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Numero do processo: 10768.101877/2003-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001
INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. POSSIBILIDADE.
A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dos votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plínio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc
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CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. POSSIBILIDADE. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dos votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plínio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente - Substituto (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc - Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 577DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Júnior e Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plínio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório BRADESCO SEGUROS S/A., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob o nº 33.055.146/0001-93, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro - Estado do Rio de Janeiro, na Rua Barão de Itapagipe, nº 225 - Bairro Rio Comprido, jurisdicionado a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro - RJ, inconformado com a decisão de Segunda Instância prolatada pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1802-00.359, de 26/01/2010 (fls. 472/475) cuja decisão, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, recorre, tempestivamente, a esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do seu Recurso Especial, datado de 01/07/2010 (fls. 483/490). O pleito do Contribuinte busca amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que o contribuinte protocolou, em 05/11/2003, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC (fls.01/02), referente ao exercício de 2001, correspondente ao ano-calendário de 2000, no valor de R$ 1.922.804,18, cuja base de cálculo é de R$ 10.682.245,46, opção pelo FINAN = 18%. Em 25/08/2004, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro - RJ, através de Despacho Decisório de fls. 154, indeferiu o Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, em síntese, sob os argumentos abaixo listados: - que, por questão de ordem, cabe inicialmente ressaltar que o pedido é tempestivo, uma vez que o mesmo foi protocolizado em 4 de novembro de 2003 (fls. 1), logo, em data anterior A data fatal, qual seja, 28 de novembro de 2003 (Ato Declaratório Executivo Corat n° 52, de 30 de julho de 2003; - que com relação à ocorrência supracitada, vale transcrevê-la, para uma melhor clareza, tendo em vista que a mesma motivou o cancelamento de emissão automática do incentivo fiscal em questão: "11 — CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS E/OU COM IRREGULARIDADES CADASTRAIS (LEI N° 9069/95, ART. 60)". - que ocorre que levantamento atualizado da situação fiscal do interessado, realizado em conformidade com as disposições da IN SRF n° 93, de 23 de novembro de 2001, confirma a existência de débitos exigíveis em nome do contribuinte acima qualificado, não atestando, deste modo, sua regularidade fiscal perante a Administração Pública Federal; - que extratos, anexados As fls. 142/152, corroboram o anteriormente afirmado e revelam três inscrições em Divida Ativa da União em cobrança: - Inscrição ativa Fl. 578DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 3 3 em Divida Ativa da Unido n° 70 2 04 000207-29, sob CNPJ n° 33.055.161/0001-31, sociedade empresária sucedida (fls. 149/150); Inscrição ativa em Divida Ativa da União n° 70 7 04 000087-92, sob CNPJ n° 33.055.146/0001-93 (fls. 145/146); - Inscrição ativa em Divida Ativa da Unido n° 70 2 03 007585-99, sob CNPJ n° 60.846.847/0001-13, sociedade empresária sucedida (fls. 151/152); - que considerando que o referido contribuinte não atende os requisitos necessários para o gozo do incentivo fiscal, em especial, o disposto no artigo 60, da Lei n° 9.069/95, INDEFIRO o presente pedido. Inconformado com a decisão, cuja ciência se deu em 01/07/2004 (fls. 155/156), o contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, em 01/07/2004 (fls. 158/160), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: - que não resta dúvida que quando da prolação do r. Despacho Decisório, a empresa não era devedora das dividas cobradas por estarem elas pagas, razão pela qual há de ser reconsiderada a decisão, sob pena de ser a contribuinte injustamente penalizada, não podendo gozar do beneficio fiscal a que tem direito; - que, por todo o exposto, tendo comprovado que se encontram devidamente quitadas as obrigações tributárias que obstaram o gozo do beneficio fiscal pedido, a contribuinte requer a reconsideração do r. Despacho Decisório no sentido de determinar a integral Emissão dos Incentivos Fiscais (PERC 2001/2000) objeto do Processo Administrativo n° 10768.101877/2003-50, de forma a reconhecer o direito da empresa injustamente negado. Em 14/12/2006, após resumir os fatos constantes da decisão da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro - RJ e as principais razões apresentadas pelo requerente em sua Manifestação de Inconformidade, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ I, por unanimidade de votos, decide julgar improcedente o pedido do contribuinte indeferindo a sua solicitação (fls. 382/387), com base, em síntese, no argumento de que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 24/01/2004, conforme Termo constante às fls. 391/392, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 22/02/2007, o seu Recurso Voluntário (fls. 393/403), instruído pelos documentos de fls. 404/470, o qual, ao ser apreciado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1802-00.359, de 26/01/2010 (fls. 472/475), teve, por unanimidade de votos, rejeitado o seu provimento, conforme se verifica de sua ementa: ANO-CALENDÁRIO: 2000 INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, deve ser averiguada em relação à data da Fl. 579DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificado, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 16/06/2010, conforme Termo constante às fls. 482, o Contribuinte interpôs, de forma tempestiva (01/07/2010), o seu Recurso Especial de fls. 483/490, com amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: - que a Recorrente fez opção por incentivos fiscais (FINAN) em sua Declaração de Imposto de Renda do ano-calendário 2000, exercício 2001. A referida opção foi indeferida, tendo sido apresentado o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC; - que o referido pedido foi indeferido pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro (fls. 155) sob a alegação da existência de supostos débitos exigíveis inscritos em Divida Ativa da Unido (IDA n° 70 2 04 000207-29, 70 7 04 000087-92 e 70 2 03 007585-99), o que foi devidamente rechaçado pela ora Recorrente (fls. 158) demonstrando que os débitos decorrentes dos referidos processos foram pagos ou objetos de revisão em razão de erros de preenchimento de DCTF; - que ao apreciar as razões da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, entendeu por bem indeferir o PERC ao fundamento de que a Recorrente não se encontrava em sua situação fiscal regular à época da opção ou do processamento do referido incentivo, de tal sorte que não atendia aos requisitos previstos no art. 60 da Lei 9.069/95, apontando, ainda, outras inscrições em Divida Ativa; - que inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário demonstrando que seja no momento da opção dos incentivos quando da entrega de sua DIPJ, seja quando do processamento do referido incentivo, ela sempre se apresentou regular perante o Fisco, posto que sempre lhe foram emitidas Certidões Negativas pela Receita Federal e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, como se pode ver no documentos juntados as fls. 450/470; - que apreciado pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Ilmo. Conselheiro Relator houve por bem negar provimento ao recurso voluntário. Em sua análise, consolidou o entendimento que o momento para dispor de regularidade fiscal seria o momento da opção ao incentivo fiscal, ou seja, na entrega da DIPJ/2000 e, sendo assim, a Recorrente possuía débitos com vencimento anterior a data da entrega da DIPJ o que lhe impedira o gozo do incentivo fiscal; - que ocorre, todavia, que não obstante a Recorrente tenha apresentado Certidões Negativas à época da opção pelo incentivo fiscal, demonstrando assim sua regularidade fiscal no momento da entrega da DIPJ/2000, seu Recurso Voluntário não foi Fl. 580DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 4 5 provido no mérito, o que se espera seja reformado por essa E. Câmara Superior de Recursos Fiscais; - que a matéria objeto do presente Recurso Especial é a condição das certidões negativas fazerem prova da regularidade fiscal ou não da Recorrente. E nesse ponto, o assunto foi devidamente pré-questionado no Recurso Voluntário da Recorrente, na forma do disposto no § 3º, do art. 67, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, devendo ser Recurso Especial conhecido; - que, no mérito, o provimento se justifica pelo fato de, em dois casos semelhantes aos do presente, o Primeiro Conselho de Contribuintes houve por bem acolher as razões expostas pelas respectivas recorrentes, que são semelhantes A. questão aqui posta, como e pode ver das duas ementas anexas (doc. 03 e 04) extraídas do sitio do CARF, cujos acórdãos são submetidos à apreciação de V.Sas., a teor do art. 67, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009; - que nos referidos casos as Certidões Negativas de Débitos juntadas pelos recorrentes foram aceitas pelo Conselho de Contribuintes para se comprovar a regularidade fiscal, a fim de fazerem jus ao gozo dos incentivos fiscais regionais; - que resta aqui demonstrado com os paradigmas apresentados que há divergência no entendimento acerca da matéria atinente a comprovação da regularidade fiscal pela Recorrente. Segue abaixo os acórdãos paradigmas apresentados (fls. 508/519), do qual transcrevo as respectivas ementas nas partes que interessam: Acórdão 107-09362: PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação de Certidão Positiva com feito de Negativa faz prova da quitação dos tributos e contribuições federais, exigida como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Acórdão 107-09.202: PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação, por ocasião do protocolo do PERC, de Certidão Negativa com Efeito de Positiva faz prova da regularidade fiscal em relação à quitação dos tributos e contribuições federais. Débitos fiscais posteriores não justificam o indeferimento do pedido. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exarou o Despacho nº 1200-00.292/2011, de 03/03/2011 (fls. 522/524) dando seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para ciência da Fazenda Nacional, nos termos regimentais, em 03/03/2011 (fls. 526), foram apresentadas, em 15/03/2011, as contrarrazões (fls. 528/533), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 - que é importante ressaltar que reconhecimento de qualquer incentivo fiscal, é necessário que a contribuinte comprove a quitação de tributos e contribuições federais, conforme previsto no art. 60 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995; - que as certidões negativas constantes dos autos não foram emitidas ao tempo da opção pelo beneficio, o que torna incerta e duvidosa qualquer afirmação a respeito da regularidade fiscal do contribuinte naquela época, mesmo diante da superveniência de outras certidões posteriores. Nem seria preciso dizer, pois parece bastante obvio, que uma certidão negativa emitida em momento posterior não tem o condão de atestar a quitação de tributos no período que a antecede; - que todas as certidões foram extraídas em momento posterior. As certidões positivas com efeitos de negativa emitidas pela Secretaria da Receita federal são de data muito posterior à data do PERC; - que no momento em que a autoridade administrativa indeferiu o PERC, o recorrido não havia comprovado ter adimplido as suas obrigações tributárias em âmbito federal. As certidões positivas com efeitos de negativas posteriormente apresentadas não lhe servem ao propósito; - que é evidente que, para se obter um incentivo fiscal, o contribuinte deve ter todas as condições legais para este lhe ser concedido. O art. 60 da Lei 9.069/95, que dispõe acerca do beneficio em exame, estabelece como condição essencial para o seu gozo, a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 9101-01.494, de 24 de outubro de 2012, processo de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Tendo o Contribuinte tomado ciência do decisório recorrido em 16/06/2010 (fls. 482) e protocolizado o seu Recurso Especial de Divergência, em 01/07/2010 (fls. 483/490), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidencia-se a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos do processo verifica-se, que ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo recorrente (fls. 483/490), o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por intermédio do Despacho nº 1200-00.092/2011, de 24/02/2011 (fls. 522/524), o admitiu, Fl. 582DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 5 7 considerando que o recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas relativo ao Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC. É de se observar, que o Contribuinte, cumpriu os requisitos previstos no RI- CARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que acostou aos autos cópia de ementas divergentes de decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, bem como demonstrou analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se tratam das mesmas matérias fáticas e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, refere-se a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é relativo ao Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC. Assim, o mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Enquanto, os acórdãos paradigmas defendem a tese de que apresentação de Certidão Positiva com Efeito de Negativa faz prova da quitação dos tributos e contribuições federais, exigida como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Por sua vez, o acórdão recorrido ao contrário defende a tese de que a regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, leve ser averiguada em relação a data da apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC. O confronto dos fundamentos expressos nos enunciados (acórdãos: recorrido e paradigmas) evidencia que o recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, tendo em vista que em situações fáticas idênticas chegou-se a conclusões distintas, com diferentes interpretações dadas à legislação tributária. Assim sendo, o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreende-se do relatado que o Contribuinte ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, insurgindo-se contra decisão da Segunda Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exarado pelo Acórdão 1802-00.359, de 26/01/2010, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Como visto do relatório, trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 2001, correspondente ao ano- Fl. 583DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 calendário de 2000, no valor de R$ 1.922.804,18, cuja base de cálculo é de R$ 10.682.245,46, opção pelo FINAN = 18%. Constata-se, que o pedido deve-se ao fato do recorrente ter feito opção por aplicação no FINAN e o extrato ter sido emitido com os valores de incentivo "zerados", tendo em vista, que a autoridade fiscal revisora entendeu, constar débito de tributos e contribuições federais em nome do mesmo, quando da emissão do referido extrato. Constata-se, ainda, que foram juntados pelo contribuinte cópias das Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União e Certidão Quanto a Dívida Ativa da União Positiva com Efeito de Negativa (fls. 450/470). É de se ressaltar, que no caso em análise, os valores informados pelo contribuinte na ficha 10 de sua declaração IRPJ/2001 (Aplicações em Incentivos Fiscais), foram corretamente calculados, sendo os mesmos apurados pelo sistema IRPJOEIF (valores declarados são iguais aos valores "normalizados"). Em relação ao pagamento do imposto devido para o exercício em análise não houve problemas, tendo sido considerado pelo sistema o percentual de 100% dos valores devidos. Observa-se, que o motivo dos valores terem sido zerados no extrato dos incentivos fiscais, foi o fato do contribuinte, no entender da Secretaria da Receita Federal, possuir débito de tributos e contribuições federais na data da entregue do DIPJ. Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber a data em que deve ser verificada a regularidade fiscal da empresa, se na data da apresentação da DIPJ ou no momento do despacho no PERC ou se ainda pode ser em algum momento posterior durante o trâmite do processo. A decisão recorrida posiciona-se no sentido de que para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), é indispensável à regularidade fiscal da empresa na data do despacho. Firmo a minha convicção de que a data mais correta é o momento da opção pelo incentivo, qual seja: a data da entrega da Declaração de Rendimentos, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. É fato, que a lei condiciona a concessão ou reconhecimento de benefícios fiscais à comprovação, pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais, senão vejamos: Lei nº 9.069, de 1995 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributes e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais Tal disposição legal é semelhante à contida no artigo 27, da Lei nº 8.036, de 11/05/1990, vejamos: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 6 9 Art. 27. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória nas seguintes situações: c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o FGTS. No campo do direito constitucional, o parágrafo 3°, do artigo 195, também dispõe: I - A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Como se vê, a disposição legal é cristalina: cabe ao contribuinte a obrigação de comprovar a quitação de tributos e contribuições federais. Não há dúvidas de que face às condições dinâmicas da atividade a situação do postulante ao beneficio pode variar de "sem debito em aberto" a "com debito em aberto", propiciando o surgimento de situações não isonômicas no tratamento dado aos contribuintes pela administração tributária. Assim, dependendo da data em que seja verificada a situação do contribuinte, pode ser ou não concedido o beneficio pleiteado. Essa incerteza no tempo com relação à situação fiscal não satisfaz aos ditames do principio da segurança jurídica. Assim, se faz necessário adotar um único momento para avaliar as condições de regularidade fiscal do contribuinte, pleiteante de benefícios fiscais. Da análise atenta do dispositivo em discussão, percebe-se não haver, de forma expressa, qualquer definição com relação ao momento no qual devem ser verificadas as condições de regularidade com relação à quitação de tributos e contribuições federais. Levando em conta da necessidade se interpretar a legislação de forma não haver palavras desnecessárias no texto legal, é possível se interpretar, o dispositivo em discussão, como definindo dois atos distintos: a concessão e o reconhecimento. Dessa forma, aceitado o principio, há a definição de duas datas diferentes: a data da concessão e a data do reconhecimento. Concessão é o ato ou efeito de conceder, é o consentimento, a permissão. Ocorre no momento do processamento da declaração (DIPJ) onde consta a opção feita pelo contribuinte. E reconhecimento é o ato ou efeito de reconhecer, podendo, ainda, em termos jurídicos ter a acepção de ato através do qual alguma coisa é admitida como verdadeira. Dessa forma, concessão poderia estar ligada ao primeiro momento, época do processamento da declaração com a opção do contribuinte, enquanto que o reconhecimento se daria numa etapa posterior, quando da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem-se manifestado da seguinte forma: Fl. 585DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Acórdão nº 101-95.809: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias no momento em que é protocolado o pedido perante SRF. Não se pode exigir posterior comprovação da regularidade fiscal se quando do pedido o contribuinte possuía situação fiscal regular. Acórdão nº 101-96.15: IRPJ - INCENTIVOS FISCAIS — PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — A lei estabelece que a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação, pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Todavia, se constatada a juntada de certidões de regularidade fiscal no curso do processo, considerar-se-á satisfeita a condição, desde que tais certidões tenham sido juntadas aos autos durante o período de sua validade. Acórdão nº 103-23.569: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal. Acórdão nº 107-09.362: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação de Certidão Positiva com Efeito de Negativa faz prova da quitação dos tributos e contribuições federais, exigida como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Feitas estas referências legais e administrativas, conclui-se assim que, para fins de obtenção de favores fiscais, como o do caso em exame, a regularidade fiscal do Fl. 586DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 7 11 contribuinte, no que se refere aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal podem ser atestadas pela própria administração, através de despacho constante do processo, emitido pela Inspetoria ou Delegacia encarregada de apreciar o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. De modo diverso, contudo, cabe ao contribuinte a apresentação dos seguintes documentos à autoridade tributária encarregada de analisar o seu pedido, segundo se depreende da leitura dos dispositivos legais referenciados: Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal; Certidão Negativa emitida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Certidão Negativa emitida pelo Instituto Nacional de Seguridade Social -- INSS, quanto às contribuições para a previdência social. Em 22 de fevereiro de 2007, o recorrente juntou aos presentes autos a Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União e da Certidão Quanto à Dívida Ativa da União Positiva com efeito de Negativa (fls. 450/470). Ora, se o Recorrente apresenta Certidões Positivas com Efeito de Negativas atestando a inexistência de débito em aberto expedidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como da Dívida Ativa da União, não há razão para que se glose o gozo do beneficio dos incentivos fiscais. Do exposto, comprovada a regularidade fiscal do contribuinte é de se acolher o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, para restabelecer o incentivo fiscal pleiteado. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial de Divergência do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 587DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10283.901849/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
PIS. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA.
De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Fábia Regina Freitas e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Fábia Regina Freitas e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
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PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Fábia Regina Freitas e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 18 49 /2 01 0- 15 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10283.901849/201015 Acórdão n.º 3301002.380 S3C3T1 Fl. 181 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 28.12.2006, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de PIS/Pasep referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 05), no valor original de R$ 3.858,60. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 08), indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa.. 3. Cientificada em 20.09.2010 (fl. 11) a interessada apresentou, tempestivamente, em 18.10.2010, manifestação de inconformidade (fl. 17) na qual, em síntese, alega: “Após análise chegamos a conclusão que as informações contidas na PerdComp N° 17619.51342.281206.1.3.040341 transmitida em 28/12/2006 estão corretas, houve equívoco da nossa parte no preenchimento da DCTF Original referente ao 1º Semestre de 2005 que foi devidamente retificada conforme detalhada a seguir, ocorre que, houve Pagamento Indevido ou a maior conforme pode ser constatado pelo DARF referente ao PIS do PA 28/01/2005 no valor de R$ 4.873,34 e que o real valor devido era de R$ 1.014,74 valor este, declarado na DCTF retificada em 18/10/2010 conforme o recibo No. 07.69.16.17.3305. Segue em anexo Despacho Decisório sob o n° de rastreamento 880488785, emitido em 06092010, juntamente com cópia do DARF'Correspondente ao valor informado no referido despacho e a DCTF referente ao 1º Semestre / 2005 retificada conforme recibo n° 07.69.16.17.3305 transmitida em 18/10/2010.” A DRJ/BelémPA, indeferiu a manifestação de inconformidade sob o principal argumento de que a correção de débito declarado em DCTF dependerá de comprovação inequívoca com a utilização de documentos hábeis e idôneos a tal fim. Transcrevese abaixo e ementa do Acórdão da DRJ: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10283.901849/201015 Acórdão n.º 3301002.380 S3C3T1 Fl. 182 3 O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual dispõe em apertada síntese: que a decisão da DRJ não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público. Faz uma breve explanação sobre cada um dos princípios elencados; suscita genericamente preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância em face da comprovação do crédito existente; que a RFB tem poder para examinar livros e documentos fiscais e por isto com poder e obrigação de proceder a levantamento criterioso dos créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior; o crédito está comprovado nos autos com a juntada do DARF no valor de R$ 4.873,34, do período de apuração de fev/2005, quitado em 15/03/2005 e das DCTF original apresentada em 07/10/2005 e retificadora em 18/10/2010; a origem do direito creditório teve princípio com a publicação da Lei nº 10.865/2003, quando a alíquota de seus produtos, hortifrutigranjeiros, foi reduzida a zero. Informa ainda que desconhecia que seus produtos hortícolas e frutas, classificados nos capítulos 7 e 8, e ovos, na posição 04.07, da TIPI tiveram suas alíquotas reduzidas a zero e, por isto, a origem do pagamento a maior; que demonstra por meio de planilha anexa os dados referentes ao seu faturamento e o correspondente valor do PIS devido e o valor pago a maior; volta abordar genericamente os princípios constitucionais que teriam sido desrespeitados e solicita a anulação do despacho decisório, após análise minuciosa da documentação anexada no recurso. Ao final, fl. 103, informa a relação de documentos anexados. Em análise do citado recurso, esta turma de julgamento proferiu a Resolução nº 3301000176, de 27/06/2013, por meio da qual solicitouse a realização de diligência, para que fossem juntados ao presente processo os conteúdos das mídias digitais noticiadas no “Termo de Existência de Mídia Digital (CD)” de fl. 163. Neste sentido, o Seort/DRF/Manaus atendeu o pedido de diligência, conformese depreende do Termo de Juntada de fl. 179. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10283.901849/201015 Acórdão n.º 3301002.380 S3C3T1 Fl. 183 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O presente recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais pressupostos recursais. A principal alegação do contribuinte é que recolheu a maior a contribuição ao PIS referente ao fato gerador de fev/2005, pois desconhecia que seus produtos hortifrutigranjeiros tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pela Lei 10.865/2004. De fato, o art. 28, inciso III, da Lei nº 10.865/2004 reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI. No mesmo sentido o art. 8º, §12, inciso X, para as hipóteses de importação dos mencionados produtos. É pacifico o entendimento de que os dispositivos retrocitados aplicamse para os contribuintes que utilizem a sistemática do lucro presumido para o cálculo do Imposto de Renda. Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (...) III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; A decisão da DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de o contribuinte não ter demonstrado em momento algum, de forma inequívoca, o erro de preenchimento de sua DCTF. De fato até aquele momento não havia sido apresentado qualquer prova de suas alegações. Aliás, o contribuinte nem havia informado em sua manifestação de inconformidade o motivo do preenchimento incorreto de sua DCTF original e, por conseqüência, a razão do recolhimento a maior do PIS. Só veio trazer estas informações no âmbito do presente recurso voluntário. Porém, percebese pela leitura do Contrato Social, fl. 111, que o objeto da sociedade é “comércio atacadista de hortifrutigranjeiros e cereais e transporte de cargas”, trazendo ao processo bastante verossimilhança de verdade nas alegações do contribuinte. Neste sentido, em nome do princípio da verdade material, foi solicitado diligência para que o processo fosse saneado com a digitalização dos documentos de prova que o contribuinte teria apresentado por ocasião do recurso voluntário. Da análise dos documentos juntados em diligência, não é possível concluir se houve efetivamente pagamento a maior. Foram apresentadas notas fiscais relativas ao fato gerador de fevereiro/2005 que são referentes aos produtos beneficiados com alíquota zero de PIS, mas não é possível afirmar que foram apresentadas todas as notas fiscais emitidas em fevereiro/2005, ou seja, não é possível aferir a base de cálculo do PIS devido somente com base nestas notas fiscais. Também não é possível retirar estes elementos do livro registro de saídas. Apesar de no recurso voluntário, constar referência à apresentação de uma planilha demonstrativa da base de cálculo do PIS, esta não se encontra nos presentes autos e nem nos arquivos juntados em diligência. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10283.901849/201015 Acórdão n.º 3301002.380 S3C3T1 Fl. 184 5 Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTF, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição em face da redução a zero da alíquota das contribuições PIS e Cofins sobre a receita bruta decorrente da venda de produtos hortícolas, frutas e ovos, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis. A simples retificação de DCTF é insuficiente para se comprovar o direito creditório, sendo que os documentos apresentados, por si só, não são suficientes para apurar a existência de indébito tributário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 13227.721075/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS.
Tendo em vista a presunção legal desencadeada pela não comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados e não declarados, bem como o arbitramento do lucro promovido pela Fiscalização, não traz o contribuinte prova que afaste a presunção.
