ter  deixado  de  arrecadar,  mediante  desconto  das  respectivas  remunerações,  a  totalidade  das  contribuições  dos  segurados  a  seu  serviço, mais precisamente os valores pagos a título de Ajuda de Custo/Diária,  infringindo, a  princípio,  o disposto no  artigo 30,  inciso  “I”,  alínea “a”,  da Lei nº 8.212/91,  constituindo­se  crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”,  alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem:   “Lei 8.212/91  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas:  I – A empresa é obrigada a:  a)  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva remuneração;”  Regulamento da Previdência Social  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 36190.000271/2006­16  Acórdão n.º 9202­01.989  CSRF­T2  Fl. 248          5 “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e  8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a  qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  neste  Regulamento,  fica  o  responsável  sujeito  a  multa  variável  [...],  conforme gravidade da infração, aplicando­se­lhe o disposto nos  arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:  I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações:  g)  deixar  a  empresa  de  efetuar  os  descontos  das  contribuições  das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;”  No  entanto,  a  jurisprudência  administrativa  a  propósito  da  matéria  vem  firmando  entendimento  no  sentido  de  que  a  infração  inscrita  na  norma  legal  supra  só  se  caracteriza  quando  a  contribuinte  deixa  de  arrecadar  a  totalidade  das  contribuições  previdenciárias,  afastando,  portanto,  os  casos  em  que  houve  recolhimento  parcial,  não  ocorrendo exclusivamente em relação a valores que não eram considerados remunerações, mas  caracterizados  de  ofício  pela  autoridade  fiscal  como  salário  indireto,  como  passaremos  a  demonstrar.  Consoante  entendimento  levado  a  efeito  pelo  ilustre  Conselheiro  Kleber  Ferreira de Araújo, integrante da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ, e compartilhado  por  este  julgador,  a  infração  atribuída  à  recorrente  somente  se  confirmaria  se  a  autoridade  lançadora  comprovasse  que  a  contribuinte  não  arrecadou,  mediante  desconto  na  respectiva  remuneração, nenhuma contribuição previdenciária, conforme se extrai do excerto de seu voto,  exarado nos autos do processo nº 37280.001458/2006­91, Recurso nº 142.069, de onde peço  vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, como segue:  “[...]  Não  vou  entrar  no  mérito  quanto  à  incidência  ou  não  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  relativos  ao  fornecimento de alimentação aos  trabalhadores, no período em  que  a  empresa  ainda  não havia  formalizado  a  adesão  ao PAT.  Entendo  que  o  cerne  da  questão,  qual  seja,  a  ocorrência  da  infração apontada pelo fisco, passa ao largo dessa problemática.  A Auditoria invoca o art. 30,  I, “a”, da Lei n.º 8.212/1991  combinado  com  o  art.  216,  I,  “a”,  do  Regulamento  da  Previdência Social  ­ RPS, aprovado pelo Decreto n.º  3.048, de  06/05/1999,  para  fundamentar  a  existência  da  infração. Vale a  pena transcrever os preceptivos:  Lei n.º 8.212/1991   Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições  ou  de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem às seguintes normas:  I ­ a empresa é obrigada a:   a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva remuneração;  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL   6 (...)  RPS  Art.216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições  e  de  outras  importâncias  devidas  à  seguridade  social,  observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional  do  Seguro  Social  e  a  Secretaria  da  Receita  Federal,  obedecem às seguintes normas gerais:    I­a empresa é obrigada a:  a)arrecadar  a  contribuição  do  segurado  empregado,  do  trabalhador  avulso  e  do  contribuinte  individual  a  seu  serviço, descontando­a da respectiva remuneração;  (...)  A  conduta  apontada  como  violadora  das  normas  acima,  como se pode ver do Relatório Fiscal da Infração, fls. 12/18, foi  a  ausência  do  desconto  das  contribuição  apenas  com  relação  aos  valores  relativos  ao  fornecimento  de  alimentação.  Eis  os  termos do relatório:  “Durante  a  ação  fiscal  a  empresa  apresentou  diversos  documentos  solicitados  pela  fiscalização,  demonstrando  profissionalismo  e  boa­fé.  Verificou­se  que  a  empresa  elaborou  corretamente  as  folhas  de  pagamento  dos  empregados,  restando  o  demonstrado  descuidado  em  formalizar  a  sua  inscrição  no  PAT,  descaracterizando  o  fornecimento  de  alimentação  como  parcela  de  não­ incidência  da  contribuição  previdenciária.”(fl.  14,  7.º  parágrafo)  “Conclui­se que a  empresa deixou de arrecadar, mediante  desconto  dos  valores  pagos  a  título  de  alimentação,  as  contribuições dos segurados empregados a seu serviço, uma  vez  que  a  empresa  não  incluiu  na  folha  de  pagamento  de  04/2002 a 02/2004, os valores pagos aos seus empregados a  título  de  alimentação.  Tal  fato  deu­se  porque  as  folhas  de  pagamento  apresentadas,  de  04/2002  a  02/2004,  são  deficientes, pois não respeitaram as formalidades legais, ao  não  discriminar  como  parcela  integrante  da  remuneração  para  cada  empregado  os  valores  pagos  a  título  de  alimentação.”(fl. 18, 3.º parágrafo)  Entendo que a conduta apontada não se amolda as normas  citadas na fundamentação do lançamento. Somente se configura  esse tipo de infração quando o sujeito passivo deixa de efetuar a  retenção  da  contribuição  ao  efetuar  o  pagamento  da  remuneração  aos  segurados.  A  situação  posta  a  lume  é  outra.  Pelo que ficou claramente explicitado no relatório da Auditoria,  não  houve  omissão  na  retenção,  mas  uma  suposta  retenção  efetuada a menor em razão da recorrente não haver considerado  determinada verba como sujeita à incidência tributária.  Há  de  se  levar  em  conta  que  a  norma  que  instituiu  esse  dever  legal  prescreve  a  como  núcleo  da  conduta  o  verbo  “arrecadar”,  do  qual  a  empresa  efetivamente  não  se  afastou,  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 36190.000271/2006­16  Acórdão n.º 9202­01.989  CSRF­T2  Fl. 249          7 pois,  reconhecidamente,  houve  desconto  das  contribuições  nos  pagamentos efetuados aos empregados e lançados nas folhas de  salário. Eis que as normas de regência não mencionam o termo  “arrecadar  todas  as  contribuições”,  mas  se  refere  apenas  a  conduta de efetuar o desconto. Não se deve olvidar que, no caso  concreto, o próprio Auditor informa que as folhas de pagamento  foram  confeccionadas  com  perfeição,  somente  se  afastando  do  seu  entendimento no que  concerne aos  valores disponibilizados  aos empregados a título de alimentação.  Tivesse  o  fisco  apontado  que  não  houve  o  desconto  da  contribuição de um  segurado que  fosse,  sem dúvida estaríamos  diante da infração que deu ensejo à presente autuação, conduto,  estou convencido que não foi isso que ocorreu.  Diferentemente, v. g., ocorre com a infração de omitir fatos  geradores  em  GFIP,  haja  vista  que  a  conduta  é  prestar  as  informações com dados não correspondentes aos fatos geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  assim,  caso  não  se  declare as remunerações na totalidade fere­se a norma. Também  a  preparação  folha  de  pagamento  nos  padrões  estabelecidos  pelo  órgão  arrecadador  constitui  infração  à  legislação,  posto  que  obrigatoriamente  têm  que  ser  lançadas  na  folha  todas  as  parcelas incidentes e não incidentes de contribuição.  Assim,  não  havendo  subsunção  da  conduta  apontada  à  norma  legal  que  fundamenta  a  autuação,  voto pelo  provimento  do recurso.”  No mesmo sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem afastando a  penalidade  aplicada  ao  caso  em  comento,  quando  a  contribuinte  arrecada  a  menor  as  contribuições dos segurados, consoante se positiva do Acórdão prolatado nos autos do processo  administrativo  n°  37166.000545/2007­18,  da  lavra  do  nobre Conselheiro  Francisco  de Assis  Oliveira Junior, assim ementado:  “ Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Data do fato gerador: 20/11/2006  Ementa:   AUTO  DE  INFRAÇÃO.  RUBRICA  ESPECÍFICA.  ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO.  A  infração  consistente  em  deixar  de  arrecadar,  mediante  desconto das remunerações, as contribuições dos segurados não  se configura quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas  as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem  passíveis de tributação.  Recurso Especial do Procurador Negado.”  Na hipótese dos autos,  tratando­se de auto de  infração decorrente da NFLD  onde  foram  lançadas  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  as  remunerações  dos  segurados empregados,  arrecadas a menor pela  contribuinte,  a situação  fática é exatamente a  mesma do voto encimado.  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL   8 Em  outras  palavras,  a  contribuinte  somente  deixou  de  arrecadar,  mediante  desconto  nas  remunerações  dos  segurados  parte  das  contribuições  dos  empregados,  relativamente  aos  valores  pagos  a  título  de  ajuda  de  custo/diária,  o  tendo  feito  sobre  a  importância  admitida  originalmente  como  salário,  não  se  cogitando,  assim,  na  infração  tipificada no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91.  Dessa  forma,  escorreito  o  Acórdão  recorrido  devendo,  nesse  sentido,  ser  mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma  Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os  elementos que serviram de base ao decisório atacado.  Por  todo  o  exposto,  estando  o  Acórdão  recorrido  em  consonância  com  os  dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER E NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO  ESPECIAL  DA  FAZENDA NACIONAL,  pelas  razões  de  fato e de direito acima esposadas.    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira                                  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL

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Numero do processo: 10280.002169/2005-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado.
Numero da decisão: 9303-001.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas

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IMERYS RIO CAPIM CAULIM S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003  A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito  presumido  do  IPI,  lei  nº  9.369/96,  por  não  estarem  os  produtos  dentro  do  campo de incidência do imposto.  Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento  ao  recurso  especial.  Vencidos  os  Conselheiros  Nanci  Gama,  Rodrigo  Cardozo  Miranda  e  Francisco Maurício  Rabelo  de Albuquerque  Silva,  que  davam  provimento.  Os  Conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos, Maria  Teresa Martínez  López  e  Susy  Gomes  Hoffmann  votaram  pelas conclusões.    (assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Relator.      Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa     Fl. 0DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2 Pôssas,  Francisco Maurício Rabelo  de Albuquerque  Silva, Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão,  Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  pelo  sujeito  passivo  acima  qualificado, que  solicitou o  ressarcimento de  crédito presumido de  IPI,  instiuído pela Lei n°  9.363, de 13 de dezembro de 1996, cumulado com declaração de compensação.  Em  despacho  decisório  proferido  pela  DRF,  não  se  reconheceu  o  direito  creditório e, por conseguinte, não se homologou as compensações declaradas em DCOMP.  O  interessado  apresentou  a  Manifestação  de  Inconformidade,  que  foi  indeferida. Também apresentou Recurso Voluntário, que também foi negado.  Agora em sede de Recurso especial, devidamente admitido por Despacho do  Presidente da Câmara, pleiteia a reforma da decisão proferida pela instância a quo.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas        O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, dele conheço.    A discussão ora em voga diz  respeito à questão do direito ou não a crédito  presumido  de  IPI,  como  forma  de  ressarcimento  do  PIS  e  da  COFINS  nas  exportações  de  produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados).   Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor  agragado,  a União  criou  o  crédito  presumido  de  IPI  como  uma  forma  de  ressarcimento  das  contribuições  sociais  do  PIS  e COFINS,  incidentes  sobre  as  aquisições,  no mercado  interno  (nacionais), de matérias­primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados  no processo produtivo de bens exportados.  É  essencial  ao  deslinde  da  demanda,  determinar  se  os  produtos  com  a  classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não  serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se  caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º  da Lei 9.363/96, transcrito abaixo.  O  benefício  fiscal  chamado  “Crédito  Presumido  de  IPI  ­  Exportações”  Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002169/2005­71  Acórdão n.º 9303­01.809  CSRF­T3  Fl. 209          3 consiste  em  um  crédito  adicional  de  IPI  para  sociedades  industriais  que  diretamente  ou  indiretamente  exportam  seus  produtos  industrializados  ao mercado  internacional.  Tem  como  objetivo  principal  desonerar  a  cadeia  produtiva  dos  produtos  a  serem  exportados  do  custo  econômico  da  COFINS  e  do  PIS,  conforme  podemos  notar  pelo  texto  do  art.  1º  da  Lei  9.363/96:   “Art. 1º  ­ A empresa produtora e exportadora de mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30  de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo produtivo”.   “Parágrafo Único ­ O disposto neste artigo aplica­se, inclusive,  nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim  específico de exportação para o exterior”.        Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das  normas  nela  contidas.  Se  a  norma  é  dúbia  cabe  aos  operadores  do  direito  a  sua  correta  interpretação,  conforme  as  técnicas  da  ciência  da  Hermenêutica  Jurídica,  e  não  fazer  a  interpretação de modo aleatório e intuitivo.      Uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar à falsa impressão  que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do  imposto. Porém, como já dito, esse seria o  resultado de uma  interpretação meramente  literal.  Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar.      Deve,  neste  caso,  fazer  uma  interpretação  sistemática,  que  consiste  em  harmonizar a presente norma de um modo contextualiza com todo o texto da mesma lei e com  o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária.      Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o  IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais  claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados.  Isso nos remete à matriz legal do IPI  A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento  produtor  quando  preceitua  em  ser  art.  3º  que  “considera­se  estabelecimento  produtos  todo  aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção  econômica  quanto  jurídica,  não  há  como  se  enquadrar  empresas  não  sujeitas  ao  IPI  como  estabelecimento  industrial  ou  estabelecimento  produtos,  na  linguagem  pouco  precisa  usada  pelo legislador quando da edição da lei 9363/96.  Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras,  sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução  prevista  na  lei,  como  por  exemplo,  como  se  daria  a  escrituração  dos  créditos  para  a  futura  compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes.  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4 Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no  referido livro.  Está  claro,  dessa  forma,  que  houve  uma  certa  impropriedade  na  linguagem  legislativa  contida  no  art.  1º  da  Lei  9.363/96  e  cabe  a  nós,  desse  tribunal  administrativo,  elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte    Podemos concluir que  tanto em uma análise econômica quanto  jurídica não  há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora  e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do  IPI, ou seja,  somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI  nos casos de exportação.  Economicamente  falando,  não  há  porque  se  incentivar,  com  desoneração  tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois  todos  sabem  que  o  Brasil  tem  expertise  nesta  área,  sendo  um  dos  maiores  exportadores  mundiais.  Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção  do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à  extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras.  Dessa  forma,  o  crédito  presumido de  IPI  somente  poderá  ser  efetuado  pela  empresa  exportadora  ou,  no  caso  de  exportação  indireta,  pelo  fornecedor  da  comercial  exportadora, levando­se em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados  pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação.  Para  corroborar  e  elucidar  todo  o  exposto,  por  ser  de  uma  precisão  ímpar  trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066:  “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no  tocante  às  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagens  utilizados  na  confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI  com  a  notação  NT  (Não  Tributado)  destinados  à  exportação,  longe  de  estar  apascentada,  tem  gerado  acirrados  debates  na  doutrina  e  na  jurisprudência.  No  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  ora  prevalece  a  posição  do  Fisco,  ora  a  dos  contribuintes, dependendo da composição das Câmaras.  A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é  aquela  pela  exclusão  dos  valores  correspondentes  às  exportações dos produtos não  tributados  (NT) pelo IPI,  já que,  nos  termos  do  caput  do  art.  1º  da  Lei  9.363/1996,  instituidora  desse  incentivo  fiscal,  o  crédito  é  destinado,  tão­somente,  às  empresas  que  satisfaçam,  cumulativamente,  dentre  outras,  a  duas  condições:  a)  ser  produtora;  b)  ser  exportadora.  Isso  porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não  são,  para  efeitos  da  legislação  fiscal,  considerados  como  produtor.  Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos  ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não  são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002169/2005­71  Acórdão n.º 9303­01.809  CSRF­T3  Fl. 210          5 do  artigo  3º  da  Lei  4.502/1964,  considera­se  estabelecimento  produtor  todo  aquêle  que  industrializar  produtos  sujeitos  ao  impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  –  TIPI  com  a  notação  NT  (Não  Tributados)  estão  fora  do  campo  de  incidência  desse  tributo  federal.  Por  conseguinte, não estão sujeitos ao imposto.  Ora,  se  nas  operações  relativas  aos  produtos  não  tributados  a  empresa  não  é  considerada  como  produtora,  não  satisfaz,  por  conseguinte,  a  uma  das  condições  a  que  está  subordinado  o  beneficio em apreço, o de ser produtora.  Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor  fiscal  que  é  o  de  alavancar  a  exportação  de  produtos  elaborados, e não a de produtos primários ou semi­elaborados.  Para  isso,  o  legislador  concedeu  o  incentivo  apenas  aos  produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que,  afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa  foi  agraciada  com  tal  benefício,  nem  mesmo  as  trading  companies, reforçando­se assim, o entendimento de que o favor  fiscal  em  foco  destina­se,  apenas,  aos  fabricantes  de  produtos  tributados a serem exportados.  Cabe  ainda  destacar  que  assim  como  ocorre  com  o  crédito  presumido,  vários  outros  incentivos  à  exportação  foram  concedidos  apenas  a  produtos  tributados  pelo  IPI  (ainda  que  sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo pode­se citar  o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e  o  direito  à  manutenção  e  utilização  do  crédito  referente  a  insumos  empregados  na  fabricação  de  produtos  exportados.  Neste  caso,  a  regra  geral  é  que  o  benefício  alcança  apenas  a  exportação  de  produtos  tributados  (sujeitos  ao  imposto);  se  se  referir  a  NT,  só  haverá  direito  a  crédito  no  caso  de  produtos  relacionados  pelo  Ministro  da  Fazenda,  como  previsto  no  parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982.  Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a  mudança  trazida  pela  Medida  Provisória  nº  1.508­16,  consistente  na  inclusão  de  diversos  produtos  no  campo  de  incidência  do  IPI,  a  exemplo  dos  frangos  abatidos,  cortados  e  embalados,  que  passaram  de  NT  para  alíquota  zero.  Essa  mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios  dos  exportadores,  que  puderam,  então,  usufruir  do  crédito  presumido de IPI nas exportações desses produtos.   Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos  exportados  pela  reclamante,  por  não  estarem  incluídos  no  campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT  (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”.    Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho,  em voto recentemente proferido neste plenário:  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     6 Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI  como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI.  Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações  de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as  operações dispostas no art. 3º, caput e  incisos, do Regulamento  aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não  é  considerado,  à  luz  da  legislação  de  regência  desse  imposto,  como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o  art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial  é  o  que  industrializa  produtos  sujeitos  à  incidência  do  IPI,  ou  seja,  é  aquele  estabelecimento  que  executa  qualquer  das  operações  definidas  na  legislação  do  imposto  como  “de  industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto  “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário,  não  é  estabelecimento  industrial  para  fins  de  IPI  aquele  que  elabora produtos classificados na TIPI como não­tributado (NT),  bem  como  quem  realiza  operação  excluída  do  conceito  de  industrialização dado pelo RIPI.  “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das  operações  referidas  no  artigo  3º,  de  que  resulte  produto  tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art.  3º).”  Neste  diapasão,  Raimundo  Clóvis  do  Valle  Cabral  em  “Tudo  sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55  e 57, assim assevera:   “Estabelecimento  Industrial  é  o  que  industrializa  produtos  sujeitos  à  incidência  do  imposto,  ou  seja,  aquele  que  executa  operações  definidas  na  legislação  do  IPI  como  de  industrialização  (transformação,  beneficiamento,  montagem,  acondicionamento/reacon­dicionamento  e  renovação/recondicionamento)  e  da  qual  resulte  um  produto  tributado,  ainda  que  de  alíquota  zero,  ou  isento.  Tem por base  legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo  12  do  DL  nº  34/66,  que  tem  o  seguinte  texto:  ‘Considera­se  estabelecimento  industrial  todo  aquele  que  industrializar  produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º).  As  expressões  ‘fábrica’  e  ‘fabricante’  são  equivalentes  a  ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487­II).  Se  o  produto  por  ele  industrializado corresponde uma  alíquota  positiva  (diferente  de  zero)  estará  ele  obrigado  a  destacar  o  imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações  concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto,  assumindo  o  real  papel  de  contribuinte  –  sujeito  passivo  de  obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples  (art. 20­I, 23­II e 107).  Se  o  produto  industrializado  estiver  sujeito  à  alíquota  zero,  ou  for  isento,  embora  não  haja  imposto  a  ser  destacado  nem  recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às  demais  obrigações  relativas  à  escrituração  fiscal  prevista  no  Ripi,  pois  está  definido  como  sujeito  passivo  de  obrigações  acessórias (art. 21).  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002169/2005­71  Acórdão n.º 9303­01.809  CSRF­T3  Fl. 211          7 Contrario  sensu,  chega­se  à  conclusão  de  não  ser  estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora  produtos  classificados  na  Tipi  como  NT  (não­tributados),  bem  assim  os  resultantes  de  operações  excluídas  do  conceito  de  industrialização pelo artigo 5º do RIPI.”    O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT”  aposta  na  TIPI  ao  lado  dos  produtos  excluídos  do  campo  de  incidência  do  IPI,  qual  seja:  o  estabelecimento  que dá  saída  a  produtos  não­tributados,  não  se  classifica,  nessas  operações,  para  fins  de  incidência  do  imposto,  como  estabelecimento  industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento  de  créditos  do  IPI  está  intimamente  ligado  ao  conceito  do  que  seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto,  no  sentido  de  que  não  ser  um  estabelecimento  de  tal  espécie  implica  o  não­reconhecimento  da  existência  de  créditos  ou  débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros  (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal  decorrente dos segundos (dos débitos).  Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito  presumido  do  IPI  objeto  de  análise  no  presente  processo,  o  preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art.  3º, ambos da Lei nº 9.363/96:  “Art.  1º  A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  ao  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos Industrializados (...).  Art. 3º (...).  Parágrafo  único.  Utilizar­se­á,  subsidiariamente,  a  legislação  (...)  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  para  o  estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e  de produção, (...).”  Lógico  que  “produção”  conforma­se  na  atividade  do  “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de  1964,  matriz  legal  de  grande  parte  da  legislação  do  IPI,  “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos  sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei:  “Art. 3º Considera­se estabelecimento produtor todo aquele que  industrializar produtos sujeitos ao imposto.”  Considerando­se, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza  a  fruição  do  crédito  presumido  do  IPI  ao  “estabelecimento  produtor  e  exportador”,  e  que  o  art.  3º  da  Lei  4.502/64  é  a  matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados,  não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e,  conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os  estabelecimentos  cujos  produtos  fabricados  são  classificados  como “NT” na TIPI.  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     8 Pelos  fundamentos  expostos,  é  possível  arrolar  as  seguintes  conclusões:  O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos  sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as  operações  definidas  na  legislação  do  IPI  como  de  industrialização  e  da  qual  resulta  um  produto  tributado,  ainda  que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados  que  não  se  encontram  no  campo  de  incidência  do  IPI,  por  constar da  tabela como NT  (não  tributado),  não geram crédito  presumido de IPI;  A  legislação  que  trata  do  específico  benefício  do  crédito  presumido  do  IPI  determina  que  as  “mercadorias”  devam  decorrer  de  “estabelecimento  produtor”,  o  qual,  à  luz  da  legislação  do  IPI,  é  somente  o  que  industrializa  produtos  tributados por essa exação.    Somente para efeito de esclarecimento aos nobres colegas conselheiros, nesse  caso  concreto,  a  recorrente  pleiteia  o  ressarcimento  do  IPI  incidente  sobre  aquisições  de  materiais  empregados  na  sua  atividade  econômica,  na  qual  prepondera  a  produção,  beneficiamento,  acondicionamento  e  posterior  comercialização  de  produto  classificado  na  Tabela de Incidência do IPI – TIPI (Decreto nº 4.542/2002), como Não Tributado ­ NT. Assim  não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise feita  neste voto se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás  devem ser todas as questões trazidas a essa CSRF.  Também não  há  discussão  acerca  de  os  produtos  que não  tributados  – NT,  estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação  sobre outros  institutos  tributários  como  isenção,  imunidade, não  incidência,  lançamento,  fato  gerador, dentre outros.  Podemos concluir que  tanto em uma análise econômica quanto  jurídica não  há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora  e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do  IPI, ou seja,  somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI  nos casos de exportação.  Economicamente  falando,  não  há  porque  se  incentivar,  com  desoneração  tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois  todos  sabem  que  o  Brasil  tem  expertise  nesta  área,  sendo  um  dos  maiores  exportadores  mundiais.  Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção  do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à  extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras.  Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela  empresa  exportadora  ou,  no  caso  de  exportação  indireta,  pelo  fornecedor  da  comercial  exportadora, levando­se em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados  pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação.  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002169/2005­71  Acórdão n.º 9303­01.809  CSRF­T3  Fl. 212          9 Isso  posto,  voto  pelo  não  provimento  do  Recurso  Especial  interposto  pelo  sujeito passivo.         (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Relator                             Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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4748882 #
Numero do processo: 11020.005683/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2006 PRODUÇÃO RURAL. COMERCIALIZAÇÃO NO MERCADO INTERNO COM POSTERIOR EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a receita da comercialização da produção rural realizada no mercado interno, mesmo que posteriormente os produtos sejam destinados à exportação. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.241
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 381          1 380  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.005683/2008­35  Recurso nº  000.000   Voluntário  Acórdão nº  2401­02.241  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de janeiro de 2012  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  PRIME TIMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS S/A ­  SUCESSORA DE J. N. TIMBER EXP. E IMP. LTDA E OUTRO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2006  PRODUÇÃO RURAL. COMERCIALIZAÇÃO NO MERCADO INTERNO  COM POSTERIOR EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  Incidem contribuições previdenciárias sobre a receita da comercialização da  produção  rural  realizada no mercado  interno, mesmo que posteriormente os  produtos sejam destinados à exportação.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.    Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Kleber Ferreira de Araújo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  o(a)s  Conselheiro(a)s  Elias  Sampaio  Freire, Kleber Ferreira  de Araújo, Cleusa Vieira  de Souza, Elaine Cristina Monteiro  e Silva  Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.     Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE   2   Relatório  Trata­se do Auto de Infração – AI n.º 37.142.473­9, lavrado contra o sujeito  passivo acima identificado, visando à exigência das contribuições patronais para a Seguridade  Social,  inclusive  aquela  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  acidentários,  incidentes  sobre a receita bruta com a comercialização da produção rural própria e de terceiros realizada  pela  empresa  J.  N.  TIMBER  EXPORTAÇÃO  E  IMPORTAÇÃO  LTDA,  sucedida  pela  autuada.  Afirma o Fisco que a venda da produção se deu no mercado interno, assim, as  operações  não  foram  alcançadas  pela  imunidade  prevista no  inciso  I  do  §  2.º  do  art.  149  da  Constituição Federal.  Foi incluída no polo passivo a empresa ELIEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO  DE MADEIRAS LTDA, detentora de 17,24% do patrimônio líquido da J. N. TIMBER.  As autuadas apresentaram defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ  em Porto Alegre (RS), que declarou improcedente a impugnação.  Inconformadas com a decisão, as empresas interpuseram recurso voluntário,  no qual asseveraram que:  a) o entendimento expresso pelo Fisco e confirmado pela decisão da DRJ não  deve prevalecer, posto que a produção foi destinada ao mercado externo pelas empresas que a  adquiriram da J. N. TIMBER;  b)  a  Instrução  Normativa  –  IN  n.º  03/2005  não  pode  retirar  a  eficácia  do  dispositivo constitucional inserto no art. 149, § 2.º; I, da Carta Magna;  c)  a  intenção  do  legislador  constitucional  foi  de  desonerar  as  exportações  como se vê nas palavras do relator da Proposta de Emenda Constitucional que resultou na EC  n.º 33/2001;  d)  não  pode  prevalecer  a  tributação  das  exportações  indiretas,  que  devem  receber o mesmo tratamento das vendas efetuadas diretamente a destinatário no exterior;  e)  apresenta  textos  de  vários  doutrinadores  acerca  da  imunidade,  os  quais  coincidem com o seu posicionamento;  f) o crédito tributário lançado é inexigível, posto que decorrente de incidência  sobre operação imune;  g) as regras que tratam da imunidade devem ser interpretadas de forma a dar  maior eficácia possível ao seu conteúdo;  Ao final, pede o cancelamento do AI.  É o relatório.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.005683/2008­35  Acórdão n.º 2401­02.241  S2­C4T1  Fl. 382          3   Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator  Admissibilidade  O  recurso  merece  conhecimento,  posto  que  preenche  os  requisitos  de  tempestividade e legitimidade.  A única questão posta a julgamento diz respeito à incidência de contribuições  previdenciárias  sobre  a  venda  de madeira  às  empresas­  LPRADO COMÉRCIO EXTERIOR  LTDA  (CNPJ  93.708.915/0001­37);  TROPICAL  LUMBER  COMÉRCIO  DE  MADEIRAS  LTDA  (CNPJ  03.860.027/0001­42)  e  PRIME  LUMBER  INDÚSTRIA  E  COM.  DE  MADEIRAS LTDA (CNPJ 03.934.888/0003­90).  As  recorrentes  não  contestam os  valores  lançados  e  nem o  fato  das  vendas  terem sido feitas a empresas brasileiras, todavia, insurgem­se contra a exação, por entenderem  que as vendas efetuadas para exportador são alcançadas pela imunidade prevista no inciso I do  § 2.º do art. 149 da Carta Magna, o qual carrega a seguinte redação:  Art.  149.  Compete  exclusivamente  à  União  instituir  contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  como  instrumento de  sua atuação nas  respectivas áreas, observado o  disposto  nos  arts.  146,  III,  e  150,  I  e  III,  e  sem  prejuízo  do  previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que  alude o dispositivo.  (...)  §  2º  As  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico  de  que  trata  o  caput  deste  artigo:  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 33, de 2001)  I  ­  não  incidirão  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação;  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001).  No  julgamento  de  primeira  instância  entendeu­se  que  a  regra  imunizante  somente  é  aplicável  para  as  exportações  feitas  diretamente  para  o  exterior,  uma  vez  que  as  operações abarcadas pelo  lançamento  foram vendas a empresas nacionais,  assim, o  resultado  do julgamento a quo foi pela procedência do AI.  O relator do processo justificou a tributação também no art. 245, § 1.º, da IN  SRP n.º 03/2005, o qual dispõe que a tributação somente não ocorre para as vendas diretas a  adquirente  domiciliado  no  exterior,  o  que  não  é  o  caso  das  operações  realizadas.Eis  o  dispositivo invocado:  Artigo  245. Não  incidem  as  contribuições  sociais  de  que  trata  este Capítulo sobre as receitas de exportação de produtos, cuja  comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE   4 força  do  disposto  no  inciso  I  do  §  2°  do  artigo  149  da  Constituição  Federal,  alterado  pela  Emenda  Constitucional  n°  33, de 11 de dezembro de 2001.  § 1.º Aplica­se o disposto neste artigo exclusivamente quando a  produção  é  comercializada  diretamente  com  adquirente  domiciliado no exterior.  §  2.º  A  receita  decorrente  da  comercialização  com  empresa  constituída  e  em  funcionamento  no  País  é  considerada  receita  proveniente  do  comércio  interno  e  não  de  exportação,  independentemente da destinação que esta dará ao produto.  Hei de concordar com o decisório da DRJ. De fato, as vendas que sofreram  tributação foram efetuadas para empresas domiciliadas no Brasil, portanto, o fato gerador das  contribuições ocorreu no momento em que se consumaram essas operações.   A  remessa  posterior  dos  produtos  ao  exterior  não  tem  o  efeito  de  alterar  a  tributação  sobre  a  operação  de  venda  realizada  no  território  nacional.  Uma  vez  tendo  se  concretizado  a  hipótese  de  incidência,  qual  seja  a  venda  da  produção  rural  no  território  nacional, são exigíveis as contribuições, independentemente do destino que o adquirente venha  dar a mercadoria.  Esse mesmo entendimento pode ser verificado em decisão unânime da Sexta  Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão n.º 206­01066, Rel. Ana Maria  Bandeira), cuja ementa foi assim redigida:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2005   CO­RESPONSÁVEIS ­ PÓLO PASSIVO ­ NÃO INTEGRANTES.  Os co­responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram  o pólo passivo da lide. A relação de co­responsáveis  tem como  finalidade cumprir o estabelecido no inciso I do § 5º art. 2º da lei  nº 6.830/1980. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É  prerrogativa  do  Poder  Judiciário,  em  regra,  a  argüição  a  respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência  ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do  contencioso  administrativo  afastar  aplicação  de  dispositivos  legais  vigentes  no  ordenamento  jurídico  pátrio.  Assunto:  Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2005   PRODUTO RURAL ­ CONTRIBUIÇÃO ­ COMERCIALIZAÇÃO  ­  ADQUIRENTE  NO  PAÍS  ­  INCIDÊNCIA  ­  IMUNIDADE  CONSTITUCIONAL  ­  ADQUIRENTE  NO  EXTERIOR.  Incide  contribuição previdenciária sobre o valor da comercialização do  produto  rural  efetuada pela agroindústria à adquirente  situado  no  país,  ainda  que  este  proceda  a  exportação  dos  produtos.  A  imunidade constitucional prevista no art.  149, § 2º,  inciso  I  da  CF/1988  só  se  aplica  ao  caso  em que  o  produtor  efetue  venda  direta  a  adquirente  no  exterior.  Recurso  Voluntário  Negado.  (grifei)  A  pretensão  das  recorrentes  de  ver  a  regra  constitucional  interpretada  de  forma abrangente, de modo a excluir da tributação as receitas decorrentes de venda no mercado  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.005683/2008­35  Acórdão n.º 2401­02.241  S2­C4T1  Fl. 383          5 interno que posteriormente sejam direcionadas para o exterior, não pode ser acatada. É que a  imunidade  configura  uma  exceção  ao  princípio  da  universalidade  e  da  generalidade  da  tributação.  Essa  interpretação  restritiva  da  regra  imunizante  é  adotada  pelo  Supremo  Tribunal Federal,  conforme se pode ver da  ementa do Acórdão proferido no bojo do RE n.º  566.259/RS (Rel. Ministro Ricardo Lewandowski) DJ n.º 179, 24/09/2010:  EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  IMUNIDADE  TRIBUTÁRIA.  ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO  DA  IMUNIDADE  À  CPMF  INCIDENTE  SOBRE  MOVIMENTAÇÕES  FINANCEIRAS  RELATIVAS  A  RECEITAS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  INTERPRETAÇÃO  ESTRITA  DA  NORMA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO.  I  – O art.  149, § 2º,  I, da  Constituição Federal  é  claro ao  limitar a  imunidade apenas às  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico  incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II – Em  se  tratando  de  imunidade  tributária  a  interpretação  há  de  ser  restritiva,  atentando  sempre  para  o  escopo  pretendido  pelo  legislador.  III  –  A  CPMF  não  foi  contemplada  pela  referida  imunidade,  porquanto  a  sua  hipótese  de  incidência  –  movimentações financeiras ­ não se confunde com as receitas. IV  – Recurso extraordinário desprovido.(grifei).  Nesse sentido, entendo que a IN n.º 03/2005 não extrapolou os seus limites,  vindo a ferir a Constituição, mas apenas deu a interpretação ao art. 149 da Carta de 1988, de  modo a evitar que a imunidade fosse estendida a situações outras não previstas pelo legislador  constituinte derivado.  Portanto,o pedido de cancelamento do AI não merece acolhimento.  Conclusão  Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso.    Kleber Ferreira de Araújo                                Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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Numero do processo: 10530.900367/2006-94
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. VALORAÇÃO DOS DÉBITOS. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A RFB, no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, determina que na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-000.873
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 277          1 276  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10530.900367/2006­94  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­00.873  –  1ª Turma Especial   Sessão de  01 de fevereiro de 2012  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  PIRELLI PNEUS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2003  PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.  A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de  defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena  de preclusão, ressalvadas as exceções legais.  VALORAÇÃO  DOS  DÉBITOS.  DATA  DA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.  A  RFB,  no  exercício  de  sua  competência  de  regulamentar  da  matéria,  determina  que  na  compensação  efetuada  pelo  sujeito  passivo,  os  créditos  serão  acrescidos de  juros compensatórios  e os débitos  sofrerão  a  incidência  de acréscimos moratórios, na forma da  legislação de regência, até a data da  entrega da Declaração de Compensação.  DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.   INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.  (documento assinado digitalmente)     Fl. 563DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900367/2006­94  Acórdão n.º 1801­00.873  S1­TE01  Fl. 278          2 Ana de Barros Fernandes ­ Presidente  (documento assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Relatora  Composição  do  Colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Carmen Ferreira  Saraiva, Magda Azario Kanaan  Polanczyk, Maria  de Lourdes  Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.     Relatório  A  Recorrente  formalizou  o  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 29.08.2003, fls. 01­08, utilizando­se  do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do  ano­calendário de 2002 no valor de R$2.229.223,69.  Em  conformidade  com  o  Despacho  Decisório  DRF/FSA/BA  nº  1.596,  de  11.10.2006,  fls. 36­39, consta: “Compensação Não Homologada”,  tendo em vista a apuração  de CSLL a pagar no valor de R$2.789.122,40, decorrente da glosa de despesa de juros sobre  capital próprio, bem como da falta de pagamentos das estimativas, de acordo com a Declaração  de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 09­21.  Cientificada  em 14.11.2006,  fl.  44,  a Recorrente  apresentou  a manifestação  de  inconformidade  em  14.12.2006,  fls.  46­50,  argumentando  em  síntese  que  discorda  da  conclusão da análise do pedido. Suscita que a glosa da despesa é improcedente, tendo em vista  os documentos que juntados às fls. 63­92. Acrescenta que, além do valor já reconhecido como  correto pela DRF, tem direito à CSLL calculada sobre a base estimada que se encontra extinta  por  compensação  utilizando­se  do  crédito  objeto  do  Mandado  de  Segurança  no  1999.61.00.054510­4,  fls.  93­112.  Procura  demonstrar  que  tem  direito  ao  saldo  negativo  de  CSLL no valor de R$ 1.900.795,48 relativo ao ano­calendário de 2002.  Tendo  em  vista  as  provas  produzidas  nos  autos,  foi  proferido  o  Despacho  Decisório DRF/FSA/BA nº 009, de 08.01.2007, fls. 139­142, revogando o ato de fls. fls. 36­39,  e decidindo:“Compensação Homologada Em Parte” com reconhecimento do direito creditório  no valor de R$1.899.732,36, conforme descriminado na Tabela 1.  Tabela  1  –  Valores  informados  na  DIPJ  e  os  considerados  corretos  pela  DRF/FSA/BA a título de CSLL do ano­calendário de 2002    Descriminação  (A)  Ficha 17 – DIPJ – R$  (B)  Despacho – R$  (C)  Cálculo da CSLL  5.755.598,37  5.755.598,37  CSLL Mensal Paga por Estimativa  7.984.822,06  7.655.330,73  CSLL a Pagar  (2.229.223,69)  (1.899.732,36)    Fl. 564DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900367/2006­94  Acórdão n.º 1801­00.873  S1­TE01  Fl. 279          3 Cientificada em 17.01.2007, fl. 143, a Recorrente apresentou a manifestação  de  inconformidade  em  15.02.2007,  fls.  144­146,  argumentando  em  síntese  que  discorda  da  conclusão da análise do pedido. Suscita que, deve ser reconhecido ainda a diferença no valor  de R$1.063,13 a título de CSLL paga por estimativa referente em janeiro de 2002. Diante do  exposto,  reitera  que  tem  direito  ao  saldo  negativo  de  CSLL  no  valor  de  R$1.900.795,48  relativo ao ano­calendário de 2002.  Assim,  foi  exarado  o  Despacho  Decisório  DRF/FSA/BA  nº  2074,  de  14.08.2007,  fl.s 162­163,  ratificando o ato fls. 139­142 e acrescentando que a atualização do  crédito e dos débitos foi efetuada na data da entrega da PER/DComp, nos termos da Instrução  Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002 com alterações introduzidas pela Instrução  Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2003.  Cientificada em 22.09.2007, fl. 167, a Recorrente apresentou a manifestação  de inconformidade em 22.07.2007, fls. 168,  Discorda  dos  critérios  de  atualização  dos  débitos  o  que  gerou  encargos  moratórios  no  valor  total  atualizado  de R$594.768,67  a  cobrança  é  infundada  e  equivocada,  razão pela qual deve  ser de plano cancelada. Alega que  ao  aplicar a penalidade prevista nos  atos normativos houve violação do irretroatividade da lei e da legalidade. Explica que como o  vencimento dos débitos ocorreram em 30.04.2003 e 31.07.2003, para fins de aplicação da lei,  deve­se verificar que a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que vigorava à época, não  fixava de acréscimos legais (art. 106 do Código Tributário Nacional).  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui  Em  vista  de  todo  o  exposto,  a  Requerente  requer  o  recebimento  e  encaminhamento  desta  Manifestação  à  Delegacia  Regional  de  Julgamento,  para  apreciação  e  julgamento,  onde  deverá  ser  julgada  pró  cedente  a  manifestação  e,  consequentemente, cancelada a carta de cobrança enviada.  Por  fim, a Requerente protesta, desde já, pela produção de quaisquer provas  que possam comprovar o seu direito.  Termos em que,   Pede Deferimento.  Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDR/BA nº  15­17.056, de 25.09.2008, fls. 221­223: “Solicitação Indeferida”.  Restou ementado  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2002   DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.  Fl. 565DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900367/2006­94  Acórdão n.º 1801­00.873  S1­TE01  Fl. 280          4 Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de  juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na  forma da legislação de regência, até a data da entrega da declaração.  Notificada  em  07.10.2008,  fl.  244,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  06.11.2008,  fls.  245­256,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os  argumentos apresentados na manifestação de inconformidade.   Conclui  Por tudo acima exposto, espera e requer a Recorrente, confiante no alto grau  de  zelo  aos  direitos  e  garantias  fundamentais  do  contribuinte  emanado  por  este  elevado  Conselho,  seja  provido  o  presente  recurso,  para  fins  de  ser  reformada  a  decisão  ora  recorrida,  homologando­se  a  compensação  do  seu  crédito  de  Saldo  Negativo  de  CSLL,  relativo  ao  ano­calendário  de  2002,  cujo  valor  original  é  de  R$1.899.732,36, com o débito "principal" de CSLL relativo ao 1º trimestre de 2003,  no valor de R$2.086.060,79, sem a compensação de quaisquer juros ou multa.  Termos em que,   Pede deferimento.  É o Relatório.  Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento.  A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova.   Sobre  a  matéria,  vale  esclarecer  que  no  presente  caso  se  aplicam  as  disposições  do  processo  administrativo  fiscal  que  estabelece  que  a  peça  de  defesa  deve  ser  formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se  fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões  em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas.  Embora  lhe  fossem  oferecidas  várias  oportunidade  no  curso  do  processo,  a  Recorrente  não  apresentou  a  comprovação  inequívoca  de  quaisquer  fatos  que  tenham  correlação  com  as  situações excepcionadas pela  legislação de regência  1. A realização desses meios probantes é  prescindível,  uma  vez  que  os  elementos  probatórios  produzidos  por meios  lícitos  constantes  nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por  essa razão, não se comprova.  A Recorrente suscita que a valoração dos débitos está incorreta.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a                                                              1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 566DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900367/2006­94  Acórdão n.º 1801­00.873  S1­TE01  Fl. 281          5 compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à  data  do  protocolo.  Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos  indevidamente  compensados,  bem  como  que  o  prazo  para  homologação  tácita  da  compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega.2  A  RFB,  no  exercício  de  sua  competência  de  regulamentar  da  matéria,  determina que na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos  serão acrescidos de  juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da  legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.3  As provas anexadas aos autos evidenciam que a Per/DComp foi entregue em  29.08.2003,  fls.  01­08,  e  assim  o  procedimento  fiscal  está  correto,  uma  vez  que  foram  observadas as normas tributárias então vigentes, que determinavam que os débitos vencidos em  30.04.2003  e  em  31.07.2003  sofrem  a  incidência  de  acréscimos  moratórios  até  a  data  da  entrega  da  Declaração  de  Compensação.  A  proposição  mencionada  pela  defendente,  por  conseguinte, não tem validade.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade5.  A  proposição  afirmada  pela  defendente,  desse  modo,  não  tem  cabimento.  Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                                2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  3 Fundamentação legal: art. 61 e § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 28 da Instrução  Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002 com alterações introduzidas pela Instrução Normativa SRF n°  323, de 24 de abril de 2003.  4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972.  5 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.              Fl. 567DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900367/2006­94  Acórdão n.º 1801­00.873  S1­TE01  Fl. 282          6                   Fl. 568DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/02/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 13502.000936/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2000 a 30/04/2001, 01/06/2001 a 31/07/2001,01/10/2001 a 30/11/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/07/2002 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Por força do art. 26A,§ 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e do art. 62, parágrafo único, I, e § 1º, do Anexo II do Regulamento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e diante do resultado do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235 que teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, não se pode exigir a incidência de PIS sobre receitas alheias ao conceito de faturamento, tais como variação cambial passiva, recuperação de despesas, devolução de compras e descontos obtidos. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/04/2001, 01/06/2001 a 31/07/2001, 01/10/2001 a 30/11/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/07/2002 a 30/12/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Por força do art. 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e do art. 62, parágrafo único, I, e § 1º, do Anexo II do Regulamento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e diante do resultado do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235 que teve repercussão geral reconhecidapelo Supremo Tribunal Federal, não se pode exigir a ncidência de COFINS sobre receitas alheias ao conceito de faturamento, tais como variação cambial passiva, recuperação de despesas, devolução de compras e descontos obtidos.
