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Numero do processo: 16327.003070/2002-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/10/1997, 30/01/1998, 31/03/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 30/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 29/01/1999
CPMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.03721, DE 25/08/2000.
O lançamento da multa por atraso na entrega das declarações da CPMF com vencimento anterior a 28/08/2000 fundamenta-se no art. 11 do Decreto-Lei n° 1.968/82, na redação que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n° 2.065/83, por força do disposto no art. 5°, § 3°, do Decreto-Lei n°2.124/84. Para os fatos geradores de 28/08/2000 em diante, a multa está prevista no art. 47 da MP n° 2.037-21/2000, que corresponde, atualmente, ao art. 46 da MP n°2.158-35/2001.
Numero da decisão: 9303-008.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/10/1997, 30/01/1998, 31/03/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 30/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 29/01/1999 CPMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.03721, DE 25/08/2000. O lançamento da multa por atraso na entrega das declarações da CPMF com vencimento anterior a 28/08/2000 fundamentase no art. 11 do DecretoLei n° 1.968/82, na redação que lhe foi dada pelo DecretoLei n° 2.065/83, por força do disposto no art. 5°, § 3°, do DecretoLei n°2.124/84. Para os fatos geradores de 28/08/2000 em diante, a multa está prevista no art. 47 da MP n° 2.03721/2000, que corresponde, atualmente, ao art. 46 da MP n°2.158 35/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 30 70 /2 00 2- 47 Fl. 286DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência de Multa Isolada, por falta de entrega da declaração da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF, relativamente ao Período de 07/1997 a 01/1999. Lançamento A seguir, encontrase apresentada, em apertada síntese, a descrição da infração, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal. O contribuinte deixou de apresentar, no prazo legal, as declarações trimestrais de CPMF relativa a períodos de 1997 e 1998, bem como as declarações mensais de CPMF de julho a dezembro de 1998. Em face da situação verificada, a fiscalização, aplicou a penalidade prevista no art. 11, § 3°, do Decretolei n° 1.968, de 1982, com a redação dada pelo art. 10 do Decretolei n° 2.065, de 1983, por força do previsto no art. 5°, § 3°, do Decretolei n° 2.124, de 1984. Observações: (1) no corpo do auto de infração, foi citado, como base legal, o art. 47 da Medida Provisória n° 2.03721, de 2000; e (2) a multa lançada foi reduzida em 50%, pelo fato de o contribuinte ter entregue as declarações no prazo da intimação. Impugnação Cientificado do lançamento, o Sujeito Passivo apresentou Impugnação, requerendo seu cancelamento, nos seguintes termos: (a) inicialmente, alegou falta de previsão legal para o lançamento da multa; (b) em seguida, alegou ter havido equívoco no prazo de vencimento para apresentação da declaração referente ao 1° trimestre de 1998; e (c) por fim, afirmou que as multas do período de julho a dezembro de 1998 seriam indevidas pela entrega mensal da declaração somente ter sido exigida a partir de 1999. Decisão de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP apreciou a impugnação e, em decisão consubstanciada no acórdão 10.553, de 2005, a ela deu parcial provimento, para excluir o valor relativo ao 1° trimestre de 1998, por entender ter havido equívoco na determinação da data de entrega da correspondente declaração. A seguir, para fins de ilustração, encontramse reproduzidos a emenda e o dispositivo do citado acórdão: Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16327.003070/200247 Acórdão n.º 9303008.661 CSRFT3 Fl. 207 3 Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/10/1997, 30/01/1998, 31/03/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 30/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 29/01/1999, 29/01/1999 Ementa: MULTA. CPMF. ATRASO NA ENTREGA DE •DECLARAÇÃO. A não entrega da Declaração de CPMF no prazo legal, sujeita o contribuinte à multa prevista na legislação. DECLARAÇÃO TRIMESTRAL. P TRIMESTRE/1998. PRAZO DE ENTREGA. O prazo de entrega da Declaração • Trimestral prevista na Portaria MF n° 106, de 1997, e na Instrução Normativa SRF n° 44, de 1998, relativa ao primeiro trimestre de 1998 é o último dia útil de abril/1998, ou seja, 30/04/1998. Lançamento Procedente em Parte 213° Sessão da 5° Turma de Julgamento. Em 6 de setembro de 2005. Vistos, relatados e discutidos os autos deste processo, acordam os julgadores da 5' Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Recurso Voluntário Intimado da decisão de primeira instância, o Sujeito Passivo apresentou Recurso Voluntário, apresentando argumentos, alegações e pedido, nos termos a seguir, em apertada síntese, apresentados. Inicialmente, afirma que a multa somente teria passado a existir com a Medida Provisória n° 2.03721, de 2000, portanto alega que ela não poderia ser exigida relativamente a declarações anteriores a 28 de agosto de 2000. Adicionalmente, aduz que, em seu entendimento, não se aplicaria ao caso o disposto no Decretolei n° 1.968, de 1982, porque ele trata da declaração de rendimentos pagos ou creditados e de retenção do Imposto sobre a Renda, situação que não se confunde com o atraso na entrega da declaração de CPMF. Insurgese também, por fim, contra a exigência de juros sobre a multa de mora que, em seu entendimento, seria indevida. Decisão Recorrida A Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF apreciou o Recurso Voluntário e, em decisão consubstanciada no acõrdão n° 3202000.524, deu provimento ao recurso voluntário. A seguir, encontramse reproduzidos a ementa e o dispositivo do referido acórdão: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/10/1997, 30/01/1998, 31/03/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 30/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 29/01/1999, 29/01/1999. Fl. 288DF CARF MF 4 CPMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.03721, DE 25/08/2000. A entrega em atraso da declaração de informações da CPMF somente passou a ser punida com multa a partir da entrada em vigor da Medida Provisória n° 2.03721, de 25/08/2000. As normas que tratam de aplicação de penalidade não podem ser interpretadas de forma extensiva, de modo a incidir sobre fatos que não estejam nela expressamente previstos. Não são aplicáveis à entrega em atraso da declaração da CPMF as normas atinentes à entrega em atraso da DCTF, não incidindo as disposições do art. 11, §3°, do DecretoLei n°1968/82, com redação dada pelo DecretoLei n° 2.065/83, nos termos do disposto no art. 5º, § 3° do DecretoLei nº. 2.124/84. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. No voto condutor da referida decisão, foram esposados os seguintes fundamentos: a multa não seria aplicável aos fatos objeto do lançamento, por falta de previsão legal, que somente teria vindo a existir a partir da edição da Medida Provisória n° 2.03721, de 2000; não seria aplicável ao caso o disposto no Decretolei n° 1.968, de 1982, por este tratar do Imposto sobre a Renda; também não seria aplicável o disposto no no art. 5°, § 3°, do Decretolei n° 2.124, de 1984, por dois motivos: (a) em primeiro lugar, porque esse artigo trata de declarações que tenham a natureza de confissão de dívida, o que não seria o caso em questão e (b) adicionalmente, porque não seria razoável admitir o estabelecimento da penalidade pela Medida Provisória, caso já fosse aplicável dispositivo anteriormente vigente. Recurso Especial da Fazenda Nacional Cientificado da Decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, para rediscussão da base legal da multa lançada. A título de paradigma, foi apresentado o acórdão de n° 20181.485. Como fundamento de seu recurso, a Fazenda Nacional defende que o art. 5°, § 3°, do Decretolei n° 2.124, de 1984, dá base legal ao lançamento. O Presidente da Câmara, em despacho de admissibilidade, deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Contrarrazões da Fazenda Nacional Fl. 289DF CARF MF Processo nº 16327.003070/200247 Acórdão n.º 9303008.661 CSRFT3 Fl. 208 5 Cientificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do respectivo despacho de admissibilidade, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões, requerendo negativa de provimento ao recurso, para manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Conhecimento O recurso especial de divergência do sujeito passivo é tempestivo e cumpre todos requisitos regimentais, por isso dele conheço. Mérito Entendo aplicável o disposto no art. 5°, § 3°, do Decretolei n° 2.124, de 1984, a seguir reproduzido, para fins de esclarecimento: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. ... § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os§§ 2º,3ºe4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. A leitura do texto acima reproduzido revela tratarse de dispositivo genérico, portanto, imediatamente aplicável a qualquer obrigação acessória. Nada impedia que esse dispositivo viesse a ser supervenientemente alterado ou mesmo tivesse sua aplicação restringida por norma específica. Porém, isso não se confunde com a impossibilidade de sua aplicação, com a qual não concordo. No caso, a declaração da CPMF foi instituída por ato do Secretário da Receita Federal, com base na delegação de competência dada pelo Ministro de Estado da Fazenda. Portanto, enquadrandose na situação prevista no caput do já citado art. 5° do Decretolei n° 2.124, de 1984. Não concordo também com o argumento, posto na decisão recorrida, de que não seria aceitável a existência de previsão legal de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória anterior à criação da própria obrigação acessória. Ora, é justamente para dar efetividade ao cumprimento dessas obrigações acessórias que se faz necessária a existência Fl. 290DF CARF MF 6 de previsões de penalidades genéricas e imediatamente aplicáveis a seu descumprimento. De outra forma, o cumprimento das obrigações acessórias ficaria prejudicado, assim como todo o controle da administração tributária. Com efeito, entendo que não haja incompatibilidade entre a aplicação da norma geral antes existente a fatos geradores ocorridos durante sua vigência e a aplicação da norma específica a fatos geradores posteriores. Conclusão Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.008806/2003-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITAS DECLARADAS DA ATIVIDADE RURAL.
Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas declaradas da atividade rural somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
O exercício da atividade rural pelo contribuinte por si só não autoriza a presunção de que toda a sua movimentação financeira teve origem nessa atividade, não afastando a necessidade de comprovação, de forma individualizada, das origens dos depósitos bancários.
Numero da decisão: 9202-007.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITAS DECLARADAS DA ATIVIDADE RURAL. Caracteriza omissão de rendimentos a constatação de valores creditados em contas bancárias, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos. Receitas declaradas da atividade rural somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento mediante comprovação de que tais valores transitaram pelas contas bancárias. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. O exercício da atividade rural pelo contribuinte por si só não autoriza a presunção de que toda a sua movimentação financeira teve origem nessa atividade, não afastando a necessidade de comprovação, de forma individualizada, das origens dos depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 06 /2 00 3- 88 Fl. 551DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201003.461, proferido pela 1ª Turma / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração de fls. 10/12, exigindo do contribuinte os montantes de R$ 94.078,24, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas ano calendário de 1998. A exigência decorreu de omissão de rendimentos de atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais a Contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 395/393. A DRJ/SDR, às fls. 408/420, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 428/449. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 452/460, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir o valor de R$ 113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10830.008806/200388 Acórdão n.º 9202007.826 CSRFT2 Fl. 10 3 Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados. CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Às fls. 462/476, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias e respectivo cotejamento: 1. omissão Fl. 553DF CARF MF 4 de rendimentos aceitação, como origem de recursos no lançamento de depósitos bancários (art. 42, da lei 9.430, de 1996), dos valores informados na declaração de ajuste anual, sem a vinculação entre cada depósito e os rendimentos declarados. O Colegiado a quo, prolator do acórdão recorrido, entendeu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Por sua vez, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF firmou o entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobado entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente como determina a lei. 2. Ônus da prova da atividade rural para aplicação da tributação especial, sobre rendimentos que não foram comprovados pela contribuinte. A questão posta nos autos reside em determinar a correta interpretação a ser dada ao art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96, na medida em que o referido dispositivo legal determina que apenas os depósitos bancários de origem comprovada devem ser submetidos à tributação específica, indo de encontro com o que restou consignado no voto condutor do aresto recorrido. O acórdão paradigma comprova, de forma cabal, a necessidade de que o contribuinte comprove, de forma idônea e contundente, a origem dos depósitos bancários como oriundos integralmente da atividade rural, não podendo se valer o julgador, no caso de inércia do contribuinte, de mera presunção para reduzir ou excluir da tributação de quaisquer valores, como representa a tese exposta no julgado ora combatido. Ressaltese que a presunção em favor do Fisco somente pode ser elidida pelo contribuinte, com a comprovação direta da origem dos recursos. Ao mitigar esta necessidade de comprovação por parte do contribuinte, o julgado ora combatido, ao tentar justificar por presunção a origem de tais depósitos (atividade rural), ou apenas com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte destituídas de provas contundentes que as embasem, colidiu frontalmente com a tese exposta no acórdão paradigma. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 528/537, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação às seguintes matérias: 1. omissão de rendimentos aceitação, como origem de recursos no lançamento de depósitos bancários (art. 42, da lei 9.430, de 1996), dos valores informados na declaração de ajuste anual, sem a vinculação entre cada depósito e os rendimentos declarados e 2. ônus da prova da atividade rural para aplicação da tributação especial, sobre rendimentos que não foram comprovados pela contribuinte. Cientificado a Contribuinte através de Edital, conforme constou à fl. 545, a mesma permaneceu inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10830.008806/200388 Acórdão n.º 9202007.826 CSRFT2 Fl. 11 5 Tratase de auto de infração de fls. 10/12, exigindo do contribuinte os montantes de R$ 94.078,24, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas ano calendário de 1998. A exigência decorreu de omissão de rendimentos de atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantida em instituições financeiras, em relação aos quais a Contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: 1. omissão de rendimentos aceitação, como origem de recursos no lançamento de depósitos bancários (art. 42, da lei 9.430, de 1996), dos valores informados na declaração de ajuste anual, sem a vinculação entre cada depósito e os rendimentos declarados e 2. ônus da prova da atividade rural para aplicação da tributação especial, sobre rendimentos que não foram comprovados pela contribuinte. O acórdão recorrido interpretou que o valor oferecido à tributação na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Nesse tópico, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. Deixo de proceder a análise probatória dos depósitos e das provas, pois a valoração probatória não cabe a esta Câmara Superior, cabendo aqui neste caso tão somente decidir a respeito da tese jurídica matéria que foi admitida qual seja, se os valores declarados na DIRPF prescindem ou não de comprovação de origem, tais como os depósitos não declarados (omitidos). O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: Na DIRPF sob exame (fls. 150 e seguintes), observase que os recursos declarados restringemse a receita bruta total da atividade rural de R$ 177.171,32, haja vista que o rendimento tributável informado de R$ 27.734,20 corresponde ao resultado da atividade rural apurado pela diferença entre receita bruta da atividade rural e despesas de custeio e investimento. Fl. 555DF CARF MF 6 Aliás, o referido resultado (R$ 27.734,20) não foi aceito pela autoridade fiscal, eis que não considerou válido o livrocaixa apresentado. Por esse motivo, o rendimento tributável da atividade rural foi arbitrado à razão de 20% da receita bruta declarada (R$ 177.171,32), conforme o disposto no parágrafo 22 do artigo 18 da Lei 9.250/95, que resultou no valor de R$ 35.434,26 (Rendimento Arbitrado da Atividade Rural). Neste sentido, tendo em vista que a fiscalização tomou por base a receita bruta da atividade rural declarada, no importe de R$ 177.171,32, para proceder ao arbitramento do resultado da atividade rural sujeito à tributação, entendo que tais recursos restaram confirmados. Assim, foi tido como depósito não justificado do condomínio rural o importe de R$ 1.006.802,72 (um milhão, seis mil, oitocentos e dois reais e setenta e dois centavos),conforme planilha 06, que dividido entre os condôminos (oito), daria um valor de RS 125.850,34 (cento e vinte e cinco mil oitocentos e cinqüenta reais e trinta e quatro centavos) para cada um. A recorrente admite que a parcela de R$ 64.020,87 (R$ 512.167,01 dividido por 8 condôminos) da referida receita da atividade rural já foi levada em conta pela fiscalização no que diz respeito aos depósitos bancários considerados justificados durante o procedimento fiscal. Dessa forma, devese proceder a exclusão da parcela restante da receita da atividade rural declarada (R$ 113.150,45) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 125.850,34). Sobre a parcela que restar de depósitos de origem desconhecida (R$ 12.699,89), pede o recorrente a aplicação da legislação prevista para a atividade rural (tributação de 20% do montante). Neste ponto, entendo que assiste razão ao acórdão recorrido, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF deve ser considerado como prova de origem, pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa provar identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores declarados nas DIRPF's, R$ 113.150,45, devem ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. COMPROVAÇÃO DE ATIVIDADE RURAL ÔNUS DA PROVA REGIME ESPECIAL REDUÇÃO 20% Mantenho aqui as ponderações do acórdão recorrido. De fato a Fazenda Nacional não precisa ir atrás da prova, mas no caso dos autos entendo esta suficiente Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10830.008806/200388 Acórdão n.º 9202007.826 CSRFT2 Fl. 12 7 Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. No caso dos autos na declaração de ajuste anual a contribuinte apontou sua atividade rural em todos os anos e não possui renda de outra atividade, motivo pelo qual resta comprovada as alegações, contudo, por se tratar de recurso da Fazenda Nacional não é possível diminuir a exação fiscal. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado. Divergi da Relatora em relação às duas matéria em discussão. Quanto à primeira matéria, a exclusão das receitas da atividade rural, assumindo que tais receitas transitaram pelas contas bancárias do contribuinte, mesmo sem comprovação individualizada de tais fatos, noto que a fiscalização, após reiteradas intimações, considerou comprovados depósitos no montante de R$ 512.167,10, de um total de 1.518.969,73. Portanto, o trabalho de exclusão dos depósitos comprovados já foi realizado pela fiscalização, o que inclui as receitas da atividade rural. Excluir genericamente as receitas da atividade rural, assumindo, genericamente, que as mesmas transitaram pelas contas bancária não se justificaria nessas circunstância. Como se sabe, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é categórico ao afirmar a necessidade de comprovação individualizada das origens dos depósitos bancários. Todavia, como se referiu a Relatora do acórdão recorrido, a jurisprudência tem mitigado o rigor da lei excluindo da base de cálculo do lançamento os rendimentos declarados, segundo alguns, apenas os rendimentos tributáveis, segundo outros, os rendimentos em geral, inclusive os isentos e não tributáveis. Tal exclusão, todavia, somente se justifica naquelas situações em que o contribuinte não tem como comprovar as origens dos rendimentos declarados, o que não é o caso da atividade rural. É dever do contribuinte manter escrituração de livrocaixa no qual deva registrar as receitas e despesas e, conseqüentemente, a movimentação financeira. Atribuir os depósitos bancários a natureza de receita declarada de atividade rural, quando o contribuinte não se desincumbe da sua obrigação de manter registros das receitas e despesas dessa atividade, sendo a tributação da atividade rural favorecida, seria claro benefício ao infrator. Fl. 557DF CARF MF 8 Ademais, ressalto, no presente caso, foram comprovados e afastados da tributação valores correspondentes a mais de 4 vezes os rendimentos declarados da atividade rural. Não se justifica, portanto, a exclusão desses valores da base de cálculo. Sobre a segunda matéria, a redução da base de cálculo do valor remanescente a 20%, sob o fundamento de que o contribuinte exerceria exclusivamente a atividade rural, com mais razão ainda, é inadmissível, a meu juízo. Primeiramente, porque, não faz sentido, para mim, atribuir os depósitos ao resultado de uma determinada atividade simplesmente porque o contribuinte a exerce. Toda pessoa que adquire renda exerce alguma atividade econômica e nem por isso se justifica imputar os depósitos bancários a essa atividade. Em se tratando de rendimentos (presumivelmente) omitidos esses podem, até que se prove em contrário, em qualquer atividade e não apenas naquela atividade conhecida. Estando a atividade rural sujeita a tributação favorecida, com mais razão não se justifica a imputação dos depósitos a essa atividade, sem a comprovação individualizada, pois tal procedimento configuraria benefício injustificado ao infrator. Ressalto que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1.996 exige a comprovação das origens dos depósitos bancários de forma individualizada e, como já me referi na análise da outra matéria, tratandose de atividade rural é dever do contribuinte manter escrituração de livrocaixa com registro de receitas e despesas e, conseqüentemente, da movimentação financeira, e se o contribuinte, no caso, não se desincumbiu bem dessa tarefa, escriturando a movimentação financeira, não é o caso de, num claro benefício ao infrator, se atribuir os depósitos de origens não comprovadas a essa atividade. Essa é a posição que sempre adotei em relação a esta matéria a que tem prevalecido também neste Colegiado. Como exemplo, cito o Acórdão nº 9202006.826, de 19 de abril de 2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. ATIVIDADE RURAL. ALTERAÇÃO DA BASE LEGAL DA AUTUAÇÃO. Incabível a alteração, na fase de julgamento, da base legal da autuação, mormente com a pretensão de criar regramatriz de incidência híbrida, absolutamente inexistente no ordenamento jurídico em vigor. Por essas razões, conheci do recurso, e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10830.008806/200388 Acórdão n.º 9202007.826 CSRFT2 Fl. 13 9 Fl. 559DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001370/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2004
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DISCUSSÃO PROCESSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE REEXAME.
