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7558066
# Numero do processo: 11634.000545/2008-41
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003,2004
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E COMPROVAÇÃO DO ALEGADO.
Não resta configurado cerceamento ao direito de defesa que ensejaria nulidade dos Autos de Infração. Verifica-se
não haver previsão legal para a nulidade ora arguida e, ainda que existisse tal previsão, não houve comprovação dos fatos pela Recorrente.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
DCTF RETIFICADORAS. ENTREGA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEFICÁCIA. O artigo 12, § 2, inciso III da IN SRF nº 695 de
2006 estabelece que a DCTF retificadora não produz efeitos e não tem qualquer valor relativamente aos tributos para os quais o contribuinte já tenha sido intimado de início de procedimento fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza considerar como receitas omitidas os montantes relativos a depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte devidamente intimado para tanto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. ART. 7° DO PAF.
EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE DE TERCEIROS.
O instituto da denúncia espontânea estabelecido no artigo 138 do CTN deve ser interpretado conjuntamente com o disposto no artigo 7° do PAF, no sentido de que o início de procedimento fiscal contra determinado contribuinte exclui a espontaneidade de terceiros envolvidos nas mesmas infrações investigadas, independentemente de intimação.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AÇÃO FISCAL NA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. TITULARIDADE FORMAL DO SÓCIO E MATERIAL DA EMPRESA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES ANTERIOR AO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA. ESPONTANEIDADE EXCLUÍDA.
Não configura espontaneidade a retificação de declarações da pessoa jurídica realizada antes do início da respectiva ação fiscal, mas durante Fiscalização da pessoa física do sócio da empresa, que confessa o uso indevido de suas contas bancárias para receber receitas da empresa, o que lhe retira o benefício
da denúncia espontânea.
MULTA QUALIFICADA EM VIRTUDE DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. UTILIZAÇÃO DE CONTAS BANCARIA EM NOME DE SÓCIO.
A aplicação de multa qualificada se faz correta em virtude de evidente intuito de fraude que é caracterizada pela utilização indevida de contas de titularidade de sócio para receber receitas da pessoa jurídica.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS – Incompetência do
CARF para se manifestar acerca da matéria. Súmula nº 28 do CARF.
Assunto: PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO
REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1202-000.689
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Geraldo Valentim Neto
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003,2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. Não resta configurado cerceamento ao direito de defesa que ensejaria nulidade dos Autos de Infração. Verifica-se não haver previsão legal para a nulidade ora arguida e, ainda que existisse tal previsão, não houve comprovação dos fatos pela Recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 DCTF RETIFICADORAS. ENTREGA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEFICÁCIA. O artigo 12, § 2, inciso III da IN SRF nº 695 de 2006 estabelece que a DCTF retificadora não produz efeitos e não tem qualquer valor relativamente aos tributos para os quais o contribuinte já tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza considerar como receitas omitidas os montantes relativos a depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte devidamente intimado para tanto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. ART. 7° DO PAF. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE DE TERCEIROS. O instituto da denúncia espontânea estabelecido no artigo 138 do CTN deve ser interpretado conjuntamente com o disposto no artigo 7° do PAF, no sentido de que o início de procedimento fiscal contra determinado contribuinte exclui a espontaneidade de terceiros envolvidos nas mesmas infrações investigadas, independentemente de intimação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AÇÃO FISCAL NA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. TITULARIDADE FORMAL DO SÓCIO E MATERIAL DA EMPRESA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES ANTERIOR AO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA. ESPONTANEIDADE EXCLUÍDA. Não configura espontaneidade a retificação de declarações da pessoa jurídica realizada antes do início da respectiva ação fiscal, mas durante Fiscalização da pessoa física do sócio da empresa, que confessa o uso indevido de suas contas bancárias para receber receitas da empresa, o que lhe retira o benefício da denúncia espontânea. MULTA QUALIFICADA EM VIRTUDE DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. UTILIZAÇÃO DE CONTAS BANCARIA EM NOME DE SÓCIO. A aplicação de multa qualificada se faz correta em virtude de evidente intuito de fraude que é caracterizada pela utilização indevida de contas de titularidade de sócio para receber receitas da pessoa jurídica. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS – Incompetência do CARF para se manifestar acerca da matéria. Súmula nº 28 do CARF. Assunto: PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
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Numero do processo: 16327.000796/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. MESMA MATÉRIA DA AUTUAÇÃO.
A opção da contribuinte pela via judicial para discussão da mesma matéria objeto de processo fiscal, implica a desistência da esfera administrativa, que se submete à determinação daquele Poder.
MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria que não foi contestada expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA NO RECURSO.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na fase recursal.
DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem juros de mora sobre a parcela do crédito tributário depositado judicialmente a partir da data em que este se efetivou.
Numero da decisão: 1202-000.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar definitiva a matéria não expressamente contestada, não conhecer da matéria objeto de discussão judicial e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso em relação à matéria não
discutida judicialmente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Por maioria de votos, considerar preclusa a matéria não contestada na primeira instância.
Divergiram os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Marcelo Baeta Ippolito. O Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno apresentou declaração de voto.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. MESMA MATÉRIA DA AUTUAÇÃO. A opção da contribuinte pela via judicial para discussão da mesma matéria objeto de processo fiscal, implica a desistência da esfera administrativa, que se submete à determinação daquele Poder. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria que não foi contestada expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NO RECURSO. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na fase recursal. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a parcela do crédito tributário depositado judicialmente a partir da data em que este se efetivou.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. MESMA MATÉRIA DA AUTUAÇÃO. A opção da contribuinte pela via judicial para discussão da mesma matéria objeto de processo fiscal, implica a desistência da esfera administrativa, que se submete à determinação daquele Poder. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria que não foi contestada expressamente na fase impugnatória e que, por conseqüência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NO RECURSO. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na fase recursal. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a parcela do crédito tributário depositado judicialmente a partir da data em que este se efetivou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar definitiva a matéria não expressamente contestada, não conhecer da matéria objeto de discussão judicial e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso em relação à matéria não discutida judicialmente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Por maioria de votos, considerar preclusa a matéria não contestada na primeira instância. Divergiram os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Marcelo Baeta Ippolito. O Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno apresentou declaração de voto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 343 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Marcelo Baeta Ippolito, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Relatório Tratase do exame dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL do ano calendário de 2002, com ciência em 10/05/2005, fls. 167 a 176 e anexos, no valor total de R$ 6.761.602,95, aí incluídos apenas os juros de mora calculados até 29/04/2005, em razão da existência de ação judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, consoante processo n° 2003.61.00.0032647 da 3ª Vara Federal/São Paulo. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 183 a 186, as irregularidades apuradas se resumem na ocorrência de duas infrações: i) não tributação, em 31/12/2002, de 53,658% do lucro considerado automaticamente distribuído à controladora, no valor de R$ 6.447.891,76, auferido por controlada no exterior, no período de 1996 a 2001, denominada Itapar Europa Serviços Ltda., com fundamento no parágrafo único do art.74 da MP n. 2.15835/01; Valor tributável: 53,658% x R$ 6.447.891,76 = R$ 3.459.809,76 ii) não tributação, em 31/12/2002, do resultado positivo com variação cambial de investimento permanente em empresa controlada (Itapar) situada no exterior (equivalência patrimonial), em decorrência da variação do Euro frente o Real aplicado ao patrimônio líquido, com fundamento no “caput” do art.74 da MP n. 2.15835/01, na forma como foi regulamentada pela IN SRF nº 213, de 2002, a saber: Valor tributável: Prejuízo da empresa Itapar em 2002: € 1.689.799,27 equivalentes a R$ 6.254.285,06 taxa de conversão ao câmbio de 31/12/2002 (data da disponibilização): 1 € = R$ 3,7012, conforme "caput" do art.74 da MP n. 2.15835/01; Variação Cambial do Euro sobre o Real aplicado ao Patrimônio Líquido, conforme demonstrativo abaixo: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 344 3 PL = € 16.063.012,77 Câmbio EuroReal em 31/12/2002 = 3,7012 Câmbio EuroReal em 31/12/2001 = 2,06363 Portanto, a variação cambial do PL será = € 16.063.012,77 x (3,7012 2,06363) = R$ 26.304.307,82; Valor tributável em 2002 = 53,658% de (R$ 26.304.307,82 R$ 6.254.285,06) = R$10.758.441,21; Antes da lavratura dos Autos de Infração, ocorrida em 10/05/2005, a autuada já havia ingressado com Mandado de Segurança na 3ª Vara Federal/São Paulo, em 24/01/2003, processo n° 2003.61.00.0032647, fls.22 a 56, com a finalidade de que fosse concedida medida liminar para suspender a exigibilidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL resultantes (i) da aplicação do regime de tributação previsto no "caput" do art. 74 da MP n° 2.15834/01 (e posteriores reedições), na forma como foi regulamentado pela IN nº 213/02, no que concerne ao resultado positivo de equivalência patrimonial de suas controladas e coligadas no exterior no ano de 2002, afastandose também qualquer pretensão com idênticos fundamentos sobre resultados de exercícios subseqüentes; e (ii) da aplicação do regime constante do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15834/01 aos lucros apurados por sua controlada até dezembro de 2001, fls. 55; Na sequência, foi concedida, em parte, a medida liminar pleiteada, nos termos da Decisão da fl. 89, alterada por Despacho/Decisão, em 03/02/2003, conforme seguinte redação transcrita da fl. 92: “Ante o exposto, defiro em parte a liminar a fim de suspender a exigibilidade dos créditos tributários de IRPF (sic) e CSLL resultantes da aplicação do regime de tributação previsto no "caput" e no parágrafo único do art. 74 da MP n. 2.15834/01, na forma como foi regulamentada pela IN n. 213/02 no que concerne ao resultado positivo de equivalência patrimonial de suas controladas e coligadas no exterior no período de janeiro de 1996 a dezembro de 2002.” Em 22/04/2003, a autuada efetuou depósito judicial com a indicação do Mandado de Segurança mencionado, referente ao período de apuração ora lançado, 31/12/2002, no valor de R$ 1.632.658,43, fls. 94, assim discriminado na planilha da fl. 254: IRPJ=R$ 1.342.608,84 e CSLL=R$ 290.049,59. Em 20/09/2004, foi proferida sentença no Mandado de Segurança mencionado julgando procedente o pedido, conforme dispositivo da fl. 84, o qual transcrevo em parte: “Diante do exposto e de tudo que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE o pedido para suspender a exigibilidade dos créditos tributários de IRPF (sic) e CSLL resultantes da aplicação do regime de tributação previsto no "Caput" do art. 74 da MP n.º 2.15834/01. na forma como foi regulamentada pela IN nº.213/02. no que concerne ao resultado positivo de equivalência patrimonial de suas controladas e coligadas no exterior.” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 345 4 Inconformado com a autuação, a interessada apresentou impugnação, de fls. 204/213, juntando, ainda, os documentos às fls. 214/263. Em síntese, os argumentos apresentados são aqueles mencionados a seguir, transcritos, em parte, do relatório do Acórdão DRJ/Brasília, de fls. 265 a 278, o qual adoto: [...] 2) DAS MATÉRIAS DEDUZIDAS EM JUÍZO OBJETO DO MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO: que o lançamento fiscal foi efetuado, mesmo estando o crédito tributário com exigibilidade suspensa por decisão judicial anterior ao início do procedimento fiscal, uma vez que a matéria objeto do lançamento fiscal lucros auferidos no exterior está sendo discutida em juízo, em sede de Ação de Mandado de Segurança, na qual questionase a ilegalidade e a inconstitucionalidade do art. 74 "caput" e parágrafo único da MP 2.15835/2001 e respectiva regulamentação dada pela IN SRF n° 213/2002. Nesse sentido, juntou cópia de peças dos autos do processo da Ação de Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0032647, Subseção Judiciária de São Paulo, 3a Vara Cível Federal, comprovando a demanda deduzida em juízo (fls. 20/94). A propósito, consta da petição inicial do "Mandamus", que foi despachado em 24 de janeiro de 2003, o qual teria duplo objetivo (fls. 24/56): 2.1) Resultado positivo com equivalência patrimonial: que a regulamentação dada pela IN SRF 213/2002 (art. 7º, § 1º) ao art. 74, "caput", da MP n° 2.158 34/2001 no que concerne aos investimentos em sociedades coligadas e controladas situadas no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial , como é o caso da impetrante , determinou que o IRPJ incide sobre o resultado positivo com equivalência patrimonial; que ao adotar o conceito de resultado positivo com equivalência patrimonial, a referida Instrução Normativa extrapolando o "caput" do art. 74 da MP n° 2.15834/2001 abriu as portas a uma interpretação segundo a qual a tributação(IRPJ) alcançará não somenteoslucrospropriamente ditos das coligadas e controladas situadas no estrangeiro, mas também a parcela imputável à variação cambial do valor do investimento no exterior, abrangido no conceito de equivalência patrimonial; que essa abrangência, conquanto se encontre consagrada na legislação societária brasileira, não pode prevalecer para fins tributários; que, por conseguinte, o primeiro objetivo do Mandamus é afastar a aplicação dos referidos preceitos relativos ao resultado positivo de equivalência patrimonial apurados a partir de 2002, em coligadas e controladas situadas no exterior, [...] 