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Numero do processo: 10183.900650/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.906
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1791; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.900650/201332 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.906 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RODOBENS MÁQUINAS AGRÍCOLAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 00 65 0/ 20 13 -3 2 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10183.900650/201332 Resolução nº 3201000.906 S3C2T1 Fl. 3 2 repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10183.900650/201332 Resolução nº 3201000.906 S3C2T1 Fl. 4 3 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10183.900650/201332 Resolução nº 3201000.906 S3C2T1 Fl. 5 4 Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10183.900650/201332 Resolução nº 3201000.906 S3C2T1 Fl. 6 5 Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100302/2005-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.361
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.100302/200561 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.361 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RITZEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 02 /2 00 5- 61 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11065.100302/200561 Acórdão n.º 9303005.361 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380302.440. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11065.100302/200561 Acórdão n.º 9303005.361 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11065.100302/200561 Acórdão n.º 9303005.361 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11065.100302/200561 Acórdão n.º 9303005.361 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979259/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 59 /2 00 9- 17 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.979259/200917 Acórdão n.º 1201001.703 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.979259/200917 Acórdão n.º 1201001.703 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979259/200917 Acórdão n.º 1201001.703 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979259/200917 Acórdão n.º 1201001.703 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721066/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA.
Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 1401-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno.
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IMPROCEDÊNCIA. Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontrase com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 66 /2 01 2- 36 Fl. 279DF CARF MF 2 Relatório Por bem refletir os fatos constantes dos autos, adoto o Relatório da decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 0252.628 3ª Turma da DRJ/BHE (v. efls. 187/199), objeto de julgamento em sessão realizada em 15 de janeiro de 2014. O auto de infração a fls. 37/38 exige o recolhimento do credito tributário no montante de R$ 169.018,70, assim discriminado: Atribuise à autuada a seguinte infração: “FALTA / INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL – FINANCEIRAS. O contribuinte procedeu com inexatidão à apuração da CSLL devida e/ou não efetuou ou efetuou com inexatidão o pagamento ou recolhimento da CSLL devida, e não declarou ou declarou a menor o valor a pagar, conforme relatório fiscal em anexo”. Data do fato gerador: 31/12/2008. Enquadramento legal: art. 841, I, III e IV, do RIR, de 1999. Consta ainda do auto de infração que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do processo n° 2008.61.00.0143100 da 13ª Vara Federal de São Paulo (art. 151, II e IV, do CTN). No termo de verificação fiscal a fls. 33/34, o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. · As verificações fiscais dizem respeito a SUDAMERIS DISTRIBUIDORA DE TITS E VALS MOBILIARIOS SA, incorporada por BANCO ABN AMRO REAL S.A., que, por sua vez, foi incorporado por BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. · A partir do mês de maio do anocalendário de 2008, a Sudameris Distribuidora optou por não recolher integralmente os valores das estimativas mensais de CSLL. · Ela impetrou mandado de segurança a fim de evitar os efeitos da majoração da alíquota ocorrida em relação às instituições financeiras, de 9% para 15%, a partir de maio de 2008. · Depositaramse em juízo parcelas da CSLL excedentes a 9%, as quais foram declaradas em DCTF como suspensas (código 2469 estimativa). · Conforme consulta processual realizada em 09/08/2012, a ação judicial encontravase então pendente de julgamento final. · Os valores das estimativas referentes à diferença de alíquotas, discriminados a fls. 34, foram deduzidos da CSLL devida na respectiva DIPJ. · Os débitos de estimativa declarados em DCTF com suspensão de exigibilidade não são passiveis de encaminhamento para inscrição como Divida Ativa da União; · A fim de evitar o decurso do prazo decadencial, deve ser constituído de ofício o crédito tributário. O valor da CSLL a lançar é de R$ 124.479,82, conforme cálculos a fls. 34. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 16327.721066/201236 Acórdão n.º 1401002.018 S1C4T1 Fl. 280 3 · O crédito permanece com a exigibilidade suspensa enquanto estiver garantido pelos depósitos judiciais e/ou pelo provimento judicial. · Enquadramento legal: arts. 17 e 41 da Lei n° 11.727, de 2008, combinados com a legislação especificada na folha de continuação do auto de infração. Em 18/09/2012, deuse, pessoalmente, a ciência do auto de infração. Impugnação Em 10/10/2012, BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A., na condição de sucessor de BANCO ABN AMRO REAL S.A., apresentou a impugnação a fls. 44/71. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. I Dos fatos · O mandado de segurança n° 001431044.2008.403.6100 foi impetrado em 17/06/2008, com pedido de medida liminar e posterior concessão de segurança em definitivo, para o fim de reconhecer o direito líquido e certo da impugnante de proceder ao recolhimento da CSLL à alíquota de 9%, e não de 15%, conforme estabelecido pela Medida Provisória n° 413, de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.727, de 2008. · Em 20/06/2008, o pleito foi deferido em sede de liminar, motivo pelo qual a União interpôs agravo de instrumento, tendolhe sido concedido efeito suspensivo. · Em razão dessa cassação, a impugnante passou a realizar os depósitos dos valores ora discutidos. · Em 04/05/2010, o juízo de primeiro grau proferiu sentença denegatória da segurança requerida. · A impugnante interpôs recurso de apelação, o qual foi recebido apenas com efeito devolutivo. · Ocorre que, tendo verificado duplicidade em alguns depósitos, a impugnante solicitou o levantamento dos valores excedentes, o que ensejou a devolução dos autos ao juízo de primeiro grau. · Atualmente, aguardase o levantamento dos depósitos realizados em duplicidade, para posterior remessa dos autos ao Tribunal Regional Federal da Terceira Região e julgamento do recurso de apelação. · A impugnante depositou em juízo todos os valores controvertidos, razão pela qual o crédito tributário encontrase suspenso. · O auto de infração não merece prosperar, devendo ser integralmente cancelado. II – Das preliminares II.1 Da impossibilidade de lavratura do auto de infração – depósito judicial integral · O auto de infração deve ser cancelado por ter sido indevidamente lavrado sob a justificativa de se prevenir o “decurso do prazo decadencial”, uma vez que o crédito tributário em discussão foi integralmente depositado em juízo. Fl. 281DF CARF MF 4 · A impugnante invoca em seu favor o entendimento de Hugo de Brito Machado e a jurisprudência do STJ. · Com o depósito do montante integral, temse um verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e, entendendo indevida a cobrança, substitui o “pagamento antecipado” pelo depósito. · A Fazenda, por sua vez, aceitando como integral o depósito para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, anuiu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional. · Dessa forma, não poderá ser expedido ato administrativo com a suposta finalidade de prevenir a decadência, já que o decurso do tempo, sem que a autoridade fiscal realize o lançamento de ofício, implica homologação tácita do lançamento realizado pelo contribuinte, no montante exato do depósito. · Ora, os atos administrativos devem ser orientados pelos princípios da finalidade, interesse público e eficiência, entre outros. · Caso a impugnante não tenha êxito na demanda judicial, o valor depositado converterseá em renda da União, extinguindose o crédito tributário. · No presente caso, o ato administrativo é desnecessário e carece de motivação. · Requerse seja reconhecida a nulidade do auto de infração. 11.2 Da inexistência de renúncia à esfera administrativa e necessidade de sobrestamento do processo administrativo · A interpretação dada ao disposto no artigo 38 da Lei n° 6.830, de 1980, pelo ADN COSIT n° 03, de 1996, não é a mais adequada. · O legislador pretendeu considerar apenas as hipóteses em que ocorre a interposição de medida judicial pelo contribuinte após a lavratura do auto de infração. · Seria ilógica a presunção legal de desistência, pelo contribuinte, do processo administrativo nos casos em que a propositura da medida judicial é anterior ao auto de infração. · Nesses casos, o contribuinte sequer poderia prever a possibilidade de uma autuação pela Fazenda Pública. · Tanto é assim que a Lei n° 6.830, de 1980, nada diz respeito dos casos em que são ajuizadas ações ordinárias declaratórias negativas de débito fiscal, medidas cautelares ou qualquer outra medida judicial anterior à lavratura do auto de infração. · Em favor de sua tese, a impugnante invoca decisões dos Conselhos de Contribuintes, opinião de Aurélio Pitanga Seixas Filho e excerto da exposição de motivos da Lei n° 6.830, de 1980. · Assim, qualquer interpretação diversa das anteriormente apresentadas estará ferindo os princípios constitucionais da ampla defesa e do direito de livre petição aos órgãos públicos. · A renúncia ao poder de recorrer pressupõe a existência de uma exigência (auto de infração) recorrível. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 16327.721066/201236 Acórdão n.º 1401002.018 S1C4T1 Fl. 281 5 · Da mesma forma, o § 2º do artigo 1º do DecretoLei n° 1.737, de 1979, ao mencionar a ação “anulatória ou declaratória da nulidade do crédito”, deixa claro o pressuposto lógico da anterioridade do lançamento tributário. Não se anula o que ainda não existe. · No processo judicial discutese o direito em tese. Já no processo administrativo, examinase a hipótese, em concreto, desencadeada pela autuação fiscal, e os seus respectivos montantes, ou seja, o próprio título materializado da obrigação tributária. · É possível que o processo judicial seja extinto sem julgamento do mérito, hipótese em que, caso antes tenha sido presumida a renúncia à esfera administrativa, a discussão acerca da exigência tributária não terá sido apreciada em nenhuma esfera, seja na judicial ou na administrativa. · O Estado não pode, sob pretexto de evitar antinomia entre normas individuais e concretas editadas pelos órgãos julgadores administrativo e judicial, submeter o contribuinte ao risco de não exercer seu direito ao contraditório, a ampla defesa e ao devido processo legal. · Nos termos do artigo 265, inciso IV, do Código de Processo Civil, suspendese o processo quando a sentença de mérito “depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente”. · A mencionada regra do CPC deve ser aplicada subsidiariamente ao processo administrativo. · Em seu favor, a impugnante invoca a opinião de Cândido Rangel Dinamarco, decisões dos Conselhos de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. · Em razão do exposto, requerse sejam apreciados os fundamentos expostos nos itens seguintes da impugnação, ante a inexistência de renúncia à esfera administrativa. · Caso não se entenda por apreciar as razões de mérito submetidas à esfera judicial, deverá ser suspenso o julgamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva nos autos do mandado de segurança, já que a efetiva apreciação do mérito naqueles autos é questão imprescindível para que o órgão julgador administrativo possa restringir o direito ao contraditório na esfera administrativa. III Do direito III.1 Da inconstitucionalidade da majoração de alíquota da CSLL das instituições financeiras · A fiscalização apontou insuficiência de pagamento da CSLL no anocalendário de 2008. · Entretanto, há inconstitucionalidade no que diz respeito à majoração de alíquota da CSLL pela Medida Provisória n° 413, de 2008, convertida na Lei n° 11.727, de 2008. · Conforme Geraldo Ataliba, os tributos podem estar associados ou não a uma atividade estatal. Essa atuação pode ser imediata ou mediata. Fl. 283DF CARF MF 6 · Na Constituição Federal têmse: (i) os impostos, que são tributos não vinculados a atos estatais; (ii) as contribuições e as taxas, que são tributos vinculados a uma atividade estatal direta (taxa) ou indireta (contribuições). · Segundo o art. 194, V, da Constituição Federal, a seguridade social tem, como um de seus objetivos, a “equidade na forma de participação no custeio”. · Mais do que a mera necessidade de fruição indireta de serviços custeados por seu desembolso, tem o contribuinte a garantia constitucional de que sua contribuição será proporcional ao seu beneficio. · Essa ideia é reforçada pelo § 5º do artigo 195 da Constituição Federal, o qual prevê que “nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total”. · Tal preceito constitucional estabelece o vínculo entre o valor da exação e o do benefício, indicando que o custeio da seguridade social deve reverter em benefício daqueles que colaboram para tanto mediante o recolhimento de tributos. · Juristas de envergadura reconhecem essa necessária correspondência entre os valores exigidos dos contribuintes a título de contribuição para a seguridade social e os respectivos benefícios, denominandoa princípio da referibilidade. · No caso das contribuições sociais devidas pelo empregador (como é o caso em tela), para justificar o incremento da tributação, impõese a contrapartida do incremento de usufruto (maior atuação do Estado) em relação ao sistema da seguridade social por parte dos respectivos empregados ou, ainda, melhoria nos planos e benefícios concedidos pelo sistema, o que, bem se sabe, não ocorreu no caso vertente. · Em favor de sua tese, a impugnante invoca as opiniões de Paulo Ayres Barreto, Leandro Paulsen e Hamilton Dias de Souza, bem como manifestação do ministro do STF Celso de Mello. · Conforme exposição de motivos da Medida Provisória n° 413, de 2008, a distinção de tratamento tem por fundamento a norma prevista no parágrafo 9º do artigo 195 da Constituição, que tem a seguinte redação: “as contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho”. · Se por um lado a Constituição Federal autoriza, no § 9º do artigo 195, a instituição de alíquotas diferenciadas na incidência das contribuições à seguridade social, de outro impõe, no § 5º do mesmo artigo e no inciso V do artigo 194, que haja correspondência entre os valores arrecadados e a sua destinação. · O tratamento desigual se justifica na exata medida dessa desigualdade na demanda à seguridade social — para mais ou para menos — e contanto que essa disparidade decorra de um dos quatro fatos previstos no mencionado parágrafo 9º. · O tratamento desigual entre contribuintes no que se refere à incidência das contribuições previstas no art. 195, I, da Constituição, não pode ser pautado exclusivamente em propósito arrecadatório, conforme opinião de Marco Aurélio Greco. · Dado o contexto político do ano de 2008, não há dúvidas de que a elevação da alíquota procedida teve por escopo majorar a arrecadação da União e, assim, fazer frente à perda decorrente da impossibilidade de exigência da CPMF a partir de 2008. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 16327.721066/201236 Acórdão n.º 1401002.018 S1C4T1 Fl. 282 7 · Antes do primeiro recolhimento devido pelas empresas de acordo com a nova alíquota, mas já após a extinção da CPMF, a União obteve nova arrecadação extraordinária, tendo o jornal Folha de S. Paulo noticiado, no dia 27.2.2008, que a “arrecadação cresce 18% mesmo sem CPMF”, do que derivou a conclusão irrefutável, também assinalada pelo referido periódico, de que “os números da arrecadação tributária no mês passado comprovam que o governo poderia abrir mão da CPMF (o tributo do cheque) sem que houvesse perda substancial de receita”. · Disso decorre que a medida provisória em questão também padecia de vício formal, já que estavam ausentes os requisitos de relevância e urgência. · A distinção representa manifesto desrespeito ao princípio da solidariedade, haja vista que a suposta necessidade de caixa da União está sendo suprida exclusivamente por determinadas pessoas jurídicas, em discriminação que não encontra guarida no texto constitucional. · Além disso, o § 9º do artigo 195 só autoriza o estabelecimento de alíquotas menores para determinados setores que estejam passando por dificuldade. · O constituinte não concedeu ao legislador ordinário (nem muito menos ao Poder Executivo, como é o presente caso) uma “carta branca” para escolher, de acordo com sua vontade (sem seguir qualquer critério objetivo, previsto constitucionalmente), setores econômicos que devam sofrer uma incidência tributária mais gravosa. Para tanto, é necessária a observância de uma série de critérios, previstos constitucionalmente. · Por fim, o art. 246 da Constituição da República veda a edição de medidas provisórias para regulamentação de artigo da Constituição que tenha sido alterado por emenda promulgada entre 01/01/1995 e 12/09/2001. · Considerando que o § 9º do art. 195 teve sua redação alterada em 1998 pela Emenda Constitucional n° 20, sua regulamentação pela Medida Provisória n° 413, de 2008, é inconstitucional, por ofensa ao art. 246 da Constituição da República. · Ante o exposto, mesmo que ainda permaneça alguma cobrança pertinente à CSLL nos presentes autos, o que se admite apenas a título argumentativo, deverseá reconhecer a inconstitucionalidade da majoração da alíquota da CSLL aplicada à impugnante, uma vez que contraria, entre outros preceitos constitucionais, o princípio da referibilidade. III.2 Da ofensa aos princípios da irretroatividade e anterioridade · Segundo art. 195, § 6º, da Constituição Federal, as contribuições sociais podem ser exigidas após noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado. Já segundo a regra da anterioridade do art. 150, III, "a", é vedada a cobrança de tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado. · No julgamento do RE 197.790/MG, concluiuse: “com relação às contribuições sociais, o princípio da anterioridade mitigada somente foi deferido pelo Constituinte quando estas forem instituídas ou modificadas, o que não se verifica ao ser majorada a alíquota desta exação. Não fosse assim, estaria o legislador submetendo os contribuintes (as empresas) à insegurança jurídica, sujeitandoos a alterações trimestrais de alíquota, no mínimo”. Fl. 285DF CARF MF 8 · Logo, para o aumento da contribuição social, aplicase a regra geral do art. 150, III, a e b, da Constituição (irretroatividade e anterioridade), e não a prescrição do art. 195, § 6º. · Ao eleger o exercício como período de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro, a Lei n° 7.689, de 1988 indica com clareza que eventuais alterações no cálculo da exação só podem ser autorizadas no início de cada período de apuração, ou seja, no início do ano, sob pena de a lei nova vir, inclusive, a retroagir, o que é vedado pelo texto constitucional. · Invocase a opinião de Luciano Amaro. · Demonstrado que a aplicação do aumento de alíquota da CSLL no anobase de 2008 contraria a irretroatividade e anterioridade tributárias, requerse o cancelamento do auto de infração. III. 3 Da inaplicabilidade da exigência dos juros de mora · Acertadamente não foi lançada a multa no auto de infração, tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito. Pelo mesmo motivo, os juros de mora também não poderão ser exigidos. · O crédito tributário exigido encontrase com sua exigibilidade suspensa em decorrência do depósito judicial do montante integral. · Não há que se falar em juros moratórios, nesse momento, pois não há atraso no recolhimento. O crédito tributário está garantido por meio de depósito judicial, o qual está sujeito à respectiva atualização monetária. · No caso de improcedência da ação judicial, os valores depositados serão convertidos em renda da União devidamente acrescidos dos juros moratórios, que estão sendo atualizados, mês a mês, pela Caixa Econômica Federal. · Os juros possuem natureza indenizatória e são devidos pelo atraso no cumprimento de obrigação exigível. · A impugnante não cometeu qualquer tipo de ilícito, tampouco deixou de cumprir a obrigação sem justa causa, o que torna injustificável a exigência de valores a título de juros. · A impugnante invoca em seu favor a opinião de De Plácido e Silva e decisões dos Conselhos de Contribuintes. · Assim, estando a matéria objeto do presente processo sub judice e com a exigibilidade suspensa por conta do depósito judicial dos valores em discussão, conforme reconhecido pela própria fiscalização, requerse o cancelamento da cobrança dos juros moratórios. IV Do pedido · Diante de todo o exposto, requerse sejam acolhidas as razões de fato e de direito ora aduzidas, que levarão à decretação da improcedência integral da autuação. · Por fim, na remota hipótese de prevalecer o entendimento de não analisar o mérito submetido à esfera judicial, requerse, ao menos, seja acatado o sobrestamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva nos autos do mandado de segurança n° 001431044.2008.403.6100 (2008.61.00.0143108). Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16327.721066/201236 Acórdão n.º 1401002.018 S1C4T1 Fl. 283 9 A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte. Abaixo reproduzo a ementa do Acórdão proferido pelo Colegiado a quo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabível o lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Sobre o crédito tributário assim lançado incidem juros de mora. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO COMUM. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 06/11/2014, v. efls. 202, apresentando o seu Recurso Voluntário em 05/12/2014, v. efls. 204/222. Suas alegações no Recurso Voluntário são exatamente as mesmas proferidas quando da apresentação da impugnação, razão pela qual deixo de enunciálas, para não ser repetitivo. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Da impossibilidade de lançamento do crédito tributário suspenso por depósito judicial do montante integral Passo diretamente à apreciação da preliminar de nulidade do auto de infração em decorrência de pronunciamento do STJ, vazado no REsp nº 1140956/SP, da Relatoria do Ministro Luiz Fux, em que adotado o rito dos recursos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Segundo a Recorrente, os termos da referida decisão, combinado com o disposto no § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, levam à conclusão de que o Auto de Infração deve ser declarado nulo. Assim dispõe o aludido dispositivo do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Abaixo reproduzo a precitada decisão proferida pelo STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16327.721066/201236 Acórdão n.º 1401002.018 S1C4T1 Fl. 284 11 (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: (...) 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: (...) 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: (...) 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. Fl. 289DF CARF MF 12 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (grifei) Como visto, o entendimento firmado no Tribunal, adotado em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, não admite a lavratura de Auto de Infração para constituição de crédito tributário quando o respectivo tributo (objeto da autuação) encontrase com a exigibilidade suspensa em face de seu depósito integral. In casu, a Recorrente efetuou o depósito integral, fato este acolhido pela própria Autoridade Fiscal no TVF de efls. 33, onde assentou que a Contribuinte "depositou em juízo parcelas da CSLL excedentes a 9% e as declarou em DCTF como suspensas sob o código 2469 (Estimativa)". Portanto, os fatos ora em apreço se amoldam perfeitamente à decisão proferida pelo STJ, razão pela qual devese cancelar o Auto de Infração, dando provimento ao recurso da Contribuinte. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, determinando o cancelamento do auto de infração na sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904090/2014-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 90 /2 01 4- 88 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10875.904090/201488 Acórdão n.º 1201001.798 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10875.904090/201488 Acórdão n.º 1201001.798 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10875.904090/201488 Acórdão n.º 1201001.798 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001287/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DAS OPERAÇÕES. DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
É certo que ao ser intimado para comprovar o aproveitamento de créditos básicos de IPI, cabe ao contribuinte a comprovação da materialidade das operações de compra e venda, com a juntada de notas fiscais (idôneas), livros, registros, recebimento do insumo ou produto, pagamentos realizados nesta operações ou quaisquer outros documentos.
Da mesma forma, ao identificar na escrita fiscal do contribuinte um possível aproveitamento indevido de crédito, cabe à fiscalização descrever a infração, apontando os documentos, indícios, provas, fatos e fundamentos legais que poderiam subsumir ao tipo legal da infração.
Somente se descumprida a formalidade da descrição e fundamentação da infração no lançamento e, tendo o contribuinte juntado indícios de sua boa fé nas operações, como a comprovação de que a inaptidão das empresas terceiras de quem adquiriu as mercadorias ocorreram anos depois das operações, a lide poderia ser interpretada de forma favorável ao contribuinte.
Entendimento que possui fundamento na análise conjunta dos Art. 112, 113 e 142 do CTN, assim como no Art. 10 e 16 do Decreto 70.235/72 e Art. 2.º da Lei 9784/99, que regulam o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3201-003.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA- Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2002 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DAS OPERAÇÕES. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. É certo que ao ser intimado para comprovar o aproveitamento de créditos básicos de IPI, cabe ao contribuinte a comprovação da materialidade das operações de compra e venda, com a juntada de notas fiscais (idôneas), livros, registros, recebimento do insumo ou produto, pagamentos realizados nesta operações ou quaisquer outros documentos. Da mesma forma, ao identificar na escrita fiscal do contribuinte um possível aproveitamento indevido de crédito, cabe à fiscalização descrever a infração, apontando os documentos, indícios, provas, fatos e fundamentos legais que poderiam subsumir ao tipo legal da infração. Somente se descumprida a formalidade da descrição e fundamentação da infração no lançamento e, tendo o contribuinte juntado indícios de sua boa fé nas operações, como a comprovação de que a inaptidão das empresas terceiras de quem adquiriu as mercadorias ocorreram anos depois das operações, a lide poderia ser interpretada de forma favorável ao contribuinte. Entendimento que possui fundamento na análise conjunta dos Art. 112, 113 e 142 do CTN, assim como no Art. 10 e 16 do Decreto 70.235/72 e Art. 2.º da Lei 9784/99, que regulam o processo administrativo fiscal.
