Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
4705519 #
Numero do processo: 13412.000095/99-10
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003
Ementa: LANÇAMENTO – NULIDADE - Não há que se falar em nulidade do lançamento por falta de motivação quando a descrição do fato dá conta da conduta contrária a lei. MULTA ISOLADA – FALTA DE APRESENTAÇÃO DE BALANCETES DE REDUÇÃO OU SUSPENSÃO – Nos termos do inciso IV do § 1o do art. 44 da Lei 9430/96, deve ser aplicada a multa de 75% se não for efetuado o recolhimento por estimativa diante da inexistência de balancetes de suspensão ou redução. TAXA SELIC – LEGITIMIDADE – A taxa de juros denominada SELIC, por ter sido estabelecida por lei, está de acordo com o art. 161, § 1o, do CTN, sendo portanto válida no ordenamento jurídico. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso negado.
Numero da decisão: 108-07.345
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Henrique Longo

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200304

ementa_s : LANÇAMENTO – NULIDADE - Não há que se falar em nulidade do lançamento por falta de motivação quando a descrição do fato dá conta da conduta contrária a lei. MULTA ISOLADA – FALTA DE APRESENTAÇÃO DE BALANCETES DE REDUÇÃO OU SUSPENSÃO – Nos termos do inciso IV do § 1o do art. 44 da Lei 9430/96, deve ser aplicada a multa de 75% se não for efetuado o recolhimento por estimativa diante da inexistência de balancetes de suspensão ou redução. TAXA SELIC – LEGITIMIDADE – A taxa de juros denominada SELIC, por ter sido estabelecida por lei, está de acordo com o art. 161, § 1o, do CTN, sendo portanto válida no ordenamento jurídico. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso negado.

turma_s : Oitava Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003

numero_processo_s : 13412.000095/99-10

anomes_publicacao_s : 200304

conteudo_id_s : 4216731

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 108-07.345

nome_arquivo_s : 10807345_132116_134120000959910_009.PDF

ano_publicacao_s : 2003

nome_relator_s : José Henrique Longo

nome_arquivo_pdf_s : 134120000959910_4216731.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003

id : 4705519

ano_sessao_s : 2003

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:28:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272636563456

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-31T19:16:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-31T19:16:51Z; Last-Modified: 2009-08-31T19:16:51Z; dcterms:modified: 2009-08-31T19:16:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-31T19:16:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-31T19:16:51Z; meta:save-date: 2009-08-31T19:16:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-31T19:16:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-31T19:16:51Z; created: 2009-08-31T19:16:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-08-31T19:16:51Z; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-31T19:16:51Z | Conteúdo => ,;440.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ekciat›,St. OITAVA CÂMARA Processo n° :13412.000095/99-10 Recurso n° :132.116 Matéria : CSL — Exs.: 1998 a 2000 Recorrente : DISBESAL — DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SALGUEIRENSE LTDA. Recorrida : DRJ — RECIFE/PE Sessão de : 16 de abril de 2003 Acórdão n° :108-07.345 LANÇAMENTO — NULIDADE - Não há que se falar em nulidade • do lançamento por falta de motivação quando a descrição do fato dá conta da conduta contrária a lei. MULTA ISOLADA — FALTA DE APRESENTAÇÃO DE BALANCETES DE REDUÇÃO OU SUSPENSÃO — Nos termos do inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei 9430/96, deve ser aplicada a multa de 75% se não for efetuado o recolhimento por estimativa diante da inexistência de balancetes de suspensão ou redução. TAXA SELIC — LEGITIMIDADE — A taxa de juros denominada SELIC, por ter sido estabelecida por lei, está de acordo com o art. 161, § 1°, do CTN, sendo portanto válida no ordenamento jurídico. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por DISBESAL — DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SALGUEIRENSE LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MAN• EL ANTONIO GADELHA DIAS ;ia DA TE $ w -Nir dIJ" E LO GO Processo n° : 13412.000095/99-10 Acórdão n° : 108-07.345 FORMALIZADO EM: 1 6 MAI 2003 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LOSS° FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, TÂNIA KOETZ MOREIRA, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Q4 4401 2 Processo n° : 13412.000095/99-10 Acórdão n° : 108-07.345 Recurso n° : 132.116 Recorrente : DISBESAL - DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SALGUEIRENSE LTDA. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado para exigência de multa isolada de 75%, em decorrência da constatação de falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL devida sobre as bases de cálculos estimadas no período de fevereiro de 1997 a dezembro de 1998 (fls. 02/09). A DRJ em RECIFE julgou procedente o lançamento (fls. 96/100), com a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE FISCAL. A atividade administrativa de lançamento é vinculada à lei, devendo ser obrigatoriamente obedecida, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA ISOLADA. CSLL NÃO RECOLHIDA NO ANO-CALENDÁRIO. Cabe a exigência da multa de oficio de 75%, isoladamente, à pessoa jurídica sujeita ao pagamento da Contribuição social sobre o Lucro Líquido, por estimativa, que deixar de fazê-lo no ano-calendário correspondente. 3 Mita Processo n° : 13412.000095/99-10 Acórdão n° : 108-07.345 Inconformada, a autuada apresentou recurso voluntário (fls. 107/116), mediante os seguintes argumentos: a) o auto de infração é nulo, pois não foram expostas com clareza as razões que ensejaram a cobrança do tributo; b) o critério utilizado para o cálculo dos débitos apresentados no auto de infração é irregular, inexato e arbitrário, não refletindo os valores reais envolvidos nas operações; c) a lei ordinária não pode estabelecer taxa de juros superiores a 1% ao mês, a teor do que dispõe o art. 161, §1° do CTN; e d) a taxa SELIC é inconstitucional, devendo ser afastada como acréscimo legal incidente sobre o montante do crédito consolidado, determinando-se a contagem de juros simples de 1% ao mês. Consta às fls. 127/132 cópia da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.83.08.001121-1, em que o Juizo da 8' Vara Federal em Petrolina/PE determinou o recebimento do recurso voluntário, independentemente de depósito recursal. É o Relatório. 4 Processo n° :13412.000095/99-10 Acórdão n° : 108-07.345 VOTO Conselheiro JOSÉ HENRIQUE LONGO, Relator. Conheço do recurso, uma vez que estão presentes os pressupostos previstos em lei. Primeiramente, cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto argüida pela recorrente, suportada na falta de motivação do ato administrativo. Com efeito, a razão que levou a fiscalização a aplicar a multa isolada de 75% foi claramente descrita no auto, qual seja, falta de recolhimento dos valores devidos a título de CSLL sobre a bases de cálculos estimadas relativas aos anos-calendários de 1997 e 1998, considerando que a recorrente apurou os seus resultados na modalidade de Lucro Real Anual. Demais disso, como bem salientou a DRJ de Recife, a ação fiscal iniciou-se com o procedimento de auditoria de arrecadação, por meio da qual foi devidamente apurada a infração imputada à ora recorrente, em obediência ao disposto no art. 142, do CTN. Em relação ao mérito, não vejo também como acolher os argumentos trazidos pela recorrente para afastar a exigência do crédito tributário em questão. gse9, ÁgtAt" Processo n° :13412.000095/99-10 Acórdão n° :108-07.345 A recorrente diz não concordar com o critério para o cálculo dos débitos, porém não demonstra objetivamente o motivo pelo qual entende que a cobrança em questão é arbitrária. Ou seja, a recorrente aponta eventuais inexatidões do Fisco, porém não arca com o ônus de prová-las. Paulo Celso Bonilha bem estudou o assunto relativo ao encargo da prova e assim se manifesta: "A necessidade de convencer a autoridade julgadora da procedência de suas afirmações e pretensões constitui, para a parte interessada, o encargo da prova. É o chamado ônus da prova ('onus probandi'). No âmbito do processo tributário, o tema reveste-se de complexidade, uma vez que o autor (contribuinte), embora tome iniciativa de agir, está na contingência de comprovar, desde a inicial, suas alegações, pois o Fisco opõe-lhe a cobrança, fundado em prévia comprovação da existência dos pressupostos que a autorizariam. Embora réu virtual, o Fisco já produziu sua prova ('instrução primária')." E arremata: "A regra processual do ônus da prova, portanto, decorre do interesse da parte na afirmação do fato e na prova de sua existência".(Contraditório e Provas no Processo Administrativo Tributário, in Processo Administrativo Fiscal, Ed. Dialética, 1995, págs. 131/2) Ora, não há mais o que provar pelo Fisco. Prova a produzir teria a empresa para afastar a aplicação da multa em decorrência da falta de recolhimento da CSLL sobre as bases de cálculo estimadas.p Ad 6 Ark Processo n° :13412.000095/99-10 Acórdão n° :108-07.345 Em relação à alegação de inconstitucionalidade da cobrança de juros moratórios em percentual superior a 12% ao ano, nada há que acrescentar à decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (n° 4-7 de 7.03.1991). Como é de notório conhecimento, o órgão responsável pela guarda da Constituição Federal brasileira, o STF, já decidiu que a aplicação de juros moratórias acima de 12% ao ano não ofende a Carta Magna, pois, seu dispositivo que limita o instituto ainda depende de regulamentação para ser aplicado. Veja-se a jurisprudência firmada sobre essa questão: "DIREITO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE INJUNÇÃO. TAXA DE JUROS REAIS: LIMITE DE 12% AO ANO. ARTIGOS 5°, INCISO LXXI, E 192, § 3°, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. Em face do que ficou decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI n° 4, o limite de 12% ao ano, previsto, para os juros reais, pelo § 3° do art. 192 da Constituição Federal, depende da aprovação da Lei Complementar regulamentadora do Sistema Financeiro Nacional, a que se referem o "caput" e seus incisos do mesmo dispositivo..." (STF pleno, MI 490/SP). Ademais, o Código Tributário Nacional prevê que os juros moratórias serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1°). No caso, a lei (MP 1.621) dispôs de modo diverso, devendo, pois, prevalecer. Note-se que a mesma questão de direito ora em análise foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal em Ação Direta de Inconstitucionalidade (n° 493-0), que versava sobre a inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Referencial - TR. Agi 7 Processo n° : 13412.000095/99-10 Acórdão n° : 108-07.345 Nos autos da ADIN, a Corte Suprema afastou a utilização do referido indexador como fator de correção monetária, por entender que a TR não refletia a real variação do poder aquisitivo da moeda, mas as variações do custo primário da captação dos depósitos a prazo fixo. Ou seja, a TR indicava percentuais mais elevados que a verdadeira inflação do período. Entretanto, nenhum argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade foi aceito em relação à sua incidência como juros de mora, que limitou-se, é claro, ao período de agosto a dezembro de 1991, como reconhece a própria Secretaria da Receita Federal (IN 32/97). As decisões judiciais confirmam o entendimento: "(...) VI - O art. 30 da Lei n. 8.218, de 29 de agosto de 1991, teve a TRD como juros de mora, alterando, desse modo, o art. 90 da Lei 8.177, de 1 de março de 1991. Como juros de mora, nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade há. O que não se pode é aplicar a TR como fator de correção. Assim decidiu o Supremo, em liminar, ao julgar a ADIn n° 493-0, Relator Ministro Carlos Mario Velloso." (3a T. do TRF da 1 a R., AC 96.0140691MG, DJU 17.02.1997, pág. 6661, grifou-se). Assim, na esteira do entendimento do Supremo Tribunal Federal, concluo que não há qualquer irregularidade no cálculo dos juros de mora efetuado pelo AFTN autuante. Por fim, quanto à questão dos autos propriamente dita, consistente na exigência de multa isolada de 75% em razão da falta de recolhimento da contribuição social sobre as bases de cálculo estimadas, entendo que a pretensão fiscal está plenamente justificada. Restando constatada pelo Fisco a falta do pagamento da CSLL, sem que a recorrente tenha demonstrado, através de balanço ou balancete de suspensão ou redução, não mais estar sujeita ao seu pagamento, fica 8 /1141, 11‘ ' • . Processo n° : 13412.000095/99-10 Acórdão n° : 108-07.345 submetido o infrator à multa isolada prevista no inciso IV, parágrafo 1°, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. Em face do exposto, afasto as preliminares e nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 16 de abril de 2003. All I 9 gai ‘ gift Je- N -•, O O 9 ‘s\ , Page 1 _0039000.PDF Page 1 _0039100.PDF Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1

score : 1.0
4705458 #
Numero do processo: 13411.000011/96-61
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. EXERCÍCIO DE 1994. NULIDADE. Não acarretam nulidade os vícios sanáveis e que não influem na solução do litígio (artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72). EMPRESA PÚBLICA. Nos termos do artigo 137, parágrafos 1º e 2º da Constituição Federal de 1988, as empresas públicas estão submissas a modelo disposto no direito privado, não podendo gozar de privilégios fiscais não extensivos àquelas do setor privado. RETIFICAÇÃO DE DADOS CADASTRAIS. A retificação de dados cadastrais só pode ser efetivada pela autoridade julgadora se e quando comprovado, por instrumentos idôneos e previstos na legislação de regência, que os dados anteriormente declarados não refletiam a realidade do imóvel. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.
Numero da decisão: 302-35.393
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento, argüida pelo Conselheiro Luis Antonio Flora, vencido também, o Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200212

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. EXERCÍCIO DE 1994. NULIDADE. Não acarretam nulidade os vícios sanáveis e que não influem na solução do litígio (artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72). EMPRESA PÚBLICA. Nos termos do artigo 137, parágrafos 1º e 2º da Constituição Federal de 1988, as empresas públicas estão submissas a modelo disposto no direito privado, não podendo gozar de privilégios fiscais não extensivos àquelas do setor privado. RETIFICAÇÃO DE DADOS CADASTRAIS. A retificação de dados cadastrais só pode ser efetivada pela autoridade julgadora se e quando comprovado, por instrumentos idôneos e previstos na legislação de regência, que os dados anteriormente declarados não refletiam a realidade do imóvel. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2002

numero_processo_s : 13411.000011/96-61

anomes_publicacao_s : 200212

conteudo_id_s : 4267067

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 22 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 302-35.393

nome_arquivo_s : 30235393_123341_134110000119661_015.PDF

ano_publicacao_s : 2002

nome_relator_s : ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO

nome_arquivo_pdf_s : 134110000119661_4267067.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento, argüida pelo Conselheiro Luis Antonio Flora, vencido também, o Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2002

id : 4705458

ano_sessao_s : 2002

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:28:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272639709184

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T00:28:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T00:28:50Z; Last-Modified: 2009-08-07T00:28:50Z; dcterms:modified: 2009-08-07T00:28:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T00:28:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T00:28:50Z; meta:save-date: 2009-08-07T00:28:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T00:28:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T00:28:50Z; created: 2009-08-07T00:28:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2009-08-07T00:28:50Z; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T00:28:50Z | Conteúdo => 1 4;tega MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA PROCESSO N° : 13411.000011/96-61 SESSÃO DE : 06 de dezembro de 2002 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 RECURSO N' : 123.341 RECORRENTE CODEVASF CIA. DE DESENVOLVIMENTO DO VALE DO SÃO FRANCISCO RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR. EXERCÍCIO DE 1994. NULIDADE • Não acarretam nulidade os vícios sanáveis e que não influem na solução do litígio (artigos 59 e 60 do Decreto 70.235t72). EMPRESA PÚBLICA. Nos termos do artigo 137, parágrafos 1° e 2° da Constituição Federal de 1988, as empresas públicas estão submissas a modelo disposto no direito privado, não podendo gozar de privilégios fiscais não extensivos àquelas do setor privado. RETIFICAÇÃO DE DADOS CADASTRAIS. A retificação de dados cadastrais só pode ser efetivada pela autoridade julgadora se e quando comprovado, por instrumentos idôneos e previstos na legislação de regência, que os dados anteriormente declarados não refletiam a realidade do imóvel. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento, argüida pelo Conselheiro Luis Antonio Flora, vencido também, o Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao • recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 06 de dezembro de 2002 HENRIQ RADO MEGDA Presidente free6t.>-ettar ELIZABETH EMILIO DE MORAES CHIEREGATTO Relatora 06 MAI 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MARIA HELENA COTIA CARDOZO e WALBER JOSÉ DA SILVA. Ausentes os Conselheiros PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e SIDNEY FERREIRA BATALHA. unc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 RECORRENTE : CODEVASF CIA. DE DESENVOLVIMENTO DO VALE DO SÃO FRANCISCO RECORRIDA : DM/RECIFE/PE RELATOR(A) : ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO RELATÓRIO Trata o presente processo de retorno de diligência. Para relembrar meus I. Pares os fatos ocorridos, transcrevo o relatório feito em Sessão realizada aos 19 de outubro de 2001, bem como o voto que proferi, o qual, acolhido por unanimidade dos membros desta Câmara, resultaram na Resolução N° 302-1.034. "Relatório CODEVASF - COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO DO VALE DO SÃO FRANCISCO foi notificada e intimada a recolher o ITR/94 e contribuições acessórias (fls. 12), no valor total de 319.148,33 UFIR, incidentes sobre a propriedade do imóvel rural denominado "Km 25 EXTENSÃO DO PROJETO S. N. COELHO", localizado no município de Petrolina/PE, com área total de 139.965,5 hectares, cadastrado na SRF sob o número 4024033-9. Dentro do prazo legal, foi apresentada Solicitação de Retificação de Lançamento — SRL (fls. 08), datada de 19/09/95 (a data de emissão 4111 da Notificação era 07/07/95 e a data de vencimento 31/08/95), alegando erro na transcrição do VTN, conforme laudo apresentado. Especificamente, o contribuinte indicou que a área foi informada erroneamente, quando foram colocadas duas casas decimais após a vírgula (área correta: 13.996,5 hectares). O Chefe da SASIT da DRF em Caruaru considerou procedente, em parte, a SRL, acatando a retificação da área mas negando a retificação do Valor da Terra Nua, por considerar o laudo apresentado insuficiente para o fim pretendido. Determinou, assim, a emissão da nova Notificação, o que foi feito (fls. 06), com a área correta de 13.996,5 hectares. O valor total exigido passou a ser 230.781,17 UFIR (data de emissão: 21/12/95; data de vencimento: 31/08/95). 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 Pela Carta n° 160, de 05/10/96 (fls. 18), o resultado da SRL foi comunicado ao contribuinte, sendo-lhe enviada a nova Notificação de Lançamento. Em 01/02/96, o Interessado impugnou esta nova Notificação, solicitando a retificação do alto valor do ITR/94 lançado, alegando erro no preenchimento da Declaração do ITR194, feita por pessoa não habilitada e juntando, como prova, o documento de fls. 14, "Laudo de Avaliação para 31/12/93", emitido pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, no qual consta como "observação": "valores de terra nua de acordo com aqueles • aprovados pela Decisão n° 169, de 10/06/92, da Diretoria Executiva da CODEVASF e utilizados para as negociações com os proprietários que venderam terras à CODEVASF". Juntou, ainda, cópia da Resolução CODEVASF n° 169 (fls. 15/16), que aprova o relatório referente à reavaliação de terras e benfeitorias a serem adquiridas no Projeto Senador Nilo Coelho — Áreas Adicionais em Petrolina - PE. (laudos de avaliação de 64 propriedades, que estipulam o preço de CR$ 250.000,00/ha de terra irrigável e CR$ 50.000,00/ha de terra de sequeiro, a preços de maio de 1992). Esta Resolução é datada de 10/06/1992. Em primeira instância administrativa, o lançamento foi julgado procedente, conforme Decisão DIU/Recife n° 1022/96 (fls. 28/29) cuja ementa apresenta o seguinte teor: "Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR. • RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Só é admissivel a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, antes de notificado o lançamento. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. A base de cálculo do Imposto Territorial Rural — ITR — é o Valor da Terra Nua — VTN constante da declaração anual apresentada pelo contribuinte." AÇÃO ADMINISTRATIVA PROCEDENTE. Em sua fundamentação, o Julgador singular ressaltou que a DITR/94 foi assinada pelo Sr. Superintendente da CODEVASF, não cabendo, assim, a alegação de pessoa não habilitada, conforme consta da inicial. frito le 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 Argumentou, ademais, que o § 1 0, do artigo 147, da Lei n° 5.172/66 dispõe que "retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação de erro em que se funde e antes de notificado o lançamento". Intimado da Decisão a quo, conforme AR às fls. 32, o contribuinte interpôs o "Recurso" de fls. 35, argumentando que "a impugnação pretendida refere-se à retificação do valor do imóvel e, consequentemente, do valor do ITR, por ser a área declarada formadora de um projeto público de irrigação adquirida para 411 assentamento de pequenos irrigantes e de pequenas e médias empresas. Ademais, há que se levar em consideração que a requerente é uma Empresa Pública Federal, que tem por objetivo promover o desenvolvimento da Região do Vale do São Francisco, utilizando, para tanto, de recursos públicos, sendo o seu Capital integralmente da União. No desempenho de suas funções, age a requerente em nome do Governo Federal com o objetivo de minorar o sofrimento da população do Vale do São Francisco, incrementando um sistema produtivo que possibilita o crescimento econômico e social da comunidade atingida". Juntou à peça de defesa: - Intimação n° 092/96 (referente à Decisão Singular) e DARF para recolhimento do débito (fls. 36/37), - Extrato do débito (fls. 38); - Cópia da Decisão de primeira instância administrativa (fls. 39/40); - Cópia da Notificação de Lançamento ITR/96 (fls. 41). - Cópia do "Quadro Demonstrativo de Empresas do KM 25 — Expansão do Projeto Senador Nilo Coelho — que já receberam as Escrituras Públicas de Compra e Venda devidamente assinadas e registradas" (fls. 42). O processo foi encaminhado à PFN-PE, por força do disposto na Portaria MF n° 180/96, tendo a mesma se manifestado às 45/46, pugnando pela integral manutenção da douta decisão recorrida. 4 fr://ed MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 Foi o processo enviado ao Segundo Conselho de Contribuintes, para julgamento. Em Sessão realizada aos 17/08/99, a E. Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes não tomou conhecimento do recurso interposto, por perempto (unanimidade de votos). Transcrevo o voto condutor do Acórdão, da lavra do D. Conselheiro Dr. TARÁSIO CAMPELO BORGES: Preliminarmente, entendo que o recurso foi apresentado a destempo. Em conformidade com o AR de fls. 32 e o carimbo de protocolo de fls. 35, respectivamente, a Interessada foi intimada da Decisão Recorrida em 26/11/96 (quinta feira), mas somente interpôs Recurso Voluntário em 02/01/97, três dias após o decurso do prazo consignado no caput do artigo 33, combinado com o artigo 5 0, ambos do Decreto n° 70.235/72. São essas as razões pelas quais não conheço do recurso, por perempto. Cientificado do Acórdão n° 202-11.398, do Segundo Conselho de Contribuintes, pela Intimação n° 121/2000 (fls. 59), o Superintendente Regional da Terceira Superintendência Regional da CODEVASF, Dr. Hildo Diniz da Silva, encaminhou correspondência à DRF em Petrolina/PE, requerendo fotocópias do Processo Administrativo ora em pauta. (Datada de 19/10/2000). Seu pleito foi atendido, conforme doc. às fls. 68. Em 07/11/2000, a CODEVASF protocolou na DRF em Petrolina o documento de fls. 70/74, acompanhado dos anexos de fls. 75/90, expondo o que se segue: 1) A Requerente tomou conhecimento da Decisão Recorrida em 28/11/96, uma quinta-feira, iniciando-se o cômputo de seu prazo recursal no dia 29/11/96, uma sexta-feira, sendo que o mesmo expiraria no 28/12/96, um sábado, logo automaticamente prorrogado para segunda-feira, dia 30/12/96. 2) Mexa documento, em fotocópia, devidamente autenticada, que estampa, inexoravelmente a data de interposição do recurso, qual seja, o dia 24/12/96, uma terça-feira, muito antes de vencido o prazo. MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N' : 123.341 ACÓRDÃO N' : 302-35.393 3) O documento ora juntado em fotocópia, contrafé da Requerente, é a prova cabal e inconteste de suas alegações. (fls. 75) 4) Na via juntada aos autos (fls. 35), verifica-se que houve uma adulteração grosseira (por simples análise visual comprova-se a utilização de um corretor do tipo "liquid paper") para apagar a data correta (24/11/96) e consignar a data equivocada (02/01/97). 5) A via original do documento anexo está à disposição desse E. Conselho de Contribuintes para qualquer prova ou contraprova que se faça necessária. 6) Assim, o recurso interposto deve ser conhecido, principalmente porque quem mais contribui para a política fimdiária nas suas áreas de atuação é a Requerente, uma vez que implanta Projetos Públicos de Irrigação, efetuando uma redistribuição fundiária, fixando os pequenos agricultores no campo, repercutindo em todo o progresso regional. 7) Acrescenta, ademais, que existe um erro material que há de ser retificado, referente à declaração do ITR/94, no tocante ao número de animais que utilizavam área de pastoreio temporário na propriedade da Requerente. 8) O responsável pela elaboração das informações, equivocadamente, deixou de declarar o número de semoventes que se utilizavam da área de pastoreio temporário no perímetro da • Requerente. 9) Conforme Declaração que ora se junta (fls. 76), firmada pelo Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina, a área de pastoreio temporário naquela poligonal, denominada "Km 25, extensão do Projeto de Irrigação Senador Nilo Coelho", com 13.996,5 hectares, contava com 2.930 animais de grande porte — bovinos, muares e equinos — e 3.105 animais de médio porte — caprinos e ovinos. 10) Tal informação há de ser levada em conta e retificada na declaração, que passará a ter no seu item 05 - Informações sobre Áreas de Criação Animal, subitem 34 — Pastoreio Temporário, uma área de 11.533,45 hectares, e no item 08 — Informação sobre Animais — subitens 46 e 47 — Animais de Grande Porte e Animais de Médio Porte, respectivamente, um número de 2.930 e 3.105, perfazendo um total de 6.035 animais. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 11) Requer, por todo o exposto, que seja conhecido o recurso interposto e efetuada a retificação do erro apontado. Considerando a petição do Contribuinte, a DRJ em Recife encaminhou os autos ao Conselho de Contribuintes, tendo os mesmos sido distribuídos a esta Relatora em 17/04/01, numerados até às folhas 93 inclusive, "Encaminhamento de Processo." É o relatório." Passo, a seguir, à transcrição do voto proferido: • "Voto Nos termos do Acórdão n° 202-11.398, Sessão realizada aos 17 de agosto de 1999, os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiram, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso apresentado, por perempto. Entretanto, em sua Petição de fls. 70/74, alega o Contribuinte que seu Recurso foi interposto dentro do prazo regulamentar, tendo havido adulteração grosseira (fls. 72) relativamente à data de protocolo na ARF — Petrolina/PE (fls. 35), com o uso de "liquid paper". Para fundamentar sua informação, o Interessado diz possuir o original da contrafé, cuja cópia juntou às fls. 75, colocando-o à • disposição deste Conselho de Contribuintes. Tendo em vista que tal fato envolve requisito essencial para a admissibilidade do recurso, voto no sentido de retornar o processo à Repartição de Origem para que esta se manifeste a respeito da Petição de fls. 70/74 ofertaria pelo contribuinte, com relação à tempestividade daquela peça de defesa." Foram os autos encaminhados à DRF em Petrolina/PE, para cumprimento da diligência, sendo o Contribuinte intimado a apresentar o "Documento Original da Impugnação de Lançamento de ITR Exercício de 1994, protocolizado por aquela DRF". Em atendimento à intimação, CODEVASF — Cia. de Desenvolvimento do Vale do São Francisco apresentou o documento de fls. 107 — Impugnação de Lançamento / Exercício de 1994, endereçado ao Segundo Conselho de 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO NP' : 302-35.393 Contribuintes, que contém o carimbo de protocolo na ARF — Petrolina — PE, datado de 24/12/96. Nos termos da Informação Fiscal de fls. 111, o recurso interposto pela Interessada foi considerado tempestivo. Cumprida a diligência, retornaram os autos a este Terceiro Conselho de Contribuintes, para julgamento, tendo sido entregues a esta Conselheira em 21/05/2002. É o relatório. • -4t4Irs•—• • MINISTÉRIO DA FAZENDA s TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 VOTO A diligência realizada comprovou que o recurso interposto pela interessada é tempestivo. Como ele foi protocolado na ARF — Petrolina em 24/12/96, ainda não era exigido o recolhimento do depósito recursal. Assim, eu o conheço. Primeiramente, informo que a Notificação de Lançamento constante dos autos não contém a identificação da autoridade responsável por sua emissão. • No que tange à Preliminar arguida pelo I. Conselheiro Dr. Luis Antonio Flora quanto à nulidade do lançamento fiscal por não constar da Notificação de Lançamento a identificação da Autoridade responsável por sua emissão, eu a rejeito, tomando por base os argumentos apresentados pelo D. Conselheiro Dr. Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, constante do Recurso n° 121.519, que transcrevo: "O artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1 0 da Lei 8.748/93, estabelece: A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. • No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador; 2. a determinação da matéria tributável; 3. cálculo do montante do tributo; 4. a identificação do sujeito passivo; 5. proposição de penalidade cabível, sendo o caso. Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo Órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do Órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matricula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa O dispositivo subsequente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a notificação de lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não • deixam de implicar em nulidade. Isto porque constituem cerceamento do direito de defesa, uma vez que não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade e os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR", até 31/12/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9° do Decreto 70.235/72, ela não se refere a um só imposto. io MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária Essas contribuições, segundo a legislação de regência, têm a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutencão e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). 010 Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR, que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural, Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas consequências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. Essa dita Notificação de lançamento também contraria o disposto no artigo 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, não deve ser acolhida." Para fortalecer ainda mais as argumentações transcritas, saliento que, nos termos do disposto no artigo 16 do CTN, "Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal especifica, relativa ao contribuinte", ou seja, é uma exação desvinculada de qualquer atuação estatal, decorrente da função do jus itnperii do Estado. freitag MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 As contribuições sociais do artigo 149 da Constituição Federal, por sua vez, são exações fiscais de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, submetidas à disciplina do artigo 146, HL da Carta Magna (normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre definição de tributos e suas espécies). Hoje, não pode haver mais dúvida quanto a sua natureza tributária, em decorrência de sua submissão ao regime tributário. São, assim, como os impostos, compulsórias, embora deles se distinguindo, evidentemente. Vê-se, mais uma vez, que a Notificação de Lançamento "dita" do ITR é muito mais abrangente, englobando espécies de tributos diferenciadas, com objetivos distintos. 110 Portanto, não há como submeter este tipo de Notificação às mesmas exigências que são impostas às Notificações de Lançamento de impostos. Por todas estas razões, rejeito a preliminar arguida. Em sua defesa recursal, a Interessada requer a retificação do valor do imóvel e, conseqüentemente, do valor do ITR, argumentando ser a área formadora de um projeto público de irrigação, adquirida para assentamento de pequenos irrigantes e pequenas e médias empresas. Salienta, ademais, que há de se levar em consideração que a Requerente é uma empresa pública federal, que tem por objetivo promover o desenvolvimento da região do Vale do São Francisco, utilizando, para tanto, de recursos públicos, sendo o seu capital integralmente da União. Lembra que no desempenho de suas funções, age a Requerente em nome do Governo Federal, com o objetivo de minorar o sofrimento da população do Vale do São Francisco, incrementando um sistema produtivo que possibilite o crescimento econômico e social da comunidade atingida. Como relatado anteriormente, em 07/11/2000, após tomar ciência da Decisão monocrática, a Interessada protocolou a petição de fls. 70 a 74, afirmando que seu recurso foi interposto tempestivamente, o que ficou plenamente comprovado pela diligência requerida por esta Câmara. Naquela mesma petição, apontou a existência de um erro material referente à declaração do 1TR194 que, no seu entendimento, deve ser retificado. Citado erro diz respeito ao número de animais que utilizavam área de pastoreio temporário em sua propriedade. ~ed 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 Esclareceu que o responsável pela elaboração das informações, equivocadamente, deixou de declarar o número de semoventes que se utilizavam da referida área de pastoreio. Como prova do alegado, juntou a Declaração de fls. 76, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina, datada de 31/10/2000, segundo a qual, "consultando nossa base de dados, concluímos que naquela poligonal, no ano de 1994, em área de pastoreio temporário contava com 2.930 animais de grande porte — bovinos, muares e eqüinos — e 3.105 animais de médio porte — caprinos e ovinos". Salientou, por derradeiro, que após a retificação devida, a Declaração do ITR194 passará a ter, no seu item 05, subitem 34, uma área de 11.533,45 hectares como "Pastoreio Temporário" e no item 08, subitens 46 e 47, 2.930 animais de grande porte e 3.105 animais de médio porte, respectivamente, perfazendo um total de 6.035 animais. Requer, finalizando, que seja conhecido seu recurso e que seja efetuada a retificação do erro apontado. Na hipótese dos autos, a CODEVASF — Cia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco é uma empresa pública, ou seja, uma empresa submissa a modelo disposto no direito privado, conforme estabelecido no art. 173, §§ 1° e 2° da Constituição Federal de 1988. Assim, ela não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, independentemente de seu objetivo. Em conseqüência, a retificação do valor do imóvel só poderia decorrer da comprovação, por meio de instrumento hábil, de que o valor anteriormente declarado não era o correto. Ou seja, a empresa deveria ter oferecido um laudo de avaliação de seu imóvel que viesse a convencer o Julgador de que outro deveria ter sido o VTN Tributado. Contudo, o laudo de avaliação apresentado não apresenta as características e as informações necessárias para o atingimento do fim pretendido. Melhor sorte não alcança a Declaração fornecida pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina para a comprovação dos animais porventura existentes na área da propriedade, no exercício de 1994. Esta Declaração, independentemente da entidade que a forneceu, também não é prova suficiente para a retificação pleiteada. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2002 Se?"..0 ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHTEREGATTO - Relatora 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 123.341 ACÓRDÃO N° : 302-35.393 VOTO QUANTO À PRELIMINAR DE NULIDADE Antes de adentrar ao mérito da questão que me é proposta a decidir, entendo necessária a abordagem de um tema, em sede de preliminar, concernente à legalidade do lançamento tributário que aqui se discute. Com efeito. Pelo que se observa da respectiva Notificação de Lançamento, trata-se de documento emitido por processo eletrônico, não constando da mesma a indicação do cargo ou função e a matrícula do funcionário que a emitiu ou 111 determinou a sua emissão. Tal fato vulnera o inciso IV, do artigo 11, do Decreto 70.235/72, que determina a obrigatoriedade da indicação dos referidos dados. Assim, não estando em termos legais a notificação de lançamento objeto do presente litígio, por evidente vício formal, torna-se impraticável o prosseguimento da ação fiscal. Deve ser aqui ressaltado que tal entendimento já se encontra ratificado pela egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF 03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre outros). Ante o exposto, voto no sentido de declarar nulo o lançamento apócrifo e consequentemente todos os atos posteriormente praticados. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2002 • LUIS AN rit LO ri. - Conselheiro 14 - . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 L 11 'tis> SEGUNDA CÂMARA Recurso n.° : 123.341 Processo n°: 13411.000011/96-61 TERMO DE INTIMAÇÃO 01, Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à r Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 302-35.393. Brasília- DF, CG /c-34-M . rIbtelete. - , • fiem itpt rade ditegács Premuni* dl :,.• Câmara 411I Ciente em: 5- 201.3 IN *. 1 71 ki‘"IeNnAlu• Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1

