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Numero do processo: 10166.721766/2009-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
Os tribunais superiores STF e STJ já decidiram que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o vale transporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA SE DEVIDA. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança, se devidas. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.705
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA LIMA
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REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. GFIP. Recorrente MELHOR POSTO DE COMBUSTÍVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Os tribunais superiores STF e STJ já decidiram que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o vale transporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA SE DEVIDA. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança, se devidas. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Fl. 601DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721766/200939 Acórdão n.º 2803000.705 S2TE03 Fl. 468 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721766/200939 Acórdão n.º 2803000.705 S2TE03 Fl. 469 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, sob DEBCAD nº 37.232.9373, em 28/09/2009, no qual foram incluídas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a seus empregados (cota patronal e cota dos segurados), período 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 92 a 102, relativo a valores pagos em pecúnia a título de vale transporte e diferenças de base de cálculo verificadas entre folhas de pagamento e GFIP nas competências 04/2005, 06/2005 e 13/2005. O Relatório Fiscal ainda contém demonstrativo da comparação das penalidades previstas na legislação vigente na época dos fatos geradores e na legislação vigente à época do lançamento, em cumprimento ao artigo 106 do CTN, identificando qual a penalidade mais benéfica, aplicada ao presente lançamento. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Intimado do lançamento em 29 de setembro de 2009 (fls 02), o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, em 29 de outubro de 2009, às fls. 315/340. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 558 a 565. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte tomou ciência da decisão em 06/01/2011, inconformado interpôs recurso voluntário em 07/02/2011, alegando em síntese: O art. 5o. de decreto n º 95.247/87 extrapola a sua finalidade de regulamentar a Lei n º 7.418/85, inovando quanto a incidência de contribuições previdenciárias sobre vale transporte em dinheiro. A lei não proíbe. Não há como o decreto obrigar o contribuinte a recolher tais contribuições, sob pena de violação ao princípio da legalidade. Os tribunais superiores STF e STJ já decidiram que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o vale transporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório. O vale transporte, quando descontado do empregado no percentual estabelecido em lei, não integra a sua remuneração; o lançamento deve ser anulado diante da contrariedade ao art. 11, parágrafo único, alínea “a” da Lei n º 8.212/91, que estabelece contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; requer o afastamento da responsabilidade dos sóciosgerentes da empresa e a improcedência do lançamento e da multa de ofício. É o relatório. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721766/200939 Acórdão n.º 2803000.705 S2TE03 Fl. 470 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. A Lei n ° 8.212/1991, em seu art. 28, estabelece como salário de contribuição, para fins de incidência das contribuições, a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Há algumas parcelas que, por expressa disposição legal, estão excluídas da base de incidência das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória ou assistencial. É o caso do vale transporte pago em conformidade com a legislação de regência. É o que dispõe o art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;” Diante deste dispositivo, entendese que a parcela paga em desacordo com a legislação de regência deverá se sujeitar à incidência das contribuições previdenciárias. Assim sendo, o pagamento de vale transporte em pecúnia encontrase em manifesto desacordo com o regramento trazido pelo Decreto n ° 95.247/1987, especificamente, em relação ao artigo 5º, que assim estabelece: “Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721766/200939 Acórdão n.º 2803000.705 S2TE03 Fl. 471 5 Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento.” Todavia, em março de 2010, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 478.410/SP, considerou, por maioria, que a restrição imposta pelo Decreto nº 95.247/87 contraria frontalmente a Constituição Republicana, sendo inquestionável a sua natureza indenizatória, ainda que a referida verba seja paga em dinheiro. O julgamento em questão foi assim ementado: “RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE nº 478.410/SP, Relator: Ministro Eros Grau) Muito embora o Regimento Interno do presente Conselho (art. 62, parágrafo único) permita o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinados atos normativos tão somente quando esta tenha sido declarada por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, cumpre esclarecer que o acórdão proferido no RE nº 478.410 é resultante de julgamento realizado pelo Plenário da Corte, tendo havido apenas dois votos contrários a esse entendimento, o que não é suficiente para desencadear uma mudança do posicionamento Fl. 605DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721766/200939 Acórdão n.º 2803000.705 S2TE03 Fl. 472 6 externado. Apesar de não se tratar de assunto com efeitos da repercussão geral, de qualquer sorte, a repercussão já está sinalizada. Em razão da decisão do STF que concluiu pela inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia por ter caráter indenizatório, o Superior Tribunal de Justiça – STJ reviu sua orientação anterior no sentido de acompanhar o entendimento do STF. São os termos das decisões: Processo RESP 200901216375RESP RECURSO ESPECIAL – 1180562, Relator(a) CASTRO MEIRA , Sigla do órgão STJ, Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:26/08/2010 RJPTP VOL.:00032 PG:00133 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.VALETRANSPORTE.PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido. Data da Decisão 17/08/2010, Data da Publicação 26/08/2010 .............. Processo AR 200501301278AR AÇÃO RESCISÓRIA – 3394 , Relator(a) HUMBERTO MARTINS , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador PRIMEIRA SEÇÃO , Fonte DJE DATA:22/09/2010 Ementa: AÇÃO RESCISÓRIA – PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA –VALE TRANSPORTE– PAGAMENTO EM PECÚNIA– NÃO INCIDÊNCIA – ERRO DE FATO – OCORRÊNCIA – AUXÍLIO CRECHE/BABÁ – ACÓRDÃO RESCINDENDO NÃO CONHECEU DO RECURSO NESSA PARTE. 1. Há erro de fato quando o órgão julgador imagina ou supõe que um fato existiu, sem nunca ter ocorrido, ou quando simplesmente ignora fato existente, não se pronunciando sobre ele. 2. In casu, ocorreu erro de fato no acórdão rescindendo, porquanto considerou inexistente um fato efetivamente ocorrido, ou seja, partiu de premissa errônea pois pressupôs a inexistência de desconto das parcelas de seus empregados a titulo de valetransporte,quando é incontroverso nos autos que tal fato ocorrera. 3. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de recurso extraordinário, consolidou jurisprudência no sentido de que "a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a Fl. 606DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721766/200939 Acórdão n.º 2803000.705 S2TE03 Fl. 473 7 título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa" (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.3.2010, DJe086 DIVULG 13.5.2010 PUBLIC 14.5.2010). 4. No que tange ao auxíliocreche/babá, esta Corte Superior é incompetente para examinar o feito, uma vez que não cabe ação rescisória com a finalidade de desconstituir julgado que não apreciou o mérito da demanda, neste ponto específico. Precedentes: AgRg na AR 3.827/SP, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.10.2009; AR 2.622/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Seção, DJe 8.9.2008. Ação rescisória parcialmente procedente. Data da Decisão 23/06/2010 , Data da Publicação 22/09/2010 Destarte, reconheço a impossibilidade da exigência do crédito tributário sobre o vale transporte pago em pecúnia por ser caráter indenizatório, devendo ser excluído do lançamento fiscal. Quanto às diferenças apuradas entre GFIP e folhas de pagamento nas competências 04/2005, 06/2005 e 13/2005 (levantamento END – Empregado não declarado), o contribuinte não apresentou recurso. Desta forma, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria que não foi expressamente contestada, ficando mantido o lançamento nessa parte. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, a discriminação das observações; e, ainda, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas; a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. Quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de coresponsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas ou não na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Destarte, não há que se falar em exclusão dos nomes solicitados pelo recorrente, pois não se trata de responsabilidade solidária dos responsáveis por excesso de Fl. 607DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721766/200939 Acórdão n.º 2803000.705 S2TE03 Fl. 474 8 poderes ou infração de lei estabelecida pelos arts. 134 e 135 do CTN. Portanto, não há razão no argumento. Relativo a multa, a Lei n º 8.212/91, na redação introduzida pela Lei n º 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). A multa de mora estabelecida no art. 35 da Lei n º 8.212/91 deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei n º 9.430/96. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, REsp 289181/MG. Deste modo, as contribuições previdenciárias devem, em regra, observar o disposto no art. 150 do CTN. A multa de ofício estabelecida no art. 35A da Lei n º 8.212/91 deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei no9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: O entendimento de que a multa de mora (art. 35) não se confunde com a multa de ofício (art. 35A) da Lei n º 8.212/91, devendo suas aplicações seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei n º 9.430/96; e para a multa de ofício o art. 44 da Lei n º 9.430/96, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O entendimento do STF também é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatadas diferenças a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). Pelo exposto, do Relatório Fiscal da notificação em questão que se refere às diferenças apuradas entre GFIP e folhas de pagamento nas competências 04/2005, 06/2005 e 13/2005 (levantamento END – Empregado não declarado em GFIP), concluise que se trata de lançamento de ofício nos termos do art. 149 do CTN. Assim, é prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil cobrar por intermédio de lançamento de ofício as contribuições sociais e as devidas a outras entidades (Terceiros), nos termos do art. 33, parágrafos 1o. a 3o., da Lei n º 8.212/91. A multa constante da notificação fiscal deve ser comparada com a do lançamento de ofício que está estabelecida no art. 35A da Lei n º 8.212/91, com redação dada pela Lei n º 11.941/2009, devendo ser aplicada a mais benéfica ao contribuinte. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721766/200939 Acórdão n.º 2803000.705 S2TE03 Fl. 475 9 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, excluindo do lançamento as contribuições apuradas a título de vale transporte pago em pecúnia, mantendo o lançamento para diferenças apuradas entre GFIP e folhas de pagamento nas competências 04/2005, 06/2005 e 13/2005 (levantamento END – Empregado não declarado). A multa constante da notificação fiscal deve ser comparada com a do lançamento de ofício que está estabelecida no art. 35A da Lei n º 8.212/91, com redação dada pela Lei n º 11.941/2009, sendo aplicada a mais benéfica ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 609DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/ 05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10980.914102/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO
DECLARANTE.
É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratando-se de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido.
Assunto: Normas de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE
COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada.
