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Numero do processo: 10218.721010/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada..
Numero da decisão: 2201-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. ITR. VALOR DA TERRA NUA. 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Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/03), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 52.236,77, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Continental”, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.8942, com área declarada de 3.000,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu/PA. A fiscalização efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal, de 20,0 ha e de 2.380,0 ha, respectivamente, além de alterar o VTN de R$ 43.200,00 para R$ 300.000,00, com base no valor de R$ 100,00/ha indicado no SIPT, conforme demonstrado à fl. 02. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: · apresenta um breve resumo da Notificação de Lançamento e informa que a questão cingese ao exame da legalidade das glosas levadas a efeito pela fiscalização ao revisar a DITR do exercício de 2005, bem como da alteração do VTN; · mostra o que consta do Termo de intimação fiscal; · o impugnante, em atenção à intimação, encaminhou ao Auditor Fiscal, a quem incumbiu a revisão da declaração, os seguintes documentos: 1) cópia da anotação da responsabilidade técnica, devidamente registrada no CREA; 2) cópia do comprovante de entrega do ADA ao IBAMA, devidamente protocolado sob o n°. 41000428598, em 14.09.98; 3) laudo de avaliação do imóvel; · entende o impugnante que a exigência do ITR pelo lançamento de ofício, ora impugnado, é ato administrativo de exigência tributária ilegal. Faltalhe, pois, o fundamento de validade. De fato, a glosa das áreas de preservação permanente e de utilidade limitada na DITR de 2005 não tem amparo em lei. A Lei 9.393 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721010/200775 Acórdão n.º 2201002.302 S2C2T1 Fl. 3 3 de 1996 não estabelece a obrigação de apresentar o ADA, para efeito de exclusão do ITR sobre essas áreas; · o impugnante exibiu a cópia do Ato Declaratório Ambiental à fiscalização, com protocolo do IBAMA, e não sabe o motivo de sua rejeição. Não mereceu sequer uma palavra de explicação; · do mesmo modo aconteceu em relação às outras glosas. Quanto ao laudo técnico exibido, nem uma palavra mereceu, dando o motivo de seu não acolhimento; · mostra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário sobre a desnecessidade de Ato Declaratório do IBAMA e conclui que apresentou o ADA. Mas, se não o tivesse apresentado, mesmo assim, esse ato não pode ser condição de reconhecimento de exclusão da base de cálculo do ITR, das áreas em causa; · no tocante à averbação no Registro de Imóveis de áreas de reserva legal, mostra decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara; · se não há sustentação legal, como dito no mencionado julgado do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exigir a averbação no Registro de Imóveis da área reservada em lei, com maior razão para obrigar o contribuinte a exibir o denominado ADA. A existência das áreas que sofreram a glosa está mais do que comprovada. Mas o certo é que o impugnante não está obrigado à prévia comprovação da área de reserva legal (Lei 9.393/96, art. 10, §7°); · observa que a obrigatoriedade do ADA teve início no exercício de 2001, por exigência de instrução normativa que não tem força de obrigar, porquanto somente a lei, formal e material, obriga e, nesse sentido, mostra decisão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes; · lembra que a Medida Provisória n°. 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao introduzir o § 7º no art. 10 da Lei 9.393/96, dispensou a apresentação pelo contribuinte do malsinado ato declaratório do IBAMA. Essa circunstância é objeto de decisão no acórdão do Superior Tribunal de Justiça, mostra a ementa, julgado do STJ e mais uma decisão administrativa; · conclui que o lançamento de ofício praticado não pode prosperar. Como ato administrativo, que é, padece do vício da ilegalidade, como demonstrado. Por essa razão, o lançamento que exige o ITR do exercício de 2005 deve ser desconstituído; · sem embargo do exposto, em que o impugnante postula a desconstituição do lançamento de ofício do ITR do exercício de 2005, por vício de ilegalidade, o impugnante, conquanto venha apresentando suas declarações, na esperança de obter vitória no Judiciário, já informou ao Auditor Fiscal revisor que a propriedade em causa fora invadida por Joaquim de Barros Primo, perdendo assim a posse do imóvel. Não bastasse isso, no Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 ano de 2000, um estelionatário conseguiu, junto aos Cartórios de Altamira e São Félix do Xingu, trocar, na matrícula do imóvel, o nome de seu adquirente, no caso, do impugnante, por outro, de nome PAULO FERNANDO DIAS (o impugnante é PAULO FERNANDES DIAS), em virtude de utilização de procuração falsa e escritura lavrada na Comarca de Araguaína, em Tocantins, transferindoo posteriormente para Ednei José Ferreira; · em razão desse fato, o impugnante ajuizou, além da ação reivindicatória, que fora distribuída na Comarca de São Félix do Xingu, no ano de 2003, propôs a ação declaratória de nulidade de ato jurídico, perante o Juízo da Comarca de São Félix do Xingu, Estado do Pará, que tramita sob o n°. 2007.1.0021; · em face da invasão à Fazenda Planície Verde e de sua transferência a Ednei José Ferreira pelo falsário PAULO FERNANDO DIAS, o impugnante acabou por perder a propriedade. Quer dizer, neste momento, a mencionada Fazenda não pertence mais ao impugnante. Por esse motivo, o ITR exigido e impugnado, se não for reconhecida a ilegalidade do lançamento, não cabe por ele, impugnante, ser pago; · finalmente, requer: ·· que seja julgado procedente a impugnação e improcedente o lançamento de ofício, desconstituindoo, em face de sua ilegalidade; ·· seja cancelado o lançamento praticado e cobrado o imposto de quem detém somente a posse ou a posse e o domínio do bem imóvel, segundo prova já produzida. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o titular do seu domínio útil ou mesmo o possuidor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer um deles. Assim, cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como tal na correspondente DITR/2005 e no Cadastro de Imóveis Rurais da RFB CAFIR. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada junto à matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA VTN. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721010/200775 Acórdão n.º 2201002.302 S2C2T1 Fl. 4 5 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme disposto no processo administrativo fiscal PAF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 29/03/2011 (fl. 61pdf), Paulo Fernandes Dias apresenta Recurso Voluntário em 28/04/2011 (fls. 79pdf e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal efetuou a glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente (20,0 ha) e de reserva legal (2.380,0 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 43.200,00, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 300.000,00, com base no SIPT. Em sua peça recursal alega preliminarmente o recorrente que “... embora não estivesse na posse do imóvel, apresentou a declaração do ITR, no intuito tentar garantir uma futura reintegração, o que não ocorreu até o presente momento”. Pois bem, quanto à alegação que não possui a posse do imóvel, cumpre registrar que a exigência do ITR regese pela Lei n.° 9.393/1996, que dispõe em seu artigo 4º que “Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”. Da simples leitura desse dispositivo concluise que o imposto é devido por qualquer pessoa que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Isso posto, compulsandose os autos, verificase às fls. 101/106, que o contribuinte juntou ao recurso Escritura Pública e Título Definitivo demonstrando ser o legítimo proprietário do imóvel objeto do lançamento. Além do mais, não há nos autos qualquer prova de que tenha perdido a propriedade do imóvel rural (Fazenda Continental, cadastrado na RFB, sob o nº 4.140.8942) e, por essa razão, tenha ajuizado Ação Declaratória de Nulidade de Ato Jurídico, como faz crer o recorrente em sua peça recursal. Cumpre esclarecer que enquanto não for apresentada comprovação efetiva de transferência de propriedade do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração, não há como excluir o contribuinte da relação tributária, apesar da Ação Reivindicatória carreada aos autos às fls. 19/26. Ademais, em seu apelo o próprio contribuinte reafirma ser real proprietário do imóvel, razão pela qual apresentou a DITR/2005 em seu nome. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Portanto, correta a eleição do contribuinte como sujeito passivo da obrigação tributária. No mérito, afirma o suplicante que a área total do imóvel é de 1.806,5 ha, sendo que a áreas de preservação permanente e de reserva legal correspondem a 1.445,20 ha. Assevera ainda que “... está efetivamente havendo a incidência do ITR sobre 1.806,5 ha, referente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, em razão da falta de apresentação da ADA no IBAMA e do registro da reserva legal na matrícula do imóvel.” No que tange à apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, impende registrar que sua entrega tornouse obrigatória a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, conforme determina a Lei n° 10.165/2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) Do exposto, verificase que o ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR. De acordo com a IN/SRF nº 554/2005, o prazo para a protocolização no Ibama do requerimento do ADA expirou em 31/03/2006, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2005 (30/09/2005). Portanto, diferentemente do que faz crer o recorrente, a partir da edição da Lei nº 10.165/2000 a entrega do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, é obrigatória. Quanto à área de preservação permanente, verificase que o recorrente não logrou comprovar efetivamente sua existência na propriedade. Além do mais, o ADA apresentado em 15/09/1998 não faz qualquer menção de APP no imóvel (fl. 17). Logo, deve ser mantida a glosa da área preservação permanente. No que diz respeito à necessidade de averbação da área de reserva legal, compete deixar assentado que o § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal, com a redação dada pela MP nº 2.16667/2001, determina seu registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.721010/200775 Acórdão n.º 2201002.302 S2C2T1 Fl. 5 7 (...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Pelo se vê, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente, o que não ocorreu no presente caso. Sobre o arbitramento do VTN, cumpre reproduzir a ressalva feita pela autoridade recorrida: Observase, ainda, que o Requerente nada questionou em relação à alteração do VTN de R$ 43.200,00 para R$ 300.000,00, com base no menor valor, por aptidão agrícola (terras de florestas), indicado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se localiza o imóvel, de R$ 100,00/ha. Assim, considerase não impugnada essa matéria, vez que não foi expressamente contestada, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67, da Lei nº 9.532/1997. De fato, compulsandose a Impugnação apresentada, verificase que o contribuinte não questiona o VTN arbitrado pela fiscalização. O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, porque não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada. Ainda que fosse possível discutir a matéria, o que se admite apenas a título de argumentação, verificase que não é possível considerar para fins de comprovação do Valor da Terra Nua o laudo de avaliação juntado aos autos pelo contribuinte, uma vez que se limita a informar o valor da terra nua da propriedade (fl. 16), verbis: Avaliação: Em virtude do imóvel rural estar invadido por Terceiros (Grileiros), não há permissão para se fazer uma vistoria no local, assim só podemos avaliar o valor da terra nua através do método comparativo com terras vizinhas e através de mapas topográficos e geográficos da região. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Valor da Terra Nua: R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Considerações: O valor da terra nua é bastante baixo devido aos seguintes fatores: a) Distancia do imóvel em relação a cidade mais próxima: 120 kms. b) Não há estrada e pontes para o trânsito de veículos e o acesso à propriedade só é possível a pé ou à cavalo através de trilhas. c) A topografia do imóvel é bastante montanhosa. d) Há a ocorrência de áreas bastante pedregosas. Assim, deve ser mantido o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11128.001250/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/07/2003
Importação do produto "Hostanox 0.3 em Grãos
A multa ao controle administrativo por ausência de Licença de Importação não é cabível se um produto é importado através de licenciamento automático pois não incorre na infração tipificada no artigo 633, inciso II, alínea a) do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02.
Numero da decisão: 3401-002.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos votou pelas conclusões.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos votou pelas conclusões. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 12 50 /2 00 7- 21 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 23/02/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a multa de controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 51.063,02, em virtude dos fatos a seguir descritos. A presente ação fiscal tem como objetivo a constituição do Crédito Tributário pelo lançamento, para cobrança de tributos/diferença de tributos, contribuição e penalidades aduaneiras fiscais e administrativas, relativas aos fatos geradores ocorridos quando do registro das Declarações de Importação n°s.: Dl n° 03/05793912, registrada em 10/07/2003 e Dl n°. 03/08076456, registrada em 22/09/2003, pela empresa Dupont Textile & Interiores do Brasil Ltda, atual Invista Brasil Indústria e Comércio de Fibras Ltda., CNPJ n°. 05 304 . 987/000232. As duas Declarações de Importação acima citadas foram parametrizadas no canal vermelho de conferência aduaneira e, com vistas a confirmar a classificação tarifária utilizada pelo importador, no ato da conferência física das mercadorias, foi solicitada a retirada de amostras para análise laboratorial pelo Laboratório de Análises Funcamp, conforme detalhamento abaixo feito para cada despacho acima citado. 1) Declaração de Importação n°. 03/05793912, mercadoria despachada: "Hostanox 0.3 em Grãos".Foi emitido o Laudo de Análises de n°. 1812.01, em 25/07/2003. Analisando o resultado do referido Laudo, constatamos as seguintes divergências, conforme conclusões abaixo: LAUDO N°. 1812.01 Adição 001: "Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contém Ciclo Triazina. Tratase de: 3(1,1 Dimetiletil)beta [3 (1,1 Dimetiletil)4Hidroxifenil] 4HidroxibetaMetilBenze nopropanoato de 1,2Etanodiila, Éster de Qualquer Outro Ácido Carboxílico de Função Fenol, mas sem Outra Função Oxigenada, Éster de Ácido Carboxílico contendo Função Oxigenada Suplementar. Assim, de acordo com o laudo de análise n° 1812.01, a mercadoria declarada na adição 001 passa a ser enquadrada no código tarifário NCM 2918.29.90 e não na posição declarada, qual seja, 2933.69.99. As alíquotas de LI. e I.P.I. para o correto enquadramento são de 0% e 0% respectivamente, portanto, as mesma que foram utilizadas no despacho são 0,% de II e 0% de IPI. 2) Declaração de Importação n°. 03/08076456, mercadoria despachada: "Hostanox 0.3 em Grãos". Foi emitido o Laudo de Análises de n°. 2559.01, em 06/10/2003. Analisando o resultado do referido Laudo, constatamos as seguintes divergências, conforme conclusões abaixo: LAUDO N°. 2559.01 Adição 001: "Não se trata de Qualquer Outro Composto cuja estrutura contém Ciclo Triazina. Tratase de:3(1,1 Dimetiletil)beta[3( 1,1 Dimetiletil) 4Hidroxifenil]4HidroxibetaMetilBenze nopropanoato de 1,2Etanodiila, Éster de Fl. 175DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.001250/200721 Acórdão n.º 3401002.458 S3C4T1 Fl. 6 3 Qualquer Outro Acido Carboxilico de Função Fenol, mas sem Outra Função Oxigenada, Ester de Ácido Carboxilico contendo Função Oxigenada Suplementar.". Assim, de acordo com o laudo de análise n° 2559.01, a mercadoria declarada na adição 001 passa a ser enquadrada no código tarifário NCM 2918.29.90 e não na posição declarada, qual seja, 2933.69.99. As alíquotas de LI. e I.P.I. para o correto enquadramento são de 0% e 0% respectivamente, portanto, as mesma que foram utilizadas no despacho são 0,% de II e 0% de IPI. Neste auto, cobrase também: • a multa prevista no art. 84, inciso I, da MP n° 215835/2001, tendo em vista a classificação incorreta na NCM, conforme acima especificado; • a multa prevista no artigo 169, inciso I, alinea 'b', do DecretoLei n° 37/1966, tendo em vista que a NCM correta e a descrição inexata da mercadoria exigem novo Licenciamento de Importação (LI), conforme acima especificado. Cientificado do auto de infração, Aviso de Recebimento AR, em 20/03/2007 (fls.41frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 23/04/2007, de fls. 42 à 48, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Absurda a conclusão da fiscalização que exige o pagamento desproporcional e desarrazoado da multa com base no equivocado entendimento de que o fato de a classificação fiscal adotada pela Impugnante e a classificação fiscal sugerida pela d. fiscalização serem divergentes também significaria que a importação desse mesmo produto teria sido realizada sem a respectiva Licença; • Da leitura do artigo 633 do Decreto 4.543/02, concluise que a multa de 30% em questão é aplicável no caso de importação de mercadoria sem licença de importação e quando esta for obrigatória à operação realizada; • Somente as operações expressamente relacionadas pela SECEX é que estão sujeitas à obrigatoriedade da emissão da Licença de Importação; • O Comunicado do Departamento de Operações de Comércio Exterior ("DECEX") n° 37, de 17 de dezembro de 1997, estabelece quais as operações sujeitas ao licenciamento não automático, determinando, inclusive, que os produtos sujeitos a licenciamento não automático encontramse relacionados na tabela "Tratamento Administrativo" do SISCOMEX; • A posição fiscal considerada pela fiscalização (2918.29.90), com a qual concorda a Impugnante, sequer consta da lista do SISCOMEX de produtos sujeitos a licenciamento não automático; • Qualquer seja a posição fiscal considerada, não há que se falar em importação legalmente condicionada à emissão de qualquer licença prévia; • Traz jurisprudência administrativa tanto da Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF"), bem como do Conselho de Contribuintes, quanto à inaplicabilidade da multa de controle administrativo; A DRJ decidiu em síntese: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/07/2003 Importação do produto "Hostanox 0.3 em Grãos". Cabe a incidência da multa de controle administrativo por ausência de Licença de Importação. Se um produto é importado sem uma licença de importação específica, seja ela automática ou não automática, incorre na infração tipificada no artigo 633, inciso II, alínea a) do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.542/02. O Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da impugnação acima descritos. É o relatório. Voto Conselheiro ANGELA SARTORI O Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade por isto tomo conhecimento. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO ÀS IMPORTAÇÕES POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Primeiramente cumpre esclarecer que o Recorrente concordou com a errona classificação fiscal de sua mercadoria alegada pelo d. fiscal autuante e procedeu sua retificação. A defesa é somente contra a multa do controle administrativo às importações por falta de LI. Dispõe o Voto da DRJ: “Quando da importação em questão, vigia a Portaria SECEX nº 21/96, que previa apenas dois tipos de licenciamento: o Fl. 177DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.001250/200721 Acórdão n.