Numero da decisão: 3201-000.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO

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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2000 a 30/04/2001, 01/06/2001 a 31/07/2001,01/10/2001 a 30/11/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/07/2002 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Por força do art. 26A,§ 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e do art. 62, parágrafo único, I, e § 1º, do Anexo II do Regulamento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e diante do resultado do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235 que teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, não se pode exigir a incidência de PIS sobre receitas alheias ao conceito de faturamento, tais como variação cambial passiva, recuperação de despesas, devolução de compras e descontos obtidos. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/04/2001, 01/06/2001 a 31/07/2001, 01/10/2001 a 30/11/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/07/2002 a 30/12/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Por força do art. 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e do art. 62, parágrafo único, I, e § 1º, do Anexo II do Regulamento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e diante do resultado do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235 que teve repercussão geral reconhecidapelo Supremo Tribunal Federal, não se pode exigir a ncidência de COFINS sobre receitas alheias ao conceito de faturamento, tais como variação cambial passiva, recuperação de despesas, devolução de compras e descontos obtidos.

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO   2   Marcos Antonio Pereira Valadão ­ Presidente.   Daniel Mariz Gudiño ­ Relator.  EDITADO EM: 28/01/2012  Participaram  também  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Judith  do  Amaral  Marcondes  Armando,  Luciano  Lopes  de  Almeida  Moraes,  Mércia  Helena  Trajano  D'Amorim, Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo  Ribeiro Nogueira.    Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  a  data  da  prolação  do  acórdão  recorrido,  transcrevo  abaixo  o  relatório  do  órgão  julgador  de  1ª  instância,  incluindo,  em  seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente:  Trata­se  de  Auto  de  Infração  (fls.  04/20)  lavrado  contra  a  contribuinte  acima  identificada,  que  pretende  a  cobrança  da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  —  PIS,  relativa aos períodos de apuração de 2000, 2001 e 2002 acima  identificados.  Em face da edição da Portaria SRF n° 6.129, de 02 de dezembro  de  2005,  o  presente  processo  também  pretende  a  cobrança  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  —  Cofins  (Auto  de  Infração  fls.  160/176),  também  pertinente  a  períodos de apuração de 2000, 2001 e 2002.  Nos  autos  de  infração  o  autuante  expõe  as  diferenças  que  encontrou  entre  os  valores  escriturados  pela  empresa  e  os  declarados/pagos  ao  Fisco.  O  auditor­fiscal  apresenta,  ainda,  planilhas,  que  são  partes  integrantes  dos  autos  de  infração,  demonstrando a composição da base de cálculo, a apuração dos  débitos, a relação de pagamentos e a situação fiscal apurada.  Cientificada  da  exigência  fiscal  em  01.12.05,  a  autuada  apresenta  Impugnação  em  29.12.05  (PIS  fls.  129/142  e  Cofins  fls. 285/298), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese:  •  Os  valores  apropriados  nas  contas  de  variação  cambial  passiva,  recuperação  de  despesas,  devolução  de  compras  e  descontos obtidos, não representam incremento patrimonial, não  podendo compor a base de cálculo das contribuições;  • A utilização, pelo legislador, da expressão "receitas auferidas"  contida  nos  arts.  2°  e  10  do Decreto  n°  4.524,  de  2002,  deixa  claro  que  o  PIS  e  a  Cofins  incidem  apenas  sobre  o  efetivo  recebimento  financeiro  das  receitas,  no  mesmo  sentido  que  é  utilizado na técnica contábil­fiscal de regime de caixa;  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13502.000936/2005­44  Acórdão n.º 3201­00.867  S3­C2T1  Fl. 301          3 •  Também  baseado  no  art.  13  do  Decreto  n°  4.524,  de  2002,  entendemos que a  tributação do PIS e da Cofins  incidirá sobre  as  receitas  efetivamente  recebidas,  segundo o  regime de  caixa;  Assim, os valores credores na conta de variação cambial passiva  só  podem  ser  considerados  como  receitas  quando  da  efetiva  liquidação do empréstimo, conforme a taxa do dólar na data da  liquidação;  • Os  valores  registrados  como  receita  na  contabilidade  são  de  cunho meramente  contábil,  tem  o  caráter  de  evento  econômico  permutativo;  •  Somente  os  eventos  econômicos  modificativos  (incremento  patrimonial) são os que se enquadram como receita do ponto de  vista jurídico/tributário;  • Em decisão do STN (sic) no  julgamento do RE n° 357950  foi  declarada  a  inconstitucionalidade  do  §  1°  do  art.  3°  da  Lei  n°9.718, de 1998;  • Requer a realização de diligência ou perícia.  Na  decisão  de  primeira  instância,  proferida  na  Sessão  de  Julgamento  de  12/03/2009, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador  (BA) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 15­18.634  (fls. 312/317):  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/11/2000  a  30/04/2001,  01/06/2001  a  31/07/2001,  01/10/2001  a  30/11/2001,  01/02/2002 a 28/02/2002, 01/07/2002 a 30/11/2002  BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES.  A  contribuição  para  o  PIS  incide  sobre  a  totalidade  das  receitas auferidas pela pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas  da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa  em Lei.  VARIAÇÃO CAMBIAL.  As  variações  cambiais  ativas  de  direitos  e  obrigações  em  moeda  estrangeira  compõem  a  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS,  e,  se  tributadas  pelo  regime  de  competência,  devem  ser  reconhecidas  a  cada  mês,  independentemente  da  efetiva  liquidação  das  operações  correspondentes.  DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.  O julgamento administrativo não está vinculado à decisões  judiciais  trazidas  aos  autos  de  forma  exemplificativa,  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO   4 quando  a  interessada  não  é  parte  da  ação.  Apenas  as  decisões  do  STF  que  fixem,  de  forma  inequívoca  e  definitiva,  interpretação  do  texto  constitucional,  deverão  ser uniformemente observadas pela Administração Pública  Federal direta e indireta.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período  de  apuração:  01/11/2000  a  30/04/2001,  01/06/2001  a  31/07/2001,  01/10/2001  a  30/11/2001,  01/02/2002 a 28/02/2002, 01/07/2002 a 30/12/2002  BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES.  A  contribuição  para  o  PIS  incide  sobre  a  totalidade  das  receitas auferidas pela pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas  da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa  em Lei.  VARIAÇÃO CAMBIAL.  As  variações  cambiais  ativas  de  direitos  e  obrigações  em  moeda  estrangeira  compõem  a  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS,  e,  se  tributadas  pelo  regime  de  competência,  devem  ser  reconhecidas  a  cada  mês,  independentemente  da  efetiva  liquidação  das  operações  correspondentes.  DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.  O julgamento administrativo não está vinculado à decisões  judiciais  trazidas  aos  autos  de  forma  exemplificativa,  quando  a  interessada  não  é  parte  da  ação.  Apenas  as  decisões  do  STF  que  fixem,  de  forma  inequívoca  e  definitiva,  interpretação  do  texto  constitucional,  deverão  ser uniformemente observadas pela Administração Pública  Federal direta e indireta.  Lançamento Procedente  A  Recorrente  foi  cientificada  do  teor  da  INTIMAÇÃO  N°  360/2009  (fls.  318/321),  em 31/03/2009  (f1. 322),  tendo protocolado seu  recurso voluntário em 29/04/2009  (fls. 323/341), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 285/298).  Na  forma  regimental,  o  processo  digitalizado  foi  distribuído  e,  posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011.  É o relatório.  Voto             Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13502.000936/2005­44  Acórdão n.º 3201­00.867  S3­C2T1  Fl. 302          5 Conselheiro Daniel Mariz Gudiño  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  nº  70.235  de  1972,  razão  pela  qual  dele  tomo  conhecimento.  Conforme se depreende do relatório, a discussão cinge­se à possibilidade de  se  exigir o PIS  e  a COFINS  sobre variação  cambial,  recuperação de despesas,  devolução de  compras e descontos obtidos. Convém esclarecer como a Recorrente descreveu cada um desses  itens (fls. 329/330):  a)  variação  cambial  PASSIVA  —  esta  conta  é  de  natureza  contábil  devedora,  haja  vista,  refletir  as  oscilações  dos  empréstimos contraídos com instituições financeiras, entretanto,  face  a  valorização  do  REAL  (R$)  em  relação  ao  Dólar  Norte  Americano  (U$),  ocorreram  retificações  dos  valores  anteriormente provisionado como despesa de variação cambial,  conseqüentemente  apresentou  valores  credores  neste  período,  porém  só  poderá  ser  considerado  como  receita,  na  efetiva  liquidação  do  empréstimo,  caso  a  taxa  do  dólar  na  data  de  liquidação seja inferior a taxa de dólar na data da contratação  do  empréstimo  (entrada  dos  recursos);  este  empréstimos  foi  contratado  (ingresso  da  dívida)  em  29/11/00,  por  uma  taxa  de  R$  1,82,  e  o  último  ajuste  do  dólar  contabilizado  foi  em  31/12/02,  por  uma  taxa  de  R$  3,53,  ressalte­se  que  este  empréstimo ainda não foi liquidado (em anexo o ROF­ Registro  de Operações Financeiras do Banco Central do Brasil).  b) recuperação de despesas — Refere­se a parcela do custo de  refeição e plano de saúde, pagos pela empresa e ressarcido dos  empregados.  c)  devolução  de  compras  —  Refere­se  a  estorno  de  compras  efetuadas e posteriormente devolvidas.  d)  descontos  obtidos  —  refere­se  a  parcela  de  desconto  de  compras efetuadas, daí o valor pago é inferior ao valor da Nota  Fiscal debitada a despesa.  Por outro  lado, convém ressaltar que o  lançamento  refere­se  ao período em  que  o  PIS  e  a  COFINS  eram  apurados  somente  pelo  regime  cumulativo,  considerando­se  o  disposto na Lei nº 9.718 de 1998. De acordo com o art. 3º, § 2º, dessa lei, alguns valores não  devem ser considerados na base de cálculo do PIS e da COFINS, a saber:  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I  ­  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI e o  Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO   6 vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário;  II  ­  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo  valor do patrimônio  líquido e os  lucros e dividendos derivados  de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham  sido  computados  como  receita;  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)  III  ­  os  valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra  pessoa  jurídica,  observadas  normas  regulamentadoras  expedidas  pelo  Poder  Executivo;  (Revogado  pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  IV ­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.  V  ­  (Vide  Art.  7º  e  Art.  22  da  Medida  Provisória  nº  451,  de  15/12/2008)  (...)  Cotejando as explicações da Recorrente com a norma  legal, percebe­se que  não  há  uma  correlação  direta  de  modo  a  permitir  a  exclusão  dos  valores  informados  pela  Recorrente da base de cálculo do PIS e da COFINS.  Por outro lado, há que se reconhecer que tais “receitas” não correspondem ao  faturamento  da  Recorrente,  e,  portanto,  o  objeto  da  presente  discussão  está  abrangido  pelo  Recurso Extraordinário nº 585.235, no qual foi reconhecida a repercussão geral de que trata o  art. 543­B do Código de Processo Civil e julgado, no mérito, pela inconstitucionalidade do art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718  de  1998,  no  que  diz  respeito  ao  alargamento  da  base  de  cálculo.  Confira­se:           EMENTA:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º,  da Lei nº 9.718/98.      (RE­RG­QO  585235,  Relator(a):    Min.  CEZAR  PELUSO,  julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008)  Com  efeito,  se  as  parcelas  compreendidas  como  receita  pela  autoridade  preparadora não se subsumem ao conceito de faturamento, e o lançamento é fundamentado no  art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718 de 1998, não pode mais prevalecer o crédito tributário em questão  por força art. 26­A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e do art. 62, parágrafo único, I, e § 1º,  do Anexo II do Regulamento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009.  Diante  do  exposto,  DOU  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  para  reformar a decisão recorrida e exonerar o crédito tributário.  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13502.000936/2005­44  Acórdão n.º 3201­00.867  S3­C2T1  Fl. 303          7 É como voto.  Daniel Mariz Gudiño ­ Relator                              Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10209.000428/2005-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/06/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL. A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-001.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaram-se impedidos de vota
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas

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Interessado  Petróleo Brasileiro S/A ­ Petrobrás    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 15/06/2000  PREFERÊNCIA  TARIFÁRIA.  TRIANGULAÇÃO.  RASTREABILIDADE  DOCUMENTAL.  A  não  apresentação  da  fatura  comercial  identificada  no  certificado  que  comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino  Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no  referido acordo de preferência.    Recurso Especial do Procurador Provido        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso  especial.  Vencida  a  Conselheira  Judith  do  Amaral  Marcondes  Armando.  Os  Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaram­se impedidos de votar.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente.     RODRIGO DA COSTA PÔSSAS ­ Relator.    EDITADO EM: 26/10/2010     Fl. 246DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Nanci  Gama,  Judith  do  Amaral  Marcondes  Armando,  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  Gilson Macedo Rosenburg  Filho,  Leonardo  Siade Manzan,  Rodrigo  da Costa  Pôssas, Maria  Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.  :     Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  proposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional (fls. 170 a 182) dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no artigo  7º,  inciso  I,  c/c  art.  15,  do  Regimento  Interno  desse  órgão —  CSRF,  insurgindo­se  contra  decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos,  deu provimento ao recurso voluntário, mediante o Acórdão n° 302­39.772, fls. 154 a 166, de  10/09/2008/2008, cuja ementa transcrevo:  Assunto: Imposto sobre a Importação  Data do fato gerador: 15/06/2000  IMPOSTO  DE  IMPORTAÇÃO.  CERTIFICADO  DE  ORIGEM.  RESOLUÇÃO ALADI 232/97.  Em  se  tratando  de  produto  exportado  pela  Venezuela  e  comercializado  através de um terceiro país que não integra a ALADI, é possível a realização  desta operação, mantendo a preferência tarifária, desde sejam observadas as  condições da resolução ALADI nº 232/97  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO    Adotaremos o relatório da DRJ,com as alterações pertinentes.      Da autuação    1.  Trata  o  presente  processo  de  exigência  do  Imposto  de  Importação  ­  acrescido de juros de mora e da multa de oficio no percentual de 75% perfazendo, na data da  autuação, um credito tributário no valor total de R$ 313.880,03.  2. Segundo a descrição dos  fatos constante do Auto de  Infração,  a empresa  registrou  a  Declaração  de  Importação  n°  00/0540967­0,  em  15/06/2000,  submetendo  a  despacho aduaneiro 43481,74 barris de óleo diesel, mercadoria classificável no código NCM  2710.00.41 da Tarifa Externa Comum — TEC, utilizando­se da redução de 80% da alíquota do  Imposto de  Importação  prevista no Acordo de Complementação Econômica n°39  (ACE 39),  assinado pelo Brasil no âmbito da ALADI, instituído pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999.    Fl. 247DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000428/2005­92  Acórdão n.º 9303­01.227  CSRF­T3  Fl. 232          3 3.  Após  análise  dos  documentos  que  instruíram  a  DI  (fatura  comercial,  certificado de origem e conhecimento de carga), a fiscalização concluiu que em se tratando de  urna operação comercial entre uma empresa brasileira e uma sediada nas  Ilhas Cayman, não  haveria  como  a  interessada  invocar  a  redução  tarifária  prevista  nos  Acordos  firmados  no  âmbito da ALADI.    4. A negativa à redução tarifária nos termos do ACE 39, conforme pleiteada  na citada DI, foi justificada pela fiscalização com base nos seguintes fatos e irregularidades:    a)  “no  Certificado  de  Origem  n°  ALD  1000728653  (fls.  20)  emitido  em  25/05/2000, está declarado que as mercadorias  indicadas correspondem a fatura comercial nº  102096­0 emitida pela empresa PDVSA PETRÓLEO Y GAS S/A, situada na Venezuela e não  apresentada  no  despacho.  Entretanto,  a  Fatura  Comercial  que  instruiu  o  despacho  de  importação  foi  a  de  n°  PIFSB­669/2000  (fls.  19),  emitida  em  02/08/2000,  pela  empresa  Petrobras International Finanee Company (PIFC0) situada nas Ilhas Cayman, pais não membro  da  ALAD1,  documento  que  a  fiscalização  aduaneira  utilizou  para  fazer  as  verificações  e  procedimentos fiscais necessários para o desembaraço aduaneiro da mercadoria ...”;  b) quanto ao “conhecimento de embarque (fls. 19), documento que assegura a  propriedade  da  mercadoria,  este  foi  consignado  à  empresa  Petrobras  International  Finance  Company  (PIFC0),  logo  essa  empresa  situada  nas  Ilhas  Cayman  era  a  proprietária  da  mercadoria”;  c)  “a  Resolução  252  do  Comitê  de  Representantes  da  ALADI,  apenso  ao  Decreto n° 3.325, de 30/12/1999, que trata de sua execução no seu artigo quarto, não prevê a  intervenção  de  um  terceiro  pais  não  membro  da  ALADI  na  qualidade  de  exportador  caracterizada nesta operação";  d)  conquanto  o  artigo  nono  da  Resolução  n°  252  do  Comitê  de  Representantes  da  ALADI,  apenso  ao  Decreto  n°3.325,  de  30.12.1999,  "admita  que  a  mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro pais, não  se  aplica  ao  caso,  uma  vez  que  não  houve  interveniência  de  um  operador,  nos  termos  da  Resolução  acima  mencionada,  mas  a  participação  de  um  terceiro  pais  na  qualidade  de  exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman fatura e exporta para o  Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI";  e)  "mesmo  que  a  empresa  exportadora,  situada  nas  Ilhas  Cayman,  se  enquadrasse de fato como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do pais de  origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria  objeto de sua declaração ser faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação  ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem,  não  se  conhecesse  número  da  fatura  comercial  emitida pelo  operador  de  um  terceiro  pais,  o  importador  deveria  apresentar  à  Administração  aduaneira  correspondente  uma  declaração  juramentada que justificasse o fato, o que não ocorreu";    Fl. 248DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO     4       f) a indicação da invoice emitida pela PDVSÁ PETRÓLEO Y GAS S/A em  um campo da fatura emitida pela Petrobras International Finance Company (PIFC0) não supre  as  exigências  da  citada  Resolução  n°  252,  tampouco  a  referência  feita  à  PIFCO  neste  documento, "visto que não identifica efetivamente a operação pretendida";  g) em função do disposto no artigo 129 do Regulamento Aduaneiro de 1985,  então vigente (Interpreta­se literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de  isenção  ou  redução  do  Imposto  de  Importação),  qualquer  situação  excepcional  em  matéria  tributária, como a redução de imposto, só poderá ser reconhecida se expressamente prevista na  legislação,  se  utilizada  conforme  estabelece  na  legislação,  sendo  que  a  não  observância  dos  requisitos da lei implicará na perda da redução.  5. Deste modo,  concluiu  a  fiscalização  que  as  preferências  e  contrapartidas  econômicas,  assentadas  no  regime  de  origem,  contemplam  exclusivamente  o  comércio  praticado  entre  dois  países  signatários,  destinando­se  tal  regime  a  coibir  qualquer  interveniência  nociva  aos  objetivos  dos  acordos  pactuados  entre  os  países­membros,  pois  conforme  a  legislação  de  vigência  á  época,  o  legislador  não  deixou  margem  para  a  interveniência de um terceiro pais, nos moldes da operação de fato ocorrida, de que resultou a  importação efetuada pela fiscalizada.    6. Em  função do constatado,  foi  lavrado o  auto  de  infração de  fls.  02  a  11  para cobrança da diferença do  Imposto de  Importação, acompanhada dos  juros de mora e da  multa de oficio de 75%.     Da impugnação    7. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 30/05/2005, fl.  02, a autuada apresentou impugnação, em 29/06/2005, documentos às fls. 35 a 45, nos termos a  seguir resumidos:  7.1.  após  traçar  um  histórico  acerca  dos  fatos  que  permeiam  à  lide,  a  impugnante  se  reporta  à  operação  comercial  realizada  onde  explica  que  se  trata  de  uma  triangulação  comercial,  prática  internacional  comum  adotada  por  razões  comerciais  de  alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos;  7.2.  defende que  a  triangulação comercial  não  elide  a  aplicação de  redução  tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI;    7.3.  reconhece  a  ocorrência  de  equivoco  no  preenchimento  da  DI,  na  qualidade  de  operadoras  comerciais  e  não  de  exportadoras,  isso  se  referindo  à  condição  da  Fl. 249DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000428/2005­92  Acórdão n.º 9303­01.227  CSRF­T3  Fl. 233          5 PIFCO,  onde  afirma  também  que  esta  sequer  teve  a  posse  da  mercadoria  ou  lucrou  com  a  revenda;  7.4.  diz que  a própria  fiscalização  reconhece que o  contribuinte procedeu à  importação da PDVSA (Venezuela) com transporte direto ao Brasil;   7.5. destaca ainda que a PIFC0 figura corno exportadora pelo fato da Receita  Federal não prever o procedimento especifico nos casos de triangulação comercial;  7.6. defende que os documentos que instruíram a DI são regulares, e estão em  consonância com a Resolução n°252;  7.7  opõe­se  a  uma  suposta  multa  regulamentar  ao  descumprimento  dos  requisitos do art. 425 do Regulamento Aduaneiro/85 inerentes à fatura comercial por entender  que tal fato ocorre pela falta de previsão do procedimento de triangulação comercial;  7.8.  alega  que  a  fiscalização  laborou  em  equivoco  ao  tentar  interpretar  o  Tratado de Montevidéu e suas regras complementares, conforme razões apresentadas às fls. 40  a  49,  onde  aduz  que  a  legislação  não  vincula  duas  formas  de  documentos  (certificado  de  origem  e  nota  fiscal),  mas  tão  somente  a  identidade  do  seu  conteúdo,  representado  pela  descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada;  7.9. considera que a Resolução n°252 não definiu afigura do operador, bem  como não informou como deveria ser a operação;  7.10.  rebate  o  argumento  de  que  a  autuada  não  cumprira  as  formalidades  exigidas  na Resolução  nº  252,  ressaltando  a  conduta  formalista  do  autuante,  dando destaque  aos princípios da razoabilidade e da instrumentalidade das formas;  7.11.  ressalta  o  caráter  instrumental  do  Imposto  de  Importação,  onde  aduz  que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal  e não arrecadatória, como a maioria dos impostos;  7.12. discorda da aplicação da multa proporcional de 75 %, tomando por base  o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°13, de 10/09/2002, e ainda, destaca a inaplicabilidade  da taxa SELIC.  8. Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer  que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente, protestando por lodos os meios de  prova em direito admitidos.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas  Fl. 250DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO     6 O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos  demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar.   Do Cabimento da Preferência Tarifária  No  presente  recurso,  a  recorrente  não  logrou  êxito  em  demonstrar  o  saneamento da falha perpetrada quando da instrução do despacho de importação da mercadoria  objeto do presente litígio.  Ou  seja,  não  foi  apresentada  a  fatura  comercial  atrelada  ao  certificado  de  origem  e,  por  essa  razão,  não  há  como  se  considerar  cumpridas  as  exigências  inerentes  ao  regime de origem da Aladi.  Nesse  ponto,  preciso  é  o  parágrafo  único  do  art.  434  do  Regulamento  Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos controvertidos:  Art.  434.  No  caso  de  mercadoria  que  goze  de  tratamento  tributário  favorecido  em  razão  de  sua  origem,  a  comprovação  desta será feita por qualquer meio julgado idôneo  Parágrafo único. Tratando­se de mercadoria importada de país­ membro  da  Associação  Latino­Americana  de  Integração  (ALADI),  quando  solicitada  a  aplicação  de  reduções  tarifárias  negociadas pelo Brasil, a  comprovação constará de  certificado  de  origem  emitido  por  entidade  competente,  de  acordo  com  modelo aprovado pela citada Associação.  Nessa  esteira,  entendo  aplicáveis,  na  espécie,  as  considerações  formuladas  por  ocasição  do  voto  vencido,  prolatado  quando  do  julgamento  do  recurso  nº  137831,  onde  atuou como relator o conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, onde  foram enfrentadas as  alegações trazidas na jurisprudência da CSRF que apoiaria as considerações do sujeito passivo.  Transcrevo:  Por  sintetizar  o  raciocínio  que  orienta  esse  entendimento,  transcrevo ementa de acórdão da CSRF prolatado nos autos do  Recurso  Especial  nº  302­124323,  que  teve  como  relatora  a  i.  Conselheira Anelise Daudt Prieto, no qual, por maioria de votos,  decidiu­se:  CERTIFICADO DE  ORIGEM  ­  PREFERENCIA  TARIFÁRIA  ­ RESOLUÇÃO ALADI 232 ­ Produto exportado pela Venezuela e  comercializado  através  de  país  não  integrante  da  ALADI.  A  apresentação para  despacho do Certificado  de Origem  emitido  pelo  país  produtor  da mercadoria,  acompanhado  da  fatura  do  país  interveniente  e  do  conhecimento  de  embarque  que  deixam  clara  a  origem  da  mercadoria,  supre  as  informações  que  deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada  à  autoridade  aduaneira,  como  previsto  no  art.  9°,  do  Regime  Geral de Origem da Aladi (Res. 78).  Recurso especial provido.  Apesar  de  entender  que  tal  decisão  está  em  harmonia  com  a  regra geral de origem estampada no art. 9º do Decreto­lei nº 37,  Fl. 251DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000428/2005­92  Acórdão n.º 9303­01.227  CSRF­T3  Fl. 234          7 de  19661,  peço  licença  para  discordar  das  conclusões  consignadas no aresto.   Penso que, na espécie, o dispositivo nacional deve ceder espaço  ao regime da Aladi, onde não foram produzidos os documentos  corretos  para  a  concessão  da  preferência  tarifária  objeto  do  presente  litígio,  nem  suprida  a  sua  ausência  pelos  meios  definidos no mesmo acordo.  Por  uma  questão  de  sistematização,  analiso  separadamente  os  fatores que me levaram a adotar essa conclusão.  1­ Tipicidade e Relação Jurídica Tributária  Interessa  à  solução  do  litígio,  a  meu  ver,  avaliar  se  os  fatos  carreados  aos  autos  se  subsumem  perfeitamente  à  hipótese  abstratamente  prevista  na  norma  negocial  que  estabeleceu  a  preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se  verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão.  Ou  seja,  independentemente  de  ser  conceituada  como  uma  isenção  parcial  ou  alíquota  diferenciada,  a  aplicação  da  preferência  tarifária  negociada  é  necessariamente  orientada  pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97,  VI  e  111,  II  do  Código  Tributário  Nacional  (Lei  nº  5.172,  de  1966)2  Vejamos o que diz Alberto Xavier3  Como já mais de uma vez  se sublinhou, o  lançamento é o ato  administrativo  pelo  qual  a  Administração  aplica  a  norma  tributária  material  a  um  caso  concreto.  Nuns  casos,  essa  aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato  e,  portanto,  declarar  a  existência  de  uma  relação  jurídica  tributária  e  definir  o  montante  da  prestação  devida.  Noutras  hipóteses,  porém,  da  aplicação  da  norma  ao  caso  concreto  resulta  o  reconhecimento  da  não  tributabilidade  do  fato  e,  portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação  de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de  conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo.  (destaquei)                                                    1 Art. 9º  ­ Respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe,  entender­se­á por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso  de mercadoria resultante de material ou mão­de­obra de mais de um país, aquele onde houver  recebido transformação substancial.  2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  (...)  VI ­ as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  Art. 111. Interpreta­se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:  (...)  II ­ outorga de isenção;  3 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100.  Fl. 252DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO     8 José Souto Maior Borges4, a seu turno, pontifica:  É  o  fato  gerador,  consoante  se  demonstrou,  uma  entidade  jurídica  (supra,  III).  Por  força  do  princípio  da  legalidade  da  tributação,  o  fato  gerador  existe  si  et  ia  quantum  estabelecido  previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese  de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei  tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou  conjunto  de  fatos  que  legitimam  a  tributação  inexiste  portanto  fato gerador de obrigação tributária.  Por  isso,  afirma­se  corretamente  que  o  fato  gerador  é  fato  jurídico.  Sob  outro  ângulo,  a  análise  jurídica  revela  ser  a  extensão  do  preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma  que  isenta  é  assim  uma  norma  limitadora  ou  modificadora:  restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita  o âmbito material ou pessoal a que deverá estender­se o tributo  ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência.  A  norma  de  isenção,  obstando  o  nascimento  da  obrigação  tributária  para  o  seu  beneficiário,  produz  o  que  já  se  denominou  fato gerador  isento,  essencialmente distinto do  fato  gerador do tributo. (destaquei)  Possivelmente,  a  principal  conseqüência  da  pré­falada  tipicidade  cerrada,  pelo  menos  para  a  solução  do  vertente  processo,  é  a  impossibilidade  se  pode  recorrer  à  analogia  a  pretexto de colmatar supostas lacunas da norma. Nesse caso, há  que  se  aplicar  a  doutrina  do  Silêncio  Eloqüente  do  legislador,  com as  restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira  Alves, nos autos do RE Nº 130.552­5 ­ DF (DJ de 28/06/1991):  “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o  que  os  alemães  denominam  ‘silêncio  eloqüente’  (Beredtes  Schweigen)  que  é  o  silêncio  que  traduz  que  a  hipótese  contemplada é a única a que se aplica o preceito  legal, não se  admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.”  Tal  ressalva  é  importante  para  a  solução  do  presente  litígio  porque, como se verá a seguir, o regime de origem do ACE 39,  que  isola a aplicação do regime do DL 37, de 1966, definiu as  formas  de  suprir  eventual  falha  documental  perpetrada  na  demonstração do cumprimento dos requisitos de origem.  É  defeso  ao  intérprete,  portanto,  considerar  suprida  eventual  falha  documental  por  meios  diversos  dos  previstos  no  Acordo,  invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do art. 9º,  que trata do Regime Geral de Origem.    Conforme  se  observa  na  leitura  do  já  transcrito  art.  9º  do  Decreto­lei  nº  37,  de  1966,  delimitou  com  razoável  precisão  o  conceito jurídico de “origem”, que, aliás, muito se aproxima do                                                    4 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191  Fl. 253DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000428/2005­92  Acórdão n.º 9303­01.227  CSRF­T3  Fl. 235          9 significado coloquial da expressão (local onde a mercadoria foi  produzida ou sofreu transformação substancial).  Assim,  para  efeito  de  aplicação  da  legislação,  sempre  que  a  delimitação da origem da mercadoria  for relevante, caberia ao  intérprete investigar o local onde a mercadoria foi produzida ou  sofreu transformação substancial  Tratar­se­ia então do emprego do que Alfredo Augusto Becker5,  apoiado  na  doutrina  de  Emilio  Betti,  denominou  Cânone  Hermenêutico  da  Totalidade  do  Sistema  Jurídico,  que  a  unicidade  dos  conceitos  jurídicos,  independentemente  do  contexto em que o mesmo esteja sendo empregado. Diz o autor:  “...uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado,  deve  valer  para  todo  o  direito;  salvo  se  o  legislador  expressamente  limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou  excluiu  sua  aplicação  num  determinado  setor  do  direito;  mas  para  que  tal  alteração  ou  limitação  ou  exclusão  aconteça  é  indispensável  a  existência  de  regra  jurídica  que  tenha  disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão.”  Ocorre que, segundo o próprio art. 9º, o conceito de origem ali  consignado  cede  espaço  aos  critérios  fixados  em  ato  internacional de que o Brasil participe, hipótese que se verifica  no  presente  julgamento,  onde  se  encontra  em  discussão  a  aplicação  de  preferência  tarifária  outorgada  nos  termos  do  Acordo de Complementação Econômica nº 39, promulgado pelo  Decreto nº 3.138, de 16/08/1999.  Vendo  por  outro  ângulo,  para  efeito  de  reconhecimento  de  preferência tarifária, se o acordo que a concede possuir regime  próprio, mercadoria originária de país  signatário é aquela que  preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não  guardem  relação  com  conceitos  consagrados  no  plano  da  linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem.  Ou  seja,  assim  como,  para  efeito  de  lei,  determinados  bens  evidentemente  móveis  podem  ser  tratados  como  imóveis,  para  efeito  da  aplicação  de  preferência,  mercadorias  evidentemente  extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas  como originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham  sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime  diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano.  Tanto  em  um  quanto  em  outro  exemplo,  configurar­se­ia  uma  ficção  jurídica,  onde  o  mundo  fático,  por  disposição  legal,  é  distorcido pelo jurídico.  Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por  Maria Rita Ferragut6, citando a obra de Perez de Ayala:                                                    5 Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo, Lejus, 3ª ed. p. 123  6 Presunções no Direito Tributário. São Paulo, Dialética, 2001 p. 85  Fl. 254DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO     10 De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constitui­se  na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se  atribuem,  a  determinados  supostos  de  fatos,  certos  efeitos  jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas.  E  uma  técnica  que  permite  ao  legislador  atribuir  efeitos  jurídicos  que,  na  ausência  da  ficção,  não  seriam  possíveis  a  certos fatos ou realidades sociais. (grifei)  No caso da preferência tarifária em debate, o regime de origem  a  ser  considerado,  por  determinação  expressa  do  artigo  87  do  ACE nº 39,  é o  estabelecido na Resolução 78 da Aladi  e pelas  demais regras que a complementam, dentre as quais destaca­se a  Resolução  252  do  Comitê  de  Representantes  da  Aladi,  promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999.  Cabe  registrar,  desde  já,  que.  diferentemente  do  entendimento  consignado  no  acórdão  hostilizado,  não  vejo  a  “triangulação”  comercial represente uma violação à regra do artigo Quarto da  Resolução Aladi nº 78, atualmente consolidado na Resolução nº  252,  que  condiciona  o  reconhecimento  da  origem  à  expedição  direta da mercadoria.   Com efeito, o Conhecimento de Transporte  juntado por cópia à  fl.  17  não  faz  menção  ao  fato  de  que  a  mercadoria  tenha  transitado,  sido  transbordada  ou  armazenada  em  um  país  estranho ao ACE 39: a mercadoria, segundo aquele documento,  foi  embarcada  em  Punta  Cardon,  Venezuela,  com  destino  ao  Território Brasileiro.  Ou seja, a meu ver, assim como consignado no citado acórdão  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  a  regra  em  questão  impõe  restrições  ao  trânsito  físico  da  mercadoria  por  um  terceiro país, não à  sua comercialização por um operador nele  estabelecido.  Tanto  é  assim  que  a  Resolução  nº  252  estabeleceu  regra  específica  para  a  importação  de mercadoria  onde  figure  como  exportador operador sediado em país não­participante do ACE.   Veja­se o que diz o artigo nono da Resolução 252, incorporado  ao Regime de Origem da Aladi por essa mesma resolução:  NONO  ­  Quando  a  mercadoria  objeto  de  intercâmbio  for  faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não  da  Associação,  o  produtor  ou  exportador  do  país  de  origem  deverá  indicar  no  formulário  respectivo,  no  campo  relativo  a  "observações",  que  a  mercadoria  objeto  de  sua  Declaração  será  faturada  de  um  terceiro  país,  identificando  o  nome,  denominação ou razão social e domicílio do operador que, em  definitivo, será o que fature a operação a destino. (destaquei)  Na  situação  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  e,  excepcionalmente,  se  no momento  de  expedir  o  certificado  de  origem não  se  conhecer  o  número  da  fatura  comercial  emitida  por um operador de um terceiro país, o campo correspondente                                                    7  Para  a  qualificação  da  origem  das  mercadorias  que  se  beneficiem  do  presente  Acordo  as  Partes  Signatárias  aplicarão o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78 e nas disposições complementares e modificativas  do Comitê de Representantes da ALADI, salvo se as Partes Signatárias convierem diferentemente.  Fl. 255DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000428/2005­92  Acórdão n.º 9303­01.227  CSRF­T3  Fl. 236          11 do  certificado  não  deverá  ser  preenchido.  Nesse  caso,  o  importador  apresentará  à  administração  aduaneira  correspondente  uma  declaração  juramentada  que  justifique  o  fato,  onde  deverá  indicar,  pelo menos,  os números  e  datas  da  fatura  comercial  e  do  certificado  de  origem  que  amparam  a  operação de importação. (os grifos não constam do original)  Note­se que, a mesma resolução 252 estabelece, por via oblíqua,  as  conseqüências  do  descumprimento  das  regras  inerentes  ao  certificado de origem, literalmente:   SÉTIMO  ­  Para  que  as  mercadorias  objeto  de  intercâmbio  possam  beneficiar­se  dos  tratamentos  preferenciais  pactuados  pelos  países  participantes  de  um  acordo  celebrado  de  conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países  deverão  acompanhar  os  documentos  de  exportação,  no  formulário­padrão adotado pela Associação, de uma declaração  que  acredite  o  cumprimento  dos  requisitos  de  origem  que  correspondam,  de  conformidade  com  o  disposto  no  Capítulo  anterior.  Essa  declaração  poderá  ser  expedida  pelo  produtor  final  ou  pelo  exportador  da  mercadoria  de  que  se  tratar.  (destaquei)  Com  efeito,  se  a  norma  condiciona  o  reconhecimento  da  preferência  à  apresentação  da  declaração  própria  do  Certificado  de  Origem,  segundo  os  ditames  do  acordo,  por  óbvio,  afasta  o  tratamento  diferenciado  se  descumpridas  as  condições pré­estabelecidas.   De se observar, ademais que, analisando o parágrafo único do  artigo  nono  da mesma  resolução,  pode­se  inferir  que  a  norma  definiu  com  clareza  quais  são  as  providências  a  adotar  nas  hipóteses  em  que  a  triangulação  comercial  impede  o  preenchimento  na  forma  pré­estabelecida,  rito  que,  conforme  apontado pelas autoridades autuantes, não foi seguido.  Nessa  esteira,  a  meu  ver,  a  tipicidade  cerrada  que  norteia  a  avaliação do cumprimento dos pressupostos inerentes ao Acordo  proíbe  que  se  busquem  outros  meios  para,  supostamente  demonstrar a observância do regime de origem.  Ora,  o  regime  de  origem  fixado  pela  Resolução  252  é  aquele  cuja  prova  é  feita  nos  termos  das  regras  procedimentais  nele  previstas,  saber  o  último  porto  de  embarque  da  mercadoria,  neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras.  Ou  seja,  não  é  suficiente,  para  aplicação  do  tratamento  diferenciado,  a  demonstração,  por  outros  meios  documentais,  que a mercadoria, aparentemente foi produzida e embarcada na  Venezuela.  Isso  seria  suficiente  se  o  reconhecimento  estivesse  sujeito à regra geral gizada no artigo 9º do Decreto­lei nº 37, de  1966.  Repise­se que, em obediência ao princípio da tipicidade, não se  pode  partir  do  pressuposto  que  a  sistemática  definida  na  Resolução 252 contém lacunas. Ela simplesmente optou por não  Fl. 256DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO     12 admitir,  por  exemplo,  que  a  falha  na  adoção  das  providências  elencadas no art. nono sejam supridas pela apresentação de uma  fatura comercial estranha àquela que constou do Certificado de  Origem.  Finalmente,  a  meu  ver,  razão  assiste  às  autoridades  autuantes  quando apontaram a impossibilidade de se cotejar a quantidade  da mercadoria amparada pelo certificado de origem coligido aos  autos, que não contém essa informação.   Sem que tal informação conste do certificado ou não for possível  vincular  certificado  e  fatura  comercial,  como  saber  se  a  totalidade  das  mercadorias  desembarcadas  no  Brasil  foi  embarcada na Venezuela?  Resta  prejudicado  portanto  o  cumprimento  do  requisito  estabelecido no artigo oitavo da Resolução 252, literis:  OITAVO ­ A descrição das mercadorias incluídas na declaração  que  acredita  o  cumprimento  dos  requisitos  de  origem  estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a  que  corresponde  à  mercadoria  negociada,  classificada  de  conformidade  com  a  NALADI/SH  e  com  a  que  se  registra  na  fatura comercial que acompanha os documentos apresentados  para o despacho aduaneiro.(grifei)  Logo, a certificação da origem é feita com base também em função da fatura  comercial que acoberta a saída de mercadorias. Pelas normas internacionais vigentes (art. 4º do  Acordo  91  do  Comitê  de  representantes  da  Aladi),  é  necessário  que  haja  a  vinculação  do  certificado de origem da mercadoria à fatura comercial correspondente.  O próprio formulário adotado para formalizar a certificação possui um campo  específico  destinado  à  clara  e  perfeita  informação  do  número  da  fatura  a  que  se  relaciona.  Assim,  qualquer  certificado  de  origem  somente  pode  ser  usado  para  amparar  a  mercadoria  coberta pela fatura comercial nele indicada.  Com  efeito,  é  o  vínculo  entre  certificado  de  origem  e  fatura  comercial  que  garante  o  cumprimento  dos  requisitos  fixados  entre  os  Estados  signatários  do  Acordo  e  legitima a fruição do benefício tarifário quanto á mercadoria importada.  No momento em que há divergência nas informações prestadas no certificado  de  origem  e  na  fatura  comercial,  ou  a  ausência  dos  requisitos  previstos  nos  acordos  internacionais,  O  estado  importador  fica  impedido  de  reconhecer  o  tratamento  preferencial,  devendo ser aplicado o regime normal de tributação previsto para os países não signatários dos  acordos internacionais.  Não  se  pode  olvidar,  por  outro  lado  que  a  avaliação  do  cumprimento  das  condições fixadas pela legislação específica do regime reclama a observância das normas que  disciplinam a fruição da isenção condicionada, especialmente o pelo art. 179, caput e § 2º, do  Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que dizem:  Art. 179. A  isenção, quando não concedida em caráter geral, é  efetivada,  em  cada  caso,  por  despacho  da  autoridade  administrativa, em requerimento com o qual o  interessado faça  prova  do  preenchimento  das  condições  e  do  cumprimento  dos  requisitos previstos em lei ou contrato para concessão.  Fl. 257DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000428/2005­92  Acórdão n.º 9303­01.227  CSRF­T3  Fl. 237          13 (...)  § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido,  aplicando­se, quando cabível, o disposto no artigo 155.  Art.  155.  A  concessão  da moratória  em  caráter  individual  não  gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se  apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as  condições  ou não cumprira  ou  deixou  de  cumprir  os  requisitos  para a concessão do  favor, cobrando­se o crédito acrescido de  juros de mora:   Aplicar o art. 179 e,  se  for o caso, o  art. 155,  significa,  a meu ver,  avaliar,  conforme o caso, o cumprimento das condições fixadas no Acordo, inclusive no que se refere  ao cumprimento das exigências de ordem instrumental.   Sobre a  imperiosidade da coexistência dos aspectos  instrumental e material,  bem assim da obrigatoriedade do sujeito passivo trazer ao processo, pelos meios adequados, os  elementos que permitam a avaliação do cabimento da isenção, vale a pena relembrar trecho da  obra de Alberto Xavier8:  “... Na verdade, enquanto a Administração fiscal tem o dever de  investigar oficiosamente os fatos arvorados por lei em elementos  do  tipo tributário, nem sempre esse dever  lhe cabe quanto aos  fatos impeditivos da obrigação de imposto. Não pode afirmar­se  que a Administração não tenha o dever de investigar a verdade  material quanto ao fato isento, nos casos a que nos referimos: o  que sucede é que a lei faz depender o início da investigação de  um  pressuposto  processual,  que  é  um  requerimento  ou  solicitação  expressa  do particular,  sem o  qual  a Fazenda não  pode reconhecer a isenção, nem portanto operar a sua eficácia  impeditiva. É o que resulta do artigo 179 do Código Tributário  Nacional, segundo o qual “a isenção, quando não concedida em  caráter  geral,  é  efetivada,  em  cada  caso,  por  despacho  da  autoridade  administrativa,  em  requerimento  no  qual  o  interessado  faça  prova  do  preenchimento  das  condições  e  do  cumprimento  dos  requisitos  previstos  em  lei  ou  contrato  para  sua concessão”. (destaquei)  De  se  reafirmar,  portanto,  que,  como  frisou  o  mestre  lusitano,  a  regra  isencional  de  caráter  especial  não  gera  efeitos  ope  iuris. É  necessário  que  se  cumpra  o  rito  procedimental próprio, consubstanciado no pleito do benefício e na apresentação de prova do  preenchimento das condições definidas na norma de caráter substancial.  De maneira semelhante, pondera Souto Maior Borges9:  “Toda  isenção  deve  ser  concedida mediante  prova  documental  da sua causa que remova as contestações e incertezas.  (...)                                                    8 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro. Forense, 1998, 2ª  ed., p. 103/104.  9 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ª ed. p. 336  Fl. 258DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO     14 Deve­se  distinguir  assim,  consoante  o  ensinamento  de  Amílcar  de  Araújo  Falcão,  no  estudo  das  isenções,  dois  momentos  ou  aspectos distintos:  I)  o  aspecto  substancial  ou  material,  ou  seja,  os  requisitos  ou  elementos  de  perfeição  ou  integração  dos  pressupostos  da  isenção;  regime  que  estabelece  os  pressupostos  para  o  surgimento  do  direito  à  isenção  (Tatbestandsstücke),  os  destinatários da norma (Normadressaten) e o âmbito, o alcance  ou extensão do preceito isentivo;  II) o aspecto formal, um processus, um requisito de eficácia para  que  o  efeito  desagravatório  da  isenção  se  produza  (Wirksamkeitserfordernis).  Distingue­se,  deste  modo,  entre  pressupostos  integrativos  da  relação  jurídica  de  isenção  e  pressupostos  de  eficácia  do  resultado  legalmente  estabelecido.  Estes  últimos  relacionam­se  pois  com  as  circunstâncias  que  condicionam  a  produção  dos  efeitos jurídicos. (destaquei)  Não  existe,  pois,  como  debater  a  incidência  da  norma  isentiva  de  cunho  material  ignorando aquelas de natureza processual. Sem o  cumprimento dos pressupostos de  eficácia,  a  cargo  do  sujeito  passivo.  A  norma  simplesmente  não  produz  efeitos  sem  a  intervenção do beneficiário.   Nesse contexto, à luz do fixado no caput do art. 179 do CTN, é imperioso que  o sujeito passivo que pretende usufruir do benefício faça prova que reúne condições para tanto.  Ausente a comprovação documental pelos meios estabelecidos no Acordo de  Complementação  Econômica,  incabível  é  a  preferência  tarifária.  Voto  pelo  provimento  do  recurso especial.    Rodrigo da Costa Pôssas ­ Relator                               Fl. 259DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO

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4750011 #
Numero do processo: 19515.002158/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 05/07/2000 a 13/12/2000 PROCESSO FISCAL ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. O artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, dispõe que o contribuinte pode apresentar a desistência do recurso a qualquer tempo. CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 21/07/1999 a 30/06/2000 CPMF. DECADÊNCIA. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e havendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme disposto no § 4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 3201-000.879
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso voluntário, por desistência da recorrente, e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.002158/2005­65  Acórdão n.º 3201­00.879  S3­C2T1  Fl. 2          2   MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA ­ Relator.    EDITADO EM: 22/03/2012  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani  (Suplente), Adriana Oliveira  e Ribeiro  (Suplente)  e  Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional.  Relatório  Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo  resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual:    Trata­se  de  Auto  de  Infração  da  Contribuição  Provisória  sobre  Movimentação ou Transmissão Financeira ­ CPMF, fls. 52/75, que constituiu  o  crédito  tributário  total  de R$ 339.267,78,  somados  o  principal, multa  de  ofício e juros de mora calculados até 30/06/2005.    No Termo de Verificação Fiscal de fls. 47/48, a autoridade autuante informa  que,  intimada,  a  contribuinte  apresentou  cópia  de  petição  inicial  de  ação  judicial  em  que  questionava  a  exigência  da  contribuição.  Prossegue  a  autoridade:    Examinando as  cópias  de  sentenças  apresentadas,  verificamos  que  o mandado de  segurança foi impetrado em 28/05/1999, e que a liminar pleiteada foi indeferida em  02/06/1999.  Em  14/06/1999  foi  interposto  agravo  de  instrumento,  que  teve  seguimento  negado  em  14/12/1999.  A  segurança  pleiteada  foi  denegada  em  sentença proferida em 17/11/2000. Em 04/12/2000 foi interposta apelação. Os autos  encontram­se conclusos desde 15/08/2002, em fase de apelação.    Em  carta  datada  de  04  de  junho  de  2003,  a  empresa  apresentou  as  seguintes  informações:  ­ não houve recolhimento dos valores devidos por meio de DARF   ­ os valores envolvidos não foram informados na DCTF    Desse  modo,  considerando  que  tendo  transcorrido  30  dias  da  publicação  da  sentença,  da  qual  não  cabe  recurso,  e não  tendo  sido  efetivado o  pagamento  por  parte do contribuinte, os valores devidos a título de CPMF constantes nos bancos  de  dados  da  Receita  Federal,  conforme  relação  anexa,  nem  apresentados  a  esta  fiscalização qualquer documento hábil ou justificativa aos valores cotejados, serão  lançados  de  oficio  através  de  Auto  de  Infração  para  constituição  do  crédito  tributário devido.    Cientificado  do  lançamento  em  26/07/2005,  o  sujeito  passivo  apresentou  impugnação em 25/08/2005, fls. 78/91, alegando, em síntese:  Fl. 34DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.002158/2005­65  Acórdão n.º 3201­00.879  S3­C2T1  Fl. 3          3 a) ilegitimidade passiva, uma vez que, tendo obtido provimento judicial que  impedia a retenção do tributo, com a cassação desta, a partir de dezembro  de  1999  as  instituições  financeiras  responsáveis  pela  retenção  e  pelo  recolhimento  da CPMF deveriam  ter  passado  a  reter  os  valores  devidos  a  título da contribuição, haja vista não haver na época nenhuma manifestação  expressa  da  Impugnante  em  sentido  contrário.  Assim,  uma  vez  cassada  a  ordem  judicial  em  favor  da  Impugnante,  caberia  ao  Poder  Judiciário,  de  oficio  ou  a  pedido  de  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  cientificar  a  instituição financeira responsável da revogação da medida judicial, para que  esta então voltasse a efetuar o débito da contribuição ora exigida na conta  da Impugnante. O que é importante ficar claro, em verdade, é que não houve  em momento algum qualquer  inadimplemento de obrigação  tributária,  seja  principal  ou  acessória,  por  parte  da  Impugnante,  configurando­se  completamente  descabidas  as  pretensões  manifestadas  pela  D.  Autoridade  Fiscal  ao  lavrar  o  auto  de  infração  ora  combatido,  ainda  mais  quando  considerado o fato de que a presente exigência fiscal veio acompanhada de  juros e multa punitiva. Aliás, destaca­se que, de acordo com a legislação que  cuida da matéria, na falta da retenção da CPMF pelo responsável tributário  (instituição  financeira),  o  contribuinte  (Impugnante)  ficaria  obrigado  a  realizar  o  recolhimento  em  caráter  supletivo,  ou  seja,  após  esgotada  e  frustrada  a  cobrança  inicial  destas  quantias  das  instituições  financeiras.  Portanto,  qualquer  ato  referente  à  cobrança  do  tributo  exigido  deveria,  inicialmente,  ser  direcionado  às  instituições  financeiras  que  deixaram  de  cumprir suas obrigações tributárias;     b) nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ocorreu a  decadência do direito de  constituir o  crédito  tributário  correspondente  aos  fatos geradores ocorridos no período de julho de 1999 a junho de 2000;  c) é  ilegal e  inconstitucional a aplicação da Taxa Selic a  título de  juros de  mora.    A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PROVISÓRIA  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  OU  TRANSMISSÃO  DE  VALORES  E  DE  CRÉDITOS  E  DIREITOS  DE  NATUREZA FINANCEIRA CPMF  Período de apuração: 21/07/1999 a 13/12/2000  CPMF. DECADÊNCIA.  O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de dez anos a  partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido  constituído.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  INFORMAÇÕES  FORNECIDAS  POR  INSTITUIÇÃO  BANCÁRIA.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  RESPONSABILIDADE SUPLETIVA.  Informada  à  Administração  Tributária  a  falta  de  retenção/recolhimento  da  contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra  o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  JUROS  DE  MORA.  MULTA.  RESPONSABILIDADE OBJETIVA.  Fl. 35DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.002158/2005­65  Acórdão n.º 3201­00.879  S3­C2T1  Fl. 4          4 Sendo objetiva a responsabilidade por infrações, a  falta de recolhimento do tributo  sujeita a contribuinte à  incidência dos  juros decorrentes da mora e à  imposição da  multa de ofício.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual  superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC.  Lançamento Procedente     O contribuinte, restando  inconformado com a decisão de primeira instância,  apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de  impugnação.  Em  31  de  agosto  de  2006,  a  recorrente  apresentou  pedido  parcial  de  desistência  do  processo  administrativo  fiscal,  por  inclusão  dos  valores  respectivos  em  parcelamento  fiscal,  do  crédito  relativo  aos  fatos  gerados  ocorridos  no  período  de  julho  a  dezembro de 2000.  Tendo  sido  criado  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  pela  Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, me  foi distribuído o presente  feito e  mantida  a  competência  deste  Conselheiro  para  atuar  como  relator  no  julgamento  deste  processo, na forma da Portaria nº 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta  para julgamento deste recurso.  É o relatório.  Voto             O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais.  Aponto que houve a desistência parcial do presente recurso pelo contribuinte,  conforme consta do relatório, no que se refere ao crédito relativo aos fatos gerados ocorridos  no período de julho a dezembro de 2000 (fls. 191/192).  O artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais ­ CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, dispõe que o contribuinte pode apresentar  a desistência do recurso a qualquer tempo, verbis:     Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso em tramitação.     No mérito, a recorrente alega que há a decadência do direito/dever da União  Federal  para  lançar  o  crédito  tributário  em  questão,  pois  teria  havido  a  retenção  dos  valores  correspondentes pela instituição bancária.  Fl. 36DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.002158/2005­65  Acórdão n.º 3201­00.879  S3­C2T1  Fl. 5          5 A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplica­se ao presente caso,  conforme os seguintes precedentes:    TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NOS  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA  EM  RECURSO  ESPECIAL.  ICMS.  DECADÊNCIA.  PRAZO  PARA  A  CONSTITUIÇÃO  DE  DÉBITO  PELA  FAZENDA  ESTADUAL.  PAGAMENTO  A  MENOR  EM  DECORRÊNCIA  DE  SUPOSTO  CREDITAMENTO  INDEVIDO.  APLICAÇÃO  DO  ART.  150,  §  4º,  DO  CTN.  MATÉRIA  PACIFICADA  EM  SEDE  DE  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA  (RESP 973.733/SC).  1. Agravo regimental contra decisão que deu provimento aos embargos de  divergência  pelos  quais  a  contribuinte  suscita  dissenso  pretoriano  acerca  da contagem do lapso decadencial para o lançamento de ofício tendente a  cobrar  as  diferenças  de  crédito  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação pago a menor em decorrência de creditamento indevido.  2.  A  Primeira  Seção  do  STJ,  no  julgamento  do  REsp  973.733/SC,  realizado nos termos do art. 543­C e sob a relatoria do Ministro Luiz Fux,  sedimentou  o  entendimento  de  que  o  art.  173,  I,  do  CTN  se  aplica  aos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou,  quando, a despeito da previsão legal, não há o pagamento, salvo nos casos  de dolo, fraude ou simulação.  3. "[...] ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte,  o prazo decadencial  para  o  lançamento de  eventuais diferenças  é de  cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art.  150 do CTN" (AgRg nos EREsp. 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino  Zavascki, Primeira Seção, DJ 10.4.2006).  4.  Com  efeito,  a  jurisprudência  consolidada  por  esta  Corte  dirime  a  questão jurídica apresentada a partir da existência, ou não, de pagamento  antecipado por parte do contribuinte. Para essa finalidade, salvo os casos  de dolo, fraude ou simulação, despiciendo se mostra indagar a razão pela  qual o contribuinte não realizou o pagamento integral do tributo.  5.  A  dedução  aqui  considerada  (creditamento  indevido)  nada mais  é  do  que  um crédito  utilizado  pelo  contribuinte decorrente  da  escrituração  do  tributo  apurado  em  determinado  período  (princípio  da  não  cumulatividade), que veio a ser recusada (glosada) pela Administração. Se  esse  crédito  abarcasse  todo  o  débito  tributário  a  ponto  de  dispensar  qualquer  pagamento,  aí  sim,  estar­se­ia,  como  visto,  diante  de  uma  situação excludente da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN.  6.  Na  espécie,  o  acórdão  que  julgou  o  recurso  especial  foi  claro  ao  consignar  que  houve  pagamento  a  menor  de  débito  tributário  em  decorrência  de  creditamento  indevido.  Dessa  forma,  deve­se  observar  o  disposto no art. 150, § 4º, do CTN.  7.  Agravo  regimental  não  provido.  (STJ,  Primeira  Seção,  AgRg  nos  EREsp  1199262  /  MG,  Relator  Ministro  Benedito  Gonçalves,  DJe  07/11/2011) (grifos acrescidos ao original)      Fl. 37DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.002158/2005­65  Acórdão n.º 3201­00.879  S3­C2T1  Fl. 6          6 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  284/STF.  TRIBUTO  SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO  ANTECIPADO.  PRAZO DECADENCIAL.  ART.  150,  §  4º,  DO  CTN.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  LANÇAMENTO.  AUSÊNCIA  DE  ÓBICE.  DECADÊNCIA  CONFIGURADA.  1. Não merece  conhecimento  o  recurso  especial  que  aponta  violação  ao  art.  535,  do  CPC,  sem,  na  própria  peça,  individualizar  o  erro,  a  obscuridade,  a  contradição  ou  a  omissão  ocorridas  no  acórdão  proferido  pela  Corte  de  Origem,  bem  como  sua  relevância  para  a  solução  da  controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É  inadmissível  o  recurso  extraordinário,  quando  a  deficiência  na  sua  fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia".  2. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e  havendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo  decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos  a  contar do  fato  gerador,  conforme disposto    no  §  4º do  art.  150 do  CTN.  Precedente:  AgRg  nos  EREsp  1199262/MG,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves, Primeira Seção, DJe de 7.11.2011.  3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de  praticar  qualquer  ato  contra  o  contribuinte  visando  à  cobrança  de  seu  crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do  crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp  1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011;  AgRg  no  REsp  1183538/RJ,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  DJe  de  24.8.2010;  REsp  1168226/AL,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010.  4.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  não  provido.  (STJ,  Segunda  Turma,  Recurso  Especial  nº  1259346  /  SE,  Relator  Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 13/12/2011) (grifos acrescidos ao  original)    Como  se  verifica  das  decisões  acima,  o  prazo  decadencial  para  a  administração  tributária  exigir  qualquer  diferença  ou  acréscimo  ao  tributo  pago  pelo  contribuinte é regulado pelo parágrafo quarto do artigo 150 do CTN.  A ciência do auto de infração ocorreu em julho de 2005, portanto, devem­se  considerar  decaídos  os  valores  correspondentes  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  junho  de  2000, inclusive.  Assim, considerando que foi apurada a existência de pedido de desistência do  recurso formulado pelo contribuinte devidamente controlado no sistema deste CARF, VOTO  por não conhecer do presente recurso, no que se refere aos créditos relativos aos fatos gerados  ocorridos  no  período  de  julho  a  dezembro  de  2000  e  por  conhecer  o  recurso  no  restante  do  pedido, para dar­lhe provimento.    Marcelo Ribeiro Nogueira   Fl. 38DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.002158/2005­65  Acórdão n.º 3201­00.879  S3­C2T1  Fl. 7          7 Relator                                  Fl. 39DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO

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Numero do processo: 16327.001327/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SALÁRIO INDIRETO ABONO ÚNICO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PERIOCIDADE PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO QUE POSSIBILITE OS EMPREGADOS CONHECIMENTO DOS RESULTADOS. O pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente, encontra-se em desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo incidir contribuição previdenciária, sobre a totalidade dos pagamentos realizados. Não há que e falar em regular negociação coletiva, quando o acordo é firmado, no final do exercício, ou mesmo após o término deste. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS DIRETORES ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Nos termos do parecer n. 03/2001 da PGFN fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE VEÍCULO PRÓPRIO PARA OS DIRETORES PREVISÃO LEGAL DE EXCLUSÃO O fato de o carro fornecido aos diretores ser de propriedade da empresa não determina, por si só, a natureza salarial da utilidade, face a precisão contida no art. 28, § 9º, “r” da lei 8212/91. SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba Bônus de Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontra-se sem dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação. A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões, não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL de 2,5% INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PREVISÃO LEGAL IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Tendo a empresa do ramo financeiro remunerado seus segurados com verbas integrantes do salário de contribuição previdenciário, torna-se obrigada ao recolhimento da contribuição adicional incidente sobre tais valores, conforme determina o art. 22, § 1°, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT SALÁRIO INDIRETO BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÃO. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei n° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999. Em sendo julgado procedente a inclusão em base de cálculo de valores pagos à título de salário indireto, devida é também a contribuição para o SAT. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. AÇÃO JUDICIAL VERBAS DISCUTIDAS EM JUÍZO LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL. Em existindo depósito judicial sobre verbas discutida em juízo não deve incidir juros e multa. PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.250
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) conhecer parcialmente do recurso; e b) rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa. II) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2005. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que não acolhia a decadência. III) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento: a) as contribuições decorrentes da alimentação fornecida aos diretores; b) as contribuições decorrentes dos veículos fornecidos aos diretores; e c) a multa e os juros decorrentes do pagamento de vale transporte. Com relação ao PLR os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira votaram pelas conclusões, por entenderem que o fato de os acordos terem sido firmados no final do exercício a que se referem, por si sónão descaracterizaria a PLR. Designado para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SALÁRIO INDIRETO ABONO ÚNICO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PERIOCIDADE PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO QUE POSSIBILITE OS EMPREGADOS CONHECIMENTO DOS RESULTADOS. O pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente, encontra-se em desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo incidir contribuição previdenciária, sobre a totalidade dos pagamentos realizados. Não há que e falar em regular negociação coletiva, quando o acordo é firmado, no final do exercício, ou mesmo após o término deste. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS DIRETORES ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Nos termos do parecer n. 03/2001 da PGFN fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE VEÍCULO PRÓPRIO PARA OS DIRETORES PREVISÃO LEGAL DE EXCLUSÃO O fato de o carro fornecido aos diretores ser de propriedade da empresa não determina, por si só, a natureza salarial da utilidade, face a precisão contida no art. 28, § 9º, “r” da lei 8212/91. SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba Bônus de Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontra-se sem dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação. A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões, não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL de 2,5% INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PREVISÃO LEGAL IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Tendo a empresa do ramo financeiro remunerado seus segurados com verbas integrantes do salário de contribuição previdenciário, torna-se obrigada ao recolhimento da contribuição adicional incidente sobre tais valores, conforme determina o art. 22, § 1°, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT SALÁRIO INDIRETO BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÃO. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei n° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999. Em sendo julgado procedente a inclusão em base de cálculo de valores pagos à título de salário indireto, devida é também a contribuição para o SAT. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. AÇÃO JUDICIAL VERBAS DISCUTIDAS EM JUÍZO LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL. Em existindo depósito judicial sobre verbas discutida em juízo não deve incidir juros e multa. PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2 Nos  termos  do  parecer  n.  03/2001  da  PGFN  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação  e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:  nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in  natura  do  auxílio­alimentação  não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária.  SALÁRIO  INDIRETO  ­  FORNECIMENTO  DE  VEÍCULO  PRÓPRIO  PARA OS DIRETORES ­ PREVISÃO LEGAL DE EXCLUSÃO  O fato de o carro fornecido aos diretores ser de propriedade da empresa não  determina, por si só, a natureza salarial da utilidade, face a precisão contida  no art. 28, § 9º, “r” da lei 8212/91.  SALÁRIO  INDIRETO  ­  BÔNUS  DE  CONTRATAÇÃO  E  PERMANÊNCIA  A  natureza  atribuída  pela  autoridade  fiscal,  nomeando  a  verba  Bônus  de  Contratação  e  Permanência,  com  uma  espécie  de  prêmio,  para  atrair  bons  funcionários para  a  recorrente,  encontra­se,  sem dúvida,  dentro do  conceito  do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido  como resultante de uma contraprestação.   A mera  alegação  de  que  as  despesas  contabilizadas,  são  apenas  provisões,  não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  ADICIONAL  de  2,5%  ­  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS  ­  PREVISÃO  LEGAL  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  APRECIAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  Tendo a empresa do ramo financeiro remunerado seus segurados com verbas  integrantes  do  salário­de­contribuição  previdenciário,  torna­se  obrigada  ao  recolhimento da contribuição adicional incidente sobre tais valores, conforme  determina o art. 22, § 1°, da Lei 8.212/91.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  SAT  ­  SALÁRIO  INDIRETO  ­  BASE  DE  CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÃO.  A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos  em razão do grau de  incidência de  incapacidade  é prevista no art. 22,  II  da  Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999.   Em sendo julgado procedente a inclusão em base de cálculo de valores pagos  à título de salário indireto, devida é também a contribuição para o SAT.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006  AUTO DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO PRINCIPAL  ­  DIFERENÇA DE  CONTRIBUIÇÕES  ­  SALÁRIO  INDIRETO  ­  NULIDADE  DA  AUTUAÇÃO ­ CERCEAMENTO DE DEFESA ­ FALTA DE DEFINIÇÃO  DOS FATOS GERADORES.  Houve  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores,  possibilitando  o  pleno conhecimento pela  recorrente não  só no  relatório de  lançamentos,  no  DAD, bem como no relatório fiscal.  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 2          3 INCONSTITUCIONALIDADE  ­  ILEGALIDADE  DE  LEI  E  CONTRIBUIÇÃO ­ IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA  ADMINISTRATIVA.  A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder  Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  TRABALHO DO AUDITOR ­ ATIVIDADE VINCULADA  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de  imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa  dos  fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.  AÇÃO JUDICIAL ­ VERBAS DISCUTIDAS EM JUÍZO ­ LANÇAMENTO  PARA EVITAR DECADÊNCIA ­ DEPÓSITO JUDICIAL.  Em  existindo  depósito  judicial  sobre  verbas  discutida  em  juízo  não  deve  incidir juros e multa.  PRAZO  DECADENCIAL  EXISTÊNCIA  DE  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO.  APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.  Constatando­se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos,  não  há  como  a  se  concluir  sobre  essa  questão,  deve­se  aferir  o  prazo  decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN.  Recurso Voluntário Provido em Parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  conhecer  parcialmente  do  recurso;  e  b)  rejeitar  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa.  II) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2005. Vencida a  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira  (relatora), que não acolhia a decadência.  III) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento:  a)  as  contribuições  decorrentes  da  alimentação  fornecida  aos  diretores;  b)  as  contribuições  decorrentes  dos  veículos  fornecidos  aos  diretores;  e  c)  a  multa  e  os  juros  decorrentes  do  pagamento de vale transporte. Com relação ao PLR os conselheiros Marcelo Freitas de Souza  Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira votaram pelas conclusões, por entenderem  que o fato de os acordos terem sido firmados no final do exercício a que se referem, por si só  não  descaracterizaria  a  PLR.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  (a)  Conselheiro(a)  Kleber Ferreira de Araújo.  Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora  Fl. 994DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4   Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza,  Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 995DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 3          5   Relatório  O  presente  Auto  de  Infração  de  obrigação  principal,  lavrado  sob  o  n.  37.298.521­1, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao  custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, inclusive adicional de 2,5% previsto  no  art.  22,  §  1º  da  Lei  8212/91  incluindo  as  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos  ambientais do trabalho, no período de 03/2005 a 12/2006.  Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 75 a 95, os fatos geradores apurados  durante o procedimento fiscal, consistem:   a.  Remunerou  seus  segurados  empregados  sob  a  forma  de  vale  transporte  pago em dinheiro;  b. Remunerou seus segurados empregados sob a forma de "Abono Único";  c.  Remunerou  seus  segurados  empregados  através  de  "Participação  nos  Lucros ou Resultados";  d.  Remunerou  indiretamente  seus  segurados  contribuintes  individuais  (Diretores) através da utilização de veículos e da concessão de alimentação/restaurantes;  e.  Remunerou  seus  segurados  empregados  sob  a  forma  de  "Bônus  de  Contratação" e de "Bônus de Permanência";  Descreveu ainda, o  referido  relatório de  forma pormenorizada os elementos  de convicção para considerar os valores como salário de contribuição.  VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO – PERÍODO DE 03/2005  A 12/2006  ­ Foi constatado nesta Auditoria Fiscal que a empresa remunerava seus segurados  empregados em Folha de Pagamento, a titulo de Vale transporte, contrariando os dispositivos  legais pertinentes, sendo os valores apurados em contas contábeis.  Considerando  que  a  empresa  possuía  liminar  (ação  2001.03.99.000006­2  –  Processo de origem 96.0006508­0), fl. 115 a 119, para que não sofresse autuações à título de  reembolso­transporte,  importante destacar que em 30 de setembro de 2008 a ação foi  julgada  pelo Tribunal Regional Federal da 3 a Região, tendo sido proferido acórdão dando provimento  A  apelação  do  Instituto Nacional  do  Seguro Nacional,  com  remessa  oficial  para  reformar  a  sentença, CASSANDO A LIMINAR, nos seguintes termos:  "Nenhum fundamento jurídico válido revela a generosa sentença  de  fls.  333/336,  a  qual  chancelou  a  liminar  que  livrou  a  impetrante  para  todo  o  sempre  de  recolher  a  contribuição  questionada  (fls.  304),  quando  na  verdade  nem  isso  foi  pedido  pela autora (l1s. 17/15, n° 1).  Fl. 996DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6 Conforme  o  exposto,  dou  provimento  à  apelação  do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  bem  como a  remessa  oficial  para  reformar a sentença, cassando a liminar."  Uma  vez  que  a  liminar  foi  cassada,  o  crédito  tributário  referente  ao  vale­ transporte  encontra­se  exigível,  não  havendo  óbice  A  constituição  do  presente  crédito  previdencidrio  que  tem  por  fato  gerador  o  pagamento  aos  segurados  empregados  de  remuneração sob a forma de vale transporte em pecúnia.  ABONO  ÚNICO  –  PERÍODO  DE  10/2005  A  08/2006  ­  Foi  constatado  nesta Auditoria  Fiscal,  por meio  das Folhas  de Pagamento  e dos Registros Contábeis,  apoio  financeiro a empregados sob a forma de concessão de "Abono Único".  Pode­se observar que a concessão dessa verba decorre de obrigação prevista  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  que  nada  mais  é  do  que  a  junção  de  vontades,  cuja  vigência restringe­se As partes que a subscreveram, não produzindo qualquer efeito perante o  fisco.  Portanto  apenas  a  lei  poderia  determinar  se  os  abonos  são  ou  não  desvinculados  do  salário. Aquele  que  advir  de  outra  fonte  obrigacional,  como  a Convenção  Coletiva de Trabalho, sera salário­de­contribuição. A natureza do abono, conforme previsto no  § 1 ° do artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT, é de ser parte integrante do  salário.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS – PERÍODO DE 03/2005 A 12/2006 ­  Na  auditoria­fiscal  realizada  foi  constatado  o  pagamento  de  incentivos  aos  segurados  empregados  sob  a  forma  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados.  Os  pagamentos  das  participações foram realizados com base tanto nas Convenções Coletivas de Trabalho — CCT  quanto nos Planos Próprios mantidos pelo contribuinte.  31.  Foram  utilizadas  as  seguintes  rubricas  da  folha  de  pagamentos  para  remunerar  os  segurados  empregados:  a.  005003 — Adiant.Part.C.Result.;  b.  005028 — Dit.  PR/PB Credicard; c. 005030 — Part. Res. Qto. Custa; d. 005158 — Antecip.Part.C.Result; e.  005958 — Antecipação PLR CCT; f. 005974 — PLR Cony Coletiva; g. 005993 — Particip.  Resultados; h. 006430 — Compl. PR; e i. 006431 — Compl. PLR.  Das  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  —  CCT  ­  Foram  utilizados  os  seguintes  parâmetros  para  os  pagamentos  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  com base  nas  CCT's,  que  foram  pactuados  com  os  Sindicatos  dos  Empregados  em  Estabelecimentos  Bancários:  a. Convenção PLR 2005/2006:  i.  Pagamento,  até  03/03/2006,  limitado  ao  valor  individual  de R$  5.310,00  (Cinco mil trezentos e dez reais);  ii.  Se  o  total  da  participação  for  inferior  a  5%  (cinco  por  cento)  do  Lucro  Liquido  do  exercício  de  2005,  há  uma  majoração  do  valor,  limitado  individualmente  a  R$  10.620,00 (Dez mil seiscentos e vinte reais);  iii.  Antecipação,  em  10/2005,  do  valor  individual máximo  de  R$  2.655,00  (Dois mil e seiscentos e sessenta e cinco reais).  b. Convenção PLR 2006/2007:  Fl. 997DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 4          7 i.  Antecipação,  em  10/2006,  do  valor  individual  máximo  de  R$  5.496,00  (Cinco mil quatrocentos e noventa e seis reais).  c.  Acordo  Coletivo  celebrado  em  21  de  dezembro  de  2005  com  a  Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras —CNTIF que prevê um  adiantamento em dezembro de 2005;  d.  Acordo  Coletivo  celebrado  em  08  de  fevereiro  de  2007  com  a  Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro — CONTRAF que prevê uma  antecipação em 08/2006 do valor de R$ 360,00 (Trezentos e sessenta reais);  Dos Planos Próprios Mantidos pelo Contribuinte – Foram ainda apresentados  à  fiscalização  programas  de  participação  nos  resultados  mantidos  pelo  contribuinte:  a.  Documento  elaborado  pela  Superintendência  de  Remuneração,  denominado  Programas  de  Participação  dos  Resultados  2005;  b.  Documento  elaborado  pela  Superintendência  de  Remuneração, denominado Programas de Participação dos Resultados 2006;  Ressalta  que  os  programas  elaborados  pela  Superintendência  de  Remuneração,  descumprindo  a  legislação  aplicável,  não  demonstram  a  participação  dos  funcionários na sua elaboração, tampouco a participação de representante sindical da categoria.  Os programas são apresentados como "Sistemas de Remuneração Variável",  conforme se verifica em seus indices: "Parte 1 — Sistemas de Remuneração Variável". Tanto  no programa de 2005 como no de 2006 não há aposição de assinaturas, sejam elas da comissão  de empregados, do  representante sindical,  e até mesmo dos  representantes  legais da autuada.  Também não se faz menção a datas dos acordos.  Os programas elaborados pela Superintendência de Remuneração prevêem a  participação  dos  empregados  nos  resultados;  sendo  assim,  é  prudente  pensarmos  que  anteriormente A vigência dos programas de participação nos resultados todos os critérios que  regem essa participação devam estar estabelecidos a fim de que o empregado conheça aquilo  que deve ser atingido e como deve proceder para fazer jus A participação.  Não  constam  protocolos  de  arquivamento  dos  programas  no  sindicato  representativo  da  categoria. A  partir  dos  documentos  apresentados  não  foram  observados  os  seguintes  requisitos  legais:  a.  Participação  dos  empregados  na  elaboração  dos  planos;  b.  Participação  do  representante  sindical  na  elaboração  dos  planos;  c.  Metas  pactuadas  previamente  entre  as  partes;  d.  Arquivamento  dos  programas  no  sindicato  representativo  da  categoria.  Transcreveu uma série de dispositivos legais, que descrevem a possibilidade  de pagar PLR, sendo que os dispositivos legais reproduzem a previsão constitucional de que a  participação nos lucros ou resultados da empresa é desvinculada de caráter remuneratório, não  integrando, portanto, o salário de contribuição, desde que observe os ditames da lei especifica.  Esse  dispositivo  estabelece  que  a  participação  nos  lucros  ou  resultados,  quando pautado  em programa de metas,  será  objeto  de  negociação  prévia  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  negociação  na  qual  deve  ter  participação  um  representante  sindical.  0  instrumento resultante da negociação, no qual constarão as reg ­as sobre a participação, deverá  ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.  Fl. 998DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     8 O pagamento de participação nos  lucros ou resultados  tem como essência a  retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou na realização de um  resultado previamente pactuado. 0 seu objetivo é estimular o empenho dos trabalhadores para a  geração de resultados previamente estabelecidos.  Assim, deve haver um acordo entre as partes — empresa e trabalhadores —,  no qual cada um se propõe a cumprir uma obrigação. A empresa deve conceder o pagamento a  titulo  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  se  os  trabalhadores  atingirem  uma meta  pré­ estabelecida.  No  caso  concreto,  comparativamente  com  os  ditames  legais,  ocorreram  as  seguintes violações da Lei n° 10.101/200:  O artigo 2° dispõe que as partes, de comum acordo, devem escolher um dos  instrumentos  previstos  para  o  pagamento  da  participação,  ou  seja,  devem  optar  entre  a  convenção coletiva de trabalho e o plano próprio mantido pela empresa. A autuada efetuou os  pagamentos segundo os dois instrumentos.  Art. 2 ° da lei 10.101 dispõe que a participação nos lucros ou resultados será  objeto de negociação entre a empresa e  seus empregados, mediante um dos procedimentos a  seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I ­ comissão escolhida pelas partes,  integrada,  também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II  ­  convenção ou acordo coletivo.  b.  No  inciso  I  do  artigo  2  °  acima  transcrito,  há  a  obrigatoriedade  da  participação de uma comissão escolhida pelas partes, com a participação de um integrante do  sindicato  na  negociação  da  participação  nos  lucros  ou  resultados.  No  plano  mantido  pela  autuada inexistem registros dessas participações.  c. O § 1 ° do artigo 2° dispõe que,  sendo utilizado os critérios e condições  atinentes a programas de metas, resultados e prazos, devem eles ser pactuados previamente, ou  seja,  pretende­se  que  o  empregado  esteja  ciente  daquilo  que  deve  produzir  para  fazer  jus  à  participação. O plano mantido  pela  autuada,  claramente  baseado  em  cumprimento  de metas,  não respeitou essa condição, vez que não foi possível a verificação de um pacto, muito menos  previamente estabelecido.  Art. 2 ° s S' I 2 Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar  regras claras e objetivas quanto afixação dos direitos substantivos da participação e das regras  adjetivas,  inclusive mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,  podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições:  I ­ indices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa;  II  ­ programas de metas,  resultados e prazos, pactuados previamente.  (grifo  nosso)  d. O  §  2°  do  artigo  2°  dispõe  que  o  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado na  entidade  sindical dos  trabalhadores. Dos programas  apresentados  a  fiscalização  não fazem parte protocolos de arquivamento no sindicato.  O § 2° do artigo 3 impede o pagamento a titulo de participação nos lucros ou  resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano  civil. A autuada efetuou pagamentos três vezes no mesmo ano civil conforme descrito abaixo:  Fl. 999DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 5          9 i.  2005:  fevereiro  (rubricas  5030  e  5974),  agosto  (rubrica  5993)  e  outubro  (rubrica 5958) e dezembro (rubrica 5158);  ii.  2006:  fevereiro  (rubricas  5974  e  5993),  agosto  (rubricas  5003  e 5993)  e  outubro (rubrica 5958).  Portanto, está clara a caracterização da participação nos lucros ou resultados  como parcela integrante do salário de contribuição, haja vista o não atendimento dos requisitos  legais.  Sendo assim, o pagamento de parcela referente A. participação nos lucros ou  resultados  que  não  observe  os  ditames  da  legislação  especifica,  seja  através  de  convenção  coletiva de trabalho seja através de plano próprio mantido pelo contribuinte, como é o presente  caso  concreto,  integra  o  salário  de  contribuição,  devendo  sobre  esses  valores  incidir  as  contribuições previdenciárias.  BENEFÍCIOS  INDIRETOS  A  DIRETORES  E  CONSELHEIROS  –  PERÍODO  DE  03/2005  A  12/2006  ­  Durante  o  curso  da  ação  fiscal  verificou­se  que  o  contribuinte  ora  autuado  remunerou  indiretamente  seus Diretores Estatutários  e membros  do  Conselho de Administração através das seguintes condutas: a. Custeio das despesas referentes  à  utilização  do  Restaurante  Social/VIP;  b.  Custeio  das  despesas  referentes  à  utilização  de  veículos.  Os  fatos  mencionados  no  item  anterior  passam  a  ser  tratados  individualmente  a  seguir.   ­  RESTAURANTE  SOCIAL/VIP  (ALIMENTAÇÃO)  ­  Na  auditoria­fiscal  realizada  foi  constatado  o  pagamento  de  salário  utilidade  (salário  indireto)  referente  à  alimentação  dos  diretores  estatutários  e  membros  do  conselho  de  administração  (administradores) ofertada in natura através de refeições nos seus restaurantes custeados pela  empresa, denominados Restaurante VIP e Restaurante Social.  O  uso  dos  restaurantes  é  exclusivo  para  as  pessoas  ocupantes  dos  cargos  mencionados no item anterior, conforme política interna do contribuinte. Todas as despesas do  Restaurante  VIP  são  custeadas  pelo  contribuinte,  não  ocorrendo  nenhum  desconto  ou  pagamento por parte dos segurados. As despesas são registradas na conta contábil 8255.001/3  — Despesa Alimentação Diretoria/Conselho/Indedutíveis — Restaurante VIP/Copa VIP.  