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Numero do processo: 13411.000554/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.840
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000554/200611 Acórdão n.º 3301000.840 S3C3T1 Fl. 159 2 MURANAKA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 128/146, contra o acórdão nº 1123.696, de 10/09/2008, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE, fls. 115/121, que indeferiu solicitação referente a Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n.º 9.363/96, a ser compensado com tributos diversos por meio de PER/DCOMP (fls. 01/45), referente ao 3º trimestre de 2005, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Trata o presente processo de pleito de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor de R$ 197.965,38, referentes ao 3º trimestre de 2005, com fundamento na Lei nº 9.363/96, a serem compensados com débitos de tributos diversos, conforme estampado na PER/DCOMP anexada às fls. 01/45. Por meio do Despacho Decisório de fls. 76, a DRF em Petrolina indeferiu o pleito de ressarcimento formulado e não homologou a compensação pleiteada. A referida decisão administrativa lastreouse em parecer, às fls. 72 a 75, do qual extraímos a seguinte observação: ‘Foi verificado no Termo de Informação Fiscal que o estabelecimento que elabora produtos na TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados) como nãotributados não pode ser considerado estabelecimento industrial. Conforme resposta do contribuinte à intimação da fiscalização e conforme cláusula 03 do Contrato Social da Empresa, verificouse que a empresa tem por objetivo a exportação e importação de produtos de fruticultura, prestação de serviços e comercialização no mercado interno de produtos de fruticultura e produção própria, mais especificamente de manga e de uva, produtos estes enquadrados na TIPI, capítulo 08, como sendo nãotributados.’ Inconformada com a decisão administrativa, de cujo teor teve ciência em 21/12/2006 (AR de fls. 82), a requerente apresentou, tempestivamente, em 18/01/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 84/97, argüindo, em síntese, que: Dedicase à produção e comercialização de frutas, especialmente para o mercado externo. O crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, tem natureza jurídica de benefício fiscal à exportação e a recorrente, na condição de empresa produtora e exportadora, teria o direito de beneficiarse dos incentivos fiscais criados pela Lei nº 9.363/96. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 estabelece que, para fazer jus ao crédito presumido, é necessário apenas que a empresa produza e exporte mercadorias nacionais, pouco importando a classificação dos produtos na TIPI como “NT” (nãotributado). Em face do princípio da estrita legalidade (art. 5º, II e 150, I, da CF), os decretos, regulamentos ou instruções expedidas pela Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000554/200611 Acórdão n.º 3301000.840 S3C3T1 Fl. 160 3 administração tributária serviriam apenas para viabilizar a execução das leis, não havendo como se considerar a IN nº 313/2003 instrumento hábil a introduzir inovações no ordenamento jurídico, no sentido de excluir os produtos “NT” do cálculo do crédito presumido. A respeito da questão, transcreve ementas e excertos de julgados do STF e de tribunais administrativos. O fato de se permitir que produtos alíquota zero aproveitem do crédito presumido em detrimento dos produtos “NT”, importaria em descumprimento ao princípio constitucional da isonomia. Além disso, o princípio da razoabilidade, que implica em coerência na atuação do Estado, estaria sendo ferido, razão pela qual seriam inconstitucionais os atos administrativos ou legislativos praticados em desrespeito à coerência e à racionalidade. Sobre o assunto transcreve fragmentos doutrinários. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade apresentada, no sentido de que seja reconhecido o direito ao crédito presumido pleiteado e homologada a compensação formulada. A DRJ indeferiu a solicitação cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. O direito ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, instituído pela Lei n.º 9.363/96, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. Por conseguinte, não estão alcançados pelo benefício os produtos por ele nãotributados (NT). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa, com fundamento em juízo sobre constitucionalidade de norma tributária, negar aplicação da lei ao caso concreto. Solicitação Indeferida Tempestivamente, em 16/10/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 128/146, repisando seus argumentos anteriormente apresentados no sentido de que a lei prevê o benefício à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais e não à exportação de produtos industrializados. Apresenta decisões administrativas que corroboram sua tese. Assim, incabível, por ferir o princípio da legalidade, a restrição imposta pela IN SRF nº 313/2003. Ademais, pelo princípio da isonomia, deve ser reconhecido o direito Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000554/200611 Acórdão n.º 3301000.840 S3C3T1 Fl. 161 4 no caso de produtos NT, visto que o são quando se trata de alíquota zero. A negativa do pleito, por ser injustificável, fere, ainda, o princípio da proporcionalidade. Por fim, requer seja reconhecido seu direito de apurar o crédito presumido derivado de produtos NT e homologados os pedidos de compensação formulados. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. O presente processo cingese a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, benefício fiscal de que trata a Lei n.º 9.363/96, que concede ao estabelecimento produtor exportador o ressarcimento das contribuições para o PIS e COFINS incidentes sobre a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Conforme relatado, a empresa tem por objetivo a exportação e importação de produtos de fruticultura e a solicitação decorre de exportação de manga e uva, produtos classificados na TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados) como não tributado – NT. Conforme se demonstrará, os produtos não tributados pelo IPI, que constam na TIPI como “NT”, não dão direto ao crédito presumido. O art. 1º da Lei nº 9.363/96, consigna: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Assim, é necessário que a empresa seja “produtora e exportadora”, para que se faça jus ao benefício, relativo às aquisições de “matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000554/200611 Acórdão n.º 3301000.840 S3C3T1 Fl. 162 5 Na mesma toada, assim dispõe a Lei nº 9.363/96 em seu art. 4º, in verbis: Art.4oEm caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. (grifei) Cabe, ainda, transcrever o art. 4º da Portaria MF nº 38/97, que dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido e consigna: Art. 4º O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o crédito. (grifei) Acerca do tema assim versam os arts. 1º e 2º, § 1º da IN SRF nº 23/97: Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Direito ao Crédito Presumido Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; (...) (grifei) No mesmo passo o § 1º do art. 17 da IN SRF nº 313/2003 registra que: § 1º Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica produtora. Portanto, conforme se depreende de uma exegese sistêmica, a empresa produtora tem que ser contribuinte do IPI. De forma clara, a IN SRF nº 23/97 faz menção ao direito ao crédito presumido, inclusive quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero. Acaso houvesse interesse de estender o benefício aos produtos NT, obrigatoriamente deveria têlos mencionado, pois, em se tratando de benefício fiscal, sua Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000554/200611 Acórdão n.º 3301000.840 S3C3T1 Fl. 163 6 interpretação deverá ser restritiva e, portanto, a determinação precisa do seu significado enseja uma interpretação literal. A despeito da existência de procedimento ensejador de industrialização, como acondicionamento, para os efeitos fiscaistributários, não ocorre industrialização quando os elementos produzidos são indicados na Tabela de Incidência do IPI/TIPI como produtos NT. Sobre o tema, assim leciona o mestre Raymundo Clovis do Valle Cabral Mascarenhas, (in Tudo sobre IPI, 5ª edição, 2003, p.25/27), tecendo os comentários abaixo: O IPI não incide sobre os produtos constantes de códigos da Tipi seguidos da expressão "NT", que significa "nãotributado". (...) A Tabela de incidência do IPI – Tipi, que tem por base a Nomenclatura Comum do Mercosul, é uma relação ordenada e codificada de todas as coisas existentes, objeto de comercialização (mercadorias), seguidas das correspondentes alíquotas de incidência ou da expressão “NT”. Devese observar que na Tipi estão incluídas todas as coisas existentes, sejam produtos naturais (animais, vegetais e minerais) ou elaborados, ainda que não expressamente discriminados. (...) c) NT – que significa não tributado. Os produtos discriminados em códigos da Tipi aos quais corresponda a sigla NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI, nada importando que tais produtos possam ser considerados, para outros efeitos não relacionados com o IPI, como produtos industrializados. Da mesma obra merecem ser transcritos os dois excertos abaixo: Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido do IPI, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos não tributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica exportadora, integrando, entretanto, a receita operacional bruta (IN nºs 313/2003 e 315/2003). (p. 233) (...) Empresa fabricante de produtos classificados como "NT" na Tipi não é estabelecimento industrial nos termos do art. 8º, não sendo caracterizado como contribuinte do citado imposto. Nestas condições, fazem jus ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei n. 9.363/1996 somente as empresas que derem saída a produtos tributados, ainda que sob alíquota zero, incluindose, entre estes, carnes de bovinos e de suínos (Decisão nº 362/98 da 8ª RF). (p.233/234) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000554/200611 Acórdão n.º 3301000.840 S3C3T1 Fl. 164 7 No mesmo diapasão a administração tributária se manifestou através do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n.º 139, de 22 de abril de 1996, no item 4.11, conforme abaixo: "O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), e, produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI." Assim, não há que ser alegada obediência ao princípio da isonomia ou da proporcionalidade, em relação aos produtos com alíquota zero, por se tratar de situação distinta, vez que os produtos classificados como NT estão fora do alcance do IPI, por inexistir industrialização. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida que indeferiu a solicitação. No tocante às decisões trazidas à colação pela interessada, cumpre observar que, consoante o art. 472, do Código de Processo Civil, produzem efeitos apenas em relação às partes que integram o processo, somente alcançando terceiros nas hipóteses previstas no Decreto nº 2.346/97, o que não se configurou na espécie. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13411.000554/200611 Acórdão n.º 3301000.840 S3C3T1 Fl. 165 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 19515.000155/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
Não se tratou de lançamento por solidariedade ou de substituição tributária, in casu, a autuada está sendo cobrada na condição de sujeito passivo direto (contribuinte), por ter sido a executora da obra no contrato de empreitada total. O lançamento foi realizado em virtude da utilização de mão de obra na edificação, fato gerador das contribuições previdenciárias. Uma vez ocorrendo o fato gerador as contribuições são devidas, e não havendo prova
documental dos fatos efetivamente ocorridos, cabe a utilização de meios indiretos para apuração da base de cálculo, conforme previsto no art. 33 da Lei n 8.212 de 1991.