score : 1.0
4706429 #
Numero do processo: 13558.000168/2001-50
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IRPJ – PREJUÍZOS – TRAVA – Por força do disposto nos artigos 42 da Lei 8.981/95 e 12 da Lei 9065/95, as compensações de prejuízos fiscais a partir de janeiro de 1995 têm como limitação o montante equivalente a 30% do Lucro Real antes das compensações. MULTA DE OFÍCIO – As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, devendo ser aplicada a multa de 75% quando há lançamento de ofício.
Numero da decisão: 108-07.324
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Júnior

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200303

ementa_s : IRPJ – PREJUÍZOS – TRAVA – Por força do disposto nos artigos 42 da Lei 8.981/95 e 12 da Lei 9065/95, as compensações de prejuízos fiscais a partir de janeiro de 1995 têm como limitação o montante equivalente a 30% do Lucro Real antes das compensações. MULTA DE OFÍCIO – As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, devendo ser aplicada a multa de 75% quando há lançamento de ofício.

turma_s : Oitava Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2003

numero_processo_s : 13558.000168/2001-50

anomes_publicacao_s : 200303

conteudo_id_s : 4222130

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 108-07.324

nome_arquivo_s : 10807324_131793_13558000168200150_008.PDF

ano_publicacao_s : 2003

nome_relator_s : Mário Junqueira Franco Júnior

nome_arquivo_pdf_s : 13558000168200150_4222130.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2003

id : 4706429

ano_sessao_s : 2003

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:28:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272642854912

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-31T19:16:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-31T19:16:36Z; Last-Modified: 2009-08-31T19:16:36Z; dcterms:modified: 2009-08-31T19:16:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-31T19:16:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-31T19:16:36Z; meta:save-date: 2009-08-31T19:16:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-31T19:16:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-31T19:16:36Z; created: 2009-08-31T19:16:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-31T19:16:36Z; pdf:charsPerPage: 1426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-31T19:16:36Z | Conteúdo => • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 7:P:=Jzgi.. OITAVA CÂMARAJ•c„.1.4;_;;;.," Processo n° : 13558.00016812001-50 Recurso n° :131.793 Matéria : IRPJ — Ano: 1996 Recorrente : EMPRESA MUNICIPAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO S.A. Recorrida : 1° TURMA/DRJ-SALVADOR/BA Sessão de : 19 de março de 2003 Acórdão n° : 108-07.324 IRPJ — PREJUÍZOS — TRAVA — Por força do disposto nos artigos 42 da Lei 8.981/95 e 12 da Lei 9065/95, as compensações de prejuízos fiscais a partir de janeiro de 1995 têm como limitação o montante equivalente a 30% do Lucro Real antes das compensações. MULTA DE OFÍCIO — As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, devendo ser aplicada a multa de 75% quando há lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMPRESA MUNICIPAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO S.A. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE MÁRIO r igl UEI RANCO JÚNIOR RELI, ty FORMALIZADO EM: e 3 ABR 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, TANIA KOETZ MOREIRA e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Ausente momentaneamente o Conselheiro JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA Processo n° : 13558.000168/2001-50 Acórdão n° : 108-07.324 Recurso n° : 131.791 Recorrente : EMPRESA MUNICIPAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO S/A. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado para constituir crédito tributário no valor de R$ 524.181,54, com aplicação dos acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. O Auto de Infração decorreu da revisão de Declaração de Rendimentos do exercício de 1997, ano-calendário de 1996, em que foi constatada compensação de prejuízo fiscal na apuração do lucro real superior a 30% do lucro real antes das compensações. lrresignada com a autuação em comento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, a Impugnação, aduzindo, em síntese, que nada deve a Fazenda Nacional, uma vez que a limitação de 30% fere o artigo 5° da CF188 e o artigo 60 da Lei de Introdução ao Código Civil e que, caso houvesse alguma diferença a pagar, a aliquota a ser aplicada deveria ser a de 6%, conforme o disposto no art. 541, § 2°, do RIR/94. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador-BA, ao analisar a defesa intentada, considerou procedente o Auto de Infração, nos termos da ementa declinada abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Data do fato gerador 1996 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. 2 Processo n° : 13558.000168/2001-50 Acórdão n° : 108-07.324 A declaração de inconstitucionalidade da lei é prerrogativa reservada do Poder Judiciário vedado sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da unidade da jurisdição. PATRIMÔNIO. RENDA. TRIBUTAÇÃO. A alteração introduzida na regra de utilização do prejuízo fiscal acumulado não tornou defesa sua compensação, apenas limitou-a, sem ofender aos conceitos de patrimônio e renda. LUCRO INFLACIONÁRIO. ALhQUOTA DE 6%. APLICAÇÃO. A adição de lucro inflacionário realizado, sujeito à alíquota de 6%, reduzindo o prejuízo fiscal de períodos-base anteriores, não enseja tributação favorecida do lucro real no ano-calendário de compensação de prejuízo fiscal que logrou reduzir. Lançamento procedente. Inconformada com a decisão em comento, nos termos do regramento que rege o processo administrativo tributário, a Recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário perante este Conselho, alegando, em síntese: a) que no ato da impugnação ficou comprovado que a limitação de 30% fere o art. 5°, inciso XXXVI, da CF/88 e o art. 6° da Lei de Introdução ao Código Civil; b) que o Autuante, ao efetuar o lançamento com base na Declaração de Rendimentos, não observou o LALUR, juntado às fls.68 a 70, uma vez que deveria ter excluído da tributação o Prejuízo Fiscal de 1993 e 1994 por se constituírem em direito adquirido, livre, portanto, da trava de 30%; c) que, ainda que houvesse diferença a tributar, a alíquota aplicável deveria ser de 6% e não de 15%, por ser a atividade da empresa o saneamento básico, ou seja, órgão Público Municipal; d) que a multa exasperada de 75% é completamente inadmissível, tendo em vista que o Autuante se baseou em valores já declarados pelo contribuinte em sua Declaração de Rendimentos, devendo ser aplicada apenas a multa de mora de 20%, no caso de haver diferença a tributar; O Recorrente ofereceu lista de bens a serem arrolados, às fls. 72. Às fls. 115, há despacho determinando o encaminhamento do processo a DRJ Salvador para que seja dado prosseguimento ao recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, tendo em vista que foi feito o arrolamento de ofício no processo n° 3 ri 41 Processo n° : 13558.000168/2001-50 Acórdão n° : 108-07.324 13558.000181/0001-01, a fim de dar cumprimento ao disposto no inciso lido art. 8° da IN SRF n° 26/01, em decorrência da lavratura dos autos de infração a que se referem os processos n°s 13558.0001168/2001-50 e 13558.000169/2001-02, conforme cópias às fls. 107a 114. y É o relatório. a 4 Processo n° : 13558.000168/2001-50 Acórdão n° : 108-07.324 VOTO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR — Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As disposições constantes dos artigos 42 da Lei 8.981/95 e 12 da Lei 9065/95 não permitem dúvidas acerca do seu real alcance, pois limitam tanto o saldo de prejuízos acumulados em 31.12.94, bem como os prejuízos gerados a partir desta mesma data. Não se pode, portanto, interpretá-los em consonância com outras hipóteses que não a colhida nos presentes autos. Desta maneira, apenas alegando-se vício de inconstitucionalidade poder-se-ia invalidar o procedimento fiscal ora em julgamento. Os argumentos trazidos pela recorrente, especialmente quanto à tributação em si, sofrem, data maxima venta, incontornável limitação de apreciação por esta Colenda Câmara, visto que decisão favorável à recorrente importa em negativa de vigência à norma constitucionalmente editada, competência que falece a este Colegiado, órgão de natureza técnica administrativa. Diversas oportunidades tive para manifestar-me sobre este intrincado tema, e, já de há muito, venho por entender que, apenas nos casos em que haja decisões reiteradas, indicando forte jurisprudência, nos Tribunais superiores, é que se poderia conceber um benefício para as partes em seguir orientação jurisprudencial predominante. 5 Processo n° : 13558.000168/2001-50 Acórdão n° : 108-07.324 Não é este o caso dos autos. O Excelso Supremo Tribunal Federal entende em sentido contrário ao pleiteado pela ora recorrente, conforme se extrai das seguintes ementas: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N° 812, DE 31.12.94, CONVERTIDA NA LEI N° 8.981/95. ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A PARCELA DOS PREJUÍZOS SOCIAIS, DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, SUSCETÍVEL DE SER DEDUZIDA NO LUCRO REAL, PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS EM REFERÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROATIVIDADE. Diploma normativo que foi editado em 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercício financeiro encerrado. Descabimento da alegação de ofensa aos princípios da anterioridade e da irretroatividade, relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à contribuição social, sujeita que está à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, que não foi observado. Recurso conhecido, em parte, e nela provido. (STF, ia Turma, RE 232084, Relator Min. limar Gaivão, DJ 16/06/00, p. 00039) EMENTA: Imposto de renda. Medida Provisória n° 812, de 31.12.94, convertida na Lei n° 8.981/95. Artigo 42. Princípios da anterioridade e da irretroatividade. - Medida provisória que foi publicada em 31.12.94, apesar de esse dia ser um sábado e o Diário Oficial ter sido posto à venda à noite. Não-ocorrência, portanto, de ofensa, quanto à alteração relativa ao imposto de renda, aos princípios da anterioridade e da irretroatividade. Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF, 1° Turma, RE 254792/SP, Relator Min. Moreira Alves) EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO: JULGAMENTO PELO RELATOR. CPC, art. 557, § 1°-A. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO IMEDIATO DE OUTRAS CAUSAS, EM QUE VERSADO O MESMO TEMA, PELOS RELATORES OU PELAS TURMAS. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Medida Provisória 812/94. Lei 8.981/95. I. - Legitimidade constitucional da atribuição conferida ao Relator para arquivar, negar seguimento a pedido ou recurso e a dar provimento a este 3/4 RI/STF, art. 21, § 1°; Lei 8.038/90, art. 38; CPC, art. 557, caput, e § 1°-A 3/4 desde que, mediante recurso, possam as decisões ser submetidas ao controle do Colegiado. Precedentes do STF. II. - Além do imposto de renda, cuida a espécie da contribuição social sobre o lucro, modalidade tributária que está sujeita ao princípio da anterioridade 6 gt1 Processo n° : 13558.000168/2001-50 Acórdão n° : 108-07.324 nonagesimal objeto do art. 195, § 6°, da C.F., não se tratando, ademais, de isenção, tampouco de alteração do prazo de recolhimento do tributo. III. - Agravo não provido. (STF, 2 Turma, RE 348836 AgR/PE, Relator Min. Carlos Valioso) Não pode portanto este Colegiado, apontando vício de inconstitucionalidade, rejeitar aplicação de norma constitucionalmente editada, e que portanto goza da presunção de constitucionalidade, para afastar incidência tributária fulcrada na mesma. O Recorrente alega, ainda, que a alíquota aplicável deve ser de 6%, uma vez que é empresa de saneamento básico. Ocorre que não há correlação entre a matéria dos autos e a aplicação da alíquota de 6 % para tributação do lucro inflacionário acumulado até 31 de dezembro de 1987, no caso de empresas de saneamento básico, nos termos do artigo 550, § 2° do RIR/94. Com efeito, na demonstração do lucro real do ano-calendário de 1996 (fls. 65) não consta a adição de valores a título de lucro inflacionário. As provas apresentadas demonstram apenas que nos anos-calendário de 1993 e 1994 a empresa adicionou, na apuração do lucro real, parcela do LIA realizado naqueles períodos, sendo que se tais valores integraram o saldo do prejuízo fiscal compensável, a tese também não se sustentaria, uma vez que o lucro inflacionário, ao ser adicionado, acarreta a diminuição do prejuízo fiscal Por fim a multa de ofício. A multa de oficio decorre de expressa disposição legal, constante do lançamento às fls.05. Com efeito, o auto de infração decorre de lançamento de ofício por não observância da trava de 30% para compensação de prejuízo fiscal, devendo ser 7 Processo n° : 13558.000168/2001-50 Acórdão n° : 108-07.324 aplicada a multa de oficio conforme determinado pelo art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Ex positis, voto por conhecer do recurso, para no mérito negar-lhe provimento. É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 19 de março de 2003. MÁRIO JU QUEIRA FRANCO JÚNIOR / V 8 Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1

score : 1.0
4707791 #
Numero do processo: 13609.000621/99-91
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL. LIMITE. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO POR VIA JUDICIAL. – Tendo o contribuinte submetido a apreciação da matéria à autoridade judicial, prejudicada se encontra a sua apreciação pelos órgãos da jurisdição administrativa, em face da prevalência do que vier a decidir o Poder Judiciário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. – JUROS MORATÓRIOS. - INCIDÊNCIA. – A teor do artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, no caso de constituição de crédito tributário com vista a prevenir a decadência, não incide somente a multa de lançamento de ofício. O crédito tributário não pago até a data de seu vencimento, deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja a razão determinante do inadimplemento. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC – A Lei nº 9.065, de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação, ainda que a cobrança venha de ser suspensa por decisão judicial. Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 101-94.511
Decisão: Acordam os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sebastião Rodrigues Cabral

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200402

ementa_s : IRPJ – PREJUÍZO FISCAL. LIMITE. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO POR VIA JUDICIAL. – Tendo o contribuinte submetido a apreciação da matéria à autoridade judicial, prejudicada se encontra a sua apreciação pelos órgãos da jurisdição administrativa, em face da prevalência do que vier a decidir o Poder Judiciário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. – JUROS MORATÓRIOS. - INCIDÊNCIA. – A teor do artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, no caso de constituição de crédito tributário com vista a prevenir a decadência, não incide somente a multa de lançamento de ofício. O crédito tributário não pago até a data de seu vencimento, deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja a razão determinante do inadimplemento. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC – A Lei nº 9.065, de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação, ainda que a cobrança venha de ser suspensa por decisão judicial. Recurso conhecido e não provido.

turma_s : Primeira Câmara

dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2004

numero_processo_s : 13609.000621/99-91

anomes_publicacao_s : 200402

conteudo_id_s : 4153032

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 15 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 101-94.511

nome_arquivo_s : 10194511_129668_136090006219991_013.PDF

ano_publicacao_s : 2004

nome_relator_s : Sebastião Rodrigues Cabral

nome_arquivo_pdf_s : 136090006219991_4153032.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2004

id : 4707791

ano_sessao_s : 2004

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:29:16 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272646000640

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T05:25:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T05:25:21Z; Last-Modified: 2009-07-08T05:25:24Z; dcterms:modified: 2009-07-08T05:25:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T05:25:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T05:25:24Z; meta:save-date: 2009-07-08T05:25:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T05:25:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T05:25:21Z; created: 2009-07-08T05:25:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2009-07-08T05:25:21Z; pdf:charsPerPage: 1741; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T05:25:21Z | Conteúdo => , , ,fti'l/4 MINISTÉRIO DA FAZENDA M1C . \k-, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° : 13609.000621/99-91 Recurso n° : 129.668 Matéria : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - Exercício de 1996 Recorrente : TAXI AÉREO SINUELO LTDA. Recorrida : DRJ EM BELO HORIZONTE - MG Sessão de : 20 de fevereiro de 2004 Acórdão n° : 101-94.511 IRPJ — PREJUíZO FISCAL. LIMITE. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO POR VIA JUDICIAL. — Tendo o contribuinte submetido a apreciação da matéria à autoridade judicial, prejudicada se encontra a sua apreciação pelos órgãos da jurisdição administrativa, em face da prevalência do que vier a decidir o Poder Judiciário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. — JUROS MORATÓRIOS. - INCIDÊNCIA. — A teor do artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, no caso de constituição de crédito tributário com vista a prevenir a decadência, não incide somente a multa de lançamento de ofício. O crédito tributário não pago até a data de seu vencimento, deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja a razão determinante do inadimplemento. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC — A Lei n° 9.065, de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação, ainda que a cobrança venha de ser suspensa por decisão judicial. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TAXI AÉREO SINUELO LTDA.. Acordam os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. frEse. ON P,j; -<-..' RODRIGUES PRESIDENTE Processo n°. :13609.000621/99-91 2 Acórdão n.°. :101-94.511 141, SEBASTIA* ig e - IGUES CABRAL RELATOR FORMALIZADO EM: 9 MAR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: VALMIR SANDRI, PAULO ROBERTO CORTEZ, AUSBERTO PALHA MENEZES (Suplente Convocado) e CELSO ALVES FEITOSA. Ausente, justificadamente a Conselheira SANDRA MARIA FARONI. Processo n°. :13609.000621/99-91 3 Acórdão n.°. :101-94.511 Recurso n° : 129.668 Recorrente : TAXI AÉREO SINUELO LTDA. RELATÓRIO TÁXI AÉREO SINUELO LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no C.N.P.J. - M.F. sob o n° 92.860.60010001-48, não se conformando com a decisão que lhe foi desfavorável, proferida pela Colenda Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte — MG, recorre a este Conselho conforme petição de fls.179 a 197, na pretensão de reforma da mencionada decisão da autoridade julgadora singular. O Auto de Infração (fls. 01/03), nos dá conta de que o lançamento tributário resulta de: "COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS-BASE ANTERIORES NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SUPERIOR A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO, CONFORME FOLHA DE CONTINUAÇÃO N° 2 DO AUTO DE INFRAÇÃO (CSLL) E DEMONSTRATIVOS ANEXOS." Inaugurada a fase litigiosa do procedimento, o que ocorreu com a protocolização da peça impugnativa de fls. 70/79, capeando a documentação de folhas 80 a 163, onde sustenta em síntese: a) a alegação feita no sentido de que teria promovido a compensação a maior do saldo da base de cálculo negativa de períodos-base anteriores, na apuração da CSLL, em valor superior ao limite de 30% do lucro líquido ajustado é absurda, vez que tal compensação estava amparada em medida judicial conforme liminar obtida em 10 de março de 1995— MS n° 95.0003509-0, confirmada por sentença do titular da Oitava Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais; b) o artigo 58 da Lei n°8.981, de 1995, violou diversos princípios constitucionais e legais, cabendo invocar: princípio da anterioridade; princípio que trata do conceito de lucro, enquanto acréscimo patrimonial; os princípios que proíbem a alteração por normas tributárias de conceitos consagrados no Direito Público; princípio que veda a instituição de empréstimo compulsório em desacordo com o artigo 148 da CF; princípio que veda seja promovida alteração na base de cálculo e no fato gerador de tributo, através de lei ordinária; ( Processo n°. :13609.000621/99-91 4 Acórdão n.°. :101-94.511 c) tendo presente a manifestação da Quarta Turma do TRF da Terceira Região, estampada no trecho do voto proferido pelo Des. Federal Andrade Martins, como também artigo publicado na Revista da ABDT n° 3, de autoria de Alessandra Machado Brandão Vieira, que transcreve, a autuação não pode prevalecer, vez que à autuada está assegurado o direito à compensação de valor superior aos 30% fixados pelo artigo 58 da Lei n° 8.981, de 1995, além de evidente a ilegalidade e a inconstitucionalidade do mencionado dispositivo; d) independentemente de tudo quanto restou argumentado, há que considerar que para o ano-calendário de 1995 inexistia lei que limitasse a compensação da base de cálculo negativa da CSLL a 30% do lucro, em razão do disposto no artigo 15 c/c o artigo 12 da Lei n° 9.065, de 1995, que não deu qualquer tratamento à questão; e) a multa e os juros de mora, este calculado com base na taxa SELIC, são indevidos, visto que a matéria se encontra "sub judice" conforme MS n° 95.00.03509-0, TRF da Primeira Região, além do fato inconteste de que a compensação se deu pro força de liminar concedida no MS n° 95.00.03509-0; f) na hipótese de não ser acolhido o pedido de cancelamento do Auto de Infração, "ar argumentandum", a taxa SELIC deve ser excluída, incidindo juros à taxa de 1% ao mês, seja em razão de que a taxa SELIC foi instituída peia Lei n° 9.065, de 1995, com vigência a partir de 01 de abril de 1995, e os fatos geradores ocorreram anteriormente àquela data, seja porque a taxa SELIC tem natureza remuneratória, razão suficiente para exclusão de sua incidência, conforme vem decidindo nossos Tribunais. A Colenda Segunda Turma da DRJ em Belo Horizonte julgou procedente a exigência consubstanciada na peça básica, (fls. 93/106), cuja ementa tem a seguinte redação: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Exercício: 1996 EMENTA: COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional de ação judicial — por qualquer modalidade processual — antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, tornando-se definitiva a exigência discutida. JUROS DE MORA — TAXA SELIC É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de abril de 1995, os juros de mora serão equivalente à taxa SELIC. 1 Processo n°. :13609.000621/99-91 5 Acórdão n.°. :101-94.511 Lançamento Procedente" Fundamentando o voto condutor do Aresto recorrido, a relatora expôs, em síntese, os seguintes argumentos: "Sabe-se que a atividade administrativa, sendo plenamente vinculada não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária, cabendo à Administração apenas fazer cumpri-los, pelo que esclarecemos ser defeso aos agentes público a aplicação de entendimentos doutrinários contrários às orientações estabelecidas na legislação tributária de regência da matéria. O reclamante defende a tese de que lhe permanece o direito à compensação integral, nos termos da legislação anterior e que discute a matéria objeto dos autos em ação judicial. Sobre a matéria, o Ato Declaratório Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação n° 3, de 14 de novembro de 199, dispõe: Neste sentido, verifica-se que o reclamante discute na via judicial objeto dos autos. Por conseguinte, este procedimento importa renúncia às instâncias administrativas e a não apreciação dos argumentos pertinentes apresentados na peça de defesa. Atinente a estes argumentos, vale explicar que não cabe às autoridades administrativas julgar a matéria do ponto de vista constitucional, exceto quando houver declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, caso em que é permitido às autoridades fiscais "a quo" afastar a sua aplicação (alínea "a" do inciso I e alínea E "h" do inciso III do art. 102 da Constituição Federal, Lei n° 9.868, de 10 de novembro de 1999, Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997 e Parecer da PGFN/CRE n° 948,de 02 de junho de 1998). Concernente à interpretação das normas legais apontadas na peça irnpugnatória, vale esclarecer que as disposições constantes no Código Tributário Nacional têm de ser observadas conforme os limites ali estabelecidos, porque se pressupõe serem elaboradas de forma precisa. Deve o aplicador abster-se de lhes restringir ou dilatar o sentido por encerrarem prescrições de ordem pública, imperativas ou proibitivas e afetarem o livre exercício dos direitos patrimoniais. Logo, as normas fiscais devem ser interpretadas e entendidas na conformidade de seus postulados. No que se refere à doutrina e à jurisprudência judicial mencionadas na peça de defesa, verifica-se que a Administração Pública somente Processo n°. :13609.000621/99-91 6 Acórdão n.°. :101-94.511 pode fazer o que a lei autoriza. Os agentes públicos, portanto, não podem aplicar entendimentos doutrinários contrários às orientações estabelecidas na legislação tributária de regência a matéria, uma vez que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (...). O contribuinte alegou ainda que, para o ano-calendário de 1995, inexistia lei que limitasse a compensação da base de cálculo negativa acumulada da CSLL EM 30%, em razão do disposto no art. 15 c/c o art. 12 da Lei n° 9.065, de 1995, que não deu qualquer tratamento à questão. Não há como concordar com a alegação do impugnante, tendo em vista que a base legal da exigência se reporta ao art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995, c/c art. 12 da Lei n° 9.065, de 1995, consoante consta do auto de infração em questão, (...). Assim, a limitação da compensação da base de cálculo negativa imposta pela lei aplica-se ao período objeto do lançamento. A multa de ofício tem aplicação obrigatória, nos termos da alínea "c", do inciso II do art. 106 da Lei n° 5.172, de 1966, e ainda inciso I do art.4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, combinado com o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. A hipótese de não cabimento da multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, contempla tão- somente o caso em que a exigibilidade houver sido suspensa em decorrência de concessão de liminar em mandado de segurança (...). Verifica-se, entretanto, que por ocasião do lançamento, a Quarta Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da ia Região já havia dado provimento ao recurso e à remessa oficial para denegar a segurança (...). Por conseguinte, não há reparos ao procedimento de aplicação da penalidade. A taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para Títulos Federais — SELIC é adotada como parâmetro de juros moratórias por força do art. 13 da Lei n° 9. 065/95 e § 3° da Lei n° 9.430/96. Trata-se de norma especial que tem perfeita consonância com a permissão constante no § 1 0 do art. 161 do Código Tributário Nacional, no sentido de que os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês, somente se a lei não dispuser de modo diverso. Logo não tem amparo o entendimento do reclamante nesse particular." Prevê o CTN, em seu art. 161, (...). 1 Processo n°. :13609.000621/99-91 7 Acórdão n.°. :101-94.511 Cientificado dessa decisão em 30 de janeiro de 2002, o contribuinte ingressou com seu apelo para esta Segunda Instância Administrativa, protocolizando recurso voluntário (fls. 177 a 195) no dia 01 de março seguinte, no qual desenvolve a mesma linha de argumentação apresentada na fase impugnativa, aduzindo mais que: • Preliminarmente, nula é a decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que se considerados todos os aspectos fáticos e probatórios apresentados ainda na fase impugnativa, pode ser constatado que não foram integralmente apreciados; ao discordar da exigência fiscal de que tratam os presentes autos, a recorrente sustentou haver realizado a compensação integral dos prejuízos fiscais por duas razões: i) estar amparada por liminar em Mandado de Segurança; e ii) ser a limitação imposta uma medida ilegal e inconstitucional; restou sustentado, ainda, a inaplicabilidade da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórias, e que a multa de lançamento de ofício não é devida. • Está caracterizado o cerceamento do direito de defesa, vez que a autoridade julgadora de primeiro grau, ao deixar de analisar os fundamentos expostos na peça impugnativa, deixou de atender ao princípio constitucional inserto no artigo 50 , LV da CF/88. • Ainda em sede de preliminar, deve ser declarado nulo o Auto de Infração, visto que lavrado ao arrepio do que determina ao artigo 151, IV, do CTN, ou seja, formalizada a exigência quando a operação restou realizada sob medida liminar e em face da ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei n° 8.981, de 1995, assunto ainda pendente de decisão definitiva transitada em julgado. Suspensa que estava a exigibilidade do crédito tributário, não poderia a empresa deixar de compensar os prejuízos fiscais apurados. • É absurda a decisão recorrida quando mantém a imposição da multa de lançamento de ofício e a cobrança dos juros de mora, estando a recorrente sb a proteção de medida liminar em Mandado de Segurança, o que é confirmado pela jurisprudência deste Colegiada. • No caso dos juros de mora, não há falar em débito enquanto estiver a empresa sob a proteção da medida liminar, e não havendo débito não podem incidir juros moratórias. A fim de garantir a instância, a recorrente apresentou arrolamento de bens, conforme petição de fls. 175/176, devidamente !astreada nos documentos que com ela foram acostados aos autos (fls. 196/200). É O RELATÓRIO. ' 1 i I 1 Processo n°. :13609.000621/99-91 8 Acórdão n.°. :101-94.511 VOTO Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, Relator O recurso foi manifestado no prazo legal. Conheço-o por tempestivo. Com relação à compensação dos prejuízos e da base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sem a intitulada trava de 30%, tendo a recorrente submetido o seu pleito ao descortino do Excelso Poder Judiciário, segundo reiterada jurisprudência deste Conselho, a matéria não pode ser objeto de deliberação, em razão da prevalência do que o Poder Judiciário vier a decidir, conforme reiteradas decisões deste Conselho e da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. Demais, em seu recurso encaminhado para esta Segunda Instância Administrativa, o sujeito passivo na presente relação jurídica tributária conduz ou concentra parte substancial de seus argumentos especificamente na direção dos assuntos relacionados com a incidência dos juros moratórios e, de conseqüência, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, deixando de expender qualquer argumento a propósito da matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. Como registrado na decisão recorrida, os juros correspondem, na essência, à remuneração do capital que fica à disposição do devedor. Quando verificado o inadimplemento da obrigação, o devedor fica obrigado a suportar o ônus do encargo que, em geral, se denomina de "juros moratórios". Nosso ordenamento jurídico alberga norma que estabelece, de forma imperativa, que os créditos da União, não liquidados até a data do vencimento, devem ser acrescidos de juros de mora. Também é certo que em face do disposto no artigo 50 do Decreto-lei n° 1.736, de 1979, os juros de mora incidem sobre os créditos da União Federal, inclusive durante o período em que a cobrança desse mesmo crédito houver sido suspensa por medida judicial. É pacífica a jurisprudência desta Câmara sobre o assunto, conforme se constata pela leitura das ementas dos Arestos que vão transcritas: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NORMAS PROCESSUAIS - AÇÕES JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES - IMPOSSIBILIDADE — A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento "ex- officio", enseja renúncia ao litígio administrativo e impede a Processo n°. :13609.000621/99-91 9 Acórdão n.°. :101-94.511 apreciação das razões de mérito por parte da autoridade administrativa. LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO-DESCABIMENTO — Conforme disposto no art. 63 da Lei nr. 9.430/96 e normatizado através do ADN COSIT nr. 01/97, é indevido o lançamento da multa de oficio nos casos em que o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa pelo Poder Judiciário. JUROS DE MORA TAXA SELIC — Somente não caberá a cobrança de juros de mora a constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativa a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa, se acompanhada de depósito judicial integral. A partir de 01.04.95, os juros de mora são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, nos termos do art. 13 e 18 da Lei nr. 9.065/95. Provimento parcial." (Acórdão n.° 101-93.693, de 05/12/2001) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NORMAS PROCESSUAIS — AÇÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS CONCOMITANTES — A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento "ex-offício", enseja renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade administrativa. JUROS DE MORA-TAXA SELIC — Somente não caberá a cobrança de juros de mora na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativa a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa, se acompanhada de depósito judicial integral. A partir de 01.04.95, os juros de mora são equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, nos termos do art. 13 e 18 da Lei nr. 9.065/95. Recurso negado." (Acórdão n.° 101-93.749, de 21/02/2002) "NORMAS PROCESSUAIS - DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. MULTA - Incabível a aplicação de multa de lançamento de ofício na constituição do crédito tributário relativo a tributos ou contribuições/ Processo n°. :13609.000621/99-91 10 Acórdão n.°. :101-94.511 de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei 5.172/66. JUROS MORATORIOS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC - A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa SELIC para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar-lhe aplicação." (Acórdão n° 101-93.757, de 19/3/2002) "NORMAS PROCESSUAIS - DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. MULTA - Incabível a aplicação de multa de lançamento de ofício na constituição do crédito tributário relativo a tributos ou contribuições, de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei 5.172/66. JUROS MORATORIOS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC - A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa SELIC para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar-lhe aplicação." (Acórdão n° 101-93.758, de 19/3/2002) "MANDADO DE SEGURANÇA — CONCOMITÂNCIA COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — A semelhança da causa de pedir, expressada no fundamento jurídico do mandado de segurança preventivo, e da exigência consubstanciada em lançamento de ofício, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos fundamentos idênticos. No entanto, se a autuação abrange matéria distinta, questionamentos outros que não sejam objeto da demanda judicial, a controvérsia deve ser apreciada, sob pena de cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PROCEDIMENTO REFLEXO - Tratando-se de lançamento reflexo, a decisão prolatada no lançamento procedido na área do I. R .P .J., intitulado principal, é aplicável ao julgamento daquele, dada a relação de causa e efeito que vincula ambos. Processo n°. :13609.000621/99-91 11 Acórdão n.°. :101-94.511 Recurso conhecido e provido." (Acórdão n.° 101-93, de 20/3/2002) "NORMAS PROCESSUAIS - DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. JUROS DE MORA - Em caso de crédito tributário relacionado a matéria sub judice, os juros de mora só não incidem se houver depósito do montante integral. Por outro lado, sua cobrança atende a determinação do art. 50 do Decreto-lei 1.736/79, não cabendo a este Órgão integrante do Poder Executivo negar aplicação a lei em vigor. Recurso voluntário a que se nega provimento." (Ac. n° 101- 93.577, de 22/8/2001, Rel. SANDRA MARIA FARONI) "CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE DA DECISÃO SINGULAR — OPÇÃO PELO MÉRITO — Aprecia-se o mérito, quando se puder decidir a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade da decisão singular. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo contribuinte, prévia ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa, visto a submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário. LANÇAMENTO — PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA — AUTO DE INFRAÇÃO — O auto de infração é instrumento hábil para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário com o fim de prevenir a decadência, mormente quando ausente nos autos evidência de que o contribuinte tenha espontaneamente registrado o débito em DCTF ou em declaração anual de rendimentos. ( Processo n°. :13609.000621/99-91 12 Acórdão n.°. :101-94.511 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI — Somente será apreciada nos Tribunais Administrativos quando uniformizada e pacificada na esfera judicial pelo Supremo Tribunal Federal. CSLL — COMPENSAÇÃO — É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial (art. 170-A do Código Tributário Nacional) CSLL — RECOLHIMENTO COMPROVADO — Confirmado o recolhimento de parcela da contribuição social exigida no lançamento, reduz-se a exigência pelo valor recolhido. MULTA DE OFÍCIO — É incabível o lançamento de multa de ofício na constituição, para prevenir a decadência, de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por força de liminar concedida em sede de mandado de segurança previamente ao procedimento fiscal. JUROS DE MORA — Os juros de mora são devidos sempre que o principal for recolhido a destempo, seja qual for o motivo determinante da falta, salvo a hipótese de depósito do montante integral, que não se verifica nos autos. Provimento parcial ao recurso na parte conhecida." (Ac. n° 101- 93.605, de 19/9/2001, Rel. Edison Pereira Rodrigues) "PLANO VERÃO — DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL — NÃO CONHECIMENTO: A existência de ação judicial em nome da interessada, importa em renúncia à esfera administrativa (Lei n° 6.830/80, artigo 38, parágrafo único) DEBITO COM EXIBILIDADE SUSPENSA — INOCORRÊNCIA — MULTA DE OFÍCIO — CABIMENTO: É cabível a exigência de multa de ofício, não estando o débito com sua exigibilidade suspensa, na forma do inciso IV do art. 151 do CTN, quando da constituição do crédito tributário para prevenir a decadência. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS — TRAXA DE JUROS SELIC — MULTA DE OFÍCIO — ALEGAÇÕES DE I NCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU INJUSTIÇA — INCOMPOETÊNCIA PARA APRECIAR NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA: Não compete à instancia administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais (14 Processo n°. :13609.000621199-91 13 Acórdão n.°. :101-94.511 regularmente editados." (Ac. n° 101-93.742, de 20/02/ 2002, Rel. Raul Pimentel) No mesmo sentido temos o Acórdão da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, n° CSRF 01-0.115, de 1989, pelo qual se declara que não pode prevalecer o entendimento de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário suspende, também, a fluência dos juros moratórios. Na esteira dessas considerações, voto, pois, no sentido de que seja negado provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Brasília - DF, 20 de fevereiro de 2004. SEBASTIÃ fp' IGUES CABRAL /./4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1