Numero da decisão: 3803-003.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO DECLARANTE. É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratandose de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido. Assunto: Normas de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0633.555, de 14 de setembro de 2011, da DRJCuritiba/PR, fls. s/nº, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação nº 02686.00283.300306.1.3.04-3748, fl. 05 a 10, em 30/03/2006, por meio da qual compensou débitos de IRPJ1º Trim/2006. Na DComp foi utilizado o crédito de pagamento indevido no valor de R$ 17.039,21, relativo à Cofins do mês de junho/2004, do total recolhido de R$ 24.830,40. A DRFCuritiba, não homologou a compensação, por meio do despacho decisório de 11/05/2009, fl. 01, fundada no fato de que o DARF discriminado na DComp fora integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins do período de apuração de junho de 2004, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito indicado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 11 a 16, em que alegou que: a) dentre as atividades desenvolvidas, realiza a prestação de serviços para armadores estrangeiros e, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; b) os armadores estrangeiros são representados no território nacional por empresas brasileiras. Os pagamentos efetuados a estes representantes são suportados pelo primeiro, conforme a legislação brasileira, que remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; c) as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 exigem somente duas condições para a não incidência das contribuições: que o tomador, pessoa física ou jurídica, esteja domiciliado no exterior, e que o pagamento seja realizado em moeda conversível; d) os serviços prestados para armadores estrangeiros atendem a estas duas condições, embora o serviço seja executado totalmente em território brasileiro e aqui seja verificado o seu resultado, uma vez que o tomador está domiciliado no exterior e sua contraprestação acarreta a entrada de divisas; e) os representantes são meros repassadores de recursos do exterior, atuando em nome dos armadores, por imposição das leis brasileiras, e que esta intermediação não é suficiente para descaracterizar a não incidência das contribuições, uma vez que toda atividade exercida pela empresa é desenvolvida exclusivamente para uma empresa estrangeira; f) existe um nexo causal entre o pagamento que representa a entrada de divisas e a prestação de serviços à pessoa estrangeira, e que este nexo é evidenciado pela legislação do Bacen, a qual autoriza esse tipo de transação; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.914102/200918 Acórdão n.º 3803003.238 S3TE03 Fl. 2 3 g) preenche todos os requisitos para fazer jus ao benefício e relatou que ingressara com o pedido de restituição e compensação dos valores não prescritos. Indicou o valor do faturamento com a prestação de serviços ao armador estrangeiro, o valor da contribuição que entende ter pago indevidamente e a correção do indébito até a data da apresentação da DComp. h) ressaltou que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade que desenvolve à desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais e que as disponibilizará para conferência no momento em que forem requisitadas. Com esses argumentos a interessada requereu o acolhimento da manifestação de inconformidade, o cancelamento do procedimento administrativo adotado pela DRF/Curitiba e a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide, a DRJCuritiba destacou que a compensação tributária pressupõe que o sujeito passivo tenha um crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Sob essa premissa legal, sustentou que a Contribuinte não trouxe ao processo qualquer prova material ou documental para amparar sua principal alegação de direito ao crédito decorrente da não incidência da contribuição sobre as receitas de prestação de serviços a pessoa jurídica domiciliada no exterior, conforme exigida pelo art. 16, III, do Decreto n° 70.235/72 e do artigo 333, do Código de Processo Civil. Aduziu que a manifestante fez juntar ao processo um simples demonstrativo de apuração do crédito, o qual traz a indicação das notas fiscais relativas aos serviços prestados, tendose colocado à disposição para a sua apresentação posterior. Cientificada da decisão em 17 de outubro de 2011, irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário em 09 de novembro de 2011, em que repisa os mesmos termos da manifestação de inconformidade e anexa cópias dos contratos anuais de prestação de serviço de agenciamento marítimo, firmados com o armador estrangeiro, P&O Nedlloyd. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A suma dos argumentos da Recorrente é que o pagamento da COFINS utilizado como crédito na DComp sob análise foi calculado sobre receitas de prestação de serviços para pessoa jurídica localizada no exterior, representativa ingresso de divisas, não sujeitas à incidência das contribuições, a teor do do art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, verbis: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A razão de decidir da DRJ/Curitiba resumese na falta de comprovação do alegado pela manifestante. Com efeito, a Interessada não respaldou a defesa com documentação contábil e fiscal, únicos elementos autorizados legalmente para aferição de bases de cálculo, para identificação das receitas, de sorte a, no caso, viabilizar a verificação de não incidência da contribuição sobre a exclusiva receita de prestação de serviços ao armador estrangeiro que a Interessada representa no Brasil. A decisão recorrida observou: “a contribuinte [...] juntou ao processo, desacompanhado de documentação contábil e fiscal comprobatória, um simples demonstrativo de apuração do crédito”. No recurso voluntário, reitero, a declarante replica o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade, e nele agrega o mesmo demonstrativo do crédito utilizado na DComp, em que apresenta a receita auferida do armador estrangeiro e o valor do pagamento indevido da contribuição. Informou a Defendente, em ambas as instâncias, que “dentre as atividades desenvolvidas realiza a prestação de serviços para armadores estrangeiros”. Suas atividades estão descritas no objeto social, constante da cláusula terceira do contrato social consolidado, fl. 24, anexo ao recurso voluntário, ipsis litteris: Agência Marítima, Entidade Estivadora, Operadora Portuária, Agenciamento de navios, Representações Comerciais, Comissária de Despachos Aduaneiros, Prestação de Serviços e Assessoria Técnica em cargas e encomendas e Participações Societárias em outras empresas. Como representante do armador, esta pessoa jurídica, além de angariar cargas para a sua Contratante, executa todos os procedimentos que têm pertinência com o movimento dessas cargas, inclusive quanto à contratação de transporte rodoviário e serviços de armazéns, segundo os termos do contrato de prestação de serviços firmado com a P&O Nedlloyd. Para fazer frente ao cumprimento do contrato, a Agência Marítima Transatlântica movimenta duas contas bancárias. A primeira, para controle do custeio da atividade da Contratante, P&O Nedlloyd, intermediada pela Contratada. A segunda, para as remessas de receitas da Contratante. Os registros contábeis, notadamente contas a pagar, contas a receber e caixa, são feitos separadamente dos da Contratada, de modo que a posição financeira líquida da Contratante possa ser estabelecida a qualquer tempo, consoante cláusula do contrato. Dos termos avençados no contrato deflui a preponderante característica da Agência Marítima Transatlântica como repassadora de recursos financeiros da P&O Nedlloyd para cobertura dos custos e despesas desta nas operações relativas aos fretamentos, serviços de intermediação pelos quais, podese ter como certo, aufere suas próprias receitas representantes de ingressos de divisas. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.914102/200918 Acórdão n.º 3803003.238 S3TE03 Fl. 3 5 Contudo, não se perca de vista o leque de atividades previsto no objeto social da Agência Marítima Transatlântica Ltda., a indicar a possibilidade da existência de outras relações de negócios, além da que estabelece com a P&O Nedlloyd, sujeitas à incidência da contribuição, como o prova o débito que a Interessada reconhece como efetivo em cada período de apuração. Dessas observações acima registradas, ressalta a insuficiência do único elemento que a Defendente trouxe na manifestação de inconformidade, vale dizer, o demonstrativo espelhado acima, para demonstrar a propriedade e a medida das receitas de prestação de serviços desta Contratada exclusivamente decorrente do contrato em foco. Mesmo indicado na decisão recorrida que os elementos de prova consubstanciavamse na escrita ou documentação contábil e fiscal, a Recorrente não suprimiu esta lacuna no recurso voluntário, limitandose a anexar cópias dos contratos de prestação de serviços à P&O Nedlloyd, ineptos para aferição dos valores controversos e, portanto, para ateste da verossimilhança das alegações. Assim, nada a reparar na decisão recorrida, que a mantenho por seus próprios fundamentos, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e a art. 333 do CPC1, segundo os quais é ônus da Defendente carrear aos autos a prova de sua alegação de ser detentora de crédito perante a RFB, não cabendo a este Órgão provêla em substituição àquela, mediante diligência, coligindo os elementos de sua escrita contábil e fiscal, que são de privativo conhecimento da Interessada e se encontram sob seu estrito controle. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 18 de julho 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10980.914102/200918 Interessada: AGENCIA MARÍTIMA TRANSATLÂNTICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.238, de 18 de julho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 18 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 246DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11042.000254/2004-90
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.073
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência nos termos do voto do Conselheiro designado Sergio de Castro Neves. Vencido o Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza.
Nome do relator: SILVIO MARCOS BARCELOS FIUZA
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(FILIAL 04) : DRJ/FLORIANÓPOLIS/SC RESOLUÇÃO NQ 303-01.073 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência nos termos do voto do Conselheiro designado Sergio de Castro Neves. Vencido o Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza. ANELISE DAIUDT PRIET Presidente SÉRGIO DE CA RO NEVES Relator designad Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli e Tardsio Campelo Borges. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Rubens Carlos Vieira. Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 RELATÓRIO A empresa referenciada importou, por meio da DI n° 01/0391858-7, registrada em 20/04/2001, a mercadoria descrita como "ácido dodecilbenzenossulfônico biodegradável — marca Lavrex 100", conforme consta dos documentos que instruíram o despacho (fls. 20 e 21), classificando-a no código NCM 2904.10.20 (16,5% de II e 0% de IPI). Por sua vez, Laudo de Análises do Laboratório de Análises da Funcap — Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (n° 1218.01 — LAB 0330/JAGUARÃO — fls. 39 a 41), emitido em função de amostra coletada no curso de outro despacho aduaneiro (DI n° 02/0887138-6), referente a produto descrito de maneira idêntica ao ora analisado, entretanto corn referência de marca diferente (Essrex 70), e que teria sido exportado pela mesma empresa (American Chemical I.C.S.A., do Uruguai), informou que a mercadoria tratava-se de "uma mistura de ácidos alquilbenzenossulfânicorts lineares, na forma liquida", "um agente orgânico de superficie aniônico" composto de 35,8% de ácido dodecilbenzenossulfônico, 30,2% de ácido tridecilbenzenossulfônico, 27,4% de ácido undecilbenzenosulfônico, 4,1% de ácido tetradecilbenzenossulfônico e 2,4% de ácido decilbenzenossulfônico. Com base nestas informações, a autoridade autuante concluiu que o produto importado deveria ser classificado no código NCM 3402.11.90(16,5% de II e 5% de IPI), o que gerou a lavratura dos Autos de Infração de fls. 01 a 16 para exigência de R$ 2.945,62 a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 8.343,84 a titulo de Imposto de Importação (II), acrescidos de multa de oficio (75%) e juros de mora, de R$ 15.170,62 a titulo de multa do controle administrativo das importações (mercadoria importada ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente). Ciente da autuação, a ora recorrente protocolizou a defesa de fis. 57 a 71, argumentando, em síntese, que: -o Auto de Infração impugnado carecia de identificação, ou seja, não há numeração que o identifique, impedindo A contestante o seu acompanhamento; -o Laudo Técnico embasador dos lançamentos (LAB n° 330/03), contrariamente ao que me ciona o Auto, não se encontra em anexo; -assinif sendo, não há corno se defender daquilo que não integra a autuação; 2 Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 -os laudos LAB n's 247/03 e 249/03, citados na parte final do Auto de Infração, além de não se encontrarem em anexo, embasam processos ainda pendentes de julgamentos; -uma vez que não foram coletadas amostras da mercadoria objeto da DI n°01/1158067-0, não se pode supor que o laudo LAB n°330/03, elaborado a partir de amostras retiradas em agosto de 2002, segundo a autoridade autuante, no curso de importação diversa efetuada por outro importador em outubro de 2002 (data incompatível com a coleta das amostras),refira-se ao mesmo produto importado pela impugnante em novembro de 2001; -com a criação da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), criou-se um item especifico para o produto em questão, ácido dodecilbenzenssulfônico e seus sais: 2904.10.20; -Laudo do Laboratório de Análises Tecnológicas do Uruguai (LATU), em anexo, confirma a composição do produto — ácido dodecilbenzenossulfônico, e a sua correta classificação; -A responsabilidade em realizar o controle aduaneiro é da Receita Federal, que deveria ter diligenciado no sentido de verificar qual era o produto efetivamente importado na ocasião oportuna; -Deve-se lembrar que o laudo em comento traz em seu corpo a seguinte nota: "os resultados das análises contidos neste documento têm significação restrita e se referem somente a amostra recebida por este Laboratório"; -Conforme exemplificam Acórdãos emanados do Conselho de Contribuintes, cujas ementas foram transcritas, na ausência de provas, como no caso em tela, não há como aceitar a reclassificação de mercadoria importada; -0 Certificado de Origem do produto continua válido, sendo improcedentes as exigências do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados; -Não procede a cobrança da multa por falta de licença de importação ou documento equivalente, porque na época do fato gerador não havia nenhum tipo de controle administrativo sobre a mercadoria, dando-se o licenciamento de forma automática; -Unicamente a partir de 31/03/2003 passou-se a exigir a LI para o código 2904.10.20, em função da entrada em vigor da Resolução de Diretoria Colegiada — RDC 01/03, da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA); assim, não se po4é permitir a retroatividade da existência para fato gerador anterior A. sua obrigatori de; 3 Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 -Não merece prosperar a aplicação da multa disposta no art. 84 da MP n° 2.158/2001, de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, pois em momento algum houve classificação incorreta do produto sob exame na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Ao final, considerando as razões apresentadas, o contribuinte requereu que sejam acolhidas as preliminares arguidas, tornando insubsistente o Auto de Infração, ou seja, caso assim não entenda a autoridade julgadora, seja no mérito julgado improcedente o lançamento. A DRF de Julgamento em Florianópolis —SC, por maioria, através do Acórdão N° 4.759 de 08.10.2004, julgou o lançamento procedente em parte, para exonerar o contribuinte da exigência do Imposto de Importação - II, reduzir o valor do imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI para R$ 2.528,44, mantendo a multa por infração ao controle administrativo das importações e a multa proporcional ao valor aduaneiro, nos termos que a seguir se transcreve, excetuando as transcrições de textos legais: "Preliminarmente, a interessada alega que houve cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que ela não teria tomado conhecimento do laudo técnico que embasou a lavratura dos Autos de Infração sob exame (Laudo n° 1218.01 — LAB 0330/JAGUARA0). Mesmo que o agente público responsável pela autuação não tivesse fornecido à contribuinte uma cópia do aludido laudo, do que, apesar de asseverado na defesa, não se tem certeza, a ela é facultada a consulta ao processo, no órgão preparador, dentro do trintidio legal para pagamento ou apresentação da impugnação, podendo ser requisitadas cópias todo ou parte. Além disso, é necessário frisar que a impugnante defendeu-se cabalmente da imposição fiscal, com a demonstração de conhecimento de todas as peças do processo, sem que restasse configurado prejuízo a elaboração da sua impugnação. Destarte, não é corroborado pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, confon-ne se infere pela ementa do Acórdão n° 103.10.340, transcrito. Desse modo, estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram da base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa, razão pela qual deve ser rejeitada a preliminar arguida. Quantos aos Laudos LAB n° 247/03 e 249/03, cabe observar que eles foram cita os na parte final expositiva do Auto de Infração (fl. 04) apenas de forma exempli icativa, visto que possuem o mesmo teor do laudo LAB n° 330/03, circunsta i 4estacada pela autoridade fiscal. 