Numero da decisão: 2302-001.551
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos foi negado provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos foi negado provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se o art. 150, paragrafo 4 do CTN para todo o período. No mérito não houve divergência.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Não se tratou de lançamento por solidariedade ou de substituição tributária, in casu, a autuada está sendo cobrada na condição de sujeito passivo direto (contribuinte), por ter sido a executora da obra no contrato de empreitada total. O lançamento foi realizado em virtude da utilização de mãodeobra na edificação, fato gerador das contribuições previdenciárias. Uma vez ocorrendo o fato gerador as contribuições são devidas, e não havendo prova documental dos fatos efetivamente ocorridos, cabe a utilização de meios indiretos para apuração da base de cálculo, conforme previsto no art. 33 da Lei n 8.212 de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos foi negado Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos foi negado provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, paragrafo 4 do CTN para todo o período. No mérito não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausente momentaneamente o Conselheiro Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000155/200830 Acórdão n.º 230201.551 S2C3T2 Fl. 1.976 3 Relatório A presente NFLD, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude da utilização de mãodeobra assalariada, na edificação de obra de construção civil de responsabilidade do notificado, fls. 25 a 35. Os valores foram lançados por aferição indireta, relativos à obra Galvasud em Porto Real RJ. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 1.141 a 1.161. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferiu a decisão de fls. 1.897 a 1.918, mantendo o lançamento em parte. Houve o reconhecimento parcial da fluência do prazo decadencial. Dessa decisão foi interposto recurso de ofício. Não concordando com a decisão, houve interposição de recuso voluntário conforme fls. 1.923 a 1.939. Alega em síntese: a) A metragem utilizada na aferição não corresponde à metragem construída; b) obra construída possui 18.069,30 metros quadrados, muito próximo ao valor de 18.000 metros quadrados mencionados no campo 30 do CMA emitido em 27.07.1999; c) o lançamento está lastreado em presunções; d) não há indícios de débitos; e) não foram analisados os documentos pela auditoria fiscal; f) Exercendo seu direito, a Recorrente subcontratou diversas empresas, garantindo a estas, também, o direito de subcontratar. g) Houve recolhimentos; ocorreram erros formais pela não indicação da matrícula CEI da obra; h) Requerendo provimento ao recurso. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Quanto ao recurso de ofício não merece o mesmo prosperar. A aplicação do art. 173, inciso I do CTN foi realizada de forma adequada pelo órgão de primeira instância. Quanto ao recurso voluntário, o mesmo foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1.943. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, nas competências não abrangidas pela decadência. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. Mesmo porquê para aplicação do art. 150, parágrafo 4º ou 173, inciso I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica e competência por competência, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer determinada parcela como incidente, a mesma somente conseguiria ser apurada em uma ação fiscal. O lançamento foi realizado em dezembro de 2007. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.000155/200830 Acórdão n.º 230201.551 S2C3T2 Fl. 1.977 5 prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta, bem como o décimo terceiro desse ano. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2003, a qual findaria em 1o de janeiro de 2008. Nesse sentido da contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Não assiste razão à autuada ao afirmar que a metragem utilizada na aferição não corresponde à metragem construída. E de que a obra construída possui 18.069,30 metros quadrados, muito próximo ao valor de 18.000 metros quadrados mencionados no campo 30 do CMA emitido em 27.07.1999. A metragem utilizada pela fiscalização é a constante nos documentos examinados, conforme relatório fiscal (item 5). Os valores foram retirados da Planta constante na Prefeitura Municipal de Porto Real, Processo n.° 2011/99 e Alvará de Licença para Edificação n.° 019/99 emitido pela Prefeitura Municipal de Porto Real (fl. 153, vol. 1), Certidão de Características n.° 029/DAT/SMAFI/2002, da Prefeitura Municipal de Porto Real (fl. 154, vol. 1) e Habitese n.° 014/02, da Prefeitura Municipal de Porto Real (fl.155, vol. 1). Além desses documentos, a informação de que a área total da obra é 70.871 metros quadrados consta no campo Continuação do Campo 6 — Informação sobre a área da obra da Declaração e Informação sobre Obra de Construção Civil — DISO, preenchida e protocolada por representante da Notificada (fl. 141/151, vol. 1). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Também não há razão à recorrente ao afirmar que o lançamento está lastreado em presunções; e de que não há indícios de débitos. Não se tratou de lançamento por solidariedade ou de substituição tributária, in casu, a autuada está sendo cobrada na condição de sujeito passivo direto (contribuinte), por ter sido a executora da obra no contrato de empreitada total. O lançamento foi realizado em virtude da utilização de mãodeobra na edificação, fato gerador das contribuições previdenciárias. Uma vez ocorrendo o fato gerador as contribuições são devidas, e não havendo prova documental dos fatos efetivamente ocorridos, cabe a utilização de meios indiretos para apuração da base de cálculo, conforme previsto no art. 33 da Lei n 8.212 de 1991. Os recolhimentos que não demonstram a vinculação à obra de construção civil não podem ser aproveitados, para se evitar que uma mesma guia seja utilizada em diversas obras. Conforme já analisado pela decisão de primeira instância (item 83 à fl. 1.915), as Notas Fiscais, com vinculação à obra demonstrada, apresentadas pela recorrente já foram aproveitadas no lançamento. Os documentos trazidos aos autos não são capazes de afastar a regularidade do lançamento, conforme já devidamente analisado pela primeira instância às fls. 1.915 e 1.916. A recorrente não ataca os fundamentos da decisão de primeira instância, limitase apenas a repetir os argumentos da peça impugnatória. Como é cediço, para que um recurso seja considerado regular, o mesmo deve atacar os fundamentos do ato recorrido. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, bem como ao recurso voluntário. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11080.725308/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006
DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. MATERIA REFLEXA DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ.
Quando o lançamento para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS tem origem em fatos apurados em fiscalização de IRPJ, deve-se declinar a competência do julgamento para a Primeira Seção do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.404
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento para a Primeira Seção do CARF.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006 DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. MATERIA REFLEXA DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ. Quando o lançamento para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS tem origem em fatos apurados em fiscalização de IRPJ, devese declinar a competência do julgamento para a Primeira Seção do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento para a Primeira Seção do CARF. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 4371DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com exigência de multa agravada no valor de 150% e respectiva Representação Fiscal para Fins Penais. A autuação teve como fundamento, a falta de recolhimento da contribuição, em razão da redução da base de cálculo, por transferência de parte do faturamento para pessoa jurídica, constituída de forma simulada. Também foram objeto de lançamento o Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social para o Lucro Líquido CSLL, formalizados no Processo nº 11080.725307/201071. O lançamento teve como origem, os fatos constantes do procedimento fiscal para apuração do IRPJ, formalizado no Processo nº 11080.014467/200795. Inconformada com o lançamento, a empresa protocolou manifestação de inconformidade, alegando que não haveria simulação na estrutura empresarial, posto que as sociedades envolvidas exercem atividades reguladas em lei, com evidente propósito negocial e ainda, que não existiu qualquer evasão fiscal, uma vez que os tributos devidos ao Fisco Federal seriam menores, na hipótese da inexistência das operações realizadas pela empresa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006 SIMULAÇÃO. Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, sendo que a autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que verse sobre penalidade. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em casos de dolo, fraude ou simulação, o termo de início para contagem do prazo decadencial é aquele previsto no art. 173, I do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Fl. 4372DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11080.725308/201015 Acórdão n.º 3102 001.404 S3C1T2 Fl. 2 3 Cientificada da decisão, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, os fatos que ensejaram o lançamento tiveram origem em procedimento anterior de fiscalização do IRPJ, sendo o auto de infração, controlado no presente processo, reflexo daquela fiscalização. Tal posição é confirmada pela Autoridade Fiscal Autuante, no Termo de Verificação Fiscal, do qual transcrevo o trecho abaixo, onde é confirmada a origem dos fatos que embasaram o presente lançamento. "1.5 PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR RELATIVO AO MESMO OBJETO: A simulação de constituição de pessoa jurídica SABEMI TEC LTDA (originalmente denominada TECNOM LTDA), bem como de suas operações, com objetivo de reduzir tributos e contribuições incidentes sobre as atividades da SABEMI SEGURADORA S/A, ocorreu a partir de 25/05/2005. O IRPJ e a CSLL que deixaram de ser recolhidos, realtivos ao período de maio/2005 a dezembro/2006, foram objeto de lançamento de ofício nos autos do processo administrativo 11080.014467/2007 95. Este Termo de Verificação Fiscal está sendo lavrado, exclusivamente, em razão do lançamento de ofício da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) que deixou de ser recolhida pela SABEMI SEGURADORA S/A nos períodos de apuração de maio/2005 a dezembro/2006. No anocalendário de 2007, continuo ocorrendo a indevida redução no recolhimento dos tributos e contribuições federais amparada nos mesmos atos simulados observados nos anos calendário de 2005 e 2006. O IRPJ, A CSLL e a COFINS que deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte fiscalizado, referentes ao período de janeiro a dezembro/2007 foram objeto de lançamento de ofício nos autos do processo administrativo 11080.725307/201071." Fl. 4373DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Os fatos constantes dos autos não deixam dúvidas que lançamento teve origem na auditoria de IRPJ, constante do Processo nº 11080.014467/200795. Este lançamento, foi questionado administrativamente e segundo informações que constam do sitio do CARF, aguarda a apreciação de Recurso Voluntário distribuído para julgamento na 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF. Ao analisar a competência desta Seção para apreciar o recurso em questão, fazse necessária acatar a determinação do Regimento Interno do CARF, que define à Primeira Seção a competência para julgar recursos de oficio e voluntário, dos tributos conexos, decorrentes ou reflexos, cuja exigência esteja lastreada em fatos apurados em fiscalização do IRPJ, conforme previsto no inciso IV, do artigo 2º do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, transcrito abaixo. “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções.” No case em tela, confirmado que a exigência da COFINS, decorre de fatos apurados em fiscalização de IRPJ, voto no sentido de não conhecer do recurso e declinar a competência do julgamento à Primeira Seção do CARF. Fl. 4374DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 11080.725308/201015 Acórdão n.º 3102 001.404 S3C1T2 Fl. 3 5 Winderley Morais Pereira Fl. 4375DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10715.003111/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007
PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA.
A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é
infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do
Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP
135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-000.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a
preliminar de nulidade.
Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de nulidade. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. EDITADO EM: 31/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O presente processo trata da exigência do valor de R$ 50.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em fevereiro de 2007 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE’s listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00/00230/10”, descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 30, acompanhada dos documentos de fls. 31 a 55, para aduzir, em apertada síntese, que: (i) a equivocada fundamentação legal da penalidade aplicada torna nulo o auto de infração, conforme se depreende do inciso IV do artigo 10 combinado com o inciso II do artigo 59, ambos do Decreto 70.235/1972, eis que cerceia o direito de defesa da impugnante, uma vez que a multa não corresponde à infração supostamente praticada; (ii) as mercadorias embarcadas nos dias 03.02.2007, 09.02.2007 e 10.02.2007 foram informadas tempestivamente no Siscomex, conforme disposição contida na Solução de Consulta 215, de 16.08.2004; (iii) diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex; (iv) a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.003111/201055 Acórdão n.º 3201000.940 S3C2T1 Fl. 2 3 valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; (v) o artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os dados de embarque das mercadorias no Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; (vi) até o ano de 2008 o Siscomex Exportação registrava as averbações tempestivamente realizadas com novas, logo, em caso de qualquer divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas tinham que excluir a informação equivocada para posteriormente incluir a correta, porém, para fins de contagem de prazo, o Siscomex levava em consideração a data da inserção da informação correta. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0724.955, de 17/06/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cujo julgamento dispensou ementa, conforme disposição contida na Portaria 1.364, de 10/11/2004. O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e por julgar procedente em parte a impugnação, para manter o crédito tributário lançado no valor de R$ 10.000,00. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. Observese que a referência da IN 510/2005 foi quando da lavratura do Auto de Infração. Inicialmente, tratarei da preliminar suscitada de nulidade do lançamento por errônea tipificação, já que a recorrente entende que o dispositivo citado no auto de infração não guarda pertinência com o fato ocorrido. Argumenta a empresa, que o Auto de Infração foi lavrado com fundamento no art. 37 da IN n° 28/1994, que estabelecia, à época, o prazo de dois dias para que o transportador procedesse ao registro no Siscomex os dados de embarque das mercadorias destinadas ao exterior. No entanto, o art. 44 da referida IN determina expressamente que o descumprimento da obrigação constitui embaraço à fiscalização aduaneira, penalidade prevista na alínea “c”, IV, do art. 107 do Decretolei n° 37/66 e não alínea “e”, inc IV, do mesmo dispositivo. Observase que o art. 44 da citada IN menciona que o descumprimento a vários artigos, dentre eles, o art. 37, constitui embaraço à atividade da fiscalização aduaneira, sujeitando ao pagamento da multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, o art. 44 da referida IN estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma regulamentar é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. A norma infracional em análise não dispunha de comando integral, na medida em que não definiu o que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização; constituindo, da forma com está colocada pela redação dada pelo DL 751/69, “norma penal em branco”, uma vez que o agente para ser considerado infrator deveria descumprir determinada obrigação acessória não definida na lei de regência, mas em norma infralegal. Pois bem, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/1994 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da recorrente quanto à inaplicabilidade ao caso da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/1994 e suas alterações posteriores, tem por fim completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. No caso concreto, a infração tipificou a conduta da recorrente na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005 (à época do auto de infração), que dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.003111/201055 Acórdão n.º 3201000.940 S3C2T1 Fl. 3 5 serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (grifei) ** Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) (grifei) (...) Entendo que houve aplicação direta e objetiva da norma. Logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, que no caso é a prestação intempestiva da informação sobre carga transportada, ou seja, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de registrar corretamente os dados de embarques das mercadorias exportadas, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Em sendo assim, a recorrente não prestou as informações sobre as cargas transportadas no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa em comento, por descumprimento de obrigação acessória, não havendo falar em embaraço à fiscalização e, por conseguinte, em fundamentação legal equivocada da multa para gerar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; IIOs despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, são improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, logo, não vejo como acolher essa preliminar. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Concluindo, afasto alegação de nulidade levantada pela recorrente. Passando ao mérito, mas antes de adentrálo, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressalto para ficar bem claro, que a decisão de primeira instância, tendo em vista o retroatividade benigna, por conta da entrada em vigor da IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010 passando a ser de sete dias, para prestação de informações sobre as cargas pelo transportador. Logo, julgou procedente em parte e manteve o lançamento do crédito tributário no valor de R$ 10.000,00. Passo a todo histórico da legislação, do caso em concreto. O fato é que houve registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no auto de infração em prazo superior a dois dias, razão pela qual o auto de infração tipificou a conduta da autuada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprindo da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005. A obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, no Siscomex, independe da participação efetiva do fisco aduaneiro para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de dois dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04. Os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil para acessarem, de forma ininterrupta, o Siscomex, dentre outros sistemas informatizados, razão pela qual, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no referido sistema também devem ser contados ininterruptamente. A sistemática operacional consiste em o transportador registrar os dados de embarque imediatamente depois de realizado o embarque da mercadoria para o exterior, com base nos documentos por ele emitidos (observar os prazo da norma). E, posteriormente ocorrerá a averbação que é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação, por fim, será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Por isso, a importância, dentro do prazo, do informe dos dados de embarque pelo transportador, com a documentação. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.003111/201055 Acórdão n.º 3201000.940 S3C2T1 Fl. 4 7 Pois bem, as IN SRF 28/1994, da IN SRF 510/2005 ou da IN RFB 1.096/2010 dispõem: IN/SRF 28, de 27.04.1994, redação original Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (g.n.) Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN/SRF 28/1994, com redação da IN/SRF 510, de 14.02.2005 (vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) (g.n.) (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) IN/SRF 28/1994, com redação da IN/RFB 1.096, de 13.12.2010 (vigente a partir de sua publicação, ocorrida no DOU de 14.12.2010) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (g.n.) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...) A multa de que tratava o artigo 107 do DecretoLei 37/1966, antes da nova redação dada pela Lei 10.833/2003, assim dispunha. Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) (...) O art. 37 da IN/SRF 28/1994, estabelecia originalmente o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria pelo transportador no Siscomex, como sendo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”. O alcance do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex 105, de 27.07.1994: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. A IN/SRF 510/2005, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/RFB 1.096/2010, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu sete dias como sendo o prazo para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, independentemente da modalidade de transporte efetuada. É de observar também que o artigo 37 é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Logo, o aumento do prazo para o transportador registrar no Siscomex os dados do embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.003111/201055 Acórdão n.º 3201000.940 S3C2T1 Fl. 5 9 Por fim, a recorrente argumenta que não foi possível efetuar no prazo regulamentar os registros de embarque de que trata a presente autuação, uma vez que ocorreram falhas no Siscomex que a impediram de assim proceder, bem assim, em caso de divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas eram obrigadas a excluir a informação equivocada para incluir a correta, porém, o sistema somente considerava a data da inserção da informação correta, ou seja, apenas alega e foram verificados registros intempestivos de dados de embarque referentes aos despachos de exportação. Como já relatado, é de ver que para os embarques no Voo AR1255, ocorridos em 01.02.2007, 03.02.2007, 10.02.2007, 17.02.2007 e 18.02.2007, o novo prazo de sete dias, nos moldes da IN RFB 1.096/2010, para a prestação das informações sobre as respectivas cargas, iniciou em 02.02.2007, 04.02.2007, 11.02.2007, 18.02.2007 e 19.02.2007, e venceu em 08.02.2007, 10.02.2007, 17.02.2007, 24.02.2007 e 25.02.2007. Portanto, como se observa, são intempestivos os registros efetuados pela transportadora somente em 05.03.2007. Quanto aos embarques no Vôo AR1257, ocorridos em 06.02.2007, 07.02.2007 e 22.02.2007, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas, iniciou em 07.02.2007, 08.02.2007 e 23.02.2007, e venceu em 13.02.2007, 14.02.2007 e 01.03.2007. Portanto, são tempestivos os registros efetuados pela transportadora em 13.02.2007 e 28.02.2007. Quanto ao embarque no Vôo AR1939, ocorrido em 09.02.2007, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas, iniciou em 10.02.2007 e venceu em 16.02.2007. Portanto, é tempestivo o registro efetuado pela transportadora em 13.02.2007. Foi mantido o crédito tributário lançado no valor de R$ 10.000,00. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10670.003373/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2007
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. OCORRÊNCIA FÁTICA.
Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os
segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime
único de arrecadação (SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão.
É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.732
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Quanto à parte não conhecida, por se tratar de ato declaratório de exclusão do SIMPLES NACIONAL, a matéria deverá ser examinada pela Primeira Seção deste CARF, órgão ao qual deverão ser imediatamente remetidos os presentes autos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 07/07/2007 a 31/12/2007 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. OCORRÊNCIA FÁTICA. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado.
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OCORRÊNCIA FÁTICA. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. Quanto à parte não conhecida, por se tratar de ato declaratório de exclusão do SIMPLES NACIONAL, a matéria deverá ser examinada pela Primeira Seção deste CARF, órgão ao qual deverão ser imediatamente remetidos os presentes autos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003373/200869 Acórdão n.º 2402002.732 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados caracterizados como empregados, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 07/2007 a 12/2007. O Relatório Fiscal (fls. 24/29) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados delineados nas planilhas de fls. 23/41. Esses segurados eram considerados pela empresa como contribuintes individuais (autônomos) ou arrendatário das instalações do empreendimento (nome fantasia “Studio de Beleza Chez Marie”) e foram considerados como empregados, pois haveria os requisitos do vínculo empregatício. Esse Relatório Fiscal informa ainda que os segurados caracterizados como empregados exerciam as seguintes atividades: manicure, escovista, esteticista e cabeleireira. A empresa foi optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas SIMPLES até 30/06/2007 e por força da Lei Complementar 123/2006, a mesma encontravase na situação de optante pelo Simples Nacional a partir de 07/07/2007 (item 5 do Relatório Fiscal, fls. 24). A empresa deixou de apresentar o Livro Caixa e as folhas de pagamento de todos segurados, e apresentou as Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP’s) sem incluir a maioria dos segurados que prestaram serviços no período fiscalizado (item 6 do Relatório Fiscal, fls. 24). Por esses motivos, foi lavrada, em 12/06/2008, a Representação Fiscal para exclusão do Simples, considerando que, em tese, a empresa incorreu em hipóteses de exclusão prevista no artigo 29, incisos VIII e XII, da Lei Complementar123/2006, combinado com o artigo 5°, incisos VIII e XIV, da Resolução CGSN n° 15, de 23/07/2007. Em 17/06/2008, foi expedido pela Delegacia da Receita Federal de Montes Claros, o Termo de Exclusão do Simples Nacional n° 01/2008, com efeitos a partir de 01/07/2007, e em 02 de julho de 2008 foi dada ciência ao contribuinte do ato de exclusão e solicitado ao setor competente o seu registro no Portal do Simples Nacional na Internet, em atendimento ao disposto no artigo 4o, da Resolução CGSN n° 15/2007. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/07/2008 (fls.