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Numero do processo: 10209.000078/2003-01
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.746
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. \1 OTACiLIO DA' TA CARTAXO Presidente 4114,A440N-10 • IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fons8ca de Menezes, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Henrique Klaser Filho. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. CCS Processo no : 10209.000078/2003-01 Resolução n° : 301-1.746 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: "Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para cobrança de Imposto de Importação-li acrescido de Juros de Mora e Multa de Oficio, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 338.237,42 (trezentos e trinta e oito mil duzentos e trinta e sete reais e quarenta e dois centavos). 2. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, fls. 03/04, e Relatório de Auditoria anexo e parte integrante do Auto de Infração n° 0217600/0018-03, fls. 08/12, o crédito tributário é relativo a revisão da Declaração de Importação n° 98/0824569-2, registrada em 21/08/1998, e decorrente de utilização indevida de redução tarifciria prevista no Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n° 27 (ACE-27), firmado entre o Brasil e a Venezuela, relativamente a aliquota do Imposto de Importaçã o, fixada em 12% e reduzida para 2,4%. 3. A negativa a redução tarifária nos termos do ACE-27, pleiteada na DI n° 98/0824569-2, foi justificada pela fiscalização com base nas seguintes irregularidades: a) o Certificado de Origem foi expedido antes da emissão da fatura comercial que instruiu a DI; b) 0 Certificado de Origem não descreve o produto com integral detalhamento das informações especificas exigidas pelos países membros signatários do Acordo; c) o número da fatura comercial que consta no Certificado de Origem, expedido na Venezuela, diverge daquele constante da fatura que instruiu a DI, fatura esta emitida pela empresa Petrobrás International Finance Company — PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman,) caracterização da intervenção de um terceiro pais não membro da Associação Latino-Americana de Integração - ALADI na qualidade de exportador, contrariando as exigências contidas no art. 40 da Resolução ALA DI n° 78, de 1987. 4. Relata, ainda, a fiscalização, quanto a infração apurada (inexistência de certificado de origem), a ocorrência dos seguintes fatos: Processo n° Resolução n° : 10209.000078/2003-01 : 301-1.746 4.1. o contribuinte procedeu a importação de óleo diesel, produto derivado de petróleo, classificado no código NALADI 2710.00.41, da empresa PDVSA PETRÓLEO Y GAS S/A, situada na Venezuela, conforme comprovam o Certificado de Origem n° ALD 980800470- CS, fls. 19, e o Conhecimento de Embarque (Bill of Lading) n° 98085502, fls. 18; 4.2. a Fatura Comercial n° 41970-0 emitida pela empresa venezuelana, PDV PETROLEO Y GAS S.A, constante do Certificado de Origem, diverge da Fatura Comercial PIFSB-379/98 que instruiu a Declaração de Importação, emitida em 20/08/1998, pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY (PIFCO), situada nas ilhas Cayman. Assim, concluiu a fiscalização que a PIFCO é a empresa que consta da Declaração de Importação como exportadora, implicando Ilhas Cayman ser o pais de aquisição; 4.3. ficou caracterizada a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI na qualidade de exportador, configurando unia operação de comercialização não albergada pela Resolução ALADI/CR 78, apenso ao Decreto n° 98.874, de 25/01/1990, que trata de sua execução; 5. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 13/02/2003, conforme Auto de infração, fls. 01, a contribuinte apresentou impugnação, em 14/03/2003, documentos ás fls. 28/34, através de representante, instrumento de procuração anexado as fls. 35/37, nos termos a seguir resumidos: 5.1. reconheceu que apresentou certificado de origem emitido com data anterior às datas de expedição das faturas comerciais (PIFSB- 379/98 e PDVSA n° 41970-0), no entanto, pelo teor do documento de certificação e de outros documentos apresentados, comprovou ser o produto importado originário da Venezuela; 5.2. destacou a inexistência de intervenção de pais não membro da ALADI, pois a operação consistiu no seguinte: a PIFCO (Ilhas Cayman), então subsidiaria da BRASOIL (Ilhas Cayman), a qual por sua vez é subsidiaria da BRASPETRO (Ilhas Cayman), sendo • esta uma empresa subsidiária da PETROBRA'S (Brasil), adquiriu o óleo diesel junto a PDVSA (Venezuela), sendo que a destinatária final do produto foi a PETROBRA'S; 5.3. o óleo diesel foi produzido e exportado pela Venezuela, pais membro da ALADI, e enviado diretamente ao Brasil, não havendo registro da primeira compra e a subseqüente revenda porque o SISCOMEX impede tais • registros, sendo impossível fazê-lo, não tendo nunca a SRF exigido tais registros e nem a cópia das faturas 3 Processo n° : 10209.000078/2003-01 Resoluçdo n° : 301-1.746 anteriores, pelo que, com base no artigo 4° da Resolução 78, não há razões para o fisco manter a autuação; 5.4. se mantido o entendimento da intervenção de terceiro pais não . membro da ALADI, deve-se levar em consideração que a complexa operação comercial é resultado da dificuldade de captação de recursos e da necessidade de alongamento de prazo para pagamento, onde a impugnante se utiliza das linhas de crédito tomadas no exterior, através de suas subsidiárias; 5.5. a intermediaça o não elide a aplicação de redução tarifária, conforme apreciação da NOTA COANA/COLAD/DITEG n° 60/97, a qual concluiu pela sua regularidade; 5.6. a Resolução n" 78 e o Acordo n° 91 não vedaram a redução tarifária quanto a importação com interferência de terceiros, ainda mais sem trânsito por outros países, pelo contrário, a operação é expressamente acobertada, sendo que, a Resolução n° 232 passou expressamente a admiti-la para dirimir dúvidas porventura existentes; 5.7. citando diversos números de Recursos e Processos, destaca que a SRF tem legitimado tais operações, recepcionando a tese da impugnante; 5.8. com fundamento nos arts. 146 da Constituição Federal e 161, § I° do CTN, invoca a ilegalidade e a inconstitucionalidade da exigência da mora com base na taxa Selic. 6. ao final, requer que seja julgado improcedente o auto de infração com base nos fundamentos apresentados em sua defesa, ou sendo, que seja excluída a aplicação da taxa Selic, protestando, ainda, por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela procedência parcial do lançamento efetuado pela autoridade fiscal (fls. 65/80), nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/08/1998 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. PRESCINDIBILIDADE DE DILIGÊNCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. 0 4 Processo n° : 10209.000078/2003-01 Resolução n° : 301-1.746 julgador somente deve determinar a realização de perícias ou diligências, quando considerá-las necessárias para a instrução do processo. Assunto: Imposto sobre a Importação - Ii Data do fato gerador: 21/08/1998 Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PALS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. incabível a aplicação de preferencia tarifária em caso de divergência entre Certificado de Origem e Fatura Comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. ADI SRF N° 13/2002. Incabível a exigência da multa de oficio capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários a sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratório Interpretativo SRF n°13/2002. Lançamento Procedente em Parte" Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 87/94), repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação, e alegando, ainda: - que o Certificado de Origem foi expedido no dia seguinte àquele em que foi expedida a fatura PDVSA, em perfeita observância ao artigo segundo do Acordo 91/89; - que o produto foi expedido diretamente da Venezuela (PDVSA) para o Brasil (PETROBRAS), ambos países membros da ALADI e sequer passou pelo território de pais não-integrante da ALADI; - que a alínea "h" do artigo 40 da Resolução n°. 78 proibe o comércio, uso ou emprego da mercadoria no pais de trânsito e não com o pais de trânsito. Entende que, se o produto sequer passou pelo território das Ilhas Cayman, não se pode dizer que a operação realizada fere o citado dispositivo legal; 5 Processo no : 10209.000078/2003-01 Resolução n° : 301-1.746 - que a ALADI, ao expedir a Resolução 232, apenas confirmou a possibilidade de aplicação de redução tarifária a operação comercial realizada entre países associados, ainda que houvesse a participação de um terceiro pais estranho a associação, não tratando este tema como se novidade fosse, mas apenas trazendo norma de cunho instrumental ao tratar, especificamente, da expedição de certificado de origem quando houver a triangulação; - que a Nota COANA/COLAD/DITEG n°. 60/1997 confirma que a triangulação comercial já era prática admitida no âmbito da ALADI; - que não é cabível a substituição da multa de oficio pela multa de mora, vez que a autoridade julgadora não tem poderes para constituir novo crédito tributário ou complementar ao já constituído por meio do Auto de Infração ora vergastado; - que é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC, vez que, à luz do disposto no art 1467 da Constituição Federal, a instituição da taxa de juros somente pode acontecer por meio de lei complementar, sendo que a aplicação da taxa SELIC decorre de lei ordinária; e que - que a ilegalidade da taxa SELIC abrange a sua essência, vez que destina-se a remuneração do capital investido em títulos públicos, e não em remuneração da mora. Por fim, requer seja parcialmente reformado o Acórdão recorrido e julgado totalmente insubsistente o Auto de Infração. E o relatório. 6 Processo n° : 10209.000078/2003-01 Resolução n° : 301-1.746 VOTO Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora 0 recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratam os autos de exigência de Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, decorrente de irregularidades verificadas na importação realizada pela recorrente, em descumprimento a requisitos essenciais a fruição do beneficio de redução de aliquota estabelecido em normas aplicáveis no âmbito da ALADI, tais como divergências encontradas entre o conteúdo e as datas do Certificado de Origem e da Fatura Comercial e emissão do predito Certificado por pais não signatário do Acordo. A PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS importou óleo diesel, TEC 2710.0041, acobertado pela DI n°. 98/0824569-2, registrada em 21/08/1998, com redução tarifária de 80% da aliquota do imposto de importação, fixada em 12%. A autoridade fiscal, em ato de revisão aduaneira, verificou, em suma, os seguintes fatos: (1) o certificado de origem foi expedido antes da emissão da fatura comercial que instruiu a DI; (2) não há correspondência entre o certificado de origem ALD 980800470-CS e a Fatura Comercial PFISB-379/98, emitida pela empresa Petrobras International Finance Company - PIFCO (3) o certificado de origem não faz menção à fatura comercial que . instruiu o Despacho e sim à fatura comercial n° 41970-0 da PDVSA, em que o pais exportador é a Venezuela, sendo que na DI consta, como pais exportador, a empresa PIFCO, o que implica Ser as Ilhas Cayman o pais de aquisição; e (4) que, na comercialização, houve intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI, sendo que a Resolução 232 ainda não estava sendo executada à época do registro da DI Diante dos fatos narrados, entendo que, para decidir a questão, faz- se necessário o conhecimento e a verificação de dois documentos que não estão acostados aos autos, quais sejam: 7 Processo n° : 10209.000078/2003-01 Resolução n° : 301-1.746 - A Invoice n°. 41790-0, de emissão da PDVSA, referida no documento juntado à fl. 17 e - a Fatura da Petrobrás Petróleo Brasileiro S/A-PETROBRAS para a Petrobrds Internacional Finance Company-PIFCO, que comprove a operação noticiada pela recorrente. Assim, voto no sentido de CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a repartição de origem intime a Recorrente para trazer aos autos cópia dos referidos documentos. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2006 LAD. IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES - Relatora 8
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Numero do processo: 10865.000946/2006-53
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente. (Súmula CARF nº 35).
