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Numero do processo: 11080.910656/2016-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2013
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.632
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 56 /2 01 6- 81 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.910656/201681 Acórdão n.º 3402006.632 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910656/201681 Acórdão n.º 3402006.632 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910656/201681 Acórdão n.º 3402006.632 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910656/201681 Acórdão n.º 3402006.632 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910656/201681 Acórdão n.º 3402006.632 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910656/201681 Acórdão n.º 3402006.632 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910656/201681 Acórdão n.º 3402006.632 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910656/201681 Acórdão n.º 3402006.632 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.001003/2003-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/03/1999, 01/05/1999 a 28/02/2001
Ementa:
COMPETÊNCIA PARA JULGAR.
Compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, conforme art. 2ª, inciso II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009).
Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Numero da decisão: 3202-001.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Carlos Eduardo Garcia Ashikaga, OAB/SP nº 171.032.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Nome do relator: Regis Xavier Holanda
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1998 a 31/03/1999, 01/05/1999 a 28/02/2001 Ementa: COMPETÊNCIA PARA JULGAR. Compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, conforme art. 2ª, inciso II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
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Compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar recurso cujos fatos referentes às exigências contidas no Auto de Infração estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, conforme art. 2ª, inciso II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Declinada a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Carlos Eduardo Garcia Ashikaga, OAB/SP nº 171.032. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 10 03 /2 00 3- 09 Fl. 4835DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.848 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TARGET IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA contra Acórdão nº 1313.729, de 15 de setembro de 2006, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJOII, que julgou por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte anteriormente identificada, relativos à falta de recolhimento das contribuições para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e para o Programa de Integração Social — PIS, ambos abrangendo os períodos de apuração (PA) 10/98 a 03/99 e 05/99 a 01/2001 (somente para o PIS, abrange ainda o PA 02/2001), respectivamente, nos valores de R$ 3.869.356,01 e R$ 887.184,73, ambos incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até 28/02/2003, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela DRF/Vitória/ES, conforme Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 05/15. 2. Na Descrição dos Fatos de fl. 1132 (COFINS) e fl. 3238 (PIS), assim como no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1105/1130 (COFINS) e fls. 3211/3236 (PIS), a AFRF autuante informa que, em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte, constatou a não tributação de receita operacional de venda de mercadoria, contabilizada erroneamente pela empresa como venda em consignação, gerando,em conseqüência, redução indevida das receitas sujeitas à tributação, aduzindo ainda que: · O valor tributado resultou da inclusão destas vendas deduzidos o valor do IPI e as vendas canceladas, tendo se incluído, ainda, as receitas financeiras decorrentes de descontos obtidos em leilão de dívida junto ao Bandes, com exceção do desconto do mês de abril de 1999, que foi tributado no auto de infração de IRPJ; · A empresa fiscalizada tem por objeto social a importação, exportação e distribuição de mercadorias em geral, alimentos, medicamentos, insumos farmacêuticos,representação comercial, etc; Fl. 4836DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.849 3 · Nos controles da Receita Federal constatouse indícios de recolhimentos de tributos federais, nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000 não condizentes com o seu volume de importações; · Após exame de seus livros contábeis, fiscais e demais documentos apresentados, constatouse que a empresa opera com importação de mercadorias utilizandose de incentivo fiscal existente no Estado do Espírito Santo, o FUNDAP, e, ao dar saída às mercadorias, o faz pelo código 5.99 e 6.99 para uma grande parte das saídas, para dentro do Estado e para fora do Estado, respectivamente, alegando tratarse de "Saídas em consignação"; · Entre os documentos apresentados, analisamos, entre outros, livros fiscais, contábeis, algumas notas fiscais de entrada e saída, bem como diversos "Contratos de Prestação de Serviços de Importação de Mercadorias e/ou Produtos, entre Consignatário e Importador", por conta dos quais, constatouse que a contribuinte não incluiu nas bases de cálculo do PIS e da COFINS as operações por ele chamadas de "saídas em consignação", as quais também não figuraram no cálculo do IRPJ e da CSLL; · Foram promovidas também circularizações através de intimações enviadas a vários de seus clientes, cujos documentos entre cartas de resposta, cópias das primeiras vias de notas fiscais e cópias de páginas de livros se encontram às fls. 166 a 465; · O responsável pela contabilidade da empresa era também o procurador da contribuinte no Espírito Santo, durante o período fiscalizado; · Os contratos apresentados "criam" uma figura que é inusitada, ou seja, a do "Consignatário" como uma espécie de atividadefim, sendo que, todavia, consignação não é uma atividade e sim um tipo de operação comercial temporária e que precisa ser concluída; · Conforme nos ensina o direito comercial, a consignação é um estado momentâneo pelo qual passa determinado produto antes de ser transformado em "venda, doação, remessa gratuita e quando em nenhum desses, o retomo da mercadoria ao remetente inicial", sendo que tal operação é praticada entre o que tem o produto e quem pretende adquirilo, sendo o primeiro o consignante e o segundo o consignatário; · Observandose os artigos 399 a 402 do Regulamento do IPI, constatase que em momento algum se falou em isenção de tributos nas vendas em consignação, tanto que a própria operação de remessa em consignação é tributada, e, na efetivação da venda, alterase somente o título, emitindose nota Fl. 4837DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.850 4 complementar, caso tenham sido alterados os preços, após a respectiva remessa em consignação; · No caso em pauta, o remetente da mercadoria em consignação se "autodenomina'' consignatário, quando, na realidade, sua característica, se realmente realizasse operações de consignação, seria a de consignante; · Se fosse consignatário, o consignante seria o fornecedor da empresa no exterior; · Em ambas as situações, tal operação deveria ser convertida em saída definitiva ou em retomo para o consignante; · Analisando o significado de vendas condicionais, à luz do Direito Comercia), verificase que são aquelas cuja existência ou cujos efeitos estão subordinados a um determinado o evento, sendo que, dentre as vendas condicionais encontramse aquelas em consignação, nas quais o comerciante recebe mercadorias em depósito, e, após um prazo fixado, paga as que conseguiu vender, devolvendo as restantes; · Esta hipótese não se aplica, em absoluto, à situação em foco, já que pelo exame dos livros não se constatou nenhuma devolução de mercadorias, nem tampouco tal prazo é fixado nos contratos; · Normalmente, a consignação de mercadorias é precedida por um contrato estabelecido entre as partes envolvidas, determinando o prazo para a devolução das mercadorias não vendidas e os valores a serem recebidos a título de comissão pelas vendas realizadas pelo consignatário; · Na consignação, o comitente (consignante) envia ao comissário (consignatário) mercadorias a serem vendidas por este, por conta do comitente, com a obrigação de pagar o preço tãosomente após a venda; · A consignação pode ser feita a qualquer comerciante, caracterizandose por não serem faturadas as mercadorias, só devendo ser pagar após sua venda ou devolvidas ao consigna e, findo o prazo estabelecido previamente; · A consignação de mercadorias não transfere ao consignatário o domínio das mesmas, que se conservam em seu poder como coisas ou bens que pertencem ao consignante; · Através do exame das notas fiscais de saída emitidas pela TARGET em confronto com as vias pertencentes aos seus clientes e com a escrituração das operações feitas por ambas as partes, verificase que se tratam de saídas definitivas, já que quase todas as empresas que mandaram resposta (contribuintes Fl. 4838DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.851 5 do 1CMS em seus estados) se creditam automaticamente do ICMS pago, conforme se constata pelo exame das copias dos livros de entradas enviados pelas empresas, fls. 166 a 459; · Tratase de ficção a figura de consignatário criada pela empresa, uma vez que, a título de exemplo, em relação às empresas Biancogrês Revestimentos Cerâmicos e Engenharia e Construtora Franco Dumont Ltda vêse, respectivamente às fls. 169/183 e fl. 208, que as mercadorias por estas adquiridas junto à TARGET o foram para integrar o ativo fixo e o patrimônio das referidas empresas, nada tendo a ver com consignação; · O FUNDAP é um mecanismo de incentivo concedido às empresas operadoras do sistema a partir da devolução, sob a forma de financiamento de longo prazo, de uma parcela do ICMS incidente sobre a operação portuária de importação de mercadorias, sendo necessário para uma empresa operar no FUNDAP que a mesma tenha sede fiscal no Espírito S . nto e seja comercial importadora e exportadora; · A empresa participante do FUNDAP, ao importar e nacionalizar mercadorias em seu próprio nome, obtém do Estado do Espírito Santo uma "Declaração de Exoneração do ICMS na Entrada de Mercadoria Estrangeira", sendo diferido o citado imposto estadual, não sendo o mesmo pago na liberação das mercadorias pela Alfândega, já que o Estado d Espírito Santo concede um prazo médio de 75 (setenta e cinco) dias para o recolhimento do ICMS, contados a partir da saída das mercadorias do estabelecimento importado · Ao transferir para o cliente as mercadorias por ela importadas e nacionalizadas, a empresa emite Nota Fiscal de Saída que caracteriza venda no mercado interno já que não há retomo de nenhuma delas e é cobrado o ICMS de seus clientes; · Após o recolhimento do ICMS, o Estado do Espírito Santo concede ao importado "fundapeano" financiamento correspondente a 8% (oito por cento) da base de cálculo de imposto estadual, contida na Nota Fiscal de Saída das mercadorias do seu estabelecimento; · Trinta dias após o recolhimento do ICMS, é creditado no Banco do Estado de Espírito Santo — BANESTES, em conta corrente da mutuária do FUNDAP (do importador e fundapeano) o referido financiamento, que deverá ser quitado em 25 anos, estando incluídos este prazo 5 (cinco) anos de carência e 20 (vinte) anos para a amortização da dívida,sem correção monetária e com juros anuais de 1% (um por cento), e, além disso, é possível a quitação antecipada do Fl. 4839DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.852 6 financiamento por meio de Leilões de Dívidas, promovidos pelo • BANDES por apenas 10% (dez por cento) do valor nominal, o que ocorre em todos os casos das empresas fundapeanas; · Devese frisar que as importações são realizadas em nome das empresas "fundapenas" e as mercadorias são nacionalizadas da mesma forma, em nome delas; além ; disso, as notas fiscais de saída dessas empresas para seus clientes são de vendas no mercado interno, o seja, são saídas definitivas, apesar da empresa emitir notas com códigos 5.99 e 6.99; · Ora, para efeitos de se aproveitar dos incentivos do FUNDAP a empresa apresenta se como importadora sediada no Espírito Santo, ou seja, contribuinte do ICMS, mas para se furtar ao pagamento das contribuições federais considerase prestadora de serviços, tentando transferir a outra a responsabilidade pela importação; · Cumpre dizer que o risco das operações levadas a efeito é da empresa importadora, inclusive em caso de perda da mercadoria (o seguro é pago pela importadora), ou em caso de divergência de produtos; · A Medida Provisória n°2.15835, de 24/08/2001, que, em seus artigos 79 a 81, cr ou a figura de importador por conta e ordem de terceiros, e as IN SRF n° 75, de 13/09/2001 e 110 98 , de 05/12/82001, que regulamentam tal questão, só passaram a existir após a sua publicação, conforme artigo 92 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, ou seja, para , fatos geradores ocorridos após 24/08/2001; · Conforme inciso V do art. 2° da IN SRF n°75/2001, a incidência do PIS e da COF1NS para o prestador de serviços somente se dá sobre a receita de prestação de serviços, que será a receita de prestação consignada nas notas fiscais emitidas; · A fiscalizada, contudo, sequer emite nota fiscal de prestação de serviços para as importações feitas; · Na situação de que trata a MP n° 2.15835/2001, o importador que atua por conta e ordem de terceiros não e contribuinte de ICMS na importação, pois se trata de prestador de serviços; · Ora, se a empresa recolhe o ICMS em seu nome próprio, atribuindo se a si a condição de destinatária final da mercadoria (de acordo com o art. 155, § 2°, IX, da CF/88), é evidente que não pode alegar, depois, que não é proprietária da mesma; • Com relação à contribuinte objeto da presente auditoria, verificouse que, além das operações objeto do presente procedimento fiscal terem ocorrido antes da Fl. 4840DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.853 7 vigência das MP n°2.15835/2001 e atos normativos que a regulamentaram, em momento nenhum ficou demonstra 4o ser ele prestador de serviços, já que recolhe o ICMS sobre as mercadorias importada em seu nome, beneficiase dos incentivos concedidos pelo Estado do Espírito Santo e não emite em nenhum momento notas fiscais de prestação de serviços sobre as importações, ate mesmo porque se em algum momento ele admitisse que fosse apenas prestador de serviços e que o i portador fosse outra empresa sediada ou não no Estado do Espírito Santo, ela não faria jus ai incentivo fiscal; • Nesse sentido, podese citar como exemplo, mais uma vez, o caso da • empresa B1ANCOGRES, fls. 166 a 183, que está sediada no Estado do Espírito Santo e que, portanto, e fosse a importadora da mercadoria, ela mesma faria jus ao incentivo fiscal concedido pelo Governo do Estado do Espírito Santo; • Observase ainda que, na maioria das notas fiscais a TARGET concede descontos incondicionais a seus clientes, sendo certo, contudo, que apenas o proprietário da mercadoria pode conceder desconto no preço de venda; • Outro ponto a ser observado é que várias empresas deram entrada das mercadorias em seus livros como sendo compra além do que, algumas vezes, o próprio cliente coloca nos seus livros código diverso do constante na nota fiscal de saída emitida pela TARGET, vendose, portanto, que a colocação dos códigos nas notas fiscais referidas se deu unilateral ente por sua vontade com o fito de simular uma operação que, na realidade, não existiu; • Além disso, mesmo as empresas que não usaram códigos de compra nos seus livro o fizeram com o CFOP (código fiscal de operações) iniciados pelo dígito 2, ou seja, entradas oriundas de outros estados, não tendo sido usado o CFOP iniciado pelo dígito 3, referentes ss entradas oriundas do exterior, por nenhuma de suas clientes, concluindose, portanto, que as saídas com códigos 5.99 ou 6.99 configuram uma tentativa de descaracterizar as operações de venda; • Diante de todo o exposto, entendese serem operações de venda todas as saídas promovidas pela TARGET, promovendose, portanto, o lançamento de oficio das diferenças do PIS e da COFINS apuradas, acompanhadas da multa, referentes ao período de 01/1997 a 30104/2001, em virtude da não inclusão nas bases de cálculo da totalidade das vendas efetuadas, sob a denominação de "saídas em consignação", conforme planilhas de fls. 1115/1119; • Além disso, os descontos obtidos nos empréstimos do FUNDAP, por serem receitas financeiras, também foram tributados para efeitos destas contribuições uma vez que a empresa não o fez. Fl. 4841DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.854 8 Em seguida, a AFRF autuante tece uma série de considerações acerca do IRPI e da CSLL, já que, juntamente com os autos de infração do PIS e da COFINS aqui objeto de exame, foram também lavrados autos de infração do IRPJ e da CSLL, tratandose, portanto, de matéria estranha ao presente contencioso fiscal. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal da COFINS (fls. 1132/1133), cientificado à contribuinte em 27/03/2003 (v. fl. 1131), consistiu nos arts. 1° e 2° da Lei Complementar (LC) n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n°9.718/98, com as alterações da Medida Provisória a° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e 1 suas reedições. Já o enquadramento legal do lançamento fiscal para o PIS (fls. 3238/3239), também cientificado à contribuinte em 27/03/2003 (v. fl. 3237), consistiu nos arts. 1° e 3°, da Lei Complementar n° 07/70; arts. 2°, inciso I, 3 0, 8°, inciso 1, e 9°, da Medida Provisória (MP) n° 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n°9.715/98; art. 3° da Lei n° 9.715/98; arts. 2°, inciso I 8°, inciso!, e 9°, da Lei n°9.715/98; arts. 2° e 3° da Lei n°9.718/98. No que se refere à multa de ofício e aos juros de mora, os dispositivos legais • aplicados foram relacionados nos demonstrativos de fl. 1137 (COFINS) e fl. 3243 (PIS). 4. Após tomar ciência das autuações, a interessada, inconformada, apresentou as impugnações juntadas às fls. 1140/2096 (COEINS) e fls. 3246/4261 (PIS), respectivamente, em 25/04/2003 e 29/04/2003, com as alegações abaixo resumidas: 4.1. o sistema FUNDAP foi criado para incrementar as importações realizadas no Espírito Santo, ao passo em que, também, promove o crescimento econômico capixaba, sendo que para se beneficiar dos incentivos financeiros promovidos pela FUNDAP, a empresa necessita, em síntese, realizar operações de importação, recolhendo o ICMS devido ao Estado do Espírito Santo; 4.2. no caso em tela, a impugnante e atua na seara do comércio exterior, realizando importações por conta e ordem de terceiros (outrora denominada por consignação), beneficiandose do regime tributário regulamentado pelo Sistema FUNDAP, instituído pela Lei Estadual n°2.508/70 e alterações; 4.3. na operacionalização de seus negócios (importação por conta e ordem de terceiros), a impugnante promove o desembaraço aduaneiro das mercadorias encomendadas por outras empresas (importador de fato) e lhes dá o destino previsto na INVOICE, ou seja, a empresa importadora de fato (encomendante adquirente), sendo que, para a realização desses atos, emite notas fiscais de Fl. 4842DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.855 9 entrada e de saída, a fim de legitimar o trânsito das mercadorias no Estado do Espírito Santo; 4.4. desta forma, a impugnante efetua simples prestação de serviços de desembaraço aduaneiro (IN 75, IN 98 e IN 247), não havendo aquisição de mercadorias importadas, que são de propriedade da adquirente (ADISRF ri° 07), apenas nacionalizando os 1 produtos e efetuando trânsito das mercadorias por seu estabelecimento; 4.5. é a empresa encomendanteadquirente que antecipa os tributos e fecha o câmbio, arcando com todos os custos diretos e indiretos da importação, inclusive, como dito, com os ônus tributários c contratuais internacionais; 4.6. nesse passo, o faturamento da aquisição das mercadorias é exclusivo da empresa adquirente (IN 247, art. 12°), sendo que a empresa importadora (por conta e ordem de terceiros) aufere apenas os benefícios financeiros decorrente do financiamento promovido pelo BANDES, considerando o recolhimento do ICMS promovido pelas importações; 4.7. existem sociedades de comércio exterior que, além de prestadoras de serviços nas operações por conta e ordem de terceiros, também atuam no mercado como importadoras e realizam importações em nome próprio, tratandose, nesta hipótese, de importação com futura venda ou internação de produtos, sendo que, no caso de venda, consubstanciase na aquisição e comercialização das mercadorias de sua propriedade, com 1 notas fiscais de saída com CFOP 6.12 ou 5.12 (hoje 6.102 ou 5.102); 4.8. podese dizer que a situação das empresas fundapeanas que atuam como prestadoras de serviços de comércio exterior passou por quatro fases completamente distintas; 4.9. na primeira fase, em decorrência da ausência de regras específicas que definissem as situação das empresas prestadoras de serviços, estas eram tratadas de forma equivocada pela fiscalização, que considerava a receita operacional bruta aquela decorrente da aquisição das mercadorias importadas, quando, na verdade, nunca houve aquisição, mas mera prestação de serviços, sendo a receita operacional bruta, nesta hipótese específica, decorrente exclusivamente de possível cobrança pelos serviços prestados e por concessão de financiamento do BANDES; 4.10. na segunda fase, com a edição das IN nºs 75 e 98, que, por serem normativa, retroagem à época do fato gerador, iniciouse pelo próprio fisco um processo de reconheciMento de existência de empresas prestadoras de serviços de comércio exterior, e de sua regulamentação tributária, específica e Fl. 4843DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.856 10 substancialmente diversa da direcionada às importadoras em nome próprio, sendo que, a partir desse esclarecimento normativo, com força de legislação, ficaram definidos e estabelecidos os critérios de identificação de empresas importadoras em nome próprio e por conta e ordem de terceiros, tanto em ordem comercial contábil, domo tributária, antes não identificados ou inexistentes; 4.11. nessa fase, há, na importação por conta e ordem de terceiros, três pessoas distintas: g exportadora, a importadora e a adquirente, configurando a compra de mercadorias estrangeiras pela empresa importadora mera prestação de serviços, com a conseqüente entrega do bem nacionalizado, além do que, por vedação legal, a mercadoria não poderá ter outro destino senão o encomendante adquirente, não havendo compra e revenda das mercadorias importadas péla pessoa jurídica importadora, na forma do artigo 1° da IN SRF n° 98, de 05/12/2001; 4.12, para que se configurem importações por conta e ordem de terceiros, diferenciandoas das importações em nome próprio, o artigo 2° da IN SRF n° 75, de , 13/09/2001, estipula o cumprimento de três requisitos, sendo importante destacar que, de l acordo com 9 artigo 20 da IN SRF 98/01, em aplicação conjunta com o citado art. 2° da IN SRF l n° 75/2001, há necessidade de emissão, pela pessoa jurídica importadora, no momento da 1 finalização dó despacho aduaneiro, de nota fiscal de entrada, na qual deverão ser informados as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos os valores constantes dá fatura comercial, expressos em moeda estrangeira convertidos em mias pela cotação, divulgada pelo Banco Central do Brasil (BACEN) no dia anterior ao da emissão dessa nota, bem como, separadamente, o valor de cada tributo incidente na importação; 4.13. contudo, frisese que, pela declaração contida no parágrafo único do artigo 2° da IN n° 75/2001, a emissão de nota de saída (e de entrada) não caracteriza operação de compra e venda; 4.14. a terceira fase que marca a existência das empresas fundapeanas é iniciada com a edição do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) n° 07, de 13/06/2002, que veio ao ordenamento jurídico com o intuito de dispor sobre o PIS/COFINS incidentes nas importações efetuadas p I r conta e ordem de terceiros, conforme disciplinam as IN SRF n's 75/2001 e 98/2001; 4.15. por