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Numero do processo: 19311.720222/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011
INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL DE TURMA DA DRJ. INEXISTÊNCIA.
O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) estabelece que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) têm jurisdição nacional, sendo descabida a alegação de incompetência territorial.
NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO DAS PARTES PARA PARTICIPAREM DA SESSÃO DE JULGAMENTO. NÃO-CABIMENTO.
As DRJ são órgãos de deliberação interna da RFB e não há previsão legal para a participação de advogados ou interessados nas sessões das turmas dessas Delegacias.
NULIDADE POR NECESSIDADE DE PERÍCIA. NÃO-CABIMENTO.
O juízo de necessidade de perícia é do órgão julgador, não sendo o seu indeferimento motivo para nulidade.
AGRAVAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. MOTIVOS EQUIVOCADOS.
A apresentação de motivos de direito absolutamente equivocados e, mesmo, a falta de descrição dos motivos de direito que levaram ao agravamento e qualificação da multa de ofício, impões o seu afastamento e a redução da multa aplicada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011
SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. MOTIVOS EQUIVOCADOS. AFASTAMENTO.
Para que haja a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, inciso III do CTN é necessária a descrição do ato praticado pelo diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto.
Numero da decisão: 1302-002.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso voluntário de VAZLOG DISTRIBUIDORA E LOGISTICA LTDA - EPP, e, em afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial aos recursos voluntários dos administradores ADRIANO MENNA ZEZZE e GIANFRANCO MENNA ZEZZE, para cancelar o agravamento e qualificação da multa de ofício e afastar a sujeição passiva solidária, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente
(assinado digitalmente)
CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011 INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL DE TURMA DA DRJ. INEXISTÊNCIA. O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) estabelece que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) têm jurisdição nacional, sendo descabida a alegação de incompetência territorial. NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO DAS PARTES PARA PARTICIPAREM DA SESSÃO DE JULGAMENTO. NÃO-CABIMENTO. As DRJ são órgãos de deliberação interna da RFB e não há previsão legal para a participação de advogados ou interessados nas sessões das turmas dessas Delegacias. NULIDADE POR NECESSIDADE DE PERÍCIA. NÃO-CABIMENTO. O juízo de necessidade de perícia é do órgão julgador, não sendo o seu indeferimento motivo para nulidade. AGRAVAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. MOTIVOS EQUIVOCADOS. A apresentação de motivos de direito absolutamente equivocados e, mesmo, a falta de descrição dos motivos de direito que levaram ao agravamento e qualificação da multa de ofício, impões o seu afastamento e a redução da multa aplicada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011 SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. MOTIVOS EQUIVOCADOS. AFASTAMENTO. Para que haja a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, inciso III do CTN é necessária a descrição do ato praticado pelo diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL DE TURMA DA DRJ. INEXISTÊNCIA. O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) estabelece que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) têm jurisdição nacional, sendo descabida a alegação de incompetência territorial. NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO DAS PARTES PARA PARTICIPAREM DA SESSÃO DE JULGAMENTO. NÃOCABIMENTO. As DRJ são órgãos de deliberação interna da RFB e não há previsão legal para a participação de advogados ou interessados nas sessões das turmas dessas Delegacias. NULIDADE POR NECESSIDADE DE PERÍCIA. NÃOCABIMENTO. O juízo de necessidade de perícia é do órgão julgador, não sendo o seu indeferimento motivo para nulidade. AGRAVAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. MOTIVOS EQUIVOCADOS. A apresentação de motivos de direito absolutamente equivocados e, mesmo, a falta de descrição dos motivos de direito que levaram ao agravamento e qualificação da multa de ofício, impões o seu afastamento e a redução da multa aplicada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. MOTIVOS EQUIVOCADOS. AFASTAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 22 /2 01 4- 71 Fl. 5757DF CARF MF 2 Para que haja a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135, inciso III do CTN é necessária a descrição do ato praticado pelo diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não conhecer do recurso voluntário de VAZLOG DISTRIBUIDORA E LOGISTICA LTDA EPP, e, em afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial aos recursos voluntários dos administradores ADRIANO MENNA ZEZZE e GIANFRANCO MENNA ZEZZE, para cancelar o agravamento e qualificação da multa de ofício e afastar a sujeição passiva solidária, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente (assinado digitalmente) CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Em discussão Recurso Voluntário impetrado em peça única pelo contribuinte, Vazlog Distribuidora e Logística Ltda, e pelos responsáveis solidários Adriano Menna Zezze e Gianfranco Menna Zezze, contra acórdão da 3ª Turma de DRJ de Belo Horizonte Tratase de procedimento fiscal do qual decorreram lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, tendo a autoridade autuante apresentado relatório que passo a resumir: a) a auditoria fiscal teve início em 01/04/2013. Apresentados os livros Diário de 2010 e 2011, durante a verificação desses livros a Empresa foi intimada (TIF 02 e Termo de Reintimação nº 03 e 04) a apresentar: 1) extratos bancários e de aplicações financeiras; 2) balancetes anuais solicitados e 3) os livros auxiliares conforme art. 1184, § 1º da Lei 10.406, de 2002, Código Civil. Nada apresentou; b) a fiscalização baixou do Sistema SPED NFe as notas fiscais emitidas pela empresa no período de abril de 2010 a dezembro de 2011 e constatou que elas não foram registradas na contabilidade. Então intimou (TIF nº 06 e Termo de Reintimação nº 07), encaminhando planilha com a relação de notas fiscais, para que a Empresa confirmasse ou não a veracidade de seu faturamento. Não houve manifestação da Empresa; c) portanto, os Livros Diário e os livros de Registro de Apuração do ICMS apresentados, foram desconsiderados pela fiscalização para fins de determinação do lucro tributável conforme determina o artigo 530, inciso II, letra "a" do RIR/99; Fl. 5758DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.758 3 d) apesar de desconsiderado o livro diário nº 3, foram considerados para efeito de apuração do lucro tributável os valores de faturamento contabilizados nos meses de janeiro a março de 2010; e) IRPJ e CSLL considerando que a contabilidade não exprime a realidade dos fatos, conforme acima narrado, a apuração foi feita: a) com os valores contabilizados nos meses de janeiro a março de 2010; b) com os valores das notas fiscais eletrônicas no período de abril de 2010 a dezembro de 2011; f) Cofins e PIS considerando que a contabilidade não exprime a realidade dos fatos, conforme acima narrado, as contribuições foram apuradas: a) com os valores contabilizados de janeiro a março de 2010; b) com os valores das notas fiscais eletrônicas no período de abril de 2010 a dezembro de 2011; g) as alíquotas das multas utilizadas referemse: a) nos meses de janeiro a março de 2010 (112%), sobre os valores registrados na contabilidade; e, b) a partir do mês de abril de 2011 e até dezembro de 2011 (150%) sobre os valores apurados nas notas fiscais eletrônicas (não contabilizadas e nem escrituradas nos livros de apuração de ICMS). Os acréscimos legais (multa e juros) incidentes sobre os tributos devidos, foram calculados conforme legislação vigente e sua fundamentação legal encontrase informada nos Demonstrativos de Multa e Juros de Mora, integrantes dos autos de infração; h) considerando que os fatos narrados em "b" acima constituem, em tese, a ocorrência do fato ilícito previsto na Lei 8.137, de 1990 crimes contra a ordem tributária, foi emitido Termos De Representação Fiscal para Fins Penais; i) considerando que o total do crédito fiscal constituído através dos Autos de Infração está acima dos valores mínimos previstos do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 1.171, de 2011, e da Norma de Execução Conjunta COFIS/COPES/CODAC/COREC/COSIT/CDA/CGD nº 03/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar bens para arrolamento. Apesar de intimado, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 0006, deixou de apresentálos. Considerando que o contribuinte deixou de apresentar bens para arrolamento; considerando a emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, e, considerando a constituição da solidariedade abaixo determinada, foram arrolados bens dos sócios para garantia do crédito fiscal constituído; j) considerando que o contribuinte não possui bens passíveis de arrolamento, , considerando o valor relevante do crédito tributário apurado, e considerando, finalmente, a emissão do Termo de Representação Fiscal para Fins Penais, fica constituída a solidariedade dos administradores, conforme Termo de Solidariedade nº 0008, fundamentado na: i) artigo 135, inciso III do CTN; ii) artigo 210, inciso IV do RIR/99; Que no presente caso os sócios administradores da Empresa, conforme contrato social registrado na JUCESP são: Gianfranco Menna Zezze, segue qualificação; e, Adriano Menna Zezze, segue qualificação. Fl. 5759DF CARF MF 4 Inconformados, a Autuada e os dois responsáveis solidários apresentaram impugnações em peças distintas assim resumidas pela DRJ: Impugnação Vazlog · Todas as intimações fiscais foram prontamente atendidas ou tiveram pedido de dilação de prazo. · Em função de alegado não atendimento aos termos de intimação, a autoridade fazendária desconsiderou a apresentação dos livros diários para reconhecimento de lucro tributável apurado pelo sistema do lucro presumido, levando em consideração, assim, os valores contabilizados de janeiro a março de 2010 e os valores apurados das notas fiscais eletrônicas no período de abril de 2010 a dezembro de 2011. · O auto de infração é nulo por violação ao princípio da ampla defesa administrativa e contraditório, sendo necessária a perícia contábil e o deferimento do pedido de prazo formulado no curso do procedimento fiscal, não apreciado autoridade fiscal. · É nula a apuração por arbitramento do IRPJ e seus reflexos, especialmente pelo não atendimento das disposições do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. · Citamse os arts. 45 e 47 da Lei nº 8.981, de 1995. · Não houve omissão por parte da contribuinte. · Eventual perícia contábil poderia comprovar que qualquer ausência de livros de escrituração não subtraiu a condição para o devido cálculo do lucro real da empresa, não sendo suficiente a base única nas notas fiscais eletrônicas. · Citase decisão do TRF da 1ª Região · Ainda que se admita a existência de omissão ou falha na anutenção dos livros escriturais, o material apresentado não poderia ter sido desconsiderado pela autoridade fazendária. · Citase decisão da Justiça Federal. · Além de indeferir pedido de dilação de prazo para juntada de livros, extratos e documentos e, em seguida, autuar a contribuinte sem lhe permitir a formalização correta de seus documentos, a autoridade fazendária ignorou e desprezou livros e importantes documentos que afastariam a majoração decorrente do arbitramento do lucro, tornando o auto de infração nulo. · A multa e os juros aplicados são nulos e exorbitantes, devendo ser desconsiderados ou, no mínimo, reduzidos aos patamares mínimos legais. · A regra para a aplicação da multa no teto presume algumas particularidades, inexistentes na espécie. Fl. 5760DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.759 5 · Inexistindo grave ofensa à ordem tributária, a aplicação de multa em 150% ou mesmo de 112,50% se mostra injusta e desatende o princípio da razoabilidade. · Alternativamente e, no mínimo, ela deve ser reduzida ao limite máximo de 20%, pois se mostra, ainda que por analogia, mais justa e adequada à espécie. · Citamse decisões do TRF da 4ª Região, do STJ e do STF. · A representação para fins penais se mostra equivocada, na medida em que não há prova ou indício de infração penal. Não houve condutas dolosas que sustentassem tal medida, razão pela qual deve ser suspensa de plano. · O arrolamento de bens dos sócios se mostrou prematuro e ilegítimo. Houve intimação para apresentação de bens a serem arrolados, porém sem indicação de valor. A contribuinte indicou a quantia de dois milhões de reais em bens, com pleito de intimação para indicação de valor maior, caso necessário. Sem saber o valor do auto de infração, não tinha a contribuinte condições de indicar bens em quantia correta. · A impugnante requer a anulação dos autos de infração e cancelamento dos supostos créditos neles consubstanciados, além do arrolamento de bens dos sócios. Impugnação apresentada pelos responsáveis solidários Em 04/07/2014, Adriano Menna Zezze postou a impugnação afls. 5617/5628. Nessa mesma data, Gianfranco Menna Zezze postou a impugnação a fls. 5631/5641. Por apresentarem idêntico conteúdo, as duas peças impugnatórias são adiante resumidas em conjunto: · Inexistem provas ou indícios de que o sócio agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao estatuto, ou houve dissolução irregular da empresa. · Sequer foi apurada ou questionada a existência de administração dos diretores, ou mesmo se verificou que a empresa, no período, fechou balanço com prejuízo, o que afasta a tese de que os sócios são os beneficiados economicamente. · A empresa possui administração clássica e moderna, com direção, execução e coordenação próprias, sendo descabida a simples e pura responsabilização dos sócios, sem qualquer apuração dos fatos. · Citase decisão do STJ. · Todas as intimações fiscais foram prontamente atendidas ou tiveram pedido de dilação de prazo. · Em função de alegado não atendimento aos termos de intimação, a autoridade fazendária desconsiderou a Fl. 5761DF CARF MF 6 apresentação dos livros diários para reconhecimento de lucro tributável apurado pelo sistema do lucro presumido, levando em consideração, assim, os valores contabilizados de janeiro a março de 2010 e os valores apurados das notas fiscais eletrônicas no período de abril de 2010 a dezembro de 2011. · O auto de infração é nulo por violação ao princípio da ampla defesa administrativa e contraditório, sendo necessária a perícia contábil e o deferimento do pedido de prazo formulado no curso do procedimento fiscal, não apreciado autoridade fiscal. · É nula a apuração por arbitramento do IRPJ e seus reflexos, especialmente pelo não atendimento das disposições do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. · Citamse os arts. 45 e 47 da Lei nº 8.981, de 1995. · Não houve omissão por parte da contribuinte. · Eventual perícia contábil poderia comprovar que qualquer ausência de livros de escrituração não subtraiu a condição para o devido cálculo do lucro real da empresa, não sendo suficiente a base única nas notas fiscais eletrônicas. · Citase decisão do TRF da 1ª Região · Ainda que se admita a existência de omissão ou falha na manutenção dos livros escriturais, o material apresentado não poderia ter sido desconsiderado pela autoridade fazendária. · Citase decisão da Justiça Federal. · Além de indeferir pedido de dilação de prazo para juntada de livros, extratos e documentos e, em seguida, autuar a contribuinte sem lhe permitir a formalização correta de seus documentos, a autoridade fazendária ignorou e desprezou livros e importantes documentos que afastariam a majoração decorrente do arbitramento do lucro, tornando o auto de infração nulo. · A multa e os juros aplicados são nulos e exorbitantes, devendo ser desconsiderados ou, no mínimo, reduzidos aos patamares mínimos legais. · A regra para a aplicação da multa no teto presume algumas particularidades, inexistentes na espécie. · Inexistindo grave ofensa à ordem tributária, a aplicação de multa em 150% ou mesmo de 112,50% se mostra injusta e desatende o princípio da razoabilidade. · Alternativamente e, no mínimo, ela deve ser reduzida ao limite máximo de 20%, pois se mostra, ainda que por analogia, mais justa e adequada à espécie. · Citamse decisões do TRF da 4ª Região, do STJ e do STF. · A representação para fins penais se mostra equivocada, na medida em que não há prova ou indício de infração penal. Não Fl. 5762DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.760 7 houve condutas dolosas que sustentassem tal medida, razão pela qual deve ser suspensa de plano. · O arrolamento de bens dos sócios se mostrou prematuro e ilegítimo. Houve intimação para apresentação de bens a serem arrolados, porém sem indicação de valor. A contribuinte indicou a quantia de dois milhões de reais em bens, com pleito de intimação para indicação de valor maior, caso necessário. Sem saber o valor do auto de infração, não tinha a contribuinte condições de indicar bens em quantia correta. · Os impugnantes requerem o afastamento de sua responsabilidade, anulação dos autos de infração e cancelamento dos supostos créditos neles consubstanciados. A DRJ, no acórdão combatido, decidiu conforme as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ARBITRAMENTO DE LUCROS. Sujeitase ao arbitramento de lucros o contribuinte que, validamente intimado, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Impõese ainda o arbitramento quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. O percentual da multa de lançamento de ofício é aumentado de metade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: prestar esclarecimentos; apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 1991; apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo Fl. 5763DF CARF MF 8 fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. O acórdão foi assim redigido: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, parte integrante deste acórdão, em não conhecer das alegações relativas à representação fiscal para fins penais e ao arrolamento de bens e direitos, indeferir os pedidos de produção de prova pericial, rejeitar as alegações preliminares e, quanto ao mérito, julgar improcedente a impugnação apresentada por Vazlog Distribuidora e Logística Ltda – EPP, mas julgar procedente em parte as impugnações apresentadas por Gianfranco Menna Zezze e Adriano Menna Zezze, para: · manter integralmente o crédito tributário lançado; · afastar os vínculos de responsabilidade solidária de Gianfranco Menna Zezze e Adriano Menna Zezze sobre o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/03/2010; · manter os vínculos de responsabilidade solidária de Gianfranco Menna Zezze e Adriano Menna Zezze sobre o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos entre 01/04/2010 e 31/12/2011. Inconformados com o decidido pela citadaTurma, a contribuinte e os responsáveis solidários interpõem Recurso Voluntário em peça única, alegando, resumidamente: 1) nulidade do acórdão por falta de intimação das partes sobre a data do julgamento, seja pessoalmente, seja pelo Diário Oficial, em obediência ao princípio da publicidade, para simples acompanhamento ou para apresentação de sustentação oral com apresentação de documentos e destaque para a necessidade de perícia técnica contábil; 2) nulidade do acórdão por incompetência da turma julgadora, 3ª Turma de DRJ/BHE, por ofensa ao princípio da competência territorial absoluta. A Empresa tem sede na cidade de Louveira/SP e os sócios na cidade de Valinhos, o que indica que a Delegacia de Julgamento competente é a da cidade de São Paulo e não Belo Horizonte; 3) nulidade do acórdão por violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, sendo necessária perícia contábil e o deferimento ao pedido de prazo formulado Fl. 5764DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.761 9 pela contribuinte no curso do mandado de procedimento fiscal até agora não apreciado pela i. autoridade fiscal; 4) nulidade do arbitramento, pois não houve omissão por parte da contribuinte, valendo registrar, ainda, que eventual perícia contábil poderia, igualmente, comprovar que qualquer ausência de livros de escrituração não subtrai a condição para o devido cálculo do lucro real da empresa, não sendo suficiente a base única nas notas fiscais eletrônicas; 5) a multa e os juros aplicados são nulos e exorbitantes, devendo ser desconsiderados ou reduzidos a patamares mínimos legais. Registrese que a regra para a aplicação da multa no teto presume algumas particularidades, inexistentes na espécie, quais sejam: a) quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto,mas sem o acréscimo da multa de mora; b) no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão), que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; e c) no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do imposto de renda e da contribuição social, calculados por estimativa ou com base em balanços ou balancetes de suspensão ou redução, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A penalidade se mostra excessiva e injusta, devendo ser reduzida para, no máximo, 20% do valor eventualmente a ser recolhido originalmente. Inexistindo grave ofensa à ordem tributária, a aplicação da multa de 150% ou mesmo de 112% se mostra injusta e desatende ao princípio da razoabilidade, mais uma razão para sua anulação; 6) contesta a Representação Fiscal para Fins Penais e o Arrolamento de Bens; Requer a procedência do Recurso Voluntário, acolhendo as preliminares e julgando nulo o auto de infração ou, no mérito, para reconhecer a improcedência do auto de infração e da imposição da multa em pauta e, ainda, a suspensão e cancelamento da representação fiscal para fins penais e dos arrolamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Admissibilidade dos Recursos Voluntários Verificando os documentos do processo concluise que as ciências do acórdão recorrido se deram: a) para a Vazlog, em 26/12/2014, conforme documento de folha 5718; b) para Adriano Menna Zezze, em 23/01/2015, conforme documentos de folha 5719; e, para Gianfranco Menna Zezze, em 23/01/2015, conforme documento de folha 5720. Fl. 5765DF CARF MF 10 Os Recursos Voluntários, contrariamente às impugnações, foram apresentados em peça única para o contribuinte e responsáveis, no dia 24/02/2015. Disso concluise que o recurso é intempestivo em relação ao contribuinte Vazlog Distribuidora e Logística Ltda, cujo prazo seria 27/01/2015 e tempestivo em relação aos responsáveis solidários. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, resolvo não conhecer do recurso voluntário de Vazlog Distribuidora e Logística Ltda, e conhecer do recurso voluntário de Adriano Menna Zezze e Gianfranco Menna Zezze. 1) Nulidade do acórdão por falta de intimação das partes. O Decreto 70.235, de 1972, recepcionado com status de lei pela Constituição Federal, é a norma disciplinadora do Processo Administrativo Fiscal, como bem define o seu artigo 1º, ad litteram: Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. Assim, ele descreve todos os atos relativos ao julgamento desses processos, em especial, no que tange à primeira instância, determina a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ): Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal;(grifei) A própria lei reconhece que as DRJ são órgão de deliberação interna e, ao descrever o procedimento na SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância, em nenhum momento impõe ou prevê a intimação, a sustentação oral, a apresentação de documentos ou provas, tampouco a presença das partes integrantes da obrigação tributária tratada no processo. Nessa instância a previsão legal é de que todos os documento e provas devem ser apresentados junto com o impugnação, que é o momento do exercício do direito de defesa. Assim, entendo não ter razão a Recorrente, pelo que afasto a preliminar. 2) Nulidade por incompetência territorial absoluta da 3ª Turma da DRJ/BHE Sobre o assunto o Decreto nº 7.696, de 6 de março de 2012 (hoje revogado pelo Decreto nº 9.003, de 13 de março de 2017) estabelecia a competência do Ministro da Fazenda para: O VICEPRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição, DECRETA: (...) Fl. 5766DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.762 11 Art. 5º O Ministro de Estado da Fazenda poderá editar regimento interno para detalhar as unidades administrativas integrantes da Estrutura Regimental do órgão, suas competências e as atribuições de seus dirigentes. Assim, a autoridade editou o referido regimento interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos seguintes termos: PORTARIA MF Nº 203, DE 14 DE MAIO DE 2012 Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. (grifei) Na mesma esteira, a RFB editou Portaria atribuindo a competência das DRJ (hoje revogada pela Portaria RFB nº 2231, de 14 de junho de 2017) e a responsabilidade e critérios para distribuição dos processos: PORTARIA RFB N 1006, DE 24 DE JULHO DE 2013 Art. 2º Compete à CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial (Cocaj) identificar os processos a serem distribuídos às DRJ, de acordo com: I as prioridades estabelecidas na legislação; II a competência por matéria; e III a capacidade de julgamento de cada DRJ. O que se vê de imediato é que as DRJ não têm competência territorial relacionada com a sua localização. A competência territorial das DRJ é nacional, conforme a Portaria do Ministro da Fazenda que estabelece o Regimento da RFB. Fl. 5767DF CARF MF 12 Assim, qualquer DRJ pode julgar processo oriundo de qualquer lugar do País, sem prejuízo algum ao direito de ampla defesa e contraditório, exercidos por meios dos recursos interpostos. Ademais, a doutrina sempre estabeleceu que a competência pelo critério territorial é relativa e não absoluta. Poderá ser absoluta, mas será caso de exceção. Por outro lado, a competência por matéria, esta sim, é competência absoluta, pois é determinada de acordo com o interesse público, assim não pode ser modificada por vontade das partes. Tendo em conta que a legislação estabelece que as DRJ têm competência para julgamento em todo o território nacional, e que a competência por atéria foi respeitada, rejeito a preliminar de nulidade. 