Os Diretores  e membros  do  conselho  que desejarem utilizar os  serviços  do  Restaurante  Social  podem  fazê­lo  normalmente,  visto  que  todas  as  despesas  também  serão  custeadas  pela  empresa,  contabilizando  os  gastos  na  conta  8255.002/1  —Despesas  Alimentação Diretoria/Conselho Conselho/Indedutíveis — Restaurante Social.  ­ VEÍCULOS ­ Foi constatado nesta Auditoria Fiscal, por meio dos Registros  Contábeis e Fiscais, apoio financeiro indireto a diretores estatutários e membros do conselho de  administração (administradores) sob a forma utilização de veículos da frota do contribuinte. O  contribuinte custeia a utilização dos veículos nos seguintes aspectos: a. concessão do veiculo  propriamente  dita;  b.  combustíveis;  c.  manutenção  de.  seguros;  e.  lPVA;  f.  outras  despesas  diversas.  A partir da leitura dos dispositivos legais citados verifica­se que somente não  se sujeitam à. incidência das contribuições previdenciárias os ressarcimentos de despesas pelo  uso do veiculo do  segurado, quando comprovadas,  o que não  se  aplica ao presente  autuação  pois:  a.  Os  veículos  fazem  parte  do  ativo  do  contribuinte,  não  são  de  propriedade  dos  Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     10 empregados; b. Não houve ressarcimento de despesas pelo contribuinte, mas  sim custeio das  despesas incorridas pela utilização de seus próprios veículos.  Dessa  forma,  é  forçoso  convir  que  a  concessão  desses  veículos,  que  permaneciam com os segurados por tempo integral, sem que estes  tivessem despesa com sua  manutenção, configura espécie de salário e está relacionada A existência de ganho econômico  para o segurado. Por essa razão, os valores relativos A. concessão de veículos se revestem de  caráter  remuneratório,  motivo  pelo  qual  sobre  os  mesmos  devem  incidir  as  contribuições  previdenciárias objeto do presente lançamento.  BÔNUS  DE  PERMANÊNCIA  –  PERÍODO  DE  03/2005  A  12/2006/BÖNUS  DE  CONTRATAÇÃO  –  PERÍODO  DE  06/2005  A  12/2006  ­  Foi  constatado nesta Auditoria Fiscal, por meio dos Registros Contábeis e Fiscais, que a empresa  remunerava  seus  segurados  empregados  a  titulo  de  Bônus  de  Contratação  e  de  Bônu  de  Permanência.   O  Bônus  de  Contratação,  também  conhecido  por  hiring  bônus,  revela­se  como  um  "prêmio",  previamente  pactuado,  pela  transferência  do  empregado  de  uma  outra  empresa  para  compor  o  quadro  de  funcionários  da  autuada,  representando  um  acréscimo  patrimonial para o beneficiário do seu pagamento.  Já  o  Bônus  de  Permanência,  também  conhecido  por  Bônus  de  Retenção,  revela­se como um "prêmio" pela permanência do empregado na empresa durante determinado  período  de  tempo,  passado  ou  futuro,  previamente  pactuado,  representando  um  acréscimo  patrimonial para o beneficiário do seu pagamento.  A  verba  paga  aos  segurados  empregados,  seja  a  titulo  de  Bônus  de  Contratação, seja a titulo de Bônus de Permanência, devem integrar o salário de contribuição  devido ao seu caráter contraprestacional, pois a primeira corresponde, claramente, a um bônus  antecipado, que visa remunerar o empregado recém­contratado pelos serviços que prestará ao  longo  do  contrato  de  trabalho,  enquanto  que  a  segunda  visa  a  manutenção  de  determinado  profissional nos quadros do contribuinte, pela sua importância nos serviços já prestados ou nos  projetos futuros.  A  base  de  calculo,  utilizada  para  o  cálculo  do  crédito  previdenciário,  é  composta pelos levantamentos "05 — Bônus de Permanência" e "14 — Bônus de Contratação".  O  montante  lançado  como  base  de  cálculo  neste  Auto  de  Infração  a  titulo  de  Bônus  de  Permanência  refere­se aos valores  lançados na conta contábil 8392.961­2 —Outras Despesas  Operacionais — Bônus de Permanência.  Já o montante lançado como base de cálculo neste Auto de Infração a titulo  de  Bônus  de  Contratação  refere­se  aos  valores  lançados  na  conta  contábil  8262.095­6  — Despesas de Pessoal Proventos — Bônus/Novos Funcionários.    Importante,  destacar  que  a  lavratura  do AI  deu­se  em  28/09/2010,  tendo  a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/10/2010.   Não  conformada  com  a  autuação  a  recorrente  apresentou  impugnação,  fls.  522 a 558.  Foi  exarada  a  Decisão­Notificação  ­  DN  que  confirmou  a  procedência  do  lançamento, fls. 861 a 885.  Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 6          11 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIARIAS  Período  de  apuração:  01/03/2005  a  31/12/2006  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Ê legitimo o  lançamento  fiscal  efetuado  com  supedâneo  em  documentação  idônea  e  de  acordo  com  as  premissas  legais  de  ocorrência  do  fato gerador das contribuições.  DECADÊNCIA.  INOCORRÊNCIA.  Com  o  entendimento  sumulado da Egrégia Corte  (Súmula  n°  08/2008)  e  do Parecer  PGFN/CAT  no  1.617/2008,  aprovado  pelo  Sr.  Ministro  de  Estado  da  Fazenda  em  18/08/2008,  na  contagem  do  prazo  decadencial  para  constituição  do  crédito  das  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  na  hipótese  de  lançamento  de  oficio, utiliza­se a regra geral do art. 173, I, do CTN.  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO.  Considera­se  salário­de­ contribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos, devidos ou creditados a qualquer  titulo, durante o  tries,  destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas  e  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades.  Art.  28,  I,  da  Lei  8.212/91  e  art.  214,  I,  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  3.048/99.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o  salário  ­de­contribuição  as  verbas  a  titulo  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  quando  pagas  ern  desacordo  com  a  legislação  correlata,  recebendo  a  incidência  das  contribuições  sociais  previdencidrias  e  das  destinadas  a  outras  entidades  (terceiros). Art. 28, § 9°, "j", da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 90, X,  e  §  10,  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto 3.048/99.  BÔNUS  DE  CONTRATAÇÃO.  INCIDÊNCIA.  0  pagamento  de  bônus  de  contratação  a  profissional,  destinado  a  atrai­lo  para  trabalhar  na  empresa,  corresponde,  por  seu  caráter  contraprestacional,  a  remuneração antecipada,  integrando, por  isso, o salário ­de­contribuição previdencidrio. Art. 28, I, da Lei  8.212/91 e art. 214, I, do Decreto 3.048/99.  ALIMENTAÇÃO  "IN  NATURA".  A  alimentação  "in  natura"  forneci aos segurados em desacordo com o PAT constitui verba  integrante  do  salário­de­contribuição  das  contribuições  previdencidrias. Lei 8.212/91, art. 28, § 9°, alínea "c".  DESPESAS  COM  VEÍCULO  DA  EMPRESA.  INCIDÊNCIA.  Todas  as  despesas  incorridas  com  veiculo  da empresa entregue a contribuinte individual a seu serviço  para  utilização  em  tempo  integral  integram  sua  remuneração,  sobre  a  qual  incidem  as  correspondentes  contribuições previdenciárias. Lei 8.212/91, art. 28, III.  PROVISÃO. INCIDÊNCIA. A provisão corresponde a uma  reserva de  valor  lançada na contabilidade para atender a  Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     12 uma  despesa  provável  que,  não  tendo  sido  estornada  ou  revertida  ao  final  do  exercício,  configura­se  como  obrigação  ocorrida,  independentemente  de  quando  paga,  pelo  principio  contábil  da  competência;  quando  constitui­ se em parcela integrante do salário­de­contribuição, sobre  a  provisão  incide  a  contribuição  previdencidria  na  competência  em  que  tenha  sido  registrada  na  contabilidade.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIARIAS  PATRONAIS.  Tendo a  empresa  remunerado  seus  segurados  com  verbas  integrantes  do  salário­decontribuição  previdenciário,  torna­se  obrigada  ao  recolhimento  das  contribuições  patronais incidentes sobre tais valores, conforme determina  o art. 22, caput, da Lei 8.212/91.  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL. Tendo  a empresa do ramo financeiro remunerado seus segurados  com  verbas  integrantes  do  salário­de­contribuição  previdencidrio,  torna­se  obrigada  ao  recolhimento  da  contribuição  adicional  incidente  sobre  tais  valores,  conforme determina o art. 22, § 1°, da Lei 8.212/91.  AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  AO  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO.  MATÉRIA  DIFERENCIADA.  A  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial,  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento,  que  tenha por objeto  idêntico pedido  sobre o  qual  trate o processo administrativo,  importa  renúncia ao  contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3°, da Lei  n ° 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado  pelo  Decreto  3.048/99.  0  julgamento  administrativo  limitar­se­á 6. matéria impugnada, distinta da constante do  processo  judicial.  0  processo  administrativo  terá  prosseguimento regular em relação à matéria diferenciada.  INAPLICABILIDADE  DE  JUROS  SOBRE  MULTA.  No  lançamento de oficio, não há previsão  legal de aplicação,  sobre a multa, de juros de mora, os quais incidem somente  sobre  o  valor  originário  atualizado  da  contribuição.  Lei  8.212/91, art. 34; Decreto 3.048/99, art. 239, II, e art. 242,  § 2°.  Impugnação Improcedente  Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso pela notificada, conforme fls. 888 a 923, contendo em síntese os mesmo argumentos da  impugnação, senão vejamos:   1.  A  Fiscalização  lavrou  o  presente  ATOP  sem motivação,  já  que  lançou  a  contribuição  previdenciária referente as refeições dos diretores ignorando disposição expressa do § 9°  do  art.  28 da Lei 8.212/91, que prevê  isenção da parcela  in natura  recebida de acordo  com programas de alimentação;  imotivada também a exigência tributária sobre o bônus  de permanência, que sequer foi paga nos anos objeto de autuação, constando apenas de  Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 7          13 provisão;  foram,  assim,  descumpridos  os  requisitos  exigidos  pelo  art.  142  do  CTN,  prejudicando o direito de ampla defesa e contraditório da Impugnante;  2.  Sendo certo que o auto de infração abarca o ato de lançamento denominado "de oficio",  ele  deveria  conter  todos  os  elementos  necessários  à  identificação  precisa  da  obrigação  tributária, de acordo com o que determina o artigo 142 do CTN. No entanto, não foi o  que correu no caso em tela!  3.  No  que  tange  à  parte  da  autuação  referente  aos  benefícios  indiretos  para  diretores  e  conselheiros,  a  fiscalização entendeu que  as despesas  contabilizadas  como alimentação  ofertada in natura para os diretores e membros do conselho, servidas no Restaurante VIP  e Restaurante Social, seriam base de cálculo da contribuição previdenciária.  4.  Em conformidade com o artigo 142 do CTN, o procedimento administrativo tendente a  verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e determinar a matéria  tributável atividade vinculada e obrigatória. Assim, somente após a verificação de todos  os  elementos  que  dão  causa  ao  nascimento  da  obrigação  tributária  caberia  à  administração  efetuar  o  lançamento  para  fins  de  constituição  do  crédito  tributário,  observados os princípios pertinentes à atividade da administração.  Da decadência  5.   Com a edição  recente da Súmula Vinculante n° 8,  o Supremo Tribunal Federal  ­ STF  declarou  inconstitucional  o  art.  45  da  Lei  8.212/91,  impondo  As  contribuições  previdenciárias o prazo decadencial de 5  anos previsto no CTN, de modo que,  tendo a  ciência  da  autuação  fiscal  ocorrido  em  04/10/2010,  foi  alcançado  pela  decadência  o  período até 09/2005, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, já que houve o recolhimento  antecipado,  no  período  autuado,  das  contribuições  sobre  as  verbas  consideradas  "salariais" pela Impugnante;  Dos créditos com exigibilidade suspensas  6.  O  lançamento  deveria  ter  sido  lavrado  com  exigibilidade  suspensa  para  os  fatos  geradores referentes ao VT e ao Abono Único, pois, no primeiro caso, embora tenha sido  cassada  a  liminar  concedida  em  MS,  a  autuada  procedeu  ao  depósito  judicial  das  contribuições do período de 05/2004 a 12/2009 (anexada a respectiva guia e planilha de  composição às fls. 563/564), e, no segundo caso, a Impugnante questiona a incidência de  contribuição  sobre  tal  abono  na  ação  judicial  n°  2003.61.00.004704­3,  com  sentença  procedente no período autuado (documentos As fls. 567/571);  Da Participação no Lucros ou Resultados  7.  Os pagamentos a  titulo de participação nos  lucros ou  resultados, por  sua natureza não­ contraprestativa  e  não­habitual,  estão  excluídos  do  conceito  de  remuneração,  além  de  constarem  expressamente  do  §  9°  do  art.  28  da  Lei  8.212/91,  que  retira  do  campo  de  incidência previdenciária as verbas lá elencadas, entre elas a participação paga de acordo  com a legislação especifica, no caso, a Lei 10.101/2000, cujas determinações foram todas  atendidas;  8.  Contrariamente ao argumentado pela Fiscalização, a citada Lei não exige, na negociação  da participação nos lucros ou resultados, a opção entre a CCT e o plano próprio mantido  Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     14 pela empresa, sendo que na autuação ora impugnada, os planos próprios foram validados  em  acordo  coletivo  entre  a  Autuada  e  o  sindicato  dos  empregados,  no  qual  está  devidamente arquivado (fls. 587/592), ou seja, tanto a PLR, estipulada em CCT, como o  denominado  PR  (plano  próprio)  estão  inseridos  no  inciso  II  do  art.  2°  da  Lei  10.101/2000,  não  se  aplicando  o  disposto  no  inciso  I,  de  modo  que  prescinde­se  da  exigência de uma comissão de empregados com participação sindical;  9.  Deve o presente lançamento ser anulado, nos termos do art. 142 do CTN e do art. 10 do  Decreto  70.235/72,  visto  ter  sido  lavrado,  entre  outros motivos  alegados  pelo Auditor­ Fiscal autuante, por não haver sido previamente pactuado o plano próprio (PR) mantido  pela Autuada, quando esta, de fato, em nenhum momento da fiscalização foi intimada a  apresentar  os  contratos  de  metas  elaborados  pelos  funcionários,  incorrendo  em  inaceitável  inversão do ônus da prova; de todo modo,  tais documentos foram anexados  aos autos  (fls. 629/829), para demonstrar que os contratos de metas e os programas de  PR,  dos  quais  os  empregados  tomaram  ciência,  foram  previamente  estabelecidos  e  subseqüentemente aplicados para fins de pagamento dessa verba;  10.  Tendo­se  valido  de  dois  programas  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  o  plano  próprio  (PR)  e  o  plano  estipulado  em  CCT  (PLR),  entende  a  Impugnante  não  haver  violado  a  periodicidade  de  pagamentos  de  até  duas  vezes  ao  ano,  exigida  pela  Lei  10.101/2000, pois  cada  um desses programas,  individualmente,  contempla  apenas duas  parcelas  anuais;  ocorre  que  a  PLR,  obrigatória  e  extensiva  a  todos  os  empregados,  é  definida  em CCT  para  toda  a  categoria  bancária,  em  longas  e  complexas  negociações  entre sindicatos patronais e profissionais, que  fogem ao controle direto da  Impugnante,  tendo  como  único  balizador  o  alcance  de  determinado  lucro  global,  sendo  que  a  PR,  validada  pelo  sindicato  profissional,  visa  estimular  gerentes  e  executivos­chave  da  organização a buscarem resultados diferenciados nas suas áreas de atuação, pactuados em  contratos  de  metas,  oferecendo­lhes  recompensa  bem  mais  vantajosa  que  a  PLR,  de  modo que  o  cronograma de  pagamentos  de  ambas  pode  ou  não  coincidir;  reconhece  a  Autuada  que  esse  descompasso  de  cronogramas  resultou,  em  2005,  em  mais  de  dois  pagamentos  anuais  para  30%  dos  seus  empregados,  o  que,  entrementes,  não  permite  caracterizá­los como salário indireto, com base em um rigor excessivo no atendimento a  formalidades legais, por ter buscado dar aos seus empregados a possibilidade, através da  PR,  de  exercício  mais  efetivo  do  seu  direito  à  participação  nos  lucros  ou  resultados,  trazendo­lhes  uma  negociação  mais  vantajosa  que  a  PLR  pactuada  entre  sindicatos  através de CCT; na pior das hipóteses, deveria a Fiscalização ter exigido as contribuições  somente sobre aqueles pagamentos que superaram a periodicidade­limite de duas vezes  ao ano, excluindo as parcelas pagas dentro do intervalo correto;  Dos gastos com veículos  11.  A disponibilização de veículos da empresa para utilização em atividades necessárias ao  negócio  não  configura  salário­utilidade,  pois  não  possui  natureza  remuneratória,  tratando­se de valor despendido pelo empregador para a viabilização do trabalho e não a  titulo de contraprestação pelo trabalho, não tendo sido aos diretores pagos ou creditados  valores com este propósito; súmulas do Tribunal Superior do Trabalho — TST firmaram  o  entendimento de que  a utilização de veiculo  concedido pela  empresa para o  trabalho  não constitui salário­utilidade, ainda que seja o mesmo atividades particulares;  12.  Das despesas com alimentação também aplicado em 2.9. a Impugnante está regularmente  inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, inclusive em relação aos  diretores  não  empregados  e  conselheiros  (fls.  830/831),  o  que  a  credencia  à  isenção  previdenciária prevista na alínea  "c" do § 9° do  art.  28 da Lei 8.212/91;  além disso,  a  Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 8          15 jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STJ pacificou o entendimento de que  quando a própria alimentação é fornecida in natura pela empresa, não sofre incidência de  contribuição previdenciária, esteja ou não o empregador inscrito no PAT;  Dos bônus de contratação e de permanência  13.  O bônus não deve sofrer incidência de contribuição previdenciária, pois não se enquadra  no conceito de remuneração, já que não é pago como contraprestação ao serviço prestado  pelo empregado, como reconhece a própria Fiscalização ao classificá­lo como "prêmio.  O bônus  de  contratação  é  uma verba  prévia  ao  contrato  de  trabalho,  que  não  pode  ser  entendida como remuneração antecipada, visto que o beneficiário sequer é empregado da  empresa pagadora.  14.  Conforme  já  demonstrado  no  item  2.3,  o  bônus  de  permanência  sequer  foi  pago  no  período autuado, conforme documentos às fls. 832/837, o que demonstra a inocorrência  do fato gerador.  Do Seguro de Acidente do Trabalho  15.  Demonstrada  a  impossibilidade  de  todas  as  verbas  ora discutidas  integrarem  a  base  de  cálculo da contribuição previdenciária, não pode ser exigida a alíquota de 1% a titulo de  financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade  laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho ­ GILRAT.  Do adicional de 2,5%   16.  É  inconstitucional  a  exigência  da  alíquota  adicional  de  2,5%  na  contribuição  previdenciária  das  instituições  financeiras,  pois  fere  os  princípios  da  igualdade  e  da  isonomia, já que não há diferença entre a folha de salários de uma instituição financeira e  de  uma  empresa  de  outro  ramo  de  atividade,  assim  como  não  se  vislumbra  correlação  lógica  e  nem  previsão  constitucional  dessa  distinção  em  função  de  perspectiva  de  rentabilidade, que, por óbvio, depende do ambiente sócio­económico do Pais,  fator que  foge ao controle das instituições financeiras; ao contrário, é facilmente perceptível que a  atividade financeira enseja menor demanda de serviços da Seguridade Social, em função  de condições de trabalho freqüentemente mais salubres que as verificadas, por exemplo,  em ambiente industrial;  Da incidência de juros sobre a multa de oficio.  17.  No lançamento de oficio, tanto a multa, que tem caráter de penalidade, como os juros de  mora,  que  indenizam  o  Fisco  pelo  pagamento  fora  do  prazo  estipulado,  aplicam­se  isoladamente  sobre  a  obrigação  principal,  não  havendo  previsão  legal  incidência  dos  juros sobre a multa, conforme ocorrido no presente AIOP.  DO PEDIDO  18.  Requer o recorrente seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa para reconhecer  a nulidade do presente AIOP, ou, se assim não for, seja reconhecida a decadência parcial  dos valores autuados e, no mérito, seja o auto julgado totalmente improcedente.  A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF.  Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     16 É o relatório.  Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 9          17   Voto Vencido  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  à  fl.  892.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  DAS QUESTÕES PRELIMINARES:  Alegando  ainda  nulidade,  argumenta  o  recorrente  que  o  procedimento  administrativo  adotado não poderia  ser  realizado da  forma como  foi,  independente da  causa,  legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a  devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se apurasse determinadas verbas como  salário de contribuição.  Quanto  as  ditas  alegações,  em  primeiro  lugar  cumpre­nos  destacar  que  o  procedimento  fiscal  atendeu  todas  as  determinações  legais,  não  havendo,  pois,  nulidade  por  cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente.   Observa­se  anexo  ao  relatório  fiscal  e  mencionado  no  corpo  do  próprio  relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls.  45  a  46,  com  a  competente  designação  do  auditor  fiscal  responsável  pelo  cumprimento  do  procedimento.  Foi  realizada  a  devida  intimação  para  a  apresentação  dos  documentos  conforme  Termos  de  Intimação  Fiscal,  fl.  47  a  72,  intimando  o  contribuinte  para  que  apresentasse  todos  os  documentos  capazes  de  comprovar  o  cumprimento  da  legislação  previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o  procedimento quanto a não contabilização de valores.  Foi  realizada  a  conclusão  dos  trabalhos  com  a  emissão  do  Termo  de  Encerramento, fl. 73, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação  legal  que  constituíram  a  lavratura  do  auto  de  infração  ora  contestado,  com  as  informações  necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes.  Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por  não  ter  a  autoridade  realizado  a  devida  indicação  dos  motivos  que  ensejaram  a  autuação,  entendo que razão não assiste ao recorrente.  Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria, destaca­se  que  ao  autoridade  fical  possui  competência  para  verificar  o  fiel  cumprimento  da  legislação  previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito na IN 03/2005 esclarece seu  objetivo.   Art.  570.  A  Auditoria­Fiscal  Previdenciária  ­  AFP  ou  Fiscalização  é  o  procedimento  fiscal  externo  que  objetiva  Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     18 orientar,  verificar  e  controlar  o  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  por  parte  do  sujeito  passivo,  podendo  resultar  em  lançamento  de  crédito  previdenciário,  em  Termo  de  Arrolamento  de  Bens  e  Direitos,  em  lavratura  de  Auto  de  Infração ou  em apreensão  de  documentos  de qualquer  espécie,  inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer  outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados.  Simplesmente  alegar,  sem  demonstrar  o  cumprimento  da  legislação,  ou  mesmo  quais  os  vícios  contidos  no  lançamento  não  servem  como  meio  para  anular  o  lançamento. Note­se que o  relatório  fiscal,  encontra­se detalhado, por  rubrica,  permitindo ao  recorrente  o  exercício  do  amplo  direito  de  defesa,  razão  porque  correto  foi  o  procedimento  adotado.  Ademais,  não  compete  ao  auditor  fiscal  agir  de  forma  discricionária  no  exercício  de  suas  atribuições.  Desta  forma,  em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  ou  a  auência de contabilização do movimento  real da empresa,  face a ocorrência do  fato gerador,  cumpri­lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada,  constituindo  o  crédito  previdenciário.  O  art.  243  do  Decreto  3.048/99,  assim  dispõe  neste  sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.  DA DECADÊNCIA  Quanto a decadência, entendo que razão não assiste ao recorrente para que se  determine a decadência a luz do art. 150, § 4º do CTN, conforme se demonstra a seguir.  Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o  meu entendimento, quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido  à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento.  O  STF  em  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  art.  45  da  Lei  n  º  8.212/1991,  tendo  inclusive  no  intuito  de  eximir  qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante  de n º 8, senão vejamos:  Súmula  Vinculante  nº  8“São  inconstitucionais  os  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da  Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.  O texto constitucional em seu art. 103­A deixa claro a extensão dos efeitos da  aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de  seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá­la de pronto, mesmo nos  casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve  o artigo em questão:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 10          19 membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as  disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade  previdenciária  constituir  os  créditos  resultantes  do  inadimplemento  de  obrigações  previdenciárias.  Cite­se  o  posicionamento  do  STJ  quando  do  julgamento  proferido  pela  1a  Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em  25 de fevereiro de 2008, nestas palavras:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  ISS.  ALEGADA  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA.  IMPOSTO  SOBRE  SERVIÇOS  DE QUALQUER NATUREZA  ­  ISS.  INSTITUIÇÃO  FINANCEIRA.  ENQUADRAMENTO  DE  ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO­ LEI  Nº  406/68.  ANALOGIA.  IMPOSSIBILIDADE.  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA.  POSSIBILIDADE.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  FAZENDA  PÚBLICA  VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º  DO ART.  20 DO CPC.  IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM  SEDE  DE  RECURSO  ESPECIAL.  REDISCUSSÃO  DE  MATÉRIA  FÁTICO­PROBATÓRIA.  SÚMULA  07  DO  STJ.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  INOCORRÊNCIA.  ARTIGO  173,  PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.  1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato  gerador  é  a  prestação  de  serviço  constante  na  lista  anexa  ao  referido  diploma  legal,  por  empresa  ou  profissional  autônomo,  com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao  Decreto­lei  n.º  406/68,  para  fins  de  incidência  do  ISS  sobre  serviços  bancários,  é  taxativa,  admitindo­se,  contudo,  uma  leitura extensiva de cada  item, no afã de se enquadrar serviços  idênticos  aos  expressamente  previstos  (Precedente  do  STF: RE  361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ:  AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg  no  Ag  577068/GO,  publicado  no  DJ  de  28.08.2006).  3.  Entrementes,  o  exame  do  enquadramento  das  atividades  desempenhadas  pela  instituição  bancária  na  Lista  de  Serviços  anexa  ao Decreto­Lei  406/68  demanda o  reexame do  conteúdo  fático  probatório  dos  autos,  insindicável  ante  a  incidência  da  Súmula  7/STJ  (Precedentes  do  STJ:  AgRg  no  Ag  770170/SC,  publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado  no  DJ  de  01.09.2006).  4.  Deveras,  a  verificação  do  preenchimento  dos  requisitos  em  Certidão  de  Dívida  Ativa  demanda  exame  de  matéria  fático­probatória,  providência  inviável  em  sede  de  Recurso  Especial  (Súmula  07/STJ).  5.  Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa  consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor  originário,  termo  inicial,  maneira  de  calcular  juros  de  mora,  Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     20 com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º  2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os  acréscimos" e que "os demais  requisitos podem ser observados  nos  autos  de  processo  administrativo  acostados  aos  autos  de  execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito  (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998),  data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do  Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior  Tribunal  de  Justiça  o  reexame  dessa  inferência.  6.  Vencida  a  Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está  adstrita  aos  limites  percentuais  de  10%  e  20%,  podendo  ser  adotado  como  base  de  cálculo  o  valor  dado  à  causa  ou  à  condenação,  nos  termos  do  artigo  20,  §  4º,  do  CPC  (Precedentes:  AgRg  no  AG  623.659/RJ,  publicado  no  DJ  de  06.06.2005;  e AgRg no Resp  592.430/MG,  publicado no DJ de  29.11.2004).  7.  A  revisão  do  critério  adotado  pela  Corte  de  origem, por  eqüidade, para a  fixação dos honorários,  encontra  óbice  na  Súmula  07,  do  STJ,  e  no  entendimento  sumulado  do  Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de  advogado,  em  complemento  da  condenação,  depende  das  circunstâncias  da  causa,  não  dando  lugar  a  recurso  extraordinário"  (Súmula  389/STF).8.  O  Código  Tributário  Nacional,  ao  dispor  sobre  a  decadência,  causa  extintiva  do  crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se após 5 (cinco) anos, contados: I ­ do primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado; II ­ da data em que se tornar definitiva a decisão que  houver  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento  anteriormente  efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo  extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida  preparatória  indispensável  ao  lançamento."  9.  A  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas  gerais  e  abstratas,  quais  sejam:  (i)  regra  da  decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado;  (ii)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  nos  casos  em  que  notificado  o  contribuinte  de  medida  preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos  a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por  homologação  em  que  inocorre  o  pagamento  antecipado;  (iii)  regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  em  que  há  parcial  pagamento  da  exação  devida;  (iv)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  em  que  o  pagamento  antecipado  se  dá  com  fraude,  dolo  ou  simulação,  ocorrendo  notificação  do  contribuinte  acerca  de  medida  preparatória;  e  (v)  regra  da  decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento  anterior  (In:  Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário,  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  3ª  Ed.,  Max  Limonad,  págs.  163/210).  10.  Nada  obstante,  as  aludidas  regras  decadenciais  Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 11          21 apresentam  prazo  qüinqüenal  com  dies  a  quo  diversos.  11.  Assim,  conta­se  do  "do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo  173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício),  quando não prevê  a  lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  bem  como  inexistindo  notificação  de  qualquer  medida  preparatória  por  parte  do  Fisco.  No  particular,  cumpre  enfatizar  que  "o  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  sendo  inadmissível  a  aplicação  cumulativa  dos  prazos  previstos  nos  artigos  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN,  em  se  tratando  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  a  fim  de  configurar  desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos  casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos  sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida  obrigação  (tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação),  há  omissão  do  contribuinte  na  antecipação  do  pagamento,  desde  que  inocorrentes  quaisquer  ilícitos  (fraude,  dolo  ou  simulação),  tendo  sido,  contudo,  notificado  de  medida  preparatória  indispensável  ao  lançamento,  fluindo  o  termo  inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173,  parágrafo  único,  do  CTN),  independentemente  de  ter  sido  a  mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso  I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do  direito de  lançar do Fisco, em se  tratando de  tributo sujeito a  lançamento  por  homologação,  quando  ocorre  pagamento  antecipado  inferior  ao  efetivamente  devido,  sem  que  o  contribuinte  tenha  incorrido  em  fraude,  dolo  ou  simulação,  nem  sido  notificado  pelo  Fisco  de  quaisquer  medidas  preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do §  4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a  contagem  do  prazo  para  o  Fisco  homologar  expressamente  o  pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o  Fisco,  no  caso  de  não  homologação,  empreender  o  correspondente  lançamento  tributário.  Sendo  assim,  no  termo  final  desse  período,  consolidam­se  simultaneamente  a  homologação  tácita,  a  perda  do  direito  de  homologar  expressamente  e,  conseqüentemente,  a  impossibilidade  jurídica  de  lançar  de  ofício"  (In  Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad ,  pág.  170).  14.  A  notificação  do  ilícito  tributário,  medida  indispensável  para  justificar  a  realização  do  ulterior  lançamento,  afigura­se  como  dies  a  quo  do  prazo  decadencial  qüinqüenal,  em  havendo  pagamento  antecipado  efetuado  com  fraude,  dolo  ou  simulação,  regra  que  configura  ampliação  do  lapso  decadencial,  in  casu,  reiniciado.  Entrementes,  "transcorridos  cinco anos  sem que  a  autoridade  administrativa  se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora  Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     22 do ilícito, operar­se­á ao mesmo tempo a decadência do direito  de  lançar  de  ofício,  a  decadência  do  direito  de  constituir  juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art.  173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário  em  razão  da  homologação  tácita  do  pagamento  antecipado"  (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por  fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  quando  sobrevém decisão definitiva,  judicial  ou administrativa,  que  anula  o  lançamento  anteriormente  efetuado,  em  virtude da  verificação  de  vício  formal.  Neste  caso,  o  marco  decadencial  inicia­se da data em que se  tornar definitiva a aludida decisão  anulatória.  16.  In  casu:  (a)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação;  (b)  a  obrigação  ex  lege  de  pagamento  antecipado  do  ISSQN  pelo  contribuinte  não  restou  adimplida,  no  que  concerne  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  período  de  dezembro  de  1993  a  outubro  de  1998,  consoante  apurado  pela  Fazenda  Pública  Municipal  em  sede  de  procedimento administrativo  fiscal;  (c) a notificação do sujeito  passivo  da  lavratura  do  Termo  de  Início  da  Ação  Fiscal,  medida  preparatória  indispensável  ao  lançamento  direto  substitutivo,  deu­se  em 27.11.1998;  (d) a  instituição  financeira  não  efetuou  o  recolhimento  por  considerar  intributáveis,  pelo  ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição  do  crédito  tributário  pertinente  ocorreu  em  01.09.1999.  17.  Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a  prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário,  contando­se  o  prazo  da  data  da  notificação  de  medida  preparatória  indispensável  ao  lançamento,  o  que  sucedeu  em  27.11.1998  (antes  do  transcurso  de  cinco  anos  da  ocorrência  dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos  créditos  tributários  constituídos  em  01.09.1999.  18.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e  desprovido.(GRIFOS  NOSSOS)  Podemos extrair  da  referida decisão  as  seguintes orientações,  com o  intuito  de  balizar  a  aplicação  do  instituto  da  decadência  qüinqüenal  no  âmbito  das  contribuições  previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF:  Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do  direito  de  lançar  nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado;  (ii)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  nos  casos  em  que  notificado  o  contribuinte  de  medida  preparatória  do  lançamento,  em  se  tratando  de  tributos  sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que  inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  em  que  há  parcial  pagamento  da  exação  devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com  fraude,  dolo  ou  simulação,  ocorrendo  notificação  do  contribuinte  acerca  de  medida  preparatória;  e  (v)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  perante  anulação  do  lançamento  anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª  Ed., Max Limonad, págs. 163/210)  Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 12          23 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva  do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento  assim estabelece em seu artigo 173:   "Art.  173. O direito de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento."  Já em se tratando de tributo sujeito a  lançamento por homologação, quando  ocorre  pagamento  antecipado  inferior  ao  efetivamente  devido,  sem  que  o  contribuinte  tenha  incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica­se o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN,  segundo o qual,  se  a  lei  não  fixar prazo  à homologação,  será  ele de cinco anos,  a contar da  ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva:   Art.150  ­  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  § 1º ­ O pagamento antecipado pelo obrigado nos  termos deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do lançamento.  § 2º  ­ Não  influem sobre a obrigação  tributária quaisquer atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  § 3º ­ Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  § 4º ­ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação. (grifo nosso)  Contudo,  para  que  possamos  identificar  o  dispositivo  legal  a  ser  aplicado,  seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas  para  que,  só  assim,  possamos  declarar  da  maneira  devida  a  decadência  de  contribuições  previdenciárias.  Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     24 No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento  de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente.  Contudo,  antecipar  o  pagamento  de  uma  contribuição  significa  delimitar  qual  o  seu  fato  gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar  de  forma,  simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia  recolher e o  efetivamente  recolhido.  Neste  caso,  a  inércia  do  fisco  em  buscar  valores  já  declarados,  ou  mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que  lhe  tira o direito de lançar créditos pela  aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º.  Entendo  que  atribuir  esse  mesmo  raciocínio  a  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições previdenciária definindo  remuneração como  algo  global,  é no mínimo abrir  ao  contribuinte  possibilidades  de  beneficiar­se  pelo  seu  “desconhecimento  ou  mesmo  interpretação tendenciosa” para sempre escusar­se ao pagamentos de contribuições que seriam  devidas.  De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em  que  não  há  por  parte  do  contribuinte  o  reconhecimento  dos  valores  pagos  como  salário  de  contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (ABONO, VALE  TRANSPORTE  EM  DINHEIRO,  ALIMENTAÇÃO  EM  DESACORDO  COM  O  PAT,  PRÊMIOS,  PLR).  Nestes  casos,  incabível  considerar  que  houve  pagamento  antecipado,  simplesmente  porque  não  houve  reconhecimento  do  fato  gerador  pelo  recorrente  e  caso  não  ocorresse  a atuação do  fisco,  nunca haveria o  referido  recolhimento. Tal  fato pode  ainda ser  ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP.  Ou seja, houve o efetivo recolhimento, mesmo que parcial, apenas sobre as verbas descritas em  GFIP, que nada mais são do que os fatos geradores reconhecidos pelo recorrente.  Quando  não  há  o  reconhecimento  de  verbas  como  salário  de  contribuição,  toda  a máquina  administrativa,  em  especial  a  fiscalização  federal,  terá  que  ser movida  para  identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa  determinar  pelo  simples  confronto  eletrônico  de  declarações  e  guias  de  recolhimento. Dessa  forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder­se­ia  considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa,  aquilo que se considera como contribuição devida.  No  caso  ora  em  análise,  identificamos  diversos  “pagamentos  indiretos”,  ou  seja salários indiretos, nos quais o próprio recorrente entende não existir contribuição, posto se  tratar de verbas sem natureza salarial.   Afasta­se, aqui a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve  antecipação  de  pagamento  de  algo  que  o  contribuinte  nunca  pretendeu  recolher.  Antecipar  significa:  fazer,  dizer,  sentir,  fruir,  fazer  ocorrer,  antes  do  tempo  marcado,  previsto  ou  oportuno;  precipitar,  chegar  antes  de;  anteceder.  Ou  seja,  não  basta  dizer  que  houve  recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o  pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do  salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem  o  pagamento  aglutinado  das  verbas  trabalhista,  o  denominado  salário  complexivo  ou  complessivo.   Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva  ser  considerada  como  algo  global,  e  desconsiderar  a  complexidade  das  contribuições  previdenciárias,  bem  como  a  natureza  da  relação  laboral.  Não  há  como  engajar­se  em  tal  raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento  próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize  o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores.   Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 13          25 Assim, dever­se­á considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º  do  art.  150  do  CTN,  quando  ocorreu  por  parte  do  contribuinte  o  reconhecimento  do  valor  devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento  da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma.  Ocorre que no  caso  em questão, o  lançamento  foi efetuado em 28/09/2010,  tendo  a  cientificação  ao  sujeito  passivo  ocorrido  no  dia  04/10/2010.  Os  fatos  geradores  ocorreram entre as competências 03/2005 a 12/2006, sendo assim, não há reparo a ser feito na  Decisão  de  1  instância,  posto  que  a  luz  do  art.  173,  I  a  decadência  só  alcançaria  períodos  anteriores a 11/2004, período esse não incluído na AIOP em tela.  Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito  DO MÉRITO  No mérito,  foram  atacados  os  salários  indiretos  considerados  pela  auditoria  fiscal,  como  salário  de  contribuição  para  efeitos  previdenciários.  Porém  antes  mesmo  de  apreciar cada um dos fatos geradores isoladamente, convém apreciar o conceito de salário de  contribuição e remuneração.  DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO  De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado entende­se por salário­de­contribuição:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,  qualquer que seja a sua forma,  inclusive as gorjetas, os ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)­ grifo  nosso.  Como o lançamento envolve ainda contribuições sobre os pagamentos feitos  a contribuintes individuais faz­se conveniente apreciar o salário de contribuição e também em  relação  a  estes  segurados.  Para  os  trabalhadores  contribuintes  individuais,  o  art.  28,  III  da  referida lei, assim dispõe:   Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o §5º;  Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     26 A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais  as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de  contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial.  