Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.000262/99-41
Data da sessão: Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994
Ementa:
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – PDV - DECADÊNCIA AFASTADA.
O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.774
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200803
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1994 Ementa: DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – PDV - DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 10830.000262/99-41
anomes_publicacao_s : 200803
conteudo_id_s : 5925916
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : CSRF/04-00.774
nome_arquivo_s : 40400774_214048_10830000262199941_008.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : Moisés Giacomelli Nunes da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 108300002629941_5925916.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
id : 4617735
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931849854976
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-22T13:29:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-22T13:29:20Z; Last-Modified: 2009-07-22T13:29:20Z; dcterms:modified: 2009-07-22T13:29:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-22T13:29:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-22T13:29:20Z; meta:save-date: 2009-07-22T13:29:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-22T13:29:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-22T13:29:20Z; created: 2009-07-22T13:29:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-07-22T13:29:20Z; pdf:charsPerPage: 1404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-22T13:29:20Z | Conteúdo => CSRF/T04 Fls. 05°,14.'s - '• . MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS QUARTA TURMA Processo n° 10830.000262/1999-41 Recurso n° 102-143048 Matéria PDV Acórdão n° CSRF/04-00.774 Sessão de 03 de março de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida CELSO IVASE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1994 Ementa: DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV - DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso. T NIO PRA4A-1 Presidente CAS77- gif fr Processo n° 10830.000262/1999-41 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF104-00.774 Fls. 2 MOI • OMELLI MUNE A SILVA Relator FORMALIZADO EM 02 JUN 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Remis Almeida Estol, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho Relatório Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte, correspondente ao exercício de 1994, sobre verbas trabalhistas pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocolizado em 14 de janeiro de 1999, sendo a decisão recorrida, por maioria de votos, afastou a decadência e determinou o retomo dos autos à origem para exame do mérito. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I do artigo 168 do CTN, é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso, o contribuinte foi intimado, mas não apresentou contra razões, sendo a matéria objeto de recurso foi encaminhada para análise nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. 73( Processo n° 10830.000262/1999-41 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF/04-00.774 Fls. 3 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3° do CTN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e c) A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Instrução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.0 em 06/01/99, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA —INOCORRÊNCIA — PARECER COSIT N" 4/99 — O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o 3 Processo n° 10830.000262/1999-41 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF/04-00.774 Fls. 4 contribuinte, nos termos do caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do C77V). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do C77V). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, 4°, do CD), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feito em 1999. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que 'em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia- se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADI1V; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário.' (Acórdão CSRF/01-03.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estar-se-ia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontram-se todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperativo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem o poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. 4 Processo n°10830000262/199941 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF/04-00.774 Fls. 5 Em síntese, no momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/98 (DOU de 06/01/99) tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos, pois a decadência somente se efetivou em 07 de janeiro de 2004. Em relação às situações em que a Fazenda Nacional fundamenta seu recurso com base em argumentos de que a Lei Complementar n° 105, de 2005, se constitui em norma interpretativa do artigo 168, I, do CTN, fixando entendimento de que o prazo para pedir a restituição de pagamento indevido é de cinco anos contados da data do pagamento, há que se ter por norte que por força do disposto no art. 105, III, a, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça, em última instância, unificar a interpretação atribuída à lei. Nesta linha, no caso da decadência relativa a tributos sujeitos a lançamento por homologação, depois de inúmeras oscilações, a l' Seção do STJ, no julgamento do EREsp 435.835/SC, relator para o acórdão Min. JOSE DELGADO, sessão de 24.03.2004, consagrou o entendimento segundo o qual o prazo prescricional para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, contados da data da homologação do lançamento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realização do fato gerador - sendo irrelevante, para fins de cômputo do prazo prescricional, a causa do débito. Após a uniformização do entendimento acima referido, conhecido como a tese dos 5 + 5, em 2005 foi aprovada a Lei Complementar n° 118, de 2005, cujo artigo 3° determina "para efeito de interpretação" do art. 168, I, do CTN, que a extinção do crédito tributário como termo a quo do prazo de cinco anos para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos indevidamente seja considerada ocorrida no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150. O art. 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005, por sua vez, estabelece que seja "observado, quanto ao art. 3 0, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966", ou seja, a determinação de aplicação retroativa das leis interpretativas. Temos, pois, conforme observa o Dr. Leandro Paulsen i , com as considerações abaixo transcritas, uma lei que se pretende interpretativa. "Mas cabe ao aplicador do Direito verificar se realmente é disso que se cuida e se, portanto, existe a possibilidade de aplicação ao caso do art. 106, I, do CTN, sem violação a normas constitucionais. O STF, aliás, já afirmou outrora: "Mesmo as leis interpretativas expõem-se ao exame e à interpretação dos juizes e tribunais. Não se revelam, assim, espécies normativas imunes ao controle jurisdicional...". 2 O controle da constitucionalidade de tal lei é viável, como de qualquer outra, em face da supremacia da Constituição. Importa, também, desde já, bem definir o que se pode considerar como lei interpretativa, afastando a idéia de que haja qualquer margem de liberdade para o que legislador assim qualifique novo dispositivo legal Aliás, a própria idéia de lei interpretativa é controversa, conforme já ensinava CARLOS MAXIMILIANO em sua clássica obra Hermenêutica e Aplicação do Direito, publicada pela primeira vez em 1924: "... não LC 118/05 - REDUÇÃO DO PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS - Leandro Paulsen (Publicada no Jornal Síntese n° 97 - MARÇO/2005, pág. 9 e no CD Júris Síntese 10B n° 66, jul agosto/2007. 2 STF, ADIn 605-3/DF, liminar, Rel. Min. Celso de Mello, out. 1991. 5 Processo n° 10830.000262/1999-41 CSRF/T04 Acórdão n. CSRF/04-00.774 Fls. 6 há propriamente interpretação autêntica; se o Poder Legislativo declara o sentido e alcance de um texto, o seu ato, embora reprodutivo e explicativo de outro anterior, é uma verdadeira norma jurídica, e só por isso tem força obrigatória...".3 Admitindo-se que haja leis passíveis de serem consideradas como meramente interpretativas, enquadráveis na previsão do art. 106, I, do CTN, impende que se observem determinados critérios e requisitos na análise daquelas que assim se pretendam. a) em primeiro lugar, cada lei, mesmo as que expressamente se dizem interpretativas, constituem leis novas e, portanto, como tal devem ser consideradas. b) lei interpretativa é a que não inova no ordenamento jurídico no sentido de dar ensejo ao surgimento de novas normas aplicáveis aos casos concretos. A lei meramente interpretativa apenas toma expressas normas jurídicas já reconhecidas e aplicadas com suporte em textos legais vigentes quando do seu advento. c) é do STJ a competência para estabelecer, em última instância, a interpretação da lei federal, de modo que, no âmbito federal, lei interpretativa é aquela que consagra interpretação da lei anterior de modo coincidente com a interpretação que lhe dava o Judiciário, particularmente o STJ. De fato, "... ainda que o CTN admita aplicação retroativa da norma meramente interpretativa (art. 106, I), isso somente é possível quando inexistente outra interpretação"! Observados tais pressupostos, tem-se que, se as leis interpretativas meramente esclarecerem o sentido de outra anterior, não estarão inovando na ordem jurídica, de maneira que, mesmo que seu texto preveja aplicação retroativa à data da lei interpretada e tal encontre guarida no art. 106,!, do CTN, nenhuma influência maior terão senão de esclarecimento para os agentes públicos e contribuintes. Essa retroatividade será meramente aparente, vigente que estava a lei interpretada, da qual se já se extraía a mesma norma. Implicando, porém, o surgimento de norma distinta, antes não vislumbrada como aplicável pelo STJ na sua função de interpretação da legislação vigente, não se caracterizará como meramente interpretativa, ainda que assim se declare. Aliás, havendo qualquer agravamento na situação do contribuinte, será considerada ofensiva ao sobreprincípio da segurança jurídica e, em particular, ao princípio da irretro atividade das leis, merecendo atenção, ainda, as regras de anterioridade de exercício e nonagésimal mínima ou de anterioridade especial. Colocado o tema, vejamos. 3 Forense, 11. ed., 1990, p. 91/92. 4 TRF P R., 3' T., AC 93.01.11941/DF, Rel. Juiz Osmar Tognolo, maio 1996. 6 Processo n°10830.000262/1999-41 CSRFT704 Acórdão n.° CSRF/04-00.774 Fls. 7 Em face da LC 118/05, considera-se extinto o crédito tributário no momento do pagamento antecipado para o fim de contagem do prazo de repetição ou compensação nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. O prazo, pois, no regime da LC 118105, é de 5 anos contados do pagamento indevido. A LC 118/05, com isso, implicou redução do prazo relativamente ao entendimento anterior dos 5 + 5. De fato, até então tínhamos o dispositivo do art. 168, I, do CTN, dispondo no sentido de que o prazo para repetição do indébito contava-se da extinção do crédito tributário; e o art. 156, VII, do CTN, dispondo no sentido de que a extinção do crédito tributário se dava com "o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1° e 4°". Mediante interpretação sistemática do CT1V, chegava-se à norma aplicável nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, qual seja, a de que o prazo para a repetição seria contado da extinção do crédito tributário pela homologação tácita ocorrida após 5 anos da ocorrência do fato gerador. Daí o prazo de 5 anos + 5 anos = 10 anos. Embora nem sempre tenha sido este o entendimento dos tribunais sobre a contagem de tal prazo, certo é que o STJfinnara posição nesse sentido, estando a mesma absolutamente consolidada. Evidencia-se, assim, que a LC 118/05, ao pretender alterar o termo a quo do prazo para repetição, que não mais será o momento da extinção do crédito, mas o momento do pagamento antecipado, ainda que pendente de homologação, agora considerado como de extinção para fins da nova contagem de prazo, realmente inovou, alterando a norma jurídica aplicável. No particular, é importante atentar para a distinção entre preceito (mandamento abstrato constante do texto de cada dispositivo legal em particular) e norma (o mandamento para o caso concreto obtido pelo aplicador mediante análise de todo o ordenamento). Mesmo que mantendo intocados os preceitos dos ar, 168, I, e 156, VII, do CTN, preservados na sua literalidade, a LC 118/05 alterou a norma jurídica aplicável, o que revela não se tratar de simples lei interpretativa. Da norma "5 + 5 = 10", passamos à norma "5". Sua aplicação relativamente a indébitos anteriores, pois, tem de ser criticada. Embora se coloque expressamente como interpretativo ("para efeito de interpretação", em verdade o art. 3" da LC 118/05 inova na ordem jurídica de maneira mais gravoso para o contribuinte, de modo que não pode ter aplicação retroativa, ainda que tal esteja determinado pelo art. 4° da mesma lei complementar. De fato, tendo alterado a norma anterior, não se pode considerá-la como lei meramente interpretativa, de modo que não lhe é aplicável o art. 106, I, do CTN. O art. 4° da LC 118/05, ao determinar a aplicação de tal dispositivo que prevê a retroatividade, revela-se inconstitucional. 7 Processo n°10830.000262/199941 CSRF/T04 Acórdão n.° CSRF/04-00.774 Fls. 8 Isso porque o princípio da segurança jurídica impõe que se resguarde a irretroatividade, fulminando, por inconstitucionalidade, o art. 4° da LC 118/05 no que diz respeito à determinação de observância do art. 106, I, do CPC (aplicação retroativa), por ocasião da aplicação do art. 3° da própria LC 118/05. Não há espaço, aqui, para aprofundar a análise do principio da segurança jurídica, bastando, no momento, a referência à singela, mas profunda afirmação de JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES: "... a segurança postula, para a sua efetividade, uma especificação, uma determinação dos critérios preservadores dela própria, no interior do ordenamento jurídico. ... quais os valores que a segurança jurídica busca preservar, no âmbito do sistema constitucional tributário? A irretroatividade? A legalidade? A isonomia? A efetividade da jurisdição tributária, administrativa ou judicial? Tudo isso junto e muito mais que isso"? Assim, a aplicação do art. 3° da LC 118/05 só poderá se dar relativamente a pagamentos indevidos posteriores à sua vigência, estabelecida para 120 dias após a sua publicação, ocorrida em 09.02.2005. Ou seja: I - os pagamentos indevidos ocorridos a partir da sua vigência implicarão termo a quo para a contagem do prazo, nos termos da LC 118/05, que, vigente, incidirá; II - os pagamentos indevidos anteriores, contudo, não sofrem sua incidência, pois implicaria retroatividade; continuam, assim, regrados pela norma anterior dos 10 anos (5 anos mais 5 anos). O art. 30 da Lei Complementar n° 118, de 2005, a pretexto de interpretar os arts. 150, § 1° e 168, I, do CTN, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Assim, não há como negar que a lei nova inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Portanto, o art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005, por ter inovado no plano legislativo, só tem eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, 03 de março de 2008. MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA 5 Principio da Segurança Jurídica na Criação e Aplicação do Tributo. RDT, São Paulo: Malheiros, n. 63, p. 206, 1997. 7( 8 Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051700.PDF Page 1 _0051900.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000197/2007-46
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO AUFERIDO POR CONTROLADA OU COLIGADA NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos por pessoa jurídica controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. A alienação de investimento em controlada ou coligada, domiciliada no exterior, caracteriza disponibilização dos lucros auferidos por intermédio da referida controlada ou coligada e ainda não tributados no Brasil, os quais devem ser adicionados ao lucro liquido da alienante, para efeito de determinação do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Meigan Sack Rodrigues e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO AUFERIDO POR CONTROLADA OU COLIGADA NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos por pessoa jurídica controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. A alienação de investimento em controlada ou coligada, domiciliada no exterior, caracteriza disponibilização dos lucros auferidos por intermédio da referida controlada ou coligada e ainda não tributados no Brasil, os quais devem ser adicionados ao lucro liquido da alienante, para efeito de determinação do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
numero_processo_s : 16561.000197/2007-46
conteudo_id_s : 5216908
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.785
nome_arquivo_s : Decisao_16561000197200746.pdf
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 16561000197200746_5216908.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Meigan Sack Rodrigues e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4566925
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931862437888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 0 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000197/200746 Recurso nº 905.330 Voluntário Acórdão nº 110200.785 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2012 Matéria IRPJ. LUCROS DO EXTERIOR. Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO AUFERIDO POR CONTROLADA OU COLIGADA NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos por pessoa jurídica controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. A alienação de investimento em controlada ou coligada, domiciliada no exterior, caracteriza disponibilização dos lucros auferidos por intermédio da referida controlada ou coligada e ainda não tributados no Brasil, os quais devem ser adicionados ao lucro liquido da alienante, para efeito de determinação do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Meigan Sack Rodrigues e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Meigan Sack Rodrigues, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, os quais resultaram em retificação do saldo de prejuízo fiscal e do saldo de base negativa da CSLL do ano calendário de 2002. O relatório da decisão recorrida assim sintetizou os fatos apurados pela fiscalização, e descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 186 a 197: Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 186 a 197, foram verificados os fatos a seguir sintetizados, no que importa ao presente feito: Em 02.09.1999, a empresa AMBEV adquire 100% das ações da HOHNECK S/A, empresa sediada no Uruguai, cujo capital social era de R$ 10.000,00. Em maio de 2002, a empresa SKOL adquiriu da AMBEV ações da HOHNECK, pelo valor de R$ 9.999,99, efetuou uma integralização de capital no valor de R$ 40.000,00 e fez um AFAC (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) no valor de R$ 575.285.996,93. A partir dessa operação a SKOL passou a deter 99,9991% da participação acionária, e a AMBEV 0,0009%. Em julho de 2002, a Companhia Brasileira de Bebidas – CBB adquiriu da SKOL ações da HOHNECK no valor de R$ 25.345,47 e efetuou um AFAC de R$ 591.444.812,28, do que resultou nova alteração no quadro societário e participação acionária na HOHNECK. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 3 3 Com relação aos resultados da HOHNECK no exterior, a autoridade fiscal constatou que ela apurou prejuízo fiscal nos anos de 1999, 2000 e 2001 e lucro no ano de 2002. Entretanto, por não ter sido apresentada a documentação que lastreou os registros contábeis, a fiscalização desconsiderou os prejuízos apurados nos anos de 1999, 2000 e 2001, observando ainda que alguns lançamentos contabilizados seriam “inverossímeis” ou “sem nenhum fundamento na contabilidade brasileira”. Concluiu então a fiscalização que, em decorrência da transferência de 99,9991% das ações possuídas na HOHNECK para a SKOL, ocorreu a disponibilização dos lucros apurados pela HOHNECK à AMBEV, no montante de R$ 7.743.131,85, proporcional à participação societária alienada (99,9991% de R$ 7.743.201,54, correspondente ao lucro apurado pela HOHNECK em abril/2002). Além disto, considerando que, no ano calendário de 2002, a HOHNECK teve um lucro de R$ 363.026.564,70, concluiu também a fiscalização que a AMBEV teve disponibilizado para si o valor de R$ 3.267,24, referente à sua participação acionária de 0,0009% naquele lucro. De se registrar que foi também lavrado contra a autuada, na condição de sucessora da CBB, em face de incorporação ocorrida em maio de 2005, autos de infração referentes à disponibilização do lucro auferido no exterior pela HOHNECK no ano calendário de 2002, proporcionalmente à sua participação acionária. Contudo, tal lançamento integra outro processo administrativo (PAF no 16561.000204/200718). O contribuinte apresentou impugnação, fls. 204 a 241, alegando, em síntese, o que a seguir se expõe. São duas as infrações imputadas à recorrente: a primeira, decorrente da suposta disponibilização ocorrida com a “alienação” de investimento no exterior, e a segunda, por conta da disponibilização ficta prevista no art. 74 da MP 2.158/2001. Com relação à primeira infração: A norma legal utilizada na fundamentação do auto de infração, art. 1º, § 2º, alínea “b”, item 4, da Lei 9.532/97, não dá amparo à autuação, porque a hipótese de disponibilização de lucros contemplada na norma (“emprego do lucro em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior”) não ocorre no caso concreto. Não houve emprego do valor dos próprios lucros em beneficio da Recorrente, porque os lucros permaneceram na empresa coligada após as operações em causa. O que houve foi única e exclusivamente a admissão de novo sócio (empresa SKOL) à sociedade, mediante aumento de capital da sociedade investida e consequente diluição da participação acionária da Recorrente, o que é situação de fato absolutamente distinta daquela prevista na norma em questão. Tampouco há de se falar em aumento de capital da própria coligada geradora dos lucros em razão da conversão daqueles lucros em capital social, pois, no caso, o aumento de capital se deu em razão do expressivo valor aportado à sociedade pela nova sócia (AFAC de Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 4 4 R$ 575.285.996,93 realizado pela SKOL), e não pela capitalização dos lucros acumulados que permaneceram registrados em conta própria, como evidenciam os balanços anexos. Uma vez que a motivação legal invocada não se subsume aos fatos descritos, o lançamento, a rigor, além de improcedente, é nulo. A prova cabal de que não houve o emprego dos lucros em favor da Impugnante reside no fato de que, como os lucros acumulados permaneceram no patrimônio líquido da HOHNECK mesmo após a admissão, como acionista naquela companhia, de outra sociedade residente no Brasil, acaso viesse a ocorrer qualquer das hipóteses de disponibilização previstas em lei, aquela nova acionista ficaria obrigada a adicionar à base de cálculo do IRPJ e da CSLL os mesmos lucros que ora se pretende tributar pelos autos de infração lavrados. A expressiva participação acionária adquirida pela SKOL decorreu exclusivamente do fato de aquela empresa ter aportado ao capital