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
INTIMAÇÕES. ENDEREÇO.
As intimações e notificações, no processo administrativo fiscal, devem ser encaminhadas ao domicílio tributário informado pelo contribuinte à Secretaria da Receita, Federal para fins cadastrais, ou ao endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo
sujeito passivo, em observância às disposições do Decreto nº 70.235, de 1972.
Preliminar rejeitada.
Numero da decisão: 2801-001.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente ao ano-calendário de 2000, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35). DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). INTIMAÇÕES. ENDEREÇO. As intimações e notificações, no processo administrativo fiscal, devem ser encaminhadas ao domicílio tributário informado pelo contribuinte à Secretaria da Receita, Federal para fins cadastrais, ou ao endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo, em observância às disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. Preliminar rejeitada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 174 1 173 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000946/200653 Recurso nº 169.819 Voluntário Acórdão nº 280101.482 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de abril de 2011 Matéria IRPF Recorrente EVANDRO SUZIGAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35). DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). INTIMAÇÕES. ENDEREÇO. As intimações e notificações, no processo administrativo fiscal, devem ser encaminhadas ao domicílio tributário informado pelo contribuinte à Secretaria da Receita, Federal para fins cadastrais, ou ao endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo, em observância às disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. Preliminar rejeitada. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 2 Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente ao anocalendário de 2000, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tania Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Jose Evande Carvalho Araujo. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 695.283,56, referente aos exercícios de 2001, 2002 e 2003, a título de imposto (R$ 280.961,66), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 210.721,23), além de juros de mora (R$ 203.600,67). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituição financeira, em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sua impugnação, o contribuinte suscitou, preliminarmente, a decadência do lançamento no que se refere aos anoscalendário de 2000 e 2001, bem como a nulidade do auto de infração em razão da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário e da indevida aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. No mérito, discorreu sobre a impossibilidade de aplicação da norma do artigo 42 e seguintes da Lei nº 9.430/1996, pretendendo fosse reconhecida a impropriedade e a ilegalidade do lançamento do tributo imposto de renda pessoa física tão somente baseado em meros depósitos bancários. A 8ª Turma da DRJ/São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 121/136, julgou procedente o lançamento, conforme os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, por ser complexivo com período anual, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, 1, do CTN). Preliminar rejeitada. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 10865.000946/200653 Acórdão n.º 280101.482 S2TE01 Fl. 175 3 PRELIMINAR. IRRETROATIVIDADE DA LEI: Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas( Art.144, § 1° do CTN). A Lei Complementar n° 105/2001 e a Lei n° 10.174/2001, que deu nova redação ao § 30 do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir do mês de janeiro de 2001, poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. SIGILO BANCÁRIO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 19/08/2008 (fl. 137), o interessado, representado por seus advogados (fl. 113), interpôs recurso voluntário de fls. 139/166, em 18/09/2008, no qual repete os argumentos da impugnação. Ainda solicita que todas as intimações sejam dirigidas e/ou publicadas em nome dos subscritores do recurso voluntário, sob pena de nulidades das mesmas. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente suscita em preliminar a decadência e a nulidade do lançamento. De plano, importa registrar que não houve a imposição de multa de oficio qualificada para as exigências formalizadas no presente lançamento. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 10865.000946/200653 Acórdão n.º 280101.482 S2TE01 Fl. 176 5 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Assim, tendo em vista que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, conforme registrado nas respectivas DIRPF em anexo e, inclusive, no próprio auto de infração. Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31 de dezembro de cada ano sob exame. Considerando que, em 19/04/2006 (fl. 04), o contribuinte foi cientificado do auto de infração, deve ser cancelado, por força da decadência, somente o lançamento referente ao anocalendário de 2000. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 6 Ainda, em preliminar, afasto a suscitada nulidade do auto de infração amparada nas teses de ilegalidade/inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário via administrativa e de indevida aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. Isto porque tais matérias já estão sumuladas de forma contrária ao entendimento do contribuinte, pelas Súmulas CARF nº 2 e 35, transcritas a seguir: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. No mérito, a discussão cingese à aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. A constituição do crédito tributário, no presente caso, decorreu em face de o contribuinte não ter logrado comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei nº 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Destaquese que a autoridade fiscal relatou que dos valores mencionados foram excluídas as transferências realizadas entre o contribuinte e seu irmão Fábio Suzigan, sendo que as demais argumentações trazidas pelo contribuinte não foram comprovadas. Em sede de recurso o contribuinte requer a aplicação do artigo 42, inciso II, da Lei nº 9.430/96, segundo o qual as transferências entre mesmos titulares não caracterizam omissão. Contudo, não indica e/ou prova alguma transferência dessa natureza que tivesse sido considerada como depósito de origem não justificada. Logo, no que se refere a esse aspecto, nada há a censurar o levantamento fiscal. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual, também, não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese fática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei nº 8.021, de 1990. Tal entendimento, aliás, encontrase consolidado no CARF, conforme enunciado da Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte Relativamente às intimações e notificações, no processo administrativo fiscal, esclareçase que devem ser encaminhadas ao domicílio tributário informado pelo contribuinte à Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 10865.000946/200653 Acórdão n.º 280101.482 S2TE01 Fl. 177 7 Secretaria da Receita Federal para fins cadastrais, ou ao endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo, não havendo qualquer permissão para que outra opção seja indicada durante a tramitação do feito, conforme dispõe ao art. 23, do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)” Por fim, no tocante às jurisprudências citadas, cumpre registrar que essas não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente ao anocalendário de 2000. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001864/2006-47
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INDENIZAÇÃO DE ALIMENTAÇÃO.
AUXÍLIO TRANSPORTE.
O imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza tem como
elemento material de seu fato gerador o auferimento de renda. Portanto, enseja que o contribuinte tenha vislumbrado um acréscimo patrimonial. A indenização de alimentação e o auxílio transporte não representam acréscimo algum, mas meros meios para possibilitarem a efetiva prestação do serviço pelo trabalhados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INDENIZAÇÃO DE ALIMENTAÇÃO. AUXÍLIO TRANSPORTE. O imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza tem como elemento material de seu fato gerador o auferimento de renda. Portanto, enseja que o contribuinte tenha vislumbrado um acréscimo patrimonial. A indenização de alimentação e o auxílio transporte não representam acréscimo algum, mas meros meios para possibilitarem a efetiva prestação do serviço pelo trabalhados. Recurso Voluntário Provido.