º 3401002.458 S3C4T1 Fl. 7 5 automático e o não automático. Portanto, a correta identificação da mercadoria, feita por meio de análise laboratorial, passou a exigir uma nova licença de importação, porque a licença obtida, ainda que automática, amparava a mercadoria que se encontrava nela descrita, mas não o produto que foi efetivamente importado.” Entendo que no presente caso, que mesmo o Recorrente concordando com o erro de classificação fiscal não pode ser aplicada a multa ao controle administrativo das importações, prescrita no art.633, inciso II do Regulamento Aduaneiro. Por sua vez, o próprio Comunicado do Departamento de Operações de Comércio Exterior ("DECEX") n° 37, de 17 de dezembro de 1997, estabelece quais as operações sujeitas ao licenciamento não automático, determinando, inclusive, que os produtos sujeitos a licenciamento não automático encontramse relacionados na tabela "Tratamento Administrativo" do SISCOMEX. A posição fiscal considerada pela fiscalização (2918.29.90), com a qual concorda a Recorrente, sequer consta da lista do SISCOMEX de produtos sujeitos a licenciamento não automático. Portanto, a mercadoria importada, mesmo na classificação tarifária aplicada pelo fiscal não estava sujeita ao licenciamento ou estava sujeita ao licenciamento automático, como bem descreveu o voto da DRJ, neste sentido tal situação por si só já descaracteriza a multa ao controle administrativo das importações por falta de tipicidade. Com efeito, o artigo 633, II do RA impõe penalidade quando este documento é exigido e o mesmo não é no presente caso. A inaplicabilidade da multa administrativa no caso em exame é tão evidente que a Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF"), bem como o Conselho de Contribuintes, há muito firmaram entendimento no mesmo sentido, ipsis litteris: "MULTA DO ARTIGO 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO Não é cabível sua aplicação por não estar configurada a falta de Guia de Importação. Recurso Provido." (Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, Dar provimento ao recurso publicado no DOU em 15.10.98 Relator: Fausto de Freitas e Castro Neto) (grifos nossos) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 'Multa Importação sem guia. Eventual equívoco. "Classificação fiscal descabimento da multa administrativa inciso II do artigo 526 RA. Não cabe multa prevista no inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro, quando desclassificado produto, mas mantida a descrição no mesmo conforme a Declaração de Importação" (Acórdão 30127295, de 15.02.93 Relator José Theodoro Mascarenhas Menck). Ademais, também não é cabível referida multa de acordo com Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 12, de 21 de janeiro de 1997, que estabeleceu os contornos desta penalidade, não é possível sua aplicação, nas situações em que houve a correta descrição da mercadoria, de forma que o próprio Fisco poderia buscar o enquadramento tarifário que reputasse correto e que, ademais, não fosse detectado intuito doloso do importador, como é o presente caso. Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é remansosa em relação à inaplicabilidade da multa por falta de LI quando o erro cometido pelo contribuinte, não implica em violação ou qualquer ameaça ao controle administrativo das importações. Vejamos: TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – GUIA DE IMPORTAÇÃO – ERRO DE PREENCHIMENTO E POSTERIOR CORREÇÃO – MULTA INDEVIDA. 1. A legislação tributária é rigorosa quanto à observância das obrigações acessórias, impondo multa quando o importador classifica erroneamente a mercadoria na guia própria. 2. A par da legislação sancionadora (art. 44, I, da Lei 9.430/96 e art. 526, II, do Decreto 91.030/85), a própria receita preconiza a dispensa da multa, quando não tenha havido intenção de lesar o Fisco, estando a mercadoria corretamente descrita, com o só equívoco de sua classificação (Atos Declaratórios Normativos Cosit nºs 10 e 12 de 1997). 3. Recurso especial improvido.”(g.n.) (REsp 660682 / PE, Ministra ELIANA CALMONDJ 10/05/2006 p. 174)(g.n.) Destarte, de acordo com os Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/1997, para que seja cabível a aplicação desta penalidade no caso de desclassificação fiscal, deve haver incorreta descrição da mercadoria com intuito doloso. Por estes motivos, dou provimento ao recurso voluntário. ANGELA SARTORI Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.001250/200721 Acórdão n.º 3401002.458 S3C4T1 Fl. 8 7 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15563.000139/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO.
Apresenta vício de nulidade o julgado proferido em preterição ao direito de defesa, caracterizado a partir da ausência de análise da impugnação apresentada por pessoa jurídica e pessoas físicas apontadas no lançamento como responsáveis solidárias pelo crédito tributário.
Numero da decisão: 1302-001.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em anular a decisão de primeira instância, a fim de que seja proferida outra em boa e devida forma, apreciando os argumentos da impugnação apresentada pela pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., Sr. José Cláudio Chagas Nogueira e Sr. Carlos Augusto Chagas Nogueira (formalizada nos processos administrativos apensados nº 10735.001291/2009-69, nº 10735.001292/2009-11, nº 10735.001293/2009-58 e nº 10735.001294/2009-01).
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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(contribuinte); FRIGORÍFICO NOVO MERITI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (responsável tributário); PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA (responsável tributário); LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA (responsável tributário); JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA (responsável tributário); e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA (responsável tributário). Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido em preterição ao direito de defesa, caracterizado a partir da ausência de análise da impugnação apresentada por pessoa jurídica e pessoas físicas apontadas no lançamento como responsáveis solidárias pelo crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em anular a decisão de primeira instância, a fim de que seja proferida outra em boa e devida forma, apreciando os argumentos da impugnação apresentada pela pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., Sr. José Cláudio Chagas Nogueira e Sr. Carlos Augusto Chagas Nogueira (formalizada nos processos administrativos apensados nº 10735.001291/200969, nº 10735.001292/200911, nº 10735.001293/200958 e nº 10735.001294/200901). (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 39 /2 00 9- 00 Fl. 5238DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1302001.267 S1C3T2 Fl. 5.239 2 Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório FRIGOTI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (contribuinte); FRIGORÍFICO NOVO MERITI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (responsável tributário); PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA (responsável tributário); LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA (responsável tributário); JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA (responsável tributário); e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA (responsável tributário), já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 1232.878, de 19/08/2010, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir reproduzido: Versa o presente processo sobre lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) de R$ 6.889.436,01 e lançamentos dele decorrentes do programa de integração social (PIS), de 1.885.388,75; contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), de R$ 3.132.646,21; contribuição para o financiamento social (COFINS), de R$ 8.701.795,02, multa proporcional de 150% e demais acréscimos legais. 2 A autuada foi objeto de fiscalização nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 com base no mandado de procedimento fiscal (MPF) n° 07.1.03.002008 003830 expedido pela Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu, RJ. 3 Os atos administrativos que dizem respeito à operação de fiscalização são os seguintes: 3.1. o termo de inicio de fiscalização que, lavrado, foi recepcionado em 7/7/2008, por representante da interessada, fl. 40, com pedido de apresentação dos atos constitutivos da sociedade empresária e alterações, livros comerciais e fiscais exigidos pela legislação, extratos bancários de todas as contas correntes e de aplicações financeiras bem como documentação comprobatória dos depósitos. Não foram atendidas as exigências consubstanciadas no termo de inicio de fiscalização; 3.2. em 20/11/2008 foi lavrado termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal n° 1 que foi recebido pelo contribuinte em 24/10/2008, cf. A.R. de fls. 72/3 4 A fiscalização federal expediu requisição os extratos bancários aos Bancos UNIBANCO, Banco Safra SA, Banco Bradesco SA e Banco BCN SA, através de oficio e de requisição de informações de movimentação financeira (RMF) n° 2008 004365, 2008004373 e 2008004390. Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1302001.267 S1C3T2 Fl. 5.240 3 5. Em 24 de novembro de 2008 a fiscalização solicitou à Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA) informações sobre o quadro societário do contribuinte. 6. Verificou a fiscalização a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme descrito no termo de verificação e constatação de fls 814/30 e, em conseqüência, exclusão da interessada do regime tributário simplificado, através do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES, fl. 33, intimação para ciência (dada pela interessada em 23/05/2009) e contestação do ato de exclusão e apresentação dos livros ficais onde constasse a escrituração no regime de tributação que lhe conviesse (fl. 35), que não foi objeto de resposta ao fisco, e, em conseqüência, o seguinte: 6.1. apuração de omissão de receitas, tendo em vista a falta de comprovação de depósitos bancários, na forma dos artigos 532 e 537 do RIR/99, e artigos 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996; 6.2. arbitramento do lucro, na forma do disposto no inciso III do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/99 (RIR/99), tendo em vista que após ter sido intimada por ocasião do início da fiscalização, a interessada não apresentou os livros e documentos de sua escrituração relativamente ao período fiscalizado. A base de cálculo do arbitramento são as receitas omitidas decorrentes de depósitos bancários não comprovados. 6.3 responsabilização solidária: dos sócios da sociedade empresária Luiz de Freitas Nogueira, CPF 129.301.30725; Pedro de Freitas Nogueira, CPF 129.301.48772; das pessoas físicas de José Cláudio Chagas Nogueira, CPF 831.963.15720 e Carlos Augusto Chagas Nogueira, CPF 023.272.17776, e da pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Cames e Derivados Ltda, CNPJ 08.630.890/000127, sucessora, pelo crédito tributário. 6.4. os lançamentos decorrentes do de IRPJ foram assim fundamentados: [...] 7. lnconformada, a autuada apresentou impugnação aos autos de infração lavrados, em que sustenta a sua tempestividade e, ainda: 7.1 quanto ao IRPJ que há ilicitude na descrição dos fatos pelo Auditor Fiscal quanto às razões do arbitramento, que foi feito por negativa de apresentação dos livros e documentos comerciais e fiscais, bem como à quantificação dos depósitos bancários de origem não comprovada, afirmando que um exame pericial apontará hipótese diferente dessa, e ainda: 7.1.1 os procedimentos estão eivados de nulidade pois o preceito legal não encontra correspondência na sanção aplicável; 7.1.2 que não houve dolo por parte da impugnante e não há tipicidade no comportamento da mesma, sendo nula a exigência tributaria; 7.1.3 a atividade de lançamento é vinculada e, portanto, deverá haver coerência entre o fato gerador da obrigação e o preceito legal, citando o decretolei n° 05/75 que dispõe sobre o conteúdo do auto de infração, faltando elementos comprobatórios e clareza no ato administrativo, ferindo assim o princípio da legalidade e a Constituição Brasileira; 7.1.4 a autuação por arbitramento desrespeitou os princípios de direito, entre eles o principio da restritividade, sendo que o fisco deveria ter aberto prazo para a Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1302001.267 S1C3T2 Fl. 5.241 4 apresentação dos documentos idôneos e elidir o arbitramento, citando doutrinadores que o apoiariam em sua tese; 7.1.5 a Superintendência da Receita Federal, na Decisão n° 10/84, declara que o lucro real como base de cálculo tributária só deve ser substituído pelo arbitramento se for totalmente imprestável a escrituração comercial e fiscal oferecida em comprovação dos valores declarados; 7.1.6 a impugnante possui todos os livros e documentos contábeis pertinentes e devidos, restando válida sua escrituração, estando a mesma à disposição do fisco por todo o sempre; 7.1.7 que é indispensável uma pericia e que a autuada deseja a realização de um exame pericial contábil, pois esta é uma garantia constitucional; 7.1.8 pede que seja considerada procedente a impugnação. 7.2 apresentaram impugnação ao lançamento do IRPJ, igualmente, Luiz de Freitas Nogueira, CPF 129.301.30725; Pedro de Freitas Nogueira, CPF 129.301.48772, que alegam, em preliminar, terem sido equivocadamente considerados coresponsáveis em face da pessoa jurídica e que há ilegitimidade passiva, ainda que sejam sócios da autuada, tem esta autonomia jurídica, obrigações fiscais e patrimônio próprios. Sustentam que não foram preenchidos os requisitos legais para serem apontados como coresponsáveis e que terem sido arrolados como coresponsáveis fere o principio da capacidade contributiva; 7.2.1 no mérito, apresentam os mesmos argumentos e razões apresentados pela pessoa jurídica em sua impugnação ao IRPJ, ratificam a solicitação de perícia, pedem que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva e considerada procedente a impugnação. 7.3 a autuada apresentou impugnação aos autos de infração do PIS/PASEP (fls. 1054/6), CSLL (fls. 1106/8) e COFINS (1157/9) considerando que, como se tratam de matérias reflexas, requer que o julgamento se dê em conjunto com o do IRPJ, pois está segura de que, sendo um considerado insubsistente, aos demais caberá a mesma sorte, 7.4 Pedro de Freitas Nogueira e Luiz de Freitas Nogueira apresentaram impugnações aos lançamentos, decorrentes, de contribuição para o PIS/PASEP (fls. 1080/6), CSLL (fls. 1131/7) e COFINS (fls. 1182/8) apresentando os mesmos argumentos que foram apresentados quanto ao IRPJ, requerendo que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva e acatada a impugnação apresentada e, também, que ao ser julgado o mérito das autuações, sejam as decisões, por decorrência, coerência e conexão, aplicadas igualmente à do lançamento principal. A 5ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pelos sujeitos passivos e, por via do Acórdão nº 1232.878, de 19/08/2010 (fls. 1305/1318), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2004 Fl. 5241DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1302001.267 S1C3T2 Fl. 5.242 5 SIMPLES. PRATICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. EXCLUSÃO. A prática reiterada de infração à legislação tributária é causa de exclusão da pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É legítimo o lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a partir do ano calendário de 1997, quando o contribuinte, intimado, não logra comprovar os créditos em suas contas MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO AS INTIMAÇÕES. Configura sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. Cabível a multa qualificada de 150% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de oflcio, em virtude da falta de resposta às intimações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NEGATIVA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS PELA PESSOA JURIDICA. A lei autoriza o Fisco a fixar os lucros tributáveis, mediante arbitramento, quando falte a documentação comprobatória da escrita contábil, situação que alcança a hipótese de ela não ter sido apresentada pela pessoa juridica após regular intimação para fazêlo. SQLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS E FÍSICAS. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É solidária a pessoa que atua de forma direta, realiza individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que faz surgir o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Não são afastados da responsabilidade solidária os sócios da pessoa jurídica que exercem funções de gerência na sociedade, visto que tais pessoas possuem interesse econômico no lucro da empresa e praticaram Fl. 5242DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1302001.267 S1C3T2 Fl. 5.243 6 atos que os vinculam diretamente à situação que fez surgir o fato gerador. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DECORRÊNCIA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ, aos lançamentos reflexos deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO. Em face de a ação fiscal resultar em arbitramento do lucro devido a não exibição dos livros contábeis e fiscais, não cabe o pedido de diligência para exame justamente destes documentos que deixaram de ser exibidos durante a fiscalização. Ciente da decisão de primeira instância em 09/09/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1344, a contribuinte Frigoti Distribuidora e Transportadora de Carnes e Derivados Ltda. apresentou recurso voluntário em 06/10/2010 conforme carimbo de recepção à folha 1345. Razões de recurso às fls. 1347/1361. Não encontro nos autos prova da ciência da decisão de primeira instância aos demais interessados no processo. Não obstante, todos compareceram e apresentaram recursos voluntários, declarandose cientes em 09/09/2010, mediante a intimação nº 527/2010 (cópia à fl. 1338), mesmo documento empregado para ciência à contribuinte Frigoti. Os Srs. Pedro de Freitas Nogueira e Luiz de Freitas Nogueira apresentaram recurso voluntário conjunto em 06/10/2010 conforme carimbo de recepção à folha 1388. Razões de recurso às fls. 1389/1407. A pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. e os Srs. José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira apresentaram recurso voluntário conjunto em 06/10/2010 conforme carimbo de recepção à folha 1408. Razões de recurso às fls. 1411/1421. Fazse necessário relatar que o processo administrativo nº 10735.001291/200969, ao qual estão apensados os processos nº 10735.001292/200911, 10735.001293/200958 e 10735.001294/200901, foi, em ocasião anterior, distribuído mediante sorteio a este Conselheiro, para relato e voto. Ao examinálos, constatouse que tratavam de impugnação aos lançamentos objeto do presente processo nº 15563.00013/2009 00, apresentadas pela pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. e os Srs. José Cláudio Chagas Nogueira e Carlos Augusto Chagas Nogueira. Mediante a Resolução nº 130100.048 (fls. 260/261 do processo nº 10735.001291/200969), de 15/03/2012, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF Fl. 5243DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1302001.267 S1C3T2 Fl. 5.244 7 determinou que o processo nº 10735.001291/200969 fosse juntado ao presente processo nº 15563.00013/200900, e que este último fosse distribuído a este Conselheiro, por conexão. A mencionada Resolução foi cumprida. O presente processo nº 15563.00013/200900 vem agora para julgamento, e a ele está juntado por apensação o processo nº 10735.001291/200969. A esse, por sua vez, já se encontravam apensados os processos nº 10735.001292/200911, nº 10735.001293/200958 e nº 10735.001294/200901. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Os recursos voluntários apresentados pelos sujeitos passivos são tempestivos e deles conheço. Do exame dos autos, constato que o acórdão recorrido não apreciou a impugnação apresentada em conjunto pela pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., Sr. José Cláudio Chagas Nogueira e Sr. Carlos Augusto Chagas Nogueira, mesmo porque não eram do conhecimento daquela Autoridade Julgadora. As peças impugnatórias foram formalizadas em processos administrativos distintos (processos administrativos nº 10735.001291/200969, nº 10735.001292/200911, nº 10735.001293/200958 e nº 10735.001294/200901), que, por ocasião do julgamento em primeira instância, tramitavam em separado do presente processo. Devo ressaltar que, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional, integram o pólo passivo da relação jurídicotributária tanto o contribuinte quanto o(s) responsável(eis), e que, à luz do art. 142 do mesmo diploma legal, a correta identificação do sujeito passivo é requisito indispensável do lançamento. Ao deixar de apreciar, ainda que por desconhecimento, as impugnações apresentadas por algumas das pessoas físicas e jurídicas a quem foi imputada responsabilidade tributária, a decisão recorrida padece de vício de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, com fundamento no art. 59, inciso II, in fine, do Decreto nº 70.235/1972. Diante do exposto, voto por anular a decisão de primeira instância, a fim de que seja proferida outra em boa e devida forma, apreciando os argumentos da impugnação apresentada pela pessoa jurídica Frigorífico Novo Meriti Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., Sr. José Cláudio Chagas Nogueira e Sr. Carlos Augusto Chagas Nogueira (formalizada nos processos administrativos apensados nº 10735.001291/200969, nº 10735.001292/200911, nº 10735.001293/200958 e nº 10735.001294/200901). Lembro, ainda, que da decisão deverão ser cientificadas todas as pessoas físicas e jurídicas relacionadas na autuação como integrantes do pólo passivo, a saber, FRIGOTI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (contribuinte); FRIGORÍFICO NOVO MERITI DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (responsável tributário); PEDRO DE FREITAS NOGUEIRA (responsável tributário); LUIZ DE FREITAS NOGUEIRA (responsável tributário); JOSÉ CLÁUDIO CHAGAS NOGUEIRA Fl. 5244DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15563.000139/200900 Acórdão n.º 1302001.267 S1C3T2 Fl. 5.245 8 (responsável tributário); e CARLOS AUGUSTO CHAGAS NOGUEIRA (responsável tributário). (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 5245DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10845.720167/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA.