2.2) Lucros de períodos anteriores 1996 a 2001: que além do objetivo atrás referido qual seja, o de afastar a aplicação das regras contidas no "caput" do art. 74 da MP 2.15834/01 e da IN n° 213/02 aos resultados positivos de equivalência patrimonial , pretendese afastar a incidência da norma contida no parágrafo único do art. 74 da MP n° 2.15834/01, que prevê a tributação automática, no balanço de 31 de dezembro de 2002, dos lucros formados antes da entrada em vigor da nova lei (MP 2.15834/01) enquanto que, nos termos da legislação anterior, referidos lucros somente seriam tributáveis caso "disponibilizados"; que, por conseguinte, o § único do art. 74 da MP n° 2.15834/01 representa ostensiva violação ao princípio da não retroatividade da tributação, cânone consagrado no art. 150, III, "a" da CF. 3) DA MATÉRIA DEDUZIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E NO PROCESSO JUDICIAL DISCUSSÃO SIMULTÂNEA: quanto ao resultado positivo com equivalência patrimonial (IN SRF n° 213/02, art. 7°, § 1º), que, diversamente do que consta da citada IN, a variação cambial do investimento mantido na ITAPAR Europa Serviços Ltda é intributável: que foi incluído, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 346 5 incorretamente na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a parcela da variação cambial do investimento estrangeiro; que para evitar interpretações equivocadas da IN SRF n° 213/02 a própria Receita Federal, através da Superintendência da 9ª RF, assim se manifestou nas Soluções de Consulta IN 54 e 55, ambas de 07 de abril de 2003: "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA — A contrapartida de ajuste do valor de investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no País, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação da base de cálculo do IRPJ." "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL EMENTA: A contrapartida de ajuste do valor de investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no País, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL." [...] 4) DOS JUROS DE MORA DISCUSSÃO SOMENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO da inaplicabilidade de juros de mora na pendência de causa suspensiva da exigibilidade do imposto lançado: que não poderia o Fisco ter lançado qualquer valor a título de juros de mora, tendo em vista que o depósito judicial realizado nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0032647, em relação ao IRPJ e à CSLL devidos do anobase de 2002, nos termos do art. 74 da MP n° 2.15835/01, fora efetuado com atualização pela taxa SELIC (fls. 93/94, e fls. 250/255). Vale dizer: que os juros de mora do período de 31/01/2003 a 22/04/2003 foram objeto de depósito judicial nos autos do citado Mandado de Segurança. Por fim, além de pedir a improcedência do auto de infração do IRPJ e reflexo (CSLL), protesta a impugnante pela apresentação posterior de novos documentos, provas, alegações, bem como perícia, vistoria e quaisquer outras provas que forem necessárias ao amplo esclarecimento dos fatos.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 0321.730 da DRJ/Brasília, de fls. 265 a 278, com o seguinte ementário: Ementa: IRPJ E REFLEXO (CSLL). LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – RESULTADO POSITIVO COM EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL GANHO COM VARIAÇÃO CAMBIAL. DISPONIBILIZAÇÃO AUTOMÁTICA DOS LUCROS PELA CONTROLADA PARA A CONTROLADORA NO BRASIL. DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA DA MP 2.15834 (ART. 74 E PARÁGRAFO ÚNICO) E DA IN SRF 213/2002. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO CONHECIDA EM PARTE. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial, conhecida, entretanto, quanto a questionamentos que não fazem parte da discussão judicial. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA Os juros de mora incidem, sempre, seja nos pagamentos espontâneos após o prazo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 347 6 de vencimento da exação fiscal, seja nos lançamentos de oficio, independentemente do crédito tributário estar, ou não, previamente, com a exigibilidade suspensa. A justificativa legal, para tanto, decorre do fato dos juros de mora não terem natureza de penalidade, mas sim natureza compensatória; são remuneração do capital da Fazenda Pública de posse do contribuinte moroso por qualquer razão. PROTESTO PELA JUNTADA DE OUTRAS PROVAS DOCUMENTAIS, DILIGÊNCIA FISCAL E PERÍCIA. PEDIDO DENEGADO Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1° artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: i) A matéria tributável, relativa às duas infrações imputadas nos autos de infração do IRPJ e da CSLL, é objeto de questionamentos na esfera judicial, desde janeiro de 2003, por parte da impugnante, em sede de Ação de Mandado de Segurança processo n° 2003.61.00.0032647; ii) A primeira infração do IRPJ e da CSLL trata da não adição, na apuração do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002, do lucro auferido no exterior pela autuada em 2001, em face de participação permanente no capital da controlada situada no exterior (Itapar Europa Serviços Ltda). No caso, a autuada descumpriu o disposto no parágrafo único do art. 74 da MP 2.15834/01 e Instrução Normativa n° 213/02. Esses diplomas legais estabelecem que o lucro auferido pela controlada ou coligada no exterior considerase automaticamente distribuído para a investidora no Brasil na data do balanço em 31/12 de cada ano, a partir de 2002, inclusive; que, em relação aos lucros dos períodos de 1996 a 2001 (acumulados), ainda não distribuídos, consideramse eles distribuídos automaticamente para a controladora no Brasil em 31/12/2002. iii) A segunda infração do IRPJ e da CSLL é atinente à não adição, na apuração do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002, do lucro auferido no exterior pela autuada em 2002, por conta do resultando positivo com equivalência patrimonial de investimento permanente na citada controlada situada no exterior ganho com variação cambial do Euro em relação ao Real, em 2002. A autuada discute em juízo a não tributação do ganho com variação cambial nos investimentos societários mantidos no exterior. iv) Não tendo havido questionamento de matéria de fato, mas tãosomente matéria de direito relativa a essas infrações, deixou de conhecer do mérito das questões suscitadas, em face da configuração da concomitância de exame com a esfera judicial, por que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário tem prevalência em relação ao processo administrativo, uma vez que a nossa Carta Política da República adotou o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 348 7 v) Os juros de mora incidem sempre, nos pagamentos realizados após o prazo de vencimento, seja nos pagamentos espontâneos ou por lançamento de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta de seu recolhimento tempestivo. Assim, os juros de mora, independentemente da razão alegada, são sempre cabíveis no lançamento de oficio ou no pagamento espontâneo fora do prazo, ainda que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa, antes do início da ação fiscal. vi) Se o crédito tributário estava ou não com a exigibilidade suspensa quando da autuação, não interfere na legitimidade da exigência dos juros de mora; pois, como visto, o art. 63 da Lei não 9.430/96 c/c o art. 161 do CTN, na hipótese de lançamento, inclusive para prevenir a decadência (art. 63, § 1° da Lei nº 9.430/96), não impede o lançamento de juros de mora, mas tãosomente a multa de mora (art. 63, § 2°). vii) O sujeito passivo não comprovou o motivo de força maior que impedira a apresentação de outras provas, quando da apresentação da peça impugnatória do lançamento fiscal. Assim, em relação a nova juntada de provas, além das juntadas às fls. 260/263 como quer a autuada , não pode ser acolhida pela ocorrência da preclusão processual, nos termos do art. 16, § 4°, do PAF, em face da não comprovação do motivo de força maior. viii) Em relação ao indeferimento do pedido de perícia/diligência fiscal, indica que o pedido foi formulado em desacordo com § 1° do art. 16 do PAF, pois não identificou as matérias que teria pretensão de comprovar, não justificou tal necessidade, não formulou quesitos e não nomeou perito. Além do mais, as matérias são de direito, não houve questionamento na impugnação acerca de matéria de fato. Logo, foi indeferido o pedido de juntada de novos documentos e de realização de diligência fiscal/perícia nesta fase do processo. Não satisfeita com a decisão prolatada, a interessada impetrou recurso voluntário a este colegiado, de fls. 284 a 296, alegando, em síntese, que o acórdão recorrido manteve três ilegalidades que constam da autuação: i) exigência de IRPJ e CSLL sobre a variação cambial do investimento estrangeiro, quando inexiste previsão legal que sustente tal tributação; ii) apuração equivocada da base tributável dos lucros de 2001, na medida em que se utilizou equivocadamente da taxa de câmbio de 31.12.2002; iii) cobrança de juros de mora com base na taxa Selic, o que não seria possível em casos, como o presente, em que existe depósito judicial realizado nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0032647; Em relação ao item i) acima, argumenta que não pode prevalecer o entendimento manifestado no acórdão recorrido de que haveria concomitância de discussão judicial e administrativa. Sustenta que a discussão no presente processo administrativo não diz respeito à inconstitucionalidade e ilegalidade do regime de tributação do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que é o objeto do referido mandado de segurança. O que a recorrente vem discutindo na esfera administrativa é a impossibilidade de tributação da variação cambial do investimento estrangeiro em virtude da manifesta ausência de previsão legal, conforme pronunciamento do próprio Ministro da Fazenda, posterior à edição da IN 213/02, por ocasião da proposta de veto ao art. 46 da MP n° 135/2003. Discorre a respeito dessa matéria e transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua tese. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 349 8 Quanto ao item ii) acima, alega que a autoridade lançadora incorreu em erro na apuração do valor dos lucros apurados na controlada Itapar, no ano de 2001. Sustenta que para a conversão desses lucros para o real, utilizouse, indevidamente da taxa de câmbio de 31 de dezembro de 2002, ao invés da taxa de câmbio em que tais lucros foram auferidos nas demonstrações financeiras das coligadas/controladas no exterior, conforme determina a legislação de regência, consoante § 4º, art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995. Por fim, quanto ao item iii) acima, menciona que realizou, nos autos do mandado de segurança n° 2003.61.00.0032647, o depósito judicial do IRPJ e da CSLL exigidos nos termos do art. 74 da MP n° 2.15835/2001. Considerando que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região reformou a decisão de 1ª instância que havia deferido a medida liminar pleiteada no referido mandado de segurança, a recorrente, dentro do prazo de 30 (trinta) dias de que trata o art. 63 da Lei n° 9.430/96 procedeu, em 22 de abril de 2003, ao depósito judicial do IRPJ e da CSLL de que trata o art. 74 da MP n° 2.15835/01, com vistas a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário (doc. anexo à impugnação). Considerando que o prazo de recolhimento dos referidos tributos havia expirado em 31 de janeiro de 2003, a recorrente considerou, no referido depósito judicial, os juros de mora com base na taxa Selic, no período compreendido entre 31/01/2003 e 22/04/2003. Assim, os autos de infração lavrados com o intuito de prevenir a decadência não poderiam ter lançado nenhum valor a título de juros moratórios. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua tese. Deixou de se manifestar, expressamente, quanto às matérias referente à juntada de novos documentos e ao pedido de realização de perícia/diligência fiscal, matérias aventadas unicamente na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Discutese nos autos a existência da concomitância da discussão da matéria objeto da autuação, bem como a procedência dos juros de mora lançados, face a existência de depósito judicial relativo à matéria examinada. Inicialmente, cumpre registrar que a recorrente deixou de contestar, expressamente, em seu recurso, das matérias referente à juntada de novos documentos e ao pedido de realização de perícia/diligência fiscal, motivo pelo qual essas matérias serão consideradas como definitivamente julgadas, na esfera administrativa, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Cumpre registrar, também, que na peça recursal a recorrente resolveu inovar as matérias discutidas. Trouxe, agora, a debate, matéria relativa a definição da taxa de câmbio na conversão dos lucros auferidos em moeda estrangeira para o equivalente em moeda nacional, alegando infringência ao disposto no § 4º, art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, matéria essa que não foi abordada na peça impugnatória e, por conseqüência, não foi enfrentada pela turma julgadora de primeira instância. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 350 9 Assim, o nãoquestionamento a respeito dessa matéria, na impugnação, implica na preclusão do recorrente trazer o assunto a debate, na fase recursal, por se tratar de matéria nova não enfrentada pela primeira instância, nos termos do art. 16, III c/c art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Nesse mesmo sentido, vinha decidindo o antigo Conselho de Contribuintes, conforme ementa do Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008, que abaixo se transcreve: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. Dessa forma, entendo que não deve ser conhecida da matéria que deixou de ser contestada na fase impugnatória, relativa a taxa de câmbio para conversão dos lucros auferidos em moeda estrangeira para o equivalente em moeda nacional, por preclusa. Vencida essa primeira etapa processual, cabe analisar a questão da existência de concomitância de discussão da matéria, na esfera administrativa e na judicial. Alega a defesa que a concomitância não existiria em relação à inconstitucionalidade e ilegalidade do regime de tributação do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que é o objeto do já referido Mandado de Segurança. Sustenta que vem discutindo na esfera administrativa a impossibilidade de tributação da variação cambial do investimento estrangeiro em virtude da manifesta ausência de previsão legal. Já os fundamentos utilizados no acórdão recorrido concluíram por a matéria tributável, relativa às duas infrações imputadas nos autos de infração do IRPJ e da CSLL, é a mesma matéria objeto de questionamentos na esfera judicial, ou seja, teria sido descumprido o disposto no parágrafo único do art. 74 da MP 2.15834/01 e na Instrução Normativa n° 213/02. Como já descrito no relatório deste acórdão, foram duas as infrações apuradas pela fiscalização: 1ª) não tributação, em 31/12/2002, do lucro considerado automaticamente distribuído à controladora, auferido por controlada no exterior (Itapar), no período de 1996 a 2001, com fundamento no parágrafo único do art.74 da MP n. 2.15835/01; 2ª) não tributação, em 31/12/2002, do resultado positivo com variação cambial de investimento permanente em empresa controlada (Itapar) situada no exterior (equivalência patrimonial), em decorrência da variação do Euro frente o Real aplicado ao patrimônio líquido, com fundamento no “caput” do art.74 da MP n. 2.15835/01, na forma como foi regulamentada pela IN SRF nº 213, de 2002; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 351 10 Por seu turno, necessário transcrever o pedido constante da petição inicial do Mandado de Segurança, conforme transcrição que se faz das fls. 55/56: “(i) seja concedida medida liminar inaudita altera parte com a finalidade de suspender a exigibilidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL resultantes (i) da aplicação do regime de tributação previsto no "caput" do art. 74 da MP n° 2.158 34/01 (e posteriores reedições), na forma como foi regulamentado pela IN nº 213/02, no que concerne ao resultado positivo de equivalência patrimonial de suas controladas e coligadas no exterior no ano de 2002, afastandose também qualquer pretensão com idênticos fundamentos sobre resultados de exercícios subseqüentes; e (ii) da aplicação do regime constante do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.158 34/01 aos lucros apurados por sua controlada até dezembro de 2001; (grifei) (ii) seja oficiada a D. Autoridade Coatora para que preste as informações que entender necessárias c que, após., seja ouvido o Ministério Público Federal; (iii) seja, por fim, concedida em definitivo a segurança no sentido de reconhecer às IMPETRANTES o direito líquido e certo de não estarem sujeitas à tributação pelo IRPJ e CSL na forma do art. 74 e parágrafo único da MP n° 2.158 34/01 (e posteriores reedições) tal como regulados pela IN nº 213/02.” Ora, efetuandose uma comparação entre as infrações apuradas pela fiscalização e aos pedidos formulados na inicial do Mandado de Segurança interposto pela autuada, verificase que existe perfeita coincidência de matérias e fundamentos legais contestados junto ao Poder Judiciário. Vale dizer: a 1ª infração da autuação descrita no item precedente encontrase formulada na petição inicial, item (i), subitem (ii) acima descrito; a 2ª infração da autuação descrita no item precedente encontrase formulada na petição inicial, item (i), subitem (i) acima descrito. Pareceme claro, portanto, que as mesmas matérias objeto dos Autos de Infração do IRPJ e CSLL foram efetivamente levadas à discussão do Poder Judiciário para decisão. Com efeito, a propositura de ação judicial implica a desistência de discutir a mesma matéria na esfera administrativa, conforme prescreve a Súmula CARF nº 1, aprovada e publicada pela Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010, com o seguinte teor: SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Face ao exposto, entendo estar correta a decisão proferida no acórdão recorrido, que não conheceu das matérias relativas à concomitância de discussão administrativa e judicial, porque ditas matérias encontramse em apreciação pelo Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0032647, que detém a competência constitucional para dar a palavra final a respeito dessa matéria. Por fim, quanto à exigência dos juros de mora com base na taxa Selic constante das autuações, alega a recorrente que efetuou depósito judicial em 22/04/2003, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 352 11 dentro do prazo de 30 dias de que trata o art. 63, § 2°, da Lei n° 9.430/96, com vista a manter a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, incluído os juros de mora com base na taxa Selic, no período compreendido entre o vencimento do tributo, 31 de janeiro de 2003, e a data do depósito, 22 de abril do mesmo ano, descabendo nova cobrança no lançamento fiscal. Já o voto condutor do acórdão DRJ fundamenta a procedência dos juros na autuação baseado no fato de que os juros de mora são sempre cabíveis no lançamento de oficio ou no pagamento espontâneo fora do prazo, ainda que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa, antes do início da ação fiscal. Conforme mencionado na própria autuação, a constituição do crédito tributário foi feito para prevenir a decadência, nos termos do disposto no art. 63, da Lei 9.430, de 1996, conforme transcrição abaixo. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio, (redação dada pela Medida Provisória n" 2.158/2001). § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifei) Por ser importante para a análise da questão, relembremos as datas em que os fatos aconteceram. A ciência dos Autos de Infração ocorreu em 10/05/2005, a sentença no Mandado de Segurança julgando procedente o pedido ocorreu em 20/09/2004, o depósito judicial foi feito em 22/04/2003 e a medida liminar foi expedida em ???????. Já o valor depositado, de R$ 1.632.658,43, fls. 94, foi assim discriminado na planilha da fl. 254: IRPJ=R$ 1.342.608,84 e CSLL=R$ 290.049,59. Não há indicação dos juros de mora no documento de depósito em campo próprio. Resta, portanto, inconteste nos autos, a existência do depósito judicial, efetuado antes do lançamento fiscal, referente ao Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0032647, que como se viu neste voto, contém a mesma matéria objeto da autuação. Caberia a discussão para saber se o montante depositado satisfaz integralmente o quantum devido e se o mesmo foi efetuado no prazo legal. No presente caso, o valor principal lançado do IRPJ corresponde a R$ 3.554.562,74 e da CSLL corresponde a R$ 1.279.642,57. Já o depósito judicial, fls. 94 e 254, foi efetuado nos valores de R$ 1.342.608,84 para o IRPJ e de R$ 290.049,59 para a CSLL, ou seja, os valores são menores que os lançados. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 353 12 Nesse ponto, observo que apesar da recorrente ter alegado que os juros de mora, no período compreendido entre de 31 de janeiro de 2003, e a data do depósito, 22 de abril de 2003, estariam incluídos no depósito judicial, não existe indicação no campo próprio do documento de depósito da fl. 94, do valor dos juros reclamados, restando sem comprovação dita alegação. Em que pese se verificar que dito depósito foi sido efetuado em valores menores aos lançados pela fiscalização, entendo que o valor depositado não pode ser simplesmente desprezado. É perfeitamente plausível se aceitar que a partir do depósito judicial a interessada fique desonerada de qualquer acréscimo legal sobre o montante depositado. Isso decorre não apenas por uma questão de lógica, pois a interessada ao efetuar o depósito coloca o valor à disposição do credor (ou da justiça) saindo da situação de mora, mas também porque a interessada exerce o seu pleno direito de discutir a matéria na esfera judicial. Esse é o sentido da norma que prevê o depósito judicial, art. 151, inciso II do Código Tributário NacionalCTN, ou seja, suspender a exigibilidade do crédito tributário e, por conseqüência, desonerar o pretenso devedor de qualquer ônus adicional em relação ao principal depositado. Não se está aqui a examinar se o crédito tributário encontrase suspenso pelo depósito do seu montante integral, como exige o art. 151, II do CTN, mas sim em saber se são devidos juros de mora na integralidade como exigido na autuação, ou seja, do vencimento do tributo, em 31/03/2003, até a data do lançamento fiscal, em 2005. Creio que a resposta é negativa. No presente caso, o depósito judicial foi feito em 22/04/2003, data anterior ao lançamento fiscal, que ocorreu em 10/05/2005. Portanto, entendo que no momento da autuação, deveria ter sido considerado no cálculo do valor dos juros exigidos a parcela depositada judicialmente, cujos juros não mais poderiam incidir sobre o principal depositado, a partir da data em que este se efetivou. A jurisprudência deste órgão julgador administrativo também já caminhou nesse mesmo sentido, conforme Acórdão nº 10319.383, sessão de 13/05/1998, cuja parte do ementário se transcreve: Na concessão de medida liminar ou na oferta de depósito judicial anteriormente à constituição do lançamento de ofício, até os montantes submetidos aos mesmos é incabível a incidência das exasperadoras de multa e juros de mora. Pelo exposto, concluo que procede parcialmente a irresignação da recorrente quanto aos juros de mora exigidos na autuação, devendo os mesmos serem recalculados ao final da discussão judicial, caso o fisco saia vencedor, para excluir os juros com base na taxa Selic incidentes sobre o principal depositado em 22/04/2003, de R$ 1.632.658,43, conforme comprovantes do depósito judicial da fl.94 e 254. Em face do exposto, voto para que se considere definitiva a matéria não expressamente contestada, que não se conheça do recurso voluntário referente à matéria objeto de discussão judicial e da matéria que se encontra preclusa e, no mérito, que seja dado parcial provimento ao recurso em relação à matéria não discutida judicialmente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 12DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 354 13 Declaração de Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Com a devida permissão, ouso discordar do Sr. Relator no que se refere ao reconhecimento da preclusão quanto a matéria suscitada perante esta instância recursal, notadamente a argüição sobre a aplicação da taxa de câmbio na conversão dos lucros auferidos em moeda estrangeira para o equivalente em moeda nacional, alegando infringência ao disposto no § 4º, art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, posto que entendeu o mesmo que tal assunto se submete a regra proibitiva insculpida no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a alteração dada pela Lei nº 9.532/97, pelas razões que a seguir adotadas.: O citado decreto, em seu dispositivo em comento é claro, a saber: “ art.16... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Pois bem, a dicção vocabular, como dito, é explícita já no início da proposição normativa do parágrafo 4º acima, e vale reiterar, “ A prova documental...” o que, já de plano, surge a dúvida se o argumento de defesa do Sr. Contribuinte, relativamente a matéria acima exposta, tratase de “prova documental”, que esteja estritamente vinculada a matéria fática constante do objeto da autuação sob exame. Quer me parecer, no caso, que não é a situação prevista nos citados dispositivos reguladores do momento de produção de provas. Assim entendo porque a discussão se pauta sobre o aplicação de lei, particularmente a Lei nº 9.249/95, no que diz respeito a taxa de câmbio, sendo mais objetivo, cuidase de interpretação legal sobre qual o momento da taxa que deveria ser aplicável na conversão dos lucros auferidos em moeda estrangeira para o equivalente em moeda nacional, assunto eminentemente interpretativo e não depende, a meu ver, de produção da prova documental, nos termos designados pelo decreto regulamentador do processo administrativo fiscal. Entendo que o legislador foi categórico sim, quanto ao momento de produção de prova documental, mas excetuou situações passíveis de serem demonstradas no decorrer do processo administrativo fiscal, até o final do julgamento administrativo, sejam novas Fl. 13DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000796/200571 Acórdão n.º 120200.552 S1C2T2 Fl. 355 14 circunstâncias fáticas, que tenham o condão de influenciar o julgador na apreciação do caso em julgamento, ainda que incipientes e indiciárias, pendentes de confirmação e aprofundamento em competente diligência, como direito superveniente que trate diferentemente a matéria fática submetida à apreciação, seguramente provas documentais que possam ensejar influência decisiva e relevante no deslinde da questão tributária submetida ao exame do julgador administrativo. O legislador foi cuidadoso quanto a expressão adotada, e o fez certamente, inclusive citando situação de força maior que independe da vontade do contribuinte, contudo o legislador, como não poderia ter sido diferente, não contemplou situações de interpretação sobre aplicação de legislação, ou seja, não adentrou na matéria quando ela se cinge qual a regra normativa pertinente ou condizente à situação fática a ser aplicada no caso concreto. Ou ainda determinando a autoridade administrativa qual prescrição normativa observar, se ato administrativo (instruções normativas) ou lei ao caso concreto... Em resumo, menos ainda, não estabeleceu regra vinculativa do julgador no caso de interpretação de argüição de lei no caso concreto, mas sim preocupouse quanto a prova documental, como já acima demonstrado. Ademais a aceitação de novo argumento jurídico, ou seja, de direito apenas advindo com as razões recursais não infringe, nem lesa, qualquer dispositivo regulamentar , principalmente de natureza processual como a preclusão, haja vista que paira sobre tal disposição a garantia constitucional do direito à ampla defesa, mesmo porque, tanto perante a Fazenda Nacional, como perante o contribuinte, o crédito tributário, na instalação do contencioso administrativo tributário, submetese a suspensão de sua exigibilidade do crédito tributário, eis que ainda passível de exame quanto a sua certeza e liquidez, nos termos do art.151, inciso III do CTN, não havendo, por conta dessa mesma aceitação argumentativa, qualquer prejuízo ao interesse público em discussão, qual seja, o possível crédito tributário examinado. Porém a simples rejeição de um argumento de direito, por interpretação impertinente de disposição infralegal de um decreto regulamentador, sem evidente necessidade de produção de prova documental, pode sim ferir a sagrada garantia constitucional à ampla defesa do contribuinte. A questão posta pelo contribuinte é de direito, e não fática, a depender de prova documental, razão porque, a meu juízo, não se subsume ao disposto no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, não se constituindo situação jurídica a justificar o reconhecimento da preclusão processual, motivo pelo qual declaro meu voto para tomar conhecimento, neste específico ponto da defesa recursal e do voto vencedor do Sr. Relator, da argüição suscitada pela Recorrente perante este segunda instância administrativa. Eis como voto. Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 14DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13805.004579/95-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário:1993.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA DO CARF Nº 2. O colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula nº 2 do CARF.