score : 1.0
4704553 #
Numero do processo: 13150.000036/2001-19
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005
Ementa: DECLARAÇÃO RETIFICADORA - NÃO ASSINALADA - A apresentação de uma segunda DIRPF há de ser recepcionada como retificadora, ainda que essa condição não foi assinalada no campo próprio. Essa circunstância não autoriza a soma dos rendimentos declarados em ambas as declarações, salvo prova concreta de omissão de rendimentos. Recurso provido.
Numero da decisão: 102-46.865
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: José Oleskovicz

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200506

ementa_s : DECLARAÇÃO RETIFICADORA - NÃO ASSINALADA - A apresentação de uma segunda DIRPF há de ser recepcionada como retificadora, ainda que essa condição não foi assinalada no campo próprio. Essa circunstância não autoriza a soma dos rendimentos declarados em ambas as declarações, salvo prova concreta de omissão de rendimentos. Recurso provido.

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005

numero_processo_s : 13150.000036/2001-19

anomes_publicacao_s : 200506

conteudo_id_s : 4210956

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 102-46.865

nome_arquivo_s : 10246865_138244_13150000036200119_005.PDF

ano_publicacao_s : 2005

nome_relator_s : José Oleskovicz

nome_arquivo_pdf_s : 13150000036200119_4210956.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005

id : 4704553

ano_sessao_s : 2005

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:28:17 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272649146368

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-06T14:00:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-06T14:00:22Z; Last-Modified: 2009-07-06T14:00:23Z; dcterms:modified: 2009-07-06T14:00:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-06T14:00:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-06T14:00:23Z; meta:save-date: 2009-07-06T14:00:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-06T14:00:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-06T14:00:22Z; created: 2009-07-06T14:00:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-06T14:00:22Z; pdf:charsPerPage: 1252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-06T14:00:22Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA ." PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 13150.00003612001-19 Recurso n° : 138.244 Matéria : IRPF - EX.: 2000 Recorrente : SÔNIA STAUT ROMERA FREIRE Recorrida : 2a TURMA/DRJ-CAMPO GRANDE/MS Sessão de : 16 de junho de 2005 Acórdão n° : 102-46.865 DECLARAÇÃO RETIFICADORA - NÃO ASSINALADA - A apresen- tação de uma segunda DIRPF há de ser recepcionada como retifi- cadora, ainda que essa condição não foi assinalada no campo pró- prio. Essa circunstância não autoriza a soma dos rendimentos decla- rados em ambas as declarações, salvo prova concreta de omissão de rendimentos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso inter- posto por SÔNIA STAUT ROMER.A FREIRE, ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos ter- mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE JOSÉ LESKOVI Z RELATOR FORMALIZADO EM: 0 8 JU 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, SILVANA MANCINI KARAM e ROMEU BUENO DE CAMARGO. prlfp MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 13150.000036/2001-19 Acórdão n° : 102-46.865 Recurso n° : 138.244 Recorrente : SÔNIA STAUT ROMERA FREIRE RELATÓRIO Contra a contribuinte foi lavrado, em 11/04/2001, auto de infração para exigir o crédito tributário de R$ 723,32, referente a restituição indevida no exercício de 2001, ano-calendário de 2000 (fl. 02). No auto de infração consta apenas que foram alterados os rendi- mentos de pessoas jurídicas para R$ 31.005,72 e o bens e direitos para R$ 10.000,00 (fl. 03). A contribuinte impugnou esse lacônico lançamento (fl. 01) alegando que "os valores declarados no Auto de Infração não estão compatíveis com os valo- res declarados no meu Imposto de Renda, sendo assim solicito que seja analisado, conforme documentos anexos, para um novo parecer". A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Gran- de/MS, em função da falta de documentos que embasaram o lançamento, não con- seguiu visualizar as suas razões, propondo então seu retorno à Unidade de origem a fim de serem juntados todos os documentos que serviram de base para o lançamento de ofício e demonstrada a origem do rendimento nele tributado (fl. 21). Foram então anexados os documentos de fls, 24/29. Analisando os documentos a 2a Turma da DRJ/Campo Grande/MS, mediante o Acórdão DRJ/CGE n° 02.495, de 25/07/2003 (fls. 32/35), por unanimida- de de votos, julgou procedente o lançamento, tendo o voto condutor do acórdão consignado: "2. Verifica-se a partir dos documentos de fls. 24/29 que a contribuinte apresentou duas declarações de rendimentos, sendo que na declaração de fls. 35/26 informou os rendimentos auferidos da fonte pagadora 00.000.000/0001-91 (Banco do Brasil) e na segunda declaração, fL 27, o rendimento de R$ 7.580,00, provavelmente a título de pro-labore da em- presa 00.286.081/0001-38, da qual é sócia. A incerteza decorre da não in- formação do CNPJ da empresa na declaração de aju te simplificada (fl. 27). 2 4.):â MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 13150.00003612001-19 Acórdão n° : 102-46.865 3. Como o rendimento tributável está abaixo de R$ 10.800,00 a decla- ração foi apresentada pelo fato de a contribuinte ser sócia da referida em- presa e estar obrigada à apresentação, conforme orientação prevista na obra PERGUNTAS E RESPOSTAS da SRF, conforme a seguir:' "4. Entretanto o contribuinte não pode apresentar uma declaração pa- ra cada fonte pagadora que tiver, conforme pergunta 007 da mesma obra, aqui trazida à colação:' "5. A segunda declaração também não pode ser encarada como retili- cadora pois não foi informado no campo próprio de que a mesma fosse uma retificadora, consoante orienta o item 11.7 do Manual de Preenchimen- to da declaração, conforme a seguir:' "6. Constata-se, pois, no caso em questão a existência de duas fontes pagadoras distintas e por esta razão os rendimentos devem ser somados em uma só declaração, bem como as demais informações constantes da segunda declaração. Foi este o trabalho feito pela malha e o mesmo está correto." Dessa decisão a contribuinte recorre ao Conselho de Contribuintes (fls. 39/41), onde alega: "a) Ao contrário das Suposições feitas pelos julgadores em 25 de julho de 2003 onde diz "o rendimento de R$ 7.580,00, provavelmente a titulo de pro-labore da empresa 00.286081/0001-38, da qual é sócia", esclarecemos que tal empresa não tem movimento a mais de 05 anos, e entrega como prova de tal fato as Declarações dos últimos cinco anos "Inativas". b) A recorrente afirma que tal valor R$ 7.580,00 foi lançado indevida- mente, este valor não existe, sendo assim ocorreu apenas um erro de lan- çamento na Declaração de Imposto de Renda de 2000. c) A recorrente Retificou a Declaração de Imposto de Renda do Ano de 2000, declarando a empresa Inativa 00.286.081/0001-38, da qual é só- cia. d) A recorrente afirma que não tem outro rendimento a não ser o de Trabalho Assalariado onde a fonte pagadora é o Banco do Brasil S/A., no valor de R$ 23.425,72. e) A recorrente apela pelo bom senso e cumprimento da lei vigente, com as provas concretas de que não tem outro rendimento e apenas que houve um erro de lançamento, solicita "o cancelamento do valor de R$ 7.580,00 (Sete Mil, Quinhentos e Oitenta Reais) que foi incluso em sua Declaração de Imposto de Renda': É o relatório. 0') 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 13150.000036/2001-19 Acórdão n° : 102-46.865 VOTO Conselheiro JOSÉ OLESKOVICZ, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Preliminarmente registra-se que os fatos estão minuciosamente des- critos na transcrição de partes do Acórdão da DRJ no relatório que antecede este voto. Na primeira declaração, no modelo simplificado, apresentada em 27/04/2000 (fl. 29), consta como código da ocupação o n° 902 — Proprietário de Es- tabelecimento Comercial. Apesar de declarado rendimento tributável de R$ 7.580,00, não consta o CNPJ da fonte pagadora. Na declaração de bens e direitos consta que a contribuinte é sócia com 50% das cotas da empresa Staut E Ribeiro de Moraes Ltda, CNPJ n° 00.288.081/0001-38 (fl. 27-v), no valor de R$ 10.000,00. Na segunda declaração, modelo completo, apresentada no dia se- guinte, em 28/04/2000 (fls. 25/26), foi declarado o rendimento tributável de R$ 23.425,72, constante do comprovante de rendimentos fornecido pelo Banco do Bra- sil (fl. 05) e, como resultado do ajuste um imposto a restituir de R$ 723,32. Não consta no campo próprio o "x" de que se tratava de declaração retificadora. Nessa declaração consta como código da ocupação o n° 395 — Bancário e economiário. Na primeira declaração, a contribuinte, apesar de registrar na rela- ção de bens e direitos o nome e o CNPJ da empresa da qual é sócia - Staut e Ribei- ro de Moraes Ltda. e CNPJ n° 00.286.081/000138 (fl. 27-v), não indicou na folha de rosto da declaração que os R$ 7.580,00 lançados tivessem sido pagos pela referida empresa. O campo para essa informação foi deixado em branco (fl. 27), não se po- dendo afirmar que essa importância tenha sido recebida dessa empresa, daí a incer- teza registrada pela DRJ (fl. 34) sobre a sua origem._ 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA ' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 13150.00003612001-19 Acórdão n° : 102-46.865 No recurso a contribuinte informa que a referida empresa está inati- va há mais de 5 (cinco) anos e que apresenta suas DIRPJ como "inativa" (fl. 39). Para comprovar essa informação junta aos autos cópia do Recibo de Entrega dessa declaração relativa ao exercício de 2003 (fl. 59) e dos Recibos de Entrega e das De- clarações Simplificadas dos exercícios de 2002 (fls. 60/62), 2001 (fls. 63/65) e 2000 (fls. 66/68). Essas informações e documentos são admitidos em grau de recurso com amparo no Decreto n° 70.235/72, art. 16, § 4°, letra "c", tendo em vista a au- sência de informações no auto de infração sobre o motivo de sua lavratura, que, inclusive, ensejou o retorno dos autos à Unidade de origem pela DRJ para maiores esclarecimentos (fl. 21). Não constando dos autos informação que desabone ou desautorize essa informações e documentos, não se pode afirmar que os referidos rendimentos foram pagos pela referida empresa. Também não se pode com segurança afirmar que a segunda declaração apresentada não seja retificadora, pois apenas a falta da assinalação com um "x" no campo 81 não é suficiente para descaracterizar essa sua natureza. Alie-se a isso o fato de que não é normal a apresentação de duas declarações no mesmo exercício, até porque os sistemas da SRF deveriam rejeitar tal iniciativa. Assim sendo e tendo em vista o princípio "in dúbio pro réu" é de se en- tender que a segunda declaração é retificadora, até porque a primeira foi cancelada, conforme se constata do carimbo nela aposto (fl. 27). Em face do exposto e tudo o mais que dos autos consta, DOU PRO- VIMENTO ao recurso para cancelar o auto de infração. Sala das Sessões - DF, em 16 de junho de 2005. 42C/L JOSÉ OLESKOVI Z 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1

score : 1.0
4707873 #
Numero do processo: 13609.001205/2002-85
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF - EMISSÃO E PRORROGAÇÃO FEITA POR AUTORIDADE COMPETENTE – CADUCIDADE DO MANDADO POR DECURSO DE PRAZO – INOCORRÊNCIA – INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO – EVENTUAL INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS QUE DISCIPLINAM O MPF NÃO TEM O CONDÃO DE GERAR NULIDADE DO LANÇAMENTO - O MPF foi emitido e prorrogado por autoridade competente. Ainda, não houve caducidade do MPF por decurso de prazo, o que permitiu a mesma autoridade autuante iniciar e encerrar o MPF. Ademais, o MPF constitui-se em mero instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001 – PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA – LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL – PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO - Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1º, do CTN, pode-se utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO - LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 - HIPÓTESES DO DECRETO Nº 3.724/2001 – APLICAÇÃO PARA PERÍODOS ANTERIORES A 2001 - POSSIBILIDADE - O contribuinte que não atenda a regular intimação do fisco para apresentar os extratos bancários, deve-se submeter à transferência compulsória do sigilo bancário da instituição financeira para o fisco, nos limites do Decreto nº 3.724/2001. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – RENDIMENTOS OMITIDOS – FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL – IMPOSSIBILIDADE – APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96 – FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO – É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §4º, da Lei nº 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano-calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de ofício, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa física é anual, na forma do art. 2º da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2º e 9º da Lei nº 8.134/90. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE - Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – VINCULAÇÃO A RECIBOS E CHEQUES EMITIDOS POR EMPRESA AO SÓCIO RECORRENTE – EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO – Comprovada a origem dos depósitos bancários, vinculados, em parte, as receitas omitidas e anteriormente tributadas na pessoa jurídica, é de se afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS – VACINAS – IMPOSSIBILIDADE – RECIBOS QUE NÃO DISCRIMINAM O OBJETO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO - GLOSA - São dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes efetivamente pagas e comprovadas através de documentação idônea, na qual se especifique o objeto do pagamento. Não é passível de dedução a despesa relativa a vacinas, por não compor a hipótese de incidência da norma. Ainda, bloquete de cobrança que não especifique o objeto da prestação do serviço deve ser glosado. DESPESA COM INSTRUÇÃO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO – AUSÊNCIA DE DESPESA EM NOME DO CÔNJUGE DEPENDENTE – CORREÇÃO DA GLOSA – Não havendo comprovação de despesa com o cônjuge dependente, deve-se manter a glosa perpetrada pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – JUROS RECEBIDOS – RECIBOS FIRMADOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE – ALEGAÇÃO NO RECURSO DE QUE NÃO RECEBEU OS RENDIMENTOS – DESCABIMENTO – Os recibos com o montante dos juros recebidos foram firmados pelo recorrente. Aliado a isto, os contratos de mútuos foram acostados aos autos. A mera alegação de que não recebeu os rendimentos representados pelos recibos, diga-se de passagem, firmados pelo próprio recorrente, não tem o condão de afastar a presunção de higidez da documentação acostada aos autos. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO – CARNÊ-LEÃO – INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO – IMPOSSIBILIDADE – Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. JUROS DE MORA –ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC – POSSIBILIDADE – No âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS – ÔNUS DO RECORRENTE – A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 106-16.977
Decisão: ACORDAM os membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a) Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, e a de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 1997,vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti,Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage; b) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares de nulidade argüidas pelo recorrente, RECONHECER a decadência do lançamento do ano-calendário de 1996 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: i) excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários: no ano-calendário de 1997, o valor de R$ 187.240,00; no ano-calendário de 1998, o valor de R$ 48.500,00; no ano-calendário de 1999, o valor de R$ 785.907,66; e no ano-calendário de 2000, o valor de R$ 551.380,72. ii) cancelar a multa isolada do camê-leão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200806

turma_s : Sexta Câmara

dt_publicacao_tdt : Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008

numero_processo_s : 13609.001205/2002-85

anomes_publicacao_s : 200806

conteudo_id_s : 4200205

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2020

numero_decisao_s : 106-16.977

nome_arquivo_s : 10616977_139027_13609001205200285_050.PDF

ano_publicacao_s : 2008

nome_relator_s : Giovanni Christian Nunes Campos

nome_arquivo_pdf_s : 13609001205200285_4200205.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a) Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, e a de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 1997,vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti,Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage; b) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares de nulidade argüidas pelo recorrente, RECONHECER a decadência do lançamento do ano-calendário de 1996 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: i) excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários: no ano-calendário de 1997, o valor de R$ 187.240,00; no ano-calendário de 1998, o valor de R$ 48.500,00; no ano-calendário de 1999, o valor de R$ 785.907,66; e no ano-calendário de 2000, o valor de R$ 551.380,72. ii) cancelar a multa isolada do camê-leão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008

id : 4707873

ano_sessao_s : 2008

ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF - EMISSÃO E PRORROGAÇÃO FEITA POR AUTORIDADE COMPETENTE – CADUCIDADE DO MANDADO POR DECURSO DE PRAZO – INOCORRÊNCIA – INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO – EVENTUAL INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS QUE DISCIPLINAM O MPF NÃO TEM O CONDÃO DE GERAR NULIDADE DO LANÇAMENTO - O MPF foi emitido e prorrogado por autoridade competente. Ainda, não houve caducidade do MPF por decurso de prazo, o que permitiu a mesma autoridade autuante iniciar e encerrar o MPF. Ademais, o MPF constitui-se em mero instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001 – PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA – LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL – PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO - Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1º, do CTN, pode-se utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO - LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 - HIPÓTESES DO DECRETO Nº 3.724/2001 – APLICAÇÃO PARA PERÍODOS ANTERIORES A 2001 - POSSIBILIDADE - O contribuinte que não atenda a regular intimação do fisco para apresentar os extratos bancários, deve-se submeter à transferência compulsória do sigilo bancário da instituição financeira para o fisco, nos limites do Decreto nº 3.724/2001. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – RENDIMENTOS OMITIDOS – FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL – IMPOSSIBILIDADE – APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96 – FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO – É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §4º, da Lei nº 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano-calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de ofício, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa física é anual, na forma do art. 2º da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2º e 9º da Lei nº 8.134/90. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE - Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – VINCULAÇÃO A RECIBOS E CHEQUES EMITIDOS POR EMPRESA AO SÓCIO RECORRENTE – EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO – Comprovada a origem dos depósitos bancários, vinculados, em parte, as receitas omitidas e anteriormente tributadas na pessoa jurídica, é de se afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS – VACINAS – IMPOSSIBILIDADE – RECIBOS QUE NÃO DISCRIMINAM O OBJETO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO - GLOSA - São dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes efetivamente pagas e comprovadas através de documentação idônea, na qual se especifique o objeto do pagamento. Não é passível de dedução a despesa relativa a vacinas, por não compor a hipótese de incidência da norma. Ainda, bloquete de cobrança que não especifique o objeto da prestação do serviço deve ser glosado. DESPESA COM INSTRUÇÃO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO – AUSÊNCIA DE DESPESA EM NOME DO CÔNJUGE DEPENDENTE – CORREÇÃO DA GLOSA – Não havendo comprovação de despesa com o cônjuge dependente, deve-se manter a glosa perpetrada pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – JUROS RECEBIDOS – RECIBOS FIRMADOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE – ALEGAÇÃO NO RECURSO DE QUE NÃO RECEBEU OS RENDIMENTOS – DESCABIMENTO – Os recibos com o montante dos juros recebidos foram firmados pelo recorrente. Aliado a isto, os contratos de mútuos foram acostados aos autos. A mera alegação de que não recebeu os rendimentos representados pelos recibos, diga-se de passagem, firmados pelo próprio recorrente, não tem o condão de afastar a presunção de higidez da documentação acostada aos autos. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO – CARNÊ-LEÃO – INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO – IMPOSSIBILIDADE – Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. JUROS DE MORA –ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC – POSSIBILIDADE – No âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS – ÔNUS DO RECORRENTE – A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Recurso voluntário parcialmente provido.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:29:18 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272655437824