4 Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 Assim, não se vislumbra a necessidade de anexação dos referidos Laudos ao presente processo, ao contrário do que assevera a impugnante, visto que a juntada do laudo LAB n° 330/03, embasador dos Autos de Infração sob exame, às fls. 41 a 43, é plenamente suficiente para que seja exercido o direito de defesa da contribuinte, o que de fato ocorreu, conforme explanado anteriormente. A titulo de esclarecimento, é de se notar que os Autos de Infração lavrados em decorrência das conclusões contidas nos Laudos LAB n's 247/03 e 249/03, constantes dos processos administrativos nos 11042.000230/2003-50 e 11042.000231/2003-02, que já foram apreciados pela DRJ/FLORIAN0POLIS mediante os Acórdãos n's 4.394 e 4.396, de 13/08/2004, sendo considerados procedentes. Por sua vez, cumpre salientar que a numeração do Auto de Infração não constitui elemento essencial nem indispensável A sua lavratura, ao contrário do que entende a impugnante. 0 art. 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, que trata dos requisitos obrigatórios desse procedimento, dispõe, conforme transcreveu. Conforme se verifica dos Autos em discussão, eles contêm todos os elementos elencados acima. Além disso, a falta de numeração não trouxe qualquer prejuízo A interessada. Em sua defesa, a contribuinte também argumenta que o laudo técnico referente a determinada amostra s6 pode ser utilizada para importação correspondente, não podendo extrapolar e abranger outras DIs, como foi feito no caso em questão. Há, porém, que se levar em consideração que a autuação em apreço consistiu na desclassificação tarifária do produto importado, assunto este que envolve a análise de diversos fatores de ordem técnica. 0 material importado, cuja classificação aqui se discute, consiste num produto oriundo de um processo industrial realizado dentro de condições técnicas definidas por empresa a principio idônea, que é comercializado dentro de condições técnicas determinadas, ou seja, há que se aceitar que o produto importado mediante a DI n° 01/1158067-0 não apresenta discrepâncias nas suas características essenciais em relação a outra importação da mesma mercadoria. Caso essa condição não fosse verdadeira, seria impossível estabelecer uma importação regular desse produto, pois seria necessária a realização de consultas previas ao fabricante a respeito da mercadoria antes de cada compra, adequando a seguir sua comercialização. Desse modo, a coleta periódica de amostras efetuadas pelos Laborató Análises atende As necessidades da fiscalização, fornecendo-lhe 5 Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 subsídios técnicos para se estabelecer o correto enquadramento tarifário dos produtos importados, sem causar transtornos aos importadores, desobrigando a coleta de amostras e análise química a cada importação realizada, já que, conforme o entendimento acima exposto, não pode haver divergências nas características fisico- quimicas entre duas amostras de produtos comercialmente idênticos, a ponto de alterar as suas características essenciais. A respeito deste assunto, podemos observar o que diz Paulo Celso Bonilha, que transcreveu. Assim, pode-se dizer, a priori, que laudos exarados em outros processos administrativos fiscais poderão ser válidos desde que se refiram a importações oriundas de mesmo fabricante, corn mesma marca, especificação e denominação. Corroborando esse entendimento, cabe verificar o disposto no § 3" do art. 30 do Decreto 70.235/1972, alterado pelo art. 67 da lei 9.532/1997, in verbis: "Art. 30 (...) (...) §3 0 Atribuir-se-6 eficácia aos latidos e pereceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) Quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação" Examinando a DI objeto deste processo e os documentos de fls. 27 a 43, pode-se constatar que o fabricante/exportador é o mesmo (empresa American Chemical I.C.S.A.,estabelecida no Uruguai) e a denominação/especificação também é a mesma, pois em todos os casos o material é identificado como "ácido dodecilbenzenossulfônico biodegradável — Lavrex 100". Salienta-se que o § 3° do art. 30 do Decreto 70.235/1972, acima transcrito, não exige que os laudos técnicos tomados como prova emprestada se refiram a operações de comércio exterior efetivadas pelo mesmo importador. Em face do exposto, o Laudo Técnico n° 1218.01 — LAB 0330, elaborado pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (FUNCAMP), pode perfeitamente er utilizado para o caso em discussão, ao contrário do asseverado na peça impygória. 6 Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 Impede observar que a incorreta menção no Auto de Infração à data de retirada das amostras referentes h. DI n° 20/0887138-6 em nada invalida a conclusão ora exposta, consistindo em mero erro material saneado pela juntada, A. fl. 37, do Ten-no de Coleta de Amostras de produto para Análise, onde se pode constatar que a mencionada coleta se deu em 09/10/2002, data inteiramente compatível corn o registro da DI, efetuado em 04/10/2002. Outrossim, assinale-se que a aludida incorreção em nada prejudicou a defesa da contribuinte, consoante explanado exaustão. Quanto à desclassificação fiscal promovida, verifica-se que o presente litígio não alcança, apenas, o enquadramento tarifário da mercadoria importada, mas a sua própria identificação. A interessada sustenta que o produto em questão é o ácido dodecilbenzenossulfônico, que está corretamente classificado no capitulo 29 da TEC. No entanto, o Laboratório de Análises da FUNCAMP concluiu tratar-se de um agente de superficie aniónico (fls. 41 a 43). Com base na identificação efetuada pelo órgão competente para tanto, impõe-se verificar a classificação fiscal atribuida pela autoridade lançadora, no código 3402.11.90, cujo texto para posição, subposição, item e subitem, é abaixo transcrito: 3402 — Agentes orgânicos de superficie (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluidas as preparações auxiliares) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 3401 3402.1 — Agentes orgânicos de superficie, mesmo acondicionados para venda a retalho 3402.11 — Aniónicos 3402.11.10 — Dibutilnaftalenossulfato de sódio 3402.11.20 — N-Meti-N-oleiltaurato de sódio 3402.11.30 — Alquilsulfonato de sódio, secundário 3402.11.90 — Outros A simples leitura dos textos permite concluir que o código acima indicado abriga o produto "agente orgânico de superficie aniõnico", composto por urna mistura se ácidos alquilbenzenossulfônicos lineares (especificamente de ácido dodecilb e ossulfónico, de ácido tridecilbenzenossulfónico, de ácido 7 z Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 undecilbenzenossulffinico, de ácido tetradecilbenzenossulfônico e de ácido decilbenzenossulfônico, de acordo com a análise da FUNCAMP), e como tal enquadrado no desdobramento residual "Outros". Acrescente-se ainda que o laudo destacou que a mercadoria analisada, quando misturada com água na concentração de 0,5%, A temperatura de 20°C e, em seguida, deixada em repouso durante uma hora A mesma temperatura, produz liquido transparente que reduz a tensão da água a 45 dinas/cm ou menos (36,9 dinas/cm), atendendo assim ao disposto na Nota 3 do Capitulo 34 da TEC, condição necessária para que um produto seja considerado agente orgânico de superficie. Quanto ao argumento da impugnante de que o laudo do laboratório de Análises Tecnológicas do Uruguai (LATU), anexado A. fl. 86, embasaria o enquadramento tarifário adotado por ela, cabe reproduzir parcialmente o "Ditame sobre Acido Dodecilbenzenossulfônico", oriundo de reunido do Comitê Técnico do Mercosul realizada entre os dias 04 e 08 de novembro de 2002 em Montevidéu, Uruguai, consoante a Ata n° 07/02, juntada As fls. 93 e 94, transcrito. Por pertinente, cabe destacar que a Direccion Nacional de Aduanas, órgão do governo uruguaio, mediante a O/D n° 34/2003, anexada A. fl. 95 com base no Ditame transcrito, estabeleceu Critério de Classificação segundo o qual a mercadoria sob exame deve ser enquadrada no código NCM 3402.11.90. Apesar de a referida O/D não gerar quaisquer efeito no âmbito da Aduana Brasileira, ela é importante no sentido em que supera o entendimento anterior baseado na análise do LATU a que se refere a interessada. Esclarecendo definitivamente a questão, a Nota Coana/ Cotac/Dinom n° 295, de 12/09/2002 (fls. 96 a 99), mencionada na Ata n° 07/02, analisando a classificação fiscal do produto químico em questão, assim dispõe em seus itens 14 e 15, transcrito. Conforme se depreende do trecho transcrito, já a partir do advento da IN/SRF n° 99/99, vigente a partir de 11/08/1999, a Administração Aduaneira do Brasil, aprovando a Coletânia de Pareceres da Organização Mundial das Aduanas e adotando-a como norma para solução de consultas sobre classificação de mercadorias, estabeleceu que o produto em comento deve ser obrigatoriamente enquadrado no código NCM 3402.11.90. Impede concluir, portanto, que não cabe reparo em relação h reclassificação tarifária efetivada. Insubsistente, no entanto, a desclassificação do Certificado de Origem n. 01238 de fl. 21, uma vez a Fatura Comercial n° 01667 (f1.23), de apresentação pa a obtenção do referido documento, menciona expressamente o produto Lavr 00. 8 Processo n° Resolução n° : 11042.000254/2004-90 : 303-01.073 Considerando que o certificado de Origem n° 185577, por ser embasado na mencionada Fatura, consoante consignado no campo 7, indiscutivelmente ampara a importação da mesma mercadoria que foi efetivamente submetida a despacho aduaneiro (Lavrex 100), oriunda do Uruguai, resta cabível a preferência percentual de 100% no Imposto de Importação pretendida pela interessada (ACE 18 — Mercosul). Destarte, o valor lançado a titulo de II deve ser exonerado, o que altera a base de cálculo do IPI para R$ 50.568,75. Posto que a aliquota aplicável é de 5%, mister se faz reduzir o valor exigível referente ao IPI para R$ 2.528,44 (5% x 65.521,00). No tocante à imposição da multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°91.030, de 05/03/1985 (RA/1985), cabe lembrar que o Ato declaratório Normativo (ADN) COSIT n° 12, de 21/01/1997, assim dispõe: "declara, em caráter normativo, ás Superintendências REGIONAIS DA Receita Federal, ás Delegacias da Receita Federal e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior — SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por pane do declarante. "(grifou-se) Da análise da norma transcrita, depreende-se que para afastar a infração administrativa ao controle das importações (importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente),independentemente de se tratar de licenciamento automático ou não, imprescindível que o produto importado houvesse sido corretamente descrito, com todos os elementos necessários A sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. No caso em tela, de acordo com as considerações precedentes, constata-se que a descrição da mercadoria constante na DI foi imprecisa, haja vista ter o importador omitido a infon-nação de tratar-se de uma mistura de ácidos alquilbenzenossulfônico lineares, com propriedades tensoativas, conforme revelou a análise laboratorial. Desse modo, configura-se a descrição incompleta do produto, resta demonstrada aplicabilidade ap caso vertente da multa por infração ao controle administr ti das importações,capitulada art. 526, inciso II, do RA/1985, não tendo a 9 Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 imposição da referida penalidade qualquer relação com o emprego da RDC AN VISA N° 01/03, consoante equivocadamente alega a impugnante. Por derradeiro, cumpre observar que a medida provisória ri° 2.158- 35, com vigência a partir de 27/08/2001, em seu artigo 84, inciso I, prevê a exigência de multa por classificação incorreta. Assim, como se verifica no dispositivo legal reproduzido, não resta qualquer dúvida no tocante à validade da imposição da referida multa ao caso em tela, em virtude da errônea classificação adotada pela interessada. Diante de todo o exposto, voto no sentido de considerar procedente em parte o lançamento constante do presente processo, exonerando a exigência do Imposto de Importação (II), reduzindo o valor lançado a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para R$ 3.276,05, e mantendo a multa por infração ao controle administrativo das importações e a multa proporcional ao valor aduaneiro.André Suaki dos Santos — Relator" Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho em 19.01.2005 (fl.115 a 142) acompanhado dos anexos as fls. 143 a 171, demonstrando seu inconformismo, repetindo e ratificando os argumentos já anteriormente alinhados quando da impugnação em primeira instância, asseverando, em síntese, que: - a decisão recorrida deve ser revista e reformada para cancelamento definitivo e integral de todo o débito fiscal reclamado; - que os autos de infração foram lavrados em função exclusiva advinda da coleta de amostra de urn produto de uma outra importação, oriunda de uma outra DI, de um outro importador, totalmente diversa da importada pela empresa ora recorrente, e que em função disso, fora expedido um Laudo de Análise Laboratorial que informou ser o produto analisado 100 (ácido dodecilbenzenossulfônico biodegradável); - apresentou a nível de contra-prova, o Laudo Técnico LQ — 3976/04 de 06/10/2004 do Laboratório Pró Ambiente — Análises Químicas e Toxicológicas sobre o Produto LAVREX 100, objeto da autuação, o qual mostrou resultado diverso daquele fornecido pela FUNCAMP; - alegou que o laudo apresentado pelo LAB da FUNCAMP, utilizado pela Fiscalização para lavratura dos Autos de Infração, foi contestado pelo próprio "Certificado de Origem" do Produto importado denominado de LAVREX 100, emitido no pais de origem desse produto, pelo laudo da LATU — Laboratório Tecnológico D Uruguay e ainda, o expedido pelo LAB da PRO AMBIENTE, que enquadra o rçiduto na posição que vinha sendo utilizada a 25 (vinte e cinco) anos, 10 E o r lat Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 NCM 2904.10.20, e não como quer a SRF na posição NCM 3402.11.90, que se trata de um outro produto; - fez a colação de inúmeros Acórdãos emanados pelas diversas Câmaras desse Egrégio Conselho de Contribuintes, quanto ao assunto em que afirma serem os mesmos idênticos ao ora em debate, para efeito de corroboração de suas afirmativas; - finalmente, apresentou além dos diversos anexos correspondentes e comprobatórios de seu arrazoado, um Parecer Técnico contestatório dos entendimentos da Secretaria • Receita Federal. 