da HOHNECK o montante de R$ 575.285.996,93. A Recorrente, por sua vez, teve a sua participação acionária diluída, mas de uma empresa com patrimônio muito superior. Isso equivale a uma chamada de capital na qual a Recorrente não houvesse exercido seu direito de preferência: o fato de sua participação societária se diluir não significa que tenha ela alienado parte de seu investimento, que continua sendo do mesmo valor – ela apenas passa a contar com um novo sócio, numa empresa com capital maior. No caso, a HOHNECK poderia ter simplesmente emitido novas ações a serem subscritas pela SKOL, mas por razões exclusivamente gerenciais e tratandose de empresas do mesmo grupo, isso não ocorreu. A IN SRF nº 38/96, a par de ser manifestamente ilegal, evidencia a improcedência da exigência, posto que, ao estabelecer no seu artigo 2º, parágrafo 2º, inciso II, alínea “d”, exatamente a mesma hipótese de disponibilização atualmente contemplada pelo art. 1º, parágrafo 2º, letra “b”, item 4, da Lei nº 9.532/97, enquanto a alienação de participação societária está prevista em parágrafo distinto (§ 9º) do art. 2º da IN SRF nº 38/96, deixa evidente tratarse de hipóteses absolutamente distintas. Assim, tendo a lei mantido apenas uma destas hipóteses de disponibilização, evidentemente não se pode pretender fazer nela incluir aquilo que a própria Secretaria da Receita Federal entendeu que lá não se enquadrava. A exigência também viola o princípio da legalidade estrita em matéria tributária (arts. 5o, II e 150, I, da CF/88, e art. 97 do CTN). A impossibilidade de se considerar disponibilizados os lucros auferidos por empresa coligada no exterior em razão da simples alienação das ações correspondentes a este investimento vem sendo reiteradamente reconhecida pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público Federal, bem como em algumas decisões do próprio CARF, além de ser questão pacífica na doutrina. Se algum valor fosse devido, então não seriam aqueles apontados pelos Autos de Infração lavrados. A autoridade fiscal desconsiderou por completo os prejuízos auferidos pela HOHNECK nos anos de 1999, 2000 e 2001, contudo, não é possível revisar o balanço de empresa estrangeira com base na legislação brasileira, vez que a própria Secretaria da Receita Federal reconhece que “as demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 5 5 coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio”. Além disto, se acaso fosse possível à fiscalização glosar o valor de prejuízos constantes do balanço da empresa investida no exterior, neste caso já teria ocorrido a decadência de tal direito, consoante a pacífica jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes, vez que a fiscalização pretendeu glosar, em dezembro de 2007, prejuízos havidos nos anos de 1999 a 2001. E, ainda, não há nada de inverossímil na escrituração da HOHNECK, que justifique a glosa dos seus prejuízos. Quanto ao lançamento no passivo de R$ 27.582.151,88 “que se transforma em prejuízo sem qualquer explicação”, nos dizeres do fisco, a explicação encontrase no investimento celebrado em 01/10/1999 com o Banco Del Istmo, atualmente integrante do grupo HSBC, um contrato master de swap, tipo de contrato aleatório, que poderia gerar resultados tanto positivos quanto negativos, e que, no ano de 1999, deu origem ao prejuízo em questão, conforme contratos e planilha demonstrativa anexa (doc. 07). Quanto ao fato apontado pelo fisco, de que um dos demonstrativos de resultado do ano de 2000 apresenta um prejuízo de R$ 89.674.726,19 em 30 de novembro, e de R$ 45.689.957, 92 em dezembro, sem que tenha sido escriturado qualquer lucro no mês em questão, a “perplexidade” do ilustre fiscal autuante devese ao fato de que comparou coisas diversas. Enquanto o balanço de fls. 134 é o balanço da empresa HOHNECK do período de 01/12/1999 a 30/11/2000 de acordo com a legislação uruguaia, o documento de fls. 136 é uma consolidação feita no Brasil pela AMBEV para fins gerenciais. Com relação à segunda infração: A disponibilização ficta é ilegal, por violação ao CTN. Se algum valor fosse devido, então não seriam aqueles apontados pelos Autos de Infração lavrados, em razão do já acima exposto, e, ainda, da necessidade de excluir, do valor dos lucros considerados disponibilizados, do valor da reserva legal constante do balancete da empresa HOHNECK do mês de dezembro/2001, no valor de R$ 11.324.466,32 (doc. 02). Especificamente a este respeito, em situação análoga, a C. 4a Câmara do E. 1o Conselho de Contribuintes já decidiu, à unanimidade, que o valor da reserva legal deve ser excluído dos lucros da filial de sociedade estrangeira estabelecida no Brasil que podem ser considerados automaticamente disponibilizados à sua matriz no exterior, sujeitandose à incidência de Imposto de Renda retido na fonte (Acórdão n° 10421.893, doc. 10). Com relação aos acréscimos legais, arguiu a Recorrente na impugnação a necessidade de retirar do valor da multa de ofício a incidência de juros, e a imprestabilidade da Selic para o cômputo dos juros de mora, entretanto, não renovou esses argumentos no recurso, ante a constatação de que dos autos de infração aqui tratados decorreu tão somente redução de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 6 6 A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, em São Paulo/SP, por meio do Acórdão 1624.802, fls. 550 a 578, manteve integralmente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCRO AUFERIDO POR CONTROLADA OU COLIGADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos por pessoa jurídica controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A perda do direito, decorrente da ocorrência do fato decadencial, de se praticar o ato de lançamento não se confunde com a possibilidade de correção de lançamentos contábeis incorretos que possuem implicações de ordem tributária. O direito de o Fisco averiguar fatos ocorridos em períodos passados está protegido pela lei, mormente quando esses fatos repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros que implicam em pagamento a menor dos tributos devidos. PROVAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEVER DE APRESENTAÇÃO. As provas que comprovam o direito alegado devem ser apresentadas pelo contribuinte, através de documentação hábil e idônea, e de acordo com as normas brasileiras que regem o tema. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos por expressa disposição legal, inclusive a utilização da taxa SELIC. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A tributação reflexa segue a mesma linha decisória quanto ao decidido no IRPJ.” Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 7 7 Cientificada desta decisão em 14.05.2010, conforme Termo de Ciência de fls. 583, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 08.06.2010, fls. 586 a 631, no qual reprisa os argumentos acima narrados, e acrescenta, ainda, o seguinte: A decisão recorrida deixou de analisar tudo o que foi efetivamente apresentado pela Recorrente com respeito à indevida glosa de seus prejuízos sob a alegação de que: “Junto com a impugnação, foram apresentados documentos que não comprovam os prejuízos declarados e, portanto, o direito que a Impugnante alega ter. Ademais, ainda que levassem à comprovação dos prejuízos, o que não é o caso, foram entregues cópias simples de documentos, não autenticadas, sem reconhecimento de firma, escritos em inglês, sem tradução efetuada por tradutor juramentado.” Para contraporse ao alegado, a recorrente junta aos autos uma via traduzida para o português, por tradutor juramentado, de todos os contratos de swap firmados pela HOHNECK em 1999 com o Banco Del Istmo, bem como as cópias autenticadas dos contratos de swap mencionados. Além disto, com relação aos prejuízos sofridos em 1999, 2000, e 2001 pela empresa HOHNECK, a Recorrente junta ao recurso diversos documentos, entre os quais se encontram (não necessariamente todos para cada ano): balancetes chancelados pelo contador público uruguaio Sr. Nicolás Gandolfi Mello que, conforme as leis daquele País, é profissional concursado, com poderes para autenticar documentações contábeis; “Informes de Compilação” assinados pelo mesmo contador para atestar a compilação do Balanço Patrimonial da empresa HOHNECK, em conformidade com a Norma Internacional sobre Serviços Relacionados n° 4410, e Instrução n° 7, do Instituto de Contadores e Economistas do Uruguai; Planilhas de Lançamentos Contábeis; Diário Analítico; Balanço Consolidado; Protocolo de registro das demonstrações contábeis junto à “Auditoria Interna de La Nacion” para certificar que a empresa HOHNECK cumpriu a obrigação de registrar suas demonstrações. Com relação à segunda infração, argumenta a Recorrente em sede recursal que, diversamente do que decidiu a DRJ, os argumentos por ela invocados podem sim ser apreciados por este E. Conselho, vez que a matéria comporta solução no plano infraconstitucional, sendo certo, ademais, que, quanto a esta infração, existem argumentos subsidiários específicos quanto ao valor lançado. Em 08.08.2012, contudo, data da realização do julgamento do presente processo por este Colegiado, apresentou a recorrente documento em que manifesta formalmente a desistência parcial do recurso, no tocante a esta segunda infração, ressalvando o seu direito de eventualmente questionar a referida exigência fiscal perante o Poder Judiciário (doc. Anexo). É o relatório. Voto Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 8 8 Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Sustenta a recorrente que a norma legal utilizada na fundamentação da primeira infração (art. 1º, § 2º, alínea “b”, item 4, da Lei no 9.532/97) não se amolda aos fatos descritos, pelo que o lançamento, além de improcedente, seria nulo, por falta de motivação. De pronto rejeitase tal alegação, posto que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, sendo que nenhuma destas circunstâncias ocorreu no caso concreto. Assim, eventuais erros ou equívocos na apuração dos tributos, ou na descrição e enquadramento dos fatos à hipótese tributária prevista na norma, devem ser enfrentados como matéria de mérito, o que pode levar à insubsistência parcial, ou até, em certos casos, total, do crédito lançado, mas nunca à sua nulidade. A improcedência da imputação fiscal, segundo a recorrente, consistiria no fato de que a norma legal citada não inclui a alienação de participação societária como uma das hipóteses de disponibilização de lucros, e mais, que, no caso concreto, sequer ocorreu a citada alienação, mas tão somente a admissão de novo sócio (SKOL) à sociedade HOHNECK, mediante aumento de capital da sociedade investida e consequente diluição da participação acionária da recorrente na investida. Quanto à alegação de que a norma contida no art. 1º, § 2º, alínea “b”, item 4, da Lei no 9.532/97 não incluiria a alienação de participação societária como uma das hipóteses de disponibilização de lucros, penso diferente. A questão não é nova, já tendo sido abordada em diversos precedentes no CARF. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, apurados a partir de 01.01.1996, estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, sendo certo, contudo, que a Lei no 9.532/97 determina a sua adição ao lucro líquido somente quando estes tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Em outras palavras, a Lei no 9.532/97 atuou deslocando o componente temporal do fato gerador (auferimento de lucros no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas), indicando o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação. O artigo 1o da Lei no 9.532/97 possui a seguinte redação (grifo nosso): “Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 9 9 domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (...) § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: (...) b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior.” Para a correta interpretação do alcance da expressão “emprego do valor”, constante do indigitado dispositivo legal, sirvome das judiciosas considerações da ilustre conselheira Sandra Faroni, no acórdão no 10197.020, a seguir reproduzidas: “O vocábulo disponibilidade significa a faculdade de dispor dos bens. Dispor é um dos atributos do direito de propriedade. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. (CC, art. 1.228). Significa o poder que o proprietário tem de se desfazer do bem, inclusive para integrálo ao patrimônio de outra pessoa. Alguém só pode dispor de algo de que seja proprietário, o que implicitamente, significa que num momento anterior adquiriu a disponibilidade desse bem. (A disponibilidade é adquirida mediante transferência da propriedade). Importa verificar se as situações que na prática têm sido enquadradas no referido item 4 traduzem a aquisição da disponibilidade dos lucros. Uma quota ou ação representa parcela da propriedade da investidora no patrimônio da investida. Se esse patrimônio contém lucros acumulados, ao alienar o investimento (simplesmente para dele se desfazer, ou para integralizar capital de outra sociedade, quitar obrigação, etc.), a sociedade dispôs de sua participação no patrimônio da investida, incluindo a parcela de lucros nela compreendidos. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 10 10 Não é relevante que o lucro permaneça no PL da investida. Vejase que, contabilmente, o resultado positivo (lucro) auferido através da coligada ou controlada se materializou por ocasião da apuração da equivalência patrimonial, tendo afetado o lucro liquido. Assim, o PL da investidora brasileira já se encontra afetado pela valorização do investimento na investida, correspondente aos lucros nela acumulados. Se esse investimento é utilizado para qualquer fim por exemplo, restituir capital aos sócios da investidora ou para adquirir participação no capital de outras empresas (integralizar capital subscrito) , é óbvio que a investidora dispôs dos lucros que auferiu através da coligada no exterior (que estão contidos no investimento alienado). (...) A finalidade da norma (item 4 da alínea ‘b’ do § 2°) foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo. E a alienação do investimento, por qualquer forma, entre elas a conferência para integralização de capital de outras empresas, ou, como no caso concreto, a dação em pagamento de mútuo, corresponde à sua realização.” (Acórdão no 10197.020, sessão de 12 de novembro de 2008, relatora Sandra Faroni) No mesmo sentido, o não menos ilustre conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior assim manifestouse, embora em situação fática ligeiramente diversa: “O ordenamento jurídico tem suas bases muito mais ligadas a interpretações sistemáticas e finalísticas, a ensejar um conjunto sustentado em certa axiologia, ainda que mutável no tempo, do que a restritivas interpretações literais, que insistem em produzir a falácia de que tudo deve estar minuciosamente escrito, como se a tanto o ser humano fosse capaz. Tais interpretações restritivas, que se apóiam, indevidamente, no dito princípio da legalidade estrita e da segurança jurídica, levando ambos ao extremo e deturpando seu conteúdo, apenas fazem sucumbir, como num passe de mágica, a verdadeira capacidade contributiva, e eliminam, com ares de juridicidade, um dever de contribuir, inerente ao convívio em sociedade. Ora, a disponibilização de que trata a norma é o uso do valor adicionado pelos lucros auferidos no exterior, para quaisquer fins, ainda que seja para pagamento de dívida. É assim que deve ser interpretada a expressão ‘o emprego do valor, em favor da beneficiária.’ No caso, ela mesma, a beneficiária, empregou o valor para liquidação de obrigação sua. Assim, entendo que existiu disponibilização, a teor do disposto no artigo 1°, § 2°, "b", item 4, da Lei 9.532/97.” (Acórdão no 10194.747, sessão de 22 de outubro de 2004, relator Mário Junqueira Franco Júnior) Portanto, nos termos da legislação retromencionada, a alienação de participação societária configura hipótese de disponibilização de lucros, por restar caracterizado o emprego do valor, em favor da beneficiária, ocorrido na data da referida alienação. O fato de os lucros permanecerem no balanço da empresa cujas ações são alienadas não descaracteriza a disponibilização havida nos termos da lei. A alegação recursal de que, por estar a adquirente domiciliada no Brasil, os lucros ora considerados disponibilizados para a recorrente poderiam ser objeto de nova tributação, por ocasião de uma possível disponibilização futura para a sociedade adquirente, deve ser afastada, posto que, nesse caso, não poderiam os mesmos lucros ser novamente tributados, porque já o foram. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 11 11 Tampouco merece acolhida a alegação de que a IN SRF nº 38/96, a par de sua manifesta ilegalidade, evidenciaria a improcedência da exigência, em razão de o seu artigo 2º, parágrafo 2º, inciso II, alínea ‘d’, estabelecer exatamente a mesma hipótese de disponibilização contemplada pelo art. 1º, parágrafo 2º, letra “b”, item 4, da Lei nº 9.532/97, enquanto a alienação de participação societária, por estar prevista em parágrafo distinto, no caso, o §9º, do mesmo art. 2º da IN SRF nº 38/96, só poderia estar tratando de hipótese absolutamente distinta daquela. Ora, o fato de a alienação de participação societária não estar textualmente mencionada no artigo 1o da Lei nº 9.532/97 não significa que ela não esteja ali incluída, ou que não se subsuma ao seu comando, conforme acima restou demonstrado. Também não procede, portanto, a alegação de que a exigência violaria o princípio da legalidade estrita em matéria tributária. Conforme visto, o lançamento está assente em lei, cuja interpretação tem sido reconhecida pelo CARF na mesma linha do aqui exposto. Quanto à alegação de que, no caso concreto, não teria ocorrido a alienação da participação acionária, detida pela recorrente na HOHNECK, à SKOL, em que pesem os esforços no sentido de caracterizar tal operação como simples admissão de novo sócio, equivalente a uma chamada de capital na qual a Recorrente não houvesse exercido o seu direito de preferência, os documentos acostados aos autos, bem como a resposta dada pela própria recorrente à fiscalização, desmentem tal alegação. Senão vejamos. Em 15.06.2007, a fiscalização lavrou Termo de Intimação à recorrente (fls. 1213) nos seguintes termos: “1— Quanto à Hohneck S.A.: 1.1 Tendo em vista o “Demonstrativo da variação de participação na Empresa Hohneck S.A.”, anteriormente enviado (anexo), apresentar a documentação referente à alienação da participação da Ambev na empresa à Skol, (atas, laudos, contratos, remessas de divisas e o que mais couber) necessária à perfeita compreensão da operação (reiteramos);” A recorrente respondeu em 13.07.2007 (fls. 37), o seguinte: “Ref: Termo de Intimação de 15/06/2007: (...) 1) Cópia da ata de reunião da diretoria, realizada em 03/05/2002, da empresa Hohneck S.A, contendo a descrição da operação de venda das ações de titularidade da Companhia de Bebidas das Américas — AmBev para a Cervejaria Reunidas Skol Caracu S/A. — SKOL” A cópia da referida ata encontrase às fls. 105106, e não deixa dúvidas de que a SKOL adquiriu da AMBEV 9.999 ações da sociedade HOHNECK. O referido “Demonstrativo da variação de participação na Empresa Hohneck S.A.”, por sua vez, apresentado pela própria recorrente em resposta à intimação do fisco, e anexo às fls. 111, confirma ainda, expressamente, que em 03.05.2002, a “SKOL adquire ações Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 12 12 da AMBEV” por R$ 9.999,57, além de confirmar que a participação da AMBEV na HOHNECK, em razão desta alienação, e dos aportes realizado pela SKOL, a título de integralização de capital e AFAC, reduziuse a 0,0009%, o que corresponde precisamente aos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização, conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal. Sustenta a recorrente que, se algum valor fosse devido, então não seriam aqueles apontados pelos Autos de Infração lavrados. A apuração dos lucros considerados disponibilizados para a recorrente se deu com base no balanço apresentado pela própria recorrente, contendo os lucros apurados pela HOHNECK em 2002, no período compreendido pelos meses de janeiro a abril (R$ 7.743.201,54), e tendo em conta a participação societária alienada (99,9991% das ações), do que decorreu o valor lançado de R$ 7.743.131,85. A recorrente não contesta o valor do lucro acima referido. A irresignação da recorrente quanto ao valor lançado dirigese apenas à desconsideração, pela fiscalização, dos prejuízos auferidos pela HOHNECK nos anos de 1999, 2000 e 2001. Alega a recorrente que a lei aplicável para determinar se existe ou não renda a ser alcançada pela tributação no país é a lei estrangeira, e que a própria Secretaria da Receita Federal reconhece que as demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, devem ser elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio, de sorte que não pode o fisco revisar o balanço de empresa estrangeira. Aponta ainda a incoerência no procedimento do fisco, em aceitar o lucro constante do balanço da HOHNECK para o ano de 2002, tributandoo, e ao mesmo tempo desconsiderar o valor dos prejuízos fiscais que no próprio Termo de Verificação Fiscal reconhece expressamente constar dos balanços daquela empresa juntados aos autos. Ademais, se possível fosse à fiscalização glosar o valor de prejuízos constantes do balanço da empresa investida no exterior, neste caso já teria ocorrido a decadência de tal direito. Vejamos o que dispõe a legislação tributária acerca desta questão A Lei no 9.249/95, no seu artigo 25, tratando dos documentos necessários à comprovação dos resultados dessas pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, assim dispôs: “Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: (...) Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 13 13 IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. (...) § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: (...) IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada.” Uma leitura apressada do seu conteúdo poderia levar à falsa conclusão de que bastaria à pessoa jurídica no Brasil ter em seu poder cópia das demonstrações financeiras de suas filiais, sucursais, controladas e coligadas no exterior, sem necessidade de apresentação de qualquer documentação comprobatória dos respectivos lançamentos. Contudo, além de soar desarrazoada tal proposição, pois se assim fosse, não haveria como aferir a veracidade dos lançamentos efetuados, o fato é que tanto o CTN, no seu artigo 190, quanto a Lei no 9.430/96, no seu artigo 37, expressamente preveem a necessidade da guarda dos documentos fiscais que lastreiam os registros contábeis. No caso, não se trata de auditoria, pelo fisco nacional, dos balanços das empresas domiciliadas no exterior, mas apenas da comprovação de que os lançamentos estão assentes em operações efetivamente ocorridas. Intimada a comprovar documentalmente os valores dos resultados constantes dos balanços da HOHNECK, conforme Termo de fls. 1819, a empresa (resposta às fls. 41) apresentou tão somente planilhas demonstrativas contemplando, segundo ela, todos os lançamentos contábeis diários da Empresa Hohneck, referente ao período de 1999 a 2002, bem como os lançamentos contábeis, referente a operação de Swap, registrada pela HOHNECK, referente ao período de 1999 a 2001 (fls. 113 a 130). Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos cópias de diversos contratos de Swap, e mais uma planilha demonstrativa do resultado de 1999 (doc. 7 da impugnação, fls. 396 a 476). O acórdão recorrido, por sua vez, assinalou (fls. 571): “Junto com a impugnação, foram apresentados documentos que não comprovam os prejuízos declarados e, portanto, o direito que a Impugnante alega ter. Ademais, ainda que levassem à comprovação dos prejuízos, o que não é o caso, foram entregues cópias simples de documentos, não autenticadas, sem reconhecimento de firma, escritos em inglês, sem tradução efetuada por tradutor juramentado.” Por ocasião do recurso, conforme relatado, a recorrente trouxe novos documentos. Passo a analisar o quanto foi apresentado pela recorrente. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 14 14 “Master Swap Agreement” entre a HOHNECK e o Banco del Istmo, datado de 01.10.1999 (fls. 402 a 409). Este documento, apesar de assinado, supostamente pelas partes envolvidas, não possui nenhuma informação quanto a valores, posto que sua função é a de regular todas as transações que venham a ocorrer, ou seja, cada efetivo Swap que venha a ser celebrado entre as partes. “Swap Confirmation”, em papel timbrado do Banco del Istmo, relativo ao “Master Swap Agreement” celebrado entre a HOHNECK e o Banco del Istmo em 01.10.1999 (fls. 410 a 413). Este documento, contudo, apesar de assinado, supostamente pelas partes envolvidas, não aponta nenhum valor envolvido na transação, posto que todos os campos relevantes encontramse em branco. Desta forma, sequer confirma a realização de qualquer operação de Swap. de fls. 414 a 476, constam diversos “Swap Confirmation”, em papel timbrado do Banco del Istmo, contendo valores transacionados, bem como todas as demais informações relevantes às operações celebradas. Entretanto, todos eles, sem exceção, fazem referência a um “Master Swap Agreement” que teria sido firmado entre JALUA S/A e o Banco del Istmo. As traduções dos referidos contratos, feitas por tradutor juramentado, e anexadas junto ao recurso, apenas confirmam o quanto acima exposto. Os documentos não possuem reconhecimento das firmas neles apostas. Nenhum dos documentos acima, nem mesmo os “Swap Confirmation” relativos ao “Master Swap Agreement” que teria sido firmado entre JALUA S/A e o Banco del Istmo, demonstram qual o valor do ganho ou perda ocorrido na operação. Considerandose que todo o resultado negativo de 1999, conforme buscou demonstrar a recorrente por meio da planilha de fls. 396 (“planilha demonstrativa do resultado de 1999”), seria decorrente das operações de Swap praticadas em 1999, e não tendo ela sequer sido capaz de demonstrar que celebrou algum contrato de Swap com o Banco del Istmo, conforme acima exposto, não se pode acatar como verdadeiro o prejuízo por ela apontado. Segundo a recorrente, também no ano seguinte teriam sido firmados diversos outros contratos de Swap, os quais teriam dado origem ao prejuízo em questão. Contudo, não apresentou nenhum documento neste sentido, posto que todos os “Swap Confirmation” apresentados são referentes exclusivamente a operações celebradas em outubro de 1999. Considerando o acima exposto, os demais documentos apresentados pela recorrente em sede recursal, ao norte referidos, em nada comprovam os prejuízos que alega ter suportado em 1999, 2000, e 2001. De qualquer sorte, adicionalmente registro, a seguir, algumas observações acerca destes documentos. Quanto aos “Balancetes chancelados pelo contador público uruguaio Sr. Nicolás Gandolfi Mello, relativos ao ano de 1999 , 2000 e 2001”, esses documentos não contém reconhecimento da firma do Sr. Nicolás Gandolfi Mello. Na tradução efetuada por tradutor público, consta ainda em nota do Tradutor que o documento a ele apresentado para tradução consiste em uma cópia reprográfica (fls. 870). Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 15 15 Quanto aos lançamentos contábeis constantes do Diário Analítico apresentado, cobrindo o período de 01/09/1995 a 19/12/2002, constatase algumas inconsistências entre este e aquele apresentado à fiscalização, além do que diversos lançamentos contém valores ilegíveis, conforme destacado inclusive pelo tradutor público Werner Samuel Rothschild Davidsohn em diversos pontos da tradução por ele feita. Apenas a título exemplificativo das citadas inconsistências, vejase que, no dia 11.11.2002, por exemplo, no diário apresentado ao fisco, constam 32 lançamentos efetuados, entre débitos e créditos (fls. 130), enquanto que no diário apresentado em sede recursal, constam somente 20 lançamentos efetuados, entre débitos e créditos (fls. 939 e 940). Deste modo, por absoluta falta de comprovação, correto o procedimento fiscal de desconsiderar os prejuízos alegadamente sofridos em 1999, 2000, e 2001. Não há nenhuma incoerência em não acatar a compensação de alegados prejuízos, por absoluta falta de comprovação destes, e tomar o resultado positivo demonstrado pela recorrente em balanço de 2002, e em nenhum momento infirmado, como sendo o correto. Quanto à alegação de decadência, de se observar que não há, no caso, lançamento de tributo relativo aos balanços da pessoa jurídica domiciliada no exterior levantados nesses anos, nem mesmo propriamente de auditoria de seus resultados, senão tão somente a exigência de comprovação dos resultados negativos que alega ter, os quais repercutem no período fiscalizado. O lançamento é de disponibilização de lucros ocorrida no ano calendário de 2002, e foi cientificado à recorrente em 21.12.2007, portanto dentro do prazo quinquenal de que dispõe o fisco. Neste sentido, as ementas dos acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes colacionadas pela decisão recorrida, bem como as considerações feitas pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarazões, são bastante elucidativas, expressando a plena possibilidade de exame, pelo fisco, dos livros e documentos das pessoas jurídicas sem limitação temporal, bem como a necessidade de que os fatos formados no passado repercutam na sua exata dimensão, sem distorções, nos períodos futuros ainda não atingidos pela decadência, exatamente como ocorreu no presente caso. Em conclusão, nenhum reparo merece o procedimento fiscal, nem tampouco a decisão recorrida, com relação à infração 001 do auto de infração. Com relação à infração 002, em face da expressa desistência da recorrente, manifestada na sessão de julgamento do presente recurso, e formalizada no documento anexo, deixo de apreciar os argumentos que haviam sido suscitados na peça recursal. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 16 16 Declaração de Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Como já bem exposto no relatório e voto do ilustre Relator, o recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. As questões ora discutidas versam sobre suposta falta de adição a base de calculo do IRPJ e CSL de lucros auferidos no exterior que teriam sido disponibilizados para a recorrente, que resultaram em retificação do saldo do prejuízo fiscal e do saldo da base de cálculo negativa da CSL no ano calendário 2002. Em relação ao IRPJ a suposta disponibilização ocorrida em razão de alienação de investimento no exterior (art. 1º, §2º, alínea “b”, item 4 da Lei n. 9.532/97) e a CSL por conta de disponibilização ficta prevista no art. 74 da MP 2.158/2001. Em face da expressa desistência da Recorrente em relação à infração 002, deixo de apreciar os argumentos suscitados nas peças recursais em relação a esta matéria. Em relação à infração 001, a polemica não é nova, já tendo sido abordada em diversos precedentes no CARF, conforme pode se extrair dos próprios autos pelos recursos e decisões elaborados pelas partes envolvidas. Porém, em recente sessão de 24 de abril de 2012, a 1ª Turma da Câmera Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em caso similar, reconheceu a improcedência do lançamento, dirimindo a meu ver as dúvidas ainda existentes sobre a matéria. Restou claro que no presente caso, se deu, alienação de uma parte do investimento com admissão de novo sócio a sociedade, mediante aumento de capital da sociedade investida com consequente diluição da participação acionaria, situação completamente distinta da prevista na norma que deu suporte ao lançamento. Aqui o aumento de capital se deu em razão do valor aportado pela nova sócia e não na conversão dos lucros em capital social, uma vez que estes permaneceram registrados em conta própria, como evidenciam os balanços anexados. Ressalto que neste caso não ocorreu disponibilização dos lucros, uma vez que a recorrente não se beneficiou diretamente deles, razão porque os fatos não se submetem a norma legal invocada. Uma vez que não houve disponibilização dos lucros não há que se falar em tributação. Feitas estas considerações e diante da confusão feita pela fiscalização e pela DRJ, adoto o histórico da legislação e argumentos esposados no voto condutor da ilustre Conselheira Karen Jureidini, e aqui esposados “in verbis”: “Com efeito, até a vigência da Lei n° 9.249, editada em 26 de dezembro de 1995, vigorava no Brasil o princípio da territorialidade, segundo o qual, apenas os rendimentos que mantivessem elemento de conexão com o Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 17 17 território detentor da pretensão tributária poderiam ser submetidos à tributação. Isto implicava, no campo pragmático, na impossibilidade de incidência de qualquer espécie tributária sobre rendimentos não produzidos no Brasil. A partir de dezembro de 1995, contudo, o cenário legislativo foi substancialmente alterado pela introdução da referida lei. Desse momento em diante, passouse a tolerar a tributação sobre rendimentos não produzidos no Brasil, adotandose, pois, o princípio da universalidade. Vejase, a propósito, a redação conferida ao artigo 25 da Lei n° 9.249/1995: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano." Na esteira da Lei n° 9.249/1995, a Secretaria da Receita Federal publicou a Instrução Normativa n° 38/1996, que, para dar cumprimento às novas regras trazidas na referida Lei, acabou por inovar em alguns aspectos, especialmente no que se refere ao momento para reconhecimento das receitas auferidas no exterior. De fato, aludida Instrução Normativa criou verdadeiro diferimento da tributação dos lucros das sociedades estrangeiras, determinando sua disponibilização não mais no fechamento do balanço de cada ano, conforme previsto pela Lei n° 9.249/1995, mas, apenas, quando efetivamente pagos ou creditados para a empresa controladora. A Instrução Normativa n° 38/1996 trouxe, ainda, outras hipóteses que caracterizariam a realização do lucro auferido por sociedade estrangeira controlada, dentre as quais, a alienação do patrimônio pela empresa brasileira (artigo 2°, §9°), cerne da discussão trazida à baila nesta ocasião. Posteriormente à edição do diploma normativo referido acima, foi publicada a Lei n° 9.532/1997, cujo artigo 1° trata novamente e de forma integral da regulamentação da tributação do lucro auferido no exterior, revogando tacitamente as disposições divergentes veiculadas na Instrução Normativa n° 38/1996. A Lei nº 9.532/97 estabeleceu que o momento para adição, ao lucro líquido, dos resultados positivos, auferidos por empresa estrangeira, seria no fechamento do balanço do ano em que pago ou creditado tais valores à sociedade brasileira. Não repetiu, todavia, a hipótese de alienação do patrimônio da empresa controlada como momento para realização dos lucros ainda não distribuídos. Outra coisa bem diversa da alienação do patrimônio, a meu ver, é a hipótese prevista no artigo 1º, § 2º, alínea ‘b’, item 4, da Lei nº 9.532/97: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 18 18 b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: b) pago o lucro, quando ocorrer: 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Nova modificação, contudo, veio a atingir o sistema normativo em agosto de 2001. No rastro da alteração promovida pela Lei Complementar n° 104/2001, a qual, dentre outras inovações, inseriu o § 2° ao artigo 43 do Código Tributário Nacional, o Poder Executivo editou a Medida Provisória n° 2.15835/2001, cujo artigo 74 trouxe a seguinte redação: "Art. 74 Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor.” A bem da verdade, referido dispositivo legal praticamente reproduziu redação conferida ao artigo 25 da Lei n° 9.249/95, dispondo que o lucro auferido por empresa controlada, coligada, filial ou sucursal no exterior será considerado como disponibilizado no momento do fechamento do balanço em que tiverem sido apurados. Mais ainda, determinou que os lucros apurados até 31.12.2001 ainda não distribuídos, assim deveriam ser considerados ao final de 2002. Dado este panorama geral do histórico legislativo da matéria, assim como já me manifestei no processo nº 13603.002794/200350, ocasião em que restei vencida no entendimento, tenho por claro que o emprego do valor, prescrito na Lei nº 9.532/97, não se confunde com alienação, hipótese prevista na IN 38/96. Considerando que os fatos geradores correspondem aos anoscalendário de 1999 e 2000, não há que se falar na aplicação do disposto na IN nº 38/96, que vigorou para regulamentar a Lei nº 9.249/95, à época já alterada pelas disposições da Lei nº 9.532/97, então vigente. Conforme esclarecido pelo histórico legislativo traçado anteriormente, a Instrução Normativa nº 38/96 diferiu a tributação no Brasil dos lucros auferidos por empresas estrangeiras. Evidente, portanto, que o disposto na mencionada Instrução Normativa referese à Lei que visou regular, melhor dizendo, criando uma verdadeira presunção para a determinação do momento, diferido pela Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 19 19 própria IN, em que segundo a Lei nº 9.249/95 deveria ser efetivada a tributação em bases universais. Nessa toada, diferiu a tributação para o momento em que, presumivelmente, haveria a disponibilização do lucro e estabeleceu que esta se verificaria, dentre outras hipóteses, no emprego do valor. Entretanto, a partir do ano de 1998, com a veiculação da Lei n° 9.532/97, as novas regras introduzidas no sistema é que vigoram para o deslinde da controvérsia, especificamente no tocante ao reconhecimento da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Nessa medida, o que importa é tratar do emprego do valor como fato gerador para tributação do lucro no exterior. Repito que adotei, desde sempre, o entendimento de que emprego do valor não se confunde, em hipótese alguma, com alienação do patrimônio. Na alienação, ocorre um ganho ou uma perda de capital, caso a transferência da participação tenha sido feita por valor superior ou inferior ao custo de aquisição contábil. Ganho de capital não implica em disponibilização de lucro, o qual permanece intacto na empresa cujas ações foram transferidas. O emprego do valor, por sua vez, é claramente hipótese de disponibilização de lucros de controlada e coligada, porquanto representa, na letra da lei (§ 2º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97), disponibilização de valor, a qualquer título, inclusive para aumento de capital, em favor da beneficiária. Quando há substituição de uma participação por outra, não há disponibilização do valor. Diversamente, quando se verifica pagamento ou uma aquisição por conta da sócia, beneficiária do lucro disponibilizado, há uma disponibilização do valor. Ora, se o ordenamento jurídico deixou de prever, à época, a hipótese de tributação do lucro auferido, para determinar que o fato gerador do Imposto de Renda é tão somente a disponibilização do lucro, somente os lucros pagos ou creditados em favor da coligada ou controlada no exterior são passíveis de tributação. Justamente a hipótese do emprego do valor, que não se confunde com uma substituição de ativos. É por isso, que no período de vigência da Lei nº 9.532/97, essa reproduziu algumas previsões da IN 38/96, mas não reproduziu a hipótese de alienação de participação societária, justamente porque não se coadunaria com a novel sistemática. Essa novel sistemática, justamente como alegado pela d. Procuradoria em suas contrarrazões, conferiu ao contribuinte o direito de tributar o lucro auferido no exterior, tão somente quando a empresa no exterior decidisse, sponte propria, pela disponibilização dos lucros. A bem da verdade, a partir da edição da Lei nº 9.532/97, com a tributação incidente apenas sobre a disponibilização do lucro auferido no exterior, não há como aceitarse por vigente a hipótese antes aventada da IN nº 38/96, sob a égide da sistemática que determinava a tributação do lucro auferido no exterior, de alienação do patrimônio. Como já me manifestei anteriormente, uma vez não mais se afigurando como benefício ao contribuinte, a disposição contida no artigo 2°, §9° da Instrução Normativa n° 38/1996 não há de ser aplicável ao caso em tela, porquanto se Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 20 20 assim fosse, acabaria por restringir o direito da Recorrente em ter tributados os lucros auferidos por empresa estrangeira apenas no momento determinado pela lei, nunca antes disto. É bem verdade que, de um lado, não existia, à época do fato qualquer norma legal que determinasse a tributação do lucro auferido no exterior, antes de sua disponibilização, vale dizer, não havia previsão para tributação quando da substituição ou alienação do investimento correspondente; e, de outro lado, aquele lucro auferido no exterior poderá compor o custo do bem, para efeito de eventual cálculo de ganho de capital. Não obstante, entendo que deve prevalecer a aplicação da estrita legalidade, tanto mais que o lançamento em questão não aborda eventual prejuízo ao erário quanto à apuração do ganho de capital. De mais a mais, data venia de entendimento diverso, entendo que não deve prevalecer a premissa adotada no acórdão recorrido, no sentido de que a sociedade que aliena sua participação em outra, necessariamente dispõe dos lucros incorporados ao seu patrimônio líquido, razão pela qual estaria subentendido na Lei n° 9.532/1997 a hipótese aventada no artigo 2°, §9° da Instrução Normativa n° 38/1996. Com efeito, inúmeras são as variáveis que envolvem o processo de compra e venda de uma companhia, não sendo verdade absoluta que os lucros ainda não distribuídos acrescerão o valor praticado pelas cotas cedidas. Esta equiparação entre alienação da participação societária e disponibilização dos lucros incorporados ao patrimônio líquido não pode ser efetuada sem base legal. É uma questão de competência, de limite para tributar. O emprego do valor deve ser tomado conforme competência tributária à luz do ordenamento vigente à época, no contexto do artigo 1º, da Lei nº 9.532/97, que limita a tributação às hipóteses de disponibilização do lucro. A esse respeito, peço vênia par citar o Conselheiro Valmir Sandri, no bem elaborado voto proferido no processo nº 10680.012244/200419 (acórdão nº 910100.750): A interpretação é incompatível com fórmulas e equações, como se a complexidade da vida pudesse ser representada em operações aritméticas. O direito vem do homem e serve para o homem, pois, a atividade de interpretar não visa apenas a conhecer a norma através das técnicas interpretativas, mas principalmente, “conhecer tendo em vista as condições de aplicabilidade da norma enquanto modelo de comportamento obrigatório (questão da decidibilidade). Enfim, a interpretação do Direito tem como fito “operar a sua inserção na vida.” Mas a interpretação possui limites, Celso Bastos preleciona que “A interpretação aparece diante do juiz como se fosse um quadro, ou melhor, uma moldura, dentro da qual o intérprete tem a faculdade de exercer a sua escolha, sendo que qualquer que seja a sua opção desde que dentro deste perímetro ela é válida. Todavia, se a escolha recair fora deste quadro, será inválida.” Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 21 21 A moldura é delimitada pela lei, pois, conforme o Ministro Luiz Gallotti do Supremo Tribunal Federal: "... é certo que podemos interpretar a lei, de modo a arredar a inconstitucionalidade. Mas interpretar interpretando e, não, mudando lhe o texto, e, menos ainda, criando um imposto novo, que a lei não criou.” Como sustentei muitas vezes, se a lei pudesse chamar de compra o que não é compra, de importação o que não é importação, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição." (RE 71.758, RTJ 66/165). Assim, o intérprete pode "interpretar interpretando", mas não criando um direito novo, como se legislador positivo fosse, o que é sedutor, por vezes. E para segurar o ímpeto do intérprete, a ciência jurídica, mais precisamente, a hermenêutica jurídica, criou as “regras técnicas que visam à obtenção de um resultado dando o “instrumento a ser utilizado pelo intérprete para alcançar o núcleo semântico da norma”, com base nos métodos interpretativos (gramatical, lógico, histórico, sistemático e teleológico) Ainda na esteira do brilhante voto, na égide da Lei 9.532/97, a disponibilização do lucro, em todas as hipóteses, ocorre no pagamento ou no crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior, o que implica na “baixa da reserva de lucros contra um passível exigível” ou diretamente em conta representativa de extinção da obrigação (banco, caixa, etc.). A transferência do investimento, por sua vez, não acarreta a exigibilidade ou o pagamento do lucro auferido pela controlada no exterior. Caso fosse possível tomar por fato imponível a alienação, sob a égide da Lei nº 9.532/97, terseia um grave problema de possibilidade de dupla tributação sobre o mesmo lucro, quando da alienação e quando, por exemplo, de evento que efetivamente caracterizasse emprego do valor. Em vista do exposto, considerando, ainda, que a previsão para a tributação do lucro auferido no exterior, quando da alienação de participação societária, só foi trazida novamente ao ordenamento jurídico com a edição da Instrução Normativa n° 213/2002 ato este então lastreado no disposto no artigo 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, o qual é posterior ao lançamento objeto da presente acolho as alegações de mérito expostas pela Recorrente e voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte.” Uma vez que a hipótese de disponibilização de lucros não ocorreu no caso concreto, não houve alienação de investimento na proporção pretendida pela fiscalização na legislação invocada como fundamento legal da Lei n. 5.532/97, razão porque a reforma da decisão da DRJ se torna impositiva. Da mesma forma, diversamente do que entendeu a r. decisão da DRJ, não vejo como o ilustre fiscal pudesse aceitar o lucro constante do balanço da empresa (Hohneck), tributandoo, e ao mesmo tempo desconsiderar o valor dos prejuízos fiscais. A meu ver a desconsideração daqueles prejuízos fragilizaria por completo a própria autuação, uma vez que o preço das ações tidas como alienadas não poderia não poderia representar uma disponibilização exclusiva daqueles lucros, sem a consideração ao mesmo tempo dos prejuízos. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000197/200746 Acórdão n.º 110200.785 S1C1T2 Fl. 22 22 Ainda que fosse possível glosar o valor de prejuízos constantes do balanço da empresa investida no exterior, não poderia em dezembro de 2007, pretender glosar os prejuízos auferidos nos anos de 1999 à 2001, porque já teria decaído esse direito conforme jurisprudência pacifica deste E. Conselho. Diversamente do que se entendeu na decisão da DRJ, a glosa dos prejuízos fiscais apurados entre 1999 e 2001, deveria ter se dado mediante lançamento, dentro do prazo decadencial de cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores, tal como prescrito pelo art. 150 § único do CTN. Diante de todo o exposto, não vejo alternativa, senão, acompanhar o entendimento exposto no brilhante voto condutor unânime da CSRF, para dar provimento ao recurso voluntario. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 15/ 08/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006033/2004-15
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. LEI Nº 9.730/96. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. VIGÊNCIA PARA OS CONTRATOS FIRMADOS A PARTIR DE 01/01/1999.