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COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DAS OPERAÇÕES. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. É certo que ao ser intimado para comprovar o aproveitamento de créditos básicos de IPI, cabe ao contribuinte a comprovação da materialidade das operações de compra e venda, com a juntada de notas fiscais (idôneas), livros, registros, recebimento do insumo ou produto, pagamentos realizados nesta operações ou quaisquer outros documentos. Da mesma forma, ao identificar na escrita fiscal do contribuinte um possível aproveitamento indevido de crédito, cabe à fiscalização descrever a infração, apontando os documentos, indícios, provas, fatos e fundamentos legais que poderiam subsumir ao tipo legal da infração. Somente se descumprida a formalidade da descrição e fundamentação da infração no lançamento e, tendo o contribuinte juntado indícios de sua boa fé nas operações, como a comprovação de que a inaptidão das empresas terceiras de quem adquiriu as mercadorias ocorreram anos depois das operações, a lide poderia ser interpretada de forma favorável ao contribuinte. Entendimento que possui fundamento na análise conjunta dos Art. 112, 113 e 142 do CTN, assim como no Art. 10 e 16 do Decreto 70.235/72 e Art. 2.º da Lei 9784/99, que regulam o processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 12 87 /2 00 5- 27 Fl. 435DF CARF MF 2 WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 404 em face de decisão de primeira instância administrativa da DRJ/MG de fls. 386 que decidiu pela improcedência da Impugnação de fls 166, restando mantido o lançamento de IPI consubstanciado no AI de fls. 147. Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, para a apreciação dos fatos e trâmite dos autos: "Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 147 a 155, lavrado para exigência de imposto recolhido a menor decorrente da utilização de créditos básicos não comprovados. A auditora fiscal, por intermédio do Termo de fl. 139, intimou a empresa a comprovar a materialidade de valores de créditos escriturados nos períodos relacionados no item 01 do citado termo. Como a empresa não logrou comproválos, foi efetuada a glosa desses montantes (coluna Débitos Apurados – fls. 140/141), que, após reconstituição da escrita fiscal (fls. 140/141), resultou nos valores exigidos de ofício (fls. 152/153). A contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 166 a 171 com as seguintes alegações, em resumo: a) “o auto de infração impugnado não descreve de forma circunstanciada os fatos que justificaram o lançamento; ao revés, lança mão de acusação lacônica e genérica, impossibilitando a apresentação de defesa eficaz pela impugnante, em desvalia de seu direito à ampla defesa, sendo, por isso, nulo de pleno direito”; b) “(...) necessário seria que a autuação indicasse com relação a quais notas fiscais de entrada escrituradas no livro Registro de Entradas não teria sido comprovada a materialidade das operações subjacentes, de forma fundamentada, o que não foi feito”; c) para defenderse da autuação a contribuinte deveria apresentar as cópias das notas fiscais cujos créditos foram glosados, bem como cópia do livro de Registro de Entradas no qual foram escrituradas. Contudo esses documentos foram entregues à fiscalização e não foram devolvidos até a data de entrega da impugnação; Fl. 436DF CARF MF Processo nº 18471.001287/200527 Acórdão n.º 3201003.096 S3C2T1 Fl. 436 3 d) todavia, após o recebimento da autuação, a contribuinte diligenciou junto a seus fornecedores e obteve as cópias das notas fiscais de fls. 200 a 254, que comprovam a materialidade dos créditos básicos escriturados. Finalizou sua defesa protestando pela juntada ao processo de cópia do Livro de Registro de Entradas, de forma a comprovar a improcedência do lançamento. Quando da primeira análise dos autos, ao verificar as cópias das notas fiscais apresentadas pela Impugnante tudo indicava que, senão todas, ao menos algumas delas correspondiam às glosas efetuadas. Considerando a informação da contribuinte de que os livros fiscais estariam em poder da Fazenda Estadual (fl. 138), bem como a solicitação de juntada de cópia desse livro, foram os autos baixados em diligência por intermédio do despacho de fls. 268/269. Foi solicitado que a fiscalização verificasse se as cópias das notas fiscais apresentadas com a Impugnação comprovavam a materialidade dos créditos glosados. Visando atender a solicitação desta DRJ, a fiscalização intimou (fls. 272/273) e reintimou a empresa (fls. 275/277) a apresentar a cópia do RAIPI e do Livro de Registro de Entradas, ambos referentes ao ano calendário de 2002. A empresa não atendeu às intimações. Contudo, ao analisar as cópias das notas fiscais apresentadas pela Impugnante, notas estas que não foram apresentadas à fiscalização quando da ação fiscal (fl.139), o auditor elaborou a informação de fls. 283/285, com as seguintes observações relativas aos documentos fiscais: as artes finais das Notas Fiscais de Fls. 191 a 209 (fls. 200 a 236 do processo digital) pelo menos sob uma visão de todo em todo apressada parecem ser exatamente as mesmas, quando examinadas superpostas contra uma fonte de luz, inclusive em sua tipologia, embora conste que tenham sido emitidas por duas diferentes contribuintes, impressas por duas gráficas também diversas, e em dois momentos distintos (06/2000 e 12/00); não consta de nenhuma das Notas Fiscais apresentadas as suas datas limites para emissão; o CNPJ da Gráfica Grafitel Ltda. 683302.474/ 000159 (sic) que consta como impressora das Notas Fiscais da empresa Comercial Brás Elétrica Ltda. (Fls. 198/209 – fls. 214 a 236 ), é, sem sombra de qualquer dúvida, inexistente; a empresa Artes Gráficas Cantão Ltda. ME, que consta como impressora das Notas Fiscais da empresa Cilplast Eletrônica Ltda. (Fls. 191/197 – fls. 200 a 212), já havia sido declarada INAPTA em 14/09/1999, QUASE UM ANO ANTES de imprimilas, por ser omissa não localizada (Fls. 232 – fl. 279), o que, pelo menos em tese, seria um obstáculo intransponível à emissão da respectiva AIDF; não consta das Notas Fiscais ditas como emitidas pela empresa Cilplast Eletrônica Ltda. (Fls. 191/197 – fls. 200 a 212) a inscrição estadual da empresa Artes Gráficas Cantão Ltda.; as Notas Fiscais da empresas Maresias Comercial, Importação e Exportação Ltda. e as Notas Fiscais da empresa Puris Fl. 437DF CARF MF 4 Comercial Ltda., embora diversas, constam como tendo sido impressas pela mesma empresa Izart Artes Gráficas Ltda.; a empresa Maresias Comercial, Importação e Exportação Ltda., emissora das Notas Fiscais de Fls. 210/213 (fls. 238 a 244), foi declarada INAPTA em 17/07/2004, por ser omissa não localizada (Fls. 233 – fl. 281); a empresa Comercial Brás Elétrica Ltda., emissora das Notas Fiscais de Fls. 198/209 (fls. 214 a 236), foi declarada INAPTA em 06/06/2003, por ser inexistente de fato (Fls. 234 –fl. 287). A fiscalização enviou à autuada cópia dos novos elementos inseridos no processo (despacho da DRJ e informação fiscal elaborada pelo auditor – fls. 289 a 293), esclarecendo acerca da possibilidade de apresentar novas razões de defesa. Novamente a contribuinte não se manifestou. Ao retornarem os autos e esta DRJ, com os novos elementos, foi observado que as informações dadas pelo auditor fiscal, acerca das notas fiscais apresentadas com a impugnação (fls. 200 a 254), apontam para a inidoneidade destes documentos, o que os tornaria imprestáveis para comprovar a legitimidade dos créditos glosados pela fiscalização. Contudo, a contribuinte não havia sido intimada a comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, nos termos do art. 4º da Portaria MF 187/93. Retornaram os autos à unidade de origem por intermédio do despacho de fls. 297/299. Foi solicitado que a contribuinte fosse intimada a comprovar o pagamento e efetivo recebimento dos bens adquiridos por intermédio das notas fiscais apresentadas em sua defesa. A fiscalização, em atendimento à nova solicitação desta DRJ, intimou a empresa a comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens adquiridos por intermédio das notas fiscais em tela. Desta feita, a fiscalização enviou a intimação tanto para o endereço da empresa como também para cinco de seus sócios (fls. 312 a 333). Das seis cópias da intimação enviadas, cinco possuem prova da ciência, mas a contribuinte, novamente, não se manifestou. O procedimento fiscal instaurado para intimar a empresa foi encerrado conforme Termo de Ciência e Encerramento de fl. 341, termo esse que também foi enviado tanto para a pessoa jurídica quanto para seus sócios (fls. 335 a 373). De novo, inércia da contribuinte. A auditora resumiu, à fl. 374, o histórico das tentativas de intimação da contribuinte, e propôs o retorno dos autos a esta DRJ. É o relatório, no essencial." A Ementa desse Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 438DF CARF MF Processo nº 18471.001287/200527 Acórdão n.º 3201003.096 S3C2T1 Fl. 437 5 Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO BÁSICO. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Para conferir legitimidade aos créditos escriturados é necessário que os documentos fiscais, em geral as notas fiscais de entradas, sejam hábeis e idôneos para tal comprovação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." No Recurso Voluntário o contribuinte solicitou a nulidade do lançamento em razão da não descrição dos fatos e em razão de ter ocorrido novo lançamento de fato, mas sem a devida formalização e também reforçou as argumentações da impugnação. No mérito, o contribuinte contestou a presunção de que as Notas Fiscais seriam inidôneas e juntou comprovantes de baixa do CNPJ das empresas, terceiras, com datas posteriores às operações, assim como contestou a questão do crédito existir mesmo em operações com empresas varejistas. Os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte se refere ao "Termo de Verificação" como um documento, presente nos autos, que conteria o relatório fiscal que normalmente descreve o lançamento. Contudo, não há nos autos nenhum relatório fiscal que descreva o lançamento, assim como não há o mencionado "Termo de Verificação Fiscal". Constatado esse fato, em adição é possível verificar que o lançamento encontra descrição muito breve somente no AI de fls 147, com fundamentos legais realmente genéricos, conforme print screen das telas dos autos juntado a seguir: Fl. 439DF CARF MF 6 (...) (...) E partindo desta análise foi que o contribuinte solicitou a nulidade, considerando inclusive que o lançamento / individualização surgiu somente com uma diligencia da DRJ/MG de fls. 268, anos após a lavratura do AI. Esta diligência partiu da premissa de que o contribuinte havia juntado as notas fiscais e livros somente a partir da impugnação, algo que é controverso nos autos, porque o contribuinte alega ter juntado toda sua escrita e notas fiscais desde a fiscalização e esta, somente identificou um suposto aproveitamento indevido de crédito justamente a partir dos documentos juntados (vide fls. 140 reconstituição fiscal de creditos). Isto pode ser verificado conforme intimação de fls. 139 em que a fiscalização solicitou a comprovação dos créditos aproveitados de 01/02 a 12/02 e em seguida fez a reconstituição da escrita fiscal, com os débitos e créditos escriturados em fls. 140. Por sua vez, o contribuinte apresentou impugnação e juntou as notas fiscais (doc 4) que poderiam corresponder a este período, mas sem realmente ter certeza, porque não houve qualquer descrição ou individualização das operações ou notas fiscais no lançamento. Isto foi tudo o que ocorreu durante a fiscalização. Mas voltando na diligência da DRJ/MG, ocorrida anos após o lançamento, é possível verificar que, com intimações para juntar novamente os livros fiscais em 24 horas ou 05 dias, a unidade de origem apresentou o resultado da diligência com a informação de que todas as operações naquele período teriam sido realizadas com empresas inaptas e, portanto, as notas fiscais seriam falsas e não comprovariam o crédito. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 18471.001287/200527 Acórdão n.º 3201003.096 S3C2T1 Fl. 438 7 Não houve nenhuma perícia nas notas fiscais. Os extratos dos CNPJs que teriam apontado a inaptidão das empresas foram consultados somente em 2010, conforme folhas anexas ao resultado da diligência fls 283, anos após as datas das notas fiscais. Assim, o contribuinte foi intimado novamente para comprovar o pagamento dos produtos adquiridos e seu recebimento, assim como foi juntado um termo de encerramento dessa nova fiscalização em fls. 341, com uma nova conclusão, fatos e fundamentos do lançamento, com data de 21/07/11, sendo que o Auto de Infração foi lavrado em 09/05. Destacase, a argumentação utilizada na DRJ/MG para a manutenção do lançamento, afirmando que, das notas fiscais da Puris Comercial, que não possuíam nenhuma irregularidade, de qualquer forma o contribuinte não poderia ter aproveitado crédito de IPI uma vez que esta empresa seria varejista, que de acordo com os artigos 11 e 12 do RIPI/98, não é situação passível de geração de crédito. Infração que não possui apontamento, descrição ou fundamentação legal nenhuma no lançamento. nem na diligencia da DRJ. Assim, ainda que se trate de suposto aproveitamento indevido de crédito, um lançamento relativamente simples, que exige uma descrição igualmente simples, não haveria qualquer descrição nos autos que permitiria a manutenção integral do lançamento. Este foi um dos pontos apresentados pelo contribuinte em sua defesa. Desse modo, considerando que o contribuinte comprovou com os extratos de baixa de CNPJ juntados com o Recurso Voluntário que as empresas Bras, Maresias e Artes Gráficas tiveram seus CNPJs baixados somente 2008, anos após as operações objeto do lanaçamento (todas em 2002), não haveria como presumir (ausência de individualização) que o contribuinte tenha agido de máfé e falsificado as notas fiscais que teriam acompanhado os aproveitamentos de créditos. Assim, ainda que não tenha juntado o comprovante do pagamento das mercadorias ou seus recebimentos, a lide mereceria interpretação favorável ao contribuinte, uma vez que nada neste sentido foi solicitado pela fiscalização antes do lançamento. Mas com relação às operações realizadas com a empresa Ciplast, por exemplo, verificase que o contribuinte não juntou a comprovação de que o CNPJ desta empresa teria sido baixado após a compra das mercadorias. Também é possível verificar que, seja durante a fiscalização original, seja na diligência proposta pela DRJ/MG de fls. 268 e resultado de fls. 283, não há qualquer menção ou acusação de que a Ciplast estaria inapta. Há somente, na decisão de primeira instância, um apontamento de que a Ciplast teria DIPJ de inativa em fls. 377 e 378, no ano calendário da operação (2002). Mas ainda que tardio, tal informação é suficiente para demonstrar certa fragilidade na defesa do contribuinte, o que dá margem para a manutenção do lançamento nas operações com as empresas, visto que possui relação direta com o tema do lançamento, o aproveitamento indevido de crédito. Fl. 441DF CARF MF 8 Nos moldes do Art. 59 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, a nulidade pode ser superada se não houver prejuízo na continuidade do julgamento. Neste caso não há prejuízo, visto que é possível tratar da matéria. Ainda que de forma análoga ao que dispôs a decisão proferida no RESP 1.148.444/MG no âmbito do STJ, destacase que em nenhuma operação de compra e venda e contribuinte comprovou ser um adquirente de boa fé, porque não apresentou cópia do livro de registro de entrada, comprovante dos pagamentos efetuados às empresa e não comprovou ter exigido das empresas documentação que atestasse a regularidade destas, como um extrato do sintegra ou serasa, por exemplo. A DRJ/MG de fls. 386, em sua decisão de primeira instância administrativa fiscal, registrou o seguinte entendimento, conforme trecho transcrito a seguir: "Em razão das irregularidades apontadas, é certo que há motivos mais que suficientes para suspeitar da idoneidade das notas fiscais emitidas pelas empresas acima relacionadas. Contudo, como a inidoneidade desses documentos só foi suscitada após a impugnação, os autos retornaram à unidade de origem para que a Ezalpha (adquirente) fosse intimada a comprovar o pagamento e efetivo ingresso dos bens adquiridos mediante as notas fiscais em tela (fls. 312/313). Apesar de intimada a fazêlo, a empresa não se manifestou (a intimação foi dirigida também aos sócios). Ou seja, não foi comprovada nem a entrada em seu estabelecimento e nem o pagamento dos bens supostamente adquiridos por intermédio dos documentos fiscais emitidos pelas empresas: Ciplast Eletrônica, Comercial Brás Elétrica e Maresias Comercial." Assim, com relação direta ao aproveitamento indevido de créditos, o lançamento deve ser mantido, ainda que breve e deficiente, visto que não há nada que comprove que as Notas Fiscais foram juntadas antes da impugnação (o que justifica a diligência fiscal posterior). Destacase, por mais óbvio que seja, dentro das limitações de competência, que a manutenção do lançamento, neste caso, serve meramente para cobrar o crédito não comprovado nas operações com as empresas, visto que não foi comprovada a máfé ou quaisquer infrações graves à legislação, como a fraude ou a simulação. Com relação às multas e juros, estas podem ser mantidas, visto que no patamar legal e regular. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, dentro dos mesmos fundamentos apresentados na decisão de primeira instância. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 442DF CARF MF Processo nº 18471.001287/200527 Acórdão n.º 3201003.096 S3C2T1 Fl. 439 9 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.900471/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.900