A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO.
Admite-se, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da área de utilização limitada declarada, desde que comprovada na forma prevista em lei, o que, na hipótese, não se concretizou.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente.
Na hipótese, o interessado não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil.
VALOR DA TERRA NUA -VTN. ARBITRAMENTO.
Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua declarado, mantém-se o VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preços de Terra - SIPT.
Numero da decisão: 2101-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. Admitese, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da área de utilização limitada declarada, desde que comprovada na forma prevista em lei, o que, na hipótese, não se concretizou. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente. Na hipótese, o interessado não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua declarado, mantémse o VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preços de Terra SIPT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 01 67 /2 00 8- 78 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar do exercício 2003, em decorrência da falta de comprovação do Valor da Terra Nua – VTN e das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada declaradas. A interessada impugnou o lançamento, pedindo a redução da multa de lançamento de ofício e realização de diligência. Pugnou pela nulidade do lançamento, por entender que a Fiscalização o fez sem base em levantamento específico da área de preservação permanente declarada. No mérito, alegou, em síntese, que: (i) a área do imóvel rural está permeada por rios, nascentes, morros, montanhas etc, cujos limites de exploração estão em perfeita consonância com a Lei n.º 4.771, de 1995, possuindo ainda áreas inexploradas, de inclinação entre 25º e 45º; (ii) é obrigada a manter 20% de sua área intocada, para composição de reserva legal; (iii) não obstante mantenha 428,2 hectares de preservação permanente, sem poder dela retirar qualquer benefício, a área foi glosada sem a realização de vistoria no local; (iv) não é obrigada a apresentar qualquer documento comprobatório das informações prestadas nas declarações entregues à Secretaria da Receita Federal quanto às áreas de preservação permanente e de utilização limitada; (v) o arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT não permite ao contribuinte contestar os parâmetros utilizados pela autoridade lançadora. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 04 23.416, de 11 de fevereiro de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720167/200878 Acórdão n.º 2101002.330 S2C1T1 Fl. 3 3 Exercício: 2003 Nulidade do Lançamento. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Princípios Constitucionais. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar argüições de legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. Áreas de Preservação Permanente/Utilização Limitada. Averbação e ADA. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada, para fins d exclusão do ITR, devem ser, por expressa disposição legal, reconhecidas como de interesse ambiental mediante protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) perante o Ibama, além da averbação tempestiva à margem de inscrição da matrícula da área pretendida como reserva legal. Valor da Terra Nua – VTN. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Aplicabilidade da Multa de Ofício e Taxa Selic. São cabíveis as cobranças da multa de ofício, por falta de recolhimento do tributo, apurada em procedimento de fiscalização, e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou todos os argumentos anteriormente suscitados. É o Relatório. Voto Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Notificação de Lançamento que integra o presente processo teve origem na falta de comprovação, pelo contribuinte, das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, bem como do Valor da Terra Nua declarados em sua Declaração do ITR (DIAC/DIAT) correspondente ao exercício 2003. Diante desse fato, a Fiscalização glosou as áreas informadas e procedeu ao arbitramento daquele valor, com base nas informações do SIPT – Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na Declaração do ITR correspondente ao exercício 2003, o contribuinte declarou 428,8 hectares como área de preservação permanente e 520,0 hectares como área de utilização limitada. Como Valor da Terra Nua do imóvel rural denominado Sítio Quilombo, o contribuinte declarou o montante de R$ 670.000,00, correspondente à área total de 2.144,10 hectares, sendo tributável o valor de R$ 39.039,00. Regularmente intimado para comprovar as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, o contribuinte nada apresentou que comprovasse as áreas declaradas, que foram, então, glosadas pela Fiscalização. No que diz respeito ao Valor da Terra Nua declarado, após regular intimação, não apresentou laudo de avaliação do imóvel, nos termos requeridos. A Fiscalização atribuiu, então, à terra nua, o valor de R$ 14.516.093,03, correspondente à área total de 2.144,10 hectares, com base no valor constante do SIPT – Sistema de Preços de Terra, informado pela Secretaria Estadual de Agricultura para o exercício 2003, no Município de Cubatão, onde se localiza o imóvel (R$ 6.770,25 por hectare). Como conseqüência, foi lançada a diferença de imposto de R$ 870.340,96, com multa de lançamento de ofício e juros de mora. Na impugnação, o interessado suscitou a nulidade do lançamento, bem como formulou outros questionamentos, assim sintetizados: (i) a área do imóvel rural está permeada por rios, nascentes, morros, montanhas etc, cujos limites de exploração estão em perfeita consonância com a Lei n.º 4.771, de 1995, possuindo ainda áreas inexploradas, de inclinação entre 25º e 45º; (ii) é obrigada a manter 20% de sua área intocada, para composição de reserva legal; (iii) não obstante mantenha 428,2 hectares de preservação permanente, sem poder dela retirar qualquer benefício, a área foi glosada sem a realização de vistoria no local; (iv) não é obrigada a apresentar qualquer documento comprobatório das informações prestadas nas declarações entregues à Secretaria da Receita Federal quanto às áreas de preservação permanente e de utilização limitada; (v) o arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT não permite ao contribuinte contestar os parâmetros utilizados pela autoridade lançadora. No corpo de sua peça impugnatória, citou e transcreveu ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes, que entende refletirem o entendimento da defesa, bem como trechos de abalizada doutrina e, ao final, pediu a redução da multa de 75% e a realização de diligência para o fim de comprovar suas razões. O órgão julgador a quo não acolheu os argumentos deduzidos e julgou a impugnação improcedente. Em sede recursal, a interessada trouxe as mesmas razões da impugnação. Aduziu, no recurso, que o lançamento veiculado por meio da Notificação de Lançamento constante deste processo seria nulo, eis que a Fiscalização glosou a área de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720167/200878 Acórdão n.º 2101002.330 S2C1T1 Fl. 4 5 preservação permanente declarada sem que tivesse promovido qualquer levantamento específico da área, a fim de comprovar que a área declarada é inexistente. 1. Considerações sobre a decadência Do exame da Notificação de Lançamento acostada às fls. 1 a 6 dos autos deste processo, observase que do lançamento perpetrado em 17.11.2008, concernente ao exercício 2003, o contribuinte foi cientificado em 24.11.2008, conforme se constata às fls. 51 e 53. Tendo em vista que o lançamento aperfeiçoouse mais de cinco anos depois da data da ocorrência do “fato gerador” do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (1º.1.2003), impende trazer à baila o tema da decadência. A esse respeito, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, em 12.8.2009, no julgamento do Recurso Especial REsp n.º 973.733/SC, emitido na sistemática prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil – CPC, firmou o entendimento que, nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do imposto, desde que não tenha havido dolo, fraude ou simulação, deve ser adotada a regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. A norma do artigo 173 do mesmo diploma é aplicável nos demais casos. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos administrativos. Desse modo, os fatos de (i) o tributo ser sujeito ao lançamento por homologação; (ii) ter havido pagamento antecipado; e (iii) ter sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, são fundamentais para a determinação da forma pela qual devese contar o prazo de decadência do “direito” da Fazenda Pública de promover o lançamento do tributo. Na hipótese sob análise, que trata de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do caput do artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, não se cogita a existência de dolo, fraude ou simulação. Tendo em conta que o “fato gerador” do ITR ocorre em 1.º de janeiro de cada ano, nos termos do artigo 1.º da Lei n.º 9.393, de 1996, tratandose do exercício de 2003, no caso de ter havido pagamento antecipado, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 1.º de janeiro de 2008, cinco anos, a contar da ocorrência do fato jurídico tributário, conforme previsto no artigo 150, § 4.º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 1966). Já na hipótese de o pagamento antecipado não ficar comprovado, o início da contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, a teor do artigo 173, I, do CTN, o que implica permitir à Fazenda Pública promover o lançamento até 31 de dezembro de 2008, eis que a decadência se daria a partir de 1º de janeiro de 2009. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Tendo isso em mente, a autoridade fiscal teve o cuidado de verificar, junto aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil, se o contribuinte havia feito o pagamento antecipado. Conforme se verifica no texto da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal – Complemento da Descrição dos Fatos (fls. 4/5), corroborado pelo extrato do sistema Sinal08, anexado às fls. 20, não houve antecipação de pagamento do ITR/2003. Ante essa constatação, para a contagem do prazo decadencial, aplicase o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, o que faz concluir que, na data em que o lançamento se aperfeiçoou, o crédito tributário nele constituído não havia sido objeto de decadência. 2. Da preliminar de nulidade do lançamento Inicialmente, no tocante à alegação de nulidade, impende destacar que o lançamento constante deste processo foi decorrente de revisão de declaração, que gerou uma Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 1 a 6. Os requisitos de validade da Notificação de Lançamento são aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento constante dos autos deste processo, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infração estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Do exame dos autos, não se verificou qualquer irregularidade que pudesse dar causa a uma declaração de nulidade do lançamento. No que tange ao pedido de levantamento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada por servidor da Secretaria da Receita Federal do Brasil, devemos destacar que não compete ao órgão de fiscalização tributária promover vistoria nos imóveis rurais, para comprovar a efetiva existência dessas áreas, tal como pretende a parte interessada. Ao órgão da administração tributária cumpre exigir do contribuinte a comprovação documental da sua existência e regularidade, na forma da lei, para que referidas áreas possam ser excluídas no cômputo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720167/200878 Acórdão n.º 2101002.330 S2C1T1 Fl. 5 7 Na hipótese, a autoridade autuante procedeu em estrito cumprimento do seu dever legal ao exigir do contribuinte a comprovação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada declaradas e, ante a sua não apresentação, promover a respectiva glosa. 3. Das áreas de preservação permanente e de utilização limitada A Lei n.° 9.393, de 1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, ao tratar da sua apuração e pagamento, no artigo 10, assim prescrevia, na redação vigente na época dos fatos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] 3.1. Área de Preservação Permanente O Código Florestal Brasileiro vigente na época dos fatos (Lei n.° 4.771, de 1965, revogada pela Lei n.° 12.651, de 2012) assim dispunha sobre as Áreas de Preservação Permanente (APP): Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720167/200878 Acórdão n.º 2101002.330 S2C1T1 Fl. 6 9 h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. No presente caso, a dedução da Área de Preservação Permanente não foi admitida pela Fiscalização por falta de comprovação. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 4, que a interessada, mesmo tendo sido regularmente intimada, não comprovou a área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. A partir de 2001, a apresentação do ADA tornouse obrigatória para a comprovação da Área de Preservação Permanente, a teor do disposto no artigo 17O da Lei n.° 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n.º10.165, de 2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] (g.n.) No caso em exame, o “fato gerador” do tributo ocorreu em 2004, quando as normas constantes dos dispositivos acima transcritos já estavam em vigor. Sendo assim, exigível o Ato Declaratório Ambiental, protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, para que se admita a exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. No entanto, a recorrente não apresentou o Ato Declaratório Ambiental, nem comprovou, por meio de outros documentos hábeis e idôneos, que a área de preservação permanente declarada na DIAC/DIAT do exercício 2003 foi devidamente informada ao órgão de controle do meio ambiente, na forma da lei. 3.2. Áreas de utilização limitada São áreas de utilização limitada (i) as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, destinadas à proteção de ecossistemas, de domínio privado, declaradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, mediante requerimento do proprietário, conforme previsto no Decreto nº 1.922, de 1996; (ii) as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, mediante ato Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 do órgão competente federal ou estadual, conforme previsto no artigo 10, § 1º, inciso II, alínea c, da Lei nº 9.393, de 1996; (iii) as áreas de reserva legal, descritas no artigo 16 e seus parágrafos e no artigo 44, parágrafo único, da Lei nº 4.771, de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, onde não é permitido o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. As áreas de reserva particular do patrimônio natural, conforme Decreto n.º 1.922, de 1996, são assim reconhecidas por iniciativa de seu proprietário e mediante portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, na esfera federal, publicada no Diário Oficial. O termo de compromisso que tiver dado origem ao ato de reconhecimento da Reserva deve ser averbado no Cartório de Registro Imobiliário competente, gravando a área do imóvel reconhecida como Reserva, em caráter perpétuo, nos termos do que dispõe o art. 6° da Lei n.º 4.771, de 1965, a fim de ser emitido o título de reconhecimento definitivo. As áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, devem ser reconhecidas mediante ato do órgão competente federal ou estadual, conforme previsto no artigo 10, § 1º, inciso II, alínea c, da Lei nº 9.393, de 1996. De acordo com a Lei n.° 4.771, de 1965, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Nos termos do artigo 44A, § 2.º, da Medida Provisória n.º 2.166/67, de 2001, a área de servidão florestal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após anuência do órgão ambiental estadual competente, sendo vedada, durante o prazo de sua vigência, a alteração da destinação da área, nos casos de transmissão a qualquer título, de desmembramento ou de retificação dos limites da propriedade. A Fiscalização constatou que, regularmente intimado a comprovar a área de utilização limitada declarada, o contribuinte não apresentou (i) Ato Declaratório Ambiental – ADA protocolizado tempestivamente junto ao Ibama; (ii) ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel tivesse sido declarado como área de interesse ecológico; (iii) certidão de matrícula do imóvel, na qual se constatasse a averbação da área de reserva legal, reserva particular do patrimônio natural ou de servidão florestal com data anterior à do “fato gerador”; (iv) cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da reserva legal ou termo de ajustamento de conduta da reserva legal, acompanhada da certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. Do exame dos autos, verificase que também não houve, posteriormente, apresentação de qualquer documento que comprovasse a existência de áreas de utilização limitada no interior do imóvel rural denominado Sítio Quilombo. Sendo assim, não há que se reconhecer a sua existência para fins de exclusão da área tributável pelo ITR, eis que não foram apresentadas provas hábeis para esse fim. 4. Do Valor da Terra Nua VTN Regularmente intimado pela Fiscalização a apresentar Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720167/200878 Acórdão n.º 2101002.330 S2C1T1 Fl. 7 11 –ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor da Terra Nua informado na DITR, a parte interessada permaneceu inerte. Diante disso, a Fiscalização procedeu ao lançamento do ITR sobre o Valor da Terra Nua arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lançamento este integralmente mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS). Tanto na impugnação quanto em sede de recurso, o contribuinte alegou que o lançamento foi feito com base em parâmetros incertos e desconhecidos, o que, a seu ver, viola os “princípios tributários elementares”, impedindo a instauração do contraditório, eis que não é dada ao contribuinte a oportunidade de contestar os valores adotados pela autoridade lançadora na apuração do imposto. Sobre esse assunto, impende salientar que a Lei n.