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T12:48:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T12:48:19Z; Last-Modified: 2009-09-09T12:48:21Z; dcterms:modified: 2009-09-09T12:48:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T12:48:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T12:48:21Z; meta:save-date: 2009-09-09T12:48:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T12:48:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T12:48:19Z; created: 2009-09-09T12:48:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 50; Creation-Date: 2009-09-09T12:48:19Z; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T12:48:19Z | Conteúdo => asH-X - .1 IPS.: CCO 1 /056 Fls. 1365 ,ffiftá bc,b MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 13609.001205/2002-85 Recurso n° 139.027 Voluntário Matéria IRPF - Ex(s): 1997 a 2001 Acórdão n° 106-16.977 Sessão de 26 de junho de 2008 Recorrente PETER JORDAN Recorrida 55 TURMA/DRJ em BELO HORIZONTE - MG Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — MPF - EMISSÃO E PRORROGAÇÃO FEITA POR AUTORIDADE COMPETENTE — CADUCIDADE DO MANDADO POR DECURSO DE PRAZO — INOCORRÊNCIA — INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO — EVENTUAL INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS QUE DISCIPLINAM O MPF NÃO TEM O CONDÃO DE GERAR NULIDADE DO LANÇAMENTO - O MPF foi emitido e prorrogado por autoridade competente. Ainda, não houve caducidade do MPF por decurso de prazo, o que permitiu a mesma autoridade autuante iniciar e encerrar o MPF. Ademais, o MPF constitui-se em mero instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. RAssunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001 — PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA — LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL — PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO - Rígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1°, do CTN, pode-se utilizar a legislaçãoysuperveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como uni t . Processo n°13609.001205/2002-85 CCO I /C06 Acórdão 106-18.977 Fls. 1.366 meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO - LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 - HIPÓTESES DO DECRETO N° 3.724/2001 — APLICAÇÃO PARA PERÍODOS ANTERIORES A 2001 - POSSIBILIDADE - O contribuinte que não atenda a regular intimação do fisco para apresentar os extratos bancários, deve-se submeter à transferência compulsória do sigilo bancário da instituição financeira para o fisco, nos limites do Decreto n°3.724/2001. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4°, DO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — RENDIMENTOS OMITIDOS — FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL — IMPOSSIBILIDADE — APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4°, DA LEI N° 9.430/96 — FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL — HIGIDEZ DO LANÇAMENTO — É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, 2 • Processo n° 13609.00120512002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-18.977 Fls. 1.367 §4°, da Lei n° 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano- calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de oficio, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (camê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica é anual, na forma do art. 2° da Lei n°7.713/88 c/c os arts. 2° e 9° da Lei n°8.134/90. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS — IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE - Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — VINCULAÇÃO A RECIBOS E CHEQUES EMITIDOS POR EMPRESA AO SÓCIO RECORRENTE — EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO — Comprovada a origem dos depósitos bancários, vinculados, em parte, as receitas omitidas e anteriormente tributadas na pessoa jurídica, é de se afastar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS — VACINAS — IMPOSSIBILIDADE — RECIBOS QUE NÃO DISCRIMINAM O OBJETO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO - GLOSA - São dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes efetivamente pagas e comprovadas através de documentação idônea, na qual se especifique o objeto do pagamento. Não é passível de dedução a despesa relativa a vacinas, por não compor a hipótese de incidência da norma. Ainda, bloquete de cobrança que não especifique o objeto da prestação do serviço deve ser glosado. DESPESA COM INSTRUÇÃO — NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO — AUSÊNCIA DE DESPESA EM NOME DO CÔNJUGE DEPENDENTE — CORREÇÃO DA GLOSA — Não havendo comprovação de despesa com o cônjuge dependente, deve-se manter a glosa perpetrada pela fiscalização. 3 • è Processo n° 13609.00120512002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-18.977 Fls. 1.368 OMISSÃO DE RENDIMENTOS — JUROS RECEBIDOS — RECIBOS FIRMADOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE — ALEGAÇÃO NO RECURSO DE QUE NÃO RECEBEU OS RENDIMENTOS — DESCABIMENTO — Os recibos com o montante dos juros recebidos foram firmados pelo recorrente. Aliado a isto, os contratos de mútuos foram acostados aos autos. A mera alegação de que não recebeu os rendimentos representados pelos recibos, diga-se de passagem, firmados pelo próprio recorrente, não tem o condão de afastar a presunção de higidez da documentação acostada aos autos. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO — CARNÊ-LEÃO — INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO — IMPOSSIBILIDADE — Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de oficio que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. JUROS DE MORA —ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC — POSSIBILIDADE —No âmbito dos Conselhos, pacifica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL — COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS — NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS — ÔNUS DO RECORRENTE — A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PETER JORDAN. 4 Processo e 13609.001205/2002-85 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.369 ACORDAM os membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a) Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, e a de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 1997, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage; b) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares de nulidade argüidas pelo recorrente, RECONHECER a decadência do lançamento do ano-calendário de 1996 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: i) excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários: no ano-calendário de 1997, o valor de R$ 187.240,00; no ano-calendário de 1998, o valor de R$ 48.500,00; no ano-calendário de 1999, o valor de R$ 785.907,66; e no ano-calendário de 2000, o valor de R$ 551.380,72. ii) cancelar a multa isolada do camê-leão, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , I AO 1.20• AN *44 ; • jiIBEI ta DiS REIS Presi ent - GIOV • NNI CHRI / // • N til 4;, El • MPOS Rala ir F RMALIZADO1 M: 1 4 AGO 2008 P:rticiparam, ai a do prt ente julgamento, os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Arag. • Calomino As ga e Rub s Mauricio Carvalho (suplente convocado). Relatório Em face do contribuinte Peter Jordan, CPF/MF n° 332.876.866-15, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 19/12/2002, Auto de Infração (fls. 08 a 25), com ciência postal em 20/12/2002. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 692 a 763. Para explicitar os motivos da impugnação, bem como delimitar o objeto da autuação, transcreve-se o relatório da decisão a quo, que teve como relator o AFRFB Luciano Coimbra Teixeira, verbis: Contra o contribuinte pre citado foi lavrado o Auto de Infração às fls. 08 a 51, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, anos-calendário 1996, 1997, 1998, Processo e 13609.001205/2002-85 CCO I /C06 Acórdão o° 106-16.977 Fls. 1.370 1999 e 2000, formalizando a exigência a seguir discriminada (valores em reais —R$): IMPOSTO 2.402.454,66 MULTA DE OFÍCIO 1.801.840,98 JUROS DE MORA (calculados até 29/11/2002) 1.159.826,93 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE 18.943,87 TOTAL 5.383.066,44 O lançamento decorre: I) da omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas; 2) da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores creditados em contas bancárias de titularidade do interessado, uma vez que a origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea (Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 26 a 30 e documentos nele mencionados); 3) da falta de recolhimento do imposto de renda devido à título de carnê-leão (multa isolada) e 4) da dedução indevida da base de cálculo de despesas médicas e despesas com instrução. Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: art. 11, § 3°, do Decreto-Lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943; arts. I° a 3° e §§ e 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. I° a 4° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990; arts. 3°, 8°, inc. II e §§ 20 e 3°, 11 e 35 da Lei n°9.250, de 26 de dezembro de 1995; arts. 42, 43, 44, § 1°, inc. II e 61, §§ 1° e 2° da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 4" da Lei n°9.481, de 13 de agosto de 1997 e art. 21 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 (fls. 10 a 16). Cientificado em 20/12/2002 (fl. 690), o mandatário do contribuinte apresenta, em 08/01/2003, a impugnação às fls. 692 a 718, acompanhada dos documentos às fls. 719 a 763, alegando, em síntese, que: 1) Preliminares: • A quebra do sigilo bancário, efetuada conforme o disposto na Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, não poderia retroagir, abarcando fatos econômicos ao longo dos anos de 1997, 1998, 1999 e 2000; • Durante o período fiscalizado, de 1997 a 2000, vigia a Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, que instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - CPMF, e que expressamente vedava, em seu art. 11, a utilização de informações bancárias para a constituição de créditos tributários relativos a outras contribuições e impostos; • O lançamento baseou-se em provas obtidas por meio ilícito e ofende claramente aos princípios constitucionais da anterioridade e irretro atividade. O advento, em 27 de dezembro de 1996, da Lei n°9.430. não alterou a proibição de utilização de informações bancárias para a constituição de créditos tributários. Tal proibição somente foi alterada com a Lei n" 10.174, de 09 de janeiro de 2001, de sorte que a 17Ar permissão para utilização de informações bancárias para a • • Processo e 13609.001205/2002-55 CCOI/C06 Acórdão n." 105-16.977 Fls. 1.371 constituição de outros créditos tributários, que não a CPMF, só é aplicável a partir de I° de janeiro de 2002; • Impõe-se à Administração Fazendária, na iminência ou na prática de qualquer ato que não corresponda à realidade, o dever de utilizar-se de todas as formas possíveis de provas a fim de alcançar a verdade material dos fatos; • Os autuantes afirmaram que "o contribuinte não atendeu à intimação". Contudo, a própria Fiscalização reconheceu que "possuía cópias dos extratos disponibilizados quando da fiscalização da empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A, da qual o sujeito passivo é sócio", mas que "tais cópias compõem o processo administrativo fiscal da empresa ...". Assim, a Fiscalização desprezou os documentos que se encontravam juntados em outro processo administrativo, desvirtuando a verdade dos fatos; • O lançamento é nulo, eis que, no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, foram indicados os mesmos Auditores-Fiscais para a continuação do procedimento fiscal, o que fere o parágrafo único do art. 16 da Portaria SRF n°1.265, de 22 de novembro de 1999; 2) Mérito: • Considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 19/12/2002, ocorreu a decadência do direito de lançar créditos relativos a períodos anteriores a dezembro de 1997; • O imposto de renda somente pode incidir quando existir acréscimo patrimonial tributável, nos termos dos arts. 43, 44 e 110 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — C77V); • Os depósitos bancários não podem ser aceitos como produto do capital, trabalho ou combinação de ambos, nem como acréscimo patrimonial, por não serem capazes de medir o patrimônio no início e no final do período de apuração, razão pela qual o legislador ordinário, por meio do Decreto-Lei n° 2.471, de I° de setembro de 1988, e à luz da reiterada jurisprudência do TRF (Súmula n° 182), determinou o cancelamento de débitos constituídos exclusivamente com base em depósitos bancários; • Valores correspondentes a transferências entre contas e resgates de aplicações financeiras e poupança foram totalmente desconsiderados pelos autuantes; • O interessado, como acionista detentor de 50% do capital da empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A, auferiu rendimentos isentos, decorrentes da distribuição automática de lucros, os quais não foram considerados pela fiscalização; 7 • Processo n° 13609.001205/2002-85 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.372 • A glosa de despesas médicas é indevida, vez que, de acordo com a legislação, os recibos apresentados constituem prova cabal dos serviços prestados; • A glosa de despesas com instrução é incompreensível, pois foram feitos gastos efetivos e os valores declarados estão dentro do limite legal; • Os juros decorrentes de empréstimos, a que se referem os contratos de mútuos, não foram efetivamente recebidos; • Descabe a cobrança de multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, por estar sendo exigida cumulativamente com a multa incidente sobre o imposto apurado, sobre a mesma base de cálculo (bis in idem); • A utilização da taxa SELIC é indevida, posto que, quando o CTN, em seu art. 161, § 1 0, indica um percentual de 1% salvo lei em contrário, está permitindo o advento de lei que preveja apenas percentual menor, não maior; • As razões de defesa são amparadas por farta jurisprudência administrativa e judicial. Por fim, protesta pela improcedência de todo o Auto de Infração. Subsidiariamente, requer a exclusão dos valores distribuídos automaticamente decorrente da receita apurada na pessoa jurídica, em homenagem ao art. 10 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, e a redução dos juros de mora ao máximo de I% ao mês. A 5' Turma de Julgamento da DRJ-Belo Horizonte (MG), por maioria de votos, rejeitou as preliminares argüidas e, no mérito, considerou procedente em parte o lançamento, vencida a julgadora Sheila Cordeiro Andrade, que votou pelo não cabimento da simultaneidade da exigência da multa isolada por falta de recolhimento do camê-leão e da multa de oficio, em decisão de fls. 780 a 803. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 4.075, de 25 de julho de 2003, que foi assim ementado: NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. DECADÊNCIA. Mantém-se o lançamento de oficio efetuado dentro do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. k8t4: A Lei n°9.430. de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o e. Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.373 lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. A dedução das despesas médicas e das despesas com instrução limita- se a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. CARNE-LEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, artigo 44, § I°, III, combinada com a Instrução Normativa SRF n° 46, de 13 de maio de 1997, estabeleceu a aplicação da multa isolada para a pessoa fisica, sujeita ao pagamento do imposto na forma de carnê-leão, que tenha deixado de fazê-lo, sem prejuízo da multa calculada sobre o imposto suplementar apurado pelo Fisco. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 24/10/2003 (fls. 806). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 20/11/2003 (fls. 807). No voluntário, o recorrente deduz os seguintes argumentos: 1. a utilização retroativa dos dados bancários para os anos-calendário de 1997 a 2000, com espeque na Lei Complementar 105/2001, viola o principio da irretroatividade da lei tributária. Ademais, somente com a Lei n° 10.174/2001, com vigência a partir de 2002, pôde o fisco utilizar as informações da CPMF em procedimento fiscal tendente a verificar a existência de crédito tributário; 2. em oposição ao afirmado na decisão recorrida, entende que o julgador administrativo tem o dever se posicionar sobre a constitucionalidade das leis. No ponto, foi omissa a decisão recorrida; 3. o processo administrativo fiscal deve perseguir a verdade material; 4. o lançamento é nulo, em decorrência da emissão de novo mandado de procedimento fiscal sob presidência do mesmo Auditor-Fiscal da Receita Federal, com vuilneração ao art. 16, parágrafo único, da Portaria SRF n° 1.265/99; 5. pugna pela aplicação da decadência, com contagem na forma do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, com fato gerador do imposto de renda com periodicidade mensal, o que teria o condão de fulminar os fatos geradores até novembro de 1997, pois o auto de infração foi lavrado em 19/12/2002; 6. lançamento com base em extratos bancários não pode ser aceito, pois k depósitos bancários não são renda, conforme assentado em iterativa e mansa jurisprudência, administrativa e judicial; 9 a Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-18.977 Fls. 1.374 7. os depósitos bancários considerados rendimentos omitidos em determinado mês devem ser utilizados para comprovar e justificar a omissão presumida no mês subseqüente; 8. os valores das transferências e dos resgates das aplicações financeiras foram totalmente desconsiderados pelos autuantes, em desconformidade com o art. 42, § 3 0, da Lei n° 9.430/96, o que terminou por prejudicar sobremaneira o contribuinte, na medida em que tais valores foram considerados em duplicidade; 9. "É certo também que, como acionista da empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A, os recursos decorrentes do pro labore e dos lucros eram disponibilizados na conta de depósito do Recorrente quase sempre sem a burocracia dos controles contábeis, ou seja, via doc ou depósito em dinheiro. Por esta razão, torna-se necessário buscar na escrituração da pessoa jurídica os documentos e a demonstração dos valores transferidos" (grifei - fls. 849); 10.no bojo do processo administrativo n° 13609.000453/2001-28, a empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A foi autuada em decorrência de omissão de rendimentos, caracterizada pela não comprovação dos suprimentos de numerários efetuados pelos sócios, na forma do art. 282 do RIR/99 ("provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas - Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 12, §32, e Decreto-Lei n2 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 12, inciso IP). Considerando que o recorrente possuía 50% do capital dessa empresa, as receitas omitidas devem ser colacionadas aos resultados da pessoa jurídica, apurando-se novo lucro líquido, o qual deve ser considerado distribuído aos sócios, o que será suficiente para elidir parcialmente a infração decorrente dos rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada. Ainda, a distribuição automática dos lucros apurados após a colação das receitas omitidas encontra-se albergada pela norma isentiva do art. 10 da Lei n° 9.250/95; 11.pugna pelo restabelecimento das glosas com despesas médicas e despesas com instrução; 12.o recorrente não tributou os juros decorrentes de empréstimos concedidos a pessoas fisicas porque não os recebeu; 13.pugna pelo cancelamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto mensal obrigatório; Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.375 14.considerando que a taxa Selic é imprestável para corrigir débitos tributários, pugna pela redução dos juros de mora para o máximo de 1% ao mês; 15.em razões adicionais, protocoladas em 17/11/2004 (fls. 1.182), o recorrente afiança que os auditores-fiscais tinham obrigação de apreciar a prova coligida no auto de infração da empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A, com impacto direto na solução do presente litígio, mormente porque foram as mesmas autoridades que presidiram ambos os procedimentos fiscais. Ainda, a pretensão da Fazenda Nacional em utilizar retroativamente a Lei n° 10.174/2001 viola o princípio da moralidade administrativa. Considerando que o recorrente havia afirmado que a autoridade a quo não se pronunciara a respeito das informações prestadas pelo então impugnante relativa às provas coligidas no processo da Nutrir Produtos Alimentícios Ltda., em sessão de 23 de fevereiro de 2005, esta Sexta Câmara converteu o julgamento em diligência, pela Resolução n° 106-01.277, na relatoria da Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto, determinando que "a autoridade preparadora providencie a juntada dos documentos e demonstrativos solicitados em impugnação" (fls. 1.194). Em cumprimento ao determinado na Resolução, a autoridade autuante prestou a Informação Fiscal de fls. 1.199 e 1.200, quando juntou peças do processo administrativo fiscal n° 13609.000453/2001-28, referente ao lançamento efetuado em face da empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A. A estes autos, foram juntados os seguintes anexos: • anexo III a V — cópia das contas caixa/bancos e empréstimos dos sócios do livro razão; • anexo VI — recibos fornecidos pela empresa Nutrir aos seus sócios, como comprovação dos empréstimos que estes teriam feito àquela; • anexos VII a IX — cópia dos recibos de pagamentos que a empresa Nutrir forneceu aos sócios como comprovação do pagamento dos empréstimos; • anexos X ao XIII — cópias dos extratos bancários, dos anos-calendário 1997 a 2000, da empresa. Em 03/07/2006 (fls. 1.202), o recorrente foi intimado do teor da diligência acima. Em 11/08/2006, o recorrente ofereceu razões adicionais em face do teor da diligência antes mencionada, quando enfatizou que a fiscalização, na auditoria da empresa Nutrir, apenas desconsiderou os lançamentos contábeis a crédito da conta "empréstimos de sócios". Agora, neste procedimento fiscal, caberia a autoridade fiscal considerar os lançamentos a débitos da referida conta como lucros distribuídos, notadamente porque há, nos autos, prova do efetivo pagamento da distribuição de lucro, representado por recibos e cópias dos cheques. Ainda, o recorrente fez um quadro demonstrativo no qual foram conciliados os depósitos bancários com os respectivos valores de distribuição de lucro (fls. 1.212 a 1.237). II • 1/4 Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.376 Em sessão plenária de 28 de fevereiro de 2007, pela Resolução n o 106-01.417, esta Sexta Câmara novamente converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade autuante examinasse a veracidade das informações prestadas no quadro demonstrativo acima citado. Antes de apreciar especificamente o demonstrativo em foco, asseverou a autoridade responsável pela diligência, baseado nas declarações de imposto de renda da empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A e do recorrente, o que segue: • conforme informações nas DIRPJ/DIPJ da empresa Nutrir, fichas remuneração/rendimentos de dirigentes, não há registro de lucros distribuídos; • o recorrente também não declarou a percepção de lucros distribuídos. Mais à frente, referente ao demonstrativo em discussão, notadamente em relação à tese da distribuição automática de lucros comprovada pelos recibos e cheques que anteriormente tinham sido emitidos como comprovação e pagamento ao recorrente mutuante, asseverou a autoridade que presidiu a diligência: • os cheques que pretensamente extinguiram as obrigações decorrentes do mútuo firmado entre o recorrente e a empresa Nutrir não foram emitidos nominais ao recorrente, exceto por uma pequena minoria, não havendo prova de que tais cártulas foram depositadas na conta de depósito do recorrente mutuante (e, agora, beneficiário da distribuição automática de lucros); • o recorrente deveria comprovar, mediante cópia dos recibos de depósitos e dos cheques microfilmados, que tais valores (cheques recebidos como pagamento dos mútuos e agora utilizados para comprovar a distribuição de lucros) transitaram em suas contas de depósito, o que não foi feito; • ressaltou que os valores percebidos pelo recorrente, comprovado pelos cheques emitidos, em sua maioria não tem identidade com os depósitos bancários de origem não comprovada Em 12/09/2007, o recorrente apresentou manifestação em face do teor da diligência acima (fls. 1300 a 1.362), quando afirmou: • "De início cumpre salientar que o lançamento na pessoa jurídica Nutrir Produtos Alimentícios S/A foi efetuado com base nos cheques lançados a crédito da conta "empréstimos de sócios", tributados como omissão de receita por empréstimos não comprovados. Ocorre que a fiscalização, no lançamento da pessoa fisica do Recorrente, não está considerando os registros contáveis a débito desta conta — "empréstimos de sócios" -, cujos valores comprovam a origem de recursos exigidos nestes autos: Tais recursos nada mais são que lucros distribuídos não obstante o seu registro em "empréstimos de sócios" (fls. 1.301 e 1.302 — grifos do original); Processo n°13609.001205/200245 CC01/096 Acórdão n.° 106-16.977 F's. 1.377 • a fiscalização "está a desprezar os registros contábeis a débito desta mesma conta, cujos valores são hábeis pm comprovar a origem de recursos do Recorrente. Os recibos de pagamento dos empréstimos, aliás, além de listar os cheques que integram cada pagamento, estão acompanhados das respectivas cópias xerográficas (Anexos VII ao IX)" — fls. 1.303 — grifos do original; • para rebater a afirmação de que deveria comprovar os depósitos dos cheques recebidos como pagamento decorrente do mútuo (ou da distribuição de lucros), com cópia dos recibos dos depósitos e cópia dos cheques microfilmados, asseverou que os recibos dos depósitos não ficam em poder do contribuinte, pois pertencem ao estabelecimento bancário, e que as cópias dos cheques (e dos recibos de pagamento dos mútuos/distribuição de lucros) foram trazidas aos autos pela própria autoridade que presidiu o procedimento fiscal em face da empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A; • informou que os empréstimos foram feitos dentro do ano-calendário, razão que explica a ausência de registro em suas declarações de imposto de renda da pessoa física; • alfim, pugna primariamente pela extinção do processo fiscal, e, sucessivamente, o recorrente ainda pediu a exclusão (fls. 1.308): a) "dos valores informados nas planilhas de fls. 1.214 a 1.237"; b) "dos valores lançados a débito da conta "empréstimos de sócios" como prova cabal da origem dos recursos movimentos eis que decorrentes de valores já tributados a pessoa jurídica"; c) "dos rendimentos informados nas declarações de ajuste relativas aos anos- calendários de 1997, 1998 e 1999 (fls. 1250 a 1280), em especial, das doações recebidas de Winnfried Jordan — CPF 003.106.977-00 nas importâncias de R$ 301.988,32, R$ 535.000,00 e R$ 831.128,00, respectivamente, que também comprovam os recursos utilizados nas operações bancárias sob pena de afronta à norma contida no caput do art. 42 da Lei n°9.430/96". Ainda, nas fls. 1.306, conciliou um débito (com o recibo emitido em favor do recorrente) na conta de depósito da empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A com um depósito bancário de origem não comprovada, buscando explicar a metodologia empregada no demonstrativo em debate. É o relatório. t. 13 I. Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.' 106-16.977 Fls. 1.378 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 2.4/10/2003 (fls. 806) e interpôs o recurso voluntário em 20/11/2003 (fls. 807), dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, dele tomo conhecimento. Abaixo, resume-se a controvérsia instaurada nesta instância: I. o lançamento é nulo, em decorrência da emissão de novo mandado de procedimento fiscal sob presidência do mesmo Auditor-Fiscal da Receita Federal, com vulneração ao art. 16, parágrafo único, da Portaria SRF n° 1.265/99; II. a utilização retroativa dos dados bancários para os anos-calendário de 1997 a 2000, com espeque na Lei Complementar 105/2001, viola o princípio da irretroatividade da lei tributária. Ademais, somente com a Lei n° 10.174/2001, com vigência a partir de 2002, pôde o fisco utilizar as informações da CPMF em procedimento fiscal tendente a verificar a existência de crédito tributário. A utilização retroativa da Lei n° 10.174/2001 fere o princípio da moralidade administrativa; III. em oposição ao afirmado na decisão recorrida, entende que o julgador administrativo tem o dever se posicionar sobre a constitucionalidade das leis. No ponto, foi omissa a decisão recorrida; IV. lançamento com base em extratos bancários não pode ser aceito, pois depósitos bancários não são renda, conforme assentado em iterativa e mansa jurisprudência, administrativa e judicial; V. pugna pela aplicação da decadência, com contagem na forma do art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional, com fato gerador do imposto de renda com periodicidade mensal, o que teria o condão de fulminar os fatos geradores até novembro de 1997, pois o auto de infração foi lavrado em 19/12/2002; VI. os depósitos bancários considerados rendimentos omitidos em determinado mês devem ser considerados para comprovar e justificar a omissão presumida no mês subseqüente; VII. os valores das transferências e dos resgates das aplicações financeiras foram totalmente desconsiderados pelos autuantes, em desconformidade com o art. 42, § 3 0, da Lei n° 9.430/96, o que terminou por prejudicar sobremaneira o co 4,contribuinte, na medida em que tais valores foram considerados em duplicidade; VIII. no bojo do processo administrativo n° 13609.000453/2001-28, a empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A foi autuada em decorrência de omissão de rendimentos, caracterizada pela não comprovação dos suprimentos de _ 14 - Processo ri' 13609.001205/2002-85 CO! /C06 Acórdão 0.° 106-16.977 Fls. 1.379 numerários efetuados pelos sócios, na forma do art. 282 do RIR/99 ("provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anónima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas - Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 12, §32, e Decreto-Lei n2 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 12: inciso Ir). Considerando que o recorrente possuía 50% do capital dessa empresa, as receitas omitidas devem ser colacionadas nos resultados da pessoa jurídica, apurando-se novo lucro líquido, o qual deve ser considerado distribuído aos sócios, o que será suficiente para elidir parcialmente a infração decorrente dos rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada. Ainda, a distribuição automática dos lucros apurados após a colação das receitas omitidas encontra-se albergada pela norma isentiva do art. 10 da Lei n°9.250/95; IX. pugna pelo restabelecimento das glosas com despesas médicas e despesas com instrução; X. o recorrente não tributou os juros decorrentes de empréstimos concedidos a pessoas físicas porque não os recebeu; XI. pugna pelo cancelamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto mensal obrigatório; XII. considerando que a taxa Selic é imprestável para corrigir débitos tributários, pugna pela redução dos juros de mora para o máximo de 1% ao mês; XIII. caso o pedido do item VIII não seja provido, pede para que os rendimentos informados nas declarações de ajuste relativas aos anos-calendário de 1997, 1998 e 1999 (fls. 1250 a 1280), em especial, das doações recebidas de Winnfried Jordan — CPF 003.106.977-00 nas importâncias de R$ 301.988,32, R$ 535.000,00 e R$ 831.128,00, respectivamente, sejam utilizados para comprovar a origem dos recursos. Inicialmente, mister apreciar as preliminares dos itens I a IV. No item I, o recorrente afiança que o lançamento é nulo, em decorrência da emissão de novo mandado de procedimento fiscal sob presidência do mesmo Auditor-Fiscal da Receita Federal, com vulneração do art. 16, parágrafo único, da Portaria SRF n° 1.265/99. O Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização — MPF-F inicial foi emitido pela Senhora Superintendente Regional da Receita Federal na 6' Região Fiscal, Dra. Leda Domingos Alves, em 13 de agosto de 2001. Ainda, foi juntado aos autos o demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF, iniciado em 11 de dezembro de 2001 e concluído em 23 de dezembro de 2002 (fls. 01 e 06). Abaixo, excertos da Portaria SRF n° 1.265/1999, que disciplinava o MPF, vigente na época do fato: 5 4. Processo n° 13609.001205/2002-85 CCO IC06 Acórdão n.° 108-18.977 Fls. 1.380 Art 6' O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (Redação dada pela Portaria SRF n° 407, de 17/04/2001) 1— omissis; II — Superintendente da Receita Federal; (Redação dada pela Portaria SRF n° 407, de 17/04/2001) III — omissis. § 1°a § 5° omissis. (.) Art 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: (Redação dada pela Portaria SRF n 2 407, de 17/04/2001) I - cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; (Redação dada pela Portaria SRF n 2 407, de 17/04/2001) II - trinta dias, no caso de MPF-D. (Redação dada pela Portaria SRF n2 407, de 17/04/2001) Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, a cada ato, o prazo máximo de trinta dias. (Redação dada pela Portaria SRF n 2 407, de 17/04/2001.) Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPF-C. Art. 15. O MPF se extingue: I - pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II - pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13; Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado minto. (grifei) Vê-se que o MPF-F foi emitido por autoridade competente, no caso, a Senhora Superintendente Regional da Receita Federal na 6' Região Fiscal, na forma do art. 6°, III, da Portaria n° 1.265/99. Ainda, regularmente prorrogado, como faz prova o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF de fls. 06. O recorrente afirmou que o MPF-F tinha sido extinto por decurso de prazo, e a autoridade fiscalizadora primeva não poderia concluir o feito fiscal, na forma do art. 16, parágrafo único, da Portaria acima citada. Processo n° 13609.001205/2002-85 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.381 Ora, não há qualquer prova que o MPF-F tenha sido extinto por decurso de prazo. Há, na verdade, prova de que o MPF-F foi regularmente prorrogado. Quer parecer que o recorrente advoga a necessidade de que a cada prorrogação do MPF-F, mister a indicação de nova autoridade fiscal. Este não é o entendimento que se extraía da Portaria. O mi. 15, II c/c os arts. 12 e 13, da Portaria n° 1.265/99 determinava que caso o MPF fosse extinto por decurso de prazo, ou seja, não havendo a regular renovação, obrigatória a indicação de nova autoridade fiscalizadora. Nos autos, insista-se, não há qualquer comprovação de caducidade dos MPF emitidos. Ao contrário, há prova da regular prorrogação. Na linha do acima decidido, traz-se ementa do Acórdão n° 106-15579, relator o conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 25/05/2006, verbis: NULIDADE DO LANÇAMENTO — VÍCIOS NO PROCEDIMENTO FISCAL — A Portaria 1.265/99 estatui a possibilidade de prorrogação do MPF mediante a formalização de MPF C dentro do prazo regulamentar, não se exigindo que a notificação ao contribuinte do MPF C também se faça neste prazo. A designação de novo AFFR somente tem lugar quando ultrapassado o momento para formalização do MPF C, caso em que haverá necessidade de formalização de novo MPF. MULTA QUALIFICADA - O agravamento da multa deve estar suficientemente justificado e comprovado nos autos, já que decorre de casos de evidente má-fé, fraude e não de simples omissão de rendimentos. Recurso parcialmente provido. Ad argumentadum tantum, mesmo que houvesse a prova de caducidade do MPF-F emitido, o lançamento fiscal seria completamente higido, podendo a caducidade ser encarada apenas como uma desídia funcional, podendo ser apurada administrativamente, porém jamais tendo o condão de invalidar a apuração do crédito tributário. Aceitar que uma formalidade da espécie acima pudesse anular o lançamento, seria fazer tabula rasa do art. 142 do Código Tributário Nacional, bem como de toda legislação ordinária federal que outorga competência ao auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil para constituir, mediante o lançamento, o crédito tributário, em prol de uma vulneração procedimental de controle da ação fiscal. Como exemplo deste entendimento, veja-se o excerto da ementa do Acórdão n° 106-15722, sessão de 27/07/2006, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, verbis: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF, primordialmente, presta-se como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco-contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal Ocorrendo problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados, vez que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal )14Át .. Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.. 