3) nulidade do lançamento por necessidade de perícia contábil e de deferimento ao pedido de prazo formulado pela contribuinte no curso do procedimento fiscal e 4) nulidade do arbitramento: Nestes pontos reproduzo a argumentação do relator do acórdão atacado, Marcello Godinho Filho, com a qual concordo e adoto como razão de decidir: Contestação ao arbitramento do lucro Os impugnantes contestam o arbitramento do lucro, alegando, em essência, “que não houve qualquer desatendimento às intimações recebidas” e “que qualquer ausência de livros de escrituração não subtraiu a condição para o devido cálculo do lucro real da empresa”. Alegase ainda, mas sem maiores detalhes ou especificações, que o autuante “ignorou e desprezou livros e importantes documentos que afastariam a majoração fiscal decorrente do arbitramento do lucro da contribuinte”. Pois bem, o autuante arbitrou o lucro com base no art. 530, II, “a”, e III, do RIR de 1999 (fls. 5535 e 5605). Confirase abaixo a redação desses dispositivos: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou (...) Fl. 5768DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.763 13 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Conforme relata o autuante, relativamente aos anoscalendário de 2010 e 2011, a autuada deixou de apresentar – mesmo tendo sido intimada (fls. 299) e, por duas vezes, reintimada (fls. 301 e 303) a fazêlo – os seguintes documentos: extratos bancários e de aplicações financeiras, balancetes anuais e livros auxiliares do Diário. O autuante ainda relata que a autuada também deixou de escriturar o seu real faturamento no Diário e no Livro de Registro de Apuração do ICMS, o que foi constatado por meio do cotejo entre tais livros e as notas fiscais eletrônicas por ela emitidas. Vale ressaltar que a autuada foi intimada e reintimada (fls. 307 e 312) a confirmar os valores que o autuante, com base nas notas fiscais eletrônicas, apurou a título de faturamento mensal dos meses de abril de 2010 a dezembro de 2011. Todavia, ela não se manifestou. Como se vê, ao contrário do que alegam os impugnantes, a autuada efetivamente deixou de atender a intimações para apresentar livros e documentos de sua escrituração, a qual, outrossim, revelouse imprestável para identificar sua movimentação financeira. Inferese, pois, que o arbitramento do lucro foi efetuado em estrita conformidade com a legislação de regência, não cabendo, neste aspecto, reparo algum nos lançamentos efetuados. Alegações relativas a pedido de dilação de prazo para atendimento de intimação e ao pedido de perícia contábil Não procede a alegação de que o autuante não apreciou pedido de dilação de prazo para atendimento de intimação. Senão, veja se: Constam dos autos três pedidos de dilação de prazo (fls. 7, 5529 e 5614). No primeiro deles (fls. 7), datado de 19/04/2013 e recebido em 30/04/2013, a interessada requer “devolução e dilação de prazo para atendimento das solicitações constantes no termo de início de procedimento fiscal, quais sejam 48 horas para juntada de procuração e contrato social e 20 dias para atendimento dos itens 1 a 4 do respectivo termo”. Mediante o referido termo de início (fls. 3/4), do qual teve ciência em 01/04/2013, a interessada foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, os elementos abaixo especificados: (...) Fl. 5769DF CARF MF 14 E, em 29/04/2013, ela teve ciência do termo de reintimação a fls. 5, lavrado em 23/04/2013, por meio do qual foi intimada a apresentar, no prazo de 5 dias úteis, todos os livros e documentos solicitados no termo de início, tendo sido ali ressaltado que, para arquivos em meio magnético, o prazo de atendimento seria de 45 dias. Ressaltese que, mediante o termo de constatação fiscal a fls. 9, lavrado em 07/05/2013 (ciência em 13/05/2013), a autoridade fiscal assim se manifestou acerca do primeiro pedido de dilação de prazo (sem grifos no original): (...) CONSTATAMOS o recebimento de correspondência, em nome dessa empresa, sem identificação do signatário e desacompanhada da procuração que lhe concede poderes de representação perante o Fisco, solicitando dilação de prazos. Cientificamos o contribuinte de que tal correspondência será juntada aos autos, mas não possui validade, a menos que acompanhada da respectiva procuração firmada pelo representante legal da empresa e com a devida identificação dos outorgantes e procuradores. O instrumento de procuração deve indicar os poderes transmitidos aos procuradores e conter todas as formalidades e inserções necessárias à relação com o Fisco. Aproveitamos para informar que o termo de reintimação fiscal, lavrado em 23/04/2013, já havia concedido extensão dos prazos fixados no termo de inicio de procedimento fiscal. Em 17/06/2013, após a interessada apresentar documentos, a autoridade fiscal lavrou o termo a fls. 26 (ciência em 25/06/2013), intimandoa “a apresentar documento de identificação com foto (RG, CNH ou OAB) dos procuradores que firmaram a correspondência de 19/4/13, protocolada em 30/04/13, e a procuração de substabelecimento de 16/05/13”. Não houve resposta da interessada, nem mesmo após a lavratura, em 06/08/2013, do termo de reintimação a fls. 28. Já no segundo pedido de dilação de prazo (fls. 5529), recebido em 15/01/2014, a interessada requer mais 20 dias de prazo, alegando que “tal prazo permitirá localização dos documentos e avaliação dos mesmos para esclarecimentos”. Tal pedido diz respeito ao termo de intimação a fls. 299 (nº 0002), lavrado em 18/12/2013 (ciência em 24/12/2013), por meio do qual a interessada foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os elementos abaixo especificados. Ocorre que, na mesma data de 15/01/2014, foi lavrado o termo de reintimação a fls. 301 (nº 0003), cuja ciência ocorreu em 23/01/2014, concedendo mais 5 dias de prazo para atendimento da intimação. A interessada, por sua vez, apresentou, em 05/02/2014, outro pedido de mais 20 dias de prazo (fls. 5614), alegando, mais uma vez, que “tal prazo permitirá localização dos documentos e avaliação dos mesmos para esclarecimentos”. (...) Vale registrar que, mediante o termo de reintimação a fls. 303 (nº 0004), lavrado em 07/02/2014 (ciência em 18/02/2014), o autuante, concedendo mais 1 dia de prazo, assim indeferiu o último pedido de dilação de prazo: Fl. 5770DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.764 15 Notese, a propósito, que não houve atendimento a esse termo de reintimação nº 0004. A interessada também não prestou informações que lhe foram solicitadas, inicialmente, mediante o termo de intimação a fls. 312 (nº 0006) e, posteriormente, mediante o termo de reintimação a fls. 307 (nº 0007), do qual se extrai o seguinte excerto: Como se vê, não se verifica, no caso, a alegada nulidade por violação ao princípio da ampla defesa e contraditório. O autuante se manifestou acerca de todos os pedidos de dilação de prazo apresentados, os quais, digase de passagem, não se fizeram acompanhar de nenhuma justificativa plausível para as prorrogações solicitadas. Mais importante ainda é que os prazos concedidos se revelaram bastante razoáveis, mormente se considerado que os autos de infração somente foram lavrados em 16/06/2014, ou seja, quando já se haviam passados mais de 4 meses da data de protocolização do último pedido de prorrogação (05/02/2014). Cumpre, pois, rejeitar as alegações em questão. Pedido de produção de prova pericial O art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a impugnação deve mencionar as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Os impugnantes, porém, não satisfizeram tais requisitos. Ademais, o art. 18 do mesmo decreto dispõe que a autoridade julgadora determinará as perícias e diligências que entender necessárias e indeferirá as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. E, no presente julgamento, tanto a perícia como a diligência mostramse desnecessárias. Isso porque aqui não se afigura nenhuma questão que requeira o parecer de técnico especializado ou de profissional habilitado. Além disso, o Fl. 5771DF CARF MF 16 material probatório reunido nos presentes autos mostrase suficiente para a formação da convicção deste julgador sobre as questões em litígio. Por conseguinte, cumpre indeferir o pedido de produção de prova pericial. Assim, o acórdão não apresenta ponto a ser corrigido sobre estes temas. Considerando que o artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) estabelece a competência absoluta em razão da matéria da 1ª Seção, da qual faz parte esta 2ª Turma da 3ª Câmara, e não havendo previsão de julgamento relativos à Representação Fiscal para Fins Penais, tampouco sobre arrolamento de bens, declaro a incompetência deste colegiado para tratar destes temas. Sobre as alegações relativas os princípio do nãoconfisco, no que atine às multas, estes colegiado não pode deixar de aplicar norma legal em função de argumentos de inconstitucionalidade, conforme expressa disposição do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Agravamento e qualificação da multa de ofício A fiscalização agravou a multa de oficio relativa ao período de 01/01/2010 a 31/03/2010 e qualificou a multa de ofício no período de 01/04/2010 a 31/12/2011. A única referência que a autoridade autuante faz em relação às multas aplicadas no seu Relatório é a seguinte: A defesa apresentada em relação às multas agravadas e qualificadas se mostra confusa, presa mais a questão da injustiça e desatendimento ao princípio da razoabilidade, concentrada mais em decisões judiciais nesse sentido. Creio que parcela dessa falta de foco deva ser atribuída a total falta de motivação, tanto da agravante quanto da qualificadora. Em verdade, foi a DRJ em seu acórdão combatido que tentou suprir a deficiência do relatório fiscal, que nada fala dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não informando se estamos diante de sonegação ou fraude, não apontando o dolo, da essência dos dois institutos. Fl. 5772DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.765 17 Talvez a autoridade fiscal tenha se confundido em relação aos motivos de qualificação e a existência de crime em tese que fundamentou a Representação Fiscal para Fins Penais, quando é sabido que, embora se aproximem quanto ao teor, em nada se aproximam quanto a aplicação. Para qualificar a multa há que se demonstrar o dolo e o enquadramento legal na sonegação e/ou na fraude dos artigos 71 e 72 da lei referida e, se for o caso, o conluio, do 73. A existência de crime em tese, por sua vez, é notícia para o Ministério Público, a quem cabe decidir sobre o oferecimento ou não da denúncia, ou seja, se houve ou não o citado crime. Da mesma forma, em que pese ter ficado evidenciada a falta de respostas e manifestações do contribuinte em torno das intimações e reintimações das quais foi alvo, caberia ao Auditor Fiscal apontar clara e expressamente os motivos que o levaram ao agravamento da multa de ofício no período de 01/01/2010 a 31/03/2010, o que até evidenciaria o motivo do não agravamento da multa aplicada ao período restante, e não simplesmente dizer que a multa aplicada foi de 112,5 conforme fundamento legal constante do Demonstrativo de Multa e Juros, como consta no seu Relatório. Entendo que a motivação da qualificação e do agravamento da multa aplicada deve ser expressa e que a insuficiência de motivação do relatório fiscal prejudicou o contribuinte no exercício de sua defesa, o que não pode ser suprido pelo acórdão da DRJ, pois a motivação é integrante da forma do ato administrativo, defeito insanável, motivo pelo qual afasto tanto o agravamento quanto a qualificação, reduzindo a multa de ofício ao percentual de 75%. Quanto à responsabilidade solidária com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN, nada é falado em sede de Recurso Voluntário. Contudo, como o contribuinte aduz ao final de sua peça recursal: "Os recorrentes reiteram todos os termos, documentos, pedidos e impugnações apresentados nos autos" e o assunto foi alvo da impugnação apresentada, passo, então, a sua análise. Diz o artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Os Senhores Adriano Menna Zezze e Gianfranco Menna Zezze eram os dirigentes da Empresa à época em que não foram registradas na escrituração significativas receitas relativas a notas fiscais eletrônicas emitidas. Não tenho dúvida da gravidade deste fato seja pelo volume de notas fiscais não escrituradas, seja pelo valor que deixou de ser reconhecido na contabilidade da Empresa. No Relatório Fiscal a motivação da sujeição passiva solidária está assim apresentada: Fl. 5773DF CARF MF 18 Ao que se vê o ato administrativo não está carente de motivação, o que determinaria vício de forma, mas possui motivação cujos motivos de fato são totalmente equivocados, o que nos lembra a teoria dos motivos determinantes. Fl. 5774DF CARF MF Processo nº 19311.720222/201471 Acórdão n.º 1302002.404 S1C3T2 Fl. 5.766 19 Os motivos de direito são corretamente apresentados, tratandose do artigo 135, inciso III do CTN, reproduzido no RIR/99. Já os motivos de fato verdadeiros não estão expressos, sendo necessário um exercício de vinculação, o que seria feito com a conclusão de que o fato de não terem sido escrituradas as notas fiscais eletrônicas emitidas pela Empresa decorreu de ato, ou mesmo omissão, dos administradores da Sociedade, o que seria suficiente para a caracterização de contrariedade à lei ou ao estatuto ou contrato social exigidos pela lei. Como parte integrante dos motivos do ato administrativo, que neste caso é totalmente vinculado, a descrição do fato do mundo motivador da qualificação da multa é indispensável, não podendo ser objeto de retificação operada em sede de julgamento de primeira instância. Mas o mais grave ainda não é esta omissão da autoridade fiscal, mas a motivação efetivamente apresentada. A motivação do Relatório Fiscal apresenta motivo de fato totalmente equivocado. Analisemos um a um: i) "Considerando que o contribuinte não possui bens passíveis de arrolamento, nos termos da IN/SRF nº 1.171 de 07de julho de 2011, e da Norma de Execução Conjunta COFIS/COPES/CODAC/COREC/COSIT/CDA/CGD nº 03/2011" A Instrução Normativa SRF nº 1.171, de 2011, disciplinava o arrolamento de bens e a propositura de medida cautelar fiscal, foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1565, de 2015, e não falava em nenhum momento sobre multa qualificada. A Norma de Execução, por sua vez, tem por finalidade "estabelecer procedimentos internos para dar cumprimento à legislação tributária, aduaneira, correlata e administrativa" (Anexo I da Portaria RFB nº 1.098, de 8 de agosto de 2013) não sendo objeto de publicação ou conhecimento dos contribuintes em geral, o que impossibilita sua utilização como fundamento de direito seja pela falta de publicidade seja pelo caráter interpretativo com o fim de determinar o procedimento fiscal adequado. O motivo de fato para a qualificação da multa seria a ausência de bens passíveis de arrolamento por parte do contribuinte. Essa ausência não permite que sejam chamados à solidariedade os dirigentes da Empresa com base na legislação invocada; ii) "considerando o valor relevante do crédito tributário apurado". Ainda que o sentido teleológico da norma seja o de proteger o crédito tributário constituído, a relevância de valor não é fato que se subsuma à norma que estabelece a responsabilidade tributária; e, iii) "considerando finalmente a emissão de TERMO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (TRFFP): fica constituída a SOLIDARIEDADE dos administradores conforme Termo de Solidariedade nº 0008...". A existência de crime em tese, suficiente à Representação Fiscal para fins Penais (RFFP), em nada se relaciona com a norma que autoriza a responsabilidade tributária. Primeiro porque a RFFP não integra o auto de infração; e, segundo, porque a sanção para o enquadramento de fatos como crime está previsto na própria lei penal e não no artigo 135 do Fl. 5775DF CARF MF 20 CTN, o que ensejaria desvio de finalidade. Atentese, ainda, que o TRFFP aponta crime em tese, que poderá, ou não, ser confirmado pelo Ministério Público, oferecendo, ou não, a denúncia. O citado Termo de Solidariedade (fls. 309/310) apresenta como motivo de fato a emissão de TERMO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS e o fato de a Empresa não possuir bens para arrolamento. O que autoridade fiscal deveria ter relatado para atribuir a responsabilidade pela crédito tributário é a situação que se enquadra na norma contida no artigo 135, inciso III do CTN, o que não se vê em nenhuma página do relatório, tampouco em outro momento dos autos. E na Impugnação apresentada os dois administradores chamados à responsabilidade se manifestam no sentido de que a fiscalização não aponta os atos que, por eles teriam sido praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, como a lei exige. E é verdade. Assim, levando em conta a teoria dos motivos determinantes, que vincula o ato administrativo aos motivos externados pela autoridade responsável, e em face de motivação totalmente equivocada constante do auto de infração em relação à responsabilidade dos administradores, afasto a sujeição passiva apontada. Conclusão Pelo exposto, não conheço do recurso voluntário de Vazlog Distribuição e Logística Ltda., voto por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando o agravamento e a qualificação da multa de ofício e a sujeição passiva solidária dos administradores Adriano Menna Zezze e Gianfranco Menna Zezze, nos termos do voto proferido. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filhos Relator Fl. 5776DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720122/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DEDUTIBILIDADE.
Existindo regras claras e objetivas que fixam o direito do trabalhador a PLR, além de cumpridos os demais requisitos legais, não há que se falar em glosa das despesas incorridas a este título.
A exigência de outras condições, não veiculadas no texto legal, como a necessidade de pagamentos uniformes e comprovação individual de fórmula matemática de suporte, extrapola os limites legais, razão pela qual deve ser desconsiderada.
IRPJ. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) A ESTAGIÁRIOS. DEDUTIBILIDADE.
Pagamentos feitos a estagiários no bojo do programa de PLR, ainda que questionável em face da restrição legal de que os beneficiários devem ser empregados, devem ser tratados para fins fiscais como pagamentos remuneratório de trabalho, constituindo gasto necessário e, portanto, dedutível.
Numero da decisão: 1201-001.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Eva Maria Los, que lhe dava parcial provimento, para excluir a remuneração aos estagiários e os Conselheiros Paulo Cezar Fernandes de Aguiar (Relator) e José Carlos de Assis Guimarães, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DEDUTIBILIDADE. Existindo regras claras e objetivas que fixam o direito do trabalhador a PLR, além de cumpridos os demais requisitos legais, não há que se falar em glosa das despesas incorridas a este título. A exigência de outras condições, não veiculadas no texto legal, como a necessidade de pagamentos uniformes e comprovação individual de fórmula matemática de suporte, extrapola os limites legais, razão pela qual deve ser desconsiderada. IRPJ. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) A ESTAGIÁRIOS. DEDUTIBILIDADE. Pagamentos feitos a estagiários no bojo do programa de PLR, ainda que questionável em face da restrição legal de que os beneficiários devem ser empregados, devem ser tratados para fins fiscais como pagamentos remuneratório de trabalho, constituindo gasto necessário e, portanto, dedutível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Eva Maria Los, que lhe dava parcial provimento, para excluir a remuneração aos estagiários e os Conselheiros Paulo Cezar Fernandes de Aguiar (Relator) e José Carlos de Assis Guimarães, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 22 /2 01 2- 76 Fl. 4291DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1103000.115 da então 3ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, complementandoo a seguir: Tratase de auto de infração de IRPJ, fato gerador 31/12/07, no valor total de R$144.203.997,83 (cento e quarenta e quatro milhões, duzentos e três mil, novecentos e noventa e sete reais e oitenta e três centavos), sobre o qual incidem multa de ofício (75%) e juros de mora (fls.02/08). A ciência pessoal do contribuinte efetivouse em 3/8/12 (fl.03). A infração foi assim descrita: “001 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. PARTICIPAÇÕES NÃO DEDUTÍVEIS. Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, dos pagamentos efetuados a título de participações nos lucros da fiscalizada a estagiários e empregados, em desacordo com a lei, conforme o relatado no Termo de Verificação Fiscal.” Por sua vez, no “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal” (fls.09/32), a fiscalização assim fundamentou a autuação, em síntese: a Participação em Lucros e Resultados (PLR) consiste, nos termos do art.1º da Lei nº 10.101, de 19/12/00, em “...instrumento de que as empresas foram munidas para integrar capital e trabalho e estimular a produtividade de seus empregados”. São dedutíveis, para fins de apuração do IRPJ, no período de competência das despesas com a sua constituição e desde que observados determinados requisitos legais, relacionados “...com os critérios de definição dos valores a serem pagos e com quem a eles tem direito, com a periodicidade dos pagamentos e com a participação das entidades representativas dos trabalhadores (sindicatos) no processo e vinculação aos termos do acordo coletivo”; Fl. 4292DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 3 3 empregados seriam aqueles que possuem vínculo empregatício com a pessoa jurídica no período de cálculo; se a PLR guarda relação com o resultado e produtividade, os pagamentos são “necessariamente incidentais e excepcionais, pois a habitualidade é característica da remuneração salarial”; a PLR relativa ao anocalendário 2007 foi paga em uma parcela única, em fevereiro de 2008; “O Acordo que definiu as regras e critérios para pagamento da PLR no período em questão (Anexo V) foi assinado em 20/12/2007 e firmado entre o Banco UBS Pactual e coligadas, de um lado, e, do outro, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF/CUT, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e Financiários do Município do Rio de Janeiro, Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região, Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região e Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Crédito no Estado de Pernambuco.”; na DIPJ/08 informouse despesa com a constituição da PLR no valor de R$ 577.615.991,37; sendo este o valor registrado nos balancetes fornecidos, que diverge do total apresentado na folha de pagamentos e dos valores lançados nas contas “89710202016 – Bônus – IB, 89710202023 – Bônus – AM, 89710202030 – Bônus – VM&SB e 89710202047 – Bônus – CC”; valores pagos a estagiários não são dedutíveis, até mesmo porque “...não tiveram, em momento algum, qualquer vínculo empregatício com a empresa”; conforme art.2º da Lei nº 10.101/2000, “...o Acordo coletivo entre empresa e entidade representativa dos empregados é instrumento legítimo para se estabelecer os critérios que devem ser respeitados quando do pagamento da PRL, por se vincular à lei. Sendo o mesmo desrespeitado, deve ser a PRL descaracterizada como tal e considerada indedutível para fins de IRPJ”; na avaliação de desempenho individual dos empregados, prevista como critério para o pagamento da PLR, o contribuinte utilizava índices denominados “...Performance Segmentation – OS e Performance Measurement & Management – PMM, cujos parâmetros estão divididos em INSATISFATÓRIO (IN), NÃO SATISFATÓRIO (NS), PARCIALMENTE SATISFATÓRIO (PS), SATISFATÓRIOS (S), MUITO SATISFATÓRIO (MS) E EXCELENTE (E), onde a classificação em que o empregado for enquadrado determinará o teto máximo de PLR que poderá receber”; constatada a existência de pagamentos em valores incompatíveis com a média de PLR concedidas a pessoas jurídicas do mesmo ramo, o contribuinte foi intimado a apresentar os cálculos dos valores pagos a cada um dos 124 empregados que receberam valores superiores a R$ 800.000,00, a demonstração do índice de lucratividade efetiva, bem como a vinculação com os termos do Acordo coletivo e os índices de excelência, sendo ainda solicitado “...que apresentasse a relação de todos os empregados que receberam classificação E (EXCELENTE)"; “... a empresa apresentou formulário interno de avaliação (Anexo X), em papel comum, sem qualquer assinatura de responsável legal, em que afirmou estarem os empregados que receberam classificação EXCELENTE, conforme Declaração em resposta ao TIF nº 3 (Anexo VIII). Em tal formulário são Fl. 4293DF CARF MF 4 relacionados, em diferentes colunas, o nome dos empregados, a nota que teriam recebido, opiniões pessoais de caráter subjetivo e descrições do trabalho empreendido pelo empregado ou seu papel na empresa e outras críticas, em inglês (sem tradução) ou português. Não foi esclarecida qual a função de quem prestou tais informações ou como influenciaram na avaliação final dos empregados, um vez que a própria empresa afirma terem todos, sem distinção, a classificação EXCELENTE.”; “... Como a empresa não apresentou, sob os termos do TIF nº 3, a memória de cálculo de pagamento da PLR aos 124 empregados usados como amostragem conforme item 4.9, e ainda para ratificar as informações de avaliação individual conforme o Anexo II do Acordo, reintimamos a mesma em 01/02/2012 para que o fizesse e solicitamos ainda que nos fornecesse as classificações que estes empregados receberam, de acordo com os critérios de avaliação INSATISFATÓRIO, NÃO SATISFATÓRIO/PARCIALMENTE SATISFATÓRIO, SATISFATÓRIO E MUITO SATISFATÓRIO, embora já tivessem sido solicitados, de maneira genérica, os índices de excelência de cada um deles”; o contribuinte apresentou relação incompleta, com ausência de alguns empregados na amostragem e sem discriminar em qual categoria cada um deles se encaixava; de posse da documentação disponibilizada pelo contribuinte, procedeuse “...à análise comparativa do valor recebido por cada um a título de PLR em 2008 com a avaliação pessoal de acordo com o Anexo II do Acordo Coletivo”, definindo se como critério de comparação “...a remuneração de cada empregado na competência 02/2008, contida nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa, considerando saláriobase e gratificações fixas (de função ou salário indireto, como aluguel, por exemplo) e dispensando valores extras, como férias, rescisão e gratificações eventuais”; além dos critérios previstos na Lei nº 10.101/00 para a concessão da PLR, as partes podem pactuar outras, “...desde que resguardadas sua clareza e objetividade, como, por exemplo, atendimento a metas concretas previamente fixadas, o acréscimo de vendas, a inexistência de atrasos, a redução dos custos ou despesas, dentre outros [...]