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Numero do processo: 10166.730860/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO.
Impõe-se afastar a exigência relativa a perdas com operações de créditos que, comprovadamente estejam enquadradas nas hipóteses das alíneas a e b, do artigo 9º da Lei nº 9.430, de 1996.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PERDAS NÃO DEDUTÍVEIS. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. VALORES REGISTRADOS COMO RECEITAS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. COMPROVAÇÃO.
Afasta-se a imputação de dedução indevida de perdas não dedutíveis em operações de crédito, quando o contribuinte comprova ter computado os valores recuperados como receitas na determinação do lucro real, no mês de seu efetivo recebimento.
Numero da decisão: 1401-001.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO. Impõe-se afastar a exigência relativa a perdas com operações de créditos que, comprovadamente estejam enquadradas nas hipóteses das alíneas a e b, do artigo 9º da Lei nº 9.430, de 1996. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PERDAS NÃO DEDUTÍVEIS. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. VALORES REGISTRADOS COMO RECEITAS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. COMPROVAÇÃO. Afasta-se a imputação de dedução indevida de perdas não dedutíveis em operações de crédito, quando o contribuinte comprova ter computado os valores recuperados como receitas na determinação do lucro real, no mês de seu efetivo recebimento.
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Impõese afastar a exigência relativa a perdas com operações de créditos que, comprovadamente estejam enquadradas nas hipóteses das alíneas “a” e “b”, do artigo 9º da Lei nº 9.430, de 1996. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PERDAS NÃO DEDUTÍVEIS. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. VALORES REGISTRADOS COMO RECEITAS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. COMPROVAÇÃO. Afastase a imputação de dedução indevida de perdas não dedutíveis em operações de crédito, quando o contribuinte comprova ter computado os valores recuperados como receitas na determinação do lucro real, no mês de seu efetivo recebimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 08 60 /2 01 3- 65 Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.730860/201365 Acórdão n.º 1401001.495 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 31323136: O auto de infração de fls. 2.8982.913, exige do contribuinte já identificado, R$2.166.980,64 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e R$1.300.188,35 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescidos de multa de ofício à razão de 75% e juros de mora, totalizando até 12/2013 o crédito tributário de R$7.633.319,24, referentes ao ano calendário de 2008. 2. As infrações atribuídas ao contribuinte foram: i) a não comprovação do atendimento aos requisitos legais para a dedução fiscal de perdas com operações ativas de crédito; ii) a dedução indevida do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL de perdas em operações de crédito por serem estas indedutíveis e; iii) da postergação indevida do pagamento de IRPJ e CSLL devidos, em decorrência da antecipação de despesas com perdas no recebimento de créditos respaldados por garantias reais. Isto está minuciosamente descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.8882.897. 3. A fundamentação legal para a exigência do IRPJ está apoiada no disposto no artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995, nos artigos 247, 248, 249, incisos I e II, 251, 273, 274, 277, 278, 299, 300 e 340 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99) e nos artigos 9 a 12 da Lei nº 9.430, de 1996. A exigência da CSLL obedece ao disposto no artigo 2º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034, de 1990, artigo 57 da Lei nº 8.981, de 1995, com as alterações do artigo 1º da Lei nº 9.065, de 1995, artigo 2º da Lei nº 9.249, de 1995, artigo 1º da Lei nº 9.316, de 1996, artigo 28 da Lei nº 9.430 de 1996, artigos 9 a 12 da Lei nº 9.430, de 1996, artigo 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com a redação dada pelo artigo 17 da Lei nº 11.727, de 2008 e artigos 247, 248, 249, inciso II, 251, 273 e 274 do RIR/99. A multa de ofício lançada, obedece ao disposto no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007. 4. O contribuinte foi cientificado pessoalmente, em 20/12/2013, conforme fl.2.196. 5. Em 16/01/2014 protocolou a impugnação de fls. 2.9182.926, acompanhada de documentos, onde em preliminar pede a revisão do lançamento, em face de apresentação de documentos comprobatórios que demonstram a incorreção dos valores glosados, os quais estão sendo parcialmente impugnados. Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 6. Invoca a aplicação do disposto no artigo 53 da Lei nº 9.784, de 1999 que estabelece o dever de a Administração anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e a possibilidade de revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. 7. Prossegue afirmando que o processo administrativo deve sempre priorizar o princípio da verdade material, que atribui à autoridade administrativa o deverpoder de anular, corrigir ou modificar o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou erro de direito. Tal revisão constituise num dever próprio Fisco para resgatar a legalidade violada do ato do lançamento, pois é inadmissível que se possa considerar como válido lançamento maculado por vício, omissão ou incorreção que comprometa a própria essência da cobrança do crédito. 8. Destaca que em relação às operações constantes dos subitens "111.0001" e "111.0002" do Termo de Verificação Fiscal, embora as perdas relacionadas tenham sido deduzidas antecipadamente, é certo que quando de sua efetiva recuperação (agosto e dezembro/2009), tais valores recebidos compuseram de fato a base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme, aliás, determinado pelo art. 12 da Lei n° 9.430/96, descabendo, assim, nova tributação. 9. Sustenta que tal atitude contradiz literalmente os fundamentos norteadores das autuações lavradas, porquanto não remanesce dúvida de que o Impugnante ao recuperar os aludidos valores promoveu os respectivos recolhimentos, calhando aqui, para melhor compreensão traçar as reais características das operações glosadas nos respectivos subitens motivadores das autuações lavradas: 1.1 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL SUBITEM 111.0001 Da não comprovação do atendimento aos requisitos legais para dedução fiscal de perdas com operações ativas de créditos: a) Operação: CXQ 00228 90000021948020001: tratase de operação de desconto de cheques que tem por característica, ao teor das instruções internas do Banco (IN 381 Anexo 3) "a abertura de teto para realização de operações de adiantamento em conta corrente sobre o valor de cheques prédatados de emissão de terceiros, custodiados no BB, oriundos da comercialização de bens e prestação de serviços, resultantes da atividade desenvolvida pelo descontante". O teto para desconto de cheques, representado pelo contrato da operação acima descrita, possuía 42 cheques a descontar, cada um representando um adiantamento exclusivo em conta corrente, sendo que 28 cheques não foram honrados e, via de conseqüência, deduzidos como perdas em junho/2008 (Anexo 3). Para atendimento ao art. 9o da Lei 9.430/96, o impugnante considerou que as operações realizadas enquadravamse nas alíneas "a" e "b", do inciso II, art. 9° da referida lei. sendo portando dispensável a adoção de procedimentos judiciais de cobrança. Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.730860/201365 Acórdão n.º 1401001.495 S1C4T1 Fl. 4 5 Para demonstrar a conduta da empresa trazse aos autos além do instrumento de crédito que ampara todas as operações realizadas, todos os procedimentos empreendidos nos sistemas operacionais do Banco de forma a detalhar cada uma das operações realizadas no aludido contrato, evidenciando, inclusive, que o valor de cada uma das operações decorrentes em momento algum superou o limite de R$ 30.000,00 (Anexo 3). b) Operações: XER 04936 1324595, 1378591 e 1324590: estas operações de fato necessitavam da adoção de procedimentos judiciais de cobrança para que suas deduções fossem declaradas legais. Muito embora as deduções tivessem ocorrido de forma irregular, os referidos créditos foram posteriormente renegociados, sendo certo que as receitas provenientes das recuperações e/ou renegociações foram efetivamente ofertadas à tributação (Anexo 3). Noutras palavras, as operações ao serem renegociadas foram oferecidas à tributação pelo IRPJ e CSLL, no mesmo mês em que foram deduzidas como perda, anulando, por conseguinte, quaisquer benefícios tributários tidos por irregular. Registrase, ainda, que as receitas da recuperação do crédito foram contabilizadas em conta de resultado que compõe o rol das receitas operacionais, por estarem vinculadas ao COSIF 7.1.9.20.009, que são consideradas na determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, conforme se depreende dos extratos das contas de receita de recuperação de créditos e do detalhamento dos lançamentos contábeis ora anexos (Anexo 3). Registrase, também, que as operações foram recuperadas com abatimentos negociais concedidos aos devedores. Mas, como a natureza dos abatimentos não reunia condições que permitissem suas deduções, tais valores foram adicionados às bases de cálculo, por meio de ajustes extracontábeis como pode ser observado nos documentos representativos LALUR (Anexo 3). c) Operação: XER 04923 2000237: embora tendo ocorrido situação semelhante às operações anteriores, diferentemente das outras, nesta operação a recuperação ocorreu de forma integral, isto é, sem a concessão de abatimentos negociais. Assim, as receitas recuperadas foram tributadas integralmente, porém, em momento posterior à dedução da perda (Anexo 3). Oi por outro giro, cabe registrar ainda que a referida operação foi transferida entre agências, tendo sua condução mudada do prefixo 4923 para o prefixo 4981, o que causou a atribuição de novo número de identificação ao contrato, agora identificado pelo n° 1495309 (Anexo 3). 1.2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL SUBITEM III.0002 – Das despesas com Operações Ativas de Créditos não dedutíveis: a) Operação XER 04929 2000129: a referida operação foi transferida de dependências, assumindo nova identificação: 4930 1477313. Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Esta operação teve antecipada a dedução de sua perda, porém, a exemplo dos outros créditos, ela foi recuperada integralmente e suas receitas foram oferecidas à tributação, nos exatos termos do art. 12 da Lei 9.430/96, razão pela qual tornouse desnecessário se promover novo recolhimento tributário sobre o mesmo fato gerador. Para demonstrar a conduta fiscal adotada trazse aos autos o extrato e o detalhamento dos lançamentos contábeis realizados à época da recuperação do crédito (Anexo 4). b) Operação XER 04939 1450204: situação idêntica à descrita para a operação XER 04929 2000129, à exceção da transferência entre prefixos. Da mesma forma, esta operação também teve a dedução de sua perda antecipada e foi recuperada integralmente, inclusive com suas receitas ofertadas à tributação (art. 12 da Lei 9.430/96), conforme atesta o extrato e o detalhamento dos lançamentos contábeis realizados quando da recuperação do crédito (Anexo 4), despiciendo, pois, a realização de novo recolhimento tributário sobre o mesmo fato gerador. Com efeito, sob o aspecto formal, o Impugnante traz aos autos a documentação comprobatória (Anexos 3 e 4) das razões lançadas, atestando a incorreção parcial das autuações relativas aos subitens "111.0001" e "III.0002" do Termo de Verificação Fiscal, restando demonstrada a ocorrência das deduções operadas tornando indevida a glosa realizada. Destarte, não remanesce dúvida que as operações impugnadas inseremse nos requisitos de dedutibilidade trazidos pelos arts. 9o a 12 da Lei n° 9.430/96, inexistindo razões para a manutenção da glosa sobre as mesmas, urgindo a nulidade da autuação quanto ao particular. É o que, por direito, se requer. 2 DA LEGAL, DEVIDA E OBRIGATÓRIA "REVISÃO DE OFÍCIO" DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO: Nesse ponto é oportuno consignar que o art. 149 do CTN determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando, sobretudo o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF). E sob essa ótica, o Fisco tem o dever de revisar o lançamento tributário, agora mais do nunca com a apresentação dos documentos comprobatórios que atestam a legalidade/correção da dedução das operações realizadas, visando o aproveitamento das perdas no recebimento dos créditos, mediante um ajuste por exclusão no lucro líquido do ano de 2008. Levandose em conta que o processo tributário administrativo pautase pelos princípios da verdade material e da informalidade, cabe ao órgão julgador livremente apreciar o feito, fundamentando as conclusões procedidas na decisão. Não é dado ao julgador administrativo deixar de apreciar questões que fragilizem ou lancem por terra o crédito tributário. Se nessa linha o fizesse, estaria patente a parcialidade do julgador, o que não se admite sequer no processo administrativo. Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.730860/201365 Acórdão n.º 1401001.495 S1C4T1 Fl. 5 7 Assim, ao tomar ciência de determinado fato desconhecido (art. 149, VIII, do CTN), como, por exemplo, dos documentos comprobatórios do crédito indevidamente glosado, é dever do julgador administrativo após checar sua regularidade e requisitos de sua validade, promover a retificação de oficio do respectivo crédito glosado por constituirse em "medida de ordem". Registrase, ainda, que Administração Pública deve zelar pela prevalência do interesse público primário (de toda a sociedade) sobre o interesse público secundário (da própria Administração). E um dos interesses públicos primários mais caros a ser preservado é que somente se exija dos administrados o pagamento dos tributos no montante exato do tanto que se deva. Caso contrário, estarseá cobrando do Contribuinte mais do que ele efetivamente deve, o que, ressalvadas as exceções legais, configura indevida invasão no seu direito de propriedade resultando no repudiado enriquecimento ilícito do Poder Público. Portanto, concluise que, ao contrário de ser atividade ilegal, a "revisão de ofício" do crédito tributário é medida vinculada (e não meramente discricionária) imposta pelo ordenamento jurídico vigente. 10. Ao final, requer o acolhimento da peça de defesa a fim de que seja reconhecida a improcedência parcial do lançamento, com a exclusão dos valores impugnados. 11. Juntou documentos os quais identificou como: • ANEXO 1 Cópia do MPF n° 01.1.00.2010002183 e dos Autos de Infração, recebidos em 20.12.2013; • ANEXO 2 Comprovantes do pagamento parcial das autuações procedidas; • ANEXO 3Cópia dos Instrumentos de Crédito, extratos de detalhamentos das operações realizadas, demonstrativos e consultas de saldos e lançamentos contábeis, atestando a conduta fiscal realizada pelo Banco, relativas das operações descritas no subitem 111.0001 do Termo de Verificação Fiscal; • ANEXO 4 Cópia dos extratos e detalhamentos das operações realizadas, e consultas de saldos de operações e de lançamentos contábeis, atestando a conduta realizada pelo Banco, das operações constantes do subitem III.0002 do Termo de Verificação Fiscal. A 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para afastar a exigência sobre a parcela remanescente e impugnada de R$640.748,23 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e de R$384.448,93, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, referente ao ano calendário de 2008, bem como os acréscimos correspondentes. O Acórdão nº 0647.370, de 05/06/2014, recebeu a seguinte ementa: Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2008 NULIDADE. INAPLICABILIDADE. Não se cogita acerca de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO. Impõese afastar a exigência relativa a perdas com operações de créditos que, comprovadamente estejam enquadradas nas hipóteses das alíneas “a” e “b”, do artigo 9º da Lei nº 9.430, de 1996. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PERDAS NÃO DEDUTÍVEIS. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. VALORES REGISTRADOS COMO RECEITAS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. COMPROVAÇÃO. Afastase a imputação de dedução indevida de perdas não dedutíveis em operações de crédito, quando o contribuinte comprova ter computado os valores recuperados como receitas na determinação do lucro real, no mês de seu efetivo recebimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista que o valor do crédito tributário exonerado excedeu R$ 1.000.000,00, apresentou RECURSO DE OFÍCIO a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo artigo 67 da Lei nº 9.532, de 10 de janeiro de 1997, e da Portaria do Ministro da Fazenda nº 003, de 03 de janeiro de 2008. É o relatório. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.730860/201365 Acórdão n.º 1401001.495 S1C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Das glosas de perdas em operações de crédito O quadro abaixo ilustra as glosas de perdas em operações de crédito, que forma impugnadas pela contribuinte: Cada uma dessas operações de crédito foi detalhadamente analisada pelo voto condutor da decisão de piso, nos seguintes termos (fls. 31403143): Operação CXQ – 00228 – 90000021948020001 25. Com relação à primeira operação mencionada na tabela acima reproduzida, eis o que a autoridade fiscal argumentou no Termo de Verificação Fiscal: para o primeiro item da tabela, o contribuinte não comprovou a existência do contrato n° 90000021948020001 e tampouco demonstrou a existência de quaisquer procedimentos judiciais de recuperação de tais perdas; 26. De outro lado, o contribuinte, relativamente à operação CXQ – 00228 – 90000021948020001 afirma que se trata de operação de desconto de 42 cheques, sendo que 28 deles não foram honrados, razão pela qual foram deduzidos como perdas em junho/2008. Defende que as operações enquadravamse nas alíneas “a” e “b” do artigo 9º da Lei nº 9.430, de 1996, sendo, portanto, dispensável a adoção de procedimento judicial de cobrança, mesmo porque, o valor de cada uma dessas operações não superou o limite de R$30.000,00. 27. No Anexo 3 da impugnação, mais precisamente às fls. 2.964 2.965, encontrase o Contrato para desconto de cheques, firmado com PHD Derivados de Petróleo LtdaME em 01/12/2006 e, nas folhas seguintes, até a fl. 3.024, os extratos correspondentes a cada um dos cheques que não foram honrados, sendo que, nenhum deles possuía valor nominal superior a R$ 5.000,00. A soma dos extratos apresentados totalizou R$119.671,38, exatamente igual ao valor glosado pelo Fisco. 28. Desta forma como o artigo 9º, inciso II, alínea “a” e “b” da Lei nº 9.430 de 1996, estabelece que poderão ser deduzidos como perdas de crédito os valores até R$ 5.000,00, bem como os de R$ 5.000,00 até R$ 30.000,00, por operação, vencidos há mais de seis meses e a mais de um ano, respectivamente, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 o seu recebimento, impõese reconhecer razão ao contribuinte, em face das provas apresentadas e, assim, excluir da base de cálculo da exigência a operação CXQ – 00228 – 90000021948020001. Operações XER – 04936 1324595, 1378591 e 1324590 29. Ainda com relação aos valores discriminados na planilha do item 19, acima, a autoridade fiscal justificou a glosa, haja vista para os demais itens da tabela, o contribuinte, apesar de evidenciar a existência dos referidos contratos de crédito, não provou que intentou medidas judiciais para recuperação dos valores inadimplidos, conforme exige o §1°, do artigo 9 da lei n° 9.430/96. 30. De outro lado o contribuinte reconhece que embora tais operações necessitassem de procedimentos judiciais para justificar que as deduções fossem legais, tais medidas não foram adotadas e a dedução foi feita de forma irregular. Contudo, sustenta que os créditos foram renegociados e as receitas provenientes das recuperações e/ou renegociações foram oferecidas à tributação no mesmo mês em que teriam sido deduzidas como perda, anulando qualquer benefício auferido indevidamente. 31. Salienta que as operações de recuperação de créditos foram contabilizadas em conta de resultado e que os valores foram recuperados com abatimentos, os quais, por não serem dedutíveis, foram adicionados às bases de calculado IRPJ e da CSLL, por meio de ajustes extracontábeis, conforme comprova a documentação acostada à defesa. Operação XER –049361324595 32. Conforme discriminado na planilha acima, o valor glosado em relação à operação XER049361324595 corresponde a R$701.340,04. 33. O documento de fl.3.025 referente à operação 1324595, informa que em 19/08/2008 foi contabilizada a perda dos valores de R$158.700,77 e R$5.905,67 e, nas folhas seguintes (fl.3.026 e 3.027) constam os extratos dos lançamentos sob o mesmo número de operação (1324595), com a informação de que os valores teriam sido recuperados. 34. O documento seguinte, fl.3.028 se refere ao registro da perda no importe de R$45.714,28, em 19/08/2008, o qual, consta como recuperado mediante negociação, nessa mesma data, conforme registro contábil de fl. 3.029. 35. Na seqüência, ainda em relação à operação 1324595 foram registradas as seguintes perdas: R$31.366,08, R$9.979,56, R$184.839,75, R$91.428,54, R$91.428,54 e R$6.804,60, todas na data de 19/08/2008. Nas folhas seguintes (fls.3.0313.035), os extratos de registro da recuperação de parte desses valores. Não consta o extrato de recuperação do valor de R$31.366,08, posto que, conforme fl.3.043 esse foi o desconto concedido na negociação e registrado de acordo com a fl.3.044. Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.730860/201365 Acórdão n.º 1401001.495 S1C4T1 Fl. 7 11 36. À fl.3.036 o registro das perdas de R$22.857,13, R$22.857,13, R$21.386,16, R$ 2.515,99 e R$5.555,84, datado de 19/08/2008. Na seqüência os extratos de recuperação de parte desses valores. Não consta comprovação de recuperação de R$5.555,84, que corresponde ao desconto concedido na negociação (fl.3.043), registrado conforme fl.3.045. 37. À fl.3.041 extrato da conta corrente intitulada recuperação de créditos onde os valores estão identificados pelo número de documento 102320800227182 e, à fl.3.046 cópia do balancete do mês 08/2008, qual seja, a receita foi reconhecida dentro do próprio mês em que fora lançada a perda. 38. A soma de todos os valores relacionados à operação em análise e para os quais o contribuinte apresentou a documentação correspondente totaliza R$701.340,04, coincidente com o que foi glosado. Operação XER049361378591 39. O valor questionado nessa operação corresponde a R$212.879,31. 40. Com relação à operação em pauta, foram reconhecidas as seguintes perdas: R$382,83 e R$35.107,02 (fl.3.048), R$11.702,34 (fl.3.051), R$382,84, R$35.107,02, R$49.191,03, R$382,38, R$35.064,90, R$6.397,90 e R$6.199,99 (fl.3.053) R$11.702,34, R$6.640,72, R$11.702,34, R$1.720,79 e R$1.194,87 (fl.3.060) e, da mesma forma como ocorreu na operação anterior, foram anexados os comprovantes de recuperação dos valores, conforme fls. 3.0493.050, 3.052, 3.0543.059 e, fls.3.0613.064. A diferença existente entre essa operação e a anterior reside no fato de que aqui não foi concedido nenhum desconto em face de negociação. Os valores coincidem com o montante glosado. 41. Assim, como no caso anterior, o contribuinte juntou extrato da conta corrente relativa à recuperação de créditos onde os mesmos se encontra registrados sob o número de documento 102280800213619 e o balancete relativo ao mês 08/2008. Operação XER049361324590 42. O valor glosado nessa operação é R$219.806,92. 43. As perdas registradas correspondem a R$139.448,12, R$62.326,02 e R$18.032,78 (fl.3.072) para os quais foram juntados os documentos de fls.3.0733.074, que comprovam a recuperação dos dois primeiros valores mencionados (R$62.326,02 e R$139.448,12) que se encontram registrados no extrato de conta corrente recuperação de créditos sob o numero de documento 102330800241121 à fl.3.075. O valor cuja comprovação não consta do processo (R$18.032,78) foi registrado como desconto concedido (fl.3.0773.078). O balancete do mês 08/2008 está à fl.3.079. Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 Operação XER049232000237 44. Com relação a essa operação foi glosada a importância de R$145.270,59 e o contribuinte afirma que embora tenha ocorrido situação semelhante às operações anteriores, diferentemente das outras, nesta operação a recuperação ocorreu de forma integral, isto é, sem a concessão de abatimentos negociais. Assim, as receitas recuperadas foram tributadas integralmente, porém, em momento posterior à dedução da perda. 45. Informou, ainda que essa operação foi transferida entre agências, tendo sua condução mudada do prefixo 4923 para o prefixo 4981, o que causou a atribuição de novo número de identificação ao contrato, agora identificado pelo n° 1495309, conforme comprovam os documentos anexados (Anexo 3). 46. Realmente, os documentos de fl.3.081 e 3.082 se referem à transferência efetuada entre agências, sendo que em decorrência, ocorreu a mudança da identificação da operação de XER49232000237 para XER49811495309. À fl. 3.083 o reconhecimento da perda de R$64.000,00, R$40.232,35 e R$6.752,73, sobre a parcela de R$110.985,08. Na seqüência, a recuperação desses mesmos valores. À fl. 3.087 foi reconhecida a perda de R$16.000,00, R$14.610,25 e R$3.675,26 sobre a parcela de R$34.285,51 que, somada ao valor da parcela anterior (R$110.985,08) corresponde ao valor glosado. A comprovação da recuperação está às fls. 3.0883.090 e o extrato da conta corrente recuperação de créditos comprova o reconhecimento da receita registrada como número de documento 102100800237021. Os elementos constantes dos autos, analisados à luz da legislação de regência, demonstram a integral correção do entendimento adotado pelo colegiado julgador a quo. Assim sendo, em relação ao presente tema, considero que o presente recurso de ofício não merece provimento. Despesas com operações ativas de créditos não dedutíveis Este subitem teve duas operações impugnadas pela contribuinte. A decisão de piso também analisou com detalhes as justificativas apresentadas pela contribuinte para, ao final, concluir pela improcedência das glosas promovidas pelo Fisco. Foi a seguinte a análise constante do voto condutor da decisão recorrida, fls. 31433144: 47. Prosseguindo o contribuinte passou a contestar o subitem III.0002 da autuação, identificado como despesas com operações ativas de créditos não dedutíveis. Nesse item são mencionadas as operações Operação XER 04929 – 2000129 e Operação XER 04939 – 1450204, sendo que a primeira foi objeto de transferência entre agências tendo assumido a seguinte identificação: XER – 4930 – 14773013 (fl.3.0943.095). Operação XER – 04929 – 2000129 Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10166.730860/201365 Acórdão n.º 1401001.495 S1C4T1 Fl. 8 13 48. Nessa operação o valor glosado corresponde a R$995.545,64, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal à fl. 2.890. 49. Na peça de defesa o contribuinte afirma que a operação teve antecipada a dedução de sua perda, porém, a exemplo dos outros créditos, ela foi recuperada integralmente e suas receitas foram oferecidas à tributação, nos exatos termos do art. 12 da Lei 9.430/96, razão pela qual tornouse desnecessário se promover novo recolhimento tributário sobre o mesmo fato gerador. 50. Os documentos juntados às fls. 3.0963.104 demonstram o mesmo procedimento adotado em relação à operação descrita nos itens 40 a 43 acima e, à fl.3.105 o extrato da conta corrente recuperação de créditos onde consta o registro em 16.12.2009 do reconhecimento da receita correspondente identificado como documento número 103510600028618, no exato valor glosado. Operação XER – 04939 – 1450204 51. Aqui, foi glosado o valor de R$142.074,49, sendo que o tratamento dispensado à operação em anáobedeceu ao mesmo ritual e está comprovado pelos documentos de fls. 3.1073.113. 52. Segundo as alegações do contribuinte, esta operação também teve a dedução de sua perda antecipada e foi recuperada integralmente, inclusive com suas receitas ofertadas à tributação (art. 12 da Lei 9.430/96), conforme atesta o extrato e o detalhamento dos lançamentos contábeis realizados quando da recuperação do crédito (Anexo 4), despiciendo, pois, a realização de novo recolhimento tributário sobre o mesmo fato gerador. 53. O extrato da conta corrente recuperação de créditos à fl. 3.114, comprova que a receita recuperada foi reconhecida no mês 08/2009 identificado como documento número 102261100153256. […] 55. Conforme pode ser observado, o valor recuperado com custos e despesas com perdas no recebimento de créditos deverá ser computado como receita na determinação do lucro real, ou adicionado ao lucro presumido ou arbitrado, conforme o caso, tal como preconiza a legislação antes transcrita. Será também tributado pela CSLL, pois, de conformidade com o art. 6º, parágrafo único, da Lei nº 7.689 de 1998, se aplicam à referida contribuição as mesmas disposições da legislação do IRPJ. 56. No caso sob análise entendo que o contribuinte logrou afastar as glosas identificadas nos itens 0001 e 0002 do auto de infração, razão pela qual voto por cancelar a parcela impugnada do lançamento, cujos valores correspondem à parcela remanescente da exigência. Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Também em relação a estas duas operações, considero que os elementos constantes dos autos, analisados à liz da legislação de regência, demonstram a integral correção do entendimento adotado pelo colegiado julgador a quo. Assim sendo, em relação ao presente tema, também considero que o presente recurso de ofício não merece provimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10380.015533/2007-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS OMITIDOS. RETIRADAS. ADMINISTRADOR DE FATO.