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 99/109) – acompanhada de anexos de fls. 110/122 –, alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente. Argui cerceamento de defesa, sob o fundamento de que a Autarquia não logrou êxito em demonstrar que a realidade fática dá ensejo ao fato gerador de contribuições previdenciárias que é objeto do AI ora impugnado, visto que o acervo probatório reunido Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pela Autarquia não leva à conclusão de que os trabalhadores mantiveram vínculo empregatício com a autuada, e sim, de que prestaram serviços de forma autônoma; 2. No mérito. Argui inexistência de fato gerador e de relação de emprego, sob os fundamentos de que: (i) excetuando aquelas pessoas que foram devidamente registradas como empregados da empresa autuada (docs. anexos), todas as demais supostamente consideradas no relatório do auditor fiscal jamais tiveram qualquer relação de emprego com a empresa autuada; (ii) a empresa autuada consiste em uma microempresa, simples saldo de beleza, que conta com a ajuda de alguns empregados e de vários autônomos/prestadores de serviços; (iii) os referidos prestadores de serviços/autônomos tinham e têm autonomia, atendiam e atendem seus próprios clientes, usavam e usam seus próprios instrumentos de trabalho, apenas utilizando o espaço cedido pela autuada; (iv) a necessidade permanente da empresa era suprida por aqueles que eram e são de fato empregados da autuada; (v) eventual controle de jornada (seja por meio de atestados médicos, carta de advertência, etc) se de fato foi realizada pela empresa autuada, foi tão somente em relação aos empregados da empresa e não aos referidos prestadores de serviços/autônomos; (vi) a cláusula quarta item “b” constante do contrato de arrendamento invocada pelo auditor, por si só, não tem o condão de caracterizar subordinação entre as partes. Isso porque o simples fato do referido dispositivo determinar quem devem ser observados os dias e horários de funcionamento do Studio de Beleza Chez Marie, não implica em controle da jornada de trabalho dos prestadores de serviços/autônomos e nem mesmo poderia. Como cediço, é o cliente e não o dono do estabelecimento que escolhe e marca o horário em que pretende ser atendido; (vii) assim, pela própria natureza do serviço, é impossível dizer se havia controle de jornada e/ou subordinação sobre os prestadores de serviço por parte da autuada; (viii) a referida cláusula deve ser interpretada de forma que se entenda que o prestador de serviço/autônomo, ao organizar a sua agenda, deve se ater aos horários de funcionamento da empresa autuada, isto é, considerando que a empresa autuada fecha suas portas aos domingos, o prestador de serviços não poderá lá comparecer em tal dia, ou seja, não poderá marcar de atender um cliente no domingo; (ix) pelo exposto, na relação havida com a autuada inexiste qualquer indício de subordinação, exclusividade e, até mesmo, salário, pois como dito, o valor repassado a tais prestadores/autônomos advinha da quantia paga pelos clientes dos mesmos (dos autônomos), sendo certo que o restante do valor era repassado à empresa autuada como forma de indenizála pelo espaço utilizado pelo prestador de serviço, não há falar em “configuração de relação de emprego entre o contribuinte e os trabalhadores”; 3. Quanto à exclusão do SIMPLES, alega nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros, por violação aos incisos LIV e LV do artigo 5° da CF e bem assim aos princípios fixados pelo artigo 37 da CF, sendo os quais deve pautarse a Administração Pública, bem como que as Leis Complementares 123/2006 e 127/2007 e a Resolução do CGSN n° 15, de 23 de julho Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003373/200869 Acórdão n.º 2402002.732 S2C4T2 Fl. 3 5 de 2007, que vinculam as regras relativas ao processo de exclusão do Simples Nacional, padecem de notória inconstitucionalidade; 4. Por último, pugna pelo cancelamento do AI e do Termo de Exclusão do Simples Nacional; protesta pela produção de todos os meios de provas em direito admitidos, máxime, depoimento pessoal do Fiscal Autuante, oitiva de testemunhas, juntadas de documentos, perícia, etc; sob pena de caracterizarse cerceamento de defesa; requer que avisos, intimações, notificações, etc, sejam remetidos para o Escritório de Advocacia dos procuradores da Autuada, situado na Rua Buenos Aires n° 31, Centro, Montes Claros/MG, CEP 39400088. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão no 0221.101 da 7a Turma da DRJ/BHE (fls. 125/134) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 138/150), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Montes Claros/MG encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento (fls. 151/162). É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 136/138) e não há óbice, em parte, ao seu conhecimento. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados caracterizados como empregados, relativas à parcela patronal, inclusive as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES NACIONAL”, por meio de ato próprio, no qual foi expedido o Termo de Exclusão do Simples Nacional (TESN) n° 01, de 17/06/2008, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG (fls. 30/32). Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES NACIONAL” estão devidamente registrados no Termo de Exclusão do Simples Nacional (TESN) n° 01, de 17/06/2008 (fls. 30/32), iremos afastar e não conhecer todos os motivos que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade do aludido TESN, que não está em julgamento nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para analisar essas matérias. O foro adequado para a discussão dessas matérias deverá ser o respectivo processo instaurado para esse fim e não o presente processo de lançamento fiscal de crédito previdenciário oriundo de uma obrigação tributária principal. Com isso, a decisão desta Turma da Corte Administrativa (CARF) vai restringirse exclusivamente às demais questões que não dizem respeito ao âmbito da matéria da sua exclusão do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES NACIONAL”. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 –, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa. Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos Fl. 335DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003373/200869 Acórdão n.º 2402002.732 S2C4T2 Fl. 4 7 impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ................................................................................................ Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (....) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Dessas regras do Regimento Interno do CARF, retromencionadas, percebe se, então, que os processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade. De fato, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (relação obrigacional principal) e a matéria referente ao enquadramento no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, uma vez que essa ultima matéria, sendo favorável ao Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários. A decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento fiscal procedente. Segue transcrição da Ementa: “ENQUADRAMENTO DE TRABALHADOR NA CATEGORIA DE SEGURADO EMPREGADO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Constatada a presença dos requisitos da relação de emprego estabelecidos na legislação, o trabalhador deverá ser enquadrado na categoria de empregado, para fins de apuração das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades e fundos, independentemente do vinculo pactuado entre a empresa e o trabalhador. A empresa que não cumpre os requisitos estabelecidos na legislação do SIMPLES será dele excluído. Foge à alçada da esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei vigente. Lançamento Procedente” Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão Fl. 336DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 definitiva sobre o enquadramento da empresa no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, o qual deverá ser analisado pela Primeira Seção do CARF. Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias que não dizem respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES NACIONAL”. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição patronal e às contribuições destinadas ao financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados caracterizados com empregados e foram devidamente delineados nas planilhas de fls. 40/41. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/95) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Fl. 337DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003373/200869 Acórdão n.º 2402002.732 S2C4T2 Fl. 5 9 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 24/29) e seus anexos (fls. 01/23 e 30/95) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 11/12), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 04/05). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD), fls. 06; Relatório de Lançamentos (RL), fls. 07/10; as planilhas contendo a profissão dos segurados e o período trabalhado na empresa (fls. 40/41); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 18/21) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 94/95) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 24/29. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/95) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Quanto à nulidade da decisão de primeira instância em decorrência de vício de cerceamento ao seu direito de defesa, tal alegação também não será acatada, eis que não há ocorrência de vício capaz de ensejar a nulidade da decisão. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A Recorrente alega que houve cerceamento ao seu direito de defesa, eis que o auto de infração “fora lavrado de forma afoita, quantos nesses mesmos moldes foi julgada a defesa apresentada, isto é, sem que se permitisse a produção de provas na instrução processual, visto que julgou antecipadamente a lide”. Os elementos probatórios deverão ser juntados ao autos nos prazos processuais estabelecidos pela legislação tributária e não cabe à autoridade julgadora alterar os dispositivos legais, assim encaminhou a decisão de primeira instância nos seguintes termos: “[...] Quanto à produção de provas através de depoimento pessoal do Fiscal Autuante e oitiva de testemunha, além de não haver na legislação de regência previsão para o seu deferimento, sua utilização não acrescenta nada para a solução do presente julgamento, visto que os fatos que ensejaram a lavratura do presente Auto de Infração foram verificados na documentação da própria empresa, tendo o aludido auditor constatado através da análise dos documentos analisados e juntados aos autos, por amostragem, a real situação dos trabalhadores, objeto da autuação, junto à empresa, qual seja, segurados empregados em situação irregular, trabalhando como se contribuintes individuais fossem. No que tange as provas documentais, estas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, nos termos do artigo 16, do Decreto n° 70.235, de 1972. Quanto à perícia, a matéria é regida pelo Decreto n° 70.235 de 1972, em seus artigos 16 e 18. O artigo 18 caput dispõe que a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no artigo 28, in fine. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993). No presente caso, a prova pericial não é considerada necessária, face à realidade fática constatada pela fiscalização na análise da documentação da própria Autuada, e carreada aos autos através do Relatório Fiscal e documentos juntados, por amostragem, de que os trabalhadores contratados pela empresa preenchem todos os requisitos da relação de emprego, e, portanto, deveriam ser enquadrados na categoria de segurados empregados e não de contribuintes individuais, para fins de apuração das contribuições previdenciárias. [...]” Logo, não merece qualquer anulação ou reparo a decisão de primeira instância, eis que ela está em consonância com a legislação tributária vigente, cabendo à Recorrente juntar aos autos os elementos probatórios para demonstrar as suas alegações esposadas na peça de impugnação e na peça recursal. Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO Com relação à caracterização da relação jurídica material dos prestadores de serviço como segurado empregado, constatase que o Fisco desconsiderou o Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003373/200869 Acórdão n.º 2402002.732 S2C4T2 Fl. 6 11 pacto firmado entre o segurado e a Recorrente e considerou o vínculo como relação de emprego. Nada há que se discutir que essa atuação representa violação à competência da Justiça do Trabalho, eis que a legislação tributária expressamente confere atribuição à autoridade fiscal para impor “sanções” sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material (artigos 142 e 149, IV, ambos do CTN), ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar um pacto laboral empregatício em que o contribuinte entendia não haver, e para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Insta mencionar ainda que, ao considerar um pacto laboral empregatício em que o contribuinte entendia não haver, a fiscalização da Receita Federal do Brasil não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo legal no artigo 229, § 2°, do Decreto 3.048/1999. Assim, a legislação previdenciária possibilita que o Fisco proceda dessa forma. Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 9º. São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (g.n.) Portanto, no lançamento fiscal ora analisado, o Fisco verificou as características de segurado empregado na relação jurídica material estabelecida inicialmente entre o contribuinte individual e a Recorrente, desconsiderou o vínculo pactuado e efetuou o respectivo enquadramento para o segurado na qualidade de empregado, conforme preconiza o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, in verbis: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (g.n.) Pelo contrário do afirmado na peça recursal, compulsando os autos do presente processo, verificamse os seguintes elementos fáticoprobatórios que caracterizam a relação empregatícia, inclusive a subordinação entre a Recorrente e os segurados: 1. pessoalidade, os segurados prestaram serviços e não foram substituídos por outras pessoas, tendo em vista a natureza dos serviços prestados por eles (manicure, escovista, esteticista e cabeleireira). Isso está devidamente consubstanciada na planilha de fls. 40/41, em que os segurados assentaram as suas assinaturas e o tipo de atividade exercida na empresa; 2. onerosidade, as pessoas elencadas na ação fiscal receberam remuneração, conforme documentos de fls. 65/67 (recibos de pagamentos, recibos de proventos e recibo de salário individual); 3. caráter não eventual é aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Ficou demonstrado que os segurados executaram os serviços durante vários meses seguidos, (período de 03/2003 a 12/2007, fls. 23); 4. subordinação, a Fiscalização identificou que ao longo da prestação de serviços, os horários e locais das atividades eram fixados pela Recorrente. O trabalhador age sob a direção da empresa, podendo ser comprovada pelas diversas cópias de atestados médicos com justificativa de faltas e/ou atrasos, carta de advertência por ausência do horário de trabalho e termo de rescisão do contrato de trabalho (fls. 33/88). Estes elementos demonstram que os prestadores de serviço não agiam com autonomia, mas estavam submetidos ao direcionamento e ao comando da empresa, não havendo, assim, dúvidas em relação à subordinação. Dessa forma, ao contrário do alegado entendo que foram apontados elementos suficiente a caracterização do vínculo descrito pela auditoria fiscal, qualificando os segurados como empregados. Cumpre esclarecer que as alegações da Recorrente, registradas na peça recursal, não está consubstanciada em documentos probatórios e sim em meros relatos que a relação estabelecida entre ela e os segurados seria não empregatícia. Essas alegações, desacompanhadas de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar, não constituem elemento de prova. Além disso, caberia à Recorrente apresentar o Livro Caixa e as folhas de pagamento de todos segurados, dentre outros documentos contábeis, para comprovar a fidedignidade dos registros contidos nos seus documentos declaratórios de fls. 110/122 e na sua tese de defesa. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10670.003373/200869 Acórdão n.º 2402002.732 S2C4T2 Fl. 7 13 Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. O processo deverá ser encaminhado à Primeira Seção do CARF para processamento e julgamento da matéria relacionada ao enquadramento da empresa no SIMPLES NACIONAL, que foi a parte do recurso voluntário não conhecida no presente julgamento desta Turma do CARF. Também deixo consignada a necessidade de suspender os efeitos deste Acórdão até a deliberação definitiva da Primeira Seção do CARF. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900252/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