. Sem regras claras e objetivas, não poderá o empregado saber de que forma fará jus à participação”; os requisitos para a concessão de PLR, estabelecidos pela Constituição Federal e Lei nº 10.101/00, que exige, além da negociação entre a empresa e seus empregados, com a participação sindical, sejam estabelecidas regras claras e objetivas. A lei indica critérios para a PLR (índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos), de forma não taxativa, “...podendo as partes pactuarem outros, desde que resguardadas sua clareza e objetividade, como por exemplo, atendimento de metas concretas previamente fixadas, o acréscimo de vendas, a inexistência de atrasos, a redução de custos ou despesas, dentre outros”; o Acordo Coletivo lavrado em 2007 condiciona o pagamento da PLR à existência de lucro ao fim do anocalendário, desde que atingido o índice de lucratividade (cálculo descrito no Anexo I), que consiste apenas em um dos elementos a serem considerados; “Como a lucratividade diz respeito à empresa como um todo, o valor final do índice não cria distinção na distribuição da PLR, porque é o mesmo para todos os empregados e não vai diferenciálos. Embora não se possa negar a existência de regras claras de maneira geral, tais regras não especificam o critério de cálculo adotado para individualizar o valor a ser recebido por cada empregado. Sendo assim, só nos resta tentar analisar os formulários de avaliação individual de cada Fl. 4294DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 4 5 um e seu impacto no valor pago, conforme as regras contidas no item 3.1 do Anexo II do Acordo, e levando em conta as informações apresentadas pela empresa.”; as opiniões pessoais sobre cada empregado (elogios e, às vezes, críticas e pontos negativos), não constituem critérios objetivos de avaliação. “Opinião é por natureza subjetiva. Sendo assim, podem até ser consideradas para se atribuir uma nota a cada empregado, como efetivamente se fez, mas, na ausência da atribuição de um valor que explique o cálculo das PLR’s individuais, tal formulário é tão ineficaz quanto o Acordo Coletivo na clareza, concretude e objetividade das regras no cálculo dos valores pagos, conforme exigido pelo §1º do Art.2º da Lei 10.101/2000”; após nova intimação, o contribuinte forneceu as avaliações internas dos empregados que receberam PLR em 02/2008 (Anexo XI), sendo constatado “...que ainda havia beneficiários de PLR nesta competência que não possuíam avaliação”; quanto à demonstração individualizada do cálculo dos valores de PLR pagos a todos os beneficiários em 02/2008, anteriormente já solicitada, o fiscalizado apresentou a seguinte resposta: “Informamos que o valor de PLR é calculado tomandose por base o índice de lucratividade do Banco no período, bem como as avaliações individuais de desempenho dos empregados. Cada empregado é avaliado segundo mecanismos de apuração baseados no cumprimento de metas, competências e/ou habilidades próprias de cada um. Para compor o valor que será pago a cada empregado, levase em consideração também os resultados da empresa, representado (sic) pelo índice de lucratividade. Com isso, fica claro o propósito de estimular o desenvolvimento profissional, bem como a intenção de atingir os objetivos que foram traçados entre o avaliado e o seu respectivo gestor. Dessa forma, não há uma única fórmula matemática que possa resumir os valores de PLR pagos à totalidade dos empregados, uma vez que tal cálculo é realizado de forma individualizada para cada funcionário” o foco da análise foi ampliado de uma amostragem de 124 funcionários para todos os beneficiários de PLR; no intuito de obter documentação que já havia sido requerida no período de mais de um ano de intimações, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 9, em 22/05/12, para o contribuinte: a) reapresentar a planilha com a avaliação individual de todos os funcionários da empresa, discriminando, desta vez, em que categoria cada um deles foi encaixado (INSATISFATÓRIO, NÃO SATISFATÓRIO / PARCIALMENTE SATISFATÓRIO, SATISFATÓRIO, MUITO SATISFATÓRIO ou EXCELENTE), já que não o fez devidamente, conforme visto no item 4.12. b) apresentar todas as avaliações de beneficiários de PLR ainda não entregues, relacionando os funcionários ausentes na Planilha 1 anexa ao Termo; c) apresentar, em relação aos empregados relacionados na Planilha 2 anexa ao Termo, que afirmou serem estagiários, Fl. 4295DF CARF MF 6 conforme o item 4.22 acima, a documentação que comprovasse esta condição, já que os referidos empregados não constam como estagiários na folha de pagamento de 02/2008 fornecida anteriormente; d) apresentar, em relação aos empregados relacionados na Planilha 3 anexa ao Termo, que afirmou estarem fora da data do processo de avaliação, conforme o item 4.22 acima, detalhada e individualmente, demonstração de como foi calculada a PLR paga a estes empregados e a CAMILA DA PONTE RABELLO, tendo em vista que de acordo com a mesma, as avaliações individuais repercutem no cálculo do valor de PLR pago em 02/2008 a cada beneficiário; e) preencher as lacunas das linhas dos formulários de avaliação com notas sem nome de avaliador, que foram indevidamente excluídas, conforme o item 4.23 acima, ou justificar a sua ausência; f) apresentar, em última instância, a demonstração individualizada do cálculo dos valores de PLR pagos aos beneficiários, com assinatura do(s) responsável(is) legal(is), explicando matemática e detalhadamente como se chegou ao valor pago a CADA empregado, conforme já solicitado no TIF nº 8, destacando ainda a contradição que vimos nos itens 4.24 e 4.25 acima, para que a empresa se explicasse, e dando a ela mais uma chance de vincular as regras gerais ao cálculo individualizado de PLR, o que sempre foi o escopo desta fiscalização; g) apresentar a descrição dos conceitos de avaliação que afirma terem sido encaminhados em resposta ao TIF nº 5, mas na verdade não foram entregues; h) apresentar a explicação, em português, do significado de cada um dos tipos de avaliador, conforme item 4.17 acima.” em 29/5/12, o contribuinte forneceu “declaração, assinada por procuradores legalmente autorizados, acompanhando a reapresentação das avaliações internas individuais de todos os beneficiários de PLR na condição de empregados (Anexo XII)”. No caso de empregado não elegível a avaliação em sistema PMM, não foram apresentados cálculos individualizados, “...muito menos foram indicados que critérios de avaliação objetivos seriam dados pelo gestor”; quanto à graduação das Notas nas avaliações individuais, esclareceu o contribuinte que obedeceu à classificação abaixo, porém não explicou “...qual a descrição final que os empregados receberam nos casos de combinação de notas diferentes de Contribuição e Competência, como, por exemplo, a combinação 2 – D (Muito satisfatório – Não Satisfatório): Fl. 4296DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 5 7 quanto aos tipos de avaliador, o contribuinte forneceu a seguinte listagem: “360° direct report (Avaliador – Funcionário Direto); 360° other (Avaliador – Outros); 360° peer (Avaliador – Colega/Par); 360° client (Avaliador – Cliente Interno); Evaluatee (Avaliado); Evaluating manager (Gerente Avaliador) e Additional manager (Gerente Adicional); “... a empresa forneceu informação crucial para a análise da PLR, que até este momento não havia sido apresentada: ‘...estas avaliações ‘360º’ e a avaliação de um gestor adicional, oferecem ao Gerente Avaliador subsídios e feedback complementar, para facilitar a tomada de decisão de forma estruturada sobre a avaliação final para o desempenho do empregado. Porém, somente a autoavaliação e a avaliação do gestor são obrigatórias no processo, sendo as avaliações ‘360o’, quando existentes, informação adicional para a tomada de decisão do gestor. As avaliações individuais que repercutem diretamente na tomada de decisão para a determinação do valor que será pago ao funcionário através do programa de Participação nos Lucros ou Resultados são as avaliações finais dadas pelos Gerentes Avaliadores”; considerando que o contribuinte considera como avaliação final aquela realizada pelo Gerente Avaliador, todas as demais foram descartadas, pois “...não influenciariam no valor final pago a cada funcionário. Assim, para efetuar nossa análise, relacionamos na Planilha 3 Análise dos Termos do Acordo (Anexo III) a avaliação dada pelo Gerente Avaliador para cada funcionário, o valor da PLR recebido, a remuneração da competência 02/2008, nos moldes que escolhemos [...], e ainda a relação multiplicadora entre sua PLR e sua remuneração de 02/2008, ou seja, o número de remunerações que sua PLR recebida significa”. A fiscalização ainda afirmou, in verbis: [...] Quanto às lacunas de avaliações que haviam sido excluídas conforme o item 4.23 e cujo preenchimento foi solicitado, a empresa respondeu que ‘o sistema de Avaliação de Desempenho denominado PMM (Performance Management & Measurement) pertence ao UBS AG. Tendo em vista, que o UBS Pactuai foi adquirido pelo BTG, não temos mais acesso a tal sistema e tampouco às informações referentes aos avaliadores faltantes na planilha 4, uma vez que os mesmos eram indicados pelo gestor do funcionário diretamente pela ferramenta, único lugar onde permanecia o registro. O escritório do então UBS Pactual no Brasil apenas possuía acesso às informações de sistema de estruturas e funcionários constantes em áreas do Brasil. Nestes casos, os avaliadores que estão em branco, são avaliadores que pertenciam a áreas do exterior impossibilitando o preenchimento da informação ora requerida. (...) Quanto aos Evaluating managers (Gerentes Avaliadores) dos funcionários listados na tabela (...) que constavam em branco, localizamos em arquivos de controle histórico de Headcount os nomes dos Une managers dos responsáveis por avaliar cada funcionário que pertenciam a áreas do exterior, e, portanto preenchemos a seguir (...)’. Assim, como as avaliações realmente importantes para a nossa análise (Gerentes Avaliadores) tiveram suas lacunas preenchidas, não se tornou necessário o preenchimento das demais. 4.35. A empresa ainda respondeu que, dos funcionários que foram admitidos posteriormente à data de corte do processo de Fl. 4297DF CARF MF 8 avaliação PMM, os funcionários ROBERTO MARIA MONTA FILHO e ROSA AMÉLIA DE OLIVEIRA PENNA MARQUES MOREIRA ‘... receberam altos valores de PLR, pois eram mínimos garantidos em Carta Oferta de trabalho feita pela empresa...’, no entanto não anexou as Cartas Ofertas à resposta, como disse que faria. 4.36. Em relação ao novo pedido dos cálculos individualizados de PLR conforme o item 4.26, ‘f’, a empresa reportouse à resposta ao TIF n° 8, com a mesma redação contraditória transcrita no item 4.24. 4.37. Voltando à Planilha 3 (Anexo III), percebemos em simples análise matemática que não é possível compreender qual a correlação entre a remuneração de 02/2008 e os valores de PLR pagos aos empregados listados. Na coluna ‘PLR/SAL’, podemos constatar, por exemplo, que o empregado Guilherme da Costa Paes recebeu em PLR o equivalente a 801,57 vezes a sua remuneração do mês, enquanto o empregado Bruno de Arruda Carvalho recebeu PLR de 125,86 vezes a sua remuneração. Notese que ambos eram funcionários da empresa por mais de 8 anos, tinham a mesma faixa salarial e ainda foram classificados, conforme o formulário interno de avaliação final apresentado pela empresa, como tendo recebido as notas máximas dos Gerentes Avaliadores, ou seja, a combinação 1A (EXCELENTE). Não existe um só empregado, entre todos os beneficiários de PLR, que tenha recebido a mesma proporção entre PLR e Remuneração do que os demais. Eis outros exemplos retirados da Planilha 3 (Anexo III), todos com a mesma faixa salarial (cerca de R$ 25.000,00), mais de 8 anos de trabalho na empresa e classificação 1A (EXCELENTE): EVANDRO LUIZ DE ALMEIDA PEREIRA PLR = 768,24 vezes a remuneração normal de 02/2008; JOSÉ OCTÁVIO MENDES VITA PLR = 307,13 vezes a remuneração normal de 02/2008; LEANDRO DE AZAMBUJA MICOTTI PLR = 131,93 vezes a remuneração normal de 02/2008; 4.38. Sem qualquer demonstrativo detalhado de cálculo da PLR por parte da empresa, ela não comprova qual teria sido a razão objetiva de cinco empregados igualmente classificados como EXCELENTES, nas mesmas condições, conforme item anterior, terem tido seu esforço recompensado financeiramente, por meio da PLR, de forma tão díspar, em que pese ter se utilizado o salário de 02/2008 como parâmetro. 4.39. Quando analisamos, então, as demais combinações de notas, fica menos claro ainda de se entender como estas avaliações se traduziram no cálculo dos valores de PLR pagos. Podemos observar na Planilha 3, por exemplo, que os empregados CARLOS DE ALMEIDA VASQUES DE CARVALHO NETO e MARCUS VINÍCIUS CUIABANO PEIXOTO, ambos com menos de 3 anos a serviço da empresa e avaliação meramente SATISFATÓRIA (combinação de notas 3C) receberam PLR de mais de 100 vezes cada um as suas respectivas remunerações, ao passo que mais da metade dos que Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 6 9 receberam classificação EXCELENTE (combinação de notas 1A) não chegaram a essa proporção em relação a suas remunerações. A mesma disparidade tem seu extremo no caso do empregado ALEXANDRE CAMARA E SILVA, que recebeu notas cuja combinação (4 NÃO SATISFATÓRIO e E INSATISFATÓRIO) ainda assim lhe rendeu um valor de PLR que superou sua remuneração de 02/2008 em 74 vezes, enquanto outros 24 empregados que receberam classificação EXCELENTE (combinação de notas 1A) não chegaram a essa proporção. 4.40. Ainda, o item 2 do Acordo entre a empresa e a entidade sindical limita inicialmente o valor da PLR para no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, o que pode ser mudado pelas avaliações do item 3.1. do mesmo Acordo. Para oferecer outro extremo da pouca objetividade de suas regras, notese que a avaliação de MUITO SATISFATÓRIO permite que o teto seja estendido para ‘até 4x o limite máximo’, ou seja, 400 salários mensais. No entanto, o empregado RODOLFO RIECHERT, conforme a Planilha 3, recebeu PLR no valor de 777,97 vezes a sua remuneração de 02/2008, ao passo que sua avaliação final foi uma combinação das notas 2 (MUITO SATISFATÓRIO) e D (NÃO SATISFATÓRIO), o que, na melhor das hipóteses, limitaria sua PLR ao máximo de 400 salários. 4.41. É importante frisar que todas estas comparações foram feitas exclusivamente com os elementos fornecidos pela empresa, no intuito de se chegar aos valores finais de PLR pagos a cada empregado e verificar a regularidade no pagamento em consonância com a legislação. Destes elementos, pudemos constatar, em resumo, que: a) a empresa vincula o montante do pagamento da PLR à existência de lucro no exercício e ao seu índice de lucratividade, cujo cálculo foi devidamente apresentado e é válido como regra geral de pagamento de PLR, embora não seja possível calcular os montantes individuais dos beneficiários unicamente pelo seu valor; b) o Acordo entre a empresa e a entidade sindical estabelece uma regra genérica de que os empregados farão jus ao recebimento, a título de PLR, de no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, ficando esclarecido, inclusive, que este limite máximo poderá ser excedido em casos excepcionais, mas não diz qual o critério que justifica o recebimento ente o limite mínimo e máximo; c) Conforme visto no item 4.13 acima, o Acordo não oferece a definição de ‘salário mensal’ e que rubricas ou verbas o integrariam, para fins de se estabelecer estes limites; d) os formulários de avaliação individual fornecidos pela empresa não oferecem a descrição final que os empregados receberam nos casos de combinação de notas diferentes de Contribuição e Competência, de acordo com o item 4.30 acima; Fl. 4299DF CARF MF 10 e) as avaliações individuais, com o critério de análise eleito pela fiscalização de se considerar como ‘salário mensal’ a remuneração da competência 02/2008, em termos comparativos, não possuem vinculação clara com os valores de PLR pagos, conforme visto nos itens 4.37 a 4.40 acima. 4.42. A empresa teve diversas oportunidades de facilitar a compreensão e o entendimento do cálculo dos valores pagos, cuja análise era o único escopo desta ação fiscal. No entanto, diante de tudo o que foi exposto, fica claro que ela não teve, em momento algum, intenção de fornecer à fiscalização o cálculo detalhado e individualizado dos valores pagos aos empregados a título de PLR em 02/2008. Em suas duas últimas oportunidades, em resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 8 e 9, ela apresenta as mesmas explicações vagas e genéricas de como é calculado o seu PLR e admite ao final possuir o cálculo dos valores individualizados por funcionário, ou seja, exata e literalmente o que foi intimada a apresentar. Ao se utilizar de redundância e se recusar a fornecer o cálculo dos valores, a empresa demonstra não possuir regras específicas objetivas para o pagamento de PLR, em desacordo com a lei. 4.43. Se o cálculo toma por base o índice de lucratividade do Banco no período, bem como as avaliações individuais de desempenho dos empregados, podese dizer que, com isso, adotou uma regra clara com critérios (índice de lucratividade >60%, programa de metas, avaliação individual), mas tal regra deve vir acompanhada do valor a que cada empregado fará jus, inclusive para que ele possa, em caso de dúvidas, utilizarse do previsto na Cláusula Décima Quinta do Acordo, que faculta ao empregado, verbalmente ou por escrito, solicitar a realização de reunião, com a presença das partes, na hipótese de dúvidas ou divergências quanto ao cumprimento do acordo, podendo a empresa, de acordo com o seu Parágrafo Único, utilizar como mecanismos de aferição de informações os seus formulários internos de avaliações. Só que estes mecanismos têm que ser pertinentes ao cumprimento do acordado, senão a empresa fica livre para pagar o que quiser aos empregados com determinada avaliação. No caso da avaliação EXCELENTE, por exemplo, impera a discricionariedade para se pagar a PLR acima do limite. Quando a empresa informa que ‘não há uma única fórmula matemática que possa resumir os valores de PLR pagos à totalidade dos empregados, uma vez que tal cálculo é realizado de forma individualizada para cada funcionário’, ao mesmo tempo, não informa qual o critério utilizado para quantificar o recebido por cada funcionário, inclusive quando excedido do limite máximo previsto para os empregados com esta avaliação (acima de 4x o limite). 4.44. Quando nem mesmo os formulários possibilitam ao empregado a obtenção de informações objetivas sobre o valor final de PLR que recebeu, por inconclusivos que são, tal pagamento foge completamente da natureza justa da Participação pretendida pelo legislador. Critérios genéricos podem favorecer a quem tem cargo ou função mais alto, em detrimento dos empregados menos graduados ou que não são chefes de setor, por exemplo. O próprio empregado tem interesse na limpidez das regras. Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 7 11 4.45. Como não houve objetividade nas regras do Acordo ou dos formulários internos apresentados pela empresa, de forma a se quantificar conclusivamente os valores de PLR, e a mesma se recusou terminantemente a fornecer os cálculos individualizados por funcionário, deve ser a PLR descaracterizada como tal e considerada indedutível, para fins de IRPJ. 4.46. Quanto à divergência encontrada conforme relatado no item 4.4, emitimos Termo de Intimação Fiscal TIF em 14/02/2012, recebido na data de sua emissão pela Srta. Luara Correa Moura, acima qualificada, solicitando a justificativa da divergência entre o valor pago e o lançado. 4.47. Em resposta à divergência, a empresa informou ser de fato R$603.199.113,77 contidos na folha de pagamento de 02/2008 fornecida o valor real das participações relativas ao ano, acrescentando que: a) o total lançado nas Contas 89710202016 Bônus IB, 89710202023 Bônus AM, 89710202030 Bônus WM& SB e 89710202047 Bônus CC é de R$ 609.136.504,76, dos quais R$ 4.035.915,66 referemse a pagamentos feitos a título de rescisão e R$ 1.901.475,33 referemse à baixa de provisão do adiantamento do pagamento de PLR pela convenção coletiva. Sobram então os R$ 603.199.113,77 pagos em folha, valor também constante da Conta 49300000009 Gratificações e Participações a Pagar, em 31/12/2007; b) também foi lançado na Conta 89710200032 BÔNUS Particip. Nos Lucros Empregados o valor de R$ 31.520.513,39, que se constitui de R$ 25.051.637,12 recebidos provisão constituída no banco UBS S/A antes de sua incorporação pelo Banco UBS Pactual S/A. Este valor, subtraído dos R$ 609.136.504,76 lançados nas contas de PLR, totaliza os R$ 577.615.991,37 deduzidos na DIPJ. 4.48. Uma análise do LALUR (Anexo XVI) comprovou que não foram adicionados ao Lucro Real os valores de PLR pagos indevidamente. 4.49. Todos os valores discriminados foram confirmados em cópias de balancetes e do Livro Razão (Anexo XIII), fornecidas pela empresa para justificar os valores lançados e as divergências acima apontadas. 5. DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL 5.1. As despesas com a constituição de PLR reduzem o lucro líquido, e neste momento cumpre considerar que, caso atendidos os requisitos de dedutibilidade previstos na Lei n° 10.101/2000, não é necessário ajuste, a despesa é dedutível e seu efeito já se produziu. Mas, em caso de inobservância a qualquer dos critérios legais de dedutibilidade, como é o caso dos pagamentos discutidos no item anterior, devese ajustar o lucro líquido, adicionandose a despesa indedutível, quando da apuração da base de cálculo do Imposto de renda (lucro real). Fl. 4301DF CARF MF 12 5.2. Assim, no anocalendário de 2007, a empresa deduziu do lucro líquido R$ 577.615.991,37, embora tenha pago valor total de PLR superior em folha de pagamento, como explicamos no item 4.47 acima. Desta forma, o lucro líquido foi incorretamente reduzido e, para cálculo do Imposto de renda devido, é necessário adicionar estes R$577.615.991,37, que são indedutíveis por desrespeito à lei, ao lucro real.” O lançamento foi considerado procedente pela Décima Quinta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.3.574/3.627): IRPJ. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA A AVALIAÇÃO DOS EMPREGADOS. INDEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. Inexistindo regras claras e objetivas que dêem amparo aos pagamentos de PLR efetuados pela empresa a seus funcionários, e não tendo sido elucidada a conexão entre as avaliações e a composição dos valores pagos, reputamse indedutíveis as respectivas despesas, para fins de determinação do lucro real. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (REsp 1.129.990/PR). Devidamente cientificado em 24/4/13 (fl. 3.631), o contribuinte tempestivamente interpôs recurso voluntário em 23/5/13 (fls. 3.638/3.693), em que alega, em síntese: outros dois lançamentos tributários estariam intrinsecamente ligados à presente autuação: (a) processo nº 16682.720128/201243, referente “...à cobrança de valores relativos à parte Empresa e de Terceiros sob o argumento de que não teriam sido cumpridos os requisitos legais para o regular pagamento de PLR no anocalendário 2007, razão pela qual tais valores seriam considerados salário para fins de incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias”; e (b) processo nº 16682.720449/201248, referente “...à cobrança de multas relativas (i) a supostas incorreções ou omissões nas informações reportadas pela Recorrente nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (‘GFIP’) e (ii) a suposta ausência pela Recorrente de informações e esclarecimentos necessários à autuação da Fiscalização”; o Acordo Coletivo de PLR observara todas as normas e princípios que regem a matéria; não poderia a fiscalização ter descaracterizado o Acordo Coletivo com base em 9 (nove) pagamentos de PLR, do universo de 615 (seiscentos e quinze), ou seja, apenas com fundamento em pagamentos que equivaleriam a 1,5% do total de empregados (Guilherme da Costa Paes, Bruno de Arruda Carvalho, Evandro Luiz de Almeida Pereira, José Octávio Mendes Vita, Leandro de Azambuja Micotti, Carlos de Almeida Vasques, Marcus Vinícius Cuiabano Peixoto, Alexandre Câmara e Silva e Rodolfo Riechert). Ainda que considerado o universo de 124 empregados (20% do total registrado), conforme descrito no item 4.9 do TVF, os nove pagamentos não representariam nem 10% da amostra eleita; a amostra deveria ser representativa de uma população, “...para que nela estejam efetivamente refletidos os comportamentos dessa”, conforme já decidiu o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 10248.128 e 10247.456); Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 8 13 “... A conduta adotada pelo I. Agente Fiscal não respeita nenhuma técnica de auditoria e nem os preceitos de materialidade de um estudo. A utilização de um percentual tão ínfimo para análise de instrumentos que abrangiam 615 empregados, pelo contrário, viola todas as referidas técnicas e regras”; uma vez identificados pagamentos em desconformidade com o Acordo Coletivo, caberia o lançamento apenas com relação àqueles; o próprio agente fiscal incorrera em contradição quando analisou os pagamentos realizados aos empregados André Cobianchi Almeida e Antonio Carlos Canto Porto Filho e deixou de apontar irregularidade; conforme decidido em acórdão da Segunda Seção de Julgamento (nº 2401 02.139), não poderia a tributação incidir sobre todos os valores pagos a título de PLR; a fiscalização também teria incluído indevidamente os pagamentos “...a título de antecipações, realizadas em Outubro de 2007, com base na CCT PLR Bancos 2007 (Doc.06 da Impugnação), instrumento este que sequer foi descaracterizado”; nos termos da Convenção, em outubro de 2007 teria antecipado o pagamento de PLR, sendo que em fevereiro de 2008 efetuara a compensação dos valores já pagos (Doc.15 da impugnação), fato ignorado pela fiscalização ao adicionar ao lucro a totalidade dos pagamentos realizados a título de PLR; “... 57. De maneira simples e superficial, o I. Agente Fiscal optou por presumir que os montantes de todos os pagamentos de PLR relativos ao ano calendário 2007 corresponderiam a valores pagos nos termos do Acordo Coletivo. Ocorre que o descuido do I. Agente Fiscal foi tão significante que sequer há menção à CCT PLR Bancos 2007 no TVF, instrumento este que não foi objeto de qualquer questionamento [...]. 64. Ao efetuar o lançamento sobre parcelas de PLR que sequer foram objeto de questionamento ao longo da Fiscalização, mais uma vez o I. Agente Fiscal acabou por violar as mais fundamentais regras que regem o ato administrativo de lançamento, deixando de apurar com precisão a base de cálculo do IRPJ supostamente devido no período”; havendo erro na base de cálculo, a solução seria a nulidade do auto de infração, conforme decisões administrativas (acórdãos nº 240101.358 e 203 10.576); ainda que os requisitos legais para pagamentos a título de PLR não tivessem sido cumpridos, deveriam os dispêndios ser considerados dedutíveis, haja vista a sua natureza operacional, conforme declaração de voto vencido em primeira instância e acórdão da Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 (nº 1237.956, de 22/06/11); o próprio agente fiscal teria reconhecido a natureza remuneratória dos pagamentos a título de PLR, para fins de incidência de contribuição previdenciária, conforme Termo de Verificação Fiscal constante do processo nº 16682.720128/201243; “... Neste cenário, uma vez descaracterizados os pagamentos de PLR, tais verbas assumiriam a natureza salarial e seriam, indubitavelmente, despesas operacionais, necessárias à manutenção da sociedade. Ainda que se considerasse que as verbas pagas não teriam natureza salarial, os pagamentos realizados assumiriam o caráter de gratificação paga pelo empregador aos empregados, com a finalidade de Fl. 4303DF CARF MF 14 estimular os funcionários”, conforme art. 299, §3º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), conclusão que se coadunaria com o seu art. 462. a possibilidade de dedução de gratificações por liberalidade do empregador não seria novidade na legislação tributária, conforme Parecer Normativo CST nº 109, de 22/09/75; com a vigência da Lei nº 9.430/96, os limites para pagamento de gratificações a empregados teriam sido revogados; “... A dedutibilidade dos pagamentos feitos a empregados a título de PLR, seja por seu enquadramento frente à Lei nº 10.301/00 ou por sua natureza de gratificação paga aos empregados, também já foi assegurada por este E. Tribunal Administrativo em diversas ocasiões”, conforme acórdãos nº 10195.258, de 09/11/05, 1402001.135, de 08/12/12, 1101000.847, de 05/03/12, e 1401000.944, de 06/03/13. O acórdão nº 1101000.847 referirseia ao próprio contribuinte, e, inclusive, “...Os Conselheiros reconheceram que a tese da D. Fiscalização cai em patente contradição à medida que não poderiam ser exigidos, simultaneamente, contribuições previdenciárias e IRPJ sobre os mesmos valores”; remunerações pagas a empregados, sendo gratificações ou não, seriam despesas operacionais necessárias ao regular funcionamento de qualquer sociedade; quanto aos requisitos legais para fins de pagamento de PLR, o cerne da questão, conforme posto pela DRJ/RJ1 “concentrase na falta de explicação por parte da empresa, de como foi calculado individualmente o valor pago a cada empregado”, em que pese ter reconhecido a existência de regras claras e objetivas; não caberia ao Fisco questionar, quando os critérios de avaliação foram livremente negociados pelas partes, o valor dos pagamentos aos empregados, vez que não lhe cabe “...criar qualquer outro requisito, sob pena de desrespeitar não só a Constituição, que prevê de forma incondicional o direito do trabalhador, como também a própria Lei nº 10.101/00”; quanto às avaliações de desempenho, cabe esclarecer: (a) o contribuinte adotou a metodologia de avaliação 360 graus, em que, “...Com base em critérios e metas já prédefinidos, cada empregado preenchia sua autoavaliação e também era avaliado por seus superiores e colegas. Em contrapartida, esse mesmo empregado avaliava seus pares e superiores”; (b) o preenchimento das avaliações era feito diretamente nos sistemas, cujo acesso era realizado mediante senha individual e intransferível; (c) conforme Manual explicativo, havia competências às quais eram atribuídas notas que variavam de 1 a 5 (Ultrapassou muito, Ultrapassou, Atingiu, Atingiu parcialmente e Não atingiu), relacionadas ao atendimento das metas; e também gradações que variavam de “A” a “E”, relacionadas com a visão global das competências (Ultrapassa muito o perfil, Ultrapassa o perfil, Atende o perfil, Abaixo do perfil e Muito abaixo do perfil); (d) o critérios eram combinados, gerando a nota final do avaliado; (e) as avaliações eram processados pelos sistemas PMM (“Performance Measurement & Management”) e PS (“Performance Segmentation”) e os resultados, submetidos à análise e aprovação de um Comitê de Avaliação, indicado pela Diretoria e composto por gerentes seniores; (f) estabelecida a faixa de avaliação de cada empregado, o Comitê verificava os limites mínimos e máximos se salários a serem recebidos a título de PLR, de acordo com o previsto no Plano de PLR, sopesando, ainda com base nas avaliações, “...o quanto cada empregado contribuiu para a formação dos resultados e, dentro da faixa de avaliação na qual cada empregado se enquadrou, calculava quantos salários seriam percebidos por cada colaborador”; (g) ao contrário do que entendera a fiscalização, “...a nota confirmada pelo gerente avaliador, após a conclusão de todas as avaliações 360 graus imputadas nos sistemas PMM e PS é que era levada ao Comitê de Avaliação”; Fl. 4304DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 9 15 acerca da suposta ausência de fórmula matemática individualizada para os pagamentos de PLR: (a) a própria fiscalização reconhecera a existência de regras claras e objetivas; (b) inexistiria na Lei nº 10.101/00 a obrigatoriedade de sistema de cálculo individualizado para cada empregado, conforme já decidido nos acórdãos 240202.508 e 20501.178; (c) a exigência fiscal seria manifestamente ilegal; (d) para o pagamento de PLR, relevante seria o acordo das regras entre as partes, “...que haja diálogo entre empresa, empregados e sindicatos e que todos os envolvidos sejam capazes de compreender as diretrizes para o pagamento de PLR”, como já decidido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos nºs 920200.503 e 920201.607) ; (e) “a Recorrente estabeleceu regras objetivas para o pagamento de PLR, que estavam claramente dispostas no Acordo Coletivo de PLR, regras essas que foram devidamente aprovadas pela CONTRAF/CUT e por seus empregados, sendo tal matéria incontroversa nos presentes autos”; sobre o Acordo Coletivo de PLR: (a) a Cláusula Quinta expressamente estabelecia três critérios: índice de lucratividade, programas de metas