11 70.235/7 se p Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 VOTO VENCIDO Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Relator Considero o Recurso como tempestivo, entretanto, ressalvo como inusitado o fato do comprovante de Recebimento via AR ECT da suposta Intimação enviada ao recorrente que repousa As fls. 117, rigorosamente revestido das fon-nalidades legais, sob carimbos, assinaturas, etc., sem emendas, rasuras ou entrelinhas atesta que o seu recebimento se deu na data de 08/ABR/2005, entretanto, o recorrente protocolou na repartição competente da SRF, em Jaguardo — RS, as razões de seu recurso, em data de 19/01/2005, documento arquivado As fls. 118, portanto, 80 (oitenta) dias antes de receber a Intimação. Entretanto, é de se ressaltar, por outro lado, que o invólucro que continha supostamente a Intimação anterior houvera retornado ao remetente (SRF'), documento As fls. 115, que teria sido postada em 24/NOV/2004, sem entretanto, constar qualquer comprovante ou mesmo vestígio da data de retorno. Prosseguimos, afirmando que o processo está revestido das formalidades legais para que se admita sua apreciação no âmbito deste Terceiro Conselho, bem como, está acompanhado da RELAÇÃO DE BENS E DIREITOS PARA ARROLAMENTO, nos termos da IN SRF N° 264/2002 (fl. 173), portanto, dele tomo conhecimento. A controvérsia objeto da discussão no presente recurso cinge-se ao fato de ter a classificação fiscal que o recorrente vinha então atribuindo ao Produto denominado de LAVREX 100, corno sendo um ACIDO DODECILBENZENOSSULFóNICO E SEUS SAIS, BIODEGRADÁVEL atribuindo classificação fiscal A mercadoria descrita na NCM 2904.10.20, diversa da que passou a adotar a ação fiscal, enquadrando-a na NCM 3402.11.90, corno sendo "Reagentes Orgânicos de Superficie - Outros", (Exceto Sais), denominado de LASSREX 70, que serviu de base para o presente processo, tendo sido importado em 28/11/2001, por urna outra empresa importadora. Ocorre que, o produto colhido como amostra para realização do Laudo da FUNCAMP, que levou a autoridade fiscal a lavratura do Auto de Infração, foi colhida de uma outra importação, de uma outra marca, e de um outro importador, ern data de 09/10/2002, quase 1 (um) ano após a operação realizada pelo ora recorrente, portanto, partindo-se de uma prova emprestada. Mesmo que a legislação aplicável A matéria, no caso o Decreto , em seu Art. 30, §3° (alínea acrescentada pela Lei n° 9.532/97) permite que tribuir eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos exarados em 12 Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução ri° : 303-01.073 outros processos administrativos fiscais, entretanto, condiciona taxativamente para os casos que menciona na letra "a", do mesmo parágrafo o que a seguir se transcreve: "a) quando tratarem de produtos origin6rio do mesmo fabricante, corn igual denominação, marca e especificação." (Grifamos). Portanto, para que se possa utilizar esse tipo de prova comumente denominada de "emprestada", seria necessário que fosse atendido a totalidade das exigências contidas no diploma legal capitulado, entretanto, verificamos que a amostra colhida e que serviu para análise e parecer da FUNCAMP, extraída de urn produto adquirido pela empresa EXCELL GRANO COMERCIAL LTDA., não cumpre a totalidade dessas exigências, já que essa amostra analisada, não se referiu ao Produto de marca "LAVREX 100",(Fls. 21/22) e sim, de marca "LESSREX 70".(Fls. 29/31) Assim é que, verifica-se que a amostra colhida para análise da FUNCAMP, no TERMO DE COLETA DE AMOSTRAS DE PRODUTO PARA ANALISE da empresa EXCELL GRANO COMERCIAL LTDA. (fls. 35), em momento algum fala na marca do produto colhido, se "Lavrex 100" ou "Lessrex 70", já no PEDIDO DE EXAME, As fls. 36 a Inspetoria da RF em Jaguardo — RS, talvez por engano, cita como tendo o produto coletado a marca denominada de "Lavrex 100", totalmente inadequada, induzindo igualmente a FLTNCAMP ao erro, por declinar o produto corno tendo a marca "Lavrex 100", e não "Lessrex 70", corno é a correta (fl s. 39/41). Portanto, o produto importado pela empresa recorrente, ficou comprovadamente ter a marca de "LAVREX 100", enquanto o produto importado pela empresa EXCELL GRANO COMERCIAL LTDA., que fora retirado A amostra e servido de base para as análises da FUNCAMP tem a denominação de "LESSREX 70". Ademais, está claro e evidente, que o produto constante do Processo ora vergastado, teve sua denominação e especificações bem detalhadas na DI (fls. 18/19), na Fatura de Exportação emitida pelo fabricante importador, membro do Mercosul no Uruguai (fls. 20/21) e no Certificado de Origem do Mercosul, As fls. 23, inclusive classificando o produto no mesmo Código NCM 2904.10.20, bem como, possui constituição química definida, demonstrada pela unanimidade dos laudos e exames realizados, inclusive o da FUNCAP, tratando-se de um SAL e não de um ACIDO. Por outro lado, de concreto, somente se capta, que existem dúvidas e divergências nos próprios laudos que examinaram as amostras dos produtos, e que mesmo se tr tassem essas amostras rigorosamente como sendo as mesmas analisadas nas diversas importações, mesmo assim, as divergências são latentes. 0 laudo técnico que ei ram as decisões da SRF foi produzido a partir do exame de uma 13 Sala d 1. ./. _ Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 amostra estranha à importação efetivada pelo recorrente, uma vez que da mercadoria de que trata este Processo não foi retirada amostra para análise, não se tern uma análise desse produto. E nesse caso, deve sempre prevalecer o disposto no Artigo 112 do Código Tributário Nacional. Em vista de tudo o que se contém, concluo então, que a amostra retirada por ocasião da importação do produto de outro contribuinte, não ampara a desclassificação fiscal pretendida pelo fisco. Diante do exposto, conheço o presente recurso voluntário para, VOTAR pelo seu provimento, no sentido de que seja refon -nada a decisão vergastada, acatando-se como adequada A. classificação adotada pelo recon -ente, para cancelar o auto de infração guerreado. E como V essões, em 19 de outubro de 2005 14 Processo n° : 11042.000254/2004-90 Resolução n° : 303-01.073 VOTO VENCEDOR Conselheiro Sérgio de Castro Neves, Relator designado Trata-se de processo julgado em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), que manteve exigência formulada através de Auto de Infração pelo qual se desclassificava a mercadoria descrita pela empresa autuada como Acido dodecilbenzenossulfônico biodegradável do código NCM 2904.10.20 para o código NCM 3402.11.90, tendo em vista Laudo de Análise do Laboratório de Análises da Funcamp — Fundação de Desenvolvimento da Unicamp, que disse tratar-se o produto de mistura de ácidos alquilbenzEnicos lineares, com predominância do citado ácido dodecilbenzenossulfónico. Ora, a Nota 1 a do Capitulo 29 da Nomenclatura é clara em estatuir que somente se classificam nas posições daquele Capitulo os produtos químicos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas. Tendo o laudo laboratorial já mencionado identificado o produto em questão como mistura de ácidos alquilbenzenieos lineares, família A qual pertence o ácido dodecilbenzenossulamico, merece ser investigada a hipótese de que os demais ácidos alquilbenzenicos presentes constituam impurezas oriundas do processo de fabricação. Dessa forma, proponho a conversão do julgamento em diligência ao LABANA, via repartição de origem, a fim de que sejam respondidos os seguintes quesitos: 4110 a) Considerado o produto químico objeto da questão, podem as substancias presentes diferentes do ácido dodecilbenzenossulfónico ser de alguma forma consideradas impurezas? b) Em caso contrário, como se explica sua presença? A recorrente deve ser convidada a apresentar seus quesitos e, antes do retorno do processo a este Conselho, deve ser-lhe dada vista do parecer do órgão técnico. Sala das Sessões em 19 de outubro de 2005 SÉRGIO DE CASTRO EVES – Relator designado 15
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000161/2007-92
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
DEFESA. INTEMPESTIVIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU
NULA. O prazo para interposição de defesa é peremptório. É nula a decisão exarada sem a obrigatória observância deste requisito de admissibilidade A tutela administrativa.
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4° DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN quando se referirem a débitos devidamente declarados em GFIP.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.359
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima quanto a anulação da decisão de primeiro grau.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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INTEMPESTIVIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU NULA. 0 prazo para interposição de defesa é peremptório. t, nula a decisão exarada sem a obrigatória observância deste requisito de admissibilidade A tutela administrativa. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4 ° DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdencidrias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4 0 do CTN quando se referirem a débitos devidamente declarados em GFIP. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima quanto a anulação da decisão de primeiro grau, ÇJ ` t HELTON PRAIA DE LIMA - Presidente. OSEAS COIM RA J IOR- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ-RIO DE JANEIRO, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados atuantes nos estabelecimentos da matriz da empresa, conforme declarado em GFIP. A Decisão-Notificação — fls 325 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • Decadência para os débitos anteriores a dezembro de 2000. • Desrespeito ao principio da verdade material, insito ao processo administrativo tributário, posto que a D. Autoridade Julgadora não buscou a efetiva comprovação acerca das informações constantes da GFIP, presumindo que aquelas estavam corretas;. • Cerceamento do direito de ampla defesa da ora RECORRENTE, eis que foi sobejamente desconsiderado o pedido de perícia formulado por ocasião da apresentação da Impugnação — f.'s 191. • Ilegalidade na co-responsabilização dos diretores. Fato não suscitado em sua defesa. É o relatório. Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator As fls 186, temos despacho do Coordenador de Equipe fiscal, atestando que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) foi lavrada em 16/12/2005, com ciência do contribuinte em 19/12/2005, através de AR— fls 184. A defesa foi protocolada em 05.01.2006 — fls 187, e já trazia: Inicialmente, importa dizer que a notificação encaminhada a ora defendente, foi recebida, por pessoa não capacitada ou habilitada em face de não representar a ora defendente, no dia c 2 .Processo n° 17883.000161/2007-92 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.359 Fl. 2 19.12.2005, dai porque o prazo para defesa que iniciaria no dia 20.12.2005, finda-se, portanto, no dia 3.1.2006, pelo que sendo protocolada nesta data, evidencia a tempestividade da mesma. Na decisão fls. 331, de 31.10.2007, temos: 16. A impugnação interposta pela empresa atende aos requisitos de admissibilidade previstos na Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, publicada no DOU de 24/08/2007. Assim sendo, dela conheço. Tal portaria, em seu parágrafo 15, determina o prazo de defesa em 30(trinta) dias. No entanto, à época da impugnação —janeiro de 2006, estava em vigor o art. 37 § 1" da lei 8.212/91, que assim determinava. § 1" Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. Pelo exposto, temos que a defesa foi apresentada fora do prazo legal de 15(quinze) dias, que se encerrou em 03.01.2006 — fls 320, intempestiva portanto. Temos assim erro no julgamento, uma vez que a apresentação intempestiva da defesa levaria a não conhecimento da mesma e não no prosseguimento do julgamento. Repito o § 3°, art. 8' da portaria MPS no. 520/04, que regulava a matéria: § 3 0 Decorrido o prazo estabelecido no caput sem impugnação, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito será considerada procedente, cientificando-se o sujeito passivo para, no prazo de trinta dias, contados da ciência, regularizar sua situação, sob pena de inscrição em Divida Ativa. 0 fato de o julgamento ter sido realizado sob a égide da Portaria RFB no 10.875/07, não tem o condão de possibilitar a apreciação de peça já intempestiva desde 04 de janeiro de 2006, pois os atos processuais seguem o principio tempts regit actum, não sendo possível a retroação de lei nova para ressuscitar prazos vencidos. A lei em vigor no momento da interposição da defesa regula os prazos a serem observados. A tempestividade é matéria cognoscível de oficio e, consoante o art. 267, § 3 ° do CPC, conhecida em qualquer tempo e grau, uma vez que não acobertada pela preclusdo. É requisito objetivo necessário para a própria legitimidade da defesa apresentada. Recurso intempestivo configura ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo — CPC art. 267, IV. 0 prazo para apresentação de defesa é peremptório, vencido este, não M. mais que se falar em demanda existente. 0 julgador de 1 0 . grau se pronunciou sobre um litígio inexistente, que sequer se formou validamente em razão do silêncio da recorrente e fluência do prazo legal, encerrando assim a oportunidade de pronunciamento do contencioso administrativo. 3 Sobre o tema: NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA - Ato . Declaratório Normativo COSIT n° 15/96 - A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem é objeto de decisão. 0 e. ministro Mauro Campbell, em recente decisão no AgRg no recurso especial no 895.782, de sua lavra, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. RECURSO ADMINISTRATIVO. CONSELHO DE CONTRIBUINTES. AUSÊNCIA DE REFORMATIO IN PEJUS NA ANULAÇÃO DA DECISÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE ANALISOU A INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO JUNTAMENTE COM 0 MÉRITO. (...) 0 agravante foi autuado pela Secretaria Receita Federal por ter omitido rendimentos recebidos de pessoa jurídica e de pessoa fisica. De tal autuação apresentou impugnação Divisão de Julgamentos de Tributos sobre Rendas e Contribuições da Delegacia da Receita Federal em Brasilia. Mesmo considerando intempestiva tal impugnação pela Delegacia da Receita Federal, essa foi conhecida, sendo a ação fiscal considerada procedente, tendo sido determinada a cobrança do crédito tributário lançado. Contra tal decisão foi apresentado recurso voluntário pelo agravante ao Conselho de Contribuintes, que anulou a decisão da primeira instância, pela intempestividade da impugnação, e determinou que uma nova fosse proferida. Ora, analisando a motivação acima, em principio, não houve qualquer prejuízo ao recorrente, uma vez que a decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes apenas aplicou as regras dos prazos processuais, que não podem ser afastadas pelos julgadores, ou seja, entendeu pela ilegalidade da análise da impugnação intempestiva, anulando a decisão proferida pela primeira instância sem fazer qualquer juizo de mérito Não haveria que se falar em reformatio in pejus porque o Conselho de Contribuintes analisou a questão da tempestividade sem esta ter sido suscitada, uma vez que o referido pressuposto recursal deve ser apreciado ex officio. Nesse sentido, citam-se os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL — INTEMPESTIVIDADE — RECONHECIMENTO A QUALQUER TEMPO — 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/TextConcat/Defaultasp?Pos=10&Div=-GuiaContribuinte/Impugnacaotç .Processo n° 17883.000161/2007-92 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.359 Fl. 3 MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA NÃO- OCORRÊNCIA DA PRECLUSÃ 0 — PRECEDENTES. 