Em se tratando de pessoa regularmente constituída com sócios "laranjas" e, ainda, não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de provar que as retiradas do administrador de fato da pessoa jurídica originaram-se de lucros da empresa ou, ainda, que se tratam de outro tipo de rendimento isento ou não-tributável, de se manter a caracterização dos valores como rendimentos tributáveis omitidos recebidos da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9202-004.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
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(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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RETIRADAS. ADMINISTRADOR DE FATO. Em se tratando de pessoa regularmente constituída com sócios "laranjas" e, ainda, não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de provar que as retiradas do administrador de fato da pessoa jurídica originaramse de lucros da empresa ou, ainda, que se tratam de outro tipo de rendimento isento ou nãotributável, de se manter a caracterização dos valores como rendimentos tributáveis omitidos recebidos da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. . (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 55 33 /2 00 7- 05 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 9202004.256 CSRFT2 Fl. 483 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 210101.558, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 14 de janeiro de 2012 (efls. 265 a 274). Ali, pelo voto de qualidade, se negou provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Após a lavratura do auto de infração, instaurase a fase litigiosa, entre o Fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa e recurso administrativos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO PELA DRJ COM VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF n. 2). RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Recurso Voluntário Negado. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 9202004.256 CSRFT2 Fl. 484 3 Decisão: : (a) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e (b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Eivanice Canário da Silva e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que davam provimento ao recurso. Enviados os autos ao contribuinte para fins de ciência do decisum, ciência esta ocorrida em 20/02/2013 (efl. 278), o autuado já havia apresentado, em 07/02/13 (efl. 287) embargos de declaração de efls. 287 a 289 e anexos, rejeitados através de despachos de efls. 301 a 304. Cientificado da rejeição de seus embargos em 24/08/2015 (efl. 307), o autuado interpôs, em 04/09/2015 (efl. 327) Recurso Especial, com fulcro nos arts. 64, II e 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 327 a 344 e anexos). Após breve resumo da autuação e das etapas processuais de impugnação e Recurso Voluntário, o recorrente alega, no pleito: a) Ressalta que a exigência em questão tem fundamento fático na imputação ao recorrente da qualidade de administrador com poder de mando na empresa, o que o caracterizaria como sócioadministrador de fato e que a contabilidade da empresa em questão teria sido desconsiderada. Assim, entende que o valor correspondente ao lucro arbitrado deveria ter sido considerado distribuído ao sócio, o que poderia ter ocorrido a partir da movimentação bancária feita pelo recorrente nas contas bancárias. Alega que o Acórdão recorrido teria ignorado a situação do autuado como sócio administrador de fato do recorrente, ressaltando que haveria isenção sobre a distribuição dos lucros arbitrados. Alega que o recorrido se apegou nos fatos do nome do recorrente não constar do quadro societário da CRAL e de não ter a empresa contabilizado suas retiradas e que, assim, teria se estabelecido posicionamento divergente em relação aos Acórdão 1202 001.240 e 1.20200.543 (dois primeiros paradigmas citados), de lavra da 2a. Turma da 2a. Câmara da 1a. Seção deste CARF, onde se admite a caracterização da condição de sócio administrador de fato, a partir da prática de atos de administração, mesmo em casos onde o indivíduo não consta do quadro societário da empresa e a empresa não registra operações em sua contabilidade; b) Ressalta que o lucro arbitrado da CRAL deveria ter sido considerado automaticamente distribuído aos sócios, em contraste com o recorrido, que considerou que o lucro arbitrado só "poderia se coadunar para uma empresa sem atos constitutivos registrados, com existência apenas de fato, circunstância que não ocorre no presente caso, pois a CRAL Comércio e Representações de Alimentos Ltda. se encontra regularmente constituída", estabelecendose divergência em relação ao decidido no âmbito dos Acórdãos nos. 10616.362, de lavra da 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes e 10318.764, da 3a. Câmara daquele mesmo Conselho. Tenta, assim, a partir das duas divergências, construir a tese de que a classificação como remuneração adotada pelo recorrido em relação aos valores objeto de tributação é incompatível com os poderes que a fiscalização alegou que o recorrente teria na empresa, de "dono" da pessoa jurídica em questão, cabível, ainda, na situação fática em análise, Fl. 484DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 9202004.256 CSRFT2 Fl. 485 4 a presunção da distribuição do lucro arbitrado para fins de tributação, conforme art. 54 da Lei 8.981, de 1995, o que faria com que os valores objeto de tributação devessem ser considerados como não tributável pelo IRPF. Requer, assim, que seja conhecido o pleito e lhe dado provimento para reformar a decisão recorrida, excluindose a exigência do IRPF. O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 457 a 465, exclusivamente quanto às matéria tratada no item "a" supra, a saber, "da condição de sócio administrador de fato". Foram encaminhados os autos ao autuado, para fins de ciência dos despachos de admissibilidade recursal, ocorrida em 20/11/2015 (efl. 471). Posteriormente, quando encaminhados os autos à PGFN em 22/01/2016 (efl. 476), esta apresenta contrarrazões tempestivas, datadas de 02/02/2016 (efls. 477 a 480), onde: a) Entende que o recurso não deve conhecido, por se tratar de tentativa de revolvimento do conjunto fático probatório. b) No caso de conhecimento do recurso, adota a fundamentação do recorrido como argumentação em sede de contrarrazões. Requer, assim, a Fazenda Nacional que não seja conhecido o recurso e, alternativamente, caso seja o mesmo conhecido, seja mantido o inteiro teor do recorrido, com o não provimento do Recurso Especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, prequestionamento, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, vislumbro a divergência interpretativa quanto à matéria admitida, da possibilidade de caracterização da condição de sócio administrador de fato, e, portanto, conheço quanto a esta matéria, para a qual se deu seguimento. Faço notar que podese, a partir do teor do Recurso, se vislumbrar a divergência arguída, considerandose cumprido, assim, o requisito regimentalmente estabelecido. Passandose à análise de mérito, inicialmente expresso meu entendimento, em linha com o Acórdão recorrido, de que, em situações como a dos presentes autos, onde se está diante de pessoa jurídica regularmente constituída, a caracterização do instituto de distribuição de lucros depende tanto: a) da caracterização, a partir da regular escrituração do valor que deu origem a eventuais retiradas como "lucro", bem como, b) da presença do beneficiário no quadro societário da empresa. Em se tratando de pessoa jurídica regularmente constituída (tendo sócios "laranjas", com o administrador de fato ausente do quadro societário formal), uma vez ausentes ambos os requisitos, como no caso em tela, o que se tem é o pagamento de rendimentos a terceiro, mas não o instituto de distribuição de lucros a sócios. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 9202004.256 CSRFT2 Fl. 486 5 A bem do debate, todavia, faço notar que mesmo que para os que entendem que no caso em análise (repitase, de pessoa jurídica constituída com sócios "laranjas", com o real administrador ausente do quadro societário e promovendo vultosas retiradas da empresa, empresa esta que realizava a maior parte de suas operações à margem da imprestável contabilidade) se pudesse caracterizar uma "distribuição de fato de lucros não contabilizados ao sócioadministrador presumido", inafastável seria a necessidade de que o recorrente provasse, de forma exaustiva, que os rendimentos assim retirados originaramse de lucros das operações da pessoa jurídica, o que também não vislumbro ter ocorrido no caso em tela. Inatacável, aqui, a propósito, a conclusão do recorrido, no sentido do ônus da prova, nesta hipótese alternativa, estar a cargo do contribuinte, de forma a caracterizar os rendimentos aqui objeto de lançamento como lucro distribuído, o que se aplica também, note se, à eventual caracterização das retiradas como outra forma de rendimento isento ou não tributável ou, ainda, a fim de se comprovar que não se tratavam de elemento gerador de acréscimo patrimonial (p. ex. mútuos), a fim de se refutar a sua caracterização como rendimentos tributáveis. Todavia, o que se verifica, a partir dos elementos carreados aos autos, é que o recorrente não se desincumbiu do referido ônus probatório a contento para nenhuma das alternativas acima, sendo de se rechaçar que se possa simplesmente aqui "presumir" que se tratam as retiradas, aqui tributadas, de distribuição de lucros das operações da empresa a um sócioadministrador de fato, que se tratem de outro tipo de rendimento isento ou não tributável auferido pelo autuado ou, ainda, que não configurem renda (tal como no caso de mútuos). Ou seja, entendo que, mesmo para os que defendem o posicionamento alternativo ventilado (de possibilidade de distribuição de lucros no caso específico de interposição de pessoas em tela) não socorre ao autuado, aqui, a tese de desnecessidade tanto da contabilização dos lucros como da presença do beneficiário (administrador de fato) no quadro societário formal, se uma vez não comprovados de forma exaustiva, pelo autuado, que se originam as retiradas, que beneficiaram o autuado, de lucros das operações pessoa jurídica ou, alternativamente, que se configuram em outro tipo de rendimento isento ou não tributável ou, ainda, que se tratam de retiradas não configuram acréscimo patrimonial (tais como mútuos), em linha com o art. 3o. §4o. da Lei no. 7.713, de 1988, citado no vergastado, verbis: Art. 3o. (...) (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. A partir do acima disposto, concluise como incólume, in casu, a caracterização dos valores retirados como rendimentos tributáveis, consoante realizado pela autoridade autuante. Por fim, quanto à tese de mandatória aplicação do instituto previsto no art. 54 da Lei no. 8.981, de 1995 (automática distribuição dos lucros arbitrados) à situação em questão (repitase, de pessoa jurídica constituída com sócios "laranjas", com o real administrador Fl. 486DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 9202004.256 CSRFT2 Fl. 487 6 ausente do quadro societário e promovendo vultosas retiradas da empresa), entendo, assim como já aqui defendido, que se limita a aplicação do dispositivo a situações fáticas onde se possa caracterizar o instituto de distribuição de lucros, o que rejeito aqui, uma vez que o beneficiário não pertence ao quadro societário da empresa. Novamente a bem do debate, a partir de uma interpretação sistemático teleológica, entendo que, mesmo para os que admitem poder haver "distribuição de lucros não contabilizados" a um "sócio de fato" no caso em tela, o posicionamento não merece guarida. Notese, a respeito, que admitir que o dispositivo citado também se aplicaria em situações como a do caso em questão (de pessoa jurídica regularmente constituída com sócios "laranjas", com o real sócioadministrador ausente do quadro societário, mas promovendo vultosas retiradas da empresa, empresa esta que realizava a maior parte de suas operações à margem da imprestável contabilidade), significaria aceitar que o legislador, quando da edição do dispositivo em análise, buscou, também em situações patológicas, como a observada, fazer com se considerasse obrigatoriamente que quaisquer retiradas pelo sócio administrador de fato, até o limite do lucro (arbitrado a partir da imprestável contabilidade da pessoa jurídica) fossem legalmente presumidas como distribuição de lucros oriundos da pessoa jurídica e assim isentas de tributação, o que rechaço. Entendo, a propósito, que, nesta hipótese, a aplicação da distribuição automática devese limitar às situações em que o arbitramento ocorre na pessoa jurídica regularmente constituída, mas ou quando se tratar da tributação dos sócios de direito, ou, alternativamente, somente quando as retiradas do sócioadministrador de fato estiverem exaustivamente caracterizadas como originadas do lucro das operações da empresa, o que não se observa no caso em tela. Caberia ao contribuinte ter feito prova neste sentido, mesmo diante da imprestabilidade da contabilidade e do arbitramento, o que não se verificou. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso do Contribuinte, mantendose integralmente o lançamento, realizado a partir da caracterização das retiradas do autuado como rendimentos tributáveis. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 487DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10384.720878/2014-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
FURTO/FRAUDE. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL.
O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita, furto ou fraude somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver boletim de ocorrência ou inquérito instaurado, nos termos da legislação, ou quando o houver prove de que o fato foi comunicado à autoridade policial (notitia criminis).
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A MULTA DE OFÍCIO.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ, mesmo apos as alterações no art. 44 da Lei n 9.430 de 1996, promovidas pela Lei 11.488/07.
MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência relativa ao IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1402-002.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei Gilberto Batista e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 FURTO/FRAUDE. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita, furto ou fraude somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver boletim de ocorrência ou inquérito instaurado, nos termos da legislação, ou quando o houver prove de que o fato foi comunicado à autoridade policial (notitia criminis). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ, mesmo apos as alterações no art. 44 da Lei n 9.430 de 1996, promovidas pela Lei 11.488/07. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência relativa ao IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 FURTO/FRAUDE. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita, furto ou fraude somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver boletim de ocorrência ou inquérito instaurado, nos termos da legislação, ou quando o houver prove de que o fato foi comunicado à autoridade policial (notitia criminis). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ, mesmo apos as alterações no art. 44 da Lei n 9.430 de 1996, promovidas pela Lei 11.488/07. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência relativa ao IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os conselheiros Fernando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 08 78 /2 01 4- 65 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 508 2 Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei Gilberto Batista e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 509 3 Relatório A Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (fls.457/475) face v. acórdão de primeira instância proferido pela ª Turma da DRJ de Belém (fls.430/452), pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Apesar do Relatório Fiscal apontar três infrações cometidas pela Recorrente, o Auto de Infração foi lavrado exigindo apenas as duas ultimas infrações. Para melhor esclarecer, disseco o Relatório Fiscal de fls.18/22. De acordo com o Relatório Fiscal, o Auto de Infração foi lavrado devido a prática das infrações ocorridas no anocalendário de 2011: Infração 1 Deixou de estornar créditos relativos a PIS/COFINS incidentes sobre energia elétrica adquirida para revenda, que fora inutilizada, deteriorada ou perdida em decorrência de desvio, fraude ou furto. Segundo a Fiscalização, foi constatado que a Recorrente ao apurar o PIS e a COFINS nãocumularivos, deixou de estornar os créditos apurados sobre energia elétrica perdida devido sua inutilização ou deterioração, devido a desvio, fraude ou furto, ocasionando montante à maior de créditos e, por consequencia uma diminuição no montante de imposto a recolher. O entendimento do Agente Autuante se fundamentou no disposto do parágrafo 13, do artigo 13 da Lei 10.865/2004 que determina que deverá "ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. " Segundo a Fiscalização, o dispositivo não exonera qualquer tipo de perda, sendo que a previsão legal é para que sejam estornados os créditos de PIS e da COFINS não cumulativos apurados sobre toda a parcela desperdiçada. Por tal motivo, segundo o Relatório Fiscal a Fiscalização efetuou o lançamento de ofício do PIS e da COFINS incidentes sobre o total das perdas (Técnicas e Não Técnicas) que deixaram de ser estornados oportunamente, conforme valores indicados na Planilha Demonstrativo de Apuração dos Créditos de PIS e COFINS (fls.2 23/27) Infração 2 Deixou de proceder o estorno dos custos relativos a energia elétrica perdida em decorrência de desvio, fraude ou furto. (Perdas Não Técnicas) Segundo a Fiscalização, inexiste previsão legal para utilização das perdas não técnicas como custo ou despesa na composição do lucro. E que mesmo que esteja disposto no artigo 364 do RIR a possibilidade de dedutibilidade de despesas relativas a perdas por furto, só é admissível quando cumprido as Fl. 509DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 510 4 exigências do dispositivo legal, dentre as quais, a apresentação de queixa perante as autoridades policiais , o que não foi feito pela Recorrente. Assim, foi efetuada a glosa dos créditos correspondentes às perdas não técnicas e, após a recomposição do lucro do período, a Fiscalização promoveu o lançamento do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser recolhidos. Também foi compensado de ofício, 30% do valor da infração com saldos de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa de CSLL dos anos anteriores. Devendo a Recorrente proceder os ajustes no saldo de tais rubricas. Infração 3 Falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Em decorrência da glosa dos créditos relativos as perdas não técnicas da infração do item 2, ocorreu aumento no resultado mensal (base de cálculo) das estimativas do IRPJ e da CSLL. Assim, após a recomposição das respectivas bases de cálculos, foi apurado os valores devido a titulo de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL e, ao final, efetuou o lançamento da multa pela insuficiência de recolhimento das estimativas mensais (Art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei 9.430/96, conforme Planilhas de Cálculo do IRPJ mensal por estimativa e Cálculo da CSLL mensal por estimativa. (Demonstrativo de fls. 24/27). O Auto de Infração de fls.3/17, foi lavrado apenas em relação as infrações do item 2 e 3. Foram acostados ao auto de infração os documentos de fls.23/264. Devidamente notificada, a Recorrente ofereceu impugnação de fls.268/296 e junta aos autos os documentos de fls. 297/426. Preliminarmente a Recorrente informa que a impugnação é tempestiva e no mérito, segundo o relatório do v. acórdão recorrido, alega o seguinte: "3.2.1 – DAS ALEGAÇÕES GERAIS A cadeia de produção de energia elétrica, que se inicia na geração – transmissão – distribuição comercialização, ocorrem perdas durante o seu transporte até o consumo final, que podem ser perdas técnicas e não técnicas; As perdas técnicas não causadas pelas propriedade físicas dos próprios componentes dos sistemas elétricos; As perdas não técnicas são causadas por falta de faturamento da energia elétrica distribuídas aos consumidores. No caso, as perdas não técnicas apresentam duas principais causas: 1 – o furto, e 2 – a fraude. 