e avaliação de desempenho individual; (b) conforme Anexo I, “...a PLR corresponderia à diferença entre o índice de lucratividade da Recorrente vigente em 2007, que era de 60%, e o índice de lucratividade efetivo”; (c) nos termos do Anexo II, o lucro distribuído entre todas as áreas, de acordo com o índice de lucratividade, os empregados fariam jus no mínimo a 5 salários e no máximo a 100 salários, sendo que os valores poderiam se multiplicados por até 2, 4 ou mais, a depender da faixa de avaliação do empregado; a respeito da suposta não apresentação das avaliações à fiscalização: (a) não haveria razão para tal solicitação, vez que o PLR possuía regras claras e objetivas; (b) foram acostados aos autos (Doc.09 da impugnação) as avaliações individuais dos empregados, em que constam com clareza os critérios utilizados; (c) a razão de as avaliações terem sido redigidas no idioma inglês decorreria do fato de que “...diversos empregados da Recorrente também eram estrangeiros e não falavam português”; (d) as avaliações dos empregados Thays Vargas Ferreira da Cunha e Felipe Santos Wance de Souza teriam sido entregues no curso da fiscalização; relativamente aos catorze empregados contratados após 31/08/07, data do encerramento do processo de avaliação: (a) em razão de terem contribuído para a formação do resultado do anocalendário 2007, fizeram jus ao recebimento de PLR em fevereiro de 2008; (b) os desempenhos individuais teriam sido objeto de avaliação e discussão pelo Comitê de Avaliação que, após deliberação, teria determinado o valor de PLR a ser pago; no tocante aos comentários constantes das avaliações, que, no entender da fiscalização, denotariam opiniões de caráter subjetivo, “...influenciavam o Comitê de Avaliação na determinação da contribuição de cada empregado para os resultados da empresa e, conseqüentemente, no número de salários que cada empregado receberia a título de PLR”; quanto aos valores de PLR recebidos pelos empregados Roberto Maria Monta Filho e Rosa Amélia de Oliveira Penna Marques Moreira, seriam “...relativos a bônus de admissão, garantidos em Carta Oferta a ambos os empregados quando de sua contratação” (Doc. 12 da impugnação), argumento este que não teria sido apreciado pela DRJ; “... O pagamento de Bônus de Admissão representa o pagamento de uma gratificação eventual, e, portanto, coadunase perfeitamente aos requisitos de dedutibilidade previstos nos artigos 299 e 462 do RIR/99”; as diferenças entre os valores pagos, em quantidade de salários, justificarse iam na contribuição de cada empregado na geração do lucro, sendo que os Fl. 4305DF CARF MF 16 pagamentos foram efetuados “...de acordo com os limites das faixas de avaliação previstas pelo Acordo Coletivo e o sistema PMM”; “... Na tentativa de confrontar os pagamentos realizados pela Recorrente, a I. Autoridade Fiscal Julgadora, ao longo de sua decisão, fez comparações entre os funcionários ora pelas notas referentes às avaliações, ora pelo valor do PLR recebido. Com base nisso, o Órgão Julgador teve como conclusão não ser compreensível a relação entre as avaliações e os valores pagos a título de PLR. 206. Nesse ponto, no entanto, cumpre demonstrar os equívocos cometidos nestas comparações, uma vez que o espaço amostral em nenhum momento foi restrito com base nas atividades exercidas por cada funcionário. Tampouco foi ponderada a natureza de cada função profissional e da hierarquia entre elas. Somente foram estabelecidos paralelos entre critérios que não são suficientes para descaracterizar os pagamentos de PLR”; a autoridade fiscal incorrera em equívoco ao comparar pagamentos de PLR a empregados que não exerciam mesma função, com responsabilidades distintas, ainda que tenham sido avaliados com a mesma nota; seria compreensível que, por exemplo, um Diretor Financeiro recebesse um número maior de salários do que uma Assistente de Diretoria; inexistiria imposição legal no sentido de que os valores pagos de PLR fossem iguais para todos os beneficiários; em primeira instância, a DRJ, ao se basear apenas nas notas das avaliações, ignorara a natureza e as particularidades da função profissional de cada empregado por ela listado; com relação aos pagamentos de PLR efetuados a 58 estagiários: (a) a DRJ/RJ1 dera provimento à impugnação apresentada no processo nº 16682.720128/201243, exonerandoa da contribuição previdenciária sobre tais parcelas; (b) seriam passíveis de dedução para fins de IRPJ, tendo em conta a sua natureza operacional; (c) cumprira os requisitos estabelecidos na Lei nº 6.494/77; (d) seriam necessários às atividades empresariais; seria incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ao final, o Recorrente protestou pela produção de provas e oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Em contrarrazões (fls. 3.836/3.857), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sustentou: a desqualificação do PRL fundamentarase pela desobediência à legislação de regência, vez que “...não ficou concretamente demonstrada a existência de regras claras e objetivas de fixação da PLR”; os casos apresentados pela fiscalização não se constituiriam em amostragem, mas “...foram usados no TVF com o intuito de reforçar a relevância dos documentos solicitados no curso da fiscalização para a apuração do cumprimento das regras que deveriam nortear o pagamento da PLR”; “No que concerne à alegação de que foram incluídos na base de cálculos os montantes de PLR pagos com base em Convenção Coletiva de Trabalho, instrumento que não teria sido objeto de questionamento pela autuação, devese ter presente que, consoante a Cláusula Décima Terceira do Acordo Coletivo, os empregados não percebem PLR com base em dois títulos distintos (Acordo Coletivo e Convenção Coletiva), como faz crer a recorrente, mas apenas com lastro no Acordo Coletivo ora em discussão. [...] Nos termos da cláusula em comento, a PLR Fl. 4306DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 10 17 deveria ser paga de acordo com a regra mais benéfica para o empregado, sendo incontroverso nos autos que as estipulações mais benéficas eram as do Acordo Coletivo. Ora, se os pagamentos tiveram base em um único instrumento, qual seja, o Acordo Coletivo, não há porque se abater das adições procedidas pela fiscalização o valor previsto em Convenção Coletiva que em nada fundamentou os pagamentos recebidos pelos empregados.”; nem tudo que é pago pelo empregador, como contraprestação laboral, seria dedutível do lucro líquido, ou seja, “...Mesmo que uma verba seja considerada como retribuição decorrente do contrato de trabalho, integrando, portanto, o saláriode contribuição, para fins de incidência da contribuição previdenciária, ainda assim poderá não ser dedutível da base de tributação do IRPJ, haja vista que este tributo tem regras próprias para apuração”; “... O fato de a distribuição de lucros aos empregados da pessoa jurídica não atender aos requisitos previstos na Lei n.º 10.101/2000, resultando na impossibilidade de dedução dos pagamentos do lucro líquido do período de apuração (art. 462, III, do RIR/99), não tem o condão de transmudar a natureza jurídica dos valores pagos. Ou seja, as participações no lucro conferidas aos empregados do banco autuado permanecem sendo distribuição de lucro, jamais deixaram de ser. Uma coisa é a natureza jurídica de um pagamento, outra é o efeito jurídico que esse pagamento gera. No âmbito do IRPJ, o efeito jurídico de distribuição de lucro aos empregados é a adição ao lucro líquido do período (regra geral). Todavia, este efeito pode ser modificado se, e somente se, o pagamento a esse título for realizado segundo os critérios estabelecidos na Lei n.º 10.101/2000, porque esta foi a exigência estabelecida pelo legislador para afastar a regra geral (inciso III art. 462 do RIR)”; a circunstância de a PLR “...ser retribuição econômica pelo contrato de trabalho, daí advindo o caráter remuneratório das parcelas no campo da contribuição previdenciária, tão somente por esse fato, não qualifica a despesa como operacional para fins de IRPJ, pois nesta seara o critério de dedutibilidade de um gasto é aferido pelos parâmetros de necessidade, normalidade e usualidade (art.299, do RIR), conceitos que seriam imprescindíveis à legitimação da dedução.”; a PLR não seria um gasto necessário, imprescindível, essencial ao desenvolvimento da atividade empresarial, mas um “...dispêndio decorrente de ato de mera liberalidade do empregador, uma vez que a não concessão de PLR não impossibilita a empresa de realizar a exploração de seu negócio”. Constituirseia em uma “...despesa extraordinária, a qual pode ou não ocorrer, a depender da opção empresarial de conceder participação nos lucros ou resultados aos seus empregados. Igualmente, não é despesa usual na acepção de habitualidade em relação à espécie do negócio desenvolvido pelo contribuinte”; “Ora, se, efetivamente, a participação nos lucros e resultados da pessoa jurídica fosse despesa operacional, como afirma o recorrente, qual o sentido lógico do legislador ter destacado um artigo específico para dizer que o contribuinte pode deduzir a PLR da base cálculo do IRPJ? Senhores Julgadores, que sentido tem reproduzir em artigo diverso uma regra que já estaria albergada no art. 299 do RIR? Por certo, outra não pode ser a conclusão senão a de que participação nos lucros da empresa não é despesa operacional, segundo os parâmetros estabelecidos no art. 299, do RIR/99, o que resulta na necessidade de haver um preceptivo específico para conferir caráter de dedutibilidade à despesa, condicionando, porém, que o pagamento seja feito na forma da Lei n.º 10.101/2000”; Fl. 4307DF CARF MF 18 o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes já decidira no sentido de que os pagamentos a título de PLR seriam indedutíveis, quando em desconformidade com as exigências legais, “...o que a contrario sensu confirma não se tratar de despesa operacional”; a PLR estaria vinculada ao alcance de metas pelos empregados, não consistindo em “...mecanismo para substituir eventual pagamento de abono, prêmio, gratificação, comissão, etc., de forma a ocultar a natureza salarial e, assim, eliminar os encargos sociais e tributários que normalmente incidiriam caso a verba não fosse paga de forma disfarçada”; de acordo com a jurisprudência administrativa (acórdão nº 240100.545) e do Superior Tribunal de Justiça (Resp 856160/PR), “...somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária”; o pagamento de PLR pelo contribuinte estaria cercado de subjetivismos, “...não existindo critérios claros e objetivos a nortear a atribuição do número de salários a que cada empregado fará jus”; “... nos termos da sistemática descrita pela própria recorrente em seu recurso voluntário, em última análise, o cálculo de quantos salários cada empregado receberia incumbia a um Comitê, que tomava tal decisão sem nenhum parâmetro objetivo, mas com base em uma percepção de montante de contribuição individual para a formação dos resultados do Banco. Está confessado nos autos que era determinante na fixação do valor a ser recebido ‘a contribuição que cada funcionário deu para a geração dos lucros’, fator esse que era aferido por um Comitê de Avaliação, sem quaisquer parâmetros ou critérios conhecidos. E mais! No Anexo II do Acordo Coletivo, há previsão de que os empregados farão jus ao recebimento de PLR de no mínimo cinco e no máximo 100 salários mensais. Ainda nos termos do Anexo II, o limite máximo pode ser extrapolado em casos excepcionais, a depender da avaliação geral do empregado e da sua classificação na Performance Segmentation. Assim, é possível pagar até 200, até 400 ou mais de 400 salários mensais a depender de tais análises. Ora, a diferença entre pagar 100 vezes o salário mensal e pagar 120, 150, 180, 200 ou 400 salários mensais é enorme, mas não se sabe como tal decisão é tomada.”; a ausência de critério objetivo fora ressaltada pela DRJ/RJ1, quando do julgamento do processo nº 16682.720128/201243; ao requerer as memórias de cálculo dos valores pagos, a fiscalização buscara verificar o cumprimento das regras previstas no instrumento de PLR, que deveriam conter regras claras e objetivas; considerando que o próprio empregador definira os parâmetros de pagamento de PLR, teria o dever de demonstrar que a eles se ateve, não se sabendo, no caso concreto, “...o critério que norteou o pagamento da PLR em múltiplos que chegam, por vezes, a 500 salários”; quanto aos empregados que não foram submetidos ao sistema de avaliação eleito pelo contribuinte, não teriam sido atendidas as regras postas no instrumento de fixação da PLR; os parâmetros estabelecidos em lei quanto aos pagamentos a título de PLR seriam razoáveis, “...tendo como escopo evitar as fraudes e garantir o cumprimento dos mandamentos constitucionais”; Fl. 4308DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 11 19 conforme jurisprudência das duas Turmas do STJ e decisões do CARF, inclusive de sua Câmara Superior de Recursos Fiscais, seria legal a incidência de juros sobre a multa de ofício. Pela referida resolução, os autos baixaram em diligência. As solicitações foram as seguintes, conforme excerto abaixo transcrito: Sendo assim, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: intime o contribuinte para: (a) apresentar o inteiro teor do Anexo II do Acordo de PLR (“Regras Quanto à Fixação dos Direitos à Participação e Programas de Metas”), vez que aparentemente foi disponibilizado incompleto, conforme observação acima; (b) apresentar tradução juramentada dos documentos constantes das fls.3.539/3.548; e (c) esclarecer objetivamente qual a influência da classificação alfabética “Competência” (item 4.29 do Termo de Verificação Fiscal) nos pagamentos de PLR realizados com base nos parâmetros estabelecidos no item 3.1 do Anexo II do Acordo de PLR; verifique: (a) se nos pagamentos considerados pela fiscalização a título de PLR, realizados em fevereiro de 2008, foram incluídos os valores supostamente pagos com base na CCT PLR Bancos 2007 (fls.3.417/3.436); e (b) se procedem as informações prestadas pelo Recorrente quanto aos cargos exercidos pelos empregados, conforme relação de fls.2.913/2.928; aproveitando a diligência, anexe cópia do inteiro teor do Parecer Normativo CST nº 109, de 22/9/75, mencionado pelo Recorrente, podendo a este ser requerida; adote, se entender cabíveis, providências que auxiliem na solução da controvérsia; elabore relatório final circunstanciado, que deverá ser cientificado ao sujeito passivo, facultandolhe apresentar contrarrazões ao resultado da diligência no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Após diligência, foi elaborado Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4.166 a 4.170), cuja conclusão é a seguinte: Fl. 4309DF CARF MF 20 Fl. 4310DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 12 21 Após ciência às partes quanto ao resultado da diligência, o processo retornou para julgamento, sendo redistribuído por sorteio no âmbito desta turma, em face de a originária não mais existir. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar O recurso foi protocolado tempestivamente e preenche os demais requisitos de admissibilidade estabelecidos na legislação, dele devendose conhecer. Amostragem. A recorrente alega que: não poderia a fiscalização ter descaracterizado o Acordo Coletivo com base em 9 (nove) pagamentos de PLR, do universo de 615 (seiscentos e quinze), ou seja, apenas Fl. 4311DF CARF MF 22 com fundamento em pagamentos que equivaleriam a 1,5% do total de empregados (Guilherme da Costa Paes, Bruno de Arruda Carvalho, Evandro Luiz de Almeida Pereira, José Octávio Mendes Vita, Leandro de Azambuja Micotti, Carlos de Almeida Vasques, Marcus Vinícius Cuiabano Peixoto, Alexandre Câmara e Silva e Rodolfo Riechert). Ainda que considerado o universo de 124 empregados (20% do total registrado), conforme descrito no item 4.9 do TVF, os nove pagamentos não representariam nem 10% da amostra eleita; a amostra deveria ser representativa de uma população, “...para que nela estejam efetivamente refletidos os comportamentos dessa”, conforme já decidiu o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 10248.128 e 10247.456); “... A conduta adotada pelo I. Agente Fiscal não respeita nenhuma técnica de auditoria e nem os preceitos de materialidade de um estudo. A utilização de um percentual tão ínfimo para análise de instrumentos que abrangiam 615 empregados, pelo contrário, viola todas as referidas técnicas e regras”; uma vez identificados pagamentos em desconformidade com o Acordo Coletivo, caberia o lançamento apenas com relação àqueles. Traz, como exemplo, que "o próprio agente fiscal incorrera em contradição quando analisou os pagamentos realizados aos empregados André Cobianchi Almeida e Antonio Carlos Canto Porto Filho e deixou de apontar irregularidade". Relativamente a esse ponto, a decisão de piso a ele se referiu no tópico denominado "Nulidade", da seguinte forma: Para tratarmos da preliminar levantada pelo contribuinte necessário se faz entender a causa central da autuação, para o que reproduzimos alguns trechos de Termo de Verificação Fiscal: “4.42. A empresa teve diversas oportunidades de facilitar a compreensão e o entendimento do cálculo dos valores pagos, cuja análise era o único escopo desta ação fiscal.”grifei 4.43. Se o cálculo toma por base o índice de lucratividade do Banco no período, bem como as avaliações individuais de desempenho dos empregados, podese dizer que, com isso, adotou uma regra clara com critérios (índice de lucratividade >60%, programa de metas, avaliação individual), mas tal regra deve vir acompanhada do valor a que cada empregado fará jus, inclusive para que ele possa, em caso de dúvidas, utilizarse do previsto na Cláusula Décima Quinta do Acordo, que faculta ao empregado, verbalmente ou por escrito, solicitar a realização de reunião, com a presença das partes, na hipótese de dúvidas ou divergências quanto ao cumprimento do acordo, podendo a empresa, de acordo com o seu Parágrafo Único, utilizar como mecanismos de aferição de informações os seus formulários internos de avaliações. Só que estes mecanismos têm que ser pertinentes ao cumprimento do acordado, senão a empresa fica livre para pagar o que quiser aos empregados com determinada avaliação. No caso da avaliação EXCELENTE, por exemplo, impera a discricionariedade para se pagar a PLR acima do limite.Quando a empresa informa que "não há uma única fórmula matemática que possa resumir os valores de PLR pagos à totalidade dos empregados, uma vez que tal cálculo é realizado de forma individualizada para cada funcionário", ao Fl. 4312DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 13 23 mesmo tempo, não informa qual o critério utilizado para quantificar o recebido por cada funcionário, inclusive quando excedido do limite máximo previsto para os empregados com esta avaliação (acima de 4x o limite). 4.44. Quando nem mesmo os formulários possibilitam ao empregado a obtenção de informações objetivas sobre o valor final de PLR que recebeu, por inconclusivos que são, tal pagamento foge completamente da natureza justa da Participação pretendida pelo legislador. Critérios genéricos podem favorecer a quem tem cargo ou função mais alto, em detrimento dos empregados menos graduados ou que não são chefes de setor, por exemplo. O próprio empregado tem interesse na limpidez das regras. 4.45. Como não houve objetividade nas regras do Acordo ou dos formulários internos apresentados pela empresa, de forma a se quantificar conclusivamente os valores de PLR, e a mesma se recusou terminantemente a fornecer os cálculos individualizados por funcionário, deve ser a PLR descaracterizada como tal e considerada indedutível para fins de IRPJ. Como se vê, a causa central da autuação fundase no fato da empresa não ter elucidado como foram efetuados os cálculos dos valores pagos a título de PLR. Assim, tais despesas foram consideradas indedutíveis da base de cálculo do IRPJ. A fim de entender a razão de tais pagamentos, a fiscalização tomou a amostra de 124 funcionários, que receberam valores acima de R$ 800.000,00 e intimou a empresa, em 09/12/2011, através do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 3 (fls. 79/85), que demonstrasse como foi calculado o valor pago a cada um destes 124 empregados, e como estes valores se relacionam com os termos do Acordo coletivo lavrado em 20/12/2007 e os respectivos índices de excelência de cada um deles. Ainda, em suas contrarrazões, a PFN assim se manifestou: os casos apresentados pela fiscalização não se constituiriam em amostragem, mas “...foram usados no TVF com o intuito de reforçar a relevância dos documentos solicitados no curso da fiscalização para a apuração do cumprimento das regras que deveriam nortear o pagamento da PLR”; Portanto, a autuação fiscal tem como fundamento central a não elucidação pela recorrente de como foram efetuados os cálculos dos valores pagos a título de PLR. Os casos apresentados "não se constituiriam em amostragem" como salienta a PFN em suas contrarrazões, estando correta pois a decisão recorrida. Não cabe assim nenhum comentário em relação ao alegado de que "o próprio agente fiscal incorrera em contradição quando analisou os pagamentos realizados aos empregados André Cobianchi Almeida e Antonio Carlos Canto Porto Filho e deixou de apontar irregularidade", uma vez a conclusão supra explicitada. Relativamente ao acórdão da Segunda Seção de Julgamento (nº 2401 02.139), de que não poderia a tributação incidir sobre todos os valores pagos a título de PLR, tal decisão referese, exclusivamente, às contribuições sociais previdenciárias, não aplicável ao presente caso (IRPJ e CSLL). Fl. 4313DF CARF MF 24 Inclusão de PLR pagos com base em Convenção Coletiva de Trabalho. Alegou também a recorrente que: a fiscalização também teria incluído indevidamente os pagamentos “...a título de antecipações, realizadas em Outubro de 2007, com base na CCT PLR Bancos 2007 (Doc.06 da Impugnação), instrumento este que sequer foi descaracterizado”; nos termos da Convenção, em outubro de 2007 teria antecipado o pagamento de PLR, sendo que em fevereiro de 2008 efetuara a compensação dos valores já pagos (Doc.15 da impugnação), fato ignorado pela fiscalização ao adicionar ao lucro a totalidade dos pagamentos realizados a título de PLR; “... 57. De maneira simples e superficial, o I. Agente Fiscal optou por presumir que os montantes de todos os pagamentos de PLR relativos ao anocalendário 2007 corresponderiam a valores pagos nos termos do Acordo Coletivo. Ocorre que o descuido do I. Agente Fiscal foi tão significante que sequer há menção à CCT PLR Bancos 2007 no TVF, instrumento este que não foi objeto de qualquer questionamento [...]. 64. Ao efetuar o lançamento sobre parcelas de PLR que sequer foram objeto de questionamento ao longo da Fiscalização, mais uma vez o I. Agente Fiscal acabou por violar as mais fundamentais regras que regem o ato administrativo de lançamento, deixando de apurar com precisão a base de cálculo do IRPJ supostamente devido no período”. Quanto a essa questão, no voto condutor da decisão de piso, está evidenciado que o relator efetuou verificação, concluindo o seguinte: Com base nos dados acima, por amostragem, verificase que os dados utilizados para o lançamento são exatamente os constantes da folha de pagamento referente ao mês de fevereiro de 2008, quando foram pagos as participações nos lucros – PLR. Agora, vejamos as provas juntadas pela empresa, que são: a relação de fls. 3549/3569, onde consta o nome do funcionário e os valores pagos a título de PLR em outubro/2007 e fevereiro de 2008 e a folha de pagamento referente ao ano de 2007 (fls. 2929/3416). De posse destes elementos, salvo melhor juízo, não vejo comprovado o fato da empresa não haver descontado dos valores pagos a título de PLR, em fevereiro de 2008, os pagamentos efetuados em outubro 2007. A fim de comprovar que o valor não foi descontado, a empresa poderia ter juntado outros elementos de prova que demonstrassem a ausência de compensação, por parte dela, dos valores pagos em outubro de 2007. Como se não bastasse isso, a Convenção Coletiva assim dispõe em sua cláusula primeira, parágrafo segundo: “No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referente ao exercício de 2007” negritei O texto acima é claro: a dedução é facultativa. Ou seja, os termos da Convenção Coletiva não favorecem sua pretensão. Em síntese, não restou materializado erro na apuração da base de cálculo ou na aplicação do direito, que dêem causa à reforma ou anulação do lançamento. Também, em suas contrarrazões, a PFN assim argumenta: Fl. 4314DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 14 25 “No que concerne à alegação de que foram incluídos na base de cálculos os montantes de PLR pagos com base em Convenção Coletiva de Trabalho, instrumento que não teria sido objeto de questionamento pela autuação, devese ter presente que, consoante a Cláusula Décima Terceira do Acordo Coletivo, os empregados não percebem PLR com base em dois títulos distintos (Acordo Coletivo e Convenção Coletiva), como faz crer a recorrente, mas apenas com lastro no Acordo Coletivo ora em discussão. [...] Nos termos da cláusula em comento, a PLR deveria ser paga de acordo com a regra mais benéfica para o empregado, sendo incontroverso nos autos que as estipulações mais benéficas eram as do Acordo Coletivo. Ora, se os pagamentos tiveram base em um único instrumento, qual seja, o Acordo Coletivo, não há porque se abater das adições procedidas pela fiscalização o valor previsto em Convenção Coletiva que em nada fundamentou os pagamentos recebidos pelos empregados.”; Não bastassem essas conclusões, em diligência foi solicitado "verificar se, nos pagamentos considerados pela fiscalização a titulo de PLR, realizados em fevereiro de 2008, foram incluídos os valores supostamente pagos com base na CCT PLR Bancos 2007". Após tal providência ficou evidenciado: 9.1) ... Os valores pagos a título de PLR lançados no Auto de Infração que gerou o Processo n° 16682.720122/201276 foram apurados com base nas folhas de pagamento de 02/2008, constantes do mesmo, de fls. 460 a 1.181. Em que pese o contribuinte ter apresentado a Convenção Coletiva de Trabalho CCT PLR 2007, que teria sustentado o pagamento de valores a este título, passíveis de compensação posterior de acordo com seus termos, não consta das folhas de pagamento mencionadas qualquer dedução dos valores que teriam sido pagos conforme CCT. As únicas deduções efetuadas sobre o valor bruto pago a título de PLR em 02/2008 (código 01110), conforme cada caso de beneficiário, são as seguintes: Imposto de Renda Retido na Fonte (código 05580), Dedução de EOP (código 00200), Imposto de Operações Financeiras IOF sobre EOP (código 22305), Previdência Privada (código 05810) e Pensão Alimentícia (código 06260). Sobre o EOP, a empresa havia explicado, em resposta a Termo de Intimação de 09/12/2011, emitido durante a ação fiscal originária do Processo, que "...a rubrica 00200 Dedução de EOP (Equity Ownership Plan) contida na folha de pagamento de 2008, se refere a um programa global de aquisição de ações oferecido pelo UBS a todos os empregados. Os empregados investem um determinado percentual de sua remuneração para a aquisição de títulos representativos de ações do UBS AG (Notional Shares) já que não são negociadas no Brasil. O montante descontado de cada indivíduo para o UBS AG para a aquisição de Notional Shares". (fls. 1.200). 9.2.) Desta forma, se a empresa tinha valores a deduzir a título de PLR, pagos anteriormente e referentes ao mesmo período, não o fez na Folha de 02/2008, ou efetuou a dedução antes de Fl. 4315DF CARF MF 26 confeccionar a folha, o que, de qualquer forma, não influi nos valores originalmente lançados no Auto de Infração. Nenhuma razão, pois, assiste à recorrente. PLR. Requisitos legais. No que tange aos requisitos legais para o pagamento da PLR, a recorrente argumenta que: muito embora a DRJ/RJ1 tenha considerado que o cerne da questão “concentrase na falta de explicação por parte da empresa, de como foi calculado individualmente o valor pago a cada empregado”, teria havido o reconhecimento da existência de regras claras e objetivas; não caberia ao Fisco questionar, quando os critérios de avaliação foram livremente negociados pelas partes, o valor dos pagamentos aos empregados, vez que não lhe cabe “...criar qualquer outro requisito, sob pena de desrespeitar não só a Constituição, que prevê de forma incondicional o direito do trabalhador, como também a própria Lei nº 10.101/00”. De fato, no voto condutor da decisão de primeira instância, há o reconhecimento de que as regras eram claras e objetivas. Contudo, há também uma ressalva quanto à aplicação dessas regras, conforme excerto abaixo (fl. 3.615): Em princípio, ao se cotejar o sistema de avaliação, como descrito pela empresa, constatase a existência de regras definidas, como preconiza. Todavia, a problemática aqui enfrentada relacionase à sua aplicação prática, como destacado pelo autuante: "Embora não se possa negar a existência de regras claras de maneira geral, tais regras não especificam o critério de cálculo adotado para individualizar o valor a ser recebido por cada empregado."