fim, a quarta fase regulamentar das operações de importação por conta e ordem de terceiros está consubstanciaria na edição das IN SRF nos 225/2002 e 247/2002, sendo que esta última revogou formalmente as IN SRF n's Fl. 4844DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.857 11 75/2001 e 98/2001, além do ADI SRF n° 07/2002, porém mantendolhe a força normativa, já que os reeditou no corpo da Instrução Normativa, de forma que, ao editar as medidas o fizeram de forma a perdurarem até o presente dial; 4.16. enquanto a IN SRF n°225/2002 define o conceito de importador por conta 41 e ordem de terceiro e estabelece requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações precedidas nesse sistema, a IN SRF n° 247/2002 regulamenta as importaçõe8 por conta e ordem de terceiros nos seus artigos 12 e 86 a 88, consolidando as normas antes previstas nas IN SRF n° 75/2001 e 98/2001, em nada alterandoas, deixando passar in cjlbis, contudo, a regulamentação acerca do código CFOP pertinente às saídas das mercadorias nos contratos de importação por conta e ordem de terceiros, destinadoas às empresas dquirentes; 4.17. em relação ao fato de que a autuada realizou "importações por consignação”, o que caracterizaria — segundo as diretrizes que nortearam a autoridade fiscal quando da base para a lavratura dos autos de infração — importação por nome próprio para posterior revenda, temse que a utilização equivocada do termo "consignação" não pode e nem deve desconfigurar uma prestação de serviços; 4.18. a par da análise dos contratos firmados pela impugnante com seus clientes, não obstante terem sido denominados de consignação, em muito difere de tal modalidade, na medida em que tais contratos tem sim, forma e natureza de prestação de serviços; 4.19. a emissão de nota fiscal de saída não se caracterizou em momento algum como venda, pois todas, inclusive as que fez menção a fiscalização, teve como CFOP 6.99 (outras saídas, bem diferente de venda (CFOP 6.12); 4.20. se a AFRF autuante tivesse analisado os documentos que antecedem as notas fiscais de saída não teria como entender que a autuada operou como importação própria, mas por conta e ordem de terceiros, anteriormente denominada por "Consignação de Terceiros"; verificaria, ainda, a citada autoridade fiscal que, na INVOICE a operação por , consignação já era definida, bem como na Declaração de Importação (DI), onde demonstravase à sociedade que a operação não era própria mas para terceiros, onde a responsabilidade do , câmbio era a encomendante adquirente, logo, jamais, poderseia imaginar que a operação seria própria; 4.21. a fiscalização baseouse em indícios que, por serem um começo de prova, não recai sobre eles, nem muito menos sobre a fundamentação exarada, Fl. 4845DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.858 12 certeza quanto aos fatos, o que forçosamente nos leva a concluir que nem o tributo pode ser exigido, nem, muito menos, pode a sanção ser aplicada; 4.22. não se pode esquecer, ainda, que o ato administrativo tributário deve ser motivado, e que a motivação deve ser verdadeira, pois, do contrário, o ato será nulo de pleno direito, sendo que, em relação ao argumento de que a impugnante teria nacionalizado, em nome próprio, as mercadorias constantes das DI mencionadas nos autos de infração, pelo fundamento de que os tributos são pagos em nome do importador, e não em nome do adquirente das mercadorias, basta dizer que, se assim procede, é por força do Regulamento Aduaneiro que, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, traz essa determinação em seu art. 105, , existente desde a edição da Medida Provisória n° 2.15835/2001; 4.23. a DI deve ser registrada em nome do importador, e, em nome dele, devem ser recolhidos todos os tributos incidentes no seu registro ou no momento do desembaraço aduaneiro, daí porque ficou caracterizado — não se nega de forma alguma — que a impugnante , cobrou ICMS de seus clientes, não sendo, todavia, o ICMS incidente sobre a suposta operação de venda, Mas o ICMS incidente na importação (art. 155, § 2°, inc. IX, 'a', CF/88); 4.24. ressaltese que nas operações por consignação ou por conta e ordem de terceiros, como as praticadas pela autuada não pode haver a incidência de lucro na operação, vedação esta por lei, sob pena de descaracterizar a operação por conta e ordem, daí porque, observando se o processo de imputação na sua totalidade e os lançamentos contábeis, verificarse á que o resultado para a empresa fundapeana não foi outro senão o financiamento FUNDAR 4.25. de outra parte, no pertinente ao fundamento de que a lavratura dos autos de infração deuse com base na suposta errônea classificação fiscal da operação de saída, este não pode prosperar já que o que houve, in casu, foi não uma análise da hipótese prevista em lei federal e de sua subsunção ao fato concreto, mas sim, uma presunção de que, descumprida a legislação estadual, que estabelece ser imperiosa a utilização do código de simples remessa para as atividades não onerosas, e de código de venda para a atividade que transfira titularidade onerosa da mercadoria, restaria, por via reflexa, descumprida a legislação federal, circunstância essa que, á luz do bom direito, não pode prosperar, por dever de observância ao princípio da verdade Material; 426. elucidando melhor a questão, vislumbrase que um dos possíveis motivos determinantes, da autuação seria a utilização do Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) incorreto, fazendose crer que houve operação diversa da Fl. 4846DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.859 13 cabalmente demonstrada nos diversos documentos que deram suporte a tais operações, ou seja, fezse crer que, por ocasião da utilização de Código Fiscal correspondente a "vendas", estarseia diante de uma operação de compra e venda precedida de uma operação de importação em nome próprio, contudo, esse fato não serial possível quando, na verdade o Contrato de Prestação de Serviços de Importação, os registros contábeis e o fechamento de câmbio em nome da pessoa jurídica adquirente, nos termos das IN SRF n's 75/2001, 98/2001 e 247/2002, já demonstram o contrário, ainda mais quando não louve a hipótese de venda ou emissão de nota fiscal de saída onde não ocorra a CFOP 6.99 (outras saídas); 4.27. todos os documentos retratam a operação por conta e ordem, os processos de importa, que a autuada faz questão de juntar copia completa de forma a demonstrar e comprovar que todos os impostos e taxas foram antecipados pelo encomendanteadquirente (consignante), que a nota fiscal de saída serviu de mera entrega dos produtos a este, e que não houve lucro nas operações, pelo que, desta forma, não há corno continuar a se sustentar exação sabidamente indevida; 4.28. ademais, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros, utilizamse notas fiscais de entrada e de saída, como era determinado pelas IN SRF n's 75/2001 e 98/2001, substituídas pela IN SRF n° 247/2002, e ainda que assim se proceda, não se pode alegar que tais notas denotem operações de compra e venda, na forma dessas mesmas instruções normativos; 4.29. a entrega de produto em consignação, terminologia utilizada pelas empresas fundapeanas quando nacionalizavam e entregavam seus produtos ao importador, de fato em nada tem de semelhança com a mesma terminologia "venda de produto em consignação", amparada pelo Código Comercial, muito embora outras empresas de comércio exterior e todas sem exceção utilizavam a nomenclatura "consignação" até o advento da MP n° 2.15835/2t01 e IN SRF n° 75/2001; 4.30. não obstante a realidade dos fatos, a circunstância de terem sido utilizadas notas fiscais de saída com códigos específicos de notas fiscais "outras saídas" e a autuação fundamentada em suposto faturamento decorrente de vendas de mercadorias importadas, dada a utilização, de códigos CFOP correspondentes, ferem todas as normativas legais impostas e concernentes, em especial, com a interpretação do artigo 2°, inciso III, do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 0712002; 4.31. interpretandose a legislação do FUNDAP e do ICMS em conjunto com as IN SRF n's 7512001, 98/2001 e 247/2001, temse que a utilização do código Fl. 4847DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.860 14 CFOP 6.99 pela autuada, quando identifica a exclusiva prestação de serviços, é a que mais se amolda aos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 07/2002, e, ainda que o código utilizado pela autuada fosse outro (como 6.102), os documentos que lastreiam as operações de importação por conta e ordem de terceiros não permite que sejam definidas tais operações como notas fiscais de venda, faturamento e receita operacional bruta de empresa fundapeana; 4.32. a nota fiscal de venda é emitida apenas para favorecer a empresa adquirente e para possibilitar a atuação da importadora nos moldes do FUNDAP, com recolhimento do ICMS a este Estado (ES) e usufruto dos benefícios que o sistema oferece, não havendo recebimento de valores resultantes da saída, eis que esta não é onerosa, nem de valores resultantes da prestação de serviços, vez que estes são gratuitos, nos moldes do sistema FUNDAP, onde as empresas limitamse ao financiamento para a movimentação e pagamento de sua folha, d mais tributos e taxas; 4.33. apesar de formalizar faturamento e receita bruta inexistentes, não se pode admitir a emiSsão de notas fiscais de venda pela autuada como fato gerador identificador da compra e venda das mercadorias nelas identificadas, eis que inexistente, faticamente, os pressupostos para a incidência da COFINS e do PIS, pois se não há receita não ha incidência dos tributos 'em questão, e, além disso, as IN SRF nos 75/2001 e 247/2002 vetaram expressamente a incidência dessas contribuições; 4.34. quanto ao fato de que os clientes registraram as operações de entrada como compra em s a escrita contábil, temse, em primeiro lugar, que a remessa foi feita com código fiscal 6.99, o que legitima, perante a legislação estadual, o código fiscal de outras saídas, nunca venda, c, em segundo lugar, fato é que a forma de contabilização destas remessas nos clientes independe da autuada, que não pode ser responsabilizada por incorreções contábeis de outrem, além do que nos contratos de prestação de serviços de importação, a entrada será sempre definitiva, já,f que os clientes da impugnante são os verdadeiros importadores e adquirentes, exclusivos da mercadoria importada do exterior; 4,35. a autuação da impugnante em desacordo com as demais empresas fere o princípio da isonomia, que, para ser aplicado de forma correta, necessário se faz que o tratamento, além de isonômico, seja justo, já que, se alguém tratar injustamente uma pessoa, não é, em si meritório que, em nome da igualdade, se trate do mesmo modo outra pessoa que se encontre na mesma situação, não podendo, portanto, a impugnante ser penalizada por atitude discricionária Fl. 4848DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.861 15 praticada pelo agente do fisco, por supostamente entender que uma operação por consignação teria verossimilhança a venda de produto em consignação e não ter encontrado receita inexistente na operação que justifique a incidência do PIS e da COFINS; 4.36. mesmo que, "ad argumentandum", mantenhase os fundamentos constantes da autuação, deverá ser excluído do lançamento tributário a taxa SELIC como forma de atualização do crédito tributário, por ser uma medida ilegal; 4.37. os juros moratórias possuem caráter de indenização, tendo como escopo a mora, o atraso no cumprimento de uma obrigação, agindo como complemento indenizatório do principalmente sendo assim, no âmbito tributário, a natureza jurídica dos juros moratórias é a de recompor o patrimônio do Estado, lesado pela demora do devedor em adimplir a obrigação; 4.38. o caráter estritamente remuneratório da taxa SELIC não permite sua utilização para qualquer outra finalidade que não seja remunerar o capital alheio, não se prestando'ara a indenização objetivada nos juros moratórias; 4.39. o conceito de juros moratórias devido pelo contribuinte não pode, em afronta ao art. 110 do CTN, ganhar novos contornos, por ser um conceito de direito privado; 4.40. outrossim, por se tratar de flagrante violação legal, e na ausência de lei dispondo sobre a matéria, deverá o juízo limitar os juros ao patamar de 1% (um por cento), conforme dispõe o § 1° do artigo 161 do CTN, sendo nesse exato sentido o posicionamento recente do( Douto Magistrado da r. Vara de Execução Fiscal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro; 4.41. tendo como fundamento para atualização do tributo uma lei ilegal, o seu resultado será nulidade do ato, seja atinente a forma ou mesmo aos aspectos materiais da relação tributária, tomando ilíquido o crédito, e, por conseqüência, inadmissível o prosseguimento da execução; 4.42. por todo o exposto, demonstrada a inexistência do fato gerador, espera a impugnante seja acolhida a presente impugnação, para declarar a nulidade, improcedência e i, insubsistência Idos autos de infração (PIS/COF1NS), e a extinção dos processos administrativos respectivos, ou, no mérito, para declarar a ilegalidade da taxa SEL1C como índice de atualização dos tributos administrados pela Receita Federal, protestando, desde já, pela produção de quaisquer provas em direito admitidas, especialmente documental suplementar e pericial, de f& ma a demonstrar a realidade das operações, bem como a legislação aplicável e apuração dos tatos elencados. Fl. 4849DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.862 16 5. Em cumprimento à disposição contida no artigo 2° da Portaria SRF n° 6.129, de 02/12/2005, foi juntado por anexação ao processo principal n° 11543.0010031200309 (v. fl. 4278), que cuida de auto de infração de COFINS, o processo n° 18471.001006/200334 (auto de infração de PIS).” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/1998 a 31/03/1999, 01/05/1999 a 28/02/2001 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA Compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda ainda que haja contrato prévio firmado com o adquirente. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA Somente a partir de 09/2001, a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo estabelecimento importador passou a ser o valor dos serviços prestados ao adquirente da mercadoria importada, desde que obedecidos os requisitos estabelecidos no artigo 2° da IN/SRF n° 75/2001 e atos normativos que a sucederam. ACRÉSCIMOS LEGAIS — JUROS DE MORA — TAXA SELIC É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. ELEMENTOS DE PROVA Fl. 4850DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.863 17 A prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, 4°, do Decreto n° 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PIS/COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Consideramse como não impugnadas as contribuições lançadas decorrentes das receitas financeiras auferidas, quando estas não foram contestadas expressamente pelo contribuinte. Lançamento Procedente” Cientificado do referido acórdão em 16 de outubro de 2006, a interessada apresentou recurso voluntário em 14 de novembro de 2006, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve suposta infração por falta de recolhimento da COFINS, decorrente, conforme autoridade fazendária, da desconsideração das operações de importação por consignação, bem como pela omissão da tributação sobre os descontos obtidos em leilão de Divida junto ao BANDES. Aduz a recorrente, relativamente às essas questões, que tais enquadramentos se deram em virtude do fato de que, sob a ótica da autoridade fazendária, a empresa teria, em síntese, realizado operações de importação em nome próprio com posterior revenda das Fl. 4851DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.864 18 mercadorias importadas, e não realizadas operações por conta e ordem de terceiros, nos termos das Instruções Normativas SRF nºs 75 e 98, ambas de 2001. No entanto, segundo consta do auto de infração, haveria débito de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.661.932,95, com base no art. l° e 2° da Lei Complementar n° 70/91, art. 1° da Lei Complementar n° 70/91, arts. 2°, 3º e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições; arts. 2º, 3° e 8º , da Lei nº 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1807/99 e reedições; arts 2°, 3° c 8°, da Lei n° 9718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória 1858/99 e reedições. Quanto à suposta omissão de receitas não tributadas pela Cofins alegada pela autoridade fazendária, importante trazer que a recorrente descreve que: · não só atuou por conta e ordem e em favor de terceiro, como dele recebeu, sob a forma de adiantamento e/ou de reembolso, todos os recursos necessários à liquidação das obrigações por ela indiretamente contraídas; · não obstante, entendeu a autoridade fiscal que houvera operado na qualidade de importadora direta, introduzindo, por sua conta própria, mercadorias estrangeiras no Pais; · à época: 1. a recorrente não só realizava, como estava, para tanto, autorizada, segundo os procedimentos regulatórios das suas atividades no Estado do Espírito Santo, importações em consignação, e não em conta própria combinada com revenda das mercadorias importadas; 2. a empresa recorrente nacionalizava, sim, mercadorias em nome próprio, mas devido à sua legitima condição de consignatária; 3. as remessas de mercadorias aos adquirentes eram de fato definitivas, e não podia ser diferente, a julgar pelo fato de que Fl. 4852DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.865 19 a ora Recorrente constituíase em mera consignatária das mercadorias procedentes do exterior; 4. quanto ao benefício fiscal “estadual” usufruído pela recorrente, desconhece o Agente Fiscal Federal que a cobrança do ICMS advém da mera circulação física, irrelevante para tanto a natureza jurídica da operação, de sorte que o fato deste imposto estadual haver sido cobrado da recorrente, com todo respeito à autoridade federal, não se presta aqui a qualquer tipo de ilação; e conseqüentemente, como também não poderia deixar de ser, as notas fiscais de saída foram emitidas com códigos correspondentes a remessas simples; 5. exercia a época suas atividades como importador com pequena margem de lucro, sendo arbitrário o entendimento de que todos os valores, oriundo de pagamento de debito antecipado, seriam renda, desconsiderando a sistemática referido no programa de importações; 6. se a autoridade fazendária tivesse tido o cuidado de analisar os lançamentos contábeis que retrataram a realidade dos fatos, individualizandose, processo a processo, os registros contábeis efetuados em contas transitórias, teria constatado a inocorrência de resultado (margem de lucro) em tais operações. Dessa forma, discorre a recorrente que cada processo de importação, encerra se com um saldo nulo de conta corrente, ou seja, igual a zero, conforme comprovam os documentos juntados à impugnação (Composição das operações de importação) —juntamos ao presente recurso, por amostragem, a consolidação de algumas operações de importação demonstrando o saldo nulo, no final de cada operacão. Enfatiza, assim, que todas as entradas e saídas de caixa, registradas a crédito e a débito, respectivamente, numa mesma conta contábil transitória, aberta para cada um dos clientes, resultavam ao final em um saldo nulo, ou seja, igual a zero. Fl. 4853DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.866 20 Frisa tal defesa, trazendo também a recorrente que as despesas atinentes a nacionalização dos produtos, tais como pagamento de AFRM da Marinha Mercante, despachante aduaneiro, armazenagem, frete, seguro e outras, se somadas atingem exatamente o valor que a mesma recebeu a titulo de adiantamento ou reembolso. Para tanto, esclarece que as despesas pagas por conta de terceiros e os valores dos impostos incidentes na importação sempre foram antecipados pelos importadores de fato, chamados de empresas adquirentes ou consignantes e, ao final, ficam somente constando como parte de urna contacorrente, cujo saldo final é necessariamente igual a zero. Alega também a autoridade fazendária de que: · a recorrente teria nacionalizado, em nome próprio, as mercadorias constantes das Declarações de Importação mencionadas nos Autos de Infração, pois os tributos foram pagos em nome dela, e não em nome do adquirente das mercadorias; · a lavratura do Auto de Infração em comento deuse com base na suposta errônea classificação fiscal da operação de saída, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros; · a recorrente obteve descontos nos empréstimos do BANDES, no exercício de 98/99/00/01, excetuandose o mês de 04/99. Em relação à tributação pelo PIS e Cofins sobre as receitas financeiras, resultado dos descontos obtidos com o leilão FUNDAP, discorre a recorrente que: · a D. Fiscalização lavrou o competente Auto de Infração, lançando o imposto incidente sobre as receitas e, conseqüentemente, sobre o lucro havido em face do desconto decorrente da liquidação do empréstimo obtido junto ao BANDES, desconsiderando o adimplemento do imposto advindo do reconhecimento de tais receitas no resultado fiscal, efetuado pela Recorrente, conforme restara demonstrado; · ainda que a D. Fiscalização tenha identificado nos livros fiscais a não inclusão dos descontos do leilão FUNDAP, tal alegação é descabida, pois tais lançamentos foram efetuados, bem como oferecidos à Fl. 4854DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.867 21 tributação, conforme comprova a Recorrente nos autos com a juntada de documentos. Não obstante, é de se notar que a recorrente alegou o recolhimento do PIS e da Cofins sobre a receita financeira FUNDAP, demonstrando quadro constante da fl. 4473 que vincula as contribuições recolhidas com os valores segregados passíveis de composição da base de cálculo – onde, por sua vez, se vê que compõe a r. base a receita FUNDAP. Cabe somente ressaltar que o contribuinte observa posteriormente que por amor à dialética, ainda que se considere que não tenha efetuado os recolhimentos de PIS e da Cofins sobre as receitas financeiras do deságio do leilão FUNDAP, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, pacificouse o entendimento no sentido de declarar a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo dessas contribuições, incluindo outras receitas como tributáveis. Quanto à inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência da taxa Selic como juros moratórios alegada pela recorrente, em síntese, traz que: · Mesmo que, "ad argumentandum" venha o douto julgador a manter os fundamentos da decisão constates no auto de infração, o que se custa crer, deverá ser excluído do lançamento tributário a taxa SELIC; · O Douto Julgador, deixou de observar o disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, no que concerne sobre a cobrança de juros de mora e multa sobre o credito tributário não pago no vencimento, sendo certo que as cobranças efetuadas em descompasso com o mencionado artigo, já tiveram sua inconstitucionalidade proclamada, atentandose para o caráter meramente confiscatório. Não obstante às argumentações da recorrente e da autoridade fazendária quanto à lide posta, importante ressaltar que, em análise do processo, observase que os fatos narrados pela Fiscalização, relacionados à autuação ora apreciada, fundamentaram a configuração de infração à legislação referente ao IRPJ. Por seu turno, dispõe o art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Fl. 4855DF CARF MF Processo nº 11543.001003/200309 Acórdão n.º 3202001.264 S3C2T2 Fl. 4.868 22 Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] IV – demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; [...] (grifo não constante do original) Tendo em visto ser este o caso dos autos, visto o Auto de Infração da Cofins encontrarse lastreado em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ, voto no sentido de DECLINAR DA COMPETÊNCIA, em favor da Primeira Seção de Julgamento deste CARF. É como voto. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 4856DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720601/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF 01.
Nos termos da Súmula CARF nº. 01, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo.
PAF. MATÉRIA DIFERENCIADA.