3.2.2 INCLUSÃO DAS PERDAS TÉCNICAS E COMERCIAIS NA TARIFA DE ENERGIA ELÉTRICA DETERMINAÇÃO DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 511 5 ...anualmente a ANEEL verifica o índice das perdas técnicas e comerciais apuradas por cada concessionária para realizar o ajuste da tarifa da energia elétrica com o objetivo de recompor os gastos suportados pelas empresas distribuidoras. Neste sentido, resta nítido que os custos relativos às perdas técnicas e comerciais ocorridas na distribuição da energia elétrica são repassados aos consumidores por meio da tarifa determinada pela ANEEL. Portanto, não há falar no estorno do crédito das contribuições ao PIS/COFINS ou dos custos considerados na apuração do IRPJ/CSLL, tendo em vista que as perdas técnicas e comerciais verificadas pela Impugnante são embutidas na tarifa da energia elétrica. ...considerando que os valores decorrentes das perdas técnicas e comerciais verificadas pela Impugnante na distribuição da energia elétrica são incluídos na composição do preço das tarifas pela ANEEL, inexiste fundamento jurídico que legitime o estorno dos créditos do PIS/COFINS e os custos aproveitados na apuração do IRPJ/CSLL. 3.2.3 CONTRIBUIÇÕES AO PIS/COFINS – PERDAS TÉCNICAS ESTORNO DO CRÉDITO AUSÊNCIA DE DISPOSIÇÃO LEGAL. Ainda que se entenda que as perdas técnicas e comerciais não compõem a tarifa de energia elétrica determinada pela ANEEL, ainda sim merece ser cancelado o presente Auto de Infração. ...conforme narrado anteriormente, as perdas técnicas são as parcelas de energia que são dissipadas durante o seu transporte, devido às características físicas dos componentes presentes na infraestrutura do sistema elétrico. Nos termos do §13° do artigo 3º da Lei n° 10.833/03, aplicável também à contribuição ao PIS, os créditos apurados na aquisição de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo serão estornados, caso ocorra uma das hipóteses dispostas na norma jurídica em questão. ...os créditos das contribuições ao PIS/COFINS apurados pela Impugnante deverão ser estornados quando a distribuição da energia elétrica for obstada pela ocorrência uma das seguintes hipóteses. Relacionou as hipóteses (Furto, Roubo, Inutilização, Deterioração, Destruição, Utilização em produtos com a mesma destinação). Desta forma, estão tipificadas somente 06 (seis) hipóteses no §13° do artigo 3º da Lei n° 10.833/03 para que sejam estornados os créditos das contribuições ao PIS/COFINS apurados na aquisição de insumos ou produtos para revenda. Ou seja, caso não ocorram as hipóteses de furto, roubo, inutilização, deterioração, destruição ou emprego em outro produto com a mesma destinação, devem ser mantidos na escrituração fiscal da Impugnante os créditos das contribuições ao PIS/COFINS. ...a Fiscalização ampliou as hipóteses dispostas no §13° do artigo 3º da Lei n° 10.833/03 para imputar a Impugnante o estorno dos créditos do PIS/COFINS quando ocorrerem perdas técnicas no transporte da energia elétrica aos seus clientes. ...desperdício é um ato voluntário decorrente da não utilização da totalidade dos recursos empregados no processo produtivo. Por outro lado, as perdas técnicas são gastos que a empresa suporta de forma involuntária, sem que seja possível evitar ou mesmo prever essas ocorrências. Não é outro o entendimento da própria Fiscalização que, ao fundamentar a inexistência do estorno dos custos das perdas comerciais em relação ao IRPJ/CSLL, classificou as perdas técnicas como quebras que integram o custo de produção, em conformidade com o inciso I do artigo 291 do Decreto n°3.000/99. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 512 6 De forma contraditória e ilegal, a Fiscalização incluiu um novo conceito ao §13° do artigo 3º da Lei n° 10.833/03, qual seja, o desperdício para justificar a glosa dos créditos corretamente aproveitados pela Impugnante em relação às perdas técnicas. Da mesma forma que o contribuinte não pode aproveitar créditos sobre produtos/serviços que não estejam dispostos no artigo 3º das Leis n°s 10.627/02 e 10.833/03, a Fiscalização não pode glosar os créditos das contribuições ao PIS/COFINS aproveitados pela Impugnante sem que haja disposição expressa em Lei. Portanto, como as perdas técnicas, ou desperdício como entende a Fiscalização, não estão incluídas nas hipóteses dispostas no §13 do artigo 3º da Lei n° 10.833/03, resta ilegal o estorno dos créditos das contribuições ao PIS/COFINS devidamente aproveitados pela Impugnante. 3.2.4 CONTRIBUIÇÕES AO PIS/COFINS – PERDAS COMERCIAIS (NÃO TÉCNICAS) – PROCESSO ADMINISTRATIVO RECUPERAÇÃO DA RECEITA Como informado anteriormente, as perdas comerciais (perdas não técnicas) são causadas por falta de faturamento da energia elétrica distribuída pela Impugnante aos seus consumidores. No caso, as perdas não técnicas apresentam duas principais causas: (i) o furto e (ii) a fraude. Para verificar e comprovar a ocorrência de furto ou fraude nos sistemas de medição de energia elétrica instalados na residência/estabelecimento de seus clientes, a Impugnante efetua a retirada do aparelho para realizar testes em seus laboratórios de metrologia. Caso seja constatada qualquer alteração no aparelho de medição que induza a diminuição da energia elétrica faturada pela Impugnante em relação ao seu efetivo consumo, são realizadas análises técnicas (levantamento de carga, histórico de medição, diferença de faturamento, termo de ocorrência de inspeção) para auferir o montante furtado/fraudado pelo cliente. Com o pagamento da energia elétrica de fato devida pelo consumidor, a Impugnante tem que incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS/COFINS a receita recuperada, nos termos do artigo 1º da Lei n° 10.833/03. ...considerando a possibilidade dos valores apurados pela Impugnante como perdas comerciais (não técnicas) serem recuperados e a inclusão desta receita na base de cálculo do PIS/COFINS, inexiste fundamento legal que justifique o estorno dos créditos das contribuições em questão realizado pela Fiscalização. ...como os montantes decorrentes do furto/fraude da energia elétrica podem ser recuperados pela Impugnante, e, se recuperados, esses valores serão incluídos na base de cálculo do PIS/COFINS, deve ser cancelado o presente Auto de Infração. 3.2.5 – IRPJ/CSLL – PERDAS NÃO TÉCNICAS – RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO DO LUCRO LEAL De acordo com a Fiscalização, seria possível considerar os custos relativos às perdas comerciais (não técnicas) na apuração do IRPJ/CSLL, somente se a Impugnante comprovasse a apresentação de queixa crime para formalizar o furto/fraude verificado na distribuição da energia elétrica: Ressalvamos aqui que, no tocante às perdas por furto, consta do artigo 364 do RIR/999, a previsão para a dedutibilidade dessas despesas. Porém, aplicável apenas aos casos em que foram cumpridas as exigências do exposto naquele dispositivo legal, dentre as quais, a apresentação de queixa perante às autoridades policiais. Providências não identificadas na presente ação fiscal. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 513 7 Entretanto, para fins de apuração do IRPJ/CSLL, as perdas comerciais devem ser classificadas como as perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, sendo conceituadas como despesa na apuração do lucro real. Isto porque, os valores das perdas verificadas na fatura de consumidores que furta/fraudam a energia elétrica devem ser considerados como despesas na apuração do lucro real, nos termos do artigo 9o da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 340 do Decreto n° 3.000/99 (RIR): Art. 364. Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 3o). Art. 9o As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1o Poderão ser registrados como perda os créditos: (...) II sem garantia, de valor: até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; Conforme demonstrado anteriormente, para recuperar os créditos decorrentes das perdas comerciais, a Impugnante adota as providências determinadas pela ANEEL. Assim, é instaurado um processo técnico administrativo pela Impugnante com o objetivo de viabilizar a adoção de medidas para a recuperação da receita perdida, conforme comprovado documentalmente (documento n° 03). No mesmo sentido das contribuições ao PIS/COFINS, com o pagamento da energia elétrica de fato devida pelo consumidor, após a instauração do processo administrativo, a Impugnante tem que incluir na determinação do lucro real os valores recuperados, nos termos do artigo 12° da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 343 do Decreto n° 3.000/99 (RIR): Art. 12. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. Ou seja, considerando as disposições do artigo 9° da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 340 do RIR que autorizam a dedução dos valores verificados pela Impugnante como perdas comerciais (não técnicas) na apuração do IRPJ/CSLL, e caso os créditos sejam recuperados, esses montantes serão incluídos na determinação do lucro real, inexistindo fundamento legal que justifique a glosa realizada pela Fiscalização. Por outro lado, cumpre destacar que o furto/fraude de energia elétrica constitui uma infração contratual, uma vez que implica a utilização inadequada do serviço prestado pela Impugnante e na falta de pagamento da contraprestação devida pelo cliente. Para a Impugnante o importante é recuperar as receitas perdidas em função do furto/fraude realizado pelos seus consumidores, tornadose impraticável imputar a obrigação de acionar a Autoridade Policial quando for verificada a ocorrência de perdas comerciais. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 514 8 Portanto, como as perdas verificadas na fatura dos consumidores que furtam/fraudam a energia elétrica são consideradas como despesas na apuração do lucro real, em conformidade com o artigo 9o da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 340 do Decreto n° 3.000/99 (RIR), inexiste fundamento jurídico que autorize a glosa dos valores correspondentes às perdas comerciais realizado pela Fiscalização." Alega a impossibilidade de cobrança concomitante da multa isolada com a proporcional e que a jurisprudência deste E. CARF vem decidindo pela ilegalidade. Alega que a multa proporcional no importe de 75% é confiscatória, conforme entendimento do STF e que por tal motivo o lançamento deveria ser anulado, ou então a multa deveria ser reduzida para o percentual de 30%. Por fim, acosta provas com a impugnação e protesta pela posterior juntada de provas aos autos. Em seguida, a DRJ de Belém, proferiu o v. acórdão recorrido (fls.430/452), cuja ementa restou registrada da seguinte forma: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. MULTA ISOLADA. IRPJ FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. CABIMENTO. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento de IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada, efetuar recolhimento a menor ou deixar de recolher, cabível a aplicação da MULTA ISOLADA de 50% (cinqüenta por cento), ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. FURTO. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita ou furto somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver inquérito instaurado, nos termos da legislação trabalhista, ou quando o fato for comunicado à autoridade policial (notitia criminis). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM COM A MULTA DE OFÍCIO. Após o encerramento do período de apuração, é devida multa isolada pelo não recolhimento de parcelas mensais de estimativas no curso do referido período. A aplicação conjunta de multa de ofício no mesmo lançamento tributário, referente a tributo e contribuição devidos Fl. 514DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 515 9 ao final do período, não tem o condão de excluir a multa isolada sobre as parcelas mensais de estimativas não recolhidas, haja vista trataremse de infrações distintas, possuidoras de tipificação legal específicas a cada uma delas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. O prazo para apresentação da impugnação é de trinta dias contados da ciência do lançamento. A apresentação extemporânea de novos argumentos e/ou provas por parte do sujeito passivo deve estar fundamentada na força maior ou na superveniência de fato ou direito. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE DESPESAS. CSLL. A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Em relação a infração 1, sobre a falta de estorno de créditos relativos a PIS e COFINS nãocumulativos, o v. acórdão recorrido nada falou. O v. acórdão analisou a glosa de custos correspondentes a aquisições de energia elétrica perdida em decorrência de desvio, fraude ou furto relativo ao item 2 e em seguida analisou as alegações relativas a multa isolada, item 3, multa proporcional, possibilidade de juntada de provas após o prazo estipulado por lei e a tributação reflexa relativa a CSLL. Em seguia, inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.457/475, alegando os mesmos argumentos da impugnação, deixando de recorrer sobre a infração do item 1 relativa a falta de estorno de créditos de PIS/COFINS não cumulativos e do pedido de juntada posterior ao prazo previsto na lei. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 516 10 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Portanto, dele tomo conhecimento. Infração 1 do Auto de Infração: O Auto de Infração relativo a infração 1 de glosa de créditos de PIS/COFINS não cumulativos que deixaram de ser estornados pela Recorrente, não consta nos autos, logo, tais créditos não podem ser analisados neste processo. Infração 2 do Auto de Infração: Em relação as perdas não técnicas, a Recorrente alega que os custos são repassados aos consumidores finais por meio de tarifa determinada pela ANEEL e que por tal motivo não há que se falar em estorno dos custos considerados na apuração do IRPJ/CSLL, eis que tais perdas são embutidas na tarifa de energia elétrica. Os artigos 340 do RIR/99 e artigo 9 da Lei não indicam que as perdas não técnicas relativas a fraude ou roubo são equiparadas a despesas técnicas para fim de abatimento na apuração do lucro real como quer fazer crer a Recorrente. Neste diapasão, as perdas não técnicas deverão seguir a regra disciplinada pela artigo 364 do RIR/99, que condiciona a possibilidade de dedução dos custos da base de calculo do IRPJ e da CSLL a apresentação de Boletim de Ocorrência Policial ou abertura de Inquérito Policial relativo ao furto ou fraude de energia elétrica praticados pelos consumidores. A alegação da Recorrente de que é inviável a elaboração de Boletim de Ocorrência ou abertura de Inquérito Policial toda vez que for constatada uma irregularidade praticada pelo consumidor e que por isso, instaura processo administrativos para avaliar as perdas não técnicas relativas a furto ou fraude cometidos pelos usuários dos serviços, não podem ser admitidas para afastar a exigência do dispositivo. O processo administrativo instaurado pela Recorrente além de ser documento de criação unilateral da contribuinte, não está previsto no texto do artigo 364 do RIR/99 que condiciona o abatimento de tal custo. Desta forma, entendo que foi correta a ação fiscal em glosar os valores das perdas não técnicas, devendo ser mantida a infração 2 do Auto de Infração, nos termos do que foi julgado pelo v. acórdão recorrido. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 517 11 Infração 3 do Auto de Infração: Quanto a infração 3, relativo a falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL em decorrência da glosa dos valores das perdas não técnicas do item do 2 do Auto de Infração, entendo que não deve prosperar, conforme fundamentação que passo a expor. A jurisprudência deste E. CARF e do C. STJ vai no sentido de que mesmo após edição da Lei 11.488/07, que alterou o artigo 44 da Lei 9.430/96, não é possível a aplicação concomitante da multa de oficio com a multa isolada sobre estimativa mensais de IRPJ e CSLL não recolhidas. Para fundamentar meu entendimento, utilizo um trecho do voto vencedor do Conselheiro João Otavio Thomé, nos autos do processo 16682.721205/201100, acórdão nº 1102.001.315, que se baseou no voto vencedor do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio no v. acordão nº 1102001.226 todos da 1ª Câmara da 2ª TO da 1ª Seção, proferido nos autos do processo 1048.720836/201355. Vejamos. “Aduz a Fazenda Nacional que o acórdão embargado foi omisso quanto à possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL não recolhidas após a mudança legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Citado tema já foi apreciado por essa Turma de Julgamento, no Acórdão nº 1102001.226, por meio do qual se decidiu pela impossibilidade de aplicação da multa isolada em concomitância à multa de ofício, mesmo após o advento da Medida Provisória nº 351/07. Confirase trecho do voto do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, relator do citado acórdão: “Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga a forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar mula isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração Fl. 517DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 518 12 anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual.” Entendeu o Colegiado que a alteração da redação da norma referida pela Embargante não afasta a legitimidade da aplicação da teoria da consunção ao caso, porquanto não promoveu alteração do regime de apuração dos tributos em referência.” O v. acórdão nº 1102001.226 em relação a concomitância das multas registrou ementa da seguinte forma: Ementa: “ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a conc omitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. “ Este entendimento foi mantido ao ser analisado os Embargos de Declaração nos autos do mesmo processo 16682.721205/201100, de Relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, conforme se depreende do v. acórdão nº 1102001.315 de 25/09/2015, conforme ementa abaixo. Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DE TRIBUTO. ALTERAÇÕES DA LEI 11.488/07. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ, mesmo após as alterações no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela Lei nº 11.488/07.” Seguindo a mesma linha dos julgados acima apontados deste E. Carf, seguem ementas de v. acórdãos proferidos no C. STJ: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1499389 / PB) Fl. 518DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 519 13 No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (REsp 1496354 / PR RECURSO ESPECIAL2014/02967297). Assim, entendo que a multa isolada deve ser totalmente afastada, devendo ser mantida apenas a multa de oficio aplicada no Auto de Infração. Da alagação de que a multa aplicada ser confiscatória: Em relação a esta alegação da Recorrente, deixou de apreciála devido ao impedimento previsto na Súmula 02 do CARF, que impede o Julgador de analisar constitucionalidade de norma no âmbito deste Conselho. Da tributação reflexa da CSLL: Aplicase à Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL, no que couber, o que foi decidido em relação ao IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Conclusão: Fl. 519DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 1402002.147 S1C4T2 Fl. 520 14 Ante todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, reformando o v. acórdão recorrido para excluir a exigência da multa isolada, mantendo o restante do auto de infração em seus termos. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Fl. 520DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 12898.000501/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
Ao subsistir em parte o Auto de Infração principal, igual sorte colherão os dele decorrentes
OMISSÃO DE RECEITA. REPASSES DE CARTÕES DE CRÉDITO. PRESUNÇÃO SIMPLES.
O fisco utiliza a prova indireta, mediante indícios ou presunções, sobretudo para apurar omissão de receita. Para abalar tal convicção, a impugnação deveria vir acompanhada de qualquer meio de prova em Direito admitida, o que não se verificou nos autos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Devem ser excluídos da base de cálculo: a) os valores decorrentes de resgates financeiros por não configurarem receita omitida; b) valores referente a meras transferências entre contas correntes de mesma titularidade.
OMISSÃO DE RECEITA. SIMPLES. FALTA DE RECOLHIMENTO. OCORRÊNCIA.
A constatação pelo fisco de omissão de receitas, quando a contribuinte é tributada pela sistemática do SIMPLES, modifica as bases de cálculo, com a conseqüente incidência de novos percentuais, tornando necessário o respectivo ajuste através da exigência de ofício das diferenças não recolhidas.
Numero da decisão: 1401-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer o agravamento da multa de ofício. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Ao subsistir em parte o Auto de Infração principal, igual sorte colherão os dele decorrentes OMISSÃO DE RECEITA. REPASSES DE CARTÕES DE CRÉDITO. PRESUNÇÃO SIMPLES. O fisco utiliza a prova indireta, mediante indícios ou presunções, sobretudo para apurar omissão de receita. Para abalar tal convicção, a impugnação deveria vir acompanhada de qualquer meio de prova em Direito admitida, o que não se verificou nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Devem ser excluídos da base de cálculo: a) os valores decorrentes de resgates financeiros por não configurarem receita omitida; b) valores referente a meras transferências entre contas correntes de mesma titularidade. OMISSÃO DE RECEITA. SIMPLES. FALTA DE RECOLHIMENTO. OCORRÊNCIA. A constatação pelo fisco de omissão de receitas, quando a contribuinte é tributada pela sistemática do SIMPLES, modifica as bases de cálculo, com a conseqüente incidência de novos percentuais, tornando necessário o respectivo ajuste através da exigência de ofício das diferenças não recolhidas.