Numero da decisão: 1301-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros:Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. Tendo em vista a presunção legal desencadeada pela não comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados e não declarados, bem como o arbitramento do lucro promovido pela Fiscalização, não traz o contribuinte prova que afaste a presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente em exercício (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 10 75 /2 01 2- 67 Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros:Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contribuinte acima identificada contra decisão proferia pela 1ª Turma da DRJ em Belém/PA. Extraise do presente processo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração (fls. 1.788 – 1.829), relativos ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, relativos ao anocalendário 2009. De acordo com Relatório Fiscal (fls. 1.832 – 1.843), a recorrente teria omitido receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (presunção legal). O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão de sua escrituração apresentar vícios que impediram a identificação da movimentação bancária e sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. A recorrente foi devidamente cientificada da exigência (fl. 1.867) e apresentou Impugnação (fls. 1.872 – 1.884, 1.937 – 1.958, 2.012 – 2.026 e 2.082 – 2.095), alegando em síntese que os Autos de Infração são nulos, por ausência de fundamentação, eis que a autoridade lançadora não teria especificado a conduta que ensejou a materialização da infração e a exigência da multa e juros é indevida, pois a falta de recolhimento dos tributos deveuse à falha do escritório de contabilidade que não apresentou os guias de recolhimento. Aduziu ainda que solicitou prazo para recolhimento do tributo devido, cujo pedido negado pela autoridade lançadora e que as bases cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, devem estar sujeitas ao coeficiente de presunção de 16 % sobre a receita bruta, fato que não foi observado pela fiscalização e que após isso, o PIS deve ser cobrado sob a alíquota de 0,65%, a COFINS, 3%, a CSLL, 1,08%, e o IRPJ, 1,2%. Defendeu que a multa e juros aplicados têm caráter de confisco e atenta contra os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo a multa indevida porquanto não houve fraude por parte do sujeito passivo, mencionando ainda, que a aplicação dos juros desde o fato gerador fere o princípio da irretroatividade e que os juros são indevidos pois não podem incluir os próprios juros em sua base de cálculo e que não foi discriminada sua natureza jurídica (moratório ou compensatório), sendo que o crédito principal não foi reconhecido pelo sujeito passivo que somente se torna exigível após o exaurimento da via administrativa. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA, nos termos do acórdão e voto de folhas 2.157 a 2.164, julgou o lançamento procedente em aresto que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ESPONTANEIDADE. EFEITOS. Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13227.721075/201267 Acórdão n.º 1301001.479 S1C3T1 Fl. 3 3 O procedimento fiscal que se inicia com a ciência do primeiro ato de ofício, escrito, junto ao sujeito passivo, suspende a espontaneidade. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável pelo cumprimento da obrigação tributária. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento mensal, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 Ementa: BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é o faturamento mensal, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando seus argumentos, sustentando, preliminarmente, a nulidade da autuação por ausência de fundamentação, alegando que sua conduta não foi descrita de forma minudente, no mérito, defende que não houve conduta fraudulenta de sua parte, que a falta de recolhimento ocorreu por falha humana, afirmando que pretende regularizar sua situação, porém, os valores lançados, com juros e multas, inviabilizam tal intenção. Defendeu por fim, que foram utilizados índices incorretos nas apurações dos tributos, demonstrando os patamares aplicados no caso do lucro presumido, reputando as multas como confiscatórias. É o relatório. Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13227.721075/201267 Acórdão n.º 1301001.479 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Considerada a preliminar de nulidade aventada pela contribuinte, de rigor pontuar que o feito não padece de qualquer vício, na descrição dos fatos contida no bojo do auto de infração (vide fl. 1.789 em diante), a Fiscalização expôs as razões pelas quais a contribuinte teve o lucro arbitrado no período de 2009, sendo em resumo, o fato de a escrituração do contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes contendo vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive, bancária. Mais adiante indicouse a omissão de receitas, calcada em presunção legal, oriunda de depósitos bancários cuja origem, intimada a fazêlo, a contribuinte não comprovou. Estas são, portanto, as matrizes fáticas sobres as quais se funda o lançamento ora discutido, sendo oportuno registrar que não houve multa qualificada ou agravada, lançandose o patamar mínimo de 75%. Não prospera a preliminar de nulidade, mormente ao se verificar que não houve qualquer das hipóteses contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual rejeito a alegação preliminar, considerando adequadas as descrições fática realizadas pela Fiscalização. Quanto ao mérito, tendo em vista a presunção legal desencadeada pela não comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados e não declarados, bem como o arbitramento do lucro promovido pela Fiscalização, invalidam os questionamentos da contribuinte quanto aos patamares do lucro presumido. Ademais, seu pleito por reconhecimento de ausência de dolo, abusividade de multa de ofício esbarram nos fundamentos reconhecidos pela decisão recorrida. Com efeito, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, consoante regra do art. 136, do CTN, sendo que na espécie não houve a qualificação da multa, sendo o patamar mínimo aplicado, o qual subiste ante a estrita legalidade que vincula o pronunciamento administrativo. Diante disso, voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.001293/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada, em especial quando esta nega os fatos.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada, em especial quando esta nega os fatos. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 93 /2 00 6- 74 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SUNTUR TURISMO E CÂMBIO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Contra a empresa em epígrafe foram lavrados, em 26/06/2006, os autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de fls. 157 a 176, relativos ao anocalendário de 2000, em razão de omissão de receitas, por ter sido apurada falta de contabilização e de comprovação da origem de recursos movimentados no exterior. Foi ainda efetuado lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), sobre Pagamentos a Beneficiários Não Identificados (fls. 177 a 182). 2. Foram apontados como infringidos os seguintes dispositivos legais: 2.1 IRPJ: artigo 24 da Lei n° 9.249/1995, artigos 249, inciso II, 251, caput e parágrafo único, 278, 279, 280, 281, inciso II, 288, 674, 845, 902 e 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR, Decreto n° 3.000/1999) e artigo 45 da Lei n° 8.212/1991; 2.2 PIS: artigos 1o e 3o da Lei Complementar n° 7/1970, artigo 24, § 2o, da Lei n° 9.249/1995, artigos 2o, inciso I, 8o, inciso I, e 9o da Lei n° 9.715/1998 e artigos 2o e 3o da Lei n° 9.718/1998; 2.3 COFINS: artigo 1o da Lei Complementar n° 70/1991, artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/1995 e artigos 2o, 3o e 8o da Lei n° 9.718/1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e suas reedições e da Medida Provisória n° 1.858/1999 e suas reedições; 2.4 CSLL: artigo 2o, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249/1995, artigo 1o da Lei n° 9.316/1996, artigo 28 da Lei n° 9.430/1996 e artigo 6o da Medida Provisória n° 1.858/1999 e reedições; 2.5 IRRF: artigo 674 do RIR/1999. 3. Da ação fiscal em referência resultou a apuração do crédito tributário a seguir discriminado, já incluída a multa de lançamento de ofício, bem como os juros de mora calculados até 31/05/2006: IRPJ.........................R$ 1.956.697,36 PIS...........................R$ 57.081,17 COFINS..................R$ 263.452,02 CSLL.......…............R$ 749.700,87 IRRF........................R$ 4.746.256,69 4. No Termo de Verificação de fls. 151 a 156, integrante dos autos de infração, foram consignados os seguintes fatos: “1 – O procedimento de fiscalização do IRPJ, decorreu da Representação Fiscal da EEF – Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF – Secretaria da Receita Federal n° 463/04, e dos documentos anexos, incluindo relação das ordens de pagamentos das contas bancárias no Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 3 exterior, nas operações financeiras em que o contribuinte SUNTUR TURISMO E CÂMBIO LTDA., CNPJ 58.013.210/000102, figurou como ordenante de remessas ao exterior, por meio de contas tituladas por domiciliados no exterior. 2 – O contribuinte foi intimado em 17/01/2006 a apresentar os livros Diário e Razão, extratos de contas bancárias e aplicações financeiras, bem como cópias das documentações das remessas de recursos enviados para o exterior, ou recebimentos de recursos provenientes do exterior, do ano calendário 2000. 3 – Em correspondência datada de 26/01/2006, o contribuinte esclareceu que: ‘1referente ao ano base de 2000, não houve nenhuma transferência financeira de valores para o exterior. 2Não houve nenhuma aplicação financeira, no respectivo exercício’. 4 – Efetuamos Termo de Intimação datado de 01/02/2006 e 10/02/2006, para o contribuinte apresentar esclarecimentos, escrituração, documentação comprobatória da origem dos recursos utilizados nas operações listadas na tabela abaixo, relativos a operações de transferência de recursos financeiros por meio de conta titulada por residente ou domiciliado no exterior; bem como esclarecer sobre a motivação das transferências e outras informações que julgar necessária. (tabela) 5 – Em correspondência datada de 20/02/06, o contribuinte esclareceu que: ‘1Conforme exposto anteriormente, não houve qualquer transferência financeira de valores para o exterior; 2Com referência às ordens de pagamento (BO), jamais houve qualquer autorização para que alguém usasse o nome da Suntur’. 6 (...)” 5. O Termo de Verificação segue apresentando um “Breve histórico das investigações relativas ao MTBCBCHudson Bank e outros”, bem como um relato dos trabalhos da Equipe Especial de Fiscalização (fls. 152 a 154). 6. Às fls. 198 a 211, consta a impugnação, apresentada em 26/07/2006, por procurador legalmente habilitado (fls. 07 a 11 e 193). 7. Alega a autuada, preliminarmente, que, tanto o IRRF quanto o IRPJ e a CSLL seriam sujeitos ao lançamento por homologação. Transcreve os artigos 899, 218, 220 e 856 do RIR/1999, bem como entendimentos doutrinários e a Nota MF/SRF/Cosit n° 577, de 24 de agosto de 2000, no intuito de buscar respaldo a sua tese. Aponta o período de 17/02/2005 a 21/10/2005 como de extinção do IRRF e, para o IRPJ e a CSLL, o dia 31/03/2006, ou seja, considera que o termo inicial para aplicação do artigo 150 do Código Tributário Nacional seria a data de vencimento da obrigação tributária. 8. Quanto ao mérito, argumenta, em síntese, que: 8.1 a Fiscalização considerou como prova a tradução de informações obtidas a partir de planilhas e não de documentos bancários oficiais; não houve laudo pericial das operações; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 4 8.2 nos documentos gerados a partir das mídias eletrônicas, o primeiro nome da empresa constou como ordenante de remessas para o exterior, mas a empresa não está relacionada no Laudo 1609/04 – INC, nem tampouco em qualquer dos documentos examinados (fls. 109 a 119); 8.3 não há provas da participação da Suntur nessas operações; além do mais a informação constante da mídia eletrônica é informal e pode se referir a outras empresas com atividades e nomes similares (exemplifica); 8.4 a Fiscalização considerou, sem provas documentais, que o montante dos recursos relacionados numa planilha eletrônica se referiam a pagamentos realizados pela empresa, tendo presumido que a falta de registro dos referidos pagamentos caracterizava receitas omitidas pela impugnante; 8.5 mesmo que tivesse ordenado os pagamentos, a empresa teria obtido apenas receitas de intermediação, uma comissão ou uma taxa de serviço, e não uma receita igual ao volume das remessas; 8.6 a veracidade das informações pode ser confirmada pelo exame de sua escrita contábil e de suas contas bancárias; 8.7 a Fiscalização aceitou a escrita contábil da empresa e os prejuízos fiscais existentes, tanto que a tributação baseouse no Lucro Real; 8.8 a presunção de omissão de receitas e a tributação com base no Lucro Real são incompatíveis e demonstram o objetivo de penalização do contribuinte, além da prática de confisco, vedada pela Constituição Federal, em seu artigo 150, inciso IV (compara os valores autuados com os dados da escrita contábil); 8.9 se os valores da omissão fossem verdadeiros, a escrituração seria imprestável para a apuração do lucro real, o que obrigaria o autuante a determinar o imposto com base no lucro arbitrado, nos termos do artigo 530, inciso II, do RIR/1999; 8.10 a tributação pelo lucro arbitrado seria mais benéfica ao autuado (artigo 532 do RIR/1999), caracterizandose, dessa forma, a cobrança de valor superior ao devido; 8.11 houve excesso na aplicação da multa qualificada, posto que a tributação realizada é baseada integralmente em presunções, não há prova documental da omissão, menos ainda prova de fraude, mesmo porque não houve fraude, muito menos evidente intuito de fraude (transcreve decisões administrativas que esclareceriam as condições legais para a qualificação da multa). 9. Às fls. 247 e 248, informa a Fiscalização que não houve a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, por se tratar de investigação conduzida pela Polícia Federal, hipótese em que, conforme dispõe o artigo 1o, § 7o, da Portaria SRF n° 326/2005, é suficiente a comunicação dos fatos apurados àquele órgão, que teria sido efetuada. A decisão recorrida está assim ementada: LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Presente, em tese, o evidente intuito de fraude, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo disposto no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional e passa a ser disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. MEIOS DE PROVA. PROVA DIRETA. Os elementos disponibilizados pelas autoridades no exterior às autoridades brasileiras constituem prova direta das remessas de divisas realizadas pelo sujeito passivo. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 5 OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A falta de escrituração de remessas de divisas efetuadas pelo contribuinte no exterior autoriza a presunção legal de que foram realizadas com recursos mantidos à margem da tributação. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. Havendo fortes indícios do intuito de fraude, impõese a aplicação da multa de 150%, por infração qualificada. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de PIS, COFINS, CSLL e IRRF, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão em 28/11/2007, fl. 285, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/12/2007 (fls. 286 e seguintes), no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, afirma e requer: “(...) Corno demonstrado, houve excesso por parte do Auditor Fiscal: na presunção da presunção, na apuração do lucro real contra a as determinações legais, na qualificação da multa, assim corno na exigência indevida de tributo, cujo crédito tributário já estava fulminado pela decadência muito antes da lavratura do Auto de Infração. Do Pedido De tudo o que foi exposto, solicita o cancelamento o Auto de Infração do Imposto de Renda e dos Autos decorrentes, assim corno o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal. (...)” É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões suscitadas Inicialmente, para evitar omissões ou equívocos quanto à eventual análise de possíveis questões relacionadas à decadência e à tempestividade do recurso, registro que o caso diz respeito a lançamento de crédito tributário correspondente ao ano calendário de 2000, sendo que o auto de infração está às fls. 178 e seguintes, acompanhado do termo de verificação fiscal de fls. 170/175. A notificação deuse em 26/06/2006 (fl.175), com impugnação às fls. 221/233 e julgamento pela DRJ por meio do acórdão de fls.270/283. A parte interessada foi intimada em 28/11/2007 (fl. 306) e apresentou o recurso de fls. 308/320, protocolizado em 19/12/2007, o que quer dizer que observou o prazo recursal de que trata o art. 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. A empresa autuada é tributada com base no Lucro Real Anual, e a autuação está a exigir IRPJ, CLSS, PIS, COFINS, IRRF e multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre as bases estimadas, em face das infrações abaixo indicadas: Omissão de imposto de renda e reflexos do anocalendário de 2000 com multa de 150%, sendo que as datas dos fatos geradores e base de cálculo consta da fl. 178 e seguintes, no auto de infração. Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com multa de 150%, sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, sendo que as datas dos fatos geradores e base de cálculo consta da fl. 236, no auto de infração. Tratase da conhecida operação denominada BEACON HILL. Segundo o histórico à fl. 114, o Laudo 675/021NC cujo objeto foi a movimentação financeira de 137 contas da extinta agência do BANESTADO na cidade de Nova Iorque nos Estados Unidos, abrangendo o período de abril/96 a dezembro/97, momento em que se identificou a empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION que atuava corno preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas específicas, entre as quais a subconta n° 311012, denominada PESCARA. À fl. 179 a autoridade fiscal destaca que em face da operação acima denominada identificouse a empresa autuada como ordenante de remessas ao exterior, por meio de contas tituladas por domiciliados no exterior. A contribuinte foi Intimada em 17/01/2006 a apresentar os livros Diário e Razão, extratos de contas bancárias e aplicações financeiras, bem como cópias das documentações das remessas de recursos enviados para o exterior, ou recebimentos de recursos provenientes do exterior, do anocalendário 2000. Em correspondência datada de 2610112006, a contribuinte esclareceu que: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 7 1 referente ao anobase de 2000, não houve nenhuma transferência financeira de valores para o exterior; 2 Não houve nenhuma aplicação financeira, no respectivo exercício. Nos itens 09 a 14 do termo de verificação fiscal a autoridade descreve os procedimentos realizados pelas autoridades americanas e brasileiras, na troca de informações e à partir do item 15 conclui que a autuada remeteu as quantias que indica ao exterior e, por não têlas declarado em sua contabilidade está caracterizado a omissão de receita. No mais, como não estão identificados os beneficiários, ou descrito a causa, segundo a autoridade autuante, resulta caracterizada, de forma concomitante, a existência de pagamento sem causa, justificando a exigência de IRFonte, com alíquota de 35% e base de cálculo reajustada. A decisão recorrida manteve integralmente a exigência, com a multa qualificada, basicamente pelos seguintes fundamentos: “(...) Conforme já se destacou, a fiscalização realizada no contribuinte teve origem em representação fiscal formalizada pela Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF n° 463/04, que verificou os documentos e a mídia eletrônica disponibilizados às autoridades brasileiras pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, Estados Unidos da América. Com base nesses elementos, bem como no Laudo Pericial elaborado pelo Departamento da Polícia Federal, evidenciouse que a autuada figura como ordenante em diversas remessas de divisas. Uma vez que a contribuinte não escriturou as remessas em questão, bem como não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, os fatos narrados no Termo de Verificação configuram, em tese, o evidente intuito de fraude, capitulado na Lei nº 4.502/1964, em seus artigos 71 a 73 (...)” Pois bem, compulsando os autos verificase que a Fiscalização, embora tenha intimado a contribuinte para prestar esclarecimento e obtido como resposta o desconhecimento das remessas por parte dos representantes da autuada, não trouxe aos autos qualquer prova de que tais pagamentos ou remessas foram mesmo efetuadas pela contribuinte. No julgamento de outros processos relativos a essa operação Beacon Hills este Conselho tem deparado com situações em que o Fisco consegue, ainda que por amostragem, provas de que os remessas foram mesmo realizadas pela contribuinte autuada. Em outras situações empresas admitem a remessa e procuram fazer prova da origem lícita e tributada dos recursos. É certo que as remessas foram feitas ao exterior. No entanto, inexiste provas de qualquer tipo ou natureza de que realmente partiu da empresa essas remessas. Em momento algum se identificou em contas bancárias da contribuinte a saída dos mencionados recursos. Sequer há prova de que a contribuinte possuía valores de tamanha grandeza. Assim, diante da negativa da contribuinte quanto a autoria das remessas, caberia a fiscalização fazer essa prova. Ora, a rigor, qualquer pessoa, física ou jurídica, conhecedora da razão social e CNPJ da contribuinte poderia ter realizado essa remessa. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 8 Não desconheço que por se tratar, em tese, de valores mantidos à margem da contabilidade, a prova fiscal é dificultada. Porém, também é certo que a recorrente não tem como fazer prova negativa de suas alegações. Inexiste nos autos qualquer outra prova ou indício, colhida da contribuinte ou pessoas/empresas com quem transacionou diretamente, que corrobore a acusação fiscal. Frisese: o ônus da prova cabe a quem acusa. Citese outros acórdãos deste Conselho, relativa a mesma operação “Beacon Hill” em que pela insuficiência de provas foi cancelada a exigência: PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA – OPERAÇÃO BEACON HILL – AUSENCIA DE PROVA DE AUTORIA DE REMESSA IMPOSSIBILIDADE–A presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados impo à administração tributária a obrigação de comprovar a autoria dos pagamentos. (Acórdão 1201000.654 de 1/2/2012). OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização Instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada. (Acórdão 140200.546 de 25/05/2011). FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO A atividade da fiscalização deve ser exercida sempre que se tratar de possibilidade de lesão ao Erário, por força de descumprimento das regras tributárias. A aplicação de presunções, todavia, somente pode ser realizada na hipótese em que houver prova contundente dos indícios que cumpram os requisitos de gravidade, precisão e concordância, passando, então, a caracterizarem se como verdadeiros elementos probantes. (Acórdão 120200.486 de 22/02/2011). Deixo de apreciar as preliminares suscitadas pela recorrente, em face do entendimento consagrado neste Conselho no sentido que uma vez decido o mérito a favor do contribuinte, superaramse as preliminares, à inteligência do art. 59, §3o. do Decreto 70.235/1972. Conclusão Voto no sentido de dar provimento o recurso para cancelar integralmente a exigência. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 9 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13310.000044/2001-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N2 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A
INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA
INDEFERIMENTO.