O curso do processo administrativo terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada, tendo em vista que o contribuinte não questionou judicialmente a integralidade dos períodos autuados, mas somente parte desse período. Assim, o que não foi abarcada pela renúncia ao contencioso administrativo, deve ser julgado.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo busca o ressarcimento de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Previdência Social. Em não sendo atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-006.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feria.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF 01. Nos termos da Súmula CARF nº. 01, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. PAF. MATÉRIA DIFERENCIADA. O curso do processo administrativo terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada, tendo em vista que o contribuinte não questionou judicialmente a integralidade dos períodos autuados, mas somente parte desse período. Assim, o que não foi abarcada pela renúncia ao contencioso administrativo, deve ser julgado. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo busca o ressarcimento de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Em não sendo atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 06 01 /2 01 2- 18 Fl. 815DF CARF MF 2 Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feria. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão exarado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA), abaixo discriminados, que compõem o presente processo: 1) AIOP Debcad Nº 37.380.5756, relativo à exigência de valores devidos à Seguridade Social, decorrentes de glosa de compensação efetuada indevidamente em GFIP, no período de 01/2008 a 12/2008. 2) AIOP Debcad Nº 37.380.5764, relativo à exigência de multa isolada aplicada em razão de compensações tributárias efetuadas com falsidade, na competência 12/2008. Por bem descrever os fatos, reproduzo as informações lançadas na Resolução n.º 2301000.566, que teve como Relatora a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis "(...) De acordo com o relatório fiscal de fls. 1524, o Município realizou, no período de 01/2008 a 05/2010, a compensação de valores supostamente pagos no período de 01/1998 a 09/2004, a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos exercentes de mandato eletivo (prefeito, viceprefeito e vereadores), com base na alínea "h", do inciso I, do art. 12, da Lei nº 8.212/91, declarada inconstitucional pelo STF, cuja execução foi suspensa através da Resolução do Senado Federal nº 26/2005, sendo que os valores compensados foram glosados porque, segundo a fiscalização: a) ocorreu a prescrição; b) os valores compensados não haviam sido recolhidos, e, c) a Prefeitura deixou de providenciar a retificação das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) Fl. 816DF CARF MF Processo nº 15586.720601/201218 Acórdão n.º 2301006.023 S2C3T1 Fl. 3 3 previamente à compensação, em afronta ao art. 4º, inciso I, da Portaria MPS nº 133/206, e no art. 6º, inciso I e § 4º da IN MPS/SRP nº 15/2006. Foi aplicada multa de mora, com base no disposto no § 9º do art. 89, da Lei nº 8.212/91, por se tratar de compensação indevida, além da multa isolada no montante de 150% dos valores indevidamente compensados, com base no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, pelo fato de a compensação ter se originado em crédito inexistente. A autuada apresentou impugnação, fls. 106/126, contendo os seguintes pontos controvertidos: a) as contribuições compensadas foram devidamente recolhidas por meio de retenção do FPM e de parcelamento; b) não ocorreu a prescrição, pois este prazo iniciouse na data da publicação da Resolução nº 26, de 22/05/2005, terminando, portanto, em 22/06/2010; c) existe decisão judicial no processo nº 2006.50.04.0004890 autorizando o Município a proceder à compensação independente do cumprimento de quaisquer restrições administrativas; d) a falta de retificação da GFIP é mero descumprimento de obrigação acessória; e) não ficou provada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. A DRJ converteu o julgamento em diligência, fls. 174178, solicitando, à autoridade lançadora, a elaboração de planilha discriminando os valores compensados sem a prova do efetivo recolhimento, o que foi atendido às fls. 180. Após regular intimação do sujeito passivo acerca do resultado da diligência, a DRJ proferiu decisão, julgando procedente em parte a impugnação, reduzindo a multa isolada (AI 37.380.5764), apresentando os seguintes fundamentos: a) houve renúncia ao contencioso administrativo em relação à matéria prescrição, a qual está sendo discutida na ação judicial, processo nº 2006.50.04.0004890, da Justiça Federal do Espírito Santo; b) a recorrente não comprovou a alegação de pagamento das contribuições; c) é indevida a multa isolada aplicada sobre os valores comprovadamente recolhidos indevidamente, com base no argumento de que havia ocorrido a prescrição; d) é falsa a declaração de compensação de valores não recolhidos. O Município foi cientificado dos autos de infração em 06/07/2012, fls. 10314, e tomou ciência do acórdão da DRJ em 06/05/2013, fls. 245. Em 05/06/2013, o Município autuado interpôs recurso voluntário, f. 246255, no qual solicita o cancelamento do crédito tributário, com base nos seguintes argumentos: Alega que efetuou o recolhimento das contribuições compensadas, cujos comprovantes constam do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 817DF CARF MF 4 Explica que as contribuições incidentes sobre o subsidio dos agentes políticos, declaradas inconstitucionais, foram incluídas em parcelamento consolidado em março de 2010, e não foi retificado, embora o art. 2º da Portaria MPS 133/2006 determinasse que cabia, ao Órgão Fazendário, proceder, de ofício, à exclusão dessas contribuições dos lançamentos existentes. Informa a existência de sentença judicial proferida em seu favor, reconhecendo seu direito à compensação dos valores das contribuições em questão, recolhidos indevidamente, no período de novembro de 2001 a junho de 2004, e desobrigandoa de retificar a GFIP, nos moldes da Portaria MPS 133/2006, cuja obrigação é meramente instrumental, de modo que não pode condicionar o exercício do direito material do contribuinte à compensação. Argumenta que a declaração não é falsa, uma vez que os valores compensados foram parcelados e as parcelas estão sendo pagas. Sem contrarrazões. É o relatório". O processo foi baixado em diligência por duas vezes para constatar se haveriam recolhimentos das verbas tidas como inconstitucionais, bem como para a juntada de cópia da inicial do processo judicial n.º 2006.50.04.0004890, bem como das decisões proferidas no litígio, para a verificação de possível concomitância. Por fim, em seu recurso voluntário o Município apresenta inconformidade alegando que os valores compensados estão comprovados em sistema da Receita Federal do Brasil; que realizou o parcelamento do débito, sem que o sistema da receita tivesse expurgado os valores recolhidos indevidamente; alega que não pode o fisco exigir a retificação das GFIPs em razão de estar amparada por decisão judicial, que possui comando expresso para permitir a compensação, independente de retificadora, junta inclusive precedente. Por fim pede a improcedência do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator Após as verificações da tempestividade do recurso, passo a analisar o mérito do recurso. DAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS E DA CONCOMITÂNCIA Conforme se constata das diligências realizadas, no que diz respeito às cópias do processo judicial 2006.50.04.0004890, que tramitou perante a Vara Federal do Espírito Santo, onde se pleiteia a compensação das mesmas contribuições, houve retorno positivo e sua juntada ocorreu nas efls 488/811. Conforme cópia da petição inicial, em seu pedido a recorrente efetivamente a declaração de inconstitucionalidade da verba supostamente recolhida ou exigida de agentes Fl. 818DF CARF MF Processo nº 15586.720601/201218 Acórdão n.º 2301006.023 S2C3T1 Fl. 4 5 políticos durante o período de 01/1998 a 06/2004, conforme se constata do pedido inicial abaixo transcrito 1: A ementa do Acórdão proferido em sede de segunda instância, referente ao referido processo judicial, assim consta: "EMENTA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SUBSÍDIO DE AGENTES POLÍTICOS. ARTIGO 12, 1, ALÍNEA H, DA LEI N° 8.212/91.INCONSTITUCIONALIDADE.COMPENSAÇÃO.PRAZ O PRESCRICIONAL. 1. O contribuinte pode optar por formular o requerimento de restituição de tributos pagos indevidamente na via administrativa ou na via judicial. Ainda que se considere que o requerimento administrativo teria sido deferido, isso não autoriza a extinção da ação de repetição de indébito por falta de interesse de agir. 2. Ocorrência da prescrição da pretensão de compensação dos tributos recolhidos antes de 09/11/2006, por se tratar de ação ajuizada em 09/11/2011, depois, portanto, da entrada em vigor da LC 118/2005. 3. No julgamento do RE n° 351.717/PR, de relatoria do Ministro Carlos Velloso, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12, I, alínea h, da Lei n° 8.212/91, que previa os ocupantes de mandatos eletivos federais, estaduais e municipais como segurados obrigatórios da Previdência Social. 4. A compensação das contribuições indevidamente recolhidas, deverá ser feita (i) apenas após o trânsito em julgado da decisão 1 Conforme o relatório da decisão recorrida: "19. No Relatório Fiscal consta a informação de que a autoridade lançadora verificou na Planilha relativa à Câmara Municipal, no período de 01/1998 a 04/2000 e 06/2000 a 09/2000 remunerações declaradas em GFIP, mas sem o respectivo recolhimento constante no conta corrente da Câmara. Já no período de 05/2000 e 10/2000 a 07/2002 constam apenas pequenos recolhimentos relativos a contribuintes individuais, conforme verificou nas GFIP. 20. Por outro lado, verificouse ainda que nas competências 12/1998 a 10/2002 nos sistemas informatizados da RFB constam parcelamentos através de LDC de contribuições incidentes sobre o subsídio de agentes políticos". Fl. 819DF CARF MF 6 final proferida nesta ação, de acordo com o disposto no art. 170 A do CTN, (ii) sem a limitação de 30% imposta pelo art. 89, §3°, da Lei n° 8.212/91, visto que este dispositivo foi revogado pela Lei n° 11.941/2009, e (iii) apenas com débitos relativos às contribuições da mesma espécie de destinação, em razão da vedação do art. 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/07. Ressalvada, em todo caso, a possibilidade de que, no momento da efetivação da compensação tributária, o contribuinte se valha da legislação superveniente que lhe seja mais benéfica, ou seja, que lhe assegure o direito a compensação mais ampla. Precedentes do STJ. 5. A norma que atualmente prevê a possibilidade de compensação de débitos relativos a contribuições previdenciárias é o art. 26 da Lei n° 11.457, segundo o qual "o valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2° desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de oficio ou em que for deferido o respectivo requerimento" 6. Não há qualquer ilegalidade nas exigências, estabelecidas na IN n° 1.300/12, de indicação da compensação em GFIP (art. 56, § 7°). Tratase da regulamentação de aspectos meramente procedimentais da compensação. Precedente do STJ. 7. O indébito deverá ser acrescido da Taxa SELIC, que já compreende correção monetária e juros, desde cada pagamento indevido, até o mês anterior ao da compensação/restituição, em que incidirá a taxa de 1%, tal como prevê o artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. 8. As regras relativas ao montante dos honorários de sucumbência e a proibição de compensação de honorários no caso de sucumbência recíproca, previstas no novo CPC — Lei n° 13.105/15, aplicamse apenas às ações ajuizadas após a entrada em vigor desta lei, em 18.03.2016, pois (i) a causalidade reportase ao ajuizamento da ação (fundamento legal) e (ii) a alteração das regras do jogo regras vigentes e aplicáveis no momento em que as partes optam pela via judicial violaria o princípio da segurança jurídica em sua dimensão de proteção da confiança. 9. Aplicação ao caso da regra relativa à sucumbência recíproca prevista no art. 21 do CPC/73, tendo em vista o acolhimento parcial do pedido formulado na inicial. 10. Remessa necessária e apelação da União a que se dá parcial provimento e apelação da Autora a que se nega provimento". Conforme se constata das informações acima extraídas, e dos autos, existe a incidência da concomitância das matérias quanto ao período de 01/1998 a 06/2004. A princípio esse julgador entende que verbas que foram declaradas inconstitucionais pelo STF, de maneira a não comportar mais discussão, poderia ser objeto de Fl. 820DF CARF MF Processo nº 15586.720601/201218 Acórdão n.º 2301006.023 S2C3T1 Fl. 5 7 exceção do art. 170A, do CTN, a fim de dar cumprimento ao comando da Corte Suprema de forma ampla e sem embaraços. Porém, a análise comporta verificações caso a caso. E no presente processo entendo que o recorrente não reuniu provas suficientes para possibilitar a compensação, objeto de restituição, pelo menos em grande parte do período em que ocorreu a concomitância. Nesse sentido, a Súmula CARF n.º 1, que foi reeditada em 2018 com aplicação vinculante, conclui que há renúncia ao direito de discutir a matéria mesmo que ação judicial tenha sido ajuizada antes da ação administrativa, conforme transcrição in verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". Nesse sentido, as compensações foram feitas antes do trânsito em julgado da ação ajuizada, bem como antes da decisão final do STF referente à matéria, que recebeu o recurso que trata do assunto sob o rito da repercussão geral em 2009 (RE 593068 RG, Relator(a): Min. Joaquim Barbosa, julgado em 07/05/2009, DJe094 Divulg. 21052009 Publicado em 22052009, Ementa, Vol0236108, PP01636, LEXSTF v. 31, n. 365,2009, p. 285295 2. Assim, verifico a renúncia ao direito da recorrente de discutir as matérias no presente feito do período da glosa contestada em que ocorreu, ou seja, de 01/1998 a 06/2004. DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DO PERÍODO DE JULHO, AGOSTO E SETEMBRO DE 2004 (COMPETÊNCIAS DE 07, 08 E 09 DE 2004) Restou remanescente de análise no presente processo a glosa de compensação do período de julho, agosto e setembro de 2004, uma vez que não foi objeto de discussão da ação judicial. Dessas competências deve o colegiado se pronunciar, a fim de atender a questionamento do contribuinte naquilo em que ele não renunciou na esfera administrativa. Conforme se depreende da diligência fiscal de fls. 311 e seguintes, existem recolhimentos para o seguinte período apontado: "(...) As contribuições relativas ao período de 11/2002 a 04/2004 e de 06/2004 a 09/2004, os valores foram efetivamente recolhidos". 2 Atualmente, o relator do processo é o Ministro Roberto Barroso, do qual ficou fixada em decisão de mérito pelo Pleno do STF, proferida em 11/10/2018, a seguinte tese: "O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 163 da repercussão geral, deu parcial provimento ao recurso extraordinário para determinar a restituição das parcelas não prescritas, nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli (Presidente), Marco Aurélio e Gilmar Mendes. Em seguida, por maioria, fixouse a seguinte tese: “Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como ‘terço de férias’, ‘serviços extraordinários’, ‘adicional noturno’ e ‘adicional de insalubridade’”, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não votou o Ministro Alexandre de Moraes, sucessor do Ministro Teori Zavascki. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello". Plenário, 11.10.2018. Fl. 821DF CARF MF 8 (...) As contribuições relativas ao período de 08/2002 a 09/2004 foram efetivamente recolhidas, conforme Informação Fiscal em anexo. Conforme se observa da análise da planilha de fls. 321 e seguintes, a contribuinte realizou o recolhimento das verbas apontadas. Contudo, a diligência fiscal indica o seguinte: "c) Informar se existem contribuições incidentes sobre a remuneração dos agente políticos, no período de 02/1998 a 10/2004, que foram extintas mediante retenção dos valores repassados para o FPM e/ou se os parcelamentos dos LDC mencionados no relatório fiscal foram quitados. Resposta: Em relação às contribuições incidentes sobre a remuneração do Prefeito Municipal e do VicePrefeito informamos que as contribuições do período de 02/1998 a 11/1998 não foram pagas nem parceladas, as contribuições relativas ao período de 12/1998 a 06/2001 foram parceladas no parcelamento convencional e posteriormente foram inclusas no Parcelamento Especial da Lei 11.260/2009 e conforme dados obtidos nos sistemas da Receita Federal, o parcelamento ainda não foi encerrado e está em dia. Com relação às contribuições relativas ao período de 07/2001 a 10/2002, estas foram inclusas no parcelamento convencional e este foi extinto por liquidação. As contribuições relativas ao período de 11/2002 a 04/2004 e de 06/2004 a 09/2004, os valores foram efetivamente recolhidos. As contribuições do mês 05/2004 não foram pagas nem parceladas. Em relação às contribuições incidentes sobre remuneração a Vereadores, relativamente ao período de 02/1998 a 10/2000, não foram pagas nem parceladas, quanto ao período de 11/2000 a 06/2001 foram parceladas no parcelamento convencional e posteriormente foram inclusas no Parcelamento Especial da Lei 11.260/2009, sendo que o parcelamento ainda não foi encerrado e está em dia, conforme dados obtidos nos sistemas da Receita Federal do Brasil. As contribuições relativas ao período de 07/2001 a 07/2002 foram inclusas em parcelamento convencional extinto por liquidação. As contribuições relativas ao período de 08/2002 a 09/2004 foram efetivamente recolhidas, conforme Informação Fiscal em anexo. (...) e) Se foram quitadas as contribuições declaradas inconstitucionais, por meio de LDC ou de retenção do FPM, elaborando planilhas de valores. Resposta: Conforme já esclarecido no quesito "c" informamos que as contribuições declaradas inconstitucionais no período compreendido entre 12/1998 a 09/2004 foram inclusas em parcelamentos quitados ou com parcelas em dia e no período de 08/2002 a 09/2004 as contribuições declaradas inconstitucionais foram liquidadas. Em anexo seguem planilha e espelho dos valores parcelados". Fl. 822DF CARF MF Processo nº 15586.720601/201218 Acórdão n.º 2301006.023 S2C3T1 Fl. 6 9 Assim, não resta nenhum saldo possível que possa afastar a glosa lançada. Ainda, os normativos citados pela recorrente autorizam as compensações, desde que sejam observadas as condições legais, quais sejam: que a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados, e que o direito de efetuar compensação prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. Assiste razão a recorrente quando afirma que não há a necessidade de autorização prévia da administração tributária para a compensação de tributos e contribuições federais, que tenham sido recolhidos a maior ou indevidamente com futuros débitos de exações da mesma espécie, conforme o disposto no art. 66, da Lei 8.383/91, que permite o tal procedimento. No entanto, devese observar que o caráter facultativo da compensação não desobriga o contribuinte do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário Nacional e a Lei 8.212/91. O que não foi a situação do presente processo. Constatase também que a recorrente não observou as condições para a compensação trazidas pelo Decreto regulamentador e pelas Instruções Normativas – IN MPS/SRP 15/2006, na redação dada pela IN MPS/SRP 18/2006, no que se refere à prescrição e à correção de GFIP. Apesar de querer afastar esses dispositivos em seu recurso, a recorrente deixou de observar a legislação em vigor, e lançou de forma equivocada o direito à compensação. Assim, se a fiscalização constata que a compensação não está de acordo com a legislação previdenciária e tributária realiza a glosa dos valores constituindo o crédito. Conclusão Pelo exposto, voto, portanto, por Conhecer e Negar Provimento ao Recurso Voluntário, impondo a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 823DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000286/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A Administração Tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do Pedido de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação, para averiguar a legitimidade de todo o crédito pleiteado, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 3302-007.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de prescrição e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para garantir à recorrente o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de MP, PI e ME de pessoas físicas e cooperativas.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A Administração Tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do Pedido de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação, para averiguar a legitimidade de todo o crédito pleiteado, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de prescrição e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para garantir à recorrente o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de MP, PI e ME de pessoas físicas e cooperativas. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 02 86 /2 01 0- 02 Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/BEL nº 0124.775, da 3ª Turma, proferido na sessão de 23 de abril de 2012: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos do IPI (presumido, referente ao 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 4.113.114,46 e básico de R$ 665.087,96) pleiteados na DCOMP (retificadora) nº 28993.88088.241105.1.7.013315, tendo sido apresentadas também as declarações de compensação relacionadas nas fls. 1613/1614, vinculadas ao crédito pleiteado. 2. Os autos deste processo foram encaminhados à Fiscalização, a fim de que fosse realizada diligência prévia. Foi elaborado, então, pelo Núcleo de Fiscalização (NUFIS), o termo de verificação fiscal de fls. 1099/1104, do qual transcrevo o seguinte excerto: “ 4 DO CREDITO PRESUMIDO Constatamos, no curso dos exames levados a efeito na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, que o insumo CALCÁRIO era fornecido por pessoas jurídicas e pela pessoa física MÁRCIO VASCONCELOS FERREIRA, CPF: 135.419.95822. Juntamos, ao processo, documentos que ilustram que houve aquisições realizadas da pessoa física, fls. 865 e 866, com emissão de nota fiscal pela Prefeitura Municipal de Açailândia — MA. As pessoas físicas não são contribuintes das contribuições PIS/PASEP e COFINS, logo, as aquisições de bens realizadas junto a elas não sofreram incidência das citadas contribuições, impossibilitando seu ressarcimento, uma vez que isso s6 seria possível, nos termos do art. 1º da Lei n° 9.393/96, se a aquisição tivesse sofrido incidência das respectivas contribuições. Juntamos relação das notas fiscais que correspondente a aquisições efetuadas de pessoas físicas. A mesma conclusão se dá ao fato de a própria empresa ter emitido notas fiscais complementares de entrada do insumo. Em razão do exposto acima, entendemos, no que diz respeito ao consumo deste item, haver irregularidade, ao não excluir o contribuinte, do custo do calcário consumido, quando da apuração do valor do crédito presumido, parcelas sobre as quais Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 4 3 não houve incidência das contribuições PIS/PASEP e COFINS. A relação de GLOSAS DE CALCÁRIO ADQUIRIDO DE PF – 40 1/2003, fl. 1043, resultou no ajuste dos valores do insumo, conforme abaixo demonstrado, constantes do DEMONSTRATIVO DO CUSTO AJUSTADO DOS INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, fl. 1058. (...) Os exames realizados na contabilidade e nos demonstrativos apresentados pelo contribuinte revelaram que, no período de outubro a dezembro de 2003, a empresa GUSA NORDESTE S/A emitia notas fiscais complementares de entradas das eventuais diferenças nas quantidades do insumo CARVÃO VEGETAL adquirido, conforme amostra As fls. 872 a 879, 881 a 886, 889 e 892 a 898. A empresa contabilizava as notas fiscais emitidas pelos fornecedores e, também, as notas fiscais de sua própria emissão, fato constatado pelos registros constantes do Livro Registro de Entradas, fls. 1014 a 1027. Observese que, admitida tal possibilidade, ficaria justificada a concessão do ressarcimento sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas. Entretanto, tal pretensão é vedada pela Lei n° 9.393/96, já que sobre essas aquisições não há incidência das contribuições objeto do ressarcimento, quando da entrada do bem. Diverso não poderá ser a aplicação das disposições contidas na legislação que rege a matéria, pois não se concebe que o legislador, salvo se tivesse ressalvado expressamente, tenha dado tratamento diferente a eventos semelhantes, no que diz respeito à incidência tributária sobre o valor de obtenção. Como já afirmamos, é prérequisito, conforme dispõe a legislação vigente, para fazer jus ao crédito presumido de IPI, a incidência das contribuições PIS/PASEP e COFINS sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo. Houve irregularidade no reconhecimento dos montantes mensais do insumo, ao não excluir, do custo do carvão vegetal consumido, quando da apuração do valor do crédito presumido, as parcelas sobre as quais houve emissão de notas fiscais complementares. Desse modo, para esse período, procedemos à glosa de todas as notas fiscais complementares de entrada do insumo, conforme a relação de GLOSAS DE CARVÃO VEGETAL NF EMITIDAS PELA EMPRESA 4° T/2003, fls. 1044 a 1057, que resultou nos valores ajustados, conforme abaixo demonstrado, constantes do DEMONSTRATIVO DO CUSTO AJUSTADO DOS INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO CREDITO PRESUMIDO DO IPI, fl. 1058. (...) 5— DO CRÉDITO BÁSICO Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 5 4 O contribuinte apresentou, a esta fiscalização, a "RELAÇÃO DE AQUISIÇÕES DE INSUMOS REF. 4º TRIM. 2003" das aquisições vinculadas ao crédito básico o IPI, fls. 929 a 966. Na relação, há duas colunas para a identificação do IPI, ma denominada "IPI", com apenas 04 (quatro) registros, e outra "IPI Pres.", na qual é informado um suposto IPI incidente sobre o valor da aquisição. O contribuinte informou, fls. 922 e 926, que a coluna "IPI Pres." referese à aquisição de insumos com IPI não destacado nas notas fiscais. Verificadas as notas fiscais apresentadas, constatouse não haver o destaque de IPI, aqueles registros resultaram de um critério particular adotado pelo contribuinte, sobre os insumos que não sofreram a incidência do tributo. Tal fato, novamente, confirmado pelo próprio contribuinte, através do "RESUMO 4° TRIM. APURAÇÃO DO IPI GUSA NORDESTE 2003", linhas 015 – IPI destacado NF de entradas e 016 — IPI presumido s/insumos, fl. 926. As cópias das notas fiscais de entradas, fls. 990 a 999, evidenciam esta constatação. Ocorre que a legislação tributária federal não permite a apropriação de crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados. O IPI regese pelo principio da nãocumulatividade, previsto constitucionalmente no art. 153, § 3º, II, da Carta Magna de 1988, normatizado por disposições constantes do art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN — Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966) e exercido por meio de uma sistemática de apuração denominada "sistema de créditos", disciplinada pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — RIPI/2002), art. 11, da Lei n° 9.779/99 e demais disposições complementares à matéria. (...) No demonstrativo, abaixo, apresentamos os valores do Crédito Presumido e do crédito básico do IPI, identificados na coluna "Crédito Ajustado", passíveis de compensação/ressarcimento, no período: Fontes: 1 Valores informados na PER/DCOMP n°28993.88088.241105 1.7.013315; Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 6 5 2 — Demonstrativo Ajustado de Apuração do Credito Presumido de IPI 4° trimestre/2003; e Demonstrativo do crédito básico de IPI ajustado — 4° 1/2003, constante no item 4 deste termo. Diante do exposto, opinamos pelo reconhecimento da legitimidade, em parte, do crédito presumido e do crédito básico do IPI, pedidos, neste processo, (eferente ao 4° trimestre de 2003, no montante total de R$ 316.238,05 (trezentos e dezesseis mil, duzentos trinta e oito reais e cinco centavos). Este valor é o original do crédito apurado no período analisado, o NURAC, desta DRF, quando da homologação das compensações, ira deduzir os valores que já foram objeto de pedidos de compensação/ressarcimento.” 3. O Núcleo de Arrecadação e Cobrança – NURAC da Delegacia de origem, partindo do Termo de Verificação (fls. 1099/1104), elaborou a Informação Fiscal de fls. 1612 a 1637, da qual transcrevo o excerto abaixo: “e) No cálculo dos créditos do IPI (Crédito Básico e Crédito Presumido), a Fiscalização não levou em consideração os débitos do IPI do 4° trimestre/2003, no valor de R$ 10.186,93, referente ao mês de outubro/2003, R$ 13.469,33 referente ao mês de novembro/2003, e de R$ 6.999,14 referente ao mês de dezembro/2003, cujas importâncias foram objeto de dedução no Livro Registro de Apuração do WI, como se verificou analisando as cópias das folhas juntadas às fls. 13911419 do processo volume VIII; com a dedução dos débitos do IPI acima, no valor total de R$ 30.655,40, o crédito liquido apurado seria inicialmente de R$ 285.582,65 a titulo de Crédito Presumido do IPI, considerando que na dedução do total dos débitos o crédito do IPI básico apurado pela Fiscalização, no valor de R$ 2.038,33, foi totalmente absorvido, porém, analisando o Livro Registro de Apuração do IPI do anocalendário de 2004, cópias parciais das folhas juntadas As fls. 15401563 do processo volume VIII, verificouse: el) encontrase registrado no mês de dezembro/2004, o estorno de crédito relativo a IPI s/insumos, desonerado do IPI, no valor de R$ 5.197.546,46, como demonstra a cópia juntada As fls. 1561, sendo R$ 2.095.104,66 referente ao ano de 2003, e R$ 3.102.441,80, remanescente, relativo ao ano de 2004, segundo o contribuinte, conforme a folha juntada As fls. 1562; e2) encontrandose também registrado no referido Livro, como crédito do IPI destacado em NF a importância total de R$ 7.971,73, cópias das folhas juntadas As fls. 1541, 1542, 1548, 1551, 1552, 1554, 1555, 1558 a 1560, e como debito total no anocalendário de 2004, a importância de R$ 161.033,49, cópias das folhas juntadas As fls. 1541 a 1561, que após os estornos correspondentes a devoluções/débitos indevidos no valor R$ 1.364,30 (cópias juntadas As fls. 1555 a 1557), apurouse como débito total o valor de R$ 159.669,19, e como débito liquido, após a dedução do credito supra de R$ 7.971,73 (referente ao IPI destacado), a importância de R$ 151.697,46, que será deduzido Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 7 6 do saldo do crédito apurado pela Fiscalização, considerando que o suposto crédito total do IPI s/insumos no anocalendário de 2004 foi estornado, como já foi dito acima, apurandose como crédito liquido, após a dedução, a importância de R$ 133.885,19.” 4. Através do Despacho Decisório de fls. 1637/1641 datado de 06/09/10 foi reconhecido somente crédito presumido no valor de R$ 133.885,19, homologada parcialmente a compensação declarada na Dcomp eletrônica retificadora n° 28993.88088.241105.1.7.013315, não homologadas as compensações declaradas nas DCOMP discriminadas na alínea “c” do despacho decisório e consideradas não declaradas as compensações relacionadas na alínea “d” do referido despacho. O contribuinte foi cientificado em 17/09/10. 5. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1959/1981), em 01/11/2005, aduzindo, em suma, as seguintes alegações: 3. PRECLUSÃO DO DIREITO DE REAPURAÇÃO DOS CRÉDITOS/ DÉBITOS DE PERÍODOS DECAÍDOS: 4º TRIMESTRE DE 2003. • Que, foi intimada do Despacho decisório em 17/09/2010, data em que tomou ciência da glosa parcial dos créditos por ela escriturados no período referente ao 4° trimestre/2003. Tal informação já é suficiente para se concluir pela decadência direito do Fisco revisar o período fiscalizado e, em consequência, glosar créditos, exigir a diferença ou suplementação do tributo, ou, ainda, aplicar eventuais penalidades. • Que, com o término do quinquênio iniciado com a ocorrência do fato gerador do tributo, operase, pois, a decadência do direito de a Fazenda Pública rever a apuração do crédito, convalidandose definitivamente os lançamentos exercidos pelo contribuinte. • 4.1 Erro no calculo do crédito presumido glosado indicado no "Demonstrativo Ajustado do Crédito Total" elaborado pelo Auditor • Que, extraise, das informações constantes no "Termo de Verificação Fiscal" reproduzidas acima, que o valor do crédito presumido glosado perfaz o montante de R$ 32.481,20 (+) R$ 3.512.518,02 = R$ 3.544.999,22. Entretanto, no "Demonstrativo Ajustado do Crédito Total" (fls. 1.066), o Auditor Fiscal considerou a monta de R$ 3.798.941,74 (ao invés de R$ 3.544.999,22) e, portanto, R$ 253.942,52 a mais do que a glosa efetivamente realizada. Efetuada a correção no cálculo, o crédito total ajustado passará de R$ 316.238,05 (fls. 1.066) para R$ 570.153,57. Demonstrado que, realizada a retificação do cálculo do crédito presumido glosado, a Impugnante terá direito Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 8 7 ao crédito total ajustado no importe de R$ 570.153,571, portanto, R$ 253.942,52 a mais do que os R$ 316.238,05 reconhecidos pelo Fisco ás fls. 1.066. 4.2 Erro no cálculo do crédito ajustado indicado no "Demonstrativo Ajustado do Crédito Total" elaborado pelo Auditor. • Que, o Fiscal não considerou o crédito presumido de IPI acumulado até o 3° trimestre de 2003, o qual compunha o crédito pleiteado no importe de R$ 4.113.114,46. Para que o procedimento do Fiscal estivesse correto, ele deveria ter somado o crédito presumido de out./03, nov./03 e dez./03 (R$ 314.199,72) ao crédito presumido acumulado nos anos anteriores (R$ 3.640.321,82), alcançando um crédito total de (R$ 3.954.521,54). Assim, somandose o crédito anterior acumulado R$ 3.640.321,82 (+) o crédito reconhecido pelo Fiscal de R$ 314.199,72, chegase ao montante de R$ 3.954.521,54. • Que, retificandose o cálculo realizado ás fls. 1.066, e considerando o crédito de R$ 3.954.521,54, o crédito total ajustado no período passará de R$ 316.238,05, para R$ 3.956.559,87. Dessa forma, ainda que a Impugnante não fizesse jus ao crédito glosado de carvão e calcário, o Fiscal não poderia ter ignorado o crédito presumido de IPI acumulado até o 3° trimestre de 2003. Diante disso, resta demonstrado o erro que maculou o cálculo realizado pela Fiscalização, assim como o direito da Impugnante ao "crédito total ajustado no período" de R$ 3.956.559,87. 5. ERROS NO CALCULO DO CRÉDITO FINAL AJUSTADO INDICADO PELO NURAC. • Que, verificase, pois, que o NURAC deduziu, do crédito presumido indicado pelo NUFIS, débitos supostamente em aberto no importe total de R$ 180.314,53. Dessa forma, o NURAC diminuiu o crédito presumido de IPI reconhecido para R$ 133.885,19. Ocorre que o procedimento adotado pelo NURAC não encontra respaldo legal. Em primeiro lugar porque está a exigir a quitação de débitos após 5 anos de sua escrituração, o que, conforme já exposto no tópico 3, é vedado em razão de ter se operado a decadência. Ademais o NURAC não pode, a pretexto de revisar as declarações de compensação da Impugnante, cobrar débito de IPI escriturado nos livros da empresa, pago via apuração débito/crédito, e não por meio de PER/DCOMPS. Portanto, para que a Fiscalização pudesse cobrar tais débitos de IPI, deveria iniciar um procedimento de fiscalização que acobertasse o período, com escopo definido e claro, refazer as contas gráficas da empresa e, se houvesse débito não pago, ai sim lavrar o competente de Auto de Infração, respeitando o prazo decadencial para tal. Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 9 8 6.1 Direito ao crédito presumido de IPI calculado sobre a aquisição de pessoa física. • Que, consoante dito linhas atrás, o Auditor Fiscal glosou o crédito relativo ao insumo de calcário porquanto adquirido de pessoa física, Sr. Márcio Vasconcelos Ferreira, CPF: 135.419.95822. Segundo o Auditor, as pessoas físicas não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, razão pela qual não se pode deferir o crédito presumido de IPI instituído como forma de ressarcimento dessas contribuições. • Na realidade, a norma estabelece o direito ao crédito presumido incidente sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo do adquirente. Em síntese: para fazer jus ao crédito, basta que a empresa exportadora tenha adquirido, no mercado interno, insumos a serem empregados em seu processo produtivo. • A simples leitura do dispositivo (art. 1º, caput, e § único da Lei 9.363/96) é suficiente para se concluir que a empresa exportadora fará jus ao crédito presumido sobre toda e qualquer aquisição, no mercado interno, de insumo utilizado em seu processo produtivo, pouco importando se estes foram — ou não — tributados pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Se a lei não estipulou tal condição, à Autoridade Fiscal não é permitido, a pretexto de interpretála, exigir requisito não previsto pelo legislador. 6.2 Do direito ao crédito presumido de IPI calculado sobre as notas fiscais complementares emitidas pela Impugnante. • Extraise, das passagens acima reproduzidas, que o Auditor Fiscal glosou o crédito vinculado às NF's Complementares única e exclusivamente porque pressupôs, equivocadamente, que as aquisições não sofreram a incidência do PIS/PASEP e da COFINS. • Contudo, mais uma vez a conduta da Fiscalização não merece prosperar. Isso por uma razão muito simples: ocorreram as aquisição que, como se viu no tópico anterior, geram o direito ao crédito presumido em discussão. Nesse sentido, cabe destacar que as empresas que venderam o carvão vegetal para a Impugnante efetivamente receberam os valores lastreados nas Notas Fiscais Complementares. • Fácil perceber, do até aqui exposto, o erro do Auditor Fiscal, que assumiu, equivocadamente e por sua conta e risco, que as Notas Fiscais Complementares relativas à aquisição de carvão vegetal de pessoa jurídica) não são passíveis de tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 10 9 6. Por fim, requereu que: a) seja reconhecida a preclusão do direito de reapuração dos créditos/débitos do período relativo ao 4° trimestre de 2003, porquanto já homologados tacitamente; b) sejam reconhecidos os erros cometidos pelo NUFIS e pelo NURAC (itens 4 e 5 da defesa) e, via de consequência, seja retificado o valor do crédito total ajustado a que tem direito a Impugnante e, desta feita, sejam homologadas as declarações de compensações correspondentes; c) seja reconhecido o direito da Impugnante ao crédito presumido de IPI (art. 1° da Lei n° 9.393/96) calculado sobre as Notas Fiscais Complementares que acobertaram a aquisição de carvão vegetal e sobre a Nota Fiscal que acobertou a aquisição de calcário adquirido de pessoa física. d) Pede, por fim, seja deferida a realização de diligência, para que sejam comprovados os pontos de discordância deduzidos pela Impugnante relativos aos cálculos realizados pelo NUFIS e pelo NURAC. 7. É o relatório. A decisão da DRJ julgou improcedenteda manifestação de inconformidade da contribuinte, o acórdão recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei nº 9.363/1996 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E COFINS. RESSARCIMENTO. Somente as aquisições de MP, PI e ME, que tenham sofrido a incidência do PIS/Pasep e da COFINS, podem ser incluídos no cálculo do benefício, como se observa pela redação do art. 1o da Lei no 9.363, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 11 10 ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. O inconformismo contra a r. decisão de piso esta circunscrito na alegação da recorrente ter direito ao crédito presumido de IPI calculado sobre a aquisição de matéria prima de pessoa física e calculado sobre as notas fiscais complementares emitidas pela própria recorrente, preclusão do direito de reapuração dos créditos/débitos do 4º trimestre de 2003, além de supostos erros de cálculos incorridos pelas autoridades fiscais lançadoras. I Da decadência da reapuração dos créditos/débitos do 4º trimestre de 2003 Pois bem. Conforme se verifica dos documentos acostados aos autos (despacho decisório fls. 1637/1641), a recorrente foi cientificada do despacho decisório que lhe negou o creditamento de parte dos valores requeridos na data de 17/09/2010, e a última Dcomp foi entregue em 24/11/2005. Para a recorrente a glosa dos créditos feitas pela fiscalização deveria ser procedida dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados a partir da data do fato gerador do crédito e não da data de apresentação do pedido de ressarcimento. Entendo que a tese esposada pela recorrente está equivocada. Na hipótese dos autos não se está diante de Auto de Infração para a cobrança de valores apurados a título de crédito presumido de IPI, onde estarseia falando em prazo decadencial, seja nos termos do art. 150, §4º ou 173 do CTN. Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 12 11 Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto: Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 13 12 sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. Desta forma, não merece reparo a decisão de piso quanto ao afastamento da decadência apontada pela recorrente, devendo ser mantida, por entender encontrarse em consonância com a legislação que rege o assunto. II Direito ao crédito presumido de IPI calculado sobre a aquisição de pessoa física Alega a recorrente que a glosa de créditos advindos da aquisição de calcário (insumo) de pessoa física nãocontribuinte das contribuinçe, teria ocorrido de forma equivocada, tendo em vista a matéria já encontrarse pacificada pelo STJ, que garantiu a possibilidade do ressarcimento de referidos valores. No que diz respeito à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 14 13 9.363/96, o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ (REsp nº 993.164/MG), que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1.241.856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O REsp nº 993.164/MG, foi julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, e, portanto, vinculante nos julgamentos deste Conselho Administrativo por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 15 14 revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes IPI pessoas físicas. Dessa forma devem ser revertidas as glosas, reconhecendose o direito creditório correspondente. III Direito ao crédito presumido de IPI calculado sobre notas fiscais complementares emitidas pela recorrente Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 16 15 Para a recorrente a glosas dos créditos presumidos de IPI vinculados a notas fiscais complementares de aquisição de insumos, emitidas pela própria recorrente, não poderia persistir, pois, segundo seu entendimento, teria o legislador condicionado o aproveitamento do crédito presumido de IPI a uma única condicionante de que as aquisições de MP, PI e ME, para a utilização em seu processo produtivo ocorrese no mercado interno. Segundo o entendimento trazido pelo acórdão recorrido, por se tratar de pedido de ressarcimento/compensação de crédito, a prova do direito a esse fica a cargo do contribuinte que, no presente caso, não teria se desincumbido de demonstrar a efetiva existência de seu direito ao crédito. No âmbito deste Colegiado é pacífico o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do direito creditório é do contribuinte, conforme exemplificam os acórdãos trazidos abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (Acórdão 3401005.408. Relatora Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Data da Sessão 24/10/2018.) Assim, é obrigação do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea, contábil e fiscal, a origem e liquidez do crédito pleiteado, o que no meu sentir, não foi feito. A partir da folha 903 do presente processo, podemos verificar vasta quantidade de documentos (notas fiscais, cópia de livros de apuração, DCPs), trazidos pela contribuinte recorrente que, em tese, tem o condão de comprovar o direito ao crédito que pleiteia. Ressaltase que referidos documentos foram juntados pela recorrente em atendimento Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 17 16 a intimação da fiscalização, antes mesmo do protocolo de sua manifestação de inconformidade, ao contrário do que restou apontado pelo acórdão recorrido. Ressaltase que ao contrário do que fora decidido no acórdão recorrido, a conclusão do despacho decisório para a glosa dos créditos discutidos no presente tópico foi no sentido de não ser possível o creditamento pela falta de previsão legal para tanto e não falta de provas. A DRJ nesse sentido Nesse diapasão, considerando o que restou comprovado pela recorrente, entendo que, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363/96, deve ser garantido o direito de creditar se do crédito presumido de IPI observado sobre as aquisições de carvão vegetal demonstradas nas notas fiscais complementares de referido insumo, revertendose, por consequência, as glosas realizadas pela fiscalização e mantidas pelo acórdão recorrido. IV Erros de Cálculo NUFIS e NURAC Para a recorrente, tantos os cálculos apresentados pela NUFIS no demonstrativo ajustado de crédito total, quanto ao cálculo do crédito final ajustado indicado pela NURAC, estariam equivocados, desconsiderando parte dos créditos que lhe fariam jus. Considerando o que foi apontado nos tópicos anteriores, temos que existem créditos que devem ser garantidos à recorrente, a uma por existir decisão do STJ que deve ser seguinte por este Conselho no que diz respeito à aquisição de MP, PI e ME de pessoa física não contribuinte do IPI, a duas porque restou evidenciado que a recorrente logrou êxito em demonstrar a existência de crédito relacionado a aquisição de insumo (carvão) lastreado pela emissão de notas fiscais complementares e escrituração contábil (documentação hábil a comprovar). No entanto, no que diz respeito à alegação de que o cálculo realizado pela NURAC não estaria correto pois levou em consideração débitos escriturados a mais de 5 anos, entendo não haver razão da insurgência, vez que, conforme demonstrado não houve a decadência alegada, não havendo o equivoco apontado. No mesmo sentido, entendo não haver razão para a insurgência contra os cálculos do crédito final ajustado indicado pelo NURAC. Pretende a recorrente a alteração da forma de apuração dos créditos em discussão. A NUFIS e a NURAC quanto da realização dos cálculos dos créditos básico e presumidos, levou em consideração a legislação aplicada ao assunto, bem como o período de apuração indicado para o ressarcimento. Desta forma, não merece reparo o acórdão recorrido no que tange as alegações relacionas aos cálculos feitos pelas autoridades fiscais, motivo pelo qual não há como ser realizada a diligência requerida pela recorrente. V Conclusão Por todo o exposto, voto por em afastar a prejudicial de prescrição e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para garantir à recorrente o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de MP, PI e ME de pessoas físicas e cooperativas. Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 10325.000286/201002 Acórdão n.º 3302007.244 S3C3T2 Fl. 18 17 É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 2177DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.930624/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2001
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
No caso concreto não se trata de simples erro formal. Caso as alegações da Recorrente fossem verídicas (não comprovou), estar-se-ia diante de um verdadeiro erro material em toda a apuração do exercício, que não pode ser sanada e acatada pelo Fisco sem provas cabais da existência do crédito alegado.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-003.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Participou do julgamento a Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça em substituição à Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. No caso concreto não se trata de simples erro formal. Caso as alegações da Recorrente fossem verídicas (não comprovou), estar-se-ia diante de um verdadeiro erro material em toda a apuração do exercício, que não pode ser sanada e acatada pelo Fisco sem provas cabais da existência do crédito alegado. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Participou do julgamento a Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça em substituição à Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 06 24 /2 00 9- 95 Fl. 244DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.561 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.930624/2009-95 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação eletrônica PER/DCOMP — n° 32430.65800.110505.1.3.04-230, cuja análise da DIORT/DERAT/SPO resultou na sua não homologação. Da fundamentação do despacho decisório (fl. 01 — Quadro 3), consta o seguinte: "Limite do crédito analisado, corresponde ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 20.027,63. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A Interessada foi intimada dessa decisão em 28/04/2009 (Il. 04), tendo apresentado manifestação de inconformidade às fls. 09/16, em 15/05/2009, encaminhada à Delegacia de Julgamento, pelo Órgão preparador (DERAT-SP/DIORT/ECRER) (fl. 33). O teor da defesa apresentada é o seguinte, em síntese: Na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF (doc.03), entregue em 08/05/2002, via internet, ,foi declarado o débito apurado a título de CSLL, referentemente ao ano-calendário de 2001, o montante de 128.835,00. O débito declarado em DCTF foi devidamente recolhido (página 13 da DCTF). Contudo, ao contrário do informado na DCTF, o valor efetivamente apurado pelo Requerente, foi de RS 97.197,40, conforme declarado na retificadora apresentada, em 04/05/2009 (doc. 04). O recolhimento a maior de CSLL (referente a 2001) foi utilizado em Fl. 245DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.561 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.930624/2009-95 compensação com CSLL referente ao período de outubro de 2002, como comprova a cópia do Recibo de entrega da Declaração de Compensação anexada aos autos (doc. 05). A compensação não foi homologada, pois a Requerente só retificou a DCTF após o envio da DCOMP, permanecendo a informação equivocada doS sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Ora, diante da incontestável existência do recolhimento indevido a maior, não pode prevalecer o despacho decisório que não homologou a compensação realizada pela Requerente, pois, conforme se verifica de forma cristalina, comprovada está a exigência do crédito tributário, motivo pelo qual a compensação realizada é legítima (art. 165, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN, art. 34 do In.sirução Normativa n° 900/2008, art. 66 da Lei 8.383/1991 e art. 74 da Lei n°9.430/1996,). Ademais, apenas para não deixar margem para qualquer questionamento pela Requerida, em que pese a declaração retificadora ter sido efetivada apenas após a entrega da PER/DCOMP, a mesma produz seus efeitos legais, pois foi realizada antes das hipóteses previstas no § 2", do artigo 11 da Instrução Normativa n° 786/2007, conforme já inclusive decidido pelo Conselho de Contribuintes (Acórdão 107-05815/, de 07/12/1999). Em 03 de Junho de 2011, foram juntados os documentos de fls. 34/87, que consiste em petição, datada de 13 de Maio de 2011, de complementação das informações da Manifestação de Inconformidade, apresentada anteriormente e acima resumida. O Acórdão (16-32.518 – 3ª Turma da DRJ/SP1) ora Recorrido trouxe a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo fiscal que trata de não homologação de declaração de compensação, o contribuinte tem, como regra geral, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido a compensação com os débitos declarados em DCOMP. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ano-calendário: 2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INDÉBITO. ALEGAÇÃO. NÃO RETIFICAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo o contribuinte apresentado prova inequívoca de erro de fato no preenchimento de DCTF, a qual não foi retificado dentro cio prazo estabelecido na legislação, não se acata a alegação de recolhimento maior que o devido, haja vista que prevalece a confissão de dívida em DCTF do tributo ou contribuição que foi regularmente pago. Fl. 246DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.561 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.930624/2009-95 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Às fls. 114 dos autos, o interessado apresenta Recurso Voluntário contra a decisão vergastada. Trazendo em síntese as seguintes razões: Diz que “se revela a conexão nítida entre o processo (10880.930.624/2009-95) e os processos administrativos 10880.919.096/2009-13 e 10880.930.625-2009-30, em especial por tratarem da homologação do mesmo crédito (R$ 327.603,40), razão pela qual a Recorrente requer o julgamento deste recurso voluntário em conjunto aos recursos voluntários apresentados nos autos dos processos 10880.919.096/2009-13 e 10880.930.625-2009-30”. Esclarece que “os valores pagos indevidamente ou a maior, somente deverão ser informados pelo contribuinte em DCTF no mês em que for efetuada sua compensação. Nessa ocasião, o contribuinte deve vincular o crédito alegado aos dados do DARF que comprovam o recolhimento a maior e aos dados do PER/DCOMP que demonstram a compensação realizada para pagamento do débito naquele mês”. E que, consoante entendimento do Fisco, a DCTF retificadora fora enviada fora do prazo regular, já que passados mais de 5 anos do exercício seguinte ao qual se refere a DCTF original. Em assim sendo, a 3ª Turma da DRJ/SP1 não aceitou a retificação levada A cabo pela Recorrente, mantendo em seu sistema a informação declarada na DCTF enviada em 08.05.2002, que, como dito, erroneamente informou o crédito no 1° trimestre de 2002, fazendo parecer que o mesmo havia sido compensado naquele trimestre”. A DCTF retificadora referente ao 4° trimestre de 2002, enviada em 11.05.2005, ao declarar os pagamentos dos débitos de CSLL estimativa (outubro, novembro e dezembro) realizados via DARF com créditos de pagamento indevido, informou corretamente o DARF com pagamento a maior. Contudo, manteve erroneamente como valor do principal (valor do saldo de recolhimento a maior) o valor total de R$ 244.531,65 e não R$ 126.000,00, como devido”. Ressalta que “como a Receita Federal considerou compensado o crédito com o débito informado na DCTF enviada em 08.05.2002, Às compensações declaradas para o 4° trimestre de 2002 e indicadas nos PER/DCOMP's em questão não foram homologadas”. Assim, requereu “o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para que a decisão a quo seja reformada, com a consequente homologação das compensações efetuadas”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva - Relator Fl. 247DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.561 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.930624/2009-95 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O direito à compensação, restituição ou ressarcimento, existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação daqueles institutos. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Tal crédito também é objeto dos PER/DCOMPs analisados nos PAFs 10880.919.096/2009-13 e 10880.930.625-2009-30. Quanto ao pedido preliminar de conexão, entendo não ser o caso. De toda forma, como o julgamento dos 03 processos ocorrerá nessa mesma sessão, o referido pedido resta prejudicado. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a restituição pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito de IRPJ, tendo sido emitido, eletronicamente, o Despacho Decisório cuja decisão afirmou inexistir crédito disponível para restituição. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustenta, em síntese: ERROS DE PREENCHIMENTO NOS PER/DCOMP'S (1) O PER/DCOMP originário (também chamado "PER/DCOMP mãe") n°. 35421.68767.060505.1.3.04-9031 errou ao informar o valor do DARF de pagamento indevido ou a maior, pois informou como valor original do crédito inicial e como valor principal do DARF o montante de R$ 327.603,40 (Doc. 4). Entretanto, como visto, o crédito nesse montante corresponde a dois DARF's diferentes (Doc. 9), razão pela qual deveriam ter sido informados e aproveitados os valores de cada um dos DARF's separadamente, em PER/DCOMP's distintas, possibilitando a identificação do pagamento realizado nos sistemas da Receita Federal. Em vista do exposto a Requerente retificou àquela declaração de compensação através do PER/DCOMP ora discutido (35687.28849.261206.1.7.04-0314) (Doc. 3). Verifique-se que o PER/DCOMP retificador, ao invés de modificar o PER/DCOMP mãe informando corretamente o crédito oriundo dos dois DARF's, apontou, apenas, o crédito no valor de R$ 326.670,32. Vide novamente a tabela que demonstra a ordem das compensações efetuadas: Fl. 248DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.561 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.930624/2009-95 Por sua vez, os PER/DCOMP's 17764.97411.110505.1.3.04-1118 e 32430.65800.110505.1.3.04-2305 mantiveram os erros do PER/DCOMP mãe, informando o valor de R$ 327.603,40 como valor original do crédito inicial. Além disso, informaram sua vinculação ao PER/DCOMP mãe que continha os erros supramencionados e não havia, A época, sido retificado. Nesse contexto, a Receita Federal não conseguiu confirmar o crédito (de R$ 327.603,40) compensado pela Recorrente nos PER/DCOMP's em questão. ERROS DE PREENCHIMENTO NA DCTF (1.) Erroneamente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF") enviada em 08.05.2002, referente ao 1° trimestre de 2002, informou um débito de IRPJ no montante de R$ 326.670,31 conquanto não deveria ter declarado valores pagos indevidamente (Doc. 12). Não é demais esclarecer que os valores pagos indevidamente ou a maior, somente deverão ser informados pelo contribuinte em DCTF no mês em que for efetuada sua compensação. Nessa ocasião, o contribuinte deve vincular o crédito alegado aos dados do DARF que comprovam o recolhimento a maior e aos dados do PER/DCOMP que demonstram a compensação realizada para pagamento do débito naquele mês. (2.) Em vista do exposto, a Recorrente enviou, em 04.05.2009, uma DCTF retificadora, referente ao 1° trimestre de 2002. Contudo, a DCTF retificadora errou novamente informando um crédito/débito de IRPJ, só que, dessa vez, disse que o valor do crédito/débito de IRPJ era de R$ 212.947,67 (Doc. 13). Aqui, é necessário esclarecer que, consoante entendimento do Fisco, a DCTF retificadora fora enviada fora do prazo regular, já que passados mais de 5 anos do exercício seguinte ao qual se refere a DCTF original Em assim sendo, a 3a Turma da DRJ/SP1 não aceitou a retificação levada A cabo pela Recorrente, mantendo em seu sistema a informação declarada na DCTF enviada em 08.05.2002, que, como dito, erroneamente informou o crédito no 1o. trimestre de 2002, fazendo parecer que o mesmo havia sido compensado naquele trimestre. Não por outra razão, quando a Receita Federal avaliou os PER/DCOMP's em questão, pensou que o crédito utilizado nos mesmos (R$ 327.603,40), já havia sido utilizado para outro pagamento, conforme fez parecer a DCTF enviada em 08.05.2002. (3.) A DCTF original referente ao 4° trimestre de 2002, enviada em 11.02.2003, equivocadamente informou que os débitos de IRPJ estimativa dos meses de outubro, novembro e dezembro (informadas nos PER/DCOMP's em discussão) foram pagos via compensação com crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ de 2001. (Doc. 14) (4.) A DCTF retificadora referente ao 40 trimestre de 2002, enviada em 11.05.2005, ao declarar os pagamentos dos débitos de IRPJ estimativa (outubro, novembro e dezembro) realizados via DARF com créditos de pagamento indevido, informou erroneamente os DARF's pagos a maior, indicando como valor do principal (valor do saldo de recolhimento a maior) o valor total de R$ 327.603,40. Contudo, o correto seria informar os DARF's Fl. 249DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.561 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.930624/2009-95 separadamente, sendo, como visto, um no valor de R$ 933,08 e o outro no valor de R$ 326.670,32 (Doc. 15). Ressalte-se novamente que, como a Receita Federal considerou compensado o crédito com o débito informado na DCTF enviada em 08.05.2002, as compensações declaradas para o 4° trimestre de 2002 e indicadas nos PER/DCOMP's em questão não foram homologadas. Em sua impugnação, a recorrente deixou de apresentar documentos para comprovar o direito creditório alegado, de maneira que, ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo entendeu que a simples alegação de existência de crédito, desacompanhada de documentos probatórios, não é suficiente para afastar o despacho decisório então combatido. Entendeu ainda que não tendo o contribuinte apresentado prova inequívoca de erro de fato no preenchimento de DCTF, a qual não foi retificado dentro do prazo estabelecido na legislação, não se acata a alegação de recolhimento maior que o devido, haja vista que prevalece a confissão de dívida em DCTF do tributo ou contribuição que foi regularmente pago. Analisando os autos, observa-se que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), nem tampouco em sede de recurso voluntário, documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado ou comprovar que seu débito era menor do que aquele originalmente declarado de modo a resultar em crédito por pagamento a maior , restringindo-se tão somente a alegar que houveram uma série de erros na DCTF original e nos PER/DCOMPs. De fato, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente tão só alegações. Faz-se necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábil-fiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Especialmente em um caso como esse, em que diversos foram os alegados erros do contribuinte, seja em DCTF seja nos PER/DCOMPs. E ainda, em se tratando de supostos pagamentos indevidos ao longo do ano de 2001, e diante de retificações de DCTFs ocorridas vários anos após o suposto pagamento indevido. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: Fl. 250DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.561 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.930624/2009-95 "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente eximiu-se do ônus de produzir provas cabais para sustentar suas alegações. Não há, junto ao recurso voluntário, documentos conclusivos para demonstrar a certeza e liquidez dos pretensos créditos de IRPJ, originados, segundo a recorrente, de retenções por fontes pagadoras e pagamentos de estimativas, bem como da inexistência de IRPJ a pagar no referido exercício. Com efeito, a recorrente não apresentou escrituração contábil-fiscal, com documentos que a lastreie, e sem os registros contábeis, não há como confrontar os valores devidos de IRPJ informados nas DCTFs original e retificadora, de maneira a verificar a existência e liquidez de eventuais créditos por pagamento indevido. Fl. 251DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.561 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.930624/2009-95 Ademais, também não vejo como caso de diligência primeiro porque sequer foi deferia, segundo porque o Recorrente teve tempo mais do que suficiente para trazer a documentação fiscal-contábil que amparasse o suposto crédito. Diga-se ainda, que no presente caso não estamos diante de meros erros formais como defendido pela Recorrente, mas sim de verdadeiro erro material na apuração dos tributos no exercício, o que acarretou em uma série de retificações tanto de DIPJ quanto de DCTF. Assim, mais do que nunca o contribuinte teria que comprovar de forma cabal a existência do crédito, vez que já havia confessado débito anteriormente. Diante do exposto, considerando a ausência de documentos hábeis e idôneos para demonstrar a ocorrência do pagamento a maior alegado, entendo que a decisão recorrida deve prevalecer. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003227/2004-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 1998, 1999
DEVIDO PROCESSO LEGAL. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A realização anual do saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, à taxa mínima de 10% ao ano, configura fato jurídico novo a cada período de apuração. Assim, não há que se falar em suspensão do presente feito para aguardar outro processo que trata de lançamento de ofício no ano de 1995.