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INDENIZAÇÃO DE ALIMENTAÇÃO. AUXÍLIO TRANSPORTE. O imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza tem como elemento material de seu fato gerador o auferimento de renda. Portanto, enseja que o contribuinte tenha vislumbrado um acréscimo patrimonial. A indenização de alimentação e o auxílio transporte não representam acréscimo algum, mas meros meios para possibilitarem a efetiva prestação do serviço pelo trabalhados. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Antonio de Padua Athayde Magalhaes, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Carlos Cesar Quadros Pierre e Tania Mara Paschoalin. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13706.001864/200647 Acórdão n.º 280101.583 S2TE01 Fl. 79 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 03 a 07, referente a imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) do anocalendário 2002, devido a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Tempestivamente, o interessado apresenta impugnação total da exigência, fl. 01. Alega, em síntese, que apresentou uma declaração retificadora em 09/08/2004, excluindo os valores recebidos a título de indenização de alimentação e transporte, por entender que são rendimentos isentos. Para comprovação, anexa cópia dos contra cheques. Em decorrência da transferência da competência definida na Portaria RFB n° 222/2008, de 12 de fevereiro de 2008, veio o processo para julgamento nesta DRJ.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INDENIZAÇÃO DE ALIMENTAÇÃO. AUXÍLIO TRANSPORTE. A incidência do imposto independe da denominação do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e a forma de percepção. Lançamento Procedente” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto O Recurso Voluntário atende todos os seus pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado por ocasião do Recorrente ter excluído da base de cálculo de seu IR os valores percebidos a título de indenização de alimentação e sobre o seu vale transporte. A pedra de toque do caso, portanto, está em se saber se referidas parcelas podem ou não ser incluídas na base de cálculo do IR. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13706.001864/200647 Acórdão n.º 280101.583 S2TE01 Fl. 80 3 A Constituição Federal de 1988, em seu art. 153, inciso III, conferiu competência à União Federal para instituir imposto sobre “renda e proventos de qualquer natureza;”. O Código Tributário Nacional, por sua vez, estabelece que o fato gerador do referido imposto será: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” Depreendese da análise desses dispositivos legais, assim, que é pressuposto para a incidência desse tributo, que a renda ou provento de qualquer natureza auferido pelo contribuinte constitua um acréscimo patrimonial. Um plus, portanto. Inexistindo acréscimo patrimonial, não se pode cogitar da incidência do Imposto sobre a Renda. Cogitarse entendimento diverso, seria fulminar princípios basilares do direito tributário, dentre eles a capacidade contributiva e a proibição do confisco. Firmase a premissa, logo, que somente poderá ser tributado pelo IR aquilo que constituir acréscimo. A indenização de alimentação e o vale transporte, como se sabe, são benefícios conferidos pelos empregadores aos seus empregados com o objetivo de lhes instrumentalizar o cumprimento do contrato de trabalho. Não configuram um acréscimo na renda do trabalhador, mas simples instrumento de realização de seu mister. Não poderiam, pois, ser incluídos na base de cálculo do IR, sob pena de afronta ao conceito constitucional de renda. Sensível a esse entendimento, é importante se salientar que a Secretaria da Receita Federal já se pronunciou sobre o tema. Vejase, por oportuna, manifestação da Superintendência Regional da 7ª Região Fiscal: “Processo de Consulta nº 223/04 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 7a. Região Fiscal Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Ementa: ISENÇÃO. AUXÍLIOS TRANSPORTE E ALIMENTAÇÃO. Constituem rendimentos isentos ou não tributáveis a alimentação e o transporte fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados. Tal isenção alcança a alimentação in natura, o vale refeição e o vale transporte. Os auxílios alimentação e transporte pagos em dinheiro aos servidores públicos federais civis ativos da Administração Pública Federal, direta, autárquica e fundacional também são isentos de imposto de renda. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13706.001864/200647 Acórdão n.º 280101.583 S2TE01 Fl. 81 4 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), arts. 97, VI, III, II e 176; Decreto nº. 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), arts. 39, IV, V e 623. SÉRGIO MARTINS SILVA – CHEFE (Data da Decisão: 14.6.2004 15.09.2004)” Portanto, uma vez que as verbas em alusão não constituem renda efetivamente, não podem ser incluídas na base de cálculo do tributo, nos termos da explanação realizada. Em vista do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003646/2007-03
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 2004
PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE PROCESSO.
Já havendo sido concedido pela DRJ o pedido de afastamento de parte do lançamento, não há que se acatar recurso interposto unicamente sobre a parte do lançamento já afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.652
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Já havendo sido concedido pela DRJ o pedido de afastamento de parte do lançamento, não há que se acatar recurso interposto unicamente sobre a parte do lançamento já afastada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES Presidente. Assinado digitalmente CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre Fl. 78DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10920.003646/200703 Acórdão n.º 280101.652 S2TE01 Fl. 73 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Por intermédio da Notificação de Lançamento de fls. 18 a 20, exigese do interessado o Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF Suplementar de R$5.789,06, acrescido da multa de oficio de 75% e juros de mora devidos à época do pagamento, em razão de a autoridade revisora haver apurado, na declaração de ajuste apresentada para o exercício de 2004, anocalendário 2003, as seguintes infrações: omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregaticio, recebidos de CIPLA Indústria de Materiais de Construção S.A., no valor de R$11.142,34, correspondente diferença entre o valor declarado e o informado pela fonte pagadora A Receita Federal; omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício percebidos do Fundo Estadual de Saúde e do Hospital Municipal São José, nos valores de R$7.321,00, com IRRF de R$9,95, e R$623,96, respectivamente; dedução indevida a titulo de despesas médicas no valor de R$2.000,00. Consta da "descrição dos fatos e enquadramento legal" à fl. 191v: "despesa não comprovada com Ricardo Edson Yamamoto = R$2.000,00". A fundamentação legal consta da referida Notificação de Lançamento. Inconformado, em parte, com o lançamento, o contribuinte apresenta, mediante procuradora habilitada (v. mandato A. fl. 34), a impugnação de fl. 1, na qual reconhece o montante recebido do Fundo Estadual de Saúde (R$7.321,00, com IRRF de R$9,95). Contesta, entretanto, os rendimentos que lhe foram atribuidos relativos A CIPLA Indústria de Materiais de Construção S.A. (R$36.611,79), afirmando que recebeu apenas os R$23.599,76 declarados, conforme relatório de depósito na conta da poupança do Banco Bradesco que anexa. Diz que, conforme comprovante de pagamento que anexa, as despesas médicas com o Sr. Ricardo Edson Yamamoto referem se A. cirurgia para correção da doença de Xantelasmas. Requer a emissão de Darf "desconsiderando o rendimento não pago pela CIPLA Indústria de Materiais de Construção S.A.". Tendo em vista a divergência entre os valores informados em DIRF pela CIPLA Indústria de Materiais de Construção S.A. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10920.003646/200703 Acórdão n.º 280101.652 S2TE01 Fl. 74 3 (R$36.611,79) e o valor que sustenta o impugnante haver recebido durante o anocalendário 2003 (R$23.599,76), esta instância julgadora solicitou a diligência de fl. 40, em decorrência da qual foram juntados os documentos de fls. 41 a 61. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar a impugnação parcialmente procedente com o Crédito Tributário sendo mantido em parte, mantendo as omissões de rendimentos reconhecidas pelo contribuinte, e excluindo a omissão de rendimentos da CIPLA Indústria de materiais de Construção S.A. , e afastando a glosa de dedução de despesa médica, em decisão que sem ementa de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10 de novembro de 2004. Cientificado em 06/01/2011 (Fls.68), o Recorrente interpôs pedido de reconsideração quanto aos valores supostamente recebidos da empresa CIPLA Indústria de materiais de Construção S.A., em 04/02/2011 (fls.69 e 70), anexando em conjunto declaração da Empresa, Cipla Indústria de Materiais de Construção S.A. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como bem descrito no Acórdão recorrido, o contribuinte reconheceu ter recebidos os valores do Hospital São José e do Fundo Estadual de Saúde; tendo contestado apenas os rendimentos relativos à CIPLA—Indústria de Materiais de Construção S.A., afirmando que lhe foram pagos apenas R$23.599,76, bem como a glosa de dedução da despesa médica. Como se observa na decisão recorrida, a DRJ manteve o lançamento relativo aos rendimentos reconhecidos pelo contribuinte, afastou a glosa da despesa médica, e também afastou o lançamento relativo aos rendimentos da empresa CIPLA—Indústria de Materiais de Construção S. A. Ocorre que, possivelmente não entendendo o teor do julgamento da DRJ, o recorrente solicita a reconsideração do processo referente a: declaração e pagamento de imposto de renda, decorrente do trabalho com vinculo empregaticio , pagos pela Empresa Cipla Indústria de Materiais de Construção S.A. Ora, a diferença entre os valores declarados pelo contribuinte como recebidos da empresa CIPLA—Indústria de Materiais de Construção S. A., e os valores informados por esta empresa em DIRF, já foram excluídos do lançamento pela DRJ. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10920.003646/200703 Acórdão n.º 280101.652 S2TE01 Fl. 75 4 Deste modo, o pedido do Recorrente já havia sido acatado pela DRJ; não havendo que se fazer qualquer reparo no Acórdão recorrido. Ante tudo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 81DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 16095.000665/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE
DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-001.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Recurso voluntário provido.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tania Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Jose Evande Carvalho Araujo e Ewan Teles Aguiar. Relatório Fl. 148DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 58.342,53, referente ao exercício de 2006, a título de imposto (R$ 28.627,35), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 21.470,51), além de juros de mora (R$ 8.244,67). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos, mantidas em instituição financeira, em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sua impugnação, o contribuinte alegou em, síntese, que comprova que em setembro de 2005 o valor de R$ 53.794,80 referese à venda do imóvel situado na Rua Julio Prestes n° 181 — cj. Alvorada Poá/SP, pelo valor de R$ 75.000,00 da seguinte maneira: • Foi recebido do Sr. Casimiro Roman (comprador) um imóvel situado na Rua Camélia n° 95 cj. PoáCentro — Poá/SP, no valor de R$ 50.000,00, mais 25 parcelas fixas no valor de R$ 1.000,00; • O referido imóvel foi vendido para o Sr. José Carlos Pereira do Prado, com um financiamento realizado na Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 54.000,00, o qual apenas foi concluído em 22/08/2005, conforme aviso de crédito, porém ainda bloqueado em conta do vendedor, até a apresentação de registro em cartório, ocorrido em 06/09/2005, data que coincidiu com o crédito, através de transferência bancária. • O valor do crédito de R$ 54.000,00, com a dedução da CPMF cobrada (0,38%): R$ 205,20, restou no valor de R$ 53.794,80,conforme extratos e contratos que anexa ao presente, o que demonstra a veracidade do alegado. Além disso, requereu que se subtraísse do crédito apurado o valor de R$ 58.342,53, que se refere a: venda do imóvel e 07 parcelas pagas de R$ 1.000,00. Acrescentou que por se tratar de corretor de imóveis há que se levar em consideração que em vários contratos de locação, como de compra e venda, houve a presença de outras pessoas que praticavam trabalhos de captação, onde as comissões eram depositadas integralmente em suas contas e posteriormente repassadas para seus credores, que serão provadas em recibos próprios. Ainda discordou da multa imposta no importe de 75%. A 10ª Turma da DRJ/São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 116/122, julgou procedente em parte o lançamento para considerar comprovada a origem do depósito realizado na CEF, em 06/09/2005, no valor R$ 53.794,80, remanescendo a base de cálculo do crédito tributário apurado nas demais contas bancárias referentes a depósitos não justificados. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 13/04/2009 (fl. 142), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 127/128, em 11/05/2009, no qual pretende seja levado em conta o recebimento das parcelas descritas em contrato particular datado de 13 de maio de 2005, que são no total de 07 (sete) auferindo o montante de R$7.000,00 (sete mil reais), conforme recibos em anexo, bem como o valor de R$17.000,00 referente aos rendimentos declarados em sua DIRPF/2006. Argumenta, ainda, que os valores encontrados nos extratos bancários não são rendas e que não cabe a multa de ofício de 75%. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 16095.000665/200815 Acórdão n.º 280101.501 S2TE01 Fl. 145 3 É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente litígio está em discussão, conforme consta do Auto de Infração, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Mister esclarecer que não é ônus do Fisco comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários a descoberto. Tal entendimento encontrase consolidado no CARF, conforme enunciado da Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em sede de impugnação, conforme já relatado, o contribuinte logrou comprovar a origem do depósito realizado na CEF, em 06/09/2005, no valor R$ 53.794,80, restando, portanto, mantido pela decisão ocorrida o valor de R$ 57.010,85 a título de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. No tocante aos depósitos que restaram não justificados, cujo somatório (R$ 57.010,85) é inferior ao limite de R$ 80.000,00, verificase que todos são inferiores a R$ 12.000,00 (84), razão pela qual não deverão ser considerados para efeito de determinação da receita omitida, conforme expressa determinação do § 3º, inciso II, do artigo 42 da Lei º 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 4 (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o crédito tributário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 151DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 19647.002610/2004-11
Data da sessão: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000, 2001
NULIDADE - IMPROCEDÊNCIA - Não procedem as argüições de nulidade
quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no PAF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DILIGÊNCIA - ÔNUS DA PROVA - O ônus da prova, na relação jurídico-tributária, incumbe a quem alega o direito, não competindo ao julgador administrativo deferir pedido de diligência para suprir elementos que deveriam ser trazidos aos autos pelas partes do processo.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - São tributáveis as quantias
correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3804-000.091
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da
Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente, INDEFERIR a solicitação de diligências e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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Ofi.,, ',•-: ,.er, ' ' 4 '''- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO\zg,70, Processo n° 19647.002610/2004-11 Recurso n° 160.919 Voluntário Acórdão n° 3804-00.091 — 4' Turma Especial Sessão de 25 de junho de 2009 Matéria IRPF Recorrente AFONSO NUNES CORREIA NETO Recorrida ia TURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000, 2001 NULIDADE - IMPROCEDÊNCIA - Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas no PAF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DILIGÊNCIA - ÔNUS DA PROVA - O ônus da prova, na relação jurídico-tributária, incumbe a quem alega o direito, não competindo ao julgador administrativo deferir pedido de diligência para suprir elementos que deveriam ser trazidos aos autos pelas partes do processo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa fisica, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, não- tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente, INDEFERIR a solicitação de diligências e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. / NEL . ON' /I . Ag—/1/1/‘id‘lte/- , 7---- 1 , Processo n° 19647.002610/2004-11 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 2 -WPA'•-&— AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE — Relatora FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 19647.002610/2004-11 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 3 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 07 a 18, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2000 e 2001, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$26.435,56, acrescido de multa de oficio e juros de mora. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 386): "14.1 — omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto (omissão no valor de R$ 52.819,94, fato gerador em 31/12/1999 e no valor de R$ 37.575,52, fato gerador em 31/12/2000); 14.2 — glosa de dedução de despesas médicas (glosa no valor de R$ 166,36, fato gerador em 31/12/1999); 14.3 — glosa de dedução de despesa com instrução (glosa no valor de R$ 206,00, fato gerador em 31/12/1999 e no valor de R$ 1.270,50, fato ,gerador em 31/12/2000). 14.4 — compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (glosa no valor de R$ 1.582,24, fato gerador em 31/12/2000); 14.5 — compensação indevida de carnê-leão (glosa no valor de R$ 174,64, fato gerador em 31/12/1999)." IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (processo 19647.003462/2004-43, juntado aos autos, fls. 338 a 343), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 387): "16.1 — que a demonstração da variação patrimonial elaborada pela autoridade lançadora encontra-se totalmente equivocada, pelas razões a seguir expostas: (t) os lucros distribuídos, nos valores de R$ 50.000,00 e R$ 15.000,00, para os anos-calendário de 1999 e 2000, respectivamente, constaram dos demonstrativos apenas no mês de dezembro, quando deveriam ser considerados mensalmente; (ii) os saldos de caixa mensais da empresa —firma individual - da qual o contribuinte é proprietário, suportam com folga os valores alegados como omitidos pela fiscalização, eliminando os acréscimos patrimoniais a descoberto. Junta cópia do razão da conta caixa da empresa; 11/4" 3 Processo n° 19647.002610/2004-11 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 4 (iii) não houve dispêndio, no valor de R$ 13.867,12, em março de 1999. (iv)não foram computados os recolhimentos da previdência social, no valor de R$ 27,20 em janeiro de 1999, nem tampouco os recolhimentos referentes aos meses de maio e julho de 1999 e maio de 2000. Que os recolhimentos à previdência social consignados no demonstrativo de variação patrimonial divergem daqueles constantes dos quadros das deduções pleiteadas na declaração; 16.2 — que a imposição de juros de mora, no percentual equivalente à taxa Selic, acumulada mensalmente, é incompatível com o previsto no Código Tributário Nacional e na própria Constituição Federal. Cita jurisprudência em apoio a suas alegações; 16.3 — que é incabível a cobrança da multa de oficio de 75%, pois o Auto de Infração trata de tributo lançado, conforme jurisprudência administrativa neste sentido. Que a Receita Federal é incoerente ao inscrever em dívida ativa, sem prévia notificação de lançamento, o tributo declarado em DCTF; 16.4 — pede, por fim, seja anulado o auto de infração, por estar eivado de erros, bem como que seja julgado improcedente. Requer a realização de diligência e perícia, para que seja praticada a justiça." ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ-Recife/PE julgou procedente o lançamento com base, entre outras, nas seguintes considerações (fls. 393 a 395): "Na impugnação, o contribuinte junta cópia dos Livros Caixa, de manutenção obrigatória pela empresa, referentes aos períodos base de 1999 e 2000 (fls. 367 a 379). Nele, o que se verifica é que o pagamento dos lucros distribuídos, no valor de R$ 50.000,00 foi efetuado em 31/12/1999 e, no valor de R$ 15.000,00, em 31/12/2000. Dessa forma, não pode ser aceita, por esta instância julgadora, a alegação de defesa de que houve distribuições mensais de lucros. Requer, ainda, o impugnante, que os saldos positivos mensais do Livro Caixa da pessoa jurídica sejam considerados automaticamente disponibilizados para seu sócio e titular ao final de cada mês. A Lei e 9.317/1996, em seu art. 25, prevê, a possibilidade de distribuição de lucros, de forma isenta, ao titular ou sócio da empresa optante pelo Simples (.) (.) 