DCOMP. SALDO NEGATIVO. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. SALDO NEGATIVO UTILIZADO INFERIOR AO INFORMADO EM DIPJ. DIVERGÊNCIAS QUE NÃO IMPEDEM A ANÁLISE DO CRÉDITO. Não subsiste o ato de não-homologação quando, mesmo frente à divergência apurada entre o valor final do saldo negativo, e das parcelas que o compõem, era possível conferir a apuração do sujeito
passivo com vistas a reconhecer-lhe, ao menos, parcela do crédito utilizado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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SALDO NEGATIVO. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. SALDO NEGATIVO UTILIZADO INFERIOR AO INFORMADO EM DIPJ. DIVERGÊNCIAS QUE NÃO IMPEDEM A ANÁLISE DO CRÉDITO. Não subsiste o ato de nãohomologação quando, mesmo frente à divergência apurada entre o valor final do saldo negativo, e das parcelas que o compõem, era possível conferir a apuração do sujeito passivo com vistas a reconhecerlhe, ao menos, parcela do crédito utilizado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10783.900252/200628 Acórdão n.º 110100.698 S1C1T1 Fl. 92 2 Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10783.900252/200628 Acórdão n.º 110100.698 S1C1T1 Fl. 93 3 Relatório AROANA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, manteve a não homologação da compensação formalizada com saldo negativo de IRPJ que teria sido apurado no ano calendário de 2002. A interessada transmitiu a DCOMP nº 14261.78766.130803.1.3.023338, posteriormente retificada pela DCOMP nº 22120.16479.160903.1.7.022004, para utilização de crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.111,12, com vistas à extinção de débito de IRPJ apurado em junho/2003, no valor original de R$ 2.005,06. Consta às fls. 29/30 intimação que teria sido cientificada à contribuinte por via postal em 02/08/2006, com o seguinte teor: O valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ. Apuração: EXERCÍCIO 2003. DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 3.175,66 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$ 2.111,12 Crédito DIPJ: R$ 19.593,21 (Somatório dos valores da FICHA 12A, LINHAS 12 A 17) Crédito PER/DCOMP: R$ 2.111,12 (Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda Retido na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Estimativas compensadas com outros tributos) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Base legal: Art. 6o, Parágrafo 1o, Inciso II e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4o e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Posteriormente, em 03/06/2008, a interessada foi cientificada de despacho decisório de nãohomologação da compensação, sob a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 2.111,12 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10783.900252/200628 Acórdão n.º 110100.698 S1C1T1 Fl. 94 4 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 3.175,66 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade afirmando que não foi intimado sobre a irregularidade no preenchimento da DIPJ, que nulo seria o despacho decisório por ausência de ampla defesa e contraditório, e que o saldo negativo da DIPJ teria sido corrigido mediante declaração retificadora transmitida em 09/06/2008. A Turma julgadora rejeitou estas alegações, na medida em que a ciência da intimação precedente ao despacho decisório estava provada nos autos, e também porque os procedimentos especiais desenvolvidos para conferência do crédito de saldo negativo dependem da compatibilidade entre as parcelas que o compõe e estão informadas na DIPJ e na DCOMP. Acrescentou, ainda, que: 8.3. Mas o procedimento não se esgota nesta validação. Em etapas posteriores, se verifica, por exemplo, quanto do crédito ainda pode ser usado, descontandose, se for o caso, parcelas que já tenham sido aproveitadas em outras Declarações de Compensação. 8.4. Tais procedimentos não são estabelecidos por apego a formalidades, mas em respeito aos princípios da legalidade e da verdade material, de modo a garantir o interesse público que há em evitar compensações indevidas. Podese, inclusive, fazer uma analogia entre o procedimento de verificação adotado pela Receita Federal e o processo judicial de conhecimento em primeira instância. A partir da DComp/petição inicial seguese um procedimento/processo através do qual aquele a quem compete decidir formará seu,convencimento. 8.5. No caso sob análise, o interessado teve sua declaração não homologada Porque deixou de retificar tempestivamente sua DIPJ ou DComp, só vindo a fazêlo depois de Proferido o Despacho Decisório, quase dois anos depois de intimado. 8.6. A irregularidade apontada no Termo de Intimação não pode ser sanada em sede de Manifestação de Inconformidade posto que, antes de decisão impugnada, não foi observado, face à omissão do interessado, o devido procedimento de verificação. 9. Portanto a DComp não deve ser homologada. Cientificada da decisão de primeira instância em 04/05/2009 (fl. 48), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 27/05/2009 (fls. 49/54), no qual reafirma seu direito ao contraditório e à ampla defesa, especialmente no que tange ao conhecimento da demanda por meio de ato formal de citação. Depois de firmar a tempestividade do recurso e a desnecessidade de arrolamento de bens, argumentou: O contribuinte acima ingressou com pedido de Compensação em 13/08/2003 registrada sob o número14261.78766.130803.1.3.023338, a qual foi retificada em 16/09/2003 registrada sob o número 22120.16479.160903.1.7.022004, onde ficou destacado que a origem do crédito se deu por Saldo Negativo de IRPJ com apuração no exercício 2003, contudo, equivocadamente constou o valor de R$ 3.175,66 sendo o correto o valor de R$ 2.111,12. Ocorre que em momento algum o Contribuinte foi intimado sobre a irregularidade, tal procedimento sendo de praxe e corriqueiro na Secretaria da Receita Federal, por esse motivo, a mesma entende que não pode ser penalizada, uma vez que, retificou a DIPJ/2003 para que ficasse demonstrada a origem do crédito, destacou também o efetivo valor utilizando na perdcomp, portanto, não se valeu para obter qualquer vantagem financeira ou fiscal oriunda do equivoco. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10783.900252/200628 Acórdão n.º 110100.698 S1C1T1 Fl. 95 5 Citando os arts 3°, 26, 27 e 28 da Lei 9.784/99, e invocando o princípio da boafé, reafirma que em momento algum teve intenção de ludibriar o fisco em relação a seu crédito, apenas equivocouse no que se refere ao período de apuração do saldo negativo, o qual está consubstanciado e declarado corretamente na DIPJ2003 Retificadora, inclusive no exato valor do crédito lançado na Per/Comp. Consigna que seu crédito corresponderia a R$ 2.111,12, em virtude de IRRF sobre aplicações financeiras, sob código 6800, fonte pagadora 28.127.603/000178. Reitera que não foi intimado a corrigir seu erro, mas que eliminou a irregularidade com a apresentação de DIPJ retificadora, defendendo a possibilidade de atendimento intempestivo de intimação em sede Recursal. Pede, assim, a nulidade do despacho decisório, registrando, ao final, que: O Contribuinte não tendo homologada a sua perdcomp, além de sofrer as penalidades de pagamento do imposto com as correções de juros e multa, ainda terá prescrita seu direito de utilizar o saldo negativo constante na DIPJ/2003, tal qual preceitua o artigo 168 do CTN, sendo assim, originaria um duplo prejuízo, por conseqüência um enriquecimento sem causa da União, pelo simples fato de que a origem do crédito se deu por imposto retido de aplicação financeira, já recolhido aos cofres públicos pela instituição financeira e também na não homologação pela contribuinte um novo pagamento, por conseqüência o recebimento duplo do mesmo tributo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10783.900252/200628 Acórdão n.º 110100.698 S1C1T1 Fl. 96 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A interessada apenas nega ter sido intimada a regularizar as divergências existentes entre DCOMP e DIPJ, mas não infirma o aviso de recebimento de fl. 30, dirigido a seu domicílio fiscal e recebido por Regiane P. Costa. Como se vê do referido documento, foi ele identificado sob nº 608860320, de modo a vinculálo com a intimação de fl. 29, que apresenta o mesmo número como sendo de rastreamento. Ante esta evidência, não subsistem suas alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Demais disto, seria de se invocar, aqui, por analogia, o que já sumulado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. De outro lado, porém, necessário se faz verificar se, efetivamente, a divergência constatada entre a DIPJ e a DCOMP impediria a análise do crédito pretendido pela interessada. Conforme constou na intimação enviada à contribuinte, além de o saldo negativo informado na DIPJ (R$ 3.175,66) ser maior que o saldo negativo utilizado na DCOMP (R$ 2.111,12), os créditos opostos ao imposto devido na DIPJ totalizaram R$ 19.593,21, ao passo que na DCOMP estes créditos totalizaram R$ 2.111,12. Não consta dos autos a DIPJ originalmente entregue pela contribuinte. Mas sua retificadora permite inferir que os créditos no valor total de R$ 19.593,21, acima apontado, corresponderiam à soma das estimativas pagas no anocalendário (R$ 16.417,55) ao IRRF deduzido no ajuste anual de R$ 3.175,66, pois, estimativas daquele valor permaneceram indicadas na DIPJ retificadora, mas agora somadas ao IRRF de R$ 2.111,12, e confrontadas com o IRPJ devido no ajuste anual que foi igual à única estimativa apurada em dezembro/2002: R$ 16.417,55. A estimativa de R$ 16.417,55, em dezembro/2002, foi liquidada mediante a dedução de outra parcela de IRRF, e, em tais circunstâncias, a contribuinte está obrigada a informar na Ficha 43 da DIPJ os rendimentos e o imposto retido na fonte naquele período, indicando, também, a fonte pagadora e o código de retenção correspondente. Além disso, as fontes pagadoras prestam informações correlatas em DIRF, o que viabiliza a conferência e a apuração de eventuais divergências. Diante deste contexto, vislumbrase que era possível à autoridade administrativa, mesmo frente à divergência apurada entre o valor final do saldo negativo, e das parcelas que o compõem, confirmar em seus bancos de dados se houve retenção de imposto suficiente para a liquidação da estimativa de R$ 16.417,55 e, ao menos, para o IRRF indicado na DCOMP (R$ 2.111,12), de forma a reconhecer ou não esta parcela inferior àquela antes indicada na DIPJ (R$ 3.175,66). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10783.900252/200628 Acórdão n.º 110100.698 S1C1T1 Fl. 97 7 O procedimento administrativo, porém, foi interrompido no primeiro obstáculo identificado, transferindo ao sujeito passivo a obrigação de compatibilizar as informações de suas declarações, sem sequer cogitar da viabilidade de se fazer, ao menos, a conferência da parcela do crédito utilizado na DCOMP. Não se olvida, aqui, que as instruções de preenchimento do sistema PER/DCOMP na versão 1.0, disponível à época da transmissão da DCOMP, orientavam o sujeito passivo a manter a compatibilidade entre o saldo negativo informado na DCOMP e na DIPJ. É o que ali consta: Pasta Crédito Ficha Saldo Negativo de IRPJ [...] a) Valor do Saldo Negativo: Informar o valor do saldo negativo de IRPJ apurado no período a que se refere o crédito objeto do Pedido Eletrônico de Restituição ou a Declaração de Compensação, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) ou na Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (DIRPJ). [...] Mas estas orientações não excluem a possibilidade de erro pelo sujeito passivo, e não dispensam a autoridade administrativa de outras verificações, especialmente quando há informações para tanto na DIPJ apresentada. Poderseia cogitar, ainda, da necessidade de confirmação dos débitos de IRPJ apurado naquele período e do oferecimento, à tributação, das receitas que se sujeitaram à retenção de imposto de renda, ou mesmo da necessidade de comprovação do recolhimento de estimativa ou de apresentação dos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, consoante exige a Lei nº 7.450/85 (Art. 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos). Porém, estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. O confronto da DIPJ com a DCOMP dá indícios do erro cometido pela contribuinte ao apontar o crédito que pretendia compensar, e a retificação de DIPJ por ele promovida reduz o saldo negativo ao montante utilizado na DCOMP. Em tais condições, impõese concluir que a motivação expressa pela autoridade administrativa não é suficiente para que se mantenha a nãohomologação da compensação. Logo, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10783.900252/200628 Acórdão n.º 110100.698 S1C1T1 Fl. 98 8 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10783.900252/200628 Acórdão n.º 110100.698 S1C1T1 Fl. 99 9 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11610.004459/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002
PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO.
Consoante o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC).
De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.
Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória no débito recolhido.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-001.270
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002 PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Consoante o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC). De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória no débito recolhido. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório ITAÚSA INVESTIMENTOS ITAÚ S.A.., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 33 e seguintes) contra o acórdão nº 1625.236, de 07 de maio de 2010, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 24 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o auto de infração, em virtude de não pagamento de multa de mora em recolhimento em atraso de PIS, sob a alegação de que não cabe a exclusão da multa em denúncia espontânea, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Em auditoria fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi constatado "Multa paga a menor" da Contribuição para Programa de Integração Social — PIS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 11/2002 e 12/2002 declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 15 e 16 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário de multa perfazendo o total de R$ ..., com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L 5172/66; Arts. 43 e 61 c par 1 e 2 L 9430/96; Art 9 c par UN L 10426/02. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado cm 11/04/2007 (Extrato dos CORREIOS — Histórico do Objeto à fl. 22) o contribuinte protocolizou, em 10/05/2007 a impugnação de fls. 01 a 07 acompanhada dos documentos dc fls. 0821, na qual alega: 2.1. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA: O Impugnante, reconhecendo o estado de mora em relação ao pagamento da contribuição ao PIS, efetuou seu recolhimento em atraso, corrigido monetariamente c acrescido de juros de mora, antes da prática de qualquer auto de fiscalização por parte da Receita Federal. 2.2. Inserto na Seção IV, do Capitulo V do Titulo II do CTN, que dispõe sobre a responsabilidade tributária por infrações legislação tributária, o art. 138 preceitua, conforme reproduzido. 2.3. Do dispositivo supra transcrito, vêse claramente que, à exceção dos juros de mora, nenhum outro ônus pode recair Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.004459/200703 Acórdão n.º 330101.270 S3C3T1 Fl. 54 3 sobre o contribuinte que denunciou espontaneamente seu débito e que, consequentemente, teve excluída a responsabilidade pela infração cometida. Reproduz jurisprudência. 2.4. Por fim, requer o Impugnante que o presente auto de infração seja cancelado em razão da impossibilidade da exigência de multa, seja ela punitiva ou moratória, nos casos em que houve denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do CTN. Protesta pela juntada dos documentos anexos e de outras provas cm direito admitidas. A DRJ considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, consoante a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Extraise do v. Acórdão ainda o seguinte trecho: 6. Alega a 1mpugnante : "DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA: O Impugnante, reconhecendo o estado de mora em relação ao pagamento da contribuição ao PIS, efetuou seu recolhimento em atraso, corrigido monetariamente e acrescido de juros de mora, antes da prática de qualquer auto de fiscalização por parte da Receita Federal" c "Inserto na Seção IV, do Capitulo V do Titulo II do CTN, que dispõe sobre a responsabilidade tributária por infrações 'legislação tributária, o art. 138 preceitua, conforme reproduzido". 6.1. Quanto à denúncia espontânea, cabe salientar que a mora surge conforme disposto no Código Civil, com o inadimplemento da obrigação no prazo fixado para o seu vencimento. Inexistindo pagamento na data determinada, configurase a mora e as imposições legais dela decorrentes. Não encontra amparo jurídico a tese sustentada pela manifestante de que a denúncia Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 espontânea da infração fiscal, com o recolhimento do tributo devido, desobriga o contribuinte do pagamento da multa de mora. Na verdade, está a contribuinte dando interpretação equivocada ao disposto no artigo 138 do CTN, não podendo, pois, prosperar suas razões. 6.2. Com efeito, a todo contribuinte que denunciar, dc forma voluntária e antes do inicio do procedimento fiscal, uma infração à legislação tributária, é dado ver excluída sua responsabilidade tributária pela infração praticada, com o que terá afastada a aplicação das sanções acaso cabíveis, nos precisos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. Isso, contudo, não autoriza a interpretação de que é indevido o pagamento da multa moratória exigida pela Secretaria da Receita Federal, pois a multa dc mora não tem natureza de penalidade por infração à legislação tributária, não se confundindo, pois, com a multa de oficio, esta sim revestida de caráter punitivo. 6.3. 0 entendimento da Administração acerca da matéria, fundado nos argumentos acima tecidos, foi esposado no Parecer Normativo CST no 61, de 26/10/1979, nos seguintes termos:: ... 6.5. Desassiste, assim, razão à Impugnante quando, invocando o art. 138 do CTN, pretende eximirse do acréscimo da multa moratória, legalmente definida, incidente sobre tributos pagos cm atraso. 0 instituto da denúncia espontânea exclui tãosomente a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea. 6.6. Conforme as razões acima aduzidas, é forçoso inferir que na denúncia espontânea da infração, nos termos em que o instituto está previsto no artigo 138 do CTN, a multa de mora é indispensável. 6.6.1. Ademais, o artigo 61 da Lei n 9.430/96 assim determina: Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, insurgindose contra a exigência da multa, que alega não ser devida no caso, por se tratar de denúncia espontânea, conforme transcrição a seguir: ... correta é a afirmação de que o artigo 138 do CTN não distinguiu entre as espécies de infração. No entanto, ao descrever a necessidade de pagar o tributo (principal), acrescido dos juros de mora, o referido artigo deixou clara a impossibilidade de exigência de multas de todas as espécies. Diante disso, por expressa determinação da Lei Complementar, à. exceção dos juros de mora, nenhum outro ônus pode recair sobre o contribuinte que denunciou Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.004459/200703 Acórdão n.º 330101.270 S3C3T1 Fl. 55 5 espontaneamente seu débito e que, conseqüentemente, teve excluída a responsabilidade pela infração cometida. Referido comando legal, à evidência, visa a privilegiar os contribuintes que, agindo de boafé, dirigemse à Fazenda Pública e se dispõem a pagar tributos indiscutivelmente devidos e já vencidos não obstante ainda não tenham sofrido qualquer tipo de fiscalização. A intenção do legislador, nestes casos, é justamente beneficiar aqueles que, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, denunciam deliberadamente seus débitos, pagandoos. Transcreve decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do antigo Conselho de Contribuintes, no sentido da exclusão da multa na hipótese em que fique caracterizada a denúncia espontânea, pelo recolhimento do tributo em atraso, com juros de mora, antes do início de qualquer procedimento ou medida de fiscalização. Com a finalidade de demonstrar a denúncia espontânea junta aos autos cópias dos DARF´s e DCTF´s, “que demonstram que os recolhimentos foram feitos antes de ser informado nas DCTF's (doc. 02 e 03)”. É o relatório. Voto Conselheiro FÁBIO LUIZ NOGUEIRA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Em relação à matéria dos autos, deve ser verificado se o recolhimento foi anterior ou concomitante à eventual retificação de Declaração, noticiando a existência de débito antes não declarado, para que se constate a ocorrência de denúncia espontânea. No caso, verificase que os débitos em atraso foram recolhidos com juros de mora e só foram incluídos na DCTF retificadora, enviada em 12/07/2006 (fl. 47 e seguintes). Já os DARF´s encontramse à fl. 50 e foram recolhidos em fevereiro/2003. Entendo que restou caracterizada a denúncia espontânea, pois o débito não constou na DCTF original, só sendo incluído na declaração retificadora, após o seu recolhimento pelo contribuinte Em casos que tais não é devida a multa de mora cobrada no auto de infração. Faço essas considerações diante do disposto no artigo art. 62A do Regimento Interno do CARF, que determina sejam seguidas pelo CARF as decisões proferidas pelo STJ submetidas à sistemática dos recursos repetitivos. E já há decisão do C. STJ sobre a Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 matéria, no sentido de que nesse caso não seria devida a multa de mora., conforme se depreende do acórdão no REsp 1149022. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000760/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2005
MPF. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Conforme previsto no art. 13 do referido Decreto, a prorrogação do prazo poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias. Tal prorrogação será formalizada mediante a emissão do MPF Complementar.
Destaca-se que a partir da publicação da Portaria MPS nº 3031 de 2005 (art. 13, paragrafo 1º), tal prorrogação se efetiva
eletronicamente, podendo o sujeito passivo acompanhar por meio do sítio da “internet”, conforme informação no MPF originário. É suficiente que o Auditor informe as prorrogações ao contribuinte por meio do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação.
RISCO DE VIDA. CONVENÇÃO COLETIVA. PARCELA REMUNERATÓRIA.
Os valores relativos ao risco de vida remuneram o trabalho realizado pelos empregados, não sendo uma reparação de dano sofrido pelos mesmos. Dessa forma houve subsunção da situação concreta (pagamento da verba relativa ao risco de vida), à hipótese prevista no art. 28, inciso I da Lei n 8.212 de 1991.
O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. Como se verifica na última parte do inciso I, art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do salário de contribuição.
Assim, não é pelo fato de ser previsto em acordo coletivo que
se pode desnaturar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Mesmo porquê, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado de acordo com o previsto no art. 150, § 6º da Constituição Federal. Além do mais, os acordos particulares não possuem oposição em face da Fazenda Pública, conforme expressamente
previsto no art. 123 do CTN.
Numero da decisão: 2302-001.561
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente GLOBAL SERVICE VIGILANCIA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2005 MPF. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Conforme previsto no art. 13 do referido Decreto, a prorrogação do prazo poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias. Tal prorrogação será formalizada mediante a emissão do MPF Complementar. Destacase que a partir da publicação da Portaria MPS n 3031 de 2005 (art. 13, paragrafo 1º), tal prorrogação se efetiva eletronicamente, podendo o sujeito passivo acompanhar por meio do sítio da “internet”, conforme informação no MPF originário. É suficiente que o Auditor informe as prorrogações ao contribuinte por meio do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. RISCO DE VIDA. CONVENÇÃO COLETIVA. PARCELA REMUNERATÓRIA. Os valores relativos ao risco de vida remuneram o trabalho realizado pelos empregados, não sendo uma reparação de dano sofrido pelos mesmos. Dessa forma houve subsunção da situação concreta (pagamento da verba relativa ao risco de vida), à hipótese prevista no art. 28, inciso I da Lei n 8.212 de 1991. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. Como se verifica na última parte do inciso I, art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do saláriode contribuição. Assim, não é pelo fato de ser previsto em acordo coletivo que se pode desnaturar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Mesmo porquê, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado de acordo com o previsto no art. 150, § 6º da Constituição Federal. Além do mais, os acordos particulares não Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 possuem oposição em face da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art. 123 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausente momentaneamente o Conselheiro Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000760/200815 Acórdão n.º 230201.561 S2C3T2 Fl. 175 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados e da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros, sobre a remuneração paga a título de Adicional de Risco de Vida aos segurados empregados, referente ao período compreendido entre as competências maio de 2003 a dezembro de 2005, fls. 42 a 44. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 49 a 78. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 137 a 146. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 149 a 170. Em síntese, a recorrente alega o seguinte: • A cientificação do MPF ocorreu de modo irregular; • Quem assinou o documento não é preposto do contribuinte; • As prorrogações do MPF ocorreram de modo irregular; • Houve desobediência aos atos normativos; • Faltou a indicação do chefe do órgão competente na NFLD; • A verba paga possui natureza indenizatória e estava prevista em convenção coletiva; • Requerendo provimento ao recurso. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 173. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento da recorrente de que o lançamento não está coberto por MPF; não lhe assiste razão. De acordo com o art. 16 do referido Decreto, não há nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade administrativa emitir novo MPF, nestas palavras: Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. O fato de o MPF originário ter projetado a execução até o dia 21 de agosto de 2007, e somente em dezembro a sociedade empresária ter sido cientificada da prorrogação dos MPF de fls. 33 e seguintes, não invalida o procedimento. Conforme disposição expressa no art. 16 do Decreto n ° 3.969, no caso de expiração do prazo não há implicação em nulidade dos atos, podendo ser determinada a expedição de novo MPF, e foi justamente o que aconteceu no presente caso. Desse modo, como houve obediência ao procedimento previsto em ato normativo, não há que ser reconhecida a nulidade do lançamento. Conforme previsto no art. 13 do referido Decreto, a prorrogação do prazo poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias. Tal prorrogação será formalizada mediante a emissão do MPFComplementar. Destacase que a partir da publicação da Portaria MPS n 3031 de 2005 (art. 13, paragrafo 1º), tal prorrogação se efetiva eletronicamente, podendo o sujeito passivo acompanhar por meio do sítio da “internet”, conforme informação no MPF originário. É suficiente que o Auditor informe as prorrogações ao contribuinte por meio do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. Desse modo havia cobertura para ação fiscal e principalmente para a realização do lançamento. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o MPF não tem que ser assinado pelo gerente da sociedade empresária ou por seu representante legal, qualquer empregado, chefe de setor, ou administrador, investidos na condição encarregados do sujeito passivo, ainda que tacitamente, pode assinálo. Afinal, o conceito de preposto surge da necessidade de sempre haver alguém presente no estabelecimento para responder pelos fatos que ali acontecem. A necessidade de assinatura pelo representante legal do contribuinte somente se faz em relação à ciência pessoal do lançamento fiscal (auto de infração ou notificação de lançamento). O que interessa é que efetivamente chegue ao conhecimento do contribuinte que o mesmo está sendo fiscalizado. Desse modo, houve regularidade da ciência por meio da Sra. Darcicléia, que compõe os quadros da recorrente, tendo assinado, inclusive, na condição de encarregada do departamento de pessoal. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.000760/200815 Acórdão n.º 230201.561 S2C3T2 Fl. 176 5 Também não assiste razão à recorrente ao afirmar que teria faltado a indicação do chefe do órgão competente. Os procedimentos da Receita Federal e da Previdência Social eram distintos. A notificação fiscal de lançamento era expedida pela Receita Federal somente na hipótese de lançamento pelo próprio órgão que administra o tributo, no caso da Previdência Social, a NFLD somente era lavrada em procedimento de ofício no local da infração. Desse modo, à época do lançamento não se aplicava o art. 11 do Decreto n 70.235 de 1972, mas sim o art. 37 da Lei n 8.212 de 1991. Assim, não é necessária a indicação do chefe do órgão que administra o tributo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. As parcelas pagas possuem natureza remuneratória e não indenizatória. Os valores relativos ao risco de vida remuneram o trabalho realizado pelos empregados, não sendo uma reparação de dano sofrido pelos mesmos. Dessa forma houve subsunção da situação concreta (pagamento da verba relativa ao risco de vida), à hipótese prevista no art. 28, inciso I da Lei n 8.212 de 1991. O fato de a verba possuir previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho não afasta a incidência de contribuição previdenciária. Como se verifica na última parte do inciso I, art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do saláriodecontribuição. Assim, não é pelo fato de ser previsto em acordo coletivo que se pode desnaturar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Mesmo porquê, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado de acordo com o previsto no art. 150, § 6º da Constituição Federal. Além do mais, os acordos particulares não possuem oposição em face da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art. 123 do CTN. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005194/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. LANÇAMENTO
CREDOR. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
O lançamento credor do Imposto sobre Produtos Industrializados na escrita
fiscal do contribuinte por conta da aquisição de matériasprimas,
produtos
intermediários e material de embalagem requer efetivo pagamento do Tributo
na entrada das mercadorias no estabelecimento, nos termos da Lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.444
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. LANÇAMENTO CREDOR. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. O lançamento credor do Imposto sobre Produtos Industrializados na escrita fiscal do contribuinte por conta da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem requer efetivo pagamento do Tributo na entrada das mercadorias no estabelecimento, nos termos da Lei. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO CREDOR. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. O lançamento credor do Imposto sobre Produtos Industrializados na escrita fiscal do contribuinte por conta da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem requer efetivo pagamento do Tributo na entrada das mercadorias no estabelecimento, nos termos da Lei. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente do indeferimento do pedido de ressarcimento de suposto saldo credor do IPI, relativo ao período em destaque, em razão do contribuinte ter presumidamente calculado créditos sobre a aquisição de insumos nãoonerados pelo imposto, com a conseqüente não homologação das compensações declaradas. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que pelo princípio da nãocumulatividade, legislação, doutrina e julgados citados teria direito ao suposto crédito. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A recorrente menciona no corpo do Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado “que os valores aqui pleiteados tem sua origem em razão da aquisição de matéria prima isenta (...)”, cujo direito a crédito entende encontrar abrigo no próprio princípio constitucional da não cumulatividade do Impostos sobre Produtos Industrializados. Pertinente trazer a consideração deste Colegiado a existência se Súmula editado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, versando sobre matéria, a meu ver, análoga, mas não idêntica. Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Também de se mencionar tramitação, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, do Recurso Extraordinário nº 590809, em regime de repercussão geral, ainda não transitado em julgado. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.005194/200967 Acórdão n.º 310201.444 S3C1T2 Fl. 3 3 Prestados os esclarecimentos veiculados na Portaria CARF 001/2012, o presente processo, que encontravase sobrestado, foi colocado em pauta para decisão final. Seguindo no mesmo vértice, de se dizer que não assiste razão à recorrente quando sugere que a interpretação defendida “encontrase pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, após julgamento do Tribunal Pleno referente à questão”. Como se disse antes, o RE nº 590809 ainda aguarda por uma decisão definitiva. Na ausência de decisão de força vinculante, devem prevalecer as disposições contidas na legislação tributária, que, como já bem identificadas na decisão de piso, apontam claramente para a necessidade de pagamento do Imposto na aquisição de insumos para aproveitamento do crédito correspondente. Esse comando nasce do próprio Código Tributário Nacional. "Art. 49 O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. (grifos meus) (...) O Regulamento do Imposto, Decreto 2.637/98, vigente à época dos fatos, definia critério específico para o lançamento credor do Imposto nos casos de produtos isentos. Dos Créditos Básicos Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): (...) IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito Uma vez que só se admite o lançamento credor na escrita do contribuinte do Imposto sobre Produtos Industrializados efetivamente pago na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, VOTO POR NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 25 de abril de 2012 Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13629.001305/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa: ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO.
PRECLUSÃO.
Consideramse
precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não
submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na
fase recursal.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS.
Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da
Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por
insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou
fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com
eles estejam diretamente relacionados.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL.
INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a
exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e
serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às
importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas
em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de
frete internacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-000.875
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de frete internacional. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. A partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865/04, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento da contribuição, nas hipóteses previstas em seu art. 15, dentre as quais não se verifica despesa com pagamento de frete internacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 3.74 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório NOVA ERA SILICON S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 156/172, contra o acórdão nº 0227.355, de 28/06/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG, fls. 136/146, relativo à Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS não cumulativo, referente ao 4º trimestre de 2005, no valor de R$203.245,56, cumulado com Declaração de Compensação, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: O contribuinte acima qualificado apresentou pedido de ressarcimento de créditos de PIS com incidência nãocumulativa (exportação) no montante de R$ 203.245,56, relativos ao 4º trimestre de 2005, e utilizado para compensar os débitos das declarações de compensação relacionadas à fl. 96. A fiscalização da DRF de origem verificou o direito ao ressarcimento pleiteado e elaborou o Parecer Fiscal de fls. 71/78, que vem acompanhado de documentos, demonstrativos e planilhas, concluindo pelo deferimento parcial do pedido de ressarcimento, com a glosa de créditos no valor de R$ 40.128,97. Foram glosados pagamentos efetuados às empresas Mol Brasil Ltda., Oceanus Agência Marítima S/A, Pennant Serviços Marítimos Ltda. e Wilson Sons Agência Marítima Ltda., por serem apenas agentes marítimos, e Hamilton Azevedo Rebello Filho e “VIX Cargo Serviços Aduaneiro”, por se tratar de serviço de supervisão das operações de recebimento de descarga e ovação de FeSi em containers ou de despachante, que não se enquadram nas hipóteses de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003). No caso dos pagamentos a agentes marítimos, a fiscalização constatou que estes são apenas prepostos do armador, que, por sua vez, presta o serviço de transporte marítimo internacional. Como o transportador não é domiciliado no País, as despesas com frete internacional não podem gerar crédito, nos termos do art. 3º, §3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº Fl. 177DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 4.74 3 10.833, de 2003. Tal despesa, incorrida na venda de mercadorias, não se caracteriza como insumo, pois não é aplicada ou consumida na fabricação do produto exportado. Assim, também não pode ser aproveitado o crédito conforme o art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, porque o frete internacional não está relacionado entre as hipóteses possíveis de desconto de crédito previstas na Lei. Com base no parecer da autoridade fiscal, decidiu a autoridade jurisdicionante homologar em parte as compensações declaradas até o limite do crédito deferido, nos termos do Despacho Decisório nº 3.270, de 3 de setembro de 2009 (fls. 95/97). Cientificado da decisão em 11/09/2009 (fl. 98), o contribuinte manifestou, em 13/10/2009, sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 99/110): Sendo uma empresa de caráter essencialmente exportador que explora o ramo da metalurgia, contratou, quando da ocorrência das operações de exportação, os serviços da empresa Mol Brasil Ltda. para cuidar de todos os procedimentos necessários ao transporte da mercadoria. Sabendo ser detentora de créditos decorrentes da contratação dos serviços de uma companhia domiciliada no Brasil, formalizou as Dcomps relacionadas. Embora já tenha esclarecido essa situação quando da apresentação de resposta a Termo de Constatação e Intimação Fiscal, a autoridade fiscal lavrou Auto de Infração, pois entendeu que a Nova Era Silicon S/A teria contratado uma empresa domiciliada no Japão, Mitsui O. S. K. Lines Ltda., para transportar suas mercadorias, importando a prestação de serviços desta. Porém, independentemente da premissa da qual se parta contratação de empresa domiciliada no Brasil ou importação de serviços possui direito aos créditos não reconhecidos. Em relação à autuação que sofreu em 2008, esclareceu em sua defesa que não houve pagamentos relativos a serviços de frete a companhias de navegação marítima domiciliadas no exterior, mas, ainda assim, a autoridade fiscal entendeu dessa forma. Também esclareceu que o art. 2º, X, da Lei nº 10.865, de 2004, estabelece que o PIS e a Cofins não incidirão sobre o custo do transporte internacional e de outros serviços que tiverem sido computados no valor aduaneiro. E o art. 7º da mesma lei dispõe o que vem a ser valor aduaneiro, concluindose que os custos com transporte internacional e com outros serviços podem ser computados no valor aduaneiro e, uma vez isso se dando, não haverá a incidência da contribuição relativa à importação. Argumentou também a contrariedade ao art. 195, §9º, da CF/1988 pois, seguindo a interpretação dada pelo fiscal à Lei nº 10.865, de 2004, esta teria reservado tratamento diferenciado a quem contrata com empresa situada no exterior. Expôs, ainda, naquela defesa, que os valores que paga à Mol poderiam ir para os cofres da Mitsui, mas por conta da relação societária que ambas mantêm. Assim, é frágil o argumento fiscal de que a Mol Fl. 178DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 5.74 4 repassa à Mitsui os valores que recebe da Nova Era Silicon S/A e que isto descaracterizaria a relação entre a Nova Era e a Mol para estabelecer vínculo direto e imediato entre a Nova Era e a Mitsui. Por fim, foi aventado que, na eventualidade de prevalecer o entendimento do fisco, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, as empresas sujeitas à nãocumulatividade do PIS e da Cofins que recolhem essas contribuições sobre a importação podem se creditar, para fins de determinação daquelas, do montante pago a título destas, como adiante será demonstrado. Como já dito, contrata os serviços de uma companhia domiciliada no território nacional para cuidar de todos os procedimentos relativos ao transporte da mercadoria para o exterior. Essa operação, conjugada com o fato de que é seu o encargo do recolhimento do valor relativo ao frete, gera o direito ao crédito de PIS/Cofins, conforme o disposto no art. 3º, §3º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Mesmo que se considere o entendimento do fisco de que teria havido importação de serviços de transporte de mercadorias de uma empresa japonesa, a Lei nº 10.865, de 2004, em seu art. 15, concede créditos de PIS/Cofins nesse caso. A legislação citada também prevê que, do valor apurado, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Como as citadas leis deixaram de conceituar o termo “insumos”, na ausência de definição legal e não havendo norma obrigando à utilização subsidiária da legislação do IPI, deve ser considerado o sentido comum desse termo, conforme determina o art. 11, I, “a”, da LC nº 95, de 1998. Assim, devese entender como insumo, a “combinação dos fatores de produção (matérias primas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço”. E, sendo o transporte marítimo um fator necessário para a produção de um bem, criandose uma despesa operacional, tal dispêndio gera direito a créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins. Se a tributação deve recair sobre o valor agregado ao preço dos produtos, é porque está assegurado o direito de se tomar créditos em relação aos bens, serviços e encargos que, no decorrer da cadeia produtiva, tornaramse um custo ou despesa operacional. Isso fica claro quando o legislador insere nas normas a possibilidade de descontar os valores despendidos com combustível e lubrificantes. A relação de custos e despesas inerentes à obtenção de receitas disposta nos arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda serve como referência para aferição do que pode ser considerado “insumos”. Assim, o gasto realizado com o frete, que é uma despesa operacional, poderá ser descontado como crédito de PIS/Cofins, enquadrandose perfeitamente no disposto na legislação mencionada. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 6.74 5 Por fim, requer sejam acolhidas as suas razões, para que reste reformada a decisão combatida e cancelada a cobrança, extinguindose o crédito tributário, tendo em vista o direito ao crédito a que faz jus. A DRJ indeferiu a solicitação cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Incidência nãocumulativa. Direito de crédito. Frete internacional. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de PIS, na sistemática de nãocumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, em 13/08/2010, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 156/172, no qual, em apertada síntese, repisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, exceto em ralação à solicitação de suspensão deste processo até que haja decisão definitiva no processo nº 10680.016014/200852, por meio do qual será definido se ocorrerá ou não o desembolso do PIS/Cofins importação. Este tema é colocado somente na fase recursal. Os demais argumentos foram postos nos seguintes termos: a) a fiscalização apegase ao fato de haver contrato firmado entre a Recorrente e uma empresa denominada Mitsui para daí extrair a conclusão de que é esta última e não a brasileira Mol, a responsável pela realização do transporte. Como a Mitsui é estabelecida no Japão, o Fisco entende que teria ocorrido importação de serviço de transporte, o que ensejaria, a seu sentir, a incidência do PIS/CotinsImportação. Por outro lado, a Mitsui possui o equivalente a 99,8% da composição societária da Mol Brasil. Assim, revelase frágil o argumento fiscal de que a Mol repassa à Mitsui os valores recebidos da Recorrente e que isto descaracterizaria a relação entre Recorrente e Mol para fins de estabelecer vínculo direto e imediato entre a Recorrente a Mitsui; b) na interpretação do fisco a Lei nº 10.865/04, teria reservado tratamento diferenciado (e mais gravoso) a quem contrata com empresa situada no exterior, extrapolando os quatro exaustivos critérios estabelecidos na CRFB. Sendo essa a interpretação, concluise pela inconstitucionalidade da norma; c) por conta da sistemática da não cumulatividade, caso a recorrente devesse pagar PIS/Cofins Importação, bem assim, por conta dos serviços utilizados como insumos, faz jus a créditos, devendo ser considerados para fins de aferição do montante a recolher a título de PIS e de Cofins. Por fim, requer a suspensão deste processo até que venha a ser definitivamente julgado o de nº 10680.016014/200852. Quanto ao mérito requer seja reconhecida a pertinência do crédito indevidamente glosado. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 7.74 6 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado anteriormente, a interessada teve o ressarcimento solicitado glosado parcialmente, em virtude de os créditos decorrentes do transporte marítimo não terem sido considerados pelo fisco pelos seguintes motivos: a) o transportador não é domiciliado no País. Assim, as despesas com frete internacional não podem gerar crédito; b) mesmo que a contribuinte houvesse recolhido a contribuição não cumulativa, tal despesa, incorrida na venda de mercadorias, não se caracteriza como insumo, pois não é aplicada ou consumida na fabricação do produto exportado; c) o frete internacional não está relacionado entre as hipóteses possíveis de desconto de crédito previstas na Lei (art. 15 da Lei nº 10.865/04). Por outro lado a contribuinte aduz ter sido autuada por meio do processo nº 10680.016014/200852, pois, de acordo com o fisco, teria ocorrido importação de serviço de transporte o que ensejaria incidência do PIS/CofinsImportação. Assim, pede o sobrestamento deste até decisão definitiva da autuação, por entender que sua condenação nos autos de 2008 ensejará créditos a serem utilizados neste processo. O sobrestamento solicitado não deve ser deferido, conforme se demonstrará. Embora o processo referente à autuação date de 2008 e a manifestação de inconformidade relativa a estes autos tenha sido protocolizada posteriormente, em outubro de 2009 (fl. 99), não consta qualquer pedido de postergação de julgamento tratandose, portanto, de argumento novo trazido aos autos somente na fase recursal. Conforme os art. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelas Leis nos 8.748/93 e 9.532/97 as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Portanto, não cabe a este colegiado apreciação de matéria trazida aos autos em sede de recurso voluntário, sob pena de ferir as regras do Processo Administrativo Fiscal. Ademais, de se registrar a inexistência de previsão legal que ampare o sobrestamento pleiteado, até porque valores cobrados por meio de auto de infração poderão ser objeto de parcelamento. Assim, como seriam considerados os créditos? Na medida em que as parcelas fossem sendo quitadas? Portanto, além de não haver previsão legal, não há razoabilidade em se aguardar o julgamento do processo precitado. A interessada entende que poderá descontar créditos calculados em relação a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, devendo ser entendido como insumo, a combinação dos fatores de produção que entram na elaboração de determinado bem ou serviço. Nessa toada, sendo o transporte marítimo um fator necessário para a produção de um bem ou serviço, tal dispêndio gera direito a créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 8.74 7 Também em relação a este tema, não assiste razão à recorrente. Visando normatizar a previsão contida no art. 3º, inciso II, das Leis nos 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins), foram editadas as IN SRF nos 247/02 (art. 66, § 5º, I, “b”) e 404/04 (art. 8º, § 4º, I “b”), dispondo no seguinte sentido: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] §5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: (incluído pela IN SRF nº 358, de 2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) (grifei) No menso sentido dispõe a norma que trata da Cofins: Art. 8º. Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] §4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; [...] §9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: Fl. 182DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 9.74 8 I na alínea “b” do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea “e” do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. (grifei) Portanto, consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Assim sendo, conforme bem observou a instância a quo, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Destarte, não prospera o entendimento da interessada de que frete contratado para o transporte internacional de mercadoria exportada possa ser considerado como um insumo utilizado no processo de produção ou fabricação desses produtos. Feitas essas considerações, passase ao cerne da questão, qual seja, o fato de o transportador não ser domiciliado no País e, como consequência, as despesas com frete internacional não gerarem crédito. A interessada alega que contratou os serviços de transporte marítimo, para exportação de sua produção, por meio da empresa Mol Brasil Ltda., sediada em São Paulo. Assim, indevida a glosa, vez que a empresa responsável pela realização do transporte possui domicílio no País. Compulsando os autos do processo, a partir do Parecer Fiscal às fls. 72/73, verificase que, em resposta à intimação endereçada à MOL Brasil Ltda. (fls. 22/28), esta afirma ser apenas preposto do transportador marítimo (armador), Mitsui 0.S.K Lines Ltd, com sede na cidade de Tokyo, Japão, conforme segue, in verbis: “A Intimada esclarece em primeiro lugar que, MOL BRASIL LTDA, empresa com sede na Av. Paulista, n.°283, 14° andar, Bela Vista, São Paulo, SP, CEP. 01311000, inscrita no CNPJ/M:F sob n° 69.070.092/000182, conforme determina seu contrato social tem por objeto social o agenciamento marítimo, tendo atualmente como seu principal cliente o transportador marítimo (armador) MITSUI 0.S.K LINES LTD, com sede na cidade de Tokyo, Japão, em 1 1, Toranomon, 2Chome, Minato ku. Para alguns portos do Brasil a Intimada contrata a título de subagente marítimo a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, com sede na Avenida Rio Branco, 25 — 4°. e 7°. andares — Centro — Rio de JaneiroRJ, inscrita no CNPJ/MF sob n.° 00.423.733/000139, com filiais nos municípios de Rio Grande RS, Porto Alegre RS, São Francisco do Sul SC, Paranaguá PR,Santos SP, São Sebastião SP, Rio de Janeiro RJ, Vitória ES,Salvador BA, Recife (Suape) PE, Fortaleza (Pecém) CE, São Luiz MA,Belém PA e Manaus AM. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 10.74 9 Como mandatário do armador MITSUI 0.S.K LINES LTD, a Intimada confirma receber em nome e por conta e ordem deste, valores da empresa NOVA ERA SILICON S.A, inscrita no CNPJ/MF sob n.° 19.795.665/000167. Esclarece ainda que tais valores recebidos em nome e por conta do armador MITSUI 0.S.K LINES LTD são todos originários do contrato de transporte marítimo internacional celebrado entre este armador e a empresa NOVA ERA SILICON S.A. Operacionalmente, os valores pagos pela NOVA ERA SILICON S.A a título de transporte marítimo internacional são creditados através de depósitos bancários/transferência eletrônica de fundos na conta bancária da Intimada e, após a confirmação do crédito bancário, esta comunica o recebimento, bem como solicita ao seu subagente, no caso a WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, a emissão de recibo contábil, possibilitando o desembaraço aduaneiro da carga. Seguem anexas cópias de uma operação completa (BL, comprovante de depósito, recibo, fechamento de câmbio, etc).(Doc.2) [...]” (grifos constam do original) Em virtude desses esclarecimentos o precitado Parecer Fiscal à fl. 73 registra: Desta forma foi solicitado à NOVA ERA, via contato telefônico, que fossem apresentados os contratos de prestação de serviço envolvendo a MOL BRASIL. Sendo que em 28/08/2008 foram apresentados os documentos de fls. 29 a 42. No contrato, em língua inglesa verificase que as partes são MITSUI 0.S.K UNES, LTD. (intitulada "Carrier": "indivíduo ou entidade que faz transportes de bens ou pessoas de um lugar para outro, mediante pagamento de uma tarifa" ) e NOVA ERA SILICON SA (intitulada "shipper": "remetente, expedidor") sendo que a MOL (BRASIL) LTDA é designada a representante legal ("legally represented by"). Portanto, a prestação do serviço de transporte tem origem nos contratos de transporte marítimo internacional celebrados entre a empresa japonesa e a recorrente. Já a empresa Mol Brasil Ltda. consta nos contratos como representante legal da Mitsui O. S. K. Lines Ltd. Registrese que a relação societária existente entre as empresas Mol Brasil Ltda. e Mitsui O. S. K. Lines Ltd. não tem qualquer influência nas questões trazidas à lide, vez que a transferência integral dos valores recebidos pela Mol (da Nova Era Silicon S/A) para a Mitsui, decorreram do contrato marítimo internacional celebrado entre a contribuinte e a Mitsui O. S. K. Lines Ltd. e não em função da empresa estrangeira deter quase a totalidade das cotas da Mol Brasil Ltda. Por outro lado, em consonância com o que dispõe o art. 3º, § 3°, II, da Lei n° 10.637/02, e da Lei n° 10.833/03 (o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País), para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não se verificou na espécie. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 11.74 10 Na mesma toada, não prospera o argumento da interessada de que, por conta da sistemática da não cumulatividade, caso a recorrente devesse pagar PIS/Cofins Importação, com supedâneo no art. 15 da Lei nº 10.865/04, faz jus a créditos, devendo ser considerados para fins de aferição do montante a recolher a título de PIS e de Cofins. Cumpre registrar que, a partir de 01/05/2004, por meio da Lei nº 10.865 de 30/04/2004, art. 1º, foi instituída a exigência de contribuição para o PIS e a Cofins na importação de bens e serviços. Em contra partida foi autorizado o desconto de créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, nas hipóteses de: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...] Assim, conforme bem registrado pela instância a quo, em conformidade com o § 1º do art. 15, impõese como condição para o direito ao crédito o efetivo pagamento das contribuições incidentes sobre a importação, fato que não ocorreu, uma vez que a contribuinte foi autuada e encontrase discutindo administrativamente os lançamentos de PIS/Cofins sobre a importação de serviços. Ademais, dentre as hipóteses que o referido art. 15 menciona como possíveis de descontar créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento destas contribuições, não há referência a despesas com pagamento de frete internacional. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13629.001305/200605 Acórdão n.º 330100.875 S3C3T1 Fl. 12.74 11 De se ressaltar que, em virtude da clareza da norma em questão também não prospera a alegação da interessada de que, sendo essa a interpretação, a lei seria inconstitucional, pois teria extrapolando os quatro exaustivos critérios estabelecidos na CRFB ao estabelecer tratamento diferenciado (e mais gravoso) a quem contrata com empresa situada no exterior. Conforme a Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 186DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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