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Numero do processo: 10380.003336/2003-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997, 01/04/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO. VALORES APURADOS POR MEIO DE DILIGÊNCIA. Sendo constatado pela fiscalização, em diligência, divergência favorável ao contribuinte entre o valor pleiteado e o apurado para fins de ressarcimento de crédito presumido, é desnecessária a formulação de novo pedido em atenção aos princípios que norteiam a atuação da Administração Pública Federal, tendo em vista que o crédito originalmente pleiteado excedia o valor discutido em sede recursal.
CRÉDITO PRESUMIDO. NOTA FISCAL DE VENDA DE MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM. EXIGÊNCIA LEGAL.
A Lei nº 9.363/96 exige que os valores relativos à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem estejam amparados por nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador.
Recibos não se amoldam à exigência legal.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1997, 1998
ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Em regra, créditos objeto de pedido de ressarcimento não devem ser atualizados por falta de previsão legal. Por outro lado, a regra deve ser excepcionada quando a fiscalização impõe uma restrição injustificada, caso em que o contribuinte recorre ao Poder Judiciário para ver reconhecido o seu direito ao aproveitamento do crédito.
Matéria que já foi objeto de decisão do STJ submetida ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil (REsp 993.164). Hipótese de aplicação do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores.
Numero da decisão: 3201-001.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997, 01/04/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. VALORES APURADOS POR MEIO DE DILIGÊNCIA. Sendo constatado pela fiscalização, em diligência, divergência favorável ao contribuinte entre o valor pleiteado e o apurado para fins de ressarcimento de crédito presumido, é desnecessária a formulação de novo pedido em atenção aos princípios que norteiam a atuação da Administração Pública Federal, tendo em vista que o crédito originalmente pleiteado excedia o valor discutido em sede recursal. CRÉDITO PRESUMIDO. NOTA FISCAL DE VENDA DE MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM. EXIGÊNCIA LEGAL. A Lei nº 9.363/96 exige que os valores relativos à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem estejam amparados por nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Recibos não se amoldam à exigência legal. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997, 1998 ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Em regra, créditos objeto de pedido de ressarcimento não devem ser atualizados por falta de previsão legal. Por outro lado, a regra deve ser excepcionada quando a fiscalização impõe uma restrição injustificada, caso em que o contribuinte recorre ao Poder Judiciário para ver reconhecido o seu direito ao aproveitamento do crédito. Matéria que já foi objeto de decisão do STJ submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil (REsp 993.164). Hipótese de aplicação do art. 62A do Anexo II do Regimento Fl. 931DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 20/07/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Fábio Miranda Coradini, Adriene Maria de Miranda Veras e Wilson Sampaio Sahade Filho. Ausentes justificadamente a Conselheira Mercia Helena Trajano D’Amorim, e os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões do recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI referente aos períodos acima, no valor de R$ 2.448.380,30. 0 contribuinte obteve decisão judicial reconhecendo o direito de utilizar na apuração do crédito o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas. 2. A DRF Fortaleza, após análise feita pela Fiscalização (fls. 805/811), reconheceu o crédito no valor de R$ 139.312,22, conforme discriminado nas fls. 809/811, sem direito A. atualização pelos juros Selic, homologando parcialmente as compensações vinculadas ao crédito habilitado, até o montante reconhecido. 3. Cientificada em 29.05.2008 (fl. 815) a interessada apresentou, tempestivamente, em 30.06.2008, manifestação de inconformidade na qual alega: a) Que os créditos reconhecidos referentes aos 2° e 3° trimestres de 1998 são inferiores aos calculados pela Fiscalização, limitandose aos solicitados para os períodos. Afirma haver ação Fl. 932DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003336/200310 Acórdão n.º 3201001.041 S3C2T1 Fl. 2 3 tendenciosa prófisco, entendendo que deve prevalecer o valor calculado; b) Ressalta que a Fiscalização excluiu injustificadamente da base de cálculo o valor dos recibos comprovantes dos pagamentos efetuados aos fornecedores pessoas físicas, por considerálos inidôneos, afastandose do cumprimento da decisão judicial. Tais recibo "foram emitidos quando da prestação de contas periódica de cada fornecedor e correspondiam ao pagamento das Notas Fiscais Avulsas" emitidas pela SEFAZ/CE "pela pauta de R$ 18,00/kg, do diferencial pela qualidade do produto e do preço praticado pelo mercado", sendo "o custo médio de aquisição de R$ 26,75/kg de cuda [sic] de lagosta"; c) Reforça destacando estudo sobre custo de captura da lagosta, que confirmam o preço praticado pelo mercado e a pauta estabelecida pela SEFAZ; 4. Por fim, questiona o afastamento da atualização pela taxa Selic, requerendo o acolhimento da manifestação de inconformidade. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 27/11/2008, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme Acórdão n° 0112.606 (fls. 824/827): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997, 01/04/1998 a 31/12/1998 RECIBOS. É considerado inidôneo, para os efeitos fiscais, fazendo prova apenas em favor do Fisco, o documento que não seja o legalmente previsto para a operação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997, 1998 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1997, 1998 IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, a impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que Fl. 933DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão em 05/02/2009 (fl. 839), tendo protocolado seu recurso voluntário em 09/02/2009 (fls. 841/848), o qual, em síntese, reitera os argumentos já defendidos em sua manifestação de inconformidade. Por fim, convém relatar que o crédito já reconhecido pela autoridade preparadora, no valor de R$ 139.312,22, foi determinada a penhora nos autos da Execução Fiscal nº 2006.81.00.0086287, conforme determinação do juiz da 9ª Vara de Execuções Fiscais da Justiça Federal no Ceará (fls. 830). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 04/07/2012. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. Há três questões a serem enfrentadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: (i) a possibilidade de reconhecimento de crédito em montante superior àquele pleiteado pelo contribuinte; (ii) a restrição dos créditos pleiteados pelo contribuinte em razão da inidoneidade do documento que o fundamenta; e (iii) a aplicabilidade de atualização do crédito do contribuinte objeto de ressarcimento. Sobre a primeira questão, conforme já relatado, o crédito originalmente pleiteado pela Recorrente totalizava a importância de R$ 2.448.380,30, o qual foi reduzido ao montante de R$ 139.312,22, por entender a fiscalização que grande parte desses créditos estava amparada em documento inidôneo. Por outro lado, da parte que considerou legítima, a própria fiscalização reconheceu um valor maior do que aquele pleiteado pela Recorrente, o que, todavia, foi considerado irrelevante pela instância a quo. Isso porque, segundo o i. Relator, o pedido formulado pela Recorrente fora integralmente provido, não havendo razão para esta se insurgir contra o despacho decisório particularmente no tocante aos 2º e 3º trimestres de 1998. A questão ora enfrentada já foi analisada por este Tribunal no julgamento do Recurso Voluntário nº 127.718 cuja ementa foi assim aprovada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. VALORES APURADOS POR MEIO DE DILIGÊNCIA. Sendo constatado pela fiscalização, em diligência, divergência entre o valor pleiteado e o apurado para fins de ressarcimento de crédito presumido, seja para mais ou para menos, deve o contribuinte Fl. 934DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003336/200310 Acórdão n.º 3201001.041 S3C2T1 Fl. 3 5 ser cientificado de tal fato para, querendo, proceder ao complemento do pedido eventualmente efetuado a menor e, em momento processual posterior, impugnar eventuais valores glosados. (Acórdão nº 20216626, Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa, Sessão de 20/10/2005) Para que se possa extrair o melhor da referida decisão, permitome transcrever um trecho do voto da relatora, que, nessa parte, foi acompanhada pela unanimidade. Confirase: Na diligência realizada no Processo de n2 13527.000049/9843, o Auditor que efetuou a diligência elaborou o quadro demonstrativo no corpo do relatório de diligência, cujos valores correspondem exatamente aos valores apurados, por trimestre, identificados no demonstrativo de fl. 15, com exceção do valor relativo ao primeiro trimestre, em razão de o pedido formulado pela recorrente haver sido menor que o encontrado pelo Auditor, ou seja: Constatase que o valor reconhecido para o 1º trimestre de 1997 no relatório de fls. 06 a 08 foi de R$89.049,29, só e exclusivamente por ter sido este o valor pleiteado pela recorrente em seu Pedido de Ressarcimento apresentado em 04/05/98, conforme consta de fl. 05 destes autos. Porém o valor identificado pela fiscalização como de direito da recorrente é o que consta do demonstrativo de fl. 15, ou seja, R$112.765,08. A fiscalização, ao efetuar a análise do crédito presumido a que a recorrente tinha direito à época, pareceu entender que, como no processo judicial, não poderia conceder o crédito presumido em valor superior ao pedido sob pena de estar proferindo decisão extra petita. Entretanto, cumpre esclarecer que essa circunstância não atinge o processo administrativo, dada a sua função última de controlar a prática de ato administrativo com observância dos aspectos formal e material legalmente estabelecidos e não de "dizer o direito" nos estritos limites que foi pedido. In casu, competia à autoridade fiscal, ao identificar o direito a valor diverso e maior que o pedido, determinar, antes de efetuar o ressarcimento, que fosse cientificada a requerente para que, querendo, complementasse o pedido apresentado. O fato de assim não proceder, a autoridade administrativa atuou sem observância dos princípios elencados no art. 37 da Constituição Federal, mormente os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Inobservância do princípio da legalidade porque, apurando conforme a lei o efetivo valor a que tinha direito a recorrente, não procedeu, minimamente, à cientificação da recorrente da divergência constatada; da impessoalidade, porque ao agente público é defeso a prática de ato com viés de parcialidade; da moralidade porque em detrimento do direito do contribuinte, que identificou, silenciou e não o cientificou de seu direito, havendo, entretanto, efetuado a glosa dos valores contidos no pedido, relativos a outros períodos, que apurou ser indevidos. E, por corolário, o princípio da eficiência, ao praticar ato administrativo de forma parcial que resultou em desnecessária e morosa via crucis por parte da contribuinte para haver o que já lhe havia sido reconhecido como de direito. Tanto seu direito encontravase reconhecido que o próprio Auditor responsável pela diligência orientou a recorrente a solicitar o presente complemento do valor reconhecido por ele, qual seja, R$23.715,79 (= 112.765,08— 89.049,29). Endosso a posição adotada no voto transcrito e ressalto que, diferentemente da situação fática nele discorrida, no caso presente não é necessário sequer formular pedido complementar de ressarcimento, pois, em verdade, o valor global pleiteado em muito excede o valor reconhecido em diligência, sendo prejudicial à Recorrente a exigência formal que, em regra, deve ser cumprida. Por ser um caso excepcional, entendo que merece acolhida a pretensão da Recorrente. No tocante à segunda questão ora enfrentada, a solução está no art. 3º da Lei nº 9.363 de 1996, que assim dispõe: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Com efeito, embora o recibo possa ser idôneo para outros fins, há previsão expressa na lei de regência do crédito presumido de IPI no sentido de considerar indispensável a nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor do produtor exportador. Essa exigência somente seria dispensável se assim dispusesse também a própria lei estadual que impõe às pessoas físicas a obrigação de emitir nota fiscal. Por esse motivo, não assiste razão à Recorrente quando, em sua peça recursal, alega que “a lei exige apenas a prova do valor total das aquisições de matériasprimas”. Finalmente, no que diz respeito à atualização de créditos passíveis de ressarcimento, a matéria já está pacificada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça em acórdão submetido ao regime de recursos repetitivos de que trata o art. 543C do Código de Processo Civil. Confirase: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI Fl. 936DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003336/200310 Acórdão n.º 3201001.041 S3C2T1 Fl. 4 7 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: Fl. 937DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp Fl. 938DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003336/200310 Acórdão n.º 3201001.041 S3C2T1 Fl. 5 9 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Considerando que a Recorrente já havia obtido decisão judicial transitada em julgado para ver reconhecido o seu direito ao crédito presumido de IPI relativamente às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoas físicas, entendo que a recusa da fiscalização em processar o pedido de ressarcimento dá ensejo à atualização dos valores pleiteados pela Taxa Selic. Além disso, repito que o Recurso Especial nº 993.164 foi proferido segundo o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, logo, a sua observância é obrigatória para os membros do CARF, nos termos do art. 62A do Anexo II do seu Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para determinar o ressarcimento do saldo credor apurado em relação aos 2º e 3º trimestres de 1998, além de determinar a atualização de todo o crédito reconhecido na diligência de fls. 805/811, inclusive o mencionado saldo credor, desde a data do protocolo do pedido. Por fim, determino que seja oficiado o MM. Juízo da 9ª Vara de Execuções Fiscais da Justiça Federal no Ceará para que desta decisão tenha ciência. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 940DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10830.002593/2003-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1994
IRPF - VERBAS INDENIZATÓRIAS - PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA.
Na visão deste julgador, o marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, dá-se em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir, com relação à matéria, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.”. O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 09/05/2003, relativamente a imposto de renda retido na fonte em 31/07/1993. Portanto, a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.114
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem para análise das demais questões suscitadas.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Na visão deste julgador, o marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, dáse em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir, com relação à matéria, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.”. O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 09/05/2003, relativamente a imposto de renda retido na fonte em 31/07/1993. Portanto, a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 115 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem para análise das demais questões suscitadas. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator FORMALIZADO EM: 21/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 09/05/2003 o contribuinte Alfredo Carlos Damásio de Souza protocolou o pedido de restituição de fls. 0113, sob o fundamento de que aderiu a programa de demissão voluntário da empresa IBM Brasil Ltda., CNPJ n° 33.372.251/000156, com rescisão efetivada em 31/07/1993, na qual ocorreu retenção de imposto de renda sobre verbas indenizatórias. A Delegacia da Receita Federal em Campinas e a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) II indeferiram a pretensão do contribuinte em razão da decadência (fls. 1415 e 3246, respectivamente). Por sua vez, a Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 280200.102, que se encontra às fls. 6976, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1994 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE PLEITEAR A REPETIÇÃO DO INDÉBITO. O início da contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição do indébito dos valores pagos a título de imposto Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 116 3 de renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário PDV deve fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecida, pela administração tributária, a não incidência. RECONHECIMENTO DO INDÉBITO. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME DO MÉRITO. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVAS. Incompetente o CARF para decidir sobre questão de mérito não enfrentada por instância inferior, por serem insuficientes as provas acostadas aos autos para o julgamento a favor do Recorrente, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a decadência do direito de pedir do contribuinte e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para apreciação das demais questões, vencido o Conselheiro Sérgio Galvão Ferreira Garcia (suplente convocado), que negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 15/01/2010 (fls. 77), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno CARF, aprovado pela Portaria n° 256/2009, recurso especial às fls. 8094, acompanhado dos documentos de fls. 9597, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão por maioria proferido pela e. Camara a quo, que deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo ora Recorrido para afastar a decadência do pedido de restituição; b) Tratase de pedido de restituição de IRPF pago sobre PDV. O requerimento foi negado sob o fundamento de que sua apresentação se deu após o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir da data da extinção do crédito tributário, conforme disposto pelo art. 168 c/c art. 165 do CTN; c) Ocorre que a e. Camara a quo deu provimento ao pedido de restituição, argumentando que o prazo para a apresentação do requerimento se iniciaria na data da publicação da IN 165/98, que reconheceu ser indevida referida exação e não na data do pagamento do tributo; d) Merece reforma o r. acórdão; e) Em relação ao prazo decadencial para o pedido de restituição, a decisão proferida pela e. Camara a quo está em divergência com os acórdãos nos 302 35.782 e CSRF/930300.080; f) Há clara divergência jurisprudencial, eis que o acórdão recorrido considerou como dies a quo para a contagem do prazo decadencial relativo ao pedido de Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 117 4 restituição data diversa daquela em que se deu a extinção do crédito tributário (publicação de instrução normativa n° 165); g) Noutra banda, no r. acórdão paradigma, firmouse entendimento segundo o qual o dies a quo tem início com a extinção do crédito tributário, e não com a publicação de ato normativo ou prolação de decisão judicial; h) A e. 2 Câmara do 3° Conselho de Contribuintes julgou que o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação (naquele caso, a edição da MP 1.110/95) não significaria determinação para restituição ou compensação tributária, mas, apenas, ordem de não constituição do crédito tributário. O mesmo se diga quanto ao acórdão da 3ª Turma da CSRF; i) Assim, o prazo para a apresentação do pedido de restituição ou de compensação do tributo indevidamente pago, porque a lei que o teria instituído seria inconstitucional, extinguirseia após cinco anos, contados da data do pagamento, e não de prolação de decisão judicial ou de publicação de ato normativo relacionado; j) O prazo para a devolução de indébito tributário é disposto pelo art. 168 c/c art. 165 do CTN. O contribuinte possui cinco anos para requerer a devolução, contados da data da extinção do crédito tributário, no caso, o recolhimento; k) Os fundamentos aduzidos pelo r. acórdão recorrido foram exaustivamente refutados no alentado Parecer PGFN/CAT/n.° 1538/99; l) Com base neste Parecer, foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório n.° 096, de 26 de novembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário; m) Portanto, extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido , consoante disposto no art. 168 c/c art. 165 do CTN. independentemente de a suposta ilegitimidade da cobrança do tributo ser ou não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal; n) Requer seja dado provimento ao presente recurso, para que seja mantida integralmente a r. decisão de primeira instância, declarandose decadente o pedido de restituição feito fora do prazo legal estabelecido no art. 168 do CTN. Admitido o recurso através do despacho n° 220200.228 (fls. 98100), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 105110, onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, pois o acórdão n° 2802 00.102 teria anulado a decisão de primeira instância. Quanto ao mérito, basicamente, pugnou pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Sob minha ótica, a preliminar suscitada pelo interessado em sede de contrarrazões não merece prosperar, na medida em que a decisão recorrida não anulou o julgamento de primeira instância, mas o reformou, sob o entendimento de que a decadência não atingiu o direito creditório em apreço. Nada além disso. Não se vislumbra no julgado de fls. 6976 uma linha sequer onde esteja consignada a anulação da decisão de primeira instância. Tal preliminar, portanto, deve ser rejeitada. Quanto ao mérito, reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do imposto de renda incidente sobre valores recebidos em razão da alegada participação em PDV instituído pela empresa IBM Brasil Ltda., tendo determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para apreciação das demais questões. Portanto, a questão que reclama solução reside em saber se o interessado decaiu ou não do direito de requerer a restituição do imposto de renda retido na fonte no ano calendário 1993 (rescisão do contrato de trabalho em 31/07/1993, quando ocorreu a retenção de imposto de renda na fonte, fls. 10), considerando que tal pleito foi efetuado em 09/05/2003. Pois bem, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, na medida em que cabe ao contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular e recolher o tributo devido, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade administrativa, que apenas homologará, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. No caso, a retenção na fonte se deu como mera antecipação do imposto a ser apurado na declaração de ajuste anual, sendo que o fato gerador do tributo ocorreu em 31 de dezembro do anocalendário. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, § 4°, 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional – CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 119 6 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais concluise que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. No entanto, na visão deste julgador (seguindo a jurisprudência amplamente majoritária dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, por muitos e muitos anos), o dia 06/01/1999 – data de publicação da IN SRF n° 165 – marca o início do prazo decadencial para os contribuintes pleitearem a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de imposto de renda na fonte, incidente sobre verbas indenizatórias recebidas em razão da participação em programas de demissão voluntária, tal qual concluiu o acórdão recorrido. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 120 7 após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 121 8 crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 1.002.932/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/12/2009) Portanto, de acordo com a decisão proferida pelo Egrégio STJ pelo rito do artigo 543C do Código de Processo Civil CPC, o prazo para requerer a restituição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, após o advento da Lei Complementar n° 118, de 09/06/2005, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes de 09/06/2005 – Prazo de dez anos (tese dos cinco + cinco) a contar do pagamento indevido, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após 09/06/2005 – Prazo de cinco anos a contar da data do pagamento indevido. Este posicionamento restou corroborado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, que no julgamento do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, seguindo a sistemática do 543B do CPC, proferiu acórdão cuja ementa assim dispõe: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 122 9 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF, Pleno, RE n° 566.621/RS, Relatora Ministra Ellen Gracie, DJE de 11/10/2011) Tal decisão transitou em julgado em 17/11/2011. Por força do Regimento Interno do CARF, a matéria não comporta maiores digressões, sendo necessário reproduzir aqui o entendimento adotado pelos Egrégios STJ e STF. O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 09/05/2003 (ou seja, antes do advento da Lei Complementar n° 118/2005), relativamente a imposto de renda retido na fonte em 31/07/1993 (anocalendário 1993). Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.002593/200381 Acórdão n.º 920202.114 CSRFT2 Fl. 123 10 Assim, aplicase ao caso a tese dos cinco + cinco, de modo que a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte. Dessa forma, o acórdão recorrido deve ser confirmado, ainda que por outros fundamentos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, ressaltando que os autos devem retornar para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para apreciação das demais questões. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 128DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10140.720487/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓ-LABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por pró-labore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros.
ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETENCIA.
SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.905
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado: por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que negavam provimento ao recurso e o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, que votou em dar provimento parcial ao recurso, aferindo a remuneração em um salário mínimo. Redator designado: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Fabio P. Calcini. OAB: 19771072/SP.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓ-LABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por pró-labore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETENCIA. SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado: por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que negavam provimento ao recurso e o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, que votou em dar provimento parcial ao recurso, aferindo a remuneração em um salário mínimo. Redator designado: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Fabio P. Calcini. OAB: 19771072/SP.
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Recorrente SERVAN ANESTESIOLOGIA E TRATAMENTO DE DOR DE CAMPO GRAN Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETENCIA.SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 626DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 2 2 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que negavam provimento ao recurso e o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, que votou em dar provimento parcial ao recurso, aferindo a remuneração em um salário mínimo. Redator designado: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Fabio P. Calcini. OAB: 19771072/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Nº 37.272.7565, lavrado em face de SERVAN ANESTESIOLOGIA E TRATAMENTO DE DOR DE CAMPO GRAN, do qual foi notificado em 29/09/2010, em virtude de ter deixado a Recorrente de proceder com o regular recolhimento das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social referentes às contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus sócios (contribuintes individuais) correspondente à rubrica Contribuinte Individual – patronal – 20%. Afirma o Relatório Fiscal que os valores foram apurados pelos depósitos bancários de pagamentos feitos pela empresa aos seus sócios no período de 01/2006 a 12/2007, sob a denominação de “distribuição de lucros”. Todavia, afirma o Relato, que tais pagamentos, na verdade, se referem à remuneração pelos serviços médicos prestados pelos sócios e não à mencionada distribuição de lucro. Aduz ainda que a empresa Recorrente é constituída como sociedade simples e realiza serviços ligados à área médica, os quais são prestados pessoalmente por profissional médico e faturado para diversos clientes, dentre eles, hospitais e empresas de convênio de saúde. No entender da Fiscalização, as receitas da Recorrente são obtidas a partir da força de trabalho médico dos próprios sócios, os quais foram remunerados da seguinte forma: a) Aos quatros sócios administradores foi paga ou creditada a título de pró labore uma remuneração equivalente a um salário mínimo, a partir do disposta na cláusula sexta do contrato social; b) A todos os sócios, inclusive aos administradores, a empresa efetuou vários pagamentos a título de distribuição de lucro, os quais foram partilhados entre os sócios de acordo com a produção de cada um, conforme estabelecido em cláusulas específicas do contrato social. Conclui, por fim, o Relatório, afirmando que como não houve discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a base de cálculo da contribuição é toda é remuneração paga pela empresa aos seus sócios a título de “distribuição de lucros” ao longo do período analisado pela Fiscalização. Para fins de regularização, foi imputado a Recorrente o pagamento do valor de R$ R$ 7.677.169,92 (sete milhões, seiscentos e setenta e sete mil, cento e sessenta nove reais e noventa e dois centavos). Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES A base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da Sociedade Simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados estes, ainda que Fl. 628DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 4 4 a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. INCONSTITUCIONALIDADE Impossibilidade de análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário. MULTA E DOS JUROS A multa e os juros que encontram embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não podem ser alterados ou excluídos administrativamente se a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário alegando em suma: a) Que no Contrato Social juntado aos autos já estão definidos o valor do prólabore dos sócios, qual seja, o valor de um salário mínimo mensal, e as regras de distribuição de lucros; b) Que não existe qualquer regra que proíba dos sócios de sociedade simples através do pagamento de prólabore no patamar de um salário mínimo, vez que tal valor encontra respaldo, inclusive, na própria legislação previdenciária, a qual, ao dispor sobre o saláriodecontribuição, adota tal valor como o mínimo a ser observado pelos contribuintes; c) Que a distribuição dos lucros se dá em conformidade com a legislação civil; d) Que foi categoricamente demonstrado que a sua organização societária é a típica sociedade simples, à luz do disposto no Código Civil; e) Que a incidência de Taxa SELIC sobre o suposto débito não encontra respaldo jurídico; f) Que o valor da multa apresenta caráter confiscatório. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da procedência em parte do lançamento Em seu Recurso, afirma a Recorrente serem indevidas as exações no presente processo discutidas, uma vez que os valores repassados aos sócios são, realmente, distribuição de lucros, e não remuneração a título de prólabore. É que, conforme se depreende das alegações dos autos, a Recorrente adota o tipo de organização societária conhecido como sociedade de pessoas, prestando serviços de alta complexidade, especializado, o que, consequentemente, torna compreensível que seus serviços sejam remunerados de acordo com a sua complexidade e responsabilidade. Afirma ainda que não há nenhum dispositivo legal que obrigue as pessoas jurídicas a remunerarem seus sócios com valores a título de prólabore. Ocorre que, a partir da análise dos autos, não há que se falar em total procedência no lançamento pelo Fisco realizado, vez que, consoante o a seguir demonstrado, a empresa Recorrente, em seu contrato social, procedeu com a discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, nos termos do inciso II, do §5º, do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. Destarte, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre os valores totais pagos ou creditados aos sócios. Na construção do raciocínio que embasará o presente julgamento, cabe, de início, trazer à tona o disposto no artigo 12 da Lei 8.212/91, o qual elenca as pessoas físicas que se revestem da condição de segurados obrigatórios da Previdência Social, a saber: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (.........) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (.......) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifo meu) Fl. 630DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 6 6 Por remuneração, entendese, via de regra, os valores que venham a integrar o saláriodecontribuição, isto é, “a expressão que quantifica a base de cálculo de contribuição previdenciária dos segurados da previdência social, configurando a tradução numérica do fato gerador”. (IBRAHIM, 2010). As verbas remuneratórias, portanto, integram o saláriodecontribuição, sendo este, inclusive, o expresso teor do inciso III do 28 da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Grifo meu) A partir dessa lição, portanto, concluise que o sócio que recebe remuneração é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuinte individual, vez que as verbas por ele recebidas sob esta rubrica constituem base de cálculo de contribuição previdenciária, por integrarem o saláriodecontribuição. Para a resolução da controvérsia em análise, ou seja, a possibilidade de incidência, ou não, de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos sócios, é mister, de início, identificar quais as formas por meio das quais o sócio pode ser remunerado pelo seu trabalho em uma empresa. Nesse sentido, é válida a análise dos dispositivos legais no Decreto 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, que, em seu artigo 201, §5º, inciso II estabelece: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (.......) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifo meu) Tem o mesmo teor a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época, período de 01/2006 a 12/2007, a qual estabelecia, em relação à Sociedade Simples ,em seu artigo 71, §5º, o seguinte: Art. 71. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) (........) Fl. 631DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 7 7 5º No caso de Sociedade Simples de prestação de serviços relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa em relação aos sócios contribuintes individuais terá como base de cálculo: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa, formalizada conforme disposto no inciso IV do caput e no § 4º, ambos do art. 60; II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Pela leitura dos diplomas normativos em destaque, constatase duas formas de remuneração dos sócios, quais sejam: a remuneração decorrente do trabalho, ou prólabore e aquela proveniente do capital social, a qual, no caso ora em discussão, é paga por meio do procedimento de distribuição mensal dos lucros auferidos pela empresa, obedecido o critério da proporcionalidade na participação do capital social. Tais formas de remuneração devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. Tal distinção se presta a permitir que seja perscrutada a legalidade e pertinência dos valores, que devem ser condizentes com cada forma de remuneração. Partindo da premissa de que o plexo de significantes normativos do Direito Previdenciário não estipula um valor mínimo a título de prólabore, deve o instrumento constitutivo da sociedade prever de forma certa ou determinável seu quantum. Até porque, podem os sócios de uma sociedade simples quando da constituição da sociedade, decidirem por receber um prólabore mínimo equivalente a um salário mínimo mensal, paralelamente apostariam no sucesso da empresa e receberiam maiores valores a titulo de distribuição de lucros, atendendo assim no meu entendimento as acima mencionadas disposições legais. Além do mais, é válido destacar que a organização societária neste processo discutida apresenta características de sociedade de pessoas, nas quais “a realização do objeto social depende mais dos atributos individuais dos sócios que da contribuição material que eles dão”. (COELHO, 2010). Destarte, neste tipo societário, as qualidades subjetivas do sócio interferem diretamente na consecução do fim social, a qual depende, dentre outros fatores, da capacitação dos sócios para o negócio, do ânimo para o desempenho de atividades e do empenho e trabalho constantes de cada sócio para que seja efetivamente concretizado o objeto social. Trazendo essa importante premissa para a controvérsia nestes autos discutida, vêse que a Recorrente presta um serviço de alta complexidade, especializado, o que, consequentemente, torna compreensível que seus serviços sejam remunerados de acordo com o seu empenho, responsabilidade e dedicação ao serviço. Resta, portanto, corroborado o argumento segundo o qual a realização do objeto social em uma sociedade de pessoas, no caso dos autos, uma dedicada à prestação de Fl. 632DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 8 8 serviços médicos, estará diretamente ligada às qualidades pessoais dos sócios e ao empenho destes na execução de atividades. Além do mais, não se pode olvidar o fato de que, justamente por depender do empenho e das qualidades pessoais de cada sócio, pode ser que, em um determinado mês, a sociedade passe por um período de crise em virtude, por exemplo, da baixa demanda pelos serviços por ela prestados ou pela saída repentina de sócios prestadores de serviços. Tal conjuntura, muito provavelmente, acarretará em uma baixa no faturamento mensal, levando a sociedade a cortar gastos, restando prejudicado, assim, o pagamento de prólabore dos sócios remanescentes em valor igual ou superior à conjuntura anterior ao cenário de crise. Pela análise do Contrato Social juntado aos autos, verificase que a Recorrente estabeleceu, expressamente, uma remuneração a título de prólabore, conforme se depreende da cláusula sétima do contrato social, que estabelece: Cláusula Sétima – DO PROLABORE: A título de remuneração, todos os sócios terão o direito a retirar mensalmente uma importância que será ajustada entre si, a qual será levada a conta de despesas gerais. (Grifo meu) Quanto à distribuição dos lucros, vêse que também procedeu a Recorrente com a previsão expressa dessa forma de remuneração no parágrafo terceiro da cláusula terceira das subsequentes alterações contratuais, nos termos do abaixo transcrito: 3ª Cláusula: Os sócios participam dos lucros e dos prejuízos na proporção de sua respectiva produção profissional. (Grifos meus) Restam, portanto, devidamente preenchidos os requisitos previstos no inciso II, do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social, de maneira que não há razões para que seja objeto de incidência de contribuição previdenciária o total de remunerações pagas ou creditadas aos sócios, vez que houve a distinção entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e proveniente do capital social. Por fim, ressaltese que a legislação previdenciária não regra o valor mínimo ou máximo a ser pago a título de prólabore, o que permite aos sócios adotarem políticas de gestão baseadas no resultado, para reduzir o valor da remuneração do trabalho, acreditando na remuneração do capital. Assim, entende este relator que não há qualquer óbice para o estabelecimento, pelos sócios, como valor a título de prólabore o equivalente a um salário mínimo à época dos fatos geradores, vez que este corresponde à contraprestação mínima devida e paga a qualquer trabalhador sem distinção de sexo, por dia normal de serviço, e capaz de satisfazer, em determinada época e região do País, as suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte. Em que pese o cenário acima, suficiente para atestar a cabal distinção nas formas de remuneração dos sócios pelos serviços prestados, é válido destacar, apenas a título de argumentação, que não pode a Administração Pública se perder em elucubrações obscuras Fl. 633DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 9 9 acerca de qual seria o prólabore médio pago em sociedades de pessoas semelhantes às da Recorrente. Ora, tal tarefa não só extrapolaria o campo de discricionariedade típica de alguns atos administrativos, como também, se levada ao extremo, poderia afrontar os princípios da Legalidade, da Isonomia e da Impessoalidade, tão caros à Administração e frutos do Estado Democrático de Direito, visto que, consoante o já afirmado, a legislação previdenciária não estabelece um valor máximo ou mínimo a referente à remuneração pelo trabalho despedido. Destarte, em virtude de tais premissas, não cabe à Administração a partir de perspectivas de mercado, cenário incerto, poroso e fluido, arbitrar qual seria a remuneração ideal a título de prólabore a ser paga em uma sociedade de pessoas. A Administração, portanto, deve permanecer numa posição de neutralidade em relação às pessoas privadas, sem discriminação nem favoritismo, razão pela qual o princípio da impessoalidade acaba por corresponder, no âmbito prático, a um desdobramento do princípio da isonomia. Somese a estes inexoráveis pressupostos o fato de que o Fiscal responsável pela lavratura originária do Auto de Infração neste processo discutido sequer especulou qual seria o valor médio de mercado a ser considerado como prólabore a ser pago aos sócios que realizam as atividades próprias da empresa Recorrente, o que, por si só, já inviabiliza qualquer discussão a respeito dessa matéria nesta esfera administrativa de julgamento. A questão nuclear que motivou a autuação foi, conforme se depreende claramente do Relatório Fiscal, a alta lucratividade da empresa. Fixada, portanto, a partir do expressamente disposto nos Atos Constitutivos da Empresa Recorrente, esta primeira premissa, isto é, a determinação do prólabore em valor correspondente a um salário mínimo à época dos fatos geradores, o que a este limite exceder deve ser considerado remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados, paga por meio da distribuição dos lucros auferidos pela empresa. Com esse posicionamento, busca este relator atender ao fim maior da legislação invocada, levando ao pé da letra o princípio da isonomia. Sobre esses valores não incide contribuição previdenciária, desde que a quantia distribuída esteja respaldada, por meio de sua contabilidade, em demonstração de resultado – DRE, mensal, corroborando a natureza de lucro superior a sua base de cálculo presumida. É este, inclusive, o teor da Solução de Consulta Número 46, formulada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em 24 de maio de 2010, publicada no DOU de 14.06.2010, cujo teor é o seguinte: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. NÃO INCIDÊNCIA. O sócio cotista que receba pro labore é segurado obrigatório do RGPS, na qualidade Fl. 634DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 10 10 de contribuinte individual, havendo incidência de contribuição previdenciária sobre o pro labore por ele recebido. Não incide a contribuição previdenciária sobre os lucros distribuídos aos sócios quando houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (pro labore) e a proveniente do capital social (lucro) e tratarse de resultado já apurado por meio de demonstração do resultado do exercício. DRE. Estão abrangidos pela não incidência os lucros distribuídos aos sócios de forma desproporcional à sua participação no capital social, desde que tal distribuição esteja devidamente estipulada pelas partes no contrato social, em conformidade com a legislação societária. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei No 8.212/1991, art. 12, inc. V, alínea "f"; Decreto No 3.048/1999 Regulamento da Previdência Social RPS, art. 201, caput e §§ 1º e 5º, incs. I e II; Lei N° 10.406/2002, arts. 997, incs. IV e VII, 1.007, 1.008, 1.053 e 1.054. Seguindo a trilha desse raciocínio, no presente lançamento não foi objeto de contestação fiscal o descumprimento dessa exigência legal de demonstração contábil de lucro superior a sua base de cálculo, devendo pois ser presumido a adequação a esse requisito. Por fim, ressaltese, como dito, que a legislação previdenciária não regra o valor mínimo ou máximo a ser pago a título de prólabore, o que permite aos sócios adotarem políticas de gestão baseadas no resultado, para reduzir o valor da remuneração do trabalho, acreditando na remuneração do capital. No entanto, essa opção deve vir acompanhada dos requisitos legais, tais como segregação dos valores pagos, previsão contratual quanto ao prólabore, regramento da distribuição dos lucros e contabilidade ajustada, apta a dar suporte aos valores pagos. Nessa linha de coerência, ausentes tais instrumentos acessórios inafastáveis, despese a Recorrente do direito de optar pela forma de remuneração de seus sócios que melhor lhe atenda, sujeitandose ao arbitramento ora feito. Assim, considerandose o raciocínio ate então desenvolvido, como a contribuição ora discutida no presente lançamento referese à rubrica empresa, o valor que exceder ao salário mínimo por sócio, à época dos fatos geradores, deve ser considerado como distribuição de lucros. Da impossibilidade de análise de alegação do caráter confiscatório da multa A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 11 11 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 12 12 Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Assim, afasto a alegação de confisco da multa de mora aplicada ao presente caso. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 13 13 Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 14 14 Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 15 15 Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 16 16 A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o valor de um salário mínimo à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela de valores excedente a esse valor, por fim para determinar que sejam cotejadas as multas previstas no art. 35 em sua redação antiga e atual da Lei 8.212/91, aplicandose a que seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 641DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 17 17 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento. A distribuição de lucros é opção para a remuneração do sócio capitalista, e sobre ela não incide contribuição, pois é remuneração do capital. Já o prólabore é a remuneração pelo trabalho dos sócios, portanto, incide contribuição, nos termos da Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; Salutar, também, verificarmos na Legislação Previdenciária a definição de empresa: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Ora, se a legislação considerou empresa, para fins previdenciários, a organização que assume o risco da atividade econômica, o sócio, como representante dessa sociedade, também corre o risco dessa atividade, com seus lucros ou com seus prejuízos. Pode o sócio, também, receber pró labore, a critérios das empresas, na hipótese em que este “optar” por exercer atividade profissional na administração da empresa. Portanto, pagar ou não pró labore, quando o sócio presta serviço à empresa, é uma opção da sociedade, até porque, por exemplo, pagamentos de certa quantia como um salário mínimo não alteraria a natureza jurídica da distribuição de lucros, que deve ser demonstrada na contabilidade. Não seria correto e não há previsão na legislação de considerar que o pagamento de um pequeno valor pode vir a alterar a natureza jurídica de montante dezenas, centenas, milhares de vezes do valor distribuído e pago como remuneração. Assim, é a contabilidade – regular, formalizada seguindo as determinações legais que demonstra se a distribuição de lucro foi correta ou não, pois caso não haja, por exemplo, resultado positivo (lucro), não haverá, conseqüentemente, o que distribuir, e todo valor retirado pelos sócios deve ser considerado pró labore. No presente caso, tratase de sociedade de profissão regulamentada, advogados e a legislação possui regramento específico. Decreto 3.048/1999: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 18 18 Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: ... § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. Destacase, pois necessário que a condição determinada pela legislação para a incidência de contribuição, ou não, é a “DISCRIMINAÇÃO”, demonstração, entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Esse fato, ausência de discriminação, não ocorre no presente caso, não havendo que se falar em tributação, portanto. Muitos advogam que o pagamento de “pelo menos” um salário mínimo seria suficiente para que a determinação contida no Decreto, acima, fosse respeitada. Com todo respeito aos que assim pensam, não concordamos com essa posição, pois: 1. Conforme a CF/1988 e a Lei 8212/1991, as contribuições sociais incidentes sobre os rendimentos pagos ou creditados a qualquer título a pessoa física somente poderão incidir sobre os RENDIMENTOS DO TRABALHO; 2. O que demonstra a existência de Lucro, sua possibilidade de distribuição e sua correta distribuição é a escrituração contábil regular; 3. A distribuição de Lucros não é rendimento do trabalho; 4. Não há determinação legal para o pagamento de um “mínimo” de pro labore; 5. O pagamento de “pelo menos” um salário mínimo não alteraria a natureza jurídica do lucro e da sua correta distribuição. Destarte, a legislação não criou distinção na tributação das sociedades de profissões regulamentadas. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720487/201080 Acórdão n.º 2301 002.905 S2C3T1 Fl. 19 19 Existindo escrituração contábil regular que demonstre a existência de lucro e de somente sua distribuição, não há que se falar em tributação para a previdência sobre esses valores discriminados contabilmente, pelos motivos expostos. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Redator Designado. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 16004.001204/2007-42