4 Processo n° 19647.002610/2004-11 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 5 Assim, os valores efetivamente pagos e devidamente escriturados em Livro Caixa (saldo do Livro Caixa no final de cada período, após a dedução do valor de Simples devido e até o limite da receita bruta) são isentos de imposto de renda. Ocorre que não há, na documentação apresentada, - seja no Livro Diário não obrigatório, seja no Livro Caixa - comprovação da disponibilidade e do pagamento de lucros, ao impugnante. Ora, diante da escrituração elaborada após a excluído da espontaneidade, extensiva à empresa, a forma de se comprovar o recebimento dos lucros, considerados percebidos, pela autoridade lançadora, em 31/12/1999 e em 31/12/2000, seria mediante apresentação de documentação que ateste a efetiva transferência de recursos, mediante emissão de cheque da empresa ou por meio de comprovantes de depósitos ou transferências bancárias. Nenhum desses documentos foi sequer mencionado, pelo defendente, em sua peça impugantória. (.) O impugnante afirma, também, que não houve dispêndio, no valor de R$ 13.867,12, em março de 1999. Analisando o demonstrativo de variação patrimonial de fls. 325, constata-se que a autoridade lançadora lançou, a titulo de aplicações/gastos, o valor de R$ 13.867,12, em março de 1999, fazendo referência à aquisição de bens. De fato, consta, às fls. 328, planilha contendo valores pagos, mensalmente, pelo contribuinte, para aquisição do apartamento n° 402 do Edf Maria Vitória, à Queiroz Gaivão Empreendimentos, conforme documentos de fls. 66 a 71 e 126. Às fls. 126 encontra-se anexado recibo, datado de 05/03/1999, emitido pela empresa Queiroz Galvão, exatamente no valor de R$ 13.867,12. Ressalte-se que este recibo, de fls. 126, foi apresentado à fiscalização pelo próprio impugnante, conforme carta-resposta de fls. 110. 38. Aditivamente, alega o impugnante que não foram computados os recolhimentos da previdência social, no valor de R$ 27,20 em janeiro de 1999, nem tampouco os recolhimentos referentes aos meses de maio e julho de 1999 e maio de 2000. (.) (.) verifica-se que, às fls. 26 de sua declaração de ajuste anual do ano-calendário de 1999, o autuado deduziu, a titulo de contribuição previdenciária oficial, o valor de R$ 321,60. A autoridade lançadora lançou, como gastos, no demonstrativo de variação patrimonial deste ano-calendário, apenas o montante anual de R$ 294,40, conforme planilha de fls. 327. Ou seja, o valor considerado como despesa, pela fiscalização, foi menor que o informado pelo próprio contribuinte. O mesmo ocorreu no ano-calendário de 2000 (dedução de R$ 353,40, às fls. 30 e fSr Processo n° 19647.002610/2004-11 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 6 despesas lançadas de R$ 347,40, às fis. 331). Ademais, conferindo os comprovantes de pagamento anexados às fls. 213 a 221 e 266 a 276, constata-se que os valores e datas de quitação das citadas contribuições previdenciárias, correspondem exatamente aos registros efetuados pela autoridade lançadora. Não há, portanto, o que ser alterado." Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999, 2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999, 2000 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. 6 Processo n° 19647.002610/2004-11 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 7 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência e perícia, quando este deixar de conter os requisitos estabelecidos pelo art.16, inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Lançamento Procedente" RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificado da decisão de primeira instância em 20/06/2007 (fls. 403), o contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 412), apresentou, em 18/07/2007, o Recurso de fls. 407 a 411, argumentando, em apertada síntese, que: • O acórdão recorrido é nulo, pois verifica-se cerceamento do direito de defesa em virtude de ter sido indeferido o pedido de realização de perícia. • Devem ser consideradas todas as alegações da peça impugnatória. • Não se observou que, por se tratar de firma individual, os bens da pessoa jurídica se confundem com os da pessoa fisica, formando um só acervo. • O julgamento foi parcial na medida em que desconsiderou os lucros distribuídos sob a alegação de que não foi apresentada nenhuma documentação comprobatória das efetivas transferências mensais de recursos. • Os registros contábeis já apresentados comprovam disponibilidades capazes de suprir o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora. 7 Processo n° 19647.002610/2004-11 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 8 • Ademais, consoante disposto no art. 112, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), in dubio pro reu. No caso, trata-se de mera punição por punição, sem que o fato esteja previsto na norma tributária. • Por fim protesta pelo direito de produzir provas e solicita que sejam deferidas as diligências julgadas necessárias. Foram apresentados, ainda, os documentos de fls. 412 a 418, a saber, procuração e cópias de documentos de identidade do procurador, requerimento de empresário no Departamento Nacional de Registro do Comércio e de identidade do recorrente. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 419, que também trata do envio dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. dr, 8 Processo n° 19647.002610/2004-11 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 9 Voto Conselheira AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, no tocante à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por ter sido indeferido o pedido de realização de perícia, cabe ressaltar que cabe ao administrador tributário, por força do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores, determinar a realização de diligências e/ou perícias quando as entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. No caso, a autoridade julgadora de primeira instância registrou, com propriedade, que o pedido formulado pelo interessado não observou as determinações contidas no art. 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, acertadamente, em conformidade com o disposto parágrafo único do referido artigo, considerou não formulado o 1 pedido de perícia. Dessa forma, não restou especificada nenhuma hipótese que propicie a nulidade da decisão recorrida, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores). É oportuno esclarecer, ainda, que na relação jurídico-tributária o ônus da prova incumbe a quem alega o direito. Assim, à autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Ao sujeito passivo, por sua vez, cabe apresentar prova em contrário, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, bem como hábeis para afastar a imputação da irregularidade apontada. Ao julgador administrativo-tributário, somente cabe complementar e ir em busca de provas para formar o seu livre convencimento, não lhe competindo suprir elementos que deveriam ser trazidos aos autos pelas partes do processo. Portanto, competia ao interessada providenciar a apresentação de provas hábeis para comprovar seus argumentos. Cabe, dessa forma, rejeitar a preliminar argüida e indeferir o pedido de realização de diligências/perícia. Quanto ao mérito, relativamente ao acréscimo patrimonial a descoberto, ressalte-se que constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não 9 Processo n° 19647.002610/2004-11 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 10 correspondentes aos rendimentos declarados (incisos I e II, do art. 43, do CTN, e art. § 1°, do art. 3°, da Lei n°7.713, de 1988). Portanto, o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo proventos de qualquer natureza é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. Efetuada a mensuração dos gastos, cabe ao fisco compará-los com a renda disponível e, havendo incompatibilidade, arbitrar o rendimento omitido. Somente se pode afastar a presunção legal mediante a prova, de ônus do impugnante, de que: • não existem os gastos elencados no lançamento; ou • as aplicações de recursos demonstradas pelo fisco foram acobertadas por rendimentos já tributados, embora não declarados, ou por rendimentos isentos, ou por aquisição de disponibilidade financeira não abrangida pelo campo de incidência do imposto. No caso, o interessado pretende, basicamente, que se considere que os bens da pessoa jurídica (firma individual) e do contribuinte formavam um só acervo. Assim, prossegue, consideradas as disponibilidades da pessoa jurídica, não se apuraria acréscimo patrimonial na pessoa física. Ora, aceitar tal argumento seria ignorar totalmente o princípio contábil da entidade. Por oportuno, confira-se o disposto no art. 4° da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750, de 1993: "Art. 40 O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único — O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a reciproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômico- contábil." (grifos acrescidos) Verifica-se que pelo princípio da entidade, de observância obrigatória, o patrimônio da entidade não se confunde com o de seu proprietário. A entidade (firma individual) pertence ao contribuinte, mas o patrimônio da entidade não lhe pertence. O titular da firma individual não pode usufruir do patrimônio da entidade em benefício próprio. Qualquer saída de recursos da entidade para o contribuinte deve ser devidamente registrada contabilmente e comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos. 10 Processo n° 19647.002610/2004-11 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.091 Fl. 11 Portanto, diferentemente do alegado, não houve nenhuma incorreção no acórdão recorrido, que, com muita propriedade, ponderou acerca de cada um dos argumentos e elementos de prova apresentados pelo contribuinte. Assim sendo, considerando que o interessado não trouxe nenhum novo elemento de prova para afastar tais ponderações, parcialmente transcritas no relatório deste voto, deve ser mantido o acórdão recorrido, cujas fundamentações inclusive adoto. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar argüida, INDEFERIR o pedido de realização de diligência/perícia e, no mérito NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2009 AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE l i
score : 1.0
Numero do processo: 13858.000313/2005-41
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
PNUD DA ONU. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela PNUD da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa
ou mesmo com vínculo contratual permanente.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE
DE CÁLCULO Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de organizações internacionais, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas.
Recurso provido parcialmente.