O contratos firmados em data anterior a 01/01/1999, não se submetem às regras referentes ao Regime de Admissão Temporária para Utilização Econômica, sendo aplicável a estes contratos o regime de admissão temporária prevista no art. 75 do Decreto-Lei nº 37/66.
ADMISSÃO TEMPORÁRIA PARA UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. DESPACHO PARA CONSUMO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR DO IPI.
Comprovado que não era exigível o pagamento do IPI para o regime de admissão temporária para os contratos firmados em data anterior a 01/01/1999, faz jus o importador a restituição do valor pago indevidamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1999 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. LEI Nº 9.730/96. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. VIGÊNCIA PARA OS CONTRATOS FIRMADOS A PARTIR DE 01/01/1999. O contratos firmados em data anterior a 01/01/1999, não se submetem às regras referentes ao Regime de Admissão Temporária para Utilização Econômica, sendo aplicável a estes contratos o regime de admissão temporária prevista no art. 75 do Decreto-Lei nº 37/66. ADMISSÃO TEMPORÁRIA PARA UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. DESPACHO PARA CONSUMO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR DO IPI. Comprovado que não era exigível o pagamento do IPI para o regime de admissão temporária para os contratos firmados em data anterior a 01/01/1999, faz jus o importador a restituição do valor pago indevidamente. Recurso Voluntário Provido
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10314.006033/2004-15
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177292
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3102-001.602
nome_arquivo_s : Decisao_10314006033200415.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10314006033200415_5177292.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4414254
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:44:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931871875072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 253 1 252 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.006033/200415 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.602 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2012 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente MANTECORP PARTICIPAÇÕES S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. LEI Nº 9.730/96. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. VIGÊNCIA PARA OS CONTRATOS FIRMADOS A PARTIR DE 01/01/1999. O contratos firmados em data anterior a 01/01/1999, não se submetem às regras referentes ao Regime de Admissão Temporária para Utilização Econômica, sendo aplicável a estes contratos o regime de admissão temporária prevista no art. 75 do DecretoLei nº 37/66. ADMISSÃO TEMPORÁRIA PARA UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. DESPACHO PARA CONSUMO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR DO IPI. Comprovado que não era exigível o pagamento do IPI para o regime de admissão temporária para os contratos firmados em data anterior a 01/01/1999, faz jus o importador a restituição do valor pago indevidamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 60 33 /2 00 4- 15 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ que passo a transcrever. “O Contribuinte supraqualificado foi cientificado em 27/09/2005, fls. 66, do Despacho da Seção de Controle Aduaneiro da Delegacia da Receita Federal em Macapá/Amapá (Despacho SAANA/DRF/MCP/AP), fls. 64, 65, através do qual o Delegado da citada DRF, após apreciar a Solicitação intitulada Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito e Anexos, fls. 01/43, de valor recolhido de R$ 230.523,62, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, fls. 31, 32, 34, relativo à importação de Aeronave pelo Regime Aduaneiro de Admissão Temporária, fls. 36, 37, 39, 41, e depois de juntados ao processo os documentos de fls. 44/63, concluiu pelo indeferimento do Pedido de Restituição. Conforme o citado Despacho, tal indeferimento se deveu As razões a seguir descritas: Tratou o presente processo de Pedido de reconhecimento de direito decorrente de retificação de Declaração de Importação, fls. 01, 02, protocolado pelo Interessado em 09/08/2004. 0 Despacho Decisório 203/2004, fls. 44, 45, proferido em 20/10/2004, decidiu não conhecer a Solicitação de Restituição efetuada no presente processo. Havendo discordado da Decisão, o Interessado entrou com recurso, fls. 49 a 58, solicitando remessa dos autos A Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Conforme Despacho exarado As fls. 62, o presente processo foi encaminhado pela SAORT/DRF/MCA para a apreciação do Pedido de retificação de Declaração de Importação DI 99/06656352 de 22.08.99. Com a edição da Lei 9.430/96, Decreto 2.889/98 e IN/SRF 164/98, a legislação que disciplina o regime de Admissão Temporária passou a exigir o pagamento de impostos na entrada de bens no Pais que fossem utilizados economicamente. Anteriormente, a legislação permitia a suspensão total de impostos dos bens que adentrassem o Pais nessas condições. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006033/200415 Acórdão n.º 3102001.602 S3C1T2 Fl. 254 3 No caso apreciado, a Aeronave turbojato, modelo Hawker 800XP, s/n 258409, objeto da DI 99/06656352, fls. 36 a 39, adentrou efetivamente o Pais em 13.08.99, conforme General Declaration, data em que foi efetuado o desembaraço da DI e iniciouse a contagem do prazo do regime de Admissão Temporária, ou seja, em plena vigência da Lei 9.430/96, Decreto 2.889/98 e IN/SRF 164/98, verificados trechos de legislação vigente A época da entrada do referido bem no Pais (art. 297 do Decreto 91.030/85 de 05.03.1985, art. 14 da IN/SRF 164 de 31.12.1998) que corroboram tal entendimento, fls. 64, 65. Pelo exposto, propõese que seja indeferida a retificação da DI 99/06656352, e conseqüentemente o Pedido de Restituição pleiteado, uma vez que a Aeronave adentrou o Pais e foi desembaraçada em 13.08.99, data da ocorrência do fato gerador do imposto, em plena vigência da legislação que exigia pagamento dos impostos proporcionalmente ao tempo de permanência dos bens no Pais. Inconformado com o Despacho SAANA/DRF/MCP/AP, fls. 64, 65, do qual fora cientificado em 27/09/2005, fls. 66, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/10/2005, fls. 68/77, solicitando seja homologada a retificação da DI além de deferida a restituição do valor recolhido do IPI, ou que o pleito deva ao menos ser parcialmente provido, bem como seja reconhecido o direito de o Manifestante recuperar o imposto recolhido a maior por motivo de a Aeronave haver permanecido menos tempo no Pais do que foi utilizado como parâmetro para recolhimento do IPI, alegando em síntese: OS FATOS: Em agosto de 1999 o Manifestante importou Aeronave sob o regime de Admissão Temporária, conforme Decreto 2.889/98, de forma que, ao desembaraçar o bem, recolheu os impostos federais aduaneiros proporcionalmente ao seu tempo de permanência no Pais. 0 regime foi inicialmente concedido pelo prazo de um ano, sendo o pagamento realizado por meio de débito automático da quantia devida no SISCOMEX, com complementação de parcela por pagamento de guia DARF. Em 2000 foi concedida prorrogação da Admissão Temporária pelo prazo de mais um ano, novamente com pagamento proporcional do IPI. Em 2001, conforme Intimação da Secretaria da Receita Federal, o Manifestante recolheu o IPI proporcional ao restante do período de permanência da Aeronave no Pais, constante no contrato, ou seja, julho de 2004. Tendo o Manifestante optado pelo término do contrato de arrendamento mercantil, como lhe era assegurado, a Aeronave foi devolvida ao exterior em abril de 2003. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 DO DIREITO: REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA: 0 regime de Admissão Temporária é contemplado pelo artigo 79 da Lei 9.430/1996, fls. 70, 71. Embora a previsão de pagamento de tributos proporcionalmente ao prazo de permanência de bens importados precariamente seja datada de 1996, somente com o advento do Decreto 2.889, de 21/12/1998, é que a necessária regulamentação deu vigência eficaz àquele dispositivo. Assim, à época dos fatos concernentes ao presente processo, era o Decreto 2.889/98, revogado pelo Decreto 4.765, de 24 de junho de 2003, que determinava a sujeição de determinados bens importados ao regime de admissão temporária. Assim o fazia em relação as mercadorias que, fossem importadas por período determinado e que tivessem destinação econômica no Pais. Nesses casos, como dito, o Importador se sujeitava ao recolhimento dos impostos aduaneiros proporcionalmente ao tempo de permanência do bem no Pais, conforme estabelecem os artigos 1º e 2° do Diploma Legal, fls. 71,72. Antes do advento dessa norma em nosso ordenamento jurídico, a importação de bens em regime de Admissão Temporária não sofria a incidência de tributos aduaneiros, sendo comumente observada nas situações em que os bens internados precariamente tinham mero caráter cultural, como no caso de exposições ou competições esportivas, ou outra finalidade que não a comercial, como o recebimento de bens para conserto. Dessa forma, importa unicamente para análise do Pedido de Restituição o inicio de vigência do Decreto 2.889/98 e, consequentemente, do regime de Admissão Temporária nos moldes descritos. Assim, devese observar que, segundo o artigo 101 do Código Tributário Nacional, a vigência da legislação tributária regese pelas disposições legais aplicáveis as normas jurídicas em geral, ou seja, pelos preceitos da Lei de Introdução ao Código Civil. Esta, por sua vez, determina que a norma, salvo quando houver expressa disposição em contrario, entra em vigor 45 dias depois de publicada, fls. 72, 73. No caso do Decreto 2.889/98, ha expressa disposição prevendo sua entrada em vigor na data de sua publicação. Contudo, ao fazêlo, o artigo 9° do Decreto excluiu de sua aplicabilidade os contratos de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimos firmados até 10 de janeiro de 1999, fls. 73. No vertente caso, em que pese a importação ter ocorrido em 13 agosto de 1999, data do desembaraço aduaneiro, devese atentar para o dia da assinatura do contrato de arrendamento operacional da Aeronave. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006033/200415 Acórdão n.º 3102001.602 S3C1T2 Fl. 255 5 O mencionado artigo 9º, como visto, expressamente determina que o regime de Admissão Temporária, que sujeita a importação de bens destinados à utilização econômica aos impostos federais de importação, proporcionalmente ao tempo de permanência do bem no território nacional, só se aplica aos contratos de arrendamento operacional firmados, isto é, assinados a partir de 10 de janeiro de 1999, o que é corroborado por trecho de voto proferido em Decisão do Egrégio Conselho de Contribuintes, nos autos do Recurso 123.177, fls. 74. Nessa toada, é preciso não confundir a data em que é firmado o contrato com a data em que é efetuada a importação. Com efeito, a data de celebração do contrato é aquela em que as partes estabelecem direitos e obrigações reciprocas, enquanto a data de importação é meramente o momento em que o direito de uma das partes e a obrigação da outra se realiza. 0 Contrato de Arrendamento Operacional de Aeronave pactuado entre a Raytheon Aircraft Credit Corporation e o Manifestante, Mantefarma Indústria Química e Farmacêutica Ltda., conforme cópia e sua tradução juramentada juntadas aos autos, foi concluído em 28 de dezembro de 1998. quando ainda não se aplicavam aos contratos dessa espécie as regras impostas pelo Decreto 2.889/98. Dessa forma, verificase que, quando importada a Aeronave, ainda que realizada em agosto de 1999, não deveriam ter incidido os tributos aduaneiros, razão pela qual todos os recolhimentos de IPI realizados, nos termos do art. 2°, §1°, Decreto 2.889/98, foram indevidos, devendo ser restituídos pelo deferimento do Pedido (art. 165, do CTN). DO PEDIDO SUPLETIVO DO RECOLHIMENTO A MAIOR: Ainda que se mantenha a aplicabilidade do Decreto 2.889 ao vertente caso, o que se admite apenas por amor à argumentação, o Manifestante ainda teria direito à restituição de tributos recuperados, mesmo que parcialmente. Isso pois é fato que o bem importado permaneceu no Pais apenas até 2003, isto é, por prazo inferior ao que foi tomado por base para o recolhimento dos tributos aduaneiros proporcionais à posse do bem no Brasil. Tendo em vista que os impostos devidos para bens importados sob o regime de Admissão Temporária são calculados de acordo com o percentual representativo do tempo de permanência do bem no Pais em relação ao tempo de vida útil, inevitável a constatação de que ao menos parte do tributo arrecadado deve ser restituído, pois em seu cálculo foi utilizada uma proporção hoje superior à devida. 0 Manifestante só deveria ter recolhido o IPI relativo ao período encerrado com a devolução do Bem, em abril de 2003. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Todavia, como em 2001, ao pedir a prorrogação do regime de Admissão Temporária, o Manifestante foi intimado a recolher o IPI proporcional devido até o final do Contrato, julho de 2004, deste modo havendo procedido, há indébito a lhe ser restituído. Portanto, de modo supletivo ao Pedido Principal de inaplicabilidade do Decreto 2.889/98, e restituição integral dos tributos recolhidos, solicitase seja ao menos reconhecido o recolhimento a maior que decorre da consideração de prazo superior ao de efetiva permanência do Bem em território nacional. Vale a ressalva de que a restituição do que foi pago a maior, por conta de cálculo do IPI proporcional considerando prazo superior ao de efetiva permanência da Aeronave no Pais constitui também objeto do Pedido de Restituição 19679.008932/200498 que ainda aguarda julgamento. Os documentos comprobatórios do direito do Manifestante foram acostados aos autos quando ingressaram os Pedidos de Restituição, passíveis de confirmação pela Autoridade Fiscal, pois os recolhimentos, prorrogações e a devolução da Aeronave foram precedidos de procedimentos solenemente formalizados, anexa a documentação que comprova a reexportação.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo integralmente o despacho decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada. "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999 PEDIDO RESTITUICÃO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. Não lendo sido indevido o recolhimento do imposto relativo a admissão temporária do bem, descabe a restituição do IPI. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões . administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. Solicitação Indeferida" Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006033/200415 Acórdão n.º 3102001.602 S3C1T2 Fl. 256 7 Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, repisando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O regime de admissão temporária foi previsto inicialmente no art. 75 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. "Art.75 Poderá ser concedida, na forma e condições do regulamento, suspensão dos tributos que incidem sobre a importação de bens que devam permanecer no país durante prazo fixado. § 1º A aplicação do regime de admissão temporária ficará sujeita ao cumprimento das seguintes condições básicas: I garantia de tributos e gravames devidos, mediante depósito ou termo de responsabilidade; II utilização dos bens dentro do prazo da concessão e exclusivamente nos fins previstos; III identificação dos bens. § 2º A admissão temporária de automóveis, motocicletas e outros veículos será concedida na forma deste artigo ou de atos internacionais subscritos pelo Governo brasileiro e, no caso de aeronave, na conformidade, ainda, de normas fixadas pelo Ministério da Aeronáutica. § 3º A disposição do parágrafo anterior somente se aplica aos bens de pessoa que entrar no país em caráter temporário." A previsão para o pagamento parcial ou total dos tributos para os bens admitidos temporariamente para utilização econômica, foi previsto no art. 79 da Lei nº 9.430/96. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 "Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001)" A admissão temporária de aeronaves era previsto no art. 75 do DecretoLei nº 37/66, que explicitava a permissão no seu § 2º. Com o advento da Lei nº 9.430/96, sendo a aeronave para utilização econômica estaria sujeita ao pagamento dos tributos. Entretanto a lei, previu que a exigência dos impostos incidentes na importação ocorreria nos termos e condições estabelecidos em regulamento. A regulamentação para a exigência dos tributos sobreveio com a edição do Decreto nº 2.889, de 21 de dezembro de 1998. In verbis. "Art. 1º Poderão ser importados, em regime de admissão temporária, bens destinados à utilização econômica no País. Parágrafo único. Considerase utilização econômica a destinação dos bens à prestação de serviços ou à produção de outros bens. Art. 2º Os bens submetidos ao regime de admissão temporária sujeitamse ao pagamento dos impostos federais exigidos na importação, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território nacional. § 1o A proporcionalidade a que se refere este artigo será obtida pelo percentual representativo do tempo de permanência do bem no País em relação ao seu tempo de vida útil, determinado nos termos da legislação do imposto de renda. (Redação dada pelo Decreto nº 3.328, de 5.1.2000 ) § 2o O pagamento a que se refere este artigo fica suspenso relativamente aos bens a serem utilizados por empresas que se enquadrem nas disposições do DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, durante o período de sua permanência na Zona Franca de Manaus, observadas as condições estabelecidas para a vigência dos regimes. (Parágrafo incluído pelo Decreto nº 3.328, de 5.1.2000 ) Art. 3º O imposto pago na forma do artigo anterior não será restituído nem poderá ser objeto de compensação em virtude de extinção do regime antes de completado o prazo pelo qual houver sido concedido. Art. 4º O regime será concedido pelo prazo previsto no contrato de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006033/200415 Acórdão n.º 3102001.602 S3C1T2 Fl. 257 9 prorrogável na mesma medida deste, observado, quando da prorrogação, o disposto no art. 2º. Art. 5º No caso de extinção do regime mediante despacho dos bens para consumo, os tributos incidentes na importação, calculados com base na legislação vigente à data em que o regime for extinto, serão cobrados proporcionalmente ao prazo restante de vida útil do bem. Art. 6º Até 31 de dezembro de 2001, o disposto no art. 2º não se aplica aos bens constantes do Anexo, que poderão ser importados em regime de admissão temporária, nos termos dos arts. 290 a 313 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985. § 1º A importação em regime de admissão temporária na forma deste artigo aplicase, inclusive, às máquinas e aos equipamentos sobressalentes, às ferramentas e aos aparelhos, importados sem cobertura cambial, destinados a garantir a continuidade operacional dos bens constantes do Anexo. § 2º Os bens referidos neste artigo deverão observar classificação fiscal estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Art. 7º O regime previsto neste Decreto não se aplica na hipótese de bens objeto de arrendamento mercantil, do tipo financeiro, que ficam submetidos ao regime comum de importação. Art. 8º A Secretaria da Receita Federal expedirá as instruções necessárias ao disciplinamento do regime de admissão temporária. Art. 9º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose em relação aos contratos de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo firmados a partir de 1º de janeiro de 1999. Como se depreende da leitura do art. 9º do Decreto 2.889/98, este entraria em vigor na data da sua publicação, aplicandose em relação aos contratos de arrendamento firmados a partir de 01/01/1999. O contrato em discussão no presente processo foi firmado em 28/12/1998 (fl. 84). Portanto, em data anterior àquele previsto para aplicação da regulamentação prevista no Decreto nº 2.889/98. O cerne da lide gira em torno da posição adotada pela Receita Federal, ao entendee no seu despacho decisório que independente da regulamentação ocorrida com o Decreto nº 2.889/98, a exigência do pagamento dos tributos na importação para os bens admitidos temporariamente, já estaria em plena exigência por força do art. 75 da Lei nº 9.430/96. Portanto, a discussão se delimita a um espaço temporal em que a norma existiu, entretanto, a sua eficácia ficou condicionado, conforme transcrito no próprio corpo da Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 norma, a regulamentação pelo Poder Executivo, condição sine qua non para que pudesse produzir efeitos no mundo jurídico. A previsão contida no art. 9º do Decreto nº 2.889/98 nasceu para garantir a segurança jurídica e econômica daqueles que tinham contratos anteriormente a exigência de tributos no bens admitidos temporariamente para utilização econômica, entendo que aos contratos de arrendamento firmados em data anterior, seriam aplicáveis às regras previstas no art. 75 do DecretoLei nº 37/66 que não previa a exigência de tributos. A exigência dos tributos após a assinatura destes contratos poderia gerar prejuízos econômicos e contratuais de difícil reparação, portanto, agiu bem o legislador em não imputar as partes, que seguindo as regras legais, estabelecida a época da celebração dos contratos não poderiam manter estes mesmos acordos, sendo obrigatoriamente submetidas a legislação tributária diversa, durante o período de execução do contrato. Entendo, que sendo o contrato firmado em data anterior a 01/01/1999, não são exigíveis os tributos para admissão temporária por falta de regulamentação. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 23/11/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.073995/92-41
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário.
