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Numero do processo: 11020.002543/2009-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição.CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO.
INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL.
O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser
utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não
cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo
passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
ART. 62A
DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS
QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal
e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na
sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C
da Lei nº 5.869, de 11 de
janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos
conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-002.852
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovadas pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregadas do lançamento contabilizado em 11701009 - ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira reconheceu também o direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório. O Relator, além destes, reconheceu também o direito ao creditamento quanto às aquisições de pessoas físicas. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Alexandre Kern - Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues - Relator. [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovadas pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregadas do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira reconheceu também o direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório. O Relator, além destes, reconheceu também o direito ao creditamento quanto às aquisições de pessoas físicas. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 2 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de PIS não – cumulativo – Exportação, transmitido em 31/01/2008, relativo ao primeiro trimestre de 2007, no valor de R$ 38.115,52. Também consta pedido de compensação para este crédito. A unidade de origem, após diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, buscando a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, emitiu Despacho Decisório embasado em Relatório Fiscal, por meio do qual reconheceu parcela do crédito invocado no valor de R$ 14.595,79 e homologou a compensação no limite do crédito reconhecido. Consta ainda que foram glosadas as seguintes despesas: a) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção); b) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção; c) Produtos sujeitos à alíquota zero; d) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, peças diversas); e) Materiais de Transporte; Cientificada em 17/12/2009, apresentou manifestação de inconformidade na qual impugna todas as glosas efetuadas pelo auditor fiscal e acima elencadas, e alega, em apertada síntese: a) Pretende o auditor aplicar o conceito do IPI para definição de insumos na apuração dos créditos de PIS/COFINS, para fins da nãocumulatividade, quando inexiste lei formal permissiva para tal extensão interpretativa; b) O entendimento aplicado ao caso vai de encontro ao externado em decisões administrativas em situações análogas. Oportunamente colaciona decisões administrativas e judiciais favoráveis aos seus interesses; A DRJ em Belém não reconheceu a parcela do crédito impugnada (R$ 23. 219,73) nem homologou a compensação declarada, conforme se observa da ementa que transcrevemos abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o P I S / PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. PIS NÃOCUMULATIVO.CRÉD1TOS. INSUMOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 05/07/2011, apresentou voluntariamente recurso em 25/07/2011 para este Conselho, no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e, pleiteia a reforma do julgado recorrido, com o deferimento do pedido de ressarcimento, considerando que a Recorrente planta, produz e comercializa maçãs, e demais atividades agropastoris. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Ridrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Rasip Agropastoril S.A. tem por objeto social a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes a essas atividades. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 3 5 Busca a contribuinte a repetição do indébito relativo ao Pis/Pasep não cumulativo – exportação, relativo ao primeiro trimestre de 2007, por meio de Per/Dcomp. Seu pleito foi parcialmente deferido, tendo a autoridade fiscal oportunamente esclarecido que os valores glosados dizem respeito à aquisições que estariam fora do conceito de insumos tendo em vista que não configuram matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e também não são serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. A Recorrente utiliza como argumento, em suma, que todos os elementos objetos de glosa pelo auditor fiscal fazem parte do processo produtivo da empresa, de modo que os gastos e custos de produção devem gerar crédito de Pis/Pasep e COFINS. Sobre o tema central da discussão, em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 435DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 4 7 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 436DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumo" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Ademais, a tributação para o Imposto sobre Produto Induatrializado se relaciona com o produto, enquanto que a contribuição para o PIS e para a Cofins se relaciona com a produção. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial, conforme preceitua os arts. 290 e 299 do RIR (despesas operacionais). Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 5 9 A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Assim, tal qual o Estudo realizado pela PGFN/COCAT, elaborado pela D. Procuradora Bruna Garcia Benevides, acerca do alcanse do termo “insumos” pra fins de creditamento das contribuições aqui abordadas, entendo que “apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Se entre tais dispêndios e os respectivos processos produtivos houver uma inerência direta, haverá, então, direito ao crédito pleiteado.” Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Neste ponto, faço minhas as palavras do Il. Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, no acórdão nº 310201.143, em trecho que transcrevo a seguir: “Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo.” Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. Tecidas essas considerações, passemos à análise mais específica das glosas procedidas pela autoridade preparadora em fls. 96/112 dos autos. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM EMPILHADEIRAS No relatório fiscal, narra o auditor responsável que quando da visita à empresa, verificouse que o contribuinte utilizava as empilhadeiras para descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento. Assim, pelo critério da essencialidade, observase que as empilhadeiras, participam efetivamente do processo produtivo da empresa uma vez que trabalham diretamente no produto, movimentando a maçã desde à produção até a expedição. Neste sentido, tendo em vista que a subtração do serviço importa em óbice à atividade da empresa, entendo que as despesas com as empilhadeiras devem gerar o creditamento . APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE Continua a narrativa do fiscal atuante, desta vez no tocante aos gastos oriundos de despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes sobre os quais tenta a empresa se creditar: A aquisição de combustíveis e lubrificantes constitui parcela vultosa do total de créditos escriturados pela contribuinte, de acordo com a memória de cálculo apresentada pela contribuinte. Durante a execução da diligência fiscal à empresa constatamos que grande parte destes combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores. Contudo, há de se lembrar que a contribuinte utiliza tais tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Tal constatação é embasada pelas informações contábeis da empresa, em especial no grupo de contas 13214 MOBILIZAÇÕES EM ANDAMENTO. Analisando o razão das contas de nível inferior (nível 5), constatamos que nas contas referentes aos pomares ainda i não produtivos ("POMAR NOVO") existem lançamentos a débito cujas contrapartidas estão localizadas nas contas de estoque, em especial na conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Ou seja, a contribuinte adquire os combustíveis e lubrificantes, realizando um lançamento a crédito em fornecedores e a débito nas contas de estoque e PIS/COFINS a recuperar. Contudo, parcela deste estoque de combustíveis não é efetivamente utilizada como insumo, pois acaba destinada ao ativo imobilizado. Seguindo o mesmo raciocínio do tópico anterior, somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento do Pis pleiteado pela contribuinte. Assim, do estoque de combustíveis que não foram efetivamente utilizados como insumos e foram, portanto, destinados ao ativo imobilizado, destes valores não poderá a empresa se creditar. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO Fl. 439DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 6 11 No que tange ao aproveitamento dos créditos relativos a bens sujeitos à alíquota zero, transcrevemos a vedação expressa apresentada pelo inciso II, §2° do art. 3º das Leis n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Percebese que o que a somente possibilita a tomada de crédito relativamente a bens e serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. Vale dizer: se sobre a receita gerada na operação anterior, quando da aquisição do bem ou serviço, não incidiram (ou estavam isentos ou sujeitos à alíquota zero) o PIS e a COFINS, não há que se falar em crédito na operação seguinte. 1 Este mesmo entendimento foi refletido no julgamento do Resp nº 1.134.90300/SP, submetido ao crivo dos recursos repetitivos (543C do CPC), que por força do art. 62A do RICARF estamos obrigados a reproduzir: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não 1 Vide: AMS 2006.32.00.0026522/AM, Rel. Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, Conv. Juíza Federal Gilda Sigmaringa Seixas (conv.), Sétima Turma,eDJF1 p.236 de 27/11/2009; IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO CREDITAMENTO INEXISTÊNCIA DO DIREITO EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353657, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe041 DIVULG 06032008 PUBLIC 07032008 EMENT VOL0231003 PP00502 RTJ VOL0020502 PP00807) Fl. 440DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo Fl. 441DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 7 13 método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS DIVERSOS Restou apurado pela autoridade fiscal que a contribuinte , registra créditos sob a rubrica "Outras Operações com Direito a Crédito" em seus DACONs. Através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Consta ainda que a fiscalizada trouxe neste momento nova memória de cálculo adicionando colunas para o número do bem aplicado, a descrição do bem, centro de custo, bem como a respectiva descrição de cada um dos itens inclusos como "Outros créditos". No tocante ao Centro de custos MAPE (máquinas pesadas), MACE (manutenção civil e elétrica), DIFR e MANU, tenho que as despesas vinculadas a estes centros de custos não podem ser consideradas insumos para fins de creditamento, tendo em vista que tais receitas descritas como "Oficina (geral)", "Conservação de maquinas (Geral)", incluindo até mesmo manutenção em veículos leves (Meriva, Escort), ou seja, são utilizadas de diversas formas que não, diretamente e especificamente no processo produtivo que ora se analisa. As despesas com manutenção de veículos Gol, Ford Courier, Kombi e Meriva, bens destinados a estoque/oficinas,também seguem as considerações tecidas acima. Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Os demais insumos lançados na rubrica "Insumos Linha 2" e descritos pelo fiscal como estacas e fita para enxertia bem que deve ser destinado ao imobilizado; decalco de caminhão, areia, palitos, lonas, e vinhos não serão considerados por não apresentarem características de insumo. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE MATERIAL DE TRANSPORTE Outrossim, a autoridade fiscal glosou, ainda, o que considerou “embalagem de transporte”. Em sua justificativa, a glosa se fundou na impossibilidade de enquadrar a respectiva nas hispóteses previstas no art. 3º das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, seja como insumo da produção (inciso II), seja como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). Para tanto, utilizouse da legislação do IPI, que distingue a embalagem de apresentação e a de acondicionamento para transporte, pois separam a que pode ser considerada insumo e a que não pode. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Não poderíamos concordar com tal decisão. Isso porque a embalagem de transporte, de fato, faz parte do custo de venda daquele produtor. Elas visam a conservação proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis como choques mecânicos, poeira, outros agentes contaminantes, água, umidade, etc, mormente porquanto será manuseada por pessoal não especializado. Assim, se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens em questão serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e podem ser consideradas como insumos deste. Numa interpretação extensiva, podese considerar o material de transporte insumo sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002. No caso da COFINS, o inciso IX deixou bem clara esta intenção quando incluiu os serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, quando suportados pelo vendedor. A própria lei mais recente, ao dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade expresso no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, visando sempre diminuir os custos finais do produto, pelo nãorepasse a este de tributos cobrados em toda da cadeia produtiva, considerou a situação de o próprio produtor arcar com os custos de armazenagem de frete, descontandose os créditos de PIS e COFINS referentes a estes serviços da apuração do tributo correspondente. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE OS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO No que tange à defesa destinadas aos bens do ativo imobilizado, embora o relatório fiscal tenha detalhado a contabilidade apresentada pela Recorrente e identificado cada uma das glosas, percebese que a mesma limitouse a tecer considerações genéricas em relação ao ponto impugnado, alegando que a impossibilidade de verificação e identificação dos valores que compõem a glosa que nos dizeres do julgador de piso, se encontraram “em frontal antagonismo à evidente clareza e precisa descrição constante do ato impugnado”. Consequentemente, meras objeções genéricas e desacompanhadas de provas não serão conhecidas por inobservância do disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, o qual exige impugnação específica dos pontos em que haja discordância. Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório d) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto as maquinas que comprovadamente tiveram contato 2 REsp 1125253/SC. Relatoria do Min. Humberto Martins. Julgado em 19/08/2009. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 8 15 direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção; e) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado não reconheço a parcela do crédito pleiteado decorrente de despesas contabilizadas como ativo imobilizado, manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), créditos sobre bens diversos que não tiveram contato direto com o produto e não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, assim como, apuração de créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero e a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado da Interessada (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES). [assinado digitalmente] Jorge Victor Ridrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Em relação ao voto vencido, há apenas duas questões a serem abordadas neste voto vencedor, sobre as quais houve entendimento majoritário em sentido contrário ao esposado pelo relator, a saber: a) direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório; b) direito ao creditamento em relação às aquisições de pessoas físicas – crédito presumido. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapola os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O Fl. 444DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 16 fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. O regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 3. Como nos ensina Marco Aurélio Greco4, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Além da possibilidade, em tese, de um determinado bem cumprir, para fins de creditamento, o requisito de utilidade ou necessidade para a produção, devem constar dos autos informações convincentes de que ele seja aplicado diretamente na produção, sem o que não se pode concluir quanto à sua inclusão no conjunto de aquisições sobre o qual se calculará o direito creditório. I. Creditamento. Gastos com materiais de limpeza e higienização, cercas para rebanho e manutenção de laboratórios. Inobstante as peculiaridades da não cumulatividade das contribuições sociais, conforme acima abordado, não se pode ampliar o direito ao creditamento no sentido de alcançar o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial. Conforme apontado pelo relator, a “autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado”, já que as contribuições incidem sobre a receita, e não sobre o lucro. Inexiste nos autos comprovação inequívoca de que os gastos com materiais de limpeza e higienização se encontram vinculados direta, necessária ou totalmente ao processo produtivo da pessoa jurídica. 3 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 4 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 9 17 Os materiais de limpeza e higienização podem ser utilizados de forma generalizada em todos os departamentos e setores do estabelecimento, inclusive os administrativos, inexistindo nos autos prova manifesta que possibilite a discriminação de seu uso apenas no processo produtivo da pessoa jurídica. Quanto às cercas para rebanho, elas se mostram mais consentâneas com bens do ativo imobilizado, cujo direito ao creditamento deriva de depreciação e não do valor total de sua aquisição. Os dispêndios com manutenção de laboratório não se encontram discriminados da forma precisa que possibilite aferir a sua natureza, se vinculados ao processo produtivo ou não. Segundo a Fiscalização, essas despesas não se referem a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Nesse sentido, uma vez que não se têm por configurados os requisitos da utilidade ou da necessidade e da aplicação direta na produção, não se acatam tais dispêndios no cálculo do crédito decorrente da não cumulatividade da contribuição. II. Aquisições de pessoas físicas. Agroindústria. Ressarcimento do crédito presumido. Impossibilidade. A Lei n° 10.637/2002, que instituiu a contribuição para o PIS não cumulativa assim dispunha: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a aliquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10 Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11 Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 18 1 seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de aliquota correspondente a 70% (setenta por cento) daquela constante do caput do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei n°10.865. de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. De acordo com os dispositivos legais supra, a agroindústria poderia se valer de créditos presumidos para deduzilos dos débitos a recolher em decorrência da não cumulatividade, podendo, ainda, nos casos de haver crédito disponível no final do trimestre, compensálos ou requerer seu ressarcimento, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Contudo, os §§ 10 e 11 do art. 3º acima reproduzidos foram revogados pela Medida Provisória n° 183/2004, convertida na Lei n° 10.925/2004, que reinstituiu os créditos presumidos da agoindústria nos seguintes termos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Conforme excerto supra, a Lei n° 10.925/2004 dispôs sobre a possibilidade da pessoa jurídica apenas deduzir da contribuição devida em cada período de apuração o crédito presumido, tendo sido mantidas as revogações promovidas pela Medida Provisória que a originou, não se aplicando a partir de então, por conseguinte, a apuração da contribuição, no que se refere ao crédito presumido, da forma prevista no art. 3° da Lei nº 10.637/2002. Nessa nova sistemática, deixou de existir a possibilidade de compensação ou ressarcimento do crédito presumido, por inexistir autorização legal nesse sentido, dado que, após as alterações legislativas supra referenciadas, o aproveitamento dos créditos da contribuição, via dedução, compensação ou ressarcimento, da forma prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, passou a se restringir aos casos de apuração na forma do art. 3º Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 10 19 dos mesmos diplomas legais, não alcançando a nova hipótese de apuração do crédito presumido sob análise. A autorização legal à compensação e ao ressarcimento prevista no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 se restringe às hipóteses previstas no art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. Os artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se encontram abarcados pelo permissivo legal. Dessa forma, após a vigência da Lei n° 10.925/2004, passouse a prever, tão somente, o aproveitamento do crédito presumido por meio de dedução dos débitos da própria contribuição devida em cada período, na sistemática da não cumulatividade, não se aplicando, no caso, o disposto na Lei n° 11.116/2005. Eis o teor do art. 16 da Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Nos termos do caput do art. 16 supra, constatase que apenas nas hipóteses dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, o saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser utilizado por meio de compensação ou ressarcimento. Portanto, a partir da vigência da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido sob análise deixou de ser passível de compensação ou ressarcimento, podendo, apenas, ser utilizado para a dedução dos débitos da contribuição devida em cada período na sistemática da não cumulatividade. III. Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para RECONHECER o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 20 empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado, voto por NÃO RECONHECER o direito de crédito relativamente às parcelas decorrentes de (i) despesas contabilizadas como ativo imobilizado, (ii) manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), (iii) créditos sobre bens diversos que não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, (iv) créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero, (v) a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES), (vi) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório e (vii) aquisições de pessoas físicas (crédito presumido). É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002543/200996 Acórdão n.º 380302.989 S3TE03 Fl. 11 21 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11020.002543/200996 Interessada: RASIP AGRO PASTORIL SA 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.989, de 23 de maio de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 23 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 05/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11080.010217/2001-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2000
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO DO DIREITO À REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para compensações realizadas no período compreendido entre julho de 1997 e março de 2000, aplicava-se o prazo decenal para utilização dos créditos - tese dos 5 + 5.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.916
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2000 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO DO DIREITO À REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para compensações realizadas no período compreendido entre julho de 1997 e março de 2000, aplicavase o prazo decenal para utilização dos créditos tese dos 5 + 5. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Fl. 455DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: Contra a empresa nos autos qualificada foi lavrado auto de infração exigindolhe a Contribuição para Programa de Integração Social PIS, no período de apuração de 01/03/1999 a 31/03/2000 em decorrência de glosa de compensação. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a decisão recorrida: “Trata o presente do lançamento de ofício dos valores devidos a título de PIS dos períodos de apuração de março de 1999 a março de 2000, os quais não teriam sido extintos com a compensação efetivada pela contribuinte com créditos da mesma contribuição. 2. A interessada informou em DCTF estar efetivando a compensação dos valores devidos de PIS com créditos também de PIS, por força de ação judicial (Processo nº 88.00090915), a partir de julho de 1997, conforme se verifica pelas cópias das DCTF’s (fls. 31/81). 3. Em 05 de março de 1998 a interessada informou estar efetivando as compensações, trazendo elementos para configurar os créditos, em respeito ao previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional, artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e artigo 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Tais elementos constituemse no Demonstrativo dos créditos a partir de março de 1989 até outubro de 1995, cópias dos DARF’s dos pagamentos dos mesmos períodos e da ação judicial. Com estes elementos foi protocolizado o processo administrativo nº 11080.001520/9845, tendo como Assunto a COMPENSAÇÃO DE PIS – Rest. A cópia deste processo encontrase às fls. 87/178. 4. Pelos elementos do processo judicial verificase tratarse de ação ordinária para ver reconhecida a inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. A Decisão, transitada em julgado em 23 de setembro de 1994, reconheceu a inconstitucionalidade daquela legislação e conferiu à autora o direito de recolher a contribuição social destinada ao Fundo PIS, no prazo e com base de cálculo e alíquota previstas nas Leis Complementares nº 07, de 1970, e nº 17, de 1973. 5. O processo nº 11080.001520/9845, cuja abertura foi motivada pela entrega, por parte da interessada, dos elementos que serviriam de base para a homologação da compensação que vinha efetuando e informando em DCTF, foi encaminhado pelo Serviço de Tributação da DRF em Porto Alegre para o Serviço de Arrecadação daquela Delegacia, para calcular o montante do crédito tributário favorável à interessada, devendo ser Fl. 456DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.010217/200191 Acórdão n.º 930301.916 CSRFT3 Fl. 434 3 observada a decadência do direito de restituir/compensar valores recolhidos anteriormente a 05 de março de 1993, ante a data da protocolização do pedido. 6. Efetivados os cálculos relativos ao direito creditório, considerando que a interessada constituise em empresa prestadora de serviços, sujeita ao PIS/Repique, de acordo com os termos da Lei Complementar nº 07, de 7 de setembro de 1970, e não incluídos os pagamentos a maior/indevidos efetivados anteriormente a 05/03/1993, conforme os cálculos de fls. 11/30, resultou estarem extintos integralmente os valores devidos até fevereiro de 1999 e parcialmente de março do mesmo ano. 7. Após feitos os cálculos e retornando novamente o processo nº 11080.001520/9845 para o Serviço de Tributação, houve a manifestação daquele Serviço no sentido de não haver necessidade da SESIT pronunciarse a respeito, tendo em vista que a contribuinte já havia compensado os valores e informado tal compensação através de DCTF’s, devendo apenas haver pronunciamento sobre a homologação ou não dos procedimentos de compensação efetivados pela contribuinte. O processo administrativo de compensação de PIS/Restituição encontrase arquivado, não tendo passagem por esta DRJ, conforme se verifica pela pesquisa de fls. 208/211. 8. Com base neste despacho foi efetivado o lançamento de ofício dos valores que não foram extintos pela compensação, de acordo com os cálculos efetivados pela DRF jurisdicionante. Ou seja, houve apenas homologação parcial da compensação efetivada pela interessada. Da parte não homologada foi elaborado o Auto de Infração que se analisa. 9. Cientificada do lançamento, a contribuinte impugnouo às fls. 181/182, pleiteando o cancelamento do auto de infração por considerar não ter havido a decadência, já que considera ser o prazo decadencial de 10 anos a partir do recolhimento e que, ante a existência da ação judicial, tal prazo deveria ser contado a partir do trânsito em julgado da sentença. 10. De acordo com o relato supra, depreendese que a compensação foi considerada como a prevista pela Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ou seja, entre contribuições da mesma espécie. O artigo 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, com as alterações da Instrução Normativa SRF nº 73 de 18 de setembro do mesmo ano, determina que tratando de débitos posteriores aos créditos, este tipo de compensação independe de requerimento. 11. O procedimento adotado pela DRF jurisdicionante considerou o prazo de decadência de 5 anos em relação à data do ingresso do pedido de restituição/compensação, não homologando a compensação que envolvia os créditos favoráveis à interessada cujos pagamentos tivessem ocorrido em períodos anteriores a 05 de março de 1993. No entanto, a compensação estava sendo efetivada desde julho de 1997 e declarada através das respectivas DCTF’s. Visto desta forma, Fl. 457DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 somente estariam atingidos pela decadência os pagamentos realizados em data anterior a julho de 1992, de acordo com o disposto no inciso I do art. 156, no § 1º do art. 150, e no art. 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional. 12. Assim, foi o presente encaminhado à DRF em Porto Alegre através do Despacho e Resolução de fls. 213/216, para que, através dos elementos da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do período de 1992 calculasse o PIS –Repique devido naquele exercído e cotejasse com os valores pagos a título de PIS –Faturamento pagos em 1992, para então calcular os créditos a partir de julho de 1992 até 05 de março de 1993, acrescentando aos demais créditos já considerados no encontro de contas homologado, e juntar demonstrativo do valor remanescente no lançamento objeto do presente processo. 13. Pelos elementos juntados às fls. 217/234, conclui a DRF em Porto Alegre (fls. 235/237) que, considerados os créditos de julho de 1992 a fevereiro de 1993, restaram a descoberto os débitos de junho de 1999, este parcialmente, a março de 2000. 14. Cientificada dos procedimentos adotados, a interessada manifestase às fls. 242/254, pleiteando seja reconhecida a inexistência total dos débitos, por considerar que a compensação efetivada estaria de acordo com os critérios e valores determinados na decisão judicial, principalmente em termos da não incidência do instituto da decadência das parcelas que geram o crédito fiscal. Relata que pela a ação ordinária que tomou o nº 88.00090915 buscou a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Relata também que tal ação visava autorização para a restituição dos valores indevidamente recolhidos com base na legislação declarada inconstitucional. Em 23 de setembro de 1994 a sentença transitou em julgado, tendo reconhecido a procedência total do pedido. 15. São afirmações constantes da peça impugnatória a de que os créditos de agosto de 1988 até julho de 1992 não foram computados, inexistindo fundamento legal para tanto, de não ter sido considerada a data da protocolização da Ação Ordinária que reconheceu o crédito fiscal o direito à devolução dos mesmos, e a inexistência de qualquer limitação à utilização dos pagamentos efetuados a partir de agosto de 1988. 16. Assim, volta a afirmar que o prazo decadencial para o pedido de restituição/compensação somente começaria a fluir 5 anos após transcorrido o prazo para a homologação, ou seja, seria de 10 anos, ante a não homologação explícita. Antes de decorrido tal prazo, ingressou com a ação judicial, especificamente em outubro de 1988, o que afastaria a contagem do prazo decadencial. Raciocina que se tivesse pleiteado judicialmente, via precatório regular, todos os valores teriam sido reconhecidos como pagos a maior e quantificados na ação judicial. 17. Assim, postula pelo cancelamento do lançamento e requer a realização de diligência, especialmente pela prova pericial para Fl. 458DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.010217/200191 Acórdão n.º 930301.916 CSRFT3 Fl. 435 5 a comprovação de que a fiscalização ao apurar os créditos, não respeitou a decisão transitada em julgado.” Por meio do Acórdão DRJ/POA nº 5.679, de 12 de maio de 2005, os Membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS decidiram, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente o lançamento. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: “Ementa: COMPENSAÇÃO – Os valores que restaram a descoberto pela não homologação total da compensação efetivada pela interessada podem ser objeto de lançamento. DECADÊNCIA – Decaído o direito da interessada de efetivar a compensação dos créditos de períodos anteriores a julho de 1992, com débitos a partir de julho de 1997, posição corroborada pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. MULTA DE OFÍCIO– RETROAÇÃO BENIGNA – MULTA DE MORA – Reduzse a multa de ofício para multa de mora pelo advento de norma tributária com aplicação retroativa, nos termos do art.106, inciso II, alínea ‘c’ do CTN. PERÍCIA A perícia só se faz necessária para esclarecer dúvidas ou obscuridades acaso existentes no processo e não possíveis de elucidar pelos elementos disponíveis à interessada. Lançamento procedente em parte”. Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg. Conselho, no qual, em síntese e fundamentalmente, alega que o direito à compensação não foi alcançado pela decadência porque não transcorreu o prazo de 10 anos entre a data do primeiro recolhimento (realizado nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988) e o ingresso em juízo da Ação Ordinária nº 88.00090915, proposta para discutir a constitucionalidade dos citados decretosleis. Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. EFEITOS. Como regra geral, a declaração de inconstitucionalidade de um certo ato normativo tem efeito "ex tunc", não cabendo buscar a preservação visando a interesses momentâneos e isolados. Isto ocorre quanto à prevalência dos parâmetros da Lei Complementar nº 7/70, relativamente à base de incidência e às alíquotas concernentes ao Programa de Integração Social. Precedentes jurisprudenciais. Recurso provido. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Irresignada, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pelo restabelecimento da glosa de créditos referentes a períodos de apuração anteriores a março de 1993, por entender que o termo inicial para repetição do indébito é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. O apelo fazendário foi admitido, conforme despacho de fls. 341/342. Regularmente intimado do despacho de admissibilidade do apelo fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 412 a 421. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito a auto de infração lavrado para glosar compensação de crédito realizada pelo sujeito passivo. A questão que subiu a esse colegiado diz respeito ao termo inicial do prazo para repetição de indébito, na modalidade de compensação. De um lado, a câmara a quo entendeu que o termo inicial seria o da publicação da Resolução 49 do Senado Federal, de outro lado, a Fazenda Nacional defende os 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº Fl. 460DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.010217/200191 Acórdão n.º 930301.916 CSRFT3 Fl. 436 7 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de Fl. 461DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. Doutro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame temse que os créditos compensados, na data em que efetuado o encontro de contas, ainda não haviam sido alcançados pela prescrição, posto que estes referemse a fatos geradores ocorridos a partir de março de 1989 e a compensação começou em julho de 1997, portanto, dentro do prazo decenal da tese dos 5 + 5. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 462DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.010217/200191 Acórdão n.º 930301.916 CSRFT3 Fl. 437 9 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10855.003379/2005-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO CONTEMPLANDO TEMA DIVERSO DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento
a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa matéria diversa da adotada no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6º do dispositivo regimental supra.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO CONTEMPLANDO TEMA DIVERSO DO QUE TRATA O DECISUM RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida o Acórdão paradigma que analisa matéria diversa da adotada no decisório combatido, na esteira dos preceitos contidos no § 6o do dispositivo regimental supra. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório ANTÔNIO REDON CASTANER, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 18/12/2005 (via Edital de fl. 119), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos Exercícios 2001 a 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 115/118, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 3a Turma da DRJ em São Paulo/SP II, consubstanciada no Acórdão nº 1715.706/2006, às fls. 368/381, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 4a Câmara, em 07/05/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 340200.074, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS NECESSIDADE DE PRÉVIA E REGULAR INTIMAÇÃO Sem a prévia e regular intimação do titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários não se caracteriza a omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso provido.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10855.003379/200525 Acórdão n.º 920202.273 CSRFT2 Fl. 839 3 Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 739/746, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10516.977, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Sustenta que o decisum paradigma diverge do entendimento consubstanciado no Acórdão guerreado, uma vez reconhecer que não há nulidade na intimação do contribuinte por edital, para tomar conhecimento de auto de infração, mormente quando o contribuinte impugna o Auto e, ainda, tem outras oportunidades para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. Aduz que a regulamentação do procedimento de intimação do contribuinte se encontra disposta no artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, o qual, na redação vigente à época, previa a possibilidade da intimação via edital, em especial situação como a dos autos, em que o contribuinte não comunica ao Fisco a alteração de endereço, não podendo a fiscalização ser prejudicada pela desídia do autuado, sobretudo em razão do AR ter voltado com a informação de que o contribuinte teria se mudado. Em defesa de sua pretensão reforça a tese de que o contribuinte não teria tido prejuízo na intimação via Edital, eis que solicitou cópia do inteiro teor do processo, conforme requerimento de fl. 127, notadamente quando apresentou impugnação dentro do prazo legal. Acrescenta que, mesmo no caso de o contribuinte não ter tido oportunidade de comprovar a origem dos depósitos bancários à época da ação fiscal, teve a chance em momentos posteriores, e não o fez, como restou consignado na decisão da DRJ. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 10516.977, conforme Despacho nº 220000.418/2011, às fls. 771/776. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 781/798, corroborando as razões de decidir do Acórdão guerreado, em defesa de sua manutenção, sobretudo quando não observados os pressupostos regimentais para o conhecimento da peça recursal. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 2a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Primeiro Conselho quanto ao mesmo tema. A corroborar sua tese, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 10516.977, ora adotado como paradigma, reconhece que não há nulidade na intimação do contribuinte por edital, para tomar conhecimento de auto de infração, mormente quando o contribuinte impugna o Auto e, ainda, tem outras oportunidades para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. Pugna pela reforma do Acórdão recorrido, sob o argumento de que a legislação de regência possibilita a intimação via Edital, mormente quando o contribuinte não comunica à autoridade fazendária a alteração do seu domicílio fiscal, não podendo o Fisco ser prejudicado pela desídia do autuado, sobretudo em razão do AR ter voltado com a informação de que o contribuinte teria se mudado. Arremata que, mesmo no caso de o contribuinte não ter tido oportunidade de comprovar a origem dos depósitos bancários à época da ação fiscal, teve a chance em momentos posteriores, a partir da apresentação tempestiva da impugnação, mas não o fez, como restou consignado na decisão da DRJ. Como se observa do processo, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, mais precisamente em relação à necessidade de prévia e regular intimação do contribuinte para comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias. Não obstante o esforço da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Procuradoria não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10855.003379/200525 Acórdão n.º 920202.273 CSRFT2 Fl. 840 5 de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a Procuradoria ao formular o Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto observar os requisitos ali insculpidos, especialmente aqueles constantes do § 6o, capaz de ensejar o conhecimento de sua peça recursal. Com efeito, a ilustre autoridade lançadora, ao promover o lançamento, lastreou a pretensão fiscal no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual contempla a caracterização de omissão de rendimentos e/ou receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, in verbis: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. [...]” Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa física ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes. Entrementes, a lavratura de auto de infração com base em depósitos bancários de origem não comprovada encontra uma condicionante, pretérita à própria presunção de omissão de rendimentos em comento e indispensável à correição do lançamento, qual seja, a necessidade do contribuinte ser regularmente intimado a justificar a sua movimentação financeira. E, na linha do que fora exposto no Acórdão recorrido, foi precisamente esta condicionante que a ilustre autoridade lançadora deixou de observar, consoante se infere do excerto do voto condutor nos seguintes termos: “[...] O início da Fiscalização foi formalizada com termo de início lavrado em 30/11/2005 (fls. 03/04), cuja ciência ocorreu em 07/10/2005 (fls. 05). No referido termo de início a autoridade fiscal intimava o Contribuinte a apresentar extratos bancários de suas contas e pedia a comprovação da origem e natureza dos recursos relacionados a operações com o exterior. A intimação seguinte ao termo de início ocorreu em 18/11/2005, quando foram feitas duas intimações, uma, informando sobre a existência de remessas de recursos para o exterior; e a outra relacionando os valores referentes à movimentação financeira, com base nos dados da CPMF, informados mensalmente, e pedindo que o contribuinte comprovasse a origem desses recursos. Para ambas as intimações foi concedido prazo de 05 dias para resposta. O Contribuinte, entretanto, não recebeu essas intimações que foi enviada via Correios, com Aviso de Recebimento AR que retornou com a indicação de mudança de endereço, em 25/11/2005 (fls. 97). Em 1o de dezembro de 2005 foi lavrado o auto de infração, do qual foi dado ciência por edital afixado em 02/12/2005 e desafixado em 10/12/2005 (fls. 1126). Registrese, também, que não houve prévia tentativa de intimação pessoal ou por via postal do auto de infração. O Contribuinte tomou ciência dos autos em 13/01/2006 (tis, 127). Os valores que serviram de base para a autuação, com relação à movimentação financeira no Brasil, foram os dados da CPMF e não os depósitos. Sequer vieram aos autos os extratos bancários; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10855.003379/200525 Acórdão n.º 920202.273 CSRFT2 Fl. 841 7 também não consta que os bancos tenham sido intimados a apresentar os extratos bancários. Melhor elucidando, em suma, o contribuinte fora intimado do termo de início de fiscalização, às fls. 03/04, solicitando a apresentação dos extratos bancários de suas contas e a comprovar a origem e natureza dos recursos relacionados a operações com o exterior. Posteriormente, foram procedidas duas intimações (tentativas), às fls. 86/87, via correio, dando conta de remessas ao exterior e, bem assim, requerendo a comprovação da origem dos recursos transitados em suas contas bancárias, a partir da relação dos depósitos constante do termo de intimação. Ocorre que, referidas intimações não foram entregues ao contribuinte, em face de sua mudança de domicílio, como se verifica da informação inscrita no AR, de fl. 97. Ato contínuo, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração, às fls. 115/118, cientificando/intimando o contribuinte via edital, de fl. 119. Assim, em virtude de o contribuinte não ter sido regularmente intimado a justificar a origem de sua movimentação bancária, antes da lavratura da autuação, na forma que exige o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o julgador recorrido entendeu que o requisito basilar da presunção legal sob análise não se materializou, o que tornou improcedente a exigência fiscal. Como se observa, a mácula no lançamento fiscal, que fora admitida pelo Acórdão recorrido ao decretar a insubsistência do feito, não se ateve à modalidade da cientificação do contribuinte do auto de infração, mas, sim, pela ausência da regular intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários, de maneira a justificar a tributação com arrimo no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. A questão é meritória, recaindo sobre o próprio pressuposto do lançamento com base na presunção legal inserida no dispositivo legal retro. Em momento algum se decretou a nulidade da autuação em razão de eventual irregularidade na forma de cientificação, via editalícia. A própria Procuradoria, em seu recurso especial, reconhece aludida situação, ao afirmar que, mesmo se admitindo que o contribuinte não fora devidamente intimado a justificar sua movimentação bancária antes do lançamento, teve oportunidade de fazêlo por ocasião da impugnação. Por sua vez, o Acórdão paradigma (10516.977) utilizado para comprovar a divergência suscitada, trata simplesmente da questão da validade da intimação/cientificação do contribuinte mediante edital, senão vejamos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ EXERCÍCIO: 2002 Ementa: NULIDADE CONVIVÊNCIA DE DOIS REGIMES DE APURAÇÃO DO LUCRO EM UM MESMO PERÍODO INOCORRÊNCIA O procedimento do Fisco que reduz indevidamente a base de cálculo do arbitramento, em favor do contribuinte, não pode levar à interpretação de que estariam convivendo dois regimes de apuração do lucro presumido e arbitrado em um mesmo período de apuração, e não se constitui em motivo de nulidade. NULIDADE INTIMAÇÕES PARA PRESTAR INFORMAÇÕES INOCORRÊNCIA Não há nulidade Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 quando o contribuinte recusa a ciência pessoal e postal de intimação para prestar informações no curso da fiscalização e essa intimação se faz por edital, mormente quando o contribuinte tem outras oportunidades para prestar essas mesmas informações, no curso do processo administrativo fiscal. NULIDADE CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO POR EDITAL INOCORRÊNCIA Não há cerceamento do direito de defesa quando a ciência do auto de infração se fez por edital, o contribuinte dele tomou conhecimento e apresentou sua impugnação dentro do prazo legal. NULIDADE INDISPONIBILIDADE DO PROCESSO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Não há cerceamento do direito de defesa quando, solicitadas cópias dos autos pelo sujeito passivo, seu procurador tem vista do processo no dia seguinte e as cópias são entregues apenas cinco dias após o pedido. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Devem ser exoneradas as exigências referentes aos depósitos bancários para os quais o contribuinte logrou comprovar a origem, mantendose as demais. ARBITRAMENTO PERCENTUAL APLICÁVEL Quanto não resta comprovado nos autos que a atividade do contribuinte é de construção por administração ou empreitada unicamente de mão de obra e, ainda, havendo indícios da utilização de materiais por parte da fiscalizada, é de se reduzir o percentual de arbitramento, aplicável sobre a receita bruta conhecida, para 9,6%. MULTA DE OFÍCIO CONSTITUCIONALIDADE RAZOABILIDADE PROPORCIONALIDADE Não cabem questionamentos sobre a razoabilidade ou proporcionalidade da multa de ofício aplicada, quando o lançamento obedeceu aos dispositivos legais pertinentes. Quanto à argüição de inconstitucionalidade, o Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Não é o caso dos autos. Isto porque não discutiu no decisum recorrido se a intimação/cientificação via edital é válida ou não. O que não se admitiu foi a lavratura de auto de infração com base na presunção legal insculpida no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, sem a regular e prévia intimação do contribuinte para demonstrar a origem dos depósitos bancários, requisito de referida modalidade de lançamento. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10855.003379/200525 Acórdão n.º 920202.273 CSRFT2 Fl. 842 9 Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em dissídio jurisprudencial na hipótese dos dois julgados confrontados analisarem fatos absolutamente distintos. Nesse sentido, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida então 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 10070.100221/2007-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA
ESPONTÂNEA. 0 instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato
puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF; porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Inteligência da Súmula 49 do CARF.
Numero da decisão: 1803-001.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 0 instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF; porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Inteligência da Súmula 49 do CARF. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FE RREIRA DE MORAES 2 Victor Humberto da Silva Maizman Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Trata o presente processo de auto de infração referente a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF do segundo semestre do anocalendário de 2005, no valor de R$ 3.180,22. A autuação teve como enquadramento legal os arts. 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário NacionalCTN; arts. 2° e 6° da Instrução Normativa n° 126, de 30 de outubro de 1998 combinada com o item I da Portaria MF n° 118/1984; art. 5° do Decreto lei n°2.124/1984 e art. 7° da Lei n° 10.426 de 24 de abril de 2002. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01/08, onde argüi a tempestividade, descreve a autuação e alega, em síntese, transcrevendo textos de renomados juristas e acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Tribunal Regional Federal TRF da 4a Regido, que a entrega extemporânea de suas Declarações estaria albergada no instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário NacionalCTN, que afastaria a aplicação da penalidade exigida na autuação objeto do presente processo. Em sede de cognição ampla, os argumentos da impugnante foram rechaçados, mantendose incólume o lançamento fiscal. Por ato contínuo, a impugnante interpôs tempestivamente Recurso Voluntário reiterando os mesmos argumentos sustentados na impugnação apenas quanto a aplicabilidade do benefício da denúncia espontânea, acrescentando nos argumentos, para tanto, que a obrigação que exige a apresentação da DCTF viola o Princípio da Legalidade Tributária. É o simples relatório. Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10070.100221/20 Acórdão n.º 1803001.232 S1TE03 Fl. 111 3 Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. Conforme bem fundamentada a questão, depreendese que a multa imposta à interessada, referente ao atraso na entrega de Declarações, não pode ser excluída pelo instituto da denuncia espontânea, uma vez que o próprio art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, que prevê a imposição da multa, discorre em seu parágrafo 2° que as multas serão reduzidas a metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio. Tal dispositivo foi observado no auto de infração e conta com a inaplicabilidade do art. 138 do CTN, uma vez que prevê a imposição da multa, mesmo que reduzida, exatamente no caso da entrega da Declaração após o prazo, espontaneamente, antes de procedimento de oficio. Voltandose ao exame do auto de infração, verificase estar indicado que a apresentação da Declaração ocorreu após o prazo final de entrega e que no demonstrativo do auto de infração os cálculos das multas indicam ter sido observados os parâmetros dispostos no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, explicitados pelo artigo 7° da IN SRF 255/2002. Logo, tenho o entendimento que é fato incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e que a autuação se deu com observância ao que determina a legislação. E para colocar uma pá de cal no assunto, transcrevese o enunciado da súmula CARF 49 assim transcrita: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Nesse sentido, improcede a pretensão da empresa contribuinte. Melhor sorte não a acompanha no tocante a alegada violação ao princípio da legalidade quanto a obrigatoriedade da apresentação da DCTF, uma vez que à luz do verbete sumular 02 desse E. Conselho extraíse que O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em virtude do exposto, conheço do inconformismo da empresa recorrente, porém nego lhe provimento. É como voto. VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Conselheiro Representante Contribuintes CNI Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FE RREIRA DE MORAES 4 (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 05/07/2012 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SELENE FE RREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001387/2009-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/JFA/MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 13 87 /2 00 9- 48 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10660.001387/200948 Acórdão n.º 2801002.997 S2TE01 Fl. 163 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “O auto de infração de fls. 2/8 exige do sujeito passivo, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 35.364,50, assim discriminado: R$ 16.541.98 de imposto; R$ 6.416.05 de juros de mora (calculados até 30/09/2009): e R$ 12.406,47 de multa proporcional (passível de redução). No lançamento, conforme descrito à fl. 4. constatouse a redução indevida da base de cálculo com despesas médicas, referentes aos exercícios 2005 (R$ 15.167,70). 2006 (R$ 21.529,48) e 2007 (R$ 23.455.48). A ação desenvolvida encontrase minudenciada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 9/17, com o detalhamento das deduções glosadas cm cada ano calendário examinado (2004, 2005 e 2006). sendo que a motivação precípua para o não acolhimento dos valores expressos nos recibos oferecidos consistiu na ausência de comprovação do efetivo pagamento. O autuado apresentou a impugnação de fls. 93/100. na qual aduziu, em síntese, que: => a Fiscalização deve se ater ao que consta em lei, porquanto nenhuma vigente no Brasil determina que recibos de pessoas físicas ou NF não valem como comprovante de pagamento: => o fato de o profissional não relacionar o nome do cliente não invalida os recibos, sendo que a Fiscalização, quando em dúvida, deve investigar os fatos, em vez de levantar hipóteses, sem nenhuma prova do dolo do contribuinte: => ao arrepio da legislação, sobretudo do que estabelece a Carta Magna, a autoridade lançadora pretende que o contribuinte ao tratar de sua saúde o faça mediante pagamento apenas de cheque nominativo, impedindoo de pagar em dinheiro; trouxe, para esse debate, menção ao art. 113 do Código Civil e à jurisprudência administrativa (duas ementas de Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes, às lis. 97/98); => a ausência de bases sólidas para o lançamento o invalida, de acordo com os arts. 924/925 do RIR/1999. Para amparo de suas alegações, só se observam, às fls. 101/102, extratos nominados 'lançamentos de faturas" da Unimed Varginha.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 125/131, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005. 2006. 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10660.001387/200948 Acórdão n.º 2801002.997 S2TE01 Fl. 164 3 Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005. 2006, 2007 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, estando o direito do impugnante precluso se não exercido no momento processual lixado, salvas as exceções previstas e devidamente fundamentadas, as quais não foram demonstradas no caso em concreto. DILIGÊNCIA. MOTIVAÇÃO. Indeferese a diligencia mencionada pelo sujeito passivo, por prescindível em face da motivação exposta pela autoridade lançadora. Regularmente cientificado daquele acórdão em 20/07/2011 (fl. 137), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 138/151, em 08/08/2011, no qual, em síntese, sustenta que os recibos e as declarações dos profissionais constantes dos autos são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas glosadas. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa de despesas médicas, referentes aos anoscalendários 2004, 2005 e 2006, por falta de comprovação do efetivo pagamento, consoante solicitado na intimação de fl. 19. A referida glosa foi mantida pela decisão recorrida, cuja conclusão foi no sentido de que a mera apresentação dos recibos, mesmo que complementados por declarações dos prestadores de serviços, não supre a demanda pela demonstração dos efetivos pagamentos, sendo necessária comprovação do desembolso, mormente considerando que, se verdadeiras fossem, estariam vinculadas a saques com valores e datas compatíveis, cheques, transferências bancárias, depósitos, ordens de pagamento e outros meios comprováveis via extrato e outros documentos emitidos por instituição financeira. Em sede de recurso, o interessado requer o reconhecimento da comprovação das despesas médicas em discussão sem, contudo, aditar os elementos de provas que demonstram a efetividade dos pagamentos das reclamadas despesas médicas. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10660.001387/200948 Acórdão n.º 2801002.997 S2TE01 Fl. 165 4 No caso sob exame, como o recorrente não carreou aos autos as provas consideradas necessárias pela fiscalização e decisão de primeira instância a comprovar a efetividade dos pagamentos em questão, denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Diferentemente do que aduz o recorrente, não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10660.001387/200948 Acórdão n.º 2801002.997 S2TE01 Fl. 166 5 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 18050.004899/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 04/08/2008
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado.
Numero da decisão: 2302-001.773
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10410.720839/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
VERBAS DE GABINETE. PARLAMENTARES. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidência de imposto de renda sobre o pagamento de verbas de gabinete pagas aos parlamentares não se aplica as parcelas utilizadas com desvio de finalidade e ao excesso recebido em relação ao limite regulamentar. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.888
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 VERBAS DE GABINETE. PARLAMENTARES. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidência de imposto de renda sobre o pagamento de verbas de gabinete pagas aos parlamentares não se aplica as parcelas utilizadas com desvio de finalidade e ao excesso recebido em relação ao limite regulamentar. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Recurso negado.