1. A orientação majoritária desta Corte está no sentido de que a intempestividade é requisito de ordem pública, devendo ser reconhecida a qualquer tempo mesmo que a parte adversa não a tenha suscitado ou tenha-na apontado tardiamente, porquanto não sujeita a preclustio. 2. Enquanto a publicação da decisão de fls. 146/149 se deu em 2.4.2008, quinta-feira, expirando o prazo recursal na segunda-feira, 7.4.2008, a ora embargada apenas apresentou o agravo regimental aT e fls. 152/165 no dia 8.4.2008, terça-feira. Há de ser reconhecida, portanto, a intentpestividade do recurso e, assim, a nulidade de todo o conteúdo decisório posterior decisão monocrcitica primeira, em vista de seu transito em jukado (.)EDel no AgRg nos EREsp 886476/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, Dje 07/12/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO ANTES DO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇA - O. RATIFICAÇÃO NECESSÁRIA. RESP 776.265/SC APLICAÇÃ 0 RETROATIVA DA ATUAL ORIENTAÇÃO DA CORTE ESPECIAL. TEMPESTIVIDADE. EXAME DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRECLUSÃ 0 INOCORRENTE. 3. A ausência de manifestação do recorrido acerca da intempestividade do recurso especial em suas contra- razões não conduz à ocorrência de preclusdo haja vista que o referido pressuposto recursal deve ser apreciado ex officio, quer seja no juizo de admissibilidade a quo, quer seja no ad quem. Precedente da Corte Especial. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 877640/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, Die 18/06/2009) Ainda: 1. TRATANDO A ESPECIE DE PRESSUPOSTO DE CONSTITUIÇÃO E DESENVOLVIMENTO VALIDO E REGULAR DO PROCESSO - TEMPESTIVIDADE - PODE A MA TERIA SER EXAMINADA DE OFICIO, A OUALOUER TEMPO E GRAU DE JURISDIÇÃO, NOS TERMOS DO ART. 267, PAR. 3. DO CPC, NATO 5 HAVENDO FALAR EM PRECLUSÃO, EM VIRTUDE DA PROLAÇÃO DE DESPACHO, DE CARÁTER PERFUNCTORIO, DETERMINANDO A SUBIDA DO ESPECIAL PARA MELHOR EXAME. 2. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO." (AgRg no Resp 153.637/PR, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, SEXTA TURMA, julgado em 16.12.1997, DJ 02.02.1998 p. 168) PROCESSUAL CIVIL TEMPESTIVIDADE DA APELAÇÃO. ARGÜIÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE. TERMO A QUO DA CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL PARA RÉU REVEL. REGISTRO DA SENTENÇA EM CARTÓRIO. EXTEMPORANEIDADE DO APELO RECONHECIDA. 1. A tempestividade é requisito extrínseco de admissibilidade do recurso de apela cão e constitui matéria de ordem pública, cognoscivel de oficio a qualquer tempo e grau de jurisdição. (.) 4. Recurso Especial provido.(REsp 1027582/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2008, DJe 11/03/2009, grifei) Finalizando, temos que, em 04 de janeiro de 2006 esgotou-se o prazo para o inicio do contencioso administrativo, afastando a competência de manifestação da DRJ- Rio de Janeiro sobre o mérito debatido. Em razão do reconhecimento da intempestividade da defesa apresentada, não há que se falar ern prolatação de nova decisão de lo. grau. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, n° 08 traz: "Sao inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4'-: ou 173, ambos do Código Tributário Nacional — CTN. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade do art. 173 seria na hipótese de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo. "Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação ê que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ...." (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2" Turma. Decisdo:C 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) 6 Processo n° 17883.000161/2007-92 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.359 Fl. 4 "Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo clecaclencial para a constituição do crédito deve considerai-, em conjunto, os arts. 150, § 40, e 173, 1, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançainento por homologação (contribuição previdenciciria) coin pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... Somente quando não hci pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN. ...." (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1" Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) 0 150, § 4°, informa: Art.150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o clever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) A regra do 150 §4° é aplicada quando temos antecipação parcial de pagamento, inocorrência de fraude ou dolo e também em relação a débitos declarados ern GFIP. Aplicando-se a regra do art. 150 §4° do CTN, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2000, inclusive, e 13/2000, urna vez que a ciência do débito foi em 19.12.2005. Reconheço a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e dou-lhe provimento parcial para: 1- Anular a decisão de primeiro grau, considerando procedente a NFLD DEBCAD 35.883.196-2. '7 2- Declarar, de oficio, a decadência referente às competências anteriores a 11/2000, inclusive, e 13/2000. AOSEAS COI laRA UNIOR - Relator 8
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001041/2007-82
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/10/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. TERMO A QUO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I.
Encontram-se atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.598
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/10/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Fl. 163DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 11330.001041/200782 Acórdão n.º 280300.598 S2TE03 Fl. 153 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 11330.001041/200782 Acórdão n.º 280300.598 S2TE03 Fl. 154 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada em 18.04.2007, referente a compensações indevidas efetivadas entre 11/1999 e 10/2000. A DecisãoNotificação – fls 110 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que o Fiscal autuante não buscou a verdade material. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 11330.001041/200782 Acórdão n.º 280300.598 S2TE03 Fl. 155 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Trasncrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento Fl. 166DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 11330.001041/200782 Acórdão n.º 280300.598 S2TE03 Fl. 156 5 antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Tal regra é aplicada quando temos antecipação parcial de pagamento e inocorrência de fraude ou dolo. Aplicandose as regras dos arts. 150 ou 173, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2001, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 18.04.2007. Como o débito se refere a competências até 10/2000, encontramse atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 11330.001041/200782 Acórdão n.º 280300.598 S2TE03 Fl. 157 6 Fl. 168DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000134/2007-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 25/08/2007
DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS.. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.191
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/08/2007 DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS.. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/08/2007 DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL., AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS.. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE., INEXISTÊNCIA DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). • PresidenteHELT-eNZA 1- 9 " -EI=DO-DE-OL-IVE1RA - Relator Participaram do wesente imento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Conselheiro AILD_O_DEOLIVEJRA, Relator Voto 2 Relatório Trata-se no presente processo de Auto de Infração — AI, devida a não declaração de todos os fato geradores em GFIP CF1-68, com período de apuração de 01/1997 a 12/2002, conforme Mandado de Procedimento Fiscal — MU', de fls. 06 e 07. O crédito fiscal foi constituído, em 04/09/2007, data em que o contribuinte tomou conhecimento do lançamento, conforme, fls. 01, Folha de rosto do AI. O sujeito passivo impugnou o crédito, em 03/10/2007 conforme consta, as fis, 20, folha inicial da impugnação. A defesa foi juntada, as fls. 20 a 36, sendo acompanhada dos documentos, de fis. 37 a 59. A impugnação foi considerada tempestiva, fis, 62, A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém — PA prolatou o Acórdão ri' 01-9,774, pela 4'1 1-urma da DRJ/BEL, em 14/11/2007, fls. 63 a 68. A impugnante foi cientificada do acórdão, conforme AR RA 28140063 3 BR, recebido em 06/03/2008, fls. 70. A empresa apresentou o Recurso Voluntário, em 03/04/2008, carimbo de recepção, na petição de interposição reeursal, fls. 71, com razões recursais, as fls. 72 a 97, sendo esta acompanhada dos documentos, de fis, 98 a 100. As razões recursais estão assim resumidas. • Que a exigência tributária é nula, pois não preenche os requisitos do artigo 10, do Decreto 70.235/72; • Que tal situação impossibilita o exercício do contraditório e ampla defesa; • Que o auto de infração é confuso e não permite ao contribuinte identificar o dispositivo violado, pois cita vários; Que ocorreu decadência do direito de lançar o crédito; Que as multas que permeiam o período de 01/1997 até 07/2002, são caducas, nos termos do artigo 150, 4', do CTN; Ao final pede: a) recebimento e processamento do recurso; b) acolhimento da preliminar de nulidade; c) acolhimento da preliminar de decadência, nos termos do artigo 150, 4°, do CTN; d) e eventualmente acolhimento da decadência pelo artigo 173, 1, do CTN. É o relatório. Processo n° 14:337.000134/2007-18 82-1E03 Acórdão n 0 2803-00.191 Fl 103 O presente recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeiro grau, em 06/0.3/2008, tis. 70, e impetrou o recurso, em 03/04/2008, fis, 71. O depósito recursal já havia sido extinto pela MP 413/08, convertida na Lei 11:727/08, Presentes os pressupostos de admissibilidade passo a análise das preliminares suscitadas.. No que tange a alegação de nulidade do auto de infração esta é desprovida de respaldo legal.. A urna, porque na data do lançamento 04/09/2007, fis. 01, o Decreto 70.235/72, ainda, não era aplicável ao procedimento de apuração do crédito previdenciário, urna vez que o artigo 25, I, da Lei 11.457/07, que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil — SRFB, diz que o citado decreto só se aplica aos procedimento fiscais, a partir da data fixada no, § 1,do art. 16 desta Lei e este por sua vez diz - a partir do 1" (primeiro) dia do 13' (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei -, ou seja, só a partir- dç 01/04/2008 o Decreto 70.235/72 passou a ser aplicável ao procedimento fiscalizatório previdenciário. A antecipação da aplicação do Decreto 70,235/72, autorizada pela Lei 11,457/07, e que se daria por ato normativo do Poder Executivo, e que ocorreu com a publicação do Decreto 6,10.3/07, não atingiu os atos de fiscalização, haja vista que o decreto antecipador apenas disse "no que diz respeito aos prazos processuais e à competência para , julgamento em primeira instância, pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil". Desta feita, o lançamento tributário previdenciário continuava regido pelo artigo 33 c/c o 37, ambos, da Lei 8,212/91 e pelo artigo 24.3, do Regulamento da Previdência Social — RPS, apenso ao Decreto .3.048/99 e pelo artigo, 640, I, da IN MPS/SRP N° 03/2005. A duas, porque os elementos que a recorrente considera faltantes ou inexistentes estão claramente contidos e instruindo a autuação. Os fatos estão detalhadamente descritos no Relatório Fiscal da Infração, de fis. 15. A folha de rosto do Auto de Infração, tis. 01, é clara em seu conteúdo e informações: inicialmente descrevendo a infração e depois elencando o dispositivo legal infiingido, trazendo, também, o dispositivo legal da multa aplicada e, ainda, adicionalmente a gradação da multa. A três, porque no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, tis, 16, e seus anexos, de fis, 17 a 19, o dispositivo legal infringido e a penalidade aplicável estão novamente elencados. Assim sendo, entendo que a preliminar de nulidade alegada quanto a ausência de requisitos essências ou ao cerceamento de defesa é improcedente, devendo ser . afastada. Quanto à questão preliminar suscitada relativa à fluência do prazo decadencial, encontra esta eco na legislação, uma vez que depois de proferida a decisão pela autoridade julgadora a qtto o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vincuknte n" 8"5ão inconstitucionais OS pai-agir:O) único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.21.2/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 3 E conforme previsto no art, 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-Ia, AH 103-A O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar sumula que, a partir de sua publicação na imprensa teiá eleito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas es/àras federal, estadual e municipal, bem como procedei .. à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Contudo, embora, argüida como preliminar tal questão leva a resolução de mérito da causa. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem dar-se-ia pelo artigo 150,4° ou 173, 1, ambos do CIN. Aplica- se o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STI, sendo a teoria mais aceita e que, também, esposamos, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL N°970947 SC (2007/0173291-6) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira • a) em regra, segue-se o disposto no art. 173, L do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos ti ibutos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do .fato gerador, nos termos do art. 150, § 4" do CTN Ausente qualquer pagamento por parte do contribuinte, e iniciado o procedimento administrativo de .fiscalização, o fisco dispõe de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, para proceder ao lançamento direto substitutivo a que se refere o art. 149 do CTN, sob pena de decadência No entanto, penso que no presente Auto de Infração por descumprimento de dever instrumental (Auto de Infração de Obrigação Acessória) a regra a ser aplicada é a do artigo 173, I, do CTN, tendo em vista que o 'Termo de Encenamento da Ação Fiscal — TEAF, de fls. 13, traz textualmente a informação "O LANÇAMENTO DO DÉBITO FOI EM DECORRÊNCIA DO NÃO RECOLHIMENTO INTEGRAL DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A SEGURIDADE SOCIAL", ou seja, pela informação constante dos autos não houve antecipação do pagamento. Desta maneira, entendo que estão decadentes as competências 01/1997 a 11/2001, inclusive, uma vez que 12/2001 só vence em 03/01/2002, sendo a primeiro dia do exercício seguinte 01/01/2003 o que levaria a decadência apenas em 31/12/2007. Tendo o lançamento ocorrido em 04/09/2007, aRD-61,-W-OrIVE'--1RA - Relatar Processo n' 14337 000134/2007-18 S2- [[03 Acórdão " 2803-00.191 El 104 Destarte, com esses argumentos e teses expostas acima voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo a decadência para as competências 01/1997 a 11/2001, inclusive, 5
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901392/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/12/2003
RECURSOS REPETITIVOS (REsp 962379).
Consoante o art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática prevista no art. 543-C da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/12/2003
RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O pagamento em atraso relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, efetuado em data anterior à entrega da declaração que constitui o crédito tributário e antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, se beneficia da denúncia espontânea, em razão do que não se exige o cômputo, no total recolhido, da multa de mora que seria devida, caso o recolhimento tivesse ocorrido após a entrega regular da DCTF.