O ressarcimento autorizado pela Lei n2 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.043
Decisão: ACORDAM os Membros da 1° CÂMARA / 1° TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas conclusões. Fez sustentação Oral o Dr°sergio Silveira Melo
Nome do relator: Antonio Zomer
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Recorrida DRJ em Belém - PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N2 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei n2 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / V TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pe sei elusões. Fez sustentação Oral o D - _io Silveira Melo. • as a • O MARCOS CÂNDID P esidente o Processo e 1331(000044/2001-77 S2-CIT1• Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 917 aek Fik p NVOMER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao I° trimestre de 2001, apresentado em 25/06/2001, com fimdamento na Lei n2 9.363/96. O processo de industrialização da requerente desenvolve-se em estabelecimentos de terceiros, desde o beneficiamento do couro, feito por curtumes especializados, até a fabricação dos calçados, feita pela Cocalqui — Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. Analisando a documentação contábil da empresa, o Auditor-Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/132 e Informação Fiscal de fls. 325/326, constatou que não havia controle individualizado das operações de industrialização por encomenda e intimou a requerente a elaborá-los. Depois de reiteradas intimações sem que a empresa lograsse apresentar e comprovar a existência de controles apropriados, propôs o indeferimento total do pleito. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE, acatando o parecer da fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, registrando em seu despacho de fl. 327 que a motivação da decisão foi a falta de comprovação do direito aos créditos pleiteados, de acordo com a legislação pertinente. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I - o Agente Fiscal, com um pouco mais de bom senso, com base nos dados que sempre estiveram à sua disposição, poderia constatar onde e para que finalidade teriam sido utilizados todos os insumos adquiridos; 2 - para comprovar o crédito presumido alegado, o Agente Fiscal deveria ter verificado se: a) as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem com direito a crédito foram adquiridas no mercado nacional; b) as aquisições mencionadas estão suportadas por documentos fiscais hábeis e idôneos, devidamente registrados nos livros contábeis e fiscais; 2' Processo n° 13310.000044/2001-77 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 918 c) as exportações informadas foram efetivamente realizadas (Registro de Exportação — RE e SD); d) as receitas totais correspondem aos valores informados pela contribuinte em outras obrigações acessórias, como, por exemplo, na DIPJ; e) o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais foi realizado corretamente; e O o cálculo do Crédito Presumido informado pela Contribuinte estava - correto; 3 - o Auditor-Fiscal não teria levado em conta as centenas de notas fiscais de compra de matérias-primas e de demais insumos de produção colocadas à sua disposição e nem verificado as dezenas de notas fiscais de exportação, B/Ls, REs, SDs, contratos de câmbio de exportação, etc; 4 - o crédito presumido deveria ser calculado com base nas aquisições de insumos e no percentual de participação das receitas de exportação na receita total da empresa exportadora, não havendo necessidade de se saber quais teriam sido os insumos aplicados nas exportações realizadas; 5 - o valor dos insumos poderia ser calculado somando-se o estoque no início de um determinado período às aquisições, e diminuindo-se as saídas não aplicadas na produção e o estoque final do mesmo período; 6 - a solicitação de documentos feita pelo Auditor-Fiscal somente poderia ter sido realizada por alguém com algum distúrbio psíquico ou de má-fé. Mesmo assim, teria disponibilizado ao Auditor-Fiscal os seguintes documentos, os quais seriam mais do que suficientes para confirmar as exportações realizadas e a aquisição dos insumos utilizados na produção: livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, livros de inventário, documentos comprobatórios da efetivação da exportação (RE, SD, BL, Contrato de Câmbio), livros diário e razão e fichas técnicas de produção; 7 - se a fiscalização tinha alguma dúvida em relação a quais insumos e suas respectivas quantidades foram utilizados na fabricação dos calçados exportados, bastaria ter multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo; e 8- os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI requeridos antes de 2001 foram deferidos sem que a fiscalização levantasse qualquer problema. Por fim, requereu a contribuinte: (1) a realização de perícia para esclarecer os quesitos que constam das fls. 327/328; (2) a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza - CE para se deferir o pedido de ressarcimento; e 3 -a Processo e 13310.000044/2001-77 S2-CITI Acórdão o.° 2101 .00.043 Fl. 919 (3) a atualizado do valor pleiteado pela taxa Selic desde a data do protocolo do processo até a data do efetivo ressarcimento. A DRJ em Belém — PA manteve inalterado o despacho decisório, indeferindo o pedido de perícia e negando o direito ao ressarcimento e às compensações, por falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos. No recurso voluntário, ao qual foram juntados diversos documentos, a empresa repisa e reforça os seus argumentos de defesa, reiterando a alegação de que produziu e exportou milhares de pares de calçados, fazendo jus ao crédito presumido solicitado. Reitera, também, o pedido de realização de perícia, para o fim de confirmar o seu direito ao ressarcimento, elaborando uma série de quesitos que, a seu ver, precisariam ser respondidos. Por fim, requer o deferimento integral do pedido de ressarcimento, devidamente atualizado pela taxa Selic, bem como a homologação das compensações inerentes a este processo. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. O ressarcimento do IPI é beneficio fiscal que pode ser deferido apenas para a empresa que seja contribuinte deste imposto. E contribuinte do IPI é o estabelecimento responsável pela operação industrial, mesmo que realizada em estabelecimento de terceiro, alugado, arrendado ou por qualquer outro meio cedido para a fabricação de seus produtos (PN n2 124/74). Quando a industrialização é feita em estabelecimentos de terceiros, a empresa não é contribuinte direta mas por equiparação. A operação que equipara a recorrente a estabelecimento industrial e, portanto, que a toma contribuinte do IPI, está prevista inciso IV do art. 92 do RIPI/98 e do RIPI12002, nos seguintes termos: "Art. 9" Equiparam-se a estabelecimento industrial: IV - os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei n" 4.502, de 1964, art. 4", inciso III, e Decreto-Lei n°34, de 1966, art. 2", alteração 332." 4 Processo n° 13310.000044/2001-77 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 920 Todo contribuinte deve atentar para as normas constantes do Regulamento do IPI (Decreto n2 2.637/98 — RIP1198 e Decreto n2 4.544/2002 — RIPI12002), pois que, sem a sua observância, não se pode receber os incentivos fiscais relativos a este imposto, como o ressarcimento de créditos, sejam eles básicos ou presumidos. As normas de controle dos insumos, quando a industrialização é feita fora estabelecimento adquirente e exportador dos produtos fabricados por terceiros, são ainda mais rígidas do que aquelas que devem sem cumpridas pelos estabelecimentos industriais. Na industrialização por encomenda, o direito de escrituração dos créditos exige do equiparado a industrial um rigoroso controle documental das operações industriais, sem o qual não haverá direito a ressarcimento/compensação. O Auditor-Fiscal não inventa os controles contábeis que exige da empresa. Ao contrário, só exige aqueles que estão previstos nas normas pertinentes à escrituração das empresas que pretendem requerer o ressarcimento de créditos do IPI. Não tem sentido, pois, a reclamação de que houve excessivo rigor formal por parte da fiscalização, quando esta registrou a falta de coerência da escrituração contábil da empresa, no que tange à emissão de notas fiscais, ao controle de estoques e à movimentação de insumos e produtos acabados entre o seu estabelecimento e o da prestadora dos serviços de industrialização. Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agrega-se a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estender-se ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retorno dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceu- se uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/132. Entre elas, destaca-se a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e vice-versa. Se a requerente do crédito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na fabricação dos produtos exportados, não há que se falar em direito ao ressarcimento do crédito presumido. 5 Processo n° 13310.000044/2001-77 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.043 A. 921 Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meio dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. O que se tem é uma empresa que adquiriu insumos e exportou calçados, registrando estas operações nos livros contábeis próprios. Não se tem, todavia, a prova de que o processo industrial foi, de fato, desenvolvido pela Cocalqui sob encomenda da Calçados Aniger, porque não se tem nem mesmo a comprovação de que os insumos adquiridos por esta foram utilizados no processo de industrialização realizado por aquela. O bom senso das autoridades fiscais não pode ir além do que dispõe o regulamento do IPI e as demais normas que tratam da matéria. Em se tratando de incentivo fiscal, a prova não se faz por presunção mas de forma direta. E os documentos examinados pela fiscalização e aqueles juntados aos autos pela empresa não foram suficientes para demonstrar onde e para que finalidade foram utilizados os insumos adquiridos por meio das notas fiscais apresentadas. A falta dessa comprovação, outrossim, não pode ser suprida pela visita do Auditor-Fiscal ao estabelecimento fabril da recorrente, que se presta para a averiguação da existência efetiva do processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. O indeferimento do ressarcimento, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retorno dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom - RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os Auditores-Fiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e outra errada, ou vice-versa, pois ambas são proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. •je . Processo n°13310.000044/2001-77 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 922 Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. No entanto, enxertaram-se nos autos uma enormidade de documentos, como laudos do processo produtivo, notas fiscais de aquisição de insumos, contratos de câmbio de exportação, etc., que nada têm a ver com o motivo do não reconhecimento do direito ao ressarcimento, que foi a inexistência de controles rígidos, que permitam a identificação da realização de industrialização por encomenda, nos moldes preconizados pelo Regulamento do I P I. Por outro lado, a documentação que acompanhou o recurso voluntário também não trouxe qualquer elemento que demonstre a existência de controles confiáveis da movimentação dos insumos e dos produtos fabricados, entre a recorrente e o estabelecimento industrializador. A realização de mais um exame na mesma documentação não seria capaz de modificar a realidade dos fatos, registrada nos autos e caracterizada, inclusive, pela falta ou atraso injustificado no atendimento das intimações expedidas pela fiscalização. A questão da necessidade de realização de perícia é prerrogativa do julgador, conforme dispõem os arts. 18 e 29 do Decreto n2 70.235/72, a seguir transcritos: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pelo art. 1"da Lei n" 8.748193). "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A regra do processo administrativo fiscal é que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e tempestivamente. É da essência da relação processual (arts. 14, 15 e 16, inciso III, do Dec. n2 70.235/72, com as alterações posteriores) que as alegações estejam devidamente comprovadas. Desta forma, compete ao contribuinte municiar-se das provas necessárias para refutar a acusação fiscal, não se admitindo a juntada posterior de novos documentos, salvo nas hipóteses taxativamente excepcionadas pelo § 42 do art. 16 do Dec. n2 70.235/72. Portanto, existindo nos autos elementos suficientes para a solução do litígio, e não podendo a autoridade julgadora suprir eventual falta do contribuinte, no que conceme à formação das provas de suas alegações, mantém-se o indeferimento do pedido de perícia. Por fim, registra-se que o pedido de atualização do ressarcimento pela taxa Selic restou prejudicado, em face do indeferimento do direito, na análise de mérito. 7 • Processo n°13310,000044/2001-77 S2-C1T1• Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 923 Ante todo o exposto, em preliminar, indefere-se o pedido de perícia e, no mérito, nega-se provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2009. c - 11 A 1/4+ AN : 1 101131 R Page 1 _0076100.PDF Page 1 _0076200.PDF Page 1 _0076300.PDF Page 1 _0076400.PDF Page 1 _0076500.PDF Page 1 _0076600.PDF Page 1 _0076700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.726181/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção.
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal.
MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considera-se que houve boa-fé do contribuinte e exonera-se a multa de ofício.
Numero da decisão: 2101-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: Relator
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ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considerase que houve boafé do contribuinte e exonerase a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 81 /2 00 9- 14 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário visa reverter a decisão do Acórdão 1523.310 3ª Turma da DRJ/SDR, que manteve integralmente o lançamento tributário do contribuinte. Na autuação foram lançadas as parcelas mensais recebidas em 36 parcelas iguais, de janeiro/2004 a dezembro 2006 (exercícios 2005, 2006 e 2007), a título de URV, relativamente aos períodos 1/04/1994 a 31/08/2001. Tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/2009, o recurso foi sobrestado para aguardar o julgamento do recurso 614.406/RS que versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente, conforme Resolução 2101000.076. Contudo, em virtude da revogação desse dispositivo de sobrestamento pela Portaria MF 545/2013, estáse procedendo o julgamento do recurso voluntário. No recurso voluntário, o contribuinte apresenta os seguintes argumentos. a) A parcela recebida acumuladamente referese à recomposição salarial, correção do capital, porque não implementada no tempo certo. Essa parcela referese à diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. b) Isonomia com o estabelecido na Resolução/STF nº 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais. c) Entende que se os valores fossem calculados mês a mês, e refazendo as DIRF´s (2004, 2005 e 2006) poderia ser beneficiado. d) Valores pertinentes a 13o. salário e férias indenizadas estariam sujeitos à tributação exclusiva e, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do lançamento. e) Ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não deveriam ser tributados os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória. f) Mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamenta em lei Estadual. Colaciona decisões sobre o assunto e também pareceres administrativos (PGFN, AGU). g) O lançamento deve ser considerado nulo tendo em vista vício de forma na apuração da base de cálculo do tributo, tendo em vista o entendimento do STJ referente ao assunto. h) Falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado. Esta questão não teria sido enfrentada na primeira instância. i) Quebra da capacidade contributiva do contribuinte. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726181/200914 Acórdão n.º 2101002.531 S2C1T1 Fl. 3 3 Por último, colaciona julgados deste Conselho sobre o assunto e requer a improcedência do auto de infração e, caso seja mantida a ação fiscal, que seja excluída a multa no importe de 75% do débito e os juros de mora. Importante observar que o auto de infração já considerou o cálculo do tributo tendo em vista jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. No novo cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, foram levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, e atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente o contribuinte alega ilegitimidade ativa da União para cobrar imposto de renda com base no art. 157, I da Constituição Federal de 1988. A Turma a quo assim se pronunciou sobre o assunto: "É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União". Grifei Não merece reparos a decisão a quo quanto a esse aspecto, pois a competência constitucional para instituir e legislar (além de fiscalizar, cobrar, autuar, etc.) sobre o imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza é da União, conforme art. 153, inc. III da CF/88 e art. 6 da lei 5172/66. Tal competência é indelegável. Mais ainda, como a competência legislativa sobre o tributo em questão é única e exclusiva da União, não se reconhece, no âmbito deste processo administrativo federal tributário, diplomas legais que não sejam oriundos de tal competência, como por exemplo, legislação estadual que teria considerado tal verba como indenizatória. Também não deve prosperar o argumento de isonomia com os magistrados federais, tendo em vista a Resolução/STF 245/2002. Tal resolução não é lei federal (i.e. obedeceu os trâmites previstos para a elaboração e aprovação dentro das casas legislativas que compõem o Congresso Nacional) e abrange apenas membros do Poder Judiciário da União. Portanto, não pode ser considerada no âmbito deste processo administrativo tributário federal. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Relativamente ao mérito, o contribuinte alega que a natureza da URV é indenizatória, porque visava corrigir o poder aquisitivo do cruzeiro real em relação à URV. Assim, a nova moeda (URV) não seria contaminada pelo ciclo inflacionário e evitaria a perda do poder aquisitivo da moeda antiga, o cruzeiro real. Em que pese o argumento da defasagem salarial ante o aumento da inflação e, neste caso a correção salarial não representaria aumento de patrimônio ou renda, mas manutenção dos mesmos observase que não existem dispositivos legais que definam, em caso de aumento salarial, o que seria reposição salarial e o que seria aumento de renda/patrimônio e tampouco essa distinção na forma de tributação. São tributados igualmente os aumentos salariais que corrigem defasagem em relação à inflação e aqueles aumentos de salário reais, que realmente significam aumento de patrimônio do trabalhador. Assim, não se pode considerar o argumento do contribuinte por falta de previsão legal. Considerar o reajuste salarial motivo do rendimento recebido acumuladamente como parcela indenizatória, seria tratar de forma não isonômica os contribuintes que recebem reajustes salariais para corrigir o valor da inflação e têm esses valores tributados como se aumento salarial fosse. Sob outro ângulo, o par. 2, art. 108 do Código Tributário Nacional estabelece que "o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do devido tributo" e, no caso deste processo, não há que se falar em quebra da capacidade contributiva, pois os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sendo tributados conforme legislação federal vigente no País. Não tributar tais rendimentos, seria dispensar tratamento diferenciado ao contribuinte, o que não condiz com um Estado Democrático de Direito. Observase ainda que o constituinte elegeu como direitos dos trabalhadores (art. 7, IV, CF/88) "salário mínimo nacionalmente unificado,... com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo..", contudo, não definiu qualquer dispositivo isentivo de imposto de renda para os tais reajustes periódicos que somente preservariam o poder aquisitivo do salário. Entendo que as diferenças salariais decorrentes da URV são acréscimos salariais (não importando se seriam reajustes em decorrência da inflação ou aumento real de salário) que não teriam sido incorporados aos salários na época própria. Contudo, a partir do momento em que são recebidos, se constituem em renda tributável cujo fato gerador é definido pelo art. 43 do Código Tributário Nacional. Caso tivessem sido recebidos na época certa, teriam sido devidamente tributados. Então, os valores do principal recebidos acumuladamente são sim produto do trabalho e, como tal, devem ser tributados. O art. 43 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional) define como fato gerador do imposto a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda (o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza, (quaisquer acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior). Mais ainda, no par. 1o. do mesmo artigo fica claro que "a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento". Com relação ao lançamento do tributo que deveria ter sido retido na fonte, o entendimento consolidado deste Conselho está expresso na Sumula CARF n. 12 que determina: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726181/200914 Acórdão n.º 2101002.531 S2C1T1 Fl. 4 5 Compulsandose os autos, verificouse que a fonte pagadora realmente fez constar no informe de rendimentos os valores recebidos acumuladamente como não tributáveis e o próprio contribuinte entende que tais valores realmente não seriam tributáveis. Não obstante, a existência de um dispositivo legal considerando a verba não tributável foi decisiva para que o requerente adotasse o procedimento incorreto. Desta forma, entendo que o erro é escusável, em acordo com a súmula 73 do CARF, a seguir transcrita. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Os valores devidos já estão conforme o parecer PGFN/CRJ N. 287/2009, que está em consonância com a Jurisprudência do STJ, ou seja, os valores recebidos pelo contribuinte foram tributados pelo regime de competência, conforme ementa do referido parecer: "Tributário. Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça." Há que se esclarecer que o recolhimento mensal do tributo cuja retenção seja feita na fonte constituise numa antecipação do imposto devido a ser calculado definitivamente na declaração de ajuste anual. Assim, caso tenha sido retido um valor mensal inferior ao necessário, haverá que ser compensado no imposto a pagar da declaração de ajuste anual. Observase ainda que o acórdão de primeira instância explicitou a forma de cálculo dos valores devidos enfatizando que, "nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão". O acórdão a quo excluiu da base tributável os valores recebidos cuja tributação de imposto de renda é isenta ou exclusiva. Assim nada há que ser reparado nesse sentido. O contribuinte se insurge contra a tributação dos juros recebidos acumuladamente. Entretanto, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; O presente processo não trata de verbas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho e, portanto, não se lhe pode aplicar o decidido no REsp 1089720/RS. Recurso voluntário provido em parte para exonerar o contribuinte da multa de ofício por erro escusável, consoante jurisprudência deste Conselho. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11128.000907/2002-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/09/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. DIVERGÊNCIA.
Classifica-se no código NCM 3701.30.21, Chapa fotográfica sensibilizada e não impressionada, com polímero fotossenssível, apresentando suporte de alumínio e destinada à confecção de fotocomposições para processos gráficos.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A adoção de critério jurídico, conforme consta do art. 146 do CTN, no que se refere à classificação fiscal, só ocorre quando a referida classificação fiscal está devidamente estabelecida em legislação normativa específica, processo de consulta ou no lançamento de ofício, o que não ocorreu.
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA.
Caracterizada a descrição incompleta da mercadoria na Licença de Importação, em consequência, configura-se a infração capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea b do art. 169 do Decreto-lei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, pela falta de Licença de Importação para a mercadoria efetivamente importada, bem como existência de tratamento administrativo para o código NCM 3701.30. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pela conclusão, em relação à não caracterização de mudança de critério jurídico, os Conselheiros Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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DIVERGÊNCIA. Classificase no código NCM 3701.30.21, Chapa fotográfica sensibilizada e não impressionada, com polímero fotossenssível, apresentando suporte de alumínio e destinada à confecção de fotocomposições para processos gráficos. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A adoção de critério jurídico, conforme consta do art. 146 do CTN, no que se refere à classificação fiscal, só ocorre quando a referida classificação fiscal está devidamente estabelecida em legislação normativa específica, processo de consulta ou no lançamento de ofício, o que não ocorreu. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. Caracterizada a descrição incompleta da mercadoria na Licença de Importação, em consequência, configurase a infração capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea “b” do art. 169 do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, pela falta de Licença de Importação para a mercadoria efetivamente importada, bem como existência de tratamento administrativo para o código NCM 3701.30. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pela conclusão, em relação à não caracterização de mudança de critério jurídico, os Conselheiros Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 09 07 /2 00 2- 29 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “A interessada foi autuada em face das infrações “declaração inexata de mercadoria”, “importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente”, “infração à Medida Provisória 215835, de 24 de agosto de 2001” e “falta de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados por declaração inexata de mercadoria”. Foram lançados multa por falta de licença de importação, multa por classificação incorreta, imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados e respectivos juros de mora e multas de ofício. Em síntese, a autoridade aduaneira alega que os produtos constantes das adições 1 e 2 da declaração de importação 01/09581614 foram classificados incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme descrição dos fatos às fls. 211, e que as descrições informadas não possuem os elementos previstos na legislação (fl. 13). Intimada em 12/03/02, a interessada apresentou em 11/04/02 impugnações e documentos, juntados às fls. 90238. Alega, em síntese: É ilegítima a desclassificação das mercadorias procedida pelo fisco pois o laudo em que se baseia não indica a classificação fiscal dos produtos, mas apenas os descreve. A classificação pretendida pelo fisco não decorre desse laudo, mas apenas de mera interpretação do agente fiscal. Preliminarmente. Ante a divergência de critérios interpretativos contidos nos laudos (oficial e os anexos à impugnação), a impugnante requer perícia técnica complementar — “para análise e comparação desses laudos, e definição adequada de critérios de enquadramento correto nas posições fiscais (…), para verificarem as mercadorias, compararem os laudos, e em parecer completo e abrangente atestarem a qualificação e a destinação específica dos produtos de importação da ora Impugnante, objeto da autuação, e sua correta classificação fiscal, em atendimento às regras de classificação fiscal no item da TIPI e NBM, como adotados pela Impugnante” (fls. 92 e 162) — e indica assistente técnico. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 826 3 Mérito. Submeteu as “chapas para policromia – EGGEN SP ‘7’ e EGGEN SN ‘5’” a exame pericial. Diante das análises técnicas laboratoriais, com exame físico e químico, e verificação de uso, o perito classificou o produto no código 3701.30.10 (doc. 3, fls. 12640 e 20216). Os produtos “TYPON FILMS’ (“rolos de filmes de matéria plástica sintética”) também foram submetidos a exame pericial. Em face das análises efetuadas, o mesmo perito concluiu pela classificação de alguns produtos no código 3702.44.10 e outros no 3702.43.10 (fls. 14158 e 21734). A classificação adotada pela impugnante é correta e é reiteradamente apontada por atos administrativos ao longo dos anos, os quais se constituem em normas complementares e determinam que a Fazenda Nacional não pode pretender cobrar correção monetária, juros nem penalidade de qualquer espécie. Cita artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN) e julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As mercadorias estão perfeita e adequadamente indicadas e descritas nos documentos de importação e nos laudos periciais. A discrepância de classificação fiscal decorre, exclusivamente, da aplicação de regras ou critérios de interpretação das normas. Há tentativa de a autoridade fazendária rever o lançamento praticado por motivo de “suposto erro de direito”. Essa hipótese, por tratar apenas de divergências de interpretação, não se subsume a nenhum dos itens arrolados no artigo 149 do CTN. Cita manifestações da doutrina contra o lançamento em razão de nova orientação ou critério jurídico (fls. 10715 e 17784). Cita também o artigo 146 do CTN. Somente é admitida retificação de lançamento em face de erros materiais, observadas as disposições dos artigos 145 e 149 do CTN. Conclui que nenhum tributo nem acréscimo podem ser exigidos. É ilegítima a aplicação de penalidades pois a eventual discrepância na classificação fiscal decorre de mera interpretação divergente das regras aplicáveis, tendo sido as mercadorias adequadamente descritas e identificadas, inclusive, por seu nome comercial, não havendo dolo nem máfé. Cita decisões do Terceiro Conselho de Contribuintes, do STJ e dos Tribunais Regionais Federais da 1ª e 4ª Regiões. Requer o cancelamento do crédito tributário. É o relatório.” O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1717.262, de 19/01/2007, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 827DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 27/09/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 1. Chapa fotográfica sensibilizada e não impressionada, com polímero fotossenssível, apresentando suporte de alumínio e destinada à confecção de fotocomposições para processos gráficos classificase no código NCM 3701.30.21. 2. O auto de infração deve ser instruído com todos os elementos de prova. Reenquadramento de parte dos produtos na NCM, efetuado pela fiscalização, fundado em laudo técnico inconclusivo. Falta de prova. 3. Procedente o lançamento da multa por falta de licença de importação (DL 37/1966, artigo 169, I, “b”) em face da descrição incompleta. 4. Procedente o lançamento de II e IPI, acrescidos de juros e multa de ofício, bem como da multa tipificada na MP 2.15835/01, artigo 84, I, para os produtos reclassificados. Lançamento Procedente em Parte.” O julgamento foi no sentido de desconsiderar a reclassificação fiscal para adição 02 da declaração de importaçãoDI n° 01/09581614, tendo em vista o laudo estar inconclusivo e manutenção da reclassificação fiscal para o produto da adição 01, conforme quadro demonstrativo, abaixo: Lançado Mantido Exonerado Multa falta LI 72.022,26 72.022,26 Multa MP 2.158 2.400,74 1.554,85 845,89 II 28.808,90 18.658,18 10.150,72 Juros 1.682,43 1.089,63 592,80 Multa de ofício 21.606,68 13.993,64 7.613,04 IPI 5.185,57 3.358,45 1.827,12 Juros 302,83 196,13 106,70 Multa de ofício 3.889,18 2.518,84 1.370,34 Total 135.898,59 113.391,98 22.506,61 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória para a parte procedente. Foi convertido o JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, conforme Resolução n° 310200.002, de 25/03/2009. Objetivo da mesma fosse para que a empresa apresentasse novo laudo junto ao IPT. E, em complemento, fosse explicado o motivo da não exclusão parcial da multa ao controle administrativo para adição 02 e aproveitando, foi solicitado, também, informar, que com a reclassificação fiscal da adição 01 (3701.30.21), à época do fato gerador em 27/09/01, se a mercadoria estava sujeita a Licença de Importação (licenciamento de forma automática ou nãoautomática ) (Portaria Secex n° 21/96). Em resposta, à parte da produção do novo laudo junto ao IPT, a recorrente (fl. 790 e ss (pdf)) argumenta que já produziu, em seu favor, as provas que julgava necessárias e não concorda em arcar com os custos de um novo laudo (motivando desconhecimento do valor que seria cobrado). O processo foi baixado em diligência para complemento, do demandado anteriormente, através da Resolução 3201000.414, de 21/08/2013 para atendimento de: Fl. 828DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 827 5 SOLICITADA EXPLICAÇÃO PELA NÃO EXCLUSÃO PARCIAL DA MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO PARA ADIÇÃO 02, ou seja, no quadro final da DRJ, ficou mantida a totalidade da multa por falta de licença de importação. Pois, a base de cálculo da adição 2 é R$ 84.589,34, ou seja, aplicada 30% sobre esta base de cálculo, tem como resultado o valor de R$ 25.376,80. INDAGADA, SE À ÉPOCA DO FATO GERADOR (27/09/2001), RECLASSIFICANDO A ADIÇÃO 1, ESTA, ESTARIA, DE FATO SUJEITA À LICENÇA DE IMPORTAÇÃO Em resposta, às fls 808/816, foi muito bem esclarecido, dessa forma: Questão 1 ........ Ante o exposto, confirmo que a multa por falta de licenciamento, capitulada no artigo 169, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei nº 37/1966, foi mantida no julgamento da DRJ/São Paulo, 2ª turma, para a adição 2, em razão de a descrição da mercadoria informada na DI não permitir “perfeita identificação e caracterização” da mercadoria, nem informar “todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado”. Questão 2: informação de que “com a reclassificação fiscal da adição 01 (3701.30.21), à época do fato gerador em 27/09/01, se a mercadoria estava sujeita a licenciamento de forma automática ou não automática”. Constatouse que, na descrição declarada, faltaram elementos necessários e essenciais a identificação e ao enquadramento tarifário das mercadorias, aos quais se refere o Ato Declaratório Normativo nº 12, de 21 de janeiro de 1997. Por outro lado, este julgador efetuou pesquisa no Siscomex – Consulta Tratamento Administrativo/Histórico, NCM 3701.30.21, a fim de complementar os fatos consignados no auto de infração. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Identificouse a existência de tratamento administrativo para o código NCM 3701.30, previsto pelo Comunicado Decex nº 12/1997 (DOU de 14/5/1997, seção III),conforme segue: “O Diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior – DECEX, no uso das atribuições que lhe confere o art. 17, inciso II do Anexo I do Decreto nº 1.757, de 22 de dezembro de 1995, e tendo em vista o disposto no art. 10 da Portaria SECEX nº 21, de 12 de dezembro de 1996, torna público: 1. ...................................................................................... 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. (…) Anexo II (…) Descrição da NCM Destaque da NCM Descrição do Destaque da NCM 3701.30 OUTRAS CHAPAS E FILMES CUJA A DIMENSÃO DE PELO MENOS UM DOS LADOS SEJA SUPERIOR A 25 MM Tratamento Administrativo: Importação sujeita a Licenciamento não Automático, a ser analisada pela Secretaria de Comércio Exterior A recorrente foi intimada e não se manifestou, conforme informação à fl. 822. O processo foi digitalizado e redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 828 7 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Considerando que a decisão de primeira instância julgou procedente em parte, tendo em vista desconsiderar a reclassificação fiscal para adição 02 da declaração de importação 01/09581614, pois laudos foram considerado inconclusivos (faltaram elementos probatórios suficientes para comprovar as características merceológicas que justificassem a reclassificação fiscal) e manutenção da reclassificação fiscal para o produto da adição 01. Trata o presente processo de reclassificação fiscal da mercadoria descrita pela importadora, referente á adição 01. Foram lançados multa por falta de licença de importação (mantida para adição 2), multa por classificação incorreta, imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados e respectivos juros de mora e multas de ofício. O litígio diz respeito ao enquadramento tarifário dado pela fiscalização — códigos NCM 3701.30.21 (adição 01 ) da declaração de importaçãoDI 01/09581614. A recorrente indicou código NCM 3701.30.10. O enquadramento de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, em que se baseiam a Tarifa Externa Comum TEC e a Tabela de Incidência do IPI — TIPI, obedece a critérios universais que decorrem da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias celebrado em Bruxelas, em 14/06/1983. No Brasil foi ratificada pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11/10/1988 e promulgada no âmbito interno pelo Decreto Presidencial n° 97.409, de 23/12/1988. Os referidos critérios sobre classificação de mercadorias estão consubstanciados nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regra Geral Complementar (RGC), integrantes do texto da NCM. Cujas regras devem ser aplicadas seqüencialmente. Assim, prescreve a RGI n° 1: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (Regras 2 a 6.) Observase que o produto classificase na subposição 3701.30. A questão é o detalhamento em nível de item e subitem. “3701 CHAPAS E FILMES PLANOS, FOTOGRÁFICOS, SENSIBILIZADOS, NÃO IMPRESSIONADOS, DE MATÉRIAS DIFERENTES DO PAPEL, DO CARTÃO OU DOS TÊXTEIS; FILMES FOTOGRÁFICOS PLANOS, DE REVELAÇÃO E COPIAGEM INSTANTÂNEAS, SENSIBILIZADOS, NÃO IMPRESSIONADOS, MESMO EM CARTUCHOS Fl. 831DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 .................................. 3701.30 Outras chapas e filmes cuja dimensão de pelo menos um dos lados seja superior a 255mm 3701.30.10 Para fotografia a cores (policromos) (recorrente) 3701.30.2 Chapas sensibilizadas com polímeros fotossensíveis 3701.30.21 De alumínio (fiscalização) 3701.30.22 De poliéster 3701.30.29 Outras ..................................” (Grifos acrescidos) O problema é definir se os produtos são “chapas para fotografia a cores (policromos)” ou se são “chapas sensibilizadas com polímeros fotossensíveis” e, no caso da segunda hipótese, determinar o material constituinte da “chapa”. A decisão a quo conclui no contexto sobre os laudos apresentados, nos seguintes termos: ........................ Tais produtos constam da declaração de importação com uma descrição genérica aplicável a todos os produtos e cada item está identificado pelo código respectivo (fls. 3840): “outras chapas cuja dimensão de pelo menos um dos lados seja superior a 255 mm, para fotografia a cores (policromos) Y10630 SP11 510 x 400 x 0,15 mm”. Notase da reprodução dos laudos técnicos que é incontroverso entre os peritos que o produto objeto da adição 1 constitui chapa fotográfica sensibilizada e não impressionada, com polímero fotossenssível, apresentando suporte de alumínio e destinada à confecção de fotocomposições para processos gráficos. A única divergência consiste em que para o perito oficial o produto não gera fotografias mono nem policromáticas, ao passo que, para o perito da impugnante, o produto é próprio para fotografias a cores. Ademais, destaco que a conclusão do perito da impugnante quanto ao enquadramento tarifário não constitui prova técnica a teor do disposto no artigo 30, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972. A divergência entre os peritos não decorre de eventual erro no exame do produto, mas deriva da forma pela qual decidiram manifestarse em face de suas leituras pessoais do texto da nomenclatura. Constatase em ambos os laudos que as chapas geram fotocomposições que são posteriormente empregadas em processos de impressão gráfica. Outrossim, o método de obtenção das fotocomposições, como bem descrito pelo perito da impugnante (item “d” acima), é realizado mediante a gravação de cada cor (preto, magenta, ciano e amarelo) individualmente em quatro filmes diferentes. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 829 9 Por sua vez, a nota do capítulo 37 dispõe: “2. No presente Capítulo, o termo fotográfico qualifica o processo pelo qual imagens visíveis são formadas, direta ou indiretamente, pela ação da luz ou de outras formas de radiação, sobre superfícies fotossensíveis.” Assim sendo, pela explicação acima, bem como, a gravação é realizada de forma individual, uma cor para cada filme, chegase à conclusão que os produtos são destinados a fotografia monocromática. Logo, os produtos enquadramse no item 3701.30.2 e, sendo de alumínio, no subitem 3701.30.21 da NCM, pela aplicação da Regra Geral 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI1) combinada com a Regra Geral Complementar 1 do Mercosul (RGC1). QUANTO Á ALEGAÇÃO DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A recorrente alega que há mudança de entendimento por parte do Fisco, sendo impossível a revisão de lançamento. O procedimento de revisão aduaneira não dá azo à mudança de critério jurídico. Se assim o fosse, o disposto no art. 54 do DecretoLei nº 37, de 1966 seria contraditório ao disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional, e isso não é verdade. Confirase: DecretoLei nº 37, de 1966 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Código Tributário Nacional Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A fiscalização realizando procedimento de revisão aduaneira nas mercadorias importadas e discordar da classificação fiscal adotada pelo importador, não quer dizer que estará modificando retroativamente o critério jurídico até então adotado. O Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 4.543/02, em seu artigo 570 regulamentou o contido no artigo 54 do DecretoLei n° 37/66, por sua vez dispõe: (art.455 do RA/85. Decreto n° 91.030/85, época dos fatos geradores em questão): Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos Fl. 833DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação. § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente; e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.(Grifos acrescidos) Convém ressaltar que a conferência aduaneira pode ocorrer de várias formas, conforme o canal de parametrização aplicado às mercadorias importadas: o verde dispensa qualquer conferência documental ou física; o amarelo exige a conferência documental; o vermelho exige a conferência documental e física; e o cinza desencadeia o procedimento especial para a verificação de operações irregulares. Pois bem, os procedimentos de conferência realizados no curso do despacho não têm o condão de homologar o lançamento, tendo em vista a previsão de revisão aduaneira enquanto não decair o direito para levantamento do crédito tributário. Assim, adotar a tese da Recorrente é admitir que a fiscalização aduaneira jamais poderá rever os seus atos, sem modificar o critério jurídico, ainda que tenha sido vermelho o canal de parametrização da conferência das mercadorias por ela importadas. Por óbvio, essa tese não pode prosperar. É oportuno transcrever alguns arestos do CARF que tratam do tema: REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. (Acórdão nº 3202000.484, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, Sessão de 25/04/2012) ......................................................................................................... ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado Fl. 834DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 830 11 no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. Jose Luiz Novo Rossari, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). (Acórdão nº 3102000.798, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 27/10/2010) Com base nos precedentes transcritos acima, é de se concluir que a decisão recorrida não deve ser reformada nesse particular. MULTA DE OFÍCIO No tocante à MULTA DE OFÍCIO aplicada. É devida a multa de ofício, com fundamento no inciso I do artigo 44 e artigo 45 da Lei n° 9.430/96 (75% da diferença de Imposto) para os casos de falta de pagamento de tributo/declaração inexata, ainda que inexistindo ato doloso ou praticado com má fé. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (…)” (Grifouse.) ....................................... Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: Fl. 835DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; .......................................’” A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 75 % o legalmente previsto para a situação descrita no Auto de Infração e seus anexos. APLICAÇÃO MULTA DO INCISO I DO ARTIGO 84 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835, DE 24/08/2001 Da mesma forma, a Recorrente não tem razão em relação à multa mínima de R$ 500,00 por erro de classificação, pois independe de a mercadoria ter ou não sido corretamente descrita ou de qualquer outro fator. É aplicada pelo simples fato de haver erro de classificação. Assim sendo, a multa aplicada por erro na classificação fiscal da mercadoria, quando incorreta a classificação fiscal,é cabível a multa decorrente dessa infração, tipificada no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, inclusive comentada acima, in verbis: “Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; “ MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Em resposta à resolução solicitada, para adição 2, em razão de a descrição da mercadoria informada na DI não permitir “perfeita identificação e caracterização” da mercadoria, nem informar “todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado”, logo é considerada devida, a teor do estabelecido no Ato Declaratório (Normativo) nº 12/97, isso porque: a ausência de licença de importação ou documento equivalente decorreu de reclassificação tarifária do produto, cuja descrição na DI não permitir perfeita identificação e caracterização da mercadoria, nem informar todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, bem como existência de tratamento administrativo para o código NCM 3701.30. A aplicação da multa ao controle administrativo das importações está prevista no art. 526, inc. II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85 (RA/85) (à época dos fatos), pela falta de licença de importação para a mercadoria efetivamente importada. O referido dispositivo legal é fundamentado no inciso I, alínea “b” do art. 169 do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, que constitui infração administrativa ao controle das importações “importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais”. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 831 13 Pois, com o advento do SISCOMEX, a guia de importação foi substituída pela Licença de Importação. A Portaria SECEX nº 21/96, no Capítulo III – DO SISTEMA DE LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES determina no art. 14 que a “descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto”. Tal obrigatoriedade é reafirmada § 1º do art. 11 da Portaria SECEX nº 17/2003, publicada no DOU em 02/12/2003, que revogou a de nº 21/96, in verbis: “Art. 11. O pedido de licença deverá ser registrado no Siscomex pelo importador ou por seu representante legal ou, ainda, por agentes credenciados pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior Decex, da Secretaria de Comércio Exterior e pela Secretaria da Receita Federal. § 1º A descrição da mercadoria deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM.” (grifos acrescidos) Por sua vez, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97 dispõe “ que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante” , o que não ocorreu no caso presente.. Pelo exposto, caracterizada a descrição incompleta da mercadoria na Licença de Importação, em conseqüência, configurase a infração capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea “b” do art. 169 do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78; bem como a exigência de tratamento administrativo para adição 01. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 838DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13807.004926/2001-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ -ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
IRPJ/CSLL - DECADÊNCIA - O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-001.434
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido, para enfrentar as demais questões de mérito.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ/CSLL DECADÊNCIA – O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido, para enfrentar as demais questões de mérito. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Ponto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 10322.936, da então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário de 1995 (fato gerador em 31/12/1995) e 1997 (trimestral), cuja ciência foi dada ao contribuinte em 15/04/2001. Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que o julgou procedente. Interposto Recurso Voluntário, o acórdão da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência relativo ao anocalendário de 1995, e, no mérito, deu provimento ao recurso. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995, 1997. IRPJ/CSLL – DECADÊNCIA – Em Consonância com a jurisprudência deste colegiado, decai o lançamento com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. ARBITRAMENTO DE LUCRO (ANO CALENDÁRIO DE 1997) A inexatidão dos dados registrados nos Livros e Documentos da escrituração contábil, por ocasião da autuação, justifica o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas da Empresa. INCONSTITUCIONALIDADE – “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (Súmula 1º CC nº 2) Preliminar de decadência acolhida e recurso provido. Publicado no D.O.U. nº 57, de 25/03/2008. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual (i) para o IRPJ, requer seja aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que o contribuinte não efetuou recolhimento de tributo; (ii) para a CSLL, requer seja aplicado o artigo 45 da Lei nº 8.212/91; (iii) seja mantido o arbitramento. O despacho de fls. 370372 deu seguimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à decadência do IRPJ. Intimada a Fazenda Nacional às fls. 373, não houve interposição de agravo. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls.380/398. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 3 3 É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional, na parte em que admitido pelo despacho de fls. 370/372, versa sobre a decadência do IRPJ, relativo aos anoscalendário de 1995, cuja ciência foi dado ao contribuinte em 15/04/2001. De se esclarecer que, devidamente intimada, a Fazenda Nacional não impugnou o despacho de admissibilidade, razão pela qual é objeto do presente julgamento apenas a decadência do IRPJ do anocalendário de 1995, para o qual a Recorrente requer seja aplicado o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. De outra parte, não é matéria objeto deste recurso a decadência da CSSL, já que como razão recursal foi alegado apenas o prazo decadencial da Lei nº 8.212/91 e, portanto, o Recurso não foi nesta parte conhecido. Ainda, o Recurso Especial não foi conhecido quanto à questão do arbitramento do lucro no ano calendário de 1997, parte em que mantido o provimento do Recurso Voluntário no mérito. Delimitada a lide, importa esclarecer que, apesar do provimento no mérito, esse o foi apenas no que tange ao arbitramento, o qual é relativo ao anocalendário de 1997, razão pela qual, para o anocalendário de 1995, a d. Fazenda Nacional tem interesse recursal no que tange à matéria da decadência, sendo certo que se, eventualmente provido recurso, o mérito deve ainda ser objeto de julgamento pela Câmara a quo. Muito bem, no que tange à matéria objeto do Recurso Especial – decadência do IRPJ, temos que: (i) o acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; (ii) o acórdão recorrido, nesse passo, cancelou a exigência fiscal, para o IRPJ do anocalendário de 1995; (iii) Não houve imposição de multa qualificada; (iv) o Recurso Especial pugna pela aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, requerendo seja afastada a decadência. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II, do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 5 5 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 6 6 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Neste passo, a despeito do posicionamento que sempre adotei, em razão da atual previsão regimental do CARF, manifestome por acolher o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da norma aplicável referente ao prazo decadencial. Interpretando de forma fidedigna as razões de decidir do Recurso Especial Representativo de Controvérsia em questão, verifico que não havendo acusação de dolo e havendo pagamento parcial, de se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, não se verificando o pagamento parcial, deve ser aplicado o artigo 173, do Código Tributário Nacional. Analisando a decisão, percebo, ainda, que a aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional tem contornos distintos conforme a situação, sendo que o dies a quo pode ser aquele previsto em seu inciso I ou em seu parágrafo único. Para elucidar a questão, em suas razões, o Recurso Representativo de Controvérsia, citando ementa do Resp nº 216.758, de relatoria do próprio Min. Luiz Fux, referese a cinco hipóteses de contagem da decadência, baseado na doutrina do Prof. Eurico Marco Diniz de Santi: “(i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).” E conclui a ementa do referido acórdão que “as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos”. No caso da aplicação do artigo 173, o dies a quo é distinto dependendo se há ou não medida preparatória para o lançamento. É o que se depreende do item 01 da ementa do Recurso Representativo de Controvérsia, no qual se afirma que o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, “nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 7 7 Ou seja, para a aplicação do dies a quo previsto no inciso I do artigo 173 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado) é necessário que (i) o lançamento seja por homologação (há obrigação de pagamento antecipado); (ii) não haja antecipação de pagamento; (iii) inexista acusação de dolo, fraude ou simulação; e (iv) não haja declaração parcial prévia do débito (vale dizer, não há medida preparatória para o lançamento). Entendese que declaração prévia é a declaração insuficiente (parcial), uma vez que, se a declaração fosse integral, estarseia enfrentado prazo prescricional e não prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Enquanto instrumento de constituição do crédito tributário, a declaração prévia parcial enquadrase no conceito de medida preparatória ao lançamento, constante no parágrafo único do artigo 173 e a que alude o Recurso Representativo de Controvérsia. Esclarecido que do artigo 173 do Código Tributário Nacional extraise mais de uma hipótese de dies a quo para contagem do prazo decadencial, temos que inexistindo pagamento parcial cumulativamente à existência de declaração parcial do débito tributário, de se aplicar o artigo 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional (e não o seu inciso II), de modo a antecipar o dies a quo para a data da entrega da declaração prévia, desde que obviamente seja aquela que possibilite a constituição do crédito tributário, enquadrandose, portanto, no conceito de medida preparatória do lançamento. Essa conclusão se verifica na interpretação dada pelo Recurso Representativo de Controvérsia, em trecho que cita o já mencionado Resp nº 216.758, de relatoria do próprio Min. Luiz Fux, onde se afirma “nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN.” Portanto, a despeito de não restar dúvidas, no que tange à aplicação do Recurso Representativo em questão, de que no caso de inexistência de pagamento parcial há que se aplicar o artigo 173 do Código Tributário Nacional, fazse necessário verificar a existência ou não de declaração prévia, de modo a se considerar como dies a quo, respectivamente, a data de entrega da declaração (artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional) ou o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). Especificamente sobre a aplicação do artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, já me manifestei anteriormente nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais e que, nesta parte não diverge do entendimento adotado pelo Recurso Representativo de Controvérsia. Peço vênia para reproduzir as razões expostas no Processo Administrativo nº 16707.006042/200479: “ (...) Ora, a regra do artigo 173 do Código Tributário Nacional não é apenas a interpretação isolada da dicção do caput e seu inciso I, mas do conjunto de todo o texto, incluindose, por óbvio, a redação do parágrafo único do mesmo dispositivo legal. Ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado, sendo que qualquer medida preparatória Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 8 8 indispensável ao lançamento antecipa este prazo, como é o caso da entrega da Declaração de Rendimentos. Devese, portanto, observar, in casu, o parágrafo único do artigo 173 do referido codex, uma vez que a entrega da Declaração de Rendimentos é anterior ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e se constitui em medida preparatória indispensável para se efetuar o lançamento, devendo, portanto, ser adiantado o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Neste sentido, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPJ – EXERCÍCIO DE 1990 – ANO BASE DE 1989 – LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – O Imposto de Renda, antes do advento da lei nº 8.383, de 30/12/91, era tributo sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade antecipavase para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN, art. 173 e seu § único). Tendo sido o lançamento de ofício efetuado na fluência do prazo de cinco anos contados a partir da entrega da declaração de rendimentos, improcede a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – DECADÊNCIA – Consoante jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aplicase o mesmo critério observado em relação à exigência tributária principal de imposto de renda pessoa jurídica, face ao princípio da decorrência em sede tributária. – Recurso especial provido (Acórdão 0104.241, Rel. Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias, sessão de 15/10/02). IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1) O Imposto de Renda, antes do advento da Lei nº 8.381, de 30/12/91, era um tributo sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipado para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. ún., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. 2) Tendo sido o lançamento de ofício efetuado, em 30/12/97, após a fluência do prazo de cinco anos contado da data da entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, ocorrida em 14/05/92, operouse a caducidade do direito de a Fazenda Nacional Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 9 9 lançar o tributo. (Acórdão CSRF/0104.936, Rel. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, sessão de 12/04/2004). Portanto, melhor analisando as razões de decidir do Recurso Representativo de Controvérsia a ser aplicado por esta Corte Administrativa, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, há que se verificar, além da existência ou não de pagamento e de dolo/fraude, também a existência ou não de declaração prévia, porque se trata de medida preparatória do lançamento, cuja consequência é a aplicação do dies a quo do prazo decadencial previsto no artigo 173. No presente caso, verifico que o lançamento do anocalendário de 1995 tem fundamento no “excesso de compensação de prejuízos fiscais”, haja vista a não observância do limite do artigo 42 da Lei nº 8.981/95. Tendo em vista que o lançamento envolveu a redução de prejuízos fiscais, não há que se falar em recolhimento parcial, razão pela qual de se aplicar o prazo decadencial previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. De outra parte, verifico que houve a entrega de DIPJ do anocalendário de 1995, conforme consta de informação da autoridade fiscal às fls. 56: “analisei as INFORMAÇÕES PRESTADAS À SRF em atendimento à intimação de 04.01.2001, e constatei divergência entre valores informados das bases de cálculo do PIS e da COFINS quando comparados com os valores contidos nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos calendário de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999”. No entanto, independentemente das razões expostas, se aplicado o artigo 173, inciso I ou seu parágrafo único, não há que se falar em decadência para o anocalendário de 1995, uma vez que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 15/04/2001. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo para julgamento do mérito relativo ao anocalendário de 1995. É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 17883.000382/2007-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, que propunha o sobrestamento do processo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, que propunha o sobrestamento do processo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 867873, com a exigência do crédito tributário no valor de R$825.000,43 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurada pelo regime de tributação com base no lucro real do anocalendário de 2002. A base de cálculo apurada de ofício é: (+) Provisão para Perda de Estoque R$50.180.078,83 (Parte da Provisão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis – fls. 1002 e 1.020) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 78 83 .0 00 38 2/ 20 07 -6 1 Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.532 2 (Reversão da Provisão para Ajuste de Peças ao Valor de Mercado) () Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais (R$3.305.319,00) (Provisão Perda de Estoque de Veículos em 31.10.2002) (=) Valor Tributável R$46.874.759,93 () Compensação da Base de Cálculo Negativa (30%) (R$14.062.427,95) (=) Base de Cálculo R$32.812.331,88 (x) Alíquota 1% (=) Valor da CSLL R$328.123,31 O lançamento fundamentase na diferença apurada entre o valor escriturado e declarado, fl. 869: Valor apurado em conformidade com a determinação contida no Acórdão n ° 12 12.796, da 9ª Turma da DRJ/RJ 01, de 15 de dezembro de 2006, que referese ao adicional da CSLL, de que trata o art. 6° da MP 2.15835/2001, e que deixou de ser constituído quando da lavratura daquele Auto de Infração, o qual referiuse à redução indevida do Lucro Líquido, em virtude de exclusão não autorizada pela legislação do imposto de renda a titulo de Provisão para Perda de Estoque, computada como parte da reversão dos saldos das provisões não dedutíveis (Ficha 17/Linha 19 da DIPJ/2003). Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 865866: Segundo o Acórdão DRJ/RJ01 no 1212.796, de 15 de dezembro de 2006, pertencente ao Proc. n° 18471.001676/200552, cujas cópias das principais peças foram extraídas e fazem parte do presente processo/dossiê, quando analisado concomitantemente com o Acórdão DRJ/RJ01 n° 9.956, de 23 de março de 2006 (Proc. nº 18471.001675/200516), foi determinada a apuração de matéria tributável concernente ao adicional da CSLL, que deixou de ser cobrado quando da lavratura do Auto de Infração relativo à exclusão indevida do Lucro Líquido de Provisão para Perda de Estoque (R$46.874.759,83). Determinouse ainda a apuração de matéria tributável concernente ao IRPJ e CSLL, em face da constatação de que as reversões de provisão para a perda de estoque ao valor de mercado, nas importâncias de R$9.998.416,84, R$5.718.000,00, R$610.980,77 e R$431.817,42, também foram excluídas do Lucro Líquido, para efeito de apuração do Lucro Real, mas sem a apresentação da correspondente comprovação contábil. Assim sendo, através do Termo de Início de Fiscalização, de 20/06/2007, o contribuinte foi intimado a comprovar as reversões contábeis das provisões acima mencionadas. Ainda, e através do mesmo termo, o contribuinte foi cientificado de que seria apurada matéria tributável referente ao adicional da CSLL, que deixou de ser apurado, conforme explanado acima. Em 26/09/2007 foi lavrado um Termo de Constatação Fiscal, cuja ciência ao contribuinte se deu em 01/10/2007, comunicandoo de que, até aquela data, nenhuma comprovação das reversões contábeis havia sido apresentada. II) INFRAÇÕES APURADAS Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.533 3 Após as considerações acima, identificamos as seguintes infrações legislação tributária federal: II.1 EXCLUSÕES INDEVIDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. (PROC. 17883.000381/200716) Intimado a comprovar as reversões contábeis das provisões constituídas para a perda de estoque ao valor de mercado dos valores R$9.998.416,84, R$5.718.000,00, R$610.980,77 e R$431.817,42, o contribuinte não o fez até a presente data. Vale ressaltar que tal constatação já havia se dado através do Acórdão n° 9.956, da 9º Turma da DRJ/RJ01, de 23 de março de 2006 (Proc. n° 18471.001675/200516). Ressaltase também que a matéria tributável foi reduzida do percentual de 30%, relativo ao prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de períodos anteriores, e que, a partir da apuração do IRPJ, foi gerado reflexo para a apuração dos valores pertencentes à CSLL. No presente caso, por tratarse de lançamento de oficio das diferenças não declaradas/recolhidas, será aplicada a multa de 75%, conforme preceitua o art. 44, inciso I e 1°, inciso I, da Lei n° 9.430/96. II.2 APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL (PROC. 17883.000382/200761) DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Conforme explanado o no 2° parágrafo do item I acima, por ocasião da lavratura do Auto de Infração da CSLL, relativo à exclusão indevida do Lucro Líquido de Provisão para Perda de Estoque (R$46.874.759,83), deixou de ser constituído o montante do crédito tributário referente ao adicional da CSLL (1%), previsto no art. 60 da MP n° 2.15835/2001. Tal constatação, que se deu em virtude do Acórdão DRJ/RJ01 n° 1212.796, de 15 de dezembro de 2006, foi levada ao conhecimento do contribuinte através do Termo de Inicio de Fiscalização, de 20/06/2007. No presente caso, por tratarse de lançamento de oficio das diferenças não declaradas/recolhidas, será aplicada a multa de 75%, conforme preceitua o art. 44, inciso I e S 1°, inciso I, da Lei n° 9.430/96. III CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO Os créditos tributários apurados, com os respectivos demonstrativos de apuração e demonstrativos de multas e juros de mora aplicados, encontramse anexo ao presente termo (Autos de Infração). Fica o contribuinte informado que poderá haver reexame do período objeto da presente ação fiscal, que ora se encerra, na forma e condição prevista no art. 906 do Decreto n° 3.000/99. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 1º da Lei n º 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 6º Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.534 4 Cientificada em 11.12.2007, fl. 874, a Recorrente apresentou a impugnação em 04.01.2008, fls. 876886, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos e suscita: Da possibilidade de exclusão na apuração do Lucro Real da reversão de provisão efetuada Primeiramente, cumpre repisar os argumentos expostos nos autos do processo administrativo n° 18471.001676/200552. Isso porque, argüiu a Fiscalização a suposta redução indevida pela ora Impugnante do Lucro Líquido, em virtude da hipotética exclusão não autorizada pela legislação do imposto de renda do valor de R$50.180.087,83, a título de Provisão para Perda de Estoque. Contudo, em realidade, o valor objurgado, como reiteradamente exposto nos referidos autos, entendido pela Fiscalização — equivocadamente, data venia — como receita, referese à reversão de Provisão para Ajuste de Peças ao Valor de Mercado, a qual havia sido, contábil e fiscalmente, realizada no anocalendário anterior na empresa incorporada pela ora Impugnante. Em outras palavras, a PeugeotCitroen do Brasil S/A. procedeu a adição dos valores provisionados ao lucro contábil, levandoos a tributação na forma preconizada pela legislação. Como sabido, a empresa acima citada foi incorporada em 31/10/2002 pela PEUGEOTCITROEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA., ora Impugnante. E, como consabido, a empresa incorporadora sucede a incorporada em direitos e deveres. Neste sentido, expresso o Código Civil [art. 1.116] [e no art. 100 do Código Tributário Nacional]. [...]. Assim, sendo a Impugnante responsável civil e tributariamente pelos atos praticados pela empresa incorporada, escorreito foi o procedimento realizado pela mesma, excluindo do seu lucro líquido de 2003 o valor relacionado à reversão de provisão anteriormente realizada e levada à tributação. Mesmo porque, a citada provisão, em que pese sua impossibilidade de exclusão do lucro real, é temporária, o que significa que não permanecerá neste eternamente. [...] De fato, a partir de 01.jan.1996, o art. 13 da Lei n.° 9.249/96, por seu inciso I tornou indedutível qualquer provisão, excetuadas aquelas expressamente ressalvadas, entre as quais não se encontra a provisão em tela. Todavia, não se deve esquecer que a provisão realizada é uma adição temporária. Ou seja, por estar relacionada ao estoque da Impugnante pode, a qualquer momento ser revertida, sendo este reversão, lídima. Sendo a provisão em questão relacionada a ajuste contábil de peças ao valor de mercado, isto é, ajuste de estoque, ativos da Impugnante, escorreita se demonstra sua reversão no ano calendário seguinte, cuja adição e exclusão se encontram contabilmente registrados, na forma devidamente demonstrada nos autos do processo administrativo n° 18471.001676/200552. Deste modo, a reversão da provisão realizada, no ano calendário seguinte, procedida pela exclusão de uma provisão não dedutível, contrariamente ao que faz crer o i. Sr. Fiscal, nada tem de ilícito. [...] Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.535 5 Sendo a CSLL contribuição incidente sobre a aquisição de renda e proventos, cujo significado é acréscimo patrimonial; e, sendo a provisão em comento relacionada ao estoque da Empresa, realizada em consonância com a prática contábil, integrando seu ativo; temse que, a reversão da provisão em comento em nada afeta a tributação pelo imposto, vez que o mesmo apenas pode incidir sobre o acréscimo patrimonial. E assim se afirma porque, com a reversão da provisão, o ativo recupera seu valor, originalmente reduzido para fins de provisionamento, não acarretando, portanto, qualquer alteração de valores para fins de incidência fiscal. O valor revertido é posto a crédito no ativo! [...] E, não havendo o que se falar em cobrança de valores a titulo de CSLL sobre a exclusão realizada pela empresa, haja vista que tais valores, conforme reiteradamente exposto não constituem receita, acréscimo patrimonial, não há que se falar, por via de conseqüência, na cobrança do adicional da indigitada contribuição normatizado pelo artigo 6° da MP 2.158/01. Isso porque, como sabido, o adicional de um determinado tributo, compreende um tributo acessório ao tributo principal, uma vez que adere ou vinculase a este. [...] Assim, mantendo esta linha de raciocínio, ao suprimir o tributo principal, conseqüentemente o acessório não sobrevive, pois tem a mesma identidade, a mesma natureza jurídica especifica do tributo principal (art. 4° do CTN). [...] Desse modo, restando devidamente demonstrada a ausência do fato gerador capaz de ensejar a cobrança da própria CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, visto que os valores supostamente identificados pela fiscalização como receita, nada mais são do que provisões de perda de estoque revertidas pela empresa, não há que se falar em incidência do adicional previsto no dispositivo acima transcrito. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Posto isso, restando cabalmente demonstrada a ilegalidade da cobrança do adicional previsto pelo artigo 6° da MP 2.15835, requer a Impugnante a acolhida in totum das razões expostas na presente Impugnação, de forma a anular, integralmente, o Auto de Infração ora hostilizado, por ser medida de Direito e Justiça. Outrossim, requer ainda, sejam emprestadas as provas produzidas nos autos do processo administrativo n° 18471.001676/200552, as quais são de fundamental importância para o julgamento da presente impugnação ou ainda que sejam os presentes autos apensados ao processo mencionado, haja vista o caráter flagrantemente acessório do presente lançamento. Termos em que pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 20.075, de 22.07.2008, fls. 919924: “Lançamento Procedente”. Consta no Voto condutor: Examinadas as argumentações constantes das letras "e" , e de "k" a "n"do relatório, verifico que todas as demais pretendem questionar a autuação da CSLL objeto Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.536 6 do processo administrativo n° 18471.001676/200552, o que, conforme mencionado, já foi julgado por este colegiado pela procedência, encontrandose o respectivo acórdão, na integra, as fls. 40/43. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. Inexistindo vícios formais e tendo sido o Auto de Infração lavrado por pessoa competente não há que se cogitar de sua nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. Mantida a mesma base de calculo da CSLL, o adicional é devido nos anos calendário que a Lei assim previu. Notificada em 08.08.2008, fl. 926, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.09.2008, fls. 927938, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Suscita que: [...] Reiteramos os argumentos apresentados em sede de impugnação, posto que inexiste fato gerador, assim como base de cálculo (valor tributável) para fins de tributação da CSLL, quiçá de adicional desta contribuição, de forma que o lançamento ora objurgado não prospera por completa ausência de objeto. Assim, temos que não há que se falar em incorreta diminuição da base • tributável do IRPJ e da CSLL, merecendo ser anulado o lançamento ora combatido. É o que se passa a demonstrar. IV) Quanto ao Mérito: Conforme já exposto, é de se destacar que a forma utilizada pela r. Fiscalização para justificar a incidência, bem como proceder ao cálculo do suposto imposto devido afronta não apenas a legislação vigente como a própria Constituição pátria. E assim se afirma porque determina a Carta Maior que o IRPJ incida sobre "renda e proventos de qualquer natureza" (art. 153, III). É de se notar que —conforme se demonstrará — é uníssono o entendimento de que o conceito destes termos se resume a um único entendimento: acréscimo patrimonial. Neste esteio, com o intuito de demonstrar o que se entenderia por acréscimo patrimonial, bem como facilitar seu cálculo, estabeleceu o legislador ordinário, inúmeras regras, as quais se encontram compiladas no Decreto n.° 3.000/99, mais conhecido como Regulamento do Imposto de Renda — RIR199. Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.537 7 Todavia, consoante se demonstrará, em completa desobediência aos comandos normativos ali insertos, considerou a r. Fiscalização valores que não constituem receitas como se assim fosse, calculando, destarte, de modo — concessa venta — errôneo o suposto lucro real da empresa. Urgente, portanto, a sua reforma! 1. Da possibilidade de exclusão na apuração do Lucro Real da reversão de provisão efetuada Primeiramente, cumpre repisar os argumentos reiteradamente expostos nos autos do processo administrativo no 18471.001676/200552 e desconsiderados até o presente momento. Isso porque, argüiu a Fiscalização a suposta redução indevida pela Recorrente do Lucro Liquido, em virtude da hipotética exclusão não autorizada pela legislação do imposto de renda do valor de R$ 50.180.087,83, a titulo de Provisão para Perda de Estoque. Contudo, em realidade, o valor objurgado, entendido pela Fiscalização — equivocadamente, data venta — como receita, referese à reversão de Provisão para Ajuste de Peças ao Valor de Mercado, a qual havia sido, contábil e fiscalmente, realizada no anocalendário anterior na empresa incorporada pela ora Recorrente. Em outras palavras, a PeugeotCitroen do Brasil S.A. procedeu a adição dos valores provisionados ao lucro contábil, levandoos a tributação na forma preconizada pela legislação. [...] Assim, sendo a Recorrente responsável civil e tributariamente pelos atos praticados pela empresa incorporada, escorreito foi o procedimento realizado pela mesma, excluindo do seu lucro liquido de 2002 o valor relacionado à reversão de provisão anteriormente realizada e levada à tributação. Mesmo porque, citada provisão, em que pese sua impossibilidade de exclusão do lucro real, é temporária, o que significa que não permanecerá neste eternamente. [...] De fato, a partir de 01.jan.1996, o art. 13 da Lei n.° 9.249/96, por seu inciso I tornou indedutível qualquer provisão, excetuadas aquelas expressamente ressalvadas, entre as quais não se encontra a provisão em tela. Todavia, não se deve esquecer que a provisão realizada é uma adição temporária. Ou seja, por estar relacionada ao estoque da Recorrente pode, a qualquer momento ser revertida, sendo este reversão, lídima. Sendo a provisão em questão relacionada a ajuste contábil de peças ao valor de mercado, isto 6, ajuste de estoque, ativos da Recorrente, escorreita se demonstra sua reversão no ano calendário seguinte, cuja adição e exclusão se encontram contabilmente registrados, na forma demonstrada nos autos do processo administrativo n° 18471.001676/200552. Deste modo, a reversão da provisão realizada, no ano calendário seguinte, procedida pela exclusão de uma provisão não dedutivel, contrariamente ao que faz crer o i. Sr. Fiscal, nada tem de ilícito. Ademais, é de se ressaltar que a Constituição Federal, ao instituir o tributo em tela determinou a sua incidência sobre "renda e proventos de qualquer natureza" (art. 153, III). [...] Sendo a CSLL contribuição incidente sobre a aquisição de renda e proventos, cujo significado é acréscimo patrimonial e, sendo a provisão em comento relacionada ao estoque da Empresa, realizada em consonância com a prática contábil, integrando Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.538 8 seu ativo; temse que, a reversão da provisão em comento em nada afeta a tributação pelo imposto, vez que o mesmo apenas pode incidir sobre o acréscimo patrimonial. [...] E assim se afirma porque, com a reversão da provisão, o ativo recupera seu valor, originalmente reduzido para fins de provisionamento, não acarretando, portanto, qualquer alteração de valores para fins de incidência fiscal. 0 valor revertido é posto a crédito no ativo! [...] Admitir o contrário — a impossibilidade de exclusão do lucro liquido do valor da provisão revertida — é determinar a dupla incidência do mesmo tributo sobre um mesmo valor, a saber: o valor da provisão realizada, fato este expressamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio e, principalmente, pela Carta Magna Brasileira. E, não havendo o que se falar em cobrança de valores a titulo de CSLL sobre a exclusão realizada pela empresa, haja vista que tais valores, conforme reiteradamente exposto não constituem receita, acréscimo patrimonial, não há que se falar, por via de conseqüência, na cobrança do adicional da indigitada contribuição normatizado pelo artigo 6° da MP 2.158/01. Isso porque, como sabido, o adicional de um determinado tributo, compreende um tributo acessório ao tributo principal, uma vez que adere ou vinculase a este. Assim, mantendo esta linha de raciocínio, ao suprimir o tributo principal, conseqüentemente o acessório não sobrevive, pois tem a mesma identidade, a mesma natureza jurídica especifica do tributo principal (art. 4° do CTN). Ademais, merece registro que o indigitado adicional, disciplinado pelo inciso II do artigo 6° da MP 2.158 de 2001, somente será devido sobre fatos geradores efetivamente ocorridos no período de 1° de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2002. [...] Desse modo, restando devidamente demonstrada a ausência do fato gerador capaz de ensejar a cobrança da própria CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, visto que os valores supostamente identificados pela fiscalização como receita, nada mais são do que provisões de perda de estoque revertidas pela empresa, não há que se falar em incidência do adicional previsto no dispositivo acima transcrito. Conclui: Posto isso, diante das razões de fato e de direito aduzidas anteriormente, confia a Recorrente na reforma total do acórdão n° 1220.075, com a conseqüente anulação integral do lançamento hostilizado, por ser medida de Direito e Justiça. Termos em que pede e espera deferimento. A Recorrente apresenta aditamento ao recurso voluntário, fls. 972976, com as seguintes alegações: O presente contencioso fiscal tem por objeto lançamento de débito, a título do adicional de CSLL de que trata o art. 6º da MP 2.15835/01, à alíquota de 1% (um por cento), de modo a complementar o débito de CSLL constituído anteriormente e controlado no processo administrativo originário, de n° 18471.001676/200552. A referida autuação originária se deu por ter considerado a autoridade fiscal, em síntese, que a Recorrente teria realizado uma "redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão de reversões de provisões para perda de estoque ao valor do Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.539 9 mercado, sem que houvesse a apresentação das comprovações contábeis por parte do contribuinte". Assim, a exigência do adicional de CSLL recai sobre a exclusão do lucro real (na DIPJ 2003, anocalendário 2002), da reversão de provisão para perda de estoque ao valor do mercado, no valor de R$46.874.759,83, que a d. fiscalização reputou indevida, considerando insuficiente a comprovação contábil então apresentada. A fiscalização tomou por base de cálculo para a exigência a diferença entre o valor total excluído (R$50.180.078,83) e aquele cuja reversão (no anocalendário 2002) entendeu comprovada (R$3.305.319,00). O cerne da discussão, portanto, cingese à comprovação contábil da reversão de provisão não dedutível, para perda de estoque, constituída ao final do anobase 2001 (pela empresa incorporada PeugeotCitroën do Brasil S/A, CNPJ 02.130.344/000140), e adicionada na apuração do lucro real constante de sua DIPJ 2002 (anocalendário 2001). Assim, mostramse essenciais para o devido exame da presente controvérsia os documentos oferecidos em anexo, os quais demonstram detalhadamente a composição de cada valor declarado, restando comprovada, deste modo, a efetiva reversão contábil da provisão mencionada.[...] Estes documentos (todos interrelacionados e compostos por partes do Lalur, telas do SAP demonstrando os estornos procedidos e partes da DIPJ, dentre outros) mostramse hábeis para comprovar a efetiva constituição da provisão e, especialmente, sua reversão contábil. Isso porque, no primeiro ano, quando a provisão foi constituída, seu valor foi adicionado à apuração do lucro líquido do exercício de 2001, para efeito de apuração do lucro real (na forma do art. 249 do RIR, por se tratar de provisão não dedutível). Assim, a receita foi devidamente levada à tributação (sem deduções) no primeiro ano, ainda pela empresa incorporada, como demonstram os documentos em anexo. No ano seguinte, após a incorporação, a provisão (previamente adicionada) foi revertida contabilmente, sendo então (como faculta a lei) excluídos estes valores do lucro liquido, para apuração do lucro real, pois não correspondiam a qualquer nova receita. [...] Logo, uma vez comprovado o devido registro contábil da provisão e sua reversão, mostrase correta a exclusão do lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, na forma procedida pela Recorrente em sua DIPJ 2003 (anocalendário 2002), devendo ensejar, por conseguinte, por parte desse ínclito Órgão Julgador, a anulação do débito constituído sob esta rubrica. [...] Assim, por se tratar de documento essencial ao exame da questão posta no presente processo administrativo, requer a Recorrente seja recebida e analisada a prova documental oferecida em anexo à presente, com fundamento no princípio da verdade material, por ser capaz de comprovar a reversão contábil da provisão em análise, bem como, caso esse ilustre Julgador entenda necessário, sejam os autos baixados em diligência para verificação destes documentos, como de direito. A Recorrente apresenta novamente aditamento, como memorial, ao recurso voluntário, fls. 11151117, com os argumentos a seguir: Vem, pela presente, requerer ajuntada do laudo pericial em anexo. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.540 10 Tratase de documento novo que acabou de ser produzido pelo perito nomeado pelo Juízo da 1a Vara Federal de Resende e juntado aos autos da ação judicial n° 2010.51.09.0001622, a qual discute o lançamento de débito que originou a presente autuação complementar, ou seja, trata da mesma reversão de provisão em questão neste processo. Após detalhado exame, o laudo atesta e comprova a efetiva realização da reversão contábil da provisão em análise para perda de estoque, de modo que deve ser anulado o débito em sua maior parte. Desta forma, o laudo pericial contribui para a elucidação da análise no presente processo administrativo fiscal, devendo ser conhecido e apreciado com fundamento no princípio da auto tutela administrativa, razão pela qual requer seja o julgamento convertido cm diligência para exame do caso à luz deste novo documento. A Recorrente apresenta de novo aditamento, como memorial, ao recurso voluntário, fls. 13521355, com o seguinte arrazoado: O presente contencioso fiscal tem por objeto débito constituído mediante auto de infração lavrado em 06.dez.2007, a título do adicional de CSLL de que trata o art. 6º da MP 2.15835/01, à alíquota de 1% (um por cento), de modo a complementar o débito de CSLL constituído anteriormente (em 05.dez.2005) e controlado no processo administrativo originário, de n° 18471.001676/200552, o qual deixou de incluir o referido adicional. Aquele débito de CSLL, objeto do processo administrativo originário (18471.001676/200552), após o encerramento do contencioso fiscal em âmbito administrativo, passou a ser discutido na ação anulatória de débito n° 0000590 03.2008.4.02.5109 (2008.51.09.0005906), em trâmite perante o Juízo da 1ª Vara Federal de Resende, RJ. Por sua vez, também o primeiro lançamento de CSLL teve origem em auto de infração anterior, que constituiu débito de IRPJ em razão do mesmo fato, restando controlado no processo administrativo 18471.001675/200516. Este débito foi então inscrito em dívida ativa (CDA 70 2 09 00304106) e é atualmente objeto da execução fiscal n° 000049973.2009.4.02.5109 (2009.51.09.0004992) e dos respectivos embargos à execução n° 000016250.2010.4.02.5109 (2010.51.09.0001622). Estas ações e aquela, por serem conexas, tramitam conjuntamente, estando apensadas. A matéria de fundo subjacente aos três lançamentos é, portanto, comum: a exclusão do lucro líquido (na DIPJ 2003, anocalendário 2002), reputada indevida pela fiscalização, da reversão de provisão para perda de estoque ao valor do mercado, no valor de R$46.874.759,83 (a fiscalização tomou por base de cálculo a diferença entre o valor total excluído, de R$50.180.078,83, e aquele cuja reversão entendeu comprovada, de R$3.305.319,00). Cada processo, porém, discute um débito distinto (IRPJ, CSLL e adicional de CSLL), uma vez que foram lançados separadamente, por diferentes autos de infração, em datas diversas, embora contenham a mesma acusação e fundamentação semelhante, recaindo sobre o mesmo fato e essencialmente sobre a mesma base de cálculo, como já observado nas razões deste recurso voluntário. Desta forma, não foi judicializada a discussão acerca do débito especificamente examinado neste processo (adicional de CSLL), uma vez que as referidas ações têm seus objetos restritos à anulação apenas dos lançamentos discutidos naqueles outros Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.541 11 processos administrativos. Logo, não houve renúncia à presente discussão administrativa, acerca da legalidade da exigência do adicional de CSLL em questão. Por outro lado, fazse imprescindível, necessário, indispensável o conhecimento e análise dos novos documentos, recém produzidos e apresentados nos embargos à execução fiscal, sendo em seguida trazidos aos presentes autos, uma vez que atingem o cerne do debate aqui posto. Isso porque estes documentos comprovam, de modo completo e cabal, a efetiva reversão contábil da mesma provisão, cuja exclusão do lucro líquido foi questionada no auto de infração ora discutido. Portanto, tratase de documentos relevantes para o julgamento do processo, e que devem ser conhecidos e examinados por esse Egrégio Conselho, com fundamento também no principio da autotutela dos atos administrativos Pelos referidos documentos, resta sobejamente demonstrado que, quando da incorporação, foi registrado na conta 39711000 o valor do saldo de provisão recebido por transferência da Incorporada, no valor de R$33.836.169,00 (já previamente adicionado na Incorporada e suportado pelo saldo do LALUR, Parte B, pág. 59). sendo passível de aproveitamento pela Incorporadora, tanto contabilmente quanto relacionado ao efeito fiscal, possibilitando sua futura exclusão do lucro real quando da reversão contábil deste valor. Esta reversão contábil para a receita tributável ocorreu de forma integral nesta mesma conta em 01.11.2002, no valor de R$33.836.169,00 (a contrapartida foi registrada na conta de resultado de n° 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00, como se comprova pelos Livros Diário/Razão), possibilitando sua exclusão do lucro real pela Incorporadora no ano calendário 2002 (DIPJ 2003). Este valor, somado aquele já reconhecido pela fiscalização (R$3.305.319,00, correspondente à provisão revertida na Incorporadora antes da incorporação), totaliza uma reversão para a receita na Incorporadora, no exercício de 2002, oriunda da reversão de provisões de estoques, de R$37.141.488,00. Contudo, tendo sido realizada pela Recorrente a exclusão do valor de R$50.180.078.83, o Fisco somente admitiu a exclusão de R$3.305.319,00, adotando como base de cálculo no lançamento o valor de R$46.874.759,83 (R$50.180.078,83 R$3.305.319,00). Porém, considerando a comprovação da reversão contábil para a receita da Incorporadora no valor de R$33.836.169,00, do saldo transferido da Incorporada (já previamente adicionado ao lucro real), existe fundamento contábil e fiscal para a aceitação da exclusão também deste montante da base de cálculo do lançamento, evitando assim a dupla tributação. Os documentos anexos são provas que demonstram a verdade dos fatos, comprovando o elemento central da análise empreendida no presente processo administrativo. Mostrase legítimo, portanto, o seu conhecimento e exame, com fundamento no postulado da busca da verdade material, que constitui princípio norteador do processo administrativo, para que o controle administrativo possa ocorrer efetivamente, corrigindo erros que lesem direitos do particular; por outro lado, sua inobservância configuraria patente prejuízo à correta apuração dos pressupostos fáticos da autuação. Assim, restando exaustivamente comprovada a reversão contábil da provisão cm análise, requer e confia seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para o fim Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.542 12 de anular em parte o lançamento, determinandose a exclusão do valor de R$33.836.169,00 da base de cálculo adotada no auto de infração, como de direito. A Recorrente apresenta Laudo Técnico, fls. 11151350: PeugeotCitroèn do Brasil Automóveis Ltda., já devidamente qualificada nos autos do, presente Recurso Voluntário, em que figura como Recorrente, sendo Recorrida a Fazenda Nacional, vem, pela presente, requerer a juntada do laudo pericial em anexo. Tratase de documento novo que acabou de ser produzido pelo perito nomeado pelo Juízo da Ia Vara Federal de Resende e juntado aos autos da ação judicial n° 2010.51.09.0001622, a qual discute o lançamento de débito que originou a presente autuação complementar, ou seja, trata da mesma reversão de provisão em questão neste processo. Após detalhado exame, o laudo atesta e comprova a efetiva realização da reversão contábil da provisão em análise para perda de estoque, de modo que deve ser anulado o débito em sua maior parte. Desta forma, o laudo pericial contribui para a elucidação da análise no presente processo administrativo fiscal, devendo ser conhecido e apreciado com fundamento no principio da auto tutela administrativa, razão pela qual requer seja o julgamento convertido cm diligencia para exame do caso à luz deste novo documento. Nestes termos, pede deferimento. Nesse documento a Recorrente procura demonstrar que por ocasião da incorporação o valor de R$33.836.169,00 foi registrado na conta 39711000 e foi revertido em 01.11.2002, bem como “já previamente adicionado ao lucro real”. Suscita que a contrapartida foi registrada na conta de resultado de n° 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00, como se comprova pelos Livro Diário e Livro Razão, fls. 15241530, possibilitando sua exclusão do lucro tributável pela Incorporadora no anocalendário de 2002: Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.543 13 A Recorrente diz que os presentes autos devem ser juntados ao processo principal nº 18471.001676/200552. A legislação processual determina que “os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova” 1. Cabe esclarecer que seria o caso de proceder a juntada dos autos, porque a comprovação dos ilícitos dependem dos mesmos elementos de prova e ainda para evitar decisões conflitantes. Todavia, o processo principal nº 18471.001676/200552 encontrase na Procuradoria da Fazenda Nacional2, ou seja, está em fase de cobrança executiva desde 02.12.2009, nos termo da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980. Os presentes autos, por seu turno, encontramse ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Tendo em vista os princípios do devido processo, legal do contraditório e da ampla defesa, tem cabimento a análise do recurso voluntário apresentado e o prosseguimento regular do presente processo, em conformidade com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos3. A Recorrente apresentou a comprovação inequívoca de fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é imprescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos não são suficientes para a solução do litígio. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente diz que não optou pela via judicial para discussão da matéria constantes nos presentes autos, inclusive atinente ao Laudo Técnico, fls. 11151350, que foi juntados aos autos nessa fase recursal. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 2 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/E gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=18471001676200552&DDMovimentoQ=08012010&SQO rdemQ=0>. Acesso em 29 nov.2013. 3 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.544 14 precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos4. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador5. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O entendimento constante no enunciado da Súmula CARF nº 1 pacificou a questão no sentido de que “ importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Em relação à propositura da Ação Anulatória de Débito nº 2008.51.09.0005906 que tramita perante o Juízo da 1ª Vara Federal de Resende/RJ, a Recorrente afirma que trata especificamente do crédito tributário formalizado no processo nº 18471.001676/200552: 5. Do Pedido: Pelos fundamentos fáticos e jurídicos acima expostos, requer mui respeitosamente a Vossa Excelência: (i) a concessão da necessária antecipação de tutela inaudita altera parte, com fulcro no art. 273 do CPC, a fim de determinar à Ré que não recuse a expedição da CPDEN (Certidão Conjunta de Débitos relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União) à Autora em razão do débito consubstanciado no processo administrativo n° 18471 001.676/200552, mediante oferecimento da fiança bancária apresentada com o fito de antecipar a garantia da execução fiscal, em estrito cumprimento ao disposto no art. 206 do CTN; (ii) após, a determinação da citação da Ré, na pessoa de seu representante legal, para, querendo, responder aos termos da presente ação, com fulcro no art. 300 do CPC, sob pena de revelia, conforme dispõe o art. 319 do citado diploma legal; 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.545 15 (iii) ao final, seja julgado procedente o pedido, confirmandose a tutela antecipada deferida, para reconhecer desde já garantido o Juízo no que se refere ao crédito fiscal em aberto, consubstanciado no processo administrativo n° 18471001.676/200552. (iv) a condenação da Ré ao pagamento de custas e honorários advocatícios, arbitrados em 20% sobre o valor da condenação. Protesta por todos os meios de prova a que alude o art. 332 do CPC. Em um primeiro momento podese vislumbrar que de fato a mencionada Ação Anulatória de Débito nº 2008.51.09.0005906 referese tãosomente ao crédito tributário formalizado no processo nº18471.001676/200552. Por seu turno o presente caso tratase do lançamento constante no presente processo nº 17883.000382/200761. Assim, poderia até poderia se entrever ausência de a identidade de objeto. Todavia a Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova e apresenta em sua defesa o Laudo Técnico, fls. 11151350, o qual foi produzido para comprovar os fatos controvertidos na Ação Anulatória de Débito nº 2008.51.09.0005906 que tramita perante o Juízo da 1ª Vara Federal de Resende/RJ. Nesse Laudo Técnico, fls. 11151350, procura demonstrar que por ocasião da incorporação, Incorporada/PeugeotCitroen do Brasil S/A, CNPJ 02.130.314/000140, o valor de R$33.836.169,00 foi registrado na conta 39711000 e foi revertido em 01.11.2002, bem como “já previamente adicionado ao lucro real”. Suscita que a contrapartida foi registrada na conta de resultado de n° 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00, como se comprova pelos Livro Diário e Livro Razão, fls. 15241530, possibilitando sua exclusão do lucro tributável pela Incorporadora/Recorrente PeugeotCitroen do Brasil Automóveis Ltda no anocalendário de 2002. Está registrado no Laudo Técnico: I DOS FATOS DA EMBARGANTE (PEUGEOTCITROEN). Após análise minuciosa dos autos por este Perito, verificamos que: 1) Em 30/03/2010, a Embargante PEUGEOT CITROEN DO BRASIL, ingressou AÇÃO DE EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL nº 2009.51.09.0004992, distribuída a este Juízo, com fito de cobrar valores supostamente devidos a título de IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo ao exercício 2002, constituídos através do processo administrativo 18471.001675/200516;. 2) Os referidos valores foram inscritos em Dívida Ativa sob o nº 70 2 09 003041 06, nos montantes de R$8.763.624,28 (oito milhões, setecentos c sessenta e três mil seiscentos e vinte e quatro reais e vinte e oito centavos) e R$6.572.718,21 (seis milhões quinhentos e setenta e dois mil setecentos e dezoito reais e vinte e um centavos) a título de imposto e multa, respectivamente; 3) A Embargante alega que o lançamento que lastreia a CDA em questão, não merece prosperar, devendo ser extinta a presente execução fiscal por todos os motivos que serão expostos ao longo da exordial; Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.546 16 4) A Embargante relata que o objetivo da cobrança de IRPJ teve como base as rubricas de custo e despesas não comprovadas no valor tributável de R$3.059.819,55 (três milhões, cinqüenta e nove mil, oitocentos e dezenove reais e cinqüenta e cinco centavos), sendo o enquadramento legal Art. 249, inciso I, Art. 251, § único, Art. 299 e Art. 300 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Bens de Natureza Permanente Deduzidos como Custo ou Despesas, no valor tributável de R$1.174.208,45 (hum milhão, cento e setenta e quatro mil, duzentos e oito reais e quarenta e cinco centavos), tendo como enquadramento legal Art. 249, inciso I, Art. 251 e § único, e Art. 301 do RIR/99 Adições não computadas na Apuração do Lucro Real, no valor tributável de R$2.292.286,38 (dois milhões, duzentos e noventa e dois mil, duzentos e oitenta e seis reais e trinta e oito centavos), enquadramento Legal Art. 249 do RIR/99 e Exclusão/compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real, no valor tributável de R$46.874.759,93 (quarenta e seis milhões, oitocentos e setenta e quatro mil, setecentos e cinqüenta e nove reais e noventa e três centavos), apurada através de confrontação da reversão do saldo das provisões não dedutíveis na apuração do Lucro Real, no valor de R$50.180.078,83 (cinqüenta milhões, cento c oitenta mil, setenta e oito reais e oitenta e três centavos) com reversão contábil dos saldos das provisões operacionais no valor contábil de R$3.305.319,00 (três milhões, trezentos e cinco mil, trezentos e dezenove reais), tendo como Enquadramento Legal Art. 250, inciso I, do RIR/99; 5) A Embargante afirma que diante disso, irresignada, impugnou administrativamente os lançamentos alegando em síntese: a) A possibilidade de dedução das despesas consideradas indedutíveis pela Fiscalização, uma vez que vinculadas diretamente a atividade da empresa, tratandose, portanto, de despesas operacionais, nos moldes determinados pela legislação, em especial pelos Art. 299, 366 e 368, todos do RIR/99 b) A possibilidade de exclusão do lucro líquido de valores relativos à reversão de provisões realizadas anteriormente pela empresa, as quais por serem indedutíveis, foram levadas a tributação, sendo, portanto, lídima a exclusão realizada no momento da realização da reversão, nos moldes devidamente autorizados pelas legislações contábeis e fiscais c) Por fim, a nulidade do auto de infração, desde a sua constituição, pois a base tributável não corresponde à prevista na legislação, tendo sido glosados valores relativos a despesas já tributadas anteriormente e, ainda, que não deveriam ser tributadas, posto que dedutíveis, em estrito cumprimento a legislação. 6) A Embargante diz que apesar do lídimo direito autoral demonstrado nas manifestações administrativas, corroboradas pelos documentos apresentados, o lançamento restou, ao final do trâmite administrativo, integralmente mantido quanto às rubricas dos itens 02 e 04 acima transcritos. No que se referem aos itens 01 e 03, os mesmos restaram parcialmente mantidos; 7) A Embargante diz que em 1ª instância administrativa considerouse especialmente quanto ao item 01 da autuação, tratarse de despesas não comprovadas sem adentrar na análise quanto aos requisitos de dedutibilidade da despesa glosada, menciona ainda, que durante a fiscalização, não foi exigida do contribuinte qualquer informação sobre a correlação das despesas com a atividade da empresa e demonstração de seus requisitos; 8) A Embargante diz que partindo desse pressuposto foram excluídas as glosas das desposas correspondentes a conta 62221000 Comissões, com exceção da despesa referente a NF 14747 (Apuração de Prêmios de Objetivo.); 9) Em 2ª instância administrativa, considerando o mesmo pressuposto adotado pela Delegacia de Julgamento e detendose a comprovação das despesas, foram excluídos da conta contábil 62261400, os documentos fiscais nº 22002 (R$42.500,00) Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.547 17 e 22394 (R$45.150,00), restando mantido, para o item 01, um valor tributável de R$2.695.169,55 (dois milhões, seiscentos e noventa e cinco mil, cento e sessenta e nove reais e cinqüenta e cinco centavos); 10) Menciona a Embargante que no item 03, adotando como pressuposto a ausência de questionamento pela fiscalização no que se referem às despesas realizadas e a efetiva prestação dos serviços, a 2ª instância administrativa considerou como comprovadas as despesas ali listadas, analisando apenas a liberalidade das mesmas; 11) Nesse passo, afastou a cobrança de todas as despesas da conta 62221000 (Comissão), uma nota fiscal relativa à conta 60638800, bem como diversas contidas na Conta 64830000, por ter consideradoas como notoriamente usuais e normais ao ramo de atividade, mantendo as demais despesas restantes as contas contábeis 60638800 e 64830000 e integralmente aquelas constantes das contas nºs 61830000 e 60680000. II) DOS FATOS DA EMBARGADA (UNIÃO FEDERAL). 01) Tratase de embargos opostos à execução fiscal que objetiva a cobrança de créditos tributários decorrentes do não recolhimento de IRPJ, apurados e constituídos a partir de auto de infração lavrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB); 02) A Embargada diz que com o oferecimento dos embargos pretende a executada a anulação do lançamento tributário e, conseqüentemente, da inscrição em dívida ativa da União n? 70.2.09.00304106 e da execução fiscal nº 2009.51.09.000499 2; 03) A Embargada diz que o lançamento baseiase em quatro infrações cometidas, segundo o órgão fiscal, pela embargante e que foram assim ser identificadas: (i) custos e despesas não comprovadas; (ii) bens de natureza permanente deduzidos como despesas; (iii) adições não computadas na apuração do lucro real; e (iv) exclusões/compensações não autorizadas quando da apuração do lucro real que dele se originaram; 04) A Embargada diz que, a Embargante em busca da anulação do ato administrativo, alega em relação à primeira infração (i), não ter havido análise dos requisitos que configurariam as despesas realizadas como dedutíveis, eis que a fiscalização apenas as considerou não comprovadas. A fim então de afastar a referida glosa, apresenta a embargante pela primeira vez a documentação necessária à devida comprovação de sua dedutibilidade; 05) Quanto à segunda (ii), aduz que os bens adquiridos foram destinados à manutenção de sua atividade, o que permite caracterizálos como despesas operacionais, e não bens adquiridos para o ativo fixo. 06) Já no que concerne à terceira (iii), diferentemente da primeira, as despesas foram comprovadas não entendendo, porém, o órgão fiscal estas como despesas necessárias e usuais, requisitos exigidos para demonstrar sua relação direta com a atividade operacional da embargante. De acordo com a Receita Federal, seriam mera liberalidade e, portanto, não dedutíveis do lucro real oferecido à tributação. 07) Por sua vez, a última (iv) referese à reversão de provisão feita pela empresa e tida como indevida pelo Fisco. Conforme alega a Embargante, não sendo dedutível a provisão foi adicionada ao lucro líquido no exercício de 2001 e, devido à ausência da despesa prevista, procedida a reversão pela empresa incorporadora no exercício seguinte. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.548 18 08) Por fim, diante dos erros cometidos pela Administração Fiscal na fixação da base de cálculo do tributo, nos termos em que apontados pela contribuinte nos Embargos, não haveria como deixar de se reconhecer a nulidade do lançamento realizado, notadamente por não se adequar a normas de regência da matéria. 01 QUESITOS DA EMBARGANTE (fls. 584 a 587) 1. QUEIRA O SR. PERITO IDENTIFICAR E LISTAR TODAS AS PROVISÕES EFETUADAS NOS ANOS DE 2001 E 2002 PELA EMPRESA INCORPORADA (PEUGEOTCITROEN DO BRASIL S/A, CNPJ 02.130.344/0001 40). Resposta: Analisando os autos, a fiscalização em sua autuação questiona especificamente item contido no grupo de provisões para perda de estoque de veículos/depreciação de estoques/ajuste de peças ao valor de mercado, cujos valores estão contabilizados na conta patrimonial nº 39711000, e a contrapartida de suas movimentações é registrada na conta de resultado de nº 68173500. Conforme os balancetes de 31 de dezembro de 2001 e de 31 de outubro de 2002 (datas que são a base da constituição destas provisões e a data da incorporação da entidade), a constituição destas provisões é assim apresentada: Podemos observar às fls. (716) dos autos, a composição analítica das provisões no balancete em 31/10/2002, data da Incorporação, onde consta o valor de (R$35.549.322,43). Podemos observar às fls. (695) dos autos, a composição analítica das provisões do balancete em 31/12/2001, o que apresenta o saldo de (R$70.194.691,00). Saldo das provisões em conformidade com os balancetes em 31/12/2001 e 31/10/2002. Patrimonial Provisão de Estoques Incorporada Conta Contábil - Balancetes 31/10/2002 31/12/2001 39110000Prov Deprec. Materais e Peças 0.00 0,00 39711000 Prov Deprec Estoque v.n importados 33.836.169,00 65.896.495,00 39714000 Prov. Deprec. Estoque p.r. importados 1.713.153,43 4.298.196,00 39714001Prov. Depiec. Estoque p.r. importados (exPBD) 0,00 0,00 39732000Prov. Deprec. Estoque Merc. Diversas 0,00 160.000,00 83973200Prov. Deprec. Estoque Merc. Diversas 0,00 (160.000,00) Total R$ 35.549.322,43 70.194.691,00 Contas de Resultado Provisão de Estoques Incorporada Conta Contábil- Balancetes 31/10/2002 31/12/2001 68173000Depreciação Stocks de Mat. ET Piec 0,00 0,00 68173500Dap Depreciação de estoques Vn/pr (25.226.379,67) 65.500.811,67 68173600Dap Depreciação de Estoques vd/vs 2.274.053,10 1.622.931,46 68173700Dap Depreciação Estoque Pr (2.585.042,82) 2.125.196,25 86817350Dap Depreciação de Estoques Vn/Pr 0,00 (24.106,00) 86817360 Dap Depreciação de Estoques Vd/Vs 0,00 (1.218.744,25) 86817370Dap Depreciação Estoque Pr 0,00 411.229,00 79112001Ver Prov Perda Est Veículos 0,00 0,00 Total RS (25.537.369,39) 68.418.318,13 Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.549 19 2. QUEIRA O SR. PERITO IDENTIFICAR E LISTAR TODAS AS REVERSÕES DE PROVISÕES EFETUADAS NOS ANOS DE 2001 E 2002 PELA EMPRESA INCORPORADA, APRESENTANDO O SALDO DESTAS PARA CADA ANO. Resposta: As provisões revertidas nos anos de 2001 e 2002 na empresa Incorporada Peugeot Citroen do Brasil S.A., CNPJ 02.130.341/000140 são as seguintes: No que se refere às Provisões para perda de estoque de veículos / depreciação de estoques /ajuste de peças ao valor de mercado, no ano de 2001 não existem registros de reversões de provisões efetuadas na incorporada, pois as mesmas somente ocorrem em 2002. Cabe destacar que, relativamente à conta Patrimonial 39711000 prov deprec estoque v. n. importados, a qual possui registrado o saldo da provisão para perda de estoque de veículos / de estoques / ajuste de peças ao valor de mercado em 31 de dezembro de 2001 no valor de (R$65.896.495,00), saldo credor por se tratar de uma conta "retificadora do ativo" o que inclui o lançamento inicial de (R$50.180.187,83), sendo este revertido em 02/01/2002 doc. 100000267, com o registro do lançamento a débito da conta 39711000 (ativo) e a crédito da conta de resultado (despesas), 68173500 do resultado do exercício de 2002. Verificamos que o estorno da reversão contábil não foi registrado em conta específica de Receita de Reversão de Provisão de estoque de veículos, porém, o lançamento do estorno a Crédito na conta de resultado (despesa) 68173500, interfere no resultado do exercício, ou seja, tecnicamente o resultado tributado seria o mesmo se a reversão estivesse sido registrada na conta de Receita de Reversão de Provisão de estoque de veículos. Contabilmente falando, o registro a crédito em uma conta de despesa que tem natureza devedora, diminui o valor lançado no grupo de despesa e conseqüentemente aumenta o resultado a ser tributado. Vide Anexo do Razão fls. (56). A empresa optou pela técnica de efetuar o lançamento contábil de reversão no valor total, de (R$65.896.495,00), sendo um dos itens que compõem este total o valor de (R$50.180.187,83), com a concomitante adição no valor de (R$33.836.169,00) do saldo não excluído efeito líquido deste montante, referente às mesmas provisões. A reversão efetuada de (R$65.896.495,00) menos a constituição de (R$33.836.169,00), portanto, representou receita tributada da Incorporada, no ano calendário 2002, de (R$32.060.326,67), relativa à conta de provisão de perda de estoque. O tratamento fiscal aplicado no LALUR (parte B pag 59) para esta conta foi o seguinte: do total constituído de (R$65.896.495,00) foi inicialmente abatido o valor de (R$2.173.000,00), (diferença da provisão contábil da conta patrimonial com saldo no livro LALUR), resultando no saldo de fechamento do LALUR em 31 de dezembro de 2001 de (R$63.723.495,00). No exercício de 2002, houve a exclusão de (R$29.887.326,67) para fins de apuração do lucro real. A soma destes valores (R$2.173.000,00 e R$29.887.326,67) totaliza os (R$ 2.060.326,67) revertidos nesta conta de provisão, no exercício de 2002 na empresa Incorporada (vide resposta ao quesito 3). O saldo remanescente de (R$33.836.369,00) é equivalente ao saldo patrimonial da provisão para perda de estoque em 31 de outubro de 2002 (conta Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.550 20 39711000) e que foi transferido para a Incorporadora, sendo nela revertido posteriormente (vide resposta ao quesito 6). Analisando às fls. (396) dos autos, podemos observar no livro LALUR pag. 48 com data base de 31/10/2002 (incorporação), que foram adicionados valores a provisão perda estoque valor mercado no exercício de 2002 no valor de (R$33.836.169,00) conforme apresentado também no anexo do Razão. O tratamento fiscal aplicado na DIPJ 2002 (incorporação) com data base de 31/10/2002 foi o seguinte: Na ficha 06 A, linha 29 Reversão dos saldos das provisões Operacionais consta o saldo zerado e na ficha 09 A Linha 25 Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis apresenta o saldo de (R$117.865.657,95). PatrimonialContas Provisão de Estoques Incorporada Conta Contábil-Balancetes 31/12/2001 Adições Reversões 31/10/2002 39110000Prov. Material e Peças 0.00 0,00 0,00 0,00 39711000 Prov Dep Est. V.n Importados 65.896.495,00 33.836.169,00 (65.896.495,00 33.836.169,00 39714000Prov Deprec Esto p.r Importados 4.298.196,00 0,00 (2.585.042,57) 1.713.153,43 39714001 Prov. Dep Est. p.r Imp (exPBD) 0,00 0.00 0,00 0,00 39732000Prov. Dep. Est. Merc. Diversas 160.000,00 0,00 (160.000,00) 0,00 83973200 Prov. Deprec Est. Merc. Diversas (160.000,00) 0,00 (160.000,00) 0,00 21704015Prov. Perdas Estoque Veículos 0,00 0,00 0,00 0,00 Total R$ 70.194.691,0 0 33.836.169,00 (68.481.537,5 7) 35.549.322,43 3. QUEIRA O SR. PERITO IDENTIFICAR QUAL O MONTANTE DESTAS PROVISÕES QUE FOI ADICIONADO AO LUCRO LÍQUIDO DA EMPRESA INCORPORADA NOS ANOSBASE DE 2001 E 2002. Resposta: Os valores adicionadas a resultado do exercício referentes às provisões tratadas nos quesitos 1 e 2 precedentes foram no ano base de 2001 adicionados ao lucro líquido e tratados como adições e exclusões no LALUR e nas DIPJ’s correspondentes. Movimentação Contábil Adições e Exclusões ao Lucro Líquido Provisões para perda de estoque de veículos / depreciação de estoques /ajuste de peças ao valor de mercado Partida / Contrapartida Partida: 39711000 (prov deprec estoque v. n. importados) / Contrapartida: 68173500 (dap depreciação de estoques vn/pr) LALUR da Conta 68173500 (parte B) Saldo anterior Zero Zero Constituições/ adições efetuadas no ano 2001 R$65.896.495,00 R$65.896.495,00 Reversões / exclusões efetuadas no ano 2001 Zero(**) R$2.173.000,00 Saldo cm 31 de dezem-bro de 2001 R$65.896.495,00 R$63.723.495,00 Constituições / adições efetuadas em R$33.836.169,00 R$ Zero Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.551 21 2002 Reversões / exclusões efetuadas em 2002 R$(65.896.495,00) R$(29.887.326,00) Saldo em 31 de outubro de 2002 R$33.836.169,00 R$33.836.169,00 **Reversão contábil para a receita no valor de (R$2.173.000,00) foi efetuada na conta do resultado nº 68173700 dap. depreciação estoque pr (conforme o razão da conta) e excluído na ficha 09 A linha 25 da D1PJ 2002 ano base 2001). Para o exercício do 2001, o tratamento fiscal aplicado no LALUR (parte B pag 59) para esta conta foi o seguinte: do total constituído de (R$65.896.495,00), que contém o lançamento de (R$50.180.187,83) foi inicialmente abatido o valor de (R$2.173.000,00), sem demonstração no livro LALUR e excluído na ficha 09 A linha 25 Reversão dos saldos das provisões não dedutíveis DIPJ 2002 no base 2001, resultando no saldo de fechamento do LALUR em 31 de dezembro de 2001 (valor adicionado) de (R$63.723.495,00) conforme pag. 38 livro LALUR parte A. (cópia anexa). No exercício de 2002, primeiramente, houve uma exclusão parcial deste valor na Incorporada, de (R$29.887.326,67), para fins de apuração do lucro real. A soma deste valor com o de (R$2.173.000,00) totaliza os (R$32.060.326,67) revertidos nesta conta para a receita da Incorporada no exercício de 2002. O saldo remanescente de (R$33.836.169,00) é equivalente ao saldo patrimonial da provisão para perda de estoque em 31 de outubro de 2002 (conta 39711000) e que foi transferido para a Incorporadora, sendo nela revertido posteriormente (vide resposta ao quesito 6). O valor de (R$33.836.169,00), que é (R$63.723.495,00 R$29.887.326,67), corresponde ao saldo remanescente tanto da provisão contábil quanto do LALUR do total de (R$63.723.495,00), que havia sido previamente adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro real na Incorporada. Analisando às fls. (355) dos autos, consta a pág. 38 do Livro LALUR Parte A Registro dos Ajustes do Lucro líquido do Exercício, coluna das Adições, apresenta os registros em 31.12.2001 das provisões adicionadas ao lucro liquido do ano calendário de 2001 no montante de (R$107.420.659,81), sendo que na composição analítica destas provisões, consta a provisão perda estoque valor de mercado 68173500 no valor de (R$63.723.495,67). Analisando no aspecto fiscal a DIPJ 2002 a fls. (394) dos autos do Anexo 7 (ficha 09A de Demonstração do Lucro Real), podemos verificar que dentro das ADIÇÕES, item 22 Outras Adições, consta o registro do valor de (R$77.224.335,42), não sendo possível fazer a composição analítica destes valores. Analisando às fls. (396) dos autos, consta a pg. 48 do Livro LALUR Parte A Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício com data base em 31/10/2002 (Incorporação), foi registrado na coluna das Adições do livro LALUR, as provisões no montante de (R$60.432.084,08) sendo que dentro destas provisões consta a provisão perda estoque valor de mercado 68173500 no valor de (R$33.836.169,00). Analisando às fls. (397) dos autos (ficha 09A de Demonstração do Lucro Real), DIPJ de Incorporação, podemos verificar que dentro das ADIÇÕES, item 22 Outras Adições, consta o registro do valor de (R$55.677.566,24), não sendo possível fazer a composição analítica destes valores. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.552 22 4. QUEIRA O SR. PERITO DESCREVER COMO FOI EFETUADO O REGISTRO DA TRANSFERÊNCIA DOS SALDOS DESTAS PROVISÕES, REALIZADAS PELA EMPRESA INCORPORADA, PARA A CONTABILIDADE DA EMPRESA INCORPORADORA. Resposta: Em relação às contas de provisões de estoques da Incorporada, os saldos apresentados em 31 de outubro de 2002 (na data da incorporação) e que foram transferidos para a Incorporadora são os seguintes: [...] Na conta Patrimonial 39711000 prov deprec estoque v. n. importados, foi transferido um saldo de provisão no valor de (R$33.836.169,00), passível de aproveitamento pela Incorporadora e efetivamente a ela transferido tanto contabilmente quanto relacionado ao efeito fiscal. (LALUR, Parte B, pág. 59). Posteriormente, na Incorporadora, logo após a incorporação (01.11.2002), houve nesta mesma conta a reversão contábil do valor de (R$33.836.169,00), permitindo a exclusão deste valor na apuração do lucro real no exercício do 2002. A contrapartida das movimentações da conta Patrimonial nº 39711000 foi a conta de resultado de nº 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), como se comprova pelos Livros Diário/Razão fls. 22 diário nº 326 ano de 2002, correspondente ao saldo da provisão oriundo da Incorporada e por ela previamente adicionado ao lucro real. São apresentados no anexo Razão, os registros envolvendo as contas de estoque demonstrando que não houve nenhum problema nas transferências ocorridas nas contas patrimoniais de estoques e seus reflexos na incorporação. De acordo com a NBC TP 01 Norma Técnica de Perícia Contábil Terminologia em seu item 81. Diz que o peritocontador deve, na conclusão do Laudo Pericial Contábil, considerar as formas explicitadas nos itens seguintes: (a) Omissão de Fatos o peritocontador não pode omitir nenhum fato relevante encontrado no decorrer de suas pesquisas ou diligências, mesmo que não tenha sido objeto de quesitação e desde que esteja relacionado ao objeto da perícia; Desta forma, a única divergência identificada não está relacionada a estoques e sim no resultado tributado a maior pela incorporada, já que o resultado contábil final nos registros contábeis da incorporada era de um lucro de (R$52.260.538,00) conforme fls. (713 a 733) dos autos balancete analítico, e o valor tributado como lucro de partida para os ajustes de adições e exclusões na DIPJ foi de (R$60.555.568), ou seja, houve uma tributação a maior na DIPJ da incorporada em 31 de outubro de 2002 de (R$8.295.030,00). 5. QUEIRA O SR. PERITO IDENTIFICAR E LISTAR TODAS AS PROVISÕES EFETUADAS NOS ANOS DE 2001 E 2002 PELA EMPRESA INCORPORADORA (PEUGEOTCITROEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA., CNPJ 67.405.936/000173). Resposta: Com referência as Provisões para perda de estoque de veículos / depreciação de estoques /ajuste de peças ao valor de mercado constituída nos anos de 2001 e 2002 na empresa Incorporadora Peugeot Citroen do Brasil Automóveis Ltda., CNPJ 67.405.936/000173, e demonstradas nos balancetes de 31 de dezembro de 2001 e 2002 e os balancetes de 31 de outubro de 2002. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.553 23 [...] Na conta 21704015 houve a reversão, no ano calendário 2002 anterior a incorporação, do valor de (R$3.305.319,00), que havia sido previamente adicionado pela Incorporadora, sendo por isso reconhecido pelo Fisco como uma exclusão lícita, sendo esta reversão de provisão demonstrada em 31/10/2002 na pg 76 do livro Lalur e fls. 455 dos autos. No processo de incorporação, foi registrado na conta 39711000 o valor do saldo de provisão recebido por transferência da Incorporada, no valor de (R$33.836.169,00), valor este já previamente adicionado na Incorporada e suportado pelo saldo do LALUR, Parte B, pág. 59, sendo passível de aproveitamento pela Incorporadora, tanto contabilmente quanto relacionado ao efeito fiscal, possibilitando sua futura exclusão do lucro real quando da reversão contábil deste valor. Esta reversão contábil para a receita tributável ocorreu de forma integral nesta mesma conta em 01.11.2002, no valor de (R$33.836.169,00), sendo a contrapartida registrada na conta de resultado de nº 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), como se comprova pelos Livros Diário/Razão. Analisando a pág. 59 do livro LALUR parte B da Incorporada Peugeot Citroen do Brasil S/A, consta o saldo em 31/10/2002 (incorporação) de (R$33.836.169,00) a débito da conta 68173500. Analisando a pág. 76 parte B do Livro LALUR da Incorporadora, houve o registro em 31/10/2002 da reversão no valor de (R$3.305.319,00), restando um saldo de (R$27.866,00). Pela análise deste Perito, no processo de Incorporação não foi localizada a transferência do saldo de (R$33.836.169,00) da Incorporada para a Incorporadora (demonstração no Livro LALUR parte B), e posteriormente em novembro de 2002 a demonstração da reversão de provisão do valor de (R$33.836.169,00), (livro LALUR parte B) fechando com os valores de (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), revertidos contabilmente em 01/11/2002 nas contas 39711000 e 68173500 como se comprova pelos Livros Diário/Razão nos autos. A provisão constituída na incorporadora, no ano calendário 2002, após a incorporação, no valor de (R$62.172.830,00), não se relaciona com a exclusão em questão no processo, pois corresponde às exclusões realizadas nos exercícios posteriores (ano base 2003 e seguintes). 6. QUEIRA O SR. PERITO IDENTIFICAR E LISTAR TODAS AS REVERSÕES DE PROVISÕES EFETUADAS NOS ANOS DE 2001 E 2002 PELA EMPRESA INCORPORADORA, APRESENTANDO O SALDO DESTAS PARA CADA ANO Resposta: No que se refere às Provisões para perda de estoque de veículos / depreciação de estoques /ajuste de peças ao valor de mercado, constituídas nos anos de 2001 e 2002 na empresa Incorporadora Peugeot Citroen do Brasil Automóveis Ltda., CNPJ 67.405.936/000173, conforme balancetes de 31 de dezembro de 2001 e 2002 e os balancetes de 31 de outubro de 2002, são assim apresentadas [...] Ressaltamos as contas Patrimonial 39711000 e de Resultado 68173500 que contêm os valores destacados na autuação fiscal. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.554 24 Na conta 21704015 houve a reversão, no ano calendário 2002 anteriormente a incorporação, do valor de (R$3.305.319,00), que havia sido previamente adicionado pela Incorporadora, sendo por isso reconhecido pelo Fisco como uma exclusão lícita. Quanto ao saldo de provisão oriundo da Incorporada, registrado na conta 39711000, no valor de (R$33.836.169,00), já previamente adicionado na Incorporada e suportado pelo saldo do LALUR, Parte B, pág. 59 e parte A pág. 48, ocorreu a reversão contábil integral deste valor para a receita tributável nesta conta em 01.11.2002 com contrapartida registrada na conta de resultado de ns 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), como se comprova pelos Livros Diário/Razão), possibilitando sua exclusão do lucro real pela Incorporadora no ano calendário 2002 (DIPJ 2003). Pela análise deste Perito, no processo de Incorporação, não identificamos a transferência do saldo de (R$33.836.169,00) da Incorporada para a Incorporadora demonstração no Livro LALUR parte B, e posteriormente em novembro de 2002 a demonstração da "reversão de provisão" do valor de (R$33.836.169,00), livro LALUR parte B, fechando com os valores de (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), revertidos contabilmente em 01/11/2002 nas contas 39711000 e 68173500 como se comprova pelos Livros Diário/Razão nos autos. Analisando o aspecto fiscal da DIPJ 2003 (ano base 2002), consta o registro na ficha 06 A Demonstração r Resultado na linha 29 Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais o valor de (R$31.253.170,65), . na ficha 09 A Demonstração do Lucro Real linha 25 Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis o valor de R$109.593.659,81. Considerando a reversão contábil dos (R$33.836.169,00), mais o valor aceito pelo fisco de (R$3.305.319,00), estes dois valores totalizam uma reversão para a receita na Incorporadora, no exercício de 2002, oriunda da reversão de provisões de estoques, de (R$37.141.488,00). Além destes valores, foram contabilizados no resultado do exercício, como receita da conta correspondente a provisões de perda de estoque, lançamentos de reclassificação de valores de receita por alteração de critério de provisão na ordem de (RS 15.757.538,00). O detalhamento dos lançamentos pode ser obtido no Anexo Razão. 7. QUEIRA O SR. PERITO IDENTIFICAR QUAL O MONTANTE DESTAS PROVISÕES QUE FOI ADICIONADO AO LUCRO LÍQUIDO DA EMPRESA INCORPORADORA NOS ANOSBASE DE 2001 E 2002. Resposta: As provisões adicionadas ao lucro líquido da empresa Incorporadora, nos anosbase de 2001 e 2002, são as seguintes: Na Incorporadora em dezembro de 2001, foi adicionado o valor de (R$3.305.319,00), que foi revertido nos primeiros meses de 2002 antes da incorporação, sendo o único valor aceito pelo Fisco como exclusão que transitou pela receita da conta contábil 791120001 Reversão Prov. Perda Est. Veículos (balancete anexo). Quando da Incorporação, foi registrado na conta 39711000 o valor do saldo de provisão recebido por transferência da Incorporada, no valor de (R$33.836.169,00), já previamente adicionado na Incorporada e suportado pelo saldo do LALUR, Parte 8, pág. 59 e pag. 48 parte A, sendo passível de aproveitamento pela Incorporadora, tanto contabilmente quanto relacionado ao efeito fiscal, possibilitando sua futura exclusão do lucro real quando da reversão contábil deste valor. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.555 25 Esta reversão contábil para a receita tributável ocorreu de forma integral nesta mesma conta em 01.11.2002, no valor de (R$33.836.169,00) com contrapartida registrada na conta de resultado de nº 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), como se comprova pelos Livros Diário/Razão. Pela análise deste Perito, no processo de Incorporação não localizamos a transferência do saldo de (R$33.836.169,00) da Incorporada para a Incorporadora (demonstração no Livro LALUR parte B), e posteriormente em novembro de 2002, após a incorporação, a demonstração da reversão no livro LALUR parte B da provisão no valor de (R$33.836.169,00), fechando com os valores de R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), revertidos contabilmente em 01/11/2002 nas contas 39711000 e 68173500 como se comprova pelos Livros Diário/Razão nos autos. A provisão constituída na incorporadora, no ano calendário 2002, após a incorporação, no valor de (R$62.172.830,00), foi adicionada na DIPJ de 2003 e LALUR. Esta adição não se relaciona com a exclusão em questão no processo, pois corresponde às exclusões realizadas nos exercícios posteriores (ano base 2003 e seguintes 8. QUEIRA O SR. PERITO RELACIONAR A REVERSÃO CONTÁBIL DA PROVISÃO OBJETO DA AUTUAÇÃO DE "PARA PERDA DE ESTOQUE DE VEÍCULOS / DEPRECIAÇÃO DE ESTOQUES / AJUSTE DE PEÇAS AO VALOR DE MERCADO", NO MONTANTE DE R$50.180.087,83) AOS LANÇAMENTOS DAS RESPECTIVAS CONSTITUIÇÕES DESTAS PROVISÕES. Resposta: A provisão "para perda de estoque de veículos / depreciação de estoques / ajuste de peças ao valor de mercado" contém o item no valor de (R$50.180.087,83) que compõe o saldo em 31 de dezembro de 2001 de (R$65.896.195,00) na conta Patrimonial 39711000 prov. deprec estoque v. n. importados. Esta provisão foi constituído c adicionada na empresa Incorporada nesta data. Este valor foi revertido nos primeiros lançamentos de 2002 (lançamentos de contrapartida na receita alocados na conta 68173500 do resultado do exercício de 2002), tendo havido a concomitante adição no valor de (R$33.836.169,00) do saldo não excluído deste montante. A reversão efetuada de (R$65.896.495,00) menos a constituição de (R$33.836.169,00), portanto, representou receita tributada da Incorporada, no ano calendário 2002, de (R$32.060.326,67), relativa ã conta de provisão de perda de estoque. O saldo remanescente (R$33.836.159,00) é equivalente ao saldo patrimonial da provisão para perda de estoque em 31 de outubro de 2002 (conta 39711000) e que foi transferido para a Incorporadora, sendo nela revertido posteriormente (vide resposta ao quesito 6). O tratamento fiscal aplicado no LALUR da Incorporada (parte B pag 59) para esta conta foi o seguinte: do total constituído de (R$65.896.495,00) foi inicialmente abatido o valor de (R$2.173.000,00 diferença da provisão contábil patrimonial com o saldo do livro LALUR parte B), resultando no saldo de fechamento da LALUR em 31 de dezembro de 2001 de (R$63.723.495,00). No exercício de 2002, houve a exclusão de (R$29.887.326,67) para fins de apuração do lucro real. A soma destes valores (R$2.173.000,00 e R$29.887.326,67) totaliza os (R$32.060.326,67) revertidos nesta conta de provisão, no exercício de 2002 na empresa Incorporada (vide resposta ao quesito 3). Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.556 26 O valor de (R$33.836.169,00) que é (R$ 63.723.495,00 RS 29.887.326,67), corresponde ao saldo remanescente tanto da provisão contábil quanto do LALUR do total de (R$63,723.495,00), que incluía o item de (R$50.180.087,83), que havia sido previamente adicionado ao lucro liquido para apuração do lucro real na Incorporada. Quando da incorporação, a Incorporadora registrou na conta 39711000 o valor do saldo de provisão recebido por transferência da Incorporado, no valor de (R$33.836.169,00), já previamente adicionado na Incorporada e suportado pelo saldo do LALUR, Parte B, pág. 59 e pág. 48 parte A, sendo passível de aproveitamento pela Incorporadora, tanto contabilmente quanto relacionado ao efeito fiscal, possibilitando sua futura exclusão do lucro real quando da reversão contábil deste valor. Esta reversão contábil para a receita tributável ocorreu de forma integral nesta mesma conta em 01.11.2002, no valor de (R$33.836.169,00), com contrapartida registrada na conta de resultado de na 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00). como se comprova pelos Livros Diário/Razão. Pela análise deste Perito, no processo de Incorporação não identificamos a transferência do saldo de (R$33.836.169,00) da Incorporada para a Incorporadora (demonstração no Livro LALUR parte 13), e posteriormente em novembro de 2002, após a incorporação, a demonstração da reversão de provisão no Lalur parte B no valor de (R$33.836.169,00), fechando com os valores de (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), revertidos contabilmente em 01/11/2002 nas contas 39711000 e 68173500 como se comprova pelos Livros Diário/Razão nos autos. Quanto ao tratamento fiscal na Incorporadora, no encerramento do período de apuração em 31 dezembro 2002, esta procedeu a exclusão do valor de (R$50.180.078,83), questionado na autuação, sendo aceita peio fisco a exclusão apenas de (R$3.305.319,00), valor correspondente à provisão revertida na Incorporadora antes da incorporação, que foi deduzido da base de cálculo adotada no lançamento (R$50.180.078,83 R$3.305.319,00 = R$40.874.759,83). Considerando a reversão contábil para a receita de (R$33.836.169,00), pela Incorporadora, do saldo transferido da Incorporada, já previamente adicionado ao lucro real, tendo em vista que transitou pela conta de resultado e foi tributado, existe fundamento contábil e fiscal para a aceitação da exclusão até este montante, evitando assim a dupla tributação. 9. QUEIRA O SR. PERITO CONCLUIR SE, NO EXERCÍCIO EM QUE FORAM CONSTITUÍDAS E5TAS PROVISÕES, POSTERIORMENTE REVERTIDAS, SEUS VALORES FORAM ADICIONADOS AO LUCRO LÍQUIDO, PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL, SEJA DA INCORPORADA, SEJA DA INCORPORADORA. Resposta: Com relação ao valor questionado pelo fisco em relação ao valor de (R$50.180.087,83], que compõe o saldo de (R$65.896.495,00) da conta Patrimonial 39711000 prov. deprec estoque v. n. importados, em 31 de dezembro de 2001, este valor foi previamente adicionado ao lucro liquido da Incorporada Peugeot Citroen do Brasil S.A para apuração do lucro real, conforme respostas aos quesitos anteriores. Quando da incorporação, foi transferido para a Incorporadora o saldo de provisão por ela não excluído, no valor de (R$33.836.169,00), já previamente adicionado na Incorporada e suportado pelo saldo do LALUR, Parte B, pág, 59 e pág. 48 parte A, sendo passível de aproveitamento pela Incorporadora, possibilitando sua futura exclusão do lucro real quando da reversão contábil deste valor. Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.557 27 Conforme resposta aos quesitos anteriores, no processo de Incorporação, não identificamos a transferência do saldo de (R$33.836.169,00 ) da Incorporada para a Incorporadora (demonstração no Livro LALUR parte B), e posteriormente em novembro de 2002, após a incorporação, a demonstração da reversão da provisão no livro LALUR parte B do valor de (R$33.836.169,00), fechando com os valores de (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), revertidos contabilmente em 01/11/2002 nas contas 39711000 e 68173500 como se comprova pelos Livros Diário/Razão nos autos Vide respostas aos quesitos 3, 7 e 8. 10. QUEIRA O PERITO INFORMAR QUANTO, DOS VALORES EXCLUÍDOS DO LUCRO REAL A TÍTULO DA REVERSÃO CONTÁBIL DE PROVISÃO OBJETO DA AUTUAÇÃO (DE "PARA PERDA DE ESTOQUE DE VEÍCULOS / DEPRECIAÇÃO DE ESTOQUES / AJUSTE DE PEÇAS AO VALOR DE MERCADO", NO MONTANTE DE R$50.180.087,83), CORRESPONDEM A VALORES ANTERIORMENTE PROVISIONADOS E ADICIONADOS AO LUCRO REAL, SEJA DA INCORPORADA, SEJA DA INCORPORADORA. Resposta: Conforme resposta nos quesitos precedentes e resumido na resposta ao quesito 8, a exclusão que deve ser admitida como correta é a de montante de (R$37.141.488,00) que corresponde ao valor não excluído pela Incorporada, de (R$33.836.169,00), que foi adicionado ao lucro líquido e depois revertido contabilmente para a receita da Incorporadora, porém não sendo este valor demonstrado (reversão da provisão no livro fiscal LALUR parte B, obrigação acessória), mais o valor de (R$3.305.319,00), adicionado e revertido pela Incorporadora antes da incorporação, sendo somente, este último aceito e abatido da base de cálculo do lançamento pela autoridade fiscal. Em resumo, da base de cálculo da autuação (R$50.180.087,83 R$3.305.319,00) já aceito pelo fisco = (R$46.874.759,83), deve ser expurgado o valor de (R$ 33.836.169,00), embora não tenha sido este valor demonstrado no livro fiscal LALUR parte B (reversão de provisão, obrigação acessória), porém há comprovação da reversão contábil para a receita (transitou pelo resultado da incorporadora), correspondendo ao saldo remanescente passível de exclusão, evitando assim a dupla tributação deste valor. 11. QUEIRA O SR. PERITO INFORMAR SE, NA HIPÓTESE DE EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO DO MONTANTE CORRESPONDENTE À REVERSÃO CONTÁBIL OBJETO DA AUTUAÇÃO, O REFERIDO VALOR FOI CONTABILIZADO COMO RECEITA NESTE EXERCÍCIO (EM QUE OCORREU A REVERSÃO), JUSTIFICANDOSE A EXCLUSÃO DA PARCELA (DADO QUE JÁ OCORRERA A TRIBUTAÇÃO QUANDO DA CONSTITUIÇÃO DA PROVISÃO). Resposta: Conforme constatado nos quesitos precedentes e resumido na resposta ao quesito 8, houve a reversão contábil para a receita do valor de (R$33.836.169,00), na conta 39711000 e em 01.11.2002 com contrapartida registrada na conta de resultado de nº 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), como se comprova pelos Livros Diário/Razão). Esclarecemos que estes valores não foram demonstrados no livro fiscal LALUR parte B da incorporadora (reversão de provisão obrigação acessória). Este valor corresponde ao saldo de piovisão desta conta, recebido por transferência da Incorporada, e que integrava os valores por ela já previamente adicionados, conforme LALUR, Parte B, pág. 59. e pág. 48 parte A da incorporada Peugeot Citroen do Brasil S.A Portanto, considerando a comprovação da reversão Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.558 28 contábil que transitou pelo resultado, justificase a exclusão do lucro liquido pela Incorporadora até o limite deste valor de (R$33.836.169,00), além do valor de (R$3.305.319,00) já admitido pelo Fisco o qual corresponde à reversão ocorrida na Incorporadora antes da incorporação. [...] 02 QUESITOS DA EMBARGADA (UNIÃO FEDERAL). (Fls. 590 a 591) 01 O CONTRIBUINTE APRESENTOU OS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS, DOCUMENTOS REFERENTE À INCORPORAÇÃO DA PEUGEOT CITROEN DO BRASIL, DOCUMENTAÇÃO QUE SERVIU DE BASE AOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS E PREENCHIMENTO DE FORMULÁRIOS Resposta: Analisando os autos, consta às fls. (83 a 91), o mandado de procedimento fiscal Fiscalização nº 07.1.90.002005005269, com data de expedição de 15 de Março de 2005, assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal Sr. Wilson Martins Sayão Filho. Neste Termo de Início de Ação Fiscal, o Sr. Auditor intima a Embargante a prestar os esclarecimentos e/ou apresentar os elementos abaixa relacionados, no prazo de 20 (vinte) dias: 01 Cartão de CNPJ, atos constitutivos e alterações posteriores; 02 Livros comerciais e fiscais referentes ao anocalendário de 2002; 03 Documentos correspondentes à Incorporação da empresa PeugeotCitroen do Brasil SA CNPJ 02.130.314/000140, de acordo com a Lei 6404/76, a saber: a) Protocolo e Justificação; b) Balanço especial da Incorporação; c) Lalur; d) Declaração de rendimentos correspondente ao período de janeiro até a data do evento; e) Laudo Pericial caso o patrimônio tenha sido avaliado a preço de mercado; f) Livros comerciais da Incorporada referentes ao ano calendário de 2002. 04Preenchimento dos formulários "Demonstração de tributos devido com base na escrituração" 05Documentação que serviu de base para os lançamentos contábeis; 06Outros esclarecimentos/documentos solicitados ao longo da ação fiscal. Consta às fls. (538/539), dos autos, outro Termo de Intimação Fiscal, assinado pelo Sr. AuditorFiscal da Receita Federal Sr. Wilson Martins Sayão Filho, intimando a autora a prestar esclarecimentos e/ ou apresentar os elementos abaixo relacionados, no prazo de 10 (dez) dias 01Arquivo digitais e sistemas de que tratam as Instruções Normativas n5s 68/95, 86/01 e Ato Declaratório COFINS nº 15/01; 02Documentação comprobatória das seguintes contas:Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica; Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.559 29 Despesas de Veículos e de conservação de bens e Instalações; Perdas em operação de crédito; Outras Despesas Operacionais. 03 Esclarecer se as "Variações Cambiais Ativas" e "Outras Receitas" foram incluídas na base de cálculo do PIS/COFINS no período de janeiro a dezembro/2002 Podemos verificar nos "Termos de. Ação Fiscal" acima, que foi solicitado pelo fisco (SRFB) diversos documentos enumerados para o início da Ação Fiscal, não sendo possível localizar nos autos por este Perito, o protocolo de entrega destes documentos ou parte deles pela Embargante nos prazos estipulados da Intimação Fiscal. Podemos observar às fls. (92) dos autos do processo em conexão nº 000059003.2008.4.02.5109, que consta a "Termo de Encerramento" que menciona no item do contexto que "devolvemos nesta data todos os livros e documentos utilizados na presente, onde fiscalização, no estado em que foram recebidos, não sendo relatado que houve falta de documentos requeridos 02. O CONTRIBUINTE APRESENTOU OS ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS, E A DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DE 4 (QUATRO) CONTAS (DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, DESPESAS DE _ VEÍCULOS E DE CONSERVAÇÃO DE BENS E INSTALAÇÕES, PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO E OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS), BEM COMO ESCLARECEU SE AS VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS FORAM INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS Resposta: Conforme resposta ao quesito nº 01, não foi possível localizar nos autos por este Perito, o protocolo de entrega dos documentos solicitados nos "Termos de Ação Fiscal" no processo de Fiscalização da Embargante, sendo possível localizar no "Termo de Encerramento" do processo em conexão nº 000059003.2008.4.02.5109, no item do contexto menciona que "devolvemos nesta data todos os livros e documentos utilizados na presente, onde fiscalização, no estado em que foram recebidos, não sendo relatado que houve falta de documentos requeridos. Com relação as 04 (quatro) contas, (despesas de prestação de serviços, despesas de veículos e de conservação de bens e instalações, perdas cm operação de crédito e outras despesas operacionais, resposta aos quesitos 12, 13, 14, 15 e 16 da autora. (Quesitos de fls. 584 a 587). Com relação as variações cambiais ativas e outras receitas financeira, não foi possível localizar por este Perito, esclarecimentos nos autos se foram incluídas na base de cálculo do PIS/COFINS. 03. O CONTRIBUINTE APRESENTOU OS ARQUIVOS MESTRES DE MERCADORIAS F SERVIÇOS E ARQUIVOS DE EXPORTAÇÃO ? Resposta: Conforme resposta ao quesito nº 01, não foi possível localizar nos autos por este Perito, o protocolo de entrega dos documentos solicitados nos “Termos de Ação Fiscal" no processo de Fiscalização da autora. Quesito prejudicado. 