Numero da decisão: 3804-000.021
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da
Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de oficio, nos termos do
voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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' ... • .,, MINISTÉRIO DA FAZENDA t ' , '(1.11,. 1 t,o u) ' '4:' • ..;''‘ .-:., CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS p,...., 4 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13858.000313/2005-41 Recurso n° 157.563 Voluntário Acórdão n° 3804-00.021 — 4a Turma Especial Sessão de 19 de março de 2009 Matéria IRPF - Ex.: 2002 Recorrente FERNANDO SCANDIUZZI LOPES Recorrida 3' TURMA/DRJ-BRASiLIAMF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD DA ONU. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela PNUD da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de camê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de organizações internacionais, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do camê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Processo n° 13858.000313/2005-41 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.021 Fl. 2 Air(/( NE - /\1' ' L/ - residen e p/i 10 SiMARCELO M L Wi4D . IXOTO - Relator FORMALIZADO EM: 28 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). , , p; 2 Processo n° 13858.000313/2005-41 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.021 Fl. 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ, por bem descrever os fatos e fundamentos: "Contra o (a) contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2003, ano-calendário 2002, lavrado por AFRF da DRF/Brasília/DF. A ciência do lançamento ocorreu em 01/07/2005, pessoalmente, conforme documento de fls. 12. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto 4.336,60 Juros de Mora (cálculo até 02/2005) 2.139,24 Multa Proporcional (passível de redução) 3.252,45 Multa Exigida Isoladamente 3.522,44 Total do Crédito Tributário 13.250,73 O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos pelo(a) contribuinte de Organismo InternacionaL (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), no valor total de R$ 35.200,00, informado indevidamente como rendimento isento e não tributável na DIRPF/2002. Multa Exigida Isoladamente pela Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Titulo de Carnê-Leão: falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, tendo em vista a omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismos Internacionais, caracterizada pela constatação de que os rendimentos foram declarados como isentos e não tributáveis na DIRPF/2002. Em 25/07/2005, o lançamento foi impugnado, em petição de fls. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 11/60, na qual se alega, resumidamente, o quanto segue: Que é funcionário de organismo internacional (UNESCO) e assim, com base na legislação brasileira, bem como nos Tratados, Acordos e Convenções Internacionais, entende ser isento do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do referido organismo; Que não constam na notificação encaminhada a ele as justificativas da cobrança, conforme preceitua o artigo 5 0, LV e 93, IX da CF/88; Questiona a responsabilidade pelo recolhimento/pagamento do imposto por entender que quem deveria fazê-lo é da fonte pagadora, ou seja o organismo internacional para o qual trabalha; Requer a restituição de parcelas pagas; Junta julgados que entende sustentar suas alegações; 3 Processo n° 13858.000313/2005-41 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.021 Fl. 4 Solicita que as notificaçóes sejam encaminhadas ao endereço constante do cadastro desta Secretaria. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento. Inconformado o contribuinte recorre a este Conselho, pugnando pela improcedência do lançamento. É o relatório. /(1)( 4 Processo n° 13858.000313/2005-41 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.021 Fl. 5 1 Voto Conselheiro MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO, Relator O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Analisando os autos, bem como tudo o que mais consta deste, verifico que resta claro, que o contribuinte não pertencia ao quadro efetivo da UNESCO, ou seja, não era funcionário do Organismo, tal como exigido pela legislação que concede a isenção. Assim, podemos concluir que sua relação era apenas contratual, pelas provas apresentadas nos autos, e, portanto sem privilégios de natureza tributária, por falta de previsão em Tratado ou Convênio Internacional. Desta forma, os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO-ONU), decorrente da prestação de serviços contratuais, não gozam de isenção de Imposto de Renda por falta de previsão legal, e estão sujeitos à tributação mensal sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê- leão) no mês do recolhimento, sem prejuízo do ajuste anual. No que tange a exigência de multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, mesmo aplicada na forma mais benigna como decidida pela DRJ, não pode prevalecer de forma concomitante com a aplicação de multa de oficio, sobre a omissão de rendimentos recebidos, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Por todo o exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso, excluindo a concomitância da multa. Sala das Sessões - DF, 19 de .- . II • e - 2009 4 1/1/Mip MARCELO MAG ' '1" '-' í OTO - Relator 5 s?; MINISTÉRIO DA FAZENDA• wd$ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 13858.000313/2005-41 Recurso n°: 157.563 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 3804-00.021. Brasília, 28 SET 2009 • NEL 1 ALLMANN 'residente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973524/2010-97
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVA CONFESSADA. INTEGRAÇÃO. SÚMULA CARF nº 177.
Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
Numero da decisão: 1003-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Márcio Avito Ribeiro Faria
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVA CONFESSADA. INTEGRAÇÃO. SÚMULA CARF nº 177. Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-08-18T13:51:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-08-18T13:51:26Z; Last-Modified: 2022-08-18T13:51:26Z; dcterms:modified: 2022-08-18T13:51:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-08-18T13:51:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-08-18T13:51:26Z; meta:save-date: 2022-08-18T13:51:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-08-18T13:51:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-08-18T13:51:26Z; created: 2022-08-18T13:51:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2022-08-18T13:51:26Z; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-08-18T13:51:26Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.973524/2010-97 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-003.161 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 10 de agosto de 2022 Recorrente BANK OF AMERICA BRASIL HOLDINGS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVA CONFESSADA. INTEGRAÇÃO. SÚMULA CARF nº 177. Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão nº 06-054.568 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade pra acrescer ao direito creditório já reconhecido a importância R$ 10.112,96 (fls. 297/302). O despacho referido (fl. 02), que trata do crédito utilizado no PER/DCOMP de nº 00264.85730.201207.1.7.02-6172, reconheceu parte do Saldo Negativo pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 35 24 /2 01 0- 97 Fl. 479DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.161 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.973524/2010-97 A decisão em comento traz em seu anexo o seguinte demonstrativo de análise de crédito (fls. 04): Em sede de manifestação de inconformidade, sustentou que a não homologação da compensação objeto deste processo decorreu do fato de não ter sido reconhecida a parcela do crédito de saldo negativo de IRPJ advinda das compensações das estimativas de fevereiro a abril de 2005, e de parte de dezembro (R$ 10.112,96), em razão de tais compensações com crédito de saldo negativo de CSLL do ano base de 2004 terem sido homologadas, conforme decisão proferida nos autos do processo administrativo 10880.973523/2010-42. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Regularmente cientificada, em 25.5.2017 (cópia de Aviso de Recebimento – AR à fl. 306), apresentou recurso voluntário, em 20.6.2017, assim manejado (fls. 313/330). Defendeu que a homologação das compensações ou o pagamento das estimativas de IRPJ das competências de fevereiro a abril de 2005, objeto de cobrança no Processo Administrativo nº 10880.973523/2010-42, que aguarda o julgamento do recurso voluntário (doc. 03), convalidaria em definitivo o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005 o qual foi utilizado como crédito para as compensações nos presentes autos. Aduz que o fato de aquelas compensações ainda não terem sido integralmente homologadas não poderia produzir qualquer reflexo no saldo negativo indicado no presente caso, sob pena de cobrança em duplicidade e que a r. decisão recorrida não teceu qualquer consideração, ignorando os termos da Solução de Consulta COSIT nº 18/2006, referendada pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos. Para a Recorrente, a COSIT teria reconhecido, por meio da Solução de Consulta COSIT n° 18/2006, que “na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ”, não havendo portanto razão para não se considerar as estimativas na composição do saldo negativo. Sustentou que a Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, teria consolidado o seu entendimento quanto à “possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste” - como é o caso das estimativas em questão, que foram computadas no ajuste e geraram o saldo negativo pleiteado. Fl. 480DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.161 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.973524/2010-97 Sustentou que a não homologação da estimativa compensada jamais poderia ser invocada para negar o saldo negativo indicado nos presentes autos, porque o efeito da não homologação daquela compensação é, nos termos do Parecer PGFN/CAT n° 88/2014, a cobrança do débito declarado, inclusive acrescido de multa, o que inclusive já está sendo feito no processo administrativo relativo à compensação não homologada. Alegou que nos casos em que o contribuinte eventualmente se utilize de saldo negativo em valor superior ao que ele tem realmente direito, a fiscalização procederá à não homologação das compensações declaradas e cobrará o débito indevidamente compensado com o acréscimo de multa com fundamento no artigo 74 da Lei 9.430/96. Asseverou que os valores referentes às estimativas não homologadas já estariam sendo cobrados no respectivo processo, inclusive com acréscimo de multa e juros de mora, não podendo, simultaneamente, exigir naquele processo administrativo o pagamento das estimativas cujas compensações não foram homologadas, acrescidas de multa e juros de mora, e negar nos presentes autos o saldo negativo que resulta justamente daquelas antecipações, sob pena de exigência