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EPP FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontrase perfeita e dentro das exigências legais. PRELIMINAR. NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não se configura quebra de sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA Deixase de se declarar a nulidade da decisão de piso, uma vez demonstrado que todas as alegações relevantes apresentadas pela recorrente foram, sim, devidamente consideradas e refutadas pelo acórdão recorrido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEVOLUÇÃO DE CHEQUES. INGRESSO BANCÁRIO NÃO CARACTERIZADO. Cabível a exclusão da base tributável dos valores relativos a cheques devolvidos, uma vez que a rigor o recurso não ingressou na conta bancária. OMISSÃO DE RECEITA. REPASSES DE CARTÕES DE CRÉDITO. PRESUNÇÃO SIMPLES. O fisco utiliza a prova indireta, mediante indícios ou presunções, sobretudo para apurar omissão de receita. Para abalar tal convicção, a impugnação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 05 01 /2 01 0- 06 Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 3 2 deveria vir acompanhada de qualquer meio de prova em Direito admitida, o que não se verificou nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Devem ser excluídos da base de cálculo: a) os valores decorrentes de resgates financeiros por não configurarem receita omitida; b) valores referente a meras transferências entre contas correntes de mesma titularidade. OMISSÃO DE RECEITA. SIMPLES. FALTA DE RECOLHIMENTO. OCORRÊNCIA. A constatação pelo fisco de omissão de receitas, quando a contribuinte é tributada pela sistemática do SIMPLES, modifica as bases de cálculo, com a conseqüente incidência de novos percentuais, tornando necessário o respectivo ajuste através da exigência de ofício das diferenças não recolhidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. OBSTRUÇÃO À FISCALIZAÇÃO. Justificase o agravamento da multa de ofício, em função do não atendimento de intimações pelo interessado, uma vez constatado que o volume de intimações não atendidas foi muito significativo (aspecto quantitativo) e relevante (aspecto qualitativo). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Ao subsistir em parte o Auto de Infração principal, igual sorte colherão os dele decorrentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer o agravamento da multa de ofício. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano. Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 18611873: Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo Fisco dos autos de infração, com base na sistemática simplificada, de IRPJ (fls. 131/155, no valor de R$ 132.510,79; de PIS (fls. 156/165), no valor de R$ 97.103,89; de CSLL (fls. 167/175), no valor de R$ 132.510,79; de COFINS (fls. 176/185), no valor de R$ 389.097,94 e de INSS (fls. 186/196), no valor de R$ 1.126.835,00, todos acrescidos da multa agravada de 112,50% e dos juros de mora. O entendimento fiscal encontrase disposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 129/130), cujo teor, em síntese, a seguir se reproduz: a) No anocalendário de 2006, a empresa ostentou uma movimentação financeira de R$ 12.706.271,35 e declarou em sua DIPJ uma receita bruta de R$ 765.122,06; b) O contribuinte foi intimado, através do Termo de Início de Fiscalização a apresentar além dos livros e documentos contábeis e fiscais, a relação de instituições financeiras onde manteve conta ativa durante o ano de 2006, bem como a cópia dos respectivos extratos bancários; c) Tendo em vista o não atendimento ao citado termo, a empresa foi reintimada em 25/11/2009 e 02/12/2009; d) Frustadas as tentativas de obter os elementos solicitados, foi procedida, em 22/12/2009, a intimação das pessoas físicas integrantes do quadro societário, Sr. Bruno Alípio Alves Ramos e Sra. Mônica Alves Ramos Estefam; e) A correspondência dirigida a Sra. Mônica retornou com a informação "mudouse" e a dirigida ao Sr. Bruno, embora recebida, não resultou em atendimento; f) A única resposta que obtivemos consistia em uma singela cartinha, aparentemente (não constava reconhecimento da firma) assinada sob o nome de Luisa Ramos Estefam (que não integra o quadro societário). Referido documento não possui data e solicita a prorrogação de 30 dias, sob o argumento de a sociedade empresária Castelo do Vinho ter transferido a contabilidade para um novo escritório; g) Considerando o tempo decorrido sem que fosse obtido êxito nos elementos mínimos necessários à realização da auditoria fiscal, foi realizada a intimação pessoal ao gerente da empresa, Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 5 4 Sr. Marcelo Salustio Ramos, concedendo prazo de 48 horas para apresentar a documentação; h) Em resposta, o contribuinte entregou os livros Diário, Razão e o livro de Apuração do ICMS. Referida escrituração, portanto, não permitiu que fossem examinados os depósitos bancários, na medida em que não há escrituração da conta "Bancos"; i) Ademais, a receita escriturada na conta "venda de mercadorias" confere com os valores oferecidos à tributação na DIPJ/2007, substancialmente inferior à movimentação financeira para o mesmo período, R$ 12.706.271,35; j) Cumpre salientar que, mesmo após todo o tempo decorrido entre a primeira intimação e as demais realizadas de forma reiterada, a interessada, até o momento, não entregou os extratos bancários, relacionando também as instituições financeiras junto às quais manteve conta ativa, ao longo de 2006; k) Tais fatos evidenciaram a intenção do contribuinte em procrastinar o acesso à sua movimentação financeira; l) Autorizado o acesso à movimentação financeira almejada, as respostas foram trazidas pelas respectivas instituições com as quais transacionava a interessada. E, portanto, foi mais uma vez, o contribuinte intimado a comprovar a origem dos créditos em suas contas correntes; m) Em 14/02/2010, o contribuinte apresentou resposta, indicando que alguns dos lançamentos nas contas bancárias eram decorrentes de transferências de outras contas correntes, razão pela qual foi promovida a conciliação das contas, onde se procurou conciliar as transferências que se conseguiu identificar, como sendo proveniente de outras contas de titularidade do contribuinte; n) Nessa mesma oportunidade, foi entregue a 3ª Alteração Contratual, datada de 03/01/2010, onde os sócios Bruno e Mônica transferem a totalidade de suas cotas para Guilhermina Augusta Alves Ramos (que retorna ao quadro societário, pois no ano em que se reporta a ação fiscal, ela detinha 99% das ações da empresa) e Maria da Glória Alves da Silva; o) Na mesma data, já conciliadas algumas transferências entre contas, foi mais uma vez o contribuinte intimado a comprovar a origem dos créditos em suas contas correntes; p) Tendo em conta o não atendimento de mais essa intimação, foi realizado o lançamento de ofício dos valores que, não obstante creditados em conta corrente de titularidade do contribuinte, deixaram de ser oferecidos à tributação na DIPJ do ano de 2006, tendo sido aplicado o agravamento da multa previsto no artigo 959 do RIR/1999. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 6 5 Devidamente cientificada em 07/06/2010 (fls. 198), a interessada, em 06/07/2010, apresentou impugnação (fls. 229/286), cujas razões de defesa, em síntese, a seguir se reproduz: I Das considerações iniciais a) Dirigiuse ao CACBARRA, com o objetivo de se inteirar melhor acerca dos fatos e de tomar conhecimento dos documentos anexados ao processo pelo Fisco, bem como de extrair cópia do processo; b) Entretanto, jamais obteve sucesso em sua pretensão, pois sempre que comparecia ao órgão, os funcionários, após consulta aos sistemas internos alegavam que o processo ainda se encontrava na Divisão de Fiscalização III no Centro, local de lotação do auditor autuante, não tendo ainda chegado àquele CAC; c) Compareceu ao CAC BARRA mais uma vez em 24/06/2010, pois o prazo para a apresentação da impugnação já estava próximo. Desta feita, além de obter a mesma informação de que o processo ainda se encontrava no mesmo lugar, o funcionário acrescentou que, mesmo se chegasse nos próximos dias só poderia ser obtida cópia ou vista do processo, através de agendamento prévio pela internet, e que seria muito difícil que isto fosse possível até o final do prazo de 30 dias para a apresentação da defesa, dia 07/07/2010, devido ao acúmulo de serviços; d) Diante de tal absurda situação, não restou à impugnante alternativa senão dirigirse à Divisão de Fiscalização III no prédio do Ministério da Fazenda onde, após constatar que o processo ainda se encontrava com o auditor responsável pela fiscalização, fez a solicitação de cópia integral do processo e conseguiu obter cópia das 199 folhas no dia 30/06/2010, portanto, há apenas 7 dias do encerramento do prazo para a entrega de sua impugnação; e) Ressaltase que até a data da protocolização da impugnação o processo ainda não havia sido remetido ao CAC BARRA; f) Além disso, os termos de início de fiscalização e as reintimações foram enviados pelo correio, através de AR e foram recebidos por funcionários despreparados e não autorizados que não os transmitiram para os sócios da empresa. Por esta razão, os sócios não tomaram qualquer conhecimento das solicitações feitas pela fiscalização; g) A impugnante não consegue entender as razões que motivaram o agente responsável pela fiscalização a utilizar o procedimento de iniciar uma investigação fiscal, através de uma remessa pelo correio. Acredita que seria mais correto seu comparecimento no estabelecimento da fiscalizada, ocasião em que seria formalmente recebido pelos sócios da empresa; Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 7 6 h) Todas as vezes que o auditor dirigiuse à empresa, foi prontamente atendido pelo gerente, Sr. Marcelo Salustio Ramos; i) Também se verifica às fls. 47 a emissão de um "Termo de Reintimação", datado de 05/04/2010, de cujo teor jamais tomou conhecimento, sem que houvesse intimação anterior, solicitando os mesmos elementos, ou seja, a comprovação da origem dos depósitos nas contas correntes de sua titularidade; j) O "Termo de Intimação" fazendo esta solicitação (fls. 48) foi datado de 14/04/2010; k) A única intimação solicitando a comprovação da origem dos depósitos que efetivamente foi recebida data de 22/03/2010. Entretanto, importa salientar que esta intimação datada de 22/03/2010, apesar de efetivamente recebida, não consta do processo; l) O auditor autuante afirma em seu Termo de Verificação que foi autorizado a requerer as informações junto às instituições financeiras. Entretanto, não consta do processo qualquer documento que comprove tal afirmação. Aliás, não constam nem mesmo cópias dos extratos bancários de onde se supõe tenham sido extraídos os valores que serviram de base para a exigência fiscal; m) Outro ponto relevante que demonstra a forma totalmente equivocada e confusa do procedimento levado a efeito pelo fisco foi o fato de ter sido acostada indevidamente às fls. 03 a 27 do processo a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, relativa ao anocalendário de 2007, quando o período fiscalizado é 2006. Tal situação traz novas dificuldades para a correta análise e compreensão por parte da impugnante do ato praticado pela fiscalização; n) No penúltimo parágrafo do seu confuso Termo de Verificação Fiscal (fls. 129), o Fisco afirmara que "na mesma data, já conciliadas algumas transferências entre contas", tornou a intimar o contribuinte a comprovar a origem dos créditos em suas contas correntes. A que data ele estaria se referindo? Seria 14/04/2010? o) Não se sabe que transferências foram conciliadas; também onde estaria o demonstrativo dos valores a tributar; e de que forma o Fisco chegou aos valores objeto de tributação; p) E ao final o auditor autuante decide optar pelo agravamento da multa de ofício sob o argumento de não ter sido atendida uma intimação que nunca existiu. II Da ausência de prova para o lançamento a) O lançamento decorreu da interpretação equivocada do agente fiscal, que considerou como presunção de omissão de receita a falta de comprovação daorigem dos recursos Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 8 7 supostamente creditados em contas correntes bancárias, de titularidade da impugnante; b) Para chegar aos valores a tributar, o Fisco, supostamente, baseouse nos extratos bancários. Entretanto, ao analisar a cópia do processo fornecida à impugante, não foram localizados os extratos que deveriam servir de base como elemento fundamental de prova para o lançamento; c) Não existe demonstração dos valores a tributar; d) Assim, não há como contestar os valores em questão se não tem como entendelos; III Da falta de prova de quebra de sigilo bancário a) Não existe nenhuma prova das Requisições de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF); b) O fisco quebrou o sigilo bancário da impugnante e não apresentou qualquer prova a respeito; IV Da falta de entrega dos extratos da impugnante a) O agente tributário incorrera em equívoco insuperável, uma vez que, além de não anexar ao processo, também não anexou a única intimação entregue à impugnante, referente à comprovação das origens dos recursos (datada de 22/03/2010) os extratos bancários que, talvez, tenham servido de base para o preenchimento da planilha por ele elaborada; b) Desta forma, mesmo a impugnante tendo o maior interesse, não conseguiria atender todas as exigências da fiscalização de comprovação dos valores dos depósitos elencados na planilha, posto que não teve acesso aos extratos que, segundo informação da própria fiscalização, foram obtidos diretamente das instituições financeiras, extratos estes que poderiam confirmar ou não os valores ali discriminados; c) Não poderia simplesmente aceitar os valores discriminados em uma planilha sem a menor possibilidade de confirmalos através do documento que serviu de base para a sua elaboração; d) Não cabe ao contribuinte tentar advinhar a intenção da fiscalização. É do fisco a obrigação de descrever corretamente os fatos, bem como demonstrar de forma clara como efetivamente chegou à base de cálculo para a apuração dos tributos a serem lançados; e) Neste caso, a impugnante sequer pode se utilizar do princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório; f) Assim, caracterizado está, aliás, que a impugnante teve seu direito de defesa totalmente cerceado, não podendo nem mesmo sob uma interpretação tendenciosa, considerar o procedimento adotado pela autoridade fiscal como correto, implicando, portanto, em nulidade do ato praticado; Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 9 8 V Da quebra indevida do sigilo bancário procedida administrativamente a) A quebra do sigilo pelo auditor autuante teria sido ilegal, violando o direito constitucional da intimidade e privacidade; b) O sigilo bancário é um direito erigido constitucionalmente, no ordenamento jurídico brasileiro, que visa proteger a individualidade dos cidadãos no que diz respeito à sua intimidade, vez que protege os dados financeiros da pessoa, bem como as relações destes com a sociedade, obrigação esta que fica a cargo das instituições financeiras, apenas podendo ser quebrada a partir de determinação judiciária; c) Contudo, o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 prevê, no caso de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, que a autoridade administrativa e os agentes fiscais tributários dos entes federativos poderão solicitar informações referentes ao contribuinte, constantedos documentos, livros e registros das instituições financeiras, inclusive sobre contas de depósitos e aplicações financeiras do contribuinte; d) Tal atribuição, no entanto, fere a intenção que emana de todo o ordenamento jurídico brasileiro, uma vez que até mesmo a interpretação do STF sempre foi no sentido de que a quebra de sigilo bancário só pode ser feita mediante ordem judicial ou de órgãos a este poder equiparado, como as CPI; e) Mesmo que a Lei Complementar 105/2001 estabelecesse a quebra de sigilo mediante autorização judicial, ainda assim, tal regra somente valeria no caso de apuração de crimes fiscais e não em caso de processos administrativos visando apurar créditos tributários em favor da Fazenda Pública; f) Como se não bastasse a inconstitucionalidade desta lei complementar, editouse o Decreto n° 3.724/2001, na mesma data, para regulamentar referida lei, que em seu artigo segundo individualiza as onze hipóteses em que a verificação bancária é considerada indispensável pela autoridade competente da administração fazendária; g) Tais disposições tornam os contribuintes extremamente vulneráveis, diante da condição assegurada em lei, que outorga aos agentes públicos, sob a forma de procedimento fiscalizatório, a possibilidade de examinar os registros de movimentações financeiras; h) Requer, portanto, seja cancelado o auto de infração. VI Da nulidade na constituição do crédito tributário a) A insuficiência ou a falta de clareza é um vício gravíssimo, posto que viola as garantias constitucionais do acesso ao Poder Judiciário, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Neste contexto, não se pode afirmar que os Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 10 9 Termos de Intimação, bem como o Termo de Verificação Fiscal, anexo ao auto de infração, atendam aos requisitos de clareza e congruência que a motivação deve possuir; b) Alerta a impugnante que às fls. 48 do presente processo consta uma "intimação" apócrifa, datada de 14/04/2010, bem como às fls. 47 um "Termo de Reintimação" datado de 05/04/2010, dos quais a impugnante jamais tomou conhecimento; c) Também anexou a DIPJ simplificada do ano de 2007, quando o período objeto de investigação era 2006; d) Informa ainda o fisco que procedeu a conciliação de algumas transferências entre contas, entretanto sem indicar quais e sequer demonstra como apurou os valores a tributar; e) O Fisco não oferece uma linha que seja sobre a planilha apresentada pela impugnante em atendimento à intimação de 22/03/2010, justificando a origem de diversos valores; f) A impugnante não tem a menor idéia de quais valores foram aceitos como tendo sua origem comprovada. Na verdade, o fato concreto é que a impugnante não consegue entender quase nada da peça elaborada pelo Fisco; g) Nesse contexto, a impossibilidade da identificação do real significado dos valores que serviram de base para a autuação, através da simples leitura do citado termo de verificação, bem como dos documentos que foram anexados ao processo, já é motivo suficiente para a anulação do presente lançamento; h) Inexiste descrição dos fatos adequada, bem como qualquer demonstrativo esclarecendo como a fiscalização apurou os valores a tributar. VII Da falta de individualização dos créditos a) Não consta da planilha fornecida pelo Fisco à interessada a discriminação individualizada das transferências entre contas; b) Também não há a individualização dos créditos para a determinação da omissão de receitas. VIII Dos depósitos bancários sem comprovação da origem a) Como a impugnante não teve acesso aos extratos bancários, pela planilha fornecida pelo Fisco, cumpre ressaltar que os créditos que supostamente estariam sem a comprovação da origem referiamse a depósitos em cheque; créditos referentes a repasses de cartões; créditos de operações de descontos; DOC e TED identificados; transferência de mesma titularidade; resgates de aplicações financeiras; empréstimos; devolução de cheques compensados; b) Não consegue aceitar o porquê da não consideração dos valores, cuja origem vem estampada no histórico da própria Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 11 10 planilha, de onde, provavelmente, foram extraídos os valores que compuseram a indecifrável relação dos montantes a tributar; c) Quanto aos depósitos em cheques, verificase que jamais o fisco poderia ter considerado como crédito o valor do depósito pela instituição financeira, cuja disponibilidade tenha ocorrido apenas no mês seguinte. Houve deslocamento ilegal do fato gerador; d) Reconhece a impugnante, segundo o § 1º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; e) Quando o legislador mencionou crédito efetuado pela instituição financeira, obviamente não estava se referindo simplesmente ao lançamento do valor no extrato, mas sim quando este se tornasse disponível, pois, aí sim, o contribuinte passa a ter direito ao crédito; f) No que toca aos repasses de cartões de crédito, é óbvio que eram inerentes aos recebimentos das vendas com cartão de crédito. Portanto, não poderiam ser considerados como depósitos sem comprovação da origem, eis que a origem encontrase estampada no próprio extrato, tais como: VISA ELECTRON, REDSHOP, AMERICAN EXPRESS, entre outros; g) Quanto às operações de descontos, é sabido que tratase de adiantamento de recursos feito pelo banco, sobre os valores das respectivas vendas. Neste tipo de operação, a empresa recebe dinheiro antecipado correspondente às suas vendas a prazo; h) Encontramse descritos na planilha UNIBANCO 409 (AG. 0742/ CONTA 1318628) os valores relativos a estas operações para o ano de 2006, totalizando R$ 327.268,86 e que devem ser excluídos da base tributável dos autos de infração; i) Da mesma forma, não se pode considerar os DOC e TED identificados como depósitos sem comprovação da origem, eis que a própria planilha elaborada pelo Fisco discrimina o remetente, ou seja, a comprovação da origem dos recursos; j) Já as transferências bancárias de mesma titularidade não poderiam entrar no cômputo da base tributável; k) Desta forma o Fisco considerou de forma indevida como origem não comprovada os valores relacionados na planilha de fls. 49 a 89 como creditados nas contas do UNIBANCO (Ag. 0742 c/c 101314 e 1318628), que têm como históricos "Transf. 7420/1318628 Castelo D", "TED Recebida Safra Castelo Do" e "Transf.7420/1020786 Castelo D"; 1) Da mesma forma, os resgates de aplicações financeiras, empréstimos e devoluções de cheques compensados, estornos, ajustes e acertos não poderiam fazer parte do rol que compõe a Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 12 11 base tributável da autuação, com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; m) Também as receitas devidamente declaradas deveriam ter sido expurgadas da incompreensível base tributável, por já terem sido objeto de tributação; n) Face ao acima exposto e, tendo em vista que a insuficiência de recolhimento foi apurada pela fiscalização em decorrência da inconsistente presunção de omissão de receita, como já mencionado, deve, portanto, o presente lançamento, em relação a este tópico, também ser considerado improcedente. IX Do agravamento da multa de ofício a) Não existe uma linha sequer seja no Termo de Verificação Fiscal ou no próprio auto de infração, justificando o motivo pelo qual a multa foi agravada; b) Tal procedimento é de todo inaceitável, não podendo, jamais, ser condizente com a atividade de fiscalização que deve primar pela transparência, imparcialidade e justiça; c) Após a visita do ilustre auditor em seu estabelecimento, ou seja, quando efetivamente tomou conhecimento da ação fiscal, atendeu, dentro de suas possibilidades e com a maior presteza o que lhe foi solicitado; d) Foram apresentados todos os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, Razão e Apuração do ICMS, fato reconhecido pelo próprio Fisco em seu Termo de Verificação Fiscal; e) A única solicitação que não foi atendida pela impugnante foi em relação aos extratos bancários, pois não conseguiu localiza los. Entretanto, tal fato de maneira alguma, pode ser confundido como uma mera intenção de embaraçar a fiscalização, até porque a única prejudicada seria a própria impugnante; f) A caracterização de embaraço, conforme definido pelo art. 919 do RIR/1999 implica geralmente na grave ocorrência de desacato, no sentido de impedir a fiscalização, o que em nenhuma circunstância, jamais aconteceu. Em razão das argumentações iniciais trazidas pela interessada em sua peça de defesa, o Fisco, por ato de oficio, reabriu o prazo para apresentação de nova impugnação, tendo em vista a juntada aos autos da Requisição de Movimentação Financeira; dos Extratos Bancários e da Peça Impugnatória apresentada em face do referido auto de infração (fls. 202), a qual a interessada tomou ciência em 08/09/2010. A interessada, em 05/10/2010, apresentou aditamento às razões expostas em sua impugnação, alegando, em síntese, o seguinte (fls. 1.819/1.824): Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 13 12 a) Ocorreu afronta ao Decreto n° 70.235/1972, eis que a interessada já havia apresentado impugnação aos autos de infração contra ela lavrados; b) O fisco, no afã de corrigir as flagrantes impropriedades do inconsistente lançamento levado a efeito, transgrediu o disposto no Decreto n° 70.235/1972; c) Tentou sanear de forma indevida os equívocos cometidos durante o procedimento fiscal; d) Destaca, para tanto, o artigo 16,§ 4º da legislação citada; e) Da mesma forma que é defeso ao interessado a apresentação de provas após a impugnação também ao Fisco não caberia a juntada de provas em momento posterior à apresentação da impugnação; f) A possibilidade de abertura de novo prazo para impugnação somente existe na hipótese de agravamento da exigência inicial em decorrência de incorreções, omissões ou inexatidões verificadas, através de exames posteriores ou diligências determinadas pela autoridade julgadora de primeira instância e não a critério do Fisco; g) Nesta vertente, haveria a utilização de dois pesos e duas medidas, sempre em detrimento do indefeso sujeito passivo; h) Determinados documentos, como os extratos bancários, deveriam ter sido apresentados por ocasião das intimações para comprovação da origem dos valores creditados nas contas correntes de sua titularidade, para que a fiscalizada tivesse a possibilidade de apresentar tal comprovação. A 4ª Turma da DRJ/RJI, por unanimidade, rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, acolheu em parte a impugnação, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 18581859: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontrase perfeita e dentro das exigências legais. PRELIMINAR. NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não se configura quebra de sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 14 13 Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu artigo 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEVOLUÇÃO DE CHEQUES. INGRESSO BANCÁRIO NÃO CARACTERIZADO. Cabível a exclusão da base tributável dos valores relativos a cheques devolvidos, uma vez que a rigor o recurso não ingressou na conta bancária. OMISSÃO DE RECEITA. REPASSES DE CARTÕES DE CRÉDITO. PRESUNÇÃO SIMPLES. O fisco utiliza a prova indireta, mediante indícios ou presunções, sobretudo para apurar omissão de receita. Para abalar tal convicção, a impugnação deveria vir acompanhada de qualquer meio de prova em Direito admitida, o que não se verificou nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RESGATE DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores decorrentes de resgates financeiros por não configurarem receita omitida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS CORRENTES DE MESMA TITULARIDADE. Ficam excluídos da base de cálculo os valores referentes aos depósitos bancários creditados em conta corrente da interessada, quando se verificar a ocorrência de mera transferência entre contas correntes de mesma titularidade. OMISSÃO DE RECEITA SOB A ÓTICA SIMPLIFICADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. OCORRÊNCIA. A inferência pelo fisco de omissão de receitas, quando integradas à sistemática simplificada, ao gerar nova base de cálculo com a conseqüente utilização de novos percentuais sobre as alíquotas, necessário se torna o respectivo ajuste através da exigência de ofício das diferenças não recolhidas Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. OBSTRUÇÃO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 15 14 O agravamento da multa de ofício, em função do não atendimento pelo interessado no prazo marcado, chegando ao patamar de 112.5%, tem sua essência no fato de restar caracterizada a obstrução do contribuinte ao feito fiscal. Caso contrário, se a posteriori", a interessada comparece e traz a documentação solicitada, a qual ainda serviu de base para a imputação tributária, faz com que este agravamento não se sustente. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Ao subsistir em parte o Auto de Infração principal, igual sorte colherão os dele decorrentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Considerando o montante do crédito tributátrio exonerado, foi apresentado recurso de ofício a este CARF. Cientificada do Acórdão em 16/02/2012 (fls. 1897), a contribuinte, em 19/03/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 19101937, com base nos seguintes argumentos: Preliminares a) Reiterou as preliminares de nulidade das autuações, por ausência de prova para o lançamento, falta de prova da quebra de sigilo bancário e falta de entrega dos extratos (fls. 19141919); b) Arguiu a nulidade da decisão de piso, por supostamente ter deixado de apreciar as arguições de nulidade apresentadas na fase impugnatória, referentes à nulidade na constituição do crédito tributário, dos valores a tributar, da falta de individualização dos créditos e do cerceamento do direito de defesa (fls. 19201922); Mérito c) Reiterou as alegações de quebra indevida do sigilo bancária, determinada administrativamente, arguindo a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 (fls. 19191920); d) Reiterou que os depósitos em cheque somente devem ser considerados no momento em que tais créditos se tornaram disponíveis ao contribuinte, e não no momento em que os aludidos cheques foram depositados (fls. 19221925); e) Reiterou seus argumentos em relação aos créditos oriundos de cartões de crédito (fls. 19251927), bem como em relação aos créditos referentes a operações de desconto (fls. 19281930); Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 16 15 f) Reiterou a alegação de que os DOCs e TEDs identificados devem ser excluídos da base de cálculo das autuações, posto que teriam sua origem identificada (fls. 19301931); g) Reiterou suas alegações em relação aos créditos decorrentes de empréstimos, que abrangem todos os valores cujos históricos dos extratos bancário indicavam: “Redução Saldo Devedor”, “Liberação Crédito Cessão Chq P”, “Liberação Garantida”, “Liber. Contr. 59/7828055” e “Encargos Limite Crédito”, nos valores de R$ 166.077,87, R$ 50.640,91, R$ 450.000,00 e R$ 191.494,61 (fls. 19311935) h) Em relação aos “Estornos, Ajustes e Acertos”, reclamou do fato de a decisão de piso não ter aceitado a comprovação dos valores de R$ 1040,00 e R$ 86,47 (UNIBANCO). No seu entender, os próprios extratos demonstram que tais valores não poderiam ser considerados como omissão de receitas (fls. 1935); i) Em relação às receitas dclaradas, reiterou que as mesmas devem ser expurgadas da base tributável (que considerou incompreensível), pelo fato de já terem sido objeto de tributação (fls. 1936); j) Alegou que, tendo em vista que a insuficiência de recolhimento foi apurada pela Fiscalização em decorrência da inconsistente presunção de omissão de receita, como já mencionado, deve o presente lançamento, em relação a este tópico, também ser considerado totalmente improcedente. É o relatório. Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 17 16 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos Recurso de ofício Créditos apurados no Banco Bradesco A decisão recorrida excluiu da base de cálculo das autuações o valor de R$ 995,34, correspondente a um resgate de título de capitalização. Sobre o tema, assim se manifestou o voto condutor da decisão de piso, fls. 18321833: f) Os únicos questionamentos realizados pela interessada em sua impugnação em relação aos depósitos bancários pertencentes ao Banco Bradesco diz respeito ao lançamento de 14/02/2006, referente a resgate de título de capitalização no valor de R$ 995,34 e do dia 27/04/2006, cuja descrição era transferência da poupança para a conta corrente Jorge Luiz Quelhas Sineiro, no valor de R$ 160,00, onde alega serem resgates de aplicações financeiras; g) Contudo, quanto ao primeiro lançamento, intitulado resgate de título de capitalização, de fato, tem razão a interessada, não podendo ser este resgate financeiro considerado como receita, razão pela qual deve ser excluído da base de cálculo o valor de R$ 995,34; […] k) Nestas condições, quanto à conta corrente mantida no Banco Bradesco, devem ser mantidos os valores constantes da planilha fiscal de fls. 49/52, à exceção do valor de R$ 995,34, relativo ao mês de fevereiro de 2006, que deverá ser excluído do cômputo da base de cálculo. Considero que agiu corretamente o colegiado julgador de piso. De fato, um crédito decorrente de resgate de aplicação financeira não pode ser considerado como depósito de origem não comprovada, razão pela qual o valor correspondente efetivamente ser excluído da base de cálculo da omissão de receitas. Assim sendo, em relação a este tema (Banco Bradesco), entendo que o acórdão de piso não merece reparos. Créditos apurados no Banco Safra Em relação aos créditos ocorridos no Banco Safra, a decisão recorrida excluiu os valores de R$ 1.806.682,23, R$ 11.348,43, R$ 57,00 e R$ 15.000,00, com base nos seguintes argumentos, fls. 1884: Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 18 17 a) Empréstimos/Mútuos — Comprovação consta às fls. 495/556, onde se verifica ter a interessada contratado com o banco, através dos Instrumentos Particulares de Cessão Fiduciária em Garantia de Direito Creditórios Cartão de crédito/débitos, onde o banco adianta valores que serão recebidos posteriormente, tendo em vista as vendas com cartões de crédito/débito. Neste caso, não podem ser computados como depósito bancário de origem não comprovada os valores oriundos destes contratos, os quais se encontram incluídos no Anexo ao Termo de Intimação (fls. 49/89), totalizando R$ 1.806.682,23, alcançando os meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio julho, agosto, setembro e outubro; b) Da mesma forma, os resgates de fundos de investimento também não podem ser considerados no cômputo da base de cálculo de omissão de receita fundada em depósito bancário creditado em conta corrente, cuja origem não fora comprovada, já que não poderia ser considerado como receita, cujo montante era de R$ 11.348,43, assim como a E. CPMF, no valor de R$ 57,00 13/10/2006; c) Nesta mesma situação encontrase o cheque devolvido de R$ 15.000,00, também objeto de questionamento pela interessada e constante da planilha elaborada pelo Fisco (fls. 87), datado de 09/10/2006. Considero inteiramente correto o procedimento adotado pelo colegiado julgador a quo. O valor de R$ 1.806.682,23 comprovadamente se refere a contrato de empréstimo, consequentemente deve ser expurgado da base de cálculo da presente autuação. Quanto ao valor de R$ 11.348,43, tratase de resgate de fundo de investimento, razão pela qual não pode ser considerado como um depósito de origem incomprovada. O mesmo se pode afirmar em relação ao crédito de R$ 57,00 cujo histórico indica “E. CPMF”, obviamente correspondendo a um estorno de valor debitado a título de CPMF. Por derradeiro, o valor de R$ 15.000,00 comprovadamente se refere a um cheque devolvido, razão pela qual também deve ser excluído da base de cálculo da presente autuação. Diante do exposto, também em relação ao presente tema (Banco Safra), considero que o acórdão recorrido não merece reparos. Créditos apurados no Unibanco Em relação ao UNIBANCO, a decisão de piso excluiu da base de cálculo os valores correspondentes às transferências entre contas correntes de mesma titularidade, devoluções de cheques compensados e estornos de CPMF. Sobre o tema, assim se pronunciou o voto condutor da decisão recorrida, fls. 18851886: b) As transferências entre contas correntes com a mesma titularidade, conforme o disposto pelo artigo 42, § 3o , inciso I da Lei n° 9.430/1996, devem ser excluídas da base de cálculo da autuação realizada com base em receitas omitidas, sendo certo que está correta a interessada ao questionar os valores de R$ 1.418.790,30; R$ 205.000,00 e R$ 8.177,16; Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 19 18 […] d) As devoluções de cheques compensados no valor de R$ 31.173,26 e os estornos de CMPF, no valor de R$ 118,42 devem ser excluídos da base de cálculo, já que não poderiam ser considerados como receita; Considero que, mais uma vez, agiu corretamente o colegiado julgador a quo, posto que tais créditos efetivamente tiveram sua origem comprovada, não devendo integrar a base de cálculo das presentes autuações. Assim sendo, também em relação ao presente tema (UNIBANCO), considero que o recurso de ofício não merece provimento. Cancelamento da multa agravada O colegiado julgador a quo desagravou a multa de ofício aplicada, por entender que o contribuinte não ficou totalmente omisso durante os procedimentos de fiscalização, tendo respondido diversas intimações. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 1887: Vale dizer que, no caso em pauta, durante o procedimento fiscal, inobstante terem sido emitidas várias intimações, tanto para a empresa quanto para seus sócios, o interessado não ficou totalmente omisso. Entende a Relatora que a aplicabilidade do percentual de 75% para 112,5% teria seu fundamento se o interessado não atendesse a qualquer intimação a ele efetuada. Entretanto, o que se verifica é que apesar de não ter respondido a grande parte das intimações, a interessada manifestouse em vários momentos (fls. 91/128). Não seria razoável e proporcional a incidência da multa de ofício qualificada, se a interessada, em determinados momentos, apareceu nos autos tanto na época procedimental quanto na fase processual. Nestas condições, voto por reduzir o percentual aplicado à multa qualificada de 112,5% para 75%, conforme preceitua o artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1972, julgando, por conseguinte, procedente em parte o lançamento de IRPJ, bem como os lançamentos dele decorrentes, além dos acréscimos moratórios, conforme demonstrado abaixo. Como facilmente se percebe, o voto condutor da decisão de piso invocou o princípio da proporcionalidade para desagravar a multa de ofício. Após muito ponderar sobre o assunto, discordei do entendimento adotado pela decisão recorrida. Ao meu ver, o comportamento da contribuinte na fase de fiscalização claramente visou dificultar os trabalhos das autoridades fiscais, acarretando grande demora na conclusão do processo de auditoria. Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 20 19 Para bem demonstrar este fato, considero interessante transcrever parcialmente o Termo de Verificação Fiscal de fls. 129130, verbis (grifado): Tratase de ação fiscal voltada a apurar a incompatibilidade entre a movimentação financeira e a receita declarada para o anocalendário de 2006. Com efeito, no referido período, enquanto ostenta um movimentação financeira de R$12.706.271,35, declarou, em DIPJ, uma receita bruta de R$765.122,06. Intimamos o contribuinte em 19/10/2009, mediante termo de Início de Fiscalização, solicitando, além dos livros e documentos contábeis e fiscais, a relação de instituições financeiras onde o contribuinte manteve conta ativa no ano de 2006, bem como cópia dos respectivos extratos bancários. . Considerando o não atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, promovemos sua reintimação em 25/11/2009 e 02/12/2009. Frustradas as tentativas de obter os elementos solicitados, procedemos, em 22/12/2009, à intimacão das pessoas físicas integrantes do quadro societário Sr. Bruno Alípio Alves Ramos cpf:056.831.80724 e sra. Mônica Alves Ramos Estefam cpf:051.397.01774. A correspondência dirigida a sra. Mônica Alves Ramos Estefam retornou com a informação "mudouse" e a dirigida ao sr Bruno Alípio Alves Ramos embora recebida, não resultou em atendimento. Após nosso retorno, em 18/01/2010, do período de férias anuais, verificamos que a única resposta que obtivemos consistia em uma singela cartinha, aparentemente (posto não constar o reconhecimento da firma) assinada sob o nome de Luisa Ramos Estefam (que não integra o quadro societário). Referido documento não possui data, e solicita prorrogação de 30 dias, sob o argumento de a sociedade empresária Castelo do Vinho ter transferido a contabilidade para um novo escritório de contabilidade. Considerando o tempo já decorrido sem que lográssemos êxito em obter os elementos mínimos necessários à realização da auditoria fiscal, comparecemos à sede do estabelecimento no dia 19/01/2010, onde intimamos o contribuinte, na pessoa de seu gerente, sr. Marcelo Salustio Ramos cpf:042.467.02757. Nessa oportunidade, consignamos o prazo de 48 horas para a apresentação da documentação solicitada. Em resposta o contribuinte entregou os livros Diário, Razão e o livro de Apuração do ICMS. Referida escrituração não nos, permitiu examinar os depósitos bancários, na medida em que não há escrituração da conta "bancos". Ademais, a receita escriturada na conta 3.1.11.01.01 (vendas de mercadorias) confere com os valores oferecidos à tributação na DIPJ/2007, Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 21 20 substancialmente inferior à movimentação financeira para o mesmo período R$12.706.271,35. Cumpre salientar que, malgrado todo o tempo já decorrido desde o início da ação fiscal e as reiteradas intimações solicitando os extratos bancários o contribuinte não entregou relação indicando as instituições financeiras junto às quais manteve conta ativa ao longo do ano de 2006 e tampouco os extratos bancários. [...] solicitou prorrogações de prazo, sem apresentar justificativa para sua não apresentação, tendo em conta o fato de esta fiscalização os ter solicitado desde o mês de outubro de 2009. Tais fatos evidenciaram a intenção do contribuinte em procrastinar o acesso a sua movimentação financeira. Cumpre registrar que todos os fatos acima descritos encontram amparo nos elementos de prova constantes dos autos (sucessivos termos de intimação e de reintimação). Com base nestes fatos, considero que foi bastante significativo (quantitativamente) e relevante (qualitativamente) o volume de intimações que deixou de ser atendido pela contribuinte. Consequentemente, considero que no presente caso justificou se, amplamente, o agravamento da multa de ofício, com fundamento no art. 959 do RIR. Assim sendo, considero que também em relação a este tema o acórdão de piso merece reparos, devendo ser restabelecido o agravamento da multa de ofício. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício, apenas para restabelecer o agravamento da multa de ofício. Recurso voluntário Preliminares Nulidade das autuações, por suposta ausência de prova para o lançamento, falta de prova da quebra de sigilo bancário e falta de entrega dos extratos Em sua peça recursal, a contribuinte voltou a questionou a validade jurídica da juntada de documentos aos autos, realizada após a apresentação de sua impugnação, não obstante a reabertura de prazo para complementação de sua peça impugnatória. Sobre o tema, manifestou com grande objetividade e precisão a decisão de piso, fls. 1874: Entrentanto, diante do fato de, às fls. 202, ter o fisco intimado a interessada a tomar ciência da juntada de documentos (EXTRATOS BANCÁRIOS; REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA e IMPUGNAÇÃO APRESENTADA) ao processo que realizaram o saneamento de possíveis falhas, que tivessem o condão de cercear o direito de defesa do contribuinte, reabrindose, consequentemente, o prazo Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 22 21 para a apresentação de nova impugnação, a partir do dia 08/09/2010, verificase que a interessada teve tempo mais que suficiente para se inteirar de todos os assuntos relacionados aos autos de infração aqui colacionados. Em relação ao presente tema, considero que não assiste razão à recorrente. Ab initio, esclareçase que os extratos bancários são documentos de propriedade da própria interessada, sendo quase risível o argumento de que ela não teria acesso a tais documentos. A ausência de tais documentos nos autos não teria o condão de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa por parte da contribuinte, especialmente porque o Fisco apresentou detalhado demonstrativo dos depósitos bancários, nele constando as datas dos lançamentos, o nome do banco, a descrição e o valor. Uma vez que os extratos bancários pertenciam à interessada, ela sempre teve livre acesso àquelas informações. De qualquer forma, tal alegação perdeu completamente o seu sentido, uma vez que a autoridade julgadora a quo efetivamente providenciou a juntadas dos referidos extratos aos autos, com reabertura de prazo para impugnação por parte da contribuinte. O mesmo se deve dizer em relação às Requisições de Movimentação Financeira – RMF, cuja juntada também foi determinada pelo colegiado julgador a quo. Sobre a juntada das RMF, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 1875: A ausência de tal documento aos autos também não seria causa de nulidade imediata, mas sim de retorno dos autos para a anexação do respectivo documento, havendo, no caso, o respectivo saneamento. Em nenhum dos casos apontados houve prejuízo ao interessado, que soube realizar de forma substancial sua defesa, trazendo à baila contestações acerca dos valores apurados a título de omissão de receitas. Assim, entendo que todos os defeitos apontados pelo interessado em suas considerações iniciais, bem como nas arguições de nulidade caíram por terra com esta conduta saneadora por parte do fisco, que teria mais 30 dias contados da ciência ocorrida em 08/09/2010, para apresentar nova defesa, além da primeira já apresentada. O colegiado julgador a quo entendeu que os documentos relativos à autuação (extratos e RMF) deveriam constar do processo. Por esta razão, determinou a juntada de oficio e reabriu prazo integral (30 dias) para a apresentação de nova impugnação, contado da data desta ciência. Tal procedimento está inteiramente de acordo com o que prevê o art. 60 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 23 22 Vale dizer que a expedição das RMF é prova bastante da efetiva quebra do sigilo bancário da contribuinte, não subsistindo razões para o pleito de nulidade apresentado pela recorrente. Uma vez demonstrada a inocorrência de qualquer prejuízo ao direito de defesa da contribuinte, considero que a presente preliminar de nulidade merece ser rejeitada. Arguição de nulidade da decisão de piso, por supostamente ter deixado de apreciar as arguições de nulidade apresentadas na fase impugnatória Conforme relatada, a recorrente arguiu a nulidade da decisão de piso, por supostamente ter deixado de apreciar alegações apresentadas em sua peça de impugnação, referentes à nulidade na constituição do crédito tributário, dos valores a tributar, da falta de individualização dos créditos e do cerceamento do direito de defesa. Compulsando detalhadamente a extensa decisão de piso e comparandoa com a peça impugnatória, constato que não ocorreu nenhuma das omissões apontadas pela recorrente. Para ilustrar este fato, convém analisar alguns excertos do voto condutor da decisão recorrida. Sobre o alegado cerceamento de direito de defesa, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 1875: Assim, entendo que todos os defeitos apontados pelo interessado em suas considerações iniciais, bem como nas arguições de nulidade caíram por terra com esta conduta saneadora por parte do fisco, que teria mais 30 dias contados da ciência ocorrida em 08/09/2010, para apresentar nova defesa, além da primeira já apresentada. Sobre a arguição de nulidade na constituição do crédito tributário, assim se pronunciou a decisão de piso, fls. 1880: Quanto à omissão de receitas apurada a partir de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, esclareçase que a premissa permite a presunção, pois, neste caso, independe da contabilização dos referidos depósitos e da qualidade da escrituração, conforme se depreende da leitura do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A jurisprudência administrativa tem corroborado a possibilidade de utilização da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos de origem não comprovada, conforme acórdão a seguir transcrito: Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 24 23 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. FORMA DE ARBITRAMENTO. Sendo conhecida a receita bruta omitida, esta será a base de cálculo do lançamento, descabendo a utilização do capital social como parâmetro para tal fim. (Ac. nº 108.07264 da 8ª Câmara do 1º CC) Portanto, tais valores, quando devidamente apurados, constituem fato gerador do imposto de renda, como determina o art. 43 do CTN. No tocante aos valores a tributar, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 1881 (grifado no original): Deste modo, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento dos valores como omissão de receitas, considerandose que a receita ou rendimento foi auferido ou recebido no mês em que foi efetuado o crédito junto à instituição financeira. De acordo com o referido artigo, temse, ainda, que, restando comprovado que os valores são provenientes de receitas auferidas pela pessoa jurídica, não sendo demonstrando que os mesmos foram levados à conta de resultado, ou seja, que não foram computados na base de cálculo dos tributos e contribuições, devem ser submetidos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Por fim, no tocante à alegada falta de individualização dos créditos, assim se pronunciou o voto condutor da decisão de piso, fls. 1881: No caso dos autos, a fiscalização elaborou demonstrativo anexo ao Termo de Intimação (fls. 49/89), após tratamento analítico dos extratos bancários obtidos junto ao Unibanco S/A, Banco SAFRA S/A, Banco Real S/A e Banco BRADESCO S/A, tendo sido excluídas as operações de débito e, no que tange aos créditos, foram desconsiderados os estornos de depósitos, possíveis transferências interbancárias de mesma titularidade e os valores creditados em retorno de aplicações financeiras. Como facilmente se percebe, todas as alegações apresentadas pela recorrente foram, sim, devidamente consideradas e refutadas pelo Acórdão recorrido. Vale dizer que os excertos acima transcritos são meramente ilustrativos, havendo muitas outras passagens daquele voto que analisaram as arguições de defesa apresentadas pela contribuinte. Diante do exposto, considero que a presente preliminar de nulidade também merece ser rejeitada. Mérito Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 25 24 Alegação de quebra indevida do sigilo bancária, por inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 Repetindo o que fez na fase impugnatória, a recorrente arguiu a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001. Arguições desta natureza não podem ser conhecidas/apreciadas por este colegiado, por absoluta ausência de competência para devidir sobre a constitucionalidade de leis. Neste sentido, é suficientemente claro o inteior teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Importante frisar que inexiste manifestação do Supremo Tribunal Federal considerando ilegal ou inconstitucional a LC 105/01. Também inexiste qualquer decisão neste sentido, eventualmente proferida em ação judicial na qual a interessada figure como parte. Assim sendo, em relação ao presente tema, o recurso voluntário não merece ser provido. Alegação de que os depósitos em cheque somente devem ser considerados no momento em que os créditos se tornaram disponíveis ao contribuinte, e não no momento em que os aludidos cheques foram depositados Esta alegação da recorrente foi enfrentada com bastante objetividade e precisão pela decisão de piso, fls. 1886 (grifado): Contesta também a interessada que os valores relativos aos depósitos seriam divergentes do efetivo ingresso do numerário nas contas correntes. Entretanto, deve ser computado o valor tributável a partir dos depósitos creditados e não do momento em que efetivamente o recurso ingressou na conta corrente, conforme o disposto no já citado artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Portanto, também deve ser rechaçado tal argumento. Importante frisar que se a contribuinte já tinha os cheques em seu poder, isso significa que ela já detinha a disponibilidade jurídica e econômica dos valores correspondentes. O momento do depósito do cheque em sua conta corrente representa apenas o momento em que o Fisco teve conhecimento dessa omissão de receitas. Consequentemente, se mostra totalmente injustificada a pretensão da contribuinte de postergar ainda mais o instante de reconhecimento da omissão de receitas, para o momento da efetiva disponibilidade do valores em sua conta corrente. De se ressaltar, por oportuno, que nos poucos casos em que houve devolução dos cheques depositados, o crédito correspondente foi excluído da base de cálculo das presentes autuações. Isso demonstra que o critério adotado pelo Fisco, com amparo no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não trouxe nenhum prejuízo para a contribuinte. Diante do exposto, também em relação ao presente tema, considero que o recurso voluntário não merece ser provido. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 26 25 Questionamento em relação aos créditos oriundos de cartões de crédito e créditos referentes a operações de desconto Sobre os créditos oriundos de operadoras de cartões de crédito, assim se pronunciou a decisão recorrida, fls. 1886: Destacase, ainda, que, diante da mesma ausência de comprovação da origem dos recursos advindos dos recursos creditados em conta corrente, relativo às rubricas sem identificação, a mesma sorte deverá ler os valores creditados a titulo de recebimento de cartões de crédito e débito (VISA, AMEX, MASTERCARD), já que não há a identificação de tais créditos. Deveria ter demonstrado a interessada a origem destes recursos ingressados na conta corrente, com, por exemplo, notas fiscais de venda, coincidentes em datas e valores. A recorrente discordou desse entendimento, com base no seguinte argumento, fls. 1927: Ora , no caso vertente , uma grande parte dos valores constantes da planilha referese a recebimentos de vendas com cartão de crédito, conforme claramente exposto na própria planilha elaborada pela Fiscalização. Desta forma, jamais, poderiam ter sido tratados pelo Auditor autuante como depósitos sem comprovação da origem, uma vez que tal origem vem estampada no próprio extrato, tais como: LIB VISA ELECTRON, LIB VISA CARTÃO, CREDCARD MASTERCARD, PAGTO REDCARD, CREDITO REDSHOP, AMERICAN EXPRESS. Desta forma, que prova mais contundente poderia existir da origem de tais créditos, senão a própria planilha elaborada pelo auditor autuante? É evidente que, no caso, a razão situase ao lado das autoridasdes autuantes e do colegiado julgador a quo. Para que um determinado crédito tenha sua origem completamente comprovada, obviamente, não basta simplesmente identificar o depositante (no caso, as operadoras de cartão de crédito). A comprovação de origem exigiria, além da identificação do depositante, a comprovação de que o referido crédito: i) não corresponde a uma receita tributável ou ii) corresponde a uma receita tributável que tenha sido regularmente oferecida à tributação. No caso em análise, convém relembrar que, no decorrer da fiscalização, a contribuinte apresentou a sua escrituração (livros Diário, Razão e o livro de Apuração do ICMS) incluindo toda a receita oferecida à tributação na DIPJ/2007, sem a escrituração da conta "Bancos". Isso significar que toda e qualquer valor creditado em suas diversas contas correntes, salvo prova em contrário, corresponde a omissão de receitas. Convém relembrar, ainda, que no caso dos cheques depositados em suas contas correntes também seria perfeitamente possível identificar o depositante, mediante simples apresentação dos microfilmes destes cheques. Tal providência, contudo, seria inócua, posto que ainda ficaria faltando a comprovação de que o referido crédito: i) não corresponde a uma receita tributável ou ii) corresponde a uma receita tributável que tenha sido regularmente oferecida à tributação. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 27 26 A contribuinte, em sua peça recursal, indagou “que prova mais contundente poderia existir da origem de tais créditos, senão a própria planilha elaborada pelo auditor autuante?”. A resposta a essa indagação consta da própria decisão de piso, fls. 1927, já transcrita neste voto, mas aqui repetida: [...] Deveria ter demonstrado a interessada a origem destes recursos ingressados na conta corrente, com, por exemplo, notas fiscais de venda, coincidentes em datas e valores. Assim sendo, em relação aos créditos oriundos de operadoras de cartão de crédito, considero que o recurso voluntário não merece ser provido. Nesta mesma linha de raciocínio, a contribuinte pleiteou a exclusão da base de cálculo das presentes autuações dos valores referentes a créditos de operações de desconto. Em relação a tais créditos, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 1885: a) Rubricas "crédito de operação desconto de cheque" — Não há nos autos qualquer documento que comprove a origem dos recursos creditados em conta corrente sob esta nomenclatura, já que não trouxe a interessada elementos probantes, tais como a contratação com o banco deste serviço, razão pela qual não há comprovação da origem dos respectivos ingressos, devendo ser mantido o valor de R$ 327.268,86, objeto de questionamento pela interessada em sua impugnação; A recorrente alegou que a origem dos créditos em questão nada mais é do que empréstimos concedidos pelas instituições financeiras que têm como garantias títulos da Impugnante. Na verdade, como o próprio histórico dos créditos revela, tratase de operações de crédito decorrentes de “descontos de cheques”. Estes cheques pré datados, em vez de serem depositados em conta corrente nas datas de seus vencimentos, foram negociados com as instituições financeiras, que antecipou os valores à contribuinte, obviamente com um determinado percentual de deságio (correspondentes aos juros). Nas datas de seus vencimentos, os valores destes cheques foram recebidos pelas instituições financeiras, que deram baixa nos empréstimos concedidos à contribuinte. Consequentemente, os valores destes empréstimos correspondem, sim, a valores de receitas omitidas pela contribuinte. E, tendo em vista o deságio (de valor ignorado), podese concluir que o valor real das receitas omitidas nessas operações seria ainda maior do que os valores antecipadamente depositados pelas instituições financeiras nas contas correntes da contribuinte. Em relação a este item, aplicamse as mesmas considerações acima apresentadas, referentes aos valores creditados pelas operadoras de cartões de crédito. Ou seja: para que um determinado crédito tenha sua origem comprovada, não basta simplesmente identificar o depositante (no caso, os próprios bancos, tomando como garantias cheques pré datados recebidos pela contribuinte). Também nesse caso, a completa comprovação de origem exigiria, além da identificação do depositante, a comprovação de que o referido crédito: i) não corresponde a Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 28 27 uma receita tributável ou ii) corresponde a uma receita tributável que tenha sido regularmente oferecida à tributação. Diante do exposto, também em relação a estas operações de desconto de cheques, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Questionamento em relação aos DOCs e TEDs identificados, posto que teriam sua origem identificada Sobre o tema, assim se manifestou a decisão recorrida, fls. 1882: Os DOC e os TED, neste caso, não possuem como destinatário o mesmo titular, ou seja, não há comprovação de que, efetivamente, houve apenas uma transferência de dinheiro entre agências pertencentes ao mesmo titular; No entender da recorrente, contudo, o simples fato de os DOCs e TEDs identificados permitirem a identificação do agente pagador, constituiria motivo suficiente para a exclusão dos valores correspondentes da base de cálculo das presentes autuações. Obviamente, não assiste razão à recorrente. A presente alegação, na realidade, é totalmente similar àquela do item anterior, que versou sobre os créditos provenientes de operadoras de cartão de crédito e proveninetes de operações de desconto de cheques. Para que tais créditos tivessem sua origem comprovada, não basta simplesmente identificar o depositante (no caso, os depositantes dos DOCs e TEDs identificados). Seria também necessário comprovar que o referido crédito: i) não corresponde a uma receita tributável ou ii) corresponde a uma receita tributável que tenha sido regularmente oferecida à tributação. Na ausência de tal prova, considero que em relação ao presente item, o recurso voluntário também não merece prosperar. Questionamento acerca dos créditos supostamente decorrentes de empréstimos Em sua peça recursal, a contribuinte requereu a exclusão da base de cálculo das presente autuações de todos os créditos cujos históricos dos extratos bancário indicavam: “Redução Saldo Devedor”, “Liberação Crédito Cessão Chq P”, “Liberação Garantida”, “Liber. Contr. 59/7828055” e “Encargos Limite Crédito”, nos valores de R$ 166.077,87, R$ 50.640,91, R$ 450.000,00 e R$ 191.494,61. Em sua peça recursal, a contribuinte resumiu com muita precisão o motivo pelo qual o colegiado julgador a quo não acatou as suas alegações de defesa, fls. 1932: Com o intuito de não acatar as argumentações da Recorrente, a autoridade julgadora de 1º grau sustenta, com relação a esses valores (R$ 166.077,87, R$ 50.640,91, R$ 450.000,00 e R$ 191.494,61), basicamente, que não houve comprovação através de documentos hábeis e idôneos. Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 29 28 Em sua peça recursal, a recorrente afirma que os próprios extratos, constantes dos autos, comprovariam “de modo irrefutável” que tais valores não se referem a valores omitidos e sim a empréstimos concedidos pelas instituições financeiras. Não assiste razão à recorrente. Na realidade, se formos nos basear exclusivamente no teor dos históricos dessses valores creditados em contacorrente, chegaríamos a uma conclusão totalmente oposta à pretendida pela recorrente. A título meramente exempificativo, podemos analisar os créditos em conta corrente com o histórico “ Liberação Crédito Cessão Chq Pré Datado”. Ora, tudo faz crer que também se tratam de operações de “desconto de cheques”, anteriormente referidas no corpo do presente voto. Em operações desta natureza, os cheques pré datados, em vez de serem depositados em conta corrente nas datas de seus vencimentos, foram negociados com as instituições financeiras, que antecipou os valores à contribuinte, obviamente com um determinado percentual de deságio (correspondentes aos juros). Nas datas de seus vencimentos, os valore destes cheques foram recebidos pelas instituições financeiras, que deram baixa nos empréstimos concedidos à contribuinte. Consequentemente, os valores destes empréstimos correspondem, sim, a valores de receitas omitidas pela contribuinte. E, tendo em vista o deságio (de valor ignorado), podese concluir que o valor real das receitas omitidas nessas operações seria ainda maior do que os valores antecipadamente depositados pelas instituições financeiras nas contas correntes da contribuinte. Esse mesmo raciocínio pode ser estendido aos demais créditos questionados pela recorrente. Em todos os casos indicados, é possível (ou provável) que se trate de operações de descontos de recebíveis (cartões de créditos, cheques prédatados etc.). Diante do exposto, também em relação ao presente otem, nego provimento ao recurso voluntário. Questionamentos sobre os créditos referentes a “Estornos, Ajustes e Acertos” Em relação a este item, a recorrente discordou do fato de a decisão de piso não ter aceitado a comprovação dos valores de R$ 1040,00 e R$ 86,47 (UNIBANCO). No seu entender, os próprios extratos demonstram que tais valores não poderiam ser considerados como omissão de receitas. Sobre tais valores, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 1886: Quanto aos acertos de depósitos caixa expresso; acerto de depósito processado a menor e ajuste de operação de desconto de cheques constatase que não foram apresentadas provas que corroborem suas asserções, não tendo logrado, desta forma, comprovar a origem dos depósitos correspondentes, cujos valores também devem ser mantidos, respectivamente nos montantes de R$ 1.040,00 e R$ 86,47. Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 30 29 Também em relação ao presente item, considero que a razão está ao lado do colegiado julgador a quo. Os crédito com histórico “acertos de depósitos caixa expresso” provavelmente referemse a erros (para menor) na totalização dos valores de cheques depositados no caixa expresso da instituição financeira. Posteriormente este erro foi detectado e a diferença foi creditada na conta corrente da contribuinte. Ora, se os cheques originalmente depositados configuravam omissão de receita, também estes ajustes devem ser considerado como tal. O mesmo se deve dizer com relação aos créditos que possuem os históricos “acerto de depósito processado a menor” e “ajuste de operação de desconto de cheques”. Também nesses casos, a operação original configura omissão de receitas (depósito em cheques e operação de desconto de cheques prédatados). Os créditos decorrentes de simples ajustes destas operações preservam a natureza das operações originais. Assim sendo, também em relação ao presente tema, nego provimento ao recurso voluntário. Pleito de exclusão das receitas declaradas da base tributável, pelo fato de já terem sido objeto de tributação Sobre este tema, assim se manifestou o voto condutor da decisão de piso, fls. 1886: Quanto ao aproveitamento das receitas declaradas, conforme requer a interessada, vale dizer que os pagamentos efetuados a título de SIMPLES foram computados pelo Fisco, conforme se verifica dos demonstrativos que acompanham os autos de infração. Na verdade, deve haver a soma das receitas (omitidas e declaradas), eis que a interessada não segregou quais seriam de que período e quais estariam incluídas nas receitas brutas declaradas na DIPJ. Este ônus lhe pertencia, diante da presunção legal. No caso, como não foi realizado qualquer demonstrativo, com a identificação do que estaria sendo tributado em duplicidade, não há como ser desconsiderada a receita objeto de declaração, ressaltandose, mais uma vez, que os recolhimentos efetuados pela interessada a título de imposto simples foi utilizado para abater os valores dos tributos e contribuições ora devidos. Inteiramente correto o entendimento adotado pela decisão de piso. De fato, constituía ônus do contribuinte comprovar que alguns créditos efetuados em suas contas correntes correspondiam a receitas já oferecidas à tributação. Isso equivaleria a comprovar a origem de alguns depósitos bancários, o que acarretaria sua exclusão da base tributável a título de omissão de receitas. Na ausência de qualquer prova nesse sentido, revelase correto o procedimento das autoridades fiscais, de somar as receitas declaradas com as receitas omitidas para fins de determinação do percentual do SIMPLES aplicável em cada período de apuração. Após a apuração dos valores devidos, também se revela correto o procedimento do Fisco de deduzir os valores já recolhidos pelo contribuinte. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 12898.000501/201006 Acórdão n.º 1401001.449 S1C4T1 Fl. 31 30 Nestes termos, também em relação ao presente tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Questionamento acerca da insuficiência de recolhimento Como é amplamente sabido, no âmbito do SIMPLES aplicamse diferentes alíquotas para apuração dos valores devidos. Tais alíquotas são progressivas, conforme a faixa de receita auferida em cada perídobase de tributação. No caso presente, tendo em vista o reajustamento das bases de cálculo, em decorrência das omissões de receita, verificouse uma insuficência de recolhimento de tributos inclusive em relação às receitas já declaradas, posto que sobre elas havia incidido uma alíquota menor do que a devida. Tendo em vista a improcedência de todas as alegações da recorrente, nenhuma modificação há que ser feita em relação ao presente item da autuação (insuficência de recolhimento). Assim sendo, também em relação ao presente item, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de: a) dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer o agravamento da multa de ofício. b) em relação ao recurso voluntário, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10380.720020/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. RELATÓRIO O recurso voluntário versa sobre o acórdão 0820.340, da 4ª Turma da DRJ de Fortaleza, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 1997 ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. POSTERIOR AO LANÇAMENTO. A DCTF retificadora, apresentada depois de notificado o contribuinte do lançamento, não tem a eficácia de alterálo. O erro de fato no preenchimento da declaração comprovase mediante a juntada, com a impugnação, de documentos fiscais e contábeis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 20 02 0/ 20 06 -2 1 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.720020/200621 Resolução nº 1302000.426 S1C3T2 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997 MULTA DE OFÍCIO. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea "c \ do CTN, cancelase a multa de ofício aplicada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ destaca em seu relatório que a DRF efetuou lançamento tributário de CSLL (fls 17/20), relativa ao primeiro trimestre de 1997. O lançamento resultou de auditoria interna realizada sobre a DCTF apresentada pela recorrente, em 30/09/1997. Apurou falta de recolhimento da contribuição. Formalizou crédito tributário de R$23.538,13, já computados juros de mora e multa de ofício (75%). A recorrente impugnou o lançamento, em 10/12/2001 (fl. 43), sob a alegação de que teria incorrido em erro no preenchimento da DCTF, ao informar a contribuição em valor muito superior ao efetivamente devido. Procedeu, assim, à retificação da DCTF, nos autos de n° 10380.000434/200214 (fl 44). Juntou cópia de DARFs, DCTFs original e retificadora, DIPJ retificadora Planilhas Demonstrativas, Protocolo do Processo de Retificação da DCTF do 1º trimestre de 1997. A DRF analisou a impugnação e documentos apresentados e concluiu pela improcedência dos créditos tributários constantes do Auto de Infração nr. 1.033, referentes à CSLL dos períodos de apuração 01/1997, 02/1997 e 03/1997 (fls. 47/50). Verificou que houve pagamentos (fl. 25) efetuados anteriormente ao Auto de Infração. Vinculou os pagamentos aos créditos tributários e concluiu pela improcedência parcial do crédito inicialmente constituído. Extinguiu crédito tributário no valor correspondente aos pagamentos. Determinou o encaminhamento para apreciação pela DRJ, o saldo devedor remanescente, R$8.698,59 (fl. 66). Quanto à DCTF e à DIPJ retificadoras, a DRF verificou que os lançamentos remanescentes constavam de tais declarações. Todavia, consignou que as retificações foram canceladas (fl. 51), em virtude de terem sido efetuadas posteriormente aos respectivos lançamentos. Após examinar a impugnação e documentos apresentados, a DRJ destacou os seguintes fatos e fundamentos: a) a recorrente não comprovou que houve erro de fato no preenchimento da DCTF. O pedido de retificação da DCTF relativa ao primeiro trimestre contempla a contribuição lançada. Todavia, esse pedido foi indeferido (fl. 51). O pedido de retificação da DCTF, de 09.01.2002 e respectiva DIPJ (fl 26), foi posterior à ciência do lançamento. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo somente pode ser alterado nas situações expressamente estabelecidas nos incisos do art. 145 do CTN, o que não se verifica no presente caso; b) a recorrente menciona o Livro de Apuração do ICMS em sua defesa, no entanto, não juntou tal escrita; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.720020/200621 Resolução nº 1302000.426 S1C3T2 Fl. 4 3 Em conclusão, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação. Manteve a CSLL do primeiro trimestre de 1997, no valor de R$8.698,59, mas exonerou a multa de ofício. Ressalvou a cobrança de acréscimos moratórios. A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 04/07/2011 (fl. 67). Interpôs recurso voluntário, em 02/08/2011 (fl. 69), subscrito por procurador constituído por representante legal da contribuinte (fls. 96/105). Apresentou as seguintes razões de recurso voluntário: A recorrente recebeu cinco autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (Al n°. 1029), IRRF (Al n°. 1030), COFINS (Al n°. 1031), PIS (Al n°. 1032) e CSLL (Al n°. 1033). Protocolou uma única impugnação abrangendo todos os autos de infração mencionados, pelo fato de os autos de infração serem originários da mesma Declaração de Contribuição e Tributos Federais DCTF, relativa ao 1º Trimestre de 1997. A SRF/FOR desmembrou os autos em cinco processos distintos, conforme discriminado abaixo: Tributo/Contr. A.I. Proc. IRPJ 1.029 10380000435/200251 IRRF 1.030 10380720.017/200615 COFINS 1.031 10380720.025/200653 PIS 1.032 10380720.019/200604 CSLL 1.033 10380720.020/200621 Alegou que, por equívoco a SRF/FOR não anexou a este processo cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS, juntado pelo contribuinte quando fez sua impugnação única. Presente na SRF/FOR, verificou que tal Livro foi anexado às fls. 104 a 108, do Proc. 10380000435/200251, que ainda não havia sido julgado. A Representação (fl. 2) confirma essas alegações. Ressaltou que instruiu a sua impugnação com toda a documentação probatória do direito alegado, como cópias autenticadas dos DARFs de recolhimento, da DCTF Original do 1o Trimestre de 1997, do Livro Registro de Apuração de ICMS etc. Ao recurso voluntário, anexou DIPJ retificadora de 25/05/1998; Livro de Apuração do ICMS. Alegou que a DCTF retificadora está anexada ao referido Proc. 10380 000435/200251, sobre a cobrança de IRPJ. Alegou que não poderia ser penalizada por um erro de procedimento cometido pela própria Receita Federal quando esta, ao fazer o desmembramento dos processos, não anexou documento relevante para o deslinde dos processos. Anexou à impugnação única a Declaração de Rendimentos Pessoa Jurídica, Exercício 1997, cujos valores declarados comprovam que houve um erro de preenchimento da DCTF relativa ao 1o Trimestre de 1997. Dentre os erros de preenchimento da DCTF, relativa ao 1º Trimestre de 1997, estão as informações gerais (dados cadastrais e faturamentos mensais) que, com exceção ao número do CNPJ, tinham vínculo ao nome do contribuinte "FOTOSENSORES TECNOLOGIA INFORMÁTICA LTDA", que apresentou faturamentos de R$ 64.596,00 (janeiro/97), R$198.218,00 (fevereiro/97) e R$ 646.168,96 (março/97), comprovados por meio da DCTF Original do 1º Trimestre de 1997, anexados à impugnação. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.720020/200621 Resolução nº 1302000.426 S1C3T2 Fl. 5 4 Sendo que, a DCTF correta, com denominação social de "NUTERAL INDÚSTRIA DE FORMULAÇÕES NUTRICIONAIS LTDA.", obteve os faturamentos mensais de R$20.894,20 (janeiro/97), R$2.479,10 (fevereiro/97) e R$657,04 (março/97), conforme se infere do Contrato Social e Último Aditivo, Cartão CNPJ e Livro de Apuração de ICMS, também anexos à impugnação (Relação de documentos juntados originalmente estão no processo n°. 10380000435/200251). Registrou que todos os documentos juntados originalmente pelo contribuinte e que haviam sido citados em sua defesa, encontravamse anexos ao Proc.10380000435/2002 51, conforme relacionado à fl. 07 daqueles autos. Alegou que não se cuida de disfarçar informações ou fazer uso de subterfúgios para alcançar resultados diversos daqueles constantes nos autos dos processos administrativos. Toda a documentação que comprova ter havido erro de fato no preenchimento da DCTF relativa ao 1º Trimestre de 1997 se encontra nos autos ou então, no Proc 10380000435/200251 (que contém os originais juntados pelo contribuinte) para que se constate a veracidade do alegado pela recorrente, não havendo, portanto ato lesivo ao Fisco que justifique a procedência do auto impugnado. É o relatório. VOTO Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL A recorrente está regularmente representada e por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Na forma relatada, o crédito tributário de CSLL, de R$8.698,59 (fl. 66), referente ao 1º trimestre/1997 foi lançado em auto de infração específico (AI nº 1.033) e apurado mediante fiscalização da respectiva DCTF apresentada pela recorrente. A recorrente alegou que havia erro na referida DCTF, a qual teria sido retificada. Informou que a DCTF retificadora teria sido juntada ao Proc. 10380.000434/2002 14, à fl 44. O acórdão recorrido ressaltou que as retificações contemplam os valores lançados, todavia, as declarações (DIPJ e DCTF) são posteriores ao lançamento em questão e fundamentou que nesse caso, não produzem efeitos. Analisando os fatos narrados pela recorrente e os documentos apresentados em sua impugnação de 09/01/2002 (fls. 3/15), quanto aos referidos valores registrados por equívoco em sua contabilidade e DIPJ, relativos a uma outra empresa, que divergiram das informações da DCTF do 1º trimestre/1997, verifico que há indicativos de que a recorrente pode estar correta em suas alegações e que o crédito tributário em questão pode, de fato, não existir. Nesse sentido, por ocasião da impugnação da recorrente, diante da apresentação dos referidos documentos comprobatórios e de esclarecimentos, a DRF poderia ter cotejado a DCTF original, com a respectiva retificadora, e assim verificado se estariam corretos os valores retificados pela recorrente. Essa não verificação pode ter sido motivada pelo fato de que tais documentos não foram juntados nesse processo. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.720020/200621 Resolução nº 1302000.426 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à DRF para que se examine a escrituração da contribuinte para confirmar se houve, de fato, erro de preenchimento na 1a DCTF. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724494/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido. Embargos rejeitados.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 44 94 /2 01 1- 35 Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.688 2 Relatório Em sessão transcorrida em 29 de janeiro de 2016, esta Primeira Turma Ordinária deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3301002.792, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.689 3 insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.690 4 créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento O dispositivo do voto condutor do acórdão embargado segue abaixo transcrito: Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, no seguinte sentido: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3609/3614; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.691 5 vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. (grifouse) Aduz a d. Procuradoria que o acórdão em tela incide em omissão, contradição e dúvida a respeito das questões que elenca, as quais seguem abaixo discriminadas. Especificamente no que concerne ao item II do dispositivo acima transcrito, cujo entendimento foi o de "reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF)", aduz a Fazenda Nacional que referido entendimento se alicerçou no equivocado argumento de que os serviços prestados pela citada empresa seriam inerentes a um "sistema de controle de fluxo de produção e dos estoques ligados à produção", conforme seguinte trecho extraído do voto condutor do acórdão: [...] Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. Segundo a Fazenda Pública, o equívoco restaria caracterizado diante da leitura da Cláusula Primeira do contrato firmado entre a embargada e a GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., cujo objeto estaria restrito à disponibilização de mãodeobra sob a gerência de órgão de planejamento da CNH. Assim o contrato contemplaria apenas a cessão de mãode obra, e não a prestação de serviços, como, ressalta, entendera a decisão de primeira instância, segundo a qual os serviços prestados pela citada empresa teriam caráter nitidamente administrativo. Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.692 6 Assim, entende a Fazenda Nacional que deveria ser afastada a possibilidade de creditamento inerente às despesas contratuais com a pessoa jurídica GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.. Em relação ao item V do dispositivo acima transcrito, concernente ao afastamento da reclassificação de créditos efetuada pela fiscalização (item 4.2 do TVF), entendeu a Fazenda Pública que seria contraditória a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, eis que inadmissível o embargado valerse do desconto da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 10.865) conjuntamente com o direito de compensação ou restituição do crédito veiculado pelo artigo 15 da mesma lei. Ressalta que a decisão da DRJ entendeu não ser possível a cumulação de ambos os benefícios fiscais, e que enquanto o artigo 17 da Lei nº 10.865 veicula norma de exclusão do crédito tributário, o artigo 15 da mesma lei trata de previsão de não cumulatividade. Ainda, aduz a d. Procuradoria que o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário com repercussão geral, já se pronunciara sobre a impossibilidade de utilização concomitante da benesse da exclusão do crédito e da não cumulatividade. Reproduz a ementa do acórdão proferido nos autos do RE nº 398.365/RG, e ressalta que muito embora citado decisum trate do IPI, a questão foi analisada sob a ótica do artigo 153, inciso IV, § 3º, inciso II, da Constituição Federal, aplicável à nãocumulatividade das contribuições sociais. Reportase ainda a Fazenda Pública à interpretação literal de que trata o artigo 111 do CTN. Diante do exposto, e dada a aduzida necessidade de saneamento das supostas obscuridades, contradições e omissões, requer sejam acolhidos e providos os presentes embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Inicio a análise dos presentes embargos declaratórios apreciando os questionamentos da d. Fazenda Pública quanto ao item II do dispositivo do voto condutor da decisão embargada, cujo entendimento foi no sentido de "reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF)". A Fazenda Nacional alega equivocado o argumento segundo o qual os serviços prestados pela citada empresa são inerentes a um "sistema de controle de fluxo de produção e dos estoques ligados à produção", conforme trecho extraído do voto condutor do acórdão, reproduzido linhas acima. Para a Fazenda Pública, a leitura da Cláusula Primeira do contrato firmado entre a interessada e a GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. restringiria o objeto do contrato à disponibilização de mãodeobra sob a gerência de órgão de planejamento da CNH. Dessa forma, o contrato contemplaria apenas a cessão de mãodeobra, e não a prestação de serviços, Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.693 7 como, ressalta, teria entendido a decisão de primeira instância, segundo a qual os serviços prestados pela citada empresa teriam caráter nitidamente administrativo. A Cláusula Primeira do contrato referenciado, no qual se alicerça a Fazenda Pública, segue abaixo reproduzida: De pronto, releva destacar que a cláusula primeira acima transcrita não se restringe à "disponibilização de três colaboradores" e, portanto, a mãodeobra, mas também, em parágrafo distinto, à "identificação das restrições dos métodos e processos produtivos (gargalos)" com a sugestão de "alternativas em prazos que possibilitem ações técnicas corretivas". Ou seja, entendemos que o contrato em tela contempla, sim, o "controle de fluxo de componentes nas instalações fabris [...] essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, 'depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time'" (nos termos da decisão embargada). Isso é corroborado pela Cláusula Sétima do contrato em evidência, segundo a qual a execução dos serviços pela contratada ocorrerá, também, "em local diverso das dependências da CONTRATANTE". Confirase: Ademais, conforme demonstrado no voto condutor do acórdão embargado, a suposta restrição do contrato em tela à sessão de mãodeobra não foi levantada em nenhum momento pela fiscalização. Com efeito, a fundamentação adotada pela fiscalização para a glosa do creditamento pelos serviços pagos à empresa GFL foi a impossibilidade de creditamento em face de serviços de "Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante". Isso é reiterado pela fiscalização quando reproduz a ementa da Solução de Consulta Nº 125/2007 da DISIT da 10ª RF, segundo a qual "não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada". Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.694 8 Foi fundado nessa premissa que analisamos a questão e entendemos que [...] em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Confirase o correspondente trecho da decisão embargada abaixo reproduzido: Das glosas objeto do item 3.2 do TVF: serviços não empregados diretamente na industrialização A fiscalização glosou o creditamento correspondente a alguns serviços que não foram “empregados diretamente na industrialização”. Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão: Instado, conforme Termo de Intimação nº 0551/2011, a informar quais tipos de serviços prestavam as empresas Fiat do Brasil S/A e GFL Gestão de Fatores Logísticos, e a apresentar os respectivos contratos, a empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte: “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A: [...] Serviços prestados à INTIMADA pela GFL GESTÃO DE FATORES LOGÍSTICOS LTDA: • Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante.” Nenhuma destas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos. Os serviços prestados pela Fiat do Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matérias primas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada. As contas contábeis responsáveis pelo registro dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre serviços, conforme resposta ao Termo de Início entregue em 08/06/2011, são as de nos 144240 e 144241, e a esmagadora maioria dos lançamentos referemse a serviços prestados pelas duas empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal nº 149087 da Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito o contribuinte afirmou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.695 9 fiscais, em 2010, referentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos expostos acima, é vedada a geração de créditos. Deste modo, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nas memórias de cálculo entregues em 08/07/2011, em resposta ao Termo de Início, deve ser glosado [...] A análise do problema envolve essa que talvez seja a questão mais controvertida em relação à nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. [...] Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (os destaques em negrito não constam do original) Vale ressaltar, ainda, que, diferentemente do que afirma a d. Procuradoria, a decisão de primeira instância também não se fundamentou na apontada restrição do contrato referido à sessão de mãodeobra, conforme comprova o seguinte trecho da decisão em referência: 4. SERVIÇOS NÃO EMPREGADOS DIRETAMENTE NA INDUSTRIA LIZAÇÃO. ITEM 3.2 DO TVF. A DRF glosou tais despesas em virtude de a legislação somente autorizar o creditamento sobre serviços utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, e desde que aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto e prestados por pessoa jurídica domiciliada no país. Afirma que a contribuinte não observou essa regra ao apurar os créditos das contribuições, indicados nas memórias de cálculo apresentadas, enquanto que, instada a informar quais os tipos de serviços prestados pelas pessoas jurídicas Fiat do Brasil Ltda. e GFL Gestão de Fatores Logísticos, a recorrente esclareceu que a primeira prestou serviços relativos ao comércio exterior, contabilidade geral, controle fiscal, gestão tributária e societária e assessoria a expatriados enquanto que a última teria prestado serviços relativos a gerenciamento das operações de Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.696 10 transporte e acompanhamento de entrega de materiais e componentes. Nenhuma dessas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos, eis que possuem caráter nitidamente administrativo. Em adição, a DRF informou que os serviços destacados correspondem à esmagadora maioria dos lançamentos contábeis nas contas nº 144240 e nº 144241, com exceção da nota fiscal nº 149087 da pessoa jurídica Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito a contribuinte informou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas fiscais concernentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos, é vedada a geração de créditos das contribuições em exame. Assim, concluiu a DRF, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nos documentos acostados, foi objeto de glosa. Conforme evidenciado, podem ser considerados insumos para efeitos fiscais somente aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na fabricação ou na produção de bens, ou na prestação de serviços. Desse modo, os serviços em tela não podem ser tidos por insumos. Em adição, embora a requerente alegue que esses serviços são essenciais, não foi o critério da indispensabilidade ou essencialidade, como visto, que motivou a legislação ora em exame. (grifos nossos) Como se vê, também na decisão da DRJ é ressaltado que a natureza dos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. é a de "gerenciamento das operações de transporte e acompanhamento de entrega de materiais e componentes", tendo entendido a decisão de primeira instância, com base na rejeição do critério da "indispensabilidade ou essencialidade" acolhido na decisão embargada , que "nenhuma dessas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos, eis que possuem caráter nitidamente administrativo". Assim, em vista de a aduzida (e equivocada) restrição à sessão de mãode obra no contrato firmado entre a interessada e a GFL, em nenhum momento, ter servido de fundamentação para a glosa dos créditos (seja pela unidade de origem, seja pela DRJ) o que revela inadmissível inovação argumentativa em sede de embargos , e ainda, pelo fato de referido contrato, com efeito, contemplar a "identificação das restrições dos métodos e processos produtivos (gargalos)" com a sugestão de "alternativas em prazos que possibilitem ações técnicas corretivas", demonstrando albergar o "controle de fluxo de componentes nas instalações fabris", como destacado na decisão embargada, entendo que, nessa parte, deverão ser rejeitados os embargos da d. Procuradoria da Fazenda Nacional, eis que demonstrada a perfeita higidez da decisão em tela e, portanto, a ausência de quaisquer dos pressupostos de admissibilidade de embargos de declaração (obscuridade, omissão ou contradição). O d. Procuradoria também se insurgiu contra o entendimento objeto do item V do dispositivo do voto condutor do acórdão embargado, o qual reproduzo novamente: V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.697 11 Segundo a Fazenda Pública, seria contraditória a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, eis que inadmissível o embargado valerse do desconto da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 10.865) conjuntamente com o direito de compensação ou restituição do crédito veiculado pelo artigo 15 da mesma lei. Ressalta que a decisão da DRJ entendera não ser possível a cumulação de ambos os benefícios fiscais, e que enquanto o artigo 17 da Lei nº 10.865 veicula norma de exclusão do crédito tributário, o artigo 15 da mesma lei trata de previsão de não cumulatividade. Faz referência ainda ao RE nº 398.365/RG, cujo entendimento deveria ter sido observado na decisão embargada. Não obstante, da análise dos argumentos contidos no voto condutor do acórdão recorrido, vêse que, no mesmo, não há nenhuma contradição entre o que foi decidido e os fundamentos do acórdão que justifique o acolhimento dos presentes embargos declaratórios. Tãosomente foi adotada uma interpretação específica dentre entendimentos possíveis na lamentável colcha de retalhos que é a legislação inerente ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. No caso, o colegiado entendeu que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, ao admitir a compensação e o ressarcimento também em relação aos créditos decorrentes da incidência do PIS e da COFINS sobre as importações nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, abrangia as mercadorias discriminadas no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004, por entender que aduzido dispositivo (artigo 17) trata de um subconjunto das hipóteses amplamente abordadas pelo artigo 15, principalmente considerando o teor do parágrafo 8º do mesmo artigo 17, segundo o qual "o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei" (grifei). Segundo o entendimento exarado no acórdão, a especificidade do artigo 17 referenciado seria inerente à forma de apuração dos créditos, prescrita em seu parágrafo 2º, o qual, no caso dos bens de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 (“máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”), correspondia a 2% e a 9,6%, respectivamente, para o PIS e para a COFINS, nos termos da redação à época vigente do artigo 1º da Lei nº 10.485/20021, a que remete o inciso III do artigo 2º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Exceção, pois, às alíquotas gerais de 1,65% para o PIS e de 7,6% para a COFINS, prescritas pelo caput do artigo 2º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Evidentemente, acaso exista dissenso jurisprudencial no âmbito deste CARF, poderá a questão ser questionada via recurso especial, mas não mediante embargos de declaração, eis que este recurso não pode ser utilizado para a rediscussão do direito. Da conclusão 1 Art. 1° As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 3301002.948 S3C3T1 Fl. 3.698 12 Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de dúvida, omissão ou contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 28 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 12466.003409/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/11/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado.