04. O CONTRIBUINTE JUSTIFICOU A EXCLUSÃO DO VALOR DE R$50.180.078,83 A TÍTULO DE PROVISÃO PARA PERDA DE ESTOQUE, NA DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL (FICHA 09/AL1NHA 25), EM Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.560 30 CONFRONTO COM A REVERSÃO CONTÁBIL DOS SALDOS DAS PROVISÕES OPERACIONAIS, NO VALOR DE RS 31.253.170,65, REGISTRADA NA FICHA 06/A LINHA 29 DA DIPJ 2003/2002? Resposta: Conforme resposta aos quesitos anteriores, a provisão "para perda de estoque de veículos / depreciação de estoques / ajuste de peças ao valor de mercado" contém o item no valor de (R$50.180.087,83) que compõe o saldo em 31 de dezembro de 2001 de R$(65.896.495,00) na conta Patrimonial 39711000 prov. deprec estoque v. n. importados. Esta provisão foi constituída e adicionada na empresa Incorporada nesta data. Este valor foi revertido nos primeiros lançamentos de 2002 (lançamentos de contrapartida na receita alocados na conta 68173500 do resultado do exercício de 2002), tendo havido a concomitante adição no valor de (R$33.836.169,00) do saldo não excluída deste montante. A reversão efetuada de (R$65.896.495,00) menos a constituição de (R$33.836.169,00), portanto, representou receita tributada da Incorporada, no ano calendário 2002, de (R$32.060.326,67), relativa à conta de provisão de perda de estoque. O saldo remanescente (R$33.836.169,00) é equivalente ao saldo patrimonial da provisão para perda de estoque em 31 de outubro de 2002 (conta 39711000) e que foi transferido para a Incorporadora, sendo nela revertido posteriormente (vide resposta ao quesito 6). O tratamento fiscal aplicado no LALUR da Incorporada (parte B pag 59) para esta conta foi o seguinte: do total constituído de (R$65.896.495,00) foi inicialmente abatido o valor de (R$2.173.000,00 diferença entre o saldo da provisão da conta patrimonial contábil com o saldo do livro LALUR parte B), resultando no saldo de fechamento do LALUR em 31 de dezembro de 2001 de (R$63.723.495,00). No exercício de 2002, houve a exclusão de (R$29.887.326,67) para fins de apuração do lucro real. A soma destes valores (R$2.173.000,00 e R$29.887.326,67) totaliza os (R$32.060.326,67) revertidos nesta conta de provisão, no exercício de 2002 na empresa Incorporada (vide resposta ao quesito 3). O valor de (R$33.836.169,00) que é (R$63.723.495,00 R$29.887.326,67), corresponde ao saldo remanescente (tanto da provisão contábil quanto do LALUR) do total de (R$63.723.495,00) que incluía o irem de (R$50.180.087,83), que havia sido previamente adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro real na Incorporada. Quando da incorporação, a Incorporadora registrou na conta 39711000 o valor do saldo de provisão recebido por transferência da Incorporada, no valor de (R$33.836.169,00), já previamente adicionado na Incorporada e suportado pelo saldo do LALUR, Parte B, pág. 59 e pág. 48 parte A, sendo passível de aproveitamento pela Incorporadora, tanto contabilmente quanto relacionada ao efeito fiscal, possibilitando sua futura exclusão do lucro real quando da reversão contábil deste valor. Pela análise deste Perito e já mencionado em respostas a quesitos anteriores, no processo de Incorporação, não identificamos a transferência do saldo de (R$33.836.169,00) da Incorporada para a Incorporadora (demonstração no Livro LALUR parte B), e posteriormente em novembro de 2002, após a incorporação, a demonstração da reversão de provisão (livro LALUR parte B) do Valor de (R$33.836.169,00), fechando com os valores de (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), revertidos contabilmente em 01/11/2002 nas contas 39711000 e 68173500 como se comprova pelos Livros Diário/Razão nos autos. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.561 31 Esta reversão contábil para a receita tributável ocorreu de forma integral nesta mesma conta em 01.11.2002, no valor de (RS 33.836.169,00) com contrapartida registrada na conta de resultado de nº 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores (R$19.221,855,00 e R$14.614.314,00), como se comprova pelos Livros Diário/Razão. Quanto ao tratamento fiscal na Incorporadora, no encerramento do período de apuração em 31 dezembro 2002, esta procedeu à exclusão do valor de R$50.180.078,83 (questionado na autuação), sendo aceita pelo fisco a exclusão apenas de R$3.305.319,00 (valor correspondente à provisão revertida na Incorporadora antes da incorporação), que foi deduzida da base de cálculo adotada no lançamento (R$50.180.078,83 R$3.305.319,00 = R$46.874.759,83). Considerando a reversão contábil para a receita de (R$ 3.836.169,00), pela Incorporadora, do saldo transferido da Incorporada já previamente adicionado ao lucro real, existe fundamento contábil e fiscal para a aceitação da exclusão até este montante, evitando assim a dupla tributação. Em resumo, da base de cálculo da autuação (R$50.180.087,83 – R$3.305.319,00 (já aceito pelo fisco) = R$46.874.759,83), deve ser expurgado o valor de (R$33.836.169,00), para o qual há comprovação da reversão contábil para a receita, correspondendo ao saldo remanescente passível de exclusão, evitando assim a dupla tributação. A autuação partiu do confronto de linhas da DIPJ que apresentam Informações estatísticas, que não alteram o resultado tributável, contido nos balancetes e respectivas demonstrações financeiras da Empreso, sendo o valor apurado apresentado na Ficha 6 A, linha 55 (lucro líquido do período de apuração). Assim, o erro material observado no preenchimento da linha 29 da Ficha 6A (reversão dos saldos das provisões operacionais) não alterou o lucro líquido tributado, pois a subavaliação do valor da receita informada nesta linha é compensada pela subavaliação da despesa informada na linha 18 (custo dos bens e serviços vendidos). 05. DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA O CONTRIBUINTE APRESENTOU TODOS OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DAS DESPESAS ? Resposta: Resposta aos quesitos 12 a 16 da Embargante de fls. (584 a 587). 07. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LIBERALIDADE GLOSA O CONTRIBUINTE DEMONSTROU DE QUE SE TRATA DE DESPESAS USUAIS E NORMAIS DO RAMO DA ATIVIDADE ? Resposta: Resposta aos quesitos 12 a 16 da Embargante de fls. (584 a 587). 08. O CONTRIBUINTE ADICIONOU AO LUCRO LIQUIDO AS PROVISÕES CONSIDERADAS INDEDUTÍVEIS, PARA EFEITO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL ? Resposta: Conforme resposta aos quesitos anteriores, a provisão "para perda de estoque de veículos / depreciação de estoques / ajuste de peças ao valor de mercado" contém o item no valor de (R$50.180.087,83) que compõe o saldo em 31 de dezembro de 2001 de (R$65.896.495,00) na conta Patrimonial 39711000 prov. deprec estoque v. n. importados. Esta provisão foi constituída e adicionada na empresa Incorporada nesta data. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.562 32 Este valor foi revertido nos primeiros lançamentos de 2002 (lançamentos de contrapartida na receita alocados na conta 68173500 do resultado do exercício de 2002), tendo havido a concomitante adição no valor de (R$33.836.159,00) do saldo não excluído deste montante. A reversão efetuada de (R$5.896.495,00) menos a constituição de (R$33.836.169,00), portanto, representou receita tributada da Incorporada, no ano calendário 2002, de (R$32.060.326,67), relativa à conta de provisão de perda de estoque. O saldo remanescente (R$33.836.169,00) é equivalente ao saldo patrimonial da provisão para perda de estoque em 31 de outubro de 2002 (conta 39711000) e que foi transferido para a Incorporadora, sendo nela revertido posteriormente (vide resposta ao quesito 6). O tratamento fiscal aplicado no LALUR da Incorporada (parte B pag 59) para esta conta foi o seguinte: do total constituído de (R$65.896.495,00) foi inicialmente abatido o valor de (R$ 2.173.000,00, excluído na ficha 09 A linha 25 da DIPJ 2002 ano base 2001, não sendo este valor demonstrado no LALUR parte B) resultando no saldo de fechamento do LALUR em 31 de dezembro de 2001 de (R$63.723.495,00). No exercício de 2002, houve a exclusão de (R$29.887.326,67) para fins de apuração do lucro real. A soma destes valores (R$2.173.000,00 e R$29.887.326,67) totaliza os R$32.060.326,67 revertidos nesta conta de provisão, no exercício de 2002 na empresa Incorporada (vide resposta ao quesito 3). O valor de (R$33.836.169,00) que é (R$63.723.495,00 R$29.887.326,67), corresponda ao saldo remanescente (tanto da provisão contábil quanto do LALUR) do total do R$63.723.495,00 (que incluía o item de R$50.180.087,83), que havia sido previamente adicionado ao lucro liquido para apuração do lucro real na Incorporada. 09. O CONTRIBUINTE DEMONSTROU/COMPROVOU A REVERSÃO DAS PROVISÕES? Resposta: Conforme resposta aos quesitos anteriores, a provisão "para perda de estoque de veículos / depreciação de estoques / ajuste de peças ao valor de mercado" contém o item no valor de (R$50 180.087,83) que compõe o saldo em 31 de dezembro de 2001 de (R$65.896.495,00) na conta Patrimonial 39711000 prov. deprec estoque v. n. importados. Esta provisão foi constituída e adicionada na empresa Incorporada nesta data. Este valor foi revertido nos primeiros lançamentos de 2002 (lançamentos de contrapartida na receita alocados na conta 68173500 do resultado do exercício de 2002), tendo havido a concomitante adição no valor de (R$33.836.169,00) do saldo não excluído deste montante. A reversão efetuada de (R$ 65.896495,00) menos a constituição de (R$33.836.109,00), portanto, representou receita tributada da Incorporada, no ano calendário 2002, de (R$32.060.326,67), relativa à conta de provisão de perda de estoque. O saldo remanescente (R$33.836.169,00) é equivalente ao saldo patrimonial da provisão para perda de estoque em 31 de outubro de 2002 (conta 39711000) e que foi transferido para a Incorporadora, sendo nela revertido posteriormente (vide resposta ao quesito 6). O tratamento fiscal aplicado no LALUR da Incorporada (parte B pag 59) para esta conta foi o seguinte: do total constituído de (R$65.896.495,00) foi inicialmente abatido o valor de (R$2.173.000,00 diferença entre o saldo da provisão da conta patrimonial contábil com o saldo do livro LALUR parte B), resultando no saldo de fechamento do LALUR em 31 de dezembro de 2001 de (R$63.723.495,00). No Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.563 33 exercício do 2002, houve a exclusão de (R$29.887.326,67) para fins de apuração do lucro real, A soma destes valores (R$2.173.000,00 e R$29.887.326,67) totaliza os (R$32.060.326,67) revertidos nesta conta de provisão, no exercício de 2002 na empresa Incorporada (vide resposta ao quesito 3). O valor de (R$33.836.169,00) que é (R$63.723.495,00 R$29.887.326,67), corresponde ao saldo remanescente (tanto da provisão contábil quanto do LALUR) do total de (R$63.723.495,00) que incluía o item de (R$50.180.087,83), que havia sido previamente adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro real na Incorporada. Quando da incorporação, a Incorporadora registrou na conta 39711000 o valor do saldo de provisão recebido por transferência da Incorporada, no valor de (R$33.836.169,00) (já previamente adicionado na Incorporada e suportado pelo saldo do LALUR, Parte B, pág. 59 e pág. 48 parte A), sendo passível de aproveitamento pela Incorporadora, tanto contabilmente quanto relacionado ao efeito possibilitando soa futura exclusão do lucro real quando da reversão contábil deste valor Pela análise deste Perito, e já mencionado em resposta a quesitos anteriores, no processo de incorporação, não identificamos a transferência do saldo de (R$33.830.169,00) da Incorporada para a Incorporadora (demonstração no Livro LALUR parte 8), e posteriormente em novembro de 2002, após a incorporação, a demonstração da reversão de provisão no livro LALUR parte B do valor de (R$33.836.169,00), fechando com os valores de (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), revertidos contabilmente em 01/11/2002 nas contas 39711000 e 68173500 como se comprova pelos Livros Diário/Razão nos autos Esta reversão contábil para a receita tributável ocorreu de forma integral nesta mesma conta em 01.11.2002, no valor de (R$33.836.169,00) com contrapartida registrada na conta de resultado de nº 68173500, sendo o valor composto pelo somatório dos lançamentos de valores (R$19.221.855,00 e R$14.614.314,00), como se comprova pelos livros Diário/Razão. Quanto ao tratamento fiscal na Incorporadora, no encerramento do período de apuração em 31 dezembro 2002, esta procedeu à exclusão do valor de R$50.180.078,83 (questionado na autuação), sendo aceita pelo Fisco a exclusão apenas de (R$3.305.319,00) valor correspondente à provisão revertida na Incorporadora antes da incorporação, que foi deduzido da base de cálculo adotada no lançamento (R$50.180.078,83 R$3.305.319,00 = R$46.874.759,83). Considerando a reversão contábil para a receita de (R$33.836.169,00), pela Incorporadora, do saldo transferido da Incorporada já previamente adicionado ao lucro real, existe fundamento contábil e fiscal para a aceitação da exclusão até este montante, evitando assim a dupla tributação. Em resumo, da base de cálculo da autuação (R$50.180.087,83 R$3.305.319,00 (já aceito pelo fisco) = R$46.874.759,83), deve ser expurgado o valor de (R$33.836.169,00), para o qual há comprovação da reversão contábil paro a receita, correspondendo ao saldo remanescente passível de exclusão, evitando assim a dupla tributação. O presente Laudo Pericial Contábil representa o resultado do trabalho da perícia para qual este Perito foi designado, onde se buscou responder de forma clara e objetiva às indagações formuladas nos quesitos das partes. Em face do Laudo Técnico de fls. 11151350, tem cabimento observar que, embora contenha matéria tributável conexa com a tratada nos presentes autos, foi produzido no âmbito do Poder Judiciário. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17883.000382/200761 Resolução nº 1803000.088 S1TE03 Fl. 1.564 34 Todavia, em face do princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, esse documento de fls. 11151350 pode ser analisado na via administrativa tãosomente como prova indiciária e as informações ali contidas devem ser consideradas como esclarecimentos ao Auto de Infração em litígio nos presente autos. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente para avaliar os esclarecimentos contidos documento de fls. 11151350, bem como todos os elementos contábeis e fiscais constantes nos autos com a finalidade de: (a) verificar se houve a reversão da Provisão para Perda de Estoque de Veículos não dedutível no valor de R$33.836.169,00 no anocalendário de 2002, para fins de que essa quantia possa ser deduzida do valor tributável apurado nos presentes autos para fins de determinação do lucro real; e (b) cotejar a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança com os esclarecimentos contidos no documento de fls. 11151350. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial se houve de fato a reversão pela Recorrente da Provisão para Perda de Estoque de Veículos não dedutível no valor de R$33.836.169,00 no anocalendário de 2002 para fins de determinação do lucro real. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes6 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13982.721076/2012-50
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009, 2010, 2011
IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, no que for aplicável, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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DECLARAÇÃO INEXATA. OMISSÃO DE RECEITAS REITERADA. Tendo havido não apenas singela “declaração inexata”, mas omissão de receitas nas escriturações contábil e fiscal da Recorrente, reiteradamente no decorrer de três anoscalendário, cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, a qual não se exclui por eventual colaboração posterior durante a fiscalização procedida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009, 2010, 2011 IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, no que for aplicável, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 10 76 /2 01 2- 50 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 317 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 318 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 262 e 263): [...]. 2. O presente processo trata sobre impugnação contra os lançamentos tributários referentes a períodos de apuração dos anoscalendários 2008, 2009 e 2010, consubstanciados nos seguintes autos de infração: TRIBUTO VALOR EM REAIS (PRINCIPAL, MULTA E JUROS) LOCALIZAÇÃO NOS AUTOS Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ 85.529,06 fls. 03/45 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 69.146,51 fls. 46/76 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS 96.321,88 fls. 90/102 Contribuição para o PIS/Pasep 15.652,41 fls. 77/89 TOTAL 266.649,86 fl. 02 3. A descrição dos fatos do lançamento de IRPJ contém as seguintes infrações: 0001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CORRETORES E AGENTES DE SEGUROS Do exame à documentação apresentada, em especial nos Livros Diário nº 04, 05, 06 e Notas Fiscais, confrontandose com a DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, a Fiscalização observou que o Contribuinte reconheceu apenas parte de suas RECEITAS tributáveis, pelo que, não fossem as informações prestadas em DIRFs pelos contratantes (fontes pagadoras), o Fisco Federal NÃO teria como buscar essas diferenças, a menor, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. 0002 LUCRO PRESUMIDO APLICAÇÃO INDEVIDA DE PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO Correto 32%, Aplicou 16% Aplicação incorreta do percentual de determinação do Lucro Presumido de 16% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de corretores e agentes de seguros, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que acarretou as diferenças a menor de IRPJ apurado e recolhido/declarado pela contribuinte no anocalendário de 2008 e 2009, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. 4. Cientificado dos autos de infração, o contribuinte apresentou impugnação em 29/10/2012 (fls. 244/252), com os seguintes argumentos, em síntese: a. A autoridade fiscal enquadrou o contribuinte entre as pessoas jurídicas referidas no § 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Todavia, ao apurar o crédito Fl. 318DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 319 4 tributário a título de IRPJ e de CSLL, a autoridade lançadora aplicou o regime do lucro presumido sob o percentual de 32%. Ocorre que o contribuinte está sujeito ao lucro real, consoante artigo 14, inciso II, da Lei nº 9.718, de 1998, independentemente da opção por ele feita. b. Porém, se ainda fosse possível a apuração do crédito tributário com base no lucro presumido, com base na legislação anterior que possibilitava a opção, o percentual de presunção não seria de 32% (trinta e dois por cento), mas de 16% (dezesseis por cento), conforme estava previsto no art. 15, II, “b”, da Lei nº 9.249/95. c. Diante disso, o auto de infração deve ser anulado, eis que o crédito tributário foi apurado em desacordo com a legislação de regência e em flagrante prejuízo ao contribuinte, pois as diferenças de IRPJ e CSLL deveriam ter sido apuradas apenas sobre o lucro líquido, assim definido, entre outros, pelo art. 248 do RIR/99, ou, com base no percentual presumido de 16% (dezesseis por cento), como estava previsto na lei de regência à época em que tal opção era possível. d. Na espécie, o autuado apenas deixou de declarar (falta de declaração), ou, conforme referido no relatório fiscal, o contribuinte declarou parcialmente as receitas oriundas das fontes pagadoras (declaração inexata), hipóteses expressamente previstas no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê a multa de 75%. Todos os fatos geradores já haviam sido informados à Receita Federal através das DIRFs, ou seja, o Fisco não deixou de tomar conhecimento, oportunamente, acerca dos fatos geradores. e. Após a edição da Lei nº 4.502/64, que trata da sonegação fiscal, surgiram inúmeras formas ou formulários obrigatórios de responsabilidade das diversas classes de contribuintes a serem entregues periodicamente à autoridade fazendária, para informar a ocorrência do fato gerador, como é o caso da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. Ou seja, ao dar início ao procedimento fiscal, a autoridade administrativa já tinha conhecimento acerca dos fatos geradores. f. O auto de infração em momento algum demonstra onde teria ocorrido eventual prática tendente a impedir e/ou modificar as informações das DIRFs, que pudesse impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. g. [Aduziu decisões administrativas] h. Se nas hipóteses de mera "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE", na expressão literal do auto de infração, incidisse a multa de 150%, a multa base de 75% ficaria absolutamente sem utilidade. i. No caso concreto, a sonegação estaria presente se houvesse manipulação das DIRFs, procedimento que impediria ou, no mínimo, retardaria o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. 3. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 260): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CORRETORA DE SEGUROS. LUCRO REAL. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 320 5 A corretora de seguros não é modalidade de “sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio”, pelo que não está obrigada à apuração do IRPJ sob a sistemática do lucro real. CORRETORA DE SEGUROS. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE APLICÁVEL. Tendo em vista a natureza de intermediação de negócios da atividade praticada pela sociedade corretora de seguros, deverá ser aplicado o percentual de 32% sobre a receita bruta mensal, para fins de determinação da base de cálculo do Lucro Presumido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS. REITERAÇÃO. A conduta reiterada de não escriturar receitas expressivas e de não informar ao fisco a ocorrência de fatos geradores configura o dolo qualificador da penalidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, aplicase às exigências reflexas (CSLL, COFINS e PIS/Pasep), no que couber, o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. Cientificada da referida decisão em 20/09/2013 (fls. 280), a tempo, em 15/10/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 288 a 297, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, ao contrário do que referido na decisão monocrática, houve impugnação integral ao auto de infração; b) que há referência expressa no sentido de que a apuração do IRPJ e tributação reflexa deveria se dar pelo lucro real ou com base no lucro presumido, mas pelo percentual de 16%, e não de 32%, conforme utilizado pela autoridade lançadora; c) que, quanto aos juros, embora não tenha havido impugnação, eles seguem a sorte do principal, até porque seria impossível a cobrança dos juros de forma isolada ou destacada do principal; d) que, com relação à multa de ofício qualificada, em momento algum se alega que a contribuinte tivesse, através de ação ou omissão, impedido ou retardado o conhecimento, por parte da autoridade lançadora, da Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 321 6 ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e) que, tão logo intimada, compareceu aos autos confirmando que o valor correto a tributar seria aquele constante nas DIRFs; e f) que, diante da inexistência de dolo e de qualquer ação ou omissão da contribuinte tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade lançadora, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, bem como da colaboração da autuada, que, tão logo intimada, compareceu aos autos, confirmando que o valor correto a tributar seria aquele constante nas DIRFs, seria inclusive injusta a penalização com a multa de 150%. Em mesa para julgamento. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 322 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar 5. Afirma a Recorrente, preliminarmente, que, ao contrário do que referido na decisão monocrática, teria havido impugnação integral aos autos de infração. 6. Não procede a insurgência da Recorrente, visto que as exigências, tanto da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quanto da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e, ainda, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) versaram, exclusivamente, sobre omissão de receitas, sendo que, conforme bem observou a decisão recorrida (fls. 268): 24. [...], no presente processo, o sujeito passivo não se insurgiu contra o valor das receitas não oferecidas à tributação, tendo apenas apresentado fatos impeditivos (suposta nulidade) e modificativos do lançamento de IRPJ (percentual supostamente incorreto de presunção do lucro). 7. Quanto aos juros de mora, como “seguem a sorte do principal” (como afirmado pela própria Recorrente – fls. 290) e este não foi impugnado no que se refere àquelas exações (CSLL, Pis e Cofins), também são tidas como não impugnadas. Mérito 8. A Recorrente, em seu Recurso, comete alguns erros graves, a saber: a) não atentou para a diferença de redação existente entre o art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. 14, inciso II, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; b) considerou que ocorreu, de sua parte, apenas declaração inexata; e c) referiuse à Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) como se ela mesma a tivesse apresentado. 9. Quanto à alínea “a” acima, comparese a redação dos dois dispositivos citados (destacouse): Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...]. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 323 8 § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). [...]. Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: [...]; II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; 10. Observase que, naquele primeiro dispositivo constaram as expressões “sociedades corretoras” (sem qualquer distinção) e “agentes autônomos de seguros privados e de crédito”, inexistentes neste, e que correspondem, exatamente, à atividade exercida pela Recorrente (fls. 132 – “corretagem de seguros de ramos elementares, seguros de vida, capitalização e planos previdenciários”). 11. Assim, tendo partido da premissa equivocada de que ambos os dispositivos conteriam a mesma redação, acabou a Recorrente por chegar à conclusão errônea de que estaria, ela, obrigada à apuração do lucro real. 12. De se observar, por oportuno, que o art. 15, § 1º, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, por ela mencionado, se reporta ao art. 36, inciso III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o qual, por sua vez, possui a mesma redação do art. 14, inciso II, da Lei nº 9.718, de 1998, que o sucedeu. 13. Com relação à alínea “b” do item 5 supra, não se tratou, no caso, apenas de mera “declaração inexata”. Vejase (fls. 106): Fl. 323DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 324 9 14. Assim, tendo havido não apenas singela “declaração inexata”, mas omissão de receitas nas escriturações contábil e fiscal da Recorrente, reiteradamente no decorrer de três anoscalendário (2008, 2009 e 2010), cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, que não se exclui por eventual colaboração posterior durante a fiscalização procedida, inexistindo, pois, qualquer “injustiça” quanto a esse ponto. 15. No tocante à alínea “c” do item 5 retro, as Dirfs foram apresentadas não pela Recorrente, mas por suas fontes pagadoras, terceiras pessoas, não podendo, pois, servirlhe de argumento favorável para afirmar que “o fisco não deixou de tomar conhecimento, oportunamente, acerca dos fatos geradores” (fls. 294), de que “apenas retardou o lançamento e/ou a cobrança parcial do tributo, mas não o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais” (fls. 295) e de que “o auto de infração, em momento algum, atribui à autuada qualquer prática tendente a impedir e/ou modificar as informações das DIRFs, que pudesse impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária” (fls. 295). 16. Como bem discorreu a decisão recorrida (fls. 268, destaque do original): 27. Todavia, não cabe ao contribuinte alegar o cumprimento do dever de terceiros (apresentação de DIRFs) para eximirse de seu dolo. O procedimento de obtenção de informações (mediante fiscalização, circularização, DIRFs, etc.) realizado pelo fisco é irrelevante para diminuir a multa de 150% para 75%, tendo em vista o caráter subjetivo do dolo. Demais exigências 17. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, no que for aplicável (multa de ofício), na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13982.721076/201250 Acórdão n.º 1803002.297 S1TE03 Fl. 325 10 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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