(Grifos no original) – ver fl. 13 do TVF. Em face disso, nesse voto há uma análise quanto a "se a aplicação das regras resultou em avaliações claras". Essa análise, que contempla várias situações relativas à comparação entre a avaliação de diversos funcionários e o valor recebido a título de PLR, consta às fls. 3.615 a 3.619. Trazse à colação uma dessas situações: Quanto ao colaborador ANTONIO CARLOS CANTO PORTO FILHO a empresa alega que teve a nota 1B, sendo seu desempenho considerado excelente. Dessa forma, ele poderia receber montantes superiores a 400 salários. Ao final de todo processo de avaliação, o empregado recebeu 202,11 salários, ou seja, valor adequado dentro de sua faixa de avaliação. Procedendo da mesma forma que no item anterior, vejamos quais foram os valores pagos, em número da PLR, a um grupo selecionado aleatoriamente, com a mesma nota – 1 B. Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 15 27 Desnecessário efetuar muitas considerações acerca da tabela, pois a falta de critério para fins de pagamento de PLR revelase flagrante, já que o funcionário BRUNO LEMOS BASTO DE VASCONCELLOS, cujo desempenho foi julgado excelente, recebeu 11,35 salários para premiar sua participação nos resultados da empresa, enquanto que o MARIO CUNHA CAMPOS recebeu 1.109,57 salários. Ou seja, mais uma vez se revela o descompasso entre as avaliações atribuídas pela empresa e o número de PLR pago a seus funcionários. De todos estes elementos, além daqueles indicados nos autos, concluise, com base nos critérios de avaliação estabelecidos pela empresa, não ser compreensível a relação entre as avaliações e os valores pagos a título de PLR. E, conforme se pode observar, o Fisco não está a questionar os critérios de avaliação negociados pelas partes. Ocorre que as regras definidas não especificam o critério de cálculo adotado para individualizar o valor a ser recebido por cada empregado. Ainda, explica a recorrente: quanto às avaliações de desempenho, cabe esclarecer: (a) o contribuinte adotou a metodologia de avaliação 360 graus, em que, “...Com base em critérios e metas já prédefinidos, cada empregado preenchia sua autoavaliação e também era avaliado por seus superiores e colegas. Em contrapartida, esse mesmo empregado avaliava seus pares e superiores”; (b) o preenchimento das avaliações era feito diretamente nos sistemas, cujo acesso era realizado mediante senha individual e intransferível; (c) conforme Manual explicativo, havia competências às quais eram atribuídas notas que variavam de 1 a 5 (Ultrapassou muito, Ultrapassou, Atingiu, Atingiu parcialmente e Não atingiu), relacionadas ao atendimento das metas; e também gradações que variavam de “A” a “E”, relacionadas com a visão global das competências (Ultrapassa muito o perfil, Ultrapassa o perfil, Atende o perfil, Abaixo do perfil e Muito abaixo do perfil); (d) os critérios eram combinados, gerando a nota final do avaliado; (e) as avaliações eram processados pelos sistemas PMM (“Performance Measurement & Management”) e PS (“Performance Segmentation”) e os resultados, submetidos à análise e aprovação de um Comitê de Avaliação, indicado pela Diretoria e composto por gerentes seniores; (f) estabelecida a faixa de avaliação de cada empregado, o Comitê verificava os limites mínimos e máximos de salários a serem recebidos a título de Fl. 4317DF CARF MF 28 PLR, de acordo com o previsto no Plano de PLR, sopesando, ainda com base nas avaliações, “...o quanto cada empregado contribuiu para a formação dos resultados e, dentro da faixa de avaliação na qual cada empregado se enquadrou, calculava quantos salários seriam percebidos por cada colaborador”; (g) ao contrário do que entendera a fiscalização, “...a nota confirmada pelo gerente avaliador, após a conclusão de todas as avaliações 360 graus imputadas nos sistemas PMM e PS é que era levada ao Comitê de Avaliação”. Relativamente a isso, na decisão de primeira instância ficou consignado: Realmente, ao se visualizarem as folhas 2233 e 2237, respectivamente, verificase o significado das notas 1 a 5 (escala de contribuição) e das notas de A a E (rating de competência). Também se pode ver, à fl. 2238, o que significam, por exemplo, as avaliações 1A ou 4D (escala global de rating). Há ainda explicações de como o desempenho é mensurado à fl. 2230, recomendações de como escrever uma avaliação eficaz (fl. 2239) e como vincular o PMM à promoção e à remuneração (fl. 2240). Ocorre, porém, que as explicações contidas nos autos, evidenciadas na impugnação, assim como as contidas no recurso voluntário acima transcritas e, ainda, aquelas trazidas após a intimação em face da diligência determinada, não são suficientes para que se possa chegar a um entendimento quanto à enorme diferença entre os valores recebidos pelos diversos funcionários que receberam a mesma avaliação. A recorrente aduz que, após estabelecida a faixa de avaliação de cada empregado, o Comitê de Avaliação, indicado pela Diretoria e composto por gerentes seniores, "verificava os limites mínimos e máximos de salários a serem recebidos a título de PLR, de acordo com o previsto no Plano de PLR, sopesando, ainda com base nas avaliações, ...o quanto cada empregado contribuiu para a formação dos resultados e, dentro da faixa de avaliação na qual cada empregado se enquadrou, calculava quantos salários seriam percebidos por cada colaborador". Como salientado na decisão de primeira instância, nada há de errado com a assertiva de que "o funcionário que mais contribui para a geração do lucro seja o que mais recebe". Contudo, há uma discrepância muito grande entre o que dois funcionários, na mesma faixa de avaliação, receberam. Conforme visto acima, um dos funcionários recebeu 11,35 salários a título de PLR, enquanto outro 1.109,57. Mais uma vez, salientase que não há pois como se aferir, objetivamente e com clareza, qual foi o critério adotado para o pagamento da PLR, em face dessa enorme discrepância, conforme apontado. Argumenta também a recorrente que, acerca da ausência de uma fórmula matemática individualizada para os pagamentos de PLR: (a) a própria fiscalização reconhecera a existência de regras claras e objetivas; (b) inexistiria na Lei nº 10.101/00 a obrigatoriedade de sistema de cálculo individualizado para cada empregado, conforme já decidido nos acórdãos 240202.508 e 20501.178; Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 16 29 (c) a exigência fiscal seria manifestamente ilegal; (d) para o pagamento de PLR, relevante seria o acordo das regras entre as partes, “...que haja diálogo entre empresa, empregados e sindicatos e que todos os envolvidos sejam capazes de compreender as diretrizes para o pagamento de PLR”, como já decidido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos nºs 920200.503 e 920201.607); (e) “a Recorrente estabeleceu regras objetivas para o pagamento de PLR, que estavam claramente dispostas no Acordo Coletivo de PLR, regras essas que foram devidamente aprovadas pela CONTRAF/CUT e por seus empregados, sendo tal matéria incontroversa nos presentes autos”; Sobre o Acordo Coletivo de Trabalho: a) a Cláusula Quinta expressamente estabelecia três critérios: índice de lucratividade, programas de metas e avaliação de desempenho individual; b) conforme Anexo I, “...a PLR corresponderia à diferença entre o índice de lucratividade da Recorrente vigente em 2007, que era de 60%, e o índice de lucratividade efetivo”; c) nos termos do Anexo II, o lucro distribuído entre todas as áreas, de acordo com o índice de lucratividade, os empregados fariam jus no mínimo a 5 salários e no máximo a 100 salários, sendo que os valores poderiam se multiplicados por até 2, 4 ou mais, a depender da faixa de avaliação do empregado. Poderia não haver uma fórmula matemática que pudesse exprimir como se chega aos valores de PRL pagos a cada um dos funcionários e, de fato, não há, como afirma a própria recorrente. Todavia, embora não exista tal fórmula, reiterase, mais uma vez, que não foi demonstrado, com clareza, como a recorrente chegou aos valores da PRL paga a seus funcionários. Esclarecedor o quanto expendido pela PFN em suas contrarrazões a respeito do assunto: “... nos termos da sistemática descrita pela própria recorrente em seu recurso voluntário, em última análise, o cálculo de quantos salários cada empregado receberia incumbia a um Comitê, que tomava tal decisão sem nenhum parâmetro objetivo, mas com base em uma percepção de montante de contribuição individual para a formação dos resultados do Banco. Está confessado nos autos que era determinante na fixação do valor a ser recebido ‘a contribuição que cada funcionário deu para a geração dos lucros’, fator esse que era aferido por um Comitê de Avaliação, sem quaisquer parâmetros ou critérios conhecidos. E mais! No Anexo II do Acordo Coletivo, há previsão de que os empregados farão jus ao recebimento de PLR de no mínimo cinco e no máximo 100 salários mensais. Ainda nos termos do Anexo II, o limite máximo pode ser extrapolado em casos excepcionais, a depender da avaliação geral do empregado e da sua classificação na Performance Segmentation. Assim, é possível pagar até 200, até 400 ou mais de Fl. 4319DF CARF MF 30 400 salários mensais a depender de tais análises. Ora, a diferença entre pagar 100 vezes o salário mensal e pagar 120, 150, 180, 200 ou 400 salários mensais é enorme, mas não se sabe como tal decisão é tomada.”; [...] considerando que o próprio empregador definira os parâmetros de pagamento de PLR, teria o dever de demonstrar que a eles se ateve, não se sabendo, no caso concreto, “...o critério que norteou o pagamento da PLR em múltiplos que chegam, por vezes, a 500 salários”. Conforme visto nos autos, a fiscalização intimou para que fossem apresentadas as memórias de cálculo para fins de aferição do cumprimento das regras previstas no instrumento de PLR. Contudo, relativamente a isso, a contribuinte se limitou a argumentar que " (a) não haveria razão para tal solicitação, vez que o PLR possuía regras claras e objetivas e que foram acostados aos autos (Doc. 09 da impugnação) as avaliações individuais dos empregados, em que constam com clareza os critérios utilizados". No recurso, a contribuinte também aduz que: relativamente aos catorze empregados contratados após 31/08/07, data do encerramento do processo de avaliação: (a) em razão de terem contribuído para a formação do resultado do anocalendário 2007, fizeram jus ao recebimento de PLR em fevereiro de 2008; (b) os desempenhos individuais teriam sido objeto de avaliação e discussão pelo Comitê de Avaliação que, após deliberação, teria determinado o valor de PLR a ser pago; no tocante aos comentários constantes das avaliações, que, no entender da fiscalização, denotariam opiniões de caráter subjetivo, “...influenciavam o Comitê de Avaliação na determinação da contribuição de cada empregado para os resultados da empresa e, conseqüentemente, no número de salários que cada empregado receberia a título de PLR”. Como se vê, essas informações indicam com solidez a natureza subjetiva da atribuição do valor pago a cada um dos funcionários, fato que corrobora todas as conclusões anteriores sobre não haver regra clara e objetiva quanto à atribuição do valor da PLR a cada um dos empregados. A recorrente ainda repisa algumas questões, conforme abaixo: as diferenças entre os valores pagos, em quantidade de salários, justificar seiam na contribuição de cada empregado na geração do lucro, sendo que os pagamentos foram efetuados “...de acordo com os limites das faixas de avaliação previstas pelo Acordo Coletivo e o sistema PMM”; também, “... na tentativa de confrontar os pagamentos realizados pela Recorrente, a I. Autoridade Fiscal Julgadora, ao longo de sua decisão, fez comparações entre os funcionários ora pelas notas referentes às avaliações, ora pelo valor do PLR recebido. Com base nisso, o Órgão Julgador teve como conclusão não ser compreensível a relação entre as avaliações e os valores pagos a título de PLR. Nesse ponto, no entanto, cumpre demonstrar os equívocos cometidos nestas comparações, uma vez que o espaço amostral em nenhum momento foi restrito com base nas atividades exercidas por cada funcionário. Tampouco foi ponderada a natureza de cada função profissional e da hierarquia entre elas. Somente foram estabelecidos paralelos entre critérios que não são suficientes para descaracterizar os pagamentos de PLR”; Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 17 31 a autoridade fiscal incorrera em equívoco ao comparar pagamentos de PLR a empregados que não exerciam mesma função, com responsabilidades distintas, ainda que tenham sido avaliados com a mesma nota; seria compreensível que, por exemplo, um Diretor Financeiro recebesse um número maior de salários do que uma Assistente de Diretoria; inexistiria imposição legal no sentido de que os valores pagos de PLR fossem iguais para todos os beneficiários; em primeira instância, a DRJ, ao se basear apenas nas notas das avaliações, ignorara a natureza e as particularidades da função profissional de cada empregado por ela listado. Relativamente a esses argumentos, as questões centrais são: funcionários que exerciam funções diferentes poderiam receber PLR diferentes, mesmo que tivessem obtido a mesma nota de avaliação, dadas as particularidades da função profissional de cada empregado; inexistiria imposição legal no sentido de que os valores pagos de PLR fossem iguais para todos os beneficiários. Quanto à segunda afirmação, nenhum reparo há que se fazer. Não era obrigatório que a PLR fosse paga em valores iguais a todos os funcionários, mesmo que obtivessem a mesma nota na avaliação. Todavia, como já frisado por várias vezes acima, há uma discrepância muito grande entre o que dois funcionários, na mesma faixa de avaliação, receberam. E essa enorme diferença é que não foi suficientemente elucidada pela recorrente. Não há nos autos uma explicação de que forma foram calculadas as PLRs dos funcionários. As explicações oferecidas apontam, de forma inequívoca, a subjetividade da avaliação. Dessa forma, como concluído na decisão de piso, a recorrente não atendeu ao requisito do artigo 2º, § 1º, da Lei nº 10.101/2000, pelo que não há a possibilidade de dedução, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, dos valores glosados pela fiscalização e que culminaram na lavratura dos autos de infração controlados por meio deste processo: Lei nº 10.101/2000: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 4321DF CARF MF 32 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (Grifo acrescido) PLR paga a estagiários. No que tange à PLR paga a cinquenta e oito estagiários, a recorrente alega que: a DRJ/RJ1 deu provimento à impugnação apresentada no processo nº 16682.720128/201243, exonerandoa da contribuição previdenciária sobre tais parcelas; seria passível de dedução para fins de IRPJ, tendo em conta a sua natureza operacional; observou os requisitos estabelecidos na Lei nº 6.494/77; seria necessária às atividades empresariais. A Lei nº 6.494/77, vigente à época, que tratava do estágio de estudantes, previa: "o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária". A observância dos requisitos estabelecidos nessa lei, assim como a decisão tomada no processo citado, nº 16682.720128/201243, não têm o condão de determinar que a despesa de PLR paga a estagiários possa ser deduzida para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ. Como está consignado na decisão de piso: Sinteticamente, a empresa alega que os pagamentos realizados a estagiários se coadunam com o conceito de despesas operacionais, tendo em vista serem absolutamente necessários às atividades de uma empresa, não podendo prosperar a glosa de pagamentos efetuados a título de PLR. De fato, do pondo de vista da necessidade, entenderia o descabimento da glosa. No entanto, a glosa não teve como fundamento sua desnecessidade, mas sim a falta de atendimento ao segundo requisito da Lei 10.101/2000, como explicado. Assim, em breves palavras, como a causa da glosa permanece, igualmente deve permanecer a glosa de despesas com pagamentos de PLR aos estagiários. Nesse ponto também não merece reparos a decisão recorrida. Dispêndios dedutíveis. Natureza operacional. Argumenta a recorrente no sentido de que, mesmo não tendo sido cumpridos os requisitos legais para pagamentos a título de PLR, deveriam os dispêndios ser considerados dedutíveis, haja vista a sua natureza operacional, conforme declaração de voto vencido em primeira instância e acórdão da Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 (nº 1237.956, de 22/06/11). Fl. 4322DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 18 33 Acrescenta que o próprio agente fiscal teria reconhecido a natureza remuneratória dos pagamentos a título de PLR, para fins de incidência de contribuição previdenciária, conforme Termo de Verificação Fiscal constante do processo nº 16682.720128/201243. Aduz também que "uma vez descaracterizados os pagamentos de PLR, tais verbas assumiriam a natureza salarial e seriam, indubitavelmente, despesas operacionais, necessárias à manutenção da sociedade. Ainda que se considerasse que as verbas pagas não teriam natureza salarial, os pagamentos realizados assumiriam o caráter de gratificação paga pelo empregador aos empregados, com a finalidade de estimular os funcionários”, conforme art. 299, §3º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), conclusão que se coadunaria com o seu art. 462". Invoca as disposições do Parecer Normativo CST nº 109/75, que trata da possibilidade de dedução de gratificações por liberalidade do empregador, assim como diversos acórdãos deste Conselho que asseguraram a dedutibilidade de pagamentos feitos a empregados a título de PLR, tanto pelo enquadramento legal frente à Lei nº 10.101/200, quanto pela sua natureza de gratificação paga aos empregados. Alega também que, com a vigência da Lei nº 9.430/96, os limites para pagamento de gratificações a empregados teriam sido revogados. Relativamente ao acórdão da Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 (a mesma que prolatou o acórdão de primeira instância neste processo), invocado pela recorrente, o relator, no julgamento, ponderou de forma contundente e irrefutável em seu voto: Penso não caber aplicação daquilo que foi estatuído no Acórdão 1237.956 de 22 de junho de 2011, ao caso em tela, pelo que se verá a seguir. Por necessário, transcrevo parte do decidido no voto condutor daquele Acórdão: “Por outro lado, mesmo que o pagamento dos valores a título de PLR não tenha observado exatamente os ditames da Lei 10.101/2000, tem como causa acordo prévio entre a empresa e seus empregados. Deste modo, atingidas determinadas metas de produção, ou ainda, obtidos os lucros pretendidos, a empresa fica obrigada ao pagamento das importâncias previamente ajustadas a seus funcionários, já que o contrato faz lei entre as partes e deve ser cumprido por uma questão de segurança jurídica e paz social. Aliás, como diziam os romanos pacta sunt servanda (= contrato deve ser cumprido), princípio que prevalece até hoje. Nesta linha de entendimento, a remuneração paga aos empregados, a título de participação nos lucros, mesmo desobedecido o estatuído na Lei 10.101/2000, integra a sua remuneração, guardando características de gratificação ajustada a título de prêmio em decorrência de aumento de produtividade, que acarreta, afinal, aumento dos lucros da empresa.” Em síntese, o acórdão se fundamenta no seguinte fato: atingidas determinadas metas de produção, ou ainda, obtidos os lucros pretendidos, a empresa fica obrigada ao pagamento das importâncias previamente ajustadas a seus funcionários. Fl. 4323DF CARF MF 34 Em princípio, assim, deveria votar pelo cancelamento da exigência, em face do Acordo Coletivo de Trabalho e da Convenção Coletiva, validamente celebrados. Não obstante, como exaustivamente demonstrado, os critérios de avaliação dos funcionários e sua conexão com os valores pagos de PLR pagos não foram elucidados, fato agravado pelas inúmeras discrepâncias dos valores pagos a título de PLR. Assim, não se encontra demonstrado o pacto entre as partes (empregador e empregado) que desse causa à obrigação da empresa de efetuar pagamentos ainda que fosse a título de gratificação. Vale ainda comentar o estatuído no REsp 865.489/RS, Primeira Turma, Rel. Ministro Luiz Fux, trazido pelo contribuinte aos autos, do qual extraí o seguinte trecho: “Com efeito, atendidos os demais requisitos da legislação que tornem possível a caracterização dos pagamentos como participação nos resultados, a ausência de intervenção do sindicato nas negociações e a falta de registro do acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo, podendo rediscutilos novamente.” “Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.°, alínea "j", da Lei n.° 8.212/91". Em sintonia com o Eminente Ministro, no campo do contencioso administrativo, tenho entendido, quanto à dedução de despesas a título de PLR, que ainda que desatendidos determinados requisitos legais, se evidenciada a negociação entre empresa e empregados, havendo metas claras e definidas e demonstrados os valores e a razão de pagamento aos empregados, a dedução da despesa estaria assegurada, em virtude de ser necessária à manutenção da fonte produtora, guardando a PLR característica de gratificação previamente ajustada entre as partes. Entretanto, no caso em exame, a absoluta falta de esclarecimento quanto à quantificação dos valores pagos a título de PLR a seus empregados, e ainda, a falta de nexo entre estes e suas correspondentes avaliações, impedem aplicar o entendimento preconizado pelo contribuinte. No que tange ao reconhecimento da natureza remuneratória dos pagamentos a título de PLR, conforme Termo de Verificação Fiscal constante do processo nº 16682.720128/201243, conforme já explicitado acima, naquele processo a questão versa sobre contribuições sociais previdenciárias. Quanto à dedutibilidade do dispêndio para fins de IRPJ, há que se analisar a legislação própria, não bastando o reconhecimento da natureza remuneratória no âmbito daquele processo específico, uma vez haver requisitos próprios para a referida dedutibilidade. Nesse ponto, elucidativos os esclarecimentos da PFN em suas contrarrazões: Nem tudo aquilo que é pago pelo empregador aos seus empregados, como resultado da contraprestação do contrato de trabalho, pode ser considerado como despesa dedutível do lucro líquido do período de apuração. Mesmo que uma verba seja considerada como retribuição decorrente do contrato de trabalho, integrando, portanto, o saláriodecontribuição, para fins de incidência da contribuição previdenciária, ainda assim Fl. 4324DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 19 35 poderá não ser dedutível da base de tributação do IRPJ, haja vista que este tributo tem regras próprias para apuração. No que tange à distribuição de lucro da pessoa jurídica, a regra no âmbito do IRPJ é a adição ao lucro líquido do período de apuração. Em regime de exceção, o legislador permitiu que o contribuinte excluísse os pagamentos realizados a este título, desde que efetuados sob uma das formas previstas no art. 462, do RIR/99. O fato de a distribuição de lucros aos empregados da pessoa jurídica não atender aos requisitos previstos na Lei n.º 101.101/2000, resultando na impossibilidade de dedução dos pagamentos do lucro líquido do período de apuração (art. 462, III, do RIR/99), não tem o condão de transmudar a natureza jurídica dos valores pagos. Ou seja, as participações no lucro conferidas aos empregados do banco autuado permanecem sendo distribuição de lucro, jamais deixaram de ser. Uma coisa é a natureza jurídica de um pagamento, outra é o efeito jurídico que esse pagamento gera. No âmbito do IRPJ, o efeito jurídico de distribuição de lucro aos empregados é a adição ao lucro líquido do período (regra geral). Todavia, este efeito pode ser modificado se, e somente se, o pagamento a esse título for realizado segundo os critérios estabelecidos na Lei n.º 10.101/2000, porque esta foi a exigência estabelecida pelo legislador para afastar a regra geral (inciso III art. 462 do RIR). Dessarte, não há qualquer incongruência no raciocínio da fiscalização que considerou que os pagamentos, para fins previdenciários, devem compor o saláriodecontribuição, e, ao mesmo tempo, determinou a indedutibilidade dos valores para fins de IRPJ, eis que não caracterizada a situação que determina a aplicação da regra de exceção. Esmiuçando um pouco mais a questão, há que se analisar se os pagamentos se encaixam nos critérios de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência. Na Seção III, "Custos, Despesas Operacionais e Encargos", especificamente sob a rubrica "Despesas Necessárias", o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99) define o que são as chamadas despesas operacionais: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 4325DF CARF MF 36 Essa é a regra geral para as chamadas "despesas operacionais". Contudo, existe regramento específico para o caso tratado no presente processo. Esse regramento consta no Capítulo IX, "Lucro Distribuído e Lucro Capitalizado", do já citado RIR/99, conforme transcrição abaixo: Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58): I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória nº 1.76955, de 1999 (art. 359). (A MP nº 1.76955, de 1999 foi convertida na Lei nº 10.101/2000) Dessa forma, a PLR, para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ, não pode ser entendida como uma despesa operacional nos termos da regra geral do artigo 299 do RIR/99, mas deve se encaixar na especial contida no artigo 462, inciso III, ou seja, para fins de dedutibilidade, a instituição e os pagamentos devem obedecer à forma estabelecida na Medida Provisória n.º1.76955, de 1999, convertida na Lei n.º 10.101/2000. Quanto à invocação das disposições do Parecer Normativo CST nº 109/75, que trata da possibilidade de dedução de gratificações por liberalidade do empregador, como visto, conforme bem explanado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, "o fato de a distribuição de lucros aos empregados da pessoa jurídica não atender aos requisitos previstos na Lei n.º 101.101/2000, resultando na impossibilidade de dedução dos pagamentos do lucro líquido do período de apuração (art. 462, III, do RIR/99), não tem o condão de transmudar a natureza jurídica dos valores pagos. Ou seja, as participações no lucro conferidas aos empregados do banco autuado permanecem sendo distribuição de lucro, jamais deixaram de ser". Dessa forma, tal parecer não é aplicável ao caso em tela, assim como a Lei nº 9.430/96 que teria revogado os dispositivos da legislação que impunha limites para pagamento de gratificações a empregados. Pagamento de "Bônus de Admissão". Argumenta a recorrente que os valores de PLR recebidos pelos empregados Roberto Maria Monta Filho e Rosa Amélia de Oliveira Penna Marques Moreira, seriam “...relativos a bônus de admissão, garantidos em Carta Oferta a ambos os empregados quando de sua contratação” (Doc. 12 da impugnação), argumento este que não teria sido apreciado pela DRJ. Ainda, que “... o pagamento de Bônus de Admissão representa o pagamento de uma gratificação eventual, e, portanto, coadunase perfeitamente aos requisitos de dedutibilidade previstos nos artigos 299 e 462 do RIR/99". Ocorre que, na impugnação, a recorrente questionou somente o lançamento de contribuições sociais previdenciárias conforme excerto abaixo (fls. 1.980 e 1.981): Fl. 4326DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 20 37 197. Contudo, a I. Autoridade Fiscal Lançadora, desconsiderando totalmente a natureza deste pagamento, entendeu por bem classificálo como pagamento de PLR, e, diante da desconsideração do Acordo Coletivo, exigiu as respectivas contribuições previdenciárias sobre tais montantes. 198. Referida exigência é manifestamente ilegal, pois, conforme passa a demonstrar, desconsidera a natureza jurídica do pagamento. 