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
Crédito Exonerado.
Numero da decisão: 3302-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/11/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado. DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. Crédito Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, apenas para integração do Acórdão. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 34 09 /2 01 0- 70 Fl. 922DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003409/201070 Acórdão n.º 3302003.159 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e de DIPLUMA COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA., como real adquirente. Na sessão de 23/02/2016, esta turma proferiu o acórdão nº 3302003.063, com a seguinte ementa: Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão quanto à análise da ocorrência de fraude na infração punida com a multa lavrada (interposição fraudulenta na importação), o que levaria à aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do CTN, observando julgamento do STJ sob a sistemática de recursos repetitivos e as Súmulas CARF nº 72 e 101, os quais foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. A Fazenda Nacional alegou omissão quanto à análise da ocorrência de fraude na interposição fraudulenta, o que levaria à aplicação do artigo 173, inciso I do CTN e das Súmulas CARF nº 72 e 101. De fato, a DRJ entendeu que a ocorrência de fraude levaria o prazo decadencial para o artigo 173, I do CTN. Entretanto, este não é o posicionamento deste Conselho, nem da própria Receita Federal. A pena de perdimento decorrente do dano ao erário possui natureza administrativa, cujo bem tutelado não se restringe à arrecadação tributária, mas referese ao próprio controle aduaneiro, evitando a burla ao controle da habilitação para operar no comércio Fl. 923DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003409/201070 Acórdão n.º 3302003.159 S3C3T2 Fl. 4 3 exterior, a blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante etc, e é aplicada ainda que não haja tributos devidos numa importação com interposição fraudulenta. Assim, as disposições do Decretolei n º 37/1966 são específicas em relação à Lei nº 5.172/1966. Observase que o DL nº 37/1966, publicado em 21/11/1966, posterior à Lei nº 5.172/1966, publicada em 27/10/1966, previu no artigo 139 o prazo decadencial de cinco anos a contar da data da infração para o direito de impor penalidade. Por sua vez, o Decretolei nº 2.472/1988 alterou a redação do artigo 138, adequando ao comando do artigo 173, inciso I e ao artigo 150, §4º do CTN, evidenciando a diferença entre os prazos decadenciais para constituição de crédito tributário e para imposição de penalidade. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. A Receita Federal reconheceu este entendimento com a edição da Solução de Consulta nº 32/2013, cuja ementa dispôs: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. PRAZO O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração. A natureza administrativotributária das multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações permite que a elas se apliquem regras tributárias de constituição e cobrança do respectivo crédito, inclusive o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), mas não a regra de contagem do prazo decadencial prevista no inciso I do art. 173 do CTN, pois a norma aplicável à espécie, pelo critério da especialidade, é o art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 4º, 113 e 173; Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 78 e 83; DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, arts. 94, 96, 138 e 139; Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, art. 704; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De outro lado, não houve declaração de inconstitucionalidade do artigo 139 do Decretolei nº 37/1966, mas, pelo contrário, o Superior Tribunal de Justiça afirmou a validade do artigo 139 nos julgamentos dos Recursos Especiais nº 1.379.708CE, julgado em 05/12/2015, e nº 643.185SC, julgado em 15/03/2007, cuja ementa deste último transcrevese: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003409/201070 Acórdão n.º 3302003.159 S3C3T2 Fl. 5 4 EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. PERDIMENTO DOS BENS. EXPORTAÇÃO CLANDESTINA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. Precedentes: EDcl no AgRg no EREsp 254949/SP, Terceira Seção, Min. Gilson Dipp, DJ de 08.06.2005; EDcl no MS 9213/DF, Primeira Seção, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21.02.2005; EDcl no AgRg no CC 26808/RJ, Segunda Seção, Min. Castro Filho, DJ de 10.06.2002. 3. Nos termos dos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/66, é de cinco anos o prazo decadencial para a imposição das penalidades nele previstas. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. Destacase, ainda, que o HC nº 70.379/RS, julgado em 06/08/2009, ao tratar sob a incursão em crimes de descaminho, reafirmou a natureza administrativa da pena de perdimento, conforme ementa abaixo: EMENTA PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS . 1. DESCAMINHO. PENA DE PERDIMENTO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO E ACESSÓRIOS. 2. ILEGITIMIDADE PASSIVA DE UMA DAS ACUSADAS. QUESTÕES DE FUNDO. VIA ANGUSTA. INCURSÃO FÁTICOPROBATÓRIA. COGNIÇÃO VEDADA. 3. ORDEM DENEGADA. 1. A pena de perdimento caracteriza sanção de natureza administrativa, que não obsta a perseguição do crime de descaminho, diante da omissão no recolhimento do imposto devido, que muitas vezes se revela superior ao preço da própria mercadoria. 2. Não é lícito a esta Corte Superior ingressar em questionamentos acerca de matéria de fundo da ação penal. Tais aspectos devem ser examinados na via ordinária, em que a dialética processual terá lugar com toda a amplitude que lhe é conatural. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003409/201070 Acórdão n.º 3302003.159 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Ordem denegada. Assim, o artigo 139 não traz nenhuma dissonância com o artigo 173 do CTN. Salientase, ainda, que este Conselho já se posicionou em diversos acórdãos sobre a matéria, a saber: Acórdão nº 3402002.989, de 17/03/2016: DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DATA DA INFRAÇÃO. TERMO INICIAL. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. O prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes de ilícitos aduaneiros tem como termo inicial a data de ocorrência da infração, na forma prevista no art. 139 do DL nº. 37/66. Tratandose de penalidade devida em face da interposição fraudulenta na importação (DL nº 1.455, art. 23, V), sujeitase à decadência ao cabo do prazo de cinco anos, cujo termo inicial é a prática da infração na data de registro da declaração de importação. Acórdão nº 3202001.588: SUBFATURAMENTO. MULTAS ADMINISTRATIVAS.DECADÊNCIA. Tratandose de imposição de multa, previstas no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835/ 01, para o II, e no art. 83, I, da Lei nº 4.502/1964., para o IPI, por se cuidarem de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial, na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37/66 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco)anos tem seu curso iniciado na data da infração. Precedentes. Acórdão nº 3201001.884, de 25/02/2015: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Acórdão nº 3401002.807, de 11/11/2014: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, Fl. 926DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 12466.003409/201070 Acórdão n.º 3302003.159 S3C3T2 Fl. 7 6 de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Acórdão nº 3403003.225, de 16/09/2014: AUTO DE INFRAÇÃO. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. DECADÊNCIA. O direito de aplicação de penalidade relacionada à interposição fraudulenta de pessoa em operações de importação extinguese em cinco anos contados da data do registro da Declaração de Importação. Quanto à suposta inobservância das Súmulas nº 72 e nº 101, ressaltase que todos os paradigmas destas súmulas versaram sobre constituição de crédito tributário e não sobre imposição de penalidade aduaneira, restando, portanto, inaplicáveis a este processo. Diante do exposto, voto para acolher os embargos opostos, para sanar a omissão alegada, sem, contudo, aplicarlhes efeitos infringentes, ratificando o Acórdão nº 3302003.063. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 927DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10580.728069/2013-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES.
Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando a responsabilização pessoal dos administradores pelo crédito tributário, de acordo com a Súmula 435 do STJ.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI.
A dissolução irregular da sociedade que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes representa hipótese de infração à lei, enseja a responsabilização pessoal pelo crédito tributário, com base no artigo 135 do CTN.
FÉRIAS INDENIZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. ADICIONAL SOBRE FÉRIAS USUFRUÍDAS. VERBAS INDENIZATÓRIAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não incidência de contribuição previdenciária sobre as férias indenizadas e respectivo adicional (1/3), bem como em relação ao adicional (1/3) sobre férias usufruídas (gozadas).
OUTRAS VERBAS INDENIZATÓRIAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova do alegado. Não o fazendo, tornam-se improcedentes as razões apresentadas por estarem desacompanhadas de provas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 de férias e sobre as férias indenizadas por motivo de rescisão contratual, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Dílson Jatahy Fonseca Neto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial em maior extensão, para também afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre as férias indenizadas não gozadas por necessidade de serviço. Foi designada a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada) para redigir o voto vencedor na parte em que o Relator foi vencido.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando a responsabilização pessoal dos administradores pelo crédito tributário, de acordo com a Súmula 435 do STJ. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. A dissolução irregular da sociedade que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes representa hipótese de infração à lei, enseja a responsabilização pessoal pelo crédito tributário, com base no artigo 135 do CTN. FÉRIAS INDENIZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. ADICIONAL SOBRE FÉRIAS USUFRUÍDAS. VERBAS INDENIZATÓRIAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não incidência de contribuição previdenciária sobre as férias indenizadas e respectivo adicional (1/3), bem como em relação ao adicional (1/3) sobre férias usufruídas (gozadas). OUTRAS VERBAS INDENIZATÓRIAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova do alegado. Não o fazendo, tornam-se improcedentes as razões apresentadas por estarem desacompanhadas de provas. Recurso Voluntário Provido em Parte
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando a responsabilização pessoal dos administradores pelo crédito tributário, de acordo com a Súmula 435 do STJ. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. A dissolução irregular da sociedade que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes representa hipótese de infração à lei, enseja a responsabilização pessoal pelo crédito tributário, com base no artigo 135 do CTN. FÉRIAS INDENIZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. ADICIONAL SOBRE FÉRIAS USUFRUÍDAS. VERBAS INDENIZATÓRIAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não incidência de contribuição previdenciária sobre as férias indenizadas e respectivo adicional (1/3), bem como em relação ao adicional (1/3) sobre férias usufruídas (gozadas). OUTRAS VERBAS INDENIZATÓRIAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova do alegado. Não o fazendo, tornamse improcedentes as razões apresentadas por estarem desacompanhadas de provas. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 80 69 /2 01 3- 02 Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.652 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 de férias e sobre as férias indenizadas por motivo de rescisão contratual, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Dílson Jatahy Fonseca Neto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial em maior extensão, para também afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre as férias indenizadas não gozadas por necessidade de serviço. Foi designada a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada) para redigir o voto vencedor na parte em que o Relator foi vencido. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.728069/201302, em face do acórdão nº 1454.754, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo Jorge Acácio de Miranda Reis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Do Lançamento Tratase Autos de Infração de Obrigação Principal AIOPs de 14/10/2013 (ciência do contribuinte), relativos ao período de Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.653 3 01/2009 a 12/2010, incluindo o décimo terceiro salário, constituídos dos seguintes débitos: • Debcad nº 51.046.7764: contribuições da empresa sobre a remuneração dos empregados, contribuintes individuais e para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa (SAT/RAT), no valor de R$ 14.081.812,91 (quatorze milhões, oitenta e um mil, oitocentos e doze reais e noventa e um centavos); • Debcad nº 51.046.8870: contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, no valor de R$ 5.070.154,87 (cinco milhões, setenta mil, cento e cinquenta e quatro reais e oitenta e sete centavos); • Debcad nº 51.046.8888 contribuições a outras entidades e fundos (terceiros), qual sejam Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC, Serviço Social do Comércio – SESC e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, no valor de R$ 924.115,77 (novecentos e vinte e quatro mil, cento e quinze reais e setenta e sete centavos). De acordo com o Relatório Fiscal RF (fls. 50/65), o Aviso de Recebimento – AR, através do qual a empresa seria comunicada do início da ação fiscal, retornou por motivo de mudança de endereço. Não tendo havido a comunicação à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB da alteração do endereço, foi efetuada a cientificação por meio de publicação de edital. Diante da não manifestação do sujeito passivo e a consequente não apresentação dos documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, o presente crédito tributário foi apurado com base nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIPs constantes no sistema GFIPWeb e na Escrituração Contábil Digital – ECD, obtida através do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, bem como das Relações Anual de Informações Sociais – RAIS, obtidas do sistema CNISA. Afirma o RF que identificouse, através de exame das RAIS e da ECD, remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais e não declaradas em GFIPs, conforme demonstração de fls. 122/123. Os valores referentes a contribuintes individuais pro labore , foram apurados por meio da contabilidade da empresa, conforme relação de fl. 141. Foram apropriados como crédito e deduzidos dos valores das contribuições previdenciárias apuradas os valores das Guias da Previdência Social – GPS recolhidas, relativas à retenção sobre as notas fiscais de prestação de serviços, deduzidos os valores Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.654 4 anteriormente compensados em GFIP, conforme demonstrado no RF às fls. 54/55. Em função da não entrega dos arquivos digitais da folha de pagamento e pela falta de esclarecimentos durante a ação fiscal, a multa de ofício (75%) foi aplicada agravada em 50%, nos termos do art. 44, § 4º, I e II da Lei nº 9.430/96. Dissolução Irregular da Empresa Sujeição Passiva Solidária De acordo com o RF, a conduta da empresa ao mudar de endereço sem a devida comunicação à RFB e sua não manifestação após a publicação do edital para a apresentação dos documentos solicitados no TIPF caracteriza sua dissolução irregular, visto que a dissolução de uma sociedade se constitui em um conjunto de atos regulados por lei e o descumprimento das disposições legais por parte de uma sociedade implica, nos termos do art. 135, III do CTN (Lei nº 5.172/66), a responsabilização solidária dos sócios quanto a seus débitos fiscais. Conclui a auditora fiscal que, diante da constatação in loco do não funcionamento da empresa e do não atendimento à intimação publicada através de edital, resta claramente evidenciado o encerramento da atividade empresarial, porém sem proceder aos ditames legais exigidos, configurandose, portanto, uma situação de dissolução de fato da sociedade, ou seja, uma dissolução irregular, conforme a Súmula 435 do STJ: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". Por essa razão, foram formalizados os Termos de Sujeição Passiva Solidária dos sócios Augusto César da Silva Teixeira, Fabiana Teixeira Gonçalves e Jorge Acácio de Miranda Reis (fls. 142/159). Para os sócios Augusto César da Silva Teixeira e Jorge Acácio de Miranda Reis foram emitidos Termos de Arrolamento de Bens e Direitos, com base nas informações obtidas nas bases integradas da RFB, através do sistema CONPROVI, tais como a DOI – Declaração de Operações Imobiliárias e, para a sócia Fabiana Teixeira Gonçalves, foi emitido o Termo de Ausência de Bens e Direitos, por não terem sido encontrados bens nas bases integradas da RFB através do sistema CONPROVI, sendo que, a depender do resultado da circularização, caso sejam encontrados bens, será lavrado o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. De acordo com as alterações contratuais de fls. 87/110 e Relatório de Vínculos de fl. 66, os períodos de atuação dos sócio administradores são: Jorge Acácio de Miranda Reis: de 26/08/1999 a 16/11/2009; Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.655 5 Fabiana Teixeira Gonçalves: de 25/11/2003 a 13/11/2009; Augusto César da Silva Teixeira: a partir de 21/10/2009. Representação Fiscal Informa ainda o RF que, pela omissão em GFIP de fatos geradores das contribuições previdenciárias, será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP junto ao Ministério Público Federal, em virtude da prática, em tese, do crime de sonegação fiscal, conforme disposto no artigo 337A, I e III, da Lei nº 9.983/2000 e que, pela omissão em GFIP de fatos geradores das contribuições para outras entidades e fundos, será formalizada RFFP junto ao Ministério Público Federal, em virtude da prática, em tese, de crime contra a ordem tributária, conforme previsto no artigo 1°, I da Lei nº 8.137/90. Desmembramento do processo administrativo Conforme o Termo de Transferência de Crédito Tributário e Extrato de Processo de fls. 541/561, em 25/07/2014, foi transferido para o processo n.º Comprot 18050 720255/201476 o crédito tributário referente a terceiros, inicialmente lançado no presente processo, sob o Debcad nº 51.046.8888, no valor de R$ 924.115,77, o qual segue rito próprio, independente do processo em discussão. Impugnação No prazo regulamentar, apenas o sócio Jorge Acácio de Miranda Reis apresentou impugnação (fls. 175/191), na qual alega, resumidamente: Da Impugnação À Sujeição Passiva Inicialmente o impugnante afirma que: por discordar da forma de gestão da empresa e estando apto exercer outra atividade profissional, deixou de fazer parte de seu quadro societário 19/11/2009, vendendo as suas cotas para um dos atuais sócios, o Sr. Frederico Monteiro Campos; atuou como advogado empregado do sujeito passivo até agosto de 2011, quando, demitido sem justa causa, foi obrigado a ingressar com reclamação trabalhista para receber seus proventos e parcelas rescisórias; segundo os dados contábeis existentes à época e de conhecimento do sócio que se retirava, a empresa possuía ativos muito superiores ao passivo conhecido; a devedora principal Fox do Brasil sempre funcionou no endereço constante no seu Contrato Social, qual seja, Rua da Cacimba S/N; se houve alguma mudança de endereço não comunicada aos órgãos competentes para o atual domicílio conhecido e onde Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.656 6 funciona, como comprovado pela documentação em anexo (contas de água, energia, notificações da Justiça do Trabalho), tal fato se deu após sua saída da sociedade empresarial, incluindo aí o lapso temporal previsto nos art. 1.003 e 1.032 do Código Civil, em nada concorrendo para tal evento; a empresa, pelo que se depreende das provas coletadas, está longe de ter sido extinta muito ao contrário, vem funcionando plenamente no endereço "Praça Martiniano Maia, nº 15, Edifício Biana, Centro, Lauro de Freitas, Bahia"; Aduz o impugnante que, pelo exposto, o Termo de Sujeição Passiva Solidária não se coaduna com o melhor direito, tão pouco pode se valer da fundamentação posta, seja porque a presunção de extinção resta elidida, seja porque o redirecionamento, se cabível, deve se limitar ao sócio responsável pelo ato que a justifica. Ainda que não seja responsável pelo débito, assustandose com o montante envolvido, o impugnante buscou, junto ao contribuinte principal toda a documentação que pudesse vir a aclarar a pretensão fiscal e a realidade da pretensão tributária: GRFs, Extratos de Contribuições de Empresas e Equiparados, DMSs, GPSs pagas, no período de janeiro a dezembro de 2009. Reitera que, se foi deixado de informar à Receita Federal do Brasil uma mudança de endereço, esse fato é de responsabilidade exclusiva dos atuais sócios, pois o impugnante saiu regularmente da sociedade empresarial em 19/11/2009, data do registro dos atos na Junta Comercial do Estado da Bahia, não havendo por que redirecionar a citação a exsócio que já se retirou do quadro societário há aproximadamente quatro anos e a ocorrência da mudança de endereço se deu quando ele não mais se encontrava na empresa, muito menos fazia parte do seu quadro societário; Aduz ainda que foge ao princípio da razoabilidade a imputação de responsabilidade solidária de exsócio calcada unicamente em presunção de extinção irregular da sociedade, que seria de responsabilidade de quem deu causa, neste caso, os atuais sócios. A Súmula 435 do STJ, tomada por base pela fiscalização, não encontra guarida no caso em tela, eis que não há qualquer prova que justifique que o impugnante agiu com dolo ou fraude no período em que era sócio. Se há presunção da extinção da empresa de forma irregular por não ter a mesma comunicado a mudança de endereço ou não ter atendido à fiscalização que lhe foi direcionada em 12/06/2013, a responsabilidade é dos atuais sócios e não do impugnante que, como já dito, deixou regularmente a sociedade há aproximadamente quatro anos. Citando trecho de ilustre doutrinadora e também jurisprudência do STJ, conclui o impugnante não ter qualquer responsabilidade Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.657 7 pelas decisões dos atuais administradores da empresa após sua retirada regular e legal do quadro societário, ensejando assim, a improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 003, bem como a anulação do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos em seu nome lavrado. Dos Aspectos Contábeis dos Autos de Infração Aduz o interessado que a auditora fiscal afirma, no Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 003, a ele direcionado, que os valores apurados, obtidos através da ECD, não foram detectados nas GFlPs, conforme demonstrado nas Planilhas Contabilidade X GFIP 2009 e 2010 anexadas a este processo, o que gerou os levantamentos de créditos previdenciários referente ao período de 01/2009 a 12/2010. Mas, já no primeiro momento da autuação, a auditora alega que a base imponível foi transversa em razão da não apresentação das GFIPs em alguns períodos, promovendo uma insegurança nos números por ela apontados. Anexando cópias da guias de FGTS do período mencionado, cuja emissão só pode ser realizada após a transmissão da GFIP, aduz que, pelos princípios do contraditório, ampla defesa e razoabilidade, há que se devolver o prazo para quem de direito possa apresentar os documentos que presumidamente estão em seu poder, devendo os lançamentos serem revistos, confrontandose os documentos ora carreados, isto porque, depreendese dos AIOPs lavrados que os valores de créditos previdenciários levantados no período de janeiro a dezembro de 2009 foram apurados de forma genérica, o que vai de encontro aos preceitos legais aplicáveis. Destaca o impugnante que, na documentação que traz aos autos, resta demonstrado que não havia débito em aberto