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PARLAMENTARES. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidência de imposto de renda sobre o pagamento de verbas de gabinete pagas aos parlamentares não se aplica as parcelas utilizadas com desvio de finalidade e ao excesso recebido em relação ao limite regulamentar. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.720839/200936 Acórdão n.º 220201.888 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, CELSO LUIZ TENORIO BRANDÃO, foi lavrado o auto de infração de fls. 02 a 11, no qual é apurado imposto sobre a renda de pessoa fisica (IRPF) suplementar, relativamente aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 1.546.419,44 acrescido da multa de oficio e dos juros de mora calculados até 30/11/2009, resultando no crédito tributário no valor de R$ 3.320.548,23. A ação fiscal foi iniciada por meio do termo de inicio de fiscalização de fls. 02 a 04, em que foi solicitada ao contribuinte a comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancárias nos anoscalendário de 2004 a 2007, conforme demonstrativos anexados (fls. 05 a 14), bem como a documentação referente As verbas de gabinete recebidas da Assembleia Legislativa de Alagoas (fls. 15) e aos bens móveis e imóveis de sua propriedade. Segundo o referido TVF: Em atendimento (fls. 18 a 35), o contribuinte esclareceu que os valores creditados em suas contas bancárias se originaram de sua atividade parlamentar, abrangendo os salários e as verbas indenizatórias, e das rendas da atividade agropastoril realizada nas fazendas Pitombeira, Paixão do Norte e Paixão do Norte H. Que efetuou a prestação de contas das verbas da Assembleia Legislativa, recebidas até o limite previsto, sem ressalvas, conforme certidão anexa, esclarecendo que a documentação comprobatória correspondente foi fornecida ao referido órgão, tendo sido objeto de apreensão pela Policia Federal em razão do inquérito 1.471/AL, não sendo portanto possível sua apresentação. Relativamente aos bens, informou que os móveis e imóveis de sua propriedade foram registrados nas declarações de bens, nada havendo a informar. Por meio do termo de fls. 36 a 40 o contribuinte foi intimado a apresentar documentação comprobatória das receitas da atividade rural nos anoscalendário de 2004 a 2007 e livro caixa dessa atividade. Na ocasião, foilhe informada sua condição de omisso de declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa fisicas para os anoscalendário de 2006 e de 2007, bem como os registros, nas declarações dos anoscalendário de 2004 e de 2005, de receita da atividade rural igual a zero. Aditivamente, foram reiteradas as solicitações contidas no termo de inicio de fiscalização referentes à apresentação da documentação comprobatória da destinação das verbas de gabinete relacionadas As fls. 49, comprovação da origem de cada um dos depósitos efetuados em suas contas bancárias conforme fls. 39 a 48, bem como a identificação, nos documentos de titularidade e nos órgãos competentes, dos bens móveis e imóveis de sua propriedade. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Houve reiteração da intimação, conforme termo de fls. 59 a 61 e seus anexos de fls. 62 a 72. Em razão de se encontrar omisso relativamente aos anoscalendário de 2006 e 2007, exercícios 2007 e 2008, respectivamente, o contribuinte foi intimado a apresentar as declarações de ajuste anual dos referidos exercícios por meio do termo de fls. 74 a 75. Não houve atendimento por parte do fiscalizado. Constam do processo os documentos relativos ao Inquérito 1.471/AL, Processo 2005.05.00.0125684, em que a Justiça Federal autoriza a transferência do sigilo bancário do contribuinte e o compartilhamento das informações com a Receita Federal do Brasil (fls. 88 a 89). Tais informações, que compõem o Laudo de Exame Financeiro n° 2129/2008 (fls. 100 a 149) e o Laudo de Exame Contábil n° 260/2008 (fls. 150 a 159), foram encaminhadas à Delegacia da Receita Federal em Alagoas, conforme fls. 90 a 94. Foram anexadas as autos, também, cópias das Resoluções 369/1993 (fls. 160 a 162), n° 392/1995 (fls. 163), n° 428/2002 (fls. 164 a 166), n° 462/2006 (fls. 167), n° 471/2007 (fls. 168), n° 482/2008 (fls. 169), todas da Assembleia Legislativa de Alagoas. — Os extratos bancários relativos ás contas mantidas junto ao Banco Bradesco e ao Banco Rural, obtidos em razão da autorização relativa ao Inquérito 1.471/AL constam das fls. 191 a 295. — A autoridade fiscal emitiu a certidão de fls. 99, em que informa não ter recebido documentos obtidos na busca e apreensão realizada no setor financeiro da referida Assembleia, relativos à prestação de contas da utilização de verbas de gabinete pelo contribuinte. A fiscalização diligenciou junto à Assembleia Legislativa, para obtenção dos documentos relativos à prestação de contas das verbas de gabinete recebidas pelo contribuinte, conforme termo de fls. 51 a 53. — Em atendimento por meio do Oficio de fls. 56 a 57 o órgão legiferante confirmou a prestação de contas por parte do fiscalizado, informando não dispor dos elementos requisitados em face da já citada busca e apreensão. Informou adicionalmente que não há cópia dos documentos relativos à prestação de contas, nem tampouco do termo de busca e apreensão em que tenha sido registrada sua recepção por servidor da Assembleia — inclusive em face da prisão dos então chefes do setor financeiro — sendo que o sistema de dados internos (SIAFEM) não registra os beneficiários, o valor e a data das despesas objeto da prestação de contas. Nesse sentido foi apresentada a certidão de fls. 58, emitida pelo atual diretor financeiro da Assembleia Legislativa de Alagoas. De posse desses elementos, a fiscalização efetuou o lançamento por terem sido constatadas as seguintes infrações, como descritas As fls. 330 a 343 do auto de infração e as fls. 296 a 327 do termo de verificação fiscal: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.720839/200936 Acórdão n.º 220201.888 S2C2T2 Fl. 3 5 — omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vinculo empregaticio recebidos de pessoas jurídicas (omissão no valor de R$ 454.482,06, fato gerador em 31/12/2004; omissão no valor de R$ 142.239,24, fato gerador em 31/12/2005; omissão no valor de R$ 108.674,01, fato gerador em 31/12/2006; e omissão no valor de R$ 69.022,75, fato gerador em 31/12/2007); — omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas — excesso do limite de verba de gabinete (omissão no valor de R$ 39.374,86, fato gerador em 31/12/2005; omissão no valor de R$ 96.046,58, fato gerador em 31/12/2006; e omissão no valor de R$ 9.911,62, fato gerador em 31/12/2007); — omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas — falta de prestação de contas (omissão no valor de R$ 103.134,96, fato gerador em 31/12/2005; omissão no valor de R$ 139.686,48, fato gerador em 31/12/2006; e omissão no valor de R$ 20.000,00, fato gerador em 31/12/2007); — omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (omissão no valor de R$ 1.436.809,68, fato gerador em 31/12/2004; omissão no valor de R$ 935.060,08, fato gerador em 31/12/2005; omissão no valor de R$ 1.657.472,27, fato gerador em 31/12/2006; e omissão no valor de R$ 508.556,38, fato gerador em 31/12/2007). Ciência do lançamento em 16/12/2009, conforme aviso de recebimento de fls. 348. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou por meio de procurador (instrumento de fls. 358) a impugnação de fls. 349 a 357, alegando, em síntese: — que, quanto aos depósitos bancários, conforme já explicitado anteriormente, informa que se originaram de seus salários e outros proventos pagos pela Assembleia Legislativa de Alagoas, além dos rendimentos obtidos na exploração de atividades agrícolas ns fazendas Pitombeira, Paixão do Norte e Paixão do Norte II, situadas no município da Santa Brigida, Bahia, conforme consta das declarações de IRPF; — que, relativamente as verbas de gabinete consideradas acima lós limites previstos legalmente pela Assembleia Legislativa, esclarece inicialmente que os valores recebidos correspondem ao desempenho de sua atividade parlamentar, não podendo ser confundidos com rendimentos não declarados. Esclarece aditivamente que: (i) os valores das referidas verbas foram estabelecidos nos termos das Resoluções n° 392/1995 (fls. 163), n° 428/2002 (fls. 164 a 166), n° 462/2006 (fls. 167), n° 471/2007 (fls. 168), n° 482/2008 (fls. 169), todas da Assembleia Legislativa de Alagoas; (ii) que o limite previsto para pagamento de verba foi inicialmente fixado em R$ 10.000,00 pela Resolução n° 392/1995, sendo alterado para R$ 30.400,00 conforme Fl. 481DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Resolução n° 428/2002, significando que cada parlamentar poderia ser ressarcido de suas despesas a titulo de verba de gabinete, no máximo, no montante de R$ 15.200,00 cada parcela mensal, sistemática que vigorou até 2006; (iii) que a diretoria financeira do órgão efetuava o ressarcimento por meio de um único deposito mensal, abrangendo as duas parcelas; (iv) que, a partir da Resolução n° 482/2008, foi fixado o valor de R$ 39.100,00 como limite para de pagamento de verbas de gabinete. Que não houve nenhuma anormalidade sobre os pagamentos efetuados aos deputados para fazer frente as despesas com a atuação parlamentar; que, no que se refere aos documentos comprobatórios da destinação dada aos recursos recebidos da Assembleia Legislativa, informa já haver prestado contas mensalmente a diretoria financeira do órgão, tendo obtido aprovação. Que as prestações de contas eram levadas a conhecimento público mês a mês, lançadas no SIAFEM, conforme Oficio n° 149/2009, transcrito no relatório fiscal e nos termos da certidão expedida pela diretoria financeira anexada ao processo. Que, no mesmo oficio, a mesa diretora da Assembleia reafirma a impossibilidade de disponibilizar os documentos comprobatórios dos gastos efetuados posto que objeto da busca e apreensão pela Policia Federal. Que a natureza indenizatória das verbas de gabinete é reconhecida pela auditoria fiscal, assim como pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pela jurisprudência administrativa; Transcreve ementas de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, então Conselho de Contribuintes, em apoio a suas alegações; por fim, requer seja julgado improcedente o lançamento e tornada sem efeitos a exigência. A DRJ Recife ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 • Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.720839/200936 Acórdão n.º 220201.888 S2C2T2 Fl. 4 7 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. VERBAS DE GABINETE. PARLAMENTARES. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidência de imposto de renda sobre o pagamento de verbas de gabinete pagas aos parlamentares não se aplica as parcelas utilizadas com desvio de finalidade e ao excesso recebido em relação ao limite regulamentar. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte não conte ta a infração em sua peça defensória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito o contribuinte apresenta o recurso voluntário, reiterando fundamentalmente as mesmas razões da impugnação. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Dos Rendimentos da Assembleia Legislativa do Estado do Alagoas De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização submeteu a tributação os valores recebidos a seguir pagos pela Assembleia Legislativa do Estado do Alagoas: Da Omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vinculo empregatício. Matéria não contestada O contribuinte não se insurge contra a apuração da omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas e não informados em suas declarações de ajuste anual do imposto de renda dos anos calendário de 2004 a 2007, conforme item 001 do auto de infração de fls. 330 a 332. Da omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas — excesso do limite de verba de gabinete e sem comprovação A fiscalização efetuou o lançamento das verbas de gabinete recebidas pelo contribuinte, a titulo de omissão de rendimentos, com fundamento em duas razões, conforme Termo de Verificação Fiscal fls. 378 a 409: — porque os valores recebidos excederam os limites mensais previstos nas Resoluções n° 428/2002 (fls. 164 a 166), n° 462/2006 (fls. 167) e n° 471/2007 (fls. 168); vigentes à época; — porque, em relação as parcelas de verba de gabinete dentro dos limites previstos, não foi apresentada a comprovação da destinação própria. Em seu arrazoado, bem fundamentado, a autoridade recorrida revisou todos os argumentos suscitados pelo recorrente tal como se depreende do voto condutor daquele acórdão aos fls.422 a 427. Nesse ponto assim se pronuncia em síntese a DRJ às fls. 427: Esclareçase que: Fl. 484DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.720839/200936 Acórdão n.º 220201.888 S2C2T2 Fl. 5 9 (i) em relação aos valores constantes da coluna 'Rendimento do trabalho' não houve contestação, conforme exposto nos itens 11 a 13 deste Voto; (ii) em relação aos valores constantes da coluna 'Verba de gabinete ' recebida além do limite' por terem sido pagos ao contribuinte acima dos valores fixados nas Resoluções do próprio órgão; (iii) em relação aos valores constantes da coluna' Verba de gabinete sem comprovação da utilização prevista', por não haver qualquer documentação comprobatória da destinação, conforme informado no Laudo pericial emitido pela Policia Federal/Ministério da Justiça, nem tampouco terem sido fornecidos documentos pela Assembleia Legislativa ou pelo impugnante. Não tendo sido apresentado com o recurso qualquer novo elemento capaz de afastar as omissão de rendimentos apontada, é de se manter essa parte do lançamento. Em suma, a não incidência de imposto de renda sobre o pagamento de verbas de gabinete pagas aos parlamentares não se aplica as parcelas utilizadas com desvio de finalidade e ao excesso recebido em relação ao limite regulamentar. Não há qualquer repara a ser realizado no arrazoado da autoridade recorrida. Deste modo negase provimento nesta parte do recurso. Dos depósitos de origem não comprovada Contra o contribuinte foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 1.436.809,68, no ano calendário de 2004, no valor de R$ 935.060,08, no anocalendário de 2005, no valor de R$ 1.657.472,27, no anocalendário de 2006 e no valor de R$ 508.556,38, no anocalendário de 2007, efetuados nas contas mantidas junto ao Banco Rural e ao Banco Bradesco, conforme demonstrativos de fls. 05 a 14, consolidados mensalmente nos quadros de fls. 314 a 315. Essa parte do lançamento fundamentase em depósitos bancários de origem não comprovada. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Urge destacar o que já apontou a autoridade recorrida no voto condutor sobre o procedimento fiscal: 37. Em relação aos valores recebidos da Assembleia Legislativa de Alagoas devese esclarecer que eles foram apartados das planilhas de depósitos sujeitos A comprovação da origem, como descrito pela autoridade fiscal: "Ressaltese que os extratos bancários foram objeto de exame por esta fiscalização, tendo sido excluídos nos demonstrativos encaminhados ao contribuinte os valores considerados como de origem conhecida/justificada, não sujeitos à tributação e/ou já oferecidos à tributação, tais como: Resgate de Poupança, Estornos e outros. Também foram excluídos dos referidos demonstrativos outros valores de origem conhecida, tais como 'Créditos SPB' e 'Créditos por Conta de Firma', considerados como sujeitos à tribulação, os quais comporão os valores a serem tributados nas infrações especificas"(fls. 305) (grifei) 38. Concluise, portanto, que não há, entre os valores apurados e considerados omitidos, quantias que correspondam a recebimentos originados da Assembleia Legislativa, visto que tais rubricas foram objeto de análise especifica, do que resultaram as infrações descritas nos itens 001 (Omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregaticio recebidos de pessoa jurídica), 002 (Omissão de rendimentos do trabalho com Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.720839/200936 Acórdão n.º 220201.888 S2C2T2 Fl. 6 11 vinculo empregaticio recebidos de PJ — Excesso do limite de verba de gabinete), e 003 (Omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregaticio recebidos de PJ — Falta de prestação de contas). 39. Aduz ainda a defesa que os depósitos se originariam dos rendimentos obtidos em sua atividade rural, conforme teriam sido informados em suas declarações de ajuste anual, obtidos na exploração de atividades agrícolas nas fazendas Pitombeira, Paixão do Norte e Paixão do Norte H, situadas no município da Santa Brigida, Bahia. A 40. Do exame das declarações de ajuste anual do imposto de renda pessoa fisica verificase que o impugnante se encontra omisso relativamente aos anoscalendário de 2006 e de 2007, conforme tela do sistema GUIAVIC de fls. 415 e descrito As fls. 310. 40.1 Ressaltese que, no curso da ação fiscal o contribuinte foi intimado a apresentar as declarações de ajuste anual dos exercícios 2007 e 2008 (anoscalendário de 2006 e de 2007, respectivamente) por meio do termo de fls. 74 a 75, sem que tenha havido qualquer atendimento. 40.2 Logo, no período em que o contribuinte teve depósitos de origem não comprovada nos valores anuais iguais a R$ 1.657.472,27 (anocalendário de 2006) e a R$ 508.556,38 (ano calendário de 2007), não houve sequer a apresentação de declarações de ajuste anual, nem consequentemente dos anexos da atividade rural, não cabendo falar de rendimentos dessa atividade. 41. No que se refere aos outros anoscalendário de 2004 e de 2005, em que os créditos ocorridos nas contas bancárias totalizaram R$ 1.436.809,68 (para 2004) e R$ 935.060,08 (para 2005), foram apresentadas as declarações de ajuste anual de fls. 77 a 80 e de fls. 81 a 85. 41.1 Do exame dessas declarações constatase a inexistência de receitas da atividade rural, declaradas como 'zero' As fls. 77 para o anocalendário de 2004 e As fls. 81 para o ano calendário de 2005. 41.2 As mesmas informações constam dos anexos da atividade rural desses anoscalendário em que, apesar de haver a identificação dos imóveis objeto da exploração, as Fazendas Pitombeira, Paixão do Norte e Paixão do Norte II, não há registro de quaisquer receitas ou despesas da atividade rural (fls. 80 e 84). 41.3 Em suma, a atividade rural do contribuinte, como por ele próprio declarada, se resumiu a manter em estoque 610 bovinos/bufalinos durante os anoscalendário de 2004 e de 2005, sem qualquer receita ou gasto oriundo dessa atividade. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 42. Nesse interim, devese esclarecer que não foi apresentada qualquer documentação comprobatória da atividade rural, apesar de o autuado ter sido intimado especificamente nesse sentido, conforme item 1), 'a' e 'b' do termo de intimação fls. 59. 42.1 — Ou seja, não foram apresentados, seja no curso da ação fiscal, sej por ocasião da impugnação, nenhum documento relativo A percepção de receitas da atividade rural, referente a qualquer ano, abrangendo o período de 2004 a 2007. 42.2 Esclareçase que as atividades agropecuárias, beneficiadas com um tratamento especial pela legislação do imposto de renda, são cercadas de cuidados igualmente peculiares, de que é exemplo a obrigação de comprovar os rendimentos e as despesas por parte do contribuinte. Dessa forma, os documentos hábeis para comprovação da origem dos rendimentos da atividade rural são a nota fiscal de produtor, a nota fiscal avulsa, a nota fiscal de entrada, a nota promissória rural vinculada A nota fiscal de produtor e demais documento reconhecidos pelas fiscalizações estaduais ou por documentos hábeis e idôneos, inclusive recibos, onde necessariamente deverão constar as informações do adquirente, preço, a data de operação e as condições de pagamento. Notase portanto a coerência da autoridade recorrida, na análise dos principais argumentos do recorrente. Mediante referida análise, foram afastados os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos que propiciaram os depósitos bancários seriam salários pagos pela Assembleia Legislativa de Alagoas e rendimentos obtidos nas suas atividades agrícolas, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10830.007670/2010-18
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL. PRAZO. INSCRIÇÕES MUNICIPAL, ESTADUAL E FEDERAL. A empresa tem 30 (trinta) dias a contar da última inscrição efetuada nos entes municipal, estadual e federal para optar pelo Simples Nacional (Resolução CGSN nº 04/07, com alterações da nº 41/08).