DESENQUADRAMENTO DE MICROEMPRESA. Cabível o desenquadramento da pessoa jurídica da sistemática de microempresa quando apurado o exercício de atividade impeditiva para gozo deste benefício fiscal.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. Arbitra-se o lucro da empresa que,
impossibilitada de manter-se na sistemática da microempresa por exercício de atividade vedada, não possui livros e documentação contábil/fiscal para tributar o resultado pelo Lucro Real.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplica-se o decidido em relação ao tributo
principal ao lançamento da CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrente LASI SERVIÇOS S/C LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA DO CARF Nº 2. O colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula nº 2 do CARF. DESENQUADRAMENTO DE MICROEMPRESA. Cabível o desenquadramento da pessoa jurídica da sistemática de microempresa quando apurado o exercício de atividade impeditiva para gozo deste benefício fiscal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Arbitrase o lucro da empresa que, impossibilitada de manterse na sistemática da microempresa por exercício de atividade vedada, não possui livros e documentação contábil/fiscal para tributar o resultado pelo Lucro Real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase o decidido em relação ao tributo principal ao lançamento da CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário Negado Provimento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório LASI SERVIÇOS S/C LTDA ME recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ/SalvadorBA em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata este processo de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), anocalendário de 1993, tendo o autuante constatado que: a interessada tem como objeto social, segundo o Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Civil Ltda, a prestação de serviços de intermediação de negócios mobiliários (fls. 17/19); o serviço é executado, com exclusividade, no âmbito de uma corretora de títulos e valores mobiliários, configurando, dessa maneira, o exercício de serviços profissionais de corretor, consoante cópia de Contrato Particular de Prestação de Serviços e cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços (fls. 15/16 e 21/36); a referida atividade é vedada às microempresas definidas no art. 3º, inciso VI, da Lei nº 7.256, de 1984 (Estatuto da Microempresa), bem como no art. 51, da Lei nº 7.713, de 1988; a isenção dada às microempresas não alcança a contribuinte, por exercer atividade impeditiva para fruição deste incentivo; a empresa, por conseguinte, teve que se submeter à tributação pelo Lucro Real. Na ausência dos requisitos para este tipo de tributação, foi arbitrado o seu lucro com base nos arts. 399, 402 e 403, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 84.450, de 1980; 2.O enquadramento legal declinado na peça de autuação aponta ofensa aos seguintes dispositivos legais: arts. 400 e 544 do RIR, de 1980; 41, parágrafo 2º, da Lei nº 8.383, de 1991; 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 8.541, de 1992. 3.Instruem os autos: os Termos de Diligência, de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 02, 37 e 78); os Demonstrativos de Apuração do IRPJ – Lucro Arbitrado, dos Acréscimos Legais Multa de Ofício/Juros de Mora (fls. 38/51); as cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela interessada (fls. 21/36); a resposta da empresa ao Termo de Diligência (fls. 03/11) e a cópia da Declaração de Ajuste Anual – Microempresa (fls. 105/106). 4.Em decorrência foram lavrados os Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda na Fonte (IRFonte); à Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL); à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); , à Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), às fls. 55/61; 62/66, 68/72 e 73/77, respectivamente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 4 4 5.A empresa foi validamente cientificada dos lançamentos em 13/07/1995 (fls. 52, 60, 66, 71, 76), impugnandoos em 04/08/1995 (fls. 80/95, alegando que): 5.1 é microempresa amparada pela Lei nº 7.256, de 27 de novembro de 1984, sendo, portanto, inadmissível a lavratura do auto de infração como instrumento de autoridade pelo fisco, já que este lhe concedeu a permissão para atuar, inscrevendoa no seu cadastro; 5.2 desconsiderar a pessoa jurídica como microempresa, “está desconsiderando a própria pessoa do sócio”; 5.3 agregouse ao Direito Natural o valor da pessoa humana, que é, em síntese, um padrão geral, não observado na autuação quando tomou o serviço de intermediação de negócios mobiliários como serviços de corretagem; 5.4 foi criada a empresa na condição de microempresa, repitase autorizada pelo próprio fisco, sempre pautada “na mais pura e boafé”; 5.5 a atitude do órgão fiscal, por meio do seu preposto, “carrega insegurança, medo, ruína financeira e constrangimento aos cidadãos, quando o estado tem a função de protegêlos”; 5.6 a empresa passa por extrema dificuldade financeira, crise que também assola a sociedade; 5.7 o sentimento da empresa é que “de mentirinha” lhe foi concedida a isenção e, agora, autoritária e injustamente vem o fisco a lhe exigir pesadas multas, juros e correção monetária; 5.8 o novo Estatuto da Microempresa dispõe, no seu art. 19, que o fisco deve orientar a microempresa antes de qualquer autuação, aliás, “antiga reivindicação dos pequenos empresários”; 5.9 o auditor, por analogia, deveria ter orientado a empresa a fazer a devida transformação, e, não, autuála; 5.10 a Constituição Federal, no seu art. 5º, fala da igualdade de direito, também explicitado no campo do direito tributário no art. 150, inciso II; 5.11 os argumentos ressaltam a “obviedade” de “flagrante descompasso” entre o “postulado da igualdade” e o art. 3º do Estatuto da Microempresa, “e que por via de conseqüência, não lhes concede o desfrute dos privilégios a elas outorgados”; 5.12 a discriminação contida no mencionado artigo “só deve alcançar as denominadas sociedades de profissionais” como as de médico, advogado, dentre outras; 5.13 o disposto no art. 3 do citado Estatuto da Microempresa é inconstitucional; 5.14 – o fato de a impugnante ter prestado serviços para uma única empresa não tira a sua condição de microempresa ou faz presumir a prestação de serviço de corretor; 5.15 a análise literal do texto legal (art. 3º) não enquadra a atividade da impugnante como impeditiva ao ingresso na sistemática da microempresa, já que não exerce atividade de assessoria financeira, nem a de corretagem; 5.16 os autos de infração, em conseqüência, carecem de amparo legal; 5.17 a melhor interpretação do texto legal não é dada pelo agente público que impôs a autuação em comento; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 5 5 5.18 a impugnante jamais imaginaria que o órgão fiscal lhe concedesse o benefício da microempresa e depois viesse a retirálo, a cassálo e a deixasse em grande dificuldade para “acertar a confusão engendrada” pela autoridade fiscal; 5.19 as regras advindas do novo Estatuto da Microempresa tiveram como escopo trazer os microempresários para a legalidade, jamais lhes criar dificuldades, impedimentos ao ingresso das empresas nesta sistemática de tributação favorecida; 5.20 o processo de terceirização vem contribuindo para o sucesso do ordenamento das microempresas e, neste exato contexto, se situa a impugnante com a sua prestação de serviços, legalmente inscrita nos órgãos fiscais; 5.21 melhor tradição jurídica orienta aplicação da lei em atendimento dos fins sociais a que ela se dirige e as exigências do bem comum; 5.22 – a anulação dos autos é requerida e, em conseqüência, seja mantida a sua condição de microempresa. Alternativamente, caso o seu pedido seja indeferido, que seja considerada a exclusão a partir de 20/06/1995. A decisão recorrida está assim ementada: INCONSTITUCIONALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, vedado, portanto, sua apreciação pela autoridade administrativa, em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e obedecidas todas as formalidades para sua constituição. DESENQUADRAMENTO DE MICROEMPRESA. Cabível o desenquadramento da pessoa jurídica da sistemática de microempresa quando apurado o exercício de atividade impeditiva para gozo deste benefício fiscal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Arbitrase o lucro da empresa que, impossibilitada de manterse na sistemática da microempresa por exercício de atividade vedada, não possui livros e documentação contábil/fiscal para tributar o resultado pelo Lucro Real. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicamse às exigências decorrentes o que foi decidido no lançamento do IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. DISPOSITIVOS DECLARADOS INCONSTITUCIONAIS. EFEITOS. É insubsistente o lançamento efetuado com base em atos legais declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Em atendimento ao principio da retroatividade benigna da lei, devese reduzir o percentual da multa de ofício Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 6 6 lançada para 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo ou contribuição constantes dos lançamentos efetuados pelo fisco. Lançamento Procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, alegando, em síntese que não exercia atividades vedada às microempresas .Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência do IRPJ e reflexos, anocalendario de 1993, lucro arbitrado, tendo sido a contribuinte desenquadrada do regime das microempresas, em razão do exercício de atividade impeditiva. Em seu recurso voluntario, a contribuinte basicamente contesta o desenquadramento, bem como a aplicação das penalidades. Pelo confronto das alegações da recorrente com os fundamentos da decisão recorrida verificase que todas as questões já foram adequada e exaustivamente enfrentadas na decisão de 1a. instancia pelo que peço vênia para transcrever e adotar seus fundamentos: No mérito, o cerne da questão reside no enquadramento indevido da autuada como microempresa, conforme visto no relatório. Tendo a contribuinte se beneficiado indevidamente de isenção legal e diante da falta da escrita contábil, a fiscalização efetuou o lançamento do imposto mediante o arbitramento do lucro. A isenção em comento está prevista no artigo 125 do RIR/1980, cuja matriz legal é o art. 1º do Decretolei nº 1.780, de 1980, e destinase às pessoas jurídicas, inclusive firmas individuais, que obtenham o registro de microempresa no órgão competente e cuja receita bruta anual seja igual ou inferior ao limite legalmente estabelecido. A Lei nº 7.256, de 1984, que estabelece normas integrantes do Estatuto da Microempresa, relativas ao tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, nos campos administrativo, tributário, previdenciário, trabalhista, creditício e de desenvolvimento empresarial, define, em seu artigo 2º: Art. 2º Consideramse microempresas, para os fins desta Lei, as pessoas jurídicas e as firmas individuais que tiverem receita bruta anual igual ou inferior ao valor nominal de 10.000 (dez mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional – ORTN, tomandose por referência o valor desses títulos no mês de janeiro do anobase. Com o advento da UFIR, o limite da receita bruta para enquadramento das microempresas foi definido pela Lei n.º 8.383, de 1991 nos seguintes termos: Art. 42. O limite da receita bruta anual previsto para a isenção das microempresas (Lei n° 7.256, de 27 de novembro de 1984) passa a ser de noventa e seis mil Ufir. Em seu artigo 3º, a citada lei nº 7.256, de 1984, faz a seguinte ressalva: Art. 3º Não se inclui no regime desta Lei a empresa: (...) VI – que preste serviços profissionais de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, economista, despachante e outros serviços que lhes possam assemelhar. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 8 8 A partir de 1º de janeiro de 1989, entrou em vigor a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que em seu artigo 51, assim determina: Art. 51 – A isenção do imposto de renda de que trata o art. 11, item I, da Lei nº 7.256, de 27 de novembro de 1984, não se aplica a empresa que se encontre nas situações previstas no art. 3º, itens I a V, da referida Lei, nem às empresas que prestem serviços profissionais de corretor, despachante, ator, empresário e produtor de espetáculos públicos, cantor, músico, médico, dentista, enfermeiro, engenheiro, físico, químico, economista, contador, auditor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, ou assemelhados, e qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Quanto ao registro especial de microempresa, e ao cadastramento fiscal, os art. 7º e 14 da Lei nº 7.256, de 1984, respectivamente, preceituam que: Art. 7º – Tratandose de empresa em constituição deverá o titular ou sócio, conforme o caso, declarar que a receita bruta anual não excederá o limite fixado no art. 2º e que esta não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão relacionadas no art. 3º desta Lei. Art. 14 – O cadastramento fiscal da microempresa será feito de ofício, mediante intercomunicação entre o órgão de registro e os órgãos cadastrais competentes. Sobre o regime fiscal, o artigo 11 da mesma Lei dispõe: Art. 11 – A microempresa fica isenta dos seguintes tributos: I – imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza;(...); Já, concernente às penalidades, no art. 25 da sobredita Lei, está assim estabelecido: Art. 25 – A pessoa jurídica e a firma individual que, sem observância dos requisitos desta Lei, pleitear seu enquadramento ou se mantiver enquadrada como microempresa estará sujeita às seguintes conseqüências e penalidades:(...); II – pagamento de todos os tributos e contribuições devidos, como se isenção alguma houvesse existido, acrescidos de juros moratórios e correção monetária, contados desde a data em que tais tributos ou contribuições deveriam ter sido pagos até a data do seu efetivo pagamento;(...). No presente caso, o autuante descreve no Termo de Verificação que, segundo o Instrumento Particular de Constituição da Sociedade Civil por Quotas de Responsabilidade Ltda, registrado no 6º Ofício de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, sob o nº 23796, em 22/11/1992, na cláusula terceira, a empresa consigna como objeto social: a) a “Prestação de Serviços Intermediação de Negócios Mobiliários”; b) a “Prestação de Serviços Especializados a terceiros, no acompanhamento de operações de importação e exportação” (fl. 17). No Relatório de Atividades dos Serviços Prestados, os procuradores da interessada (Instrumento, de fl. 10), apresentaram os seguintes esclarecimentos sobre a natureza da atividade por ela exercida: DA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL DO SÓCIO Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 9 9 Luis Antonio Abdo, sóciogerente da LASI SERVIÇOS S/C LTDA, exerce as atividades descritas no objeto social do contrato social da sua empresa Há muitos anos conhece profundamente o mercado e a Empresa com a qual trabalha atualmente necessita dos seus serviços tendo em vista o amplo conhecimento das empresas que atuam no mercado e clientes potenciais, sempre com a interveniência necessária da LASI SERVIÇOS S/C LTDA. ME no processo de aproximação cliente/empresa. Recebe como pagamento as horas trabalhadas e gastas nos contatos com os referidos cientes conforme contrato anexo. Assim, dentro do acima exposto, tendo em vista que a empresa LASI SERVIÇOS S/C LTDA. ME de fato em sua área de atuação na prestação de serviços especializados, conforme demonstrado e documentos já encaminhados... O Contrato Particular de Serviços, em cópia, apresenta como objeto a prestação de serviços de “Assessoria Empresarial, abrangendo, porém não se limitando, o agenciamento, apresentação e desenvolvimento de negócios nos mercados financeiros e de capital” (fl. 15). As Notas Fiscais de Serviços, em cópia, apontam como descrição dos serviços: “Prestação de serviços técnicos conforme contrato” e “intermediação ref. ao agenciamento de operações de câmbio” (fls. 21/36). O fiscal autuante consubstanciou no Termo de Verificação que a empresa tem como objeto social, segundo seu instrumento constitutivo, a prestação de serviços de intermediação de negócios mobiliários (cláusula terceira). Tais serviços são prestados, com exclusividade, no âmbito de uma corretora de títulos e valores mobiliários, configurando, dessa maneira, a prestação de serviços profissionais de corretor, atividade expressamente vedada às microempresas ... (fl. 37). A empresa autuada tem como atividades: a corretagem, a assessoria e a intermediação de negócios mobiliários, às quais não se aplica a isenção referida no artigo 125 do RIR/1980 (150 do RIR/1994), tendo em vista que, de acordo com o artigo 3º, inciso VI, da Lei nº 7.256, de 1984, as empresas que prestem serviços de corretor, assessoria ou intermediação estão excluídas do aludido benefício. Ademais, cumpre salientar que o Parecer Normativo CST nº 25, de 1980, ao identificar a semelhança de “outros serviços” com os profissionais relacionados no inciso VI do artigo 2º do Decretolei nº 1.780, de 1980, que corresponde ao inciso VI, art. 3º, da Lei nº 7.256, de 1984, alterado pelo art. 51 da Lei nº 7.713, de 1988, conclui em seu subitem 5.7.5 que “...excetuandose da lista a profissão de despachante, todas as demais integramse no universo das chamadas profissões liberais, entendidas como tais aquelas cujo exercício dependa de conhecimentos técnicocientíficos hauridos mediante adequada habilitação profissional em escolas, faculdades ou universidades. Ante o exposto, tais elementos se convertem em indicadores de semelhança: qualquer outro serviço que os apresente, ou qualquer atividade que requeira conhecimentos assim hauridos é tido como assemelhado...”). No caso concreto, verificase que a empresa tem como objeto social serviços de intermediação, corretagem, ratificada na descrição dos serviços prestados, fornecida à fiscalização pelos procuradores da autuada. Por outro lado, a prestação de serviços especializados a terceiros, a título de assessoria, agenciamento, corretagem depende de profissional com conhecimentos técnicocientíficos estando, efetivamente, fora do alcance da isenção prevista no artigo 125 do RIR/1980 (art. 150 do RIR/1994) e no artigo 11 da Lei nº 7.256, de 1984. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 10 10 Também, não subsiste a tese de que o órgão lançador desconsiderou o que foi posto pelo mandamento legal examinado (a Lei nº 7.256, de 27/11/1984). Acontece que a impugnante não estava alcançada pelo conceito de microempresa concebido pelo legislador ordinário, pois as empresas prestadoras de serviços de intermediação/corretagem de negócios mobiliários não podem pleitear o seu enquadramento como microempresa. De igual maneira, refutase o argumento que a autuação tenha como parâmetro o termo “assemelhado”, pois, literalmente, há a vedação legal aplicável a atividade de corretagem e/ou intermediação, que não se enquadra nas atividades permitidas para fruição do benefício comentado. Portanto, inócuas as demais alegações dessa natureza. Embora, a contribuinte tenha, mediante declaração de que não se enquadrava em qualquer das hipóteses de exclusão previstas no artigo 3º da Lei nº 7.256, de 1984, obtido o certificado de microempresa no órgão de registro competente, este não pode produzir efeito na área tributária, pois a opção foi indevida, ficando, portanto, sujeita ao pagamento de todos os tributos e contribuições, como se isenção alguma tivesse existido, conforme previsto no artigo 25 da referida lei. Desse modo, aplicandose a legislação vigente no período autuado, confirmada a opção indevida pelo regime jurídico das microempresas, pois ela exercia atividade excluída desta sistemática, segundo a Lei nº 7.256, de 1984, restava à autoridade fiscal eleger uma das bases de cálculo do imposto previstas no artigo 44 do Código Tributário Nacional – CTN (o montante real, arbitrado ou presumido), como se isenção nunca houvesse existido. Por conseguinte, a contribuinte teve o seu imposto calculado com base no Lucro Arbitrado, em virtude do não atendimento das condições necessárias à tributação pelo Lucro Real, em face da inexistência de escrituração contábil e fiscal regular, de acordo com as leis comerciais e fiscais. O procedimento de arbitramento do lucro foi adotado tendo com fundamento legal o artigo 399, inciso I, do RIR/1980, e executado com base no disposto no artigo 400 do mesmo RIR/1980, citados no auto de infração, que determinam: Art. 399 A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando: I – o contribuinte sujeito à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras de que trata o artigo 172; Art. 400 A autoridade tributária fixará o lucro arbitrado em percentagem da receita bruta, quando conhecida. Diante de tudo o que foi exposto, restou demonstrado que autoridade fiscal agiu em conformidade com os dispositivos legais e normativos citados neste voto nos quais a situação fática verificada se enquadra perfeitamente, sendo improcedentes as argüições apresentadas, tendentes a desconstituir o lançamento do IRPJ efetuado, devendo este ser mantido, na íntegra. Quantos aos argumentos de cunho econômico (sobrevivência da empresa) ou social (boa fé, proteção ao cidadão), vale esclarecer que salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade natureza e extensão dos efeitos do ato. (art. 136 do CTN). Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13805.004579/9591 Acórdão n.º 140200.503 S1C4T2 Fl. 11 11 Convém esclarecer que a atual Constituição Federal recepcionou o Estatuto das Microempresas, não desatendendo ao princípio da igualdade, já que a legislação comentada não traz nenhum tratamento discricionário, tãosomente, impôs condição para a fruição do benefício da isenção dada às microempresas, não satisfeita pela contribuinte. A contribuinte solicita que a sua exclusão venha a ser considerada a partir da lavratura do Termo de Verificação. Sobre este assunto a Lei nº 7.256, de 1984, dá o seguinte tratamento, no seu art. 12, in verbis: Art. 12 .As microempresas que deixarem de preencher as condições para seu enquadramento no regime desta Lei ficarão sujeitas ao pagamento dos tributos incidentes sobre o valor da receita que exceder o limite fixado no art. 29. desta Lei, bem como sobre os fatos geradores que vierem a ocorrer após o fato ou situação que tiver motivado o desenquadramento. Além do que, a isenção é matéria que comporta uma interpretação restritiva, segundo dispõe o art. 111, item II, do CTN (interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção). Este fato limita a atuação da autoridade fiscal, não permitindo, deste modo, acatar o pleito da impugnante a respeito da exclusão da condição de microempresa, a partir da lavratura do Termo de Verificação que acompanha o Auto de Infração. Em verdade, apesar da veemência das alegações do digno representante do contribuinte, é notório fato de que a recorrente exercia atividade vedada às microempresas e que buscou atender os aspectos legais e formais para obter o enquadramento. Por obvio, apenas em procedimentos fiscais, realizados a posteriori , é possível identificar se de fato as atividades são vedadas às microempresas, tal qual ocorreu no presente caso. A meu ver, independentemente do contrato social, as Notas Fiscais de Serviços, em cópia, fls. 21/36, apontam como descrição dos serviços: “Prestação de serviços técnicos conforme contrato” e “intermediação ref. ao agenciamento de operações de câmbio”. Configurada está a prática de intermediação de negócios, cujo o enquadramento no regime das microempresas sempre foi vedado. No que tange aos argumentos de inconstitucionalidade de dispositivos em normas legais em vigor, que segundo o contribuinte devem necessariamente ser apreciados. Sobre essa matéria aplicase a súmulas nº 2 do CARF, que estabelece: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 11065.001199/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/06/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração com vistas a sanar omissão a respeito de determinado ponto veiculado no recurso voluntário, sobre o qual devia pronunciar-se a Turma.