Numero da decisão: 3803-003.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Kern e Belchior Melo de Sousa.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2003 RECURSOS REPETITIVOS (REsp 962379). Consoante o art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática prevista no art. 543-C da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2003 RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O pagamento em atraso relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, efetuado em data anterior à entrega da declaração que constitui o crédito tributário e antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, se beneficia da denúncia espontânea, em razão do que não se exige o cômputo, no total recolhido, da multa de mora que seria devida, caso o recolhimento tivesse ocorrido após a entrega regular da DCTF.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2003 RECURSOS REPETITIVOS (REsp 962379). Consoante o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática prevista no art. 543C da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2003 RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O pagamento em atraso relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, efetuado em data anterior à entrega da declaração que constitui o crédito tributário e antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, se beneficia da denúncia espontânea, em razão do que não se exige o cômputo, no total recolhido, da multa de mora que seria devida, caso o recolhimento tivesse ocorrido após a entrega regular da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Kern e Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto com vistas a reformar a decisão da DRJ Juiz de Fora/MG (fls. 35 a 38) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 1 a 16), esta manejada para atacar o teor do despacho decisório (fl. 18) em que sua declaração de compensação (PER/DCOMP às fls. 26 a 30) foi apenas parcialmente homologada, sob o fundamento de que o pagamento localizado havia sido parcialmente utilizado na quitação de débito do sujeito passivo. No PER/DCOMP, o contribuinte pretendeu compensar débito da CSLL com crédito relativo à multa de mora, no valor de R$ 268,37, recolhida em decorrência do pagamento em atraso, ocorrido em 15/12/2000, de débito da contribuição para o PIS, cujo vencimento se dera em 14/11/2000. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte informou que o pagamento da multa de mora seria indevido por se encontrar, no momento da quitação do tributo, sob o manto da espontaneidade prevista no art. 138 do CTN. Consta dos autos que a DCTF em que restou declarado o referido pagamento foi transmitida à Receita Federal em 15/02/2001. O acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea não se aplica a pagamento realizado a destempo, de tributo sujeito a lançamento por homologação regularmente declarado (Súmula STJ nº 360), sendo devida nesse caso a exigência da multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho e, após requerer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, reitera seu pedido, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10675.901392/200993 Acórdão n.º 380303.065 S3TE03 Fl. 2 3 a) recolhera em atraso valor devido a título de contribuição para o PIS, período de apuração de 31/10/2000, vencido em 14/11/2000 e pago em 15/12/2000; b) apesar de o pagamento ter ocorrido após o vencimento, ainda não havia se submetido a qualquer procedimento de fiscalização e ainda não havia entregue a DCTF, que é o instrumento hábil à constituição do crédito tributário; c) nos termos da súmula nº 360 do STJ, a denúncia espontânea somente se aplica nos casos de pagametno em atraso de tributos submetidos ao lançamento por homologação, desde que ainda não declarados; d) a DCTF foi entregue somente em 15/01/2001, após, portanto, o pagamento em destempo. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Conforme acima relatado, nos presentes autos, se controverte sobre a incidência da multa de mora no pagamento espontâneo de tributo em atraso, mas anteriormente à entrega da DCTF, esta instrumento de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), já decidiu pela não aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados (REsp 962379), decisão essa cujo teor consta da súmula 360/STJ. Nesse julgamento, o STJ deixa claro que o afastamento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente se dá quando o tributo, sujeito ao lançamento por homologação, tiver sido recolhido em atraso, mas após a apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida. Eis o teor de partes dessa decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) VOTO (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Verificase dos excertos supra que, para se afastar a denúncia espontânea, há necessidade de que o tributo tenha sido pago em atraso e após a sua declaração com efeito de confissão de dívida. No presente caso, o pagamento do tributo, cujo vencimento se dera em 14/11/2000, ocorreu em 15/12/2000, enquanto que a DCTF veio a ser entregue apenas em 15/01/2001. Constatase, portanto, que o recolhimento se deu antes da constituição do crédito tributário, ou seja, antes da apresentação da DCTF, o que faz com que o benefício da denúncia espontânea alcance o evento sob apreciação. Eis a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Conforme apontou o Recorrente, apesar de o pagamento ter ocorrido após o vencimento, ele ainda não havia se submetido a qualquer procedimento de fiscalização e ainda Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10675.901392/200993 Acórdão n.º 380303.065 S3TE03 Fl. 3 5 não havia sido entregue a DCTF, que é o instrumento hábil à constituição do crédito tributário. Antes da entrega da DCTF, bem como do início de qualquer procedimento de fiscalização, o sujeito passivo se encontra acobertado pelo instituto da denúncia espontânea. Devese ressaltar que o fato de o legislador ter fixado, sem que a Constituição ou a lei complementar assim determinasse, a data da entrega da DCTF para depois da data do vencimento do tributo não pode servir de supedâneo para que atos normativos da Administração tributária, ou mesmo a lei ordinária, possam modificar a regra definida em lei complementar, no caso o art. 138 do CTN, por força do contido no art. 146, III, da Constituição da República Federativa do Brasil. Ora se o art. 138 do CTN determina a exclusão da responsabilidade pela infração, ou seja, da multa tributária, nos casos de prévia atuação do sujeito passivo tendente à quitação do tributo, ainda que em atraso, mas antes de qualquer ato próprio ou da Fiscalização que o constitua em mora, temse por configurada a denúncia espontânea. Dessa forma, diante da determinação contida no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, no sentido de que este Colegiado deve reproduzir as decisões do STJ proferidas na sistemática dos recursos repetitivos, concluise pela extensão do benefício da denúncia espontânea ao caso sob análise neste processo. Portanto, voto por PROVER o recurso, pelo fato de que o pagamento em atraso efetuado pelo contribuinte ocorreu em data anterior à entrega da declaração em que a dívida se tornou confessada, o que reclama pela aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10675.901392/200993 Interessada: REGIONAL NUTRIÇÃO E QUÍMICA LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380303.065, de 24 de maio de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 24 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10768.004382/2001-11
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1996
PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. NULIDADE.
É nula, por vício formal, a Notificação de Lançamento expedida por meio eletrônico sem a indicação do cargo ou função e do número da respectiva matrícula do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado a expedi-la.
ITR 1996. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O prazo para o Fisco exercer o dever-poder de constituir o crédito tributário de ITR/1996, cuja modalidade de lançamento é por homologação, está regulado pela regra geral de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN.
Recurso voluntário provido para acolher a preliminar de decadência.
Numero da decisão: 392-00.024
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência argüida pelo interessado, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA-Relator ad hoc
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NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AAccóórr ddããoo nnºº 392-00.024 SSeessssããoo ddee 23 de outubro de 2008 RReeccoorr rr eennttee José Maria Rollas - Espólio RReeccoorr rr iiddaa DRJ - Recife - PE ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1996 PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. NULIDADE. É nula, por vício formal, a Notificação de Lançamento expedida por meio eletrônico sem a indicação do cargo ou função e do número da respectiva matrícula do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado a expedi-la. ITR 1996. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para o Fisco exercer o dever-poder de constituir o crédito tributário de ITR/1996, cuja modalidade de lançamento é por homologação, está regulado pela regra geral de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Recurso voluntário provido para acolher a preliminar de decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência argüida pelo interessado, nos termos do voto do relator. Joel Miyazaki – Presidente atual José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram do julgamento, os Conselheiros Maria de Fátima Oliveira Silva, Francisco Eduardo Orcioli Pires e Albuquerque Pizzolante, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado e Judith do Amaral Marcondes Armando (Presidente à época do julgamento). Fl. 42DF CARF MF Impresso em 27/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 24/08/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 10768.004382/2001-11 Acórdão n.º 392-00.024 CC03/T92 Fls. 42 _________ 2 Relatório Trata-se de lide acerca do lançamento de Imposto Territorial Rural- ITR e de contribuições sindicais relativo ao exercício de 1996, cujo crédito tributário teria sido constituído por meio de Notificação de Lançamento expedida em 21/10/1996, com data de vencimento em 30/12/1996. Antes da data do vencimento da predita Notificação, mediante Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a inventariante requereu fosse incluído o número do CPF do contribuinte e retificado o seu nome, bem como insurgiu-se quanto à desconformidade entre o VTN declarado e o tributado. Em 28/12/2000, a DRF-Rio de Janeiro/RJ deferiu a solicitação quanto aos dados cadastrais e indeferiu o pedido quanto ao VTN, explicitando que os valores constantes da Notificação de Lançamento expedida em 19/07/1996 estavam em conformidade com a IN SRF n o 42/96, com base no § 2 o do art. 3 o da Lei n o 8.847/94. Em decorrência das alterações cadastrais, foi emitida nova Notificação de Lançamento, em 04/04/2001. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva, por meio da qual reclamou a prescrição/decadência do crédito fiscal e alegou que o espólio não estava na condição de empregador, não lhe podendo ser imputada qualquer tributação nesse sentido. Alegou, ainda, que o imóvel se achava ocupado por posseiros, pelo que deveriam estes ser chamados ao processo como corresponsáveis pelo eventual débito. Ao final, requereu o arquivamento da Notificação, por falta de amparo legal. A DRJ-Recife/PE julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1996 Ementa: DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário só se extingue após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRESCRIÇÃO As reclamações e recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário, de acordo com o inciso III, art. 151, da Lei n o 5.172/1966 (CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 27/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 24/08/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 10768.004382/2001-11 Acórdão n.º 392-00.024 CC03/T92 Fls. 43 _________ 3 CONTRIBUINTE DO ITR. O Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, de acordo com o art. 31, da Lei n o 5.172/1966 (CTN). CONTRIBUIÇÃO SIND. EMPREGADOR É empregador rural, quem, proprietário ou não e mesmo sem empregado, em regime de economia familiar, explore imóvel rural que lhe absorva toda a força de trabalho e lhe garanta a subsistência social e econômico em área igual ou superior à dimensão do módulo rural da respectiva região. Sendo esta lançada e cobrada dos empregadores rurais sobre o valor adotado para o lançamento do imposto territorial rural, quando o empregador não é organizado em empresa ou firma, de acordo com o Decreto-lei n o 1.166/1971. Lançamento Procedente O órgão julgador concluiu que a Notificação de Lançamento referente ao ITR do exercício de 1996 foi emitida em 21/10/96, e, portanto, que o lançamento foi efetuado dentro do prazo legal de constituição do crédito tributário previsto na legislação. Também não foram acolhidas as alegações de que o espólio não é empregador rural, em vista do que estabelece o art. 1 o , II, “b”, do Decreto-lei n o 1.161/1971, e por não ter sido feita prova no processo de que o imóvel se encontra ocupado por posseiros e que estes deveriam ser chamados ao processo administrativo como corresponsáveis. O contribuinte apresentou recurso voluntário, suscitando nulidade da decisão recorrida, por esta não ter atendido aos preceitos do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista que o voto condutor do acórdão recorrido explicitou não prosperar a alegação do contribuinte, de que o imóvel se encontraria ocupado por posseiros, em razão de tal alegação na ter sido provada. Alega que as provas não foram apresentadas porque não lhe foi aberta a oportunidade de assim o fazer e que, a contrario sensu, se tivesse ficado provada sua alegação, o recorrente teria razão. Entende que, nestas condições, deveria ter sido aberta a instrução do processo para que pudesse provar o alegado. Ao final, reiterou as razões de defesa apresentadas na impugnação e requereu a nulidade da decisão administrativa de primeira instância. É o Relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 27/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 24/08/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 10768.004382/2001-11 Acórdão n.º 392-00.024 CC03/T92 Fls. 44 _________ 4 Voto Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Por intermédio de despacho do Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, nos termos da disposição dos art. 17, III e 18, XVII, do RICARF, e do art. 1º, I, da Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, incumbiu-me o Senhor Presidente de formalizar o Acórdão nº. 392-00.024, em razão de o relator originário deste processo, o ex- conselheiro Francisco Eduardo Orcioli Pires e Albuquerque Pizzolante, não mais integrar nenhum dos Colegiados deste Conselho. Desta forma, cabe ressaltar que a elaboração deste voto procura refletir a posição adotada pelo relator original, a qual foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do Colegiado. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade, razões pelas quais dele tomou-se conhecimento. Ao teor do relatado, versam os autos sobre Notificação de Lançamento expedida contra o contribuinte acima identificado, relativa ao ITR/1996. A Notificação de Lançamento originária foi expedida em 21/10/1996, com vencimento em 30/12/1996. Em 26/09/1996, foi apresentada SRL – Solicitação de Retificação do Lançamento, por meio do qual a inventariante, Sra. Vera Maria José Rollas, requereu a retificação do número do CPF do contribuinte e do nome do sujeito passivo. As alterações cadastrais solicitadas foram deferidas pela DRF-Rio de Janeiro/RJ e, em 04/04/2001, foi expedida nova Notificação de Lançamento. A decisão recorrida afirma que o crédito tributário foi constituído por meio da primeira Notificação de Lançamento, em 21/10/1996, razão pela qual não haveria que se falar em decadência. Afirma, ainda, que a SRL suspenderia a exigência do crédito tributário já constituído, nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, não havendo que se falar em prescrição intercorrente. Acontece, entretanto, que descabe razão àquela autoridade julgadora, vez que a primeira Notificação de Lançamento é nula. Vejamos. O CTN, em seu art. 142, preconiza que a constituição do crédito tributário, pelo lançamento, compete privativamente à autoridade administrativa. O parágrafo único deste mesmo artigo assevera, ainda, que o lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória. É nesse sentido que o Decreto nº. 70.235/72, em seu art. 11, impõe a identificação da autoridade administrativa como requisito essencial da notificação de lançamento: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá, obrigatoriamente: Fl. 45DF CARF MF Impresso em 27/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 24/08/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 10768.004382/2001-11 Acórdão n.º 392-00.024 CC03/T92 Fls. 45 _________ 5 I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” (grifos não constantes do original) Pela leitura da primeira Notificação de Lançamento, verifica-se nesta a ausência de formalidade essencial de que se deve revestir o ato administrativo de constituição do crédito tributário, que é a identificação da autoridade administrativa que efetuou o lançamento. Mesmo tendo sido emitida por meio eletrônico, a referida Notificação de Lançamento carece de elementos que identifiquem o cargo/função ou número de matrícula do chefe do órgão expedidor ou de qualquer outro servidor autorizado a expedi-la, deixando de atender, portanto, ao comando da lei. In casu, o ato administrativo não é perfeito, pois não se reveste de todos os elementos necessários à sua validação, não tendo sido expedido em conformidade com as exigências estabelecidas pelo ordenamento jurídico. Não se encontrando o ato adequado às exigências normativas, a ele não se pode conferir validade, tratando-se de ato nulo, por vício formal. Nesse sentido, a Súmula nº 01 deste Terceiro Conselho de Contribuintes: Súmula 3º CC n° 1 — É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que expediu. Verificada, pois, a existência de nulidade do lançamento originário, por vício formal, há que analisar a existência ou não de decadência quando, de fato, constitui-se o crédito tributário, por meio da segunda Notificação de Lançamento, em 04/04/2001. A modalidade de lançamento do ITR, a partir da edição da Lei nº. 9.393, de 19/12/1996, passou a ser por homologação, vez que a apuração e o pagamento do referido imposto passaram a ser efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Nessa modalidade de lançamento, a contagem do prazo decadencial deve-se dar na forma do §4º do art. 150 do CTN, tendo por termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, o que se dá em 1º de janeiro de cada ano - neste caso, portanto, em 01/01/1996. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 27/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 24/08/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por JOE L MIYAZAKI Processo nº 10768.004382/2001-11 Acórdão n.º 392-00.024 CC03/T92 Fls. 46 _________ 6 Assim, o Fisco dispunha de cinco anos, a partir de 01/01/1996, para constituir o crédito tributário e poderia notificar o contribuinte do lançamento até 31/12/2000; no entanto, a notificação de lançamento foi emitida somente em 04/04/2001, quando já transcorrido o prazo qüinqüenal estabelecido na lei, razão pela qual há de se reconhecer a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário em questão. Nestes termos, portanto, o Colegiado deu provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte. Estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. José Luiz Feistauer de Oliveira Fl. 47DF CARF MF Impresso em 27/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 24/08/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2015 por JOE L MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.906420/2011-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 15 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1002-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta analise os documentos juntados no Recurso Voluntário e elabore Relatório Circunstanciado definitivo sobre a higidez do crédito vindicado, informando se restaram comprovadas sua liquidez e certeza e se este não foi utilizado em outro processo de compensação, de modo a evitar assim a restituição e compensação em duplicidade do crédito em discussão.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Zedral.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta analise os documentos juntados no Recurso Voluntário e elabore Relatório Circunstanciado definitivo sobre a higidez do crédito vindicado, informando se restaram comprovadas sua liquidez e certeza e se este não foi utilizado em outro processo de compensação, de modo a evitar assim a restituição e compensação em duplicidade do crédito em discussão. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Zedral.