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 04 71 /2 01 3- 97 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14054.553, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.900471/201397 Acórdão n.º 3201002.900 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000600/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para que o presente processo seja encaminhado à unidade de origem e esta emita relatório contendo as informações acerca da modalidade de despacho em confronto com as respectivas datas de embarque, de registro da declaração e de prestação das informações pertinentes.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para que o presente processo seja encaminhado à unidade de origem e esta emita relatório contendo as informações acerca da modalidade de despacho em confronto com as respectivas datas de embarque, de registro da declaração e de prestação das informações pertinentes. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/SP1, (fls. 126/135): Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 01/12/2009, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa por registro intempestivo dos dados de embarque, em operação de exportação , preceituada no art. 15, 17, 24, 27, 30 a 32, 36 a 43, 52 a 55, 59 a 60 do Decreto 4.543/02, no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 21 .0 00 60 0/ 20 09 -1 2 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Resolução nº 3301000.506 S3C3T1 Fl. 1.703 2 10.833/03 e art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27/04/1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 1.096/2010. Relata a autoridade fiscal que as mercadorias despachadas através das DDE’s relacionadas às fls. 95/97 foram embarcadas em navios descritos na mesma listagem, sempre com mais de 07 (sete) dias contados da data do efetivo embarque. Assim, pelo fato de não ter registrado no Siscomex os dados de embarque daquelas mercadorias, na forma e prazo estabelecidos no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27/04/1994, o contribuinte foi autuado para exigência da multa prevista no inciso IV, item “e” do art. 107, do Decretolei nº 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/03, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por evento infracional. Ao todo foram 92 registros intempestivos (v. fls. 95/97), sendo que a multa aplicada (por DDE) totalizou o valor de R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais) para o Auto de Infração. Ciente do teor do Auto de Infração, e inconformada com o mesmo, a autuada apresentou sua peça impugnatória às fls. 109/114 , cujos principais argumentos podem ser assim descritos: 01 Por razões alheias à vontade da Impugnante, como o atraso das informações que deveriam ser prestadas pelos exportadores, as referidas DDEs não puderam ser entregues dentro do prazo estabelecido. Resta, portanto, demonstrado que a Impugnante não deixou de prestar informações sobre veiculo ou carga nele transportada. Apenas o fez com atraso, hipótese diferente da prevista na penalidade cominada. 02 Alega ilegitimidade passiva , por entender que não lhe pode ser cominada a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, já que a Impugnante não reveste a condição, conforme o relato fiscal, de transportador internacional legal no Pais, ou seja, a Impugnante não é empresa transportadora que promova transporte nacional ou internacional e nem é prestadora de serviços de transporte internacional ou agente de carga, mas apenas uma agência de navegação que tem por fim prover todas as necessidades do navio no porto de destino. 03 – Alega ter direito ao benefício do instituto da denúncia espontânea, pois que a prestação de informações foi feita antes do início de qualquer procedimento administrativo. 04 Se devida fosse a multa, entende que esta deveria ser aplicada uma única vez por veiculo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Por meio do Acórdão no 1644.20223ª Turma da DRJ/SP1, julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Resolução nº 3301000.506 S3C3T1 Fl. 1.704 3 MULTA POR REGISTRO INTEMPESTIVO DE DADOS DE EMBARQUE. Aplicase a multa por registro intempestivo dos dados de embarque no Siscomex, relativamente a despachos de exportação, quando o mesmo ocorrer além do prazo de sete dias, em face da nova redação do art. 37 da IN SRF nº 28/94, dada pela IN SRF no 1.096/ 2010, ao amparo da retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN. A base legal para a penalidade encontrase consubstanciada no art. 107 do DecretoLei nº 37/66, inciso IV, alínea “e”. A multa é calculada por embarque em veículo transportador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Derrogação da Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. DecretoLei nº 37/66, art. 32, com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/02/2005 a 30/11/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Em relação à figura da denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN, e, no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, somente é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso em relação ao registro com atraso, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria, que se torna ostensivo com o decurso do prazo para tal fixado. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 152/160), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.254– 1ª Turma Especial (fls.183/191), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/02/2005 a 30/11/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Resolução nº 3301000.506 S3C3T1 Fl. 1.705 4 Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 193/199 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100390 – 1ª Câmara (fls 201/202), e a Recorrente apresentou contrarrazões (fls 207/215). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.590– 3ª Turma (fls. 256/264) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/02/2005 a 30/11/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 264) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10821.000600/200912 Resolução nº 3301000.506 S3C3T1 Fl. 1.706 5 Voto A Recorrente alegou que teria a autoridade aduaneira se baseado, para aplicação da respectiva penalidade, no art. 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, com redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13/12/2010, contrariou o disposto no art. 56, da referida IN SRF nº 28/94, já que o art. 37 estabelece o prazo de 07 (sete) dias para o transportador efetuar o registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria, enquanto que o inciso III do art. 56 confere o prazo de até 10(dez) dias contado após a conclusão do embarque ou transposição de fronteira, para o exportador efetuar a declaração para o despacho aduaneiro de exportação. Nesse contexto, há necessidade de se verificar, em relação a cada penalidade aplicada, as seguintes informações: 1. a modalidade de despacho de adotada pela Recorrente; 2. a data de embarque; 3. a data de registro da declaração de exportação; e 4. a data de registro dos dados de embarque no Siscomex. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que o presente processo seja encaminhado à unidade de origem e esta emita relatório evidenciando as informações indicadas no item anterior. Após concluídas as diligências, a unidade de origem deverá cientificar o contribuinte do relatório elaborado, dandolhe prazo de 30 dias para se pronunciar. Concluídas as etapas anteriores o processo deve ser devolvido ao CARF para que se prossiga no julgamento. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 286DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.001068/2004-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
Numero da decisão: 1801-000.655
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas e, no mérito em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas e, no mérito em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 849DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 774 2 Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 691/703, com a exigência do crédito tributário no valor de R$34.880,95 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido nos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas constatada em razão do cotejo das informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 195/349 e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 13/34, com aquelas registradas no Livro Diário, no Livro Razão e nas notas fiscais fatura saída decorrentes de vendas no mercado interno inclusive para clientes pessoas jurídicas comerciais exportadoras, fls. 392/685. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 224, art. 518, art. 518 e inciso III do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 14/05/2004, fl. 702, a Recorrente apresentou a impugnação em 15/06/2004, fls. 709/730, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que o lançamentos é nulo, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) somente se referia ao PIS e à Cofins. Defende que a legislação prevê a exclusão de receita de exportação da base de cálculo do Pis e da Cofins e elabora um demonstrativo detalhado com os valores que entende que devam ser deduzidos, fls. 712/717. Argúi que, além da receita bruta auferida de clientes pessoas jurídicas comerciais exportadoras, Em relação ao IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) conforme resumos de esclarecimentos juntados pelo contribuinte folhas 70/73, de idêntico modo, a autoridade fiscal não observou que as diferenças eram oriundas de vendas canceladas, devoluções, vendas do ativo permanente. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic alegando que há erros de cálculo e ainda se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Fl. 850DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 775 3 Ante o exposto, observados o argumento e a prova documental produzida, apresentada em atendimento ao Termo de Inicio da Fiscalização — fls 35 a 37 do PAF n. 10940.001068/200481, considerando que não existem as diferenças apuradas pelo Autoridade Fiscalizadora, requerse o cancelamento do Auto de Infração IRPJ com o arquivamento do processo administrativo fiscal. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0618.635, de 17/07/2008, fls. 740/748: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/1999, 30/09/1999, 31/12/1999, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO. Deve ser mantido o lançamento, quando o contribuinte deixa de apresentar prova capaz de refutar as diferenças expostas no trabalho fiscal. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. O lucro da atividade comercial, advindo de receitas oriundas de vendas destinadas à exportação compõe a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sendo que eventual isenção é sempre condicionada a existência de norma legal expressa em vigor. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Notificada em 11/08/2008, fl. 751, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03/09/2008, fls. 752/765, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Ante o exposto, observados o argumento e a prova documental produzida, apresentada em atendimento ao Termo de Inicio da Fiscalização — fls. 35 a 37 do PAF n. 10940.001068/200481, considerando que não existem as diferenças apuradas pela Autoridade Fiscalizadora, requerse o cancelamento do Auto de Infração IRPJ com o arquivamento do processo administrativo fiscal. É o Relatório. Fl. 851DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 776 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe esclarecer que as alegações referentes à CSLL, ao Pis e à Cofins não podem ser analisadas, uma vez que estes tributos não foram objeto do lançamento formalizado nos presentes autos. A Recorrente alega que o ato administrativo é nulo. O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilo ou impugnálo no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fl. 01, do Termo de Início de Fiscalização, fls. 35/37, do Termo de Intimação Fiscal, fls. 350/351 e finalizou em 14/05/2004 com a ciência válida do Auto de Infração, fls. 691/703. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou o Auto de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes confere existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente diz que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) está irregular. Os procedimentos de fiscalização relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) são executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRB) (Decreto nº 6.104, de abril de 2007 e Decreto nº 6.641, de 10 de novembro de 2008). Esses procedimentos são instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. As alterações no MPFF, decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição do agente público, bem como dos tributos e contribuições a serem examinados e período de apuração são procedidas mediante emissão de Mandato de Procedimento Fiscal Complementar (MPF – C). No caso em que as infrações são apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no Fl. 852DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 777 5 MPFF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF – F tem validade por 120 (cento e vinte dias) prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta dias), cujas informações ficam disponíveis ao sujeito passivo na internet sem necessidade de novas notificações sucessivas. A extinção do MPF ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio (Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007). No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa/PR expediu o MPF nº 09104002004000663, fl. 01. Este ato relativo a assunto interna corporis é instrumento de controle interno de instauração de procedimentos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo e seus eventuais vícios se consideram meras irregularidades e não têm o efeito de contaminar de nulidade o lançamento de ofício. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Sobre o lucro presumido, o RIR, de 1999, determina: Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). [...] Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. [...] Fl. 853DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 778 6 Art.516.A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). §1ºA opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §1º ). §2ºRelativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §2º ). §3ºA pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). §5ºO imposto com base no lucro presumido será determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observado o disposto neste Subtítulo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). A Recorrente fez opção pela tributação com base no lucro presumido e deve determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Com base nos elementos disponíveis então por ela apresentados, a autoridade fiscal apurou o ilícito tributário da omissão de receitas mediante o cotejo das informações Fl. 854DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 779 7 constantes nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 195/349 e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 13/34, com aquelas registradas no Livro Diário, no Livro Razão e nas notas fiscais fatura de saída decorrente de vendas no mercado interno, ainda que sejam para clientes pessoas jurídicas comerciais exportadoras, fls. 392/685. Verificase que não há previsão expressa que autorize a dedução da base de cálculo dos valores decorrentes de vendas no mercado interno para clientes pessoas jurídicas comerciais exportadoras. Tampouco há permissivo legal para dedução da receita bruta dos valores auferidos a título de vendas do ativo permanente. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. É necessário um cuidadoso exame dos valores que compõem a receita bruta, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem os valores que devem ser excluídos da base de cálculo apurada de ofício, tais como vendas canceladas e devoluções. Confrontando os valores objeto da ação fiscal, fls. 686/690, com aqueles indicados pela Recorrente no Demonstrativo às fls. 70/73, restou evidenciado que somente foi objeto de lançamento a receita bruta que é fato gerador do IRPJ que comprovadamente não foi oferecida à tributação. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto nesta parte. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic, defendendo a tese de há erros de cálculo. Pelo fato desse argumento, o Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art.5º [...] §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 855DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 780 8 [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aplicando a legislação de regência ao presente caso, verificase que como a Recorrente não procedeu ao pagamento do crédito tributário até a data do vencimento, deve fazêlo acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em decisões definitivas de mérito proferidas em recursos extraordinário com repercussão geral e em recurso especial repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/09/20091: RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.175 SP (2009/00188256) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA RECORRENTE : SOFT SPUMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO: WALDEMAR CURY MALULY JUNIOR E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO 1 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=5338305&sReg=200900188256 &sData=20090701&sTipo=5&formato=PDF; acesso em 16/04/2011. Fl. 856DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 781 9 OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Ainda em relação à matéria, vale transcrever os enunciados de súmulas do CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevêem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cabe ressaltar o crédito tributário da União constituído não pago até a data do vencimento é acrescido de juros de mora equivalentes à Selic para títulos federais. Para que o valor do crédito tributário seja alterado, é imprescindível a comprovação do alegado erro de cálculo com precisão. A Recorrente não evidenciou sua tese de há incorreções no lançamento. Por conseguinte, não lhe cabe razão. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos Fl. 857DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 782 10 princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fixa: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Diferentemente do entendimento da Recorrente, a aplicação da multa de mora é aplicável somente nos casos de pagamento espontâneo de tributo fora dos prazos de vencimento e antes do início do procedimento fiscal. De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) e depois de excluída a espontaneidade da Recorrente com a ciência do Termo de Início de Fiscalização, fls. 03/05, prevalece a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Portanto, não cabem reparos ao lançamento. Fl. 858DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10940.001068/200481 Acórdão n.º 180100.655 S1TE01 Fl. 783 11 No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 859DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 16327.720387/2015-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE. MERA TRANSCRIÇÃO DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Nos termos do artigo 59, §3º, do Decreto 70.235/1972, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 CTN. INEXISTÊNCIA. DIFERENTES FATOS GERADORES. ANOS-CALENDÁRIO DIVERSOS.
O artigo 146 do CTN não engessa a atividade do fisco quanto a diferentes fatos geradores, mesmo que referentes à mesma operação societária. Assim, tal dispositivo não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um ano-calendário sob determinado fundamento e, para o ano-calendário seguinte, alegar outro fundamento para uma nova autuação.
ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto.
ÁGIO. REQUISITOS PARA AMORTIZAÇÃO FISCAL. DEMONSTRATIVO. FORMALIDADE. Não se pode confundir a fundamentação econômica do ágio (requisito para registro contábil e fiscal) com o fundamento para o pagamento do preço na operação (questão negocial). O fato de o preço da participação societária ter sido avençado com base em outro critério que não diretamente a rentabilidade futura da investida não tem o condão de alterar o fundamento para o registro do ágio, se o laudo ou demonstrativo tem por base a rentabilidade futura da empresa adquirida. O demonstrativo é, sim, um requisito formal importante para o registro do ágio e, uma vez cumprida tal formalidade -- ou seja, havendo demonstração contemporânea aos fatos que possa respaldar o valor negociado na rentabilidade futura da adquirida -- o registro do ágio com o fundamento ali demonstrado está apto a produzir seus efeitos tributários.
AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL DO ÁGIO. AUSÊNCIA DE IMPACTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio passível de ser amortizado em razão do evento de incorporação é aquele apurado nos termos do artigo 20 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, qual seja, custo de aquisição menos o valor de patrimônio líquido do investimento adquirido, sem a exclusão de qualquer outra parcela. O ágio amortizado na escrituração contábil antes dos referidos eventos não tem nenhuma repercussão de natureza tributária, devendo ser adicionado ao lucro líquido e controlado em livros fiscais.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE CSLL. Não se conhece de argumentos para a glosa que não foram mencionados na autuação fiscal, sob pena de inovação do critério jurídico do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 1401-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 NULIDADE. MERA TRANSCRIÇÃO DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Nos termos do artigo 59, §3º, do Decreto 70.235/1972, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 CTN. INEXISTÊNCIA. DIFERENTES FATOS GERADORES. ANOS-CALENDÁRIO DIVERSOS. O artigo 146 do CTN não engessa a atividade do fisco quanto a diferentes fatos geradores, mesmo que referentes à mesma operação societária. Assim, tal dispositivo não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um ano-calendário sob determinado fundamento e, para o ano-calendário seguinte, alegar outro fundamento para uma nova autuação. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. ÁGIO. REQUISITOS PARA AMORTIZAÇÃO FISCAL. DEMONSTRATIVO. FORMALIDADE. Não se pode confundir a fundamentação econômica do ágio (requisito para registro contábil e fiscal) com o fundamento para o pagamento do preço na operação (questão negocial). O fato de o preço da participação societária ter sido avençado com base em outro critério que não diretamente a rentabilidade futura da investida não tem o condão de alterar o fundamento para o registro do ágio, se o laudo ou demonstrativo tem por base a rentabilidade futura da empresa adquirida. O demonstrativo é, sim, um requisito formal importante para o registro do ágio e, uma vez cumprida tal formalidade -- ou seja, havendo demonstração contemporânea aos fatos que possa respaldar o valor negociado na rentabilidade futura da adquirida -- o registro do ágio com o fundamento ali demonstrado está apto a produzir seus efeitos tributários. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL DO ÁGIO. AUSÊNCIA DE IMPACTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio passível de ser amortizado em razão do evento de incorporação é aquele apurado nos termos do artigo 20 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, qual seja, custo de aquisição menos o valor de patrimônio líquido do investimento adquirido, sem a exclusão de qualquer outra parcela. O ágio amortizado na escrituração contábil antes dos referidos eventos não tem nenhuma repercussão de natureza tributária, devendo ser adicionado ao lucro líquido e controlado em livros fiscais. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE CSLL. Não se conhece de argumentos para a glosa que não foram mencionados na autuação fiscal, sob pena de inovação do critério jurídico do lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.550 1 1.549 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720387/201566 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.908 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2017 Matéria ÁGIO Recorrente BM&F BOVESPA S.A. BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE. MERA TRANSCRIÇÃO DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Nos termos do artigo 59, §3º, do Decreto 70.235/1972, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 CTN. INEXISTÊNCIA. DIFERENTES FATOS GERADORES. ANOS CALENDÁRIO DIVERSOS. O artigo 146 do CTN não engessa a atividade do fisco quanto a diferentes fatos geradores, mesmo que referentes à mesma operação societária. Assim, tal dispositivo não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um anocalendário sob determinado fundamento e, para o anocalendário seguinte, alegar outro fundamento para uma nova autuação. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. ÁGIO. REQUISITOS PARA AMORTIZAÇÃO FISCAL. DEMONSTRATIVO. FORMALIDADE. Não se pode confundir a fundamentação econômica do ágio (requisito para registro contábil e fiscal) com o fundamento para o pagamento do preço na operação (questão negocial). O fato de o preço da participação societária ter sido avençado com base em outro critério que não diretamente a rentabilidade futura da investida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 87 /2 01 5- 66 Fl. 1550DF CARF MF 2 não tem o condão de alterar o fundamento para o registro do ágio, se o laudo ou demonstrativo tem por base a rentabilidade futura da empresa adquirida. O demonstrativo é, sim, um requisito formal importante para o registro do ágio e, uma vez cumprida tal formalidade ou seja, havendo demonstração contemporânea aos fatos que possa respaldar o valor negociado na rentabilidade futura da adquirida o registro do ágio com o fundamento ali demonstrado está apto a produzir seus efeitos tributários. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL DO ÁGIO. AUSÊNCIA DE IMPACTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio passível de ser amortizado em razão do evento de incorporação é aquele apurado nos termos do artigo 20 do Decreto Lei nº 1.598/1977, qual seja, custo de aquisição menos o valor de patrimônio líquido do investimento adquirido, sem a exclusão de qualquer outra parcela. O ágio amortizado na escrituração contábil antes dos referidos eventos não tem nenhuma repercussão de natureza tributária, devendo ser adicionado ao lucro líquido e controlado em livros fiscais. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE CSLL. Não se conhece de argumentos para a glosa que não foram mencionados na autuação fiscal, sob pena de inovação do critério jurídico do lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.551 3 Relatório Tratase de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ e da CSLL referente aos anos calendário de 2010 e 2011, acrescidos de juros e multa de ofício de 75%. No entender da Fiscalização, a contribuinte deduziu indevidamente da base de cálculo desses tributos despesas com amortização de ágio resultante da aquisição da Bovespa Holding S.A., ocorrida em 8 de maio de 2008. A Fiscalização destaca, ainda, que a amortização empreendida nos anos calendário de 2008 e 2009 referente a esta mesma reorganização societária já foi objeto de autuação mantida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (processo administrativo nº. 16327.001536/201080). O ágio ora em discussão surgiu da reorganização societária havida entre as pessoas jurídicas BM&F S/A e Bovespa Holding S.A., denominada pelas partes de “Integração BOVESPA BM&F”, realizada de forma a unificar as atividades das duas sociedades em uma única companhia. Os documentos societários dão conta que uma das condições definida por seus sócios para efetivação das operações que levariam à união entre as duas companhias era que, ao final da reorganização societária, o grupo de acionistas da Bovespa Holding S.A. e o grupo de acionistas da BM&F, deveriam ter, cada qual, 50% de participação societária na companhia resultante, no caso a Nova Bolsa S.A.. A essa participação societária igualitária as partes denominaramna “Equilíbrio Acionário”. As etapas da reorganização societária estão resumidas a seguir e foram extraídas do Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações de Emissão da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa S/A, datado de 17 de abril de 2008: “(i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na consequente extinção de BM&F; (ii) Na mesma data, em deliberação distinta e subsequente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) Resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) Como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembleia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; Fl. 1552DF CARF MF 4 (v) a partir da realização das assembleias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP.” Assim, em 8 de maio de 2008, a Nova Bolsa S.A., constituída em 14 de dezembro de 2007: (i) incorporou a BM&F S.A., por seu valor de patrimônio líquido contábil (cerca de R$2,6 bilhões) e, em seguida, (ii) incorporou as ações da Bovespa Holding S.A. (que possuía patrimônio líquido contábil de cerca de R$ 1,5 bilhão e valor de mercado de R$ 17,9 bilhões, conforme listada na Bolsa de Valores de São Paulo). Esta última operação deu origem ao ágio ora questionado. Então, em 28 de novembro de 2008, a Nova Bolsa S.A. incorporou Bovespa Holding S.A., passando a amortizar o ágio. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) enumera nove requisitos legais para a dedução da amortização de ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para, depois, analisar o preenchimento de cada um deles. Tais requisitos seriam (fls. 2931): 1º Que exista participação societária adquirida com ágio, apurado segundo disposto no art. 20 do DecretoLei 1.598/77, ou seja, o valor do ágio na aquisição deve ser determinado e apurado sob seu conceito fiscal e respectivos fundamentos econômicos. Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: 2º Indicação do fundamento econômico do ágio. DecretoLei 1.598/77 Art. 20 ... § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas 3º Classificado, segundo seu fundamento econômico, a obrigatoriedade de demonstração cabal da classificação contábil dos valores do ágio, segundo o seu fundamento econômico. Decreto Lei 1.598/77 Art. 20 ... ... § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. 4º Que haja absorção do patrimônio da participação societária anteriormente adquirida, em virtude de fusão, cisão ou incorporação. Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.552 5 5º Que na absorção do patrimônio, primeiramente devem ser registrados os valores dos ágios relativos aos ativos correspondentes às alíneas “a” e “c” do § 2º do artigo 20 do Decretolei 1.598/77 (estes não sujeitos a amortização). I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; Referidas alíneas do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 6º Que o ágio registrado seja relativo e tenha por fundamento a expectativa de geração de lucros futuros. III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (alínea “b” rentabilidade com base em previsão de resultados futuros) 7º Que o ágio seja amortizado nos balanços correspondentes à apuração do lucro real. III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; 8º Que a amortização seja feita nos balanços levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão. III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977 , nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; 9º Que a despesa de amortização corresponda no máximo a um sessenta avos do valor do ágio, para cada mês do período de apuração. III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977 , nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; O TVF esclarece então o objeto da autuação, sendo importante destacar (fl. 35, grifos nossos): "... não questionamos, no presente termo, o propósito negocial das operações. O que se analisa é a impossibilidade de dedução fiscal da maisvalia reconhecida pelo contribuinte no ano de 2008. (...) Até este ponto, pode parecer que o escopo da presente fiscalização é cobrar imposto de renda sobre valores relativos ao acréscimo patrimonial advindo da Fl. 1554DF CARF MF 6 previsão feita em 2008 dos resultados futuros projetados até 2017, somente por ter sido registrado contabilmente. Mas o escopo do presente trabalho é justamente o contrário: É demonstrar que os resultados reais das atividades operacionais realizadas nos anos para os quais os resultados foram projetados/estimados (2008 a 2017) devem ser tributados nos períodos em que efetivamente acontecem (quando há efetivo acréscimo patrimonial). Demonstra esta fiscalização, que os resultados das atividades obtidos nos anos de 2010 e 2011 (período sob análise) devem servir de base de cálculo para o imposto de renda e contribuição social destes períodos, não podendo ser excluídos das bases dos tributos pelo simples fato de que foram previstos em 2008." Passando à análise dos requisitos, o TVF observa que apenas o 4o e o 9o teriam sido observados, apontando o seguinte quanto aos demais, nesta ordem: > 1o requisito: "que exista ágio apurado em seu conceito fiscal": Nesse ponto, tece considerações acerca do princípio contábil do custo como base de valor para concluir que "o custo de aquisição prescrito no art. 20 do DecretoLei 1.598/77 só pode ser interpretado em seu significado econômico e não atribuirlhe significado ou definição contábil, uma vez que a própria Ciência Contábil adota a o custo econômico como base de valor para os registros contábeis." (fl. 40) Considera, ademais, que "Na qualidade de benesse tributária, a dedução da amortização deverá envolver a situação LITERALMENTE prevista no artigo 7º da Lei 9.532/97, assim como observar ESTRITAMENTE as condições estipuladas, sob pena de ser considerada indevida. Esse pressuposto de observância estrita dos requisitos legais, típica das situações onde há qualquer espécie de renúncia fiscal, se encontra expressamente previsto no artigo 111 do CTN:" (fl. 40) Analisa, então, a forma de aquisição da participação societária que deu origem ao ágio a incorporação de ações e conclui que "... não há que se falar em sacrifício financeiro a ser despendido por qualquer das partes (acionistas das duas companhias) numa operação de substituição de ações, tal como o previsto na Incorporação de Ações." (fl. 44) A conclusão acima é resultado das seguintes constatações, nos termos do TVF (fls. 4647): • O instituto da Incorporação de Ações é meio a tornar uma companhia subsidiária integral de outra e pode ser utilizado como forma de reorganização societária; • O artigo 252 da Lei 6.404/76 é completo ao tratar da Incorporação de Ações estipulando as regras e procedimentos que devem ser obedecidos em sua plenitude; • Para a companhia incorporadora, a aquisição de ações e a emissão de ações, embora possam parecer fatos distintos, se complementam, um não existe sem o outro e não podem ser analisados como fatos isolados. • A determinação da relação de substituição de ações é ato que antecede a Incorporação de Ações e utiliza critérios estabelecidos entre as partes para sua definição Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.553 7 • A Incorporação de Ações não abrange em seu conteúdo operação de compra e venda que possa justificar qualquer relação a preço ou sobre preço de ações • À Incorporação de Ações não se aplicam as normas do artigo 182 da Lei 6.404/76, relativas a “preço de emissão”; • Na Incorporação de Ações as ações incorporadas são classificadas como “participações societárias” no ativo da companhia incorporadora e o valor da contrapartida deve ser classificado na conta contábil que registre o valor do aumento do capital social (e não reservas), e • A operação de incorporação de ações, por apresentar características relacionadas à substituição equitativa de ações e preservação das riquezas envolvidas, não apresenta fatores causadores de custos de aquisição, em seu conceito econômico, que possam ensejar o surgimento do ágio previsto no art. 20 do DecretoLei 1.598/77. > 3o requisito: atendimento ao disposto no § 3º do artigo 20 do DecretoLei 1.598/77, segundo o qual a classificação contábil deve ser baseada em “demonstração” que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Quanto a este requisito, o TVF considera não haver tal "demonstração". Isso porque o registro contábil pela aquisição das ações da Bovespa Holding S.A. realizado pela Nova Bolsa S.A. foi realizado pelo valor de mercado de R$17.942.090.162,46, o qual, segundo item 5.5 do Protocolo de Incorporação de ações, seria "equivalente à média ponderada pelo