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/12/2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. HIPÓTESE EM QUE O FISCO NÃO DEMONSTROU, DE FORMA INEQUÍVOCA, QUE AS OMISSÕES DE RECEITAS AVERIGUADAS DERIVARAM DE MECANISMO ARDILOSO. LANÇAMENTO QUE, ADEMAIS, FOI PERPETRADO POR MEIO DE PRESUNÇÃO LEGAL, SEM PROVA DIRETA DAS INFRAÇÕES. O prazo decadencial aplicado aos tributos lançados por homologação é regido pelo artigo 150, § 4º, do CTN, salvo hipóteses de fraude, dolo ou simulação. Não basta, para caracterizar qualquer uma destas situações, que o Fisco enuncie cenário de fundo fraudulento, pretensamente ligado ao contribuinte, sem indicar, precisamente, o nexo causal existente entre o ardil, de um lado, e as omissões de receita constatadas, de outro. Este entendimento é ainda mais pujante na medida em que a autuação se calcou em mera presunção iuris tantum, na forma facultada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não há que se falar em falta de motivação do auto de infração, quando este foi lavrado com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. FALTA DE JUNTADA DE EXTRATOS BANCÁRIOS. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Demonstrativos de depósitos bancários elaborados pela autoridade fiscal, cuja ciência foi dada ao contribuinte e por ele não foram contestados, são suficientes para configurar a presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS BANCÁRIAS. DESCABIMENTO. Não pode prosperar a aplicação de multa de ofício qualificada se o lançamento em questão tem arrimo em mera presunção de omissão de receitas financeiras, nos moldes do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Outrossim, não se mantém a majoração da penalidade se o Fisco não comprovar que a sonegação intentada teve origem direta em mecanismo criminoso. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1803-000.705
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL, relativos ao 3° trimestre de 2002, do PIS e da COFINS, relativos ao mês de julho de 2002, vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Selene Ferreira de Moraes; b) por maioria de votos, manter as exigências de IRPJ e CSLL do 4° trimestre de 2002, do PIS e COFINS, do mês de dezembro de 2002, vencidos os Conselheiros Luciano Inocêncio dos Santos e Benedicto Celso Benício Júnior, que cancelavam o PIS de dezembro de 2002; c) por maioria de votos reduzir a multa de ofício para 75%, vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Designado o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/12/2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. HIPÓTESE EM QUE O FISCO NÃO DEMONSTROU, DE FORMA INEQUÍVOCA, QUE AS OMISSÕES DE RECEITAS AVERIGUADAS DERIVARAM DE MECANISMO ARDILOSO. LANÇAMENTO QUE, ADEMAIS, FOI PERPETRADO POR MEIO DE PRESUNÇÃO LEGAL, SEM PROVA DIRETA DAS INFRAÇÕES. O prazo decadencial aplicado aos tributos lançados por homologação é regido pelo artigo 150, § 4º, do CTN, salvo hipóteses de fraude, dolo ou simulação. Não basta, para caracterizar qualquer uma destas situações, que o Fisco enuncie cenário de fundo fraudulento, pretensamente ligado ao contribuinte, sem indicar, precisamente, o nexo causal existente entre o ardil, de um lado, e as omissões de receita constatadas, de outro. Este entendimento é ainda mais pujante na medida em que a autuação se calcou em mera presunção iuris tantum, na forma facultada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não há que se falar em falta de motivação do auto de infração, quando este foi lavrado com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. FALTA DE JUNTADA DE EXTRATOS BANCÁRIOS. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Demonstrativos de depósitos bancários elaborados pela autoridade fiscal, cuja ciência foi dada ao contribuinte e por ele não foram Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 2 contestados, são suficientes para configurar a presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS BANCÁRIAS. DESCABIMENTO. Não pode prosperar a aplicação de multa de ofício qualificada se o lançamento em questão tem arrimo em mera presunção de omissão de receitas financeiras, nos moldes do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Outrossim, não se mantém a majoração da penalidade se o Fisco não comprovar que a sonegação intentada teve origem direta em mecanismo criminoso. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: a) por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL, relativos ao 3° trimestre de 2002, do PIS e da COFINS, relativos ao mês de julho de 2002, vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Selene Ferreira de Moraes; b) por maioria de votos, manter as exigências de IRPJ e CSLL do 4° trimestre de 2002, do PIS e COFINS, do mês de dezembro de 2002, vencidos os Conselheiros Luciano Inocêncio dos Santos e Benedicto Celso Benício Júnior, que cancelavam o PIS de dezembro de 2002; c) por maioria de votos reduzir a multa de ofício para 75%, vencida a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. Designado o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior – Redator designado. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 2 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, calculado com base no lucro real, CSLL, PIS e COFINS, relativos a fatos geradores ocorridos no ano de 2002, no valor total de R$ 462.604,99. A fiscalização apontou os seguintes fatos e infrações: • Operação Grandes Lagos: a Polícia Federal deflagrou no dia 05 de outubro de 2006 a Operação Grandes Lagos, cujo objetivo é desbaratar uma grande organização criminosa envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, sobretudo nos municípios de Jales, Fernandópolis e São José do Rio Preto, acusados da prática, dentre outros, dos crimes de sonegação fiscal e estelionato. A contribuinte foi identificada como uma das participantes do esquema, tendo como atividade a industrialização, beneficiamento e comercialização de couros. • Sócio da Sol Importadora: Paulo Bueno de Camargo. • Sócio da Norte Riopretense Distribuidora Ltda. (atual FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda.) e da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.): Valder Antonio Alves (Macaúba). • A FriNorte e a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. faziam papel de NOTEIRA, ou seja, empresa juridicamente constituída, que se prestava a fornecer (vender) notas fiscais "frias" a terceiros interessados (frigoríficos, taxistas, comerciantes etc.), como se fosse a real vendedora/compradora de gado e produtos resultantes de seu abate. • Fatos extraídos do Relatório da Polícia Federal: o A Distribuidora São Paulo é a principal empresa utilizada pelo Grupo dos Noteiros para emissão de notas fiscais “frias” para acobertar operações de compra de gado e vendas de carne realizadas por terceiros — frigoríficos e “taxistas” — que desejam ocultar estas operações do fisco para não despertar suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento. o Valder Antonio Alves (Macaúba): É o “cabeça” do esquema e o proprietário de fato e de direito da Distribuidora São Paulo, com 99% de participação no quadro societário. Tem amplo poder de decisão na empresa, contando com Maria dos Anjos de Medeiros como seu braçodireito. o A folha de antecedentes criminais de Valder é extensa: foi indiciado em oito inquéritos policiais e denunciado em dezesseis processos criminais, respondendo por estelionato, apropriação indébita, porte ilegal de arma de fogo, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 4 crime contra a saúde pública (art. 268, CP), perigo para vida ou saúde de outrem (art. 132, CP), além de cinco processos por sonegação fiscal. Já foi preso uma vez por crime contra a saúde pública e três vezes por crimes contra a ordem tributária. o Maria dos Anjos de Medeiros: “Gerente” do esquema, é o braçodireito de Valder Antônio Alves na Distribuidora São Paulo, gozando de ascendência em relação aos demais funcionários. Flagrada em vários diálogos negociando notas fiscais “frias” e notas fiscais em branco da distribuidora para vários clientes da empresa. Cuida da movimentação de valores da organização em contas bancárias de “laranjas”. o A quebra de sigilo fiscal da empresa mostra que, mesmo sendo enquadrada como empresa de pequeno porte, com um capital social de míseros três mil reais, entre os anoscalendário de 2001 a 2004, a Distribuidora São Paulo declarou mais de um bilhão e cem mil reais de receita de sua atividade, soma absolutamente incompatível com aquele valor. No período, nem um centavo dos tributos federais incidentes sobre a atividade da empresa foi recolhido aos cofres públicos. o As interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça permitiram traçar com, precisão o modus operandi de Valder Antônio Alves e de seus clientes. Quando um frigorífico ou um “taxista” adquire gado do produtor rural e não deseja emitir a nota de entrada da mercadoria para fugir do pagamento do tributo, ele entra em contato com Valder Antônio Alves e seus funcionários e encomenda a nota, que será emitida por uma das empresas de Valder: a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. ou a Norte Riopretense Distribuidora Ltda. A primeira está registrada em nome do próprio Valder Antônio Alves e de uma “sócialaranja”; a segunda está registrada em nome da empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Luiz Ltda. e do “laranja” Vinícius dos Santos Vulpini. o O pagamento é feito ao produtor rural pelo frigorífico ou pelo “taxista” que adquire o gado. A nota fiscal, no entanto, é emitida pela empresa de Valder, que, aos olhos do fisco, é quem fez a transação. Adquirido o gado do produtor, em geral ele é abatido pelo próprio frigorífico que o adquiriu, seja em suas próprias instalações ou em instalações arrendadas de terceiros, caso não possua planta industrial própria. No caso dos “taxistas”, como eles não possuem instalações para abate, o gado adquirido do produtor rural sempre é abatido em instalações de terceiros, que cobram uma “taxa” pelo serviço (daí a denominação “taxista”), em geral um percentual em dinheiro e mais o subproduto do abate (couro e sebo). o Abatido o gado, a carne será vendida pelo frigorífico ou pelo “taxista” a uma casa de carnes ou a um supermercado. A nota fiscal de saída também será emitida em nome de uma das empresas de Valder Antônio Alves, e não em nome de quem está vendendo a carne. O comerciante que adquire a carne do frigorífico ou do “taxista” fará o pagamento a eles, e não a Valder ou às suas empresas que apenas emitirão a nota fiscal. o Os clientes dos “noteiros” pagam pelas notas fiscais “frias” emitidas quatro reais por cabeça de gado bovino e três reais por cabeça de gado suíno. As interceptações telefônicas comprovam que, aos clientes mais fiéis, que tem movimento maior e gozam de maior confiança de Valder Antônio Alves, são Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 3 5 enviadas caixas de formulários contínuos com notas fiscais em branco de suas empresas, que são preenchidas nas dependências das empresas que as adquirem, as quais acertam o pagamento pelos “serviços” de Valder posteriormente, dependendo do volume de gado negociado. o Para evitar a prisão dos sócios por sonegação fiscal, as empresas do Grupo dos Noteiros não deixam de declarar ao fisco os tributos incidentes sobre suas operações simuladas. No entanto, estes nunca são recolhidos. Para frustrar eventual ação do fisco ou da Justiça, estas empresas e também seus sócios não possuem bens em seu nome. o A Norte Riopretense Distribuidora Ltda., assim como a Distribuidora São Paulo, é uma empresa utilizada para emitir notas fiscais “frias” que embasam operações comerciais de compra de gado e venda de carne e couro de vários frigoríficos, com o fim de ocultar o verdadeiro responsável por estas operações. Além disso, fornece notas fiscais a pessoas que geram créditos fictícios de ICMS. A empresa também é utilizada para registrar empregados de terceiros que não desejam arcar com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Por fim, a empresa tem um frigorífico que realmente opera, em Sud Menucci. Este frigorífico, no entanto, não pertence a Valder Antônio Alves, mas sim a Alberto Pedro da Silva Filho, que não consta do quadro societário da Norte Riopretense ou da Distribuidora São Luiz. O frigorífico é colocado em nome da Norte Riopretense para livrar o seu verdadeiro dono do pagamento de tributos. o A partir da análise do teor das conversas interceptadas, do rastreamento do número dos telefones a partir dos extratos de ligações, de informações de empresas nas juntas comerciais, de pesquisas no sistema CNIS do INSS e outros bancos de dados, foi possível identificar várias empresas e pessoas físicas que adquirem notas fiscais “frias” da Norte Riopretense e da Distribuidora São Paulo para sonegar tributos. o Alguns dos clientes de Valder Antônio Alves são donos de curtumes. Valder montou um “esquema” voltado especificamente a este tipo de empresa para, a um só tempo, sonegar ICMS e gerar créditos fictícios deste mesmo imposto nas operações envolvendo o beneficiamento de couro. o Até 31.12.2005 os subprodutos da matança do gado (couro, sebo, osso, chifre etc.) pagavam ICMS na saída do estabelecimento abatedor, mesmo nas operações dentro do Estado. A partir de 01.01.2006, em razão de alteração na legislação, o ICMS que incide sobre o subproduto do abate passa a ser diferido, isto é, pago na “entrada em estabelecimento industrial, ainda que para simples curtimento”. Neste caso, se o curtume adquirir couro “fresco” de um frigorífico, fica responsável pelo pagamento do ICMS quando a mercadoria entrar em seu estabelecimento. o Para não terem que pagar o ICMS que incide na aquisição do couro pelo curtume, simulase que foram as distribuidoras de fachada de Valter Antônio Alves que adquiriram o couro “fresco” e que, posteriormente, venderamno ao curtume, já com o crédito de ICMS destacado na nota. O imposto deveria ser recolhido pela Distribuidora São Paulo e pela Norte Riopretense, mas sabemos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 6 que isso não ocorrerá. As empresas de fachada de Valder, portanto, absorvem a carga tributária da operação e simulam vender o couro ao curtume, que irá adquirilo “já com ICMS”, como mencionado em alguns diálogos. o Como as empresas de Valder Antônio Alves não possuem registro CNAE e curtume, simulam uma nova operação emitem nota de simples remessa do couro que teriam adquirido para um curtume de fachada, que simula ter prestado serviços de industrialização, beneficiando o “couro fresco” e transformandono em “couro piquelado”; uma nova nota fiscal de simples remessa é emitida do curtume de fachada para a distribuidora de fachada de Valter Antônio Alves. Esta, por sua vez, simula ter vendido o couro, já beneficiado, ao curtume que é, na verdade, o verdadeiro adquirente do couro fresco. • No ano calendário de 2002, de acordo com informações contidas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a movimentação financeira da Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda, foi de R$ 2.840.543,56. Seu regime de apuração foi pelo Lucro Real trimestral e sua Receita Total declarada neste ano de 2002 foi de R$ 1.384.581,30. • De posse dos extratos bancários — fls. 128 a 140 , foram confrontados os valores creditados nas contas correntes com os lançamentos escriturados nos Livros Diário e Razão — fls.230 a 253. Como resultado, verificouse a inexistência dos valores depositados nos bancos Itaú e Rural, conforme cópia das folhas dos referidos Livros nos quais os créditos deveriam estar escriturados —fls. 231 a 240. • O percentual da multa de ofício será duplicado, em face de o contribuinte ter utilizado em suas operações notas fiscais frias de empresas Noteiras — FriNorte e Distribuidora São Paulo , fato comprovado mediante a apreensão de documentos feita pela Polícia Federal na sede da empresa fls. 19 a 22; 52 a 81, bem como pela existência de lançamentos contábeis nos Livros Diário e Registro de Saídas da pessoa jurídica — fls. 254 a 273. • Os relatórios de cassação da eficácia das inscrições estaduais emitidos pela Delegacia Regional Tributária de São José do Rio PretoDRT.8 — fls. 343 a 352 , reforçam nossas afirmações no decorrer do presente trabalho sobre as empresas Noteiras. • Outro ponto que merece destaque é a procuração da FriNorte ao Sr. Paulo Bueno de Camargo, sócio da Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda., revelando assim a amizade, confiança e relação entre os contribuintes e seus sócios. A FriNorte é uma empresa Noteira, registrada em nome de interpostas pessoas e com objetivo único de fraudar os cofres públicos. • A omissão de rendimentos, no valor de R$ 601.200,00, representa 43% da receita total da Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda. declarada neste ano de 2002. São valores expressivos, vultosos e que o próprio sócio Sr. Paulo Bueno de Camargo afirmou em resposta ao nosso Termo de Reintimação — fl. 157 como sendo oriundos das atividades da empresa e não contabilizados. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 4 7 a) Em sede de preliminar, invocou a decadência dos lançamentos do IRPJ e da CSLL para o terceiro trimestre do anocalendário de 2002, e dos lançamentos do PIS e da Cofins para o período de apuração de julho de 2002, por entender que, tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial se expira em cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador. b) Alegou, também, cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que foram juntados documentos nos presentes autos dos quais não tem conhecimento de onde possam ter sido extraídos. Além disso, parte de seus documentos havia sido apreendida pela Polícia Federal, o que dificultou a comprovação dos fatos requeridos pela fiscalização, além de não lhe ter sido concedida oportunidade para esclarecer ou comprovar o que exigiam as autoridades fiscais. c) Outro fato que leva à nulidade do procedimento fiscal é a falta de juntada dos extratos bancários nos presentes autos. De acordo com a impugnante, embora fornecidos pelos bancos os extratos bancários do ano de 2002, as autoridades fiscais não os juntaram ao processo administrativo, o que implica a não comprovação da referida movimentação financeira imputada como omissão de receitas. d) Embora constantes nos presentes autos documentos referentes à operação policial denominada "Grandes Lagos", em momento algum a fiscalização deles se utilizou para apurar crédito tributário, tendo utilizado somente para dar suporte à aplicação da multa majorada. e) Com relação à omissão de receitas, alegou que a fiscalização deveria comprovar que os recursos ingressados nas contascorrentes da empresa constituíram acréscimo patrimonial, pois depósito bancário, por si só, não caracteriza omissão de receitas para fins fiscais. Desta maneira, afirmou, a previsão contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não pode ser interpretada isoladamente, mas, sim, em conformidade com as disposições do art. 43 do CTN, o que impõe a Fisco o dever de comprovar a verdadeira obtenção de renda, uma vez que os depósitos bancários são apenas indício de receita auferida. f) Embora tenha sido qualificada como integrante de "grupo de empresas que praticou grande sonegação de tributos", inclusive com a juntada de documentos apreendidos no seu estabelecimento, não existe qualquer prova de sonegação contra a empresa e nenhuma intimação fiscal se referia a esses documentos, motivo pelo qual aqueles documentos não se prestam a provar nada contra a empresa. Muito pelo contrário, milita a seu favor, já que a autuação teve por base elementos diferentes daqueles citados nos referidos documentos, sem nenhuma correlação com a operação que os lastrearam. g) Alegou erro no regime de tributação adotado pelas autoridades fiscais. Partindo da conclusão fiscal de que os depósitos mantidos junto aos Bancos Itaú e Rural não foram contabilizados, afirmou que a contabilidade da empresa não serve para apuração do lucro real, fato que levaria à adoção da apuração dos tributos com base no lucro arbitrado, o que torna insubsistente os autos de infração dos tributos calculados sobre o lucro real da empresa. h) Mesmo que se admita a procedência das receitas omitidas, a base de cálculo do imposto de renda do 4° trimestre de 2002 deve ser ajustada, haja vista o prejuízo a compensar no valor de R$ 111.571,35, em lugar de R$ 106.809,55, que foi considerado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 8 i) Contestou, também, a aplicação da multa qualificada, de 150%, por entender que não houve qualquer comprovação de que as receitas omitidas tenham decorrido de atos com intuito de fraude. Segundo a impugnante, as justificativas apresentadas pela fiscalização para majorar a multa são despropositadas, como no caso da procuração outorgada pela empresa "FriNorte" ao Sr. Paulo Bueno de Camargo, cujo objetivo era a atuação conjunta entre representantes do outorgante e do outorgado em ação judicial de interesse comum, apenas de cunho comercial e legal, e não para encobrir operações fiscais. O mesmo ocorre em relação à cassação da eficácia das inscrições estaduais de algumas empresas ditas "noteiras". Conforme alegou, houve no passado apenas transações comerciais com essas empresas, todas acobertadas por documentação fiscal, mas a impugnante nada tem a ver com aquelas cassações, até porque elas tiveram efeitos a partir dos últimos meses do anocalendário de 2006, enquanto que a presente autuação referese ao anocalendário de 2002. j) Os documentos acostados às fls. 52 a 81 também não se prestam a comprovar qualquer conduta tipificada, haja vista que se referem ao ano de 2006, enquanto que a autuação em questão versa sobre fatos ocorridos em 2002. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) Os casos de nulidades estão previstos no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 e não se vislumbra nos autos a ocorrência de qualquer irregularidade passível de saneamento. Os atos e termos foram lavrados por AuditoresFiscais, legalmente competentes para realizar o procedimento fiscal, e não se verifica qualquer restrição ao contraditório e ampla defesa da autuada, na medida em que todos as informações utilizadas no processo são originadas de transações da própria empresa e as conclusões da auditoria fiscal foram cientificadas ao sujeito passivo, oportunidade em que lhe foi aberto prazo para apresentação de impugnação, peça e ocasião oportuna para se apresentar os pontos de discordância, as provas e contraprovas, nos termos do disposto no Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III. b) Os documentos carreados aos autos são todos originados de coleta direta na própria empresa, assim como de acervo apreendido pela Polícia Federal, ou obtidos em cartórios, cujo acesso aos assentamentos é público. Ademais, os valores indicados pela Fiscalização como depósitos bancários foram extraídos de extratos fornecidos pelas próprias instituições financeiras e originados de contascorrentes da empresa. c) Haveria necessidade de anexar os extratos se estes demonstrassem fatos imputados à empresa, mas que tivessem origem em transações de terceiros, como é o caso de movimentação financeira em nome de interposta pessoa. Contudo, nos presentes autos, os depósitos figuram em extratos da própria empresa e não há necessidade de que os mesmos sejam estampados no processo. Se houvesse alguma divergência entre o fato imputado e a realidade fática, caberia à empresa negar a existência do depósito. Mas isto não ocorreu. A empresa reconheceu a existência de tais depósitos e afirmou, conforme pode ser observado no documento de fl. 157, que "tendo recebido e analisado os extratos bancários solicitados junto às instituições financeiras, verificou que os depósitos constantes das contas bancárias são oriundos dos negócios próprios da empresa". d) O lançamento decorrente da inexistência ou insuficiência do pagamento não mais se enquadra na modalidade "por homologação" e deve ser feito de ofício, conforme determina a regra contida no artigo 149, V, do CTN, ao estabelecer que o lançamento é Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 5 9 feito de ofício sempre que se comprove omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade do lançamento por homologação. e) A partir de 1 de janeiro de 1997 data esta a partir da qual a Lei n° 9.430 tornouse eficaz, a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada, tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. f) A empresa foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ingressados em suas contas bancárias no anocalendário de 2002, segundo detalhado nos próprios termos de intimação fiscal. Em resposta à intimação, a empresa se limitou a informar que os recursos financeiros eram oriundos dos negócios próprios da empresa, mas não houve nenhuma comprovação da contabilização de tais valores. Aliás, a empresa declarou que não era possível identificar cada depósito com a respectiva receita, uma vez que não possuía contabilidade para aqueles períodos. g) Nem mesmo na impugnação a empresa traz qualquer justificativa acerca da origem daqueles recursos. Prendese a peça impugnatória em discutir o conceito de renda e afirma que o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, admite o depósito bancário como indício de receita auferida e que cabe ao Fisco identificar e comprovar a ocorrência do fato gerador. h) Com relação aos documentos de fls. 52 a 81, a impugnante tem razão em afirmar que eles são do ano de 2006. Contudo, embora carreados aos autos juntamente com vários outros documentos, não houve qualquer utilização dos mesmos, pela Fiscalização, para comprovar fatos ou conduta do sujeito passivo para os fatos geradores ocorridos em 2002, o que em nada altera as conclusões destacadas no presente julgamento. i) Diante de todos esses fatos, notória e exaustivamente descritos no termo de verificação fiscal e dado a conhecer a partir da documentação anexada aos diversos volumes dos autos, é que levam à conclusão sobre a conduta qualificada do sujeito passivo. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) Houve voto divergente na prolação do acórdão, conforme anotado à fl. 2 do acórdão. O d. julgador José de Almeida Martins, entendeu haver decadência em relação ao IRPJ e CSLL do trimestre encerrado em 30/09/2002 e também do PIS e da COFINS relativos ao fato gerador ocorrido em julho de 2002, bem como pela aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). b) O desagravamento da multa é inafastável, tendo em vista que o lançamento de crédito tributário por presunção, sem prova material, não caracteriza o intuito de fraude requerido pela lei para o agravamento da penalidade, como restará demonstrado nas alegações de mérito arguidas adiante. c) Tendo sido tomada ciência do Auto de Infração em 21/12/2007, o crédito tributário lançado através dos autos de infração do IRPJ e da CSLL para o terceiro trimestre do Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 10 ano calendário 2002 e dos autos de infração do PIS e da COFINS para os períodos até novembro de 2002 (inclusive) foram atingidas pela decadência. d) O auto de infração teve por base o valor apurado em demonstrativo elaborado pelos próprios autuantes, sem que fossem anexados os extratos bancários, que segundo os senhores fiscais, foram utilizados para a elaboração daquela planilha, deixando de juntar ao processo qualquer prova material destes lançamentos. e) A empresa teve parte de seus documentos apreendidos pela Polícia Federal em 05 de outubro de 2006 (fls. 19 a 22) Alguns documentos foram juntados pela fiscalização às fls. 50 a 81. Não sabemos onde esses documentos foram captados. f) Como esclarecer ou comprovar alguma coisa se todos os livros e documentos estavam em poder da fiscalização? Não foi concedido à recorrente, oportunidade para esclarecer e/ou comprovar determinados depósitos bancários inseridos na sua conta bancária, exigido nas intimações, uma vez que os extratos não foram juntados nos autos e os livros que registram as operações se encontravam em poder do Fisco. Esse fato, certamente torna os autos de infração nulos. g) No termo de constatação fiscal, a fiscalização descreve o "Relatório da Polícia Federal", onde envolve outras empresas, mas em nenhum momento é citado o nome desta recorrente. Assim, que prova de sonegação existe contra a empresa nesses documentos? Nenhuma. Foi inócua a juntada desses documentos e é inócuo o "estardalhaço" produzido nos autos. Nada foi provado contra a recorrente. h) Nenhuma intimação foi dirigida à recorrente referindose a esses documentos. Eles não se prestam a provar absolutamente nada contra a empresa, pelo contrário, militam a seu favor já que o auto de infração foi lavrado com base em elementos totalmente diferentes, sem nenhuma correlação com as operações que os lastrearam. i) A motivação que teria embasado a ação fiscal não é clara ou sequer determinável, não existe nos autos qualquer prova conectando a motivação aventada com fatos efetivamente ocorridos, não havendo a indispensável congruência e conexão para embasamento do Auto de Infração. j) A fiscalização, contrariamente, sem um profundo procedimento investigatório, simplesmente levantou todos os créditos ou depósitos registrados nos extratos bancários da recorrente, e sobre o somatório trimestral apurado efetuou o lançamento dos tributos constantes dos Autos de Infração. Isso é inconcebível à luz do direito. Principalmente porque esses valores se encontram incluídos na receita bruta que foi declarada na DIPJ. k) Não se pode afirmar que o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autorizaria o lançamento ora impugnado. Em verdade, es dispositivo legal não pode ser interpretado literal e isoladamente, mas, a contrário, deve ser interpretado de forma sistemática e em harmonia com regra do art. 43 do CTN, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da hierarquia das leis. l) Os Srs. Auditores Fiscais através dos documentos de fls. 128 e seguintes requisitaram das instituições financeiras os extratos bancários dos anos de 2002 a 2005, e mesmo recebendoos, não os colocaram no processo administrativo fiscal, limitandose a elaborar "Demonstrativo de Valores Extratos Bancários" às fls. 139 e 140. m) A única irregularidade apurada é a não comprovação de alguns depósitos (sete fl. 11 do Acórdão) que redunda em presunção de omissão de receita. Repetimos presunção e Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 6 11 não omissão propriamente dita, tais como vendas sem emissão de notas fiscais ou notas fiscais de vendas sem registro. Palavras, depoimentos não são admitidas como prova no Direito Tributário. n) A Decisão recorrida inovou, pois nem mesmo os rigorosos Auditores questionaram a legitimidade da nota fiscal de fls. 256. A recorrente, durante os trabalhos fiscais, não foi em momento algum intimada a prestar esclarecimentos sobre essa nota fiscal. Mas, no entendimento da Autoridade Julgadora a nota fiscal é fria e pronto foi encontrado motivo suficiente para manter o agravamento da multa. No entanto, mesmo sem pedir esclarecimentos, a recorrente achou por bem juntar as provas para afastar definitivamente de vez a idéia de que agiu ardilosamente. o) A operação de que trata a nota fiscal de fls. 256, iniciouse com a remessa pelo encomendante de mercadorias a serem industrializadas por sua conta e ordem (objetivo social da recorrente) através das notas fiscais de n° 069769 e 069770 em 28/02/2002, registradas no Livro de Registro de Entradas de n° 003, conforme cópias anexas (doc. 01 a 03) e relatório carreado aos autos pelos Auditores às fls. 284 do processo. p) Executados os serviços, o retorno do material com os valores agregados (insumos e mão de obra, aplicados) retornaram ao encomendante através da nota fiscal n° 1044 (fls. 256), registrada no Livro Registro de Saídas de n° 003 (doc. 04 a 06), relatório dos Auditores às fls. 268 do processo. q) A receita auferida de R$ 5.000,00 foi contabilizada na folha 234 do Diário n° 003 e a quitação da duplicata emitida foi feita através de depósito no banco Bradesco, conforme original do extrato (doc.07) contabilizado na folha 242 do Diário n° 003 (doc. 08 a 11). Toda a operação está sintetizada nas folhas de n° 62, 90, 180, 252 e 433 do Livro Razão (doc. 12 a 16). r) Após muita insistência, a recorrente conseguiu que a Delegacia da Receita Federal devolvesse ao Fisco Estadual os livros e documentos dele emprestados, inclusive o Diário de 2002 (doc. 17 e 18) que a despeito de estar em seu poder durante todo o trabalho fiscal, emitia intimação solicitando que a empresa informasse sobre operações ali registradas. Apesar disso a autoridade julgadora entendeu que não ocorreu cerceamento do direito de defesa e que isso em nada prejudicou a empresa. s) O que deu lastro à autuação foram os depósitos bancários a que a fiscalização entendeu como não comprovados. Em decorrência disso, jamais a multa majorada deveria ser mantida, pois, a razão pela qual a autoridade julgadora entendeu em mantêla exasperada foi a suposta utilização daquela "nota fiscal fria", assunto que a recorrente, à exaustão, comprovou não existir. t) A recorrente trouxe oportunamente ao processo, esclarecimentos sobre a procuração outorgada por cliente ao sócio desta, justificando o motivo da outorga. A verdade exposta na impugnação e aceita pela autoridade julgadora dispensa maiores esclarecimentos. u) Da análise dos documentos constantes dos autos e agora do relato da Delegacia de Julgamento, fica evidente que não se pode dizer que houve o "evidente intuito de fraude" que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada (agravada). Há, pois, neste processo, a ausência, inegável, do elemento subjetivo do dolo, em que o agente Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 12 age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. v) O agravamento da multa carece de motivação legal, razão pela qual deve ser afastada. Diante dos fatos supramencionados, imperioso é o afastamento da multa agravada, o que se requer, eis que inaplicável ao lançamento em questão. w) Considerando que os referidos Autos de Infração são decorrentes da autuação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a improcedência deste, conforme vigorosamente comprovada, comporta igual tratamento àqueles, isto é, lançamentos reflexos deve ser dado o mesmo destino do lançamento principal. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora SELENE FERREIRA DE MORAES A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 07/08/2009 (AR de fls. 488). O recurso foi protocolado em 03/09/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Podemos sistematizar os pontos levantados pela recorrente nos seguintes tópicos: a) decadência; b) cerceamento do direito de defesa; c) falta de motivação do auto de infração; d) presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/1996; e) ausência dos extratos bancários; f) multa de 150%; g) tributação reflexa. Decadência Inicialmente, a recorrente afirma que como o IRPJ, a CSLL, a COFINS e a Contribuição para o PIS são tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário encontrase previsto no art. 150, § 4º, do CTN, in verbis: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Destaca, outrossim, que não incorreu nos vícios indicados na exceção contida no § 4º, do CTN, devendo a contagem do prazo decadencial ser feita a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, mencionando inclusive a existência de voto divergente no julgamento de primeira instância. Como a definição da regra decadencial a ser aplicada depende da existência ou não de dolo, fraude ou simulação, adiantamos neste momento que o entendimento da Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 7 13 relatora é no sentido da existência dos vícios indicados no § 4º, in fine, do art. 150 do CTN. Frisese que mais adiante serão demonstradas as razões deste entendimento à luz das provas coligidas pela fiscalização e dos argumentos e elementos probatórios trazidos pela recorrente. Deste modo a regra a ser aplicada ao presente caso é a do art. 173, I, do CTN, que a seguir transcrevemos: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (grifo nosso) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Em face do art. 173, I do CTN, para os casos em que foi caracterizada fraude, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, conforme consta da ficha 01 – Dados Iniciais da Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2003 (fls. 165), o período de apuração do IRPJ e da CSLL é trimestral. Assim, em relação ao fato gerador ocorrido em 30/09/2002, o termo inicial do prazo decadencial é 1° de janeiro de 2003, findandose o prazo apenas em 31 de dezembro de 2007. Portanto, não há que se falar em decadência do lançamento, que foi efetuado em 21 de dezembro de 2007. No tocante ao fato gerador ocorrido em 31/12/2002, o tributo poderia ser lançado apenas em 2003, sendo que o termo inicial do prazo decadencial é 1° de janeiro de 2004. Novamente não há decadência, uma vez que o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2008. Também deve ser rejeitada a preliminar de decadência do PIS e da COFINS, cujos fatos geradores ocorreram em 31/07/2002 e 31/12/2002. Os prazos também se findaram em 31/12/2007 e 31/12/2008, respectivamente. Cerceamento do direito de defesa Não vislumbro nos autos a ocorrência do cerceamento do direito de defesa alegado pela contribuinte. A recorrente afirma que não sabe onde foram captados os documentos juntados às fls. 50 a 81; que seus livros estavam em poder da fiscalização, e que não lhe foi concedida oportunidade para esclarecer ou comprovar determinados depósitos bancários inseridos em sua conta bancária. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 14 O princípio da ampla defesa e do contraditório está elencado no artigo 5º, letra LV da Constituição Federal, que assim dispõe: “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. A simples leitura do dispositivo constitucional demonstra, de pronto, que não ocorreu qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nele esculpidos, posto que, no caso vertente, a recorrente teve ciência de todos os termos lavrados pela fiscalização, sendolhe concedido o prazo necessário para a apresentação de todas as provas ao seu alcance para exonerarse da pretensão fiscal. Com efeito, a argumentação não pode ser acolhida, devendo ser assinalado o seguinte: • Não restou configurado nos presentes autos qualquer óbice ao pleno exercício do direito de defesa da contribuinte, nos termos definidos na legislação, pois, no Termo de Constatação Fiscal de fls.376/391, encontramse relatados todos os elementos relevantes em que se baseou o procedimento fiscal. • A fiscalização juntou aos autos todos os elementos de prova que tomou por base para efetuar o lançamento. • As infrações apuradas estão perfeitamente identificadas e os elementos dos autos demonstram, inequivocamente, a que se refere a autuação, dando suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar a sua defesa. Frise se que a recorrente recebeu cópia integral do presente processo (fls.420/422). • No lançamento há informações e justificativas que permitem ao contribuinte oferecer defesa fundamentada e completa, não havendo que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. Falta de motivação para lavratura do auto Aduz a recorrente que a motivação que embasou a ação fiscal não é clara e que não existe nos autos qualquer prova conectando a motivação aventada com fatos efetivamente ocorridos. Celso Antônio Bandeira de Mello, em sua obra “Curso de Direito Administrativo”, assim nos ensina: “VII. Pressupostos do ato 2) Pressupostos de validade B) Motivo (pressuposto objetivo) 32.Motivo é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato. É, pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato. (...) 34. Para fins de análise da legalidade do ato, é necessário, por ocasião do exame dos motivos, verificar: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 8 15 a) a materialidade do ato, isto é, verificar se realmente ocorreu o motivo em função do qual foi praticado o ato; b) a correspondência do motivo existente (e que embasou o ato) com o motivo previsto na lei. (...) 38. Não se confunde o motivo do ato administrativo com a “motivação” feita pela autoridade administrativa. A motivação integra a “formalização do ato”, sendo um requisito formalístico dele. (...)É a exposição dos motivos, a fundamentação na qual são enunciados (a) a regra de Direito habilitante, b) os fatos em que o agente se estribou para decidir e, muitas vezes, obrigatoriamente, (c) a enunciação da relação de pertinência lógica entre os fatos ocorridos e o ato praticado. (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 27ª ed., rev. e atual.São Paulo: Malheiros Editores,2010, pp. 397/398, 400)” A motivação da presente autuação pode ser resumidamente expressa da seguinte forma: • Omissão de receitas por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários – art. 42 da Lei n° 9.430/1996. • Cabimento da multa prevista no art. 44, inciso II. Conduta da contribuinte: utilização de notas fiscais frias de empresas noteiras; existência de relação e confiança entre o sócio da empresa Sr. Paulo Bueno de Camargo e a empresa “noteira” FriNorte; prestação de serviços da empresa para a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. e omissão de valor equivalente a 43% de sua receita total. Tal conduta enquadrase nas hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Ora, falta de motivação não há. A fiscalização descreveu os fatos em virtude dos quais foi efetuado o lançamento, enunciando a relação de pertinência lógica entre a situação fática e aquela descrita em lei. O enquadramento legal da autuação é claro e no termo fiscal estão pormenorizadamente descritos todos os fatos que levaram à convicção da ocorrência do fato gerador e do cabimento da multa de 150%. O art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, enumera quais os elementos indispensáveis que um auto de infração deve conter, cuja inobservância pode acarretar nulidade do ato por vício formal: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; Fl. 15DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 16 IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” No presente caso, constatamos que o auto de infração lavrado contém todos os elementos obrigatórios, não havendo que se falar em falta de motivação. Por fim, deve ser ressaltado que não se pode confundir ausência de motivação do lançamento com sua procedência ou improcedência, questão esta que passará a ser analisada nos tópicos seguintes. Presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/1996 Afirma a recorrente que o depósito ou crédito bancário, por si só, não configura obtenção de receita. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações da Lei nº 10.637/2002, abaixo reproduzido, foi aplicado corretamente: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na Fl. 16DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 9 17 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares."(NR) O dispositivo legal em comento consiste numa presunção legal. As presunções legais, assim como as humanas, extraem, de um fato conhecido, fatos ou conseqüências prováveis, que se reputam verdadeiros, dada a probalidade de que realmente o sejam. Se, presente “A”, “B” geralmente está presente; reputase como existente “B” sempre que se verifique a existência de “A”, o que não descarta a possibilidade, ainda que pequena, de provarse que, na realidade, “B” não existe. Como preleciona o insigne mestre José Luiz Bulhões Pedreira “o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Na presente presunção legal, temos o seguinte: A = existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. B = configuração de omissão de receitas ou de rendimentos. A fiscalização anexou aos autos demonstrativos dos depósitos bancários da contribuinte e confrontouos com sua escrituração contábil, verificando a incompatibilidade das receitas escrituradas com a movimentação financeira, tendo apurado que a movimentação financeira da Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda, foi de R$ 2.840.543,56, ao passo que a receita total declarada neste ano de 2002 foi de R$ 1.384.581,30, ou seja, menos da metade dos valores creditados nas contas bancárias. Os demonstrativos dos depósitos bancários são suficientes para caracterizar a presunção do art. 42, da Lei n° 9.430/1996, sendo que não foram questionados pela recorrente. A partir destas constatações, intimou regularmente a contribuinte a comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foi apresentada qualquer documentação até o presente momento, limitandose a Fl. 17DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 18 recorrente a afirmar que “os depósitos bancários são oriundos dos negócios próprios da empresa”. (fls. 157). A presunção legal contida no art. 42 permite reputar como fato existente a omissão de receitas (fatos ou conseqüências prováveis –B), determinando inclusive a sua forma de apuração e dispensando a autoridade fiscal de comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Nesta esteira, uma vez caracterizado o fato índice que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentação que demonstre o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, sob pena de ser este reputado como receita omitida. A validade da autuação com base em demonstrativos de movimentação bancária vem sendo admitida pelo Poder Judiciário, mesmo antes da promulgação do art. 42, da Lei n° 9.430/1996, como mostra a ementa do Superior Tribunal de Justiça, a seguir parcilamente reproduzida: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. 1. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. (...) 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): "uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário." 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornouse inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (fls. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de “um amigo estrangeiro residente no Líbano” (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: “Inicialmente, devese chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, devese observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e Fl. 18DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 10 19 exteriorizada por eles." ( RESP 200501801179, Primeira Turna, DJ data: 02/04/2007) Se a presunção simples já era admitida pelo Poder Judiciário, não há que se questionar a validade da presente autuanção, baseada na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Ausência dos extratos bancários A ausência dos extratos bancários não invalida o lançamento, nem cerceia o direito de defesa. Se houvesse equívocos na apuração da base de cálculo, bastaria a recorrente anexar os documentos e apontar as deficiências. Ao invés deste procedimento, em resposta à intimação para se manifestar sobre os valores depositados, foi dito o seguinte: “1) Tendo recebido e analisado os extratos bancários solicitados junto às instituições financeiras, verificou que os depósitos constantes das contas bancárias são oriundos dos negócios próprios da empresa. 2) Não e possível identificar cada depósito com a respectiva receita, de vez que não possui contabilidade para aqueles períodos.” Não só não houve contestação dos valores, como confirmação, tendo sido dito que os depósitos são oriundos dos negócios da empresa. A fiscalização teve acesso aos extratos bancários fornecidos legalmente pelas instituições financeiras, restando cabalmente demonstrada a existência dos depósitos discriminados no Termo de Constatação Fiscal (fls. 382), e a incompatibilidade da movimentação financeira com as receitas declaradas. Da multa no percentual de 150% Afirma a recorrente que o desagravamento da multa é inafastável, tendo em vista que o lançamento de crédito tributário por presunção, sem prova material, não caracteriza o intuito de fraude requerido pela lei para o agravamento da penalidade. Por sua vez, a fiscalização assim justificou a imposição da multa de 150% (fls. 382/383): “Com fulcro nas disposições contidas na Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso I, parágrafo primeiro, o percentual da multa de ofício será duplicado, em face de o contribuinte ter utilizado em suas operações notas fiscais frias de empresas Noteiras — FriNorte e Distribuidora São Paulo , fato comprovado mediante a apreensão de documentos feita pela Polícia Federal na sede da empresa fls.19 a 22; 52 a 81, bem como pela existência de lançamentos contábeis nos Livros Diário e Registro de Saídas da pessoa jurídica — fls. 254 a 273. Ademais, os relatórios de cassação da eficácia das inscrições estaduais emitidos pela Delegacia Regional Tributária de São Fl. 19DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 20 José do Rio PretoDRT.8 — fls. 343 a 352 , reforçam nossas afirmações no decorrer do presente trabalho sobre as empresas Noteiras. Outro ponto que merece destaque é a procuração da FriNorte ao Sr. Paulo Bueno de Camargo, sócio da Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda., revelando assim a amizade, confiança e relação entre os contribuintes e seus sócios. A Fri Norte é uma empresa Noteira, registrada em nome de interpostas pessoas e com objetivo único de fraudar os cofres públicos. Relevantes também as declarações da Sra. Márcia Helena de Oliveira, sócia da Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda., sobre a prestação de serviços de sua empresa para a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., empresa Noteira e com objetivos únicos de fraudar os cofres públicos.” Por fim, é importante ressaltar que a omissão de rendimentos, no valor de R$ 601.200,00, representa 43% da receita total da Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda.declarada neste ano de 2002. São valores expressivos, vultosos e que o próprio sócio Sr. Paulo Bueno de Camargo afirmou em resposta ao nosso Termo de Reintimação — fl. 157 como sendo oriundos das atividades da empresa e não contabilizados, conforme itens 1 e 2 transcritos abaixo:” O art. 44, da Lei n° 9.430/1996, e os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, que regulam as penalidades cabíveis no lançamento de ofício, assim dispõem: Lei n° 9.430/1966 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Lei n° 4.502/1964 “ Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 11 21 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Por sua vez, a súmula CARF n° 14 tem o seguinte teor: “Súmula CARF Nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por conseguinte, restanos saber se estamos diante de um caso de simples apuração de omissão de receita ou se existem nos autos elementos suficientes para comprovar o evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Constam dos autos os seguintes elementos de prova: • Ofício da 1ª Vara da Justiça Federal de Jales (fls. 5/8), requisitando abertura de fiscalização contra as empresas Norte Riopretense Distribuidora Ltda. e Distribuidora de Carnes e Derivados São Luiz Ltda., em face de “veemente indícios de que referidas empresas foram constituídas para sonegar tributos ou criadas para fornecer notas fiscais “frias” a sonegadores, que as adquirem mediante pagamento”. A recorrente figura no rol dos clientes das empresas emissoras das notas fiscais. • Auto circunstanciado de busca e apreensão da Delegacia da Polícia Federal em Jales (fls. 9/22). • Auto de qualificação e interrogatório de Ana Claúdia Valente Fioravante (fls. 23/25): secretária da Distribuidora São Paulo desde 1999. A partir de 2002 assumiu o cargo de faturista. • Auto de qualificação e interrogatório de Antonio Zanchini Júnior (fls. 27/30): contador na empresa Distribuidora São Paulo. • Auto de qualificação e interrogatório de Edson Garcial de Lima (fls. 31/33): comprador de gado com notas fiscais do “Macaúba”, em nome da Distribuidora São Paulo. O gado saía de seu frigorífico com notas da Distribuidora São Paulo. • Auto de qualificação e interrogatório de Jaqueline Vilches da Silva (fls. 34/37): funcionária da Norte Riopretense. • Auto de qualificação e interrogatório de Karla Regina Chiavatelli (fls. 38/42): funcionária da Norte Riopretense. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 22 • Auto de qualificação e interrogatório de Márcia Helena de Oliveira (fls. 43/44): contratada por Nivaldo Fortes Perez, sócio, para trabalhar na Sebo Sol Ltda. Juntamente com outro funcionário da Sebo Sol Ltda. fundou a empresa Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda., que arrendou as instalações e continuou com os clientes da Sebo Sol Ltda. A Sol Importadora prestava serviços de industrialização de couro para a Distribuidora São Paulo e a Rio Preto Abatedouro. • Auto de qualificação e interrogatório de Maria dos Anjos de Medeiros (fls. 45/49): funcionário da empresa Distribuidora São Paulo. • Procuração outorgada por Norte Riopretense Distribuidora Ltda. (fls. 50/51). • Carta dirigida à Sol Importação com valores do frete a vista, e dados para depósito, e menção ao cliente Distribuidora de Carnes e Deriv. SP (fls. 52, 55). • Nota fiscal de venda emitida pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., tendo como destinatário a empresa Couros Nobre Beneficiamento Ltda. (fls. 53/54). • Romaneio de carregamento com menção da nota fiscal de venda emitida pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. (fls. 56) • Notas de industrialização efetuada para outras empresas (fls. 57/64) • Nota de remessa para industrialização emitida pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, tendo como destinatária a Sol Imp. e Exp. de Couros Ltda. (fls. 65/70, 75/77, 79). • Nota fiscal de venda emitida pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., tendo como destinatário a empresa Universal Couros Ltda. (fls. 71). • Nota fiscal de venda emitida pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., tendo como destinatário a empresa Oubach Beneficiamento em Couro (fls. 72). • Conhecimento de transporte rodoviário para o destinatário Oubach Beneficiamento em Couro (fls. 73) • Nota fiscal de industrialização para outras empresas emitida por Imp. e Exp. de Couros Ltda. (fls. 74, 80/81). • Comprovante de depósitos e recibos tendo como favorecido a Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda. (fls. 78). • Decisão judicial deferindo a quebra do sigilo bancário da recorrente (fls. 82/91). • Informações de apoio para emissão de certidão (fls. 98/99). • Cópia de documentos emitidos pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda (fls. 103/105, 257, 343/352, 526). • Termo de declarações (fls. 122/124) da Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante: funcionária da Distribuidora São Paulo. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 12 23 • Auto de deslacração, constatação, análise e relacração do material apreendido na empresa Sol Importadora e Exportadora de Couro Ltda. (fls. 125/127). • Requisição de informações sobre movimentação financeira e respostas das instituições (fls. 128/138). • Demonstrativos de valores – Extratos Bancários (fls. 139/140). • Termo de intimação para comprovação da origem de depósitos bancários (fls. 147/149). • Termo de reintimação fiscal (fls. 153/155). • Resposta da contribuinte (fls. 157). • DCTF (fls. 161/164). • DIPJ (fls. 165/199, 202/229). • Livro Diário (fls. 230/253, 258/263). • Notas fiscais de remessa p/ indust. (fls. 254/255) • Relação de notas fiscais (fls. 264/341). • Lalur (fls. 353/364). • Demonstrativo de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas (fls. 365/375, 392). • Termo de Constatação Fiscal (fls. 346/391) • Cópia de contestação oferecida no processo 033.20010021724 (fls. 453/462). • Livro Registro de Entrada, Saída, Diário e Razão (fls. 511/517, 518/520, 521/525 ). • Extrato do Bradesco (fls. 517 verso) Tais provas depoimentos de oito pessoas que descrevem o esquema de sonegação, cópias de notas fiscais de simples remessa, e de venda para curtumes emitidas pela Distribuidora São Paulo, cópias de romaneios de transporte apreendidos na sede da recorrente, procuração outorgada pela Norte Riopretense Distribuidora Ltda. são suficientes para demostrar dois fatos: a) a existência do esquema de sonegação, fraude e conluio perpetrado por meio das empresas Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. e Norte Riopretense Distribuidora Ltda (atual FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda.); e a relação da Sol Importadora com ambas as empresas. A fiscalização da recorrente iniciouse após o ofício da Justiça Federal, datado de 18/10/2006, ou seja, em 08/01/2007 (fls. 31). Neste ofício a recorrente foi listada como pertencente ao “núcleo dos clientes dos noteiros”. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 24 De acordo com o demonstrativo de fls. 382, apenas 7 depósitos não foram contabilizados, sendo 6 deles no valor de R$ 100.000,00. Tais depósitos foram concentrados em apenas dois meses do ano, julho e dezembro, conforme tabela abaixo: Banco Agência Conta Data Histórico Valor Rural 057 060002334 18/07/2002 DEPOSITO CH.48H 100.000,00 Rural 057 060002334 19/07/2002 DEPOSITO 1.200,00 Rural 057 060002334 19/07/2002 DEPOSITO 100.000,00 Rural 057 060002334 19/07/2002 DEPOSITO CH.48H 100.000,00 Itaú 0792 495558 17/12/2002 DEPOSITO CHEQUE 100.000,00 Itaú 0792 495558 18/12/2002 DEPOSITO CHEQUE 100.000,00 Itaú 0792 495558 19/12/2002 DEPOSITO CHEQUE 100.000,00 TOTAL R$ 601.200,00 A recorrente afirmou que tais valores são oriundos dos negócios da empresa. A fiscalização analisou a escrituração da contribuinte e constatou os seguintes fatos; a) não há conta contábil para os bancos Itaú e Rural, onde foram efetuados os depósitos no valor de R$ 100.000,00; b) tais valores não foram escriturados nos Livros Diário e Razão (fls. 230/253). Se é certo que tais valores não foram contabilizados, este vício não é suficiente para tornar imprestável a escrituração da recorrente, uma vez que foram poucos depósitos, concentrados em apenas dois meses, tendo agido corretamente a fiscalização ao não efetuar o arbitramento do lucro. As receitas brutas mensais constantes da DIPJ/2003 são as seguintes: Mês Valor Janeiro 51.601,54 Fevereiro 142.026,63 Março 147.543,72 Abril 170.372,77 Maio 129.175,71 Junho 82.806,54 Julho 123.256,49 Agosto 67.523,73 Setembro 85.663,43 Outubro 205.463,75 Novembro 115.880,80 Dezembro 63.266,09 Média mensal 115.381,77 Ora, mesmo se a recorrente não tivesse sido identificada como uma das empresas pertencentes ao “núcleo dos clientes dos noteiros”, as características da omissão de Fl. 24DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 13 25 receita, quais sejam, valores de depósitos idênticos, em contas bancárias não escrituradas, em montantes mensais mais de duas vezes maiores que as receitas declaradas, por si só justificariam a imposição da multa qualificada. É pouco crível que operações de industrialização, beneficiamento e comercialização de couros, em valores tão expressivos, e tão concentradas, apenas 6, passassem despercebidas para a contribuinte, a ponto de ela ser incapaz de apresentar qualquer explicação razoável sobre sua origem no curso do processo administrativo, que já dura quase três anos. Em outras palavras, os fatos constantes dos autos demostram que a recorrente deliberadamente impediu o conchecimento por parte da autoridade fazendária de valores correspondentes a 43% de suas receitas declaradas. A recorrente limitouse a afirmar que no Relatório da Polícia Federal reproduzido no termo fiscal não foi citado seu nome; que não há correlação entre os documentos relativos a operação Grandes Lagos e a irregularidade apurada, uma vez que os documentos referemse a fatos geradores ocorridos em 2006; que a nota fiscal de fls.256 retrata uma operação de industrialização por encomenda, devidamente contabilizada. A prova documental dos autos demonstra a existência de relações entre a recorrente e as empresas “noteiras”. A nota fiscal de fls. 256 atesta que tais relações existem desde o ano calendário de 2002. No tocante à procuração outorgada pela Norte Riopretense Distribuidora Ltda (atual FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda.), a recorrente assim se manifesta: “Na verdade, essa procuração é específica e foi outorgada para que representantes das duas empresas atuassem junto a Samello, que adquiriu produto da primeira a Norte, e solicitou que a segunda a Sol o trabalhasse. Anexamos cópia da Contestação (doc. 1) à ação ordinária movida pela Samello e com certeza de sua breve leitura restará a conclusão que a procuração foi outorgada exclusivamente para fins comerciais e legais, e não para encobrir operações escusas como afirmam os agentes fiscais.” De fato, o instrumento de procuração apenas denota a existência de relações comerciais entre a empresa “noteira” FriNorte e a recorrente. No entanto, como já salientado anteriormente, as características da presente omissão e os fatos apurados pela fiscalização, por si só, são suficientes para demonstrar a ocorrência de sonegação, tal como definida no art. 71 da Lei n° 4.502/1996. Ninguém se esquece de contabilizar depósitos no montante de R$ 100.000,00 cada um, ou deixa de guardar a documentação necessária para justificar a entrada dos recursos tão expressivos em suas contas bancárias, contas estas que sequer foram registradas na contabilidade. A documentação constante dos autos evidencia a ligação da recorrente com as empresas “noteiras”, sendo que esta ligação, aliada às características da conduta da contribuinte – falta de contabilização de depósitos bancários em montantes expressivos, concentrados, sem qualquer explicação acerca de sua origem – configura conjunto probatório suficiente para demonstrar as condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, e o intuito doloso de impedir que a autoridade administrativa tivesse o conhecimento daquelas entradas de recursos em suas contas bancárias. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 26 Quanto às alegações de que o procedimento foi baseado em investigações policiais, sem provas materiais a robustecêlas, cumprenos transcrever trechos da obra “A Prova no Direito Tributário”, de autoria de Fabiana Del Padre Tomé: “Na doutrina processual, a prova produzida em autos diversos é denominada prova emprestada e sua eficácia probante varia de acordo com o modo de sua formação. Prova emprestada, nas palavras de Ada Pellegrini Grinover, é “aquela que é produzida num processo para nele gerar efeitos, sendo depois transportada documentalmente para outro, visando a gerar efeitos em processo distinto” (...) A figura da prova emprestada assume, no âmbito tributário, duas acepções: (i) aquela inerente ao direito processual civil, consistente na construção de uma nova prova, idêntica à já produzida em outro processo envolvendo as mesmas partes, como referido no subitem precedente; e (ii) as informações fornecidas por qualquer das Fazendas Públicas, obtidas por meio de procedimentos fiscalizatórios por ela realizados”. A fiscalização não utilizou apenas a documentação produzida pela Polícia Federal, mas também anexou cópias reprográficas da escrituração contábil da contribuinte, respostas a intimações realizadas pela fiscalização, dos ofícios encaminhados pela Justiça Federal, de notas fiscais, de romaneios de transporte. Em outras palavras, existe nos autos, conforme já afirmado anteriormente, documentação hábil a demonstrar a conduta ilícita e a ocorrência de sonegação, fraude e dolo. Os depoimentos colhidos tanto pela Polícia Federal, como pela Secretaria da Receita Federal são meios de prova. Foi a própria Justiça Federal que enviou CDROM com os elementos indícios coletados até aquele momento. Todos os elmentos constantes dos autos foram apreciados em primeira instância, e servem de base para o convencimento deste colegiado. Por fim, no tocante aos demais tributos, o decidido quanto ao IRPJ, deve ser aplicado aos lançamentos reflexos, merecendo ser destacado que a recorrente não teceu nenhuma consideração específica em relação aos outros autos de infração. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Voto Vencedor Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Redator Designado: Sem prejuízo do contumaz brilhantismo que permeia os votos proferidos pela i. Conselheira Relatora, guardo comigo entendimento um pouco dessemelhante acerca de alguns dos tópicos suscitados nos presentes autos. Mais precisamente, peço vênia para discordar, por ora, das conclusões concernentes à contagem do prazo decadencial aplicável, à cominação de multa de ofício qualificada, no importe de 150% (cento e cinquenta por cento), e à manutenção do lançamento relativo ao PIS apurado em dezembro de 2002. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 14 27 (1) Da decadência Consoante relatado ao longo de todo o labor fazendário, a autuação em questão teria se desenvolvido, pretensamente, como decorrência das investigações perpetradas pela Polícia Federal do Brasil, no seio da denominada “Operação Grandes Lagos”. O trabalho impositivo realizado teria, então, centrado âncora na alegação de que o contribuinte se utilizara, em suas operações, de notas fiscais “frias”, emitidas pela FriNorte e pela Distribuidora São Paulo, apreendidas junto à sede da empresa postulante (fls. 19/22 e 55/81). No início do trabalho ora analisado, procedeu o Fisco ao cotejamento entre os valores de receitas declarados e escriturados pela autuada, de uma banda, e as cifras de movimentações financeiras declinadas em extratos bancários, banda outra. Constatouse, em consequência, a existência de 07 (sete) depósitos integralmente omitidos, realizados nos meses de julho e dezembro de 2002, praticados junto aos bancos Rural e Itaú (fl. 382), sobre os quais se concretizou o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, na forma autorizada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A Fazenda acreditou, então, que citadas omissões de receitas derivariam do ardil desmantelado pela Polícia Federal. Acreditou o lançador, nesse sentido, que a peticionária teria camuflado, sob a égide de documentos fiscais emitidos por empresas “noteiras”, as operações comerciais que resultaram na aferição dos valores consubstanciadores dos depósitos clandestinos. Por força desta exegese, sustentou o fiscal competente que o prazo decadencial pertinente aos débitos seria aquele prescrito pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, de forma que o início do deste interregno se desse no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que poderia ter sido concretizada a formalização do crédito fiscal. A visão acima resenhada ganhou eco no voto lavrado pela i. Relatora. Ocorre, contudo, que não entendo possível asseverar a existência, nos autos, de suficientes provas do alegado nexo causal existente entre a participação da autuada no esquema de “notas frias”, de um lado, e a omissão de movimentações bancárias ensejadora dos lançamentos debatidos, de outro. Tudo o que colacionou o agente fiscal, no presente processo, foi a prova da existência dos depósitos escondidos, escorreitamente identificados, não incluídos nos escritos e nas declarações contábilfiscais produzidos pelo contribuinte. Não há, contudo, como se pugnar, com a certeza necessária, pela correspondência entre ditas camuflagens de rendimentos, por uma banda, e o emprego do ardil de produção de notas fiscais falsas – aventadamente destinado a permitir a sonegação das operações que redundaram nos proventos movimentados em conta –, banda distinta. Ora, se não há nenhuma demonstração de que os lançamentos derivaram, diretamente, do mecanismo fraudulento, não há motivo para se defender a aplicação do lustro decadencial estatuído pelo artigo 173, inciso I, do CTN, em detrimento da regra contida no artigo 150, § 4º, do mesmo diploma. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 28 Vale lembrar, sobre o tópico, que o comando do estresido artigo 150 deve ser impingido sempre que se cuide de tributos lançados por homologação – assim entendidos aqueles em relação aos quais a lei atribui, ao sujeito passivo, o dever abstrato de apurar e recolher, por antecipação, o quantum debeatur. O critério estatuído pelo artigo 173, inciso I, do Codex só se legitimaria, nessa seara, em caráter excepcional, contanto que houvesse cabal e inequívoca demonstração de que o contribuinte agiu com intuito doloso, fraudulento ou simulatório. Dita prova do ânimo de sonegação deveria ser elaborada, pois, em relação aos específicos valores lançados, de molde que restasse indubitável que a elusão fora perpetrada de maneira dolosa. Não bastaria, como no caso, que o agente autuante indicasse, genericamente, a existência de condutas desabonadoras do sujeito passivo, capazes de qualificálo como contribuinte tendente a evadir tributos; igualmente, não cumpriria com o necessário a mera notícia de fraudes que, potencial e incertamente, poderiam ter alguma relação com as infrações averiguadas. Desse modo, existindo qualquer dúvida a respeito da culpabilidade do sujeito passivo, deve prevalecer o entendimento de que as omissões de receitas derivaram de simples negligência, imperícia ou desídia – hipóteses que não autorizam o afastamento do artigo 150, § 4º, do CTN, em prol do substituto artigo 173, inciso I. Não bastasse o exposto, é de se lembrar, ainda, que o Fisco conduziu os lançamentos com fulcro em simples presunção legal, erigida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, abstendose de provar a conduta infracional da postulante. Assim, os lançamentos em debate não são resultado da perscrutação imediata e indubitável de proventos tributáveis omitidos. Ao contrário, valendose da autorização legislativa acima noticiada, a Fazenda apenas procedeu ao apontamento de movimentações bancárias potencialmente identificáveis a receitas escondidas, transferindo ao contribuinte o ônus de provar que a não declaração de ditas movimentações não corresponderia a qualquer delito tributário. Ora, se todo o trabalho impositivo se calcou em meras presunções, é de se admitir que o Fisco não logrou, de forma alguma, comprovar eventual comportamento doloso, fraudulento ou simulatório, capaz de embasar a não aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN. É cediço, neste colegiado, o entendimento de que não se pode presumir o intuito delitivo, com âncora na constatação de meras movimentações bancárias clandestinadas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou Fl. 28DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 15 29 simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964. Por sua vez, descabe o agravamento da multa, por falta de atendimento a intimações, quando a fiscalização já dispõe de todos os elementos necessários à lavratura do auto de infração, aplicando a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430 de 1996. Preliminares rejeitadas.” (Ac. 1º CC – 10248.679/07) (grifos nossos) “MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE COMPROVAÇÃO Se dos elementos que constam dos autos não resta comprovado o evidente intuito de fraude, a multa qualificada deve ser afastada e reduzida ao percentual de 75%. A mera constatação da omissão de receitas, mormente se por presunção legal, é insuficiente para afirmar o intuito doloso do contribuinte de ocultar o fato gerador tributário da autoridade fiscal.” (Ac. 1º CC – 10517.363/08) (grifos nossos) Assim, devem ser impingidos, ao caso, quinquênios decadenciais assim formatados: TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO FATO GERADOR DIES A QUO DIES AD QUEM IRPJ (Trimestral) 3º trimestre / 2002 30/09/2002 30/09/2002 30/09/2007 4º trimestre / 2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2007 CSLL (Trimestral) 3º trimestre / 2002 30/09/2002 30/09/2002 30/09/2007 4º trimestre / 2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2007 PIS Julho / 2002 31/07/2002 31/07/2002 31/07/2007 Dezembro / 2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2007 COFINS Julho / 2002 31/07/2002 31/07/2002 31/07/2007 Dezembro / 2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2007 Em tal panorama, e tendose em conta que a data da ciência da lavratura perpetrada se perfez em 21/12/2007, acredito ter sido atingido pela decadência todos os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL apurados no 3º trimestre do anobase de 2002, de um lado, e ao PIS e à COFINS pertinentes ao mês de julho de 2002, lado outro. Em relação aos demais valores, no entanto, acredito ser, ao menos neste ponto, pertinente o labor lançador, dado que o lustro de caducidade só se esgotara 10 (dez) dias depois da data de intimação da peça acusatória. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 30 (2) Da multa de ofício qualificada Conclusões similares às precedentes se aplicam, também, ao tópico da aplicação de multa de ofício qualificada, mensurada na forma do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. A i. Conselheira Relatora entendeu, na esteira pugnada pela Fazenda, que estaria configurada, na hipótese, qualificadora de culpabilidade imiscuível a um dos tipos delitivos previstos pelos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Por esta razão, optou ela por manter as feições autuadas, preservando a sanção impingida. Acontece, contudo, como explicado alhures, que não há, nos autos, elementos de instrução capazes de fazer suspeitar que os rendimentos omitidos tenham reta correlação com o ardil dizimado pela Polícia Federal. É certo que as movimentações bancárias não declaradas podem, eventualmente, ser reflexo do esquema fraudulento, mas estas aduções estão postos apenas no campo da mera especulação – terreno proibido às indubitáveis autuações fiscais. Dado que a Fazenda não logrou indicar, diretamente, os rendimentos sonegados – tendo, para tanto, que se valer de mecanismo inversor do ônus probatório –, parece evidente que não foi capaz, da mesma maneira, de demonstrar a ocorrência das condições que permitem a majoração da multa de ofício, até o importe de 150% (cento e cinquenta por cento). Assim, por motivos idênticos aos que determinaram a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, devese afastar a qualificação da penalidade oficiosa, reduzindoa até o importe de 75% (setenta e cinco por cento). (3) Do afastamento dos lançamentos referentes ao PIS do mês de dezembro de 2002 Por fim, e sem prejuízo de tudo o que se explanou, entendo, ainda, ser insustentável a manutenção dos lançamentos respeitantes ao PIS apurado no mês de dezembro de 2002. Ao formalizar AII fulcrado, exclusivamente, em presunção iuris tantum, procede o Fisco, basicamente, ao apontamento de determinadas receitas, sobre as quais imputa a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A natureza dos proventos assim apurados não é indicada, contudo, pela Fazenda, dado que, na maioria dos casos, segregar a origem das movimentações é tarefa que incumbe ao contribuinte, documentalmente – dever este que, justamente por ser descumprido, dá ensejo à aplicação do mecanismo presuntivo. Assim, não há, em princípio, qualquer informação a respeito de qual parcela dos valores transitados em conta corrente corresponde a comercialização de mercadorias, a prestação de serviços ou a rendimentos de quaisquer outras espécies. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES Processo nº 16004.001204/200742 Acórdão n.º 180300.705 S1TE03 Fl. 16 31 Ocorre, todavia, que a Lei nº 10.637, promulgada em 30/12/02, veio inserir, no ordenamento jurídico pátrio, a incidência nãocumulativa do PIS, regendoa ao lado do preexistente regime de cumulatividade. Em tal cenário, imputouse alíquota maior, cumulada com a possibilidade de tomada de determinados créditos, à maioria dos rendimentos performadores do conceito de faturamento, relegando a outras receitas, taxativamente prescritas pelo artigo 8º daquele diploma, o tratamento vetusto: “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III – as pessoas jurídicas optantes pelo Simples; IV – as pessoas jurídicas imunes a impostos; V – os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988; VI – Vetado VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX Vetado X as sociedades cooperativas; XI as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.” Ora, as disposições atinentes a esta segregação de regimes se aplicaram foram aplicadas desde o dia 01/12/02, na forma determinada pelo artigo 68, inciso II, da Lei nº 10.634/02, in verbis: “Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) Fl. 31DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES 32 II – a partir de 1o de dezembro de 2002, em relação aos arts. 1o a 6o e 8o a 11; (...)” É de se lembrar, outrossim, que algumas específicas receitas são tributadas, no que tange ao PIS, segundo modalidade monofásica, bastante similar – mas não equivalente – à forma pela qual se materializa o mecanismo de substituição tributária. A tais cifras não se comina, por consequência, tratamento tributário idêntico ao imputado às demais. Nesse panorama, é de se entender que já havia, para o PIS referente ao mês de dezembro de 2002, a necessidade de se separar quais dos rendimentos auferidos pela autuada se postavam sob a égide da nãocumulatividade, de um lado, e quais remanesciam adstritos à cumulatividade, de outro. De igual maneira, também era imperioso a identificação dos proventos cingidos à cobrança nãopolifásica, na forma alhures explicada. A perpetração dos lançamentos ora focados, calcados na presunção encampada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não realizou, todavia, estas necessárias separações. Tributaramse, indistintamente, receitas que poderiam, em princípio, estar colocadas sob as mais diversas regras de cálculo e de apuração. Entendo, portanto, que deve ser afastada a cobrança do PIS tangente ao mês de dezembro de 2002. Mantida deve ser, no entanto, a incidência da COFINS pertinente ao mesmo período, eis que, em relação a esta contribuição, ainda não vigiam os distintos regimes presentemente vigorantes, introduzidos pela Lei nº 10.833/03. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: i) cancelar os lançamentos de IRPJ e de CSLL relativos ao 3º trimestre de 2002; ii) cancelar os lançamentos de PIS referentes aos meses de julho e dezembro de 2002; iii) cancelar o lançamento de COFINS pertinente ao mês de julho de 2002; e iv) reduzir a multa de ofício cominada, até o importe de 75% (setenta e cinco por cento). Benedicto Celso Benício Júnior Redator Designado Fl. 32DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREI RA DE MORAES
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Numero do processo: 19515.002709/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 2001, 2002, 2003
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
UTILIZAÇÃO DOS DADOS DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.(Súmula CARF n° 35)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não
comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos
utilizados em tais operações.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.633
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.(Súmula CARF n° 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Relatório ROGÉRIO PAVAN DOS SANTOS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 438) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 318/323 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 314/317, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2001, 2002 e 2003, no valor de R$ 560.952,16, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.209.019,48. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários com origens não comprovadas, conforme descrição dos fatos do auto de infração e do termo de verificação fiscal a ele anexo. O Contribuinte impugnou o lançamento e arguiu, preliminarmente, a nulidade do lançamento sob a alegação de que a descrição dos fatos do auto de infração está incompleta, pois não apontaria, de forma individualizada, os valores que ensejaram a caracterização da omissão de rendimentos. Argumenta que somente o auto de infração poderia trazer essa individualização, omissão que não poderia ser suprida com a informação em outro documento. Quanto ao mérito, aduz, em síntese, que não seria possível a aplicação da Lei n° 10.174, de 2001 e da Lei Complementar n° 105, de 2001; que o art. 11, § 3° da Lei n° 9.311, de 1996 vedava a utilização das informações da CPMF como base para o lançamento tributário e que a Lei n° 10.174, de 2001, que afastou essa vedação, não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos. Sustenta que como não havia autorização judicial para o acesso às informações sobre sua movimentação financeira, houve violação ilegal do seu sigilo bancário. Também afirma que o lançamento não poderia ter sido realizado única e exclusivamente com base nas informações sobre movimentação financeira, que não equivale a renda. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002709/200418 Acórdão n.º 2201001.633 S2C2T1 Fl. 2 3 Referese à inclusão de depósitos em duplicidade, pois não teria sido levado em conta créditos estornados na conta do Banco Itaú. Também teria sido incluídos depósitos que não constariam dos extratos, em 15/06/2000, no valor de R$ 36.692,00. O Contribuinte referese como origem de depósitos a venda de um box de garagem que explicaria dois depósitos no Banco Itau, nas datas de 23/04/2002 e 02/05/2002, nos valores, respectivamente, de R$ 102.887,04 e R$ 27.112,96. Também comprovaria a origem de depósito no valor de R$ 45.000,00, em 21/10/2002, no Sudameris, a venda de um apartamento na rua Pires Mota, 1160. Por fim, o Contribuinte se insurge contra a multa de ofício. A DRJSÃO PAULO/SPO II julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o valor do imposto exigido de R$ 129.697,14 para R$ 112.965,73, no anocalendário de 2000; de R$ 136.273,16 para R$ 131.369,33, no anocalendário de 2001, e de R$ 294.981,86 para R$ 235.983,69, no anocalendário de 2002, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSÃO PAULO/SPO II rejeitou a preliminar de nulidade, destacando que mesmo durante a fase do procedimento fiscal o Contribuinte teve conhecimento dos elementos apurados pela Fiscalização, o que lhe permitiu exercer o amplo direito de defesa e que todos estes elementos integram o processo; que, portanto, não houve o alegado cerceamento do direito de defesa. A DRJ também rejeitou as alegações quanto à quebra do sigilo bancário e a possibilidade de utilização dos dados da CPMF como base para o lançamento. Ressaltou que a Lei n° 10.174, de 2001 e a Lei Complementar n° 105, de 2001 estabelecem novo processo de fiscalização, que amplia os poderes de investigação das autoridades administrativas, de modo que sua aplicação imediata, alcançando, inclusive, fatos pretéritos, tem amparo no art. 144, § 1° do CTN. E sobre quaisquer aspectos relacionados a eventuais questionamentos sobre lesões a princípios constitucionais, ressalta que o exame da matéria refoge à competência dos órgãos julgadores administrativos. Quanto ao mérito, a turma julgadora de primeira instância ressalta a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários com origens não comprovadas, que tem previsão legal em disposição expressa de lei, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e observa que, no caso, o Contribuinte não logrou comprovar a origem da maior parte dos depósitos, estando correto o lançamento quanto a este ponto. A turma julgadora acolheu a alegação da defesa quanto às origens de parte dos depósitos, retirandoos da base de cálculo, conforme detalhadamente demonstrado no voto condutor do acórdão recorrido. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 02/03/2009 (fls. 438) e, em 02/08/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 459/489, que ora se examina, e no qual reitera, em sínt4ese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à possibilidade do lançamento com base em depósitos bancários, à quebra do sigilo bancário e à aplicação retroativa da Lei n° 10.174, de 2001, cuja constitucionalidade também questiona. O Contribuinte também se insurge contra a multa de ofício e os juros de mora. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Por fim, formula pedido nos seguintes termos: Ante todo o exposto, aguarda o Recorrente seja conhecido e DADO PROVIMENTO AO PRESENTE RECURSO, com a reforma do V. Acórdão atacado, JULGANDOSE TOTALMENTE IMPROCEDENTE o Auto de Infração ora atacado, sendo considerado indevido IRPF cobrado pela fiscalização, assim como, seus respectivos encargos de multas e juros. Requer, que seja reconhecida e declarada a ilegalidade da obtenção e Utilização dos Extratos Bancários do Contribuinte por via administrativa, para fins de utilização como ÚNICA prova para o Lançamento do IRPF, o sue fere o Direito Constitucionalmente Garantido Contribuinte. Requer ainda, que seja reconhecida inaplicabilidade das Leis 10.174/2001 e a LC 105/2001 para fins . de obtenção de provas (extratos bancários) do r Contribuinte nos exercidos fiscais anteriores a Lei. Caso, contudo, se entenda pela remanescência de algum débito em face da Recorrente, o que se admite apenas a titulo de argumentação, requer sejam revistos os percentuais da multa e juros aplicados, a fim de se afastar o Caráter Confiscatório dos mesmos;, bem como a fim de adequálos a patamares razoáveis, bem como, seja efetivada compensação com valores de Contribuições anteriormente recolhidos. Requer ainda, mais e respeitosamente; sejam os patronos da Recorrente comunicados de todos os atos, bem como, pleiteando desde já pela sustentação oral de sua defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários com origens não comprovadas. Cumpre examinar, inicialmente, a argüição de nulidade do lançamento. Afirma o Recorrente que a autuação não apresentou individualizadamente os depósitos cujas origens considerou incomprovadas; que, portanto, a descrição dos fatos estaria incompleta. Aduz também que a referência a outros documentos não supriria a falta, pois somente o auto de infração poderia conter essas informações. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002709/200418 Acórdão n.º 2201001.633 S2C2T1 Fl. 3 5 A alegação não procede. O Termo de Verificação Fiscal, que integra o auto de infração, indica, mês a mês, os valores totais dos depósitos que serviram de base para o lançamento e faz referência expressa ao termo de intimação fiscal no qual estão relacionados, de forma individualizada, todos os depósitos. O Contribuinte, portanto, teve, a todo momento, acesso à informação sobre quais depósitos foram considerados incomprovados. Sobre a afirmação de que somente o auto de infração poderia conter a informação não prospera. O que é relevante é que o auto de infração descreva suficientemente a imputação feita ao Contribuinte, a fundamentação legal e de fato, e que o processo contenha todas as informações necessárias ao conhecimento da matéria, permitindo o pleno exercício do direito de defesa. A relação dos depósitos, assim como os extratos bancários e outros documentos, são elementos de prova que devem estar no processo, mas não necessariamente devem integrar o documento auto de infração. Não vislumbro, portanto, nenhum vício no procedimento fiscal e na autuação quanto a este aspeto, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. O Contribuinte também se insurge contra a utilização da Lei nº 10.174, de 2001 como base legal para o lançamento. Aduz que esta lei não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, eis que a legislação em vigor à época dos fatos vedava a utilização das informações da CPMF como base para lançamento tributário. Esta questão, todavia, já está pacificada no âmbito deste Conselho que, a respeito, editou súmula, aplicável ao caso, a saber: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei No 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.(Súmula CARF n° 35) Relativamente à alegação de quebra do sigilo bancário, é posição consolidada no âmbito deste Conselho que, atendidas as condições fixadas na lei, o Fisco pode ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes e utilizálas como base para o lançamento tributário. É verdade que o art. 5º, inciso X, da Constituição Federal garante o direito à privacidade, no qual se inclui o sigilo bancário, mas esse direito não é absoluto e ilimitado, a ponto de se opor aos próprios agentes do Estado, na sua atividade de controle, por exemplo, do cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Isto é, não se pode pretender, por exemplo, que o sigilo bancário se preste para acobertar irregularidades passíveis de apuração pelos agentes do Fisco. O ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, embora sempre reconhecendo o sigilo das informações bancárias, tem uma larga tradição em franquear o acesso a essas informações aos agentes do Fisco. Assim, a Lei nº 4.595, de 1964, já prescrevia no seu art. 38, verbis: Lei nº 4.595, de 1964: Art. 38 – As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 (...) § 5º Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. O próprio Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172, de 1966, recepcionado pela Constituição de 1988 como lei complementar, expressamente determina que as instituições financeiras devem prestar informações sobre negócios de terceiros, o que, obviamente, inclui as operações financeiras, silenciando, inclusive, sobre a exigência de prévio processo administrativo instaurado: Lei nº 5.172, de 1966: "Art. 197 – Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras." Ainda nesse mesmo sentido, foi editada, posteriormente a Lei nº 8.021, de 1990, ampliando, inclusive, o rol das instituições obrigadas a prestar informações ao Fisco: Lei nº 8.021, de 1990: "Art. 7º A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8º Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único – As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1º do art. 7º." Fl. 507DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002709/200418 Acórdão n.º 2201001.633 S2C2T1 Fl. 4 7 Finalmente, a Lei complementar nº 105, de 2001, a qual versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar nº 105, de 2001: "Art. 1º – As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Como se vê, o ordenamento jurídico brasileiro de há muito vem estabelecendo, em caráter sempre excepcional e em determinadas condições previamente estabelecidas, o acesso a informações bancárias dos contribuintes pelos agentes do Fisco. Assim, a legislação brasileira tem, insistentemente, se inclinado no sentido da relativização do alcance do sigilo bancário, prevendo expressamente as situações excepcionais em que se admite a abertura daquelas informações. Por outro lado, não se deve esquecer que os agentes do Fisco, assim como os auditores do Banco Central do Brasil, e as próprias instituições financeiras, estão sujeitos ao dever de manter sigilo das informações a que tenham acesso em função de suas atividades. Desse modo, a rigor, sequer se pode falar em quebra de sigilo, mas em mera transferência deste. Finalmente, cumpre ressaltar que os dispositivos legais acima transcritos são normas válidas e, portanto, plenamente aplicáveis, eis que não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Não há falar, portanto, em violação ilegal ou ilegítima de sigilo bancário, razão pela qual rejeito esta preliminar. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Quanto à possibilidade de lançamento com base em depósitos bancários, este procedimento tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar como documentos hábeis e idôneos, a se de presumir que se trata de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. Tratase do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, in verbis: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será Fl. 509DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002709/200418 Acórdão n.º 2201001.633 S2C2T1 Fl. 5 9 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones juris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (juris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecida senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina teve por base uma presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Não se trata aqui, portanto, de confundir depósitos bancários com renda, mas de se presumir um a partir do outro e, neste aspecto o lançamento está de pleno acordo com a orientação normativa. Quanto aos juros e à multa de ofício, tratase de exigência para as quais há previsão legal expressa em normas que não podem deixar de serem aplicadas pelos julgadores administrativos com base em juízo subjetivo sobre sua harmonização com normas ou princípios constitucionais, por ser questão que refoge à competência destes julgadores. Especificamente sobre os juros de mora, quanto à aplicação da taxa Selic, o CARF editou súmula na qual consolida o entendimento de que é essa a taxa a ser aplicada, vejamos: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 04) Fl. 510DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Assim, não comprovadas as origens dos depósitos bancários, resta caracterizada a omissão de rendimentos, cujo imposto correspondente é exigível mediante auto de infração, acrescido de multa e juros de mora. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 511DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 14751.000052/2010-88
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2006
NORMAS PROCESSUAIS – PRAZO – IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA
Atacada pelo contribuinte a intempestividade da impugnação declarada na decisão recorrida, impõe-se à segunda instância administrativa conhecer do recurso voluntário, no tocante, apenas às razões contrárias àquela declaração, para negar-lhe provimento, caso não fique suficientemente provado o atendimento ao prazo regulamentar.