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10/12/97)  b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril  de 1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97,  e  de  6  a  9  acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;  2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;  3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;  4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;  5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT;  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;   8. recebidas a título de licença­prêmio indenizada;   9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984;   f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 14          27 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10/12/97)  h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;  j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa de Assistência ao Servidor Público­PASEP; (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10/12/97)  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     28 s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Assim,  ao  não  cumprir  os  dispositivos  legais  quanto  a  concessão  dos  benefícios, assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito  de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as  respectivas  leis. Não há de se  argumentar  que  existia  previsão  em  acordos  ou  convenções  coletivas  de  trabalho,  posto  que  esses  instrumentos  de negociação  coletiva  são  válidos  para  normatizar  direitos  trabalhistas  e  não  os  reflexos  desses  nas  parcelas  que  compõem  a  base  de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias.  DO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO  No caso do lançamento de contribuições à título de Vale Transporte pago em  Dinheiro relevante informar que a impugnante questiona a incidência de contribuição sobre tal  verba na ação judicial n° ação 2001.03.99.000006­2 – Processo de origem 96.0006508­0, fls.  115 a 119.  Dessa  forma,  considerando  que  a  base  de  cálculo  que  fundamenta  o  lançamento é a mesma, a discussão acerca da natureza salarial da verba, também deve observar  a decisão na esfera judicial, não podendo ser seu mérito apreciado na esfera administrativa.  No mesmo  sentido, posiciona­se  este Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais ­ CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão  que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes.  SÚMULA NO 1  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo.  Face  o  exposto  deixo  de  apreciar  o  mérito  com  relação  a  incidência  de  contribuições sobre a verba “vale transporte pago em dinheiro”.  Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 15          29 DO ABONO   No caso do lançamento de contribuições à título de Abono Único, relevante  informar que a impugnante questiona a incidência de contribuição sobre tal verba (abono) na  ação  judicial  n°  2003.61.00.004704­3,  com  sentença  procedente  no  período  autuado  (documentos às fls. 567/571).  Dessa  forma,  considerando  que  a  base  de  cálculo  que  fundamenta  o  lançamento é a mesma, a discussão acerca da natureza salarial da verba, também deve observar  a decisão na esfera judicial, não podendo ser seu mérito apreciado na esfera administrativa.  No mesmo  sentido, posiciona­se  este Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais ­ CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão  que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes.  SÚMULA NO 1  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo.  Face  o  exposto  deixo  de  apreciar  o  mérito  com  relação  a  incidência  de  contribuições sobre a verba “abono”.  ALIMENTAÇÃO FORNECIDA AOS DIRETORES  Quanto  a  este  ponto  argumentou  em  síntese  o  recorrente  que  há  isenção  previdenciária para  referida verba prevista na  alínea  "c" do § 9° do  art.  28 da Lei 8.212/91;  além disso, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STJ pacificou o entendimento  de que quando a própria alimentação é fornecida in natura pela empresa, não sofre incidência  de contribuição previdenciária, esteja ou não o empregador inscrito no PAT.  Neste  ponto,  embora  entenda  que  a  decisão  de  1  instância  encontra­se  em  perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo existir uma questão nova que deve ser  levado em consideração para o julgamento da referida verba, qual seja a publicação do Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2117/2011  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  aprovado  pelo  Senhor  Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, abaixo  trancrito?  ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011  A PROCURADORA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso  da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso  II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º  do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2117  /2011,  desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  24.11.2011,  DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem  como a desistência dos  já  interpostos,  desde que  inexista outro  fundamento  relevante:  nas  ações  judiciais  que  visem  obter  a  Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     30 declaração  de  que  sobre  o  pagamento  in  natura  do  auxílio­ alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.  JURISPRUDÊNCIA:  Resp  nº  1.119.787­SP  (DJe  13/05/2010),  Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ  01.08.2005),  Resp  nº  719.714/PR  (DJ  24/04/2006),  Resp  nº  333.001/RS  (DJ  17/11/2008),  Resp  nº  977.238/RS  (DJ  29/11/2007).  Brasília, 20 de dezembro de 2011.  ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO  Procuradora­Geral da Fazenda Nacional  Face  o  exposto,  considerando  tratar­se  de  fornecimento  de  alimentação  in  natura, por fornecer a empresa alimentação em restaurante diferenciado aos diretores, entendo  aplicável o dito parecer, excluindo do lançamento as contribuições sobre a verba “alimentação  fornecida aos diretores”.  DOS VEÍCULOS FORNECIDOS AOS DIRETORES  Em  seu  recurso  destaca  o  recorrente  que  diversamente  do  alegado  pela  fiscalização,  a  disponibilização  de  veículos  da  empresa  para  utilização  em  atividades  necessárias  ao  negócio,  não  configura  "salário  utilidade",  não  se  sujeitando  incidência  da  contribuição previdenciária em questão, pois não possui natureza remuneratória.  Segundo o recorrente, trata­se de um valor despendido pelo empregador para  a viabilização do trabalho, e não pelo trabalho a titulo de contraprestação do serviço prestado.  Não teria cabimento, naturalmente, que o próprio prestador do serviço arcasse com o desgaste  de veiculo próprio para realização de atividades da empresa, salvo se fosse reembolsado para  tanto.  Em  razão  disso,  o  recorrente  concedeu  veiculo  para  a  utilização  nas  atividades  da  empresa.  Quanto a essa matéria,  entendo que razão assiste em parte ao  recorrente. O  auditor apurou contribuições, por entender que apenas o reembolso de despesas do empregado  poderia estar excluído do conceito de salário de contribuição, o que venho a discordar, posto  que  existe  outro  dispositivo  legal  que  também  refere­se  ao  assunto  e  oferta  guarida  a  tese  exposta pelo recorrente.  Para o caso concreto, entendo que o automóvel  fornecido pelo empregador,  só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do § 9º  do art. 28, “r” da lei, ou seja: “r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos serviços;   O  argumento  da  empresa  de  que  os  veículos  eram  fornecidos  para  o  desempenho  do  trabalho,  razão  porque  arcava  com  todas  as  despesas  se  coaduna  com  o  disposto na legislação, na medida que foram trazidos argumentos de que o carro era utilizado  para o trabalho.  Neste ponto,  também entendo aplicável, mesmo que por exceção a  regra, o  disposto  na  súmula  367  do  TST,  para  demonstrar  que  o  relevante  é  definir  a  natureza  da  utilidade fornecida.  A Súmula 367 do TST afirma:  Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 16          31 "A  habitação,  a  energia  elétrica  e  veiculo  fornecidos  pelo  empregador  ao  empregado,  quando  indispensáveis  para  a  realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no  caso  de  veiculo,  seja  utilizado  pelo  empregado  também  em  atividades particulares."  Assim sendo, entendo que não há como manter dito levantamento, posto que  o argumento trazido basicamente pelo auditor é: por ser carro da empresa, já estaria excluído  do previsões do  art.  § 9º do  art.  28. Não estou  com  isso  afirmando que o valor da utilidade  veículo aqui descrita, não possa ser configurado como salário de contribuição, mas neste caso,  competiria a autoridade fiscal demonstrar que o veículo não era utilizado “para” o trabalho, ou  que  simplesmente  era  uma  vantagem  oferecida  ”pelo”  trabalho,  como  já  demonstrado  por  outros auditores em lançamento da mesma espécie.  Dessa  forma,  entendo  que  deva  ser  excluído  do  lançamento  os  fatos  geradores descritos nesse levantamento.  DO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E DO BÔNUS DE PERMANÊNCIA  Especificamente com  relação ao bônus de contratação,  ressalta o  recorrente  que a própria fiscalização, ao afirmar que o bônus de contratação é um "prêmio", previamente  pactuado,  pela  transferência  do  empregado  de  outra  empresa  para  compor  o  quadro  de  funcionários do  Impugnante,  reconhece que não se  trata de pagamento como contraprestação  do serviço realizado.  Quanto a esse fato gerador, entendo que razão não assiste ao recorrente, posto  que não apresentou argumentos suficientes para desconstituir o lançamento.   Entendo  que  a  natureza  atribuída  pela  autoridade  fiscal,  nomeando  a  verba  com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontra­se, sem  dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho  fornecido como resultante de uma constraprestação, ou mesmo expectativa desta.  Atribuindo­lhe  a  natureza  de  prêmio,  bônus,  ou  mesmo  estimula  à  contratação  ou  permanência  na  empresa,  entendo  que  os  pagamentos  feitos  à  título  de  premiação  constituem  sim,  salário  de  contribuição,  portanto  não  assiste  razão  ao  recorrente  quanto a inexigência de contribuições sobre os valores pagos à esse título.  O  ponto  chave  é  a  identificação  do  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Conforme  já  amplamente  discutido  acima  para,  o  segurado  empregado  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, seja em que  momento  da  contratação  esses  pagamentos  ocorram,  posto  que  pagamentos  em  contratos  prévios, com a conotação de estímulo para um trabalho ou mesmo vínculo que logo a seguir irá  se concretizar, acabar por estar incluído no conceito de remuneração.  A  definição  de  “prêmios”  dada  pela  recorrente  não  se  coaduna  com  a  de  verba  indenizatória,  mas,  com  a  de  parcelas  suplementares  pagas  em  razão  do  exercício  de  atividades que ocorreram ou que venham a ocorrer.  O  ilustre  professor  Maurício  Godinho  Delgado,  em  seu  livro  “Curso  de  Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim refere­se ao assunto:  Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     32 (...)  Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo  empregador  ao  empregado  em  decorrência  de  um  evento  ou  circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada  à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da  empresa.(...)  O  prêmio,  na  qualidade  de  constraprestação  paga  pelo  empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...)  Os  prêmios  são  considerados  parcelas  salariais  suplementares,  pagas  em  função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem  caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função  do alcance de metas e resultados, ou como no caso em questão pela manutenção na empresa,  ou  pela  escolha  da mesma  para  trabalhar  Não  tem  por  escopo  indenizar  despesas,  ressarcir  danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado.  Segundo o professor Amauri Marcaro Nascimento, em seu  livro Manual do  salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras  “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem  pessoal  do  trabalhador,  como  produtividade  e  eficiência.  Os  prêmios caracterizam­se por seu aspecto condicional, sendo que  uma  vez  instituídos  e  pagos  com  habitualidade  não  podem  ser  suprimidos .”  Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração.  Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou  em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou  de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à  incidência de contribuição previdenciária.  Entendo que o conceito de “habitual”, suscitado pelo recorrente para afastar a  incidência  de  contribuições  não  se  coaduna,  com  a  regra  descrita  na  lei  8212/91.  O  termo  eventual  não  está  relacionado  ao  número  de  vezes,  mas  a  correlação  direta  entre  o  fornecimento  da  verba  e  a  prestação  de  serviços.  Ou  seja,  caso  o  pagamento  não  possua  qualquer  correlação  com  o  trabalho  prestado,  não  sofrerá  a  incidência  de  contribuição  por  tratar­se  de  uma  verba  eventual.  Porém  o  conceito  de  prêmio,  como  o  fornecimento  pela  empresa  recorrente,  possui  relação  direta  com  o  contraprestação  de  serviços,  já  que  o  pagamento nada mais é do que um incentivo, seja para contratação, ou mesmo para que se evite  o desligamento do empregado da empresa. Por isso a referida verba, independente do número  de vezes possui natureza salarial, e por consequência, constitui base de cálculo de contribuição  previdenciária.  Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não  se  confundem.  Enquanto  o  primeiro  é  restrito  à  contraprestação  do  serviço  devida  e  paga  diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração  é  mais  ampla,  abrangendo  o  salário,  com  todos  os  componentes,  e  as  gorjetas,  pagas  por  terceiros. Nesse  sentido  é a  lição de Alice Monteiro de Barros,  na obra Curso de Direito do  Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730.  Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma  exclusão  quanto  aos  bônus  concedidos,  seja  aos  segurados  empregados  ou  contribuintes  individuais. Assim, não estando entre as exclusões prevista na legislação não há como excluir  Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 17          33 da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título de “Bônus”.  Dessa forma, razão não assiste ao recorrente.  Com  relação  ao  bônus  de  permanência,  cabe  trazer  os  argumentos  do  recorrente:  “deve­se  lembrar  que,  conforme  demonstrado  no  tópico  das  nulidades,  sequer  houve o pagamento dessas verbas no período autuado, caracterizando­se como provisões, o que  demonstra a não ocorrência do fato gerador”.  Quanto a esse argumento entendo que o assunto foi devidamente enfrentado  pela  autoridade  julgadora,  não  tendo  o  recorrente  apresentado  qualquer  fato  novo,  capaz  de  modificar o raciocínio ali disposto, razão porque adoto o trecho do voto da dita decisão, como  razões de decidir:  12.2.  O  conceito  de  provisão  é  exposto  com  clareza  por  Júlio  César  Zanluca,  no  texto  "PROVISÃO  X  RESERVAS  —  DIFERENCIAÇÃO  CONTABIL",  disponível  no  endereço  eletrônico.  "Provisão é  uma  reserva de  um valor  para  atender a  despesas  que  se  esperam.  A  provisão  visa  à  cobertura  de  um  gasto  já  considerado certo ou de grande possibilidade de ocorrência.  As  provisões  representam  expectativas  de  perdas  de  ativos  ou  estimativas  de  valores  a  desembolsar  que,  apesar  de  financeiramente  ainda  não  efetivadas,  derivam  de  fatos  geradores contábeis já ocorridos.  A partir do momento que essas perdas de ativos ou obrigações se  tornam  totalmente  definidas,  deixam  de  ser  consideradas  como  provisões,  como  por  exemplo:  a  provisão  para  férias  se  transforma  em  salários  a  pagar,  a  provisão  para  Imposto  de  Renda passa a ser Impostos de Renda apagar.  Além  das  citadas  provisões  de  férias  e  do  imposto  de  renda,  temos outras provisões bastante comuns, como: para pagamento  do 13° salário, participações dos empregados nos resultados da  empresa,  contribuição  social  sobre  o  lucro,  etc.  Tratam­se  de  despesas  que,  ainda  que  não  pagas,  configuram­se  como  ocorridas,  pelo  principio  de  competência  contábil."  (grifos  nossos)  12.3. A provisão se faz para passivo de prazo e/ou valor incerto,  não  para  obrigação  inexistente;  se  a  previsão  de  gasto  não  aconteceu, deveria  ter  sido baixada a  respectiva provisão. Não  há  registro  de  aproveitamento  das  referidas  provisões,  nem do  estorno  ou  reversão  delas,  nem  da  sua  transferência  para  resultado  do  exercício  com  o  efeito  de  receita  ou  como  abatimento do passivo no balanço; um desses registros indicaria  que  as  mesmas  perderam  a  razão  de  seu  lançamento.  Tendo  permanecido  como  tais  ao  final  do  exercício,  sem  aproveitamento  ou  reversão,  indicam  o  reconhecimento  da  obrigação —  eram  remunerações  efetivamente  devidas  aos  segurados da Impugnante.  Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     34 12.4.  As  obrigações  previdenciárias  obedecem  ao  regime  de  competência,  tenham  os  direitos  remuneratórios  sido  pagos  ou  não.  Os  bônus  apontados  como  provisionados,  não  sendo  benefícios  previstos  pela  legislação  como  devidos  em  época  própria  (como,  por  exemplo,  o  13°  salário  e  as  férias), geram  obrigações  previdenciárias  nas  competências  em  que  se  constituem  como  direitos  dos  beneficiários,  independentemente de quando pagos.  12.5.  Desta  forma,  incontestável  o  lançamento  de  oficio  das  contribuições  correspondentes  ao  citado  bônus,  efetuado  pelo  Auditor­Fiscal autuante.  Note­se que o recorrente nada contestou nesse ponto em relação a Decisão de  1 instância, razão porque deve ser mantido o posicionamento ali disposto, não assistindo razão  ao recorrente.  DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS  O primeiro argumento trazido pelo recorrente é de que os pagamentos a titulo  de participação nos lucros ou resultados, por sua natureza não contraprestativa e não­habitual,  estão excluídos do conceito de remuneração, além de constarem expressamente do § 9° do art.  28 da Lei 8.212/91, que retira do campo de  incidência previdenciária as verbas  lá elencadas,  entre  elas  a  participação  paga  de  acordo  com  a  legislação  especifica,  no  caso,  a  Lei  10.101/2000, cujas determinações foram todas atendidas.  Quanto  a  este  primeiro  argumento  entendo  que  não  assiste  razão  ao  recorrente.  No que pertine a verba participação nos  lucros e  resultados, deve­se  ter  em  mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, convém transcrever, apenas  para esclarecimento, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado  pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis:   (...)  de  forma expressa, a Lei Maior  remete à  lei ordinária  ,  a  fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional  em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação  de  José  Afonso  da  Silva,  como  de  eficácia  limitada,  ou  seja,  aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura,  em  que  o  legislador  ordinário,  integrando­lhe  a  eficácia,  mediante  lei  ordinária,  lhes  dê  capacidade  de  execução  em  termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade  das  normas  constitucionais,  São  Paulo,  Revista  dos  Tribunais,  1968, pág. 150). (Grifamos)  Vale  ressaltar  também,  o  Parecer  CJ/MPAS  nº  1.748/99,  que  traz  informações relevantes a respeito do assunto.  EMENTA  DIREITO  CONSTITUCIONAL  E  PREVIDENCIÁRIO  ­  TRABALHADOR  ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS  ­ ART. 7º  ,  INC.  XI  DA  CONSTITUIÇÃO  DA  REPÚBLICA  ­  POSSIBILIDADE  DE  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de  1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos  Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 18          35 lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O  Supremo Tribunal Federal ao  julgar o Mandado de Injunção  nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória  nº  794,  de  24  de  dezembro  de  1994,  passou  a  ser  lícito  o  pagamento  da  participação  nos  lucros  na  forma  do  texto  constitucional.  3)  A  parcela  paga  a  título  de  participação  nos  lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo  com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins  de incidência da contribuição social.  (...)  7.  No  entanto,  o  direito  a  participação  dos  lucros,  sem  vinculação  à  remuneração,  não  é  auto  aplicável,  sendo  sua  eficácia  limitada  a  edição  de  lei,  consoante  estabelece  a  parte  final do inciso anteriormente transcrito.  8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e  os  critérios  de  pagamento  da  participação  nos  lucros,  com  a  finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela.  9.  A  regulamentação  ocorreu  com  a  edição  da  Medida  Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  das  empresas  e  dá  outras  providências,  hoje  reeditada  sob  o  nº  1.769­56, de 8 de abril de 1999.  10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus  termos,  passou  a  ser  lícito  o  pagamento  de  participação  nos  lucros  desvinculada  da  remuneração,  mas,  destaco,  a  desvinculação  da  remuneração  só  ocorrerá  se  atender  os  requisitos pré estabelecidos.  11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao  julgar o Mandado  de  Injunção  nº  426,  onde  foi  Relator  o  Ministro  ILMAR  GALVÃO,  que  tinha  por  escopo  suprir  omissão  do  Poder  Legislativo  na  regulamentação  do  art.  7º,  inc.  XI,  da  Constituição  da República,  referente  a  participação nos  lucros  dos  trabalhadores,  julgou  a  citada  ação  prejudicada,  face  a  superveniência da medida provisória regulamentadora.  12.  Em  seu  voto,  o  Ministro  ILMAR  GALVÃO,  assim  se  manifestou:   O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão  do  Congresso  Nacional  em  regulamentar  o  dispositivo  que  garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e  resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendo­se a  ordem para  efeito  de  implementar  in  concreto  o  pagamento  de  tais  verbas,  sem  prejuízo  dos  valores  correspondentes  à  remuneração.  Tendo  em  vista  a  continuação  da  transcrição  a  edição,  superveniente  ao  julgamento  do  presente WRIT  injuncional,  da  Medida  Provisória  nº  1.136,  de  26  de  setembro  de  1995,  que  dispõe  sobre  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     36 resultados  da  empresa  e  dá  outras  providências,  verifica­se  a  perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os  trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma  constitucional  invocada,  terem  garantida  a  participação  nos  lucros e nos resultados da empresa. (grifei)  14.  O  Pretório  Excelso  confirmou,  com  a  decisão  acima,  a  necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º,  inc. XI),  ficando o pagamento da participação nos  lucros e sua  desvinculação  da  remuneração,  sujeitas  as  regras  e  critérios  estabelecidos pela Medida Provisória.  15.  No  caso  concreto,  as  parcelas  referem­se  a  períodos  anteriores  a  regulamentação  do  dispositivo  constitucional,  em  que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o  pagamento de parcelas a título de participação nos lucros.  16.  Nessa  hipótese,  não  há  que  se  falar  em  desvinculação  da  remuneração,  pois,  a  norma  do  inc.  XI,  do  art.  7º  da  Constituição  da  República  não  era  aplicável,  na  época,  consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos)  Neste  contexto  podemos  descrever  normas  constitucionais  de  eficácia  limitada  são  as  que  dependem  de  outras  providências  normativas  para  que  possam  surtir  os  efeitos  essenciais  pretendidos  pelo  legislador  constituinte.  Ou  seja,  enquanto  não  editada  a  norma, não há que se falar em produção de efeitos.  Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91,  nota­se  que  a  exclusão  da  parcela  de  participação  nos  lucros  na  composição  do  salário­de­ contribuição  está  condicionada  à  estrita  observância  da  lei  reguladora  do  dispositivo  constitucional. Essa  regulamentação  somente  ocorreu  com a  edição  da Medida Provisória  nº  794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de  19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela.   De forma expressa, a Constituição Federal de 1988  remete à  lei ordinária a  fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:   (...)  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei.   A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”,  § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras:   Art. 28 ­ § 9º Não integram o salário­de­contribuição:   (...)  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica.   A  edição  da  Medida  Provisória  nº  794,  de  29  de  dezembro  de  1994,  que  dispunha  sobre  a participação dos  trabalhadores  nos  lucros ou  resultados das  empresas,  veio  Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 19          37 atender  ao  comando  constitucional.  Desde  então,  sofreu  reedições  e  remunerações  sucessivamente,  tendo  sofrido  poucas  alterações  ao  texto  legal,  até  a  conversão  na  Lei  nº  10.101, de 19 de dezembro de 2000.  Os pagamentos  referentes  à Participação nos Lucros pela  recorrente  sofrem  incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem  sido realizadas em desacordo com a legislação específica.  A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras :  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  Art. 3º (...)  § 3º Todos os pagamentos  efetuados  em decorrência de planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  (...)  Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou  resultados  da  empresa  resulte  em  impasse,  as  partes  poderão  utilizar­se dos seguintes mecanismos de solução do litígio:    I – Mediação;    II – Arbitragem de ofertas finais.  Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     38 §  1º  Considera­se  arbitragem  de  ofertas  finais  aquela  que  o  árbitro deve restringir­se a optar pela proposta apresentada, em  caráter definitivo, por uma das partes.  § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo  entre as partes.  §  3º  Firmado  o  compromisso  arbitral,  não  será  admitida  a  desistência unilateral de qualquer das partes.  § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de  homologação judicial.  Assim, totalmente descabida a alegação de que a natureza da PLR, por si só,  demonstra, atrelada a falta de habitualidade, que a verba não integra o conceito de remuneração  e por conseguinte o de salário de contribuição. A única forma, de desvincular os pagamentos  de  PLR  do  conceito  de  remuneração  é  observando  o  cumprimento  dos  preceitos  da  lei  10.101/2000.  O primeiro  ponto  trazido  pela  autoridade  fiscal  diz  respeito  a  existência  de  dois planos concomitantes pelos quais a empresa pautou­se para realizar pagamentos aos seus  empregados.   Quanto  a  este  ponto  existe  o  próprio  reconhecimento  do  recorrente  de  que  existem dois planos, que avaliados individualmente tornam­se válidos desde que cumpridos os  preceitos de  lei. Dessa  forma,  entende que não existe  impedimento para que o banco  realize  pagamentos pautado nos 2 planos. Vejamos trecho do recurso:  Nessa medida, fica claro que, individualmente, tanto o Programa  de PR quanto a PLR atendem ao  propósito  de  recompensar os  empregados pelos lucros e resultados da empresa e atendem as  condições  da  Lei  10.101/00.  Os  programas  são  validados  em  Acordo  Coletivo  (o  caso  dos  Programas  de  Participação  em  Resultados Próprios ­ PR) ou pactuados em Convenção Coletiva  (o  caso  dos Programas  de Participação em Lucros  ­ PLR). No  caso  da  PR,  os  pagamentos  contam  com  metas  previamente  pactuadas com o colaborador, conforme demonstrado.  Além  disso,  cada  um  dos  programas  prevê  o  pagamento  vinculado ao lucro da empresa (PR e PLR).  Ambos  os  programas  (PR  e  PLR)  prevêem  no  máximo  dois  pagamentos anuais. Os cronogramas e valores de pagamento da  PR  e  da  PLR  dependem  essencialmente  do  acordado  nos  Programas e validado com o Sindicato, não sendo manipuláveis  unilateralmente pelo Impugnante.  Neste  primeiro  ponto,  não  tenho  como  concordar  com  o  recorrente.  A  lei  10.101 descreve expressamente que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus  empregados, mediante UM dos  procedimentos  a  seguir  descritos,  escolhidos  pelas  partes  de  comum acordo. Ou seja, ao contrário do entendimento do recorrente, para estar de acordo com  a lei, e portanto desvinculado do salário as partes de comum acordo devem escolher apenas um  dos instrumentos.   Nos  termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades  legais  de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial:  Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 20          39 Ø  Comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria;  (grifo  nosso)  Ø  Convenção ou acordo coletivo de trabalho.  Dessa  forma,  os  empregados  e  empregadores  de  comum  acordo  poderiam  eleger  qualquer  dos mecanismos  descritos  no  dispositivo  legal  para  atribuir  legitimidade  ao  acordo proposto.  Portanto,  entendo  que  não  se  encontra  em  consonância  com  a  lei,  o  pagamento  baseado  em  dois  acordos,  independente  de  estarem  os  dois  acordos  nos  estritos  limites  da  lei  (questão  que  será  apreciada  a  seguir).  Dessa  forma,  nesse  ponto  já  houve  o  descumprimento da lei o que autorizaria o lançamento das contribuições, conforme realizado e  trazido pelo auditor em seu relatório, posto que a empresa deveria escolher ou a comissão, com  participação de um representante do sindicato, ou um dos instrumentos de negociação coletiva.  Apenas para rechaçar os argumentos de que a empresa não poderia deixar de  cumprir os termos da CCT, extensível a todos os empregados da categoria, mas também tinha a  intenção de valorizar e estimular o trabalho de seus funcionários, principalmente nos cargos de  chefia, entendo que é possível atender as duas questões, sem estar em dissonância com a lei.  Entendo  como  o  próprio  contribuinte  descreveu  em  seu  recurso,  no  seu  estudo acerca das negociações coletivas, não existe óbice a que uma empresa firme convenção  coletiva (que é mais abrangente), e ao mesmo tempo acordo coletivo (que é mais específico).  Tanto que, se existirem dois instrumentos normativos vigente ao mesmo tempo, sobre a mesma  matéria, prevalecerá o que for na sua totalidade mais favorável ao empregado, descrito como  “teoria  do  Conglobamento”.  (diga­se  não  obrigando  o  empregador  a  cumprir  os  dois  instrumentos,  desde  que  abranjam  os  mesmos  institutos).  Inclusive  para  corroborar  dita  assertiva, transcrevo o art. 620 da CLT.  Art.  620  ­  A  condições  estabelecidas  em  Convenção,  quando  mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo.  No  caso,  a  próprio  lei  10.101/2000,  já  vislumbrou  a  possibilidade  de  em  existindo  plano  de  PLR  na  empresa,  o  mesmo  poderia  ser  compensado  com  as  obrigações  decorrentes dos instrumentos coletivos de negociação. Assim, caso desejasse efetuar PLR em  melhores  condições  aos  seus  empregados  a  empresa,  utilizando  seja  da  comissão  escolhida  pelas partes, seja do acordo coletivo, poderia estabelecer programa de PLR, compensando os  valores  estabelecidos  na  convenção,  o  que  entendo  estaria  dentro  dos  limites  descritos  na  legislação aplicável.  Art. 3º (...)  § 3º Todos os pagamentos  efetuados  em decorrência de planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  Ao  contrário  do  que  tentou  demonstrar  o  recorrente,  não  entendo  que  o  os  programas  próprios  denominados  “sistemas  de  Remuneração  Variável”,  estejam  inseridos  Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     40 dentro  das  possibilidades  legais,  para  exclusão  do  PLR  da  base  de  cálculo  de  contribuições  sejam  elas:  I  ­  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria.  Os  planos  e  metas  foram  elaborados  pela  empresa  unilateralmente,  sem  a  pactuação  conjunta  e  prévia,  não  houve  participação  do  membro  do  sindicato,  muito  menos  arquivamento  do  plano  no  sindicato  da  categoria.  Da  mesma forma, indicou o auditor a inexistência de datas de vigência e assinatura dos mesmos, o  que em conjunto fere os ditames legais quanto ao objetivo do plano.  Da  mesma  forma,  não  acato  o  argumento  de  que  o  contribuinte  não  fora  intimado  a  apresentar  o  controle  de metas,  tendo  dessa  forma  se  invertido  o  ônus  da  prova.  Nesse  sentido,  já  se  manifestou  a  autoridade  julgadora,  inclusive  indicando  no  Termo  de  Intimação para apresentação de documentos, as solicitações quanto aos planos de PLR planos  próprios e CCT. Vejamos trecho da Decisão de 1 instância que aprecia a questão:  Finalmente, não procede a alegação da Impugnante de que não  foi  intimada  pela  Fiscalização  a  apresentar  os  contratos  de  metas  elaborados  pelos  funcionários,  como  parte  do  seu  plano  próprio  (PR),  conforme  as  intimações  abaixo,  cujas  cópias  integram o presentes autos:  • Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, de 15/10/2009, as fls.  43/44:  "Regulamento  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  —PLR", entregue pela Autuada em 30/10/2009 (fls. 45/46);  • Termo de Intimação Fiscal no 01, de 21/12/2009, As fls. 49/50:  "Plano próprio da empresa para pagamento de Participação nos  Resultados", entregue pela Autuada em 05/02/2010 (fls. 51/52).  8.14.1.  Entende­se,  por  óbvio,  que  tais  contratos  de  metas  deveriam  ter  sido  apresentados  no  curso  da  ação  fiscal  juntamente com o plano próprio, porém este, conforme esclarece  o  Auditor­Fiscal  autuante  no  Relatório  do  AIOP  (fls.  79),  mostrou­se suficiente para a compreensão das regras dos planos  de  PLR  da  Impugnante,  sendo  para  tanto  dispensáveis  os  contratos  de  metas  e  avaliações  individuais  de  alguns  empregados  trazidos  aos  autos  na  impugnação  (fls.  629/829),  pelo  que  não  há  que  se  falar  na  "inversão  do  ônus  da  prova"  pugnada pela Autuada.  Note­se  que  ao  contrário  do  que  tenta  demonstrar  o  recorrente,  pelos  argumentos trazidos pela autoridade fiscal, pelo recorrente em sua impugnação, pela autoridade  julgadora, e pela análise dos documentos constantes nos autos, não vislumbro que o objetivo da  PLR tenha sido cumprido nos pagamentos realizados pela empresa.  O objetivo da CF/88 de desvincular o pagamento de PLR do salário,  foi no  intuito  de  abrir  ao  empregador,  possibilidades  dos  empregados  participarem  do  capital  das  empresas, estimulando­os a alcançarem metas e resultados, e distribuindo com eles o fruto de  todo esse esforço. Não quis o legislador naquele momento, ou mesmo hoje, abrir uma brecha  para que empresas realizem pagamentos indiretos aos empregados, sem que os mesmos sejam  computados  no  conceito  de  remuneração,  ou  mesmo  reflitam  nos  demais  direitos  do  empregados.   Com  base  nesse  pensamento,  entendo  que  as  metas  a  serem  cumpridas,  devem ser previamente pactuadas, para que o empregado tenha conhecimento prévio de quanto  Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 21          41 o seu esforço poderá lhe trazer de retorno. Formalizar acordos, quase ao término do exercício  para  os  quais  serão  pagos  valores  a  título  de  PRL,  nada  mais  é  do  que  tentar  desnaturar  pagamentos  indiretos  aos  empregados,  dando­lhes  uma maquiagem  de  PLR,  para  que  sejam  excluídos  da  base  para  o  pagamento  de  outros  direitos.  Nessa  seara,  basta­nos  apreciar  o  disposto no § 1º do art. 2 da Lei 8212/91:  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  Contudo,  existe  outro  ponto  trazido  pelo  recorrente,  que  deve  ser  melhor  apreciado.  O  mesmo  alega  que  o  Plano  próprio  ­  “Sistemas  de  Remuneração  Variável”  revestiu­se das formalidades legais descritas na lei 10.101, na medida que foi convalidado em  Acordo Coletivo.  Quanto a este ponto, destaca o  recorrente a existência de acordos coletivos,  que  legitimam a distribuição dos  lucros. Para  tanto, anexa, às  fls. 281 a 282, cópia do então  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  do  Programa  da  Participação  Complementar  nos  Resultados  (PCR), disciplinado pela Lei 10.101/2000.   De pronto, entendo que o então acordo firmado para legitimar o pagamento  da  PLR  complementar,  na  verdade  já  nasceu  descumprindo  os  objetivos  básicos  da  lei.  Conforme  podemos  vislumbrar  na  própria  cópia  apresentada,  o  acordo  referente  a  PRL  complementar de 2005, foi realizado em 21 de dezembro de 2005. Oras, não posso vislumbrar  outra intenção que não a de criar um instrumento, no intuito de encobrir um pagamento indireto  feito ao empregado pelo trabalho no ano de 2005.   Não  há  nem  que  se  discutir  o  cumprimento  do  requisito  de  que:  “Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição, período de vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo ser considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições  (...). Note­se  que  a  cláusula  quinta,  descreve  “que ficam fazendo parte deste acordo, os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados  próprios mantidos pelos bancos (...). Assim, não entendo que essa mera menção tenha satisfeito  o objetivo da lei, que é a negociação das metas entre empregados e empregadores e posterior  aprovação em Assembléia Geral dos Empregados. Assim, entendo que firmar o acordo 9 dias  antes de concluir o ano, para o qual o acordo foi direcionado, não atende aos ditames legais.  Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     42 Outro  não  pode  ser  o  raciocínio  aplicável  ao  acordo  apresentado  para  legitimar o Plano Próprio para o ano de 2006. Neste segundo caso, a realização do acordo, deu­ se  em  08  de  fevereiro  de  2007,  ou  seja,  após  o  encerramento  do  exercício  para  o  qual  a  Participação  nos  Lucros  seria  realizada.  Novamente,  como  se  pode  aceitar  que  o  esse  pagamento esteja relacionado a participação do empregado no capital e resultados da empresa,  se  o  acordo  que  descreveria  as  metas,  os  estímulos,  foi  firmado  dois  meses  após  o  encerramento do exercício. Novamente, entendo serem os valores meros pagamentos indiretos  feitos aos empregados.  Outra  sorte,  não  teve  a  empresa  em  relação  as  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  que  pretenderam  legitimar  o  pagamento  de  PLR  a  totalidade  de  empregados  da  categoria profissional alcançada pelos sindicatos ali mencionados.   CONVENÇÃO COLETIVA 2005 – fls. 264 a 266 – firmado em 17/10/2005,  com pagamento da primeira parcela em 10 dias após o acordado.  CLAUSULA  PRIMEIRA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS (P.L.R)  Ao empregado admitido até 31.12.2004, em efetivo exercício em  31.12.2005,  convenciona­se  o  pagamento,  pelo  banco,  até  03.03.2006,  de  80%  (oitenta  por  cento)  sobre  o  salário­base  mais  verbas  fixas  de  natureza  salarial,  reajustadas  em  setembro/2005, acrescido do valor fixo de R$ 800,00 (oitocentos  reais),  limitado ao valor de R$ 5.310,00  (cinco mil,  trezentos e  dez reais).  PARÁGRAFO PRIMEIRO O percentual,  o valor  fixo  e o  limite  máximo  convencionados  no  "caput"  desta Cláusula,  a  titulo  de  Participação nos Lucros ou Resultados, observarão, em face do  exercício de 2005, como teto, o percentual de 15%  (quinze por  cento) e, como minimo, o percentual de 5% (cinco por cento)  do  lucro  liquido do banco. Quando o total de Participação nos  Lucros  ou  Resultados  calculado  pela  regra  básica  do  "caput"  desta  Cláusula  for  inferior  a  5%  (cinco  por  cento)  do  lucro  liquido do banco, no exercício de 2005, o valor individual deverá  ser majorado até alcançar 2 (dois)  salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.620,00 (dez  mil, seiscentos e vinte reais),  ou  até  que  o  total  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  atinja  5%  (cinco  por  cento)  do  lucro  liquido,  o  que  ocorrer  primeiro.  PARÁGRAFO  SEGUNDO  No  pagamento  da  Participação  nos  Lucros ou Resultados o banco poderá  compensar os valores  já  pagos  ou  que  vierem  a  ser  pagos,  a  esse  titulo,  referentes  ao  exercício de 2005.  CLÁUSULA  SEGUNDA  ANTECIPAÇÃO  DA  PARTICIPAÇÃO  NOS LUCROS OU RESULTADOS — P.L.R.  Excepcionalmente,  e  respeitados  os  termos  do  "caput"  e  dos  parágrafos da Cláusula Primeira, o banco efetuará até 10 (dez)  dias  úteis  da  data  da  assinatura  desta  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  o  pagamento  de  antecipação  da  Participação  nos  Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 22          43 Lucros ou Resultados de valor correspondente a 40% (quarenta  por  cento)  sobre  o  salário­base  mais  verbas  fixas  de  natureza  salarial,  acrescido  do  valor  fixo  de  R$  400,00  (quatrocentos  reais), observando­se as seguintes condições:  a)  percentual  máximo  de  15%  (quinze  por  cento)  do  lucro  liquido correspondente ao resultado do 1° semestre de 2005.  b) o valor individual máximo a ser pago a titulo de antecipação  será  de  R$  2.655,00  (dois  mil,  seiscentos  e  cinqüenta  e  cinco  reais).  c) no pagamento desta antecipação, o banco poderá compensar  os  valores  já  pagos  a  titulo  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados, referentes ao exercício de 2005.  d)  o  empregado  admitido  até  31.12.2004  e  que  se  afastou  a  partir  de  1°.01.2005,  por  doença,  acidente  do  trabalho  ou  licença­maternidade,  faz  jus  ao  pagamento  integral  da  antecipação  se  pertencente  ao  quadro  funcional  na  data  da  assinatura desta Convenção.  e)  ao  empregado  admitido  a  partir  de  1  0.01.2005,  em  efetivo  exercício  na  data  da  assinatura  da  Convenção  Coletiva  de  Trabalho, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho  ou licença­maternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um  doze  avos)  do  valor  estabelecido  no  caput  desta  cláusula,  por  mês  trabalhado ou  fração igual ou superior a 15 (quinze) dias.  Para  efeito  de  cálculo  da  proporcionalidade  deve  ser  considerado  como  trabalhado  o  período  até  31.12.2005.  Aos  afastados  por  doença,  acidente  do  trabalho  ou  licença­ maternidade  fica  vedada a  dedução do  período  de  afastamento  para cômputo da proporcionalidade.  0 o empregado que tenha sido dispensado sem justa causa, entre  02.08.2005 e a data da assinatura desta convenção coletiva de  trabalho,  será  efetuado  o  pagamento  desta  antecipação,  no  prazo de 10 (dez) dias Ateis da data de recebimento, pelo banco,  de  sua  solicitação,  por  escrito,  respeitada  a  proporcionalidade  prevista no item "e" desta Clausula.  g)  o  banco  que  apresentou  prejuízo  no  10  semestre  de  2005  (balanço  de  30.06.2005),  está  isento  do  pagamento  da  antecipação.  São Paulo (SP), 17 de outubro de 2005  Assim,  não  há  como  se  admitir  que  a  convecção  acima  descrita,  tenha  cumprido  os  preceitos  legais  para  que  os  pagamentos  ali  descritos  estejam  excluídos  do  conceito de salário de contribuição. O acordo foi firmado em meados de outubro, para vigorar  em  relação  aos  10  meses  anteriores.  Como  pode­se  aceitar  que  um  empregado  sinta­se  estimulado a participar de algo que nem mesmo existe. Ademais, não existe o estabelecimento  de qualquer meta,  resultado, política,  seja o que  for,  razão porque  legitimo o  lançamento de  contribuições também nesse ponto.  Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     44 CONVENÇÃO COLETIVA 2006 – fls. 275 a 276 – firmado em 18/10/2006,  com pagamento da primeira parcela em 10 dias após o acordado.  CLÁUSULA  PRIMEIRA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS (P.L.R)  Ao empregado admitido até 31.12.2005, ern efetivo exercício em  31.12.2006,  convenciona­se  o  pagamento,  pelo  banco,  até  02.03.2007,  de  80%  (oitenta  por  cento)  sobre  o  salário­base  mais  verbas  fixas  de  natureza  salarial,  reajustadas  em  setembro/2006, acrescido do valor fixo de R$ 828,00 (oitocentos  e vinte e oito reais), limitado ao valor de R$ 5.496,00 (cinco mil,  quatrocentos e noventa e seis reais).  PARÁGRAFO PRIMEIRO  0  percentual,  o  valor  fixo  e  o  limite  máximo  convencionados  no  "caput"  desta Cláusula,  a  titulo  de  Participação nos Lucros ou Resultados, observarão, em face do  exercício de 2006, como teto, o percentual de 15%  (quinze por  cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do  lucro  liquido  do  banco.  