A discussão quanto à legalidade/regularidade da exclusão da empresa no regime de tributação do SIMPLES é levada a efeito em processo próprio, não cabendo o reexame da matéria nos autos de notificação fiscal e/ou auto de infração decorrente de referida decisão, sobretudo quando esta transitou em julgado, após o devido processo legal.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO.
O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, surtindo efeito já no ano-calendário subsequente àquele em que foi constatado o excesso de receita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.
MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4
Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Numero da decisão: 2401-006.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2004 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DISCUSSÃO PROCESSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE REEXAME. A discussão quanto à legalidade/regularidade da exclusão da empresa no regime de tributação do SIMPLES é levada a efeito em processo próprio, não cabendo o reexame da matéria nos autos de notificação fiscal e/ou auto de infração decorrente de referida decisão, sobretudo quando esta transitou em julgado, após o devido processo legal. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, surtindo efeito já no ano-calendário subsequente àquele em que foi constatado o excesso de receita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
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LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DISCUSSÃO PROCESSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE REEXAME. A discussão quanto à legalidade/regularidade da exclusão da empresa no regime de tributação do SIMPLES é levada a efeito em processo próprio, não cabendo o reexame da matéria nos autos de notificação fiscal e/ou auto de infração decorrente de referida decisão, sobretudo quando esta transitou em julgado, após o devido processo legal. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 13 70 /2 00 8- 81 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 3 2 O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, surtindo efeito já no anocalendário subsequente àquele em que foi constatado o excesso de receita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente Fl. 211DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier. Relatório MELLO COMERCIO E SERVICOS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 0527.122/2009, às efls. 142/150, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente aos valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 12/2002 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 42/46 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no DEBCAD n° 37.177.9219. Conforme consta do Relatório Fiscal, a empresa foi excluída do Simples Federal retroativamente a 01/01/2002, por meio do Ato Declaratório de Exclusão DRF/STS n° 68, de 19/11/2008. A contribuinte apresentou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) informando em campo próprio que era optante pelo Simples Federal, quando o correto seria não optante. Essa informação indevida altera o valor das contribuições sociais porque o optante pelo Simples Federal tinha as contribuições patronais substituídas, tendo obrigação de recolher à Previdência Social somente a parte descontada dos segurados empregados a seu serviço; Considerando as informações constantes dos sistemas informatizados da Previdência, a documentação apresentada à fiscalização e a legislação aplicada, foram apurados fatos geradores de contribuição previdenciária relativa à prestação de serviços remunerados pelos contribuintes individuais/sócios/administradores e por segurados empregados. Foram apuradas por meio das folhas de pagamento e das GFIPs de dezembro/2002 a dezembro/2004, contribuições patronais incidentes sobre a remuneração de segurado contribuinte individual/administrador/sócio e sobre a remuneração de segurado empregado. Foi apurada ainda a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho (Gilrat). Fl. 212DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 5 4 Os valores recolhidos em DarfSimples correspondentes à parte previdenciária foram considerados pela fiscalização e deduzidos do montante do valor devido. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Campinas/SP entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, reconhecendo a decadência de parte do crédito tributário nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 158/207, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, inovando apenas quanto ao pedido de nulidade da decisão de piso por cerceamento do direito de defesa ao indeferir o pedido de diligência/perícia. Nos outros pontos, por repisar às alegações da defesa inaugural, inclusive na parte provida, adoto o relatório da decisão a quo, vejamos: O Lançamento por parte da Autoridade Administrativa nas hipóteses elencadas no art. 149 do CTN, somente poderá ocorrer enquanto não extinto o direito da Fazenda constituir o crédito tributário no prazo previsto no art. 173 do CTN. (..) Ora, na medida em que os fatos geradores de parte do crédito tributário exigidos no Auto de Infração em referência ocorreram no período de 01.12.2002 até 12.12.2003, sendo que a ciência da Requerente deuse somente em 12.12. 08, tais lançamentos ultrapassaram o prazo legal previsto no artigo 173 do CTN. tratandose de débitos declarados em GFIP, fica caracterizado um autolançamento pelo próprio contribuinte, e, quando muito, eventuais diferenças de tributos seriam passíveis da cobrança da multa de mora de que trata 0 art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mas jamais da multa de lançamento de ofício de que trata o art. 44, inciso I, da citada Lei n° 9.430, de 1996, sob pena de violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Mesmo a multa de mora, ainda que aplicável ao caso em tela, somente poderia ser exigida após decisão final a ser proferida nestes autos; a exclusão do Simples Federal não poderia gerar efeitos retroativos atingindo fatos geradores ocorridos anteriormente a sua edição, sob pena de ferir 0 princípio da segurança jurídica e o da irretroatividade da lei e ainda, por analogia, 0 previsto no inciso XXXIX do art. 5° da Constituição Federal, isto é, que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. Se a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, não faz tal previsão, não pode uma norma de hierarquia inferior, no caso a Instrução Normativa n° 608, de 9 de janeiro de 2006, fazêlo, em face do princípio da hierarquia das normas. Portanto, caso mantida a exclusão da Requerente do Simples Fl. 213DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 6 5 após Decisão final nos autos do processo administrativo em tela, seus efeitos somente poderão alcançar os fatos geradores ocorridos a partir da edição do Ato Declaratório DRF/Santos n” 68/2008, de 19.11.08, do qual a mesma expressou ciência nos autos em 12.12.2008; na questão posta nos autos, a postura adotada pela Fiscalização Fazendária constituise em verdadeira mudança de critérios jurídicos adotado por ocasião dos lançamentos anteriores, ocorridos no período de 01.12.2002 a 31.12.2004. (..) De fato, na questão posta nos autos, o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado, em ato de revisão, quando já transcorridos, aproximadamente, 05 (cinco) anos dos respectivos fatos geradores. Nas situações da espécie, de há muito pacificou se o entendimento firmado na jurisprudência predominante em nossos Tribunais, quanto à impossibilidade da alteração do Lançamento em ato de revisão, por erro de direito ou mudança de critérios jurídicos por parte dos Agentes Fazendários; em razão da impossibilidade do Ato Declaratório Executivo n° 68, de 19/11/2008, alcançar fatos geradores anteriores a sua edição, o presente auto de infração é nulo, não produzindo, pois, nenhum efeito legal; ao editar o artigo 9”, inciso V, da Lei n° 9.317/96, o legislador, no caso, teve por objetivo único, vedar a adesão ao SIMPLES, das Sociedades Civis Prestadoras de Serviços de "Construção de Imóveis”, constituídas por Engenheiros, Arquitetos, etc., ou seja, profissões cujo exercicio da atividade dependa de habilitação profissional legalmente exigida, o que comprovadamente, não é o caso da ora Requerente. (..) Tanto e' verdade, que na qualificação dos sócios integrantes do quadro social da Requerente, não há qualquer menção de que os mesmos exerçam quaisquer das atividades relacionadas no artigo 92 inciso XIII, da Lei n° 9.317/96 (..). Dessa forma, a prevalecer o entendimento firmado pela DRF/Santos no Ato Declaratório n° 68/2008, resultou na exclusão da Requerente do SIMPLES, restará malferido o principio da Legalidade previsto no artigo 5°, inciso , da Constituição Federal; o auto de infração encontrase eivado de vício formal insanável, na medida em que inserida no crédito tributário exigido a incidência dos juros de mora, pois, consoante pacífica orientação predominante em nossos Tribunais, tal encargo somente é devido após a Decisão final a ser exarada no processo administrativo de que se cuida, quando então a contribuinte poderá ser considerada em mora. E essa incidência dos juros de mora revestese ainda mais de flagrante ilegalidade, na medida em que na atualização dos créditos tributários devidos ao Fisco Federal, utilizase a taxa Selic, instituída pelo art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 7 6 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA PEDIDO DE PERÍCIA CERCEAMENTO DE DEFESA. A contribuinte suscita preliminarmente a nulidade da decisão de primeira instância pelos seus próprios fundamentos, haja vista do cerceamento de defesa pela negativa da perícia. Entendeu a DRJ que o pleito se revela desnecessário no presente caso, pois se trata aqui apenas de questões de direito, ou seja, a solução do litígio não depende de conhecimentos ou esclarecimentos de natureza técnica, sendo os elementos dos autos suficientes para a formação de convicção sobre a matéria. Diante disto, penso que a alegação é estéril e não merece prosperar. Analisando os argumentos da recorrente, verificase que seu descontentamento tem a ver com a legislação e o ato de exclusão do simples, ou seja, matéria "estranha a lide" e meramente de direito. Com efeito, o lançamento pautouse nos elementos trazidos aos autos pela fiscalização, bem como naqueles acostados pela contribuinte por ocasião da apresentação de seus argumentos. Ademais, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. Portanto, não merece acolhimento a suscitada preliminar. DEMAIS QUESTÕES PRELIMINARES Com relação à suspensão de exigibilidade, cabe dizer que o requerimento da recorrente é desnecessária, já que, tendo ela apresentado impugnação e recurso ao lançamento, tal efeito incide por conta de expressa disposição legal, ou seja, o art. 151, inciso II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), independentemente de manifestaçao desta instância administrativa. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 8 7 De igual modo, é despicienda a alegação relativa ã ampla defesa, uma vez que o acolhimento da impugnação e recurso voluntário apresentados e sua apreciação na instância administrativa já é garantia do direito ao devido processo legal, uma vez que instaurado a litígio. Vale salientar, que o contencioso administrativo iniciase no ato da impugnação. Ademais, resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura do Auto de Infração, especialmente a “Descrição dos fatos e enquadramento legal", o "Demonstrativo de Apuração", Termo de Verificação Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, o contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro do fato gerador, na eleição da base de cálculo e demais, se confundem com o mérito que iremos tratar posteriormente, como já dito, não ensejando em nulidade Concebese que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 216DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 9 8 II os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO EXCLUSÃO DO SIMPLES Como já relatado, o presente auto de infração foi lavrado como consequência da exclusão da contribuinte do Simples Federal. Em suas razões recursais pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando basicamente questões relativas ao Ato da sua exclusão do SIMPLES, notadamente quanto aos efeitos retroativos. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Observese, que em nenhum momento a contribuinte manifestou inconformidade contra o mérito da exigência fiscal propriamente dito, ou seja, os fatos geradores das contribuições ora lançadas, se limitando a atacar o indeferimento da sua exclusão do SIMPLES e, bem assim, os seus efeitos. Aliás, procede o norte admitido pela contribuinte em sua defesa, uma vez que a presente notificação fora lavrada justamente em decorrência de exclusão da empresa daquele regime de tributação. Entrementes, olvidouse que aludida questão deve ser objeto de contestação no foro específico, ou seja, em processo administrativo próprio, na forma que a legislação de regência estabelece. Observandose o processo administrativo n° 15983.001159/200868, relativo à exclusão do Simples, não houve contestação por parte da contribuinte, ou seja, houve o devido trânsito em julgado daquele ato. Na esteira desse entendimento, tornase defeso a este Colegiado se manifestar propósito da legalidade/regularidade da não exclusão da notificada do SIMPLES, eis que essa matéria deveria ser debatida e, como não fora, encontrase consumada (contra a recorrente) em processo administrativo próprio, impondo seja contemplada a presente demanda com esteio na decisão exarada nos autos do processo específico do SIMPLES. Dessa forma, uma vez inconteste a condição da contribuinte à época da ocorrência dos fatos geradores, de empresa não optante pelo SIMPLES, sequer merece analisar as demais alegações suscitadas pela autuada. Ademais, acerca da retroatividade dos efeitos do Ato Declaratório Executivo, destaco que, os arts. 15 e 16 da Lei n. 9.317/1996 (Simples Federal), vigente à época dos fatos Fl. 217DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 10 9 e que disciplinava o regime de tributação Simples Federal, definiam o marco temporal dos efeitos da exclusão da seguinte forma: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 sem eficácia) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitando a ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 Sem eficácia) VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1° A pessoa jurídica que, por qualquer razão, for excluída do SIMPLES deverá apurar o estoque de produtos, matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem existente no último dia do último mês em que houver apurado o IPI ou o ICMS de conformidade com aquele sistema e determinar, a partir da respectiva documentação de aquisição, o montante dos créditos que serão passíveis de aproveitamento nos períodos de apuração subseqüentes. § 2° O convênio poderá estabelecer outra forma de determinação dos créditos relativos ao ICMS, passíveis de aproveitamento, na hipótese de que trata o parágrafo anterior. § 3o A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 11 10 § 4o Os órgãos de fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social ou de qualquer entidade convenente deverão representar à Secretaria da Receita Federal se, no exercício de suas atividades fiscalizadoras, constatarem hipótese de exclusão obrigatória do SIMPLES, em conformidade com o disposto no inciso II do art. 13. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998) § 5o (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005Sem eficácia) § 5o Na hipótese do inciso VI do caput deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005 Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, um dos efeitos imediatos da exclusão do Simples Federal é a tributação pelas regras aplicáveis às empresas em geral, por força de expressa disposição legal, sendo que a decisão que exclui a empresa do Programa Simples Nacional, apenas tem o condão de formalizar uma situação que já ocorrera de fato, tendo, assim, efeitos meramente declaratórios. Em outras palavras, a exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base na legislação de regência. E ainda que assim não o fosse, a retroatividade dos efeitos do ato de exclusão da empresa do Simples Federal é determinada pela legislação tributária e seu eventual afastamento por suposta ofensa ao Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária é matéria que foge à competência material do Processo Administrativo Fiscal. Neste diapasão, deve ser mantido o lançamento. DEMAIS QUESTÕES Diante do exposto no tópico anterior, neste processo administrativo cabe apenas apreciar as demais alegações da contribuinte, ou seja, quanto ao pedido de perícia e a incidência de multa e juros de mora, uma vez que a decadência já fora apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, reconhecendo o pleito da contribuinte nos termos do art. 150, § 4° do CTN (contagem mais benéfica). PERÍCIA Como bem dito pela decisão a quo, indeferese o pedido de diligência/perícia porque tal pleito se revela desnecessário no presente caso, pois se trata aqui apenas de questões de direito, ou seja, a solução do litígio não depende de conhecimentos ou esclarecimentos de natureza técnica, sendo os elementos dos autos suficientes para a formação de convicção sobre a matéria. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 12 11 JUROS TAXA SELIC Disserta sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, bem como da sua ilegalidade e da aplicação da Taxa Selic. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Em que pese os argumentos da contribuinte, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade e ilegalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso I, da Lei 8.212/91, vigente à época, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 15983.001370/200881 Acórdão n.º 2401006.650 S2C4T1 Fl. 13 12 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: [...] Nesse sentido, devida à contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e, bem assim, da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. Além do que a aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, improcedente é o pedido. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar as preliminares argüidas e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004558/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/05/2006
PRAZO DECADENCIAL CINCO ANOS TERMO A QUO AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art 45 da Lei ii " 8 212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art 173, inciso I do C1N.
REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntario Provido em Parte
Credito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.602
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de julgamento, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Rogério de Lélis Pinto (suplente) Thiago Davila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4º do CTN. Quanto à parcela não decadente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso
Nome do relator: Marcos Andre Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/05/2006 PRAZO DECADENCIAL CINCO ANOS TERMO A QUO AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art 45 da Lei ii " 8 212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art 173, inciso I do C1N. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntario Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte
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Numero do processo: 13227.901492/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/06/2005
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO.