Numero da decisão: 1801-001.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 75 1 74 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007670/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.057 – 1ª Turma Especial Sessão de 03 de julho de 2012 Matéria Simples Nacional Inclusão Recorrente DOMOB MARCENARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL. PRAZO. INSCRIÇÕES MUNICIPAL, ESTADUAL E FEDERAL. A empresa tem 30 (trinta) dias a contar da última inscrição efetuada nos entes municipal, estadual e federal para optar pelo Simples Nacional (Resolução CGSN nº 04/07, com alterações da nº 41/08). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa não conseguiu a sua inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições – Simples Nacional, por haver ultrapassado 180 dias para efetuar o pedido, período considerado entre a abertura da empresa e o referido pleito – fls. 20. No requerimento de fls. 01 a 04 a empresa solicita a inscrição retroativa à data da abertura da empresa, explicando que apesar de registrar seus atos constitutivos na Junta Comercial de São Paulo em 18/11/2009, a inscrição do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) somente foi deferida regularmente em 22/03/2010. Continua argumentando que a demora ocorreu em virtude de convênio firmado entre o estado de São Paulo e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o qual exige a obtenção preliminar de licença ambiental, o que acarreta a mora na tramitação do processo administrativo para a concessão da inscrição no referido cadastro. A empresa foi obrigada a recorrer ao Departamento de Meio Ambiente da Municipalidade de Valinhos para obter a retro citada licença e somente foi possível transmitir o pedido de inscrição do CNPJ em 16/03/2010. Explica que após obter o CNPJ (inscrição federal), obteve a inscrição estadual e, por último, em 06/05/2010, a inscrição no município. Em 20/05/2010 acessou o sistema para a adesão ao Simples Nacional, quando, automaticamente, foi rejeitado pelo lapso entre a data da abertura da empresa e a data do pedido, conforme já explicado. Alega que em virtude das dificuldades em obter os alvarás e licenças necessárias, e também ao acesso ao sítio do programa de inscrição no Simples Nacional, ultrapassou os referidos 180 dias, mas invoca a seu favor o inciso I, do §3º, do artigo 7º da Resolução CGSN nº 04/2007, o qual lhe concede o prazo de 30 (trinta) dias, após a ultima inscrição, para efetuar a opção. Juntou ao processo, para comprovar o alegado: cópia do cartão de CNPJ, o qual expressa em seu bojo a data de emissão firmada em 22/03/2010; cópia da Licença Prévia e de Instalação emitida pelo Departamento do Meio Ambiente da Prefeitura de Valinhos, emitido em 03/03/2010; página que informa o acompanhamento da solicitação do CNPJ da empresa, emitida eletronicamente, com código de acesso, na qual temse como expressa a data de deferimento do CNPJ e da inscrição estadual (inclusive número desta inscrição), a data de 22/03/2010; o documento básico para emissão de CNPJ; e Alvará de Funcionamento Inicial expedido pela Prefeitura de Valinhos, emitido em maio de 2010; entre outros – fls. 05 a 20. Sucintamente, às fls. 21, a autoridade a quo não deferiu o pedido de inclusão retroativa ao Simples Nacional, por concordar com o sistema no fato de que a empresa não fez o pedido no Portal do Simples Nacional antes de completar 180 dias da data de registro na Jucesp. Invocou como fundamento o artigo 7º, §3º, inciso I, e § 6º da Resolução CGSN nº 04/07, que disciplina as normas para ingresso no Simples Nacional e orientou à empresa buscar sua inclusão no Simples Nacional junto à Prefeitura de Valinhos. O Despacho Decisório DRF/Campinas nº 1.358/10 encontrase às fls. 22. Inconformada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 23 a 25, invocando a aplicação do inciso I do § 3º do artigo 7º da mencionada Resolução. Anexou à manifestação uma petição dirigida à Prefeitura Municipal de Valinhos requerendo um atestado daquele órgão das demora em conceder a licença ambiental para que obtivesse a inscrição estadual e federal. Às fls. 34 juntou a decisão proferida pela municipalidade informando o deferimento da solicitação da empresa para inclusão administrativa no Simples Nacional, desde a data da abertura da empresa, admitindo que o atraso em fazer o pedido deu se em razão da demora em ser liberada a licença ambiental; neste ofício resta expressa a impossibilidade do município de Valinhos inscrever a pessoa jurídica no Simples Nacional, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.007670/201018 Acórdão n.º 180101.057 S1TE01 Fl. 76 3 atribuição privativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil – Ofício nº 278/2010, expedido pela Secretaria da Fazenda – Departamento de Receitas. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ em Campinas /SP exarou o Acórdão nº 0533.545/11, fls. 36 a 39, mantendo o indeferimento do pedido da contribuinte. Após registrar a cronologia dos fatos ocorridos, a fundamentação do votocondutor, em parte, transcrevese a seguir: “A Resolução CGSN 4/2007 estabelece, quanto ao prazo para que as empresas novas optem pelo Simples Nacional: [...] O Contribuinte que é constituído durante o ano calendário da opção deve observar duas regras, quanto aos prazos para inscrição: 1. Estando obrigado a se inscrever em mais de um dos entes federativos (União, Estados e Municípios), tem prazo de trinta dias para pedir a adesão, contados do último deferimento de inscrição. 2. Não exceder o prazo de cento e oitenta dias, "... observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo". Da conjunção destas regras tem se que, obtidas as inscrições exigíveis, o Contribuinte tem o prazo de trinta dias para exercer sua opção pelo Simples Nacional, sendo que o pedido de inscrição no Simples Nacional não pode exceder cento e oitenta dias da data de abertura constante do CNPJ, salvo, evidentemente, se por motivo atribuível exclusivamente aos entes da Federação. No presente caso, consta que o "Alvará de Funcionamento Inicial" teria sido expedido em 06/05/2010 (nota do rodapé do documento fl. 18) e que o Contribuinte formalizou a opção em 20/05/2010. Sob este aspecto prazo da obtenção da inscrição e formalização da opção o Contribuinte teria cumprido a exigência legal (o prazo de trinta dias). Mas ocorreu que, entre a data que se considera como de "início de atividades" (data do arquivamento do contrato social constitutivo na Junta Comercial), ou seja, 18/11/2009 e a data da formalização da opção, 20/05/2010, transcorreram cento e oitenta e três dias, excedendose, assim o prazo limite estabelecido pelo parágrafo sexto do artigo 7° da Resolução CGSN 4/2007, transcrito. [...] Esta é a cronologia dos fatos, em resumo: 18/11/2009 Ocorre o arquivamento do contrato social constitutivo na Junta Comercial (fls. 6/10 verso), data que é considerada como de início de atividade constante do CNPJ (fl. 5). 03/03/2010 São expedidas as "Licenças Prévia e de Instalação" (fl. 15). 23/03/2010 Deferimento da solicitação relativa à inscrição estadual (fl. 16). 06/05/2010 É emitido o "Alvará de Funcionamento Inicial", cujo protocolo consta ter se dado em 03/05/2010 (fl. 18 n°. 6288). 20/05/2010 É realizada a opção pelo Simples Nacional (fl. 20). Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O desencadeamento de fatos suscita as seguintes considerações: Entre o arquivamento na JUCESP e a obtenção das "Licenças Prévia e de Instalação" transcorreram cento e cinco dias. Os elementos disponíveis não informam quando terseia dado entrada na Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente e, por isso, quanto tempo teria demorado a providência. Segundo consta de certidão da Secretaria da Fazenda Departamento de Receitas (fl. 34), "O deferimento desta solicitação devese à demora para obtenção do licenciamento ambiental...". Tratase, entretanto, de assertiva genérica e circunscrita à competência municipal, que, por isso, somente poderá ser levada em conta, considerado o conjunto das circunstâncias em análise. Não se tem informação acerca da data em que o Contribuinte tomou ciência das "Licenças Prévia e de Instalação" (expedida, como se viu, em 03/03/2010). Mas a ciência do deferimento da inscrição estadual deuse em 23/03/2010. Ora, é justamente neste momento que reside o problema: somente em 03/05/2010 (portanto, depois de quarenta e um dias) é que o Contribuinte teria protocolado o pedido de alvará, que teria sido, aliás, deferido logo em seguida, em 06/05/2010. Premido pelo prazo de cento e oitenta dias, ainda assim, somente em 20/05/2010 (quatorze dias depois, portanto), o Contribuinte finalmente diligenciou para formalizar sua opção pelo Simples Nacional. Os documentos e elementos disponíveis demonstram que, não obstante ter sido observado o prazo de trinta dias da obtenção da última inscrição (06/05/2010 e 20/05/2010), não foi atendida a exigência do lapso temporal máximo de cento e oitenta dias, contados da data de abertura constante do CNPJ, não existindo qualquer prova de que este prazo realmente tenha sido causado pela demora dos entes públicos envolvidos.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 52 a 61, argumentando, em suma, que fez o pedido dentro do prazo concedido pelo art. 7º, § 3º, inciso I da Resolução CGSN nº 4/2007, uma vez ter procedido ao requerimento eletrônico antes dos trinta dias da última inscrição efetuada, no caso a federal e estadual (concomitantes), prazo que a legislação concede para as empresas, em início de atividade, procederem ao pedido. Cita e anexa dois acórdãos judiciais que corroboram seu entendimento e interpretação das normas infralegais ora discutidas. Saliento trecho da peça recursal, por oportuno: “[...] Compulsando a r. decisão de 1o Grau que manteve intocada a r. decisão guerreada, verificase que esta está viciada por uma interpretação equivocada da aplicação das disposições do § 3o, inciso I, do artigo 7o, em confronto velado ao § 6o do mesmo artigo, ambos da Resolução CGSN n° 04/2.007, uma vez que o primeiro defere acertadamente o prazo de 30 (trinta) dias após a última inscrição necessária para o pedido de inclusão no regime do Simples Nacional, bem como considerandose o teor do Ofício n° 278/2.010 expedido pela Municipalidade de Valinhos, que reconheceu expressamente o atraso na emissão do licenciamento ambiental da Recorrente e que contribuiu com a perda do prazo, tendo se manifestado favoravelmente a sua inclusão no sistema do Simples Nacional [...] Isto porque, por primeiro, não tem sentido algum compreender o lapso de 30 (trinta) dias dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias, pois o trintídio perderia a sua utilidade e a sua finalidade como enunciado prescritivo que foi criado para conceder um tempo maior do que os 180 (cento e oitenta) dias iniciais para a opção, tanto é assim, que o próprio § 6o do artigo 7o, da Resolução CGSN n° 04/2.007, manda observar "os demais requisitos previstos no inciso I do § 3 o deste artigo ", não havendo necessidade de tal observação se o prazo fatal fosse como considerado em 1o Grau, em qualquer hipótese, de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura no Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.007670/201018 Acórdão n.º 180101.057 S1TE01 Fl. 77 5 cadastro no CNPJ; por segundo, porque em nome dos princípios insculpidos no artigo 170 e 179 da CF/88 endereçado as microempresas e empresas de pequeno porte, além dos cânones elencados na própria Lei Complementar n° 123/2.006, especialmente em seu artigo 1o, caput, que criou o regime do Simples Nacional buscando a celeridade e a simplificação, qualquer interpretação que se faça deve considerar o tratamento jurídico diferenciado a estas empresas visando incentiválas pela simplificação das suas obrigações tributárias, o que deve ser aplicado no caso em tela, privilegiando, obrigatoriamente, uma interpretação favorável a contribuinte, ora Recorrente, uma vez que esta atendeu o citado prazo, uma vez que deferida a inscrição municipal em 06/05/2.010, em 20/05/2.010 esta solicitou a sua inclusão do regime do Simples Nacional conforme sobejamente comprovado nos autos e que restou indeferida, atendendo, portanto, o prazo previsto no § 3o, inciso I, do artigo 7o, da Resolução CGSN n° 04/2.007.” (grifos pertencem ao original) Fez sustentação oral pela recorrente, o advogado Henrique Rocha, OAB/SP nº 205.889 (instrumento de mandato apresentado na sessão de julgamento, ordenada a sua juntada aos autos, por despacho no próprio), com memoriais. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Em parte, assiste razão à recorrente. O indigitado preceito legal, artigo 7º, §3º, inciso I, da Resolução CGSN nº 04/07, versado por ambas as partes, dispõe: Resolução CGSN nº 04/07 DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) [...] § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) (grifos não pertencem ao original) Interpreto a legislação com o mesmo entendimento da recorrente. O prazo de 180 dias após a abertura da empresa, preceituado no § 6º da retro transcrita norma, quando esta não obtém uma das inscrições – municipal, estadual, federal – resta prejudicado pelo prazo estabelecido no § 3º do mesmo artigo 7º, apesar do tempo discorrido. Daí a exceção “...observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo”. Na situação em apreço, constatase dos autos que a recorrente obteve as referidas inscrições citadas no invocado § 3º do artigo 7º em: a) inscrição municipal – CCM nº 16.193/00 – a recorrente não trouxe ao processo o documento relativo à obtenção desta inscrição – verificase que a obtenção da Licença Prévia para Funcionamento e Instalação (fls. 15), ocorreu em 03 de março de 2010, enquanto a obtenção do Alvará de Funcionamento, foi em 03 de maio 2010; b) inscrições estadual e federal – ambas foram deferidas em 22 de março de 2010 – fls. 16. O ônus da prova, no presente caso, cabe à recorrente quanto à data correta da inscrição no cadastro municipal (Valinhos/SP), no caso Cadastro de Contribuinte Mobiliário (CCM). Observo que quando foi emitido o Alvará de Funcionamento Inicial, em maio de 2010, ou seja, documento definitivo, já constava lavrado neste o número do CCM. E a expedição deste alvará não pode ser confundida com a data de obtenção do referido CCM, como pretende a recorrente. São atos administrativos distintos. A inscrição municipal é condição sine qua non para que a empresa, prestadora de serviços e contribuinte de ISS, confeccione seus talonários fiscais e emita as correspondentes Notas Fiscais de Serviços, enquanto o Alvará de Funcionamento é o documento obtido após o Departamento do Meio Ambiente aprovar as referidas instalações e dar a plena viabilidade da empresa, que pode já estar em funcionamento desde a obtenção da licença prévia. Presumese que para, e desde antes de, a obtenção da Licença Prévia para Funcionamento e Instalação a recorrente já encontravase inscrita no cadastro do município, seja para viabilizar a confecção dos necessários e exigidos talonários, ou qualquer outro controle por parte do município. Considero, pois, na ausência de contraprova, que a data da inscrição municipal é aquela fixada na Licença Prévia de fls. 15 – 03 de março de 2010. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.007670/201018 Acórdão n.º 180101.057 S1TE01 Fl. 78 7 Em sendo as inscrições estaduais e federais as últimas obtidas pela recorrente, o prazo para solicitar a inclusão no Simples Nacional é de 30 (trinta) dias a partir de 22 de março de 2010, ou seja, o termo ad quem fixouse em 21 de abril de 2010. O documento de fls. 20 comprova que a recorrente somente acessou o sistema eletrônico em 20 de maio de 2010, aliás, fato este incontroverso, portanto, além dos trinta dias permitido e fora do prazo prescrito na norma correspondente, já transcrita (art. 7º, §3º, Res. CGSN nº 04/07). Desta sorte, os acórdãos invocados pela recorrente não lhe socorrem. Daí o sistema haver considerado a norma mais abrangente, em questão de prazo, no indeferimento do pedido – os 180 dias após a data de abertura da empresa. Extrapolados os trinta dias da última inscrição, em praticamente um mês (considerado em 22/04/10), o sistema ignorou as disposições do § 3º e adotou as disposições do § 6º do artigo 7º da já mencionada Resolução CGSN, mais coerente, aplicável (e favorável) ao caso em concreto. Está correto o procedimento realizado e o prazo a ser conferido nos presentes autos é, de fato, o de 180 dias após a abertura da empresa, no caso, registro. No que respeita a este prazo, os 180 dias foram de igual forma superados, como a própria recorrente reconhece, em alguns dias. No entanto, os prazos regulamentares estabelecidos nas normas de regência são fatais, não podendo a autoridade administrativa a quo ou as turmas de julgamento em primeira ou segunda instância relevar os prazos, a seu critério, deixando de observar e aplicar as normas vigentes, sob pena de responsabilidade funcional. O artigo 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09) dispõe sobre esta matéria: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Pelo exposto, restando comprovado que a recorrente não atendeu nem ao primeiro prazo (fixado no §3º), nem a outro (§ 6º), não há como fugir do estabelecido na norma insculpida. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/07/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16306.000087/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. CSLL. RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. GLOSA.
A CSLL retida na fonte por órgãos públicos somente é passível de
compensação na medida em que as receitas correspondentes, sobre as quais incidiram as retenções, tenham sido computadas na apuração da base imponivel.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Cabe à contribuinte o ônus de apresentar prova inequívoca, hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos.