IRPJ. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VALOR RESIDUAL ÍNFIMO.
Não descaracteriza o contrato de leasing a fixação, tão-somente, de valor residual de importância infima.
Numero da decisão: 1103-000.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200910
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário. IRPJ. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VALOR RESIDUAL ÍNFIMO. Não descaracteriza o contrato de leasing a fixação, tão-somente, de valor residual de importância infima.
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10880.073995/92-41
anomes_publicacao_s : 200910
conteudo_id_s : 5273628
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.047
nome_arquivo_s : 110300047_108800739959241_200910.pdf
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Eric Moraes de Castro e Silva
nome_arquivo_pdf_s : 108800739959241_5273628.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
id : 4613539
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931877117952
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-10-16T13:11:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2012-10-16T13:08:59Z; Last-Modified: 2012-10-16T13:11:01Z; dcterms:modified: 2012-10-16T13:11:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:97353deb-09d7-436a-8221-a00fc73d4bf0; Last-Save-Date: 2012-10-16T13:11:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2012-10-16T13:11:01Z; meta:save-date: 2012-10-16T13:11:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-10-16T13:11:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2012-10-16T13:08:59Z; created: 2012-10-16T13:08:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2012-10-16T13:08:59Z; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Adobe Acrobat 9.0 Paper Capture Plug-in; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Adobe Acrobat 9.0 Paper Capture Plug-in; pdf:docinfo:created: 2012-10-16T13:08:59Z | Conteúdo => , " Df , C ;\ RF N1F . .. .-:..' . . R <;,,/9-. . '! ~ ,f' ." • .,~ •• • Processo n° Recurso n° Ac6rdion° Sessio de Matéria'" ·Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA -, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 10880.073995/92-41 166.311 Voluntãrio 1103-00.047 - 1· Câmara / 3· Turma Ordinária 01 de outubro de 2009 - . IRPJ E' CSll. DEDUÇÕES L. HUBER EQUIPAMENTOS AUTOMarIVO~ LTDA 1· TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ DE CURlTIBAiPR Assunto: Nonnas Gerais de Direito Tributãrio. IRPJ. ARRENDAMENTO MERCANTIL. V ÂLOR RESIDUAL ÍNFIMO. Não descaracteriza o contrato de leasing a fixação, tão-somente, de valor residual de importância infima Vistos, relatados e'discutidos os presentes autos . Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos tennos do relatório e voto que integram o presente julgado. I {: i, .' ALBERTINA SIL~ANro-:;E LIMA -Presidente ~ ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA - Relator EDITADO EM: . 2 O f-1AI 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima (presidente), Guilhenne Adolfo dos Santos Mendes (Conselheiro substituto), Marcos Shigueo Takata, Décio Lima Jardim (Suplente Convocado), Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero (Vice Presidente). rr~ '?~:.} ~ ~f\"1 ... ,~,'1S.'::": 2 '::i L'_I :: -Fl:::~.Zj :"': '~Q . ·~~.:~::e E)·/ BR': ~~C:; DF CARF ::\1F FI. 160 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou parcialmente procedente Auto de Infração inicialmente lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL, referente ao exercício de 1989, período-base de 1988 em razão das seguintes deduções na base de cálculos daquelas exações: despesas a título de leasing; gastos com benfeitorias, reforma de tratores e instalações de motor automotivo; A decisão recorrida, por unanimidade, exonerou a exigência da CSLL, mas por maioria manteve o lançamento do IRPJ. Inconformado o contribuinte no seu Recurso Voluntário sustenta que a exigência do IRPJ decorrente da não dedução dos ,contratos de arrendamento mercantil da base de cálculo do citado imposto também deve ser exonerada, porque foi feita com base na equivocada premissa de que tais contratos não teriam natureza de leasing, mas sim de compra e venda, em razão do pequeno valor residual para opção na aquisição do bem arrendado (1 %), no final da relação contratual. Assim, defende a natureza de arrendamento mercantil dos contratos que firmou e, com tal pressuposto, a dedutibilidade destas despesas no IRPJ, o que tomaria improcedente o auto de infração originário. É o relatório . . -. - ... -- - - .. .. _- ---- ---- .. . :.~". ~ 2 ' '': 1~r~ :1 ;'' ': 3f! ~.'" .: ,';' : -:'" o:" L _\I.~ - ':.~?_"'I r-.l E-O - E':' ,5 .: -:?i,,' !: ~ ;'J~r:>: .. o C) DF CARF ). If .. , ' .. - • • •• Processo na 10880.073995/92-41 Acórdlo n.a 1103-00.047 Vóto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator , O recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela quàl dele conheço e ingresso no juizo de m~to. ' Este Tribunal Administrativo há muito já vem decidindo que o valor residual do contrato de leasing, quando fixado em percentual infimo, não descaracteriza a natureza de arrendamento mercantil do contrato, fazio pela qual pode ô mesmo ser deduzido da base'de cálculo do imposto de renda. Nesse sentido as decisões abaixo transcritas: 11 - CONTRAPRESTAÇÕES DO , ARRENDAMENTO MERCANTIL. VALOR , RESIDUAL ÍNFIMO. No negócio jurídico contratado, do qual resulte operação de arrendamento mercantil, o fato de as paries. mediante acordo de interesses, fIXarem como valor residual quantia considerada irrisória, quando comparada com o custo financeiro do "leasing", não descaracteriza a essência do contrato. ACÓRDÃO 101-' 92.841 em 19./0.1999 ARRENDAMENTO MERCANTIL A fIXação de valor residual ínfimO, bem como o prazo contratual inferior ao prazo de vida IÍtil do bem, mas dentro do previsto na legislação específica, não descaracteriza os contratos de "Ieasing", sendo dedutíveis as correspondentes contraprestações. ACÓRDA~O 103-19.917 em 16.03.1999 . IRPJ ARRENDAMENTO MERCANTIL VALOR RES/DUAL ÍNFIMO Não descaracteriza o contrato de leasing a fIXação, tão-somente, de lIalar resldllal de importância ínfima. ACÓRDÃO 101-92.758 em 15.07.1999 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - ARRENDAMENTO MERCANTIL - .As despesas correspondentes a contratos de arrendamento mercantil celebrados na fo.rma da Lei 6.099/74 e alterações posteriores são dedutíveis na determinação do lucro real. O ajuste de cláusulas estabelecendo prazo inferior ao de vida útil do bem, lIalar residllallnjima. responsabilidade da arrendatária pelos custos e despesas relativas ao bem, substituição dos bens e transferência de contrato, não descaracterizam o contrato, porque todos estão previstos na legislação de vigência. ACÓRDÃO 103- 20.037 em 14.07.1999 . Assim, nos tennos ' da jurisprudência acima transcrita, voto por dar provimento ao recurso, julgado improcedente o Auto de Infração originário. É como voto . . ~ ERIC CASTRO E SILVA 3 "'.: ':· .. :r:- ,:·! '. : ;~,C~~~· ~-Uj IZT '~,E7:.: ,,~t.-0- ':3;;': ~r,1E' p.~. , .; CO
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000132/2003-65
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. STF.
O Supremo Tribunal Federal decidiu que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 - junho de 2005 (RE nº 566.621/RS).
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. STF. O Supremo Tribunal Federal decidiu que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 - junho de 2005 (RE nº 566.621/RS). DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13873.000132/2003-65
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5204061
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-001.240
nome_arquivo_s : Decisao_13873000132200365.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 13873000132200365_5204061.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4555208
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931879215104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13873.000132/200365 Recurso nº 161.350 Voluntário Acórdão nº 1801001.240 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de novembro de 2012 Matéria Compensação Recorrente CIA. AGRÍCOLA BOTUCATU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. STF. O Supremo Tribunal Federal decidiu que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 junho de 2005 (RE nº 566.621/RS). DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 01 32 /2 00 3- 65 Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1415.699/07 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 168 a 172, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito a ementa e trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a compensação de pagamentos indevidos com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. “A empresa qualificada em epígrafe, tributada pela modalidade de apuração do Lucro Real anual, ingressou em 14/05/2003 com pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$109.780,37 e R$47.106,72, respectivamente, apurado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 1997, elaborada em 30/12/1997, em razão de cisão parcial, da qual remanesceram 54,06% do patrimônio líquido (fl. B39). Juntou cópia da DIPJ respectiva, além de declaração de compensação com débitos de Cofins e PIS não cumulativo (fl. 01). A pretensão da contribuinte foi denegada, em conformidade com o Despacho Decisório Saort, lavrado em 10/06/2003, sob a fundamentação de que decaíra do direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório (fls. 73/76) pelo transcurso de prazo superior a cinco anos entre a data do pedido e a da ocorrência da aludida hipótese de incidência do crédito, bem assim de que os documentos carreados ao processo não atribuem ao referido crédito as características de certeza e liquidez, em face de que não houve pagamentos por estimativa, alegados pela contribuinte, haja vista terse utilizado de compensação para quitação de algumas parcelas mensais (fls. 46 a 51). Regularmente notificada, ingressou a contribuinte com a manifestação de inconformidade de fls. 82/110, com a arguição de que: · não decaiu de seu direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório, que se verifica cinco anos após a homologação tácita, que se dá cinco anos após a entrega da DEPJ; dez anos, portanto, da entrega da declaração; Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13873.000132/200365 Acórdão n.º 1801001.240 S1TE01 Fl. 3 3 · improcede alegarse inexistir certeza e liquidez do crédito tributário passível de compensação decorrente de apuração pelo regime de estimativa, cujo crédito tributário não foi recolhido aos cofres públicos, haja vista ter a contribuinte compensado algumas parcelas, em face de ter ocorrido homologação tácita de referidas compensações declaradas na DIPJ; Ao final, propugnou reconhecimento de seu direito, ao mesmo tempo em que pleiteou fosse a Procuradoria da Fazenda Nacional notificada da interposição do recurso respectivo, para suspensão dos procedimentos de cobrança relativos ao presente processo . [...] VOTO [...] No que diz respeito ao prazo para formular pedido de reconhecimento do direito creditório relativo aos pagamentos efetuados, vejase o que estabelece o CTN, de 1966, em seus arts. 165,1, e, 168,1: [...] Pelo exame dos dispositivos transcritos, verificase se que cessa com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de recolhimento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. [...] Dessa forma, em vista de que a reclamante protocolou seu pedido em 13/05/2003, encontrase decaído, no âmbito administrativo, o direito de pedir a restituição/compensação em relação a créditos alegados anteriores a 14/03/1998 (arts. 165, I, c/c o art. 168,1, ambos do CTN, de 1966). Ainda que a questão da decadência fosse superada, relativamente ao interregno que medeia a data em que protocolizou seu pedido e os cinco anos imediatamente anteriores, melhor sorte não teria a interessada no que diz respeito à comprovação dos alegados créditos cuja compensação teria sido homologada tacitamente. É orientação desta Turma de julgamento que os dados consignados na DIPJ comprovam apenas que houve declaração, não a efetividade dos fatos jurídicos e contábeis alegados que, para sua comprovação necessitam estar lastreados em instrução probatória suficiente para cumprir o desiderato de embasar a pretensão. No caso vertente foi acostada apenas cópia da DIPJ do anocalendário de 1997. Entretanto inexiste qualquer demonstração da forma como foram obtidos os valores que se acham consignados em referida declaração. Um dos instrumentos comprobatórios, suficiente para respaldar a pretensão da contribuinte é o Livro Diário, instrumento hábil para atestar a efetividade dos lançamentos contábeis, dadas as exigências legais de autenticação e segurança que o preservam e impedem adulterações, habilitandoo como meio de prova, conforme prescreve o art. 204 do RTR/94, a seguir transcrito: [...] Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Dessa forma, qualquer pretensão que a impugnante veiculasse deveria estar lastreada em documentação comprobatória do alegado, sob pena de sua pretensão de pronto ser denegada por insuficiência de provas. Em face do exposto voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, ratificando assim o decidido pela unidade de origem.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 06/07/07 fls. 176; Recurso – 07/08/07 fls. 180) o Recurso de fls. 180 a 189 reiterando os termos da defesa exordial, salientando que competia à Administração Tributária intimála para apresentar a documentação necessária pra comprovar a regularidade de seus procedimentos e a apuração dos saldos negativo de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 1997, mas não refutar o pedido de plano, conforme estabelece o artigo 4º da IN SRF nº 210/2002, que cuida do poderdever a que se submete o fisco ao examinar os pedidos de restituição; anexa ao recurso cópia integral do Livro Diário pertinente, mencionado no acórdão recorrido, o qual furtouse também de determinar a realização das diligências cabíveis. Argumenta, ainda, que por haverem passados cinco anos da entrega da DIPJ/98, a apresentação do Pedido de Restituição, temse a homologação tácita dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados naquela declaração. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Em exame preliminar, o cerne do litígio está na apreciação da prescrição das Per/Dcomp emitidas pela recorrente, haja vista o prazo superior a cinco anos, cuja tese é adotada pela Fazenda Nacional, em contraposição com a tese dos dez anos, cinco mais cinco, defendida pelo Superior Tribunal de Justiça, para os pedidos realizados até a edição da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, anteriormente a junho de 2005. Em recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11), e processada sob o rito do artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC), a Corte Superior deliberou sobre o prazo prescricional das ações de repetição de indébitos tributários, em face da Lei Complementar nº 118/05 e a constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13873.000132/200365 Acórdão n.º 1801001.240 S1TE01 Fl. 4 5 contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Destarte, a prescrição qüinqüenal não alcança a situação dos contribuintes que protocolizaram os pedidos de restituição dos indébitos tributários antes da edição da Lei Complementar nº 118/05, restando decidido o cabimento dos pedidos no prazo de dez anos a contar do fato gerador. A questão encontrase definitivamente julgada, visto o trânsito ocorrido denunciado pela ausência de recursos possíveis opostos pela Fazenda Pública e já transcorrido o prazo processual para qualquer alteração. Observo que há interposição de embargos pelos administrados que pretendem a dilação do prazo a quem fixado após a vacatio legis da lei Complementar nº 118/05, situação que não atinge o presente caso ora sob apreciação. Este órgão julgador, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF – Ricarf, está vinculado às decisões proferidas pelo STF, processadas sobre o rito do art. 543B e C do CPC: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A recorrente protocolizou o Pedido de Restituição cujo objeto são os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados para o anocalendário de 1997 em 14 de maio de 2003, portanto, em prazo inferior aos dez anos. De acordo com o julgado da Corte Suprema (STF) acima esposado, os pedidos não podem ser declarados prescritos. E embora a autoridade a quo tenha se manifestado sobre a existência do crédito tributário, fez a análise de forma sumária, sem intimar a recorrente. O mero exame das Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 informações inseridas na DIPJ entregue pela contribuinte é insuficiente para indeferir o pedido de restituição e declaração de compensação, dado o caráter meramente informativo deste documento. Acolho as razões expostas pela recorrente em suas defesas que deveria ter sido regularmente intimada a apresentar a sua contabilidade e demonstrar a origem do crédito pleiteado. Os efeitos do afastamento da preliminar de prescrição, somado à ausência de pedido de esclarecimento à recorrente pelo fisco, impõem o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais etc. Voto em dar provimento parcial ao recurso, afasto a prescrição declarada, e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000526/2005-31
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.231
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
numero_processo_s : 19515.000526/2005-31
conteudo_id_s : 6425576
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jul 17 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3101-000.231
nome_arquivo_s : 310100231_19515000526200531_201204.pdf
nome_relator_s : CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 19515000526200531_6425576.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4594279
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931895992320
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-05-06T23:06:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-05-06T23:06:15Z; Last-Modified: 2020-05-06T23:06:15Z; dcterms:modified: 2020-05-06T23:06:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6b08aa6b-dea6-4215-b7c7-f4adaa5b95e9; Last-Save-Date: 2020-05-06T23:06:15Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-05-06T23:06:15Z; meta:save-date: 2020-05-06T23:06:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-05-06T23:06:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-05-06T23:06:15Z; created: 2020-05-06T23:06:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2020-05-06T23:06:15Z; pdf:charsPerPage: 1207; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2020-05-06T23:06:15Z | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 108 1 107 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000526/200531 Recurso nº Resolução nº 3101000.231 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de abril de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente EDITORA NOVA GERAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto Corintho Oliveira Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.000526/200531 Resolução n.º 3101000.231 S3C1T1 Fl. 109 2 Relatório Adoto como parte de meu relato, o quanto reportado pelo decisum a quo: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 26/30, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF nº 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 1º trimestre de 2002 e o 3º trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 1.030.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/1999; art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001; art. 505 e 212 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/02); art. 1º e 10 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 71/2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.90.002004028804 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação às entregas das DIFs – Papel Imune ou apresentar os comprovantes de entrega das declarações relativas ao período acima mencionado (fl. 06). Em atenção à intimação fiscal, a intimada apresentou cópias dos recibos de entrega das declarações que se encontravam omissas (fls. 08/18), datados de 04/02/2005. E como as declarações foram entregues após o prazo regulamentar, a autoridade fiscal lançou as multas pelo atraso na entrega, computadas por mês de atraso, conforme demonstrado no Termo de Constatação (fl. 25). O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 14/06/2005, por meio de correspondência encaminhada com Aviso de Recebimento (fl. 32), tendo protocolado sua impugnação em 01/07/2005, conforme peça de fls. 34/39 (firmada por procuradora regularmente estabelecida, fls. 40/45), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese, que: “é detentora de registro especial destinado a impressão de livros, jornais e periódicos e associada à Câmara Brasileira do Livro – CBL, sob o nº 1384”, a qual impetrou, em 08/01/2002, Mandado de Segurança Coletivo nº 2002.34.00.0000718 “contra ato do Secretário da Receita Federal manifestado na Instrução Normativa nº 71/2001”. A liminar foi deferida “isentando os associados da CBL a apresentarem a DIFPapel Imune”; não entregou as declarações porque estava abrigada pela referida medida liminar. Portanto, é incabível a multa aplicada “tendo em vista Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.000526/200531 Resolução n.º 3101000.231 S3C1T1 Fl. 110 3 que não houve violação da lei”. Assim sendo, o auto de infração deve ser considerado nulo; caso superada a nulidade argüida, “o que se admite tão somente para argumentar”, não merece prosperar a autuação “em razão do efeito de confisco existente na penalidade pecuniária aplicada, bem como a violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade”. A multa é, portanto, inconstitucional. E o posicionamento da melhor doutrina, assim como da jurisprudência dos Tribunais, é assente quanto à impossibilidade de multas de caráter confiscatório; a multa aplicada “é extremamente excessiva em face da suposta infração cometida, pois em nenhum momento houve dano ao Erário, tampouco enriquecimento ilícito da Requerente, em razão da não apresentação das declarações em comento”. Ademais, “impende registrar que a pena pecuniária da presente impugnação poderá absorver parte considerável do valor de propriedade da Requerente, aniquilando e impedindo o exercício de sua atividade lícita e moral, motivo pelo qual deve ser repelida veementemente”; que a interposição da impugnação suspende a cobrança da multa aplicada no auto de infração, a teor do disposto no art. 151, III, do CTN. Conclui a impugnante requerendo a anulação do auto de infração ou, sucessivamente, “a revisão da multa para reduzir seu montante”. Requer, outrossim, “a suspensão da exigibilidade do Auto de Infração”. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP considerou procedente o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004, 01/11/2004 DIFPAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. MEDIDA LIMINAR. A decisão liminar argüida, tacitamente revogada pela sentença, não afastou a obrigatoriedade de entrega das DIFs Papel Imune. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004, 01/11/2004 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.000526/200531 Resolução n.º 3101000.231 S3C1T1 Fl. 111 4 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004, 01/11/2004 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Lançamento Procedente Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 91 e seguintes. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Analisando os documentos carreados ao contencioso, no mister do respectivo juízo de admissibilidade do recurso voluntário, notase a carência do Aviso de Recebimento da intimação do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ou de qualquer outro documento que possibilite ao Colegiado aferir a tempestividade do apelo. Diante desse quadro, concluo ser necessário verificar esse fundamental pré requisito para a procedibilidade do recurso em pauta e voto pela conversão deste julgamento em diligência, para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente venha a trazer aos autos, a fim de ser verificado o atendimento, ou não, do prazo recursal, cópia legível do AR decorrente da intimação do acórdão da DRJ, ou qualquer outro documento, seja proveniente dos Correios seja proveniente da Administração Tributária, que possibilite tal aferição. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.000526/200531 Resolução n.º 3101000.231 S3C1T1 Fl. 112 5 Após a efetivação da diligência, devolvamse os autos a esta Turma para julgamento. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13805.003539/97-01
Data da sessão: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1991 a 31/03/1992
FINSOCIAL. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF a
inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991,
que estabeleceu o prazo decadencial de dez anos para a Fazenda
Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição ao Finsocial.