Quando  o  total  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  calculado  pela  regra  básica  do  "caput"  desta  Cláusula  for  inferior  a  5%  (cinco  por  cento)  do  lucro  liquido do banco, no exercício de 2006, o valor individual deverá  ser  majorado  até  alcançar  2  (dois)  salários  do  empregado  e  limitado ao valor de R$ 10.992,00 (dez mil, novecentos e noventa  e dois reais), ou até que o total da Participação nos Lucros ou  Resultados atinja 5%  (cinco por  cento) do  lucro  liquido, o que  ocorrer primeiro.  PARÁGRAFO  SEGUNDO  No  pagamento  da  Participação  nos  Lucros ou Resultados o banco poderá  compensar os valores  já  pagos  ou  que  vierem  a  ser  pagos,  a  esse  titulo,  referentes  ao  exercício de 2006.  CLÁUSULA  SEGUNDA  ANTECIPAÇÃO  DA  PARTICIPAÇÃO  NOS LUCROS OU RESULTADOS — P.L.R.  Excepcionalmente,  e  respeitados  os  termos  do  "caput"  e  dos  parágrafos da Cláusula Primeira, o banco efetuará até 10 (dez)  dias  Ateis  da  data  da  assinatura  desta  Convenção Coletiva  de  Trabalho,  o  pagamento  de  antecipação  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  de  valor  correspondente  a  80%  (oitenta  por  cento)  sobre  o  salário­base  mais  verbas  fixas  de  natureza  salarial, acrescido do valor fixo de R$ 828,00 (oitocentos e vinte  e oito), observando­se as seguintes condições:  a)  percentual  máximo  de  15%  (quinze  por  cento)  do  lucro  liquido correspondente ao resultado do 10 semestre de 2006.  b) o valor individual máximo a ser pago a titulo de antecipação  será  de  R$  5.496,00  (cinco  mil  quatrocentos  e  noventa  e  seis  reais).  pagamento  desta  antecipação,  o  banco  poderá  compensar  os  valores  já  pagos  a  titulo  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados, referentes ao exercício de 2006.  d)  o  empregado  admitido  até  31.12.2005  e  que  se  afastou  a  partir  de  1°.01.2006,  por  doença,  acidente  do  trabalho  ou  Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 23          45 licença­maternidade,  faz  jus  ao  pagamento  integral  da  antecipação  se  pertencente  ao  quadro  funcional  na  data  da  assinatura desta Convenção.  e)  ao  empregado  admitido  a  partir  de  1°.01.2006,  em  efetivo  exercício  na  data  da  assinatura  da  Convenção  Coletiva  de  Trabalho, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho  ou licença­maternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um  doze  avos)  do  valor  estabelecido  no  caput  desta  cláusula,  por  Ines trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias.  Para  efeito  de  cálculo  da  proporcionalidade  deve  ser  considerado  como  trabalhado  o  período  até  31.12.2006.  Aos  afastados  por  doença,  acidente  do  trabalho  ou  licença­ maternidade  fica  vedada a  dedução do  período  de  afastamento  para cômputo da proporcionalidade.  ao empregado que tenha sido dispensado sem justa causa, entre  02.08.2006 e a data da assinatura desta convenção coletiva de  trabalho,  será  efetuado  o  pagamento  desta  antecipação,  no  prazo de 10 (dez) dias úteis da data de recebimento, pelo banco,  de  sua  solicitação,  por  escrito,  respeitada  a  proporcionalidade  prevista no item "e" desta Cláusula.  g)  o  banco  que  apresentou  prejuízo  no  10  semestre  de  2006  (balanço  de  30.06.2006),  está  isento  do  pagamento  da  antecipação.  CLÁUSULA TERCEIRA ADICIONAL DE PARTICIPAÇÃO NOS  LUCROS OU RESULTADOS Os bancos pagarão,  independente  dos  valores  estabelecidos  na  Clausula  Primeira  desta  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  o  Adicional  de  Participação  nos Lucros ou Resultados que corresponde a 8% (oito por cento)  da variação em valor absoluto do crescimento do  lucro  liquido  do exercício de 2006, em relação ao  lucro  liquido do exercício  de 2005, dividido entre os seus empregados em parcelas iguais,  com  limite  individual  de  R$  1.500,00  (um  mil  e  quinhentos  reais), observando­se as seguintes condições:  41) a) Se o lucro liquido de 2006 for pelo menos 15% maior do  que  o  lucro  liquido  de  2005,  a  parcela  adicional  não  sera  inferior a R$ 1.000,00 (um mil reais) para cada empregado.  b)  Esta  parcela  adicional  não  será  compensável  com  valores  devidos em razão de planos próprios.  c) A parcela adicional paga não sera computada para calculo do  mínimo de  5%  (cinco  por  cento)  e do  teto  de  15%  (quinze  por  cento)  de  distribuição  da  PLR.  A  parcela  adicional  não  está  sujeita,  também, aos tetos estabelecidos, em valor, no "caput" e  no parágrafo primeiro da cláusula primeira.  d) 0 banco pagará, até o dia 02.03.2007, a parcela adicional de  que trata a presente cláusula.  e)  0  empregado  admitido  até  31.12.2005  e  que  se  afastou  a  partir  de  1°.01.2006,  por  doença,  acidente  do  trabalho  ou  Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     46 licença­maternidade,  faz  jus  ao  pagamento  integral  do  valor  decorrente de aplicação da presente cláusula.  Ao  empregado  admitido  a  partir  de  1°.01.2006,  em  efetivo  exercício  em  31.12.2006,  mesmo  que  afastado  por  doença,  acidente  do  trabalho  ou  licença­maternidade,  será  efetuado  o  pagamento  de  1/12  (um  doze  avos)  do  valor  estabelecido,  por  mês  trabalhado ou  fração igual ou superior a 15 (quinze) dias.  Ao  afastado  por  doença,  acidente  do  trabalho  ou  auxilio­ maternidade  fica  vedada a  dedução do  período  de  afastamento  para cômputo da proporcionalidade.  São Paulo (SP), 18 de outubro de 2006  Novamente, temos um acordo firmado entre dois os mais sindicatos, que no  meu entender,  não  cumpriu os preceitos  legais para que os pagamentos  ali  descritos  estejam  excluídos do conceito de salário de contribuição. O acordo também foi firmado em meados de  outubro,  para  vigorar  em  relação  aos  10  meses  anteriores.  Como  se  pode  aceitar  que  um  empregado  sinta­se  estimulado  a  participar  de  algo  que  nem  mesmo  existe.  Ademais,  não  existe  o  estabelecimento  de  qualquer meta,  resultado,  política,  seja  o  que  for,  razão  porque  legitimo o lançamento de contribuições também nesse ponto.  Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos  lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores  estariam desvinculados do salário.  NATUREZA SALARIAL DAS UTILIDADES  Após a apreciação individual de cada uma das utilidades fornecidas, entendo  importante  firmar  entendimento  do  papel  das  utilidades  dentro  do  conceito  de  salário  de  contribuição.  Segundo o  ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu  livro  Instituições de  Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o  significado do  termo  remuneração  deve ser assim interpretado:  No Brasil,  a  palavra  remuneração  é  empregada,  normalmente,  com  sentido  lato,  correspondendo  ao  gênero  do  qual  são  espécies principais os  termos salários,  vencimentos, ordenados,  soldo  e  honorários.  Como  salientou  com  precisão  Martins  Catharino,  “costumeiramente  chamamos  vencimentos  a  remuneração  dos  magistrados,  professores  e  funcionários  em  geral;  soldo,  o  que  os militares  recebem;  honorários,  o  que  os  profissionais  liberais  ganham  no  exercício  autônomo  da  profissão; ordenado,  o  que  percebem os  empregados  em  geral,  isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o  físico;  e  finalmente,  salário,  o  que  ganham  os  operários.  Na  própria  linguagem  do  povo,  o  vocábulo  salário  é  preferido  quando há prestação de trabalho subordinado.”  Não  se  pode  descartar  o  fato  de  que  os  valores  pagos  á  título  de  vale  transporte em dinheiro, alimentação, bônus  (prêmios), PLR, não  representam alguma espécie  de  ganho  para  seus  empregados  Pelo  contrário,  estão  inseridos  no  conceito  lato  de  remuneração,  assim  compreendida  a  totalidade  dos  ganhos  recebidos  como  contraprestação  pelo serviço executado.  Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 24          47 Também  convém  reproduzir  a  posição  da  professora  Alice  Monteiro  de  Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não­salariais:  "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às  necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não  as  recebesse,  ele  deveria  despender  parte  de  seu  salário  para  adquiri­las. As utilidades salariais não se confundem com as que  são  fornecidas  para  a  melhor  execução  do  trabalho.  Estas  equiparam­se  a  instrumentos  de  trabalho  e,  conseqüentemente,  não têm feição salarial."  Ademais,  a  interpretação  para  exclusão  de  parcelas  da  base  de  cálculo  é  literal.  A  isenção  é  uma  das  modalidades  de  exclusão  do  crédito  tributário,  e  desse  modo,  interpreta­se literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê  o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras:  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador  da lei, por mais que se vislumbre a boa intenção do empregador, estender a interpretação, sob  pena de violar­se os princípios da reserva legal e da isonomia.   ALÍQUOTA SAT (RAT)  Em  sendo  julgadas  procedentes  as  bases  de  cálculo  pagas  na  forma  de  utilidades, conforme descrito acima, legitima é a cobrança de contribuições à título de seguro  contra Acidentes do Trabalho, atual RAT.  A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos  em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do  trabalho ­ RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998,  nestas palavras:  Art.22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e  trabalhadores avulsos: (Redação dada  pela Lei nº 9.732, de 11/12/98)  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;  b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;  Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     48 c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.  Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo  Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras:  Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento  da aposentadoria  especial,  nos  termos dos arts.  64 a 70,  e dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  ao  segurado  empregado e trabalhador avulso:  I  ­  um  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  leve;  II  ­  dois  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  médio; ou  III  ­  três  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  grave.  § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze,  nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade  exercida  pelo  segurado  a  serviço  da  empresa  ensejar  a  concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte  e cinco anos de contribuição.  §  2º  O  acréscimo  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  incide  exclusivamente  sobre  a  remuneração  do  segurado  sujeito  às  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade  física.  §  3º  Considera­se  preponderante  a  atividade  que  ocupa,  na  empresa,  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos.  §  4º  A  atividade  econômica  preponderante  da  empresa  e  os  respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação  de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco,  prevista no Anexo V.  §  5º  O  enquadramento  no  correspondente  grau  de  risco  é  de  responsabilidade  da  empresa,  observada  a  sua  atividade  econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao  Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto­enquadramento  em qualquer tempo.    §  6º  Verificado  erro  no  auto­enquadramento,  o  Instituto  Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua  correção,  orientando  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido  e  procedendo  à  notificação  dos  valores  devidos.  Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 25          49 DA  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  ALÍQUOTA  DE  2,5%  PARA  OS BANCOS  No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária  que dispõe sobre a exigência da alíquota de 2,5% por se tratar de instituições financeiras, frise­ se  que  incabível  seria  sua  análise  na  esfera  administrativa.  Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo  questionada,  razão pela qual são aplicáveis as exigências previstas na Lei n ° 8.212/1991.   Dessa  forma,  quanto  à  inconstitucionalidade/ilegalidade  na  cobrança  das  contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência  da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional,  razão  pela  qual  são  exigíveis  a  aplicação  da  referida  alíquota,  assim  como  da  taxa  de  juros  SELIC, e a multa pela inadimplência.  Toda  lei  presume­se  constitucional  e,  até  que  seja  declarada  sua  inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame  da matéria,  deve o  agente público,  como executor da  lei,  respeitá­la. Nesse  sentido,  entendo  pertinente  transcrever  trecho  do  Parecer/CJ  n  °  771,  aprovado  pelo Ministro  da  Previdência  Social em 28/1/1997, que enfoca a questão:  Cumpre  ressaltar  que  o  guardião  da Constituição  Federal  é  o  Supremo  Tribunal  Federal,  cabendo  a  ele  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ordinária.  Ora,  essa  assertiva  não  quer  dizer  que  a  administração  não  tem  o  dever  de  propor  ou  aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de  uma lei sentir que ela é  inconstitucional o Pretório Excelso é o  órgão  competente  para  tal  declaração.  Já  o  administrador  ou  servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o  seu  destinatário  entende  ser  inconstitucional,  quando  não  há  manifestação definitiva do STF a respeito.  A alegação de  inconstitucionalidade formal de  lei não pode ser  objeto  de  conhecimento  por  parte  do  administrador  público.  Enquanto  não  for  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  ou  examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes)  ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor  e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.   No mesmo  sentido  posiciona­se  este  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais ­ CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão  que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes.  SÚMULA N. 2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA  DE OFÍCIO.  Alega  o  recorrente  que  ilegal  a  cobrança  de  juros  sobre  a multa  de  ofício,  contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela  Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     50 autoridade  julgadora, no caso em questão não existe a cobrança de  juros  em relação a multa  aplicada, sendo as duas aplicadas em relação ao montante do débito apurado. Os juros de mora  são  aplicáveis  sobre  o  valor  original  da  contribuição  devida,  conforme  descrito  no  relatório  fiscal fl. 91 e 92, item 100 e seguintes.  Na  aplicação  da  multa,  a  autoridade  fiscal  procedeu  a  análise  da  situação  mais favorável, não havendo a aplicação da multa de ofício, posto que implicaria situação mais  gravosa para o recorrente.  Note­se  que  a  autoridade  julgadora  na  decisão  de  1  instância  já  refutou  os  argumentos  do  recorrente,  não  havendo  reparo  a  ser  feito  na  referida  decisão.  Transcrevo  trecho pertinente:  16.  Finalmente,  não  procede  a  alegação  da  Autuada  de  que  teriam sido aplicados  juros de mora sobre a multa no presente  lançamento de oficio.  16.1.  Agisse  a  Impugnante  com  a  necessária  diligência,  teria  encontrado, as fls. 23 dos autos, no anexo "Fundamentos Legais  do Débito — FLD",  item  602,  a  forma  de  "Cálculo  dos  juros:  juros calculados sobre o valor originário, mediante a aplicação  dos seguintes percentuais:...".; verifica­se, portanto, que os juros  não  incidem  sobre  a  multa,  mas  somente  sobre  o  valor  da  contribuição.  16.2.  Nesse mesmo  item,  estão  indicados  os  dispositivos  legais  que disciplinam esta matéria, a seguir transcritos:  "Lei 8.212/91..  Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  a  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia­SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  n°  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter irrelevciveL" "Decreto 3.048/99:  Art.  239.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, incluídas  ou não em notificação  fiscal de lançamento, pagas com atraso,  objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a:  II  ­  juros  de  mora,  de  caráter  irrelevcivel,  incidentes  sobre  o  valor atualizado, equivalentes a:  a) um por cento no mês do vencimento;  b)  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia nos intermediários; e  c) um por cento no mês do pagamento;  Art. 242. Os valores das contribuições incluídos em notificação  fiscal  de  lançamento  e  os  acréscimos  legais,  observada  a  legislação de regência, serão expressos em moeda corrente.  Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 26          51 § 22 Os juros e a multa serão calculados com base no valor da  contribuição. "(grifos nossos)  16.3.  Como  se  vê,  em  nenhum  momento  a  legislação  pertinente menciona a alegada cobrança de  juros  sobre a  multa,  ao  contrário,  deixa  claro  que  os  juros  e  a  multa  serão  sempre  exigidos  individualmente  sobre  o  valor  principal atualizado.  16.4.  Caso  estivesse  convicta  da  sua  argumentação,  deveria  a  Autuada  ter  apresentado  demonstrativo  de  cálculo exemplificativo para ao menos uma competência do  caso concreto aqui discutido, provando sua afirmativa, ao  invés  de  lançar  ilações  genéricas  sobre  o  tema,  sem  apontar qualquer erro de fato.  DA  APLICAÇÃO  DE  JUROS  E  MULTA  SOBRE  AS  VERBAS  DISCUTIDAS EM JUÍZO.  Contudo, com relação aos valores depositados em juízo para o  fato gerador  vale transporte, onde houve o depósito do montante integral, entendo inaplicável juros e multa,  seja a aplicação de multa moratória, como já vinha sendo aplicado por parte deste colegiado.  Para a multa de ofício,  como existiu por parte do  recorrente o depósito,  tendo o  lançamento  como fundamento evitar a decadência entendo deva ser afastada a multa de ofício nos termos  do art. 63 da lei 9430.  Art.  63.  Na  constituição  de  crédito  tributário  destinada  a  prevenir  a  decadência,  relativo  a  tributo  de  competência  da  União,  cuja  exigibilidade  houver  sido  suspensa  na  forma  dos  incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  § 1º O disposto neste artigo aplica­se, exclusivamente, aos casos  em  que  a  suspensão  da  exigibilidade  do  débito  tenha  ocorrido  antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.  §  2º  A  interposição  da  ação  judicial  favorecida  com  a medida  liminar  interrompe  a  incidência  da  multa  de  mora,  desde  a  concessão  da  medida  judicial,  até  30  dias  após  a  data  da  publicação da  decisão  judicial  que  considerar  devido  o  tributo  ou contribuição.  Já para a rubrica abono único, embora haja ação judicial, não houve por parte  do  recorrente  a  comprovação  do  depósito,  nem mesmo  foram  trazidas  pela  autoridade  fiscal  informações  nesse  sentido,  razão  porque  inaplicável  os  termos  da  referida  lei,  devendo  ser  mantido a aplicação dos juros e multa  Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista  que os argumentos apontados pelo  recorrente em sua maioria são  insuficientes para  refutar a  totalidade lançamento. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração  e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas  Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     52 (conforme  apreciado  individualmente  acima),  no  período  objeto  do  presente  lançamento,  conforme já analisado, deve persistir o lançamento.   CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  pelo  CONHECIMENTO  PARCIAL  do  recurso  para  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade,  rejeitar  a  preliminar  de  decadência  e  no  mérito  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO  para  excluir  as  contribuições  atinentes  ao  lançamento de veículos e alimentação fornecida in natura para os diretores.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira  Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.001327/2010­36  Acórdão n.º 2401­02.250  S2­C4T1  Fl. 27          53 Voto Vencedor  Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado  Em  que  pese  a  boa  fundamentação  apresentada  pela  relatora,  concluo  de  forma diversa no que diz  respeito ao critério para  fixação do prazo decadencial. Passarei, de  imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente  mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira.  A  bem  da  verdade,  tanto  esse  Conselheiro  quanto  a  Ilustre  Relatora  entendemos  que,  havendo  recolhimento  antecipado  da  contribuição,  há  de  se  contar  o  prazo  decadencial pela norma do art. 150, § 4.º do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência  do  fato  gerador. Divergimos,  todavia,  para  os  casos  em  que,  embora  existam  recolhimentos  efetuados  pela  empresa,  esta  não  reconhece  a  incidência  de  contribuição  sob  determinada  rubrica.  Nesses  casos,  a  Conselheira  Elaine  Cristina  pondera  que  as  guias  de  recolhimento  embora  existentes,  dizem  respeito  a  outras  rubricas,  haja  vista  que,  para  as  parcelas  sobre  as  quais  não  se  considerou  a  incidência  tributária,  não  há  o  que  se  falar  em  antecipação de pagamento.  Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS  não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS”  – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo  recolhimentos,  não vejo  como  segregar  as parcelas  reconhecidas pela  empresa,  daquelas que  não tenham sido tratadas como salário­de­contribuição.  Verifica­se na espécie, que há fortes  índicos da existência de recolhimentos  posto que, embora não exista nos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, na  ação fiscal, de acordo com o item 106 do relato do fisco (fl. 93), somente houve lançamento  sobre os ditos ganhos indiretos (PLR, abono e outros benefícios), fato que nos leva a supor que  houve recolhimentos para as contribuições decorrentes de outros fatos geradores. Nesses casos,  o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4.º do art.  150 do CTN para contagem do prazo decadencial.  Assim, considerando­se que a ciência do lançamento deu­se em 04/10/2010,  voto pela declaração de decadência para o período de 03/2005 a 09/2005.    Kleber Ferreira de Araújo                  Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     54   Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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Numero do processo: 44000.000608/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1999 CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD - NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA - ERRADA PREMISSA ADOTADA PELA AUTORIDADE JULGADORA ACERCA DA BASE DE CALCULO - INAPLICÁVEL. Tendo a decisão de 1ª instância rebatido os argumentos apresentado pelo impugnante de forma fundamentada, com interpretação diversa da que possui o recorrente acerca da natureza das verbas pagas não conduz a' nulidade da decisão. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1999 PREVIDENCIÁIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - DIFERENÇA DE SAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE - A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999. 0 enquadramento da empresa leva em consideração o n° de trabalhadores da empresa e não em cada estabelecimento após a edição do Decreto 2.173/97. Em relação aos lançamentos de contribuição 6. titulo de contribuição adicional, face a exposição a agentes nocivos que sujeitam o empregado a aposentadoria especial, observa-se que o lançamento foi realizado sobre a totalidade dos empregados, tendo em vista não ter o recorrente apresentado, mesmo devidamente intimado, laudo técnico da época dos lançamentos que comprovariam os empregados expostos. SALÁRIO INDIRETO - AJUDA DE CUSTO. NÃO INCIDÊNCIA. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO EM PARCELA ÚNICA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode aplicar retroativamente, para fins de incidência de contribuições sobre a verba ajuda de custo, a regra que estipulou que a mesma deveria ser paga em parcela única para se afastar a tributação. SALÁRIO INDIRETO - VALE TRANSPORTE EM DESACORDO COM A LEI. O fornecimento de vale transporte em dinheiro, desrespeita os preceitos da legislação sobre o tema, passando a constituir espécie de salário indireto do trabalhador. SALÁRIO INDIRETO - RUBRICAS DE FOLHAS DE PAGAMENTO NÃO RECONHECIDAS - NATUREZA DE PRÊMIOS, GRATIFICAÇÕES, ADICIONAIS - SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A definição de "prêmios", "gratificações" dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral, ou de certa forma visa compensá-lo por um desgaste maior, como nos casos das transferência para localidades diversas, ou ainda nos casos de termino do contrato, ou afastamento para aposentar-se. Assim, constituem salário indireto para o trabalhador. A interpretação para exclusão de parcelas da base de calculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo III, I. SALÁRIO INDIRETO - BÔNUS REDUNDÂNCIA A previsão descrita no artigo 28, § 9° prevê é que os valores pagos à titulo de programa de Demissão incentivada, não constituiriam base de calculo de contribuições. 0 que se observa no caso em questão é o mero pagamento de uma gratificação, chamado pelo recorrente de bônus redundância, mas que na verdade representa um ganho a mais destinado ao empregado, além de todas as verbas que lhe são devidas pela dispensa imotivada. SALÁRIO INDIRETO - EXTENSÃO DE BENEFÍCIOS PREVISTOS EM ACORDOS COLETIVOS PARA OUTRAS UNIDADES As verbas excluídas do conceito do salário de contribuição são restritas, não sendo possível afastar simplesmente a natureza salarial, posto que o recorrente entende que foram pagas por liberalidade, de forma eventual e consubstanciada em acordos coletivos, mesmo que firmados com unidade diversa. A previsão em acordo coletivo s6 retira a natureza salarial, quando expressamente previsto na lei previdenciária ou em legislação correlata. No caso, o pagamento de PLR nos termos de lei que exige dentre outros requisitos acordo ou convenção coletiva, realmente não faz incidir contribuição, mas pautar-se nessa premissa para estender esse beneficio por liberalidade a outros trabalhadores, nada mais mostra do que uma forma de remunerar, indiretamente o empregado. 0 fato do pagamento ser habitual, não reflete diretamente na sua natureza, quando por si só, a verba possui natureza salarial. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO COMO EMPREGADO COM OS DIRETORES DA EMPRESA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS - NULIDADE. VÍCIO MATERIAL A falta de indicação dos requisitos que teriam levado o fisco h. caracterização de relação empregatícia ,entre a empresa e seus diretores leva ao reconhecimento de nulidade do lançamento por vicio material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO RICHARD HAWES Restou demonstrado pelo Registro do empregado na empresa sua qualificação como segurado empregado, sem que não fez o recorrente qualquer prova diversa capaz de desconstituir o lançamento. ERRO MATERIAL -REVISÃO DE VALORES APURADOS DURANTE 0 PROCEDIMENTO - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. Não há de ser apreciada a matéria mesmo que fundada em erro, quando os fatos geradores nela descritos encontram-se decadentes. MULTA COBRADA DA INCORPORADORA - SUCESSORA - MULTA MORATÓRIO PELO NÃO RECOLHIMENTO NA ÉPOCA PRÓRIA - SELIC - MULTA EXACERBADA. Os valores das multas são aplicáveis as sucessoras, na mesma medida que aplicável a cobrança de contribuições, não recolhidas em época própria, tendo em vista que a multa diz respeito a mora. A pessoas jurídica de direito privado que resultar da fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas e incorporadas. 0 contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.085
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência até a competência 11/1994 para os levantamentos: DAS-DSF —DSI —DSJ —DSP —DSR —DSU — DSV — F01 — F10 — F11 — F12 — F13 — F14 — F16 — F18 — F21 FFL — FJA — FRC — J92. II) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 11/1994 para os levantamentos FPN e FRH. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por declarar a decadência até 11/1993. III) Por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. IV) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a rubrica Ajuda de Custo. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por manter a rubrica Ajuda de Custo. V) Por maioria de votos, em excluir do lançamento, por vicio material os valores referentes aos pagamentos efetuados aos diretores Peter Ahlgrimm e Eduardo Gomes Guimarães. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por excluir do lançamento por vicio formal. VI) Por maioria de votos mantidos os demais levantamentos. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por excluir a rubrica Participação nos Resultados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheira Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA

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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1999 PREVIDENCIÁIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - DIFERENÇA DE SAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE - A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999. 0 enquadramento da empresa leva em consideração o n° de trabalhadores da empresa e não em cada estabelecimento após a edição do Decreto 2.173/97. Em relação aos lançamentos de contribuição 6. titulo de contribuição adicional, face a exposição a agentes nocivos que sujeitam o empregado a aposentadoria especial, observa-se que o lançamento foi realizado sobre a totalidade dos empregados, tendo em vista não ter o recorrente apresentado, mesmo devidamente intimado, laudo técnico da época dos lançamentos que comprovariam os empregados expostos. SALÁRIO INDIRETO - AJUDA DE CUSTO. NÃO INCIDÊNCIA. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO EM PARCELA ÚNICA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode aplicar retroativamente, para fins de incidência de contribuições sobre a verba ajuda de custo, a regra que estipulou que a mesma deveria ser paga em parcela única para se afastar a tributação. SALÁRIO INDIRETO - VALE TRANSPORTE EM DESACORDO COM A LEI. O fornecimento de vale transporte em dinheiro, desrespeita os preceitos da legislação sobre o tema, passando a constituir espécie de salário indireto do trabalhador. SALÁRIO INDIRETO - RUBRICAS DE FOLHAS DE PAGAMENTO NÃO RECONHECIDAS - NATUREZA DE PRÊMIOS, GRATIFICAÇÕES, ADICIONAIS - SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A definição de "prêmios", "gratificações" dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral, ou de certa forma visa compensá-lo por um desgaste maior, como nos casos das transferência para localidades diversas, ou ainda nos casos de termino do contrato, ou afastamento para aposentar-se. Assim, constituem salário indireto para o trabalhador. A interpretação para exclusão de parcelas da base de calculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo III, I. SALÁRIO INDIRETO - BÔNUS REDUNDÂNCIA A previsão descrita no artigo 28, § 9° prevê é que os valores pagos à titulo de programa de Demissão incentivada, não constituiriam base de calculo de contribuições. 0 que se observa no caso em questão é o mero pagamento de uma gratificação, chamado pelo recorrente de bônus redundância, mas que na verdade representa um ganho a mais destinado ao empregado, além de todas as verbas que lhe são devidas pela dispensa imotivada. SALÁRIO INDIRETO - EXTENSÃO DE BENEFÍCIOS PREVISTOS EM ACORDOS COLETIVOS PARA OUTRAS UNIDADES As verbas excluídas do conceito do salário de contribuição são restritas, não sendo possível afastar simplesmente a natureza salarial, posto que o recorrente entende que foram pagas por liberalidade, de forma eventual e consubstanciada em acordos coletivos, mesmo que firmados com unidade diversa. A previsão em acordo coletivo s6 retira a natureza salarial, quando expressamente previsto na lei previdenciária ou em legislação correlata. No caso, o pagamento de PLR nos termos de lei que exige dentre outros requisitos acordo ou convenção coletiva, realmente não faz incidir contribuição, mas pautar-se nessa premissa para estender esse beneficio por liberalidade a outros trabalhadores, nada mais mostra do que uma forma de remunerar, indiretamente o empregado. 0 fato do pagamento ser habitual, não reflete diretamente na sua natureza, quando por si só, a verba possui natureza salarial. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO COMO EMPREGADO COM OS DIRETORES DA EMPRESA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS - NULIDADE. VÍCIO MATERIAL A falta de indicação dos requisitos que teriam levado o fisco h. caracterização de relação empregatícia ,entre a empresa e seus diretores leva ao reconhecimento de nulidade do lançamento por vicio material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO RICHARD HAWES Restou demonstrado pelo Registro do empregado na empresa sua qualificação como segurado empregado, sem que não fez o recorrente qualquer prova diversa capaz de desconstituir o lançamento. ERRO MATERIAL -REVISÃO DE VALORES APURADOS DURANTE 0 PROCEDIMENTO - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. Não há de ser apreciada a matéria mesmo que fundada em erro, quando os fatos geradores nela descritos encontram-se decadentes. MULTA COBRADA DA INCORPORADORA - SUCESSORA - MULTA MORATÓRIO PELO NÃO RECOLHIMENTO NA ÉPOCA PRÓRIA - SELIC - MULTA EXACERBADA. Os valores das multas são aplicáveis as sucessoras, na mesma medida que aplicável a cobrança de contribuições, não recolhidas em época própria, tendo em vista que a multa diz respeito a mora. A pessoas jurídica de direito privado que resultar da fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas e incorporadas. 0 contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-19T14:29:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-19T14:29:49Z; Last-Modified: 2011-08-19T14:29:50Z; dcterms:modified: 2011-08-19T14:29:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:717670c5-2103-4570-a5ce-a14315a4ab35; Last-Save-Date: 2011-08-19T14:29:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-19T14:29:50Z; meta:save-date: 2011-08-19T14:29:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-19T14:29:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-19T14:29:49Z; created: 2011-08-19T14:29:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; Creation-Date: 2011-08-19T14:29:49Z; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-19T14:29:49Z | Conteúdo => S2-C4T1 FL 6.224 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 44000.000608/2004-41 Recurso n° 150.669 Voluntário Acórdão n° 2401-01.085 — e Camara / la Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria SALÁRIO INDIRETO, DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente ZENECA DO BRASIL LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1999 CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO- NFLD - NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA - ERRADA PREMISSA ADOTADA PELA AUTORIDADE JULGADORA ACERCA DA BASE DE CALCULO - INAPLICÁVEL. Tendo a decisão de la instância rebatido os argumentos apresentado pelo impugnante de forma fundamentada, com interpretação diversa da que possui o recorrente acerca da natureza das verbas pagas não conduz a' nulidade da decisão. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4 • 0 do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1999 PREVIDENCIARIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - DIFERENÇA DE SAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE - A exigência da contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999. 0 enquadramento da empresa leva em consideração o n° de trabalhadores da empresa e não em cada estabelecimento após a edição do Decreto 2.173/97. Em relação aos lançamentos de contribuição 6. titulo de contribuição adicional, face a exposição a agentes nocivos que sujeitam o empregado a aposentadoria especial, observa-se que o lançamento foi realizado sobre a totalidade dos empregados, tendo em vista não ter o recorrente apresentado, mesmo devidamente intimado, laudo técnico da época dos lançamentos que comprovariam os empregados expostos. SALÁRIO INDIRETO - AJUDA DE CUSTO. NÃO INCIDÊNCIA. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO EM PARCELA UNICA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode aplicar retroativamente, para fins de incidência de contribuições sobre a verba ajuda de custo, a regra que estipulou que a mesma deveria ser paga em parcela única para se afastar a tributação. SALÁRIO INDIRETO - VALE TRANSPORTE EM DESACORDO COM A LEI. O fornecimento de vale transporte em dinheiro, desrespeita os preceitos da legislação sobre o tema, passando a constituir espécie de salário indireto do trabalhador. SALÁRIO INDIRETO - RUBRICAS DE FOLHAS DE PAGAMENTO NÃO RECONHECIDAS - NATUREZA DE PRÊMIOS, GRATIFICAÇÕES, ADICIONAIS - SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A definição de "prêmios", "gratificações" dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral, ou de certa forma visa compensá-lo por um desgaste maior, como nos casos das transferência para localidades diversas, ou ainda nos casos de termino do contrato, ou afastamento para aposentar-se. Assim, constituem salário indireto para o trabalhador. A interpretação para exclusão de parcelas da base de calculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que dispónha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I. SALÁRIO INDIRETO - BÔNUS REDUNDÂNCIA A previsão descrita no artigo 28, § 9° prevê é que os valores pagos à titulo de programa de Demissão incentivada, não constituiriam base de calculo de contribuições. 0 que se observa no caso em questão é o mero pagamento de uma gratificação, chamado pelo recorrente de bônus redundância, mas que na verdade representa um ganho a mais destinado ao empregado, além de todas as verbas que lhe são devidas pela dispensa imotivada. SALÁRIO INDIRETO - EXTENSÃO DE BENEFÍCIOS PREVISTOS EM ACORDOS COLETIVOS PARA OUTRAS UNIDADES As verbas excluídas do conceito do salário de contribuição são restritas, não sendo possível afastar simplesmente a natureza salarial, posto que o recorrente entende que foram pagas por liberalidade, de forma eventual e consubstanciada em acordos coletivos, mesmo que firmados com unidade diversa. 2 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.225 A previsão em acordo coletivo s6 retira a natureza salarial, quando expressamente previsto na lei previdencidria ou em legislação correlata. No caso, o pagamento de PLR nos termos de lei que exige dentre outros requisitos acordo ou convenção coletiva, realmente não faz incidir contribuição, mas pautar-se nessa premissa para estender esse beneficio por liberalidade a outros trabalhadores, nada mais mostra do que uma forma de remunerar, indiretamente o empregado. 0 fato do pagamento ser habitual, não reflete diretamente na sua natureza, quando por si só, a verba possui natureza salarial. CARACTERIZAÇÃO DE ViNCULO COMO EMPREGADO COM OS DIRETORES DA EMPRESA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS - NULIDADE. VÍCIO MATERIAL A falta de indicação dos requisitos que teriam levado o fisco h. caracterização de relação empregaticia ,entre a empresa e seus diretores leva ao reconhecimento de nulidade do lançamento por vicio material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO RICHARD HAWES Restou demonstrado pelo Registro do empregado na empresa sua qualificação como segurado empregado, sem que não fez o recorrente qualquer prova diversa capaz de desconstituir o lançamento. ERRO MATERIAL -REVISÃO DE VALORES APURADOS DURANTE 0 PROCEDIMENTO - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. Não há de ser apreciada a matéria mesmo que fundada em erro, quando os fatos geradores nela descritos encontram-se decadentes. MULTA COBRADA DA INCORPORADORA - SUCESSORA - MULTA MORATóRIO PELO NÃO RECOLHIMENTO NA ÉPOCA PRORIA - SELIC - MULTA EXACERBADA. Os valores das multas são aplicáveis as sucessoras, na mesma medida que aplicável a cobrança de contribuições, não recolhidas em época própria, tendo em vista que a multa diz respeito a mora. A pessoas jurídica de direito privado que resultar da fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas e incorporadas. 0 contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda Seed() de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência até a competência 11/1994 para os levantamentos: DAS-DSF —DSI —DSJ —DSP —DSR —DSU — DSV — F01 — F10 ONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora ELA KLEBER FERREIRA DE ARA O — Redator Designado — F 1 1 — F12 — F13 — F14 — F16 — F18 — F21 FFL — FJA — FRC — J92. II) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 11/1994 para os levantamentos FPN e FRH. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por declarar a decadência até 11/1993. III) Por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. IV) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a rubrica Ajuda de Custo. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por manter a rubrica Ajuda de Custo. V) Por maioria de votos, em excluir do lançamento, por vicio material os valores referentes aos pagamentos efetuados aos diretores Peter Ahlgrimm e Eduardo Gomes Guimarães. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por excluir do lançamento por vicio formal. VI) Por maioria de votos mantidos os demais levantamentos. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por excluir a rubrica Participação nos Resultados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheira leber Ferreira de Araujo. ELIAS S 0 FREIRE - Presidente Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 4 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.226 Relatório O presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, da empresa, financiamento da complementaçdo das prestações das prestações por acidente do trabalho — SAT (até a competência 06/1997), bem como as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (após a competência 07/1997) e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os seguintes fatos geradores descritos no relatório fiscal, fls. 342 a 356: No Discriminativo Analítico de Débito — DAD, estão assim distribuídos os levantamentos. DIFERENÇAS DE ALÍQUOTAS SAT - DAS — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0012-42 —(PORTO ALEGRE - PERÍODO DE 11/1991 ATE 09/1994. DSF — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0013-23 — (FARRAPOS) — PERÍODO DE 07/1997 A 09/1999. DSI — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0011-61 — (JACAREI) — PERÍODO DE 11/1991 A 08/1994. DSJ — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0001-90 — (JAÇANA) — PERÍODO DE 11/1991 A 01/1994. DSP — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0010-80 — (PAULÍNIA) —PERÍODO DE 01/1991 A 08/1994 E 04/1999 A 09/1999. DSR — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0018-38 — (RECIFE) — PERÍODO DE 11/1991 A 09/1994. DSU — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0014-04 — (PAULÍNIA II) — PERÍODO DE 11/1991 A 08/1994. DSV — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0001-90 — (VERBO DIVINO) — PERÍODO DE 07/1997 A 09/1999. DIFERENÇAS DE FOLHA DE PAGAMENTO - Conforme demonstrado na planilha anexo II, foram apuradas diferenças entre os valores lançados as fls. De pagamento e os considerados como salário de contribuição nas GRPS. F01 — FOLHA DE PAGAMENTO E.CENTRAL — FILIAL 60.744.463/0001-90 — PERÍODO DE 01/1990 A 09/1995. — F10 — FOLHA DE PAGAMENTO PALILINIA — FILIAL 60.744.463/0010- 80 — PERÍODO DE 01/1990 A 09/1995 Fl 1 — FOLHA DE PAGAMENTO JACAREI — FILIAL 60.744.463/0011-61 — PERÍODO DE 01/1990 A 09/1995. F12 — FOLHA DE PAGAMENTO PORTO ALEGRE — FILIAL 60.744.463/0012-42 — PERÍODO DE 01/1990 A 09/1995. F13 — FOLHA DE PAGAMENTO FARRAPOS— FILIAL 60.744.463/0013- 23 — PERÍODO DE 01/1992 A 09/1995. F14 — FOLHA DE PAGAMENTO PAULÍNIA II — FILIAL 60.744.463/0014-04 — PERÍODO DE 03/1990 A 12/1994. F16 — FOLHA DE PAGAMENTO RIO DE JANEIRO — FILIAL 60.744.463/0016-76 —PERÍODO DE 01/1990 A 12/1994. F18 — FOLHA DE PAGAMENTO RECIFE — FILIAL 60.744.463/0018-38 — PERÍODO DE 01/1990 A 08/1995. F21 — FOLHA DE PAGAMENTO BELO HORIZONTE — FILIAL 60.744.463/0021-33 —PERÍODO DE 01/1990 A 12/1994. FFL — FOLHA DE PAGAMENTO FARIA LIMA— FILIAL 60.744.463/0001-90 — COMPETÊNCIA 02/1990, 03/1990, 08/1990 A 02/1991, 07/1991 A 10/1991. FJA — FOLHA DE PAGAMENTO JAÇANA — FILIAL 60.744.463/0001-90 — PERÍODO DE 01/1990 A 12/1993 RUBRICAS DE FOLHA DE PAGAMENTO - . verificando as folhas de pagamento identificou a autoridade fiscal, que diversas rubricas pagas aos segurados empregados não foram consideradas como salário de contribuição, para o período compreendido entre as competências — 01/1990 a 09/1999. Sao elas: FP1 — RUBRICAS DE F.PAGTO MATRIZ — FILIAL 60.744.463/0001- 90,PERÍODO DE 10/1995 A 09/1999. FP2 — RUBRICAS DE F.PAGTO RIO DE JANEIRO — FILIAL 60.744.463/0016-76,PERÍODO DE 07/1996. FP3 — RUBRICAS DE F.PAGTO PAULINIA — FILIAL 60.744.463/0010- 80,PERÍODO DE 02/1996 A 07/1996, 07/1997 A 05/1999. FP4 — RUBRICAS DE F.PAGTO PORTO ALEGRE — FILIAL 60.744.463/0012-42,PERÍODO DE 06/1996. FP5 — RUBRICAS DE F.PAGTO JACAREI — FILIAL 60.744.463/0011- 61,PERIODO DE 10/1995 A 07/1996. FP6 — RUBRICAS DE F.PAGTO RECIFE — FILIAL 60.744.463/0018- 38,PERÍODO DE 11/1995 A 04/1996. FP7 — RUBRICAS DE F.PAGTO FARRAPOS — FILIAL 60.744.463/0013- 23,PERÍODO DE 10/1995 A 01/1997, 02/1998 A 07/1998. 