º 9.393, de 1996, estipulou, em seu artigo 14, que, no caso de prestação de informações inexatas em DIAC ou DIAT, cabe à Secretaria da Receita Federal proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Com fundamento nesse dispositivo legal, foi instituído o SIPT – Sistema de Preços de Terras, por meio da Portaria SRF nº 447, de 28.3.2002 (DOU de 3.4.2002), com o objetivo de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Segundo o ato normativo que o instituiu, o referido sistema baseiase nos valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e nos valores de terra nua da base de declarações do ITR. No caso em apreço, em razão da inércia do contribuinte, a autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua constante no SIPT Sistema de Preços de Terras, para o município de localização do imóvel, com base em informação prestada pela Secretaria Estadual de Agricultura, para terra de campo ou reflorestamento (vide fls. 21). Para desconstituir o valor arbitrado com base no SIPT, o contribuinte poderia ter trazido aos autos Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua ou demais documentos indicados pela Fiscalização, no entanto, omitiuse. Não apresentou, nos autos, qualquer documento que contrapusesse o Valor da Terra Nua utilizado, com base no SIPT. No tocante ao alegado descumprimento dos “princípios tributários elementares”, ante o entendimento que, com a utilização do valor da terra nua constante do SIPT não teria sido dada ao contribuinte a oportunidade de contestar os valores adotados pela autoridade lançadora na apuração do imposto, há que se destacar que a atividade administrativa é plenamente vinculada à lei, não cabendo à autoridade fiscal analisar a sua constitucionalidade, afastando a sua aplicação quando entender adequado. Como visto, a criação do SIPT foi prevista no artigo 14 da Lei n.º 9.393, de 1996, que expressamente autoriza a Secretaria da Receita Federal do Brasil a instituir sistema de preços de terras. O referido sistema foi, por conseguinte, instituído com base na lei e, na hipótese, foi utilizado para os fins nela previstos. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 Os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos à constitucionalidade da lei tributária. A propósito, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento no sentido de sua incompetência para se manifestar a esse respeito, a teor da Súmula CARF nº 2, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 5. Da necessidade de comprovação das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil Na impugnação ao lançamento, bem assim no recurso interposto contra a decisão de primeira instância, o contribuinte sustentou não ser obrigado a apresentar à Secretaria da Receita Federal do Brasil quaisquer documentos que embasem as declarações prestadas quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal. Tal inferência, contudo, não procede. Vejamos o disposto no artigo 4º da Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. (grifamos) Esclarecemos, por pertinente, que o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é tributo sujeito ao denominado “lançamento por homologação”, tal como previsto no artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, cujo caput encontrase a seguir reproduzido: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...]. Por se tratar de tributo sujeito ao denominado “lançamento por homologação”, a constituição do crédito do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é feita com base nas informações prestadas pelo contribuinte em declaração que não se sujeita a prévia verificação por parte da autoridade fiscal. No entanto, submetese a verificação posterior, para fins de homologação. A declaração é, destarte, em um primeiro momento, tida por verdadeira, e a apuração do imposto é feita pelo próprio contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária. Isto não significa dizer, porém, que a administração Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720167/200878 Acórdão n.º 2101002.330 S2C1T1 Fl. 8 13 tributária esteja impedida de verificar a procedência das informações prestadas, uma vez instaurado procedimento de fiscalização, nem que o contribuinte não esteja obrigado a comprovar as informações prestadas. Pelo contrário, é dever da administração fazer a verificação dos dados informados pelo contribuinte e promover o lançamento de ofício do tributo, sempre que houver omissão de informações ou elas forem inexatas. E é dever do contribuinte comprovar as informações prestadas sempre que for, para isso, regularmente intimado pela Fiscalização. Prevê o artigo 149 do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966) que o lançamento de ofício deve ser efetuado pela autoridade administrativa nos casos em que fique comprovada a omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo 150 do mesmo diploma, ou seja, o lançamento por homologação. Vejamos os textos dos dispositivos, naquilo que releva à presente análise: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Havendo omissão ou inexatidão de informações do sujeito obrigado à apuração e ao pagamento antecipado do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, na sua Declaração de ITR (DIAT/DIAC), deve ser feito o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, nos moldes previstos no inciso V do artigo 149 do Código Tributário Nacional, corroborado pelo teor do artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996, a seguir reproduzido: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Sendo assim, não procede a alegação do recorrente. 6. Da multa de lançamento de ofício O recorrente pede a redução da multa de lançamento de ofício, estipulada em 75%. De acordo com o § 2.º do artigo 14 da Lei n.º 9.393, de 1996, no lançamento de ofício do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural são cabíveis as multas aplicáveis aos demais tributos federais, que são aquelas previstas no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, que assim dispõe, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] No lançamento veiculado por meio da Notificação de Lançamento integrante dos autos do presente processo, foi lançada multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada, nos estritos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, tendo em vista não ter sido comprovada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Observase, assim, que a autoridade autuante promoveu o lançamento da multa de ofício de acordo com a legislação de regência. As reduções das multas de lançamento de ofício, de que trata o artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, são somente aquelas previstas em seu parágrafo 3.º, ou seja, aquelas prescritas no artigo 6º da Lei nº 8.218, de 1991 (o artigo 60 da Lei nº 8.383, de 1991 foi revogado pela Lei n.º 11.941, de 2009): Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720167/200878 Acórdão n.º 2101002.330 S2C1T1 Fl. 9 15 III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Ante o exposto, só seria possível aplicar a redução da multa de ofício se o contribuinte se enquadrasse em alguma das situações previstas no acima transcrito artigo 6º da Lei n.º 8.218, de 1991, o que não se configurou, na hipótese. 7. Das diligências e perícias O recorrente pede seja realizada diligência, para que o Auditor Fiscal compareça ao Sítio Quilombo e constate ou infirme se as áreas de preservação permanente e de utilização limitada declaradas correspondem, respectivamente, a 428,2 hectares e 520,0 hectares. Sobre o alegado, salientase primeiramente que, conforme anteriormente explicitado, não compete ao Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil promover vistorias em área rurais a fim de constatar a efetiva existência e regularidade das áreas informadas como de reserva legal e de preservação permanente. Isto é atribuição do órgão ambiental. Por sua vez, a realização de diligências e perícias está disciplinada no Decreto n.º 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1.º). [...] Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993, art. 1.º). [...] Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 16 Referida produção de provas já havia sido solicitada na impugnação, tendo sido indeferida pela DRJ em Campo Grande (MS). O contribuinte pede mais uma vez, agora em sede de recurso voluntário, a realização de diligência. O pedido de diligência ou perícia, feito na impugnação, deve ser fundamentado, devendo o requerente formular os quesitos referentes ao exame desejado, acompanhado, no caso de perícia, do nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito, tal como prevê o artigo 36 do Decreto n.º 7.574, de 2011, acima transcrito. Tais exigências não foram atendidas pelo contribuinte. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado no sentido de não deferir pedidos de diligência e perícia, por impertinentes: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Conforme visto anteriormente, é dever do particular colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A omissão do sujeito passivo na apresentação de prova documental não pode ser suprida por diligências ou perícias custeadas pelo Poder Público. É que as diligências, no processo administrativo fiscal, prestamse a esclarecer pontos que o julgador entenda necessários para a formação do seu convencimento na apreciação da matéria em litígio e não a suprir prova documental que deveria ter sido providenciada pela defesa e não foi, tal como ocorreu na hipótese. Pelas razões expostas, sou pelo indeferimento do pedido de diligência. 8. Demais considerações Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10845.720167/200878 Acórdão n.º 2101002.330 S2C1T1 Fl. 10 17 Ao longo da peça recursal, o contribuinte cita e transcreve ementas de julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. Sobre este tema, salientamos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não têm caráter normativo. As decisões proferidas no âmbito deste CARF e do antigo Conselho de Contribuintes são válidas somente entre as partes integrantes do processo administrativo. O livre convencimento do julgador, de acordo com as provas dos autos, permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Por fim, esclarecemos que as intimações, no âmbito do processo administrativo fiscal, devem ser encaminhadas para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, conforme dispõem o inciso II do caput e o § 4º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10950.903005/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 30 05 /2 01 1- 71 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903005/201171 Acórdão n.º 3803005.131 S3TE03 Fl. 93 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/05/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903005/201171 Acórdão n.º 3803005.131 S3TE03 Fl. 94 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903005/201171 Acórdão n.º 3803005.131 S3TE03 Fl. 95 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903005/201171 Acórdão n.º 3803005.131 S3TE03 Fl. 96 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13770.000652/2002-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa.
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO.
A descrição falta de recolhimento/declaração inexata acompanhada da ocorrência proc jud não comprovad constante de auto de infração lavrado eletronicamente, decorrente de auditoria interna de DCTF, significa que, no momento da lavratura, a suspensão da exigibilidade declarada não possui amparo no processo judicial informado na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe à recorrente o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas, relatora, e Gileno Gurjão Barreto que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Fabíola Cassiano Keramidas
Relatora
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. A descrição “falta de recolhimento/declaração inexata” acompanhada da ocorrência “proc jud não comprovad” constante de auto de infração lavrado eletronicamente, decorrente de auditoria interna de DCTF, significa que, no momento da lavratura, a suspensão da exigibilidade declarada não possui amparo no processo judicial informado na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Incumbe à recorrente o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas, relatora, e Gileno Gurjão Barreto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 06 52 /2 00 2- 45 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 449 2 que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas Relatora (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 450 3 Relatório Tratase de auto de infração eletrônico lavrado em 09.05.2002, que constituiu débito de COFINS relativo aos fatos geradores ocorridos de julho a dezembro de 1997, sob a alcunha “Proc. Jud. Não Comprov.”, tendo sido indicado como processo não comprovado o de no 96.00040362. De acordo com os autos (principalmente com o resumo constante às fls. 238/241, realizado pela equipe da Receita Federal de acompanhamento de medidas judiciais) a Recorrente inicialmente interpôs o Mandado de Segurança no 96.000403621, por meio do qual discutiu a constitucionalidade da Cofins com base na tese de que a Recorrente não estaria sujeita à contribuição porque não possuía empregados e o sujeito passivo, nos termos do artigo 195 da CF/88 eram os “empregadores”, realizando, ainda depósitos judiciais dos valores em discussão. Em razão de o magistrado entender que a matéria prescendia de estágio probatório, o citado mandamus foi negado provimento sem julgamento de mérito e os depósitos devidamente levantados. A autoridade fiscal registra em seu arrazoado que os valores depositados não se coadunariam com aqueles discutidos nestes autos, todavia, conforme consta do relatório SIEF de depósitos judiciais (Fls. 154 – dig. 197) analisado conjuntamente com o auto de infração (fls.20/21 – dig: 22/23), os valores aqui discutidos foram, à época, depositados. Em razão do indeferimento do Mandado de Segurança, a Recorrente interpôs Ação Ordinária Declaratória, Processo nº 99.00076877, tendo obtido a antecipação dos efeitos da tutela nos seguintes termos: “tão somente para suspender os efeitos de eventual inscrição do débito em dívida ativa, bem como a eventual inscrição do nome do autor no CADIN, versando a demanda sobre inexistência de relação jurídica tributária a título da cobrança da COFINS.” 2 Registrase que a decisão foi agravada pela União Federal e mantida apenas no que se refere à impossibilidade de inscrição da empresa no CADIN, tendo concluído o acórdão do agravo o direito da Fazenda Federal à cobrança administrativa de seus débitos. A sentença denegou a antecipação concedida, indeferindo o pleito da Recorrente, posição mantida em sede de acórdão e dos tribunais superiores. Recebido o auto de infração eletrônico a Recorrente defendeuse por meio de recurso de impugnação, alegando vício formal no lançamento, argumentando em seu favor a tese que levou ao judiciário de que estaria fora do campo de incidência da COFINS bem assim a existência da ação ordinária e a tutela deferida. 1 Trecho do Relatório do v. acórdão recorrido: "A ação indicada pelo contribuinte nas DCTF´s, nº 96.00040362, conforme pesquisas extraídas do site da Justiça Federal do Espírito Santo, foi interposta em 11/06/1996, sendo distribuída para a 2ª Vara Federal daquele Estado, com baixa definititva em 08/06/2006, sendo consignado que não houve liminar, além de ter sido extinta sem julgamento do mérito como acima indicado." 2 Trecho do relatório da decisão proferida em sede de Agravo de Instrumento 1999.02.01.0464648 à fls. 177 220 eletrônica. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 451 4 Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a 5ª Turma da DRJ/RJ2 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) – proferiu o acórdão no 1336.891, o qual restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO COM PROCESSO JUDICIAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que à época do lançamento não havia amparo judicial às compensações declaradas, regular é a exigência. NULIDADE. AMPLA DEFESA. Uma vez perfeitamente identificado no auto de infração que foram garantidos ao autuado todos os direitos para o exercício de sua defesa, não se tem configurada qualquer afronta aos princípios da ampla defesa ou do contraditório. AUTO DE INFRAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não acarreta nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, quando comprovado, pela descrição dos fatos nele contido e a impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu o referido cerceamento. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de vinculação não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte.” Em resumo, o v. acórdão concluiu que não havia autorização legal para o não recolhimento do tributo e que a multa imputada era indevida porque à época dos fatos a multa de ofício (valor histórico de R$ 589.1249,49) somente poderia ser aplicada em caso de fraude, dolo, simulação ou compensação não declarada. Não houve a interposição de recurso de ofício. Irresignada, a Recorrente interpôs o competente recurso voluntário, no qual em sede de preliminar, esclarece que houve erro por parte da fiscalização porque o processo relacionado à DCTF é o Mandado de Segurança e não a Ação Ordinária. Explica, ainda, que o Mandado de Segurança perdurou de 1996 a 2001, tendo sido proferida decisão liminar favorável à realização de depósitos judiciais, os quais foram devidamente realizados durante todo este período. Diz ainda que os valores foram levantados pela União Federal, razão porque não haveria que se falar de pendências quanto ao período atuado, lembrando que a fiscalização não lançou diferenças de valores. Requer que o processo seja anulado por erro, posto que o mandado de segurança e a decisão liminar existiam. Menciona, ainda, a Recorrente, que os Fl. 451DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 452 5 valores exigidos no presente lançamento estão “possivelmente quitados” posto que é o que ocorre quando é feita a conversão e renda de valores depositados judicialmente. Ademais, alega a existência de vício de nulidade no lançamento. Vale registrar que a Recorrente trouxe anexo ao recurso a sentença proferida nos autos do mandado de segurança, na qual consta a determinação do juiz de que os valores sejam levantados pela impetrante. É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 453 6 Voto Vencido O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em função do entendimento de que a Recorrente estava inadimplente sem o supedâneo de qualquer procedimento judicial que validasse o não recolhimento do tributo. In casu, à época da apresentação da DCTF a Recorrente discutia a exigência da COFINS com base no Mandado de Segurança no 96.00040362, sendo que, conforme também comprovam os documentos acostados aos autos, o valor referente ao período em discussão encontravase devidamente depositado judicialmente. Dito isso, passo à decisão. Com é cediço, venho me posicionamento no sentido de que no caso de lançamentos eletrônicos, realizados diretamente pela informação de existência de processo judicial na DCTF apresentada pelo contribuinte, para que proceda ao lançamento tributário é preciso que a fiscalização comprove a falsidade da alegação da Recorrente, no sentido de demonstrar a inexistência do mencionado processo judicial. A decisão recorrida esclareceu a existência dos processos, mantendo o lançamento por entender pela inexistência de decisão judicial permitindo o não recolhimento do tributo, a saber: TRECHO DO VOTO PROFERIDO NO ACÓRDÃO RECORRIDO: “Após os referidos esclarecimentos sobre a medida judicial acima esposada, é míster salientar que a autuação “sub examine” originouse de procedimento eletrônico de auditoria interna da DCTF, por intermédio do qual, através da “Ocorrência: Proc jud não comprovad”, chegouse à conclusão, portanto, de que o processo judicial nº 96.00040362, informado na DCTF correspondente, não possibilitaria a Suspensão da Exigibilidade dos débitos da COFINS, tal como pretendida pelo contribuinte na citada declaração, originando, nesses termos, a autuação que ora tem a sua procedência aqui analisada. Constatase, portanto, que o contribuinte não possui amparo judicial à Suspensão de Exigibilidade vinculada na DCTF, diversamente do que alega na impugnação, citando Ação Judicial nº 99.00076877, não indicada naquela Declaração, apesar de ter apontado nas DCTF´s, a existência de medida judicial hábil ação ordinária nº 96.00040362, a amparar a Suspensão de Exigibilidade da COFINS.” (destaquei) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 454 7 A meu sentir, a simples existência do processo mencionado pela Recorrente em sua DCTF (o Mandado de Segurança nº 96.00040362) já seria suficiente para cancelar o auto de infração ora em discussão, mas no caso em apreço existe ainda a situação fática de que o valor em discussão estava depositado, o que torna indubitável que poderia não ser recolhido para a Receita Federal e que a informação realizada pela Recorrente em sua DCTF estava correta. Irrelevante, a meu ver, o que ocorreu posteriormente aos processos judiciais. É que o lançamento tributário está fundamentado na não comprovação, pelo Recorrente, à Receita Federal (e ao sistema de controle), da existência de processo judicial, ou seja, da razão que justificava o não pagamento do tributo que no caso estava depositado. Neste aspecto, o pressuposto adotado pela fiscalização para lançar o débito estava errado. O processo judicial existia e o valor estava depositado. Pareceme evidente a nulidade do auto de infração, uma vez que este foi lavrado com base em suposição falsa. Caso a fiscalização pretendesse constituir os débitos, mesmo que para evitar a decadência de valores já que estavam depositados, ou porque em 2001 os valores foram levantados para a contribuinte, deveria ter elaborado novo auto de infração, com outro fundamento. Inclusive, neste caso, se os valores ainda estivessem depositados não haveria a incidência de multa e se não estivessem, seria o caso de manutenção da penalidade. Ante o exposto e porque não compete ao julgador administrativo alterar o fundamento do auto de infração para fim de regularizálo e manter a exigência, sendo tal competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, cancelando in totum o auto de infração lavrado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 454DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 455 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, RedatorDesignado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto ao lançamento do crédito tributário ter sido fundamentado na inexistência de processo judicial. A ilustre relatora entende que a descrição “proc jud não comprovad” significa inexistência da ação judicial informada em DCTF. Entendo diferente. A meu ver, esta expressão significa que, no momento da lavratura do auto de infração, no processo judicial, cujo número foi informado na DCTF, não existem provimentos ou medidas que amparem a suspensão da exigibilidade declarada em DCTF. De fato, a recorrente informou em DCTF o processo de nº 96.00040362, correspondente a Mandado de Segurança, no qual a recorrente obteve liminar para efetuar depósitos judiciais, conforme consta da sentença anexada no recurso voluntário. Esta sentença foi proferida em 25/02/1999 e determinou a extinção do processo sem julgamento de mérito e a expedição de alvará para o levantamento dos depósitos pela recorrente, após o trânsito em julgado, fls. 438 a 444 – numeração digital. Quanto à existência dos referidos depósitos no momento da lavratura do auto de infração, importa mencionar o Despacho Seort nº 0367/2009 de fls. 197, no qual se afirmou que o saldo da conta nº 0829/005/00013450 estava zerado em 01/11/1999 e que tais depósitos foram levantados pela recorrente, conforme informações dos extratos de fls 152 a 157. Por sua vez, a recorrente alegou que tais depósitos teriam sido convertidos em renda da União. De fato, constatase que alguns dos valores depositados constantes do extrato de fls. 154 correspondem exatamente aos créditos tributários constituídos neste processo. Entretanto, como já dito, a sentença proferida nos autos de nº 96.00040362 extinguiu o processo sem julgamento do mérito e determinou a expedição de alvará para o levantamento dos depósitos pela recorrente, após o trânsito em julgado. Concluise, pela documentação acostada aos autos, que não há prova alguma da conversão dos depósitos em renda da União, mas, pelo contrário, todas as informações e documentos indicam o levantamento dos referidos pela recorrente, como aliás constatado pela conselheirarelatora no antepenúltimo parágrafo do voto vencido. Com efeito, a parte não produziu as provas necessárias do respectivo fato extintivo ou suspensivo do crédito tributário, conforme art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 455DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 456 9 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) O Código de Processo Civil, instituído pela Lei n° 5.869, de 1973, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária, postula da mesma forma: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Art. 397. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapôlos aos que foram produzidos nos autos. Destarte, tendo a autuação ocorrida em 13/06/2002, quando não mais subsistia a hipótese de suspensão da exigibilidade amparada em depósitos judiciais, correto o lançamento para a constituição do crédito tributário, vez que o fundamento foi a falta de pagamento/declaração inexata, em razão da não comprovação da suspensão de exigibilidade do crédito tributário no processo judicial informado. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 457 10 Neste sentido, citase o voto vencedor proferido pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis no Acórdão 20312.4273: “A nobre relatora não vê configurada a concomitância por considerar que, nesta seara administrativa, em face do enquadramento legal e da situação fática descrita no auto de infração discutese tãosomente a existência ou não de processo judicial, no qual a recorrente seja parte e que lhe garanta (ou não) o direito de proceder à compensação vinculada em DCTF, cuja origem é o indébito PIS pago indevidamente. Para ela, a exigência tributária, no que fundada na inexistência do processo judicial informado como origem dos créditos vinculados aos débitos declarados nas DCTF, deve ser cancelada porque demonstrado o contrário: existe, sim, a ação judicial referida. Entendo diferente porque o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido. Embora admitindo que a descrição constante do Auto de Infração é lacônica e podia ser aperfeiçoada, ressalto que não houve qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, que desde o primeiro momento demonstrou compreender por inteiro a autuação.[...]” Assim, afasto o cancelamento do lançamento defendida pela relatora, julgandoo procedente neste aspecto e passo a examinar as alegações da recorrente em recurso voluntário. Da nulidade do auto de infração por descrição insuficiente dos fatos A recorrente alega nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa em razão da descrição insuficiente dos fatos e conseqüente falta de motivação. Razão não assiste à recorrente. A descrição dos fatos está contida no tópico DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do auto de infração, itens 9 Contexto e 10 – Código de Capitulação, Descrição dos fatos e Enquadramento Legal, fls. 19 a 22. Verificase que o auto de infração se originou de auditoria interna da DCTF, na qual foi constatada que a informação de exigibilidade suspensa não foi comprovada no processo judicial nº 96.00040362, fl. 20, resultando em declaração inexata e, conseqüentemente, falta de recolhimento de Cofins. Na impugnação, a recorrente alegou o deferimento de antecipação de tutela obtida no processo nº 99.00076877, como medida judicial a amparar a suspensão da exigibilidade. Já em recurso voluntário, alegou a existência de liminar para efetuar depósitos no processo 96.00040362, bem como a extinção do crédito tributário lançado por conversão em renda destes depósitos judiciais. Ora, somente seria possível a alegação de nulidade por cerceamento de defesa se ficasse caracterizado óbice quanto ao entendimento da autuação que impedisse o 3 2º CC, 3º Câmara, Ac. 20312.427, de 20/09/2007, relator designado Emanuel Carlos Dantas de Assis, processo nº 10510.001917/200203. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 458 11 exercício do direito de defesa, fato não verificado diante dos argumentos apresentados tanto na impugnação quanto no recurso voluntário. Descabe, portanto, a alegação de cerceamento de defesa e de incompreensão dos fatos descritos, pois, de fato, a recorrente enfrentou o ponto principal da autuação, qual seja, a não comprovação da suspensão da exigibilidade no processo informado na DCTF. Ademais, transcrevo excerto do voto condutor do acórdão proferido pelo colegiado a quo, que adoto como razão de decidir, nos termos do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: “(...) Ao contrário do que alega o contribuinte, a descrição dos fatos está devidamente elencada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal não havendo que se falar em falta de consistência e fundamentação da autuação. Frisese que o procedimento fiscalizatório que apurou a falta de recolhimento da contribuição em tela, teve como supedâneo as DCTF´s dos terceiro e quarto trimestres de 1997, apresentadas pelo interessado. As infrações encontramse devidamente discriminadas e, corroborando tal assertiva, acrescentamos que a petição impugnatória encontrase fundamentada no sentido de questionar o mérito da autuação, como a seguir analisaremos. O presente lançamento teve como origem a indevida Suspensão da Exigibilidade da COFINS na DCTF dos terceiro e quarto trimestres de 1997, pois o Processo Judicial indicado pela interessada (96.00040362) não comprova tal situação fato contestado pela interessada em sua exordial onde alega que efetuou tal procedimento devido a provimento judicial em trâmite na Justiça Federal de Vitória/ES. Nesse aspecto, é mister consignar que o contribuinte trouxe aos autos, Cópia da Petição Inicial, Antecipação de Tutela parcialmente Deferida e da Sentença exarada na Ação Ordinária nº 99.00076877, em trâmite na 2ª Vara da Justiça Federal do Espírito Santo, não carreando aos autos quaisquer elementos pertinente ao processo judicial 96.00040362, conforme consignado nas referidas DCTF´s. Aliás, a respeito da Ação Judicial 96.00040362, consta no relatório da Tutela Antecipada Deferida parcialmente na Ação Judicial nº 99.00076877, carreada aos autos pelo interessado que: “.... Esclarece a requerente que já havia ajuizado mandado de segurança (nº 96.00040362) nesta 2ª Vara, que foi extinto sem julgamento de mérito, eis que o MM Juiz Titular entendeu que a matéria encerrava dilação probatória incompatível com o rito do “writ” .....” Fl. 458DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 459 12 A ação indicada pelo contribuinte nas DCTF´s, nº 96.00040362, conforme pesquisas extraídas do site da Justiça Federal do Espírito Santo, foi interposta em 11/06/1996, sendo distribuída para a 2ª Vara Federal daquele Estado, com baixa definititva em 08/06/2006, sendo consignado que não houve liminar, além de ter sido extinta sem julgamento do mérito como acima indicado. Após os referidos esclarecimentos sobre a medida judicial acima esposada, é míster salientar que a autuação “sub examine” originouse de procedimento eletrônico de auditoria interna da DCTF, por intermédio do qual, através da “Ocorrência: Proc jud não comprovad”, chegouse à conclusão, portanto, de que o processo judicial nº 96.00040362, informado na DCTF correspondente, não possibilitaria a Suspensão da Exigibilidade dos débitos da COFINS, tal como pretendida pelo contribuinte na citada declaração, originando, nesses termos, a autuação que ora tem a sua procedência aqui analisada. Constatase, portanto, que o contribuinte não possui amparo judicial à Suspensão de Exigibilidade vinculada na DCTF, diversamente do que alega na impugnação, citando Ação Judicial nº 99.00076877, não indicada naquela Declaração, apesar de ter apontado nas DCTF´s, a existência de medida judicial hábil ação ordinária nº 96.00040362, a amparar a Suspensão de Exigibilidade da COFINS. (...)” Da existência de processo judicial com liminar anterior a 1997 Inicialmente, salientase que a recorrente, neste tópico, propugna pelo afastamento da multa de ofício, o que torna o recurso, nesta parte, desprovido de objeto, pois todo o crédito tributário referente à multa de ofício foi exonerado no acórdão proferido pelo colegiado a quo, conforme excerto abaixo do dispositivo do referida decisão: “Por todo o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, para excluir a incidência da multa de ofício, nos termos do entendimento emanado na Solução de Consulta Cosit/ SRF nº 3/2004, que tem fundamento no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003.” Quanto ao mérito, a recorrente alegou que, de acordo com a sentença proferida nos autos do processo nº 96.00040362, possuía liminar para efetuar os depósitos concernentes aos valores discutidos naquele processo e que abrangeriam os créditos tributários aqui discutidos e que tais depósitos judiciais foram convertidos em renda em favor da União. Como já demonstrado neste voto, não restou provado nos autos a conversão em renda alegada pela recorrente, descabendo a exoneração do crédito tributário, por extinção via conversão em renda de depósito judiciais, conforme art. 156, inciso VI do CTN. Por outro lado, verificase que na consulta processual efetuada em 07/07/2009, constante das fls. 158 a 161, referente ao processo nº 99.00076877, houve despacho do juízo, em 05/06/2009, informando requerimento da União Federal pela execução provisória do julgado, no tocante à conversão em renda de depósitos judiciais e honorários Fl. 459DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13770.000652/200245 Acórdão n.º 3302002.295 S3C3T2 Fl. 460 13 advocatícios, mas suspendendo o feito até o julgamento dos agravos interpostos e conseqüente trânsito em julgado. Este despacho gerou dúvidas a respeito da existência de depósitos ainda não convertidos. Assim, não se pode afirmar com certeza se houve levantamento de todos depósitos pela recorrente ou se alguns foram convertidos em renda da União. Assim, em prestígio ao princípio da verdade material, a unidade administrativa da Receita Federal do Brasil, responsável pela execução deste acórdão, deverá certificar a existência de depósitos convertidos em renda da União, vinculados ao processo nº 99.00076877, relativo aos períodos exigidos e extinguir o crédito tributário originalmente lançado, na hipótese de se confirmar a conversão aludida. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário, observado o parágrafo anterior. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 460DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 06/01 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10855.003040/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO.
Subsiste a presunção legal de omissão de receitas quando o contribuinte não logra comprovar a inocorrência de pagamento não escriturado, provado pelo Fisco mediante registro em contrato particular revestido das formalidades suficientes para produzir seus efeitos. A alegação de que o negócio teria sido desfeito dentro do mesmo ano, ainda que comprovada fosse, não ilidiria a ocorrência do pagamento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se aos lançamentos reflexos, não havendo razão particular para tratamento diferenciado.
APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, sem a inclusão das receitas omitidas apuradas em procedimento de fiscalização, impõe-se a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula nº 4 do CARF.