No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.949
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/06/2005 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 14 92 /2 01 2- 91 Fl. 66DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.949 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901492/2012-91 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, transmitido por meio de PER/Dcomp. A DRF de origem indeferiu o pedido, por meio do despacho decisório eletrônico, no qual aponta-se que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito do contribuinte. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade para alegar que teria refeito a apuração do PIS e a Cofins, tendo percebido que teria deixado de apropriar créditos autorizados em lei: Alega que a empresa, adquiriu insumos para revenda com incidência de PIS e Cofins, e promoveu a saída do produtos sujeitos à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins, mas, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das mesmas contribuições que lhe são autorizados conforme determinação do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente para PIS e Cofins, de forma que o registro destes créditos em DACON retifícadora resultou em pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins. Teria retificado o Dacon, mas não a DCTF, com o intuito de evidenciar o valor do pagamento efetuado, quando houvesse o cruzamento dos valores das duas declarações. Concluiu, para requerer a reforma do despacho decisório, com reconhecimento integral do direito creditório. A unidade de origem suscitou a intempestividade da manifestação de inconformidade. Contudo, como o dia 24/12/2012 não seria dia de expediente normal, para a contagem do prazo, a data da ciência deveria constar como 26/12/2012. Deste modo, a manifestação foi considerada tempestiva. Por seu turno, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade pelo fato de não haver identificado qualquer documentação contábil que provasse o alegado. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando o direito ao crédito, contudo deixou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar o alegado. Fl. 67DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.949 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901492/2012-91 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): Trata-se de pedido de compensação de créditos tributários desacompanhado de documentos contábeis que sirvam de prova para as alegações. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento contábil ou nota fiscal que pudesse provar ou ao menos trouxesse indícios da veracidade dos argumentos nela trazidos. O Recurso Voluntário também veio desacompanhado de qualquer documento. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. O Recurso Voluntário limitou-se a afirmar que o recolhimento a maior teria decorrido de um "equívoco contábil", elaborando uma planilha das diferenças sem, todavia, provar as alegações. Assim, pelo fato da Recorrente não haver se desincumbido do ônus de produzir em momento oportuno as provas do direito creditório alegado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Isto porque no processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 68DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.949 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901492/2012-91 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.005466/2006-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as seguintes despesas escrituradas em livro-caixa: remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, emolumentos pagos a terceiros e despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
Numero da decisão: 2002-001.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as seguintes despesas escrituradas em livrocaixa: remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, emolumentos pagos a terceiros e despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 54 66 /2 00 6- 88 Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 849 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 168/174) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003, onde se apurou: diferença entre os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, dedução indevida a títu1o de contribuição à previdência oficia1, dedução indevida a títu1o de contribuição à previdência privada e Fapi, dedução indevida a título de despesa com instrução, dedução indevida a títu1o de Livro Caixa e alteração no Imposto Retido na Fonte. A Impugnação apresentada (efls. 02/10), cujas alegações encontramse resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 826/839), foi julgada procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/REC conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL SOBRE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. A contribuição à previdência oficial sobre O décimo terceiro salário não pode ser deduzida no ajuste anual, uma vez integra a apuração do imposto tributado exclusivamente na fonte. DEDUÇÕES DE LIVRO CAIXA. O contribuinte, pessoa física, que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, somente pode deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de custeio indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora que estejam devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea e escrituradas em Livro Caixa ERRO DE FATO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E RENDIMENTOS. Comprovado, através de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e também por meio do comprovante de rendimentos, erro de fato na informação dos rendimentos e IRRF, devem ser corrigidos os respectivos valores, de acordo com a documentação comprobatória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 850 3 Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. DIFERENÇA DE RENDIMENTOS. GLOSA DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. GLOSA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. Consolidase, na esfera administrativa, o crédito tributário correspondente à matéria que não houver sido expressamente contestada pelo impugnante. Cientificado do acórdão de primeira instância em 31/03/2010 (efls. 844), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 14/04/2010 (efls. 845/846) contestando a glosa das despesas de Livro Caixa com os argumentos a seguir reproduzidos: As despesas com o telefone celular são perfeitamente justificáveis, por se destinar ao uso profissional, tanto do recorrente como de sua esposa, administradora do escritório. O endereçamento da conta celular é e sempre foi o do escritório profissional, Av. Lima e Silva. Com todo respeito, não é de se admitir que somente a quinta parte desta despesa seja objeto de dedução. Até mesmo pelo fato de que o imóvel utilizado para a atividade profissional, Av. Lima e Silva, é unicamente profissional, sendo residência o da Av. Rui Barbosa, Apt. 800. Daí o equívoco do relator, ao considerar que o imóvel utilizado para a atividade profissional é também residência. O que não é, daí justificar o pleito de reforma do que decidido neste item. As despesas com locomoção, transportes e hospedagens apresentadas no Livro Caixa, foram devidamente justificáveis, pois tiveram e se destinaram com a atividade profissional. Não houve nenhum exagero, como apresentação de despesas com combustíveis, que poderia ser apresentada e passível de dedução, e não se apresentou. Foram apresentadas tão somente despesas com taxi e passagens aéreas e contemporâneas aos locais de destino. A exceção de justificação somente a representante comercial, devida vênia, por mais esclarecedor que seja o “Perguntas e Respostas”, a resposta neste ponto é injustificável, e vai de encontro a norma pétrea constitucional da igualdade, pois a atividade considerada é importante mas não mais do que a exercida pelo recorrente. Porque o privilegio dado ao representante comercial? Deva de igual forma, ser reformada decisão turmária a fim de considerar justificada a despesa glosada. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 851 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O recorrente contesta apenas a Dedução Indevida a Título de Livro Caixa, especificamente quanto às despesas com telefone celular e com locomoção, transporte e hospedagem. Sobre o assunto, impõese observar o disposto nos arts. 75 e 76 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1ºO excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2ºO contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3ºO Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 852 5 Pela leitura dos dispositivos acima transcritos, identificamse três grupos de despesas dedutíveis pelo contribuinte que percebe rendimentos do trabalho nãoassalariado: a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Como ocorre com qualquer dedução da base de cálculo do imposto pretendida, cabe ao contribuinte não só comprovar a sua veracidade, mediante documentação hábil e idônea, mas também demonstrar que o dispêndio se enquadra no conceito de despesa dedutível estabelecido na legislação tributária. Sendo a dedução da base de cálculo do imposto um benefício concedido pela legislação, o ônus da comprovação do direito recai sobre o interessado. No caso em exame o recorrente contesta inicialmente a glosa das despesas com telefone celular próprio e de sua esposa mantida no acórdão de primeira instância. Cabe reproduzir trecho com as razões de decidir do Colegiado a quo, as quais acompanho (efls. 832/833): 14. Relativamente às contas de telefone móvel TIM em nome do contribuinte e de sua esposa, Sra. Suzanne Furtado da C. de Oliveira, CPF 367.230.10434, pagas em 2002, total glosado de R$ 4.037,59, verificase que, além das contas (fls. 77, 82, 86, 87, 92, 93, 97, 98, 102, 104, 105, 114, 115, 124, 141, 142, 146, 147, 149, 151, 169) terem o endereço de residência do contribuinte, Av. Rui Barbosa, 830, Apt. 800, Cond. “Betwe”, Tirol, NatalRN, o contribuinte tem escritório, no endereço Av. Lima e Silva, 15200A, Lagoa Nova, NatalRN, conforme o próprio identifica logo na primeira página de sua impugnação. 15. Sobre a possibilidade de utilização dessas despesas como sendo de custeio em livro caixa, o “Perguntas e Respostas”, disponibilizado no endereço eletrônico “http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2009/Per guntas/DeducoesLivroCaixa.htm” (acesso em 18/12/2009), assim esclarece: IMÓVEL UTILIZADO PARA PROFISSÃO E RESIDÊNCIA 396 Podem ser deduzidas despesas com aluguel, energia, água, gás, taxas, impostos, telefone, .telefone celular, condomínio, quando o imóvel utilizado para a atividade profissional é também residência? Admitese como dedução a quinta parte destas despesas, quando não se possa comprovar quais as oriundas da atividade profissional exercida. Não são dedutíveis os dispêndios com reparos, conservação e recuperação do imóvel quando este for de propriedade do contribuinte. Atenção: Em relação ao telefone, esse critério aplicase também quando a assinatura for comercial. (Parecer Normativo CST ni' 60, de 20 de junho de 1978) (grifos não originais) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 853 6 16. Do esclarecimento acima, depreendese como requisito básico para a dedução da quinta parte das despesas com telefones celulares (móveis) quando o imóvel utilizado para a atividade profissional é também residência. 17. Ora, como já demonstrado, o contribuinte possui escritório, em endereço diverso de sua residência, não se confundindo com esta, não havendo, portanto, como se atribuir as contas de telefones celulares particulares à sua atividade profissional. Observese, nesse sentido, que a quinta parte dessas despesas só seria dedutível, não apenas quando não se possa comprovar quais as despesas oriundas da atividade profissional exercida, mas também quando o imóvel utilizado para a atividade profissional é também o da residência, ou seja, quando suas atividades profissionais são exercidas em sua residência, não possuindo, o contribuinte, no caso, escritório profissional distinto daquela, o que não é caso do contribuinte que possui escritório profissional que não se confunde com sua residência. Portanto, as despesas com telefones celulares TIM em nome do contribuinte ou de sua esposa não serão acatadas, por falta de comprovação da relação das despesa com a atividade profissional e porque o contribuinte possui escritório próprio para tais atividades, que não se confunde, tal escritório, com sua residência, observandose que não foram objeto de glosa as despesas de telefone do escritório do contribuinte, como foi o caso, por exemplo, daquelas contas telefônicas constantes das fls. 366 a 368, 377, 383 a 384, 395 a 398, 409, 415, 416, 430, 432, 433, 448 a 452, 465, 474, 491 a 493, 496, 502, 517 a 519, 533, 539, 557 a 559, 571, 558 a 590, 595, que têm endereço na Av. Lima e Silva, 1520, CS A, ou LJ A, Lagoa Nova, NatalRN. Constatase do acima transcrito que, ao contrário do que entende o recorrente, a decisão de piso não considerou que o imóvel utilizado para a sua atividade profissional era também sua residência e não acatou a dedução da quinta parte das despesas com celular próprio e de sua esposa. De maneira oposta, o relator afirma no item 15 do voto condutor que a residência do contribuinte localizase na Av. Rui Barbosa e o escritório na Av. Lima e Silva, exatamente como consta do Recurso Voluntário. No item 17 ele reitera que o contribuinte possui escritório em endereço diverso de sua residência e conclui que não há como atribuir as contas de telefone celular particular à sua atividade profissional. No mesmo item o auditor expõe que as despesas com telefone celular TIM glosadas no lançamento não podem ser acatadas por falta de comprovação da relação com as atividades profissionais do sujeito passivo, uma vez que este possui escritório próprio que não se confunde com sua residência. Assim, tendo em vista que as contas de celular glosadas no lançamento foram encaminhadas ao endereço residencial do recorrente e que não restou demonstrado nos autos o vinculo com a atividade profissional por ele exercida, não há reparos a serem feitos nesse ponto. No que concerne às despesas com locomoção, transporte e hospedagem, em que pesem os argumentos apresentados pelo interessado, também não merece reforma o acórdão recorrido. De acordo com o art. 75, parágrafo único, II, do RIR/99, apenas podem ser deduzidas as despesas com locomoção e transporte de representante comercial autônomo, não sendo este o caso que aqui se aprecia. Como exposto na decisão de piso, as publicações do Fl. 853DF CARF MF Processo nº 16707.005466/200688 Acórdão n.º 2002001.211 S2C0T2 Fl. 854 7 Perguntas e Respostas do Imposto de Renda da Pessoa Física indicam a possibilidade de se deduzir as despesas com hospedagem e transporte para comparecimento a encontros científicos, desde que não reembolsadas ou ressarcidas e que sejam necessárias ao desempenho da atividade profissional do contribuinte, o que também não ficou demonstrado no presente processo. Importa mencionar por fim que, de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. As normas devem ser seguidas nos estritos limites do seu conteúdo, independentemente das razões de cunho pessoal apresentadas pelo interessado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 854DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005854/2004-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995, 1996, 1998, 2001
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável será contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, § 4º do art. 150 do CTN, somente na hipótese de haver antecipação do pagamento do tributo e na ausência de dolo, fraude ou simulação. De outro modo, o prazo decadencial será contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1995, 1996, 1998, 2001
PIS. FATURAMENTO. CUMULATIVIDADE.
A declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo resulta em afastamento da tributação da contribuição ao PIS, somente em relação aos valores que não se constituem em faturamento. No presente caso, afasta-se a tributação somente das receitas financeiras, mantendo-se a tributação sobre o faturamento.
Numero da decisão: 9303-008.664
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I do CTN e restabelecer a tributação sobre as receitas decorrentes do faturamento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relatora
(documento assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995, 1996, 1998, 2001 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável será contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, § 4º do art. 150 do CTN, somente na hipótese de haver antecipação do pagamento do tributo e na ausência de dolo, fraude ou simulação. De outro modo, o prazo decadencial será contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1995, 1996, 1998, 2001 PIS. FATURAMENTO. CUMULATIVIDADE. A declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo resulta em afastamento da tributação da contribuição ao PIS, somente em relação aos valores que não se constituem em faturamento. No presente caso, afasta-se a tributação somente das receitas financeiras, mantendo-se a tributação sobre o faturamento.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável será contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, § 4º do art. 150 do CTN, somente na hipótese de haver antecipação do pagamento do tributo e na ausência de dolo, fraude ou simulação. De outro modo, o prazo decadencial será contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1995, 1996, 1998, 2001 PIS. FATURAMENTO. CUMULATIVIDADE. A declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo resulta em afastamento da tributação da contribuição ao PIS, somente em relação aos valores que não se constituem em faturamento. No presente caso, afastase a tributação somente das receitas financeiras, mantendose a tributação sobre o faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 58 54 /2 00 4- 46 Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 3 2 aplicar o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I do CTN e restabelecer a tributação sobre as receitas decorrentes do faturamento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relatora (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 20403.607, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 07/11/2008, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Não resignada com a decisão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial, suscitando divergência jurisprudencial com relação à (a) declaração da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 17/12/1999, com base no art. 150, §4º do CTN; e (b) exclusão das receitas não provenientes da venda de mercadorias e serviços, alicerçando a sua convicção na decisão proferida pelo STF em declaração incidental de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos (a) CSRF/910100.460 e (b) 340100.387. No despacho de exame de admissibilidade, de 27/01/2011, foi dado seguimento ao recurso especial da Contribuinte, por ter entendido o Presidente da 4ª Câmara como comprovada a divergência jurisprudencial. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 5 4 De outro lado, a Contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, gravita a controvérsia em torno dos seguintes temas: (a) determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial, na hipótese de não ter havido o pagamento; e (b) o alargamento da base de cálculo do PIS empreendida pelo art. 3º, §1º da Lei n.º 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF, em sede de repercussão geral. a) Decadência No que tange à divergência jurisprudencial quanto à decadência, a discussão fica restrita à determinação da regra aplicável como termo inicial para a contagem do prazo de decadência, se do art. 150, §4º ou do art. 173, I, ambos do CTN. A presente autuação abarcou os fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 01/01/1995 a 31/12/2001, inclusive, recaindo a discussão no presente recurso acerca da decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento de PIS sobre o período relativo aos fatos geradores ocorridos até 17/12/1999. A divergência a ser apreciada referese ao termo inicial de contagem da decadência do direito de lançamento, se a data do fato gerador artigo 150, §4º do CTN ou primeiro dia do exercício seguinte ao em que poderia ser lançado, no caso de não existir pagamento antecipado artigo 173, I do CTN. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 6 5 Pertinente esclarecer que, em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, indubitável estarse diante de hipótese de aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do Código Tributário Nacional: Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Portanto, após a edição da Súmula Vinculante nº 08, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias cingese à aplicação dos artigos 150, §4º ou 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 62A, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos, restando superada a tese da irrelevância de ter ocorrido ou não pagamento, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) [...] Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 7 6 Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como no caso do PIS, na inteligência do acórdão do STJ cuja ementa transcreveuse acima: (i) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN) em caso de dolo, fraude ou simulação; quando não houver pagamento antecipado ou inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do fato gerador (art. 150, §4º do CTN) nas hipóteses de pagamento parcial ou integral do débito ou existência de declaração prévia do mesmo. Feitas estas considerações, adentrase ao exame do artigo de lei aplicável ao caso destes autos. O litígio decorre de auto de infração lavrado para exigência da contribuição para o PIS nos períodos de apuração de 01/01/1995 a 31/12/2001, inclusive, remanescendo no presente recurso a discussão com relação a decadência dos fatos geradores ocorridos até 17/12/1999. A Contribuinte teve ciência do auto de infração em 17/12/2004. Conforme restou comprovado nos autos do presente processo administrativo, houve a transmissão de pedidos de compensação de PIS e de COFINS nãocumulativos (efls. 213 e ss), forma de extinção do crédito tributário que se equipara a pagamento. Em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial nº. 973.733, em sede de recurso repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que havendo o recolhimento antecipado do tributo (compensação), a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º do CTN, observandose o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Portanto, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 17/12/2004, encontramse extintos pela decadência os créditos tributários de PIS dos períodos de apuração ocorridos até 17/12/1999, não merecendo reforma o acórdão recorrido. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional neste ponto. b) Da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 8 7 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas outras receitas. No caso dos autos, portanto, não deve incidir a contribuição para o PIS/Pasep do regime cumulativo sobre as receitas financeiras, por não se enquadrarem no conceito de faturamento do Sujeito Passivo, uma vez que não são decorrentes da prestação de serviços e/ou da venda de mercadorias. Diante do exposto, dáse provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar da base de cálculo somente as receitas financeiras, mantendose a tributação sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e prestação de serviços. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto à contagem do prazo decadencial de que dispunha a Fazenda Nacional para constituir o crédito tributário em discussão. Na parte do recurso especial que tratou da incidência da contribuição sobre o faturamento, acompanhamos o voto da relatora. A decadência do direito de se constituir créditos tributários está regulada no Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Já no julgamento do REsp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça (STJ) assim decidiu, quanto à decadência: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 11 10 “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. De acordo com esta decisão, o art. 173, I do CTN deve ser aplicado quando a lei não prevê a antecipação do pagamento, ou prevendo, o contribuinte não efetua o pagamento de forma antecipada. Assim, em sentido oposto, para aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN deve haver pagamento do tributo relativo àquele período de apuração, ainda que parcial. Abstraise no caso a análise de existência de dolo, fraude ou simulação, uma vez inexistente essa discussão no presente processo. Concluise portanto que é de extrema relevância na definição da forma de contagem do prazo decadencial, saber se houve ou não antecipação de pagamento. Qualquer declaração apresentada pelo contribuinte, com ou sem força de confissão de dívida, não tem o condão de afastar a necessidade da existência da antecipação do pagamento. Da leitura do § 4º do art. 150 do CTN, acima transcrito, não consigo entender, que simples declaração, desacompanhada do pagamento do tributo, possa surtir o efeito desejado de antecipar o início da contagem do prazo decadencial. Referido dispositivo legal não faz qualquer referência quanto a existência de declaração ou que esta equivaleria a pagamento. Também não há como dar às supostas compensações o mesmo tratamento, para fins de aplicação do prazo decadencial, atribuído ao pagamento. Como é sabido o pagamento extingue o crédito tributário independente de qualquer condição futura. Já a compensação extingue o crédito tributário, porém não de forma automática, dependendo de homologação futura, expressa ou tácita. O pagamento é modalidade de extinção do crédito tributário, especificada no art. 156 do CTN, ao lado de outras formas, entre as quais a própria compensação, vejase: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 12 11 I o pagamento; II a compensação; [...] A seguir, o Código dispõe sobre as características, efeitos e peculiaridades de cada uma das formas de extinção do crédito tributário, sendo o pagamento tratado nos artigos 157 a 169 e a compensação nos artigos 170 e 170A. Da leitura destes dispositivos legais, resta claro que compensação não se confunde com pagamento e, como o art. 150 do CTN cita expressamente pagamento, naturalmente que ele excluiu da situação a figura da compensação. Veja como a legislação trata da compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Com esse fundamento a Lei nº 9.430/1996 estabeleceu: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Portanto reparem que ao contrário do pagamento os pedidos/declarações de compensação dependem de sua futura homologação por parte da Receita Federal. Portanto não há como atribuir, para fins de contagem do prazo decadencial, à compensação os mesmos efeitos da antecipação do pagamento. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10410.005854/200446 Acórdão n.º 9303008.664 CSRFT3 Fl. 13 12 Transcrevo abaixo ementa de recente jurisprudência da 2ª Turma da CSRF, nesse mesmo sentido: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4% do CTN), desde que comprovado o recolhimento antecipado do tributo, o que não é o caso dos autos, aplicandose, nestes casos, a regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. (Acórdão nº 9202004253, de 22/06/2016, Processo 15956.000258/200698, relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). Em vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nessa matéria, concluindo que, ante a falta de antecipação do pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial a ser aplicada é a do art. 173, inc. I do CTN. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000488/2005-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CUSTOS/DESPESAS. MANUTENÇÃO. MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 9303-008.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CUSTOS/DESPESAS. MANUTENÇÃO. MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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MANUTENÇÃO. MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 04 88 /2 00 5- 04 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10218.000488/200504 Acórdão n.