6 Processo n° 44000.000608/2004-41 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.227 FP8 — RUBRICAS DE F.PAGTO CRAVINHOS FILIAL 60.744.463/0009-47,PERIODO DE 01/1995 A 06/1996. FRC — FOLHA DE PAGAMENTO RIO CLARO — FILIAL 60.744.463/0001-90,PERIODO DE 01/1990 A 08/1990. AJUDA DE CUSTO ESPECIFICA — definida pela empresa como ajuda aluguel na política de transferência de empregados. INDENIZAÇÃO DE VALE TRANSPORTE — ADIANTAMENTO DE DESPESAS — pagamento de vale transporte em desacordo com a legislação, a empresa pagou em dinheiro conforme planilha — anexo III, sendo que no período de 01/1990 a 06/1994, recebeu a nomenclatura de vale transporte e para o período subseqüente — Adiantamento de despesas. VERBA ESPECIAL — valor correspondente a 1% da folha a ser utilizado para pagamento de bônus. (variável de 1 a 2 salários) para os empregados que desenvolverem projetos relacionados a sua área de atuação. NO período de 12/1994 a 03/1999 a empresa fez incidir contribuições sobre essa rubrica. GRATIFICAÇÃO — sob o titulo de gratificação — cód. 211 na FOPAG a empresa pagou diversas gratificações ao empregados (dentre elas: gratificação de transferência por pazo indeterminado ou determinado, gratificação Secondee, gratificação dos empregados de Mato Grosso, Bônus Bruto, Bônus Liquido, Verba especial, Bônus política de mérito, concurso deslocamento a concorrência, bônus gerencial, gratificação reconhecimento performance, gratificação PAR, prêmio "Can Do", Reconhecimento/estimulo, Campo Demonstração, Prémio Zeneca. BONUS REDUNDÂNCIA — gratificação baseada em uma tabela d eidade serviços, ocorre com a eliminação e/ou mudança fundamental de cargo e rescisão do contrato de trabalho.. ABONO ESPECIAL — a empresa continua pagando aos seus empregados, nas competências 09/1991 e 10/1991, o abono salarial previsto na Lei 8178/91, apesar de a referida lei só autorizar a não incidência de contribuição até 08/1991. REMUNERAÇÃO DE DIRETOR EMPREGADO — EDUARDO GOMES GUIMARÃES E PETER AHLGRIM — com a transformação da empresa se S/A para LTDA, os diretores passaram a condição de diretores empregados , em razão disso a partir da competência 10/1995, os valores pagos aos referidos segurados deviriam ser incluídos como salário de contribuição: DIFERENÇA D E13° SALÁRIO — não houve incidência quando da rescisão contratual. DIFERENÇA SALÁRIO/AUX. ESTAG. — para a competência 08/1995, a empresa utilizou a rubrica para pagar salário e bolsa para estagiários, sem incidir a respectiva contribuição. AC COLETIVO E GRATIFICAÇÃO EXTRA AC JACAREi E PAULÍNIA — a empresa apresentou AC para pagamento de gratificação nas unidades descritas, tendo estendido o acordo ao Escritório Central. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS — PPR - a empresa apresentou acordo coletivo para os período de 1995, 1996, 1997 e1998 para filial Paulinia, tendo por liberalidade estendido o beneficio para o Escritório Central e Jacarei em dezembro de 1995, bem corno para o Escritório e Farrapos em setembro de 1996. Também foram apuradas diversas rubricas cuja natureza do pagamento não restou esclarecida pela empresa, quais sejam: bonificações. Diferença janeiro93, bônus promoção, gratificação Fang, gratificação quitação, gratificação quitação complementar, gratificação 250, gratificação eventual, bônus mérito extraordinário, adiantamento extra, diferença plano econômico, e difereças não identificadas, ajuda de custo até 50%, ajuda de custo transferência local, gratificação aposentadoria. FRH — FP RICHARD HANES — PERÍODO DE 09/1991 A 09/1995 — na folha de pagamento de diretores no período de 91 a 95, consta o nome do SR. Richard como diretor, embora não conste sua eleição, nem mesmo existe registro na Ficha de Empregados. J92 — DIFERENÇA DE SEGURADO JAN 92 CGC 61 — PERÍODO DE 01/1992 PARA DISVERSOS ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. - DIFERENÇA TABELA INSS — diferença referente faixa de salários dos segurados empregados na competência 01/1992. FPN - PAGAMENTO A PETER NEUSCHULL — FILIAL 60.744.463/0001- 90 — PERÍODO DE 05/1991 A 07/1993. — desconto feito em folha de pagamento referente a contribuição do segurado não esta de acordo com a a faixa salarial. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 30/11/1999, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 03/12/1999. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, confoime fls. 754 a 807. Face a interposição de defesa o processo foi baixado em diligência, tendo a autoridade fiscal emitido informação, fiscal, às fls. 834 a 835. Rebatendo, que todas informações pertinentes ao processos encontrams-e devidamente esclarecidas, não apresentou a empresa os documentos que constestam a ajuda de custo especifica, foi respeitado o limite máximo do salário de contribuição exceto para o levantamento Richard hawes, as diversas rubricas contestadas são na verdade prêmios e portanto, possuem natureza salarial, não restou cobrado salário educação, foram emitidos 16 TIAD durante o procedimento, e em diligência recusou-se a empresa a assinar TIAD de requisição de novos documentos. Houve complemento da defesa fl. 839 - vol. 2, a 4789, vol. 11. Todos os documentos juntados foram objeto de análise pela fiscalização, confoline informação fiscal, fl. 4620/4626, vol. 11), da qual resultou na constatação de um único equivoco, qual seja valor de 13° salário lançado a maior por incorreção na folha do contribuinte na competência 12/1992; tal valor - Cr$ 54,00, contudo, dito valor não tem expressão monetária atualmente, portanto não alterou o valor lançado, fl. 4635/4638, vol. 11. A empresa protocolizou o segundo complemento de defesa, em 15/05/2000 , (fl. 4630/4650, vol. 11). 8 Processo n°44000.00060812004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.223 Foi exarada Decisão Notificação n.o 21.004/0200/200, de 02/10/2004 (1.4941/4972, vol. 13), que julgou procedente o lançamento, fazendo referência apenas a retificação proposta quanto ao 131 salário, mas que acabou, face o valor irrisório a não interferir no momento do débito. Não concordando com os termos da DN, a empresa interpôs recurso tempestivo (fl. 4978/5028, vol. 13) com juntada de documentos As fl. 5046, vol. 13 a 5518, vol. 14). Em síntese, a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente, erro material nos lançamento efetuados pela fiscalização, considerando por exemplo, as competências 01 a 03/1993. Nesse sentido, argumenta que está refazendo todos os cálculos até a compet. 09/1999, baseados nos mesmos critérios adotados pela fiscalização. 2. Parte do crédito encontra-se alcançado pela decadência qüinqüenal; 3. Nulidade da decisão de la instância, posto que segundo o recorrente a decisão recorrida demonstra a falta de critério e a imprecisão que orientam a ação fiscal. Nesse sentido, entendeu o recorrente que a detelminação velada parece ter sido: havendo dúvida quanto a natureza da verba, autue-se o contribuinte e deteiiiiine a ele que busque demonstrar a efetiva natureza da verba. 4. Nas condições em que foram pagos, os valores de: gratificações eventuais, premiações esporádicas, programas de participação nos resultados, vale transporte, programa de incentivo a demissão, pacotes de transferência, não possuem natureza salarial. 5. Assim, equivocada encontra-se a decisão, por considerar primeiramente que as exclusões previstas no § 9° do art. 28 da Lei 8212/91 são exaustivas, neste caso, a autoridade julgadora está negando a própria natureza do que venha a ser salário. 6. Com relação a diferença de aliquota SAT, segundo a fiscalização para o período de 11/91 e 09/94, a Impugnante deveria ter recolhido o SAT pela aliquota de 3%, correspondente ao risco grave, e não 2%, correspondente ao risco médio. Dita a fundamentação acerca do tema a Lei 8.212/91 e decreto 612/92. Segundo o recorrente poderia ter recolhido o SAT de forma individualizada, com a classificação por estabelecimento, mas recolheu pela aliquota de 2% para todos os estabelecimentos. E, considerando que a atividade preponderante da recorrente para alguns estabelecimentos é a administrativa, deveria ter utilizado a aliquota de 1%, possuindo na verdade um crédito contra o INSS. Assim, mesmo na possibilidade de haver estabelecimento sujeito à aliquota de 3%, no cômputo global o recorrente provavelmente recolheu valores superiores aos devidos. 7. Para o período entre 07/97 e 09/99 de acordo com a NFLD, o recorrente teria deixado de recolher em seu escritório central e em sua filial em Porto Alegre a diferença de 2% da contribuição ao SAT, já que nesse período, nessas unidades, a contribuição foi recolhida A aliquota de 1%, ao invés de 3%. 0 fato deve-se a que os estabelecimentos administrativos recolheram 1%, enquanto a fiscalização fundamentou-se na Orientação Normativa 02/97, que detei mina o enquadramento pela atividade preponderante, que corresponde àquela constante do cartão CGC. A referida Orientação Normativa extrapolou os limites da legislação previdencidria, porque limitou o conceito de atividade preponderante. Já o Decreto n. ° 2.173/97 não traz essa limitação. Assim, a Orientação Noimativa não pode fundamentar o lançamento. 8. JA para o período entre 04/99 e 09/99: a fiscalização pretende a cobrança dos adicionais de 4% e 8% nos períodos de 04/99 a 08/99 e 09/99 a 11/99, para o financiamento dos segurados sujeitos a aposentadorias especiais, na filial de Paulinia. Tal arbitrariedade se deve ao fato de a empresa não possuir laudo atualizado dos agentes nocivos, sendo que a fiscalização teria condições de identificar os funcionários sujeitos a esses agentes. A ausência do laudo :poderia no máximo ensejar multa por descumprimento de obrigação acessória e jamais, lançamento de credito previdenciário sobre a totalidade dos empregados, sendo que nos moldes como realizado o lançamento fere os princípios da referibilidade e da capacidade contributiva. 0 INSS está cobrando adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais sobre a remuneração de empregado que dela não se beneficiam, cite-se o gerente de recursos humanos. 0 lançamento não guarda pertinência entre a contribuição cobrada e o beneficio a ser prestado, sendo que a recorrente protesta por juntada posterior de laudo sobre os segurados sujeitos a agente nocivo. 9. Em seu recurso quanto aos levantamentos de DIFERENÇA 13° salário, diferença salário/auxilio estágio e Peter Neuschull, esclarece o recorrente que já em sede de impugnação reconheceu os levantamentos, frente a erros materiais de sua contabilidade, quanto ao regime de apuração das contribuições previdenciárias. 10. exceto ponto destaca o recorrente que o erro apontado pela fiscalização não existiu, servindo para ilustrar a vagueza e imprecisão com que o presente NFLD foi lavrada, impedindo o direito de defesa do recorrente. Para tanto em sua impugnação o recorrente demonstrou o erro cometido pela fiscalização, tendo o argumento sido acatado pela autoridade de la instÂncia no tópico 51, todavia absurdamente no tópico 66, indica a mesma autoridade que o erro não ocasionou nenhuma mudança. Embora, demonstre sua indiguinação o recorrente nada mais menciona acerca dos levantamentos, razão porque devam ser mantidos, face a não impugnação expressa por parte do recorrente. 11. Com relação ao mérito das rubricas incluídas pela fiscalização como salário de contribuição entende o recorrente estar correta a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Para o recorrente a maioria absoluta das rubricas constantes do lançamento não possui natureza salarial, conforme prevê os artigos 22, caput e I, e 28, caput e I, da Lei n.o 8.212/91; art. 457, caput e parágrafo 1° e 458 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. Fundamenta seus argumentos com 10 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.229 doutrina trabalhista sobre o conceito de remuneração. Discorre sobre o conceito de salário e salário indireto e pagamento em utilidades. Frisa que a caracterização ou não como salário indireto depende da análise das peculiaridades de cada situação. A mesma rubrica pode numa situação ser considerada como de natureza salarial e em outra não. Se ficar patente que determinada parcela é feita para o trabalho ou para facilitar a prestação do serviço, não terá índole remuneratória, correspondendo a despesa operacional da empresa, ficando fora da incidência das contribuições previdencidrias. 12. As exclusões previstas no art. 28, § 9° são meramente exemplificativas, estando totalmente equivocada a decisão notificação, que a atribuiu caráter exaustivo. 13. No caso a Ajuda de custo especifica não possui natureza salaria, por tratar-se de auxilio dado a funcionários transferidos de local de trabalho, de acordo com programas de transferência da recorrente. Os pagamentos eram feitos durante quatro anos, conforme consta do próprio relatório fiscal, dada a dificuldade de serem feitos uma única vez. Mas a forma como os pagamentos são feitos não é suficiente para desqualificar a verdadeira natureza jurídica de despesa com transferência, de cunho indenizatório, de acordo com o artigo 469 da CLT. Destaca, ainda que somente a Lei n.o 9.259, de 10/12/97, veio a exigir que a ajuda de custo a que se refere o artigo 470 da CLT fosse realizada de uma única vez, disposição que não está de acordo com todo o sistema trabalhista e que não pode por si só alterar a natureza jurídica de verbas indiscutivelmente não salariais. As verbas pagas pela recorrente aos seus funcionários transferidos enquadram-se nos parâmetros estabelecidos pela CLT, mesmo não tendo sido pagas de uma s6 vez. Nem a fiscalização põe em dúvida o fato das transferências terem ocorrido, confoime documentação anexa. Tais verbas não têm caráter de remuneração, pois revertem 6. empresa; são gastos para o trabalho, e não pelo trabalho. Cita o artigo 245 do Decreto n.o 3.048/99, que reconhece situações em que os gastos efetuados pela empresa não constituem salário. 14. Quanto a indenizacdo de vale transporte/adiantamento de despesas: trata-se de quantias pagas aos empregados a titulo de vale transporte, para custear o transporte de casa ao trabalho e vice-versa. Lik época, não tendo ainda aderido ao programa oficial de vale transporte, a recorrente efetuava o pagamento através de folha de pagamento, sob a rubrica vale transporte, que passou a chamar-se adiantamento de despesas. Ainda que concedido fora dos padrões normais, como apontou a fiscalização em seu relatório, o vale transporte não tem natureza salarial, sendo que o que define a natureza da verba não é a sua concessão ou não nos moldes em que estabelecidos por um programa oficial, sendo o pagamento de transporte aos empregados um beneficio de caráter social, concedido por liberalidade do empregador. 15. Todos as rubricas descritas abaixo possuem nítida natureza ou de gratificação paga com eventualidade ou de prêmios concedidos esporadicamente através da comprovação de determinados requisitos, o que as excluem da base de cálculo de contribuições previdencidrias, sendo vejamos: a. Verba especial: corresponde a 1% da folha de pagamento anual e destina-se ao pagamento de prêmios As pessoas que conseguem alcançar performances profissionais excepcionais. b. Gratificagao de transferência: está incluída no denominado pacote de transferência, paga aos funcionários removidos para lugares distantes dos locais onde estavam lotados, não possuindo, portanto natureza salarial. c. Gratificagao de transferência com prazo determinado: idêntica à gratificação de transferência, com a especificidade do prazo determinado da transferência. d. Gratificaçâo secondee: paga aos expatriados, também incluída no pacote de transferência. e. Gratificagao para os funcionários que trabalham no Mato Grosso: também incluída no pacote de transferência, paga As pessoas removidas para o Estado do Mato Grosso. f. Bônus política de mérito: premiação dada aos funcionários que alcançavam grau de eficiência extraordinário em circunstancias especificas. g. Concurso deslocando a concorrência: prêmio conferido àqueles que conseguissem para a recorrente aumento da produtividade com ganho de espaço em relação concorrência. h. Bônus gerencial: prêmio conferido aos gerentes pela produtividade, quando evidenciada nos resultados da empresa. i. Gratifica çao reconhecimento performance: premiação aos funcionários que alcançavam grau de eficiência notável. Gratificação PAR: numerário atribuído aos gerentes para que esses bonificassem seus funcionários mais eficientes. k. Prêmio "Can do": premiação destinada A. area de vendas aos vinculados ao projeto, recompensando desempenho excepcional. 1. Reconhecimento/estimulo: bonificação destinada aos funcionários que alcançavam destaque em relação ao conjunto. 12 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.230 m. Campo demonstração VANOX ICl/ISK: prêmios atribuidos aos vendedores de uma empresa incorporada ao grupo pela eficiência no processo de transição. n. Prémio ZenecaASK: premio aos vendedores com alto nível de eficiência comprovada. o. Bônus promo cão: gratificação concedida ao funcionário promovido da função. Gratificação FANG — gratificação paga na rescisão contratual a titulo de férias não gozadas. Gratificação quitação — gratificação paga a titulo de indenização quando da rescisão contratual. r. Gratificação quitação complementar. idem ao anterior, paga alguns dias após a rescisão do contrato e trabalho. s. Gratificação 250/gratificação bruta/gratificação eventual/bônus mérito/ extraordinário: premiação a funcionários com desempenho excepcional. t. Adiantamento extra: adiantamento posterion -nente abatido do montante fixado em dissídio coletivo. u. Diferenças não identificadas: decorre de diferenças apontadas pela fiscalização das bases de cálculo entre as folhas de pagamento e as GRPS, parcela contestada no item 111.4 da peça de impugnação (item 9 desta Decisão). v. Ajuda de custo até 5O%: integra o pacote de transferência. w. Ajuda de custo transferência de local: compõe as verbas do pacote de transferência. x. Gratifica cão aposentadoria: incentivo dado pela empresa aos funcionários.;." que optam por solicitar a aposentadoria quando já têm as condições. 16. Assim são todas rubricas descritas e pagas pelo recorrente tem natureza jurídica de gratificação eventual ou prêmio esporádico. Conforme preceitua o artigo 201, parágrafo 4°, da Constituição Federal, na redação anterior a Emenda Constitucional n.° 20, a Constituição estabelece com clareza que os ganhos eventuais não integram o salário de contribuição, sendo habitualidade o requisito indispensável para que se atribua natureza salarial a qualquer verba. 17. Quanto a verba Bônus redundância, trata-se do pagamento de um determinado valor por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, com caráter indenizat6rio pela perda do emprego em decorrência de reestruturação da recorrente. Assim, sua natureza se coaduna com P. q. verba de natureza indenizatória, razão porque não constitui salário de contribuição. 18. Quanto ao Acordo coletivo TRT/94 e Gratificação estendendo acordo coletivo Jacarei/Porto Alegre, e participação nos resultados — PPR para outra unidades, trata-se primeiramente de beneficios concedidos mediante acordo coletivo. Os funcionários de uma determinada filial fizeram jus ao pagamento de uma parcela fixa de PPR (participação nos resultados), e a recorrente estendeu esse beneficio a todos os empregados das outras unidades. E um bônus de caráter eventual, sem natureza salarial, razão porque não constitui salário de contribuição. 19. NO que pertine a remuneração de Diretor Empregado trata-se das verbas recebidas pelo diretores Peter Ahlgrimm e Eduardo Gomes Guimarães. A alegação da fiscalização é de que, com a transformação da empresa de sociedade anônima em sociedade por quotas de responsabilidade limitada, os referidos diretores passaram da categoria de diretores estatutários para a de diretores empregados, sem que houvesse o devido recolhimento previdencidrio. Na verdade, não foi considerada a natureza da atividade desenvolvida pelos citados diretores, que em nada mudou com a alteração societária, suas atribuições continuaram as mesmas, como gerentes, e não lid como cogitar-se de aplicação de regime jurídico diverso. 20. Quanto aos pagamentos feitos ao Sr. Richard Hawes: trata-se de remunerações pagas ao diretor cujo nome consta na folha de pagamentos dos diretores sem a respectiva eleição para o cargo nas atas das assembléias e sem registro na ficha de registro de empregados. 0 nome do Sr. Richard consta como diretor na ata de assembléia de uma outra empresa do mesmo grupo econômico, conforme documentação anexa. Na existência de débitos trabalhistas, o segurado empregado pode acionar qualquer uma das empresas do grupo econômica pelo pagamento das dividas de uma outra empresa do mesmo grupo. Pela isonomia, deve ser reconhecida a regularidade dos pagamentos feitos. 21 Necessária, ainda a exclusão da parcela correspondente A. multa no período anterior à incorporação da empresa: a Impugnante surgiu a partir da incorporação da sociedade Zeneca Brasil S/A pela sociedade Zeneca Brasil Ltda. Ressalte-se que a recorrente foi autuada na qualidade de sucessora da sociedade, em relação aos fatos geradores anteriores a 1995, em desacordo com a legislação fiscal e a jurisprudência pacifica dos principais tribunais. Com a incorporação, ocorreu o fenômeno da sucessão, previsto no artigo 132 do Código Tributário Nacional. Esse artigo prevê que a pessoa jurídica sucessora de outra é responsável apenas pelos tributos devidos até a data da incorporação, entendendo-se tributos no exato significado que lhe dá o artigo 3° do CTN, que transcreve. Assim, ao considerar que tributo é diferente de multa, então é inquestionável que a recorrente não pode responder pela multa imputada a sociedade incorporada, pois sua responsabilidade cinge-se exclusivamente aos tributos devidos. 14 Processo n°44000.000608/2004-41 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.231 22. Com a edição da Lei 9528/97 as multas aplicadas As hipóteses de lançamento de oficio foram sensivelmente reduzidas, razão porque aplicável a retroatividade das multas menos severas, prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional. 23. Inaplicável a cobranca da TR no período entre 01/90 e 11/91, fundamento da cobrança da TR é a Lei n.o 8.218/91, que jamais poderia ter retroagido para alcançar fatos geradores ocorridos antes de sua vigência. 24. Inaplicável ainda a taxa SELIC 25. Ante o exposto, requer: a. Nulidade da decisão Notificação, em razão de todos os vícios insanáveis, conforme demonstrado no recurso. b. Não sendo este o entendimento requer seja julgada procedente o recurso, para que se determine a improcedência da NFLD. c. Ou em sendo mantida a NFLD seja: realizado novo cálculo face o manifesto excesso na autuação. d. Seja acatada a decadência parcial. e. Sejam canceladas as multas relativas a fatos geradores ocorridos anteriormente a data da incorporação que deu origem A. sociedade Impugnante; f. Sejam revistos os percentuais das multas, superiores àqueles atualmente aplicáveis; g. A TR não poderia ter sido aplicada para calculo dos juros de mora no período entre 03/89 a 11/91, bem como a SELIC para o período posterior. 0 processo foi baixado em diligência para apreciação dos novos documentos apresentados. A fiscalização examinou os novos documentos e manifestou-se pela inabilidade dos mesmos para ilidir o lançamento (fl. 5521/5523, vol. 14). Antes de promover o julgamento, a 4' CAJ do CRPS converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização se manifestasse sobre a alegação da empresa a respeito das verbas pagas a titulo de férias indenizadas e incentivo A. demissão (fI. 5540, vol. 14), Ressalte-se que não consta nos autos levantamento acerca deste tipo de fato gerador. Apesar de não constar nenhuma referência no lançamento sobre verbas pagas a titulo de férias e incentivo A. demissão, os autos foram devolvidos à fiscalização que se pronunciou pela impertinência das alegações de que o lançamento incluiria tais verbas (fl. 5541, vol. 14). A empresa protocolizou no CRPS aditamento de recurso à NFLD 35.040.136-5, processo distinto deste. (fl. 5544/6062, vol. 14). Mesmo considerando o equivoco 2a CAJ do CRPS, através da Decisão n.° 000836, de 26/09/2003, solicitou à Autarquia o pronunciamento sobre a documentação juntada (fl. 6171/6175 vol. 15); A fiscalização manifestou-se, as fl. 6181, vol. 15, pela impertinência da documentação juntada ao lançamento. A 2a CAJ do CRPS, através da Decisão n.o 0000281, de 23/08/2004, converteu o julgamento em diligência para que o recorrente seja regularmente intimado do pronunciamento da fi. 6181 para, querendo, se manifestar a seu respeito. Manifestou-se a DRFB, argumentando:que de acordo com as normas que regem o contencioso administrativo no âmbito do INSS e do CRPS, não há previsão de juntada imotivada de documentos, nem para reabertura de prazos sem que haja agravamento ou prejuízo ao contribuinte. Ao contrario, conforme o Parágrafo Único do art. 37 do Regimento Interno do CRPS, é ao INSS que deve ser dada ciência e vistas para manifestação, em caso de juntada justificada e aprovada de documentos em fase de recurso. A empresa, além da impugnação e do recurso de direito, fez juntada de documentos em pelo menos três momentos: dois complementos de defesa e um aditamento de recurso. Consta ainda o despacho de fl. 5540, vol. 14, onde se relata manifestação da empresa que não está documentada nos autos. Nenhum dos documentos juntados em pelo menos cinco ocasiões - defesa, dois complementos de defesa, recurso, aditamento de recurso - deu causa à retificação do lançamento. Enfatiza a autoridade julgadora de a instancia que considerando ainda que se trata de lançamento no valor atualizado de R$ 13.803.981,70, recebido pelo CRPS para julgamento em 02/02/2001. Considerando que o julgamento pelo CRPS já foi convertido em diligência por quatro vezes: 1. Em 30/05/2001 (fl. 5540, vol. 14), para que a fiscalização se manifestasse sobre a alegação da empresa a respeito das verbas pagas a titulo de férias indenizadas e incentivo à demissão, apesar de em nenhum lugar nos autos tais verbas terem sido mencionadas, quer pela fiscalização quer pela empresa; 2. Em 37/08/2003, para comprovação pela empresa de que ainda era amparada por decisão judicial que a exime do deposito recursal. Não ha comprovação nos autos de que tenham eles sido devolvidos ao INSS para dar ciência à empresa da exigência. Constam documentos de if 6063/6170 e duas folhas não numeradas entre as 6170 e 6171, vol. 15, sem o devido despacho de juntada pelo servidor que a promoveu. 3. Em 26/09/2003 (fl. 6171/6175, vol. 15), para que a Autarquia se pronunciasse sobre a documentação juntada as H. 5677/6062, vol. 14, relativa ao aditamento de recurso à NFLD 35.040.136-5. 4. Em 23/08/2004, para que fosse intimado o contribuinte da informação de if 6181, vol. 15, com abertura de oportunidade de manifestação de sua parte. 5. Considerando que os autos estão prontos para julgamento desde fevereiro de 2001; 16 Processo n° 44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.232 6. Considerando portanto que as sucessivas juntadas de documentos impertinentes e conversões em diligência representam protelação do julgamento, com prejuízo ao INSS e também ao contribuinte, porque sobre o valor devido são, mês a mês, acrescidos juros e multa; 7. Considerando que não há necessidade de infounar ao contribuinte que os documentos juntados as if 5544/6062, vol. 14, não guardam relação com o presente lançamento porque a empresa já sabe disso, tanto que faz referência a NFLD aos quais eles pertencem; 8. Considerando que não existe preterição do direito de defesa, já que constam desde o relatório fiscal todas as informações necessárias para a plena compreensão do lançamento, sendo todos os argumentos e documentos juntados em pelo menos cinco ocasiões diferentes impertinentes ao lançamento; 9. Considerando que abertura de novo prazo ao contribuinte não encontra amparo nas normas que regem o contencioso, conforme já exposto acima; 10. Considerando que o único efeito prático de abertura de prazo para manifestação do contribuinte é permitir-lhe uma sexta juntada de documentos impertinentes aos autos, com nova determinação de diligência pelo CRPS, com nova reabertura de prazo para manifestação etc; 11. Considerando que dessa forma se realimenta o ciclo protelatório ao qual a Decisão da 2a CAJ dá continuidade quando determina - sem previsão legal ou normativa, reafirme-se o procedimento de dar ciência ao contribuinte de cada manifestação da fiscalização pela não alteração do lançamento; Ao Serviço de Protocolo desta Gerência para encaminhamento à Segunda Camara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. 0 recorrente solicitou a retirada de pauta do documento para saneamento do feito, tendo em vista a constatação de juntada equivocada de outra NFLD, fls. 6198. Informa a Secretaria que procedeu ao translado dos documentos anexados equivocadamente, fls. 6199. 0 presidente da Sexta Camara, determinou o retorno dos autos a SRP, para que se cumpra a o que foi determinado na decisão do CRPS, fls. 6200. Manifestou o recorrente no seguinte sentido, fsl. 6215 a 6220 de desmonstrar sua irresignação pela demora em proceder ao julgamento do recurso, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 30/11/1990 com fatos geradores compreendidos no período de 01/1990 a 09/1999. Uma das determinações emanadas do CRPS, foi a ciência do recorrente de infolinação fiscal em 08/2004, fato esse só consumado em 15 de outubro de 2008, mais de 4 anos aposa sessão de julgamento ter ocorrido. Tais fatos demonstram a flagrante violação dos princípios da celeridade processual e da razoável duração do processo. Quanto ao teor da intimação, fls. 6180, o recorrente não diverge do posicionamento da fiscalização, proferido em 02/2004. Reitera de forma sintética os pontos do recurso, quais sejam: decadência; erro material relativo ao valor autuado; descaracterização das verbas de gratificação e prêmios como integrantes do salário de contribuição; não tributação dos diretores Peter e Eduardo Gomes; A atividade prponderante deve ser considerada em casa estabelecimento da empresa; impossibilidade de o recorrente responder pelas multas impostas enquanto sucessora. Requer, por fim, sejam considerados todos os argumentos descritos na peça recurs ai. É o relatório. 18 Processo n°44000.00060812004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.233 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, confomie informação à fl. 5519. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO O primeiro ponto a ser apreciado em sede de preliminar diz respeito ao argumento de que parte dos créditos encontram-se alcançados pela decadência qüinqüenal. Nesse sentido, entendo que razão assiste em parte ao recorrente. Com relação a aplicação da decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, send() vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Scio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 0 texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa fauna, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar sumula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdencidria constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdencidrias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Sec -do no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.° DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FA' TICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fcitico probatório dos autos, insindiccivel ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de matéria fcitico-probatória, providencia inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.° 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de calculo o valor dado a causa ou a condenação, nos termos do artigo 20, § 40, do CPC 20 Processo n°44000.000608/2004-41 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.234 (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias -da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Sumula 389/STF).8. 0 Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II- da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data ern que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (it) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bent como inexistindo notificaçii o de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, sç 40, e 173, do CT1V, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos ern que in existe dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), 144 omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que in ocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CT1V), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial quinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, • in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CT1V, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevéin decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da vercação de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a 22 Processo n°44000.000608/2004-41 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.235 lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributciveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificaça o de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdencidrias após a publicação da Sumula vinculante n° 8 do STF: Confoime descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se da com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele ern que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificaçã o, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido ern fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4 0, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo h. homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. ,§' 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores ci homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do crN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdencidrias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4 0, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4 0. Assim, no lançamento em questão deve-se adotar a decadência prescrita pelo art. 150, 4° do CTN para os seguintes levantamentos: 24 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.236 DAS — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0012-42 — (PORTO ALEGRE - PERÍODO DE 11/1991 ATE 09/1994. DSF — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0013-23 — (FARRAPOS) — PERÍODO DE 07/1997 A 09/1999. DSI — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0011-61 — (JACAREI) — PERÍODO DE 11/1991 A 08/1994. DSJ — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0001-90 — (JAÇANA) — PERÍODO DE 11/1991 A 01/1994. DSP — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0010-80 — (PAULtNIA) —PERÍODO DE 01/1991 A 08/1994 E 04/1999 A 09/1999. DSR — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0018-38 — (RECIFE) — PERÍODO DE 11/1991 A 09/1994. DSU — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0014-04 — (PAULÍNIA II) — PERÍODO DE 11/1991 A 08/1994. DSV — DIFERENÇA DE SAT — FILIAL 60.744.463/0001-90 — (VERBO DIVINO) — PERÍODO DE 07/1997 A 09/1999. No caso, trata-se de diferença de enquadramento de aliquota SAT descrita is lis. 350 do Relatório fiscal, assim, considerando que a lavratura da NFLD deu- se em 30/11/1999, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/12/1999. Os fatos geradores referentes as diferenças de SAT ocorreram entre as competências 11/1991 a 09/1999, sendo assim, consubstanciado no art. 150, § 4 0 do CTN devem ser excluídas as competências até 11/1994. Quanto ao levantamento que descrevem diferenças entre os valores dos salários de contribuição apurados em FOPAG e os descritos na GRPS outro não pode ser o racioncinio, senão a apreciação da decadência a luz do art. 150, § 4 0 do CTN, fundamentando nos mesmos argumentos descritos para aliquota SAT. Assim, devem ser apreciados a luz desse entendimento os seguintes levantamentos: F01 — FOLHA DE PAGAMENTO E.CENTRAL — FILIAL 60.744.463/0001-90 — PERÍODO DE 01/1990 A 09/1995. — F10 — FOLHA DE PAGAMENTO PAULINIA — FILIAL 60.744.463/0010- 80 — PERÍODO DE 01/1990 A 09/1995 Fll — FOLHA DE PAGAMENTO JACAREI — FILIAL 60.744.463/0011-61 — PERÍODO DE 01/1990 A 09/1995. F12 — FOLHA DE PAGAMENTO PORTO ALEGRE — FILIAL 60.744.463/0012-42 — PERÍODO DE 01/1990 A 09/1995. F13 — FOLHA DE PAGAMENTO FARRAPOS— FILIAL 60.744.463/0013- 23 — PERÍODO DE 01/1992 A 09/1995. F14 — FOLHA DE PAGAMENTO PAULÍNIA II — FILIAL 60.744.463/0014-04 — PERÍODO DE 03/1990 A 12/1994. F16 — FOLHA DE PAGAMENTO RIO DE JANEIRO — FILIAL 60.744.463/0016-76 — PERÍODO DE 01/1990 A 12/1994. F18 — FOLHA DE PAGAMENTO RECIFE —FILIAL 60.744.463/0018-38 -- PERÍODO DE 01/1990 A 08/1995. F21 — FOLHA DE PAGAMENTO BELO HORIZONTE — FILIAL 60.744.463/0021-33 — PERÍODO DE 01/1990 A 12/1994. FFL — FOLHA DE PAGAMENTO FARIA LIMA— FILIAL 60.744.463/0001-90 — COMPETÊNCIA 02/1990, 03/1990, 08/1990 A 02/1991, 07/1991 A 10/1991. FJA — FOLHA DE PAGAMENTO JAÇANA — FILIAL 60.744.463/0001-90 —PERÍODO DE 01/1990 A 12/1993 FRC — FOLHA DE PAGAMENTO RIO CLARO — FILIAL 60.744.463/0001-90,PERÍODO DE 01/1990 A 08/1990. J92 — DIFERENÇA DE SEGURADO JAN 92 CGC 61 — PERÍODO DE 01/1992 PARA DISVERSOS ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Novamente, trata-se de diferença de contribuições descritas no próprio relatório fiscal, fls. 349 do Relatório fiscal, assim, considerando que a lavratura da NFLD deu-se em 30/11/1999, tendo a cientiflcação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/12/1999. Os fatos geradores referentes as diferenças de folha ocorreram entre as competências 01/1990 a 08/1995, dependendo do levantamento, sendo assim, consubstanciado no art. 150, § 4° do CTN devem ser excluídas as competências até 11/1994. JA para os levantamentos: PAGAMENTO A PETER NEUSCHULL — FILIAL 60.744.463/0001-90 — PERÍODO DE 05/1991 A 0711993; e FRH — FP RICHARD HANES — PERÍODO DE 09/1991 A 09/1995, entendo que não é aplicável a tese descrita acima, devendo ser adotada a decadência qüinqüenal a luz do que dispõe o art. 173 do CTN, sendo vejamos. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdencidrias, para aplicação do art. 150, §4° do C'TN, é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM 0 PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAOES ETC), ou mesmo não reconhecimento como tributáveis de pagamentos feitos a diretores. Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. 26 Processo n°44000.000608/2004-41 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.237 Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não e algo que se possa deteiiiiinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que s6 se antecipa, aquilo que se considera. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o 6, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdencidrias, bem como a natureza da relação laboral. Não há como engajar-se em tal raciocínio em relação As contribuições previdencidrias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que e devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § 40 do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. Face o exposto, considerando o não reconhecimentos dos valores como salário de contribuição, não tendo como considerar a antecipação de pagamento, entendo aplicável a tese do art. 73 do CTN. No caso, considerando que a lavratura da NFLD deu- se em 30/11/1999, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/12/1999. Os fatos geradores referentes as levantamentos FPN e FPH ocorreram entre as competências 05/1991 a 05/1995, dependendo do levantamento, sendo assim, devem ser excluídas as competências ate 11/1993. Quanto aos demais levantamentos observa-se que os períodos Ili dispostos não estão abarcados por qualquer das teses para que se declare a decadência razão porque dispensável manifestação a respeito. Nessa situação encontra-se as rubricas abaixo descritas: FP1 — RUBRICAS DE F.PAGTO MATRIZ — FILIAL 60.744.463/0001- 90,PERÍODO DE 10/1995 A 09/1999. FP2 — RUBRICAS DE F.PAGTO RIO DE JANEIRO — FILIAL 60.744.463/0016-76,PERiODO DE 07/1996. FP3 — RUBRICAS DE F.PAGTO PAULINIA — FILIAL 60.744.463/0010- 80,PERÍODO DE 02/1996 A 07/1996, 07/1997 A 05/1999. FP4 — RUBRICAS DE F.PAGTO PORTO ALEGRE — FILIAL 60.744.463/0012-42,PERÍODO DE 06/1996. FP5 — RUBRICAS DE F.PAGTO JACAREI — FILIAL 60.744.463/0011- 61,PERIODO DE 10/1995 A 07/1996. FP6 — RUBRICAS DE F.PAGTO RECIFE — FILIAL 60.744.463/0018- 38,PERÍODO DE 11/1995 A 04/1996. FP7 — RUBRICAS DE F.PAGTO FARRAPOS — FILIAL 60.744.463/0013- 23,PERIODO DE 10/1995 A 01/1997, 02/1998 A 07/1998. FP8 — RUBRICAS DE F.PAGTO CRAVINHOS — FILIAL 60.744.463/0009-47,PERÍODO DE 01/1995 A 06/1996. Outra preliminar que entendo deva ser apreciada diz respeito a NULIDADE DA DECISÃO DE la INSTfiNCIA. Segundo o recorrente a decisão recorrida demonstra a falta de critério e a imprecisão que orientam a ação fiscal. Nesse sentido, entendeu o recorrente que a determinação velada parece ter sido: havendo dúvida quanto a natureza da verba, autue-se o contribuinte e determine a ele que busque demonstrar a efetiva natureza da verba. Nas condições em que foram pagos, os valores de: gratificações eventuais, premiações esporádicas, programas de participação nos resultados, vale transporte, programa de incentivo a demissão, pacotes de transferência, não possuem natureza salarial. Assim, equivocada encontra-se a decisão, por considerar primeiramente que as exclusões previstas no § 9° do art. 28 da Lei 8212/91 são exaustivas, neste caso, a autoridade julgadora está negando a própria natureza do que venha a ser salário. Contudo, considerando a tese argumentativa apresentada pelo recorrente para nulidade da decisão, entendo que razão não lhe assiste. Entendo que ao contrário do que tentou demonstrar o recorrente a decisão notificação em momento algum foi genérica, deixando de apreciar seus argumentos. Pelo contrário ás fls. 4956 a 4964, buscou a autoridade julgadora rubrica a rubrica demonstrar a natureza de cada pagamento realizado, contudo, observa-se que, para o recorrente, muitos dos pagamentos, por si só não possuem natureza salarial, estando errada a interpretação adotada pela autoridade julgadora para manutenção do crédito. Nesse ponto, não encontro qualquer nulidade na decisão notificação prolatada. Quanto ao mérito da natureza salarial, abordaremos o assunto nas razões de mérito. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Para melhor elucidação dos pontos apreciados no recurso, esse voto será separado por levantamento, sendo em para cada um dos levantamento serão rebatidos os pontos do recurso, com a fundamentação legal para procedência ou improcedência do lançamento. DIFERENCA DE ALiOUOTA SAT 28 Processo n° 44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.233 Quanto ao reenquadramento da aliquota SAT, promovida pela autoridade fiscal, em diversas das filiais da empresa ao longo do período objeto de fiscalização, entendo que razão não assiste ao recorrente. Três são os pontos argüidos pelo recorrente acerca desta questão: Em primeiro lugar, com relação a possibilidade de enquadramento por estabelecimento, sendo que a fiscalização reenquadrou para o gran de risco 3%, desconsiderando que em alguns estabelecimento o recorrente recolhia a maior, portanto cabível compensação, deixo de apreciar a questão. Conforme apreciado em sede de preliminar, parte dos levantamentos referentes a diferenças de SAT encontram-se decadentes, mais precisamente até a competência 11/1994, ou seja, toda a matéria objeto de recurso neste ponto foi alcançada pela decadência, razão porque não hi o que ser apreciado. Com relação ao período de 07/97 e 09/99 de acordo com a NFLD, o recorrente teria deixado de recolher em seu escritório central e em sua filial em Porto Alegre a diferença de 2% da contribuição ao SAT, já que nesse período, nessas unidades, a contribuição foi recolhida à aliquota de 1%, ao invés de 3%. Os argumentos apresentados fundams-e na impossibilidade de consubstancia o crédito em Orientação normativa, visto que o decreto vigente, qual seja 2.173, permitia dito enquadramento, não lhe confiro razão. A exigência da contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho — RAT (antigo SAT) é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: • - para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde a aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso.. I - um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II - dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III - três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1° As aliquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2° 0 acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito as condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3° Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (grifos nossos) § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5° 0 enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto- enquadramento em qualquer tempo. § 6° Verificado erro no auto-enquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias a sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo a notificação dos valores devidos. (grifos nossos) § 7° 0 disposto neste artigo não se aplica ci pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9°. § 8' Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique a produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero virgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. 