Numero da decisão: 1301-000.718
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Relator, Paulo Jakson da Silva Lucas e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Designado o Conselheiro Waldir Veiga Rocha para redigir o voto vencedor. Com relação à multa isolada, ficaram vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Valmir Sandri
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO. Subsiste a presunção legal de omissão de receitas quando o contribuinte não logra comprovar a inocorrência de pagamento não escriturado, provado pelo Fisco mediante registro em contrato particular revestido das formalidades suficientes para produzir seus efeitos. A alegação de que o negócio teria sido desfeito dentro do mesmo ano, ainda que comprovada fosse, não ilidiria a ocorrência do pagamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O decidido em relação ao IRPJ aplicase aos lançamentos reflexos, não havendo razão particular para tratamento diferenciado. APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, sem a inclusão das receitas omitidas apuradas em procedimento de fiscalização, impõese a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.220 2 de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula nº 4 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Relator, Paulo Jakson da Silva Lucas e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Designado o Conselheiro Waldir Veiga Rocha para redigir o voto vencedor. Com relação à multa isolada, ficaram vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por Jadangil Participações e Representações Ltda., em face da decisão proferida pela 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP, que por unanimidade de votos julgou parcialmente procedentes os autos de infração lavrados para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativo ao anocalendário de 2004, apenas reduzindo a multa qualificada de 150% para 75%. A fiscalização acusa a empresa de ter omitido receitas, uma vez que não escriturou o montante de R$ 850.000,00, utilizado para a compra de participações societárias, das empresas NA Participações e Representações de Itu Ltda. e Alcides Vargas Porteiro. Conforme consta do Termo de Constatação Fiscal, a fiscalização teve acesso a documento denominado “Instrumento Particular de Venda e Compra de Participações Societárias e Outras Avenças (fl. 75/80) apreendido pela Polícia Federal em 15/06/2005, em Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.221 3 cumprimento a Mandados de Busca e Apreensão expedidos pelo Juiz Federal da Vara Federal de Itaboraí/RJ, nos autos n° 200551070006503. Intimada a explicar a não contabilização da referida aquisição de participações societárias em 26/11/2004, a interessada exibiu o documento de fl. 137, alegando "que o negócio foi desfeito no mês seguinte, isto é dentro do próprio exercício social, não produzindo efeitos". A fiscalização, considerando que o contribuinte não exibiu qualquer documento para comprovar a alegação, ao contrário da realização do negócio (aquisição) para a qual, existe documento, considerou que a compra foi feita com recursos estranhos à contabilidade, e autuou a pessoa jurídica para exigir os tributos sobre que seriam influenciados pela omissão. Impugnados os lançamentos, foi o litígio julgado pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, que apenas desqualificou a multa, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2004, 31/12/2004 PRESUNÇÃO PROVA MULTA QUALIFICADA MULTA ISOLADA — SELIC. A prova do fato que constitui base de presunção legal de omissão de receitas basta para a lavratura do auto de infração. Cabe ao contribuinte produzir contraprovas. Meras alegações, desacompanhadas de provas, não bastam para infirmar os fatos. A aplicação da multa qualificada exige a demonstração do dolo, prova esta não produzida nos autos. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ tem expressa previsão legal, sendo descabida a apreciação de sua invalidade na esfera administrativa. Selic aplicada nos termos da lei. Lançamento Procedente em Parte Em recurso ao Conselho deContribuintes a interessada alegou, em síntese: a) Que embora tenha sido entabulado o negócio jurídico venda e compra de ações de S/A e cotas sociais de Ltda, o negócio, foi desfeito, dentro do mesmo exercício fiscal; b) Que não houve pagamento em moeda corrente como se prova, inclusive, pelos extratos bancários daqueles que seriam os beneficiários;. c) Que o distrato se deu efetivamente, os proprietários e possuidores das participações societárias continuavam na sociedade ainda quando do início da ação fiscal em abril de 2006; d) Que nada é devido pela empresa, já que não omitiu faturamento; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.222 4 e) Que a multa isolada se constitui em dupla penalização, além do que, no caso, se apresenta como aplicada em desconformidade com o princípio maior de irretroatividade penal, além de constranger pacífica jurisprudência administrativa; f) que é inaplicável a taxa Selic; g) Que fica reiterada a impugnação quanto ao prazo de apuração e fato tipo, consignando ainda que a menção ao período de 7 anos não se constituiu em afirmação da Recorrente, reafirmando a existência de nota promissória pro Soluto, a justificar a quitação declarada, a qual, imprecisamente, constou como acontecida em moeda; h) Que com relação aos lançamentos reflexos, dada a relação de causa e efeito ficam reiteradas as razões postas. Submetida a julgamento em sessão 19 de junho de 2009, foi o julgamento convertido em diligência nos seguintes termos: Como se colhe do relatório, a questão trazida a julgamento diz respeito a alienação de diversas "participações societárias" detidas em diversas empresas (vide anexo único do Contrato de Venda e Compra), em que foram alienantes "N A Participações Ltda. e Alcides Vargas Porteiro" e, como adquirente, a recorrente "Jadangil Participações e Representações Ltda.", tudo através de instrumento particular que não foi levado a registro na Junta Comercial e cujo valor da operação, apesar de expressivo, teria se dado em dinheiro. De um lado, é certo que embora o negócio jurídico descrito no documento não tenha sido levado a registro e que à operação tenha se dado em dinheiro, não o invalida para fins fiscais e tributários. Por outro lado, com base em documentação trazida ao processo, sustenta a recorrente/adquirente que a operação simplesmente não ocorreu, insistindo ela (recorrente/adquirente) que os supostos "alienantes" continuaram participando das respectivas sociedades; continuaram comparecendo às Assembléias; continuaram recebendo dividendos, e mais, que as "participações societárias" que detinham e de que tratam os autos, teriam sido efetivamente alienadas em data posterior. Nesse contexto, considerando que pairam dúvidas relevantes sobre os fatos (verdade material) que deram ensejo à exigência, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que a autoridade administrativa: a) Elabore quadro demonstrativo da composição societária das empresas cuja "participação societária" teriam sido objeto da negociação (sócios e participação), a partir do exercício anterior ao das “operações” de que tratam os presentes autos, mais precisamente, das seguintes Pessoas Jurídicas: Primo Schincariol Ind. de Cervejas e Refrigerantes S/A. Schincariol Empresa de Mineração Ltda. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.223 5 Schincariol Agropecuária Ltda. Schincariol Empreendimentos Imobiliários S/A. . Schincariol Participações e Representação Ltda. Schimar Propaganda e Publicidade Ltda.. Primo Schincariol Ind. de Cervejas e Refrigerantes Nordeste S/A. Primo Schincariol Ind. de Cervejas e Refrigerantes Rio de Janeiro S/A. Forcint S/A. Industria de Bebidas Primo Schincariol Ind. de Cervejas e Refrigerantes do Norte/Nordeste S/A. Bravo Logística e Distribuição Ltda. b) Informe se os acima citados "alienantes" (N.A. Participações e Alcides Vargas Porteiro), após a data do "negócio jurídico" de que tratam os autos, continuaram participando das respectivas sociedades, cujas participações foram tidas como "alienadas" e, também, se continuaram recebendo dividendos; c) Informe se, eventual e efetivamente teriam os "alienantes" posteriormente vendidos suas participações societárias nas empresas retro relacionadas e, finalmente, d) Informe, caso a resposta relativa à letra "c" logo acima, seja afirmativa, se teriam sido recolhido os impostos devidos nas alegadas alienações. Outrossim e para o cumprimento da presente diligência, a seu exclusivo juízo, poderá a autoridade administrativa intimar a recorrente/adquirente e/ou a qualquer pessoa física ou jurídica para prestar esclarecimentos, fornecer documentos e tudo mais que entender necessário (sempre com prazo preclusivo), devendo ainda, após suas informações, conceder prazo de 10 (dez) dias para que a recorrente, querendo, se manifeste. Retornam agora os autos com a diligência cumprida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.224 6 Como se viu do relato, a acusação de omissão de receitas repousa em Instrumento Particular de Venda e Compra de Participações Societárias e Outras Avenças, apreendido e não contabilizado, a partir do qual a fiscalização presumiu que o respectivo pagamento teria sido feito com recursos estanhos à contabilidade. A interessada alega não ter havido pagamento, pois teria sido feito distrato no mesmo exercício, e os proprietários e possuidores das participações societárias continuavam nas sociedades ainda quando do início da ação fiscal, em abril de 2006. A diligência determinada pela antiga Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes objetivou aclarar se existiu ou não o negócio jurídico formalizado no documento de fls. 75/80, que ensejou o lançamento. De acordo com o documento que serviu de base aos lançamentos, a Recorrente teria adquirido a totalidade das participaçeões societárias que N.A. Participações e Representações Itu Ltda. e de Alcides Jorge Porteiro detinham em várias empresas nele identificadas, quais sejam: Empresa Alienante Quotas ou ações Primo Schincariol Cervejas e Refrigerantes S/A Alcides Vargas Porteiro 3.440 Schincariol Empresa de Mineração Ltda. Alcides Vargas Porteiro 20 Schincariol Agropecuária Ltda Alcides Vargas Porteiro 1 Schincariol Empreendimentos Imobiliários S/A Alcides Vargas Porteiro 151 Schincariol Participações e Representações Ltda Alcides Vargas Porteiro N.A.Particip. Represent. 5.102 500.395 Schincariol Propaganda e Publicidade Ltda Alcides Vargas Porteiro 30.096 Schincariol Ind. Cervejas e Refriger. Nordeste S/A Alcides Vargas Porteiro 33 Primo Schincariol Ind. Cerv. e Refri.. Rio de Janeiro S/A Alcides Vargas Porteiro 33 Forcint S/A Ind. De Bebidas Alcides Vargas Porteiro 33 Primo Schincariol Ind. Cerv. Refri..Norte Nordeste S/A Alcides Vargas Porteiro 99 Bravo Logísitica e Distribuição Ltda. Alcides Vargas Porteiro 33 A autoridade executora da diligência, com base em assentamentos das Juntas Comerciais e nas Declarações de Imposto de Renda apresentadas, levantou as alterações societárias nas empresas cujas participaçoes societárias teriam sido alienadas, conforme a seguir resumido: 1 COMPANHIA DE BEBIDAS PRIMO SCHINCARIOL Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.225 7 Participante do capital, conforme DIPJ (% particpação) AC 2004 AC 2005 AC 2006 AC 2007 AC 2008 Alcides Vargas Porteiro 0,1 0,1 0 0 0 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 2 PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO NORTENORDESTE Participante do capital, conforme DIPJ (% participação) AC 2004 AC 2005 AC 2006 AC 2007 AC 2008 Alcides Vargas Porteiro 0,1 0,1 0 0 0 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 3 PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A. Participante do capital, conforme DIPJ (% participação) AC 2004 AC 2005 AC 2006 AC 2007 Alcides Vargas Porteiro 0,1 0,1 0 0 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 4 PRIMO SCHINCARIOL TRANSPORTES S/A. Participante do capital, conforme DIPJ (% participação) AC 2004 AC 2005 AC 2006 AC 2007 Alcides Vargas Porteiro 0,3 0,3 0 0 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 5 PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A. Participante do capital, conforme DIPJ (% participação) AC 2004 AC 2005 AC 2005 AC 2006 AC 2007 AC 2008 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.226 8 31/12/2004 31/03/2005 31/12/2005 31/12/2006 31/12/2007 31/12/2008 Alcides V. Porteiro 0,1 0,1 0,1 0 0 0 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 6 SCHIMAR PROPAGANDA E PUBLICIDADE LTDA. Participante do capital, conforme contrato social (valor em R$) Sessão 08/03/2002 Sessão 21/10/2003 Sessão 26/01/2005 Sessão 10/08/2005 Sessão 03/08/2006 Sessão 01/06/2007 Alcides Porteiro 3.009,60 3.009,60 3.009,60 3.009,60 3.009,60 0 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 7 SCHINCARIOL AGROPECUÁRIA LTDA. Participante do capital, conforme contrato social (valor em R$) Sessão 21/08/1996 Sessão 09/01/2004 Sessão 04/01/2005 Sessão 09/08/2005 Sessão 23/10/2007 Alcides Vargas Porteiro 1,00 1,00 1,00 1,00 0 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 8 SCHINCARIOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A. Participante do capital, conforme contrato social (quantidade de ações) Sessão ant. 26/07/2004 Sessão 26/07/2004 Sessão 18/01/2005 Sessão 04/08/2005 Alcides Vargas Porteiro 151 151 151 151 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 9 SCHINCARIOL LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO LTDA. Participante do capital, conforme contrato social (valor em R$) Sessão 31/12/2003 Sessão 28/10/2004 Sessão 19/03/2005 Sessão 09/08/2005 Sessão 30/03/2007 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.227 9 Alcides Vargas Porteiro 33,00 33,00 33,00 33,00 33,00 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 10 SCHINCARIOL EMPRESA DE MINERAÇÃO LTDA. Participante do capital, conforme contrato social (valor em R$) Sessão 21/10/2003 Sessão 06/01/2005 Sessão 03/08/2005 Sessão 04/01/2008 Alcides Vargas Porteiro 20,00 20,00 20,00 0,00 Alienação declarada na DIRPF do AC 2006 de Alcides Vargas Porteiro pelo mesmo valor do custo (sem ganho de capital) Participação alienada para a Schincariol Participações e Representações S/A. 11 SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA. Participante do capital, conforme contrato social e DIPJ (valor em R$ e em %) Sessão 21/10/2003 Sessão 01/12/2004 Sessão 31/012/2004 Sessão 01/04/2005 Sessão 24/11/2005 DIPJ AC 2005 Alcides Porteiro N.A.Part.Rep.Ltd 5.102,00 500.395,00 5.102,00 500.395,00 0,01% 0,32% 0,01% 0,32% 5.102,00 500.395,00 0,01% 0,06% DIPJ AC 2006 DIPJ AC 2007 DIPJ AC 2008 Alcides Porteiro N.A.Part.Rep.Ltd 0,01% 0,07% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% Alienação declarada na DIRPF do AC 2007 (em 01/10/2007) de Alcides Vargas Porteiro pelo valor de R$ 14.735,00 N. A. Apurou ganho de capital no 4° trimestre de 2007 e pagou IRPJ e CSLL respectivos em 01/2008 Participações alienadas para a Jadangil Participações e Representações Ltda. Portanto, a diligência levada a efeito permitiu constatar que no ano calendário de 2004, não ocorreu o negócio jurídico formalizado no documento de fls. 75/80, o que afasta a presunção de que o respectivo pagamento tenha ocorrido com receitas omitidas. Vencido que fui na matéria acima, fazse necessário analisar o recurso da contribuinte quanto à exigência da Multa Isolada decorrente das diferenças apuradas exoffício, incidente sobre a base estimada do IRPJ, relativo a novembro de 2004, o que de antemão, tenho para mim que a mesma não tem como prosperar. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.228 10 Isto porque, embora a Recorrente tenha antecipado a menor o Imposto de Renda devido no período acima referido, conforme se depreende dos demonstrativos de apuração do Imposto de Renda efetuado pela fiscalização por ocasião do lançamento, o fato é que a exigência da referida penalidade só foi exigida no mês de fevereiro de 2007, quando não mais havia base de cálculo para a sua exigência, eis que com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem a recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do anocalendário, surgindo com a apuração do lucro real ao final do anocalendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Na verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1o., art. 44 da Lei 9.430/96, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante aquele anocalendário, de vez que com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário (31.12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique, e a partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1o. do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1o do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas. pecuniária por descumprimento de obrigação acessória. Ora, sendo certo que a legislação anteriormente mencionada veda a dupla penalidade sobre o mesmo fato, e constatado que a autoridade administrativa autuante aplicou a multa de ofício inicialmente no percentual de 150%, reduzida para 75% pelos julgadores de primeira instância, com base no tributo devido ao final do anocalendário, também por este motivo não merece prosperar a exigência da multa isolada. Nesse sentido é a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais a exemplo da ementa abaixo transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.229 11 etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado.” (Acórdão nº CSRF/0105.838, Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 15/04/2008, Conselheiro Relator Marcos Vinícius Neder de Lima) Dessa forma, por entender inaplicável a Multa Isolada após o término do ano calendário, sou pelo cancelamento desta exigência. Não obstante tenha se tornada desnecessária a análise dos argumentos apresentados pela contribuinte quanto a irretroatividade da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, importante observar que ao contrário do que entenderam os julgadores de primeira instância e também a contribuinte em sua defesa, mencionado diploma legal veio a confirmar a jurisprudência até então firmada pelo Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a multa isolada não deve mais incidir sobre a totalidade ou diferença do tributo, mas apenas sobre o valor do pagamento mensal a título de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução para 25%, no caso da contribuinte efetuar o pagamento do débito no prazo legal. Ou seja, diante da proximidade existente entre a multa de ofício e a multa isolada não cabe a exigência de cumulativa das mesmas. Isto posto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Voto Vencedor Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, tanto no que toca ao mérito do lançamento quanto às multas exigidas isoladamente. Inicialmente, é de se ressaltar que a presunção de omissão de receitas não encontra suporte em entendimento da Fiscalização, mas em disposição expressa de lei, confira se o art. 281, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), que consta do enquadramento legal do lançamento à fl. 172. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.230 12 Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I [...]; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a existência de pagamentos não escriturados. A prova dos pagamentos é o documento de fls. 75/80, intitulado “Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária e Outras Avenças”, firmado entre a interessada Jadangil Participações e Representações Ltda., como compradora, e a pessoa jurídica N. A. Participações e Representações de Itu Ltda. e a pessoa física Sr. Alcides Vargas Porteiro, como vendedores. Esse documento foi assinado por todos os compradores e vendedores, além de cinco pessoas físicas qualificadas como intervenientes anuentes, e as firmas dos signatários foram devidamente reconhecidas pelo 1º Tabelionato de Notas de Itu. O item 1 do contrato é expresso ao afirmar o pagamento em moeda corrente e a integral quitação do preço ajustado (grifos não constam do original): 1. As partes resolvem que os VENDEDORES vendem para a COMPRADORA a totalidade da participação societária que possuem na forma individualizada em todas as sociedades dispostas e relacionadas no ANEXO ÚNICO, nas quais têm participação, pelo preço global certo e ajustado de R$ 850.000,00 (oitocentos e cinqüenta mil reais), sendo R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) pagos à PRIMEIRA VENDEDORA e R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) pagos ao SEGUNDO VENDEDOR. Os VENDEDORES recebem neste ato, em moeda corrente nacional, a integralidade do preço ajustado, dando plena, geral, irrevogável e irretratável quitação à COMPRADORA, obrigandose a assinarem as alterações contratuais das sociedades e transferência de ações e quaisquer outros documentos necessários ou solicitados pela COMPRADORA, retratando a venda ora pactuada e procedendo Os VENDEDORES sua retirada do quadro societário de todas as sociedades elencadas no ANEXO ÚNICO. Tratase, ao meu ver, de prova extremamente robusta acerca da ocorrência do fato indiciário, ou seja, o pagamento. A interessada, inicialmente, alegou que o que o negócio (compra e venda de participações societárias) teria sido desfeito dentro do mesmo ano (fl. 137). De se observar que essa alegação não ilide a presunção legal de omissão de receitas pois, mesmo que, por hipótese, se pudesse admitir o desfazimento do negócio, isso não implicaria que o pagamento não houvesse sido feito, mas tão somente que o valor pago teria que ser restituído. Além disso, inexiste um documento que consubstancie o alegado distrato, tão somente a resposta de fl. 137 à intimação do Fisco. Quanto à diligência determinada pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, apenas prova que o contrato não foi levado a registro perante os competentes órgãos de comércio e societários no mesmo ano em que foi firmado, o que bem Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.231 13 pode ter ocorrido por convenção particular entre os contratantes. De forma alguma o resultado da diligência prova a inocorrência do pagamento em 2004. A interessada alega, ainda, que não teria havido quitação em dinheiro, como consta do “Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária e Outras Avenças” (fls. 75/80), mas que a quitação se teria feito mediante nota promissória pro soluto. Essa alegação, se comprovada, seria hábil a afastar a presunção legal de omissão de receitas, em face da inexistência de pagamento. No entanto, tratase de mera alegação, despida de quaisquer provas. Não se há de crer que os vendedores houvessem dado plena, geral, irrevogável e irretratável quitação do preço acertado, recebido integralmente do comprador em moeda corrente, se o meio de pagamento houvesse sido uma nota promissória. A obrigação de escriturar e de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista na legislação fiscal, e aplicase, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real (situação da recorrente), presumido ou optantes pelo SIMPLES. Ao descumprir essa obrigação, a interessada queda sem meios hábeis para comprovação que lhe cabe. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Em assim sendo, deve ser mantido o lançamento, conclusão extensiva aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. A seguir, cabe apreciar os argumentos da recorrente contra a exigência de multas isoladas, no percentual de 50%, aplicadas no mês de novembro/2004 diante da não inclusão das receitas omitidas na base de cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL. Embora a matéria seja polêmica, comportando interpretações divergentes, o entendimento do Colegiado foi de que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. É o que se extrai dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Lei nº 8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.232 14 § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Lei nº 9.430/1996: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.233 15 disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28.Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente à obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.234 16 para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Esse artigo teve sua redação alterada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e o percentual aplicável passou a ser de 50%, conforme o inciso II, alínea “b”. Eis a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 à época do lançamento: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] No caso em tela, mantida a acusação de omissão de receitas, essas mesmas receitas deveriam integrar o cálculo das estimativas no mês em que auferidas, ou seja, em novembro. Deve, então, a contribuinte se sujeitar à penalidade que lhe é exigida mediante este processo. Para fins da multa isolada, deve ser considerado o montante apurado mensalmente em face da receita bruta e acréscimos ou em cada balanço/balancete de suspensão/redução, e a sanção é aplicável diante do descumprimento do dever de antecipar o tributo, nos montantes determinados em lei. Essa penalidade não se confunde, em absoluto, com a multa proporcional aplicada ao final do período de apuração anual pela falta de recolhimento do tributo. Finalmente, insurgese a recorrente contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios exigidos no lançamento. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula nº 4, a seguir reproduzida1: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1º, do CTN (grifos não constam do original): 1 Conforme consolidação na Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010, publicada no DOU de 07/12/2010. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.235 17 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Ocorre que a Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3º, conjugado com o art. 5º, § 3º, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. [...] § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC. Pelo exposto, a decisão do colegiado é por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.003040/200618 Acórdão n.º 130100.718 S1C3T1 Fl. 1.236 18 Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.003962/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 508 1 507 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003962/201029 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.846 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria Remuneração Indireta: ProLabore Recorrente ALCANCY CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO PRO LABORE. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa optante do lucro presumido a título de adiantamento de resultado, quando não restar comprovado que o lucro contábil foi maior que o montante distribuído. Art. 201, § 5°, do RPS/99, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DURANTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 62 /2 01 0- 29 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente da Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente da Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003962/201029 Acórdão n.º 2302002.846 S2C3T2 Fl. 509 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 458/464), que bem resume o quanto consta dos autos: 1. O presente processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração DEBCAD nº 37.258.5183, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativo à contribuição previdenciária prevista no Art. 22, III, da Lei nº 8.212/91 incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais, a título de pro labore, nas competências 01/2006 a 12/2006 não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. 1.1. Importa o crédito no valor de R$ 146.551,98 (cento e quarenta e seis mil, quinhentos e cinqüenta e um reais e noventa e oito centavos), consolidado em 24/11/2010. 1.1. O Relatório Fiscal de fls. 364 a 372, informa que: • A ação fiscal foi iniciada em 29/04/2010, data da ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, onde foi solicitada a apresentação da documentação necessária à verificação do regular cumprimento das obrigações tributárias. • Da documentação apresentada a fiscalização constatou omissão de receitas, por meio das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, e a presunção de omissão de receitas decorrentes dos créditos não comprovados do extrato bancário, razão pela qual foi lavrado o AI relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003387/201064) com as infrações de omissão de receitas e presunção de omissão de receitas. • Da análise dos extratos bancários fornecidos, durante todo o anocalendário de 2006, foram identificados lançamentos a débito na conta Unibanco – Ag 7335 – c/c 1046955 com o histórico “PGTO SALÁRIOS”, apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Como a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa a empresa foi intimada a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários. A empresa informou que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 • O Contribuinte entregou a DIPJ 2007, anocalendário 2006, com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições; • Ao comparar o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários, constatou a Fiscalização que o Contribuinte distribuiu lucro acima do valor permitido; • Tendo em vista que o Contribuinte não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a título de “pro labore”, pelo serviço prestado à empresa. • As remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, §§ 3 º e 6º, diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço; • Para a determinação da base de cálculo foi calculado o Lucro Presumido (32%) sobre o total das Receitas Apuradas, e deduzidos os tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), resultou no total permitido de Lucros a Distribuir. Estes valores foram deduzidos, por trimestre, do total dos lucros distribuídos (valores que constam nos extratos bancários como pagamento de salários),resultando nos Valores Distribuídos a Maior, conforme tabela demonstrativa do item 5.2.2 do Relatório Fiscal. • Conforme o disposto no artigo 725, do Decreto nº 3000/99 (RIR/99), foi efetuado o reajuste dos Valores Distribuídos a Maior, considerados como pagamento líquido aos contribuintes individuais – sócios, utilizandose a fórmula de reajustamento da base de cálculo para obtenção do rendimento bruto de acordo com o artigo 20 da Instrução Normativa nº 15/2001. A tabela do item 5.2.4 demonstra o reajuste efetuado; • O item 7.1 do Relatório Fiscal relaciona os documentos examinados; • Conforme consta no item 8.3 do Relatório Fiscal, embora o período de apuração auditado seja anterior à edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, foi observado, na aplicação da multa, o principio da retroatividade benigna, previsto no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a imposta pela legislação superveniente, a fim de verificar qual a penalidade menos onerosa ao Contribuinte. Conforme a planilha comparativa de cálculo constante do ANEXO 4, coluna “MULTA MAIS BENÉFICA”, existem duas situações: Fl. 511DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003962/201029 Acórdão n.º 2302002.846 S2C3T2 Fl. 510 5 “ANTERIOR” – multa de mora de 24% e Auto de Infração código 68 – competências 02/2006, 03/2006, 05/2006, 06/2006, 08/2006; 09/2006, 11/2006 e 12/2006 “ATUAL” – multa de ofício de 75%, competências 01/2006, 04/2006, 07/2006 e 10/2006. • O item 10.1 relaciona os demais Autos de Infração lavrados, referentes à contribuições previdenciárias; • Por não informar a remuneração dos contribuintes individuais –sócios na GFIP, ficou configurada, “em tese”, a prática do crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I e III do Código Penal, na redação da Lei nº 9983/2000, motivo pelo qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada à autoridade competente; DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada, depois de ter sido cientificada do Auto de Infração em 27/11/2010 conforme AR fl. 384, impugnou o lançamento, tempestivamente, em 23/12/2010, através do instrumento de fls. 387/391, com juntada de cópia da impugnação interposta nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.003967/2010 51, fls.421/447. (...) (destaques nossos) A 14ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 456/474). A recorrente foi intimada da decisão em 26/10/2012 (fls. 476), apresentado Recurso Voluntário em 26/11/2012 (fls. 478/504), no qual alega: * a lavratura decorreria do quanto apurado no 19515.003967/201051. Portanto, deveria ser reconhecida a conexão; * a recorrente, no anocalendário de 2006, teria submetido seus resultados econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as contidas no artigo 48 da Instrução Normativa n° 93/97, conforme exposto na impugnação interposta no processo administrativo n° 19515.003967/201051 e respaldado pelas demonstrações contábeis ali acostadas; * discorda da decisão de primeira instância que afirma que o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006 não teria o condão de comprovar o montante do lucro efetivo e que tais documentos constituiriam meros demonstrativos do resultado final da escrituração de cada exercício, de sorte que, somente Fl. 512DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 através da contabilidade da empresa é que se tornaria possível apurar se o lucro distribuído corresponderia ao lucro efetivo da empresa. Alega que o Código Civil e a Lei das Sociedades Anônimas amparariam a aceitação do demonstrativo de resultado e balanço patrimonial. * aduz que, diferentemente do quanto decidido na primeira instância, o fato de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do lucro presumido, sem comprovação de sua natureza, somente pode ser considerado como remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Também é inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois tratase de direito disponível; * quanto ao protesto da impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas; * requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic; * pleiteia seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. É o relatório. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003962/201029 Acórdão n.º 2302002.846 S2C3T2 Fl. 511 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Conexão. Alega a recorrente que a lavratura decorreria do quanto apurado no processo n° 19515.003967/201051, de sorte que deveria ser reconhecida a conexão entre os processos. Como já destacado na decisão de primeira instância, o processo n° 19515.003967/201051 trata da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre a mesma remuneração paga aos sócios a título de pro labore. Portanto, tributo completamente distinto daquele de que tratam os presentes autos. Em verdade, pelo que consta dos autos, todas as lavraturas, inclusive aquela constante do processo n° 19515.003967/201051, decorrem dos fatos apurados no processo n° 19515.003387/201064, que trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). De novo, tributo de espécie diversa daquela de que versam os presentes autos. Aliás, cumpre destacar que não se tem notícia de que a recorrente tenha impugnado, no Auto de Infração n° 19515.003387/201064, estes fatos originários, dos quais decorreram não só os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias, mas também o suscitado processo n° 19515.003967/201051. De toda sorte, sendo tributos de natureza diversa, com regulamentações amplamente distintas, mesmo havendo origem fática comum, nada há que justifique ou determine o reconhecimento da conexão entre o processo n° 19515.003967/201051 e os Autos de Infração relativos às contribuições previdenciárias. Demais disso, o processo verdadeiramente originário é o de n° 19515.003387/201064, que, como visto, trata do IRPJ e reflexos incidentes sobre omissão de receita apurada e sobre os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Distribuição de Lucros x Prolabore. Como visto, da documentação apresentada à fiscalização durante o procedimento fiscal, apurouse que a recorrente omitiu receitas descritas em Notas Fiscais de Prestação de Serviços, além de ter omitido as receitas apuradas em depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas). Destes fatos, decorreu, primeiramente, a lavratura do Auto de Infração relativo ao IRPJ e reflexos (processo nº 19515.003387/201064). Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Ocorre que, da análise dos extratos bancários fornecidos, durante todo o ano calendário de 2006, foram identificados também lançamentos a débito na conta Unibanco – Ag 7335 – c/c 1046955 com o histórico “PGTO SALÁRIOS”, apesar de não haver empregados na empresa, conforme consulta aos dados constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Como a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, a recorrente foi intimada a esclarecer qual o motivo dos pagamentos, a que título eram pagos e os beneficiários, sendo informado que se tratava de transferências feitas aos sócios a título de distribuição de lucros, não sendo possível, entretanto, a identificação dos valores pagos a cada beneficiário. Como a recorrente entregou a DIPJ com opção de tributação pelo Lucro Presumido, mas com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições, comparouse o valor do lucro presumido calculado com base na Receita Apurada e os valores pagos aos sócios, identificados nos extratos bancários. De tal cotejamento, apurouse que a recorrente distribuiu lucro acima do valor permitido. Como a recorrente não apresentou escrituração contábil, que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido, os valores pagos acima deste limite foram considerados como pagamento de remuneração a contribuintes individuais – sócios da empresa, a título de “pro labore”, pelo serviço prestado à empresa (art. 201, § 5°, do RPS/99). Importante consignar que as remunerações foram apuradas por aferição indireta, com base no artigo 33, §§ 3 º e 6º, diante da impossibilidade de identificação dos valores pagos a cada sócio, e considerandose que a movimentação financeira não estava integralmente escriturada no Livro Caixa, e que não foram apresentados todos os contratos e aditivos com a vinculação do sócio que efetivamente prestou o serviço. Em seu recurso, a recorrente aduz que teria submetido seus resultados econômicos ao regime de tributação com base no lucro presumido (artigo 516 e §§, do Decreto n° 3000/99), tendo observado as prescrições legais contidas no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e as contidas no artigo 48 da Instrução Normativa n° 93/97, conforme exposto na impugnação interposta no processo administrativo n° 19515.003967/201051 e respaldado pelas demonstrações contábeis ali acostadas. Ora, a recorrente entregou a DIPJ 2007 (anocalendário 2006) com valores zerados nos rendimentos e na apuração dos tributos e contribuições. Como, então, pode ter observado as aludidas prescrições legais? É evidente que não respeito as normas aplicáveis. Ademais, é preciso considerar que não apresentou escrituração contábil que comprovasse que o lucro contábil apurado superava o limite permitido. Por tal razão, não há como se aceitar o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial levantados em 31 de dezembro de 2006. Como afirmado na decisão de primeira instância, somente com o exame da contabilidade da empresa é que se torna possível apurar se o lucro distribuído corresponde ao lucro efetivo da empresa. Também alega a recorrente que o fato de a empresa não ter empregados não conduz à conclusão de que a os valores recebidos pelos sócios que excederem ao montante do lucro presumido, sem comprovação de sua natureza, somente pode ser considerado como remuneração pelo trabalho prestado, jamais como remuneração do capital. Acrescenta que seria inexpressivo o fato de o contrato social disciplinar que os sócios teriam direito a uma retirada mensal de pro labore, pois tratase de direito disponível. Na realidade, estes argumentos do decisório de primeira instância mostramse apenas como alegações adicionais, a reforçar o procedimento de aferição indireta e a demonstrar a obscuridade dos procedimentos adotados pela recorrente. Ao final, apenas atestam a esdrúxula situação da empresa não ter nenhuma espécie de mão de obra remunerada Fl. 515DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003962/201029 Acórdão n.º 2302002.846 S2C3T2 Fl. 512 9 e o não cumprimento das disposições societárias que estabelecem a remuneração dos sócios pelos serviços prestados. O fato que, verdadeiramente, importa destacar é apenas um: não foi comprovada a existência de lucro contábil acima do lucro apurado na sistemática do lucro presumido, razão pela qual foram tributados os valores pagos acima deste limite (reajustados nos termos do art. 725 do RIR/99, aprovado Decreto n° 3.000/99). Vejamos a apuração discriminada no Relatório Fiscal: Como visto, são claros e acertados os critérios utilizados pela autoridade fiscal, não remanescendo nenhuma dúvida quanto à legitimidade do lançamento. Nesse sentido, já se posicionou a CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB, conforme se depreende da Solução de Consulta nº 76/2010: Solução de Consulta nº 76, de 3 de setembro de 2010 ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: SOCIEDADE EMPRESÁRIA. LUCRO DISTRIBUÍDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores pagos aos sócios de sociedade empresária a título de lucro ou de antecipação de lucro não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária se houver escrituração contábil regular por meio dos livros Diário e Razão, com discriminação da remuneração decorrente do trabalho e da proveniente do capital social, independentemente do regime de tributação adotado pelo contribuinte. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição Federal, art. 195, I, "a"; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048/1999, art. 201, §§ 1º e 5º, art. 225, II e § 13; Instrução Normativa RFB Nº 971/ 2009, art. 57, II, e §§ 5º e 6º. (destaques nossos) Portanto, concluise que razão nenhuma assiste à recorrente. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Protesto por provas. A recorrente, quanto ao protesto feito na impugnação por diligência, perícia e juntada de novos documentos, discorda da fundamentação da decisão de primeira instância, aduzindo que, caso se mostrem necessárias, nos termos da Lei n° 9.784/99, devem ser deferidas. Primeiramente, devese ressaltar que a recorrente não especifica qual prova pretenderia produzir. Portanto, a divagação mostrase meramente teórica, sem qualquer efeito prático, até porque nenhum documento foi carreado aos autos junto ou após a apresentação do Recurso Voluntário. Quanto ao acórdão a quo, o decisório restringiuse a ressaltar que a produção de provas deve atender ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, que já contempla o princípio da verdade material, excepcionando as situações em que a prova documental deve ser apreciada, mesmo tendo sido apresentada após a impugnação. Sendo assim, seja porque a argumentação da recorrente está despida de qualquer repercussão concreta, seja porque o decisório, sem analisar qualquer situação fática, limitouse a apontar a regra jurídica aplicável à situação hipotética, o inconformismo da recorrente deve ser rechaçado. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Juros Moratórios. Suspensão da Exigibilidade. A recorrente pleiteia ainda seja suspensa a exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e o julgamento do feito fiscal. A respeito do tema cumpre citar a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, da mesma forma, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003962/201029 Acórdão n.º 2302002.846 S2C3T2 Fl. 513 11 Multas. Direito Intertemporal. Impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; Fl. 518DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003962/201029 Acórdão n.º 2302002.846 S2C3T2 Fl. 514 13 Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que se aplicae a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 520DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Sendo assim, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente seria mais benéfica (multa de ofício de 75%) em algumas competências. Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo, à multa pelo descumprimento de obrigação principal, ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 521DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.003962/201029 Acórdão n.º 2302002.846 S2C3T2 Fl. 515 15 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10680.721363/2012-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
INÉPCIA DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL.