de tributo em duplicidade. Independentemente da decisão final relativa àquele processo administrativo, é inconteste o direito da Recorrente de ver integralmente reconhecido seu saldo negativo formado por tais estimativas compensadas. DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Asseverou que a DRJ/CTA nos autos do Processo Administrativo n° 10880.973523/2010-42 julgou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente para reconhecer o crédito adicional de saldo negativo de CSLL do ano-base de 2004 de R$83.707,93, homologando os débitos compensados até o limite reconhecido e seria suficiente para homologar integralmente as compensações das estimativas de IRPJ de fevereiro e março de 2005, conforme planilha de cálculo anexa. Noticiou que no “Processo Administrativo nº 10880.661541/2011-65, o qual tem por objeto a compensação do mesmo crédito de saldo negativo de CSLL do ano-base de 2004 mas com débitos de estimativa de CSLL de janeiro a abril de 2005 por meio das mesmas DCOMP, a lª Turma da DRJ/CTA bem observou os efeitos da decisão proferida no Processo Administrativo nº 10880.973523/2010-42 para a homologação das compensações das estimativas de CSLL de janeiro a abril (parte) de 2005”. Assim, tendo em vista a decisão proferida no processo administrativo n° 10880.973523/2010-42, “impõe-se a homologação parcial dos débitos compensados até o limite reconhecido”, de "R$83.707,93", de forma que seja reconhecida a homologação das compensações das estimativas de IRPJ de fevereiro e março de 2005. Como consequência da inexistência de “DCOMP não homologada”, no Processo Administrativo na 10880.973523/2010-42, a r. decisão recorrida deveria ter reconhecido integralmente o saldo negativo de IRPJ indicado nos PER/DCOMPs que deram origem ao presente processo e homologado integralmente as compensações declaradas, considerando que a única justificativa para a não homologação das compensações declaradas no presente processo Fl. 481DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.161 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.973524/2010-97 foi a não homologação das compensações objeto daquele Processo Administrativo na 10880.973523/2010-42. Não obstante assim seja, entendeu a r. decisão recorrida, em face do que dispõe a Solução de Consulta Interna n° 16/2012, que a parcela dessas estimativas homologadas tacitamente não poderia compor o saldo negativo do ano-calendário de 2005, o entendimento defendido pela Solução de Consulta Interna acabou por restringir indevidamente o comando legal do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Como se vê, o parágrafo 5° combinado com o parágrafo 2° do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 são expressos no sentido de que a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e não ocorrendo a homologação formal da compensação no prazo de cinco anos contado da entrega da declaração de compensação a compensação restará tacitamente homologada. Portanto, da simples leitura do dispositivo legal acima transcrito já se verifica que referida norma não traz em seu bojo a restrição pretendida pela Solução de Consulta Interna n° 16/2012, no sentido de que os débitos homologados tacitamente não podem compor os saldos negativos de períodos subsequentes, como defende a r. decisão recorrida. O entendimento defendido pela Solução de Consulta Interna nº 16/2012 acaba por forçar a exegese da norma. Asseverou que estando extinto o débito por homologação tácita da compensação não pode esse mesmo débito ser considerado não extinto para o efeito de compor o saldo negativo objeto de compensação posterior, sob pena de se exigir, por vias transversas, na compensação posterior, o débito não cobrado na compensação anterior em face da homologação tácita, como nesse sentido já decidiu a 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no julgamento do Processo Administrativo na 10783.903158/2008-92, Dúvida não resta assim quanto ao direito da Recorrente de ver computado no saldo negativo pleiteado nos presentes autos as estimativas homologadas ainda que tacitamente. PEDIDO Por todo o exposto e por tudo o mais que dos autos consta, pede e espera o Recorrente seja provido o presente recurso voluntário para o fim de reformar a r. decisão ora recorrida, reconhecendo o seu direito à restituição integral do saldo negativo pleiteado, suficiente a fazer face à totalidade das compensações declaradas, que devem ser homologadas. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Fl. 482DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.161 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.973524/2010-97 Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento o recurso voluntário oferecido pela contribuinte BANK OF AMERICA BRASIL HOLDINGS LTDA. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN. Assim, dele toma-se conhecimento. Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da existência do crédito relativo ao Saldo Negativo de IRPJ, apurado em 2005, no valor de R$ 2.726,39 (590.870,63 1 - 588.144,28 2 ). (art. 15, art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). No caso em tela, segundo o r. Acórdão, as DCOMP em debate, nº 12282.05331.230305.1.3.03-4065, 39104.64838260405.1.3.03-0042, 31650.40918.270505.1.3.03.4037, estariam homologadas tacitamente: “...pois o despacho decisório contrário à contribuinte foi exarado em 01/11/2010 (PAF 10880.661541/2011-65, fl. 09) e os débitos correspondentes se tornaram inexigíveis, como já alegado e reconhecido no PAF nº 10880.973523/2010-42”. Contudo, o Acórdão recorrido entendeu que não poderiam ser utilizadas, pois teriam superado o crédito disponível (AC 2004) conforme estaria demonstrado no acórdão exarado no PAF 10880.661541/2011-65: Apesar do exposto, os valores de estimativa de IRPJ, do ano de 2005, vinculados às DCOMP citadas no parágrafo anterior superaram o crédito disponível (SN de CSLL - AC 2004), conforme demonstrado no acórdão para o PAF 10880.661541/2011-65. Desta forma, ainda que não mais exigíveis, não podem compor o saldo negativo do ano- calendário correspondente, nos termos da Consulta Interna (SCI) nº 16 – Cosit, de 18 de julho de 2012, norma de caráter vinculativo para as autoridades administrativas. Pelo exposto não se pode arguir homologação tácita do saldo negativo de IRPJ do ano de 2004 ou ainda a chamada impossibilidade de revisão, pois saldos negativos somente podem ser integrados por valores efetivamente recolhidos e, no caso, em exame o que pretende é incompatível com aquilo que determina a SCI nº 16/2012, reitere-se norma de caráter vinculativo para a autoridade administrativa. Pois bem. Sem maiores delongas, o caso em apreço remonta à aplicação da Súmula CARF nº 177, aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021: Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021) 1 Valor apurado no PER/DCOMP 2 Valor reconhecido no Despacho Decisório e pela DRJ Fl. 483DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.161 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.973524/2010-97 Em assim sucedendo, conhece-se do Recurso Voluntário, para dar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 484DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11610.003877/2001-80
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.723
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO
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RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTACiLIO DAN S CARTAXO Presidente e Relator Formalizado em: o 3 NOV Z006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fonséca de Menezes, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmann, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. CCS Processo n° : 11610.003877/2001-80 Resolução n° : 301-1.723 RELATÓRIO Em razão de conter os elementos necessários a compreensão dos fatos e dos fundamentos que permeiam o litígio, adoto como parte deste o relatório constante da decisão de primeira instância, que transcrevo, adiante: "Mediante Ato Declaratório DR.F/SPO n° 400.261, de 02/10/2000, o contribuinte acima identificado foi excluído da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3° da Lei 9.317/96, denominada SIMPLES, em virtude de pendências da Empresa/e/ou de sócios junto a PGFN. II Em 14/11/2000 o contribuinte apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo Simples — SRS (fl. 11). A Delegacia da Receita Federal em São Paulo através de despacho de fls. 12 indeferiu a revisão solicitada, em virtude da falta de comprovação da ausência de pendências junto a PGFN. Inconformada, a interessada, por meio de seu representante legal, apresenta a manifestação de inconformidade de fl. 01, na qual alega que Vá procedeu aos esclarecimentos solicitados através de ENVELOPAMENTO PROCESSO 10880.603981/96-80 de 22/01/2001" (fl. 02)." Mantendo a decisão contida no Ato Declaratório Executivo expedido pela DRF/SPO n° 400.261, de 02/10/2000 (fl. 14), o Acórdão DRJ/SPOI n° 7.122, de 16/05/05 (fls. 43/46), indeferiu a solicitação outrora formulada, argüindo em síntese: A exclusão do contribuinte do SIMPLES, mantida pela decisão administrativa, foi fundamentada no inciso XV, art. 9°, da Lei n° 9.317/96, sendo que no momento da emissão do Ato Declaratório em 02/10/00, as normas contidas nesta lei eram regulamentadas pela IN/SRF n° 09/99, cujo inciso XV do seu art. 12 estabelecia que não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em divida ativa da União ou do Instituto Nacional da Previdência Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Argumenta, outrossim, que a vedação prevista nos incisos XV e XVI do artigo retromencionado, pode ser afastada mediante a regularização (pagamento ou parcelamento) dos débitos inscritos na Divida Ativa da Unido, bem assim aos débitos regularizados dentro do prazo da apresentação da Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo Simples — SRS, conforme reza no Boletim Central n° 233/00. Processo n° : 11610.003877/2001-80 Resolução n° : 301-1.723 Conclui que o prazo para apresentação da SRS dos atos declaratórios expedidos em 02/10/00 foi prorrogado até 31/01/01, pela IN/SRF N° 100/00, destarte os débitos em tela não foram regularizados no prazo de apresentação da SRS. Assim o ato declaratórion° 400.261 deve ser mantido. Ciente da decisão de primeira instância a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário em 08/06/05 (fls. 49/50). Ante a ausência de AR nos autos, ao se proceder à verificação da tempestividade do recurso voluntário interposto para fim de sua admissibilidade, observou-se que o lapso de tempo decorrido da data da decisão de primeira instância em 16/05/05 até a data de protocolo do referido recurso em 08/06/05, consoante atesta o servidor à fl. 49, é razoável concluir-se pela sua tempestividade. Hostilizando a referida decisão a recorrente aduziu: • Reconhece o valor devido na DIRPF exercício de 1992 — ano base de 1991, a partir da realização de pagamento insuficiente à satisfação do débito por falha na realização do cálculo. Entretanto, em 30/11/95, o sócio da empresa àquela época, o Sr. Anastácio Fernandes, recebendo um pré-DARF emitido pela Receita Federal para a