30 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.239 § 9 0 (Revogado pelo Decreto n°3.265, de 29/11/99) § 10. Sera devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729/2003) § 11. Set-6 devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) No mesmo sentido dispunha o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 2.173/1997, art. 26, § 3 0, o enquadramento no grau de risco é realizado mensalmente, nestas palavras: § 3° 0 enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS rever o auto- enquadramento em qualquer tempo. O próprio recorrente em seu recurso fls. 5020, descreve o enquadramento previsto no decreto 2173/97: "0 Decreto 2173/97 considera atividade preponderante aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados, não limitando em nenhum momento o conceito de atividade preponderante , como fez a Orientação Normativa, ao número constante no CGC da empresa.". Ou sei a, delimita-se atividade preponderante pelo maior n° de empregados que na empresa (não estabelecimento, como descrevia o Decreto anterior). Assim, entendo acertada a cobrança da diferença de contribuições. NO caso, o Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", deve-se afastar a argüição de contrariedade ao principio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446-SC, cujo relator foi o MM. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDEIVTE DO TRABALHO - SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3° E 4'; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 31 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4 0; ART. 154, II; ART. 5°, II; ART. 150, I. I. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4 0, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. - 0 art. 30, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que 6 art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. - As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, IL definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. 0 fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C. F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. - Recurso extraordinário não conhecido." Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. 0 Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Com relação ao período de 04/1999 a 09/1999, em que foram realizados lançamentos de contribuição à titulo de contribuição adicional, face a exposição a agentes nocivos que sujeitam o empregado a aposentadoria especial, observa-se que o lançamento foi realizado sobre a totalidade dos empregados, tendo em vista não ter o recorrente apresentado, mesmo devidamente intimado, laudo técnico da época dos lançamentos, que demonstrassem quais os segurados expostos aos agentes nocivos. Assim, ao não apresentar os documentos durante o procedimento fiscal, inverteu-se o ônus da prova, não tendo o recorrente conseguido demonstrar nem a nulidade do lançamento, nem tampouco conseguiu o recorrente provar, quais os empregados a época do lançamento, encontravam-se expostos. NO caso, deve persistir o lançamento neste ponto. DIFERENÇAS DE FOLHA DE PAGAMENTO Quanto a este ponto, destaca-se que a grande parte dos créditos apurados restaram excluídos pela aplicação da decadência qüinqüenal, so permanecendo os levantamentos: F01 , F10, F11, F12, F13 , F14, F16 , F18, F21, para o período compreendido entre as competências 12/1994, inclusive 13° salário e 09/1995. Com relação a estes levantamentos reconheceu o recorrente, ainda ern sede de impugnação que diversas das diferenças, foram reconhecidos, face a erros materiais no regime de apuração, são elas: (diferenças d e13° salário, diferença salário/auxílio estágio, 32 Processo n°44000.000608/2004-41 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.240 diferenças de base de cálculo e pagamentos a Peter Neuschull. Sendo assim ,neste ponto, não há o que ser apreciado. Contudo, ainda com relação a estes levantamentos destaca o recorrente que o erro apontado pela fiscalização não existiu, servindo para ilustrar a vagueza e imprecisão corn que o presente NFLD foi lavrada, impedindo o direito de defesa do recorrente. Para tanto em sua impugnação o recorrente demonstrou o erro cometido pela fiscalização, tendo o argumento sido acatado pela autoridade de la instAncia no tópico 51 (competência 12/1992), todavia absurdamente no tópico 66, indica a mesma autoridade que o erro não ocasionou nenhuma mudança. Embora, demonstre sua indignação o recorrente nada mais menciona acerca dos levantamentos, razão porque devam ser mantidos, face a não impugnação expressa por parte do recorrente. Com relação a competência 12/1992, item 66 do relatório não o que ser discutido, visto ter sido excluídos os lançamentos pela decadência qüinqüenal. RUBRICAS DE FOLHAS DE PAGAMENTOS NÃO RECONHECIDAS Para que possamos fundamentar a procedência ou não de cobrança de contribuições sobre diversos pagamentos feitos aos segurados empregados apuradas em folha de pagamento, necessária a apreciação quanto a natureza dos pagamentos, fazendo paralelo entre a legislação trabalhista e previdencidria, quanto ao conceito de remuneração e salário de contribuição. De acordo corn o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário -de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo a disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) sabido que existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9° da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (..) ,¢ 9° Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n" 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a titulo de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente a dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de I a 5 acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei n°9.711, de 20/11/98) I. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas a indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS; 3. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 14 da Lei n°5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a titulo de incentivo a demissão; 6. recebidas a titulo de abono de ferias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a titulo de licença-premio indenizada; 9. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 9° da Lei n° 7.238, de 29 de outubro de 1984; j) a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; 34 Processo n° 44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6,241 1) a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica; 1) o abono do Programa de Integração Social-PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público-PASEP; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a titulo de complementa0 o ao valor do auxilio-doença, desde que este direito seja extensivo a totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas a assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei n° 4.870, de I° de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível a totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo a assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) 35 N■4\-j'A t) o valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados as atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a titulo de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente ate quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8° do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) Pelo que se depreende do recurso interposto, o contribuinte alega que as parcelas enumeras no art. 28, §O são meramente exemplificativas,o o que não posso concordar, visto que se o objetivo do legislador, não fossem restringir os pagamentos que estariam excluídos da base de cálculo das contribuições previdencidrias, não teria porque de forma tão detalhada cada um dos pagamentos, como é o caso dos abonos previstos em lei. Entendo que o conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1° Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. § 2" Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3° Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer titulo, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum sera permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. 36 44) Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.242 AJUDA DE CUSTO Com relação ao ponto em destaque razão não confiro ao recorrente para excluir da base de cálculo de contribuições os valores pagos a Titulo de ajuda de custo, tendo em vista, ate mesmo pelos argumentos descritos pelo recorrente, que não se trata de valor pago uma única vez, mas pagamento feito por 4 anos seguidos em função da transferência do empregado, sendo que a legislação previdência, é clara em dizer, que ajuda de custo, paga uma única vez é que não constitui salário de contribuição. Contudo, o argumento do recorrente é que a mudança na legislação, exigindo o pagamento de ajuda de custo em uma única parcela é posterior aos fatos geradores, razão porque não é aplicável. Entendo, que a legislação ao definir o pagamento em uma única vez, veio apenas para evitar conflitos de entendimento, quanto a natureza do pagamento da ajuda de custo. Entendo, com respaldo na legislação aplicável à definição de ajuda de custo, qual seja a legislação trabalhista, que a natureza dessa tipo de pagamento é indenizatória, a medida que, cumprindo seus preceitos essenciais, quais sejam, pagamentos das despesas inerentes a transferência do trabalhador de uma unidade para outra (assim como descrito no art. 470 da CLT). Contudo, não deve constituir um pagamento continuo, conforme o que se observou nos pagamentos realizados pela empresa notificada, pois perde a sua natureza principal, qual seja, "pagamento resultante da transferência", passando a constituir uma mera ajuda financeira para o empregado, como por exemplo ajuda aluguel, o que apenas reforça a sua natureza salarial. Para corroborar dito posicionamento, transcrevo o entendimento de doutrinadores que melhor explicitam o conceito de ajuda de custo: Para Arnaldo Sussekind, em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, Ed. LTr escrito em co-outoria com outros escritores renomados, assim expõe: Ajuda de Custo. Tal como as diárias de viagem, também as ajudas de custo constituem indenização e não salário. Relamente, elas se destinam a indenizar as despesas do empregado, oriundas da sua transferência para local diverso daquele em que tem domicilio. Distinguem-se das diárias de viagem, porque estas, como assinalamos acima, são pagas continuamente durante o deslocamento transitório do empregado, enquanto as ajudas de custo correspondem a um único pagamento, para atender as despesas resultantes da transferência do empregado, a que alude o caput do art. 470 da Consolidação. Para os autores Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Calvalcante, em sua obra Direito do Trabalho, Ed. Lumen Júris, assim se define ajuda de custo: Ajuda de Custo é a indenização das despesas feitas pelo empregado feitas pelo empregado com a sua transferência para local diverso daquele em que esta domiciliado, onde passará exercer seu trabalho para a empresa empregadora. A diferença entre ajuda de custo e a diária é que a segunda é para os deslocamentos do empregado a trabalho em viagens, o que não ocorre com a primeira, a qual representa a indenização pela mudança de local de trabalho. Por outro lado, o pagamento das diárias é habitual, enquanto a ajuda de custo é eventual ou originário de um único pagamento. Assim, ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente em seu recurso, não se trata apenas do fato da legislação previdencidria apenas a posteriori exigir o pagamento de ajuda de custo uma única vez, para exclui-la do conceito de salário de contribuição. 0 conceito de que ajuda de custo não e salário apenas quando destinada a cobrir despesas com a transferência, sempre existiu, sendo que o seu pagamento por 4 anos, ou seja de forma habitual, apenas vem confiiinar que se trata apenas da adoção da nomenclatura "ajuda de custo", para tentar desnaturar na verdade uma parcela salarial. Assim, entendo que correto o lançamento quanto a está rubrica. VALE TRANSPORTE 0 argumento trazido pelo recorrente de que apesar de não inscrito em programa de vale-transporte fornecia o valor do vale em folha de pagamento do empregado, razão porque mantida a sua natureza inicial de verba não salarial, não merece prosperar. A legislação pertinente ao fornecimento do vale proibe o pagamento em dinheiro, justamente pela possibilidade de ao efetivar o pagamento em dinheiro, afastada encontra-se a destinação original, que o fornecimento do vale para chegar ao trabalho, passando o empregado a poder fazer uso do dinheiro para outros fins. GRATIFICAÇÕES E PRÊMIOS DIVERSOS PAGOS PELO RECORRENTE. Pelos pontos trazidos pelo recorrente em seu recurso, itens 15 (alíneas de a- x) e 16, bem como os apresentados pela autoridade lançadora podemos, independente da nomenclatura atribuida pelo recorrente, identificar 3 modalidades básicas de pagamentos: Prêmios/bônus, por alcance de resultados, Gratificações pela transferência, que no caso da transferência por prazo deteiiiiinado assemelha-se ao adicional de transferência, previsto no art. 469 da CLT e gratificação por dispensa. Assim, ante a natureza similar das verbas, descrita pelo próprio recorrente, passo a apreciá-las em conjunto. Entendo que os pagamentos feitos A. titulo de premiação, Bônus ou mesmo gratificação constituem sim, salário de contribuição, portanto não assiste razão ao recorrente quanto a inexistência de contribuições sobre os valores pagos nessas modalidades. Conforme descrito quando do inicio da análise do mérito deste recurso o ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdencidrias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário -de -contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos sob a forma de utilidades. A definição de "prêmios", "gratificações" dada pela recorrente não se coaduna corn a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral, ou de certa foima visa compensá-lo por um desgaste maior, como nos casos das transferência para localidades diversas, ou ainda nos casos de termino do contrato, ou afastamento para aposentar-se. 38 39 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 FL 6.243 0 ilustre professor Mauricio Godinho Delgado, em seu livro "Curso de Direito do Trabalho", 3° edição, editora LTr, pág. 747, assim refere-se ao assunto: Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada a conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(.) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (.) Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um "plus" em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao trabalhador seja ele empregado ou contribuinte individual. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras "Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizam-se por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos ." A definição de "adicionais", (que no caso em questão se assemelham as gratificações pagas em função de deslocamento para outras cidades), dada pela doutrina trabalhista não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades mais graves ou mais desgastantes, ou seja, o de contraprestação por um serviço prestado. Constituem essas espécies de pagamento verdadeiras parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades mais gravosas. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um "plus" em função do desconforto, do desgaste etc. Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado, por estar este, submetido a um maior desgaste. 0 ilustre professor Mauricio Godinho Delgado, em seu livro "Curso de Direito do Trabalho", 3° edição, editora LTr, assim refere-se ao assunto: (.)0s adicionais consistem em parcelas contraprestativas suplementares devidas ao empregado ern virtude do exercício do trabalho em circunstâncias tipificadas mais gravosas.(.) 0 fundamento e objetivo dos adicionais justificam a normatização e efeitos jurídicos peculiares que o direito do trabalho confere a tais parcelas de natureza salarial. Embora sendo salário, os adicionais não se mantêm organicamente vinculados ao contrato, podendo ser suprimidos, caso desaparecida a circunstância tipificada ensejadora de sua percepção durante certo período contratual. No mesmo sentido, posiciona-se o ilustre mestre Arnaldo Silssekind, na obra "Instituição de Direito do Trabalho", 21 0 edição, Vol. 1, editora LTr, quanto a natureza das gratificações: (..)Na aplicação da legislação brasileira do trabalho, cumpre distinguir o salário fixo, ajustado por unidade de tempo ou de obra (salário básico ou normal), das prestações que, por sua natureza jurídica, integram o complexo salarial, como complementos do salário básico. Se, em face do que preceitua o §1 0 do art. 457 da CLT, as gratificações ajustadas, os adicionais de caráter legal ou contratual integram o salário do empregado, isto significa apenas que tais prestações possuem natureza mas não compõem o salário básico fixado no contrato de trabalho.(..) Face o exposto entendo, ao contrário do recorrente que é inquestionável que os prêmios, adicionais e gratificações instituidas por lei, convenção coletiva, norma regulamentar da empresa ou, explicitamente, nos próprios contratos de trabalho por liberalidade do contratante, têm natureza salarial, sendo devidos nas condições prescritas nos respectivos atos. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado A. disposição do empregador, está sujeito incidência de contribuição previdencidria. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito h. contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, j a edição, página 730. Novamente, conforme descrito anteriormente, a legislação previdencidria clara quando destaca, em seu art. 28, §9°, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Pela análise do referido dispositivo, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios, gratificações e adicionais nas modalidades como pagos pelo recorrente. Assim, não estando entre as exclusões prevista na legislação não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdencidrias os pagamentos feitos. Ademais, observa-se ainda, que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do credito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; 40 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.244 Assim, onde o legislador não dispôs de fauna expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia. BÔNUS REDUNDÂNCIA • Quanto ao pagamento dessa verba, entendo que novamente razão não assiste ao recorrente. 0 que a legislação previdencidria em seu artigo 28, § ° prevê é que os valores pagos à titulo de programa de Demissão incentivada, não constituiriam base de cálculo de contribuições. 0 que se observa no caso em questão é o mero pagamento de uma gratificação, chamado pelo recorrente de bônus redundância, mas que na verdade representa urn ganho a mais destinado ao empregado, além de todas as verbas que lhe são devidas peta dispensa imotivada. Ressalte-se que a legislação prevê indenização para os casos de dispensa nos contratos indeterminados (40% do FGTS) e para o téimino dos contratos determinados (art. 479 da CLT), sendo que ambas não integram o salário de contribuição. Razão porque entendo que correto o entendimento da autoridade fiscal também quanto a esse ponto. QUANTO A EXTENSÃO DE BENEFÍCIOS PREVISTOS EM ACORDOS COLETIVOS PARA OUTRAS UNIDADES Quanto a este ponto, para não ser repetitiva, volta a mencionar que as verbas excluídas do conceito do salário de contribuição são restritas, não sendo possível afastar simplesmente a natureza salarial, posto que o recorrente entende que foram pagas por liberalidade, de foima eventual e consubstanciada em acordos coletivos, mesmo que firmados com unidade diversa. Discordo do recorrente em todos os pontos apresentados. Primeiro, entendo que a previsão em acordo coletivo so retira a natureza salarial, quando expressamente previsto na lei previdencidria ou em legislação correlata. No caso, o pagamento de PLR nos termos de lei que exige dentre outros requisitos acordo ou convenção coletiva, realmente não faz incidir contribuição, mas pautar-se nessa premissa para estender esse beneficio por liberalidade a outros trabalhadores, nada mais mostra do que uma forma de remunerar, indiretamente o empregado. Entendo que o fato do pagamento ser habitual, não reflete diretamente na sua natureza, quando por si só a verba possui natuerza salarial. A relevância de identificar a habitualidade de uma verba se faz presente para que se possa determinar o reflexos em outros direitos trabalhistas, principalmente aqueles pagos em função de um tempo determinado, como é o caso do 13° salário e férias. VÍNCULO DOS DIRETORES PETER AHLGRIMM E EDUARDO GOMES GUIMARÃES NA CONDIÇÃO DE EMPREGADO. Quanto a este ponto, entendo que razão assiste ao recorrente. Apesar de vislumbrar a possibilidade de que ditos diretores possam a partir da transformação da sociedade, passarem a executar serviços na condição de empregados, não é suficiente para manutenção do lançamento neste ponto. Deveria a autoridade fiscal, demonstrar quais os requisitos que a levou a identificar a condição de empregado nos trabalhadores em questão, visto que não identifiquei no relatórios fiscais os requisitos que pudessem determinar seu vinculo na condição de autônomos, sejam eles: habitualidade, subordinação, pessoalidade e onerosidade. 4 41 Assim, entendo que os fatos geradores referentes aos valores pagos devem ser excluídos do lançamento, por considerar nulo por vicio formal o lançamento de ditos fatos sem a devida caracterização. RICHARD HAWES Quanto aos pagamentos feitos ao Sr. Richard Hawes,:pagamentos estes qualificados pela autoridade fiscal como pagamento de segurado empregado, entendo que correta a interpretação atribuida pela autoridade fiscal. As fls. 637, anexou o auditor Ficha de Registro de Empregado, que demonstra a condição de trabalhador durante todo o período, inclusive com direito a férias anuais e desconto para o correspondente sindicato, características inerentes a condição de segurado empregado. Assim, os argumentos apresentados pelo recorrente são incapazes de refutar o lançamento nesse ponto. QUANTO AS DIFERENÇAS APURADAS PELA FISCALIZAÇÃO E PELA EMPRESA Em seu recurso, o recorrente argumenta que apurou em diversas competência, considerando os mesmos critérios adotados pela fiscalização, montante de base de cálculo diversas, conforme planilhas às fls. 5046 a 5052, contudo, todos as diferenças apontadas, referem-se a períodos excluídos do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal. Assim, deixo de apreciar a questão. MULTA COBRADA DA INCORPORADORA SUCESSORA Discordo do entendimento do recorrente de que os valores das multas não são aplicáveis as sucessoras, mas apenas os tributos passam a sua reponsabilidade. NO caso, a multa aplicada na NFLD em tela refere-se a multa moratória pelo não recolhimento em época própria de contribuições previdencidrias. Os art. 132 e 133 assim descrevem a sucessão no caso de incorporação. Art. 132. A pessoas jurídica de direito privado que resultar da fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas e incorporadas. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de compercio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos aos fundo ou estabelecimento adquirido devido até a data do ato. Assim, entendo que não há como afastar a incidência da multa moratório, por corresponder ao tributo não pago em época própria. MULTA MORATÓRIA - FUNDAMENTAÇÃO Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdencidrias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. 42 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.245 0 art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. V', da Lei n° 9.876/99) I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). II - para pagamento de créditos incluídos em notificcição fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; (Redação dada pela Lei n°9.876/99). 111 -para pagamento do crédito inscrito em Divida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). cl) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99). 43 § 1 0 Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada ate a conversão na Lei n° 9.528/97) § 2' Se houver pagamento antecipado a vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente a parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) § 3" 0 valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1 0 deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada ate a conversão na Lei n°9.528/97) § 4° Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador domestico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.876/99) JUROS SELIC — FUNDAMENTAÇÃO Com relação à cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdencidria: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. 0 percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da 44 Processo n°44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.246 Sumula 07/STJ. No caso de execução de divida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIG estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1°, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1°/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido â. contribuição previdencidria em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdencidria. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, em sua maioria são incapazes de refutar a presente notificação em sua totalidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de P instância, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal nos termos do art. 150, §4° do CTN, as contribuições até a competência 11/1994 para os levantamentos: DAS- DSF —DSI —DSJ —DSP —DSR —DSU — DSV — F01 — F10 — Fll — F12 — F13 — F14 — F16 — F18 — F21 — FFL — FJA — FRC — J92. Já para os levantamentos FPN e FRH deve ser declarada decadência até a competência 11/1993, a luz do que dispõe o art. 173 do CTN. Quanto ao mérito deve ser excluído do lançamento por vicio formal, devido a falta de caracterização da condição de empregados para os diretores Eduardo e Peter, sendo que em relação aos demais fatos geradores NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 A MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de foi nia diversa no que diz respeito aos critérios para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. Verifica-se na espécie, conforme consta no Relatório de Documentos Apresentados, que para todas as competências presentes na NFLD (01/1990 a 09/1999), há recolhimentos de contribuições. Todavia, não há como identificar a quais fatos geradores as mesmas estão vinculadas. cediço que na Guia da Previdência Social — GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único — "Valor do INSS" — todas as contribuições previdencidrias, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar determinados levantamentos para verificar a decadência. Nesse sentido, deve ser aplicado para a contagem do prazo decadencial o critério do art. 150, § 4° do CTN, . Assim, verificando-se que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 03/12/1999, vislumbro que a decadência operou-se para o período que vai de 01/1990 a 11/1994, sejam quais forem os levantamentos. esse o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça., conforme se observa da ementa abaixo reproduzida (REsp n 2 1034520/SP, Relatora: Ministra Teori Albino Zavascki, julgamento em 19/08/2008, DJ de 28/08/2008): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CT1V, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CT7V, ART. 150, ,§s 4'). PRECEDENTES DA 1' SEÇÃO. DECISÃO ULTRA PETITA. INVIABILIDADE DE EXAME EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, DESPROVIDO.: Assim, voto pelo reconhecimento da decadência para as competências de 01/1990 a 11/1994, para todos os levantamentos presentes na NFLD em apreço. Com relação a verba denominada AJUDA DE CUSTO, entendo que não deve haver a incidência de contribuições sobre a mesma. Veja que a ilustre Relatora conclui pela existência de tributação pelo fato da verba, disponibilizada em razão de transferência de 46 • Processo n° 44000.000608/2004-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.085 Fl. 6.247 empregado, haver sido paga em mais de uma parcela, todavia, a referida rubrica, confoi me exposto no voto vencido, refere-se a competências anteriores a 09/1995. Ocorre que alteração legislativa que passou a exigir pagamento em parcela 1:mica, para que a verba relativa à ajuda de custo de transferência fosse excluída da tributação, so veio ao mundo em 1997. Vejamos. Na sua redação original, a Lei n.° 8.212/1991 previa: Art. 28 (..) § 9° Não integram o salário-de-contribuição: g) a ajuda de custo recebida exclusivamente em z decorrência de mudança de local de trabalho do empregado; A Medida Provisória n.° 1.596-14, de 10/11/1997, posteriormente convertida da Lei n.° 9.258, de 10/12/1997, trouxe alterações ao citado dispositivo, que passou a carregar a seguinte redação: g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; Pois bem, vê-se claramente que a alteração legislativa que trouxe como requisito de não-incidência de contribuições para a referida verba o pagamento em parcela única somente teve vigência a partir de 02/1998, em face da anterioridade nonagesimal a que estão sujeitas as contribuições sociais. Diante disso, tendo-se em conta que o pagamento da ajuda de custo deu-se em momento anterior, não há o que se falar em tributação, por respeito ao principio da irretroatividade da lei tributária. Voto, assim, pelo exclusão da NFLD das contribuições incidentes sobre a rubrica ajuda de custo. Por fim, a relatora concluiu que a caracterização dos diretores PETER AHLGRIMM E EDUARDO GOMES GUIMARÃES na condição de empregados foi insuficientemente fundamentada pelo fisco. Assevera no seu voto: " Deveria a autoridade fiscal, demonstrar quais os requisitos que a levou a identificar a condição de empregado nos trabalhadores em questão, visto que não identifiquei no relatórios fiscais os requisitos que pudessem determinar seu vinculo na condição de autônomos, sejam eles: habitualidade, subordinação, pessoalidade e onerosidade". Todavia a ilustre Relatora entendeu tratar-se de vicio foimal, no que eu deixo de acompanhá-la, pois vejo-me diante de cristalino vicio material. Zifr 47 Segundo De Plácido e Silva l "Vicio de Forma. É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou desatenção a solenidade, que se prescreve como necessária a sua validade ou eficácia juridica", e ainda: "Formalidade - Derivado de forma (do latim formalitas), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativas da maneira por que o ato deve ser formado". Nos teillios expressos no voto da Relatora Elaine Cristina Monteiro não enxergo a falta de atendimento a qualquer solenidade legal prevista para a confecção do lançamento. Os elementos formais ao meu sentir foram atendidos. No caso sob testilha, vislumbro a ocorrência, na falta de exposição pelo fisco dos pressupostos da relação empregaticia, de outro tipo de defeito. Temos nessa situação a falta de atendimento ao prescrito no art. 243 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999 2 . Ao deixar de discriminar com precisão uma das circunstâncias essenciais para a ocorrência do fato gerador, qual seja a existência dos pressupostos que levariam caracterização da relação de emprego dos diretores da empresa, a autoridade notificante incorreu em vicio substancial. A par dessas considerações, voto pela exclusão do lançamento, por vicio material, os valores referentes aos pagamentos efetuados aos diretores Peter Ahlgrimm e Eduardo Gomes Guimarães Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 KljEBER FERREIRA DE A' • TJJO - Redator Designado SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. 7 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1982, v.11, p. 317 2 Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. 48 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 44000.000608/2004-41 Recurso n°: 150.669 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.085 Bra 6 de abril de 2010 ELIAS A AIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Corn Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional

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4750019 #
Numero do processo: 10680.012790/2001-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 PIS CONSTITUCIONALIDADE MP n° 1.212 E ALTERAÇÕES LEI N°9.715/98. Descabe a alegação de vacância legislativa no período de outubro de 1995 a outubro de 1998, nem pedido de compensação de pretenso crédito decorrente de recolhimentos feitos neste mesmo intervalo de tempo.
Numero da decisão: 3201-000.890
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 161          1 160  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.012790/2001­15  Recurso nº  32.010.00890   Voluntário  Acórdão nº  3201­00.890  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de  fevereiro de 2012.  Matéria  PIS  Recorrente  Deltatronic Comércio e Representações Ltda  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996  PIS  ­ CONSTITUCIONALIDADE  ­ MP n° 1.212 E ALTERAÇÕES  ­ LEI  N°9.715/98.  Descabe a alegação de vacância legislativa no período de outubro de 1995 a  outubro de 1998, nem pedido de compensação de pretenso crédito decorrente  de recolhimentos feitos neste mesmo intervalo de tempo.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  2ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.    MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO ­ Presidente.     MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA ­ Relator.    EDITADO EM: 22/03/2012  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani  (Suplente), Adriana Oliveira  e Ribeiro  (Suplente)  e  Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional.    Relatório     Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO     2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo  resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual:    A contribuinte aqui  identificada requereu em 06/11/2001,  junto  A  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Belo  Horizonte/MG,  a  restituição de valores recolhidos relativos ao PIS no período de  01/10/1995  a  29/02/1996,  no  montante  de  R$31.131,86.  Em  28/05/2002  apresentou  o  pedido  de  compensação,  fl.  87,  solicitando a compensação do crédito precitado com débitos de  PIS e Cofins dos períodos de dez/01 a fev/02.  0  pedido  decorre  do  fato  de  que  a  contribuinte  julga  ter  se  tornado credora dos valores pagos no período citado, porque o  Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional, em ADIN,  a retroatividade (a partir de 01 de outubro de 1995) contida no  art.18 da Lei 9.715, de 25/11/1998, originariamente editada no  art.15 da Medida Provisória n° 1.212/1995 e reedições, ou seja,  a contribuinte  julga  indevida a exigência de PIS no período de  01/10/1995 a 29/02/1996.  Tal  solicitação  foi  apreciada  pela  DRF  Belo  Horizonte,  Despacho  Decisório  de  fls.  105/108,  tendo  havido  deferimento  parcial,  motivado  pelo  fato  de  que  no  período  discutido  o  PIS  era devido na forma estabelecida pela LC 07/70.  Tomando  ciência  da  decisão,  a  interessada  apresenta,  em  18/07/2008,  a manifestação  de  inconformidade As  fls.  117/120,  complementada  As  fls.  122/123,  com  as  argumentações  abaixo  sintetizadas:  ­  Da  prescrição:  questiona  a  cobrança  de  pretensos  débitos  tributários  no  importe  de  R$388.000,66  referentes  ao  PIS  correspondente  ao  período  de  outubro/95  a  fevereiro/96,  tendo  em vista a prescrição da cobrança nos termos do art. 156, V, do  CTN; ressalta que o pedido de compensação não tem o condão  de  suspender  o  prazo  prescricional,  conforme  jurisprudência  judicial que faz citar;  ­  Da  aplicação  da  Lei  Complementar  07/70:  alega  que  a  retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/1995, prevista no  artigo  18  da  Lei  n°  9.715,  de  1998,  foi  considerada  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal — STF na ADIN  n° 1417­0. Como conseqüência, alega não existir fato gerador de  01/10/1995 até 29/02/1996;  ­  Finaliza  argumentando  que  os  dados  apresentados  na  cobrança  dos  débitos,  que  não  identificam  de  forma  clara  sua  origem  e  o  motivo  de  sua  cobrança,  não  permitem  a  sua  impugnação,  violando  os  princípios  constitucionais  do  contraditório e ampla defesa. Ressalta que, ademais, o processo  em  epígrafe,  de  onde  se  pretende  a  cobrança  dos  aludidos  débitos, se trata de procedimento de restituição de PIS, além de  que na própria carta de cobrança sequer foi dada oportunidade  para a contribuinte impugnar a divida pretendida.    Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.012790/2001­15  Acórdão n.º 3201­00.890  S3­C2T1  Fl. 162          3 A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996  PIS  ­  CONSTITUCIONALIDADE  ­  MP  n°  1.212  E  ALTERAÇÕES ­ LEI N°9.715/98.  Não cabe alegação de inexistência de fato gerador, uma vez que,  na  ADIN  no  1417­0,  o  Supremo  Tribunal  Federal  declarou  inconstitucional somente a parte final do citado art. 18 da Lei n.°  9.715/98, restringindo­se a decisão ao período de 1° de outubro  de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, período no qual aplica­se o  disposto  na  Lei  Complementar  n°  7/70.  As  disposições  da  Medida  Provisória  n°  1.212,  de  1995,  e  suas  reedições,  convalidadas  pela  Lei  n°  9.715,  de  1998,  aplicam­se  aos  fatos  geradores ocorridos a partir de 1° de março de 1996.  AVISO DE COBRANÇA.  De  acordo  com  a  legislação  de  regência,  às  Delegacias  de  Julgamento  não  compete  apreciação  das  manifestações  de  inconformidade  apresentadas  contra  os  Avisos  de  Cobrança,  mas  apenas  Aquelas  dirigidas  contra  o  indeferimento,  pelas  Delegacias,  Alfândegas  e  Inspetorias  da  SRF,  dos  pedidos  de  restituição e compensação.  Solicitação Indeferida    O contribuinte, restando  inconformado com a decisão de primeira instância,  apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de  impugnação.  Os  autos  foram  enviados  a  este  Conselho  e  fui  designado  como  relator  do  presente  recurso  voluntário,  na  forma  regimental,  tendo  requisitado  a  sua  inclusão  em  pauta  para julgamento.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira  Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais,  portanto, dele tomo conhecimento.  Sobre  o  mérito  do  recurso  voluntário  em  questão  há  decisão  da  Primeira  Seção do Superior Tribunal de Justiça, submetida à sistemática do artigo 543­C do CPC, o que  vincula a decisão deste Colegiado, na forma do disposto no artigo 62­A do Regimento Interno  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  A referida decisão tem a seguinte ementa:  Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO     4   PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  PIS.  EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE  1995  A  OUTUBRO  DE  1998.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DOS  DECRETOS­LEIS  2.445/88  e  2.449/88  (RE 148.754). RESTAURAÇÃO DOS EFEITOS DA LEI COMPLEMENTAR  7/70.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  ARTIGO  18,  DA  LEI  9.715/98  (ADI  1.417).  PRAZO  NONAGESIMAL  DA  LEI  9.715/98  CONTADO  DA  VEICULAÇÃO  DA  PRIMEIRA  EDIÇÃO  DA  MEDIDA  PROVISÓRIA 1.212/95.  1.  A  contribuição  social  destinada  ao  PIS  permaneceu  exigível  no  período  compreendido  entre  outubro  de  1995  a  fevereiro  de  1996,  por  força  da  Lei  Complementar  7/70,  e  entre  março  de  1996  a  outubro  de  1998,  por  força  da  Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições.  2.  A  contribuição  destinada  ao  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS  disciplinada pela Lei Complementar 7/70, foi recepcionada pelo artigo 239, da  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil  de  1988  (RE  169.091,  Rel.  Ministro  Sepúlveda  Pertence,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  07.06.1995,  DJ  04.08.1995).  3. O reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da  inconstitucionalidade  formal dos Decretos­Leis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos  Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em  24.06.1993,  DJ  04.03.1994)  teve  o  condão  de  restaurar  a  sistemática  de  cobrança do PIS disciplinada na Lei Complementar 7/70, no período de outubro  de  1995  a  fevereiro  de  1996  (Precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal:  AI  713.171  AgR,  Rel.  Ministra  Cármen  Lúcia,  Primeira  Turma,  julgado  em  09.06.2009, DJe­148 DIVULG 06­08­2009 PUBLIC 07­08­2009 EMENT VOL­ 02368­19  PP­04055;  RE  479.135  AgR,  Rel.  Ministro  Sepúlveda  Pertence,  Primeira Turma, julgado em 26.06.2007, DJe­082 DIVULG 16.08.2007 PUBLIC  17.08.2007  DJ  17.08.2007;  AI  488.865  ED,  Rel.  Ministro  Gilmar  Mendes,  Segunda Turma, julgado em 07.02.2006, DJ 03.03.2006; AI 200.749 AgR, Rel.  Ministro  Sepúlveda  Pertence,  Primeira  Turma,  julgado  em  18.05.2004,  DJ  25.06.2004; RE 256.589 AgR, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Segunda Turma,  julgado  em  08.08.2000,  DJ  16.02.2001;  e RE  181.165  ED­ED,  Rel.  Ministro  Maurício  Corrêa,  Segunda  Turma,  julgado  em  02.04.1996,  DJ  19.12.1996.  Precedentes do Superior Tribunal de Justiça: AgRg no REsp 531.884/SC, Rel.  Ministro  Francisco  Falcão,  Primeira  Turma,  julgado  em  25.11.2003,  DJ  22.03.2004; REsp  625.605/SC,  Rel. Ministra  Eliana Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  08.06.2004,  DJ  23.08.2004;  REsp  264.493/PR,  Rel.  Ministro  Francisco  Peçanha  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  06.12.2005,  DJ  13.02.2006; AgRg no Ag 890.184/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda  Turma,  julgado  em  20.09.2007,  DJ  19.10.2007;  e  REsp  881.536/CE,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  28.10.2008,  DJe  21.11.2008).  4. É que a norma declarada inconstitucional é nula ab origine , não se revelando  apta à produção de qualquer efeito, inclusive o de revogação da norma anterior,  que  volta  a  viger  plenamente,  não  se  caracterizando hipótese de  repristinação  vedada no § 3º, do artigo 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil.  5. Outrossim, é pacífica a jurisprudência da Excelsa Corte, anterior à Emenda  Constitucional  32/2001,  no  sentido  de  que  as  medidas  provisórias  não  apreciadas pelo Congresso Nacional, não perdiam a eficácia, quando reeditadas  dentro  do  prazo  de  validade  de  30  (trinta)  dias,  contando­se  a  anterioridade  nonagesimal, prevista no artigo 195, § 6º, da CRFB/88, da edição da primeira  medida  provisória  (ADI  1417,  Rel. Ministro Octávio Gallotti,  Tribunal  Pleno,  julgado em 02.08.1999, DJ 23.03.2001).  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10680.012790/2001­15  Acórdão n.º 3201­00.890  S3­C2T1  Fl. 163          5 6.  Destarte,  até  28  de  fevereiro  de  1996  (início  da  vigência  das  alterações  introduzidas  pela  Medida  Provisória  1.212,  de  28  de  novembro  de  1995),  a  cobrança das  contribuições destinadas ao PIS  era  regida pelo disposto na Lei  Complementar 7/70. A partir de março de 1996 e até a publicação da Lei 9.715,  de 25 de novembro de 1998, a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada  pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução  de continuidade da exigibilidade da exação em tela.  7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C,  do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, Min. Relator Luiz  Fux, REsp nº 1136210, DJe 01/02/2010)    Assim, não há de  se  falar  em vacância  legislativa no período de outubro  de  1995 a outubro de 1998, nem em crédito decorrente de recolhimentos feitos neste mesmo intervalo de  tempo.  Quanto  à  alegação  de  decadência  do  direito  de  lançar  pela  administração  tributária, observo que, em verdade, o crédito tributário exigido é aquele dos períodos que a ora  recorrente  pretendia  compensar  e  não  aqueles  relativos  aos  fatos  gerados  de  seu  pretenso  crédito contra a Fazenda, portanto, não há decadência de direito algum.  Deste  modo,  VOTO  por  conhecer  do  recurso  voluntário  para  negar­lhe  provimento.    MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA ­ relator                                Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO

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