199. Isso porque o bônus de admissão não está vinculado ao signo "remuneração" de forma que não se constitui em fato gerador das contribuições previdenciárias. E assim se referiu até o parágrafo de número 211. Em face disso, o relator da decisão de piso assim se pronunciou: Quanto à alegação de ilegalidade da exigência das contribuições sociais sobre o bônus de admissão pago aos funcionários ROBERTO MARIA MONTA FILHO e ROSA AMÉLIA DE OLIVEIRA PENNA MARQUES MOREIRA deixo de examinar, por não se tratar de matéria pertinente ao presente processo. Compulsandose o Termo de Verificação Fiscal, vêse que, na realidade, foi a recorrente que respondeu que os referidos funcionários receberam altos valores de PLR: 4.35. A empresa ainda respondeu que, dos funcionários que foram admitidos posteriormente à data de corte do processo de avaliação PMM, os funcionários ROBERTO MARIA MONTA FILHO e ROSA AMÉLIA DE OLIVEIRA PENNA MARQUES MOREIRA "... receberam altos valores de PLR, pois eram mínimos garantidos em Carta Oferta de trabalho feita pela empresa.., no entanto não anexou as Cartas Ofertas à resposta, como disse que faria. Essa afirmação consta na resposta da contribuinte (fl. 1.421). Como se percebe, a resposta da contribuinte deuse durante o procedimento de fiscalização que tinha, como um dos objetivos, verificar a correção quanto aos valores de PLR pagos, em especial quanto ao estabelecimento de regras claras e objetivas no acordo com os funcionários. As referidas cartas ofertas foram anexadas à impugnação (no idioma inglês) e devidamente traduzidas posteriormente (diligência). O lançamento teve como base de cálculo os valores de PLR pagos e não adicionados ao lucro líquido. E, como visto supra, a autuação fiscal tem como fundamento central a não elucidação pela recorrente de como foram efetuados os cálculos dos valores pagos a título de PLR. Os casos apresentados "não se constituiriam em amostragem". Fl. 4327DF CARF MF 38 Portanto, a conclusão quanto a esse ponto, mutatis mutandis, é a mesma explicitada no voto condutor da decisão de piso e que foi acatada como correta quando da análise do pagamento da PLR aos estagiários: De fato, do pondo de vista da necessidade, entenderia o descabimento da glosa. No entanto, a glosa não teve como fundamento sua desnecessidade, mas sim a falta de atendimento ao segundo requisito da Lei 10.101/2000, como explicado. Assim, em breves palavras, como a causa da glosa permanece, igualmente deve permanecer a glosa de despesas com pagamentos de PLR aos estagiários. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Alega a recorrente que não é cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No que tange à matéria, esta 1ª Turma Ordinária, com base no artigo 43 da Lei nº 9.430/1996 e nos artigos 113 e 161, ambos do CTN, tem se inclinado pela validade dessa incidência, conforme Acórdão nº 1201001.579, cuja ementa tem a seguinte redação: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. Constou do voto condutor da referida decisão: Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Portanto, com base nesses fundamentos, não deve ser acolhida a pretensão da recorrente. Conclusão. Em face de todo o exposto, conhecese do recurso voluntário para NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 4328DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 21 39 Voto Vencedor Em que pesem os argumentos expendidos pelo Ilustre colega Relator, peço vênia para, respeitosamente, divergir de seu voto. A participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa encontrase prevista expressamente no artigo 7º, XI, da Constituição Federal, in verbis: “Artigo 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei”. Nesses termos, o artigo 28 (§9º, “j”) da Lei nº 8.212/1991 expressamente prescreve que a PLR não compõe a base de cálculo dos encargos previdenciários. Vejase: “Artigo 28 – [...] §9º Não integram o saláriodecontribuição para fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. A regulamentação legal do direito constitucional dos empregados quanto ao recebimento de PLR coube à Lei nº 10.101/00, dos quais merecem destaques os artigos 2º e 3º: “Artigo 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 4329DF CARF MF 40 (...) Artigo 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.(...)”. Como se nota, o Legislador buscou incentivar o pagamento de PLR aos funcionários como forma de incentivar o trabalho, reconhecendo a não incidência dos encargos sociais sobre esta rubrica. O espírito da lei, portanto, é fazer com que a empresa e o empregado sejam estimulados com a divisão não habitual de parcela de eventual lucro apurado. E a fim de evitar a utilização deste meio para esconder o pagamento das demais verbas salariais, coube à referida legislação instituir ao menos 4 (quatro) requisitos para qualificar o pagamento como PLR. São eles: (i) que os beneficiários sejam todos os empregados; (ii) participação da negociação pelo sindicato competente; (iii) estabelecimento de critérios (metas) objetivos; e (iv) periodicidade mínima (não inferior a um semestre) e máxima (não superior a duas vezes no ano). Nesse caso concreto, a controvérsia diz respeito ao cumprimento ou não do requisito legal quanto à clareza e objetividade dos critérios empregados para fins de definição da PLR, bem como a legitimidade ou não da glosa referente aos pagamentos feitos sob esta rubrica para estagiários (que não possuem vínculo de emprego) e como bônus de contratação de dois funcionários. De acordo com a fiscalização e a decisão recorrida, a discrepância substancial dos valores concedidos dentro de uma mesma categoria e a não comprovação da composição individual dos montantes pagos nos relatórios de avaliações disponibilizados prejudicam a objetividade e clareza do plano como um todo, razão pela qual tais dispêndios não constituiriam despesas dedutíveis. Já a Recorrente sustenta que o PLR possui sim respaldo em regras claras e objetivas previstas nos acordos, razão pela qual a glosa não tem fundamento. Pois bem. Analisando o Acordo Coletivo de Participação nos Lucros ou Resultados (fls. 1.182/1.188), verificase, de plano, que as partes sempre buscaram se adequar aos ditames da lei. Basta ler as cláusulas segunda (objetivos do plano) e a cláusula quarta, que expressamente se preocuparam em atender a necessidade quanto à clareza das regras. A PLR é extensiva a todos os empregados do Banco (Recorrente), conforme cláusula Terceira, não obstante a Recorrente também ter incluído os estagiários. Houve efetiva participação da classe representante dos trabalhadores, identificadas por meio da atuação direta das seguintes entidades: Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF/CUT, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e Financiários do Município do Rio de Janeiro, Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região, Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região e Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Crédito no Estado de Pernambuco. Fl. 4330DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 22 41 A periodicidade do pagamento (anual e efetuado até o dia 15 de fevereiro de 2008), prevista na cláusula sexta, também atende a lei e foi cumprida pela Recorrente. Especificamente quanto ao critério de pagamento da PLR propriamente dito, o Acordo Coletivo contém cláusula própria que o regulamenta, in verbis: PAGAMENTO DA PARTICIPAÇÃO Cláusula Quinta A PLR será devida pelo BANCO aos seus EMPREGADOS, tendo em vista os critérios estabelecidos nos Anexos I e II, integrantes deste documento, levandose em consideração: (i) o índice de lucratividade do BANCO, descrito no Anexo I deste instrumento; (ii) as regras quanto à fixação dos direitos à participação e programa de metas, descrito no Anexo II deste instrumento; e (iii) avaliação de desempenho individual (formulário anexo). Parágrafo Primeiro Os valores estabelecidos no Anexo II representam um mínimo, i sendo facultado, possível e legal, o pagamento de valor superior, a título de PLR, nas hipóteses em que o desempenho e contribuição individual ultrapasse o esperado ou negociado. Em tal hipótese, o que superar esse mínimo hão integrará, na forma da lei, a remuneração para quaisquer efeitos, de qualquer natureza, inclusive trabalhistas e previdenciários. • Parágrafo Segundo O pagamento da PLR previsto neste instrumento está condiohado à obtenção de lucro pelo BANCO, não sendo considerado, para este efeito, resultados passados ou projeções de receitas não recebidas. Também há disposição específica para o pagamento proporcional de PLR para empregados admitidos após o início do ano, de acordo com a cláusula sétima. O referido Anexo I (fl. 1.190) trata do índice de lucratividade do Banco e do índice de lucratividade efetiva, mencionando como eles devem ser apurados inclusive com exemplo numérico. Já o Anexo II dispõe acerca das regras quanto à fixação dos direitos à participação e programas de metas, esclarecendo que: (i) os empregados farão jus ao recebimento de no mínimo 5 (cinco) e no máximo 100 (cem) salários mensais, ficando esclarecido que este limite máximo poderá ser excedido em casos excepcionais, bem como que (ii) a PLR será composta tanto pelo valor decorrente do lucro auferido pelo Banco, combinado com a avaliação PS, a qual varia em cinco faixas (PS1 excelente acima de 4x o limite máximo; PS2 muito satisfatório até 4x o limite; PS3 satisfatório até 2x o limite máximo e PS 4 insatisfatório ou não satisfatório não há fator multiplicador). Na hipótese de classificação EXCELENTE, poderá o empregado receber valor superior ao teto estabelecido acima. Fl. 4331DF CARF MF 42 Na prática, restou demonstrado que a avaliação de desempenho individual foi feita pelos responsáveis já durante a fiscalização (vide respostas aos Termos de Intimação 8 e 9 fls. 1.233 e seguintes). Mais precisamente, a Recorrente diz e comprova que possui sistema informatizado complexo, tendo adotado metodologia de avaliação 360 graus, em que, “...Com base em critérios e metas já prédefinidos, cada empregado preenchia sua autoavaliação e também era avaliado por seus superiores e colegas. Em contrapartida, esse mesmo empregado avaliava seus pares e superiores”. Esclarece que o preenchimento das avaliações era feito diretamente nos sistemas, cujo acesso era realizado mediante senha individual e intransferível. Conforme Manual explicativo, havia competências às quais eram atribuídas notas que variavam de 1 a 5 (Ultrapassou muito, Ultrapassou, Atingiu, Atingiu parcialmente e Não atingiu), relacionadas ao atendimento das metas; e também gradações que variavam de “A” a “E”, relacionadas com a visão global das competências (Ultrapassa muito o perfil, Ultrapassa o perfil, Atende o perfil, Abaixo do perfil e Muito abaixo do perfil). Os critérios, então, eram combinados e processados pelos sistemas PMM (“Performance Measurement & Management”) e PS (“Performance Segmentation”), os quais apresentavam uma nota final ao empregado avaliado. Ato contínuo, tais resultados eram submetidos à aprovação de um Comitê de Avaliação, que ajustava a faixa de avaliação individual de cada empregado de acordo com o previsto no Plano de PLR. Assim, em linhas gerais, os critérios gerais do plano era sopesado com a avaliação (performance individual), levando em conta o quanto cada empregado contribuiu para a formação dos resultados e, dentro da faixa de avaliação na qual cada empregado se enquadrou, calculavase quantos salários seriam percebidos por cada colaborador. Ora, diante desse conjunto probatório, percebo que o Acordo Coletivo relativo ao pagamento de PLR (AC 2007) não estava, como quer fazer crer a fiscalização, desprovido de regras claras e objetivas necessárias à fixação do direito do trabalhador a esta participação. Muito pelo contrário, os critérios que nortearam a definição das participações sempre estiveram previstos de forma transparente, é de conhecimento dos funcionários e nunca foram colocados em xeque. Segundo penso, a objetividade e clareza da PLR ora analisada está presente em face dos seus três critérios combinados: (i) índice de lucratividade do banco; (ii) programa de metas gerais Anexo II; e (iii) avaliação de desempenho individual traçado por seu programa PMM e PS. A autoridade fiscal, a propósito, registra no próprio TVF a existência de regras claras e objetivas gerais no plano. Vejase: 4.16. O Acordo Coletivo lavrado em 2007 condiciona o pagamento da PLR à existência de lucro ao fim do ano calendário no BTG Pactuai, e desde que atingido o seu índice de lucratividade, cujo cálculo é descrito em seu Anexo I. Conforme o item 4.8 acima, este índice é apenas um dos elementos a se considerar no pagamento da PLR por empregado. Como a lucratividade diz respeito à empresa como um todo, o valor final do índice não cria distinção na distribuição da PLR, porque é o mesmo para todos os empregados e não vai diferenciálos. Embora não se possa negar a existência de regras claras de maneira geral, tais regras gerais não especificam o critério de Fl. 4332DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 23 43 cálculo adotado para individualizar o valor a ser recebido por cada empregado. Sendo assim, só nos resta tentar analisar os formulários de avaliação individual de cada um e seu impacto no valor pago, conforme as regras contidas no item 3.1 do Anexo II do Acordo, e levando em conta as informações apresentadas pela empresa. [...] 4.18. Como já foi dito, os formulários contêm, para cada empregado, opiniões pessoais de caráter subjetivo e descrições do trabalho empreendido pelo empregado ou seu papel na empresa, contendo elogios e, às vezes, críticas e pontos negativos. Em que pese várias das opiniões estarem grafadas em inglês, sem tradução, as que se encontram em português são suficientes para se constatar que não constituem critérios objetivos de avaliação individual. Opinião é, por natureza, subjetiva. Sendo assim, podem até ser consideradas para se atribuir uma nota a cada empregado, como efetivamente se fez, mas na ausência da atribuição de um valor que explique o cálculo das PLR's individuais, tal formulário é tão ineficaz quanto o Acordo Coletivo na clareza, concretude e objetividade das regras no cálculo dos valores pagos, conforme exigido pelo § le do Art. 2° da Lei 10.101/2000 Como se observa, não há que se falar em ausência de regras claras e objetivas, mas, sim, em mera discordância da autoridade fiscal em relação aos procedimentos eleitos pela Recorrente na dinâmica das avaliações individuais1. Vale dizer, a insurgência fiscal, na verdade, repousa tão somente na constatação de que os valores pagos a título de PLR para um determinado grupo de empregados selecionado não são uniformes e ultrapassaram os valores máximos com base em avaliações subjetivas e sem respaldo em nenhuma fórmula matemática. Não concordo, porém, com esse racional. Em primeiro lugar, vale assinalar que o Acordo Coletivo da PLR permite, conforme visto, que, na hipótese de classificação EXCELENTE, poderá o empregado receber valor superior ao teto estabelecido acima. Nada impede, ademais, a estipulação de valores diferenciados entre os empregados, ainda mais em se tratando de mercado financeiro no qual o desempenho individual é determinante para a geração dos lucros dentro do campo de cada atuação. A apresentação de detalhamento da composição individual dos valores pagos, assim como a necessidade de oferecer uma fórmula matemática para cada um dos valores pagos a este título, não decorrem da lei e, por isso, não poderiam ser causas para a glosa de toda a despesa incorrida a título de PLR. 1 Nesse ponto não se pode perder de vista que a Fiscalização critica o sistema de avaliação, de posse das avaliações. Isto é importante para demonstrar que as avaliações existem e tem suporte no Acordo, ainda que analiticamente possa conter falhas ou eventuais omissões. Fl. 4333DF CARF MF 44 Nesse sentido, aliás, se manifestou o auditor fiscal que restou vencido no julgamento de primeira instância, conforme atesta o seguinte trecho de sua declaração de voto: Conforme se extrai da leitura do Termo de Verificação Fiscal, as despesas com PLR foram consideradas indedutíveis, em razão do descumprimento do art. 2°, § 1°, da Lei n° 10.101/2000. Segundo entendimento do AuditorFiscal autuante, o Acordo Coletivo firmado pela Interessada com os seus empregados não estabelece regras suficientemente claras, que permitam identificar o critério de cálculo adotado para a individualização dos valores pagos. Primeiramente, devo confessar que não estou inteiramente convencido do descumprimento do art. 2°, § 1°, da Lei n° 10.101/2000. Sem deixar de reconhecer, em momento nenhum, o mérito do trabalho de investigação levado a efeito pelo Auditor Fiscal autuante, tenho, no entanto, uma particular dificuldade de aceitar que o Fisco possa perquirir da legitimidade dos critérios de avaliação usados pela empresas em relação aos seus empregados, quando estes critérios resultam da livre negociação das partes. É indiscutível que as regras para pagamento da PLR devem ser claras e objetivas. A finalidade de tal exigência, todavia, do ponto de vista da Administração Tributária, é apenas assegurar que as verbas pagas aos empregados tenham efetiva natureza de participação nos lucros e resultados, evitando, assim, que o instituto seja usado para disfarçar complementos salariais ou mesmo distribuições graciosas ou discriminatórias. Fora daí, penso que não cabe ao Fisco questionar se determinado empregado recebeu pouco ou muito, ou se os critérios da avaliação foram excessivamente subjetivos. Com efeito, o plano de metas do contribuinte para a participação nos resultados levou em consideração o desempenho total (o lucro do Banco) e o desempenho individual do empregado (performance). Nada mais natural, contudo, que os valores que sejam pagos possam ser iguais, próximos ou distantes, considerando os atributos profissionais pessoais combinado com o atingimento das regras gerais traçadas. Por mais preconceito que se tenha aos valores individualmente considerados, o fato é que, no ano autuado (2007), o contribuinte (Banco) apurou R$2,6 bilhões de lucro (cf. DIPJ de fls. 1.846), tendo sido destinados R$ 578 milhões que corresponde a aproximadamente 22% ao pagamento de PLR aos empregados. O Acordo base da PLR atende os requisitos tal como dispostos na lei e, de uma forma global, estão consistentes e são razoáveis segundo meu entendimento. A meu ver houve um excesso de formalismo na busca de encontrar um denominador lógico individualmente considerado ou uma composição analítica de cada uma das avaliações questionadas, o que nem sempre se revela viável e de fácil produção diante da complexidade do sistema e da livre iniciativa no que diz respeito à manipulação dos dados de base. A propósito, é oportuno frisar que a natureza deste mesmo PLR foi confirmada quando da análise da incidência de contribuições previdenciárias sobre tais pagamentos, as quais foram afastadas por meio do Acórdão n. 2301004.063. Transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto condutor, o qual concordo e também acolho como razões de decidir: Fl. 4334DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 24 45 [...] a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação de regência. Ou seja, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. [...] Com veemência sustenta a Recorrente que os Acordos e Convenções Coletivas firmados entre elas e os Sindicatos das respectivas categorias contemplavam regras claras e objetivas, ainda que de maneira geral, isto também reconhecido pela própria fiscalização, bem como as demais condições necessárias à validade do programa de PLR sob análise, não se prestando a simples ausência de apresentação de memórias de cálculos individuais a desnaturar todo àquele programa, mesmo porque tal fato, ainda que verdadeiro em parte, não representa falta de regras claras e objetivas, mas, sim, falha por parte dela (Recorrente) na demonstração perante a Fiscalização da maneira como se atingiu tais valores pagos aos empregados. [...] Não olvidemos que é exatamente isto que se trata nos presentes autos e na hipótese vertente, onde a própria fiscalização reconheceu no Relatório Fiscal que os Acordos e Convenções Coletivas firmados entre a contribuinte e os respectivos Sindicatos possuíam regras claras e objetivas, as quais não puderam ser totalmente aferidas nos autos, em face da não apresentação de documentos solicitados à empresa, notadamente memórias de cálculos individuais, o que atrai ao Fisco o dever/poder de promover o lançamento com base na presunção legal inscrita no artigo 33, Par. 3, da Lei n. 8.212/91, como acima ciscunstanciadamente demonstrado. Assim não tendo a fiscalização procedido, carece de motivação os Autos de Infração, impondo seja decretada sua improcedência. [...] Às fls. 33 do Relatório Fiscal, item 4.16 a Fiscalização reconhece a existência de regras claras de maneira geral, mas ela a desconsidera porque as regras devem ser claras de maneira individual. Ora, peço a máxima vênia ao nobre Fiscal, mas ele colocouse como legislador, não como executor da lei, porque a lei de regência fala em regras claras e objetivas, NÃO CITA QUE ELAS DEVEM SER INDIVIDUALIZADAS. Tenho que o fato de o Fiscal ter reconhecido a existência de regras claras e objetivas de MANEIRA GERAL, demonstra que a Fl. 4335DF CARF MF 46 Recorrente acudiu as exigências da Lei 10.101/2000, mormente o 1 do artigo 2. E, com toda a vencia à Fiscalização, a legislação é que dirime o comportamento do contribuinte. [...] Referente ao sistema de avaliação de desempenho da Recorrente, quando a Fiscalização aduz que as avaliações realizadas pelos funcionários dela apresentavam opiniões pessoais e subjetivos, o que, por si só seria suficiente para desfigurar o PLR, eis que descaracterizava os sistemas PMM e PS como métodos objetivos de avaliação individual, penso ser uma consideração descabida, porque os conceitos de desenvolvimento pessoal é exatamente neste sentido de desenvolver opiniões e comentários pessoais, que por sua natureza são subjetivos. Ao contrário da decisão de piso e da Fiscalização, penso que ao preencher as avaliações e colocar seu parecer, permite aos empregados (superiores, iguais, subordinados) criarem os seus objetivos e com base nisto era formada a nota. Isto é conhecido em qualquer empresa e tratado desta forma, mormente nas empresas de desenvolvimento pessoal. [...] Como se observa nos autos em tela, não há que se falar em ausência de regras claras e objetivas, mas, sim, em simples discordância da autoridade fiscal em relação aos procedimentos eleitos pela Recorrente e demais partes envolvidas na elaboração de PLR. E, a Casa vem consolidando a jurisprudência administrativa no sentido não caber ao agente lançador adentrar as regras e outras condições estabelecidas pelas partes interessadas, de maneira a rechaçálas em razão de eventual discordância. Portanto, cabe à autoridade fiscal exclusivamente verificar se os pressupostos inscritos na Lei n. 10.101/2000 foram observados e se as regras entre as partes estão sendo cumpridas por ocasião do pagamento da PLR, sendo defeso adentrar aos aspectos substanciais dos acordos, mormente em virtude de não deter conhecimento da rotina da empresa e não ter participação nas tratativas. Na hipótese dos autos, conforme restou circunstanciadamente demonstrado, de fato houve observância a existência de regras claras e objetivas e, o simples fato de a empresa de aprofundar mais nesse regramento de maneira interna, a partir de programa próprio de avaliação de desempenho de todos os seus empregados consolidado no "Sistema PMM e OS", não é capaz de macular o PLR, sobretudo quando se comprova que os funcionários a serem beneficiados são cientificados das metas e objetivos a serem alcançados, como se vislumbra no caso em tela. Mais a mais, a maioria dos Acordos e/ou Convenções Coletivas são elaboradas por Sindicatos das respectivas categorias de maneira ampla, o que não impede as empresas participantes de Fl. 4336DF CARF MF Processo nº 16682.720122/201276 Acórdão n.º 1201001.903 S1C2T1 Fl. 25 47 melhor aclarar o regramento geral preestabelecido levando em consideração suas especificidades, conquanto que não contrarie os termos do Acordo. Em outras palavras, a partir de um Acordo e/ou Convenção Coletiva contemplando o Programa de PLR de modo geral para determinada categoria, poderão as empresas interessadas se aprofundar nas condições a serem cumpridas por seus funcionários para o recebimento de tal verba, admitindo com mais especificidade as peculiaridades de cada uma, conquanto que tais diretrizes, igualmente, sejam de conhecimento de todos os funcionários, com o fito de lhes conferir a devida segurança de que receberão sua participação nas hipóteses de atingimento das metas/objetivos estabelecidos. E, como o fiscal autuante, nada declinou a respeito de eventual não conhecimento dos empregados das regras e metas acordadas, mister considerar que todos eles tiveram acesso aos termos e condições para o recebimento da PLR. Ademais, qualquer avaliação terá sentimento pessoal e subjetivo, porque é questão de fórum íntimo, respeitado pelos gestores de pessoal. Com razão a Recorrente. Quanto a fórmula matemática, peço vênia novamente, mas não se deve considerar a tal exigência, porque o executor da lei está pondose como Legislador, eis que a legislação não fala em apresentação de nenhuma fórmula matemática para se definir critérios de pagamento de PLR. Para este singelo Julgador os critérios são definidos: valores mínimos a serem pagos, benefícios a empregado que tenha assiduidade; realização de trabalho extraordinário; comportamento, etc.. Agora, fórmula matemática não é critério e tão pouco regras claras, razão pela qual não está na lei. Caminhando nessa mesma direção, entendo que deve ser afastada a glosa das despesas com a PLR, uma vez que foram pagas em obediência aos requisitos legais. Relativamente aos pagamentos incluídos no bojo do referido programa, mas destinados a estagiários e a bônus de contratação/admissão (hiring bonus), ainda que de fato não sejam passíveis de qualificação enquanto PLR, o tratamento fiscal deve ser aferido em face da sua natureza de contraprestação do trabalho. Segundo penso, tais pagamentos constituem verba remuneratória, caracterizando despesas operacionais, pois necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do artigo 2992 e 4623, ambos do RIR/99. 2 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 4337DF CARF MF 48 A despesa com a contratação de funcionários e com pagamentos aos estagiários são nítidas despesas operacionais, não havendo nenhum indício ou argumento trazido pela fiscalização que descaracterize a normalidade e usualidade nessa prática. Pelo contrário, tais dispêndios foram pagos a profissionais contratados para trabalhar para o Banco (Recorrente), que efetivamente prestaram serviços e que possuem relação direta com o desenvolvimento do objeto social. Dessa forma, os encargos com custos e despesas relacionados ao departamento pessoal, seja na contratação de funcionários "talentosos" ou no contexto da relação de estagiário firmada, caracterizam gastos necessários, o que autoriza concluir por sua dedutibilidade. De qualquer forma, sequer há de se considerar o bônus de contratação figura típica no presente feito, haja vista que, muito embora a contribuinte tenha explicitado nesse sentido no decorrer do procedimento fiscal, o lançamento foi feito como se PLR fosse, o que no entendimento deste Relator não prospera. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, a fim de cancelar integralmente a exigência de IRPJ formulada. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. 3 Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58): I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória nº 1.76955, de 1999 (art. 359). Fl. 4338DF CARF MF
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Numero do processo: 12897.000151/2009-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 51 /2 00 9- 46 Fl. 497DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 499DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 501DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 502DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 503DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 504DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 505DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 506DF CARF MF Processo nº 12897.000151/200946 Acórdão n.º 9202005.854 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 507DF CARF MF
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Numero do processo: 15889.000302/2010-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 02 /2 01 0- 97 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15889.000302/201097 Acórdão n.º 9202005.920 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.000906/2010-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 09 06 /2 01 0- 79 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13629.000906/201079 Acórdão n.º 9202005.861 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720838/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PREJUÍZOS FISCAIS. APROVEITAMENTO.
O saldo de prejuízo fiscal não pode ser aproveitado para a dedução do Lucro Real, se esgotado tal saldo pela utilização em períodos anteriores.