Numero da decisão: 1401-000.486
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração quanto à omissão apontada, para fixar em R$ 599,52 (quinhentos e noventa e nove reais e cinquenta e dois centavos) a exigência de CSLL, valor originário, relativa ao segundo trimestre de 1999, mantendo-se os demais termos do Acórdão nº 10708.587, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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OMISSÃO. Cabem embargos de declaração com vistas a sanar omissão a respeito de determinado ponto veiculado no recurso voluntário, sobre o qual devia pronunciarse a Turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração quanto à omissão apontada, para fixar em R$ 599,52 (quinhentos e noventa e nove reais e cinquenta e dois centavos) a exigência de CSLL, valor originário, relativa ao segundo trimestre de 1999, mantendose os demais termos do Acórdão nº 107 08.587, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Viviani Aparecida Bacchmi, Maurício Pereira Faro e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11065.001199/200314 Acórdão n.º 140100.486 S1C4T1 Fl. 816 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo contribuinte, em que se alega existir omissão e contradição no Acórdão nº 10708.587, proferido pela Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (fls.782/797), relativamente às matérias abaixo: alteração do critério jurídico por parte da decisão de primeira instância; lançamentos de IRPJ e CSLL, supostamente exigidos por meio de novo auto de infração; erro material no lançamento, que resultou na majoração da exigência a título de adicional de CSLL (mês 06/99); momento de tributação das variações cambiais ativas; momento de apropriação dos juros e multa de mora auferidos em função de empréstimos concedidos; compensação de prejuízos fiscais e bases negativas. De acordo com o juízo de admissibilidade realizado pela Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção, os embargos foram admitidos unicamente com relação à alegação de suposto erro material cometido em primeira instância. Os autos foram então distribuídos com fundamento no art. 49, §7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (destaquei) É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Os embargos preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se toma conhecimento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11065.001199/200314 Acórdão n.º 140100.486 S1C4T1 Fl. 817 3 Cabe frisar que as demais matérias a respeito das quais o colegiado a quo teria incorrido em omissão e/ou contradição não serão apreciadas, haja vista o caráter de definitividade do despacho de admissibilidade que as alcança, nos termos do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. ..... § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. (destaquei) Com relação ao erro material supostamente perpetrado pela DRJ, relativo ao período de apuração junho de 1999, o sujeito passivo informa a sua ocorrência nos seguintes termos: “...ao invés de lançar o valor de R$196,14, no Demonstrativo de Apuração da CSLL, considerou o valor de R$ 7.878,78”. De fato, constatase a omissão do acórdão embargado, exarado pela Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que deixou de apreciar tal alegação, assim veiculada no recurso voluntário: “(...) Ad argumentandum, na hipótese de ser considerado válido o procedimento acima mencionado, o "novo" Auto de Infração deve ser retificado de ofício, tendo em vista a existência de erro material que majora a exigência a título de CSLL, referente ao mês competência 06/99. Vejamos ! 35. Nas folhas 710 ("novo" Auto de Infração), a D. DRJ considerou como sendo o "Total do Adicional da Contribuição Social S/Lucro a Lançar" o montante de R$196,14. Ocorre, no entanto, que ao fazer a transposição desse valor para as folhas 704 ("novo" Auto de Infração), equivocadamente, consignou nos itens "Adicional da Contribuição Social" e "Contribuição Social Devida Por Percentual de Multa" o valor de R$ 7.878,74. Percebese, portanto, o erro material cometido, pois, ao invés de lançar o valor de R$ 196,14 no Demonstrativo de Apuração da CSLL, considerou o valor de R$ 7.878,74. 38. Sendo assim, esse erro material deve (e pode) ser corrigido na fase recursal, conforme é o posicionamento desse E. Conselho de Contribuintes (...)” Constatase que a Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS) reduziu a base de cálculo da CSLL, quanto ao segundo trimestre de 1999, para R$ 7.024,81 (sete mil, vinte e quatro reais e oitenta e um centavos) (fl.673). Considerando a existência de base de cálculo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11065.001199/200314 Acórdão n.º 140100.486 S1C4T1 Fl. 818 4 negativa acumulada em períodos anteriores, o valor devido foi então alterado para R$ 4.917,37 (quatro mil, novecentos e dezessete reais e trinta e sete centavos) (fl.683). Nos termos do Demonstrativo de fl.710, o adicional da CSLL (2º trimestre de 1999) foi definido em primeira instância, e confirmado em segunda quando da negativa de provimento ao recurso de ofício, em R$196,14 (cento e noventa e seis reais e quatorze centavos). Sabendose que R$ 393,38 (trezentos e noventa e três reais e trinta e oito centavos) foi a CSLL apurada sem o adicional, deve a exigência se amoldar à decisão da DRJ, ou seja, ao total de R$ 599,52 (quinhentos e noventa e nove reais e cinquenta e dois centavos). A respeito da importância de R$ 7.878,74 (sete mil, oitocentos e setenta e oito reais e setenta e quatro centavos) mencionada pelo embargante, referese ao valor do adicional constituído inicialmente pela fiscalização (fls.552/566). Pelo exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração quanto à omissão apontada, para fixar em R$ 599,52 (quinhentos e noventa e nove reais e cinquenta e dois centavos) a exigência de CSLL, valor originário, relativa ao segundo trimestre de 1999, mantendose os demais termos do Acórdão nº 10708.587. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 10670.001400/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2006
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO DO ART. 150 § 4º NA HIPÓTESE DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
AFERIÇÃO INDIRETA. AUTORIZAÇÃO LEGAL NO CASO DE OMISSÃO NA ENTREGA DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS E/OU FISCAIS.Conforme previsto no §3º do art. 33 da Lei 8.212/91, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo
administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas
demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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CIVIL Recorrente SOARES E ALMEIDA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO DO ART. 150 § 4º NA HIPÓTESE DE PAGAMENTO ANTECIPADO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. AUTORIZAÇÃO LEGAL NO CASO DE OMISSÃO NA ENTREGA DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS E/OU FISCAIS.Conforme previsto no §3º do art. 33 da Lei 8.212/91, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator designado: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.001400/200788 Acórdão n.º 230102.199 S2C3T1 Fl. 560 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.041.9537, lavrada em 10/01/2007, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte empresa e parte empregado; SAT/RAT e contribuição de terceiros incidentes sobre a remuneração de empregados de obra de construção civil apurada por aferição indireta, no período de 01/1999 a 11/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 377.849,95, fls. 01. A autoridade fiscal utilizou a aferição indireta uma vez que a fiscalizada deixou de apresentar os livros Diário e Razão relativos ao período de 01/1999 a 08/2006. A aferição indireta foi feita com base nos valores das notas fiscais de prestação de serviço, aplicandolhes o percentual de 40% previsto em normas infralegais citadas no relatório. Após tomar ciência postal da autuação em 16/01/2007, fls. 353, a recorrente apresentou impugnação, fls. 355/386, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 505/513, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em data que não consta dos autos. O Recurso Voluntário foi apresentado em 28/11/2007, fls. 515/546, com os argumentos que resumimos a seguir. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Alega que fez grande esforço para atender à fiscalização e que a fiscalização não demonstrou ter ocorrido recusa no fornecimento de informações, o que tornaria o lançamento por aferição indireta nulo, conforme jurisprudência que cita. Entende que a aferição indireta poderia ter sido aplicada somente em relação a algumas obras e não em relação a todas. Insiste que a fiscalização não encontrou óbice para analisar documentos que estavam à disposição e que tal fato afasta o fundamento da aferição indireta. Informa que obras referentes a contratos com municípios tem características especiais. A nota fiscal só é emitida quando da aceitação da obra e não no momento do seu término e pode haver diferenças de anos entre tais datas. Não havendo mais funcionários naquela matrícula ocorre a retenção de 25% consubstanciando um bis in idem. Argumenta que a aferição indireta seria inconstitucional. Protesta pelo excesso no crédito constituído. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.001400/200788 Acórdão n.º 230102.199 S2C3T1 Fl. 561 5 Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.001400/200788 Acórdão n.º 230102.199 S2C3T1 Fl. 562 7 Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.001400/200788 Acórdão n.º 230102.199 S2C3T1 Fl. 563 9 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.001400/200788 Acórdão n.º 230102.199 S2C3T1 Fl. 564 11 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos no RADA de fls. 250/335 que existem pagamentos relativos aos períodos e fatos geradores que interessam para a análise da decadência. Portanto, em consonância com nossa posição acima apresentada, adotamos o dies a quo da decadência aquele do art. 150, §4º do CTN até o momento no qual o fisco se pronuncia no sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com o início da fiscalização. Logo, tendo a fiscalização sido iniciada em 11/2006, fls. 347, estariam atingidos pela decadência os fatos geradores até 10/2001 pela regra do art. 150, §4º. No entanto, como a fiscalização somente foi encerrada em 16/01/2007, acaba por prevalecer, para todos ao fatos geradores, a regra do art. 173, inciso I com data limite em 31/12/2001. No mérito, a fiscalização fundamentou a aferição indireta no fato de a recorrente não ter apresentado os livros Diário e Razão do período fiscalizado. De fato, consta dos autos que a recorrente foi intimada a apresentar tais livros e não há comprovação de que estes foram entregues à autoridade fiscal ou que a recorrente mostrouse, durante a fiscalização, disposta à atender ao solicitado. Em suas duas peças de defesa, a recorrente nada esclareceu sobre o não atendimento do solicitado, limitandose a insistir que os documentos estavam à disposição da fiscalização sem, no entanto, fazer prova disso. Assim, temos que ficou caracterizada uma situação que autorizou a utilização da aferição indireta, conforme constante do §3º do art. 33 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) A recorrente argumentou que nem todas suas obras tinham problemas de escrituração o que inviabilizaria a aferição indireta. Entretanto, a fiscalização, sem receber os livros fiscais, não tinha como constatar quais obras tinham problemas contábeis e quais estavam com a contabilidade perfeita. Foi a própria omissão da recorrente que causou a aferição indireta em todas as obras. Sobre argumentos fundados em inconstitucionalidade, temos Súmula deste Colegiado: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.001400/200788 Acórdão n.º 230102.199 S2C3T1 Fl. 565 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não vislumbramos excesso no crédito tributário lançado, posto que constituído em obediência ao art. 142 do CTN. No tocante à alegação genérica e sem provas noticiando a existência de retenção de 25% em relação às notas fiscais, como a fiscalização considerou uma grande quantidade de pagamentos, certamente tais retenções foram consideradas. Se assim não foi, caberia à recorrente fazer prova de qual valor retido não considerado, o que não foi feito. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a afastar os fatos geradores ocorridos até 31/12/2001, em razão do conteúdo do Resp 973.933SC e do art. 62A do Regimento deste CARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Redator Designado. Apenas em relação à contagem do prazo decadencial ouso divergir em parte do Ilustre Conselheiro Relator, uma vez que a meu ver deve ser aplicado como regra decadencial nesse caso apenas aquela prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, cujo dies a quo é o da ocorrência do fato gerador. Isto porque tenho para mim que a autuação versa somente sobre um fato gerador, qual seja, aquele arrolado pela Constituição Federal no artigo 195, inciso I, “a”, que nos autos revelase em pagar remuneração a segurados empregados ou contribuintes individuais. Assim tratandose do mesmo fato gerador no qual, como se extrai dos autos e conforme exposto no minucioso relatório do Conselheiro Relator, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, havendo de ser aplicado o prazo decadencial qüinqüenal, que tem como termo inicial de contagem a ocorrência do fato gerador, como decidiu o Colendo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, entendimento esse que deve ser acatado, por força do disposto no mencionado artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa do paradigma está assim redigida: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10670.001400/200788 Acórdão n.º 230102.199 S2C3T1 Fl. 566 15 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” Diante do exposto e tendo em vista que o contribuinte foi intimado da NFLD em 16/01/2007, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar decadentes os fatos geradores lançados até dezembro de 2001, não se incluindo a competência de janeiro de 2002, por força do disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 19515.001448/2003-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase
o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º., do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado.