108-18.977 Fls. 1.382 deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, rejeita-se a preliminar do item I. No item II, o recorrente afirma que a utilização retroativa dos dados bancários para os anos-calendário de 1997 a 2000, com espeque na Lei Complementar 105/2001, viola o principio da irretroatividade da lei tributária. Ademais, somente com a Lei n° 10.174/2001, com vigência a partir de 2002, pôde o fisco utilizar as informações da CPMF em procedimento fiscal tendente a verificar a existência de crédito tributário. A utilização retroativa da Lei n° 10.174/2001 fere o principio da moralidade administrativa. Argumenta o recorrente que a Receita Federal deveria resguardar o sigilo das informações prestadas pelas instituições financeiras, no tocante a CPMF, sendo vedada sua utilização para constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, na forma do art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96. Ainda, que a alteração desse parágrafo perpetrada pela Lei n° 10.174/2001, não poderia atingir fatos geradores anteriores a 2001, bem como a Lei Complementar n° 105/2001 também não poderia retroagir. Essa questão foi acaloradamente debatida no âmbito dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao final, consolidou-se o entendimento de que a Lei n° 10.174/2001, no ponto em discussão, quando permitiu a utilização dos dados da CPMF para períodos pretéritos a sua vigência, tem fimdamento de validade no art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, que manda aplicar ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nessa linha, veja-se a ementa do Acórdão n° CSRF/04-00.135, sessão de 13 de dezembro de 2005, relator o conselheiro Romeu Bueno de Camargo: LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei n°10.174, de 2001, que deu nova redação ao 5 3° do art. lida Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submetem ao principio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Recurso especial provido. Ainda, como exemplo dessa orientação jurisprudencial, no âmbito desta Sexta Câmara, vejam-se os Acórdãos res 106-16.083, sessão de 25 de janeiro de 2007, relatora a conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto; 106-16.142, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha. No poder judiciário, a higidez da alteração trazida pela Lei n° 10.174/2001, permitindo a utilização dos dados da CPMF para lançar tributos em períodos anteriores a 2001, foi ratificada em múltiplos arestos do Superior Tribunal de Justiça — STJ. Por todos, veja-se a 18 Processo n°13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-18.977 Fls. 1.383 ementa do REsp 792.812, julgado em 13/03/2007, publicado no DJ de 02/04/2007, relator o Ministro Luiz Fux: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TER. I. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que pennite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6" da Lei Complementar 105/2001 e 1" da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal" (REsp 685.708/ES, 1° Turma, Min. Luiz Fia, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § 1°, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC n" 105/2001, art. 6°, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurá-la. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que "É possível a aplicação imediata do art. 6° da LC n° 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § I°, i 19 ., Processo n° 13609.001205/2002-85 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fb. 1.384 do CTN, revela-se possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. I° da Lei n" 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3", da Lei n° 9.311/96" (AgRgREsp 700.789/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19.12.2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/RJ, ReL MM. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.601/SC, 2" Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, ReL Min. Diana Calmon, DJ 03/10/05. 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): "uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário." 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornou-se inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a I milhão e meio de dólares (fís. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (lis. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de "um amigo estrangeiro residente no Líbano" (fls. 40). Na justificativa do Fisco (lis. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: "Inicialmente, deve-se chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, deve- se observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles." 3. Recurso especial provido. Ora, a retroatividade da Lei n° 10.174/2001 foi mantida pelo Tribunal responsável pela uniformização da lei tributária federal no Brasil. Ademais, tal Lei foi aprovada seguindo os cânones do processo legislativo. Assim, não há que se falar em vtilneração do princípio da moralidade administrativa. Ainda, buscou o contribuinte se acobertar no manto de princípio segurança jurídica, invocando o princípio da irretroatividade das leis e o do tempus regit actum, o que afastaria a utilização retrospectiva dos dados da CPMF. Tal princípio deve ser sopesado em face da necessidade do combate aos ilícitos fiscais, obrigação do estado e direito do cidadão cumpridor de suas obrigações. Não pode uma norma procedimental, que vede a ação do fisco, anistiar infrações cometidas no curso de sua vigência, garantindo ao infrator um direito adquirido. Ora, o direito a ser adquirido é aquele lícito, em conformidade com o ordenamento jurídico. Ninguém tem direito a invocar uma legislação que o proteja, de forma peremptória, ao descortinamento de 20 Processo n°13609.001205/200245 CC01/C06 Acórdão n.° 108-16.977 • Fls. 1.385 ilícitos que foram desnudados por legislação superveniente, que, no caso vertente, aumentou os poderes da fiscalização tributária federal. Assim, o princípio da segurança jurídica deve ser afastado em prol do interesse público e da necessidade da descoberta das infrações tributárias. Por tudo, escorreita a utilização das informações da CPMF como elemento indiciário à constituição do crédito tributário, como no caso vertente, não havendo qualquer pecha de inconstitucionalidade na utilização retroativa dos poderes trazidos pela Lei n° 10.174/2001 à fiscalização tributária. Superada a questão acima, passa-se a apreciar a questão da transferência do sigilo bancário para o fisco, como autorizado pela Lei Complementar n° 105/2001, em períodos anteriores ao ano-calendário 2001. Carece de plausibilidade a tese de que a transferência do sigilo bancário do recorrente para o fisco afronta direitos individuais. Não se pode esquecer que o sigilo permanece preservado, já que a autoridade administrativa tributária somente utiliza as informações em seu mister constitucional. É dificil compreender como o sigilo bancário pode se inserir no art. 5°, X e XII, da CF88, como comumente advogam os defensores do sigilo bancário absoluto, mormente porque a ação da autoridade fiscal, no caso em debate, busca combater ilícitos fiscais, e, como é cediço, as garantias individuais não podem ser utilizadas como manto para acobertar condutas ilícitas. Ademais, muito mais substancioso, em termos de informações do cidadão, é o sigilo fiscal. Nos dados da declaração de ajuste anual da pessoa fisica, além de todas as fontes de rendimentos, há todo o rol de bens do contribuinte, saldos em fins de período de todas as aplicações financeiras, terceiros beneficiários de seus pagamentos, dependentes. No extrato bancário, por seu turno, há apenas um maçante rol de débitos e créditos. E, como é cediço, o fisco obtém e analisa a enorme gama de informações protegidas pelo sigilo fiscal, e ninguém, nunca, lembrou-se de aventar que o acesso aos dados protegidos pelo sigilo fiscal pudesse violar qualquer direito ou garantia individual. Em todo caso, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem dando indícios de que nada há de excepcional na transferência do sigilo bancário para o fisco. Nesta linha, vejam-se alguns posicionamentos do Pretório Excelso: "Da minha leitura, no inciso XII da Lei Fundamental, o que se protege, e de modo absoluto, até em relação ao Poder Judiciário, é a comunicação 'de dados' e não os 'dados', o que tornaria impossível qualquer investigação administrativa, fosse qual fosse." (MS 21.729, voto do Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 5-10-95, ai de 19-10- 01). "A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5 e, X e NI da Constituição Federal (Precedente:PET.577)." (Inq 897-AgR, ReL Min. Francisco Rezek, julgamento em 23-11-94, ai de 24-3-95) "Mandado de Segurança. Sigilo bancário. Instituição financeira executora de política creditícia e financeira do Governo Federal. Legitimidade do Ministério Público para requisitar informações e documentos destinados a instruir procedimentos administrativos de sua 21 - Processo n°13609.001205/2002-85 CCM 1 /CO6 Acórdão n° 106-16.977 Fls. 1.386 competência. Solicitação de informações, pelo Ministério Público Federal ao Banco do Brasil S/A, sobre concessão de empréstimos, subsidiados pelo Tesouro Nacional, com base em plano de governo, a empresas do setor sucroalcooleiro. Alegação do Banco impetrante de não poder informar os beneficiários dos aludidos empréstimos, por estarem protegidos pelo sigilo bancário, previsto no art. 38 da Lei n. 4.595/1964, e, ainda, ao entendimento de que dirigente do Banco do Brasil S/A não é autoridade, para efeito do art. 8", da LC n. 75/1993. O poder de investigação do Estado é dirigido a coibir atividades afrontosas à ordem jurídica e a garantia do sigilo bancário não se estende às atividades ilícitas. A ordem jurídica confere explicitamente poderes amplos de investigação ao Ministério Público — art. 129, incisos VI, VIII, da Constituição Federal, e art. 8°, incisos II e IV, e § 2", da Lei Complementar n. 75/1993. Não cabe ao Banco do Brasil negar, ao Ministério Público, informações sobre nomes de beneficiários de empréstimos concedidos pela instituição, com recursos subsidiados pelo erário federal, sob invocação do sigilo bancário, em se tratando de requisição de informações e documentos para instruir procedimento administrativo instaurado em defesa do patrimônio público. Princípio da publicidade, ut art. 37 da Constituição. No caso concreto, os empréstimos concedidos eram verdadeiros financiamentos públicos, porquanto o Banco do Brasil os realizou na condição de executor da política creditícia e financeira do Governo Federal, que deliberou sobre sua concessão e ainda se comprometeu a proceder à equalização da taxa de juros, sob a forma de subvenção econômica ao setor produtivo, de acordo com a Lei n. 8.427/1992. Mandado de segurança indeferido." (MS 21.729, Rd p/ o ac Min. Néri da Silveira, julgamento em 5-10-95, 13./ de 19-10-01) Ainda, quando a retroatividade da aplicação da Lei Complementar n° 105/2001, valem todas as considerações feitas sobre a retroatividade da Lei n° 10.174/2001, pois se trata de alteração que amplia os meios de fiscalização do promotor fiscal, inserindo-se, igualmente, na faculdade do art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional. Por tudo, afasta-se a preliminar do item II. No item IH, o recorrente afirmou que entende que o julgador administrativo tem o dever se posicionar sobre a constitucionalidade das leis, havendo omissão na decisão recorrida. O julgador administrativo não detém a competência para declarar, incidenter tanturn, a inconstitucionalidade de leis, tratado, acordo internacional ou ato normativo. Nessa linha, veja-se o art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, verbis: Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Processo n°13609.001205/2002-8$ CCO I /06 Acórdão n.° 108-16.977 Fls. 1.387 I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.° 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. No ponto, não há reparos ou omissão a fazer na decisão recorrida. Já no item IV, o recorrente afirma que o lançamento com base em extratos bancários não pode ser aceito, pois depósitos bancários não são renda, conforme assentado em iterativa e mansa jurisprudência, administrativa e judicial. Anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentou-se que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, em épocas pretéritas a tal Lei, o egrégio Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR). A partir da Lei n° 8.021/90, para presumir que depósitos bancários de origem não comprovada eram rendimentos omitidos, o fisco passou a ser obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 60 da Lei n°8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. 72 ("L3 In- Processo n° 13609.001205/200245 CC01/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.388 • ° : ; •- - •: • ';• §6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei n° 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Trata-se de presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei n° 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei n°9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte. Essa é a hipótese de um das infrações dos autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontra-se pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, veja-se o Acórdão n° CSRF/04-00.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante Vfr i:j Processo n° 13609.001205/2002-85 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.389 documentação hábil e idónea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n". 9.430, de 1996). Assim, na hipótese em debate, escorreita a parte do lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/96, constituindo o crédito tributário decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Afastadas as preliminares, passa-se ao mérito. Primeiro a prefacial de mérito referente à decadência, enfocada no item V. Aqui, o recorrente pugna pela aplicação da decadência, com contagem na forma do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, com fato gerador do imposto de renda com periodicidade mensal, o que teria o condão de fulminar os fatos geradores até novembro de 1997, pois o auto de infração foi lavrado em 19/12/2002. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amolda-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial dá-se na forma disciplinada no art. 150, § 40, do CTN. Este é o caso do lançamento do imposto de renda da pessoa fisica. Deve-se enfatizar que é pacífico, no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa fisica, quer nas hipóteses de tributação definitiva, quer nas de tributação sujeita a ajuste, amolda-se à dicção do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. No caso do IRPF lançado e aqui discutido, não incidiu as quafificadoras do dolo, fraude ou simulação, a justificar a imposição da multa de oficio qualificada, o que levaria o prazo decadencial para a regra do art. 173, I, do CTN. Observe que todas as infrações foram apenadas com multa de oficio ordinária de 75% (11s. 10 a 15). Como exemplo da jurisprudência acima, citam-se os acórdãos n°s: 101-95026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 103-23170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 108-09230, relator do voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28/02/2007; 203-10853, relator a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez, sessão de 28/03/2006; CSRF/01-05.628, relator o Conselheiro José Henrique Longo; CSRF/04-00.213, relator o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 14/03/2006. Assim, considerando que o lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, adota-se o prazo decadencial qüinqüenal a partir do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, como antes enfatizado. Superado o ponto precedente, deve-se discutir qual a periodicidade do fato gerador do imposto de renda referente aos rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual, ou seja, se tal fato gerador tem periodicidade mensal ou anual. -4f Processo n°13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.390 Antes de prosseguir, um pequeno apanhado doutrinário sobre a classificação dos fatos geradores quanto a sua forma de exteriorização. Por essa classificação, o fato gerador pode ser instantâneo, que se exterioriza por um fato único (como a saída do produto do estabelecimento para o IPI), complexivo ou periódico, que se exterioriza por uma série de fatos econômicos e se aperfeiçoa em um único momento (como exemplo, o imposto de renda), e continuado, que se exterioriza por uma situação de fato, de caráter continuo, que se renova em determinado período de tempo (como o IPTU). Nessa linha, não há dúvidas de que o fato gerador do imposto de renda da pessoa física referente a rendimentos passíveis de ajuste anual é complexivo, ou seja, aperfeiçoa-se ao final de determinado período de tempo. Aqui, vale ressaltar que sob a égide primitiva da Lei n°7.713/88, que introduziu na legislação do imposto de renda o sistema de bases correntes, o fato gerador foi mensal apenas para o ano-calendário 1989. O imposto era apurado mensalmente, e as pessoas fisicas pagavam, mensalmente, com base nessa apuração. Entretanto, a partir do ano-calendário de 1990, mister conciliar a interpretação do art. 2° da Lei n° 7.713/88 ("O imposto de renda das pessoas fisicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos") com o art. 2° da Lei n° 8.134/90 ("O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11"). O art. 11 da Lei n° 8.134/90, aliado ao art. 9° desta Lei, versa sobre a apuração do saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração de ajuste anual. Assim, a partir da Lei n° 8.134/90, que introduziu a declaração de ajuste anual nos moldes que se conhece hoje, o fato gerador passou a ser anual, porém se manteve a tributação dos rendimentos à medida de sua percepção. Essa a única interpretação que pode conciliar os dispositivos da Lei n° 7.713/88 com os da Lei n° 8.134/90, não havendo que se falar em fato gerador do imposto de renda com periodicidade mensal. Na linha acima, a Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, competente para uniformizar a interpretação da legislação tributária da pessoa fisica no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, em sessão de 19/06/2007, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no Acórdão n° CSRF/04-00.586, assentou: DECADÉNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — TERMO INICIAL — PRAZO — No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue- se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. De outra banda, o contribuinte entende que o fato gerador do imposto de renda que incidiu sobre os rendimentos omitidos com origem em depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal, pois pugna pelo reconhecimento da decadência do período até novembro de 1997. Ainda, pelo teor da peça recursal, advoga a decadência mensal para os fatos geradores referente às outras infrações, o que, como se viu acima, não pode ser acatado, já que sob a égide da Lei n°8.134/90, não há que se falar em decadência mensal para os fatos geradores do imposto de renda. 2 4 . Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.°106-16.977 Fls. 1.391 Entretanto, deve-se discutir a tese da decadência mensal para a presunção de omissão de rendimentos decorrente dos depósitos bancários de origem não comprovada O recorrente advoga que o fato gerador do imposto de renda, no caso vertente, teria periodicidade mensal, alicerçado na dicção do art. 2° da Lei n° 7.713/88. Ocorre que a periodicidade do fato gerador da omissão de rendimentos deve ser procurada no art. 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96, que somente aparentemente ratificada a tese da decadência mensal para os fatos geradores do imposto de renda. Para tanto, veja-se a dicção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § I° a §3° omissis; §40 Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° omissis. (grifei) O recorrente advoga que o fato gerador do imposto de renda, no caso vertente, teria periodicidade mensal, alicerçado na dicção do art. 42, § 4 0, da Lei n° 9.430/96, forte na dicção de que "os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos". Ocorre que este parágrafo não diz tudo que seria necessário para se ter um fato gerador com periodicidade mensal, pois a regra da tributação da pessoa fisica é o fato gerador com periodicidade anual. Veja-se que sequer há definição do vencimento dessa obrigação "mensal". Quando venceria tal obrigação? No último do mês seguinte, como no caso dos rendimentos submetidos ao camê-leão? No último dia útil do mês seguinte ao trimestre civil, como no caso do imposto devido pelas pessoas jurídicas do lucro presumido? Na data do depósito bancário, com fato gerador diário, como no caso do IRRF que incide sobre rendimentos pagos a residentes ou domiciliados no exterior ou a pagamento a beneficiário não identificado? Ademais, os rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada devem ser tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva, como expressamente determinado pelo art. 42, § 4 0, da Lei n° 9.430/96. Ora, todos os rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cujo imposto é calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês (art. 3°, parágrafo único, da Lei n° 9.250/96) devem ser levados à colação na declaração de ajuste anual, ou seja, a tributação dentro do ano- calendário pela tabela progressiva (como no caso do camê-leão e dos rendimentos percebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste anual) não é definitiva, mas antecipação do devido no ajuste anual. Aqui, mesmo que o contribuinte descumpra o dever de antecipar o imposto dentro do ano-calendário, não submetendo os rendimentos à tabela progressiva, deve levá-los ao ajuste anual. Assim, os rendimentos sujeitos à tabela progressiva mensal devem se . 7 Processo e 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.. 106-16.977 Fls. 1.392 colacionados no ajuste anual, fortalecendo, dessa forma, a idéia de que tais rendimentos sofrem a incidência de um imposto cujo fato gerador aperfeiçoa-se no último dia do ano-calendário. Colocado o problema dessa forma, deve-se lembrar que, no caso dos rendimentos percebidos de pessoas fisicas (camê-leão) sujeitos à antecipação dentro do ano- calendário, com vencimento especificado em lei (art. 6°, II, da Lei n°8.383/91), o imposto pago dentro do ano-calendário, juntamente com os rendimentos, são levados à colação no ajuste anual. Não havendo pagamento antecipado, não há que se falar em cobrança do imposto dentro do ano-calendário, mas apenas há o lançamento de uma multa isolada pelo descumprimento da antecipação, sendo os rendimentos, igualmente, colacionados no rol dos rendimentos do ano. Inegavelmente, há similaridade jurídica entre os rendimentos sujeitos ao camê- leão, que não tiveram o imposto antecipado dentro do ano-calendário, e os rendimentos oriundos da presunção dos depósitos bancários de origem não comprovada. Ambos são rendimentos omitidos que deveriam ser tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva. Para o primeiro, ressalte-se, a Lei definiu o vencimento da obrigação mensal, porém, mesmo assim, o fato gerador é complexivo anual. Para segundo, com muito mais razão, o fato gerador somente pode ser complexivo anual. Vê-se, por tudo, que é fragilíssima a tese da periodicidade mensal do imposto de renda que incide sobre os rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada, pelos motivos que seguem: 1. o fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica, como regra geral, tem periodicidade anual, na forma do art. 2° da Lei n° 7.713/88 c/c os arts. 2° e 9° da Lei n°8.134/90; 2. como os rendimentos dos depósitos bancários estão sujeitos à aplicação da tabela progressiva, obrigatoriamente devem ser levados à colação no ajuste anual, quando, então, aperfeiçoa-se o fato gerador em 31/12, permitindo-se a apuração do imposto devido; 3. se os rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório (camê- leão), com vencimento definido em lei, e que não tiveram o imposto antecipado dentro do ano-calendário, são submetidos ao ajuste anual, sendo o fato gerador do imposto complexivo anual, com muito mais razão deve-se estender esta interpretação para os rendimentos oriundos da presunção dos depósitos bancários de origem não comprovada; 4. ausente o pagamento do imposto devido dentro do ano-calendário para o caso vertente, toma-se impossível cobrar as antecipações, cabendo, se houvesse previsão legal, a aplicação de multa de isolada de oficio, de forma similar à ausência do recolhimento mensal obrigatório (camê- leão). Por tudo, vê-se que a tese da periodicidade mensal do fato gerador dos rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada não pode ser aceita. 28 Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.393 Dessa forma, ratifica-se a aplicação da decadência na forma do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, porém se reconhece que o fato gerador do imposto de renda sujeito ao ajuste anual, como nas infrações apontadas no auto de infração aqui em debate (omissão do recebimento de juros em decorrência de empréstimos concedidos a pessoas fisicas, glosa de despesas médicas e de instrução e omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada), é complexivo, aperfeiçoando-se em 31/12 do ano- calendário. Considerando que o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 20/12/2002 (fls. 690), deve-se reconhecer que a decadência fulminou, apenas, o crédito tributário referente ao ano-calendário 1996. Superado o item V, passa-se a apreciar a defesa trazida no item VI (os depósitos bancários considerados rendimentos omitidos em determinado mês devem ser considerados para comprovar e justificar a omissão presumida no mês subseqüente). Este entendimento parte de uma compreensão equivocada da tributação decorrente dos depósitos bancários de origem não comprovada, que é uma tributação que incide sobre uma presunção de omissão de rendimentos, confundindo-a com a tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto. Na tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, quando se estrutura um fluxo de caixa mensal, os saldos bancários em início de período são fontes e os saldos em fins de período, aplicação de recursos. No início do mês subseqüente, o saldo em final do mês antecedente funciona como fonte para o mês subseqüente, e assim por diante. Observe que não estamos tratando de depósitos individuais, feitos diariamente, mas em saldos em fins de período. Por óbvio, o saldo no último dia do mês, que funcionou como aplicação no fluxo do referido período, é fonte de recursos para o mês seguinte. Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. A permissão de que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. Sabemos que não é assim que as coisas acontecem na vida, pois, em regra, o recurso sacado não retoma para a conta de depósito, mormente quando existia a CPMF. Hodiemamente, a jurisprudência do Conselho tem assentado que os depósitos bancários de determinado mês não servem para justificar os depósitos dos meses subseqüentes. Para tanto, vejam-se os Acórdãos rrs 106-14548, sessão de 14/04/2005, relatora a Conselheira Sueli Efigénia Mendes Brito; 104-20.084, sessão de 08/07/2004, redator do voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann; 104-21.165, sessão de 10/11/2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Por tudo, rejeita-se a pretensão do item VI. fk9 Is Processo n° 13609.00120512002-85 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Eis. 1.394 Agora, passa-se a apreciar a defesa do item VII (os valores das transferências e dos resgates das aplicações financeiras foram totalmente desconsiderados pelos autuantes, em desconformidade com o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96, o que terminou por prejudicar sobremaneira o contribuinte, na medida em que tais valores foram considerados em duplicidade). Aqui, o recorrente não aponta qualquer transferência ou resgate de aplicação financeira que tenha sido considerada em duplicidade. Por seu turno, a autoridade fiscal afirma que efetuou "a conciliação entre as contas bancárias (transferências entre as contas do mesmo titular e resgates de aplicações financeiras), considerando, também os demais dados disponíveis no cadastro da SRF (DIRF), e excluiu os créditos em que ficaram configuradas as origens dos recursos" (fls. 27). Compulsando a relação de depósitos de origem não comprovada, vê-se que a esmagadora maioria dos eventos refere-se a depósitos em cheque (e alguns em dinheiro). Em relação à argumentação do defendente, trata-se de mera alegação, destituída de qualquer comprovação. Assim, afasta-se a presente pretensão. Neste momento, é a vez da defesa do item VIII (no bojo do processo administrativo n° 13609.000453/2001-28, a empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A foi autuada em decorrência de omissão de rendimentos, caracterizada pela não comprovação dos suprimentos de numerários efetuados pelos sócios, na forma do art. 282 do RIR/99. Considerando que o recorrente possuía 50% do capital dessa empresa, as receitas omitidas devem ser colacionadas nos resultados da pessoa jurídica, apurando novo lucro líquido, o qual deve ser considerado distribuído aos sócios, o que será suficiente para elidir parcialmente a infração decorrente dos rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada. Ainda, a distribuição automática dos lucros apurados após a colação das receitas omitidas encontra-se albergada pela norma isentiva do art. 10 da Lei n°9.250/95). A empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A foi autuada em decorrência de manter em sua escrituração expressivos valores na conta passiva "empréstimos de sócios" em contrapartida ao Caixa, pois não logrou comprovar o efetivo suprimento do numerário, o que representa veemente indício de omissão de receitas. Em tal linha, a Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes, apreciando recurso voluntário interposto no processo administrativo n° 13609.000453/2001-28, relator o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, sessão de 09/07/2002, prolatou o Acórdão n° 101-93.887, assim ementado: IR.P.J. — PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA — O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e as Contribuições Sociais se submetem à modalidade de lançamento por homologação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do tributo e pagamento do "quantum" devido, independente de notificação, sob condição resolutó ria de ulterior homologação. Assim, o fisco dispõe do prazo de 5 anos, contado da ocorrência do fato gerador, para homologá-lo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex-vi do disposto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN). è<21). 30 k Processo n° 13609.001205/2002-85 CCO 1/C06 Acórdão n.° 106-16.977 lis. 1.395 OMISSÃO NO REGISTRO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS À CONTA CAIXA. — Os suprimentos de numerários à conta Caixa, feitos por sócios da sociedade não anônima, quando não comprovada a origem e o efetivo ingresso dos recursos, configuram indícios veementes que autorizam presumir omissão no registro de receitas, do que resulta incidência da regra jurídica inserta no artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado com o Decreto n° 3000, de 1999. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. EXAPERAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. — Não cabe o agravamento da penalidade prevista no artigo 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado com o Decreto n° 3000, de 1999, quando a tributação resulte de presunção legal relativa, 'júris minium", e as circunstâncias que venham de autorizar a exasperação da penalidade não restem minuciosa e justificadamente comprovadas. O contrato e outros documentos emitidos em conseqüência do negócio jurídico realizado, por irrelevantes, não se prestam a tanto. LANÇAMENTO DE OFICIO. ANO CALENDÁRIO ENCERRADO. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADAMENTE. AGRAVAMENTO. NÃO CABIMENTO. — Se do trabalho de auditoria fiscal, desenvolvido após o encerramento do ano calendário, resultar exigência de imposto por presumida omissão no registro de receitas (suprimentos de caixa), e sobre tal exigência incidir multa de lançamento de ofício, descabe refazimento dos cálculos dos pagamentos do tributo que eventualmente deveriam ter sido efetuados, por estimativa, abrangendo os quatro exercícios anteriores, com vistas à aplicação da penalidade de que cuida o artigo 44, parágrafo primeiro da Lei n° 9.430, de 1996, notadamente quando em seu percentual mais elevado. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. PIS. COFINS. PROCEDIMENTO REFLEXO. - A decisão prolatada no processo instaurado contra a pessoa jurídica, intitulado de principal ou matriz, da qual resulte declarada a materialização ou insubsistência do suporte fálico que também embasa a relação jurídica referente às exigências materializadas contra a mesma empresa, relativamente à Contribuição Social, à contribuição para o PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, aplica-se, por inteiro, aos denominados procedimentos decorrentes ou reflexos. (grifei) A decisão acima foi assim resumida: "Por maioria acolher preliminar de decadência de Janeiro a Julho de 1996, no mérito, dar provimento parcial nos termos do voto do relator". O recorrente pleiteia que a omissão de receitas na pessoa jurídica seja considerada distribuição automática de lucro para si, na proporção de sua participação no capital social da pessoa jurídica, o que justificaria parcialmente os rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada dos anos-calendário 1997 e 1998 e totalmente dos anos-calendário 1999 e 2000. Antes de apreciar a pretensão, mister fazer um breve retrospecto da distribuiçã automática de lucros aos sócios, estribada em receitas omitidas por pessoa jurídica. 'dl . .. Processo n° 13609.001205/2002-85 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.3% O art. 8°, § 6° c/c o art. 9°, cabeça e parágrafo único, do Decreto-Lei n° 1.648/78 determinava que cinqüenta por centro da receita omitida seria arbitrada como lucro líquido, com presunção de distribuição automática aos sócios, na proporção da participação no capital social. No caso de sociedade anônima, haveria tributação do lucro arbitrado exclusivamente na fonte. Posteriormente, o art. 44 da Lei n° 8.541/92 determinou que a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido deveria ser considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica Essa regra não se aplicava a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. Por fim, veio a Lei n° 9.249/95 e revogou o art. 44 da Lei n° 8.541/92, pois, desde então, distribuição de lucros passou a não integrar a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário (art. 10 da Lei n° 9.249/95). Como se vê, não mais há a presunção de distribuição automática de lucros aos sócios, alicerçada em receitas omitidas na pessoa jurídica, pois o objetivo da presunção legal era tributar os lucros oriundos das receitas omitidas nos beneficiários, o que perdeu o sentido a partir da Lei n° 9.249/95, pois os lucros e dividendos não mais passaram a integrar a base de cálculo do imposto de renda. Utilizar a presunção da distribuição automática de lucros como quer o recorrente, significa se apropriar de um conceito já revogado, que tinha um fim específico, no caso a tributação de lucros arbitrados na pessoa fisica, para justificar a origem de recursos transitados em suas contas bancárias. No passado, a receita omitida era colacionada na apuração do resultado (no regime do Decreto-Lei n° 1.648/78, metade da receita omitida era arbitrada como lucro distribuído), presumindo-se a distribuição. Não se necessitava comprovar a distribuição, pois era presunção ex lege. No caso aqui em debate, ao apreciar o recurso voluntário interposto contra o auto de infração lavrado na pessoa jurídica, a Primeira Câmara desconsiderou os créditos lançados na conta "empréstimos de sócios", pois não se comprovou o ingresso dos recursos no caixa da empresa. Argumenta o recorrente que houve apenas a desconsideração dos lançamentos levados a crédito da conta passiva, devendo os lançamentos a débito (pagamento do principal e juros dos empréstimos, agora considerados como lucros distribuídos) serem considerados na tributação da pessoa fisica. Os recibos e os cheques emitidos pela Nutrir para, pretensamente, pagar o principal e juros dos "empréstimos" ao recorrente (e demais sócios) obedecem a um estranho padrão de comportamento, qual seja, a emissão de recibos tendo como beneficiário o recorrente (e demais sócios), em diversos dias do mês, sendo a dívida constante de cada recibo liquidada por diversos cheques, todos não nominais aos beneficiários sócios (anexo VII - fls. 03, 04, 05, 06, 27, 29, 37, 41, 49, 51, 53, 55, 56, 58, 60, 66, 67, 68, 72, 74, 75, 81, 84, 86, 88, 93, 94, 95, i ,96, 99, 103, 104, 105, 109, 112; anexo VIII - fls. 15, 16, 18,19, 20, 23, 27, 30, 35, 41, 45, 46, 47, 48, 49, 51, 52, 53, 54, 56, 57, 60, 63,69, 71, 75, 77, 81, 83, 86, 87, 99, 117, 130, 132, 133, 134 136, 137, 138, 139, 143, 144, 147, 148, 151, 154, 164, 165, 167, 173, 180, 181, 185, 187, 191, 192, 196, 197, 198, 201, 203, 204 207, 209, 211 213, 214 217, 218, 222, 223, 224, 226, i 3 . Processo n° 13609.001205/200245 CC01/036 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.397 227, 228 230, 232, 233, 234, 236, 237, 240, 241, 242, 243, Z4. 