Doravante o prazo é de cinco anos, contados de acordo com os
arts. 150, § 4°, e 173, I. do CTN. Assim, cumpre declarar a
insubsistência do lançamento, em cumprimento à Súmula n° 8 do
STF. (Parágrafo único do art. 4° do Decreto n° 2.346/97).
Transcorrido o lapso temporal de mais de cinco anos entre a data
de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e a data da
lavratura do auto de infração deve ser declarada a decadência cio
direito de constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, referentes aos meses de agosto a dezembro/91, excetuando-se os meses de janeiro a março de 1992, por não haver expirado o prazo decadencial.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: CSRF/03-06.020
Decisão: Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para restabelecer a exigência dos fatos geradores de janeiro de 1992 e seguintes, aplicando-se o art. 173 do CTN,
nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Nanci Gama e Antonio Carlos Guidoni Filho que nevaram provimento ao recurso.
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200809
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. Declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que estabeleceu o prazo decadencial de dez anos para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição ao Finsocial. Doravante o prazo é de cinco anos, contados de acordo com os arts. 150, § 4°, e 173, I. do CTN. Assim, cumpre declarar a insubsistência do lançamento, em cumprimento à Súmula n° 8 do STF. (Parágrafo único do art. 4° do Decreto n° 2.346/97). Transcorrido o lapso temporal de mais de cinco anos entre a data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e a data da lavratura do auto de infração deve ser declarada a decadência cio direito de constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, referentes aos meses de agosto a dezembro/91, excetuando-se os meses de janeiro a março de 1992, por não haver expirado o prazo decadencial. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 13805.003539/97-01
anomes_publicacao_s : 200809
conteudo_id_s : 5725660
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : CSRF/03-06.020
nome_arquivo_s : 40306020_129372_138050035399701_200809.pdf
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
nome_arquivo_pdf_s : 138050035399701_5725660.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para restabelecer a exigência dos fatos geradores de janeiro de 1992 e seguintes, aplicando-se o art. 173 do CTN, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Nanci Gama e Antonio Carlos Guidoni Filho que nevaram provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2008
id : 4611884
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931900186624
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-12-03T12:47:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-12-03T12:47:26Z; Last-Modified: 2012-12-03T12:47:26Z; dcterms:modified: 2012-12-03T12:47:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9ce9cf03-4ef5-46f1-ae50-98d9b2d4190e; Last-Save-Date: 2012-12-03T12:47:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-12-03T12:47:26Z; meta:save-date: 2012-12-03T12:47:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-12-03T12:47:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-12-03T12:47:26Z; created: 2012-12-03T12:47:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2012-12-03T12:47:26Z; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-12-03T12:47:26Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo Recurso n° Matéria Acórdão n" Sessão de Recorrente Interessado 13805.003539/97-01 303-129.372 Especial do Procurador FINSOCIAL - FALTA DE RECOLHIMENTO 03-06.020 08 de setembro de 2008 FAZENDA NACIONAL IRMÃOS GUIMARAES LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. Declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STI 2 a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que estabeleceu o prazo decadencial de dez anos para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição ao Finsocial. Doravante o prazo é de cinco anos, contados de acordo com os arts. 150, § 4°, e 173, I. do CTN. Assim, cumpre declarar a insubsistência do lançamento, em cumprimento 1:1 Súmula n° 8 do STF. (Parágrafo único do art. 4° do Decreto n° 2.346/97). Transcorrido o lapso temporal de mais de cinco anos entre a data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e a data da lavratura do auto de infração deve ser declarada a decadência cio direito de constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, referentes aos meses de agosto a dezembro/91, excetuando-se os meses de janeiro a mat -go de 1992, por não haver expirado o prazo decadencial. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos. relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para restabelecer a exigência dos fatos geradores de janeiro de 1992 e seguintes, aplicando-se o art. 173 do CTN, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Anteini ideñte Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Nanci Gama e Antonio Carlos Guidoni Filho que nevaram provimento ao recurso. Otacilio Dan a Cartaxo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Antonio Carlos Guidoni Filho, Otacilio Dantas Cartaxo, Suzi Gomes Hoffmann, Anelise Daudt Prieto, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Judith do Amaral Marcondes Armando e Nanci Gama. Relatorio Contra a contribuinte já identificada foi lavrado auto de infração (fis. 01/07) por falta de recolhimento de da contribuição para o FINSOCIAL relativo a fatos geradores ocorridos entre outubro/91 a março/92, do qual tomou ciência em 27/03/97. Noticiam os autos que obtendo a concessão de liminar em Ação de Medida Cautelar, proc. n° 91.0665738-9, para a realização de depósito judicial integral em dinheiro, do valor contestado. a titulo de garantia do juizo e a disposição do Juizo Federal (fl. 04), a contribuinte deixou de efetuar não só o depósito como não recolheu o imposto devido. Inconformada com a autuação impugnou o feito (fls. 44/69), argüindo pela inexigibilidade da exação, eis que destituída de liquidez e certeza, ante a inconstitucionalidade do Finsocial com aliquota majorada de 0,5% entre setembro/98 a março/92, declarada pelo SIT no julgamento do RE n° 150.764-PE (violtwao aos arts. 154-1 e 195, CT/88), inclusive havendo o reconhecimento pela Fazenda Nacional dessa improcedência, de acordo com os termos contidos no art. 17 da MP n° 1.110/95. Bem assim argüiu pela ilegalidade da IR e TRD por corresponderem a juros de mercado, não compatíveis com os indices de correção monetária, alegando em seu favor o instituto da denúncia espontânea. A decisão prolatada pelo Acórdão DRJ/SPOI n° 2513/03 (fis. 77/81), julgou o lançamento procedente, sintetizando o seu entendimento consoante os termos exarados na ementa adiante transcrita: "FINSOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. JUROS DE MORA. TR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PAGAMENTO. LANÇAMENTO. As alegay-jes de inconstitucionalklade incorporada ao ordenamento jurídico pó/rio nao podem ser apreciadas nu via administrativa, já que a compeui.ncia para tanto (..? exclusiva do Poder Judiciário. Cabível a incidência da TR, a find° de juros de mora. A denúncia espontánea da 2 CSRF/T03 Fls. 194 r-- Processo n° 13805.003539/97-01 Acórdão n.° 03-06.020 infração deve ser acompanhada do pagamento integral do tributo devido. Lançamento Procedente." Irresignada com a decisão de primeira instancia a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 87/99), contrapondo-se aos termos ali firmados. A decisão prolatada pela Terceira Camara do Terceiro Conselhos de Contribuintes, sob a forma de Acórdão n° 303-32.246, julgou parcialmente provido o recurso voluntário interposto, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativa aos fatos geradores de 31/10/91 a 28/02/92, de acordo com a ementa a seguir: "FINSOCIAL. DECADÊNCIA. 0 direito de constituição do crédito tributário pertencente ci Fazenda Nacional, relativo ao Finsocial, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, sç 4° do CTN. Observado o artigo 146, III, b, da Constituição Federal. FINSOCIAL. AL:QUOTA. Nos termos do julgamento do RE n° 150.764-PE, é defeso à cobrança da exaceio sob a aliquota de 0,5%. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO." Segundo o entendimento exarado no voto condutor opera-se a perda do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, quanto a tributo lançado pela modalidade de homologação, em 5 anos contado da data de ocorrência do fato gerador, com fulcro no art. 150, § 4°, do CTN, observados os institutos esculpidos no Art. 146, III, CF/88, não restando dúvidas que os prazos decadencial e prescricional está adstrito ao disposto no CTN, não cabendo a legislação ordinária estabelecer critérios a esse respeito. De acordo com esse raciocínio o fato gerador apurado pelo auto de infração ocorrido no periodo de outubro/91 a março/92, quando de sua lavratura já se encontrava eivado parcialmente com o instituto da decadência. A fl. 137, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, alegando contrariedade do acórdão a Legislação Tributária, quando à declaração de decadência, com base na Lei 8.212/91 e no Decreto-lei no. 2.049, de 1983. fl. 146, a Presidência do Terceiro Conselho, em despacho, recebe e da seguimento ao recurso especial e determina a ciência ao contribuinte para apresentação de contra-razões, o que feito a fl. 158. Nas suas contra-razões, a contribuinte repisa as argumentações da peça recursal. o relatório. 3 Voto Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, Relator 0 recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional preenche os quesitos necessários A sua admissibilidade quanto aos critérios de tempestividade e de divergência. Dele conheço. Em sendo o Direito uma ciência dinâmica, mediante provocação, sobre os temas "decadência/prescrição e termo a quo", debruçou-se o Superior Tribunal de Justiça, na busca da pacificação do conflito instaurado, para em se pronunciando de forma conclusiva, desenhar os contornos da nova jurisprudência a ser adotada pelos aplicadores do Direito em relação a esta questão. O STJ, por unanimidade de votos, em decisão monocrática, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, por meio do REsp. 616.348/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, em 15/08/07, consubstanciado no art. 146, III, b, da CF/88 e da constatação de que se está no trato de norma geral tributária, o prazo de cinco anos contidos nos arts. 150, § 4 0 e 173, ambos do CTN, e no entendimento de que tal posição somente poderia ser alterada por lei complementar. Em 11/06/2008, o Plenário do STF ao negar provimento aos Recursos Extraordinários 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, reconheceu que apenas por lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária, julgando inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e do parágrafo único do art. 5° do DL n° 1.569/77, que havia fixado em dez anos o prazo decadencial/prescricional para a apuração e constituição ou exigência das contribuições da seguridade social; e que determinava que o arquivamento administrativo das execuções fiscais de créditos tributários de pequeno valor seria causa de suspensão do curso do prazo prescricional, respectivamente. Nesse julgamento foi aprovada a Sumula Vinculante n° 8, DJe n° 112/2008 e DOU, ambos de 20/06/2008 e p. 1, que dispõe: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Sintonizada com o entendimento exarado desta Súmula, no mesmo sentido se pronunciou a Procuradoria da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CAT N° 1617/2008. Para efeito de fixação do dies a quo do prazo de caducidade projetados nas contribuições previdencidrias, concluiu o referido parecer, em seu item 40, que o pagamento antecipado da contribuição (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra especial contida no § 4° do art. 150 do CTN e que a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173 do mesmo diploma legal. Em atenção ao dispositivo contido no parágrafo único do art. 4° do Dec. n° 2.346/97, há que se aplicar ao caso presente o entendimento exarado na Súmula n° 8 do STF. No caso sub judice os fatos geradores da obrigação tributária ocorreram no período de apuração de 10//1991 a 03/1992 (fl. 02), tendo sido lavrado o auto de infração em 27/03/97. 4 Processo n° 13805.003539/97-01 Acórdão n.° 03-06.020 CSRF/T03 Fls. 195 Transcorrido o lapso temporal de mais de cinco anos entre a data de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e a data da lavratura do auto de infração deve ser declarada a decadência do direito de constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, referentes aos meses de agosto a dezembro/91, excetuando-se os meses de janeiro a março de 1992, por não haver expirado o prazo decadencial. Ex positis, não havendo preliminar a ser apreciada no recurso especial interposto, no mérito dou-lhe provimento parcial. assim que voto. • • 5
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720888/2007-40
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
Ementa:
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial quinquenal para a constituição do crédito tributário conta-se da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Como se trata de matéria de ordem pública a decadência deve ser reconhecida de oficio.
Numero da decisão: 2201-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a decadência.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 21/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 Ementa: DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial quinquenal para a constituição do crédito tributário conta-se da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Como se trata de matéria de ordem pública a decadência deve ser reconhecida de oficio.
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13971.720888/2007-40
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5189673
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-001.977
nome_arquivo_s : Decisao_13971720888200740.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 13971720888200740_5189673.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a decadência. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 21/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4513393
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931907526656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720888/200740 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.977 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria ITR Recorrente BN PAPEL CATARINENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 Ementa: DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial quinquenal para a constituição do crédito tributário contase da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Como se trata de matéria de ordem pública a decadência deve ser reconhecida de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a decadência. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 21/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 08 88 /2 00 7- 40 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 12/15), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 64.302,98, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Rolador, com área de 550,5 ha., localizado no município de Canelinha/SC. A fiscalização efetuou a glosa dos valores declarados como área de preservação permanente e de utilização limitada, sendo ainda arbitrado o valor do VTN com base no valor SIPT. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: O pedido de prorrogação de prazo para atendimento da intimação não era apenas expediente protelatório; o próprio engenheiro contratado para providenciar o levantamento topográfico e demais informações do imóvel declarou ser impossível realizar essa tarefa no prazo concedido, em razão de sua dimensão, e apenas foi possível protocolar requerimento junto à Prefeitura Municipal de Canelinha no dia 25/01/2008, ainda sem resposta; Ao rejeitar o requerimento para prorrogação do prazo, o fisco não lhe deu chance de comprovar os dados de sua declaração; por desconsiderar a realidade dos fatos e proceder ao arbitramento do valor do imóvel sem perícia ou avaliação de outro imóvel, a autuação não pode prosperar; foi ferido o princípio da proporcionalidade e não foi assegurado ao contribuinte o princípio da ampla defesa e do contraditório; O imóvel foi objeto de avaliação por profissionais habilitados em 1998, na incorporação que resultou em sua aquisição, pelo valor de R$ 250.200,00, por laudo que atendeu à Lei n.º 6.404/76, à Deliberação CVM n.º 183/1995 e ao Decreto n.º 1.041/1994; o laudo de avaliação atual, que segue NBR 14653 da ABNT, apurou o valor de R$ 507.964,83, além de ratificar informações do laudo anterior, quanto à existência de 210,0 ha. de mata nativa, 230,0 ha. de área de preservação permanente e 110,0 ha. de reserva legal; O VTN do imóvel foi arbitrado com base no SIPT, porém os contribuintes não tem acesso a esse sistema para saber como o valor foi apurado, e também não se observou o art. 148 do CTN, que prevê o arbitramento mediante processo regular; a jurisprudência pátria rejeita a utilização de presunções baseadas em pautas ou tabelas para a cobrança de tributos; considerando a regularidade dos laudos de avaliação apresentados, o arbitramento deve ser Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13971.720888/200740 Acórdão n.º 2201001.977 S2C2T1 Fl. 3 3 rechaçado, e, se para os Exercícios 2003 a 2005 não pode ser aceito o valor de 1998, também não pode aceito o valor de avaliação de 2008, pois, provavelmente a avaliação era menor, mas, atualmente é impossível ser realizada, devendo ser encontrada uma média entre os valores de 1998 e 2008; O laudo técnico é documento hábil para comprovar a área de preservação permanente existente no imóvel; é desnecessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental para exclusão da APP da base de cálculo do ITR; ao acrescentar o §7º ao art. 10, da Lei n.º 9.393/1996, a Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001, dispensou a apresentação do ADA; A área de reserva legal existente no imóvel, de 110,0 ha., é superior à declarada, e é inexigível sua averbação na matrícula do imóvel para o gozo da isenção do ITR, a qual, mesmo assim, esta sendo providenciada; e, conforme Medida Provisória 2.16667, de 2001, também é desnecessária a apresentação de documento comprobatório dessa área para isenção do ITR; Ao final, apresentou quesitos e indicou perito para o caso de restar dúvidas acerca das conclusões contidas nos laudos apresentados, de modo a indicar a hipótese de incidência do ITR. Em 13/03/2008 e 16/04/2008, a interessada apresentou novos requerimentos visando a juntada aos autos de cópia de ART e de respectivo pagamento ao CREA, de declarações firmada por engenheiro agrônomo quanto à situação do imóvel, de declaração da Prefeitura Municipal de Canelinha de que a mesma não possui profissional habilitado para conceder informações pedidas pela interessada e da Lei n.º 937/89, do Município de Canelinha/RS (fls. 116 a 118 e 121 a 126). A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos contidos no art. 11 do mesmo Decreto, não prospera a alegação de nulidade do lançamento. ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas e cumprimento de exigências Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 legais de entrega do ADA ao Ibama e averbação da reserva legal junto ao Registro de Imóveis. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 14/10/2009 (fl. 142), BN Papel Catarinense Ltda. apresenta Recurso Voluntário em 09/11/2009 (fls. 144 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De pronto, devese anotar que independentemente das questões levantadas pela contribuinte, incumbe a este Colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como apreciar as matérias de ordem pública. No caso destes autos urge reconhecer de oficio a decadência do crédito tributário, matéria de ordem pública que deve ser apreciada em qualquer grau de jurisdição. A Lei n° 9.393/1996 alterou substancialmente o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, principalmente em relação a sua forma de apuração, consoante se extrai dos artigos 1° e 10º a seguir transcritos: Art. 1°. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Pelo que se observa o fato gerador do ITR iniciase em 1° de janeiro de cada anocalendário, e a partir da vigência da Lei n° 9.393/1996, passou a ser tributo sujeito a modalidade de lançamento por homologação, atribuindo ao sujeito passivo a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13971.720888/200740 Acórdão n.º 2201001.977 S2C2T1 Fl. 4 5 Neste sentido, o § 4º do art. 150 do CTN determina prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcrevese o art. 150 § 4º do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sendo lançamento por homologação, o prazo decadencial amoldase ao estatuído no art. 150 § 4º do CTN, contado a partir do fato gerador, na existência de pagamento, o que se infere no caso vertente em decorrência da apuração do imposto a pagar declarado de R$ 185,06 (fl. 49). Assim sendo, o fato gerador do ITR referente ao exercício de 2003 iniciase em 01 de janeiro de 2003 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro 2007. Destarte, como a ciência do lançamento ocorreu em 08/01/2008 (fl. 113), todo o crédito tributário já havia sido atingido pela decadência. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para declarar a decadência. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13971.720888/200740 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.977. Brasília/DF, 23 de janeiro de 2013. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13971.720888/200740 Acórdão n.º 2201001.977 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001910/2003-98
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.