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A. Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta analise os documentos juntados no Recurso Voluntário e elabore Relatório Circunstanciado definitivo sobre a higidez do crédito vindicado, informando se restaram comprovadas sua liquidez e certeza e se este não foi utilizado em outro processo de compensação, de modo a evitar assim a restituição e compensação em duplicidade do crédito em discussão. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Zedral. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SPO: O presente processo trata da Declaração de Compensação — DCOMP — n° 12165.42447.311007.1.3.04-6027, transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM), no valor total de R$9.110,92. O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de CSLL, devida mensalmente, de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, código de receita n° 2484, período de apuração de de 30/11/2004 e arrecadado em 30/12/2004. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na redução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 06 42 0/ 20 11 -3 2 Fl. 5068DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1002-000.220 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.906420/2011-32 Foi dada ciência do despacho em 17/08/2011 e apresentou-se manifestação de inconformidade em 15/09/2011, em que se afirma ser sim restituível o pagamento indevido ou maior que o devido de estimativa mensal apurada pelo lucro real anual, com o levantamento de balancete de redução/suspensão. Traz em seu socorro jurisprudência administrativa, invocando outrossim o princípio da retroatividade de norma interpretativa, uma vez que a IN RFB n° 900/2008 não trouxe mais essa vedação. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SPO em 12 de fevereiro de 2015, conforme acórdão n. 16-65.719 (e-fl. 44), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 30/11/2004 PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Não restou demonstrada a existência de pagamento maior que o devido, razão pela qual não se reconhece o direito creditório pleiteado e nem se extingue por compensação o débito informado. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário, declarações fiscais e demonstrativos contábeis (e-fls. 54 a 5063), no qual reitera os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade e onde destaca os seguintes documentos juntados: - Balancete do exercício de 2004; - DCTFs; - DACON; - Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); - Memoriais de cálculo do imposto devido. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido e o reconhecimento in totum do seu direito creditório para fins de homologação da compensação declarada. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017, e de acordo com a Portaria CARF nº 146, de 12 de dezembro de 2018, que estende, temporariamente, à 1ª Seção de Julgamento a competência para processar e julgar recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa ao IRRF e respectivas penalidades pelo descumprimento de obrigação acessória, quando o requerente do direito creditório ou o sujeito passivo do lançamento for pessoa jurídica, inclusive quando o litígio envolver esse tributo e outras matérias que se incluam na competência das demais Seções. Fl. 5069DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1002-000.220 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.906420/2011-32 Demais disso, observo que o recurso, embora seja tempestivo e atenda os demais requisitos de admissibilidade, não se encontra em condições de julgamento, conforme discorrido a seguir. A controvérsia dos autos refere-se ao fato de estar ou não comprovadas a certeza e liquidez do crédito proveniente do pagamento indevido ou a maior feito por meio da DARF, no valor de R$ 9.110,92. Mais precisamente, o direito de crédito vindicado refere-se a recolhimento a título de estimativa mensal de CSLL de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, código de receita nº 2484, período de apuração de 30/11/2004 e arrecadado em 30/12/2004. O v. acórdão recorrido julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por ausência de comprovação do direito de crédito alegado, avocando, basicamente, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN ) e o artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC). Ocorre que no Recurso Voluntário foram juntadas milhares de cópias de documentos contábeis e fiscais que parecem conferir plausibilidade à argumentação do Recorrente e que reclamam exame mais acurado, bem como impelem o elastecimento do devido processo legal com vistas a dar efetividade ao direito de defesa do Recorrente. Como se sabe, a jurisprudência dominante do CARF vem relativizando o instituto da preclusão para a juntada de documentos novos no processo no caso de constituírem evidências robustas de comprovação do direito de crédito postulado, o que parece ser o caso dos presentes autos. Face a esses fundamentos, voto pela remessa dos autos a Unidade de Origem para que analise os documentos juntados no Recurso Voluntário e elabore Relatório Circunstanciado definitivo sobre a higidez do crédito vindicado, informando se restaram comprovadas sua liquidez e certeza e se este não foi utilizado em outro processo de compensação, de modo a evitar, assim, a restituição e compensação em duplicidade do crédito em discussão, podendo o Recorrente ser intimado para que se manifeste nos autos para complemento das informações necessárias à comprovação do crédito. Ao final da diligência, deverá ser dado prazo de 30 dias para manifestação do Recorrente, se assim desejar. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 5070DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000487/2007-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
APURAÇÃO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS
ESTABELECIMENTOS.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada estabelecimento industrial de uma mesma firma deve apurar o imposto devido e cumprir separadamente suas obrigações tributárias.
RESSARCIMENTO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da repartição fiscal que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento industrial que apurou referidos créditos.
RESSARCIMENTO. REQUISITOS.
A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência.
RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito.
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
É ônus processual do interessado fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição.
Numero da decisão: 3803-001.596
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 APURAÇÃO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada estabelecimento industrial de uma mesma firma deve apurar o imposto devido e cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da repartição fiscal que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento industrial que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual do interessado fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 APURAÇÃO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada estabelecimento industrial de uma mesma firma deve apurar o imposto devido e cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da repartição fiscal que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento industrial que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual do interessado fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Andréa Medrado Darzé, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório oriundo do saldo credor do IPI de que trata o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, regulamentado pela Instrução Normativa – SRF nº 33, de 4 de março de 1999. A autoridade competente para examinar o pleito indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de o interessado, depois de intimado, ter deixado de apresentar os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido e não homologou as compensações declaradas O Despacho Decisório deu conta ainda de que o interessado declarou que, nos anos de 2001 e 2002, creditouse de valores de IPI referente a créditoprêmio, por força de medida liminar em mandado de segurança, revogada em 2005, com efeito "extunc", de forma que tais valores não poderiam constar do saldo credor em questão. Sobreveio reclamação. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO2ª Turma. O Acórdão nº 1421.101, de 22 de outubro de 2008, Fls. 476 a 491, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 APURAÇÃO DO IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000487/200712 Acórdão n.º 380301.596 S3TE03 Fl. 910 3 À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve apurar o imposto devido e cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do pedido de ressarcimento ou restituição. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Solicitação Indeferida Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 495 a 522, após resumo dos fatos, em sede de preliminar, interpõe as seguintes argüições, na ordem em que constam do recurso: a) de incompetência da DRF para apreciar o pedido original; b) de irregularidade do desmembramento do pedido original; c) de incompetência da autoridade que subscreveu o Despacho Decisório; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 4 d) de incompetência dos agentes que empreenderam o procedimento fiscal; e) de extrapolação dos limites da fiscalização definidos no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP; f) de ausência de expressa autorização para realização do procedimento, que deveria ter sido precedido de Portaria autorizatória expedida pelo Delegado da Receita Federal que jurisdiciona a Recorrente; g) de nulidade do procedimento por inobservância dos limites definidos na Representação Fiscal que ensejou a fiscalização; h) de cerceamento do direito de defesa, ao deixar de apreciar diversos documentos que foram franqueados pelo interessado; i) de descumprimento da formalidade inscrita no art. 49 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999; j) de carência de base legal a amparar o indeferimento pelo motivo alegado no despacho decisório; k) de carência e de erro de motivação do despacho decisório, que desconsiderou o Informação Fiscal elaborado pela DIFIS/SP; l) de nulidade por cerceamento do direito de defesa, na medida em que o Despacho Decisório não permitiu a compreensão de como pode ter sido desconsiderada totalmente a fiscalização realizada pela DIFIS/SP e não analisados os documentos que já haviam sido apresentados pela empresa como prova do direito creditório pleiteado; m) de que o Acórdão recorrido deve ser reformado porque o Despacho Decisório merece ser cancelado para ser determinada à Fiscalização a apreciação dos documentos apresentados pela Recorrente e a eventual solicitação de informações ou dados eventualmente faltantes para a apreciação do pedido de ressarcimento, tudo em nome do princípio da verdade material; n) de que o recurso também merece se provido para cancelar o Despacho Decisório porque o levantamento fiscal realizado pelos servidores vinculados à DRF foi realizado de forma precária, não podendo ser considerado como válido para ser utilizado como fundamento na apreciação do pedido de ressarcimento; o) de que o Acórdão também deve ser reformado por ofender os princípios da proporcionalidade e razoabilidade ao negar o direito de ressarcimento da Recorrente; p) de que o suporte documental relacionado ao direito creditório foi apresentado à DIFIS/SP e se encontra juntado no processo administrativo originário, sendo de conhecimento não apenas da fiscalização mas do próprio julgador que expediu o Despacho Decisório recorrido e a Recorrente afirmou na Manifestação de Inconformidade estarem disponíveis para análise, e; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000487/200712 Acórdão n.º 380301.596 S3TE03 Fl. 911 5 q) de que deixou de apresentar os documentos requisitados pela Fiscalização em razão do curto prazo para a sua apresentação e porque abrangiam um longo período de tempo. No que pretende ser abordagem do mérito do pedido, reitera seu direito ao ressarcimento e pugna pelo julgamento em conjunto de todos os processos desmembrados do pedido original, haja vista que o crédito foi apurado pelo estabelecimentomatriz e o desmembramento foi irregular. Alternativamente, pede que se reconheça o direito ao ressarcimento em nome do estabelecimentofilial. Retoma o pedido de reunião dos processos desmembrados para nova apreciação pela DERAT/SP. Alternativamente, que a DRF profira novo Despacho Decisório, após a realização de todas as verificações fiscais necessárias para a apuração do direito creditório da Recorrente. Dizse desobrigado da guarda do documentário fiscal por prazo superior ao de decadência, nos termos da legislação. Na hipótese de a Fiscalização necessitar verificar outros documentos ou atestar a veracidade dos já anexados, informa terem sido localizados no seu arquivo morto diversos materiais relacionados a apuração do direito creditório, estando à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência. Diz ainda ser impertinente a matéria atinente ao CréditoPrêmio. Pede a declaração da homologação tácita das compensações declaradas. Pede a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa ao indeferirlhe o pedido de perícia/diligência. Aduz que as providências requeridas... “...se justificam para a análise dos documentos relacionados ao direito creditório e existentes no estabelecimento da Recorrente os quais, por serem em grande volume, não estão sendo anexados na presente Manifestação de Inconformidade.” Conclui, requerendo provimento, para que seja reformado o Acórdão recorrido com o cancelamento do Despacho Decisório, para que se realize o julgamento conjunto de todos os Pedidos de Ressarcimento objeto deste Recurso originados do desmembramento do processo administrativo original, abrangendo o crédito do IPI de 01/01/2002 a 31/03/2002, e se reconheça o direito creditório pleiteado pelo estabelecimento matriz da Recorrente nos termos do Pedido de Ressarcimento protocolado, com base no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP e nos documentos apresentados, ou, ao menos, sucessivamente, o valor com a glosa realizada conforme o Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP. Alternativa e sucessivamente: a) caso se entenda somente ser possível reconhecer o direito creditório relativo ao estabelecimento filial, ora Recorrente, da empresa Bracol Holding Ltda., que ao menos reconheça com fundamento no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP, nos documentos apresentados e no Parecer SAORT, o direito creditório desta filial; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 6 b) Na hipótese de se entender não ser possível reconhecer o direito creditório do IPI conforme acima requerido, que ao menos se cancele Despacho Decisório e se reforme o Acórdão recorrido diante dos vícios demonstrados neste Recurso para: i. reconhecer a competência da autoridade fiscal com jurisdição sobre o estabelecimentomatriz da Recorrente para apreciar o Pedido de Ressarcimento, com a conseqüente reunião de todos os processos administrativos originados do desmembramento do processo original abrangendo o crédito do IPI de 01/01/2002 a 31/03/2002, para serem encaminhados para o DERAT/SP com o fim de ser proferido novo Despacho Decisório analisando o Pedido de Ressarcimento relacionado a este período e ao crédito originado de todos os estabelecimentos da empresa Bracol Holding Ltda. como pleiteado no Pedido de Ressarcimento; ou ii. sucessivamente, caso se entenda ser competente para apreciar o Pedido de Ressarcimento a autoridade que emitiu o Despacho Decisório, que ao menos cancele esta decisão e determine a realização de novas verificações fiscais nos documentos apresentados pela empresa, nos anexados no processo administrativo original, no Termo de Informação Fiscal da DIFIS/SP e em outros a serem solicitados pela autoridade com a possibilidade de sua apresentação pela Recorrente, tudo para fins de emissão de um novo Despacho Decisório contendo todas as análises e os elementos cuja falta geraram a sua nulidade; iii. e, ainda, sucessivamente, na hipótese de se também entender não ser possível conceder os pedidos formulados nos tópicos anteriores, ao menos dê provimento ao presente Recurso para cancelar o Acórdão recorrido por ter negado o direito da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000487/200712 Acórdão n.