244, 250, 251, 254, 255, 256, 257, 260, 261, 264; anexo IX - fls. 3 a 14, 16, 18, 20, 22 a 30, 31, 33, 36, 38, 41, 45, 46, 48, 52, 55, 57, 59, 60, 62, 63, 65, 67, 71, 73, 76, 78, 84, 89, 90, 94, 97, 100, 103, 108, 116, 117, 118, 120 125 129 a 132, 133, 135 a 137, 139 a 145, 146, 153; anexo X - fls. 94, 105 107, 109 113, 115 a 124, 125 127 a 130). Em cada recibo aqui indicado, há a discriminação de diversos cheques como instrumento de liquidação da obrigação espelhada em cada recibo. Nas folhas acima sublinhadas, em cada recibo, há mais de 05 cheques, sempre não nominais ao recorrente (e demais sócios), relacionados como meio de extinção do valor constante no recibo. Ainda, nos recibos, há uma grande quantidade de cheques de valor abaixo de RS 1.000,00. • Ora, como acreditar que o mútuo entre a empresa e o recorrente (e demais sócios) tenha sido liquidado por meio de tais instrumentos? Como compreender que um empréstimo feito por um acionista pode ser liquidado pelo recebimento de múltiplos cheques diários emitidos pela empresa, ano após ano? Ainda, para reforçar a perplexidade, com raríssimas exceções, os cheques nunca eram emitidos nominalmente ao recorrente. A única interpretação possível é que efetivamente os empréstimos nunca existiram, bem como os cheques representavam o giro normal dos negócios da empresa, lançados a débito de conta passiva inidônea, ao invés de conta de despesa, pois relacionados às receitas omitidas. Assim, não se comprovou os empréstimos constantes na conta passiva "empréstimos de sócios", pois não comprovada a origem e o efetivo ingresso de recursos no caixa da empresa, a configurar indícios veementes que autorizam presumir omissão no registro de receitas. Inexistentes os empréstimos, não há falar em validação dos débitos na conta passiva referida. À luz da decisão da Primeira Câmara, todo o rol de lançamentos na conta passiva "empréstimos de sócios", a débito e a crédito, é uma ficção. Dessa forma, absolutamente impertinente a presunção de que as saídas da conta passiva "empréstimos de sócios" podem ser consideradas, globalmente, como justificativa dos depósitos bancários de origem não comprovada, pois os empréstimos não existiram, tratando- se de subterfúgio para omitir receitas, como pugna o recorrente na petição de fls. 1.214 a 1.237. Entretanto, estamos buscando a comprovação da origem de depósitos bancários. Nessa linha, mesmo que a origem não tenha substrato em um negócio jurídico válido e hígido, como o empréstimo pretensamente contraído pela Nutrir Produtos Alimentícios S/A junto a seus sócios, caso se comprove que os recursos vieram da pessoa jurídica, mister considerar comprovada a origem dos depósitos, o que afastaria a presunção de omissão de rendimento do art. 42 da Lei n°9.430/96. Nessa senda, no procedimento fiscal, objeto do recurso voluntário julgado pela Primeira Câmara, chama a atenção uma afirmação da autoridade fiscal, que aparentemente reconhece que alguns dos cheques transitaram pelas contas de depósito dos sócios, verbis (fls. 1.141): Outro fator relevante refere-se à significativa quantidade de cheques que teriam sido emitidos pela Nutrir para pagamentos dos "empréstimos" dos sócios (Anexo VIII a A"), com diversas correspondências nos extratos bancários da empresa, havendo histórico de "CHEQUES COMPENSADOS" nestes extratos (anexos f XII a XVI), mas sem as devidas correspondências nos extratos 33 Processo n°13609.001205/2002-85 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.398 bancários dos sócios (vide anexo XI). Tendo em vista a informação nos extratos da empresa de que os cheques foram compensados, obrigatoriamente deveriam ter transitado por conta bancária, mas tal fato não ocorre nas contas bancárias dos sócios, de modo geral. (grifa) Assim, mister apreciar a documentação dos anexos VII a X, nos quais constam recibos, que atestam a percepção do principal e juros dos referidos empréstimos, e os cheques de pagamento emitidos pela empresa, o que poderia comprovar a origem de parte dos depósitos bancários de origem não comprovada. Passa-se a analisar, mês a mês, os depósitos de origem não comprovada e os cheques emitidos pela empresa Nutrir e que pretensamente o foram para pagamento do mútuo (ou da distribuição de lucros, como quer, agora, o recorrente): MÊS Depósitos bancários de Recibos e cheques pretensamente recebidos origem não comprovada pelo recorrente como pagamento de juros e de capital de mútuo firmado pela empresa Nutrir Produtos Alimentícios Ltda com seus sócios. Janeiro/1997 Fls. 33 e 42. Não foi acostado qualquer recibo no mês de janeiro de 1997. Fevereiro/1997 Fls. 33 e 42. Para comprovar a origem do depósito de R$ 100.662,00 (fls. 33), em 24/02/1997, foi juntado um recibo emitido pela empresa no mesmo valor, sem cópia do cheque (fls. 07 e 08 do anexo VII). Compulsando os extratos da empresa, verifica-se que há um débito de R$ 100.662,00, cheque n° 053431, em 24/02/1997 (fls. 22 do anexo X). Assim, há identidade de data e valor entre o depósito de origem não comprovada e o débito na conta de depósito da pessoa jurídica. Março/1997 Fls. 33 e 43 (depósitos no Os recibos e cheques, emitidos em sua último decêndio de mar/97). maioria no primeiro e segundo decêndio do mês, não têm qualquer identidade com os depósitos (fls. 09 a 25 do anexo VII). Abril/1997 Fls. 33 e 43 (o depósito mais Os recibos e cheques não têm qualquer expressivo, no valor de R$ identidade com os depósitos (fls. 26 a 35 do 92.358,00, em cheque, foi anexo VII). Ressalte-se que os depositado em 24/4). recibos/cheques da primeira metade do último decêndio de abril/97 são de pequenos valores, distantes do depósito apontado na célula ao lado. Maio/1997 Fls. 33 e 43 (o depósito mais Os recibos e cheques não têm qualquer expressivo, no valor de R$ identidade com os depósitos (fls. 36 a 48 , do . . Processo n° 13609.00120512002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-18.977 Fls. 1.399 101.578,00, em cheque, foi anexo VII). Ressalte-se que os depositado em 22/5). recibos/cheques do último decêndio de maio/97 são de pequenos valores, distantes do depósito apontado na célula ao lado. Junho/1997 Fls 33 e 43 (o depósito mais Os recibos e cheques não têm qualquer expressivo, no valor de R$ identidade com os depósitos (fls. 49 a 64 do 61.578,00, em cheque, foi anexo VII). Ressalte-se que os depositado em 24/06). recibos/cheques do último decêndio de junho/97 são de pequenos valores, distantes do depósito apontado na célula ao lado. Julho/1997 Fls. 33 e 43 (os depósitos Os recibos e cheques não têm qualquer mais expressivos, nos valores identidade com os depósitos (fls. 64 a 73 do de R$ 61.578,00 e anexo VII). Ressalte-se que os 185.240,05, em cheques, recibos/cheques de julho/97 são de pequenos foram depositados em 22/07 valores, distantes dos depósitos apontados na e 30/07, respectivamente). célula ao lado. Agosto/1997 Fls. 33 e 43 (o depósito mais Os recibos e cheques não têm qualquer expressivo, no valor de R$ identidade com os depósitos (fls. 74 a 86 do 61.578,00, em cheque, foi anexo VII). Ressalte-se que os depositado em 25/08). recibos/cheques do último decêndio de agosto/97 são de pequenos valores, distantes do depósito apontado na célula ao lado. Setembro/1997 Fls. 33 e 43 (o depósito mais Os recibos e cheques não têm qualquer expressivo, no valor de R$ identidade com os depósitos (fls. 87 a 96 do 61.578,00, em cheque, foi anexo VII). Ressalte-se que os depositado em 22/09). recibos/cheques do último decêndio de setembro/97 são de pequenos valores, distantes do depósito apontado na célula ao lado. Outubro/1997 Fls. 33 e 43 (o depósito mais Os recibos e cheques não têm qualquer expressivo, no valor de R$ identidade com os depósitos (fls. 97 a 108 do 61.578,00, em cheque, foi anexo VII). A maioria dos recibos foi emitida depositado em 27/10). em nome do sócio Carlos André da Cunha Pereira. Há apenas um único recibo em nome do recorrente, no valor de R$ 42.019,20, emitido em 03/10/1997. Novembro/1997 Fls. 33 e 43 (o depósito mais A maioria dos recibos foi emitida em nome expressivo, no valor de R$ do sócio Carlos André da Cunha Pereira. Há, 61.578,00, em cheque, foi porém, um único recibo em nome do depositado em 24/11). recorrente, no valor de R$ 25.000,00 (fls. 113 do anexo VII), emitido em 17/11/1997, com cheque associado n° 182.961, sacado contra o banco Itaú, com débito no extrato da empresa em 17/11/1999 (fls. 70 do anexo X), 35 4 , .. Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-18.977 Eis. 1.400 coincidente com o depósito de origem não comprovada depositado no banco Boa Vista, em 17/11/1997 (fls. 33). Os demais recibos e cheques não têm qualquer identidade com os depósitos (fls. 109 a 116 do anexo VII). Dezembro/1997 Fls. 33 e 43 (o depósito mais Há um recibo no valor de R$ 61.578,00 (fls. expressivo, no valor de R$ 132 do anexo VII), com cheque associado n° 61.578,00, em cheque, foi 183.327, no valor de R$ 61.578,00, debitado depositado em 22/12/97). na conta da empresa em 22112/1997 (fls. 79v do anexo X), com identidade de data e valor com o depósito descrito na célula ao lado. Janeiro/1998 Fls. 34 (o depósito mais Não há recibos/cheques acostados aos autos. expressivo, no valor de R$ 61.578,00, em cheque, foi depositado em 22/01/98). Fevereiro/1998 Fls. 34 e 43 Todos os recibos e cheques juntados aos autos referem-se ao pagamento do pretenso empréstimo feito à empresa pelo sócio Carlos André da Cunha Pereira (fls. 3 a 11 do anexo VIII). Março/1998 Fls. 34 (o depósito mais Todos os recibos e seus cheques juntados aos expressivo, no valor de R$ autos referem-se ao pagamento do pretenso 50.000,00, em cheque, foi empréstimo feito à empresa pelo sócio Carlos depositado em 23/03/98). André da Cunha Pereira (fls. 12 a 18 do anexo VIII). Abril/98 Fls. 34 e 43 (o depósito mais Todos os recibos juntados aos autos referem- expressivo, no valor de R$ se ao pagamento do pretenso empréstimo 112.884,99, em cheque, foi feito à empresa pelo sócio Carlos André da depositado em 24/04/98). Cunha Pereira (fls. 19 a 23 do anexo VIII). Maio/98 Fls. 34 e 43 (o depósito mais Há um recibo no valor de R$ 87.000,00 (fls. expressivo, no valor de R$ 30 do anexo VIII), com cheques apenas 48.500,00, em cheque, foi discriminados no recibo, sendo um o de n° depositado em 12/05/98). 000.0078, do banco Fibra, no valor de R$ 48.500,00, debitado na conta da empresa em 12/05/1998 (fls. 200 do anexo XI), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 48.500,00, depositado em 12/05/98 no banco Boa Vista. Assim, há identidade de data e valor entre o depósito de origem não comprovada e o débito na conta de depósito da pessoa jurídica. Para os demais depósitos de origem não comprovada não h qualquer identidade com os valore -f Processo n°13609.001205/200245 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-18.977 Fls. 1.401 constantes nos recibos. Junho/98 Fls. 34 e 43 Todos os recibos juntados aos autos referem- se ao pagamento do pretenso empréstimo feito à empresa pelos sócios Carlos André da Cunha Pereira e Marcelo Ferreira Guimarães (fls. 38 a 49 do anexo VIII). Julho/98 Fls. 34 e 45 (os depósitos Os recibos (09) e cheques não têm qualquer mais expressivos, nos valores identidade com os depósitos (fls. 50 a 58 do de R$ 47.000,00, R$ anexo VIII). Ressalte-se que os 114.683,56, R$ 148.750,00, recibos/cheques são de pequenos valores, no R$ 51.402,26, R$ 35.162,74 valor global de R$ 60.860,69, distantes dos e R$ 63.435,00, foram valores dos depósitos apontados na célula ao depositados em 01/07, 22/07, lado. 30/07/98 e os 03 últimos em 31/07/1998, respectivamente). Agosto/98 Fls. 34, 43 e 45 (os depósitos Todos os recibos juntados aos autos referem- mais expressivos; nos valores se ao pagamento do pretenso empréstimo de R$ 275.167,24 e R$ feito à empresa pelo sócio Carlos André da 250.000,00, foram Cunha Pereira (fls. 59 a 65 do anexo VIII). depositados em 05/08/1998). Setembro/1998 Fls. 34, 35 e 45. Todos os recibos juntados aos autos referem- se ao pagamento do pretenso empréstimo feito à empresa pelos sócios Carlos André da Cunha Pereira e Marcelo Ferreira Guimarães (fls. 66 a 76 do anexo VIII). Outubro/1998 Fls. 35 (o depósito mais Os recibos juntados aos autos referem-se ao expressivo, no valor de R$ pagamento do pretenso empréstimo feito à 117.588,94, foi depositado empresa pelo sócio Carlos André da Cunha em 20/10/1998). Pereira, exceto um recibo datado de 28/10/1998, em nome do recorrente, o qual não pode justificar o depósito em data anterior ao lado, bem como todos demais depósitos de origem não comprovada deste mês de outubro, pois todos foram feitos antes de 20/10/1998 (fls. 77 a 85 do anexo VIII). Novembro/1998 Fls. 35 Todos os recibos juntados aos autos referem- se ao pagamento do pretenso empréstimo feito à empresa pelos sócios Carlos André da Cunha Pereira e Marcelo Ferreira Guimarães (fls. 86 a 92 do anexo VIII) - Dezembro/1998 Fls. 35 Não há recibos/cheques acostados aos autos Processo n°13609001205/2002-85 CCO 1 /CO6 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.402 Janeiro/1999 Fls. 35 e 43 Não há recibos/cheques acostados aos autos Fevereiro/1999 Fls. 35 Não há recibos/cheques acostados aos autos Março/1999 Fls. 35, 36 e 45 (os depósitos Há dois recibos nos valores de R$ 7.000,00 e mais expressivos, nos valores R$ 22.000,00 (fls. 93 e 95 do anexo VIII), de R$ 7.000,00, R$ emitidos em 08/03/1999 e 23/03/1999, com 20.484,75, R$ 8.370,36, R$ os cheques associados n° 441.849/banco 22.000,00 e R$ 19.519,50, Mercantil do Brasil e n° 002.099/banco Boa foram depositados em 08/03, Vista, respectivamente (fls. 93 e 95 do anexo 10/3, 22/03, 23/03, 30/03, VIII), em datas coincidentes com depósitos de respectivamente). origem não comprovada da célula ao lado. O extrato bancário da empresa do banco Mercantil do Brasil de março/1999 está ilegível (fls. 123 do anexo XII), porém se vê o débito do cheque sacado contra o banco Boa Vista no extrato bancário da empresa (fls. 363 do anexo XII). Não há qualquer identidade dos recibos com os demais depósitos de origem não comprovada Abril/1999 Fls. 36 (os depósitos mais Há apenas um recibo, no valor de R$ expressivos, nos valores de 26.812,50, que consta como débito no extrato R$ 88.481,25 e R$ da empresa no banco Mercantil do Brasil, no 163.057,91, foram dia 12/04/1999, com o histórico EMIS depositados em 26/04 e ORDEM DE CRÉDITO (fls. 126 do anexo 28/04/1999, XII), coincidente com o depósito de origem respectivamente). não comprovada de R$ 26.812,50, depositado no banco Boa Vista. Para os demais depósitos de origem não comprovada não há qualquer identidade com os valores constantes nos recibos. Maio/1999 Fls. 36 (o depósito mais Há um recibo no valor de R$ 30.000,00 (fls. expressivo, no valor de R$ 95 do anexo VIII), com apenas um cheque 30.000,00, foi depositado em discriminado no recibo, com o n°442.106, do 17/05/1999). banco Mercantil do Brasil, no valor de R$ 30.000,00, debitado na conta da empresa em 17/05/1999 (fls. 132 do anexo XII), coincidente com o depósito da célula ao lado. Para os demais depósitos de origem não comprovada não há qualquer identidade com os valores constantes nos recibos. Junho/1999 Fls. 36 (o depósito mais Há um recibo, no valor de R$ 40.000,00, com expressivo, no valor de R$ apenas um cheque discriminado no recibo, 200.000,00, foi depositado com o n° 442.234, do banco Mercantil do em 09/06/1999). Brasil, debitado na conta da empresa (fls. 134 do anexo XII) em 02/06/1999, coincidente • 38 Processo n° 13609.00120512002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Eis. 1.403 com o depósito de origem não comprovada de R$ 40.000,00, depositado em cheque no banco Boa Vista, em 02/06/1999. Em relação ao depósito de origem não comprovada de R$ 200.000,00, ao lado, todos recibos até 09/06/1999 têm um valor que se aproxima, apenas, de 60% do valor depositado. Julho/1 999 Fls. 36 e 37 (os depósitos Há um recibo, no valor de R$ 45.000,00 (fls. mais expressivos, nos valores 112 do anexo VIII), com apenas um cheque de R$ 45.000,00, R$ discriminado no recibo, de n° 012.254, do 65.406,25, R$ 172.939,44 e banco Mercantil do Brasil, debitado na conta R$ 52.153,37, foram da empresa em 02/07/1999 (fls. 140 do anexo depositados em 02/07, 19/07, XII), coincidente com o depósito de origem 26/07 e 29/07/1999, não comprovada de R$ 45.000,00, depositado respectivamente). em cheque no banco Boa Vista, em 02/07/1999. Há um outro recibo, no valor de R$ 127.736,25 (fls. 117 do anexo VIII), com dois cheques discriminados no recibo, sendo um de n° 012.402, no valor de R$ 65.406,25, do banco Mercantil do Brasil, debitado na conta da empresa em 19/07/1999 (fls. 143 do anexo XII), coincidente com o depósito de origem não comprovada de R$ 65.406,25, depositado em cheque no banco Boa Vista, em 19/07/1999. Neste mês há recibos de pagamento em nome de outros sócios. Agosto/1999 Fls. 37 e 39 Não há coincidência dos recibos com quaisquer depósitos de origem não comprovada. Neste mês há múltiplos e expressivos recibos em nome dos sócios Peter Jordan e Carlos André da Cunha Pereira (fls. 130 a 162 do anexo VIII) Setembro/1999 Fls. 37 e39 Há um recibo, no valor de R$ 146.640,50 (fls. 181 do anexo VIII), com cinco cheques discriminados no recibo, sendo um o de n° 106.935, no valor de R$ 21.885,50, do banco Mercantil do Brasil, debitado na conta da empresa em 27/09/1999 (fls. 156 do anexo XII), coincidente com o depósito de origem não comprovada de R$ 21.885,50, depositado em cheque no banco Boa Vista, em 27/09/1999. Os demais recibos não têm qualquer identidade com os depósitos de origem não comprovada. Outubro/1999 Fls. 37 e 39 Há dois recibos nos valores de R$ 68.243,86 e R$ 227.603,95 (fls. 189 e 198 do anexo VIII), 39 Processo n° 13609.001205/2002-85 CC01/C06 Acórdão n.° 100-18.977 Fls. 1404 emitidos em 05/10/1999 e 19/10/1999, respectivamente. Para o primeiro, há um único cheque associado, n° 107.027, do banco Mercantil do Brasil, debitado no extrato da empresa (fls. 158 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 68.243,86, depositado em 05/10/1999, no banco Boa Vista. Em relação ao segundo recibo, há 03 cheques associados, sendo um o de n° 107.138, no valor de R$ 192.703,95, debitado no extrato da empresa (fls. 161 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 192.703,95, depositado em 21/10/1999, no banco Boa Vista. Novembro/1999 Fls. 37 e 39 Há três recibos nos valores de R$ 14.965,00, R$ 75.000,00 e R$ 176.890,60 (fls. 216, 219 e 222 do anexo VIII), emitidos em 09/11/1999, 10/11/1999 e 11/11/1999, respectivamente. Para o primeiro, há um único cheque associado, do banco Itaú, debitado no extrato da empresa (fls. 194 do anexo XII), em 09/11/1999, coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 14.965,00, depositado em 09/11/1999, no banco Boa Vista. Em relação ao segundo recibo, há um único cheque associado, sacado contra o banco Mercantil do Brasil, estando o extrato da empresa ilegível (fls. 164 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 75.000,00, depositado em 10/11/1999, no banco Boa Vista Em relação ao terceiro recibo, com 04 cheques associados, sacados contra o banco Mercantil do Brasil, sendo um o de n° 154.409, no valor de R$ 176.890,60, estando o extrato da empresa ilegível (fls. 164 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 176.890,60, depositado em 11/11/1999, no banco Boa Vista. Dezembro/1999 Fls. 37, 39 e 40. Não há coincidência dos recibos com quaisquer depósitos de origem não comprovada. Neste mês há múltiplos e expressivos recibos em nome sócio Marcelo Ferreira Guimarães (fls. 240 a 265 do anexo VIII) 407/g.i Processo n°13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.' 106-16.977 Fls. 1.405 Janeiro/2000 Fls. 37 e 40 Há seis recibos nos valores de R$ 141.715,20, R$ 292.052,09, R$ 150.749,12, R$ 181.429,79, R$ 90.224,45 e R$ 232.259,40 (fls. 13, 18, 20, 27, 29 e 31 do anexo IX), emitidos em 14/01/2000, 18/01/2000, 19/01/2000, 26/01/2000, 27/02/2000 e 31/01/2000, respectivamente. Para o primeiro, há cinco (05) cheques associados, todos sacados contra o banco Mercantil do Brasil, sendo um o de n° 199.878, no valor de R$ 19.574,25, com extrato da empresa ilegível (fls. 399 do anexo XII), porém com cópia do cheque acostado aos autos, emitido em 13/01/2000 (fls. 14 do anexo IX), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 19.574,25, depositado em 13/01/2000, no banco Boa Vista. Em relação ao segundo recibo, há quatro (04) cheques associados, todos sacados contra o banco Mercantil do Brasil, sendo um o de n° 199.880, no valor de R$ 177.089,99, debitado no extrato da empresa 18/01/2000 (fls. 400 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 177.089,99, depositado em 18/01/2000, no banco Boa Vista Em relação ao terceiro recibo, com 05 cheques associados, sacados contra o banco Mercantil do Brasil, sendo um o de n° 199.881, no valor de R$ 67.387,12, debitado no extrato da empresa 19/01/2000 (fls. 400 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 67.387,12, depositado em 19/01/2000 no banco Boa Vista. Em relação ao quarto recibo, com 03 cheques associados, sacados contra o banco Mercantil do Brasil, sendo um o de n° 199.933, no valor de R$ 28.925,00, debitado no extrato da empresa 26/01/2000 (fls. 401 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 28.925,00, depositado em 26/01/2000, no banco Boa Vista. Em relação ao quinto recibo, com 03 cheques associados, sacados contra o banco Mercantil do Brasil, sendo um o de n° 199.938, no valor de R$ 24.123,45, debitado no extrato da empresa 27/01/2000 (fls. 402 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 24.123,45, depositado em 27/01/2000, no banco Boa Vista. Em relação 41 Á- Processo n°13609.001205/200245 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.406 ao sexto recibo, com 07 cheques associados, sacados contra o banco Mercantil do Brasil, sendo um o de n° 200.052, no valor de R$ 20.475,00, debitado no extrato da empresa 27/01/2000 (fls. 402 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 20.475,00, depositado em 31/01/2000, no banco Boa Vista. Fevereiro/2000 Fls. 37, 40, 44 e 46. Há um recibo, no valor de R$ 136.484,90 (fls. 57 do anexo IX), sendo um dos cheques que liquidam o recibo o de n° 200.160, no valor de R$ 20.000,00, sacado contra o banco Mercantil do Brasil, debitado na conta da empresa em 24/02/2000 (fls. 408 do anexo XIII), coincidente com o depósito de origem não comprovada de R$ 20.000,00, depositado no banco Boa Vista, em 24/02/2000. Os demais recibos não têm qualquer identidade com os outros depósitos de origem não comprovada. Março/2000 Fls. 37, 40 e 46. Há um recibo, no valor de R$ 41.205,91 (fls. 75 do anexo IX), com um cheque discriminado no recibo, com o n° 239.283, nominal ao recorrente, sacado contra o banco Mercantil do Brasil, debitado na conta da empresa em 14/03/2000 (fls. 411 do anexo XIII), coincidente com o depósito de origem não comprovada de R$ 41.205,91, depositado no próprio banco Mercantil do Brasil, em 14/03/2000. Os demais recibos não têm qualquer identidade com os outros depósitos de origem não comprovada. Abril/2000 Fls. 37, 40 e 46. Há dois recibos nos valores de R$ 67.450,00 e 69.000,00 (fls. 100 e 106 do anexo IX), emitidos em 13/03/2000 (esta data está errada, pois os cheques que lastreiam o recibo foram emitidos em 13/04/2000) e 19/04/2000, respectivamente. Para o primeiro, há dois cheques associados, sendo um o de n° 239.542, no valor de R$ 28.600,00, do banco Mercantil do Brasil, debitado no extrato da empresa em 14/04/2000 (fls. 417 do anexo XIII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 28.600,00, depositado em 14/04/2000, no banco Mercantil do Brasil. Em relação ao segundo 4 A- a , •, Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.407 recibo, há um único cheque associado, com o n° 239.599, no valor de R$ 69.000,00, debitado no extrato da empresa em 19/04/2000 (fls. 418 do anexo XII), coincidente com um depósito de origem não comprovada de R$ 69.000,00, depositado em 19/04/2000 no banco Mercantil do Brasil. Os demais recibos não têm qualquer identidade com os outros depósitos de origem não comprovada. Maio/2000 Fls. 37,40 e 46. Há um recibo, no valor de R$ 176.798,80 (fls. 117 do anexo IX), emitido em 03/05/2000, com três cheques associados ao recibo, sendo um no valor de R$ 55.000,00, sacado contra o banco Mercantil do Brasil, debitado na conta da empresa em 03/05/2000 (fls. 420 do anexo XIII), coincidente com o depósito de origem não comprovada de R$ 55.000,00, depositado no próprio banco Mercantil do Brasil, em 03/05/2000. Os demais recibos não têm qualquer identidade com os outros depósitos de origem não comprovada. Junho/2000 Fls. 37, 40 e 46. Apesar dos vultosos valores indicados como recebido pelo recorrente, não foi possível identificar a coincidência de nenhum recibo/cheques com os depósitos de origem não comprovada (fls. 142 a 155 do anexo IX e 90 a 106 do anexo X). Julho/2000 Fls. 37, 40 e 46. Apesar dos vultosos valores indicados como recebido pelo recorrente, não foi possível identificar a coincidência de nenhum recibo/cheques com os depósitos de origem não comprovada (fls. 107 a 132 do anexo X). Agosto/2000 Fls. 37, 40 e 46. Não há recibos ou cheques acostados aos autos Setembro/2000 Fls. 37, 41,46 e 48. Não há recibos ou cheques acostados aos autos Outubro/2000 Fls. 37, 38, 41,46 e 48. Não há recibos ou cheques acostados aos autos Novembro/2000 Fls. 41, 46, 47 e 48. Não há recibos ou cheques acostados aos autos Dezembro/2000 Fls. 47 e 48 Não há recibos ou cheques acostados aos 4 4. •_ •, Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 105-15.977 Fls. 1.408 autos Da análise do demonstrativo acima, podem ser extraídas as seguintes conclusões: • Ano-calendário 1997 — No mês de janeiro de 1997, sequer há recibos/cheques. Ainda, há um repetitivo depósito de origem não comprovada (em cheque) no valor de RS 61.578,00, que, por si só, sobeja os valores dos recibos que tem o recorrente como beneficiário de julho/1997 a novembro/1997. Por fim, nos meses de outubro e novembro de 1997, a maioria dos recibos foi emitida em nome do sócio Carlos André da Cunha Pereira. Apenas se conseguiu comprovar a origem de três depósitos (fevereiro, novembro e dezembro/1997). No mais, não há qualquer correlação entre os recibos/cheques e os depósitos de origem não comprovada imputados ao recorrente; • Ano-calendário 1998 — Nos meses de janeiro e dezembro de 1998, sequer há recibos/cheques. Nos meses de fevereiro, março, abril, junho (em conjunto com o sócio Marcelo Ferreira Guimarães), agosto, setembro (em conjunto com o sócio Marcelo Ferreira Guimarães) e novembro de 1998 somente há recibos em nome do sócio Carlos André da Cunha Pereira. Em outubro, a maioria dos recibos está em nome do sócio Carlos André da Cunha Pereira, tendo apenas um recibo em nome do recorrente. Em nome do recorrente, somente há recibos nos meses de maio e julho de 1998, tendo sido identificado um depósito no primeiro mês antes citado. No mais, não há qualquer correlação entre os recibos/cheques e os depósitos de origem não comprovada imputados ao recorrente; • Ano-calendário 1999 — Nos meses de janeiro e fevereiro de 1999 não há recibos e cheques. Em agosto e dezembro de 1999 não foi encontrada correlação entre os depósitos de origem não comprovada e os recibos/cheques. Nos demais meses do ano, foi identificada a origem de diversos depósitos outrora imputados como de origem não comprovada; • Ano-calendário 2000 — nos primeiros cinco meses deste ano-calendário, manteve-se a correlação identificada nos dois últimos quadrimestres do ano anterior. Em relação ao segundo semestre do ano-calendário 2000, a partir de agosto de 2000, não há recibos e cheques. Como resumo das conclusões acima, percebe-se que a parcela absolutamente majoritária da identificação dos depósitos de origem não comprovada em face dos lançamentos a débito da conta "empréstimo de sócio?' ocorreu em parte do ano-calendário 1999 e no primeiro semestre do ano-calendário 2000. Por fim, deve-se evidenciar que em nenhum caso de identificação dos depósitos foi encontrada divergência entre a data do depósito de origem não identificada e a data da compensação do cheque constante do recibo, a indicar que no há plausibilidade na tese de que valores em recibos/cheques de datas anteriores possam comp var depósitos de origem não comprovada em datas posteriores. • Processo n°13609.001205/2002-85 CC01/C06 Acórdão n.° 106-16.977 Fls. 1.409 Por tudo, considera-se comprovada a origem dos depósitos na conta do recorrente em que há perfeita identidade de data e valor destes com os cheques (com recibos associados) emitidos pela empresa Nutrir Produtos Alimentícios S/A em favor do recorrente, em regra, ratificados pelos débitos constantes nos extratos das contas de depósito dessa pessoa jurídica. Dessa forma, os depósitos abaixo devem ser excluídos da base de cálculo da infração referente aos depósitos bancários de origem não comprovada: Ano-calendário (meses) Depósitos comprovados (data do depósito) Fevereiro/1997 R$ 100.662,00 (24/02/1997) Novembro/1 997 R$ 25.000,00 (17/11/1997) Dezembro/1997 R$ 61.578,00 (22/12/1997) Total do ano-calendário 1997 R$ 187.240,00 Maio/1998 R$ 48.500,00 (12/05/1998) Total do ano-calendário 1998 R$ 48.500,00 Março/1999 R$ 7.000,00 (08/03/1999) e R$ 22.000,00 (23/03/1999) Abril11999 RS 26.812,50(12/04/1999) Maio/1999 R$ 30.000,00 (17/05/1999) Junho/1999 R$ 40.000,00 (02/06/1999) Julho/1 999 R$ 45.000,00 (02/07/1999) e R$ 65.406,25 (19/07/1999) Setembro/1999 R$ 21.885,50 (27/09/1999) Outubro/1999 R$ 68.243,86 (05/10/1999) e R$ 192.703,95 (21/10/1999) Novembro/1999 R$ 14.965,00 (09/11/1999), R$ 75.000,00 (10/11/1999) e R$ 176.890,60 (11/11/1999). Total do ano-calendário 1999 R$ 785.907,66 Janeiro/2000 R$ 19.574,25 (13/01/2000), R$ 177.089,99 (18/01/2000), R$ 67.387,12 (19/01/2000), R$ 28.925,00 (26/01/2000), R$ 24.123,45 (27/01/2000) e R$ 20.475,00 (31/01/2000). • - tt Processo n• 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão rt.• 108-18.977 Fls. 1.410 Fevereiro/2000 R$ 20.000,00 (24/02/2000) Março/2000 R$ 41.205,91 (14/03/2000) Abril/2000 R$ 28.600,00 (14/04/2000) e R$ 69.000,00 (19/04/2000) Maio/2000 R$ 55.000,00 (03/05/2000) Total do ano-calendário 2000 R$ 551.380,72 Passa-se, agora, a defesa do item IX (pugna pelo restabelecimento da glosa com despesas médicas e despesas com instrução). No tocante às despesas médicas, após a decisão da Turma de Julgamento, somente remanesceram as glosas dos bloquetes de cobrança de fls. 171 a 179, 271 e 272, as glosas das despesas com vacinas (fls. 245, 294 e 295) e a não comprovação de duas despesas (Clínica de Otorrinolaringologia S/C Ltda e Clínica Persona). Os recibos de fls. 171 a 179, 271 e 272 referem-se às despesas com o profissional Wellington Pacheco, nos valores de R$ 4.200,00 e R$ 800,00, nos anos-calendário 1997 e 1998, respectivamente. Os recibos de pagamentos, consubstanciados nos bloquetes bancários, não especificam a origem de tal despesa. Aparece, apenas, o nome do Sr. Wellington Pacheco. Assim, não se sabe se a despesa seria dedutível. Ainda, há pagamentos referentes ao ano-calendário 1996. Dessa forma, deve-se manter a glosa perpetrada pela fiscalização e mantida pela decisão recorrida. No tocante às vacinas, entende-se que é uma espécie de medicamento, sendo, portanto, indedutiveis. Pela indedutibilidade das despesas com vacinas, vejam-se os Acórdãos n's 104-21465, sessão de 22/03/2006, relatora a Conselheira Meigan Sack Rodrigues; 106- 12967, sessão de 16/10/2002, relator o Conselheiro Edison Carlos Fernandes. Assim, neste ponto, sem reparos a decisão recorrida. No tocante à despesa com a Clinica Persona, no valor de R$ 329,00, no ano- calendário 1999 (fls. 73), o recorrente não acostou a comprovação da despesa. Em relação à despesa com a Clinica de Otorrionolaringologia S/C Ltda., a despesa deduzida da base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário 1999 foi R$ 160,00 (fls. 73), porém a despesa comprovada foi R$ 80,00 (fls. 323). Por fim, no tocante à despesa com instrução, o recorrente somente comprovou o )(4dispêndio com seus três (03) filhos. Deve-se ressaltar que em janeiro de 1997 há despesa com instrução em nome do cônjuge Virgínia Sanearma Jordan, no instituto Zilah Frota, entidade na qual estuda os filhos do recorrente. Neste referido mês não há despesa com os filhos, o que se leva a inferir que a despesa deste mês dos filhos dependentes foi lançada em nome da genitora 46 A_ • • Processo n° 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 1.411 (fls. 180). Assim, firmo a convicção de que não há qualquer despesa com instrução em nome do cônjuge do recorrente. Por tudo, neste item, sem reparos a decisão recorrida. Agora, passa-se ao item X (o recorrente não tributou os juros decorrentes de empréstimos concedidos a pessoas físicas porque não os recebeu). A defesa do recorrente vai de encontro aos recibos firmados por ele próprio, como quitação dos juros pagos pelo Sr. Marcelo Pereira Guimarães e Carlos André da Cunha Pereira (fls. 574 a 622). In casu, impossível afastar a prova documental acostada aos autos e firmada pelo próprio recorrente. Assim, é de se manter a infração imputada. Agora, passa-se a apreciar a irresignação do item XI (pugna pelo cancelamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto mensal obrigatório). A infração do não recolhimento do camê-leão sobre os rendimentos percebidos de pessoa fisica (omissão de juros recebidos em decorrência de empréstimos concedidos a pessoas físicas), apenada com a multa isolada de 75%, foi absorvida pela conduta de não ofertar esses rendimentos à tributação no ajuste anual, pois essa última conduta também é apenada com multa de oficio de 75%. Há, na espécie, um bis in idem. Nesta matéria, mansa a jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Para tanto, vejam-se os seguintes julgados: Acórdão n° CSRF/01-04.987, sessão de 15 de junho de 2004. relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso HL do § 1°, do art. 44, da Lei n°9.430. de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão n 102-48.216. sessão de 26 de janeiro de 2007. relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento —PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLULO - A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n°01-04.987 de 15/06/2004). )k17 • _ Processo n°13609.00120512002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 fis. 1.412 Acórdão o° 104-22.058, sessão de 06 de dezembro de 2006. relator o conselheiro Nelson Mallmann RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO/ONU - A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionado no direito pátrio pelo Decreto n°. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo n". 10, de 1959, promulgada pelo Decreto n". 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA - Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas fisicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnê-leão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de oficio exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § I°, itens II e III, da Lei n". 9.430, de 1996). Acórdão n° 106-16.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO — Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacionaL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE — É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de oficio tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada de 75% que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carne-leão) não pago (infração n° 5 do auto de infração, às fls. 15). 4. 48 4- • _ Processo o 13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.• 106-16.977 Fls. 1.413 Agora, a irresignação do item XII (considerando que a taxa Selic é imprestável para corrigir débitos tributários, pugna pela redução dos juros de mora para o máximo de 1% ao mês). A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, objeto, inclusive, do enunciado Sumular 1° CC n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Com espeque art. 53 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes', aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, deve-se ressaltar que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. Dessa forma, não pode prosperar, neste ponto, a irresignação do recorrente. Por fim, a irresignação do item XIII (caso o pedido do item VIII não seja provido, pede para que os rendimentos informados nas declarações de ajuste relativas aos anos- calendário de 1997, 1998 e 1999 (fls. 1250 a 1280), em especial, das doações recebidas de Winnfriecl Jordan — CPF 003.106.977-00 nas importâncias de R$ 301.988,32, R$ 535.000,00 e R$ 831.128,00, respectivamente, sejam utilizados para comprovar a origem dos recursos). Em relação às doações, como se pode ver pelo quadro de fls. 31, já foram conciliadas, comprovando a origem de parte dos depósitos bancários. Entretanto, conforme a documentação juntada aos autos, houve uma doação de R$ 340.000,00 no ano-calendário 1996 (fora da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96 — fls. 31, 400 a 404), R$ 25.000,00 no ano- calendário 1997 (fls. 31, 405 a 408 e 416) e R$ 515.000,00 no ano-calendário 1998 (fls. 31, 410 a 413 e 418 a 420). Estes foram os valores conciliados com os depósitos bancários. Ainda, a doação do ano-calendário 1999, apesar de constar na declaração de bens e direito do recorrente (fls. 72), não consta dos contratos de doação trazidos aos autos pelo próprio recorrente na peça impugnatória (fls. 893 a 911), o que impediu a conciliação com os depósitos bancários, pois tal doação não foi comprovada. Dessa forma, na espécie, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Em relação aos demais rendimentos confessados nas declarações de ajuste anual, caberia ao recorrente identificá-los no rol de depósitos bancários. Não se pode, simplesmente, deduzi-los do montante dos depósitos, pois é ônus do contribuinte comprovar a origem individual de cada depósito, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Ante o exposto, voto no sentido de afastar todas as preliminares vindicadas, e, no mérito, DAR PARCIAL provimento para acatar a decadência em relação ao crédito I Art. 53. As decisões unânimes, reiteradas e uniformes dos Conselhos serão consubstanciadas em súmula, de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. § 1° A súmula será publicada no Diário Oficial da União, entrando em vigor na data de sua publicação. § 2° Será indeferido pelo Presidente da Câmara, ou por proposta do relator e despacho do Presidente, o recurso que contrarie súmula em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso. 49 - • ../ .t., Processo n°13609.001205/2002-85 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.977 F15. 1.414 tributário do ano-calendário 1996, cancelar a multa isolada de oficio que incidiu sobre o camê- leão não pago e excluir da infração referente aos depósitos bancários os seguintes valores: Ano-calendário 1997 R$ 187.240,00 Ano-calendário 1998 R$ 48.500,00 Ano-calendário 1999 R$ 785.907,66 Ano-calendário 2000 R$ 551.380,72 ..2}Sala das Sessões, i. , 26 de *unho de 008 e Giovanni ' hristian Nuns ti/ pos./ fif li • 11 50 Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1 _0036400.PDF Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1 _0036700.PDF Page 1 _0036800.PDF Page 1 _0036900.PDF Page 1 _0037000.PDF Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1 _0038500.PDF Page 1 _0038600.PDF Page 1 _0038700.PDF Page 1 _0038800.PDF Page 1 _0038900.PDF Page 1 _0039000.PDF Page 1 _0039100.PDF Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1 _0040600.PDF Page 1 _0040700.PDF Page 1 _0040800.PDF Page 1 _0040900.PDF Page 1