Homologa-se no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo”, inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade.
A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173, I.
A interpretação do caput do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1º. e 4º., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN.
Decadência reconhecida de ofício
Numero da decisão: 2101-001.044
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º., do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologase no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo”, inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade. A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173, I. A interpretação do caput do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1º. e 4º., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN. Decadência reconhecida de ofício Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência, nos termos do voto do relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001448/200320 Acórdão n.º 2101001.044 S2C1T1 Fl. 334 2 (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 313/315) interposto em 10 de fevereiro de 2009 contra o acórdão de fls. 296/307, do qual o Recorrente teve ciência em 29 de janeiro de 2009 (fl. 331), proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 264/265, lavrado em 14 de abril de 2003, em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, verificado no anocalendário de 1997. Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 313/315, pedindo a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Cumpre esclarecer, preliminarmente, que o lançamento não poderia ter sido realizado, em virtude da decadência. Isto porque o fato gerador do imposto ocorreu no anocalendário de 1997, enquanto que o auto de infração foi lavrado em 14 de abril de 2003, ou seja, fora do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º., do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001448/200320 Acórdão n.º 2101001.044 S2C1T1 Fl. 335 3 Quanto a este aspecto, entendo que é aplicável, no presente caso, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º., do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. É o que passo a demonstrar, transcrevendo, inicialmente, alguns artigos do CTN que tratam do lançamento e da decadência. São eles: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” ... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... V – quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; ... VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; ... Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. ... §4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ... Art. 156. Extinguem o crédito tributário: ... V – a prescrição e a decadência; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001448/200320 Acórdão n.º 2101001.044 S2C1T1 Fl. 336 4 ... VII – o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1º. e 4º.; ... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ...” Várias conclusões podem ser extraídas a partir da interpretação sistemática desses dispositivos do Código: (a) desde sua definição, o lançamento é considerado expressamente um procedimento administrativo (art. 142, caput) ou uma atividade administrativa (art. 142, parágrafo único), inclusive o lançamento por homologação (art. 149, V, e 150, caput); (b) esse procedimento ou atividade consiste em “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo” (art. 142, caput), independentemente da modalidade de lançamento; (c) a diferença é que, no lançamento por homologação, praticamente toda essa atividade é realizada pelo contribuinte ou responsável, cabendo à autoridade administrativa homologála; (d) o artigo 149 trata das hipóteses que autorizam o lançamento de ofício, dentre as quais aquelas previstas nos incisos V e VII, ou seja, (d.1) “omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte” (lançamento por homologação) e (d.2) ação do sujeito passivo ou de terceiro em benefício daquele “com dolo, fraude ou simulação”; (e) o lançamento por homologação está definido no artigo 150, sendo que “o dever de antecipar o pagamento”, não o efetivo pagamento, faz parte do conceito legal daquele (art. 150, caput); (f) o pagamento antecipado é modalidade de extinção do crédito tributário, sob condição resolutiva da homologação do lançamento (150, §1º., c/c art. 156, VII); (g) no lançamento por homologação, homologase a atividade (art. 150, caput, in fine) ou o procedimento (art. 150, §§ 1º. e 4º., c/c art. 156, VII, in fine) realizado pelo sujeito passivo; (h) referida homologação pode ser tácita, com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º.); (i) se não homologado esse procedimento, necessário se faz o lançamento de ofício de que trata o artigo 149, V; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001448/200320 Acórdão n.º 2101001.044 S2C1T1 Fl. 337 5 (j) o artigo 156 distingue os casos de decadência (V), de pagamento antecipado e de homologação do lançamento (VII); (k) o prazo de decadência a que se refere o artigo 156, V, é o do artigo 173, I, do CTN, enquanto que a homologação do lançamento se dá na forma do §4º. do artigo 150; (l) o artigo 150, §4º., é aplicável apenas ao lançamento de ofício previsto expressamente no inciso V do artigo 149, decorrente de “omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte” (lançamento por homologação), não alcançando os casos de ação do sujeito passivo ou de terceiro em benefício daquele “com dolo, fraude ou simulação”; (m) “omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte” (lançamento por homologação) abrange tanto a falta de pagamento como o pagamento a menor de tributo; (n) apenas as circunstâncias que não se encaixem na expressa previsão contida no artigo 149, V, estão sujeitas ao artigo 173, I. A meu ver, essas constatações afastam a assertiva segundo a qual o artigo 173, I, regula indistintamente o prazo decadencial relativo a todos os lançamentos de ofício. Como se viu, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por força do artigo 149, V, o lançamento de ofício deve ser realizado pela autoridade administrativa tanto no caso de omissão como de inexatidão “por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte” (lançamento por homologação), o que significa dizer que quando houve falta de pagamento ou pagamento a menor, é obrigatório o lançamento de ofício. Para essas situações de ausência de pagamento ou de pagamento parcial de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Código estabelece o prazo do §4º. do artigo 150, ressalvando tãosomente aquelas em que se verifique “dolo, fraude ou simulação”, que, nos termos do artigo 149, VII, também autorizaria o lançamento de ofício. Aliás, se o artigo 173, I, abrangesse todas as hipóteses de lançamento de ofício, a ressalva contida na parte final do artigo 150, §4º., seria absolutamente desnecessária, uma vez que a comprovação de “dolo, fraude ou simulação” também impõe o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, a teor do artigo 149, VII. Se o legislador não usa palavras inúteis, o disposto na parte final do § 4º. do artigo 150 só pode significar que, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o único caso de lançamento de ofício que autoriza a incidência do artigo 173, I, é o de “dolo, fraude ou simulação”. Muito difundida também tem sido a idéia de que o artigo 150, §4º., aplicase apenas quando tenha sido feito pagamento antecipado pelo sujeito passivo, pois, não havendo tal pagamento, qualquer que seja seu valor, a autoridade não terá o que homologar, submetendose a hipótese ao regime do artigo 173, I. Não obstante, conforme se procurou demonstrar, o Código exige expressamente, nas situações do artigo 150, a homologação de todo o procedimento, de toda a Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001448/200320 Acórdão n.º 2101001.044 S2C1T1 Fl. 338 6 atividade de “lançamento”, que consiste, na definição do artigo 142, em “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo” (art. 142, caput). A antecipação do pagamento é referida apenas como modalidade de extinção do crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento de lançamento, ou seja, de toda atividade que culminou no pagamento a menor ou mesmo no não recolhimento do tributo. O que importa, para o Código, é que a legislação do tributo atribua ao contribuinte ou responsável “o dever de antecipar o pagamento” do tributo, independentemente deste ser realizado ou não. É dizer, a exigência tributária é que deve estar sujeita ao lançamento por homologação, não sendo condição necessária para a incidência do artigo 150, §4º., a realização de qualquer antecipação. Até porque todas as vezes que o Código se referiu à homologação, nos artigos 150, caput e §§1º. e 4º., e 156, VII, fez menção à atividade ou ao procedimento de lançamento, nunca ao pagamento antecipado. Se isso não bastasse, o CTN sempre distinguiu “pagamento antecipado” e “homologação do lançamento” (artigos 150, caput e §§1º. e 4º., e 156, VII), tendo utilizado essas expressões lado a lado, no mesmo dispositivo (artigo 150, §1º., e 156, VII), sem nunca se referir à homologação do pagamento antecipado. E não poderia ser de outra forma, pois, nos tributos sujeitos a essa espécie de lançamento, existem diversas situações que acarretam o não pagamento de determinada exação, como imunidades, isenções, nãoincidências, alíquotas zero, créditos acumulados etc. Por vezes, o lançamento de ofício decorrente do não pagamento do tributo também tem origem em vício na qualificação dos fatos pelo sujeito passivo. Em qualquer uma dessas hipóteses, a atividade do contribuinte ou responsável está sim sujeita à homologação pela autoridade administrativa, de acordo com o artigo 150. Um exemplo prático poderá ajudar a elucidar a questão: no caso do IRPF, tributo sujeito ao lançamento por homologação, determinado contribuinte assalariado não paga o tributo sobre determinado rendimento, declarando ao final do exercício que aquele rendimento era isento ou não tributável. É correto dizer que, no caso, não se estaria sujeito ao prazo do artigo 150, §4º., só porque não houve pagamento daquele específico rendimento? Seria possível desmembrar o fato gerador e considerar que apenas aquele rendimento não oferecido à tributação determinaria a aplicação do artigo 173, I, ainda que vários outros valores tenham sido recolhidos antecipadamente a título de IRPF ou mesmo IRRF? Outra pergunta se impõe: por que somente aqueles que não pagaram o imposto estão sujeitos ao prazo do artigo 173, I, enquanto que todos os que recolheram a menor (inclusive valores ínfimos) devem observar o prazo do artigo 150, §4º., quando se sabe que ambos os casos ensejam o lançamento de ofício, nos termos do mesmo artigo 149, V, do CTN? Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001448/200320 Acórdão n.º 2101001.044 S2C1T1 Fl. 339 7 A propósito, devese ressaltar que o argumento segundo o qual o caput do artigo 150 determinaria a homologação do pagamento antecipado, já que a expressão “atividade assim exercida pelo obrigado” poderia referirse à antecipação, é incompatível com o disposto no artigo 149, V, de acordo com o qual o lançamento de ofício deve ser efetuado pela autoridade administrativa “quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte”. De fato, se a omissão ou a inexatidão mencionadas no artigo 149, V, dizem respeito ao “exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte”, percebese que o pagamento em si não é requisito para que o tributo esteja sujeito ao lançamento por homologação. Homologase, isto sim, a atividade, o procedimento levado a efeito pelo sujeito passivo, não o pagamento propriamente dito, que pode ou não ocorrer. O que se quer deixar muito claro é que a interpretação do caput do artigo 150 não pode ser feita isoladamente, pois, como se diz, “o direito não se interpreta em tiras”. Deve ser feita em conjunto com o artigo 149, V, e com todos os outros dispositivos do Código que tratam da matéria, especialmente os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1º. e 4º., 156, V e VII, e 173, I. Ainda que não nos caiba “psicanalisar os eminentes representantes da Nação”, não me parece, outrossim, que tenha sido intenção do legislador sujeitar todos os casos de lançamento de ofício (art. 149) ao artigo 173, I, do CTN. Isto porque tanto o “Anteprojeto de autoria do Prof. Rubens Gomes de Sousa, que serviu de base aos trabalhos da Comissão Especial do Código Tributário Nacional”, de 1954, como o projeto de lei encaminhado ao Presidente da República previam apenas o prazo decadencial de que trata o artigo 173, I, do nosso Código em vigor. O disposto no atual artigo 150, §4º., quanto à homologação tácita não constou nem do anteprojeto nem do projeto de lei. Foi incluído posteriormente, como exceção ao nosso artigo 173, I, que seria aplicável indistintamente a todas as modalidades de lançamento. Assim, ao excepcionar o lançamento por homologação da regra geral até então projetada, o legislador pretendeu dar à hipótese prevista atualmente no artigo 149, V, tratamento diferenciado, consubstanciado no regime de que trata nosso artigo 150, §4º. Não se deve esquecer, ainda, que, além da interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, no caso específico, tratandose de exceção, devese interpretar restritivamente os artigos 149, V, e 150, caput e §§1º. e 4º., ou, nos dizeres do artigo 111 do Código, “literalmente”. E a interpretação literal destes, como se viu, também nos permite concluir que tendo ou não havido pagamento antecipado, aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contado a partir da data da ocorrência do fato gerador. Nem se alegue ainda que o legislador pretendeu estabelecer um prazo menor de decadência apenas para os casos em que o contribuinte tenha feito algum pagamento antecipado, pois tal antecipação facilitaria o trabalho de investigação da autoridade administrativa. Isto porque tal propósito, mesmo que tivesse existido, não se manifestou no texto do Código; ao contrário, como se extrai da interpretação sistemática e gramatical dos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001448/200320 Acórdão n.º 2101001.044 S2C1T1 Fl. 340 8 artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, caput e §§1º. e 4º., 156, V e VII, e 173, I, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo do §4º. do artigo 150 é aplicável inclusive quando não houver pagamento. Lembro aqui a advertência feita pelo Ministro Aliomar Baleeiro: “Não me cabe, Sr. Presidente, psicanalisar os eminentes representantes da Nação. ... Não entro, Sr. Presidente, na apreciação da justiça da lei. Desde que aceitei um posto neste Supremo Tribunal Federal, com muita honra para mim lembreime de que na minha mocidade me tinham ensinado aquela regra sovadíssima, de D'Argentré: não julgo a lei, julgo segundo a lei. ... Acho que os membros do Congresso, responsáveis pela política legislativa do País, podem exigir que apliquemos cegamente a todas as leis que forem constitucionais, boas ou ruins. Quem se queixar da justiça da lei, que vá às eleições e substitua os Deputados e Senadores. Nosso papel não é fazer leis, mas justiça segundo as leis constitucionais.” (STF, Tribunal Pleno, RE n.º 62.739SP, Relator Ministro Aliomar Baleeiro, j. em 23.8.67, in RTJ 44/5559) É por esses motivos que a decadência deve ser acolhida, considerandose que, no caso específico, o lançamento de ofício foi efetuado após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos de que trata o §4º. do artigo 150 do CTN. Explico: os fatos geradores ocorreram no ano calendário de 1997; conforme o mandamento do artigo referido, o prazo decadencial extinguiu se ao final do anocalendário de 2002, sendo que o auto de infração foi lavrado apenas em 14/04/2003 (fls. 264/265). Cumpre observar ainda que, no presente caso, houve antecipação de pagamento, conforme demonstrativo de apuração de fl. 262. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de declarar, de ofício, a decadência. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001448/200320 Acórdão n.º 2101001.044 S2C1T1 Fl. 341 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 23/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11020.720064/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO. INSUMOS.
Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao
crédito de COFINS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como
insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou
produtos destinados à venda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.073
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão
Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de COFINS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Recurso Voluntário Negado.
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DE MADEIRAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de COFINS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas – Relatora (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado EDITADO EM: 01/08/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra (Redator Designado), Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS, derivado de créditos acumulados na apuração não cumulativa, em razão de exportações de mercadorias para o exterior do País (artigo 5º, §1º da Lei nº 10.637/02). O crédito é relativo ao 1º Trimestre de 2007, no valor total de R$ 265.560,99 (fls. 01/03). 2. A autoridade fiscal manifestouse (fls. 06/08) pela glosa de parte dos créditos, em razão de a Recorrente ter calculado crédito sobre valores de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 3. O Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul/RS, acatando as conclusões do Agente Fiscal (fls. 08), reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Recorrente, mantendo a glosa dos valores relativos a créditos derivados de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 4. Promovidas as verificações necessárias e após constatado que a Recorrente não possuía débitos em aberto perante a Receita Federal, que autorizassem a compensação de oficio de quaisquer valores, a Recorrente, uma vez intimada, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 36/44). 5. A Recorrente rechaça o procedimento fiscal, por entender que os custos incorridos com o transporte de produtos – ainda que entre estabelecimentos da empresa – configurase etapa essencial da venda dos bens. Isto porque é necessário para que ocorra a exportação (venda) dos produtos, que os mesmos sejam transferidos dos estabelecimentos produtores para aqueles que se encontram mais perto dos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande – de onde são transportados para o exterior. No mesmo sentido, produtos oriundos de uma unidade produtora no interior do Estado são trazidos para a Matriz da empresa, de onde podem ser diretamente vendidos. Assim, por se tratar se custo essencial à atividade, as despesas de frete dos produtos entre estabelecimentos não poderiam ser desqualificadas como insumos da atividade, o que lhe garante o direito ao crédito de COFINS, na sistemática não cumulativa, sobre tais dispêndios. 6. Alega, ainda, que é incorreta a pretensão fiscal de limitar o direito ao crédito dos contribuintes, pois a incidência da COFINS se dá sobre a totalidade da receita da pessoa jurídica. Ou seja, se a incidência – na forma não cumulativa – se dá sobre o resultado integral da atividade econômica desenvolvida, então os créditos têm de ser garantidos sobre todos os custos desta atividade econômica, sob pena de não se cumprir a não cumulatividade estabelecida. Entende haver, portanto, ofensa ao princípio da isonomia, do não confisco e à própria não cumulatividade. 7. Apresenta a Recorrente uma série de decisões da Receita Federal que evidenciam que o assunto é controverso mesmo dentro do próprio órgão. Alega, ainda que decisões contrárias ao creditamento, ainda que baseadas na Solução de Divergência nº 11/07 não podem prosperar, por ofensa ao princípio da hierarquia das normas, visto que Soluções de Divergência não poderiam ferir as disposições legais (que não criaram qualquer restrição ao crédito ora sob análise). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720064/200874 Acórdão n.º 330201.073 S3C3T2 Fl. 2 3 8. Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 58/59), que manteve o que foi definido no Despacho Decisório, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Segundo a DRJ os custos de frete de produtos entre estabelecimentos não estariam vinculados à operação de venda, bem como a autoridade fiscal estaria obrigada a observar as manifestações do órgão a respeito da impossibilidade do creditamento pretendido. 9. Inconformada a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 62/71), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade e requer a reforma total da decisão da DRJ. 10. Vieramme, então, os autos para decidir. 11. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de COFINS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa. No caso da Recorrente o transporte se deu, na maioria dos casos, entre estabelecimentos produtores e outros estabelecimentos que se encontravam mais perto dos portos através dos quais remete suas mercadorias para o exterior (exportação). Outra parte do frete contratado foi para remessa dos produtos de uma unidade produtora no interior do Estado para a matriz, onde são realizadas a maior parte das vendas. A Receita Federal tem se manifestado reiteradas vezes, em relação a uma série de custos de operações de contribuintes, contra o direito ao crédito, numa clara tendência restritiva. Tanto assim que as disposições contidas na Instrução Normativa nº 404/04 – que trata justamente da apuração não cumulativa da COFINS – estabelece que para fins da apuração do crédito a que o contribuinte tem direito, sobre os insumos utilizados na produção, o conceito de insumo é aquele trazido pela legislação do IPI. Vejamos: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” (destaquei) Da leitura dos dispositivos concluise que a Receita Federal, ao regulamentar a não cumulatividade trazida pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, pretendeu adotar os conceitos da legislação do IPI sem que, todavia, referida Lei assim determinasse. Vale recordar que desde o surgimento da não cumulatividade do PIS e da COFINS muito já se discutiu sobre sua natureza. A princípio discutiase se a não cumulatividade do PIS e da COFINS seguia o mesmo modelo – e, portanto, os mesmos princípios – da não cumulatividade do ICMS e do IPI. Após muitas discussões as decisões – tanto administrativas como judiciais – seguiram no sentido de reconhecer que a não cumulatividade das contribuições em tela é distinta daquela do ICMS e do IPI, especialmente porque a dos mencionados impostos segue regras próprias, estabelecidas na Constituição Federal. Evidencia tal distinção o fato de que a não cumulatividade do IPI e do ICMS tem por base, na apuração dos créditos, o valor do imposto que foi recolhido na etapa anterior da cadeia de produção ou venda. No caso da não cumulatividade do PIS e da COFINS, por outro lado, pouco importa o que foi pago na etapa anterior, bastando que o contribuinte esteja sujeito a uma saída tributada nos termos da não cumulatividade, para que tenha direito a creditarse de custos incorridos na atividade que gerou a receita tributada pelas contribuições. Portanto, os limites conceituais da não cumulatividade e/ou da apuração de IPI e ICMS não se aplicam à não cumulatividade do PIS e da COFINS, pois não há, na legislação destas contribuições, qualquer menção à esta aplicabilidade. Impera esclarecer que já externei meu posicionamento neste sentido, acompanhando o Ilustre Conselheiro Relator Walber Jose da Silva, por meio de declaração de voto, na oportunidade do julgamento do processo nº 10247.000001/200619, o qual foi decidido por maioria pela então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: “É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720064/200874 Acórdão n.º 330201.073 S3C3T2 Fl. 3 5 supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ........................................................................................ (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. ” Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importando o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em toda sua atividade. A este respeito também já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao prolatar a decisão contrária a Recurso Especial do Procurador apresentado nos autos do Processo Administrativo nº 11065.101271/200647. Na ocasião, no bem lançado voto do ilustre relator Henrique Pinheiro Torres, a CSRF rechaçou a equiparação do conceito de “insumos” utilizado na legislação do PIS e da COFINS, àquele presente na legislação do IPI. In casu, a CSRF firmou posicionamento no sentido de total distinção de conceito de insumo para a legislação de IPI e para a legislação de PIS e Cofins. Vejamos: “A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720064/200874 Acórdão n.º 330201.073 S3C3T2 Fl. 4 7 aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” O crédito foi reconhecido, nesta decisão em particular, sobre dispêndios com serviços de remoção de resíduos industriais que, embora não possam ser considerados como aplicados diretamente no processo produtivo – nos termos adotados pela legislação do IPI – devem ser considerados como insumos na Lei nº 10.833/03. Superada esta primeira dificuldade, mister se faz analisar especificamente a despesa em discussão, qual seja, valor gasto com frete para o transporte dos produtos da Recorrente, com destino a outros estabelecimentos de sua titularidade – no mais das vezes visando mantêlos mais próximos dos portos de embarque de suas cargas com destino ao exterior (em operações de exportação), ou ainda, em estabelecimentos nos quais são realizadas as operações de vendas (internas – matriz) – entendo que não há como questionar a necessidade dos dispêndios em questão, para o desenvolvimento das atividades da empresa. O objeto social1 da empresa esclarece que a Recorrente é empresa exportadora e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. Sem dúvida são despesas operacionais, necessárias à atividade da Recorrente, atividade esta que gera a receita tributável pela COFINS não cumulativa. Logo, entendo que tais despesas são insumos essenciais ao desenvolvimento das atividades da Recorrente, razão pela qual geram direito ao crédito de COFINS não cumulativa. Neste sentido, com acerto a interpretação da Recorrente. Uma vez que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, é necessário reconhecer o direito do contribuinte à concessão do crédito, com base no artigo 3º, inciso II da Lei nº 10.833/03. Desta forma, por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de COFINS, sobre frete entre estabelecimentos da Recorrente, objeto deste processo. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 1 Art. 4°. A Sociedade tem por objeto social a indústria e o comércio de madeiras e seus similares, no mercado interno externo, bem como o florestamento, o reflorestamento e agroindústria, podendo, ainda, participar do capital de outras sociedades. Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, Redator Designado Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 Consoante bem destacado pela i. Relatora “a controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de COFINS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa”, créditos esses glosados pela fiscalização, quando da análise do pedido de ressarcimento formulado pela Contribuinte. Em que pese o excelente argumento do voto acima, discordo do entendimento da eminente Relatora, pelas razões que passo a expor. A propósito, vejamos o que reza(va) a Lei nº 10.833/03 quanto aos créditos que podem ser descontados, ressalvando que os grifos não constam do original: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008)(Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720064/200874 Acórdão n.º 330201.073 S3C3T2 Fl. 5 9 Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Entendo que a lei ao relacionar os bens e serviços que geram direito ao crédito o faz de forma taxativa, quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Dito isso, cabe verificar se o dispêndio em questão está contemplado pelo dispositivo legal acima transcrito. Pelo o que defluise do voto da ilustre Relatora, o gasto em apreço se enquadraria no inciso II do retro citado artigo, sob o fundamento de que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, visto que uma de suas atividades é a exportação e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. No entanto, data maxima venia, discordo desse entendimento sobretudo porque aquele dispositivo contempla apenas os serviços utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete em apreço é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 Destarte, ao contrário do entendimento da Recorrente, os gastos em apreço não geram crédito do COFINS nãocumulativo, por falta de previsão legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 18184.000258/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE
TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM.
A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade.
Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.931
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente RÁDIO E TELEVISÃO BANDEIRANTES LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n ° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 456DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, previsto no art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências dezembro de 1997 a dezembro de 1998. A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela FIEDLER ENGENHARIA LTDA foram obtidas em função da não apresentação de documentos, após solicitação pela Auditoria Fiscal, fls. 18 a 21. O lançamento substitui o anteriormente realizado, este anulado por vício formal. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 108 a 132. A FIEDLER ENGENHARIA apresentou impugnação na forma das fls. 153 a 175. Foi comandado o aditamento do relatório fiscal, conforme fls. 191; tendo a fiscalização elaborado na forma das fls. 194 a 197. Cientificado do relatório aditivo, o autuado apresentou impugnação aditiva, fls. 216 a 278. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 280 a 299. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 310 a 353. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) O serviço não se enquadra como cessão de mãodeobra; b) O agente fiscal não cumpriu com seu ônus probatório; c) Não houve verificação junto à prestadora de serviços; d) Houve vícios no procedimento fiscalizatório; e) O lançamento já foi atingido pela decadência; f) A solidariedade somente ocorre no caso de inadimplemento; g) É nula a NFLD; h) Não poderia ter sido complementado o relatório fiscal; i) Deve ser realizada perícia; j) Houve quebra de sigilo fiscal da recorrente; k) Não poderia ter sido utilizada a aferição indireta; l) O caso não poderia ter sido julgado por meio de despacho; m) A multa aplicada é confiscatória; Fl. 457DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18184.000258/200745 Acórdão n.º 230200.931 S2C3T2 Fl. 391 3 n) Pode ter havido crime de prevaricação ou de excesso de exação; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 458DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 386; pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Um dos argumentos recursais está lastreado na eventual fluência do prazo decadencial. O lançamento anterior foi anulado por vício formal, conforme expressamente consignado no relatório fiscal, pela falta de intimação do prestador de serviços, fls.18 a 21. Reconhecendo que o lançamento anterior foi anulado por vício formal, o termo a quo para contagem passa a ser a data que se tornar definitiva a decisão que houver anulado por vício formal o crédito anteriormente constituído, na forma do art. 173, inciso II do CTN. A presente NFLD englobou os fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1997 a dezembro de 1998. A NFLD originária foi lavrada em março de 2002, conforme informação às fls. 18 a 21, portanto em período não abrangido pela decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função Fl. 459DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18184.000258/200745 Acórdão n.º 230200.931 S2C3T2 Fl. 392 5 do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente caso o lançamento originário foi efetuado em março de 2002, fl. 18; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplicase a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. O lançamento substitutivo foi constituído no prazo de cinco anos após anulação do lançamento anterior, conforme previsto no art. 173, inciso II do CTN. In casu, ao contrário do que afirma a recorrente, o que ensejou a aferição indireta foi a não apresentação de contratos, folhas de pagamentos específicas e guias de recolhimento em relação ao pessoal cedido pela prestadora de serviços na área de construção civil. Diante da omissão do sujeito passivo, a fiscalização tem o direitodever de arbitrar os valores devidos. Justamente por não ter apresentado a documentação, a autuada não pode exigir que a fiscalização demonstre em detalhes a cessão de mãodeobra, mesmo porquê no caso de construção civil no período objeto do lançamento independentemente de haver ou não cessão de mãodeobra há solidariedade. A notificada poderia se elidir, afastar a solidariedade nos termos do art. 42 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 612/1991 ou art. 42 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 2.173/1997, ou art. 220, § 3º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, conforme a época de ocorrência do fato gerador, nestas palavras: Art.220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (...) § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Fl. 460DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) Como acima demonstrado, não é exigido da notificada o pleno conhecimento dos fatos ocorridos na empresa construtora, bastando a guarda da documentação, folhas de pagamento e guias de recolhimento do pessoal utilizado na obra, para que a recorrente pudesse afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário, uma vez que não houve a utilização dessa prerrogativa pela notificada, a solidariedade persiste, no presente caso. A recorrente não fez prova do recolhimento de todas as contribuições previdenciárias devidas pela contratada em relação aos segurados que lhe prestaram serviços. Ao não realizar tal prova, consequentemente não pode mais invocar o benefício de ordem. Uma vez o recorrente não detendo a referida documentação, o órgão previdenciário passa a ter a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. Assim a legislação previdenciária oferece à Fiscalização Federal mecanismos para lavrar a Notificação, nesse caso utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal, pois embutido nesse valor há a parcela referente à mãodeobra utilizada. Frisase que no presente caso, ao contrário do afirmado pela recorrente não se tratou de aferição por desconsideração da contabilidade, mas sim pela não apresentação de documentos: contratos, folhas de pagamento e guias de recolhimento. Portanto, era dever do contribuinte a guarda da referida documentação e apresentação à fiscalização quando solicitado, conforme previsto no art. 32 caput combinado com o § 11 da Lei n ° 8.212/1991. Uma vez não apresentando a documentação, a fiscalização não pode deixar de lavrar o débito, partindo nesse caso para aferição dos valores. A responsabilidade solidária pela obrigação está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 30, inciso VI, nestas palavras: Art. 30 A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620, de 05/01/93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação alterada pela MP nº 1.5239, de 27/06/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528, de 10/12/97. Ver art. 29 da Lei nº 4.591/64) A redação original desse inciso era a seguinte: Fl. 461DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18184.000258/200745 Acórdão n.º 230200.931 S2C3T2 Fl. 393 7 VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações; Assim, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Previdenciária cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Quanto ao argumento de que a responsabilidade só poderia surgir após o lançamento do crédito na prestadora de serviços e não antes do surgimento desse crédito, também não procede tal argumento. A responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho de Contribuintes, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Assim, não procede o argumento da notificada de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Uma vez que a não há como afastar a solidariedade, a recorrente deve provar que a prestadora já recolhera toda a contribuição devida em relação aos serviços prestados. Não Fl. 462DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 havendo a guarda da documentação, mas restando configurada a prestação de serviços, a utilização de mãodeobra, a Receita Federal conseguiu demonstrar a existência do fato constitutivo do seu direito. E como princípio basilar do direito processual, cabe à outra parte, no caso o notificado, demonstrar fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito do Fisco, o que não foi realizado. Ao contrário do entendimento, não deve a fiscalização previdenciária diligenciar para examinar a contabilidade da construtora, pois se assim o fosse não haveria o benefício de ordem, não existiria motivo para se efetuar o lançamento na tomadora de serviços, se em qualquer caso a Receita Previdenciária devesse diligenciar para examinar a contabilidade da construtora. Havendo inversão é imprescindível a colação aos autos da prova contábil pelos interessados. Nessa mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Desse modo, o próprio guardião judicial da lei federal, o Superior Tribunal de Justiça, ratifica o procedimento fiscal no caso dos lançamentos por solidariedade das contribuições previdenciárias. Ao contrário do afirmado pela recorrente é possível a complementação do relatório fiscal. Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n° 70.235/1972, conforme previsto no 18, § 3º, nestas palavras: Art. 18 (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao Fl. 463DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18184.000258/200745 Acórdão n.º 230200.931 S2C3T2 Fl. 394 9 sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de ofício, pois o caput do art. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. É como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se Fl. 464DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Fl. 465DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18184.000258/200745 Acórdão n.º 230200.931 S2C3T2 Fl. 395 11 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamentava o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contra prova. Ter havido ou não quebra de sigilo fiscal da recorrente, não desnatura o lançamento realizado. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o caso não foi julgado por meio de despacho. O despacho recebeu o relatório aditivo e providenciou a ciência aos autuados. A regularidade do procedimento, bem como os argumentos aditivos foram apreciados pela primeira instância por meio da decisão de fls. 280 a 299. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de Fl. 466DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. A recorrente alega que poderia ter havido crime de prevaricação ou de excesso de exação. Não cabe a esse colegiado apreciar a ocorrência de crime. Além do mais, as alegações recursais foram somente em tese, por meio da utilização do termos condicionais: “se” e “caso”, fls. 352 e 353. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Fl. 467DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18184.000258/200745 Acórdão n.º 230200.931 S2C3T2 Fl. 396 13 Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 468DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10247.000126/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO.
A área de Interesse Ecológico, para efeito de exclusão da incidência do ITR, deve ser declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, sendo destinada à proteção de ecossistemas, com ampliação das restrições impostas às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ou sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural.
IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS.
A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.193
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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COMPROVAÇÃO. A área de Interesse Ecológico, para efeito de exclusão da incidência do ITR, deve ser declarada por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, sendo destinada à proteção de ecossistemas, com ampliação das restrições impostas às áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, ou sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. IMPUGNAÇÃO E RECURSO DESTITUÍDOS DE PROVAS. A impugnação e recurso deverão ser instruídos com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 25/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/07/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2002 Declarado, fl. 16 Retificação de ofício Acórdão DRJ, fl. 29 03 Área de Utilização Limitada 1.960,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 29 a 43 da instância a quo, in verbis: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 11 a 19, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2002, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Porto Alegre, Uruguaiana e Boa Esperança”, localizado no município de Almeirim PA, com área total de 6.534,00 ha, cadastrado na SRF sob o nº 3.072.0362, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total de R$ 7.412,11. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR e da documentação apresentada pela contribuinte no curso da ação Fiscal, a fiscalização apurou falta de recolhimento do ITR, em virtude de glosa integral dos valores declarados a título de Área de Utilização Limitada. Ciência do lançamento em 05/10/2005, conforme AR juntado à folha 22 do processo. Não concordando com a exigência, a interessada apresentou a impugnação de folhas 23 a 25, alegando, em síntese: I – preliminarmente, que por ter seu domicílio fiscal em Santarém – Pará, fica difícil se deslocar até a localidade de Monte Dourado – Almerim – Pará para dar vistas ao processo, enquanto que na cidade de seu domicílio existe uma Delegacia Especializada, que oferece melhores condições para tal procedimento. Diante da falta de condições financeiras para tal deslocamento, solicita a nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa; II – no mérito, que o Auto de Infração não pode prosperar tendo em vista a falta de interesse de agir por parte do Auditorfiscal, que não requereu junto ao Ibama e ao Incra informações detalhadas quando tomou ciência de que as terras, além de várzea, são consideradas riquezas naturais, protegidas pelo Interesse Ecológico, conforme determina o art. 37 da Lei 9.784/99; III – que, com as condições criadas pelo Governo Federal para conseguir os documentos necessários de preservação ecológica, já que os órgãos envolvidos não demonstram interesse em agir e servir, fica difícil para a impugnante obter os documentos para tal comprovação, enquanto o AuditorFiscal possui todas as condições necessárias para obtêlos ao Incra e ao Ibama, se atendesse o que determinam os artigos 1º, 2º, 36, 37 e 38 da Lei 9.784/99 (transcreveos). Acresce que, se o Auditor tivesse interesse em agir e conhecer a região, logo perceberia que as terras são mata virgem, todas protegidas pelo interesse ecológico; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/07/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10247.000126/200568 Acórdão n.º 210201.193 S2C1T2 Fl. 80 3 IV que, com a enchente do rio, as águas ultrapassam e fazem as terras caírem, diminuindo sua extensão, o que pode ser comprovado em diligência in loco ou via georreferenciamento, onde se constatará que o valor do crédito tributário está acima da realidade; V – que requer que sejam notificados o Incra e o Ibama, para vistoria in loco do que foi afirmado acima, que sejam requisitados os comprovantes de pagamento do ITR para a comprovação de que foram recolhidos os valores de acordo com a realidade física da terra existente e que seja julgada procedente sua impugnação, com o cancelamento do Auto de Infração e seu arquivamento. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a contribuinte não junta ao processo um único documento emitido por órgão público, seja federal ou estadual, que comprove que a área glosada seja de interesse ecológico, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, mas apenas as declaradas, através de ato emitido por órgão competente, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/07/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia, mormente quando se trata de matéria que depende de comprovação documental, a qual deveria ter sido apresentada pelo contribuinte junto com sua impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 45 a 53, alegando em síntese: A teor do art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, o ITR sobre a área de preservação ambiental, para fim de isenção do Imposto em comento, basta a simples declaração do contribuinte, respondendo este pelo pagamento e consectários legais, se configurada falsidade. Assim, nos termos da legislação aludida, não são tributáveis as áreas de preservação permanente, nem de reserva legal; O ITR é considerado tributo com nítido caráter extrafiscal, sendo utilizado para desestimular latifúndios improdutivos, mas também para promover e incentivar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente.Deste modo, destaquese principalmente aquelas que beneficiam áreas rurais destinadas à preservação ambiental, seja em razão da manutenção da vegetação nativa ou pela utilização ecologicamente sustentável; Apesar de a legislação pertinente condicionar o aproveitamento do beneficio fiscal do ITR ao averbamento das mencionadas áreas no cartório de registro de imóveis competente, a jurisprudência sobre a matéria vem mostrando entendimento, segundo aduz, de que a isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal deve ser exercida independentemente de existência do averbamento correspondente; É imperioso perceber que o objetivo da legislação pertinente .é o de criar um mecanismo de controle para a manutenção da vegetação nativa. Assim, não parece ao contribuinte ser esta 1 averbação de caráter essencial para o aproveitamento da isenção; Segundo o Código Florestal (Lei n°. 4.771/65), é perfeitamente possível, se diante da necessidade de comprovação, que o contribuinte utilize outros meios que não o referido averbamento para demonstrar as condições de sua propriedade rural no momento de ocorrência do fato gerador do ITR; Não obstante o legítimo propósito do ADA, este se apresenta na maioria dos casos como desnecessário, já que o contribuinte, de acordo com o já citado art. 10, § 7° dá Lei n°. 9.393/96, ou está dispensado, ou tem a seu favor o reconhecimento oficial por parte do órgão ambiental competente relativamente à relevância ambiental de parcela ou totalidade de sua propriedade rural. Neste sentido apresenta decisões dos Conselhos de Contribuintes, requerendo seja declarado procedente seu recurso, insubsistente o Auto de Infração lavrado e a inexigibilidade do crédito apurado. Apresenta jurisprudência para suportar as suas razões, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Em julgamento vistos, relatados e discutidos os presentes autos resolveram os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/07/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10247.000126/200568 Acórdão n.º 210201.193 S2C1T2 Fl. 81 5 votos, converter o julgamento em diligência, via Resolução nº 30301.363, fls. 57 a 65, remetendose os autos à repartição de origem para que o Ibama com jurisdição sobre a área do imóvel fosse intimado a vistoriar o local e informar as áreas existentes de interesse ambiental. Processada a diligência, a contribuinte não respondeu as intimações do Ibama, retornando os autos para julgamento sem nenhuma informação adicional. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Tratase desse processo de glosa de Área de Utilização Limitada, especificamente Área Interesse Ambiental. Ocorre, conforme previsto no art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c", da Lei nº9.393, de 1996; as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, devem ser comprovadas mediante ato do órgão competente federal ou estadual além da apresentação do ADA. Conforme já observado pela autoridade anterior, a contribuinte não junta ao processo um único documento emitido por órgão público, seja federal ou estadual, que comprove que a área glosada seja de interesse ecológico. E mesmo tendo uma outra oportunidade para isso através da diligência promovida pelo Conselho de Contribuintes, via Ibama, o recorrente não sequer respondeu as 2 (duas) intimações do órgão ambiental, fls. 72. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/07/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências cobradas. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. Não tendo o contribuinte durante as fases processuais de fiscalização, contencioso de primeira e segunda instância, além especialmente da diligência, apresentado qualquer prova para suportar a sua alegação, rejeito a argüição, por falta de provas Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 25/07/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 11065.005079/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 04/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato
gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal
autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO
ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os
artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.875
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.005079/200892 Acórdão n.º 2401001.875 S2C4T1 Fl. 74 3 Relatório MÁQUINAS KLEIN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contribuinte, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 7a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, Acórdão n° 1018.711/2009, às fls. 63/65, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, com fulcro no artigo 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso III, do RPS, por ter deixado de apresentar os documentos e informações solicitadas pelo fisco durante a ação fiscal, muito embora devidamente intimada para tanto mediante TIAD, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 17/18, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 04/12/2008, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 12.548,77 (Doze mil, quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), com base nos artigos 283, inciso II, alínea “b”, c/c 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 69/70, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência. Insurgese contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando inexistir lei formal contemplando o conteúdo da obrigação acessória objeto do presente auto de infração, malferindo, assim, o princípio da Legalidade, insculpido no artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal. Opõese à multa moratória pretensamente aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal a sua exigência. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO Preliminarmente, pretende a recorrente seja declarada a nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais levados a efeito no lançamento, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos Relatórios Fiscal da Infração e da Multa Aplicada, às fls. 17/18, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do Auto de Infração. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe deram suporte, ou melhor, os fatos geradores da multa ora exigida, não se cogitando na nulidade do procedimento. Com efeito, restou devidamente demonstrado que a recorrente deixou de apresentar os documentos e informações na forma solicitada pela autoridade lançadora, insertos no TIAD, infringindo o disposto no artigo 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso II, alínea “b”, do RPS, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 “Art. 32. A empresa também é obrigada a: [...] III – prestar ao INSS [...] todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;” “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.005079/200892 Acórdão n.º 2401001.875 S2C4T1 Fl. 75 5 “Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;” “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: [...] II – a partir de R$ 6.361,73 nas seguintes infrações: [...] b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, a fiscal autuante, não se cogitando em improcedência do lançamento como pretende a recorrente. Na esteira desse entendimento, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. Mais a mais, relativamente às questões de inconstitucionalidades argüidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.005079/200892 Acórdão n.º 2401001.875 S2C4T1 Fl. 76 7 Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange às demais alegações da recorrente, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de rechaçar a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou lógico, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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