Numero da decisão: 1802-001.264
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000052/201088 Acórdão n.º 1802001.264 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE), que não conheceu da impugnação da contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Contra a Recorrente foram lavrados autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, do Programa de Integração Social PIS e Contribuição para a Seguridade Social INSS, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente a períodos de apuração compreendidos no anocalendário de 2006, no valor total de R$ 35.795,05, incluídos multas de oficio e juros de mora. Em procedimento de verificação das obrigações tributárias a contribuinte sofreu lançamento de ofício, com base no Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), c/c a Lei nº 9.317/96, art. 17. De acordo com o termo fiscalização a Recorrente foi tipificada por ter omitido receita através de depósitos bancários não escriturados. No Relatório (fls. 54/58) a autoridade autuante consignou que devidamente intimada, a contribuinte não prestou quaisquer informações sobre a origem de depósitos bancários efetuados em sua contacorrente (constatouse que as informações obtidas a partir de extratos bancários entregues pela contribuinte estão divergentes dos valores de movimentação financeira constante dos extratos e as informações armazenadas no banco de dados da RFB). Deste modo foi feito lançamento para formalizar a exigência dos tributos devidos e das multas de oficio com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Além da imputação dessas infrações também foi exigida a multa decorrente da falta de comunicação da exclusão da empresa do regime simplificado (art. 13, II, “a”, da Lei n.° 9.317, de 1996). Irresignada a contribuinte apresentou impugnação de fls. 158/172, por meio da qual sucita, preliminarmente, a sua tempestividade, ao fundamento de que, em razão de grave problema de saúde do procurador que a subscreve, a peça de defesa não foi apresentada no dia 05/03/2010, prazo final, mas no dia 11/03/2010. Assevera, portanto, que, em virtude de fato alheio a sua vontade, teve que ficar sob cuidados médicos por 8 (oito) dias, conforme atestado em anexo. A DRJ em Recife (PE) não conheceu da impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INTEMPESTIVADE. IMPUGNAÇÃO. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000052/201088 Acórdão n.º 1802001.264 S1TE02 Fl. 38 3 É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência do auto de infração, apresentar impugnação contra o lançamento tributário. Expirado tal prazo, a impugnação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 08/11/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 192 a 204) em 29/11/2011, onde alega como preliminar o cerceamento de defesa pela ausência de fundamentação legal para a intempestividade de sua impugnação e no mérito aduz as mesmas alegações feitas anteriormente. Este é o Relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000052/201088 Acórdão n.º 1802001.264 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente, em suas preliminares, a Recorrente alega que teve sua defesa cerceada em razão da ausência de fundamentação do acórdão que considerou a sua impugnação como sendo intempestiva. A Recorrente havia sido intimada do lançamento no dia 03/02/2010 e apresentou sua defesa no dia 11/03/2010, ou seja 36 dias após o recebimento. O prazo para apresentação da defesa está estipulado no Decreto nº 70.235/72: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Mesmo ciente de qua estava fora do prazo a Recorrente nas preliminares de sua impugnação citou o Ato Declaratório Cosit nº 15/96, sustentando que estava impossibilitado de apresentar a sua impugnação no trintidio legal, pois acometeralhe grave problema de saúde, o que comprovou através de atestado médico colacionado aos autos. O ADN nº 15/96 dispõe sobre o tratamento a ser dado pela esfera administrativa à impugnação apresentada fora de prazo: “expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza a impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar”. Também a esse respeito há disposição expressa no Decreto nº 7.574/2011, art. 56, § 2º: “Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento. (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16). (...) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000052/201088 Acórdão n.º 1802001.264 S1TE02 Fl. 40 5 § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.” (Grifos nossos) Primeiramente cabe informar que a DRJ em sua decisão consignou que os prazos processuais previstos no Decreto nº 70.235/72, são continuos, nos termos de seu art. 5°, e, ademais, peremptórios, de forma que a tempestividade da impugnação constitui condição sine qua non à sua apreciação, notadamente após a revogação, pela Lei nº 8.748/93, do art. 6° do mesmo diploma legal, que previa a possibilidade de a autoridade preparadora, atendendo as circunstâncias especiais, acrescer de metade o prazo da impugnação. Resta claro que a DRJ não considerou que a alegada doença do procurador possa justificar a dilatação do prazo, não havendo qualquer omissão ou ausência de fundamentação para julgar a intempestividade da impugnação. Sendo assim, cabeme colacionar algumas outras decisões: “NORMAS PROCESSUAIS – PRAZO – IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA – Atacada pelo contribuinte a intempestividade da impugnação declerada na decisão da recorrida, impõese à segunda instância administrativa conhecer do recurso voluntário, no tocante apenas às razões contrárias àquela declaração, para negar provimento, caso não fique suficientemente provado o atendimento ao prazo regulamentar. – Considerase feita a intimação por aviso postal na data do recebimento no domicílio fiscal da contribuinte, conforme conste do Aviso de Recepção (AR), ainda que deste não conste a assinatura do próprio contribuinte. Recurso negado. (1º CC – Ac. nº 10609.228 – 6º C – DOU 31.12.1997)” “NORMAS PROCESSUAIS – PRAZO – IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA – Atacada pelo contribuinte a intempestividade da impugnação declarada na decisão recorrida, impõese à segunda instância administrativa conhecer do recurso voluntário, no tocante, apenas às razões contrárias àquela declaração, para negarlhe provimento, caso não fique suficientemente provado o atendimento ao prazo regulamentar. (1º CC – Proc. 10880.0007054/9120 – 6ª C. – Rel. Wilfrido Augusto Marques – DOU 07.04.1997).” “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. Considerase definitivamente constituído o crédito tributário, para fins de contagem do prazo prescricional do art. 174 do CTN, quando decorrido o prazo de notificação para recurso da decisão proferida no processo administrativo ou notificada decisão não mais sujeita a recurso. As impugnações e recursos impedem o curso do prazo prescricional, pois suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. Em se tratando de impugnação tempestiva, contudo, não chega a instaurar a fase litigiosa do Fl. 211DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14751.000052/201088 Acórdão n.º 1802001.264 S1TE02 Fl. 41 6 processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). Conforme o Ato Declaratório da COSIT nº 15/96, que integra a legislação tributária (art. 96 do CTN) como norma complementar das leis e dos decretos (art. 100 e seu inciso I do CTN), apresentada defesa fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Prescrição contada do decurso "in albis" do prazo de 30 dias da notificação do Auto de Infração para impugnação. (TRF4, 2ª Turma, AC 1999.71.01.0022077. Rel. Juiz Federal Leandro Paulsen). Por todo o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar invocada pela Recorrente e conhecer do recurso voluntário, no que diz respeito a questão da intempestividade da impugnação, NEGANDOLHE provimento e mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 212DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000258/2005-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
PRELIMINAR. SUJEIÇÃO PASSIVA. DE CUJUS.
Nada obsta que o sujeito passivo seja o de cujus, sendo o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro responsável pelos tributos devidos até a data da partilha ou adjudicação.
ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA
EXTEMPORÂNEO.
A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR).
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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SUJEIÇÃO PASSIVA. DE CUJUS. Nada obsta que o sujeito passivo seja o de cujus, sendo o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro responsável pelos tributos devidos até a data da partilha ou adjudicação. ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000258/200533 Acórdão n.º 210201.943 S2C1T2 Fl. 119 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2001 Declarado, fl. 12 Retificação de ofício Acórdão DRJ, fl. 59 03 Área de Utilização Limitada 422,6 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 59 a 68: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2001, relativo ao imóvel denominado “Fazenda São João Marcos Área 1” localizado no município de Miguel Pereira, com área total de 770,2 hectares, cadastrado na SRF sob o nº 0.230.4104, no valor de R$ 6.774,27, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total de R$ 16.798,83. A ciência do lançamento ocorreu em 17.11.2005, conforme AR de fl. 19. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, em 09.12.2005, em síntese: Comenta sobre as áreas de preservação permanente, reserva legal e de interesse ecológico nas Leis nº 9.393/96 e 4.771/65. “A entrega do Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência imposta por ato administrativo da SRF, para fins de isenção do ITR – fere direito líquido e certo dos proprietários rurais, constituindo patente ilegalidade por parte da SRF.” Tece outros comentários sobre a não valia do ADA. Alega que o advento da Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001 tornou o ADA dispensável. Transcreve o art. 10 da Lei nº 9.393/96. Conclui que “a tributação do imóvel rural NÃO PODE compreender, dentre outras, as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, sendo certo ainda que, tais áreas não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante.” Não se faz necessária a apresentação do ADA por força da inserção do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/96 pela Medida Provisória 2.16667/01. No entanto, mesmo assim, o impugnante protocolou, junto ao Ibama, o referido ADA. Se não fosse suficiente ainda apresentou laudo técnico elaborado por profissional habilitado. “À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado.” Fl. 238DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000258/200533 Acórdão n.º 210201.943 S2C1T2 Fl. 120 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a ausência de ADA tempestivo impede o que seja considerada a Área de Utilização Limitada, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao seu reconhecimento pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 72 a 77, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Preliminar: A autuação foi lavrada em 02/12/2004 e o Sr. senhor George Betim Paes Leme faleceu em 20/01/1984. A DITR da Fazenda São João Marcos, vem sendo apresentada pela Sra. Mariza Martins Pereira Chataignier Betim Paes Leme, na qualidade de inventariante do espolio, de acordo com o Manual de Preenchimento da Declaração do ITR 2001. Dessa forma, verificase que houve erro na identificação do sujeito passivo no auto de infração lavrado pela DRF de Volta Redonda, devendo ser declarado nulo, por vicio formal, o lançamento ora impugnado. Nesse sentido já decidiu a própria 1' Turma de DRJ/REC no Acórdão n°1119.332. II. Mérito: Defende que atendeu os requisitos para que seja considerada a Área de Utilização Limitada independente da apresentação do ADA tempestivo, diante da documentação comprobatória acostada aos autos. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000258/200533 Acórdão n.º 210201.943 S2C1T2 Fl. 121 4 PRELIMINAR Em que pese o julgado de fls. 93 a 95, entendo que o fato do auto ter sido constituído em nome do de cujus, não o torna nulo. A própria recorrente atesta que procedeu na qualidade de inventariante do espólio, de acordo com o Manual de Preenchimento da Declaração do ITR 2001. Assim determina o CTN: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos;(Redação dada pelo Decretolei nº 28, de 14.11.1966) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Portanto, nada obsta que o Auto de Infração seja constituído em nome do de cujus, sendo a responsabilidade tributária determinada pelo que conta no mandamento legal acima. Dessa forma, rejeito essa preliminar. MÉRITO Verificase na Intimação de fl. 02, Auto de Infração às fls. 16 e no Acórdão recorrido 59 a 68, que a fundamentação da autuação e a razão do indeferimento do pedido na instância julgadora recorrida tem como o único fundamento a intempestividade do ADA apresentado pelo contribuinte. Em relação a tempestividade apresentação do ADA, essa questão vem sendo tema abordada e tratada de forma uniforme nessa Turma, v.g., o Acórdão n° 210200.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos , cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamos sua conclusão como fundamento para nossa decisão, nos seguintes termos: (...) Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as áreas de utilização limitada (reserva legal e outras) e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da área de reserva legal, passase a apreciar o caso concreto aqui em discussão. ANÁLISE DO OBJETO DO PROCESSO Fl. 240DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000258/200533 Acórdão n.º 210201.943 S2C1T2 Fl. 122 5 Da explanação supra, concluise ser fundamental para que se possa conceder a isenção do ITR, a apresentação do ADA, contudo, sem a necessidade de ser entregue no prazo de 6 meses na data de entrega da DITR. Diante disso, considerando que a própria fiscalização no final da fl. 16 na descrição dos fatos da autuação reconhece que o contribuinte apresentou ADA para as áreas declaradas e que a razão do lançamento devese exclusivamente a sua intempestividade, com o afastamento da única motivação do lançamento, a glosa deve ser cancelada e restabelecidas as áreas isentas. CONCLUSÃO Pelo exposto, rejeito a preliminar e no mérito VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que se considere no lançamento uma Área de Utilização Limitada no valor de 422,6 ha. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10469.901087/2010-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 01 08 7/ 20 10 -7 1 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901087/201071 Resolução nº 1802000.181 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1136.353, às fls. 35 a 37: A interessada acima qualificada formalizou a declaração de compensação PER/Dcomp nº 06625.86272.140710.1.7.041800, fls. 04 a 07, retificadora da PER/Dcomp nº 33730.00134.251008.1.3.047859, informando suposto crédito, que seria oriundo da PER/Dcomp inicial nº 15394.96347.240608.1.3.040094, no Valor Original do Crédito Inicial de R$ 86.235,61, e Crédito Original na Data da Transmissão no valor de R$ 25.726,03, para compensar débitos de Cofins, código de receita 585601, de abr/2004 e set/2004, com seus acréscimos, totalizando R$ 9.336,79. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação, tendo em vista a inexistência do crédito, uma vez que o DARF que supostamente daria origem do crédito fora integralmente utilizado para quitação de débitos. 3. Cientificada do Despacho Decisório em 11/08/2010, conforme fl. 03, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 08/09/2010, consoante fl. 29, alegando que: 3.1. a decisão é totalmente improcedente porque a DIPJ transmitida em 13/07/2010 acusou débito de apenas R$ 121.764,39 em dezembro/2006, restando como crédito a diferença de R$ 86.235,61, informada como crédito original na data de transmissão e utilizada para quitar débitos através desta PER/Dcomp nº 06625.86272.140710.1.7.041800, tendo o citado crédito sido informado na PER/Dcomp inicial nº 15394.96347.240608.1.3.04 0094. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 VALORES INFORMADOS EM DCTF E/OU DIPJ. Sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório, temse por pago valor idêntico ao confessado, de sorte que o valor desse mesmo tributo informado a Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901087/201071 Resolução nº 1802000.181 S1TE02 Fl. 4 3 menor em DIPJ não afasta o valor devido, confessado, muito menos quando o interessado não apresenta nem livros nem documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos à comprovação fundamentada de erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/04/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/04/2012, com os argumentos descritos abaixo: a Recorrente apurou na DIPJ retificadora, transmitida em 13/7/2010, na Ficha 12A, um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 121.764,39; como foram pagos R$ 208.000,00, restou um crédito de R$ 86.235,61, utilizados para quitar os débitos relacionados no presente processo; para comprovar a correção dos valores consignados na DIPJ, bem como a sua coincidência com os registros contábeis no Livro Diário, estamos juntando o Livro Diário n° 81, autenticado na Jucern, sob n° 07/0043124, em 19/11/2007; há perfeita coincidência entre a Demonstração do Resultado do Exercício, registrada à fl. 424, e os valores consignados na DIPJ (quadro comparativo constante do recurso); o IRPJ totalizou R$ 1.705.960,03, e foi quitado pelas seguintes parcelas: 1) R$ 46.835,82 IRFONTE (Linha 12 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 2) R$ 16.499,46 IRFONTE ENT. ADM. PÚBL. FED (Linha 14 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 3) R$ 1.520.860,36 Estimativas do IRPJ de Jan a Dez/2006 (Linha 16 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 11 da DIPJ, bem como nas DCTFs; 4) R$ 121.764,39 Saldo de IRPJ a pagar: valor pago em 31/01/2007, no código 2430, através do DARF de R$ 208.000,00 (R$ 121.764,39 utilizados para quitar o débito e R$ 86.235,61 utilizados como crédito para compensar débitos deste e de outros processos). comprovase, portanto, que os dados da DCTF, apontando como saldo do IRPJ a pagar, de 31/12/2006, a quantia de R$ 208.000,00, estão equivocados, porquanto inexiste débito desse montante; a falta de retificação da DCTF em lide, de R$ 208.000,00 para R$ 121.764,39, não justifica a manutenção da cobrança do presente processo, vez que inexiste débito de R$ 208.000,00, mas, tão somente, de R$ 121.764,39; Fl. 63DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901087/201071 Resolução nº 1802000.181 S1TE02 Fl. 5 4 houve recolhimento a maior de R$ 86.235,61, a ser compensado com débitos, como ocorreu neste e em diversos outros processos; apesar de termos juntado toda a documentação comprobatória dos fatos, a Recorrente solicita seja deferida a realização de diligência, com vistas à averiguação, se julgada necessária e imprescindível; tratase de providência, até a presente data, não realizada, porém imprescindível à convicção do julgador; a Recorrente anexa a seguinte documentação ao processo nº 10469.901670/201081, que trata de assunto idêntico ao debatido no presente processo: a) Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); c) Cópias das DCTFs relativas aos fatos geradores de janeiro a dezembro/2006, com 333 folhas; d) Cópia da DIPJ do anocalendário de 2006, período de 01/01/2006 a 31/12/2006, emitida com certificação digital, com 32 folhas. Este é o Relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901087/201071 Resolução nº 1802000.181 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente à quitação do ajuste anual do anocalendário de 2006. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em suas peças de defesa, a Contribuinte vem informando que o valor total do IRPJ no período é de R$ 1.705.960,03; que após a dedução das retenções e das estimativas, o saldo de IRPJ a pagar no ajuste é de R$ 121.764,39; e que ela recolheu R$ 208.000,00, o que teria gerado o crédito no valor de R$ 86.235,61. A decisão da Delegacia de Julgamento, mantendo a negativa em relação à pretendida compensação, está assim fundamentada: [...] 7. Esta 4ª. Turma da DRJ/Recife, 22/08/2012, efetuou o julgamento administrativo daquele contencioso do Processo 10469.091670/2010 81, nesta mesma sessão de julgamento, por meio do qual ficou decidido, por unanimidade de votos, manter o Despacho Decisório, não homologando o crédito tributário de R$ 86.235,61 ali pleiteado, uma vez que o DARF no valor de R$ 208.000,00, que seria a origem do crédito, tem o mesmo valor informado na última DCTF ativa da contribuinte que informa o débito de IRPJ sob o código de receita 2430, referente ao anocalendário de 2006, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 32 a 34 a qual se constituiu em confissão de dívida. 8. Portanto, além da PER/Dcomp que consta informada como origem do crédito, a de nº 15394.96347.240608.1.3.040094, não mais existir, uma vez que foi retificada/cancelada, até se chegar naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, temse que esta última foi objeto de julgamento por essa 4ª Turma da DRJ/Recife nesta mesma sessão de julgamento, que decidiu por manter o Despacho Decisório de NÃO HOMOLOGAÇÃO da PER/Dcomp, em função da falta de comprovação do crédito ali defendido, o qual, na verdade, consta confessado em DCTF, que ainda se encontra ativa, conforme as fls. 32 a 34. 9. Em função disso, as PER/Dcomp, a exemplo da presente de nº 06625.86272.140710.1.7.041800, que pretendiam se utilizar do suposto crédito, que teria origem naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, constante do referido Processo 10469.091670/201081, embora tais PER/Dcomp citem como origem Fl. 65DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901087/201071 Resolução nº 1802000.181 S1TE02 Fl. 7 6 do crédito a PER/Dcomp Inicial nº 15394.96347.240608.1.3.040094, que já não existe mais, na verdade, terão, todas elas, o seu pleito indeferido, tendo em vista que, como já mencionado, não restou comprovado o crédito pleiteado naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, mas, ao contrário, foi confessado e assim se manteve informado na última DCTF ativa da contribuinte que se refere a tal crédito de IRPJ, código 2430, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 32 a 34. 10. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Vêse que a decisão da DRJ decorreu de outra decisão proferida por aquele mesmo órgão no processo nº 10469.091670/201081, onde foi realizado o exame do alegado direito creditório. Aquela outra decisão da DRJ (Acórdão nº 1136.368), que não reconheceu o crédito pleiteado, está assim fundamentada: [...] 10. Percebese, portanto, que os valores informados em DIPJ possuem mero caráter informativo, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF vão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. 11. Se a contribuinte verificar a ocorrência de erro na apuração de tributo informado em DCTF, deve providenciar a entrega da correspondente DCTF retificadora antes de qualquer procedimento de ofício. 12. Em consulta ao sistema DCTF, realizada por este relator, verifica se que a última DCTF apresentada pela contribuinte em que informa o IRPJ do ajuste anual do anocalendário de 2006 (período de apuração de 31/12/2006), código de receita 2430, é aquela DCTF retificadora/ativa de março de 2007, apresentada em 13/06/2008, conforme fls. 40 a 42, em que o valor ali confessado é justamente de R$ 208.000,00 e não os R$ 121.764,39 informados na sua DIPJ transmitida em 13/07/2010. Além disso, a interessada não acostou aos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Conclusão 13. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Ao não retificar a DCTF antes de enviar a DCOMP, de fato, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901087/201071 Resolução nº 1802000.181 S1TE02 Fl. 8 7 Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não uma declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – DCOMP (14/07/2010), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado a DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que o saldo a pagar de IRPJajuste (apurado na DIPJ retificadora) era de R$ 121.764,39 (e não R$ 208.000,00, como declarado em DCTF). Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações, como fez a Delegacia de Julgamento. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901087/201071 Resolução nº 1802000.181 S1TE02 Fl. 9 8 Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, ancorada também no fato de a Contribuinte não ter retificado a DCTF antes do despacho decisório, a Delegacia de Julgamento mencionou que ela não acostou aos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário apresentado no processo nº 10469.091670/201081 (que trata do mesmo crédito e que está sendo examinado nesta mesma sessão do CARF) cópias do Livro Diário (contendo a Demonstração do Resultado do Exercício), do Livro Razão, da DIPJ e das DCTF do período, fazendo também uma série de considerações sobre as rubricas que interferem na apuração do IRPJ. Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901087/201071 Resolução nº 1802000.181 S1TE02 Fl. 10 9 1) verifique e informe: o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Natal/RN atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10940.000308/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Não
caracterizada a hipótese prevista no art. 21 da Lei nº 9.317/96, cancelase
a multa.