Numero da decisão: 1201-001.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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APROVEITAMENTO. O saldo de prejuízo fiscal não pode ser aproveitado para a dedução do Lucro Real, se esgotado tal saldo pela utilização em períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 38 /2 01 1- 92 Fl. 682DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever a matéria, adoto o relatório contido na Resolução nº 1202 000.226 da então 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento (fls. 591 a 594), complementandoo a seguir: Tratase de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 35.755.977,37 acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios conforme a legislação. Consoante Termo de Verificação Fiscal de 03/10/2011 (fls. 100/109), parte integrante do auto de infração, que a ação fiscal abrangeu o anocalendário 2006, compreendendo a auditoria relativa à compensação de prejuízos fiscais apurados nos anoscalendário 2004 e 2005, tendo sido a interessada intimada a apresentar os seguintes documentos: 1. Estatuto Social e respectivas alterações. 2. Demonstrações Financeiras relativas ao anocalendário de 2006; 3. Balancetes Analíticos referentes ao anocalendário de 2006; 4. Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) relativo ao ano calendário de 2006. 5. Demonstrativo da Apuração do Lucro Real relativo ao ano calendário de 2006; 6. Demonstrativo da Apuração dos Prejuízos Fiscais de períodos anteriores que tenham sido utilizados para compensação no anocalendário de 2006. Após análise, foram apurados os fatos a seguir descritos: o contribuinte apurou prejuízos fiscais nos anoscalendário 2004 e 2005 nos montantes de R$ 9.205.594,90 e R$ 133.818.314,64, respectivamente, conforme cópia da Parte B do LALUR Controle de Valores que Constituirão Ajuste do Lucro Líquido de Exercícios Futuros (Demonstrativos Contábeis Controle dos Prejuízos Compensados no anocalendário 2006); no anocalendário 2006, apurou lucro real antes da compensação de prejuízos no montante de R$ 647.971.589,43. Neste período, compensou os prejuízos fiscais acumulados que totalizavam R$ 143.023.909,54, apurando lucro real de R$ 504.947.679,89 (Livro de Apuração do Lucro Real LALUR/ 2006); em 16/07/2009, foi lavrado o auto de infração formalizado no Processo Administrativo Fiscal n° 12.898.001180/200915 (Documentos Comprobatórios Outros Auto de Infração, lavrado em 16/07/2009, e Termo de Verificação), por meio do qual foram glosadas as despesas financeiras nos montantes e períodos a seguir especificados: Fato Gerador Valor 31/12/2004 R$ 6.300.806,28 31/12/2005 R$ 184.189.723,46 Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16682.720838/201192 Acórdão n.º 1201001.915 S1C2T1 Fl. 3 3 2.10.4) Considerando os prejuízos fiscais citados, foi procedida a autuação fiscal relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, conforme demonstrativo a seguir apresentado. Anocalendário 2004: Custo/Despesa glosado ................................R$ 6.300.806,28 Prejuízo Fiscal apurado pelo contribuinte ...(R$ 9.205.594,90) Prejuízo Fiscal remanescente.......................(R$ 2.904.788,62) Anocalendário 2005 Custo Despesa glosado.....................................R$ 184.189.723,46 Prejuízo Fiscal remanescente apurado pelo contribuinte [anocalendário 2004] ........................................R$ 2.904.788,62 Prejuízo Fiscal apurado pelo contribuinte [anocalendário 2005] ...................................R$ (133.818.314,64 Lucro Real .........................................................R$ 47.466.620,20 IR [15%] ..............................................................R$ 7.119.993,03 Adicional [10% x (47.466.620,20 60.000)]......... R$ 4.740.662,02 IR Devido........................................................... R$ 11.860.655,05 Multa de Ofício [75%] ........................................R$ 8.895.491,28 Em relação à presente autuação, foi esclarecido: que, por meio do acórdão n° 1228247/ 2010, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, foi julgado procedente o lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e improcedente o concernente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que, após a autuação, o contribuinte não efetuou as devidas retificações nas informações apresentadas à RFB, tampouco no Livro de Apuração do Lucro Real referente ao anocalendario 2006 (LALUR/2006). que o lançamento de ofício do crédito tributário formalizado no PAF 12.898.001180/200915 foi resultante da glosa de despesas consideradas não necessárias incorridas nos anoscalendário 2004 e 2005 (Documentos Comprobatórios Outros Auto de Infração, lavrado em 16/07/2009, e Termo de Verificação), nos valores de R$ 6.300.806,28 e R$ 184.189.723,46, respectivamente. Em decorrência, ocorreram as seguintes alterações nas apurações efetuadas pela sociedade: 1) Ano calendário 2004: O prejuízo fiscal de R$ 9.205.594,90 foi reduzido para R$ 2.904.788,62 em função da despesa glosada de R$ 6.300.806,28. 2) Anocalendário 2005: O prejuízo fiscal de R$ 133.818.314,64 foi convertido em lucro real de R$ 47.466.620,20. Fl. 684DF CARF MF 4 que, ao não efetuar os devidos ajustes, o contribuinte beneficiouse de prejuízos fiscais que foram julgados improcedentes reduzindo o seu lucro real do anocalendário 2006 de R$ 647.971.589,43 para R$ 504.947.679,89. Tal fato ensejou a glosa do montante indevidamente compensado no referido período de apuração. Diante disso, na apuração do lucro real referente ao anocalendário 2006 foi glosado o montante R$ 143.023.909,54 [R$ 9.205.594,90 + R$ 133.818.314,64], em razão de representar compensação indevida de prejuízos fiscais de períodos anteriores, com multa de ofício de 75%. Na impugnação, a interessada alegou, consoante relatório da decisão recorrida, que ora se transcreve: 3.1. inicialmente, a tempestividade da peça; 3.2. em seguida passou a fazer um resumo da autuação sofrida, citando, como base para a mesma, a decisão de 1ª Instância Administrativa que confirmou o lançamento formalizado no processo administrativo fiscal n° 12898.001180/200915 mandado de procedimento fiscal n° 0719000/03257/08, por meio do qual os prejuízos fiscais apurados nos anos de 2004 e 2005 foram glosados. 3.3. que no processo (12898.001180/200915), a decisão administrativa em primeira instância (acórdão 1228.247/2010) apurou a desnecessidade de empréstimos para a realização do objeto social da autuada, descaracterizando, pois, os juros deles decorrentes como prejuízos fiscais compensáveis; 3.4. que a presente autuação valese da decisão do processo administrativo n° 12898.001180/200915 como fundamento para lançar o diferencial do IR, em razão da redução indevida do lucro real, anocalendário 2006, pela dedução de prejuízos fiscais que já tinham sido glosados em processo anterior; 3.5. que, considerando a glosa dos prejuízos fiscais dos anos calendário 2004 e 2005, ao não proceder às retificações nas informações apresentadas à Receita Federal do Brasil e no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), a autuada teria feito deduções indevidas no lucro real do anocalendário 2006; 3.6. que a presente autuação decorre do entendimento esposado pela administração fazendária federal, no processo 12898.001180/200915, de que os juros decorrentes de empréstimos realizados no exterior, que foram considerados prescindíveis para a realização do objeto social da autuada, não se enquadram no conceito de despesa operacional e, portanto, não são prejuízos fiscais dedutíveis do lucro real para fins de cálculo do IR; 3.7. que a presente autuação é consequência da decisão no processo 12898.001180/200915; 3.8. que, não obstante existir decisão desfavorável em primeira instância administrativa, foi apresentado Recurso Voluntário ainda pendente de julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16682.720838/201192 Acórdão n.º 1201001.915 S1C2T1 Fl. 4 5 3.9. que os fundamentos da autuação, mesmo que coincidentes com aqueles levantados no primeiro auto de infração, nos remete, irremediavelmente, à análise da utilização dos juros decorrentes dos empréstimos para a realização do objeto social da autuada como despesas operacionais capazes de serem deduzidas do seu lucro real; 3.10. que a COMPANHIA LOCADORA DE EQUIPAMENTOS PETROLÍFEROS CLEP, ora impugnante, era (e ainda é) uma sociedade de propósito específico (SPE), constituída por diferentes fundos de pensão, cujo objeto social se resume, precipuamente, à locação de equipamentos petrolíferos, consoante se depreende de seu estatuto social da época; 3.11. que os valores adquiridos através de empréstimos no exterior serviram para a aquisição de bens do ativo imobilizado (equipamentos) da PETROBRAS, para a posterior formalização de contrato de locação. Ou seja, a finalidade do empréstimo, em última análise, foi possibilitar que a impugnante cumprisse seu objeto social; 3.12. que, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999), as condições para se considerar dedutíveis as despesas estão previstas em seu art.299 e que, para fins de dedutibilidade do lucro real é necessário que a despesa incorrida atenda aos seguintes pressupostos: seja necessária, normal e usual na atividade da empresa, bem como seja comprovada mediante documentação idônea; 3.13. que é de se supor que, dada a necessidade de pagamento dos juros fixados nos empréstimos por força de cláusula contratual, e a habitualidade da sua cominação diante da própria natureza do negócio jurídico oneroso celebrado, poderia tal montante ser deduzido da base de cálculo do IR a título de despesa operacional, a teor do que dispõe o art.299 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR); 3.14. que defluise que os juros incorridos nas operações de mútuo feneratício caracterizamse como despesas necessárias à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora na medida em que possibilitaram a aquisição de ativos para locação à PETROBRAS,; 3.15. que, em suma, é inequívoco que as despesas com juros dos empréstimos financeiros possuem um nexo de causalidade direto com as atividades da impugnante, eis que apenas com o referido capital foi possível adquirir ativos para serem locados; 3.16. que o negócio celebrado entre a impugnante e a PETROBRAS é descrito como um "sale and lease back”", ou seja, um negócio de compra e venda de um bem associado à locação do mesmo bem, por meio do qual o locatário, antes de ajustar o aluguel, vende ao locador a coisa que lhe será alugada, sendo certo que esta modalidade de contrato é amplamente realizada; Fl. 686DF CARF MF 6 3.17. que se verifica a total falta de procedência na glosa dos juros decorrentes dos empréstimos, enquanto despesas operacionais dedutíveis do lucro real, sob o fundamento de que tais empréstimos mostramse como desnecessários para a consecução dos fins sociais da CLEP; 3.18. que, se os empréstimos foram necessários para a realização do objeto social da autuada, sendo legítima a dedução dos juros deles decorrentes, a presente autuação, lançando diferencial de IR (anocalendário 2006) justamente pelo abatimento desses juros (enquanto prejuízos fiscais) do lucro real, apresentase insubsistente; 4. Concluindo, a impugnante requer seja esta impugnação conhecida e julgada procedente para declarar insubsistente o auto de infração e o lançamento nele consubstanciado, vindo a reconhecer a legitimidade das deduções por ela praticadas, nos termos da fundamentação supra desenvolvida. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a impugnação, considerando que: 14. O fato de a interessada haver impugnado, através de recurso voluntário, a decisão desta DRJ, entendemos que tal fato não impede o jugamento do presente processo tendo em vista que a decisão unânime de 1ª instância administrativa foi desfavorável à autuada. Esse entendimento vem ao encontro do da interessada que não se olvidou em atacar os fundamentos da presente autuação. 15. Destarte, tendo sido julgado procedente as modificações nos prejuízos fiscais dos anos calendários de 2004 e 2005, este revertendo para lucro tributável, com evidentes reflexos no cálculo do IRPJ do exercício de 2007, ano calendário de 2006 e não havendo realizado a impugnante os ajustes devidos no LALUR, voto por negar provimento à presente impugnação e pela manutenção integral do auto de infração com a subseqüente cobrança dos valores devidos, conforme descritos na peça de autuação. O acórdão de primeira instância ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ Anocalendário: 2006 PREJUÍZO FISCAL. AJUSTES DO LALUR. OBRIGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. A pessoa jurídica objeto de lançamento considerado procedente que reduz o seu prejuízo fiscal ou o transforma em lucro tributável deve fazer os ajustes no livro de apuração do lucro real LALUR, sob pena de, não o fazendo, ser objeto de lançamento de oficio para tributar futuras compensações com o referido prejuízo ou lucro real apurado. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16682.720838/201192 Acórdão n.º 1201001.915 S1C2T1 Fl. 5 7 Cientificado dessa decisão, o contribuinte, inconformado, apresentou, em 20/04/2012, recurso voluntário ao CARF, em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, concluindo com o seguinte pedido, ipsis litteris: requer a recorrente seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para que, reformandose o acórdão 1242.556, proferido pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), seja declarada a legalidade da dedução das despesas incorridas com os juros decorrentes de empréstimos realizados no exterior (anos de 2004 e 2005) na base de cálculo do IR do anobase 2006. Por meio da referida resolução, o processo foi sobrestado, conforme parte dispositivo do voto: Cabe, ainda, referir o art. 265, inciso IV, alínea “a” do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, que determina: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Assim, a suspensão do feito neste momento é medida que se impõe, em respeito aos princípios do devido processo legal e da economia processual. Do exposto, convertese o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem anexe a decisão definitiva a ser exarada no processo principal nº 12.898.001180/200915 e, após, devolva os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento deste recurso voluntário. A decisão proferida no processo 12898.001180/200915 foi acostada às fls. 652 a 674. O acórdão está assim redigido: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos (...) Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido (...) (Grifo acrescido). Em face dessa decisão, foi manejado o recurso especial pela contribuinte, tendo sido emitidos os despachos de admissibilidade e de reexame de admissibilidade de fls. 639 a 650. Ocorre que, por meio do documento de fl. 651, houve a desistência quanto ao recurso especial interposto naquele processo. Tendose em vista essa desistência, a Dicat da Demac/RJ emitiu o despacho de fl. 675, com o seguinte teor: Versa o presente processo sobre cobrança de crédito tributário (CT) relativo à Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, constituído através da lavratura de Autos de Infração. Fl. 688DF CARF MF 8 Tendo em vista a Resolução nº 1202000.226 (fls. 615/624), o presente processo foi juntado ao processo 12898.001180/200915 para que fosse aguardado o julgamento do recurso especial do processo 12898.001180/200915 e, após o julgamento, anexar a decisão definitiva ao presente processo para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário do processo 16682.720838/201192. Foi juntado, às fls. 639/650, o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte e o Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial proferidos nos autos do processo 12898.001180/200915. Às fls. 652/674, foi juntado o Acórdão do Recurso Voluntário, decisão definitiva proferida no processo 12898.001180/200915. Considerando que o interessado apresentou, em 29/10/2015, desistência da discussão administrativa referente ao processo 12898.001180/200915 para adesão ao PRORELIT (fls. 651), na forma e condições estabelecidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1037, de 28 de julho de 2015, desapensei o processo 16682.720838/201192. Proponho o envio dos autos ao CARF para prosseguimento. O processo foi redistribuído por sorteio, em face de a relatora anterior não mais fazer parte deste colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Como explanou a relatora anterior, fato reconhecido pela própria recorrente, a decisão neste processo depende daquela exarada no de nº 12898.001180/200915. Vejase o trecho do voto proferido pela relatora, condutor da Resolução nº 1202000.226, da então 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara: Tecnicamente, a questão (tese jurídica) que importa ao deslinde do presente litígio, como se depreende das decisões anteriores e das razões recursais, corresponde à falta de comprovação do crédito em razão da redução do saldo negativo de IRPJ, que é exatamente a matéria que está sendo debatida em outro processo. Sendo este julgamento apenas decorrente, a aplicação daquela decisão se daria de forma automática, sem novo exame do mérito. Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16682.720838/201192 Acórdão n.º 1201001.915 S1C2T1 Fl. 6 9 especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. (Grifo acrescido) No recurso voluntário, a recorrente reconhece essa "decorrência" ou "prejudicialidade". Apesar desse reconhecimento, aduz também razões relativas às glosas das despesas financeiras que foram objeto do outro processo (12898.001180/200915) no item "IV. DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS INCORRIDAS COM JUROS DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA". Contudo, a matéria está preclusa. As glosas das despesas financeiras foram efetuadas e resultaram na diminuição do prejuízo fiscal em 2004 e na reversão de prejuízo fiscal para Lucro Real no anocalendário 2005. Na apuração do Lucro Real de 2005, foi aproveitado o prejuízo fiscal do ano anterior. Em face de não haver prejuízo fiscal para compensação em 2006, foi efetuado o lançamento de ofício objeto do presente processo, conforme excerto do auto de infração (fl. 113): Quanto ao referido processo nº 12898.001180/200915, a contribuinte desistiu do recurso especial conforme visto no despacho da Dicat/Demac/RJ. Em face disso, firmouse como definitiva a decisão da então 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento. Assim, permaneceu intacto o lançamento de ofício controlado naquele processo, ou seja, a diminuição do prejuízo fiscal em 2004 e a reversão de prejuízo fiscal para Lucro Real no anocalendário 2005. Dessa forma, nenhuma modificação deve ser efetuada no auto de infração controlado neste processo (decorrente daquele como visto), não merecendo reparo a decisão de primeira instância que negou provimento à impugnação, mantendo o lançamento na integralidade. Conclusão. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 690DF CARF MF 10 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.722239/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. ADMISSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA EM PARTE.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória parcial de seu direito, deve ser afastada a glosa quanto ao comprovado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida o lançamento por omissão de rendimentos.
DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. GUARDA COMPARTILHADA. PAGAMENTO DE PENSÃO JUDICIAL.
Tendo o contribuinte realizado o pagamento da pensão alimentícia judicial, pode deduzir o valor efetivamente pago a este título, sendo vedada, no entanto, a dedução do valor correspondente ao dependente.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2301-005.089
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando-se a glosa no valor de R$ 16.590,00, em relação a dedução de despesas médicas, mantendo-se as demais exigências do crédito fiscal, vencido o conselheiro Denny Medeiros Silveira, que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes, Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Thiago Duca Amoni, Denny Medeiros Silveira e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ADMISSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA EM PARTE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória parcial de seu direito, deve ser afastada a glosa quanto ao comprovado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida o lançamento por omissão de rendimentos. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. GUARDA COMPARTILHADA. PAGAMENTO DE PENSÃO JUDICIAL. Tendo o contribuinte realizado o pagamento da pensão alimentícia judicial, pode deduzir o valor efetivamente pago a este título, sendo vedada, no entanto, a dedução do valor correspondente ao dependente. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 22 39 /2 01 4- 17 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 300 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 16.590,00, em relação a dedução de despesas médicas, mantendose as demais exigências do crédito fiscal, vencido o conselheiro Denny Medeiros Silveira, que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes, Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Thiago Duca Amoni, Denny Medeiros Silveira e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por JOSE CARLOS CARVALHO MOTA, contra o acórdão de julgamento n.º 0737.176, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (6ª Turma da DRJ/FNS), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Conforme relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foram apuradas as seguintes infrações, conforme segue: a) Omissão de rendimentos de alugueis, recebidos de pessoas físicas, por meio da Imobiliária Danelli Ltda, no valor de R$ 4.517,42, relativa a diferença entre o valor apurado da DIMOB (R$ 11.381,47) e o valor declarado (R$ 6.864,05). b) Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 17.378,96, por falta de comprovação. Os valores glosados foram os seguintes: CPF/CNPJ e Nome do Profissional Cód Valor 53.308.912/000191 – Associação aposentados 026 2.306,04 145.769.08880 Rodolfo Moia Teixeira 011 2.100,00 273.658.47832 – Maria Lucia Neves Garcia 011 6.000,00 52.910.023000137 Mondial Serviços Ltda 026 151,40 145.769.08880 Rodolfo Moia Teixeira 011 5.190,00 305.530.62875 – Ana Paula de Moraes 013 3.500,00 A fiscalização, com relação às glosas de despesas médicas, apresenta esclarecimentos adicionais, o qual está reproduzido a seguir. O primeiro item que deveria ter sido comprovado pelo sujeito passivo, segundo expressa disposição legal (pagamentos efetuados), é exatamente a efetividade dos desembolsos dos recursos financeiros que seriam Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 301 3 necessários para os pagamentos das despesas médicas pleiteadas. Comumente é aceito para comprovar a quitação das despesas médicas o recibo firmado pelo profissional da área médica quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. Mesmo que o sujeito passivo tenha apresentado todos os recibos de pagamentos ou Notas Fiscais, é licito à Autoridade Lançadora exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou da efetividade dos desembolsos dos recursos para as realizações dos respectivos pagamentos, visto que O sujeito passivo pleiteou deduções de despesas com tratamentos que teriam sido intensivos, prolongados e continuados ao longo de vários meses e anos e ainda com a apresentação de recibos que estavam em desacordo com as previsões legais, ou seja, não apresentavam as indicações inequívocas dos pacientes, não apresentavam as indicações dos endereços de quem teria recebidos os pagamentos, além de não ter havido as especificações dos serviços que teriam sido prestados para justificar a magnitude dos valores pleiteados, não permitindo a comprovação ou justificação dessas despesas o que motivou a solicitação dos elementos/esclarecimentos adicionais no Termo de Intimação Fiscal :i° 200/2014 DIRPF 2013, de 22/04/2014, conforme amparo legal no art. 11, § 39 do DecretoLei 5.844/43 73 do Decreto n^ 3.000/99. É imperativo salientar que para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas não basta a simples disponibilidade dos recibos, sem vinculação dos pagamentos e efetivas prestações dos serviços. As mencionadas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto á efetividade das deduções pleiteadas. Não pode o sujeito passivo alegar simples forma jurídica se a efetividade dos serviços e o fenômeno econômico não ficarem inequivocamente comprovados. Nesse sentido existe o respaldo de diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes: IRPF DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar co abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração unilateral, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples declarações unilaterais não têm o condão de suprir as provas mencionadas (Acórdão 10246489 de 16/09/2004). IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. le CC 10416647/1998. No caso das deduções, art. 11, § 3o do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o sujeito passivo pode ser instado a comproválas ou justificálas, sendo dele o ônus probatório. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao fisco, neste caso, obter provas da inidoneidade dos recibos, mas sim, do sujeito passivo apresentar elementos que dirimam quaisquer dúvidas que pairem a esse respeito sobre os documentos e sobre a efetividade dessas despesas. Salientese que as deduções são expressivas, e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias para preservar o Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 302 4 interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4o, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. Na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam elidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e este não a faz ou a faz em parte porque não pode ou porque não quer é licito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente da base de cálculo tributável. Quanto aos recibos apresentados, cabe afirmar que o sujeito passivo não trouxe ao procedimento fiscal nenhuma documentação que pudesse comprovar os efetivos desembolsos dos recursos financeiros que seriam necessários para os pagamentos que teriam sido efetuados a título de despesas médicas. É certo que uma simples afirmação de ter utilizado moeda corrente para efetuar os pagamentos das despesas médicas questionadas não pode ser acatada como prova cabal de tal fato, é aceita a operação bancária que tenha uma proximidade aceitável de data, e ai, no caso de saques e cheques descontados na boca do caixa , um, dois, no máximo, três dias anteriores, e seu valor seja igual ou superior ao constante do documento. Na análise dos extratos oferecidos, verificouse que não há compatibilidade entre os saques efetuados com as datas e valores indicadas nos recibos dos profissionais. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de recibos dos profissionais de saúde, mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar desta dedução na declaração de rendimentos e, por isso, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. Assim, foram efetuadas as glosas das seguintes deduções pleiteadas a título de despesas médicas: no valor total de R$ 7.290,00 conforme dois recibos, cujos valores teriam sido pagos para dentista, Sr. Rodolfo Moia Teixeira; no valor de R$ 6.000,00 conforme nove recibos, cujos valores teriam sido pagos para dentista, Sra. Maria Lúcia Neves Garcia e no valor total de R$ 3.500,00 conforme único recibo, cujo valor teria sido pago para fisioterapeuta , Sra. Ana Paula de Moraes, por não ter havido a indicação inequívoca dos pacientes e/ou dos beneficiários dos serviços, por não comprovação dos efetivos desembolsos dos recursos financeiros que seriam necessários para os pagamentos dos valores consignados nos recibos (art. 80, § 12, inciso III do Decreto na 3.000/99 e art. 73 do Decreto ns 3.000/99 art. 11, § 3Q do DecretoLei n2 5.844/43) e por não comprovação das efetivas prestações dos serviços, que poderiam ter sido feitas mediante a apresentação de radiografias, exames realizados, fichas clínicas e/ou pautas dos atendimentos preenchidas na época dos fatos com indicação do profissional emitente, das datas dos atendimentos e dos serviços executados. Glosa de R$ 151,40 que teriam sido do pagos para Mondial Assistance, CNPJ 52910.023/000137, por se tratarse Seguro Viagem, cujas despesas não estão relacionadas no rol dedutível como despesas médicas. Glosa da dedução pleiteada a título de despesas médicas no valor parcial de R$ 437,56 que teria sido paga para Unimed de Presidente Prudente Cooperativa de Trabalho Medico, CNPJ 53.308.912/000191, visto que havia sido pleiteado R$ 2.743,60 e foi comprovado o valor de R$ 2.306,04 conforme informações prestadas na Declaração de Serviços Médicos e de Saúde DMED 2013. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 303 5 c) Glosa de dedução a titulo de Pensão Alimentícia Judicial, no valor de 2.015,28, por falta de previsão legal para sua dedução, referente à pensão alimentícia deduzida do 13º salário, tendo em vista que este é tributado exclusivamente na fonte e suas deduções não podem ser utilizadas na Declaração de Ajuste Anual. d) Glosa de dedução com dependente, no valor de R$ 974,72, por falta de comprovação da relação de dependência. Cita que a filha Maria Victoria Rangel Franca Mota foi incluída como dependente na DIRPF da genitora, Sra. Rosa de Fátima Rangel Franca, motivo pelo qual não pode constar como dependente do declarante. No caso de guarda compartilhada de filho, tanto o pai quanto a mãe podem, em princípio, considerálo como dependente para fins de IR de Pessoa Física. Todavia, é vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente por mais de um contribuinte. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/03, e anexa documentos, a qual, em síntese, apresenta os argumentos, como a seguir relatados. a) Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física – Dimob, no valor de R$ 4.517,42, alega que não houve omissão de rendimentos, pois foi recebido apenas o valor declarado. Cita que foi descontado do contribuinte despesas com reforma e manutenção do imóvel. b) Dedução indevida com dependentes. Alega que é indevida pois o dependente é filha e as despesas são pagas pelo contribuinte. c) Dedução indevida com pensão alimentícia judicial. Cita que concorda com a infração. d) Despesas médicas. Alega que são despesas do próprio contribuinte. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 192/197), reiterando as alegações já expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Delimitação da lide A DRJ se manifestou quanto aos limites do litígio, referindo que impugnação apresentada foi parcial, uma vez que o contribuinte apresenta concordância com relação à glosa de pensão alimentícia, no valor de R$ 2.015,28. Conforme extrato do processo, fl. 164, observa Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 304 6 se que a agência da Receita Federal em Piraju procedeu a extinção do imposto no valor R$ 302,27, por pagamento. a) Omissão de rendimentos de alugueis: Conforme consta da Dimob, o contribuinte obteve rendimentos de pessoas física a título de aluguéis no valor de R$11.381,47 e declarou o valor de R$6.864,05, o que ensejou o lançamento da diferença no valor de R$4.517,42. O recorrente alega que não houve omissão de rendimentos, que teria recebido o valor declarado, por ter sido descontado despesas com reforma e manutenção do imóvel, bem como por ter sido descontado um mês de aluguel, conforme contrato, no início de locação, bem como a comissão de 8% (taxa de administração imobiliária). Entretanto, compulsado os autos, se verifica que não consta qualquer documento de comprovação de que o contribuinte teria recebido valores reduzidos da locação em razão de serviços de reforma ou de manutenção que teriam supostamente sido efetuados pelo inquilino em seu imóvel. Não consta recibo, notas fiscais ou transferências bancárias, orçamentos, com demonstração de datas e valores no sentido de verificar a veracidade das alegações efetuadas. Portanto, o contribuinte não fez prova do que alega, ônus que lhe incumbia. Além do que, pelo documento de fl. 58, o valor bruto recebido no referido anocalendário foi R$12.371,17 (e após, descontado a comissão da imobiliário de 8%, no valor total do ano de R$989,70), o valor efetivamente recebido pelo contribuinte perfaz a quantia de R$11.381,47. Assim, não prova o contribuinte que teria recebido menos (R$ 6.864,05), tal qual ele sustenta. Portanto, não tendo provado o alegado, deve ser mantida a glosa. b) Dedução indevida das despesas médicas: Exigiuse do contribuinte que apresentasse comprovação da efetividade dos pagamentos realizados a titulo de despesas médicas. A Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, inciso II, “a”, e § 2º , incisos I a V, cujos dispositivos seguem abaixo transcritos, estabelece que: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ....... Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 305 7 § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifouse). No entanto, embora o contribuinte não tenha apresentado os comprovantes do efetivo pagamento (desembolso), nos termos da intimação, verificase que as provas apresentadas aos autos (radiografias, prontuários, entre outros), são suficientes, ao meu entender, para afastar as seguintes glosas de despesas médicas: CPF/CNPJ e Nome do Profissional Cód Valor 145.769.08880 Rodolfo Moia Teixeira 011 2.100,00 273.658.47832 – Maria Lucia Neves Garcia 011 6.000,00 145.769.08880 Rodolfo Moia Teixeira 011 5.190,00 305.530.62875 – Ana Paula de Moraes 013 3.500,00 Entendo que as seguintes despesas abaixo foram glosadas indevidamente, pois há nos autos prova idônea para permitir a dedução de despesa médica. · Despesa com a dentista Maria Lucia Neves Garcia (R$ 6.000,00), conforme recibos de fls. 220/222, sendo juntado prescrição de medicamentos às fl. 219. · Despesas com a dentista Rodolfo Moia Teixeira (R$ 5.190,00 e R$ 2.100,00), conforme recibos de fls. 232, ratificado por documento de fls. 231. Além disso, apresentou contrato de prestação de serviços de início de tratamento odontológico (iniciado no anocalendário anterior), de fl. 233, bem como ficha cadastral de fl. 236. O recibo do anocalendário anterior Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 306 8 também foi juntado, à fl. 234, com detalhamento dos procedimentos. Importa referir que os R$ 2.100,00 se referem ao contrato inicial (de R$ 14.100,00), sendo que as últimas três prestações foram pagas em 2012, consoante fl. 236: · Despesas com a fisioterapeuta Ana Paula de Moraes, conforme recibos, declaração e prescrição médica (fls. 233, 225, 226) na quantia de R$ 3.500,00, conforme recibos de fls. 220/222, sendo juntado prescrição de medicamentos às fl. 219. Deste modo, entendo como comprovadas as despesas médicas no valor de R$16.590,00,efetuados pelo contribuinte. Quanto a forma de pagamento destas despesas, entendo que nada impede ao contribuinte de realizar tal pagamento em dinheiro, sendo o recibo prova suficiente para comprovação desta despesa, não havendo indícios, neste caso, para exigir do contribuinte que prove o pagamento com outras provas. Portanto, pelo comprovado nos autos, não há razões para manter a glosa impugnada. Assim, prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser afastada glosa de despesa médica no valor de R$16.590,00, consubstanciada na notificação de lançamento. Em relação as demais despesas, por não preencher os requisitos legais, entendo que o contribuinte não fez prova do que alega, devendo ser estas mantidas: CPF/CNPJ e Nome do Profissional Cód Valor 52.910.023000137 Mondial Serviços Ltda 026 151,40 53.308.912/000191 – Associação aposentados 026 2.306,04 c) Dedução de dependentes A fiscalização entendeu por realizar a Glosa de dedução com dependente, no valor de R$ 974,72, por falta de comprovação da relação de dependência. Cita o contribuinte que a filha Maria Victoria Rangel Franca Mota foi incluída como dependente na DIRPF da genitora, Sra. Rosa de Fátima Rangel Franca, motivo pelo qual não pode constar como dependente do declarante. No caso de guarda compartilhada de filho, tanto o pai quanto a mãe podem, em princípio, considerálo como dependente para fins de IR de Pessoa Física. Todavia, é vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente por mais de um contribuinte. A DRJ, por sua vez, entendeu pela manutenção da glosa, tendo proferido o relator do acórdão de primeira instância o seguinte voto quanto a este ponto: Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 307 9 "Observo que no caso do contribuinte ser o responsável pelo pagamento da pensão alimentícia judicial, pode deduzir o valor efetivamente pago a este título, sendo vedada, no entanto, a dedução do valor correspondente ao dependente. No caso em exame, se constatou que o contribuinte paga pensão alimentícia, conforme consta dos autos, de forma que não poderia incluir a filha Maria Victoria Rangel Franca Mota, como sua dependente. Ademais disto, restou constatado ainda que a Maria Victoria foi incluída como dependente na DIRPF da genitora, Sra. Rosa de Fátima Rangel Franca. Desta forma, escorreito foi a glosa efetuada." Entendo que o acórdão da DRJ não merece reparos nesse quesito. Igualmente compreendo que, por ter sido constatado que o contribuinte paga pensão alimentícia, conforme consta dos autos, compartilho do entendimento da DRJ de origem que compreendeu, por tal razão que não poderia o contribuinte incluir a filha Maria Victoria Rangel Franca Mota, como sua dependente. Além disso, restou constatado Maria Victoria foi incluída como dependente na DIRPF da genitora. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 16.590,00, em relação a dedução de despesas médicas, mantendose as demais exigências do crédito fiscal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13830.722239/201417 Acórdão n.º 2301005.089 S2C3T1 Fl. 308 10 Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910780/2008-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2002
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.734
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente FLEURY S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 80 /2 00 8- 59 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.910780/200859 Acórdão n.º 9303005.734 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.025, de 24/09/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2002 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à impossibilidade de apresentação de DCTF retificadora, após o Despacho Decisório e no prazo da Manifestação de Inconformidade, para a comprovação do direito creditório alegado. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 1302001.423 (possibilidade de homologação da PER/DCOMP em face da apresentação de DCTF retificadora após o Despacho Decisório) e 3401002.744 e 3401002.128 (necessidade de conversão do julgamento em diligência caso não seja reconhecido o direito à homologação com base na DCTF retificada). Por meio do exame de admissibilidade do recurso, propôsse o seu não seguimento, o que, embora acatado pelo Presidente do CARF em despacho de reexame, foi revertido por medida liminar em mandado de segurança, determinando o seguimento do recurso especial. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.910780/200859 Acórdão n.º 9303005.734 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.708, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10880.910755/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.708): "Em face do provimento judicial que determinou a este Colegiado Administrativo o seguimento do recurso especial, ultrapassamos a análise de sua admissibilidade e passamos ao mérito do litígio. Neste, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Nesse contexto, ainda que não se tenha concordado com o argumento de que a falta de DCTF retificadora não seria óbice ao deferimento do pedido (coisa com a qual também concordamos), não se poderia, pura e simplesmente, dar provimento ao recurso especial, mas retornar os autos à unidade de origem, a fim de que, ultrapassada a questão, enfrentasse o mérito do litígio, mediante a análise da documentação fiscal ou contábil por meio da qual se pudesse comprovar o crédito a ser restituído. Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria suficiente para a demonstração do crédito, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que, no caso ora em exame, não se verificou, daí porque absolutamente impertinente converter o julgamento em diligência, como pretende a Recorrente1. Ante o exposto, conheço do recurso especial em face do provimento judicial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também "limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito". 1 Segundo o relator do acórdão recorrido: "No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição". Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.910780/200859 Acórdão n.º 9303005.734 CSRFT3 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido em face do provimento judicial e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.723757/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica.