Numero da decisão: 1401-000.656
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. CSLL. RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. GLOSA. A CSLL retida na fonte por órgãos públicos somente é passível de compensação na medida em que as receitas correspondentes, sobre as quais incidiram as retenções, tenham sido computadas na apuração da base imponivel. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Cabe à contribuinte o ônus de apresentar prova inequívoca, hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Sergio Luiz Bezerra Presta. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 2 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 16306.000087/200886 Acórdão n.º 140100.656 S1C4T1 Fl. 912 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 492494): O presente processo versa acerca da PER/DCOMP n° 34200.24625.140803.1.7.030858 (fls. 1/19), transmitida eletronicamente em 14/08/2003, retificando as informações integrantes da PER/DCOMP n° 04094.35208.130603.1.3.03 8073, cuja formalização definitiva visou declarar a. compensação da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apurado no mês de abril do ano calendário de 2003, e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) calculados nos períodos de abril e maio do anocalendário de 2003, com créditos provenientes de saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), atinente ao Exercício 2003 — AnoCalendário 2002, conforme abaixo: TOTAL DE CRÉDITO UTILIZADO NA DECLARAÇÃO (R$): 607.979,69 DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS COMPENSADOS Código Trib/Contr. Per. de apuração Vencimento Valor original 81092 0105/2003 15/06/2003 340.905,06 69121 0105/2003 15/06/2003 157.045,58 69121 0104/2003 15/05/2003 65.658,03 84080 2904/2003 15/05/2003 9.100,20 45870 3004/2003 15/05/2003 659,26 21711 0104/2003 15/05/2003 97.963,04 DEMONSTRATIVO DO SALDO NEGATIVO DE CSLL APURAÇÃO ANUAL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO Exercício Ano Valor do Saldo Negativo 2003 2002 608.699,23 Recepcionando os autos do processo em referência, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo/SP (DERAT/SP), realizou apreciação do crédito consignado na Fl. 924DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 4 PER/DCOMP, proferindo decisão representada no Despacho Decisório EQPIR/PJ, exarado em 1°107/2008 (fls. 57/69), segundo o qual se decidiu RECONHECER o direito creditório contra a Fazenda Nacional, no valor de R$ 519.543,27 (quinhentos e dezenove mil, quinhentos e quarenta e três reais e vinte e sete centavos) e HOMOLOGAR as compensações declaradas, bem como qualquer outra compensação vinculada ao crédito analisado, até o limite do direito creditório reconhecido, tendo em vista a glosa parcial da dedução da CSLL mensal apurada com base em Balanço de Suspensão ou Redução nos meses fevereiro e março do anocalendário de 2002, em face da caracterização de inconsistências demonstradas no contexto da decisão administrativa. Dessa forma, em suma, o litígio restringese ao seguinte valor original em Reais (R$): CRÉDITO PLEITEADO. ANO CALENDÁRIO TRIBUTO VALOR (Em R$) SALDO NEGATIVO 2002 CSLL 89.155,96 Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, em 23/07/2008 (fl. 70), o contribuinte protocolou manifestação de inconformidade em 21/08/2008 (fls. 77/78), acompanhada dos documentos de fls. 79/199, 202/399, 402/403 e 405/410, submetendo, seus argumentos de fato e de direito de forma a contrapor as inferências firmadas na decisão administrativa, quais sejam, em síntese: 1) Inicialmente, assevera que se depreende da leitura do despacho decisório a ocorrência de manifesto equivoco nas conclusões emanadas pela autoridade administrativa, isto porque, consoante cópia de DARF e REDARF acostado à presente defesa, a empresa realizou um pagamento atinente ao período de apuração de março de 2002, no valor de R$ 342.222,24 (trezentos e quarenta e dois mil, duzentos e vinte e dois reais e vinte e quatro centavos), e não no montante de R$ 264.443,76 (duzentos e sessenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e três reais e setenta e seis centavos), consoante fez constar o despacho decisório em discussão; 2) Seqüencialmente, reclama que o saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, representa o valor R$ 151.381,93 (cento e cinqüenta e um mil, trezentos e oitenta e noventa e três centavos), ao contrário do montante demonstrado na decisão, no montante de R$ 102.428,27 (cento e dois mil, quatrocentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos), haja vista que se comprova pela documentação integrante da defesa que as conclusões inseridas na presente decisão administrativa incorreram em manifesto equivoco; 3) Assegura que, consoante documentos acostados à defesa, comprovase que as retenções na fonte em decorrência de pagamentos realizados por órgãos públicos, apresentamse corretamente declarados pela entidade, logo, não representando um valor superior à importância requerida; conforme se consigna, equivocadamente, nos termos do despacho decisório; Fl. 925DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 16306.000087/200886 Acórdão n.º 140100.656 S1C4T1 Fl. 913 5 4) Argumenta que as provas integrantes na defesa evidenciam a inexistência de inconsistências na apuração do saldo negativo do anocalendário de 2002, cujo despacho decisório resultou na ocorrência de saldo devedor no montante R$ 11.291,89 (onze mil, duzentos e noventa e um reais e oitenta centavos), correlacionados a parcela dos débitos confessados na referida DCOMP; 5) Finaliza suas argüições no sentido de requerer a acolhida da manifestação de inconformidade para fins de homologação integral da compensação declarada. Finalmente, a unidade promoveu prévia lavratura da Intimação n° 4.57012007, de 15/09/2008 (fls. 434), no intuito de provocar o interessado a prestar esclarecimentos acerca dos valores de juros de mora e multa de mora informados na PER/DCOMP no 34200.24625.140803.1.7.030858, visando amparar os procedimentos de compensação dos débitos declarados, respeitado o limite do direito creditório reconhecido no despacho decisório. Cientificado do ato, o contribuinte efetuou seu atendimento por meio da petição de fls. 435/436, acompanhada da documentação de fls. 437/453. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos à DRJ/SPOI para julgamento da manifestação de inconformidade. A 7ª Turma da DRJ São Paulo, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do interessado, conforme Acórdão nº 1620.799, que foi assim ementado (fls. 491): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. GLOSA DE RETENÇÃO NA FONTE DE VALORES PAGOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. O sujeito passivo tributado com base no Lucro Real somente poderá compensar os valores correspondentes da CSLL retida na fonte de importâncias pagas por órgãos públicos, nas hipóteses em que as receitas auferidas, sobre as quais incidiriam as retenções, estejam devidamente computadas para fins de determinação da base imponivel. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE COM REFLEXO NA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Compensação não Homologada Fl. 926DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 6 Cientificada do Acórdão em 15/04/2009 (fls. 503), a contribuinte, em 14/05/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 504506, com base nos seguintes argumentos (verbis, fls. 505506): 1. A decisão contra a qual se recorre não apreciou a lei e os fatos com exatidão, por isso, deve ser ela reformada. 2. Isto porque, consoante comprovam os docs. 5/6 acostados à Manifestação de Inconformidade interposta pela Recorrente, no PA de março de 2002, o pagamento por ela efetuado foi de R$ 342.222,24 e não de R$ 264.443,76 como, equivocadamente, considerou o Despacho Decisório em tela, sendo o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2001 de R$ 151.381,93, e não R$ 102.428,27. 3. Por outro lado, no que concerne as retenções feitas pelos órgãos públicos, os docs. 7/321 anexados a mencionada Manifestação de Inconformidade, bem como, os que estão aqui acostados (docs. 5/672), efetivamente comprovam que o montante retido na fonte por órgãos públicos foi o valor declarado pela ora Recorrente, ou seja, R$ 89.525,78 (R$ 50.960,55 + R$ 35.416,42 + R$ 3.148,81), e não o montante de R$ 40.572,12 e, também, que as respectivas receitas foram oferecidas a tributação pela CSLL. 4. E isso, por assim dizer, comprova que correta a compensação realizada pela Recorrente. 5. Ante o exposto, pedese e esperase, que seja reformada a r.decisão recorrida, para o fim de que seja homologada, integralmente, a compensação declarada. É o relatório. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 16306.000087/200886 Acórdão n.º 140100.656 S1C4T1 Fl. 914 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, o presente litígio versa apenas sobre uma pequena parcela de saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2002, que foi pleiteada pela contribuinte e não reconhecida pelo Fisco, conforme tabela abaixo: CRÉDITO PLEITEADO. ANO CALENDÁRIO TRIBUTO VALOR (Em R$) SALDO NEGATIVO 2002 CSLL 89.155,96 Pagamento de antecipação mensal referente a março de 2002 Sobre o tema, assim se manifestou a recorrente, fls. 505: [...] consoante comprovam os docs. 5/6 acostados à Manifestação de Inconformidade interposta pela Recorrente, no PA de março de 2002, o pagamento por ela efetuado foi de R$ 342.222,24 e não de R$ 264.443,76 como, equivocadamente, considerou o Despacho Decisório em tela, sendo o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2001 de R$ 151.381,93, e não R$ 102.428,27. Tal alegação já havia apresentado na fase anterior do presente processo (manifestação de inconformidade) e foi devidamente refutada pelo colegiado julgador a quo, nos seguintes termos (fls. 498501, grifado): No que tange a segunda alegação intentada pelo manifestante, na qual reclama que assegura que a antecipação mensal do mês de março do anocalendário em questão está representada pelo montante indicado no DARF pago em 30/04/2002, no valor de R$ 342.222,24, compete elucidar que o sofisma aventado na manifestação de inconformidade, na realidade, contrapõese às informações apostas e confessadas pelo próprio requerente, consoante se evidencia dos dados extraídas da DIPJ do Exercício 2003 — AnoCalendário 2002, transmitida em 26/06/2003 (fls. 475/476) e das DCTF original e retificadoras do 1° trimestre de 2002 (fis. 481/490), segundo as qual restou consignada a apuração da aludida antecipação, calculada com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, na importância de R$ 264.443,76, logo, distintamente de toda narrativa indicada na defesa, mas sim, caracterizando a ocorrência de pagamento a maior do valor apurado pelo contribuinte. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 8 [...] Vale frisar, no entanto, que o contribuinte não apresentou nenhum meio de prova de caráter fiscal e contábil, com o objetivo de comprovar liquidez e certeza do crédito glosado pela autoridade administrativa, haja vista que o DARF, por si só, não possui o condão de suprir prova documental que abrigue a reforma da decisão administrativa em discussão. Neste contexto, compete resgatar por mais esta oportunidade, que cabe ao sujeito passivo apresentar a documentação fiscal hábil atinente ao período de referência, devidamente acompanhado da escrituração contábil e demonstrações financeiras correlatas à apuração, a comprovação de apropriação e aproveitamento contábil das antecipações da contribuição a serem empregadas para fins de dedução da CSLL anual devida, bem como a demonstração da inexistência de compensação em períodos distintos da própria CSLL. Compulsando os autos verifico que a DIPJ do anocalendário 2002 (fls. 475/476) e a DCTF referente ao mesmo período (fls. 481/490) indicam o pagamento do valor de R$ R$ 264.443,76, a título de antecipação da CSLL, referente ao mês de março de 2002. Consequentemente, é este o valor que deve ser considerado para fins de apuração da base de cálculo negativa da CSLL no aludido anocalendário. Assim sendo, em relação a esta alegação, nego provimento ao recurso voluntário. Retenções feitas por órgãos públicos No tocante a este tema, assim se pronunciou a Recorrente, fls. 506: 3. Por outro lado, no que concerne às retenções feitas pelos órgãos públicos, os docs. 7/321 anexados à mencionada Manifestação de Inconformidade, bem como, os que estão aqui acostados (docs. 5/672), efetivamente comprovam que o montante retido na fonte por órgãos públicos foi o valor declarado pela ora Recorrente, ou seja, R$ 89.525,78 (R$ 50.960,55 + R$ 35.416,42 + R$ 3.148,81), e não o montante de R$ 40.572,12 e, também, que as respectivas receitas foram oferecidas a tributação pela CSLL. Para a perfeita compreensão da matéria em julgamento, convém transcrever o seguinte trecho da análise realizada pela autoridade fiscal da unidade de origem, fls. 6162: Retenção na fonte por órgão público 17. Conforme consulta ao sistema CNPJ (fl. 55), o contribuinte possui 94 filiais, porém em consulta ao Sistema SIEF/DIRF, foi encontrada retenção de impostos e contribuições na fonte somente em 3 filiais (6766, 8467 e 9862), além da matriz (fls. 31 a 34). 18. Verificouse à linha 41 da Ficha 17 DIPJ 2002 (fl. 27), o montante de R$ 89.525,78 (oitenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e setenta e oito centavos) deduzidos a titulo de CSLL Retida na Fonte por Órgão público. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 16306.000087/200886 Acórdão n.º 140100.656 S1C4T1 Fl. 915 9 19. Cabe lembrar que, conforme citado anteriormente, para que seja deferido o saldo credor de imposto de renda ou Contribuição Social, constituído de imposto ou CSLL retidos na fonte, é necessário que as retenções sejam comprovadas e que os rendimentos dessas retenções tenham sido oferecidos à tributação. Ademais, o ônus da prova cabe ao pleiteante. De acordo com o art. 837 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99): Art. 837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei n° 94, de 30 de dezembro de 1966, art.9°). 20. Conforme ficha 06A (fl. 26), observase que o contribuinte ofereceu à tributação valores de receita de produtos e serviços compatíveis com os declarados pelas fontes pagadoras relativamente aos órgãos públicos, cód. 6147; 6190; 8754 e 8767 (fl. 35). 21. Com relação à retenção por órgão público, obtémse o valor referente à CSLL multiplicandose os rendimentos brutos pela aliquota de 1,0%, conforme IN SRF/STN/SFC n° 23/2001, revogada pela IN SRF no 294/03. 22. Um resumo da consulta ao sistema SIEF/DIRF (fls. 31 a 34), é totalizado na fl. 35 para cada código da receita com os recolhimentos em todas as filiais. Assim, temos os valores da CSLL retida por órgãos públicos no valor de: 14.201,67 (.1.420.167,30 * 1,0%) + 94,57 (=9.456,84 *1,0%) + 4.497,06 (= 449.705,61 *1,0%) + 21.778,83 (.2.177.882,55* 1,0%) resultando num total de R$ 40.572,12 (quarenta mil, quinhentos e setenta e dois reais e doze centavos), que é o máximo que o contribuinte poderia deduzir como retenção de CSLL por órgão público, conforme tabela a seguir: CÓDIGO DA RECEITA RENDIMENTO BRUTO (R$) VALORES RETIDOS (R$) CSLL COMPENSÁVEL FLS. 0924 443.148,76 88.624,27 35 1708 1.487,90 22,31 35 3426 5.774.763,69 1.154.952,67 35 5706 252,95 37,80 35 6147 1.420.167,20 84.788,84 14.201,67 * 35 6190 9.456,84 553,22 94,57 * 35 6800 1,88 0,34 35 8045 538.612,51 8.046,70 35 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 10 8754 449.705,61 66.106,71 4.497,06 * 35 8767 2.177.882,55 49.124,96 21.778,83 * 35 Total 40.572,12 * Obs: * Valor correspondente ao rateio da retenção na fonte, referente à Contribuição Social, aplcando a alíquota de 1,0% ao rendimento bruto. Os diversos documentos constantes dos autos, assim como os documentos anexados à peça recursal pela contribuinte, confirmam a correção da análise realizada pelo Fisco. Dessa forma, afigurase correta a conclusão a que chegou o acórdão recorrido, fls. 492, verbis: Dessa forma, configurase a inexistência de prova inequívoca que implique descaracterizar os efeitos da decisão administrativa, hipótese esta que prejudica a formação de convicção acerca da certeza e liquidez do montante glosado do pretenso crédito reclamado a titulo de saldo negativo do ano calendário de 2001. Diante do exposto, considero que em relação a este tema o acórdão recorrido também não merece quaisquer reparos. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 931DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
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Numero do processo: 14041.720001/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES – SALÁRIO INDIRETO DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154,
37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AUTO DE INFRAÇÃO, e por consequência da Decisão de Primeira Instância.
DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES –FOLHA DE PAGAMENTO – GFIP E GUIAS DE RECOLHIMENTO.
Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova
suas alegações. Mesmo depois da decisão de primeira instância, não
apresentou o recorrente qualquer prova capaz de modificar o lançamento
realizado.
SALÁRIOS INDIRETOS – PRODUTIVIDADE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL CONTRIBUIÇÃO
DE SEGURADOS NÃO DESCONTADA ABAIXO DO LIMITE LEGAL
Quanto a apuração da contribuição sobre os valores de produtividade
“participação nos lucros” não observou o recorrente os preceitos da lei
10.101, para que referida verba estivesse excluída do conceito do salário de
contribuição. Ao efetivar o pagamento de forma habitual, desrespeitou o
recorrente os termos do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
SALÁRIOS INDIRETOS VALE REFEIÇÃO CONTRIBUIÇÃO PATRONAL CONTRIBUIÇÃO
DE SEGURADOS NÃO DESCONTADA ABAIXO DO LIMITE LEGAL
Para o caso concreto, entendo que o alimentação fornecido pelo empregador,
só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos
exatos termos do art. 28, “c” da lei, ou seja c) a parcela "in natura" recebida
de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do
Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril
de 1976.
O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a
empresa forneceu alimentação em cartões, sem a devida inscrição no PAT,
portanto em desconformidade com a lei.
.Os efeitos dos acordos e convenções coletivas restringem-se a regular a
relação trabalhista, salvo quando por expressa previsão legal seus efeitos
atinjam o conceito de salário de contribuição.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP GFIP.
TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS – NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e
não recolhidos. A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das
contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP TERCEIROS
Em sendo válido o lançamento da contribuição patronal que indicou verba
pagas em desacordo com a lei como salário de contribuição, outro não pode
ser o destino do AIOP de terceiros, considerando a idêntica base de cálculo.
Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para
arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154, 37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189,
37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na
administração previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO
COM OS PADRÕES.
Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS,
aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga,
devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as
parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS
Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, “g” do
RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – OMISSÃO EM GFIP Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo
Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do
Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavradas sobre os mesmos
fatos geradores.