Descabe exigir em duplicidade adimplemento de obrigação tributária.Isto ocorrendo é nulo o processo.
Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixou de apreciar documentação trazida aos autos pela interessada. A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa, nulo é o ato.
DO MÉRITO E DO PROVIMENTO
Na forma do comando do § 3º do inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. ( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, na PRELIMINAR reconhecer a decadência até 06/1998, com base no §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN; e NO MÉRITO dar provimento ao recurso
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carolina Wanderley Landim. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Descabe exigir em duplicidade adimplemento de obrigação tributária.Isto ocorrendo é nulo o processo. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixou de apreciar documentação trazida aos autos pela interessada. A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa, nulo é o ato. DO MÉRITO E DO PROVIMENTO Na forma do comando do § 3º do inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. ( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993). Recurso Voluntário Provido.
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 35464.001910/2003-98
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5186360
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-001.713
nome_arquivo_s : Decisao_35464001910200398.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 35464001910200398_5186360.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, na PRELIMINAR reconhecer a decadência até 06/1998, com base no §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN; e NO MÉRITO dar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carolina Wanderley Landim. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4492090
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074931916963840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 18 1 17 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.001910/200398 Recurso nº 165.740 Voluntário Acórdão nº 2403001.713 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2012 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente NET SÃO PAULO LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Descabe exigir em duplicidade adimplemento de obrigação tributária.Isto ocorrendo é nulo o processo. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixou de apreciar documentação trazida aos autos pela interessada. A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa, nulo é o ato. DO MÉRITO E DO PROVIMENTO Na forma do comando do § 3º do inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, “ quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993). Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 19 10 /2 00 3- 98 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, na PRELIMINAR reconhecer a decadência até 06/1998, com base no §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN; e NO MÉRITO dar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carolina Wanderley Landim. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403001.713 S2C4T3 Fl. 19 3 Relatório O conteúdo integral do texto abaixo representa a Resolução de Registro 2403000.030 da sessão de 30 de setembro de 2011 que converteu o julgamento em diligência. “ De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 19, trata o presente de crédito previdenciário notificado em 08/07/2003, relativo ao período de 01/98 a 12/98, no valor de R$.860.393,17 (oitocentos e sessenta mil trezentos e três reais e dezessete centavos), notificado conforme fls.28, em 08/07/2003, representado pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.566.9200, decorrente da prestação de serviço contratado pelo contribuinte NET SÃ0 PAULO LTDA, sob o regime de cessão de mãodeobra com a empresa prestadora ORPLAN SERVIÇOS DE ENGENHARIA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA, CNPJ n.° 44.712.222/000102, cujo lançamento foi amparado com base no instituto da responsabilidade solidária, previsto no artigo 31 da Lei n.° 8.212/91, tendo em vista que a Notificada não apresentou à Auditoria Fiscal as guias de recolhimento e as Folhas de Pagamento devidamente vinculadas as Notas Fiscais de Serviços contabilizados. O salário de contribuição foi arbitrado tendo como amparo o art. 33, § 3° e 6° da Lei 8.212/91 de modo que sobre o valor bruto das notas fiscais ou na ausência dessas, os valores relativos à prestação dos serviços lançados na contabilidade da recorrente se calculou 40% cujo resultado caracterizou a base das incidências previdenciárias, por competência, conforme os tens 10 e 11 do relatório fiscal de fls. 19. DA IMPUGNAÇÃO. A prestadora ORPLAN Serviços De Engenharia E Telecomunicações Ltda não apresentou impugnação. A Recorrente contestou o lançamento através da defesa de fls. 30/42 alegando em síntese : Em preliminar, que foi precário o atendimento às regras inerentes à constituição de NFLD por solidariedade; Que não foram atendidas todas as diretrizes estabelecidas pela referida INDC/INSS n° 70/02 no que pertine à constituição do lançamento por solidariedade : “ §4° Para os fins previstos no §1°, do art. 37 da Lei no 8212/91, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverá ser remetida a todos os responsáveis solidários pelo pagamento desse crédito.”; Fl. 809DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Que o pólo passivo da relação processual administrativa está incompleto em razão de que cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deveriam ser remetidas a todos os responsáveis solidários pelo pagamento desse crédito e que não tendo sido isto realizado a empresa solidária não compôs o pólo passivo da relação processual; Que o lançamento feriu o Parecer CJ/MPAS n.° 2.376/2000; o artigo 246 da IN 70/02 a Circular 06102 e o inciso II, parágrafo 3° do art. 220 do Decreto 3048/99, visto que se restringiu a apreciação da existência de guias especificas; Que se que se a empresa solidária promoveu a integralidade dos recolhimentos previdenciários sob sua responsabilidade, mesmo que não , realizados através de guias especificas, ou seja, em guias globalizadas, evidente que a , obrigação previdenciária nascida sobre a massa salarial correspondente à mãodeobra que cedera aos tomadores de seus serviços, como no caso a ora notificada, está cabal e perfeitamente extinta, caracterizandose, pois, bitributação um lançamento previdenciário decorrente destes serviços; Que a Circular Conjunta Inss/Dirar/Cgfisc/Cgcob/Cgarrec n° 06, de 02/12/02, item 1.1, que trata da constituição de crédito previdenciário e tramitação do processo administrativo fiscal em decorrência da solidariedade que orienta o INSS a "efetuar, sempre que possível o cruzamento de informações de todos os devedores solidários, com vistas à verificação da regularidade do crédito a ser constituído, evitando a cobrança de créditos já extintos” Que não recebeu o relatório de fatos geradores A instância “ad quod ”, conforme fls.65, 69 e 72, remeteu os autos à autoridade lançadora para enviar relatório de fatos geradores, reabrindo o prazo de 15 (quinze) dias para defesa. DAS PETIÇÕES E OUTROS DOCUMENTOS ANTERIORES À DECISÃONOTIFICAÇÃO – DN Às fls. 85/97, se registra a decisão MONOCRÁTICA de primeira instância ocorrida em 06/05/2005 mantendo procedente em parte o lançamento, conforme DECISÃONOTIFICAÇÃO N°21.004.410323/2005. Às fls. 75/79 e 164, datadas de 09/02/2005 e 28/03/2005, consecutivamente, anteriores à decisão, se registram petições da recorrente que não foram observadas pelo AuditorAnalista que procedeu à decisão. Na petição de fls 75, a recorrente informa que a prestadora teria aderido ao REFIS e, portanto, estaria em dia com suas obrigações e que o INSS deveria pesquisar a respeito e às fls. 164, constitui documento onde a Recorrente solicita exclusão de valores em razão de duplicidade; DAS PETIÇÕES Fl. 810DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403001.713 S2C4T3 Fl. 20 5 Às fls. 111 e 130, se observam, consecutivamente, RECURSOS da tomadora e da prestadora, datados de 26/07/2005 e 05/08/2005 respectivamente, onde a RecorrenteTomadora reclama por não ter sido observado na Decisão Notificação a petição protocolizada sob o n° 35464.001032/200572, em 28/03/2005, anterior à decisão, juntada agora às de fls 164 apresentando também Recorrenteprestadora GRPS autenticadas de fls 135/155 e documento sobre o Refis cobrindo todo o período lançado. DAS DILIGÊNCIAS EM SEDE DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, DEPOIS DA DECISÃO Em razão disso, fls. 169/170, referindose à petição de fls. 164 até então não observada, o AuditorAnalista, submeteu em diligência o documento à Autoridade lançadora e requereu sua manifestação. Ressaltese, por relevante, que é lícito entender que o Julgador de primeira instância ao agir assim, supôs hipótese de reformar sua decisão de fls 85/97 dependendo do resultado da diligência. Às fls. 186, em 16/11/2005, o Auditor Fiscal em resposta à diligência, concede razão ao contribuinte e registra que se deva retificar o lançamento nos seguintes termos: “Finalizando,de tudo que aqui anteriormente foi dado para a nossa apreciação,concluise pela PROCEDÊNCIA total das alegações da empresa tomadora notificada feitas no parágrafo 1.c as Os. 116,117 e 118 do presente,ficando os salários de contribuição(e por conseguinte o crédito correspondente) retificados nas competências de 02/1998, 03/1998,05/1998, 06/1998 e 12/1998 em função da constatação de duplicidade de levantamentos de notas fiscais e,ainda, erro em transcrição de valores,ficando nestas competências retificados os seus salários de contribuição (resultantes da aplicação da alíquota de 40,0% sobre os totais brutos mensais ora retificados das notas fiscais e que se encontram discriminados na coluna "valor total retificado" da tabela apresentada no item anterior) nos valores constantes da coluna "salário de contribuição mantido" da tabela abaixo:” Convém ressaltar que, muito embora o desfecho acima, tal procedimento jamais fora realizado. Não se verificam nos autos despacho contendo a ordem para cumprir o resultado da diligência. Às fls. 188/287, em 21/11/2005, a tomadora junta documentos que assevera provar o cumprimento das obrigações a regularidade da prestadora; Às fls. 289/290, o AuditorAnalista referindose aos documentos probantes juntados pela tomadora, solicita nova diligência fiscal. É relevante notar que tratase do mesmo Auditor – Analista que proferiu a DN : Fl. 811DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 “ DA NECESSIDADE DA DILIGÊNCIA FISCAL. 12. Solicito à autoridade lançadora manifestação conclusiva sobre: a) a existência de elisão da responsabilidade solidária; b) caso afirmativa, motivar a manifestação indicando as competências. ”; Às fls. 293, desta vez, a Autoridade lançadora recusase a cumprir a diligência alegando em resumo que não mais haveria o que se verificar e que não compete à empresa notificada pronunciarse sobre a regularidade de outra empresa. Compulsório notar que o AnalistaJulgador afirmando ser necessário para suas conclusões, determinou que se efetuasse diligência para manifestação conclusiva da autoridade lançadora bem como que se motivasse a manifestação. Contrapondo a determinação do Julgador, a autoridade fiscal, às fls 293, no item 2 do seu Relatório, para justificar o não cumprimento da Autoridade Julgadora, decidiu que “ nada mais há por fazer no âmbito da empresa notificada”. No item 3 do mesmo Relatório, a autoridade lançadora mitiga a ampla defesa e o direito ao contraditório na medida em que, ainda pra justificar o não cumprimento da diligência, manifesta que “ Visando defenderse desta responsabilidade, observase que a notificada, ao longo do tempo, reiteradamente vem alegando a regularidade das obrigações previdenciárias por parte da empresa prestadora dos serviços acima identificada ao longo do período” ........ e que “ não é competência da empresa notificada pronunciarse sobre tal regularidade de outra empresa”. Cumpre registrar que também a determinação de motivar a manifestação indicando as competências não foi cumprida. Assim, mesmo não tendo sido cumprido absolutamente nada do que ele próprio determinara para formar sua convicção, o AuditorAnalista acatou o despacho de fls. 293 da Autoridade lançadora dando prosseguimento SEM SE MANIFESTAR CONCLUSIVAMENTE às fls 295, ao processo promovendo reabertura de prazo para RECURSO. Há que se registrar que não se observando formalmente decidido o processo em sede de impugnação, ficou subentendida a manutenção da DecisãoNotificação – DN de fls. 85: “ Nas fls. 186/187, a autoridade lançadora respondeu a diligência fiscal de fls. 169/171. Nas fls. 289/291, foi requerida à autoridade lançadora outra diligência fiscal, sendo que a mesma foi respondida nas fls. 293. 2. Sugiro o encaminhamento dos autos ao SEREC, para cientificação dos responsáveis solidários do resultado da diligência e intimação da reabertura de prazo para recurso.” Fl. 812DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403001.713 S2C4T3 Fl. 21 7 Assim, na forma do ofício de fls 297, abaixo, mesmo se tratando de informação Fiscal e não de decisão, o contribuinte fora informado da reabertura de prazo para interpor RECURSO em virtude da “ Informação Fiscal emitido pelo Auditor Fiscal e Despacho do Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário ”: “ OFICIO SRP/SPSUL/SEREC/ N° 01397/2006, São Paulo, 15 de agosto de 2006. Ref.: Processo de Débito n°: 35.566.9200 Comunicamos que em virtude da Informação Fiscal emitido pelo Auditor Fiscal e Despacho do Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário, referentemente ao débito acima, passa a interessada, através deste ofício, a ser cientificada de que foi reaberto o prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento desta comunicação, para apresentar novo Recurso, se assim o desejar, nos termos do parágrafo 1° do artigo 305 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n°4.729, de 10/06/2003 (DOU 10/06/2003). 2. Fica concedido o prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento desta comunicação, para que a notificada , se assim o quiser, manifestese através da apresentação de novo recurso, nos termos do art. 293, § 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3048, na redação dada pelo Decreto n°4.729/2003. ” Como se tratava de comunicar resultado de diligência SEM DECISÃO DEFINITIVA, a lide não estava decidida em sede de impugnação razão pela qual às fls 303 o Contribuinte encaminha acertadamente sua manifestação ao setor contencioso administrativo. Assim, na forma do proposto deveriam os autos ter retornado ao Analista muito embora este, equivocadamente, como se acima se registra, tivesse sustentado a notificação no §1° do artigo 305 do Decreto 3.048/99 fazendo o contribuinte encaminhar RECURSO para instância superior: “ Art. 305. Das decisões do INSS nos processos de interesse dos beneficiários caberá recurso para o CRPS, conforme o disposto neste Regulamento e no regimento interno do CRPS. (Redação dada pelo Decreto nº 7.126, de 2010) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) A forma como o processo foi conduzido sem sair do âmbito da instância “ad quod” produziu ruídos que provocaram confusão no cadastro, neste sentido, leiase o disposto às fls.344 em que o ultimo evento apresentado recebe a denominação de IMPUGNAÇÃO tempestiva 11/10/2006 e às fls. 345 o último Fl. 813DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 evento registrado é justamente a reabertura de prazo para DEFESA em 01/03/2006. Às fls 346, se faz menção da necessidade de correção afirmando tratarse de RECURSOS dirigidos ao CONSELHO DE CONTRIBUINTES quando não o foram como foi visto acima. Contudo, reconheceramse que deveriam retornar os autos à Delegacia de Julgamento: “5. Considerando que a reabertura de prazo é de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, sugiro o encaminhamento do processo àquela Delegacia, para regularização.” Abaixo, conforme documentado às fls. 349, segue extrato dá ultima movimentação do processo onde se observa que em 14/11/2007 procederamse à apresentação de IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA: “ DATA: 14/11/07 LISTA DE EVENTOS DE PROCESSOS HORA: 10:16:28 PROCESSO355669200 CLASSIFICAÇÃO D A scendente D escendente DATA DO DATA DO EVENTO / SITUAÇÃO ESTADO EVENTO MATRICULA PROCESSAM. EVENTO DESCRIÇÃO DATA OPERADOR 14/11/2007 10/10/2006 ENTREGA PESSOAL 0954788 > AGUARDA EXPIRA PRAZO P/RECURSO 14/11/2007 10/10/2006 D.O. PROCEDENTE 0000000 > AGUARD. COMUNIC. D.O. CONTATE. 14/11/2007 10/10/2006 APRESENT IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA 0954788 > AGUARDA ANALISE P/EXPED D.O. 14/11/2007 13/09/2006 AR. CONFIRMADO 0954788 > AG. EXPIRAÇÃO PRAZO IMPUGNAÇÃO 20060911 PRÓXIMO Finalizar Principal Modulo AnteriorWindow GT:BRANCA/1 at DTPSPMV2 ” ( grifei) Às fls. 357, na forma do despacho de n° 16080, em 14 de novembro de 2007, mesmo diante de tudo que foi exposto, o Presidente da 12 ª turma da DRJ/SPOI, exortando o artigo 37 da CF, decidiu de forma isolada, sem submeter ao colegiado, que “ o processo encontrase pendente de análise de recurso para encaminhamento dos autos ao Conselho de Contribuintes : Fl. 814DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403001.713 S2C4T3 Fl. 22 9 “Tratase da NFLD n° 35.566.9200, com decisão administrativa — DN n° 21.004.4/0323/2005 (fls. 85/97), pela Procedência Parcial do Lançamento, com interposição de recurso tempestivo, (fls. 111/127, 130/160, 164/168), acompanhado do depósito prévio (fls. 128). Efetuada diligência fiscal (fls. 169/187, 289/295), houve a manifestação dos interessados (fls. 188/287, 306/313, 315/337). No Sistema de Cobrança, por erro na digitação das informações de manutenção do processo, os presentes autos encontravamse na fase "Aguarda Análise para Expedição de DN". Assim, tendo em vista o disposto no art. 37 da CF, para permitir o prosseguimento dos autos, uma vez que o sistema não permitiu o retorno das fases até "Aguarda Análise para Recurso", efetuamos o cadastramento do recurso como se fosse uma impugnação c da decisão administrativa havida sob n° 3232005 como sendo de procedência do lançamento para não alterar o valor correto do debito já cadastrado no sistema, efetuando a manutenção do débito até a fase "AGUARDA EXPIRA PRAZO P/RECURSO", mantendo a última data de cadastramento de informações, qual seja, 10/10/2006. Considerando que o julgamento do lançamento ocorreu na forma da legislação vigente à época da emissão da Decisão Notificação, e que o processo encontrase pendente de análise de recurso para encaminhamento dos autos ao Conselho de Contribuintes. Ao SECOJ para encaminhar os autos á Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em São PauloSul para prosseguir..” Aduz que o artigo 37 da CFRB citado e todos os seus 22 incisos mais os devidos parágrafos, salvo melhor juízo, não oferecem suporte àquela decisão : “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte( Redação dada pela Emenda Constitucional n° 19, de 1998) ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Desse modo, a DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 1.004.41032312005, antes das diligências, sem as correções que deveriam ter sido efetuadas na forma da Informação Fiscal de fls 186, mantinha e manteve o LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Irresignada com a decisão mantida, às fls 306 a Tomadora apresentou recurso voluntário onde reiterou as alegações que Fl. 815DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 fizera em sede de impugnação, contestou o posicionamento da autoridade lançadora em sua manifestação de não cumprimento da diligência e cobrou que se procedesse a retificação/redução do débito acatada na forma da decisão de fls. 186 porém até então não cumprida. Na mesma linha de argumentação da Tomadora, a Prestadora dos serviços às fls. 315, apresentou, também, recurso voluntário alegando que o manifesto fiscal de fls. 293 não analisou o mérito da documentação apresentada pela NET SÃO PAULO LTDA que demonstra ser indevida a cobrança dos valores previdenciários por inexistir passivos previdenciários na empresa contratada, pelo relevante e incontestável fato de que a empresa MULTITECH SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA parcelou no ano de 2000 a dívida apurada pela fiscalização em períodos anteriores através do programa REFIS, o que demonstra a regularidade da empresa perante a Receita Previdenciária. Para sustentar o que afirmara juntou Contrato Social, Processo n° 2003.61.81.0088310 (parte) e planilha com demonstrativo de pagamentos efetuados até setembro de 2006 É o Relatório. VOTO DO CERCEAMENTO DE DEFESA Dos documentos não analisados Como relatado, às fls. 75/79 e 164, datadas de 09/02/2005 e 28/03/2005, consecutivamente, se registram petições da recorrente, anteriores à decisão, que não foram observadas pelo AuditorAnalista que procedeu à DECISÃONOTIFICAÇÃO N°21.004.410323/2005 em 06/05/2005. A Lei n° 9.784, de 1999, passou a ser denominada como a lei geral do processo administrativo federal. Tal lei veio dar contornos de processualidade à atividade administrativa, trazendo requisitos materiais, formais e principiológicos, com o objetivo de assegurar a proteção dos direitos do administrado e melhorar a execução dos fins da Administração Pública Federal, direta e indireta. Passou a influenciar, de forma subsidiária, vários procedimentos regulados por leis específicas, inclusive o processo administrativo tributário. O Decreto 70.235/72 é a base de sustentação, de forma específica. Porém, não cuidou, explicitamente, dos princípios da atividade administrativa julgadora. Isto determinou a utilização subsidiária da Lei 9.784/99. Assim, é que, na forma da previsão do artigo 3°, III da Lei 9.784/99, são direitos dos administrados : “ formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente.” Fl. 816DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403001.713 S2C4T3 Fl. 23 11 Aduz que na forma do Acórdão nº:10323306 publicado no D.O.U. de 08/05/08, exarado pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, processo n°19515.001880/200311, Recurso Voluntário n° 139.10 tal idêntica ocorrência esteve sob exame daquele Colegiado e ensejou anulação da decisão de primeira instância por vício material : “Acórdão nº:10323306 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Sob os auspícios do princípio da verdade material, deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixou de apreciar documentação trazida aos autos pela interessada, ainda que após o decurso do prazo para impugnação, mas antes de proferida aquela decisão....