º 9303008.576 CSRFT3 Fl. 347 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pala Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.398, de 09/08/2011, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da ementa transcrita na parte que interessa ao litígio em discussão: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Ementa:.CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo podem ser descontados os créditos calculados em relação às partes e peças utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes usados diretamente na produção geram direito ao credito independente de exercerem ação direta sobre o produto em fabricação." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes. Segundo seu entendimento, tais custos/despesas não constituem insumos do processo de produção/fabricação dos produtos vendidos pelo contribuinte, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e, consequentemente, não geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Assim, a glosa dos créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte, efetuada pela Fiscalização e revertida no acórdão recorrido, devem ser mantidas. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 336e/337e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte não se manifestou. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10218.000488/200504 Acórdão n.º 9303008.576 CSRFT3 Fl. 348 3 O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal, se restringe ao direito de o contribuinte aproveitar créditos do PIS não cumulativo sobre os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes. A Lei nº 10.637/2002 que instituiu o regime não cumulativo para o PIS, , assim dispunha, quanto aos insumos e ao aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...). IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...). VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...)". De acordo com a interpretação literal desses dispositivos legais, apenas os custos incorridos com os insumos (matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem) e combustíveis e lubrificantes, todos utilizados diretamente no processo de produção/fabricação dos bens ou produtos, bem como geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. No entanto, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta e indiretamente no processo de produção/fabricação dos bens destinados a venda pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer, com fulcro no art. 19, inc. IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, inc. V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10218.000488/200504 Acórdão n.º 9303008.576 CSRFT3 Fl. 349 4 quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais insumos, nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. No presente caso, tratase de uma empresa siderúrgica que tem como atividade econômica, dentre outras, a produção, comercialização e transporte de ferro gusa, de aço, ligas metálicas e peças fundidas de ferro, de aço e ligas metálicas, produção, comercialização, transporte e mineração de calcário; produção, comercialização, transporte de sinter de minérios em geral. Dessa forma, a reversão da glosa dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com manutenção de máquinas e equipamentos industriais e com combustíveis e lubrificantes, determinada no acórdão recorrido, deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas, tendo em vista sua relevância e importância para o desenvolvimento das atividade do contribuinte. Além disto, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 1.221.170/PR, sob o regime repetitivo, art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil e com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, adotase, para o presente caso, essa mesma decisão, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14486.001081/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-006.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo para conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo para conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 6. 00 10 81 /2 00 9- 19 Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.256 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante Despacho nº 3301 S/Nº – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, que admitiu os embargos em pauta (fls. 2252/2254): NESTLÉ BRASIL LTDA invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3301 004.357, de 20 de março de 2017, fls. 2.206 a 2.217, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 31/08/2006 a 30/04/2008 IPI. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Em se tratando de tributo cujo fato gerador operouse de forma individualizada, tanto na matriz, quanto nas filiais, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome destas. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e, por conseqüência, depósitos judiciais efetuados para o estabelecimento matriz não garantem nem suspendem a exigibilidade de crédito tributário constituído no estabelecimento filial. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Conforme a Súmula n° 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme a Súmula no 2 do CARF, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade lei tributária. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incidem juros de mora. qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Negado Consta do acórdão da decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial. O arrazoado de fls. 2.228 a 2.231, após síntese dos fatos relacionados com a lide, acusa a decisão do vício de contradição e obscuridade. Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.257 3 Os embargos foram admitidos para que a contradição interna seja saneada (às fls. 2254). Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Conforme afirmou a Embargante, houve contradição entre o voto desta Relatora, que foi por negar provimento ao Recurso Voluntário, e o dispositivo, que determinou o não conhecimento do Recurso em razão da concomitância. Colacionamos o voto na integralidade e também trechos da decisão de piso, a fim de esclarecer o entendimento constante do voto desta Relatora. Segue trecho do voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente invocou trânsito em julgado de decisão favorável, com levantamento dos depósitos judiciais na integralidade, contudo, conforme se apontou na decisão recorrida, a filial autuada não faz parte da Ação Ordinária n° 2003.61.00.0163640 ajuizada perante a 26ª Vara Federal Cível de São Paulo, não podendo, portanto, beneficiarse da tutela antecipada concedida. Neste ponto, juntamos excerto da decisão recorrida, adotada no voto da Relatora: Ação Ordinária n° 2003.61.00.0163640 Preliminarmente, a impugnante alega que os efeitos da decisão judicial proferida nos autos da Ação Ordinária nº 2003.61.00.0163640, proposta pela matriz, cujo objeto é o reconhecimento do direito ao não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em unidades com mais de 10 kg (posição TIPI 2309.10.00), têm o condão de alcançar a filial ora autuada. O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos. O art. 24, parágrafo único, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI) considera contribuinte autônomo qualquer estabelecimento (matriz e filiais) de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei nº 5.172, de 1966, art. 51, parágrafo único). Pelo disposto nos artigos acima, concluise que, por determinação legal, cada estabelecimento da empresa é contribuinte autônomo do IPI, e não a empresa como um todo. No presente caso, vejase, inclusive, que na petição inicial da Ação Ordinária nº 2003.61.00.0163640 a própria autora requereu que fosse expedida Carta Precatória, citando exclusivamente o Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.258 4 Delegado da Receita Federal de Pelotas/RS, que detém competência sobre a Agência da Receita Federal de Camaquã/RS, onde está localizada a filial que é parte da referida ação. E assim determinou a Exma. Juíza Federal, comunicando ao Delegado da RFB sobre o deferimento da antecipação de tutela. O STJ fixou o entendimento, em diversos julgados, pela autonomia dos estabelecimentos, inclusive considerando a matriz parte ilegítima para pleitear créditos ou restituição de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido nos estabelecimentos filiais, dispondo até que: (...) Desta forma, considerandose que a filial autuada não faz parte da Ação Ordinária n° 2003.61.00.0163640 ajuizada perante a 26ª Vara Federal Cível de São Paulo, não pode se beneficiar da tutela antecipada concedida. Portanto, é de se concluir que o voto da Relatora não foi pela concomitância, mas por entender que a ação judicial não alberga a Recorrente. Em relação ao mérito, o voto desta Relatora foi o seguinte: Requer a Recorrente que seja reconhecida a impossibilidade da exigência de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg. Contudo, nesse ponto, não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário. Conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não compete a este CARF se manifestar sobre matéria submetida ao Judiciário. Colacionamos novamente trecho da decisão recorrida, também adotada por esta Relatora: Classificação Fiscal. Rações para cães e gatos. Inicialmente, destaquese ser incabível neste julgamento a análise quanto à correta classificação na TIPI dos produtos denominados “rações para cães e gatos”, por se tratar de matéria discutida judicialmente. A propositura de ação judicial implica a desistência de discutir a mesma matéria na esfera administrativa, conforme prescreve o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, no seguinte sentido: Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.259 5 a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual – antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; Também a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), estabelece, em seu art. 26, que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto importa desistência do processo administrativo. Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, com a plena soberania das decisões judiciais. Por fim, pelos motivos expostos no tópico anterior, incabível a análise quanto à suposta inexistência de suporte legal para ampliação da hipótese de incidência do IPI para os produtos denominados “rações para cães e gatos” em embalagens superiores a 10Kg pelo Decreto nº 2.542, de 2002, e posteriores, que vieram a aprovar a TIPI em dissonância com o Decretolei nº 400, de 1968. Cumpre consignar, contudo, que a Relatora tratou do mérito na medida em que não foi reconhecida a concomitância, nos seguintes termos: Em relação somente aos lançamentos efetuados contra a filial e não submetidos à esfera Judicial, entendese que as disposições da TIPI que embasaram o referido lançamento são legítimos e legais. Por fim, esta Relatora concluiu que: Sobre a constitucionalidade alegada, defende a Recorrente a possibilidade de o CARF analisar legalidade e constitucionalidade de norma tributária. Contudo, a Súmula no 2 do CARF impõe entendimento diverso: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 14486.001081/200919 Acórdão n.º 3301006.048 S3C3T1 Fl. 2.260 6 Segundo a Recorrente, teria se caracterizado abusividade e confisco, por falta de razoabilidade e proporcionalidade, nas multas impostas. Contudo, as multas foram aplicadas na forma e nos percentuais previstos na Lei. Ressaltese que, conforme concluise na decisão recorrida, afastase a pretensão da impugnante, posto que a multa de ofício de 75% foi adequada e corretamente aplicada neste caso. Quanto aos juros de mora, também seguimos na mesma esteira da decisão recorrida, entendendo que provada a insuficiência dos depósitos judiciais efetuados, correta a aplicação dos juros de mora no lançamento de ofício, incidentes sobre a parcela do crédito tributário cuja exigibilidade não está suspensa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Dessa forma, é de se concluir que a Relatora conheceu em parte o Recurso Voluntário, em razão da concomitância, para negar provimento quanto multa e juros. Dessarte, proponho que o dispositivo seja alterado para refletir corretamente o voto da Relatora e os votos dos demais conselheiros para o seguinte: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, na forma exposta. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 2260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900391/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Exercício: 2012
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE IRRF. PER/DCOMP. CRÉDITO COMPROVADO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL
Não tendo sido comprovado mediante documentação hábil e idônea o crédito informado no PER/DCOMP a título de IRRF, não há de reconhecer a existência do direito creditório. Eventual alegação de erro no preenchimento do débito na DCTF deve vir acompanhada de prova suficiente do fato alegado.