CORRESPONSÁVEIS – EXCLUSÃO Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário a Relação de Corresponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA DIFERENÇAS DE FOLHA DE PAGAMENTO SALÁRIOS INDIRETOS CONTRIBUIÇÃO PATRONAL TERCEIROS CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS DESCONTADA E NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento
importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. Não
compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas
alegações.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que
suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e
do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a
matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em qualquer
vício no procedimento realizado, sendo que a ausência de impugnação
expressa e posterior recurso, acaba por ensejar a concordância com os termos
dos AI lavrados.
Recursos Voluntários Negados DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154,
37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219
Numero da decisão: 2401-002.351
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES – SALÁRIO INDIRETO DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154, 37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219 A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AUTO DE INFRAÇÃO, e por consequência da Decisão de Primeira Instância. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES –FOLHA DE PAGAMENTO – GFIP E GUIAS DE RECOLHIMENTO. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Mesmo depois da decisão de primeira instância, não apresentou o recorrente qualquer prova capaz de modificar o lançamento realizado. SALÁRIOS INDIRETOS – PRODUTIVIDADE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS NÃO DESCONTADA ABAIXO DO LIMITE LEGAL Quanto a apuração da contribuição sobre os valores de produtividade “participação nos lucros” não observou o recorrente os preceitos da lei 10.101, para que referida verba estivesse excluída do conceito do salário de contribuição. Ao efetivar o pagamento de forma habitual, desrespeitou o recorrente os termos do art. 28, § 9º da lei 8212/91. SALÁRIOS INDIRETOS VALE REFEIÇÃO CONTRIBUIÇÃO PATRONAL CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS NÃO DESCONTADA ABAIXO DO LIMITE LEGAL Para o caso concreto, entendo que o alimentação fornecido pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do art. 28, “c” da lei, ou seja c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa forneceu alimentação em cartões, sem a devida inscrição no PAT, portanto em desconformidade com a lei. .Os efeitos dos acordos e convenções coletivas restringem-se a regular a relação trabalhista, salvo quando por expressa previsão legal seus efeitos atinjam o conceito de salário de contribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP GFIP. TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS – NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP TERCEIROS Em sendo válido o lançamento da contribuição patronal que indicou verba pagas em desacordo com a lei como salário de contribuição, outro não pode ser o destino do AIOP de terceiros, considerando a idêntica base de cálculo. Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154, 37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, “g” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – OMISSÃO EM GFIP Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. CORRESPONSÁVEIS – EXCLUSÃO Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário a Relação de Corresponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA DIFERENÇAS DE FOLHA DE PAGAMENTO SALÁRIOS INDIRETOS CONTRIBUIÇÃO PATRONAL TERCEIROS CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS DESCONTADA E NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em qualquer vício no procedimento realizado, sendo que a ausência de impugnação expressa e posterior recurso, acaba por ensejar a concordância com os termos dos AI lavrados. Recursos Voluntários Negados DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154, 37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219
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DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES –FOLHA DE PAGAMENTO – GFIP E GUIAS DE RECOLHIMENTO. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Mesmo depois da decisão de primeira instância, não apresentou o recorrente qualquer prova capaz de modificar o lançamento realizado. SALÁRIOS INDIRETOS – PRODUTIVIDADE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS NÃO DESCONTADA ABAIXO DO LIMITE LEGAL Quanto a apuração da contribuição sobre os valores de produtividade “participação nos lucros” não observou o recorrente os preceitos da lei 10.101, para que referida verba estivesse excluída do conceito do salário de contribuição. Ao efetivar o pagamento de forma habitual, desrespeitou o recorrente os termos do art. 28, § 9º da lei 8212/91. SALÁRIOS INDIRETOS VALE REFEIÇÃO CONTRIBUIÇÃO PATRONAL CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS NÃO DESCONTADA ABAIXO DO LIMITE LEGAL Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Para o caso concreto, entendo que o alimentação fornecido pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do art. 28, “c” da lei, ou seja c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa forneceu alimentação em cartões, sem a devida inscrição no PAT, portanto em desconformidade com a lei. .Os efeitos dos acordos e convenções coletivas restringemse a regular a relação trabalhista, salvo quando por expressa previsão legal seus efeitos atinjam o conceito de salário de contribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP GFIP. TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS – NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP TERCEIROS Em sendo válido o lançamento da contribuição patronal que indicou verba pagas em desacordo com a lei como salário de contribuição, outro não pode ser o destino do AIOP de terceiros, considerando a idêntica base de cálculo. Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154, 37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 2 3 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, “g” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – OMISSÃO EM GFIP Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. CORRESPONSÁVEIS – EXCLUSÃO Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário a Relação de Corresponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA DIFERENÇAS DE FOLHA DE PAGAMENTO SALÁRIOS INDIRETOS CONTRIBUIÇÃO PATRONAL TERCEIROS CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS DESCONTADA E NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em qualquer vício no procedimento realizado, sendo que a ausência de impugnação expressa e posterior recurso, acaba por ensejar a concordância com os termos dos AI lavrados. Recursos Voluntários Negados DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154, 37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 3 5 Relatório Os presentes Autos de Infração de Obrigação Principal e Acessória, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela cargo dos segurados, da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, bem como as destinada a terceiros, sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 05/2007 a 12/2009. Tendo em vista que o acordão proferido englobou diversos Autos de Infração em um único documento; para fins de identificar, os fatos geradores descritos em cada AIOP e respectivo DEBCAD a ele atribuído, convém descrever com maiores detalhes as características de cada documento: DOS AUTOS DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (AIOP) DEBCAD – 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154 e 37.270.5162 Tratase de crédito correspondente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa à seguridade social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, as destinadas a outras entidade e fundos e as devidas por segurados empregados e contribuintes individuais, tanto as descontadas pela empresa de sua respectivas remunerações, quanto as não descontadas conforme descrito abaixo: DEBCAD 37.270.5138 Contribuições Devidas Pela empresa destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos razão do grau de incidência de incapacidade Valor (R$)8.690.419,43 – Período 01/2008 a 13/2009 – Contribuição Patronal DEBCAD 37.270.5146 Contribuições Previdenciárias destinadas a outras entidade e fundos 2.222.951,24 Período de 05/2007 a 12/2009 Terceiros DEBCAD 37.270.5154 Contribuições devidas por segurados empregados não descontas pela empresa de sua respectivas remunerações 1.298.114,24 – Período de 01/2008 a 12/2009 – Segurados não descontada DEBCAD 37.270.5162 Contribuições devidas por segurados empregados descontadas pela empresa de sua respectivas remunerações 2.007.153,94 – Período 01/2008 a 12/2009. A autoridade fiscal informa em seu Relatório Fiscal (fls. 84/112) que o lançamento de ofício do crédito previdenciário abrange o período compreendido entre as competências 05/2007 e 01/2008 a 12/2009, sendo que a apuração dos valores das remunerações foram obtidas a partir de Folhas de pagamento, da contabilidade, planilhas e das informações prestadas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Os fatos geradores constantes dos Autos de Infração de Obrigação Principal referemse: A) Divergência entre valores registrados em Folha de Pagamento e os declarados em GFIP – Levantamentos: “EA – Empregados Anterior MP”; “EP – Empregados Posterior MP”; “CA – Contribuinte Anterior MP”; “CP – Contribuinte Posterior MP” Considerouse como base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária o valor da remuneração paga a cada segurado, apurado por competência, conforme verificado em folhas de pagamento fornecidas pelo contribuinte, considerandose os valores por ele reconhecidos como base de cálculo, mas não informados em GFIP conforme descrito no anexo V. Levantamentos: “EA”, “EP”, “CA” e “CP”. Descreveu ainda o auditor, quais foram os elementos de convicção para formação do vínculo: B) Auxílio Alimentação Levantamento “AA – Alimentação anterior MP” e “AP – Alimentação posterior MP”: Considerados nestes levantamentos os pagamentos de remuneração habitualmente efetuados a segurado empregados por meio de crédito em cartão magnético a título de alimentação, conforme verificados em folha de pagamento e na contabilidade (conta 2010 Tripar BSB – Administração Cartões LTDA) conforme descrito no Anexo II do Relatório Fiscal, sendo os fatos geradores identificados a partir de planilhas fornecidas pela empresa em meio digital. Contudo, apesar de ter efetuado os pagamentos dos referidos benefícios a título de auxilio alimentação por meio de cartão magnético, não comprovou inscrição regular no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT para os anos 2008 e 2009, C) Levantamento “PA – Produtividade antes da MP” e “PP –Produtividade posterior a MP”: Remuneração de Segurado Empregado não incluída na Folha de Pagamento conforme verificado em planilhas fornecidas pela contribuinte – O pagamento deuse em virtude do estabelecido na cláusula Sexagésima quinta da convenção coletiva de trabalho (anos 2008/2010) firmada pelo Sindicato dos condutores de veículos rodoviários de Brasília (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Terrestres de Passageiros Urbanos, Interestaduais, Especiais, Escolares, Turismo e Transporte de Carga do DF –SITRATERDF) e pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e das Empresas de Transporte Coletivo Urbano do Distrito Federal. Com relação aos Autos de Infração de Obrigação Acessória vale destacar o objeto de cada um, de forma, a facilitar o julgamento a ser realizado. AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (AIOA) 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219 AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5170 (CFL 30) Tratase de autodeinfração emitido em desfavor da empresa supra citada por infringência ao art 32, inciso I, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso I e §9º, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O Relatório Fiscal (100/102) informa que a autuada efetuou pagamento de remuneração a título de auxílio alimentação e produtividade (conforme descrito acima) a segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social – RGPS na qualidade de empregado no período 01/2008 a 12/2009, sem que tais parcelas remuneratórias tenham transitado pela folha de pagamento, conforme constatase analisando a folha de pagamento e a escrituração contábil. Remunerou os segurados empregados à título de assistência médica, assim como remunerou os segurados contribuinte individual sócioadministrador a título de prólabore e assistência médica e remunerou outros segurados contribuintes individuais a título Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 4 7 de prestação de serviços diversos, sendo que tais remunerações não foram informadas em folhas de pagamento,. Da Penalidade Em decorrência da infração cometida, foi aplicada a penalidade prevista no art. 283, inciso I, alínea “a”, do RPS, no valor mínimo de R$1.523,57, atualizado pela Portaria MF/MPS nº 568/2010, publicada em 31/12/2010. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5189 (CFL 38) Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, lavrado sob nº 37.208.6470, em 23/06/2009, em nome do contribuinte acima identificado, por infração ao art. 33, §§ 2° e 3o, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 232 e art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 102/103) e demais folhas do processo, o contribuinte não levou a registro em sua escrituração contábil, valores de pagamentos efetuados a segurados empregados a título de produtividade. Tais valores não foram objeto de lançamento nos livros Diário, quer seja na qualidade de parcela integrante do salário de contribuição do segurado, e portanto, base de cálculo para incidência das contribuições previdenciárias, quer seja na qualidade de despesa da empresa, uma vez que se referem a pagamento de serviço prestado por pessoa física, conforme descrito no relatório acima. Da Penalidade Foi aplicada multa no valor total de R$ 15.235,55, conforme previsto nos art. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinados com o art. 283, inciso II, alínea “j”, e art. 373, do RPS, sendo os valores atualizados pela portaria MF/MPS nº 568/2010, publicada em 31/12/2010. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5197 (CFL 59) Tratase de autodeinfração, emitido em desfavor da empresa em epígrafe, em razão de haver infringido o art. 30, inciso I, letra “a” da Lei 8.212/91, e alterações posteriores, e no “caput” do artigo 4 da Lei 10.666/2003 combinado com a alínea “a” do inciso I do art. 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 102/103), o presente AI foi lavrado por ter sido constatado que a empresa deixou de arrecadar as contribuições dos segurados, mediante desconto das respectivas remunerações referentes às verbas de auxílio alimentação e produtividade, as quais foram consideradas base de cálculo de contribuições conforme descrito acima. Da Penalidade Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito, foi aplicada a multa, no valor de R$ 1.523.57 nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e do inciso I, alínea "g" do art. 283 e art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Os valores foram atualizados pela Portaria MF/MPS nº 568/2010, publicada em 31/12/2010. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5200 (CFL 68) Tratase de Auto de Infração por descumprimento do disposto no artigo 32, Inciso IV e §§ 3º e 5º da Lei n.º 8.212/91 em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 de todas as contribuições previdenciárias no período 01/2008 a 07/2008 conforme relatório fiscal (103/105). Da Penalidade Em decorrência da infração o valor da multa (R$213.299,80) foi calculado em consonância com o artigo 32, §5º da Lei n.º 8.212/91 (acrescentado pela Lei 9.528/97e Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 284, inciso II e art. 373., em consonância com o disposto no art. 106, alínea “c” do Inciso II do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5219 (CFL 78) Tratase de Auto de Infração lavrado por descumprimento do disposto no artigo 32, IV e §9º e Decreto 3048/99, art. 225, inciso IV em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas nas competências 08/2008 a 13/2009, conforme descrito nos itens 105/108 do relatório fiscal. Da Penalidade Em decorrência da infração foi aplicado multa no valor de R$28.260,00 calculado conforme artigo 32A, caput, inciso II e parágrafo 2º, da Lei n.º 8.212/91 (acrescentado pela Medida Provisória nº 449, de 04/12/2008), respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172/66 (CTN). DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Tendo em vista a ocorrência de fatos que em tese, configuram crime de sonegação de contribuições previdenciárias previsto no art. 337A do código Penal foi formalizada ao Ministério Público a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. Após os esclarecimentos pertinentes acerca dos Autos de Infração lavrados durante o procedimento e objeto de um único Acordão de 1 instância, passo as demais informações pertinentes aos processos para que se proceda ao julgamento dos mesmos. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/02/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/02/2011. Não conformada com a notificação, foi apresentada impugnação, fls. 1069 a 1467. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência do lançamento, fls. 1469 a 1488. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/05/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO. PAT. AUSÊNCIA Integram o saláriode contribuição os valores pagos a título de alimentação, em desacordo com o PAT Lei 6.321/76. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRODUTIVIDADE. Integra o saláriodecontribuição a parcela paga pela empresa ao segurado empregado a título de “produtividade”, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica.. ACORDOS COLETIVOS. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 5 9 Os Acordos Coletivos comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. LEGALIDADE. PORTARIA.ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a legalidade dos atos normativos infralegais RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. A Relação de Vínculos e Representantes Legais da Empresa são anexos que arrolam as pessoas que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores, servindo para fins de cadastro e possível responsabilização nos casos em que a lei determina. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatoria a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Não estando enquadradas nesta hipótese, as decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO GENÉRICO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento, salvo exceções previstas legalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, para cada um dos Autos de Infração apurados ,DEBCAD 37.270.515 4, FL. 1492 a 1522, DEBCAD 37.270.5219, fl. 1525 a 1555, DEBCAD37.270.5197, fl. 1558 a 1588, DEBCAD 37.270.5170, fl. 1591 a 1621, DEBCAD 37.270.5146, fl. 1624 a 1655, Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 DEBCAD 37.270.5162, fls. 1658 a 1688, DEBCAD 37.270.5189, fl. 1691 a 1721, DEBCAD 37.270.5200, fl. 1724 a 1754, DEBCAD 37.270.5138, fl. 1757 a 1787. Em síntese, recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Divergências apuradas As divergências alegadas simplesmente inexistem, na medida em que todos os lançamentos registrados em folhas de pagamento da empresa foram devidamente declarados pelo contribuinte, assim como foram devidamente recolhidas as contribuições previdenciárias; 2. Alimentação em desacordo com o PAT No que tange aos valores pagos a título de Auxilio Alimentação, o lançamento não merece prosperar pois a Lei 6.321/76 não condiciona o direito a isenção sequer ao atendimento de formalidade de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador –PAT, não podendo portanto condicionar o direito à isenção ao atendimento de formalidade de renovação de inscrição. Ademais, a portaria interministerial nº 5 do Ministério do Trabalho e Emprego, estabeleceu que a validade da inscrição no PAT vigora por prazo indeterminado, sendo que a autuada esta inscrita no referido programa há anos. Ou seja, a ausência de inscrição para os anos de 2008 e 2009 não tem o condão de afastar, na hipótese, a natureza não salarial de tal verba, que, inclusive, foi expressamente reconhecida pelas respectivas convenções coletivas de trabalho; 3. Que as portarias 34 e 62 expedidas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, ao preverem a obrigatoriedade do recadastramento das pessoas jurídicas beneficiárias do programa, extrapolam sobremaneira a competência que fora reservada pelo constituinte ao legislador ordinário, em manifesta ofensa ao principio da legalidade, do que se conclui que a exorbitante exigência nelas veiculada não poder servir como justificativa para transmutar a natureza não salarial da verba paga pela empresa. 4. Produtividade Quanto aos pagamentos realizados a título de produtividade, o levantamento não deve prosperar, pois os citados pagamentos foram realizados a título de participação nos lucros ou resultados conforme previsto na Lei 10.101/00, conforme expressamente previsto na cláusula sexagésima quarta da convenção coletiva de trabalho da categoria, sendo um direito constitucional expressamente garantido aos trabalhadores, não integrando portanto a remuneração dos empregados. 5. Multa desproporcional Que a Multa aplicada mostrase excessiva e desproporcional, tendo assim caráter confiscatório. 