(.)........para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 1998 no valor de R$ 23.320.262,56 e R$ 1.998.531,42,respectivamente, incluindo multa de oficio e juros de mora”. É cediço que em não tomando conhecimento das aludidas petições, atitude esta manifestamente formalizada na decisão, item 45 às fls. 94, seguramente tal procedimento cerceou o direito de ampla defesa e do contraditório garantidos constitucionalmente ao contribuinte: “45. Portanto, se a Notificada pretendia juntar qualquer documento aos autos o deveria ter feito na impugnação, ou no momento da reabertura de prazo Assim não procedendo, presumemse não impugnadas as alegações não provadas.” Assim, entendo que isto posto, é lícito supor que a análise supra fez surgir elementos suficiente para consubstanciar fundamentada conclusão de nulidade DA DECISÃO por vício material. Entretanto, o fato da decisão restar nula não implica que necessariamente o lançamento também o esteja, assim procedendose ao objeto deste Tribunal que, em última análise, pretende promover a legalidade, para formar efetiva convicção, aguardarei o resultado da diligência que pretendo requerer para em seguida para me pronunciar em definitivo. DAS RETIFICAÇÕES NÃO REALIZADAS E DAS DILIGÊNCIAS NÃO CUMPRIDAS. Como relatado acima, o Analista–Julgador não considerou as petições interpostas em sede de impugnação anteriores à sua decisão. Não bastasse isso, posteriormente à decisão, continuou falando nos autos mesmo tendo precluído sua competência. Nos contornos do instituto da preclusão, decidida uma questão no curso do processo – excetuadas as hipóteses em que a decisão versar sobre matéria de ordem pública não mais pode o juiz pretender reexaminálas ou modificála. O I. Julgador ao recepcionar os Recursos de fls. 111 e 130 e em razão destes determinar a diligência de fls 169, bem como Fl. 817DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 conhecer da petição de fls. 188/287 determinando nova diligência de fls. 289/290 e ainda reabrindo prazos para novas manifestações sem efetiva e conclusivamente se manifestar sobre reforma da decisão exarada alhures, maculou o processo com vício insanável posto que eivado de nulidade impossível de convalescer. Considerando tudo que foi relatado, inclusive a declaração da empresa prestadora que veio aos autos afirmando ter sido fiscalizada no mesmo período e que encontravase em dia com suas obrigações previdenciárias, em preliminar, é determinante retornar os autos à instância “ad quod” para , providenciar a retificação na forma do solicitado às fls 289/290 se ainda não cumprido, e , também, em diligência,verificar a veracidade daqueles documentos acostados e reapresentados no Recurso de folhas 315 da prestadora. Observando, ainda, o preceituado na Lei 9.784/99, artigo 37, onde se determina que : “ Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”, aduz que é compulsório que se verifique nos sistemas da Receita Federal do Brasil as informações sobre as alegações da Recorrente e da prestadora dos serviços se, de fato, a prestadora sofreu fiscalização abrangendo o mesmo período levantado na Tomadora, 01/98 a 12/98, e se, em caso positivo, qual o resultado da ação fiscal desenvolvida de modo a evitar duplicidade de cobrança ou até mesmo cobrança indevida se ao término tiver sido constatado que a prestadora estava adimplente com suas obrigações. CONCLUSÃO Tudo isto posto, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, determinando que se proceda pela autoridade lançadora a retificação do lançamento na forma do definido às folhas 186, se ainda não efetuada, e ainda, que seja cumprida a diligência não realizada conforme despacho de folhas 293 concomitante à verificação nos sistemas se a empresa prestadora sofreu fiscalização no mesmo período levantado bem como se esta encontrase adimplente com aquelas obrigações do período em apreço. Tudo isso realizado, que se notifique ao contribuinte para, em querendo, se pronunciar.” Conforme registro 2403000.030 da sessão de 30 de setembro de 2011, acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. É o Relatório. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403001.713 S2C4T3 Fl. 24 13 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Analisando os autos concluise o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA. Às fls. 380/382 contém a manifestação onde mesmo trazendo extensos argumentos que até mesmo extrapolaram o requerido, a instância “ad quod” não respondeu integralmente o solicitado. Confrontando o que foi efetivamente solicitado na Diligência com o que foi atendido se observa o abaixo: O que foi solicitado : “ CONCLUSÃO Tudo isto posto, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, determinando que se proceda pela autoridade lançadora a retificação do lançamento na forma do definido às folhas 186, se ainda não efetuada, e ainda, que seja cumprida a diligência não realizada conforme despacho de folhas 293 concomitante à verificação nos sistemas se a empresa prestadora sofreu fiscalização no mesmo período levantado bem como se esta encontrase adimplente com aquelas obrigações do período em apreço. Tudo isso realizado, que se notifique ao contribuinte para, em querendo, se pronunciar.” Face ao acima destacado, a diligência foi determinada para atender 3 itens , a saber : 1 retificação do lançamento na forma do definido às folhas 186; 2 cumprir a diligência não realizada conforme despacho de folhas 293; e 3 verificação nos sistemas se a empresa prestadora sofreu fiscalização no mesmo período. O que foi respondido : No que se refere ao item n° 1, a Equipe de Orientação da Recuperação de Crédito – EQREC, na forma da Resposta abaixo transcrita, colacionou às fls. 372/374, emitido em 02/04/2012, o DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO – DADR com as devidas retificações. Na seqüência, no item 5.1 da resposta, de ofício, reduziramse em 50,92% os créditos então constituídos traduzindo o valor principal para R$ 165.959,24: Fl. 819DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 “ 5.1. Da forma proposta, caberia considerar parcialmente elidida a responsabilidade solidária da contratante para excluir a parte das contribuições lançadas correspondentes a 50,92% (a parte da mão de obra formal da empresa contratada) e para manter 49,08% das contribuições lançadas, parte em relação a qual obviamente não pode considerar elidida a responsabilidade solidária com a simples informação em documentos da empresa contratada de que tais serviços teriam sido subcontratados. Assim, no quadro seguinte são demonstrados os valores a serem excluídos, partindose do débito já retificado de acordo com a informação fiscal fls. 186 a 187, para apuração dos valores do débito a ser mantido, os valores remanescentes em relação aos quais não houve a elisão da responsabilidade solidária.” Aduz que a instância “ ad quod ” já comunicara à Recorrente sobre a redução. Fazendose referência ao requerido nos itens n° 2 e 3 da diligência, eis que, apesar de concordar, tal não foi cumprido ao que se infere, em razão de a empresa prestadora não ter mais movimento declarado em GFIP. Tal justificativa , mesmo sem ter sido diretamente apresentada, surge implícita nos termos do parágrafo 4 da resposta : “.....4. Portanto, há a necessidade de se examinar a situação da empresa contratada quanto ao cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, mais especificamente quanto aos recolhimentos das contribuições previdenciárias relativas aos segurados da prestação de serviços das notas fiscais de serviços emitidas, que muitas vezes extrapolam aqueles poucos empregados incluídos pela empresa na folha de pagamento, a parte dos segurados da formalidade, tratandose no entanto de período de fatos geradores ocorridos há mais de dez anos e cuja empresa não tem mais movimento desde 10/1999 conforme tela anexa sobre as últimas GFIP 's com movimento.” No que concerne especificamente ao quesito n° 3 : “ verificação nos sistemas se a empresa prestadora sofreu fiscalização no mesmo período.” , sem que tenha sido feito no texto qualquer alusão ao solicitado, às fls. 379, obtido em 23/04/2012, na mesma data da resposta de diligência, consta documento colacionado com registro de que, com início em 27/04/2000 e encerramento em 30/10/2000, a empresa prestadora/solidária sofreu fiscalização total que compreendeu o período 01/1990 a 09/2000. Da sobredita ação resultou documento de confissão de débito LDC para o período 12/97 a 08/1999. Relevante destacar que o início da ação fiscal do processo em comento se verifica às fls. 16 no Termo de Inicio de Ação Fiscal – TIAF , e registra a data de 27/02/2003 cujo resultado culminou com a constituição de crédito por solidariedade de suposta inadimplência da empresa prestadora de serviço no período de 01/98 a 12/98. Isto exposto, cumpre observar que quando do início da ação fiscal em tela, à cerca de 3 anos, o fisco já houvera realizado procedimento total na empresa prestadora de serviço onde na oportunidade constituíra créditos confessados e assumidos de pagar mediante parcelamento em LDC abrangendo o mesmo período em análise. Notificada dos argumentos da Diligência, a Recorrente exercendo o contraditório interpôs petição de fls. 394 onde alega que: “os níveis de incerteza e de segurança Fl. 820DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403001.713 S2C4T3 Fl. 25 15 jurídica no âmbito intrínseco deste lançamento, se elevaram....... o que apenas corrobora a perspectiva de ser o decreto de nulidade desta NFLD.” Alegou ainda que : “ Vir agora, como pretende o contraditado despacho, inovar na argumentação fiscal, para, manter parte da cobrança devida, é, efetivamente, caminhar em desarmonia aos primados do devido processo legal e da segurança jurídica deste lançamento, na medida em que retira a necessária certeza deste, em razão da necessidade de se ter que justificar, com novos argumentos, trabalho realizado há anos atrás e que, nem de longe, cogitava usar tais argumentos como fator motivador de sua própria constituição.” Argüiu nulidade do lançamento alegando que : “ Com efeito, nítida a existência de lançamentos em duplicidade sobre uma mesma base de incidência, fator que só corrobora com as perspectivas de invalidade desta NFLD. Não pode o fisco previdenciário promover duas distintas cobranças sobre um mesmo fato gerador, como, de forma impressionante, pretende que ocorra na espécie dos autos.Assim, ante a comprovada duplicidade, de rigor o reconhecimento da nulidade deste lançamento, para todos os fins e efeitos de direito. ” DO CERCEAMENTO DE DEFESA. DA DECADÊNCIA E DA DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA PARA PAGAGAMENTO. Às fls. 369 da solicitação de diligência afirmei que : “ Como relatado acima, o AnalistaJulgador não considerou as petições interpostas em sede de impugnação anteriores à sua decisão. Não bastasse isso, posteriormente à decisão, continuou falando nos autos mesmo tendo precluído sua competência. “ Nos contornos do instituto da preclusão, decidida uma questão no curso do processo excetuadas as hipóteses em que a decisão versar sobre matéria de ordem pública não mais pode o juiz pretender reexaminálas ou modificála. O I. Julgador ao recepcionar os Recursos de fls. 111 e 130 e em razão destes determinar a diligência de fls. 169, bem como conhecer da petição de fls. 188/287 determinando nova diligência de fls. 289/290 e ainda reabrindo prazos para novas manifestações sem efetiva e conclusivamente se manifestar sobre reforma da decisão exarada alhures, maculou o processo com vício insanável posto que eivado de nulidade impossível de convalescer.” Cumpre sublinhar que a DecisãoNotificação – DN n° 21.004.410323/2005 foi exarada em 2005, mas referindose ao sobredito, exortando celeridade processual não viabilizada em face das alterações ocorridas em 2007 com a vigência da Lei n° 11.457/2007 e afirmando que cumpria normas, sem negar a ocorrência, a instância “ ad quod” assim se manifestou, verbis: Fl. 821DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 “ 3. Em primeiro lugar cumpre observar que o relatório da referida resolução contêm alguns equívocos que levaram à conclusão indevida de que estaria maculado o processo com vício insanável, por exemplo, citando que o AnalistaJulgador da primeira instância teria conhecido de petições e determinado diligências após a decisão de primeira instância, "mesmo tendo precluído" sua competência, "sem efetiva e conclusivamente se manifestar sobre a reforma da decisão exarada. Na verdade o AnalistaJulgador estava cumprindo as normas que regulavam o contencioso administrativo fiscal previdenciário da época, de dois períodos e regras distintas, cuja primeira impugnação foi apresentada em 2003, ou seja, antes das alterações ocorridas em 2004 com advento da Portaria MPAS n° 88/2004 (vigência da Portaria MPAS n° 2.740/2001), e petições apresentadas depois, já em 2005, quando já não se admitia mais que houvesse a reforma da decisão de primeira instância, e sim a apreciação dos recursos e apresentação de parecer pelo AnalistaJulgador sobre a necessidade de alteração do débito para ser acatada na época pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (alteração que visava dar mais celeridade ao processo), o que acabou não sendo cumprido face às alterações ocorridas com a vigência da Lei n° 11.457/2007.” Não obstante o supra citado, sobre ter havido cerceamento de defesa, destaco que a instância “ ad quod” se manteve silente embora tenha sido matéria, também, incluída na diligência em comento. Reitero que tais eventuais elucidações concorreriam sobremodo para formar minha convicção, vide fls. 369. Na oportunidade manifestei observações que parcialmente transcrevo : “ Como relatado, às fls. 75/79 e 164, datadas de 09/02/2005 e 28/03/2005, consecutivamente, se registram petições da recorrente, anteriores à decisão, que não foram observadas pelo AuditorAnalista que procedeu à DECISÃONOTIFICAÇÃO N° 21.004.410323/2005 Assim, é que, na forma da previsão do artigo 3°, III da Lei 9.784/99, são direitos dos administrados : “ formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente.” Aduz que na forma do Acórdão nº:10323306 publicado no D.O.U. de 08/05/08, exarado pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, processo n°19515.001880/200311, Recurso Voluntário n° 139.10 tal idêntica ocorrência esteve sob exame daquele Colegiado e ensejou anulação da decisão de primeira instância por vício material : “Acórdão nº:10323306 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Sob os auspícios do princípio da verdade material, deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixou de apreciar documentação trazida aos autos pela interessada, ainda que após o decurso do prazo para impugnação, mas antes de proferida aquela decisão....(.)........para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 1998 no valor de R$ Fl. 822DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403001.713 S2C4T3 Fl. 26 17 23.320.262,56 e R$ 1.998.531,42,respectivamente, incluindo multa de oficio e juros de mora”. ” A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa , nulo é o ato: “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DA DECADÊNCIA Tendo presente que os créditos em apreço se referem às supostamente inadimplidas obrigações da prestadora ora imputadas à Recorrente por solidariedade, no que concerne a eventuais “pagamentos antecipados ”, dois vetores são de se observar: Se enfrentar a questão pela prisma da tomadora dos serviços na medida em que, “stricto sensu”, não se constituíram créditos por inadimplência da Recorrente, os recolhimentos homologados ao término da ação fiscal representaram “ pagamentos antecipados” Se o escopo contiver a prestadora como passível de se verificar os tais “ pagamentos antecipados”, há que se trazer à lume os documentos colacionados em sede de impugnação às fls. 135/153, com timbre de autenticação datado de agosto de 2005, que revelam recolhimentos efetuados por todo o período levantado. Assim, observandose que a empresa fora notificada em 08/07/2003 , vide fls. 28, restam fulminadas as competências 06/98 e anteriores com fulcro no art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Tendo havido ação fiscal total na prestadora que resultou documento de confissão de débito LDC para o período 12/97 a 08/1999 conforme exibido alhures, todo o lançamento em comento restou descabido uma vez que em prosperando sua exigência se caracterizará duplicidade em razão das sobreditas exposições. DO MÉRITO DO ART. 59,II, § 3º, DO DECRETO 70.235 Art. 59. São nulos: II. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) Desse modo, considerando o sobredito § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72, estando as competências decaídas submetidas aos mesmos efeitos do lançamento como um todo, e ainda em face do cerceamento de defesa observado, resolvo conceder provimento total às alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para, EM PRELIMINAR, reconhecer a decadência até 06/1998, inclusive, com base no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN e no MÉRITO dar provimento ao recurso. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 824DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/02/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11610.009100/2002-18
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendario: 1990,1991,1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO
Apurada contradição no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 57, § 3° do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO
Apurada omissão no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 57, § 3o do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes.
ILL - DECADÊNCIA - SOCIEDADE ANÔNIMA - TERMO INICIAL
No caso de sociedades anônimas, o prazo j inicial para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL deve ser a data da publicação da Resolução n° 82 do Senado Federal, que se deu em 19.11.1996.
PAGAMENTO INDEVIDO - RESTITUIÇÃO - PRAZO
O prazo para pleitear a repetição do indébito tributário é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que, no caso em exame, se deu por^ocasião do pagamento indevido.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2102-000.300
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em ACOLHER os Embargos de Declaração para sanar a omissão e a contradição apontadas, RERRATIFICANDO o Acordão nº 106-16.368, de 26 de Abril de 2007, sem alteração do resultado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200908
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendario: 1990,1991,1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO Apurada contradição no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 57, § 3° do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO Apurada omissão no voto condutor do aresto embargado, deve a mesma ser sanada, nos termos do art. 57, § 3o do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. ILL - DECADÊNCIA - SOCIEDADE ANÔNIMA - TERMO INICIAL No caso de sociedades anônimas, o prazo j inicial para contagem do prazo decadencial de restituição do ILL deve ser a data da publicação da Resolução n° 82 do Senado Federal, que se deu em 19.11.1996. PAGAMENTO INDEVIDO - RESTITUIÇÃO - PRAZO O prazo para pleitear a repetição do indébito tributário é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que, no caso em exame, se deu por^ocasião do pagamento indevido. Embargos acolhidos.
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 11610.009100/2002-18
anomes_publicacao_s : 200908
conteudo_id_s : 6053540
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-000.300
nome_arquivo_s : 210200300_11610009100200218_200908.pdf
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
nome_arquivo_pdf_s : 11610009100200218_6053540.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em ACOLHER os Embargos de Declaração para sanar a omissão e a contradição apontadas, RERRATIFICANDO o Acordão nº 106-16.368, de 26 de Abril de 2007, sem alteração do resultado.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
id : 4614099
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-26T19:32:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 210200300_11610009100200218_200908; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 14675722172; dcterms:created: 2019-08-26T19:32:36Z; Last-Modified: 2019-08-26T19:32:36Z; dcterms:modified: 2019-08-26T19:32:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 210200300_11610009100200218_200908; xmpMM:DocumentID: uuid:d31e9dff-ca93-11e9-0000-b81f218a3002; Last-Save-Date: 2019-08-26T19:32:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2019-08-26T19:32:36Z; meta:save-date: 2019-08-26T19:32:36Z; pdf:encrypted: false; dc:title: 210200300_11610009100200218_200908; modified: 2019-08-26T19:32:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 14675722172; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 14675722172; meta:author: 14675722172; dc:subject: ; meta:creation-date: 2019-08-26T19:32:36Z; created: 2019-08-26T19:32:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-08-26T19:32:36Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 14675722172; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2019-08-26T19:32:36Z | Conteúdo =>
_version_ : 1714074931932692480
score : 1.0