Numero da decisão: 2301-005.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 04/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 04/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 04/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 37 57 /2 00 8- 60 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1325.798, de 30/07/2009, (fls. 32 a 36). No lançamento, relativo ao anocalendário 2005 (fls. 6 a 13), foi apurada omissão de rendimentos de R$ 8.826,30 decorrente de rendimentos de adicional por tempo de serviço e compensação orgânica recebidos do Comando da Marinha. Na impugnação (fls. 2 e 3), o ora recorrente requereu (i) a retificação de lançamento e a desconsideração dos valores não tributáveis, que se referem ao Adicional por Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, que foram incluídos ilegalmente, conforme estatuído no art. 1º, III, da Lei 8.852/94, para que assim, possa fazer nova apuração do imposto devido, adequandoo de forma justa e legal, e (ii) de acordo com o artigo 1º, III, da Lei 8.852/94, o imposto de renda não pode incidir nas seguintes parcelas dos vencimentos dos militares/servidores civis entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13º Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 39 a 41) reiterando os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Tal qual exposto no Acórdão recorrido, o artigo 3º, §1º, da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o Fl. 65DF CARF MF Processo nº 15374.723757/200860 Acórdão n.º 2301005.161 S2C3T1 Fl. 3 3 produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9º a 14 da referida lei. O artigo 3º, §4º, da Lei 7.713/88 estabelece ainda que a tributação pelo imposto de renda independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. O artigo 6º da Lei 7.713/88 traz as hipóteses de isenção do imposto de renda, sendo que não há previsão na referida disposição normativa sobre a isenção dos rendimentos recebidos pelo Recorrente. Cumpre destacar que a Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos artigos 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º da Constituição Federal, no entanto, tal lei não estabelece isenções do imposto de renda. Dessa forma, o artigo 1° da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos, não outorgando isenção ou enumerando hipóteses de não incidência de imposto de renda. Nessa linha, é importante destacar o texto da Súmula CARF nº 68, que assim dispõe: Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001858/2009-69
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2007
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO.
A intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo.
LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado.
SOLIDARIEDADE PASSIVA.
É solidariamente obrigada de fato a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e não admite o benefício de ordem.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA E AGRAVADA.
Caracterizados de forma inconteste a declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo pela comprovação, de plano, da conduta dolosa e o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, tem cabimento a aplicação da multa
de ofício proporcional qualificada e agravada.
JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.949
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. A intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. SOLIDARIEDADE PASSIVA. É solidariamente obrigada de fato a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e não admite o benefício de ordem. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA E AGRAVADA. Caracterizados de forma inconteste a declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo pela comprovação, de plano, da conduta dolosa e o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, tem cabimento a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 371 2 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. A intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. LUCRO ARBITRADO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. SOLIDARIEDADE PASSIVA. É solidariamente obrigada de fato a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e não admite o benefício de ordem. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA E AGRAVADA. Caracterizados de forma inconteste a declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo pela comprovação, de plano, da conduta dolosa e o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, tem cabimento a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 372 3 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fls. 0211, com a exigência do crédito tributário no valor de R$95.112,06, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada, referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2006 apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado. O lançamento se fundamenta nas seguintes infrações: Item 1) Omissão de receita de revenda de mercadorias apurada a partir do cotejo entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples), fls. 102114 e nas Guias Informativas Mensais de ICMS (GIAM), fls. 115 119; Item 2) Falta de recolhimento decorrente da receita bruta declarada. Foi lavrado o Termo de Responsabilidade Tributária Solidária nº 0250100/2008/010351, fls. 6061, [...] pela utilização de interpostas pessoas, Maria Geralda dos Santos e Manoel Almeida dos Santos, com objetivo de ocultar o administrador de fato, José Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF n° 288.120.00282 [...]. A responsabilidade solidária do sujeito passivo José Geraldo Santos Alves Pinheiro restou caracterizada em face do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa, nos termos do Inciso I do art. 124, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), haja vista o efetivo exercício de gerência e administração sobre os negócios da empresa, constatadas durante o período em que foram verificadas as omissões de receita, conforme demonstrado no Termo De Verificação da Infração nº 0250100/2008/010351 [fls. 4560]. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração, fls. 1221, com a exigência do crédito tributário no valor de R$34.953,07 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 373 4 alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração, fls. 2231, com a exigência do crédito tributário no valor de R$161.234,17 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração, fls. 3241, com a exigência do crédito tributário no valor de R$360.227,457.914,88 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada por edital em 28.12.2009, fl. 231, José Geraldo Santos Alves Pinheiro apresentou a impugnação em 15.01.2010 com as alegações abaixo sintetizadas. Informa que apresenta a peça de contestação com observância das condições legais. Aduz que os procedimentos são nulos, uma vez que o prazo normativo para a realização do procedimento fiscal não foi regularmente prorrogado. Suscita que houve cerceamento do seu direito de defesa e violação do contraditório, já que não foram anexados os documentos comprobatórios de que os dados constantes nas GIAM estão corretos. Expõe que inexiste a responsabilidade tributária solidária, por falta de sustentação jurídica e ainda não tinha interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária da sociedade. Faz breves comentários sobre o teor do art. 124 do Código Tributário Nacional, para distinguir que o interesse comum no resultado societário não gera responsabilidade solidária, diferentemente do interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador. Argui que a mera presunção não pode servir de base para constituição dos créditos tributários, haja vista que no presente caso não há elementos comprobatórios, ou seja, prova material, de que tenha praticado atos de gestão empresarial ao ponto de figurar como responsável tributário. Não há óbice legal à outorga de poderes, porém cabe ao fisco a prova de seu efetivo uso. Procura demonstrar a fragilidade dos argumentos em razão dos documentos obtidos junto a supostos fornecedores, que não comprovam quem gerenciava a sociedade. Sustenta inobservância do disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, que determina a interpretação da lei de forma que lhe seja mais favorável. Denota que é imprescindível existência de solicitação de esclarecimentos prévios. Defende que não é válida a utilizam de procedimento fiscal estadual como meio de prova. Apresenta argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 374 5 Conclui Por todo o exposto, requer a Vossa Senhoria: a) O recebimento da presente IMPUGNAÇÃO, a fim de reconhecer a improcedência e insubsistência dos presentes Autos de Infração, lavrados e consolidados MPF 0250100/2008/010351 constantes do processo administrativo n. 10.240.001858/200969 a fim de cancelar a exigência fiscal. Para tanto, PRELIMINARMENTE sejam declarados nulos por ofensa à Portaria 11.371/07 e ao CERCEAMENTO DA DEFESA, e, no MÉRITO julgandoa procedente a defesa em todos os seus termos, reconhecendo a inexistência de responsabilidade solidária de JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO em razão de não fazer parte do quadro societário da empresa autuada, nem mesmo ter realizado atos de gestão empresarial, e ainda, pelo evidente cerceamento de defesa e fragilidade das provas produzidas pela autoridade fiscal. b) Requer também que o ilustre julgador se manifeste sobre a redução da multa, em especifico o seu agravamento, aplicada em todos os autos de infração […] Provará o alegado por todos os meios de provas permitidas em direito, em especial a oitiva de testemunhas, e juntada de documentos novos. […] E. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0118.198, de 24.06.2010: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. PROVAS PRODUZIDAS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Descabida a tese de cerceamento do direito de defesa, por insuficiência probatória, quando a infração é comprovada por intermédio das declarações prestadas, pelo próprio sujeito passivo ao fisco estadual. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de ofício regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a majoração da multa de ofício pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, não presta os esclarecimentos necessários para o bom andamento do procedimento fiscal. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 375 6 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de oficio, que não se reveste do caráter de tributo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. . Notificada em 26.10.2010, fl. 328verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.11.2010, fls. 338363, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando razões de defesa apresentadas na impugnação. Conclui Por todo o exposto, requer a Vossa Senhoria: a) O recebimento do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, a fim de reconhecer a improcedência e insubsistência dos presentes Autos de Infração, lavrados e consolidados MPF 0250100/2008/010351 constantes do processo administrativo n. 10.240.001858/200969 a fim de cancelar a exigência fiscal. Para tanto, PRELIMINARMENTE sejam declarados nulos por ofensa à Portaria 11.371/07 e ao CERCEAMENTO DA DEFESA, e, no MÉRITO julgandoa procedente a defesa em todos os seus termos, reconhecendo a inexistência de responsabilidade solidária de JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO em razão de não fazer parte do quadro societário da empresa autuada, nem mesmo ter realizado atos de gestão empresarial, e ainda, pelo evidente cerceamento de defesa e fragilidade das provas produzidas pela autoridade fiscal. b) Requer também que o ilustre julgador se manifeste sobre a redução da multa, em especifico o seu agravamento, aplicada em todos os autos de infração referente ao IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, prevista na Lei 9.430/96, Art. 44, 1 e §§ 1º e 2º, pelas razões amplamente discutidas. c) Por fim requer sejam as intimações direcionadas ao seu novo endereço — Rua Minas Gerais, n. 3367, Setor OS em Ariquemes/RO, CEP n. 76.870 644. […] E. Deferimento. É o Relatório. Voto Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 376 7 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que considerase efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado1. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal ou subsidiariamente por edital, fls. 7071. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que deveria ter siso intimada antes da formalização da exigência e que os atos administrativos são nulos, já que no processo não foram produzidas provas obtidas por meios ilícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Este procedimento, via de regra, é precedido pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. Por ser dispensável, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, formalizando em auto de infração ou notificação de lançamento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual, bem como todos os princípios constitucionais derivados do devido processo legal2. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 e Súmula CARF nº 46. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 377 8 ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente3. Houve emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 6667, do Temo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal e Intimação para apresentar as GIAM em 29.04.2009, do Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal e intimação para apresentar o Balanço Patrimonial, Demonstrativo de Resultado, Livros Registros de Saídas e Entrada em 22.07.2009, do Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal em 28.09.2009 e do Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal em 01.12.2009, fls. 7987, e por fim a lavratura dos Autos de Infração, fls. 0241, todos cientificados à pessoa jurídica por via de edital, uma vez que restou comprovada a inexistência do seu domicílio tal como consta nos registros internos da RFB, fls. 7071. No presente caso, houve a ciência válida de todos os atos pertinentes ao procedimento de ofício, de modo que está correta a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito. Ademais, as informações constantes no Relatório de Demonstrativo de Entradas e Saídas de GIAM por Contribuinte, fl. 115, no Relatório de Notas Fiscais por Remetente/Destinatário, fls. 116119, emitidos pela Secretaria de Estado de Finanças do Governo do Estado de Rondônia, como todos os atos administrativos, estão submetidos ao regime jurídico administrativo. Assim, gozam dos atributos de legitimidade e veracidade que se presume estão em conformidade com a lei e são verdadeiros os fatos ali alegados, bem como de imperatividade, já que se impõem a terceiro independentemente da concordância do administrado e ainda autoexecutoriedade em que a Administração Pública pode executálos sem a necessidade de intervenção do Poder Judiciário. A Administração Pública tem o direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos, e ainda a Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações4. Os dados prestados pela Fazenda Pública do Estado de Rondônia são provas obtidas por meios lícitos, contra as quais a Recorrente não apresenta prova em contrário. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foram regularmente analisados pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o ato de instauração do procedimento fiscal contém vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Esses procedimentos são instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 195, art. 196 e art. 199 do Código Tributário Nacional. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 378 9 fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por cento e vinte dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 sessenta dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício5. No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Velho expediu o MPF nº 2.5.01.002008010351, regularmente prorrogado até 29.12.2009, fls. 6263, ou seja, antes da ciência dos lançamentos em 28.12.20098, fl. 231. Vale ressaltar que este ato foi notificado à pessoa jurídica por via de edital, uma vez que restou comprovada a inexistência do seu domicílio tal como consta nos registros internos da SRF, fls. 7071. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 6. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente menciona que a exigência deveria ter sido formalizada a privilegiar a interpretação da lei de forma que lhe seja mais favorável. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 5 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 379 10 sendo exigida a habilitação profissional de contador7. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. 7 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 380 11 Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. Também pode adotar a tributação com base no lucro presumido nos demais trimestres do anocalendário, desde que não esteja obrigada à apuração pelo lucro real. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos com base no lucro arbitrado. Esta apuração de ofício, todavia, não é inválida pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos no procedimento fiscal8. O lançamento se fundamenta na omissão de receita de revenda de mercadorias apurada a partir do cotejo entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples), fls. 102114 e nas Guias Informativas Mensais de ICMS (GIAM), obtidas junto ao Governo do Estado de Rondônia por meio lícito. fls. 115 119, de acordo com a Tabela 1. Tabela 1 – Diferenças entre os valores informados na DSPJ e na GIAM no anocalendário de 2006 Meses do AnoCalendário de 2006 (A) Receita Bruta DSPJ R$ (B) Receita Bruta GIAM (C) Receita Bruta Omitida D=(BC) Janeiro 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 514,65 0,00 Março 0,00 429,32 0,00 Abril 0,00 560,00 0,00 Maio 0,00 350,00 0,00 Junho 0,00 375,65 0,00 Julho 0,00 332,32 0,00 Agosto 186.790,00 403,00 186.387,00 Setembro 171.509,00 404,32 171.104,68 Outubro 105.300,00 433,65 104.866,35 Novembro 614.090,00 401,65 603.688,35 Dezembro 427.010,01 462,32 426.567,07 Não foram produzidos pela Recorrente no processo novos elementos de prova em contrário hábeis para ilidir a exigência, de modo que o conjunto probatório já 8 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 381 12 produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da imputação de ofício como responsável tributário solidário. Solidariedade é a condição peculiar no âmbito jurídicoobrigacional e se caracteriza toda vez que, relativamente a uma mesma obrigação, existem com interesse comum dois ou mais devedores (solidariedade passiva). A legislação pertinente determina que é solidariamente obrigada de fato a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e não admite o benefício de ordem. Tem como efeito, salvo disposição em contrário, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais9. Tem cabimento o exame da situação fática. Em conformidade com as informações provenientes do Mandado de Busca e Apreensão deferido pelo Juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ariquemes/RR ao Ministério Público a pedido da Polícia Civil no processo nº 002.2005.004.2930, bem como dos respectivos Laudos de Exames Periciais de Constatações em Equipamentos de Informática e Contábil emitidos pelo Instituto de Criminalística, fls. 133197, os sócios da pessoa jurídica autuada são Maria Geralda dos Santos, CPF n° 056.476.97623 e Manoel Almeida dos Santos, CPF n° 120.511.04700, que intimados não compareceram para prestar esclarecimentos.fls. 72 78. Ficou registrado que José Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF n° 288.120.00282, é sócio gerente da pessoa jurídica Rondônia Mercantil Distribuidora Importadora e Exportadora de Gêneros Alimentícios Ltda, CNPJ 06.243.390/000107, e que houve saída de mercadoria da pessoa jurídica autuada para A. C. Vaz Comercial de Gêneros Alimentícios e Rondônia Mercantil Distribuidora Imp. e Exp. de Gêneros Alimentícios Ltda no somatório no ano calendário de 2006 de R$1.463.789,00, fl. 182. A referida pessoa física José Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF 288.120.00282, possui: (a) procuração para abertura, administração e encerramento da pessoa jurídica autuada, outorgada pelo sócio e administrador Manoel Almeida dos Santos, CPF 120.511.04700, registrada perante o Cartório do 1° Ofício de Notas e Registro Civil da Comarca de Ariquemes (Livro 273, folha 156), (b) procuração com amplos poderes para administrála (Livro 309, folha 121), bem como (c) procurações com substabelecimento para diversas pessoas para os fins de representálo perante os órgãos públicos registradas no mesmo Cartório (fls. 055, 090 e 183 do Livro 38), fls. 90100. Os fornecedores da pessoa jurídica autuada, depois de intimados, e apresentaram documentos comprovando que a mencionada pessoa física José Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF 288.120.00282, tinha o poder de gerir os pagamento das mercadorias adquiridas pela pessoa jurídica autuada: (a) duplicadas emitidas pela empresa Angelo Auricchio Companhia Ltda, CNPJ 62.598.5861000861, a pessoa jurídica autuada, onde consta o endereço de cobrança da empresa Rondônia Mercantil Distribuidora Importadora e Exportadora de Gêneros Alimentícios Ltda, CNPJ 06.243.390/000107; fls. 200211; 9 Fundamentação legal: art. 125 e art. 125 do Código Tributário Nacional. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 382 13 (b) comprovante de pagamento de mercadorias adquiridas pela pessoa jurídica autuada, efetuado pela Rondônia Mercantil Distribuidora Importadora e Exportadora de Gêneros Alimentícios Ltda, CNPJ 06.243.390/000107 à Cooperativa Agr. Prod. Cana de Campo Novo do Parecis Ltda, CNPJ 15.043.3911000107, fls. 212231. Nos autos não foram juntados pela defesa comprovantes em contrário das averiguações procedidas por várias autoridades públicas, que por esta razão são consideradas como corretas. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente, uma vez que é inequívoca a imputação de ofício da pessoa física José Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF 288.120.00282, como responsável tributário solidário pela evidência manifesta do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal no presente caso. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto10. A aplicação da multa de ofício proporcional agravada tem como requisito o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos11. No presente caso, o procedimento fiscal teve início com a finalidade de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela pessoa jurídica como optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Houve emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 6667, o qual foi enviado via postal no domicílio constante nos registros internos da RFB. Na oportunidade foram solicitados o Livro Caixa, o Livro de Registro de Inventário, as Notas Fiscais de Entrada, as Notas Fiscais de Saída e o Contrato Social de suas alterações. Entretanto verificouse que in loco a sua inexistência, fl. 68, e por esta razão foi utilizado 10 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. 11 Fundamentação legal: § 2º do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 383 14 subsidiariamente a notificação por edital12, fls. 6971. Por conseguinte, foram intimados os sócios Maria Geralda dos Santos, CPF n° 056.476.97623 e Manoel Almeida dos Santos, CPF n° 120.511.04700 que não compareceram para prestar esclarecimentos.fls. 7278. Constatada, assim, sua inexistência de fato, a pessoa jurídica foi declarada inapta em 13.05.2009 nos autos do processo nº 10240.000485/200917. Em continuidade, foram efetivadas, sem êxito, as seguintes intimações: o Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal e intimação para apresentar as GIAM em 29.04.2009, o Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal e intimação para apresentar o Balanço Patrimonial, Demonstrativo de Resultado, Livros Registros de Saídas e Entrada em 22.07.2009, o Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal em 28.09.2009 e o Termo de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal em 01.12.2009, fls. 7987, todos cientificados à pessoa jurídica por via de edital, uma vez que restou comprovada a inexistência do seu domicílio tal como consta nos registros internos da SRF, fls. 7071. A omissão de receita de revenda de mercadorias foi apurada a partir do cotejo entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples), fls. 102114, nas Guias Informativas Mensais de ICMS (GIAM) e no Relatório de Notas Fiscais por Remetente/Destinatário emitidos pela Secretaria de Estado de Finanças do Governo do Estado de Rondônia , fls. 115119. Também os autos estão instruídos com o Mandado de Busca e Apreensão deferido pelo Juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ariquemes/RR ao Ministério Público a pedido da Polícia Civil no processo nº 002.2005.004.2930, bem como com os Laudos de Exames Periciais de Constatações em Equipamentos de Informática e Contábil emitidos pelo Instituto de Criminalística, fls. 133197. Caracterizadas de forma inconteste a declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo pela comprovação, de plano, da conduta dolosa e o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não cabem reparos à aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso13. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade14. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo15. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo 12 Fundamentação legal: art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 14 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 15 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10240.001858/200969 Acórdão n.º 180100.949 S1TE01 Fl. 384 15 decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 15DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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