6. Insubsistentes o autos de obrigação principal e por consequência os de obrigação acessória. Face a correlação direta entre os mesmos. Se não subsistem os lançamentos correspondentes às obrigações principais, a mesma sorte devem seguir os autos de infração lavrados e decorrência do descumprimento de obrigações acessórias. 7. Que seja afastada a responsabilidade pessoal dos sócios; 8. Requer a juntada posterior de provas que comprovem os fatos alegados; O processo foi encaminhado a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 6 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1790. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO ANALISE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento dos diversos autos de infração de obrigação principal lavrados, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados e contribuintes individuais. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Já para os trabalhadores contribuintes individuais, o conceito de salário de contribuição está descrito no art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Quanto a contribuição patronal, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Valendo ditas exclusões, nos termos de lei, tanto para os segurados contribuintes individuais, como empregados a depender, é claro, das peculiaridades do próprio texto legal. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 7 13 d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 8 15 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do benefício de alimentação, e produtividade (entendida pelo recorrente como PLR), assumiu o recorrente o ônus de ter os valores da remuneração destinada ao trabalhador, integrando o conceito de salário de contribuição, já que pago em desacordo com as respectivas leis. A empresa foi regularmente intimada a apresentar o documentos relacionados a ditos pagamentos. Pela análise dos documentos a autoridade fiscal, chegou a conclusão que os pagamentos lançados no presente AIOP, não se enquadravam nas exclusões previstas no dispositivo legal, incluindo ditas verbas como salário de contribuição. VALEREFEIÇÃO DEBCAD 37.270.5138 No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrita: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No caso, para que o vale refeição esteja excluído do conceito de salário de contribuição, deverá estar de acordo com a Lei nº 6.321/1976, que em seu artigo 3º dispõe:“ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, bem como quais as modalidades de pagamento, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 16 próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, a ausência de inscrição no PAT, enseja a incidência de contribuição pelo descumprimento da legislação que trata da matéria. Sendo assim, o pagamento realizado encontrase em dissonância com os preceitos legais, razão porque constitui salário de contribuição. O fato de existir previsão em acordo ou convenção coletiva não interfere na natureza da verba para efeitos previdenciários, posto que a exclusão da base de cálculo encontrase descrita no art. 28, § 9º da lei 8212/91, sendo que o descumprimento dos preceitos ali descritos, faz nascer o dever de incluir ditos valores na base de cálculo de contribuição previdenciária. Ressalto apenas, para efeitos de esclarecimentos que o pagamento ora em julgamento não se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer é apena na modalidade “in natura”. PRODUTIVIDADE DEBCAD 37.270.5138 Os argumentos trazidos pela auditora fiscal para inclusão dos valores na base de cálculo de contribuições diz respeito ao fato de que os valores de “produtividade”, o qual entende o recorrente seriam PLR, eram pagos com habitualidade (mensalmente), sem a definição de regras claras e objetivas na convenção coletiva que previa o pagamento do benefício. O recorrente, pelo contrário, descreve em seu recurso que a verba, prevista em convenção coletiva, pela sua natureza de PLR já estaria de pronto, afastada do conceito de salário de contribuição. Contudo, ao contrário do que entende o recorrente, o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal de 1988 é uma norma de eficácia limitada, ou seja, depende de lei ordinária para sua eficácia plena. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, deve se ter em mente, que é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 9 17 das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 18 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto, podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 10 19 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Produtividade (Participação nos Lucros) pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista, no período em que foram efetuados, terem sido realizadas em desacordo com a legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 20 § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Assim, apesar da argumentação trazida pelo recorrente, verificase que o pagamento efetuados a título de “produtividade”, no caso presente, não atende plenamente os requisitos estabelecidos na legislação que trata sobre os pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados, pois, conforme explicitado no Relatório Fiscal a autuada efetuou pagamentos mensais aos segurados da previdência social a título de participação nos lucros/resultados, pagamentos mensais estes não negados pela recorrente. Desta forma, correto o posicionamento adotado pela autoridade fiscal ao considerar os pagamentos realizados a título de “Produtividade” como base de cálculo de contribuição previdenciária, pois os citados pagamentos não se confundem com a participação nos lucros/ resultados previstos na Lei 10.101/00. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros em periodicidade acima da prevista em lei, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Ou seja, a legislação é bem clara em apontar a proibição, sendo que ao efetuar o pagamento em mais parcelas, independente se chamamos de antecipação, correção de distribuição, ou qualquer outra nomenclatura, feriu a empresa os preceitos legais. O impugnante alega ainda, que os pagamentos realizados a título de “produtividade”, encontramse albergado nas Convenções Coletivas firmados entre os Sindicatos do empregados e empregadores. Conforme descrito pela autoridade julgadora no acordão proferido: “Contudo, devese destacar que o Acordo ou a Convenção Coletiva de trabalho são Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 11 21 instrumentos de negociação e previsão de direitos, mas nunca podem alterar o que determina a lei, em relação a um determinado instituto. O conhecimento da lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a participação nos lucros e resultados da empresa, não tributável, devem estipular condições que se afinem aos postulados da lei, no caso, a Lei 10.101/00. Ou seja, os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho constituem fonte normativa para as relações empregatícias, e obrigam as partes nelas envolvidas, ou seja, empregadores e empregados, porém não obrigam terceiros e não têm o poder de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei.” Por fim, quanto a clara natureza salarial das verbas, observemos o posicionamento do ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de produtividade e vale refeição em desacordo com a lei, não representam alguma espécie de ganho. Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Quanto a incidência de contribuições sobre a totalidade dos valores distribuídos à título de produtividade, entendo que acertado o trabalho do auditor. Novamente a legislação determina que não incidirá contribuição sobre distribuição dos lucros feita em conformidade com a lei. Se o recorrente pagou em mais vezes entendo que todo pagamento encontrase em desconformidade e dessa forma, constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 22 Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados e dirigentes em decorrência do contrato de prestação de serviços à recorrente, sendo, portanto, uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. DAS DIFERENÇAS APURADAS ENTRE GFIP E FOPAG DEBCAD 37.270.5138 Quanto ao levantamento em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a sua validade considerando inexistirem as diferenças, sem refutar, objetivamente qualquer dos valores indicados pela auditora fiscal. Ao constatar diferenças entre as bases de cálculo, compete ao auditor discriminar todos os fatos e diferenças, como bem o fez no relatório fiscal do Processo 14041.720001/201163, fl. 88, indicando inclusive no anexo V ditas diferenças. Observase que o recorrente apesar de impugnar não apresentou qualquer elemento de prova, para desconstituir os valores trazidos pelo auditor, razão porque a mera alegação não possui o condão de desconstituir a autuação. Uma vez que a notificada remunerou segurados, conforme informação prestada pelo próprio recorrente durante o procedimento fiscal, baseado no documento GFIP, deveria ter efetuado o recolhimento da totalidade das contribuições devidas à Previdência Social. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto desse levantamento, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de 1 instância presumese a concordância da recorrente com o acordão proferido. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a referida decisão. DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA DEBCAD 37.270.5154 Em sendo considerados procedentes os lançamento sobre os fato geradores alimentação e produtividade, conforme apreciado anteriormente, DEBCAD 37.270.5138, Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 12 23 devida por consequência a parcela do segurado referente as mesmas bases de cálculo. Resta nos apenas apreciar se observou o auditor, no momento da lavratura, o limite máximo do salário de contribuição, evitando seja cobrada contribuição além do limite devido. Conforme consta da fl. 92, Processo 14041.720001/201163, o auditor na apuração dos valores considerou em relação, a cada segurado o valor da remuneração, conforme verificado nas folhas de pagamentos fornecidas pelo contribuinte, assim, correto o posicionamento adotado, posto que sobre a remuneração auferida, incide tanto a parcela do próprio segurado, como a parcela patronal. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E NÃO RECOLHIDA. – DEBCAD 37.270.5162 Destaca também a auditora que procedeu aos levantamentos EA, EP e CCI, descrevendo os valores de contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, porém não recolhidos em época própria. Descreve, ainda a autoridade fiscal que a pratica realizada pelo recorrente de descontar e não recolher constitui, em tese, crime de apropriação indébita. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP e FOPAG, declaração realizada pela própria empresa e como não foram recolhidos em sua totalidade, resultaram em lançamento fiscal no período em questão. A obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto desse AIOP, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de 1 instância, presumese a concordância da recorrente com o acordão proferido. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a referida decisão. DEBCAD 37.270.5146 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADE E FUNDOS PERÍODO DE 05/2007 A 12/2009 TERCEIROS Em sendo considerados procedentes os lançamento sobre os fato geradores alimentação e produtividade, DEBCAD 37.270.5138, conforme apreciado anteriormente, devida por consequência, a parcela destinada a terceiros considerando que as contribuições possuem a mesma base de cálculo. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 24 Notese que o recurso apresentado pelo recorrente é exatamente igual ao apresentado para a referida AIOP, sem existir qualquer outro ponto diverso a ser apreciado. Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5200 (CFL 68) Tratase de Auto de Infração por descumprimento do disposto no artigo 32, Inciso IV e §§ 3º e 5º da Lei n.º 8.212/91 em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias no período 01/2008 a 07/2008 conforme relatório fiscal (103/105). Quanto ao AI de Obrigação Acessória em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a sua validade considerando inexistirem as diferenças (repetindo na verdade os argumentos trazidos nos Autos de Infração de Obrigação Principal), sem refutar, objetivamente qualquer das faltas ou valores imputados ao recorrente à título de multa pelo cometimento da infração descrita. Ao constatar a falta, compete ao auditor discriminar todos os fatos geradores e erros cometidos pela empresa, como bem o fez no DEBCAD 37.270.5200 (CFL 68) Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto desse AIOA, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de 1 instância, presumese a concordância da recorrente com o acordão proferido. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a referida decisão. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5189 (CFL 38) Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, lavrado sob nº 37.208.6470, em 23/06/2009, em nome do contribuinte acima identificado, por infração ao art. 33, §§ 2° e 3o, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 232 e art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 102/103) e demais folhas do processo, o contribuinte não levou a registro em sua escrituração contábil, valores de pagamentos efetuados a segurados empregados a título de produtividade. Tais valores não foram objeto de lançamento nos livros Diário, quer seja na qualidade de parcela integrante do salário de contribuição do segurado, e portanto, base de cálculo para incidência das contribuições previdenciárias, quer seja na qualidade de despesa da empresa, uma vez que se referem a pagamento de serviço prestado por pessoa física, conforme descrito no relatório fiscal. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 13 25 Quanto ao AI de Obrigação Acessória em questão, assim como vislumbramos nas defesas dos demais AI, o contribuinte resumiuse a atacar a sua validade considerando inexistirem as diferenças e salários indiretos (repetindo na verdade os argumentos trazidos nos Autos de Infração de Obrigação Principal), sem refutar, objetivamente qualquer das faltas ou valores imputados ao recorrente à título de multa pelo cometimento da infração descrita. Ao constatar a falta, compete ao auditor discriminar todos os fatos geradores e erros cometidos pela empresa, como bem o fez no DEBCAD 37.270.5189 (CFL 38) Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto desse AIOA, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de 1 instância, presumese a concordância da recorrente com o acordão proferido. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a referida decisão. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5197 (CFL 59) Tratase de autodeinfração, emitido em desfavor da empresa em epígrafe, em razão de haver infringido o art. 30, inciso I, letra “a” da Lei 8.212/91, e alterações posteriores, e no “caput” do artigo 4 da Lei 10.666/2003 combinado com a alínea “a” do inciso I do art. 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 102/103), o presente AI foi lavrado por ter sido constatado que a empresa deixou de arrecadar as contribuições dos segurados, mediante desconto das respectivas remunerações referentes às verbas de auxílio alimentação e produtividade, as quais foram consideradas base de cálculo de contribuições conforme descrito acima. Quanto ao AI de Obrigação Acessória em questão, assim como vislumbramos nas defesas dos demais AI, o contribuinte resumiuse a atacar a sua validade considerando inexistirem as diferenças e salários indiretos (repetindo na verdade os argumentos trazidos nos Autos de Infração de Obrigação Principal), sem refutar, objetivamente qualquer das faltas ou Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 26 valores imputados ao recorrente à título de multa pelo cometimento da infração descrita. Ao constatar a falta, compete ao auditor discriminar todos os fatos geradores e erros cometidos pela empresa, como bem o fez no DEBCAD 37.270.5197 (CFL 59) A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços, conforme previsão no art. 30, inciso I da Lei n ° 8.212/1991. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto desse AIOA, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de 1 instância, presumese a concordância da recorrente com o acordão proferido. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a referida decisão. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5170 (CFL 30) Tratase de autodeinfração emitido em desfavor da empresa supra citada por infringência ao art 32, inciso I, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso I e §9º, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O Relatório Fiscal (100/102) informa que a autuada efetuou pagamento de remuneração a título de auxílio alimentação e produtividade (conforme descrito acima) a segurados obrigatório do Regime Geral de Previdência Social – RGPS na qualidade de empregado no período 01/2008 a 12/2009, sem que tais parcelas remuneratórias tenham transitado pela folha de pagamento, conforme constatase analisando a folha de pagamento e a escrituração contábil. remunerou os segurados empregados a título de assistência médica, assim como remunerou os segurados contribuinte individual sócioadministrador a título de prólabore e assistência médica e remunerou outros segurados contribuintes individuais a título de prestação de serviços diversos, sendo que tais remunerações não foram informadas em folhas de pagamento,. Quanto ao AI de Obrigação Acessória em questão, assim como vislumbramos nas defesas dos demais AI, o contribuinte resumiuse a atacar a sua validade considerando inexistirem as diferenças e salários indiretos (repetindo na verdade os argumentos trazidos nos Autos de Infração de Obrigação Principal), sem refutar, objetivamente qualquer das faltas ou valores imputados ao recorrente à título de multa pelo cometimento da infração descrita. Ao constatar a falta, compete ao auditor discriminar todos os fatos geradores e erros cometidos pela empresa, como bem o fez no DEBCAD 37.270. 5170 (CFL 30) No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 14 27 Como se percebe, a própria lei conferiu poderes ao INSS para definir o padrão e as normas de elaboração dos documentos. A elaboração das folhas de pagamentos está disciplinada no art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Assim, era obrigação da recorrente o preparo das folhas de pagamentos. Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida, tendo em vista que o recorrente não reconhecia os pagamentos de valores por meio de empresas de premiação como salário de contribuição, nem mesmo reconhecia o pagamento. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto desse AIOA, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de 1 instância, presumese a concordância da recorrente com o acordão proferido. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a referida decisão. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.270.5219 (CFL 78) Tratase de Auto de Infração lavrado por descumprimento do disposto no artigo 32, IV e §9º e Decreto 3048/99, art. 225, inciso IV em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas nas competências 08/2008 a 13/2009, conforme descrito nos itens 105/108 do relatório fiscal. Da Penalidade Em decorrência da infração foi aplicado multa no valor de R$28.260,00 calculado conforme artigo 32A, caput, inciso II e parágrafo 2º, da Lei n.º Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 28 8.212/91 (acrescentado pela Medida Provisória nº 449, de 04/12/2008), respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172/66 (CTN). Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto desse AIOA, assim como ocorreram em relação a todos os demais AI lavrados, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de 1 instância, presumese a concordância da recorrente com o acordão proferido. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a referida decisão. QUANTO A MULTA APLICADA Quanto ao argumento trazido pelo recorrente de que a multa tem valor exarcebado, questionando inclusive a aplicação da multa de ofício, destacase que a autoridade fiscal no relatório de todas os AIOP e AIOA lavrados durante o procedimento, efetivou o comparativo entre a multa com base na legislação anterior e o disciplinado na MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2008, sendo que a multa de ofício só foi aplicada, nos casos em que seu valor era mais benéfico para o recorrente. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14041.720001/201163 Acórdão n.º 2401002.351 S2C4T1 Fl. 15 29 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 30 Nesse sentido, entendo que o auditor quando da lavratura, já procedeu o cálculo na forma devida, conforme demonstrado acima, razão porque não existe qualquer reparo a ser efetivado também com relação a multa aplicada. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS Por fim, quanto a exclusão dos coresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de AI pelo descumprimento de obrigações acessórias e principais, em sendo assim, a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de CoResponsáveis – CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento. CONCLUSÃO: Face o exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos para no mérito NEGARLHES PROVIMENTO, mantendo os lançamentos efetuados em relação a todos os Auto de infração lavrados, sejam eles: DEBCAD: 37.270.5138, 37.270.5146, 37.270.5154, 37.270.5162, 37.270.5170, 37.270.5189, 37.270.5197, 37.270.5200 e 37.270.5219. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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