de contribuições previdenciárias quando de sua saída do quadro societário ao contrário, parcelas em aberto referentes a diferença de recolhimentos haviam sido objeto de parcelamento, já pelos atuais sócios, e em valores diversos dos pretendidos pela fiscalização, isto é, os documentos pertinentes e hábeis para demonstrar o real valor do crédito tributário do período desconstituem os números apurados pela via indireta, utilizada no lançamento de ofício. A assertiva anterior se robustece quando analisadas as folhas do faturamento contabilizadas, as guias de retenção lançadas e as Guias de Recolhimento da Previdência Social em anexo, todas indicando bases imponíveis e recolhimentos efetuados em desacordo com as lançadas na autuação, pois todos os débitos previdenciários devidos no período de 01/2009 a 12/2009 foram apurados e registrados pela própria Receita Previdenciária e, se saldo havia, foi parcelado pelos atuais gestores da empresa em 01/2010. Além disso, os valores autolançados pelo contribuinte, à época, são superiores aos efetivamente devidos, face às ilegalidades na Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.658 8 constituição dos valores, uma vez que é pessoa jurídica de direito privado, utiliza mão de obra direta, realizando atividade como empregadora e, por força do nosso ordenamento jurídico, se posiciona como responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha salarial, nos exatos termos da CLPS. Ao se depurar a formatação da base imponível, detectase que a formatação imposta pela legislação infraconstitucional vai de encontro à regra "mater", encontrandose em desacordo com o ordenamento jurídico pátrio, em particular no que tange à inclusão de rubricas de caráter indenizatório em seu totalizador. Também afirma que a fiscalização não computou os pagamentos efetuados a título de contribuições previdenciárias devidas, como retenções feitas em Notas Fiscais Fatura, recolhimentos para terceiros e complementação de recolhimentos, além de não ter computado os valores que foram pagos em parcelamentos. Os documentos que acompanham a presente impugnação comprovam a inexistência de débitos previdenciários, com exceção de algumas parcelas dos parcelamentos feitos pelo atual sócio e que se encontram em atraso, não se podendo permitir que a exigibilidade prossiga sem que se confronte os documentos em poder da empresa devedora, no sentido de se expurgar da base de cálculo das contribuições previdenciárias exigidas, verbas de natureza indenizatória e, portanto não tributadas, em consonância com o entendimento pacífico dos Tribunais Superiores, que entendem que a base de cálculo das contribuições previdenciárias devem ser, exclusivamente, as parcelas incorporáveis ao salário, ou seja, verbas de natureza salarial, expurgando aquelas de natureza indenizatória ou previdenciária. No presente caso, auditora lançou débitos a partir de uma leitura genérica de alguns dados existente na base de dados da Receita Previdenciária, englobando as rubricas indevidas no período em que se projetou os lançamentos (01/2009 a 10/2009): a verba a título de 1/3 sobre férias, horas extras, a primeira quinzena do auxílio doença e vale transporte em pecúnia, as quais, face a seu caráter indenizatório, não devem compor a base de cálculo da contribuição para a Previdência Social. Da natureza indenizatória do terço de férias Afirma o sujeito passivo terem as verbas recebidas pelos trabalhadores a título de terço de férias caráter exclusivamente indenizatório, não podendo servir como base de cálculo para fins de contribuição previdenciária, uma vez essa que tem por objetivo viabilizar ao trabalhador em férias a realização de atividades não habituais. Apresentando jurisprudência na forma de acórdãos do STF e TRF, conclui que não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas a sob esse título. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.659 9 Da Natureza Indenizatória Do Auxílio Doença O contribuinte também contesta a exigência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de auxílio doença, relativo aos 15 primeiros dias de afastamento do servidor acidentado, por não possuírem natureza salarial, visto que visam ressarcir o servidor das despesas médicas, não sendo uma contraprestação do trabalho prestado. Transcreve acórdão do STJ corroborando seu entendimento. Da Natureza Indenizatória Das Horas Extras Da mesma forma, afirma possuírem natureza indenizatória os valores pagos pela a título de hora extra, razão pela qual também não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Transcreve acórdãos do STF corroborando seu entendimento. Do Vale Transporte Aduz a interessada que, do mesmo modo que as demais rubricas citadas, aquelas pagas a título de vale transporte em pecúnia também possuem natureza indenizatória, razão pela qual sobre elas também não incide contribuição previdenciária, conforme jurisprudência do STJ, que transcreve. Do Pedido Ao final, anexando os documentos de fls. 192/537, requer: a rejeição do Termo de Sujeição Passiva Solidária n.º 0003; a total improcedência dos autos de infração a ele relacionados, uma vez que comprovada a inexistência de omissão de recolhimento; caso não seja esse o entendimento, a determinação de revisão fiscal por estranho ao feito, a fim de se confirmar os números e os recolhimentos apontados pela impugnação; a anulação do Termo de Arrolamento de Bens lavrado. É a síntese dos autos. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Inconformado, apresentou ele recurso voluntário às fls. 602/657, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.660 10 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Termo de Sujeição Passiva Alega a recorrente que não deverias ser incluído no polo passivo da autuação fiscal, apresentando ele as seguintes razões: deixou de fazer parte do quadro societário em 19/11/2009; segundo os dados contábeis existentes à época, a empresa possuía ativos muito superiores ao passivo conhecido; se houve alguma mudança de endereço não comunicada aos órgãos competentes, tal fato se deu após sua saída da sociedade empresarial, incluindo aí o lapso temporal de 2 anos previsto no art. 1.003 e 1.032 do Código Civil; a empresa está longe de ter sido extinta muito ao contrário, vem funcionando plenamente em endereço que informa; o Termo de Sujeição Passiva Solidária não se coaduna com o melhor direito, tão pouco pode se valer da fundamentação posta, seja porque a presunção de extinção resta elidida, seja porque o redirecionamento, se cabível, deve se limitar ao sócio responsável pelo ato que a justifica; a Súmula 435 do STJ, tomada por base pela fiscalização, não encontra guarida no caso em tela, eis que não há qualquer prova que justifique que o impugnante agiu com dolo ou fraude no período em que era sócio; Todavia, não assiste razão ao recorrente. Ocorre que em consulta a diversos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, constatou a DRJ de origem, com relação à Fox do Brasil Serviços de Limpeza e Conservação Ltda: a situação cadastral do CNPJ 40.586.117/000191 é “Inapta”, por motivo de “Localização Desconhecida” desde 27/12/2013 (consulta anexada aos autos); a declaração da inaptidão se deu por meio do Ato Declaratório Executivo – ADE nº 86, de 23/12/2013 (cópia anexada aos autos),em consequência da Representação Fiscal Pessoa Jurídica Inapta, emitida pela auditora fiscal autuante em 31/10/21013 (processo n.º Comprot 10580.729172/201361), logo após o encerramento da ação fiscal que culminou com a lavratura dos AIOP em discussão; a condição de inapta perante a RFB se mantém até o momento, não tendo a empresa tomado qualquer atitude no sentido de regularizar a situação; a última GIFP transmitida referese à competência 06/2011; Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.661 11 a última GPS recolhida com contribuições previdenciárias foi para a competência 11/2011, referente à retenção de 11% sobre o valor de nota fiscal ou fatura relativa a prestação de serviços; após 11/2011 constam várias GPS, todas relativas a reclamatórias trabalhistas; Diante do exposto, incabíveis as alegações que a empresa continua em atividade, bem como do não cabimento da aplicação da Súmula 435 do STJ, a qual estabelece tão somente que presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente, independentemente da ocorrência – ou não – de dolo ou fraude. Portanto, correta a fiscalização ao imputar responsabilidade solidária aos sócios administradores listados no item 6.2 do Relatório Fiscal, ressalvandose que cada um deles é responsável legal pelos atos praticados durante o período em que exerceram função de administração na empresa autuada. Tal situação está clara em fl. 61 e 153 dos autos. Em fl. 61: Em fl. 153: Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.662 12 Portanto, somente deve responder o interessado pelo período em que foi sócioadministrador da empresa. Logo, em relação aos débitos deste processo administrativo fiscal, só deve ele responder em relação ao período 01/01/2009 a 19/11/2009. Dos Aspectos Contábeis dos Autos de Infração. O interessado argumenta que no Termo de Sujeição Passiva Solidária a ele direcionado consta que os valores apurados não foram declarados nas GFlPs, mas, no primeiro momento da autuação, há a alegação de que a base imponível foi transversa em razão da não apresentação das GFIPs, promovendo uma insegurança nos números apontados, uma vez que, ao anexar cópias da guias de FGTS, cuja emissão só pode ser realizada após a transmissão da GFIP, pelos princípios do contraditório, ampla defesa e razoabilidade, há que se reabrir prazo para a apresentação de documentos, depreendendose dos AIOPs lavrados que os valores de créditos previdenciários levantados foram apurados de forma genérica. O recorrente, embora não tenha explicitamente afirmado, entende que, tendo o sujeito passivo efetuado a entrega das GFIPs no período, prérequisito para a emissão das guias para o recolhimento do FGTS, a fiscalização induz a uma insegurança ao afirmar a que as citadas declarações não foram apresentadas. Conforme bem decidiu a DRJ de origem, razão não lhe assiste, pois, ao afirmar que os valores apurados não foram declarados em GFIP, a auditoria fiscal referese, obviamente, ao resultado da comparação efetuada entre os valores de remuneração e contribuições previdenciárias apurados na contabilidade digital com aqueles informados nas GFIPs entregues, tudo conforme demonstrado nos documentos de fls. 122 a 141 – “Planilha Contabilidade – GFIP 2009”, “Planilhas Contabilidade 2009”, “Razão 2009” e “Razão Conta Pró Labore”. Portanto, tendo sido excluídos os valores informados em GFIPs, toda remuneração apurada além desses valores deve, corretamente, ser considerada como não declarada em GFIP, não havendo que se falar em abertura de prazo para apresentação de documentos, nem de descumprimento de princípios do contraditório, ampla defesa e razoabilidade. Salientase que não fora, ainda que em fase recursal, apresentado qualquer documento de prova que pudesse levar a conclusão diversa daquela do auditorfiscal que lavrou o auto de infração. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.663 13 Por fim, em relação as apropriações, assim entendeu a DRJ de origem, que ao meu entender, tal entendimento não carece de qualquer reparo: "Afirma ainda a impugnação que a fiscalização também não computou os pagamentos efetuados a título de contribuições previdenciárias devidas, como retenções feitas em notas fiscais/fatura, recolhimentos para terceiros e complementação de recolhimentos. Com referência aos recolhimentos relacionados com retenções em notas fiscais/faturas, o RF, às fls. 54/55, dispõe que somente foram apropriadas como créditos as GPS de retenção pagas, quando efetivamente foram declaradas em GFIP, uma vez que a empresa não apresentou, durante a ação fiscal, as Notas Fiscais de Serviços por ela emitidas, sendo que as GPS pagas de retenção (código de pagamento 2631) foram apropriadas como crédito, sendo deduzidos os valores das retenções compensadas anteriormente em GFIP, conforme demonstrado no quadro a seguir (...). Após o quadro demonstrativo dos recolhimentos aproveitados, a fiscalização fez constar observação reafirmando que só foram apropriados os valores das GPS de retenção no limite dos valores de retenção declarados nas respectivas GFIPs, uma vez que a empresa não apresentou as Notas Fiscais para verificação dos valores retidos, bem como não se apresentou nem atendeu a fiscalização durante todo o curso da ação fiscal para prestar esclarecimentos, ou mesmo, se fosse o caso, proceder à retificação das GFIPs. Com relação ao alegado não aproveitamento dos recolhimentos efetuados a terceiros, de acordo com o item “Desmembramento do processo administrativo” do Relatório que precede o presente voto, foi transferido para o processo nº Comprot 18050 720255/2014 76 o crédito tributário referente a terceiros (...),o qual segue rito próprio, independente do processo em tela, não cabendo, portanto, qualquer consideração, vez que não há mais, no presente processo, a exigência dessa rubrica."] Ainda, destacase a tabela de apropriação de GPS de retenção em fl. 53: Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.664 14 Bem como a observação de fl. 54: A planilha que contem o cruzamento de dados GFIP x Contabilidade, também deixa bastante evidente que os valores objetos da autuação foram retirados da contabilidade da própria empresa. Tendo esta deixado de informar em GFIP os dados e valores corretos. Vejamos a fl. 122: Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.665 15 A planilha da contabilidade, referente ao ano de 2009, está às fls. 135 a 137. Foram de lá retiradas as informações que basearam o lançamento fiscal. Desse modo, improcedentes também os argumentos da contribuinte em relação a tal questão. Férias indenizadas e respectivo terço constitucional. Férias usufruídas. Quanto a este tema, o Superior Tribunal de Justiça, no RESP 1.230.957/RS, em sede de repetitivo, já se manifestou, no sentido de que o terço constitucional de férias Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.666 16 possui natureza indenizatória/compensatória, não se enquadrando no artigo 22, I, da Lei 8.212/91. Segue abaixo transcrição do seguinte trecho da ementa: 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas.” Em razão disso, entendo que deve ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional (1//3) férias indenizadas e usufruídas (gozadas). Em relação as férias indenizadas, pagas no momento da rescisão do contrato de trabalho ou aquelas "vendidas", em razão da necessidade de serviço, também dever se afastadas da incidência da contribuição previdenciária. Sobre o tema férias não gozadas, vasta é a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que os valores recebidos a título de férias não gozadas, constituem indenização não sujeita ao imposto de renda. Nessa sentido: Acórdãos CSRF/0400.127, DE 13/12/2005 e CSRF/0400.070, DE 08/06/2005. Das outras verbas indenizatórias. O recorrente também contesta a exigência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de auxílio doença, relativos aos 15 primeiros dias de afastamento do servidor acidentado, de horas extras e de vale transporte pago em pecúnia. Nos abstemos de considerar as alegações apresentadas tendo em vista não se verificar quaisquer referências ou valores atinentes às citadas rubricas, tanto no próprio Relatório Fiscal, bem como nos demonstrativos de apuração das bases de cálculo das contribuições exigidas (fls. 135/141). Em razão disso, carece de razão o recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, devendo ser afastada a incidência de contribuição previdenciária sobre as férias indenizadas (não gozadas pela necessidade de serviço e as decorrentes da rescisão de contrato de trabalho) Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.667 17 e respectivo adicional (1/3), bem como em relação ao adicional (1/3) sobre férias usufruídas (gozadas). (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto Redatora designada Peço licença ao ilustre Conselheiro Relator para divergir apenas de seu posicionamento, em sentido amplo, quanto à não incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos de férias não gozadas em razão de necessidade de serviço. O art. 28, da Lei nº 8.212/91, define o saláriodecontribuição, que é a base de incidência da contribuição previdenciária, da seguinte forma: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (Grifouse) Assim, o pagamento a título de férias, que decorre da prestação dos serviços pelo empregado, também compõe o saláriodecontribuição, não havendo dúvidas quanto à incidência previdenciária sobre tal verba, especialmente quando usufruídas. Em relação às férias não usufruídas (não gozadas), essas podem ser pagas na rescisão do contrato de trabalho ou durante a vigência contratual. Quando pagas na rescisão, entendese que as férias foram indenizadas, pois seu pagamento ocorre quando já não existe mais a relação de emprego entre as partes. E nesse sentido, o § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, exclui o pagamento assim realizado da base de cálculo da contribuição, conforme abaixo: Art. 28 (...) (...) Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.668 18 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Nas situações em que as férias não são usufruídas por necessidade de trabalho e são pagas na vigência da relação de emprego, não há de falar em indenização, pois o trabalhador ainda está vinculado à empresa, que precisa de seus serviços e o está pagando para isso, convertendo as férias em abono pecuniário. Assim, caracterizase a remuneração pelo trabalho. Cumpre notar que, no que diz respeito ao pagamento, no decorrer da relação contratual, de férias não usufruídas (conversão das férias em abono pecuniário), a Lei nº 8.212/91 somente excluiu do saláriodecontribuição os pagamentos que não excedam a vinte dias do salário do trabalhador, em consonância com o art. 143 e 144, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), conforme abaixo: Lei nº 8.212/91: Art. 28 (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (...) (Grifouse) CLT: Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977) (Vide Lei nº 7.923, de 1989) Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.728069/201302 Acórdão n.º 2202003.446 S2C2T2 Fl. 1.669 19 (...) Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1998) (...) (Grifouse) Como se depreende desses dispositivos, a legislação previdenciária não considera que as férias convertidas em abono pecuniário sejam indenizatórias. Tanto que cuidou dessa verba em item específico, desvencilhadoa do dispositivo que trata das importâncias recebidas a título de férias indenizadas (art. 28, § 9º, "d", transcrito acima), e ainda estipulou um limite para a isenção da contribuição sobre pagamentos dessa natureza. Dessa forma, concluise que incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados, durante a vigência do contrato de emprego, em relação às férias não usufruídas por necessidade de serviço, cujos valores excedam a vinte dias salários do trabalhador. É como voto. (assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Redatora designada Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 20/0 7/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO , Assinado digitalmente em 21/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002705/2005-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-003.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 22/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 22/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 05 /2 00 5- 62 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Relatório Em 03 de junho de 2011, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara desta Seção, ao julgar recurso voluntário, reconheceu a decadência parcial nos termos sintetizados em sua ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2000 COFINS. DECADÊNCIA. Na forma da jurisprudência vinculante do Superior Tribunal de Justiça, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Como se vê, a decisão já aplicou a norma regimental que nos vincula às decisões do STJ proferidas na sistemática do art. 543C, no caso, o julgamento do Resp 973.733, cujo acórdão/ementa foi reproduzido no voto, dado que não foi comprovada a realização de recolhimento. O RE proposto pelo contribuinte pede que seja aplicada a regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN. E busca demonstrar a divergência mediante o acórdão 3403001.243, de setembro de 2011, cuja ementa dá a entender que a pretendida regra se aplica sempre. No corpo do voto, porém, consta (...)Existindo comprovação de pagamento parcial de ambas as contribuições por meio de DARF, há de se considerar caducos os períodos de apuração ... O outro acórdão trazido como comprobatório da divergência (20218.991) efetivamente entendeu que a regra prevista no art. 150 sempre se aplica a tributos sujeitos a lançamento por homologação, mesmo que não haja recolhimentos. Ele foi proferido em 2008, antes, portanto, da norma vinculante utilizada na decisão recorrida. Friso que o recurso não questiona a inexistência de recolhimentos, pretendendo, como no segundo paradigma, que, ainda assim, a regra de contagem é a determinada no art. 150, §4º. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.002705/200562 Acórdão n.º 9303003.539 CSRFT3 Fl. 313 3 Consoante já transparece do relatório, entendo que o recurso não merece ser admitido. De fato, a jurisprudência desta Casa é pacífica no sentido de que o recurso especial por divergência exige que colegiados distintos tenham dado, à mesma legislação, entendimentos conflitantes, conflito esse que cabe à Câmara Superior dirimir. E como parece incontestável, a expressão negritada há de incluir as disposições regimentais que a todos nós vinculam. Pois bem, no caso dos autos, é incontroverso que a decisão foi proferida já na vigência da Portaria MF 486/2010, que, ao introduzir no RICARF o art. 62A, passou a nos obrigar a meramente reproduzir as decisões proferidas pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. E assim foi expressamente feito pela relatora. Já o segundo paradigma, único dos dois citados que realmente aplicou a tese de que sempre vale o art. 150, foi proferida em 2008, em diferente quadro normativo, pois. Quanto ao outro acórdão pretendido como paradigma, como já dito no relatório, ele, em verdade, é convergente com o entendimento da decisão recorrida. Deveras, a tese ali abraçada até porque obrigatória, na medida em que também ele foi prolatado já na vigência do art. 62A do RICARF foi a de que o art. 150 só se aplica quando existentes recolhimentos, o que, naquele caso, fora demonstrado. Diametralmente opostas, portanto, as situações fáticas. Destarte, seja porque diferentes as realidades legais, seja porque diversas as realidades fáticas, ambos os acórdãos não servem como paradigma. Voto, assim, por não conhecer do recurso apresentado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 18471.001778/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
-Exercício: 2001
PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM. TERMO A QUO.
Não havendo pagamento, ainda que parcial, de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição de ofício do crédito tributário é contado segundo o disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
PASSIVO FICTÍCIO - é ônus da defesa comprovar a existência e a exigibilidade do passivo no balanço final do período de apuração. Além de não ter tido sucesso nessa empreitada, os documentos carreados pelo contribuinte militam em seu desfavor.
DESPESAS NÃO COMPROVADAS - as despesas com frete se referem a prestação de serviço de transporte intermunicipais ou interestaduais, sujeitas, portanto, ao ICMS (só o transporte interno dos municípios se sujeita ao ISS). Como é necessária a emissão de notas fiscais do ICMS pela prestação do serviço de transporte, meros recibos destituídos de qualquer formalidade sem o acompanhamento das respectivas notas fiscais não são aptos à comprovação das despesas.
Numero da decisão: 1201-000.620
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, não reconhecer a decadência para as exigências relativas ao Io, 2o e 3o trimestres de 2000. Vencidos os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator), Régis Magalhães Soares de Queiroz e Marcelo Baeta Ippolito, que, neste ponto, negavam provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, acordam em DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado o conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor quanto à decadência.
Nome do relator: Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes
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