score : 1.0
4706312 #
Numero do processo: 13551.000055/2002-03
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PIS. DCTF. DÉBITOS VINCULADOS A PROCESSO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO NÃO PLEITEADA. Mantém-se a exigência fiscal quando os débitos informados na DCTF estão vinculados a determinado processo judicial, o qual determinou a compensação após a liquidação do quantum, e, assim mesmo, com parcelas vincendas. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-77386
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Jorge Freire

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200312

ementa_s : PIS. DCTF. DÉBITOS VINCULADOS A PROCESSO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO NÃO PLEITEADA. Mantém-se a exigência fiscal quando os débitos informados na DCTF estão vinculados a determinado processo judicial, o qual determinou a compensação após a liquidação do quantum, e, assim mesmo, com parcelas vincendas. Recurso negado.

turma_s : Primeira Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2003

numero_processo_s : 13551.000055/2002-03

anomes_publicacao_s : 200312

conteudo_id_s : 4104863

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 201-77386

nome_arquivo_s : 20177386_122276_13551000055200203_004.PDF

ano_publicacao_s : 2003

nome_relator_s : Jorge Freire

nome_arquivo_pdf_s : 13551000055200203_4104863.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2003

id : 4706312

ano_sessao_s : 2003

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:28:50 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272670117888

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-21T13:11:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-21T13:11:03Z; Last-Modified: 2009-10-21T13:11:03Z; dcterms:modified: 2009-10-21T13:11:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-21T13:11:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-21T13:11:03Z; meta:save-date: 2009-10-21T13:11:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-21T13:11:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-21T13:11:03Z; created: 2009-10-21T13:11:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-10-21T13:11:03Z; pdf:charsPerPage: 1231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-21T13:11:03Z | Conteúdo => NI I Nigieê—R"I'O—DA— FAZENDA , Segundo Conselho de Contribuintes Ministério da Fazenda Publicado no Diário Oficial da União r CC-MF .tbáMr.. De ,__22.3j 0€ nno(i Fl.1-1"niat.' Segundo Conselho de Contribuintes IoJ Processo n' : 13551.00005512002-03 v!ST — Recurso n' : 122.276 Acórdão n 201-77386 Recorrente : DISTRIBUIDORA IDEAL LTDA. Recorrida : DRJ em Salvador - BA PIS. DCTF. DÉBITOS VINCULADOS A PROCESSO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO NÃO PLEITEADA. Mantém-se a exigência fiscal quando os débitos informados na DCTF estão vinculados a determinado processo judicial, o qual • determinou a compensação após a liquidação do quantum, e, assim mesmo, com parcelas vincendas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DISTRIBUIDORA IDEAL LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 3 de dezembro de 2003. 0LboOk;0t. fittiOar .- Josefa Maria Coelho Marques Presidente Jorge reir-; Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto, Serafim Femandes Corrêa, Roberto Velloso (Suplente), Adriana Gomes Rêgo Gaivão, Hélio José Bemz e Rogério Gustavo Dreyer. 20 CC-MF Ministério da Fazenda .71 Segundo Conselho de Contribuintes Fl. - Processo n' : 13551.000055/2002-03 Recurso n 122276 Acórdão n2 : 201-77.386 Recorrente : DISTRIBUIDORA IDEAL LTDA. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre lançamento por meio de Auto de Infração eletrônico (fls. 17/18), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS na DCTF/97 - 2 2 trimestre, em abril, maio e junho de 1997. Irresignada com a r. decisão que manteve na integra o lançamento, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega, em preliminar, a nulidade do lançamento, tendo em vista o auto de infração não conter relatório, o que macularia o disposto no art. 10 do Decreto ri 70.235/72. Quanto ao mérito, averba que tem direito a ser ressarcida do PIS pago a maior com base nos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF no RE n" 148.754-2, tendo sido tal direito declarado a seu favor na ação judicial ri' 1997.34.00005471-2, tramitando junto à seção judiciária do Distrito Federal, na qual, afirma, foi declarado seu direito ao ressarcimento do valor pago indevidamente, mediante compensação. Aduz, ainda, que tal ação judicial transitou em julgado em 23/02/2002. Conclui consignando que o valor lançado foi integralmente compensado com o crédito decorrente daquela ação judicial, conforme os termos da decisão judicial. E, por fim, afronta a multa aplicada, sob o argumento de que estando o crédito sub judice, aplicar-se-ia o art. 63 da Lei n' 9.430/96. Foram arrolados bens para recebimento e processamento do recurso (fl. 98). É o relatório. Wiju 2 _ — 22 CC-NIF"„c,.le, Ministério da Fazenda Fl."frrier Segundo Conselho de Contribuintes Processo n" : 13551.000055/2002-03 Recurso n" : 122.276 Acórdão n" 201-77386 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE Sem reparos a r. decisão. A preliminar de nulidade deve ser afastada, porque só haveria falarmos em nulidade do auto de infração e, por conseguinte, do lançamento, se restasse comprovado algum prejuízo à efetividade da defesa, o que, pelos próprios termos das peças impugnatória e recursal, bem demonstram que os fatos foram bem apreendidos e sua qualificação jurídica devidamente delimitada. Desta forma, não restou comprovado o prejuízo à defesa da recorrente. A empresa, em litisconsórcio, postulou o ressarcimento do PIS pago a maior com base nos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449/88, com base na alegação de que seriam inconstitucionais. A decisão de primeiro grau (cópia às fls. 28/35) julgou procedente o pedido declarando o direito da autora ao ressarcimento dos valores de PIS pagos a maior com base nos referidos Decretos-Leis, determinando que o quantum apurado devesse ser compensado com parcelas vincendas da contribuição da mesma espécie. A decisão foi mantida, apenas refonnando-se o termo a quo para incidência dos juros moratórios, que restou definido como a data do trânsito em julgado da sentença. O lançamento teve por fundamento a inexatidão da declaração, que, conforme Anexo I, afirma que os créditos tributários do segundo trimestre declarados estariam com sua exigibilidade suspensa E, para mim, os autos do processo judicial comprovam que não há nenhuma medida judicial suspendendo qualquer crédito tributário referente ao PIS. Portanto, correta a exação, pois distante da verdade o declarado. Por outro lado, a cópia da certidão de fl. 93, de 27/09/2002, nos dá conta de que a ação de execução foi impulsionada, encontrando-se, naquela data, suspensa, aguardando o julgamento dos embargos. O que temos, então, é que a empresa quer se valer de um mesmo titulo judicial por duas vezes. Uma quando ajuizou o processo de execução, outra quando postula que o mesmo valor seja compensado com parcelas vencidas, o que até mesmo contraria a própria decisão que transitou em julgado, a qual determinou na liquidação da sentença, a compensação com valores vincendos. Justamente por isso, é que o legislador, na Lei Complementar n 104/2001, acresceu o art. 170-A ao Código Tributário Nacional. Nada obstante, a empresa compensou-se, já em 1997, sem deduzir sua pretensão perante a Administração Tributária, como dispõe a IN SRF ri" 21/97, vigente desde março de 1997, portanto antes da sentença judicial monocrática. Mas, para tanto, antes, precisaria a peticionante de um título judicial, que surgiu somente com o trânsito em julgado da ação, em 23/02/2000 (fl. 93). Até lá, se a pretensão deduzida em juizo foi para condenação em ressarcimento, uma vez reconhecido o direito alegado, não há qualquer direito à compensação, mormente quando a própria decisão judicial permite a compensação, mas com tributos vincendos, apenas quando da liquidação do quantum litigado, o que ainda está em curso. 3 J!' r CC-MF Ministério da Fazenda J .N. Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo e : 13551.000055/2002-03 Recurso 11.2 : 122.276 Acórdão fl2 201-77.386 Por derradeiro, quanto à multa aplicada, não há, na hipótese versada nos autos, incidência da norma pugnada pela recorrente, já que o crédito tributário sob exação nunca esteve com sua exigibilidade suspensa. CONCLUSÃO Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. Sala das Sessões, em 3 de dezembro de 2003. JORGE FREIRE kl. 4

score : 1.0
4708455 #
Numero do processo: 13629.000323/97-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ITR - CONTRIBUIÇÕES À CONTAG E À CNA - ENQUADRAMENTO SINDICAL - ATIVIDADE PREPONDERANTE - O que determina o enquadramento sindical da empresa que exerce diversas atividades é a preponderância de uma atividade sobre as demais (art. 581, § 2 da CLT). A empresa industrial que produz celulose, ainda que exerça atividades na área agrícola, deve ser considerada industrial para fins de enquadramento sindical por ser esta sua atividade preponderante. Recurso provido.
Numero da decisão: 203-04165
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 199804

ementa_s : ITR - CONTRIBUIÇÕES À CONTAG E À CNA - ENQUADRAMENTO SINDICAL - ATIVIDADE PREPONDERANTE - O que determina o enquadramento sindical da empresa que exerce diversas atividades é a preponderância de uma atividade sobre as demais (art. 581, § 2 da CLT). A empresa industrial que produz celulose, ainda que exerça atividades na área agrícola, deve ser considerada industrial para fins de enquadramento sindical por ser esta sua atividade preponderante. Recurso provido.

turma_s : Terceira Câmara

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 1998

numero_processo_s : 13629.000323/97-19

anomes_publicacao_s : 199804

conteudo_id_s : 4461012

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 203-04165

nome_arquivo_s : 20304165_105469_136290003239719_005.PDF

ano_publicacao_s : 1998

nome_relator_s : MAURO JOSE SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 136290003239719_4461012.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 1998

id : 4708455

ano_sessao_s : 1998

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:29:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272672215040

conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T03:16:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T03:16:12Z; Last-Modified: 2010-01-30T03:16:12Z; dcterms:modified: 2010-01-30T03:16:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T03:16:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T03:16:12Z; meta:save-date: 2010-01-30T03:16:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T03:16:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T03:16:12Z; created: 2010-01-30T03:16:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-01-30T03:16:12Z; pdf:charsPerPage: 1321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T03:16:12Z | Conteúdo => „ 4 PUBLI ADO NO 0.0. .' 19 gg; MINISTÉRIO DA FAZENDAI C kwzri,-• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES „ Processo : 13629.000323197-19 Acórdão : 203-04.165 Sessão : 14 de abril de 1998 Recurso : 105.469 Recorrente : CELULOSE NIPO-BRASILEIRA S/A - CENIBRA Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG ITR - CONTRIBUIÇÕES À CONTAG E À CNA - ENQUADRAMENTO SINDICAL - ATIVIDADE PREPONDERANTE - O que determina o enquadramento sindical da empresa que exerce diversas atividades é a preponderância de uma atividade sobre as demais (art. 581, § r da CLT). A empresa industrial que produz celulose, ainda que exerça atividades na área agrícola, deve ser considerada industrial para fins de equadramento sindical por ser esta sua atividade preponderante. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CELULOSE NIPO-BRASILEIRA S/A - CENIBRA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de abril de 1998 Otacílio b :• tas Cartaxo Presidente 1. • cre Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva, Francisco Sérgio Nalini, Renato Scalco Isquierdo, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Sebastião Borges Taquary e Henrique Pinheiro Torres (Suplente). /OVRS/FCLB-MAS/ 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13629.000323/97-19 Acórdão : 203-04.165 Recurso : 105.469 Recorrente : CELULOSE NIPO-BRASILEIRA S/A - CENIBRA RELATÓRIO Trata o presente processo do Lançamento do ITR/95 de fl. 03, impugnado pela empresa interessada acima identificada, que se opõe ao pagamento das Contribuições à CNA, à CONTAG e ao SENAR. Argumenta que sua atividade é industrial (fabricação de celulose), e que contribui aos sindicatos patronais relativos à atividade industrial, e seus empregados são industriários. A autoridade julgadora de primeira instância julgou o lançamento procedente, tendo a decisão a seguinte ementa: "IMPOSTO TERRITORIAL RURAL CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS — COBRANÇA O plantio de eucaliptos para fins comerciais caracteriza atividade de natureza agrícola, sujeitando a contribuinte ao recolhimento das contribuições CNA e CONTAG. A incorporação da matéria-prima assim obtida ao processo produtivo para obtenção de celulose inicia o ciclo de industrialização, sendo estranha ao mesmo a fase de obtenção de insumo, que permanece como atividade de natureza primária. Lançamento procedente." Inconformada com a decisão monocrática, a interessada interpôs recurso voluntário dirigido a este Colegiado, reiterando os seus argumentos já expendidos na instância a quo. A Procuradoria da Fazenda Nacional não se manifestou. É o relatório. 2 • , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES z ' ••• Processo : 13629.000323/97-19 Acórdão : 203-04.165 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MAURO WASILEWSKI O recurso é tempestivo, devendo ser conhecido. A questão central do presente processo está em estabelecer a correta aplicação do parágrafo 2, do art. 581, da Consolidação da Leis do Trabalho - CLT, que fixou o conceito de atividade preponderante ao disciplinar o recolhimento da contribuição sindical por parte das empresas em favor do sindicatos representativos das respectivas categorias econômicas, in verbis: "Art. 581. Para os fins do item III do artigo anterior, as empresas atribuirão parte do respectivo capital às suas sucursais, filiais ou agências, desde que localizadas fora da base da atividade econômica do estabelecimento principal na proporção das correspondentes operações econômicas, fazendo a devida comunicação às Delegacias Regionais do Trabalho, conforme a localidade da sede da empresa, sucursais, filiais ou agências, § I. Quando a empresa realizar diversas atividades econômicas, sem que nenhuma delas seja preponderante, cada uma dessas atividades será incorporada à respectiva categoria econômica, sendo a contribuição sindical devida à entidade sindical representativa da mesma categoria, procedendo-se em relação às correspondentes sucursais, agências ou filiais, na forma do presente artigo. § 2. Entende-se por atividade preponderante a que caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente, em regime de conexão funcional" Da leitura atilada do citado texto legal, se verifica que foram fixados 3 (três) critérios classificatórios para o enquadramento sindical das empresas ou empregadores: a) critério por atividade única; b) critério por atividades múltiplas; e c) critério por atividade preponderante. Os dois primeiros critérios contidos no capta e § 1 2, do art. 581, não oferecem dificuldades. Em contrapartida, o terceiro critério - por atividade preponderante - inserto no § 22 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4',1e 'it:nár`". Processo : 13629.000323/97-19 Acórdão : 203-04.165 tem sido objeto de controvérsia no que se refere ao seu entendimento e correta aplicação aos casos concretos. No presente, a recorrente se dedica à produção de celulose e utiliza como insumo madeira extraída das plantações de eucaliptos que cultiva em suas diversas fazendas. Portanto, desenvolve atividades agrícolas típicas do setor primário da economia. Entretanto, o processo de produção da celulose é essencialmente industrial, na modalidade transformação, e tem como características principais: o uso de tecnologia mais elaborada, emprego intensivo de capital e um produto com maior valor agregado. Dentro desta perspectiva econômica, não há dúvidas que a atividade industrial prepondera sobre a atividade agrícola. O critério da atividade preponderante foi definido a partir de conceitos econômicos de unidade de produto, de operação ou objetivo final, em regime de conexão funcional, direcionando todas as demais atividades desenvolvidas pela unidade empresarial. Neste caso, a atividade agrícola é distinta, porém subordinada à demanda industrial de matéria-prima no processo de verticalização industrial adotado por determinadas empresas como modelo estratégico-econômico. Nesse sentido, formou-se, no âmbito deste Colegiado, respeitável base jurisprudencial no sentido de aplicar o critério da atividade preponderante a diversos setores industriais, como por exemplo, ao setor suco-alcooleiro, cuja característica principal é o desenvolvimento de intensa atividade agrícola fornecedora de insumo para a produção de açúcar ou álcool cujo processo de fabricação é indiscutivelmente industrial, por natureza. Revela-se, por conseqüência, a preponderância da atividade-fim de produção industrial sobre a atividade-meio de cultivo de cana-de-açúcar. Os Acórdãos de rr's 202-07.274, 202-07.306 e 202-08.706, de lavratura dos ilustres Conselheiros Osvaldo Tancredo de Oliveira, Antônio Carlos Bueno Ribeiro e Otto Cristiano de Oliveira Glasner, firmaram, dentre outros, o entendimento jurisprudencial acima comentado. Aliás, a instância judicial tem confirmado o critério da atividade preponderante para efeito de enquadramento sindical dos empregados de empresas que desenvolvam atividades primárias e secundárias, nas respectivas categorias econômicas, na forma abaixo: "ENQUADRAMENTO SINDICAL - RURAL / URBANO - A categoria profissional deve ser fixada, tendo em vista a atividade preponderante da empresa, ou seja, em sendo a empresa vinculada a indústria extrativa vegetal, os empregados que ali trabalham são industriários." (Acórdão n. 5.074 do Tribunal Superior do Trabalho, de 20.04.95, Ministro Galba Velloso) 4 LI' MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13629.000323/97-19 Acórdão : 203-04.165 SÚMULA 196 - Ainda que exerça atividade rural, o empregado de empresa industrial ou comercial é classificado de acordo com a categoria do empregador (D.1 de 21/11/63, p. 1.193 - Supremo Tribunal Federal) Em decorrência, a recorrente está excluída do campo de incidência da Contribuição à CNA por força do § 2, do art. 581 da CLT que elegeu o critério da atividade preponderante em regra classificatória para o fim especifico de enquadramento sindical. Por outro lado, entendimento igual é extensivo à Contribuição à CONTAG por tratamento analógico. Não se verifica no lançamento qualquer exigência de Contribuição ao SENAR, razão pela qual fica prejudicada a apreciação dessa matéria no presente recurso. Por todos os motivos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para excluir do lançamento as Contribuições à CNA e à CONTAG. Sala das Sessões, em 14 de abril de 1998 MA 1, 0 SK1400004is 5

score : 1.0
4708351 #
Numero do processo: 13629.000226/96-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2001
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS - Evidenciada contradição no julgado, impossibilitando adequada execução, cabível sua retificação. IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - Tendo sido apurado imposto a restituir na declaração do contribuinte, não se pode cobrar multa por atraso na sua entrega, por falta de base de cálculo para tanto o que só veio a ocorrer com a vigência da Lei nº 8.981, de 1995. Embargos acolhidos. Acórdão re-ratificado.
Numero da decisão: 104-17978
Decisão: Por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos para re-ratificar o Acórdão nº 104-16-794, de 11 de dezembro de 1998, e DAR provimento PARCIAL.
Nome do relator: José Pereira do Nascimento

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200104

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : EMBARGOS DECLARATÓRIOS - Evidenciada contradição no julgado, impossibilitando adequada execução, cabível sua retificação. IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - Tendo sido apurado imposto a restituir na declaração do contribuinte, não se pode cobrar multa por atraso na sua entrega, por falta de base de cálculo para tanto o que só veio a ocorrer com a vigência da Lei nº 8.981, de 1995. Embargos acolhidos. Acórdão re-ratificado.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2001

numero_processo_s : 13629.000226/96-81

anomes_publicacao_s : 200104

conteudo_id_s : 4165631

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 104-17978

nome_arquivo_s : 10417978_015489_136290002269681_006.PDF

ano_publicacao_s : 2001

nome_relator_s : José Pereira do Nascimento

nome_arquivo_pdf_s : 136290002269681_4165631.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos para re-ratificar o Acórdão nº 104-16-794, de 11 de dezembro de 1998, e DAR provimento PARCIAL.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2001

id : 4708351

ano_sessao_s : 2001

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:29:24 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272674312192