PROVAS ILÍCITAS. ELEMENTOS OBTIDOS JUNTO À FONTE PAGADORA. SAPLI. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Não configura utilização de prova ilícita a circularização de informações e obtenção de elementos probatórios relativos ao IRRF junto à fonte pagadora. Também não configura prova ilícita a utilização de tabelas e demonstrativos elaborados pela fiscalização a partir de sistema interno da RFB.
Na espécie, todos os elementos de prova foram trazidos tempestivamente aos autos pela autoridade administrativa, de forma a garantir o contraditório e o amplo exercício do direito de defesa na lide, que se inicia com a apresentação da manifestação de inconformidade.
NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. VÍCIO SUPRIDO.
A ausência de intimação do relatório da diligência determinada em fase recursal não tem o condão de provocar a irremediável nulidade do processo, pois, na espécie, o contribuinte teve ciência e oportunidade de se manifestar antes que a matéria fosse decidida na segunda instância administrativa.
PREJUÍZOS FISCAIS DA ATIVIDADE RURAL. SAPLI. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Não pode o contribuinte aproveitar-se de prejuízos fiscais da atividade rural na composição do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ se tais prejuízos não foram declarados à RFB. Na espécie, a contribuinte não logrou comprovar que tenha efetivamente saldos superiores aos registrados no SAPLI ou a ocorrência de erro de fato nas declarações de rendimentos (DIRPJ) e de informações econômico-fiscais (DIPJ).
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA.
Deve-se considerar na apuração do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ a realização mínima anual de 10% do saldo acumulado em 1995 do lucro inflacionário.
Numero da decisão: 1401-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer o saldo remanescente de crédito de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 1998 de R$ R$ 574,56 e o crédito relativo ao saldo negativo do ano-calendário 1999 de R$ 408.304,66, homologando-se as compensações dentro desses limites, observando-se as compensações efetuadas diretamente na contabilidade, com ou sem declaração em DCTF, e as que compõem as DComp no presente processo, bem como no processo apensado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A realização anual do saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, à taxa mínima de 10% ao ano, configura fato jurídico novo a cada período de apuração. Assim, não há que se falar em suspensão do presente feito para aguardar outro processo que trata de lançamento de ofício no ano de 1995. PROVAS ILÍCITAS. ELEMENTOS OBTIDOS JUNTO À FONTE PAGADORA. SAPLI. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não configura utilização de prova ilícita a circularização de informações e obtenção de elementos probatórios relativos ao IRRF junto à fonte pagadora. Também não configura prova ilícita a utilização de tabelas e demonstrativos elaborados pela fiscalização a partir de sistema interno da RFB. Na espécie, todos os elementos de prova foram trazidos tempestivamente aos autos pela autoridade administrativa, de forma a garantir o contraditório e o amplo exercício do direito de defesa na lide, que se inicia com a apresentação da manifestação de inconformidade. NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. VÍCIO SUPRIDO. A ausência de intimação do relatório da diligência determinada em fase recursal não tem o condão de provocar a irremediável nulidade do processo, pois, na espécie, o contribuinte teve ciência e oportunidade de se manifestar antes que a matéria fosse decidida na segunda instância administrativa. PREJUÍZOS FISCAIS DA ATIVIDADE RURAL. SAPLI. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não pode o contribuinte aproveitar-se de prejuízos fiscais da atividade rural na composição do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ se tais prejuízos não foram declarados à RFB. Na espécie, a contribuinte não logrou comprovar que tenha efetivamente saldos superiores aos registrados no SAPLI ou a ocorrência de erro de fato nas declarações de rendimentos (DIRPJ) e de informações econômico-fiscais (DIPJ). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 32 27 /2 00 4- 00 Fl. 1639DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. Deve-se considerar na apuração do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ a realização mínima anual de 10% do saldo acumulado em 1995 do lucro inflacionário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer o saldo remanescente de crédito de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 1998 de R$ R$ 574,56 e o crédito relativo ao saldo negativo do ano-calendário 1999 de R$ 408.304,66, homologando-se as compensações dentro desses limites, observando-se as compensações efetuadas diretamente na contabilidade, com ou sem declaração em DCTF, e as que compõem as DComp no presente processo, bem como no processo apensado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Trata o presente feito de diversos PER/Dcomp transmitidos pela contribuinte por meio das quais declara a compensação de débitos de PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e ITR com créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ apurados nos anos-calendário 1998 e 1999. Observo que a numeração de folhas mencionada neste relatório refere-se às folhas do processo original, em papel. Fl. 1640DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Os PER/DComp foram submetidos a procedimento de ofício pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá, que emitiu em 23/05/2006 o Despacho Decisório DRF/CBA nº 480 (fls. 473 e ss.). No despacho decisório, a autoridade administrativa concluiu pela não homologação das compensações declaradas. É oportuno destacar que se tratou de procedimento manual, no qual a autoridade administrativa intimou a contribuinte a apresentar elementos de prova e esclarecimentos que entendeu pertinentes à matéria sob exame. Na verificação, a autoridade administrativa identificou diversas infrações, que passo a mencionar. O procedimento partiu dos saldos negativos de IRPJ apurados pela contribuinte, conforme as respectivas DIPJ: Ano-calendário 1998 IRPJ devido R$ 16.035,92 IRRF (R$ 261.036,29) Estimativas (R$ 33.420,03) Saldo negativo (R$ 278.114,40) Ano-calendário 1999 IRPJ devido R$ 86.164,65 IRRF (R$ 446.406,98) Estimativas (R$ 145.526,80) Saldo negativo (R$ 505.769,13) A autoridade administrativa efetuou um detalhado exame do saldo negativo em cada ano-calendário e identificou as seguintes infrações. Ano-calendário 1998: Conforme visto, o saldo negativo declarado na DIPJ/1999 (ano-calendário 1998), no valor de R$ 278.114,40, era composto por estimativas mensais de IRPJ e IR Retido na Fonte. No procedimento, a autoridade administrativa identificou as seguintes infrações: Infração 1: A contribuinte utilizou, ao longo de 1998, a prerrogativa de apurar as estimativas de IRPJ com base em balanço/balancetes de redução ou suspensão, conforme legislação de regência. Assim, apurou estimativas a pagar somente nos meses de outubro e novembro de 1998, no montante de R$ 33.420,03. Entretanto, esse valor não foi pago. A contribuinte compensou as estimativas devidas com IRRF do próprio ano-calendário 1998. Entretanto, os valores de IRRF utilizados para compensar as estimativas não foram reduzidos do saldo de IRRF que compôs o saldo negativo de IRRF. Com esse procedimento, o valor de R$ 33.420,03 passou a contar em duplicidade para a composição do saldo negativo (como IRRF e como estimativa). Assim, a fiscalização glosou no saldo negativo de 1998 o valor de R$ 33.420,03 relativo às estimativas. Fl. 1641DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Infração 2: a contribuinte, ao apurar o lucro real, declarou uma compensação de prejuízos fiscais da atividade rural dos períodos-base 1991 a 1998 no valor de R$ 880.928,60. Contudo, a fiscalização, ao consultar o sistema de acompanhamento de prejuízos fiscais da RFB (SAPLI), que espelha os valores declarados e apurados de ofício, constatou que a contribuinte havia incorrido num excesso de compensação no valor de R$ 803.235,64. Com a glosa do excesso, a autoridade administrativa apurou que o montante correto de prejuízos fiscais da atividade rural a compensar seria de R$ 77.692,96. Infração 3: A contribuinte deixou de considerar na apuração do lucro real a parcela mínima obrigatória do lucro inflacionário acumulado. Desta forma, a fiscalização adicionou o valor de R$ 20.707,89, que corresponde a 10% do valor acumulado. Em decorrência das infrações identificadas, a autoridade administrativa refez a apuração do saldo negativo do ano-calendário 1998, chegando ao valor de R$ 51.813,87, conforme quadro abaixo: Ano-calendário 1999: Conforme visto, o saldo negativo declarado na DIPJ/2000 (ano-calendário 1999), no valor de R$ 505.769,13, era composto por estimativas mensais de IRPJ e IR Retido na Fonte. No procedimento, a autoridade administrativa identificou as seguintes infrações: Infração 1: A contribuinte declarou na DIPJ/2000 (ano-calendário 1999) um total de R$ 446.406,98 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, entretanto, a autoridade administrativa cotejou a DIPJ com as DIRF apresentadas pela fonte pagadora e diligenciou junto a esta para confirmar os valores declarados. Fl. 1642DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Deste procedimento, resultou uma glosa de R$ 238.583,86 e o saldo de IRRF considerado para a composição do saldo negativo de IRPJ foi de R$ 207.823,12. Infração 2: Da mesma forma que em 1998, a contribuinte deixou de considerar na apuração do lucro real de 1999 a parcela mínima obrigatória do lucro inflacionário acumulado. Desta forma, a fiscalização adicionou o valor de R$ 20.707,89, que corresponde a 10% do valor acumulado. Em decorrência das infrações identificadas, a autoridade administrativa refez a apuração do saldo negativo do ano-calendário 1999, chegando ao valor de R$ 264.008,30, conforme quadro abaixo: Vale destacar, ainda no que diz respeito ao ano de 1999, que, embora não tenha havido glosa de estimativas, a fiscalização identificou que estas não foram pagas, tendo sido compensadas na contabilidade. As estimativas de janeiro, fevereiro e maio/1999 foram compensadas na contabilidade com saldo negativo de 1998. A fiscalização identificou irregularidades nos registros contábeis da conta "IRPJ a compensar", cujo saldo foi utilizado na compensação das estimativas mencionadas. Vale citar: 26. Da análise dos livros Diário e Razão do período em comento, constatou-se que as estimativas apuradas em janeiro, fevereiro e maio foram auto-compensadas através de lançamento a crédito na conta "IRPJ a compensar" (Razão, fl. 466). A referida conta registra um saldo inicial de R$ 247.008,04, ao qual foi agregado a importância de R$ 324.712,89 (Diário, fl. 445, Razão, fls. 464 a 466), relativa ao ano-calendário 1998, em contrapartida das contas IRPJ estimativa (R$ 57.395,20) e IR Recuperado (R$ 267.317,69). Contudo, mais uma vez, tais valores não guardam correspondência com aqueles manifestados pela contribuinte por meio da declaração de rendimentos, pois conforme mencionado no item 16, o saldo negativo apurado e demonstrado na DIPJ seria de R$ 278.114,40. Nem ao menos a declaração original, entregue em 14/10/1999, apresenta valores semelhantes com os contabilizados na escrita fiscal (fl. 309). Fl. 1643DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 27. De outro lado, examinando-se as declarações de rendimentos de exercícios anteriores, constata-se que a interessada não apurou saldo negativo nos anos-calendário 1994 a 1995 e 1997, e ainda, no que pertine ao ano-calendário 1996, houve lançamento de oficio de IRPJ, anulando o suposto crédito apurado no encerramento do exercício (fls. 292 a 307). Por conseguinte, tendo em vista as informações prestadas espontaneamente a este órgão, é indevido o saldo inicial registrado na conta supracitada. Não homologação das compensações. Embora a fiscalização tenha apurado saldos negativos de IRPJ nos anos- calendário de 1998 e 1999, nos valores de R$ 51.813,87 e R$ 264.008,30, respectivamente, não homologou as compensações declaradas. Em síntese, a autoridade administrativa apresentou duas razões para a não homologação: (i) a fiscalização apurou diversas inconsistências entre a escrita contábil/fiscal e os valores declarados em DIPJ e DCTF. As inconsistências, a exemplo dos lançamentos contábeis da conta "IRPJ a compensar" acima citados, comprometeriam a liquidez e certeza do crédito pleiteado. (ii) a contribuinte já teria utilizado os possíveis saldos negativos em compensações diretas na contabilidade com débitos de 1999 a 2003, não havendo saldo remanescente para as DComp sob análise. Manifestação de inconformidade. Diante da decisão denegatória emitida pela autoridade administrativa, a contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 497 e ss.). Na manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que: (i) tem direito à compensação de débitos com o crédito decorrente de saldo negativo, composto por IRRF sobre aplicações financeiras; (ii) a fiscalização, apesar de ter reconhecido o montante de R$ 261.036,29 de IRRF em 1998 e R$ 147.526,80 em 1999, não homologou as respectivas compensações; (iii) "as inconsistências contábeis em uma empresa do porte da Requerente é algo comum e rotineiro, notadamente em face da balbúrdia legislativa tributária e da infinidade de deveres instrumentais fiscais a que estão submetidos. Entretanto, as supostas divergências relatadas no despacho decisório não podem servir de pretexto para indeferir liminarmente as compensações declaradas pela Requerente, sem que se atente contra o princípio da verdade material"; (iv) em relação à infração da realização mínima do lucro inflacionário nos anos- calendário 1998 e 1999, este lucro já teria sido integralmente realizado em 1991 conforme registrado no LALUR, embora não tenha sido prestada a mesma informação na DIRPJ. Assim, o direito da Fazenda de efetuar o lançamento em relação à realização do lucro inflacionário já teria caducado. Fl. 1644DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 (v) em relação à infração de excesso de prejuízo fiscal da atividade rural dos anos- base 1991 a 1998, a contribuinte reafirma seu direito ao valor de R$ 880.928,60, conforme registrado no LALUR. Ao final, pediu a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Protestou, também, pela produção de quaisquer provas necessárias, inclusive por meio da conversão do julgamento em diligência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O acórdão de piso ora combatido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 PRODUÇÃO DE PROVAS E DILIGÊNCIA. As provas devem vir junto com a impugnação. As diligências ocorrem somente no caso de ser necessário firmar convencimento da autoridade julgadora sobre questões de difícil deslinde. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Os valores de IRRF a serem utilizados para dedução do IRPJ devido são aqueles confirmados por meio de D1RFs e outros documentos apresentados pelas fontes pagadoras. O IRRF há de ser utilizado apenas uma vez: ou quando da dedução na estimativa ou na apuração anual. LUCRO INFLACIONÁRIO. Não há "litispendencia" ou "conexão" de processo de DCOMP em que houve acréscimo da parcela mínima do lucro inflacionário para apuração do "lucro real" com outro de Auto de Infração que exige a realização mínima do lucro inflacionário, mormente quando relativos a anos-calendário diferentes. Tampouco há que se falar em decadência, uma vez que se considera que cada evento, ou cada período de apuração em que ocorre a realização parcial do lucro inflacionário diferido, constitui um fato jurídico autônomo, a partir do qual se inicia nova contagem decadencial, exclusivamente relativa ao tributo incidente sobre aquela realização. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Valores indicados pelo contribuinte em planilhas que não estão em harmonia com aqueles consignados nas declarações de rendimentos espelhadas nos sistemas de informação da SRF, não podem ser considerados como corretos sem que haja provas nos autos da regularidade dos registros nos livros fiscais, em especial no LALUR. SALDOS NEGATIVOS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Evidenciada a utilização total dos saldos negativos para compensação, conforme sistematicamente efetuado pela contribuinte, com outros débitos que não aqueles declarados nas DCOMPs, não há como serem homologadas estas. INCONSISTÊNCIAS CONTÁBEIS. PRINCÍPIO DA "VERDADE MATERIAL". Fl. 1645DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Demonstrado que as inconsistências contábeis não foram o fundamento para a não- homologação das DCOMPs, mas a apuração de insuficiência de créditos, descabe a alegação de que foi desrespeitado o principio da "Verdade Material". Compensação não Homologada Recurso voluntário. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1076 e ss) Preliminarmente, a recorrente alegou a decadência do direito da Fazenda de revisar os créditos decorrentes de IRRF, que compuseram o saldo negativo de IRPJ, verbis: 16. No caso em tela, ao contrario do Fisco se limitar a verificar a compensação efetuada, e, portanto, respeitar o prazo qüinqüenal de decadência do art. 150, § 4°, do CTN, resolveu discutir o quantum dos créditos de IRRF da Recorrente que já se encontravam decaídos, pois originados de saldos credores dos anos-calendário de 1998 e 1999. Uma coisa, por obvio, é a compensação efetuada, e outra, totalmente diversa, é a rediscussão de fatos geradores abrangidos pela decadência, que não foram objeto de contestação pelo Fisco no prazo legal. 17. Realmente, a Fazenda possui um prazo de cinco anos para homologar ou não a compensação efetuada pelo contribuinte (art. 74, § 5° da Lei 9.430/96 4 ). Contudo, este prazo não é capaz de reavivar um crédito tributário extinto por decadência, como quer fazer crer o Fisco, ou mesmo, renovada venia, não autoriza ao sujeito ativo a refazer memoriais de cálculos, buscar dados com lastro em competências extintas por decadência e, ao final, apurar uma suposta irregularidade na apuração dos créditos que deram origem A compensação questionada. Ainda em preliminar, aduziu alegação de violação ao princípio do due process of law. Neste tópico, argumentou que a questão da realização do lucro inflacionário teria sido objeto de lançamento de ofício no processo nº 10280.000190/00-01 e que, portanto, a administração não poderia exigi-lo por meio de glosa no presente processo, antes que o processo anterior tivesse uma decisão definitiva, uma vez que vigorava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ademais, o crédito tributário não poderia ser exigido em duplicidade, ou seja, em sede de lançamento e de glosa de compensação. Sobre a decisão de primeira instância, a recorrente alegou que a autoridade julgadora incorreu em ilegalidades, pois decidiu pela não homologação das compensações com base em provas ilegais (obtidas junto à fonte pagadora) e em sistemas da RFB, que não foram submetidos ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, a recorrente pugnou pela homologação das compensações com os créditos que são incontroversos no processo, pois reconhecidos pela autoridade administrativa. Neste ponto, argumentou que meras divergências contábeis não poderiam impedir a homologação da compensação. Em relação à realização do lucro inflacionário e à compensação de prejuízos fiscais da atividade rural nos anos-base 1991 a 1998, a recorrente reeditou as alegações da manifestação de inconformidade. O processo foi inicialmente distribuído para a 1ª Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuinte, que determinou a diligência de fls. 1114 e ss. Fl. 1646DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Sobreveio, em 04/07/2012, o Acórdão nº 1801-01.072. Neste, a autoridade julgadora de segunda instância deu, por maioria de votos, provimento parcial ao recurso voluntário. A ementa do acórdão restou assim consignada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1999, 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. FISCALIZAÇÃO A DESTEMPO. DESPACHO ADMINISTRATIVO. A Administração Tributária tem cinco anos para exercer o poder-dever de auditar a contabilidade do contribuinte, não podendo mais fazê-lo após decorrido este prazo para efeito de indeferir Pedido de Restituição. Mero despacho emitido que veicula as alterações na contabilidade, ainda que ato administrativo, não possui o condão de gerar estes efeitos, adstritos ao Auto de Infração/Notificação de Lançamento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos os valores de IRRF que refletem na apuração do saldo negativo de IRPJ, há que se deferir a restituição dos referidos valores. No acórdão em questão, a autoridade julgadora entendeu, preliminarmente, que as alterações realizadas ex officio nos valores contabilizados pela recorrente haviam sido efetuadas a destempo, pois o direito da Fazenda já havia sido alcançado pela decadência. No voto que guiou a decisão da Turma, a relatora argumentou que as alterações teriam de ter sido efetuadas por meio de lançamento de ofício (auto de infração ou notificação de lançamento) e, por esse motivo, o processo havia sido anteriormente baixado em diligência. Uma vez que a diligência retornou com a informação de que não teria havido nenhum lançamento de ofício, as glosas seriam indevidas. Considerando, então, as alterações de ofício como indevidas, a relatora admitiu os seguintes valores de IRPJ devido, conforme as DIPJ da contribuinte: Ano-Calendário IRPJ devido 1998 R$ 16.341,92 1999 R$ 86.164,65 Em relação ao saldo negativo do ano-calendário 1998, a relatora concluiu que o valor de R$ 261.036,29 a título de IRRF era incontroverso. Por outro lado, o valor de R$ 33.420,03 relativo às estimativas de outubro e novembro era efetivamente indevido, nos termos do despacho decisório. Assim, o saldo negativo apurado pela relatora foi de R$ 244.694,37, que equivale à diferença entre o IRPJ devido (R$ 16.341,92) e o montante de IRRF (R$ 261.036,29). Todavia, não reconheceu integralmente tal valor, pois parte desse crédito havia sido utilizado pela contribuinte para compensar as estimativas devidas em janeiro, fevereiro e maio de 1999. Desta forma a apuração final do crédito líquido e certo da contribuinte, no ano de 1998, nos termos do voto condutor da decisão da Turma, pode ser demonstrada conforme o quadro abaixo: IRPJ devido R$ 16.341,92 Estimativas (R$ 261.036,29) Fl. 1647DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Saldo negativo apurado (R$ 244.694,37) Estimativa a pagar em janeiro 1999 R$ 26.396,78 Estimativa a pagar em fevereiro 1999 R$ 22.375,70 Estimativa a pagar em maio 1999 R$ 2.466,83 Saldo negativo de 1998 remanescente (R$ 193.455,06) Em relação ao saldo negativo do ano-calendário 1999, a relatora acatou os elementos de prova apresentados pela recorrente no que diz respeito aos valores de IRRF declarados. Assim, reconheceu que o montante de IRRF que compõe o saldo negativo de 1999 somou R$ 446.407,20. Contudo, como a contribuinte usou parte desse valor de IRRF para quitar as estimativas de IRPJ de março, abril, junho e julho/99, este montante deve ser deduzido para evitar que a contribuinte se aproveite em duplicidade. Desta forma a apuração final do crédito líquido e certo da contribuinte, no ano de 1999, nos termos do voto condutor da decisão da Turma, pode ser demonstrada conforme o quadro abaixo: IRPJ devido R$ 86.164,65 IRRF (R$ 446.406,98) Estimativas (R$ 147.526,80) Estimativa a pagar em março 1999 (deduzida de IRRF) R$ 31.756,35 Estimativa a pagar em abril 1999 (deduzida de IRRF) R$ 24.110,00 Estimativa a pagar em junho 1999 (deduzida de IRRF) R$ 30.340,92 Estimativa a pagar em julho 1999 (deduzida de IRRF) R$ 8.080,23 Saldo negativo apurado em 1999 (R$ 413.481,63) A decisão de segunda instância foi objeto de embargos pela recorrente. Contudo, os embargos foram rejeitados. Por sua vez, a Fazenda Nacional insurgiu-se contra a interpretação adotada pela câmara baixa do Conselho de Contribuintes, no que diz respeito à questão da preliminar de decadência acima referida, e interpôs recurso especial. A análise da divergência jurisprudencial foi positiva e o recurso especial da PGFN foi admitido. A questão posta pelo recurso especial foi objeto do Acórdão nº 9101-003.299 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que deu provimento para afastar a decadência. A ementa restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999, 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido Fl. 1648DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Uma vez afastada a decadência contra o Fisco, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Do acórdão, releva destacar o contorno da matéria que ora é devolvida para análise, verbis: Primeiramente, é importante registrar que o direito creditório discutido nestes autos, correspondente