º 380301.596 S3TE03 Fl. 912 7 Recorrente à realização de perícia e diligência cerceando seu direito de defesa, para que seja a decisão recorrida cancelada com o retorno dos autos para a primeira instância para a realização da perícia e diligência nos termos solicitados na Manifestação de Inconformidade. c) Requer, também, em relação a decisão não homologatória das compensações realizadas com o direito creditório, a reforma do Acórdão e do Despacho Decisório para ser reconhecida a homologação das compensações declaradas a RFB no período igual ou superior a 5 (cinco) anos contados anteriormente a data da ciência do Despacho Decisório pela Recorrente, por ter ocorrido, em relação a tais casos, a homologação tácita e extinção definitiva do crédito tributário dos débitos compensados, nos termos do artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e artigo 29, §2° da IN SRF n° 600, de 28 de outubro de 2005, a homologação das compensações com os créditos eventualmente reconhecidos neste juízo administrativo e o reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos débitos compensados até a publicação da decisão final neste contencioso administrativo. d) Requer, outrossim, o reconhecimento da incidência da taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. e) Requer, ainda, por serem causas conexas, o julgamento conjunto das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos administrativos derivados do desmembramento do processo administrativo original. f) Requer, por fim, que também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos o advogado signatário no endereço mencionado no rodapé desta petição, o qual protesta pela realização de sustentação oral perante este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 495 a 522 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO2ª Turma nº 1421.101, de 22 de outubro de 2008. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Indefiro. Pedido de julgamento conjunto de outros processos O pedido de julgamento conjunto das manifestações de inconformidade não pode ser deferido em face da incompetência desta Turma de Julgamento, que se resume no julgamento de recursos voluntários de decisões de primeira instância, ex vi o art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Se o pedido pretendia referirse ao julgamento conjunto dos recursos voluntário, saiba o recorrente que o RI/CARF tem regras próprias de distribuição e sorteio de processos. Não se tratando de casos de reunião obrigatória de processos para julgamento, nos termos da legislação de regência, o regramento regimental se sobrepõe à conveniência do patrono da causa e mesmo à do contribuinte. Indefiro. Matéria litigiosa O recorrente tacitamente conformouse com o resultado do julgamento de primeira instância relativamente ao CréditoPrêmio, ao omitirse em controverter a matéria, entendendoa impertinente. Preliminares COMPETÊNCIA DA DRF PARA APRECIAR O PEDIDO Nos termos do art. 32 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, de aplicação retroativa aos casos ainda não definitivamente julgados, em face do caráter procedimental de suas normas, a competência para a verificação, análise e deferimento de solicitações quanto ao saldo credor de IPI apurado em livro fiscal, decorrente do artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999, é da Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o estabelecimento industrial que apurou o crédito. Pouco afeito às regras do IPI, informado pelo princípio do estabelecimento, o recorrente insiste, improcedentemente, em ser o matriz o estabelecimento que apurou o crédito. Ao contrário, quem o apurou foi justamente o estabelecimento dito industrial, que a realizou o aspecto material da hipótese de incidência – a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000487/200712 Acórdão n.º 380301.596 S3TE03 Fl. 913 9 industrialização – e deu saída ao produto industrializado, realizando o fato gerador, que não se confunde com estabelecimentomatriz, legalmente obrigado a centralizar o pedido de ressarcimento. REGULARIDADE DO DESDOBRAMENTO DO PROCESSO ORIGINAL – COMPETÊNCIA DOS AGENTES FISCAIS QUE EMPREENDERAM A VERIFICAÇÃO Assim, tanto a diligência efetuada pela DRF para verificação da efetividade do crédito quanto o despacho decisório proferido foram efetivados por autoridade competente para tanto. Via de conseqüência dessa regra de competência, necessário e correto o desdobramento do processo original, formulado centralizadamente pelo estabelecimento matriz, em representações fiscais direcionadas às unidades jurisdicionantes dos estabelecimentos que apuraram os créditos, procedido pela DERAT/SP. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AOS TERMOS DA VERIFICAÇÃO Tratandose de competência originária da DRF para apreciar o pleito, é inconcebível qualquer vinculação do exame aos termos da representação fiscal feita pela DERAT/SP que pudesse representar restrição ao âmbitos dos exames necessários à realização de seu mister regimental. Também como conseqüência da competência originária da DRF, é incabível a cogitação de que fosse necessária portaria autorizatória da DERAT para ampliação dos exames. Tampouco se trata de revisão de lançamento ou de fiscalização já efetuada anteriormente. A diligência empreendida pode ser efetuada a qualquer momento, inclusive durante a fase processual, para ajudar na convicção do julgador, já ainda não houvera a prolação de decisão administrativa, este sim, ato que poderia reconhecer o direito à contribuinte, desde que proferido por autoridade competente e de acordo com as normas legais. APRECIAÇÃO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO INTERESSADO O processo foi instruído com as cópias de todos os documentos apresentados no processo original referentes ao estabelecimento que apurou o crédito, inclusive da informação fiscal da DIFIS/SP. No relatório do Parecer SAORT, consta a existência de tal verificação e que esta foi tida como sustentáculo da nova verificação, inclusive com os argumentos da imprescindibilidade: inclusão de créditos de filiais; competência da DRF da jurisdição dos estabelecimentos que apuraram o crédito; verificação por amostragem; não verificação de insumos utilizados na produção de produtos não tributados (não industrializados) constantes da relação apresentada pelo interessado; inexistência de cópia do Livro de Apuração do IPI e de listagem dos insumos utilizados na industrialização dos produtos para o crédito em questão; nem cópias de notas fiscais de aquisição e vendas. Cabe ressaltar que a DRF não desconsiderou os documentos apresentados à DIFIS/SP, apenas não os considerou suficientes para a verificação do montante do crédito a ser ressarcido, ou melhor, não sendo suficientes para apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 10 DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO FIM DA INSTRUÇÃO As normas da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, são de aplicação subsidiária às instituídas pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF, que dispensa qualquer notificação do interessado pelo final da instrução previamente ao Despacho Decisório. Aliás, a intimação dos termos do Despacho Decisório, marco do encerramento da instrução, supre plenamente essa exigência. BASE LEGAL E MOTIVAÇÃO DO INDEFERIMENTO O recorrente, falaciosamente, argumenta que o motivo que levou ao indeferimento de seu pleito não está contemplado no legislação de regência. Ora, implícito no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, e na Instrução Normativa no 33, de 1999, que o regulamenta (e mesmo no art. 179 do CTN), o ressarcimento só é deferido a quem comprove a ele fazer jus. E o recorrente não logrou fazêlo. Considero que o despacho decisório está corretamente motivado e fundamentado. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Quanto à insinuação de cerceamento do direito de defesa por parte do Despacho Decisório, não há falar em contraditório e ampla defesa durante a fase inquisitorial do procedimento. Somente com a instauração da relação processual é que se exige a estrita observância desses princípios. No caso concreto, não houve qualquer violação do devido processo legal. Repitase, em face da competência originária da DRF para apreciar o pleito, não há falar em vinculação aos termos da representação fiscal da DERAT/SP ou mesmo à verificação prévia procedida por outro órgão. JUSTIFICATIVAS PARA A NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS REQUISITADOS PELA FISCALIZAÇÃO O recorrente atribui ao grande volume dos documentos e à exigüidade do prazo dado para atendimento da intimação. Se a alegaçãojustifica a razão, não explica porque o interessado, enquanto manifestante, também deixou de apresentálos em sua peça de reclamação. Transcorrida essa oportunidade processual, precluiu a possibilidade de fazêlo em sede de recurso voluntário. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA PELO INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O pedido genérico de perícia não mereceria conhecimento porque não foram atendidos os requisitos do PAF (formulação de quesitos, indicação de perito e sua qualificação). Quanto ao pedido de diligência, a providência é discricionariedade da autoridade julgadora a quo, e fundamentadamente desprezada. Não vislumbrei qualquer prejuízo à defesa. Aliás, o interessado que, desidiosamente, deixou de comprovar o seu direito, não pode esperar que a Administração o faça. Mérito No mérito, restou cabalmente demonstrado nos autos que o interessado omitiuse em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do PAF. Prejuízo seu. Não o fazendo, teve seu pleito corretamente indeferido. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000487/200712 Acórdão n.º 380301.596 S3TE03 Fl. 914 11 Desconfio, no entanto, que o contribuinte, ora recorrente, satisfezse com a dilação temporal do processo. Por fim, quanto ao pedido de correção do valor do ressarcimento pela taxa Selic, o mesmo queda prejudicado, porquanto o contribuinte não será ressarcido de valor algum. PEDIDO DE DECLARAÇÃO DA TÁCITA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DECLARADA Da análise dos documentos juntados aos autos vêse que Declaração de Compensação Dcomp n 36149.22117.300503.1.3.013556, foi transmitida em 30/05/2003, portanto, a autoridade administrativa teria até 29/05/2008 para apreciar a compensação declarada em tal instrumento, momento em que transcorreria o prazo do § 5 do artigo 74 da Lei no. 9430, de 27 de dezembro 1996. O despacho decisório foi proferido em 19/05/2008 e o interessado foi dele intimado em 20/05/2008 (doc fl. 181). Sendo assim, não há falar em homologação tácita. Conclusão A decisão recorrida mantémse por seus próprios fundamentos: i) o desdobramento do pedido original foi correto, posto que os créditos foram apurados por múltiplos estabelecimentos, jurisdicionados por diferentes autoridades administrativas; ii) as autoridades administrativas competentes para a apreciação dos pedidos desmembrados não estavam vinculadas aos termos da representação fiscal, podendo diligenciar as verificações que entendessem necessárias e suficientes; iii) os despachos decisórios proferidos pelas autoridades competentes estão hígidos; iv) incabível a reunião dos processos desmembrados em atendimento às conveniências do recorrente ou do patrono da causa e em detrimento das regras regimentais de distribuição e sorteio de processos para julgamento; v) toca ao interessado a prova do direito que alega ter; vi) no indeferimento do pedido genérico de perícia e do pedido de diligência não redundou em cerceamento do direito de defesa; vii) o termo inicial do prazo de homologação tácita das compensações declaradas é a data de transmissão da declaração e não a data de protocolo do pedido de ressarcimento; viii) as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não têm competência originária para o julgamento de manifestações de inconformidade. Com essas considerações e com os fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN 12 Sala das Sessões, em 4 de maio de 2011 Alexandre Kern Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16349.000487/200712 Acórdão n.º 380301.596 S3TE03 Fl. 915 13 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 16349.000487/200712 Interessada: BERTIN LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.596, de 4 de maio de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 4 de maio de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 07/05/2011 por ALEXANDRE KERN
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