volume financeiro transacionado das cotações médias, ajustadas pelos proventos distribuídos, observadas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. BVSP nos últimos 30 dias que antecederam 19.02.08, correspondente a R$24,82 por ação, valor este respaldado pelo Laudo de Avaliação." O TVF considerou que "... os valores de negociação das ações em pregão de bolsa de valores não apresentam a tecnicidade exigida para classificação dos fundamentos econômicos que possam ser atribuíveis ao ágio, conforme previsto no Decretolei 1.598/77, artigo 20, em suas letras “a” e “b” ou “c”." Observa, ademais, que "embora o contribuinte tenha apresentado laudo de avaliação das Companhias BVSP e CBLC (subsidiárias da Bovespa Holding S.A.), com previsão em resultados futuros, tal avaliação não guarda relação com o valor utilizado para registro contábil da aquisição (valor de mercado das ações da Bovespa Holding)." Conclui que o laudo da Delloite, Touche Tohmatsu Consultores Ltda. apresentado pelo contribuinte não se presta a comprovar a escrituração contábil, no que se refere à classificação dos fundamentos econômicos do ágio e, principalmente no que se refere à possibilidade de dedutibilidade fiscal, tal como expresso no voto vencedor proferido nos autos do processo nº 16327.001536/201080: "... dúvidas não há de que o LAUDO apresentado “suporta” o montante apropriado a título de ágio, eis que o intervalo de valor nele referenciado é superior ao total da despesa, mas, considerar que ele possa servir como demonstrativo do valor apropriado no resultado fiscal e como comprovante de escrituração, para o Colegiado, é inadmissível." Fl. 1556DF CARF MF 8 > 2º requisito Indicação do fundamento econômico do ágio. O art. 20 do DecretoLei determina que o lançamento (contábil) do ágio deve indicar, dentre os relacionados, seu fundamento econômico. Registrada contabilmente a participação societária, com se seu custo de aquisição fosse o valor das ações nos pregões da Bolsa de Valores, o valor da parte relativa ao desmembramento de ágio foi indicado sob os fundamentos econômicos elencados a seguir: Ágio: R$ 16.398.291.654,53 Nesse ponto, observa que contribuinte realizou e apresentou (extra contabilmente) a indicação do fundamento econômico do ágio registrado. Entretanto, a classificação do ágio deve ser feita segundo sua fundamentação econômica e não segundo a simples indicação do contribuinte. > 5º requisito segundo o TVF, a estrutura do artigo 7º da Lei 9.532/97 expressa que o contribuinte, primeiramente, deverá registrar contabilmente os valores de ágio que tenham como fundamentos econômicos as alíneas “a” e “c” do § 2º do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598/77 (estes não sujeitos a amortização). Observa, assim, que o registro de ágio com fundamento econômico de rentabilidade com base em previsão dos resultados de exercícios futuros (previsto na alínea “b”) é residual aos registros sob os fundamentos previstos nas alíneas “a” e “c”. Além disso, considera que, por ser a companhia adquirida uma holding (Bovespa Holding S.A.) e uma companhia não operacional, seus principais ativos eram as suas subsidiárias: as companhias BVSP e CBLC, as quais, segundo a norma legal, deveriam ser avaliadas a valor de mercado. "Sabidamente, o valor de mercado dos ativos (investimentos nas participações na CBLC e BVSP) da controlada (Bovespa Holding S.A.) era superior ao custo registrado em sua contabilidade. Por serem as Companhias BVSP e CBLC os principais ativos da Bovespa Holding S.A., o valor de mercado desta, nos pregões da Bolsa de Valores, Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.554 9 de cerca de R$ 17 bilhões na época, refletia o valor de mercado do somatório daquelas, que eram as empresas operacionais, inclusive quanto à sinergia, que poderia ser avaliada como ativo. Tanto, que o próprio laudo de avaliação da Bovespa Holding S.A., elaborado pela Delloite, tem por base a avaliação daquelas duas companhias e não os resultados futuros da Bovespa Holding S.A., propriamente dita." (fl. 57) Assim, conclui que por não ter avaliado os ativos de sua nova controlada pelos seus valores de mercado, como determina a norma legal, não pode a Nova Bolsa S.A. atribuirlhes o valor do custo registrado na contabilidade, para que o valor do ágio registrado seja classificado sob a denominação de “Ágio por Rentabilidade Futura”, com intenção exclusiva de aproveitarse de uma vantagem fiscal, observando que "Permitir tal procedimento seria conceder um benefício fiscal pelo descumprimento de uma determinação legal." (fl. 57) > 6º requisito o ágio deve ter por fundamento a expectativa de geração de lucros futuros nos termos do artigo 20, parágrafo 2º, alínea “b”, do DecretoLei 1.598/1977. Nesse ponto, a classificação sob o fundamento econômico mencionado na letra “b”, do § 2º, do DL 1.598/77 (rentabilidade futura), é residual aos fundamentos referidos nas letras “a” e “c”. Assim, uma vez não tendo sido realizadas as classificações principais, a subsidiária encontrase prejudicada. > 8º requisito que a amortização seja feita nos balanços levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão. Observa que a norma trazida pelo inciso III do art. 7º da Lei 9.532/97 é explícita ao determinar que só podem ser excluídos os valores de amortização registrados nos balanços levantados posteriormente à incorporação, e que não há nenhum comando legal que autorize o aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente, nem que possa dar a entender que as amortizações registradas na contabilidade anteriormente à incorporação devam ser "revertidas" (por exclusão do lucro líquido) para fins fiscais. Assim, considera que o valor do ágio amortizado contabilmente entre a aquisição da Bovespa Holding S.A. (em 08 de maio de 2008) e a incorporação (28 de novembro de 2008), denominado “ÁgioEstoque” não poderia ser deduzido para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. > 7º requisito que o ágio seja amortizado nos balanços correspondentes à apuração do lucro real. Quanto a este requisito, o TVF considera que, por representar contabilmente a perda de valor do direito adquirido e ativado, a amortização pode ser medida ou estimada para cada período. Contudo, se em determinado período for procedida a avaliação do ativo e este não apresentar perda, não há que se falar em amortização. Nos anos de 2010 e 2011 o contribuinte procedeu a avaliação do seu ativo ágio e concluiu que o mesmo não apresentava redução de seu valor, não realizando, por isso, o procedimento contábil de amortização de seu valor. O TVF ainda esclarece: "Esta fiscalização não questiona, no presente tópico, a forma de avaliação do ativo correspondente ao ágio registrado pela aquisição da Bovespa Fl. 1558DF CARF MF 10 Holding S.A. que após a sua incorporação passou a ser avaliada como uma unidade geradora de caixa. Porém, se o próprio contribuinte entendeu, por sua avaliação, que o ativo não apresentou diminuição de seu valor nos anos de 2010 e 2011, não se justifica qualquer amortização que possa reduzir os resultados contábeis da BM&FBovespa naquele período." (fl. 62). Tece, então, considerações a respeito do RTT, observando que este regime somente se aplica quando tenham sido determinados novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei 11.938/07, o que não seria o caso dos procedimentos contábeis aplicáveis à amortização de bens do ativo. Assim, conclui que se o contribuinte não realiza a amortização contábil, por não identificar diminuição no valor de seu ativo, os ajustes do RTT não se prestam ao lançamento de despesas relativas a mutações patrimoniais que o próprio contribuinte considera inexistentes. Inconformada com a lavratura dos autos de infração, a ora Recorrente apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP – DRJ/SPO, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONDIÇÃO. INOBSERVÂNCIA. A amortização de ágio, nos termos da autorização trazida pelo inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, impõe que a pessoa jurídica beneficiária observe as condições previstas na legislação de regência. No caso vertente, ainda que se abstraia fatos relacionados às operações que deram causa ao sobrepreço, resta fora de dúvida de que a ausência da demonstração a que alude o parágrafo 3º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77 revela evidente violação à condição explicitada na norma referenciada, tornando indedutível a despesa apropriada no resultado, vez que inexistente a comprovação do seu fundamento econômico. INCORPORAÇÃO. ÁGIO JÁ AMORTIZADO CONTABILMENTE NA INVESTIDORA. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO. O ágio amortizado na investidora não pode ser considerado para fins de apuração do lucro real após o evento de incorporação, fusão ou cisão, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.532/1997. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES DE HOLDING PURA. DESCABIMENTO DE REGISTRO DE ÁGIO FUNDADO EM PERSPECTIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. A incorporação de ações de holding pura não permite o registro de ágio fundado em perspectiva de rentabilidade futura, vez que qualquer eventual perspectiva de auferimento de resultados superiores ao custo contábil de aquisição das participações societárias mantidas pela holding deve ser registrada a título de mais valia destas participações societárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. As despesas de amortização de ágio, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, estão sujeitas às Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.555 11 mesmas regras de dedutibilidade aplicáveis à apuração do lucro real tributado pelo IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela decadência. Desse modo, é possível o lançamento de infrações relativas aos efeitos tributários decorrentes da amortização de ágio dos últimos cinco anos, mesmo que a origem do ágio date de período anterior, estando a empresa obrigada a manter a escrituração de fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, nos termos do art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DE NORMAS NÃO INTERPRETADAS EM ANTERIOR LANÇAMENTO. A interpretação da lei veiculada em determinado lançamento tributário somente pode ser alterada, para o mesmo sujeito passivo, em relação aos fatos geradores ocorridos após tal alteração. Tal disciplina, contudo, não veda a aplicação de novas normas jurídicas, obviamente não interpretadas no lançamento inaugural, na confecção de superveniente lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 27 de abril de 2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24 de maio de 2016, alegando, em síntese: (i) preliminarmente: i.a) Mudança de critério jurídico da fiscalização: sustenta ter havido afronta ao artigo 146 do CTN, na medida em que a fiscalização não poderia ter alterado o critério jurídico adotado na autuação lavrada em 2010 (objeto do Processo Administrativo nº 16327.001536/201080, no qual ainda não há decisão definitiva) quando da fundamentação do lançamento ora atacado, considerandose tratar do mesmo fato então analisado (incorporação de ações da Bovespa Holding em 2008 e registro do ágio) e da repercussão tributária continuada nos anos posteriores. i.b) Nulidade da decisão da turma julgadora: alega que a decisão recorrida, por ter deixado de analisar os argumentos específicos desenvolvidos pela Recorrente, para apenas transcrever trechos de votos proferidos em outros processos administrativos, incorre em cerceamento do direito de defesa. i.c) Preclusão / decadência da possibilidade de o fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio em 2008 e, como consequência, o direito ao seu aproveitamento nos anoscalendário de 2010 e 2011. (ii) no mérito: Fl. 1560DF CARF MF 12 ii.a) Fundamentação econômica e a diferença entre avaliação x precificação de ativos ou bens: observa que não se pode confundir a fundamentação econômica do ágio, que representa o motivo que enseja a aquisição por valor superior àquele do patrimônio líquido, baseado em documento elaborado por terceiro independente, com o preço da operação, que representa apenas o critério financeiro eleito pelas partes, com base no mencionado motivo. ii.b) Validade do laudo de avaliação econômicofinanceira (Laudo de Rentabilidade Futura) elaborado pela Deloitte, como demonstrativo do fundamento econômico do ágio apurado na aquisição da Bovespa Holding. ii.c) Correto o registro do fundamento econômico do ágio, nos termos do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77 e dos demais demonstrativos de avaliação: a Recorrente defende que, conservadoramente, segregou o ágio segundo seus diferentes fundamentos econômicos para fins fiscais (após consideração dos valores de mercado de bens do ativo e intangíveis individualizáveis), com base no Laudo de Avaliação Patrimonial de Bens de Propriedade da BVSP e da CBLC e no Laudo de Avaliação de Ativos Intangíveis, elaborados pela Deloitte e indevidamente desconsiderados pela Turma Julgadora. ii.d) Possibilidade de registro de ágio por rentabilidade futura no caso concreto: sustenta que o argumento desenvolvido pela Turma Julgadora com fulcro na doutrina de Marco Aurélio Greco de que na avaliação de participação societária a ser vertida em integralização de capital não haveria espaço para se considerar a rentabilidade futura como fundamento econômico do ágio não pode ser aceito, por ser inovador, não tendo constado do TVF. Alega, ademais, ser plenamente possível a apuração de ágio baseado em rentabilidade futura na aquisição de empresa holding. ii.e) Inexistência de vedação ao aproveitamento fiscal do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação: observa que a legislação fiscal confere o mesmo tratamento ao ágio amortizado contabilmente antes da incorporação e ao ágio não amortizado, não havendo que se falar em lacuna legislativa, mas em opção do legislador por esse tratamento, uma vez que o ágio amortizado antes do evento não teve nenhuma repercussão fiscal, sendo controlado na Parte B do LALUR. Assevera, ademais, que a Fiscalização somente poderia ter adotado duas possíveis interpretações diante do caso concreto da Recorrente, quais sejam: (i) reconhecer a dedutibilidade do ágio amortizado nos termos do artigo 7º da Lei nº 9.532/97; ou (ii) entendendo não ser aplicável a referida norma, afastála para deduzir tal montante integralmente no momento da incorporação, reconhecendoo como perda na baixa do investimento. ii.f) ad argumentandum, sustenta que não existe previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. ii.g) defende a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário interposto, alegando, em síntese: (i) Inexistência de inovação do critério jurídico do lançamento: o art. 146 do CTN não prevê o engessamento da atividade tributante em um determinado período, mas a segurança jurídica do ato administrativo do lançamento, ou de determinada norma que estabeleça uma regra infralegal. No caso em apreço, não se vê nenhuma dessas hipóteses, uma Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.556 13 vez que não há revisão de lançamento por força de erro de direito, nem, tampouco, alteração de critérios jurídicos adotados pela fiscalização. (ii) Inexistência de cerceamento ao direito de defesa: suscita que os julgadores de primeira instância efetivamente abordaram os pontos que a contribuinte reputa ter havido omissão, embora o tenham feito fizeram adotando as razões de decidir expostas em outro processo administrativo, que tratou da mesma matéria examinada no presente processo administrativo. (iii) Inocorrência da decadência: sustenta que o pagamento do na aquisição de uma participação societária não se enquadra como fato gerador de tributo federal, de maneira que não implica qualquer prazo decadencial a favor de quem o pagou e/ou contra o Estado. Assim, somente quando o contribuinte deduz o ágio na apuração lucro real é que o Fisco teria algo a homologar (no presente caso, o lucro real apurado pelo sujeito passivo nos anos de 2010 e 2011). (iv) no mérito, alega que a