a saldos negativos de IRPJ nos anos-calendário de 1998 e 1999, foi analisado sob vários aspectos, e que a matéria objeto do presente recurso especial abrange apenas o item referente à compensação indevida de prejuízo fiscal e à ausência de tributação de parcela de lucro inflacionário a realizar, situações que, constatadas pela Delegacia de origem, acabaram repercutindo no exame que aquele órgão fez sobre os referidos saldos negativos. O que já foi decidido sobre o reconhecimento e aproveitamento de estimativas mensais e IR-FONTE para fins de composição dos saldos negativos, e sobre a utilização desses saldos negativos em outras compensações além das tratadas nos presentes autos, não guarda relação com o tema da decadência, e, portanto, não é objeto do presente recurso especial. - grifei. Uma vez provido o recurso da Fazenda Nacional, o processo retornou à Câmara baixa para julgamento das matérias que haviam sido prejudicadas pela declaração de decadência. Inicialmente, o processo havia sido distribuído para a conselheira Lívia De Carli Germano. Entretanto, tendo em vista a apresentação de embargos pela contribuinte, o processo retornou à CSRF. Os embargos foram rejeitados em despacho da presidente da 1ª Turma da CSRF e o processo retornou para sorteio, uma vez que a conselheira Lívia De Carli Germano não mais se encontra nesta Turma. Era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. Conforme visto no relatório, a decisão da CSRF afastou a incidência da normas de decadência. Tal decisão tem como efeito devolver duas matérias para apreciação desta Turma, a saber: a compensação de prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural nos períodos base 1991 a 1998 e a realização do lucro inflacionário. Mas, preliminarmente, é de se apreciar as alegações da recorrente acerca da da utilização de provas ilegais e violação do princípio do devido processo legal (due process of law), que é matéria de ordem pública e deve ser conhecida pelas autoridades julgadoras administrativas a qualquer momento. Deve-se apreciar, também, a possibilidade de nulidade mencionada pela relatora do Acórdão de Recurso Voluntário da 1ª Turma da 1ª Seção do CARF. Fl. 1649DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Estas matérias haviam sido prejudicadas pelo provimento do recurso voluntário com fundamento na decadência. Devido processo legal. A questão do devido processo legal lançada pela recorrente está intrinsecamente ligada à infração da (falta de) realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado na apuração dos saldos negativos dos anos-calendário 1998 e 1999. Na manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que a matéria foi objeto de lançamento de ofício (auto de infração) conforme processo administrativo fiscal nº 10280.00190/00-01, que ainda tramitava naquele momento e estava pendente de julgamento na segunda instância administrativa. Naquela peça, argumentou a contribuinte que Como se constata da descrição dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração em 26 de janeiro de 2000, a Requerente foi autuada por ter supostamente realizado o lucro inflacionário em montante inferior ao limite mínimo obrigatório. Apresentou a Requerente impugnação onde demonstrou, resumidamente, que não estava sujeita à apuração do lucro inflacionário no ano-calendário de 1995, uma vez que já o havia realizado integralmente no ano de 1991, tudo conforme escriturado no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR n° 01 -parte A pagina 11, parte B pg. 27 frente, 45- verso e 46 frente. Assim, tendo sido realizado todo o lucro inflacionário no período de 1991, deveria ter ajustado o lançamento de forma a eliminar os reflexos apurados no ano-calendário de 1995. Em, síntese, a autoridade julgadora de primeira instância julgou não assistir razão à contribuinte com base no seguinte argumento: O processo citado trata de autuação fiscal relativa ao ano de 1995. O presente, de Declarações de Compensação cujos créditos são oriundos de alegados saldos negativos de IRPJ dos anos-calendário 1998 e 1999. Embora a comprovação de que não cabia a realização da parcela de lucro inflacionário deva ser feita em ambos os processos, cada um, de per si, trata de um assunto diverso. Não há "conexão" e muito menos "litispendência". Os processos são autônomos nada dependendo um do deslinde do outro, pelo que a alegação é descabida. No recurso voluntário, a contribuinte aduziu que 30. No caso, não ha como não se insurgir a Recorrente com um pré-julgamento da causa administrativa pelo d. Julgador, antecipando um julgamento de um Órgão julgador que lhe é superior e, pior, com a presunção de derrota do contribuinte. Tal raciocínio no Poder Judiciário, data vênia, soaria como um contra-senso; não se pode admitir que o Juiz de primeira instância faça as vezes do Tribunal de Justiça, do mesmo modo que o Órgão Administrativo de primeiro grau não é competente para julgar as causas submetidas a exame deste E. Conselho de Contribuintes. 31. O principio do devido processo legal exige da Administração que obedeça as regras processuais e não submeta o administrado a julgamentos prévios ou de exceção, como é o presente processo. No caso em tela, a impossibilidade de glosa dos créditos compensados fica ainda mais evidente, haja vista que eles se encontram, atualmente, com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. Fl. 1650DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 [...] 33. Mas, não é só. Ainda que se admita que o contribuinte venha a sair vencido no processo administrativo n.° 10280.000190/00-01, o que presume aqui em mero exercício de argumentação, ainda assim tal glosa seria ilegal, feriria a certeza, liquidez e exigibilidade dos créditos tributários (art. 204, do CTN ). 34. A cobrança do mesmo crédito no processo administrativo e no procedimento de compensação é uma exigência dúplice, ou seja, sem amparo legal. Chancelar como legitima a atitude do Fisco é autorizar-lhe a cobrança de créditos sem o mínimo de requisitos legais, ao arrepio da Lei e do Estado de Direito. 35. Admitir a possibilidade de rediscussão da matéria em dois processos diferentes pode culminar, no fim, na dupla cobrança dos mesmos valores, de um lado, pela sua eventual falta de recolhimento, originado no Auto de Infração e de outro, pela sua não inclusão no lucro do exercício, o que prejudicaria a apuração do quantum da base negativa da Recorrente. Tenho que a tese da recorrente não deve prosperar. Explico. Como será visto à frente, no mérito, a norma legal determina que o saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 devia ser realizado, para fins de apuração do lucro real, à taxa mínima de 10% ao ano, a partir de 1996. Portanto, em cada ano ocorria um fato jurídico distinto. No caso do ano- calendário 1995, houve um lançamento de ofício em 2000. No caso dos anos-calendário 1998 e 1999, não houve lançamento, mas, o valor do lucro inflacionário foi adicionado algebricamente por meio do Despacho Decisório para a determinação do valor correto do crédito pleiteado pela recorrente. É preciso destacar: embora se trate do mesmo assunto (lucro inflacionário acumulado), são três fatos jurídicos distintos (a realização mínima de 10% do saldo em cada ano). Portanto, não se está a julgar pela segunda vez o mesmo crédito. Assim, voto, neste ponto, por afastar a preliminar de vício ao devido processo legal. Provas ilícitas. Insurge-se a contribuinte contra a utilização do SAPLI e dos elementos probatórios colhidos junto à fonte pagadora. Segundo a argumentação da recorrente, tais elementos de prova seriam ilícitos. Reproduzimos parcialmente as palavras da recorrente: 52. Sem falar, é lógico, que a Administração desconsiderou parcialmente as Declarações e apurações contábeis da Recorrente unicamente por meio de provas ilegais, ou seja, que não foram produzidas por ela, ou mesmo submetidas ao seu contraditório e ampla defesa, como lhe exige a Constituição Federal. No caso, por exemplo, solicitou-se ao Banco da Amazônia S/A a relação de retenções na fonte da Recorrente e se atribuiu as suas informações uma fé-pública não conferida em lei! [...] Fl. 1651DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 56. Nesse sentido, questiona-se: houve respeito ao principio da verdade material do processo administrativo? A juntada de informações prestadas pelo Banco da Amazônia S/A e a pesquisa em um sistema eletrônico próprio do Fisco (leia-se, que a Recorrente não tem acesso e não pode, portanto, verificar a veracidade das informações lá contidas) é suficiente para atendimento ao postulado motriz do processo administrativo tributário? 57. A Recorrente pensa que não, Exas. [...] Quanto à utilização de informações da fonte pagadora, este procedimento está amparado nos seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda vigente na época do procedimento fiscal (Decreto nº 3.000/99): Art.927.Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art.928.Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximir-se de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 123, Decreto-Lei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). [...] A circularização de informações junto a terceiros é prática habitual da fiscalização tributária e está amparada legalmente, conforme se pode ver nos dispositivos citados. Quanto ao sistema SAPLI, trata-se de sistema que acompanha os prejuízos fiscais declarados e/ou apurados de ofício, não se configurando em prova ilícita por ter sido elaborado internamente pela administração tributária. Ademais, tanto os elementos de prova obtidos junto à fonte pagadora, quanto as tabelas e demonstrativos do SAPLI que foram utilizados como elementos de prova foram trazidos tempestivamente aos autos pela autoridade administrativa e, portanto, submetidos ao contraditório com garantia da ampla defesa, que se inicia com a formação da lide por meio da apresentação de manifestação de inconformidade. Neste ponto, voto por afastar a preliminar de utilização de provas ilícitas. Nulidade pela falta de intimação do resultado da diligência. Conforme relatado, a 1ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes determinou por meio de Despacho lavrado em 01/04/2009 a realização de diligência para determinar se a contribuinte havia sido autuada em relação à glosa de prejuízos acumulados e em relação à parcela mínima de realização do lucro inflacionário (fls. 1114 e ss). A diligência foi cumprida conforme Informação Fiscal SEORT DRF/Cuiabá nº 0156/09 (fls. 1134 e ss). Na folha 1140, a autoridade fiscal devolve ao CARF o processo dando notícia da ciência ao interessado da Informação Fiscal nº 156/09. Fl. 1652DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 No entanto, observo que nas folhas imediatamente anteriores (1138 e 1139) foram juntados a Intimação nº 0762/09-SEORT/DRF-CUIABA/MT e o respectivo Aviso de Recebimento. Ambos os documentos referem-se à ciência do Despacho Decisório nº 906/DRF/CBA. Portanto, há, no mínimo, uma dúvida se a contribuinte foi efetivamente cientificada do relatório da diligência para que pudesse se manifestar. Sobre a matéria, manifestou-se a conselheira relatora do voto que conduziu o Acórdão de Recurso Voluntário da 1ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF: Observo que a ciência dada à recorrente após a realização da diligência – Intimação Seort/DRF/Cuiabá/MT nº 0762/09, fls. 1.138, com AR às fls. 1.139 – referiu-se à ciência do Despacho Decisório nº 906, emitido anteriormente em 18/08/2009, e não da Informação Fiscal nº 0156/09, a despeito do comando do despacho deste órgão colegiado de fls. 1.114 a 1.119, in fine. No entanto, considero a nulidade que esta omissão poderia causar suprida pelo fato de o resultado das diligências cooperarem em favor ao pleito da recorrente, nos termos do artigo 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Das Nulidades Art. 59. São nulos: [...] II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos não pertencem ao original) A relatora considerou suprido o vício porque a matéria restou prejudicada pela aplicação da norma de decadência. Entretanto, com a decisão da CSRF que afastou a incidência da decadência, há que se apreciar a questão da nulidade. Veja-se que a própria norma legal diz que os atos eivados de vícios podem ser repetidos ou a falta pode ser suprida. Parece-me ser esse o caso, tendo em vista não haver registro inequívoco de que a recorrente tenha sido intimada do relatório da diligência, de forma a poder pronunciar-se sobre ele. Todavia, vejo que a contribuinte foi intimada em 28/05/2013, por via postal, da decisão de segunda instância, que menciona expressamente os resultados da diligência. A contribuinte apresentou embargos à decisão. Ademais, em 07/07/2017, a contribuinte, por meio de procuradora devidamente credenciada, teve vista integral dos autos. Portanto, pelo menos desde 07/07/2017, a contribuinte está plenamente ciente do relatório da diligência. Fl. 1653DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 A decisão da CSRF acerca do recurso especial ocorreu somente em 07/12/2017. Portanto, teria havia tempo suficiente, desde a vista integral dos autos, para que a contribuinte se manifestasse acerca da diligência, se assim lhe aprouvesse. Para por uma pá de cal no assunto, é de se registrar que a contribuinte manifestou- se sobre o resultado da diligência nos embargos de declaração opostos ao acórdão da CSRF. Os embargos foram rejeitados conforme mencionado alhures. Entendo, portanto, que o vício apontado pela relatora da 1ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF foi sanado. Neste ponto, voto por afastar a preliminar de nulidade. Mérito. Prejuízos fiscais da atividade rural. Inicialmente, é de se lembrar a fundamentação da glosa feita pela autoridade administrativa no despacho decisório: 17. Com supedâneo no Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais, apurado pelo sistema de acompanhamento denominado SAPLI (fls. 376 a 391), constatou-se que o saldo disponível relativo ao prejuízo da atividade rural, contabilizado nos períodos- base 1991 a 1998, não condiz com aquele utilizado para redução do lucro real no ano- calendário em cerne, havendo excesso equivalente a R$ 803.235,64 (fl. 375). 18. Compulsando os documentos juntados aos autos em atendimento à intimação (Anexo I, fls. 235 a 240) e cotejando-os com as informações extraídas do SAPLI (fls. 371 a 374), observa-se que os ajustes promovidos de oficio no prejuízo fiscal apurado no período-base 1991, o qual foi utilizado para compensar parte dos lucros auferidos em maio e a integralidade dos lucros de julho e outubro de 1994, reduziram o saldo passível de compensação com lucros provenientes de exercícios subseqüentes, alterações estas desconsideradas pela contribuinte. Ademais, no ano-calendário 1995, após procedimento de revisão da declaração, houve oferecimento à tributação da realização obrigatória do lucro inflacionário e, por corolário, diminuição do valor do prejuízo apurado. 19. Impende salientar que os valores demonstrados pela contribuinte nas planilhas acostadas às folhas 235 a 238 do Anexo não estão em harmonia com àqueles consignados nas declarações de rendimentos espelhadas nos sistemas de informação da SRF (excetuando-se o ano-calendário 1994), não havendo provas nos autos, outrossim, da regularidade dos registros no LALUR, os quais pudessem arrimar as importâncias demonstradas. - grifei. Não é exagero destacar que a fiscalização promoveu uma verificação minuciosa e apontou de forma clara e específica a divergência entre o saldo de prejuízo fiscal decorrente da atividade rural na escrituração fiscal da contribuinte e o saldo registrado no sistema SAPLI, que retrata as informações declaradas em DIRPJ e DIPJ, bem como os resultados dos procedimentos de ofício. De fato, vê-se no demonstrativo do SAPLI (fls. 385) que o saldo de prejuízos fiscais da atividade rural de períodos base 1991 a 1998 compensável com o lucro real somava apenas R$ 77.692,96. Fl. 1654DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Ora, cuida-se da composição do crédito a que teria direito a recorrente em face da União, em função dos saldos negativos de IRPJ dos anos 1998 e 1999. O montante de prejuízo fiscal da atividade rural compõe esse saldo negativo na medida em que – matematicamente – reduziu substancialmente o IRPJ devido em 1998. Nesta esteira, duas considerações são relevantes: (i) somente poderiam compor a apuração do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 1998 os prejuízos fiscais da atividade rural efetivamente apurados e devidamente declarados à RFB; (ii) incumbe à contribuinte, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 373, I, do Código de Processo Civil, comprovar o direito que pretende constituir perante a União. Entretanto, nesta matéria, a defesa da contribuinte limitou-se a pugnar pela decadência do direito da Fazenda de revisar de ofício o crédito pleiteado – matéria superada pela decisão da CSRF anteriormente relatada – e a reafirmar o saldo de R$ 880.928,60 que consta no LALUR. O que se pode observar é que a contribuinte não enfrentou os elementos de prova trazidos aos autos pela fiscalização. Os dados que constam no sistema SAPLI refletem as declarações feitas pela contribuinte e os procedimentos de ofício. Na espécie, os procedimentos de ofício realizados em determinados momentos pela RFB sequer alteraram o saldo de prejuízos da atividade rural, como se pode ver na manifestação da autoridade responsável pelo procedimento de diligência requerido pela 1ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes (fls. 1134 e ss): Em consulta ao sistema COMPROT foi verificado que inexiste processo administrativo concernente a glosa de prejuízo fiscal em nome do contribuinte. Também foram consultadas nos sistemas da RFB as declarações entregues pela empresa no período de 1991 a 1997. Constam nas mesmas alterações dos prejuízos apurados nos anos- calendário 1991 e 1995, conforme telas de folhas 1130 e 1131. Observo, contudo, que mencionadas alterações não influem no prejuízo fiscal atividade rural compensado a maior no ano-calendário de 1998. Isto porque, de acordo com informações do sistema SAPLI (fls. 376 a 389), abaixo sintetizadas, os prejuízos fiscais que sofreram alterações por procedimentos de malha/revisão tem origem na atividade geral, e não na atividade rural: (grifei) Fl. 1655DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Vale repisar que os prejuízos fiscais da atividade rural compensáveis com o lucro real de 1998 não foram alterados em procedimento de ofício. Portanto, o saldo de prejuízo fiscal da atividade rural registrado no SAPLI em 1998 refletia exclusivamente os valores declarados pela contribuinte nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - DIRPJ. É de se lembrar que, no período em que se formou o saldo de prejuízos fiscais da atividade rural em questão (1988/1989), o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas era lançado por declaração com fulcro nas Declarações de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, nos termos do artigo 76 do Decreto-Lei nº 5.844, de 23/09/1943. Tal situação alterou-se apenas a partir do exercício 1999, com a instituição da Declaração Integrada de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ por meio da Instrução Normativa SRF nº 127, de 30/10/1998. Descabe, portanto, considerar na apuração do crédito de saldo negativo de IRPJ os prejuízos fiscais da atividade rural de 1991 a 1998 que não tenham sido declarados à Administração Tributária. Nesta esteira, incumbiria, à contribuinte fazer prova de que (i) os valores de prejuízo fiscal da atividade rural que estão registrados no SAPLI não correspondem àqueles efetivamente declarados ou (ii) que cometeu erros de fato no preenchimento das declarações de rendimento. Mas, a contribuinte não se desincumbe desse ônus. Sequer alega quaisquer dessas hipóteses no recurso voluntário. Reproduzo a síntese do argumento da contribuinte na peça recursal: Fl. 1656DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Vê-se que as divergências estão bem definidas, pois nenhum desses valores de prejuízo fiscal da atividade rural listados pela contribuinte constam do SAPLI. Nos períodos mencionados pela contribuinte, há no SAPLI apenas prejuízos fiscais da atividade geral, conforme relatado pela autoridade administrativa no procedimento de diligência, com base nos documentos acostados aos autos. Como dito, caberia à contribuinte demonstrar que (i) cometeu erro de fato ao preencher as declarações ou (ii) que os valores registrados no SAPLI não correspondem aos declarados. Quanto à possibilidade de inconsistências entre as declarações e os registros do sistema SAPLI, consideramos afastada, tendo em vista que a autoridade diligenciadora verificou as declarações apresentadas. A comprovação da ocorrência de erro de fato, na espécie, deveria ser robusta, pois a fiscalização já evidenciou que há significativas discrepâncias entre a escrita contábil/fiscal e as declarações. Destaco trechos do Despacho Decisório em que a fiscalização indica as inconsistências entre a escrita e as declarações: 9. Todavia, após exame das declarações de rendimentos e de informações econômico- fiscais — DIRPJ e DIPJ — das declarações de débitos e créditos tributários federais — Fl. 1657DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 DCTF — e ainda considerando os documentos que nos autos constam, infere-se não ser possível se quantificar o exato crédito disponível para ser utilizado na compensação declarada por meio do programa PER/DCOMP, em virtude das discrepâncias identificadas: Foram apurados valores devidos a título de estimativas nos períodos janeiro a julho do ano-calendário 1999, declarados como saldo a pagar na DIPJ (fls. 327 a 330), porém não confessados na DCTF (fls. 404 a 406), em flagrante descumprimento â Instrução Normativa SRF n.° 73, de 19 de dezembro de 1996 (vigente A época). [...] Não foram encontrados quaisquer recolhimentos para os saldos a pagar declarados em DIPJ das antecipações apuradas de janeiro a maio, agosto e setembro de 2000 (fls. 336 a 338, 443), e não houve confissão em DCTF dos valores devidos (fls. 407 a 409), [...] Não houve confissão em DCTF dos débitos de IRPJ relativos aos meses junho a novembro de 2001 declarados na DIPJ com saldo a pagar (fls. 342 a 344, 414 a 416). [...] As antecipações de janeiro a março de 2002 foram declaradas em DCTF como compensadas com saldo negativo apurado no ano-calendário 2001 (fls. 417 a 419), e as relativas aos meses abril a dezembro com saldo negativo apurado no ano-calendário 1996 (fls. 420 a 428). Todavia, fazem parte da composição das compensações efetuadas com saldo negativo apurado no ano-calendário 1998 demonstrada pela contribuinte (Anexo I, fl. 62). A estimativa do mês outubro de 2002 foi apurada e declarada na DIPJ e DCTF com saldo a pagar correspondente a R$ 594,96 (fls. 349 e 426), porém segundo o demonstrativo, o valor a pagar seria o equivalente a R$ 10.939,22. As estimativas de novembro e dezembro, além de constarem como compensados tanto com saldo negativo de 1996, na DCTF, quanto 1998, no demonstrativo, ainda foram declaradas para compensação, por meio do programa PER/DCOMP, com saldo negativo encontrado no ano-calendário 1999 (fls. 152 e 291), apresentando divergências pertinentes ao quantum devido, conforme abaixo: 10. Todas as divergências apontadas acima, e que por si só redundam na inconsistência do requerimento, conduzem à ilação de que a contribuinte sequer mantém controle sobre o montante dos créditos utilizados e de que as informações prestadas à administração tributária por meio das obrigações acessórias não refletem os lançamentos escriturados nos livros fiscais e comerciais, conduta que poderia ser tipificada, inclusive, como crime contra a ordem tributária (Lei n.° 8.137, de 1990, artigo 1°). 