cobrança de 130,46 UFIR de fl. 61 (doc. 05), realizou o pagamento da exação em 28/12/95, havendo quitado essa pendência, conforme doc. n°06, de fl. 61. • No ano de 2003 a empresa foi transferida dos sócios anteriores para o atual proprietário, a ora recorrente e, como é sabido é exigência da JUCESP — Junta Comercial do Estado de Sao Paulo, para os casos de alteração contratual onde exista a sucessão societária, a necessária expedição de certidões negativas de todos os órgãos, dentre eles a PGFN. • Persistindo à época a pendência processual, o anterior proprietário houve por bem parcelar e guitar as diferenças existentes de forma a não inviabilizar a negociação mesmo entendendo que esses valores não eram devidos (does. 7, 8, 9 e 10) — fls. 62/65, sendo a partir desse parcelamento a situação regularizada e expedidas certidões negativas de débito por todos os órgãos. • Pelos fatos expostos e documentos apresentados, inclusive em razão do falecimento do Sr. Anastácio Fernandes, que impossibilita a realização de sua defesa, requer o provimento do recurso para a sua reinclusão no sistema SIMPLES. o relatório. st 3 Processo n° : 11610.003877/2001-80 Resolução no : 301-1.723 VOTO Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, Relator Cinge-se a lide à apreciação sobre a procedência da exclusão da ora Recorrente como optante do SIMPLES, sob a alegação de que 6. época da exclusão em 02/10/00, existiam pendências da empresa e/ou sócios junto a PGFN e, mesmo sendo prorrogado o prazo para apresentação da SRS dos atos declaratórios expedidos em 02/10/00 até 31/01/01, pela IN/SRF N° 100/00, destarte, os débitos em tela não foram regularizados. A excluída, de outra parte, reconheceu a existência da divida no passado, entretanto, argumenta que a mesma foi paga em 28/12/95, havendo sido quitada essa pendência, conforme doc. n° 06, de fl. 61, bem como que persistindo o débito no sistema, mesmo entendendo que não mais havia valor a ser pago, em razão da realização de transferência da titularidade da empresa para outrem, o antigo proprietário houve por bem realizar em 2003 um parcelamento que também foi pago, conforme docs. de fls. 62/66. 0 extrato de Resultado de Consulta de Inscrição — PGFN, impresso fl. 06, em 11/01/01, aponta a existência de pendência discriminando, inclusive o número da inscrição na divida ativa, do processo, da data da inscrição, do tributo devido e da inexistência de pagamento. De antemão, evidencia-se, no caso sob apreciação a possibilidade de realização de pagamentos em duplicidade em relação a urna mesma exação tributária, notadamente quando a liquidação dessa pendência deu-se em ocasião anterior á. 4111 expedição do ADE n° 400.261, de 02/10/00 (fl. 14). Da mesma forma, evidencia-se a possibilidade de existência de uma falha pessoal ou no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal quanto ao não reconhecimento do pagamento efetuado à época mencionada. . A incessante busca pela verdade material, a necessidade pela segurança jurídica e procedimental, a ausência de elementos que levem à convicção do julgador sobre a efetiva satisfação do débito enseja a conversão deste julgamento em diligência A repartição de origem para que se realize um procedimento investigativo, consoante os quesitos adiante formulados: a) verificar a autenticidade do registro de quitação eletrônica do débito contido no DAIZF, constante da autenticação bancária impressa no doc. 06 de fl. 61. • Processo n° : 11610.003877/2001-80 Resolução no : 301-1.723 b) verificar se o pagamento efetuado pelo contribuinte quitou parcial ou integralmente o valor do débito original apurado por ocasião da exclusão, ou seja, na data de edição do Ato Declaratório de exclusão, especificando o valor devido em cada período. c) emissão de informação conclusiva sobre a realização de pagamento ou parcelamento do débito objeto da exclusão da ora recorrente do sistema Simples, após a edição do ADE. Fica a autoridade administrativa facultada a prestar outras informações no interesse do deslinde do conflito, devendo, outrossim, dar conhecimento do feito à recorrente para que possa se manifestar a respeito, se assim o desejar. Após o atendimento do pleito deve os autos retornar a Esta Colenda Corte para a conclusão do julgamento ora suspenso. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2006 41rew °TACIT() DANTA ARTAXO - Relator
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Numero do processo: 10215.000276/2001-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.705
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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AGRO INDUSTRIAL TAPAJÓS Recorrida : DRJ/REC IFE/PE RESOLUÇÃO N2 301-1.705 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTACiLIO DA AS CARTAXO Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmann, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. C C S Processo n° : 10215.000276/2001-15 Resolução n° : 301-1.705 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 24/30, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 1997, relativo ao imóvel denominado "Paraua", localizado no município de Santarém - PA, com area total de 3.000,0 ha, cadastrado na SRF sob o n° 0.022.047-7, no valor de R$ 932,53, acrescido de multa de lançamento de oficio no valor de R$ 699,39 e de juros de mora, calculados até 30/03/2001, perfazendo um credito tributário total de R$ 2.257,46. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/1997 e dos documentos coletados quando do lançamento do exercício 1997 do mesmo imóvel, a fiscalização apurou as infrações relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à. fl.27, enquadrando-as conforme dados da fl. 28. Ciência do lançamento em 05/04/2001, conforme AR de fl. 31. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 07/05/2001, a impugnação de fls. 33/41, alegando, em síntese: Ao analisar a DIAC/DIAT, efetuadas pela impugnante, a autoridade fiscal houve por bem proceder as seguintes glosas: Area de preservação permanente: Area de utilização limitada; Area de pastagens. Glosadas, procedeu a autoridade fiscal ao lançamento suplementar, de oficio, do referido imposto, o que se mostra contrário à lei, não podendo por esse motivo prevalecer. A area de preservação permanente foi desconsiderada por haver a impugnante deixado de proceder em tempo hábil ao protocolo do ADA junto ao Ibama. O lançamento é arbitrário por não levar em 2 Processo n° Resolução n° : 10215.000276/2001-15 : 301-1.705 consideração a existência de áreas de preservação permanente previstas no art. 2° da Lei n° 4.771/66 — Código Florestal. Ao fazer a glosa dessas áreas, sem vistoria no local, desconsiderou a realidade e a lei federal, que as define como sendo de preservação permanente, independentemente de qualquer outra formalidade. A glosa é indevida mesmo no que se refere às áreas de preservação permanente em relação As quais a lei prevê ato declaratório do Poder Público, reconhecendo sua natureza. Cita art. 3° do Código Florestal. A impugnante juntou, quando solicitada, cópias dos pedidos de ADA perante o Mama. Alegou a autoridade fiscal que o protocolo dos mesmos não se deu em tempo hábil, dai decorrendo a glosa dessas áreas. Entretanto, ocorre que esse é meramente declaratório e não constitutivo. A área não passa a ser de preservação permanente por força do ADA. Apenas assim reconhece as áreas declarando-as de preservação permanente. 0 mesmo pode ser dito no que tange às áreas de utilização limitada glosadas pela fiscalização, particularmente a reserva legal. Por imposição do código florestal, todos os imóveis rurais devem manter e preservar uma área coberta com floresta. A extensão da área é definida em lei, não por atos ou outros meios. Independe para a sua caracterização da manifestação de vontade, quer de particular, quer da autoridade. Tampouco a averbação no registro de imóveis altera a situação jurídica constituída por força da determinação legal expressa, que estatuiu o caráter de reserva legal às porções de terra equivalentes aos percentuais sobre a área total, que especificou. A área declarada pela impugnante independe de atos declaratórios ou averbações posteriores. Cita a Lei n° 4.771/65, com nova redação dada pela lei n° 7.803/89. Em relação às áreas de pastagens glosadas, incube de inicio dizer que nenhum dos dispositivos constantes do auto de infração é capaz de fundamentar a exigência dele constante. Os artigos citados não estabelecem indices de rendimento para pecuária pelos quais as pastagens,efetivamente existentes, e declaradas pela impugnante, teriam de sofrer depuração. A inexistência de previsão legal apta a ensejar a exigência constante do auto de infração aqui impugnando, acarreta a inobservância do disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Transcreve a citação. 3 Processo n° : 10215.000276/2001-15 Resolução n° : 301-1.705 Cumpre invocar o art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, para que se diga ser indispensável a realização de perícia técnica, com vistoria das Areas tributadas, para verificar a exatidão da declaração prestada pela contribuinte, porém glosada pela fiscalização. Formula • 6 (seis) questões que poderiam ser respondidas na vistoria. Indica perito, com endereço. Afinal, o principio da verdade material rege o processo administrativo fiscal. Faz citações de Adelmo da Silva Emerenciano, Antonio da Silva Cabral, Aurélio Pitanga Seixas Filho e Gabriel Lacerda Troianelli." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 Ementa: FATO GERADOR DO ITR. 0 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por . natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo lbama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou a comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. AREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação et margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data daocorrétzcia do fato gerador. AREA DE PASTAGEM. 4 Processo n° : 10215.000276/2001-15 Resolução n° : 301-1.705 A área de pastagem aceita é a decorrente do valor obtido pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustado e o índice de lotação minima. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente". Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme ID petição de fl. 84/108, inclusive repisando argumentos. É o relatório. • Processo n° : 10215.000276/2001-15 Resolução n° : 301-1.705 VOTO Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator 0 recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Analisando-se, por partes, as argumentações trazidas pela recorrente, temos que: A alegação principal da recorrente é que teria entregue o ADA e que o imóvel está inserido na reserva extrativista "Tapajós", nos termos do Decreto do Governo Federal de 09 de novembro de 1998, que a declarou de interesse ecológico. Diante do exposto, entendo que deva o presente julgamento ser convertido em diligência para que o IBAMA se pronuncie sobre a inserção do imóvel na reserva referida (conforme D.O.U. de fl. 108). Sala das Sessões, em 4fs e setembro de 2006 • VALMAR Fe SECA ØE MENEZES - Relator •
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