dedução fiscal do ágio, na qualidade de benesse tributária, para ser autorizada deve envolver a situação literalmente prevista no art. 386 do RIR/99, assim como observar estritamente as condições estipuladas. Nesse ponto, observa que, em que pese tenha sido elaborado laudo de rentabilidade futura das ações da Bovespa Holding S.A., o qual atribuía a essas participações societárias um valor estimado entre o espaço de R$ 20,7 bilhões e R$ 22,3 bilhões, o valor de negociação de tais participações societárias (R$ 17 bilhões) fora estabelecido com base na média ponderada pelo volume financeiro transacionado das cotações médias, ajustadas pelos proventos distribuídos, observadas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo nos últimos 30 dias que antecederam a divulgação do Fato Relevante de 19 de fevereiro de 2008, sendo tal ágio fundamentado, portanto, em "outras razões econômicas". Sustenta uma incoerência na argumentação da contribuinte, ao alegar que a média ponderada foi o critério para definir o preço da operação, mas que isso não significaria o fundamento econômico do ágio, eis que, admitida tal pretensão, terseia os laudos de rentabilidade futura como mera formalidade, sendo que, na prática, os contribuintes estariam autorizados a fazer “contas de chegada”, sempre alegando a conformidade com o laudo. (v) ad argumentandum, sustenta que, caso se entenda que o fundamento do ágio é a rentabilidade futura, ainda assim, deve ser mantida a glosa sobre o ágio amortizado contabilmente antes da incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. (vi) ainda, quanto à CSLL, alega que o único dispositivo que poderia fundamentar eventual dedução da despesa com a amortização do ágio seria o inciso III do art. 386 do RIR/99. Assim, no caso da apuração da base de cálculo da CSLL, como não há norma expressa que autoriza a dedução da despesa com amortização de ágio, não há que se falar nessa renúncia fiscal. (vii) sustenta a aplicabilidade da incidência de juros sobre a multa. Este processo foi incluído em pauta mas inicialmente, por determinação judicial em sede de liminar em mandado de segurança, houve a sua retirada. Nesta ação judicial a contribuinte sustentou o impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional em virtude do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Fl. 1562DF CARF MF 14 Aduaneira, instituído pela Medida Provisória n. 765/2016. Em 15 de março de 2017 o Tribunal Regional Federal da 1a Região deferiu o pedido de suspensão de segurança formulado pela União nos autos do processo 100093125.2017.4.01.0000. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. A análise do acórdão recorrido em cotejo com a peça recursal e as contrarrazões apresentadas permitem concluir que a controvérsia objeto dos presentes autos cingese às seguintes matérias: A) Alcance do art. 146 do CTN e a possibilidade ou não de a fiscalização adotar critério jurídico diferente para lançamento referente aos mesmos fatos que já foram objeto de fiscalização e lançamento anterior. B) Possibilidade de o Fisco questionar, em 2015, a legalidade de atos societários que originaram ágio em 2008, aproveitado nos anoscalendário de 2010 e 2011. C) Se há cerceamento de defesa pelo fato de a turma julgadora, na análise de argumentos específicos desenvolvidos pela Recorrente, se limitar a transcrever trechos de votos proferidos em outros processos administrativos. D) Se, no caso, foram observados os requisitos legais para a geração e amortização fiscal do ágio, em especial, quanto à fundamentação do ágio, se tem impacto, para fins de dedutibilidade, a existência de diferença entre a fundamentação econômica do ágio (conforme demonstração/laudo) e do preço praticado na operação. E) se existe vedação ao aproveitamento fiscal do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação. F) existência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. G) se é legal a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Passo a analisar detidamente tais pontos. A) Possibilidade de a fiscalização adotar critério jurídico diferente para lançamento referente aos mesmos fatos que já foram objeto de fiscalização e lançamento anterior Quanto ao argumento de que teria havido alteração no critério jurídico do lançamento, não assiste razão à Recorrente. Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.557 15 O art. 146 do CTN preconiza a segurança jurídica do ato administrativo do lançamento para um mesmo fato gerador, in verbis: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Contudo, o dispositivo não engessa a atividade tributante quanto a diferentes fatos geradores, ou seja, não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um anocalendário sob determinado fundamento e, para o anocalendário seguinte, alegar outro fundamento para uma outra autuação. No caso, não houve revisão de um mesmo lançamento por força de erro de direito, tampouco alteração de critérios jurídicos adotados pela fiscalização no mesmo lançamento, para o mesmo fato gerador. Improcedente, portanto, a alegação de insubsistência da autuação sob este fundamento. B) Possibilidade de o Fisco questionar, em 2015, a legalidade de atos societários que originaram ágio em 2008, aproveitado nos anoscalendário de 2010 e 2011. Também não procede o argumento da Recorrente de que o prazo para as autoridades fiscais questionarem as operações deve ser contado a partir do registro contábil do ágio pela adquirente, de maneira que, tendo este ocorrido em 2008, a decadência teria se operado antes do lançamento em 1o de abril de 2015. Isso porque o registro contábil do ágio não é fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. Ora, sendo o prazo decadencial aquele após o qual o fisco perde o direito de constituir o crédito tributário, e sendo tal constituição possível apenas quando ocorre o fato gerador, fica fácil perceber que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial pelo mero registro contábil de uma potencial despesa. Assim se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito dos prejuízos fiscais, cujo paralelo pode ser traçado com o ágio: ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. (acórdão 9101002.387, julgado em 13/07/2016) C) Cerceamento de defesa pelo fato de a turma julgadora, na análise de argumentos específicos desenvolvidos pela Recorrente, se limitar a transcrever trechos de votos proferidos em outros processos administrativos. Em tese, não há cerceamento de defesa pelo simples fato de o julgador, para corroborar o seu raciocínio, adotar as razões de decidir expostas em outro processo administrativo, transcrevendo argumentos constantes de trechos de julgados já proferidos, Fl. 1564DF CARF MF 16 desde que o julgador efetivamente trate dos argumentos trazidos pela parte, ou seja, desde que, não obstante a transcrição, haja um diálogo entre argumentos de defesa e conclusões da decisão. Como será visto em tópico próprio adiante (item E), este diálogo esteve ausente no caso em questão e conduziria, no entender desta Relatora, à nulidade da decisão recorrida, por ausência de fundamentação1. Não obstante, passo a analisar o mérito, em observância ao parágrafo 3o do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, segundo o qual "§3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.". D) Requisitos legais para a geração e amortização do ágio Nesse ponto, a decisão recorrida manteve a autuação, por entender ter havido inconsistências quanto à demonstração que dá fundamentação ao ágio. Antes de passar à análise específica do caso, convém contextualizar o tema. É comum a menção de que a possibilidade de amortizar o ágio pago na aquisição de uma sociedade foi criada pela Lei 9.532/1997 e introduzida no contexto das privatizações no intuito de promover a valorização das empresas que eram objeto de tal processo. Isso porque, neste contexto, tal “benefício” seria levado em consideração pelos compradores na formação do preço, permitindo que apresentassem um lance maior pelas empresas a serem privatizadas. Todavia, a exposição de motivos da Medida Provisória 1.602/1997, convertida na Lei 9.532/1997 (e que por sua vez é a base legal do art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/1999), traz um contexto um pouco diferente. Conforme se depreende do trecho abaixo, as novas exigências trazidas pela norma em especial de que o ágio tivesse por fundamento a rentabilidade futura da investida, bem como do prazo para a amortização fiscal, contado a partir da liquidação do investimento tiveram por escopo exatamente evitar “planejamentos tributários”, os quais consistiam, basicamente, na aquisição de empresa deficitária por valor acima de seu patrimônio líquido, imediatamente seguida de incorporação. Isso porque, antes da Lei 9.532/1997, tal medida acarretava o reconhecimento da totalidade do ágio como perda, passível de amortização integral imediata, independentemente da fundamentação do ágio. Vejase, com grifos nossos: “11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método de equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos ‘planejamentos tributários’, vêm utilizando o expediente de adquirir 1 Neste ponto podemos traçar um paralelo com o atual Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), que prescreve em seu artigo 489, § 1o, V, que não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que "V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos;" Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.558 17 empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” 2 Neste sentido, podemos citar como exemplo do "planejamento tributário" acima referido, o seguinte caso: Ementa: “IRPJ/CS – INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE – AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – DEDUTIBILIDADE – Na incorporação de sociedade, com acervo liquido da sociedade incorporada avaliado a valor de mercado, o ágio anteriormente registrado pela controladora e baixado em razão da liquidação do investimento é dedutível na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro." (Processo 10980.00656119768, Acórdão 10705875, de 22/02/2000). Merecem destaque os seguintes trechos do voto vencedor do acórdão cuja ementa se transcreveu acima: “Obviamente que não se pode olvidar que as operações praticadas pela recorrente redundaram na absorção do ágio que anteriormente se formara, reduzindo o seu lucro tributável. Mas, ao tempo em que tais operações se realizaram, além das regras insertas no citado art. 380 do RIR/94, não havia nenhuma outra vigente, o que em negócios do gênero (aquisições de sociedades seguidas de sua absorção) abria espaços para a estruturação de operações que, desde logo, permitiam a dedutibilidade do ágio pago. O legislador, ciente de que a reboque de tais negócios realizavamse operações de planejamento tributário, por intermédio da Lei 9532/97 veio a disciplinar a figura do ágio, estabelecendo o tratamento tributário de conformidade com a sua natureza. Portanto, considerando que a dedução do ágio que motivou o presente lançamento se verificou em momento anterior ao de vigência da referida lei, tendo as operações estruturadas se pautado pelas regras impostas na legislação societária e em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, não havendo, por parte da autoridade que presidiu o ato de lançamento, nenhuma acusação quanto a eventual ilicitude ou simulação dos atos praticados, realmente não vejo como se manter o lançamento. (...) o que se via no momento da realização das operações em questão era um absoluto vazio legislativo, que propiciava em operações da espécie a dedutibilidade imediata e integral do ágio, tanto que o legislador, talvez até tardiamente, tratou de adequadamente regulálas.” (grifamos) 2 Vale notar que na conversão em lei o art. 8o acabou sendo reproduzido como art. 7º da Lei 9.532/97. Fl. 1566DF CARF MF 18 Assim, apesar do viés político que é atribuído a sua introdução na legislação, há que se salientar que a amortização do ágio pago na aquisição de sociedade brasileira tem lógica na própria sistemática de tributação do IRPJ e da CSLL, e existia muito antes da Lei 9.532/1997, a qual veio tão somente impor critérios objetivos para tal fruição quais sejam, vale repetir, a fundamentação da mais valia na rentabilidade futura da investida, bem como do prazo para a amortização fiscal, contado a partir da liquidação do investimento. A legislação tributária estabelece que o ágio pago em razão da rentabilidade futura da sociedade adquirida pode ser amortizado e deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL após a alienação ou a liquidação do investimento. Tais condições não são aleatórias. Na verdade, tanto a alienação do investimento quanto a sua liquidação são eventos que dão margem ao reconhecimento de um ganho ou uma perda, correspondentes à diferença entre o valor pago na aquisição da participação societária ("custo") e o valor pelo qual esta é alienada ou liquidada (respectivamente, valor de venda ou valor de patrimônio líquido). A ocorrência de tais eventos, nos termos do DecretoLei 1.598/1977 (em especial, arts. 25, 33 e 34), acarretava a tributação do ganho (quando realizado), assim como permitia considerar a perda uma despesa dedutível. Como visto, antes da edição da Lei 9.532/1997, para fins tributários o ágio era integralmente amortizado no momento em que houvesse a incorporação, e era assim não porque nesse momento a despesa com o ágio seria confrontada com a receita que lhe deu origem, ou porque neste momento ocorreria a "confusão patrimonial" entre investidora e investida, mas tão somente porque, a partir de então, aquele investimento necessariamente seria baixado, originando uma perda. Em resumo, longe de criar um "benefício fiscal" visto que a amortização já era prevista na legislação, e em condições muito mais amplas , o que os arts. 7º e 8o da Lei 9.532/1997 (reproduzidos no art. 386 do RIR/99) trouxeram foram as condições objetivas para a amortização fiscal do ágio pago na aquisição de participações societárias. Condições que, conforme indica a própria exposição de motivos da norma, foram estabelecidas buscandose evitar os "planejamentos tributários" praticados com respaldo na anterior lacuna legislativa. Assim, uma vez que tais condições tenham sido observadas, a princípio a amortização fiscal do ágio há de ser admitida. Dizemos a princípio porque, como se sabe, as autoridades fiscais estão autorizadas a efetuar e rever de ofício o lançamento tributário nas hipóteses do artigo 149 do CTN, inclusive quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação (inciso VII). Mas não é o caso dos presentes autos pois, conforme relatado, o próprio TVF afirma: "... não questionamos, no presente termo, o propósito negocial das operações." (fl. 35) Pois bem. Uma análise mais detida a legislação revela que o requisito de que o destaque do ágio esteja respaldado em demonstração que o contribuinte deve arquivar como comprovante de sua escrituração existiu desde a redação original do artigo 20 DecretoLei 1.598/1977, não sendo assim uma novidade trazida pela Lei 9.532/1997. Vejase: Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.559 19 Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Como se percebe, a legislação somente exigia "demonstração" para o caso de ágio ou deságio com fundamento em (a) valor de mercado de bens do ativo da sociedade adquirida; e (b) valor de rentabilidade futura da participação adquirida. No caso de ágio fundamentado em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas não se exigia tal demonstração do que se conclui que qualquer ágio registrado sem a devida "demonstração" seria classificado como tal. De qualquer forma, a norma foi clara em estabelecer que a exigência de fundamento para o ágio, originalmente, surgiu para fins de lançamento deste nos registros contábeis. A Lei 9.532/1997 acabou por trazer, apenas, diferenças quanto ao tratamento tributário do ágio, a depender de seu fundamento, de maneira que (a) o ágio baseado em valor de mercado de bens do ativo seria registrado em contrapartida do bem ou direito que