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-10T18:54:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-10T18:54:05Z; Last-Modified: 2009-08-10T18:54:05Z; dcterms:modified: 2009-08-10T18:54:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-10T18:54:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-10T18:54:05Z; meta:save-date: 2009-08-10T18:54:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-10T18:54:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-10T18:54:05Z; created: 2009-08-10T18:54:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-10T18:54:05Z; pdf:charsPerPage: 1257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-10T18:54:05Z | Conteúdo => • MINISTÉRIO DA FAZENDA ;21: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1c3-4- QUARTA CÂMARA Processo n° : 13629.000226/96-81 Recurso n° : 015.489 Embargante : DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM CORONEL FABRICIANO - MG Embargada : QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : ALAN ALVARENGA ALVES Sessão de : 19 de abril de 2001 Acórdão n° : 104-17.978 EMBARGOS DECLARATÓRIOS - Evidenciada contradição no julgado, impossibilitando adequada execução, cabível sua retificação. IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - Tendo sido apurado imposto a restituir na declaração do contribuinte, não se pode cobrar multa por atraso na sua entrega, por falta de base de cálculo para tanto,o que só veio a ocorrer com a vigência da Lei n° 8.981, de 1995. Embargos acolhidos. Acórdão re-ratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ALAN ALVARENGA ALVES. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para re-ratificar o Acórdão n° 104-16.794, de 11 de dezembro de 1998, e DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. -free LEILA MA IA SCHERRER LEIT." PRESIDENTE adi JO — RA110 NAS ENTO RELATOR LV ..* , ,4.i MINISTÉRIO DA FAZENDA. ,s.1, 4).5,,,,IgtR i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES N 1/2j4S": QUARTA CÂMARA Processo n°. : 13629.000226/96-81 Acórdão n°. : 104-17.978 Recurso n°. : 015.489 Recorrente : ALAN ALVARENGA ALVES I RELATÓRIOi, Tendo em vista os Embargos Declaratórios de fls. 79 os presentes autos retornam a esta Câmara e por conseqüência encaminhados a este relator através do R. Despacho n° 104-0.120/00, para manifestar sobre dúvidas suscitadas nos Embargos. Tais dúvidas se referem a três itens, como sendo: a) - cheque de fls. 63 dos autos; b) - recibo acostado às fls. 12 dos autos e glosado pela autoridade fiscal; c) - relativo aos pagamentos efetuados à Dra. Marlene Sarsur Jorge. No intuito de esclarecer as dúvidas suscitadas, houve por bem este relator conhecer dos embargos, concordando com a omissão do julgado embargado em relação ao constante nas alíneas "h" e "c" acima, propondo o retorno dos autos ao plenário para melhor esclarecer a matéria julgada no acórdão embargado É o Relatóri . , 3 , , , . .. .. , , , :4..'`.;••)';'" MINISTÉRIO DA FAZENDA.*,,,::,4•4,.: ti, nz'-•;,:to. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • `4Piri.:;;Pe'fr QUARTA CÂMARA Processo n°. : 13629.000226/96-81 Acórdão n°. : 104-17.978 I VOTO Conselheiro JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, Relator Consoante relatado, os presentes autos retornam a esta Cânmara após julgado, tendo em vista os Embargos Declaratorios de fls. 79, que alegam dúvidas quanto à execução do acórdão n° 104-16.794 de 11 de dezembro de 1998. Os autos vieram ter a este relator que ppropôs o seu retorno ao plenário para melhor esclarecer a matéria julgada no acórdão embargado, o que fazemos a seguir I - Quanto ao cheque de fls. 63, efetivamente não foi ele utilizado pelo contribuinte em sua declaração para apuração da base de cálculo, não podendo ser objeto de julgamento, já que estranho à lide, devendo assim, ser desconsiderada do acórdão embargado a fundamentação a respeito do mesmo. II - Já com relação ao recibo de fls. 12, deduzido pelo contribuinte em sua declaração e glosado pela autoridade fiscal, glosa essa mantida pela decisão singular, a duvida do Embargante reside no fato de não haver no voto deste relator alusão à referida glosa. No entender deste relator, muito embora tenha gerado dúvida ao Embargante, o fato e não haver abordado explicitamente a respeito da citada glosa, de ' 4 . 1 •-1.1;s4.:• nk.. MINISTÉRIO DA FAZENDA -. 45...-:-,-.4) PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES l'On;1"e4/ QUARTA CÂMARA Processo n°. : 13629.000226/96-81 Acórdão n°. : 104-17.978 forma implícita, está sendo ela mantida, mesmo porque, não foi aquele valor excluído da exigência contida no lançamento. De qualquer forma, para não polemisar, e para que não remanesçam, dúvidas, adito meu voto para que nele fique constado que: "Fica mantida a glosa relativa ao recibo de CR$ 4.694.000,00, emitido pela dentista Maria Carmem B. C. Pereira, cuja cópia se encontra às fls. 12 dos autos, pelos mesmos fundamentos expendidos na decisão singular." III - Finalmente, com referência aos pagamentos efetuados à Dra. Marlene Sarsur Jorge, realmente assiste razão ao Embargante quando diz que não ficou claro quanto ao valor dedutível, uma vez que o valor CR$ 26.252.100,00, inclui moedas diferentes, como sendo cruzeiro de janeiro a julho de 1993 e cruzeiro real para os meses de outubro e novembro de 1993. Ocorreu que este relator foi induzido a erro, já que considerou o valor constante no histórico da declaração de fls. 66, não se apercebendo da mudança de moedas que efetivamente causa diferença e portanto invalida aquele valor. Assim é que, proponho para que seja mudada a redação do tópico final do acórdão para que fique constando o seguinte: "Diante do exposto, voto no sentido de Dar provimento parcial ao recurso, para considerar como dedutíveis os valores constantes no documento de fls. 11 (C $ 47.150.000,00) e nos recibos de fls. 13 e 14 dos autos." - 5 I *e:V.'? MINISTÉRIO DA FAZENDA aitt-Ukt; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘•ss-ll''•'4•1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 13629.000226/96-81 Acórdão n°. : 104-17.978 Sob tais considerações voto no sentido de re-ratificar o acórdão n° 104- 17.978, e dar provimento parcial ao recurso na forma da fundamentação acima. Sala das Sessões - DF, em 19 de :dl de 2001 • a •, J• " RA DO NAS IMENTO 6 • i w.0,:kÁi, .,- MINISTÉRIO DA FAZENDA•. iz PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . skr. "Y-'''' : QUARTA CÂMARA Processo n°. : 13629.000226/96-81 Acórdão n°. : 104-17.978 FORMALIZADO EM: 22 JUN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, SÉRGIO MURILO MARELLO (Suplente convocado), VERA CECÍLIA MATTOS VIERIA DE MORAES, JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA e REMIS ALpitEIDA ESTOL. Ausente, justificadamente, o Conselheiro ROBERTO WILLIAM GONÇALV çá., , 2

score : 1.0
4705835 #
Numero do processo: 13502.000560/2007-30
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA - Havendo decisão judicial declarando a inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro instituída pela Lei nº 7689/88, a coisa julgada é abalada quando é alterado o estado de fato ou de direito, nos termos do art. 471, I, do CPC, configurado, por exemplo, por superveniente alteração legislativa na norma impugnada.
Numero da decisão: 103-23.492
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe (Relator), Waldomiro Alves da Costa Júnior e Carlos Pela, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200806

ementa_s : RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA - Havendo decisão judicial declarando a inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro instituída pela Lei nº 7689/88, a coisa julgada é abalada quando é alterado o estado de fato ou de direito, nos termos do art. 471, I, do CPC, configurado, por exemplo, por superveniente alteração legislativa na norma impugnada.

turma_s : Terceira Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2008

numero_processo_s : 13502.000560/2007-30

anomes_publicacao_s : 200806

conteudo_id_s : 4242888

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 103-23.492

nome_arquivo_s : 10323492_162930_13502000560200730_010.PDF

ano_publicacao_s : 2008

nome_relator_s : Alexandre Barbosa Jaguaribe

nome_arquivo_pdf_s : 13502000560200730_4242888.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe (Relator), Waldomiro Alves da Costa Júnior e Carlos Pela, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.

dt_sessao_tdt : Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2008

id : 4705835

ano_sessao_s : 2008

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:28:39 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043272675360768

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-10T17:26:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-10T17:26:02Z; Last-Modified: 2009-09-10T17:26:02Z; dcterms:modified: 2009-09-10T17:26:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-10T17:26:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-10T17:26:02Z; meta:save-date: 2009-09-10T17:26:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-10T17:26:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-10T17:26:02Z; created: 2009-09-10T17:26:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-09-10T17:26:02Z; pdf:charsPerPage: 1442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-10T17:26:02Z | Conteúdo => CCO I/CO3 Fls. I ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° 13502.000560/2007-30 Recurso n° 162.930 Voluntário Matéria CSLL - Ex(s): 2002 a 2004 Acórdão n° 103-23.492 Sessão de 25 de junho de 2008 Recorrente DETEN QUÍMICA S.A. Recorrida r TURMA/DRJ-SALVADOR/BA. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA Havendo decisão judicial declarando a inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro instituída pela Lei n° 7689/88, a coisa julgada é abalada quando é alterado o estado de fato ou de direito, nos termos do art. 471, I, do CPC, configurado, por exemplo, por superveniente alteração legislativa na norma impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DETEN QUÍMICA S.A. ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe (Relator), Waldomiro Alves da Costa Júnior e Carlos Pela, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheir6 Antonio Bezerra Neto. LUCIANO DE OLIVEIRA VALENÇA Presidente NTON1 EZERRA NETO Redator Designado FORMALIZADO EM: 1 9 SET 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Carlos Guidoni Filho. 9 Processo n° 13502.000560/2007-30 CCOI/CO3 Acórdão n.° 103-23.492 Fls. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário aviado contra Decisão da DRJ de Salvador que julgou procedente o lançamento decorrente de Auto de Infração que está assim descrito: - Falta de Recolhimento da CSLL — nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, decorrentes da não confissão desses débitos em DCTF nem dos seus recolhimentos, via o presente auto de infração, em decorrência da existência de ação ordinária, aonde se declarou a inconstitucionalidade da lei 7.689/88 tendo a mesma transitado em julgado, conforme documentação apresentada. Lançamento efetuado para prevenir a decadência, sem incidência de multa de lançamento de oficio. - Multas Isoladas — Falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, nos períodos-base de 01/2002 a 12/2004, tendo em vista que os recolhimentos da referida Contribuição sobre as estimativas mensais não foram efetuados. A Decisão recorrida, por sua vez, julgou o lançamento procedente, tendo ementado seu acórdão na forma abaixo. "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA. COISA JULGADA. FATOS GERADORES APÓS ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS. Nas relações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o Contribuinte, não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas. REGIME DE ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. Verificada a falta de pagamento da Contribuição Social por estimativa, é cabível a aplicação da multa isolada de 50% sobre os valores devidos e não recolhidos, por expressa determinação normativa. Lançamento Procedente" Irresignada com a decisão, maneja o Recurso Ordinário, aonde rebate os argumentos postos na decisão recorrida, em síntese, afirmando que, no caso, a decisão da ação declaratória da Deten excluiu a existência de qualquer relação jurídica entre o fisco e a empresa no tocante à contribuição social sobre o lucro líquido. E isso é o mesmo que dizer que a contribuição não incide sobre a recorrente sendo, portanto, inviável qualquer autuação nesse sentido. 2 Processo n° 13502.000560/2007-30 CCOI/CO3 Acórdão n.° 103-23.492 Fls. 3 Que a imunidade tributária nada mais é que uma hipótese de não-incidência constitucionalmente qualificada da nonna jurídica obrigacional tributária e pois de inexistência de obrigação tributária em qualquer exercício. Sob esse aspecto, as situações mencionadas acima são análogas — não iguais — porém é idêntico o regime jurídico-processual aplicável a ambas. Para confirmar e corroborar a procedência dessas asserções, consulte-se o acórdão do STF, no RE 187.376-PR, rel. Min. Sydney Sanches, que afasta a incidência da súmula 239, em hipóteses nas quais a sentença já tenha decidido sobre elementos permanentes da relação fisco/contribuinte e não guarde referibilidade com a cobrança do tributo em cada exercício. Como a sentença em questão declarou a inexistência de relação jurídica que obrigue a empresa a recolher a contribuição social instituída pela lei 7.689/88, quer no período- base encerrado em 31/12/88, quer nos exercícios financeiros seguintes, não tendo havido por parte da União Federal ação tendente à rescisão da sentença que a favoreceu e a sentença declara a inconstitucionalidade da lei como um todo, é incogitável submeter os efeitos dessa decisão e respectiva coisa julgada ao enunciado da Súmula-STF de n°239. A multa isolada é decorrência da falta de recolhimento da Contribuição Social, destarte, julgado improcedente o principal, o lançamento reflexo deve também receber idêntico tratamento. Não fosse por isso, afirma que a multa é excessiva e não pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. É o breve relatório. 3 Processo n° 13502.000560/2007-30 CCOI/CO3 Acórdão n.° 103-23.492 F. 4 Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE BARBOSA JAGUAR1BE, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições para a sua admissibilidade, portanto, dele conheço. O cerne da questão em debate é definir o alcance da coisa julgada material em matéria tributária. Segundo o fisco e a jurisprudência dominante neste Conselho, nas ações tributárias de natureza continuativa, os efeitos da coisa julgada material não alcançariam fatos geradores futuros, além do que se as alterações introduzidas pelas leis 8034/90, 8212/91, 8383/91, 8981/95, 9065/95 e 9249/95 e pela Lei Complementar 70/91 implicaram mudanças na legislação anterior (Lei 7689/88) relativas aos elementos essenciais do lançamento, tais como: base de cálculo e alíquota do tributo. Preliminarmente, vale dizer que o posicionamento do Relator tem sido o de adotar o entendimento majoritário da jurisprudência, ressalvando, todavia, o seu entendimento de que não compactua com a idéia de que as lides tributárias produzem sentenças que são válidas apenas em relação a um determinado exercício fiscal ou apenas aos fatos ocorridos no decorrer da demanda. E, que coisa julgada está diretamente relacionada ao pedido formulado na ação judicial e, conseqüentemente, ao próprio decisum (CPC, art. 469). Ou seja, cada caso deve ser analisado de forma isolada. A recorrente ajuizou ação declaratória de n° 89.0001880-9, que tramitou na 4* Vara da Justiça Federal da Bahia, que a eximiu do recolhimento da CSLL, prevista na Lei 7689/88 e contra tal decisão, não houve o ajuizamento de ação rescisória. Examinando o teor do pedido, contido na inicial, tem-se que a autora requereu o seguinte (fl. 232): "a) a declaração da inexistência de relação jurídica entre a suplicante e a suplicada, que obrigue a primeira a recolher a contribuição social relativa ao período base encerrado m 31/12/88, e aos exercícios seguintes, na forma determinada pela Lei n°7689/88. b) por via de conseqüência, a declaração judicial, por inconstitucionalidade visceral da lei n° 7689/88, em relação ao balanço de 31/12/88 e igualmente em relação aos exercícios seguintes." A sentença, transitada em julgado, a seu turno, decidiu: "Diante do exposto, julgo procedente a ação. Faço-o para declarar inexistente a relação jurídica que obrigue a empresa Autora a recolher a contribuição social instituída pela Lei n. 7.689, de 15.12.1988, quer no período-base encerrado em 31.12.1988, quer nos exercícios financeiros seguintes." Da leitura do dispositivo acima transcrito extrai-se, com clareza solar, a inaplicabilidade, ao caso em tela, da Súmula 239 do STF, segundo a qual "a decisão que 4 Processo n° 13502.000560/2007-30 CCO 1/CO) Acórdão n.° 103-23.492 Fls. 5 declara indevida a cobrança de imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores.", melhor se adequando à espécie o seguinte entendimento jurisprudencial citado por Nelson Néri Júnior e Rosa Maria Nery in "Código de Processo Civil", 33 edição, RT, p.681: "Relações tributária continuativas. Relações jurídica continuativas protraem- se no tempo e, se acobertadas pela coisa julgada material, enquanto durar o estado de fato e de direito, resolvem-se como determinado na sentença. Decidida a controvérsia, não há razão para que o MS seja proposto mensalmente, se vigente a mesma lei e se sucede a mesma situação de fato. A coisa julgada material deve ser rebus sic standibus" (TRF 3° JSTJ 58/526) Dito isso, resta examinar se a legislação posterior à sentença instituiu ou não modificações fático-jurídicas que tenha tomado a exação distinta daquela a que se referiu a sentença declaratória. Sob este aspecto, note-se que a simples edição de leis posteriores prevendo o pagamento do tributo, isoladamente, não tem o condão de afastar o alcance da coisa julgada material, consubstanciada na sentença declaratória que desobrigou o recolhimento do tributo em questão, dado que a lei não pode prejudicar a coisa julgada, conforme dispõe o mandamento constitucional insculpido no artigo 5°, XXXVI. Nesse quadrante, para que lei posterior obrigue a empresa a recolher o tributo, sem ofensa à coisa julgada, necessário se faz a criação de um novo tributo, com estrutura substancialmente diferente daquele que foi o objeto da decisão, seja sob aspectos fáticos, seja sob aspectos jurídicos. Resta, portanto, aferir se houve mudança na situação fático-jurídica em que foi o tributo instituído pela Lei 7689/88, tal como objeto da sentença declaratória, comparando-o como que foi tratado pela legislação posterior. A análise da sentença proferida em sede de ação declaratória, fundamentou sua decisão em dois pilares: Na não utilização de lei complementar para a instituição da CSLL; No fato de a Lei 7689/88 haver considerado como base de cálculo da contribuição o lucro das pessoas jurídicas, que é a mesma base de cálculo do imposto de renda, incidindo, segundo o Magistrado, em violação à regra do artigo 154, 1 c/c art 195, § 4°, da novel Constituição. O primeiro aspecto, referente à não utilização de Lei Complementar, já está superado face o advento da Lei Complementar 70/91, havendo uma modificação fático-juridica nesse particular, o que em tese afastaria os efeitos da referida coisa julgada. Ocorre que, quanto ao segundo aspecto levado em consideração pela sentença, não houve modificação da situação fático jurídica no que tange à base de cálculo da CSLL, que continua sendo a mesma: O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. Forçoso reconhecer, portanto, que a sentença — transitada em julgado — afastou da ora recorrente a cobrança de qualquer valor a título de contribuição social — não importando o nomem júris que se lhe dê ou o veículo formal de sua instituição) cujo fato gerador seja s • r e Processo n° 13502.000560/2007-30 CCOI/CO3 Acórdão n.° 103-23.492 Fls. 6 idêntico ao do imposto de renda da pessoa jurídica. E o fez com base em normas constitucionais, que ainda continuam em vigor (art. 154, I c/c art 195, §, 4° ). Destarte, não se está aqui discutindo a constitucionalidade ou não da exação, que já foi declarada pelo Juiz, para o caso em exame, trata-se apenas de fazer-se respeitar a coisa julgada material. E mais, a sentença em apreço declarou a inexistência de relação jurídica que obrigue a empresa a recolher a contribuição social instituída pela lei 7.689/88, quer no período- base encerrado em 31/12/88, quer nos exercícios financeiros seguintes, não tendo havido por parte da União Federal ação tendente à rescisão da sentença que a favoreceu e a sentença declara a inconstitucionalidade da lei como um todo, é incogitável submeter os efeitos dessa decisão e respectiva coisa julgada ao enunciado da Súmula-STF de n°239. Isso porque, no direito pátrio, existe a tutela constitucional da imutabilidade que a coisa julgada confere aos efeitos da decisão da lide, e também, o direito público subjetivo de ser exigido respeito à coisa julgada. Se nem mesmo a lei formal pode atingir a coisa julgada, a posteriori resguardada se acha a imutabilidade que desta decorre, em face de atos normativos menores, de ato administrativo, e, também, de outras decisões. Uma vez que a lei tem de respeitar a coisa julgada, claro que esta também deve manter-se íntegra ainda quando for a lei aplicada jurisdicionalmente. Conclusão Diante do exposto, dou provimento ao recurso. {Sala das Sessões - p m 25 de junho 2008 ALEXANDRE BA JAGUARIBE e 6 , Processo n° 13502.00056012007-30 CC01/CO3 Acórdão n.° 103-23.492 Els. 7 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Redator Designado O cerne da questão em debate é definir o alcance da coisa julgada material em matéria tributária. Discordo da posição do relator que abraça a tese da "eternidade" da coisa julgada, por outro torneio, o nobre relator defende a tese de que nas ações tributárias de natureza continuativa, os efeitos da coisa julgada material alcançariam fatos geradores futuros, independentemente de haver mudanças no estado de direito. A lei n° 7.689, de 1988, de fato, teve sua constitucionalidade contestada na esfera judicial, havendo sido alvo de várias decisões transitadas em julgado no âmbito dos Tribunais Regionais Federais, que afastaram sua incidência, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, como no caso ora sob exame. As razões, com muito brilhantismo, pretendem esposar a tese da "eternidade" da coisa julgada, a partir de sentença obtida, não sendo possível, sob nenhum aspecto, a desconstituição deste direito. As alterações legislativas posteriores não conferiram à CSLL e à Lei n° 7.689/88 uma nova feição que fizesse a coisa julgada perder seus limites, uma vez que só fizeram referência ao aspecto quantitativo da regra-matriz de incidência tributária. Todos os outros aspectos se mantiveram incólumes, o que levaria à conclusão inequívoca de que tais leis não cuidaram de remediar quaisquer dos vícios apontados na decisão passada em julgado. Embora o pedido de tutela jurisdicional contido no julgado tenha sido contra a cobrança da Contribuição no ano calendário de 1988 pelos fundamentos acima esposados, bem assim que o Tribunal tenha entendido que toda a Lei n° 7.689/88 seja inconstitucional, importa ressaltar que a competência para declarar a inconstitucionalidade de uma Lei, é do Supremo Tribunal Federal cuja decisão tem efeito vinculante. Neste caso, o assunto foi abordado através de Recursos Extraordinários e não por ação direta de inconstitucionalidade. A decisão do STF declarando inconstitucionalidade de uma lei, em Recurso Extraordinário, tem efeito sobre todos, independente de ser parte ou não, a partir de quando o Senado Federal baixa a Resolução suspendendo a execução desta lei. O Decreto 2.346/1997 determinou que a suspensão acompanha o nascimento da lei produzindo efeitos, desde a sua entrada em vigor. Provocado pelo RE 138284-8 — CE, o STF declarou a inconstitucionalidade apenas do artigo 8° da Lei 7689/1988, por ferir o princípio da anterioridade. Por outras palavras, não obstante, o que de concreto ocorreu, no tocante à citada lei, é que ela teve declarada a sua inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, tão- somente no Que toca ao seu art. 8°, que determinava a incidência da contribuição social a partir do resultado apurado no período-base a ser encenado em 31/12/1988, o que feriria o princípio da anterioridade. Como resultado do julgamento pelo STF, foi editada a Resolução n° 11, de4 1995, pelo Senado Federal, suspendendo a execução do aludido artigo 8°.6e/ 7 . . Processo n°13502.000560/2007-30 CCOI/CO3 Acórdão n.° 103-23.492 Fls. 8 Se mais não bastasse, com a declaração de constitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro, no RE n° 146.733-9, dada pelo Supremo Tribunal Federal em sua composição plenária, ratificada após em inúmeros outros julgados, ainda que em sede de recursos extraordinários, evidentemente modificou o estado de direito então existente. Nesse passo, a Súmula 239 do Supremo Tribunal Federal, cai como uma luva, ao nos informar que a coisa julgada em ação judicial só tem o efeito de abranger o ano discutido na lide, in verbis: "Súmula 239 — Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores." Não há como desprezar, alinhando-se ao suscitado, a exegese do artigo 468 do Código de Processo Civil (CPC) que traça uma certa relativização da coisa julgada: "Art. 468 - A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas." Fica cristalino, pelas conclusões daquela súmula aliada ao art. 468 do CPC, que enquanto não ocorrer mudança no estado de direito a sentença judicial será definitiva como norma jurídica concreta em favor da parte. Apenas com a introdução no mundo jurídico de ato legal que modificasse efetivamente a matéria questionada é que restaria alterado o estado de direito. Pois bem, a decisão judicial indicada pela recorrente como fundamento para cancelar a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro apreciou especificamente a Lei n° 7.689/88, porém no período fiscalizado houve alteração na legislação cuja inconstitucionalidade a recorrente sustenta ter coisa julgada a seu favor, pela qual pretende ad eternum ser liberada do recolhimento da contribuição. Independentemente de ter versado apenas sobre o aspecto quantitativo da regra- matriz de incidência tributária, o que importa é que frente à legislação distinta e fatos de natureza diversa - daquela entendida pelo STF, um de seus aspectos (quantitativo) foi alterado com a superveniência das Leis n.° 7.856/89, 7.738/89 e 8.034/90, 8.212/91, LC n° 70/91, 8.541/92, 8.981/95, 9.249/95 e ° 9.430/96. Dessa forma, a relação jurídico-tributária afastada foi restabelecida, ensejando uma reanálise de seu contexto. Em verdade, é inegável que a edição das normas supracitadas ensejou a modificação legislativa de que trata a doutrina, ou ainda, a modificação no estado de direito preconizada pelo Estatuto Processual. Com efeito, verifica-se que o Auto de Infração se reporta a fatos geradores ocorridos a partir do período-base de 2002, sendo que as alterações legislativas relacionadas com as Leis n°7.689, de 1988, iniciaram-se a partir do ano de 1989, com o advento das Leis n.° 7.856/89, 7.738/89, 8.034/90, 8383/91, 8981/95, 9065/95 e 9249/95 e pela Lei Complementar 70/91, inseridas que foram no contexto jurídico anteriormente à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ora exigida. Destarte, irrefutável a modificação legislativa ocorrida, cuja irradiação de efeitos leencampa a relação jurídico-tributária continuativa em exame. Ou seja, a decisão judicial / . Processo n° 13502.000560/2007-30 CCOI/CO3 Acórdão n.° 103-23.492 Fls. 9 transitada em julgado em favor da Recorrente diz respeito a uma situação produzida pelo quanto determinado na Lei n° 7.689/88, a qual foi alterada por legislação superveniente, ou seja, houve modificação da situação fático-jurídica protegida pela decisão transitada em julgado, de modo que a referida norma individual e concreta que a eximia do recolhimento da contribuição social sobre o lucro não mais se aplica à situação jurídica em que se encontra atualmente. Esse é o entendimento do, inclusive do E. Superior Tribunal de Justiça, nos termos da ementa declinada abaixo: "TRIBUTÁRIO. COISA JULGADA. EFEITOS. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUA TIVA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. I. A Lei n° 7.689, de 15.12.88, foi declarada constitucional, com exceção do art. 8°, pelo STF (RE n° 138284-8-CE). 2. Efeitos da coisa julgada que reconheceu, sem exame pelo STF, ser inconstitucional toda a Lei n" 7.689, de 15.12.88. 3. Superveniência da Lei n° 8.212, de 24.07.91, e da LC n° 70, de 30.12.1991. Reafirmação, nestas leis, da instituição da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas. 4. Superveniência de situações jurídicas que afetam a imutabilidade da coisa julgada quando se trata de declaração de inconstitucionalidade não examinada, na situação debatida, pelo STF e proclamada na apreciação de relação jurídico-tributária de natureza continuativa. 5. Recurso provido que resulta em denegação da segurança impetrada pela empresa, obrigando-a a pagar a contribuição em questão devida, a partir da vigência da Lei n° 8.212/91, por respeito aos efeitos da coisa julgada nos exercícios de 1989 e 1990. Inexistência de ação rescisória." (STJ, 1 a Turma, RESP 281.209/GO, ReL Min. José Delgado, DJ 27/08/2001, pg. 00227) Há jurisprudência deste Colegiado aponta nesse mesmo sentido, sendo suficiente destacar os seguintes arestos: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO - DIREITO ADQUIRIDO - INSUBSISTENTE CONFIGURAÇÃO EM FACE DE LEI ULTERIOR - RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUA TIVA - LEI NOVA E FATOS DE NATUREZA DIVERSA - PRECEDENTES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES - 1NCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NÃO ACOLHIDA PELO STF - O controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico é feito de modo absoluto pelo Colando Supremo Tribunal Federal. A relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa, incidindo, na espécie, o art. 471, I, do CPC. A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros (STF). A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Cana Magna, a destacar o da isonomia . . • . Processo n° 13502.000560/2007-30 CCO I /CO3 Acórdão n.• 103-23.492 Fls. 10 (STJ - RESP 96213/MG). A Lei n° 8.034, de 13.04.1990, ao resgatar edições legais pretéritas, erigiu, ao mesmo tempo, exacerbadas inovações na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, distanciando-a, dramaticamente, da prescrita pela Lei n° 7.689/88. Desta forma e manifestamente atendeu-se ao dualismo que se aponta indispensável."(Acórdão n° 103-20.26) "CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: A falta ou insuficiência do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro autoriza o lançamento de oficio, para apuração dos valores devidos, com os acréscimos legais. COISA JULGADA: É impertinente a invocação de coisa julgada na hipótese de débitos posteriores ao julgado. Rejeição da manipulação da coisa julgada como pretexto e obstáculo processual à apreciação da matéria em processo subseqüente ao período de exigibilidade discutido no controle difuso.Negado provimento ao recurso. (Acórdão 101- 92225). COISA JULGADA. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUA TIVA.DESNECESSIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA — A jurisprudênciapátria (tanto a judicial quanto a administrativa) tem entendido que nasrelações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e oContribuinte não é cabível a alegação da exceção da coisa julgadaem relação aos fatos geradores sucedidos após alterações legislativase, uma vez que os fatos geradores da obrigação tributária aqui discutidos são posteriores às alterações legislativas, nada obsta queseja realizado o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido via Auto de Infração." (Acórdão 101-9373) "CSLL — EFEITOS DA COISA JULGADA MATERIAL EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA - A decisão transitada em julgado em ação declarató ria relativa a matéria fiscal não faz coisa julgada para exercíciosposteriores, eis que não pode haver coisa julgada que alcancerelações que possam vir a surgir no futuro. Ainda que se admitisse atese da extensão dos efeitos dos julgados nas relações juridicascontinuadas, esses efeitos sucumbem com a ocorrência da altera çãolegislativa da norma impugnada. "(Acórdão 101-94255) Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 25 de junho 2008 , 6.6 NTONIO SERRA NETO 10 Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1

score : 1.0