É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva.
Numero da decisão: 3803-004.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua inépcia.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL. É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua inépcia. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 13 63 /2 01 2- 76 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721363/201276 Acórdão n.º 3803004.613 S3TE03 Fl. 92 2 Conforme consta do despacho de fl. 90, os presentes autos foram formalizados para fins de julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG proferida no âmbito do processo administrativo nº 10680.933052/200952, processo esse encerrado no sistema da Receita Federal em razão do reconhecimento integral do direito creditório ali analisado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DComp), nº 14595.75869.080409.1.7.041606, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 7.691,08, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DComp já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, que exercera o seu direito, assegurado por lei, de compensar os créditos apurados em sua contabilidade, não podendo a falta de retificação da DCTF e das demais obrigações tributárias ser motivo de indeferimento da restituição do indébito devidamente demonstrado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do DARF e do despacho decisório. A DRJ Belo Horizonte/MG julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, com o reconhecimento do direito creditório, em razão do fato de que, diferentemente do alegado pelo contribuinte, ele havia, sim, retificado a DCTF, no prazo legal, tendo declarado um débito equivalente ao informado no Dacon, débito esse que, confrontado com o montante recolhido, indicaria a existência de saldo credor no valor original de R$ 8.416,78, tudo em conformidade com o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 2008. Ressaltou o julgador de piso que, naquele momento, não se procedera à análise de outros PER/DComps em que, eventualmente, se estivesse pleiteando a utilização do mesmo crédito, cabendo à repartição de origem a operacionalização da homologação da compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Termo de Ciência e Notificação (fl. 28) enviado ao contribuinte, o crédito total reconhecido neste processo não havia sido suficiente para compensar o débito informado neste processo e aqueles declarados nos PER/DComp nº 19719.00876.080409.1.7.042032 e 25387.88962.080409.1.7.048603. O agente fiscal destacou que o contribuinte, se fosse o caso, poderia recorrer ao CARF no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do referido termo. Cientificado do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG em 17 de fevereiro de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15 de março do mesmo ano e requereu a reforma da decisão de primeira instância, com a homologação total da compensação declarada, argumentado que, na decisão atacada, não se teria reconhecido a DCTF retificadora, em flagrante confronto às disposições da Instrução Normativa RFB nº 903, de 2008, da Lei nº 9.430, de 1996, e do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721363/201276 Acórdão n.º 3803004.613 S3TE03 Fl. 93 3 Argumentou o Recorrente que, neste processo, diferentemente do alegado pelo julgador de piso, não se procedera ao tratamento manual e individualizado da declaração de compensação, o que violaria o princípio da isonomia, com indevido tratamento privilegiado da Fazenda Pública, em desfavor do contribuinte, dado o não reconhecimento da retificação de suas obrigações tributárias. Junto à peça recursal, o contribuinte trouxe aos autos, além das cópias que já haviam sido apresentadas na primeira instância, cópias do acórdão recorrido, da DCTF retificadora e do Dacon retificador. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão das questões a seguir abordadas. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu a totalidade do direito creditório declarado pelo contribuinte neste processo, tendo se fundamentado nas retificações da DCTF e do Dacon, ambas efetuadas no prazo legal, não obstante o então Manifestante ter afirmado, peremptoriamente, a inocorrência dessas mesmas retificações. Constou expressamente da decisão recorrida que, no momento do julgamento, não se procedera à análise de outros PER/DComps em que, eventualmente, se estivesse pleiteando a utilização do mesmo crédito, verificação essa que caberia à repartição de origem no momento da operacionalização da homologação da compensação, até o limite do direito creditório reconhecido. Verificase que a decisão da Delegacia de Julgamento configurouse ilíquida, pois que, expressamente, condicionou a execução do acórdão à verificação de existência de outras declarações de compensação envolvendo o mesmo direito creditório, tarefa essa necessária ao aperfeiçoamento da decisão da Delegacia de Julgamento. De acordo com o Termo de Ciência e Notificação (fl. 28), o contribuinte foi informado que o saldo creditório reconhecido pela Delegacia de Julgamento não teria sido suficiente para homologar totalmente a compensação declarada em razão da existência de outros PER/DComps, de nº 19719.00876.080409.1.7.042032 e 25387.88962.080409.1.7.04 8603, em que o mesmo crédito havia sido pleiteado para quitar outros débitos de sua titularidade. Contudo, no Recurso Voluntário, ao invés de se contrapor à decisão da repartição de origem que, na execução do acórdão da Delegacia de Julgamento, homologou apenas parcialmente a compensação declarada, o contribuinte passa a se insurgir quanto a um alegado não reconhecimento da DCTF retificadora por parte do julgador de piso, alegação essa totalmente desvinculada da realidade fática dos autos, pois foi o mesmo relator, e não o contribuinte, que trouxe aos autos a informação acerca da existência de DCTF e Dacon retificadores. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721363/201276 Acórdão n.º 3803004.613 S3TE03 Fl. 94 4 Alega o Recorrente, expressamente, que a Delegacia de Julgamento indeferira a sua solicitação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, afirmação essa totalmente alheia ao conteúdo da decisão recorrida. Confrontandose o teor da DCTF retificadora com a decisão recorrida, constatase que os valores indicados pelo relator de primeira instância coincidem com aqueles retificados, não se justificando as alegações de não reconhecimento da retificação e de indeferimento do pedido. O Recorrente não faz qualquer referência aos outros processos administrativos em que o mesmo crédito fora declarado, pautando sua defesa no alegado não reconhecimento das retificações da DCTF e do Dacon, alegações essas, conforme já dito, totalmente opostas ao que havia sido arguido na Manifestação de Inconformidade, quando a sua defesa se centrara na inexigibilidade de retificação das declarações para fins de deferimento do indébito. Notase que o Recorrente, ao mesmo tempo em que inova em relação a sua defesa, contrariando a regra prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19721, argui questões alheias aos fatos presentes nos autos e, o que é pior, não refuta o elemento central que restou controvertido, qual seja, o fundamento fático que ensejou a homologação apenas parcial da compensação declarada, evidenciandose ausência de contestação ou, em outros termos, ausência de lide, o que torna o processo definitivamente julgado. Nesse contexto, temse por configurada a ausência de dialeticidade recursal, não se encontrando expostos, de forma clara e objetiva, os motivos da contrariedade e a necessidade de reforma da decisão atacada, o que inviabiliza o conhecimento do recurso. Segundo Humberto Theodoro Júnior, “[pelo] princípio da dialeticidade exige se que todo recurso seja formulado por meio de petição na qual a parte, não apenas manifeste sua inconformidade com o ato judicial impugnado, mas, também e necessariamente, indique os motivos de fato e direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada” 2. E acrescento eu, motivos de fato e direito que encontrem respaldo nos dados e documentos presentes nos autos. Com base no teor do inciso II do parágrafo único do art. 295 do Código de Processo Civil, é possível constatar que se considera inepto o pedido em que da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão. Nos presentes autos, a questão que restou em aberto após a decisão de primeira instância, reafirmese, foi somente a execução do acórdão por parte da repartição de origem no sentido de homologar apenas parcialmente a compensação declarada, em razão da existência de outro processo em que o mesmo crédito havia sido informado, fato esse não abordado, nem de longe, pelo Recorrente. O pedido de reforma da decisão de primeira instância, também, evidencia o desencontro dos argumentos aduzidos pelo Recorrente em relação à realidade dos autos, uma 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 THEODORO JÚNIOR, Humberto. O processo civil brasileiro no limiar do novo século. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 169. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721363/201276 Acórdão n.º 3803004.613 S3TE03 Fl. 95 5 vez que a DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu totalmente o direito creditório pleiteado, nada havendo em sua decisão que desfavoreça o Recorrente, muito pelo contrário. A despeito do desconhecimento externado pelo então Manifestante quanto à retificação de suas declarações, foi a autoridade julgadora que trouxe esse dado aos autos, frise se, dado esse fundamental à decisão então tomada. Não fosse a pesquisa efetuada pelo relator de piso nos sistemas internos da Receita Federal, o encaminhamento deste processo teria sido outro, muito provavelmente o indeferimento da totalidade do direito creditório por ausência de prova do indébito reclamado, uma vez que nenhum elemento de prova foi trazido aos autos para comprovar a existência do alegado pagamento a maior. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, em razão de sua inépcia. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10830.001565/00-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
Repetição de Indébito. Prazo Prescricional.
O STF já se pronunciou, em sistema de repercussão geral, no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos para reaver indébitos tributários, imposto pela LC 118, de 2005, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. As ações de repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizadas antes da vigência da LC n º 118, de 2005, se submetem ao prazo prescricional de 10 anos.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Portaria MF nº. 256, de 2009 - Regimento Interno do CARF - Art. 62-A)
Numero da decisão: 1801-001.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. instância, para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Gilberto Baptista, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 Repetição de Indébito. Prazo Prescricional. O STF já se pronunciou, em sistema de repercussão geral, no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos para reaver indébitos tributários, imposto pela LC 118, de 2005, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. As ações de repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizadas antes da vigência da LC n º 118, de 2005, se submetem ao prazo prescricional de 10 anos. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Portaria MF nº. 256, de 2009 - Regimento Interno do CARF - Art. 62-A)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. O STF já se pronunciou, em sistema de repercussão geral, no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos para reaver indébitos tributários, imposto pela LC 118, de 2005, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. As ações de repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizadas antes da vigência da LC n º 118, de 2005, se submetem ao prazo prescricional de 10 anos. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Portaria MF nº. 256, de 2009 Regimento Interno do CARF Art. 62A) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. instância, para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 15 65 /0 0- 13 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Gilberto Baptista, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP que, por unanimidade de votos, rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra indeferimento de pedidos de restituição da Contribuição para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, e do Imposto sobre o Lucro Líquido ILL, atrelados a pedidos de compensação com débitos das contribuições para o Programa de Integração Social – PIS, e para o financiamento da Seguridade Social Cofins. O pedido da interessada, referese à parcela da contribuição ao Finsocial recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento), no período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992, e ao ILL dos exercício de 1991 e 1992 (fls.05/15). O órgão de origem indeferiu o pedido (fls. 51/52), sob a alegação de que o direito de o contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito estaria decaído, pois considerou que o prazo para repetição de indébitos relativos a tributos ou contribuições pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no exercício do controle difuso de constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF n.° 96, de 26 de novembro de 1999. A interessada, em sua impugnação, defendeuse afirmando que o prazo para repetição de indébito passaria a correr do momento em que o pagamento se tornou indevido, pela declaração de inconstitucionalidade, pela edição de Resolução do Senado Federal ou ato do Poder Executivo ou Legislativo, dispensando a constituição do crédito tributário, que, no presente caso, se deu a partir da edição da MP 1.110, de 30/08/95. Salientou que a extinção do crédito tributário operarseia com a homologação do lançamento, o que na prática resultaria num prazo de 10 (dez) anos: 05 para a homologação tácita e mais 05 para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Defendeu a ilegalidade do Ato Declaratório SRF 96/99, por defeito de motivo e objeto, afrontando os princípios da publicidade, igualdade, legalidade e moralidade, devendo, assim, prevalecer o entendimento do Parecer Cosit 58/98. A 5a. Turma da DRJ em Campinas julgou improcedente a impugnação. Ponderou, aquela turma, que não sendo a interessada parte em processo administrativo ou judicial tempestivamente instaurado que lhe daria o direito, conforme art. 165, III, c/c 168, II, ambos do CTN, a pleitear a restituição no prazo de cinco anos contados da decisão definitiva, administrativa ou judicial, incidiria a regra do art. 168, I, c/c art. 165, I, do mesmo CTN, que fixa o prazo de cinco anos para o pedido de restituição a contar da extinção do crédito tributário. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.001565/0013 Acórdão n.º 1801001.819 S1TE01 Fl. 3 3 Consignou, ainda, que o entendimento daqueles que somam os prazos dos artigos 150 e 168 do CTN ou mesmo sustentam que o início de sua contagem darseia após a declaração de inconstitucionalidade, apresentarseia contrário à disposição legal e à interpretação firmada sobre o assunto pelo STF. Notificada da decisão a interessada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual reproduziu as razões de defesa deduzidas na impugnação. O recurso voluntário foi julgado pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, ocasião em que foi proferido o Acórdão 30131.442, de 14 de setembro de 2004 da lavra do conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, através do qual os membros da Primeira Câmara enfrentaram a matéria relativa ao pedido de restituição do Finsocial mas quedaramse silentes quanto à restituição do ILL. Posteriormente ao julgamento do recurso especial de divergência manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a repartição de origem, no despacho de folha 203, devolveu os autos para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Pelo Acórdão n º 310100.694, a 1a. Turma Ordinária / 3a. Câmara / 3a. Seção do CARF, declinou a competência do julgamento do recurso em favor da 1a. Seção. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Tendo em conta que as razões recursais de defesa relativas ao pedido de restituição do Finsocial já foram analisadas e providas pelo Acórdão 30131.442, de 14 de setembro de 2004, do então Terceiro Conselho de Contribuintes, que afastou a prescrição e determinou a apreciação do mérito pela Turma de Julgamento de 1a. instância, o presente voto restringirseá a apreciar as razões de defesa no tocante à prescrição do pedido de repetição de indébito de ILL. Nesse sentido cumpre observar que o STF já se pronunciou, em sistema de repercussão geral, no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos para reaver indébitos tributários imposto pela LC 118, de 2005, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, a saber: RE 566.621/RS – Rio Grande do Sul – Recurso Extraordinário. Relator(a): Min. Ellen Gracie. Julgamento: 04/08/2011 – Transito em Julgado em 17/11/2011. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Por esse entendimento, o prazo prescricional de 5 anos somente atinge repetições de indébitos discutidas em ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. As ações de repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizadas antes da vigência da LC n º 118, de 2005, como é o caso sob apreciação, se submetem ao prazo prescricional de 10 anos. E o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, assim determina: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.001565/0013 Acórdão n.º 1801001.819 S1TE01 Fl. 4 5 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso sob apreciação a interessada efetuou os recolhimentos do alegado indébito de ILL em abril de 1991 e março de 1992 (fl. 5). De acordo com o entendimento do STF o prazo prescricional para a repetição do indébito de ILL se esgotaria em março 2002. Dessa forma o Pedido de Restituição cumulado com Compensação protocolizado em 10/02/2002, foi apresentado dentro do prazo prescricional de 10 anos. Nesse sentido devo me submeter ao que determina o art. 62A do RICARF, curvandome ao entendimento proposto no RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº. 566.621/RS, para afastar a declaração de prescrição do pedido de repetição de indébito de ILL reclamado nos presentes autos. Em vista do exposto voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma de Julgadora de 1a. instância, para analisar o mérito dos pedidos de repetição de indébito cumulados com compensação de FINSOCIAL e de ILL. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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