Numero da decisão: 1301-000.838
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.000308/200510 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.838 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012 Matéria Multa regulamentar Recorrente Sitio Alvorada Comércio e Beneficiamento de Cereais Ltda Recorrida Fazenda Nacional "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Não caracterizada a hipótese prevista no art. 21 da Lei nº 9.317/96, cancela se a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000308/200510 Acórdão n.º 1301000.838 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório Sitio Alvorada Comércio e Beneficiamento de Cereais Ltda. recorre da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, que manteve a exigência da multa regulamentar que lhe foi imposta, em razão da falta de comunicação de exclusão do sistema integrado de pagamento simplificado (“SIMPLES”), indeferiu sua manifestação de inconformidade pela exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por motivo de exercício de atividade vedada e de atividade que requer profissional com habilitação legalmente exigida. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples DRF/Ponta Grossa n° 008/2005, emitido em 15/02/2005, à fl. 106, verso, excluiu o contribuinte do regime do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, por incorrer na vedação prevista no art. 9º, incisos XII, "c", e XIII da Lei n° 9.317, de 1996. Na manifestação de inconformidade o contribuinte alegou que o Parecer n° 23, de 19/04/1999, da Cosit, autoriza opção pelo Simples às pessoas jurídicas que têm como atividade a "prestação de serviços de produção, colheita, corte, descasque, empilhamento e outros serviços gerais". Explicou que a empresa prestava serviços agrícolas, que tinham por objeto recepção, pesagem, limpeza, secagem, classificação, transbordo e expedição de produtos rurais, caracterizandose como "beneficiamento de cereais". Aduziu que sempre praticou atividades de beneficiamento de cereais, as quais não se caracterizam como "armazenagem de produtos de terceiros", nem como atividades de prestação de serviços de engenheiro agrônomo. Expôs seu entendimento de que a atividade de "armazenamento e depósito de produtos de terceiros", vedada no art. 9 º, inciso XII, "c" da Lei n° 9.317/96, referese às pessoas jurídicas que constituem empresas que têm por fim a guarda e conservação de mercadorias e a emissão de títulos especiais que as represente, submetidas à regulação do Decreto n° 1.102, de 21/11/1903. Concluiu afirmando que: (a) armazenamento e depósito de produtos de terceiros é atividade juridicamente típica na ordem legal brasileira; (b) seu contrato social expressamente afastou de seu objeto social os serviços de armazenagem, regulados pelo Decreto n° 1.102/1903; (c) a estocagem desenvolvida pela empresa jamais se caracterizou como atividade principal, pelo contrário, era sempre realizada como meio para consecução das atividades principais. Refutou a assimilação das atividades da empresa a serviços característicos da profissão de engenheiro agrônomo, ressaltando que de acordo com os contratos juntados, o contribuinte era obrigado a possuir instalações apropriadas (silos, moegas, balanças, elevadores, secadores, máquinas de pré e póslimpeza, expedição em alvenaria, escritórios em alvenaria) onde deveria prestar serviços contratados, obrigação esta confirmada na declaração firmada pela Prefeitura do Município de Imbituva. A Turma de Julgamento não acolheu a manifestação de inconformidade ao argumento de que a prática da atividade de armazenamento de produtos de terceiros foi constatada pela autoridade fiscal em procedimento de diligência. Aduziu que, no caso de Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000308/200510 Acórdão n.º 1301000.838 S1C3T1 Fl. 3 3 múltiplas atividades exercidas pelo contribuinte, basta a constatação de uma que seja vedada ao ingresso no Simples, para autorizar a exclusão desse regime. Refutou, também, a afirmativa do contribuinte de que sua atividade não se enquadra como prestação de serviços de engenheiro, argumentando que quando o legislador pretendeu excepcionar a vedação prevista no art. 9°, inciso XIII, o fez expressamente pela via legal, como no o caso da Lei n° 10.964, de 28/10/2004, posteriormente alterada pelo art. 15 da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Finalmente, assentou que a data dos efeitos da exclusão, a partir de 01/01/2002, foi corretamente fixada pela autoridade fiscal, em vista de expressa previsão contida no art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29 de agosto de 2003, considerando que o contribuinte é optante do Simples desde 07/11/1997 e a situação excludente é anterior a 31/12/2001. Ciente da decisão em 03 de setembro de 2008, a interessada ingressou com recurso em 17 do mesmo mês. Alega, em síntese, não ser cabível a exigência de multa por falta de comunicação da exclusão do SIMPLES, porque a empresa sempre praticou atividades de beneficiamento de cereais, isto é, atividades que não se caracterizam como "armazenagem de produtos de terceiros" nem como atividades de prestação de serviços de engenheiro agrônomo. Acrescenta que decisões reiteradas da Secretaria da Receita Federal do Brasil veiculam o entendimento de que os atos praticados pela pessoa jurídica, relacionados ao exercício da opção pelo Simples, serão assim admitidos enquanto pendente de apreciação a manifestação de inconformidade apresentada em face da exclusão de oficio, e que a exclusão do Simples foi contestada no Processo n° 10940000073/200558, em tramitação Lembra que as operações por ela desenvolvidas (recepção, pesagem, limpeza, secagem, classificação, transbordo e expedição de produtos rurais) consideramse "industrialização", e que o Terceiro Conselho de Contribuintes tem decidido pela aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, que retirou o armazenamento como causa impeditiva de opção pelo Simples. Finalmente, pondera que a multa regulamentar aplicada ("falta de comunicação da exclusão do Simples"), prevista no artigo 21, da Lei n° 9.317/96, não pode ser aplicada em casos de exclusão decorrente de procedimento de oficio, argumentando que não há lógica entre exclusão de oficio e comunicação da exclusão pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000308/200510 Acórdão n.º 1301000.838 S1C3T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se observar que não cabe, neste processo, analisar a argumentação da Recorrente direcionadas a desqualificar sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, objeto do Processo nº 10940.000073/200558, já decidido por este Colegiado. Dessa forma, só resta apreciar a legalidade da imposição da multa por descumprimento de obrigação acessória que lhe foi imposta. Segundo dispõe o seu art. 13, inciso II, alínea “a”, e §§ 1º e 3º, alínea “a”, c.c. o art. 21, todos da Lei nº 9.317/96, o contribuinte incluído no Simples, se incorrer numa das situações excludentes constantes do art. 9º, deve promover alteração cadastral para exclusão do sistema até o último dia do mês seguinte àquele em houver ocorrido o fato que deu origem à exclusão. Em não o fazendo, sujeitase à multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão. Como se vê, a exclusão mediante comunicação da própria pessoa jurídica, em caráter obrigatório, pressupõe uma mudança de situação. Ou seja, há que haver um momento a partir do qual a pessoa jurídica que estava incluída no simples passou a incorrer numa situação excludente. Aí, sim, a pessoa jurídica fica obrigada a promover a alteração cadastral para a exclusão no prazo determinado na lei e, em não o fazendo, sujeitase à multa. No caso concreto, desde sua inclusão no Simples, a situação da Recorrente nunca se alterou, nem a pessoa jurídica praticou qualquer ato tendente a subtrair da Administração Tributária o conhecimento da natureza das atividades praticadas. Na própria representação fiscal para exclusão do Simples (Processo nº 10940.000073/200558 ), o auditor declara que o objeto social não sofreu nenhuma alteração desde a sua constituição, qual seja: comércio de cereais, serviços de limpeza, secagem e beneficiamento de cereais, bem como serviço de armazenagem sem emissão de títulos. Apenas o contribuinte entende que tal tipo de armazenagem e depósito (sem emissão de títulos) não se compreende entre as atividades vedadas. Ora, se o contribuinte entendia que suas atividades não eram impeditivas, e se elas não se alteraram, como definir o momento a partir do qual surgiu para ele a obrigação acessória de promover a alteração cadastral para, então, sujeitálo à multa? A exclusão de ofício deuse por inclusão indevida, e não por falta de cumprimento da obrigação acessória de promover alteração cadastral. Dessa forma, entendo não caracterizada a hipótese prevista no art. 21 da Lei nº 9.317/96, que legitima a multa, razão porque, dou provimento ao recurso voluntário. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10940.000308/200510 Acórdão n.º 1301000.838 S1C3T1 Fl. 5 5 É como voto. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.015328/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
OPÇÃO DO CONTRIBUINTE POR DISCUTIR O ASSUNTO NA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
“Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula CARF nº 1).
BASE CÁLCULO. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. EXCLUSÕES.
Os custos dos serviços prestados, tais pagamentos aos médicos cooperados, hospitais, laboratórios e clínicas radiológicas, não configuram indenizações correspondentes a eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades; assim, não são passíveis de dedução da base de cálculo da contribuição por falta amparo legal.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula CARF nº 1). BASE CÁLCULO. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. EXCLUSÕES. Os custos dos serviços prestados, tais pagamentos aos médicos cooperados, hospitais, laboratórios e clínicas radiológicas, não configuram indenizações correspondentes a eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades; assim, não são passíveis de dedução da base de cálculo da contribuição por falta amparo legal. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Adão Vitorino de Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 Morais. Fez sustentação pela Recorrente o advogado Aberlardo Pinto Neto, OAB/SP 99.420, e pela Fazenda Nacional a Procuradora Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS Redator designado. EDITADO EM: 28/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de CampinasSP, que julgou improcedente a impugnação contra o Auto de Infração de Cofins dos anos calendários de 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, no qual se discute a base de cálculo da referida contribuição sobre os planos de assistência a saúde, nos termos do inciso III, § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação da pela MP nº 2.15835, de 2001, conforme sintetiza a ementa a seguir transcrita, in verbis: Cientificada em 06/06/2011 (AR fl. 763), foi interposto o recurso voluntário em 05/07/2011, onde, reitera as argumentações constantes de sua impugnação, aduzindo, em síntese, o seguinte: Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015328/201091 Acórdão n.º 330101.422 S3C3T1 Fl. 2 3 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 Resumidamente, de acordo com o entendimento da Agência Nacional de Saúde, além das parcelas destinadas às provisões técnicas, para fazer frente às obrigações assumidas pelas operadoras de Plano de Saúde (inciso II), também podem ser deduzidas da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, das Operadoras de Planos de Saúde, as coresponsabilidades cedidas, assim entendido as contraprestações de planos de assistência à saúde correspondentes à cessão de risco compartilhada com outra operadora (inciso I), conforme previsto no Plano de Contas da ANS, bem como dos eventos ocorridos previsto no inciso III, do § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, acrescentado pela MP nº 2.158 35/2001, sustenta o seguinte: É o relatório. Voto Vencido Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015328/201091 Acórdão n.º 330101.422 S3C3T1 Fl. 3 5 Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. CONTRIBUIÇÕES PARA PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. De acordo com o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP nº 2.158352001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir da base de cálculo das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, as coresponsabilidades cedidas, a parcela destinada à constituição da reserva técnica e os valores referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, assim entendido os custos assistenciais decorrentes da utilização dos planos de saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, já que neste caso, serão computados nas deduções de outra operadora de Plano de Saúde. O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades necessárias a sua admissibilidade. Em um primeiro momento, o que se discute no presente processo é a possibilidade da instância administrativa deliberar sobre a incidência da Contribuição destinada ao Financiamento da Seguridade Social – Cofins, dos anos calendários de 2005 a 2010, sobre as receitas decorrentes dos denominados “atos principais” (infração 003 do auto de infração), considerado pela decisão recorrido como estando abrangido pela discussão junto ao Poder Judiciário. De acordo com esclarecimentos da Recorrente sobre o Termo de Intimação, a mesma apresentou os seguintes esclarecimentos sobre as referidas operações: Analisando as informações sobre os assuntos discutidos no Mandado de Segurança, constatase que a infração 003 – Atos Principais, que abrange os serviços relativos às consultas, exames e demais procedimentos prestados pelos cooperados pessoas físicas ou jurídicas, de fato encontramse em discussão junto ao Poder Judiciário, senão vejamos: Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 Logo, em relação a esse ponto (infração 003), aplicase a Súmula nº 01 do CARF, nos seguintes termos: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula CARF nº 1) Em relação aos assuntos propriamente enfrentados no processo, temos as seguintes exclusões da base de cálculo do PIS e Cofins, sobre os chamados “atos principais” (infração 001); exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins sobre “atos não cooperativos” (infração 002); e, exclusões da base de cálculo dos “atos auxiliares” (infração 004), em relação aos quais, para maior clareza peço vênia para transcrever as seguintes conclusões constantes do acórdão recorrido: Entretanto, não vejo como prosperar essa argumentação, porquanto de acordo com o § 9º do art. 2º da MP nº 2.15835/2001, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, as operadoras de planos de assistência tem direito às seguintes deduções: Art. 2º O art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015328/201091 Acórdão n.º 330101.422 S3C3T1 Fl. 4 7 (...) § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades." (NR) Em relação ao item II, não requer maiores discussões, porquanto corresponde à parcela destinada às provisões técnicas, para fazer frente às obrigações das operadoras. Quanto aos itens I e III, ao que tudo indica a fiscalização não concorda com o entendimento adotado pela Recorrente amparada em esclarecimento técnico da Agência Nacional de Saúde, que para melhor esclarecer, peço vênia para transcrever os seguintes itens contemplados no relatório do acórdão recorrido: Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 Assim, de acordo com o entendimento da Agência Nacional de Saúde, além das parcelas destinadas às provisões técnicas, para fazer frente às obrigações assumidas pelas operadoras de Plano de Saúde (inciso II), também podem ser deduzidas da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, das Operadoras de Planos de Saúde, as co responsabilidades cedidas, assim entendido as contraprestações de planos de assistência à saúde correspondentes à cessão de risco compartilhada com outra operadora (inciso I), conforme previsto no Plano de Contas da ANS, bem como dos eventos ocorridos (inciso III), assim entendido: Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015328/201091 Acórdão n.º 330101.422 S3C3T1 Fl. 5 9 Em relação à definição do que seja “coresponsabilidades cedidas” e “indenização correspondentes aos eventos ocorridos”, são conceitos próprios do exercício da atividade das operadoras de planos de saúde, não podendo serem alterados pela lei tributária, por força do disposto no art. 110, do CTN. Ademais disto, conforme bem sustentou o douto patrono da Recorrente, na Exposição de Motivos da MP nº 2.15835/2001, que introduziu o § 9º ao art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, teve por objeto dar tratamento isonômico entre as operadoras de planos de saúde e as entidades de seguro, nos seguintes termos: MF 00163 EM REEDIÇÃO MPV 215834: (...) 2. A obrigatoriedade de constituição de reserva técnica, estabelecida para as operadoras de planos de assistência à saúde, objetiva a preservação e a continuidade na prestação desses serviços, evitando a deterioração patrimonial das operadoras e, por conseguinte, garantindo a manutenção das geradora de arrecadação tributária. Tal situação em muito se assemelha às reservas técnicas que devem ser constituídas no âmbito das entidades seguradoras. 3. Dessa forma, é lógico que se estabeleça, sob o ponto de vista tributário, tratamento isonômico entre aquelas operadoras e as entidades de seguro, de forma a dar efetividade à medida, mediante introdução de § 9º ao art. 3º da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998, conforme se propõe pela alteração do art. 2º da mencionada Medida Provisória, bem assim pela introdução dos arts. 82 e 83.” (grifos acrescidos). Essa motivação reforça a tese defendida pela Recorrente, no sentido de que o inciso III, do § 9º, do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, introduzido pela MP nº 2.15835/2001, de fato teve por objeto deduzir da base de cálculo também os “sinistros”, isto é, as ocorrências, assim consideradas as despesas efetivamente ocorridas com a utilização dos planos de saúde, em decorrência do tratamento isonômico concedido às operadoras de planos de saúde e as entidades seguradoras. Considerando esse tratamento isonômico, o § 5º, inciso II, do art. 3º, da mesma lei, possibilita às empresas de seguros privados, deduzir da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins, “o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos”. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Desta forma, de acordo com o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP nº 2.158352001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir da base de cálculo das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, as co responsabilidades cedidas, a parcela destinada à constituição da reserva técnica e os valores referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, assim entendido os custos assistenciais decorrentes da utilização dos planos de saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, já que neste caso, serão computados nas deduções de outra operadora de Plano de Saúde. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, em face da opção pela via judicial e na parte conhecida, dar provimento ao recurso. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015328/201091 Acórdão n.º 330101.422 S3C3T1 Fl. 6 11 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Redator Designado Discordo da Ilustre Relator, exclusivamente, quanto ao direito de a recorrente excluir da base de cálculo da Cofins os valores dos seus custos operacionais, ou seja, os custos dos serviços prestados, correspondentes aos pagamentos aos médicos, hospitais, laboratórios e clínicas. A Lei nº 9.718, de 27/11/1998, assim dispõe sobre essa contribuição: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...); IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...). § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (...).” Ora, segundo estes dispositivos legais, aqueles custos não estão elencados dentre os valores passíveis de dedução da base de cálculo da Cofins. Ao contrário do defendido pela recorrente, o inciso III (valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades), não se refere aos custos dos serviços prestados (CSP). Para melhor esclarecimento deste item, tomamos a liberdade de transcrever parte do voto do Ilmo. Conselheiro Dr. Emanuel Carlos Dantas de Assis, sobre esta mesma matéria, proferido no Acórdão nº 20310.842, datado de 28/03/2007, por meio do qual os então Membros da 3ª Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuinte, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso respectivo recurso, de cujo julgamento este Relator participou, e adotamos para o presente caso: “Por último o inciso III, igual à diferença entre duas quantias: 1) a efetivamente paga, pela operadora de plano de saúde cessionária, aos seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente aos eventos realizados com associados de outras operadoras (as cedentes) e 2) a quantia correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a título de transferência de responsabilidade ou intercâmbio. Aqui, um esclarecimento: evento é toda e qualquer utilização, pelo beneficiário, das coberturas proporcionadas pelo plano, tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. A diferença entre 1 e 2 deve ser, necessariamente, positiva, para que a dedução estabelecida no inciso III seja permitida. É que, se negativa, os recebimentos da cessionária já cobrem os dispêndios com os eventos praticados com associados das cedentes, descabendo a dedução em análise. O que a recorrente pretende deduzir, supostamente amparada no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é a soma dos valores correspondentes a todos os eventos contabilizados nas rubricas relacionadas às fls. 118/119. Afirma que “A recorrente deduziu, da base de cálculo da contribuição depositada em juízo, os valores correspondentes a custos ou despesas decorrentes de prestação de serviços médicos ou auxiliares, ponto pacífico no processo.” (fl. 295, vol. II). Ou, nos dizeres da fiscalização, “O contribuinte entendeu deduzir da base de calculo os pagamentos de custos e despesas incorridas ou pagas a seus fornecedores e associados pela retribuição dos serviços, em resumo, deduziu da Receita Bruta os custos e despesas...” (fl. 169). Admitir as deduções pretendidas implica, na prática, em transformar a Contribuição em nãocumulativa, sem qualquer resguardo na legislação em vigor. Ademais, e como visto acima, o inciso III § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não contempla custos e despesas relativos aos eventos com os associados da recorrente, mas sim com associados de outras operadoras (cessionárias).” Também, no julgamento de um outro recurso voluntário sobre esta mesma matéria, inclusive interposto por uma cooperativa de serviços médicos, como no presente caso, esta Primeira Turma Ordinária, por unanimidade de votos, negoulhe provimento, nos termos Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015328/201091 Acórdão n.º 330101.422 S3C3T1 Fl. 7 13 do acórdão nº 330100.669, de relatoria do então Ilustre Conselheiro Maurício Taveira e Silva, de cujo voto tomo a liberdade de adotar e transcrever a parte pertinente a este julgamento: “Assim, sobre essa questão, exclusões previstas no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001, cabem algumas considerações. A interessada apresentou um extenso arrazoado visando a dar uma amplitude maior à interpretação do inciso III, do § 9º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, de modo a excluir a totalidade dos seus gastos sob o argumento da necessidade das deduções na base de cálculo da contribuição em função da diferença entre "entradas" e "receita". Nessa toada, tendo em vista que os ingressos na sociedade estão sempre predestinados à cobertura de despesas correlatas ao atendimento médico, como exames, hospitais, medicamentos e, por fim, destinados aos próprios médicos, não restaria o que tributar tornando, assim, as cooperativas isentas do pagamento do PIS e da Cofins. Esta não foi a lógica que o legislador optou. Embora mencionado anteriormente, repisese, o ICMS, ainda que indiscutivelmente apenas transite pelo caixa das empresas, ainda assim integra o faturamento e, portanto, compõe a base de cálculo destas contribuições.” (...).” Adotar o entendimento da recorrente de excluir da base de cálculo da Cofins os custos dos serviços prestados (CSP) implica transformar o fato gerador desta contribuição de faturamento mensal em lucro operacional bruto. No entanto, desde a instituição daquela contribuição pela LC nº 70, de 31/12/1991, até o advento da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo eleita, tanto por aquela lei complementar, art. 2º, como por esta lei ordinária, art. 3º, foi o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta operacional e não o lucro operacional. Dessa forma, em relação às exclusões previstas no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não há quaisquer valores adicionais a serem deduzidos. No lançamento impugnado, o Autuante levou conta todos os valores elencados nos incisos I a III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, citados e transcritos anteriormente. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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