lhe deu causa, sendo portanto amortizável/depreciável de maneira equivalente a tal bem ou direito; (b) o ágio baseado em rentabilidade futura poderia ser amortizado à razão de 1/60 ao mês após a incorporação, fusão ou cisão; e (iii) o ágio baseado em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas seria registrado e contrapartida de ativo permanente, não sujeita a amortização. Com isso ou seja, a partir da Lei 9.532/1997 , o fundamento do ágio se tornou relevante para definir se e como ocorreria a sua amortização fiscal. A norma do § 3º do artigo 20 DecretoLei 1.598/1977 não foi, porém, alterada com o advento da Lei 9.532/1997, permanecendo com o seguinte conteúdo: "aquele que pretende registrar ágio com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º (hipótese) deve arquivar a demonstração que comprove tal escrituração (consequência)". Como se percebe, não faz parte do conteúdo dessa norma a maneira como as partes convencionam o negócio pactuado, nem o conteúdo de tal negócio. Em outras palavras, Fl. 1568DF CARF MF 20 independentemente do critério eleito pelas partes para convencionar o preço a ser pago pela participação societária negociada, o adquirente somente poderá registrar ágio de rentabilidade futura se estiver munido de um demonstrativo que assim suporte tal lançamento. Assim, o simples fato de o preço da participação societária cuja aquisição deu origem ao ágio ter sido avençado com base em outro critério que não diretamente a rentabilidade futura da investida não tem o condão de alterar o fundamento do ágio, se a demonstração então preparada dá base para o seu destaque com base em rentabilidade futura da empresa adquirida. Até porque, em última análise, exigir que a negociação entre as partes reflita o laudo/demonstração (que, repitase, deve ser contemporânea à negociação) significaria exigir que os instrumentos de negociação de participação societária sempre declarem que o preço está sendo firmado em razão da rentabilidade futura da investida, o que foge a qualquer racionalidade negocial e jurídica. No caso concreto essa incongruência fica ainda mais evidente pois significaria exigir que a Nova Bolsa S.A., diante de um demonstrativo de rentabilidade futura que avaliou as ações da Bovespa Holding no intervalo de R$ 20.724 milhões a R$ 22.319 milhões, se recusasse a negociar qualquer preço menor, mesmo que a outra parte ficasse satisfeita em receber como preço o valor de R$17,9 milhões, correspondente à média de negociação das ações nos últimos 30 dias. Disso se depreende que a demonstração é, sim, um requisito formal importante para o registro do ágio e que, uma vez cumprida tal formalidade ou seja, havendo demonstração contemporânea aos fatos que possa respaldar o valor negociado na rentabilidade futura da adquirida o registro do ágio com o fundamento ali demonstrado está autorizado e apto a produzir efeitos tributários, eis que é esse o requisito legal. Ao contrário do que sustentou a Procuradoria em suas contrarrazões, isso não significa admitir que, na prática, os contribuintes estariam autorizados a fazer “contas de chegada” alegando a conformidade com o laudo. Pelo contrário, se o preço se tratar de mera "conta de chegada", ou seja, se o negócio de compra e venda não for real (efetivo), este poderá ser questionado, mas não em virtude da ausência de fundamentação do ágio e sim com base na existência mesma de simulação, nos termos do artigo 149, VII, do CTN. No caso, observase que o demonstrativo de rentabilidade futura das ações da Bovespa Holding S.A., com database em 31 de dezembro de 2007, foi elaborado em 17 de abril de 2008, portanto contemporâneo à aquisição desta sociedade em 8 de maio de 2008 (fls. 254304). Tal demonstrativo teve como propósito "fornecer estimativa do intervalo de valor justo de mercado da Bovespa Holding on a stand alone basis, em 31 de dezembro de 2007, no âmbito da incorporação de suas ações na Nova Bolsa." A metodologia adotada foi a de Fluxo de Caixa Futuro Descontado a Valor Presente, projetada para o período de 1o de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2017. Mais adiante este documento explica que a expressão on a stand alone basis quer dizer sem considerar as expectativas de sinergias potenciais ou benefícios indiretos sob a ótica de um investidor específico. Segundo esta avaliação, "o valor justo de mercado da totalidade das ações da Companhia se situa no intervalo de R$ 20.724 milhões a R$ 22.319 milhões", montante este Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.560 21 suficiente para respaldar o valor de negociação das ações da Bovespa Holding S.A., que foi de R$ 17 bilhões. Destarte, considerando que, para fins de dedutibilidade fiscal, não tem impacto a existência de diferença entre a fundamentação econômica do ágio (conforme demonstração/laudo) e o preço praticado na operação, bem como que, no caso, o laudo é contemporâneo às operações e o valor de rentabilidade futura da participação societária negociada ali demonstrado respalda o preço efetivamente praticado, não vejo razão para manter o auto de infração com base em tal questionamento. Nesse ponto, vale observar que não procede a alegação do TVF de que a classificação sob o fundamento econômico citado na letra “b”, do § 2º, do DL 1.598/77 (rentabilidade futura) seria residual aos fundamentos constantes das letras “a” e “c”. A norma não traz qualquer exigência neste sentido na verdade, tal exigência só veio a existir com a publicação da Lei n. 12.973/2014. É verdade que renomados autores na doutrina contábil sempre entenderam que a classificação sob o fundamento de rentabilidade deveria ser residual. Mas tanto a norma não estabelecia tal exigência que esta era uma das críticas que tais autores faziam a ela crítica esta que só veio a ser positivada juridicamente em 2014, e que portanto não era de observância obrigatória por parte dos contribuintes antes disso. Neste sentido, não procede a exigência consubstanciada no TVF de que o laudo, primeiramente, deveria proceder a uma avaliação, a valor de mercado, dos ativos da Bovespa Holding S.A. (no caso, das ações das companhias operacionais BVSP e CBLC), para apenas residualmente alocar valores à rentabilidade futura desta companhia. Da mesma forma, não existe qualquer limitação legal ou infralegal, expressa ou implícita, que determine qual deve ser a natureza do ágio pago na aquisição de participação societária no caso de holding (sociedade que se dedica exclusivamente a participar em outras sociedades). Assim, não procede a afirmação do TVF de que, por se tratar de holding, o laudo não poderia ser de rentabilidade futura da Bovespa Holding S.A., devendo, em vez disso, ser avaliados, a valor de mercado, os ativos desta (ou seja, as ações das companhias operacionais BVSP e CBLC). Como não existe na legislação exigência por uma ou outra forma de avaliação, as partes escolheram por uma das possíveis e, no caso, o demonstrativo aponta que o ágio pago na aquisição da Bovespa Holding S.A. não tem por fundamento o valor de mercado de seus ativos (BVSP e CBLC) mas a expectativa de rentabilidade futura da própria Bovespa Holding S.A. – que, por óbvio, reflete o sucesso dos negócios de suas subsidiárias operacionais. De fato, uma participação societária é um ativo como qualquer outro, e assim como uma máquina em uma fábrica pode ser avaliada tanto da perspectiva de seu valor de mercado quanto do valor de rentabilidade que vai gerar para a fábrica, uma participação societária também pode ser avaliada sob estes dois métodos. Se a legislação TRIBUTÁRIA não estabelece a obrigatoriedade por qualquer deles não é lícito à autoridade fiscal exigir um em detrimento do efetivamente utilizado pelo contribuinte. E) Aproveitamento fiscal do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação. Fl. 1570DF CARF MF 22 Quanto à questão sobre se existe vedação ao aproveitamento fiscal do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação, entendo que o acórdão recorrido obrou em grave cerceamento do direito de defesa da Recorrente, ao ignorar todos os argumentos trazidos em sede de impugnação e se limitar a transcrever trecho de voto exarado em acórdão deste CARF proferido em caso envolvendo outro contribuinte. Ora, uma coisa é utilizar trechos de acórdãos para corroborar o raciocínio então empreendido pelo julgador, outra bem diferente é a ausência de qualquer raciocínio e a mera transcrição de argumentos referentes a outro caso. Vejase nesse ponto o tratamento conferido pelo acórdão recorrido à questão: ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE ANTES DA INCORPORAÇÃO DA INVESTIDA. LIMITES DA AMORTIZAÇÃO PARA FINS FISCAIS. A alegação de que o ágio já amortizado contabilmente poderia vir a ser amortizado para fins fiscais quando da incorporação da empresa investida não merece provimento, conforme abaixo fundamentado. A questão controvertida em tela foi abordada com maestria pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, no Acórdão CARF nº. 1102000.873, de 11 de junho de 2013, sendo extremamente pertinente a transcrição do raciocínio desenvolvido, que remonta inclusive ao período anterior à disciplina estabelecida pela Lei nº. 9.532/97: [seguemse 7 páginas de transcrição] Destarte, seguindo a hialina fundamentação acima transcrita, é imperioso reconhecerse a impossibilidade da dedução fiscal do ágio já amortizado contabilmente pela investidora antes da incorporação da empresa investida. Diante disso, entendo que nesta parte a decisão recorrida é nula por cerceamento de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. Todavia, passo a analisar o mérito, em observância ao parágrafo 3o deste mesmo dispositivo, segundo o qual "§3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.". Voltemos à análise das normas tributárias sobre o aproveitamento do ágio. A leitura dos arts. 7o e 8o da Lei 9.532/1997 (regulamentados no artigo 386 do RIR/99) permite concluir que o tratamento tributário do ágio (isto é, a amortização da base de cálculo dos tributos) pode ser conferido ainda que o ágio tenha sido amortizado contabilmente, tanto é que os dispositivos se aplicam ainda que as sociedades não estejam obrigadas a seguir o método de equivalência patrimonial. Vejase (grifos nossos): Lei 9.532/1997 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.561 23 I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; Fl. 1572DF CARF MF 24 b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. RIR/99 Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; (...) O que se percebe é que, sob tal legislação, o ágio a ser amortizado da base de cálculo do IRPJ e da CSLL está completamente desvinculado de seu registro contábil; o valor do lucro apurado contabilmente será ajustado nos livros fiscais, assim como o valor do ágio a ser amortizado da base de cálculo dos tributos será controlado na escrituração tributária especificamente, na Parte B do LALUR/LACS. A legislação não faz qualquer diferenciação entre o ágio amortizado contabilmente e aquele ainda não amortizado, devendose assim conferir a ambos exatamente o mesmo tratamento tributário previsto no artigo 7º da Lei nº 9.532/97, uma vez que a amortização na escrituração contábil não tem repercussão fiscal, sendo controlada na Parte B do LALUR. De se ressaltar que não há nenhuma omissão legislativa aqui. O legislador não se “esqueceu” de mencionar que o ágio já amortizado contabilmente, antes dos eventos de incorporação, fusão ou cisão, não seria passível de aproveitamento fiscal; apenas não quis que assim o fosse. Daí a simples remissão, feita no caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, ao ágio apurado de acordo com o artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/1977, sendo absolutamente indevida qualquer interpretação que busque conferir à ausência de menção ao ágio não amortizado o caráter de “esquecimento” do legislador a ser suprido pela lavratura de autos de infração. Portanto, a previsão legal existe, é clara, literal e possui lógica substanciada na legislação tributária: o ágio a ser amortizado em razão do evento de incorporação é aquele apurado nos termos do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/1977, qual seja, custo de aquisição menos o valor de patrimônio líquido do investimento adquirido, sem a exclusão de qualquer outra parcela, uma vez que o ágio amortizado na escrituração contábil antes dos referidos eventos não tem nenhuma repercussão de natureza tributária, devendo ser adicionado ao lucro líquido e controlado na Parte B do LALUR/LACS. F) Previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.562 25 Tratase de um argumento colocado ad argumentandum pela Recorrente e que, no caso, sua análise resta prejudicada no presente voto na medida em que este considera que as despesas com amortização de ágio são dedutíveis no caso concreto. De qualquer forma e em especial caso meu voto reste vencido em votação nesta Turma , é importante ressaltar que a questão da suposta ausência de base legal para amortizar o ágio na apuração da base de cálculo da CSLL não foi objeto da autuação, portanto não pode estar sob discussão nos presentes autos como pretendeu a d. Procuradoria em suas inovadoras contrarrazões. De fato, não há qualquer menção a tal argumento seja no auto de infração ou no TVF, tanto é que ele nunca foi discutido nos presentes autos. Discutilo agora, apenas em sede de recurso voluntário, seria admitir uma inovação no critério jurídico do lançamento obrada por uma das partes do processo, no caso a PFN , obrando em franco cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Assim, desnecessário mencionar que a própria Receita Federal sempre admitiu a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, sendo a matéria tratada expressamente, por exemplo, na Instrução Normativa SRF 390/2004: Subseção III Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Da incorporação, fusão ou cisão Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. § 1º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido. § 2º A opção a que se refere o § 1º aplicase, também, à pessoa jurídica que tiver absorvido patrimônio de empresa cindida, na qual tinha participação societária adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput, quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio. § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; b) deverá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de deságio; Fl. 1574DF CARF MF 26 III o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser: a) computado na determinação do custo de aquisição na apuração de ganho ou perda de capital, no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista na hipótese de devolução de capital; b) deduzido como perda, se ágio, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa. § 4º As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do § 3º serão determinadas em função do prazo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito tiver sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora. § 5º A amortização a que se refere a alínea " a" do inciso II do § 3º, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. § 6º Na hipótese da alínea " b" do inciso III do § 3º, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa jurídica usuária ao pagamento da CSLL que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 7º O valor que servir de base de cálculo da CSLL a que se refere o § 6º poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, quando: I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese deste artigo, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica. G) Juros sobre a multa de ofício Considero a análise desta questão prejudicada na medida em que o lançamento é, no mérito, improcedente. Conclusão Do exposto, voto por superar a preliminar de nulidade da decisão recorrida para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos acima fundamentados. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 16327.720387/201566 Acórdão n.º 1401001.908 S1C4T1 Fl. 1.563 27 Fl. 1576DF CARF MF
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