Numero da decisão: 2401-006.481
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE IRRF. PER/DCOMP. CRÉDITO COMPROVADO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL Não tendo sido comprovado mediante documentação hábil e idônea o crédito informado no PER/DCOMP a título de IRRF, não há de reconhecer a existência do direito creditório. Eventual alegação de erro no preenchimento do débito na DCTF deve vir acompanhada de prova suficiente do fato alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 03 91 /2 01 3- 39 Fl. 340DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.481 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900391/2013-39 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém - PA (DRJ/BEL) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa do Acórdão nº 01-27.123 (fls. 239/243): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2012 Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO ALOCADO. RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE DCTF. ERRO NÃO COMPROVADO. Tendo sido comprovado que o DARF indicado pelo contribuinte em declaração de compensação pagamento indevido ou a maior estava totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou caracterizada a inexistência do direito creditório. A retificação da DCTF posteriormente à ciência do Despacho Decisório, efetuada tão somente para justificar a existência do direito creditório, sem a apresentação de documentos hábeis e idôneos, não tem o condão de justificar o erro no preenchimento dessa declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo trata do pedido de compensação declarado no PER/DCOMP nº 27964.33254.301012.1.3.040286 (fls. 227/233) apresentado pelo Contribuinte no qual pretende utilizar crédito relativo a um pagamento indevido ou a maior de IRRF, código de receita 0422 (IRRF - Royalties e assistência técnica - Residentes no exterior), no valor de R$ 61.027,86, arrecadado em 05/10/2012. A DRF BELO HORIZONTE emitiu Despacho Decisório nº 043190647 (fls. 226) não reconhecendo o direito creditório pleiteado porque o pagamento localizado foi integralmente utilizado para extinguir débito do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 18/02/2013 (fl. 234) e, inconformado com a decisão proferida, em 20/03/2013, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 02/09), instruída com os documentos nas fls. 10 a 225. O Processo foi encaminhado para 1ª Turma da DRJ/BEL que, em 12/09/2013, através do Acórdão nº 01-27.123, decidiu por unanimidade não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo Contribuinte e, por conseguinte, julgar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IMPROCEDENTE. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/BEL, via Correios, em 10/10/2013 (Ar - fl. 251) e, tempestivamente, em 11/11/2013 interpôs seu Recurso Voluntário de fls. 252/264, instruído com os documentos nas fls. 265 a 337. Fl. 341DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.481 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900391/2013-39 Em seu Recurso Voluntário o Contribuinte, em síntese, aduz que: 1. Não foram considerados pela DRJ os documentos trazidos junto à Manifestação de Inconformidade que demonstram o erro material cometido por ocasião do preenchimento da DCTF de outubro/2012; 2. A DCTF Retificadora de outubro/2012 mostra que o IRRF devido era menor do que o declarado anteriormente, resultando em um crédito de R$ 61.027,88 a seu favor; 3. O Crédito a seu favor decorreu de recolhimento indevido, por seu próprio equívoco, o que não lhe retira o direito à compensação. Finaliza o Recurso pedindo seu reconhecimento a fim de considerar o equívoco na informação da DCTF, com o consequente reconhecimento do crédito noticiado. Requer também que seja homologada a compensação requerida no PER/DCOMP supracitado, anulando o débito identificado no Despacho Decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto, Relator. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente processo administrativo trata de pedido de compensação identificado pelo PER/DCOMP número 27964.33254.301012.1.3.040286, cujo crédito pleiteado importa no valor de R$ 61.027,86. A DRJ firmou entendimento no sentido de que a simples retificação da DCTF não teria o condão de justificar eventual erro no preenchimento da DCTF, cabendo ao contribuinte juntar documentos hábeis e idôneos para comprovar a redução do débito de IRRF. Segundo a decisão de piso, não se cogita baixar o processo em diligência para juntada dos documentos comprobatórios do equívoco haja vista que as provas que seriam requeridas são pré-constituídas, Fl. 342DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.481 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900391/2013-39 ou seja, caberia ao contribuinte tê-las juntado por ocasião de apresentação da manifestação de inconformidade. Em razões recursais a contribuinte assevera que efetuou apuração do valor de R$ 61.027,88 a mais, realizada no quinto dia do mês de outubro/2012, que reflete a duplicidade do lançamento referente ao quarto dia do mesmo mês, juntando para tanto cópia dos DARF´s a fim de identificar o pagamento em duplicidade. Informa que na DCTF originária apôs erroneamente o código da receita nº 0422-01, quando deveria ter preenchido o campo com o código nº 0473- 01. A Recorrente aduz que é permitido sanear pedidos de compensação mediante a apresentação de DCTF retificadora que tem eficácia probatória do crédito pleiteado e ressalta que no caso em apreço ocorreu um erro material no preenchimento da DCTF, cabendo à administração perquirir se, efetivamente, houve recolhimento a maior ou indevido, para, sendo o caso, ser autorizada a compensação. Destarte, a empresa contribuinte, após o Despacho Decisório de não homologação da compensação e antes da apresentação de sua manifestação de inconformidade, transmitiu a DCTF retificadora com a correção do montante devido de IRRF no importe de R$ 6.543.883,11, o que resultou em um crédito a seu favor no valor de R$ 61.027,86. Verifico que existia informação na DCTF que conflitava com o DARF de IRRF no que diz respeito ao valor devido, razão porque não foi homologada a compensação pleiteada no PER/DCOMP, sem que a contribuinte tivesse sido intimada para sanear o conflito, o que impediu a formação de qualquer contraditório sobre o fato da confirmação do crédito existente contra a Fazenda Nacional, pois o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Com efeito, diante do despacho decisório eletrônico, a primeira oportunidade concedida à contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi no momento da sua manifestação de inconformidade. E foi somente após a decisão da DRJ que tais documentos foram tidos por insuficientes. Destarte, não há impedimento de se realizar a retificação da DCTF depois de apresentada a PER/DCOMP, haja vista ser uma necessidade de adequação com a verdade material, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 2, de 2015, cabendo ao contribuinte comprovar o crédito a seu favor. A contribuinte assevera que o valor de IRRF informado na DCTF analisada pela Receita Federal foi de R$ 6.604.910,97, quando o valor de IRRF efetivamente devido seria de R$ 6.543.883,11, restando um saldo de crédito de 61.027,86. Os documentos adunados aos autos, antes e após a interposição do Recurso Voluntário, não comprovam a existência de equívoco na informação constante na DCTF. Não há como se concluir que apenas o valor de R$ 6.543.883,11 corresponderia a base de cálculo do IRRF pela prestação do serviço. A Recorrente não juntou documentos suficientes ou mesmo lançamentos contábeis que permitissem atestar que efetivamente ocorreu erro no quantum do valor o imposto devido. Os documentos trazidos com a peça recursal não configuram provas hábeis para a dedução alegada pelo Recorrente quanto ao erro a que se pretende provar. Fl. 343DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.481 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.900391/2013-39 Assim, não merece reforma a decisão recorrida, devendo ser mantido o Despacho Decisório. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