11. Descabido considerar, por conseguinte, que os demonstrativos de utilização do crédito oriundo dos saldos negativos ora em apreço (Anexo I, fls. 62 e 91), trazidos aos autos pela interessada, estariam de fato lastreados pela escrita fiscal e desse modo não há que serem acolhidos como elemento de comprovação da suficiência do crédito pleiteado para compensar com outros tributos e contribuições. [...] Fl. 1658DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 31. A partir do exame da escrita fiscal concernente ao ano-calendário em tela, seguem adiante algumas divergências detectadas entre os dados declarados à SRF e àqueles de fato contabilizados e transferidos para apuração do resultado do exercício (Diário, fls. 457 e 458): (grifei) A contribuinte não refuta a existência desses erros. Ao contrário, tenta justifica- los com fundamento na complexidade da legislação tributária. Tais argumentos foram lançados tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário. Reproduzo abaixo trechos que tratam do assunto: Impugnação: as inconsistências contábeis em uma empresa do porte da Requerente é algo comum e rotineiro, notadamente em face da balbúrdia legislativa tributária e da infinidade de deveres instrumentais fiscais a que estão submetidos. Entretanto, as supostas divergências relatadas no despacho decisório não podem servir de pretexto para indeferir liminarmente as compensações declaradas pela Requerente, sem que se atente contra o princípio da verdade material Recurso voluntário: 50 A existência de pequenas diferenças de valores em uma Empresa de grande porte, como é a Recorrente, é natural, afinal, ninguém duvida da complexidade das relações jurídicas tributárias principal e acessórias dos Fiscos Constitucionais. Nesse sentido, tais diferenças não podem ser consideradas como insubsistência ou mesmo inconsistências pela Administração. Convém registrar a concordância com a afirmação de que pequenas inconsistências não têm o efeito de levar a Administração Tributária a afastar um direito creditório do sujeito passivo, desde que haja outros elementos que confiram liquidez e certeza ao crédito pleiteado, nos termos do artigo 170 do CTN. Contudo, na espécie, não se trata de pequenas diferenças, mas de diferenças recorrentes e relevantes, na escrita comercial, na escrita fiscal e nas declarações. Como incumbe à contribuinte demonstrar a liquidez e certeza do crédito, os assentos no LALUR absolutamente Fl. 1659DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 desconexos das declarações apresentadas e sem outros elementos probatórios robustos não são hábeis para tanto. Assim, não tendo a contribuinte logrado apresentar elementos de prova que dêem suporte à existência de prejuízos da atividade rural nos anos base 1991 a 1997 em montante superior àquele declarado e registrado no sistema SAPLI da RFB, é de se manter a glosa efetuada originalmente pela autoridade administrativa no crédito ora sob exame. Neste sentido, trago à colação o precedente abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2004 PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO. A compensação de prejuízo fiscal de períodos anteriores deve ser compatível com o valor apurado no SAPLI (sistema de acompanhamento de prejuízo, lucro inflacionário e base de cálculo negativa da CSLL), considerando os ajustes necessários em virtude de lançamento de ofício. (acórdão CARF nº 1801-001.994, de 04/06/2014) Neste tópico, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Realização do lucro inflacionário. À partida reproduzo os trechos da fundamentação do Despacho Decisório relativos à realização do lucro inflacionário: 20. Além disso, verificou-se que a parcela mínima obrigatória do lucro inflacionário acumulado, apontada pelo SAPLI como correspondente á importância de R$ 20.707,89 (fl. 370), não foi realizada no ano-calendário guerreado (fl. 314), a qual deverá ser computada para fins de apuração do saldo negativo pleiteado (artigo 4 0 a 9° da Lei n.° 9.065, de 20 de junho de 1995). [...] 29. Outrossim, a partir dos dados constantes no sistema SAPLI, verificou-se realização a menor do lucro inflacionário no ano-calendário 1999, implicando apuração a menor do saldo de Imposto de Renda a Pagar (fl. 326). Ressalto que, não obstante a declaração de rendimentos com dados alterados para lançamento suplementar indicar como lucro inflacionário realizado o total do saldo acumulado a realizar em 31/12/1995 (R$ 207.078,88), somente dez por cento foi efetivamente acrescentado ao lucro real no ano- calendário 1996 (fls. 302 e 303). A realização mínima do saldo de lucro inflacionário estava prevista nos artigo 449 do Decreto nº 3.000/99, verbis: Art.449.A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral, quando o valor assim determinado resultar superior ao apurado na forma do artigo anterior (Lei nº 9.065, de 1995, art. 8º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º ). Os dois primeiros pontos da defesa da contribuinte nessa infração são as alegações de decadência e de infração ao devido processo legal. Fl. 1660DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 A decadência foi afastada pelo acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que determinou o retorno dos autos para a apreciação da matéria. A questão do devido processo legal foi resolvido nas preliminares deste julgamento. No mérito, o cerne da questão levantada pela recorrente é que o saldo de lucro inflacionário havia sido integralmente realizado em 1991, conforme registrado em seu LALUR. Tenho que essa tese não deve prosperar. Afora as diversas demonstrações de que a escrita contábil e fiscal da contribuinte padece de recorrentes vícios, penso que não deve integrar o crédito pleiteado pela recorrente parcela que não tenha sido oferecida à tributação. É de se destacar que a própria recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, reconheceu de forma expressa que a mencionada realização do lucro inflacionário foi feita apenas no LALUR e não foi declarada em DIRPJ (declaração de rendimentos). Não tendo sido oferecida à tributação, correta a aplicação da norma que exigia, a partir de 1996, a realização mínima de 10% do saldo em 31/12/1995. O saldo que não havia sido oferecido à tributação pela contribuinte é acrescentado à proporção de 10% a cada ano para fins de ajuste do crédito pleiteado. Assim, na questão da realização do lucro inflacionário, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Recomposição do saldo negativo e do crédito pleiteado. De acordo com a fundamentação acima, devem ser restabelecidas as infrações relativas à realização mínima do lucro inflacionário e à compensação de prejuízos fiscais da atividade rural que fundamentaram o Despacho Decisório. Assim, passo à apuração do crédito da contribuinte. Para tanto, parto da demonstração do crédito reconhecido pelo acórdão de recurso voluntário da 1ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes. Ano-calendário 1998: Demonstração do crédito conforme a decisão da 1ª TE: IRPJ devido R$ 16.341,92 Estimativas (R$ 261.036,29) Saldo negativo apurado (R$ 244.694,37) Estimativa a pagar em janeiro 1999 R$ 26.396,78 Fl. 1661DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 Estimativa a pagar em fevereiro 1999 R$ 22.375,70 Estimativa a pagar em maio 1999 R$ 2.466,83 Saldo negativo remanescente de 1998 (R$ 193.455,06) Demonstração ajustada com o valor do IRPJ devido, considerando as infrações de compensação de prejuízos fiscais da atividade rural e de realização mínima de lucro inflacionário. IRPJ devido R$ 209.222,42 Estimativas (R$ 261.036,29) Saldo negativo apurado (R$ 51.813,87) Estimativa a pagar em janeiro 1999 R$ 26.396,78 Estimativa a pagar em fevereiro 1999 R$ 22.375,70 Estimativa a pagar em maio 1999 R$ 2.466,83 Saldo negativo de 1998 remanescente (R$ 574,56) Ano-calendário 1999: Demonstração do crédito conforme a decisão da 1ª TE: IRPJ devido R$ 86.164,65 IRRF (R$ 446.406,98) Estimativas (R$ 147.526,80) Estimativa a pagar em março 1999 (deduzida de IRRF) R$ 31.756,35 Estimativa a pagar em abril 1999 (deduzida de IRRF) R$ 24.110,00 Estimativa a pagar em junho 1999 (deduzida de IRRF) R$ 30.340,92 Estimativa a pagar em julho 1999 (deduzida de IRRF) R$ 8.080,23 Saldo negativo apurado em 1999 (R$ 413.481,63) Demonstração ajustada com o valor do IRPJ devido, considerando a infração de realização mínima de lucro inflacionário. IRPJ devido R$ 91.341,62 Fl. 1662DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1401-003.496 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.003227/2004-00 IRRF (R$ 446.406,98) Estimativas (R$ 147.526,80) Estimativa a pagar em março 1999 (deduzida de IRRF) R$ 31.756,35 Estimativa a pagar em abril 1999 (deduzida de IRRF) R$ 24.110,00 Estimativa a pagar em junho 1999 (deduzida de IRRF) R$ 30.340,92 Estimativa a pagar em julho 1999 (deduzida de IRRF) R$ 8.080,23 Saldo negativo apurado em 1999 (R$ 408.304,66) Conclusão. Voto por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer o saldo remanescente de crédito de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 1998 de R$ R$ 574,56 e o crédito relativo ao saldo negativo do ano-calendário 1999 de R$ 408.304,66, homologando-se as compensações dentro desses limites, observando-se as compensações efetuadas diretamente na contabilidade, com ou sem declaração em DCTF, e as que compõem as DComp no presente processo, bem como no processo apensado. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator Fl. 1663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.720056/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2301-006.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário (Súmula Carf nº 2).
João Maurício Vital Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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score : 1.0
Numero do processo: 13117.720188/2012-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011, 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE.
Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido.
Numero da decisão: 3001-000.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso..
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche..
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2011, 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Recorrente M V P DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011, 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. Revelase intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Da contagem, excluise o dia do recebimento, incluise o do término e prorrogase quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso.. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 7. 72 01 88 /2 01 2- 92 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Adoto, por transcrição, o relatório que lastreou o v. Acórdão recorrido (fls. 46), verbis. Contra a contribuinte acima identificada formalizada Notificação de Lançamento , referente a cobrança de multa por atraso na entrega da Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON dez/2011, jan/2012, fev/2012, , folhas 7, 10 e 13, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 1.500,00. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 2/3) ao lançamento contestando a cobrança da multa por atraso, alegando, em síntese, que apresentou a declaração em atraso, porém espontaneamente . Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. A decisão recorrida manteve integralmente a exigência fiscal para aplicar a multa de R$ 1.500,00 à empresa recorrente (fls. 46/48), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 45), verbis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011,2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional Intimada do teor da decisão recorrida em 01 de fevereiro de 2013 (fls. 54), ingressou a empresa com Recurso Voluntário em 07 de março de 2013 (fls. 56/58), reiterando suas razões impugnatórias, principalmente para insistir na tese da denúncia espontânea de que cuida o art. 138 do CTN, e sustentar, consequentemente, a nulidade da Notificação de Lançamento contra ela lavrada. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13117.720188/201292 Acórdão n.º 3001000.805 S3C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Consta dos autos que a decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão 0349.552 4ª Turma da DRJ/BSB, proferido em 30 de outubro de 2012 (fls. 45/48), foi recebida pelo contribuinte em 01 de fevereiro de 2013, uma sextafeira (fls. 54), iniciandose o prazo recursal no dia 04.02.2013, segundafeira subsequente, sendo que o Recurso Voluntário, embora datado de 28 de fevereiro de 2013 (fls. 56/58), somente foi recebido na DRF/TocantinópolisTO, no dia 07 de março d 2013, uma quintafeira. Muito embora a empresa tenha sido notificada da decisão recorrida em uma sextafeira, dia 01 de fevereiro de 2013, e o seu prazo de 30 dias tenha se iniciado na segun da feira seguinte, dia 04 de fevereiro de 2013, o seu prazo esgotouse no dia 05 de março de 2013, uma terçafeira, sendo que o apelo somente foi protocolado no dia 07 subsequente, uma quinta feira, sendo o apelo intempestivo. Registrese que, da contagem do prazo, excluiuse o dia do recebimento (sextafeira), o sábado e o domingo seguinte, iniciandose a contagem do dia 04 de fevereiro de 2013, e incluiuse o dia do término, uma terçafeira, dia 05 de março de 2013. Entretanto, como acima frisado, somente em 07 de março de 2013 foi recebido o Recurso Voluntário pela DRF da jurisdição da recorrente. Assim, comprovada a intempestividade do Recurso, dele não tomo conhecimento, mantendose, assim, o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.953201/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
REINTEGRA. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS.
Para usufruir do benefício fiscal é necessário que todas as informações prestadas pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal estejam de acordo com a documentação comprobatória da operação de exportação. Eventuais inconsistências apontadas pela fiscalização deverão ser sanadas para fazer jus ao ressarcimento pleiteado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-006.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte afastando a glosa da Nota Fiscal 1580.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte afastando a glosa da Nota Fiscal 1580. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 REINTEGRA. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS. Para usufruir do benefício fiscal é necessário que todas as informações prestadas pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal estejam de acordo com a documentação comprobatória da operação de exportação. Eventuais inconsistências apontadas pela fiscalização deverão ser sanadas para fazer jus ao ressarcimento pleiteado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte afastando a glosa da Nota Fiscal 1580. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 32 01 /2 01 3- 20 Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10880.953201/201320 Acórdão n.º 3301006.136 S3C3T1 Fl. 989 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 946 a 956) interposto pelo Contribuinte, em 9 de agosto de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1677.824 (fls. 934 a 943), de 7 de junho de 2017, proferido pela 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) – DRJ/SPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 136 a 142) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de manifestação de inconformidade (apresentada em 17/7/2014 fls. 136 e ss.) contra despacho decisório que reconheceu parcialmente direito creditório relativo ao REINTEGRA. Alega, em síntese: 1. O despacho decisório apresentou inconsistências apuradas no pedido de ressarcimento. 2. Item 1 – Produto do Registro de Exportação não consta na nota fiscal. O despacho decisório desconsiderou nota fiscal citada em fl. 139, pois o produto seria diferente do apontado no RE. 3. A manifestante havia constatado a divergência de códigos NCM 2009.19.00 (indicado nos RE) e o 2009.11.00 (indicado nas notas fiscais) e emitiu carta de correção. Ambos os códigos NCM sujeitamse ao REINTEGRA — anexo único do Decreto nº 7.633/2011. 4. Item 2 – Nota fiscal não comprova exportação com direito ao REINTEGRA. Não foram aceitas notas fiscais cujos códigos CFOP não correspondem a operação com direito ao REINTEGRA. 5. O CFOP informado é o 7501. Esclarece que a operação decorre de exportação direta de produtos de fabricação própria, recebidos de outra filial da mesma empresa. 6. O código do produto registrado em cada nota fiscal foi retificado para constar o NCM 2009.19.00. 7. Requer a reforma do despacho decisório eletrônico e reconhecimento do valor total pleiteado no PER/DCOMP. O despacho decisório foi juntado em fl. 847 (intimação em 17/6/2014 – fl. 849). Referese ao PER/DCOMP 25229.26018.041013.1.5.170657, período: 1º trimestre/2013. Foi pleiteado crédito de R$ 5.578.012,02 e reconhecido R$ 4.737.349,20. Foram imputadas as seguintes inconsistências: Nota Fiscal não comprova exportação com direito ao Reintegra Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10880.953201/201320 Acórdão n.º 3301006.136 S3C3T1 Fl. 990 3 Produto do Registro de Exportação não consta na Nota Fiscal Enquadramento legal citado: “Art. 1º a 3º da Lei nº 12.546, de 2011, Decreto nº 7.633, de 2011, e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012”. Foi juntado: “PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito” (fls. 850 a 853). O interessado obteve liminar em Mandado de Segurança (fl. 891): (...) O julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem, que emitiu despacho decisório – revisão de ofício (fls. 898900). A fiscalização deferiu o direito creditório em relação à inconsistência X, com exceção da nota fiscal 31 (fl. 898). Contudo, foi rejeitado o crédito pleiteado no tocante à inconsistência T. Segundo o despacho decisório (fl. 898): “1) Produto do Registro de Exportação não consta na Nota Fiscal Foi glosada a nota fiscal 1580. Para que o contribuinte faça jus ao crédito das notas fiscais glosadas nesse item, deveria proceder à correção da NCM ou do RE (à depender de qual NCM estivesse incorreta, se a informada na NF ou no RE). No caso, contribuinte afirma que o produto exportado se referia a NCM consignada nos respectivos Registros de Exportação (RE), cabendo, portanto, correção da NCM informada nas Notas Fiscais glosadas. Ocorre que, analisandose a documentação de fls 146, verificase que o contribuinte ao proceder às cartas de correção não fez a devida correção, qual seja, alteração do código NCM, razão pela qual deve ser mantida a glosa.” Em decorrência da revisão de ofício, foram deferidos os valores apresentados em fl. 899: (...) A fiscalização conclui: “Diante das considerações supra, e com fundamento na competência estabelecida pela Portaria RFB nº 1.453/2016, reviso o despacho decisório de fls 847/853 para deferir valor adicional de R$ 804.992,69, totalizando R$ 5.542.341,89, conforme tabela acima.” Em resposta, o interessado apresentou a petição de fls. 909913. Alega que providenciou carta de correção a fim de alterar o NCM da nota fiscal glosada, para o código 2009.19.00, o mesmo dos documentos de exportação. Resignase em relação ao crédito glosado relativo à nota fiscal 31. Requer a reforma do despacho decisório, com reconhecimento do montante integral pleiteado (R$ 5.578.012,02). Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10880.953201/201320 Acórdão n.º 3301006.136 S3C3T1 Fl. 991 4 O despacho de fl. 933 informa que o direito creditório deferido em revisão de ofício (R$ 804.992,69) foi cadastrado no processo 10880.724144/201705, apenso ao presente. A lide restringese ao crédito indeferido, remanescente nestes autos. Encontrase nos autos (fls. 987 e seguintes) Mandado Judicial, Processo 100217418.2019.4.01.3400, com a seguinte decisão: Ante o exposto, DEFIRO PARCIALMENTE o pedido de liminar para determinar as autoridades coatoras que realizem o sorteio dos relatores nos PAFs nos 10880.948972/201303 e 10880.953201/201320, para o próximo sorteio da 3ª Seção de julgamento (dias 26 a 28 de março, conforme consta das informações da impetrada fls. 142.). Em relação aos demais processos objeto desses autos (Processos n.ºs 10880.945394/201345; 10880.657986/201221 e 10880.908210/201366), determino que sejam conclusos para julgamento no prazo máximo de 120 (cento e vinte) dias. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1677.824 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2013 O REINTEGRA tem por objetivo a devolução parcial de resíduo tributário remanescente na cadeia de produção de bens exportados. Devem ser atendidas as condições normativas expressas para o Regime. ÔNUS DA PROVA. Compete ao interessado demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A presente lide trata de pedido de ressarcimento de acordo com o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras – REINTEGRA, que foi instituído pela MP 540/2011 e convertida na Lei nº 12.546/2011, com alterações promovidas pela Lei nº 12.688/2012. Assim prescreve a Lei nº 12.546/2011 em relação ao REINTEGRA que estabelece a reintegração de valores às pessoas jurídicas exportadoras referentes a tributos federais suportados a montante na cadeia produtiva: Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10880.953201/201320 Acórdão n.º 3301006.136 S3C3T1 Fl. 992 5 Art. 1º É instituído o Regime Especial de Reintegracã̧o de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), com o objetivo de reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais existentes nas suas cadeias de produçaõ. Art. 2º No âmbito do Reintegra, a pessoa jurídica produtora que efetue exportação de bens manufaturados no País poderá apurar valor para fins de ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário federal existente na sua cadeia de producã̧o. § 1º O valor será calculado mediante a aplicação de percentual estabelecido pelo Poder Executivo sobre a receita decorrente da exportação de bens produzidos pela pessoa jurídica referida no caput. § 2º O Poder Executivo poderá fixar o percentual de que trata o § 1º entre zero e 3% (três por cento), bem como poderá diferenciar o percentual aplicável por setor econômico e tipo de atividade exercida. § 3º Para os efeitos deste artigo, considerase bem manufaturado no País aquele: I – classificado em código da Tabela de Inciden̂cia do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, relacionado em ato do Poder Executivo; e II – cujo custo dos insumos importados não ultrapasse o limite percentual do preço de exportação, conforme definido em relação discriminada por tipo de bem, constante do ato referido no inciso I deste parágrafo. § 4º A pessoa jurídica utilizará o valor apurado para: I – efetuar compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II – solicitar seu ressarcimento em espécie, nos termos e condicõ̧es estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 5º Para os fins deste artigo, considerase exportação a venda direta ao exterior ou à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (...) Percebese na leitura do Relatório que a DRJ converteu o julgamento em diligência à repartição de origem. Foi emitido Despacho Decisório – Revisão de Ofício (fls. 902 a 904) em que a fiscalização deferiu o direito ao crédito em relação às inconsistências D, M e X, rejeitando o crédito pleiteado em relação à inconsistência T. Assim ficou consignado no referido despacho (fls. 898): 1) Produto do Registro de Exportação não consta na Nota Fiscal Foi glosada a nota fiscal 1580. Portanto, no presente feito a lide ficou delimitada à glosa da Nota Fiscal 1580 de “Produto do Registro de Exportação não consta na Nota Fiscal” Em relação a esta questão assim entendeu a DRJ quando prolatou o acordão agora recorrido: Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10880.953201/201320 Acórdão n.º 3301006.136 S3C3T1 Fl. 993 6 Cabe salientar que apenas direito creditório líquido e certo é passível de compensação, de acordo com o artigo 170 do CTN, e, portanto, o interessado deve apresentar toda a documentação comprobatória da existen̂cia do suposto crédito. Com relação à glosa de NF por divergência de NCM entre o produto discriminado no RE e na nota fiscal, o interessado defende que foi retificada a nota fiscal e inserido o código NCM correto. Segundo o Despacho Decisório, no Registro de Exportação, bem como na Nota Fiscal, o produto exportado deve ser identificado pelo código NCM. No entanto, na Notas Fiscal, vinculada ao Registro de Exportaçaõ no PERDCOMP, não constou o produto correspondente ao identificado no Registro de Exportação. Qualquer equívoco cometido no preenchimento da declaração deve ser comprovado por meio de documentaçaõ hábil e idônea, como a escrituraçaõ fiscal, a qual indique a correlação entre o código NCM e as operações de exportações efetuadas. O manifestante apresenta imagem (em PDF) de “carta de correçaõ” relativa à nota fiscal glosada (fl. 932). No entanto, o próprio manifestante também juntou imagem da respectiva nota fiscal (fl. 930). Verificase que o código NCM das mercadorias continua 2009.11.00, diverso do código 2009.19.00. Persiste, portanto, a incoeren̂cia entre a nota fiscal e o registro de exportação. Apesar das alegações do manifestante, este não fez prova (i) de que a alegada carta de correção produz efeitos jurídicos nem (ii) de que a legislação do REINTEGRA admite tal correção posterior para fins de reconhecimento de direito creditório. Por oportuno, salientase que o despacho decisório recorrido trata da questão nos seguintes termos (fl. 850): “T Produto do Registro de Exportaca̧õ não consta na Nota Fiscal Produto (identificado pelo código NCM) discriminado no Registro de Exportação que não consta entre os relacionados na Nota Fiscal indicada no PER/DCOMP” Diante do exposto, não há nos autos provas suficientes que suportem a existência do direito creditório pleiteado. Incumbe à parte o ônus da prova dos fatos que lhe aproveitam. Citase artigo 28 do Decreto no 7.574/2011: “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instruca̧õ e sem prejuízo do disposto no art. 29.” Nesse sentido, citase o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “DIREITO CREDITÓRIO. ON̂US DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.” (acórdão 3302003.143, publicado em 8/6/2016, processo 10805.720132/200643). Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10880.953201/201320 Acórdão n.º 3301006.136 S3C3T1 Fl. 994 7 “COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete à interessada demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, consoante os ditames do artigo 170 do Código Tributário Nacional.” (acórdão 1401001.494, publicado em 12/5/2016, processo 10166.902555/201381). Voto: manifestacã̧o de inconformidade improcedente; direito creditório não reconhecido. Diante desta decisão o Contribuinte alega em seu recurso que procedeu as alterações do código NCM 2009.11.00 para o código correto 2009.19.00, afastando assim a incoerência entre as notas fiscais e os registros de exportação. Assim aponta em seu recurso: Conforme visto, cingese a demanda apenas quanto ao crédito oriundo da nota fiscal no 1580, emitida pela Recorrente para acobertar a venda de 323.207 kg de suco de laranja concentrado e congelado. A divergência versa sobre o produto identificado pelo código NCM discriminado no Registro de Exportação que não constaria na Nota Fiscal, respectivamente registrados sob os nos 2009.19.00 e 2009.11.00. Tal como já sustentado pela Recorrente, a divergência já não mais existe, uma vez que foram realizadas as devidas correções para que permaneça um único código NCM nos referidos documentos, qual seja, o de número 2009.19.00. A fim de sanar em definitivo as discrepan̂cias deduzidas pela Autoridade Fiscal, a Recorrente reitera que para a nota fiscal em comento, foram feitas duas correcõ̧es em eventos distintos: a primeira, datada de 30/08/2013, e, portanto, anteriormente à transmissão do pedido de ressarcimento, diz respeito à alteração do código do produto mencionado na nota fiscal (fls. 146), conforme abaixo reproduzido: A segunda correção se deu em 06/04/2017 para, justamente, corrigir o NCM constante da nota fiscal já que, tal como dito, a despeito de ter emitido a carta de correção anteriormente, de fato a divergência entre os códigos do documento fiscal e registro de exportação ainda se mantinha. Por esta razão, a Recorrente providenciou novamente carta de correção a fim de sanar definitivamente a divergência encontrada, alterando o NCM da nota fiscal em questão para 2009.19.00 (fls. 930), o mesmo mencionado na documentação de exportacã̧o. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10880.953201/201320 Acórdão n.º 3301006.136 S3C3T1 Fl. 995 8 Ambas as alterações mencionadas acima constam, inclusive, em consulta aos dados gerais da nota fiscal, disponível no sítio www.nfe.fazenda.gov.br, cuja situação do documento está cadastrada como “autorizada” (Doc. 02). Constatase que a segunda correção se deu em 6/4/2017 e a interposição da Manifestação de Inconformidade ocorreu no dia 7/4/2017. Nas fls. 927 encontrase a Nota Fiscal 1580 e às fls. 929 a Carta de Correção Eletrônica da Nota Fiscal 1580 com a seguinte correção: “Correções a serem consideradas – ALTERAÇÃO DO ITEM 01: NCM : 20091900. No Despacho Decisório – revisão de ofício, acima mencionado, em que se glosou a Notas Fiscal 1580, a autoridade administrativa assim indicou como procedimento adequado de forma objetiva (fls. 895): Para que o contribuinte faça jus ao crédito das notas fiscais glosadas nesse item, deveria proceder à correção da NCM ou do RE (à depender de qual NCM estivesse incorreta, se a informada na NF ou no RE). No caso, contribuinte afirma que o produto exportado se referia a NCM consignada nos respectivos Registros de Exportação (RE), cabendo, portanto, correção da NCM informada nas Notas Fiscais glosadas. Ocorre que, analisandose a documentação de fls 146, verificase que o contribuinte ao proceder às cartas de correção não fez a devida correção, qual seja, alteração do código NCM, razão pela qual deve ser mantida a glosa. No que tange a emissão de cartas de correção, inclusive a modalidade eletrônica, é prevista pelo Convênio S/Nº, de 15 de setembro de 1970, alterado pelo Ajuste SINIEF 7, de 30 de setembro de 2005, que assim prescreve: Cláusula décima quartaA Após a concessão da Autorização de Uso da NFe, de que trata a cláusula sétima, o emitente poderá sanar erros em campos específicos da NFe, por meio de Carta de Correção Eletrônica CCe, transmitida à administração tributária da unidade federada do emitente, desde que o erro não esteja relacionado com: I as variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da operação ou da prestação; II a correção de dados cadastrais que implique mudança do remetente ou do destinatário; Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10880.953201/201320 Acórdão n.º 3301006.136 S3C3T1 Fl. 996 9 III a data de emissão ou de saída. (grifouse) Da leitura da legislação verificase a possibilidade de se proceder à correção da NCM nas Notas Fiscais, sendo esse também o entendimento da autoridade administrativa fiscal quando do seu despacho. Neste sentido, como bem salientado no Despacho Decisório – revisão de ofício, cabe ao Contribuinte fazer a correção da NCM informada nas Notas Fiscais glosadas. O que se constata, foi feito. Com isso, as glosas devem ser afastadas, visto que o direito creditório líquido e certo está agora comprovado. Portanto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte afastando a glosa da Nota Fiscal 1580. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 999DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.723069/2012-66
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
IRPF. DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS DECLARADOS A TÍTULO DE RECEITA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas.
Comprovada a correlação entre os gastos incorridos e os rendimentos da atividade correspondente, deverão ser acatadas as deduções pleiteadas, no limite das comprovações realizadas.
PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL.
Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material.
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 2003-000.137
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS DECLARADOS A TÍTULO DE RECEITA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Comprovada a correlação entre os gastos incorridos e os rendimentos da atividade correspondente, deverão ser acatadas as deduções pleiteadas, no limite das comprovações realizadas. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-10T02:35:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-10T02:35:48Z; Last-Modified: 2019-07-10T02:35:48Z; dcterms:modified: 2019-07-10T02:35:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-10T02:35:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-10T02:35:48Z; meta:save-date: 2019-07-10T02:35:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-10T02:35:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-10T02:35:48Z; created: 2019-07-10T02:35:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-07-10T02:35:48Z; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-10T02:35:48Z | Conteúdo => SS22--TTEE0033 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 10730.723069/2012-66 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2003-000.137 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 19 de junho de 2019 RReeccoorrrreennttee TEREZINHA COUTO DE ASSUMPCAO IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS DECLARADOS A TÍTULO DE RECEITA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Comprovada a correlação entre os gastos incorridos e os rendimentos da atividade correspondente, deverão ser acatadas as deduções pleiteadas, no limite das comprovações realizadas. PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar- se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. Francisco Ibiapino Luz - Presidente. Wilderson Botto - Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 30 69 /2 01 2- 66 Fl. 306DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.137 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.723069/2012-66 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2009, exercício de 2010, no valor de R$ 6.098,61, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em face da constatação de dedução indevida de livro-caixa, porquanto o contribuinte não logrou comprovar a natureza dos rendimentos declarados a título de receita, para fazer jus a dedução declarada, conforme se depreende na notificação de lançamento lavrada (fls. 4/8). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 06-54.946, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba - DRJ/CTA (fls. 258/263), transcrito a seguir: Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2010, ano- calendário 2009, para a exigência de imposto suplementar de R$ 3.133,60, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais, em face da constatação de dedução indevida de despesas do livro caixa, no valor de R$ 11.394,92, por haver a contribuinte declarado despesas em valor superior ao total dos rendimentos declarados que permitem essa dedução. Cientificada do lançamento, por via postal, em 01/03/2012 (fl. 69), a interessada apresentou, tempestivamente em 15/03/2012, impugnação (fl. 02), instruída com documentos (fls. 03/68), na qual, em síntese, alega que exerce atividade de Perita do Juízo do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, nos Fóruns do Rio de Janeiro e de Volta Redonda, tendo declarado todos os valores recebidos no ano, por meio de alvarás judiciais, pelas perícias realizadas; que a legislação não contempla especificamente este tipo de atividade de “percepção por pessoa física, de rendimentos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício”; que a única forma de não omitir o rendimento e também de resguardar seu direito de deduzir as despesas havidas na obtenção do rendimento, foi escriturar livro caixa, no qual estão registradas as receitas e as despesas. Em face das disposições do art. 6º-A da Instrução Normativa RFB nº 958, de 2009, com redação da Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 2010, a autoridade fiscal procedeu à análise da revisão de ofício do lançamento, às fls.73/75, mantendo a notificação, sob a consideração, em resumo, de que a contribuinte faz alegações de despesas do Livro Caixa não correlacionadas com rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas sem vínculo empregatício e que não foram declarados rendimentos dessa natureza. Cientificada, em 14/09/2015 (fls. 80/81), a interessada apresentou, em 13/10/2015, manifestação de inconformidade (fls. 84/93), instruída com documentos (fls. 94/253), na qual, em resumo, reconhece haver parcela devida do crédito tributário, que diz haver recolhido; enfatiza que não houve rejeição à escrituração do Livro Caixa, razão pela qual conclui que estão superadas quaisquer dúvidas a respeito, embora o tenha revisado voluntariamente, para justificar o recolhimento de parte do lançamento; que a decisão fundamenta-se na falta de enquadramento dos rendimentos como condizentes com aqueles que permitiriam a dedução de Livro Caixa; justifica o preenchimento da declaração, no que se refere aos rendimentos auferidos de pessoas jurídicas, na ausência de permissão de acesso ao Livro Caixa da atividade de Perito Judicial, que alega não ter vínculo empregatício e ser de “nomeação de caráter eventual da responsabilidade e confiança do Juízo”; suscita haver adotado o mesmo procedimento anteriormente, esclarecido o fato e não ter sido questionada; alega ter constatado apenas na revisão da escrituração a possibilidade de inclusão de rendimentos Fl. 307DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.137 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.723069/2012-66 de pessoas jurídicas no campo destinado aos “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Física e do Exterior pelo Titular”; faz ponderações a respeito da classificação dos rendimentos como recebidos de pessoas jurídicas, embora não sejam decorrentes de vínculo empregatício, esclarecendo que nem mesmo junto à repartição fiscal obteve informação definitiva de como proceder acerca do enquadramento de sua atividade no formulário da declaração, concluindo que deveria ter declarado os rendimentos como recebidos de pessoas físicas; questiona a não aceitação da razão de impugnação, tendo em vista a apresentação do Livro Caixa e os esclarecimentos prestados; defende a necessidade das despesas para a realização de seu trabalho, seja no que se refere ao espaço físico, seja quanto aos deslocamentos para diligências, discordando da afirmação de que os valores deduzidos não se correlacionam com as receitas declaradas; reafirma que os rendimentos de perícias decorrem de trabalho não assalariado, sendo recebidos por meio de alvarás, relacionado à atividade de profissional liberal; faz detalhamento do Livro Caixa revisado (fl. 90), defendendo o direito à dedução de R$ 5.804,97 de despesas; destaca haver efetuado recolhimento sob o código 0246, já constante dos autos; esclarece que efetuou a revisão em relação a despesas da atividade profissional que poderiam conduzir a uma “dupla interpretação”, mantendo outras inseridas na “rotina da atividade profissional”; faz demonstrativo, indicado ser de R$ 1.537,24 o imposto devido, além da multa e dos encargos, resultando no montante de R$ 3.891,78; requer a reconsideração da decisão, levando em conta a peculiaridade da sua atividade profissional e a dificuldade no preenchimento da declaração, reconhecendo-se o valor deduzido de R$ 11.394,92 de Livro Caixa, cancelando-se o lançamento; alternativamente, que seja reconhecido o valor revisado da dedução, de R$ 5.804,97, bem como o recolhimento de R$ 3.891,74, restituindo-se o valor que venha a ser considerado excedente. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar a impugnação, a DRJ/CTA, por unanimidade de votos, considerou não litigiosa a parcela do pagamento efetuado, no valor de R$ 1.537,24 de imposto suplementar, acrescido de multa de ofício e juros correspondentes, e em relação à matéria em litígio julgou procedente o crédito lançado. Recurso Voluntário Cientificada da decisão em 12/07/2016 (fls. 266), a contribuinte interpôs, em 10/08/2016, recurso voluntário (fls. 269/278) reportando-se as alegações da impugnação e lançando outros argumentos, estes últimos a seguir sintetizados: PRELIMINARES: apresento, no anexo, os documentos que comprovam a correlação da atividade laboral com as receitas por Alvarás e os documentos relativos ao Livro Caixa revisado (fl. 89/92), que já se encontram nos Autos, no qual fica reconhecido por esta que ora torna a impugnar decisão em Acórdão, o valor revisado de dedução decorrente do Livro Caixa como sendo de R$ 5.804,97. Com base no valor deduzido do Livro Caixa revisado, de R$ 5.804,97, revisto os cálculos de imposto devido, foi efetuado o recolhimento de R$ 3.891,74, cujo comprovante encontra-se à fl. 243, que entende dar quitação a qualquer crédito tributário que ainda remanescia. Neste ato são juntadas as comprovações por termos lavrados pelos Meritíssimos Juízes, que visa sanar a pendência de comprovação da natureza do rendimento – falta de correlação entre a natureza dos valores auferidos e a respectiva dedução de despesas em Livro Caixa, que era vista pelos Senhores Auditores como “suposta atividade alegada” (fls. 262). Fl. 308DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.137 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.723069/2012-66 Todos os aspectos elencados no Relatório e no Voto dos Ilustríssimos Auditores, foram observados, no inteiro teor, na escrituração do Livro Caixa Revisado, bem como agora elucidada, de modo inequívoco, a natureza da atividade pericial, trabalho não assalariado, o vínculo do Perito com as Varas do Trabalho, e o modo de remuneração de honorários periciais por Alvarás, Alvarás estes que também já se encontram nos Autos. Tudo comprovando a integral observância desta que ora impugna o Acórdão em questão para que sejam acolhidos os valores suplementares já recolhidos com base no Livro Caixa Revisado cujos comprovantes também já se encontram nos Autos e respectiva quitação de qualquer crédito tributário referente à DIRF2010. REVISÃO DO VALOR DE DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA: O rendimento de perícias judiciais trabalhista é de trabalho não assalariado, e recebido por alvarás emitidos pelas Varas do Trabalho/TRT, pessoa jurídica, conforme explicitam os Meritíssimos Juízes do Trabalho por documento que ora faço juntada. REVISÃO NA ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA: por autos deliberação efetuei a Revisão na Escrituração do Livro Caixa, discriminado nas fls. 84/93 dos Autos, resultando no reconhecimento de crédito tributário que segue discriminado e já quitado (fl. 243), com Receita que, no “totum” é bem superior ao valore total de dedução, ou seja: (...) DA DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ACIMA, RESULTOU O EXCENDENTE DEDUZIDO E QUE DEVIDO O IMPOSTO, POR ENTENDIMENTO DESTA QUE RECONHECE ESTE VALORS COMO base de cálculo do imposto devido: R$ 5.589,95. IMPOSTO DEVIDO – R$ 3.891,78, já recolhido conforme comprovante de fls. 243, no código 2904. Requer, ao final, o cancelamento da exigência remanescente mantida, no valor de R$ 5.804,97. Instrui a peça recursal, em especial, dentre outros, com documentos que atestam o vínculo de trabalho pericial nos processos judiciais e respectivos alvarás de honorários periciais, emitidos pelos juízos da 1ª e 48ª Varas do Trabalho de Volta Redonda e do Rio de Janeiro, respectivamente (fls. 289/300), alusivas a comprovação dos rendimentos dos honorários de periciais recebidos, no valor declarado de R$ 17.520,39, pugnando pelo acolhimento dos mesmos. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Fl. 309DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.137 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.723069/2012-66 As razões suscitadas como preliminar, tratam-se do cotejo da decisão de piso e um relato dos fatos constitutivos e motivadores do pedido recursal. Logo, a bem da verdade, representam e contemplam as razões de mérito, razão pela qual com ele serão tratadas. Portanto nada a prover no particular. Mérito Da glosa dos rendimentos informadas no Livro-Caixa Insurge-se, a Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/CTA, que manteve a glosa dos rendimentos declarados e que comportariam a dedução das despesas lançadas no livro-caixa, no valor remanescente de R$ 5.804,97, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos apresentados. Alega que as receitas auferidas tratam-se de honorários periciais decorrentes do exercício da atividade perícia judicial perante os juízos da 1ª e 48ª Varas do Trabalho de Volta Redonda e do Rio de Janeiro, respectivamente, no ano-calendário de 2009. Por seu turno, a decisão recorrida, no particular, encontra-se fundamentada nos seguintes termos (fls. 490/491): A impugnante alega que exercia a atividade de Perita Judicial, apresentando, às fls. 09/13, alvarás judiciais, por meio dos quais consta a liberação de valores em seu benefício. Nos alvarás, expedidos em face de processos judiciais trabalhistas, a notificada não consta como parte autora e nem ré, mas também não há identificação da natureza jurídica dos valores liberados. Às fls. 23/68, consta Livro Caixa que teria sido escriturado em razão da suposta atividade alegada, com a discriminação, pela própria parte interessada, de rendimentos decorrentes de perícia judicial, mas que não se encontra acompanhado de outros comprovantes relacionados aos rendimentos que permita confirmar a natureza dos valores auferidos como sendo relativos à execução de perícia judicial em face de trabalho sem vínculo empregatício. Nem mesmo com a juntada, às fls. 95/192, dos documentos em que o Livro Caixa teria sido baseado, há comprovação da atividade profissional alegada, salientando-se o caráter genérico das despesas, não necessariamente correlacionadas ao exercício de atividade profissional sem vínculo de emprego. No “Demonstrativo de Receitas Escrituradas em Livro Caixa – Ano 2009”, à fl. 207, no qual a interessada discrimina os rendimentos declarados, não há outra espécie de comprovação da natureza jurídica dos valores auferidos, mas apenas a menção aos alvarás judiciais correspondentes. Da mesma forma, nas planilhas de detalhamento da revisão do Livro Caixa, às fls. 208/231, não há elementos de prova efetivos a respeito da atividade profissional, mas apenas a defesa da tese de impugnação. Às fls. 232/242, a interessada anexa informações e legislação relacionados a denominado Cadastro Geral de Especialistas – CAGE, criado pelo Provimento nº 09/2007 da Corregedoria do TRT da 1ª Região, com o fim de reunir, identificar e qualificar a atividade profissional de peritos, intérpretes e tradutores juramentados, para atuação em feitos de primeira instância. Referidos documentos consistem de normas gerais aplicáveis a quaisquer interessados em fazer parte do cadastro mencionado, não havendo prova efetiva de vinculação dos rendimentos auferidos com a normatização apresentada. (...) Nesse contexto, não havendo comprovação de que os rendimentos declarados comportariam a dedução de despesas do Livro Caixa, deve ser mantida a exigência formulada de ofício. Fl. 310DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.137 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.723069/2012-66 Visando suprir o ônus que lhe competia e atestar a regularidade das receitas registradas no livro-caixa, diante da manutenção da glosa pela DRJ/CTA, traz aos autos novos documentos visando comprovar a origem dos rendimentos declarados (289/300). De início, vale salientar que no processo administrativo fiscal, os princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório devem prevalecer, sobrepondo-se ao formalismo processual, sobretudo quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, ou mesmo questionado pela decisão recorrida, caso em que é cabível a revisão do lançamento pela autoridade administrativa. Nesse ponto, o art. 149 do CTN determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF), cujo objetivo é efetuar o controle de legalidade do lançamento fiscal, harmonizando- o com os dispositivos legais, de cunho material e processual, aplicáveis ao caso, calhando aqui, por pertinente e indispensável, a análise dos documentos trazidos à colação pela Recorrente. Do cotejo do conjunto probatório ora produzido, em relação aos fundamentos motivadores da glosa traçada na decisão recorrida (fls. 258/263), me convenço que merece prosperar a insurgência recursal. A Recorrente logrou êxito em demonstrar a origem dos rendimentos recebidos, os quais se referem à honorários periciais, decorrentes da atuação profissional perante as Varas do Trabalho, nos processos nº 1081-2004-048-01-00-1 / Alvará nº 40/2009 / Valor: R$ 3.551,67; 331-2006-048-01-00-8 / Alvarás nº 613/2009 – Valor: R$ 4.082,25 e nº 868/2009 – R$ 2.837,33; 1691-2001-341-01-00-2 / Alvará nº 87/2009 / Valor: R$ 2.676,75; 1253-2004-341-01-00-7 / Alvará nº 302/2009 / Valor: R$ 3.065,88; e 4857-2003-341-01-00-4 / Alvará nº 1048/2009 / Valor: R$ 1.306,51 (fls. 293/294 e 299/300), cujos levantamentos totalizaram R$ 17.520,39. Os respectivos levantamentos são atestados pelos respectivos juízos por meio dos Ofícios nº 100/2016, de 08/08/2016 e nº 84/2016, de 05/08/2016, onde afirmam que são decorrentes de honorários periciais em face de contraprestação para pelos serviços de trabalho pericial realizado pela Recorrente, sem vínculo empregatício àquele Tribunal Regional do Trabalho (fls. 291 e 298). Tais declarações judiciais trazem a origem dos valores depositados, a vinculação ao processo judicial originário, dentre outros requisitos, devendo tais valores ser acatados ante a efetiva comprovação da origem dos recursos suficientes a comportar a dedução de despesas do livro-caixa. Portanto, em relação aos rendimentos declarados, resta demonstrada a correlação de valores e sua origem, porquanto oriundos do exercício da atividade pericial judicial, constituindo em documentos suficientes a demonstrar materialmente que os aludidos aportes decorreram do exercício da atividade profissional sem vínculo empregatício exercida pela Recorrente, junto às citadas Varas da Justiça do Trabalho. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para restabelecer os rendimentos dos honorários periciais declarados no livro-caixa, recebidos por meio de alvarás emitidos pela Justiça do Trabalho, no valor de R$ 17.520,39, declarados na base de cálculo do imposto de renda da pessoa física do ano-calendário de 2009, exercício de 2010. Fl. 311DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.137 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.723069/2012-66 É como voto (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 312DF CARF MF
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